sexta-feira, 26 de junho de 2026

Águas Que Corroem – Sobrevivência & Astúcia em Suspense Policial.

          Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem”. Bertolt Brecht  (1898-1956)                           

         Astúcia da razão (do alemão: List der Vernunft) é uma expressão desenvolvida por Friedrich Hegel para designar o processo pelo qual, ao longo da história humana, realiza-se um propósito racional que não é consciente para os indivíduos que nele atuam. Hegel aplica a noção ao fim último do mundo: a tomada de consciência do espírito sobre sua própria liberdade. Esse fim representa o elemento racional da história e se concretiza através das ações humanas, ainda que estas sejam motivadas por paixões ou interesses particulares. A razão seria “astuciosa” porque permite que tais paixões atuem livremente, mas faz delas instrumentos para alcançar seus próprios objetivos. O custo dessa realização não recai sobre a ideia, e sim sobre os indivíduos que, movidos por seus impulsos, sofrem perdas no processo. Para Hegel, a razão não age diretamente; ela interpõe entre si e a realidade um elemento mediador: as ações humanas. A razão governa o mundo e se realiza gradualmente através do desenvolvimento histórico. A história é o processo racional e necessário pelo qual o espírito se desdobra e se torna consciente. É o “progresso na consciência da liberdade”, chegando a ser chamada pelo filósofo de “obra de Deus”. Os indivíduos, nesse processo, tornam-se servidores de uma necessidade superior que eles não compreendem. Suas ações, mesmo movidas por paixões privadas, contribuem para a construção da vida ética e para a realização dos fins do espírito do mundo.  Os conceitos se desenvolvem dialeticamente: um contém o outro e se define em oposição a ele. Assim, o Absoluto se realiza historicamente nas etapas do pensamento do “em si”, “para si” e “em si e para si”. 

        Ao longo do decorrer dos séculos, o espírito absoluto se revela progressivamente, sendo desvelado pelo conhecimento como a essência divina manifestada no mundo.  A natureza é o espírito em sua forma alienada. Deus se manifesta na história humana.  O indivíduo, por meio do Estado a que pertence, está submetido a um destino histórico. Grandes figuras na história social como Napoleão Bonaparte (1769-1821), chamado por Friedrich Hegel (1770-1831) de “espírito do mundo a cavalo” — apenas pressentem o que é necessário em determinado momento. Assim, o homem frequentemente se torna instrumento dessas forças objetivas. Fala-se da astúcia da razão quando alguém age sem perceber que está servindo a um fim maior da história. A pessoa pode acreditar estar perseguindo sua honra, ambição ou carreira profissional, mas, na verdade, age como veículo da racionalidade histórica. De acordo com sua compreensão dos processos históricos, o indivíduo pode tornar-se instrumento consciente ou inconsciente de fins superiores. Assim, a concepção kantiana do ser humano como fim em si mesmo perde centralidade. Hegel foi criticado por atribuir peso excessivo ao Estado e menor ao indivíduo, em contraste com autores iluministas como Kant e Rousseau. Para Hegel, a liberdade não é apenas individual, mas objetiva e social, realizando-se plenamente no Estado que ele define como a “realidade da ideia ética”. Depois da Revolução Francesa, a liberdade torna-se algo realizável para todos apenas nos Estados modernos. Nesse processo de realização da liberdade universal, povos e indivíduos podem ser sacrificados e é nesse sacrifício que se expressa a astúcia da razão. 

            A racionalidade prevalece sobre os interesses individuais. A visão de Hegel provocou críticas tanto de hegelianos de esquerda quanto de Karl Marx, que adotou a dialética, mas rejeitou a noção de um espírito que conduz a história. Para Marx, o motor da história não é a astúcia da razão, mas o trabalho humano e as condições materiais.  A crítica de Theodor Adorno à filosofia hegeliana retomaria esse ponto. Apesar disso, para Hegel o indivíduo não é marionete: sua consciência é fundamental nela residem o trabalho e valor pessoal. Águas Que Corroem (Rust Creek) tem como representação social um filme norte-americano de suspense policial de 2018 dirigido por Jen McGowan e escrito por Julie Lipson. Jen McGowan começou sua carreira como cineasta quando recebeu seu Bachelor of Fine Arts Degree da Tisch School of the Arts da Universidade de Nova York, uma instituição privada de pesquisa de Nova York, Estados Unidos da América. Jen McGowan é uma cineasta norte-americana. No Festival de Cinema South by Southwest de 2014, McGowan ganhou o prêmio Gamechanger por Kelly & Cal, seu primeiro longa-metragem. McGowan é a criadora do filmpowered.com, um recurso internacional de compartilhamento de habilidades, networking e empregos para mulheres profissionais no cinema e na televisão. Jen McGowan começou sua carreira como cineasta quando recebeu seu BFA da Tisch School of the Arts da NYU, estudou cinema e treinou como atriz na Atlantic Theater Company com David Mamet, William H. Macy e Sam Shepard. Nesse período, McGowan trabalhou com companhias RSA/Black Dog, A Band Apart, Killer Films e Propaganda. E em longas-metragens independentes, incluindo o vencedor do Oscar Boys Don`t Cry.                                

McGowan recebeu uma bolsa da The Cáucus Foundation para seu filme de tese, Confessions of a Late Bloomer (2005), que começou sua trajetória em festivais no Tribeca Film Festival. McGowan dirigiu então o curta-metragem Touch, que ganhou o Grande Prêmio do Júri de Melhor Curta-Metragem Narrativo no Festival de Cinema da Flórida de 2010, qualificando o filme para a indicação ao Oscar. McGowan começou o desenvolvimento de Kelly & Cal, sua estreia na direção de longas-metragens, através do projeto First Team na Universidade do Sul da Califórnia, que fomentou projetos para seus ex-alunos. Seu segundo longa-metragem, Rust Creek (Águas Que Corroem), foi distribuído pela IFC Midnight. Ela dirigiu episódios de programas de televisão como The Twilight Zone, Star Trek: Discovery e Titans. Ela é membro Icon da Alliance of Women Directors, membro da filial de Los Angeles da Film Fatales, bolsista da Film Independent e membro da Academia de Televisão. McGowan é copresidente do Programa Squad do Comitê Diretivo Feminino da DGA, a apoiar diretoras da DGA em meio de carreira. Rust Creek (Águas Que Corroem) tem como representação social um filme independente de suspense policial estadunidense de 2018 dirigido por Jen McGowan e escrito por Julie Lipson. 

É baseado em uma história original de Julie Lipson e Stu Pollard. Hermione Corfield estrela como uma estudante universitária que se perde durante uma viagem e é caçada por criminosos que acreditam que ela é uma testemunha de seus crimes na vida cotidiana. Ele estreou no Festival de Cinema de Bentonville de 2018 e foi lançado nos cinemas em 4 de janeiro de 2019. O elenco é formado por Hermione Corfield como Sawyer Scott, Jay Paulson como Lowell Pritchert, Sean O`Bryan como Xerife O`Doyle, Micah Hauptman como Hollister, Daniel R. Hill como Buck, Jeremy Glazer como policial Nick Katz, John Marshall Jones como Comandante Douglas Slattery, Laura Guzman como Charlotte, Virginia Schneider como Donna, Denise Dal Vera como Sra. Gander. Escólio: Sawyer Scott, uma veterana do Center College, recebe uma oferta para uma entrevista de emprego em Washington, D. C. Envergonhado por não conseguir o emprego, Sawyer pula o Dia de Ação de Graças com sua família para viajar para a entrevista sem contar a ninguém sobre seus planos. Depois de encontrar tráfego de feriados na Interestadual 64, ela pega uma rota alternativa, mas a encontra parcialmente fechada. Viajando ainda mais fundo na floresta Apalaches, Sawyer eventualmente se vira, mas é avistada pelos irmãos Hollister e Buck, que estão enterrando um corpo. Preocupados em que ela possa tê-los visto, os irmãos seguem Sawyer e a encontram estudando um mapa de papel durante uma parada repentina na estrada. Oferecendo ajuda, os irmãos per se logo se tornam hostis quando Sawyer rejeita o convite para jantar. Buck e Sawyer são feridos por sua faca durante a luta. Os irmãos a perseguem na floresta por uma curta distância, mas voltam quando a noite cai. Desorientada e ferido, Sawyer passa a noite em uma ravina.

Apalaches são uma cordilheira da América do Norte, contraparte oriental das Montanhas Rochosas, que se estende por quase 3 200 km da Terra Nova e Labrador, no Canadá, ao estado de Alabama, no sudeste dos Estados Unidos. Compõem a barreira natural entre a planície costeira oriental e as planícies interiores da América do Norte. Estão divididas em três grandes regiões fisiográficas (Setentrional, Central e Meridional) e incluem as montanhas Shickshocks e as cadeias de Notre Dame em Quebeque; Long Range, na ilha de Terra Nova; o monte Katahdin no Maine; as Montanhas Brancas de Nova Hampshire; as Montanhas Verdes, que se tornam as Colinas Berkshire em Massachussets, Connecticut e o leste de Nova Iorque. As montanhas Catskill, em Nova Iorque, estão no centro dos Apalaches, assim como o início da cordilheira Cume Azul no sul da Pensilvânia e montanhas Allegheny, no sudoeste de Nova Iorque, Oeste da Pensilvânia e Marilândia e Leste de Ohio. Esta área inclui os Alleghenies da Virgínia Ocidental e Virgínia; a cordilheira Cume Azul, que se estende pela Virgínia e pelo oeste da Carolina do Norte, a ponta Noroeste da Carolina do Sul e a parte Nordeste da Geórgia; as Montanhas Unaca, no Sudoeste da Virgínia, Leste do Tenessi e Oeste da Carolina do Norte das quais as montanhas Great Smoky fazem parte; e os montes da Cumberlândia no Leste do Quentuqui, Sudoeste da Virgínia Ocidental e da Virgínia, Leste do Tenessi e norte do Alabama. Suas maiores elevações estão na divisão Norte, com o Monte Katahdin do Maine (1 606 metros), o monte Washington de Nova Hampshire (1 916 metros) e outros pináculos nas Montanhas Brancas que se elevam acima de 1 525 metros, e na região Sul, onde os picos das Montanhas Negras da Carolina do Norte e das Montanhas Great Smoky do Tenessi-Carolina do Norte se elevam acima dos 1 825 metros) e todo o sistema alcança seu pico mais alto no Monte Mitchell (2 037 metros).

Depois de receber um Relatório de veículo abandonado, o xerife O`Doyle do condado questiona Hollister e Buck, conhecidos criadores de problemas locais, mas eles negam envolvimento com o desaparecimento de Sawyer. Os irmãos mais tarde retornam ao veículo de Sawyer e jogam-no em um aterro na floresta, retomando sua busca por ela. Sawyer encontra os destroços de seu carro e descobre seu telefone celular, mas a bateria do telefone está acabando e não há sinal de celular. Sofrendo de fome, desidratação e perda de sangue, Sawyer perde a consciência perto de um depósito de lixo na floresta e é descoberta por Lowell, um fabricante de metanfetamina que é primo de Hollister e Buck. Lowell trata a perna ferida de Sawyer e oferece a ela comida e água, mas ele a amarra com cordas depois que ela joga soda cáustica em seu rosto em uma tentativa de fuga. Os irmãos chegam para discutir o próximo lote de metanfetamina de Lowell, mas ficam desconfiados quando Lowell os impede de entrar. Depois que os irmãos se vão, Lowell explica que não está mantendo Sawyer como refém, mas esperando que os irmãos entreguem o lote de metanfetamina para que ele possa pegar a caminhonete e levá-la para um local seguro. Sawyer relaxa e se liga a Lowell em  discussão sobre a química envolvida na preparação de metanfetamina, ajudando-o a preparar o lote.   

No escritório do xerife, O`Doyle ordena que o policial Katz ignore o Relatório do veículo desaparecido, mas permite que Katz entre em contato com o proprietário registrado para se acalmar. Quando o comandante Slattery chega, Katz retransmite as informações que reuniu sobre o desaparecimento de Sawyer. Slattery expressa descontentamento com a forma como ele está lidando com o caso e exige ação, irritando O`Doyle que retorna para Hollister e Buck e exige que eles encontrem Sawyer, revelando seu envolvimento com a operação de metanfetamina. Depois que Katz ouve um telefonema entre O`Doyle e os irmãos, ele tenta prender o xerife, mas O`Doyle o mata e faz com que os irmãos se livrem de seu corpo. Quando Slattery retorna, O`Doyle descobre evidências plantadas que implicam Katz no desaparecimento de Sawyer e encobre o assassinato de Katz. Enquanto Slattery mobiliza a polícia estadual, assumindo a investigação de O`Doyle, o xerife sai para ajudar na entrega de metanfetamina dos irmãos, planejando ofuscar o cartel de drogas que está se movendo para a região. Os irmãos chegam a Lowell para pegar o lote de metanfetamina e descobrir Sawyer com ele. Lowell afirma que Sawyer “treinou”, instruindo-a a micro-ondas com uma xícara de café para ele em uma garrafa térmica vista anteriormente como contendo amônia anidra.

O forno micro-ondas explode, matando Buck e ferindo gravemente Lowell e Hollister, mas Lowell protege Sawyer da explosão. Sawyer escapa enquanto o trailer queima, e Lowell luta para dominar Hollister. O`Doyle chega e mata os dois primos, então pega Sawyer. Sawyer reconhece a voz de O`Doyle e percebe que suas intenções são hostis, alertando-o. O” Doyle a leva até o Rust Creek titular e tenta afogá-la, mas ela o esfaqueia com um garfo que escorregou do trailer de Lowell antes. Finalmente livre de seus perseguidores, Sawyer manca com determinação pela estrada enquanto vários carros da polícia estadual convergem atrás dela. O filme estreou no Festival de Cinema de Bentonville em 3 de maio de 2018. O filme ganhou o prêmio de Melhor Filme de Thriller no Festival Internacional de Cinema de San Diego de 2018. Foi lançado para vídeo sob demanda pelos serviços da IFC Midnight Films em 4 de janeiro de 2019. Em 30 de novembro de 2020, Rust Creek estreou na Netflix. O filme ficou mais de uma semana na lista dos dez melhores filmes da Netflix. Rust Creek tem um índice de aprovação de 84% no Rotten Tomatoes com base em 44 avaliações. O consenso crítico do site afirma: “Rust Creek subverte as expectativas com um drama de sobrevivência surpreendentemente em camadas ancorado em um cenário rico e uma atuação principal emocionante de Hermione Corfield”. Metacritic, que usa uma média ponderada, atribuiu uma pontuação de 59 de 100 com base em 12 críticos, indicando “revisões mistas ou médias”. Fundada em 1832 por Albert Gallatin (1761-1849), mutatis mutandis, como uma instituição não denominacional exclusivamente masculina perto da Prefeitura, com base em um currículo centrado em educação secular. A universidade mudou-se em 1833 e mantém seu campus principal em Greenwich Village, ao redor do Washington Square Park. 

Desde então, a universidade adicionou uma escola de engenharia no MetroTech Center do Brooklyn e escolas de pós-graduação em Manhattan. A NYU é uma das maiores universidades privadas dos Estados Unidos em número de matrículas, com um total de 51.848 alunos matriculados em 2021. É uma das escolas mais concorridas do país e o processo de admissão é considerado seletivo. Lá, ela estudou cinema e treinou como atriz na Atlantic Theater Company com David Mamet, William H. Macy e Sam Shepard. O filme é baseado em uma história social original de Lipson e Stu Pollard. A atriz Hermione Corfield estrela interpretando o papel de uma estudante universitária que se perde durante uma viagem de carro e passa “a ser caçada por criminosos que acreditam que ela seja testemunha de seus crimes”. O filme estreou no Festival de Cinema de Bentonville de 2018 e foi lançado nos cinemas em 4 de janeiro de 2019 pela IFC Films.  A NYU é um sistema universitário global com campi que conferem diplomas na NYU Abu Dhabi nos Emirados Árabes Unidos e na NYU Shanghai na China, e centros de aprendizagem acadêmica em Accra, Berlim, Buenos Aires, Florença, Londres, Los Angeles, Madri, Paris, Praga, Sydney, Tel Aviv, Tulsa e Washington, DC. O corpo docente e os ex-alunos, atuais e antigos, incluem 39 laureados com o Prêmio Nobel, 8 vencedores do Prêmio Turing, 5 medalhistas Fields, 31 bolsistas MacArthur, 26 vencedores do Pulitzer, 3 chefes de Estado, 5 governadores, 12 senadores e 58 membros da Câmara dos Representantes dos Unidos da América. Albert Gallatin (1761–1849) secretário do tesouro sob Thomas Jefferson (1743-1826) e James Madison, declarou sua intenção de estabelecer “nesta imensa e crescente cidade (...) um sistema de educação racional e prática, adequado e graciosamente aberto a todos”. 

Uma “convenção literária e científica” de três dias, realizada na Prefeitura em 1830 e com a presença de mais de 100 delegados, debateu os termos de um plano para uma nova universidade. Esses nova-iorquinos acreditavam que a cidade precisava da universidade voltada para jovens admitidos com base no mérito, e não em direito de nascimento ou classe social. Em 18 de abril de 1831, a instituição que se tornaria a NYU foi fundada com o apoio de “um grupo de proeminentes moradores da cidade de Nova York, incluindo comerciantes, banqueiros e negociantes”. Gallatin foi eleito seu primeiro presidente. Em 21 de abril de 1831, a nova instituição recebeu sua carta constitutiva e foi incorporada como Universidade da Cidade de Nova York pela Assembleia Legislativa do Estado de Nova York; documentos mais antigos frequentemente se referem a ela por esse nome. A universidade é popularmente reconhecida como Universidade de Nova York desde sua fundação e foi oficialmente renomeada como Universidade de Nova York em 1896. Em 1832, a NYU realizou suas primeiras aulas em salas alugadas do Clinton Hall, um prédio de quatro andares situado perto da Prefeitura. Em 1835, foi fundada a Faculdade de Direito, a primeira escola profissional da NYU. Embora o ímpeto para fundar uma nova escola tenha sido em parte uma reação dos presbiterianos evangélicos (cf. Weber, 2003) ao que eles percebiam como o episcopalismo do Columbia College, a NYU, entretanto, foi criada não-denominacional, ao contrário de muitas faculdades norte-americanas.

Debates e propostas sobre a fundação de uma universidade na Província de Nova Iorque começaram a ascender em 1704, quando o então governador Lewis Morris escreveu à Sociedade para Propagação do Evangelho no Exterior - o corpo missionário da Igreja da Inglaterra, tentando persuadi-los de que Nova Iorque era o local ideal para a construção de uma instituição educacional superior. Contudo, somente após a fundação da Faculdade de Nova Jérsei (atual Universidade Princeton), na margem oposta do Hudson, as autoridades da cidade de Nova Iorque consideraram seriamente a fundação de uma universidade própria. Em 1746, a assembleia geral de Nova Iorque aprovou um ato de levantamento de fundos para financiar a nova instituição. Em 1751, a assembleia elegeu uma comissão de dez moradores da região, sete dos quais eram membros da Igreja da Inglaterra, para dirigir os fundos angariados na fundação da faculdade. As primeiras aulas ocorreram em julho de 1754, ministradas pelo primeiro presidente da universidade, Dr. Samuel Johnson. Johnson era o único instrutor da primeira classe da faculdade, que consistia somente em oito docentes. A primeira sede da instituição funcionou num prédio anexo à Igreja da Trindade, hoje na porção sul da Broadway, em Manhattan. Tendo como data oficial de fundação o dia 31 de outubro de 1754, a instituição foi “batizada como King`s College por carta régia de Jorge II da Grã-Bretanha”, tornando-se a primeira instituição de nível superior do estado de Nova Iorque e a quinta a ser fundada no país. Em 1763, Johnson foi sucedido por Myles Cooper, um graduado do The Queen`s College de Oxford e um defensor ferrenho do partido Tory.

 No tenso cenário política da Revolução Americana, seu principal oponente ideológico foi um docente da classe de 1777, Alexander Hamilton (1755/1757-1804). Quando da eclosão da Guerra da Independência em 1776, a faculdade suspendeu suas atividades por oito anos. A suspensão permaneceu durante a ocupação de Nova Iorque pelas tropas britânicas até a sua rendição e partida em 1783. Durante a campanha militar, a biblioteca da universidade foi loteada e seu prédio utilizado como hospital militar por tropas americanas e britânicas. Após o conflito, a liderança expulsou os Lealistas da universidade, que teve seu nome modificado para Columbia College, visando reforçar os ideais nacionalistas americanos. Os Lealistas, por sua vez, liderados pelo Bispo Charles Inglis (1734-1816), fundaram o King`s Collegiate School, em Windsor. Na década de 1780, o nome da instituição foi modificado para homenagear Colúmbia, personificação do ideal revolucionário americano. Após o período revolucionário, a universidade voltou-se ao estado de Nova Iorque na tentativa de restaurar seus anos de atividade, prometendo modificar o que fosse necessário para suprir as demandas estaduais. A legislatura concordou em assistir financeiramente à faculdade e, em 1° de maio de 1784, aprovou “um ato concedendo certos privilégios à instituição anteriormente conhecida como King`s College”.

O ato estabeleceu uma Comissão de Regentes com finalidade de supervisionar a reestruturação da faculdade e, numa tentativa de demonstrar seu apoio ao governo federal emergente, a legislatura estipulou que “a faculdade na Cidade de Nova Iorque a partir de então seria chamada e conhecida pelo nome Columbia College”, uma referência à personificação da América. A Comissão de Regentes concluiu a constituição da faculdade em fevereiro de 1787 e, logo em seguida, elegeu um comitê revisor, liderado por John Jay e Alexander Hamilton. Em abril do mesmo ano, uma nova carta foi adotada pela instituição, sendo a que se mantém até a atualidade. Em 21 de maio de 1787, William Samuel Johnson, filho de Samuel Johnson, foi eleito por unanimidade para a presidência do Columbia College. Antes de presidir a universidade, Johnson havia sido membro do Primeiro Congresso Continental e delegado na Convenção de Filadélfia. Durante certo período na década de 1790, em que Nova Iorque foi capital federal e estadual, a universidade voltou ao seu auge. George Washington (1732-1799) e John Adams (1735-1826), os primeiros presidente e vice-presidente, ipso facto, presentes na cerimônia de inauguração da universidade em 6 de maio de 1789. Columbia sempre figurou entre as 20 melhores instituições de Ensino Superior do mundo globalizado e recentemente, 2014, foi considerada a 4º melhor universidade dos Estados Unidos, segundo o US News & World Report, e como a 12º melhor universidade do mundo pelo Times Higher Education.

A universidade tem mais de 132 000 m² só no seu campus principal. Columbia é dividida em várias escolas de graduação/profissionais como por exemplo: Columbia College (CC), The Fu Foundation School of Engineering and Applied Sciences (SEAS), The School of General Studies (GS), The Business School (BS), entre outras. Além do campus principal há o campus de Ciências Médicas, localizado no bairro de Washington Heights. Várias residências estudantis estão localizadas dentro do próprio campus e o alojamento nestas é garantido a todos os alunos de graduação. A universidade atualmente opera postos de pesquisa em 8 localidades ao redor do mundo, com o objetivo de fomentar e facilitar a troca de conhecimento e propor soluções para problemas globais. Os primeiros centros foram inaugurados em março de 2009 em Pequim e Amã, sendo em seguida inaugurados centros em Paris e Bombaim, em março de 2010, e Nairóbi, em janeiro de 2012. Outros centros foram abertos em Istambul, Santiago e Rio de Janeiro, Brasil em 2012 e 2013, respectivamente. Não queremos perder de vista que a Sociedade Americana de Química foi fundada em 1876 na NYU. Logo após sua fundação, tornou-se uma das maiores universidades do país, com 9.300 alunos matriculados em 1917.        

A universidade adquiriu um campus em University Heights, no Bronx, devido à superlotação no antigo campus. A NYU também desejava acompanhar o desenvolvimento da cidade de Nova York em direção ao norte. A mudança da NYU para o Bronx ocorreu em 1894, liderada pelos esforços do Chanceler Henry Mitchell MacCracken (1840-1918). O campus de University Heights era muito mais espaçoso do que seu antecessor. Como resultado, a maior parte das operações da universidade, juntamente com a Faculdade de Artes e Ciências e a Escola de Engenharia, foram instaladas lá. As operações administrativas da NYU foram transferidas para o novo campus, mas as escolas de pós-graduação da universidade permaneceram em Washington Square. Em 1914, o Washington Square College foi fundado como a faculdade de graduação da NYU no centro da cidade. Em 1935, a NYU inaugurou o “Nassau College-Hofstra Memorial da Universidade de Nova York em Hempstead, Long Island”. Esta extensão universitária mais tarde se tornaria uma Universidade Hofstra totalmente independente. Em 1950, a NYU foi eleita para a Associação de Universidades Americanas, uma organização sem fins lucrativos de universidades de pesquisa públicas e privadas líderes. A crise financeira atingiu o governo da cidade de Nova York no final da década de 1960 e início da década de 1970, e os problemas se espalharam para as instituições da cidade, incluindo a NYU.

Sentindo a pressão econômica da falência iminente, o presidente da NYU, James McNaughton Hester (1924-2014), negociou a venda do campus de University Heights para a City University of New York, o que ocorreu em 1973. Neste ano, a Escola de Engenharia e Ciências da Universidade de Nova York fundiu-se com o Instituto Politécnico do Brooklyn, que eventualmente se fundiu novamente com a NYU em 2014, formando a atual Escola de Engenharia Tandon. Após a venda do campus do Bronx, o University College fundiu-se com o Washington Square College. Na década de 1980, sob a liderança do presidente John Brademas, a NYU lançou uma campanha de um bilhão de dólares liderada por Naomi B. Levine (1923-2021) e gasta quase inteiramente na modernização das instalações. A campanha estava prevista para ser concluída em 15 anos, mas acabou sendo concluída em 10. Em 1991, Lawrence Jay Oliva (1933-2014) foi empossado como o 14º presidente da universidade. Após sua posse, ele iniciou a formação da Liga das Universidades Mundiais, uma organização internacional composta por reitores e presidentes de universidades urbanas em seis continentes. A liga e seus 47 representantes se reúnem a cada dois anos para discutir questões globais na educação. Em 2003, John Sexton lançou uma “campanha de 2,5 mil milhões de dólares para serem gastos especialmente em recursos para o corpo docente e para o auxílio financeiro”.

Sob a liderança de Sexton, a NYU também começou a sua transformação numa universidade global, incluindo a abertura de um campus em Abu Dhabi em 2010. Empréstimos hipotecários concedidos pela universidade a alguns administradores e professores foram criticados após a publicação de reportagens em agosto de 2013, que detalhavam os termos dos empréstimos, incluindo o fato de a instituição ter concedido alguns com taxas de juros próximas de zero por cento e outros que foram parcialmente perdoados. De forma singular entre as universidades, a instituição também concedeu empréstimos multimilionários para casas de férias de luxo. O presidente Sexton renunciaria ao cargo no final de seu mandato em 2016, após um voto de desconfiança em março de 2013, seguido de perto por controvérsia sobre ter recebido um empréstimo para uma casa de férias da NYU. Em agosto de 2018, a Escola de Medicina Grossman da Universidade de Nova Iorque anunciou que iria oferecer bolsas de estudo integrais a todos os alunos atualmente e futuros do seu programa de Medicina, independentemente da necessidade ou do mérito, tornando-se a única escola de medicina entre as 10 melhores dos Estados Unidos a fazê-lo.  Na primavera de 2022, o presidente Andrew D. Hamilton anunciou que o ano letivo de 2023 seria o seu último e que ele retornaria à pesquisa. Ele foi sucedido por Linda G. Mills, a primeira presidente mulher da universidade.

Bibliografia Geral Consultada.

BENJAMIN, Walter, L`Opera d`Arte nell`Epoca della Riproducilità Técnica. Turim: Einaudi Editore, 1966; HESTER, James, Universidade de Nova York; A Universidade Urbana Atingindo a Maioridade. Nova York: Sociedade Newcomen na América do Norte, 1971; STOECKEL, Althea Lucille, Presidents, Professors, and Politics: The Colonial Colleges and the American Revolution. Publisher Ball State University. Department of History, 1976; IANNI, Octavio, Dialética e Capitalismo – Ensaio Sobre o Pensamento de Marx. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 1982; ADORNO, Theodor, Dialética do Esclarecimento: Fragmentos Filosóficos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1985; LÖWITH, Karl, From Hegel to Nietzsche. New York: Columbia University Press, 1991; GITLOW, Abrahm, NYU`s Stern School of Business: A Centennial Retrospective. New York: NYU Press, 1995; MIRANDA, Paulo Henrique Façanha de, Das Palavras à Vida: O Prazer em Max Weber. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais. Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes. Natal: Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2009; ASLAN, Odete, O Ator no Século XX. São Paulo: Editora Perspectiva, 1994; ELIAS, Norbert, A Sociedade dos Indivíduos. 1ª edição. Rio de Janeiro: Zahar, 1994; Idem, O Processo Civilizador: Uma História dos Costumes. Volume 1. 2ª edição. Apresentação de Janine Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 2011; ŽIŽEK, Slavoj, Menos Que Nada: Hegel e a Sombra do Materialismo Dialético. São Paulo: Boitempo Editorial, 2013; FANTA, Daniel, A Neutralidade Valorativa: A Posição de Max Weber no Debate sobre os Juízos de Valor. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Sociologia. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Departamento de Sociologia. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2014; LIMA, Bruna Della Torre de Carvalho, Adorno, Crítico Dialético da Cultura. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Sociologia. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2017; BECKER, Howard Saul, Outsiders: Estudo de Sociologia do Desvio. 2ª edição. Rio de Janeiro: Zahar, 2019; OLIVEIRA, Helena, “Não Recomendado para Cardíacos: No Prime Vídeo, “Águas Que Corroem” Aposta em Tensão Constante e Escolhas Sem Retorno”. Disponível em: https://www.revistabula.com/17/12/2025BOTELHO, Letícia Olano Morgantti Salustiano, Patriarcado e Capitalismo na Obra de Bertolt Brecht. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Filosofia. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2026; entre outros.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

O Homem do Norte – Cinema & Gesta Danorum, de Saxo Grammaticus.

Vou vingá-lo, pai. Vou salvá-la, mãe. Vou matá-lo, Fjolnir!”. Personagem-título  Príncipe Amleth  (1599-1601)                    

            

        Viking tem como representação social e humana um termo habitualmente usado para se referir aos exploradores, guerreiros, comerciantes e piratas escandinavos que invadiram, exploraram e colonizaram grandes áreas da Europa e das ilhas do Atlântico Norte a partir do final do século VIII ao início do século XI. Marinheiros e navegadores experientes em seus navios chamados de dracars, os Vikings estabeleceram assentamentos e governos nórdicos nas Ilhas Britânicas, nas Ilhas Feroe, na Islândia, na Groenlândia, na Normandia e na Costa Báltica, bem como ao longo das rotas comerciais dos rios Dnieper e do Volga através na Rússia moderna, na Bielorrússia e Ucrânia, onde também eram reconhecidos como varegues. Os normandos, os nórdicos-gaélicos, o povo rus, os faroeses e os islandeses emergiram dessas colônias nórdicas. A certa altura, um grupo de Rus Vikings foi tão para o Sul que, depois de servir brevemente como guarda-costas do imperador bizantino, atacaram a cidade bizantina de Constantinopla. Os Vikings também viajaram para o Mar Cáspio na região do Irã, Daguestão e Azerbaijão e até a Arábia. Eles também foram os primeiros europeus a chegar à América do Norte, brevemente fundando uma colônia em Terra Nova (Vinlândia). Ao espalharem a cultura nórdica para terras estrangeiras, eles simultaneamente trouxeram escravos, concubinas e influências culturais estrangeiras para a Escandinávia, influenciando o desenvolvimento genético de ambos. Historicamente durante a chamada Era Viking, as terras natais nórdicas foram gradualmente consolidadas na esfera política de reinos menores em três reinos maiores, nos territórios da Dinamarca, Noruega e Suécia.

       A raiz da palavra germânica vik ou wik está relacionada a mercados, é o sufixo normalmente utilizado para referir-se a uma “cidade mercadora”, da mesma forma que burg significa “lugar fortificado”. Sandwich e Harwich, na Inglaterra, ainda demonstram essa terminação, e Quentovic, a recém-escavada cidade portuária dos francos, mostra a mesma etimologia. A atividade mercantil dos vikings está bem documentada em vários locais arqueológicos como Hedeby, uma importante cidade viquingue dos dinamarqueses, localizada no Norte da Alemanha. Há quem acredite que a palavra viking vem de vikingr do nórdico antigo, língua falada pelos vikings, mas eles não se denominavam assim; este nome foi atribuído a eles devido ao seu significado: piratas, aventureiros ou mercenários viajantes. Os vikings são escandinavos, que por sua vez, são um povo germânico, sendo provenientes dos indo-europeus. Os vikings a partir do século VII começaram a sair da Escandinávia para as regiões próximas, autônomas dinamarquesas como Groenlândia e as Ilhas Faroé, e a finlandesa ilhas Åland. devido a uma superpopulação e até problemas internos, como no caso extraordinário de Érico, o Vermelho que foi expulso da Noruega e da Islândia por assassinato, além da motivação pelo comércio e pelos saques das cidades europeias. Os anais francos usam a palavra Normanni, os anglo-saxões os denominavam de Dani, e embora esses termos certamente se refiram respectivamente aos noruegueses e dinamarqueses, parece que frequentemente eram usados para os homens do Norte

        Nas crônicas germânicas eles eram denominados de Ascomanni, isto é, “homens de madeira”, porque suas naus eram feitas de madeira. Em fontes primárias irlandesas eles aparecem com Gall (forasteiro) ou Lochlannach (nortistas); para o primeiro eram algumas vezes adicionadas as palavras branco (para noruegueses) ou preto (para dinamarqueses), presumivelmente devido às cores de seus escudos ou de suas malhas. Os vikings falavam nórdico antigo e faziam inscrições em runas. Durante a maior parte do período histórico das suas expedições, eles seguiram a religião nórdica antiga, porém mais tarde se converteram ao cristianismo. Os vikings tinham suas próprias leis, arte e arquitetura. A maioria deles eram agricultores, pescadores, artesãos e comerciantes. As concepções populares dos vikings muitas vezes diferem fortemente da civilização complexa e avançada dos nórdicos que emerge da arqueologia e de fontes históricas. Uma imagem romantizada dos vikings como nobres selvagens começou a surgir no século XVIII; isso se desenvolveu e se tornou amplamente propagado durante o revivificação viking do século XIX. As visões dos vikings como pagãos violentos e piratas ou como aventureiros intrépidos devem muito a variedades conflitantes do mito viking moderno que tomou forma no início do século XX. As atuais representações populares dos Vikings são tipicamente baseadas em clichês e estereótipos culturais, complicando a apreciação moderna do legado Viking. Essas representações raramente são precisas - por exemplo, não há evidências de que eles usassem capacetes com chifres, um elemento do traje que apareceu pela primeira vez no século XIX.                                   

O Homem do Norte tem como representação um filme épico norte-americano de ação e drama histórico de 2022, dirigido por Robert Eggers, que co-escreveu o roteiro com Sigurjón Birgir Sigurðsson. Baseado na lenda de Amleth, da obra Gesta Danorum de Saxo Grammaticus, livro escrito por volta do século XII-XIII pelo escritor e historiador dinamarquês medieval sobre a história da Dinamarca, o filme acompanha Amleth, um príncipe viking exilado que parte em uma jornada para vingar o assassinato de seu pai pelas mãos de seu tio, no auge da Era Viking. O elenco conta com Alexander Skarsgård, Nicole Kidman, Claes Bang, Anya Taylor-Joy, Gustav Lindh, Ethan Hawke, Björk e Willem Dafoe. Eggers e Skarsgård, que também produziram o filme, se encontraram para discutir possíveis colaborações; Eggers decidiu fazer do filme “seu terceiro projeto após se encontrar com Skarsgård, que desejava fazer um filme viking há vários anos”. Grande parte do elenco se juntou em outubro de 2019 e as filmagens ocorreram em locações na Islândia, Irlanda e Irlanda do Norte, de agosto a dezembro de 2020. O filme é fortemente influenciado pela mitologia nórdica. O filme “The Northman” estreou no TCL Chinese Theatre em Los Angeles em 18 de abril de 2022, embora já tivesse sido lançado nos cinemas em países europeus e sul-americanos a partir de 13 de abril. Foi lançado nos Estados Unidos da América em 22 de abril. Recebeu ampla aclamação da crítica, mas teve um desempenho abaixo do esperado nas bilheterias, arrecadando US$ 69,6 milhões com um orçamento líquido de US$ 70 milhões. Mas, obteve sucesso financeiro inesperado em plataformas sob demanda e mídia doméstica, permitindo-lhe recuperar grande parte das perdas de bilheteria.

Em 895 d.C. o Rei Aurvandill “Corvo da Guerra” retorna à ilha de Hrafnsey, reunindo-se com sua esposa, a Rainha Gudrún, e seu herdeiro, o Príncipe Amleth. Para preparar Amleth para sua eventual ascensão ao trono, pai e filho participam de uma cerimônia supervisionada pelo bobo da corte de Aurvandill, Heimir, diz a Amleth que seu destino está selado e que não há como escapar, e Amleth jura vingar seu pai caso Aurvandill seja morto, em vez de viver sua vida em vergonha. Na manhã seguinte, o tio bastardo de Amleth, Fjölnir, orquestra um golpe palaciano, decapita Aurvandill, saqueia a fortaleza no topo da colina e rapta Gudrún. Amleth escapa por pouco dos assassinos de Fjölnir e foge de barco, jurando vingança. Vários anos depois, Amleth, já adulto, é um tipo de berserker, conhecido como ulfhéðinn, em um bando de vikings. Após atacar uma vila em Garðaríki, ele encontra uma vidente no templo de Svetovit; e ordena que Amleth se lembre de seu juramento de vingança e lhe diz que seu destino está entrelaçado com o de uma Donzela-Rei. Logo depois, ele descobre que “Fjölnir, o Sem Irmãos”, perdeu seu trono para Harald da Noruega e agora vive como criador de ovelhas na Islândia. Fjölnir é um rei lendário da mitologia nórdica, considerado filho de Freyr (Frey) e sua consorte Gerðr (Gertha). O nome aparece em diversas formas, incluindo Fiolnir, Fjölner, Fjolner e Fjolne. Ele foi considerado o progenitor da dinastia sueca Yngling, que reinou a partir de Gamla Uppsala.

 De acordo com o Grottasöngr, Fjölnir viveu do século I a.C. ao início do século I d.C. Diz-se que Fjölnir se afogou num tonel de hidromel enquanto visitava Peace-Fróði, um rei igualmente lendário da Zelândia, a ilha dinamarquesa. Fjölnir foi então sucedido por seu filho Sveigðir. A etimologia do nome nórdico antigo Fjǫlnir não é clara. Pode derivar do verbo fela (“esconder”), com Fjǫlnir como “o ocultador [do hidromel da poesia]”, ou pode ter surgido como uma abreviação de fjǫlviðr (“o muito sábio”). Uma derivação de fjǫl (“multidão”) também foi proposta, com Fjǫlnir como “a multiplicidade” ou o “multiplicador”, embora tal formação adverbial não tenha paralelo atestado. De acordo com Lindow, a segunda etimologia pode ser mais adequada para um nome de Odin, mas o significado permanece incerto em qualquer caso. Fjölnir também é frequentemente mencionado como um nome de Odin. Em Grímnismál (“A Canção de Grímnir”), Odin o menciona a Geirröðr como um de seus muitos nomes que constituem o início de sua epifania. Em Reginsmál (“A Canção de Reginn”), um homem que é claramente Odin usa Fjölnir para se referir a si mesmo enquanto está em uma montanha dirigindo-se a Sigurd e Regin. Em Gylfaginning (“O Encantamento de Gylfi “), Fjölnir aparece entre os 12 nomes dados para Alfödr, outro nome de Odin.

Grottasöngr informa que Fjölnir foi contemporâneo de César Augusto (63 a.C. – 14 d.C.). Ele era um rei poderoso, as colheitas eram abundantes e a paz era mantida. Em sua época, o rei Fróði, filho de Friðleifr, governava Lejre, na Zelândia. Grottasöngr relata que, quando Fróði visitou Uppsala, trouxe consigo duas gigantescas, Fenja e Menja. Fróði konungr sótti heimboð í Svíþjóð til þess konungs, é Fjölnir é nefndr. Þá keypti hann ambáttir tvær, er hétu Fenja ok Menja. Þær váru miklar ok sterkar.A saga dos Ynglinga conta que Fjölnir era filho do próprio Freyr e de sua esposa Gerd, mas foi o primeiro de sua linhagem a não ser deificado. Na Era Viking é o nome que se dá ao período de quase três séculos da história da Escandinávia, aproximadamente entre os anos 800 e 1050, durante o qual os vikings tiveram um papel preponderante. A Era Viking faz parte da pré-história dos Países Escandinavos, nomeadamente a última fase da Idade do Ferro, e é seguida pelo início da Idade Média. Costumam ser apontadas como causas da Era, a população da Escandinávia ter aumentado consideravelmente. ficando a terra insuficiente para fornecer a alimentação necessária, ao mesmo tempo que a técnica da construção dos navios viking atravessava um desenvolvimento notável. As divisões e querelas internas dos estados da Europa continental abriram o terreno, tendo os Nórdicos aproveitado a oportunidade. A maior parte da população escandinava eram camponeses, que nunca saiam das suas terras, e se dedicavam à agricultura, à silvicultura, à caça e pesca. As pessoas viviam em pequenos grupos familiares com várias gerações, e dedicavam-se ao cultivo do centeio, da cevada, do trigo e da aveia.

Comiam pão, papas de cereais, queijo fresco e bagas. Bebiam água, leite ou cerveja fraca. Criavam porcos, cabras, gansos, cavalos e vacas. A carne desses animais era salgada ou defumada, para ser conservada para o inverno. Habitavam casas retangulares, onde tinham lugar homens, mulheres, crianças, escravos e animais. Os escravos, chamados thrall na Escandinávia, tinham uma vida dura, fazendo os trabalhos mais difíceis e comendo alimentos inferiores ou os restos das refeições. Um pequeno grupo dedicava-se ao fabrico de objetos e ao comércio. Os vikings eram uma pequena parcela da população, que participavam em operações de guerra naval, de pirataria ou de comércio marítimo, e era conhecida por serem exímios navegadores, mercadores e guerreiros. As famílias eram geralmente compostas por um homem, uma mulher e 1-3 filhos. Ocorria também a poligamia, tendo alguns homens ricos 2 ou 3 esposas ou “amantes legítimas” (frillor). A população estava organizada em sociedades locais com carácter hierárquico, constituídas por um chefe (hövding), seus capatazes-guerreiros (jarlar), camponeses livres (fria bönder) e escravos (trälar). A agricultura era a principal ocupação e base de subsistência, sendo o comércio e as atividades marítimas os vetores marcantes deste período.   

 Com o decorrer dos tempos, hic et nunc apareceram comerciantes e artesãos, que ganharam sucessivamente certa independência, e pouco a pouco concentraram a sua atividade, fazendo surgir as primeiras cidades, como é o caso de Heidiba, Ribe e Sigtuna. Igualmente entraram em cena, no fim deste período, os padres, acompanhando o processo de cristianização em curso. São precisamente estes dois grupos de comerciantes e padres, que mostram a direção em que evoluía a sociedade escandinava da Era Viquingue. A língua falada está preservada em inscrições em pedras rúnicas contemporâneas e em poemas orais recolhidos dois séculos mais tarde. A língua utilizada nas áreas dinamarquesas, suecas, norueguesas, feroesas e islandesas, é o nórdico antigo. Como não há diferenças linguísticas nas inscrições em caracteres rúnicos, parece que a língua falada diferia pouco desse grupo linguístico.

Antes da chegada do cristianismo, os escandinavos adoravam os deuses asses. Odin era o deus principal - o Deus supremo. Ele tinha criado o mundo com os seus irmãos Vile e Ve, e dado a vida aos primeiros seres humanos - Askr e Embla. Enquanto Odim era o favorito dos grupos dominantes, os deuses Thor e Frey eram particularmente populares entre os camponeses. Thor era o deus das curas nas doenças e Frey o deus da paz, das boas colheitas e dos casamentos felizes. Era uma religião com inúmeros deuses caprichosos e imprevisíveis, aos quais era necessário agradar e acalmar. Nas suas viagens à Europa, os víquingues depararam-se com um novo deus - o Cristo. A pouco e pouco, a nova divindade foi ganhando adeptos, em competição com os deuses tradicionais, e o cristianismo chegou à Escandinávia. Entre os primeiros missionários a chegar à Dinamarca e Suécia, esteve Ansgário, enviado pelo imperador franco-germânico Luís I na década de 820. Com o estabelecimento de bispados permanentes no século XI, o processo de cristianização é consumado. A nova religião estava associada uma cultura e a uma nova forma de vida. Ao mesmo tempo a Era Viquingue estava a chegar ao fim. A arte dos víquingues aparece nos seus mitos, nos seus objetos do dia-a-dia e nas pedras rúnicas. Dos artefatos práticos e belos, em madeira e em tecido. O que sobreviveu do trabalho de artesãos anônimos, é sobretudo trabalhos em metal – fivelas, agulhas, pulseiras, colares, amuletos e armas ornamentadas.

O estilo viquingue é frequentemente decorativo e baseado em motivos da natureza, usando ornamentações complicadas, com animais interligados e plantas entrelaçadas. Pelo contrário, as pedras rúnicas e as gravuras rupestres têm preservado inúmeras representações artísticas de cenas do dia a dia e do imaginário da época. Na Era Viking a população vivia pelo campo. Duas das principais atividades económicas eram a agricultura e o comércio. As cidades eram os pontos de encontro das pessoas que tinham algo para vender ou para comprar. Entre as primeiras cidades conhecidas da Escandinávia estavam Ribe (na Jutlândia), Hedeby (entre a Alemanha e Dinamarca), Kaupang na Noruega, Uppåkra na Escânia e Birka (no Vale do Mälaren). Mais tarde surgiram outras povoações, como Sigtuna, Skara e Visby. Com o aumento da população e a melhoria da técnica de construção naval, apareceu a possibilidade de ir buscar riquezas a outras paragens e procurar terras férteis para colonizar. Muitos noruegueses saíram do país para escapar a uma opressão política sufocante. Estas circunstâncias teriam levado os navegadores nórdicos a sair da Escandinávia, para explorar, saquear, conquistar e fazer comércio com a Europa, a Ásia, a África e a América atravessando mares e subindo rios. Para Oeste, os víquingues da Dinamarca e do sul da Suécia (danos) fizeram incursões e acabaram por se estabelecer em várias partes da Europa - especialmente França e Ilhas Britânicas. Ao mesmo tempo, vale elmbrar que singularmertne os víquingues da Noruega aventuraram-se no Atlântico, descobrindo e colonizando a Islândia e a Groenlândia, e tendo mesmo chegado à América do Norte, onde tentaram fixar-se, embora sem sucesso. 

As expedições dinamarquesas e norueguesas, tinham seu escopo na colonização e pilhagem. Para Leste, os víquingues da Suelândia (suíones) e da Gotlândia (gotas), na Suécia, abriram rotas comerciais ligando os países nórdicos ao Oriente, tendo estado nos Países Bálticos, na Rússia, no mar Negro, no Mar Cáspio, no Império Bizantino, a continuação direta do Império Romano na Antiguidade Tardia e Idade Média. Sua capital, Constantinopla, originalmente era reconhecida como Bizâncio e no Califado Abássida,  foi o terceiro califado islâmico. Ele foi governado pela dinastia Abássida de califas, que construíram sua capital em Bagdá após terem destronado o Califado Omíada, cuja capital era Damasco, com exceção da região de Alandalus. Fundaram feitorias comerciais em Novogárdia e Quieve. A sua presença está igualmente referida na Anatólia, onde eram designados com o nome de varegues (varjager). O foco das expedições suecas estava na abertura de vias marítimas comerciais e estabelecimento de entrepostos comerciais. A Era Viquingue acabou quando o cristianismo e a civilização europeia chegaram à Escandinávia. Com o aparecimento e consolidação dos reinos da Dinamarca, Noruega e Suécia, as expedições militares reais substituíram as expedições de pirataria dos grandes senhores locais. Na mesma conjuntura, as rotas comerciais do Mediterrâneo foram reabertas devido às Cruzadas, e o comércio na Europa do Norte perdeu importância, tendo os alemães suplantado os comerciantes da Suécia e da ilha da Gotlândia. Com o desaparecimento desta importante base da sua riqueza econômica, os Países Nórdicos passaram a estar na periferia do comércio internacional.

Saxão Gramático, em latim Saxo Grammaticus, também reconhecido como “Saxão, o Erudito” e “Saxão, o Alto” foi um historiador da Dinamarca medieval, que se julga ter sido um escrivão secular do arcebispo Absalão de Lund (1128-1201). É o autor da primeira história da Dinamarca, conhecida como Gesta Danorum. Segundo a Crônica da Jutlândia, Saxão nasceu na Zelândia. Parece pouco provável que tenha nascido antes de 1150, e supõe-se que a sua morte terá ocorrido por volta de 1220. O seu nome, Saxão, era um nome comum na Dinamarca medieval. O nome “Gramático” (“o Erudito”) foi-lhe atribuído pela primeira vez na Crônica da Jutlândia, e na Crónica da Zelândia Saxão é referido como cognomine Longus (“o Alto”). Saxão viveu durante um período de guerras e expansão na história da Dinamarca, expansão essa liderada pelo arcebispo Absalão de Lund e os reis Valdemar I, o Grande (1157-1182) e o seu neto Valdemar II, o Vitorioso (1202-1240). Os dinamarqueses encontravam-se ameaçados pelos Vendos ao Sul, que faziam ataques ao longo da fronteira e infestavam os mares. Valdemar I acabara de ganhar uma guerra civil, e mais tarde Valdemar II chefiou uma expedição além do Elba para invadir Holstein. Saxão era de família de guerreiros; e o seu pai e avô “eram conhecidos frequentadores do campo de guerra do seu renomado senhor (Valdemar I)”, e que ele próprio decidira ser soldado, seguindo “o velho direito de serviço hereditário”.

Svend Aagesen, um nobre dinamarquês e autor de uma história da Dinamarca ligeiramente anterior à de Saxão, descreve o seu contemporâneo como seu contubernalis, isto é, camarada de tenda. Isto prova que Saxão e Sven podem ter sido soldados na Hird ou guarda real, visto Sven ter usado a palavra contubernium em relação a estes. Encontramos ainda um Saxão numa lista de clérigos em Lund, na Escânia, então uma província dinamarquesa, onde se encontra também um Sven como arcediago. Do mesmo modo encontramos um deão Saxão que morreu em 1190; esta data, no entanto, não coincide com o que se conhece de Saxão. Ambos os argumentos, o de um Saxão religioso ou secular, sugerem que ele teria recebido uma boa educação, visto os clérigos receberem educação em Latim, e os filhos dos grandes senhores frequentemente serem enviados a Paris. A educação e habilidade de Saxão apoia a noção de que teria sido educado fora da Dinamarca. Alguns sugerem que o cognome “Gramático” se refere não à sua educação, mas provavelmente ao seu elaborado estilo de escrita. Sabemos através da sua escrita que se encontrava no séquito de Absalão, bispo de Roskilde (1158) e mais tarde arcebispo de Lund (1178), e o principal conselheiro de Valdemar I. No seu testamento Absalon perdoa a seu escrivão Saxão uma pequena dívida de dois marcos e meio de prata, e pede-lhe que devolva dois livros emprestados do mosteiro de Sorø. O legado de Saxão Gramático é a histórica heroica dos Dinamarqueses em dezesseis volumes chamada Feitos dos DanosChristiern Pedersen, um clérigo de Lund, colaborou com Jodocus Badius Ascendius, outro entusiasta, na impressão da obra de Saxão Gramático no início do século XVI. 

           Este foi seguramente o primeiro passo para garantir a importância histórica da Feitos dos Danos. Foi a partir de então que a obra começou a ser divulgada entre a comunidade acadêmica. Oliver Elton (1861-1945), o primeiro a traduzir os primeiros nove livros da Feitos dos Danos para a língua inglesa, escreveu que Saxão foi o primeiro escritor da Dinamarca. A habilidade de Saxão como latinista foi elogiada por Erasmo, que se perguntou como “um dinamarquês daquela era adquirira tão grande eloquência”. Foram feitas várias tentativas de entender estilo de latim de Saxão e posicioná-lo na história, para melhor se compreender onde o autor terá sido educado. Alguns consideraram que o latim de Saxão tem mais em comum com uma educação jurídica que religiosa, e sobre a sua poesia se pensa que contém vestígios de paralelismo retórico. Saxão é visto pelos dinamarqueses como o seu primeiro historiador nacional. As suas obras foram recebidas com entusiasmo pelos eruditos do Renascimento, um movimento cultural e científico surgido na Itália no século XIV e se estendeu até o século XVII por toda a Europa, curiosos sobre a história e lendas da Era pré-cristã da Dinamarca. A narrativa histórica de Saxão é, no entanto, divergente da interpretação dos seus contemporâneos, especialmente os da Noruega e Islândia, em cujas obras “os heróis e vilões trocam de nacionalidade, apresentando assim uma interpretação contrária”. Existem ainda diferencias entre o trabalho de Saxão e o do seu compatriota contemporâneo Sven Aggesen; estas diferenças são frequentemente resultado de elaboração da narrativa por parte de Saxão. A sua relação da estória de Thyri, por exemplo, é muito mais fantástica e exagerada que a estória que Sven apresenta. Como resultado deste estilo e elaboração, a história de Saxão tem frequentemente sido alvo de críticas. 

         A inclusão da estória de Amleth por Saxão é a parte mais significante da chamada “Feitos dos Danos”. No entanto, a obra também tem valor histórico pela sua descrição da canonização de Canuto, e ainda através da comparação com os trabalhos de Sturluson Snorri (1179-1241), cujas obras partilham muitos dos mesmos protagonistas e estórias, assim contribuindo para um melhor entendimento da Escandinávia pré-cristã. O Instituto de História da Universidade de Copenhague é chamado Saxo Instituttet em sua honra. Fazendo-se passar por um escravo, Amleth embarca clandestinamente em um navio que os leva para a Islândia. Lá, ele encontra uma mulher eslava escravizada chamada Olga, que afirma ser uma feiticeira. Eles são levados para a fazenda de Fjölnir, onde Amleth descobre que sua mãe se casou com Fjölnir e lhe deu um filho chamado Gunnar. Certa noite, Amleth segue uma raposa e encontra um bruxo, que facilita uma sessão espírita entre Amleth e o crânio de Heimir, é assassinado por Fjölnir. Heimir conta a Amleth sobre Draugr, uma espada mágica que só pode ser desembainhada à noite ou nos Portões de Hel. Amleth entra em um túmulo e obtém a lâmina de seu dono, o Morador do Túmulo, um morto-vivo. Ele esconde a espada ao retornar para a fazenda. 

          No dia seguinte, Amleth é escolhido para competir em um jogo de knattleikr contra outra fazenda. O jogo se torna violento quando o líder da equipe adversária brutaliza os competidores até que restem apenas ele e Amleth. Gunnar que admira Amleth, sem saber que ele é seu meio-irmão, quase é morto ao tentar atrair o jogador adversário; mas Amleth a salva, espancando seu oponente até a morte. Como recompensa, o filho adulto de Fjölnir, Thórir, concede-lhe funções de supervisor e permite-lhe escolher uma mulher. Durante as celebrações da noite, Amleth e Olga fazem amor; eles prometem derrotar Fjölnir juntos. Ao longo de várias noites, Amleth mata membros importantes da propriedade de Fjölnir de maneiras não naturais, dispondo seus corpos empalados na forma de um cavalo em uma exibição macabra. Isso faz com que Fjölnir e toda a propriedade acreditem estar sob ataque de um espírito maligno. Olga mistura os alimentos com amanita muscaria, um potente alucinógeno, conhecido como agário-das-moscas ou mata-moscas. Thórir acredita que os escravos cristãos sejam os responsáveis. Isso permite que Amleth entre na casa de Fjölnir. Amleth revela sua identidade a Gudrún, que responde que era escrava de Aurvandill e que Amleth foi concebido por estupro. Uma gravidez concebida por estupro é uma gestação resultante de violência sexual, trazendo graves impactos físicos e psicológicos para a vítima. Gudrún também revela que arquitetou o golpe de Fjölnir porque queria Aurvandill e Amleth mortos; ela tenta seduzir Amleth, que, após um momento, a rejeita. Enfurecido, Amleth mata Thórir e arranca-lhe o coração.  

Gudrún revela a verdadeira identidade de Amleth a Fjölnir e exige sua morte. Fjölnir decide matar Olga, mas Amleth oferece a vida dela em troca do coração de Thórir. Amleth se deixa capturar e é torturado para revelar a localização do coração de Thórir. Ele é libertado por um bando de corvos enviados por Odin e Olga o resgata. Amleth decide abandonar sua busca por vingança e os dois fogem de barco para as Ilhas Órcades, onde vivem seus parentes. A bordo da embarcação, Amleth tem uma visão e percebe que Olga está grávida de gêmeos, um dos quais será o Rei Donzela profetizado pela Vidente. Ao perceber que Olga e seus filhos nunca estarão seguros enquanto Fjölnir viver, Amleth, apesar dos apelos de Olga, pula no mar e nada até a costa, concluindo que não pode escapar de seu destino. De volta à fazenda, Amleth mata os homens restantes de Fjölnir e liberta os escravos. Enquanto procura por Fjölnir, Amleth é atacado por Gudrún e Gunnar e os mata em legítima defesa após ser ferido. Fjölnir, ao descobrir a morte de sua esposa e filho, ordena friamente que Amleth o encontre nos Portões de Hel: a cratera do vulcão Hekla . Amleth e Fjölnir se enfrentam nus em um feroz Holmgang (duelo) até que Fjölnir é decapitado e Amleth é simultaneamente apunhalado. Ao morrer, Amleth tem uma visão de Olga abraçando seus dois filhos, a quem ela diz estarem seguros, antes de instá-lo a deixá-los ir. Uma valquíria carrega Amleth através dos portões de Valhöll. Nascido em uma família sueca, Alexander Skarsgård era fascinado pela história e mitologia viking desde a infância e há muito buscava um projeto com temática viking com a ajuda do produtor Lars Knudsen.

 Em 2011, Skarsgård foi associado a um épico da Warner Bros. com o título provisório de The Vanguard, que acabou não se concretizando.  Robert Eggers se interessou em fazer um filme viking após uma viagem à Islândia em 2016 com sua esposa Alexandra Shaker, que é fã de sagas nórdicas antigas. Durante a viagem, Eggers conheceu Björk, que por sua vez o apresentou a Sjón. Em 2017, Skarsgård se encontrou com Eggers para discutir projetos futuros, e a conversa se voltou para um filme com temática da Era Viking. Eggers entrou em contato com Sjón posteriormente, e os dois começaram a pesquisar e escrever o roteiro. A história de O Homem do Norte foi baseada principalmente na lenda de Amleth escrita pelo historiador Saxo Grammaticus, conhecida como a inspiração direta para Hamlet, de William Shakespeare. Eggers citou a Edda Poética, a Edda em Prosa, a Saga de Egil, a Saga de Grettir, a Saga de Eyrbyggja e a Saga de Hrolfr Kraki como influências. O arqueólogo Neil Price, da Universidade de Uppsala, o folclorista Terry Gunnell, da Universidade da Islândia, e a historiadora viking Jóhanna Katrín Friðriksdóttir atuaram como consultores históricos do filme. Eggers também reconheceu Conan, o Bárbaro, de 1982, como uma fonte de inspiração.

Em outubro de 2019, foi anunciado que Eggers dirigiria “uma saga épica de vingança viking, que ele também coescreveria com Sjón”. Skarsgård, Nicole Kidman, Anya Taylor-Joy, Bill Skarsgård (irmão de Alexandre) e Willem Dafoe estavam em negociações para se juntarem ao filme. Todos seriam confirmados em dezembro, juntamente com a adição de Claes Bang ao elenco. O filme estava oficialmente em preparação em dezembro de 2019 e começaria a ser filmado em Belfast em 2020. Em agosto de 2020, Björk, juntamente com sua filha Ísadóra “Doa” Barney, Kate Dickie e Ethan Hawke se juntaram ao elenco do filme. Em setembro de 2020, Bill Skarsgård anunciou que havia desistido do filme devido a conflitos de agenda e foi substituído por Gustav Lindh. As filmagens, que ocorreram principalmente na Irlanda do Norte, começaram em agosto de 2020 e terminaram no início de dezembro, durando 87 dias. A vila do Rei Aurvandill foi construída em Torr Head, na costa do Condado de Antrim, enquanto a fazenda de Fjölnir foi construída em Knockdhu, perto de Larne. As cenas na Terra dos Rus foram filmadas em Portglenone, na propriedade Clandeboye, no Castelo de Shane e no Rio Bann. A pedreira de Hightown, nos arredores de Belfast, representou o vulcão Hekla, onde ocorre a luta climática. Breves sequências foram filmadas em Five Fingers Strand perto de Malin em Inishowen, no condado de Donegal, e na Islândia, na geleira Svínafellsjökull e na cidade de Akureyri. Planejado para custar US$ 65 milhões, acabou custando entre US$ 70 e 90 milhões para ser produzido.

Eggers considerou o processo de edição o mais difícil de sua carreira. O feedback das exibições de teste indicou que o primeiro ato do filme era muito lento. Mais feedbacks mostraram que o público achou o diálogo em nórdico antigo difícil de entender, o que resultou na substituição da maior parte dele em sessões de dublagem. A versão final foi finalmente aprovada em 3 de novembro de 2021. Para a trilha sonora do filme, Eggers convidou os antigos artistas da gravadora Tri Angle, Robin Carolan e Vessel (Sebastian Gainsborough), para composição e produção. Eles pesquisaram extensivamente a história da música viking, incluindo discussões com o etnógrafo Poul Høxbro, e usaram instrumentos baseados na música folclórica nórdica, como tagelharpa, langspil, lira kravik e säckpipa. Eles também experimentaram com os instrumentos que tinham, para criar aquele som étnico nórdico, que inclui um conjunto de cordas de 40 membros imitando o som de um instrumento arcaico chamado bullroarer. O álbum da trilha sonora foi lançado pela Back Lot Music em 15 de abril de 2022 e apresentou 43 faixas. Em 1º de julho, a Sacred Bones Records lançou em CD, vinil e cassetes. A campanha publicitária do filme atraiu notoriedade devido a uma série de cartazes encomendados para o sistema de metrô de Nova York que não incluíam o título do filme. Um dia após o assunto viralizar no Twitter, os cartazes foram removidos. Um livro de 160 páginas escrito por Simon Abrams e Eggers sobre a produção e pesquisa do filme, The Northman: A Call to the Gods, estava programado para ser lançado em 6 de setembro de 2022, mas foi posteriormente adiado para 8 de novembro.

O filme The Northman estava originalmente programado para ser lançado em 8 de abril de 2022, mas foi posteriormente adiado para 22 de abril. Foi distribuído pela Focus Features nos Estados Unidos e pela Universal Pictures internacionalmente. Sessões especiais foram realizadas em várias cidades do mundo antes do lançamento nos cinemas: em Estocolmo, no Rigoletto Cinema, em 28 de março, em Hamburgo, no Astor Film Lounge, em 30 de março, em Roma, no Cinema Troisi, em 1º de abril, em Londres, no Odeon Luxe Leicester Square, em 5 de abril, e em Belfast, no Cineworld, em 6 de abril. A estreia mundial ocorreu em Los Angeles, no TCL Chinese Theatre, em 18 de abril. Entretanto, os lançamentos em larga escala começaram mais cedo em alguns países: em 13 de abril na Dinamarca, Noruega e Suécia; em 14 de abril na República Checa, Equador, Islândia, México, Montenegro, Países Baixos, Sérvia, Eslováquia, Eslovénia e Uruguai; e em 15 de abril no Reino Unido e na Lituânia. O filme The Northman foi lançado em VOD em 13 de maio de 2022, em formato digital em 6 de junho de 2022 e em Blu-ray, DVD e Ultra HD Blu-ray em 7 de junho de 2022 pela Universal Pictures Home Entertainment nos Estados Unidos. O Northman arrecadou US$ 34,2 milhões nos Estados Unidos e Canadá e US$ 35,4 milhões em outros territórios – para um total mundial de US$ 69,6 milhões com um orçamento de US$ 70–90 milhões.              

Nos Estados Unidos e Canadá, The Northman foi lançado simultaneamente com The Bad Guys e The Unbearable Weight of Massive Talent, e a previsão era de que arrecadasse entre US$ 8 e US$ 15 milhões em 3.223 cinemas no fim de semana de estreia. Arrecadou US$ 5 milhões no primeiro dia, incluindo US$ 1,4 milhão das pré-estreias de quinta-feira à noite. O filme estreou com US$ 12,3 milhões no fim de semana de estreia, ficando em quarto lugar nas bilheterias. O Deadline Hollywood observou que The Northman e The Unbearable Weight of Massive Talent tinham como alvo o mesmo público-alvo, o que prejudicou suas estreias. O filme arrecadou US$ 6,4 milhões no segundo fim de semana, ficando em quarto lugar; US$ 2,9 milhões no terceiro fim de semana, ficando em sexto; US$ 1,75 milhão no quarto fim de semana, ficando em sétimo; e US$ 1,1 milhão no quinto fim de semana, ficando em décimo. Saiu do top 10 das bilheterias em seu sexto fim de semana com US$ 249.660. Fora dos EUA e Canadá, o filme arrecadou US$ 3,4 milhões em 15 mercados internacionais em seu fim de semana de estreia. Arrecadou US$ 6,3 milhões em seu segundo após expandir para 41 mercados, US$ 4,5 milhões em seu terceiro, US$ 2,2 milhões em seu quarto, US$ 2,5 milhões em seu quinto, US$ 2,9 milhões em seu sexto, e US$ 1,4 milhão em seu sétimo.

Eggers comentou sobre a bilheteria decepcionante do filme, afirmando que  atendeu às expectativas de um mercado ruim... Estou decepcionado que, três ou quatro semanas depois, estejamos em VOD porque é assim que as coisas funcionam no mundo. Sim. Mas está indo muito bem em VOD, então é isso aí. Em seu fim de semana de estreia em PVOD nos EUA, o filme foi o título mais alugado no iTunes, o terceiro no Vudu e o quarto no Google Play, arrecadando aproximadamente a mesma quantia que Os Caras Maus e A Cidade Perdida, apesar de ter faturado muito menos do que ambos nos cinemas. O IndieWire escreveu que “O Homem do Norte parece ser o tipo de filme que, mesmo com retornos menores nos cinemas, é muito valorizado por essa exposição”. Na semana seguinte, terminou em terceiro lugar nas paradas do iTunes e do Vudu e em quinto no Google Play. Em sua semana de estreia no mercado de DVD / Blu-ray, o filme estreou no primeiro lugar tanto na parada NPD VideoScan First Alert que rastreia as vendas combinadas de unidades de discos de DVD e Blu-ray quanto na parada de vendas de discos Blu-ray para a semana que terminou em 11 de junho de 2022.

Em 28 de setembro de 2023, o Deadline Hollywood relatou que o filme “quase atingiu o ponto de equilíbrio graças ao excesso de visualizações no VOD Premium”. A presidente de produção e aquisições da Focus Features, Kiska Higgs, também afirmou que o filme “foi bom para nós no final”, embora tenha observado que os custos foram compartilhados pela New Regency e que a Focus Features não esteve “diretamente envolvida na produção [do filme]”. O agregador de críticas Rotten Tomatoes relatou que 90% dos 372 críticos deram ao filme uma avaliação positiva, com uma classificação média de 7,7/10. O consenso crítico do site diz: “Uma épica de vingança sangrenta e uma maravilha visual de tirar o fôlego, The Northman mostra o cineasta Robert Eggers expandindo seu escopo sem sacrificar seu estilo característico”. O Metacritic atribuiu ao filme uma pontuação média ponderada de 82 em 100 com base em sessenta críticos, indicando “aclamação universal”. O público pesquisado pelo CinemaScore deu ao filme uma nota média de “B” em uma escala de A+ a F, enquanto o PostTrak deu a ele uma pontuação positiva de 75% (com uma média de 3,5 de cinco estrelas), com 56% dizendo que definitivamente o recomendariam.

Alexander Kardelo, do MovieZine, deu ao filme uma nota de quatro em cinco e elogiou particularmente a atuação de Skarsgård e a direção de Eggers. Peter Bradshaw, do The Guardian, deu uma nota de cinco em cinco, elogiando o tom niilista do filme e as atuações do elenco, afirmando: “É totalmente ultrajante, com algumas visões épicas do cosmos em chamas. Eu não conseguia desviar o olhar”. Gabriella Geisinger, do Digital Spy, também deu uma nota de cinco em cinco, elogiando a direção visionária de Eggers e a atmosfera macabra e surreal do filme, afirmando: “O mundo criado em The Northman é totalmente absorvente”. David Ehrlich, do IndieWire, chamou o filme de “primitivo, vigoroso, brutal”, “intenso a ponto de te agarrar pelo pescoço” e “nunca entediante”. Matt Maytum, da Total Film, comentou que o filme é uma “épica verdadeiramente distinta e imperdível” em sua crítica, dando-lhe cinco de cinco estrelas.  Clarisse Loughrey, do The Independent, deu-lhe cinco de cinco estrelas e afirmou em sua crítica que o filme foi um belo risco”. Robert Daniels, do RogerEbert.com, concedeu-lhe três de quatro estrelas e elogiou a direção, a cinematografia e as interpretações sociais do elenco, mas considerou que o filme “frequentemente tropeça quando busca profundidade”. Richard Whittaker, do Austin Chronicle, chamou o filme de “uma façanha extraordinária do cinema”, elogiando a direção. A. O. Scott, do The New York Times, elogiou a construção do mundo e a cinematografia, escrevendo: “A conquista de Eggers reside em sua representação meticulosa e fanática desse mundo, até mesmo nos lençóis e utensílios de cozinha”.

Richard Brody, do The New Yorker, considerou que o filme “não oferece sinestesia, nenhuma evocação de qualquer sentido além da visão” e criticou a direção de Eggers, concluindo: “O Homem do Norte simplesmente serve sua matéria-prima mal cozida e cozida demais”. K. Austin Collins, da Rolling Stone, escreveu que “é um banquete visual frequentemente deslumbrante”, mas acrescentou: “É também um exemplo instrutivo de como as intenções mais visionárias nem sempre conseguem animar uma história que, de outra forma, seria rotineira”. Christopher Howse, no The Spectator, elogia o “grande acervo” que Eggers apresenta “pela autenticidade material”. Howse não gostou tanto dos persistentes “cortes, mutilações e eviscerações”. “A violência em primeiro plano é como estilhaços escondendo o que está atrás; talvez devesse ter sido ainda mais longo e com menos ação”, é sua avaliação crítica geral. Em dezembro de 2024, o Collider classificou o filme em 7º lugar na sua lista dos “10 Melhores Filmes de Fantasia da Década de 2020”, com Robert Lee III é “um exemplo perfeito de como os filmes de fantasia nem sempre precisam ser coloridos e adequados para famílias na sua execução, sendo um filme de fantasia brutal e impactante, classificado para maiores de 18 anos, repleto de violência e derramamento de sangue a cada esquina. A sua violência serve um propósito maior do que simplesmente ser um deleite visual, pois ajuda a criar um sentido de realismo para esta aventura folclórica, tratando a história de Amleth como uma espécie de mito poderoso a ser transmitido através de gerações de guerreiros vikings”. O cinema é uma extraordinária arte planetária que nos permite compreedermos o passado, as ilusões/alusões do tempo presente, mas também o que há de especulativo para o futuro de nossas vidas.

Bibliografia Geral Consultada.

RICOEUR, Paul, La Mémoire, l`Histoire, l`Oubli. Paris: Éditions Du Seuil, 2000; VIGARRELLO, Georges, Storia della Violenza Sessuale. Veneza: Marsilio Editore, 2001; LE GOFF, Jacques, História e Memória. 5ª edição. Campinas (SP): Editora da Universidade de Campinas, 2003; COETZEE, John Maxwell, À Espera dos Bárbaros. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2006; HUNT, Janin, Medieval Justice: Cases and Laws in France, England and Germany, 500-1500. Estados Unidos: Editor McFarland, 2009; METZ, Christian, A Significação no Cinema. São Paulo: Editora Perspectiva, 2012; ZANIRATO, Andreli de Almeida, O Ideal da Cavalaria e o Comportamento Cortês na Gesta Danorum de Saxo Grammaticus (c. 1189-1214). Monografia de Licenciatura em História. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Departamento de História. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2013;  AVIER, Nathalia Agostinho (Org.), A Idade Média no Discurso Fílmico (Catálogo de Filmes, Vol. 2). Instituto de História. Programa de Estudos Medievais. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2015; GADE, Kari Ellen; MAROLD, Edith (eds.), Poesia de Tratados sobre Poética. Poesia Escáldica da Idade Média Escandinava. Vol. 3. Belgica: Les Éditions Brepols, 2017; WYCLIFFE, John, Tractatus De Officio Regis. Londres: Editor Forgotten Books, 2018; CAPACCIO, Nancy, Como o Rei Leão Chegou aos Palcos. Nova York: Editor Cavendish Square, 2019; PINHO, Guilherme Rosa, Concílio Regional de Narbona: O In Dubio Pro Reo na Inquisição Medieval. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Direito. Faculdade de Direito. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 2021; GRÜNER, Eduardo, Lo Sólido en el Aire: El Eterno Retorno de la Crítica Marxista. Buenos Aires: Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales, 2022; SOARES, Lucas Pinto, O Hibridismo Cultural no Processo de Cristianização dos Islandeses. Dissertação de Mestrado.  Programa de Pós-Graduação em História. Centro de Ciências Sociais. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2022; CARREIRO, Rodrigo; REIS, Adriano, “Entre o Fascínio e a Repulsa: A Estetização da Violência em O Homem do Norte”. In: Esferas. Ano 15, vol. 02, nº 33, maio/agosto de 2025; CARNET, Mathilde, “Une Année Critique: Ce Cinéma Municipal de l’Eure Voit sa Fréquentation Chuter”. In: https://actu.fr/normandie/20/01/2026; entre outros.