domingo, 2 de agosto de 2026

O Apicultor – Polinização, Rede de Vingança & Produção, Comercialização.

 Não é digno de saborear o mel aquele que se afasta da colmeia por medo das picadas”. William Shakespeare                      

            Escólio: Polinização é a transferência de pólen de uma antera de uma planta para o estigma de uma planta, permitindo posteriormente a fertilização e a produção de sementes, na maioria das vezes por um animal ou pelo vento. Agentes polinizadores podem ser animais como insetos, pássaros e morcegos; água; vento; e até as próprias plantas, quando a autopolinização ocorre dentro de uma flor fechada. A polinização geralmente ocorre dentro de uma espécie. Quando a polinização ocorre entre espécies, ela pode produzir descendentes híbridos na natureza e no trabalho de melhoramento de plantas. Nas angiospermas, após o grão de pólen (gametófito) ter pousado no estigma, ele germina e desenvolve um tubo polínico que desce pelo estilete até atingir um ovário. Seus dois gametas viajam pelo tubo até onde o(s) gametófito(s) contendo os gametas femininos são mantidos dentro do carpelo. Depois de entrar na célula do óvulo através da micrópila, um núcleo masculino se funde com os corpos polares para produzir os tecidos do endosperma, enquanto o outro se funde com o óvulo para produzir o embrião.  Um apicultor é quem cria abelhas melíferas, uma profissão reconhecida como apicultura. 

        O termo apicultor refere-se a uma pessoa que mantém abelhas melíferas em colmeias, caixas ou outros recipientes. O apicultor não controla os insetos. O apicultor é o proprietário das colmeias ou caixas e dos equipamentos associados. As abelhas são livres para coletar néctar ou enxamear quando quiserem. As abelhas geralmente retornam à colmeia do apicultor, pois esta oferece um lar limpo, escuro e protegido. Os apicultores também são chamados de produtores de mel. As abelhas produzem produtos como mel, cera de abelha, pólen, própolis e geleia real. Alguns apicultores também criam rainhas e outras abelhas para vender a diversos agricultores e para satisfazer a necessária curiosidade científica. Os apicultores também usam as abelhas para fornecer serviços de polinização a produtores de frutas e vegetais. Muitas pessoas criam abelhas como hobby. Outras o fazem para obter renda, seja como atividade paralela ao seu trabalho principal ou como operadores comerciais. Esses fatores afetam o número de colônias mantidas pelo apicultor. Os apicultores podem produzir produtos agrícolas para venda.  Os apicultores comerciais controlam centenas ou milhares de colônias de abelhas.

Daí o termo técnico-metodológico: “dupla fertilização”. Esse processo resultaria na produção de uma semente, feita de tecidos nutritivos e embrião. Nas gimnospermas, o óvulo não está contido em um carpelo, mas exposto na superfície de um órgão de suporte dedicado, como a escama de um cone, de modo que a penetração no tecido do carpelo é desnecessária. Os detalhes do processo variam de acordo com a divisão das gimnospermas em questão. Dois modos principais de fertilização são encontrados nas gimnospermas: as cicadáceas e o Ginkgo têm espermatozoides móveis que nadam diretamente para o óvulo dentro do óvulo, enquanto as coníferas e gnetófitas têm espermatozoides incapazes de nadar, mas são conduzidos ao óvulo ao longo de um tubo polínico. O estudo da polinização abrange muitas disciplinas, como botânica, horticultura, entomologia e ecologia. O processo de polinização como uma interação entre flor e vetor de pólen foi abordado pela primeira vez no século XVIII por Christian Konrad Sprengel (1750-1816). É importante na horticultura e na agricultura, porque a frutificação depende da fertilização: o resultado da polinização. O estudo da polinização por insetos é reconhecido como antecologia. Há também estudos em economia que analisam os pontos positivos e negativos da polinização, com escopo nas abelhas, e como o processo afeta os próprios polinizadores.

                                    


Os maiores possuem e operam até 50.000 colônias de abelhas e produzem milhões de quilos de mel. O primeiro grande apicultor comercial foi Petro Prokopovych (1775-1850), da Ucrânia, que operava 6.600 colônias no início do século XIX. Moses Quinby (1810-1875) foi o primeiro apicultor comercial nos Estados Unidos da América, com 1.200 colônias na década de 1840. Mais tarde nas décadas de 1960 e 1970, Jim Powers, de Idaho, Estados Unidos, possuía 30.000 colmeias produtoras de mel. A Miel Carlota, administrada pelos sócios Arturo Wulfrath e Juan Speck, do México, operou pelo menos 50.000 colmeias de abelhas melíferas de 1920 a 1960. Atualmente a Adee Honey Farm, em Dakota do Sul, com 80.000 colônias, e a Comvita, na Nova Zelândia com mais de 30.000 colônias, estão entre as maiores empresas apícolas do mundo. Mundialmente, os apicultores comerciais representam estatisticamente cerca de 5% dos indivíduos com abelhas, mas produzem cerca de 60% da produção mundial de mel. A apicultura comercial está em ascensão, especialmente em mercados de alto valor, como a polinização na América do Norte e produção de mel, particularmente mel de Manuka na Nova Zelândia. Os apicultores usam fatos de proteção para evitar lesões trabalhando com as colmeias.

 Cobrindo os apicultores da cabeça aos pés, o material, as luvas e o véu contribuem para a proteção do apicultor. O mel é a mercadoria mais valiosa vendida pelos apicultores. Os apicultores produtores de mel procuram manter colônias de abelhas com a máxima força possível em áreas com fontes densas de néctar. Eles produzem e vendem mel liquefeito e, às vezes, favos de mel. Os apicultores podem vender suas mercadorias no varejo, como corretores independentes, ou por meio de embaladores e distribuidores comerciais. Cera de abelha, pólen, geleia real e própolis também podem ser importantes geradores de receita. Os apicultores taiwaneses, por exemplo, exportam toneladas de geleia real, o suplemento alimentar de alto valor nutricional fornecido às abelhas rainhas. Os apicultores modernos raramente criam abelhas exclusivamente para a produção de cera. A cera de abelha é colhida juntamente com o mel e retificada para venda. Alguns apicultores prestam serviços de polinização a outros agricultores. Esses apicultores podem não produzir mel para venda. Os apicultores de polinização movem grandes quantidades de colmeias de abelhas melíferas à noite para que as frutas e os vegetais tenham insetos polinizadores suficientes disponíveis para níveis máximos de produção.

Em 2016, as amêndoas representaram 86% de todos os gastos dos Estados Unidos com serviços de polinização. Pelo serviço de manter colônias fortes de abelhas e movê-las para culturas como amêndoas, maçãs, cerejas, mirtilos, melões e abóboras, esses apicultores geralmente recebem uma taxa de pagamento em dinheiro. Criadores de rainhas são apicultores especializados que criam abelhas rainhas para outros apicultores. Esses criadores mantêm linhagens selecionadas com qualidades superiores e tendem a criar suas abelhas em regiões geográficas com primaveras precoces. Eles também podem fornecer abelhas extras para apicultores (produtores de mel, polinizadores ou apicultores amadores) que desejam iniciar novas operações ou expandir suas fazendas. Os criadores de rainhas usam kits Jenter para produzir um grande número de abelhas rainhas de forma rápida e eficiente. A maioria dos apicultores são amadores.  Essas pessoas geralmente trabalham ou possuem apenas algumas colmeias. Seu principal atrativo científico é o interesse em ecologia e ciências naturais. O mel é um subproduto desse hobby.

Como normalmente requer um investimento significativo para estabelecer um pequeno apiário e dezenas de horas de trabalho com colmeias e equipamentos para produção de mel, a apicultura amadora raramente é lucrativa fora da Europa, onde a falta de produtos apícolas orgânicos às vezes causa uma demanda elevada por mel produzido de forma privada. Os apicultores obtêm lucro com a venda de mel, favos e cera. O mel tem alta demanda. Em 2018, foi relatado que seu valor era superior ao do petróleo no Quênia. De modo geral, a apicultura tem potencial não apenas para gerar renda extra, mas também para beneficiar o meio ambiente, proporcionando polinização cruzada eficiente. No entanto, iniciar um negócio de apicultura é caro. Os investimentos iniciais são elevados, pois normalmente os lucros do primeiro ano são usados ​​para pagá-los. O lucro só deve ser esperado após o segundo ou terceiro ano. As pessoas interessadas em ter colmeias em seus quintais também devem considerar o aspecto legal da prática, já que diferentes cidades têm leis diferentes em relação ao uso de colmeias. Um apicultor amador tenta obter lucro com a criação de abelhas, mas depende de outra fonte de renda. Esses apicultores podem operar até 300 colmeias, produzindo de 10 a 20 toneladas métricas de mel, o que representa dezenas de milhares de dólares americanos por ano.

            O Apicultor é um filme de ação e suspense de 2024 produzido e dirigido por David Ayer e escrito por Kurt Wimmer. É estrelado por Jason Statham, Emmy Raver-Lampman, Josh Hutcherson, Bobby Naderi, Minnie Driver, Phylicia Rashad e Jeremy Irons. O filme acompanha um assassino aposentado do governo que parte em busca de vingança depois que sua bondosa senhoria é vítima de um golpe de phishing. Clay não vai parar até acabar com o sistema criminoso responsável pela morte de sua amiga. O plano de vingança brutal de Clay, um ex-agente de uma organização secreta poderosa reconhecida como “Beekeepers”, ganha dimensões nacionais envolvendo governos e as instituições mais influentes do mundo. Determinado a fazer justiça com suas próprias mãos, ele está disposto a tudo e não vai poupar ninguém para concluir seu plano. O filme “O Apicultor” foi lançado nos Estados Unidos pela Amazon MGM Studios e no Reino Unido pela Sky Cinema em 12 de janeiro de 2024. O filme recebeu críticas positivas e arrecadou US$ 162,6 milhões em todo o mundo, com um orçamento de US$ 40 milhões. Uma sequência, “O Apicultor 2”, está prevista para 15 de janeiro de 2027.

         

Escólio: Na zona rural da cidade de Massachusetts, Eloise Parker, uma professora aposentada, vive sozinha, mas mantém uma forte amizade com Adam Clay, um apicultor tranquilo que trabalha em seu celeiro. Um dia, Eloise cai em um golpe de phishing que lhe rouba todas as economias, incluindo mais de 2 milhões de dólares de uma instituição de caridade que administra; devastada e falida, ela se suicida. Adam encontra seu corpo e a agente do FBI Verona Parker, filha de Eloise, o prende sob suspeita de assassinato. Adam é inocentado e libertado, e Verona pede desculpas. Sedento por vingança, ele contata um misterioso grupo chamado “Apicultores” em busca de informações para localizar os responsáveis. Eles rastreiam os golpistas até uma central de atendimento perto de Springfield, administrada por Mickey Garnett. Adam invade o call center e o incendeia, matando os guardas no processo. O chefe de Mickey, Derek Danforth, ordena que Mickey mate Adam, mas Adam derrota os agressores e corta os dedos de Mickey com uma serra elétrica. Mickey liga para Derek para avisá-lo, mas Adam mata Mickey e avisa Derek que ele será o próximo. Derek alerta Wallace Westwyld, um ex-diretor da CIA que trabalha como chefe de segurança da Danforth Enterprises, a empresa de tecnologia dele.

A região onde atualmente o estado de Massachusetts está localizado foi uma das primeiras a ser colonizada pelos britânicos. A província colonial de Massachusetts foi fundada em 1620. Apenas a província colonial da Virgínia foi fundada antes. Massachusetts é famoso no país pelo seu pioneirismo em diversas áreas: o primeiro jornal foi publicado em Massachusetts, e a primeira biblioteca pública também; New College, a primeira instituição norte-americana de educação superior foi fundada em 1636 na cidade de Cambridge. Posteriormente, o estado construiria as primeiras escolas públicas de ensino de segundo grau no país, durante a década de 1820. Massachusetts representou na esfera política uma das Treze Colônias britânicas que se rebelaram contra o domínio britânico em 1775, na Guerra da Independência dos Estados Unidos. Vários eventos que levaram ao início da guerra ocorreram em Massachusetts. As primeiras batalhas da guerra também ocorreram no estado. Em 6 de fevereiro de 1788, Massachusetts ratificou a constituição, tornando-se assim o sexto estado dos Estados Unidos. O nome do estado in statu nascendi vem originalmente da tribo indígena massachusett. Os massachussett eram uma tribo indígena pertencente à família dos algonquinos. Massachusett significa, no idioma algonquino, “próximo à grande montanha”, obviamente uma referência etnográfica ao Great Blue Hill, uma montanha localizada ao Sul de Boston. O cognome reconhecido de Massachusetts é The Bay State.

   

 A origem deste cognome vem da localização do primeiro assentamento permanente fundado em Massachusetts, às margens da baía de Massachusetts. O gentílico dos habitantes do estado é “bay staters”. Outros cognomes menos usados são The Old Colony State, The Puritan State e The Baked Bean State. Em 2014, Massachusetts foi considerado o estado americano com melhor qualidade de vida. O estado também está entre os mais ricos e mais educadas do país. Diversos nativos norte-americanos já viviam na região que constitui o estado de Massachusetts muito tempo antes da chegada dos primeiros exploradores europeus. Indícios arqueológicos indicam que tais indígenas já viviam na região há mais de 10 mil anos. Diversas tribos da família indígena algonquina, viviam na região quando os primeiros europeus chegaram, no início do século XVII. Estima-se que a população de nativos norte-americanos, então, era de aproximadamente entre 25 a 40 mil. Porém, doenças contagiosas trazidas pelos europeus - provocada por micróbios com os quais o sistema imunológico dos indígenas nunca entrara anteriormente em contato - dizimaram a população indígena. Em um século, até a década de 1620, a população nativa norte-americana havia caído para apenas sete mil indígenas.

Em 1602, o britânico Bartholomew Gosnold (1571-1607) desembarcou em Cape Cod, localizado no extremo oriente do estado. Acredita-se que este cabo tenha sido assim nomeado por Gosnold. O francês Samuel de Champlain (1567-1635) mapeou o litoral da Nova Inglaterra ao longo de 1605 e de 1606, também mapeando o litoral do atual Massachusetts. Em 1614, o capitão britânico John Andrew Smith (1580-1631) fez um mapeamento mais extensivo do litoral de Massachusetts. Os puritanos, membros da Igreja Anglicana da Inglaterra, queriam reformas imediatas à Igreja, pressionando por tais reformas ao longo do século XVI. Estes puritanos passaram a ser discriminados no Reino Unido. Vários deles romperam totalmente com a Igreja. Estes passaram a ser chamados de separatistas, sendo altamente discriminados no Reino Unido pela população anglicana. Após as numerosas explorações europeias no continente americano no início do século XVII, estes puritanos passaram a considerar a ideia de fundar uma colônia no Novo Continente. Em 16 de setembro de 1620, 102 britânicos, dos quais 41 eram puritanos, embarcaram no barco Mayflower. Eles ancoraram em Cape Cod em 11 de novembro. Os 102 assentadores decidiram criar um plano de administração antes de fundar oficialmente um assentamento permanente. Este plano é reconhecido como The Mayflower Compact. Em dezembro, os 102 assentadores fundaram oficialmente Plymouth, o segundo assentamento britânico permanente no processo civilizatório das Américas.

Reconhecendo Adam como um ex-Apicultor, Wallace alerta a CIA, que envia Anisette, uma Apicultora atual, para matá-lo. Anisette embosca Adam, mas ele a mata e corta um de seus dedos; os Apicultores declaram neutralidade imediatamente, deixando Wallace sem defesa. Adam usa o dedo decepado de Anisette para entrar em seu complexo e procurar o principal call center de Derek. Verona e seu parceiro, Matt Wiley, preveem que o próximo alvo de Adam seja o Nine Star United Center em Boston, que supervisiona os call centers de golpes globais de Derek. Wallace reúne uma equipe de operações especiais liderada por Pettis e os informa sobre os Apicultores, uma organização secreta de inteligência humana de elite, encarregada de proteger os Estados Unidos e operar acima e além da jurisdição governamental, com uma cultura organizacional inspirada nas abelhas operárias da colmeia. A equipe de Pettis é enviada para garantir a segurança do Nine Star e matar Adam, mas as tensões com uma equipe da SWAT do FBI e a recusa do gerente Rico Anzalone em evacuar criam uma confusão que permite a Adam incapacitar a equipe da SWAT, matar Pettis e seus homens e interrogar Anzalone.           

Verona e Wiley descobrem que Derek é filho de Jessica Danforth, a atual presidente dos Estados Unidos, e alertam o vice-diretor do FBI, Jackson Prigg, de que Adam pode tentar matá-la por causa dos delitos de Derek. Wallace envia Derek para Jessica em sua mansão litorânea, que é protegida fisicamente por mercenários anti-Apicultores liderados por Lazarus, que usa uma perna protética após um encontro com um Apicultor. Adam se infiltra na mansão durante uma festa e luta para abrir caminho pelo prédio, neutralizando a Equipe de Contra-Ataque do Serviço Secreto e matando Lazarus e seus homens. Enquanto isso, Jessica e Prigg confrontam Derek, que admite que Wallace lhe deu algoritmos da CIA, os quais ele usou para alimentar seu império criminoso de golpes e fraudar a eleição de Jessica. Quando Jessica ameaça revelar seus crimes ao público, um Derek enfurecido atira em Prigg e se prepara para matar sua mãe, mas Adam atira em Derek na cabeça antes que ele consiga. Adam foge enquanto Verona o mantém sob a mira de uma arma; ela acaba o soltando. Adam foge para a praia, onde veste seu equipamento de mergulho enterrado e desaparece no mar, escapando.     

Elenco: Jason Statham interpreta Adam Clay, um assassino altamente habilidoso conhecido como Apicultor, que se aposentou para viver uma vida tranquila. Emmy Raver-Lampman interpreta Verona Parker, filha de Eloise, que trabalha como agente do FBI investigando Adam. Josh Hutcherson interpreta Derek Danforth, um magnata da tecnologia que é o CEO da Danforth Enterprises e líder de uma quadrilha internacional de golpistas. Bobby Naderi interpreta Matt Wiley, um agente do FBI e parceiro de Verona. Minnie Driver como Janet Harward, a diretora da CIA. David Witts interpreta Mickey Garnett, o gerente da central de atendimento que aplicou o golpe em Eloise. Michael Epp interpreta Pettis, líder da equipe tática contratada para proteger o Nine Star United Center. Taylor James interpreta Lazarus, um mercenário sul-africano experiente em matar apicultores e que lidera a guarda mercenária dos Danforth. Jemma Redgrave interpreta Jessica Danforth, Presidente dos Estados Unidos e mãe de Derek. Enzo Cilenti interpreta Rico Anzalone, o gerente do Nine Star United Center. Phylicia Rashad interpreta Eloise Parker, uma professora aposentada e amiga próxima de Adam. Don Gilet como Jackson Prigg, Diretor Adjunto do FBI eremy Irons interpreta Wallace Westwyld, o ex-diretor da CIA, agora chefe de segurança da Danforth Enterprises. Megan Le interpreta Anisette Landress, uma apicultora amadora psicótica encarregada de matar Adam.

Em agosto de 2021, foi anunciado que Jason Statham estrelaria o filme para a Miramax e também atuaria como produtor por meio de sua empresa Punch Palace Productions. David Ayer assinou contrato para dirigir em maio de 2022. As filmagens principais ocorreram na Inglaterra de setembro a dezembro de 2022. Os locais incluíram Tyringham Hall e a Ponte Kingsferry. Em preparação para as cenas de abertura do filme, Statham aprendeu vários métodos de apicultura e interagiu com abelhas de verdade. A MGM adquiriu os direitos de distribuição do filme nos Estados Unidos em agosto de 2022. Em fevereiro de 2023, a Sky Cinema adquiriu os direitos no Reino Unido, com a StudioCanal cuidando do lançamento nos cinemas do Reino Unido em nome da Sky Cinema. Foi lançado pela Amazon MGM Studios em 12 de janeiro de 2024. O filme The Beekeeper foi lançado em plataformas digitais e VOD em 30 de janeiro de 2024,  e lançamento em DVD, Blu-ray e Ultra HD Blu-ray em 23 de abril de 2024.

                    

O filme “The Beekeeper” arrecadou US$ 66, 2 milhões nos Estados Unidos e Canadá e US$ 96, 4 milhões em outros territórios, totalizando US$ 162, 6 milhões em todo o mundo, contra um orçamento de “US$ 40 milhões ou menos”. Nos Estados Unidos e no Canadá, O Apicultor foi lançado juntamente com Meninas Malvadas e O Livro de Clarence, e a previsão era de que arrecadasse entre US$ 17 e US$ 19 milhões em 3.303 cinemas no fim de semana de estreia. Arrecadou US$ 6,7 milhões no primeiro dia, incluindo US$ 2,4 milhões das pré-estreias de quinta-feira à noite. Sua estreia foi de US$ 16,6 milhões, ficando em segundo lugar, atrás de Meninas Malvadas. O filme arrecadou US$ 8,5 milhões no segundo fim de semana e US$ 6,7 milhões no terceiro, mantendo-se em segundo lugar nas bilheterias. Passou suas primeiras oito semanas no Top 10 das bilheterias americanas. No site agregador de críticas Rotten Tomatoes, 71% das 182 críticas são positivas, com uma classificação média de 5,9/10. O consenso do site diz: “Alegremente descomplicado e agradavelmente retrógrado, O Apicultor prova que, quando se trata de fazer justiça no gênero ação-thriller, Statham não perdeu sua garra”. O Metacritic, que usa uma média ponderada, atribuiu ao filme uma pontuação de 53 em 100, com base em 36 críticas, indicando avaliações “mistas ou médias”. O público pesquisado pelo CinemaScore deu uma nota média de “B+” em uma escala de A+ a F.

Uma crítica no The Guardian afirma que as cenas sem tiroteios são apressadas e que tanto Rashad quanto Driver são subutilizados, descrevendo-o como “um esforço sólido, de baixo risco e recompensa mediana para o Ano Novo”. Matt Zoller Seitz, do RogerEbert, elogiou os vários aspectos do filme, incluindo a variedade de vilões, mas lamentou: “É uma pena que O Apicultor não seja a obra-prima trash que ameaça se tornar”. John Nugent, da revista Empire, disse que Statham está “tão convincentemente rude como sempre (embora demore 20 minutos até que ele possa finalmente dar uma surra em alguém)”, mas chamou as cenas de ação de “horrivelmente inconsistentes” e observou que “você tem que aguentar muita coisa sobre abelhas”. Em fevereiro de 2025, foi anunciado que provavelmente uma sequência de O Apicultor estava em desenvolvimento, com Timo Tjahjanto na direção e Kurt Wimmer escrevendo o roteiro. Jason Statham reprisaria seu papel como Adam Clay, além de produzir financeiramente o filme. Em maio de 2025, Kurt Wimmer foi substituído por Umair Aleem no roteiro. Em setembro, Jeremy Irons reprisaria seu papel como Wallace Westwyld. Emmy Raver-Lampman, Bobby Naderi, Jemma Redgrave, Yara Shahidi, Pom Klementieff e Adam Copeland se juntaram ao elenco ainda naquele mês. Em janeiro de 2026, o filme foi programado para lançamento provavelmente nos cinemas dos Estados Unidos em 15 de janeiro de 2027.

Bibliografia Geral Consultada.

RUTTNER, Friedrich, Criação de Rainhas: Base Biológica e Instruções Técnicas. Roma: Editora Apimondia, 1983; SANFORD, Malcolm Thomas, Um Estudo sobre a Rentabilidade de uma Operação de Apicultura de Médio Porte. Serviço de Extensão Cooperativa da Flórida. Instituto de Ciências Alimentares e Agrícolas. Flórida: Universidade da Flórida, 1986; ACKERMAN, Joseph Daniel, “Abiotic Pollen and Pollination: Ecological, Functional, and Evolutionary Perspectives”. In: Plant Systematics and Evolution, 222 (1–4): 167–185, 2000; LE BRETON, David, Antropologia do Corpo e Modernidade3ª edição. Petrópolis (RJ): Editora Vozes, 2013; ALMEIDA, Tatiane Aparecida, Religião e Magia no Censo Religioso Contemporâneo: Estudo a Partir de Marcel Mauss. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião. Belo Horizonte: Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, 2017; AL-GHAMDI, Ahmed A.; ADGABA, Nuru; Herab, AHMED H.; Ansari, MOHAMMAD, J., “Análise comparativa da rentabilidade da produção de mel utilizando colmeias tradicionais e colmeias de caixa”. In: Saudi Journal of Biological Sciences, 24 (5): 1075– 1080, 2017; WHITE, James, “Jason Statham prova que a vingança dói no trailer de O Apicultor”. In: Empire, 10 de abril de 2023; MATHAI, Jeremy, “Não há nada de falso nas abelhas em O Apicultor, de Jason Statham”. In: Slashfilm, 15 de janeiro de 2024; JACKSON, Angélique, “Yara Shahidi se junta a Jason Statham em O Apicultor 2 da Miramax (Exclusivo)”. In: Deadline Hollywood, 25 de setembro de 2025; Idem, “Emmy Raver-Lampman, Bobby Naderi e Jemma Redgrave retornam para O Apicultor 2 (Exclusivo)”. In: Deadline Hollywood, 29 de setembro de 2025; Idem, “Pom Klementieff e Adam Copeland se juntam a O Apicultor 2 da Miramax (Exclusivo)”. In: Variety, 30 de setembro de 2025; D`ALESSANDRO, Anthony, “Amazon MGM Studios e Miramax`s The Beekeeper 2 chegarão aos cinemas no próximo inverno”. In: Deadline Hollywood, 22 de janeiro de 2026; entre outros.                  

sábado, 1 de agosto de 2026

Sangue Frio – Forte Nevasca & Perseguição Tout Court na Estrada.

                   A cultura nasce - e isso é simplesmente essencial para sua compreensão”. Georg Simmel                           

         

        O conceito de figuração distingue-se de outros conceitos teóricos da sociologia por incluir expressamente os seres humanos em sua formação social. Contrasta, portanto, decididamente com um tipo amplamente dominante de formação de conceitos que se desenvolve sobretudo na investigação de objetos sem vida, portanto no campo da física e da filosofia para ela orientada. Há figurações de estrelas, assim como de plantas e de animais. Mas apenas os seres humanos formam figurações uns com os outros. O modo de sua vida conjunta em grupos grandes e pequenos é, de certa maneira, singular e sempre co-determinado pela transmissão de conhecimento de uma geração a outra, por tanto por meio do ingresso singular do mundo simbólico específico de uma figuração já existente de seres humanos. Às quatro dimensões espaço-temporais indissoluvelmente ligadas se soma, no caso dos seres humanos, uma quinta, a dos símbolos socialmente apreendidos. Sem sua apropriação, sem, por exemplo, o aprendizado de uma determinada língua especificamente social, os seres humanos não seriam capazes de se orientar no seu mundo nem de se comunicar uns com os outros. Um ser humano adulto, que não teve acesso aos símbolos da língua e do conhecimento de determinado grupo permanece fora de todas as figurações humanas, pois não é um ser humano. As definições de controle social são demasiado amplas e vagas, e, portanto, seria legítimo indagar, escolhendo-as mais ou menos ao acaso, para inferir que resultam em termos de um controle, isto é, qualquer estímulo ou complexo de estímulos que provoca uma determinada reação.

Assim, pois, todos os estímulos são controles, pois representam a direção do comportamento por influências grupais, estimulando ou inibindo a ação individual ou grupal. O controle social pode ser definido como a soma total ou, antes, o conjunto de padrões culturais, símbolos sociais, signos coletivos, valores culturais, ideias e idealidades, tanto como atos quanto como processos diretamente ligados a eles, pelo qual a sociedade inclusiva, cada grupo particular, e cada membro individual participante superam as tensões e os conflitos entre si, através do equilíbrio temporário, e se dispõem a novos esforços criativos. Ipso facto, em toda a dimensão da vida associativa deverá haver algum ajustamento de relações sociais tendentes a prevenir a interferência de direitos e privilégios entre os indivíduos. De maneira mais específica, são três as funções do estabelecidas pelo controle social: a obtenção e a manutenção da ordem social, da proteção social e da eficiência social. O seu emprego hic et nunc na investigação sociológica contribuiu consideravelmente para produzir uma simplificação ou redução na análise dos problemas sociais, conseguida proporcionalmente, graças à compreensão positiva da integração das contradições correspondentes no sistema de organização das sociedades e da importância relativa de cada um deles, como e enquanto expressão do jogo social. Embora obscuro e equívoco, em seu significado, o conceito de controle social é necessário à investigação sociológica na modernidade, encontraram um sistema de referências propício à sua crítica científica, seleção lógica e coordenação metódica.

O crescimento de um jovem convivendo e habitando comum em figurações humanas, como processo social e experiência, assim como o aprendizado de um determinado esquema de autorregulação na relação com os seres humanos, é condição indispensável ao desenvolvimento rumo à humanidade. Socialização e individualização de um ser humano, são nomes diferentes para o processo. Cada ser humano assemelha-se aos outros, e é, ao mesmo tempo, diferente de todos os outros. O mais das vezes, as teorias sociológicas deixam sem resolver o problema da relação entre indivíduo e sociedade. Quando se fala que uma criança se torna um indivíduo humano por meio da integração em determinadas figurações, como, por exemplo, em famílias, em classes escolares, em comunidades aldeãs ou em Estados, assim como mediante a apropriação e reelaboração de um patrimônio simbólico social, conduz-se o pensamento por entre dois grandes perigos da teoria e das ciências humanas: o perigo de partir de um indivíduo a-social, portanto como que de um agente que existe por si mesmo; e o perigo de postular um “sistema”, um “todo”, em suma, uma sociedade humana que existiria para além do ser humano singular, para além dos indivíduos. Embora não possuam um começo absoluto, não tendo nenhuma outra substância a não ser seres humanos gerados familiarmente por pais e mães, as sociedades humanas não são simplesmente um aglomerado cumulativo dessas pessoas. O convívio dos seres humanos em sociedades tem sempre, mesmo no caos, na desintegração, na maior desordem social, uma forma absolutamente determinada. É isso que o conceito de figuração exprime. O processo de concentração física de força pública se acompanhada de uma desmobilização da violência ordinária.

                                        


A violência física só pode ser aplicada por um agrupamento especializado, especialmente mandatado para esse fim, claramente identificado no seio da sociedade pelo uniforme, portanto um agrupamento simbólico, centralizado e disciplinado. A noção de disciplina, sobre a qual Max Weber escreveu páginas magníficas, lembra-nos Norbert Elias, é capital: não se pode concentrar a força física sem, ao mesmo tempo, controla-la, do contrário é o desvio da violência física, e o desvio da violência física está para a violência física assim como o desvio de capitais está para a dimensão econômica: é o equivalente da concussão. A violência física pode ser concentrada num corpo formado para esse fim, claramente identificado em nome da sociedade pelo uniforme simbólico, especializado e disciplinado, isto é, capaz de obedecer como um só homem a uma ordem central que, em si mesma, não é geradora de nenhuma ordem. O conjunto das instituições mandatadas para garantir a ordem, a saber, as forças públicas e de justiça, são, portanto, separadas pouco a pouco do mundo social corrente. Essa concentração do capital físico se realiza em um duplo contexto. Para uns, o desenvolvimento do exército profissional está ligado à guerra, assim como o imposto; mas há também a guerra interior, a guerra civil, a arrecadação do imposto como uma espécie de guerra civil.

A estratégia do passado que visava organizar novos espaços urbanos transformou-se meramente em artifícios políticos e muito pouco em torno de reabilitação de patrimônios. Depois de haver inconscientemente projetado a cidade futura, torna-se uma cidade frequentada por sua estranheza, muito mais elevada aos excessos que reduzem o presente, a nada mais que simples escombros como caixas d`água que deixam escapar seu domínio do tempo. Mas os técnicos sociais se denunciam já no quadriculamento que atrapalhavam os planejadores funcionalistas que deviam fazer tábula rasa das opacidades contidas nos projetos de cidades transparentes. Afinal qual o urbanismo que não descontroem mais do que uma guerra a questão da memória e da história aldeã, operária, com casas desfiguradas, fábricas desativadas, universidades sem vida, cacos de histórias naufragadas que formam as ruínas de uma cidade fantasma ou fantasmas da cidade, antes modernista, cidade de massa, homogênea, como os lapsos de uma linguagem que se desconhece, quem sabe inconsciente. Mas elas surpreendem. O imaginário individual (sonho) e coletivo (mitos, ritos, símbolos), em primeiro, são as coisas que o soletram.

Eles têm uma função social que consiste em abrir uma profundidade no presente, mas não têm mais o conteúdo que provê de sentido a estranheza do passado. Suas histórias políticas deixam de ser pedagógicas para inferir um final claramente trágico.  O Estado se constitui, portanto, em relação à forma de governo um duplo contexto: de um lado, efeitos de poder político em relação a outros Estados, atuais ou potenciais, isto é, os princípios concorrentes – portanto, precisa concentrar “capital de força física” para travar a guerra pela terra, pelos territórios; de outro lado, em relação a um contexto interno, a contrapoderes, isto é, príncipes concorrentes ou classes dominadas que resistem à arrecadação do imposto ou ao recrutamento de soldados. Esses dois fatores favorecem a criação de exércitos poderosos dentro dos quais se distinguem progressivamente forças propriamente militares e forças propriamente policiais destinadas à manutenção da ordem interna. Essa distinção exército/polícia, evidente hoje, tem uma genealogia extremamente lenta, as duas forças têm sido por muito tempo confundido. O desenvolvimento do imposto está ligado às despesas de guerra. O nascimento do imposto é simultâneo a uma acumulação extraordinária de capital detido pelos profissionais da gestão burocrática e à cumulação de um imenso capital informacional. É o vínculo institucional entre Estado e estatística: o Estado está associado a um conhecimento racional do mundo social e governamental. A estatística em como representação o campo da matemática que relaciona fatos sociais e números em que há um conjunto de métodos que nos possibilita coletar dados e analisá-los, assim sendo possível realizar alguma interpretação deles.

Antropologicamente falando, segundo Georg Simmel, a humanidade sempre atravessa estágios em que: a) opressão da individualidade é o ponto de passagem obrigatório de seu livre desabrochar superior, em que a pura exterioridade das condições de vida se torna a escola da interioridade, b) em que a violência da modelagem produz uma acumulação de energia, destinada, em seguida, a gerar toda a especificidade pessoal. Do alto desse ideal é que, c) a individualidade plenamente desenvolvida, tais períodos parecerão, é claro, grosseiros e indignos. Mas, para dizer a verdade, além de semear os germes positivos do progresso vindouro, já é em si uma manifestação do espírito exercendo uma dominação organizadora sobre a matéria-prima das impressões flutuantes, uma aplicação das personalidades especificamente humanas, procurando-as fixar suas normas de vida - do modo mais brutal, exterior ou, mesmo, estúpido que seja -, em vez de recebê-las das simples forças da natureza.  A horda, uma estrutura social e militar histórica encontrada na estepe eurasiática “não protege mais a moça e rompe suas relações com ela, porque nenhuma contrapartida foi obtida por sua pessoa”.

Para o filósofo Simmel diante do “conflito” (“Kampf”), mutatis mutandis, os indivíduos vivem em relações sociais de cooperação, mas também de oposição, portanto, os conflitos são parte mesma da constituição da sociedade. É neste sentido que formam momentos de crise, um intervalo entre dois momentos de harmonia, vistos numa função positiva de superação das divergências. Fundamenta uma episteme em torno da ideia de movimento, da relação, da pluralidade, da inexorabilidade do conhecimento, de seu caráter construtivista, cuja dimensão central realça o fugidio, o fragmento e o imprevisto. Por isso, seu panteísmo estético, ancorado sob forma paradoxais de interpretação real, como episteme, no qual se entende que cada ponto, cada fragmento superficial e, portanto, fugaz é passível de significado estético absoluto, de compreender o sentido total, os traços significativos, do fragmento à totalidade. O significado sociológico do “conflito”, em princípio, nunca foi contestado. Conflito é admitido por causar ou modificar grupos de interesse, unificações, organizações. Por outro lado, pode parecer paradoxal na visão do senso comum se alguém pergunta se independentemente de quaisquer fenômenos que resultam de condenar ou que a acompanha, o conflito é uma forma de “sociação”.

À primeira vista, isso soa como uma pergunta retórica. Se todas as interações entre os homens é uma sociação, o conflito, - afinal uma das interações mais vivas, que, além disso, não pode ser exercida por um indivíduo sozinho, - deve certamente ser considerado como “sociação”. E, de fato, os fatores sociais de dissociação, tais como ódio, inveja, necessidade, desejo, são as causas da condenação, que irrompe em função deles. Conflito é, portanto, destinado a resolver dualismos divergentes, é a maneira de conseguir algum tipo de unidade, que seja através da aniquilação de uma das partes em litígio. A imagem está associada a conhecimentos pretéritos adquiridos e concernentes ao objeto que ela de fato representa. Ela não apreende nada além daquilo que nós podemos extrair da realidade durante o trabalho de percepção. A imagem não se relaciona com o mundo em si, ela só depende do processo de como podemos descobrir algo sobre ela. Portanto, se existe uma possibilidade de se observar o objeto real através da imaginação, mesmo assim essa possibilidade ainda não nos permite apreender nada de novo em relação ao objeto. A imagem, ato da consciência imaginante, tem como representação social um elemento, identificado como o primeiro e incomunicável, como produto de uma atividade consciente atravessada de um extremo ao outro por uma corrente de “vontade criadora”. 

Trata-se, de dar-lhe à sua própria consciência um conteúdo de sentido imaginante, próximo da analogia weberiana da interpretação da ciência que recria para si os objetos afetivos espontaneamente ao seu redor: ela é criativa. Daí a importância de se compreender no campo da imagem, de sua produção, recepção, influência, de sua relação com o sonho, o devaneio, a criação e a ficção, a substituição das mediações pelos meios de comunicação, posto que contenha em si uma possibilidade de violência, a partir da constituição do novo regime de ficção que hoje afeta, contamina e penetra a vida social. Ipso facto temos a sensação de sermos colonizados, mas sem saber precisamente por quem. Não é facilmente identificável e, a partir daí é normal questionar-se sobre o papel da cultura ou da ideia que fazemos dela. O etnólogo Marc Augé reitera que as “etnociências” se atribuem sempre dois objetivos, proposto por ele ao final em seu opúsculo La Guerre des Rêves (1997). Usado como prefixo, “etno” relativiza o termo que o segue e o faz depender da “etnia” ou da “cultura” que supõe ter práticas análogas às que sociologicamente chamamos “ciências”: medicina, botânica, zoologia etc. Desse ponto de vista, a etnociência tenta reconstituir o que serve de ciência aos outros, suas práticas sanitárias e do corpo, seus conhecimentos botânicos, mas também suas modalidades de classificação, de relacionamento etc. É claro que, a partir do momento em que se generaliza a etnociência muda de ponto de vista.

Ela tenta emitir uma apreciação sobre os modelos locais, indígenas, e compará-los a outros e, além disso, propor uma análise dos procedimentos cognitivos em ação num certo número de experiências. Ela leva então às vezes o nome de antropologia: fala-se assim em antropologia médica ou cognitiva. Em verdade, quando Augé recoloca a questão: “que é nosso imaginário, hoje?”, por outro lado, ele se indaga se nestes dias não estamos assistindo a uma generalização do fenômeno de fascínio da consciência que nos pareceu característico da situação colonial e de seus diferentes avatares? Trata-se de “exercícios de Etnoficção”, em analisar o estatuto da ficção ou as condições etnológicas de seu surgimento numa sociedade, e ipso facto num momento histórico particular, em analisar os diferentes gêneros que se irradiam sob formas ficcionais, sua relação com o imaginário individual e coletivo, as representações da morte etc., em diferentes sociedades ou conjunturas. Temos o que fica reservado como lugar de representação, posto que bem entendido o nível ao qual se aplica a pesquisa antropológica, ela tem por objeto interpretar a interpretação que os outros fazem da categoria do outro, nos diferentes níveis que situam o lugar dele e impõem sua necessidade.

Melhor dizendo, tendo como representação social etnia, tribo, aldeia, linhagem ou outro modo de agrupamento até o átomo elementar de parentesco, do qual se sabe que submete a identidade da filiação à necessidade da aliança, o individualismo, enfim; que todos os sistemas rituais definem como compósito e pleno de alteridade, figura literalmente impensável, como o são, em modalidades opostas, a do rei e a do feiticeiro. O fato social é que deste ângulo de análise há um princípio abrangente e primordial, porque norteador, pois “toda antropologia é antropologia da antropologia dos outros, além disso, que neste âmbito, o lugar antropológico, é simultaneamente princípio de sentido para aqueles que o habitam e princípio de inteligibilidade para quem o observa”. Essa inteligibilidade, ao que nos parece, fornece e propõe no âmbito de apropriação dos saberes que as condições de uma antropologia da contemporaneidade devem ser deslocadas do método para o objeto. E que se deve estar atento às mudanças que afetaram as grandes categorias por meio das quais os homens pensam sua identidade e suas relações recíprocas em termos espaciais.

Assim, se um lugar pode se definir como identitário, relacional e histórico, um espaço que não pode se definir nem como identitário, nem como relacional, nem como histórico definirá um na etnologia da solidão de Augé o que ele denominou analiticamente de “não-lugar”. A hipótese adjudicada na teoria, e, portanto, no pensamento, é o que o autor chama de surmodernité conquanto produtora de não-lugares, de espaços que não são em si lugares (tradicionais) antropológicos. Isto é importante. Estas características comuns podem ser aplicadas a dispositivos institucionais diferentes e que constituem, de certo modo, as formas elementares de compreensão do espaço social. Trata-se de aspectos gerais e que se identificam enquanto itinerários ou eixos ou caminhos que, do ponto de vista etnológico conduzem de um lugar a outro. Mas também em cruzamentos e praças, que satisfazem por assim dizer esferas de ação social, que nos mercados definem necessidades do intercâmbio econômico e, nesta progressão, centros mais ou menos monumentais. Sejam eles religiosos ou políticos construídos por certos homens e mulheres e que definem como outros, em relação a outros centros e outros espaços sociais. Uma nevasca tem como representação uma tempestade de neve severa caracterizada por ventos fortes e baixa visibilidade, que dura um período prolongado, normalmente pelo menos três ou quatro horas. Uma nevasca terrestre é uma condição climática em que a neve já acumulada é levada pelo vento.

As nevascas podem atingir dimensões imensas e geralmente se estendem por centenas ou milhares de quilômetros. Nos Estados Unidos da América, o Serviço Nacional de Meteorologia define uma nevasca como uma tempestade de neve severa caracterizada por ventos fortes que causam neve soprando e resultam em baixa visibilidade. A diferença entre uma nevasca e uma tempestade de neve é ​​a intensidade do vento, não a quantidade de neve. Para ser considerada uma nevasca, uma tempestade de neve deve ter ventos constantes ou rajadas frequentes iguais ou superiores a 56 km/h (35 mph) com neve soprando ou acumulando-se, reduzindo a visibilidade para 400 m ou 0,25 mi ou menos, e deve durar por um período prolongado três horas ou mais. O Environment Canada define uma nevasca como uma tempestade com velocidades de vento superiores a 40 km/h (25 mph) acompanhadas de visibilidade de 400 metros (0,25 mi) ou menos, resultante de queda de neve, neve soprando ou uma combinação dos dois. Essas condições devem persistir por pelo menos quatro horas para que a tempestade seja classificada como uma nevasca, exceto ao Norte da linha das árvores árticas, onde esse limite é elevado para seis horas.  O Departamento de Meteorologia da Austrália descreve nevasca como “vento violento e muito frio carregado de neve, parte da qual, pelo menos, foi levantada do solo coberto de neve”. 

Embora o frio intenso e a grande quantidade de neve acumulada possam acompanhar as tempestades de neve, não são imprescindíveis. As tempestades de neve podem causar condições de visibilidade zero e paralisar regiões por vários dias, principalmente onde a queda de neve é ​​incomum ou rara. Uma nevasca severa tem ventos acima de 72 km/h (45 mph), visibilidade próxima de zero e temperaturas de −12 °C (10 °F) ou inferiores. Na Antártida, as nevascas estão associadas a ventos que ultrapassam a borda do planalto de gelo a uma velocidade média de 160 km/h (99 mph). Uma tempestade de neve terrestre refere-se a uma condição climática de extraordinária beleza em que a neve ou o gelo solto são levantados e soprados por ventos fortes. A principal diferença comparativamente entre uma tempestade de neve terrestre e uma nevasca comum é que, na primeira, não há precipitação no momento, pois toda a precipitação já está presente na forma de neve ou gelo na superfície. O Dicionário Oxford de Inglês conclui que o termo blizzard provavelmente é onomatopaico, derivado do mesmo sentido que blow, blast, blister e bluster; o primeiro uso registrado para descrever o clima data de 1829, quando foi definido como um “golpe violento”. Atingiu sua definição moderna por volta de 1859, quando era usado no Oeste dos Estados Unidos da América.

O termo tornou-se comum na imprensa durante o rigoroso inverno de 1880-81. Nos sistemas de tempestades suficientemente poderosos para causar nevascas geralmente se formam quando a corrente de jato desce muito para o Sul, permitindo que o ar polar frio e seco do Norte colida com o ar quente e úmido que sobe do Sul. Quando o ar frio e úmido do Oceano Pacífico se desloca para Leste em direção às Montanhas Rochosas e às Grandes Planícies e o ar mais quente e úmido se desloca para o norte a partir do Golfo do México, basta um movimento de ar polar frio para o sul para formar condições propícias a nevascas que podem se estender do Panhandle do Texas até os Grandes Lagos e o Meio-Oeste. Uma nevasca também pode se formar quando uma frente fria e uma frente quente se encontram, formando uma nevasca na linha divisória entre elas. Outro sistema de tempestades ocorre quando uma baixa pressão com núcleo frio sobre a área da Baía de Hudson, no Canadá, é deslocada para o Sul sobre o Sudeste do Canadá, os Grandes Lagos e a Nova Inglaterra. Quando a frente fria, que se move rapidamente, colide com o ar mais quente vindo do norte do Golfo do México, ocorrem ventos fortes na superfície, advecção significativa de ar frio e precipitação invernal extensa. Sistemas de baixa pressão que se deslocam das Montanhas Rochosas para as Grandes Planícies, uma vasta extensão de terra plana, grande parte coberta por pradarias, estepes e campos, podem causar tempestades e chuvas ao sul e fortes nevascas e ventos intensos ao norte. Com poucas árvores ou outras obstruções para reduzir a intensidade do vento, esta parte do país é particularmente vulnerável a nevascas com temperaturas muito baixas e condições de visibilidade zero. Em uma nevasca intensa, não há horizonte visível.

As pessoas podem se perder em seus próprios quintais, quando a porta está a apenas 3 metros de distância, e teriam que tatear o caminho de volta. Os motoristas precisam parar seus carros onde estão, pois, a estrada fica completamente invisível. Uma tempestade do tipo “nor`easter” é uma tempestade de grande escala que ocorre ao largo da costa da Nova Inglaterra e do Canadá Atlântico. Recebe esse nome devido à direção de onde o vento sopra. O uso do termo na América do Norte deriva do vento associado a muitos tipos diferentes de tempestades, algumas das quais podem se formar no Oceano Atlântico Norte e outras tão ao Sul quanto de análise comparativamente ao Golfo do México. O termo é mais frequentemente utilizado nas áreas geográficas costeiras da Nova Inglaterra e do Canadá Atlântico. Esse tipo de tempestade tem características semelhantes às de um furacão. Mais especificamente, descreve uma área de baixa pressão cujo centro de rotação está próximo à costa e cujos ventos predominantes no quadrante esquerdo giram em direção à terra vindos do Nordeste. Ondas altas de tempestade podem afundar navios e causar inundações costeiras e erosão das praias. Entre as tempestades do tipo “nor`easter” notáveis ​​está a Grande Nevasca de 1888, uma das piores nevascas da história dos EUA. A tempestade deixou entre 100 e 130 cm de neve e teve ventos de mais de 72 km/h, que produziram montes de neve com mais de 15 metros de altura. As ferrovias foram fechadas e as pessoas ficaram confinadas em suas casas por uma semana. A tempestade matou 400 pessoas, a maioria em Nova York.  

Sangue Frio (Cold Meat) tem como representação social um filme de suspense de 2024 dirigido por Sébastien Drouin. É roteirista e diretor francês de Cold Meat (2023), estrelado por Allen Leech, Nina Bergman e Yan Tual. O filme estreou no Frightfest Festival London e foi indicado a 4 prêmios totais de cinema: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator e Melhor Susto. Ele também é cocriador da minissérie de TV VTC, também reconhecida empresa Surge para o Canal +. Ele é reconhecido pela primeira vez por seus curtas-metragens multipremiados: Dust City (1997) vencedor do Imagina-Monaco, La Place du Mort (2000), Vencedor do Cognac Film Festival 2000 e 9 outros prêmios, e Pièces Détachées (2006), vencedor de 9 prêmios, incluindo o prêmio de Melhor Vídeo Digital no Arquipélago de Roma 2007 e o Prêmio Especial do Júri em Valenciennes, 2007. Sébastien Drouin começou sua carreira como supervisor de efeitos visuais para a empresa francesa de efeitos visuais BUF, especializada em computação gráfica para longas-metragens, comerciais e videoclipes. Foi fundada por Pierre Buffin em 1984. A empresa tem origem em Paris, França, e desde então expandiu-se para Montreal, Canadá e Los Angeles, Califórnia. Ele se tornou um renomado supervisor de efeitos visuais e trabalhou para diretores internacionais como Wong Kar Wai, 2046: Os Segredos do Amor (2004), Oliver Stone (Alexandre (2004), Tom Tyker (Paraíso (2002), Mathieu Kassovitz, Missão Babilônia (2008), Abel Ferrara (Pasolini (2014), Cedric Jimenez, Michel Gondry, Thierry Poiraud, Gelo Babluani e muitos mais. 

Recentemente, ele foi supervisor geral de efeitos visuais no programa Notre Dame: La Part du Feu, uma minissérie de 6 episódios escrita e dirigida por Hervé Hadmar para a Netflix. Em 2017, ele dirigiu todos os episódios de Fearless (2017), uma série de TV de suspense para Blackpills. Ele é membro ativo de dois coletivos: La Squadra (roteiristas e diretores) e La liga de l`imaginaire, ao lado de renomados escritores franceses como Bernard Werber, Maxime Chattam, Bernard Minier, Franck Thilliez, Henri Loevenbruck. O filme Sangie Frio foi lançado exclusivamente na Netflix em 26 de fevereiro de 2024. Escólio: David Petersen (Allen Leech) está atravessando as Montanhas Rochosas do Colorado durante uma forte nevasca. Ele para em uma lanchonete, onde a garçonete Ana (Nina Bergman) é abordada por seu ex-marido violento, Vincent (Yan Tual). David, com calma e charme, resolve a situação e Vincent vai embora. Mais tarde, quando David para em um posto de gasolina, um policial local o avisa para consertar o retrovisor o mais rápido possível, pois está preso com fita adesiva. Ao sair do posto, Vincent o segue em sua caminhonete. Uma perseguição se inicia e David consegue escapar dirigindo por uma estrada de terra em direção a uma área isolada. Com o carro atolado na neve, David caminha pela mata em busca de saída. É revelado que havia drogado e sequestrado Ana naquela noite, mantendo-a presa no porta-malas com as mãos amarradas com fita adesiva. Ela consegue escapar, mas as condições são muito perigosas para que ela caminhe, então se esconde no banco de trás do carro. No caminho de volta para o carro, David cai na neve e quebra a perna. Assim que retorna ao veículo, Ana o droga com clorofórmio, e ele acorda com as mãos amarradas ao volante com fita adesiva. 

Apesar de estar sob a mira de uma faca na jugular, David se vangloria dos crimes que cometeu e a provoca sobre seu passado. Jugular é uma das principais veias que se cortam ao degolar alguém; por essa razão, os clássicos latinos usavam o verbo jugulo, -are para referir-se ao ato de degolar, e jugulator, -oris significava degolador e, por extensão, matador, assassino. Ele revela que usou o celular de Ana para mandar uma mensagem para sua filha, Ella, dizendo que ela estava segura e, portanto, para não se preocupar. Ana o nocauteia, e David sonha que está perdido na floresta, coberto de sangue e sendo perseguido por uma besta gigante semelhante a um alce. A cada sonho, ele acorda assustado. Quando David acorda horas depois, Ana sai para urinar e ele consegue trancar as portas do carro enquanto tenta se libertar. Ana quebra o vidro do carro e quase estrangula David com o cinto de segurança. Depois de usar fita adesiva para remendar o vidro quebrado, Ana vasculha o celular de David, encontrando dezenas de fotos e vídeos dela com Ella. Ela também encontra as carteiras de habilitação das outras vítimas de David. Em um flashback, David relembra sua primeira vítima, uma caroneira chamada Cassie, a quem ele esfaqueou até a morte em um acesso de fúria após lhe dar carona. Ele conta a Ana que Cassie era filha de um juiz e que precisou se esconder por semanas depois que o corpo dela foi encontrado. A partir de então, ele passou a se certificar de que suas vítimas fossem de origem humilde ou imigrantes, pois as consequências são muito mais fáceis de lidar.

O momento histórico das disciplinas é o momento em que nasce uma arte do corpo humano, que visa não unicamente o aumento técnico de suas habilidades, nem tampouco aprofundar a sua sujeição, mas a formação de uma relação social que no mesmo  mecanismo o torna tanto uma prática política das coerções que são um trabalho sobre o corpo, uma manipulação calculada em torno de seus elementos, assim como de seus gestos, e sobretudo de vigilância de seus comportamentos. O corpo humano entra numa maquinaria de poder que o esquadrinha, o desarticula e o recompõe. Uma “anatomia política”, que é também igualmente uma “mecânica do poder”, está nascendo; ela define como se pode ter o domínio sobre o corpo dos outros, não simplesmente para que façam o que se quer, mas ara que operem como se quer, com as técnicas segundo a rapidez e a eficácia que se determina. A disciplina fabrica corpos submissos e exercitados, corpos dóceis. Aumenta as forças do corpo (em termos econômicos de utilidade) e diminui essas forças (em termos políticos de obediência). Em uma palavra: ela associa intermitentemente o poder do corpo; faz dele uma “aptidão”, uma “capacidade” que ela procura aumentar; e inverte, por outro lado a energia, a potencialidade que poderia resultar disso, e dela a relação de sujeição estrita. Se a exploração econômica separa a força bruta e o produto social do trabalho, a coerção disciplinar estabelece no corpo o elo coercitivo definitivamente entre uma aptidão aumentada e uma dominação acentuada.

Entendida como consumo cultural, a prática do culto ao corpo situa-se como preocupação geral de mobilidade social, que perpassa a estratificação de classes sociais e faixas etárias, apoiada num discurso clínico difuso que se refere tanto a questão estética, quanto a preocupação alimentar com a saúde. Nas sociedades contemporâneas há uma crescente apropriação do corpo, com a dieta alimentar e o consumo excessivo de cosméticos, impulsionados pelo processo de massificação da propaganda/consumo na esfera econômica da globalização, desde o desenvolvimento econômico dos anos 1980, onde o corpo ganha mais espaço, principalmente nos meios midiáticos. As fábricas de imagens estéticas do vencedor no cinema, televisão, publicidade, revistas etc., têm contribuído para isso. Ipso facto, nos leva a pensar que a imagem da eterna “fonte de juventude”, associada ao corpo perfeito idealmente, ao sucesso na educação, no trabalho e na vida amorosa atravessa as etnias e classes sociais de maneiras diferentes em diversos estilos de vida. “Live and let die” uma expressão inglesa que significa “viva e deixe morrer”. É o título original de uma música escrita por Linda Louise Eastman e Paul McCartney, que foi eternizada por eles e Guns N` Roses. A letra da música fala sobre a mudança social de perspectiva diante da vida em comunidades e das suas adversidades.

   Para compreendermos a relação entre mito e música, em que Claude Lévi-Strauss (1908-2009) desenvolve na parte inicial de Le Cru et le Cuit (1964) e também na parte final de L’Homme Nu (1971), na verdade, só ocorre quando o pensamento mitológico passou para segundo plano no pensamento ocidental da Renascença e do século XVIII, em que começaram a aparecer as primeiras novelas, em vez de histórias ainda elaboradas segundo o modelo da mitologia. Foi precisamente por essa conjuntura que testemunhamos o aparecimento dos grandes estilos musicais, característicos do século XVII e dos séculos XVIII e XIX. O tema que deu origem à maior parte dos mal-entendidos, seja no mundo do trabalho de língua inglesa, mas também no mundo da política em França, comparada, representado na ideia de que não havia uma única relação, mas dois tipos de relação – uma de similaridade e outra de contiguidade, possível para compreender um mito como uma sequência contínua. Fundamento da verdade não é, então, o mundo “material empírico”, mas o “mundo do pensamento”, que apreende a estrutura inteligível do real de análise.

Quando os grupos estão livres do poder da opressão; quando os cargos são independentes do berço e baseados na competência e no sorteio; quando todo cidadão tem direitos civis e deveres iguais ao participar das assembleias citadinas; quando o tempo dedicado à gestão da coisa pública é retribuído como qualquer outro emprego responsável; quando o welfare State garante a redistribuição do excedente aos pobres; quando o Estado garante aos seus cidadãos teatros, templos, escolas, praças, chafarizes e obras de arte; quando a agricultura, a indústria e o comércio são colocados no mesmo plano e potencializam-se reciprocamente; quando os melhores talentos e os maiores investimentos são dedicados à beleza e à verdade, aí então pode-se concluir, justamente, que a democracia é completa e funcional. Atenas fez mais, seus frutos continuam como matriz ocidental sendo surpreendentes. A filosofia, a matemática, a teoria musical, as ciências naturais e a medicina – é desvinculada da questão antropocêntrica da religião e da magia – a ética, a política, a história, a geografia, a psicologia, a anatomia, a botânica, a zoologia, a física e a biologia fizeram mais progressos abstratos, nesses 100 anos que nos milhares de séculos precedentes. E às artes, da arquitetura, à música, da escultura à pintura e à poesia, o tamanho da dívida que a humanidade conserva em relação à Grécia. Conforme a noite avança, o carro fica cada vez mais submerso na neve; os dois ficam cada vez mais assados ​​e com queimaduras de frio, e a perna de David escurece. Eles tentam dormir, mas são despertados pelo som de algo rondando do lado de fora do carro.

Uma criatura invisível pula no teto do carro e começa a quebrar o para-brisa antes de desaparecer ao som da buzina. Ana conta a David que eles estão em uma reserva indígena e que os nativos locais contam a história de uma besta ancestral que vaga pela floresta, caçando as piores almas para capturar e aprisionar na mata para sempre, e que a besta aparece primeiro em sonhos. A bateria do carro acaba e eles ficam completamente soterrados na neve. Ana se aconchega em David para compartilhar o calor do corpo. David admite que sofreu abusos na infância, e Ana conta que também passou por isso, mas, ao contrário dele, não reprimiu sua raiva e amargura, canalizando-as em amor e carinho pela filha. De repente, David se liberta das amarras e ataca Ana, ameaçando encontrar e matar Ella, mas a criatura retorna e arrasta David para fora do carro, na escuridão. Ana se tranca no porta-malas e se esforça para permanecer acordada. Algum tempo depois, um homem em um limpa-neves se depara com o carro. Ele encontra um rastro de sangue que leva às roupas de David e a uma pilha de vísceras humanas na neve. Quando ele abre o porta-malas, Ana acorda assustada. A produção do filme começou no início de 2023. É a estreia de Drouin na direção. Foi filmado em apenas treze dias, em Prince George, Colúmbia Britânica. É a segunda colaboração da WTFilms, com sede em Paris, com a produtora britânica Featuristic Films, depois de trabalharem juntos no thriller de ação Knuckledust, de James Kermack, em 2020. O filme foi exibido em pré-estreia no FrightFest Film Festival, no Reino Unido, em 27 de agosto de 2023.

O filme Cold Meat obteve uma classificação de 92% no Rotten Tomatoes e tornou-se um sucesso mundial. Em particular, foi elogiado pela tensão entre os dois personagens principais, pela atuação e pelo “elemento inquietante em tudo o que (David) diz, que faz o filme funcionar”. No festival de cinema português Fantasporto, em 2024, Sébastien Drouin ganhou o prêmio de melhor roteiro por seu trabalho no filme. Na Netflix América Latina, Cold Meat entrou no top 10 em 21 países, impulsionando o filme para o nono lugar no top 10 global. No Paramount+ UK, permaneceu no top 10 por 44 dias. Foi número um no dia do seu lançamento. Reino Unido (em inglês: United Kingdom, UK), oficialmente Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte (em inglês: United Kingdom of Great Britain and Northern Ireland), é um país insular localizado em frente à costa noroeste do continente europeu. O atual Reino Unido foi formado após o surgimento do Estado Livre Irlandês em 1922, que conquistou Independência da coroa britânica. O Estado soberano localiza-se na ilha da Grã-Bretanha, e na parte nordeste da ilha da Irlanda, além de muitas outras ilhas menores. A Irlanda do Norte é a única parte do Reino Unido com uma fronteira terrestre com a República da Irlanda. Fora essa fronteira, o país é cercado pelo oceano Atlântico, o mar do Norte, o canal da Mancha e o mar da Irlanda. A maior ilha, a Grã-Bretanha, é conectada com a França pelo Eurotúnel. O Reino Unido é uma união política de quatro extraordinários países constituintes: Escócia, Inglaterra, Irlanda do Norte e País de Gales. O governo é regido por um sistema parlamentar, cuja sede está localizada na cidade de Londres, a capital, e por uma monarquia constitucional que tem o rei Carlos III como chefe de Estado.

As dependências da Coroa das Ilhas do Canal ou Ilhas Anglo-Normandas e a Ilha de Man formalmente possessões da Coroa, não fazem parte do Reino, mas formam uma confederação com ele. O país tem quatorze territórios ultramarinos, todos remanescentes do Império Britânico, que no seu auge possuía quase um quarto da superfície da Terra, fazendo desse o maior império da história. Como resultado da era imperial, a influência britânica no mundo pode ser vista no idioma, na cultura e nos sistemas judiciários de muitas de suas antigas colônias, como o Canadá, a Austrália, a Índia e os Estados Unidos. O rei Carlos III permanece como o chefe da Comunidade das Nações (Commonwealth) e chefe de Estado de cada uma das monarquias na Commonwealth. O Reino Unido é um país desenvolvido, com a quinta (PIB nominal) ou sétima (PPC) maior economia do mundo. Foi o primeiro país industrializado do mundo e a principal potência mundial durante o século XIX e o começo do século XX, mas o custo econômico de duas guerras mundiais e o declínio de seu império na segunda metade do século XX reduziram o seu papel de líder nos temas mundiais, no entanto, permaneceu sendo uma potência importante de influência econômica, cultural, militar e política, uma potência nuclear, com o terceiro ou quarto (dependendo do cálculo) maior gasto militar do mundo. Tem um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas e é membro do G7, da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), da Organização Mundial do Comércio (OMC) e da Comunidade das Nações. Foi um membro da União Europeia até 31 de janeiro de 2020.

Bibliografia Geral Consultada.

ROSZAK, Theodore, A Contracultura: Reflexões sobre a Sociedade Tecnocrática e a Oposição Juvenil. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 1972; BOUDON, Raymond, Effets Pervers et Ordre Social. Paris: Presses Universitaires de France, 1977; THOMPSON, Edward Paul, Tradición, Revuelta y Consciencia de Clase: Estudios sobre la Crisis de la Sociedad Preindustrial. Barcelona: Editorial Crítica, 1979; CHAUÍ, Marilena, Repressão Sexual - Essa Nossa (Des) conhecida. 10ª edição. São Paulo: Editora Brasiliense, 1987; SIMMEL, Georg, La Tragédie de la Culture. Paris: Petite Bibliothèque Rivages, 1988; QUAGLIONI, Diego, I Limiti della Sovranità: Il Pensiero di Jean Bodin nella Cultura Política e Giuridica dell’ Età Moderna. Padova: Casa Editrice Dott. Antonio Milani, 1992; ELIAS, Norbert, O Processo Civilizador: Uma História dos Costumes. 2ª edição. Vol. 1. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1994; BALMÈS, François, Le Nom, la Loi, la Voix. Paris: Éditeur Érès, 2002; EVA, Luiz Antonio Alves, A Figura do Filósofo: Ceticismo e Subjetividade em Montaigne. São Paulo: Edições Loyola, 2007; GALARD, Jean, A Beleza do Gesto: Uma Estética das Condutas. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2008; DAMATTA, Roberto, Fé em Deus e Pé na Tábua: Ou Como e Por que o Trânsito Enlouquece no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2010; FREUD, Sigmund, O Mal-estar na Civilização. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2011; Idem, Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2014; PAGÈS, Claire, Elias et Les Disciplines. Paris: Presses Universitaires François-Rabelais, 2018; SEIFFERT, Andreya Susane, Nas Bordas do Tempo: The Futurian Society of New York e a Ficção Científica Americana. Tese de Doutorado. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Departamento de História. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2019; BAUMAN, Zygmunt; DONSKIS, Leônidas, Cegueira Moral: A Perda da Sensibilidade na Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Editora Zahar, 2021; GOODFELLOW, Melanie, “Featuristic Films e WTFilms voltam a se Reunir para o thriller de Sobrevivência Cold Meat (exclusivo)”. In: Screen, 22/05/26; KLEIN, Brennan, “Thriller de Sobrevivência de 2024 com 92% de Aprovação no Rotten Tomatoes se Torna Sucesso Global da Netflix”. In: ScreenRant, 2024/06/04; FEITOSA, Lucas Wagner Brígido, “Limites à Mundividência na Formação do Psicanalista: A Topologia e o Paradigma Paterno na Psicanálise”. In: Revista JRG de Estudos Acadêmicos. Ano 9, Vol. IX, n.20, jan.-jun., 2026; entre outros.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Por Uma Mulher – Poder, Narrativa & Família Monoparental.

 Mentes criativas são conhecidas por sobreviverem a qualquer tipo de mau treinamento”. Ana Freud (1895-1982)         

            

         Por Uma Mulher (Pour une femme) tem como representação social um filme dramático francês de 2013, dirigido por Diane Kurys, nascida em 3 de dezembro de 1948, é uma diretora, produtora, cineasta e atriz francesa. Vários de seus filmes como diretora são semiautobiográficos. Apesar de ter sido nomeada apenas no início do século XIX, a escrita autobiográfica em primeira pessoa tem origem na Antiguidade. Diane Kurys nasceu em Lyon, Rhône, França, cidade na histórica região francesa do Ródano-Alpes, está situada na junção dos rios Ródano e Saône, a mais nova de duas filhas de imigrantes judeus russos e poloneses, Lena e Michel. Diane Kurys e sua irmã mais velha passaram seus primeiros anos em Lyon. Como muitas das personagens de seus filmes, ela teve um relacionamento difícil com os pais, e sua infância traumática tornou-se tema de muitos de seus filmes. Seus pais se conheceram e se casaram no Camp de Rivesaltes em 1942, também reconhecido como Campo Joffre, isto é, um campo de internamento e trânsito na comuna de Rivesaltes, no departamento dos Pirenéus Orientais, na Zona Sul da França, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), separando-se em 1954. O divórcio marcou e afetou profundamente Diane, e se tornaria uma verdadeira fonte de inspiração para vários de seus filmes; Kurys afirmou que fez filmes sobre eles porque “queria vê-los juntos novamente”.  Foi após esse evento que sua mãe decidiu se mudar com as duas filhas para Paris, onde administrou uma boutique de moda feminina, enquanto seu pai permaneceu em Lyon, onde administrou uma loja de roupas masculinas.

Ela morou com a mãe após o divórcio em 1954, tendo fugido de casa para se juntar ao pai aos dezesseis anos de idade. Na adolescência, ela foi radicalizada pelo extraordinário evento Maio de 1968, mas ficou um tanto desiludida com razão, depois, chamando-o de “revolução burguesa” em uma entrevista com Jean-Luc Wachthausen.  Ela conheceu seu parceiro e também cineasta Alexandre Arcady quando tinha quinze anos, em 1964, e foi morar em Israel em um kibutz perto da fronteira com o Líbano. Eles são um casal desde a década de 1960 e têm duas produtoras juntos. Seu filho Yasha, nascido em 1991, é um escritor que escreve sob o nome de Sacha Sperling. O acampamento foi chamado de “Campo Joffre” em homenagem ao General Joseph Joffre (1852–1931), comandante-em-chefe do exército francês durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Após a Retirada, isto é, consumando-se o êxodo de cerca de meio milhão de refugiados da Espanha para a França no início de 1939, no final da chamada Guerra Civil Espanhola, o governo francês decidiu através do processo de permutação usar o Campo Joffre para internar mais de 15.000 refugiados catalães. Esta decisão nunca foi totalmente posta em prática, embora um pequeno fluxo de refugiados catalães tenha sido detido lá em 1939. Em 10 de dezembro de 1940, o Ministério da Defesa reservou 600 acres (2,4 km²) ao Sul do campo para abrigar pessoas expulsas da Alemanha.

Atingimos na modernidade a compreensão do visível como visível e pari pasu do invisível como invisível, enquanto vínculo orgânico que une o invisível ao visível concreto. Assim, é visível todo objeto ou problema que se situa no terreno, e no horizonte, isto é, no campo estruturado definido da problemática teórica de determinada disciplina teórica. Impõe-se-nos tomar essas palavras ao pé da letra. Alguns autores ajudam-nos a elucidar esses termos. A visão já não é então a representação de uma pessoa individual, dotada da faculdade de “ver” a qual é exercida quer da atenção, quer da distração. A vista é o fato imediato de suas condições estruturais. A vista é a relação de reflexão imanente do campo da problemática sobre seus objetos e seus problemas. A visão perde então seus privilégios religiosos da “leitura sagrada”. Nada mais é que a reflexão da necessidade imanente que liga o objeto ou o problema às suas condições de existência, que têm a ver com as condições de sua produção. A rigor, não é mais o olho do espírito de uma pessoa que vê o que existe no campo definido por uma problemática teórica. E esse próprio campo que se vê nos objetos ou nos problemas que ele define, sendo a visão apenas a reflexão necessária do campo de análise em seus objetos. O Quartier Latin deve seu nome à época Medieval, quando os habitantes da zona eram estudantes que utilizavam o latim para se comunicar. Desde a Idade Média, os estudantes do “Bairro Latino” historicamente tiveram uma grande e eficaz influência sobre a França, e durante os séculos XIX e XX promoveram movimentos estudantis de grande transcendência política.

                        


O Quartier Latin foi um dos centros da Revolução de Maio de 68. Depois de atravessar a Praça de Saint Michel, na qual há uma enorme fonte com a figura de São Miguel lutando com um dragão, há pequenas e encantadoras ruazinhas que formam o Bairro Latino. A partir desse ponto, tudo que você verá são restaurantes e cafeterias que oferecem terraços agradáveis com preços acessíveis. Embora haja muitas ruas com restaurantes agradáveis, uma das principais artérias do bairro é a Rue Huchette. O Quartier Latin é um bairro que fica no quinto e no sexto distritos de Paris, na França. Localiza-se na margem esquerda (Sul) do Rio Sena, em torno da Universidade de Sorbonne. O nome do bairro deriva do fato do Latim ter sido amplamente falado próximo à universidade durante a Idade Média. Atualmente, ainda abriga vários estabelecimentos de ensino superior, como a École Normale Supérieure, a École des Mines de Paris e o Campus Universitaires de Jussieu. Durante os anos 1960, especialmente em maio de 1968, foi um grande e extraordinário palco de contestação da sociedade. Na modernidade os estudantes são um barômetro sensível às tensões que estão se acumulando nas profundezas da sociedade. A onda de manifestações e ocupações estudantis que precederam os acontecimentos de maio foi como um relâmpago que anuncia a tormenta.

Nos meses anteriores a maio já havia uma efervescência entre os estudantes que havia se expressado em uma série de manifestações e ocupações. Frente à onda ascendente de protestos estudantis o reitor da prestigiosa universidade Sorbone decidiu fechá-la, era a segunda vez em seus setecentos anos de história. A primeira vez aconteceu em 1940 quando os nazistas ocuparam Paris. A tentativa da polícia de liberar o pátio da Sorbone em 03 de maio foi a centelha que acendeu o fogo. A violência irrompeu no “Bairro Latino”, com o resultado de mais de cem feridos e 596 presos. Os estudantes, os professores, os profissionais, camponeses, cientistas, jogadores de futebol, inclusive as bailarinas do Follies Bergères foram à luta. Em Paris os estudantes ocuparam a Sorbone. O teatro l`Odeon foi ocupado por 2.500 estudantes, inclusive do ensino médio nas escolas. A União Nacional de Estudantes da França (UNEF) e o Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESUP) convocaram greves indefinidas. Em 6 de maio houve novos enfrentamentos no Quartier Latin (“Bairro Latino”): 422 presos, 345 policiais e em torno de 600 estudantes feridos. A repressão utilizada através dos aparelhos de Estado provocara uma indignação popular generalizada nas cidades. Os estudantes enfurecidos arrancaram paralelepípedos do chão, utilizados como arma, para arremessar contra os policiais e levantaram barricadas seguindo a boa tradição francesa.

Os estudantes das universidades na França saíram em seu apoio. Na noite de 10 de maio houve uma ampla revolta no Bairro Latino. Os manifestantes levantaram barricadas e a polícia os atacou com grande violência. Homens armados da polícia antidistúrbios tomaram de assalto apartamentos privados e golpeou gente simples e corrente, até mesmo o inclusivo caso de uma mulher grávida. Depararam-se com uma resistência que não esperavam. Os parisienses de suas janelas rechaçavam a polícia atirando vasos de plantas e objetos pesados. Dos 367 hospitalizados, 251 eram policiais, 720 pessoas feridas e 468 foram presas. Carros foram destruídos ou queimados. O Ministro da Educação insultou os manifestantes: “Ni doctrine, ni foi, ni loi”.  A polícia de choque pode ser composta por policiais regulares que atuam como tal em situações específicas, ou pode ser formada por unidades separadas, organizadas dentro ou em paralelo às forças policiais regulares. A polícia de choque é utilizada em diversas situações e para diferentes fins. Ela pode ser empregada para controlar distúrbios, como o próprio nome sugere, para dispersar ou controlar multidões, para manter a ordem pública ou desencorajar a criminalidade, ou para proteger pessoas ou propriedades.

A militarização da polícia moderna trouxe equipamentos antimotim militarizados e novas tecnologias que permitem que suas funções se expandam para além das atribuições policiais normais. A polícia de choque frequentemente usa equipamentos especiais chamados equipamentos antimotim para se proteger e para uso ofensivo no controle de distúrbios. O equipamento antimotim normalmente inclui coletes à prova de balas, cassetetes, escudos táticos, escudos antimotim e capacetes antimotim. Muitas equipes policiais antimotim também utilizam armas não letais especializadas, como: balas de borracha, granadas de esponja, spray de pimenta, gás lacrimogêneo, armas antimotim, balas de borracha, granadas de efeito moral, canhões de água e dispositivos acústicos de longo alcance. Ao longo dos anos 1900 e até os anos 2000, a tecnologia de equipamentos antimotim avançou com a ajuda da militarização das organizações policiais antimotim. Algumas tecnologias de equipamentos antimotim, incluindo gás lacrimogêneo, foram originalmente criadas para uso militar, especificamente na Primeira Guerra Mundial. Nos Estados Unidos, em 1969, foi registrado que a polícia antimotim possuía extenso equipamento militarizado, incluindo coletes à prova de balas, granadas multiuso, canhões de água, helicópteros, cassetetes, comunicação por rádio, arame farpado, escudos policiais e veículos antimotim.

 Em 2017, os protestos sociais na Venezuela inauguraram uma nova Era para os equipamentos da polícia antimotim venezuelana, com veículos militares que incluíam recursos como lançadores de gás lacrimogêneo e canhões de água. Os veículos militares foram usados ​​como linhas de defesa perimetral para conter os protestos e fornecer à polícia antimotim poder suficiente para inibir o avanço da violência. Esses veículos militares usados ​​pela polícia de choque em todo o mundo são geralmente provenientes de empresas de produtos militares, incluindo a Norinco, uma fabricante chinesa de produtos militares. Nos Estados Unidos, o programa federal 1033 permite que departamentos de polícia, incluindo unidades de polícia antimotim, solicitem equipamentos militares para circunstâncias que já ocorreram ou que possam ocorrer no futuro. Devido a esse programa, a militarização da polícia se expandiu por todos os estados, permitindo que a polícia antimotim estadual receba equipamentos de estilo militar semelhantes (cf. Foucault, 2016), comparativamente, aos das equipes de Armas e Táticas Especiais (SWAT). Os departamentos de polícia que receberam financiamento do programa 1033 são departamentos de polícia menores. Os equipamentos antimotim tornaram-se as principais ferramentas das forças policiais para combater grandes manifestações, incluindo protestos políticos e econômicos e manifestações laborais, que procuravam mudanças sem o consentimento explícito do governo em exercício. A polícia de choque é responsável por operações policiais que exigem táticas e equipamentos avançados para controlar multidões e manter a ordem pública. Essas atribuições podem variar entre as organizações policiais de choque em diferentes países, mas geralmente são semelhantes, pois têm a tarefa de manter a ordem estabelecida pelo governo vigente.

Começou assim como uma série de greves estudantis que irromperam em algumas universidades e escolas de ensino secundário em Paris, após confrontos com a administração e a polícia. A tentativa do governo gaullista de esmagar essas greves com mais ações policiais no Quartier Latin levou a uma escalada do conflito, que culminou numa greve geral de estudantes e em greves com ocupações de fábricas em toda a França. O símbolo unificador dos protestos foi O Livro Vermelho de Mao Tsé-Tung e sua inspiração imediata a Revolução Cultural Chinesa, iniciada em 1966 em que o governo de Pequim usava massas de jovens enraivecidos como “tropa de choque” para perseguir, humilhar, torturar e matar milhares de adversários do regime. Alguns filósofos e historiadores afirmaram que esse evento foi um dos mais importantes e significativos do século XX, porque não se deveu a uma camada restrita da população, como trabalhadores e camponeses - que eram maioria -, mas a uma insurreição popular que superou barreiras étnicas, culturais, de idade e de classe. Além disso, teve intrínsecas ligações com os acontecimentos do pós-guerra e com os da chamada Guerra Fria. Vale lembrar que as noções sociológicas e política de “esquerda” e “direita” são rótulos antigos, que remontam à clássica Revolução Francesa. Em 1789, a Assembleia Nacional Constitutiva reuniu-se para decidir se, sob o novo regime político da França, o rei deveria ter poder de veto.

Em caso afirmativo, perguntava-se se esse direito deveria ser absoluto ou simplesmente suspensivo, por um período de tempo social. Ao votar, os partidários do veto absoluto se sentaram ao lado direito do presidente, o lado nobre. De acordo com a tradição cristã, é uma honra sentar-se ao lado direito de Deus, ou à direita do chefe da família na hora do jantar. Aqueles que queriam um veto altamente restrito estavam sentados à esquerda. A organização da sala assumiu o significado político: à direita, aqueles apoiantes de uma monarquia que procurou preservar os poderes do rei; à esquerda, aqueles que desejavam reduzi-los. No século XIX, este vocabulário cada vez mais usado para descrever as tendências políticas dos membros do parlamento francês. Colocariam monarquistas versus republicanos e depois republicanos conservadores versus modernistas que programaram as principais reformas sociais da Terceira República, mas que incluíam a liberdade de imprensa, a liberdade de associação, o direito de pertencer a um sindicato e o divórcio, entre outras coisas.

Na virada do século XX, o debate político-ideológico entre esquerda-direita abrangeu essencialmente a divisão entre os defensores do Catolicismo e os defensores da separação da Igreja e do Estado. Esta mudança, que ocorreu em 1905, é muitas vezes referida como “o choque das duas Franças” – católica e anticlerical. A partir da década de 1930, a divisão surgiu, com a esquerda defendendo o socialismo e a direita a liberalização econômica. Na década de 1970, a liberalização dos costumes tornou-se questão fundamental, com debates contínuos sobre aborto, divórcio, homoerotismo, igualdade matrimonial, eutanásia, entre outros aspectos. O mesmo se aplica à imigração e abertura à globalização que se opõe ao protecionismo cultural, social e econômico. Como presidente, Charles de Gaulle (1890-1970) pôs fim ao caos político que precedeu o seu regresso ao poder. Durante seu governo, promoveu o controle político da inflação e instituiu uma nova moeda em janeiro de 1960. Também fomentou o crescimento industrial. Apesar de ter apoiado inicialmente o domínio imperialista francês sobre a Argélia, decidiu mais tarde “conceder” a independência àquele país, encerrando uma guerra cara, violenta e impopular. 

A decisão dividiu a opinião pública francesa, e De Gaulle teve que enfrentar a oposição dos colonos chamados pieds-noirs e dos militares franceses que tinham inicialmente apoiado seu retorno fabuloso ao poder. Em 13 de maio de 1958, os argelinos de origem europeia apelam ao general Charles De Gaulle, fora do poder desde 1950, para manter a soberania da França sobre a Argélia. No começo de 1958, o deputado democrata-cristão de Estrasburgo, Pierre Pflimlin (1907-2000), estava sendo sondado para o cargo de primeiro-ministro da Quarta República. Porém, havia a suspeita de que queria negociar um cessar-fogo com os rebeldes da Frente Nacional de Libertação (FNL) que lutavam pela independência da Argélia. Os gaullistas que militavam de corpo e alma pelo retorno ideológico de De Gaulle ao poder encorajam os “Pieds-noirs” - população francesa das antigas colônias no norte da África - à sedição contra Pflimlin. Deixam entender que o general é a personalidade em melhores condições estratégicas de manter os três departamentos argelinos da república francesa. De Gaulle empreendeu o desenvolvimento de armas nucleares francesas e promoveu uma política externa pan-europeia, buscando livrar-se das influências norte-americana e britânica. Retirou da França, o comando militar da Organisation du Traité de l`Atlantique Nord apesar de continuar a ser membro da aliança ocidental - e por duas vezes vetou a entrada do Reino Unido na Comunidade Europeia.

Viajou frequentemente pela Europa Oriental e por outras partes do mundo quando reconheceu a virada da China ao comunismo. Em 1967, durante uma visita oficial ao Canadá, incentivou publicamente o Movimento pela Independência de Quebec, o que causou a mais grave crise diplomática entre a França e o Canadá. Seu discurso pronunciado em Montreal, no dia 24 de julho, foi concluído exatamente com o slogan dos separatistas: “Viva o Quebec livre!”, o que foi interpretado pelas autoridades canadenses como apoio do presidente francês ao movimento autonomista. Foi alvo de três atentados confirmados, todos eles falhados. O primeiro ocorreu em Paris, no ano de 1945, por atiradores furtivos alemães. Outro em 8 de setembro de 1961, organizado por Raoul Salan (1899-1984), uma bomba fabricada com explosivo plástico explodiu perto de seu carro. O último aconteceu em 22 de agosto de 1962, quando seu carro foi crivado de balas, ficando o vidro traseiro estilhaçado e os pneus estourados, num atentado que mais tarde foi narrado no best-seller “O Dia do Chacal”, de Frederick Forsyth. Ainda em 1963, seria desbaratado um complô na Escola Militar para enfim matá-lo. De Gaulle também enfrentou a oposição dos comunistas e socialistas. Apesar de ter sido reeleito presidente em 1965, desta vez por voto popular direto, em maio de 1968 parecia provável que perdesse o poder, em meio a protestos generalizados de estudantes e trabalhadores. No entanto, sobreviveu à crise com uma ampliação da maioria na Assembleia. Em 1969, depois de perder um referendo sobre a reforma do Senado e a regionalização, renunciou.

As manifestações em torno do Maio de 68 representou uma grande onda de protestos que teve início com as mobilizações estudantis para pedir reformas no setor educacional. A maioria dos insurretos era adepta a ideias esquerdistas, comunistas ou anarquistas. Muitos viam os eventos como uma oportunidade para sacudir os valores conservadores, contrapondo ideias avançadas sobre a educação, a sexualidade e o prazer. Entre eles, uma barulhenta minoria, como o Occident, professava ideias de direita. O começo de tudo ocorreu com uma série de conflitos entre estudantes e autoridades da Universidade de Paris, em Nanterre, cidade próxima à capital francesa. No dia 2 de maio de 1968, a administração decidiu fechar a escola e ameaçou expulsar vários estudantes acusados de liderar o movimento contra a instituição. As medidas provocaram a reação imediata dos alunos de uma das mais renomadas universidades do mundo ocidental, a vetusta Sorbonne, em Paris. Eles se reuniram no dia seguinte para protestar, saindo em passeata sob o comando do líder estudantil Daniel Cohn-Bendit. A polícia reprimiu estudantes com violência e durante dias as ruas de Paris viraram cenário de brutais batalhas. É político franco-alemão do partido ecologista Die Grünen, deputado europeu e copresidente o grupo parlamentar Grupo dos Verdes/Aliança Livre Europeia. Foi líder estudantil protagonista da massiva movimentação popular em maio de 1968 em Paris.

A partir de 68 o “modelo profético do engajamento” passa a sofrer um acentuado declínio, atingindo em cheio os privilégios do intelectual que, autônomo em relação aos partidos ou a quaisquer organismos políticos, se punha a representar os interesses gerais, uma universalidade personificada e estilizada pelo seu carisma. A especialização resultante do fortalecimento das ciências humanas, somada à crescente divisão do trabalho e a prevalência do paradigma científico, condicionou o cenário em que o engajamento profético dos intelectuais veio a ser substituído pelo modelo que conciliava o saber localizado e a luta política concreta, estabelecidos mutualmente por limites estratégicos particulares, o “intelectual crítico especializado” ou, segundo seu nome foucaultiano de batismo, o “intelectual específico”. Daí a filosofia da diferença, embora avessa à teleologia dialética da história, ganhar repercussão no círculo acadêmico e, sem ajuste ou adaptação, encontrar afinidade de princípios junto a determinadas franjas da esquerda extraparlamentar. Porque essa filosofia, inicialmente deleuziana e depois esquizoanalítica, era portadora de categorias que remetiam ao sentido dos engajamentos em curso, ela mostrava-se capaz de indexar, na sua própria linguagem conceitual, a disposição subjetiva de boa parte da militância “gauchista”, o “fundo rebelde irredutível” que permaneceria ativo sob as diferenças de toda representação política.   

O Maio de 1968 tem sido reconhecido como a maior greve geral da história. Este poderoso movimento aconteceu no auge da economia na esfera capitalista do pós-guerra. A reação violenta do governo só ampliou a importância das manifestações: o Partido Comunista Francês (PCF) anunciou seu apoio aos universitários e uma influente federação de sindicatos convocou uma greve geral para o dia 13 de maio. No auge do movimento, quase dois terços da força de trabalho do país cruzaram os braços. Pressionado, no dia 30 de maio o presidente Charles De Gaulle convocou eleições para junho. O movimento cresceu tanto que proporcionalmente evoluiu para uma greve de trabalhadores que balançou as estruturas e técnicas persuasivas do governo do presidente Charles De Gaulle. Os universitários se uniram politicamente aos operários e promoveram a maior greve geral da Europa, com a participação de cerca de 9 milhões de pessoas. Isso enfraqueceu politicamente o general De Gaulle, que renunciou um ano depois. Os acontecimentos de maio, com sua força bruta, não foram previstos pelos analistas e estrategistas do capital, nem na França nem em nenhum lugar do mundo.

O general foi incapaz até mesmo de imprimir as cédulas do referendo devido à greve dos trabalhadores das gráficas franceses e a negativa de seus colegas belgas de atuar como fura greves. Este não foi o único exemplo de solidariedade internacional. Os condutores de trens alemães e belgas detinham seus trens na fronteira francesa para não romper a greve. As forças da reação, até esse momento em estado de choque e obrigadas a estar na defensiva, começaram de fato a se organizar. Foram criados Comitês de Defesa da República (CDR), como tentativa de mobilizar a classe média contra os trabalhadores e estudantes. A correlação de forças de classe não é uma questão puramente numérica do tamanho da classe trabalhadora em relação ao campesinato e da classe média em geral. Uma vez que o proletariado entre na luta decisiva e demonstra ser uma força poderosa na sociedade, atrai rapidamente a massa explorada de camponeses e de pequenos comerciantes de classe média que são vítimas da usura dos bancos e dos monopólios. Este fato era evidente como sodalidade em 1968, quando os camponeses levantaram bloqueios nas estradas ao redor de Nantes e distribuíram comida grátis aos grevistas. Uma importante característica da sodalidade é sua autonomia. Entendemos que há de se diferenciar aqui autonomia de independência.

Uma vez na luta, os trabalhadores começaram a ter iniciativas que ultrapassavam os limites de uma greve normal. Um elemento fundamental na equação foram os meios de comunicação de massas. Formalmente, são armas poderosas nas mãos do Estado, mas também dependem dos trabalhadores, que fazem funcionar as emissoras de rádio e televisão. No dia 25 de maio a rádio televisão estatal, a Office de Radiodiffusion-Télévision Française (ORTF) entrou em greve. Suprimiram as notícias das oito da noite. Os gráficos e jornalistas impuseram uma espécie de controle operário sobre a imprensa. Os jornais burgueses tinham que submeter seus editoriais ao escrutínio e deviam publicar as declarações dos comitês de trabalhadores. A Assembleia Nacional discutiu a crise universitária e as batalhas do “Bairro Latino”. Porém, os debates nos salões da assembleia já eram irrelevantes. O poder havia escapado das mãos dos legisladores e agora estava nas ruas. No dia 24 de maio, o presidente De Gaulle anunciou o referendo no rádio e na televisão. O plano de Charles De Gaulle de celebrar um referendo foi frustrado pela ação social sindicalizada organizada setorialmente pelos trabalhadores.

As greves e ocupações de empresas multiplicam-se a partir de 13 de maio e aumentam, diariamente durante semanas. A 20 de maio, uma semana depois, o número de grevistas será entre 7 e 9 milhões de trabalhadores, o número de dias de greve durante este período é de 150 milhões, segundo as estatísticas. Mais de 4 milhões de pessoas estarão em greve durante três semanas, mais de dois milhões durante um mês. A Sorbonne estará ocupada durante um mês. Nesta conjuntura de crise de hegemonia efetuam-se negociações variadas e serão assinados os acordos de Grenelle em 27 de maio, entre o governo de Pompidou, o patronato e as centrais sindicais. São aprovados um aumento de 35% do salário mínimo e de 10%, em média, para os restantes níveis salariais. É também aprovada a possibilidade de criação de secção sindical em cada empresa. Os acordos não tiveram, no entanto, significativo impacto nas greves e ocupações, que se irão manter até à dissolução da Assembleia Nacional, a 29 de maio, e à realização da manifestação de apoio ao governo a 30 de maio. O Parti Communiste Français (PCF), curiosamente, opôs-se desde início das barricadas ao movimento estudantil e a sua principal preocupação foi acabar com a agitação política e a crise. É um dos partidos políticos historicamente mais tradicionais da França. Liderado atualmente por Fabien Roussel como Secretário Nacional, o partido foi fundado em 1920 e defende uma plataforma de esquerda baseada na justiça social, na transição ecológica e na valorização do trabalho.

O campo militar passou então a funcionar em paralelo com os campos civis. Após a assinatura do armistício, a França foi dividida em duas. A zona livre, na qual os Pirenéus Orientais estavam incluídos ficou sob a administração do governo de Vichy, um colaboracionista francês liderado pelo marechal Philippe Pétain, estabelecido na cidade homônima entre 1940 e 1944. Gradualmente, o campo de Joffre tornou-se um local de internamento para famílias de ciganos, judeus e refugiados espanhóis. Com capacidade para 8.000 pessoas, em pouco tempo o campo ficou superlotado, famílias foram separadas e as condições deterioraram-se drasticamente. Quando os primeiros internos chegaram em 14 de janeiro de 1941, o status do campo ainda não estava definido. Inicialmente planejado para um máximo de 17.000, o campo incluía 150 grandes barracões com capacidade para 10.000 pessoas. Em 31 de maio de 1941, o campo abrigava 6.475 internos de 16 nacionalidades; espanhóis constituíam mais da metade deles, e refugiados judeus de outros países, mais de um terço. Às cinco horas da manhã de 26 de agosto de 1942, os judeus estrangeiros da zona sul foram reunidos e levados para o Centre National de Rassemblement des Israélites em Rivesaltes. Este “centro” havia sido recentemente estabelecido no campo, dividido em blocos J ​​(para mulheres e crianças), F (para homens; este bloco era anteriormente reservado para trabalhadores) e K (recepção, triagem e classificação). Foi planejado estrategicamente como um “campo de trânsito” para um total de 10.000 internos, que seriam alojados ali por 15 dias antes de serem deportados.

Os 1.176 judeus que já estavam no campo antes da reunião foram incluídos nessa contagem. Os comboios partiram de Rivesaltes para o campo de internamento de Drancy em 11 de agosto (400 pessoas), 23 de agosto (175 pessoas), 1 de setembro (173 pessoas), 4 de setembro (621 pessoas), 14 de setembro (594 pessoas), 21 de setembro (72 pessoas), 28 de setembro (70 pessoas), outubro (101 pessoas) e 20 de outubro (107 pessoas). Serge Klarsfeld chamou o campo de Rivesaltes de “o Drancy da zona livre”, observando que de 4 de setembro a 22 de outubro ele desempenhou o mesmo papel que o campo de Drancy, foi um infame campo de concentração temporário na cidade de Drancy, poucos quilômetros ao Norte de Paris, França. Foi usado durante a ocupação da França pelos alemães na Segunda Guerra Mundial, na zona ocupada: um campo de trânsito para deportados cujo destino final eram os campos de extermínio. Rivesaltes foi, o campo onde os judeus presos na chamada “zona livre” foram reunidos e de onde muitos deles (cerca de 1.700) foram enviados para o próprio Drancy. Em novembro de 1942, quando a Alemanha invadiu a zona Sul da França, até então desocupada, as tropas alemãs se instalaram no Campo Joffre, que foi fechado como “campo de internação” em 25 de novembro. Havia 277 funcionários quando foi fechado. Durante esses dois anos, o campo de Rivesaltes abrigou cerca de 21.000 internos; 5.714 deles foram internados no “campo especial” ou campo de trânsito, dos quais 2.313 foram enviados para Drancy e 2.251 excluídos da deportação pelo comitê de triagem. Outros 215 internos morreram no campo, incluindo 51 crianças de um ano ou menos.

        

Diane Kurys dirigiu vários filmes vagamente baseados na vida de seus pais, vistos pelos olhos da jovem Kurys e de sua irmã mais velha. Entre eles (em ordem cronológica): Coup de Foudre (1983) — o encontro de seus pais; Pour Une Femme (2013) — os primeiros anos de casamento; La Baule-les-Pins (1990) — a separação; e Diabolo Menthe (1977) — as duas irmãs e sua mãe em uma família monoparental. No início da década de 1980, Anne e Tania acabavam de perder a mãe. Mergulhando nos escritos, fotos e memórias deixados por ela, Anne, cineasta, descobriu e reconstruiu os primeiros anos do casamento de seus pais. Durante a Segunda Guerra Mundial, Michel, um judeu francês, casa-se por amor com Léna, uma judia estrangeira internada em Rivesaltes. Essa união permite que ela escape do campo. Após a guerra, Léna, Michel e sua filha pequena, Tania, vivem felizes em Lyon, entre a alfaiataria de Michel e a célula local do Partido Comunista. Um dia, Jean, o irmão mais novo de Michel, entra em suas vidas. Ele estava em um acampamento de verão na União Soviética quando a guerra começou, e Michel acreditava que ele fosse uma vítima do Holocausto, como seus pais. 

Gradualmente, um amor apaixonado se desenvolve entre Léna e Jean. Mas Jean é uma figura misteriosa, na verdade um agente secreto do recém-criado Estado de Israel. Sua missão é assassinar ex- nazistas que fogem para a América do Sul; ele e seu superior, Sacha, estão sendo perseguidos pela polícia francesa. É enquanto o ajuda a preparar sua fuga que Léna se entrega a Jean. Michel, tomado pela dor, concorda em levar seu irmão até a fronteira italiana para garantir sua fuga. Tendo trazido seu passaporte e o da esposa, ele propõe a Léna que ela parta com Jean, como marido e mulher; mas Léna fica. Na primavera seguinte, nasce Anne. O parêntese se fecha e a vida cotidiana pode recomeçar. Construída sob o signo de ruptura, não queremos perder de vista, sociologicamente falando, que a obra de Michel Foucault subverteu, transformou, amplificou nossa relação social com o saber e a verdade institucionalizada. Será preciso balizar: a perversidade da economia do poder e não tanto a fraqueza ou a crueldade é o que ressalta da crítica dos seus reformadores. O momento histórico das disciplinas é o momento em que nasce uma arte do corpo humano, que visa unicamente o aumento de suas habilidades, nem tampouco aprofundar sua sujeição, mas a formação de uma relação que no mesmo mecanismo o torna tanto mais obediente quanto é mais útil, e inversamente. Forma-se então uma política de coerções que são um trabalho sobre o corpo, uma manipulação calculada de seus elementos, de seus gestos, de seus comportamentos. O corpo humano entra numa maquinaria de poder que o desarticula e o recompõe. A divisão do trabalho não visa o aprofundamento das relações técnicas, mas a penas seu quadriculamento: uma disciplina linear das pesquisas.

    Mesmo de corte etnográfico, fabrica corpos submissos e exercitados, os chamados “corpos dóceis”. A disciplina aumenta as forças em termos econômicos de utilidade e diminuem essas mesmas forças em termos políticos de obediência programada. É neste sentido que Michel Foucault ressalta que o espaço disciplinar tende a se dividir em tantas parcelas quando corpos ou elementos há a repartir. A disciplina organiza o espaço analítico. Lugares determinados se definem para satisfazer não só a necessidade de vigiar, de romper as comunicações perigosas, mas também de criar um espaço útil, um dispositivo que afixa e quadricula, decompondo a confusão da ilegalidade e do princípio do mal. Na disciplina, os elementos são intercambiáveis, pois cada um se define pelo lugar que ocupa na série, e pela distância que o separa dos outros. A unidade não é, portanto, nem o território (unidade de dominação), nem o local (unidade de residência), mas a posição na fila, o lugar que alguém ocupa numa classificação, o ponto em que se cruzam uma linha e uma coluna, o intervalo numa série de intervalos que se pode percorrer sucessivamente. A disciplina, arte de dispor em fila, e da técnica, para a transformação dos arranjos, individualiza os corpos pela localização que não os implanta, mas os distribui e os faz circular numa rede de relações. A organização de um espaço serial representou uma das grandes modificações técnicas do ensino elementar. Permitiu ultrapassar o sistema tradicional: um aluno que trabalha alguns minutos com o professor, enquanto fica ocioso e sem vigilância o grupo confuso dos que estão esperando.

   

Determinando lugares individuais tornou possível o controle de cada um e o trabalho simultâneo de todos. Organizou uma nova economia do tempo de aprendizagem. Fez funcionar o espaço escolar como uma “máquina de ensinar”, mas também de vigiar, de hierarquizar, de recompensar. O tempo penetra o corpo, e com ele todos os controles minuciosos do poder. O controle disciplinar não consiste simplesmente em ensinar ou impor uma série de gestos definidos; impõe a melhor relação entre um gesto e a atitude global do corpo, que é sua condição de eficácia e de rapidez. No bom emprego do corpo, que permite um bom emprego do tempo, nada deve ficar ocioso: tudo deve ser chamado a formar o suporte do ato requerido. Um corpo disciplinado forma o contexto de realização do mínimo gesto dos recursos multimodais (aspectos verbais, gestos, corpo e mundo material) com rigor abrangendo por inteiro, da ponta do pé à extremidade do indicador. A aprendizagem corporativa com a utilização de bolsistas, introduzidas pelas castas que formam pequenos grupos de pesquisas nas universidades públicas, surgiu originalmente em 1667, confiados certo tempo a um mestre que devia realizar “sua educação e instrução”, depois colocados para a aprendizagem junto aos diversos mestres tapeceiros da manufatura; após seis anos de aprendizagem, quatro anos de serviço e uma prova qualificatória, tinham direito a “erguer e manter loja” em qualquer cidade do reino.

Encontramos aí a divisão técnica do trabalho corporativo: relação de dependência ao mesmo tempo individual e total quanto ao mestre; duração estatutária da formação que se conclui com uma prova qualificatória, mas que não se decompõe segundo um programa preciso; troca total entre o mestre que deve dar seu saber e o aprendiz que deve trazer seus serviços, sua ajuda mútua e muitas vezes uma retribuição. A forma de domesticidade se mistura a uma transferência de conhecimento. A escola é dividida em três classes. A primeira para os que não têm nenhuma noção de desenho; a segunda para os que já têm alguns princípios e, na terceira, aprendem as cores, fazem pastel, iniciam-se na teoria e na prática do tingimento. Regularmente, os alunos fazem deveres individuais: cada um desses exercícios, marcado com o nome e a data da execução, é depositado nas mãos do professor. Os melhores são recompensados, reunidos no fim do ano e comparados entre eles, permitem estabelecer os progressos, o valor atual, o lugar relativo de cada aluno, e os que podem seguir para a classe superior. Em resumo, pode-se dizer historicamente que a disciplina produz, a partir dos corpos que controla quatro tipos de individualidade, ou antes, uma individualidade dotada de quatro características: é celular, pelo jogo da repartição espacial, é orgânica, pela codificação das atividades, é genética, pela acumulação do tempo, é combinatória, pela composição das forças.

E, para tanto, essencialmente utiliza quatro grandes técnicas: constrói quadros; prescreve manobras; impõe exercícios; enfim, para realizar a combinação das forças, organiza táticas. Esta representa a arte de construir, com os corpos localizados, atividades codificadas e as aptidões formadas, aparelhos em que o produto das diferentes forças se encontra majorado por sua combinação calculada é sem dúvida a forma mais elevada da prática disciplinar. Uma técnica extensiva utilizada nos laboratórios das universidades. É possível que a guerra como estratégia seja a continuação da política. A política, como técnica da paz e da ordem interna, procurou pôr em funcionamento o dispositivo do exército perfeito, da massa disciplinada, da tropa dócil e útil, do regimento na manobra e no exercício. Se há uma série guerra-política que passa pela estratégia, há uma série exército-política que passa pela tática. A vigilância se torna um operador econômico decisivo, na medida em que é ao mesmo tempo uma peça interna no aparelho de produção e uma engrenagem específica do poder disciplinar. Na essência de todos os sistemas disciplinares, funciona um pequeno mecanismo penal.                        

É beneficiado por uma espécie de privilégio de justiça, com suas leis próprias, seus delitos especificados, suas formas particulares de sanção, suas instâncias de julgamento. As disciplinas estabelecem uma infrapenalidade, quadriculam um espaço deixado pelas leis, qualificam e reprimem um conjunto de comportamentos que escapava aos grandes sistemas de castigo por sua relativa indiferença. Na oficina, na escola, no exército, funciona como repressora toda uma micropenalidade do tempo (atrasos, ausências, interrupções das tarefas), da atividade (desatenção, negligência, falta de zelo), da maneira de ser (grosseria, desobediência), dos discursos (tagarelice, insolência), do corpo (atitudes incorretas, gestos não conformes, sujeira), da sexualidade (imodéstia, indecência). Ao mesmo tempo é utilizada, a título de punição, uma série de processos sutis, que vão do castigo físico leve a privações ligeiras e a pequenas humilhações. Trata-se ao mesmo tempo de tornar penalizáveis as frações mais tênues de conduta social, e de dar uma função punitiva aos elementos aparentemente indiferentes do aparelho disciplinar: levando ao extremo, que tudo possa servir para punir a mínima coisa; que cada indivíduo se encontre preso numa universalidade punível-punidora.

Mas a disciplina traz consigo uma maneira específica de punir, e que é apenas um modelo reduzido do tribunal. O que pertence à penalidade disciplinar é a inobservância, tudo o que está inadequado à regra, tudo o que se afasta dela, os desvios. É passível de pena o campo indefinido do não conforme. O regulamento da infantaria prussiana impunha tratar com “todo o rigor possível” o soldado que não tivesse  aprendido a manejar corretamente o fuzil. O castigo disciplinar tem a função de reduzir os desvios. Deve, portanto, ser essencialmente corretivo. De modo que o efeito corretivo que dela se espera apenas de uma maneira acessória passa pela expiação e pelo arrependimento; é diretamente obtido pela mecânica de um castigo. Castigar é exercitar. Ipso facto, o exame combina as técnicas da hierarquia que vigia e as da sanção que normaliza. É um controle normalizante, uma vigilância que permite qualificar, classificar, punir. Estabelece sobre os indivíduos uma visibilidade através da qual eles são diferenciados e sancionados. Em todos os dispositivos de disciplina, o exame é altamente ritualizado. Nele vêm-se reunir a cerimônia do poder. A forma da experiência, a demonstração da força e o estabelecimento da verdade. O indivíduo é o átomo fictício de uma representação social. É uma realidade fabricada por essa tecnologia específica de poder: a disciplina.

   O panóptico de Bentham, é uma máquina de dissociar o par-ser-visto: no anel periférico, se é totalmente, se é totalmente visto, sem nunca ver; na torre central, vê-se tudo, sem nunca ser visto, pois é a figura arquitetural dessa composição. O princípio é reconhecido: na periferia uma construção em anel; no centro, uma torre: esta é vazada de largas janelas que se abrem sobre a face interna do anel; a construção periférica é dividida em celas, cada uma atravessando toda a espessura da construção; elas têm duas janelas, uma para o interior, correspondendo às janelas da torre; outra, que dá para o exterior, permite que a luz atravesse a cela de lado a lado. Basta então colocar um vigia na torre central, e em cada cela trancar um louco, um doente, um condenado, um operário ou um estudante. Pelo efeito da contraluz, pode-se perceber a torre, recortando-se exatamente sobre a claridade, as pequenas silhuetas cativas nas celas da periferia. Tantas jaulas, tantos pequenos teatros, em que cada ator está sozinho, perfeitamente individualizado e constantemente visível. O dispositivo panóptico organiza unidades que permitem “ver sem parar e reconhecer imediatamente. Em suma, o princípio da masmorra é invertido; ou antes, de suas três funções – trancar, privar de luz e esconder – só se conserva a primeira e se suprime duas. A plena luz e o olhar de um vigia captam melhor que a sombra, que finalmente protegia. A visibilidade é uma armadilha” (cf. Foucault, 2014: 194).

Bentham não diz se se inspirou, em seu projeto, no zoológico que Le Vaux construíra em Versalhes: primeiro zoológico cujos elementos não estão, como tradicionalmente, espalhados em um parque: no centro, um pavilhão octogonal que, no primeiro andar, só comportava uma peça, o salão do rei; todos os lados se abriam com largas janelas, sobre sete jaulas (o oitavo lado estava reservado para a entrada), onde encerradas diversas espécies de animais. O panóptico descrito pela analítica do poder, é um zoológico real; o animal é substituído pelo homem, a distribuição individual pelo grupamento específico e o rei pela maquinaria de um poder furtivo. Fora essa diferença, o Panóptico, também, faz um trabalho de naturalista. Permite estabelecer as diferenças: nos doentes, observar os sintomas de cada um, sem que a proximidade dos leitos, a circulação dos miasmas, os efeitos do contágio misturem os quadros clínicos; nas crianças, anotar os desempenhos (sem que haja limitação ou cópia), perceber as aptidões, apreciar os caracteres, estabelecer classificações rigorosas e, em relação a uma evolução normal, distinguir o que é “preguiça ou teimosia” do que é “imbecilidade incurável”; nos operários, anotar as aptidões de cada um, comparar o tempo que levam para fazer um serviço, e, se são pagos por dia, calcular seu salário em vista disso. Mas o panóptico pode ser utilizado como uma “máquina de fazer experiências”, modificar o comportamento, treinar ou retreinar os indivíduos. Experimentar remédios e verificar seus efeitos.

Tentar diversas punições sobre os prisioneiros, segundo seus crimes e temperamento, e procurar as mais eficazes. Ensinar simultaneamente diversas técnicas aos operários, estabelecer qual é a melhor. Tentar experiências pedagógicas – e particularmente abordas o famoso problema da educação reclusa, usando crianças encontradas ; ver-se-ia o que acontece quando aos dezesseis ou dezoito anos rapazes e moças se encontram; poder-se-ia acompanhar “a genealogia de qualquer ideia observável”; criar diversas crianças em diversos sistemas  de pensamento, fazer alguns acreditarem que dois e dois são quatro e que a lua é um queijo, depois de juntá-los todos quando tivessem vinte ou vinte e cinco anos; haveria então discussões que valeriam bem os sermões ou as conferências para as quais se gasta tanto dinheiro: haveria pelo menos ocasião de fazer descobertas no campo da metafísica. O Panóptico é um local privilegiado para tornar possível a experiência com homens, e para analisar com toda certeza as transformações que se pode obter neles. Mais do que isso: pode até se constituir em aparelho de controle, pois em sua torre, o diretor pode inspecionar todos os empregados submetidos a seu serviço; poderá julgá-los continuamente, modificar seu comportamento, impor-lhes métodos que considerar melhores; e ele mesmo, por sua vez, poderá ser facilmente observado. O Panóptico funciona como uma espécie de Laboratório de poder. Através da observação, ganha em eficácia e em capacidade de penetração no corpo dos homens: um aumento de saber vem se implantar em todas as frentes do poder, descobrindo objetos que devem ser conhecidos em todas as superfícies de saber-poder.

  Em cada uma de suas aplicações, na esfera da ação individual e coletiva, permite aperfeiçoar o exercício do poder de várias maneiras: porque pode reduzir o número dos que o exercem, ao mesmo tempo em que multiplica o número daqueles sobre os quais é exercido. Permite intervir a cada momento e a pressão constante age antes mesmo que as faltas, os erros, os crimes sejam cometidos. Porque, nessas condições, sua força é nunca intervir, é se exercer espontaneamente e sem ruído. É construir um mecanismo de efeitos em cadeia. Porque é um intensificador para qualquer aparelho de poder: assegura sua economia (em material, em pessoal, em tempo); assegura sua eficácia por seu caráter preventivo, seu funcionamento contínuo e seus mecanismos automáticos. É uma maneira astuciosa de obter poder. É uma espécie de “ovo de Colombo” na ordem da política. Ele cria dispositivos discursivos com efeitos de vir se integrar a uma função qualquer, de educação, de terapêutica, de produção, de castigo; de aumentar essa função, ligando-se intimamente a ela; de construir um mecanismo misto no qual as relações de poder (e de saber) podem-se ajustar exatamente, e até nos detalhes, aos processos que é preciso controlar; de estabelecer uma proporção direta entre o “mais-poder” e a “mais produção”. 

Enfim, o dispositivo panóptico não é simplesmente uma charneira. Um local de trocas simbólicas e experimentais entre um mecanismo de poder e uma função. É capaz de reformar a moral, preservar a saúde, revigorar a indústria, difundir a instrução, aliviar os encargos públicos, estabelecer a economia como que sobre um rochedo, desfazer, em vez de cortar, tudo isso com uma simples ideia arquitetural. Na realidade, qualquer instituição panóptica, mesmo que seja tão cuidadosamente fechada quanto aquelas controladas por uma casta, poderá sem dificuldade ser submetida ser submetida a essas inspeções ao mesmo tempo aleatórias e incessantes: e isso não só por parte dos controladores designados, mas por parte do público, que pode ser agregado à analítica do poder, como membro da sociedade com direito de vir constatar com seus olhos como funcionam as universidades, os hospitais, as fábricas, as prisões. Não há, consequentemente, risco de que o crescimento de poder devido à máquina panóptica possa degenerar em tirania, pois a máquina de ver é uma espécie de câmara escura em que se espionam os indivíduos; ela se torna um edifício transparente onde o exercício do poder disciplinar poderá ser democraticamente controlado, com a redução de mandato colocaria em xeque como função estabelecer as diretrizes, objetivos e metas de médio prazo da administração pública. Não queremos perder de vista que o panoptismo é o princípio geral de uma nova “anatomia política”, cujo objeto e fim não são as relações de soberania do Eu. São relações de disciplina-bloco, na constituição de uma instituição fechada, entorpecida pelo ódio e pré-estabelecida à margem, mormente voltada para funções negativas: realizar para o mal, romper as comunicações, suspender o tempo.    

Bibliografia Geral Consultada.

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