“Em última análise, precisamos amar para não adoecer”. Sigmund Freud (1856-1939)
Desde 1870, a ideologia do Perigo
Amarelo (cf. Konder, 2002) historicamente deu forma e conteúdo de sentido concretamente ao racismo anti-leste-asiático da Europa e
dos Estados Unidos América. Na Europa central, o orientalista e diplomata Max
von Brandt (1835-1920) aconselhou o Kaiser Guilherme II (1859-1941) que a Alemanha Imperial
tinha interesses coloniais a perseguir na China. Assim, o Kaiser usou a frase: Die
Gelbe Gefahr (“O Perigo Amarelo”) para encorajar especificamente os
interesses da Alemanha Imperial e justificar o colonialismo europeu na China.
Em 1895, a Alemanha, a França e a Rússia encenaram a Tríplice Intervenção ao
Tratado de Shimonoseki (17 de abril de 1895), que concluiu a Primeira
Guerra Sino-Japonesa (1894-1895), a fim de obrigar o Japão Imperial a
entregar pacificamente suas colônias chinesas aos europeus; essa jogada
geopolítica tornou-se uma causa subjacente da Guerra Russo-Japonesa
(1904-1905). O Kaiser justificou a Tríplice Intervenção ao império
japonês com apelos racistas às armas contra perigos geopolíticos inexistentes
da raça amarela versus a raça branca da Europa Ocidental. Para justificar a
hegemonia cultural europeia, o Kaiser usou a litografia alegórica Povos da
Europa, guardem seus bens mais sagrados (1895), de Hermann Knackfuss
(1848-1915), para comunicar sua geopolítica a outros monarcas europeus. A litografia retrata a Alemanha como líder da
Europa, personificada como uma “deusa guerreira pré-histórica liderada pelo
Arcanjo Miguel contra o perigo amarelo do Oriente”, que é representada por uma
“nuvem escura de fumaça [sobre] a qual repousa um Buda estranhamente calmo,
envolto em chamas”.
Politicamente, a litografia de Knackfuss permitiu que o Kaiser Guilherme II (1859-1941) acreditasse que ele profetizou a iminente guerra racial que decidiria a hegemonia global no século XX. Em 1854, o editor do New York Tribune, Horace Greeley (1811-1872) publicou “Imigração Chinesa para a Califórnia”, um Editorial que apoiava a demanda popular pela exclusão de trabalhadores e pessoas chinesas da Califórnia. Sem usar o termo “perigo amarelo”, Greeley comparou os coolies que chegavam aos escravos africanos que sobreviveram à travessia do oceano Atlântico. Ele elogiou os poucos cristãos entre os chineses que chegavam e continuou: Mas o que se pode dizer do restante? São, em sua maioria, um povo trabalhador, tolerante e paciente com as injúrias, tranquilo e pacífico em seus hábitos; diga isso e você terá dito tudo de bom que se pode dizer deles. São incivilizados, impuros e imundos além de qualquer concepção, sem nenhuma das relações domésticas ou sociais mais elevadas; lascivos e sensuais em suas disposições; toda mulher é uma prostituta da mais vil ordem; as primeiras palavras em inglês que aprendem são termos obscenos ou profanas, e além disso não se importam em aprender mais nada. - New York Daily Tribune, Imigração chinesa para a Califórnia de 29 de setembro de 1854. Na Califórnia da década de 1870, apesar do Tratado de Burlingame (1868) permitir a migração legal de trabalhadores não qualificados da China, a classe trabalhadora branca nativa exigiu que o governo dos Estados Unidos cessasse a imigração de “hordas amarelas imundas” que ocupavam empregos de norte-americanos brancos nativos, especialmente durante uma depressão econômica.
Em Los Angeles, o racismo do Perigo Amarelo provocou o Massacre Chinês de 1871, em que 500 homens brancos lincharam 20 chineses no gueto de Chinatown. Durante o decorrer das décadas de 1870 e 1880, o líder do Partido dos Trabalhadores da Califórnia, o demagogo Denis Kearney (1847-1907), extraordinariamente aplicou com sucesso a ideologia do Perigo Amarelo à sua esfera política contra a imprensa, capitalistas, políticos e trabalhadores chineses, e concluiu seus discursos com o epílogo: “e aconteça o que acontecer, os chineses devem ir!”. O povo chinês também foi especificamente sujeito a pânicos moralistas sobre seu uso de ópio e como seu uso tornou o ópio popular entre os brancos. Como no caso dos imigrantes católicos irlandeses, a imprensa popular deturpou os povos asiáticos como culturalmente subversivos, cujo modo de vida diminuiria o republicanismo; portanto, a pressão política racista obrigou o governo dos Estados Unidos legislar a Lei de Exclusão Chinesa (1882), que permaneceu como lei de imigração em vigor até 1943. A lei foi a primeira lei de imigração dos Estados Unidos a ter como alvo uma etnia ou nacionalidade específica. Além disso, seguindo o exemplo do uso do termo pelo Kaiser Wilhelm II em 1895, a imprensa popular nos Estados Unidos adotou a frase “perigo amarelo” para identificar o Japão como uma ameaça militar e para descrever os muitos emigrantes da Ásia. O Kentucky é um dos 50 estados dos Estados Unidos da América, localizado na região Sudeste do país. Seu nome oficial é Commonwealth of Kentucky.
O Kentucky localiza-se no interior do Leste dos Estados Unidos. Suas principais fontes de renda são a manufaturação de produtos industrializados e o turismo. Anteriormente, acreditava-se que a origem do nome do estado vinha de uma palavra ameríndia que significa “terreno de caça escuro e sangrento”. Porém, atualmente, acredita-se que a palavra Kentucky possa ser atribuída a numerosos idiomas indígenas, com vários significados possíveis. Alguns destes significados são “terra do amanhã”, “terra de cana e perus” e “terras pradas”. A região onde está atualmente o Kentucky foi colonizada originalmente por colonos da colônia britânica de Pensilvânia, em 1774, mas passou a ser controlada pela Virgínia ao longo da guerra de Independência, e tornou-se o décimo quinto estado norte-americano a entrar na união, em 1° de junho de 1792. Diferentes tribos nativas norte-americanas viviam na região onde localiza-se atualmente o Kentucky, cerca de 10 mil anos antes da chegada dos primeiros exploradores europeus à região. Estas tribos eram primariamente Cherokee, Delaware e os Shawanee, bem como os iroqueses (cf. Engels, 2000). Os últimos atacavam outras tribos indígenas. Abram Wood foi um dos primeiros europeus a explorar a região, no final da década de 1690. Ao final do século XVII e das primeiras décadas do século XVIII, diversos britânicos e franceses exploraram a região.
Em 1774, um grupo de
colonos americanos, liderados por James Harrod (1746-1792), partiram da
Pensilvânia em direção ao Sudoeste da colônia britânica. Estes colonos fundaram
o primeiro assentamento permanente no Kentucky, Harrodsburg. Um ano depois, a
Guerra da Independência dos Estados Unidos teria início. Os iroqueses que
viviam na região aliaram-se com os britânicos, e iniciaram constantes ataques
contra comunidades americanas no Kentucky. Os rebeldes americanos, ocupados
demais com o desencadear da guerra no Oeste. Os habitantes da região, porém,
defenderam-se com sucesso contra sucessivos ataques iroqueses. Em 1776, o
Kentucky passou a ser oficialmente controlado pelos Estados Unidos, e a região
tornou-se um dos condados da Virgínia, atraindo diversos habitantes de outras
regiões da Virgínia. Porém, os iroqueses continuaram a atacar assentamentos
americanos. Tais indígenas estavam equipados com armas de fogo, obviamente
fornecidas pelos britânicos. Estes controlavam uma pequena região no Noroeste
do estado de Kentucky. Uma força militante, controlada por George Rogers Clark
(1752-1818), conquistou os três assentamentos que se localizavam no Noroeste da
região. Tais assentamentos forneciam as armas modernas de guerra aos iroqueses.
Com a captura destes assentamentos, os ataques iroqueses diminuíram.
A Virgínia nunca
demonstrou qualquer interesse em se apropriar do Kentucky, sendo que a
apropriação da região como um condado da Virgínia fora somente feita como uma
declaração de reivindicação de posse dos Estados Unidos da região do Kentucky
(que anteriormente ao início da guerra não fazia parte de nenhuma das Treze
Colônias). A Revolução Americana terminou em 1783. Nove anos depois, em 1° de
junho de 1792, o Kentucky tornou-se oficialmente um estado norte-americano. Foi
o décimo quinto estado a entrar à União. Durante as primeiras décadas do século
XIX, o Kentucky prosperou economicamente. Os ricos pastos da região central do
Kentucky tornaram a área um local ideal para a criação de cavalos. O tabaco
passou a ser cultivado em grande escala no Kentucky a partir da década de 1830.
Cerca de três décadas depois, o Kentucky era o maior produtor de tabaco no
país. Outros vegetais e legumes cultivados eram milho e trigo. O Kentucky
também se tornou uma das maiores produtoras de bebidas alcoólicas (mais
notavelmente, o whiskey) a partir da década de 1840. Os vários rios que cortam
o estado auxiliaram os agricultores e os comerciantes do Kentucky a
prosperarem. Estas fazendas utilizavam-se de grande quantidade de trabalho
escravo. Em 1818, Andrew Jackson (1767-1845) assegurou a posse da atual porção
ocidental do Kentucky - até então disputada com nativos indígenas - através de
compra formal desta região dos indígenas.
Durante a década de
1850, o governo norte-americano considerou mudar sua capital, o Distrito de
Columbia, em direção ao Oeste, para o que foi chamado à época de Distrito
Ocidental de Columbia. Esta capital estaria localizada no que atualmente
constitui Capitol City (localizada em Kentucky) e Metropolis (Illinois). Porém,
estes planos heteróclitos nunca passaram do papel. A guerra civil na alça de
mira teve início em 1861. O Kentucky, inicialmente declarou “neutralidade na
guerra’, não demonstrando interesse em participar ativamente ao lado da União
(os Estados Unidos em si) ou dos Estados Confederados da América. Oficialmente,
porém, o Kentucky ainda fazia parte da União. Forças confederadas invadiram o
Kentucky em janeiro de 1862, tendo sido expulsos por forças norte-americanas em
outubro do mesmo ano. Ao longo da guerra, a população do Kentucky estava
dividida basicamente em dois grupos sociais. Muitos eram pró-abolicionistas,
especialmente os habitantes que moravam nos principais centros urbanos do
estado. Outros, primariamente agricultores, eram a favor do uso do trabalho
escravo. Os pró-abolicionistas queriam ampla participação do estado ao lado da
União, e os que apoiavam o uso do trabalho escravo queriam que o Kentucky se
unisse à Confederação. Até mesmo famílias inteiras estavam divididas. Cerca de
75 mil habitantes do estado lutaram ao lado da União, e cerca de 30 mil pessoas
lutaram ao lado da Confederação. Ao final da guerra, o Kentucky ainda fazia
parte da União. Porém, o governo americano tomou atitudes que desagradaram à
grande maioria dos habitantes do Estado. Escravos foram libertados sem
indenização para seus donos, a “economia do Kentucky, então primariamente agrária,
estava em frangalhos”.
Além disso, tropas americanas ocuparam o estado, mesmo esta, tendo participado ativamente ao lado da União. Estas tropas permaneceram no Estado até 1870, com tropas compostos por afro-americanos ocupando áreas que haviam apoiado os sulistas. O moral dos habitantes do Kentucky caiu drasticamente. Por uma década o Estado entraria em uma grande recessão econômica, graças a uma queda drástica nas vendas de tabaco para o exterior. D. W. Griffith (1874-1948) nasceu em La Grange, Oldham County, Kentucky, filho de Jacob “Roaring Jake” Griffith, um colono do Confederate Army e herói da Guerra Civil Americana. Começou sua carreira como um próspero dramaturgo, mas não conseguiu sucesso global. Depois se tornou ator. Encontrando seu caminho no cinema, em pouco tempo dirigia um grande corpo de trabalho, levando Charles Chaplin (1889-1977) a chama-lo de “o professor de todos nós”. Chaplin foi um ator, diretor, produtor, comediante, dançarino, roteirista e músico britânico. Um dos atores mais famosos do “cinema mudo”, notabilizado pelo uso de mímica e da “comédia pastelão”, sendo influenciado por seu antecessor, o comediante francês Max Linder (1883-1925), um ator de cinema francês da chamada “Era do Cinema Mudo”, o pai da primeira geração de comediantes do cinema norte-americano, a quem ele dedicou um de seus filmes. Foi um fenômeno do drama e do riso. Sua carreira no ramo do entretenimento durou mais de 75 anos, desde suas primeiras atuações no palco quando ainda era criança (cf. Chaplin, 1981; Mannheim, 1993), nos teatros do Reino Unido da Era Vitoriana, entendida como período histórico e politicamente de paz e prosperidade para o povo britânico, quase até sua morte aos 88 anos de idade.
Sua vida pública e privada abrangia adulação e controvérsia. Esse sentimento foi amplamente compartilhado. Juntamente com Mary Pickford, Douglas Fairbanks e D. W. Griffith, Charles Chaplin fora cofundador da United Artists Pictures em 1919. A United Artists também reconhecida como United Artists Pictures, United Artists Corporation e United Artists Films é uma companhia de cinema fundada em 5 de fevereiro de 1919, por Charlie Chaplin, Douglas Fairbanks, Mary Pickford e D. W. Griffith, famosas personalidades em Hollywood. Seu intuito era fazer frente às grandes corporações cinematográficas originárias de seu tempo. A ideia veio do então Secretário do Tesouro dos Estados Unidos da América (EUA), William Gibbs McAdoo. Teve Hiram Abrams como seu primeiro diretor. Foi comprada por Arthur Krim em 1952 e posteriormente vendida à Metro-Goldwyn-Mayer Inc., ou MGM em 1986. A United Artists notabilizou-se como a primeira maior companhia independente de produção de cinema, resultando em um filme que é produzido com pouca ou nenhuma interferência de um grande estúdio de cinema. na distribuição de filmes e consagrou o cinema mudo com suas carreiras através da empresa. Os lançamentos/produções da United Arts na Era Dourada de Hollywood incluíam A Marca de Zorro (1920), um justiceiro espanhol que deixa de lado sua nobreza, coloca uma máscara e luta por justiça e pelo povo, Stagecoach, de 1939, clássico do gênero western, dirigido por John Ford (1894-1973) e de produtores independentes como Walt Disney, Alexander Korda e David Selznick.
O Ano do Dragão é um filme norte-americano de suspense policial de 1985, coescrito e dirigido por Michael Cimino, e estrelado por Mickey Rourke, John Lone e Ariane Koizumi. O filme acompanha o capitão da polícia de Nova York, Stanley White (Rourke), um profissional militar liberal radical em sua luta contra o implacável chefe da tríade sino-americana, Joey Tai (Lone). O roteiro, escrito por Cimino e Oliver Stone, é baseado em um romance de 1981 de Robert Blake Daley (1930-2026), um escritor, jornalista e policial americano do Departamento de Polícia da Cidade de Nova York. Ele foi autor de 31 livros, seis dos quais foram adaptados para o cinema, e de cerca de uma centena de artigos e contos para revistas. Daley nasceu na cidade de Nova York em 10 de maio de 1930, formou-se na Universidade Fordham em 1951 e serviu na Força Aérea durante a Guerra da Coreia, um conflito armado travado entre 25 de junho de 1950 e 27 de julho de 1953, opondo a Coreia do Norte (comunista) e a Coreia do Sul (capitalista). Ele passou seis temporadas como diretor de publicidade do New York Giants da National Football League na época de Frank Gifford, Charlie Conerly e Sam Huff. Em seguida, trabalhou na equipe internacional do The New York Times por seis anos, primeiro em Nice e depois em Paris, cobrindo notícias em dezesseis países da Europa e do Norte da África. Uma tríade é uma organização criminosa transnacional chinesa com base na Grande China e com filiais em diversos países que possuem populações chinesas no exterior.
As tríades originaram-se de sociedades secretas formadas nos séculos XVIII e XIX, algumas influenciadas pelas sociedades do lótus branco do século XIV, com a intenção de derrubar a dinastia Qing, governante da minoria manchu. Na era republicana do início do século XX, as tríades foram recrutadas pelo regime nacionalista para atacar inimigos políticos, incluindo assassinatos. Após a fundação da República Popular da China 1° de outubro de 1949 pelo líder comunista Mao Tsé-Tung (1893-1976) e as subsequentes repressões do Partido Comunista Chinês (PCC), as tríades e suas operações recuaram para Hong Kong, Macau e comunidades chinesas no exterior. Desde o período de Reforma e Abertura, as tríades e outras organizações criminosas semelhantes ressurgiram na China continental. Nos tempos modernos, há relatos generalizados de que as tríades têm ligações com o governo da República Popular da China. De acordo com o Oxford English Dictionary, “tríade” é uma tradução do termo chinês San He Hui, que se refere “à união do céu, da terra e da humanidade”. Outra teoria social postula que a palavra “tríade” foi cunhada por funcionários britânicos na Hong Kong do processo civilizatório colonial como uma referência ao uso de imagens triangulares pelas tríades. Essa teoria, no entanto, é altamente improvável, pois o termo “tríade” já havia sido usado por William Milne (1785-1822), o segundo missionário de “espírito protestante” enviado pela Sociedade Missionária de Londres à China, depois de seu colega, Robert Morrison (1782-1834), para descrever sociedades secretas no Sul da China em 1826, muito antes mesmo da formação da colônia.
Especula-se que as organizações tríades tenham se inspirado em movimentos militantes como o Lótus Branco, as Rebeliões Taiping e Boxer e a Sociedade do Céu e da Terra, ou que originalmente faziam parte deles. O uso genérico da palavra “tríades” para todas as organizações criminosas chinesas é impreciso; os grupos de tríades são geograficamente, etnicamente, culturalmente e estruturalmente únicos. E “tríades” são grupos tradicionais do crime organizado originários de Hong Kong, Macau e Taiwan. Organizações criminosas que operam na China continental ou que se originam da China continental são “grupos criminosos da China continental” ou “sociedades negras”. As tríades sociologicamente envolvem-se em uma variedade de crimes, como fraude, extorsão e lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e prostituição, jogos de azar ilegais, contrabando e falsificação de bens de consumo, como música, vídeo, software, roupas, relógios e dinheiro. Desde as primeiras proibições do ópio durante o século XIX, gangues criminosas chinesas têm estado envolvidas no comércio mundial de drogas ilegais. Muitas tríades passaram do ópio para a heroína, produzida a partir de plantas de ópio no Triângulo Dourado, refinada em heroína na China e traficada para a América do Norte e Europa, nas décadas de 1960 e 1970. As tríades mais importantes ativas no comércio internacional de heroína são respectivamente a 14K e a Big Circle Gang. As tríades contrabandeiam produtos químicos de fábricas chinesas para a América do Norte para a produção de fentanil e metanfetamina e para a Europa para a produção de MDMA, comumente reconhecida como ecstasy em forma de comprimido e molly em forma de cristal, é “um entactógeno com propriedades estimulantes e psicodélicas menores.
O MDMA foi sintetizado
pela primeira vez em 1912 pelo químico da Merck, Anton Köllisch (1888-1916).
Foi usado para potencializar a psicoterapia a partir da década de 1970 e
tornou-se popular como “droga de rua” na década de 1980. O MDMA é comumente utilizado
por frequentadores de festas de dança, raves e festivais de música
eletrônica. Os comprimidos vendidos como ecstasy podem ser misturados
com outras substâncias, como efedrina, anfetamina e metanfetamina. Elas estão
cada vez mais envolvidas no cultivo ilegal de cannabis nos EUA. As
tríades nos Estados Unidos também traficam grandes quantidades de cetamina.
Figuras ligadas às tríades também são responsáveis pelo tráfico de drogas em
larga escala para a Austrália. As tríades tornaram-se os principais “lavadores
de dinheiro” para os cartéis de drogas no México, Itália e outros países. Há
relatos de que elas movimentam dinheiro para a elite do Partido Comunista
Chinês. De acordo com o Comitê Seleto da Câmara dos Representantes dos Estados
Unidos sobre Competição Estratégica entre os Estados Unidos e o Partido
Comunista Chinês, a epidemia de opioides nos Estados Unidos ajudou as
tríades a se tornarem “os principais lavadores de dinheiro do mundo”. No século
XXI, os grupos do crime organizado chinês tornaram-se os principais lavadores
de dinheiro para criptomoedas roubadas por hackers norte-coreanos. As
tríades praticam a falsificação desde a década de 1880. Durante as décadas de
1960 e 1970, elas se envolveram na falsificação de moeda, frequentemente a
moeda de 50 centavos de Hong Kong.
As gangues
também se envolveram na falsificação de livros caros para venda no “mercado
negro”, na falta de melhor expressão. Com o advento de novas tecnologias e a
melhoria do padrão de vida médio, as tríades produzem mercadorias falsificadas,
como relógios, filmes em VCD e DVD, e roupas de grife, como roupas e bolsas.
Desde a década de 1970, o controle territorial das tríades foi enfraquecido e
algumas transferiram suas fontes de renda para negócios legítimos. Há muito
tempo se relata que as tríades têm ligações com o Partido Comunista Chinês,
frequentemente através de suas organizações de frente única relacionadas. De
acordo com o The Washington Post, o governo chinês tem se envolvido no “uso
seletivo ou na tolerância de grupos criminosos para fins geopolíticos. A
mistura de atividades ilícitas e patriotismo tornou-se uma marca registrada de
algumas organizações chinesas com interesses no exterior”. Membros de tríades
têm atuado como agentes do partido-estado para alcançar seus objetivos
políticos de suprimir a dissidência, sufocar protestos e silenciar, intimidar e
coagir críticos tanto no país quanto no exterior, particularmente em Hong Kong,
Taiwan e países com altas concentrações de diáspora étnica chinesa. Grupos do
crime organizado têm fornecido ao Partido Comunista Chinês uma negação
plausível para esforços de guerra política e influência dentro de certas
comunidades de base. De acordo com Martin Purbrick, o Partido Comunista Chinês “reconheceu
o benefício das tríades como parte de suas atividades da Frente Unida
para neutralizar a oposição”. Isso foi demonstrado pelo envolvimento de tríades
no ataque de Yuen Long contra manifestantes pró-democracia em Hong Kong em
2019.
A polícia de Hong Kong
foi posteriormente acusada de conluio com sindicatos criminosos das tríades
devido à notável ausência de policiais no momento do ataque, apesar da forte
presença policial em eventos de protesto nas semanas anteriores. As atividades
das tríades são facilitadas tanto pela corrupção do governo local quanto pelas
autoridades policiais que fecham os olhos para o comportamento criminoso quando
influenciadas pela hierarquia de funcionários corruptos por conveniência
política. Na China continental, grupos de tríades trabalharam com funcionários
locais do Partido Comunista Chinês. Em Taiwan, a figura da tríade Chang An-lo
fundou o Partido da Promoção da Unificação Chinesa, um partido político
pró-governo chinês. A Tríade, uma organização criminosa, associação
secreta ou clube com sede na China, era um ramo da secreta Sociedade Hung, uma
sociedade secreta formada com a intenção de derrubar a dinastia Qing, então
governante. As Tríades, portanto, surgiram inicialmente como parte de um
movimento patriótico organizado para derrubar o domínio étnico manchu
Qing, considerado tirânico e estrangeiro para a maioria étnica han. Na virada
do século XIX, as tríades chinesas estavam envolvidas em atividades
revolucionárias e clandestinas destinadas a subverter a decadente dinastia
Qing, considerada corrupta e incapaz de reformas. As sociedades secretas na Era
da Dinastia Qing eram sinônimo de patriotismo, com grupos operando sob a
bandeira de: “opor-se aos Qing e restaurar a Dinastia Ming”.
As tríades também foram recrutadas pelo Kuomintang (KMT) durante a Era republicana para assassinar oponentes políticos e atacar inimigos políticos. Organizações notáveis incluíam a Gangue Verde, outra dissidência da Sociedade Hung que participou do massacre de Xangai de membros do Partido Comunista Chinês (PCC) em 1927. Após a proclamação da República Popular da China em 1949, as sociedades secretas na China continental foram reprimidas em campanhas ordenadas por Mao Tsé-Tung. Ipso facto o líder comunista Deng Xiaoping também reprimiu as sociedades secretas em suas campanhas “Ataque Duro” contra o crime organizado em 1978. Como resultado, a maioria das sociedades secretas chinesas tradicionais, incluindo as tríades e alguns membros remanescentes da Gangue Verde, realocaram-se para Hong Kong, Taiwan, Sudeste Asiático e países estrangeiros, particularmente os Estados Unidos da América, onde competiram com as Tong e outras organizações criminosas de etnia chinesa. Gradualmente, as sociedades secretas chinesas voltaram-se para o tráfico de drogas e extorsão para obter renda. Na China continental, comparativamente, existem dois tipos principais de “organizações criminosas chinesas continentais”: as “forças obscuras” (Hēi è shìlì), pouco organizadas, e as “sociedades negras” (Hēishèhuì), mais consolidadas.
Duas características que distinguem uma sociedade negra das “forças obscuras” comuns ou das gangues criminosas de baixo nível são a extensão em que a organização consegue controlar os mercados locais e o grau de proteção policial que consegue obter. Entre 1971 e 1972, ele atuou como Comissário Adjunto do Departamento de Polícia da Cidade de Nova York (NYPD). Foi um período particularmente tumultuado na história social e política do departamento: dois chefões da máfia foram mortos, ocorreu o maior roubo de joias da história da cidade, a investigação da Comissão Knapp sobre corrupção policial causou grande agitação no departamento e quatro policiais foram assassinados por homens armados que alegavam estar associados ao Exército de Libertação Negra. Outros dois foram metralhados em seu carro, crivados de balas, mas não morreram. Ele tinha uma equipe de trinta e cinco pessoas, um carro e motoristas designados para ele 24 horas por dia. Ele testemunhou de perto as brigas internas da sede, participou de importantes tomadas de decisão e viu cenas de crime de dentro da área isolada pela fita amarela. Daley relatou etnograficamente esses e outros eventos no livro de não ficção Target Blue, e também usou sua experiência policial e seu conhecimento interno da sede da polícia em vários dos romances que se seguiram. Ele foi o primeiro escritor profissional a observar o Departamento de Polícia de Nova York tão de perto, e afirmou posteriormente que, ao aceitar o trabalho, “recebeu mais do que esperava”. A obra de não ficção premiada de Daley, de 1978, “Prince of the City”, sobre o detetive da polícia de Nova York, Robert Leuci, foi aclamada pelo The New York Times Book Review: “O policial como herói imperfeito, uma figura recorrente e enormemente popular na literatura contemporânea, nunca foi tão bem retratado”.
Não por acaso “Prince
of the City” representou um dos seis livros de Daley adaptados para a TV ou
para o cinema. Os livros de Daley, que foram traduzidos para 14 idiomas, também
incluem “Year of the Dragon”, objeto de reflexão sociológica e “Tainted
Evidence” filmado como “Night Falls on Manhattan”. A maioria de seus livros
surgiu de uma profunda imersão no estudo de pessoas e assuntos temáticos
que o fascinavam, desde corridas automobilísticas de Fórmula 1 a ópera,
touradas e mergulho em busca de tesouros — e, claro, a polícia de Nova York.
Ele e sua esposa, Peggy, nascida na França, dividiam seu tempo social entre os
subúrbios de Nova York e um apartamento em Nice, na França. Eles tiveram três
filhas. Primeiro filme de Cimino após o aparente fracasso de bilheteria de Heaven`s
Gate (1980), Year of the Dragon tem como representação social um
drama policial ambientado em Nova York e uma exploração temática em torno de
gangues, tráfico de drogas, etnia, racismo e estereótipos. Lançado comercialmente
pela MGM/UA Entertainment em 16 de agosto de 1985, o filme recebeu críticas
mistas e não teve um bom desempenho nas bilheterias norte-americanas, embora
tenha recebido duas indicações ao Globo de Ouro: Melhor Ator Coadjuvante em
Cinema para John Lone e Melhor Trilha Sonora Original para David Mansfield.
Desde então, conquistou um público consumidor fiel.
Escólio: Stanley White é o capitão de polícia mais condecorado da cidade de Nova York e um veterano da Guerra do Vietnã (1955-1975), um violento conflito da chamada Guerra Fria entre o Vietnã do Norte (comunista) e o Vietnã do Sul (capitalista), apoiado pelos Estados Unidos, que resultou na reunificação do país sob um regime socialista, sendo White designado para o bairro chinês de Nova York. Sua missão pessoal de combater o crime organizado chinês o leva a negligenciar sua esposa, Connie. White entra em conflito com Joey Tai, um jovem que ascende impiedosamente ao posto de chefe das Tríades. Como resultado de sua ambição, ele cria um grande prestígio para si mesmo e para as atividades das Tríades. Juntos, eles põem fim à trégua instável que existia entre as Tríades e a polícia, enquanto travam uma guerra pessoal contra a máfia italiana e os gângsteres tailandeses que tradicionalmente fazem parte de sua cadeia de fornecimento de heroína. O capitão casado também se envolve romanticamente com Tracy Tzu, uma repórter de televisão, que sofre um ataque brutal dos criminosos, assim como Connie, a esposa sofredora de White que vai a óbito.
Isso o torna mais determinado a destruir as tríades, e especialmente Joey Tai. White também contrata um policial chinês novato e promissor, Herbert, para se infiltrar como funcionário do restaurante de Tai. Herbert consegue obter informações privilegiadas sobre um carregamento de drogas, mas é traído pelo policial corrupto Alan Perez e morto quando Tai descobre, através de Perez, que Herbert é um policial. Agora que a gangue de Tai estuprou Tzu, matou a esposa de White e Herbert, White não perde tempo e confronta Tai assim que o carregamento chega. No porto, Tai e seu guarda-costas estão a caminho da carga quando White tenta prendê-los. Perez passa de carro, gritando insultos. White atira e mata Perez, mas Tai saca uma arma e atira na mão de White, matando também, acidentalmente, seu guarda-costas. Tai foge por uma ponte ferroviária. Isso leva a um confronto onde White e Tai correm um em direção ao outro, atirando indiscriminadamente. White atira em Tai, ferindo-o nas duas pernas. Em vez de sofrer e perder a honra, Tai pede a arma de White para cometer suicídio (altruísta) (cf. Durkheim, 2011; 2014). Ele se mata na frente de White. A cena final demonstra White e Tzu se encontrando nas ruas de Chinatown no funeral de Tai. Quando uma pessoa possui certo poder, nada mais é necessário para convertê-lo em ação social que o exercício da vontade; e isso, em todos os casos, é considerável possível, e em muitos, provável – especialmente no caso da autoridade, em que a obediência do súdito é um prazer e uma vantagem para seu superior.
Está claro que, no
curso de nosso pensamento social e na constante circulação de nossas ideias, a
imaginação passa facilmente de uma ideia a qualquer outra que seja semelhante a
ela. Assim como existe o nascimento de uma semiologia e sociologia da celebridade,
uma economia da celebridade e tal qualidade, por si só, constitui um
vínculo afetivo e uma associação suficiente para a fantasia. É também
evidente que, com os sentidos, ao passarem de um objeto a outro, precisam
fazê-lo de modo regular, tomando-os sua contiguidade uns em relação aos outros,
a imaginação adquire, por um longo costume, o mesmo método de
pensamento, e percorre as partes do espaço e do tempo ao conceber seus objetos.
Quanto à conexão realizada pela relação de causa e efeito, basta observar que
nenhuma relação produz uma conexão mais forte na fantasia e faz com que uma
ideia evoque mais prontamente outra ideia que a relação de causa e efeito entre
seus objetos. Para compreender toda a extensão dessas relações sociais, devemos
considerar que dois objetos estão conectados na imaginação. Não somente quando
um deles é semelhante ou contíguo ao outro, ou quando é a representação da
causa. Mas quando entre eles encontra-se inserido um terceiro objeto, que
mantém com ambos alguma dessas notáveis relações. Dentre relações mencionadas,
a de causalidade é a de maior extensão.
Em primeiro lugar, o
livro Le Suicide. Étude de Sociologie representou um dos pilares no
campo da sociologia. Escrito pelo sociólogo francês Émile Durkheim (1858-1917) e
publicado em 1897, trata-se um “estudo de caso” de um suicídio, publicação
única em sua época, que trouxe o exemplo de como uma monografia sociológica
deveria ser escrita. Inúmeros estudos contemporâneos sobre o suicídio têm como
escopo características individuais. Durkheim estudou as conexões entre os
indivíduos e a sociedade. Procurou demonstrar com propriedade o quanto um ato
individual é o resultado do meio social que o cerca, que, além disso, teria uma
prova da utilidade da sociologia. Neste livro, o sociólogo Émile
Durkheim desenvolveu o conceito de anomia, explorando as diferentes taxas de
suicídio comparativamente entre religiosos protestantes e católicos,
apresentando resultados estatísticos convincentes que comprovam o forte
controle social entre os católicos resulta em menores índices de suicídio. Os
indivíduos têm certo nível de integração com os seus grupos, o que o sociólogo
Émile Durkheim chama de “integração social”.
Níveis anormalmente
baixos ou altos de integração social poderiam resultar num aumento das taxas de
suicídio: a) níveis baixos porque baixa integração social resulta numa
sociedade desorganizada, levando os indivíduos a se voltar para o suicídio como
uma última alternativa; b) níveis altos porque as pessoas preferem destruir a
si próprias a viver sob o grande exercício de controle da sociedade. O trabalho
sociológico de Durkheim influenciou os proponentes das teorias sociais
funcionalistas do controle social, e é frequentemente mencionado como um estudo
pioneiro tornando-se sociológico clássico no pensamento ocidental. Não se pode,
portanto, sem fazer mau uso das palavras, considerar todo suicida um louco. Mas
de todos os suicídios o que pode parecer mais difícil de discernir do que se
observam nos homens são os de “espírito melancólico”; pois, com muita
frequência, o homem normal que se mata também se encontra num estado de abatimento
e de depressão, exatamente como o alienado. Mas sempre há entre eles a
diferença essencial de que o estado do primeiro e o ato resultante dele não
deixam de ter causa objetiva, ao passo que, no segundo, não têm nenhuma relação
com as circunstâncias exteriores. Para Durkheim, nas situações de degredo, como
ocorre nas prisões e nos regimentos há um estado coletivo que inclina os
soldados e os detentos ao suicídio diretamente quanto o pode fazer a mais
violenta das neuroses. O exemplo é a causa ocasional que faz manifestar-se o
impulso. Mas observa o filósofo que não é aquele que o cria, e, se o impulso de
fato não existisse, o exemplo seria inofensivo.
Uma observação pode
servir de corolário a essa conclusão. Segundo
a versão oficial, Walter Benjamin, mutatis mutandis, cometeu o suicídio em Port
Bou, na fronteira da França com a Espanha, em 26 de setembro de 1940. Foi
vítima, do que nos traz à mente a afirmação de Mark Twain, para quem
“coincidência é a única explicação que o otário encontra para a coincidência”.
Com medo da captura pelas tropas franquistas e alemãs que naquela altura,
haviam confiscado seu apartamento parisiense, depois de saber que a passagem
para a Espanha estava fechada, Benjamin tomou uma grande quantidade de morfina
durante a noite. Apavorados com o suicídio do filósofo, no dia seguinte os
oficiais da fronteira permitiram que os demais integrantes da caravana de
refugiados seguissem em direção a Portugal. Afinal, a proibição de passar pela fronteira
para a Espanha tinha validade apenas para o dia anterior. Justamente o dia em
que o filósofo escolhera para sair da França e tentar a sorte em alguma paragem
menos conturbada com a trágica guerra europeia com o emprego intolerável e
massificado da força bruta da política. No entanto, a tese publicada em 2001
por Stephen Schwartz no semanário político conservador The Weekly Standard,
baseado em Washington, há setenta e cinco anos, na noite de 26 de setembro de
1940, Walter Benjamin (1892-1940), um dos maiores e mais sensíveis pensadores
marxistas do século XX, foi assassinado a mando do ditador russo Joseph Stálin (1878-1953)
que governou a União Soviética (URSS) de meados da década de 1920 até sua
morte, servindo como Secretário-Geral do Partido Comunista de 1922 a 1952, e primeiro-ministro de 1941 a 1953. A causa mortis não
foi o suicídio por envenenamento com morfina como consta na versão
oficial.
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