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sexta-feira, 6 de março de 2026

Armas na Mesa – Lobby, Ideologia & Suicídio Profissional Americano.

                    Lobby é questão de prever, de antecipar os movimentos de seus oponentes”. Miss Sloane   

       

Jessica Michelle Chastain nasceu em 24 de março de 1977, em Sacramento, Califórnia, filha de Jerri Renee Hastey (nascida Chastain) e do músico de rock Michael Monasterio. Seus pais eram adolescentes quando ela nasceu. Chastain reluta em discutir publicamente sua história familiar. Ela estava afastada de Monasterio, que morreu em 2013, e afirmou que nenhum pai consta em sua certidão de nascimento. Chastain tem duas irmãs e dois irmãos. Sua irmã mais nova, Juliet, morreu por suicídio em 2003, após anos de dependência química. Chastain foi criada em Sacramento por sua mãe e seu padrasto, Michael Hastey, um bombeiro. Sua família enfrentava dificuldades financeiras. Chastain disse que seu padrasto foi a primeira pessoa a fazê-la se sentir segura. Ela tem um forte laço com sua avó materna, Marilyn, e a considera alguém que “sempre acreditou em mim”. Chastain desenvolveu interesse pela atuação aos sete anos, depois que sua avó a levou a uma produção de José e o Incrível Manto Tecnicolor. Ela costumava apresentar peças amadoras com outras crianças e se considerava sua diretora artística. Como aluna da El Camino Fundamental High School em Sacramento, Estados Unidos da América, Chastain teve dificuldades acadêmicas. Ela era solitária e se considerava uma “desajustada na escola”, eventualmente encontrando uma válvula de escape nas artes cênicas. Ela descreveu como costumava faltar às aulas para ler Shakespeare, cujas peças a encantaram depois de participar do Festival Shakespeare de Oregon com seus colegas. 

Com muitas faltas escolares durante seu último ano do Ensino Médio, Chastain não se qualificou para a formatura, mas oportunamente obteve diploma para adultos. Ela frequentou o Sacramento City College de 1996 a 1997, período em que foi membro da equipe de debates da instituição. Ao descrever sua infância, ela recordou: - Eu cresci com uma mãe solteira que trabalhava muito para colocar comida na nossa mesa. Não tínhamos dinheiro. Havia muitas noites em que tínhamos que ir dormir sem comer. Foi uma criação muito difícil. As coisas não foram fáceis para mim enquanto crescia. Em 1998, Chastain concluiu seus estudos in statu nascendi na American Academy of Dramatic Arts e sua estreia nos palcos como Julieta em uma produção de Romeu e Julieta encenada pela Theatre Works, uma companhia da região da Baía de São Francisco. A produção a levou a fazer um teste para a Juilliard School, em Nova York, onde foi logo aceita e recebeu uma bolsa de estudos financiada pelo ator Robin Williams (1951-2014). Em seu primeiro ano na escola, Chastain sofreu de ansiedade e temia ser desligada, passando a maior parte do tempo lendo e assistindo a filmes. Mais tarde, ela comentou que sua participação em uma produção bem-sucedida de A Gaivota, durante seu segundo ano, ajudou a construir sua confiança. É uma peça de teatro do dramaturgo russo Anton Tchekhov (1860-1904). Ela se formou na escola com um diploma de Bacharel em Belas Artes em 2003. Em 2025, curiosamente, Chastain anunciou que estava matriculada em um programa de Mestrado em Administração Pública “de meio de carreira” na Harvard Kennedy School. 

Jessica Michelle Chastain é uma atriz e produtora norte-americana. Reconhecida principalmente por estrelar projetos com temas feministas, ela recebeu vários prêmios, incluindo um Oscar e um Globo de Ouro, além de indicações ao Primetime Emmy Award, dois Tony Awards e dois BAFTA. O feminismo alterou principalmente as perspectivas predominantes em diversas áreas da sociedade ocidental, que vão da cultura ao direito. As ativistas femininas fizeram campanhas pelos direitos legais das mulheres: direitos de contrato, direitos de propriedade, direitos ao voto, pelo direito da mulher à sua autonomia e à integridade de seu corpo, pelos direitos ao aborto e pelos direitos reprodutivos, incluindo o acesso à contracepção e a cuidados pré-natais de qualidade, pela proteção de mulheres e garotas contra a violência doméstica, o assédio sexual e o estupro, pelos direitos trabalhistas, incluindo a licença-maternidade e salários iguais, e todas as outras formas de discriminação. A revista Time a nomeou uma das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2012. Chastain desenvolveu interesse pela atuação desde cedo e fez sua estreia profissional nos palcos em 1998 como Julieta, de Shakespeare. Após estudar atuação na Juilliard School, trabalhou na televisão e no teatro. Depois de estrear no cinema aos 31 anos no drama Jolene (2008), Chastain alcançou o sucesso com seis filmes lançados, incluindo os dramas Take Shelter (2011) e A Árvore da Vida (2011).                                 


Ela recebeu indicações ao Oscar por interpretar uma aspirante a socialite no drama de época Histórias Cruzadas (2011) e uma analista da Central Intelligence Agency (CIA) no thriller A Hora Mais Escura (2012). O maior sucesso comercial veio com os filmes de ficção científica: Interestelar (2014) e Perdido em Marte (2015), e o filme de terror It: Capítulo Dois (2019). Chastain recebeu ainda mais aclamação por interpretar mulheres de personalidade forte nos dramas Um Ano Muito Violento (2014), Miss Sloane (2016) e A Grande Jogada (2017), e na minissérie de televisão Cenas de um Casamento (2021). Ela passou a interpretar Tammy Faye Bakker na cinebiografia Os Olhos de Tammy Faye (2021), ganhando o Oscar de Melhor Atriz, e Tammy Wynette na minissérie George & Tammy (2022). Na Broadway, Chastain estrelou remontagens de “The Heiress” (2012) e “A Doll`s House” (2023). Esta lhe rendeu uma indicação ao Prêmio Tony de Melhor Atriz em Peça. Ela é fundadora da produtora Freckle Films, criada para promover a diversidade no cinema, e investidora do clube de futebol Angel City FC. É um clube de futebol feminino americano, com sede no BMO Stadium, localizado no bairro de Exposition Park, em Los Angeles, Califórnia. O clube, cuja criação foi anunciada em julho de 2020, juntou-se à Liga Nacional de Futebol Feminino em 2022. Tornou-se assim a 12ª equipe neste campeonato. 

Este é o primeiro time profissional de futebol feminino na área de Los Angeles desde o Sol de Los Angeles, que jogou no Futebol Profissional Feminino até 2010. Chastain se manifesta sobre questões de saúde mental, bem como sobre igualdade de gênero e racial. Ela é casada com o executivo de moda Gian Luca Passi de Preposulo e eles têm dois filhos. Miss Sloane tem como representação social um filme norte-americano de suspense político de 2016, dirigido por John Madden e escrito por Jonathan Perera, o filme é estrelado por Jessica Chastain no papel principal, o de uma lobista do bem, disposta a tudo para aprovar uma lei que limite o porte de armas de fogo. O filme também é estrelado por Mark Strong, Gugu Mbatha-Raw, Michael Stuhlbarg, Alison Pill, Jake Lacy, John Lithgow e Sam Waterston. A trama sociológica na esfera do poder acompanha Elizabeth Sloane, representando uma lobista incansável que “luta para aprovar leis de controle de armas”. O filme teve sua estreia mundial em 11 de novembro de 2016, no AFI Fest, e iniciou um lançamento limitado nos cinemas dos Estados Unidos da América em 25 de novembro de 2016, pela EuropaCorp, antes de expandir para um lançamento mais amplo em 9 de dezembro de 2016. Foi lançado na França em 8 de março de 2017. 

Recebeu críticas geralmente positivas, com a atuação extraordinária de “suicídio profissional” de Jessica Chastain muito elogiada. Miss Sloane arrecadou US$ 3,5 milhões nos Estados Unidos e Canadá e US$ 5,6 milhões em outros territórios, totalizando US$ 9,1 milhões em todo o mundo. O filme começou seu lançamento cinematográfico junto com as estreias de Office Christmas Party (2016) e The Bounce Back (2016), e a ampla expansão de Nocturnal Animals (2016). O filme foi projetado para arrecadar de US$ 2 a 4 milhões em seu fim de semana de estreia, mas acabou faturando US$ 1,73 milhão, em 11º lugar nas bilheterias. Elizabeth Sloane representa uma lobista implacável e viciada em trabalho que foi convocada a depor perante o senador Ronald Sperling em uma audiência no Congresso para responder a perguntas sobre possíveis violações das regras de ética do Senado durante seu período na empresa de lobby Cole Kravitz & Waterman, em Washington, D.C. Três meses e uma semana antes, a empresa de Sloane foi abordada por Bill Sanford, representante de fabricantes de armas, para liderar a oposição ao projeto de lei Heaton-Harris, que ampliaria a verificação de antecedentes na compra de armas, visando especificamente eleitoras. Sloane ridicularizou a ideia de Sanford e, posteriormente, foi procurada por Rodolfo Schmidt, chefe da empresa de lobby rival Peterson Wyatt, para liderar o movimento em apoio ao projeto. Sloane aceitou e levou consigo a maior parte de sua equipe, embora sua associada mais próxima, Jane Molloy, se recusasse a partir.

    

Na Peterson Wyatt, Sloane escolhe Esme Manucharian para conduzir a maioria das aparições da empresa na mídia, e eles começam a obter progressos significativos na conquista de votos para o projeto de lei. Sloane confronta Esme revelando que ela sobreviveu a “um tiroteio em uma escola”. Mesmo que Esme não queira divulgar a informação, Sloane revela o segredo dela durante um debate televisionado ao vivo. Mais tarde Esme é assaltada à mão armada ao sair de seu escritório. Mas seu agressor é morto a tiros por outro civil que portava uma arma legalmente. Os defensores do direito ao porte de armas capitalizam sobre esse evento, o que faz com que o projeto de lei Heaton-Harris perca apoio no Senado. Isso é agravado pela notícia da investigação do Senado sobre as práticas de lobby de Sloane. Retornando à audiência no Congresso, o Senador Sperling apresenta um formulário solicitando aprovação para viagem ao exterior de um Senador. O formulário foi preenchido por uma organização sem fins lucrativos, mas com a suposta caligrafia de Sloane, indicando que ela violou as normas de ética do Senado ao se envolver, como lobista, na organização da viagem dos congressistas. Em resposta a outras perguntas, Sloane jura sob juramento que “nunca praticou escutas telefônicas ilegais”.            

Em sua declaração final na audiência, Sloane admite que previa que a oposição poderia atacá-la pessoalmente caso o escritório Peterson Wyatt fizesse muito progresso com o projeto de lei Heaton-Harris que prevê maior rigor na legislação, visando uma política de controle de armas. Ela revela que tinha alguém (Molloy, seu ex-assistente) trabalhando secretamente para ela e que utilizou uma escuta telefônica – que gravou o senador Sperling aceitando subornos de seu ex-chefe, George Dupont. Dez meses depois, Sloane recebe a visita de seu advogado na prisão. O projeto de lei foi aprovado, Dupont e Sperling estão sob investigação, e ele solicitou sua libertação antecipada. Ele pergunta estrategicamente se valeu a pena o suicídio profissional, e ela responde: melhor do que suicídio profissional. A política de armas, na esfera política, uma área da política norte-americana definida por duas ideologias opostas primárias sobre a posse de armas civis. A ideologia é a relação imaginária do homem sobre suas condições reais de existência. As pessoas em geral que defendem o controle de armas apoiam o aumento das regulamentações relacionadas à posse de armas; as pessoas que defendem os direitos das armas apoiam a diminuição dos regulamentos relacionados à propriedade das armas. Esses grupos frequentemente discordam da interpretação de leis e processos judiciais relacionados a armas de fogo, bem como dos efeitos do regulamento sobre armas de fogo no crime e na segurança pública. 

Uma arma de fogo é um tipo específico de arma capaz de disparar um ou mais projéteis em série em alta velocidade através da ação pneumática provocada pela expansão de gases resultantes da queima de propelente de alta velocidade. Este processo de queima subsônica é tecnicamente conhecido como deflagração, em oposição a combustão supersônica conhecida como detonação. Em armas de fogo mais antigas, o propulsor era tipicamente a pólvora negra ou a cordite, mas armas de fogo modernas usam a pólvora sem fumaça de base simples ou dupla ou outros propelentes. A maioria das armas de fogo modernas, com a exceção das armas de alma lisa, tem canos raiados com ranhuras internas espiraladas, para dar giro em movimento helicoidal ao projétil visando melhor estabilidade ao voo do mesmo e consequentemente mais precisão a distâncias maiores. A munição, outro elemento distinto da arma, é imprescindível para o funcionamento da arma de fogo. Estima-se que os civis dos Estados Unidos da América possuam estatisticamente 393 milhões de armas de fogo, e que 35% a 42% das famílias no país tenham pelo menos uma arma. A legislação sobre armas, ou não legislação, nos Estados norte-americanos, é aumentada por interpretações judiciais da Constituição. Em 1791, os Estados Unidos adotaram a Segunda Emenda, e em 1868 adotaram a Décima Quarta Emenda. O efeito dessas duas emendas na política de armas foi objeto de decisões históricas da Suprema Corte dos EUA em 2008 e 2010, que mantiveram o direito dos indivíduos de possuir armas para autodefesa. 

Os Estados Unidos da América têm o maior número estimado de armas de fogo per capita, com 120,5 armas para cada 100 pessoas na sociedade norte-americana. A Segunda Emenda da Constituição dos Estados Unidos diz: “Uma milícia bem regulamentada, sendo necessária à segurança de um Estado livre, o direito do povo de manter e portar armas, não será infringida”. Os debates sobre a disponibilidade de armas de fogo e a violência armada nos Estados Unidos foram caracterizados por preocupações sobre o direito de portar armas, como as encontradas na Segunda Emenda à Constituição dos EUA, a responsabilidade do governo dos Estados Unidos de atender às necessidades de seus cidadãos e para prevenir crimes e mortes. Os partidários do regulamento de armas de fogo dizem que os direitos indiscriminados ou irrestritos às armas inibem o governo de cumprir essa responsabilidade e causam problemas de segurança. Os defensores dos direitos das armas promovem armas de fogo exatamente para autodefesa, incluindo segurança contra a tirania, além de atividades sociais de caça e esporte. Os defensores do regulamento de armas de fogo afirmam que restringir e rastrear o acesso às armas resultaria em comunidades mais seguras, enquanto os defensores dos direitos das armas afirmam que o aumento da posse de armas de fogo por cidadãos cumpridores da lei reduz o crime e afirma que os criminosos sempre tiveram acesso fácil a eles de armas de fogo.

Escólio: Jack Allan Abramoff, nascido em 28 de fevereiro de 1959, é um lobista, empresário, produtor de cinema, escritor e criminoso condenado. Ele esteve no centro de uma extensa investigação federal de corrupção, que resultou em sua condenação e na de outras 21 pessoas que se declararam culpadas, ou foram consideradas culpadas, incluindo os funcionários da Casa Branca J. Steven Griles e David Safavian, o representante dos EUA Bob Ney e outros nove lobistas e assessores do Congresso. Abramoff foi presidente do Comitê Nacional Republicano Universitário de 1981 a 1985, membro fundador da International Freedom Foundation, supostamente financiada pelo governo da Era do Apartheid da África do Sul, e atuou no conselho de diretores do National Center for Public Policy Research, um think tank conservador. De 1994 a 2001, foi um dos principais lobistas da empresa Preston Gates & Ellis e, posteriormente, da Greenberg Traurig até março de 2004. Após se declarar culpado no escândalo de lobby de Jack Abramoff contra os nativos americanos e em seus negócios com a SunCruz Casinos em janeiro de 2006, ele foi condenado a seis anos de prisão federal por fraude postal, conspiração para subornar funcionários públicos e evasão fiscal. 

Ele cumpriu 43 meses antes de ser libertado em 3 de dezembro de 2010. Após sua libertação da prisão, ele escreveu o livro autobiográfico Capitol Punishment: The Hard Truth About Washington Corruption From America`s Most Notorious Lobbyist, publicado em novembro de 2011. O lobby de Abramoff e os escândalos e investigações associados a ele foi tema de dois filmes, Casino Jack and the United States of Money, lançado em maio de 2010, e Casino Jack, lançado em 17 de dezembro de 2010, com Kevin Spacey estrelando como Abramoff. Após se formar em Brandeis, Abramoff candidatou-se à presidência do Comitê Nacional Republicano Universitário (CRNC). Após uma campanha que custou mais de US$ 11.000 e foi gerenciada por Grover Norquist, Abramoff venceu a eleição. Sua principal concorrente, Amy Moritz, foi persuadida a desistir; mais tarde, como Amy Ridenour, ela se tornou diretora fundadora do Centro Nacional de Pesquisa de Políticas Públicas e foi presenteada com diversas viagens financiadas por Jack Abramoff quando este era lobista federal. Abramoff “mudou a direção do comitê [universitário] e o tornou mais ativista e conservador do que nunca”, observa o CRNC. – “Não é nosso trabalho buscar a coexistência pacífica com a esquerda”, escreveu Abramoff, segundo o relatório anual do grupo de 1983. - “Nosso trabalho é removê-los do poder permanentemente”. Norquist atuou como executivo do Comitê Nacional dos Republicanos Universitários sob Abramoff, e Abramoff mais tarde recrutou Ralph Reed, um ex-presidente do capítulo dos Republicanos Universitários da Universidade da Geórgia, como estagiário não remunerado. De acordo com o livro de Reed, Active Faith, Reed apresentou Abramoff a Pamela Clarke Alexander, com quem Abramoff se casou.

Em agosto de 1984 como presidente do CRNC, Abramoff discursou na Convenção Nacional Republicana de 1984 em Dallas, que nomeou Ronald Reagan (1911-2004) como candidato do partido para a reeleição presidencial de 1984. Na CRNC, Abramoff desenvolveu alianças políticas com presidentes de capítulos republicanos universitários em todo o país, muitos dos quais ascenderam a cargos importantes na política e nos negócios em nível estadual e nacional, e alguns que posteriormente interagiram com Abramoff em sua função técnica de lobista. Algumas dessas relações estiveram posteriormente no cerne da investigação federal. Na CRNC, Abramoff, Norquist e Reed formaram uma aliança agressiva reconhecida como o “triunvirato Abramoff-Norquist-Reed”. Após a eleição de Abramoff, o trio expurgou os “dissidentes” e reescreveu os estatutos da CRNC para consolidar seu controle sobre a organização. De acordo com a biografia de Nina Easton, Gang of Five (2000), ele “executava as ordens de Abramoff-Norquist com eficiência implacável, sem se preocupar em esconder suas impressões digitais”. Em 1983, o CRNC aprovou uma resolução condenando a “propaganda deliberadamente plantada pela KGB (Komitet Gosudarstvennoy Bezopasnosti), ou Comitê de Segurança do Estado, foi a principal agência de segurança e inteligência da União Soviética, responsável por atividades de contraespionagem, coleta de informações, segurança interna e operações secretas em território estrangeiro e forças soviéticas por procuração” contra o governo da África do Sul, quando o governo do país estava sob críticas mundiais pelo apartheid. Em 1984, Abramoff e outros republicanos universitários formaram a USA Foundation, uma organização não partidária e isenta de impostos, que realizou dois dias de comícios em campi universitários por todo o país para celebrar o primeiro aniversário da invasão americana de Granada.

Em uma carta aos líderes republicanos dos campi na época, Abramoff escreveu: - Embora a Coalizão do Dia da Libertação Estudantil seja apartidária e destinada apenas a fins educacionais, não preciso dizer a vocês o quão importante este projeto é para nossos esforços como Republicanos Universitários. – “Estou confiante de que um estudo imparcial dos contrastes entre o fracasso de Carter/Mondale no Irã e a vitória de Reagan em Granada será muito esclarecedor para os eleitores 12 dias antes da eleição geral”. Em 1985, Abramoff juntou-se à Citizens for America, um grupo pró-Reagan que ajudou Oliver North a angariar apoio para os Contras na Nicarágua. A Citizens for America organizou uma reunião sem precedentes de líderes rebeldes anticomunistas, reconhecida como Internacional Democrática, em Jamba, Angola, que incluiu líderes dos mujahidin afegãos, da UNITA de Angola, dos Contras e de grupos de oposição do Laos. A conferência, em grande parte cerimonial, levou ao desenvolvimento da International Freedom Foundation. Abramoff ajudou a organizar a conferência e participou dela. 

Abramoff deixou posteriormente a Citizens for America quando o principal patrocinador da organização, Lewis Lehrman, um ex-candidato a governador de Nova York, concluiu que Abramoff havia gasto o dinheiro da organização de forma negligente. Em 1986, Reagan nomeou Abramoff para o Conselho Memorial do Holocausto dos Estados Unidos. Segundo o historiador Saul Cornell, quando aprovou algumas das primeiras leis de controle de armas, começando com a lei de Kentucky para “coibir a prática de portar armas escondidas em 1813”. Houve oposição e, como resultado, a correta interpretação individual da Segunda Emenda começou e cresceu em resposta direta a essas leis iniciais de controle de armas, de acordo com esse novo “espírito generalizado de individualismo”. Como observado por Cornell, “ironicamente, o primeiro movimento de controle de armas ajudou a dar origem à primeira ideologia de direitos de armas autoconsciente construída em torno de um direito constitucional de autodefesa individual”. A interpretação individual correta da Segunda Emenda surgiu historicamente pela primeira vez em Bliss v. Commonwealth (1822), que avaliou o direito de portar armas em defesa de si e do Estado, de acordo com a Seção 28 da Segunda Constituição de Kentucky (1799). O direito de portar armas em defesa de si e do Estado foi interpretado como um direito individual, no caso de uma bengala escondida. Este caso foi descrito como “um estatuto que proíbe o transporte de armas ocultas [que] violou a Segunda Emenda”. A primeira decisão do tribunal estadual relevante para a questão do “direito de portar armas” foi Bliss v. Commonwealth

O tribunal de Kentucky sustentou que “o direito dos cidadãos de portar armas em defesa de si mesmos e do Estado deve ser preservado inteiro”. Saul Cornell é o titular da Cátedra Paul e Diane Guenther de História Americana na Universidade Fordham. Ele foi professor de história na Universidade Estadual de Ohio e diretor do Centro de Pesquisa da Segunda Emenda no Instituto John Glenn. Ele recebeu um doutorado da Universidade da Pensilvânia em 1989 e é uma autoridade no pensamento constitucional americano inicial. Ele é o autor de The Other Founders: Anti-Federalism and the Dissenting Tradition in America (1999), pelo qual ganhou o Prêmio Cox de Livro de 2001, e de A Well-Regulated Militia: The Founding Fathers and the Origins of Gun Control in America (2006). Ele também é coautor de muitas outras publicações, incluindo o livro didático Visions of America: A History of the United States (2009). Recentemente, ele escreveu um artigo no Salon sobre o tiroteio de Tucson em 2011 e o controle de armas. Além de escrever livros, ele contribuiu para inúmeros pareceres de amicus curiae em casos judiciais envolvendo a 2ª Emenda. Mais notavelmente, ele é coautor de um parecer de amicus curiae em apoio à proibição de armas de fogo em Washington DC, apresentado em District of Columbia v. Heller, e New York State Rifle & Pistol Association Inc. v. Bruen. Também durante a Era Jacksoniana, surgiu a primeira interpretação do direito coletivo (ou direito do grupo) da Segunda Emenda. Em State v. Buzzard (1842), o tribunal superior do Arkansas adotou um direito político baseado em milícias, lendo o direito de portar armas de acordo com a lei estadual e sustentou a 21ª seção do segundo artigo da Constituição do Arkansas que declarou: “que os homens brancos livres deste Estado terão o direito de manter e portar armas em defesa comum” enquanto rejeitam uma contestação a um estatuto que proíbe a progressão sobre o porte de armas ocultas.

            A Era Jacksoniana durou das eleições de 1828 até a década de 1850, quando a escravidão se tornou o tema central da política estadunidense que acabou precipitando uma violenta guerra civil nos Estados Unidos que mudaria dramaticamente a política no país. As políticas de Andrew Jackson se tornaram populares logo em seguida a era denominada sociologicamente “democracia jeffersoniana”. Quando o Partido Democrata-Republicano dos jeffersonianos começou se fracionar na década de 1820, os apoiadores de Jackson começaram a formar as bases do atual Partido Democrata. Eles combateram os rivais reconhecidos como Partido Adams e os Anti-Jacksonianos, sendo que estas duas facções acabaram se fundindo e criando o Partido Whig. Mais amplamente, o termo “democracia jacksoniana” se popularizou durante a Era do “Sistema de Segundo Partido” (1830-1854) e caracterizou o espírito democrático de seu tempo. Pode ser contrastado com as características da “democracia jeffersoniana”. A política de igualdade de Jackson mirava acabar com o que ele definia como o “monopólio” do governo pelas elites. Jeffersonianos se opunham às elites também, mas favoreciam os homens mais educados e instruídos, enquanto os jacksonianos davam pouco atenção a estes, preferindo o homem comum. Os Whigs eram os herdeiros da democracia jeffersoniana em termos de promover escolas e faculdades. Antes mesmo da Era Jacksoniana começar, o direito a voto (sufrágio) havia sido estendido para todos os cidadãos brancos adultos, algo que os jacksonianos comemoraram. Em contraste com a Era jeffersoniana, a democracia jacksoniana promovia o fortalecimento da presidência e do poder executivo às custas do Congresso, enquanto também tentavam aumentar a participação popular no governo. 

Os jacksonianos exigiam eleições para juízes e reescreveram várias constituições estaduais para refletir seus valores. No âmbito nacional, eles defendiam a expansão territorial, justificando isso nos termos do Destino Manifesto. Havia também um consenso entre os jacksonianos e os Whigs que confrontamento a respeito da questão da escravidão deveria ser evitado. A expansão da democracia de Jackson era limitada a americanos descendentes de europeus e o direito a voto deveria ser apenas de homens brancos adultos. Não havia muito progresso proposto para os afro-americanos, em alguns casos, houve retrocessos. O tribunal superior do Arkansas declarou “que as palavras uma milícia bem regulamentada é necessária para a segurança de um Estado livre e as palavras defesa comum mostram claramente a verdadeira intenção e significado dessas Constituições e provar que é um direito político e não individual e, é claro, que o Estado, em sua capacidade legislativa, tem o direito de regulamentá-lo e controlá-lo: sendo esse o caso, então o povo, nem individual nem coletivamente, tem o direito de manter e portar armas. 

Os influentes Commentaries on the Law of Statutory Crimes (1873), de Joel Prentiss Bishop (1814-1901) adotaram a interpretação baseada na milícia de Buzzard, uma visão que Bishop caracterizou como a “doutrina do Arkansas”, como a visão ortodoxa do direito de portar armas na lei americana. Os dois primeiros casos de tribunais estaduais, Bliss e Buzzard, estabeleceram a dicotomia fundamental na interpretação da Segunda Emenda, isto é, se ela garantiu um direito individual versus um direito coletivo. O cinema feminista, que defende ou ilustra as perspectivas feministas, surgiu em grande parte com o desenvolvimento da filmografia feminista nos anos 1960 e início dos anos 1970. As mulheres foram radicalizadas durante a década de 1960 pelo debate político e pela chamada liberação sexual; mas o fracasso do radicalismo em produzir alterações profundas para as mulheres galvanizou-se para formar grupos de conscientização e começou a analisar, a partir de diferentes perspectivas, a construção do cinema feminista. As diferenças foram particularmente acentuadas entre as feministas de ambos os lados do Atlântico. Em 1972, aconteceram os primeiros festivais de cinema feminista nos Estados Unidos e no Reino Unido, bem como a primeira revista de cinema feminista, a Women and Film. Teóricas deste período incluem Claire Johnston e Laura Mulvey, que também organizaram eventos feministas no Festival Internacional de Cinema de Edimburgo. Entre outras teóricas que tiveram um impacto poderoso no cinema feminista estão Teresa de Lauretis. Argumentou-se que há duas abordagens distintas para o cinema independente e teoricamente inspirado pelo feminismo. Preocupa-se pela “desconstrução”, com uma análise e uma quebra dos códigos do cinema mainstream, com o objetivo de criar uma relação diferente entre o espectador e o cinema dominante.

A segunda abordagem, uma contracultura feminista, encarna a escrita feminina para investigar uma linguagem cinematográfica especificamente feminina. Algumas recentes críticas das abordagens feministas no cinema têm-se centrado em torno de um sistema de classificação sueco chamado teste de Bechdel. Durante o período entre as décadas de 1930 e 1950, o apogeu dos grandes estúdios de Hollywood, a condição social das mulheres na indústria era péssima e, embora muito o cenário tenha melhorado, muitos argumentam que ainda há muito a ser feito nesta área de conhecimento. Dos filmes de arte de Sally Potter, Catherine Breillat, Claire Denis e Jane Campion, até os filmes de ação de Kathryn Ann Bigelow é uma cineasta norte-americana que se tornou a primeira mulher a ganhar um Óscar de melhor direção por The Hurt Locker,  as mulheres agora são muito mais conscientes da diferença social de gênero ainda persistente no mundo cinematográfico. O movimento feminista efetuou mudanças na sociedade ocidental, incluindo o sufrágio feminino; maior acesso à educação; salários mais equitativos com os dos homens; o direito de iniciar o processo de divórcio; o direito da mulher de tomar decisões individuais relativas à gravidez incluindo o acesso aos contraceptivos e ao aborto; e o direito de propriedade. A partir da década de 1960, a campanha pelos direitos das mulheres foi recebida com resultados mistos nos Estados Unidos e no Reino Unido.

 Outros países da Comunidade Econômica Europeia (CEE) concordaram em garantir que leis discriminatórias seriam suprimidas em toda a Comunidade Europeia. Algumas campanhas feministas também ajudaram a promover atitudes de reforma para o abuso sexual infantil. A visão de que as moças levam os homens a ter relações sexuais com elas foram substituídas pela responsabilidade dos homens pelo seu próprio comportamento, caso os homens fossem adultos. Nos Estados Unidos, a Organização Nacional das Mulheres começou em 1966 para ajudar a conquistar a igualdade das mulheres, nomeadamente através da Emenda de Direitos Iguais, que não foi aprovada, apesar de alguns estados terem promulgado suas próprias leis sobre o tema. Os direitos reprodutivos em nos Estados Unidos centraram-se na decisão judicial no caso Roe v. Wade`, enunciando o direito da mulher de escolher se quer levar uma gravidez até o fim. As mulheres ocidentais ganharam o um controle de natalidade mais confiável, o que permitiu o planejamento familiar e de suas carreiras profissionais. Nos Estados Unidos, o movimento começou na década de 1910 sob Margaret Sanger (1879-1966) e em outros lugares sob Marie Stopes (1880-1958). Nas últimas três décadas do século XX, as mulheres ocidentais conquistaram uma nova liberdade através de controle de natalidade, que permitiu às mulheres planejar sua vida adulta, muitas vezes abrindo caminho tanto a carreira quanto para a família. A divisão do trabalho dentro das famílias foi afetada pelo aumento da entrada das mulheres no local de trabalho.

A socióloga Arlie Russell Hochschild uma professora universitária, feminista e socióloga estadunidense descobriu que, em casais onde ambos trabalham, homens e mulheres, em média, gastam quantidades iguais de tempo de trabalho, mas as mulheres ainda gastam mais tempo com o domínio das tarefas domésticas, embora Cathy Young tenha argumentado que as mulheres acabam por evitar a “igualdade de participação dos homens em tarefas domésticas e parentais”.  Judith K. Brown, uma antropóloga norte-americana renomada por suas contribuições pioneiras para a antropologia feminista, particularmente no estudo intercultural dos papéis de gênero, dos percursos de vida das mulheres e da violência doméstica escreve: “as mulheres são mais propensas a fazer uma contribuição substancial quando as atividades de subsistência têm as seguintes características: quando o participante não é obrigado a estar longe de casa; as tarefas são relativamente monótonas e não exigem concentração extasiada; e o trabalho não é perigoso, pode ser realizado, apesar de interrupções, e pode ser facilmente interrompido, uma vez reiniciado”. No direito internacional, a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (1981) é uma convenção internacional adotada pela Assembleia Geral das Nações Unidas e é descrita como uma declaração internacional dos direitos das mulheres. Ela entrou em vigor nos países que a ratificaram.

Os defensores da linguagem de gênero neutro argumentam que a utilidade de uso da linguagem específica de gênero, muitas vezes, implica a superioridade masculina ou reflete um estado desigual da sociedade. A teologia feminista representa um movimento que reexamina as tradições, práticas, escrituras e teologias das religiões a partir de uma perspectiva feminista. Alguns dos objetivos da teologia feminista incluem o aumento do papel das mulheres no clero e nas autoridades religiosas, reinterpretando imagens de dominação masculina e da linguagem sobre Deus, determinando o lugar das mulheres em relação à carreira e da maternidade e estudando imagens de mulheres em textos religiosos considerados sagrados.  As ideias de J. J. Bachofen e Robert Graves, e posteriormente de Walter Burkert, Jane Ellen Harrison, James Mellart, Sir Arthur Evans, Joseph Campbell, Erich Neumann sobre uma religião matriarcal e um período da história da humanidade cuja estrutura social teria sido baseada num determinado matriarcado, foram incorporadas pelo feminismo dos anos 1970 por autores como Merlin Stone (1931-2011), que estudou as estatuetas de Vênus do Paleolítico como evidências de uma religião matriarcal desde a pré-história até as civilizações antigas do politeísmo pré-helênico. Merlin Stone, autora de When God Was a Woman (1976) e Marija Gimbutas (1921-1994) são chamadas com razão de autoras do ramo científico da arqueologia feminista da década de 1970.

A obra The Civilization of the Goddess (1989) tornou-se um trabalho padrão para a teoria de um patriarcado e “androcracia” que teria surgido na Idade do Bronze, substituindo o Neolítico centrado no culto da Deusa mãe. Stone apresenta uma religião matriarcal como envolvendo o culto universal da serpente associado à mulher e como um símbolo fundamental de sabedoria espiritual, fertilidade, vida e força. O feminismo cristão é, last but not least, um ramo da teologia feminista, que procura interpretar e compreender o cristianismo à luz da igualdade de mulheres e homens e que essa interpretação é necessária para uma completa compreensão do cristianismo. Embora não haja um padrão estabelecido de crenças entre as feministas cristãs, a maioria concorda que Deus não discrimina com base em sexo e estão envolvidas em torno de questões como a ordenação de mulheres, a dominação masculina e o equilíbrio da parentalidade no matrimônio cristão, além de reivindicações de deficiência moral, a inferioridade das mulheres em relação aos homens e o tratamento geral das mulheres dentro da igreja cristã.

As feministas islâmicas defendem os direitos das mulheres, igualdade de gênero e a justiça social fundamentada dentro de uma estrutura secular islâmica. Os defensores pretendem evidenciar os ensinamentos profundamente enraizados de igualdade no Alcorão e incentivar um questionamento da interpretação patriarcal do ensinamento islâmico através do Alcorão, hadith (ditos de Maomé) e da sharia (lei) para a criação de uma sociedade mais igualitária e justa. Embora enraizada no islamismo, os pioneiros do movimento utilizaram discursos feministas seculares e ocidentais e reconhecem o papel do feminismo islâmico como do movimento feminista global integrado. O feminismo judaico é um movimento que visa melhorar o estado religioso, jurídico e social das mulheres dentro do judaísmo e para abrir novas oportunidades para a experiência religiosa e liderança para as mulheres judias. As principais questões para as feministas judias no início desses movimentos foram a exclusão do grupo de oração apenas para homens, a incapacidade das mulheres para serem testemunhas e o divórcio. O feminismo ateísta tem se engajado na crítica feminista da religião, argumentando que muitas religiões têm regras opressivas em relação às mulheres e temas e elementos misóginos em textos religiosos.

Bibliografia Geral Consultada.

LOWI, Theodore, The End of Liberalism. The Second Republic of the United States. 2ª edição. Nova York: Editor W.W. Norton, 1979; BLUMER, Herbert, Filmes e Conduta. Nova York: Maximillan Editor, 1983; SCHEIBE, Karl, Self Studies. The Psychology of Self and Identity. London: Praeger, 1985; LEMOS, Roberto Jenkins, Lobby: Direito Democrático. São Paulo: Editor Sagra, 1988; ELIAS, Norbert, El Proceso de la Civilización: Investigaciones Sociogenéticas Y Psicogenéticas. 2ª edición. México: Fondo de Cultura Económica, 1989; SCOTT, Joan, Gender and the Politics of History. New York: Columbia University Press, 1989; DENZIN, Norman, A Sociedade Cinematográfica. Londres: Editor Sage, 1995; GRAZIANO, Luigi, Lobbying Pluralismo Democrazia. Roma: La Nuova Italia Scientifica, 1995; ADAMS, Les, The Second Amendment Primer. A Citizen`s Guidebook to the History, Sources, and Authorities for the Constitutional Guarantee of the Right to Keep and Bear Arms. Birmingham: Odysseus Editions, 1996; DAVIS, William, Brothers in Arms. The Lives and Experiences of the Men who Fought the Civil War - In their Own Words. Nova York: Salamander Books, 2000; TODOROV, Tzvetan, Los Abusos de la Memoria. Barcelona: Paidós Asterisco, 2000; BAILYN, Bernard, As Origens Ideológicas da Revolução Americana. Bauru (SP): EDUSC, 2003; HANSON, Helen, Hollywood Heroines: Women in Film Noir and the Femme Gothic Film. New York: I.B Tauris & Co, 2007; WINKLER, Adam, Gunfight: The Battle Over the Right to Bear Arms in America. Nova York: W. W. Norton & Company, 2011; CALMON, Renata Rocha, Regulamentação do Lobby e Accountability. Instituto de Ciência Política. Brasília: Universidade de Brasília, 2017; BISCARO, Matheus Pinto, Encurralado: Um Conto sobre a Paranoia, a Máquina e a Masculinidade na Hollywood dos anos de 1970. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais. Escola de Comunicações e Artes. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2023; MACÊDO, Marcelle Maciel da Veiga, Facetas Paradoxais do Consumo: Mal-estar e Felicidade. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Psicanálise. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2024; BARROS, Alexandre de, “Quando a Guerra Mudou a História e a Linguagem do Cinema”. In: https://soumaispop.com.br/2026/01/18/; entre outros.

terça-feira, 20 de maio de 2025

Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento & Ativismo Real Ambiental.

       O dinheiro não nos dá prazer, mas a ausência dele nos causa dor”. Sigmund Freud

Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento, tem como representação social um filme estadunidense de 2000, um drama biográfico, dirigido por Steven Soderbergh, com roteiro de Susannah Grant baseado na história real de Erin Brockovich. Do ponto de vista cinematográfico, Erin (Julia Roberts) é a mãe de três filhos que trabalha num pequeno escritório de advocacia. Quando descobre que a água de uma cidade no deserto está sendo contaminada e espalhando doenças entre seus habitantes, ela “convence seu chefe a deixá-la investigar o assunto pessoalmente”. A partir de então, utilizando-se de todas as suas qualidades naturais, desde a fala macia e convincente até seus atributos sensuais físicos, consegue convencer os cidadãos da cidade a cooperarem com ela, fazendo com que tenha em mãos um processo administrativo de 333 milhões de dólares com o propósito de indenizações. Natural da cidade de Nova Iorque (EUA), Suzana Grant estudou na Faculdade Amherst e frequentou o Conservatório AFI, um programa de Mestrado em Belas Artes de cinco períodos semestrais em seis disciplinas. De 1994 a 1997, ela trabalhou na televisão como produtora e principal roteirista da série dramática Party of Five, da Fox. Ela escreveu os roteiros de filmes como Para Sempre Cinderela; Erin Brockovich, dirigido por Steven Soderbergh; 28 Dias e Pocahontas, da Disney.

Por Erin Brockovich, ela recebeu uma indicação ao Oscar em 2001. Soderbergh nasceu em Atlanta, filho de Mary Ann (Bernard) e Andrew Peter Soderbergh, que era educador profissionalmente e administrador da universidade. Seu avô paterno era um sueco, imigrante de Estocolmo. Quando era criança, sua família se mudou de Atlanta para Charlottesville, cidade Virgínia, Estados Unidos da América, onde conviveu durante a sua adolescência. Um filme biográfico ou cinebiografia, relata etnograficamente a vida de uma pessoa real, no plano da existência, geralmente dramatizando e explorando os seus principais acontecimentos. O termo é derivado do inglês “biographical motion picture”, abreviado para “biopic”, ipso facto também reconhecido no jargão do cinema sob este anglicismo, é um filme que dramatiza a vida de uma personalidade real. Na maioria das vezes, relata a vida de um personagem do passado, sem que necessariamente se trate de uma figura de importância histórica. Esses filmes demonstram a vida de uma personagem e o nome verdadeiro do protagonista às vezes é usado. Filmes biográficos essenciais são: A Lista de Schindler, Bruna Surfistinha, Milk e Sete Dias com MarilynErin Brockovich, nascida Erin Pattee em Lawrence, em 22 de junho de 1960, uma cidade norte-americana no estado do Kansas, condado de Douglas, do qual é sede. 

Foi fundada em 1854 e incorporada em 1858, é uma técnica jurídica e ativista ambiental e dos direitos do consumidor norte-americana. Sem qualquer instrução formal ou curso de Ensino Superior, foi fundamental para a construção de um processo legal contra a Pacific Gas and Electric Company (PG&E), da Califórnia, Estados Unidos da América em 1993. O caso de sucesso jurídico foi tema do filme realizado em 2000, Erin Brockovich, estrelado por Julia Roberts. Desde então, Erin se tornou uma celebridade da televisão, apresentando um programa, Challenge America with Erin Brockovich na American Broadcasting Company (ABC), um conglomerado de radiodifusão que opera a rede de televisão ABC nos Estados Unidos. Também é uma empresa muito conhecida, mas diferente da rede de televisão ABC, de propriedade da The Walt Disney Company. É uma das principais redes de televisão dos Estados Unidos, junto com a CBS e a NBC. É a presidente da Brockovich Research & Consulting e consultora da Girardi & Keese, da firma de advocacia Weitz & Luxenberg, que trabalha com os danos causados por amianto e da Shine Lawyers, da Austrália. Erin Pattee nasceu em Lawrence, Kansas, em 1960, filha de Betty Jo (1923–2008), jornalista, e Frank Pattee (1924–2011), engenheiro e jogador de futebol americano esporte jogado por dois times de onze jogadores em um campo retangular com traves em cada extremidade. A equipe de ataque, com a posse da bola oval, tenta avançar pelo campo correndo com a bola ou lançando-a, enquanto a defesa, que não possui a bola, tenta impedir o avanço e tomar o controle da bola para si. O futebol é um jogo caracterizado pela “conquista de território”.     

O casal teve três outros filhos, Frank Jr., Thomas (1954–1992) e Jodie. Erin se formou no Ensino Médio na Lawrence High School e ingressando posteriormente na Universidade Estadual do Kansas, onde se formou em um curso técnico de Artes Plásticas. Trabalhou como gerente júnior em uma loja Kmart, em 1981, mas saiu depois de alguns meses para participar de um concurso de miss. Ela ganhou o título de Miss Costa Oeste dos Estados Unidos, também conhecida por Costa do Pacífico (Pacific Coast), designa geralmente os três estados mais ocidentais do grupo de estados contíguos: Califórnia, Oregon e Washington. O Arizona e o Nevada, embora interiores, são por vezes incluídos na Costa Oeste devido à proximidade com o Pacífico e por razões econômicas e culturais. Outras opções fazem incluir no grupo o Alasca e o Havaí. Mas no ano seguinte se mudou para a Califórnia. Erin foi casada três vezes: Shawn Brown, (1982–1987 divórcio), Steven Brockovich (1989–1990 divórcio) e Eric L. Ellis (1998–2012 divórcio). Erin tem quatro filhos. O caso contra a PG&E (Anderson, et al. v. Pacific Gas and Electric, arquivo BCV 00300) alegava contaminação de água potável por cromo hexavalente (“chromium VI”, “Cr-VI” ou “Cr-6”), no Sul da Califórnia, no município de Hinkley. Uma instalação em Hinkley, construída em 1952 como parte de gasoduto que conectava a cidade com a região da baía de São Francisco estava no centro da polêmica da principal questão de sobrevivência no planeta Terra. Entre os anos de 1952 e 1966, a PG&E usou o cromo VI nos tanques de resfriamento para combater a corrosão do metal. A água descartada nas torres era então “despejada sem tratamento em lagos do lado de fora, que começaram a percolar pelo solo até ao lençol freático”.

O processo contra a empresa foi vencido recentemente em 1996, em um valor de 333 milhões de dólares, o maior valor já pago em uma ação direta na história econômica, social ou política dos Estados Unidos. Masry & Vititoe, o escritório de advocacia para o qual Erin trabalhava na época como assistente jurídica, recebeu 133 milhões no acordo e Erin em si recebeu 2,5 milhões por seu trabalho. Dados estatísticos de um estudo de 2010 do California Cancer Registry afirmaram que os registros de câncer na região de Hinkley de 1988 a 2008 permaneceram normais depois que a empresa foi processada e obrigada a limpar a área e a indenizar os moradores. No entanto, em junho de 2013, a revista Mother Jones apresentou uma crítica do Center for Public Integrity ao trabalho do autor Jonh W. Morgan, um matemático estadunidense, que trabalha com topologia e geometria algébrica e personagem ligado à indústria, nos estudos epidemiológicos posteriores, e que a área afetada de Hinkley tinha sido demolida em 1996, além de outras falhas. Apesar de tudo isto, a história está longe de terminar e as águas de Hinkley continuam fortemente contaminadas. Em 2000 estreou o filme Erin Brockovich que narra o processo pelo qual ela se tornou famosa. Estrelado por Julia Roberts e dirigido por Steven Soderbergh e o papel social de Erin, Julia ganhou o Oscar de Melhor Atriz. Assim o próprio pensar é objeto, logo objeto de si mesmo, então o homem é por si. A racionalidade produz o racional, o pensar produz os próprios pensamentos. 

O que o ser em si é se manifesta no ser por si. Todo conhecer, todo aprender, toda visão, toda ciência, inclusive toda atividade humana, não possui nenhum outro interesse além do aquilo que filosoficamente é em si, no interior, podendo manifestar-se desde si mesmo, produzir-se, transformar-se objetivamente. Nesta diferença se descobre toda a diferença na história do mundo. Os homens são todos racionais. O formal desta racionalidade é que o homem seja livre. Esta é a sua natureza. Isto pertence à essência do homem: a liberdade. O europeu sabe de si, afirma Hegel, é objeto de si mesmo. A determinação que ele conhece é a liberdade. Ele se conhece a si mesmo como livre. O homem considera a liberdade como sua substância. Se os homens falam mal de conhecer é porque não sabem o que fazem. Conhecer-se, converter-se a si mesmo no objeto (do conhecer próprio) e o fazem relativamente poucos. Mas o homem é livre somente se sabe que o é. Pode-se também em geral falar mal do saber, como se quiser. Mas somente este saber libera o homem. O conhecer-se é no espírito a existência. Portanto isto é o segundo, esta é a única diferença da existência (Existenz) a diferença do separável. O Eu é livre em si, mas também por si mesmo é livre e eu sou livre somente enquanto existo como livre. A terceira determinação é que o que existe em si, e o que existe por si são somente uma e mesma coisa. Isto quer dizer precisamente evolução. O em si que já não fosse em si seria outra coisa. Por conseguinte, haveria ali uma variação, mudança. Na mudança existe algo que chega a ser outra coisa. Na evolução, em essência, podemos também sem dúvida falar da mudança, mas esta mudança deve ser tal que o outro, o que resulta que é analogamente ainda idêntico ao primeiro, de maneira que o simples, o ser em si não seja negado.

Friedrich Hegel que parte da análise da consciência comum, não podia situar como princípio primeiro uma dúvida universal que só é própria da reflexão filosófica. Por isso mesmo ele segue o caminho aberto pela consciência e a história detalhada de sua formação. A Fenomenologia vem a ser uma história concreta da consciência, sua saída da caverna e sua ascensão à Ciência. Daí a analogia que em Hegel existe de forma coincidente entre a história da filosofia e a história do desenvolvimento do pensamento, mas este desenvolvimento é necessário, como força irresistível que se manifesta lentamente através dos filósofos, que são instrumentos de sua manifestação primeira. Assim, preocupa-se apenas em definir os sistemas, sem discutir as peculiaridades e opiniões dos diferentes filósofos. Na determinação do sistema, o que o preocupa é a categoria fundamental que determina o todo complexo do sistema, e o assinalamento das diferentes etapas, bem como as vinculasses destas etapas que conduzem à síntese do espírito absoluto. Para compreender o sistema é necessário começar pela representação, que ainda não sendo totalmente exata permite, no entender de sua obra a seleção de afirmações e preenchimento do sistema abstrato de interpretação do método dialético, para poder alcançar a transformação da representação numa noção clara e exata. Temos a passagem da representação abstrata, para o conceito claro e concreto através do acúmulo de determinações. Aquilo que por movimento dialético separa e distingue perenemente a identidade e a diferença, sujeito e objeto, finito e infinito, é a alma vivente das coisas, a Ideia Absoluta que é a força geradora, a vida e o espírito eterno.

Mas a Ideia Absoluta seria uma existência abstrata se a noção de que procede não fosse mais que uma unidade abstrata, e não o que é em realidade, isto é, a noção que, por um giro negativo sobre si mesma, revestiu-se novamente de forma subjetiva. Metodologicamente a determinação mais simples e primeira que o espírito pode estabelecer é o Eu, a faculdade de poder abstrair todas as coisas, até sua própria vida. Chama-se idealidade precisamente esta supressão da exterioridade. Entretanto, o espírito não se detém apenas na apropriação, transformação e dissolução da matéria em sua universalidade, mas, enquanto consciência religiosa, por sua faculdade representativa, penetra e se eleva através da aparência dos seres até esse poder divino, uno, infinito, que conjunta e anima interiormente todas as coisas, enquanto pensamento filosófico, como princípio universal, a ideia eterna que as engendra e nelas se manifesta. Isto quer dizer que o espírito finito se encontra inicialmente numa união imediata com a natureza, a seguir em oposição com esta e finalmente em identidade com esta, porque suprimiu a oposição e voltou a si mesmo e, consequentemente, o espírito finito é a ideia, mas ideia que girou sobre si mesma e que existe por si em sua própria realidade. A Ideia absoluta que para realizar-se colocou como oposta a si, à natureza, produz-se através dela como espírito, que através da supressão de sua exterioridade entre em relação com a natureza, e, depois, ao encontrar a si mesma nela, torna-se consciência de si, espírito que conhece a si mesmo, suprimindo a distinção entre sujeito e objeto, chegando a Ideia a ser por si e em si, tornando-se unidade perfeita de suas diferenças, sua absoluta verdade. 

Com o surgimento do espírito através da natureza abre-se a história da humanidade e a história humana é o processo que medeia entre isto e a realização do espírito consciente de si. A filosofia hegeliana centra sua atenção sobre esse processo e as contribuições mais expressivas de Hegel ocorrem precisamente nesta esfera, do espírito. Melhor dizendo, para Hegel, à existência na consciência, no espírito chama-se saber, conceito pensante. O espírito é também isto: trazer à existência, isto é, à consciência. Como consciência em geral tenho eu um objeto; uma vez que eu existo e ele está na minha frente. Mas enquanto o Eu é o objeto de pensar, é o espírito precisamente isto: produzir-se, sair fora de si, saber o que ele é. Nisto consiste a grande diferença: o homem sabe o que ele é. Logo, em primeiro lugar, ele é real. Sem isto, a razão, a liberdade não são nada. O homem é essencialmente razão. O homem, a criança, o culto e o inculto, é razão. Ou melhor, a possibilidade para isto, para ser razão, existe em cada um, é dada a cada um. A razão não ajuda em nada a criança, o inculto. É somente uma possibilidade, embora não seja uma possibilidade vazia, mas possibilidade real e que se move em si. Assim, por exemplo, dizemos que o homem é racional, e distinguimos muito bem o homem que nasceu somente e aquele cuja razão educada está diante de nós. Isto pode ser expresso também assim: o que é em si, na filosofia primeira, tem que se converter em objeto para o homem, chegar à consciência; assim para ele e para si mesmo. A história para Hegel, de forma magistral e ineludível é o desenvolvimento do Espírito no tempo, assim como a Natureza é o desenvolvimento da ideia no espaço. Deste modo o homem se duplica. Uma vez, ele é razão, é pensar, mas em si: outra, ele pensa, converte este ser, seu em si, em objeto do pensar.

Historicamente a evolução não somente faz aparecer o interior originário, exterioriza o concreto contido já no em si, e este concreto chega a ser por si através dela, impulsiona-se a si mesmo a este ser por si. O espírito abstrato assim adquire o poder concreto da realização. O concreto é em si diferente, mas logo só em si, pela aptidão, pela potência, pela possibilidade. O diferente está posto ainda em unidade, ainda não como diferente. É em si distinto e, contudo, simples. É em si mesmo contraditório. Posto que é através desta contradição impulsionado da aptidão, deste este interior à qualidade, à diversidade; logo cancela a unidade e com isto faz justiça às diferenças. Também a unidade das diferenças ainda não postas como diferentes é impulsionada para a dissolução de si mesma. O distinto (ou diferente) vem assim a ser atualmente, na existência. Porém do mesmo modo que se faz justiça à unidade, pois o diferente que é posto como tal é anulado novamente. Tem que regressar à unidade; porque a unidade do diferente consiste em que o diferente seja um. E somente por este movimento é a unidade verdadeiramente concreta. É algo concreto, algo distinto. Entretanto contido na unidade, no em si primitivo. O gérmen se desenvolve assim, não muda. Se o gérmen fosse mudado desgastado, triturado, não poderia per se evoluir. Na alma, enquanto determinada como indivíduo, as diferenças estão enquanto mudanças que se dão no indivíduo, que é o sujeito uno que nelas persiste em momentos do seu desenvolvimento.

Por serem elas diferenças, à uma, físicas e espirituais, seria preciso, para determinação ou descrição mais concreta, antecipar a noção do espírito cultivado. As diferenças são: 1) curso natural das idades da vida, desde a criança, desde a criança, o espírito envolvido em si mesmo – passando pela oposição desenvolvida, a tensão de uma universalidade ela mesma ainda subjetiva em contraste com a singularidade imediata, isto é, como o mundo presente, não conforme a tais ideais, e a situação que se encontra, em seu ser-aí para esse mundo, o indivíduo que, de outro lado, está ainda não-autônomo e em si mesmo não está pronto (o jovem) – para chegar à relação verdadeira, ao reconhecimento da necessidade e racionalidade objetivas do mundo já presente, acabado; em sua obra, que leva a cabo por si e para si, o indivíduo retira, por sua atividade, uma confirmação e uma parte, mediante a qual ele é algo, tem uma presença efetiva e um valor objetivo (homem); até a plena realização da unidade com essa objetividade: unidade que real, vem dar na inatividade da rotina que tira o interesse, enquanto ideal se liberta dos interesses é das complicações do presente exterior (o ancião).  

Em seguida, mudou-se para Baton Rouge, Louisiana, onde seu pai tornou-se decano da Educação na Universidade Estadual de Louisiana (LSU). Quando adolescente ele reconheceu o cinema, dirigindo curtas-metragens com uma câmera Super 8, equipamento emprestado de estudantes da LSU. Soderbergh também desenvolveu, eventualmente, free-lancer como editor de filmes. A Universidade do Estado da Luisiana, em inglês: Louisiana State University and Agricultural & Mechanical College é a mais antiga universidade pública e uma das mais prestigiosas universidades do estado norte-americano da Luisiana. A universidade foi fundada em 1860 na cidade de Pineville como um Seminário Teológico e Academia Militar e passou por diversas reformas para expandir seu quadro técnico e educacional, tornando-se umas das principais universidades do Sul estadunidense. Como um dos principais centros de pesquisa científica da região onde se situa, a Universidade da Luisiana é classificada como nível técnico-metodológico “R1” no sistema Classificação Carnegie, indicando “alta atividade de pesquisa” pela instituição. É um padrão para categorizar faculdades e universidades, baseado em vários critérios programáticos e sociais, incluindo o tipo especificamente de valor através do diplomas concedidos, financiamento para pesquisa e atividade de pesquisa, enquadramento de perfis do corpo docente e ofertas acadêmicas.

A classificação, criada pela Fundação Carnegie para o Avanço do Ensino, visa descrever as instituições de forma a facilitar a compreensão do seu trabalho e impacto social. O campus principal da Universidade da Luisiana encontra-se na capital Baton Rouge, sendo considerado um dos mais bem elaborados campi universitários dos Estados Unidos. A propriedade se expande por cerca de 650 acres de terra às margens do rio Mississippi e exibe grandes carvalhos seculares - muitos deles adotados singularmente por famílias que contribuem para a sua conservação - e diversas magnólias, a flor símbolo da Louisiana. Steven Soderbergh tornou-se famoso por executar de forma policompetente várias funções de um mesmo filme, como direção de fotografia, edição, direção e roteiro. Como a WGA, Writers Guild of America (Sindicato de Roteiristas dos Estados Unidos) é um esforço conjunto de dois diferentes sindicatos dos Estados Unidos que representam os roteiristas da televisão e cinema: O Writers Guild of America, East (WGAE) com sede em Nova Iorque e o Writers Guild of America, West (WGAW) com sede em Los Angeles.

Ambos organizam em conjunto o Writers Guild of America Award, ipso facto, proíbe que o cineasta exerça múltiplas funções dentro de um filme, ele assina sob diferentes pseudônimos. Em 2001 tornou-se o terceiro diretor a ser indicado ao Oscar de melhor diretor por dois filmes, Traffic e Erin Brockovich, o primeiro foi Victor Fleming, no ano de 1939 e o segundo foi Francis Ford Coppola no ano de 1974 por O Poderoso Chefão - Parte II e A Conversação. Entrou no universo da direção quando filmou um espetáculo do grupo de rock Yes, o que lhe rendeu uma indicação ao Grammy. O vídeo do show foi o 9012 Live, em 1986. Foi também o vencedor mais novo da Palma de Ouro no Festival de Cannes, realizado em 1989, por seu trabalho no filme de estreia de carreira, Sexo, Mentiras e Videoteipe (1989). Em 2006 lançou um plano ousado de distribuição de filmes, que tem seis experiências. O primeiro foi Bubble, um filme sem importância a não ser pelo fato de que, além do cinema, também foi, simultaneamente, lançado em DVD e na televisão paga. Esse fato ocorreu, em parte, pela mudança de costumes das pessoas no mundo, já que alugam mais DVDs, assistem mais vídeos na web, também baixam filmes e veem muita televisão (aberta ou paga) do que simplesmente ir ao cinema. Ele, que veio do meio cinematográfico independente, se justificou, dizendo que o espectador, quer ter “mais controle sobre as formas de ver filmes; é um processo irreversível”.

O mérito cinematográfico em relação ao tema biográfico, diz respeito exatamente ao fato sociológico de que o pensamento objetivo ignora o sujeito social da percepção. Isso ocorre por que ele se dá o mundo sensitivo inteiramente pronto, como meio de todo o conhecimento possível, e trata a percepção como um desses acontecimentos. O sujeito perceptivo é o lugar dessas coisas. Pois, vista do interior, a percepção não deve nada àquilo que nós sabemos de outro modo sobre o mundo, sobre os estímulos tais como a Física os descreve e sobre os órgãos dos sentidos, tais como a Biologia os descreve. Em primeiro lugar, ela não se apresenta como um acontecimento no mundo ao qual se possa aplicar, por exemplo, a categoria de causalidade, mas a cada momento como uma re-criação ou uma re-constituição do mundo. Se acreditamos em um passado do mundo, no mundo físico, nos “estímulos”, no organismo tal como nossos livros o representam, é primariamente porque temos um campo perceptivo presente e atualmente, uma superfície de contato com o mundo ou perpetuamente enraizada nele, é porque sem cessar ele vem assaltar e investir a subjetividade, assim como as ondas envolvem um destroço na praia.  Todo saber se instala nos horizontes abertos pela percepção. Não se trata de descrever a própria percepção como um dos fatos que se produzem no mundo, já que a percepção é a representação da “falha” deste “grande diamante”. Certamente, não queremos perder de vista que o intelectualismo per se representa um progresso na tomada de consciência: aquele lugar fora do mundo empirista e onde ele situava para descrever o acontecimento da percepção recebe agora um nome, figura na descrição.

Dentre outras características da água, destacam-se seu alto calor latente de vaporização, sua elevada capacidade térmica, além da considerável mudança de propriedades entre água líquida a baixas e altas temperaturas. Conforme água resfriada é aquecida, a velocidade do som através de si cresce, seu volume diminui, seu índice de refração aumenta, a solubilidade de gases se torna maior e a condutividade térmica passa a crescer. Contudo, se água quente é aquecida, ocorre exatamente o oposto. A água possui, ainda, uma alta tensão superficial, menor somente que a tensão superficialmente do mercúrio dentre os líquidos comuns. Muitas destas propriedades são também atribuídas às ligações de hidrogênio entre as moléculas. Pelo fato de a molécula de água não ser linear e a eletronegatividade do oxigênio ser maior do que a do hidrogênio, ocorre o aparecimento de regiões positivas e negativas na própria molécula sendo uma molécula polar. Por este motivo, a água é um ótimo solvente para substâncias iônicas, como sais, ácidos e bases. As ligações de hidrogênio contribuem para solubilidade de compostos que possuem hidrogênio ou oxigênio em sua composição. Pelo mesmo motivo, proteínas e partículas minúsculas podem ser mantidas em suspensão na água, formando um coloide. A água é um solvente para alguns gases e substâncias orgânicas.

Entretanto, graxas e óleos não se dissolvem em água. Na proporção em que ocorre uma reação química, as moléculas de água podem doar um próton (H+), formando uma hidroxila, OH-, ou receber um próton, formando o hidroxônio, H3O+. De fato, as moléculas de água doam e recebem prótons entre si, o que é chamado na nomenclatura de autoionização da água. Embora ocorra em pequena extensão, este fenômeno é determinante, pois permite que a água aja como ácido ou base em uma dada reação. Pela presença desses íons, a água possui uma pequena condutividade elétrica. A água em sua fase sólida forma o gelo. Em geral a estrutura cristalina é formada por uma rede de moléculas orientadas conforme as pontes de hidrogênio. Entretanto, este arranjo pode se dar de diversas formas, sendo conhecidas pelo menos 17 formas cristalinas diferentes para o gelo, cada uma formada sob diferentes condições de temperatura e pressão. Nas condições comumente encontradas na Terra, forma-se o gelo ih, no qual as moléculas se arranjam em estruturas hexagonais. Em 2016, uma equipe de pesquisa previu uma nova forma molecular de gelo com uma baixa densidade recorde. Se o gelo puder ser sintetizado, se tornaria a forma cristalina reconhecida de água. Analogamente a densidade do gelo é menor do que a da água líquida, e, portanto, flutua na mesma.

O ponto triplo de água, ou seja, as condições nas quais a água pode coexistir tanto em estado físico, sólido ou gasoso, são à temperatura de 0,01 °C e pressão de 612 Pa. A ebulição da água sob as condições ambiente de pressão (1 atm.) ocorre a 100 °C, dando origem ao chamado “vapor de água”. A 373,9 °C e pressão de 22,064 MPa, ocorre o ponto crítico, além do qual não há a distinção comunicacional entre as fases líquida e gasosa caracterizando, portanto, o que é interpretado como processo de um “fluido supercrítico”. As propriedades da água sob tais condições são alteradas, ocorrendo mudanças tal como o aumento de sua reatividade química e de sua autodissociação. A água pode apresentar em sua composição isótopos dos elementos hidrogênio e oxigênio. A água pesada é formada por dois átomos de deutério, estáveis e não radioativos, e um de oxigênio, sendo que existe aproximadamente um átomo de deutério em cada 6 700 átomos de hidrogênio na água do mar. Recebe esta denominação pelo fato bioquímico e estatístico de que os átomos de deutério possuem maior massa resultando, assim, na maior densidade da água o que ocasiona, também, algumas pequenas diferenças a nível molecular. Uma proporção diminuta é ainda formada pela ligação entre hidrogênio e trítio, radioativo que decai com uma “meia vida” de aproximadamente doze anos. Essas variedades de água pesada são utilizadas principalmente em usinas de fissão nuclear, analisadas por Albert Einstein (1879-1955), extraordinário físico teórico alemão, considerado um dos maiores cientistas de todos os tempos. Suas contribuições para a ciência incluem: A teoria da relatividade, que revolucionou a compreensão do espaço, tempo, gravidade e universo.

Na física, espaço-tempo é o sistema de coordenadas utilizado como base para o estudo da relatividade restrita e relatividade geral. O tempo e o espaço tridimensional são concebidos, em conjunto, como uma única variedade de quatro dimensões a que se dá o nome de espaço-tempo. Um ponto, no espaço-tempo, pode ser designado como um “acontecimento”. Cada acontecimento tem quatro coordenadas (t, x, y, z); ou, em coordenadas angulares, t, r, θ, e φ que dizem o local e a hora em que ele ocorreu, ocorre ou ocorrerá. Na mecânica clássica (não-relativista), o tempo é tomado como uma unidade de medida universal, uniforme por todo o espaço, e independente de qualquer movimentação nesse, enquanto que no contexto da relatividade especial, o tempo é tratado integralmente à dimensão espacial, pois a taxa observada da passagem do tempo depende da velocidade do objeto em relação ao seu observador. Pontos no espaço-tempo são chamados de eventos e são definidos por quatro números, por exemplo, (x, y, z, ct), onde c é a velocidade da luz e pode ser considerado como a velocidade que um observador se move no tempo. Isto é, eventos separados no tempo de apenas 1 segundo estão a 299 792 458 metros um do outro no espaço-tempo. Assim como utilizamos as coordenadas x, y e z para definir pontos no espaço em três dimensões, na relatividade especial utilizamos uma coordenada a mais para definir o tempo de acontecimento de um evento. A explicação do efeito fotoelétrico, fundamentalmente para o estabelecimento da teoria quântica. A demonstração da equivalência entre massa e energia, traduzida pela equação E=mc².  Contribuições para a Física Estatística, por meio da explicação para o movimento browniano, e claro, na fabricação de bombas de hidrogênio.

Dada sua importância, a água é utilizada como padrão para a definição de diversas grandezas físicas. Uma das definições de massa atribui a um kg a massa correspondente a um cubo com 10 cm de lado, isto é, o volume equivalente a um litro de água pura a 4 °C. Devido aos diferentes isótopos presentes na água, definiu-se, ainda, o teor médio de isótopos, de acordo com o teor comumente encontrado nos oceanos. E neste caso, um oceano compreende o componente principal de representação da superfície da Terra, constituído por água salgada. Forma a maior parte da hidrosfera: aproximadamente 71% da superfície da Terra, constituindo uma área em torno de 361 milhões de km. Mais do que a metade desta área tem profundidades maiores que 3.000 metros. A noção de oceano global, como um corpo contínuo de água para a oceanografia, e oceano terrestre para efeitos práticos da ideologia, é normalmente dividido em várias partes, demarcadas por continentes e grandes arquipélagos é a representação oficialmente adotada, desde 2000, pela Organização Hidrográfica Internacional, da qual países como o Brasil e Portugal são membros. Regiões menores dos oceanos são conhecidas como mares, golfos e estreitos. Em 20 de julho de 2009, cientistas do Centro Nacional de Dados Climáticos dos Estados Unidos da América, informaram à imprensa que os oceanos estão com a temperatura média de 17 °C, a mais alta desde 1880, quando se iniciou os registros. O estudo e pesquisa dos oceanos em torno geologicamente da Terra são chamados cientificamente de oceanografia. As viagens na superfície do oceano com o utilidade de uso social de botes datam de tempos pré-históricos, mas só nos últimos tempos as explorações submarinas se tornaram possíveis e comuns.

Para a consciência e a consciência filosófica considera que o pensamento que concebe constitui o homem real e, por conseguinte, o mundo só é real quando concebido, portanto, o movimento das categorias surge como ato de produção real – que concebe um simples impulso do exterior, o que é lamentado – cujo conteúdo é o mundo; e isto é exato na medida em que a totalidade concreta enquanto totalidade-de-pensamento, enquanto concreto-de-pensamento, é de fato um produto do pensamento, da atividade de conceber; ele não é pois, de forma alguma o produto do conceito que engendra a si próprio, que pensa exterior e superiormente à observação imediata e à representação, mas um produto da elaboração de conceitos a partir da observação imediata e da representação. O todo, afirma Marx, na forma em que aparece no espírito como todo-de-pensamento, é um produto do cérebro pensante, que se apropria do mundo do único modo que lhe é possível, de um modo que difere da apropriação desse mundo pela arte, pela religião, pelo espírito prático. Antes como depois, o objeto real conserva a sua independência fora do espírito; e isso durante o tempo em que o espírito tiver uma atividade meramente especulativa, meramente teórica. Por consequência, nunca é demais repetir, também o emprego do método teórico é necessário que o objeto, a sociedade, esteja constantemente presente no espírito como dado primeiro. Em relação à propriedade, a categoria mais simples surge, pois, como a relação de comunidades simples de famílias ou de tribos.              

Na sociedade num estágio superior de trabalho, ela aparece como a relação mais simples de uma organização mais plenamente desenvolvida. Mas pressupõe sempre o substrato concreto que se exprime por uma relação de posse. O dinheiro pode existir e existiu historicamente antes de existir o capital, os bancos, o trabalho assalariado, etc. Nesse sentido, podemos dizer que a categoria de trabalho mais simples pode exprimir relações dominantes de um todo menos desenvolvido ou, pelo contrário, relações subordinadas de um todo mais desenvolvido, relações que existiam já historicamente antes que o todo se desenvolvesse no sentido que encontra a sua expressão numa categoria concreta. Assim, abstração mais simples, que a economia política moderna coloca em primeiro lugar e que exprime uma relação muito antiga e válida para todas as formas de sociedade, só aparece, no entanto, sob esta forma abstrata como verdade prática enquanto categoria da sociedade mais moderna. Poder-se-ia dizer que esta indiferença constituída nas relações sociais em relacionadas a forma determinada de trabalho, no âmbito das relações capitalistas globalizadas, que se apresenta noutros países como produto histórico, se manifesta como uma disposição natural. Este exemplo do trabalho demonstra com toda evidência que até as categorias mais abstratas, ainda que válidas – precisamente por causa de sua natureza abstrata – para todas as épocas, não são menos, sob a forma determinada desta mesma forma filosoficamente de abstração, quer dizer, o produto de condições históricas e só se encontram plenamente te válidas nestas condições e no quadro de pensamento destas condições sociais.   

Para sermos breves, sabemos estatisticamente que os mares e oceanos cobrem mais de 75% da superfície terrestre. As profundidades que variam de alguns metros nas regiões litorâneas, a mais 11 km nas zonas mais profundas. Um dos aspectos mais importantes dos ecossistemas marinhos é sua grande estabilidade e homogeneidade no que se refere à composição química e temperatura. A salinidade dos mares é cerca de 3,5 g/L de sais, com predominância de cloreto de sódio. Os ecossistemas marinhos podem se distinguir em dois grandes domínios marinhos: um relativo ao fundo, o domínio bentônico; outro relativo às massas d’água, o domínio pelágico; A luz consegue penetrar no mar até a profundidade máxima de 200 metros, estabelecendo o que se denomina de zona fótica. Na metade superior desta zona iluminada vive o fitoplâncton marinho, formado por algas e bactérias fotossintetizantes. Elas produzem praticamente todo alimento necessário à manutenção da vida nos mares. Essa zona também é rica em plâncton não fotossintetizante e em grandes cardumes de peixes. A região que se estende dos 200 aos 2 mil metros de profundidade é a região batial com águas frias e rara em fauna. Os peixes, moluscos e alguns outros animais que vivem nessa zona são sustentados por matéria orgânica proveniente da superfície. Mais profundamente a penetração na região abissal, é a que se estende estatisticamente dos 2 mil metros aos 6 mil metros de profundidade. Nela encontram-se poucas espécies, que entretanto chamam atenção da esfera oceanográfica por suas características exóticas, tipificados como “peixes bentônicos bioluminescentes, por ação dos pirossomas e lulas gigantes”. 

A região mais profunda dos oceanos, abaixo dos 6 mil metros, é reconhecida como região hadal. Sua fauna ainda é pouco reconhecida, é constituída principalmente por esponjas e moluscos. O organismo planctônico possui baixa ou nenhuma capacidade de locomoção. Diferentemente do organismo bentônico, que ocupa fundos aquáticos e pode ser de vida livre ou sésseis. Dessa forma, esses organismos, subdivididos em fitoplâncton e zooplâncton, são transportados horizontalmente pelas correntes de água. O organismo nectônico é capaz de se deslocar de forma ativa no ambiente aquático. Mas, ao contrário dos bentos, não habita ambientes de substratos sólidos. De acordo com a sua forma de alimentação, os organismos bentônicos podem ser classificados em dois grandes grupos. O primeiro deles, chamado de fitobentos, é composto por organismos autótrofos, como algas. Em comparação com os outros seres bentônicos, esses organismos vivem em locais mais rasos e de águas claras. Isso porque dependem da luz para realizarem a fotossíntese. O outro grupo, reconhecido como zoobentos, é constituído por organismos heterótrofos, ou seja, que não produzem seu próprio alimento e precisam se alimentar de outros seres para obter energia. Conforme as suas características biológicas e sociais, esses organismos ainda podem ser divididos em microbentos, mesobentos e macrobentos. Crustáceos como camarões e caranguejos são exemplos de macroinvertebrados bentônicos. Também são exemplos comparativamente da categoria biológica de bentos os pepinos do mar, recifes de coral e estrelas do mar. O bento é de extrema importância biológica para os ecossistemas marinhos do mundo. 

Em biologia marinha, chama-se zona hadal, zona hadopelágica ou andar hadal ao ecossistema das fossas abissais, com mais de 6.000 m de profundidade. Trata da camada mais inferior da zona pelágica, abaixo da zona abissal. É o domínio dos seres abissais. A falta de luz e a intensa pressão criam condições de vida hostil. Por exemplo, no fundo da Fossa das Marianas, a 11 000 m de profundidade, a pressão atinge 1100 atmosferas. Nesses ambientes, os fitobentos garantem a disponibilidade de oxigênio e nutrientes, enquanto os zoobentos “atuam no processo de decomposição de matéria orgânica”. Ainda, todos os seres bentônicos participam da cadeia alimentar aquática, sendo alguns responsáveis pelo revolvimento do sedimento no fundo. Além de sua importância ecológica, os organismos bentônicos são frequentemente utilizados como bioindicadores da qualidade do ambiente. Isso porque existem muitas espécies sésseis e que se locomovem pouco. Isso faz com que sofram mais impactos do que outras capazes de nadar ativamente. Esse mesmo fator também contribui para uma maior facilidade de coleta de dados, facilitando as pesquisas. As comunidades bentônicas sofrem impactos diariamente decorrentes de atividades predatórias humanas. As principais ameaças a esses ecossistemas são em geral: aquicultura; pesca predatória; expansão de áreas urbanas e turismo; poluição; redução dos recursos hídricos; corte de madeira de manguezais; mudanças climáticas. É o Ego transcendental. Através disso, todas as teses do empirismo lógico encontram-se reviradas, o estado de consciência torna-se consciência de um estado, a passividade torna-se a posição de uma passividade, o mundo torna-se o correlativo pensamento do mundo e só existe para um constituinte.

E, todavia, permanece verdadeiro que o próprio intelectualismo se dá o mundo inteiramente pronto.  Ipso facto, o sujeito da percepção permanecerá ignorado enquanto não soubermos evitar a alternativa entre o naturante e o naturado, entre a sensação enquanto estado de consciência e enquanto consciência de um estado, entre a existência em si e a existência para si. Se o corpo próprio e o eu empírico são apenas elementos no sistema de experiência, objetos entre outros objetos sob o olhar do verdadeiro Eu, como pudemos algum dia confundir-nos com nosso corpo, como pudemos acreditar que víamos com nossos próprios olhos aquilo que na verdade apreendíamos por uma inspeção do espírito, como o mundo não é perfeitamente explícito diante de nós, por que ele só se desdobra pouco a pouco e nunca “inteiramente”, enfim como ocorre que nós percebamos? Nós só o compreenderemos se o eu empírico e o corpo não forem imediatamente objetos, nunca se tornarem totalmente objetos, se houver um  dizer que vejo o pedaço de cera com meus olhos e se, correlativamente, esta possibilidade de ausência, esta dimensão de fuga e de liberdade que a reflexão abre no fundo de nós e que chamamos de Eu transcendental em primeiro lugar não forem dadas e nunca puder dizer “Eu” absolutamente, e se todo ato de reflexão humana, toda tomada de posição voluntária se estabelecerem sobre o fundo e sobre a posição de uma vida de consciência pré-pessoal. O sujeito da percepção permanecerá ignorado enquanto não soubermos evitar a alternativa entre naturante e o naturado, isto é, entre a sensação enquanto estado de consciência e consciência de um estado, entre existência em si e a existência para si.

A psicologia indutiva, segundo Merleau-Ponty (2006), nos auxiliará a procurar para ela um novo estatuto, demonstrando que a sensação não é um estado ou uma qualidade, nem a consciência de um estado ou de uma qualidade. De fato, cada uma das pretensas qualidades – o vermelho, o azul, a cor, o som – está inserida em uma certa conduta. No normal, uma excitação sensorial, sobretudo as do laboratório que para ele quase não têm significação vital, mal modifica a motricidade geral. Mas as doenças do cérebro ou do córtex frontal evidenciam aquilo que poderia ser a influência das excitações sensoriais no tônus muscular se elas não estiverem integradas a uma situação de conjunto e se no normal não estivesse regulado em vista de certas tarefas privilegiadas. O gesto de levantar o braço, pode tomar como indicador da perturbação motora, é diferentemente modificado em sua amplitude e em sua direção por um campo visual vermelho, amarelo, azul ou verde. O vermelho e o amarelo, particularmente, favorecem os movimentos escorregadios, o azul e o verde os movimentos bruscos, o vermelho aplicado ao olho direito, por exemplo, favorece um movimento de extensão para o exterior do braço correspondente, o verde favorece um movimento de flexão e de recuo em direção ao próprio corpo. A posição privilegiada do braço – aquela em que o sujeito sente-o em equilíbrio ou em repouso -, que no doente é mais distanciada do corpo que no normal, é modificada pelas formas cores: verde leva para a vizinhança do corpo.

A cor do campo visual torna as reações do sujeito mais ou menos exatas, quer se trate de executar um movimento de uma amplitude dada ou de mostrar com o dedo um comprimento determinado. Com um campo visual verde, a apreciação é exata; com um campo visual vermelho, ela é inexata por excesso. Os movimentos para o exterior são acelerados pelo verde e atrasados pelo vermelho. A localização dos estímulos na pele é modificada pelo vermelho no sentido da abdução. O amarelo e o vermelho acentuam os erros na estimativa do peso e do tempo; nos cerebelosos, eles são compensados pelo azul e sobretudo pelo verde. Nessas diferentes experiências, cada cor age sempre no mesmo sentido, de forma que se pode atribuir a elas um valor motor definido. No conjunto, o vermelho e o amarelo são favoráveis à abdução, o azul e o verde à adução. Ora, de uma maneira geral, a adução significa que o organismo se volta para o estímulo e é atraído pelo mundo; a abdução, que ele se desvia do estímulo e retira-se para seu centro. Portanto, as sensações, as “qualidades sensíveis”, estão longe de se reduzir à experiência de um certo estado ou de um certo quale indizíveis, elas se oferecem com uma fisionomia motora, estão envolvidas por uma significação vital. Sabe-se há muito tempo que existe um “acompanhamento motor” das sensações, que os estímulos desencadeiam “movimentos nascentes” que se associam à sensação ou à qualidade e forma um halo em torno dela, que o “lado perceptivo” e o “lado motor” do comportamento se comunicam.

Assim, um sensível que vai ser sentido apresenta ao meu corpo uma espécie de problema confuso. É preciso que eu encontre a atitude quer vai lhe dar o meio de determinar-se e de tornar-se azul, é preciso que eu encontre a resposta a uma questão mal formulada. E, todavia, eu só faço à sua solicitação, minha atitude nunca é suficiente para fazer-me ver verdadeiramente o azul ou tocar verdadeiramente uma superfície dura. O sensível me restitui aquilo que lhe emprestei, mas é dele mesmo que eu o obtivera. Eu, que contemplo o azul do céu, não sou diante dele um sujeito acósmico, não o possuo em pensamento, não desdobro diante dele uma ideia azul que me daria seu segredo, abandono-me a ele, enveredo-me nesse mistério, ele “se pensa em mim”, sou o próprio céu que se reúne, recolhe-se e põe-se a existir para si, minha consciência é obstruída por esse azul ilimitado. – Mas o céu não é o espírito e não tem sentido algum dizer que ele existe para si? – Seguramente, o céu do geógrafo ou do astrônomo não existe para si. Mas do céu percebido ou sentido, subentendido por meu olhar que o percorre e o habita, meio de uma certa vibração vital que meu corpo adota, pode-se dizer que ele existe para si no sentido em que não é feito de partes exteriores, em parte do conjunto é “sensível” àquilo que se passa em todas as outras e as “conhece dinamicamente”. E, quanto ao sujeito da sensação, ele não precisa ser um puro nada sem nenhum peso terrestre. Isso só seria necessário se ele devesse, assim como a consciência constituinte, estar presente em todas as partes ao mesmo tempo, coextensivo ao ser, e pensar a verdade do universo.

A grande importância estratégica que as relações de poder disciplinar desempenham nas sociedades modernas depois do século XIX, vem justamente do fato delas não serem negativas. Mas positivas, quando tiramos desses termos qualquer juízo de valor moral ou político e pensarmos unicamente na tecnologia empregada. É então, que, segundo Foucault, surge uma das teses fundamentais da genealogia: “o poder é produtor de individualidade”. O indivíduo é uma produção do poder e do saber. Atuando sobre uma massa confusa, desordenada e desordeira, o esquadrinhamento disciplinar faz nascer uma multiplicidade ordenada no seio da qual o indivíduo emerge como alvo do poder. O nascimento da prisão historicamente em fins do século XVIII, não representou uma massificação com relação ao modo como anteriormente se era encarcerado. O nascimento do hospício não destruiu a especificidade da loucura. É o hospício, ao contrário, que produz o louco como doente mental. Um personagem individualizado a partir da instauração de relações disciplinares. E antes da constituição das ciências humanas, no século XIX, a organização das paróquias, a institucionalização do exame de consciência e da direção espiritual e a reorganização do sacramento da confissão, que aparecem como importantes dispositivos de individualização. Em suma, o poder disciplinar não destrói o indivíduo; ao contrário, ele o fabrica. O indivíduo não é o outro do poder, realidade exterior, que é por ele anulado; é um de seus mais importes efeitos.

O objetivo é neutralizar a ideia que faz da ciência um conhecimento em que o sujeito vence as limitações reais ou imaginárias de suas condições particulares de existência instalando-se na neutralidade objetiva do universal e da ideologia um conhecimento em que o sujeito tem sua relação com a verdade perturbada, obscurecida, velada pelas condições reais de existência. Todo conhecimento, seja ele científico ou ideológico, só pode existir a partir de condições políticas que são as condições para que se formem tanto o sujeito quanto os domínios do saber. A investigação do saber não deve remeter a um sujeito de conhecimento que seria a sua origem, mas a relações de poder que lhe constituem. Não há saber neutro. Todo saber é político. E isso não porque cai nas malhas do Estado, é apropriado por ele, que dele se serve como instrumento de dominação, descaracterizando seu núcleo essencial. Mas porque todo saber tem sua gênese em relações de poder. O fundamental da análise teórica é que saber e poder se implicam mutuamente; não há relação de poder sem constituição de um campo de saber, como também, reciprocamente, todo saber constitui novas relações de poder.

Todo ponto de exercício do poder é, ao mesmo tempo, um lugar de formação de saber. É assim que o hospital não é apenas local de cura, mas também instrumento de produção, acúmulo e transmissão de saber. Do mesmo modo que a escola está na origem da pedagogia, a prisão da criminologia, o hospício da psiquiatria. Mas a relação ainda é mais intrínseca: é o saber enquanto tal que se encontra dotado estatutariamente, institucionalmente, de determinado poder. O saber funciona dotado de poder. E enquanto é saber tem poder. A configuração do que Foucault denomina de “intelectual específico” se desenvolveu na 2ª grande guerra, e talvez o físico atômico tenha sido quem fez a articulação entre intelectual universal e intelectual específico. É porque tinha uma relação direta e localizada com a instituição e o saber científico que o físico atômico intervinha; mas já que a ameaça atômica concernia todo o gênero humano e o destino do mundo, seu discurso podia ser ao mesmo tempo o discurso do universal. Sob a proteção deste protesto que dizia respeito a todos, o cientista atômico desenvolveu uma posição específica na ordem do saber. E admite Foucault, pela primeira vez o intelectual foi perseguido pelo poder político, não mais em função do seu discurso geral, mas por causa do saber que detinha: é neste nível que ele se constituía como um perigo político. Mas o intelectual específico deriva de uma figura muito pobre e diversa do “jurista-notável”. O “cientista-perito”. A verdade não existe fora do poder ou sem poder.

A verdade é deste mundo, produzida nele graças a múltiplas coerções que produz efeitos regulamentados de poder. Cada sociedade tem seu regime de verdade, seus tipos de discursos que faz funcionar como verdadeiros; os mecanismos e as instâncias que permitem distinguir os enunciados verdadeiros dos falsos, a maneira como se sanciona uns e outros; as técnicas e os procedimentos que são valorizados, sob nosso olhar, para a obtenção da verdade. Quem está de fora do poder, mas tem a capacidade analítica de interpretar o estatuto que delimita o seu campo de saber, percebe os efeitos de poder do que funciona como verdadeiro.  É preciso repensar os problemas políticos dos intelectuais não mais em termos exclusivos da relação entre ciência e ideologia, mas sem abandoná-la, tendo em vista que a universidade pública é um domínio de casta, “a forma natural pela qual costumam socializarem-se as comunidades étnicas que creem no parentesco de sangue com os membros de comunidades exteriores e o relacionamento.

Mas o espetáculo percebido não é puro. Tomado exatamente como o vejo, afirma Merleau-Ponty, ele é um momento de minha história individual e, como sensação é uma reconstituição, ela supõe em mim os sedimentos de uma constituição prévia, eu sou, enquanto sujeito que sente, inteiramente pleno de podres naturais dos quais sou o primeiro a me espantar. Não sou, segundo Friedrich Hegel, um “buraco no ser”, mas um vazio, uma prega que se fez e pode desfazer-se. Insistamos nesse ponto. Como podemos escapar da alternativa entre o para si e o em si, como a consciência perceptiva pode ser obstruída por seu objeto, como podemos distinguir a consciência sensível da consciência intelectual? É que: 1°) Toda percepção acontece em uma atmosfera de generalidade e se dá anos como anônima. Não posso dizer que eu vejo o azul do céu no sentido em que digo que compreendo um livro ou, ainda, que decido consagrar minha vida às matemáticas. Minha percepção, mesmo do interior, exprime uma situação dada: vejo o azul por que sou sensível às cores – ao contrário, os atos pessoais criam uma situação: sou matemático porque decidi sê-lo. De forma que, se eu quisesse traduzir exatamente a experiência perceptiva, deveria dizer que se percebe em mim e não que eu percebo.

Toda sensação comporta um germe de sonho ou de despersonalização, como nós o experimentamos por essa espécie de estupor em que ela nos coloca quando vivemos verdadeiramente em seu plano.  Sem dúvida, o conhecimento me ensina que a sensação não aconteceria sem uma adaptação de meu corpo, por exemplo, que não haveria contato determinado sem movimento de minha mão. Mas essa atividade se desenrola na periferia de meu ser, não tenho mais consciência de ser o verdadeiro sujeito de minha sensação do que de meu nascimento ou minha morte. Nem meu nascimento nem minha morte podem aparecer-me como experiências minhas, já que, se eu os pensasse assim, eu me suporia preexistente ou sobrevivente a mim mesmo para poder experimentá-los, e, portanto, não pensaria seriamente meu nascimento ou minha morte. Quer dizer, cada sensação, sendo rigorosamente a primeira, a última e a única de sua espécie, é um nascimento e uma morte. O sujeito que tem a sua experiência começa e termina com ela, e, como ele não pode preceder-se nem sobreviver a si, a sensação necessariamente se manifesta a si mesma em um meio de generalidade, ela provém de quem de mim mesmo, ela depende de uma sensibilidade que a precedeu e que sobreviverá a ela, assim como meu nascimento e minha morte pertencem a uma natalidade e a uma mortalidade anônimas.

Pela sensação, eu apreendo, à margem de minha vida pessoal e de meus atos próprios, uma vida de consciência dada da qual eles emergem, a vida de meus olhos, de minhas mãos, de meus ouvidos, que são tantos Eus naturais. Enfim, toda vez que experimento uma determinada sensação, sinto que ela diz respeito não ao meu ser próprio, evidentemente, aquele do qual sou responsável e do qual decido, mas a um outro eu que já tomou partido pelo mundo, que já se abriu a alguns de seus aspectos e sincronizou-se a eles. Entre minha sensação e mim há sempre a espessura de um saber originário que impede minha experiência de ser clara para si mesma. Experimento a sensação como modalidade de uma experiência geral, e isso é fundamentalmente humano, já consagrada a um mundo físico, e que crepita através de m sem que eu seja seu autor. 2°) A sensação só pode ser anônima porque é parcial. Aquele que vê e aquele que toca não sou exatamente eu mesmo, porque o mundo visível e o mundo tangível não são o mundo por inteiro. Quando vejo um objeto, sinto sempre que ainda existe ser para além daquilo que atualmente vejo, não apenas ser visível, mas ainda ser tangível ou apreensível pela audição, e não apenas ser sensível, mas inda uma profundidade do objeto que nenhuma antecipação sensorial esgotará. Não estou por inteiro nessas operações, elas permanecem marginais, produzem-se adiante de mim, o eu que vê ou o que ouve são de alguma maneira um eu especializado, familiares a um único setor do ser, e é justamente a esse preço que o olhar e a mão são capazes de adivinhar o movimento que vai tornar a percepção precisa e pode dar provas desta presciência que lhes dá a aparência do automatismo.

Podemos resumir essas duas ideias dizendo que toda sensação pertence a um certo campo. Dizer que tenho um campo visual é dizer que, por posição, tenho acesso e abertura a um sistema de seres, os seres visuais, que eles estão à disposição de meu olhar em virtude de uma espécie de contrato primordial e por um dom da natureza, sem nenhum esforço de minha parte; é dizer, portanto, que a visão é pré-pessoal; e é dizer ao mesmo tempo que ela é sempre limitada, que existe em torno de minha visão atual a um horizonte de coisas não-vistas ou mesmo não visíveis. A visão é um pensamento sujeito a um certo campo e é isso que chamamos de um sentido.  Quando digo que tenho sentidos e que eles me fazem ter acesso ao mundo, não sou vítima de uma confusão, não misturo o pensamento causal e a reflexão, não apenas exprimo esta verdade que se impõe a uma reflexão integral: que sou capaz, por conaturalidade, de encontrar um sentido para certos aspectos do ser, sem que eu mesmo o tenha dado receptivamente a eles uma operação constituinte. Com a distinção entre os sentidos e a intelecção, em Merleau-Ponty, encontra-se justificada a distinção entre os diferentes sentidos. O intelectualismo não fala dos sentidos porque, para ele, sensação e sentidos só aparecem quando eu retorno ao ato concreto de conhecimento para analisá-lo. Então distingo nele uma matéria contingente e uma forma necessária, mas a matéria é apenas um momento ideal e não um elemento separável do ato total. Portanto, os sentidos não existem, mas apenas a consciência. O intelectualismo recusa-se mediar o problema da contribuição dos sentidos na experiência do espaço, porque as qualidades sensíveis e os sentidos, materiais do conhecimento, não podem possuir como propriedade o espaço, a forma da objetividade em geral e o meio pelo qual uma consciência de qualidade se torna possível.

Se uma sensação não fosse uma sensação de algo, ela seria um nada de sensação, e “coisas” no sentido mais geral da palavra, por exemplo qualidades definidas, só se esboçam na massa confusa das impressões se esta é posta em perspectiva e coordenada pelo espaço. Assim, todos os sentidos devem ser espaciais se eles devem fazer-nos ter acesso a uma forma qualquer do ser, quer dizer, se eles são sentidos. E, pela mesma necessidade, é preciso que todos eles se abram ao mesmo espaço, sem o que os seres sensoriais com os quais eles nos fazem comunicar só existiriam para os sentidos dos quais eles dependem – assim como os fantasmas só se manifestam à noite -, faltar-lhes-ia a plenitude do ser e não poderíamos verdadeiramente ter consciência deles, quer dizer, pô-los como seres verdadeiros. A essa dedução, o empirismo tentaria em vão opor fatos. Por exemplo, se se quer mostrar que o tato não é por si mesmo espacial, se se tenta encontrar nos cegos ou nos casos exemplares de cegueira psíquica uma experiência tátil pura e mostrar que ela não é articulada segundo o espaço, essas provas experimentais pressupõem aquilo que a elas caberia estabelecer. Como saber se a cegueira e a cegueira psíquica se limitaram a subtrair, da experiência do doente, os dados visuais, e se elas também não atingiram a estrutura de sua experiência tátil?  Não se tata, bem entendido, da relação de continente e conteúdo, já que a relação só existe entre objetos, nem mesmo de uma relação de inclusão lógica, como a que existe entre o indivíduo e a classe, já que o espaço é anterior às suas pretensas partes, que sempre são recortadas nele. O espaço não é o ambiente (real ou lógico) em que as coisas se dispõem, mas o meio pelo qual a posição das coisas se torna possível. Em lugar de imaginá-lo como uma espécie de éter no qual todas as coisas mergulham, ou de concebê-lo abstratamente com um caráter que lhes seja comum, devemos pensá-lo como a potência universal de suas conexões.

Bibliografia Geral Consultada.

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