quarta-feira, 1 de julho de 2026

Céu em Chamas – Água Salobra & Casa de Férias no Mar Báltico.

                                                   A cura para qualquer coisa é água salgada: lágrimas, suor ou o mar”. Isaak Dinesen                       

            

            As sociedades não são nada além do que indivíduos conectados entre si; cada um dos indivíduos é dependente de outros, de seu (deles e dele e dela) amor, de sua língua, de seu conhecimento, de sua identidade, da manutenção da paz e de muitas outras coisas. Até mesmo os conflitos de classe são também – independentemente do que mais possam ser – conflitos entre seres humanos individuais. E um conflito entre dois seres humanos, por mais que possam ser algo único e pessoal, pode ser ao mesmo tempo representativo de uma luta entre diversos estratos sociais, remontando a várias gerações. O que aqui se expõe é o relato de um tal conflito. O material foi tomado em prestado da história. Não seria difícil encontrar, em nossa própria época, um material do mesmo tipo. Mas, como material para uma investigação paradigmática, é vantajosa a utilização de um conflito ocorrido em uma outra época. Fora de dúvida, afirma Norbert Elias, as paixões foram arrefecidas pela distância temporal. A história pode ser construída sem que o narrador seja distraído pelos argumentos convencionais de partidários e oponentes de sua própria época que, independentemente de sua vontade, repercutiriam em seus ouvidos.  Além dos mais, nas sociedades passadas os seres humanos eram habitualmente menos ambíguos. Em geral, não se deixava pairar nenhuma dúvida sobre as linhas de divisão social que atravessavam a sociedade, e em que ponto da escala social alguém estava situado. 

         A ambiguidade do status, que pode surgir quando alguém ascende socialmente, tinha pouca influência sobre a avaliação da posição estamental, feita pelos contemporâneos, em sociedades com uma camada aristocrática superior que atribuía grande valor à origem social e ao berço. Não é, portanto, particularmente difícil estabelecer a hierarquia em um período passado e a posição nele ocupada por um determinado indivíduo, quando se observa bem o que seus contemporâneos tinham a dizer a respeito. A maioria das dificuldades possivelmente experimentadas pelos pesquisadores na reconstrução dessa hierarquia decorre do procedimento anacrônico utilizado: eles examinam as desigualdades de poder e status nas sociedades antigas como se elas tivessem necessariamente o mesmo caráter das existentes em sua própria sociedade. Um exemplo notável deste método de trabalho é a tendência atual de pretender descrever a desigualdade de poder e prestígio em geral em termos de classes sociais e estamentos. Tanto na literatura elizabetana e jacobita, sendo cristão ortodoxo monofisista da Igreja síria, na Inglaterra quanto na literatura francesa do mesmo período, de fato em todo o século XVII e em parte do século XVIII, essa divisão é mencionada. Essa separação social estava ligada, na história da religião, mas não era idêntica, à divisão em diversos estamentos, tais como na Inglaterra, entre a nobreza e os comuns. Nem todos os cortesãos eram nobres, assim como, nem todos os membros da nobreza eram cortesãos. Para o que nos interessa, durante a sua famosa viagem pelo mundo, Francis Drake (1540-1596) teve uma briga com um outro membro, seu antigo amigo Thomas Doughty (1793-1856). 

          A briga tomou seu curso lentamente, mas no final inflamou-se em tal proporção que o empreendimento inteiro ameaçava naufragar. Apesar de Francis Drake e Thomas Doughty terem sido inicialmente amigos, suas origens sociais (cf. Elias, 2006; 2011) e competências específicas eram totalmente diferentes. Drake era um marítimo profissional, Doughty, um militar profissional, que pertencia às altas esferas da corte da rainha Elizabeth e, ao contrário de Drake, era educado e se comportava como um gentleman. Até onde se pode saber, não era um homem de posses. Durante a expedição, provavelmente se encontrava em uma situação pior do que a de Drake. Em dezembro de 1577, com uma pequena frota e uma tripulação de cerca de 160 homens, partiram de Falmouth, supostamente em direção a Alexandria. Apenas Drake, Doughty e alguns outros líderes da expedição sabiam qual era o verdadeiro objetivo da viagem: regiões desconhecidas no Pacífico Sul, que não pertenciam ao rei da Espanha, mas que, esperava-se, seriam provavelmente tão ricas em ouro e prata quanto as colônias espanholas. Aparentemente, Drake planejava atingir o Pacífico Sul através do estreito de Magalhães, entre o continente localizado ao Norte e a Terra do Fogo e cabo Horn ao Sul. Este estreito é a maior e mais importante passagem natural entre os oceanos Atlântico e Pacífico. E, tanto quanto possível, tomar o rumo das costas da desconhecida Terra Australis, a respeito da qual circulavam muitas lendas e/ou histórias míticas, mas sobre a qual ninguém sabia algo concretamente com absoluta certeza. A expedição marítima também tinha um segundo objetivo, este mais concreto. Em viagens anteriores, Drake esperava conquistar um butim de espanhóis e portugueses, principalmente atacando seus navios.                                      


Drake gozava já naquele tempo de certa reputação como pirata e capitão de corsários. A postura da rainha Elizabeth (1926-2022) e seus conselheiros em relação a essa forma irregular de guerra combinada com pirataria dependia da situação política. Atualmente, tende-se a considerar as circunstâncias políticas, militares e comerciais como funções independentes. Naquele tempo não era assim. Na Irlanda, Drake encontrou Thomas Doughty, oficial com certa reputação, então secretário do conde de Essex. Drake e Doughty tornaram-se bons amigos. Juntos, os dois homens sonhavam com uma nova e maior expedição à parte Sul do continente americano e, se possível, ainda além, até o oceano pacífico. Começaram a fazer seus planos na Irlanda e provavelmente iniciaram conjuntamente os preparativos após seu retorno à Inglaterra, em 1576. Posteriormente, Doughty lembraria a Drake tudo o que fizera por ele. Não é improvável que houvesse algo de verdade nisso, apesar de Drake negar tudo peremptoriamente. Doughty, sem dúvida, estava mais à vontade na corte do que Drake. Havia tido o tipo de educação indispensável para a vida na corte – ao contrário de Drake, que havia sido criado como marítimo. Além disso, após seu retorno a Londres, Doughty havia se tornado secretário de Christopher Hatton, um dos amis importantes favoritos da rainha, e fora nomeado capitão da Guarda. Não é, portanto, improvável que tenha sido ele quem apresentou seu amigo Drake a Hatton. Parece, contudo, que Doughty recebeu uma participação menor do que esperava. Mais tarde ele diria, desdenhosamente, que Drake lhe havia concebido apenas “a cota de um pobre gentleman”.  Apesar de na história ter ficado ressentido com Drake por causa desse fato histórico e socialmente relevante, entretanto, não levou a um rompimento explícito. Ambos partiram da Inglaterra como dois grandes amigos.

Profissões, despojadas de suas roupagens próprias, são funções técnicas e sociais especializadas que as pessoas desempenham em resposta a necessidades especializadas de outras; são, ao menos em sua forma mais desenvolvida, segundo Norbert Elias, conjuntos especializados de relações humanas. Para ele, o estudo da gênese de uma profissão, portanto, não é simplesmente a apreciação de um certo número de indivíduos que tenham sido os primeiros a desempenhar certas funções para outros e a desenvolver certas relações, mas sim a análise de tais funções e relações. Toas as profissões, ocupações, ou qualquer que seja o nome que tenham, são, de uma forma peculiar, independentes, não das pessoas, mas daquelas pessoas em particular pelas quais elas são representadas em uma época determinada. Elas continuam existindo depois que esses seus representantes morrem. Como as línguas, pressupõem a existência de um grupo. Descobertas científicas, invenções e o surgimento de novas necessidades humanas e de meios especializados para satisfazê-las são indubitavelmente fatores que contribuem para o desenvolvimento de uma nova profissão. O processo social como tal nível abstrato de análise sociológico, a gênese e o desenvolvimento de uma profissão ou de qualquer outra ocupação social, é mais que a soma total de atos individuais, do ponto de vista da função, tem em sua constituição seu modelo próprio de origem e significado.

A profissão naval tomou forma em um tempo em que a Marinha era uma frota de embarcações a vela. Em muitos sentidos, portanto, o treinamento, as tarefas e padrões dos oficiais eram diferentes dos padrões de nossa época. Diz-se que o comando de um navio de um navio moderno, com seus equipamentos técnicos elaborados, requer uma mente cientificamente treinada. O comando de um navio a vela requeria a mente de um artesão. Apenas algumas pessoas iniciadas em tenra idade na vida do mar poderiam esperar dominar essa técnica. “Recrutá-los jovens” era um reconhecido lema da antiga Marinha. Era norma que um jovem começasse sua futura carreira de oficial naval aos 9 ou 10 anos diretamente a bordo. Muitas pessoas experientes achavam que poderia ser tarde demais, caso se começasse a ir a bordo somente aos 14 anos, não apenas porque quem o fizesse teria que se acostumar ao balanço do mar e superar o enjoo o mais rapidamente possível, mas também por que a arte de amarrar e dar nós em cordas, a maneira correta de subir ao mastro – seguramente o ovém, isto é, ovém de avante e ovém de ré, para servir de apoio aos mastros e mastaréus de um navio, e não a enfechadura – e várias outras operações complicadas poderiam ser aprendidas com uma prática longa e exaustiva.

Ao mesmo tempo, todos os oficiais navais, ao menos do século XVIII em diante, se viam, e queriam ser vistos pelos outros, como gentleman. Dominar a arte do marinheiro era apenas uma das suas funções. Antes como depois, oficiais navais eram líderes militares que comandavam homens. Uma de suas mais importantes era lutar contra um inimigo, comandar a tripulação na batalha e, se necessário, abordar um navio hostil em uma luta corpo a corpo até a vitória. Ademais, em tempos de paz como em tempos de guerra, oficiais navais frequentemente entravam em contato com representantes de outros países. Esperava-se que soubessem utilizar línguas estrangeiras, que agissem como representantes de seus próprios países com firmeza, dignidade e uma certa dose de diplomacia, e que se comportassem conforme as regras do que “era considerado boa educação e civilidade”. Um oficial da velha Marinha tinha que reunir algumas das qualidades de artesão experiente e gentleman militar.  À primeira vista essa combinação de deveres pode não parecer surpreendente nem problemática. No curso do século XX, “gentlemen” tornou-se um termo genérico, vago, que se refere mais à conduta que à posição social. Pode-se aplica-lo a trabalhadores manuais, a mestres-artesãos e aos nobres. Durante os séculos XVII e XVIII, no entanto, tinha um significado social muito estrito. Tratava-se, durante o período de formação da profissão naval, da marca distintiva dos homens das classes altas e de algumas porções das classes médias, uma designação que os diferenciava do restante do povo. Inclusive a mera suspeita de que tivesse feito trabalho manual em alguma etapa de sua vida era degradante para gentlemen. 

Enfim, a fusão das tarefas de um marinheiro com as de um gentleman, como vemos mais tarde na história da profissão naval, não era, portanto, o arranjo simples e óbvio que parece ser quando se aplicam os conceitos sociais do nosso tempo. Era, outrossim, consequência de uma luta prolongada e de um processo de tentativa e erro que durou mais de um século. Da época de Elizabeth à da rainha Ana, e mesmo depois, os responsáveis pela Marinha lutaram contra esse problema sem muito sucesso imediato. Condições especiais – reinantes apenas na Inglaterra e parcialmente na Holanda, dentre todos os países da Europa Ocidental – tornaram possível superar gradualmente essas dificuldades em certa medida. E tanto os obstáculos quanto os próprios conflitos deles resultantes identificados per se na pena de Norbert Elias, além da maneira lenta como se resolveram, foram responsáveis por algumas das mais notáveis características da profissão naval inglesa. No entanto, para entender tudo isso, é necessário ter em mente as atitudes sociais e os padrões daquele período e visualizar os problemas inerentes ao crescimento da profissão naval tal como se apresentavam àquelas pessoas, e não como parecem ser para nós, segundo nossas próprias referências sociais contemporâneas.

Karen Christensen, baronesa de Blixen-Finecke, mais reconhecida pelo pseudônimo de Isaak Dinesen (1885-1962), foi uma escritora dinamarquesa. Seu pai, Whihelm Dinesen (1845-1895), era um militar, e cometeu suicídio (cf. Durkheim, 2011) quando Karen tinha apenas dez anos de idade, atormentado por não conseguir resistir à pressão de sofrer de sífilis, enfermidade que naquela época estigmatizava. Sua mãe, Ingeborg Westenholz, ficou sozinha com cinco filhos para criar, e os pôde manter graças à ajuda de familiares. Karen, como suas irmãs, estudou em prestigiadas escolas suíças. Em 1914, Karen se casou com um primo afastado, o barão sueco Bror von Blixen-Finecke, e foram viver no Quênia, onde iniciaram uma plantação de café. Porém, Bror era um mulherengo e passava longos períodos afastado de casa, em safáris e campanhas militares. Entre 1915 e 1916, Karen contraiu sífilis, provavelmente de Bror, embora alguns estudiosos acreditem que ela tenha herdado a doença de seu pai. Os Blixens se separaram em 1921 e se divorciaram em 1925. Em Nairobi, Karen Blixen conheceu e se apaixonou por Denys Finch Hatton, um piloto do exército britânico e caçador. Viveram juntos de 1926 a 1931. Mantiveram uma relação amorosa intensa, porém cheia de altos e baixos. Engravidou duas vezes, mas perdeu os bebês, provavelmente em consequência da saúde frágil. A relação terminou com a morte de Finch Hatton num acidente de avião, em 1931. O fracasso da plantação de café forçou-a a abandonar tudo e retornar à Dinamarca.  

Antes do retorno à Dinamarca, Karen escreveu A Vingança da Verdade, publicado em 1926. Após o retorno, seu primeiro livro foi Sete Contos Góticos, publicado em 1934 sob o pseudônimo de Isak Dinesen; o terceiro livro, o mais conhecido mundialmente, foi Den afrikanske Farm (A Fazenda Africana no Brasil) ou (África Minha em Portugal), publicado em 1937 e baseado no período em que ela viveu no continente africano. O sucesso alcançado com esta obra firmou sua reputação como escritora, tendo sido premiada com o Tagea Brandt Rejselegat em 1939. Em 1985, o livro foi adaptado para o filme, com o nome: Out of África, sob a direção de Sydney Pollack e com Meryl Streep, Robert Redford e Klaus Maria Brandauer nos papéis principais. Durante a segunda guerra mundial, Karen escreveu Contos de inverno, publicado em 1942, e o romance As vingadoras angélicas, sob o pseudônimo de Pierre Andrezel, e publicado em 1944. Escreveu também Anedotas do destino (Brasil)/Ironias do destino (Portugal), de 1958, e que inclui o conto A festa de Babette, também transformado em filme em 1987, e Sombras na pradaria, de 1960, entre outros. Ele também participou de uma turnê nos EUA em 1959, durante o qual ela conheceu Arthur Miller, E. E. Cummings e Pearl Buck que admiravam suas habilidades como escritora. Apesar de ser dinamarquês, Blixen escreveu suas histórias em Inglês e depois as traduziu para o dinamarquês. A partir de 1950, a saúde de Karen Blixen se deteriorou, sendo que em 1955 ela teve um terço do estômago retirado devido a uma úlcera.

 Impossibilitada de se alimentar normalmente, morreu aos 77 anos de idade nas propriedades da família em sua cidade natal e, de má nutrição, pesando apenas 35 kg. O asteróide 3318 Blixen foi assim chamado em sua homenagem. As sociedades ocidentais modernas inventaram e instalaram, sobretudo a partir do século XVIII, um novo dispositivo que se superpõe ao primeiro e que, sem o pôr de lado, contribuiu para reduzir a sua importância. É o dispositivo de sexualidade: como o de aliança que se articula aos parceiros sexuais; mas de um modo inteiramente diferente. Poder-se-ia opô-los termo a termo. O dispositivo de aliança se estrutura em torno de um sistema de regras que define o permitido e o proibido, o prescrito e o ilícito; o dispositivo da sexualidade funciona de acordo com técnicas móveis, polimorfas e conjunturais de poder. O dispositivo da aliança conta, entre seus objetivos principais, o de reproduzir a trama de relações e manter a lei que rege; o dispositivo de sexualidade engendra, em troca, uma extensão permanente dos domínios e das formas de controle. Para o primeiro, o que é pertinente é o vínculo entre parceiros com status definido; para o segundo, são as sensações do corpo, a qualidade dos prazeres, a natureza das impressões, por tênues e imperceptíveis que sejam. Enfim, se o dispositivo de aliança se articula fortemente com a economia devido ao papel que pode desempenhar na transmissão ou na circulação de riquezas, o dispositivo de sexualidade se liga à economia através de articulações numerosas e sutis, sendo o corpo principal, isto é, per se o corpo que produz e consome. 

           Numa palavra, o dispositivo de aliança, está ordenado para uma homeostase do corpo social, a qual é sua função manter; daí seu vínculo privilegiado com o direito; daí, também, o fato de o momento decisivo, para ele, ser a “reprodução”. O dispositivo de sexualidade tem, como razão de ser, inventar, penetrar nos corpos de maneira cada vez mais global. Devem-se admitir, portanto, três ou quatro teses contrárias à pressuposta pelo ema de uma sexualidade reprimida pelas formas modernas da sociedade: a sexualidade está ligada a dispositivos recentes de poder; esteve em expansão crescente a partir do século XVII; a articulação que a tem sustentado, desde então, não se ordena em função da reprodução; esta articulação, desde a origem, vinculou-se a uma intensificação do corpo, à sua valorização como objeto de saber e como elemento nas relações de poder. Lembra monsieur Foucault, dizer que o dispositivo de sexualidade substituiu o dispositivo de aliança não seria exato. Pode-se imaginar que talvez, um dia, o substitua. Mas de fato, se por um lado tende a recobri-lo, não o suprimiu nem tornou inútil. Historicamente, aliás, foi em torno e a partir do dispositivo de aliança que o de sexualidade se instalou.

            A prática da penitência e, em seguida, a do exame de consciência e o da direção espiritual, foi seu núcleo formador: ora, o que estava em causa, no tribunal da penitência, primeiramente, era o sexo como suporte de relações; a questão colocada era a do comércio permitido ou proibido (adultério, relação fora do casamento, relação com pessoa interdita pelo sangue, ou a condição, o caráter legítimo ou não do ato de conjunção); depois, pouco a pouco, com a nova pastoral – a sua aplicação nos seminários, colégios e conventos – passou-se de uma problemática da relação para uma problemática da “carne”, isto é, corpo, da sensação, da natureza do prazer, dos movimentos mais secretos da concupiscência, das formas sutis da deleitação e do consentimento. A “sexualidade” estava brotando, nascendo de uma técnica de poder que, originariamente, estivera centrada na aliança. Desde então não parou de funcionar em atinência a um sistema de aliança e apoiando-se nele. A célula familiar, assim como foi valorizada durante o século XVIII, permitiu que, em suas duas dimensões principais – a do marido-mulher e a de pais-filhos – se desenvolvessem os principais elementos do dispositivo da sexualidade: o corpo feminino, a precocidade infantil, a regulação dos nascimentos e, em menor proporção, a especificação dos perversos. 

        Não se deve entender a família, em sua forma contemporânea, como uma estrutura social, econômica e política de aliança, que exclua a sexualidade ou pelo menos a refreie, atenue tanto quanto possível e só retenha dela as funções úteis. Seu papel, ao contrário, é o de fixá-la e constituir seu suporte permanente. Ela garante a produção de uma sexualidade não homogênea aos privilégios da aliança, permitindo, ao mesmo tempo, que os sistemas de aliança sejam atravessados por toda uma nova tática de poder que até então eles ignoravam. A família é o permutador da sexualidade coma a aliança: transporta a lei e a dimensão do jurídico para o dispositivo de sexualidade; e a economia do prazer e a intensidade das sensações para o regime de aliança. Essa fixação do dispositivo de aliança e do dispositivo de sexualidade na forma da família permite compreender certo número de fatos: que a família se tenha tornado, a partir do século XVIII, lugar obrigatório de afetos, de sentimentos, de amor; que a sexualidade tenha, como ponto privilegiado de eclosão, a família; que, por esta razão, nasça “incestuosa”. Pode ser muito bem que, nas sociedades onde predominem os dispositivos de aliança, a interdição do incesto seja uma regra funcionalmente indispensável. Mas numa sociedade como a nossa, onde a família é o foco mais ativo da sexualidade e onde são, sem dúvida, as exigências desta última que mantêm e prolongam sua existência, o incesto, por motivos inteiramente diferentes, e de modo inteiramente diverso, ocupa um lugar central; é solicitado e recusado, objeto de obsessão e de apelo, mistério temido e segredo indispensável. Aparece como interdito na família, na medida em que representa o dispositivo de aliança; mas é, também, algo continuamente requerido para que a família seja realmente um alvo permanente de incitação à sexualidade.

         Se, durante mais de um século, o Ocidente demonstrou tanto interesse na interdição do incesto, se, com concordância quase total viu nele um universal social e um dos pontos de passagem obrigatórios para a cultura, talvez fosse porque encontrava nele um meio de se defender, não contra um desejo incestuoso, mas contra a extensão e as implicações desse dispositivo de sexualidade posto em ação, e cujo inconveniente, entre tantos benefícios, era o de ignorar as leis e as formas jurídicas da aliança. Afirmar que toda sociedade, qualquer que seja, e por conseguinte a nossa, está submetida a essa regra das regras, garanta que tal dispositivo de sexualidade, cujos efeitos estranhos começavam a ser manipulados – entre eles a intensificação afetiva do espaço familiar – não pudesse escapar ao grande e velho sistema de alianças. Com isso, o direito, mesmo na nova mecânica de poder, estaria a salvo. Pois este é o paradoxo de consequências não-intencionais da sociedade que, desde o século XVIII, inventou tantas tecnologias de poder estranhas ao direito: ela teme seus efeitos e proliferações e tenta recodifica-los nas formas do direito. Se se admitir que o limiar de toda cultura é o incesto interdito, então a sexualidade, desde tempos imemoriais, está sob o signo da lei do direito. A etnologia, reelaborando sem cessar, há tempo, a teoria transcultural da interdição do incesto, bem mereceu todo o dispositivo moderno de sexualidade e dos discursos teóricos que produz. 

            O que se passou desde o século XVIII pode ser decifrado do seguinte modo: o dispositivo de sexualidade, que se desenvolvera primeiro nas margens das instituições familiares (na direção espiritual, na pedagogia), vai se recentrar pouco a pouco na família: o que ele podia comportar de estranho, de irredutível, de perigoso, talvez, para o dispositivo de aliança – a consciência desse perigo se manifesta nas críticas tão frequentemente dirigidas contra a indiscrição dos diretores espirituais, em todo o debate, um, pouco mais tardio, sobre a educação pública ou privada, institucional ou familiar das crianças – é tomado em consideração pela família – uma família reorganizada, com laços mais estreitos, intensificada com relação ás antigas funções que exercia no dispositivo de aliança. Os pais, os cônjuges, tornam-se na família, os principais agentes de um dispositivo de sexualidade que no exterior se apoia nos médicos e pedagogos, mais tarde nos psiquiatras e que, no interior, vem duplicar e logo “psicologizar” ou “psiquiatrizar” as relações de aliança. Aparecem estas personagens novas: a mulher nervosa, a esposa frígida, a mãe indiferente ou assediada por obsessões homicidas, o marido impotente, sádico, perverso, a moça histérica ou neurastênica, a criança precoce e esgotada, o jovem homossexual que recusa o casamento ou menospreza sua própria mulher.

São as figuras mistas da aliança desviada e da sexualidade anormal: transferem a perturbação da segunda para a ordem da primeira; dão oportunidade para que o sistema da aliança faça valer seus direitos na ordem da sexualidade. Nasce, então, uma demanda incessante a partir da família: de que a ajudem a resolver tais interferências infelizes entre a sexualidade e a aliança; e, presa na cilada desse dispositivo de sexualidade que sobre ela investira de fora, que contribuíra para solidificá-la em sua forma moderna, lança aos médicos, a todos os “especialistas” possíveis, o longo lamento de seu sofrimento sexual. Tudo se passa como se ela descobrisse, subitamente, o temível segredo do que lhe tinham inculcado e que não se cansaram de sugerir-lhe: ela, coluna fundamental da aliança, era o germe de todos os infortúnios do sexo. Ei-la desde a metade do século XIX, a assediar em si mesma os mínimos traços de sexualidade, arrancando a si as confissões mais difíceis, solicitando a escuta de todos os que podem saber muito, abrindo-se amplamente a um exame infinito. A família é o cristal no dispositivo de sexualidade: e difundir uma sexualidade que reflete e difrata. Por sua penetrabilidade e sua repercussão para o exterior, ela é um dos elementos táticos mais preciosos para esse dispositivo.

            Afire (Céu em Chamas) tem como representação social um filme de drama alemão de 2023 dirigido por Christian Petzold, estrelado por Thomas Schubert, Paula Beer, Langston Uibel e Enno Trebs. Christian Petzold é um cineasta alemão, nascido em 14 de setembro de 1960 em Hilden, uma cidade alemã no estado da Renânia do Norte-Vestefália (Nord-Rhein-Westfalen), no distrito de Mettmann, perto de Düsseldorf. Após concluir seu serviço civil em um cineclube na Renânia, ele terminou seus estudos (literatura e teatro) em Berlim. Formado pela Academia Alemã de Cinema e Televisão de Berlim (DFFB), onde estudou com Harun Farocki e Harmut Bitomsky, tornou-se assistente de direção e, posteriormente, diretor. De 1988 a 1994, enquanto estudava cinema, dirigiu vários curtas-metragens e colaborou em outros filmes, notadamente aqueles dirigidos por Harun Farocki, Harmut Bitomsky e Thomas Arslan. O primeiro colaborou diversas vezes com Harun Farocki e especializou-se em ensaios e filmes documentários, notadamente sobre Humphrey Jennings, John Ford e o estúdio de cinema alemão UFA, incluindo sua “trilogia alemã”. Nas décadas de 1970 e 1980, ele contribuiu amplamente para a revista FilmkritikDepois de lecionar no Instituto de Artes da Califórnia, Hartmut Bitomsky retornou ao DFFB como diretor entre 2006 e 2009. 

Seu filme de formatura em 1994 foi o telefilme intitulado: Pilotes, coproduzido pela Schramm Films, produtora com a qual Petzold colabora. Um filme para televisão é um gênero ou formato de ficção dentro da produção audiovisual, destinado à transmissão televisiva. Em seguida, dirigiu mais dois telefilmes policiais, Cuba Libre (1996) e Die Beischlafdiebin (1998). Em 2000, dirigiu seu primeiro longa-metragem, Identity Check (Die Innere Sicherheit), lançado nos cinemas, para o qual também escreveu o roteiro. Livremente baseado no romance de Agatha Christie, “E Não Sobrou Nenhum”, este filme acompanha dez pessoas presas em um motel durante uma noite tempestuosa. Todas elas se tornarão vítimas, uma após a outra, de um assassino misterioso cujos motivos são desconhecidos. O filme recebeu críticas mistas após seu lançamento. Arrecadou quase 90 milhões de dólares nas bilheterias. Este filme fará de Christian Petzold um dos líderes da “nova onda” do cinema alemão e em particular do que foi chamado de “Escola de Berlim” e permitirá que ele seja, posteriormente, frequentemente selecionado em competição no Festival de Cinema de Berlim e de Cinema de Veneza. Foi eleito membro da Academia de Artes de Berlim em 2009.  

            Originalmente produzido por estúdios de televisão e não por estúdios de cinema, que hoje tendem a se fundir industrial e financeiramente, o telefilme é concebido para ser transmitido diretamente na televisão. Com uma duração média de 60 minutos, um telefilme conta uma história completa, que é autossuficiente, ao contrário de uma minissérie, que é transmitida em várias partes. Os filmes para televisão agora são gravados em vídeo digital. Até o final da década de 1980, eram gravados em película fotossensível tradicional devido a problemas de qualidade, tamanho do equipamento para filmagens externas e distribuição global (televisão de 50 Hz na Europa; 60 Hz na América do Norte), principalmente em película de 16 mm para a Europa e 35 mm para os Estados Unidos. O formato de transmissão mais comum é o da tela de televisão, ou seja, 1,33:1 que corresponde a telas 4:3 e 16:9. Para alguns filmes para televisão, foram investidos recursos colossais, tanto financeiros quanto materiais; são verdadeiros sucessos de bilheteria, muitas vezes coproduzidos por diversos países. Portanto, os filmes para televisão nem sempre podem ser considerados obras secundárias em termos de recursos.     

É o caso, por exemplo, das adaptações de grandes clássicos da literatura. O uso comum desse termo se desenvolveu em francês no final da década de 1970, substituindo o de “dramático”, que havia caído comercialmente em desuso. O termo telefilme em francês refere-se principalmente a um programa de ficção que narra uma história original com uma conclusão que não exige uma continuação necessariamente. Vários telefilmes que compartilham um tema, gênero e espírito em comum são concebidos dentro de uma estrutura geral e constituem o que é reconhecido como série antológica. Cada telefilme forma uma história completa e independente, com personagens e atores não recorrentes. Uma das primeiras produções desse tipo foi a série Climax! (CBS, 1954-1958). No entanto, existem franquias de longa duração como Dragon Ball, de 1984 a 1995, Doctor Who de 1963 a 1989, ou Kamen Rider que incluem vários filmes para televisão, alguns dos quais podem não fazer parte da continuidade das séries que as compõem. A franquia teve início em 1971 com Kamen Rider, que foi derivada do mangá de mesmo nome. Ao longo dos anos, a popularidade da série cresceu a ponto de gerar várias sequências e spin-offs tanto na televisão quanto no cinema, além do mercado direto-para-vídeo.

No cenário de “Céu em Chamas” o drama de relacionamento centra-se em quatro pessoas que compartilham uma casa de férias no Mar Báltico, um braço do Oceano Atlântico que é delimitado pelos países da Dinamarca, Estônia, Finlândia, Alemanha, Letónia, Lituânia, Polônia, Rússia, Suécia e pelas regiões da Planície do Norte e Centro da Europa. É a maior bacia de água salobra do mundo. O Mar Báltico estende-se de 53°N a 66°N de latitude e de 10°E a 30°E de longitude. É um mar de plataforma continental e marginal do Atlântico, com troca de água limitada entre os dois, o que o caracteriza como um mar interior. O Mar Báltico deságua no Kattegat através dos Estreitos Dinamarqueses, passando pelo Øresund, Grande Belt e Pequeno Belt. Inclui o Golfo de Bótnia dividido pela natureza através da geografia em Baía de Bótnia e Mar de Bótnia, o Golfo da Finlândia, o Golfo de Riga e a Baía de Gdańsk. O Mar Báltico propriamente dito é limitado em sua extremidade Norte, na latitude 60°N, por Åland e pelo Golfo de Bótnia, em sua extremidade Nordeste pelo Golfo da Finlândia, em sua extremidade leste pelo Golfo de Riga e a Oeste pela parte sueca da península escandinava meridional. O Mar Báltico está ligado por vias navegáveis artificiais ao Mar Branco através do Canal Mar Branco-Báltico e à Baía Alemã do Mar do Norte através do Canal de Kiel. O filme ganhou o Grande Prêmio do Júri Urso de Prata no 73º Festival Internacional de Cinema de Berlim, onde teve sua estreia mundial em 22 de fevereiro de 2023. Foi lançado nos cinemas da Alemanha em 20 de abril de 2023. Em agosto de 2023, foi pré-selecionado como a indicação alemã ao Oscar de Melhor Filme Internacional para a 96ª edição do Oscar.

A água salobra ocorre geralmente quando a água doce encontra a água do mar. De fato, os habitats de água salobra mais extensos do mundo são os estuários, onde um rio encontra o mar. Esse tipo de sucessão ecológica, de ecossistema de água doce para marinho, é típico de estuários fluviais. Os estuários fluviais constituem importantes pontos de parada durante a migração de espécies de peixes anádromos e catádromos, como o salmão, a sável e a enguia, dando-lhes tempo para formar grupos sociais e se adaptar às mudanças de salinidade. O salmão é anádromo, ou seja, vive no mar, mas sobe os rios para desovar; a enguia é catádroma, vivendo em rios e córregos, mas retornando ao mar para se reproduzir. Além das espécies que migram pelos estuários, muitos outros peixes os utilizam como “berçários” do ponto de vista da reprodução, para desova ou    como locais onde os peixes jovens podem se alimentar e crescer antes de se deslocarem para outros lugares. O arenque e a solha são duas espécies comercialmente importantes que utilizam o estuário do Tâmisa para esse fim. Os estuários também são comumente utilitários usados ​​como áreas de pesca e como locais para criação ou cultivo de peixes. Por exemplo, as fazendas de salmão do Atlântico são frequentemente localizadas em estuários, embora isso tenha causado controvérsia, porque, ao fazê-lo, os piscicultores expõem os peixes selvagens migratórios a “um grande número de parasitas externos”, como piolhos-do-mar, que escapam dos tanques onde os peixes de cultivo são mantidos.

           Outro habitat importante de água salobra é o manguezal. Muitos manguezais, embora não todos, margeiam estuários e lagoas onde a salinidade varia com cada maré. Entre os habitantes mais especializados dos manguezais estão os peixes -saltadores, que buscam alimento em terra, e os peixes-arqueiros, peixes semelhantes a percas que “cospem” insetos e outros pequenos animais que vivem nas árvores, derrubando-os na água onde podem ser consumidos. Assim como os estuários, os manguezais são áreas de reprodução extremamente importantes para muitos peixes, com espécies como pargos, peixes-agulha e tarpons desovando ou amadurecendo neles. Além dos peixes, inúmeros outros animais utilizam os manguezais, incluindo espécies como o crocodilo-de-água-salgada, o crocodilo-americano, o macaco-narigudo, a tartaruga-diamante e o sapo-caranguejeiro, Fejervarya cancrivora, anteriormente Rana cancrivora. Os manguezais representam importantes locais de nidificação para inúmeros grupos de aves, como garças, cegonhas, colhereiros, íbis, martins-pescadores, aves limícolas e aves marinhas. Embora frequentemente infestados por mosquitos e outros insetos que os tornam desagradáveis ​​para os humanos, os manguezais são zonas de amortecimento muito importantes entre a terra e o mar, e constituem uma defesa natural, em particular, contra danos causados ​​por furacões e tsunamis. Os manguezais de Sundarbans e Bhitarkanika são duas das maiores florestas de mangue do mundo, ambas na costa da Baía de Bengala.

O Mar Báltico é um mar salobro adjacente ao Mar do Norte. Originalmente, era o sistema fluvial do rio Erídanos historicamente antes do Pleistoceno, mas desde então foi inundado pelo Mar do Norte, embora ainda receba tanta água doce das terras adjacentes que sua água permanece salobra. Como a água do mar é mais densa, a água no Báltico é estratificada, com água do mar no fundo e água doce na superfície. A mistura é limitada devido à ausência de marés e tempestades, resultando em uma fauna de peixes de água doce na superfície e uma fauna mais marinha nas camadas mais profundas. O bacalhau é um exemplo de espécie encontrada apenas em águas profundas no Báltico, enquanto o lúcio está confinado às águas superficiais menos salinas. O Mar Cáspio é o maior lago do mundo e contém água salobra com uma salinidade cerca de um terço da água do mar normal. O Cáspio é famoso por sua fauna peculiar, incluindo uma das poucas focas não marinhas (a foca-do-Cáspio) e os esturjões, uma importante fonte de caviar. A Baía de Hudson é um mar marginal de água salobra do Oceano Ártico. Ela permanece salobra devido às suas limitadas conexões com o oceano aberto, aos altíssimos níveis de escoamento superficial de água doce provenientes da grande bacia hidrográfica da Baía de Hudson e à baixa taxa de evaporação, por estar toda coberta de gelo durante mais da metade do ano. Está localizada no Nordeste do Canadá, incorporada no oceano Ártico. Esta baía recebe a drenagem de uma enorme área, incluindo Ontário, Quebec, Saskatchewan, a maior parte de Manitoba, partes de Dakota do Norte, Dakota do Sul, Minnesota e Montana e ainda da região Sudeste de Nunavut, o território mais novo, maior em extensão territorial, mais setentrional, e o segundo menos populoso de todas as divisões administrativas do extraordinário Canadá. 

No Mar Negro, a água superficial é salobra, com uma salinidade média de cerca de 17 a 18 partes por mil, em comparação com 30 a 40 para os oceanos. A água profunda e anóxica do Mar Negro tem origem na água quente e salgada do Mediterrâneo. O Lago Texoma, um reservatório na fronteira entre os estados americanos do Texas e de Oklahoma, é um raro exemplo de lago salobro que não faz parte de uma bacia endorreica nem é um braço direto do oceano, embora sua salinidade seja consideravelmente menor do que a dos outros corpos d`água mencionados aqui. O reservatório foi criado pelo represamento do Rio Vermelho do Sul, que juntamente com vários de seus afluentes recebe grandes quantidades de sal da infiltração natural de depósitos enterrados na região a montante. A salinidade é alta o suficiente para que o robalo-listrado, um peixe normalmente encontrado apenas em água salgada, tenha populações autossustentáveis ​​no lago. Os pântanos salobros desenvolvem-se a partir de pântanos salgados onde um influxo significativo de água doce dilui a água do mar para níveis de salinidade salobra. Isto acontece geralmente a montante dos pântanos salgados, nos estuários de rios costeiros ou perto das desembocaduras de rios costeiros com descargas de água doce elevadas em condições de amplitudes de maré baixas. A água salobra é utilizada pelos seres humanos em muitos setores diferentes. É usada como água de resfriamento para geração de energia de diversas maneiras nas indústrias de mineração, petróleo e gás. Uma vez dessalinizada, pode ser usada na agricultura, pecuária e em usos municipais. Ela pode ser tratada por osmose reversa, eletrodiálise e outros processos de filtração.

Bibliografia Geral Consultada.

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