sexta-feira, 3 de julho de 2026

De Olhos Bem Fechados – Fluxo de Consciência & Esclarecimento Social.

                      No inconsciente, nada pode ser encerrado, nada é passado ou está esquecido”. Sigmund Freud                              

 O termo grego psychein é uma palavra ambígua que significava originalmente “alento” e, posteriormente, “sopro”. Dado que o alento representa uma das características da vida, a expressão “psique” era utilizada como um sinônimo de vida e por fim, como sinônimo de alma, considerada o princípio da vida. A psique seria então a “alma das sombras” por oposição à “alma do corpo”. O termo adquiriu outros significados no âmbito da história clínica e social, a exemplo do apresentado na peça Psyché, de Molière. Pode-se destacar ainda a versão de Jean de La Fontaine (1621-1695), no romance Os Amores de Psique e Cupido, além das versões clássicas como de Apuleio (125-180), Eros e Psique (Metamorfose: livros IV, V e VI), entre outras. Relevante para a psicanálise é a versão mítica, utilizada por Freud, ao propor a utilização dos termos Eros e Tânato, em seu livro Além do princípio do prazer (1922). Segundo o autor, o ser humano possui duas pulsões inatas, a de vida (Eros) e a de morte (Tânato), que dinamizam a psique e são origens de desejos e fantasias.  Psyché representou uma bela mortal por quem Eros, deus do amor e filho de Afrodite, deusa da beleza, se apaixonou. Tão bela que despertou a fúria de Afrodite, pois os homens deixavam de frequentar seus templos para adorar uma simples mortal. A deusa mandou seu filho atingir Psiquê com suas flechas, fazendo-a se apaixonar pelo monstruoso ser. Ao contrário do esperado, Eros acaba se apaixonando pela moça – acredita-se que tenha sido espetado acidentalmente por uma de suas próprias setas.

Com o próprio deus do Amor apaixonado por Psyché, suas setas não foram  lançadas para ninguém. Após muito pranto, mas sem ousar contrariar a vontade de Apolo, a jovem  Psyché foi levada ao alto de um rochedo e deixada à própria sorte, até adormecer e ser conduzida pelo vento Zéfiro a um palácio magnifico, que daquele dia em diante seria seu. Lá chegando a linda princesa não encontrou ninguém, mas tudo era suntuoso e, quando sentiu fome, um lauto banquete estava servido. À noite, uma voz suave a chamava e, levada por ela, conheceu as delícias do Amor, nas mãos do próprio deus do amor (Eros). Os dias se passavam, e ela não se entediava, tantos prazeres tinha: acreditava estar casada com um monstro, pois Eros não lhe aparecia e, quando estavam juntos, usava sempre um capuz. Ele não podia revelar sua identidade pois, assim, sua mãe (Afrodite) descobriria que não cumprira suas ordens – e apesar disto Psyché amava o esposo, que a fizera prometer-lhe jamais retirar seu capuz. Psyché, julgando que os conselhos das irmãs (invejosas, diziam-lhe que Eros era na verdade um monstro e por isso não mostrava o rosto) eram ditados por amizade, pôs em execução o plano que elas lhe sugeriram: após perceber que seu marido se entregara ao sono, levantou-se tomando uma lâmpada e uma faca, e dirigiu a luz ao rosto de seu esposo, com intenção de matá-lo. Porém, espantada e admirada com a beleza de seu marido, a jovem desastradamente deixa pingar uma gota de azeite quente sobre o ombro dele. Eros acorda e, percebendo que fora traído, enlouquece e foge. 

Psiqué fica sozinha, desesperada com seu erro, no imenso palácio. Traumnovelle, tem como representação social uma novela de 1926 do escritor austríaco Arthur Schnitzler (1862-1931). O livro trata historicamente dos pensamentos e das transformações psicológicas do Doutor Fridolin durante o período exatamente de dois dias após “sua esposa confessar ter tido fantasias sexuais envolvendo outro homem”. Nesse curto espaço de tempo, ele reconhece muitas pessoas que dão pistas sobre o mundo que Schnitzler cria. Isso culmina no famoso baile de máscaras, um evento de identidade mascarada, sexo, e perigo para o Doutor Fridolin, o estranho. Foi publicado pela primeira vez em fascículos na revista Die Dame entre dezembro de 1925 e março de 1926. A primeira edição do livro apareceu em 1926 na S. Fischer Verlag. A mais reconhecida das adaptações cinematográficas é o filme Eyes Wide Shut, de 1999, do diretor-roteirista Stanley Kubrick e do corroteirista Frederic Raphael, embora faça alterações significativas no cenário. Antes deste filme, foi adaptado para a televisão austríaca em 1969, como um filme italiano intitulado Il Cavaliere, la Morte e il Diavolo em 1983, e como um filme italiano de maldito ou interdito de “baixo orçamento”, para o jargão de status cinematográfico, intitulado Nightmare in Venice em 1989. O livro pertence ao período decadente em Viena após a virada do século XX (cf. Schorske, 1990). Entretanto, Traumnovelle se passa na Viena do início do século XX durante o carnaval. O protagonista da história é Fridolin, médico bem-sucedido de 35 anos que mora com esposa Albertina (também traduzida como Albertine) e sua filha.                        

Uma noite, Albertina confessa que no verão anterior, enquanto estavam de férias na Dinamarca, um país escandinavo que abrange a península Jutlândia e várias ilhas, ela teve uma fantasia sexual com um jovem oficial militar. Fridolin então admite que durante as mesmas férias se sentiu atraído por uma jovem garota na praia. Mais tarde naquela noite, Fridolin é chamado ao leito de morte de um paciente importante. Ao encontrar o homem morto, ele fica chocado quando a filha do homem, Marianne, professa seu amor por ele. Inquieto, Fridolin sai e começa a andar pelas ruas. Embora tentado, ele recusa a oferta de uma jovem prostituta chamada Mizzi. Ele encontra seu velho amigo Nachtigall, que diz a Fridolin que tocará piano em uma orgia secreta da alta sociedade naquela noite. Intrigado, Fridolin consegue máscara e fantasia e segue Nachtigall até a festa em uma residência particular.  Fridolin fica chocado ao encontrar vários homens com máscaras e fantasias e mulheres nuas apenas com máscaras envolvidas em diversas atividades sexuais. Quando uma jovem o avisa para ir embora, Fridolin ignora seu apelo e logo é exposto como um intruso. A mulher então anuncia à multidão que se sacrificará por Fridolin, e ele poderá partir. Ao voltar para casa, Albertina acorda e descreve um sonho que teve: enquanto fazia amor com o oficial dinamarquês a partir de suas fantasias sexuais, ela assistiu sem simpatia Fridolin ser torturado e crucificado diante de seus olhos. 

Fridolin fica indignado porque acredita que isso prova que sua esposa quer traí-lo. Ele resolve perseguir suas próprias tentações sexuais. No dia seguinte, Fridolin descobre que Nachtigall foi levado por dois homens misteriosos. Ele então vai até a loja de fantasias para devolver sua fantasia e descobre que o dono da loja está prostituindo sua filha adolescente com vários homens. Ele encontra o caminho de volta para onde a orgia aconteceu na noite anterior; antes de poder entrar, ele recebe um bilhete endereçado a ele pelo nome, avisando-o para não prosseguir com o assunto. Mais tarde, ele visita Marianne, mas ela não demonstra mais interesse por ele. Fridolin procura Mizzi, a prostituta, mas não consegue encontrá-la. Ele lê que uma jovem foi envenenada. Suspeitando que ela seja a mulher que se sacrificou por ele, ele vê o cadáver da mulher no necrotério, mas não consegue identificá-la. Fridolin volta para casa naquela noite e encontra Albertina dormindo, com a máscara da noite anterior colocada no travesseiro ao seu lado da cama. Ao acordar, Fridolin confessa todas as suas atividades. Depois de ouvir em silêncio, Albertina o conforta. Fridolin diz que isso nunca acontecerá, mas Albertina diz para não olhar para o futuro e que o importante é que eles tenham sobrevivido às aventuras. A história termina com eles cumprimentando o novo dia com a filha.

Eyes Wide Shut (De Olhos Bem Fechados) tem como representação social um filme britano-estadunidense de 1999 dos gêneros drama e suspense, dirigido por Stanley Kubrick, e estrelado por Nicole Kidman e Tom Cruise. É baseado no romance Traumnovelle, de Arthur Schnitzler (1862-1931) foi um escritor e médico austríaco. O pai, Johann Schnitzler, de uma família judaica simples, mudou-se de Budapeste para Viena, onde se casou com a filha de uma famosa família. Tornou-se um respeitado médico e diretor do hospital “Allgemeine Poliklinik”. O seu filho Arthur frequentou entre 1871 e 1879 o Liceu, tendo mais tarde completado o curso de medicina. Arthur Schnitzler viria a completar o mestrado em 1885. Participa no trabalho da revista clínica “Allgemeine Klinische Rundschau” e começou cedo por se interessar pela psicologia. Trabalhando como médico de 2ª classe com o psiquiatra Dr. Theodor Meynert fazia experiências com a hipnose e a sugestão como técnicas terapêuticas. Foi assistente e médico de 2ª classe no Hospital Wiener Allgemeines Krankenhaus e, mais tarde, assistente do seu pai no hospital “Poliklinik”. Em 1893, abriu uma clínica privada, a qual começou a se dedicar cada vez menos devido à atividade literária. Entretanto, Schnitzler é frequentemente comparado com Sigmund Freud. Nos seus dramas e novelas usa a técnica do “fluxo de consciência”, onde mostra drasticamente a atividade subconsciente dos seus protagonistas.

Em consequência da sua representação intransigente do pensamento, foi inúmeras vezes criticado. O seu ciclo “Der Reigen” provocou um grande escândalo público e foi censurado como tendo realizado uma apresentação de pornografia. Segundo o Dicionário Oxford o enquanto o monólogo interior é uma fala interiorizada, o fluxo de consciência procura a mistura desta fala com impressões, percepções, não respeitando muitas vezes as regras gramaticais. O fluxo de consciência frequentemente não utiliza pontos e vírgulas por largos períodos, inclusive obras inteiras tentando representar na escrita, o fluxo de pensamentos inconscientes e desorganizados de nossa mente. As semelhanças entre Sigmund Freud (1856-1939) e Arthur Schnitzler (1862-1931) são indiscutíveis, cada um ao seu modo, intensamente a psicanálise. Em uma carta destinada a Schnitzler, datada de 14 de maio de 1922, Sigmund Freud (1856-1939) faz algumas observações sociais sobre a obra do escritor e confessa ter evitado, durante muito tempo, ser apresentado a ele, pois, ao ler seus textos, acreditava que se tratava de seu “duplo”. Alguém que, como ele, era “explorador das profundezas” e que mostrava “as verdades do inconsciente”. Afirmou Freud: “Sempre que me deixo absorver profundamente por suas belas criações, parece-me encontrar, sob a superfície poética, as mesmas suposições antecipadas, os interesses e conclusões que reconheço como meus próprios. Ficou-me a impressão de que o senhor sabe por intuição – realmente, a partir de uma fina auto-observação – tudo que tenho descoberto em outras pessoas por meio de laborioso trabalho” (Freud, 1922).

Quando o presidente da Warner Bros., Terry Semel, aprovou a produção em 1995, ele pediu a Kubrick que escalasse uma estrela de cinema, pois “você não fazia isso desde Jack Nicholson [em O Iluminado]”. Kubrick pretendia escalar um casal de verdade para o filme como Bill e Alice Harford. Alec Baldwin e Kim Basinger foram considerados, assim como Bruce Willis e Demi Moore. Kubrick acabou escalando Tom Cruise para o papel de Bill, tendo ficado impressionado com sua atuação em Nascido em 4 de Julho (1989), e Nicole Kidman como Alice. Kidman estava na Inglaterra filmando Retrato de uma Senhora (1996), e ela e Cruise decidiram visitar Kubrick em sua propriedade em Childwickbury para discutir o projeto. Após essa reunião, Kubrick concedeu-lhes os papéis. A escalação do casal foi oficialmente anunciada pela Variety em 17 de dezembro de 1995. Kubrick também conseguiu fazer com que ambos não se comprometessem com outros projetos até que Eyes Wide Shut fosse concluído. Em uma entrevista de 2025, John Turturro afirmou que Kubrick escreveu o papel de Nick Nightingale para ele, mas que Turturro o recusou acidentalmente devido a um mal-entendido. No final, Kubrick ofereceu o papel a Todd Field. Entretanto, no “frigir dos ovos” Jennifer Jason Leigh e Harvey Keitel foram escalados para papéis coadjuvantes e filmados por Kubrick, como Marion Nathanson e Victor Ziegler, respectivamente. Ambos acabaram abandonando a produção, supostamente devido ao jargão comumente utilizado “conflitos de agenda”.

Keitel foi o primeiro a deixar o projeto para aparecer em Finding Graceland, seguido por Leigh, que estava filmando eXistenZ com David Cronenberg. Leigh foi substituída por Marie Richardson e Keitel por Sydney Pollack. Décadas depois, Keitel disse que havia desistido por sentir que Kubrick o havia “desrespeitado”; Gary Oldman acrescentou que o ponto de ruptura foi depois que Kubrick pediu a Keitel que fizesse dezenas de tomadas para uma cena de seu personagem passando por uma porta. Entre os outros atores coadjuvantes, Alan Cumming disse mais tarde que fez seis testes para seu pequeno papel no filme como recepcionista de hotel. Vinessa Shaw enviou uma fita de teste para o papel do Domino, uma prostituta encontrada por Bill, e foi escalada por Kubrick. Shaw lembrou: “duas vezes fui chamada e contratada com base na fita, porque Stanley Kubrick não viajava de avião... fui contratada com base nessa fita e foi isso”. Julienne Davis foi escalada para o papel de Mandy, uma prostituta salva de uma overdose por Bill na festa de Natal dos Ziegler, a quem ele mais tarde descobre morta e visita no necrotério. Kubrick ofereceu este papel a Eva Herzigová, mas ela recusou. Subentende-se que a personagem Mandy e a misteriosa mulher mascarada que Bill encontra na orgia são presumivelmente a mesma pessoa. No entanto, embora Davis apareça ao fundo como uma participante mascarada durante a sequência da extraordinária orgia, ela foi substituída por Abigail Good nas cenas de diálogo com Cruise.

Etnograficamente as filmagens principais de Eyes Wide Shut começaram em 4 de novembro de 1996. Originalmente, Kubrick planejou que as filmagens durassem apenas três meses, com um cronograma previsto de 28 de outubro de 1996 a 7 de fevereiro de 1997. No entanto, o perfeccionismo de Kubrick levou à reescrita de páginas do roteiro no set, e ele intencionalmente filmou muitas cenas várias vezes para tentar desestabilizar os atores envolvidos e assim poder obter uma atuação mais autêntica. Inúmeras cenas, independentemente de sua duração, foram filmadas mais de 70 vezes. Uma cena de Cruise atravessando uma porta foi filmada 95 vezes. Como resultado, as filmagens duraram muito mais do que o esperado. A atriz Vinessa Shaw foi inicialmente contratada por duas semanas e uma cena, mas acabou trabalhando por dois meses.  Segundo Kidman, “Stanley não trabalhava sob pressão. O tempo era a coisa mais importante para ele. Ele estava disposto a abrir mão de locações para economizar dinheiro, mas não estava disposto a abrir mão de tempo”. As filmagens ocorreram exclusivamente à noite,  e a produção foi acompanhada por uma forte campanha de sigilo, facilitada pelo fato de Kubrick sempre trabalhar com uma pequena equipe no set. Devido à natureza implacável da produção, a equipe ficou exausta e houve relatos de que o moral estava baixo. Cruise desenvolveu uma úlcera, mas não contou a Kubrick. As filmagens foram finalmente concluídas em junho de 1998, com o orçamento de produção do filme atingindo US$ 65 milhões. O Guinness World Records reconheceu o trabalho cenográfico de Eyes Wide Shut como a filmagem contínua mais longa de um filme, que durou “...mais de 15 meses, um período que incluiu uma filmagem ininterrupta de 46 semanas”.

Larry Smith, que havia trabalhado como eletricista-chefe em Barry Lyndon e O Iluminado, foi escolhido por Kubrick para ser o diretor de fotografia do filme. Sempre que possível, Smith utilizava fontes de luz disponíveis e visíveis nas cenas, como lâmpadas e luzes de Natal, mas quando isso era insuficiente, ele usava lâmpadas de papel chinesas para iluminar suavemente a cena, com outros tipos de iluminação de filme, se necessário. A cor foi realçada pelo processamento forçado dos rolos de filme (emulsão), o que ajudou a intensificar a cor e enfatizar os destaques. Esse efeito é evidente na cena da festa de Natal na casa de Ziegler, com Smith observando que o processamento forçado “fez com que as luzes parecessem muito mais brilhantes do que eram” e criou um “brilho quente maravilhoso”. O perfeccionismo de Kubrick o levou a supervisionar cada elemento visual que apareceria em um determinado quadro, desde adereços e móveis até a cor das paredes e outros objetos. Um desses elementos eram as máscaras usadas na orgia, inspiradas nos bailes de máscaras de carnaval visitados pelos protagonistas do romance. A figurinista Marit Allen explicou que Kubrick sentiu que elas se encaixavam naquela cena por fazerem parte do mundo imaginário e acabaram “criando a impressão de ameaça, mas sem exagero”. Tantas máscaras quanto as usadas no carnaval veneziano foram enviadas para Londres e Kubrick escolheu quem usaria cada uma. Os retratos da esposa de Kubrick, Christiane, e de sua enteada, Katharina, aparecem como decoração.

Kidman revelou que suas cenas explícitas com o oficial naval, interpretado por Gary Goba, foram filmadas ao longo de três dias e que Kubrick queria que elas fossem “quase pornográficas”. Devido ao medo de voar de Kubrick, todo o filme foi rodado na Inglaterra, com exceção de algumas cenas externas filmadas na cidade de Nova York, que foram projetadas atrás de Cruise durante algumas das sequências de rua. Os trabalhos de estúdio foram concluídos nos Estúdios Pinewood de Londres, que incluíram uma recriação detalhada de Greenwich Village, bem como interiores do apartamento dos Harford. O perfeccionismo de Kubrick chegou ao ponto de enviar designers de produção a Manhattan para medir a largura das ruas e anotar a localização das máquinas de venda automática de jornais. Somerton, a propriedade palaciana “onde ocorre a sequência da orgia”, era uma amálgama de diferentes locais interiores e exteriores. Três propriedades separadas foram usadas para essas cenas: Mentmore Towers em Buckinghamshire serviu como exterior, enquanto as sequências interiores foram filmadas em Elveden Hall em Suffolk e Highclere Castle em Hampshire. As locações externas incluíram Hatton Garden representando uma rua de Greenwich Village, enquanto a loja de brinquedos Hamleys em Londres foi usada como substituta da FAO Schwarz na cena final do filme. Fotografias adicionais ocorreram no Chelsea and Westminster Hospital, bem como no Lanesborough Hotel, este último servindo como o apartamento dos Nathansons. A atriz Julienne Davis lembrou que a cena do necrotério em que o personagem de Cruise visita seu cadáver foi filmada dentro de uma fábrica de bacon desativada em St Albans, Hertfordshire.

Após a conclusão das filmagens, Kubrick iniciou um longo processo de pós-produção. O editor Nigel Galt trabalhou com Kubrick no processo de edição usando a tecnologia Avid e indicou que havia começado a editar as filmagens existentes enquanto o filme ainda estava em fase de fotografia principal, a partir de 30 de dezembro de 1996. A carga de trabalho era tão exigente que Galt solicitou editores assistentes, após o que Melanie Viner-Cuneo e Claus Wehlisch foram contratados, muitas vezes trabalhando 12 horas por dia. Em meados de fevereiro de 1999, Galt observou que estava trabalhando até 15 horas por dia com o prazo iminente da Warner Bros. em março. Embora Kubrick normalmente exibisse a versão final de seus filmes na Inglaterra, ele enviou a primeira versão do filme finalizado para Nova York para acomodar Cruise e Kidman. Em 2 de março de 1999, a primeira versão foi exibida para Cruise, Kidman e executivos da Warner Bros. na sede do estúdio na Quinta Avenida. De acordo com o executivo do estúdio, Semel: “[Stanley] gostou muito do filme e devo dizer que ficamos realmente entusiasmados. É um filme incrível”. O filme foi bem recebido por Cruise, Kidman e Semel. Segundo Semel, restavam apenas alguns ajustes menores, consistindo em títulos e “algumas correções de cor e algumas questões técnicas”. Em 5 de março de 1999, Kubrick realizou uma segunda exibição do filme para um representante britânico da Warner Bros. em sua casa em Childwickbury. Kubrick morreu repentinamente dois dias depois, vítima de um ataque cardíaco. Em 13 de março de 1999, um dia após o funeral de Kubrick, Galt retomou o processo de pós-produção com a ajuda de Viner-Cuneo, Leon Vitali, Jan Harlan e da esposa de Kubrick, Christiane.

Em 2019, foi revelado que Cate Blanchett havia fornecido a voz da misteriosa mulher mascarada na festa da orgia porque a atriz Abigail Good não conseguiu falar com um sotaque americano convincente. Cruise e Kidman acabaram sugerindo Blanchett para a dublagem, que ocorreu após a morte de Kubrick. Jocelyn Pook compôs a música original de Eyes Wide Shut, mas, como outros filmes de Kubrick, o filme foi notável pelo uso de música clássica. A música de abertura é a Valsa nº 2 de Shostakovich, da “Suite para Orquestra de Palco de Variedades”, erroneamente identificada como “Jazz Suite nº 2”. Uma peça recorrente é o segundo movimento do ciclo para piano de György Ligeti, “Musica ricercata”. Kubrick originalmente pretendia apresentar “Im Treibhaus”, das Wesendonck Lieder de Wagner, mas o diretor acabou substituindo-a pela peça de Ligeti, achando a canção de Wagner “bonita demais”. Na cena do necrotério ouve-se a peça tardia para piano solo de Franz Liszt, “Nuages ​​Gris” (1881). Mas também “Rex tremendae” do Réquiem de Mozart toca enquanto Bill entra no café e lê sobre a morte de Mandy. Vale lembrar que Jocelyn Pook foi contratada depois que a coreógrafa Yolande Snaith ensaiou a  cena da orgia do baile de máscaras usando a composição de Pook, “Backwards Priests” (1999) – que apresenta uma Divina Liturgia Ortodoxa Romena gravada em uma igreja em Baia Mare, tocada ao contrário – como faixa de referência. Kubrick então ligou para a compositora e perguntou se ela tinha mais alguma coisa “estranha” como aquela música, que foi retrabalhada para a versão final da cena, com o título “Masked Ball”.

Pook acabou compondo e gravando quatro peças musicais, muitas vezes baseadas em seus trabalhos anteriores, totalizando 24 minutos. O trabalho da compositora acabou tendo principalmente instrumentos de corda – incluindo uma viola tocada pela própria Pook – sem metais ou sopros, pois Pook “simplesmente não conseguia justificar essas outras texturas”, principalmente porque queria que as faixas tocadas em cenas com muitos diálogos fossem “subliminares” e sentia que tais instrumentos seriam intrusivos. Outra faixa da orgia, “Migrations”, apresenta uma canção tâmil cantada por Manickam Yogeswaran , um cantor de música carnática. A versão original apresentava uma recitação das escrituras do Bhagavad Gita, que Pook retirou de uma gravação anterior de Yogeswaran. O Hindu Mahasabha da África do Sul, um grupo hindu, protestou contra o uso das escrituras, a Warner Bros. emitiu um pedido público de desculpas, e contratou o cantor para gravar uma faixa semelhante para substituir o cântico. A festa na casa de Ziegler apresenta rearranjos de canções de amor como “When I Fall in Love” e “It Had to Be You”, usadas de maneiras cada vez mais irônicas, considerando como Alice e Bill flertam com outras pessoas na cena. Como Kidman estava nervosa em relação às cenas de nudez, Kubrick afirmou que ela poderia trazer sua própria música para as filmagens. Quando Kidman trouxe um CD de Chris Isaak, Kubrick aprovou e incorporou a música de Isaak “Baby Did a Bad, Bad Thing” tanto em um abraço romântico inicial de Bill e Alice quanto no trailer do filme.

            Escólio: O Dr. Bill Harford e sua esposa, Alice, são um jovem casal que vive em Nova York. Eles vão para uma festa de Natal feita por um paciente rico, Victor Ziegler. Bill encontra um velho amigo da faculdade de medicina, Nick Nightingale, que agora toca piano profissionalmente. Enquanto um homem húngaro chamado Sandor Szavost tenta pegar Alice, duas jovens modelos tentam tirar Bill para um encontro. Ele é interrompido por um telefonema de seu anfitrião no andar de cima, que tinha tido relações sexuais com Mandy, uma jovem que tem uma overdose. Mandy recupera-se com a ajuda de Bill. Na noite seguinte, em casa, ao fumar cannabis, Alice pergunta se ele teve relações sexuais com as duas meninas. Depois de Bill tranquiliza-la, ela pergunta se ele está sempre com inveja de homens que se sentem atraídos por ela. Como a discussão se aquece, ele afirma que acha que as mulheres são mais fiéis do que os homens. Ela refuta, dizendo-lhe de uma recente fantasia que ela tinha com um oficial da Marinha que tinham encontrado em um período de férias. Perturbado pela revelação de Alice, Bill é então chamado pela filha de um paciente que acaba de morrer; ele então vai encontrá-la. Em sua dor, Marion Nathanson impulsivamente o beija e diz que o ama. Despedindo-a antes de seu noivo Carl chegar, Bill toma uma caminhada. Ele encontra uma prostituta chamada Domino e vai para seu apartamento, começa a beijar Bill, até que ele é chamado por Alice.

Bill paga ao Domino pelo programa, sem ter relações com ela, e volta a caminhar. Nick, no clube de jazz, está terminando seu último set. Bill descobre que Nick tem um compromisso onde ele deve tocar piano com olhos vendados. Bill o pressiona para obter mais detalhes. Ele descobre que para ganhar o ingresso, é preciso um traje, uma máscara e a senha que Nick escreve para ele. Bill vai a uma loja de fantasias. Ele oferece ao proprietário, o Sr. Milich, uma generosa quantidade de dinheiro para alugar um traje. Na loja, Milich encontra sua filha adolescente com dois homens japoneses e fica indignado. Bill pega um táxi para a mansão mencionado por Nick. Ele diz a senha e descobre um ritual sexual quase religioso que está ocorrendo. Embora ele esteja mascarado, uma mulher chama Bill e avisa que ele não deve ficar lá, insistindo que ele está em perigo terrível. Eles são interrompidos por um porteiro, que diz a Bill que o motorista de táxi quer falar com ele. No entanto, o porteiro leva-o para a sala do ritual, onde o Mestre de Cerimônia vestindo um manto vermelho confronta Bill com uma pergunta sobre uma segunda senha. Bill diz que esqueceu. O Mestre de Cerimônia o anfitrião do evento insiste para naquele momento que Bill “gentilmente retire a sua máscara”, em seguida, suas roupas. A mulher mascarada que tinha tentado avisar Bill agora intervém e insiste que ela deve ser punida no lugar dele. Bill é conduzido para fora da mansão e avisado ​​para não contar a ninguém sobre o que aconteceu lá. Pouco antes do amanhecer, Bill chega em casa culpado e confuso. Ele encontra Alice chorando alto em seu sono e desperta-a.  

Enquanto chorava, ela diz a ele de um sonho perturbador em que ela estava fazendo sexo com o oficial naval e muitos outros homens e rindo com a ideia de Bill vê-la com eles. Na manhã seguinte, Bill vai para o hotel de Nick, onde o funcionário da recepção diz para Bill que Nick chegou machucado e assustado algumas horas mais cedo após o retorno com dois homens assustadores. Nick tentou passar um envelope para o funcionário quando eles estavam saindo, mas foi interceptado e Nick foi expulso pelos dois homens. Bill vai para devolver o traje - sem a máscara, que ele guardou mal - e Milich, com sua filha ao seu lado, afirma que ele pode fazer outros favores para Bill “e ele não precisa usar uma fantasia”. Os mesmos dois homens japoneses saém; Milich implica a Bill que ele vendeu sua filha para a prostituição. Bill retorna à mansão de campo em seu próprio carro e dá de cara no portão por um homem com uma nota alertando-o para desistir de procurar. Em casa, Bill pensa sobre o sonho de Alice enquanto assiste sua filha. Bill reconsidera suas ofertas sexuais na noite anterior. Ele telefona para Marion, mas desliga depois que Carl atende. Bill, em seguida, vai ao apartamento do Domino com um presente. Sua companheira de quarto Sally está em casa, mas não o Domino. Depois de Bill tenta seduzir Sally, ela lhe revela que foi diagnosticada com doença contagiosa. Bill sai e vê que um homem está seguindo-o. Depois de ler um artigo de jornal sobre uma rainha de beleza que morreu de uma overdose de drogas, Bill vê o corpo no necrotério e identifica-lo como Mandy. Bill é convocado para a casa de Ziegler, onde ele é confrontado com os acontecimentos da noite anterior.

Ziegler foi um dos envolvidos com a orgia no ritual e identificou que Bill tem conexão com Nick. Sua própria posição com a sociedade secreta foi comprometida pela intrusão de Bill, desde que Ziegler recomendou Nick para o trabalho. Ziegler afirma que ele tinha seguido Bill para sua própria proteção e que as advertências feitas contra ele pela sociedade são destinadas apenas para assustá-lo de falar sobre a orgia. Mas ele implica a sociedade que é capaz de agir sobre suas ameaças, dizendo para Bill: “Se eu lhe dissesse seus nomes, eu acho que você não ia dormir tão bem”. Bill pergunta sobre a morte de Mandy, a quem Ziegler foi identificar como a mulher mascarada na festa que tinha “sacrificado-se” para impedir a punição de Bill e sobre o desaparecimento de Nick, o tocador piano. Ziegler insiste que Nick está salvo de volta em sua casa em Seattle e a “punição” foi uma farsa pela sociedade secreta para assustar ainda mais Bill, diz também que não tinha nada a ver com a morte de Mandy; ela era uma prostituta e toxicodependente e tinha realmente morrido de uma outra overdose. Bill não sabe se Ziegler está dizendo a verdade, mas ele não diz nada mais e deixa o assunto. Quando volta para casa, encontra a máscara alugada em seu travesseiro ao lado de sua esposa. Ele chora e decide contar a Alice toda a verdade dos últimos dois dias. Na manhã seguinte, eles vão às compras de Natal com sua filha. Alice comenta que eles deveriam ser gratos de terem sobrevivido, que ela o ama e quer fazer algo o mais rápido possível. Quando Bill pergunta o que ela quer fazer, ela simplesmente diz: Foder.

Kubrick sempre se interessou por um filme estudando relações sexuais, e após ler Traumnovelle, de Arthur Schnitzler, em 1968, pediu para o jornalista e futuro roteirista Jay Cocks comprar os direitos de filmagem. Mesmo tendo cogitado na década de 80 uma adaptação como “comédia de humor negro” estrelando Steve Martin, o projeto só decolou nos anos 1990, quando Kubrick contratou o roteirista Frederic Raphael para ajudá-lo na adaptação. O presidente da Warner Bros. sugeriu a Kubrick chamar atores reconhecidos para os papéis principais, e o diretor eventualmente chegou em Tom Cruise e na esposa Nicole Kidman para interpretar o casal Hartford. Citando obrigações contratuais de fornecer uma classificação R, a Warner Bros. alterou digitalmente a orgia para o lançamento do filme nos Estados Unidos, bloqueando a sexualidade explícita com figuras adicionais para obscurecer a visão, a fim de evitar uma classificação NC-17 para maiores de 17 anos que teria limitado sua viabilidade financeira.  O diretor de fotografia Larry Smith comentou sobre a censura: - Os únicos problemas que ocorreram foram com a MPAA quando estávamos tentando obter a classificação. Seguimos um caminho com o qual eu não concordava porque eles ficaram obcecados com a nudez. Eles foram tão banais e ridículos a respeito disso. Eles me fizeram fazer alterações, e eu tive que fazê-las porque me mandaram... Tivemos cinco exibições com a Motion Picture Association of America (MPAA), e a cada vez eles continuavam tentando nos fazer cortar mais cenas.                   

E então ficou claro que isso não ia acontecer. Quem são eles para dizer ao mundo o que veem em um filme de Stanley Kubrick? A premissa era que, no que dizia respeito à Warner, eles só queriam um lançamento do filme. Essa alteração irritou tanto os críticos de cinema quanto os fãs, que argumentaram que Kubrick nunca teve receio de classificações indicativas (o filme Laranja Mecânica recebeu originalmente a classificação X). Roger Ebert criticou duramente a técnica de usar imagens digitais para mascarar a ação, escrevendo que “não deveria ter sido feita de forma alguma” e que é “simbólica da hipocrisia moral do sistema de classificação, que forçaria um grande diretor a comprometer sua visão, enquanto, ao mesmo tempo, torna seu filme adulto mais acessível a jovens espectadores”. Embora Ebert tenha sido frequentemente citado por chamar a versão padrão norte-americana com classificação R de “a versão Austin Powers” do filme De Olhos Bem Fechados – referindo-se a duas cenas em Austin Powers: Um Agente Nada Discreto em que, por meio de ângulos de câmera e coincidências, a nudez frontal completa é bloqueada da visão de forma cômica – sua crítica afirmou que essa piada se referia a um rascunho inicial da cena alterada, nunca divulgado publicamente.

As filmagens começaram em novembro de 1996. Como Kubrick morava na Inglaterra desde a década de 1970 e possuía medo de avião, a produção foi totalmente filmada no Reino Unido, com uma reconstrução de Nova York sendo criada nos Estúdios Pinewood em Londres. As filmagens se prolongaram devido ao perfeccionismo de Kubrick, que pedia repetidas tomadas e chegava a reescrever páginas do roteiro no mesmo dia de rodá-las, e acabaram apenas em junho de 1998. A duração excessiva acabou afastando duas escolhas originais do elenco, Harvey Keitel e Jennifer Jason Leigh, que mesmo já tendo gravado cenas tiveram de ser substituídos por Sydney Pollack e Marie Richardson. Após terminar as filmagens, Kubrick entrou em um longo processo de pós-produção, e em 2 de março de 1999 mostrou seu corte final do filme para os executivos da Warner. Cinco dias depois o cineasta morreu enquanto dormia. Mais de 50 críticos listaram o filme entre os melhores de 1999. No entanto, o público pesquisado pelo CinemaScore deu ao filme uma nota média de “D-” em uma escala de A+ a F.

No consenso do agregador de críticas Rotten Tomatoes diz que “o intenso estudo de Kubrick da psique humana produz uma obra cinematográfica impressionante”. Na pontuação onde a equipe do site categoriza as opiniões da grande mídia e da mídia independente apenas como positivas ou negativas, o filme tem um índice de aprovação de 76% calculado com base em 160 comentários dos críticos. Por comparação, com as mesmas opiniões sendo calculadas usando uma média aritmética ponderada, a nota alcançada é 7,5/10. Em outro agregador, o Metacritic, que calcula as notas das opiniões usando somente uma média aritmética ponderada de determinados veículos de comunicação em maior parte da grande mídia, tem uma pontuação de 68/100, alcançada com base em 34 avaliações da imprensa anexadas no site, com a indicação de “revisões geralmente favoráveis”. Em 23 de novembro de 2023, a cantora e compositora brasileira Marina Sena fez referências diretas ao filme de Stanley no clipe de sua música “Dano Sarrada” do seu segundo álbum de estúdio Vício Inerente. O álbum foi lançado em 27 de abril de 2023, pela gravadora Sony Music Brasil. Conta com quatro singles: “Tudo pra Amar Você”; “Olho no Gato”; “Que Tal” com Fleezus, e “Dano Sarrada”, a mais viral.

Bibliografia Geral Consultada.

MEZAN, Renato, Freud Pensador da Cultura. 5ª edição. São Paulo: Editora Brasiliense, 1985; SCHORSKE, Carl Emil, Viena Fin de Siècle. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 1990; DUSSEL, Enrique, Introducción a la Filosofia de la Liberación. Bogotá: Editorial Nueva América, 1995; RAPHAEL, Frederic, Kubrick, de olhos bem abertos. São Paulo: Boitempo Editorial, 1999; FALSETTO, Mario, Stanley Kubrick: A Narrative and Stylistics Analysis. Westport: Praeger Publishers, 2001; ŽIŽEK, Slavoj, Bem-Vindo ao Deserto do Real. São Paulo: Boitempo Editorial, 2002; DUNCAN, Paul, Stanley Kubrick: The Complete Films. Colônia: Editor Benedikt Taschen, 2003; CHARNEY, Leo & SCHWARTA, Vanessa (Org.), O Cinema e a Invenção da Vida Moderna. São Paulo: Editor Cosac & Naify, 2004; LUHMANN, Niklas, Confianza. Barcelona: Editorial Anthropos, 2005; COCKS, Geoffrey; DIEDRICK, James; PERUSEK, Glenn (Editors), Stanley Kubrick: Film and the Used of History. Wisconsin: University of Wisconsin Press, 2006; CRUZ E SÁ, Leonor da, Figuração e Invisibilidade: Uma Leitura de “Olhos Bem Sucedidos” de Stanley Kubrick. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês. Departamento de Letras Modernas. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2007; GUNELLA, Elis Joyce, Ontologia e Ética n`O Segundo Sexo de Simone de Beauvoir. Dissertação de Mestrado. Departamento de Filosofia. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2014; BACH, Augusto, Michel Foucault e a História Arqueológica. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Filosofia e Metodologia das Ciências. São Carlos: Universidade Federal de São Carlos, 2016; FOUCAULT, Michel; BENEDETTI, Ivone Castilho, Malfazer, Dizer Verdadeiro. São Paulo: Editora WMF; Editora Martins Fontes, 2018; BERG, Nicole, Descobrindo o Simbolismo de Kubrick: Os Segredos dos Filmes. Jefferson: Carolina do Norte: Editor McFarland & Company, 2020; ALMEIDA, Afonso Marrocano de, “De Olhos Bem Fechados”, de Stanley Kubrick: Como Amar Neste Nosso Mundo? Disponível em: https://comunidadeculturaearte.com/28/12/2025; NEWMAN, Nick, “Essa Versão é a Versão de Stanley”: Nigel Galt Fala Sobre a Edição De Olhos Bem Fechados com Kubrick. In: The Film Stage, 13 de janeiro de 2026; entre outros. 

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