terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Hachiko, Amigo para Sempre – Cães Akita inu & Patrimônio Nacional.

                   Se os nomes são desconhecidos, o conhecimento das coisas também desaparece”. Carl Linnaeus                         

Carl Linnaeus (1707-1778), o grande nomenclador que dedicou sua vida a nomear a maioria dos objetos e seres vivos e, em seguida, ordená-los de acordo com sua posição hierárquica, tinha ele próprio um problema com a formação de sua identidade, pois seu nome, e até mesmo seu primeiro nome, foram alterados tantas vezes ao longo de sua vida que existem nada menos que nove binômios (ou bi-nomos, em dois nomes) e outros tantos sinônimos. Nos séculos XVII e XVIII, a maioria dos suecos ainda não possuía sobrenomes. Assim, o avô de Linnaeus, de acordo com a tradição escandinava, chamava-se Ingemar Bengtsson que significa “Ingemar, filho de Bengt” e seu próprio filho, o pai de Linnaeus, foi inicialmente reconhecido como “Nils Ingemarsson” (1674-1748) que significa “Nils, filho de Ingemar”. Mas Nils, para cumprir os requisitos administrativos para sua matrícula na Universidade de Lund, fundada em 1666 e está classificada entre as 100 melhores universidades do mundo, precisava escolher um sobrenome. Uma grande tília crescia nas terras da família. A propriedade já tinha seu nome: Linnagård (ou Linnegård), um topônimo formado por linn (uma variante agora obsoleta de lind, “tília” em sueco) e gård (“fazenda”). Vários membros da família já o haviam adotado como base para sobrenomes como Lindelius (de lind) ou Tiliander (de Tilia, “tília” em latim). E como era moda nos círculos intelectuais usar o latim, Nils escolheu se tornar “Nils Ingemarsson Linnæus”. 

Em seguida, em homenagem ao soberano sueco muito popular da época, Carlos XII (em sueco Karl XII, 1682-1718), Nils deu o primeiro nome do rei ao seu filho, que assim começou sua existência chamado “Carl Nilsson” que significa “Carl, filho de Nils”, depois Karl Linnæus, mais frequentemente grafado “Carl Linnæus”. Quando Carl Linnaeus se matriculou na Universidade de Lund aos vinte anos, seu primeiro nome foi registrado na forma latinizada de Carolus. E foi sob esse nome, Carolus Linnaeus, que ele publicou cientificamente seus primeiros trabalhos em latim. Tendo alcançado imensa fama como médico da família real sueca, foi enobrecido em 1761 e, em 1762, adotou o nome “Carl von Linné”. Entretanto, o nome Linné é um diminutivo, no estilo francês, como era comum na época em muitos países de língua alemã, de Linnæus, e von é a partícula nobre alemã. No mundo francófono, assim como na Suécia, ele é hoje comumente reconhecido simplesmente como “Linnaeus”. Em botânica, onde as citações de autores são abreviadas, a abreviatura padronizada “L.” é usada. Ele é o único botânico cujo nome é abreviado para uma única letra. Ele não deve ser confundido com seu filho Carl von Linné, o Jovem, que se distingue do pai por ser citado como Linnaeus filius, abreviado em botânica como Lf. Em zoologia, onde praticamene é costume citar o sobrenome completo do Autor do táxon, “Linnaeus” ou sua grafia sem ligaduras, “Linnaeus”. 

Adotada em inglês e mais prática para usuários sociais dos chamados teclados internacionais, é usado após os táxons que ele descreveu, e mais raramente “Linné”, porque foi sob seu nome propriamente acadêmico “Linnaeus” que suas principais obras sobre taxonomia zoológica até a década de 1761 foram publicadas, com exceção dos 1.500 nomes de novas espécies animais estabelecidos em 1766/1767 na 12ª edição do Systema Naturae, para os quais o nome do Autor “Linné” é geralmente usado na nomemclatura em francês. Além disso, diferentemente da utilidade social de uso de seu nome próprio (Carolus), “Linnaeus” não é meramente uma transliteração latina posterior, mas sim seu sobrenome propriamente dito. Quanto às suas obras academicamente, elas foram publicadas até 1762 sob os nomes “Caroli Linnæi”, a forma genitiva, significando “de Carolus Linnæus”, “Carl Linnæus” ou simplesmente “Linnaeus”. Em 1762, na capa da segunda edição de Species plantarum, o nome ainda era impresso dessa forma. Mas, a partir de então, passou a aparecer impresso apenas em sua forma aristocrática, “Carl von Linné” ou “Carolus a Linné” (sendo o “a” ou “ab” a tradução latina de “von”). Em algumas bibliotecas, geralmente consta como “Linnaeus, Carolus (Carl von Linné)”, enquanto outras usam “Carl von Linné”. Em francês, o nome aparece, por vezes, na forma afrancesada “Charles Linné”, principalmente em obras do século XVIII,  e ainda hoje em nomes de ruas, mas também em algumas obras recentes.                                        


O cão (Canis lupus familiaris), no Brasil também chamado de “cachorro”, é um mamífero carnívoro da família dos canídeos, subespécie do lobo, e talvez o mais antigo animal domesticado pelo ser humano. Teorias postulam que surgiu do lobo cinzento no continente asiático há mais de cem mil anos. Historicamente através da domesticação, o ser humano realizou uma “seleção artificial dos cães por suas aptidões, características físicas ou tipos de comportamento”. O resultado foi uma grande diversidade de raças caninas, as quais variam em pelagem e tamanho dentro de suas próprias raças, atualmente classificadas em diferentes grupos ou categorias. As designações vira-lata (no Brasil) ou rafeiro (em Portugal) são dadas “aos cães sem raça definida ou mestiços descendentes”. Com expectativa de vida que varia entre dez e vinte anos, o cão é um animal social que, na maioria das vezes, aceita o seu dono provavelmente como o “chefe da matilha” e possui várias características que o tornam de grande utilidade para o homem. Possui excelente olfato e audição, é bom caçador e corredor vigoroso, relativamente dócil e leal, inteligente e com boa capacidade de aprendizagem. Deste modo, o cão pode ser adestrado para executar um grande número de tarefas úteis, como um cão de caça, de guarda ou pastor de rebanhos, por exemplo. Assim como o ser humano, também é vítima de doenças como o resfriado, a depressão e o mal de Alzheimer, bem como das características do envelhecimento, como problemas de visão e audição, artrite e mudanças de humor.

O cão foi descrito por Carl Linnaeus (1707-1778) em 1758 como Canis familiaris,  e considerado como uma espécie distinta do lobo, descrito também por Lineu no mesmo ano como Canis lupus. Outros nomes foram descritos por Lineu, Johann Friedrich Gmelin (1748-1804) e Charles Hamilton Smith (1776-1859) para a mesma espécie, sendo considerados sinônimos. A ancestralidade canina vem sendo discutida e estudada desde há muitos séculos. Teorias antigas sugerem uma origem proveniente do chacal-dourado ou então uma origem híbrida entre várias espécies. Um levantamento das sequências da região de controle do DNA mitocondrial em 140 cães e 162 lobos demonstrou que o lobo é o único ancestral dos cães. Esta conclusão foi confirmada em outro estudo envolvendo 654 cães e 38 lobos da Eurásia. Enquanto há uma aceitação do lobo como único progenitor do cão, a questão taxonômica envolvendo o reconhecimento de uma ou duas espécies distintas ainda não está resolvida. Baseado na consistência genética, Wayne considerou que o cão, apesar da diversidade em tamanho e proporção, “nada mais é do que um lobo”. Em contraste, análises estatísticas de crânios têm repetidamente demonstrado uma separação totalmente entre lobo e cão. O conceito ecológico de espécie proposto por Van Valen (1935-2010) foi aplicado por pesquisadores para demonstrar características adaptativas específicas nos cães por viverem em um nicho antropogênico.

Esta hipótese suporta o reconhecimento do Canis familiaris como uma espécie distinta do Canis lupus, apesar de uma idade de separação não superior a 12 000 a 15 000 anos atrás. Apesar de certos pesquisadores continuarem a reconhecer duas espécies distintas, existe uma tendência recente em seguir a classificação proposta por Wallace Christopher Wozencraft (1954-2007) que inclui o C. familiaris como uma subespécie de C. lupus. Pela lei da prioridade estipulada pelo Código Internacional de Nomenclatura Zoológica, o nome C. familiaris, descrito na página 38, tem prioridade sobre C. lupus, descrito na página 39 do Systema Naturae por Linnaeus. Por questões de usabilidade e estabilidade, foi requisitado à Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica (ICZN) a conservação de dezessete nomes específicos baseados em espécies selvagens, entre eles o Canis lupus. É uma organização dedicada a “alcançar estabilidade e sentido na nomenclatura científica dos animais”. Fundado em 1895, atualmente compreende 24 comissários de 18 países. O ICZN é regido pela “Constituição do ICZN”, que geralmente é publicada junto com o “Código do ICZN”. Os membros são eleitos pela Seção de Nomenclatura Zoológica, estabelecida pela União Internacional de Ciências Biológicas (IUBS). O mandato regular de um membro da Comissão é de 6 anos. Os membros podem ser reeleitos até um total de três mandatos completos de seis anos consecutivos.

Após 18 anos contínuos de serviço eleito, um intervalo de pelo menos 3 anos é prescrito antes que o membro possa se candidatar novamente. Desde 2014, o trabalho da Comissão é apoiado por uma pequena secretaria sediada na Universidade Nacional de Singapura, em Singapura. Anteriormente, o secretariado era sediado em Londres e financiado pelo International Trust for Zoological Nomenclature. A Comissão auxilia a comunidade zoológica “através da geração e divulgação de informações sobre a utilização correta dos nomes científicos dos animais”. O ICZN publica o Código Internacional de Nomenclatura Zoológica, geralmente referido como “o Código” ou “Código ICZN”, uma convenção amplamente aceita que contém as regras para a nomenclatura científica formal de todos os organismos que são tratados como animais. As novas edições do Código são elaboradas pelo Comitê Editorial indicado pela Comissão. A 4ª edição do Código (1999) foi editada por sete pessoas. A Comissão também fornece decisões sobre problemas individuais trazidos à sua atenção, uma vez que a arbitragem pode ser necessária em casos contenciosos, onde a estrita aderência ao Código interferiria na estabilidade de uso. Essas decisões são publicadas extraordinariamente no Boletim de Nomenclatura Zoológica. A partir de 2017, o Boletim tornou-se um jornal apenas online e se juntou à BioOne, que hospeda do volume 65 em diante do Boletim (2008). Akita inu é uma raça de cães de grande porte do tipo Spitz originária das regiões montanhosas do Norte do Japão. Existem duas variedades distintas de Akita: um tipo japonês, comumente chamado Akita inu (“inu” significa cão em japonês) ou Akita japonês, e um tipo americano, reconhecido como Akita americano.    

O Akita tem uma pelagem dupla curta semelhante à de muitas outras raças de Spitz do Norte, como o Husky Siberiano, mas cães de pelagem longa também podem ser encontrados em muitas ninhadas devido a um gene recessivo. A raça Akita é famosa pela história de Hachikō, e é amplamente conhecida por sua lealdade. A raça de cães Akita originou-se nas terras nevadas e rurais de Akita e Odate, regiões montanhosas do Japão. Eles foram treinados para caçar animais como javalis e pequenos ursos. Durante o Período Edo, a raça era muito utilizada em combates e brigas, especialmente populares na região de Odate, uma cidade japonesa localizada na província de Akita, na região de Tohoku. Entre os anos 1500 e 1800, o Akita serviu como companheiro para samurais. Os ancestrais do Akita inu são da raça Matagi, “cães de caça” e de tamanho médio originários do Norte do Japão. Usados inicialmente como “cães de briga”, os Akita eram chamados de Odate. Levados à Tosa, tornaram-se lutadores ainda mais famosos, sendo então levados à província de Akita, que deu origem a seu nome. A partir de 1868, para atender à crescente demanda por cães de combate, os Akitas originais foram cruzados com raças maiores. No início do século XX, a raça Akita estava em declínio, como resultado dos cruzamentos com raças maiores, como ocorre com o Pastor-alemão, o Mastim Inglês e Tosa (raça).

Como resultado, muitos espécimes começaram a perder suas características de Spitz e adquiriram orelhas caídas, caudas retas, cores não japonesas, como máscaras pretas e qualquer outra cor que não seja vermelha, branca ou tigrada e pele solta. A raça japonesa nativa Matagi foi usada junto com a raça Hokkaido inu para se misturar novamente com o Akita inu para recuperar o fenótipo de Spitz e restaurar a raça Akita. Os Akita japoneses modernos têm relativamente poucos genes de cães ocidentais e são Spitz em fenótipo após a reconstrução da raça, no entanto, o Akita americano descende amplamente do Akita misto antes da restauração da raça e, portanto, não são considerados verdadeiros Akita pelo padrão japonês. Os Akitas foram utilizados durante a Guerra Russo-Japonesa (1904-1905) para rastrear prisioneiros de guerra e marinheiros perdidos. Durante a 2ª guerra mundial (1939-1945) os Akitas foram também cruzados com o cão Pastor-alemão em uma tentativa de salvá-los da ordem do governo em tempo de guerra para que todos os cães não militares sejam abatidos. Alguns foram usados como batedores e guardas durante a guerra. Em 1908, em vista dos efeitos sociais adversos, a proibição das brigas de cães foi finalmente emitida na prefeitura de Akita. Com a popularidade das lutas de cães em declínio, a mestiçagem com cães pesados europeus foi esquecida, o que ajudou a manter a pureza da raça nos anos seguintes. A história de Hachikō, o mais venerado Akita de todos os tempos, ajudou a popularizar a raça internacionalmente. Hachikō nasceu em 1923 e pertenceu ao professor Hidesaburō Ueno. O professor Ueno viveu próximo à estação de trem de Shibuya em um subúrbio da cidade e ia ao trabalho todos os dias de trem. Hachikō acompanhava seu mestre até a estação diariamente.           

Em 25 de maio de 1925, quando o cão tinha 18 meses, ele esperou a chegada de seu mestre no trem das quatro horas, mas o professor Ueno sofreu uma hemorragia cerebral fatal no trabalho. Hachikō continuou esperando o retorno de seu mestre. Ele viajou para a estação todos os dias pelos próximos nove anos. Ele permitiu que os parentes do professor cuidassem dele, mas nunca desistiu da vigília na estação por seu mestre. Sua vigília se tornou mundialmente reconhecida quando, em 1934, pouco antes de sua morte, uma estátua de bronze foi erguida na estação de trem de Shibuya em sua homenagem. Esta estátua foi derretida para munições durante a guerra, mas uma nova foi encomendada após a guerra. Anualmente, desde 1936, no dia 8 de abril, Hachikō é homenageado com uma cerimônia solene de lembrança na estação ferroviária de Shibuya, em Tóquio. O cão Odate passou a ser chamado de “cão Akita” a partir de 1931. No mesmo ano, o Akita foi oficialmente declarado como um Monumento Natural do Japão. Seus ossos foram enterrados na sepultura do professor Ueno, no Cemitério Aoyama, Minami-Aoyama, Minato-ku, Tóquio. Sua pele foi empalhada para conservar-lhe as formas e submetido às substâncias que o isentam de decomposição. O resultado deste maravilhoso processo está agora em exibição no Museu Nacional da Ciência do Japão em Ueno.

Alguns autores dizem que Hachiko, está no Museu de Artes de Tóquio. Durante a 2ª Guerra Mundial, para aplicar no desenvolvimento de material bélico, todas as estátuas foram confiscadas e derretidas. E, infelizmente, entre elas estava a de Hachiko. Em 1948, formou-se a “The Society For Recreating The Hachiko Statue” entidade organizada em prol da recriação da estátua de Hachiko. Tekeshi Ando, o filho de Teru Andō (1892–1945) foi contratado para esculpir uma nova estátua.   Mas a réplica foi reintegrada no mesmo lugar da estátua original, em uma cerimônia realizada no dia 15 de agosto. A estação de Odate, em 1964, recebeu a estátua de um grupo de Akitas. Anos mais tarde, em 1988, também uma réplica da estátua de Hachiko foi colocada próxima a estação. A história de Hachiko atravessa anos, passa de pai para filho, sendo até mesmo ensinada nas escolas japonesas. No início do século para estimular lealdade ao governo, e atualmente, para exemplificar e instilar o respeito e a lealdade aos anciãos, essa história era ensinada. Na atualidade, viajantes que passam pela estação de Shibuya podem comprar presentes e recordações do seu cão favorito na Loja localizada no Memorial de Hachiko chamada “Shibuya No Shippo” ou “Tail of Shibuya”. Um mosaico colorido de Akitas cobre a parede perto da estação. Todos os anos, no dia 8 de março, ocorre uma cerimônia solene na estação de trem de Shibuya, em Tóquio. São centenas de amantes de cães que se reúnem em homenagem à lealdade e devoção de Hachiko. Ao nascimento de uma criança, a família recebe uma estatueta de Akita como desejo de saúde, felicidade e vida longa.                 

O objeto também é considerado um amuleto de boa sorte. Quando há alguém doente, amigos dão ao enfermo esta estatueta, desejando pronta recuperação. Por causa desse zelo, o Akita se tornou Patrimônio Nacional do povo japonês, tendo sido proibida sua exportação. Então, se algum proprietário não tiver condições financeiras de manter seu cão, o governo japonês assume sua guarda. Em 1934, o primeiro padrão japonês de raça para o Akita inu foi listado, após a declaração da raça como um monumento natural do Japão. Em 1967, comemorando o 50º aniversário da fundação da Akita Dog Preservation Society, o Akita Dog Museum foi construído para abrigar informações, documentos e fotos. Há uma tradição no Japão, que quando uma criança nasce, recebe uma estátua de um Akita. Esta estátua simboliza saúde, felicidade e vida longa. A 2ª guerra mundial levou o Akita à beira da extinção. No início da guerra, os cães tinham falta de comida nutritiva. Então muitos foram mortos para serem comidos pela população faminta e suas peles foram usadas como roupas. Finalmente, o governo ordenou que todos os cães restantes fossem mortos à vista para evitar a propagação de doenças. A única maneira de os proprietários preocupados poderem salvar seus amados Akitas era libertá-los em áreas montanhosas remotas, onde eles criavam seus cães ancestrais, os Matagi, ou os escondiam das autoridades por meio do cruzamento com pastores alemães. Morie Sawataishi e seus esforços para criar o Akita são os principais motivos pelos quais essa raça existe hoje. Após a guerra, o Akita inu foi levado para o exterior devido às forças de ocupação que chegaram ao Japão e às trocas humanas com países estrangeiros. Os cães Akita nessa época eram cruzados com a raça Pastor-alemão, e esse tipo de cão Akita foi levado para os Estados Unidos, se tornando o “Akita americano”. A famosa autora e ativista política Helen Keller (1880-1968) é creditada por levar o primeiro Akita para os Estados Unidos em 1937, inspirada pelo lendário Hachikō. Keller achou os cães “gentis, amigáveis e confiáveis”.

No Japão, durante os anos de ocupação após a guerra, a raça começou a prosperar novamente através dos esforços de Sawataishi e outros. Pela primeira vez, os Akitas foram criados para uma aparência padronizada. Os criadores de Akita no Japão começaram a reunir e exibir os Akitas restantes e a produzir ninhadas para restaurar a raça a números sustentáveis e acentuar as características originais da raça. Como uma raça Spitz, a aparência do Akita inu reflete adaptações para o frio essenciais à sua função original. Cão de grande porte e bem proporcionado, com uma estrutura óssea robusta. A testa é larga, com um nítido sulco frontal e sem rugas. Os olhos são relativamente pequenos, de formato quase triangulares devido à elevação do canto externo do olho e de cor marrom escuro. As orelhas são relativamente pequenas, grossas e triangulares, ligeiramente arredondadas nas extremidades, inseridas moderadamente separadas, eretas e inclinadas para frente. A cauda é vigorosamente enrolada sobre o dorso; com a extremidade quase alcançando os jarretes quando abaixada (esticada). O Akita tem pelos espessos e de duas camadas: uma camada externa dura e reta, e uma camada interna densa e macia. A cernelha e a garupa são revestidos com um pelo ligeiramente mais comprido e o pelo da cauda é mais longo que o do resto do corpo. O pelo pode se apresentar nas seguintes cores: vermelho-fulvo, sésamo (pelos vermelho-fulvo com as pontas pretas), tigrado e branco. Todas as cores, exceto a branca, devem apresentar o “urajiro”, isto é, uma pelagem esbranquiçada nas laterais do focinho, nas bochechas, na face ventral da mandíbula, pescoço, peito, tronco e a cauda e na face interna dos membros.         

Existem dois tipos de pelagem no Akita: o comprimento padrão e o comprido. Essa característica deriva de um gene autossômico recessivo que se acredita provir de cruzamentos antigos com o agora extinto cão karafuto-ken. O pelo longo é considerado uma falha desqualificante segundo o padrão oficial da raça. As semelhanças entre as duas raças estão nas origens e no temperamento. A origem das duas raças obviamente são as mesmas já que por anos seguidos foram considerados a mesma raça, ou seja, você poderia cruzar cães Akita inu com cães Akita americano. Há uma pequena diferença de tamanho entre o Akita japonês e o Akita americano. O Akita japonês tem um tamanho que varia de 59 a 64 cm, enquanto o Akita americano pode atingir uma altura entre 61 e 71 cm. O Akita inu apresenta pelagem apenas nas seguintes cores: vermelho-fulvo, sésamo, tigrado e branco; o Akita Americano apresenta pelos em diversas cores e combinações. Outra diferença notável é a aparência da cabeça - um Akita americano tem uma cabeça de urso, mas um Akita japonês tem uma cabeça de raposa. Embora ambos tenham orelhas triangulares, as orelhas da Akita japonesa são menores e ficam um pouco mais à frente, mas as orelhas da Akita americana ficam mais eretas, maiores e de inserção mais semelhante ao dos Pastores alemães.  O Akita inu não é tão musculoso quanto o Akita americano; geralmente têm uma aparência mais magra e uma cauda enrolada que se curva nas costas. Os olhos do Akita americano são pequenos e profundos, os olhos de um Akita inu são amendoados, semelhantes aos de um husky siberiano, de porte médio com marcha elegante e ágil. Hiperativo, tradicionalmente era usado como cão de trenó. É um cão que pode ser independente, mas não gosta de ficar sozinho. O Akita americano parece mais musculoso e tem uma pele mais frouxa do que o Akita japonês. Ambas as variedades têm um casaco duplo e perdem pelo sazonalmente.

Hachiko - Amigo para Sempre! também chamado de Hachiko: A Dog`s Story, tem como representação social um filme britânico-norte-americano de 2009, do gênero drama social, dirigido por Lasse Hallström, com roteiro de Stephen P. Lindsey baseado na história verídica do cão japonês chamado Hachikō. Ajudou a popularizar a história do famoso cão no ocidente.  Lars Sven Hallström nascido em Estocolmo, 2 de junho de 1946 é um cineasta e produtor de televisão sueco. É filho do escritor Karin Lyberg (1907-2000) e tem dois filhos, Johan (1976) do seu primeiro casamento com Malou Hallström, e Tora (1995) com a sua esposa atual Lena Olin. Hallström aprendeu a filmar fazendo vídeos musicais, em particular os feitos para o grupo ABBA, que foi uma banda pioneira no campo dos videoclipes. Todos os clipes do ABBA foram dirigidos por Hallström, exceto Chiquitita, feito pela BBC, assim como Under Attack e The Day Before You Came, dirigidos por Kjell Sundvall e Kjell-Åke Andersson. Após o seu sucesso internacional em 1985, com Mitt liv som hund, Lasse Hallström foi trabalhar nos Estados Unidos da América, onde conseguiu mais um sucesso em 1999, com The Cider House Rules. Em 2000, realizou o filme: Chocolat. Em 2009 Hachiko: A Dog`s Story (Hachiko: Amigo para Sempre), um remake de um filme japonês, cujo original era considerado obrigatório em todas as escolas, pois passava um exemplo notável de lealdade e afetividade entre um ser humano e um cachorro.

É estrelado por Richard Gere, Joan Allen, Sarah Roemer, Jason Alexander e Erick Avari. O filme segue a história de um professor universitário que adota um cão da raça Akita, perdido em uma estação de trem que ele o batiza com o nome de Hachi, que o acompanha até a estação de trem diariamente quando ele sai para trabalhar e vai “buscá-lo” na hora do retorno; um dia, durante a aula, o professor morre, mas Hachi não desiste de esperá-lo em frente à estação, anos a fio, na esperança de rever seu dono. Trata-se de uma adaptação do filme japonês Hachikō Monogatari (1987), que por sua vez narra a história real do cachorro Hachikō que viveu no Japão entre os anos de 1923 a 1935, e que “esperou fielmente por seu dono na Estação de Shibuya, em Tóquio, até a sua morte”. Estreou no Festival Internacional de Cinema de Seattle em 13 de junho de 2009 e comercialmente nos cinemas no Japão em 8 de agosto de 2009. O filme foi lançado nos cinemas do Reino Unido em 12 de março de 2010, estreando em mais de sessenta países no mundo entre 2009 e 2010. O longa-metragem não chegou a ser lançado imediatamente nos cinemas dos Estados Unidos em 9 de março de 2010. No Brasil, em 29 de setembro de 2009, no Festival do Rio de Janeiro, sendo posteriormente lançado nos cinemas em 25 de dezembro daquele ano pela Imagem Filmes. No final de setembro de 2010, o retorno de bilheteria mundial bruta do filme havia totalizado mais de US$ 45 milhões.         

            Em Shibuya há mais de 30 ruínas pré-históricas descobertas. Naquela época a região era um platô que dava para o mar. No Período Jomon, as pessoas viviam próximo a uma colina. Shibuya foi o local de um castelo no qual a família Shibuya residiu do século XI até o Período Edo. Seguindo a abertura da Linha Yamanote em 1885, Shibuya começou a emergir como um terminal ferroviário para o sudoeste de Tóquio e se tornou um dos principais centros comerciais e de entretenimento. A vila de Shibuya foi incorporada em 1889 pela fusão das vilas de Kami-Shibuya, Naka-Shibuya e Shimo-Shibuya dentro do Condado de Minami-Toshima (Condado Toyotama a partir de 1896). A vila cobria o território da atual Estação de Shibuya bem como as das áreas de Hiroo, Daikanyama, Aoyama e Ebisu. Shibuya se tornou uma cidade em 1909. A cidade de Shibuya se fundiu com as cidades vizinhas de Sendagaya (com as modernas áreas de Sendagaya, Harajuku e Jingumae) e Yoyohata (as modernas áreas de Yoyogi e Hatagaya) para formar a região de Shibuya na antiga Cidade de Tóquio em 1932. A Cidade de Tóquio se tornou a Metrópole de Tóquio em 1943, e a região foi estabelecida em 15 de março de 1947. A Linha Tokyu Toyoko abriu em 1932, fazendo Shibuya um terminal chave entre Tóquio e Yokohama, e foi juntada com a precursora da Linha Keio Inokashira em 1933 e com a precursora da Linha Ginza do Metrô de Tóquio em 1938.

Shibuya é famosa por seu cruzamento. Ele está localizado na frente da saída Hachikō da Estação de Shibuya e para veículos em todas as direções para permitir que os pedestres inundem toda a interseção. A estátua de Hachikō, entre o cruzamento e a estação, é um ponto comum de encontro e quase sempre está cheia. Há três grandes telões montados nos prédios próximos do cruzamento, bem como muitos sinais publicitários. Seu tráfego pesado e a quantidade de anúncios fazem o cruzamento ser comparado a Times Square, em Nova York. É a denominação da área formada na confluência e cruzamento de duas grandes avenidas da cidade de Nova Iorque, Estados Unidos; podendo ser definida como uma grande praça ou largo, composta por vários cruzamentos e esquinas. A área está localizada na junção da Broadway com a Sétima Avenida, entre a 42nd Street e a 47th Street, na região central de Manhattan. É uma área comercial, onde todos os prédios são obrigados a instalar letreiros luminosos para propósitos de publicidade. Cabe ressaltar que a Times Square não se trata de uma rua ou avenida, uma vez que não existe nenhuma via trafegável registrada e denominada como tal no Guia Oficial de Ruas e Endereços da Cidade de Nova Iorque; tampouco pode ser tratada como uma simples esquina, já que a área mapeada pela prefeitura da cidade incluía oficialmente 12 cruzamentos de vias públicas, tendo sido mais recentemente modificada para atender o grande fluxo de turistas e transeuntes e áreas exclusivas para pedestres. Não por acaso, o famoso cruzamento de Shibuya aparece em extraordinários filmes e programas de televisão que se passam em Tóquio, como por exemplo: Encontros e Desencontros (2003), Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio (2006), e Resident Evil: Recomeço e Retribuição (2010), bem como em transmissões de notícias nacionais e internacionais.                   

No lado Sudoeste da Estação de Shibuya há outro ponto de encontro popular com uma estátua chamada Moyai. A estátua lembra uma estátua Moai, e foi dada a Shibuya pelo povo da Ilha Nii-jima em 1980. É uma ilha vulcânica Japonesa administrada pelo Governo Metropolitano de Tóquio. Ela pertence ao Arquipélago de Izu, e está localizada a cerca de 163 km ao Sul de Tóquio e a 36 km ao Sul de Shimoda, em Shizuoka. A Vila de Nii-jima faz parte da Subprefeitura de Ōshima da Metrópole de Tóquio junto com a ilha vizinha Shikine-jima, e a menor e inabitada Jinai-tō. Nii-jima também está dentro da área do Parque Nacional Fuji-Hakone-Izu.  Nii-jima permaneceu inabitada desde tempos pré-históricos, e arqueólogos encontraram numerosos vestígios do Período Jōmon, incluindo utensílios de pedra e cerâmica. Durante o Período Edo, Nii-jima, e também Hachijō-jima, era usada como local de exílio para monges e acadêmicos que discordavam do governo. A prática foi descontinuada após a Restauração Meiji. Nii-jima é incomum entre as Ilhas Izu por conta de sua forma alongada. Medindo aproximadamente 11 km de comprimento por 2.5 km de largura, e área total de 23.87 km². A ilha é feita de oito domos de lava riolita em duas grupos no extremo norte e extremo sul da ilha, separados por um baixo e plano istmo. O complexo Mukai-yama na parte Sul da ilha e o domo de lava Achiyama no extremo Norte foram formados durante a única erupção histórica de Nii-jima, no século IX. E também possui a Miyatsuka-yama, o ponto mais alto da ilha, com 432 metros. Shikine-jima e Jinnai-to são partes do mesmo complexo, e formam ilhas separadas ao Sudoeste e Oeste de Nii-jima. A lava riolita resultou nas famosas falésias e praias de areia branca. Nii-jima é propensa a sequências de terremotos.

Uma das mais conhecidas histórias envolvendo Shibuya é a história de Hachikō, um cão que esperou por seu mestre na Estação de Shibuya todos os dias entre 1923 e 1935 e acabou se tornando uma celebridade nacional por sua lealdade. Uma estátua de Hachiko foi construída nas adjacências da estação, e a área ao redor da estátua é o ponto de encontro mais popular da região. A história do filme é narrada por Ronnie, que é neto de um homem chamado Parker Wilson, que era um professor universitário. Quando Ronnie tem que fazer uma apresentação na escola sobre um herói pessoal, ele escolhe contar a história do cachorro do seu avô chamado Hachi. Apesar de seus colegas de classe rirem, Ronnie descreve como seu avô encontrou um cachorrinho perdido que havia sido enviado para os Estados Unidos do Japão, mas foi acidentalmente deixado na estação de trem da pequena cidade natal de Parker. Na história social, o professor acaba levando o filhote para casa, planejando procurar o dono do cãozinho enquanto cuida dele por uns dias. No entanto, como o dono do cachorro não é encontrado, Parker e o filhote começam a formar uma ligação próxima. Embora a esposa de Parker, Cate, se oponha à ideia do professor de adotar o cãozinho, ela “cede depois de perceber o vínculo entre seu marido e o animal”, agora batizado de Hachi. Nos anos seguintes Parker e Hachi ficam ainda mais próximos.

Parker tenta treinar Hachi, que é de uma raça japonesa chamada Akita, mas o cachorro se recusa a fazer coisas normais como buscar uma bolinha. Certa manhã, Parker sai para o trabalho e Hachi o segue até a estação de trem; o animal se recusa a voltar pra casa, fazendo com que o professor desista de embarcar no trem e o leve de volta. No dia seguinte, Hachi segue novamente Parker, que desta vez entra no trem. Quando Parker volta à estação de trem depois do trabalho durante a tarde, fica surpreso ao encontrar Hachi esperando por ele. Uma vez que o cão rapidamente aprende o horário que o professor chega à estação vindo do trabalho, Hachi passa a esperá-lo todos os dias na saída do local da estação de trem as 17 horas rotineiramente. Em um dia de inverno, Parker sofre uma hemorragia cerebral fatal e inesperada enquanto está no trabalho e, assim, acaba não retornando de trem para casa, como fazia de costume. Hachi, esperando em seu lugar habitual por Parker quando o trem estaciona, não vê seu dono desembarcar, e em vez disso espera pacientemente por horas, mesmo quando começa a nevar.

Eventualmente, o genro de Parker, Michael, vem buscá-lo. Embora todos tentem fazer com que Hachi entenda que Parker não voltará mais, Hachi aparentemente não consegue aceitar o fato. Em vez disso, ele retorna à estação de trem todos os dias e continua a esperar. Com o passar do tempo, Cate vende a casa e se muda da cidade. Hachi é enviado para morar com a filha de Parker e Cate, Andy, seu marido Michael e seu bebê Ronnie. No entanto, Hachi foge e encontra o caminho de volta para a estação; ao chegar lá ele se senta no mesmo lugar e torna a esperar Parker, como sempre faz. Andy chega e o leva para casa, mas logo percebe como o cão está triste, notando que o animal sequer come mais. Vendo que o cachorro sente muita falta do professor, ela o permite que ele retorne à estação para continuar esperando; todos os dias, então, Hachi espera por seu dono na esperança de revê-lo, passando a dormir em um pátio ferroviário próximo à estação ao anoitecer. O vendedor de cachorro-quente, Jasjeet, que era amigo do professor, gosta de Hachi e passa a fornecer diariamente comida e água para o animal. No décimo aniversário da morte de Parker, Cate retorna à pequena cidade para visitar o túmulo de seu falecido marido. Ela se admira ao ver Hachi agora muito idoso ainda esperando fielmente na estação, se sentando ao lado do animal para esperar o próximo trem com ele.

Em casa, Cate conta a Ronnie, agora com dez anos de idade, sobre Hachi. Enquanto isso, o cão sempre fiel continua esperando até que um dia ele é visto deitado muito quieto na neve, confortado por uma visão de Parker que aparece acenando carinhosamente para que o cão venha até ele. Ronnie finalmente conclui sua história e explica porque Hachi sempre será seu herói; alguns de seus colegas estão quase chorando, inclusive aqueles que riram dele no começo. Depois da escola, Ronnie é recebido por seu pai e pelo seu filhote da mesma raça que o cão de seu avô que também se chama Hachi; Ronnie e o filhote são vistos andando pelos mesmos trilhos de trem onde Parker e o primeiro Hachi se conheceram há muito tempo. No fim do filme é contada de forma breve a verdadeira história de Hachiko. Ele era o animal de estimação do professor japonês Ueno. Após a morte de seu dono, Hachiko esperou por Ueno nove anos em frente da saída de Shibuya. Uma estátua de bronze foi erguida em sua homenagem no exatamente no mesmo lugar na soleira onde ele esperava todos os dias. O filme foi baseado na história do cão japonês da raça Akita chamado Hachiko, que nasceu em Odate, no Japão, em 1923. Mesmo após a morte de seu dono Hidesaburō Ueno em 1925, Hachiko retornou à estação de trem de Shibuya durante todos os dias restantes de sua vida pelos próximos nove anos até sua morte em março de 1935. Uma estátua de bronze de Hachiko está erguida em frente à Estação de Shibuya em homenagem; Hachikō é reconhecido tradicionalmente em japonês como chūken Hachikō que significa “Hachikō, o cão fiel”; Hachi é o nome do número “oito” em japonês e kō significa “afeto”.

A história de Hachiko já havia sido retratada anteriormente no filme japonês de 1987 Hachikō Monogatari, dirigido por Seijirō Kōyama e escrito por Kaneto Shindo (1902-2012), um diretor de cinema, roteirista, produtor de cinema e escritor japonês, que dirigiu 48 filmes e escreveu roteiros para 238. Seus filmes mais reconhecidos como diretor incluem Children of Hiroshima (1952), The Naked Island (1960), Onibaba – (1964), Kuroneko (1968) e A Last Note (1995). Seijirō Kōyama, nascido na província de Gifu, em 16 de julho de 194 é um diretor de cinema japonês, frequentou a Universidade Nihon, mas abandonou o curso no meio para se juntar à produtora independente Kindai Eiga Kyokai, onde trabalhou como assistente de direção sob diretores como Kaneto Shindō, Kōzaburō Yoshimura e Tadashi Imai. Estreou na direção em 1971 com o filme infantil Koi no iru mura. Seu segundo filme, Futatsu no hāmonika (1976), lhe rendeu uma Menção Honrosa de Novos Diretores da Associação de Diretores do Japão. Seu filme de 1983, Hometown, foi selecionado para o 13º Festival Internacional de Cinema de Moscou, um festival internacional de cinema realizado na cidade de Moscou, na Rússia, desde 1935. É o segundo mais antigo do mundo, depois do Festival de Veneza. Desde 2000 se realiza anualmente em junho. Nikita Mikhalkov preside o festival desde 2000. O Festival de Moscou é considerado pela Federação Internacional das Associações de Produtores de Cinema entre os mais prestigiosos do mundo,  com os festivais de Berlím, Cannes, San Sebastián, Karlovy Vary e Veneza.

Seu filme de 1987, Hachiko Monogatari, sobre o fiel cão Hachikō, foi o filme japonês de maior bilheteria daquele ano. Ele é reconhecido por sua perspectiva humanista. Kōyama recebeu o Prêmio de Cultura Chunichi em 2000 por “produzir filmes que examinam a época e a região”. Esta primeira versão é mais fiel à história real, enquanto Hachi: A Dog`s Tale é situada num contexto norte-americano moderno. Antes dos créditos finais, a história do verdadeiro Hachikō é contada de maneira breve através de dizeres na tela, acompanhados de uma foto do cão original e da estátua de bronze feita em homenagem a Hachikō em Shibuya. De acordo com o filme, o verdadeiro Hachikō morreu em março de 1934, mas o anterior Hachikō Monogatari (além de outras fontes) afirma que sua morte real ocorreu em março de 1935 (9 anos e 9 meses após a morte do Professor Ueno). A maioria das filmagens ocorreu em Woonsocket, onde a estação ferroviária da cidade serviu de locação principal, e Bristol, ambas no estado norte-americano de Rhode Island. 

Os treinadores de animais Mark Harden e David Allsberry, acompanhados de uma grande equipe, treinaram os três akitas, Layla, Chico e Forrest, para o papel de Hachi no filme; após o término das filmagens, Harden adotou Chico enquanto Allsberry ficou com Layla. Assim como foi feito na Estação de Shibuya no Japão, uma estátua de bronze também foi erguida em homenagem à Hachiko no ano de 2012 em frente à Estação de Woonsocket, onde o filme foi rodado. O filme foi recebido com críticas analíticas geralmente positivas. O site agregador de resenhas Rotten Tomatoes dá ao filme uma taxa de aprovação de 64% com base em 28 críticas, obtendo uma nota média de 5,90 de 10. Em junho de 2009, Alissa Simon, da revista Variety, descreveu jornalisticamente o filme como um “conto sentimental e repetitivo... [relembrando] os valores, a produção e outros [fatores], de uma era anterior. [...] É mais familiar do que comida familiar; as crianças provavelmente ficarão muito entediadas [...] mesmo assim, a angústia silenciosa e a dignidade do cão comoveram à todos, exceto os corações mais duros. O principal problema do filme é que sua história humana carece de mais drama; Hachi é o personagem central da atração”. Em outubro de 2009, o crítico de cinema Christopher Lloyd do jornal Sarasota Herald Tribune deu ao filme 4 de 5 estrelas, observando: “Hachi: A Dog`s Tale é assumidamente um arrancador de lágrimas. Você pode se ressentir de ser manipulado emocionalmente por este filme, mas eu creio que até mesmo o espectador mais insensível não consiga segurar toda sua água salgada dos olhos ao assisti-lo”. O filme se tornou um modesto sucesso comercial. E sequer ganhou um lançamento teatral nos Estados Unidos, sua receita internacional ajudou o filme a ser lucrativo. Em setembro de 2010, o filme já havia arrecadado uma receita mundial de US$ 45 milhões contra um orçamento estimado em US$ 16 milhões.

Bibliografia Geral Consultada.

METTRIE, Julien Offray de la, O Homem-máquina. Lisboa: Editorial Estampa, 1982; DARWIN, Charles, La Expresión de las Emociones en los Animales y en el Hombre. Madrid: Editorial Alianza, 1984; ALDERTON, David, Cães: Um Guia Ilustrado com Mais de 300 Raças de Cães de Todo o Mundo. 4ª edição. Rio de Janeiro: Ediouro Publicações, 2002; HELFT, Claude; HONG, Chen Jiang (Ilustrações), Hatchiko, Tokyo Dog. Paris: Editeur Desclée de Brouwer, 2003; COSTA, Edilson da, A Impossibilidade de uma Ética Ambiental: O Antropocentrismo Moral como Obstáculo ao Desenvolvimento de um Vínculo Ético entre o Ser Humano e Natureza. Tese Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento. Curitiba: Universidade Federal do Paraná, 2007; BRANDÃO, Maria Mascarenhas, A Memória de um Gesto Comunicativo Humano no Cão Doméstico (Canis familiaris). Dissertação de Mestrado. Instituto de Psicologia. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2008; CUNHA, Luciano Carlos, O Consequencialismo e a Deontologia na Ética Animal: Uma Análise Crítica Comparativa das Perspectivas de Peter Singer, Steve Sapontzis, Tom Regan e Gary Francioni. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-graduação em Filosofia. Centro de Filosofia e Ciências Humanas. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2010; VELOSO, Maria Cristina Brugnara, A Condição Animal: Uma Aporia Moderna. Dissertação de Mestrado. Programa de Estudos Pós-Graduados em Direito. Belo Horizonte: Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, 2011; SEGATA, Jean, Nós e os Outros Humanos, os Animais de Estimação. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2012; PLUMMER, William, “Tóquio: A História de Amor de um Cão e seu Dono Imortalizada em Bronze”. In: Le Figaro, 13 de março de 2015; FAUTH, Juliana de Andrade, Sujeitos de Direitos não Personalizados e o Status Jurídico Civil dos Animais não Humanos. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Direito. Faculdade de Direito. Salvador: Universidade Federal da Bahia, 2016; SAVALLI, Carine; ALBUQUERQUE, Natalia de Souza, Cognição e Comportamento de Cães. A Ciência do Nosso Melhor Amigo. 1ª edição. São Paulo: Edicon Editora e Consultoria, 2017; YONG, Nicholas, “A história do cão mais fiel do mundo, que nasceu há 100 anos”. Disponível em: https://www.bbc.com/03/07/2023; Artigo: “Funcionários de zoológico no Japão fingem ser pandas e são alimentados pelos visitantes”. Disponível em: https://noticias.r7.com/11/01/2026; entre outros.   

Rudi Gernreich – Vídeo de Moda & Design de Roupas de Vanguarda.

Fashion as we used to know it doesn`t exist. The dress as we know it today-it`s dead”. Rudi Gernreich                          

                               

        Vídeo, do latim “eu vejo”, representa uma tecnologia de processamento de sinais eletrônicos, analógicos ou digitais, para capturar, armazenar e transmitir ou apresentar uma sucessão de imagens com impressão de movimento. A aplicação principal da tecnologia de vídeo resultou na televisão, com todas as suas inúmeras utilizações, seja no entretenimento, na educação, engenharia, ciência, indústria, segurança, defesa, artes visuais. O termo vídeo ganhou com o tempo uma grande abrangência. Chama-se também de vídeo uma gravação de imagens em movimento, uma animação composta por fotos sequenciais, resultando em uma imagem animada, e principalmente as diversas formas de gravar imagens eletronicamente em fitas (analógicas ou digitais) ou outras mídias (cartões de memória, discos etc.). Estas formas de gravação e armazenamento de imagens se corporificam através de diferentes formatos e mídias com características de codificação próprias, como vemos descrito abaixo. Tanto nas fitas quanto nos discos os formatos são, na verdade, “os tamanhos” (que implicam a largura do material magnético, tamanho da caixa e na forma pela qual o sinal é gravado e lido). Cada um é para um uso diferente com características técnicas e qualidades específicas. Para cada formato de fita ou disco existe a câmera correspondente, bem como aparelhos gravadores e reprodutores de mesa usados para edição (montagem) e copiagem das imagens gravadas com estas câmeras. Os formatos são usados para captação ou masterização de programas ou vídeos com fins comerciais e/ou para veiculação com alta qualidade em meios de comunicação. Os amadores são para captação doméstica e veiculação restrita. 

            Eventualmente, existem alguns formatos amadores podem ser usados ordinariamente para fins profissionais dependendo principalmente do tipo social de equipamento usado na captação das imagens. A invenção da televisão remonta ao princípio do século passado em torno de 1925, já existiam equipamentos experimentais. Ao longo do tempo, enquanto se aperfeiçoava a tecnologia televisiva, novos elementos eram agregados por laboratórios ou empresas de diversos países sem um padrão comum, o que tornava incompatíveis equipamentos de um país para outro. Com advento da cor houve diferentes padronizações que se difundiram com base em interesses comerciais e políticos, resultando em pelo menos 3 diferentes famílias de padrões de TV (NTSC), é o sistema de televisão analógico em uso nos Estados Unidos, na maioria dos países da América, em alguns países do leste asiático e também utilizado na reprodução em DVDs players. Recebeu o nome do National Television System Committee, a organização representativa do setor, responsável pela criação deste padrão, PAL (Phase Alternating Line) é um sistema de codificação de cores para televisão analógica.  Foi um dos três principais padrões de televisão analógica em cores, e SECAM (Système Électronique Couleur Avec Mémoire), é um sistema de cor analógico usado pela primeira vez na França, criado pelo engenheiro elétrico Henri de France. Foi um dos três principais padrões de televisão analógica em cores, sendo os outros dois o PAL e NTSC. Desde a década de 2000, o SECAM tem entrado em declínio, uma vez que os países que utilizam o SECAM estão atualmente em processo de conversão, ou já converteram para Digital Video Broadcasting (DVB), o novo padrão pan-europeu de televisão digital.

O desenvolvimento do SECAM começou em 1956. A tecnologia estava pronta por volta do final dos anos 1950, mas era cedo demais para uma introdução em grande escala. O SECAM não trabalhava com o padrão de televisão 819-linhas então usado na rede de televisão francesa. A França teve de começar a conversão ao mudar para o padrão de 625-linhas, o que aconteceu no início dos anos 1960 com a introdução de uma segunda rede. O SECAM foi inaugurado na França em 1° de outubro de 1967, no Deuxième Chaîne (Segundo Canal), atual France 2. Um grupo de quatro homens, todos de terno, o apresentador, o Ministro da Informação da França, Georges Gorse, o diretor-geral da ORTF, Jacques Bernard Dupont, o diretor de equipamentos e operações, Claude Mercier e o diretor de televisão, Emile Biasini), foram mostrados de pé num estúdio. Após uma contagem regressiva, às 14h15 (Horário da Europa Central, UTC+1) a imagem em preto e branco original mudou repentinamente para cores e o apresentador declarou “Et voici la couleur!”. Em 1967, a Compagnie Libanaise de Télévision (CLT) do Líbano se tornou a terceira estação de televisão do mundo, depois da União Soviética e da França, a transmitir em cores utilizando a tecnologia francesa SECAM.  Nessa conjuntura, um televisor a cores custava 5 mil francos na França. A televisão a cores não foi inicialmente muito popular; apenas cerca de 1,5 mil pessoas assistiram ao programa inaugural.                    

Um ano mais tarde, apenas 200 mil aparelhos tinham sido vendidos, quando se esperavam 1 milhão. SECAM foi mais tarde adotado pelas antigas colônias francesas e belgas, Grécia, Chipre, União Soviética e países do bloco oriental (exceto a Romênia) e alguns países do Oriente Médio. No entanto, com a queda do comunismo, e seguindo um período em que aparelhos de televisão multipadrões se tornaram comuns, muitos países do Leste Europeu decidiram mudar para o sistema PAL desenvolvido pela Alemanha Ocidental. Outros países, notadamente o Reino Unido e a Itália, experimentaram brevemente o SECAM antes de optar pelo PAL. Desde o final dos anos 2000, o SECAM está em processo de eliminação e substituição pelo DVB. Cada padrão de TV implica uma forma diferente de se codificar as imagens, transmiti-las e gravá-las nas mídias (fitas, DVDs, discos) independente de seu formato. São específicas a velocidade de gravação, a forma pela qual a cor é gravada, o número de linhas que constituem imagem (não confundir com definição). Uma fita ou DVD gravados em um país podem não ser assistidos em outro ou, somente podem ser vistos em branco e preto. Com a tecnologia digital e a chamada “alta definição” foram desenvolvidos e difundidos novos padrões de TV, ainda que baseados nos padrões da TV analógica eles são totalmente digitais e contemplam uma alta qualidade de imagem e som além de diversos recursos interativos.

Rudolf Gernreich (1922-1985) foi um estilista norte-americano nascido na Áustria, cujos designs de roupas de vanguarda são geralmente considerados “os mais inovadores e dinâmicos da moda dos anos 1960”. Ele usou propositalmente o design de moda como uma declaração social para promover a liberdade sexual, produzindo roupas que seguiam a forma natural do corpo feminino, libertando-as das restrições da alta costura. Ele era reconhecido pelo uso pioneiro de vinil e plástico em roupas e pelo uso de recortes. Criou o primeiro maiô fio dental, roupas unissex, o primeiro maiô sem sutiã embutido, o minimalista, macio e transparente “No Bra” e o monokini sem a parte de cima. Recebeu quatro vezes o Prêmio Coty de Críticos de Moda Americanos. Produziu o primeiro vídeo de moda, Basic Black: William Claxton, com Peggy Moffitt (1940-2024), em 1966. Teve per se uma longa, não convencional e inovadora carreira no design de moda. Gernreich é mais reconhecido como um renomado estilista de moda radicado em Los Angeles, mundialmente famoso por seu “monokini”, um traje de banho feminino sem a parte de cima, seus tricôs dos anos 1960 e suas roupas unissex. Na verdade, na época da morte de Gernreich, em 1985, uma exposição em museu pareceria improvável. Gernreich é mais conhecido por seu design do primeiro maiô sem a parte de cima, que ele chamou de “Monokini”. Gernreich concebeu o Monokini no final de 1963, depois que Susanne Kirtland, da revista Look, ligou para Gernreich e pediu que ele desenhasse traje para seguir uma matéria sobre tendências. 

          Naquele mês, ele idealizou pela primeira vez um maiô sem a parte de cima que se tornou o Monokini. A parte de baixo do Monokini era semelhante à de um maiô tradicional, mas terminava na altura do meio do torso e era sustentada por duas tiras entre os seios e ao redor do pescoço. Quando a fotografia de Claxton de sua esposa Peggy Moffitt modelando o modelo foi publicada no Women`s Wear Daily em 4 de junho de 1964, gerou muita controvérsia nos Estados Unidos e em outros países. Moffitt disse que o modelo era uma evolução lógica das ideias vanguardistas de Gernreich em design de moda praia, bem como um símbolo escandaloso da sociedade permissiva. Ele via o maiô como um protesto contra a sociedade repressiva. Ele previu que “os seios serão descobertos dentro de cinco anos”. Ele via a exposição dos seios de uma mulher como uma forma de liberdade. Inicialmente, ele não pretendia produzir o modelo comercialmente, mas Kirtland, da Look, o incentivou a disponibilizá-lo ao público. “Pensei que venderíamos apenas seis ou sete, mas decidi desenhá-lo mesmo assim”. Moffitt disse mais tarde que o Monokini “era uma declaração política. Não foi feito para ser usado em público”. Em janeiro de 1965, ele disse a Gloria Steinem em uma entrevista que, apesar das críticas, ele faria isso novamente.

           Nova Iorque tem suas raízes historicamente na sua fundação em 1624 como um “posto de comércio por colonos neerlandeses”, sendo nomeada Nova Amsterdã, em 1626. A cidade e seus arredores foram tomados pelo Reino da Inglaterra em 1664, passando a fazer parte do Império Britânico, e sendo seu nome alterado para Nova Iorque, depois que o Rei Carlos II da Inglaterra concedeu as terras para seu irmão, o Duque de Iorque e posteriormente Rei Jaime II da Inglaterra. Nova Iorque serviu como a capital dos Estados Unidos de 1785 até 1790, sendo a maior cidade do país desde 1790. A Estátua da Liberdade recebeu milhões de imigrantes que vieram para a América de navio no final do século XIX e início do século XX. A cidade é considerada um dos mais importantes centros da diplomacia mundial. Juntamente com Genebra, Comitê Internacional da Cruz Vermelha e sede europeia da Organização das Nações Unidas, Basileia (Banco de Assentamentos Internacionais) e Estrasburgo (Conselho da Europa), Nova Iorque é uma dentre as cidades do mundo que serve de sede a importantes organizações internacionais, sem ser, na esfera político-administrativa a capital de um país.

           A região originariamente era habitada por nativos das tribos lenapes no momento da “descoberta” europeia, em 1524, por Giovanni da Verrazano (1485-1528), um explorador florentino a serviço da coroa francesa, que chamou de Nouvelle Angoulême. O assentamento europeu começou com a fundação de uma colônia holandesa de comércio de peles, que mais tarde seria chamada “Nieuw Amsterdam”, na ponta Sul de Manhattan em 1614. O diretor-geral colonial holandês Peter Minuit comprou a ilha de Manhattan dos lenapes em 1626 pelo valor de 60 florins, cerca de mil dólares em 2006; uma outra lenda diz que Manhattan foi comprada por 24 dólares no valor de contas de vidro. Entretanto, os primeiros moradores de Nova Iorque foram 23 judeus de origem portuguesa que chegaram em 7 de setembro de 1654 na Nova Amsterdã, um entreposto da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, fugindo da Inquisição no Recife. Das 16 naus que partiram às pressas do Recife, uma foi saqueada na Jamaica e 23 judeus viajaram à ilha de Manhattan, sem bens, onde estabeleceram e trabalharam no comércio. Em 1664, a cidade foi entregue para os ingleses e rebatizada para “New York” (Nova Iorque) pelo Duque de York e Albany. No final da Guerra Anglo-Holandesa, os holandeses ganharam o controle da ilha de Run (um ativo muito mais valioso) em troca do controle inglês sob Nova Amsterdã (Nova Iorque), na América do Norte.

Várias guerras intertribais entre os nativos americanos e algumas epidemias ocasionadas pela chegada dos europeus provocaram perdas consideráveis ​​para a população lenape entre os anos de 1660 e 1670. Em 1700, a população lenape tinha diminuído para apenas 200 membros. Em 1702, a cidade perdeu 10% de sua população para a febre amarela. Nova Iorque sofreu nada menos que sete importantes epidemias de febre amarela no período ente 1702 e 1800. Nova Iorque cresceu em importância social e política como porto comercialmente enquanto esteve sob o domínio do fabuloso império britânico. A cidade sediou o influente julgamento de John Peter Zenger (1697-1746) um impressor e jornalista alemão que vivia na cidade de Nova York em 1735, ajudando a estabelecer a liberdade de imprensa na América do Norte. Em 1754, a Universidade Colúmbia foi fundada em navios fretados por Jorge II da Grã-Bretanha como Faculdade do Rei em Lower Manhattan. O Stamp Act Congress se reuniu em Nova Iorque em outubro de 1765, assim como os Filhos da Liberdade, organização secreta de patriotas americanos originada nas 13 Colônias durante a Revolução, se organizaram na cidade, escaramuçando durante os dez anos com as tropas britânicas paralisadas no país.

Muitos distritos e pontos turísticos de Nova Iorque se tornaram reconhecidos graças aos seus quase 50 milhões de visitantes anuais. A Times Square, batizada de “a encruzilhada do mundo”, é a região iluminada onde se concentram os famosos teatros da Broadway, sendo um dos cruzamentos de pedestres mais movimentados do mundo e um importante centro da indústria do entretenimento mundial. A cidade abriga algumas das pontes, arranha-céus e parques de maior renome no mundo. O distrito financeiro de Nova Iorque, ancorado por Wall Street em Lower Manhattan, protagoniza o setor econômico como um dos maiores centros financeiros do mundo, e é o “lugar praticado” da Bolsa de Valores de Nova Iorque, a maior bolsa de valores do planeta pelo total de capitalização de mercado de suas empresas listadas. O mercado imobiliário de Manhattan está entre os mais valorizados e caros do mundo. A Chinatown de Manhattan incorpora a maior concentração de chineses do Ocidente. Ao contrário da maioria dos sistemas de metrô do mundo, o Metropolitano de Nova Iorque é projetado para fornecer o serviço de 24 horas por dia, 7 dias por semana. Inúmeros colégios e universidades estão localizados na cidade, incluindo a Universidade Columbia, a Universidade de Nova Iorque e a Universidade Rockefeller, que estão classificadas entre as 100 melhores do mundo.

Durante a Revolução Americana, a Batalha de Long Island, considerada a maior batalha ocorrida nessa guerra, foi travada em agosto 1776 inteiramente em terras atualmente ocupadas pelo Borough do Brooklyn, um burgo da cidade de Nova Iorque, coextensivo com o condado de Kings, no estado norte-americano de Nova Iorque. Após a batalha, em que os estadunidenses foram derrotados, deixando subsequentes batalhas menores seguirem o mesmo rumo, a cidade tornou-se a base militar e política britânica de suas operações na América do Norte. A cidade foi um refúgio para legalistas até o fim da guerra em 1783. A única tentativa de uma solução pacífica para a guerra aconteceu no Casa de Conferência em Staten Island entre os delegados estadunidenses, incluindo Benjamin Franklin (1706-1790), e o general britânico Lord Howe, em 11 de setembro de 1776. Logo após o início da ocupação britânica, ocorreu o Grande Incêndio de Nova Iorque, uma conflagração de grande porte que destruiu cerca de um quarto dos edifícios na cidade, incluindo a Igreja da Trindade. A montagem do Congresso da Confederação fez de Nova Iorque a capital do país em 1785, logo após a guerra. Nova Iorque foi a última capital dos Estados Unidos sob os Artigos da Confederação e a primeira capital sob a Constituição dos Estados Unidos. Em 1789, o primeiro presidente dos Estados Unidos, George Washington (1732-1799), foi empossado; o primeiro Congresso dos Estados e a Suprema Corte dos Estados Unidos foram montados e a Carta dos Direitos dos Estados Unidos foi elaborada, tudo no âmbito do Federal Hall, em Wall Street. No século XIX, a cidade foi transformada pela imigração socialmente e pelo desenvolvimento.    

Uma proposta visionária de desenvolvimento, o Plano dos Comissários de 1811, expandiu a “grade de ruas” por toda Manhattan e a abertura do Canal de Erie em 1819, ligando o Atlântico aos vastos mercados agrícolas do interior norte-americano. A política local caiu sob o domínio do Tammany Hall, uma máquina política apoiada por imigrantes irlandeses. A Grande Fome Irlandesa trouxe um grande influxo de imigrantes irlandeses e, em 1860, um em cada quatro nova-iorquinos, ou seja, mais de 200 mil pessoas havia nascido na Irlanda. Várias proeminentes figuras literárias estadunidenses viveram em Nova Iorque durante os anos 1830 e 1840, incluindo William Cullen Bryant, Washington Irving, Herman Melville, Rufus Wilmot Griswold, John Keese, Nathaniel Parker Willis e Edgar Allan Poe. Membros da velha aristocracia comerciante fizeram lobby para a criação do Central Park, que se tornou “o primeiro parque ajardinado” numa cidade estadunidense em 1857. Uma significante população negra livre ativamente também existia em Manhattan e no Brooklyn. Escravos existiam em Nova Iorque em 1827, mas durante os anos 1830, Nova Iorque tornou-se um centro do ativismo abolicionista interracial no Norte. A população negra de Nova Iorque era de mais de 16 mil pessoas em 1840. A população não branca de Nova Iorque era de 36 620 pessoas em 1890. A revolta durante o recrutamento militar durante a Guerra Civil Americana (1861-1865) levou aos motins de 1863, um dos piores incidentes civis na história americana.

 Em 1898, a cidade de Nova Iorque obteve sua atual formação, com a consolidação do Brooklyn que, era uma cidade separada, juntamente com o Condado de Nova Iorque, incluía partes do Bronx, o Condado de Richmond e a parte ocidental do condado de Queens. A abertura do metrô, em 1904, ajudou a conectar urbanamente toda a cidade. Na primeira metade do século XX, a cidade se tornou um centro mundial para a indústria, comunicação e comércio. No entanto, este desenvolvimento não veio sem um preço. Em 1904, o navio a vapor General Slocum pegou fogo no rio East, matando 1021 pessoas a bordo. Em 1911, o incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist, o pior desastre industrial da cidade até os ataques políticos de 11 de setembro de 2001 ao World Trade Center, tirou a vida de 146 trabalhadores e estimulou o crescimento da União Internacional das Damas Trabalhadoras de Vestuário e grandes melhorias nos padrões de segurança das fábricas. Na década de 1920, a cidade era um destino privilegiado para afro-americanos durante a Grande Migração do Sul estadunidense. Em 1916, Nova Iorque era o lugar da maior população urbana da diáspora africana na América do Norte. O renascimento de Harlem floresceu durante a era da Lei Seca, coincidente com um maior boom econômico que viu o horizonte se desenvolver com a construção de arranha-céus.

A chamada Lei Seca foi um período de proibição da produção, venda e transporte de bebidas alcoólicas nos Estados Unidos, que durou de 1920 a 1933. A lei foi estabelecida pela 18ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos e foi uma resposta ao movimento pela temperança do século XIX. Nova Iorque se tornou a área urbanizada mais populosa do mundo em 1920, ultrapassando Londres, e sua região metropolitana ultrapassou a marca de dez milhões em 1930, tornando-se a primeira megacidade da história humana. Os anos difíceis da Grande Depressão viram a eleição do reformista Fiorello La Guardia (1882-1947) como prefeito e a queda do Tammany Hall, após 80 anos de domínio político. O retorno de veteranos da Segunda Guerra Mundial criou um boom económico pós-guerra e o desenvolvimento de novos bairros no leste do Queens. Nova Iorque saiu da guerra incólume como a principal cidade do mundo, com Wall Street liderou o lugar dos Estados Unidos como a potência econômica dominante do mundo. A sede da ONU, concluída em 1950, enfatizou a influência política de Nova Iorque e a ascensão do expressionismo abstrato na cidade precipitou deslocamento de Nova Iorque como o centro do mundial da arte, deixando Paris em segundo plano. Na década de 1960, a cidade começou a sofrer de problemas econômicos e com índices de criminalidade em ascensão. 

Contos de Nova York representa um filme estadunidense de 1989, do gênero comédia dramática, contendo três curtas-metragens cujo tema nevrálgico é a cidade de Nova York: Life Lessons, dirigido por Martin Scorsese. A primeira história, “Lições de Vida” (1989), é dirigida por Martin Scorsese. Nick Nolte interpreta Lionel Dobie, um pintor renomado que cultiva um “amor obsessivo” (cf. Biscaro, 2023) no plano egoísta do trabalho individual pela assistente, Paulette (Rosanna Arquette), sua namorada que planeja deixá-lo. O sucesso ou fracasso de um estilista depende da totalidade da coleção de cada ano, não apenas a representação de uma peça. No momento, essa história de topless só prejudicou meu trabalho, mas, no fim das contas, tenho certeza de que ter meu nome conhecido internacionalmente será uma ajuda. Mas não é por isso que eu faria de novo. Eu faria de novo porque acho que o topless, ao enfatizar e exagerar uma nova liberdade do corpo, tornará o grau moderado e correto de liberdade mais aceitável. Mais tarde, ele desenhou o “pubikini” - uma parte de baixo de biquíni com “uma janela na frente que revelava os pelos pubianos tingidos e modelados da modelo”. Gernreich preferia que seus modelos fossem usados ​​sem sutiã, e em outubro de 1964, a pedido do fabricante de sutiãs Exquisite Form, Gernreich anunciou o “No Bra”. O sutiã era feito de tecido transparente, sem aros ou forro de qualquer tipo. Ao contrário dos sutiãs contemporâneos, seu design permitia que os seios assumissem sua forma natural, em vez de serem moldados em um ideal estético. Era um sutiã de bojo macio, leve, sem costura, de tricô de náilon transparente e elástico, disponível apenas para mulheres com seios pequenos. Era oferecido em três cores transparentes: rosa claro, P & B, e nos tamanhos 32 a 36, ​​bojos A e B. Possuía um único gancho nas costas.

 

O “No Bra” representou um grande afastamento do busto esculpido e em forma de bala da década anterior. Era semelhante ao sutiã original da década de 1920 e ao primeiro sutiã moderno inventado por Mary Phelps Jacob (1892-1970), dois lenços presos a uma faixa e amarrados ao redor do peito. O “No Bra” de Gernreich era mais do que isso. Tanto a década de 1920 quanto a de 1960 celebravam a figura esguia da adolescência, e com isso significava seios pequenos e planos. Seu sutiã minimalista revolucionou o design de sutiãs, iniciando uma tendência para formas mais naturais e tecidos macios e transparentes. O sucesso comercial do sutiã “No Bra” foi seguido, em 1965, pelo próximo modelo, um sutiã “sem laterais” para acomodar vestidos com cavas profundas. Possuía uma faixa elástica estreita ao redor do torso que permitia às mulheres usar roupas com mangas abertas sem que a faixa do sutiã ficasse visível. Os bojos transparentes eram cortados em parte no viés e em parte no meio viés. Ele também produziu um modelo de maiô “Sem Frente” com um decote profundo na frente para decotes com fenda até a cintura, e uma versão longa “Sem Costas” que era ancorada por uma faixa elástica contornada na cintura, permitindo que a mulher usasse um vestido sem costas.  Rudi exibiu sua moda no Fashion Institute of Technology em Nova York em 1967, “Dois Artistas Modernos do Vestuário: Elizabeth Hawes e Rudi Gernreich”. Uma retrospectiva intitulada “A Moda Sairá de Moda” foi organizada na Kunstlerhaus Graz, Áustria, em 2000. Em 2003, uma exposição de seu trabalho realizada no Phoenix Art Museum, em Phoenix, Arizona, o aclamou como um dos designers mais originais, proféticos e controversos das décadas de 1950 a 1970.             

Gernreich recebeu seu primeiro prêmio de design em 1956, um prêmio júnior da Sports Illustrated. Ele recebeu o American Sportswear Design Award por seu design de um conjunto regata de malha de lã xadrez preto e branco sem sutiã embutido. Ele ganhou o prêmio da Wool Knit Association em 1960. Em 1963, Gernreich ganhou dois prêmios importantes: em maio, recebeu o Sporting Look Award da Sports Illustrated e, em junho, o Coty American Fashion Critics Award. O Prêmio Coty gerou controvérsia quando o primeiro ganhador, Norman Norell, devolveu seu prêmio em protesto contra o reconhecimento de Gernreich. Norell disse ao Women`s Wear Daily: “Não significa mais nada para mim. Não consigo mais olhar para ele. Vi uma fotografia de um terno do Rudi e uma lapela do paletó era xale e a outra era entalhada — ora!”. Ele atribuiu a votação a “membros do júri da Glamour e da Seventeen que não têm tempo para ver coleções de alta moda, sendo estes os responsáveis ​​pelo voto em Gernreich”. Em resposta ao protesto de Norell, a loja de departamentos Bonwit Teller publicou um anúncio de meia página com a manchete: “Rudi Gernreich, nós lhe daríamos o Prêmio Coty novamente!”.

Ele recebeu o prêmio novamente em 1963, 1966 e 1967. Outros prêmios incluíram o prêmio Neiman Marcus, Dallas, 1961; prêmio Sporting Look, 1963; Sunday Times International Fashion Award, Londres, 1965; prêmio Filene`s Design, Boston, 1966; prêmio Knitted Textile Association, 1975; Tributo Especial do Conselho de Designers de Moda da América, 1985. Marylou Luther, editora de moda do Los Angeles Times, escreveu: “Para a maioria das pessoas na indústria da moda, ele era considerado o designer mais inventivo desta época”. Em 1985, Tom Bradley, prefeito da cidade de Los Angeles, proclamou o dia 13 de agosto como o “Dia de Rudi Gernreich” em reconhecimento às contribuições de Gernreich para a moda e para Los Angeles, declarando: “Seus designs eram comentários sociais e previsões sobre nossa época e os futuros estilos de vida de nossa nação”. Em 2 de abril de 2012, a revista Time o nomeou para sua lista dos “100 Ícones da Moda de Todos os Tempos”. Em 2000, a cidade de Nova York colocou placas de bronze homenageando estilistas americanos, incluindo Gernreich, ao longo da Sétima Avenida. Em sua vida posterior, Gernreich dedicou-se a sopas gourmet. Atribui-se a ele uma receita de sopa de pimentão vermelho, uma sopa fria servida em cascas de pimentão vermelho e guarnecida com caviar e limão. Os detratores teriam muitos motivos para desconsiderar Gernreich: criticado por alguns como um mero provocador ávido por publicidade. 

E cujos designs eram mais fotografados do que usados, acreditava-se que os estilistas sérios estavam em Paris, ou pelo menos em Nova York, mas certamente não em Los Angeles, onde Gernreich residia. Los Angeles era reconhecida por trajes de banho e malhas, na melhor das hipóteses, roupas de resort, esportivas ou jeans produzidos na Califórnia.  A inspiração dos estilistas naquela época vinha de Paris e da chamada alta-costura – não das ruas de Los Angeles, como foi a inspiração para alguns dos designs de Gernreich. Os estilistas aspiravam estar nas melhores lojas possíveis – e certamente não em lojas de grandes redes. Em contraste, Gernreich fechou um acordo para uma linha exclusiva na loja de departamentos Montgomery Ward. E, por fim, naquela época os museus não faziam exposições sobre moda ou estilistas. Em Los Angeles, após frequentar o Los Angeles City College e o Los Angeles Art Center, Gernreich juntou-se à Lester Horton Modern Dance Company como bailarino e também como figurinista. Os figurinos de Gernreich eram inovadores: ao mesmo tempo que realçavam o corpo, permitiam liberdade de movimento de maneiras que conferiam aos figurinos e às silhuetas dos bailarinos elementos esculturais.

Ao longo de sua carreira, Gernreich continuou a contribuir com figurinos para companhias de dança. No Skirball Cultural Center, fundado em 1996, é uma instituição educacional judaica em Los Angeles, Califórnia. O centro, que leva o nome do casal de filantropos Jack H. Skirball e Audrey Skirball-Kenis, possui um museu com exposições que mudam regularmente, eventos cinematográficos, apresentações musicais e teatrais, comédia, programas familiares, literários e culturais. O complexo inclui um museu, um centro de artes cênicas, salas de conferência, salas de aula, bibliotecas, pátios, jardins e um café. Embora o centro tenha suas raízes na cultura judaica, ele está aberto a pessoas de todas as idades e culturas. Os manequins estão posicionados de forma dramática, remetendo às poses de dança moderna de Martha Graham. Há também em exibição uma roupa única, feita para ser usada por dois bailarinos simultaneamente quase como gêmeos siameses. As criações de Gernreich desafiaram as convenções. Ele eliminou as silhuetas rígidas e as estruturas de arame que moldavam as roupas e peças íntimas femininas. Os minivestidos de Gernreich encurtaram as bainhas, e seus maiôs permitiram um visual mais natural e unissex. Gernreich também introduziu os terninhos, expandindo as opções de vestuário feminino. Anos antes de Calvin Klein, Gernreich lançou peças íntimas com aparência masculina para mulheres, além de sutiãs sem bojo e calcinhas fio dental. Ele também estava à frente de seu tempo ao criar peças que hoje seriam consideradas “body positive”, embora na época tenham causado reações negativas. Sua moda não se esquivou da política e apoiou os protestos estudantis contra a Guerra do Vietnã e outros conflitos.

Historicamente em 1858, na esfera política o breve período de unificação sob o Império do Vietname terminou com um ataque bem-sucedido em Da Nang pelo almirante francês Charles Rigault de Genouilly (1807-1873), sob as ordens de Napoleão III. Com a missão diplomática de Louis Charles de Montigny (1805-1868), um diplomata francês que atuou na Ásia durante o século XIX, embora tendo falhado, a missão Genouilly foi enviada para interromper as expulsões dos missionários católicos. Suas ordens eram para parar a perseguição de missionários e “garantir a propagação desimpedida da fé”, mas com a utilização da força bruta da política em setembro, 14 navios franceses, 3 000 homens e 300 soldados filipinos fornecidos pelos espanhóis atacaram o porto de Tourane, atual Da Nang, causando danos materiais e humanos significativos, com a ocupação da cidade. Após alguns meses decorridos, Rigault teve de deixar a cidade devido a questões de suprimentos e doenças. O Laos foi introduzido em 1893, e Guangzhouwan em 1900. A capital foi transferida de Saigon (na Cochinchina) para Hanoi (Tonkin), em 1902. A colônia foi administrada pela França de Vichy, com o nome comum do État Français, liderado pelo Marechal Philippe Pétain, durante a Guerra Mundial. Representa a “Zona Livre”, desocupada na parte Sul da França metropolitana e império colonial quando esteve sob ocupação japonesa. De 1940 a 1942, enquanto o regime de Vichy era o governo nominal de toda a França, exceto a região da Alsácia-Lorena, os militares alemães ocuparam o Norte da França. Enquanto Paris se manteve a capital de jure da França, o governo decidiu mudar-se para a cidade de Vichy, a 360 km ao Sul na Zona Livre, a qual se tornou a capital de fato do Estado francês. A seguir aos desembarques Aliados no Norte da África francês em novembro de 1942, o Sul da França também foi militarmente ocupado pela Alemanha e Itália.

O regime de Pétain manteve-se em Vichy constituindo-se como representação de governo nominal da França, embora claramente administrado como Estado cliente de fato da Alemanha a partir de novembro de 1942 em diante. O governo de Vichy manteve-se, nominalmente, no papel até ao fim da dramaturgia da guerra, embora tenha perdido toda a sua autoridade de fato no final de 1944, quando os Aliados libertaram toda a França. No início, durante as guerras revolucionárias francesas esses estados foram erigidos como as chamadas Républiques soeurs ou “repúblicas irmãs”. Foram criadas na Itália (República Cisalpina no Norte da Itália, República Partenopéia no Sul da Itália, Suíça, Bélgica e Holanda como uma República e uma Monarquia. Durante o Primeiro Império Francês, enquanto Napoleão e o exército francês conquistavam a Europa, tais estados foram alterados, e novos formados. As italianas foram transformadas no Reino da Itália sob o domínio direto de Napoleão no Norte e o Reino de Nápoles, no Sul, sob o governo de José Bonaparte e adiante sob o governo do Marechal do Império Joachim Murat. Após ter sido nomeado Premier pelo Albert Lebrun, como Presidente da França de 1932 a 1940, o último da Terceira República Francesa, o marechal Pétain ordenou que os representantes militares do governo assinassem um armistício com a Alemanha em 22 de junho de 1940.

Em seguida, Pétain estabeleceu um regime autoritário quando a Assembleia Nacional da Terceira República francesa lhe concedeu plenos poderes em 10 de julho de 1940. A partir daquela data a Terceira República foi dissolvida. Apelando à “Regeneração Nacional”, o governo francês em Vichy anulou muitas políticas liberais e começou um controle rígido da economia política, tendo como característica fundamental o planejamento centralizado. Os sindicatos ficaram sob controlo apertado do governo. A independência da mulher foi revertida, com a ênfase colocada na maternidade. Os católicos conservadores ganharam um papel de destaque. Paris perdeu o seu estatuto de cidade vanguardista em termos de arte e cultura europeia. Os meios de comunicação passaram a ser controlados, passando a transmitir mensagens antissemitas e, a partir de junho de 1941, antibolcheviques. O Estado francês manteve a soberania nominal sobre a totalidade do território francês, mas apenas tinha plena soberania na Zona Livre ocupada a Sul. O Estado autoridade civil, e mesmo esta era limitada, no Norte de Zonas sob ocupação militar. A ocupação seria “uma situação provisória enquanto se aguardava pela conclusão da guerra, o que não parecia iminente”. A ocupação apresentava pequenas vantagens, tais como manter a Marinha francesa e o império colonial francês sob controle francês, e evitar a completa ocupação do país pela Alemanha, mantendo um grau de Independência e neutralidade francesas. O governo em Vichy nunca se aliou ao Eixo.

Começando em maio de 1941, o Việt Minh, forma curta de Việt Nam Ðộc Lập Ðồng Minh Hội, (Liga pela Independência do Vietnã), um exército comunista liderado por Ho Chi Minh, começou uma revolta contra o domínio francês, reconhecida como a Primeira Guerra da Indochina. Em Saigon, o anticomunista Estado do Vietname, liderado pelo antigo imperador Bao Dai, recebeu a Independência em 1949. Após o Acordo de Genebra de 1954, o Viêt Minh tornou-se o governo do Vietname do Norte, embora o governo Bao Dai continuasse a governar no Vietname do Sul. A capital foi transferida de Saigon, na Cochinchina, para Hanoi (Tonkin), em 1902. Durante a 2ª guerra mundial, a colônia foi administrada pela França de Vichy e esteve sob ocupação japonesa. Em maio de 1941, o Viêt Minh, começou uma rebelião popular contra o domínio francês, reconhecida como a Primeira Guerra da Indochina. Em Saigon, o anticomunista Estado do Vietname, liderado pelo imperador Bao Dai, recebeu a Independência em 1949. Após o Acordo de Genebra de 1954, o Viêt Minh tornou-se o governo do Vietname do Norte, embora o governo Bao Dai (1913-1997) continuasse a governar no Vietname do Sul. A França esteve politicamente envolvida no Vietname no Século XIX, protegendo o trabalho da Sociedade para as Missões Estrangeiras de Paris. O Império do Vietname (11/03/1945) via os missionários católicos cada vez mais como uma ameaça tanto política quanto moralista; as cortesãs, uma facção influente no sistema imperial, temiam pelo status de sociedade influenciada por uma insistência na monogamia. A pista Ngõ 224 Lê Duẩn foi construída pelos franceses em 1902 e é uma linha férrea ativa em 2023.

Metodologicamente à frente do interesse sociológico do presente, segundo Elias (2011) encontramos processos de prazo longo relativamente curto e, em geral, apenas problemas relativos a um dado estado da sociedade. As transformações a longo das estruturas sociais e, por conseguinte, também, das estruturas da personalidade, perderam-se de vista na maioria dos casos. A sua compreensão pode ser facilitada por uma curta indicação dos vários tipos que esses processos assumem. Distinguimos duas direções nas mudanças estruturais: as que tendem para maior diferenciação e integração, e as que tendem para menos. Além disso, há um terceiro tipo de processo social, no curso do qual é mudada a estrutura da sociedade, ou de alguns de seus aspectos particulares, mas sem haver tendência de aumento ou diminuição no nível de diferenciação e integração. Por último, são incontáveis as mudanças na sociedade que não implicam mudança em sua estrutura. A demonstração de uma mudança em emoções e estrutura de controles humanas que ocorre ao longo de gerações, e na mesma direção ou, em curtas palavras o aumento do reforço e diferenciação dos controles – gera outra questão: é possível relacionar essa mudança social a longo prazo nas estruturas da personalidade com mudanças a longo praz na sociedade como um todo, que de igual maneira tendem a uma direção particular, a um nível mais alto de diferenciação e integração social? No tocante a essas mudanças estruturais a longo prazo da sociedade, falta também a prova empírica. A formação dos Estados nacionais constitui um tipo de mudança estrutural. As relações franco-vietnamitas começaram logo no Século XVII com a missão do padre jesuíta Alexandre de Rhodes, S. J. (1591-1660).

Em um esforço provisório de uma teoria da civilização, elabora-se um modelo, a fim de demonstrar possíveis ligações entre a mudança a longo prazo nas estruturas da personalidade no rumo da consolidação e de diferenciação dos controles emocionais, e a mudança a longo prazo na estrutura social a um nível de diferenciação e integração, visando a uma diferenciação e prolongamento das cadeias de interdependência e à consolidação dos “controles estatais”.  Neste momento, o Vietnã estava apenas começando a ocupar o Delta do Mekong, antigo território do indianizado Reino de Champa, que ele havia derrotado em 1471. O envolvimento europeu no Vietname se limitava ao comércio durante o Século XVIII. Em 1858, o breve período de unificação sob o Império do Vietname terminou com um ataque bem-sucedido em Da Nang pelo almirante francês Charles Rigault de Genouilly (1807-1873), sob as ordens de Napoleão III. Com a missão diplomática de Charles de Montigny tendo falhado, a missão Genouilly foi enviada para interromper as tentativas de expulsar os missionários católicos. Suas ordens eram para interromper a perseguição de missionários e garantir a propagação desimpedida da fé. Em setembro, 14 navios franceses, 3 000 homens e 300 soldados filipinos fornecidos pelos espanhóis atacaram o porto de Tourane, atual Da Nang, causando danos significativos, e ocupando a cidade. Após alguns meses, Rigault teve de deixar a cidade devido a questões de suprimentos e doenças. Em 1787, Pigneau de Behaine, um sacerdote católico francês, solicitou e organizou voluntários militares franceses para auxiliar Gia Long na retomada das terras da família perdidas para a Dinastia Tay Son. Pigneau morreu no Vietnã, e suas tropas lutaram até 1802 na assistência francesa a Gia Long. A França esteve fortemente envolvida no Vietnã no Século XIX, protegendo o trabalho da Sociedade para as Missões Estrangeiras de Paris. 

O Império do Vietnã via os missionários católicos cada vez mais como expressão de uma ameaça política; as cortesãs, uma facção influente no sistema imperial, temiam por seu status libertário em uma sociedade influenciada por insistência na monogamia. A Fome do Vietnã ocorrida em 1944-45 representou um momento do final da Segunda Guerra Mundial que foi diretamente dada pela invasão japonesa em terras vietnamitas, vividas em meio ao caos político e econômico que ali havia se instalado. A relação entre japoneses e franceses mudaram rapidamente depois que o exército alemão começou a recuar rapidamente do território francês. O que fez com que o Japão perdesse substancialmente a confiança no poder político da França e, portanto, nas autoridades francesas localizadas no Vietnã. Em 9 de março de 1945 o Japão então detém o território vietnamita e, portanto, o breve Império do Vietnã. Com esta estratégia o Japão constrangeu a Indochina Francesa a fornecer grãos e arroz para os invasores japoneses. Em regiões onde a fome era estabelecida de forma concreta e substancial, como ocorrera quase que simultaneamente tanto no Vietnã, quanto no Reino do Cambodja e na República Socialista do Laos, haviam em torno de 10 milhões de habitantes, sendo que desgraçadamente 2 milhões dentre esses habitantes morreram por conta da fome. Em paralelo, a Viet Minh toma frente da situação e em março de 1945, a população faminta de Indochineses Franceses resolve atacar os armazéns junto da Liga de Independência do Vietnã. Além dos conflitos sociais com relação à fome, os povos daquela Indochina Francesa tiveram vários outros conflitos que se estenderam até 1975 com o fim da Guerra do Vietnã, que sucedeu a Primeira Guerra da Indochina. 

Gernreich era filho único de Siegmund Gernreich e Elisabeth (nascida Müller) Gernreich, um casal judeu que vivia em Viena, Áustria. Seu pai era um fabricante de meias que serviu na 1ª Guerra Mundial (1914-1919) e que morreu por suicídio quando Gernreich tinha oito anos de idade. Gernreich aprendeu a utilidade de uso comercial sobre alta costura com sua tia, Hedwig Müller (1865-1992), que, com seu marido Oskar Jellinek (1886-1949), era proprietária de uma loja de vestidos. Ele passava muitas horas na loja da tia esboçando seus modelos para a alta sociedade vienense e o que aprendeu sobre tecidos. Ele também teve impressões precoces sobre sexualidade. Mais tarde, contou a um de seus modelos favoritos, Leon Bing, sobre imagens de “calças de couro com uma tira passando entre as nádegas das calças de trabalho de operários de rua e a pele branca das coxas das mulheres acima de meias pretas com ligas”. Quando tinha 12 anos, o estilista austríaco Ladislaus Czettel (1895-1949) viu seus esboços e ofereceu a Gernreich um estágio de moda em Londres, mas sua mãe recusou, acreditando que seu filho era muito jovem para sair de casa. Ele trabalhou brevemente com figurinos em Hollywood, mas detestou. 

Em 1942, juntou-se à companhia de dança moderna de Lester Horton como dançarino e figurinista. Gernreich disse: “Nunca fui um bom dançarino... Queria ser coreógrafo, mas isso nunca aconteceu”. Sobre sua época no teatro, Gernreich disse que a dança o tornou “consciente do que as roupas faziam com o resto do corpo”. Uma das muitas figuras que transformaram a cena artística do Sul da Califórnia das décadas de 1950 e 1960 em uma boemia vibrante, Bing possuía uma invejável combinação de audácia e boa sorte. Após uma infância comum no norte da Califórnia com uma mãe determinada e casada cinco vezes, Bing se viu como uma bela jovem na glamorosa Los Angeles dos anos 1950. Seu sucesso como modelo de Loja de Departamentos, como se classificava, a impulsionou para Nova York, onde modelou para as principais revistas de moda e namorou inúmeros homens fabulosos. Após o casamento com o diretor de televisão Mack Bing e o nascimento da filha, Lisa, ela retorna a Los Angeles na década de 1960. Com o fim do casamento, Bing volta a trabalhar, tornando-se o modelo principal de Rudi Gernreich. (Sua outra modelo, Peggy Moffitt, mudou-se para Londres com o marido, o fotógrafo William Claxton.) Com Gernreich, ela posa nos degraus do Museu de Arte do Condado de Los Angeles para uma sessão de fotos de artistas e designers quando avista Ed Ruscha, também presente para a sessão. Ela insiste para que Gernreich os apresente e, depois disso, como ela mesma diz, “a coisa esquentou”. Ed Ruscha, recém-casado com Danna e pai de primeira viagem, fica encantado pela modelo de pernas longas e inicia um caso tórrido que dura quatro anos. Ela leva Ruscha para a casa de sua amiga Mama Cass e transa com ele na piscina. 

Devia ser amor verdadeiro, pois ela também concordou em estrelar o lendário Premium de Ruscha, um livro de fotografias e, posteriormente, um filme. Em ambos, ela é o par romântico de um elegante Larry Bell, o escultor, dirigindo um Pierce Arrow conduzido por Tommy Smothers. Bell a acompanha até um quarto de hotel onde ela se despe e se deita em uma cama coberta de alface. Bell a banha com molho para salada e sai para pegar... biscoitos. Biscoitos salgados da marca Premium, é claro. Seu caso com Ruscha acaba chegando ao fim, mas ele lhe dá uma grande pintura com a frase: “Escute, eu gostaria de ajudar, mas...”. Homens mais excêntricos entram em sua vida. Ela faz amizade com o gangster Mickey Cohen (1913-1976), o produtor David Merrick (1911-2000) e, por três anos, vive com Nick Barbosa, a quem descreve como um “traficante de cocaína bem-sucedido de nível médio”. Era o início dos anos 1980, em que tal profissão tinha prestígio significativo na liberal Los Angeles. Ao final, Bing se vê sozinha para se virar. Enquanto a maioria das memórias desse tipo poderia terminar de forma lamentável, Bing se reinventa mais uma vez, desta vez como autora de artigos e livros sobre o que poderia parecer o tema menos provável: guerras entre gangues. Embora ela pareça ter uma visão bastante afetuosa sobre os mafiosos. Seu primeiro livro, Do and Die, sobre as gangues Crips e Bloods em Los Angeles, foi lançado em 1991 e aclamado pela crítica, que se encantou com sua beleza.  

Este livro de memórias é o seu quarto, um resumo de uma vida singular, e ao final, é impossível não se lembrar da sabedoria de Mae West: as boas meninas vão para o céu, mas as meninas más, e as sortudas, vão para qualquer lugar. Dennis Hopper tirou a maioria das fotos glamorosas que aparecem nas memórias de Bing Crosby (1903-1977). As fotos de Hopper também estão presentes em um novo e substancial livro que não só defende Hopper como fotógrafo, mas também narra seu trabalho como ator, diretor e figura irreverente. Aqueles familiarizados com suas fotografias da cena artística de Los Angeles dos anos 1960 encontrarão poucas surpresas aqui, mas as imagens mantêm um certo apelo atemporal. De Jasper Johns a Jane Fonda, a turma é adorável, divertida e elegante, e temos sorte hoje de que Hopper estivesse por perto para fotografá-los. Informal e inventivo, Hopper definitivamente tinha sua própria estética, seja capturando imagens de sua vida doméstica com a atriz Brooke Hayward, ou de amigos como Paul Newman (1925-2008), os sets de vários filmes, as marchas pelos direitos civis em Montgomery, peões de rodeio, bandas de rock e, claro, mulheres nuas. Um bônus adicional é o ensaio escrito sobre Hopper e Los Angeles nos anos 1960 pelo saudoso e genial Walter Hopps (1932-2005). O lendário curador narra a obsessão de Hopper por armas, alimentada por drogas, durante sua vida em Taos, anos que o livro, franca e precisamente, classifica como “Rumo ao Esquecimento”.

Outro ensaio, do marchand de arte Tony Shafrazi, que editou o livro e agora exibe as fotos e pinturas de Hopper, narra sua longa amizade com o ator e artista de 72 anos.  Maravilhosa em muitos aspectos, a publicação também dá um significado concreto à noção de um livro como “uma valiosa adição à sua biblioteca”. A edição limitada e assinada de 100 exemplares, que inclui uma gravura de Hopper, custa US$ 1.800, enquanto os exemplares da edição assinada de 1.500 são vendidos a US$ 700. Ele também trabalhou como figurinista freelancer, mas deixou Lester Horton em 1948 e tornou-se vendedor de tecidos da Hoffman Company. Gernreich migrou do design têxtil para o design de moda. O clima de comunicação da moda naquela época era ditado pelos estilistas de Paris. Em 1949, ele trabalhou brevemente em Nova York na George Carmel, mas não gostou do cargo porque se sentia pressionado a imitar a moda parisiense. Gernreich afirmou: “Todos com um certo grau de talento eram motivados por um alto nível de bom gosto e lealdade inquestionável a Paris. Dior, Fath, Balenciaga eram deuses - reis. Você não podia se desviar do estilo deles”. Em 1951, ainda tentando entrar no mundo da moda, Gernreich conseguiu um emprego com Morris Nagel para desenhar para a Versatogs, mas Nagel exigiu que Gernreich se mantivesse fiel à fórmula de design da Versatogs, que detestava. Ele começou a desenhar sua própria linha de roupas em Los Angeles e Nova York até 1951, quando o também imigrante vienense Walter Bass, em Beverly Hills, o convenceu a assinar um contrato de sete anos com ele. A William Bass Inc. produziu uma coleção de vestidos que vendeu para Jack Hanson (1919-1990), dono da Jax, uma boutique emergente de Los Angeles visada em roupas de vanguarda, divertidas e ousadas.

Ele também desenhou figurinos para Lester Horton até 1952. Durante a maior parte da década de 1950, colaborou com a sobrevivente húngara do Holocausto e imigrante Renée Firestone em Los Angeles, antes de ela lançar sua própria linha em 1960. Em 1955, começou a desenhar roupas de banho para a Westwood Knitting Mills em Los Angeles. Eles o contrataram em 1959 como designer de roupas de banho. A Genesco Corporation também o contratou como designer de calçados em 1959. No início da década de 1960, Gernreich abriu um showroom na Sétima Avenida, em Nova York, onde exibia seus populares designs para a marca de malhas Harmon e sua própria linha de peças experimentais, mais caras. Ele completou seu contrato de sete anos com Walter Bass em 1960 e fundou sua empresa GR Designs em Los Angeles. Ele mudou o nome de sua empresa para Rudi Gernreich Inc. em 1964. Seus designs foram apresentados no que é geralmente considerado o primeiro vídeo de moda, Basic Black: William Claxton com Peggy Moffitt, em 1966. Gernreich queria que seus designs fossem acessíveis e, em 1966, quebrou a regra não escrita da moda americana de que estilistas renomados não vendem para lojas de departamento. Em 3 de janeiro de 1966, ele tomou a atitude inédita de assinar um contrato com a Montgomery Ward, uma rede de lojas. As criações de Rudi se mostraram populares e duraram várias temporadas, demonstrando que designs originais podiam ser vendidos a preços acessíveis. Em 1966, Gernreich foi nomeada uma das “revolucionárias da moda” em Nova Iorque pela Women`s Wear Daily, juntamente com Edie Sedgwick, Tiger Morse, Pierre Cardin, Paco Rabanne, Baby Jane Holzer, André Courrèges, Emanuel Ungaro, Yves Saint Laurent e Mary Quant.

Ele desenhou os uniformes da Base Lunar Alpha usados ​​pelos personagens principais da série de televisão britânica de ficção científica dos anos 1970, Espaço: 1999, expandindo os limites do visual futurista no vestuário ao longo de três décadas. Gernreich era muito contrário à sexualização do corpo humano e à noção de que o corpo era essencialmente vergonhoso. Gernreich desenvolveu fortes sentimentos sobre a sexualização do corpo humano pela sociedade e discordava das crenças religiosas e sociais de que o corpo era essencialmente vergonhoso. Ele queria reduzir o estigma de um corpo nu, para “curar nossa sociedade de sua obsessão com o sexo”, como ele mesmo disse. Gernreich afirmou: “Para mim, o único respeito que você pode dar a uma mulher é torná-la um ser humano. Uma mulher totalmente emancipada e totalmente livre”. Gernreich abordou a moda como um comentário social. Ele disse: “Percebi que se podia dizer coisas com roupas”. Os editores da revista Life pediram-lhe que imaginasse roupas para o futuro para a edição de 1° de janeiro de 1970, e ele criou designs de peças minimalistas e unissex que poderiam ser usadas tanto por homens quanto por mulheres. Ele queria criar um “princípio de utilidade” que “nos fizesse esquecer a nossa aparência e nos concentrasse em assuntos realmente importantes”.

A escritora de moda Marylou Luther, que se tornou uma grande amiga de Gernreich, escreveu que ele tinha dois motivos em seus designs: um era criar moda moderna “para o século XX e além”, e o outro era ser “um comentarista social que por acaso trabalhava com roupas”. Gernreich usou seus designs propositalmente para promover suas visões sociopolíticas. Durante sua carreira, sua influência foi comparada à dessas mesmas casas de moda: Balenciaga, Dior e André Courrèges, mas ele se recusou firmemente a apresentar seus designs em Paris. Em vez disso, citou Claire McCardell (1905-1958) como sua influência. Ela é uma estilista norte-americana de roupas prontas para vestir, também reconhecidas como Prêt-à-porter, durante o século XX. Ela é creditada como a criadora das roupas esportivas americanas. Gernreich desenvolveu uma reputação como um designer de vanguarda que quebrou muitas regras de design. Como ex-dançarino, Gernreich estava interessado em “libertar o corpo das limitações das roupas”. Em 1952, enquanto desenhava para Westwood, ele apresentou o “primeiro maiô sem sutiã embutido”. A maioria dos maiôs da época tinha uma estrutura interna rígida com forros reforçados. Seus designs usavam malhas de lã elásticas que se ajustavam ao corpo da mulher.  Em sua edição de dezembro de 1962, a Sports Illustrated observou: “Ele transformou o collant de dançarina em um maiô que liberta o corpo. No processo, ele removeu as barbatanas e a armação que faziam dos maiôs americanos espartilhos para navegar”. Ele foi considerado o estilista que libertou as mulheres dos limites da alta costura, criando roupas vibrantes, jovens e “frequentemente ousadas que seguiam a forma natural do corpo feminino”.

   

 Gernreich é considerado por alguns como o “estilista mais inovador e dinâmico do século XX”. Em 1964, ele criou o primeiro maiô sem a parte de cima, que chamou de “monokini”. Gernreich foi destaque na capa da revista Time em dezembro de 1967 com os modelos Peggy Moffitt e Leon Bing. A revista o descreveu como “o estilista mais ousado e vanguardista dos EUA”. Cynthia Amnéus, curadora-chefe e curadora de moda e têxteis do Museu de Arte de Cincinnati, em Ohio, disse: “Rudi foi um dos estilistas americanos mais importantes e visionários do século XXI... Rudi fazia coisas muito chocantes e vanguardistas, como tirar toda a estrutura dos trajes de banho e criar um vestido trapézio na década de 1950, muito antes de Yves Saint Laurent”. Ele trabalhou em estreita colaboração com a modelo Peggy Moffitt e seu marido, o fotógrafo William Claxton, durante muitos anos, expandindo os limites do “visual futurista” no vestuário três décadas. Seu trabalho combinava designs minimalistas com cores vibrantes e psicodélicas e fortes padrões geométricos, ultrapassando os limites do vestuário feminino contemporâneo. Moffitt aumentou a notoriedade de seus designs com maquiagem e cortes de cabelo vanguardistas. Ele foi o sexto estilista americano a ser eleito para o Coty American Fashion Hall of Fame, (concedidos de 1943 a 1984) foram criados em 1942 pela empresa de cosméticos e perfumes Coty para promover e celebrar a moda americana e incentivar o design durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Em 1985, os Coty Awards foram descontinuados, com a última apresentação dos prêmios em setembro de 1984; os CFDA Awards desempenham um papel semelhante. Eram informalmente chamados de “Oscars da moda” porque outrora tiveram grande importância na indústria cultural da moda e as cerimônias de premiação eram galas glamorosas.

Os Prêmios Coty (Avery Nabavian Award) foram idealizados e criados pelo vice-presidente executivo da Coty, Inc., Jean Despres, fundador da The Fragrance Foundation e do FiFi Awards, e Grover Whalen, membro do Comitê do Prefeito da Cidade de Nova York e presidente da Feira Mundial de Nova York de 1939. A publicitária de moda Eleanor Lambert (1903-2003) foi contratada para promover e produzir os prêmios. Os prêmios eram atribuídos exclusivamente a designers sediados na América, ao contrário dos Neiman Marcus Fashion Awards. Até à sua descontinuação em 1985, o Coty Award era considerado um dos prémios mais prestigiados no campo da moda. Os prêmios foram desenhados por Malvina Hoffman (1885-1966). Os prêmios de vestuário feminino são popularmente conhecidos como Winnies: o prêmio de vestuário masculino, que começou em 1968, não tem nome. Os prêmios de repetição eram o Return Award e o Hall of Fame Award. Prêmios especiais também eram atribuídos a designers em áreas específicas. A popularidade deste prêmio começou a declinar no final da década de 1970 devido aos interesses comerciais percebidos pela empresa matriz. Em 1979, os estilistas Calvin Klein e Halston anunciaram que não aceitariam mais o prêmio Winnie. Em 1979, a Coty lançou o kit de maquiagem Coty Awards para lucrar com a cerimônia de premiação, o que foi percebido pelos estilistas como algo que banalizou o evento. O recém-fundado CFDA mais democrático em sua ideologia e a competir com o Prêmio Coty e com o Prêmio CFDA.        

Em junho de 1985, Donald Flannery, vice-presidente sênior da Pfizer, Inc., empresa controladora da Coty, anunciou que, como os prêmios haviam inserido com sucesso os Estados Unidos no cenário mundial da moda, foi decidido descontinuá-los. Ele desenhou a primeira blusa de chiffon transparente, criou roupas a partir de collants e meias-calças, decorou-as com zíperes e fechos de coleira de cachorro e, em 1970, introduziu a ideia de roupas unissex minimalistas, utilitárias e opcionais, incluindo ternos masculinos e chapéus para mulheres. Apresentou seus designs em um modelo masculino e um feminino, ambos depilados. Desenhou conjuntos coordenados de vestidos, bolsas, chapéus e meias. Ele esteve entre os primeiros a usar regularmente vinil e plástico em roupas, usou detalhes recortados e desenhou o primeiro sutiã macio e transparente — o No Bra. Em 1974, em resposta à proibição de praias de nudismo em Los Angeles, ele desenhou e nomeou o primeiro traje de banho “fio dental” que expunha as nádegas, tanto para homens quanto para mulheres. Gernreich patenteou o design do fio dental, mas desistiu de exercer seus direitos devido a dificuldades legais. De 1970 a 1971, ele desenhou móveis para a Fortress e a Knoll International, e em 1975 desenhou roupas íntimas masculinas para a Lily of France. No ano seguinte, trabalhou em cosméticos para a Redken e em figurinos para a Bella Lewitzky Dance Company, além de acessórios de cozinha e de cerâmica para banheiro. Gernreich continuou a colaborar com Lewitzky, criando cenários e figurinos para Pas de Bach em 1977, Rituals em 1979, Changes & Choices em 1981 e o Confines em 1982, todos dançados pelo WCK3. Em 2019, o Skirball Cultural Center em Los Angeles criou Fearless Fashion: Rudi Gernreich, uma grande exposição que detalha a vida e a carreira de Gernreich.

Bibliografia Geral Consultada.

Artigo: “Revolution in Fashion Reaction in New York: These Were the Revolutionaries”. In: Women’s Wear Daily. Vol. 112, n° 74. April 14, 1966; MURRAY, Martin John, The Development of Capitalism in Colonial Indochina (1870-1940). Berkeley: University of California Press, 1980; MAFFESOLI, Michel, O Conhecimento Comum. São Paulo: Editora Brasiliense, 1988; THOMPSON, David; CHRISTIE, Ian, Scorsese por Scorsese. Rio de Janeiro: Edições 70, 1989; BAUDRILLARD, Jean, A Transparência do Mal. Campinas: Papirus Editora, 1990; KAPLAN, E. Ann, A Mulher e o Cinema: Os Dois Lados da Câmera. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1995; MERLEAU-PONTY, Maurice, Le Cinema et la Nouvelle Psychologie. Paris: Éditions Gallimard, 1996; BENET, Vicente, La Cultura del Cine: Introducción à la História y à la Estética del Cine. Barcelona Espanha: Paidos Ibérica Ediciones, 2004; MESQUITA, Luciano Pires, A “Guerra do Pós-Guerra”: O Cinema Norte-Americano e a Guerra do Vietnã. Dissertação de Mestrado em História. Programa de Pós-Graduação em História. Instituto de Ciências Humanas e Filosofia. Niterói: Universidade Federal Fluminense, 2004; TRINQUIER, Roger, La Guerre Moderne. Préface de François Géré. Paris: Edition Economia, 2008; VISACRO, Alessandro, Guerra Irregular: Terrorismo, Guerrilha e Movimentos de Resistência ao Longo da História. 1ª edição. São Paulo: Editora Contexto, 2009; JACOBS, Jane, Morte e Vida de Grandes Cidades. Trad. Carlos S. Mendes Rosa. 3ª edição. Rio de Janeiro: Editora ‏WMF Martins Fontes, 2011; ELIAS, Norbert, “Apêndice: Introdução à Edição de 1968”. In: O Processo Civilizador: Uma História dos Costumes. Volume 1. 2ª edição. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 2011; pp. 207-241; BISCARO, Matheus Pinto, Encurralado: Um Conto sobre a Paranoia, a Máquina e a Masculinidade na Hollywood dos anos de 1970. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais. Escola de Comunicações e Artes. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2023; MACÊDO, Marcelle Maciel da Veiga, Facetas Paradoxais do Consumo: Mal-estar e Felicidade. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Psicanálise. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2024; MELTZER, Marisa, “Peggy Moffitt, 86, Dies; Defined ´60s Fashion with a Bathing Suit and a Bob”. In: The New York Times, 13 de Agosto de 2024; FREITAS, Inês Duarte de, “2026 traz novidades à moda: as estreias de diretores em Milão e Paris”. In: https://www.publico.pt/2026/01/08/; entre outros.