“Das
lágrimas em meus olhos secos, basta o meio tom do soluço para pranto
inteiro”. Conceição Evaristo
Academia
Brasileira de Letras (ABL) representa uma instituição brasileira fundada na
cidade do Rio de Janeiro em 20 de julho de 1897 pelos escritores Machado de
Assis, Lúcio de Mendonça, Inglês de Sousa, Olavo Bilac, Afonso Celso, Graça
Aranha, Medeiros e Albuquerque, Joaquim Nabuco, Teixeira de Melo, Visconde de
Taunay e Ruy Barbosa. É composta por quarenta membros efetivos e perpétuos, por
isso alcunhado imortal, e por vinte sócios estrangeiros. A língua portuguesa,
também designada português, é uma língua românica flexiva ocidental originada
no galego-português falado no Reino da Galiza e no norte de Portugal. Com a
criação do Reino de Portugal em 1139 e no processo civilizatório para o sul
como parte da Reconquista, deu-se a difusão da língua pelas terras conquistadas
e mais tarde, com os chamados descobrimentos, para o Brasil, África e outras
partes do mundo. Tem por objetivo o cultivo da língua portuguesa e da
literatura brasileira. É-lhe reconhecido o mérito por reconhecimento em prol da unificação do idioma brasileiro e português europeu.
Nomeadamente, teve importância no Acordo
Ortográfico de 1945, conseguido em conjunto com a Academia das Ciências de Lisboa, assim como foi de novo
interlocutora quanto ao ainda polêmico Acordo
Ortográfico de 1990.
A
iniciativa foi tomada por Lúcio de Mendonça, concretizada em reuniões
preparatórias que se iniciaram em 15 de dezembro de 1896 sob a presidência de
Machado de Assis, eleito por aclamação na redação da Revista Brasileira. Nessas
reuniões, foram aprovados os estatutos da Academia Brasileira de Letras (ABL) a 28 de
janeiro de 1897, compondo-se o seu quadro de quarenta membros fundadores. A 20
de julho desse ano, era realizada a sessão inaugural, nas instalações do Pedagogium, prédio fronteiro ao Passeio
Público, no centro do Rio. Sem possuir sede própria nem recursos financeiros,
as reuniões da Academia eram realizadas nas dependências do antigo Ginásio
Nacional, no Salão Nobre do Ministério do Interior, no salão do Real Gabinete
Português de Leitura, sobretudo para as sessões solenes. As sessões comuns
sucediam-se no escritório de advocacia do Primeiro Secretário, Rodrigo Octávio,
à Rua da Quitanda, 47, no centro da Província do Rio de Janeiro. A partir de 1904, a Academia
Brasileira de Letras (ABL) obteve a ala esquerda do Silogeu Brasileiro, por abrigar, além do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), a Academia de Medicina, o Instituto dos Advogados do Brasil, e a Academia Brasileira de Letras (ABL) um
prédio governamental de instituições culturais,
onde se manteve até a conquista e consagração da sua sede própria.
A
Academia tem por fim, segundo os seus estatutos, a “cultura da língua nacional”,
sendo composta por quarenta membros efetivos e perpétuos, conhecidos como
"imortais", escolhidos entre os cidadãos brasileiros que tenham
publicado obras de reconhecido mérito ou livros de valor literário, e vinte
sócios correspondentes estrangeiros. À semelhança da Academia francesa, o cargo
de "imortal" é vitalício, o que é expresso pelo lema “Ad immortalitem”, e a sucessão dá-se
apenas pela morte do ocupante da cadeira. Formalizadas as candidaturas, os
acadêmicos, em sessão ordinária, manifestam a vontade de receber o novo
confrade, através do voto secreto. Os eleitos tomam posse em sessão solene,
quando todos os membros vestem o fardão da Academia, de cor verde-escura com
bordados de ouro que representam os louros, complementado por chapéu de veludo
preto com plumas brancas. Nesse momento, o novo membro pronuncia um discurso, onde tradicionalmente se evoca
o seu antecessor e os demais ocupantes da cadeira para a qual foi eleito.
Etnograficamente, assina o Livro de
posse e recebe das mãos de dois outros imortais o Colar e o Diploma. A Espada é entregue pelo decano, o
acadêmico mais antigo. A cerimônia prossegue com um discurso de recepção,
proferido por um confrade, referindo os méritos do novo membro. Instituição majoritária masculina, a partir de 4 de novembro de 1977, recepcionou a cearense Rachel de Queiroz, com o molde de uma
versão feminina do tradicional fardão, um vestido
longo de crepe francês verde-escuro, com folhas de louro bordadas em fio de
ouro.
Com
isso, o tema da ideologia sofria uma desdramatização. Se o nível de análise ideológico, afinal
não passava de uma consequência pura e simples de um processo prático,
material, que importância maior poderia ter, na sua esfera social de ação, as
controvérsias que lançavam, uns contra os outros, os sujeitos históricos? Historicamente
durante a colonização, marinheiros portugueses levaram o seu idioma para terras
distantes, por tentativas de colonizar novas terras e, como resultado, o português
dispersou-se pelo mundo. Brasil e Portugal são os dois únicos países cuja língua
é o português, língua oficial em antigas colônias, nomeadamente, Moçambique,
Angola, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, todas
na África. Por razões etno-históricas, falantes do português, ou de crioulos
portugueses, são encontrados também em Macau (China), Timor-Leste, em Damão e
Diu e no Estado de Goa (Índia), Malaca (Malásia), em enclaves na ilha das
Flores (Indonésia), Batticaloa no (Sri Lanka) e nas ilhas Aruba, Bonaire e Curaçao no Caribe. É uma
das línguas oficiais da União Europeia, do Mercosul, da União de Nações
Sul-Americanas, da Organização dos Estados Americanos (OEA), União Africana e dos
Países Lusófonos. Com aproximadamente 280 milhões de falantes, o português representa a
5ª língua mais falada no mundo globalizado, a 3ª mais falada no hemisfério ocidental e a
mais falada no hemisfério sul do planeta. É reconhecido como “a língua de
Camões”, autor de Os Lusíadas, e “a
última flor do Lácio”, expressão de Olavo Bilac. Miguel de Cervantes
considera o idioma “doce e agradável”. Em março de 2006, o Museu da Língua
Portuguesa, foi criado em São Paulo, a cidade de maior número de falantes
do português no mundo.
O
Museu da Língua Portuguesa ou Estação Luz da Nossa Língua é um
museu interativo sobre a língua portuguesa localizado na cidade de São Paulo,
Brasil, no histórico edifício Estação da Luz, no Bairro da Luz, região central
da cidade. Foi concebido pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo em
conjunto com a Fundação Roberto Marinho, tendo um investimento de cerca de 37
milhões de reais. O objetivo da instituição é criar um espaço vivo sobre a
língua portuguesa, considerada como base da cultura do Brasil, onde seja
possível causar surpresa nos visitantes com os aspectos inusitados e, muitas
vezes, desconhecidos de sua língua materna. Segundo os organizadores do museu, “deseja-se
que, no museu, esse público tenha acesso a novos conhecimentos e reflexões, de
maneira intensa e prazerosa”. O museu tem como alvo principal a média da
população brasileira, composta de pessoas provenientes das mais variadas
regiões e faixas sociais do país, mas que ainda não tiveram a oportunidade de
obter uma ideia mais precisa e clara sobre as origens, a história e a evolução
contínua da língua. De sua inauguração até o final de 2012, mais de 2,9 milhões
de pessoas já haviam visitado o espaço, consolidando-o como um dos museus mais
visitados do Brasil e da América do Sul. Em 21 de dezembro de 2015, o museu foi
atingido por um incêndio que destruiu dois andares de sua estrutura. Seu
acervo, contudo, não se perdeu, por ser virtual, sendo recuperado a partir de backups.
Depois de passar por uma restauração, o museu foi reinaugurado. Por ocasião da cerimônia, a instituição foi agraciada com a Ordem
de Camões, pelos relevantes serviços prestados à língua portuguesa.
Após
a Independência das antigas colônias africanas, o português padrão de Portugal tem
sido o escolhido pelos países africanos de língua portuguesa. Logo, o português
tem apenas dois dialetos de aprendizagem, o europeu e o brasileiro. Note-se que
na língua portuguesa europeia há uma variedade prestigiada que deu origem à
norma-padrão: a variedade de Lisboa. No Brasil, comparativamente, a maior
quantidade de falantes se encontra na região sudeste, por ter sido alvo de
intensas migrações internas, graças ao seu poder econômico. O Distrito Federal
apresenta um destaque devido ao seu dialeto próprio, pelas várias hordas de
migração interna. Os dialetos europeus e americanos do português apresentam
problemas de inteligibilidade mútua, dentro dos dois países, devido, sobretudo,
a diferenças culturais, fonéticas, lexicais. Nenhum pode ser
considerado como intrinsecamente melhor ou perfeito. Algumas comunidades
cristãs na Índia, Sri Lanka, Malásia e Indonésia preservaram sua língua depois de se isolarem de Portugal. A língua foi alterada nessas
comunidades e, em muitas, nasceram crioulos de base portuguesa, que ainda
persistem, após séculos de isolamento. Também é perceptível uma variedade de
palavras originadas do português no tétum.
Palavras de origem portuguesa entraram no léxico de várias outras línguas, como
o japonês, o suaíli, o indonésio e o malaio.
Não
queremos perder de vista que a concepção sociológica de Axel Honneth (2004)
problematiza a “invisibilidade” como uma patologia
social caracterizada por “formas intencionais de tornar pessoas invisíveis”.
De forma semelhante à interpretação da análise da reificação marxista, a invisibilidade também é tratada de um ponto
de vista epistemológico e moral, a partir da teoria do reconhecimento. Para
Honneth, um ato de reconhecimento pressupõe dois elementos: 1) uma
identificação cognitiva de uma pessoa como dotada de propriedades particulares
em uma situação particular, e: 2) a confirmação da cognição da existência da
outra pessoa como dotada de características específicas, através de ações,
gestos e expressões faciais positivas manifestados por quem a percebe. A
invisibilidade, por outro lado, significa mais do que a negação desses dois
elementos. Sintetizada em expressões como a de um “olhar através”, ela nega a
existência do outro do ponto de vista perceptual, como se ele não estivesse
presente no campo de observação da visão de quem olha. É importante mencionar
que faz distinção precisa, sofisticada entre invisibilidade e visibilidade,
na sociedade contemporânea, de modo que, embora ambas as ideias sejam
aparentemente espelhadas, elas conteriam em si mecanismos de funcionamento
fundamentalmente diferentes.
No
conceito negativo (“invisibilidade”), as pessoas afetadas sentem-se como se não
tivessem sido percebidas. A perceptibilidade corresponde à capacidade de ver
alguém, enquanto a visibilidade designa mais do que mera perceptibilidade
porque acarreta a capacidade para uma identificação individual elementar. Desse
modo, para as pessoas afetadas em particular, a invisibilidade significaria o
sentimento de realmente não serem percebidas ou vistas, ao contrário da ideia
de que a invisibilidade significaria puramente a ideia negativa de
visibilidade, já que esta funciona segundo pressupostos que vão além da capacidade
de ver, pois a visibilidade também inclui, além da visão, as capacidades de
identificar, conhecer. Em outras palavras, quem é invisibilizado socialmente
sente que sequer é visto. Não entra em jogo neste sentido o sentimento de que
não é identificado ou conhecido. A discrepância conceitual que se torna
aparente entre invisibilidade visual e visibilidade é devido ao fato de que,
com a transição para o conceito positivo, as condições governando a sua
aplicabilidade são mais exigentes. Enquanto a invisibilidade visual
significa que um objeto não está presente como um objeto no
campo perceptivo de uma pessoa, a visibilidade física requer que nós assumamos
uma posição cognitiva diante do objeto dentro de uma estrutura espaço-temporal
como algo com propriedades visuais relevantes.
Medalha Pedro Ernesto, das mãos de Marielle Franco.
Conceição
Evaristo é Mestra em Literatura Brasileira pela PUC-Rio, doutora em Literatura
Comparada pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e autora de romances como “Ponçá
Vivêncio” (2003) e “Insubmissas Lágrimas de Mulheres” (2011). A escolha do
curso de Letras decorre da paixão que, desde cedo, dedica à literatura engajada:
na adolescência, Jorge Amado, José Lins, Carolina Maria de Jesus e outros; mais tarde, Graciliano, Rosa,
Drummond, Bandeira e, também, Solano Trindade, Abdias do Nascimento, Adão
Ventura. Conceição nasceu em 29 de novembro de 1946 na favela do Pendura Saia, na zona sul de Belo
Horizonte (MG), onde cresceu com sua mãe e seus 9 irmãos. De família pobre,
teve que conciliar os estudos com o trabalho de empregada doméstica, até
concluir o curso normal, em 1971. Mudou-se nesta ocasião para a cidade do Rio de Janeiro, estudou
Letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro e foi aprovada num concurso
público para o magistério. Sua estreia na literatura se deu em 1990, com textos
publicados na série Cadernos Negros,
do coletivo Quilombhoje. Uma das
principais expoentes da literatura brasileira, Conceição Evaristo é militante
do movimento negro, com grande atuação, da literatura, na esfera
político-social.
Nos
anos 1980, a autora toma conhecimento das atividades do Grupo Quilombhoje e da publicação, em São Paulo, da série singular Cadernos Negros. Esse é um momento de
efervescência dos movimentos pela igualdade racial, com mobilizações nas principais
capitais brasileiras. É também tempo de redescoberta da escrita literária como
trabalho de processamento e depuração, com rascunhos e mais rascunhos recheando
suas gavetas. Em 1990, o número 13 de Cadernos
Negros traz impressos os primeiros poemas de Conceição Evaristo, entre
eles, o conhecido “Vozes-mulheres”, que figura até hoje como espécie de “manifesto-síntese”
de sua poética. De acordo com Eduardo de Assis Duarte, os versos enfatizam a
necessidade do “eu poético” de falar por si e pelos seus remanescentes. Esse
sujeito de enunciação, ao mesmo tempo individual (o sonho) e coletivo (os
mitos, os ritos e os símbolos), caracteriza não apenas os escritos de Conceição Evaristo, como escritora engajada, “mas
da grande maioria dos autores afro-brasileiros, voltados para a construção de
uma imagem do povo negro infensa aos estereótipos e empenhada em não deixar
esquecer o passado de sofrimentos, mas, igualmente, de resistência à opressão.
Essa presença do passado como referência para as demandas do presente confere à
escrita dos afrodescendentes uma dimensão histórica e política específica, que
a distingue da literatura brasileira tout
court” (cf. Duarte, 2006).
O
interesse da narrativa cresce justamente nos gestos de inconformismo a esse
processo de espoliação. Herdeira da memória familiar, Ponciá Vicêncio segue os
passos de Conceição Evaristo, também esta herdeira de uma forte linhagem
memorialística existente na literatura afro-brasileira. Como Maria Firmina dos
Reis e Carolina Maria de Jesus, Conceição traz a narrativa dos despojados da
liberdade, mas não da consciência. Isto porque, para Duarte, A fala “diaspórica”
desses condenados da terra se articula de forma sincrônica e a posteriori, desconhecendo a encarnação
do espírito de nacionalidade que marca boa parte da literatura canônica. Exemplo
de romance afro-brasileiro, Ponciá
Vicêncio polemiza através da tese segundo a qual a escrita dos descendentes
de escravos estaria restrita ao conto e à poesia. Em que consistiria esse
romance? Se entendido como texto de autoria afrodescendente, tratando de tema
vinculado à presença desse segmento nas relações sociais vividas. Isto é, a
partir de uma perspectiva identificada politicamente com as demandas e com o
universo cultural afro-brasileiro que destaca o protagonismo negro nas ações. Em
especial aquelas em que se defronta com os donos do poder, não há dúvida de que
Ponciá Vicêncio não só preenche tais
requisitos, “como ocupa o lugar supostamente
vazio do romance afro-brasileiro”.
É
neste sentido que a análise de Duarte (2006) percebe que o texto de Conceição
Evaristo não é exemplo único e tem, sim, seus precursores na literatura
nacional ao estabelecer um saudável contraponto com o “abolicionismo branco” do
século XIX, de Joaquim Nabuco (1999), que a historiadora Gizlene Neder (1986) com
razão chama de “abolicionismo de brancos para brancos” e com o negrismo
modernista de Jorge Amado, José Lins do Rego ou Josué Montello, a narrativa de Ponciá
Vicêncio remete ao Isaías Caminha, de Lima Barreto; em menor escala, ao Brás
Cubas, de Machado de Assis; e, com certeza, ao memorialismo de Carolina Maria
de Jesus e ao “Ai de vós”, de Francisca Souza da Silva, entre outros. Conceição
Evaristo filia-se a esse veio de análise histórica de matriz afrodescendente
que mescla história não oficial, memória individual (sonho) e coletiva (os mitos, os ritos, os símbolos) com invenção
literária, iniciado com a publicação de Úrsula, em 1859.
Tá faltando preto na Casa de Machado de Assis!
O
texto de Maria Firmina dos Reis destoa cabalmente do projeto literário
romântico, das narrativas e conceitos de nação e de identidade nacional. O
texto de Úrsula, ao contrário das ficções de fundação, recusa-se a propagar a
ideologia de identidade nacional una e coesa, que apaga as diferenças e naturaliza
hierarquias. Enfatiza a diferença transformada em desigualdade social e
subalternizada pelo escravismo. Ao colocar o negro como valor para personagens
e leitores brancos e inscrever senhores e escravos como “filhos de Deus” e “irmãos”,
a escritora maranhense apropria-se da moral para desmascarar o rebaixamento ideológico
dos afrodescendentes. Ipso facto, irmanado a essa vertente “afro”, o texto de
Ponciá Vicêncio destaca-se feminino onde um olhar do outro e outras
discursividades específico, marcado pela etnicidade que provém à voz e as
vozes-ecos das correntes arrastadas.
Politicamente
o grande silêncio das coisas muda-se no seu contrário através da mídia. Ontem constituído em segredo,
observa Michel de Certeau, “agora o real tagarela”. Só se veem por todo o lado
notícias, informações, estatísticas e sondagens. Jamais houve uma história que
tivesse falado ou mostrado tanto. Jamais, com efeito, os ministros dos deuses
os fizeram falar de uma maneira tão contínua, tão pormenorizada e tão injuntiva
como o fazem hoje os produtores de revelações e regras em nome da atualidade.
Os relatos do-que-está-acontecendo constitui
a nossa ortodoxia. Os debates de números são as nossas guerras teológicas. Os
combatentes não carregam mais as armas de ideias ofensivas ou defensivas.
Avançam camuflados em fatos, em dados e acontecimentos. Apresentam-se como os
mensageiros de um “real”. Sua atitude assume a cor do terreno econômico e
social. Quando avançam, o próprio terreno parece que também avança. Mas, de
fato, eles o fabricam, simulam-no, usam-no como máscara, e atribuem a si o
crédito dele, criam o que se diagnostica como a lei férrea.
A
pessoa tem que se inclinar, e obedecer aquilo que significam, como oráculo de
Delfos. A fabricação de simulacros
fornece assim o meio de produzir crentes e, portanto praticantes. Esta
instituição do real é a forma mais visível da dogmática contemporânea. É também
a mais disputada entre partidos e instituições. Ela não comporta mais um lugar
próprio, nem cátedra ou magistério. Código anônimo, a informação inerva e
satura o corpo social. Desde a manhã até a noite, sem pausa, histórias povoam
as ruas e os prédios. Articulam nossas existências ensinando-nos o que elas
devem ser. Cobrem o acontecimento, fazem deles as nossas legendas daquilo que
se deve ler e dizer. Apanhado desde o momento em que acorda pelo jornal, rádio
ou televisão, a voz é a lei, pois o ouvinte
anda o dia inteiro pela floresta de narratividades jornalísticas,
publicitárias, televisionadas à noite ainda sob as portas do sono. Esses
relatos etnográficos têm o duplo, singular e estranho poder de mudar de forma o ver num crer, e de fabricar
o real com aparências. É dupla a inversão.
De
um lado, a modernidade, outrora
nascida de uma vontade observadora que lutava contra a credulidade e se fundava
num contrato entre a vista e o real, transforma alhures essa relação social e deixa ver
precisamente o que se deve acreditar. A ficção define o campo, o estatuto social
e os objetos da visão. Assim funcionam os “mass media”, a publicidade ou a
representação política. Hoje, a ficção pretende presentificar o real, falar em
nome dos fatos e, portanto, fazer assumir como referencial a semelhança que
produz. Essa reviravolta do terreno onde se desenvolvem as crenças resulta de
uma mutação nos paradigmas do saber: a invisibilidade do real, postulado
antigo, cedeu o lugar à sua visibilidade. A cena sociocultural da modernidade remete a imensidão de um mito”. Define o
referente social por sua visibilidade, e, portanto, por sua representatividade
científica ou política; articula-se em cima deste novo postulado (crer real e
visível) a possibilidade de nossos saberes, de nossas observações, de nossas
provas e nossas práticas. Nesta nova cena, campo indefinidamente extensível das
investigações óticas e de uma pulsão escópica, subsiste ainda a estranha
coalizão entre o crer e a questão do real, do visto, do observado ou do demonstrado
através de estratégia.
Academia
Brasileira de Letras elegeu Cacá Diegues para a Cadeira Número 7. Cacá vai
substituir o cineasta Nelson Pereira dos Santos e derrotaram outros dez
candidatos, entre eles a escritora Conceição Evaristo, uma negra que decidiu
desafiar a instituição. Aos 71 anos, a mineira optou por uma espécie de
anticandidatura e causou incômodo ao dispensar a bajulação habitual para ganhar
votos dos imortais que frequentam o “clube de amigos”. Sua derrota era
esperada: Conceição Evaristo entrou na disputa para expor exatamente a falta de
representatividade negra e feminina na centenária academia. Recebeu apenas um
voto. Cacá Diegues, 22, e Pedro Corrêa do Lago, neto de Oswaldo Aranha, outros
11 votos. A candidatura da escritora, que publicou seis livros e já venceu o prêmio
Jabuti, o mais tradicional prêmio da literatura brasileira, surgiu após uma
provocação da jornalista carioca Flávia Oliveira. - “Eu voto em Nei Lopes ou
Martinho da Vila. Sem falar na Conceição Evaristo. - ‘Tá’ faltando preto na
Casa de Machado de Assis”, declarou ao famoso colunista Ancelmo Gois no jornal OGlobo
em 25 de abril, ao lembrar que há espaço considerado vago na Academia Brasileira de Letras. No quadro atual da Academia, o mais antigo dos sócios correspondentes é José Carlos de Vasconcelos, eleito em 1981, e o mais novo é americanista Berthold Zilly, eleito em 2018.
Nas
redes sociais, de hegemonia da palavra, a ideia se alastrou como fogo agora no Museu da Quinta da Boa Vista, no bairro de São Cristóvão, na cidade maravilhosa.
Fã da escritora, a pesquisadora Juliana Borges publicou em 30 de abril uma
carta-manifesto em apoio à autora. A partir do texto, surgiram dois
abaixo-assinados pedindo a entrada de Conceição na ABL. - “A ponta de sua
caneta e o texto em dígito de Conceição Evaristo trazem um trajeto de
ancestralidade e apontam vislumbres de horizonte. Ora, não é isso que faz um
imortal?”, escreveu Borges. Em dois dias, conseguiu mais de 6,5 mil apoios.
Hoje com mais de 40 mil assinaturas nas duas petições, há até uma hashtag em prol da candidatura. A
possibilidade de concorrer a um dos 40 assentos da ABL já estava no horizonte
de Conceição Evaristo há mais tempo. A escritora, no entanto, só se entusiasmou
com a ideia quando foi informada por uma jornalista sobre a quantidade de
assinaturas que a petição havia recebido. Até então, sequer estava sabendo da
mobilização. - “Se eu entrar, não será
porque escrevi um ‘Marimbondo’ do Sarney, não [romance que “levou” o
ex-vice-presidente e presidente da República à ABL, em 1980]. Eu quero entrar porque é um lugar nosso, porque
temos direito”, disse em uma palestra no Salão
Carioca do Livro, em 19 de maio. Oficialmente,
a disputa teve 11 candidatos.
Mas, desde o princípio, apenas dois nomes tiveram
chance na eleição de fato. A improvável vitória de Conceição Evaristo sobre o
cineasta Cacá Diegues e o colecionador Corrêa do Lago, favoritos desde o
princípio, teria um significado histórico só comparável à eleição de Rachel de
Queiroz, primeira mulher nordestina, filha do engenho, a integrar a lista de
imortais – e isso apenas em 1977, sob uma ditadura militar golpista, quando
lembramos que a Academia Brasileira de Letras foi criada em 1896. Historicamente
Conceição Evaristo seria a primeira escritora negra a ser recepcionada na casa.
Ocuparia ainda a cadeira 7, cujo patrono coincidentemente é o poeta e abolicionista baiano Castro Alves.
Atualmente, há cinco mulheres e somente um negro entre os 39 acadêmicos. Uma
boa candidatura, dizem os peritos nas engrenagens que movimentam a ABL, “se
desenha antes mesmo da morte de algum dos 40 acadêmicos”. Um aspirante que
frequenta os colóquios e eventos promovidos pela instituição ortodoxa ao longo
dos anos e passa a fazer parte da vida social e de interesses e normas da casa,
ganha muitos pontos entre seus eleitores. Também é de suma importância que,
antes de entregar a Carta de solicitação de inscrição, o candidato tenha
aliados e evidentemente “padrinhos” entre os votantes. Fato que o fundador, Machado de Assis, lembraria na passagem: “Não tive filhos,
não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria”.
Bibliografia geral consultada.
CERTEAU, Michel de, La Prise de Parole. Paris: Éditions du Seuil, 1968; ASSIS, Machado
de, Obras Completas. Rio de Janeiro:
Editor José Aguilar, 1959; NEDER, Gizlene, Criminalidade,
Justiça e Constituição do Mercado de Trabalho no Brasil - 1890-1927. Tese
de Doutorado em Ciências Humanas. São Paulo: Faculdade de Filosofia Letras e
Ciências Humanas. Departamento de História. São Paulo: Universidade de São
Paulo, 1986; SODRÉ, Muniz, La Città e il Tempi. Roma: Edizioni Settimo Sigillo, 1998; NABUCO, Joaquim, O
Abolicionismo. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1999; DUARTE, Eduardo de Assis, “O Bildungsroman Afro-brasileiro de
Conceição Evaristo”. In: Rev. Estud.
Fem. vol.14 n°1. Florianópolis Jan./Apr. 2006; MENDES, Ana Cláudia Duarte, “Eco
e Memória: Vozes-Mulheres, de
Conceição Evaristo”. In: Revista de Estudos
Literários - Volume 17-A, dez. 2009; BRITO, Maria da Conceição Evaristo de,
Literatura Negra: Uma Poética da nossa Afro-brasilidade.Dissertação de Mestrado em Letras. Rio de
Janeiro: Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, 1996; LIMA, Omar da Silva, O Comprometimento Etnográfico Afro-descendente das Escritoras Negras Conceição Evaristo & Geni Guimarães. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Literatura. Instituto de Letras. Departamento de Teoria Literária e Literaturas. Brasília: Univesidade de Brasília, 2009; BRITO, Maria
da Conceição Evaristo de, Poemas Malungos.
Cânticos irmãos. Tese de Doutorado em Letras. Niterói: Instituto de Letras.
Universidade Federal Fluminense, 2011; MAGALHÃES, Rosânia Alves, A Escrita Feminina Afrodescendente na Obra de Conceição Evaristo. Dissertação de Mestrado em Linguística, Letras e Ares. Uberlândia: Universidade Federal de Uberlândia, 2014; BARBEDO, Mariana Gonçalves, A Arte de Carlos Diegues no Projeto Nacional-Popular do Cinema Novo (1962-1969). Tese de Doutorado. Programa de Estudos Pós-Graduados em História. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2016; COSTA, Eliane; PEREIRA, Flávio; PEREIRA, Márcia Regina Santana, “O Feminino,
Tempos e Espaços em As Andorinhas, de Paulina Chiziane, e em Becos
da Memória, de Conceição Evaristo”. In: Revista Porto das Letras.
Estudos Literários, volume 04, nº 02, 2018; Artigo: “Porque
Conceição Evaristo é a grande candidata à Academia Brasileira de Letras”. In: http://justificando.cartacapital.com.br/2018/07/24; entre outros.
“Papel
do juiz é resolver conflitos, e não criá-los”. Teori Albino Zavascki
O mundo ocidental globalizado vivência grandes
transformações políticas. Ante a intensiva interação social entre Estados e
suas populações, a fusão dos negócios e a implantação de novas tecnologias, a
difusão do conhecimento, a competitividade, já em escala planetária, os
direitos e deveres gerados no seio das diversidades legislativas. A
administração pública e a defesa dos interesses, bens e direitos envolvidos,
requerem a reformulação da administração dos negócios, influindo
na qualidade e natureza dos serviços e produtos ofertados. Como consequência
dessa necessidade nasceu a chamada “blindagem jurídica”, um instrumento
precioso para o enfrentamento dos desafios, que envolvem advogados e
administradores, para um constante esforço na divisão internacional da atividade intelectual na articulação de
procedimentos técnicos, visando a segurança econômica, social e jurídica dos
empreendedores e de seus interesses pessoais e empresariais. A
coerência desta articulação, aliada à teleologia das normas, à jurisprudência e
à doutrina, quando sopesadas na efetivação do negócio resulta no que deve ser defendido como imprescindível e proficiente, assim,
em seu brilhante nascedouro.
Esse direito, sob múltiplas influências de suas disciplinas carrega
particularidades que devem ser conhecidas e estudadas pelos profissionais que
ocupem posições jurídicas e administrativas nas empresas e sociedade para que
se realize a blindagem jurídica, como processo político de gestão estratégica permanentemente, indutora de segurança
jurídica com prosperidade. A blindagem, como deve ser entendida, é muito
distinta de qualquer tour de force em
busca das brechas da lei para a defesa de direitos, contrapondo-se as iniquidades,
ou amparados por destaques que possam afrontar o Estado de Direito, a
moralidade social e a tradição econômica consuetudinária. Pressupõe a condição
e possibilidade em nossa Carta Magna (1988). Nas democracias ocidentais o judiciário representa um poder soberano e tem a prerrogativa de declarar a inconstitucionalidade das leis e controlar os atos do executivo no âmbito do poder. Na verdade, na sua função primordial de pacificação de conflitos, a existência de um judiciário produtivo é de grande valia para regimes autoritários.
A preservação do judiciário através de sua burocracia funciona em seu papel de solucionador de conflitos. Portanto, a manutenção do judiciário e da relativa independência em relação a um conjunto de práticas e saberes autoritários, rendem dividendos políticos ao governo perante a formação de opinião pública perante a comunidade internacional. Assim, a paradoxal convivência entre judiciário e regimes autoritários é aparente, na medida em que não há incompatibilidade em que haja o controle político do judiciário que tende a ser exercido pela exclusão dos tribunais das áreas de litígios que contam politicamente para a sobrevivência do regime de governo. Quando um magistrado toma posse, o faz vestindo nesse momento solene uma peça denominada Toga, e jura respeitar, cumprir e fazer cumprir a Constituição e as leis do país. O uso da toga investe o julgador de funções simbólicas importantes. A toga começou a ser usada na Roma Antiga e representa um dos principais símbolos da magistratura. O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Carlos Velloso, que já presidiu a corte, afirmava que a toga, usada em todos os tribunais, é muitas vezes ignorada por magistrados de primeiro grau. No STF brasileiro, há um armário com becas para advogados que, eventualmente, esquecerem seus trajes. O preto, também usado pelos sacerdotes, simboliza o luto, a renúncia às cores da vida, a sobriedade, a abnegação, “a consagração absoluta à Justiça”. Outra função simbólica da toga é a de nivelamento dos juízes e também aos membros do Ministério Público e advogados.
No
Judiciário o pagamento dos salários de parte dos magistrados ultrapassa o teto
constitucional de R$ 33.763. Em 2016 a Justiça brasileira custou R$ 175
bilhões, quase 270% a mais que em 2015. Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o valor é quase todo usado no
pagamento de salários. Desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo, por
exemplo, chegam a ganhar em apenas um mês quase R$ 100 mil. E mesmo diante de
um rombo nas contas públicas, estimado em R$ 185 bilhões em 2017, da estagnação
da economia e dos 14 milhões de desempregados, há juízes que não estão
satisfeitos. As distorções salariais entre a Justiça estadual e a Federal
estimulam o nivelamento. O assunto não é subjetivo. Envolve servidores
qualificados que dominam as leis e justificam suas benesses com elas. Os megassalários
são consequência do extrateto, uma série de penduricalhos legalmente
instituídos e trancados a sete chaves. Contudo,
a proteção ao sigilo fere determinações do Conselho
Nacional de Justiça (CNJ) sobre as práticas de transparência e à Lei de Acesso à Informação, segundo
pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Desde 2014, a instituição
solicitou dados estatísticos a 40 tribunais. Apenas 25 responderam e, desses,
somente 5 (cinco) explicaram objetivamente a origem dos números. Rafael
Velasco, coordenador do programa de transparência pública da Fundação Getúlio Vargas, explica que a
prática interfere no controle de gastos públicos.
A dificuldade em desvendar benefícios
no setor público é comum em todos os Poderes, destaca Velasco, mas é mais evidente no Judiciário. Um
analista federal identificou que a viúva de um desembargador do Tribunal Regional do Trabalho (15ª
Região), em Campinas, recebeu quase R$ 700 mil de vantagens eventuais em dois
anos (2012 e 2013). No período, a beneficiária embolsou quase R$ 1,2 milhão.Quando
o juiz representado socialmente veste a toga, simbolicamente, rompe com o mundo
econômico de seus valores pessoais e assume os valores impessoais da ordem
jurídica. A última função simbólica da toga é a de acrescentar solenidade,
respeito, em outros tempos até sacralidade, ao ato de distribuir Justiça. A toga
dos magistrados e a beca dos membros do Ministério Público e dos advogados,
devido ao seu simbolismo e responsabilidade, só devem ser usadas quando no
exercício solene de suas funções, principalmente nas sessões dos tribunais de
justiça e do júri. Para Baudelaire, a explicação sobre o uso da cor preta nas
togas é política. Para ele, essa cor é um uniforme da igualdade, além de
representar a erudição e dignidade em geral. Se a toga é vista sob o aspecto do poder, carrega
na sua historicidade o principal símbolo da Justiça, uma carga de compromissos
e responsabilidades inerentes ao seu uso. Entre os muitos elementos que compõem
um julgamento na mais alta corte do país, o Supremo Tribunal Federal (STF),
está o traje usado por ministros e advogados: as togas para os magistrados,
as becas para os defensores.Embora muito parecidas, há uma diferença
primordial: só os juízes usam togas.
Os demais atores sociais no direito utilizam becas.
No
mundo ético, do ponto de vista filosófico, como para a percepção sensível a
supérflua multiplicidade das propriedades se condensa na oposição essencial
entre singularidade e universalidade, com maior razão para a percepção ética,
que é a consciência substancial e purificada, a multiplicidade dos momentos
éticos se torna a dualidade de uma lei da singularidade e de uma lei da
universalidade. Se, na percepção sensível, as coisas não têm outra substância a
não ser duas determinações de singularidade e universalidade que exprimem apenas a
oposição superficial recíproca dos dois lados. A singularidade tem a
significação da consciência “de-si” em geral, e não de uma consciência singular
contingente. A substância ética é nessa determinação a substância efetiva, o
espírito absoluto realizado na multiplicidade da consciência aí-essente. O
espírito é a comunidade, que representa para nós, ao entrarmos na figuração
prática da razão em geral, era essência absoluta; e que aqui emergiu em sua
verdade para si mesmo, como essência ética consciente, e como essência para a
consciência, que nós temos por objeto como escopo processual a distinção de
plano de análise e realidade.
É
o espírito que é para si enquanto se mantém no reflexo imanente dos indivíduos,
e que é em si – ou substância – enquanto os contém em si mesmo. Como substância
efetiva, o espírito é um povo; como consciência efetiva, é cidadão do povo, aí
tem imediatamente sua verdade. Esse espírito pode chamar-se a lei humana, por
ser essencialmente na forma da efetividade consciente dela mesma. Na forma da
universalidade, é a lei conhecida e o costume corrente. Na forma da
singularidade, é a certeza efetiva de si mesmo do indivíduo em geral. Com
efeito, o poder ético do Estado tem, como movimento do agir consciente de si,
sua oposição na essência simples e imediata da eticidade. Como universalidade
efetiva, o poder do Estado é uma força contra o ser-para-si individual; e como
efetividade em geral, encontra ainda outro que ele mesmo na essência interior. Porque
a eticidade é o espírito em sua verdade imediata, os lados, em que a
consciência do espírito se dissocia, incidem também nessa forma da imediatez; e
a singularidade passa aquela negatividade abstrata que, sem consolo nem
reconciliação em si mesma, deve recebê-los mediante uma ação exterior e
efetiva.
A
consanguinidade completa o movimento natural abstrato, por acrescentar o
movimento da consciência, interromper a obra da natureza e arrancar da
destruição o consanguíneo. Ou melhor, já que é necessária a destruição – seu
vir-a-ser o puro ser – a consanguinidade toma sobre si o ato da destruição.
Ipso facto, a comunidade – a lei do alto que vigora manifestamente à luz do dia
– tem sua vitalidade efetiva no Governo, como o lugar onde ela é indivíduo. O governo é o espírito efetivo, refletido
sobre si, o si simples da substância ética total. Sem dúvida, essa força
simples permite à essência expandir-se na organização de seus membros e
atribuir, a cada parte, subsistência e ser-para-si próprio. O espírito tem aí a
sua realidade ou seu “ser-aí”, e a família é o elemento dessa realidade. Ao
mesmo tempo, o espírito é a força do todo que congrega de novo essas partes no
Uno negativo, dá-lhes o sentimento de sua dependência e as conserva na
consciência de ter sua vida somente no todo. Pode assim a comunidade organizar-se,
de um lado, nos sistemas de independência pessoal e da propriedade, do direito
pessoal e do direito real. Igualmente, as modalidades suscetíveis do trabalho
podem articular-se e tornarem-se associações independentes, para os fins,
inicialmente singulares, da obtenção e do gozo de seus próprios bens. O
espírito da universal-associação é a simplicidade e a essência negativa desses
sistemas que se isolam.
Os
ministérios que integram o escol da presidência, auxiliando no poder que lhe
confere, possuem autonomia técnica, financeira e administrativa para executar
as ações nas suas relativas áreas de competência. Cabe a eles estabelecer
estratégias, diretrizes e prioridades na aplicação política de recursos
públicos, igualmente como a criação de normas para acompanhar e avaliar
programas federais. O Ministério da Justiça, por exemplo, foi o primeiro a ser
criado no Brasil. Sua origem remonta à Secretaria de Estado de Negócios da
Justiça, instituída pelo regime do príncipe regente D. Pedro em julho de 1822. Atualmente,
os titulares das pastas são escolhidos pelo presidente da República. Eles são
responsáveis pela coordenação e supervisão dos órgãos e entidades da
administração federal. Duas mudanças substanciais ocorreram em julho de 2016,
dois meses após o golpe de Estado de 17 de abril, após a presidente Dilma
Rousseff, do Partido do Trabalhadores (PT) ter sido deposta do governo: os critérios de nomeação de ministros
no governo federal; a criação das áreas especiais de proteção dos ministros do
Supremo Tribunal Federal. No primeiro caso, os senadores apressavam-se para formar um governo sem investigações policiais sobre o passado de seus ministros.
Pressionado pelos partidos políticos
que apoiaram o golpe de Estado a destravar nomeações para os respectivos escalões
burocráticos, o governo passara a admitir os maculados políticos dos partidos,
mesmo sem a premissa dos órgãos de inteligência, enformados pela Agência
Brasileira de Inteligência. A análise da ficha ideológica dos novos inquilinos foi feita a posteriori. - “Antes, a contratação só ocorria após a investigação
da Agência”. A pesquisa sobre o passado do candidato passou a ser realizada em
paralelo, mas sem impedir a nomeação no DiárioOficial. O ministro Eliseu Padilha,
disse que queria evitar o “represamento” daquelas nomeações. Mas “em 95% dos
casos não há nenhum problema, e aí você é obrigado a segurar 100 por causa de
cinco”, disse o ministro ao justificar a decisão. A
mudança criou condições para que o governo pós-Dilma, o governo do golpe de
Estado de Temer e do consórcio PSDB/PMDB, nomeasse para o Ministério do
Trabalho uma deputada federal que tem processos trabalhistas contra si. Cristiane
Brasil (PTB-RJ) foi indicada para o cargo pelo próprio pai, o presidente
nacional do PTB, Roberto Jefferson.
O político foi condenado em novembro de
2012 a mais de 7 anos de prisão pelos crimes de corrupção passiva e de lavagem
de dinheiro no caso apelidado pela mídia de mensalão.
A indicação de Cristiane por Jefferson foi uma troca de favores de Temer ao
apoio do partido trabalhista, a pautas de interesse no Congresso – a principal
delas, a reforma da Previdência. O Tribunal Regional Federal da 2ª Região
manteve a decisão que havia sido tomada em primeira instância, de impedir a
posse de Cristiane com argumento de que a nomeação fere o princípio da “moralidade
administrativa”. O governo não aceita a decisão do Tribunal Regional Federal -
TRF. O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, anunciou que pretende
recorrer, enquanto Roberto Jefferson (PTB), o pai da nomeada, reforçou ao
jornal Folha de S. Paulo: - “Nós
manteremos a indicação”. A deputada teve dois processos trabalhistas. É
neste sentido ideológico que capa preta e a caneta do Relator do chamado “mensalão”,
ministro Joaquim Barbosa, fizeram com que ele fosse comparado a um herói
justiceiro dos quadrinhos na internet - rede mundial de computadores.
Na vida real, porém, o juiz Joaquim Barbosa também tem recorrido a
guarda-costas para se proteger das grandes possibilidades da chamada “queima de
arquivo”.
Desde o início do julgamento, o ministro manteve a escolta de sete
homens, que ele requisitou ao Supremo Tribunal Federal. A operação de blindagem
que alterou a vida do Relator do “mensalão” desde o início do processo não
pretendia ser exclusividade. No dia 14 de maio de 2005, aconteceu a divulgação,
pela revista Veja, de uma gravação
na qual o ex-chefe do Departamento de Contratação dos Correios, Maurício
Marinho, solicitava e também recebia “vantagem indevida para beneficiar um empresário”. Este era na
realidade o advogado curitibano Joel
Santos Filho, contratado por R$ 5 mil pelo/fornecedor dos Correios, Arthur
Wascheck Neto, para filmar esse funcionário. Para colher prova material do
crime de interesse de Arthur, Joel faz-se passar por um interessado em negociar
com a empresa de Correios. Logo
em seguida o Supremo Tribunal Federal propôs contratar 90 homens para fazer a segurança pessoal dos
magistrados. A Corte está preocupada com a proteção dos ministros após o fim do
julgamento. O preço do serviço é estimado em R$ 6,3 milhões, e os seguranças
que escoltará cada ministro será uma decisão pessoal dos magistrados. O
ministro Marco Aurélio de Mello, por exemplo, que se diz mais preocupado em
manter a privacidade terá apenas quatro seguranças. - “Continuo protegido pelos
meus jurisdicionados”. A maioria dos ministros terá escolta de oito seguranças.
Joaquim Barbosa, que assumiu a presidência do STF aumentou sua segurança com a
proteção de dez homens divididos em dois turnos, quatro de dia e seis à noite.
Para entrar na vida dos magistrados e fazer a segurança pessoal, os “guarda-costas”
terão remuneração de R$ 8 mil mensais, receberão treinamento especial, além de
informações sociais sobre os hábitos, rotina e vida familiar dos distintos
ministros. Também assinam um termo legal de sigilo, que os impede de revelar a
terceiros dados sobre a intimidade das autoridades, explica o especialista em
segurança privada Irenaldo Pereira Lima, presidente do Sindicato das Empresas
de Segurança do Distrito Federal. A arma-padrão
utilizada para a segurança é uma pistola calibre 38, guardada em um coldre
embaixo da axila. Relator
da operação “Lava Jato” no Supremo
Tribunal Federal (STF), o ministro Teori Zavascki estava responsável pelos
processos que envolvem o esquema de corrupção da Petrobras desde março de 2014,
quando começaram a chegar à mais alta corte do país os primeiros recursos
contra decisões do juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos casos na
primeira instância. Ao longo dos dois anos em que relatou a Lava Jato, Teori Zavascki tomou decisões
polêmicas e inéditas, como a ordem de prisão do então senador Delcídio do
Amaral (PT-MS) por tentativa de obstrução da Justiça. O magistrado também
surpreendeu o país ao determinar o afastamento do deputado federal Eduardo Cosentino
da Cunha (PMDB-RJ) do comando da Câmara dos Deputados e do mandato parlamentar.
O ministro afastou Eduardo Cunha da
presidência da Câmara. O afastamento havia sido solicitado pela Procuradoria Geral
da República (PGR) cinco meses antes “sob a alegação de que o peemedebista
estava atrapalhando as investigações da Lava Jato”. Além
de julgar os recursos contra decisões do juiz Sérgio Moro (PSDB), era
competência do ministro do STF, por exemplo, autorizar as operações da Polícia
Federal (PF) e do Ministério Público que envolvia pessoas com foro
privilegiado, como políticos e autoridades do Judiciário. Além disso, cabia ao
relator analisar pedidos de habeas corpus dos presos da operação Lava Jato. Teori Zavascki ainda era
responsável por homologar os acordos de delação premiada que envolvia pessoas
com foro. No momento, o caso mais importante que ainda aguardava sua
homologação era a delação premiada de 77 executivos do Grupo Odebrecht.O ato para reconhecer oficialmente a validade
jurídica dos acordos estava previsto para o início de fevereiro, quando Teori
retornaria do recesso do Judiciário. Porém, segundo juízes auxiliares do
magistrado, a intenção era antecipar para o final de janeiro a homologação dos
acordos de dirigentes da empreiteira. Com o aval de Teori Zavascki, a
Procuradoria Geral da República (PGR) poderia iniciar novas investigações criminais
com base nos depoimentos. A
capa preta e a caneta do relator do “mensalão”, ministro Joaquim Barbosa,
fizeram com que o magistrado fosse comparado a um herói justiceiro dos
quadrinhos na internet. Na vida real, porém, Barbosa tem recorrido a
guarda-costas para se proteger.
Desde o início do julgamento, o ministro não dá
um só passo sem a escolta de sete homens, que ele requisitou ao Supremo
Tribunal Federal. A operação de blindagem que alterou a vida do relator do
mensalão desde o início do processo não será exclusividade dele. O Supremo Tribunal
Federal vai contratar 90 homens para fazer a segurança pessoal dos magistrados.
A Corte está preocupada com a proteção dos ministros após o fim do julgamento.
O preço do serviço é estimado em R$ 6,3 milhões, registra o edital do pregão, e
o número de seguranças que escoltará cada ministro será uma decisão pessoal dos
magistrados. O ministro Marco Aurélio de Mello, por exemplo, mais preocupado em
manter a privacidade terá apenas quatro seguranças. -
“Continuo protegido pelos meus jurisdicionados”, brincou. A maioria dos
ministros terá escolta de oito seguranças. Joaquim Barbosa, por sua vez, que
assumirá a presidência do STF em novembro, aumentará sua segurança. Contará com
a proteção de dez homens divididos em dois turnos, quatro de dia e seis à
noite. Para entrar na vida dos magistrados e fazer a segurança pessoal, os
guarda-costas terão remuneração de R$ 8 mil mensais, receberão treinamento
especial, além de informações sobre os hábitos, rotina e vida familiar dos
ministros. Também precisarão assinar um termo de sigilo, que os impede de
revelar a terceiros dados sobre a intimidade das autoridades, explica o
especialista em segurança Irenaldo Pereira Lima, presidente do Sindicato das
Empresas de Segurança do Distrito Federal. A arma-padrão para utilização em
serviço é uma pistola calibre 38, como no cinema, “guardada em um coldre
embaixo da axila”.
Num
deles, foi condenada a pagar R$ 60 mil a um de seus motoristas. No outro, fez
acordo e pagou R$ 14 mil para evitar uma condenação. Ambos motoristas dizem que
trabalhavam sem registro em carteira, cumprindo carga horária superior ao
determinado na legislação trabalhista. Alguns especialistas em direito, no
entanto, dizem que, a despeito dos aspectos políticos e de imagem pública, o
fato não impede legalmente Cristiane Brasil (PTB-RJ) de assumir o cargo. Consta
na imprensa que ela passou o feriado de Ano Novo hospedada com mais três amigas
num hotel da Força Aérea no território de Fernando de Noronha, que é mantido
com dinheiro público. Numa foto, Cristiane aparece num logotipo da Força Aérea na faixada comercial do hotel. A
instituição afirmou que a hospedagem não fere a lei. Além disso, a deputada foi
apenas mencionada na delação da Odebrecht na mais longa história de
investigação brasileira nomeada pela Polícia Federal de operação Lava Jato. Leandro Andrade, executivo da empreiteira,
disse ter sido pago R$ 200 mil em espécie, o que ela nega.
Não
há qualquer investigação contra Cristiane neste caso, tanto quanto os casos
trabalhistas que não são, portanto, sigilosos. A delação premiada da Odebrecht
e a hospedagem no hotel, tampouco. Todas essas informações foram consultadas,
por exemplo, pela imprensa investigativa, que passou a publicar detalhes
negativos sobre a biografia da deputada. Os ministros do Supremo ganharam
notoriedade nos últimos anos. A exposição que vinha desde o julgamento do “mensalão”
cresceu com a chegada dos casos da Lava-Jato à Corte e alguns ministros passaram
a ser hostilizados por militantes. Relator da Lava-Jato, o ministro
Edson Fachin revelou em março que havia pedido auxílio da Polícia Federal para
investigar ameaças dirigidas a sua família. O relator da Lava-Jato passou a andar com seguranças armados desde então. - Nos
dias atuais, uma das preocupações que tenho não é só com julgamentos, mas
também com a segurança de membros de minha família. Tenho tratado deste tema e
de ameaças que têm sido dirigidas a membros de minha família - disse Fachin à rede
Globonews.
Por
segurança pessoal, o Supremo Tribunal
Federal (STF) contratou uma área especial de embarque para os integrantes
da Corte no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília. De
acordo com o tribunal, o aluguel da nova área, que é diferente da sala que a
Corte tinha anteriormente no terminal de passageiros, ocorreu para garantir a
proteção individual dos ministros. O espaço, que tem um custo anual de R$ 374,6
mil, funciona desde julho do ano passado. - “Toda a questão em torno do uso do
embarque no Terminal 2 está relacionado à segurança dos ministros”, explicou a
assessoria do STF, ao ser procurada. No Terminal 1, ministros de tribunais
superiores, não apenas o STF, contam com “espaços exclusivos”. Assessores e
seguranças dos ilustres passageiros têm autorização para acompanhá-los até o
portão de embarque. Se precisarem ser acionadas, as polícias Federal, Civil e
Militar estão de plantão. Na sala “vip” anterior, os ministros tinham privilégio
de dispensa da fila do check in, mas
se juntavam aos passageiros no momento do embarque. A nova sala, no Terminal 2,
que fica a dois quilômetros do terminal usado por passageiros de voos
comerciais, permite que os ministros do STF aguardem pelo momento do embarque
em “espaço reservado”. Eles são levados de van até o local onde está o avião da
companhia aérea utilizada.
O
embarque é feito por escada lateral no finger.
Nesse caso, o ministro não precisa mais percorrer os corredores por onde passam
os demais passageiros, nem aguardar pela chamada para embarque no saguão em
frente ao portão onde está a aeronave. Levantamento das Contas Abertas,
realizado a pedido do jornalismo investigativo da rede Globo de televisão, demonstra
que o tribunal já pagou neste ano R$ 148 mil à Inframerica, a empresa administradora
do aeroporto, pelo serviço de “Fast pass”. Em nota, o Supremo Tribunal Federal afirma
que a nova área de embarque foi criada depois que o antigo contrato de aluguel
da sala de espera do tribunal, dentro do aeroporto, venceu. O Supremo diz ter
tentado se desfazer da sala e assegurar, no entanto, as credenciais de
segurança para acesso livre às áreas restritas do aeroporto, o que foi negado.
- “O contrato de aluguel na antiga sala do Terminal 1 estava encerrando na
gestão da Ministra Cármen Lúcia e o tribunal tentou manter as credenciais de
acesso dos seguranças à área restrita do aeroporto sem a necessidade da sala,
mas não conseguimos”, diz o informante do Supremo Tribunal Federal em nota à
imprensa.
Bibliografia
geral consultada.
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no Brasil. Tese de Doutorado em Ciências Humanas. Universidade Candido Mendes: Instituto
Universitário de Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, 2007; PAIXÃO, Leonardo André,
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Doutorado. Faculdade de Direito. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2007; PEREIRA, Bruno Ramos, O Uso da Proporcionalidade no Supremo Tribunal Federal: Análise do Votos do Ministro Gilmar Mendes (2004-2006). Dissertação de Mestrado. Faculdade de Direito. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2009; ALMEIDA, Frederico Normanha Ribeiro de, A Nobreza Togada: As Elites Jurídicas e a Política da Justiça no Brasil. Tese de Doutorado em Ciência Política. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Universidade de São Paulo, 2010; PEREIRA, Gustavo Oliveira de Lima, Da Tolerância à Hospitalidade na
Democracia por Vir. Um Ensaio a partir do Pensamento de Jacques Derrida.
Tese de Doutorado em Filosofia. Porto Alegre: Pontifícia Universidade Católica
do Rio Grande do Sul, 2014; LEWANDOWSKI, Andressa,
O Direito em Última Instância: Uma Etnografia do Supremo Tribunal Federal.
Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social. Instituto
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no Aeroporto de Brasília”. Disponível em: https://oglobo.globo.com/07/06/2018; LIMA, Luciano
Ferreira, “Blindagem Jurídica no Direito Brasileiro”. Disponível em: http://www.ambito-juridico.com.br/10/06/2018; entre outros.
“Não existe amor mais sincero do que aquele pela comida”. Bernard Shaw
A
culinária é a arte de cozinhar, ou seja, o ato de “confeccionar alimentos”. Ela
evoluiu ao longo da história dos povos para tornar-se parte da cultura de cada
povo. Está invariavelmente associada à cozinha, pois este é o local ideal para
cozinhar. Os métodos de culinária variam de região para região, não só os
ingredientes, como também as técnicas culinárias e os próprios utensílios. Por
exemplo, a cataplana é um recipiente para cozinhar alimentos típico do Algarve,
equivalente à Tajine de Marrocos. A alheira de Mirandela é um dos alimentos
mais exclusivos da cozinha portuguesa, enquanto no Brasil, os pratos típicos
incluem a feijoada brasileira e o churrasco. O cozinheiro principal é
normalmente reconhecido como chef, assim reconhecido pela sua boa
cozinha e dotes culinários. A cozinha, muitas vezes, reflete outros aspectos da
cultura, tais como a religião – a carne de vaca é tabu entre os hindus,
enquanto a de porco é proibida entre os muçulmanos e judeus – ou determinadas
posições filosóficas, como o vegetarianismo, que reprova o consumo de
carne e o veganismo, que reprova o consumo de alimentos de origem animal, como
carne, ovos, laticínios e mel. O desenvolvimento industrial teve igualmente um
grande impacto na forma como as pessoas se alimentam. Por exemplo, a maior incidência
de pessoas que trabalham longe de casa ou têm mais horas de trabalho levou ao
surgimento da comida rápida; por outro lado, a consciência da segurança alimentar e da qualidade alimentar
levou à criação de regras, por vezes na forma de leis, sobre a forma como os
alimentos devem ser vendidos.
Uma disciplina associada à culinária é a
gastronomia, que se ocupa tanto com o modo como os alimentos são preparados, tanto quanto
com o binômio produção-consumo. Outras disciplinas relacionadas à gastronomia são a nutrição e a dietética,
que estudam os alimentos do ponto de vista da saúde alimentar ou da medicina. Na
Introdução à Fenomenologia Hegel repete suas críticas a uma filosofia
que não fosse mais que teoria do conhecimento. E não obstante, a Fenomenologia (2007),
como têm assinalado quase todos os seus expressivos comentaristas, marca em
certos aspectos um retorno ao ponto de vista de Immanuel Kant e de Johann
Gottlieb Fichte. Em que novo sentido devemos entendê-lo? O saber é um
instrumento, modifica o objeto a conhecer e não nos apresenta em sua pureza; se
for um meio tampouco, nos transmite a verdade sem alterá-la de acordo com a
própria natureza do meio interposto. Se o saber é um instrumento, isto supõe
que o sujeito do saber e seu objeto se encontram separados; por conseguinte, o
Absoluto seria distinto do conhecimento: nem o Absoluto poderia ser saber de si
mesmo, nem o saber, fora da relação dialética, poderia ser saber do
Absoluto. Contra tais pressupostos a existência mesma da ciência filosófica,
que conhece efetivamente, é já uma afirmação. Não obstante, esta afirmação não
poderia bastar porque deixa a margem a afirmação de outro saber; é precisamente
esta dualidade o que reconhecia Schelling quando opunha o saber fenomênico e o
saber Absoluto, mas não demonstrava os laços entre um e outro. Uma vez colocado
não se vê como é possível no saber fenomênico, e o saber fenomênico fica igualmente separado do saber Absoluto.
Hegel
retorna ao saber fenomênico, ao saber típico da consciência comum, e pretende
demonstrar como aquele conduz necessariamente ao saber Absoluto, ou também que
ele mesmo é um saber absoluto que, todavia, não se sabe como tal. Não apenas
Fichte, mas o próprio Schelling, adverte Vittorio Hösle, tampouco satisfaz a
exigência de uma estrutura de sistema que retorna a si mesma, pois o dualismo
fichteano do eu e Não-Eu perdura, em última análise, no primeiro projeto
resumido de sistema, no Sistema do idealismo transcendental. Segundo ele, a
filosofia tem, com efeito, duas partes – filosofia natural e filosofia
transcendental, a qual, por sua vez, contém, entre outras coisas, filosofia
prática e filosofia teórica. Schelling argumenta do seguinte modo: já que o
saber seria unidade de subjetividade e objetividade, o ponto de partida da
filosofia teria de ser ou o objetivo (a natureza) ou o subjetivo (a
inteligência). Naquele caso, surgiria a filosofia da natureza; neste, a
filosofia transcendental. No entanto, o objetivo de cada uma dessas duas
ciências seria avançar na direção da outra – portanto, de um lado, “partindo da
natureza chegar ao inteligente”, e, de outro, partindo do subjetivo, “fazer
surgir dele o objetivo”. Esta afirmação apenas poderia fazer sentido se para
Hösle, com ela se tivesse em mente que a inteligência tem de objetivar e
naturalizar em atos práticos e estéticos, como Schelling tenta demonstrar no Sistema. A segunda falha resulta da primeira.
Schelling conhece duas esferas da filosofia, na terminologia de Hegel, pertencem à filosofia da realidade.
Aquela estrutura que precede à ambas e que Hegel tematiza na Ciência da Lógica
não tem lugar neste projeto de sistema de Schelling. É fácil ver que não se
pode um renunciar a ela, e por três motivos.
Em
primeiro lugar, somente desse modo se pode compreender porque ambas as partes
são momentos de uma unidade. Não basta afirmar sua relação mútua, é preciso
explicitar estruturas ontológicas gerais que subjazem de igual modo à natureza
e à inteligência. Em segundo lugar, somente desse modo se pode tornar plausível
a dependência da natureza em relação a uma esfera ideal. E, em terceiro lugar,
uma filosofia natural e uma filosofia transcendental apriorísticas são
inconcebíveis sem essa esfera abrangente, pois a partir de que deveriam ser
fundamentadas as primeiras suposições de ambas as filosofias da realidade? Depois
de se desfazer do “resto de fichteanismo”, ainda reconhecível sobretudo na
execução do Sistema do idealismo transcendental, Schelling introduziu na
Apresentação, como base destas duas ciências, o Absoluto, e o definiu como
identidade de subjetividade e objetividade. Não se pode deixar de ver um limite
na doutrina schellinguiana do absoluto que representa um retrocesso, ficando,
no mínimo, aquém de Fichte e, em certo sentido, até mesmo aquém de Kant: as
categorias analíticas que Schelling utiliza para a caracterização do Absoluto
são catadas e, de modo algum deduzidas do próprio Absoluto. Unidade,
identidade, infinitude são determinações que o filósofo Schelling toma de empréstimo da tradição e que,
em primeiro lugar, ele não legitima na relação dialética o em si e por si – ele apenas mostra que em
sua utilização de mera identidade, antes elas que seu contrário conviria ao
absoluto, o qual é entendido como unidade de subjetividade e objetividade, e
que em segundo lugar, ele nem sequer põe sentido em um nexo causal ordenado.
Simplificadamente,
o sistema pensamento de Hegel pode ser representado da seguinte forma: 1) o
princípio supremo da filosofia transcendental tem de ser, com Fichte, uma
estrutura iniludível e que fundamente a si mesma reflexivamente. 2) no entanto,
esse princípio não pode ter nada perante si, se quer ser absoluto; sendo
determinado como subjetividade, ele não pode, portanto, ser subjetividade
finita, mas tem de ser com Schelling, unidade de subjetividade e
objetividade ou, em terminologia hegeliana, ideia. 3) com o reconhecimento,
porém, de que o Absoluto é unidade de subjetividade e objetividade, a filosofia
ainda não está concluída. Antes, trata-se decisivamente de explodir o caráter
pontual desse conhecimento, por quatro motivos: a) a estrutura absoluta não
pode ser posta imediatamente, pois então ela mesma seria, na verdade, uma mera
abstração, da qual nada decorreria; b) apenas assim pode-se alcançar uma prova
da absolutidade dessa estrutura. Mas então é necessária uma prova, mas de um
modo necessariamente diferente de como elas mesmas são pressupostas pela ideia
absoluta, se é que o círculo deve ser evitado; c) a determinação da exata
relação entre “lógica” e “metafísica”, isto e´, entre a doutrina das categorias
finitas e a ciência do princípio absoluto, é o problema para o qual em Jena, pelo fim de sua
temporada Friedrich Hegel, conseguiu encontrar uma solução que o satisfizesse
até o final de sua vida, enquanto, para a maior parte das demais estruturas fundamentais
de sua filosofia , ele chegou mais cedo a respostas à Enciclopédia.
A
ideia Absoluta origina, não apenas as categorias lógicas anteriores a ela, por
meio das quais ela mesma é constituída, sem abdicar da centralidade dela mesma constituída em termos de origem assimétrica. Para
resolver esse problema oferece-se propriamente apenas um caminho. O espírito
assim, reconhece Hegel já cedo contra Schelling - tem de estar acima da
natureza, a qual tem de corresponder às categorias deficientes da Ciência da
Lógica. O genial filósofo parte da
análise da consciência comum, não podia situar como princípio primeiro
uma dúvida universal que só é própria da reflexão filosófica. Por isso mesmo
ele segue o caminho aberto pela consciência e a história detalhada de sua
formação. Ou seja, a Fenomenologia vem a ser uma história concreta da
consciência, sua saída da caverna e sua ascensão à Ciência. Daí a analogia que
em Hegel existe de forma coincidente entre a história da filosofia e a história
do desenvolvimento do pensamento, mas este desenvolvimento é necessário, como
força irresistível que se manifesta lentamente através dos filósofos, que são
instrumentos de sua manifestação. Assim, preocupa-se apenas em definir os
sistemas, sem discutir as peculiaridades e opiniões dos diferentes filósofos.
Na determinação do sistema, o que o preocupa é a categoria fundamental que determina o complexo sistema, e o assinalamento das diferentes etapas,
bem como as vinculasses destas etapas que conduzem à síntese do espírito
absoluto.
Para
compreender o sistema é necessário começar pela representação, que ainda não
sendo totalmente exata permite, no entender de sua obra a seleção de afirmações
e preenchimento do sistema abstrato de interpretação do método dialético, para
poder alcançar a transformação da representação numa noção clara e exata. Assim,
temos a passagem da representação abstrata, para o conceito claro e concreto
através do acúmulo de determinações. Aquilo que por movimento dialético separa
e distingue perenemente a identidade e a diferença, sujeito e objeto, finito e
infinito, é a alma vivente de todas as coisas, a Ideia Absoluta que é a força
geradora, a vida e o espírito eterno. Mas a Ideia Absoluta seria uma existência
abstrata se a noção de que procede não fosse mais que uma unidade abstrata, e
não o que é em realidade, isto é, a noção que, por um giro negativo sobre si
mesma, revestiu-se novamente de forma subjetiva. Metodologicamente a
determinação mais simples e primeira que o espírito pode estabelecer é o Eu, a
faculdade de poder abstrair todas as coisas, até sua própria vida. Chama-se idealidade
precisamente esta supressão da exterioridade. O espírito não se
detém na apropriação, transformação e dissolução da matéria em sua universalidade,
mas, enquanto consciência religiosa, por sua faculdade representativa, penetra
e se eleva através da aparência dos seres até esse poder divino, uno, infinito,
que conjunta e anima interiormente todas as coisas, enquanto pensamento
filosófico, como princípio universal, a ideia eterna que as engendra e nelas se
manifesta. O espírito finito se encontra e inicia uma união imediata com
a natureza. A seguir em oposição com esta e finalmente em identidade com esta. Isto porque metodologicamente a relação na realidade suprimiu a oposição e voltou a si mesmo e, consequentemente, o espírito
finito é a ideia, mas ideia que girou sobre si mesma e que existe por si em sua
própria realidade.
George
Bernard Shaw nasceu em 26 e julho de 1856, falecendo em 2 de novembro em Synge Street, em 1950 em Dublin. Filho de George Carr Shaw (1814-1885), e Elizabeth Lucinda Gurly
(1830-1913), uma cantora profissional. Ele nasceu numa tradicional, mas
empobrecida família protestante, foi de início instruído por um tio, mas
rejeitou a educação escolar e, aos 16, anos empregou-se em um escritório.
Adquiriu amplo conhecimento artístico graças à mãe, Lucinda Elizabeth Gurly
Shaw (1830-1913), e às frequentes visitas à Galeria Nacional da Irlanda. Decidido a tornar-se
escritor, foi morar em Londres em 1876, mas infelizmente, por mais de dez anos, seus
romances foram recusados por editores elitistas da cidade, assim como a maior parte dos
artigos enviados à conservadora imprensa, ipso facto, como orador brilhante e
polemista, fez as primeiras tentativas como dramaturgo. Bernard foi um
dramaturgo, romancista, contista, ensaísta e jornalista irlandês. Cofundador da
London School of Economics, foi também o autor de ilustres comédias satíricas de
espírito irreverente e inconformista.
Tornou-se
vegetariano, fervoroso defensor do socialismo Fabiano, fundado no ano da morte
de Marx (1883) com o intuito de promover as ideias materialistas dialéticas do
filósofo alemão por meio do gradualismo, a Sociedade Fabiana almejava
condicionar a sociedade, como disse a fabiana Margaret Cole (1893-1980), por
meio de medidas socialistas remediadas. Ao atenuar seus objetivos, tinha o
intuito de não incitar os inimigos do socialismo, tornando-os menos combativos,
ao contrário dos revolucionários marxistas, os socialistas fabianos reconheciam
muito bem as controvérsias sobre o trabalhismo e o funcionamento das políticas públicas britânicas. Em 1885, conseguiu
um trabalho fixo na imprensa e, durante quase uma década, escreveu resenhas
literárias, críticas de arte e brilhantes colunas musicais. Sua atividade
literária, em especial a produção teatral, foi uma sequência de sucessos;
destacou-se também na crítica literária, teatral e musical, na criação de
panfletos e ensaios sobre assuntos políticos, econômicos e sociais; sendo ainda
um prolífico epistológrafo. Como
crítico de teatro da Saturday Review (1895), criticou a
pobreza qualitativa e artística da produção teatral vitoriana. Durante a 1ª
grande guerra (1914-18), interrompeu sua produção teatral e publicou um
polêmico panfleto, Common Sense About the War, no qual considerava a
hipocrisia do Reino Unido, aliados e os alemães igualmente culpados e
reivindicava negociações de paz. Recusou o prêmio Nobel de Literatura de 1925
e, em suas últimas peças, intensificou as pesquisas com a linguagem
não-realista, simbolista e tragicômica. Por cinco anos deixou de escrever para
o teatro e dedicou-se ao preparo da edição de suas Obras
Escolhidas (1930-1938), e ao tratado político The Intelligent Woman`s Guide
to Socialism and Capitalism (1928). A correspondência publicada destaca as cartas com o escritor H. G. Wells.
Na
esfera política Shaw irritou-se com o que percebeu ser a forma de exploração da
classe trabalhadora. Socialista ardente, escreveu muitos folhetos e discursos
para o Socialismo Fabiano. Tornou-se um orador disciplinado à promoção de suas causas,
que incluem direitos iguais para homens e mulheres, aliviar os abusos contra a
classe trabalhadora, rescindir a propriedade privada de terras produtivas e
promover estilos de vida saudáveis. Em pouco tempo, tornou-se ativo na política,
no London County Council. Ele e o cantor Bob Dylan são os únicos a terem obtido
um Prêmio Nobel de Literatura (1925) e um Óscar (1938). Shaw por suas
contribuições para a literatura e por seu trabalho no filme Pigmalion que
é uma adaptação de sua peça homônima. Ele quis recusar o Prêmio Nobel porque
não tinha gosto por honrarias públicas. Acabou aceitando a pedido da esposa
que considerava homenagem à Irlanda. Mas rejeitou o dinheiro solicitando
sua característica fundamental, como utilidade de uso, no sentido econômico, para financiar traduções de livros suecos para o inglês.
As
tradições nórdicas se referem a uma histórica religião pré-cristã, crenças e lendas dos
povos escandinavos, incluindo aqueles que se estabeleceram na Islândia onde a
maioria das fontes escritas para a mitologia nórdica foram construídas. Esta é
a versão mais bem conhecida da mitologia comum germânica antiga, que inclui
também relações próximas com a mitologia anglo-saxônica. Por sua vez, a
mitologia germânica evoluiu a partir da antiga mitologia indo-europeia. A
mitologia nórdica é uma coleção de crenças e histórias compartilhadas por
tribos do norte da Germânia, atual Alemanha, sendo que sua estrutura não
designa uma religião no sentido comum da palavra, pois não havia nenhuma
reivindicação de escrituras que fossem inspirados por algum ser divino. A
mitologia foi transmitida oralmente principalmente durante a chamada Era
Viking, e o reconhecimento social sobre ela é baseado especialmente nos Eddas e
textos medievais escritos pouco depois da Cristianização. A maior parte da população escandinava era constituída por camponeses, que nunca saiam das suas terras, e se dedicava à agricultura, à silvicultura, à caça e à pesca.
As pessoas viviam
em pequenos grupos familiares com várias gerações, e dedicavam-se ao cultivo do
centeio, da cevada, do trigo e da aveia. Comiam pão, papas de cereais, queijo
fresco e bagas. Bebiam água, leite ou cerveja fraca. Criavam porcos, cabras,
gansos, cavalos e vacas. A carne desses animais era salgada ou defumada, para ser
conservada para o inverno. Habitavam casas retangulares, onde tinham lugar
homens, mulheres, crianças, escravos e animais. Os escravos chamados thrall na
Escandinávia tinham uma realidade de vida dura, fazendo os trabalhos mais difíceis e comendo
alimentos de qualidade inferiores. Um pequeno grupo dedicava-se ao fabrico artesanal de objetos e ao trabalho no comércio. Os vikings foram uma parcela de tipo militar que participavam de
guerra naval, de pirataria ou comércio marítimo. Sociologicamente é um termo habitualmente com utilidade de uso para se referir aos exploradores. Foram guerreiros e piratas que invadiram,colonizaram grandes áreas da Europa
e ilhas do Atlântico Norte a partir do final do século VIII até meados do século
XI.
A
Festa de Babette (“Babettes Gæstebud”) é uma produção fílmica
franco-dinamarquesa (1987), dirigida por Gabriel Axel, cujo pseudônimo era Isak
Dinesen. O escritor justificava o anonimato numa época em que “mulheres
escritoras” não seriam bem vistas aos olhos de grupos chauvinistas. O filme tem como
escopo a questão do banquete servido por Madame Babette Hersant. Em seu ersatz induz o tema na análise comparativa de que “inexiste a
felicidade sem pecado”. Contudo, a representação está ambientado na comunidade puritana no final do século
XIX. Mas após já haver igualmente sugerido a auto-repressão moral em decorrência do
pecado, cometido por Felippa na formação do triângulo amoroso com o militar
Lorenz Lowenhelm e Martine na percepção do misto de vaidade e orgulho em seus
ensaios de canto erudito em parceria com Achilles Papin. Tem como background a historicidade filosófica, associada com a influência na vertente de religiosidade protestante, para
lembrarmo-nos da crítica incólume de Friedrich Nietzsche, “onde
quer que a neurose religiosa tenha aparecido na terra, nós a encontramos ligada
a três prescrições dietéticas perigosas: solidão, jejum e abstinência sexual”. O
cineasta foi o primeiro dinamarquês a receber o Óscar de melhor filme
estrangeiro, em 1988.
Metodologicamente Nietzsche contamina a reflexão crítica na Sétima Arte. Sua tese filosófica em relação à questão posta pela tradição do pensamento pressupõe que o sentido e valor é uma capacidade de potência se afirmando como força para intervir, moldando os agentes a reagirem contra aquilo que constitui a falta de valor em si e o sentido próprio. O trágico sempre será
afirmativo e não reativo. O reativo, dialético, é conservação de
força frente ao inesperado. Que precisa do controle e da submissão daquele que
é atingido pelo inusitado. O trágico afirma-se na consciência plena do acaso
como constituinte da realidade e o “cosmiza” ativamente e não seu contrário. O trágico não só afirma a necessidade a partir do acaso, como o próprio acaso. Não só afirma a ordem a partir da desordem, como a própria desordem. Não só afirma o cosmos a partir do caos, como afirma o
caos. Reitera, sobretudo, o próprio devir. Essa é a grande inversão da vontade. Que tira do pensamento qualquer pressuposição de sentido e valor,
para construí-los a partir do “jogo de forças” visando expansão de potência.
O
eterno retorno é um conceito filosófico do tempo postulado, em primeira vez
no ocidente, pelo estoicismo e que propunha uma repetição do mundo no qual se
extinguia para voltar a criar-se. Sob esta concepção, o mundo era retornado a
sua origem através da conflagração, onde tudo ardia em fogo. Uma vez queimado,
ele se reconstruía para que os mesmos atos ocorressem novamente. Friedrich
Nietzsche define esse conceito em sua obra: A Gaia Ciência: - “A eterna
ampulheta da existência será sempre virada outra vez, e tu com ela, poeirinha
da poeira!. Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o
demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em
que lhe responderias: - Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!” Se esse
pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e
talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: - Como terias
de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que
essa última, eterna confirmação e chancela?”.
Um dos aspectos do “Eterno
Retorno” diz respeito aos ciclos repetitivos da vida: estamos sempre presos a
um número limitado de fatos, estes fatos que se repetiram no passado, ocorrem
no presente e se repetirão no futuro, como por exemplo, guerras, epidemias,
etc. Nos textos de Friedrich Nietzsche sobre a história, entendemos que sua noção do tempo não
é meramente cíclica.A
Dinamarca é um país cuja história está ligada aos países escandinavos e o norte
da Europa, é um país que tem a muralha mais antiga que pode ser encontrada no
continente, uma muralha que data do Século XII. Este país foi unificado pela
primeira vez por Harald Blatand no século X, quando no final do mesmo período e
durante o século posterior, no século XI, ela foi atacada em uma boa parte do
continente. Os Vikings dinamarqueses passaram a ter controlo sobre os países
como a Inglaterra, como a França e parte da Alemanha. Também penetrou no
Mediterrâneo, foi um povo que temia a violência com qual foram atacados,
causando terror onde passavam. Durante a ocupação muçulmana da península, por
exemplo, arrasaram Sevilha, que resultaram em confrontos entre muçulmanos e
Vikings. Saquearam cidades da Itália, e até a cidade de Constantinopla, foi um
dos mais impressionantes e temidos exércitos durante os primeiros séculos do
segundo milénio de nossa era. No décimo segundo século, as rusgas Vikings
desapareceram, mas este país tinha o controle sobre os outros países na área, algo que
permaneceu. Países como a Noruega, Suécia, Islândia, Groenlândia eram simultaneamente ilhas e países
que a Dinamarca tinha particular controle estratégico planejado (cf. Babo, 2015), mas no século XIII os seus
confrontos contra Teutões também enfraqueceram, pois representava na imaginação uma cidade a
sua medida para eles, e as batalhas entre Teutões e Vikings passaram a
história.
A partir do século XV, a situação começa a mudar, é a partir deste
momento quando o Império dinamarquês começou a sua queda na Suécia no décimo
sétimo século, separa-se da Noruega no século XIX, da Islândia no Século XX e
em datas recentes Groenlândia separou-se da Dinamarca. No século XIX, existem,
porém, datas importantes para o país, pois é no meio deste século, quando a
monarquia constitucional estabelecida no mesmo.Dinamarca,
século XIX. Filippa (Bodil Kjer) e Martine (Birgitte Federspiel) são filhas de
um rigoroso pastor luterano. Após a morte do religioso surge no vilarejo
Babette (Stéphane Audran), uma parisiense que se oferece para ser a cozinheira
e faxineira da família. Muitos anos depois, ainda trabalhando na casa, ela
recebe a notícia de que ganhou um grande prêmio na loteria e oferece-se para
preparar um jantar francês em comemoração ao centésimo aniversário do pastor.
Os paroquianos, a princípio temerosos, acabam rendendo-se ao banquete de
Babette. O diretor de cinema Gabriel Axel, que se tornou o primeiro dinamarquês
a ganhar o Oscar de melhor filme estrangeiro com A Festa de Babette, em 1988,
morreu aos 95 anos. A família divulgou a
notícia, sem informar a causa nem o local da morte. Axel nasceu em 1918, em
Aarhus, na Dinamarca. Passou sua infância em Paris, mas voltou ao país natal
para estudar dramaturgia no Teatro Real. Adulto, dividiu seu tempo entre os
dois países, atuando e dirigindo séries de TV e filmes como:
“Jutland - Reinado do Ódio” (1994), uma recriação da tragédia Hamlet.
A
estreia como diretor ocorreu em 1955. A fama internacional em 1987, com o
lançamento de A Festa de Babette, sua adaptação do conto da escritora
dinamarquesa Isak Dinesen (1885-1962). Karen
Christence, baronesa de Blixen-Finecke, é reconhecida pelo pseudônimo de Isak
Dinesen (1885-1962), uma escritora dinamarquesa. Seu pai, Whihelm Dinesen, era
um militar, que cometeu suicídio quando Karen tinha apenas dez anos de idade,
atormentado por não conseguir resistir à pressão de sofrer de sífilis, como
ocorrera com Nietzsche, uma enfermidade que naquela época estigmatizava. Sua
mãe, Ingeborg Westenholz, ficou sozinha com cinco filhos para criar, e os pôde
manter graças à ajuda de familiares. Karen, como suas irmãs, estudou em
prestigiadas escolas suíças. Em 1914, Karen se casou com um primo afastado, o
barão sueco Bror von Blixen-Finecke, e foram viver no Quênia, onde iniciaram
uma plantação de café. Porém, Bror era mulherengo e passava
longos períodos afastado de casa, envolvido em torno de atividades de safáris e
campanhas militares. Entre 1915 e 1916, Karen contraiu sífilis, provavelmente
de Bror, embora alguns estudiosos acreditem que ela tenha herdado a doença de
seu pai. Os Blixens se separaram em 1921 e se divorciaram em 1925.
Em
Nairobi, Karen Blixen conheceu e se apaixonou por Denys Finch Hatton, um piloto
do exército britânico e caçador. Viveram juntos de 1926 a 1931. Mantiveram uma
relação amorosa intensa, porém repleta de altos e baixos. Engravidou duas
vezes, mas perdeu os bebês, provavelmente em consequência da saúde frágil. A
relação afetiva terminou com a morte de Finch Hatton num acidente de avião, em
1931. Ao mesmo tempo, o fracasso da plantação de café forçou-a a abandonar suas
terras e retornar à Dinamarca. Antes do retorno à Dinamarca, Karen escreveu A
vingança da verdade, publicado em 1926. Após o retorno, seu primeiro livro foi Sete
contos góticos, publicado em 1934, sob o pseudônimo de Isak Dinesen; o
terceiro livro, já reconhecido mundialmente, foi Den afrikanske Farm,
publicado em 1937 e baseado no período em que viveu no continente africano. O
sucesso alcançado com esta obra firmou sua reputação como escritora, tendo sido
premiada com o Tagea Brandt Rejselegat em 1939. Durante
a 2ª guerra mundial (1939-1945), Karen escreveu Contos de inverno, publicado em
1942, e o romance As vingadoras angélicas, sob o pseudônimo de Pierre
Andrezel, e publicado em 1944. Escreveu também Anedotas do destino, de
1958, e que inclui o conto A festa de Babette, também transformado em
filme em 1987, e Sombras na pradaria, de 1960, entre outros. Ele também
participou de uma turnê nos Estados Unidos da América (EUA) em 1959, durante o
qual ela conheceu Arthur Miller, E. E. Cummings e Pearl Buck que admiravam suas
habilidades como escritora. Apesar de ser dinamarquês, Blixen escreveu as
histórias em Inglês e depois traduziu para o dinamarquês. Em 1985, foi adaptado para o cinema com nome Out of África, e direção de Sydney Pollack, com Meryl Streep, Robert Redford e Klaus Maria Brandauer.
No filme A Festa de Babette (1987), o sentido alegórico
com que a narrativa se desenvolve condiciona a gravidade da contradição
histórica vivida pelo ser humano. A perspectiva da perda e da ausência,
constante ameaça à sobrevivência, e que, em princípio, justificaria as ações
religiosas, transforma-se na realização, que é expressão da própria vida e cuja
essência está contida num ato de fé, no seu duplo sentido de reter e enredar,
fazer parte do enredo. Babette representa a empregada de origem francesa de duas irmãs
de meia-idade, Felippa e Martine, nomes dados em homenagem a Felipe Melanchton
e Martinho Lutero. As três vivem numa pequena aldeia de pescadores ao norte da
Dinamarca, numa região chamada Jutlândia. As irmãs gastam todos os seus proventos
num extraordinário trabalho beneficente, assistindo os idosos que já não podem
mais se sustentar. Babette faz os serviços da casa e igualmente cozinha. O pai
de Felippa e Martine foi pastor, profeta (cf. Nietzsche, 1968), fundador de uma seita aparentemente respeitada e
também um pouco temida. Sem a presença física do genitor, mas ainda
com os arraigados severos dogmas religiosos, Martine e Felippa permitem que
Babette elabore jantar em memória ao aniversário de falecimento do pastor
chefe da família.
Quando
Babette veio trabalhar na casa das irmãs, o pastor já era falecido e os poucos
fiéis que ainda restavam continuavam, ano após ano, encontrando-se na casa das
irmãs para interpretar a palavra de Deus e honrar o espírito do mestre, ainda
presente. Na juventude, Martine e Felippa eram como fruteiras floridas e os
rapazes iam aos cultos dominicais na igreja só para vê-las, uma vez que não
frequentavam bailes ou festas. Aqueles que se atreviam a solicitar permissão
para cortejá-las recebiam como resposta do pastor que suas duas filhas eram
para o seu sacerdócio, sua mão direita e esquerda e aquele que delas se
aproximava por interesses frívolos como o casamento ou o amor terreno estava,
na verdade, tirando-as dele. Por ocasião da festa do centésimo aniversário do
pastor, o bilhete de Babette é premiado. As irmãs pretendem homenagear o
falecido pai com um jantar, Babette pede-lhes a honra de oferecer com o
dinheiro ganho, um banquete verdadeiro jantar francês. Segundo
Sigmund Freud, os conteúdos refutados, longe de serem destruídos ou esquecidos
definitivamente através da repressão psíquica, ao se ligarem à pulsão, mantêm
sua efetividade psíquica no inconsciente. O reprimido (ou recalcado) constitui,
portanto, a componente central do inconsciente. - “O recalcado se sintomatiza”,
diz o fundador da psicanálise. Ou seja: pela repressão, os processos
inconscientes só se tornam conscientes através de seus derivados - os sonhos ou
os sintomas neuróticos. Vale lembrar que o conceito de repressão psicológica
não foi originalmente definido por Freud. No século XIX, já havia sido
utilizado, para sermos breves, por Johann Friedrich Herbart e por Theodor Meynert. Mas Freud foi quem
conseguiu descrevê-lo como um mecanismo essencial da cisão originária entre o
consciente e o inconsciente estruturada no ambiente abstrato do aparelho psíquico.
Para
Freud, a repressão opera porque a satisfação direta da moção pulsional, que se
destina a causar prazer, poderia causar desprazer ao entrar em dissonância com
as exigências provenientes de outras estruturas psíquicas ou exigências do meio
exterior. Em sentido estrito, trata-se do mecanismo típico da neurose
histérica, mas, em sentido amplo, é um processo de desenvolvimento que ocorre
em todos os seres humanos, dado que constitui originariamente o inconsciente. O
conceito foi adotado por distintas escolas e orientações dentro da psicanálise.
Mas também por outras teorias psicológicas, resultando em definições às vezes
muito diferentes entre si. Jacques Lacan, por exemplo, reinterpretou a teoria da
repressão e do deslocamento de Freud usando as categorias linguísticas de
metáfora e metonímia. Na medida em que a metáfora envolve a substituição de um
termo por outro que no cotidiano sociológico “desliza por baixo do balcão”, ela seria na representação da análise lacaniana,
o correlato linguístico do mecanismo substitutivo de repressão ou recalque. Na enologia, é ato de rebaixar a manta para não azedar permitindo a obtenção de vinho tinto com exata densidade obtendo assim, mais corporeidade e cor. Não queremos perder de vista o que o exame de um vinho pode nos dizer dele. Karen
Christence, baronesa de Blixen-Finecke, reconhecida pelo pseudônimo de Isak
Dinesen, foi uma escritora dinamarquesa. Seu pai, Wilhelm Dinesen, era um
militar, e cometeu suicídio quando Karen tinha apenas dez anos de idade,
atormentado por não conseguir resistir à pressão de sofrer de sífilis,
enfermidade que estigmatizava. Sua mãe, Ingeborg Westenholz,
ficou sozinha com cinco filhos para criar, e os pode manter graças à ajuda de
familiares. Karen, como suas irmãs, estudou em prestigiadas escolas suíças. Em
1914, casou-se com um primo afastado, o barão sueco Bror von Blixen-Finecke, e
foram viver no Quênia, onde iniciaram uma plantação de café. Entre 1915 e 1916, Karen contraiu sífilis, provavelmente de
Bror, embora alguns estudiosos acreditem que ela tenha herdado a doença de seu
pai. Os Blixens se separaram em 1921 e se divorciaram em 1925. Em Nairóbi,
a maior cidade da África Oriental, Karen Blixen conheceu e se apaixonou por Denys Finch Hatton, um piloto do
exército britânico e caçador. Viveram juntos de 1926 a 1931. Mantiveram uma
relação amorosa intensa, naturalmente cheia de altos e baixos. Engravidou duas
vezes, mas perdeu os bebês, provavelmente em consequência da saúde frágil. A
relação terminou com a morte de Finch Hatton num acidente de avião, em 1931. Ao
mesmo tempo, o fracasso da plantação de café forçou-a a abandonar suas terras e
retornar à Dinamarca.
O
ritmo cíclico da vida desenvolve-se sem que nos apercebamos de que a angústia,
a ansiedade e o temor provocados através de um banquete provocassem uma ruptura
no cotidiano da aldeia, a partir de uma interferência não desejada em vários
aspectos e que necessita, por isso, ser também simbolicamente negada e
reprimida. Não é, portanto, somente uma alteração de rotina que Babette produz com
sua presença e seu jantar. No filme, essa unidade entre a narrativa, o enredo e
a articulação das imagens, caracterizando a natureza cíclica da vida, pelos
diferentes fazeres humanos, torna o aparente inalterável cotidiano da aldeia um
aliado do passado mantido da história. A preparação e a realização do banquete
adquirem os contornos de um rito de passagem, pelo qual as ações passam a ter
um significado mais amplo do que aquele ordinariamente praticado, amplificando
o conteúdo da representação do acontecimento. Os atos cotidianos de cozinhar e
comer são outros e são os mesmos. A data comemorada é a mesma e é outra, no
imaginário do banquete. O que transforma cada um desses elementos é o sentido histórico
do social empreendida por Babette. Ipsofacto, Banquete é uma das obras mais reconhecidas e influentes de Platão e de representação de toda tradição filosófica e literária ocidental. Certamente, é também uma das mais complexas e inesgotáveis, a despeito de sua relativa acessibilidade ao desabituado à imaginação platônica. Sua importância social e prestígio, são responsáveis per se por uma série impressionante de interpretações da história da cultura ocidental.
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* Sociólogo (UFF), Cientista Político (UFRJ), Doutor em Ciências junto à Escola de Comunicações e Artes. São Paulo: Universidade de São Paulo (ECA/USP). Professor Associado da Coordenação do curso de Ciências Sociais. Centro de Humanidades. Fortaleza: Universidade Estadual do Ceará (UECE).