sábado, 10 de outubro de 2026

A Filha Pródiga – Cultura, Romance Político & Revelações em Segredo.

 “A metrópole é a sede desta cultura, que eliminou todas as características da pessoa”. Georg Simmel (1858-1918)

                                            

          O conservadorismo representa um freio às ambições prometeicas do movimento revolucionário e, mais genericamente, sem exceção dos governantes. O conservadorismo britânico deriva largamente de Edmund Burke (1729-1797) e principalmente da sua obra Reflexões sobre a Revolução na França (1790), onde este defende que as constituições não devem ser o produto da razão abstrata (como as francesas), mas sim de uma lenta evolução histórica (como a constituição inglesa), considerando a sociedade como sendo não apenas um contrato entre os vivos, “mas entre os vivos, os mortos e os que estão por nascer”. Contra a Liberdade Proclamada pela Revolução como um Absoluto, Burke faz a defesa das liberdades, das prerrogativas particulares e tradicionais dos diversos grupos sociais e locais, que se equilibravam mutuamente na ordem pré-revolucionária. Ao contrário de Burke, outros parlamentares whigs, como Charles James Fox (1749-1806), tomaram o partido da Revolução Francesa, acabando as ideias das Reflexões por serem mais aceites entre os Tories. Durante o século XIX, o conservadorismo britânico, inspirado por pensadores conspícuos como Samuel Coleridge (1772-1834), Thomas Carlyle (1795-1881), Henry Maine (1822-1888), etc. desenvolve-se partido político de representação da aristocracia tradicional, em volta de temas como a desconfiança em face da democracia, a defesa da Câmara dos Lordes e uma certa nostalgia pela Inglaterra pré-industrial.

            Um juízo de valor representa um juízo sobre a correção ou incorreção de algo, ou da utilidade de algo, baseado num ponto de vista pessoal ou subjetivo. Como generalização, um juízo de valor pode referir-se a um julgamento baseado num conjunto particular de valores ou num sistema de valores determinado. Um significado conexo de juízo de valor é o juízo de um recurso de avaliação baseado nas informações limitadas disponíveis, uma avaliação efetuada per se porque uma decisão deve ser tomada independentemente de estar em função da utilidade, da estética, da moral, ou de qualquer outro critério valorativo. A expressão juízo de valor pode ser usada num sentido positivo; significando que um julgamento deve ser feito levando em conta um sistema de valores, ou, num sentido depreciativo, significando um julgamento realizado de um ponto de vista pessoal, em vez da proposição de um pensamento racional, objetivo. Neste sentido positivo, a recomendação socialmente ao se fazer um juízo de valor, é que se considere cuidadosamente para evitar arbitrariedades e impetuosidade, e buscar consonância com as convicções mais profundas que se tenha sobre a realidade. Em seu sentido depreciativo, a expressão juízo de valor implica uma conclusão que é isolada, parcial e não objetiva — contrastando com julgamentos baseados em deliberação, equilíbrio e racionalidade. 

Um juízo de valor também pode referir-se a uma tentativa de julgamento baseada numa avaliação estudada das informações disponíveis, tomadas como sendo incompletas e em evolução; por exemplo, um juízo de valor sobre lançar ou não um ataque militar ou como proceder numa emergência médica. Neste caso, a qualidade do julgamento sofre porque a informação disponível é incompleta como resultado da urgência, em vez de ser resultante de limitações culturais ou pessoais. Mais comumente, a expressão juízo de valor refere-se a uma opinião individual. De fato, socialmente a opinião de um indivíduo é formada até certo ponto por seu sistema de crenças e a cultura à qual ele pertença. Assim, uma extensão natural da expressão juízo de valor é incluir declarações que parecem ser de mão única em um determinado sistema de valores, mas que podem ser vistas de forma diferente em outro. Conceitualmente, esta extensão da definição relaciona-se tanto ao axioma antropológico de “relativismo cultural”, isto é, que o sentido cultural deriva do contexto quanto à expressão “relativismo moral”; as proposições de moral e ética não são verdades universais, mas brotam do contexto cultural.  

No sentido pejorativo, um juízo de valor formado dentro de um sistema social de valores específico pode ser “paroquial” e estar sujeito a questionamentos junto a audiências mais amplas. Entretanto, um julgamento pessoal é uma expressão descrevendo uma decisão tomada entre alternativas que não são claramente certas ou erradas, e que assim deve ser tomada numa base pessoal. Valor neutro é um adjetivo conexo que sugere independência de um sistema de valores. Por exemplo, a classificação de um objeto depende do contexto: ele é uma ferramenta ou uma arma, um artefato ou um antecedente? O objeto em si pode ser considerado aparentemente de valor neutro, não sendo nem bom nem mau, nem útil nem inútil, nem significativo nem trivial, até que seja colocado em algum contexto inscrito nos níveis de análise social, tanto quanto econômico ou político. Para uma discussão sobre o valor “neutro” da tecnologia, estranhamente, um item também pode ter um valor que pode ser neutro na medida em que sua utilidade se uso social, ou importância são evidentes, independentemente do contexto social; por exemplo, oxigênio. Diversos autores argumentam hic et nunc que a objetividade verdadeira do conhecimento científico é impossível, e que mesmo as mais rigorosas análises racionais se fundamentam no conjunto dos valores aceitos relativamente no curso da análise. Consequentemente, todas as conclusões são necessariamente juízos de valor e logo, talvez suspeitas. 

De fato, por todas as conclusões numa única categoria nada faz para distinguir entre elas e é, portanto, um descritor inútil exceto como um dispositivo retórico pensado para desacreditar uma posição através dum apelo a autoridade. Como exemplo de um ponto de vista mais sutil, “verdades” científicas são consideradas objetivas, mas são mantidas empiricamente, com a compreensão de que evidências mais cuidadosas e/ou experiências mais amplas possam mudar os fatos. Além disso, uma opinião científica, no sentido de uma conclusão baseada num sistema de valores, é um juízo de valor baseado em avaliação rigorosa e amplo consenso. Com este exemplo em mente, caracterizar uma opinião como um juízo de valor é vago sem a descrição do contexto que a cerca. Todavia, como notado no primeiro segmento deste artigo, no uso comum, a expressão juízo de valor possui um significado mais simples, com o contexto simplesmente implicado, não especificado. No entanto, sob a liderança de Benjamin Disraeli (1804-1881) moderniza-se, adotando os princípios democráticos e passando a ter como escopo político a defesa do Império como grande bandeira, contra a desconfiança dos liberais perante a expansão colonial. Disraeli, que concedeu o direito de voto aos operários, tentou dar um carácter ao conservadorismo e torná-lo aliança entre a aristocracia e as chamadas classes populares. 

Nas primeiras décadas do século XX, os conservadores têm como referência esses princípios - defesa da unidade do Império, oposição à autonomia irlandesa que levou muitos liberais unionistas, como Joseph Chamberlain (1836-1914), a se juntarem ao Partido, uma política comercial protecionista favorecendo o comércio com as colônias, etc., a que se junta uma posição antissocialista, à medida que o Partido Trabalhista e o movimento sindical vão ganhando força no âmbito da política global. Para os conservadores, as melhores instituições sociais e políticas não são aquelas que são inventadas pela razão humana, como fora defendido pelo chamado racionalismo político, mas sim as que resultam de um lento processo de crescimento e evolução ao longo do tempo, empiricamente como a não escrita constituição inglesa face às Constituições promulgadas pelos revolucionários franceses. Não acreditando na ideia de “bondade natural do Homem”, os conservadores consideram que são os constrangimentos introduzidos pelos hábitos e tradições que permitem o funcionamento das sociedades, pelo que qualquer regime duradouro e estável só poderá funcionar se assente nas tradições sociais. Para os conservadores não faz sentido elaborar projetos universais do ponto de vista de uma sociedade ideal - não só tal sociedade será inatingível devido ao que acreditem ser a imperfeição intrínseca da natureza humana. Mas, devido a diferentes povos terem diferentes histórias, sociais, políticas e de costumes referendando suas tradições, o modelo social mais adequado a um povo não será o mais apropriado a outro - criticando de seu ponto de vista político conservador os revolucionários franceses.

Após sua morte, em 1990, surge no cenário acadêmico norte-americano e britânico uma série de importantes trabalhos acadêmicos buscando resgatar o pensamento de Michael Oakeshott. Um fato considerável é a organização e publicação de inúmeros manuscritos, ensaios e anotações de aulas proferidas na London School of Economics and Political Science, ou simplesmente London School of Economics. Nesse sentido, o presente trabalho tem como objeto a análise de uma dessas obras póstumas, o livro: “The Politics of Faith and The Politics of Scepticism”. Elaborado após a 2ª guerra mundial (1939-1945) e completada provavelmente em 1952, a obra delineia uma diferenciação entre dois modos ou estilos da atividade de governar: a política de fé e a política de ceticismo.  Neste sentido, apolítica não conhece nada acerca de necessidades genuínas. Não há nada no mundo da política que não provenha da atividade humana, embora haja muita coisa que não seja consequência do desígnio humano. Ao estudar as atividades políticas do governo, Oakeshott considera que as ações concretizadas se tornam distintas em análise comparada, tendo em vista que não é porque a intenção é diferente, mas porque elas pertencem a outro contexto no qual tem-se estas atividades.

No pensamento deste autor existem sempre dois ingredientes fundamentais no conhecimento que são o informar e o julgar, portanto, o legado que os professores ensinam é sempre composto por uma síntese destes dois fatores socialmente regulados. Informação e julgamento são dois modos de comunicação e não constituem partes separadas pertencentes a processos diferentes. De acordo com Oakeshott, estes dois ingredientes do processo de compreensão e apropriação do conhecimento “emergem da dialética ensinar e aprender”. Há faculdades que dependem da informação e faculdades que dependem do julgamento. A informação é impessoal, baseada em fatos e pode ser encontrada em manuais e dicionários e enciclopédias; constitui-se como “peça informativa” ou como “conjunto de fatos”. Poderíamos resumir dizendo que a informação é o “o quê” e o julgamento ou juízo é o “como ou o porquê”. A principal diferença entre o julgamento e a informação adquirida reside neste fato: “o juízo é uma informação de outro tipo e nunca pode ser itemizada”. Assim, todo o ensino e, consequentemente, toda a aprendizagem têm estas duas componentes essenciais, a componente da informação designada como instrução e a componente do juízo designada como partilha.

Na busca por compreender esse contexto político é que surge o livro: The Politics of Faith and the Politics of Scepticism (1996). O argumento principal da obra é que os governos europeus, desde o século XV, convivem com diferentes modos ou estilos de política, os quais ele denominou (I) “políticas de fé” (“politics of Faith”) e (II) “políticas de ceticismo” (“politics of scepticism”). Tais formas são expressões que resultam de dois polos extremos nos quais é empreendida a atividade de governar. Enquanto extremos, são construções ideais. Dificilmente encontradas em sua forma pura, aproximando-se da idealidade típica do constructo weberiano, constituem-se mais em tendências do que em “teorias” ou doutrinas propriamente ditas. A política de fé é o modo de representação de um estilo de governar caracterizado pela incessante busca pela perfeição da humanidade. Conforme Oakeshott há um grande otimismo cósmico que, derivado não da observação, mas da inferência da perfeição do seu criador, atribui uma indiscutível perfeição do universo. Essa ideia de “perfeição” (ou “salvação”) consiste na busca de uma visão compreensiva de bem seja religiosa, econômica, filosófica, moral, etc. a ser alcançada pela vivência no mundo social e político. Porém não como uma tipologia social do caráter humano, mas no sentido de Maquiavel, como uma condição mundana das circunstâncias humanas.       

De modo mais simples, “perfeição” é mudança para melhor, pode significar tanto o caminho específico a ser aprimorado quanto a direção geral pela qual deve a atividade deve ser guiada, assim pouco importando o caminho. Foi porque Maquiavel percebeu que qualquer conselho positivo para lidar com problemas políticos era suscetível de ser contrariado por uma alusão pessimista à fortuna, que ele resolveu dedicar a esse tema o penúltimo capítulo de Il Principe, livro escrito por Maquiavel em 10 de dezembro de 1513, cuja 1ª edição foi publicada postumamente, em 1532. Ele próprio aceitou que a “Fortuna” era o árbitro de metade das ações dos homens, mas sublinhou que isso não deveria levar ao derrotismo. Em duas memoráveis imagens, comparou a fortuna a um rio cujas águas caudalosas podem ser inofensivamente desviadas por diques e canais de drenagem precavidos, e a uma mulher que, sendo mulher, pode ser domada pelo ardor e a violência: “sou de parecer de que é melhor ser ousado do que prudente, pois a fortuna (oportunidade) é mulher e, para conservá-la submissa, é necessário (…) contrariá-la. Vê-se, que prefere, não raramente, deixar-se vender pelos ousados do que pelos que agem friamente. Por isso é sempre amiga dos jovens, visto terem eles menos respeito e mais ferocidade e subjugarem-na com mais audácia” (cf. Portantiero, 2000).

O agente responsável para assegurar a perfeição é o Estado.  Se utópico ou se visa a aprimorar a sociedade em apenas em um determinado rumo, tal estilo sustenta que somente o poder humano pode atingi-lo; destarte, não apenas busca, mas supervaloriza este poder, deixando a cargo do governo uma competência quase ilimitada para conduzir a sociedade. Consequentemente, o estilo requer uma dupla confiança: a convicção de que o poder necessário é disponível ou pode ser gerado e uma convicção que, mesmo que não se saiba exatamente o que constitui a perfeição, ao menos se sabe o caminho a ser percorrido. Parece claro que o papel do Estado, não é neutro e assume uma visão substantiva, em vista da reprodução da esfera política da atividade humana. Assim, torna-se o instrumento para alcançar a verdade, concebida a partir de uma visão particular do conservador, exige dos cidadãos não apenas a obediência ou a submissão, mas principalmente entusiasmo e engajamento para a concretização desta finalidade. - “Os inimigos do regime serão identificados não como meros dissidentes a serem inibidos, mas como descrentes a serem convertidos. Mera obediência não é suficiente; deve ser acompanhada pelo fervor. Na verdade, se o sujeito não é entusiasta com o governo, não há nenhum objeto legítimo de devoção; se ele é devotado à “perfeição”, ele deve ser devotado ao governo”. Daí a analogia do conceito descrito na obra: “On Human Conduct”, a política de fé encara ideologicamente a sociedade contemporânea como uma associação empreendedora (“enterprise association”).

Neste modo de associação, os agentes estão interligados a partir de um propósito comum substantivo, reconhecido como uma condição exequível pelos homens. Esse engajamento tem por escopo direcionar a conduta humana a partir de ações que estejam meticulosamente relacionadas para administrar e maximizar o propósito desejado. As eventuais regras emitidas são meramente instrumentais e, por si só, não definem e nem identificam a associação. Destaca algumas conclusões para a política de fé. Em primeiro lugar, ela não é uma invenção que surgiu nos últimos séculos contra um período de negligência ou indiferença governamental. Tampouco foi um fruto da revolução industrial ou da democracia liberal. Deve ser compreendida num contexto histórico de legitimação e idealização do governo como operador racional da atividade humana. Em segundo lugar, não é identificada com nenhum movimento, partido ou causa no mundo moderno. Há representantes desse estilo de política em todo campo, todo partido, cada momento e entre advogados de toda causa. Em terceiro lugar, a política de fé não é, e nunca foi, o único estilo de política que surgiu na história moderna. Essa impressão é causada especialmente pelo sucesso deste estilo especialmente a partir do século XVII. Finalmente, a política de fé é subentendida como política da imortalidade. Dá atenção excessiva ao futuro e se esquece do passado. Ao conduzir a conduta humana para um determinado fim, transmite a ideia de que a própria história possui um sentido. Em seu livro de memórias: Neoconservatism: The Autobiography of an Idea, Irving Kristol afirma que decidiu não publicar o ensaio: “On Being Conservative” na revista The Public Interest justamente pelo caráter irremediavelmente secular do texto, o que estaria em desacordo com o elemento religioso presente na sociedade norte-americana.

Enfim, no seu ensaio: Rationalism in Politics (1991) o autor volta ao assunto dizendo-nos que há dois tipos sociologicamente de conhecimento: o conhecimento técnico e o conhecimento prático. O conhecimento técnico pode ser formulado através de regras e aprendido nos livros (informação). O conhecimento prático só pode ser aprendido com um mestre porque não pode ser formulado em regras e constitui-se, muitas vezes, como matéria de opinião (julgamento). O conhecimento prático só pode ser adquirido através da mestria porque é impreciso. Um dos problemas centrais da modernidade consiste no fato de “haver uma soberania da razão, uma soberania da técnica, porque o racionalismo e os racionalistas aspiram à certeza, apesar de esta aspiração não ser mais do que uma ilusão”. Tendem a rejeitar a imprecisão e tudo deve passar-se como está descrito nos livros. A mestria passa a ser olhada com desconfiança devido à sua imprecisão. O racionalista argumenta Oakeshott, “Always stands”, quer dizer, é sempre a favor de alguma coisa ou contra alguma coisa. As circunstâncias sociais do mundo moderno fazem do racionalista um ser eminentemente contencioso: - “Ele é o inimigo da autoridade, do preconceito, do simplesmente tradicional, costumeiro ou habitual”.

Mas como toda a atividade humana tende a ser reduzida a problemas de ordem sociológica, concluiríamos admitindo duas ideias que nos parecem fundamentais para haver um compromisso educativo na interpretação oakeshottiana. Há também uma tentativa de promoção da cultura científica de modo a que os seres humanos se identifiquem a si próprios na sua relação com as coisas e o seu império sobre as coisas. Mas a pedra angular é a ideia de “integração social” que radica no preconceito de que “tudo é social e de que tudo deve ter uma função social”, portanto, a educação seria algo de social. Homogeneizando as diferenças e não tornando através das semelhanças algo de distinto, meritório etc. Esta primazia do “social” torna a educação como um investimento social relacionado com o bem-estar de uma sociedade e as Universidades, segundo Oakeshott transformaram-se “numa indústria de serviços cuja finalidade é a de contribuir para o bem-estar da nação”. Os governos calculam a produtividade das universidades através de custos e benefícios. As últimas décadas mostram-nos que os governos querem transformá-las em “instrumentos de socialização” e submetê-las a propósitos extrínsecos ligados a considerações sociais. Pensam que sabem, mas não sabem o que eles fazem.          

A Filha Pródiga tem como representação social a história de Reese Donahue (Jessica Rothe), uma jovem aspirante a escritora de Chicago. Ela passou a vida inteira se esforçando ao máximo justamente para evitar o trabalho, vivendo a vida que todos os outros desejam. Até que descobre um segredo que a obriga a escolher entre a vida predeterminada que conhece tão bem e aquilo que parece ser o destino que sua mãe queria para ela. Ela acaba sendo levada a trair o pai e a buscar uma vida que imagina ser melhor do que comparativamente que já possui. Quando Reese retorna para casa carregando apenas arrependimento, o perdão de seu pai lhe ensina o verdadeiro significado de amar. É a história de Florentyna Rosnovski, filha de Abel Rosnovski, personagem de Kane e Abel, também de Arche. O romance, um dos mais vendidos de Archer, retrata a vida de Florentyna desde a infância até sua ascensão à presidência dos Estados Unidos. Dessa forma, a presidente Kane se torna a primeira mulher a ocupar a presidência dos EUA. A personagem Florentyna Kane também aparece em “Shall We Tell the President?” de Archer. Inicialmente, o livro apresentava o presidente Ted Kennedy (1932-2009), mas, após o sucesso de “Kane and Abel” e “The Prodigal Daughter”, o personagem foi alterado para o presidente Kane em edições posteriores. A Filha Pródiga é um romance político de 1982 do autor inglês Jeffrey Archer nascido em15 de abril de 1940. Em Londres, o Barão Archer de Weston-super-Mare é um escritor, dramaturgo e ex -político britânico. Ele é membro do Parlamento pelo Partido Conservador e é um par vitalício de 1992 a 2024. Sua carreira política foi marcada por diversos escândalos e controvérsias; ela terminou quando ele foi considerado culpado de perjúrio em um desses casos e preso.

Ele é marido de Mary Archer, uma renomada cientista da área de energia solar. Além de sua atividade política, ele é reconhecido como romancista e contista. Ele nasceu no Hospital Maternidade da Cidade de Londres. Sua família deixou Londres quando ele tinha apenas duas semanas de vida, rumo à cidade litorânea de Weston-super-Mare, em Somerset, onde passou quase toda a sua infância. Em 1951, ganhou uma bolsa de estudos para a Wellington School, em Somerset que não deve ser confundida com o prestigiado Wellington College, o que é possível dada a biografia ambígua nos primeiros livros de Archer. Nessa época, sua mãe, Lola, escrevia uma coluna sobre xícaras de chá para o jornal local de Weston-super-Mare e narrava as aventuras de seu filho Tuppence, o que mais tarde levaria Archer a sofrer bullying na Wellington School. Na literatura, ele ficou reconhecido por seus romances de espionagem com Kane e Abel como heróis, que são mundos à parte: um é filho de banqueiro americano de Boston; o outro, um órfão polonês. Multimilionário, ele é uma figura proeminente no jet set de Londres. Archer foi deputado conservador entre 1985 e 1986, chegando a ser vice-presidente do partido.

Ele foi forçado a renunciar após artigos no Daily Star alegarem relações sexuais com uma prostituta. Em 1987, ele ganhou um processo por difamação contra o Daily Star e recebeu uma indenização de meio milhão de libras por invasão de privacidade. Em 1992, foi nomeado pela Rainha membro da Câmara dos Lordes. Em 1999, foi revelado que ele havia mentido durante seu julgamento em 1987, pedindo a um amigo que fabricasse um álibi para ele. Ele foi condenado à prisão, onde cumpriu dois anos (2001-2003), o que pôs fim à sua carreira política. Escólio: Jeffrey Howard Archer, Barão Archer de Weston-super-Mare, nascido em 15 de abril de 1940 é um romancista inglês e ex-político. Ele foi membro do Parlamento (MP) por Louth (Lincolnshire) de 1969 a 1974, mas não buscou a reeleição após quase falir. Archer recuperou sua fortuna economicamente falando como romancista. Seu romance Kane e Abel (1979) continua sendo um dos livros mais vendidos do mundo globalizado, com cerca de 34 milhões de cópias vendidas. No total, seus livros venderam mais de 320 milhões de cópias em todo o mundo. Archer retornou à política e foi vice-presidente do Partido Conservador de 1985 a 1986; renunciou após um jornal o acusar de pagar dinheiro a uma prostituta.

Em 1987, venceu um processo civil e recebeu uma grande indenização devido a essa alegação. Foi nomeado par vitalício em 1992 e, posteriormente, tornou-se o primeiro candidato conservador a ser selecionado como candidato a prefeito de Londres. Encerrou sua candidatura em 1999, após ter sido descoberto que ele havia mentido no caso em 1987. Em 2001, foi condenado a quatro anos de prisão por perjúrio e obstrução da justiça, encerrando sua carreira política ativa. Foi libertado no início de 2003. Jeffrey Howard Archer nasceu no Hospital Maternidade da Cidade de Londres em Holloway, Londres, em 15 de abril de 1940. Ele tinha duas semanas de vida quando sua família se mudou para Somerset, eventualmente se estabelecendo na cidade litorânea de Weston-super-Mare, onde Archer passou a maior parte de sua infância. Seu pai, William (falecido em 1956), tinha 64 anos quando Jeffrey Archer nasceu. No início de sua carreira, Archer deu relatos etnográficos contraditórios à imprensa sobre a suposta, mas inexistente, carreira militar de seu pai. William Archer era, na verdade, um bígamo, fraudador e vigarista, que se fazia passar por outro William Archer, um falecido detentor de medalha de guerra.  

Ele trabalhou em diferentes épocas como vendedor de chicletes em Nova York e corretor de hipotecas em Londres. Nesta última função, foi acusado no Old Bailey de uma série de crimes de fraude. Ao ser libertado sob fiança, fugiu para os EUA sob o nome de William Grimwood. Nos Estados Unidos, William Archer teve uma filha, Rosemary Turner (1917-1986), meia-irmã de Jeffrey. Em 1940, Rosemary casou-se com o advogado Brien McMahon, que se tornou senador democrata por Connecticut (1945-1952) e candidato à nomeação presidencial democrata em 1952. Após a morte de Brien McMahon naquele ano, Rosemary casou-se, em 1953, com o embaixador belga em Washington, Barão Silvercruys. A primeira-dama, Mamie Eisenhower (1896-1979), foi a convidada de honra em seu casamento. Quando menino, Archer sonhava em ser capitão do Bristol Rovers Football Club. Ele ainda é torcedor do clube. Em 1951, Archer ganhou uma bolsa de estudos para a Wellington School em Somerset (e não para o Wellington College em Berkshire, como ele posteriormente tenderia a afirmar) após ser aprovado no exame de admissão. Nessa época, sua mãe, Lola, trabalhava como jornalista no jornal local de Weston, o Weston Mercury. Ela escrevia uma coluna semanal intitulada “Over the Teacups” e frequente escrevia sobre Jeffrey, chamando-o de “Tuppence”.

Embora Archer gostasse da fama local que isso lhe trouxe, também o tornou vítima de bullying enquanto estudava na Wellington School. Archer saiu da escola com níveis O em literatura inglesa, arte e história. Ele então passou alguns anos em uma variedade de empregos, incluindo treinamento com o exército e um curto período com a Polícia Metropolitana. Mais tarde, ele trabalhou como professor de Educação Física, primeiro em Vicar`s Hill, uma escola preparatória em Hampshire, e mais tarde no Dover College em Kent. Em 1963, Archer recebeu uma oferta de vaga na Delegação de Estudos Extramuros da Universidade de Oxford para cursar um Diploma de Educação. O curso era oferecido pelo departamento, e Archer tornou-se membro do Brasenose College. Há alegações de que Archer forneceu provas falsas de suas qualificações acadêmicas ao Brasenose, citando, por exemplo, uma instituição americana que na verdade era um clube de fisiculturismo, para ser admitido no curso. Também foi alegado que Archer forneceu declarações falsas sobre três aprovações inexistentes no A-Level e um diploma universitário americano. Embora o curso de diploma tenha durado apenas um ano, Archer passou um total de três anos em Oxford, onde obteve sucesso no atletismo, competindo em corridas de velocidade e com barreiras, e tornou-se presidente do Oxford University Athletic Club em 1965-1966. Seu colega da Universidade de Cambridge, Wendell Mottley, tornou-se um amigo para a vida toda. Há registros televisivos dele fazendo largadas falsas em uma corrida de velocidade de 1964, mas ele não foi desclassificado.

Ele ganhou um prêmio de melhor atleta em atletismo e passou a correr pela Inglaterra, tendo competido uma vez pela Grã-Bretanha. Seu tempo de 10,6 segundos para 100 metros é o segundo melhor tempo já registrado por um estudante da Universidade de Oxford. Archer angariou fundos para a instituição de caridade Oxfam, obtendo o apoio dos Beatles em uma campanha de arrecadação de fundos. A banda aceitou seu convite para visitar a residência do diretor do Brasenose College, onde foram fotografados com Archer e professores da faculdade, embora não tenham tocado lá. O crítico Sheridan Morley, então estudante em Merton, estava presente e relembrou a ocasião: - No intervalo, fui ao banheiro e lá, ao meu lado, estava Ringo Starr. Ele perguntou se eu conhecia esse tal de Jeffrey Archer. Eu disse que todo mundo em Oxford estava tentando descobrir quem ele era. Ringo disse: “Ele me parece um cara legal, mas é o tipo de cara que engarrafaria seu xixi e venderia”. Após deixar Oxford, Archer continuou como angariador de fundos para instituições de caridade, inicialmente trabalhando para o National Birthday Trust, uma instituição de caridade médica que promovia o parto seguro, antes de ingressar na Associação das Nações Unidas (UNA) como seu principal angariador de fundos. O presidente Humphry Berkeley (1926-1994), alegou que havia discrepâncias nas declarações de despesas de Archer enquanto ele lá trabalhava.         

O corpo, notoriamente, percorre a história da ciência e da filosofia. De Platão a Bergson, passando por Descartes, Espinosa, Merleau-Ponty, Freud, Marx, Nietzsche, Weber e principalmente Michel Foucault, a definição de corpo demonstra um puzzle. Quase todos reconhecem a profusão da visão dualista de Descartes, que define o corpo como uma substância extensa em oposição à substância pensante. Podemos perceber que seguindo este modo de compreensão, sobretudo com o advento da modernidade, o corpo foi facilmente associado a uma máquina. O corpo foi pensado como um mecanismo elaborado por determinados princípios que alimentam as engrenagens desta máquina promovendo o seu bom funcionamento. Isto quer dizer que através dos exercícios de abstinência e domínio que constituem a ascese necessária, o lugar atribuído ao conhecimento de si torna-se mais importante: a tarefa de se pôr à prova, de se examinar, de controlar-se numa série de exercícios bem definidos, coloca a questão da verdade – da verdade do que se é, do que se faz e do que é capaz de fazer – no cerne da constituição do sujeito moral. E, finalmente, o ponto de chegada dessa elaboração é ainda e sempre definido pela soberania do indivíduo sobre si mesmo. Neste aspecto Michel Foucault (2014) nos adverte sobre a questão abstrata da analítica do poder que se constitui o marco histórico e pontual de “docilidade dos corpos”.

Para ele o soldado é, antes de tudo, alguém que se reconhece de longe; que leva os sinais naturais de seu vigor e coragem, as marcas também de seu orgulho: seu corpo é o brasão de sua força e de sua valentia: e se é verdade que deve aprender aos poucos o ofício das armas – essencialmente lutando – as manobras como a marcha, as atitudes como o porte da cabeça se originam, em boa parte, de uma retórica corporal de honra. Eis como ainda no início do século XVIII se descrevia a figura ideal do soldado. Mas na segunda metade deste século, o soldado se tornou algo que se fabrica; de uma massa informe, de um corpo inapto, fez-se a máquina de que se precisa; corrigiram-se aos poucos as posturas: lentamente uma coação calculada percorrer cada parte do corpo, assenhoreia-se dele, dobra o conjunto, torna-o perpetuamente disponível, e se prolonga, em silêncio, no automatismo dos hábitos; em resumo, foi “expulso o camponês” e lhe foi dada a “fisionomia de soldado”. Ipso facto, houve, durante a época clássica, uma descoberta do corpo como objeto e alvo de poder. Encontraríamos facilmente sinais dessa grande atenção dedicada então ao corpo que se manipula, modela-se, treina-se, que obedece, responde, torna-se hábil ou cujas forças multiplicam o “homem-máquina”.

O grande livro do homem-máquina foi descrito simultaneamente em dois registros: no anátomo-metafísico, cujas primeiras páginas haviam sido escritas por Descartes e que os médicos, os filósofos continuaram; o outro, técnico-político, constituído por um conjunto de regulamentos militares, escolares, hospitalares e por processo empíricos e refletidos para controlar ou corrigir as operações do corpo. Dois registros bem distintos, pois se tratava ora de submissão e utilização, ora de funcionamento e de explicação: corpo útil, corpo inteligível. E, entretanto, de um ao outro, pontos de cruzamento. “O homem-máquina” de Julien Offray La Metrie (1709-1751) é ao mesmo tempo uma redução materialista da alma e uma teoria geral do adestramento, no centro dos quais reina a noção de “docilidade” que une ao corpo analisável o corpo manipulável. Em sua significação específica é dócil um corpo que pode ser submetido, que pode ser utilizado, que pode ser transformado e aperfeiçoado. Contudo, os famosos autômatos, por seu lado, não eram apenas uma maneira de ilustrar o organismo; eram também bonecos políticos, modelos reduzidos de poder: obsessão de Frederico II (1712-1786), rei minucioso das pequenas máquinas, dos regimentos bem treinados e dos longos exercícios.

Para Michel Foucault metodologicamente a questão a responder é a seguinte: Nesses esquemas de docilidade, em que o século XVIII teve tanto interesse, o que há de tão novo? Não é a primeira vez, certamente, que o corpo é objeto de investimentos tão imperiosos e urgentes; em qualquer sociedade, o corpo está preso no interior de poderes mito apertados, que lhe impõem limitações, proibições ou obrigações. Muitas coisas, entretanto, são novas nessas técnicas. A escala, em primeiro lugar, do controle; não se trata de cuidar do corpo, massa, grosso modo, como se fosse uma unidade indissociável, mas de trabalha-lo detalhadamente; de exercer sobre ele uma coerção sem folga, de mantê-lo ao mesmo nível prático da mecânica – movimentos, gestos, atitudes, rapidez: poder infinitesimal sobre o corpo ativo. O objeto, em seguida, do controle: não, ou mais, os elementos significativos do comportamento ou a linguagem do corpo, mas a economia, a eficácia dos movimentos, sua organização interna; a coação se faz mais sobre as forças que sobre os sinais; a única cerimônia que realmente importa é a do exercício. A modalidade, enfim, implica uma coerção ininterrupta, constante, que vela sobre os processos da atividade mais que sobre seu resultado e se exerce de acordo com uma codificação que esquadrinha ao máximo o tempo, o espaço, os movimentos.

Esses métodos que permitem o controle minucioso das operações do corpo, que realizam a sujeição constante de suas forças e lhes impõem uma relação de docilidade-utilidade, são o que podemos chamar disciplinas. Muitos processos disciplinares existiam há muito tempo: nos conventos, nos exércitos, nas oficinas também. Mas as disciplinas se tornaram no decorrer dos séculos XVII e XVIII fórmulas gerais de dominação. Diferentes da escravidão, pois não se fundamentam numa relação de apropriação dos corpos; é até a elegância da disciplina dispensar essa relação custosa e violenta obtendo efeitos de utilidade pelo menos igualmente grandes. Mas também ocorre que são diferentes também da domesticidade, que é uma relação social de dominação constante, global, maciça, não analítica, ilimitada e estabelecida sob a forma de vontade de poder singular do patrão, sendo quase seu “capricho”. Diferentes da vassalidade que é uma relação de submissão altamente codificada, mas longínqua e que se realiza menos sobre as operações do corpo que sobre os produtos do trabalho e as marcas rituais de obediência. Diferentes do ascetismo e das “disciplinas” de tipo monástico, que têm por função realizar renúncias mais do que aumentos de utilidade e obediência, têm como fim um aumento do domínio de cada um sobre seu próprio corpo.

O momento histórico das disciplinas é o momento em que nasce uma arte do corpo humano, que visa não unicamente o aumento de suas habilidades, nem tampouco aprofundar sua sujeição, mas a formação de uma relação que no mesmo mecanismo o torna tanto uma política das coerções que são um trabalho sobre o corpo, uma manipulação calculada de seus elementos, de seus gestos, de seus comportamentos. O corpo humano entra numa maquinaria de poder que o esquadrinha, o desarticula e o recompõe. Uma “anatomia política”, que é também igualmente uma “mecânica do poder”, está nascendo; ela define como se pode ter o domínio sobre o corpo dos outros, não simplesmente para que façam o que se quer, mas ara que operem como se quer, com as técnicas segundo a rapidez e a eficácia que se determina. A disciplina fabrica assim corpos submissos e exercitados, corpos dóceis.  A disciplina aumenta as forças do corpo (em termos econômicos de utilidade) e diminui essas mesmas forças (em termos políticos de obediência). Em uma palavra: ela associa o poder do corpo; faz dele por um lado uma “aptidão”, uma “capacidade” que ela procura aumentar; e inverte por outro lado a energia, a potência que poderia resultar, e faz dela uma relação de sujeição estrita.

Se a exploração econômica separa a força e o produto do trabalho, a coerção disciplinar estabelece no corpo o elo coercitivo entre uma aptidão aumentada e uma dominação acentuada. Entendida como consumo cultural, a prática do culto ao corpo situa-se como preocupação geral de mobilidade social, que perpassa a estratificação de classes sociais e faixas etárias, apoiada num discurso clínico difuso que se refere tanto a questão estética, quanto a preocupação alimentar com a saúde. Nas sociedades contemporâneas há uma crescente apropriação do corpo, com a dieta alimentar e o consumo excessivo de cosméticos, impulsionados pelo processo de massificação da propaganda/consumo a desde o desenvolvimento econômico dos anos 1980, onde o corpo ganha mais espaço, principalmente nos meios midiáticos. Nesse sentido, as fábricas de imagens estéticas do vencedor como o cinema, televisão, publicidade, revistas etc., têm contribuído para isso. Ipso facto, nos leva a pensar que a imagem da eterna fonte de juventude, associada ao corpo perfeito e ideal, ao sucesso na educação, no trabalho e na vida amorosa atravessa as etnias e classes sociais, compondo de maneiras diferentes diversos estilos de vida.

Nesta conjuntura, Archer iniciou uma carreira na política, servindo como vereador conservador por Havering no Conselho da Grande Londres (1967–1970). Archer fundou sua própria empresa de arrecadação de fundos e relações públicas, a Arrow Enterprises, em 1969. No mesmo ano, ele abriu uma galeria de arte, a Archer Gallery, em Mayfair. A galeria era especializada em arte moderna, incluindo obras do escultor e pintor Leon Underwood. A galeria acabou dando prejuízo, no entanto, e Archer a vendeu dois anos depois. Aos 29 anos, Archer foi eleito membro do Parlamento (MP) pelo círculo eleitoral de Louth, em Lincolnshire, ocupando a cadeira pelo Partido Conservador em uma eleição suplementar em 4 de dezembro de 1969. Archer derrotou Ian Gow na seleção após conquistar uma parcela substancial de membros mais jovens na reunião de seleção. O partido nacional tinha preocupações sobre a seleção de Archer, especificamente relacionadas às alegações de despesas da UNA feitas por Humphry Berkeley, ele próprio um ex-membro do Parlamento Conservador. Berkeley tentou persuadir a Sede Central Conservadora de que Archer era inadequado como candidato parlamentar. Archer moveu uma ação por difamação contra Berkeley e a história foi mantida fora da imprensa, embora uma versão truncada da história tenha aparecido no The Times.

O caso foi finalmente resolvido fora dos tribunais, com Archer concordando em pagar as custas judiciais de cerca de £ 30.000. A circunscrição de Louth tinha três áreas principais: Louth, Cleethorpes e Immingham. Durante o seu tempo como deputado, Archer era um frequentador assíduo do Clube Conservador de Immingham, na parte mais operária da circunscrição. Em 1970, participou no Kennedy Memorial Test, uma corrida/caminhada de 50 milhas de Louth a Skegness e volta. No parlamento, Archer estava à esquerda do Partido Conservador, rebelando-se contra algumas das políticas do seu partido. Defendia licenças de televisão gratuitas para idosos e era contra a cobrança de entradas em museus. Em 1971, contratou David Mellor para tratar da sua correspondência. Deu a Mellor informações privilegiadas para chegar ao gabinete. Numa entrevista, em fevereiro de 1999, Archer disse: “Espero que não voltemos aos extremos. Sou o que se poderia chamar de centro-direita, mas sempre detestei a direita tanto quanto detestei a esquerda”. Em 1974, Archer foi vítima de um esquema de investimento fraudulento envolvendo uma empresa canadense chamada Aquablast. O desastre lhe custou sua primeira fortuna e o deixou com quase 500.000 libras em dívidas.

Alertado pelo repórter do Daily Mirror, Revel Barker – a quem ele erroneamente identificou como um colega estudante de Oxford – de que, como falido, não poderia ser um membro do Parlamento, ele anunciou que não se candidataria nas eleições gerais de outubro de 1974 “devido a dificuldades financeiras”. Enquanto era testemunha no caso Aquablast em Toronto, em 1975, Archer foi acusado de roubar três ternos de uma loja de departamentos. Archer negou a acusação por muitos anos, mas no final da década de 1990 ele finalmente reconheceu que havia pegado os ternos, embora tenha alegado que na época não havia percebido que havia saído da loja. Nenhuma acusação foi feita. Archer escreveu seu primeiro livro, Not a Penny More, Not a Penny Less, no outono de 1974, como forma de evitar a falência. O livro foi adquirido pela agente literária Deborah Owen e publicado primeiro nos Estados Unidos e, posteriormente, na Grã-Bretanha, no outono de 1976. Uma adaptação radiofônica foi transmitida pela BBC Radio 4 no início da década de 1980 e uma adaptação para a televisão pela BBC foi exibida em 1990.  Kane e Abel (1979) provou ser sua obra mais vendida, alcançando o primeiro lugar na lista de best-sellers do The New York Times. Como a maioria de seus primeiros trabalhos, foi editado por Richard Cohen, medalhista de ouro olímpico na esgrima. Foi adaptado para uma minissérie de televisão pela CBS em 1985, estrelada por Peter Strauss e Sam Neill.                         

No ano seguinte, a Granada TV exibiu uma adaptação em 10 partes de outro best-seller de Archer, First Among Equals, que contava a história de quatro homens e sua busca para se tornarem primeiros-ministros. Na edição americana do romance, o personagem Andrew Fraser foi eliminado, reduzindo o número de protagonistas para três. Além de romances e contos, Archer também escreveu três peças teatrais. A primeira, Beyond Reasonable Doubt, estreou em 1987 e ficou em cartaz no Queen`s Theatre, no West End de Londres, por mais de um ano. A peça seguinte de Archer, Exclusive, estreou no Strand Theatre, em Londres, em setembro de 1989. Não foi bem recebida pela crítica e encerrou sua temporada após algumas semanas. Sua última peça, The Accused, estreou no Theatre Royal, em Windsor, em 26 de setembro de 2000, antes de ser transferida para o Theatre Royal Haymarket, no West End, em dezembro. Em 1988, a autora Kathleen Burnett acusou Archer de plagiar uma história que ela havia escrito e de incluí-la em sua coleção de contos, A Twist in the Tale. Archer negou ter plagiado a história, alegando que simplesmente se inspirou na ideia. Embora os livros de Archer sejam comercialmente bem-sucedidos, os críticos têm sido geralmente desfavoráveis ​​à sua escrita. O jornalista Hugo Barnacle, escrevendo para o The Independent sobre The Fourth Estate (1996), considerou que o romance, embora demonstrasse que “os editores parecem não ter feito nenhum trabalho”, “não era totalmente insatisfatório”.

Archer afirmou que passa um tempo considerável escrevendo e reescrevendo cada livro. Ele viaja para o exterior para escrever o primeiro rascunho, trabalhando em blocos de duas horas de cada vez, e depois escreve até 17 rascunhos no total. Desde 2010, Archer escreve o primeiro rascunho de cada novo livro em sua vila em Maiorca, chamada “Writer`s Block”. Em 2011, Archer publicou o primeiro de sete livros da série As Crônicas de Clifton, que acompanham a vida de Harry Clifton desde seu nascimento em 1920 até seu funeral em 1993. O primeiro romance da série, Só o Tempo Dirá, conta a história de Harry de 1920 a 1940 e foi publicado no Reino Unido em 12 de maio de 2011. O sétimo e último romance da série, Este Era um Homem, foi publicado em 3 de novembro de 2016. The Short, the Long and the Tall, uma coleção ilustrada de contos de Archer, foi publicada em novembro de 2020, com ilustrações em aquarela do artista Paul Cox. Over My Dead Body foi publicado em outubro de 2021 e é o quarto livro de uma série de thrillers com o detetive William Warwick. O livro foi aclamado pela crítica e tornou-se um best-seller do New York Times. Em janeiro de 2020, foi noticiado que Archer havia processado seus antigos agentes literários, Curtis Brown, por £500.000 em royalties não pagos. Durante a cerimônia de entrega dos prêmios Índia Global Forum Awards em 2025, Jeffrey Archer afirmou que estava trabalhando em seu último romance. Segundo Archer, a ideia para o livro surgiu seis anos antes, e ele acredita que a história pode superar Kane e Abel, seu romance mais vendido, que havia alcançado sua 134ª reimpressão.

Bibliografia Geral Consultada.

RAWNSLEY, Andrew, “Archer Ganha Indenização Recorde de £ 500.000”. In: The Guardian, 25 de julho de 1987; MANNHEIM, Karl, “El Problema de las Generaciones”. In: Revista Española de Investigaciones Sociológicas, n° 62, pp. 193-242; 1993; WATT, Nicholas, “Acordo de Ações da Archer sob Escrutínio Novamente”. In: The Guardian, 30 de outubro de 1999; PORTANTIERO, Juan Carlos, Fortuna y Virtud en la República Democrática. Estudios sobre Maquiavelo. Buenos Aires: Conselho Latino-americano de Ciências Sociais, 2000; DAVIES, Caroline, “Ele Mentiu Para Chegar ao Topo”. In: The Daily Telegraph, 20 de julho de 2001; KELSO, Paul, “Mendaz, Ambicioso, Generoso e Ingênuo”. In: The Guardian, 20 de julho de 2001; ROUDINESCO, Élisabeth, La Familia en Desorden. México: Editor Fondo de Cultura Economica, 2003; COMOLLI, Jean-Louis, Voir et Pouvoir. L`innoncence Perdue: Cinéma, Télévision, Fiction, Documentaire. Lagrasse (FR): Éditions Verdier, 2004; FARNDALE, Nigel, “Jeffrey Archer: O Próximo Capítulo”. In: The Telegraph, 2 de março de 2008; ARCHER, Jeffrey, A Filha Pródiga. Rio de Janeiro: Editora Sextante, 2009; FLOOD, Alison, “Jeffrey Archer Reescreve Kane e Abel Para Uma Nova Geração”. In: The Guardian, 15 de junho de 2009; MARCHIORI NETO, Daniel Lena, Os Fundamentos da Civilidade no Pensamento Conservador de Michael Oakeshott. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Direito. Centro de Ciências Jurídicas. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2012; ODONE, Christine, “Jeffrey Archer: Mary administraria o NHS de forma brilhante”. In: The Telegraph, 21 de março de 2013; SCOTT, Danny, “Tempo e Lugar: Jeffrey Archer”. In: The Sunday Times, 26 de janeiro de 2014; SHERWIN, Adam, “Jeffrey Archer Acusa Bollywood de Roubar seus Enredos de Sucesso”. In: The Independent, 4 de março de 2015; DARNTON, John, “Almoçando com: Jeffrey Archer; A doce vingança de um autor: ingressar na Câmara dos Lordes”. In: Wayback Machine, 5 de outubro de 2017; SIMPSON, Craig, “Jeffrey Archer Processa Ex-agentes Literários no Tribunal Superior por Alegações de que lhe São Devidos 500.000 Libras”. In: The Daily Telegraph, 20 de janeiro de 2020; SALA, Lana, “Escândalo: Jeffrey Archer e a garota de programa” (Documentário). Londres: Zinc Television London. Channel 5, 2022; LOCATELLI, Renan Gonçalves, A Província Autofágica de Dalton Trevisan: O Real, o Resto e o Vazio no Ventre do Minotauro. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Literatura e Crítica Literária. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2026; entre outros.  

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Corpos Ardentes – Três Objeções, Arte & Cláusula de Double Indemnity.

              “O amor é a única loucura de um sábio e a única sabedoria de um tolo”. William Shakespeare                                

          

        Film Noir é uma expressão francesa designada a um subgênero de filme policial, derivado do romance de suspense influenciada pelo expressionismo alemão, o qual teve o seu ápice nos Estados Unidos da américa entre os anos 1939 e 1950. A expressão foi aplicada pela primeira vez a um filme pelo crítico francês Nino Frank, em 1946, por analogia com os romances policiais da Série noire, uma coleção criada pela Gallimard, em 1945, cujos livros tinham capa preta e amarela, com sobrecapa preta e bordas brancas. A expressão era desconhecida dos diretores e atores à época em que foram produzidos os filmes noirs clássicos, tendo sido introduzida posteriormente por historiadores e críticos de cinema. Muitos dos criadores de films noirs revelaram mais tarde que não imaginavam, naquela época, que haviam dado origem a um subgênero cinematográfico. O noir deriva dos romances de suspense da época extraordinária da Grande Depressão norte-americana, onde muitos foram adaptados de romances policiais do período e da estética dos filmes de terror da década de 1930. Os primeiros noirs apareceram no começo da década de 1940. Historicamente, foram filmados em preto-e-branco em alto contraste, sob influência da cinematografia do expressionismo alemão. O film noir é a representação do resultado de uma combinação de estilos e gêneros de cinema e também das artes plásticas. 

      De acordo com James Monaco, em American Film Now (1979), o film noir não constitui propriamente um gênero, mas um estilo visual. Outros críticos tratam o film noir como um modo ou ciclo. A estética do film noir é fortemente influenciada pelo expressionismo alemão à época do regime totalitário. Muitos diretores, como Fritz Lang (1890-1976), Billy Wilder (1906-2002) e Robert Siodmak (1900-1973), foram forçados a emigrar, levando em sua bagagem as técnicas que haviam desenvolvido, e realizaram, nos Estados Unidos da América, alguns dos mais famosos films noirs, no qual os recursos de iluminação tinham importância fundamental, sendo utilizados, por exemplo, para destacar aspectos psicológicos dos personagens ou para criar uma certa tensão no espectador, por exemplo. Do ponto de vista técnico-metodológico com uso da iluminação “por zonas, manchas e flashes era capaz de estabelecer um isolamento do ator, separando-o do ambiente”. A luz, no cinema expressionista, tem “o poder de estabelecer rupturas e relações entre personagens”, acompanhando a ação de modo aparentemente arbitrário, mas com a finalidade de “concentrar a atenção, articular a ação, acentuar a tensão e colorir a emoção do público”. Outras influências vieram do realismo poético francês, através de certos temas como o fatalismo, a injustiça, protagonistas arruinados e do neorrealismo italiano, que busca uma autenticidade dos personagens. Muitos films noirs posteriores, como Night and the City (1950) e Panic in the Streets (1950), adotaram uma abordagem neorrealista, utilizando fotografia in loco e, per se, alguns atores não profissionais, encarnando pessoas comuns (cf. Thompson, 1998) e oprimidas, como The Lost Weekend e In a Lonely Place.

Nos Estados Unidos da América, a principal influência literária do film noir veio da ficção policial e de suspense, produzida por escritores em torno de Dashiell Hammett (1894-1961), Raymond Chandler (1888-1959) e James M. Cain (1892-1977), popularizado em revistas baratas de consumo popular como Black Mask. Apesar de não ser considerado um “film noir”, Cidadão Kane (1941) de Orson Welles teve uma forte influência no desenvolvimento do estilo deste gênero, particularmente por seus visuais barrocos e a complexa estrutura narrativa conduzida por sobreposição. As décadas de 1940 e 1950 foram o período clássico do film noir. Alguns historiadores do cinema consideram Stranger on the Third Floor (1940) como o primeiro film noir genuíno. Touch of Evil (1958), de Orson Welles é comumente citado como o último filme do período clássico do noir. Alguns estudiosos do cinema acreditam que o film noir nunca tenha acabado realmente, mas apenas perdido temporariamente a popularidade para, mais tarde, ser revivido de uma maneira um pouco diferente. Outros críticos - talvez a maioria - não consideram autênticos os filmes feitos fora do período clássico. Esses críticos consideram o genuíno film noir como pertencente a um ciclo ou período e creem que os filmes subsequentes, que tentaram reviver os filmes clássicos, são diferentes, pois os criadores historicamente são conscientes do estilo noir, o que os diretores dos film noirs originais talvez não fossem.                    

Muitos dos filmes deste subgênero eram produções de baixo orçamento, sem atores de grande prestígio. Alguns diretores e roteiristas foram mesmo perseguidos políticos durante o macartismo enquanto ideologia autoritária de fim da década de 1940 até meados da década de 1950, e ipso facto, impedidos de trabalhar nos grandes estúdios de Hollywood. Assim, colaboravam, sob pseudônimo, nessas produções de baixo custo. Os mais populares exemplos de film noir giravam em torno de uma mulher de virtudes questionáveis e eram também reconhecidos por Bad girl movies (“filmes de menina má”). Enquanto os filmes dos grandes estúdios demandavam mensagens mais positivas, nos filmes noir, os protagonistas podiam ser personagens fracos e moralmente ambíguos, enquanto os personagens secundários raramente possuíam alguma profundidade ou autonomia. Era regra nos filmes “A” o uso de iluminação sofisticada, interiores luxuosos e sets de filmagem externas ricamente elaborados. O film noir ficou reconhecido por narrar dramas inteligentes e austeros permeados por niilismo, desconfiança, paranoia e cinismo, em ambientes urbanos industriais e utilizando-se de técnicas como narração confessional e movimentos de câmera do ponto-de-vista do protagonista. Em geral, o estilo noir influenciou a estética do cinema, mesmo fora de Hollywood. 

           Na década de 1960, cineastas como Sam Peckinpah, Arthur Penn e Robert Altman criaram filmes inspirados nos film noirs originais. Em The Long Goodbye (1973), o detetive criado por Altman é apresentado como um idiota azarado que não consegue evitar sua derrota numa batalha moral. Talvez o mais bem sucedido filme neo-noir tenha sido Chinatown (1974), de Roman Polanski. Muitos dos filmes de Joel e Ethan Coen são exemplos de filmes influenciados pelo subgênero noir, especialmente O Homem que Não Estava Lá, Gosto de Sangue e Onde os Fracos Não Têm Vez, além da comédia O Grande Lebowski. Vale lembrar que O Homem que Não Estava Lá apresenta uma cena que parece ter sido filmada de maneira similar a uma cena do filme Out of the Past. Os irmãos Coen também acrescentaram diversos elementos de film noir tanto na filmagem quanto no roteiro de Fargo. Alguns críticos consideram-no um clássico moderno do gênero. O aclamado Los Angeles: Cidade Proibida, de Curtis Hanson adaptado do romance de James Ellroy, pode ser o filme que mais se aproxima do film noir moderno, com suas histórias de policiais corruptos e femmes fatales que parecem ressurgidos dos anos 1950. O ponto-de-vista cínico e pessimista do film noir influenciou brilhantemente os criadores do gênero cyberpunk de ficção científica no início dos anos 1980, sendo Blade Runner (1982) e o japonês Akira (1988) os mais reconhecidos filmes deste gênero. Uma mistura de film noir e cyberpunk também é chamada de tech-noir.   

Os personagens destes filmes são geralmente derivados de filmes de gangsters dos anos 1930 e de revistas em quadrinhos. Outros exemplos de ficção científica noir são: Gattaca, The Thirteenth Floor, Ghost in the Shell, Dark City e Minority Report. Alguns consideram que os filmes de David Lynch têm forte influência noir, principalmente Blue Velvet, Lost Highway e Mulholland Drive. Trabalhos recentes com uma veia noir incluem filmes como Cães de aluguel (1992), Chicago (2002), Fargo (1996), Kiss Kiss, Bang Bang (2005), e A Simple Plan (1998); a série de videogames Max Payne, os jogos Heavy Rain e The Wolf Among Us, o remake de Insônia, de Christopher Nolan, e o suspense Dália Negra, de Brian De Palma. Também de Christopher Nolan, Amnésia e Batman Begins são considerados neo-noir, como o filme Sin City, em preto-e-branco, com alguns elementos em cores. Com a estreia do seriado de TV Veronica Mars (2003), e do filme Brick (2006), o noir ganha uma nova vertente, batizada (e aplaudida) por críticos como teen-noir, uma reinvenção do gênero como expressão das angústias do adolescente. Corpos Ardentes (Body Heat) tem como representação social um filme neo-noir norte-americano de 1981 de suspense erótico escrito e dirigido por Lawrence Kasdan em sua estreia na direção. É estrelado por William Hurt e Kathleen Turner, com Richard Crenna, Ted Danson, J. A. Preston e Mickey Rourke. 

          O filme foi inspirado no filme noir Double Indemnity, de 1944, por sua vez baseado no romance de 1943 dirigido por Billy Wilder e produzido por Buddy DeSylva e Joseph Sistrom. O diretor e Raymond Chandler adaptaram o roteiro do romance homônimo de James M. Cain, publicado como um conto de oito partes na revista Liberty em 1936. O filme narra a história social de um vendedor de seguros, Walter Neff (Fred MacMurray), que conspira com uma mulher (Barbara Stanwyck) para “matar o marido dela a fim de reivindicar o pagamento do seguro de vida”, despertando a suspeita do gerente Barton Keyes (Edward G. Robinson). O título faz referência a uma cláusula de “double indemmity” que dobra os pagamentos do seguro quando a morte ocorre de forma extremamente rara. O longa-metragem foi indicado a sete Oscars. Considerado um clássico, Double Indemnity é frequentemente citado como tendo estabelecido o padrão noir e também um dos maiores filmes de todos os tempos. Em 1938, um agente de seguros encontra a atraente (e casada) Phyllis Dietrichson quando vai efetuar um negócio e ambos logo se apaixonam. Phyllis o convence a seguir um plano para assassinar o marido dela após fazer um seguro de vida para ele. O objetivo dos dois é ficar com o dinheiro do seguro. Mas nem tudo dá certo na execução de tal plano.

            James M. Cain baseou sua novela Double Indemnity em um assassinato de 1927 perpetrado por Ruth Snyder e seu amante Henry Judd Gray, que conspirou com um agente de seguros para obter uma apólice de US$ 45.000 com uma cláusula de dupla indenização sem o conhecimento de seu marido Albert Snyder e então assassina-lo. Cain se tornou um romancista popular após a publicação de The Postman Always Rings Twice durante 1934, e Double Indemnity começou a circular em Hollywood logo após ser publicado na revista Liberty em 1936. Metro-Goldwyn-Mayer, Warner Bros., Paramount, 20th Century-Fox, RKO Pictures e Columbia competiram pelos direitos de adaptação da obra, mas o fervor acabou quando o administrador do código hays, Joseph Breen, alertou em uma carta aos estúdios: O tom sombrio e o sabor sórdido desta história tornam-na, a nosso ver, completamente inaceitável para adaptação em tela diante de plateias de todas as idades no cinema. Tenho certeza de que você concordará que é extremamente importante... evitar o que nós chamamos de endurecimento do público, especialmente daqueles jovens e impressionáveis, à ideia e à brutalidade do crime. No ano de 1943, Joseph Sistrom da Paramount, comprou os direitos do romance por US$ 15.000, imaginando Billy Wilder no papel de diretor. O estúdio então reenviou o livro para o código hays e obteve uma resposta idêntica à de sete anos antes; a Paramount novamente fez algumas modificações.  

A sinopse só foi aprovada com três objeções: retratar cruelmente o descarte de um cadáver, a cena de execução na câmara de gás e o tamanho da toalha usada pelo corpo da protagonista feminina. O autor do romance afirma que Joseph Breen lhe devia US$ 10.000 por vetar a compra por US$ 25.000 em 1936. As restrições impostas pelo Código Hays tornaram a adaptação de Double Indemnity um desafio. O parceiro de roteiro de Wilder, Charles Brackett, o ajudou inicialmente antes de se aposentar. O diretor caracterizou o período em que estiveram separados: “1944 foi O Ano das Infidelidades (...) Charlie produziu The Uninvited (...). Acho que nunca me perdoou. Ele sempre achou que eu o traí com Raymond Chandler”. O próprio autor do romance seria a primeira escolha de Wilder como substituto de Brackett; mas como ele estava trabalhando na 20th Century Fox, então nunca foi convidado para trabalhar no longa-metragem. O produtor Joseph Sistrom então chamou Raymond Chandler já que admirava The Big Sleep. Novo em Hollywood, Raymond Chandler exigiu US$ 1.000 e pelo menos uma semana para concluir o roteiro, sem perceber que não verdade seu salário seria 750 dólares por 7 dias. O diretor chamou o primeiro rascunho de Chandler como “instruções de câmera inúteis”; para ensinar o roteirista a escrever roteiros melhores, Wilder deu a ele uma cópia de seu roteiro para Hold Back the Dawn (1941). Eles não se deram bem durante os quatro meses seguintes. Chandler reclamou disto uma vez, enviando uma longa lista de queixas sobre o diretor para a Paramount. O roteirista concordou em aparecer no filme, erguendo os olhos de uma revista enquanto Neff caminha para fora do escritório de Keyes; esta é a única participação especial dele em alguma obra cinematográfica.

Eles fizeram mudanças consideráveis na história do livro. Como o Código Hays exigia que os criminosos pagassem por suas transgressões, o suicídio duplo no final do romance não era então permitido. A solução foi fazer com que os dois protagonistas se ferissem mortalmente. O personagem Barton Keyes foi transformado de um colega bastante desavisado para o mentor e antagonista do filme. Chandler sentiu que os diálogos do romance não ficariam bem numa tela de cinema, mas Wilder discordou; após contratar atores contratados para ler trechos do texto de Cain em voz alta, ele cedeu ao argumento do roteirista. Chandler também procurou locações, incluindo o Jerry`s Market na Melrose Avenue, onde Phyllis e Walter se encontram discretamente para planejar e discutir o assassinato. Raymond Chandler era um alcoólatra em recuperação. Wilder disse que “Ele estava nos Alcoólicos Anônimos [...] Eu o fiz voltar a beber”. O roteirista escreveu no The Atlantic Monthly em novembro de 1945 que “O primeiro filme em que trabalhei foi indicado ao Oscar (...), mas eu nem fui convidado para a entrevista para a imprensa”. Wilder atacou: “Como poderíamos? Você estava bêbado debaixo da mesa...”.

A experiência do diretor com Chandler o levou a adaptar o romance The Lost Weekend (1944) de Charles Reginald Jackson (1903-1968) que é sobre um escritor alcoólatra, como seu próximo filme. James M. Cain ficou impressionado com o roteiro, chamando-o de “o único filme que já vi feito a partir dos meus livros que tinha coisas que eu gostaria de ter pensado”. Ele se formou na Newark High School em 1921. É uma escola pública de Ensino Médio em Newark, Delaware. É uma das instituições de ensino mais antigas do estado, tendo formado sua primeira turma de alunos em 1893. Frequentou a Universidade de Syracuse, onde ingressou em uma fraternidade, mas saiu durante seu primeiro ano após um “encontro sexual furtivo com um membro de sua fraternidade, que então espalhou a notícia do incidente de tal forma que apenas Jackson sofreu a desgraça pública”; uma versão ficcionalizada dessa experiência foi posteriormente incorporada em The Lost Weekend. O final de Wilder foi muito melhor do que a minha conclusão, e seu truque para deixar o cara contar a história, eliminando a máquina de escrever do escritório - eu teria feito isso se tivesse pensado um pouco mais”. O filme lançou a carreira de Turner — a revista Empire citou o filme quando a nomeou uma das “100 estrelas mais sexy da história do cinema”. O New York Times escreveu em 2005 que, impulsionada por sua “estreia de tirar o fôlego no cinema [em] Body Heat ... ela construiu uma carreira em aventura e sexualidade franca nascida de uma fisicalidade robusta”.

A Flórida Sul ou Sul da Flórida é a região mais ao Sul do estado americano da Flórida. É uma das três regiões mais comumente chamadas de regiões direcionais da Flórida, sendo as outras regiões a Flórida Central e o Flórida Norte. Inclui a populosa área metropolitana de Miami, Florida Keys e outras localidades. O Sul da Flórida é a única parte do território continental dos Estados Unidos com clima tropical. Como acontece com todas as regiões vernáculas, o Sul da Flórida não tem fronteiras ou status oficial e é definido de forma diferente por diferentes fontes. Um estudo de 2007 das regiões da Flórida realizado por Ary Lamme e Raymond K. Oldakowski descobriu que os moradores da Flórida pesquisados identificaram o “Sul da Flórida” como compreendendo as seções mais ao Sul da península da Flórida, ou seja, de Júpiter, Flórida, ao Sul. Essa área inclui a área metropolitana de Miami geralmente definida como condados de Miami-Dade, Broward e Palm Beach, Florida Keys e a região interior conhecida como Glades. Além disso, o Sudoeste da Flórida, representando o Sul da Costa do Golfo do estado, emergiu como uma região vernácula direcional. Alguns entrevistados do extremo Noroeste da área da baía de Tampa ao Sul identificaram sua região como sendo no Sul da Flórida, em vez de Sudoeste ou Flórida Central. Para confundir ainda mais a questão, a Universidade do Sul da Flórida, nomeada em parte devido ao seu status de universidade pública mais meridional do estado na época de sua fundação em 1957, está localizada em Tampa.

A Enterprise Florida, a agência de desenvolvimento econômico do estado, identifica “Sudeste da Flórida” como uma das oito regiões econômicas usadas pela agência e outras entidades estaduais e externas, incluindo o Departamento de Transporte da Flórida. Algumas entidades designam alternadamente esta região como “Sul da Flórida”. Sua definição inclui muito do mesmo território que o relatório de Lamme e Oldakowski, exceto a Costa do Golfo e grande parte da região das Glades interiores, bem como área adicional. Inclui o condado de Monroe (as Chaves) e os três condados metropolitanos de Miami-Dade, Broward e Palm Beach, bem como os três condados da “Costa do Tesouro” de Indian River, St. Lucie e Martin ao Norte. O sotaque de Miami é um sotaque regional do dialeto inglês americano falado no sul da Flórida, particularmente nos condados de Miami-Dade, Broward, Palm Beach e Monroe. O sotaque nasceu no centro de Miami, mas se expandiu para o resto do sul da Flórida nas décadas desde 1960. O sotaque de Miami é mais prevalente nos jovens americanos do sul da Flórida. O sotaque de Miami é baseado em um sotaque americano razoavelmente padrão, mas com algumas mudanças muito semelhantes aos dialetos do Atlântico Central especialmente o dialeto da área de Nova York, o inglês do norte de Nova Jersey e o inglês latino de Nova Iorque. Ao contrário dos dialetos Virginia Piedmont, Coastal Southern American e Northeast American, o “sotaque de Miami” é rótico; também incorpora um ritmo e pronúncia fortemente influenciados pelo espanhol onde o ritmo é sincronizado por sílaba.

Corpos Ardentes (1981) — o filme mais quente dos anos 80! : r/moviecritic

Lamme e Oldakowski identificam vários elementos demográficos, políticos e culturais que caracterizam o Sul da Flórida e o distinguem de outras áreas do estado. Muitas de suas diferenças parecem ser causadas por seu nível proporcionalmente mais alto de migração dos estados do norte dos Estados Unidos e do Caribe e da América Latina, especialmente na área densamente povoada de Miami. Politicamente, o Sul da Flórida é mais liberal do que o resto do estado. Embora menos de 10% das pessoas no Norte ou Central da Flórida considerassem que sua área era liberal, mais de um terço dos habitantes do Sul da Flórida descreveu a sua região como tal. Sendo que 38% caracterizaram a área como conservadora; 26% como moderado. Isso acompanha a demografia do sul da Flórida e as descobertas de Lamme e Oldakowski são paralelas às pesquisas de Barney Warf e Cynthia Waddell sobre a geografia política da Flórida durante a eleição presidencial de 2000. A economia no Sul da Flórida é muito semelhante à da Flórida Central. Em comparação com a economia mais diversificada do Norte da Flórida, o turismo é de longe a indústria mais significativa no Sul e centro da Flórida, com uma indústria agrícola muito menor, mas vibrante. A pesquisa de Lamme e Oldakowski também encontrou alguns indicadores culturais que distinguem o Sul da Flórida. O Sul da Flórida é a única região do estado onde os alimentos étnicos são tão populares quanto a culinária americana em geral. Além disso, embora houvesse pouca variação geográfica para a maioria dos estilos de música, havia variação regional para a música country e latina. O país era significativamente menos popular no Sul da Flórida do que no Norte ou centro da Flórida, enquanto o latim era mais popular do que nas outras regiões.

            Escólio: Na sensual Flórida do Sul, o advogado mulherengo e de reputação duvidosa, Ned Racine, inicia um caso com Matty Walker, a jovem esposa do empresário inescrupuloso Edmund Walker. O caso se transforma em uma paixão avassaladora, mas os dois o mantêm em segredo. Matty diz a Ned que quer o divórcio, mas um acordo pré-nupcial a deixaria sem a fortuna de Edmund. Quando ela deseja a morte de Edmund, Ned sugere que ela o assassine. Matty diz que quer falsificar um novo testamento, mas Ned a adverte de que isso levantaria suspeitas. Ned encontra Matty e Edmund em um restaurante. Matty apresenta Ned como um advogado que estava interessado em comprar a casa dos Walker. Os três jantam e, durante o jantar, Edmund afirma, após Matty se ausentar brevemente, que mataria qualquer homem que estivesse tendo um caso com sua esposa. Ned então se encontra com um antigo cliente, o incendiário e fabricante de bombas Teddy Lewis, que constrói um dispositivo incendiário para ele. Ned cria um álibi viajando para Miami, se hospeda em um hotel e volta para casa dirigindo à noite. Depois de matar Edmund, Ned e Matty movem o corpo para um prédio abandonado que pertencia à vítima armam a bomba para destruir o corpo de Edmund e enganar a polícia.

Ned e Matty se separam e concordam em não ter contato até que Matty tome posse da propriedade. Logo depois, o advogado de Edmund liga para Ned a respeito do novo testamento de Edmund, que supostamente teria sido redigido por Ned; o testamento teria sido testemunhado por Mary Ann Simpson, uma mulher que Ned conheceu brevemente, mas que agora está desaparecida. O novo testamento foi preparado de forma inadequada, violando a regra contra perpetuidade, e o juiz local, com uma má opinião de Ned, o anula, deixando Matty como única beneficiária e deserdando a sobrinha de Edmund, Heather. Ned percebe que Matty ignorou seu aviso e falsificou o testamento, calculando que ele seria anulado. Matty implora por perdão, jurando seu amor por Ned.  O caso é investigado pelos amigos de Ned, o promotor Peter Lowenstein e o detetive Oscar Grace. Eles suspeitam que Matty esteja envolvida na morte do marido e alertam Ned para não se encontrar com ela; Ned começa a namorar Matty abertamente para despistá-los. A polícia deduz que Edmund não foi morto no incêndio criminoso porque seus óculos estavam desaparecidos. Além disso, Matty parece ter mentido sobre Mary Ann Simpson. Oscar começa a suspeitar de Ned quando percebe que o álibi dele em Miami não se sustenta. A sobrinha de Edmund, que certa vez flagrou Matty e Ned fazendo sexo, é levada à polícia, mas não reconhece Ned. Cada vez mais nervoso e questionando a lealdade de Matty, Ned encontra um conhecido que diz tê-lo recomendado a ela. Mais tarde, Teddy conta a Ned sobre uma mulher que queria saber como instalar uma bomba em uma porta. Matty liga para Ned, alegando que sua empregada concordou em devolver os óculos incriminadores depois que ela a subornou. 

           

Ela pede a Ned que busque os óculos em seu galpão de barcos. Lá, Ned vê um fio preso à porta. Matty chega e Ned pede que ela pegue os óculos, e ela concorda. Oscar chega e observa à interação. Matty caminha em direção ao galpão de barcos, que explode. Um corpo encontrado lá dentro é identificado por meio de registros dentários como sendo o de Matty. Agora na prisão, Ned pressente (e tenta convencer Oscar) que “Matty” ainda está viva. Ned acredita que ela assumiu a identidade de uma antiga colega de escola, Matty Tyler, para esconder seu passado sórdido de Edmund. Ned deduz que a “Mary Ann Simpson”, que ele conhecera anteriormente, descobriu o plano e estava chantageando Matty, para depois ser assassinada e seu corpo enterrado no galpão de barcos. É por isso que os registros dentários coincidiam. Se Ned tivesse morrido na explosão, a polícia teria encontrado os corpos de ambos os suspeitos e encerrado o caso. Oscar logicamente não se convence e lembra a Ned que ele realmente foi quem matou Edmund. Ned consegue obter uma cópia do Anuário do Ensino Médio de Matty: nele, há fotos de Mary Ann Simpson e Matty Tyler, confirmando sua suspeita. Abaixo da foto de Mary Ann, está o apelido “A Vampira” e a frase “Ambição: Ser rica e viver em uma terra exótica”. A verdadeira Mary Ann aparece relaxando em uma praia tropical, vivendo uma nova vida.

Na sensual Flórida do Sul, o advogado mulherengo e de reputação duvidosa, Ned Racine, inicia um caso com Matty Walker, a jovem esposa do empresário inescrupuloso Edmund Walker. O caso se transforma em uma paixão avassaladora, mas os dois o mantêm em segredo. Matty diz a Ned que quer o divórcio, mas um acordo pré-nupcial a deixaria sem a fortuna de Edmund. Quando ela deseja a morte de Edmund, Ned sugere que ela o assassine. Matty diz que quer falsificar um novo testamento, mas Ned a adverte de que isso levantaria suspeitas. Ned encontra Matty e Edmund em um restaurante. Matty apresenta Ned como um advogado que estava interessado em comprar a casa dos Walker. Os três jantam e, durante o jantar, Edmund afirma, após Matty se ausentar brevemente, que mataria qualquer homem que estivesse tendo um caso com sua esposa. Ned então se encontra com um antigo cliente, o incendiário e fabricante de bombas Teddy Lewis, que constrói um dispositivo incendiário para ele. Ned cria um álibi viajando para Miami, onde se hospeda em um hotel e volta para casa dirigindo à noite. Depois de matar Edmund, Ned e Matty movem o corpo para um prédio abandonado que pertencia à vítima. Ned arma a bomba para destruir o corpo de Edmund e enganar a polícia. Ned e Matty se separam e concordam em não ter contato até que Matty tome posse da propriedade.

Logo depois, o advogado de Edmund liga para Ned a respeito do novo testamento de Edmund, que supostamente teria sido redigido por Ned; o testamento teria sido testemunhado por Mary Ann Simpson, uma mulher que Ned conheceu brevemente, mas que agora está desaparecida. O novo testamento foi preparado de forma inadequada, violando a regra contra perpetuidade, e o juiz local, com uma má opinião de Ned, o anula, deixando Matty como única beneficiária e deserdando a sobrinha de Edmund, Heather. Ned percebe que Matty ignorou seu aviso e falsificou o testamento, calculando que ele seria anulado. Matty implora por perdão, jurando seu amor por Ned. O caso é investigado pelos amigos de Ned, o promotor Peter Lowenstein e o detetive Oscar Grace. Eles suspeitam que Matty esteja envolvida na morte do marido e alertam Ned para não se encontrar com ela; Ned começa a namorar Matty abertamente para despistá-los. A polícia deduz que Edmund não foi morto no incêndio criminoso porque seus óculos estavam desaparecidos. Além disso, Matty parece ter mentido sobre Mary Ann Simpson. Oscar começa a suspeitar de Ned quando percebe que o álibi dele em Miami não se sustenta. A sobrinha de Edmund, que certa vez flagrou Matty e Ned fazendo sexo, é levada à polícia, mas não reconhece Ned. Cada vez mais nervoso e questionando a lealdade de Matty, Ned encontra um conhecido que diz tê-lo recomendado a ela. Mais tarde, Teddy conta a Ned sobre uma mulher que queria saber como instalar uma bomba em uma porta.

Matty liga para Ned, alegando que sua empregada concordou em devolver os óculos incriminadores depois que ela provavelmente a subornou. Ela pede a Ned que busque os óculos em seu galpão de barcos. Lá, Ned vê um fio preso à porta. Matty chega e Ned pede que ela pegue os óculos, e ela concorda. Oscar chega e observa a interação. Matty caminha em direção ao galpão de barcos, que explode. Um corpo encontrado lá dentro é identificado por meio de registros dentários como sendo o de Matty. Agora na prisão, Ned pressente (e tenta convencer Oscar) que “Matty” ainda está viva. Ned acredita que ela assumiu a identidade de uma antiga colega de escola, Matty Tyler, para esconder seu passado sórdido de Edmund. Ned deduz que a “Mary Ann Simpson”, que ele conhecera anteriormente, descobriu o plano e estava chantageando Matty, para depois ser assassinada e seu corpo enterrado no galpão de barcos. É por isso que os registros dentários coincidiam. Se Ned tivesse morrido na explosão, a polícia teria encontrado os corpos de ambos os suspeitos e encerrado o caso. Oscar não se convence e lembra a Ned que ele realmente matou Edmund. Ned consegue uma cópia do anuário do Ensino Médio de Matty: nele, há fotos de Mary Ann Simpson e Matty Tyler, confirmando sua suspeita. Abaixo da foto de Mary Ann, está o apelido “A Vampira” e a frase “Ambição: Ser rica e viver em uma terra exótica”. A verdadeira Mary Ann, não por acaso, aparece relaxando em uma praia tropical, vivendo uma nova vida.

Além disso, a esposa do diretor, Meg Kasdan, faz uma breve participação especial no início do filme como uma das parceiras sexuais de Racine – vista se arrumando para sair do apartamento dele para ir trabalhar. Kasdan “queria que este filme tivesse a estrutura intrincada de um sonho, a densidade de um bom romance e a textura de pessoas reconhecíveis em circunstâncias extraordinárias”. George Lucas atuou como produtor executivo não creditado após colaborações bem-sucedidas com Kasdan como roteirista em Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida (1981) e Star Wars - O Império Contra-Ataca 1980). Christopher Reeve recusou o papel de Ned Racine, que acabou ficando com William Hurt; Reeve mais tarde se arrependeria da decisão, embora estivesse feliz por seu amigo. Gail Matthius, do Saturday Night Live (1980-81) fez teste para o papel de Turner. Uma parte substancial foi filmada na região centro-leste do Condado de Palm Beach, na Flórida, incluindo o centro de Lake Worth e o enclave litorâneo de Manalapan. Outras cenas foram filmadas em Hollywood Beach, na Flórida, como a cena ambientada em uma concha acústica. Originalmente, havia cenas de sexo mais explícitas e extensas, mas estas foram exibidas apenas em uma prévia cinematográfica em duas cidades, incluindo West Palm Beach, onde o filme foi gravado, e foram editadas para o lançamento oficial. Em uma entrevista, a editora do filme Body Heat, Carol Littleton, disse: “Obviamente, havia cenas mais explícitas. Mas achamos que menos era mais”.

No final de 1980, Lawrence Kasdan se reuniu com quatro compositores cujas obras ele admirava, mas apenas John Barry apresentou ideias próximas às do próprio diretor. Dez demos foram gravadas em 31 de março e Barry escreveu toda a trilha sonora durante abril e início de maio de 1981. O compositor forneceu vários temas e leitmotivs - o mais memorável foi “Tema Principal”, ouvido durante os créditos iniciais e representando Matty. Barry trabalhou em estreita colaboração com o engenheiro de sessões de gravação Dan Wallin para mixar o álbum da trilha sonora, mas por vários motivos JS Lasher que produziu o Long Play e Compact Disk de edição limitada remixou as multitracks sozinho, sem a participação de Barry ou Wallin. O álbum de JS Lasher foi lançado diversas vezes: em formato 45 RPM (Southern Cross LXSE 1.002) em 1983 e em CD (Label X LXCD 2) em 1989. Ambas as edições também incluíam “Ladd Company Logo”, composta e conduzida por John Williams. Em 1998, a Varèse Sarabande lançou uma regravação de Joel McNeely e da Orquestra Sinfônica de Londres. Este CD continha várias faixas novas em comparação com as edições de JS Lasher, mas ainda não estava completo. Em agosto de 2012, a Film Score Monthly lançou uma edição definitiva de dois discos: a trilha sonora completa com trechos alternativos, não utilizados e originais no disco 1, e as demos originais do álbum e do tema, autorizadas por Barry, no disco 2. Body Heat foi um sucesso comercial. Nos Estados Unidos da América e Canadá, arrecadou US$ 24,1 milhões nas bilheterias, contra um orçamento de US$ 9 milhões. Body Heat recebeu críticas geralmente positivas. 

              

 No agregador de críticas Rotten Tomatoes, o filme tem uma aprovação de 96% com base em 49 críticas, com uma classificação média de 8,1/10. O consenso dos críticos do site diz: “Feito com ingredientes clássicos do noir e temperado com uma generosa dose de especiarias modernas e sensuais, Body Heat faz jus ao seu título evocativo”. No Metacritic, que atribui uma pontuação média ponderada de 0 a 100 com base em críticas de veículos de imprensa especializados, o filme recebeu uma pontuação média de 77, com base em 11 críticas, indicando avaliações geralmente favoráveis. Após seu lançamento, Richard Corliss escreveu: “Corpos Ardentes tem mais força narrativa, densidade de personagens e senso de lugar do que qualquer roteiro original desde Chinatown (1974), mas ainda deixa espaço para alguns jovens atores esplêndidos respirarem, para colaborarem na criação da textura do filme”; é “repleto de personagens substanciosos e performances marcantes — Ted Danson como um promotor sapateador, J.A. Preston como um detetive obstinado e, especialmente, Mickey Rourke como um jovem ex-presidiário esperto que parece e age como se pudesse ser o irmão gêmeo mais sórdido de Ned”. 

A revista Variety escreveu: “Corpos Ardentes é uma trama envolvente e extremamente estilosa na qual sexo e crime caminham de mãos dadas rumo à tragédia, como nos velhos tempos. Trabalhando sob a imponente sombra do falecido James M. Cain, o roteirista Lawrence Kasdan faz uma estreia na direção impressionantemente confiante”. Roger Ebert incluiu o filme em sua “Lista dos 10 Melhores” do ano. Janet Maslin escreveu que Body Heat foi “habilmente, embora servilmente, derivado” dos clássicos do cinema noir da década de 1940; ela afirmou que “o Sr. Hurt faz um trabalho maravilhoso ao dar vida a Ned”, mas não ficou impressionada com a atuação de Turner: O sexo é de suma importância em Body Heat, como o título pode indicar. E além disso, não há muito que faça a história avançar ou que aproxime esses personagens. Grande parte do distanciamento entre [Ned e Matty] pode ser atribuída à atuação da Srta. Turner, que tem a aparência da típica musa dos anos quarenta, mas soa como a atriz de novela que é. A Srta. Turner mantém o queixo erguido, fala em um tom perfeitamente monótono e nunca parece se mover da posição em que o Sr. Kasdan a deixou. Pauline Kael rejeitou o filme, citando seu “diálogo insinuante e acalorado que seria divertido de se vaiar se o modo silencioso e sonâmbulo do filme não fizesse você se encolher ou bocejar”. 

Ebert respondeu à crítica negativa de Kael quando adicionou o filme à sua lista de Grandes Filmes: Sim, Body Heat (1981), de Lawrence Kasdan, tem consciência dos filmes que o inspiraram — especialmente Double Indemnity (1944), de Billy Wilder. Mas possui um poder que transcende suas fontes. Explora o estilo pessoal de seus astros para se insinuar; Kael é injusto com Turner, que em seu papel de estreia interpretou uma mulher tão sexualmente confiante que podemos acreditar que seu amante (William Hurt) poderia ser levado a fazer quase tudo por ela. No momento em que acreditamos nisso, o filme deixa de ser um exercício e começa a funcionar. John Simon, da National Review, descreveu Body Heat como “derivativo e odioso”. Em uma crítica de vídeo doméstico para o Turner Classic Movies, Glenn Erickson o chamou de “possivelmente o primeiro Neo Noir consciente”; e escreveu: “Muitas vezes descrito como uma refilmagem rápida de Double Indemnity, Body Heat é mais detalhado em estrutura e mais pessimista sobre a natureza humana. O herói noir dos anos Reagan é... mais parecido com o autodestrutivo Al Roberts de Detour, de Edgar Ulmer”. Rourke recebeu elogios da crítica por sua atuação cinematográfica, que o ajudou a evoluir de ator coadjuvante para astro de cinema. A Warner Home Vídeo lançou uma edição de luxo em DVD do 25º aniversário de Body Heat, incluindo documentário do filme de Laurent Bouzereau, com cenas deletadas provavelmente com razão e um trailer. Foi lançado pela Criterion Collection em 19 de maio de 2026.

Bibliografia Geral Consultada.

LYOTARD, Jean-François, La Condition Postmoderne. Paris: Les Éditions Minuit, 1979; SILVER, Alain; WARD, Elizabeth (Eds.), Film Noir: An Encyclopedic Reference to the American Style. 3ª ed. Nova Yorque: The Overlook Press, 1992; KATZ, Chaim Samuel, O Coração Distante: Ensaios Sobre a Solidão Positiva. Rio de Janeiro: Editora Revan, 1996; AUMONT, Jacques, À Quoi Pensent Les Films. Paris: Editeur Séguier, 1996; THOMPSON, Edward Palmer, A Formação da Classe Operária. III – A Força dos Trabalhadores. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1987; Idem, Costumes em Comum. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 1998; GUÉRIF, François, Le Film Noir Américains. Paris: Éditions Denoël, 1999; MORSE, Richard, O Espelho de Próspero: Cultura e Ideias nas Américas. São Paulo: Editor Schwarz, 2000; MÜLLER, Ricardo Gaspar, Razão e Utopia: Thompson e a História. Tese de Doutorado em História Social. Departamento de História Social. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2002; SCHWARTZ, Ronald, Neo-noir: O Novo Estilo do Filme Noir de Psicose a Colateral. Lanham, Maryland: Rowman & Littlefield, 2005; KEHL, Maria Rita, Ressentimento. São Paulo: Editor Casa do Psicólogo, 2007; HANSON, Helen, Hollywood Heroines: Women in Film Noir and the Femme Gothic Film. New York: I.B Tauris & Co, 2007; INGLIS, Robin, Historical Dictionary of the Discovery and Exploration of the Northwest Coast of America. Estados Unidos: Editor ‎ Scarecrow Press, 2008; TURNER, Frederick Jackson, The Frontier in American History. New York: Dover Publications, 2010; BERMAN, Marshall, Tutto Ciò Che è Solido Svanisce nell`Aria. L`Esperienza della Modernità. Bologna: Editore Il Mulino, 2012; BORGES, Rafael, Como o Oeste se Perdeu: Representação, Nação e Modernidade no Novo Western (1969-2012). Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em História. Faculdade de História. Goiânia: Universidade Federal de Goiás, 2015; CAMPOS, Leonardo, “Corpos Ardentes”. Disponível em: https://www.planocritico.com/29/03/2019; NOVAES, Marcus Pereira, Ionizações de Sentidos e Infâncias em Cinematografias Latino-americanas. Tese de Doutorado em Educação. Faculdade de Educação. Campinas: Universidade de Campinas, 2021; KRICHELDORF, Marcelo, “Análise do Filme: Corpos Ardentes (1981)”. Disponível em: https://soumaispop.com.br/2026/01/06/; entre outros.