“Uma única flor contém mais brilho do que cem flores”. Yasunari Kawabata
Yasunari Kawabata foi um escritor japonês, o primeiro de seu país a ser galardoado com o Prêmio Nobel de Literatura, em 1968. A vida de Yasunari Kawabata foi marcada desde cedo por acontecimentos trágicos e pela solidão. Filho de um médico culto, ele se tornou órfão de ambos os pais com apenas quatro anos de idade, tendo sido então criado no campo por seus avós paternos. Ele tinha uma irmã mais velha, a qual foi entregue aos cuidados de uma tia, mas eles se conheceram somente mais tarde, em julho de 1909, quando Kawabata tinha dez anos de idade, e ela veio a falecer no ano seguinte. Com sete anos em setembro de 1906 perdeu sua avó e, com catorze anos em maio de 1914, o avô. Tendo perdido todos os seus parentes mais próximos, Kawabata se mudou para a família de sua mãe, os Kurodas, porém acabou matriculado em um internato próximo da escola de ensino secundário a que ele outrora ia de trem. Akihiko Kuroda, é um pintor japonês radicado em Paris, França. Aki Kuroda, conhecido por suas silhuetas e figuras pintadas com traços de linhas, que tem sido considerado um símbolo de “passagem” para o labirinto. Durante o tempo em que frequentava o liceu científico, optou por se tornar escritor após escrever alguns contos; antes disso, quando era criança, desejava se dedicar à pintura. Em 1921, fundou a revista Xin-Xicho (Pensamento Novo) e, juntamente com Riichi Yokomitsu (1898-1947) um romancista japonês, pertencente ao modernismo experimental.
Riichi Yokomitsu começou a publicar dōjinshis como Machi e Tō, após entrar na Universidade de Waseda em 1916. O pioneiro entre os dōjinshis foi Meiroku Zasshi, de língua japonesa que circulou durante no início da Era Meiji desde 1874. Não era uma revista literária de fato, Meiroku Zasshi, teve um grande papel na divulgação da ideia de dōjinshis. A primeira revista dōjinshi a publicar romances foi Garakuta Bunko, fundada em 1885 pelos escritores Ozaki Kōyō (1868-1903) e Yamada Bimyō (1868-1910). A publicação de dōjinshis atingiu o seu pico no início do Período Shōwa, um porta-voz para a juventude criativa de seu tempo. Criado e distribuído em pequenos círculos de autores ou entre amigos próximos, os dōjinshis contribuíram significativamente para o surgimento e desenvolvimento do gênero shishōsetsu. É um estilo literário japonês em que o romance é escrito na primeira pessoa, incorporando elementos autobiográficos. Este gênero foi criado com base na recepção japonesa do naturalismo, durante o período Taishō. Ocorreu de 30 de julho de 1912 até 25 de dezembro de 1926, durante o reinado do Imperador Taishō. A forma reflete per se uma maior individualidade e um método de escrita menos constrangido. Desde o seu início, o “Eu-romance” é um gênero que também expôs o lado obscuro da sociedade ou da vida do autor. Existem várias regras gerais normativamente para a criação de uma obra neste estilo: A história deve permanecer no reino natural e deve ser completamente realista. A ideia é provar que a linguagem não é transparente e uma experiência real pode ser completamente retratada com a linguagem.
A fórmula do protagonista deve ser protagonista-autor-herói, portanto, o autor deve ser o protagonista da história também deve expressar um grande conhecimento de literatura e referenciar o maior número de obras de referência em relação aos sentimentos de um personagem. A escrita não deve ser muito elaborada. A observação da natureza encontra o conceito realizado na natureza inorgânica; sob a forma de leis cujos momentos são coisas que ao mesmo tempo se comportam como abstrações. Mas esse conceito não é uma simplicidade refletida em si mesma. Ao contrário, a vida da natureza orgânica é somente essa simplicidade em si mesma refletida. A oposição em si mesma, como oposição do universal e do singular, não se decompõe na essência da vida humana. A essência não é o gênero que se separe e se mova em seu elemento carente-de-diferenças, e que ao mesmo tempo permaneça para si mesmo indiferenciado em sua oposição. A oposição só encontra esse conceito livre, desde Friedrich Hegel, cuja universalidade contém em si mesma, de modo igualmente absoluto, a singularidade desenvolvida, só no próprio conceito existente como conceito, ou na consciência-de-si. Retornando agora a si mesma, e dirigindo-se ao conceito que é efetivo enquanto livre, a observação encontra primeiro as leis do pensar. Essa singularidade - que nele mesmo é o pensar - é o movimento abstrato do negativo, movimento de todo retraído para dentro da simplicidade; e as leis ficam fora da realidade. Não têm nenhuma realidade não significando outra coisa que: as leis são sem verdade.
Mas se não devem ser a verdade total, que pelo menos sejam a verdade formal. Só que o puro formal da realidade é o ente-de-razão, ou a abstração vazia, sem ter nela cisão - que não seria outra coisa que o próprio conteúdo. De outro lado, essas leis são leis do puro pensar. Ora, sabemos que o pensar é o universal em si, e, portanto, um saber que tem nele o ser, imediatamente; e no ser toda a realidade. Por isso tais leis são conceitos absolutos, e são indivisamente as essencialidades tanto da forma quanto das coisas. Uma vez que a universalidade, movendo-se em si, é o conceito simples que é cindido - o conceito dessa maneira tem conteúdo em si, e justamente um que é todo o conteúdo; só não é um ser sensível. É um conteúdo que não está em contradição com a forma, nem, de modo algum, separado dela. Ao contrário: é essencialmente a própria forma, já que essa não é outra coisa que o universal se separando em seus momentos puros. Essa forma ou conteúdo - tal como é para a observação como observação - recebe a determinação de um achado, dado; quer dizer um conteúdo apenas essente. Torna-se um calmo ser de relações, um grande número de essencialidades, que como conteúdo fixo em si e para si devem ter verdade em sua determinidade, e assim são de fato subtraídas à forma. Mas essa verdade absoluta de determinidades fixas, ou de múltiplas leis diversas, contradiz a unidade da consciência de si, a unidade do pensar e da forma em geral. O que é enunciado como lei fixa e permanente em si pode ser a unidade refletindo-se em si, e surgir apensa como uma grandeza evanescente.
Porem quando essas leis
são arrancadas, pela operação que as examina, a esse conjunto coeso do
movimento e expostas isoladamente, o conteúdo não lhes vem a faltar, pois têm
nelas um conteúdo determinado; o que lhes falta é antes a forma, que é sua
essência. Em sua verdade, como momentos evanescentes na unidade do pensar,
deveriam ser tomadas como saber, ou como movimento pensante, mas não como leis
do saber. Mas o observar não é o saber mesmo, e não o conhece; ao contrário,
inverte a natureza do saber dando-lhe a figura do ser, isto é, só entende a sua
negatividade como leis do ser, na qual essas leis se mostram como em verdade
são, a saber como momentos singulares evanescentes cuja verdade é tão somente o
todo do movimento: o próprio saber. No primeiro caso, o espírito se comporta
negativamente para consigo mesmo, enquanto singularidade; no outro caso,
negativamente para consigo, enquanto universal. Conforme o primeiro lado, a
independência só confere ao encontrado a forma da individualidade consciente em
geral, e, no que respeita o conteúdo, permanece no interior da efetividade
universal encontrada. Mas, conforme o outro lado, a independência confere a
essa efetividade ao menos uma modificação peculiar, que não contradiz seu
conteúdo essencial, ou seja, uma modificação pela qual o indivíduo, como
efetividade especial e como conteúdo peculiar, se opõe àquela efetividade
universal.
Essa oposição vem a tornar-se crime quando o indivíduo suprassume essa efetividade de uma maneira apenas singular; ou vem a tornar-se outro - outro direito, outra lei e outros costumes, produzidos em lugar dos presentes, quando o indivíduo o faz de maneira universal para todos. No processo social de comunicação existem momentos em que se prefere ignorar algo que ocorre ao nosso redor para evitar um conflito de opiniões. Não se pode confundir as práticas dos rituais com seu sentido. A palavra particularizada é uma prática pela qual optamos em diversas situações em nossas vidas e, independente do motivo que nos leva a praticá-la. Isso acontece com uma frequência maior do que gostaríamos de admitir nas Instituições que são em sua essência moral ou política. A palavra seletiva pode decorrer de um efeito social coletivo que produz insegurança ou arrogância. Quando manifestada pode causar desmotivação sobre aquele que é atingido e, posteriormente, o desengajamento social. O indivíduo que foi acometido por essa surdez seletiva da palavra corre o risco de eventualmente não validar no processo a relação entre o meio e a mensagem. Ocasionando em perda que fez com que o indivíduo não ouvisse o outro o que não permite aceitar o erro, ficando o fardo dentre aqueles que passam por um constrangimento nessa experiência vital. O individualismo é um conceito político, moral e social que exprime a afirmação e a liberdade do indivíduo frente a uma determinada sociedade ou ao Estado. Opõe-se a toda autoridade ou controle sobre os indivíduos e coloca-se em total oposição ao coletivismo, no que concerne à propriedade intelectual. O individualista pode permanecer dentro da sociedade e de organizações socialmente que tenham o indivíduo como valor básico.
As organizações e sociedades contraditoriamente, carreguem outros valores, não necessariamente individualistas, pois não são necessariamente o elo que cria um estado de permanente tensão entre o indivíduo e essas instâncias de vida social. O exercício da liberdade individual implica escolhas, que, nas sociedades contemporâneas, frequentemente estão associadas a um determinado projeto. Indivíduos desenvolvem seus projetos dentro de um campo de possibilidades e dado um certo repertório sociocultural - que inclui ideologias, visões de mundo e experiências de classe, grupos, ethos ou castas, dimensões nas quais o indivíduo se insere. Nas sociedades contemporâneas, uma vez que o indivíduo se constitui na relação com o outro e em função de várias experiências e papéis sociais, participando de vários mundos, a sua personalidade não é um monólito: o indivíduo não é um mas representa muitos, em função de suas circunstâncias. Historicamente fora preciso definir o indivíduo, destacando-o da esfera comparativamente do coletivo que seguramente o constitui e lhe dá sentido. O individualismo remonta ao contrato social e às origens do pensamento democrático, com Thomas Hobbes, John Locke e Jean-Jacques Rousseau e a rejeição do poder político legitimado pelo direito de dinástico herança ou pela vontade divina. Consolida-se assim a concepção de indivíduo na sociedade como um ser uno, livre e responsável por seus próprios atos, nascendo o cidadão moderno, célula mínima do Estado democrático, que lhe garante contratualmente direitos e deveres.
Os primeiros Watakushi shosetsu são possivelmente “Hakai” (1906) por Toson Shimazaki e “Futon” (1907) por Katai Tayama. Em Hakai, Toson descreveu um homem que nasceu membro de um segmento discriminado da população (burakumin), e como ele decidiu violar o mandamento de seu pai para não revelar a sua comunidade de nascimento. Em Futon, Tayama confessou a sua afeição por uma aluna. Dentre os escritores deste estilo citem-se Osamu Dazai ou Kenzaburo Oe. Durante os anos do pós-guerra, os dōjinshis diminuíram gradualmente em importância como saídas para diferentes escolas literárias e novos autores. O seu papel foi assumido por revistas literárias como Gunzo, Bungakukai entre outros. Uma exceção notável foi Bungei Shuto (Capital literário), que foi publicado de 1933 até 1969. Poucas revistas dōjinshi sobreviveram com a ajuda de revistas literárias oficiais. Revistas de haikais e tanka ainda são publicados. É um termo japonês para publicações independentes, geralmente revistas, mangás ou romances. O termo é comumente traduzido como fanzine, que também identifica revistas independentes. Os dōjinshis são a principal parte do mercado de publicações independentes japonesas relacionadas aos mangás, animês e games. Ipso facto, criou um jornal de letras – Bungei Jidai (Anos Literários), visando a promover um novo movimento literário, o Xinkankakuha (Sensações Literárias), que tinha como principais preocupações, segundo os autores, a apresentação extraordinária de novas sensações na literatura, considerando a arte pura como missão primordial do escritor. Esse mercado, de acordo com a agência de pesquisa Media Create, movimentou, em 2007, 700 milhões de dólares, só no Japão. A maior parte dessas publicações japonesas é feita por fãs, e coloca personagens já reconhecidos do público consumidor de séries de mangás, animês ou jogos em situações novas, sejam elas coerentes ou não com as suas histórias de origem.
Existe, porém, um número bastante grande de autores de dōjinshis que publicam também mangás originais, com personagens e histórias criadas por eles mesmos. Prêmio Nobel de Literatura (Nobelpriset i litteratur) é um prêmio literário sueco que é concedido anualmente, desde 1901, a um autor de qualquer país que, nas palavras da vontade do industrial sueco Alfred Nobel (1833-1896), produziu “no campo da literatura o trabalho mais notável em uma direção ideal”. Embora os trabalhos individuais sejam às vezes citados como particularmente “dignos de nota”, o prêmio é baseado no conjunto da obra analisada de um autor como um todo. A Academia Sueca é responsável por escolher o ganhador do prêmio e anunciar os nomes dos laureados, no início de outubro. É um dos cinco Prêmios Nobel estabelecidos pela vontade de Alfred Nobel em 1895. Embora o Prêmio Nobel de Literatura tenha se tornado o prêmio literário de maior prestígio do mundo contemporâneo, a Academia Sueca tem atraído críticas significativas por seu tratamento do prêmio, principalmente pelas escolhas dos laureados e das indicações, sendo acusada de ter viés político, eurocentrismo e más escolhas envolvendo a premiação. Alfred Nobel estipulou em seu testamento que seu dinheiro seria usado para criar uma série de prêmios para aqueles que conferem o “maior benefício para a humanidade” em física, química, paz, fisiologia ou medicina e literatura.
Embora Nobel tenha escrito vários testamentos durante sua vida, o último foi escrito pouco mais de um ano antes de sua morte e assinado no Clube Sueco-Norueguês em Paris em 27 de novembro de 1895. Nobel legou 94% de seus ativos totais, 31 milhões de coroas suecas, o equivalente a 198 milhões de dólares ou 176 milhões de euros em 2016, para estabelecer e dotar os cinco prêmios Nobel. Devido ao nível de ceticismo em torno do testamento, só em 26 de abril de 1897 foi aprovado pelo Storting, o Parlamento da Noruega. Os executores de seu testamento foram Ragnar Sohlman e Rudolf Lilljequist, que formaram a Fundação Nobel para cuidar da fortuna de Alfred Nobel e organizar os prêmios. Os membros do Comitê Nobel Norueguês que deveriam conceder o Prêmio da Paz foram nomeados logo após a aprovação do testamento. As organizações que fariam a premiação foram: o Instituto Karolinska em 7 de junho, a Academia Sueca em 9 de junho e a Academia Real das Ciências da Suécia em 11 de junho. A Fundação Nobel chegou então a um acordo sobre as diretrizes de como o Prêmio Nobel deveria ser concedido. Em 1900, os estatutos da Fundação Nobel foram promulgados pelo rei Óscar II. Todos os anos, a Academia Sueca envia pedidos de nomeação de candidatos ao Prêmio Nobel de Literatura. Membros da Academia e sociedades de literatura, professores de literatura e línguas, ex-laureados com o Nobel de Literatura e presidentes de organizações de escritores podem indicar um candidato, porém não é permitido autoindicar-se. O Museu de Literatura de Kamakura (Kamakura Bungakukan) é um pequeno museu na província de Kanagawa, localizada na parte centro-leste da Ilha de Honshū, Japão.
A província é dividida em cidades e distritos. A capital da província de Kanagawa é a cidade de Yokohama, que é subdividida em 18 bairros. A província de Kanagawa faz fronteira com a província de Tóquio ao Norte, a província de Yamanashi a Oeste e a província de Shizuoka a Sudoeste. A área costeira chama-se Shōnan e é banhada pela Baía de Sagami. Ela forma uma península no Sudeste, chamada Península de Miura que abriga materiais relacionados a escritores que viveram, morreram ou atuaram na cidade de Kamakura. O museu exibe objetos pessoais, manuscritos, primeiras edições e documentos pertencentes a mais de cem escritores da literatura japonesa, incluindo Soseki Natsume, um escritor e filósofo japonês da era Meiji. Ele é mais conhecido em todo o mundo por seus romances Kokoro, Botchan, I Am a Cat e seu trabalho inacabado Light and Darkness. Ele também foi um estudioso da literatura britânica e compositor de haicais, kanshi e contos de fadas e Yasunari Kawabata, bem como o cineasta Yasujiro Ozu, um diretor de cinema e roteirista japonês. Ele começou sua carreira durante a era do cinema mudo e seus últimos filmes foram a cores. Ozu primeiro fez uma série de comédias curtas, antes de temas mais sérios na década de 1930. Casamento e família, especialmente as relações entre as gerações, estão entre os temas em sua obra. Suas obras de maior evidência incluem Banshun (1949), Bakushū (1951), Tōkyō Monogatari (1953), e Ukigusa (1959). Sua reputação continuou a crescer desde a sua morte, e ele é amplamente considerado como um dos diretores mais influentes do mundo. Na pesquisa da Sight & Sound de 2012, o filme Tōkyō Monogatari de Ozu foi eleito o terceiro melhor filme de todos os tempos pelos críticos em todo o mundo. Tōkyō Monogatari foi considerado o melhor filme de todos os tempos por 358 realizadores e cineastas ao redor do globo.
Nessa
revista publicou, em 1926, Izu no Odoriko, uma história que explorava o
erotismo do amor juvenil, com imagens líricas inspiradas em escrituras budistas
e poetas medievais japoneses. Iniciara, porém, sua carreira como escritor com
narrativas breves, mais tarde denominadas Tanagokoro no shôsetsu
(“Contos da Palma da Mão”), e considerado um gênero típico de Kawabata. Em
1931, já casado, mudou-se para Kamakura, antiga capital dos samurais, ao Norte
de Tóquio. O seu primeiro romance foi Yukiguni (“Terra de Neve” em Portugal e
“O País das Neves” no Brasil), começado em 1934 e publicado gradualmente de
1935 a 1937. Relata a história de amor entre um homem diletante da cidade de
Tóquio e uma gueixa de uma povoação remota onde este encontra um refúgio do
stress da sua vida citadina. Este romance colocou Kawabata imediatamente na
posição de um dos escritores japoneses mais importantes e promissores,
tornando-se o romance num clássico instantâneo considerado uma das suas mais
importantes obras-primas. Apesar de, durante a 2ª guerra mundial (1939-1945),
ter permanecido neutro, após o final da guerra, no fim dos anos 1960,
engajou-se em manifestações políticas, participou de campanhas de candidatos
conservadores e condenou a Revolução Cultural chinesa. Iniciou em 1949 a série “Mil
Garças”, em que constam o célebre Senbazuru (“Nuvens de Pássaros
Brancos”), e Yama no Oto (“O Som da Montanha”). Outras obras suas são Nemurero
Bijo (“A Casa das Belas Adormecidas”), Utsukushisa to Kanashimi to
(“Beleza e Tristeza”) e Koto (“Kyoto” em Portugal). No entanto o romance
que Kawabata considerava ser o seu melhor foi Meijin, publicado entre
1951 e 1954. É um título excepcional, o culminar de uma vida dedicada e
sacrificada à arte, por vezes associado à noção de um ser divino, uma imagem
simbólica usada para melhor transmitir o valor e a riqueza daquele que detém
este título honroso.
O termo Meijin significa “grande mestre”, “grande homem realizado”, “ser excepcional”. Era um título frequentemente concedido postumamente no koryū do Japão antigo. Kawabata foi ainda membro da Academia Imperial e presidente do Pen Club do Japão, atuando em várias reuniões internacionais de escritores. A historiografia do Japão tem como representação social o estudo dos métodos e hipóteses realizadas no estudo e na escrita da história do Japão. A primeira produção escrita sobre a história do Japão é atribuída ao Príncipe Shōtoku, reconhecido também como Príncipe Umayado ou Príncipe Kamitsumiya, foi um regente semi-lendário e político influente do período Asuka, no Japão sob o domínio da Imperatriz Suiko. Era filho do Imperador Yōmei e sua consorte, a princesa Anahobe no Hashihito, que também era sua meia-irmã que teria composto o Tennōki e o Kokki em 620. No entanto, o primeiro trabalho de história reconhecido, o Kojiki, data de 712, seguido em 720 pelo Nihon shoki. Essas duas obras formam a base da história japonesa, em grande parte mítica, que também servirá para a formação da mitologia xintoísta. Inspiradas na historiografia chinesa, essas obras foram escritas com o apoio do Estado japonês. O Nihon shoki é complementado por cinco outras obras publicadas entre 797 e 901, reconhecidas coletivamente como Seis Histórias Nacionais (Rikkokushi). O período que se estende a partir do século IX até ao século XVI é marcado pelo abandono da tradição chinesa para a escrita da história e do apoio do Estado japonês.
Nesse período são escritos diversos contos históricos (Rekishi monogatari) e contos de guerras (Gunki monogatari) de grande popularidade, tais como Quatro espelhos (Shikyō), escrito entre os séculos XI-XIV e o Heike monogatari (1371). Esses relatos históricos e etnográficos são complementados por outras formas artísticas, como o teatro Noh ou o emaki é uma forma clássica de teatro profissional japonês que combina canto, pantomima, música e poesia. Executado desde o século XIV, é uma das formas mais importantes do drama musical clássico japonês. No início do período Edo, a preeminência de escolas neo-confucionistas, como o Hayashi e a escola de Mito, marcou uma nova metodologia histórica, que era muito crítica a obras como o Kojiki, mas que, contudo, mantinha os alicerces da teoria do mandato do céu. Em meados do século XVIII observa-se o retorno da escola nativista (Kokugaku), de inspiração xintoísta. Liderada pelas obras de Motoori Norinaga, um estudioso de Kokugaku japonês ativo durante o período Edo. Ele é convencionalmente classificado como um Quatro Grandes Homens de Kokugaku. As obras mais importantes de Norinaga incluem o Kojiki-den (Comentários sobre o Kojiki), durante de um período de cerca de 35 anos, e as suas anotações no Conto de Genji. Usando os métodos de Kokugaku e Kaozheng, Norinaga afirmou que o Kojiki era o texto japonês mais antigo que ainda existia.
Ele usou a suposta antiguidade do Kojiki para desenvolver uma ideia da religião, leis e religião nativas japonesas que mais tarde foram usadas no desenvolvimento da ideia do xintoísmo estatal. As obras mais importantes de Norinaga incluem o Kojiki-den, historicamente desenvolvida ao longo de um período de cerca de 35 anos, e as suas anotações no Conto de Genji. Ela opõe-se aos neo-confucionistas ao procurar demonstrar a veracidade da mitologia xintoísta, em particular a existência da Era dos Deuses e dos primeiros imperadores. A partir do final do século XVIII, houve a combinação e abertura da historiografia japonesa às práticas historiográficas ocidentais. O Rangaku, traduções de obras europeias realizadas em meados do século XIX, e o contato social direto com a historiografia alemã, via de Ludwig Riess (1861-1928) historiador, escritor e educador nascido na Alemanha em 1887, que primordialmente trouxeram novas ferramentas analíticas para as várias escolas históricas japonesas que emergiram em seu tempo. Enquanto se instala o Império do Japão, os historiadores questionam, arriscando as suas preciosas liberdades acadêmicas, conquanto os mitos nacionais serviam de fundamento ideológico do regime. As ideias marxistas, presentes desde a década de 1920 e renovadas pela obra de Hisao Ōtsuka, ganharam novo fôlego após a Guerra Mundial. A partir da década de 1970, houve uma notável diversificação dos temas de pesquisa, acompanhada pelo ressurgimento de abordagens conservadoras e até mesmo nacionalistas.
Yasunari Kawabata (1899-1972)
em 1920 ingressou na Universidade Imperial de Tóquio. É uma instituição
tradicional fundada pelo governo Meiji em 1877 com seu nome atual, fundindo
escolas governamentais mais antigas de medicina, vários estudiosos tradicionais
e ensino moderno. Ela foi rebatizada de Universidade Imperial (Teikoku daigaku)
em 1886, e depois Universidade Imperial de Tóquio (Tōkyō teikoku daigaku) em
1897, quando o sistema de Universidade Imperial foi criado. Em setembro de
1923, um terremoto e os subsequentes incêndios destruíram cerca de 700 mil
volumes da Biblioteca da Universidade Imperial. Os livros perdidos incluíam a
Biblioteca Hoshino (Hoshino bunko), uma coleção de cerca de 10 mil livros. Eles
pertenciam anteriormente ao historiador japonês Hoshino Hisashi (1839-1917) antes
de se tornarem parte da biblioteca da universidade e eram principalmente sobre
filosofia e história chinesas. Foi um historiador, erudito e educador japonês
do período Meiji, reconhecido por sua contribuição à compilação do Dai Nihon
Shiryo e por promover o Confucionismo no sistema educacional moderno do Japão. Hoshino
Hidetoshi foi nomeado professor na Universidade Imperial de Tóquio em 1888. Os
trabalhos históricos eram realizados por um departamento governamental encarregado
da redação da história oficial do Japão, mas em 1888 decidiu-se transferir essa
atividade para a universidade. Hoshino, Kume Kunitake e Shigeno Yasutsugu foram
os três primeiros professores de história nomeados.
Hoshino e Kume divergiam quanto ao tratamento histórico da mitologia japonesa: Hoshino sustentava que a Era dos Deuses era um período histórico real, no qual eventos concretos ocorreram e foram registrados, enquanto Kume argumentava que os mitos fundacionais eram alegóricos e defendia uma abordagem mais cética e científica da história. Ainda assim, Hoshino, Kume e Shigeno compartilhavam a crença geral de que a história deveria seguir um enfoque mais erudito e científico, e Hoshino uniu-se aos colegas nas críticas analíticas ao destaque dado aos mitos heroicos na história japonesa. Após Kume criticar o xintoísmo estatal em um artigo publicado em 1892, considerado ofensivo pelo governo imperial, ele foi expulso da universidade, e o Departamento de História Japonesa foi fechado. O encerramento do departamento pode ter sido também resultado do desinteresse crescente do governo pelo projeto de escrever uma grande história do Japão, especialmente uma redigida em kanbun. O governo recriou um Instituto de História na Universidade Imperial de Tóquio em 1895, e reconduziu Hoshino como seu primeiro diretor. Esse novo departamento, que mais tarde se tornaria o Instituto Historiográfico da Universidade de Tóquio, recebeu uma missão mais restrita, voltada exclusivamente à compilação de documentos históricos, e não mais à redação de uma história geral do Japão. Hoshino desaprovava a limitação do escopo, pois continuava sendo um dos poucos defensores da elaboração de uma grande história em kanbun.
Apesar disso, atuou
como o primeiro diretor do Instituto, de 1895 a 1899. Hoshino lecionou história
e ética confucionista desde a fundação da Universidade Imperial de Tóquio em
1877, formando gerações de burocratas. Seu curso intitulado Kokushi Gairon
(Introdução à História Nacional) era obrigatório para os estudantes da
Faculdade de Direito. Ele participou da comissão responsável pela redação do
Rescrito Imperial sobre a Educação (1890), documento que incorporou valores
confucionistas, como lealdade e hierarquia, ao sistema escolar moderno. Hisashi
defendia o ensino da história como uma ferramenta de formação moral e
patriótica, ideia que influenciou profundamente os livros didáticos da Era
Meiji. O feudalismo japonês, que surgiu como um modo de produção desenvolvido a
partir do século XIX-XV e após um longo período de incubação, caracterizava-se
essencialmente pela mesma conexão fundamental do feudalismo europeu: a fusão de
vassalagem, benfeitoria e imunidade num sistema de feudo que constituía a
estrutura político-jurídica de base que permitia a extração ao produtor direto
de um sobre-trabalho. As relações sociais entre serviço militar, propriedade
fundiária condicional e jurisdicional senhorial reproduziram-se fielmente no
Japão.
Igualmente perante a
hierarquia escalonada entre senhor, vassalo e sub-vassalo, constituindo uma
cadeia de suserania e dependência. A classe dirigente hereditária, era formada
por uma aristocracia de cavaleiros; o campesinato encontrava-se juridicamente vinculado
ao solo, numa réplica próxima da servidão da gleba. Naturalmente, o feudalismo
japonês possuía também características próprias locais, que contrastavam com o
feudalismo europeu. As condições técnicas da cultura do arroz ditavam uma
estrutura diferente das aldeias, de que era ausente o sistema se assolamento
trienal. Por sua vez, o domínio senhorial japonês raramente continha uma
reserva ou residência. O pacto feudal era menos contratual e específico do que
na Europa: os deveres do vassalo eram mais imperativos. Dentro do peculiar
equilíbrio entre honra e subordinação, reciprocidade e desigualdade, que
marcava a ligação feudal, a variante japonesa pendia acentuadamente para o
segundo termo. Embora a organização clânica estivesse ultrapassada, como em todas
as verdadeiras formações sociais feudais, o expressivo “código” da relação
senhor-vassalo era ditado pela linguagem de parentesco, mais do que por
elementos da lei: a autoridade do senhor sobre o seu subalterno era mais
patriarcal e indiscutível do que na Europa. Era-lhe estranho o conceito de
felonia senhorial; não havia tribunais de vassalos; e o sistema jurídico
manteve-se de uma maneira geral, muito limitado.
A mais importante das consequências gerais do
maior autoritarismo e do conteúdo assimétrico das relações hierárquicas entre
os senhores no Japão foi a ausência de um sistema de cortes, quer a nível
regional, que a nível nacional. É esta sem dúvida a mais importante linha
divisória ente os feudalismos japonês e europeus, considerados enquanto
estruturas fechadas. Na realidade, essa parcelarização da soberania atingiu no
Japão Tokugawa uma forma mais organizada, estável e sistemática do que jamais
conheceu qualquer país da Europa; e a propriedade privada escalonada da terra
foi universal no Japão do que na Europa medieval, já que o Japão rural
desconhecia os alódios. O paralelismo de base entre as duas grandes
experiências nacionais, nos extremos opostos do continente eurasiano, havia de
receber a confirmação mais convincente do destino de cada uma delas. Os
caracteres históricos e sociais que compõem o nome Japão significam “Origem do
Sol”, razão pela qual o Japão é muitas vezes identificado como a “Terra do Sol
Nascente”. O nome japonês Nippon é usado de forma oficial tradicional,
inclusive no dinheiro japonês, selos postais e para muitos eventos esportivos
internacionais. Nihon é um termo percebido senso mais casual e mais
frequentemente utilizados no discurso contemporâneo. Tanto Nippon quanto Nihon,
significam “origem do Sol” e são traduzidos como a “Terra do Sol Nascente”.
Esta nomenclatura vem das missões do Império com a dinastia chinesa Sui e
refere-se à posição a Leste do Japão em relação à China.
Foi durante o século XVI que comerciantes e missionários portugueses chegaram ao Japão pela primeira vez, dando início a um intenso período de trocas linguísticas, culturais e comerciais. No Japão, os portugueses praticaram pari passu o comércio e a evangelização. Os missionários, principalmente os sacerdotes da Companhia de Jesus, levaram a cabo um intenso trabalho disciplinar de missão em cerca de 100 anos de presença portuguesa no Japão. Em 1582 a comunidade cristã no país chegou a ascender a 150 mil cristãos no Japão e 200 igrejas. Toyotomi Hideyoshi deu continuidade ao governo de Oda Nobunaga e unificou o país em 1590. Depois da morte de Hideyoshi, o regente Tokugawa Ieyasu aproveitou-se de sua posição para ganhar apoio político e militar. Quando a oposição deu início a uma guerra, ele a venceu em 1603 na Batalha de Sekigahara. Tokugawa fundou um novo xogunato, um sistema de governo predominante no Japão de 1192 a 1867, com capital em Edo e expulsou os portugueses e restantes estrangeiros, dando início concomitantemente à perseguição dos católicos no país, tidos como subversivos, com uma política reconhecida como sakoku, isto é, a política externa isolacionista japonesa. A perseguição aos cristãos japoneses fez parte desta política, in statu nascendi levando esta comunidade à conversão autoritária forçada ou mesmo à morte, como é o caso dos 26 Mártires do Japão.
Neste período o Japão era uma sociedade feudal bem desenvolvida com tecnologia pré-industrial. Era mais povoado do que qualquer país ocidental e tinha 26 milhões de habitantes no século XVI. Um fato social ainda mais revelador, é que o Japão do fim do feudalismo reconheceu um nível de urbanização sem equivalente, exceto na Europa contemporânea: no princípio do século XVIII, a sua capital, Edo, era maior do que Londres ou Paris, e talvez um em cada dez japoneses vivia em cidades de mais de 10 mil habitantes. E há que notar também que o esforço educacional do país suportava bem a comparação com as mais desenvolvidas nações da Europa ocidental: no limiar da “abertura” japonesa ao Ocidente, cerca de 40% a 50% da população masculina adulta estava alfabetizada. O êxito e a rapidez impressionantes com que o capitalismo industrial foi implantado no Japão pela restauração Meiji tiveram os seus pressupostos históricos determinados no avanço ímpar da sociedade que foi herdeira do feudalismo de Tokugawa. Quando a esquadra da Perry aportou a Yokohama, em, 1853, o fosso histórico entre o Japão e as potências euro-americanas que o ameaçavam era, apesar de tudo, enorme. A agricultura japonesa encontrava-se notavelmente comercializada ao nível da distribuição, mas muito menos ao nível da própria produção.
Os tributos feudais, coletados em espécie, contavam ainda para o total do sobre-produto, embora acabassem por ser convertidos em moeda: a produção agrícola direta para o mercado era subsidiária dentro da economia. Sistema de governo predominante no Japão de 1192 a 1867, baseado na crescente autoridade do xógum, supremo líder militar, que terminaria por submeter até mesmo a autoridade do imperador. A retomada do poder imperial determinou o encerramento do feudalismo baseado no xogunato, a abertura do país ao exterior e o início de sua ocidentalização. A distância política neste aspecto histórico e social entre o Japão e o continente europeu as duas pátrias do feudalismo, manifestava e simbolizava a profunda divergência nas suas evoluções históricas. Torna-se necessária e instrutiva uma comparação teórica e histórica não da “natureza”, mas da “posição” do feudalismo em cada uma destas trajetórias sociais e políticas. Em outras palavras, nada de comparável ao Renascimento tocar em terra japonesa. É lógico que a estrutura do Estado tivesse uma forma rígida e fragmentária. O Japão teve uma longa e rica experiência de feudalismo, mas nunca produziu um absolutismo no sentido conceitual.
O shogunato Tokugawa, que governou as ilhas durante os últimos duzentos e cinquenta anos da sua existência, até a intrusão do ocidente industrializado, assegurou uma paz prolongada e manteve uma ordem disciplinar rigorosa: o seu regime era, porém, a negação do Estado absolutista. O shogunato não mantinha monopólios coercivos no Japão: os senhores regionais mantinham os seus próprios exércitos, cujo total era superior aos das tropas da casa Tokugawa. Não impunha uma legislação uniforme, os seus decretos cobriam apenas um quinto ou um quarto do território. Não possuía uma administração competente para o total da sua área de suserania: todos os feudos importantes tinham as suas próprias administrações separadas e autônomas. Não coletava impostos nacionais, estando três quartos do território fora do seu alcance fiscal. Não tinha diplomacia, pois o isolamento oficial e social impedia o estabelecimento de relações com o mundo exterior. Exército, fisco, administração, direito, diplomacia, comparados, faltavam no Japão todos esses complexos institucionais que são chave explicativa e processual do contexto do absolutismo europeu. A distância política neste aspecto histórico e social entre o Japão e o continente europeu as duas pátrias do feudalismo, manifestava e simbolizava a profunda divergência nas suas evoluções históricas. Torna-se necessária e instrutiva uma comparação teórica e histórica não da “natureza”, mas da “posição” em cada uma destas trajetórias sociais e políticas.
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