terça-feira, 2 de junho de 2026

Beijo Francês – Matrimônio & Muamba de Colar de Diamantes.

                                                                           Pior do que ser infiel é ser fiel sem o querer”. Brigitte Bardot (1934-2025)

                                    

           

        Brigitte Bardot nasceu no dia 28 de setembro de 1934, em um apartamento localizado na Place Violet, no 15º arrondissement de Paris. Sua juventude foi marcada por uma educação muito rigorosa. Em entrevista ao jornalista Jean Cau (1925-1993), ela atribuiu seu espírito rebelde à educação que recebeu: “Fui criada por pais de direita, de uma burguesia austera, que me deram uma educação católica bastante rigorosa. Eu conhecia o chicote. Era supervisionada por uma governanta. Nunca saía sozinha na rua. Fui muito bem mantida até os quinze anos”. Nesta época, ela se interessou por dança, que sua mãe via como potencial para uma carreira de bailarina. Bardot foi admitida aos sete anos de idade na escola particular Cours Hattemer. Ela frequentava a escola três dias por semana, o que lhe dava tempo suficiente para ter aulas de dança em um estúdio local, sob os arranjos de sua mãe. Em 1947 foi aceita no Conservatório Nacional Superior de Música e Dança de Paris, onde cursou as aulas de balé por três anos, ministradas pelo coreógrafo russo Boris Knyazev, onde também foi colega e se tornou amiga de Leslie Caron. Com o apoio e incentivo da mãe começou a fazer trabalhos de moda, em 1949, aos quinze anos, e em 1950 foi contratada pela revista francesa Elle para ser modelo da coleção juvenil, sendo capa da edição de março daquele ano. A fundadora da revista, Hélène Gordon-Lazareff, pertencia ao círculo de amizades da mãe de Brigitte em Paris.  

A capa Elle chamou a atenção do jovem cineasta Roger Vadim, que mostrou o trabalho ao cineasta e roteirista Marc Allégret, que convidou Brigitte para um teste para seu filme Les lauriers sont coupé. Bardot foi escolhida para o papel, mas o filme acabou não sendo realizado. Mesmo assim, esta oportunidade fez com que ela pensasse em se tornar atriz. Mais do que isso, seu encontro com Vadim, que assistiu ao teste, iria influenciar sua carreira e sua vida. Depois de aparecer na capa da revista Elle novamente, Bardot recebeu seu primeiro papel no cinema pelo diretor Jean Boyer, no filme Le Trou Normand, em 1952, aos dezessete anos de idade. Em sua autobiografia, ela contou que resistiu em aceitar esse pequeno papel por causa do dinheiro e que também não guardava boas lembranças das filmagens, devido à sua inexperiência diante das câmeras. Em dezembro de 1952, após dois anos de namoro à revelia dos pais, ela casou-se com Roger Vadim na igreja Notre-Dame-de-Grâce de Passy, em Paris, indo morar com ele a partir de então. Apesar da insegurança que sofreu durante as gravações do primeiro filme, continuou tentando novos trabalhos e, no mesmo ano, conseguiu seu segundo papel em Manina, la fille sans voile, dirigido por Willy Rozier — filme que fez seu pai recorrer à Justiça impedir que as cenas de biquíni fossem levadas ao cinema.

Roger Vadim não estava contente com o pouco sucesso dos primeiros filmes e achava que Brigitte estava sendo subestimada pela indústria cultural. A nouvelle vague francesa, inspirada no neorrealismo italiano que estava começando a crescer internacionalmente e ele, acreditando que Bardot poderia estrelar filmes desta categoria, a escalou para o papel principal de sua nova produção, Et Dieu... créa la femme (1956), com a então jovem sensação masculina do cinema francês, Jean-Louis Trintignant (1930-2022). O filme, sobre uma adolescente amoral numa pequena e respeitável cidade do litoral, fez um grande sucesso e causou escândalo mundial, especialmente pela forma como abordou a sexualidade. Quando chegou aos Estados Unidos o filme estourou as receitas, transformando Bardot em um fenômeno “da noite para o dia” com suas cenas de biquíni percorrendo as telas de cinema do mundo todo. No entanto, o filme sofreu fortes censuras e chegou a ser proibido em alguns países, sendo condenado pela Liga da decência católica. Na Europa, a imprensa conservadora reagiu violentamente contra a obra, estampando em suas capas manchetes com a foto de Bardot e usando termos como “sujeira”, “vulgaridade”, “besta” e chamando-a de “A heroína pitoyable”, expressão em francês para algo ruim, lastimável, patético e sem valor. Houve magnatas e movimentos religiosos que se articularam para tentar banir ela definitivamente dos cinemas.                                    

Durante a abertura da Exposição Universal de Bruxelas em 1958, o pavilhão do Vaticano, decorado com o tema dos sete pecados capitais, ilustrou a luxúria com um outdoor de fotos de Bardot, o que precisou de uma intervenção dos advogados dela e do governo francês para ser removido. Durante a década de 1960, quando a Europa, principalmente Londres e Paris, começou a ser o novo centro irradiador de moda e comportamento e Hollywood saiu por um tempo da luz dos holofotes, ela acabou eleita a deusa sexual da década. Verdadeiro ou falso, nesta época se dizia que Brigitte Bardot era mais importante para a balança comercial francesa que as exportações da indústria automobilística do país, sendo apelidada por Charles de Gaulle (1890-1970) como “A exportação francesa mais importante que os carros da Renault”. Em 1960, estrelou com Sami Frey o filme A Verdade, trabalho muito aguardado de Henri-Georges Clouzout. Durante as filmagens, Bardot teve um caso com seu colega Sami Frey, que resultou no rompimento com seu marido Jacques Charrier. Após o fim das gravações o escândalo veio à tona, elacometeu uma tentativa de suicídio, semanas antes de completar 26 anos. - “Provavelmente nenhum filme nos últimos anos - pelo menos na França - recebeu tanta atenção antecipada. Dois anos de planejamento, seis meses de filmagem, cenários fechados para a imprensa e tudo culminando na tentativa de suicídio da estrela do drama, Brigitte Bardot. Disseram ao público que Clouzot estava transformando BB em uma atriz de verdade”. In The New York Times

O seu corpo inconsciente foi encontrado nos arredores da cidade de Menton, onde ela havia se refugiado na casa de amigos quando a imprensa começou a noticiar o fim de seu casamento e seu novo romance, após ingerir barbitúricos e cortar os pulsos. Ela foi levada para um hospital em Nice, onde recuperou a consciência dois dias depois e mais uma vez precisou lidar com a reação do público e dos jornais após sair do hospital. La Vérité estreou nos cinemas parisienses em 2 de novembro de 1960. O filme foi bem recebido pela crítica e obteve um bom sucesso de público, sendo premiado em inúmeros festivais internacionais e foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 1961. O dinheiro e o trabalho podem existir e existiram historicamente antes de explicar o capital, os bancos, o trabalho assalariado, etc. Neste sentido objetivo do desenvolvimento humano, podemos dizer que a categoria mais simples pode exprimir relações dominantes de um todo menos desenvolvido ou, pelo contrário, relações subordinadas de um todo mais desenvolvido. Relações que existiam antes que o todo se desenvolvesse no sentido que encontra a sua expressão numa categoria mais concreta.

Nesta medida, lembra Marx (1973), que a evolução do pensamento abstrato, que se eleva do mais simples ao mais complexo, corresponderia ao processo histórico real. Por outro lado, podemos dizer que há formas de sociedade muito desenvolvidas, mas a quem falta maturidade, e nas quais descobrimos as formas mais elevadas de economia, como, por exemplo, a cooperação, uma divisão do trabalho desenvolvida e assim por diante, sem que exista necessariamente nenhuma forma de moeda: o Peru, pré-capitalista, por exemplo. Também entre os eslavos, o dinheiro e a troca que o conduziu não aparecem (ou aparecem pouco) no interior de cada comunidade, mas aparecem nas suas fronteiras, no comércio com comunidades. A troca surge nas relações das diversas comunidades entre si, muito antes de aparecer nas relações dos membros no interior de uma só e mesma comunidade. Embora o dinheiro apareça muito cedo e desempenhe um papel múltiplo, é na Antiguidade, enquanto elemento dominante, apanágio das nações determinadas unilateralmente, de nações comerciais. E mesmo na Antiguidade de menor duração, claramente entre os gregos e os romanos, ele só atinge o seu completo desenvolvimento, postulado na aurora da sociedade burguesa moderna, no período de sua dissolução.

Esta categoria social, no entanto, tão simples, só aparece com todo o seu vigor nos Estados mais desenvolvidos. O sistema monetário, por exemplo, situa ainda de forma perfeitamente objetiva, como coisa exterior a si, a riqueza do dinheiro. Um enorme progresso é devido ao talento do escocês Adam Smith, que rejeitou toda a determinação particular da atividade criadora de riqueza, considerando apenas o trabalho puro e simples, isto é, nem o trabalho industrial, nem o trabalho comercial, nem o trabalho agrícola, mas todas estas formas de trabalho no seu caráter comum. Com a generalidade abstrata da atividade criadora de riqueza igualmente se manifesta, então, a generosidade do objeto na determinação da riqueza, o produto considerado em absoluto, ou ainda o trabalho em geral, mas enquanto trabalho passado, objetivado num objeto. A indiferença em relação a um gênero determinado de trabalho pressupõe a existência de uma totalidade muito desenvolvida de gêneros de trabalho reais, dentre os quais nenhum é absolutamente predominante. Assim, as abstrações mais gerais só nascem, analiticamente, com o desenvolvimento concreto mais rico, em que um caráter aparece como comum a muitos, como comum a todos. Esta abstração do trabalho em geral não é somente o resultado mental de uma realidade concreta de trabalhos. A indiferença em relação a esse trabalho determinado corresponde a uma forma de sociedade na qual os indivíduos mudam com facilidade de trabalho para outro, e na qual o gênero preciso é para eles fortuitos, logo indiferente. Aí o trabalho tornou-se não só no plano das categorias, mas na própria realidade, um meio de criar a riqueza em geral e deixou, enquanto determinação, de constituir um todo com os indivíduos, em qualquer aspecto particular.   

A abstração mais simples e válida para todas as sociedades, só aparece, no entanto, sob esta forma abstrata como verdade prática enquanto categoria da sociedade mais moderna. Mas, precisamente por causa de sua natureza abstrata, para todas as épocas históricas da humanidade, não são menos, sob a forma determinada desta mesma abstração, o produto de condições históricas e só se conservam nestas condições e no quadro propriamente destas. A realidade é simplificadamente “tudo o que existe”. Em sentido mais livre, o termo inclui tudo o que é, seja ou não perceptível, acessível ou entendido pela filosofia, ciência, arte ou qualquer outro sistema de análise. O real é tido como aquilo que existe fora ou dentro da mente. A ilusão quando existente é real e verdadeira em si mesma. Ela não nega sua natureza. Ela diz sim a si mesma. A realidade interna ao ser, seu mundo das ideias, imaginário, individual e coletivo, idealizado no sentido de tornar-se ideia, e ser ideia, pode - ou não - ser existente e real também no mundo externo. O que não nega a realidade da sua existência enquanto ente idealizado. Quanto ao externo - o fato de poder ser percebido só pela mente - torna-se sinônimo de interpretação da realidade, de uma aproximação com a verdade. A relação íntima entre realidade e verdade, o modo em como a mente apreende a realidade, está no cerne da questão da imagem como representação sensível do objeto e da ideia do objeto como interpretação ideal, mental. Ter a mente tranquila em meio à agitação e aos estímulos que estamos expostos na modernidade não é uma atividade que pode parecer um luxo.

Enfatizando essas atividades sociais desenvolveu-se o conceito de indústria cultural. A linguagem do discurso autoral é tanto vista como compreendida numa ótica estreitamente unidimensional, onde a instrumentalização torna-se instrumentalização dos indivíduos, desconsiderando-se a intervenção dos homens na vida social e omitindo a complexidade da dimensão simbólica de apropriação do real omnipresente em todo o ato comunicativo. Perceber as sociedades de controle de forma unidimensional equivale a pensar as instituições como instância separadas e isoladas das dinâmicas sociais. A análise concreta das relações de poder nas instituições (família, Estado, universidade, etc.) que são par excellence, as protagonistas da inserção social, lideram o processo de constituição das identidades e regulam a sociedade. O processo ad infinitum de evolução social, envolve então a permanente produção de subjetividades culturais modulada por instituições híbridas e diferentes combinações fora das instituições. A crise das instituições significa que as fronteiras entre elas estão sendo derrubadas, de modo que a lógica de pensar que funcionava principalmente dentro das paredes institucionais se espalhava por todo o complexo e terreno social. Do ponto de vista da comunicabilidade o efeito social específico move a causa e a causalidade se move em espiral.

Ipso facto, todo comportamento humano passa a ter valor comunicativo e, como a comunicação não ocorre sobre fatos sociais fora das relações sociais, entendemos que todo processo de trabalho é um processo de comunicação, embora nem todo processo de comunicação seja um processo de comunicação. Onde o processo de produção se caracteriza por elementos imateriais ligados às capacidades cerebrais e cognitivas, a cooperação entre trabalhadores, não pode realizar sua atividade na reprodutibilidade técnica, reduzida e confundida com a cooperação tecnológica e comercial. A utilização da força de trabalho é o próprio trabalho. O processo de trabalho é o processo de sua valorização. O comprador da força de trabalho, o capitalista, a consome fazendo com que seu vendedor trabalhe. Desse modo, este último se torna actu aquilo que ante era apenas potentia, a saber, força de trabalho em ação, trabalhador. Para incorporar seu trabalho em mercadorias, ele tem de incorporá-lo, antes de mais nada, em valores de uso, isto é, em coisas que sirvam à satisfação de necessidades de algum tipo. Assim, o que o capitalista faz o trabalhador produzir é um valor de uso particular, um artigo determinado.

A produção de valores de uso ou de bens não sofre nenhuma alteração em sua natureza pelo fato de ocorrer para o capitalista e sob seu controle, razão pela qual devemos, de início, considerar o processo de trabalho independentemente de qualquer forma social determinada. O trabalho é, antes de tudo, um processo entre o homem e a natureza, processo este em que o homem, por sua própria ação, media, regula e controla seu metabolismo com a natureza. Ele se confronta com a matéria natural como uma potência natural. Agindo sob a natureza externa modificando-a por esse movimento, ele modifica, ao mesmo tempo, sua própria natureza. Ele desenvolve as potências que nela jazem latentes e submete o jogo de suas forças sociais a seu próprio domínio. Lembra Marx, que um incomensurável intervalo de tempo separa o estágio em que o trabalhador se apresenta no mercado como vendedor de sua própria força de trabalho daquele em que o trabalho humano ainda não se desvencilhou de sua forma instintiva. Quando um valor de uso, economicamente falando, resulta do processo de trabalho como produto, nele estão incorporados, como meios de produção, outros valores de uso, produtos de processos de trabalho na vida social anteriores. O mesmo valor de uso que é produto desse trabalho constitui o meio de produção de um trabalho ulterior, de modo que os produtos são não apenas resultado, mas também condição do processo de trabalho.

O engajamento do cinema francês é o mais dinâmico da Europa continental em termos de público, números de filmes produzidos e de receitas tributárias geradas por suas produções cinematográficas. O cinema francês teve um desempenho importante na história social deste meio social de comunicação, tanto em termos técnicos como históricos. Os primórdios do cinema contam com vários nomes franceses, entre os quais os se destacam os irmãos Ampére, não só responsáveis pelo estudo da corrente elétrica, mas também a invenção das primeiras câmeras, feito geralmente erroneamente atribuído aos irmãos Auguste Marie e Louis Jean Lumiére, os inventores do cinématographe, sendo frequentemente referidos como “os pais do cinema”. No desenvolvimento do cinema como forma técnica de arte, muitos dos filmes realizados na França são considerados marcos relevantes. Após 1ª Grande Guerra (1914-18) o cinema francês entrou em crise, como de resto os países envolvidos no conflito, devido à falta de recursos financeiros para a criação de novos filmes, como aconteceu na maioria dos países europeus. A situação de crise permitiu que os filmes norte-americanos chegassem aos cinemas europeus. Mas os filmes de consumo mais baratos poderiam ser bem comercializados já que seus estúdios recuperavam os gastos dos filmes em seu próprio mercado. A França adotou um princípio de reserva de mercado (cf. Renzi, 2013) para diminuir a importação de filmes e estimular a produção interna e comercial francesa, onde proporcionalmente, a cada sete filmes importados um filme francês deveria ser produzido e exibido nos cinemas franceses.         

O cinema francês estatisticamente tem o mais alto índice de participação de mercado na Europa, oscilando entre 35% e 40%. Eric Garandeau explicou que o país não tem cota de tela. – “Acreditamos que os outros mecanismos são suficientes para garantir a presença da produção francesa nas salas. O que temos são mecanismos de incitação à diversidade e algumas medidas de regulação. Há, por exemplo, uma limitação quanto ao número de salas em que um mesmo filme pode ser exibido em um único complexo. Essa regra chegou a provocar uma reclamação dos donos de cinemas de arte, já que muitos multiplex passaram a programar os mesmos filmes que o circuito especializado. Mas preferimos esse tipo social de problema a ver uma grande concentração de um mesmo lançamento”. Ele destacou a digitalização dos cinemas e dos filmes como a principal nova demanda financeira do setor. O governo estabeleceu um padrão mínimo para a projeção digital e criou um “fundo de digitalização” no valor de € 200 milhões. Parte dessa quantia será destinada à um fundo de apoio à digitalização dos circuitos de pequeno e médio porte. – “Nosso desafio é que o vpf não estabeleça condições discriminatórias e não comprometa a diversidade que existe nos cinemas franceses. Precisamos garantir a liberdade total de programação e o acesso dos distribuidores a todas as salas, sem que se estabeleçam acordos privilegiados”. Em 2011, 3349 salas (60.8% do total) e 888 cinemas (43.2% do total) já haviam sido digitalizados, e o objetivo é que o circuito do país esteja 100% digitalizado. 

Parte do fundo é destinada à restauração e à digitalização, em 2K, de todos os filmes franceses desde a consagração cinematográfica dos irmãos Lumière. Louis e Auguste eram filhos e colaboradores do industrial Antoine Lumière, fotógrafo e fabricante de películas fotográficas, proprietário da Usine Lumière, instalada na cidade francesa de Lyon. Antoine reformou-se em 1892, deixando a fábrica entregue aos filhos. O cinematógrafo era uma máquina de filmar e projetor de cinema, invento que lhes tem sido atribuído, mas que na verdade foi inventado por Léon Bouly (1872-1932), no ano de 1892, que teria perdido o registro dessa patente, sendo novamente registrado pelos irmãos Lumière em 13 de fevereiro de 1895. São os inventores da chamada Sétima Arte junto com Georges Méliès (1861-1938), sendo este visto como “pai do cinema de ficção”. Louis e Auguste eram ambos engenheiros. Auguste ocupava-se da gerência da fábrica, fundada pelo pai. Dedicaram-se à produção cinematográfica realizando alguns documentários curtos, destinados à promoção do invento, embora acreditassem que o cinematógrafo fosse apenas um instrumento científico, talvez sem futuro comercial. Casaram-se com duas irmãs e moravam todos na mesma mansão. Mas houve também um investimento na formação abstrata e de produção de ideias durante o período próspero de guerras 1914-1918 destacando-se Jacques Feyder (1885-1948) um profissional policompetente, ator, roteirista e diretor de cinema belga que trabalhou principalmente na França, mas também nos Estados Unidos da América, Grã-Bretanha e Alemanha.

É um dos fundadores do chamado realismo poético francês no cinema. Ele também dominou o cinema impressionista francês junto com Jean Epstein (1897-1953), Abel Gance (1889-1981) e Germaine Dulac (1882-1948). Desde o início, inventores e produtores cinematográficos tentaram casar a imagem com um som sincronizado. Mas nenhuma técnica deu certo até a década de 1920. Assim sendo, durante 30 anos os filmes eram praticamente silenciosos sendo acompanhados muitas vezes de música ao vivo, outras vezes de efeitos especiais e narração e diálogos escritos presentes entre cenas. Tendo destaque para Charles Chaplin (1889-1997), considerado uma das figuras mais importantes no cinema mudo. Em 1915, Chaplin assinou um contrato muito mais favorável com a Essanay Studios, e desenvolveu suas habilidades cinematográficas, adicionando novos níveis de sentimentalismo e pathos em seus filmes. A maioria dos filmes produzidos na Essanay foram ambiciosos, com uma duração duas vezes maior que os curtas-metragens da Keystone. Chaplin também desenvolveu o seu próprio elenco, no qual estava incluído a heroína Edna Purviance (1895-1958) e os vilões cômicos Leo White e Bud Jamison. Visto que grupos de imigrantes chegavam constantemente nos Estados Unidos da América, os filmes mudos foram capazes de atravessar quase todas as barreiras de linguagem, principalmente por seu ineditismo, sendo compreendidos por todos os níveis da Torre de Babel americana, simplesmente devido ao fato de serem mudos. Chaplin foi tornando-se o exponente máximo do cinema mudo.

Foi dado a Chaplin o controle artístico quase total, produzindo doze filmes durante um período de dezoito meses, notando que estes estão entre os filmes de comédia mais influentes da história mundial do cinema. Praticamente todos os filmes de Chaplin produzidos na Mutual são clássicos: Easy Street, One A.M., The Pawnshop e The Adventurer são provavelmente os mais conhecidos. Edna Purviance continuou sendo a protagonista, e Chaplin adicionou Eric Campbell, Henry Bergman e Albert Austin ao seu elenco de primeira linha; Campbell, um veterano nas óperas de Gilbert e Sullivan, interpretou vilões soberbos, e os atores coadjuvantes Bergman e Austin permaneceram no elenco de Chaplin durante décadas. Chaplin considera o período em que esteve na Mutual como o mais feliz de sua carreira. Após a entrada dos Estados Unidos na 1ª grande guerra (1914-1918), tornou-se um garoto-propaganda para a venda de “bônus da liberdade” junto com Mary Pickford (1892-1979) e seu amigo Douglas Fairbanks (1883-1939). Mais do que isso, pelo fato de que Chaplin antecipa o mágico que está presente na literatura e na realidade, na arte, na história e no cinema, como reconhecemos, sugere a possibilidade de que corresponda a um “modo e olhar”, a um estilo de pensamento, e não somente a um estilo de criação artística, ainda que importante. Não se trata de indagar sobre os nexos entre literatura e realidade, literatura e cinema a propósito da aura mágica que irradia da escritura e da cultura. Cabe indagar se essa aura não só emana como também constitui o todo da cultura. É como se um fato insólito de repente desvendasse dimensões recônditas e significados críveis da cultura, vida social, biografia, história, mundo moderno.

O diamante é um cristal, mutatis mutandis, sob uma forma alotrópica do carbono, de fórmula química C. É a forma triangular estável do carbono em pressões acima de 6 GPa (60 kbar). Comercializados como pedras preciosas, os diamantes possuem um alto valor agregado. Normalmente, o diamante cristaliza com estrutura cúbica e pode ser sintetizado industrialmente. Outra forma de cristalização do diamante é a hexagonal, menos comum na natureza e com dureza menor (9,5 na escala de Mohs). A característica que difere os diamantes de outras formas alotrópicas, é o fato tecnológico de cada átomo de carbono estar hibridizado em sp³, e encontrar-se ligado a outros 4 átomos de carbono por meio de ligações covalentes em um arranjo tridimensional tetraédrico. O diamante pode ser convertido em grafite, o alótropo termodinamicamente estável em baixas pressões, aplicando-se temperaturas acima de 1 500 °C sob vácuo ou atmosfera inerte. Em condições ambientes, normais de temperatura e pressão, essa conversão é lenta, tornando-se negligenciada. Cristaliza no sistema cúbico, geralmente em cristais com forma octaédrica (8 faces) ou hexaquisoctaédrica (48 faces), com superfícies curvas, arredondadas, incolores ou coradas. Os diamantes de coloração escura são pouco reconhecidos, e provavelmente, o seu valor de beleza única e raridade, como lembrava Marx (1973) como gema é menor devido ao seu aspecto pouco atrativo. Diferente do que se pensou durante anos, os diamantes “não são eternos, pois o carbono definha com o tempo, mas os diamantes duram mais que qualquer ser humano”. Sendo carbono puro, o diamante arde quando exposto a uma chama, transformando-se em dióxido de carbono. É solúvel em diversos ácidos e infusível, exceto a altas pressões.                    

O diamante é o mais duro material de ocorrência natural que se conhece. Sua dureza é superada pelos também compostos (sintéticos) de carbono, grafeno e carbono acetilênico linear, conhecido também como carbino. Isto significa que não pode ser riscado por nenhum outro mineral ou substância, exceto o próprio diamante, funcionando como um importante material abrasivo. No entanto, é muito frágil, e isso deve-se à clivagem octaédrica perfeita segundo (2o). Estas duas características fizeram com que o diamante não fosse talhado durante muitos anos. A maior jazida do mundo, revelada pela Rússia ao mundo em 2012, porém de conhecimento do Kremlin, um complexo fortificado no centro da capital russa, nas margens do rio Moskva ao Sul, com a Catedral de São Basílio e a Praça Vermelha a Leste e o Jardim de Alexandre a Oeste, desde 1970, tem capacidade para suprir diamantes, mesmo para uso industrial, pelos próximos 3000 anos. A jazida conta com trilhões de quilates, e matematicamente com 10 vezes mais diamantes do que todas as jazidas reconhecidas existentes no mundo juntas. Ela situa-se numa cratera com extensão de 100 km entre a região de Krasnoiarsk e da República de Sakha na Sibéria, Rússia. Tal cratera teve origem há 35 milhões de anos, com a queda de um asteroide, e seus diamantes são duas vezes mais resistentes, duros, do que os encontrados em outros lugares. A sua origem é decorrente da pressão e do calor gerado no impacto.  

Tal durabilidade é do interesse de certos setores industriais, pois é ótimo e de extrema utilidade para confecção de equipamentos das indústrias eletrônica e ótica, assim como em equipamentos para perfuração do solo. Outras jazidas no mundo são da África do Sul. Outras jazidas importantes situam-se na Rússia (segundo maior produtor) e na Austrália (terceiro maior produtor), entre outras de menor importância. Em outubro de 2019, um dos diamantes mais raros do mundo foi descoberto na República de Sakha da Sibéria; ele foi designado de “diamante Matryoshka”, em homenagem às icônicas bonecas russas. O diamante mede apenas 4,8 mm x 4,9 mm x 2,8 mm, e dentro dele existe uma cavidade interna que contém outro diamante medindo apenas 1,6 milímetro cúbico. Ainda não foi estimado o valor da pedra, mas a empresa que a descobriu (ALROSA) disse que suas características a tornará uma das mais valiosas do mundo. A densidade é de 3,48. O brilho é adamantino, derivado do elevadíssimo índice de refração (2,42). Recorde-se que todos os minerais com índice de refracção maior ou igual a 1,9 possuem este brilho. No entanto, os cristais não cortados podem apresentar um brilho gorduroso. Pode apresentar fluorescência, ou seja, a incidência dos raios ultravioleta produz luminescência com cores variadas originando colorações azul, rosa, amarela ou verde.

French Kiss tem como representação social um filme de comédia romântica de 1995 dirigido por Lawrence Kasdan e estrelado por Meg Ryan e Kevin Kline. Após concluir seus estudos, Kasdan foi para Hollywood no início da década de 1970 com o roteiro de Bodyguard em mãos, na esperança de viabilizar o projeto com Steve McQueen. Depois de várias rejeições de estúdios, o projeto foi abandonado e o filme foi finalmente realizado em 1992 com Kevin Costner.  Em 1979, ele conseguiu vender outro roteiro, Continental Divide, para Steven Spielberg, que se tornaria um filme dirigido em 1981 por Michael Apted (1921-2021), com John Belushi (1949-1982) no papel principal. George Lucas o contatou imediatamente para escrever o roteiro de sua próxima produção, baseado em uma história que ele e Philip Kaufman co-escreveram, Raiders of the Lost Ark (1981). Satisfeito com seu trabalho, Lucas o confiou a reescrever vários diálogos em seu roteiro para Star Wars, Episódio V: O Império Contra-Ataca. O sucesso internacional desses filmes permitiu que ele se aventurasse na direção com o thriller Body Heat em 1981, coproduzido por George Lucas que o contratou novamente para reescrever vários diálogos em seu roteiro. Posteriormente, especializou-se em filmes com elenco numeroso, reunindo um grande grupo de atores consagrados ou novatos, revelando nesse processo talentos como Kevin Kline, com quem colaboraria em diversos filmes, e Kevin Costner. Seus filmes abrangem gêneros tão diversos quanto comédia dramática com The Big Chill em 1983 e Grand Canyon (Urso de Ouro em Berlim em 1992), faroeste com Silverado e Wyatt Earp, comédia romântica com French Kiss, ou noir puro com Je t`aime à te tuer.

A história do cinema nasce com o desenvolvimento de uma forma de arte visual criada com tecnologias cinematográficas que teve início no final do século XIX. Os primeiros filmes eram em preto e branco, com menos de um minuto de duração, sem som gravado e consistiam em um único plano a partir de uma câmera fixa. Na primeira década, o cinema deixou de ser uma novidade para se tornar uma indústria de entretenimento de massa, com empresas de produção e estúdios estabelecidos em todo o mundo. Desenvolveram-se convenções rumo a uma linguagem cinematográfica geral, com a edição, os movimentos de câmera e outras técnicas cinematográficas assumindo papéis específicos na narrativa dos filmes. O primeiro filme exibido em 1895 foi L`Arrivée d`un train en gare de La Ciotat. O cinema baseia-se em projeções públicas de imagens animadas. O cinema nasceu de várias inovações que vão desde do domínio fotográfico até a síntese do movimento. A esta foi atribuída como causa a persistência da visão ou “persistência retiniana”, por teóricos renomados. Mas o efeito de movimento do cinema não pode ser explicado pela “persistência retiniana”, onde na verdade, acontece em nível neural, já posterior à fase da retina no processo de percepção visual.

Hugo Münsterberg, psicólogo e um dos primeiros teóricos do cinema, já negava, em 1916, a possibilidade de o efeito de movimento produzido no cinema resultar de fenômenos retinianos. Münsterberg acreditava (e estava certo) que tudo acontecia na fase neural do processo de percepção visual, e deu ao fenômeno o nome de “Phi” (Fenômeno phi). Dentre os jogos óticos inventados vale a pena destacar o thaumatrópio inventado entre 1820 e 1825 por John Ayrton Paris, Fenacistoscópio (1828-1832) por Joseph-Antoine Ferdinand Plateau, zootrópio (1828-1832) por William George Horner, praxinoscópio (1877) e o Estroboscópio (1828-1832) por Simon von Stampfer. Em 1876, Eadweard Muybridge (1830-1904) fez uma experiência: primeiro colocou 12 e depois 24 câmeras fotográficas ao longo de um hipódromo e tirou várias fotos da passagem de um cavalo. Ele obteve assim a decomposição do movimento em várias fotografias e através de um zoopraxiscópio pode recompor o movimento. Em 1882, Étienne-Jules Marley melhorou o aparelho de Muybridge. Em 1888, Charles-Émile Reynaud melhorou sua invenção e começou projetar imagens no Musée Grévin durante 10 anos.

Em 1888, Louis Aimée Augustin Le Prince filmou uma cena de cerca de 2 segundos, mas a fragilidade do papel utilizado fez com que a projeção ficasse inadequada. William Kennedy Laurie Dickson, chefe engenheiro da Edison Laboratories, inventou uma tira de celuloide contendo uma sequência de imagens que seria a base para fotografia e projeção de imagens em movimento. Em 1891, Thomas Edison (1847-1931) inventou o cinetógrafo e posteriormente o cinetoscópio. O último era uma caixa movida a eletricidade que continha a película inventada por Dickson, mas com funções limitadas. O cinetoscópio não projetava o filme. Baseado na invenção de Edison, Auguste e Louis Lumière inventaram o cinematógrafo, um aparelho portátil que consistia num aparelho “três em um”: máquina de filmar, de revelar e projetar. Em 1895, o pai dos irmãos Lumière, Antoine, organizou uma exibição pública paga de filmes no dia 28 de dezembro no Salão do Grand Café de Paris. A exposição foi um sucesso. Este dia, data da primeira projeção pública paga, é comumente reconhecida como o nascimento do cinema mesmo que os irmãos Lumière não tenham reivindicado para si a invenção de tal feito. Porém, as histórias norte-americanas atribuem um maior peso a Thomas Edison pela invenção do cinema, quando na verdade o que ele fez foi pegar pequenos vídeos e exibi-los em maquinas caça-níquel, normalizando o conteúdo de sentido do lugar de exibição, e para não perder tal fonte lucrativa sempre foi contra a exibição dos filmes em grandes salas.

O Gran Café de Paris foi um edifício modernista localizado na Plaza de la Campana, em Sevilha. Localizado na esquina da O`Donnell com a Campana, o Gran Café de Paris foi uma referência na vida social sevilhana durante as primeiras décadas do século XX. Construída por Aníbal González entre 1904 e 1906, por encomenda de Manuel Suárez, a casa é repleta de salas com grandes espelhos e cadeiras com estofamento vermelho. Havia discussões acaloradas entre os defensores das touradas e do clássico de futebol da cidade. Também ocorreram inúmeras reuniões para debater a Exposição Ibero-Americana de 1929, além dos bailes de máscaras do Carnaval, e o local se tornou a última parada antes da estreia do Teatro San Fernando. Durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), o Gran Café de París foi renomeado como Café de Roma para evitar confusão com o café da Avenue de l`Opéra em Paris. Nessa conjuntura histórica e social, o edifício já havia sofrido várias remodelações que lhe tinham reduzido muito do esplendor dos seus primórdios. Com o nome recuperado na década de 1940, o Café Paris não durou muito, pois deixou de existir na década seguinte.

O espaço no térreo do edifício modernista era então ocupado por uma loja de Departamentos, “La Importadora”, uma espécie de bazar “onde se podia encontrar de tudo, algo novo para a época”. Os irmãos Lumière enviaram ao mundo globalizado como forma de espetáculo, a fim de apresentar pequenos filmes, os primeiros registros como um início do cinema amador. “Sortie de l`usine Lumière à Lyon” ou “Empregados deixando a Fábrica Lumière” é tido como o primeiro audiovisual exibido na história, sendo dirigido e produzido por Louis Lumière. Do mesmo ano, ainda dos irmãos Lumière o filme L`Arroseur Arrosé, uma pequena comédia. Menos de 6 meses depois, Edison projetaria seu primeiro filme: Vitascope. Le Grand Café é um café-restaurante localizado no número 49 da Place d`Allier, no centro de Moulins, no departamento francês de Allier. Considerado um dos cafés mais bonitos da França, foi criado em 1899. Sua arquitetura interior e fachada são características do estilo neorrococó de 1900, um estilo em voga na virada do século XIX para o XX, cuja expressão curvilínea e orgânica é inspirada no estilo rococó e contemporânea das criações da Art Nouveau, da qual representa uma versão mais refinada. O salão principal é decorado com grandes espelhos de parede, pilastras de estuque com guirlandas de folhagens, trabalhos em ferro, diversos lustres, incluindo um grande lustre de bronze, um teto com um afresco alegórico e um vitral, além de vários murais. O Grand Café é tombado como monumento histórico desde 1978.

No piso térreo, a grande sala retangular é dividida em duas, uma divisão marcada por uma grande viga metálica central com o logotipo da Torre Eiffel, revestida de estuque e que sustenta um imenso lustre de bronze. A extremidade oposta da sala é dominada por um mezanino com uma balaustrada de ferro forjado elaboradamente trabalhada que sustenta um relógio. As paredes longitudinais são decoradas, entre cada pilastra de estuque, com madeira esculpida encimada por imensos espelhos com molduras douradas que criam uma perspectiva infinita. No teto, na parte frontal da sala, a área do “café”, um afresco pintado por Auguste Sauroy (1864-1946) retrata a lenda de Gambrinus, o mítico rei de Flandres e Brabante, a quem se atribui o nascimento da cerveja. Provavelmente havia outro afresco no teto na parte posterior da sala, a área da “cervejaria”, mas este foi posteriormente substituído por um grande vitral no estilo dos anos 1930. O conceito de café-brasserie começou a se espalhar pelas principais cidades francesas no final do século XIX, impulsionado em parte pelos alsacianos que fugiram da anexação alemã de sua região após a derrota de 1870. Os arquitetos deram rédea solta à sua imaginação durante esse período da Belle Époque, marcado por intensa atividade cultural.

Esses cafés muitas vezes se tornaram centros da vida intelectual local. Um homem chamado Renoux, originário de Montluçon e que tinha sido garçom na brasserie parisiense Lipp procurava um local para criar um estabelecimento desse tipo. Ele o encontrou na Place d`Allier, que se tornara o novo centro da atividade comercial em Moulins: um mercado coberto com estrutura metálica foi inaugurado ali em 1880, o Crédit Lyonnais, estabelecendo-se em Moulins, instalou sua filial na praça em 1881 no nº 66, mas mudou-se para um prédio construído especialmente para ele no nº 33 em 1910, o Société Générale também se instalou nesta praça em 1910. Os arquitetos de Moulins reproduziram neste bairro os desenvolvimentos arquitetônicos, assim as ondulações aparecem nas fachadas, varandas e janelas, como no edifício típico das Nouvelles Galeries que abriu em 1914 na rue de l`Allier. Em 1898, Renoux investiu 250.000 francos de ouro, equivalente a € 600.000 em 2016 para criar este café. Ele recorreu a um reconhecido, o arquiteto italiano Louis Galfione-Garetta (1880-1873), diretor da escola municipal de belas artes, que projetou uma decoração um tanto fantasiosa, antecipando a Art Nouveau que ele também supervisionou a decoração da confeitaria Aux Palets D’Or, que existe. Galfione confiou a decoração do teto do Grand Café ao pintor Auguste Sauroy (1864-1946). Este artista pintou um afresco (agora perdido) no teto do novo teatro da cidade em 1894, em homenagem ao poeta simbolista Théodore de Banville (1823-1891), que nasceu em Moulins e havia falecido alguns anos antes.           

Em 1896, ainda em Moulins, participou da decoração da casa Mantin, uma rica residência burguesa que se transformou em um museu. Um mezanino foi construído na parte de trás do térreo para acomodar uma orquestra, e o Grand Café permaneceu como café-concerto até as décadas de 1950 e 1960. Foi inaugurado em 1899. O café apresentava o “Cosmorama em movimento”, que, usando lentes e imagens, exibia locais pitorescos de todo o mundo. Panfletos distribuídos por toda a cidade o descreviam como “um espetáculo artístico e social inigualável, variando todas as segundas, quartas e sextas-feiras: ilusão completa”. Por volta de 1905, o Grand Café ofereceu as primeiras exibições de cinema da cidade seguido por outros dois cafés, inicialmente realizadas ao ar livre na praça. O equipamento de projeção foi montado na varanda externa do primeiro andar, com a orquestra, localizada no mezanino interno, tocando durante a exibição. No início do século o clímax era tranquilo. O Grand Café era frequentado pelos notáveis ​​de Moulins, os altos funcionários desta prefeitura do Departamento, os ricos comerciantes e os negociantes de gado após as feiras. Foi durante esse período que Coco Chanel, ainda chamada Gabrielle Chasnel (1883-1971) e que então trabalhava como costureira na Maison Grampayre, uma loja de armarinhos localizada a menos de 200 metros de distância, frequentava o Grand Café, onde possivelmente se apresentava como cantora.

Vale lembrar que o clímax, também chamado de ápice, conceitualmente é o ponto mais alto de tensão numa narrativa. É particularmente usado em referência a peças de teatro, ao drama em particular. Na cultura clássica as narrativas ilustravam com frequência temas no género de comédia, por exemplo problemas de dinheiro (narrativa com final feliz), ao passo que na tragédia ilustravam um drama com final triste. Mantêm-se tais processos na narrativa moderna, em que por vezes o clímax é ténue ou sutil. Por definição, o clímax ocorre no desenrolar de um conflito, pouco antes do desfecho. É o momento mais difícil no percurso do herói, a crise mais iminente do protagonista, o ponto crucial do conflito, onde não se sabe para que lado a história penderá. Em O vermelho e o Negro, por exemplo, o clímax pode ser visto como o momento em que Julien Sorel descobre que a Sra. de Renal escreveu uma carta ao Marquês de La Mole e, furioso, mata a mulher. As cenas seguintes serão a prisão, a condenação e a morte. Em Romeu e Julieta o clímax está mais próximo do final da história, quando Julieta finge que está morta, causando o trágico e conhecido desfecho. Na tragédia clássica Édipo Rei, de Sófocles, culmina com a peripécia e o reconhecimento, ou quando o herói passa da ignorância para a consciência, mudando seu destino. No caso de Édipo, o clímax tem lugar quando ele se apercebe que matou o pai e cometeu incesto com sua própria mãe, cegando-se.

Com sua tia Adrienne, dois anos mais velha, elas tiveram ali seu primeiro contato com a burguesia. Elas conviviam com os oficiais do 10º Regimento de Chasseurs à Cheval estacionado em Moulins, aos quais mais tarde seguiriam até o Café de la Rotonde, um café-concerto mais festivo e barulhento e onde ela ganhou o apelido de “Coco”, inspirado por uma canção que cantou ali. Em 1933, Émile Marcelot, com apenas vinte anos e recém-saído da escola de hotelaria, assumiu o lugar do pai na direção do estabelecimento; ele permaneceria lá por sessenta anos. Após a guerra, a clientela diversificou-se. Os jovens deram-lhe a alcunha de “Grand jus”, usada pelas pessoas de Moulins. A fachada e as duas salas com a sua decoração de Grand Café estão classificadas como monumentos históricos. Em 1993, Marcel Pocheron tornou-se o novo proprietário do estabelecimento. Ele realizou a sua renovação sob a supervisão do arquiteto dos edifícios da França, o grande salão do Grand Café recuperando assim a sua cor cinza imperial. O Grand Café mudou de mãos novamente, desta vez para o seu atual proprietário, o quinto desde a sua criação, Christian Belin, que, no final dos anos 2000 e início dos anos 2010, passou a gestão para as suas duas filhas, Maud e Alexandra. No final de 2013, o Grand Café foi galardoado com o prestigiado selo Maître Restaurateur. Em março de 2014, o Grand Café foi renovado e a cozinha foi ampliada de 20 para 80 m², abrindo-se para a sala de jantar.   

O Grand Café serviu como local de filmagem para o filme para televisão Coco Chanel, dirigido por Christian Duguay em 2008. É frequentemente afirmado, mas erroneamente, que também serviu como locação para o filme Maigret e o Caso Saint-Fiacre, dirigido por Jean Delannoy em 1959, estrelado por Jean Gabin como o Inspetor Maigret. Este filme é baseado no romance O Caso Saint-Fiacre, de Georges Simenon, que se passa em Moulins e arredores, incluindo cenas em um café fictício de Moulins chamado Café de Paris. Georges Simenon, em sua juventude, frequentava o Grand Café. Ele era secretário do Conde de Tracy no Château de Paray-le-Frésil, um castelo localizado não muito longe de Moulins. No entanto, várias diferenças notáveis entre o interior e o exterior do Grand Café e o que é visto no filme desmentem que quaisquer cenas tenham sido filmadas. Um cenário semelhante ao Grand Café foi criado para o filme, provavelmente nos estúdios Éclair, nos subúrbios de Paris. O proprietário do Grand Café, Émile Marcelot, negou esse rumor, afirmando que o diretor, Jean Delannoy, de fato havia ido procurar locações, mas que a disposição do local, e especialmente os numerosos espelhos, o dissuadiram de filmar no local. Ao contrário do que às vezes se afirma, a chegada de Maigret (Jean Gabin) a Moulins não foi filmada na estação de trem da cidade, mas sim na estação de trem de Vaux-sur-Seine, no Noroeste dos subúrbios parisienses.

Escrito por Adam Brooks, o filme French Kiss acompanha uma mulher que viaja para a França para confrontar seu noivo infiel, mas acaba se envolvendo com um charmoso criminoso sentado ao seu lado em um voo, que a usa para contrabandear um colar de diamantes roubado. Nascido em 3 de setembro de 1956, Brooks é um diretor de cinema, roteirista e ator canadense. Ele é reconhecido por escrever e dirigir Definitely, Maybe (2008) e estrelado por Ryan Reynolds, Isla Fisher, Rachel Weisz, Elizabeth Banks, e Abigail Breslin. Will Hayes é um jovem de 30 e poucos anos que vive em Manhattan com a filha de 10 anos de idade, Maya. Will está se divorciando, quando Maya decide surpreendentemente querer saber absolutamente tudo sobre como os pais se conheceram e se apaixonaram. Will não se intimida e começa a contar a ela uma parcela de três de seus relacionamentos passados, dando detalhes de cada uma das mulheres. No entanto ele troca os nomes, para que a filha descubra com qual delas ele veio a se casar. À medida que Maya começa a juntar as peças do quebra-cabeças, passa a entender que “o amor não é tão simples quanto parece”. E também por escrever os roteiros de French Kiss (1995), Wimbledon (2004) e Bridget Jones: The Edge of Reason (2004).             

Seu primeiro filme como roteirista e diretor, Almost You, ganhou o Prêmio do Júri no Festival de Cinema de Sundance em 1985. Brooks atuou como membro do conselho do Writers Guild of America East e atualmente faz parte do conselho da Fundação Writers Guild of America East. Ele também leciona cinema na Escola de Pós-Graduação em Artes da Universidade Columbia. Brooks mora na cidade de Nova York. O elenco de French Kiss também inclui Timothy Hutton, Jean Reno, François Cluzet, Susan Anbeh e Marie-Christine Adam. French Kiss foi filmado em locações em Paris, na região de Provence-Alpes-Côte d`Azur, no Sudeste da França, e em Cannes. Foi lançado pela 20th Century Fox nos Estados Unidos da América e pela PolyGram Filmed Entertainment em outros territórios em 5 de maio de 1995, e recebeu críticas mistas. Os elogios foram direcionados às atuações de Meg Ryan e Kevin Kline e ao charme da comédia romântica, enquanto as críticas se dividiram quanto à profundidade emocional e à eficácia simbólica narrativa do filme que foi um sucesso comercial, arrecadando aproximadamente US$ 102 milhões em todo o mundo globalizado impulsionado principalmente pelo desempenho internacional, contra um orçamento de produção de US$ 40 milhões. Por suas atuações extraordinárias, Meg Ryan e Kevin Kline receberam indicações ao American Comedy Awards de 1996. O filme inspirou remakes, last but not least, incluindo o filme hindi Pyaar To Hona Hi Tha (1998) e o malaiala Vettam (2004). Foi o último filme filmado em extraordinários lugares pelo diretor de fotografia Owen Roizman antes de sua morte em 2023.

Kate, uma professora de história norte-americana, mora no Canadá com seu noivo, Charlie, um médico. Quando Charlie a convida para acompanhá-lo a Paris para uma conferência, ela recusa, em parte por causa de seu medo de voar, intolerância à lactose e por estar aguardando o pedido de cidadania canadense. Dias depois, Charlie liga para Kate, dizendo que se apaixonou por uma francesa, chamada Juliette, e que não voltará. Determinada a reconquistá-lo, Kate embarca em um voo para Paris e senta-se ao lado do francês afetado Luc Teyssier, de quem ela antipatiza instantaneamente. Luc, que vem de uma família de viticultores, mas que está contrabandeando um colar de diamantes roubado em uma videira americana. Ele planeja vender o colar e usar a videira para criar seu próprio vinhedo. Sabendo que é improvável que Kate seja revistada na alfândega, ele esconde os diamantes em sua bolsa de viagem. No aeroporto de Paris, Luc é reconhecido pelo inspetor Jean-Paul Cardon, que lhe oferece uma carona para casa e revistar sua bagagem em busca de indícios de crime. Cardon está ciente da profissão de Luc, mas o encoraja a parar e se recusa a prendê-lo porque Luc já lhe salvou a vida. Kate espera por Charlie no saguão do hotel, mas desmaia ao vê-lo beijando a bela e glamorosa Juliette.             

Um ladrão francês, Bob, rouba sua bagagem enquanto ela está fora. Luc chega para recuperar a trepadeira e o colar e ajuda Kate a identificar o ladrão, que Luc conhece. No apartamento de Bob, ele admite ter vendido o passaporte dela e dado suas roupas, mas a trepadeira ainda está lá. Kate tenta obter ajuda das embaixadas americana e canadense, mas tem seu pedido negado, pois solicitou a cidadania canadense sem revelar uma condenação anterior por porte de maconha. Ela então embarca em um trem para Cannes para ir atrás de Charlie, que está viajando com Juliette para conhecer seus pais. Luc, ao descobrir que o colar não está com a trepadeira e sim na bolsa de Kate, chega e finge estar interessado em ajudá-la a reconquistar Charlie. Naquela noite, Kate beija Luc enquanto dorme. Ele fica perturbado ao perceber a atração que sente por ela. De manhã, Kate descreve um “sonho delicioso”, enquanto degustava grandes quantidades de queijo francês, mas logo passa mal. O casal desce do trem em La Ravelle, em Paulhaguet, cidade natal de Luc, que ele admite, embora com relutância, ser a sua. Ele leva Kate ao vinhedo da família. Ela fica sabendo sobre sua família e que perdeu seus direitos sobre o vinhedo em um jogo de pôquer, mas que “entende de vinhos e tem uma clara paixão por eles”.

Ao embarcarem no trem para Cannes, Kate revela, em tom de brincadeira, que encontrou o colar. Luc aconselha Kate a imitar a atitude romântica das mulheres francesas, que se mostram indiferentes aos homens e se fazem de difíceis. Kate aborda Charlie e Juliette na praia. Ela admite ter vindo à França para reconquistar Charlie, mas agora afirma que Luc é seu amante e que percebeu que a vida que estava construindo com Charlie era entediante e não lhe interessa mais. Naquela tarde, Cardon aborda Kate, dizendo que o colar foi roubado e pedindo que ela o entregue para que Luc não seja preso. Ela convence Luc a deixá-la vender o colar para a Cartier. Kate janta com Charlie para discutir os detalhes da divisão da propriedade que compartilham no Canadá. Ele fica intrigado com a indiferença repentina dela, enquanto Luc distrai Juliette. Kate e Charlie voltam para o quarto dela, mas Kate rejeita suas investidas, percebendo que não o ama mais. Luc vai para a cama com Juliette, mas para ao chamá-la de “Kate”. Na manhã seguinte, Kate conta a Luc que reconquistou Charlie. Ela devolve o colar a Cardon e depois entrega a Luc um cheque, supostamente da Cartier, que na verdade é um cheque referente às suas economias. Ela se retira, agradecida por Luc, e segue para o aeroporto. Cardon aborda Luc, que testemunha a reconciliação entre Charlie e Juliette, e revela o que fez por ele. Luc encontra Kate no avião e confessa seu amor. A última vez que são vistos, estão se beijando apaixonadamente no vinhedo que finalmente possuem juntos. O papel principal de Luc foi originalmente escrito para Gérard Depardieu, mas Kevin Kline aceitou o papel quando Depardieu não estava disponível para o filme. As filmagens principais ocorreram de 17 de setembro a 22 de dezembro de 1994.

French Kiss foi filmado principalmente em Paris, no departamento de Alpes-Maritimes na região de Provence-Alpes-Côte d`Azur, no Sudeste da França, e em Cannes. A região Provence-Al é composta por seis departamentos das antigas províncias da Provença, do Condado de Nice, do Condado Venaissin e parte do Delfinado: Alpes-de-Haute-Provence, Hautes-Alpes, Alpes-Maritimes, Bouches-du-Rhône, Var e Vaucluse. Com a institucionalização dos distritos de ação regional em 1960, foi criada sob o nome “Provence-Côte d`Azur-Corse”. Tornou-se “Provence-Côte d`Azur” após a criação da região da Córsega em 1970 e foi renomeada “Provence-Alpes-Côte d`Azur” em 1976. Desde 2018, o conselho regional tem usado o nome Région Sud-Provence-Alpes-Côte d`Azur em seus documentos de comunicação, embora o nome oficial da região permaneça inalterado. A região é banhada ao Sul pelo Mar Mediterrâneo. Faz fronteira a Leste e Nordeste com as regiões italianas da Ligúria e do Piemonte, a Norte e Noroeste com a região de Auvergne-Rhône-Alpes e a Oeste com a região da Occitânia, sendo o rio Ródano o limite regional. Seu território abrange grande parte dos Alpes Meridionais. A região de Provence-Alpes-Côte d`Azur tem 5.218.960 habitantes. Isso a torna a sétima região mais populosa da França. Inclui três das maiores áreas metropolitanas do país: Aix-Marseille, Nice e Toulon. Em 2013, e levando em consideração as fusões regionais de 2016, era a quinta maior região da França em termos de PIB (€ 152,13 bilhões) e a terceira maior em termos de PIB per capita (€ 30.688). A economia e a sociedade de Provence-Alpes-Côte d`Azur são marcadas pela imigração de outras regiões quanto de países: 47% dos habitantes da região não nasceram lá, e a proporção de imigrantes é de 10,2%.

Em Paris, foram filmadas cenas no Hotel George V, onde Kate tem seus encontros com o concierge arrogante. O saguão do hotel foi usado para a cena em que o pequeno ladrão Bob rouba a bolsa de Kate depois que ela desmaia. Várias cenas mostram a Torre Eiffel ao fundo, o lugar que Kate mais deseja ver, mas que sempre acaba não conseguindo visitar. Uma cabine telefônica na Champs-Élysées, perto do Arco do Triunfo, foi usada para a cena em que Kate liga para a mãe de Charlie. Também foram filmadas cenas na Embaixada Americana, na Avenida Gabriel, nº 2, e na Embaixada Canadense, na Avenida Montaigne, nº 35. A cena em que Luc joga dinheiro na calçada foi filmada na esquina da Rua Paul-Albert com a Rua Feutrier, em Montmartre. As cenas de direção em Paris foram filmadas em frente ao Louvre, perto da Pirâmide do Louvre, ao longo da Rive Droite e na Rue des Rosiers, onde Luc dirige por uma rua estreita e sinuosa de paralelepípedos. Outras cenas em Paris foram filmadas na Sacré-Cœur em Montmartre, na Grande Pharmacie de la Place Blanche, no número 5 da Place Blanche, no Palais de Chaillot e na Place des Abbesses, onde Kate e Luc discutem seu “pequeno problema”. A última cena em Paris foi na estação de trem Gare Saint-Lazare, onde Luc é perseguido pelo Inspetor Jean-Paul Cardon enquanto tenta embarcar em um trem para o Sul, rumo a Cannes.

O Hotel George V, oficialmente Four Seasons Hotel George V, é um hotel construído em 1928, localizado no número 31 da Avenida George V, no bairro Champs-Élysées, no 8º arrondissement de Paris. É propriedade do príncipe saudita Al-Waleed bin Talal Al Saud, mas continua sendo administrado pelo grupo hoteleiro Four Seasons. O hotel foi encomendado pelo empresário e arquiteto norte-americano Joel Hillman no final da década de 1920. Foi construído em 1928 por André Terrail e Georges Wybo com um orçamento de 31 milhões de dólares, ou 60 milhões de francos. Estes últimos eram figuras conhecidas: o primeiro era um restaurador e proprietário do La Tour d`Argent, o hotel recém-construído no número 31 da Avenida George V, em frente à sua mansão particular; o segundo foi o arquiteto do cassino de Deauville e da reconstrução do Printemps Haussmann após o incêndio de 1921. Sua aparência exterior é no estilo da década de 1930, com nove andares de grande sobriedade. A inauguração do hotel contou com uma grande proporção de clientes americanos (mais de dois terços), desembarcando de navios transatlânticos. Escritórios foram instalados em Cherbourg para receber os clientes na sua chegada. Joel Hillman foi forçado a vender o George V a um grupo bancário após a Quinta-Feira Negra, em 24 de outubro de 1929. Foi recomprado em 1931 pelo financista e empresário François Dupré, e uma ala foi construída pelos arquitetos, destinada a apartamentos para aluguel anual ou por temporada, com acesso aos serviços do hotel.

Dupré contribuiu com diversas obras de arte para o hotel, como tapeçarias flamengas, móveis Boulle, um Renoir e um Dufy. Em 1962, o hotel foi comprado pelo grupo hoteleiro britânico Forte, que o vendeu em 1996 para o grupo Granada. Em 1997, foi adquirido pelo Príncipe Alwaleed. Em 1964, os Beatles se hospedaram neste hotel durante sua turnê pela França e sua série de 18 shows no Olympia. Depois de terem levado um piano para a sua suíte, Paul McCartney escreveu Can`t Buy Me Love. Por outro lado, Jim Morrison não gostou, chamando o hotel de “bordel com tapetes vermelhos”. Embora seja propriedade do Príncipe Alwaleed, o hotel George V agora faz parte da rede Four Seasons Hotels & Resorts, que o administra. Desde o 13 de setembro de 2011, O Hotel Four Seasons George V juntou-se ao grupo de palácios na França. Em 2017, o príncipe Alwaleed foi detido na Arábia Saudita no Ritz Carlton em Riade por corrupção. O hotel dispõe de 244 quartos divididos em três categorias: Superior, Deluxe e Premium. Também oferece 59 suítes, algumas com vista para a Basílica de Sacré-Cœur em Montmartre ou para a Torre Eiffel. Além disso, dispõe de sete salas de eventos com capacidade para 12 a 900 pessoas, ideais para conferências, recepções, coquetéis e jantares de gala. O spa, inaugurado em 2018, oferece uma variedade de serviços, incluindo uma piscina interior de 17 metros, hidroterapia, massagens, um hammam, uma jacuzzi, um salão de beleza e um salão de cabeleireiro. Também dispõe de um centro de fitness de 90 m². No interior do hotel, existem ainda lojas, um serviço de lavandaria e estacionamento com manobrista.

Na região de Provence-Alpes-Côte d`Azur, a pequena vila de Valbonne, a cerca de quinze minutos ao norte de Cannes, foi usada para diversas cenas, incluindo a cena em que Luc briga com seu irmão na praça principal da vila, em frente ao Hotel les Armoiries, um antigo prédio do século XVII. Outras cenas foram filmadas na estação de trem e nos vinhedos próximos a La Ravelle, 84240 La Tour-d`Aigues. A estação de trem perto de Meyrargues, Bouches-du-Rhône, também foi usada em uma cena. Em Cannes, diversas tomadas externas do Hotel Carlton foram usadas para representar a hospedagem dos quatro personagens principais. Há cenas internas do lobby e da brasserie onde são servidos os cafés da manhã. Outras cenas filmadas no local incluem a praia em frente ao hotel e a orla adjacente, em particular, a boutique da Cartier na esquina seguinte. As cenas da colheita da uva foram filmadas no Château Val Joanis, em Pertuis, Vaucluse. As cenas de estúdio foram gravadas no Paris Studios Cinéma. O filme foi originalmente intitulado Paris Match, um trocadilho com o nome da famosa revista francesa. No entanto, o título teve que ser alterado depois que Billy Crystal o contestou junto à MPAA, que buscava recuperar gravações não autorizadas de filmes para evitar a duplicação, por semelhança da comédia ambientada em Paris, Forget Paris, lançada apenas duas semanas depois.

Bibliografia Geral Consultada.

GIDDENS, Anthony, A Transformação da Intimidade: Sexualidade, Amor e Erotismo nas Sociedades Modernas. São Paulo: Unesp, 1992; CANEVACCI, Massimo, Antropologia della Comunicazione Visuale. Roma: Edizionne Meltemi, 2001; CAWTHORNE, Nigel, A Vida Sexual dos Ídolos de Hollywood. Rio de Janeiro: Ediouro Publicações, 2004; COMOLLI, Jean-Louis, Voir et Pouvoir. L`innoncence Perdue: Cinéma, Télévision, Fiction, Documentaire. Lagrasse (FR): Éditions Verdier, 2004; CARLI, Ana Meri Sehbe de, O Corpo no Cinema: Variações do Feminino. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2007; DIDI-HUBERMAN, Georges, Quand les Images Prennent Position. L´Oiel de l´Histoire, 1. Paris: Les Editions de Minuit, 2009; MARX, Carlos, El Capital. Crítica de la Economía Política. Libro Primero. Buenos Aires: Editorial Cartago, 1973; HÉRCULES, Lana Carvalho, Sob o Domínio da Cor: Análise dos Filmes Pierre le Fou e Le Bonheur. Dissertação de Mestrado. Escola de Comunicações e Artes. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2013; CONRADO, Marcelo Miguel, A Arte nas Armadilhas dos Direitos Autorais. Uma Leitura dos Conceitos de Autoria, Obra e Originalidade. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação. Setor Ciências Jurídicas. Curitiba: Universidade Federal do Paraná, 2013; QUINSANI, Rafael Hansen, A Revolução em Película: A Relação Cinema-História e a Transformação do Paradigma Historiográfico. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em História. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2015; PIGLIA, Ricardo, Los Diarios de Emilio Renzi. Años de Formación. Barcelona: Editorial Anagrama, 2015; BERNARDET, Jean-Claude, O Autor no Cinema: A Política dos Autores: França Brasil – Anos 1950 e 1960. Colaboração de Francis Vogner dos Reis. 2ª edição atualizada. São Paulo: Edições Serviço Social do Comércio São Paulo, 2018; SILVA, Henrique Martins da, Diante de Godard: História, Imagem e Multiplicidade Temporal. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em História. Faculdade de História. Goiânia: Universidade Federal de Goiás, 2019; GÓES, Vera Lúcia de, François Truffaut e Arthur Schopenhauer: Além do Amor e da Paixão. Tese de Doutorado em Educação, Arte e História da Cultura. Centro de Educação, Filosofia e Teologia. São Paulo: Universidade Presbiteriana Mackenzie, 2021; Artigo: “Assembleia Nacional da França Aprova Lei que Elimina Obrigação Sexual no Casamento”. Disponível em: https://ibdfam.org.br/noticias/05/02/2026; entre outros.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

O Jogo do Predador – Alpinismo, Mal-estar & Dessacralização Feminina.

                                            O mal não é outra coisa que a não-conformidade do ser ao dever-ser”. Friedrich Hegel                             

        

           Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831) nasceu em Stuttgart, Alemanha, no  dia 27 de agosto de 1770. Recebeu esmerada educação cristã. Em 1788 ingressou no seminário de Tübingen, que cursou durante cinco anos a fim de se preparar para receber ordens. Foi colega de classe do poeta Friedrich Hölderlin (1779-1843) e do filósofo Joseph Schelling (1775-1854), que partilhavam sua admiração pela tragédia grega e pelos ideais da clássica Revolução Francesa. Os primeiros escritos de Hegel versaram sobre assuntos teológicos, mas ao concluir o curso, Hegel não seguiu a carreira eclesiástica, preferiu se dedicar ao estudo da literatura e da filosofia grega. Em 1796 mudou-se para Frankfurt, onde Hölderlin lhe conseguiu um lugar de preceptor. Em 1801 habilitou-se Livre-Docente na Universidade Friedrich Schiller de Jena (Friedrich-Schiller-Universität Jena) situada na cidade de Jena na Turíngia no centro administrativo do país. É uma das dez universidades mais antigas da Alemanha, estabelecida no ano de 1558 segundo os planos do príncipe João Frederico I (1503-1554) da Saxônia. O auge da sua reputação acadêmica ocorreu sob os auspícios do duque Carlos Augusto, patrono do escritor Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), autor do clássico Fausto, poema trágico, obra prima da literatura, quando Fichte, Hegel, Schelling, Friedrich von Schlegel (1772-1829) e Friedrich Schiller (1759-1805) do corpo docente. 

         No seminário de Tübingen, escreveu com renomados colegas, os filósofos Friedrich Schelling e Friedrich Hölderlin, o que chamaram de “o mais antigo programa de sistema do idealismo alemão”. Desenvolveu um sistema filosófico extraordinário que denominou “Idealismo Absoluto”, uma filosofia capaz de compreender discursivamente o Absoluto. Entre 1807 e 1808 dirigiu um jornal em Bamberg. Entre 1808 e 1816 foi diretor do ginásio de Nuremberg. Em 1816 tornou-se professor da Universidade de Heidelberg. A Universidade de Heidelberg, ou, nas suas formas portuguesas, de Heidelberga ou de Edelberga, oficialmente denominada Universidade de Heidelberg Ruprecht Karl (Ruprecht-Karls-Universität Heidelberg, em alemão), é uma universidade pública alemã, das mais prestigiadas universidades do país. Está estabelecida na cidade de Heidelberg, no estado de Baden-Württemberg. Foi fundada em 1386, tendo sido a terceira universidade estabelecida no Sacro Império. Seu nome latino é Ruperto Carola Heidelbergensis. Estudantes do sexo feminino passaram a ser admitidas em 1899. A Universidade é constituída de doze faculdades e oferece programas de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado em cerca de 100 disciplinas, integrando o Grupo Coimbra. A universidade, criada por Ruperto I, Eleitor do Palatinato, quando Heidelberg era a capital do Palatinado, e tornou-se um centro de teólogos e especialistas em leis no Sacro Império. 

         Durante a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) a universidade entrou em decadência financeira e intelectual, e só viria a se recuperar no início do século XIX, aderindo ao pensamento democrático e de intelectuais humanistas independentes, tendo sido adotada como modelo para universidades norte-americanas. Não queremos perder de vista que O Mais Antigo Sistema do Idealismo Alemão é um ensaio de 1796/1797, de autoria desconhecida, possivelmente escrito por Friedrich Schelling, Georg Wilhelm Friedrich Hegel ou Friedrich Hölderlin. O documento foi publicado pela primeira vez (em alemão) por Franz Rosenzweig, que o designou como Das älteste Systemprogramm des deutschen Idealismus. Embora o documento tenha a caligrafia de Hegel, especula-se se terá sido escrito por Hegel, Schelling, Hölderlin ou uma quarta pessoa desconhecida. Yves Bonnefoy considera que foi “certamente inspirado por Hölderlin”. Segundo Glenn Magee, a maioria dos peritos em Hegel considera-o o autor. No entanto, várias das ideias defendidas no ensaio (como o desaparecimento do Estado ou a supremacia da poesia no universo intelectual) parecem contraditórias com a filosofia hegeliana. Schelling, Hegel, e Hölderlin eram colegas de turma e de dormitório em Tübinger Stift, o seminário da Universidade de Tubinga, e eram reconhecidos como os “Três de Tubinga”. Hegel e Hölderlin tinham 27 anos, e Schelling 22 anos. Em 1818 em Berlim, quando ocupou a cátedra de filosofia, período em que encontra a expressão definitiva de suas concepções estéticas e religiosas. Tinha grande talento pedagógico, mas considerado mau orador, pois usava terminologias que dificultavam sua interpretação na sociedade.                            

Exerceu enorme influência em seus discípulos que dominaram as universidades da Alemanha. Logo passou a ser o filósofo oficial do rei da Prússia. Friedrich Hegel descreve sua concepção filosófica, no prefácio a uma de suas mais célebres obras, a Fenomenologia do Espírito (1807).  O prólogo é posterior à redação da obra. Foi escrito, passado já o tempo, quando o próprio Hegel pode tomar consciência de seu avanço e sua descoberta. Tinha como objetivo assegurar o ligamento entre a Fenomenologia, a qual só aparece como a primeira parte da ciência, e a Lógica que, situando-se em uma perspectiva distinta da adotada pela Fenomenologia, deve constituir o primeiro momento abstrato da Enciclopédia. Explica-se que neste prólogo que é assim, comparativamente, como um gonzo entre a subjetividade da Fenomenologia e a objetividade Lógica, Hegel se sentira fundamentalmente preocupado em representar uma ideia geral de todo o seu sistema filosófico. Isto é, segundo sua concepção que só deve ser justificada pela apresentação do próprio sistema, tudo decorre de entender e exprimir o verdadeiro não como substância, mas precisamente como sujeito. A substância viva é o ser, que na verdade é sujeito, ou que é efetivo, mas só na medida em que é o movimento do pôr-se-a-si-mesmo, ou a mediação consigo do tornar-se outro. Na interpretação do sujeito, é a negatividade pura e simples, e justamente por isso é o fracionamento do simples ou a duplicação oponente, que é de novo a negação dessa diversidade indiferente e de seu oposto. A história do Alpinismo se perde na Antiguidade, entre tribos que adoravam as montanhas como refúgio dos deuses, exércitos que cruzavam cordilheiras em busca de liberdade e poder, poetas e monges que procuravam inspiração entre os picos mais escarpados. 

A maioria dos resultados destas primeiras experiências foram relatos assustadores, aos quais se atribuía uma origem misteriosa, divina, ou até infernal. A curiosidade humana foi se aguçando em relação às montanhas até o século XVIII. E levou o homem ao desejo de conhecer a si mesmo e ao mundo que o rodeava. Os mares do mundo já haviam sido percorridos, as terras descobertas, mas as grandes cadeias de montanhas estavam praticamente inexploradas. A conquista das montanhas representava uma forma de se realizar novas experiências e alcançar uma verdade técnica e social que parecia ter querido se ocultar do homem. Alpinismo tem cada vez mais popularidade no mundo contemporâneo, onde recebe também a denominação de Montanhismo.Só essa igualdade se reinstaurando, ou só a reflexão em si mesmo no seu ser-Outro, é que são o verdadeiro; e não uma unidade originária enquanto tal, ou uma unidade imediata enquanto tal. O verdadeiro é o vir-a-ser de si mesmo, o círculo que pressupõe seu fim como sua meta, ipso facto sua antítese, que o tem como princípio, e que só é efetivo mediante sua atualização e seu fim. Friedrich Hegel era crítico das filosofias claras e distintas, uma vez que, para ele, o negativo era constitutivo da ontologia. A clareza não seria adequada para conceituar o objeto. Introduziu um sistema de pensamento para compreender a história da filosofia e do mundo chamado geralmente dialética: uma progressão no âmbito da história e sociedade na qual cada movimento sucessivo surge, como solução das contradições inerentes ao anterior.

Em O Jogo do Predador (2026), uma mulher viciada em adrenalina coloca seus limites à prova ao embarcar numa aventura pela natureza selvagem australiana.  A palavra adrenalina foi criada pelo cientista que conseguiu isolar este hormônio pela primeira vez, o cientista japonês Takamine Jōkichi (1854-1922), que formou o nome em questão, tomando o nome dos rins, o qual se situam as glândulas secretoras, como já mencionado. A alpinista se encontra no meio de uma caçada quando os predadores naturais não são os únicos atrás de sangue. A jovem precisa lutar para sobreviver e vencer os obstáculos do aparente caçador. Alpinismo historicamente vem ganhando cada vez mais popularidade no mundo sociológico contemporâneo das competições em seu ersatz recebe a denominação de Montanhismo. Existe uma diferença entre esses dois conceitos. Montanhismo representa a prática de qualquer atividade física em região montanhosa, como caminhadas e acampamentos, porém sem a necessidade de grandes esforços e equipamentos específicos. O Alpinismo se refere ao ato de escalar uma montanha, ou pico, usando equipamentos e conhecimentos técnicos. O termo que mais se difundiu foi “Montanhismo”, sendo “Montanhista” a pessoa que pratica qualquer tipo de atividade física na montanha, e “Escalador” (cf. Gschwendtner, 1986) aquele que recorre a equipamentos técnicos para escalar em rocha.  

Existe uma diferença entre esses dois conceitos. Montanhismo representa a prática de qualquer atividade física em região montanhosa, como caminhadas e acampamentos, porém sem a necessidade de grandes esforços e equipamentos específicos. O Alpinismo se refere ao ato de escalar uma montanha, ou pico, usando para isso equipamentos e conhecimentos técnicos. O Alpinismo não se limita apenas aos Alpes. O termo que mais se difundiu foi “Montanhismo”, sendo “Montanhista” a pessoa que pratica qualquer tipo de atividade na montanha, e “Escalador” aquele que recorre a equipamentos técnicos para escalar em rocha. A história do Alpinismo se perde na Antiguidade, entre tribos primitivas que adoravam as montanhas como refúgio dos deuses, exércitos que cruzavam cordilheiras em busca de liberdade e poder, poetas e monges que procuravam inspiração entre os picos mais escarpados. A maioria dos resultados destas primeiras experiências foram relatos assustadores, aos quais se atribuía uma origem misteriosa, divina, ou até infernal. A curiosidade humana foi se aguçando em relação às montanhas até os idos do século XVIII. O iluminismo levou o homem ao desejo de conhecer melhor a si mesmo e ao mundo que o rodeava. Os mares do mundo haviam sido percorridos, as terras descobertas, mas as grandes cadeias de montanhas estavam inexploradas. Assim sendo, a conquista das montanhas representava uma forma de se realizar novas experiências e alcançar uma verdade técnica e social que parecia ter querido se ocultar do homem. Este desafio foi aceito por Horace Saussure, naturalista, físico e professor de Filosofia na Universidade de Genebra.

 Uma montanha constituía para ele uma verdadeira obsessão: o Mont Blanc, de 4.808 metros de altitude, ponto culminante dos Alpes Europeus, encravado entre a França e a Itália. Saussure imaginava que, se chegasse a escalar este pico, poderia realizar inúmeras experiências científicas. Seguiu então em 1760 para o vale de Chamonix, que se estende no lado francês do Mont Blanc, oferecendo uma grande soma em dinheiro para aqueles que o ajudassem. Foram inúmeras tentativas para que somente após 26 anos, Saussure ter o seu grande sonho realizado. A escalada do Mont Blanc aconteceu no dia 8 de agosto de 1786 pelo médico Michel-Gabriel Paccard (1757-1827) e pelo pesquisador de diamantes Jacques Balmat (1762-1834). Um ano depois o próprio Saussure logrou chegar ao cume do Mont Blanc, guiado por Jacques Balmat e acompanhado por 17 homens. Tal número de acompanhantes era necessário devido à grande quantidade de equipamentos científicos, com os quais se realizaram experiências durante as quatro horas e meia que permaneceram no cume. Embora o marco inicial do alpinismo realmente tenha sido a escalada do Mont Blanc, outra montanha desempenhou um papel fundamental para que ele se afirmasse como esporte, trata-se do Matterhorn, como é na Suíça, ou Cervino, como é chamado na Itália.

Seus 4.478 metros acham-se espremidos entre estes dois países e foram vencidos pela primeira vez em 1865 pelo inglês Edward Whymper (1840-1911), culminando “a idade do ouro do alpinismo”. Ele foi um ilustrador, alpinista e explorador reconhecido pela primeira escalada do Matterhorn em 1865, descida quando quatro membros da expedição morreram. O seu livro Scrambles Among the Alps (1871) é realizado com a descrição dessas expedições e na qual se nota que se interessa mais pela primeira ascensão do que da via tomada, pelo que se faz guiar sempre pelo melhor guia de alta montanha, e emprega assim Melchior Anderegg ou Christian Almer. Como exemplo, a Aiguille Verte, é um cume do Maciço do Monte Branco, em França, com 4122 metros de altitude, e que faz parte dos cumes dos Alpes com mais de 4000 metros, cujo corredor ficou com o seu nome, e mesmo se bifurcou diretamente para o cume na última terceira parte, evitando assim uma parte considerada a mais difícil. Está considerado como o ponto de passagem entre o alpinismo de exploração e o alpinismo desportivo. Em 1865 Edward Whymper que há anos tenta conquistar o Matterhorn junta-se a Charles Hudson (1828-1865) que havia escolhido Michel Croz como guia e que chefia uma cordada de sete alpinistas composta pelo experiente guia Peter Taugwalder e o seu filho como ele chamado Peter, como carregador, Lord Francis Douglas, Douglas Hadow, Charles Hudson e Whymper.

 Na descida Douglas Hadow perde o equilíbrio e arrasta na queda Croz, Lord Francis e Hudson. Com uma formação de desenhador e de gravador, e uma imaginação fantástica in limine descobre uma relação com os Alpes à procura de novos temas para ilustrações. Em latim, humanus é a forma adjetival do nome homo, traduzido como Homem para incluir machos e fêmeas. Por vezes, em Filosofia, é mantida uma distinção entre as noções de ser humano ou homem e de pessoa. O primeiro refere-se à espécie biológica enquanto o segundo refere-se a um agente racional, visto, por exemplo, na obra de John Locke, Ensaio sobre o Entendimento Humano (1689), e na obra de Immanuel Kant, Introdução à Metafísica da Moral (1797). Segundo a perspectiva de John Locke, a noção de pessoa passa a ser a de “uma coleção de ações e operações mentais”. O termo pessoa poderá assim ser utilizado para referir animais para além do Homem, para referir seres míticos, uma inteligência artificial ou um ser extraterrestre. O termo binomial Homo sapiens foi descrito por Carl Linnaeus em seu trabalho do século XVIII Systema Naturae e também é o lectótipo do espécime. O termo para o gênero Homo é uma derivação do século XVIII do latim homō (homem), em última instância “ser terrestre” do latim antigo hemō. A evolução humana é caracterizada por uma série de importantes alterações morfológicas, de desenvolvimento, fisiológico e comportamental, que tiveram lugar desde que a separação entre o último ancestral comum de humanos e chimpanzés.    

Carl Linnaeus (1707-1778), o grande nomenclador que dedicou sua vida a nomear a maioria dos objetos e seres vivos e, em seguida, ordená-los de acordo com sua posição hierárquica, tinha ele próprio um problema com a formação de sua identidade, pois seu nome, e até mesmo seu primeiro nome, foram alterados tantas vezes ao longo de sua vida que existem nada menos que nove binômios (ou bi-nomos) e outros tantos sinônimos.  Um nomenclador, derivado do latim nomen (nome) + calare (chamar), nos tempos clássicos, referia-se a um escravo cujo dever era recordar os nomes das pessoas que seu mestre reconheceu durante uma campanha política. Gradativamente, isso se tornou nomes de pessoas em qualquer contexto social e incluiu outras informações socialmente importantes. Assumiu vários outros significados e também se refere a um livro contendo coleções ou lista de palavras. Também denota uma pessoa, geralmente um funcionário público, que anuncia os nomes dos convidados em uma festa ou outra reunião social ou cerimônia. Em termos mais gerais ainda, tem como representação social uma pessoa que fornece ou cria os nomes das coisas, e isso pode se referir à aplicação de nomes em um contexto científico ou qualquer outro, mas especialmente em relação a terminologias especializadas, glossários, etc. Vários nomencladores foram criados em biologia.

Eles geralmente listam os nomes dos gêneros e às vezes das espécies junto com as origens (fontes) desses nomes. Às vezes, eles também incluem informações adicionais, como a distribuição. Por exemplo, uma entrada no Nomenclator Zoologicus se parece com isso: Abronia Gray 1838, Ann. Mag. Nat. Hist., 1 (5), 389. Rept. Abronia é um gênero de lagarto que foi descrito por John Edward Gray em 1838 na revista Annals and Magazine of Natural History. A entrada termina com uma nota sobre o grupo de animais a que pertence o gênero, nomeadamente os répteis (Rept.). Nos séculos XVII e XVIII, a maioria dos suecos ainda não possuía sobrenomes. Assim, o avô de Linnaeus, de acordo com a tradição escandinava, chamava-se Ingemar Bengtsson que significa “Ingemar, filho de Bengt” e seu próprio filho, o pai de Linnaeus, foi inicialmente ou in statu nascendi reconhecido como “Nils Ingemarsson” (1674-1748) que significa “Nils, filho de Ingemar”. Mas Nils, para cumprir os requisitos administrativos para sua matrícula na Universidade de Lund, fundada em 1666 e está classificada entre as 100 melhores universidades do mundo, precisava escolher um sobrenome. Uma grande tília crescia nas terras da família. A propriedade já tinha seu nome: Linnagård (ou Linnegård), um topônimo formado por linn (uma variante agora obsoleta de lind, “tília” em sueco) e gård (“fazenda”). Vários membros da família o haviam adotado como base para sobrenomes como Lindelius (de lind) ou Tiliander (de Tilia, “tília” em latim). E como era moda nos círculos intelectuais usar o latim, Nils escolheu se tornar “Nils Ingemarsson Linnæus”.

O filme Meu Ano em Oxford (2025), foi gravado em locais autênticos do pontode vista da cenografia de Oxford, o que permite aos espectadores ver a beleza da universidade e da cidade, incluindo o Magdalen College e a famosa Biblioteca Bodleian. Mas do ponto de vista técnico-metodológico o filme lançado na Netflix, é baseado no romance My Oxford Year de Julia Whelan, mas apresenta diversas mudanças sociais significativas em relação à obra original. Infelizmente, para os amantes da leitura, o livro ainda não está disponível em português. Neste texto, a Tangerina (2025) te explica, com base no texto do site Deadline, as grandes mudanças que a produção do serviço de streaming fez na trama literária. Uma das alterações mais evidentes está no nome e na origem da protagonista feminina. No livro, a personagem principal se chama Eleanor Duran, é de Ohio e recebeu uma bolsa Rhodes para estudar em Oxford. Presentemente no filme, objeto de reflexão, ela é Anna De La Vega (Sofia Carson), que vem de Nova York, Estados Unidos da América. A trajetória profissional de Anna (Sofia Carson) também é diferente: enquanto Eleanor do livro é recrutada para uma campanha política focada em políticas educacionais, Anna do filme tem um emprego na Goldman Sachs após a formatura em Oxford.

A trama de Eleanor no livro dava maior destaque a essa oportunidade de trabalho, que afetava seu tempo em Oxford. Outra mudança que ocorre substancialmente na história de Anna no filme Netflix é que seu pai está vivo e muito bem, contrastando com o livro, onde o pai de Eleanor morreu jovem em um fatal acidente de carro. Essa tragédia de Eleanor resultava em um relacionamento tenso com a mãe e era um ponto crucial na segunda metade da história, algo que Eleanor compartilha com Jamie (Corey Mylchreest) no livro. No romance, essa revelação acontece durante um passeio de barco, onde Eleanor e Jamie compartilham chocolate quente, o que lembra Eleanor de seu pai. No filme, porém, Anna faz o passeio de barco com seus amigos Charlie (Harry Trevaldwyn), Maggie (Esmé Kingdom) e Tom (Nikhil Parmar). As diferenças também se estendem aos personagens secundários e à forma como Anna descobre a verdade sobre Jamie. No filme, o irmão morte de Jamie (Corey Mylchreest) é Eddie, e Cecelia Knowles (Poppy Gilbert) era sua namorada. No livro, o irmão se chama Oliver, e Cecelia era sua noiva. Além disso, a maneira como Anna desvenda a mentira de Jamie sobre sua tese também muda: no livro, Eleanor descobre a farsa ao tentar surpreender Jamie na biblioteca Bodleian, onde ele afirmava estar estudando, mas não o encontra. No filme, é a bibliotecária Laura (Nia Anisah) quem revela a Anna que não tem visto Jamie na biblioteca com a frequência que Anna imaginava. Nestes casos, a mentira de Jamie encobre sua doença grave, o mesmo tipo de câncer que levou seu irmão.

O final da história é, talvez, a divergência extraordinariamente mais notável. O livro de Julia Whelan termina de forma mais ambígua, com Eleanor decidindo não voltar aos Estados Unidos da América para a campanha política, mas com uma reflexão interna que sugere que ela e Jamie não estavam destinados a ficar juntos. O filme, por outro lado, oferece um desfecho mais definitivo e trágico: Anna assume o cargo de professora de poesia em Oxford, assim como Jamie, e uma montagem mostra a protagonista viajando pela Europa, realizando subjetivamente os sonhos que Jamie havia mencionado. Contudo, Jamie desaparece dessas imagens, revelando que Anna está sozinha e que ele morreu, o que Mylchreest afirma categoricamente ao dizer “O cara está morto”. Os atores Sofia Carson e Corey Mylchreest, que interpretam Anna e Jamie, explicaram à Entertainment Weekly as razões por trás das mudanças no final do filme. Corey Mylchreest acredita que o final mais trágico é mais poderoso e se alinha melhor com a filosofia de vida de Jamie, que valoriza cada momento devido ao pouco tempo socialmente que lhe resta nesta vida diante das agruras hic et nunc do sujeito. Para ele, seria uma hipocrisia para o personagem pregar essas ideias e não ter um desfecho condizente com elas.   

Sofia Carson, que também é produtora do filme, revelou que a decisão sobre a morte de Jamie (Corey Mylchreest) foi debatida intensamente até os últimos momentos da edição final, com o produtor principal, Marty Bowen, preferindo manter que Jamie (Corey Mylchreest) sobrevivesse para consagrar a possibilidade de um futuro juntos. No entanto, eles optaram por um final que, embora estilosamente de interpretação do social como trágico, transmitisse “esperança e a ideia de vida após a perda”. A sequência de Anna viajando pela Europa com Jamie desaparecendo gradualmente representa Anna vivendo o sonho deles em sua homenagem, carregando as lições que ele a ensinou. Eles testaram várias versões do final com o público, e a que demonstrava Jamie desaparecendo e Anna em todos os lugares sozinha foi a que mais emocionou e foi considerada a mais bonita para a história. Ambos comentaram como a trama os fez refletir sobre temas complexos como o direito de morrer com dignidade. Mylchreest pesquisou e conversou com pessoas que enfrentaram situações semelhantes à de Jamie, para entender a força de interpretação do personagem. O filme narra a história social de Anna, que vai estudar em Oxford e se apaixona por Jamie, descobrindo que ele tem câncer e não pode ser curado, mas se tornando o ponto central de sua vida. Os artigos destacam que há mudanças na história original do livro, como o nome da protagonista e detalhes do seu histórico familiar, a relação com Jamie e até mesmo o desfecho para o protagonista.

Tradição representa a continuidade ou permanência de uma doutrina, visão de mundo, costumes e valores de um grupo social ou escola de pensamento. Em grego, na acepção religiosa do termo, corresponde à expressão paradosis (παραδοσις), que é a transmissão de práticas e de valores espirituais, ou o conjunto das crenças, que são conservados e seguidos com respeito ao longo de muito tempo entre diferentes famílias. Baseia-se em dois pressupostos antropológicos: a) as pessoas são mortais; b) a necessidade de haver um nexo de conhecimento entre as gerações. A tradição toma feições peculiares em cada crença e mesmo pode-se destacar a sua forte presença nos grandes grupos religiosos: judaísmo, cristianismo, islamismo, hinduísmo. Várias disciplinas acadêmicas também usam a palavra de maneiras distintas. As tradições são objeto em campos acadêmicos, especialmente nas ciências sociais, como estudos de folclore, antropologia e arqueologia. Sob a perspectiva da tradição revela um conjunto de costumes, comportamentos, memórias, rumores, crenças, lendas, música, práticas, doutrinas e leis de uma comunidade, sendo que os elementos passam a fazer parte da cultura. O conceito de tradição, encontra-se per se no discurso político e filosófico.

É a base do conceito político de tradicionalismo, e de vertentes de muitas religiões mundiais, comparativamente falando, incluindo a questão do catolicismo tradicional. Embora seja comumente assumido que as tradições têm uma história antiga, muitas tradições foram inventadas de propósito, seja político ou cultural, em curtos períodos de tempo. Em contextos artísticos, a tradição é usada para distinguir o padrão de uma determinada forma de arte. Por exemplo, na performance de gêneros tradicionais, como o folclore e a dança tradicional, a adesão às diretrizes que ditam como uma forma de arte deve ser composta recebe maior importância na vida real do que as próprias preferências do intérprete social. Desnecessário dizer que a cultura da Grécia Antiga historicamente é a base sobre a qual se eleva a cultura da civilização ocidental. Como sabemos, exerceu poderosa influência sobre os romanos, que se encarregaram de repassá-la a diversas partes da Europa. A civilização grega antiga teve influência na linguagem, na política, no sistema educacional, na filosofia, na ciência, na tecnologia, na arte e na arquitetura moderna, particularmente durante a renascença da Europa ocidental e de resto durante os diversos reviverem neoclássicos dos séculos XVIII e XIX. Conceitos sociológicos como cidadania e democracia são gregos, ou pelo menos de pleno desenvolvimento nos manuscritos dos gregos. Os historiadores e escritores políticos profissionais cujos trabalhos sobreviveram ao tempo eram, em sua maioria, atenienses ou pró-atenienses e todos conservadores. Por isso se reconhece melhor a história de Atenas do que a história das outras cidades.

Esses homens concentraram seus trabalhos em aspectos políticos, militares e diplomáticos, ignorando o que veio a se conhecer como utilidade de uso modernamente por áreas de conhecimento em história econômica e social. O homem é criação propiciada pelo processo real de transformação da realidade e por uma formação ideal exagerada da imaginação coletiva que faz a essência do homem criadora. A possibilidade real, a ocasião apriorística desse modo de comportamento que chamamos amor, fará surgir, se for o caso, e levará à consciência, como um sentimento obscuro e geral, inicial de sua própria realidade, antes mesmo que a ele se some a incitação por um objeto determinado para levá-lo a seu efeito acabado.  A existência desse impulso sem objeto, por assim dizer incessantemente fechado em si, acento premonitório do amor, puro produto do interior e, no entanto, já acento de amor, é a prova mais decisiva em favor da essência central puramente interior do fenômeno amor, muitas vezes dissimulado sob um modo de representação pouco claro, segundo o qual o amor seria uma espécie de surpresa ou de violência vindas do exterior, tendo seu símbolo mais pertinente no “filtro do amor”, em vez da maneira de ser, da modalidade e da orientação que a vida como tal toma por si mesma – como se o amor viesse de seu objeto, quando, na realidade, vai em direção a ele.

De fato, o amor é o sentimento que, fora dos entendimentos religiosos, se liga mais estreita e mais incondicionalmente a seu objeto. À acuidade com a qual ele brota do sujeito corresponde a acuidade igual com que ele se dirige para o objeto. É que nenhuma instância vem se interpor. Se venero alguém. É pela qualidade de venerabilidade que, em sua realidade, permanece ligada à imagem pelo tempo quanto eu o venerar, passível de adoração, contemplação e respeito. Por mais insuficiente, por mais preso a um estreito simbolismo humano que esteja o conceito de objetivo e de meios em presença da misteriosa realização da vida, devemos qualificar essa emoção sexual de meio de que a vida se serve para a manutenção da espécie, confiando aqui a consecução desse objetivo não mais a um mecanismo, mas a mediações psíquicas. A pulsão, dirigida a princípio, tanto no sentido genérico quanto no sentido hedonista, ao outro sexo enquanto tal, parece ter diferenciado cada vez mais seu objeto, à medida que seus suportes se diferenciavam, até singularizá-lo. Claro, sabemos que a pulsão não se torna amor pelo simples fato de sua individualização; esta última pode ser refinadamente hedonista, ou instinto vital-teleológico para o parceiro apto a procriar os melhores filhos. Mas, indubitavelmente, ela cria uma disposição formativa e, por assim dizer, um marco para essa exclusividade que constitui a essência do amor, mesmo quando seu sujeito se volta para uma pluralidade de objetos. Não duvidamos em absoluto do que se chama na literatura “atração dos sexos” se compreendermos que se constitui o primeiro factum, ou, a prefiguração do amor.

A vida se metamorfoseia na dimensão da produção, traz sua corrente à altura dessa onda cuja crista vital, de desenvolvimento, sobressai acima dela. Se considerarmos o processo da vida como um dispositivo de meios a serviço desse objetivo e se levarmos em conta seu significado efetivo para a propagação da espécie, este também é um dos meios que a vida se dá para si e a partir de si.  Do mesmo modo, no homem que temo, o caráter terrível e o motivo que o provocou estão intimamente ligados; mesmo o homem que odeio não é, na maioria dos casos separado em minha representação da causa desse ódio – é esta uma das diferenças entre amor e ódio que desmente a assimilação que comumente se faz deles. Mas o específico do amor é excluir do amor existente a qualidade mediadora de seu objeto, sempre relativamente geral, que provocou o amor por ele. Ele permanece como intenção direta e centralmente dirigida para esse objeto, e revela a sua natureza verdadeira e incomparável nos casos em que sobrevive ao desaparecimento indubitável do que foi sua razão de nascer. Essa constelação, que engloba inúmeros graus, desde a frivolidade à alta intensidade, é vivida segundo o mesmo modelo, seja em relação a uma mulher ou a um objeto, a uma ideia ou a um amigo, à pátria ou a uma divindade. Isso deve ser solidamente estabelecido em primeiro lugar, se quisermos elucidar em sua estrutura seu significado mais restrito, o que se eleva no terreno da sexualidade.

A ligeireza com que a opinião corrente alia instinto sexual a amor lança talvez uma das pontes mais enganadoras na paisagem psicológica exageradamente rica em construções desse gênero. Quando, ademais, ela penetra no domínio da psicologia que se dá por científica, temos com demasiada frequência a péssima impressão de que esta última caiu nas mãos de açougueiros. Por outro lado, o que é óbvio, não podemos afastar pura e simplesmente essa relação preconceituosamente.  Em seguida, em homenagem ao soberano sueco muito popular da época, Carlos XII (em sueco Karl XII, 1682-1718), Nils deu o primeiro nome do rei ao seu filho, que assim começou sua existência chamado “Carl Nilsson” que significa “Carl, filho de Nils”, depois Karl Linnæus, mais frequentemente grafado “Carl Linnæus”. Quando Carl Linnaeus se matriculou na Universidade de Lund aos vinte anos, seu primeiro nome foi registrado na forma latinizada de Carolus. E foi sob esse nome, Carolus Linnaeus, que ele publicou cientificamente seus primeiros trabalhos em latim. Tendo alcançado imensa fama como médico da família real sueca, foi enobrecido em 1761 e, em 1762, adotou o nome “Carl von Linné”. Entretanto, o nome Linné é um diminutivo, no estilo francês, como era comum na época em muitos países de língua alemã, de Linnæus, e von é a partícula nobre alemã. 

No mundo francófono, assim como na Suécia, ele é hoje comumente reconhecido simplesmente como “Linnaeus”. Em botânica, onde as citações de autores são abreviadas, a abreviatura padronizada “L.” é usada. Ele é o único botânico cujo nome é abreviado para única letra. E não deve ser confundido com Carl von Linné, o Jovem, que se distingue por ser citado como Linnaeus filius, abreviado em botânica como Lf. Em zoologia, onde é costume citar o sobrenome completo do Autor do táxon, “Linnaeus” ou sua grafia sem ligaduras, “Linnaeus”. Adotada em inglês e mais prática para usuários sociais dos chamados teclados internacionais, é usado após os táxons que ele descreveu, e mais raramente “Linné”, porque foi sob seu nome propriamente acadêmico “Linnaeus” que suas principais obras sobre taxonomia zoológica até a década de 1761 foram publicadas, com exceção dos 1.500 nomes de novas espécies animais estabelecidos em 1766/1767 na 12ª edição do Systema Naturae, para os quais o nome do Autor “Linné” é geralmente utilizado na nomenclatura em francês. Além disso, diferentemente da utilidade social de uso de seu nome próprio (Carolus), “Linnaeus” não é meramente uma transliteração latina posterior, mas sim seu sobrenome propriamente dito. Quanto às suas obras academicamente, elas foram publicadas até 1762 sob os nomes “Caroli Linnæi”, a forma genitiva, significando “de Carolus Linnæus”, “Carl Linnæus” ou simplesmente “Linnaeus”. Em 1762, na capa da segunda edição de Species plantarum, o nome ainda era impresso dessa forma. Mas, a partir de então, passou a aparecer impresso apenas em sua forma aristocrática, “Carl von Linné” ou “Carolus a Linné” (sendo o “a” ou “ab” a tradução latina de “von”). Em algumas bibliotecas, geralmente consta como “Linnaeus, Carolus (Carl von Linné)”, enquanto outras usam “Carl von Linné”. Em francês, o nome aparece, por vezes, na forma afrancesada “Charles Linné”, principalmente em obras manuscritas do século XVIII, e ainda em nomes de ruas, mas também em algumas obras recentes.                                   

O cão (Canis lupus familiaris), no Brasil também chamado de “cachorro”, é um mamífero carnívoro da família dos canídeos, subespécie do lobo, e talvez o mais antigo animal domesticado pelo ser humano. Teorias postulam que surgiu do lobo cinzento no continente asiático há mais de cem mil anos. Historicamente através da domesticação, o ser humano realizou uma “seleção artificial dos cães por suas aptidões, características físicas ou tipos de comportamento”. O resultado foi uma grande diversidade de raças caninas, as quais variam em pelagem e tamanho dentro de suas próprias raças, atualmente classificadas em diferentes grupos ou categorias. As designações vira-lata (no Brasil) ou rafeiro (em Portugal) são dadas “aos cães sem raça definida ou mestiços descendentes”. Com expectativa de vida que varia entre dez e vinte anos, o cão é um animal social que, na maioria das vezes, aceita o seu dono provavelmente como o “chefe da matilha” e possui várias características que o tornam de grande utilidade para o homem. Possui excelente olfato e audição, é bom caçador e corredor vigoroso, relativamente dócil e leal, inteligente e com boa capacidade de aprendizagem. Deste modo, o cão pode ser adestrado para executar um grande número de tarefas úteis, como um cão de caça, de guarda ou pastor de rebanhos, por exemplo. Assim como o ser humano, também é vítima de doenças como o resfriado, a depressão e o mal de Alzheimer, bem como das características do envelhecimento, como problemas de visão e audição, artrite e mudanças de humor.        

O cão foi descrito por Carl Linnaeus (1707-1778) em 1758 como Canis familiaris, e considerado como uma espécie distinta do lobo, descrito também por Lineu no mesmo ano como Canis lupus. Outros nomes foram descritos por Lineu, Johann Friedrich Gmelin (1748-1804) e Charles Hamilton Smith (1776-1859) para a mesma espécie, sendo considerados sinônimos. A ancestralidade canina vem sendo discutida e estudada desde há muitos séculos. Teorias antigas sugerem uma origem proveniente do chacal-dourado ou então uma origem híbrida entre várias espécies. Um levantamento das sequências da região de controle do DNA mitocondrial em 140 cães e 162 lobos demonstrou que o lobo é o único ancestral dos cães. Esta conclusão foi confirmada em outro estudo envolvendo 654 cães e 38 lobos da Eurásia. Enquanto há uma aceitação do lobo como único progenitor do cão, a questão taxonômica envolvendo o reconhecimento de uma ou duas espécies distintas ainda não está resolvida. Baseado na consistência genética, Wayne considerou que o cão, apesar da diversidade em tamanho e proporção, “nada mais é do que um lobo”. 

Em contraste, análises estatísticas de crânios têm repetidamente demonstrado uma separação totalmente entre lobo e cão. O conceito ecológico de espécie proposto por Van Valen (1935-2010) foi aplicado por pesquisadores para demonstrar características adaptativas específicas nos cães por viverem em um nicho antropogênico. Esta hipótese suporta o reconhecimento do Canis familiaris como uma espécie distinta do Canis lupus, apesar de uma idade de separação não superior a 12 000 a 15 000 anos atrás. Apesar de certos pesquisadores continuarem a reconhecer duas espécies distintas, existe uma tendência recente em seguir a classificação proposta por Wallace Christopher Wozencraft (1954-2007) que inclui o C. familiaris como uma subespécie de C. lupus. Pela lei da prioridade estipulada pelo Código Internacional de Nomenclatura Zoológica, o nome C. familiaris, descrito na página 38, tem prioridade sobre C. lupus, descrito na página 39 do Systema Naturae por Linnaeus. Por questões de usabilidade e estabilidade, foi requisitado à Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica (ICZN) a conservação de dezessete nomes específicos baseados em espécies selvagens, entre eles o Canis lupus. É uma organização dedicada a “alcançar estabilidade e sentido na nomenclatura científica dos animais”. Fundado em 1895, atualmente compreende 24 comissários de 18 países. O ICZN é regido pela “Constituição do ICZN”, que geralmente é publicada junto com o “Código do ICZN”. Os membros são eleitos pela Seção de Nomenclatura Zoológica, estabelecida pela União Internacional de Ciências Biológicas (IUBS). O mandato regular de um membro da Comissão é de 6 anos. Os membros podem ser reeleitos até um total de três mandatos completos de seis anos consecutivos.

Após 18 anos contínuos de serviço eleito, um intervalo de pelo menos 3 anos é prescrito antes que o membro possa se candidatar novamente. Desde 2014, o trabalho da Comissão é apoiado por uma pequena secretaria sediada na Universidade Nacional de Singapura, em Singapura. Anteriormente, o secretariado era sediado em Londres e financiado pelo International Trust for Zoological Nomenclature. A Comissão auxilia a comunidade zoológica “através da geração e divulgação de informações sobre a utilização correta dos nomes científicos dos animais”. O ICZN publica o Código Internacional de Nomenclatura Zoológica, geralmente referido como “o Código” ou “Código ICZN”, uma convenção amplamente aceita que contém as regras para a nomenclatura científica formal de todos os organismos que são tratados como animais. As novas edições do Código são elaboradas pelo Comitê Editorial indicado pela Comissão. A 4ª edição do Código (1999) foi editada por sete pessoas. A Comissão também fornece decisões sobre problemas individuais trazidos à sua atenção, uma vez que a arbitragem pode ser necessária em casos contenciosos, onde a estrita aderência ao Código interferiria na estabilidade de uso. Essas decisões são publicadas extraordinariamente no Boletim de Nomenclatura Zoológica. A partir de 2017, o Boletim tornou-se um jornal apenas online e se juntou à BioOne, que hospeda do volume 65 em diante do Boletim (2008). Akita inu é uma raça de cães de grande porte do tipo Spitz originária das regiões montanhosas do Norte do Japão.   

Existem duas variedades distintas de Akita: um tipo japonês, comumente chamado Akita inu (“inu” significa cão em japonês) ou Akita japonês, e um tipo americano, reconhecido como Akita americano. A primeira grande alteração morfológica foi a evolução de uma forma de adaptação de locomoção arborícola ou semiarborícola para uma forma de locomoção bípede, com todas as suas adaptações decorrentes, tais como um joelho valgo, um índice intermembral baixo (pernas longas em relação aos braços), e redução da força superior do corpo. Os hominídeos são descendentes de um ancestral comum. Esqueletos de gibão, humano, chimpanzé, gorila e orangotango. Os humanos ancestrais desenvolveram um cérebro muito maior, isto é, normalmente de 1 400 cm³ em seres humanos modernos, mais de duas vezes o tamanho do cérebro de um chimpanzé ou gorila. O padrão de crescimento pós-natal do cérebro humano difere de outros primatas e permite longos períodos de aprendizagem social e aquisição da linguagem nos seres humanos juvenis. Os antropólogos físicos argumentam que as diferenças entre a estrutura dos cérebros humanos, e os dos outros macacos são ainda mais significativas do que as diferenças de tamanho. Outras mudanças morfológicas significantes foram: a evolução de um poder de aderência e precisão; um sistema mastigatório reduzido; a redução do dente canino; e a descida da laringe e do osso hioide, tornando a fala possível.

Uma importante mudança fisiológica em humanos foi a evolução do estro oculto, ou ovulação oculta, o que pode ter coincidido com a evolução de importantes mudanças comportamentais, tais como a ligação em casais. Os relacionamentos sendo uma jornada contínua e dinâmica de conexão e reconexão, como uma dança imóvel, metaforicamente, alternando momentos de proximidade social e distância, revelando simultaneamente complexidade e harmonia. Outra mudança significativa de comportamento foi o desenvolvimento da cultura material, com objetos feitos pelos humanos cada vez mais comuns e diversificados ao longo do tempo. A relação social entre todas estas mudanças é ainda tema de debate. A evolução humana é caracterizada por uma série de mudanças morfológicas, fisiológicas e comportamentais que ocorreram desde a divisão entre o último ancestral comum dos humanos e dos chimpanzés. As mais significativas dessas adaptações são o bipedalismo obrigatório, o aumento do tamanho do cérebro e a diminuição do dimorfismo sexual; neotenia, quando comparados a outras espécies de primatas. A relação entre todas essas mudanças é objeto de debate contínuo. As forças da seleção natural continuam a operar em populações humanas, com a evidência de que determinadas regiões do genoma exibiram seleção direcional nos últimos 15 mil anos.

Para que possamos melhor especificar a questão tópica as quais derivam os grupos particularmente dedicados às ideias e ao conhecimento, isto é, a clericatura, denominam todas as coisas: pessoas, objetos, sensações, sentimentos e a intelligentsia, faremos uma  distinção sobre a posição da classe intelectual e as duas culturas nas sociedades arcaicas, nas quais há, fora de dúvida e com frequência, uma extraordinária acumulação de savoir-faire e de conhecimentos sobre a vida vegetal e animal, os homens possuem por vezes um saber escondido ás mulheres, e essas, um saber desconhecido dos homens: os anciãos são, em geral, portadores da experiência e da sabedoria e há, entre os feiticeiros ou xamãs, um conhecimento visionário que é fonte, segundo Morin (1972), de terapias e de atos mágicos. São comuns ao conjunto de práticas e saberes da sociedade, por um lado, um rico pensamento cosmogônico e cosmológico, expresso sob a forma de mitos e, por outro lado, uma sabedoria de vida concentrada em máximas e provérbios. Nas sociedades teocráticas da Antiguidade, comparativamente, os saberes cosmológicos, mágico, mitológico e religioso foram concentrados nos espíritos, na casta de Sacerdotes/Magos. As verdades supremas, de caráter esotérico, não podiam ser divulgadas e o acesso exigia iniciação longa, na Idade Média ocidental a instrução é privilégio dos clérigos.                    

A sentinela é a pessoa que tem a função de vigiar os outros e estar atento a qualquer perigo ou ameaça, real ou imaginária. Por este motivo, é um termo técnico que se utiliza primordialmente na esfera de influência militar. A estratégia militar exige um complexo sistema de organização. Um elemento fundamental é a segurança das tropas que formam um corpo militar. Neste contexto de segurança, a sentinela cumpre com uma missão específica: vigiar e advertir qualquer tipo de perigo que seja possível. O indivíduo que realiza esta função é normalmente uma figura ideal do soldado que durante um tempo determinado se coloca em posição estratégica para ter amplo campo de visão. Na segunda metade do século XVIII: o soldado se tornou algo que se fabrica; de uma massa informe, de um corpo inapto, fez a máquina de que se precisa; corrigiram-se aos poucos as posturas: lentamente uma coação calculada percorre cada parte per se do corpo, assenhoreia-se dele, dobra o conjunto, torna-o perpetuamente disponível, e se prolonga, em silêncio, no automatismo dos hábitos (cf. Foucault, 2014); em resumo, foi “expulso o camponês” e lhe foi dada a “fisiognomia de soldado”. O rosto seduz de forma mais segura e ainda mais sutil do que as palavras. O rosto é objeto de um trabalho pessoal, indispensável à conversão e ao comércio entre os homens. Manuais de retórica, de fisiognomonia, livros de civilidade e artes de conversação lembram incansavelmente da passagem do século XVI ao XVIII que o rosto está no centro das percepções de si, da sensibilidade ao outro, dos rituais da sociedade civil, das formas do político.

Trata-se de um privilégio antigo que reveste, porém, uma nova tonalidade a partir do início daquele século. Todos esses textos dizem e repetem que o rosto fala. Ou, mais precisamente, que pelo rosto é o indivíduo que se exprime. Um laço se esboça e depois é traçado, mais nitidamente entre sujeito, linguagem e rosto, um laço crucial para a elucidação moderna. As percepções do rosto são lentamente deslocadas, as sensibilidades à expressão se desenvolvem progressivamente. É um dos traços físicos essenciais do avanço do individualismo nas mentalidades. Um “individualismo de costumes” que Philippe Ariès atribui a um processo social geral de privatização que vai transformar profundamente a identidade individual entre estes últimos séculos e reconfigurar de maneira paradoxal as relações entre comportamentos públicos e privados: o que vai, por um lado, afirmar a proeminência do indivíduo e incitar a expressão pessoal. O indivíduo é, em diante, indissociável da expressão singular de seu rosto, com uma tradução corporal de seu eu íntimo. Mas, por outro lado, esse mesmo movimento que o incita a se exprimir leva-o ao mesmo tempo a se apagar, a mascarar o seu rosto, a encobrir sua expressão. As sentinelas ficam situadas em pontos específicos no exterior dos quartéis e costumam proteger-se das inclemências relacionais de apreensão do tempo e espaço no interior de uma guarita. Este soldado deve permanecer uniformizado e armado. Deve-se ressaltar a importância do papel social da sentinela sob a ótica militar, pois cumpre também disciplinarmente uma função social comunicativa, prêt-à-porter através de sua presença e por estar pronto para defender de qualquer eventualidade.           

Se a sentinela não cumprisse com essa função de prontidão certamente o recinto militar ficaria desprotegido e suscetível a ataques. Fora do campo militar é possível também empregar o conceito sentinela em um sentido figurado. Isso acontece com as várias passagens da Bíblia e que “aparecem como sinônimo de guarda”. Por exemplo, os querubins são descritos como guardiões da árvore da vida e o Arcanjo Miguel tem a incumbência de cuidar do corpo de Moisés. A figura do profeta Ezequiel também cumpre essa função como sentinela do “seu povo”, o nome Ezequiel significa em hebraico “Deus é minha fortaleza”. Desta maneira, a ideia de sentinela na Bíblia tem o papel de guardião em um sentido simbólico de expiação. Os recrutas são habituados a manter a cabeça ereta e alta; a se manter direito sem curvar as costas, a fazer avançar o ventre, a salientar o peito, e esconder o dorso; e a fim de que se habituem essa posição lhes será dada apoiando-os contra um muro, de maneira que os calcanhares, a batata da perna, os ombros e a cintura encostem-se a ele, assim como as costas das mãos, virando os braços para fora, se afastá-los do corpo, ser-lhes-á igualmente ensinado a nunca fixar os olhos na terra, mas a olhar com ousadia aqueles diante de quem eles passam, a ficar imóveis esperando o comando, sem mexer a cabeça, as mãos nem os pés, enfim, marchar com passo firme, com o joelho e a perna esticados, a ponta baixa e para fora. 

Houve na história durante a Época Clássica, uma descoberta da representação do corpo como objeto de alvo e poder, ao corpo que se manipula, modelam-se, treina-se, que obedece, responde, torna-se hábil ou cujas forças se multiplicam. O grande livro do homem-máquina foi escrito simultaneamente em dois registros: no anátomo-metafísico, cujas primeiras páginas haviam sido escritas por René Descartes e que os médicos, os filósofos continuaram; o outro, técnico-político, constituído por um conjunto de regulamentos militares, escolares, hospitalares e por processos empíricos e refletidos para controlar ou corrigir as operações do corpo.  Dois registros bem distintos, pois se tratava ora de submissão e utilização, ora de funcionamento e de explicação: corpo útil, corpo inteligível. E, portanto, de um ao outro, pontos de cruzamento. “O homem-máquina” de La Mettrie é ao mesmo tempo uma redução materialista da alma e, além disso, uma teoria geral do adestramento, no centro dos quais reina a noção de “docilidade” que une corpo ao corpo analisável o corpo manipulável. Ipso facto, é dócil, afirma Foucault, “um corpo que pode ser utilizado, que pode ser transformado e aperfeiçoado”. O que há de novo?  Não é a primeira vez, certamente, não sendo a última, que o corpo é objeto de investimentos tão imperiosos e urgentes; nas sociedades onde o corpo está preso no interior de poderes apertados, que lhe impõem limitações, proibições ou obrigações. Muitas são novas nessas técnicas. A escala, em primeiro lugar: não se trata de cuidar do corpo, em massa, como se fosse uma unidade indissociável, mas detalhadamente; de exercer sobre ele uma coerção sem folga, de mantê-lo ao nível da mecânica – movimentos, gestos, atitude, rapidez: poder infinitesimal sobre o corpo ativo.

O objeto humano, em seguida do controle: não, ou não mais os elementos significativos do comportamento ou a linguagem do corpo; mas a economia, a eficácia dos movimentos, sua organização interna; a coação se faz mais sobre as forças que sobre os sinais; a única cerimônia que realmente importa é a do exercício. A modalidade, implica coerção ininterrupta, constante, que vela sobre os processos da atividade mais que sobre seu resultado e se exerce de acordo com uma codificação que esquadrinha formalmente ao máximo o tempo, o espaço, os movimentos. Esses métodos que permitem o controle minucioso das operações do corpo, que realizam a sujeição constante de suas forças e lhes impõem uma relação de docilidade-utilidade, são o que podemos chamar as “disciplinas”. Muitos processos disciplinares existam há muito tempo: nos conventos, nos exércitos, nas oficinas também. Mas as disciplinas se tornaram no decorrer do século XVII e XVIII fórmulas gerais de dominação. Diferentes da escravidão, não se fundamentam numa relação de apropriação dos corpos. Diferentemente da domesticidade, quando nos vemos diante do imediato, que é uma forma de relação social de dominação constante, global, maciça, não analítica, ilimitada e estabelecida sob a forma da vontade singular do patrão, da questão de seu “capricho”. Diferentes da vassalidade que é uma relação de submissão altamente codificada, mas longínqua e que se realiza menos sobre as operações do corpo que sobre os produtos trabalho e as marcas rituais da obediência. Diferentes ainda do ascetismo e das “disciplinas” de tipo monástico, que têm por função realizar renúncias mais do que aumentos de utilidade e que, implicam obediência à outrem, têm como fim principal um aumento do domínio de cada um sobre seu próprio corpo. 

O momento histórico das disciplinas é o momento de representação nas sociedades em que nasce uma arte de utilidade de uso do corpo humano, que visa não exclusivamente o aumento de suas habilidades, nem tampouco aprofundar sua sujeição, mas a formação de uma relação que no mesmo mecanismo o torna tanto mais obediente quanto é mais útil, e inversamente. Forma-se uma política das coerções que são um trabalho sobre o corpo, uma manipulação calculada de seus elementos, de seus gestos, de seus comportamentos. O corpo humano entra numa maquinaria de poder que o esquadrinha, o desarticula, o recompõe. Sem temor a erro assim se coloca o problema abstrato das relações desses procedimentos com o discurso. Mas eles não têm a fixidez repetitiva dos ritos, dos costumes ou dos reflexos, como ocorre via de regra com cidades da dimensão de Fortaleza – saberes que não mais ou ainda se articulam em discursos. Sua mobilidade se ajusta incessantemente a uma diversidade de objetivos e “golpes”, mas sem que dependam de uma elucidação verbal. Mas são de fato autônomas a este respeito? Táticas no discurso pode ser o ponto de referência formal de táticas sem discurso. Como também essas maneiras de pensar investidas em maneiras de fazer constituem um caso estranho – e maciço – das relações que tais práticas mantêm com teorias. Em Foucault, o drama se desenrola, como sempre, entre duas forças, cuja relação a astúcia do tempo inverte. Essas táticas vão se afinando e estendendo sem precisar recorrer a uma ideologia. Mediante um lugar celular do mesmo tipo para todos, elas aperfeiçoam a visibilidade e o reticulado desse espaço para transformá-lo num instrumento capaz de disciplinar, vigiando, e de tratar não importa que grupo humano. 

Trata-se de detalhes tecnológicos, processos ínfimos e decisivos. Acabam vencendo a inércia por assim dizer da concepção de teoria e social: por eles se impõem a universalização da pena uniforme, a prisão, que inverte, a partir de dentro, as instituições revolucionárias e instala em toda parte o complexo “penitenciário” ocupando o lugar da justiça penal que os distingue. Esta notável técnica de interpretação historiográfica destaca ao mesmo tempo duas questões que não se devem, no entanto, confundir: de um lado, o papel decisivo dos procedimentos e dispositivos tecnológicos na organização de uma sociedade; de outro lado, o desenvolvimento excepcional de uma categoria particular desse dispositivo: a) como explicar o desenvolvimento privilegiado da série particular que é constituída pelos dispositivos panópticos? E, b) qual o estatuto de muitas séries que, prosseguido em seus silenciosos itinerários, não deram lugar a uma configuração discursiva nem a uma sistematização tecnológica? Poderiam ser consideradas como uma imensa reserva constituindo os esboços ou traços de desenvolvimentos diferentes. Outros dispositivos tecnológicos, e seus jogos relativamente duradouros à ideologia, foram já esquadrinhados por estudos recentes que sublinham também, embora em perspectivas diferentes, o seu caráter dominante. Mas parecem prevalecer durante um tempo mais ou menos longo, depois cair na massa estratificada dos procedimentos, enquanto vão dando lugar a outros através da representação do papel de informar um determinado sistema.        

Uma escarpa, em geomorfologia, tem como representação social uma forma de relevo que é uma área de transição entre diferentes províncias fisiogeográficas que envolve uma elevação aguda superior a 49º, caracterizada pela formação de um penhasco ou uma encosta íngreme. O termo vem do italiano scarpa. A superfície desta encosta íngreme é chamada de “rosto da escarpa”. Imagem sombreada e colorida da Shuttle Radar Topography Mission, demonstrando um modelo altimétrico da Falha Alpina da Nova Zelândia, com aproximadamente 500 km de extensão. A escarpa é flanqueada por cadeias de montanhas entre a falha e as montanhas dos Alpes do Sul. No topo da figura está a direção Nordeste. As escarpas geralmente são formadas pela erosão diferencial de rochas cristalinas ou pelo movimento vertical da crosta terrestre ao longo de uma falha geológica. Em outras palavras, rampas aclíveis que surgem nas bordas de planaltos. As escarpas estão na transição entre uma série de rochas sedimentares para outra série de uma composição e datação diferente. As escarpas que são formadas por falhas geológicas surgem quando uma falha move a superfície terrestre de modo a que um lado fique mais alto que o outro, dando origem a uma escarpa de falha. Em 1788, logo após a chegada dos europeus na região de Sydney, Arthur Phillip (1738-1914) nomeou a área de Colinas de Carmarthen e Lansdowne.

 As colinas de Carmarthen estavam ao Norte, e as de Lansdowne ao Sul. Porém, a área geograficamente logo passou a ser chamada de Montanhas Azuis, pela tonalidade que ela adquiria quando vista de longe.  Acredita-se que a explicação sociológica para a cor seja a Teoria de Mie onde luz com comprimentos de onda mais curtos é espalhada pelas partículas da atmosfera, dando uma tonalidade azul-acinzentada para objetos distantes, incluindo montanhas e nuvens. Terpenoides voláteis emitidos em grandes quantidades pelas muitas árvores de eucalipto na região podem causar o espalhamento da luz, dando assim a cor azulada para névoa, que dá nome ao local. É uma região montanhosa da Austrália. Ela faz fronteira com Sydney, e está localizada 50 km a Oeste do centro de Sydney, perto de Penrith. O entendimento comum do tamanho das Montanhas Azuis é variado, já que ela é parte da grande área montanhosa associada com a cordilheira australiana. A Solução de Mie recebeu este nome devido ao seu desenvolvimento pelo físico alemão Gustav Mie (1868-1957). Entretanto, o físico dinamarquês Ludvig Lorenz (1829-1891) e outros independentemente desenvolveram a teoria da dispersão da onda plana eletromagnética por uma esfera dielétrica. Em contraste à dispersão de Rayleigh, a Solução de Mie ao problema da dispersão é válida para todos as possíveis razões entre diâmetros e comprimentos de onda, embora a técnica resulte em soma numérica ad infinitum. Em sua formulação original assume-se um material homogêneo, isotrópico e opticamente linear irradiado por uma infinita onda plana. Entretanto, soluções para esferas em camadas são também possíveis. 

De acordo com a definição de 1970, a região das Montanhas Azuis faz fronteira com os rios Nepean e Hawkesbury ao Leste, com o rio Coxs e o lago Burragorang ao Oeste e Sul, e com os rios Wolgan e Colo ao Norte. Geograficamente, ela está situada na região central da bacia de Sydney. A extensão das Montanhas Azuis se estende da cordilheira e escarpas do planalto que saem da cordilheira australiana por 4.8 km ao Noroeste da falha de Wolgan até 96 km mais ou menos ao Sudeste, terminando em Emu Plains. Em mais ou menos dois terços de seu comprimento, é atravessada pela Great Western Highway e pela Main Western Railway, e será atravessada pelo túnel das Montanhas Azuis, quando completo. Há muitos povoados na região, como Katoomba, Blackheath, Mount Victoria e Springwood. Sua cordilheira forma a bacia hidrográfica entre o rio Coxs ao sul e os rios Grose e Wolgan ao Norte. A cordilheira engloba as cordilheiras do Explorador e de Bell.  A área das Montanhas Azuis inclui o governo local da cidade de Blue Mountains. Desde o início da década de 2010, a biodiversidade e infraestrutura da região vêm sendo afetadas por grandes queimadas. Em 2018, 84 milhões de pessoas visitaram o local. As florestas de basalto das Montanhas Azuis e dos Planaltos do Sul são uma comunidade florestal proeminente dentro da ecorregião. O termo Teoria de Mie é um engano, já que não se refere a uma teoria física independente ou lei. A frase “a solução de Mie às equações de Maxwell é consequente e preferível. O termo “solução de Mie” é também usado em contextos mais amplos, por exemplo ao discutir soluções das equações de Maxwell para dispersão por esferas estratificadas ou por cilindros infinitos, ou geralmente quando trata-se problemas de dispersão resolvíveis pelo uso das equações exatas de Maxwell nos casos onde se pode escrever equações separadas para a dependência radial e angular das soluções. A economia da Austrália tem como maiores bases econômicas a mineração. 

O país é o 2º maior exportador mundial de carvão e o 10º maior exportador de gás natural, o maior produtor mundial de minério de ferro, bauxita e opala, e o 2º maior produtor mundial de ouro, manganês e chumbo, entre outros. A pecuária, em vista que o país era, em 2018, o maior produtor de lã do mundo e o 5º maior produtor de carne bovina, e no âmbito do turismo foi o 7º maior em receitas turísticas em 2018 e na agricultura o país é um dos 10 maiores produtores mundiais de trigo, cevada e cana-de-açúcar e também de vinho. A Austrália tem uma economia de livre mercado com elevado PIB per capita e baixa taxa de pobreza. O dólar australiano é a moeda oficial da nação e também da Ilha Christmas, Ilhas Cocos (Keeling) e Ilha Norfolk, bem como dos independentes Estados-ilhas do Pacífico Kiribati, Nauru e Tuvalu. Após a fusão de 2006 da Australian Stock Exchange e da Sydney Futures Exchange, a Australian Securities Exchange é agora a nona maior bolsa de valores do mundo. Embora a agricultura e recursos naturais representem apenas 3% e 5% do Produto Interno Bruto (PIB), respectivamente, eles contribuem substancialmente para o desempenho da exportação. Os maiores mercados de exportação da Austrália são o Japão, a China, os Estados Unidos, a Coreia do Sul e a Nova Zelândia. O turismo é um importante setor da economia australiana. Em 2003/04, a indústria do turismo representou 3,9% do PIB da Austrália no valor de cerca de 32 bilhões de dólares australianos para a economia nacional. A participação do turismo no PIB tem vindo a decrescer ligeiramente nos últimos anos, representando 1,1% do total das exportações de bens e serviços. Os 10 países que mais enviam turistas para viagens de curta duração para a Austrália são Nova Zelândia, Reino Unido, EUA, China, Japão, Singapura, Malásia, Coreia do Sul, Hong Kong e Índia.      

Bibliografia Geral Consultada.

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