“A metrópole é a sede desta cultura, que eliminou todas as características da pessoa”. Georg Simmel (1858-1918)
O conservadorismo representa um freio às
ambições prometeicas do movimento revolucionário e, mais genericamente, sem
exceção dos governantes. O conservadorismo britânico deriva largamente de
Edmund Burke (1729-1797) e principalmente da sua obra Reflexões sobre a Revolução na
França (1790), onde este defende que as constituições não devem ser o
produto da razão abstrata (como as francesas), mas sim de uma lenta evolução
histórica (como a constituição inglesa), considerando a sociedade como sendo
não apenas um contrato entre os vivos, “mas entre os vivos, os mortos e os que
estão por nascer”. Contra a Liberdade Proclamada pela Revolução como um Absoluto,
Burke faz a defesa das liberdades, das prerrogativas particulares e
tradicionais dos diversos grupos sociais e locais, que se equilibravam
mutuamente na ordem pré-revolucionária. Ao contrário de Burke, outros
parlamentares whigs, como Charles James Fox (1749-1806), tomaram o
partido da Revolução Francesa, acabando as ideias das Reflexões por serem mais
aceites entre os Tories. Durante o século XIX, o conservadorismo
britânico, inspirado por pensadores conspícuos como Samuel Coleridge
(1772-1834), Thomas Carlyle (1795-1881), Henry Maine (1822-1888), etc.
desenvolve-se partido político de representação da aristocracia tradicional, em
volta de temas como a desconfiança em face da democracia, a defesa da Câmara
dos Lordes e uma certa nostalgia pela Inglaterra pré-industrial.
Um juízo de valor representa um
juízo sobre a correção ou incorreção de algo, ou da utilidade de algo, baseado
num ponto de vista pessoal ou subjetivo. Como generalização, um juízo de valor
pode referir-se a um julgamento baseado num conjunto particular de valores ou
num sistema de valores determinado. Um significado conexo de juízo de valor é o
juízo de um recurso de avaliação baseado nas informações limitadas disponíveis,
uma avaliação efetuada per se porque uma decisão deve ser tomada
independentemente de estar em função da utilidade, da estética, da moral, ou de
qualquer outro critério valorativo. A expressão juízo de valor pode ser usada
num sentido positivo; significando que um julgamento deve ser feito levando em
conta um sistema de valores, ou, num sentido depreciativo, significando um
julgamento realizado de um ponto de vista pessoal, em vez da proposição de um
pensamento racional, objetivo. Neste sentido positivo, a recomendação
socialmente ao se fazer um juízo de valor, é que se considere cuidadosamente
para evitar arbitrariedades e impetuosidade, e buscar consonância com as
convicções mais profundas que se tenha sobre a realidade. Em seu sentido
depreciativo, a expressão juízo de valor implica uma conclusão que é isolada,
parcial e não objetiva — contrastando com julgamentos baseados em deliberação,
equilíbrio e racionalidade.
Um juízo de valor também pode referir-se a uma tentativa de julgamento baseada numa avaliação estudada das informações disponíveis, tomadas como sendo incompletas e em evolução; por exemplo, um juízo de valor sobre lançar ou não um ataque militar ou como proceder numa emergência médica. Neste caso, a qualidade do julgamento sofre porque a informação disponível é incompleta como resultado da urgência, em vez de ser resultante de limitações culturais ou pessoais. Mais comumente, a expressão juízo de valor refere-se a uma opinião individual. De fato, socialmente a opinião de um indivíduo é formada até certo ponto por seu sistema de crenças e a cultura à qual ele pertença. Assim, uma extensão natural da expressão juízo de valor é incluir declarações que parecem ser de mão única em um determinado sistema de valores, mas que podem ser vistas de forma diferente em outro. Conceitualmente, esta extensão da definição relaciona-se tanto ao axioma antropológico de “relativismo cultural”, isto é, que o sentido cultural deriva do contexto quanto à expressão “relativismo moral”; as proposições de moral e ética não são verdades universais, mas brotam do contexto cultural.
No sentido pejorativo, um juízo de valor formado dentro de um sistema social de valores específico pode ser “paroquial” e estar sujeito a questionamentos junto a audiências mais amplas. Entretanto, um julgamento pessoal é uma expressão descrevendo uma decisão tomada entre alternativas que não são claramente certas ou erradas, e que assim deve ser tomada numa base pessoal. Valor neutro é um adjetivo conexo que sugere independência de um sistema de valores. Por exemplo, a classificação de um objeto depende do contexto: ele é uma ferramenta ou uma arma, um artefato ou um antecedente? O objeto em si pode ser considerado aparentemente de valor neutro, não sendo nem bom nem mau, nem útil nem inútil, nem significativo nem trivial, até que seja colocado em algum contexto inscrito nos níveis de análise social, tanto quanto econômico ou político. Para uma discussão sobre o valor “neutro” da tecnologia, estranhamente, um item também pode ter um valor que pode ser neutro na medida em que sua utilidade se uso social, ou importância são evidentes, independentemente do contexto social; por exemplo, oxigênio. Diversos autores argumentam hic et nunc que a objetividade verdadeira do conhecimento científico é impossível, e que mesmo as mais rigorosas análises racionais se fundamentam no conjunto dos valores aceitos relativamente no curso da análise. Consequentemente, todas as conclusões são necessariamente juízos de valor e logo, talvez suspeitas.
De fato, por todas as conclusões numa única categoria nada faz para distinguir entre elas e é, portanto, um descritor inútil exceto como um dispositivo retórico pensado para desacreditar uma posição através dum apelo a autoridade. Como exemplo de um ponto de vista mais sutil, “verdades” científicas são consideradas objetivas, mas são mantidas empiricamente, com a compreensão de que evidências mais cuidadosas e/ou experiências mais amplas possam mudar os fatos. Além disso, uma opinião científica, no sentido de uma conclusão baseada num sistema de valores, é um juízo de valor baseado em avaliação rigorosa e amplo consenso. Com este exemplo em mente, caracterizar uma opinião como um juízo de valor é vago sem a descrição do contexto que a cerca. Todavia, como notado no primeiro segmento deste artigo, no uso comum, a expressão juízo de valor possui um significado mais simples, com o contexto simplesmente implicado, não especificado. No entanto, sob a liderança de Benjamin Disraeli (1804-1881) moderniza-se, adotando os princípios democráticos e passando a ter como escopo político a defesa do Império como grande bandeira, contra a desconfiança dos liberais perante a expansão colonial. Disraeli, que concedeu o direito de voto aos operários, tentou dar um carácter ao conservadorismo e torná-lo aliança entre a aristocracia e as chamadas classes populares.
Nas primeiras décadas do século XX, os conservadores têm como referência esses princípios - defesa da unidade do Império, oposição à autonomia irlandesa que levou muitos liberais unionistas, como Joseph Chamberlain (1836-1914), a se juntarem ao Partido, uma política comercial protecionista favorecendo o comércio com as colônias, etc., a que se junta uma posição antissocialista, à medida que o Partido Trabalhista e o movimento sindical vão ganhando força no âmbito da política global. Para os conservadores, as melhores instituições sociais e políticas não são aquelas que são inventadas pela razão humana, como fora defendido pelo chamado racionalismo político, mas sim as que resultam de um lento processo de crescimento e evolução ao longo do tempo, empiricamente como a não escrita constituição inglesa face às Constituições promulgadas pelos revolucionários franceses. Não acreditando na ideia de “bondade natural do Homem”, os conservadores consideram que são os constrangimentos introduzidos pelos hábitos e tradições que permitem o funcionamento das sociedades, pelo que qualquer regime duradouro e estável só poderá funcionar se assente nas tradições sociais. Para os conservadores não faz sentido elaborar projetos universais do ponto de vista de uma sociedade ideal - não só tal sociedade será inatingível devido ao que acreditem ser a imperfeição intrínseca da natureza humana. Mas, devido a diferentes povos terem diferentes histórias, sociais, políticas e de costumes referendando suas tradições, o modelo social mais adequado a um povo não será o mais apropriado a outro - criticando de seu ponto de vista político conservador os revolucionários franceses.
Após sua morte, em
1990, surge no cenário acadêmico norte-americano e britânico uma série de
importantes trabalhos acadêmicos buscando resgatar o pensamento de Michael
Oakeshott. Um fato considerável é a organização e publicação de inúmeros
manuscritos, ensaios e anotações de aulas proferidas na London School of
Economics and Political Science, ou simplesmente London School of Economics.
Nesse sentido, o presente trabalho tem como objeto a análise de uma dessas
obras póstumas, o livro: “The Politics of Faith and The Politics of
Scepticism”. Elaborado após a 2ª guerra mundial (1939-1945) e completada provavelmente em
1952, a obra delineia uma diferenciação entre dois modos ou estilos da
atividade de governar: a política de fé e a política de ceticismo. Neste sentido, apolítica não conhece nada
acerca de necessidades genuínas. Não há nada no mundo da política que não
provenha da atividade humana, embora haja muita coisa que não seja consequência
do desígnio humano. Ao estudar as atividades políticas do governo,
Oakeshott considera que as ações concretizadas se tornam distintas em
análise comparada, tendo em vista que não é porque a intenção é diferente, mas
porque elas pertencem a outro contexto no qual tem-se estas atividades.
No pensamento deste
autor existem sempre dois ingredientes fundamentais no conhecimento que são o
informar e o julgar, portanto, o legado que os professores ensinam é sempre
composto por uma síntese destes dois fatores socialmente regulados. Informação
e julgamento são dois modos de comunicação e não constituem partes separadas
pertencentes a processos diferentes. De acordo com Oakeshott, estes dois
ingredientes do processo de compreensão e apropriação do conhecimento “emergem
da dialética ensinar e aprender”. Há faculdades que dependem da informação e
faculdades que dependem do julgamento. A informação é impessoal, baseada em
fatos e pode ser encontrada em manuais e dicionários e enciclopédias;
constitui-se como “peça informativa” ou como “conjunto de fatos”. Poderíamos
resumir dizendo que a informação é o “o quê” e o julgamento ou juízo é o “como
ou o porquê”. A principal diferença entre o julgamento e a informação adquirida
reside neste fato: “o juízo é uma informação de outro tipo e nunca pode ser
itemizada”. Assim, todo o ensino e, consequentemente, toda a aprendizagem têm
estas duas componentes essenciais, a componente da informação designada como
instrução e a componente do juízo designada como partilha.
Na busca por compreender esse contexto político é que surge o livro: The Politics of Faith and the Politics of Scepticism (1996). O argumento principal da obra é que os governos europeus, desde o século XV, convivem com diferentes modos ou estilos de política, os quais ele denominou (I) “políticas de fé” (“politics of Faith”) e (II) “políticas de ceticismo” (“politics of scepticism”). Tais formas são expressões que resultam de dois polos extremos nos quais é empreendida a atividade de governar. Enquanto extremos, são construções ideais. Dificilmente encontradas em sua forma pura, aproximando-se da idealidade típica do constructo weberiano, constituem-se mais em tendências do que em “teorias” ou doutrinas propriamente ditas. A política de fé é o modo de representação de um estilo de governar caracterizado pela incessante busca pela perfeição da humanidade. Conforme Oakeshott há um grande otimismo cósmico que, derivado não da observação, mas da inferência da perfeição do seu criador, atribui uma indiscutível perfeição do universo. Essa ideia de “perfeição” (ou “salvação”) consiste na busca de uma visão compreensiva de bem seja religiosa, econômica, filosófica, moral, etc. a ser alcançada pela vivência no mundo social e político. Porém não como uma tipologia social do caráter humano, mas no sentido de Maquiavel, como uma condição mundana das circunstâncias humanas.
De modo mais simples,
“perfeição” é mudança para melhor, pode significar tanto o caminho específico a
ser aprimorado quanto a direção geral pela qual deve a atividade deve
ser guiada, assim pouco importando o caminho. Foi porque Maquiavel percebeu que
qualquer conselho positivo para lidar com problemas políticos era suscetível de
ser contrariado por uma alusão pessimista à fortuna, que ele resolveu dedicar a
esse tema o penúltimo capítulo de Il Principe, livro escrito por Maquiavel
em 10 de dezembro de 1513, cuja 1ª edição foi publicada postumamente, em 1532.
Ele próprio aceitou que a “Fortuna” era o árbitro de metade das ações dos
homens, mas sublinhou que isso não deveria levar ao derrotismo. Em duas
memoráveis imagens, comparou a fortuna a um rio cujas águas caudalosas podem
ser inofensivamente desviadas por diques e canais de drenagem precavidos, e a
uma mulher que, sendo mulher, pode ser domada pelo ardor e a violência: “sou de
parecer de que é melhor ser ousado do que prudente, pois a fortuna
(oportunidade) é mulher e, para conservá-la submissa, é necessário (…)
contrariá-la. Vê-se, que prefere, não raramente, deixar-se vender pelos ousados
do que pelos que agem friamente. Por isso é sempre amiga dos jovens, visto terem
eles menos respeito e mais ferocidade e subjugarem-na com mais audácia” (cf. Portantiero,
2000).
O agente responsável
para assegurar a perfeição é o Estado.
Se utópico ou se visa a aprimorar a sociedade em apenas em um
determinado rumo, tal estilo sustenta que somente o poder humano pode
atingi-lo; destarte, não apenas busca, mas supervaloriza este poder, deixando a
cargo do governo uma competência quase ilimitada para conduzir a sociedade.
Consequentemente, o estilo requer uma dupla confiança: a convicção de que o
poder necessário é disponível ou pode ser gerado e uma convicção que, mesmo que
não se saiba exatamente o que constitui a perfeição, ao menos se sabe o caminho
a ser percorrido. Parece claro que o papel do Estado, não é neutro e assume uma
visão substantiva, em vista da reprodução da esfera política da atividade
humana. Assim, torna-se o instrumento para alcançar a verdade, concebida a
partir de uma visão particular do conservador, exige dos cidadãos não apenas a
obediência ou a submissão, mas principalmente entusiasmo e engajamento para a
concretização desta finalidade. - “Os inimigos do regime serão identificados
não como meros dissidentes a serem inibidos, mas como descrentes a serem
convertidos. Mera obediência não é suficiente; deve ser acompanhada pelo
fervor. Na verdade, se o sujeito não é entusiasta com o governo, não há nenhum
objeto legítimo de devoção; se ele é devotado à “perfeição”, ele deve ser
devotado ao governo”. Daí a analogia do conceito descrito na obra: “On Human
Conduct”, a política de fé encara ideologicamente a sociedade contemporânea
como uma associação empreendedora (“enterprise association”).
Neste modo de
associação, os agentes estão interligados a partir de um propósito comum
substantivo, reconhecido como uma condição exequível pelos homens. Esse
engajamento tem por escopo direcionar a conduta humana a partir de ações que
estejam meticulosamente relacionadas para administrar e maximizar o propósito
desejado. As eventuais regras emitidas são meramente instrumentais e, por si
só, não definem e nem identificam a associação. Destaca algumas conclusões para
a política de fé. Em primeiro lugar, ela não é uma invenção que surgiu nos
últimos séculos contra um período de negligência ou indiferença governamental.
Tampouco foi um fruto da revolução industrial ou da democracia liberal. Deve
ser compreendida num contexto histórico de legitimação e idealização do governo
como operador racional da atividade humana. Em segundo lugar, não é
identificada com nenhum movimento, partido ou causa no mundo moderno. Há
representantes desse estilo de política em todo campo, todo partido, cada
momento e entre advogados de toda causa. Em terceiro lugar, a política de fé
não é, e nunca foi, o único estilo de política que surgiu na história moderna.
Essa impressão é causada especialmente pelo sucesso deste estilo especialmente
a partir do século XVII. Finalmente, a política de fé é subentendida como
política da imortalidade. Dá atenção excessiva ao futuro e se esquece do
passado. Ao conduzir a conduta humana para um determinado fim, transmite a ideia
de que a própria história possui um sentido. Em seu livro de memórias: Neoconservatism:
The Autobiography of an Idea, Irving Kristol afirma que decidiu não
publicar o ensaio: “On Being Conservative” na revista The Public Interest
justamente pelo caráter irremediavelmente secular do texto, o que estaria em
desacordo com o elemento religioso presente na sociedade norte-americana.
Enfim, no seu ensaio: Rationalism
in Politics (1991) o autor volta ao assunto dizendo-nos que há dois tipos sociologicamente
de conhecimento: o conhecimento técnico e o conhecimento prático. O
conhecimento técnico pode ser formulado através de regras e aprendido nos
livros (informação). O conhecimento prático só pode ser aprendido com um mestre
porque não pode ser formulado em regras e constitui-se, muitas vezes, como
matéria de opinião (julgamento). O conhecimento prático só pode ser adquirido
através da mestria porque é impreciso. Um dos problemas centrais da modernidade
consiste no fato de “haver uma soberania da razão, uma soberania da técnica,
porque o racionalismo e os racionalistas aspiram à certeza, apesar de esta
aspiração não ser mais do que uma ilusão”. Tendem a rejeitar a imprecisão e
tudo deve passar-se como está descrito nos livros. A mestria passa a ser olhada
com desconfiança devido à sua imprecisão. O racionalista argumenta Oakeshott, “Always
stands”, quer dizer, é sempre a favor de alguma coisa ou contra alguma coisa.
As circunstâncias sociais do mundo moderno fazem do racionalista um ser
eminentemente contencioso: - “Ele é o inimigo da autoridade, do preconceito, do
simplesmente tradicional, costumeiro ou habitual”.
Mas como toda a atividade humana tende a ser reduzida a problemas de ordem sociológica, concluiríamos admitindo duas ideias que nos parecem fundamentais para haver um compromisso educativo na interpretação oakeshottiana. Há também uma tentativa de promoção da cultura científica de modo a que os seres humanos se identifiquem a si próprios na sua relação com as coisas e o seu império sobre as coisas. Mas a pedra angular é a ideia de “integração social” que radica no preconceito de que “tudo é social e de que tudo deve ter uma função social”, portanto, a educação seria algo de social. Homogeneizando as diferenças e não tornando através das semelhanças algo de distinto, meritório etc. Esta primazia do “social” torna a educação como um investimento social relacionado com o bem-estar de uma sociedade e as Universidades, segundo Oakeshott transformaram-se “numa indústria de serviços cuja finalidade é a de contribuir para o bem-estar da nação”. Os governos calculam a produtividade das universidades através de custos e benefícios. As últimas décadas mostram-nos que os governos querem transformá-las em “instrumentos de socialização” e submetê-las a propósitos extrínsecos ligados a considerações sociais. Pensam que sabem, mas não sabem o que eles fazem.
A Filha Pródiga tem como representação social a
história de Reese Donahue (Jessica Rothe), uma jovem aspirante a escritora de
Chicago. Ela passou a vida inteira se esforçando ao máximo justamente para
evitar o trabalho, vivendo a vida que todos os outros desejam. Até que descobre
um segredo que a obriga a escolher entre a vida predeterminada que conhece tão
bem e aquilo que parece ser o destino que sua mãe queria para ela. Ela acaba
sendo levada a trair o pai e a buscar uma vida que imagina ser melhor do que comparativamente
que já possui. Quando Reese retorna para casa carregando apenas arrependimento,
o perdão de seu pai lhe ensina o verdadeiro significado de amar. É a história
de Florentyna Rosnovski, filha de Abel Rosnovski, personagem de Kane e Abel,
também de Arche. O romance, um dos mais vendidos de Archer, retrata a vida de
Florentyna desde a infância até sua ascensão à presidência dos Estados Unidos.
Dessa forma, a presidente Kane se torna a primeira mulher a ocupar a
presidência dos EUA. A personagem Florentyna Kane também aparece em “Shall
We Tell the President?” de Archer. Inicialmente,
o livro apresentava o presidente Ted Kennedy (1932-2009), mas, após o sucesso
de “Kane and Abel” e “The Prodigal Daughter”, o personagem foi alterado para o
presidente Kane em edições posteriores. A Filha Pródiga é um romance
político de 1982 do autor inglês Jeffrey Archer nascido em15 de abril de 1940. Em
Londres, o Barão Archer de Weston-super-Mare é um escritor, dramaturgo e ex
-político britânico. Ele é membro do Parlamento pelo Partido Conservador e é um
par vitalício de 1992 a 2024. Sua carreira política foi marcada por diversos
escândalos e controvérsias; ela terminou quando ele foi considerado culpado de
perjúrio em um desses casos e preso.
Ele é marido de Mary
Archer, uma renomada cientista da área de energia solar. Além de sua atividade
política, ele é reconhecido como romancista e contista. Ele nasceu no Hospital
Maternidade da Cidade de Londres. Sua família deixou Londres quando ele tinha
apenas duas semanas de vida, rumo à cidade litorânea de Weston-super-Mare, em
Somerset, onde passou quase toda a sua infância. Em 1951, ganhou uma bolsa de
estudos para a Wellington School, em Somerset que não deve ser confundida com o
prestigiado Wellington College, o que é possível dada a biografia ambígua nos
primeiros livros de Archer. Nessa época, sua mãe, Lola, escrevia uma coluna
sobre xícaras de chá para o jornal local de Weston-super-Mare e narrava as
aventuras de seu filho Tuppence, o que mais tarde levaria Archer a sofrer bullying
na Wellington School. Na literatura, ele ficou reconhecido por seus romances de
espionagem com Kane e Abel como heróis, que são mundos à parte: um é filho de banqueiro americano de Boston; o outro, um órfão polonês. Multimilionário,
ele é uma figura proeminente no jet set de Londres. Archer foi deputado
conservador entre 1985 e 1986, chegando a ser vice-presidente do partido.
Ele foi forçado a
renunciar após artigos no Daily Star alegarem relações sexuais com uma
prostituta. Em 1987, ele ganhou um processo por difamação contra o Daily
Star e recebeu uma indenização de meio milhão de libras por invasão de
privacidade. Em 1992, foi nomeado pela Rainha membro da Câmara dos Lordes. Em
1999, foi revelado que ele havia mentido durante seu julgamento em 1987,
pedindo a um amigo que fabricasse um álibi para ele. Ele foi condenado à
prisão, onde cumpriu dois anos (2001-2003), o que pôs fim à sua carreira
política. Escólio: Jeffrey Howard Archer, Barão Archer de Weston-super-Mare, nascido
em 15 de abril de 1940 é um romancista inglês e ex-político. Ele foi membro do
Parlamento (MP) por Louth (Lincolnshire) de 1969 a 1974, mas não buscou a
reeleição após quase falir. Archer recuperou sua fortuna economicamente falando
como romancista. Seu romance Kane e Abel (1979) continua sendo um dos
livros mais vendidos do mundo globalizado, com cerca de 34 milhões de cópias
vendidas. No total, seus livros venderam mais de 320 milhões de cópias em todo
o mundo. Archer retornou à política e foi vice-presidente do Partido
Conservador de 1985 a 1986; renunciou após um jornal o acusar de pagar dinheiro
a uma prostituta.
Em 1987, venceu um processo civil e recebeu uma grande indenização devido a essa alegação. Foi nomeado par vitalício em 1992 e, posteriormente, tornou-se o primeiro candidato conservador a ser selecionado como candidato a prefeito de Londres. Encerrou sua candidatura em 1999, após ter sido descoberto que ele havia mentido no caso em 1987. Em 2001, foi condenado a quatro anos de prisão por perjúrio e obstrução da justiça, encerrando sua carreira política ativa. Foi libertado no início de 2003. Jeffrey Howard Archer nasceu no Hospital Maternidade da Cidade de Londres em Holloway, Londres, em 15 de abril de 1940. Ele tinha duas semanas de vida quando sua família se mudou para Somerset, eventualmente se estabelecendo na cidade litorânea de Weston-super-Mare, onde Archer passou a maior parte de sua infância. Seu pai, William (falecido em 1956), tinha 64 anos quando Jeffrey Archer nasceu. No início de sua carreira, Archer deu relatos etnográficos contraditórios à imprensa sobre a suposta, mas inexistente, carreira militar de seu pai. William Archer era, na verdade, um bígamo, fraudador e vigarista, que se fazia passar por outro William Archer, um falecido detentor de medalha de guerra.
Ele trabalhou em
diferentes épocas como vendedor de chicletes em Nova York e corretor de
hipotecas em Londres. Nesta última função, foi acusado no Old Bailey de uma
série de crimes de fraude. Ao ser libertado sob fiança, fugiu para os EUA sob o
nome de William Grimwood. Nos Estados Unidos, William Archer teve uma filha,
Rosemary Turner (1917-1986), meia-irmã de Jeffrey. Em 1940, Rosemary casou-se
com o advogado Brien McMahon, que se tornou senador democrata por Connecticut
(1945-1952) e candidato à nomeação presidencial democrata em 1952. Após a morte
de Brien McMahon naquele ano, Rosemary casou-se, em 1953, com o embaixador
belga em Washington, Barão Silvercruys. A primeira-dama, Mamie Eisenhower
(1896-1979), foi a convidada de honra em seu casamento. Quando menino, Archer
sonhava em ser capitão do Bristol Rovers Football Club. Ele ainda é torcedor do
clube. Em 1951, Archer ganhou uma bolsa de estudos para a Wellington School em
Somerset (e não para o Wellington College em Berkshire, como ele posteriormente
tenderia a afirmar) após ser aprovado no exame de admissão. Nessa época, sua
mãe, Lola, trabalhava como jornalista no jornal local de Weston, o Weston
Mercury. Ela escrevia uma coluna semanal intitulada “Over the Teacups” e
frequente escrevia sobre Jeffrey, chamando-o de “Tuppence”.
Embora Archer gostasse
da fama local que isso lhe trouxe, também o tornou vítima de bullying
enquanto estudava na Wellington School. Archer saiu da escola com níveis O em
literatura inglesa, arte e história. Ele então passou alguns anos em uma
variedade de empregos, incluindo treinamento com o exército e um curto período
com a Polícia Metropolitana. Mais tarde, ele trabalhou como professor de Educação
Física, primeiro em Vicar`s Hill, uma escola preparatória em Hampshire, e mais
tarde no Dover College em Kent. Em 1963, Archer recebeu uma oferta de vaga na
Delegação de Estudos Extramuros da Universidade de Oxford para cursar um
Diploma de Educação. O curso era oferecido pelo departamento, e Archer
tornou-se membro do Brasenose College. Há alegações de que Archer forneceu
provas falsas de suas qualificações acadêmicas ao Brasenose, citando, por
exemplo, uma instituição americana que na verdade era um clube de fisiculturismo,
para ser admitido no curso. Também foi alegado que Archer forneceu declarações
falsas sobre três aprovações inexistentes no A-Level e um diploma universitário
americano. Embora o curso de diploma tenha durado apenas um ano, Archer passou
um total de três anos em Oxford, onde obteve sucesso no atletismo, competindo
em corridas de velocidade e com barreiras, e tornou-se presidente do Oxford
University Athletic Club em 1965-1966. Seu colega da Universidade de Cambridge,
Wendell Mottley, tornou-se um amigo para a vida toda. Há registros televisivos
dele fazendo largadas falsas em uma corrida de velocidade de 1964, mas ele não
foi desclassificado.
Ele ganhou um prêmio de melhor atleta em atletismo e passou a correr pela Inglaterra, tendo competido uma vez pela Grã-Bretanha. Seu tempo de 10,6 segundos para 100 metros é o segundo melhor tempo já registrado por um estudante da Universidade de Oxford. Archer angariou fundos para a instituição de caridade Oxfam, obtendo o apoio dos Beatles em uma campanha de arrecadação de fundos. A banda aceitou seu convite para visitar a residência do diretor do Brasenose College, onde foram fotografados com Archer e professores da faculdade, embora não tenham tocado lá. O crítico Sheridan Morley, então estudante em Merton, estava presente e relembrou a ocasião: - No intervalo, fui ao banheiro e lá, ao meu lado, estava Ringo Starr. Ele perguntou se eu conhecia esse tal de Jeffrey Archer. Eu disse que todo mundo em Oxford estava tentando descobrir quem ele era. Ringo disse: “Ele me parece um cara legal, mas é o tipo de cara que engarrafaria seu xixi e venderia”. Após deixar Oxford, Archer continuou como angariador de fundos para instituições de caridade, inicialmente trabalhando para o National Birthday Trust, uma instituição de caridade médica que promovia o parto seguro, antes de ingressar na Associação das Nações Unidas (UNA) como seu principal angariador de fundos. O presidente Humphry Berkeley (1926-1994), alegou que havia discrepâncias nas declarações de despesas de Archer enquanto ele lá trabalhava.
O corpo, notoriamente,
percorre a história da ciência e da filosofia. De Platão a Bergson, passando
por Descartes, Espinosa, Merleau-Ponty, Freud, Marx, Nietzsche, Weber e
principalmente Michel Foucault, a definição de corpo demonstra um puzzle. Quase
todos reconhecem a profusão da visão dualista de Descartes, que define o corpo
como uma substância extensa em oposição à substância pensante. Podemos perceber
que seguindo este modo de compreensão, sobretudo com o advento da modernidade,
o corpo foi facilmente associado a uma máquina. O corpo foi pensado como um
mecanismo elaborado por determinados princípios que alimentam as engrenagens
desta máquina promovendo o seu bom funcionamento. Isto quer dizer que através
dos exercícios de abstinência e domínio que constituem a ascese necessária, o
lugar atribuído ao conhecimento de si torna-se mais importante: a tarefa de se
pôr à prova, de se examinar, de controlar-se numa série de exercícios bem
definidos, coloca a questão da verdade – da verdade do que se é, do que se faz
e do que é capaz de fazer – no cerne da constituição do sujeito moral. E,
finalmente, o ponto de chegada dessa elaboração é ainda e sempre definido pela
soberania do indivíduo sobre si mesmo. Neste aspecto Michel Foucault (2014) nos
adverte sobre a questão abstrata da analítica do poder que se constitui o marco
histórico e pontual de “docilidade dos corpos”.
Para ele o soldado é,
antes de tudo, alguém que se reconhece de longe; que leva os sinais naturais de
seu vigor e coragem, as marcas também de seu orgulho: seu corpo é o brasão de
sua força e de sua valentia: e se é verdade que deve aprender aos poucos o
ofício das armas – essencialmente lutando – as manobras como a marcha, as
atitudes como o porte da cabeça se originam, em boa parte, de uma retórica
corporal de honra. Eis como ainda no início do século XVIII se descrevia a
figura ideal do soldado. Mas na segunda metade deste século, o soldado se
tornou algo que se fabrica; de uma massa informe, de um corpo inapto, fez-se a
máquina de que se precisa; corrigiram-se aos poucos as posturas: lentamente uma
coação calculada percorrer cada parte do corpo, assenhoreia-se dele, dobra o
conjunto, torna-o perpetuamente disponível, e se prolonga, em silêncio, no
automatismo dos hábitos; em resumo, foi “expulso o camponês” e lhe foi dada a
“fisionomia de soldado”. Ipso facto, houve, durante a época clássica, uma descoberta
do corpo como objeto e alvo de poder. Encontraríamos facilmente sinais dessa
grande atenção dedicada então ao corpo que se manipula, modela-se, treina-se,
que obedece, responde, torna-se hábil ou cujas forças multiplicam o
“homem-máquina”.
O grande livro do
homem-máquina foi descrito simultaneamente em dois registros: no
anátomo-metafísico, cujas primeiras páginas haviam sido escritas por Descartes
e que os médicos, os filósofos continuaram; o outro, técnico-político,
constituído por um conjunto de regulamentos militares, escolares, hospitalares
e por processo empíricos e refletidos para controlar ou corrigir as operações
do corpo. Dois registros bem distintos, pois se tratava ora de submissão e
utilização, ora de funcionamento e de explicação: corpo útil, corpo
inteligível. E, entretanto, de um ao outro, pontos de cruzamento. “O
homem-máquina” de Julien Offray La Metrie (1709-1751) é ao mesmo tempo uma
redução materialista da alma e uma teoria geral do adestramento, no centro dos
quais reina a noção de “docilidade” que une ao corpo analisável o corpo
manipulável. Em sua significação específica é dócil um corpo que pode ser
submetido, que pode ser utilizado, que pode ser transformado e aperfeiçoado.
Contudo, os famosos autômatos, por seu lado, não eram apenas uma maneira de
ilustrar o organismo; eram também bonecos políticos, modelos reduzidos de
poder: obsessão de Frederico II (1712-1786), rei minucioso das pequenas
máquinas, dos regimentos bem treinados e dos longos exercícios.
Para Michel Foucault
metodologicamente a questão a responder é a seguinte: Nesses esquemas de
docilidade, em que o século XVIII teve tanto interesse, o que há de tão novo?
Não é a primeira vez, certamente, que o corpo é objeto de investimentos tão
imperiosos e urgentes; em qualquer sociedade, o corpo está preso no interior de
poderes mito apertados, que lhe impõem limitações, proibições ou obrigações.
Muitas coisas, entretanto, são novas nessas técnicas. A escala, em primeiro
lugar, do controle; não se trata de cuidar do corpo, massa, grosso modo, como
se fosse uma unidade indissociável, mas de trabalha-lo detalhadamente; de
exercer sobre ele uma coerção sem folga, de mantê-lo ao mesmo nível prático da
mecânica – movimentos, gestos, atitudes, rapidez: poder infinitesimal sobre o
corpo ativo. O objeto, em seguida, do controle: não, ou mais, os elementos
significativos do comportamento ou a linguagem do corpo, mas a economia, a
eficácia dos movimentos, sua organização interna; a coação se faz mais sobre as
forças que sobre os sinais; a única cerimônia que realmente importa é a do
exercício. A modalidade, enfim, implica uma coerção ininterrupta, constante,
que vela sobre os processos da atividade mais que sobre seu resultado e se
exerce de acordo com uma codificação que esquadrinha ao máximo o tempo, o
espaço, os movimentos.
Esses métodos que
permitem o controle minucioso das operações do corpo, que realizam a sujeição
constante de suas forças e lhes impõem uma relação de docilidade-utilidade, são
o que podemos chamar disciplinas. Muitos processos disciplinares existiam há muito
tempo: nos conventos, nos exércitos, nas oficinas também. Mas as disciplinas se
tornaram no decorrer dos séculos XVII e XVIII fórmulas gerais de dominação.
Diferentes da escravidão, pois não se fundamentam numa relação de apropriação
dos corpos; é até a elegância da disciplina dispensar essa relação custosa e
violenta obtendo efeitos de utilidade pelo menos igualmente grandes. Mas também
ocorre que são diferentes também da domesticidade, que é uma relação social de
dominação constante, global, maciça, não analítica, ilimitada e estabelecida
sob a forma de vontade de poder singular do patrão, sendo quase seu “capricho”.
Diferentes da vassalidade que é uma relação de submissão altamente codificada,
mas longínqua e que se realiza menos sobre as operações do corpo que sobre os
produtos do trabalho e as marcas rituais de obediência. Diferentes do ascetismo
e das “disciplinas” de tipo monástico, que têm por função realizar renúncias
mais do que aumentos de utilidade e obediência, têm como fim um aumento do domínio
de cada um sobre seu próprio corpo.
O momento histórico das
disciplinas é o momento em que nasce uma arte do corpo humano, que visa não
unicamente o aumento de suas habilidades, nem tampouco aprofundar sua sujeição,
mas a formação de uma relação que no mesmo mecanismo o torna tanto uma política
das coerções que são um trabalho sobre o corpo, uma manipulação calculada de
seus elementos, de seus gestos, de seus comportamentos. O corpo humano entra
numa maquinaria de poder que o esquadrinha, o desarticula e o recompõe. Uma
“anatomia política”, que é também igualmente uma “mecânica do poder”, está
nascendo; ela define como se pode ter o domínio sobre o corpo dos outros, não
simplesmente para que façam o que se quer, mas ara que operem como se quer, com
as técnicas segundo a rapidez e a eficácia que se determina. A disciplina
fabrica assim corpos submissos e exercitados, corpos dóceis. A disciplina aumenta as forças do corpo (em
termos econômicos de utilidade) e diminui essas mesmas forças (em termos políticos
de obediência). Em uma palavra: ela associa o poder do corpo; faz dele por um
lado uma “aptidão”, uma “capacidade” que ela procura aumentar; e inverte por
outro lado a energia, a potência que poderia resultar, e faz dela uma relação
de sujeição estrita.
Se a exploração
econômica separa a força e o produto do trabalho, a coerção disciplinar
estabelece no corpo o elo coercitivo entre uma aptidão aumentada e uma
dominação acentuada. Entendida como consumo cultural, a prática do culto ao
corpo situa-se como preocupação geral de mobilidade social, que perpassa a
estratificação de classes sociais e faixas etárias, apoiada num discurso
clínico difuso que se refere tanto a questão estética, quanto a preocupação
alimentar com a saúde. Nas sociedades contemporâneas há uma crescente
apropriação do corpo, com a dieta alimentar e o consumo excessivo de
cosméticos, impulsionados pelo processo de massificação da propaganda/consumo a
desde o desenvolvimento econômico dos anos 1980, onde o corpo ganha mais
espaço, principalmente nos meios midiáticos. Nesse sentido, as fábricas de
imagens estéticas do vencedor como o cinema, televisão, publicidade, revistas
etc., têm contribuído para isso. Ipso facto, nos leva a pensar que a imagem da
eterna fonte de juventude, associada ao corpo perfeito e ideal, ao sucesso na
educação, no trabalho e na vida amorosa atravessa as etnias e classes sociais,
compondo de maneiras diferentes diversos estilos de vida.
Nesta conjuntura,
Archer iniciou uma carreira na política, servindo como vereador conservador por
Havering no Conselho da Grande Londres (1967–1970). Archer fundou sua própria
empresa de arrecadação de fundos e relações públicas, a Arrow Enterprises, em
1969. No mesmo ano, ele abriu uma galeria de arte, a Archer Gallery, em
Mayfair. A galeria era especializada em arte moderna, incluindo obras do
escultor e pintor Leon Underwood. A galeria acabou dando prejuízo, no entanto,
e Archer a vendeu dois anos depois. Aos 29 anos, Archer foi eleito membro do
Parlamento (MP) pelo círculo eleitoral de Louth, em Lincolnshire, ocupando a
cadeira pelo Partido Conservador em uma eleição suplementar em 4 de dezembro de
1969. Archer derrotou Ian Gow na seleção após conquistar uma parcela
substancial de membros mais jovens na reunião de seleção. O partido nacional
tinha preocupações sobre a seleção de Archer, especificamente relacionadas às
alegações de despesas da UNA feitas por Humphry Berkeley, ele próprio um
ex-membro do Parlamento Conservador. Berkeley tentou persuadir a Sede Central
Conservadora de que Archer era inadequado como candidato parlamentar. Archer
moveu uma ação por difamação contra Berkeley e a história foi mantida fora da
imprensa, embora uma versão truncada da história tenha aparecido no The
Times.
O caso foi finalmente
resolvido fora dos tribunais, com Archer concordando em pagar as custas
judiciais de cerca de £ 30.000. A circunscrição de Louth tinha três áreas
principais: Louth, Cleethorpes e Immingham. Durante o seu tempo como deputado,
Archer era um frequentador assíduo do Clube Conservador de Immingham, na parte
mais operária da circunscrição. Em 1970, participou no Kennedy Memorial Test,
uma corrida/caminhada de 50 milhas de Louth a Skegness e volta. No parlamento,
Archer estava à esquerda do Partido Conservador, rebelando-se contra algumas
das políticas do seu partido. Defendia licenças de televisão gratuitas para
idosos e era contra a cobrança de entradas em museus. Em 1971, contratou David
Mellor para tratar da sua correspondência. Deu a Mellor informações
privilegiadas para chegar ao gabinete. Numa entrevista, em fevereiro de 1999,
Archer disse: “Espero que não voltemos aos extremos. Sou o que se poderia
chamar de centro-direita, mas sempre detestei a direita tanto quanto detestei a
esquerda”. Em 1974, Archer foi vítima de um esquema de investimento fraudulento
envolvendo uma empresa canadense chamada Aquablast. O desastre lhe
custou sua primeira fortuna e o deixou com quase 500.000 libras em dívidas.
Alertado pelo repórter do Daily Mirror, Revel Barker – a quem ele erroneamente identificou como um colega estudante de Oxford – de que, como falido, não poderia ser um membro do Parlamento, ele anunciou que não se candidataria nas eleições gerais de outubro de 1974 “devido a dificuldades financeiras”. Enquanto era testemunha no caso Aquablast em Toronto, em 1975, Archer foi acusado de roubar três ternos de uma loja de departamentos. Archer negou a acusação por muitos anos, mas no final da década de 1990 ele finalmente reconheceu que havia pegado os ternos, embora tenha alegado que na época não havia percebido que havia saído da loja. Nenhuma acusação foi feita. Archer escreveu seu primeiro livro, Not a Penny More, Not a Penny Less, no outono de 1974, como forma de evitar a falência. O livro foi adquirido pela agente literária Deborah Owen e publicado primeiro nos Estados Unidos e, posteriormente, na Grã-Bretanha, no outono de 1976. Uma adaptação radiofônica foi transmitida pela BBC Radio 4 no início da década de 1980 e uma adaptação para a televisão pela BBC foi exibida em 1990. Kane e Abel (1979) provou ser sua obra mais vendida, alcançando o primeiro lugar na lista de best-sellers do The New York Times. Como a maioria de seus primeiros trabalhos, foi editado por Richard Cohen, medalhista de ouro olímpico na esgrima. Foi adaptado para uma minissérie de televisão pela CBS em 1985, estrelada por Peter Strauss e Sam Neill.
No ano seguinte, a
Granada TV exibiu uma adaptação em 10 partes de outro best-seller de
Archer, First Among Equals, que contava a história de quatro homens e
sua busca para se tornarem primeiros-ministros. Na edição americana do romance,
o personagem Andrew Fraser foi eliminado, reduzindo o número de protagonistas
para três. Além de romances e contos, Archer também escreveu três peças
teatrais. A primeira, Beyond Reasonable Doubt, estreou em 1987 e ficou
em cartaz no Queen`s Theatre, no West End de Londres, por mais de um ano. A
peça seguinte de Archer, Exclusive, estreou no Strand Theatre, em
Londres, em setembro de 1989. Não foi bem recebida pela crítica e encerrou sua
temporada após algumas semanas. Sua última peça, The Accused, estreou no
Theatre Royal, em Windsor, em 26 de setembro de 2000, antes de ser transferida
para o Theatre Royal Haymarket, no West End, em dezembro. Em 1988, a autora
Kathleen Burnett acusou Archer de plagiar uma história que ela havia escrito e
de incluí-la em sua coleção de contos, A Twist in the Tale. Archer negou
ter plagiado a história, alegando que simplesmente se inspirou na ideia. Embora
os livros de Archer sejam comercialmente bem-sucedidos, os críticos têm sido
geralmente desfavoráveis à sua escrita. O jornalista Hugo Barnacle,
escrevendo para o The Independent sobre The Fourth Estate (1996),
considerou que o romance, embora demonstrasse que “os editores parecem não ter
feito nenhum trabalho”, “não era totalmente insatisfatório”.
Archer afirmou que
passa um tempo considerável escrevendo e reescrevendo cada livro. Ele viaja
para o exterior para escrever o primeiro rascunho, trabalhando em blocos de
duas horas de cada vez, e depois escreve até 17 rascunhos no total. Desde 2010,
Archer escreve o primeiro rascunho de cada novo livro em sua vila em Maiorca,
chamada “Writer`s Block”. Em 2011, Archer publicou o primeiro de sete livros da
série As Crônicas de Clifton, que acompanham a vida de Harry Clifton
desde seu nascimento em 1920 até seu funeral em 1993. O primeiro romance da
série, Só o Tempo Dirá, conta a história de Harry de 1920 a 1940 e foi
publicado no Reino Unido em 12 de maio de 2011. O sétimo e último romance da
série, Este Era um Homem, foi publicado em 3 de novembro de 2016. The
Short, the Long and the Tall, uma coleção ilustrada de contos de Archer,
foi publicada em novembro de 2020, com ilustrações em aquarela do artista Paul
Cox. Over My Dead Body foi publicado em outubro de 2021 e é o quarto
livro de uma série de thrillers com o detetive William Warwick. O livro foi
aclamado pela crítica e tornou-se um best-seller do New York Times.
Em janeiro de 2020, foi noticiado que Archer havia processado seus antigos
agentes literários, Curtis Brown, por £500.000 em royalties não pagos. Durante
a cerimônia de entrega dos prêmios Índia Global Forum Awards em 2025, Jeffrey
Archer afirmou que estava trabalhando em seu último romance. Segundo Archer, a
ideia para o livro surgiu seis anos antes, e ele acredita que a história pode
superar Kane e Abel, seu romance mais vendido, que havia alcançado sua 134ª
reimpressão.
Bibliografia Geral Consultada.
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Recorde de £ 500.000”. In: The Guardian, 25 de julho de 1987; MANNHEIM,
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Kane e Abel Para Uma Nova Geração”. In: The Guardian, 15 de junho
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Pós-Graduação em Direito. Centro de Ciências Jurídicas. Florianópolis:
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Archer: Mary administraria o NHS de forma brilhante”. In: The Telegraph,
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Bollywood de Roubar seus Enredos de Sucesso”. In: The Independent, 4 de
março de 2015; DARNTON, John, “Almoçando com: Jeffrey Archer; A doce vingança
de um autor: ingressar na Câmara dos Lordes”. In: Wayback Machine, 5 de
outubro de 2017; SIMPSON, Craig, “Jeffrey Archer Processa Ex-agentes Literários
no Tribunal Superior por Alegações de que lhe São Devidos 500.000 Libras”. In: The
Daily Telegraph, 20 de janeiro de 2020; SALA, Lana, “Escândalo: Jeffrey
Archer e a garota de programa” (Documentário). Londres: Zinc Television London.
Channel 5, 2022; LOCATELLI, Renan Gonçalves, A Província Autofágica de
Dalton Trevisan: O Real, o Resto e o Vazio no Ventre do Minotauro. Tese de Doutorado.
Programa de Pós-Graduação em Literatura e Crítica Literária. São Paulo: Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo, 2026; entre outros.