quarta-feira, 10 de junho de 2026

O Homem do Norte – Cinema & Gesta Danorum, de Saxo Grammaticus.

                                 Vou vingá-lo, pai. Vou salvá-la, mãe. Vou matá-lo, Fjolnir!”. Personagem  Príncipe Amleth                      

            

       Viking tem como representação social um termo habitualmente usado para se referir aos exploradores, guerreiros, comerciantes e piratas escandinavos que invadiram, exploraram e colonizaram grandes áreas da Europa e das ilhas do Atlântico Norte a partir do final do século VIII ao início do século XI. Marinheiros e navegadores experientes em seus navios chamados de dracars, os Vikings estabeleceram assentamentos e governos nórdicos nas Ilhas Britânicas, nas Ilhas Feroe, na Islândia, na Groenlândia, na Normandia e na Costa Báltica, bem como ao longo das rotas comerciais dos rios Dnieper e do Volga através na Rússia moderna, na Bielorrússia e Ucrânia, onde também eram conhecidos como varegues. Os normandos, os nórdicos-gaélicos, o povo rus, os faroeses e os islandeses emergiram dessas colônias nórdicas. A certa altura, um grupo de Rus Vikings foi tão para o Sul que, depois de servir brevemente como guarda-costas do imperador bizantino, atacaram a cidade bizantina de Constantinopla. Os Vikings também viajaram para o Mar Cáspio na região do Irã, Daguestão e Azerbaijão e até a Arábia. Eles também foram os primeiros europeus a chegar à América do Norte, brevemente fundando uma colônia em Terra Nova (Vinlândia). Ao espalharem a cultura nórdica para terras estrangeiras, eles simultaneamente trouxeram escravos, concubinas e influências culturais estrangeiras para a Escandinávia, influenciando o desenvolvimento genético de ambos. Historicamente durante a chamada Era Viking, as terras natais nórdicas foram gradualmente consolidadas na esfera política de reinos menores em três reinos maiores, nos territórios atuais da Dinamarca, Noruega e Suécia.

       A raiz da palavra germânica vik ou wik está relacionada a mercados, é o sufixo normalmente utilizado para referir-se a uma “cidade mercadora”, da mesma forma que burg significa “lugar fortificado”. Sandwich e Harwich, na Inglaterra, ainda demonstram essa terminação, e Quentovic, a recém-escavada cidade portuária dos francos, mostra a mesma etimologia. A atividade mercantil dos vikings está bem documentada em vários locais arqueológicos como Hedeby, uma importante cidade viquingue dos dinamarqueses, localizada no Norte da Alemanha. Há quem acredite que a palavra viking vem de vikingr do nórdico antigo, língua falada pelos vikings, mas eles não se denominavam assim; este nome foi atribuído a eles devido ao seu significado: piratas, aventureiros ou mercenários viajantes. Os vikings são escandinavos, que por sua vez, são um povo germânico, sendo provenientes dos indo-europeus. Os vikings a partir do século VII começaram a sair da Escandinávia para as regiões próximas, autônomas dinamarquesas como Groenlândia e as Ilhas Faroé, e a finlandesa ilhas Åland. devido a uma superpopulação e até problemas internos, como no caso extraordinário de Érico, o Vermelho que foi expulso da Noruega e da Islândia por assassinato, além da motivação pelo comércio e pelos saques das cidades europeias. Os anais francos usam a palavra Normanni, os anglo-saxões os denominavam de Dani, e embora esses termos certamente se refiram respectivamente aos noruegueses e dinamarqueses, parece que frequentemente eram usados para os homens do norte" em geral. 

        Nas crônicas germânicas eles eram denominados de Ascomanni, isto é, “homens de madeira”, porque suas naus eram feitas de madeira. Em fontes primárias irlandesas eles aparecem com Gall (forasteiro) ou Lochlannach (nortistas); para o primeiro eram algumas vezes adicionadas as palavras branco (para noruegueses) ou preto (para dinamarqueses), presumivelmente devido às cores de seus escudos ou de suas malhas. Os vikings falavam nórdico antigo e faziam inscrições em runas. Durante a maior parte do período histórico das suas expedições, eles seguiram a religião nórdica antiga, porém mais tarde se converteram ao cristianismo. Os vikings tinham suas próprias leis, arte e arquitetura. A maioria deles eram agricultores, pescadores, artesãos e comerciantes. As concepções populares dos vikings muitas vezes diferem fortemente da civilização complexa e avançada dos nórdicos que emerge da arqueologia e de fontes históricas. Uma imagem romantizada dos vikings como nobres selvagens começou a surgir no século XVIII; isso se desenvolveu e se tornou amplamente propagado durante o revivificação viking do século XIX. As visões dos vikings como pagãos violentos e piratas ou como aventureiros intrépidos devem muito a variedades conflitantes do mito viking moderno que tomou forma no início do século XX. As atuais representações populares dos Vikings são tipicamente baseadas em clichês e estereótipos culturais, complicando a apreciação moderna do legado Viking. Essas representações raramente são precisas - por exemplo, não há evidências de que eles usassem capacetes com chifres, um elemento do traje que apareceu pela primeira vez no século XIX.                                   

O Homem do Norte tem como representação um filme épico norte-americano de ação e drama histórico de 2022, dirigido por Robert Eggers, que co-escreveu o roteiro com Sigurjón Birgir Sigurðsson. Baseado na lenda de Amleth, da obra Gesta Danorum de Saxo Grammaticus, livro escrito por volta do século XII-XIII pelo escritor e historiador dinamarquês medieval sobre a história da Dinamarca, o filme acompanha Amleth, um príncipe viking exilado que parte em uma jornada para vingar o assassinato de seu pai pelas mãos de seu tio, no auge da Era Viking. O elenco conta com Alexander Skarsgård, Nicole Kidman, Claes Bang, Anya Taylor-Joy, Gustav Lindh, Ethan Hawke, Björk e Willem Dafoe. Eggers e Skarsgård, que também produziram o filme, se encontraram para discutir possíveis colaborações; Eggers decidiu fazer do filme “seu terceiro projeto após se encontrar com Skarsgård, que desejava fazer um filme viking há vários anos”. Grande parte do elenco se juntou em outubro de 2019 e as filmagens ocorreram em locações na Islândia, Irlanda e Irlanda do Norte, de agosto a dezembro de 2020. O filme é fortemente influenciado pela mitologia nórdica. O filme “The Northman” estreou no TCL Chinese Theatre em Los Angeles em 18 de abril de 2022, embora já tivesse sido lançado nos cinemas em países europeus e sul-americanos a partir de 13 de abril. Foi lançado nos Estados Unidos da América em 22 de abril. Recebeu ampla aclamação da crítica, mas teve um desempenho abaixo do esperado nas bilheterias, arrecadando US$ 69,6 milhões com um orçamento líquido de US$ 70 milhões. Mas, obteve sucesso financeiro inesperado em plataformas sob demanda e mídia doméstica, permitindo-lhe recuperar grande parte das perdas de bilheteria.

Em 895 d.C. o Rei Aurvandill “Corvo da Guerra” retorna à ilha de Hrafnsey, reunindo-se com sua esposa, a Rainha Gudrún, e seu herdeiro, o Príncipe Amleth. Para preparar Amleth para sua eventual ascensão ao trono, pai e filho participam de uma cerimônia supervisionada pelo bobo da corte de Aurvandill, Heimir, diz a Amleth que seu destino está selado e que não há como escapar, e Amleth jura vingar seu pai caso Aurvandill seja morto, em vez de viver sua vida em vergonha. Na manhã seguinte, o tio bastardo de Amleth, Fjölnir, orquestra um golpe palaciano, decapita Aurvandill, saqueia a fortaleza no topo da colina e rapta Gudrún. Amleth escapa por pouco dos assassinos de Fjölnir e foge de barco, jurando vingança. Vários anos depois, Amleth, já adulto, é um tipo de berserker, conhecido como ulfhéðinn, em um bando de vikings. Após atacar uma vila em Garðaríki, ele encontra uma vidente no templo de Svetovit; e ordena que Amleth se lembre de seu juramento de vingança e lhe diz que seu destino está entrelaçado com o de uma Donzela-Rei. Logo depois, ele descobre que “Fjölnir, o Sem Irmãos”, perdeu seu trono para Harald da Noruega e agora vive como criador de ovelhas na Islândia. Fjölnir é um rei lendário da mitologia nórdica, considerado filho de Freyr (Frey) e sua consorte Gerðr (Gertha). O nome aparece em diversas formas, incluindo Fiolnir, Fjölner, Fjolner e Fjolne. Ele foi considerado o progenitor da dinastia sueca Yngling, que reinou a partir de Gamla Uppsala.

 De acordo com o Grottasöngr, Fjölnir viveu do século I a.C. ao início do século I d.C. Diz-se que Fjölnir se afogou num tonel de hidromel enquanto visitava Peace-Fróði, um rei igualmente lendário da Zelândia, a ilha dinamarquesa. Fjölnir foi então sucedido por seu filho Sveigðir. A etimologia do nome nórdico antigo Fjǫlnir não é clara. Pode derivar do verbo fela (“esconder”), com Fjǫlnir como “o ocultador [do hidromel da poesia]”, ou pode ter surgido como uma abreviação de fjǫlviðr (“o muito sábio”). Uma derivação de fjǫl (“multidão”) também foi proposta, com Fjǫlnir como “a multiplicidade” ou o “multiplicador”, embora tal formação adverbial não tenha paralelo atestado. De acordo com Lindow, a segunda etimologia pode ser mais adequada para um nome de Odin, mas o significado permanece incerto em qualquer caso. Fjölnir também é frequentemente mencionado como um nome de Odin. Em Grímnismál (“A Canção de Grímnir”), Odin o menciona a Geirröðr como um de seus muitos nomes que constituem o início de sua epifania. Em Reginsmál (“A Canção de Reginn”), um homem que é claramente Odin usa Fjölnir para se referir a si mesmo enquanto está em uma montanha dirigindo-se a Sigurd e Regin. Em Gylfaginning (“O Encantamento de Gylfi “), Fjölnir aparece entre os 12 nomes dados para Alfödr, outro nome de Odin.

Grottasöngr informa que Fjölnir foi contemporâneo de César Augusto (63 a.C. – 14 d.C.). Ele era um rei poderoso, as colheitas eram abundantes e a paz era mantida. Em sua época, o rei Fróði, filho de Friðleifr, governava Lejre, na Zelândia. Grottasöngr relata que, quando Fróði visitou Uppsala, trouxe consigo duas gigantescas, Fenja e Menja. Fróði konungr sótti heimboð í Svíþjóð til þess konungs, é Fjölnir é nefndr. Þá keypti hann ambáttir tvær, er hétu Fenja ok Menja. Þær váru miklar ok sterkar.A saga dos Ynglinga conta que Fjölnir era filho do próprio Freyr e de sua esposa Gerd, mas foi o primeiro de sua linhagem a não ser deificado. Na Era Viking é o nome que se dá ao período de quase três séculos da história da Escandinávia, aproximadamente entre os anos 800 e 1050, durante o qual os vikings tiveram um papel preponderante. A Era Viking faz parte da pré-história dos Países Escandinavos, nomeadamente a última fase da Idade do Ferro, e é seguida pelo início da Idade Média. Costumam ser apontadas como causas da Era, a população da Escandinávia ter aumentado consideravelmente. ficando a terra insuficiente para fornecer a alimentação necessária, ao mesmo tempo que a técnica da construção dos navios viking atravessava um desenvolvimento notável. As divisões e querelas internas dos estados da Europa continental abriram o terreno, tendo os Nórdicos aproveitado a oportunidade. A maior parte da população escandinava era constituída por camponeses, que nunca saiam das suas terras, e se dedicavam à agricultura, à silvicultura, à caça e à pesca. As pessoas viviam em pequenos grupos familiares com várias gerações, e dedicavam-se ao cultivo do centeio, da cevada, do trigo e da aveia.

Comiam pão, papas de cereais, queijo fresco e bagas. Bebiam água, leite ou cerveja fraca. Criavam porcos, cabras, gansos, cavalos e vacas. A carne desses animais era salgada ou defumada, para ser conservada para o inverno. Habitavam casas retangulares, onde tinham lugar homens, mulheres, crianças, escravos e animais. Os escravos, chamados thrall na Escandinávia, tinham uma vida dura, fazendo os trabalhos mais difíceis e comendo alimentos inferiores ou os restos das refeições. Um pequeno grupo dedicava-se ao fabrico de objetos e ao comércio. Os vikings eram uma pequena parcela da população, que participavam em operações de guerra naval, de pirataria ou de comércio marítimo, e era conhecida por serem exímios navegadores, mercadores e guerreiros. As famílias eram geralmente compostas por um homem, uma mulher e 1-3 filhos. Ocorria também a poligamia, tendo alguns homens ricos 2 ou 3 esposas ou “amantes legítimas” (frillor). A população estava organizada em sociedades locais com carácter hierárquico, constituídas por um chefe (hövding), seus capatazes-guerreiros (jarlar), camponeses livres (fria bönder) e escravos (trälar). A agricultura era a principal ocupação e base de subsistência, sendo o comércio e as atividades marítimas os vetores marcantes deste período.   

 Com o decorrer dos tempos, hic et nunc apareceram comerciantes e artesãos, que ganharam sucessivamente certa independência, e pouco a pouco concentraram a sua atividade, fazendo surgir as primeiras cidades, como é o caso de Heidiba, Ribe e Sigtuna. Igualmente entraram em cena, no fim deste período, os padres, acompanhando o processo de cristianização em curso. São precisamente estes dois grupos de comerciantes e padres, que mostram a direção em que evoluía a sociedade escandinava da Era Viquingue. A língua falada está preservada em inscrições em pedras rúnicas contemporâneas e em poemas orais recolhidos dois séculos mais tarde. A língua utilizada nas áreas dinamarquesas, suecas, norueguesas, feroesas e islandesas, é o nórdico antigo. Como não há diferenças linguísticas nas inscrições em caracteres rúnicos, parece que a língua falada diferia pouco desse grupo linguístico.

Antes da chegada do cristianismo, os escandinavos adoravam os deuses asses. Odin era o deus principal - o "Deus supremo". Ele tinha criado o mundo com os seus irmãos Vile e Ve, e dado a vida aos primeiros seres humanos - Askr e Embla. Enquanto Odim era o favorito dos grupos dominantes, os deuses Thor e Frey eram particularmente populares entre os camponeses. Thor era o deus das curas nas doenças e Frey o deus da paz, das boas colheitas e dos casamentos felizes. Era uma religião com inúmeros deuses caprichosos e imprevisíveis, aos quais era necessário agradar e acalmar. Nas suas viagens à Europa, os víquingues depararam-se com um novo deus - o Cristo. A pouco e pouco, a nova divindade foi ganhando adeptos, em competição com os deuses tradicionais, e o cristianismo chegou à Escandinávia. Entre os primeiros missionários a chegar à Dinamarca e Suécia, esteve Ansgário, enviado pelo imperador franco-germânico Luís I na década de 820. Com o estabelecimento de bispados permanentes no século XI, o processo de cristianização é consumado. A nova religião estava associada uma cultura e a uma nova forma de vida. Ao mesmo tempo a Era Viquingue estava a chegar ao fim. A arte dos víquingues aparece nos seus mitos, nos seus objetos do dia-a-dia e nas pedras rúnicas. Dos artefatos práticos e belos, em madeira e em tecido. O que sobreviveu do trabalho de artesãos anônimos, é sobretudo trabalhos em metal – fivelas, agulhas, pulseiras, colares, amuletos e armas ornamentadas.

O estilo viquingue é frequentemente decorativo e baseado em motivos da natureza, usando ornamentações complicadas, com animais interligados e plantas entrelaçadas. Pelo contrário, as pedras rúnicas e as gravuras rupestres têm preservado inúmeras representações artísticas de cenas do dia a dia e do imaginário da época. Na Era Viking a população vivia pelo campo. Duas das principais atividades económicas eram a agricultura e o comércio. As "cidades" eram os pontos de encontro das pessoas que tinham algo para vender ou para comprar. Entre as primeiras cidades conhecidas da Escandinávia estavam Ribe (na Jutlândia), Hedeby (entre a Alemanha e Dinamarca), Kaupang na Noruega, Uppåkra na Escânia e Birka (no Vale do Mälaren). Mais tarde surgiram outras povoações, como Sigtuna, Skara e Visby. Com o aumento da população e a melhoria da técnica de construção naval, apareceu a possibilidade de ir buscar riquezas a outras paragens e procurar terras férteis para colonizar. Muitos noruegueses saíram do país para escapar a uma opressão política sufocante. Estas circunstâncias teriam levado os navegadores nórdicos a sair da Escandinávia, para explorar, saquear, conquistar e fazer comércio com a Europa, a Ásia, a África e a América atravessando mares e subindo rios. Para Oeste, os víquingues da Dinamarca e do sul da Suécia (danos) fizeram incursões e acabaram por se estabelecer em várias partes da Europa - especialmente França e Ilhas Britânicas. 

Ao mesmo tempo, vale elmbrar que singularmertne os víquingues da Noruega aventuraram-se no Atlântico, descobrindo e colonizando a Islândia e a Groenlândia, e tendo mesmo chegado à América do Norte, onde tentaram fixar-se, embora sem sucesso. As expedições dinamarquesas e norueguesas, tinham o foco na colonização e pilhagem. Para Leste, os víquingues da Suelândia (suíones) e da Gotlândia (gotas), na Suécia, abriram rotas comerciais ligando os países nórdicos ao Oriente, tendo estado nos Países Bálticos, na Rússia, no mar Negro, no Mar Cáspio, no Império Bizantino e no Califado Abássida. Fundaram feitorias comerciais em Novogárdia e Quieve. A sua presença está igualmente referida na Anatólia, onde eram designados com o nome de varegues (varjager). O foco das expedições suecas estava na abertura de vias marítimas comerciais e estabelecimento de entrepostos comerciais. A Era Viquingue acabou quando o cristianismo e a civilização europeia chegaram à Escandinávia. Com o aparecimento e consolidação dos reinos da Dinamarca, Noruega e Suécia, as expedições militares reais substituíram as expedições de pirataria dos grandes senhores locais. Na mesma conjuntura, as rotas comerciais do Mediterrâneo foram reabertas devido às Cruzadas, e o comércio na Europa do Norte perdeu importância, tendo os alemães suplantado os comerciantes da Suécia e da ilha da Gotlândia. Com o desaparecimento desta importante base da sua riqueza econômica, os Países Nórdicos passaram a estar na periferia do comércio internacional.

Saxão Gramático, em latim: Saxo Grammaticus, também reconhecido como “Saxão, o Erudito” e “Saxão, o Alto” foi um historiador da Dinamarca medieval, que se julga ter sido um escrivão secular do arcebispo Absalão de Lund (1128-1201). É o autor da primeira história da Dinamarca, conhecida como Gesta Danorum. Segundo a Crônica da Jutlândia, Saxão nasceu na Zelândia. Parece pouco provável que tenha nascido antes de 1150, e supõe-se que a sua morte terá ocorrido por volta de 1220. O seu nome, Saxão, era um nome comum na Dinamarca medieval. O nome “Gramático” (“o Erudito”) foi-lhe atribuído pela primeira vez na Crônica da Jutlândia, e na Crónica da Zelândia Saxão é referido como cognomine Longus (“o Alto”). Saxão viveu durante um período de guerras e expansão na história da Dinamarca, expansão essa liderada pelo arcebispo Absalão de Lund e os reis Valdemar I, o Grande (1157-1182) e o seu neto Valdemar II, o Vitorioso (1202-1240). Os dinamarqueses encontravam-se ameaçados pelos Vendos ao Sul, que faziam ataques ao longo da fronteira e infestavam os mares. Valdemar I acabara de ganhar uma guerra civil, e mais tarde Valdemar II chefiou uma expedição além do Elba para invadir Holstein. Saxão era de família de guerreiros; e o seu pai e avô “eram conhecidos frequentadores do campo de guerra do seu renomado senhor (Valdemar I)”, e que ele próprio decidira ser soldado, seguindo “o velho direito de serviço hereditário”.

Svend Aagesen, um nobre dinamarquês e autor de uma história da Dinamarca ligeiramente anterior à de Saxão, descreve o seu contemporâneo como seu contubernalis, isto é, camarada de tenda. Isto prova que Saxão e Sven podem ter sido soldados na Hird ou guarda real, visto Sven ter usado a palavra contubernium em relação a estes. Encontramos ainda um Saxão numa lista de clérigos em Lund, na Escânia, então uma província dinamarquesa, onde se encontra também um Sven como arcediago. Do mesmo modo encontramos um deão Saxão que morreu em 1190; esta data, no entanto, não coincide com o que se conhece de Saxão. Ambos os argumentos, o de um Saxão religioso ou secular, sugerem que ele teria recebido uma boa educação, visto os clérigos receberem educação em Latim, e os filhos dos grandes senhores frequentemente serem enviados a Paris. A educação e habilidade de Saxão apoia a noção de que teria sido educado fora da Dinamarca. Alguns sugerem que o cognome “Gramático” se refere não à sua educação, mas provavelmente ao seu elaborado estilo de escrita. Sabemos através da sua escrita que se encontrava no séquito de Absalão, bispo de Roskilde (1158) e mais tarde arcebispo de Lund (1178), e o principal conselheiro de Valdemar I. No seu testamento Absalon perdoa a seu escrivão Saxão uma pequena dívida de dois marcos e meio de prata, e pede-lhe que devolva dois livros emprestados do mosteiro de Sorø. O legado de Saxão Gramático é a histórica heroica dos Dinamarqueses em dezesseis volumes chamada Feitos dos Danos.

            Christiern Pedersen, um clérigo de Lund, colaborou com Jodocus Badius Ascendius, outro entusiasta, na impressão da obra de Saxão Gramático no início do século XVI. Este foi o primeiro passo para garantir a importância histórica da Feitos dos Danos. Foi a partir de então que a obra começou a ser divulgada entre a comunidade acadêmica. Oliver Elton, o primeiro a traduzir os primeiros nove livros da Feitos dos Danos para a língua inglesa, escreveu que Saxão foi o primeiro escritor da Dinamarca. A habilidade de Saxão como latinista foi elogiada por Erasmo, que se perguntou como “um dinamarquês daquela era adquirira tão grande eloquência”. Foram feitas várias tentativas de entender estilo de latim de Saxão e posicioná-lo na história, para melhor se compreender onde o autor terá sido educado. Alguns consideraram que o latim de Saxão tem mais em comum com uma educação jurídica que religiosa, e sobre a sua poesia se pensa que contém vestígios de paralelismo retórico. Saxão é visto pelos dinamarqueses como o seu primeiro historiador nacional. As suas obras foram recebidas com entusiasmo pelos eruditos do Renascimento, curiosos sobre a história e lendas da Era pré-cristã da Dinamarca. A narrativa histórica de Saxão é, no entanto, divergente da interpretação dos seus contemporâneos, especialmente os da Noruega e Islândia, em cujas obras “os heróis e vilões trocam de nacionalidade, apresentando assim uma interpretação contrária”. Existem ainda diferencias entre o trabalho de Saxão e o do seu compatriota contemporâneo Sven Aggesen; estas diferenças são frequentemente resultado de elaboração da narrativa por parte de Saxão. A sua relação da estória de Thyri, por exemplo, é muito mais fantástica e exagerada que a estória que Sven apresenta. Como resultado deste estilo e elaboração, a história de Saxão tem frequentemente sido alvo de críticas. 

         A inclusão da estória de Amleth por Saxão é a parte mais significante da chamada “Feitos dos Danos”. No entanto, a obra também tem valor histórico pela sua descrição da canonização de Canuto, e ainda através da comparação com os trabalhos de Sturluson Snorri (1179-1241), cujas obras partilham muitos dos mesmos protagonistas e estórias, assim contribuindo para um melhor entendimento da Escandinávia pré-cristã. O Instituto de História da Universidade de Copenhague é chamado Saxo Instituttet em sua honra. Fazendo-se passar por um escravo, Amleth embarca clandestinamente em um navio que os leva para a Islândia. Lá, ele encontra uma mulher eslava escravizada chamada Olga, que afirma ser uma feiticeira. Eles são levados para a fazenda de Fjölnir, onde Amleth descobre que sua mãe se casou com Fjölnir e lhe deu um filho chamado Gunnar. Certa noite, Amleth segue uma raposa e encontra um bruxo, que facilita uma sessão espírita entre Amleth e o crânio de Heimir, que também foi assassinado por Fjölnir. Heimir conta a Amleth sobre Draugr, uma espada mágica que só pode ser desembainhada à noite ou nos Portões de Hel. Amleth entra em um túmulo e obtém a lâmina de seu dono, o Morador do Túmulo, um morto-vivo. Ele esconde a espada ao retornar para a fazenda. 

          No dia seguinte, Amleth é escolhido para competir em um jogo de knattleikr contra outra fazenda. O jogo se torna violento quando o líder da equipe adversária brutaliza os competidores até que restem apenas ele e Amleth. Gunnar que admira Amleth, sem saber que ele é seu meio-irmão, quase é morto ao tentar atrair o jogador adversário; mas Amleth a salva, espancando seu oponente até a morte. Como recompensa, o filho adulto de Fjölnir, Thórir, concede-lhe funções de supervisor e permite-lhe escolher uma mulher. Durante as celebrações da noite, Amleth e Olga fazem amor; eles prometem derrotar Fjölnir juntos. Ao longo de várias noites, Amleth mata membros importantes da propriedade de Fjölnir de maneiras não naturais, dispondo seus corpos empalados na forma de um cavalo em uma exibição macabra. Isso faz com que Fjölnir e toda a propriedade acreditem estar sob ataque de um espírito maligno. Olga mistura os alimentos com amanita muscaria, um potente alucinógeno, conhecido como agário-das-moscas ou mata-moscas. Thórir acredita que os escravos cristãos sejam os responsáveis. Isso permite que Amleth entre na casa de Fjölnir. Amleth revela sua identidade a Gudrún, que responde que era escrava de Aurvandill e que Amleth foi concebido por estupro. Uma gravidez concebida por estupro é uma gestação resultante de violência sexual, trazendo graves impactos físicos e psicológicos para a vítima. Gudrún também revela que arquitetou o golpe de Fjölnir porque queria Aurvandill e Amleth mortos; ela tenta seduzir Amleth, que, após um momento, a rejeita. Enfurecido, Amleth mata Thórir e arranca-lhe o coração.  

Gudrún revela a verdadeira identidade de Amleth a Fjölnir e exige sua morte. Fjölnir decide matar Olga, mas Amleth oferece a vida dela em troca do coração de Thórir. Amleth se deixa capturar e é torturado para revelar a localização do coração de Thórir. Ele é libertado por um bando de corvos enviados por Odin e Olga o resgata. Amleth decide abandonar sua busca por vingança e os dois fogem de barco para as Ilhas Órcades, onde vivem seus parentes. A bordo da embarcação, Amleth tem uma visão e percebe que Olga está grávida de gêmeos, um dos quais será o Rei Donzela profetizado pela Vidente. Ao perceber que Olga e seus filhos nunca estarão seguros enquanto Fjölnir viver, Amleth, apesar dos apelos de Olga, pula no mar e nada até a costa, concluindo que não pode escapar de seu destino. De volta à fazenda, Amleth mata os homens restantes de Fjölnir e liberta os escravos. Enquanto procura por Fjölnir, Amleth é atacado por Gudrún e Gunnar e os mata em legítima defesa após ser ferido. Fjölnir, ao descobrir a morte de sua esposa e filho, ordena friamente que Amleth o encontre nos Portões de Hel: a cratera do vulcão Hekla . Amleth e Fjölnir se enfrentam nus em um feroz Holmgang (duelo) até que Fjölnir é decapitado e Amleth é simultaneamente apunhalado. Ao morrer, Amleth tem uma visão de Olga abraçando seus dois filhos, a quem ela diz estarem seguros, antes de instá-lo a deixá-los ir. Uma valquíria carrega Amleth através dos portões de Valhöll.     

Nascido em uma família sueca, Alexander Skarsgård era fascinado pela história e mitologia viking desde a infância e há muito buscava um projeto com temática viking com a ajuda do produtor Lars Knudsen. Em 2011, Skarsgård foi associado a um épico da Warner Bros. com o título provisório de The Vanguard, que acabou não se concretizando.  Robert Eggers se interessou em fazer um filme viking após uma viagem à Islândia em 2016 com sua esposa Alexandra Shaker, que é fã de sagas nórdicas antigas. Durante a viagem, Eggers conheceu Björk, que por sua vez o apresentou a Sjón. Em 2017, Skarsgård se encontrou com Eggers para discutir projetos futuros, e a conversa se voltou para um filme com temática da Era Viking. Eggers entrou em contato com Sjón posteriormente, e os dois começaram a pesquisar e escrever o roteiro. A história de O Homem do Norte foi baseada principalmente na lenda de Amleth escrita pelo historiador Saxo Grammaticus, conhecida como a inspiração direta para Hamlet, de William Shakespeare. Eggers citou a Edda Poética, a Edda em Prosa, a Saga de Egil, a Saga de Grettir, a Saga de Eyrbyggja e a Saga de Hrolfr Kraki como influências. O arqueólogo Neil Price, da Universidade de Uppsala, o folclorista Terry Gunnell, da Universidade da Islândia, e a historiadora viking Jóhanna Katrín Friðriksdóttir atuaram como consultores históricos do filme. Eggers também reconheceu Conan, o Bárbaro, de 1982, como uma fonte de inspiração.

Em outubro de 2019, foi anunciado que Eggers dirigiria “uma saga épica de vingança viking, que ele também coescreveria com Sjón”. Skarsgård, Nicole Kidman, Anya Taylor-Joy, Bill Skarsgård (irmão de Alexandre) e Willem Dafoe estavam em negociações para se juntarem ao filme. Todos seriam confirmados em dezembro, juntamente com a adição de Claes Bang ao elenco. O filme estava oficialmente em preparação em dezembro de 2019 e começaria a ser filmado em Belfast em 2020. Em agosto de 2020, Björk, juntamente com sua filha Ísadóra “Doa” Barney, Kate Dickie e Ethan Hawke se juntaram ao elenco do filme. Em setembro de 2020, Bill Skarsgård anunciou que havia desistido do filme devido a conflitos de agenda e foi substituído por Gustav Lindh. As filmagens, que ocorreram principalmente na Irlanda do Norte, começaram em agosto de 2020 e terminaram no início de dezembro, durando 87 dias. A vila do Rei Aurvandill foi construída em Torr Head, na costa do Condado de Antrim, enquanto a fazenda de Fjölnir foi construída em Knockdhu, perto de Larne. As cenas na Terra dos Rus foram filmadas em Portglenone, na propriedade Clandeboye, no Castelo de Shane e no Rio Bann. A pedreira de Hightown, nos arredores de Belfast, representou o vulcão Hekla, onde ocorre a luta climática do filme. Breves sequências foram filmadas em Five Fingers Strand perto de Malin em Inishowen, no condado de Donegal, e na Islândia, na geleira Svínafellsjökull e na cidade de Akureyri. Planejado para custar US$ 65 milhões, acabou custando entre US$ 70 e 90 milhões para ser produzido.

Eggers considerou o processo de edição o mais difícil de sua carreira. O feedback das exibições de teste indicou que o primeiro ato do filme era muito lento. Mais feedbacks mostraram que o público achou o diálogo em nórdico antigo difícil de entender, o que resultou na substituição da maior parte dele em sessões de dublagem. A versão final foi finalmente aprovada em 3 de novembro de 2021. Para a trilha sonora do filme, Eggers convidou os antigos artistas da gravadora Tri Angle, Robin Carolan e Vessel (Sebastian Gainsborough), para composição e produção. Eles pesquisaram extensivamente a história da música viking, incluindo discussões com o etnógrafo Poul Høxbro, e usaram instrumentos baseados na música folclórica nórdica, como tagelharpa, langspil, lira kravik e säckpipa. Eles também experimentaram com os instrumentos que tinham, para criar aquele som étnico nórdico, que inclui um conjunto de cordas de 40 membros imitando o som de um instrumento arcaico chamado bullroarer. O álbum da trilha sonora foi lançado pela Back Lot Music em 15 de abril de 2022 e apresentou 43 faixas. Em 1º de julho, a Sacred Bones Records lançou em CD, vinil e cassetes. A campanha publicitária do filme atraiu notoriedade devido a uma série de cartazes encomendados para o sistema de metrô de Nova York que não incluíam o título do filme. Um dia após o assunto viralizar no Twitter, os cartazes foram removidos. Um livro de 160 páginas escrito por Simon Abrams e Eggers sobre a produção e pesquisa do filme, The Northman: A Call to the Gods, estava programado para ser lançado em 6 de setembro de 2022, mas foi posteriormente adiado para 8 de novembro.

O filme The Northman estava originalmente programado para ser lançado em 8 de abril de 2022, mas foi posteriormente adiado para 22 de abril. Foi distribuído pela Focus Features nos Estados Unidos e pela Universal Pictures internacionalmente. Sessões especiais foram realizadas em várias cidades do mundo antes do lançamento nos cinemas: em Estocolmo, no Rigoletto Cinema, em 28 de março, em Hamburgo, no Astor Film Lounge, em 30 de março, em Roma, no Cinema Troisi, em 1º de abril, em Londres, no Odeon Luxe Leicester Square, em 5 de abril, e em Belfast, no Cineworld, em 6 de abril. A estreia mundial ocorreu em Los Angeles, no TCL Chinese Theatre, em 18 de abril. Entretanto, os lançamentos em larga escala começaram mais cedo em alguns países: em 13 de abril na Dinamarca, Noruega e Suécia; em 14 de abril na República Checa, Equador, Islândia, México, Montenegro, Países Baixos, Sérvia, Eslováquia, Eslovénia e Uruguai; e em 15 de abril no Reino Unido e na Lituânia. O filme The Northman foi lançado em VOD em 13 de maio de 2022, em formato digital em 6 de junho de 2022 e em Blu-ray, DVD e Ultra HD Blu-ray em 7 de junho de 2022 pela Universal Pictures Home Entertainment nos Estados Unidos. O Northman arrecadou US$ 34,2 milhões nos Estados Unidos e Canadá e US$ 35,4 milhões em outros territórios – para um total mundial de US$ 69,6 milhões com um orçamento de US$ 70–90 milhões.              

Nos Estados Unidos e Canadá, The Northman foi lançado simultaneamente com The Bad Guys e The Unbearable Weight of Massive Talent, e a previsão era de que arrecadasse entre US$ 8 e US$ 15 milhões em 3.223 cinemas no fim de semana de estreia. Arrecadou US$ 5 milhões no primeiro dia, incluindo US$ 1,4 milhão das pré-estreias de quinta-feira à noite. O filme estreou com US$ 12,3 milhões no fim de semana de estreia, ficando em quarto lugar nas bilheterias. O Deadline Hollywood observou que The Northman e The Unbearable Weight of Massive Talent tinham como alvo o mesmo público-alvo, o que prejudicou suas estreias. O filme arrecadou US$ 6,4 milhões no segundo fim de semana, ficando em quarto lugar; US$ 2,9 milhões no terceiro fim de semana, ficando em sexto; US$ 1,75 milhão no quarto fim de semana, ficando em sétimo; e US$ 1,1 milhão no quinto fim de semana, ficando em décimo. Saiu do top 10 das bilheterias em seu sexto fim de semana com US$ 249.660. Fora dos EUA e Canadá, o filme arrecadou US$ 3,4 milhões em 15 mercados internacionais em seu fim de semana de estreia. Arrecadou US$ 6,3 milhões em seu segundo após expandir para 41 mercados, US$ 4,5 milhões em seu terceiro, US$ 2,2 milhões em seu quarto, US$ 2,5 milhões em seu quinto, US$ 2,9 milhões em seu sexto, e US$ 1,4 milhão em seu sétimo.

Eggers comentou sobre a bilheteria decepcionante do filme, afirmando que  atendeu às expectativas de um mercado ruim... Estou decepcionado que, três ou quatro semanas depois, estejamos em VOD porque é assim que as coisas funcionam no mundo. Sim. Mas está indo muito bem em VOD, então é isso aí. Em seu fim de semana de estreia em PVOD nos EUA, o filme foi o título mais alugado no iTunes, o terceiro no Vudu e o quarto no Google Play, arrecadando aproximadamente a mesma quantia que Os Caras Maus e A Cidade Perdida, apesar de ter faturado muito menos do que ambos nos cinemas. O IndieWire escreveu que “O Homem do Norte parece ser o tipo de filme que, mesmo com retornos menores nos cinemas, é muito valorizado por essa exposição”. Na semana seguinte, terminou em terceiro lugar nas paradas do iTunes e do Vudu e em quinto no Google Play. Em sua semana de estreia no mercado de DVD / Blu-ray, o filme estreou no primeiro lugar tanto na parada NPD VideoScan First Alert que rastreia as vendas combinadas de unidades de discos de DVD e Blu-ray quanto na parada de vendas de discos Blu-ray para a semana que terminou em 11 de junho de 2022.

Em 28 de setembro de 2023, o Deadline Hollywood relatou que o filme “quase atingiu o ponto de equilíbrio graças ao excesso de visualizações no VOD Premium”. A presidente de produção e aquisições da Focus Features, Kiska Higgs, também afirmou que o filme “foi bom para nós no final”, embora tenha observado que os custos foram compartilhados pela New Regency e que a Focus Features não esteve “diretamente envolvida na produção [do filme]”. O agregador de críticas Rotten Tomatoes relatou que 90% dos 372 críticos deram ao filme uma avaliação positiva, com uma classificação média de 7,7/10. O consenso crítico do site diz: “Uma épica de vingança sangrenta e uma maravilha visual de tirar o fôlego, The Northman mostra o cineasta Robert Eggers expandindo seu escopo sem sacrificar seu estilo característico”. O Metacritic atribuiu ao filme uma pontuação média ponderada de 82 em 100 com base em sessenta críticos, indicando “aclamação universal”. O público pesquisado pelo CinemaScore deu ao filme uma nota média de “B” em uma escala de A+ a F, enquanto o PostTrak deu a ele uma pontuação positiva de 75% (com uma média de 3,5 de cinco estrelas), com 56% dizendo que definitivamente o recomendariam.

Alexander Kardelo, do MovieZine, deu ao filme uma nota de quatro em cinco e elogiou particularmente a atuação de Skarsgård e a direção de Eggers. Peter Bradshaw, do The Guardian, deu uma nota de cinco em cinco, elogiando o tom niilista do filme e as atuações do elenco, afirmando: “É totalmente ultrajante, com algumas visões épicas do cosmos em chamas. Eu não conseguia desviar o olhar”. Gabriella Geisinger, do Digital Spy, também deu uma nota de cinco em cinco, elogiando a direção visionária de Eggers e a atmosfera macabra e surreal do filme, afirmando: “O mundo criado em The Northman é totalmente absorvente”. David Ehrlich, do IndieWire, chamou o filme de “primitivo, vigoroso, brutal”, “intenso a ponto de te agarrar pelo pescoço” e “nunca entediante”. Matt Maytum, da Total Film, comentou que o filme é uma “épica verdadeiramente distinta e imperdível” em sua crítica, dando-lhe cinco de cinco estrelas.  Clarisse Loughrey, do The Independent, deu-lhe cinco de cinco estrelas e afirmou em sua crítica que o filme foi um belo risco”. Robert Daniels, do RogerEbert.com, concedeu-lhe três de quatro estrelas e elogiou a direção, a cinematografia e as interpretações sociais do elenco, mas considerou que o filme “frequentemente tropeça quando busca profundidade”. Richard Whittaker, do Austin Chronicle, chamou o filme de “uma façanha extraordinária do cinema”, elogiando a direção. A. O. Scott, do The New York Times, elogiou a construção do mundo e a cinematografia, escrevendo: “A conquista de Eggers reside em sua representação meticulosa e fanática desse mundo, até mesmo nos lençóis e utensílios de cozinha”.

Richard Brody, do The New Yorker, considerou que o filme “não oferece sinestesia, nenhuma evocação de qualquer sentido além da visão” e criticou a direção de Eggers, concluindo: “O Homem do Norte simplesmente serve sua matéria-prima mal cozida e cozida demais”. K. Austin Collins, da Rolling Stone, escreveu que “É um banquete visual frequentemente deslumbrante”, mas acrescentou: “É também um exemplo instrutivo de como as intenções mais visionárias nem sempre conseguem animar uma história que, de outra forma, seria rotineira”. Christopher Howse, no The Spectator, elogia o “grande acervo” que Eggers apresenta “pela autenticidade material”. Howse não gostou tanto dos persistentes “cortes, mutilações e eviscerações”. “A violência em primeiro plano é como estilhaços escondendo o que está atrás; talvez devesse ter sido ainda mais longo e com menos ação”, é sua avaliação crítica geral. Em dezembro de 2024, o Collider classificou o filme em 7º lugar na sua lista dos “10 Melhores Filmes de Fantasia da Década de 2020”, com Robert Lee III é “um exemplo perfeito de como os filmes de fantasia nem sempre precisam ser coloridos e adequados para famílias na sua execução, sendo um filme de fantasia brutal e impactante, classificado para maiores de 18 anos, repleto de violência e derramamento de sangue a cada esquina. A sua violência serve um propósito maior do que simplesmente ser um deleite visual, pois ajuda a criar um sentido de realismo para esta aventura folclórica, tratando a história de Amleth como uma espécie de mito poderoso a ser transmitido através de gerações de guerreiros vikings”.

Bibliografia Geral Consultada.

RICOEUR, Paul, La Mémoire, l`Histoire, l`Oubli. Paris: Éditions Du Seuil, 2000; VIGARRELLO, Georges, Storia della Violenza Sessuale. Veneza: Marsilio Editore, 2001; LE GOFF, Jacques, História e Memória. 5ª edição. Campinas (SP): Editora da Unicamp, 2003; COETZEE, John Maxwell, À Espera dos Bárbaros. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2006; HUNT, Janin, Medieval Justice: Cases and Laws in France, England and Germany, 500-1500. Estados Unidos: Editor McFarland, 2009; METZ, Christian, A Significação no Cinema. São Paulo: Editora Perspectiva, 2012; ZANIRATO, Andreli de Almeida, O Ideal da Cavalaria e o Comportamento Cortês na Gesta Danorum de Saxo Grammaticus (c. 1189-1214). Monografia de Licenciatura em História. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Departamento de História. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2013;  AVIER, Nathalia Agostinho (Org.), A Idade Média no Discurso Fílmico (Catálogo de Filmes, Vol. 2). Rio de Janeiro: Programa de Estudos Medievais, 2015; SILVA, Andréia C. Lopes Frazão da; SILVA, Leila Rodrigues da; TORRES, Andréa Reis Ferreira; XAVIER, Nathalia Agostinho (Organizadoras), A Idade Média no Discurso Fílmico (Catálogo de Filmes, vol. 2). Rio de Janeiro: Programa de Estudos Medievais, 2015; GADE, Kari Ellen; MAROLD, Edith (eds.), Poesia de Tratados sobre Poética. Poesia Escáldica da Idade Média Escandinava. Vol. 3. Belgica: Les Éditions Brepols, 2017; WYCLIFFE, John, Tractatus De Officio Regis. Londres: Editor Forgotten Books, 2018; CAPACCIO, Nancy, Como o Rei Leão Chegou aos Palcos. Nova York: Editor Cavendish Square, 2019; PINHO, Guilherme Rosa, Concílio Regional de Narbona: O In Dubio Pro Reo na Inquisição Medieval. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Direito. Faculdade de Direito. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 2021; SOARES, Lucas Pinto, O Hibridismo Cultural no Processo de Cristianização dos Islandeses. Dissertação de Mestrado.  Programa de Pós-Graduação em História. Centro de Ciências Sociais. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2022; CARREIRO, Rodrigo; REIS, Adriano, “Entre o Fascínio e a Repulsa: A Estetização da Violência em O Homem do Norte”. In: Esferas. Ano 15, vol. 02, nº 33, maio/agosto de 2025; CARNET, Mathilde, “Une Année Critique: Ce Cinéma Municipal de l’Eure Voit sa Fréquentation Chuter”. In: https://actu.fr/normandie/20/01/2026; entre outros.

terça-feira, 9 de junho de 2026

Francis Bacon - Epistemologia & Condenação Abstrata Disciplinada.

                                          É um estranho desejo, desejar o poder e perder a liberdade”. Francis Bacon (1625)                       

       

        Francis Bacon, 1° Visconde de Alban, também referido como Bacon de Verulâmio nascido em Londres (1561-1626), foi um político, filósofo empirista, cientista, ensaísta inglês, barão de Verulam e visconde de Saint Alban. É considerado como um dos fundadores da Revolução Científica. Desde cedo, sua educação orientou-o para a vida política, na qual exerceu posições elevadas. Em 1584 foi eleito para a câmara dos comuns. Sucessivamente, durante o reinado de Jaime I, desempenhou as funções de procurador-geral (1607), fiscal-geral (1613), guarda do selo (1617) e grande chanceler (1618). Neste mesmo ano, foi nomeado barão de Verulam e em 1621, visconde de Saint Alban. Também em 1621, Bacon foi acusado de corrupção. Condenado ao pagamento de pesada multa, foi também proibido de exercer cargos públicos. Como filósofo, destacou-se com uma obra onde a ciência era exaltada como benéfica para o homem. Em suas investigações, ocupou-se especialmente da metodologia científica e do empirismo, sendo muitas vezes chamado de “fundador da ciência moderna”. Sua principal obra filosófica é o Novum Organum. Foi um dos mais reconhecidos e influentes rosacruzes e também um alquimista, tendo ocupado o posto mais elevado da Ordem Rosacruz, o de Imperator. Estudiosos como sendo o real autor dos famosos manifestos rosacruzes, Fama Fraternitatis (1614), Confessio Fraternitatis (1615) e Núpcias Alquímicas de Christian Rozenkreuz (1616).

O pensamento filosófico de Bacon representa a tentativa de realizar aquilo que ele mesmo chamou de Instauratio magna. A realização desse plano compreendia uma série de tratados que, partindo do estado em que se encontrava a ciência da época, acabariam por apresentar um novo método que deveria superar e substituir o de Aristóteles. Esses tratados deveriam apresentar um modo específico de investigação dos fatos, passando, a seguir, para a investigação das leis e retornavam para o mundo dos fatos para nele promover as ações que se revelassem possíveis. Bacon desejava uma reforma completa do conhecimento. A tarefa era, obviamente, gigantesca e o filósofo produziu apenas certo número de tratados. Não obstante, a primeira parte da Instauratio foi concluída. A reforma do conhecimento é justificada em uma crítica à filosofia anterior, especialmente a Escolástica, considerada estéril por não apresentar nenhum resultado prático para a vida do homem. O conhecimento científico, para Bacon, tem por finalidade servir o homem e dar-lhe poder sobre a natureza. A ciência antiga, de origem aristotélica, também é criticada. O filósofo materialista Demócrito era tido em alta por Bacon, que o considerava mais importante que Platão e Aristóteles. A ciência deve restabelecer o imperium hominis (império do homem) sobre as coisas. A filosofia verdadeira não é “apenas a ciência das coisas divinas e humanas”. 

É também algo prático, isto é, saber é poder. A mentalidade científica somente será alcançada através do expurgo de uma série de preconceitos ordinariamente chamados ídolos. O conhecimento, o saber, é apenas um meio vigoroso e seguro de conquistar poder sobre a natureza. No que se refere ao Novum Organum, Bacon preocupou-se inicialmente com a análise de falsas noções (ídolos) que se revelam responsáveis pelos erros cometidos pela ciência ou pelos homens que dizem fazer ciência. É um dos aspectos mais fascinantes e de interesse permanente na filosofia de Bacon. Esses ídolos foram classificados em quatro grupos: 1. Idola Tribus (ídolos da tribo): Ocorrem por conta das deficiências do próprio espírito humano e se revelam pela facilidade com que generalizamos com base nos casos favoráveis, omitindo os desfavoráveis. O homem é o padrão das coisas, faz com que todas as percepções dos sentidos e da mente sejam tomadas como verdade, sendo que pertencem apenas ao homem e não ao universo. Dizia que a mente se desfigura da realidade. São assim chamados porque são inerentes à natureza humana, à própria tribo ou raça humana; 2. Idola Specus (ídolos da caverna): De acordo com Bacon, cada pessoa possui sua “própria caverna”, que interpreta e distorce a luz particular, à qual estão acostumados.                             

Isso quer dizer que, da mesma maneira presente na obra “República” de Platão, os indivíduos, cada um, possui a sua crença, sua verdade particular, tida como única e indiscutível. Portanto, os ídolos da caverna perturbam o conhecimento, uma vez que mantêm o homem preso em preconceitos e singularidades; 3. Idola Fori (ídolos do foro ou de mercado): Segundo Bacon, os ídolos do foro são os mais perturbadores, já que estes alojam-se no intelecto graças ao pacto de palavras e de nomes. Para os teóricos matemáticos um modo de restaurar a ordem seria através das definições. Porém de acordo com a teoria baconiana, nem mesmo as definições poderiam remediar totalmente esse mal, tratando-se de coisas materiais e naturais posto que as próprias definições constam de palavras e as palavras engendram palavras. Percebe-se, portanto, que as palavras possuem certo grau de distorção e erro, sendo que umas possuem maior distorção e erro que outras; 4. Idola Theatri (ídolos do teatro): Os ídolos do teatro têm suas causas nos sistemas filosóficos e em regras falseadas de demonstrações. Os falsos conceitos, são as ideologias, essas são produzidas por engendramentos filosóficos, teológicos, políticos e científicos, todos ilusórios. Os ídolos do teatro, para Bacon, eram os mais perigosos, porque, em sua época, predominava o princípio da autoridade – os livros da antiguidade e os livros sagrados eram considerados a fonte de todo o conhecimento.

Escólio: Nova Atlântida é um romance utópico incompleto de Francis Bacon, publicado inicialmente, em julho de 1626, poucos meses após a morte de autor, como um apêndice de Sylva sylvarum. Nessa obra, o autor expressa suas aspirações e ideais para a humanidade, expondo sua visão do futuro, que inclui evolução do conhecimento humano. O romance descreve a criação de uma terra utópica onde “generosidade e iluminação, dignidade e esplendor, piedade e espírito público” são as qualidades comumente defendidas pelos habitantes da mítica Bensalém. Um dos centros dessa utopia é a “Casa de Salomão”, uma moderna universidade de pesquisa em ciências aplicadas e puras. O romance retrata Bensalém, uma ilha mítica que foi descoberta pela tripulação de um navio europeu depois que eles se perderam no Oceano Pacífico em algum lugar a Oeste do Peru. O romance descreve a evolução gradual da ilha, seus costumes e sua instituição científica patrocinada pelo estado, a “Casa de Salomão”, que seria “o próprio olho deste reino”. Muitos aspectos da sociedade e da história da ilha são descritos, como uma desenvolvida a partir do cristianismo, pois uma cópia da Bíblia e uma carta do Apóstolo São Bartolomeu teria chegado ali milagrosamente, poucos anos depois de Ascensão de Jesus. Na ilha seria celebrada, anualmente, uma festa cultural em homenagem à instituição familiar, denominada: “Festa da Família”; existiria um colégio de sábios, denominado como: “a Casa de Salomão”, que seria o próprio “olho do reino”, para a qual o “Deus do céu e da terra concedeu a graça de conhecer as obras da Criação e os segredos delas”, bem como “para discernir entre milagres divinos, obras da natureza, obras de arte e imposturas e ilusões de todos os tipos”.

Os habitantes de Bensalem foram descritos como tendo um alto caráter moral e honestidade, pois nenhum oficial aceita qualquer pagamento de indivíduos. O povo também foi descrito como casto e piedoso. No último terço do livro, o Chefe da Casa do Salomão leva um dos visitantes europeus para apresentar toda a formação científica da Casa do Salomão, onde são realizados experimentos utilizando o método baconiano para compreender e conquistar a natureza, e para aplicar os conhecimentos recolhidos para a melhoria da sociedade. Desse modo, são apresentados: o objetivo da fundação, que seria: “o conhecimento das causas e movimentos secretos das coisas; e a ampliação dos limites do império humano, para a efetivação de todas as coisas possíveis”; os preparativos que os integrantes fazem para realizar os seus trabalhos; as várias funções que são atribuídas aos bolsistas; e as ordenanças e ritos que eles observam. Desse modo, o autor descreveu sua visão do futuro para o desenvolvimento do conhecimento humano. O plano e a organização de seu colégio ideal, a “Casa de Salomão”, previa a como deveriam funcionar as universidades de pesquisa moderna tanto em ciência aplicada quanto em ciência pura. Os integrantes da “Casa de Salomão”, que eram divididos em grupos: os “mercadores de luz”, que eram doze integrantes navegavam para países estrangeiros, nomes ocultos, que traziam os livros e resumos, e padrões de experimentos feitos em outros lugares.

Os “triadores” que eram três integrantes que faziam triagem dos experimentos descritos nos livros trazidos pelos mercadores; os “misteriosos”, que eram três integrantes que compilavam os experimentos das artes mecânicas, das ciências liberais e de práticas que não eram trazidas para as artes; os “pioneiros”, que eram três integrantes que tentavam novos experimentos; os “compiladores”, que eram três integrantes que faziam desenhos dos experimentos em títulos e tabelas, para dar melhor luz para o desenho de observações e axiomas a partir deles; os “benfeitores”, que eram três integrantes que examinavam os experimentos realizados para extrair deles coisas úteis e práticas para a vida e o conhecimento do homem, tanto para obras quanto para demonstração simples de causas, meios naturais, adivinhações e a descoberta fácil e clara das virtudes e partes dos corpos; os “lâmpadas” eram três integrantes que direcionavam os novos experimentos, a partir de uma luz mais elevada, para que fossem mais penetrantes do que os anteriores; os “inoculadores”, que eram três integrantes que executam os experimentos concebidos pelos “lâmpadas” e os relatavam; os “intérpretes da natureza”, que eram três integrantes que elevavam as descobertas a observações, axiomas e aforismos maiores.

Ao descrever as ordenanças e ritos observados pelos cientistas da “Casa de Salomão”, o líder disse: - “Temos certos hinos e serviços, que dizemos diariamente, do Senhor e graças a Deus por Suas obras maravilhosas; e algumas formas de oração, implorando Sua ajuda e bênção para a iluminação de nossos labores e para torná-los em usos bons e sagrados”. Desejos são representações sociais estados mentais expressos por termos como querer, almejar ou apetecer. Uma grande variedade de fatos sociais que ocorrem na vida cotidiana apresenta características que são comumente associadas a desejos. São vistos como atitudes proposicionais em relação a estados de coisas concebíveis. Visam mudar o mundo como o mundo deveria ser, ao contrário das crenças, que visam representar como o mundo realmente é. Os desejos estão intimamente ligados à agência: motivam o agente a realizá-los. Para que isso seja possível, um desejo deve ser combinado com uma crença sobre qual ação o realizaria. Desejos apresentam seus objetos sob uma luz favorável, de forma intermitente como algo que é normal parece ser bom. Sua realização é normalmente experimentada como prazerosa, em contraste com a experiência negativa de não o conseguir. Os desejos conscientes são acompanhados por alguma forma de resposta emocional. Embora muitos pesquisadores concordem sobre essas características gerais, há uma discordância significativa sobre como definir desejos, ou seja, quais dessas características são essenciais e quais são meramente acidentaisAs teorias baseadas na ação definem desejos como estruturas que nos inclinam para ações. As teorias baseadas no prazer focalizam a tendência dos desejos de prazer quando realizados. As teorias baseadas em valor identificam desejos com atitudes em relação a valores, como julgar ou ter a aparência de que algo é bom. 

Desejos podem ser agrupados em vários tipos de acordo com algumas distinções básicas. Os desejos intrínsecos dizem respeito ao que o sujeito quer para seu próprio bem, enquanto os desejos instrumentais referem-se ao que o sujeito quer para o bem de outra coisa. Os desejos ocorrentes são conscientes ou causalmente ativos, em contraste com os desejos parados, que existem em algum lugar no fundo da mente. Os desejos proposicionais são dirigidos a possíveis estados de coisas, enquanto os desejos objetais são diretamente sobre objetos. Vários autores distinguem entre desejos superiores associados a objetivos espirituais ou religiosos e desejos inferiores, que se preocupam com prazeres corporais ou sensoriais. Desejos desempenham um papel em muitos campos diferentes. Há desacordo se os desejos devem ser entendidos como razões práticas ou se podemos ter razões práticas sem ter o desejo de segui-los. De acordo com as teorias do valor de atitude adequada, um objeto é valioso se é adequado desejá-lo ou se devemos desejá-lo. As teorias do bem-estar baseadas na satisfação do desejo afirmam que o bem-estar de uma pessoa é determinado por se os desejos dessa pessoa estão satisfeitos. As teorias do desejo visam definir os desejos em termos de suas características essenciais. Uma grande variedade de características é atribuída aos desejos, como que são atitudes proposicionais, que levam a ações, que sua realização tende a trazer prazer, etc. Através das diferentes teorias do desejo há um amplo acordo sobre quais são essas características. Sua discordância diz respeito a quais dessas características pertencem à essência dos desejos e quais são meramente acidentais ou contingentes. As duas teorias mais importantes definem desejos de disposições para causar ações ou em relação à sua tendência a produzir prazer ao ser cumpridos. 

Uma alternativa importante de origem mais recente sustenta que desejar algo significa ver o objeto do desejo como valioso. É comum na axiologia definir o valor em relação ao desejo. Tais abordagens enquadram-se na categoria de “teorias da atitude adequada” (fitting-attitude theories). Segundo eles, um objeto é valioso se é adequado desejar este objeto ou se devemos desejá-lo. Isto às vezes é expresso dizendo que o objeto é desejável, apropriadamente desejado ou digno de desejo. Dois aspectos importantes deste tipo de posição são que ele reduz os valores a noções deônticas, ou o que devemos sentir, e que torna os valores dependentes das respostas e atitudes humanas. Apesar de sua popularidade, as teorias do valor de atitude adequada enfrentam objeções teóricas. Um problema frequentemente citado é o “problema das razões do tipo errado” (wrong kind of reason problem), que se baseia na consideração de que fatos independentes do valor de um objeto podem afetar se esse objeto deve ser desejado. Em um experimento mental, um demônio maligno ameaça o agente com matar sua família, a menos que ele deseje o demônio. Em tal situação, é apropriado para o agente desejar o demônio para salvar sua família, apesar do fato de que o demônio não possui valor positivo. O bem-estar é geralmente considerado um tipo especial de valor: o bem-estar de uma pessoa é o que, em última instância, é bom para essa pessoa. As teorias sociais da satisfação do desejo estão entre as principais teorias do bem-estar. Afirmam que o bem-estar de uma pessoa é determinado pela satisfação dos seus desejos: quanto maior o número de desejos satisfeitos, maior o bem-estar. Um problema para algumas versões da teoria do desejo é que nem todos os desejos são bons: alguns desejos podem até ter consequências terríveis para o agente. Os teóricos do desejo tentaram evitar essa objeção sustentando que o que importa não são os desejos reais, mas os desejos que o agente teria se estivesse completamente informado.

Francis Bacon, sociologicamente ele defendeu a possibilidade de conhecimento baseado unicamente no raciocínio indutivo e na observação cuidadosa de fenômenos naturais. Mais importante ainda, argumentou que a ciência poderia ser alcançada por meio de uma “abordagem cética e metódica”, na qual os cientistas buscam evitar enganar a si mesmos. Esse método constituiu uma nova estrutura retórica e teórica cujos detalhes práticos permanecem centrais nos debates sobre ciência e metodologia científica. Ele foi inicialmente membro da Câmara dos Comuns na Inglaterra, antes de se tornar Procurador-Geral, Lorde Guardião dos Selos é o título do presidente da Câmara dos Lordes, que desempenha, simultaneamente, a função de ministro da Justiça e de presidente do Tribunal da Chancelaria, é o título atribuído ao ministro das Finanças, finalmente, Chanceler aos 57 anos. Embora sua carreira política tenha terminado em desgraça, permaneceu influente na sociedade por meio de suas obras, como defensor filosófico e praticante do método científico durante a revolução científica. Bacon foi considerado o criador do empirismo. Suas obras popularizaram metodologias indutivas para a investigação científica, frequentemente chamadas de método baconiano ou simplesmente método científico. Sua exigência de um procedimento planejado para investigar todas as coisas naturais marcou uma nova virada na estrutura retórica e teórica da ciência, grande parte da qual ainda na atualidade permeia as concepções de metodologia adequada.

           Francis Bacon nasceu em York House, no Strand, onde seu pai, Sir Nicholas Bacon (1509–1579), possuía uma residência. Este último foi Lorde Guardião do Grande Selo por vinte anos. A mãe de Bacon, Anne Cooke (1528-1610), foi a segunda esposa de Nicholas Bacon. Aos doze anos (abril de 1573), Bacon foi enviado para o Trinity College, em Cambridge, juntamente com seu irmão Anthony Bacon (1558–1601). Desde a infância, destacou-se por seu gênio precoce e concebeu cedo o plano de reformar as ciências; contudo, foi dissuadido desse projeto por muito tempo devido a preocupações com sua segurança financeira. Em sua juventude, acompanhou o embaixador inglês Amias Paulet à França, na corte de Henrique III. Convocado de volta à Inglaterra após a morte de seu pai, formou-se em direito e prosseguiu com sucesso nos estudos de jurisprudência. Preferindo, porém, uma carreira na vida pública, aproximou-se do Conde de Essex e foi eleito para a Câmara dos Comuns (1592). Embora tivesse concordado, para obter o favor da Rainha Elizabeth, em defender a condenação do infeliz Essex, seu protetor, recebeu dela apenas o título honorário de Conselheiro da Rainha. Ele também estudou por um período na Universidade de Poitiers, em 1577-78, aos 16 anos de idade. Após a morte de Elizabeth, Jaime I, que favorecia os eruditos, rapidamente elevou Bacon a altos cargos; nomeou-o sucessivamente Procurador- Geral (1607), depois Procurador-Geral Adjunto (1615), membro do Conselho Privado (1616), Guardião dos Selos (1617) e, finalmente, Alto Chanceler (1618); também o nomeou Barão de Verulam e Visconde de St. Albans.

            Lady Anne Bacon (nascida Cooke) (1528–1610), dama e erudita, era filha de Sir Anthony Cooke (1505–1576), um dos tutores humanistas de Eduardo VI; recebeu o nome de sua mãe, Anne (falecida em 1553), filha de Sir William Fitz William. Ela foi uma das renomadas irmãs Cooke, que receberam educação clássica de seu pai e que, segundo Thomas Fuller, eram “todas eruditas eminentes (uma honra para elas e uma vergonha para o nosso sexo)”. A própria Anne publicou traduções do italiano dos sermões de Bernardino Ochino (1548, 1551), bem como uma tradução do latim da Apologia da Igreja da Inglaterra de John Jewel (1564). Em 1553, ela se casou com Sir Nicholas Bacon (1510–1579), que mais tarde se tornou Lorde Guardião do Selo, e foi mãe de Anthony Bacon (1558–1601) e de seu irmão mais novo, o filósofo Sir Francis Bacon (1561–1626). Anne procurou promover o desenvolvimento de seus filhos, especialmente após a morte do marido, como fica evidente pelos conselhos maternos presentes em sua correspondência. Ela era uma reformista convicta em questões religiosas e, como viúva, promoveu ativamente a “reforma correta”, pressionando seu cunhado, William Cecil (1520-1598), 1º Barão de Burghley e estadista inglês, foi o principal conselheiro da rainha Isabel I durante a maior parte do seu reinado, duas vezes secretário de Estado e Lord High Treasurer de 1572 até sua morte, a garantir uma audiência mais justa para os pregadores não conformistas que haviam sido marginalizados pelos artigos de Whitgift de 1583.

Foi neste último cargo que ele julgou Sir Walter Raleigh (1552-1618) quando foi o primeiro a informá-lo de sua sentença de morte e, em seguida, Thomas Howard (1619). Bacon apoiou veementemente os esforços do rei para unificar os reinos da Inglaterra e da Escócia e implementou reformas úteis. No entanto, mal havia completado dois anos como Alto Chanceler quando foi acusado pela Câmara dos Comuns de “aceitar subornos para a concessão de cargos e privilégios”. O motivo de sua queda política foi uma acusação de suborno contra a Corte da Chancelaria em 1621.Consequentemente Bacon foi condenado pela Câmara dos Lordes à prisão na Torre de Londres e a uma multa de 400.000 libras; também foi destituído de todas as suas dignidades e impedido de ocupar cargos públicos. Ele admitiu sua culpa, recebeu a multa e nunca mais pisou no Parlamento. Com essa dura sentença, o objetivo do Parlamento não era tanto punir Bacon, cujo crime era muito menos grave do que foi apresentado, mas sim atingir o favorito de Jaime I, George Villiers de Buckingham (1592-1628), de quem o fraco chanceler era fantoche e cujas irregularidades ele havia tolerado com facilidade. Por outro lado, é possível que ele tenha sido vítima de manobras políticas dentro da corte inglesa.  Após dias, o rei o libertou e perdoou a multa.

Alguns anos depois, o rei revogou todas as incapacitações pronunciadas contra ele (1624). No entanto, Bacon manteve-se afastado da vida pública após sua desgraça e dedicou os últimos anos ao trabalho filosófico. Ele morreu em 9 de abril de 1626, em decorrência de experimentos físicos excessivos. Em seu leito de morte, escreveu a Lord Arundel: - “Meu senhor, estava em meu destino terminar como Plínio, o Velho, que morreu por ter chegado muito perto do Vesúvio para melhor observar sua erupção. Eu estava diligentemente envolvido em um ou dois experimentos sobre o endurecimento e a preservação de corpos, e tudo estava indo perfeitamente, quando, no caminho entre Londres e Highgate, fui acometido por um vômito tão grande que não sei se devo atribuí-lo à pedra, à indigestão, ao frio ou aos três juntos”. Teorias controversas propostas por Elizabeth Wells Gallup (1848-1934) e posteriormente pelo General François Cartier (1862–1953) em Un Problème de Cryptographie et d`Histoire e por Pierre Henrion (1742-1829) em diversas publicações, incluindo Shakespeare: Supreme Masterpiece and Proof Definitive, tentam demonstrar que Francis Bacon e William Shakespeare são a mesma pessoa. Essas teorias não foram aceitas pelos historiadores. Seus principais oponentes são William Friedman e sua esposa Elizabeth Smith, com quem se casou em 1917 — e Elizabeth Wells Gallup, em The Shakespearean Ciphers Examined. Francis Bacon morreu de pneumonia em 9 de abril de 1626, em Highgate, após contrair uma infecção pulmonar durante suas tentativas de prolongar “a vida de uma galinha congelando-a na neve”.

Além de suas carreiras no direito e na política, Francis Bacon contribuiu para a ciência, a filosofia, a história e a literatura. Opositor da escolástica, ele é considerado o “pai do empirismo”. Suas reflexões sobre os erros dos cientistas o levaram a formular a famosa doutrina dos ídolos da mente (Ídolos do Teatro, Ídolos da Tribo, Ídolos da Caverna e Ídolos do Fórum). Em Novum Organum, ele escreveu que a dificuldade que a mente humana encontra em seu esforço para compreender a natureza é que ela tende a projetar suas próprias construções que ele chama de “antecipações” sobre ela. Segundo Bacon, portanto, o erro científico decorre do fato de que a mente humana tende espontaneamente a distorcer a realidade, em vez de refletir fielmente a ela. No século XIX, foi introduzida uma “tese baconiana”, que afirmava que o filósofo Bacon era o autor das peças de William Shakespeare. No entanto, essa “teoria” permanece contestada. Francis Bacon é o “pai do empirismo” em sua forma moderna. Immanuel Kant dedicou sua Crítica da Razão Pura a ele como tal. Ele primeiro lançou os fundamentos da ciência moderna e seus métodos, que ele concebeu como um empreendimento coletivo, o que o distinguirá da pesquisa solitária defendida em grande parte por Descartes no Discurso sobre o Método, baseada na observação de fatos naturais, nas artes e técnicas e na busca por causas naturais.

Ele planejou escrever uma obra intitulada Instauratio Magna (1620), que deveria compreender seis partes: 1. De Augmentis Scientiarum (a revista científica); 2. Novum Organum (o novo método); 3. História Natural (a coleção de fatos e observações); 4. Scala Intellectus (a arte de aplicar o método aos fatos coletados); 5. Anticipationes Philosophiæ Secunda (os resultados provisórios do método); 6. Philosophia Secunda Aut Scientia Activæ (os resultados finais ou segunda filosofia). Dessas seis partes, entretanto, apenas duas foram concluídas (De Dignitate et Augmentis Scientiarum e Novum Organum, que pode ser traduzido como “Novo Instrumento” ou “Nova Lógica”, sua obra mais famosa). Restam apenas rascunhos incompletos das demais partes. Bacon é considerado o pai da filosofia experimental: a ideia fundamental de todas as suas obras é, como ele mesmo diz, restaurar as ciências e substituir as vãs hipóteses e os argumentos sutis então em uso no escolasticismo pela observação e pelos experimentos que revelam os fatos, seguidos pela indução legítima, que descobre as leis da natureza e as causas dos fenômenos, com base no maior número possível de comparações e exclusões. De Dignitate et Augmentis Scientiarum estabelece, last but not least, uma classificação das ciências de sua época e aponta suas deficiências, e Novum Organum apresenta um método para orientar a mente e progredir nas ciências e no conhecimento. Em seu estudo sobre raciocínio falacioso, sua contribuição mais significativa diz respeito à doutrina dos ídolos.

 No Novum Organum (1620), ele escreve, em oposição a Aristóteles, que o conhecimento nos chega na forma de objetos da natureza, mas que impomos nossas próprias interpretações a esses objetos. Nossas teorias científicas são construídas de acordo com a forma como vemos os objetos; os seres humanos são, portanto, tendenciosos na formulação de hipóteses. Para Bacon, “a verdadeira ciência é a ciência das causas”. Opondo-se à escolástica, reduzida à interpretação de textos clássicos, ele defende a “interpretação da natureza”, onde a observação direta dos fatos enriquece o conhecimento. Ele busca, assim, um meio-termo entre a acumulação empírica de fatos, sem qualquer tentativa de organizá-los, e o raciocínio teórico que procede unicamente de princípios e dedução. - “Os empíricos, como as formigas, só sabem acumular e consumir; os racionalistas, como as aranhas, tecem teias que constroem a partir de si mesmos; o método da abelha situa-se algures entre os dois: recolhe os seus materiais das flores dos jardins e dos campos; mas transforma-os e destila-os por uma virtude que lhe é própria: esta é a imagem da verdadeira obra da filosofia, que não depende unicamente das forças da mente humana e nem sequer delas retira o seu principal apoio. É por isso que há tudo para esperar de uma “aliança íntima e sagrada destas duas faculdades experimentais e racionais; uma aliança que ainda não foi alcançada”. Bacon, por meio da frase “Natura non nisi parendo vincitur” (“A natureza não pode ser comandada senão obedecendo-lhe”), destaca a afinidade entre o conhecimento teórico e a operação técnica e prática, o que levaria erroneamente alguns historiadores da ciência a acusá-lo de utilitarismo.

O conhecimento é poder porque permite agir sobre o objeto de estudo de modo a obter o que se deseja. Ele acrescenta que a tecnologia e a ciência são complementares, porque a ciência nos permite conceber invenções, assim como o conhecimento da luz nos permite fabricar microscópios, e porque nos permite organizar fatos observados, mas a tecnologia nos permite explorar esses fatos, servindo o microscópio, portanto, como meio para novas descobertas. Ele também é creditado com vários conceitos médicos e morais, como o conceito de eutanásia. Ele escreve em uma passagem de The Advancement of Learning: “Sobre a Eutanásia Exteriore. Além disso, acredito que a tarefa do médico não é apenas restaurar a saúde, mas também aliviar o sofrimento e a dor. E isso não apenas quando tal alívio é propício à cura, mas também quando pode ajudar a falecer em paz e facilmente”. E “não são asas que devem ser acrescentadas à compreensão”, esclareceu ele, “mas sim chumbo”. Alexandre Koyré faz um julgamento negativo sobre seu método: “‘Bacon, o iniciador da ciência moderna’ é uma piada, e das piores, que ainda se repete nos livros didáticos. Na verdade, Bacon nunca entendeu nada de ciência. Ele era crédulo e completamente desprovido de pensamento crítico. Sua mentalidade está mais próxima da alquimia, da magia (ele acreditava em ‘simpatias’), em suma, da de um homem primitivo ou renascentista do que da de um Galileu, ou mesmo de um escolástico”.

Bibliografia Geral Consultada.

CROMBIE, Alistair Cameron, História de la Ciência: de San Agustín a Galileo. Vol. I. Madrid: Editorial Alianza, 1974; GRANADA MARTÍNEZ, Miguel Angel, El Método y la Concepción de la Ciencia en Francis Bacon (1561-1626) como Superacion del Escepticismo y Dominio de la Naturaleza. Barcelona: Universidad de Barcelona, 1980; GELDSETZER, Luts, “L’induction de Bacon et la Logique Intensionnelle”. In: MALHERBE, Michel; POUSSEUR, Jean-Marie (eds.), Francis Bacon, Science et Méthode: Actes du Colloque de Nantes. Paris: Librairie Philosophique Vrin, 1985; COHEN, Ierome Bernard, La Rivoluzione nella Scienza. Milano: Editore Longanesi, 1988; MARÍAS, Julián, A Felicidade Humana. São Paulo: Livraria Duas Cidades, 1989; ENRIQUEZ, Eugène, Da Horda ao Estado. Psicanálise do Vínculo Social. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 1990; BOLTANSKI, Luc, L’Amour et la Justice Comme Compétences. Paris: Éditions Métailié, 1990; OLIVA, Alberto, “A Hegemonia da Concepção Empirista de Ciência a partir do Novum Organum de F. Bacon”. In: OLIVA, Alberto (org.), Epistemologia: A Cientificidade em Questão. Campinas: Papirus Editora, 1990, pp. 11-33; MIRZOEFF, Nicholas, An Introduction To Visual Culture. Londres: Editora Routledge, 1999; GADAMER, Hans-Georg, La Dialéctica de Hegel. Cinco Ensayos Hermenéuticos. 5ª edición. Madrid: Ediciones Cátedra, 2000; OLIVEIRA, Bernardo Jefferson de, Francis Bacon e a Fundamentação da Ciência como Tecnologia. Belo Horizonte: Editora Universidade Federal de Minas Gerais, 2002; CARONE, Iray, “Saber é Poder: A Racionalidade Técnica da Ciência Moderna”. In: Cadernos de Psicologia, 12, 1 (2002), pp. 11-29; MOCELLIN, Ronei Clécio, Lavoisier e a Longa Revolução na Química. Dissertação de Mestrado em Filosofia. Centro de Filosofia e Ciências Humanas. Departamento de Filosofia. Florianópolis:  Universidade Federal de Santa Catarina, 2003; EVA, Luiz Antônio Alves, “Sobre as Afinidades entre a Filosofia de Francis Bacon e o Ceticismo”. In: Revista Kriterion, 47 (2006), pp. 73-97; SPINELLI, Miguel, Bacon, Galileu e Descartes. O Renascimento da Filosofia Grega. São Paulo: Editora Loyola, 2013, pp.23-130; GAUDÊNCIO, Marcelo Araujo; PENA, Graziele Borges de Oliveira; DARSIE, Marta Maria; PAULA, Jacqueline Borges de, “Fogo e Ciência Moderna no Mito de Prometeu: Reflexões à Luz da Filosofia Baconiana”. In: Veritas. Porto Alegre, vol. 71, n° 1, pp. 1-13, jan.-dez. 2026; entre outros.