sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Até o Limite da Honra – Cinema, Autopiedade & Operações Especiais.

                 Não se teria jamais atingido o possível, se não se houvesse tentado o impossível”. Max Weber  

           A obra A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo (2003) é considerada a grande obra de Max Weber e o seu texto reconhecido. A primeira parte desta obra foi publicada em 1904 e a segunda veio a público em 1905, depois da viagem do autor e de sua esposa Marianne Schnitger (1870-1954), destacada feminista e escritora aos Estados Unidos da América. Analisando o processo em seu conjunto, Weber verifica que dos dogmas e, em especial, dos impulsos morais do protestantismo, derivados após a reforma de Lutero, surge uma forma de vida de caráter metódico, disciplinado e racional. Da base moral do protestantismo surge não só a valorização religiosa do trabalho e da riqueza, mas também uma forma de vida que submete toda a existência do indivíduo a uma lógica férrea e coerente: uma personalidade sistemática e ordenada. Sem estes impulsos morais não seria possível compreender a ideia de vocação profissional, concepção que subjaz as figuras modernas do operário e do empresário. A moral presente na vida social dos círculos protestantes possui uma relação sociológica de afinidade eletiva com o comportamento (espírito) que subjaz ao sistema econômico e, disciplinar, ainda que não derive deste fator unicausal, trata-se de um impulso vital para o entendimento do mundo social tanto moderno quanto contemporâneo. Max Weber destaca que, apesar de secularizada, ou seja, desprovida de fundamentos religiosos, a vida aquisitiva moderna generalizou-se para todo conjunto da vida social: os puritanos queriam tornar-se monges, todos têm que segui-los. 

Esta avaliação também ganha contornos analíticos críticos, pois Weber constata que a lógica da produção, do trabalho e da riqueza envolve o mundo moderno como uma “jaula de ferro” (Eisernen Käfig) e se pergunta qual o destino dos tempos modernos: o ressurgimento de velhas ideias ou profecias ou uma realidade petrificada, até que a última tonelada de carvão fóssil seja queimada? Em tons que lembram Friedrich Nietzsche (1844-1900), ele dirá ainda sobre os homens de imaginação sociológica insípida dos tempos atuais: “especialistas sem espírito, nulidades sem coração”. Esta visão crítica do capitalismo encorajou importantes pensadores marxistas como Georg Lukács (1885-1971), Karl Löwith, Michael Löwy a ressaltarem algumas afinidades do pensamento hic et nunc com a visão marxista, corrente que, sem menosprezar as sensíveis diferenças entre as duas formas de pensamento, denominada de webero-marxismo (cf. Löwy, 2014). No entanto, diferente da visão marxista, que privilegia os condicionamentos econômicos, Max Weber, coerente com uma visão multicausal dos níveis sociais, destaca seus fatores culturais e, mais tarde, concordando com Marx, enfatizará também os fatores materiais ou níveis de análise com domínio econômico, no surgimento das instituições modernas sobre a questão específica a respeito das Afinidade eletivas.

 Lembra Michael Löwy que são raros os pesquisadores especializados em sociologia das religiões que, ao comentar os escritos de Weber sobre o tema hic et nunc, em particular A Ética Protestante e o Espírito do Capitlismo, não constataram a utilização conceitual através do termo “afinidade eletiva”. Isto porque, estranhamente, esse termo suscitou poucos estudos, discussões acadêmicas ou debates conspícuos e menos ainda uma análise criteriosa mais sistemática de seu significado metodológico. Dentre estes existe o ensaio de Richard Howe (1978) que contém informações úteis sobre as origens do termo, mas a definição que ele propõe considerando a “afinidade eletiva”, como uma ideia no sentido de emprego formalista kantiano não é muito pertinente. Além disso, na interpretação Löwyniana, o referido autor não distingue a “afinidade interna” da conceitual afinidade eletiva, sociologicamente o que elimina o papel social decisivo da eleição. Enfim, ele parece querer reduzir a Wahlverwandtschaft a uma “afinidade entre palavras”, em função da “interseção de significados”, o que limita seu considerável alcance de interpretação. No ensaio de J. J. R. Thomas (1985) depois de uma discussão não sem interesse, chega a conclusão decepcionante: - “Tentando evitar o conceito de ideologia, considerado por ele grosseiramente materialista, Weber criou um conceito [afinidade eletiva] que não leva a lugar algum”. A contribuição é a de José María González Garcia que dedicou às afinidades eletivas um capítulo de seu livro entre Max Weber e Johann Wolfgang von Goethe (1992).                                  

  

O termo Wahlverwandtschaft tem uma longa história, muito anterior aos escritos sobre religião de Max Weber. Foi na alquimia medieval que o termo “afinidade” começou a ser usado para explicar a atração e fusão dos corpos. Segundo Alberto Magno (1193-1280), se o enxofre se une aos metais, é por causa da afinidade que ele tem com esses corpos: “propter affinitarem naturae metalla adurit”. Encontramos essa temática nos alquimistas dos séculos seguintes. Por exemplo, Hermannus Boerhaave (1668-1738) em seu livro Elementa Chimiane (1724), explica que “particulae solventes et solutae se affinitate suae naturae colligunt in corpora homogênea”. A afinidade do ponto de vista desta ciência é uma força em virtude da qual duas substâncias “procuram-se, unem-se e encontram-se” numa espécie de casamento, de bodas químicas, antes procedendo do amor que do ódio, “magis ex amore quam ex dio”. O termo attractio electiva aparece pela primeira vez nos escritos do químico sueco Torbern Olof Bergman (1735-1784). Seu livro, De Attractionjibus Electivis (Upsalla, 1775), foi traduzido para o francês com o título de Traité des affinités chimiques ou Attractions électives (1788). Na tradução alemã (Frankfurt, Tabor, 1782-1790), “atração eletiva” foi exatamente traduzido por Wahlverwandtschaft, isto é, afinidade eletiva. Foi dessa versão alemã do livro de Bergman que Goethe tirou o título de seu extraordinário romance Wahlverwandtschaft (1809), no qual ele menciona um livro de química estudado “há cerca de dez anos” por um de seus personagens.

O termo se torna na verdade uma metáfora para designar o movimento passional pelo qual um homem e uma mulher são atraídos um para o outro – correndo o risco de se separarem de seus antigos companheiros – a partir da afinidade íntima entre suas almas. Essa transposição de Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) faz do conceito químico para o social da espiritualidade e amor foi facilitada pelo fato de que, em vários alquimistas, como Boerhaave, o termo já era fortemente carregado de metáforas sentimentais e eróticas. Para Goethe, existe afinidade eletiva quando dois seres humanos ou elementos “procuram-se um ao outro, atraem-se, apropriam-se um do outros e, em seguida ressurgem dessa união íntima numa forma renovada me imprevista”. A semelhança com a fórmula de Boerhaave – dois elementos “procuram-se, unem -se e encontram-se” – é impressionante, e não excluímos que Goethe conhecesse e tenha se inspirado na obra do alquimista holandês. Com o romance de Goethe, o termo ganhou direito de cidadania na cultura alemã como designação de um tipo de ligação particular entre duas almas. Foi na Alemanha, portanto, que ele passou por sua terceira metamorfose: a transmutação, por obra desse grande alquimista da ciência social chamado Max Weber, em conceito de representação puramente de encarnação sociológico.  Da acepção antiga, ele conserva as conotações de escolha recíproca, atração e combinação, mas a dimensão da novidade parece desaparecer.

O conceito ocupa um lugar importante em A Ética Protestante, precisamente por levar a cabo a análise da relação complexa e sutil entre essas duas formas. Para Weber, trata-se de superar a abordagem tradicional em termos de causalidade e, assim, evitar o debate sobre a primazia do “material” ou do “espiritual”.  Com isso, são especificados ao mesmo tempo, na medida do possível, o modo e a direção geral segundo as quais, em consequência de tais afinidades eletivas, o movimento religioso agiu sobre o desenvolvimento da cultura material. A afinidade eletiva é talvez um meio para uma busca causal “num segundo momento”, mas isso não significa que ela própria seja uma relação causal. As formulações de Max Weber são suficientemente flexíveis para podemos admitir diferentes leituras de interpretação.  O que sociologicamente Weber tenta demonstrar em sua análise com o conceito de Wahlverwandtschaft é, segundo Michael Löwy (2014), em primeiro lugar a coexistência de elementos convergentes e análogos entre uma ética religiosa e um comportamento econômico: o ascetismo puritano e a economia do capital, a ética protestante do trabalho e a disciplina burguesa do trabalho, a valorização calvinista do ofício virtuosos e o ethos do empreendimento burguês racional, a concepção ascética do uso utilitário das riquezas e acumulação produtiva do capital, a exigência puritana da vida metódica e sistemática e a busca racional do lucro capitalista.

É a partir dessas analogias profundas, desses “parentescos íntimos”, que na Holanda, na Inglaterra e nos Estados Unidos historicamente do século XVII ao XIX, vai se desenvolver uma relação de afinidade eletiva entre a ética protestante e o espírito do capitalismo, graças a qual a concepção puritana da existência favorece a tendência a uma vida burguesa economicamente racional e vice-versa. Não surpreende que a expressão “afinidade eletiva” não tenha sido compreendida pela recepção anglo-saxã historicista positivista de Max Weber.  O próprio autor utiliza o conceito apenas três vezes em A Ética Protestante, mas ela aparece também em outros escritos, na maioria das vezes em ensaios de sociologia das religiões. 1. No nível de análise religioso: trata-se da relação da afinidade eletiva em diversas formas religiosas; por exemplo, entre o ritualismo e a graça sacramental ou entre a profecia de missão e “determinada concepção do divino: a de um Deus criador, transcendente, pessoal, fulminante, que perdoa, ama, exige, castiga”, em oposição à divindade impessoal e contemplativa da profecia exemplar. 2. No nível econômico: entre o “espírito” do capitalismo e as formas de organização econômicas capitalistas. Isso pode parecer redundante, mas Weber insiste no fato sociológico de que, do mesmo modo que uma organização sindical nem sempre é movida por um espírito sindicalista ou um império colonial, pelo espírito do imperialismo, uma economia capitalista não é necessariamente movida pelo “espírito do capitalismo”.

Conforme o caso, o “espírito” encontra-se, num grau ou noutro, em adequação e, eventualmente, em “relação de afinidade eletiva” com a “forma”. 3. No campo cultural: esse é um exemplo curioso, pois Weber opõe a formação patrimonial que, ao racionalizar-se conduz à burocracia moderna (especialização, profissionalização) – a formação (Bildung) feudal, “com seus traços lúdicos e sua afinidade eletiva com a atividade artística. Max Weber tem em mente a educação da aristocracia, mas os traços comuns com a prática da arte não são explicitados. Para sermos breves, a partir do uso weberiano do termo, Michael Löwy propõe a seguinte definição: a afinidade eletiva representa o processo pelo qual a) duas formas culturais/religiosas, intelectuais, políticas ou econômicas ou b) uma forma cultural e o estilo de vida e/ou os interesses de um grupo social entram, a partir de certas analogias significativas, parentescos íntimos ou afinidades de sentido, numa relação de atração e influência recíprocas, de escolha ativa, convergência e de reforço mútuo. Essa definição leva em consideração os diversos níveis ou graus de afinidade eletiva, a começar pela finidade simples, o parentesco espiritual, a congruência, a adequação interna. É importante frisar que esta última é ainda estática, cria a possibilidade, mas não a necessidade, de uma convergência ativa, de uma atração eletiva. A transformação dessa potência em ato, sua dinamização, depende de condições históricas e sociais concretas. Assim, o sociólogo Max Weber constata, por exemplo, “certo parentesco (Verwandtschaft)” entre o confucionismo e o racionalismo puritano. Isso não é o suficiente para criar entre eles uma relação efetiva de convergência. 

Naturalmente, a afinidade eletiva depende do grau de “adequação” ou mesmo de “parentesco” entre as duas formas, mas depende também de outros fatores, pois ela é favorecida ou entravada por certas condições históricas. Em outras palavras, é preciso haver certa “constelação” de fatores históricos, sociais e culturais para que ocorra um processo de attractio electiva, de seleção recíproca, de esforço mútuo e até, em certos casos, de “simbiose” de duas figuras espirituais. Esse aspecto está presente em Max Weber, mas é raramente desenvolvido. Nascida em uma família “disfuncional”, Demi Moore precisou lidar com a ausência do pai e o alcoolismo da mãe desde cedo. Ela chegou a contar, em uma entrevista, que ainda criança chegou a tirar comprimidos de dentro da boca da mãe para evitar que ela se suicidasse. Seu pai biológico, Charles Foster Harmon (1940-1997) era um aviador da Força Aérea dos Estados Unidos, abandonou sua mãe, Virginia, antes mesmo do nascimento da filha Demi. Virginia, então com apenas 18 anos, logo se casou com Danny Guynes, um publicitário cuja carreira no mercado instável obrigava a família a mudar-se constantemente. A estrutura familiar de Demi era complexa. Ela tem um meio-irmão, Morgan, nascido em 1967. O casamento de sua mãe foi marcado por altos e baixos, incluindo dois casamentos e divórcios com o próprio Danny. Um ano após o segundo divórcio, Danny tirou a própria vida, um ano após o segundo divórcio. Até os 13 anos, Demi tinha a certeza de que era filha de Danny. Ao descobrir uma certidão de casamento entre os pertences de sua mãe, descobriu que Danny, a quem sempre considerou seu pai, na verdade era seu padrasto. Vírginia e Danny eram alcoólatras.

 A mãe vivia frequentando bares e, desde criança, Demi a acompanhava. Em uma dessas ocasiões, ao voltar de um bar, Demi foi estuprada por um conhecido de sua própria mãe.  Após violentá-la, ele a perguntou: “como você se sente ao ser prostituída por sua mãe por US$ 500 (R$3 mil)?”. Aos 15 anos, Demi Moore mudou-se com sua família para West Hollywood, Califórnia, onde sua mãe conseguiu emprego em uma empresa de distribuição de revistas.  Em 1978, passou a viver com o guitarrista Tom Dunston, de 28 anos, abandonando o ensino médio para trabalhar como recepcionista na 20th Century Fox, graças à mãe de Dunston, que era assistente do produtor Douglas S. Cramerl. Logo depois, assinou contrato com a agência de modelos Elite e iniciou aulas de atuação sob influência da vizinha, a reconhecida atriz Nastassja Kinskinski.  Três anos depois, começou a viver com Freddy Moore, um músico 12 anos mais velho que se divorciou para casar com ela. Na época, Demi tinha 18 anos.  Apesar do casamento ter durado apenas quatro anos, foi dele que a atriz herdou o sobrenome que a tornou famosa. Demi colaborou com Freddy Moore na composição de três músicas e participou do videoclipe de “It`s Not a Rumor”, interpretada pela banda dele, The Nu-Kats. Em janeiro de 1981, ela foi capa da revista adulta Oui, onde posou sem roupas.

Oui era uma revista pornográfica masculina publicada nos Estados Unidos da América, que apresentava fotos explícitas de modelos nus, além de pin-ups de página inteira, páginas centrais, entrevistas e outros artigos, além de charges. A Oui deixou de ser publicada em 2007. A racionalidade de opiniões e ações representa um tema cuja elaboração se deve originalmente à filosofia. Pode-se dizer, até mesmo, que o pensamento filosófico tem sua origem no fato da razão corporificada no conhecer, no falar e no agir torna-se reflexiva. O tema fundamental da filosofia é a razão. A filosofia empenha-se desde o começo por explicar o mundo como um todo, mediante princípios encontráveis na razão, bem como a unidade na diversidade dos fenômenos. E não o faz em comunicação com uma divindade além do mundo, nem pela retrogradação ao fundamento de um cosmo que abranja a natureza e a sociedade. O pensamento grego não via a uma teologia, nem a uma cosmologia ética das grandes religiões mundiais. Ele visa sim à ontologia. Se há algo comum às doutrinas filosóficas, é a intenção de pensar o ser ou a uma idade do mundo pela via de uma explanação das experiências da razão em seu trato consigo mesma. Os substitutivos teóricos das imagens de mundo perderam valor não em virtude do suposto avanço das ciências empíricas, mas, e principalmente pela “consciência reflexiva” que o acompanhou. Onde quer que se tenha formado núcleos temáticos rígidos na filosofia contemporânea, e uma argumentação mais coerente, em lógica ou epistemológica, nas teorias da linguagem e do significado, em ética ou na teoria da ação, o interesse se volta às condições formais da racionalidade do conhecer.

        A teoria da argumentação ganha um significado especial, do entendimento verbal mútuo e do agir comunicativo, ou no plano das práticas instituídas ou dos discursos instituídos, porque é tarefa de reconstituir os pressupostos e condições formal-pragmáticos de um comportamento explicitamente racional. Como se pode compreender pelo exemplo da epistemologia ou da fabulosa história das ciências, ocorre entre as explanações formais das condições de racionalidade e análise empírica da corporificação e desenvolvimento histórico das estruturas de racionalidade um imbricamento bastante peculiar. A pretensão dessas ciências só pode ser checada com base na evidência de exemplos contrários; e só é possível ampará-la, afinal caso a teoria reconstrutiva logre tomar aspectos internos da história das ciências e prepara-los de modo que seja possível explicar sistematicamente in status nascendi esta história, isto é, a história factual e narrativamente documentada, no contexto de desdobramentos sociais e com a devida vinculação a análises empíricas. O que vale para um arcabouço de “racionalidade cognitiva”, segundo Habermas (2012), tão complexo como a ciência moderna aplica-se a outras formas de espírito objetivo, ou seja, a corporificação da racionalidade ora cognitiva e instrumental, ora até mesmo prático-estética. Quanto aos conceitos fundamentais, é preciso que investigações desse tipo, empiricamente direcionadas, se apresentem de tal modo que seja possível associá-la a reconstruções racionais de nexos de sentido e soluções de problemas. Nas ciências é a sociologia que está mais intimamente ligada à problemática da racionalidade, cuja competência abrangeria os problemas deixados pela política e economia em parcours até se tornarem ciências especializadas.

Seu tema são as transformações da integração social ocasionadas na estrutura de sociedades europeias mais antigas mediante a autonomização e diferenciação de um sistema econômico regulado pelo mercado. A sociologia torna-se ciência da crise par excellence, que se ocupa sobretudo dos aspectos anômicos da dissolução de sistemas sociais tradicionais e da formação de sistemas sociais modernos. Os pensadores clássicos da sociologia, quase sem exceção, procuram apresentar sua teoria da ação de maneira que as categorias sociais que a integram atinjam os aspectos mais importantes da transição progressiva de “comunidade” para “sociedade”. Esse nexo entre a) a questão metateórica de âmbito vinculado à teoria da ação e concebido mediante aspectos do agir possíveis de racionalização e b) a questão metodológica de uma teoria da compreensão de sentido que aclare aas relações internas entre significação e validade (entre a explanação do significado de uma externação simbólica e o posicionamento em face de suas pretensões de validade implícitas) será associado por fim c) à questão empírica sobre a possibilidade de descrever a modernização da sociedade sob o ponto de vista de uma racionalização cultural e social e, caso essa descrição seja possível, sobre o sentido em que ela ocorre. Esse nexo está particularmente marcado em Max Weber. Sua hierarquia dos conceitos de ação social está voltada ao tipo do agir racional-finalista, de tal maneira que todas as demais ações podem ser niveladas como desvios específicos em relação a esse tipo de racionalidade.

Ao analisar o método da compreensão de sentido, o sociólogo procede de tal modo que se precisam referir à passagem dos casos mais complexos ao caso-limite da compreensão do agir racional-finalista: isto é, a compreensão do agir subjetivamente orientado ao êxito requer ao mesmo tempo uma valoração objetiva desse mesmo agir comunicativo. Evidencia-se, assim, um parti pris epistemológico entre o nexo e decisões metodológicas vinculadas à conceitualidade básica e a questão do ponto de vista sobre como o racionalismo pode ser explicado. GI Jane é um filme de ação e drama norte-americano de 1997, dirigido por Ridley Scott e estrelado por Demi Moore, Viggo Mortensen e Anne Bancroft. O filme narra a história fictícia da “primeira mulher a passar por um treinamento de operações especiais semelhante ao dos Seals da Marinha dos Estados Unidos da América”. O filme foi produzido pela Largo Entertainment, Scott Free Productions e Caravan Pictures, e distribuído pela Buena Vista Pictures através do selo Hollywood Pictures. Embora tenha recebido críticas favoráveis e a atuação de Moore tenha recebido alguns elogios, ela ainda ganhou o prêmio Framboesa de Ouro de Pior Atriz, que é comumente atribuído ao seu papel no criticamente criticado Strip-tease no ano anterior. Estreou em primeiro lugar nas bilheterias dos Estados Unidos da América, onde permaneceu por duas semanas, arrecadando US$ 98,4 milhões em todo o mundo com um orçamento de US$ 50 milhões. O filme arrecadou mais de US$ 22 milhões em aluguéis de VHS e DVD. Em sua autobiografia Inside Out (2019), Moore chamou GI Jane de sua maior conquista profissional. As Equipes de Mar, Ar e Terra (SEAL) da Marinha dos Estados Unidos, comumente reconhecidas como Navy Seals, representam a principal força de operações especiais da Marinha dos Estados Unidos e um componente do Comando de Guerra Especial Naval dos Estados Unidos.

Entre as principais funções estão a condução de missões de operações especiais de pequenas unidades em ambientes marítimos, de selva, urbanos, árticos, montanhosos e desérticos. São normalmente ordenados a capturar ou matar alvos de alto nível ou a reunir inteligência atrás das linhas inimigas. Embora não tenham sido formalmente fundados até 1962, os atuais Seals da Marinha têm suas raízes na 2ª guerra mundial (1939-1945). O Exército dos Estados Unidos da América percebeu a necessidade dinâmica do reconhecimento secreto de praias de desembarque e defesas costeiras. Como resultado, a Escola Anfíbia de Escoteiros e Invasores do Exército, Corpo de Fuzileiros Navais e Marinha foi estabelecida em 1942 em Fort Pierce, Flórida. Os Escoteiros e Invasores foram formados em setembro daquele ano, apenas nove meses após o ataque a Pearl Harbor, a partir do Grupo de Observadores, uma unidade conjunta do Exército, Fuzileiros Navais e Marinha dos EUA. Reconhecendo a necessidade historicamente de uma força de reconhecimento de praia, um grupo seleto de militares do Exército e da Marinha se reuniu na Base de Treinamento Anfíbio (ATB) Little Creek, Virgínia, em 15 de agosto de 1942 para iniciar o treinamento conjunto de batedores e invasores anfíbios. A missão dos batedores e invasores era identificar e reconhecer a praia-alvo, manter uma posição na praia antes do desembarque e guiar as ondas de assalto até a praia de desembarque. A unidade era liderada pelo 1º Tenente do Exército dos Estados Unidos Lloyd Peddicord como comandante e pelo Alferes da Marinha John Bell como oficial executivo.     

Os suboficiais e marinheiros da Marinha vieram da piscina de barcos da Base de Treinamento Anfíbio Naval dos Estados Unidos da América, Solomons, Maryland, e o pessoal dos invasores do Exército veio das 3ª e 9ª Divisões de Infantaria. Eles treinaram em Little Creek até embarcar para a campanha do Norte da África em novembro seguinte. A Operação Tocha foi lançada em novembro de 1942 na costa atlântica do Marrocos Francês, no Norte da África. O primeiro grupo incluía Phil H. Bucklew (1914-1992), reconhecido disciplinarmente como o Pai da Guerra Especial Naval, que deu nome ao edifício do Centro de Guerra Especial Naval. Comissionado em outubro de 1942, este grupo participou de combate em novembro de 1942 durante a Operação Tocha na Costa Norte da África. Batedores e Raiders. Os Marine Raiders são forças de operações especiais originalmente criadas pelo Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial para conduzir operações de infantaria leve anfíbia. Apesar da intenção original de os Raiders servirem em operações especiais, a maioria de combate os viu empregados como infantaria convencional. Isso, somado ao ressentimento do restante do Corpo de Fuzileiros Navais por eles serem uma “força de elite dentro de uma força de elite”, levou à dissolução das unidades Raider originais com desembarques na Sicília, Salerno, Anzio, Normandia e Sul da França. 

O segundo grupo de Scouts e Raiders, codinome Special Service Unit n° 1, foi estabelecido em 7 de julho de 1943, como uma organização de força de operações conjuntas e combinadas. A primeira missão, em setembro de 1943, foi em Finschhafen, na Papua Nova Guiné. As operações posteriores foram em Gasmata, uma vila na costa sul da Nova Bretanha, Papua Nova Guiné, Arawe, uma região geográfica e um povo na ilha de Nova Bretanha, que deu nome ao porto de Arawe e à pequena península, Cabo Glouceste é um cabo na ilha da Nova Bretanha, na Papua-Nova Guiné. Durante a Segunda Guerra Mundial, os japoneses capturaram a ilha e trasladaram a maioria da população nativa da zona do cabo Gloucester para construir dois campos de aviação e nas costas Leste e Sul da Nova Bretanha, “todas sem nenhuma perda de pessoal”. Conflitos surgiram sobre questões operacionais e todo o pessoal não pertencente à Marinha foi realocado. A unidade, renomeada 7th Amphibious Scouts, recebeu uma nova missão tática e estratégica: desembarcar com os barcos de assalto, balizar canais, erguer marcadores para as embarcações que chegavam, lidar com baixas, fazer sondagens offshore, sondagens em terrenos sob lâmina d`água, limpar obstáculos na praia e manter comunicações de voz ligando as tropas, os barcos e os navios próximos. O 7th Amphibious Scouts conduziu operações no Pacífico durante o conflito, participando de mais de 40 desembarques.

A terceira e última organização de Escoteiros e Invasores operou na China. Escoteiros e Invasores foram destacados para lutar com a Organização Cooperativa Sino-Americana (SACO). Para ajudar a reforçar o trabalho da SACO, o Almirante Ernest Joseph King (1878-1956) ordenou que 120 oficiais e 900 homens fossem treinados para “Invasores Anfíbios” na escola de Escoteiros e Invasores em Fort Pierce, Flórida. Eles formaram o núcleo do que foi imaginado como uma “organização anfíbia de guerrilha de americanos e chineses operando em águas costeiras, lagos e rios, empregando pequenos barcos a vapor e sampanas”. Enquanto a maioria das forças de Invasores Anfíbios permaneceu em Camp Knox, em Calcutá, três dos grupos prestaram serviço ativo. Eles conduziram um levantamento do alto rio Yangtzé na primavera de 1945 e, disfarçados de coolies, conduziram um levantamento detalhado de três meses da costa chinesa de Xangai a Kitchioh Wan, perto de Hong Kong. “Coolie” é um termo historicamente usado para se referir a “trabalhadores braçais asiáticos”, especialmente da China e Índia, que realizavam trabalhos pesados por baixo pagamento, sendo atualmente considerado um termo ofensivo e pejorativo. 

Entretanto, o termo é de origem indiana, significando “trabalhador diário”, e foi popularizado pelos comerciantes europeus na Ásia no século XVI. Um Comitê do Senado dos Estados Unidos entrevista um candidato para o cargo de Secretário da Marinha dos Estados Unidos. A senadora Lillian DeHaven (Anne Bancroft), do Texas, critica a Marinha “por não ser neutra em termos de gênero”. Por trás das cortinas, um acordo é feito: se as mulheres se comparam favoravelmente com os homens em uma série de testes, os militares integrarão plenamente as mulheres em todas as ocupações da Marinha. O primeiro teste é o curso de treinamento da Marinha dos Estados Unidos da América. A senadora DeHaven escolhe a tenente e analista de topografia Jordan O`Neil (Demi Moore), porque ela é fisicamente mais feminina do que as outras candidatas. Para obter a nota, O`Neil deve sobreviver a um programa de seleção esgotante, no qual quase 60% de todos os candidatos são eliminados, a maioria antes da quarta semana, com a terceira semana sendo particularmente intensa (“semana do inferno”). O enigmático comandante John James Urgayle (Viggo Mortensen) dirige o brutal programa de treinamento que envolve 20 horas diárias de tarefas destinadas a desgastar a força física e mental dos recrutas, incluindo empurrar gigantescos para-lamas nas dunas da praia, trabalhando em obstáculos, e transportar jangadas de desembarque. Dado um subsídio de 30 segundos em uma pista de obstáculos, O`Neil exige ser mantida nos mesmos padrões que os estagiários do sexo masculino. O comandante o observa ajudando os outros candidatos, permitindo que eles subam de costas para atravessar a pista de obstáculo da parede.

Oito semanas no programa, durante outro treinamento, ela é amarrada a uma cadeira com as mãos atrás das costas, agarrada e jogada através da porta, em seguida, a levanta do chão e repetidamente afunda a cabeça na água fria na frente dos outros membros da sua equipe. O`Neil luta com Urgayle e é bem sucedida em causar-lhe alguma lesão, apesar de seus braços imobilizados. Ao fazê-lo, ela adquire respeito dele, bem como dos outros estagiários. Líderes da Marinha, confiantes de que uma mulher sairia rapidamente, ficam preocupados. A mídia civil aprende sobre o envolvimento de O`Neil, e ela se torna uma sensação conhecida como “GI Jane”. Em breve, ela deve lutar com acusações forjadas de que é lésbica ao confraternizar com mulheres. O`Neil é informada de que receberá uma carteira durante a investigação e, se liberada, precisará repetir seu treinamento. Ela decide “tocar fora” uma campainha três vezes, sinalizando sua retirada voluntária do programa ao invés de aceitar um trabalho de secretária. Mais tarde é revelado que a evidência fotográfica da suposta confraternização de O`Neil veio do escritório da senadora DeHaven que nunca pretendeu que O`Neil tivesse sucesso; ela usou O`Neil como moeda de barganha para impedir o fechamento de bases militares em seu Estado natal (Texas). 

O`Neil ameaça expor DeHaven, que então tem as acusações anuladas e O`Neil retornando aos treinamentos. A fase final do treinamento, um exercício de prontidão operacional, é interrompida por emergência que requer o apoio dos soldados. A situação envolve um satélite espião alimentado por plutônio para uso militar que caiu no deserto da Líbia. Uma equipe de Rangers do Exército dos EUA é enviada para recuperar o plutônio, mas seu plano de evacuação falha, e os soldados são enviados para ajudar os Rangers. O tiro de Urgayle em um soldado líbio para proteger O`Neil leva a um confronto com uma patrulha militar líbia. Durante a missão, O`Neil, usando sua experiência como analista topográfica, percebe quando vê o mapa da equipe que o comandante não vai usar a rota que os outros acreditam que ele irá reagrupar com os outros. Ela também exibe uma habilidade definitiva em liderança e estratégia ao resgatar o comandante ferido, a quem ela e McCool retiram de um local carregado de explosivos. Com helicópteros armados para auxílio, a missão de resgate na costa da Líbia é um sucesso. Após o seu retorno, todos aqueles que participaram da missão são aceitos. Urgayle dá a O`Neil sua Cruz da Marinha e um livro de poesia contendo um pequeno poema, “Self-Pity”, de D.H. Lawrence (1885-1930), cuja carreira abrangeu vários gêneros, incluindo romance, poesia, teatro e crítica literária como reconhecimento de sua realização e em gratidão por resgatá-lo. Em “Autopiedade”, o narrador afirma que os animais não sentem autopiedade diante da adversidade cultural. 

Essa observação serve como uma crítica ao comportamento humano, sugerindo que a autopiedade é uma emoção improdutiva que pode prejudicar a resiliência. A brevidade e a simplicidade do poema aumentam seu impacto. Sua linguagem direta e a ausência de adjetivos criam um senso de objetividade e autoridade. O escopo de anaálise do poema na natureza contrasta com sua aplicação pretendida ao comportamento humano, criando uma ironia sutil, mas eficaz. Comparado a outras obras de Lawrence, Autopiedade se distancia de sua poesia mais emocional e introspectiva. É um poema curto e didático que oferece uma clara lição moral. Essa mudança de tom e propósito demonstra a versatilidade de Lawrence como escritor. No geral, “Autopiedade” é um poema poderoso e instigante que explora a natureza das emoções humanas e oferece uma perspectiva valiosa sobre a importância de superar a autopiedade. No contexto “Autopiedade” alinha-se às tendências modernistas em direção à objetividade do conhecimento e à rejeição do sentimentalismo. Sua ênfase na importância da resiliência e da autoconfiança também ressoa com os valores pragmáticos vitorianos. Demi Moore vive Jordan O`Neill, a atriz que disciplinarmetne precisou fazer uma rotina de trabalho físico de engajamento verdadeiramente militar. 

Exercícios cardiovasculares, artes marciais, corrida de obstáculos, natação, maratonas, flexões de braço, abdominais e agachamentos faziam parte do seu preparo para o papel. A dieta da atriz também era controlada e restrita. Apenas frango, salmão e verduras estavam no seu cardápio. O responsável pela transformação física da atriz foi o ex-fuzileiro Scott Helvenston, que perdeu a vida em uma missão no Iraque em março de 2004. Ele é o responsável pela emblemática cena em que a atriz faz flexão de braço com o apoio de apenas um braço. Na cena onde Demi Moore interage com outras mulheres, são identificadas duas garotas cujos nomes são Thelma e Louise. Trata-se de uma homenagem do diretor Ridley Scott ao filme Thelma & Louise (1991) dirigido por ele. O ator Sam Rockwell chegou a ensaiar algumas cenas, mas acabou tendo que deixar a produção. O diretor Ridley Scott filmou um final alternativo no qual a personagem de Demi Moore perde a vida durante uma missão secreta na Líbia. A atriz Anne Bancroft disse que ela e Scott eram a favor do final alternativo, mas finalmente decidiram o final mais “heroico”, que seria mais popular no público. G.I. Jane recebeu críticas mistas dos críticos, onde detém classificação de 53% no Rotten Tomatoes com base em 32 avaliações, com uma classificação média de 5.8/10. Demi Moore ganhou o Framboesa de Ouro como pior atriz em 1997. Nos estudos sobre a gênese da profissão naval nos Escritos & Ensaios, de Elias (2006: 69 e ss.), ele resgata o ponto histórico, a crítica metodológica sobre a condição do fazer sociológico.

 Assim, infere o contexto histórico e social, se forem seres humanos que desempenharam papel importante na determinação do destino de seu próprio país, a briga interessará ao métier dos historiadores. Estes considerarão a briga como um acontecimento único, tentarão descobrir os motivos pessoais dos envolvidos e situa-los no interior de seu contexto histórico irrepetível. Mas e os sociólogos? Tendemos a pensar que cabe aos sociólogos se ocuparem com os problemas sociais. E, pela maneira como as palavras “sociedade” e “coletividade” são atualmente compreendidas, isso implica que os sociólogos não podem ou não deveriam se ocupar com os problemas dos indivíduos isolados. Em sua análise, um exame mais atento poderia revelar que há algo que não funciona bem nessa separação do trabalho intelectual, praticamente absoluta entre o estudo das sociedades e o dos seres humanos individuais. A regra do pensamento e expressão universalmente aceita, segundo a qual o que é “social” não pode ser “individual” e o que é “individual” não pode ser “social” é um desses axiomas fossilizados que têm a tendência a serem aceitos na medida em que em regra geral, todos parecem aceita-los, mas que desaparecem como “a roupa nova do rei” quando na medida certa com o desenvolvimento histórico-social são examinados sem preconceitos sociais.

As sociedades não são nada além do que indivíduos conectados entre si; cada um dos indivíduos é dependente de outros, de seu (deles e dele e dela) amor, de sua língua, de seu conhecimento, de sua identidade, da manutenção da paz e de muitas outras coisas. Até mesmo os conflitos de classe são também – independentemente do que mais possam ser – conflitos entre seres humanos individuais. E um conflito entre dois seres humanos, por mais que possam ser algo único e pessoal, pode ser ao mesmo tempo representativo de uma luta entre diversos estratos sociais, remontando a várias gerações. O que aqui se expõe é o relato de um tal conflito. O material foi tomado em prestado da história. Não seria difícil encontrar, em nossa própria época, um material do mesmo tipo. Mas, como material para uma investigação paradigmática, é vantajosa a utilização de um conflito ocorrido em uma outra época. Fora de dúvida, afirma Elias, as paixões foram arrefecidas pela distância temporal. A história pode ser construída sem que o narrador seja distraído pelos argumentos convencionais de partidários e oponentes de sua própria época que, independentemente de sua vontade, repercutiriam em seus ouvidos. Além dos mais, nas sociedades passadas os seres humanos eram habitualmente menos ambíguos. Em geral, não se deixava pairar nenhuma dúvida sobre as linhas de divisão social que atravessavam a sociedade, e em que ponto da escala social alguém estava situado. A ambiguidade do status, do ponto de vista da análise, que pode surgir quando alguém ascende socialmente, tinha pouca influência sobre a avaliação da posição estamental, feita pelos contemporâneos, em sociedades com uma camada aristocrática superior que atribuía grande valor à origem social e ao berço.                

Não é, portanto, particularmente difícil estabelecer a hierarquia em um período passado e a posição nele ocupada por um determinado indivíduo, quando se observa bem o que seus contemporâneos tinham a dizer a respeito. A maioria das dificuldades possivelmente experimentadas pelos pesquisadores na reconstrução dessa hierarquia decorre do procedimento anacrônico utilizado: eles examinam as desigualdades de poder e status nas sociedades antigas como se elas tivessem necessariamente o mesmo caráter das existentes em sua própria sociedade. Um exemplo notável deste método de trabalho é a tendência atual de pretender descrever a desigualdade de poder e prestígio em geral em termos de classes sociais e estamentos. Tanto na literatura elizabetana e jacobita, sendo cristão ortodoxo monofisista da Igreja síria, na Inglaterra quanto na literatura francesa do mesmo período, de fato em todo o século XVII e em parte do século XVIII, essa divisão é mencionada. Essa separação social estava ligada, na história da religião, mas não era idêntica, à divisão em diversos estamentos, tais como na Inglaterra, entre a nobreza e os comuns. Nem todos os cortesãos eram nobres, assim como, nem todos os membros da nobreza eram cortesãos. Para o que nos interessa, neste aspecto, durante a sua famosa viagem pelo mundo, Francis Drake (1540-1596) teve uma briga com um outro membro da expedição, seu antigo amigo Thomas Doughty (1793-1856).

A briga tomou seu curso lentamente, mas no final inflamou-se em tal proporção que o empreendimento inteiro ameaçava naufragar. Apesar de Francis Drake e Thomas Doughty terem sido inicialmente amigos, suas origens sociais e competências específicas eram totalmente diferentes. Drake era um marítimo profissional, Doughty, um militar profissional, que pertencia às altas esferas da corte da rainha Elizabeth e, ao contrário de Drake, era educado e se comportava como um gentleman. Até onde se pode saber, não era um homem de posses. Durante a expedição, provavelmente se encontrava em uma situação pior do que a de Drake. Em dezembro de 1577, com uma pequena frota e uma tripulação de cerca de 160 homens, partiram de Falmouth, supostamente em direção a Alexandria. Apenas Drake, Doughty e alguns outros líderes da expedição sabiam qual era o verdadeiro objetivo da viagem: regiões desconhecidas no Pacífico Sul, que não pertenciam ao rei da Espanha, mas que, esperava-se, seriam provavelmente tão ricas em ouro e prata quanto as colônias espanholas. Aparentemente, Drake planejava atingir o Pacífico Sul através do estreito de Magalhães, entre o continente a Norte e a Terra do Fogo e cabo Horn a Sul. Este estreito é a maior e mais importante passagem natural entre os oceanos Atlântico e Pacífico. E, tanto quanto possível, tomar o rumo das costas da desconhecida Terra Australis, circulavam muitas lendas e/ou histórias míticas, mas sobre a qual ninguém sabia algo concretamente com absoluta certeza. A expedição também tinha um segundo objetivo, este mais concreto. Em viagens anteriores, Drake esperava conquistar um butim de espanhóis e portugueses, principalmente atacando seus navios.                 

Drake gozava já naquele tempo de certa reputação como pirata e capitão de corsários. A postura da rainha Elizabeth e seus conselheiros em relação a essa forma irregular de guerra combinada com pirataria dependia da situação política. Atualmente, tende-se a considerar as circunstâncias políticas, militares e comerciais como funções independentes. Naquele tempo não era assim. Na Irlanda, Drake encontrou Thomas Doughty, oficial com certa reputação, então secretário do conde de Essex. Drake e Doughty tornaram-se bons amigos. Juntos, os dois homens sonhavam com uma nova e maior expedição à parte Sul do continente americano e, se possível, ainda além, até o oceano pacífico. Começaram a fazer seus planos na Irlanda e provavelmente iniciaram conjuntamente os preparativos após seu retorno à Inglaterra, em 1576. Posteriormente, Doughty lembraria a Drake tudo o que fizera por ele. Não é improvável que houvesse algo de verdade nisso, apesar de Drake negar tudo peremptoriamente. Doughty, sem dúvida, estava mais à vontade na corte do que Drake. Havia tido o tipo de educação indispensável para a vida na corte – ao contrário de Drake, que havia sido criado como marítimo. Além disso, após seu retorno a Londres, Doughty havia se tornado secretário de Christopher Hatton, um dos amis importantes favoritos da rainha, e fora nomeado capitão da Guarda. Não é, portanto, improvável que tenha sido ele quem apresentou seu amigo Drake a Hatton. Parece, contudo, que Doughty recebeu uma participação menor do que esperava. Mais tarde ele diria, desdenhosamente, que Drake lhe havia concebido apenas “a cota de um pobre gentleman”.  Apesar de na história ter ficado ressentido com Drake por causa desse fato histórico e socialmente relevante, entretanto, não levou a um rompimento explícito. Ambos partiram da Inglaterra como dois grandes amigos.

Profissões, despojadas de suas roupagens próprias, são funções técnicas e sociais especializadas que as pessoas desempenham em resposta a necessidades especializadas de outras; são, ao menos em sua forma mais desenvolvida, segundo Norbert Elias, conjuntos especializados de relações humanas. Para ele, o estudo da gênese de uma profissão, portanto, não é simplesmente a apreciação de um certo número de indivíduos que tenham sido os primeiros a desempenhar certas funções para outros e a desenvolver certas relações, mas sim a análise de tais funções e relações. Toas as profissões, ocupações, ou qualquer que seja o nome que tenham, são, de uma forma peculiar, independentes, não das pessoas, mas daquelas pessoas em particular pelas quais elas são representadas em uma época determinada. Elas continuam existindo depois que esses seus representantes morrem. Como as línguas, pressupõem a existência de um grupo. Descobertas científicas, invenções e o surgimento de novas necessidades humanas e de meios especializados para satisfazê-las são indubitavelmente fatores que contribuem para o desenvolvimento de uma nova profissão. O processo social como tal nível abstrato de análise sociológico, a gênese e o desenvolvimento de uma profissão ou de qualquer outra ocupação social, é mais que a soma total de atos individuais, do ponto de vista da função social, tem em sua constituição seu modelo próprio de origem e significado. A profissão naval tomou forma em um tempo em que a Marinha era uma frota de embarcações a vela. Em muitos sentidos, portanto, o treinamento, as tarefas e padrões dos oficiais eram diferentes dos padrões de nossa época. 

Diz-se que o comando de um navio de um navio moderno, com seus equipamentos técnicos elaborados, requer uma mente cientificamente treinada. O comando de um navio a vela requeria a mente de um artesão. Apenas algumas pessoas iniciadas em tenra idade na vida do mar poderiam esperar dominar essa técnica. “Recrutá-los jovens” era um reconhecido lema da antiga Marinha. Era norma que um jovem começasse sua futura carreira de oficial naval aos 9 ou 10 anos diretamente a bordo. Muitas pessoas experientes achavam que poderia ser tarde demais, caso se começasse a ir a bordo somente aos 14 anos, não apenas porque quem o fizesse teria que se acostumar ao balanço do mar e superar o enjoo o mais rapidamente possível, mas também por que a arte de amarrar e dar nós em cordas, a maneira correta de subir ao mastro – seguramente o ovém, isto é, ovém de avante e ovém de ré, para servir de apoio aos mastros e mastaréus de um navio, e não a enfechadura – e várias outras operações mais complicadas somente poderiam ser aprendidas com uma prática longa e exaustiva. 

Todos os oficiais navais, ao menos do século XVIII em diante, se viam, e queriam ser vistos pelos outros, como gentleman. Dominar a arte do marinheiro era apenas uma das  funções. Antes como depois, oficiais navais eram líderes militares que comandavam homens. Uma das mais importantes era lutar contra um inimigo, comandar a tripulação na batalha e, se necessário, abordar um navio hostil numa luta corpo a corpo até a vitória. Em tempos de paz como tempos de guerra, oficiais navais frequentemetne entravam em contato com membros de outros países.  Esperava-se que soubessem utilizar línguas estrangeiras, que agissem como membros de seus próprios países com firmeza, dignidade e uma certa dose de diplomacia, e que se comportassem conforme as regras do que “era considerado boa educação e civilidade”. Um oficial da velha Marinha tinha que reunir algumas das qualidades de artesão experiente e gentleman militar.  À primeira vista essa combinação de deveres pode não parecer surpreendente nem problemática. No curso do século XX, “gentlemen” tornou-se um termo genérico, vago, que se refere mais à conduta que à posição social. Pode-se aplica-lo a trabalhadores manuais, a mestres-artesãos e aos nobres. Durante os séculos XVII e XVIII, no entanto, tinha um significado social muito estrito. 

Tratava-se, durante o período de formação da profissão naval, da marca distintiva dos homens das classes altas e de algumas porções das classes médias, uma designação que os diferenciava do restante do povo. Inclusive a mera suspeita de que tivesse feito trabalho manual em alguma etapa de sua vida era degradante para gentlemen. Enfim, a fusão das tarefas de um marinheiro com as de um gentleman, como vemos mais tarde na história da profissão naval, não era, portanto, o arranjo simples e óbvio que parece ser quando se aplicam os conceitos sociais do nosso tempo. Era, outrossim, consequência de uma luta prolongada e de um processo de tentativa e erro que durou mais de um século. Da época de Elizabeth à da rainha Ana, e mesmo depois, os responsáveis pela Marinha lutaram contra esse problema sem muito sucesso imediato. Condições especiais – reinantes apenas na Inglaterra e parcialmente na Holanda, dentre todos ou pleo menos a maioria dos países da Europa Ocidental – tornaram possível superar gradualmente essas dificuldades em certa medida. E tanto os obstáculos quanto os próprios conflitos deles resultantes identificados per se na pena de Norbert Elias, além da maneira lenta como se resolveram, foram responsáveis por algumas das mais notáveis características da profissão naval inglesa. 

No entanto, para entender tudo isso, é necessário ter em mente as atitudes sociais e os padrões daquele período e visualizar os problemas inerentes ao crescimento da profissão naval tal como se apresentavam àquelas pessoas, e não como parecem ser para nós, segundo nossas próprias referências sociais contemporâneas. Para Rubens Ewald Filho, o filme ficou bem aquém de outros trabalhos de Ridley Scott, que não conseguiu controlar o elenco e deu ao filme um tom “fútil e militarista”, o que acabaria prejudicando até a carreira da própria Demi Moore, irreconhecível “de cabeça raspada e corpo de halterofilista”. Tallulah Willis, filha de Bruce Willis e Demi Moore raspou os cabelos, como sua mãe fez após ver o filme. O filme foi um sucesso moderado, mas foi considerado uma decepção de arrecadação nas bilheterias. G.I. Jane abriu em #1 arrecadando $11,094,241 no seu fim de semana de estreia, apresentado em um total de 1,945 cinemas. Em seu segundo fim de semana, o filme ficou em primeiro lugar, arrecadando $8,183,861 em 1,973 cinemas. No final, o filme foi exibido em um lançamento mais amplo de 2,043 cinemas e arrecadou US$48,169,156 no mercado estadunidense, ficando um pouco abaixo de seu orçamento de US$50,000,000. O filme fez um total de $97,169,156 no mundo. G.I. Jane foi lançado em DVD em 22 de abril de 1998. O único recurso extra foi um trailer. Foi lançado em Blu-ray em 3 de abril de 2007, sem recursos extras, além de trailers de outros filmes. O filme também foi lançado em Laserdisc; este lançamento contou com um comentário em áudio do diretor Ridley Scott.

Bibliografia Geral Consultada.

BLUMER, Herbert, Filmes e Conduta. Nova York: Maximillan Editor, 1983; SCHEIBE, Karl, Self Studies. The Psychology of Self and Identity. London: Editor Praeger, 1985; SCOTT, Joan, Gender and the Politics of History. New York: Columbia University Press, 1989; APPLEMAN, Roy, Desastre na Coreia: Os Chineses Confrontam MacArthur. College Station. Texas: Texas A&M University Press, 1989DENZIN, Norman, A Sociedade Cinematográfica. Londres: Sage, 1995; WENTZ, Gene; JURUS, B. Abell, Homens de Rosto Verde. New York: St. Martin`s Paperback, 1993; RANDLES, William Graham Lister, Da Terra Plana ao Globo Terrestre. Uma Mutação Epistemológica Rápida (1480-1520). Campinas: Papirus Editora, 1994; TODOROV, Tzvetan, Los Abusos de la Memoria. Barcelona: Paidós Asterisco, 2000; ELIAS, Norbert, A Sociedade dos Indivíduos. 1ª edição. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 1994; Idem, “Estudos sobre a Gênese da Profissão Naval”. In: Escritos & Ensaios (1): Estado, Processo, Opinião Pública. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2006; pp. 69-113; TOCQUEVILLE, Alexis de, De La Démocratie en Amérique. Paris: Éditions Gallimard, 2006; MÁRQUEZ, Gabriel García, La Increíble y Triste Historia de la Cándida Eréndira y de su Abuela Desalmada. Estados Unidos: Editor Vintage, 2010; GREITENS, Eric, O Coração e o Punho: A Educação de um Humanitário, a Formação de um SEAL da Marinha. Boston: Editor Houghton Mifflin Harcourt, 2011; ROBINSON, Patrick, Honra e Traição: A História Não Contada dos Navy SEALs que Capturaram o “Açougueiro de Fallujah” — e a Vergonhosa Provação que Mais Tarde Sofreram. Cambridge, Massachusetts (USA): Da Capo Press, 2013; LÖWY, Michael, A Jaula de Aço: Max Weber e o Marxismo Weberiano. 1ª edição. São Paulo: Boitempo Editorial, 2014; McEWEN, Scott; MINITER, Richard, Olhos no Alvo: Histórias Internas da Irmandade dos SEALs da Marinha dos EUA. Nova York: Editor Center Street, 2014; PARRON, Tamis Peixoto, A Política da Escravidão na Era da Liberdade: Estados Unidos, Brasil e Cuba, 1787-1846. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em História Social. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2015; MARQUESE, Rafael; FAN, Ritter, “Até o Limite da Honra. Demi Moore Em Seu Melhor Papel”. In: https://www.planocritico.com/28/01/2023; Artigo: “Demi Moore: Conheça a História da Jovem Prostituída pela Mãe à Atriz Que Quase Venceu o Oscar”. In: https://www.brasilparalelo.com.br/04/03/2025; entre outros.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Alma de Cowboy – Gentrificação, Vingança & Domínio Afrodescendente.

 Os negros sabiam que não era para um cavalo ser dominado. Cavalos devem ficar livres”. Alma de Cowboy


         Alma de Cowboy (Concrete Cowboy, 2020) tem como representação social o filme da Netflix que entrou no extraordinário catálogo de abril e já consta como uma das produções cinematográficas mais assistidas. Estrelado por Idris Elba e Caleb McLaughlin, o drama acompanha o jovem Cole, um rebelde adolescente que é levado para morar com o pai no Norte da Filadélfia após se envolver em brigas cotidianas na escola. Antes de ser incorporada à cidade propriamente dita, a Filadélfia Norte era pouco mais que um conjunto de municípios predominantemente agrícolas ao Norte da Filadélfia original. Lá, ele descobre a vibrante “subcultura de cowboys” urbanos da cidade, que existe há mais de 100 anos, proporcionando um refúgio seguro para o bairro, apesar da pobreza, violência e invasão historicamente da gentrificação ao redor. É um conceito sociológico, antevisto por Marx (cf. Hobsbawm, 1975) durante seu logo exílio no século XIX em Londres (UK) que acarreta a substituição física, econômica, social e cultural de um bairro ou uma área urbana proletária para burguesa após a compra de propriedades, e sua consequente “revalorização” no mercado global através do influxo de residentes e empresas mais abastados. É um tema comum e controverso na esfera política e planejamento urbano como consequência da globalização. A gentrificação aumenta o valor econômico de um bairro, mas o deslocamento resultante pode se tornar um problema social. A gentrificação vê uma mudança na composição racial ou étnica de um bairro e na renda familiar média, à medida que a habitação e os negócios se transformaram e os recursos não eram acessíveis são ampliados e melhorados.

          É estrelado por Idris Elba, Caleb McLaughlin, Jharrel Jerome, Lorraine Toussaint, Byron Bowers e Method Man. As filmagens começaram no Norte da Filadélfia em agosto de 2019. Staub teve a ideia do filme ao ver “um homem andando a cavalo em uma rua da Filadélfia”, o que o levou a pesquisar o Fletcher Street Urban Riding Club e descobrir o livro de Neri. Concrete Cowboy teve sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Toronto em 13 de setembro de 2020, e foi lançado na Netflix em 2 de abril de 2021. O Festival Internacional de Cinema de Toronto foi fundado em 1976. Este evento cinematográfico é reconhecido como um dos principais eventos globais no mundo do cinema, tanto em termos de público com mais de 280.000 espectadores como de público profissional. O filme é sobre um menino de 15 anos de Detroit que é enviado para viver com seu pai distante na Filadélfia e aprende sobre os cowboys urbanos locais. Em agosto de 2019, foi anunciado que Idris Elba, Caleb McLaughlin, Jharrel Jerome, Lorraine Toussaint, Byron Bowers e Method Man se juntaram ao elenco do filme, com Ricky Staub dirigindo em sua estreia na direção de um roteiro feito por ele e Dan Wasler, baseado no romance Ghetto Cowboy de Greg Neri. Elba e Lee Daniels foram produtores do filme. O papel de Amahle foi originalmente escrito para ser uma viciada em drogas, e quando Liz Priestley fez o teste para o papel, ela acumulou alguns dias de privação de sono para tornar sua performance crível. Posteriormente, a personagem foi reescrita para ser uma enfermeira.

            A cidade encontra-se no contexto das sociedades ocidentais em que a autonomia e a liberdade estão associadas ao período de transição para a idade adulta. A contracultura pode influenciar o modo como os jovens representam e antecipam o que é ser adulto, na vida individual e coletivamente, claramente quando a literatura sugere que as representações do papel de adulto adquirem na modernidade uma configuração própria. A pós-modernidade é um conceito da sociologia histórica que designa a condição sociocultural e estética dominante no capitalismo após a queda real do Muro de Berlim (1989), a “revolução retificada” segundo Jürgen Habermas, da União Soviética e a crise das ideologias nas sociedades ocidentais no final do século XX, com a dissolução da referência à razão como uma garantia de condição e possibilidade de compreensão do mundo através de esquemas totalizantes. O uso do termo se tornou corrente embora haja controvérsias quanto ao seu significado e a sua pertinência. Algumas escolas de pensamento situam sua origem no esgotamento do projeto moderno, que dominou a estética e a cultura até final do século XX. N`A Condição Pós-Moderna, Jean-François Lyotard caracteriza a pós-modernidade como uma decorrência da morte das “grandes narrativas” totalizantes, fundadas na crença no progresso e nos ideais iluministas de igualdade, liberdade e fraternidade. Outros analistas na história, afirmam que a pós-modernidade seria apenas uma extensão da modernidade, período em que, segundo Benjamin, ocorre a perda da aura em razão do que ele nomeou “a obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica”, em múltiplas formas: cinema, fotografia, vídeo, etc.   

                                                

Para o crítico marxista norte-americano Frederic Jameson, a pós-modernidade representa a “lógica cultural do capitalismo tardio”, correspondente à chamada terceira fase do capitalismo, conforme o esquema proposto analogamente por Ernest Mandel. Outros autores preferem evitar o termo. Entretanto, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, um dos principais popularizadores do termo pós-modernidade no sentido de forma póstuma da modernidade, prefere usar a expressão “modernidade líquida” - uma realidade ambígua, multiforme, na qual, como na clássica expressão do Manifesto do Partido Comunista, de Marx & Engels (1848) “tudo o que é sólido se desmancha no ar”. O filósofo francês Gilles Lipovetsky prefere o termo “hipermodernidade”, por considerar não ter havido uma ruptura com os tempos modernos chaplinianos - como o prefixo “pós” dá a entender. Segundo Lipovetsky, os tempos atuais são modernos, com uma exacerbação de certas características das sociedades modernas, tais como o individualismo, o consumismo, a ética hedonista, a fragmentação do tempo e do espaço. O filósofo alemão Jürgen Habermas relaciona o conceito de pós-modernidade a tendências políticas e culturais entre neoconservadores, determinadas a combater os ideais iluministas. A idealização individual americanista do Flower Power, condicionada contraria as transformações dos sistemas de ensino e de formação que no processo civilizatório induzem também a períodos mais longos de coabitação entre pais e filhos adultos no âmbito familiar, facilitados por mudanças culturais, que permitem aos jovens pela via geracional optar pela “coabitação entre gerações”. 

A popularidade de Zygmunt Bauman (2004) entrou em franca ascendência quando o autor passou a analisar a pós-modernidade sob o “prisma da liquidez”. Como uma época em que nada é feito realmente para durar. Isto é, em que a fixidez das relações sociais obtém um valor descartável no processo de social de comunicação, em que toda comunicação é um processo de trabalho, mas nem todo processo de trabalho é um processo de comunicação, elaborando o conceito de modernidade líquida que se afasta da pós-modernidade, na medida em que a modernidade representa um continuum. Ela teria se transformado numa versão consumista, individualista e despolitizada. O conceito de sociedade é comumente utilizado para expressar o processo de estratificação social de cidadãos de um país, governados por instituições nacionais que aspiram ao bem-estar dessa coletividade. Todavia, a sociedade não é um mero conjunto de indivíduos vivendo juntos em um determinado lugar, é também a existência de uma organização social, de instituições e leis que regem a vida dos indivíduos e suas relações mútuas. Há pensadores cuja batalha das ideias reforçam a oposição entre indivíduo e sociedade, reduzindo, com frequência, ao conflito entre o genético e o cultural. Émile Durkheim, com o fato social, Karl Marx, dialeticamente com a historicidade da luta de classes, e Max Weber com o objeto da ação social, constituindo uma expressão “livre de julgamento de valor,” conceituaram com rigor metodológico a propriedade e a sociedade a partir da atividade política, social ou econômica do indivíduo.

Um cowboy é um vaqueiro que cuida do gado em fazendas na América do Norte, tradicionalmente a cavalo, e frequentemente realiza uma infinidade de outras tarefas relacionadas à fazenda. O cowboy americano histórico do final do século XIX surgiu das tradições vaqueiras do Norte do México e se tornou uma figura de especial importância e lenda. Um subtipo, sociologicamente chamado wrangler, cuida especificamente dos cavalos usados ​​para trabalhar com o gado. Além do trabalho na fazenda, alguns cowboys trabalham ou participam de rodeios. As cowgirls, definidas como tal no final do século XIX, tiveram um papel histórico menos documentado, mas no mundo moderno trabalham em tarefas idênticas e obtiveram considerável respeito por suas realizações. Os tratadores de gado em muitas outras partes do mundo, particularmente na América do Sul e na Austrália, realizam trabalhos semelhantes aos do cowboy. O cowboy tem raízes históricas profundas que remontam à questão da vocação na Espanha e aos primeiros colonizadores europeus das Américas. Ao longo dos séculos, as diferenças de terreno e clima, bem como a influência das tradições de manejo de gado de diversas culturas, criaram vários estilos distintos de equipamentos, vestimentas e técnicas de manejo de animais. À medida que o cowboy, sempre prático, se adaptava ao mundo moderno, seus equipamentos e técnicas também se adaptavam, embora muitas tradições clássicas sejam preservadas.

A palavra inglesa cowboy tem origem em diversos termos mais antigos que se referiam tanto à idade quanto ao gado ou ao trabalho de cuidar do gado. A palavra inglesa cowboy deriva de vaquero, uma palavra espanhola para um indivíduo que cuidava do gado montado a cavalo. Vaquero deriva de vaca, que significa “vaca”, que veio da palavra latina vacca. “Cowboy” foi usado pela primeira vez impresso por Jonathan Swift em 1725 e foi usado nas Ilhas Britânicas de 1820 a 1850 para descrever “meninos que cuidavam das vacas da família ou da comunidade”. Originalmente, porém, a palavra inglesa “cowherd” era usada para descrever um pastor de gado, semelhante a “shepherd”, um pastor de ovelhas e frequentemente se referia a um menino pré-adolescente ou no início da adolescência, que geralmente trabalhava a pé. Esta palavra é muito antiga na língua inglesa, originando-se antes do ano 1000. Em 1849, “cowboy” já havia desenvolvido seu sentido moderno como um tratador de gado adulto do Oeste americano. Variações da palavra surgiram posteriormente. “Cowhand” apareceu em 1852 e “cowpoke” em 1881, originalmente restrito aos indivíduos que cutucavam o gado com longas varas para carregá-lo em vagões de trem para transporte. Nomes para cowboy em inglês americano incluem buckaroo, cowpoke, cowhand e cowpuncher. Outra palavra inglesa para cowboy, buckaroo, é uma anglicização de vaquero. Hoje, “cowboy” é um termo comum em todo o Oeste e particularmente nas Grandes Planícies e Montanhas Rochosas, “buckaroo” é usado na Grande Bacia e Califórnia, e “cowpuncher” no Texas e estados vizinhos.

A equitação exigia habilidades e investimento em cavalos e equipamentos raramente disponíveis ou confiados a uma criança, embora em algumas culturas os meninos montassem um burro para ir e voltar do pasto. Na Antiguidade, o pastoreio de ovelhas, gado e cabras era frequentemente tarefa de menores, e ainda é uma tarefa para jovens em diversas culturas de países em desenvolvimento. Devido ao tempo e à capacidade física necessários para desenvolver as habilidades necessárias, tanto os cowboys históricos quanto os modernos frequentemente começavam na adolescência. Historicamente, os cowboys recebiam salários assim que desenvolviam habilidade suficiente para serem contratados (muitas vezes com apenas 12 ou 13 anos). Se não fossem incapacitados por lesões, os cowboys podiam lidar com gado ou cavalos por toda a vida. Nos Estados Unidos, algumas mulheres também assumiram as tarefas de criação de gado e aprenderam as habilidades necessárias, embora a “cowgirl” não tenha sido amplamente reconhecida ou valorizada até o final do século XIX. Nos ranchos do oeste americano hoje, o cowboy que trabalha geralmente é um adulto. A responsabilidade de conduzir gado ou outros animais não é mais considerada adequada para crianças ou pré-adolescentes. Meninos e meninas que crescem em um ambiente de rancho geralmente aprendem a montar a cavalo e a executar habilidades básicas de rancho assim que são fisicamente capazes, sob a supervisão de adulto. Esses jovens, no final da adolescência, muitas vezes recebem responsabilidades para o trabalho de “cowboy” no rancho.         

O termo “cowboy” foi usado durante a Revolução Americana para descrever os combatentes americanos que se opunham ao movimento pela Independência. Claudius Smith, um “fora da lei” identificado com a causa legalista, era chamado de “Cowboy de Ramapos” devido à sua propensão para “roubar bois, gado e cavalos dos colonos e entregá-los aos britânicos”. No mesmo período, vários grupos guerrilheiros operavam no Condado de Westchester, que marcava a linha divisória entre as forças britânicas e americanas. Esses grupos eram compostos por trabalhadores rurais locais que emboscavam comboios e realizavam ataques contra ambos os lados. Havia dois grupos distintos: os “skinners” lutavam pelo lado pró-independência, enquanto os “cowboys” apoiavam os britânicos. Na região de Tombstone, Arizona, durante a década de 1880, o termo “cowboy” ou “cow-boy” era usado pejorativamente para descrever homens envolvidos em diversos crimes. Um grupo pouco organizado foi apelidado de “Os Cowboys” e lucrava com o contrabando de gado, álcool e tabaco através da fronteira entre os EUA e o México. 

        O cavalo selvagem, descendente dos cavalos trazidos da Espanha pelos colonizadores para a América do Norte, é um símbolo do Oeste dos Estados Unidos, mas sua proliferação sob o amparo de leis de proteção se tornou um problema de espaço vital no país. O Birô de Gestão de Terras (BLM), uma dependência do Departamento do Interior, tem a seu cargo 33.780 cavalos e 6.825 burros selvagens que trotam, galopam, pastam e se reproduzem livremente em cerca 12 milhões de hectares de terras federais. Os equinos não têm predadores naturais e as manadas podem dobrar de tamanho em apenas quatro anos, e por isso o BLM precisa prender todo ano milhares de animais para controlar a população nas terras federais, que englobam dez estados do Oeste dos Estados Unidos. Para tentar driblar a superpopulação, criou um programa de adoção que possibilitou cerca 2.671 animais sob cuidado de indivíduos privados, mas o número é pequeno comparado à adoção de mais de 5 mil cavalos por ano em meados da década passada. Em 1971, o Congresso dos Estados Unidos aprovou uma lei para atender o problema do abate para consumo de carne e o envenenamento de cavalos selvagens, considerados uma praga pelos criadores de gado. Mas, quatro décadas e meia depois, a proteção dos animais da raça mustangue, elogiada pelos defensores da diversidade biológica e do meio ambiente, se tornou um problema complexo. Para tentar driblar, em certo sentido, é claro que a tópica da superpopulação equina criou um fabuloso Programa de Adoção com 2.671 animais sob cuidado privado, mas o número é pequeno comparado à adoção de 5 mil cavalos por ano em meados da década passada.  

O San Francisco Examiner escreveu em um editorial: “Os cowboys [são] a classe mais imprudente de foras da lei naquela região selvagem... infinitamente piores do que o ladrão comum”. Tornou-se um insulto na região chamar alguém de “cowboy”, pois sugeria que ele “era um ladrão de cavalos, assaltante ou fora da lei”. Os criadores de gado eram chamados de pastores ou rancheiros. Sinônimos para cowboy eram “peão de rancho”, “peão de pasto” ou “peão de trilha”, embora as funções e o pagamento não eram idênticos. As atividades dos Cowboys foram interrompidas pelo tiroteio no OK Corral e pela subsequente Cavalgada de Vingança de Earp. Não queremos perder de vista que a Caçada de Vingança Earp representou uma busca mortal realizada por um grupo de busca federal liderado pelo Delegado Federal Wyatt Earp (1848-1929) por uma confederação de foras da lei, os chamados “Cowboys”, que eles acreditavam ter emboscado seus irmãos Virgil e Morgan Earp, tragicamente mutilando o primeiro e matando o segundo. Em termos de vingança, os dois irmãos Earp foram atacados em retaliação pelas mortes de três Cowboys no tiroteio no OK Corral em 26 de outubro de 1881. De 20 de março a 15 de abril de 1882, o grupo de busca federal vasculhou o Sudeste do Condado de Cochise, Território do Arizona, em busca dos homens que acreditavam ser os responsáveis ​​pelos ataques a Virgil e Morgan. Vários suspeitos foram acusados, mas foram liberados pelo tribunal, em alguns casos devido a tecnicalidades legais e em outros devido à força dos álibis fornecidos pelo bando de Cowboys. Wyatt, prosseguiu com a perseguição dos suspeitos com um mandado federal.

Em 20 de março, dois dias após o assassinato de Morgan, Wyatt Earp e seus irmãos Warren e James, juntamente com Doc Holliday e dois outros auxiliares, escoltavam Virgil e sua esposa Allie até um trem com destino à Califórnia, em Tucson. Eles souberam que os suspeitos Ike Clanton e Frank Stilwell já os aguardavam no local. Após Virgil, Allie e James embarcarem no trem, Wyatt avistou dois homens perto da composição que ele acreditava serem Clanton e Stilwell. Ele e outros homens perseguiram e mataram Stilwell, mas perderam o outro de vista. Após o corpo de Stilwell ser encontrado na manhã seguinte, o Juiz de Paz de Tucson expediu mandados de prisão contra os cinco policiais suspeitos do assassinato extrajudicial. Quando os homens retornaram a Tombstone, o xerife do Condado de Cochise, Johnny Behan, havia recebido um telegrama notificando-o sobre os mandados de Tucson e tentou deter os cinco membros do grupo de busca federal de Earp mencionados nos mandados, mas eles o ignoraram. Ainda com mandados de prisão contra Curly Bill Brocius e outros, eles deixaram Tombstone para perseguir outros Cowboys envolvidos nos ataques. Behan formou um grupo de busca do xerife do Condado de Cochise, composto pelos delegados Phineas Clanton, Johnny Ringo e cerca de vinte outros cowboys e fazendeiros do Arizona. Com base nos mandados locais, eles seguiram o grupo de Earp e partiram para prendê-los. O numeroso grupo do xerife chegou perto, mas nunca confrontou o grupo de Earp, muito menor, que recebeu ajuda de empresários e fazendeiros locais e, em certo momento, publicou uma carta em um jornal de Tombstone zombando de Behan e seus homens. O grupo federal acabou matando quatro homens, começando com Stilwell e terminando com Brocius.

Por volta de 15 de abril, os Earps e alguns de seus associados saíram do Território do Arizona, rumo ao Território do Novo México. Após uma longa disputa, animosidade crescente e ameaças constantes, o xerife de Tombstone, Virgil Earp, o xerife assistente Morgan Earp e os xerifes adjuntos temporários Wyatt Earp e Doc Holliday confrontaram os foras da lei Billy Claiborne, Ike e Billy Clanton, e Tom e Frank McLaury no tiroteio no OK Corral, em 26 de outubro de 1881. O tiroteio, que durou 30 segundos, é geralmente considerado o mais famoso da história do Velho Oeste americano. Os policiais mataram três dos foras da lei durante o confronto. Ike Clanton apresentou queixa por assassinato e, após uma audiência preliminar de um mês, o juiz de paz Wells Spicer considerou que os policiais agiram dentro de seus deveres. Mas a decisão de Spicer não encerrou o caso para Clanton e os outros foras da lei. Por volta das 23h30 do dia 28 de dezembro de 1881, pouco mais de dois meses após o tiroteio no OK Corral, três homens emboscaram Virgil Earp enquanto ele caminhava do Schieffelin Hall de volta para o Hotel Cosmopolitan, para onde os Earps haviam se mudado em busca de apoio e proteção mútuos. Ele foi atingido nas costas e na parte superior do braço esquerdo por cerca de 20 projéteis de chumbo, fraturando seu úmero. O Dr. George Goodfellow, que o tratou, teve que remover 140 mm (5,5 polegadas) de osso. Wyatt telegrafou para o Delegado Federal Crawley Dake. Ele solicitou nomeação como Delegado Federal Adjunto para o Leste do Condado de Pima e autorização para formar um grupo de busca. Comentando o pedido de Earp a Dake, o jornal Weekly Arizona Miner escreveu em 30 de dezembro de 1881 sobre as repetidas ameaças recebidas pelos Earps e outros. Durante algum tempo, os Earps, Doc Holliday, Tom Fitch e outros que apoiaram e defenderam os Earps em seu julgamento receberam, quase diariamente, ameaças através de cartas anônimas, avisando-os para deixarem a cidade ou sofrerem a morte, supostamente escritas por amigos dos irmãos Clanton e McLowry, três dos quais os Earps e Holliday mataram, e pouca atenção foi dada a elas, juridicamente, pois eram consideradas “bravatas vãs”, mas o assassinato de Virgil Earp na noite passada mostra que os homens estavam falando sério.

Dake respondeu afirmativamente por telégrafo, e o Delegado Federal Wyatt Earp nomeou Warren Earp, Doc Holliday, Sherman McMaster, Jack “Turkey Creek” Johnson, Charlie “Hairlip Charlie” Smith, Daniel “Tip” Tipton e John “Texas Jack” Vermillion como seus auxiliares para proteger a família e perseguir os suspeitos, pagando-lhes 5 dólares por dia. McMaster e Johnson eram conhecidos como homens durões que sabiam usar suas armas. McMaster havia servido nos Texas Rangers em 1878-1879, quando sua unidade capturou e manteve Curly Bill Brocius prisioneiro por cinco meses. Em Tombstone, McMaster também foi acusado de roubar mulas do Exército dos EUA e assaltar uma diligência com o fora da lei Charles “Pony” Diehl. Fluente em espanhol, McMaster usou seu conhecimento dos Cowboys para ajudar os Earps em sua busca. Ele também gostava de bons cavalos. Jack “Turkey Creek” Johnson, cujo nome verdadeiro, segundo Wyatt Earp, era John William Blount, era natural do Missouri e foi criado na área de mineração de chumbo perto de Neosho. Blount foi forçado a fugir do Missouri em 1877, depois que ele e seu irmão se envolveram em uma violenta briga de rua. Em maio de 1881, seu irmão Bud matou um homem em uma briga em Tip Top, Território do Arizona, e foi enviado para a Prisão Territorial de Yuma. John Blount adotou o pseudônimo de Jack Johnson e foi para Tombstone em busca da ajuda de Wyatt Earp para conseguir o perdão de seu irmão. Wyatt ajudou escrevendo uma petição ao governador Fremont, a quem conhecia, e Bud Blount acabou sendo libertado. Como forma de pagar sua dívida, Johnson se juntou ao grupo de busca. Charlie Smith tinha uma longa ligação com a família Earp e era fluente em espanhol depois de passar vários anos no Texas trabalhando em bares. Enquanto estava em Fort Worth, ele se associou ao barman James Earp e participou de pelo menos dois tiroteios lá, sendo gravemente ferido em 1878.

Chegando a Tombstone em 1879 com Robert J. Winders, Smith imediatamente se associou aos Earps. Winders e os Earps eram sócios na mina Mountain Maid. Daniel “Tip” Tipton chegou a Tombstone em março de 1881. Ele tinha uma reputação duvidosa, adquirida durante os primeiros dias do boom da mineração em Virginia City, Território de Nevada. Tipton, um ex-marinheiro da União na Guerra Civil, tinha tatuagens nas mãos e antebraços e dedicou-se à mineração e ao jogo após a guerra. Em 1879, ele estava no distrito de Gunnison, no Colorado, antes de viajar para Tombstone a pedido de seu amigo Lou Rickabaugh, também amigo dos Earps. Smith e Tipton eram jogadores que complementavam sua renda com empreendimentos de mineração. John “Texas Jack” Vermillion, um virginiano, juntou-se à cavalgada de vingança após a morte de Frank Stilwell e nunca foi indiciado pelo assassinato de Stilwell, mas estava com os Earps quando Florentino “Indian Charlie” Cruz foi morto. Embora mais próximo do amigo e também sulista Doc Holliday do que dos Earps, Vermillion permaneceu ao lado de Wyatt Earp durante o tiroteio em Iron Springs com Curly Bill Brocius. Veterano da Guerra Civil Americana, tendo lutado pelo lado confederado e cavalgado com a cavalaria da Virgínia de J.E.B. Stuart, Vermillion era exímio cavaleiro e pistoleiro. O delegado federal Dake visitou Tombstone no final de janeiro de 1881 com o governador interino John J. Gosper. Dake havia solicitado, assistência financeira ao procurador-geral dos Estados Unidos, Wayne MacVeagh, para ajudar a rastrear e prender os Cowboys. O superior de Dake disse-lhe que ele deveria reduzir sua dívida oficial abaixo da fiança penal de US$ 20.000 antes que uma dotação adicional pudesse ser feita.

Em setembro de 1881, o governador Gosper disse ao secretário do Interior Kirkwood que o Arizona continha “um pequeno exército de foras da lei bem armados e totalmente capazes de lidar com os poderes civis comuns de nossos condados”. Não acreditando que a burocracia federal forneceria fundos, Dake pegou emprestado US$ 3.000 do Wells Fargo & Co., prometendo que o Departamento de Justiça o reembolsaria. Ele depositou dinheiro, relatado de várias maneiras como US$ 300 ou US$ 3.000, em uma conta no Hudson & Company Bank, menos US$ 15, para uso “para prender todas as partes que cometem crimes contra os Estados Unidos”. No dia seguinte, John Thacker, do Wells Fargo, foi com Wyatt ao banco para autorizar o uso dos fundos. Dake foi posteriormente acusado, embora não condenado, de gastar US$ 300 em jogos de azar e prostitutas enquanto estava em Tombstone e de se apropriar indevidamente da maior parte do restante do dinheiro. Em janeiro de 1882, Wyatt Earp solicitou e obteve mandados do juiz William H. Stilwell para a prisão dos homens considerados responsáveis ​​pela emboscada a Virgil. 

O juiz Stilwell estava entre os vários cidadãos do Condado de Cochise descontentes com a falha do xerife Behan em impedir a atividade criminosa contínua dos Cowboys. Em 17 de janeiro de 1882, Johnny Ringo e Doc Holliday trocaram ameaças, resultando em sua prisão pelo chefe de polícia de Tombstone, James Flynn. Ambos foram multados e o juiz Stilwell observou que ainda havia acusações pendentes contra Ringo por um roubo em Galeyville. Ringo foi preso novamente e encarcerado em 20 de janeiro.  Em 23 de janeiro, Wyatt cavalgou com seu grupo de busca, composto por seus irmãos Morgan e Warren, Doc Holliday, “Texas Jack” Vermillion e outros quatro, até Charleston, Arizona, onde Ike Clanton, seu irmão Phin e Pony Diehl costumavam ficar. Ringo, ainda na prisão, soube que os Earps tinham mandados de prisão e estavam a caminho de Charleston. Ele providenciou a fiança e o xerife Behan o libertou antes que o pagamento chegasse. James Earp imediatamente apresentou uma declaração juramentada dizendo que Ringo era “um prisioneiro fugitivo” e o acusou de interferir na execução dos mandados por Wyatt. Ringo cavalgou imediatamente para Charleston para avisar seus amigos cowboys. A caminho de Charleston, o grupo de Earp foi reforçado por mais 30 cavaleiros de Tombstone. Eles encontraram Ben Maynard, um conhecido associado dos Cowboys, nos arredores de Charleston e o prenderam. Com Maynard à frente, o grupo tomou a pequena cidade e foi de porta em porta procurando pelos Clantons e Diehl. Ringo foi preso novamente em Charleston, mas não antes de avisar os Clantons e Diehl, que deixaram a cidade. No dia seguinte, o grupo vasculhou a região, parando em um acampamento perto de Tombstone conhecido como “Pick-em-up”. Para complicar as coisas, um delegado de Tombstone foi até Pick-em-up e entregou um mandado de prisão a McMaster, que foi acusado de roubar dois cavalos da mina Contention.

O grupo de Earp voltou para Tombstone, onde Sherman McMaster pagou a fiança. Ele e Charlie Smith se hospedaram no Hotel Cosmopolitan, perto da casa dos Earps. Em 30 de janeiro, Ike e Phin Clanton se entregaram ao agente da Wells Fargo, Charley Bartholomew, e foram presos em Tombstone. Eles descobriram que o mandado não era por roubo à mão armada, como pensavam, mas por “agressão com intenção de cometer assassinato, sendo o crime específico a emboscada e o tiroteio de Virgil Earp algumas semanas antes”. Em 2 de fevereiro, os Clantons foram julgados perante o Juiz Stilwell. O chapéu de Ike foi encontrado no local do crime e McMaster testemunhou que ouvira Ike falar sobre o tiroteio em Charleston naquela mesma noite. Ele disse que, quando Ike soube que Virgil havia sobrevivido ao tiroteio, Ike disse que “teria que voltar e refazer o serviço”.  No entanto, o policial de Charleston, George McKelvey, o dono do saloon, JB Ayers, e outras cinco pessoas testemunharam que Ike Clanton estivera em Charleston e não poderia ter participado do tiroteio. As acusações foram rejeitadas por falta de provas. Wyatt disse mais tarde que o Juiz Stilwell lhe disse: “Wyatt, você nunca vai limpar essa turma desse jeito; da próxima vez é melhor deixar seus prisioneiros no mato, onde álibis não contam”.  Ike Clanton reapresentou acusações de assassinato contra os Earps e Doc Holliday em Contention, Arizona, isto é, pelo assassinato de seu irmão e dos irmãos McLaury. Como não conseguiu apresentar novas provas, as acusações foram arquivadas. Em 13 de fevereiro, Wyatt hipotecou sua casa ao advogado James G. Howard por US$ 365,00, mas nunca conseguiu pagar o empréstimo e, em 1884, Howard executou a hipoteca da casa. Em 17 de fevereiro, o grupo de Earp deixou Tombstone fortemente armado e com um mandado de prisão para “Pony” Diehl, suspeito de um assalto a uma diligência em janeiro de 1882. Sem sucesso, eles retornaram à cidade alguns dias depois, ao ouvirem rumores de que os Cowboys estavam planejando mais vingança.

Apesar da reintegração política e administrativa, uma considerável parte das bases militares dos Estados Unidos permaneceu na região, gerando debates contínuos sobre segurança, desenvolvimento regional e convivência com as instalações militares. Atualmente, Okinawa é reconhecida tanto por sua importância estratégica como por sua rica diversidade cultural. Elementos como a música tradicional com sanshin, a dança eisa, o idioma okinawano (parte das línguas ryukyuenses) e a culinária local são amplamente celebrados no Japão. Iniciativas para a preservação da língua e das artes tradicionais vêm sendo apoiadas por instituições locais e pelo governo nacional, com o objetivo de transmitir esse patrimônio às novas gerações. Ao mesmo tempo, questões como a concentração de bases militares estrangeiras continuam sendo temas sensíveis. Em tempos recentes, circularam nas redes sociais vídeos supostamente ligados a movimentos de independência de Okinawa; no entanto, investigações identificaram que muitos desses conteúdos foram divulgados por contas de fora do Japão, com imagens não relacionadas à realidade local. De acordo com pesquisas realizadas por veículos locais, como o Okinawa Times, apenas uma pequena parcela da população, estatisticamente cerca de 2% apoia a independência da província. Okinawa segue um papel singular dentro da nação japonesa: uma região de herança histórica multifacetada, que busca equilibrar sua identidade cultural própria com os desafios e responsabilidades contemporâneos. Vários cantores populares japoneses e grupos musicais famosos são oriundos das Ryūkyū. Isto inclui dentre outros, o cantor Gackt, a cantora Namie Amuro, a cantora Mika Nakashima, a banda Stereopony, a cantora Olivia Lufkin, os grupos Da Pump e Orange Range.

Nenhum estado confederado perdeu mais soldados do que a Carolina do Norte; soldados provenientes do estado responderam no total por cerca de 25% das baixas confederadas. Segundo diz a lenda, foi na guerra civil que a Carolina do Norte ganhou seu atual cognome, The Tar Heel State (“O estado do calcanhar de piche”). O piche fora uma das principais fontes de renda da Carolina do Norte durante o período colonial. Durante uma dada batalha ocorrida no estado vizinho da Virgínia, tropas confederadas recuaram, deixando tropas da Carolina do Norte sozinhas contra as forças da União. Após a batalha, que resultou em vitória confederada, os soldados da Carolina do Norte teriam afirmado que fariam uso de piche nos calcanhares de tropas aliadas para evitar que estes “desgrudassem” (ou fugissem) da batalha. Outro cognome do Estado é Old North State (Velho estado do Norte). A Guerra Civil Americana, também reconhecida como Guerra de Secessão ou Guerra Civil dos Estados Unidos, foi uma guerra civil travada nos Estados Unidos, de 1861 a 1865, entre a União e os Confederados. Sua causa principal foi a longa controvérsia sobre a escravização dos negros. O conflito eclodiu em abril de 1861, quando as forças separatistas atacaram o Fort Sumter, na Carolina do Sul, pouco depois de Abraham Lincoln ter tomado posse como Presidente dos Estados Unidos. Os legalistas da União no Norte, que também incluíam alguns estados geograficamente ocidentais e do Sul, proclamaram apoio à Constituição, enfrentaram os secessionistas dos Estados Confederados do Sul, que defendiam os direitos dos estados em manter a escravidão. 

Em fevereiro de 1861, dos trinta e quatro estados do país, sete escravistas do Sul foram declarados por seus governos como segregados, criando-se os Estados Confederados da América, que organizaram uma rebelião contra o governo constitucional. Os Confederados cresceram para abranger, pelo menos, a maioria dos territórios de onze estados, e reivindicaram ainda Kentucky e Missouri por declarações de secessionistas que fugiam da autoridade da União, mas sem território ou população, tiveram total representação no Congresso Confederado durante a Guerra Civil. Os dois restantes, Delaware e Maryland, foram convidados a ingressar aos Confederados, mas nada de substancial se desenvolveu devido à intervenção das tropas da União. Os Estados Confederados nunca foram reconhecidos diplomaticamente pelo governo dos Estados Unidos ou por qualquer país estrangeiro. Os estados que permaneceram leais aos Estados Unidos eram conhecidos como União. Isto é, União e os Confederados rapidamente recrutaram exércitos de voluntários, recorrendo também à conscrição para preencher as crescentes baixas. Combates intensos durante os quatro anos de guerra deixaram entre 620 000 e 750 000 pessoas mortas, que ainda é o maior número de baixas militares dos Estados Unidos entre todas as outras guerras combinadas que o país travou.  Seu fim ocorreu em 9 de abril de 1865, quando o general confederado Robert E. Lee se rendeu ao general da União, Ulysses S. Grant, na Batalha de Appomattox Court House (1865). Generais confederados dos estados do Sul seguiram o exemplo, com a última rendição em terra a ocorrer em 23 de junho. Grande parte da infraestrutura do Sul foi destruída, principalmente os sistemas de transporte.

A Confederação entrou em colapso, a escravidão foi abolida e mais de quatro milhões de escravos negros foram libertados. Durante a Era da Reconstrução que se seguiu à guerra, a unidade nacional foi lentamente restaurada, o governo nacional expandiu seu poder e os direitos civis e políticos foram concedidos aos escravos negros libertados por meio de emendas à Constituição. A guerra civil é um dos eventos mais estudados e escritos sobre a história daquele país. Suas preferências musicais, mutatis mutandis, são Bat for Lashes, principalmente France Gall, MewithoutYou, The Shangri-Las, The Shirelles, Roy Orbison, The XX e Ben E. King`s com a música “Stand by Me”. Winstead também disse que é uma grande fã de filmes de terror: The Shining, Alien e Rosemary`s Baby são os filmes favoritos dela. Winstead tem interesse em cantar, mas não pensa em seguir como uma carreira. “Eu não era realmente, e nem vou ser uma cantora, mas é apenas algo que eu sempre amei”. Em Grindhouse, Quentin Tarantino tinha Winstead para cantar cappella como as The Shirelles, cantando o hit “Baby It`s You”. O clipe pode ser encontrado no segundo disco de Death Proof disponível em DVD. Em 2009, Winstead e o produtor musical tailandês Ly Long co-escreveram uma canção chamada “Warmth of Him”. Os rumores de ser um pré-lançamento único, Winstead, desde então, confirmou que ela estava “apenas explorando o seu interesse e não planeja lançar nenhum álbum musical”. 

Em 18 de janeiro de 2012, Winstead “twittou” sobre a realização de vocais com o grupo Deltron. Em 17 de março de 2012, Winstead estreou nova música que ela cantou no South by Southwest durante o evento Red Bull 3Style com Dan the Automator. O processo de gentrificação é tipicamente o resultado do aumento da atração para uma área por pessoas com renda mais alta que se espalham por cidades, vilas ou bairros vizinhos. Outras etapas desenvolvimentistas são maiores investimentos em uma comunidade e na infraestrutura econômica relacionada por empresas de desenvolvimento imobiliário, governo local ou ativistas comunitários e desenvolvimento econômico resultante, maior atração de negócios e menores taxas de criminalidade. Além desses benefícios potenciais, a gentrificação pode levar à migração e deslocamento da população. Em casos extremos, a gentrificação pode ser provocada por uma bomba de prosperidade. No entanto, alguns veem o medo do deslocamento, que domina o debate sobre a gentrificação, como um obstáculo à discussão sobre abordagens progressistas genuínas para distribuir os benefícios das estratégias de redesenvolvimento urbano.  Associados aos políticos, ao grande capital e aos promotores culturais, os planejadores urbanos, agora planejadores-empreendedores, tornaram-se peças-chave dessa dinâmica.

Esse modelo de mão única, que passa invariavelmente pela gentrificação de áreas urbanas “degradadas” para torná-las novamente atraentes ao “grande capital”, na falta de melhor expressão, através de megaequipamentos culturais, tem dupla origem, norte-americana (Nova-York) e europeia, principalmente a Paris do Beaubourg, atingindo seu ápice de popularidade e marketing em Barcelona, e difundindo-se pela Europa nas experiências de Bilbao, Lisboa e Berlim. Este fenômeno é encontrado principalmente em países desenvolvidos ou “em desenvolvimento” onde renda média e a população são crescentes e os bairros nobres começam a “invadir” seus vizinhos ditos “menos nobres”, empurrando para mais distante as periferias. Existem diversos exemplos em países como Inglaterra, Estados Unidos da América, Canadá, Espanha e outros. São criticados por estudiosos do urbanismo e de planejamento urbano devido ao seu caráter excludente e privatizador. Richard Sennett da Universidade Harvard, considera demagógico o caráter das críticas, argumentando que problemas urbanos não se resolvem com benevolência para com as camadas mais pobres da população e, na sua opinião, só se resolvem com alternativas que reativem e recuperem a economia do degradado. Concrete Cowboy é um filme norte-americano de faroeste de 2020 dirigido por Ricky Staub, é reconhecido pelo seu trabalho em Alma de Cowboy (2020), The Cage (2017) e roteiro de Staub e Dan Walser, baseado no romance Ghetto Cowboy de Greg Neri. É estrelado por Idris Elba, Caleb McLaughlin, Jharrel Jerome, Lorraine Toussaint, Byron Bowers e Method Man. Concrete Cowboy teve sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Toronto em 13 de setembro de 2020, e foi lançado na Netflix em 2 de abril de 2021.

Velho Oeste, Oeste Selvagem ou Faroeste, em inglês: Old West, Wild West ou Far West, também reconhecido como American Frontier, abrange a geografia, a história, o folclore e a cultura associadas à onda futura de expansão americana na América do Norte continental que começou com os assentamentos coloniais europeus no início Século XVII e terminou com a admissão dos últimos territórios ocidentais contíguos como estados em 1912. Esta era de migração e colonização massiva foi particularmente encorajada pelo presidente Thomas Jefferson (1743-1826) após a compra da Louisiana, dando origem à atitude expansionista reconhecida como “destino manifesto” e à “Tese da Fronteira” dos historiadores. As lendas, os eventos e o folclore da fronteira americana incorporaram-se tanto na cultura dos Estados Unidos da América que o Velho Oeste, e especificamente o gênero ocidental de mídia, tornou-se uma das características definidoras da identidade nacional americana. Os historiadores debateram longamente sobre quando a chamada Era da fronteira começou, quando terminou e quais foram os seus principais subperíodos. Por exemplo, o subperíodo do Velho Oeste é às vezes usado por historiadores em relação ao período desde o fim da Guerra Civil Americana em 1865 até quando o Superintendente do Censo, William Rush Merriam, declarou que o US Census Bureau pararia de registrar o assentamento na fronteira ocidental como parte de suas categorias de censo após o Censo dos EUA de 1890. Seus sucessores continuaram a prática até o Censo de 1920.

Outros, incluindo a Biblioteca do Congresso e a Universidade de Oxford, citam frequentemente pontos divergentes que remontam ao início do século XX; normalmente nas primeiras duas décadas, antes da entrada americana na Primeira Guerra Mundial. Um período conhecido como “A Guerra Civil Ocidental de Incorporação” durou de 1850 a 1919. Este período incluiu eventos históricos sinônimos do arquétipo do Velho Oeste, como conflitos violentos decorrentes da invasão de assentamentos em terras fronteiriças, remoção e assimilação de nativos, consolidação de propriedade para grandes corporações e governo, vigilantismo e tentativa de aplicação de leis sobre bandidos. Em 1890, William Rush Merriam declarou: “Até 1880 inclusive o país tinha uma fronteira de colonização, mas atualmente a área instável foi tão dividida por corpos isolados de colonização que dificilmente se pode dizer ser uma linha de fronteira na discussão da sua extensão, do seu movimento para oeste, etc., não pode, portanto, mais ter lugar nos relatórios do censo. Apesar disso, o censo dos Estados Unidos posterior a 1900 continuou a mostrar a linha da fronteira oeste, e os seus sucessores continuaram a prática. No entanto, no censo dos EUA de 1910, a fronteira havia diminuído em áreas divididas sem uma linha única de assentamento para o Oeste. Um influxo de proprietários agrícolas nas primeiras duas décadas do século XX, ocupando mais áreas do que as concessões de propriedades rurais em todo o século XIX, é citado como tendo reduzido significativamente as terras abertas.

Uma fronteira é uma zona de contato no limite de uma linha de assentamento. O teórico Frederick Jackson Turner (1861-1932) foi mais profundo na análise política, argumentando que a fronteira foi palco de um processo definidor da civilização americana: “A fronteira”, afirmou ele, “promoveu a formação de uma nacionalidade composta para o povo americano”. Ele teorizou que era um processo de desenvolvimento: “Este renascimento perene, esta fluidez da vida americana, esta expansão para o Oeste... fornecem as forças que dominam o caráter americano”. As ideias de Turner desde 1893 inspiraram gerações (e críticos) a explorar múltiplas fronteiras individuais, mas a fronteira popular concentra-se na conquista e colonização de terras nativas americanas a Oeste do rio Mississippi, no que é o Centro-Oeste, Texas, as Grandes Planícies, as Montanhas Rochosas, o Sudoeste e a Costa Oeste. Enorme atenção popular concentrou-se no Oeste dos Estados Unidos especialmente no Sudoeste, na segunda metade do século XIX e no início do século XX, da década de 1850 à de 1910. Esses meios de comunicação exageravam o romance, a anarquia e a violência caótica do período para obter um efeito dramático maior.

Isso inspirou o gênero de filme western, junto com programas de televisão, romances, histórias em quadrinhos, videogames, brinquedos infantis e fantasias. Conforme definido por Hine e Faragher, “a história da fronteira conta a história da criação e defesa de comunidades, do uso da terra, do desenvolvimento de culturas e hotéis e da formação de estados”. Eles explicam: “É uma história de conquista, mas também de sobrevivência, persistência e fusão de povos e culturas que deram origem e continuaram a vida na América”. O próprio Turner enfatizou repetidamente como a disponibilidade de “terras livres” para iniciar novas fazendas atraiu americanos pioneiros: “A existência de uma área de terras livres, sua recessão contínua e o avanço da colonização americana para o Oeste explicam o desenvolvimento americano”. Através de tratados com nações estrangeiras e obviamente para a manutenção das tribos nativas, compromisso político, conquista militar, o estabelecimento da lei e da ordem, a construção de fazendas, ranchos e cidades, a marcação de trilhas e escavação de minas, e a extração de grandes migrações de estrangeiros. Os Estados Unidos expandiram-se de forma extraordinária coast to coast, cumprindo a ideologia do Destino Manifesto. Em sua “Tese da Fronteira” (1893), Turner teorizou que a fronteira era um processo que transformou os europeus em um novo povo, os americanos, cujos valores se concentravam na igualdade, democracia e otimismo, bem como no individualismo, autossuficiência e até violência.  Com a compra da Louisiana em 1803, que dobrou o tamanho dos Estados Unidos, Thomas Jefferson preparou o terreno para a expansão continental dos Estados Unidos. Muitos começaram a ver isso como o início de uma nova missão providencial: se os Estados Unidos obtivessem sucesso como uma cidade brilhante sobre uma colina, as pessoas de outros países buscariam estabelecer suas próprias repúblicas democráticas. 

No entanto, nem todos os americanos ou seus líderes políticos acreditavam que os Estados Unidos eram uma nação divinamente favorecida, ou pensavam que ela deveria se expandir. Por exemplo, muitos whigs se opuseram à expansão territorial com base na alegação democrata de que os Estados Unidos estavam destinados a servir como um exemplo virtuoso para o resto do mundo, e também tinham uma obrigação divina de disseminar seu sistema político superordenado e um modo de vida por toda parte. Continente norte-americano. Muitos no partido Whig “estavam com medo de se espalhar muito”, e “aderiram à concentração da autoridade nacional em uma área limitada”. Em julho de 1848, Alexander H. Stephens (1812-1883) denunciou a interpretação expansionista do presidente Polk sobre o futuro da América como “mentirosa”. Em meados do século XIX, o expansionismo, especialmente o Sul em direção a Cuba, também enfrentou oposição dos americanos que tentavam abolir a escravidão. À medida que mais territórios foram adicionados aos Estados Unidos nas décadas seguintes, ampliar a área de liberdade na mente dos sulistas também significou ampliar a instituição da escravidão. É por isso que a escravidão se tornou uma das questões centrais na expansão continental dos Estados Unidos antes da Guerra Civil. Ipso facto, antes e durante a Guerra Civil, ambos os lados afirmaram que o destino dos Estados Unidos da América era por direito deles. Lincoln se opunha ao nativismo antiimigrante e ao imperialismo do destino manifesto como injusto e irracional. Ele se opôs à Guerra do México e acreditava que cada uma dessas formas desordenadas de patriotismo ameaçava os inseparáveis laços morais e fraternos de liberdade e união que ele buscava perpetuar através de um amor patriótico de país guiado pela sabedoria e autoconsciência crítica. O “Eulogy to Henry Clay”, de Lincoln, 6 de junho de 1852, fornece a expressão mais convincente enquanto efeito de poder manifesto de patriotismo reflexivo.

Bibliografia Geral Consultada.

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