segunda-feira, 2 de março de 2026

Canal 100 – Estádio de Futebol, Televisão & Tecnologia Disciplinar.

Num filme o que importa não é a realidade, mas o que dela possa extrair a imaginação”. Charles Chaplin

         O Canal 100 foi um cinejornal brasileiro (cf. Padiglione, 2016). Fundado em 1957 por Carlos Niemeyer, inicialmente com o nome “Líder Cinematográfica”, funcionou até 2000. Com sede no Rio de Janeiro, o cinejornal era exibido semanalmente por todo o Brasil e realizava sobretudo documentários cinematográficos de eventos importantes do país e do futebol. Um cinejornal é uma forma de filme curto documental predominante na primeira metade do século XX, regularmente exibido em salas de exibição pública e contendo notícias e itens de interesse tópico. Ele foi fonte de notícias, atualidades e entretenimento para milhões de espectadores até que a televisão substituiu o seu papel na década de 1950. Cinejornais são agora considerados documentos históricos significativos, uma vez que são muitas vezes o único registro audiovisual de acontecimentos históricos e culturais daqueles tempos. Cinejornais eram normalmente exibidos como curtas-metragens precedendo o filme principal na década de 1960. Haviam cinemas dedicados a eles em muitas grandes cidades nos anos de 1930 e 1940, e algumas salas também incluíam um pequeno cinema onde noticiários eram exibidos de forma contínua durante todo o dia. Tornou-se reconhecido pela qualidade técnica da filmagem dos jogos de futebol com uma visão documental e uma narrativa dramática. Teve um cinegrafista particularmente famoso, Francisco Torturra. De seu acervo foram realizados vários filmes de longa-metragem, como Brasil Bom de Bola (1971) e Futebol Total (1974). Alguns filmes do Canal 100 estão sob guarda do Arquivo Nacional na cidade do Rio de Janeiro e, portanto, acessíveis à população. 

        A famosa música usada é Na Cadência do Samba (Que Bonito É), composta em 1956 por Luiz Bandeira e gravada por Waldir Calmon. O filme australiano de 1978 Newsfront é um drama sobre o ofício dos cinejornais. Os cinejornais findaram por causa dos avanços tecnológicos, tais como a captação eletrônica de notícias no telejornalismo (cf. Souza, 2017), introduzida na década de 1970, tornando-os obsoletos. No entanto, alguns países, como Cuba, Japão e Espanha continuaram a produzir noticiários para cinema nas décadas de 1980 e 1990. O canal 100 (cf. Behm, 2024; O Tempo, 2025) inicia as suas atividades fazendo filmagens de jogos e posteriormente apresentados antes dos filmes principais nos cinemas. Em 1958 acompanha o Brasil na disputa da Copa do Mundo na Suécia e registrou em filme as primeiras atuações de Pelé e Garrincha. A década de 1960 é iniciada com a fundação de Brasília, e este evento não podia deixar de ser documentado pelo Canal 100. Nos anos que se seguiram foram feitas dezenas de filmagens que mostravam glórias como a Palma de Ouro para o filme brasileiro O Pagador de Promessas e o título de Boxe para Éder Jofre, mas também faziam uma visão menos felizes como as enchentes causadas pela chuva no Rio de Janeiro ou a eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 1966.  

       Na década de 1970 o canal aumenta o número de filmagens culturais apresentando o músico Carlos Santana no festival da canção e a banda Genesis no Rio de Janeiro. Eventos esportivos como a Copa do Mundo de 1970 no México e os Jogos Olímpicos de Verão de 1976 foram também acompanhados pelas lentes do Canal 100. Eventos históricos como a inauguração da Ponte Rio-Niterói, a despedida de Pelé do futebol e a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek tiveram lugar nas produções do Canal 100. A década de 1980 começo com grandes eventos que foram documentados pelo Canal 100.  O show de Frank Sinatra e a visita do Papa João Paulo II, ambos no Rio de Janeiro, não podiam deixar de figurar nos documentários. Sempre mantendo o interesse pelo futebol, o Canal 100 acompanhou o Brasil na Copa do Mundo de 1982 e 1986. Ainda apoiando eventos culturais o Canal 100 fez as filmagens para a primeira edição do Rock in Rio. Na década de 1990 o Canal 100 faz a sua estreia na televisão através da Rede Manchete, fazendo assim chegar a mais pessoas os seus documentários. Durante alguns anos os documentários deixaram de ser exibidos nas salas de cinema, regressando mais tarde. Esta década foi particularmente menos ativa, já indicando o encerramento das filmagens, que aconteceria mais tarde. Com a morte do seu fundador, o Canal 100 foi gradualmente deixando de fazer novas filmagens, restando um grande arquivo histórico. Em 2001, Alexandre Niemeyer, filho de Carlos Niemeyer, iniciou um projeto em que visava a recuperação e apresentação de todo o acervo cinematográfico feito pelo seu pai e o Canal 100. Foi criada a “Revista Canal 100” que apresenta fotos do arquivo e um site oficial do projeto onde é possível ver pequenos filmes.                                        


Sir Charles Spencer Chaplin, reconhecido como Charlie Chaplin (1889-1977), foi um ator, diretor, produtor, comediante, dançarino, roteirista e músico britânico. Chaplin foi um dos atores mais famosos da chamada “Era do Cinema Mudo”, notabilizado pelo uso de mímica e da “comédia pastelão”. Atuou, dirigiu, escreveu, produziu e financiou seus próprios filmes, sendo fortemente influenciado por um antecessor, o comediante francês Max Linder (1883-1925), a quem ele dedicou um de seus filmes. Sua carreira no ramo do entretenimento durou mais de 75 anos, desde suas primeiras atuações quando ainda era criança nos teatros do Reino Unido durante a Era Vitoriana quase até sua morte aos 88 anos de idade. Sua vida pública e privada abrangia adulação e controvérsia. Juntamente com Mary Pickford, Douglas Fairbanks e D. W. Griffith, Chaplin fora co-fundador da United Artists, uma extraordinária companhia de cinema fundada em 5 de fevereiro de 1919. Seu principal e mais famoso personagem in statu nascendi foi The Tramp, reconhecido internacionalmente como a figuração de Charlot, na Europa, e igualmente reconhecido como Carlitos, ou ainda “O Vagabundo”, entre nós, em análise comparada no caso do brasileiro. Consiste em um andarilho pobretão que possui todas as maneiras refinadas e a dignidade de um gentleman, usando “um fraque preto esgarçado, calças e sapatos desgastados e mais largos que o seu número, um chapéu-coco ou cartola, uma bengala de bambu e – sua marca pessoal – um pequeno bigode-de-broxa”.

Foi também um talentoso jogador de xadrez e chegou a enfrentar o campeão estadunidense Samuel Reshevsky. Em 2008, em uma resenha do livro Chaplin: A Life, Martin Sieff escreve: - “Chaplin não foi apenas ´grande`, ele foi gigantesco”. Em 1915, ele “estourou” um mundo dilacerado pela guerra trazendo o dom da comédia, risos e alívio enquanto ele próprio estava se dividindo ao meio pela Primeira grande Guerra. Durante os próximos 25 anos, através da Grande Depressão e da infeliz ascensão do obscurantismo europeu, ele permaneceu no emprego. Ele foi maior do que qualquer um. É duvidoso que algum outro indivíduo tenha dado mais entretenimento, prazer e alívio para tantos seres humanos quando eles mais precisavam. O termo Sétima Arte, é usado para designar o cinema; foi estabelecido por Ricciotto Canudo no “Manifesto das Sete Artes”, em 1911, embora tenha sido publicado apenas em 1923. Por sua inigualável contribuição ao desenvolvimento da Sétima Arte, Chaplin é o mais homenageado cineasta de todos os tempos, sendo ainda em vida condecorado pelo governo britânico: “Cavaleiro do Império Britânico”, pelo governo francês: “Légion d`Honneur”, pela Universidade de Oxford: Doutor Honoris Causa e pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos da América com o Óscar especial “pelo conjunto da obra”, em 1972. Além de atuar no palco como um brilhante artista, Chaplin dirigiu, escreveu, produziu e eventualmente compôs a trilha sonora de seus próprios filmes, tornando-se uma das personalidades mais criativas e influentes em sua progênie da Era do “Cinema Mudo”.   O cinema ainda era uma forma de arte essencialmente visual.

Chaplin foi fortemente influenciado por um antecessor, como vimos o comediante francês Max Linder, a quem ele dedicou um de seus filmes. Era canhoto, nasceu no dia 16 de abril de 1889, na East Street, Walworth, Londres, Inglaterra. Seus pais eram artistas de music-hall. Seu pai, Charles Spencer Chaplin, era vocalista e ator, e sua mãe, Hannah Chaplin, era cantora e atriz. Chaplin aprendeu a cantar com seus pais, os quais se separaram antes dele completar três anos de idade. Após a separação, Chaplin foi deixado aos cuidados de sua mãe, que estava cada vez mais instável emocionalmente. O censo de 1891 demonstra que sua mãe morava com Charlie e seu “meio-irmão” mais velho Sydney na Barlow Street, Walworth. Um problema de laringe acabou com a carreira de cantora da mãe de Chaplin. A primeira crise de Hannah ocorreu em 1894 quando ela estava cantando no “The Canteen”, um teatro em Aldershot, geralmente frequentado por manifestantes e soldados. Além de “ser vaiada, Hannah foi gravemente ferida pelos objetos atirados pela plateia”. Nos bastidores, ela chorava e argumentava com o seu gerente. Enquanto isso, com apenas cinco anos de idade, o pequeno Chaplin subiu sozinho ao palco e cantou uma música popular da época, “Jack Jones” (cf. Chaplin, 1981). Seu pai, Charles Spencer Chaplin, era alcoólatra e tinha pouco contato com seu filho, apesar de Chaplin e seu meio-irmão morarem durante um curto período de tempo socialmente falando, com seu pai e sua amante, Louise, na 287 Kennington Road, onde há uma placa em homenagem ao fato histórico e social na vida familiar destes atores e atrizes.

Estádio de futebol, mutatis mutandis, tem como representação social a edificação esportiva que abriga partidas de futebol, e, ocasionalmente, eventos diversos como feiras culturais e espetáculos musicais, entre outros. Na Era Moderna, os estádios estão sendo construídos com o propósito de garantir mais conforto e segurança do público, para daí colher um maior encaixe financeiro, contrariamente aos recintos antigos que tinham a intenção quantitativamente apenas de abrigar um número enorme de espectadores no menor espaço possível. A maioria dos estádios de futebol são propriedade dos clubes, mas existem também estádios construídos apenas para as seleções. Desporto ou esporte é uma atividade física ou jogo. É toda a forma de praticar alguma atividade física, de forma metódica, com objetivos competitivos, que por meio de participação casual ou organizada, procure usar, manter ou melhorar as habilidades físicas e/ou mentais, proporcionando diversão aos participantes e, em alguns casos, entretenimento para os espectadores. Os objetivos do desporto podem ser, além da competição, também recreativos, ou de melhoria da saúde, ou ainda de melhoria de aptidão física e/ou mental. O vencedor ou vencedores podem ser identificados por obtenção de um objetivo, e pode exigir um grau de habilidade, especialmente em níveis mais elevados. São centenas os tipos de desportos existentes, incluindo aqueles para um único participante, até aqueles com centenas de participantes simultâneos, em equipas ou individualmente. De acordo com A.T. Kearney, uma consultoria, a indústria desportiva global vale até US$ 620 bilhões a partir de 2013 o que é um marco da cultura esportiva.

            A Associação das Federações Esportivas Internacionais Reconhecidas pelo COI, em inglês: Association of IOC Recognised International Sports Federations, ARISF, é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, constituída e reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). Os membros da ARISF são federações esportivas internacionais reconhecidas pelo COI que atualmente não competem nas Olimpíadas de Verão ou de Inverno. Tornar-se membro desta organização não implica ou garante que o esporte será incluído em futuros jogos olímpicos. Entre os objetivos da ARISF estão: atuar como porta-voz para defender e coordenar os interesses comuns de seus membros, mantendo sua autoridade, independência e autonomia, determinar o consenso das federações membros sobre questões de interesse comum em relação ao Movimento Olímpico e garantir a maior participação possível nas atividades do COI. Com sede na cidade suíça de Lausanne, foi formada em 1983. É dirigida por Raffaele Chiulli, um executivo esportivo italiano que é o presidente da ARISF. A palavra “desporto” vem do francês antigo desport, que significa “recreação”, “passatempo”, “lazer”. Surgiu na língua portuguesa no século XV, com o sentido de “divertimento”. No entanto, apenas a partir do século XIX a influência do termo inglês sport, que também tem origem em desport, contribuiu para o incremento do seu uso com o significado moderno em Portugal.  

No Brasil, comparativamente, a par das variantes “desporto” e “desporte”, esta última também presente no português europeu, surgiu a variante “esporte” adaptada da palavra inglesa sport, que viria a popularizar-se na mídia e a ser a mais comum atualmente. Algumas reminiscências do uso da variante “desporto” se podem verificar em nomes de clubes e organizações, como a Confederação Brasileira de Desportos no Gelo, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, a Confederação Brasileira de Desportos na Neve, a Confederação Brasileira do Desporto Universitário, bem com as extintas Conselho Nacional de Desportos e Confederação Brasileira de Desportos, entre outras. O desporto é geralmente reconhecido como um sistema de atividades baseadas no físico atletismo ou físico destreza, com as maiores competições importantes como os Jogos Olímpicos admitindo apenas desportos que atendem a essa definição, e outras organizações, como o Conselho da Europa, usam definições que impedem atividades sem um elemento físico da classificação como desporto. No entanto, várias atividades competitivas, mas não físicas, reivindicam reconhecimento como desporto desportivo. 

O Comitê Olímpico Internacional por meio da ARISF reconhece o xadrez e bridge como desportos de boa-fé, na falta de melhor expressão, e a SportAccord, a associação da federação internacional de desportos, reconhece cinco desportos não físicos: bridge, xadrez, Damas, Go e Xiangqi, e limita o número de jogos mentais que podem ser admitidos como desportos. Desportos são geridos pelo conjunto de regras metodológicas e sociológicas de acordo com os costumes ou cultura. Eventos físicos, tais como marcar gols ou cruzar uma linha em primeiro muitas vezes definem o resultado de um desporto. Um reconhecido ditado ou trocadilho diz que “o rúgbi é um esporte de brutos jogado por cavalheiros”. No caso, o “cavalheirismo” pode ser associado ao fair play (jogo justo) geralmente incentivado nas práticas esportivas. O desportivismo é uma atitude que luta pelo fair play (jogo justo), pela delicadeza com os adversários e colegas de equipe, pelo comportamento ético e integridade, pelo jogo limpo, e pela ética na vitória ou na derrota. O desportivismo expressa uma aspiração ou espírito de que a atividade vai ser apreciada por si mesma. O sentimento é bem reconhecido pelo jornalista desportivo Henry Grantland Rice (1880-1954), que disse “não interessa como ganhaste ou perdeste, mas como jogaste o jogo”. O lema dos Jogos Olímpicos modernos é expresso pelo seu fundador Pierre de Coubertin (1863-1937): “O mais importante não é vencer, mas sim, participar”. 

Estas são expressões típicas desse sentimento. A violência no desporto envolve cruzar a linha entre a concorrência leal e a violência agressiva intencional. Atletas, treinadores, fãs, e pais, por vezes, desencadeiam comportamentos antissociais sobre pessoas ou bens, em demonstrações equivocadas de lealdade, dominância, raiva e/ou celebração. Tumultos ou vandalismo são problemas comuns e em curso em competições desportivas. O aspecto dos desportos, juntamente com o aumento do poder dos meios de comunicação e lazer, tem levado ao “profissionalismo” do desporto. A vigilância se torna um operador econômico decisivo, na medida em que é ao mesmo tempo uma peça interna no aparelho de produção e uma engrenagem específica do poder disciplinar. Na essência de todos os sistemas disciplinares, funciona um pequeno mecanismo penal. É beneficiado por uma espécie de privilégio de justiça, com suas leis próprias, seus delitos especificados, suas formas particulares de sanção, suas instâncias de julgamento. As disciplinas estabelecem uma infrapenalidade, quadriculam um espaço deixado pelas leis, qualificam e reprimem um conjunto de comportamentos que escapava aos grandes sistemas de castigo por sua relativa indiferença. Na oficina, na escola, no exército, funciona como repressora toda uma micropenalidade do tempo (atrasos, ausências, interrupções das tarefas), da atividade (desatenção, negligência, falta de zelo), da maneira de ser (grosseria, desobediência), dos discursos (tagarelice, insolência), do corpo (atitudes incorretas, gestos não conformes, sujeira), da sexualidade (imodéstia, indecência). Ao mesmo tempo é utilizada, a título de punição, uma série de processos sutis, que vão do castigo físico leve a privações ligeiras e a pequenas humilhações.        

Trata-se ao mesmo tempo de tornar penalizáveis as frações mais tênues de conduta social, e de dar uma função punitiva aos elementos aparentemente indiferentes do aparelho disciplinar: levando ao extremo, que tudo possa servir para punir a mínima coisa; que cada indivíduo se encontre preso numa universalidade punível-punidora. Mas a disciplina traz consigo uma maneira específica de punir, e que é apenas um modelo reduzido do tribunal. O que pertence à penalidade disciplinar é a inobservância, tudo o que está inadequado à regra, tudo o que se afasta dela, os desvios. É passível de pena o campo indefinido do não conforme. O regulamento da infantaria prussiana impunha tratar com “todo o rigor possível” o soldado que não tivesse aprendido a manejar corretamente o fuzil. O castigo disciplinar tem a função de reduzir os desvios. Deve, portanto, ser essencialmente corretivo. De modo que o efeito corretivo que dela se espera apenas de uma maneira acessória passa pela expiação e pelo arrependimento; é diretamente obtido pela mecânica de um castigo. Castigar é exercitar. Ipso facto, o exame combina as técnicas da hierarquia que vigia e as da sanção que normaliza. 

É um controle normalizante, uma vigilância que permite qualificar, classificar, punir. Estabelece sobre os indivíduos uma visibilidade através da qual eles são diferenciados e sancionados. Em todos os dispositivos de disciplina, o exame é altamente ritualizado. Nele vêm-se reunir a cerimônia do poder. A forma da experiência, a demonstração da força e o estabelecimento da verdade. O indivíduo é o átomo fictício de uma representação social. É uma realidade fabricada por essa tecnologia específica de poder: a disciplina. O panóptico de Bentham, é uma máquina de dissociar o par-ser-visto: no anel periférico, se é totalmente, se é totalmente visto, sem nunca ver; na torre central, vê-se tudo, sem nunca ser visto, pois é a figura arquitetural dessa composição. O princípio é reconhecido: na periferia uma construção em anel; no centro, uma torre: esta é vazada de largas janelas que se abrem sobre a face interna do anel; a construção periférica é dividida em celas, cada uma atravessando toda a espessura da construção; elas têm duas janelas, uma para o interior, correspondendo às janelas da torre; outra, que dá para o exterior, permite que a luz atravesse a cela de lado a lado. Basta então colocar um vigia na torre central, e em cada cela trancar um louco, um doente, um condenado, um operário ou um estudante. Pelo efeito da contraluz, pode-se perceber a torre, recortando-se exatamente sobre a claridade, as pequenas silhuetas cativas nas celas da periferia. Tantas jaulas, tantos pequenos teatros, em que cada ator está sozinho, perfeitamente individualizado e constantemente visível. O dispositivo panóptico organiza unidades espaciais que permitem “ver sem parar e reconhecer imediatamente. 

Em suma, o princípio da masmorra é invertido; ou antes, de suas três funções – trancar, privar de luz e esconder – só se conserva a primeira e se suprime duas. A plena luz e o olhar de um vigia captam melhor que a sombra, que protegia. A visibilidade é uma armadilha” (cf. Foucault, 2014: 194). Jeremy Bentham não diz se se inspirou, em seu projeto, no zoológico que Le Vaux construíra em Versalhes: primeiro zoológico cujos elementos não estão, como tradicionalmente, espalhados em um parque: no centro, um pavilhão octogonal que, no primeiro andar, só comportava uma peça, o salão do rei; todos os lados se abriam com largas janelas, sobre sete jaulas (o oitavo lado estava reservado para a entrada), onde encerradas diversas espécies de animais. O panóptico descrito pela analítica do poder, é um zoológico real; o animal é substituído pelo homem, a distribuição individual pelo grupamento específico e o rei pela maquinaria de um poder furtivo. Fora essa diferença, o Panóptico, também, faz um trabalho de naturalista. Permite estabelecer as diferenças: nos doentes, observar os sintomas de cada um, sem que a proximidade dos leitos, a circulação dos miasmas, os efeitos do contágio misturem os quadros clínicos; nas crianças, anotar os desempenhos (sem que haja limitação ou cópia), perceber as aptidões, apreciar os caracteres, estabelecer classificações rigorosas e, em relação a uma evolução normal, distinguir o que é “preguiça ou teimosia” do que é “imbecilidade incurável”; nos operários, anotar as aptidões de cada um, comparar o tempo que levam para fazer um serviço, e, se são pagos por dia, calcular seu salário. Mas o panóptico pode ser utilizado como uma “máquina de fazer experiências”, modificar o comportamento, treinar ou retreinar os indivíduos. Experimentar remédios e verificar efeitos. Tentar diversas punições sobre os prisioneiros, seus crimes e temperamento mais eficazes.  

Ensinar simultaneamente diversas técnicas aos operários, estabelecer qual é a melhor. Tentar experiências pedagógicas – e particularmente abordas o famoso problema da educação reclusa, usando crianças encontradas ; ver-se-ia o que acontece quando aos dezesseis ou dezoito anos rapazes e moças se encontram; poder-se-ia acompanhar “a genealogia de qualquer ideia observável”; criar diversas crianças em diversos sistemas  de pensamento, fazer alguns acreditarem que dois e dois são quatro e que a lua é um queijo, depois de juntá-los todos quando tivessem vinte ou vinte e cinco anos; haveria então discussões que valeriam bem os sermões ou as conferências para as quais se gasta tanto dinheiro: haveria pelo menos ocasião de fazer descobertas no campo da metafísica. O Panóptico é um local privilegiado para tornar possível a experiência com homens, e para analisar com toda certeza as transformações que se pode obter neles. Mais do que isso: pode até se constituir em aparelho de controle, segundo a analítica do poder de Michel Foucault, pois em sua torre, o diretor pode inspecionar todos os empregados submetidos a seu serviço; poderá julgá-los continuamente, modificar seu comportamento, impor-lhes métodos que considerar melhores; e ele mesmo, por sua vez, poderá ser facilmente observado. O Panóptico funciona como uma espécie de Laboratório de poder. 

Através da observação, ganha em eficácia e em capacidade de penetração no corpo dos homens: um aumento de saber vem se implantar em todas as frentes do poder, descobrindo objetos que devem ser conhecidos em todas as superfícies de saber-poder. Para sermos breves, em cada uma de suas aplicações, na esfera da ação individual e coletiva, permite aperfeiçoar o exercício do poder de várias maneiras: porque pode reduzir o número dos que o exercem, ao mesmo tempo em que multiplica o número daqueles sobre os quais é exercido. Permite intervir a cada momento e a pressão constante age antes mesmo que as faltas, os erros, os crimes sejam cometidos. Porque, nessas condições, sua força é nunca intervir, é se exercer espontaneamente e sem ruído. É construir um mecanismo de efeitos em cadeia. Porque é um intensificador para qualquer aparelho de poder: assegura sua economia (em material, em pessoal, em tempo); assegura sua eficácia por seu caráter preventivo, seu funcionamento contínuo e seus mecanismos automáticos. É uma maneira astuciosa de obter poder. É uma espécie de “ovo de Colombo” na ordem da política. Ele cria dispositivos discursivos com efeitos de vir se integrar a uma função qualquer, de educação, de terapêutica, de produção, de castigo; de aumentar essa função, ligando-se intimamente a ela; de construir um mecanismo misto no qual as relações de poder (e de saber) podem-se ajustar exatamente, e até nos detalhes, aos processos que é preciso controlar; de estabelecer uma proporção direta entre o “mais-poder” e a “mais produção”.  

O dispositivo panóptico não é simplesmente uma charneiraÉ um local de trocas simbólicas e experimentais entre um mecanismo de poder e uma função. É capaz de reformar a moral, preservar a saúde, revigorar a indústria, difundir a instrução, aliviar os encargos públicos, estabelecer a economia como que sobre um rochedo, desfazer, em vez de cortar, tudo isso com uma simples ideia arquitetural. Na realidade, qualquer instituição panóptica, mesmo que seja tão cuidadosamente fechada quanto aquelas controladas por uma casta, poderá sem dificuldade ser submetida ser submetida a essas inspeções ao mesmo tempo aleatórias e incessantes: e isso não só por parte dos controladores designados, mas por parte do público, que pode ser agregado à analítica do poder, como membro da sociedade com direito de vir constatar com seus olhos como funcionam as universidades, os hospitais, as fábricas, as prisões. Não há, consequentemente, risco de que o crescimento de poder devido à máquina panóptica possa degenerar em tirania, pois a máquina de ver é uma espécie de câmara escura em que se espionam os indivíduos; ela se torna um edifício transparente onde o exercício do poder disciplinar poderá ser democraticamente controlado, com a redução de mandato colocaria em xeque como função estabelecer as diretrizes, objetivos e metas de médio prazo da administração pública. Não queremos perder de vista que o panoptismo é o princípio geral de uma nova “anatomia política”, cujo objeto e fim não são as relações de soberania do Eu. São relações de disciplina-bloco, na constituição de uma instituição fechada, entorpecida pelo ódio e pré-estabelecida à margem, mormente voltada para funções negativas: realizar para o mal, romper as comunicações, suspender o tempo.    

Isso fez resultar algum conflito na prática desportiva, pois aí o salário passa a ser mais importante que o aspecto recreativo, e os desportos passam a ser estruturados de forma a torná-los mais rentáveis ​​e populares, perdendo-se, assim, valiosas tradições éticas. De facto, o desporto, por definição, é uma atividade de lazer, e “desporto profissional” não o é e não pode existir como tal. No entanto, o termo é comum e aceite para nomear um jogo ou outra atividade considerada pela população em geral como desporto e que seja realizada por pessoas pela recompensa com a intenção de entreter os espectadores. O aspecto de entretenimento significa também que os desportistas e as suas mulheres são muitas vezes elevadas ao status de celebridade na média e cultura populares. Por este motivo, muitos jornalistas com razão, têm sugerido que o desporto não deve ser divulgado pela média em geral, mas apenas por revistas especializadas. O desporto e a política podem influenciar-se muito mutuamente. Quando o apartheid era a política oficial na África do Sul, houve um boicote internacional ao país, inclusive no campo desportivo, e em especial no Rugby de quinze. Alguns sentem que esta foi uma contribuição efetiva para a eventual queda da política de apartheid, outros acham que esta pode ter prolongado e reforçado os seus piores efeitos. Os Jogos Olímpicos de Verão de 1936, realizados em Berlim, foram uma ilustração, talvez a mais reconhecida em retrospecto, de um momento em que uma ideologia se aproveitou de um evento para reforçar a sua disseminação populista através de propaganda política. Um caso muito famoso de quando o desporto e a política colidiram foi nos Jogos Olímpicos de Verão de 1972 em Munique. Homens mascarados entraram no hotel da equipe olímpica israelita e mataram muitos dos seus homens. Este caso ficou reconhecido como o Massacre de Munique.

Escólio: Antoine Lilti, nascido em 1972, é um historiador francês especializado na Era Moderna e no Iluminismo. É diretor de estudos da École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS) desde 2011. Formou-se na École Normale Supérieure, que frequentou entre 1991 e 1995. Foi aprovado na agregação em história em 1994. Defendeu sua dissertação de mestrado em história na Universidade de Paris 1 em 1993 sob a orientação de Antoine Prost, intitulada: Le PSU et La Gauche (1960-1968). Em 2003, Antoine Lilti defendeu uma tese em história na Universidade de Paris 1 Panthéon-Sorbonne intitulada: “O Mundo dos Salões: Sociabilidade Mundana em Paris na Segunda Metade do século XVIII” sob a direção de Daniel Roche. Entre 2005 e 2011 lecionou na École Normale Supérieure como conferencista. Ele então se tornou diretor de estudos na Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales. Desde 2006, é membro do conselho editorial da revista Annales Histoire, Sciences Sociales, da qual foi Editor entre janeiro de 2007 e dezembro de 2011. Dirigiu a redação dos Annales entre 2006 e 2011. Seu trabalho mais recente enfoca a recepção atual do período do Iluminismo e seu legado no mundo político de hoje. As primeiras obras de Antoine Lilti centraram-se nos salões do século XVIII,  instituições, em Paris, das elites intelectuais.      

Antoine Lilti os apresenta na encruzilhada da sociedade da corte e da vida intelectual, ao mesmo tempo em que enfatiza seu papel fundamental no início da Revolução Francesa. Por exemplo, o salão Choiseul em Chanteloup é objeto, no Le Monde des Salons, de um estudo aprofundado de Lilti. Este é descrito como um “nó onde se cruzam os fluxos de informação do tribunal, do mundo literário, dos cafés e dos jornalistas” (Éric Saunier) e um pool de oponentes e oposições. Além disso, Lilti quer contradizer uma visão excessivamente idealizada – às vezes tingida de nostalgia – de salões onde estes são considerados apenas pelo seu aspecto filosófico e intelectual. Ele enfatiza as dimensões mundanas e triviais (jogos, refeições, shows): Roger Chartier explica que Antoine Lilti, os salões “não são tanto lugares para exercícios filosóficos, mas oportunidades para compartilhar os prazeres e jogos do mundanismo”. Seu livro Le Monde des Salons (2005) foi traduzido para o inglês por Lydia Cochrane em 2015, sob o título: “O mundo dos salões: sociabilidade e mundanismo na Paris do século XVIII”, na imprensa da Oxford Universidade. Ainda ligada ao ideário do Iluminismo e à clássica Revolução Francesa, Lilti estudou, em Public Figures (2014), o nascimento e a relação de poder histórico do conceito moderno de celebridade que tem como primícias no século XVIII. Neste livro, o historiador se propõe a estudar “as figuras públicas que desde a década de 1750 até cerca de 1850 marcaram a opinião europeia e americana”. 

Analisa as celebridades de Rousseau transportado pelo sucesso de La Nouvelle Héloïse, de Voltaire (Lilti retorna à sua “coroação” na Comédie-Française em março de 1778) do comediante Janot. Lilti explica que alguns autores contemporâneos à Voltaire e Janot lamentaram que um filósofo e um ator de boulevard pudessem ter uma celebridade equivalente. Assim, a fama é vista “como uma força que 'nivela', que apaga as distinções legítimas entre esferas de atividade”. Uma ligação com sua obra sobre o mundo dos salões seria a da distinção entre as noções de público e privado, e do comentário à obra do teórico Jürgen Habermas sobre esses conceitos. Na introdução do livro, Antoine Lilti propõe diferenciar entre glória, reputação e celebridade. As duas primeiras são as características do tradicional latim fama. Enquanto o terceiro é mais moderno. Ele detalha que a glória se refere aos heróis antigos e à comemoração dos gloriosos mortos e que a reputação é “em grande parte independente” da celebridade. Para descrever a celebridade, Lilti cita uma velha fórmula: “uma pessoa famosa é conhecida por pessoas que não têm motivos para opinar sobre ela”. A celebridade é pública e mais amplo, variegado, contemporâneo à pessoa. Esse público costuma estar ávido por detalhes sobre a vida privada dessas celebridades e busca construir um vínculo afetivo com elas. Lilti se propõe a compreender a notoriedade do ator François-Joseph Talma (1763-1826) com esta chave de leitura. Ipso facto, David Garrick e Sarah Siddons na Inglaterra, ou mesmo Miss Clairon na França.                                

Para que possamos melhor especificar a questão tópica as quais derivam os grupos sociais particularmente dedicados às ideias e ao conhecimento, isto é, a clericatura, denominam todas as coisas: pessoas, objetos, sensações, sentimentos e a intelligentsia, faremos uma  distinção sobre a posição da classe intelectual e as duas culturas nas sociedades arcaicas, nas quais há, com frequência, uma extraordinária acumulação de savoir-faire e de conhecimentos sobre a vida vegetal e animal, os homens possuem por vezes um saber escondido ás mulheres, e essas, um saber desconhecido dos homens: os anciãos são, em geral, portadores da experiência e da sabedoria e há, entre os feiticeiros ou xamãs, um conhecimento visionário que é fonte, segundo Morin (1998), de terapias e de atos mágicos. São comuns ao conjunto da sociedade, por um lado, um rico pensamento cosmogônico e cosmológico, expresso sob a forma de mitos e, por outro lado, uma sabedoria de vida concentrada em máximas e provérbios. Nas sociedades teocráticas da Antiguidade, os saberes cosmológicos, mágico, mitológico e religioso foram concentrados nos espíritos, na casta de Sacerdotes/Magos. As verdades supremas, de caráter esotérico, não podiam ser divulgadas e o acesso a elas exigia uma iniciação longa, mas na Idade Média ocidental a instrução é privilégio dos clérigos.           

Que os rostos dos atores sociais célebres sejam frequentemente reproduzidos pode parecer algo anódino. Na verdade, trata-se de um fenômeno novo que traduzia o lugar que o teatro assumia na vida urbana do século XVIII, que se inscrevia também em uma transformação mais ampla da cultura visual. Com frequência imagina-se que a celebridade moderna esteja ligada à reprodução maciça das imagens, caraterística do século XX. As novas tecnologias de produção e de reprodução da figura humana, a partir da fotografia, e sobretudo com o cinema e a televisão, teriam transformado a história da celebridade, para fazer a visibilidade a forma dominante da notoriedade. É incontestável que essas tecnologias tenham transformado de maneira considerável o universo midiático, bom como nossa relação com a imagem. Os retratos das estrelas estão, disponíveis profusamente, fixos ou móveis, em close ou com teleobjetiva. No entanto, uma transformação da cultura visual já acontecera ao longo do século XVIII, fundada em inovações técnicas, como a gravura em couro a buril e a água-forte, que permitiam tiragens bastante importantes, outrora inacessíveis para a gravura em madeira, e imagens mais fiéis. A mutação era sobre social e cultural. Nos grandes centros urbanos, os retratos eram cada vez mais visíveis, em todas as formas de suporte – dos retratos pintados, expostos nos salões da Academia, as figuras de porcelana que se tornaram na moda, passado pelas inúmeras gravuras vendidas nas bancas dos comerciantes. 

Mas a celebridade não se reduz à visibilidade e à presença de imagens: ela se alimenta, na mesma medida, de narrativas, de discursos, de textos, como demonstra o jornalismo de fofoca. Também no âmbito do impresso, as mutações foram decisivas do século XVIII. O público alfabetizado conheceu um crescimento, e a relação com o livro, com a leitura, transformou-se largamente. Atividade erudita nos séculos precedentes, a leitura muda doravante de estatuto, conforme demonstrado pelo sucesso dos romances, dos impressos baratos, e, sobretudo, dos jornais, que se multiplicam, a partir do século XVII, por toda a Europa. Os jornais literários e as gazetas políticas, sobretudo, chamaram a atenção dos historiadores. Os primeiros asseguram a comunicação intelectual entre meios eruditos, ao lado das correspondências pessoais, que haviam estruturado, a primeira República das Letras. Os segundos inauguraram uma nova era de informação política, que não circula mais unicamente sob a forma de correspondências manuscritas ou rumores orais, mas por meio de organismos de imprensa. Para os teóricos do espaço público, foi por meios dos jornais, e nos lugares de sociabilidade reservados à sua leitura coletiva e ao seu comentário, que o uso público da razão se forjou no século das Luzes. Quando Kant, em O Que é o Iluminismo?  descreve a Auflarklärung como um processo de emancipação individual e coletivo permitido pelo uso que cada um faz da razão “diante do público que lê” (cf. Lilti, 2018), refere-se aos leitores de jornais.

E foi, em um deles, nomeadamente Berlinische Monatsshcrift, que esse texto famoso apareceu em 1784, no quadro de um debate sobre as questões do casamento religioso. Alguns anos mais tarde, Hegel poderá chegar a escrever que a “leitura do jornal” da manhã tornou-se “a prece do homem moderno”. Entretanto, ao lado dos homens eruditos e políticos que relatam as notícias diplomáticas e políticas, recenseiam as novidades científicas e literárias ou acolhem debates intelectuais, existem, no século XVIII, outros jornais, cada vez mais numerosos, muitos deles mais interessados na atualidade da alta sociedade e na cultural, no sentido amplo. Eles oferecem a seus leitores as notícias dos espetáculos e dos lançamentos literários, dos principais acontecimentos literários e políticos, mas também os faits divers notórios e, cada vez mais, anedotas sobre a vida, pública e privada, das pessoas célebres. Por mais que esses periódicos tenham chamado menos a atenção dos historiadores, eles contribuíram de maneira decisiva para moldar a consciência das camadas médias urbanas de que elas constituíram um público. A atualidade era alimentada tanto por faits divers e escândalos quanto por tratados e batalhas. O conjunto dessas transformações marca a entrada em uma nova era midiática, que, espirituosamente, um historiador propôs chamar de Print 2.0, para indicar que se trata de uma verdadeira guinada na história do impresso, de seus usos e de seus efeitos. A comunicação mediatizada, que difunde textos e imagens para um público indefinido, potencialmente ilimitado, torna-se uma condição ordinária da comunicação e concorre com as formas tradicionais fundadas na oralidade, na co-presença e na reciprocidade.

As próprias condições da celebridade são profundamente transformadas por ela: as cadeias da reputação estendem-se, e ser confrontado com o nome ou a imagem de pessoas que jamais se encontrará em carne e osso torna-se cada vez mais frequente. A notoriedade de alguns indivíduos muito conhecidos emancipa-se dos círculos tradicionais em que circulava o reconhecimento (a corte, os salões, os espectadores de teatro, as academias e as redes eruditas) e, projeta no espaço público um conjunto de representações – de discursos e de imagens – destinadas a um público indefinido e anônimo de leitores e de consumidores, de curiosos e de admiradores. Essa circulação potencialmente ilimitada e incontrolável de representações os constitui como figuras públicas. Mas a questão é: onde se viam retratos de pessoas vivas, antes do século XVIII? Nas moedas em que figurava o rosto do soberano; nos palácios, em que os cortesãos podiam admirar os retratos do rei; nos palacetes aristocráticos em que os donos da casa se faziam voluntariamente retratar ao lado a galeria de seus ancestrais. Tratava-se, antes de tudo, de uma representação de poder, político ou social em sua dinamicidade. O retrato do rei era, um simulacro do poder, e que tinha uma eficácia própria para representar o poder e de ser, de algum modo, o próprio poder, em sua força e em seu prestígio, o mesmo podendo ser dito da força sociopolítica que “emanava” dos retratos aristocráticos. Seria possível objetar que havia, no século XVII, retratos de alguns escritores, como Corneille ou Molière. Inversamente, pode-se lembrar que não existe nenhum retrato, em vida, de Rabelais. 

O reinado de Luís XIV já marcara uma clara ascensão do retrato, com a criação da Academia de pintura e de escultura, na qual os retratistas eram admitidos, e o sucesso de Pierre Mignard e, depois, de Hyacinthe Rigaud. No entanto, os retratos permaneceriam essencialmente ligados ao universo da corte e da alta nobreza, na qual tinham uma função política e sentimental. Dificilmente deixava-se que fossem copiados. Até o início do século XVIII, a existência de retratos sinalizava o acesso de algumas raras figuras culturais a um estatuto social excepcional, sobretudo no quadro de instituições a acadêmicas. Eles circulavam unicamente em espaços restritos e estavam quase sempre integrados em uma relação interpessoal. Possuir o retrato de alguém era uma honra calcada na dignidade do modelo, mas também na exibição de um laço direto, familiar ou de amizade. Quando Samuel Sorbière, que admirava Thomas Hobbes e muito contribuiu para a difusão de sua obra na Europa, quis obter seu retrato, teve que lhe pedir autorização pessoalmente para mandar copiar um retrato já existente, que pertencia a Thomas de Martel: “Peço-lhe do modo mais sério do mundo, certo de que examinareis com benevolência meu pedido e desconsiderará obrigatoriamente minha ousadia”. Em 1658, escreve-lhe que seu maior prazer é poder falar dele e de sua obra com seus amigos e contemplar “o retrato na minha coleção”. O retrato substitui o amigo ausente, inscreve-se em um regime de familiaridade, de afeição e de admiração. Sua presença honra Sorbière, pois demonstra que ele mantém laços diretos de amizade com o modelo.

Em 1661, Hobbes aceita posar no ateliê de Samuel Cooper para seu grande amigo John Aubrey, afim de agradecer-lhe por tê-lo permitido cair nas graças de Charles II.  A clericatura significa na origem o Estado eclesiástico, mas, já no século XV, o clérigo tornou-se a pessoa instruída, o letrado, o sábio e, embora dentro da Igreja, ele se diferencia do padre. Depois, a maior parte do saber moderno escapou à clericatura da Igreja e o termo clérico laicizou-se e profissionalizou-se. À antiga clericatura, sucedeu a intelligentsia, aos clérigos, sucederam os intelectuais. O termo intelligentsia vem-nos da Rússia do século XIX e designa o conjunto de pessoas instruídas, cultivadas, por oposição à massa rural ou urbana que não teve acesso à escola, ou mesmo à escrita. Mais intensivo que o termo “intelectual”, da teoria geral de Antônio Gramsci especifica as duas esferas de ação social, de divisão do trabalho intelectual na luta política de organização da cultura entre letrado (abstrato) da classe dominante e orgânico (concreto) da classe subalterna, para a análise de Edgar Morin, a intelligentsia engloba não apenas letrados e professores, mas, também, funcionários e burgueses educados, abrangendo, assim, um grande número de categorias sociais. Ela compreende as profissões que produzem ou reproduzem saber (professores, pesquisadores), ideias (filósofos), formas (artistas, arquitetos, designers), ou ainda, cuja qualidade do trabalho profissional depende do manejo das ideias (advogados), do saber (experts) ou da concepção (engenheiros). Morin define a intelligentsia em função do caráter intelectual/espiritual dos produtos da atividade social de seus membros (saber, ideias, coisas do espírito) e não pela atividade intelectual/espiritual em si mesma, de que são desprovidos muitos membros da intelligentsia, como práticas manuais.

Isto é, como lembrava o jovem Marx, o artesanato, a caça, a pesca, que demandam inteligência constantemente desperta, de que muitos são desprovidos.  Isto quer dizer o seguinte: a intelligentsia contemporânea engloba categorias muito diferentes. Ela avoluma-se e diversifica-se com o desenvolvimento, em paralelo à intelligentsia humanista, de uma intelligentsia científica e de uma intelligentsia tecnicista. Mais do que isso, os intelectuais são membros da intelligentsia, mas os membros da intelligentsia não são necessariamente intelectuais. Escritores, artistas, advogados, pesquisadores não são, enquanto tais, “intelectuais”. Para que se tornem intelectuais é necessário que, a partir, mas para além da sua arte e da sua ciência, autointitulam-se como tais, isto é, autorizem-se a tratar dos problemas gerais/fundamentais de importância moralmente, socialmente, politicamente; assumam-se assim general problems setters/solvers. A noção de intelectual não pode reduzir-se a uma categoria socioprofissional; ao contrário, ela perpassa as categorias: muitos escritores, artistas, universitários, cientistas, advogados consideram-se e são considerados exclusivamente como escritores, artistas, universitários, cientistas, advogados; outros, consideram-se e são considerados como intelectuais porque intervêm na vida pública, seja pelo ensaio, pelo artigo de jornal, seja em função de uma tribuna política. Roland Barthes, escritor, crítico literário e filósofo dizia que o escritor (écrivain) escreve para escrever, e que o escritor-intelectual (écrivants) escreve para exprimir propriamente ideias. Os que são écrivain e écrivants são ao mesmo tempo, filósofos, escritores e ensaístas, e talvez considerados os mais representativos dos intelectuais, visto que a atividade social e política de intelectuais em geral, ignoram as categorias especializadas e tratam os problemas ignorados pelas categorias sociais especializadas. 

A teoria neopragmática de Richard Rorty representa um termo filosófico recente, existente da década de 1960, sendo utilizado para denominar a filosofia que reintroduziu muitos dos conceitos do pragmatismo, sobre a verdade como objetivo de desvencilhar-se das influências dos dualismos metafísicos típicos; as distinções entre essência e acidente, aparência e realidade, sendo tal posição denominada de antiessencialista. Grande parte do que Rorty descreve em seus textos sobre a verdade desenvolve-se através de um diálogo com Donald Davidson (2002) e sua teoria semântica da verdade. Ambos estão de acordo que a noção de verdade filosoficamente não pode ser tida como uma correspondência, como uma representação, mas discordam em alguns pontos quanto à solução pragmática que procuram encaminhar para essa questão. Enquanto que para Davidson, os nossos conceitos podem ser verdadeiros e utilmente descrever uma realidade objetiva, para Rorty a verdade não deve ser um objetivo da reflexão filosófica, pois o objetivo da investigação é procurar evidências substantivas para nossas crenças ocidentais, e que não há nada mais que possamos fazer para firmar nossas convicções. Embora seja possível reconhecer que o universalismo liberal tenha sido um instrumento de entendimento da dissolução das diferenças, ele acredita que a associação não é forçosa, mas representação contingente. 

O pragmatismo mais do que nunca e em diferentes variantes técnicas apresenta-se como uma forma de filosofia capaz de enfrentar os desafios próprios de nosso tempo, certamente, pode ser compreendido do ponto de vista de suas raízes, como sendo devedor, in statu nascendi, de um lado, ao pragmatismo clássico recursivo aos pensadores norte-americanos Charles Peirce, John Dewey, James, Schiller, por outro lado, às filosofias que emergiram da reviravolta pragmática do Ludwig Wittgenstein das Investigações Filosóficas. O pragmatismo que segundo Jean-Pierre Cometti (2010), é a filosofia mais solidamente enraizada na cultura norte-americana, desenvolveu-se em torno de uma filosofia do conhecimento, mas, desde o princípio, se afastou de concepções que tendem a privilegiar a busca de um fundamento no Absoluto ou de um modelo da Razão, que determina a priori as possibilidades de busca e de descoberta. Pode-se dizer que o pensamento central da metafísica, é que o conhecimento não se limita ao conhecimento puramente da experiência, mas que é possível chegar a um conhecimento objetivo do mundo através das categorias e dos conceitos. Analogamente fundamento da verdade não é, o mundo “material empírico”, mas o “mundo do pensamento”, que apreende a estrutura inteligível desde Sócrates de análise. O espírito é compreendido ao mundo em que a lógica exprime as leis que estruturam a realidade.

Richard Rorty interpreta esta postura clássica como sendo a pretensão de captar, pela mediação do conceito, a forma e o movimento da natureza e da história o que, em última instância, desembocou na ideia de que o ser humano é capaz, tanto de descobrir como reparar a injustiça da história humana. Há cerca de duzentos anos, a ideia de que a verdade era produzida, e não descoberta começou a tomar conta do imaginário individual (o sonho) e coletivo (os mitos, os ritos, os símbolos) europeu. O precedente estabelecido pelos românticos conferiu a seu pleito uma plausibilidade inicial. O papel efetivo de romances, poemas, peças teatrais, quadros, estátuas e prédios no movimento social dos últimos 150 anos deu-lhe uma plausibilidade ainda maior, obtendo legitimidade, já que as ideias adquirem força na história. Alguns filósofos inclinaram-se ao iluminismo e continuaram a se identificar com a ciência. Eles veem a antiga luta entre a ciência e a religião, a razão e a irracionalidade, como um processo ainda em andamento que assumiu a forma de uma luta entre a razão e todas as mediações complexas intraculturais que pensam na verdade como algo constituído e não de fato encontrado. Esses filósofos consideram que a ciência é a atividade paradigmática primus inter pares e insistem que a ciência natural descobre a verdade, ao invés de cria-la de acordo com os instrumentos da razão. Encaram a expressão “criar a verdade” como meramente metafórica e totalmente enganosa. Pensam deste ponto de vista na perspectiva comparada entre a política e a arte como esferas de ação social em que a ideia de “verdade” fica deslocada.

Enfim, um dos primeiros estádios de futebol foram inaugurados ainda antes do século XX. Um dos mais reconhecidos é o Stamford Bridge, localizado em Londres e inaugurado a 28 de abril de 1877, e que ainda é usado pelo Chelsea FC. O Antigo Estádio da Luz, inaugurado em 1° de dezembro de 1954 e demolido em 2003, foi o maior estádio da Europa e um dos maiores do mundo, inicialmente com uma capacidade de 40 mil lugares, depois atingindo uma capacidade recorde de 120 mil lugares em 1985. Era propriedade do SL Benfica, tendo lhe custado cerca de 12 milhões de escudos e tendo sofrido vários rebaixamentos e melhoramentos. Foi substituído pelo novo Estádio da Luz após a demolição. No ano de 1989, é inaugurado o atual maior estádio do mundo, o Estádio Rungrado May Day, na Coreia do Norte, com capacidade de 150 mil espetadores. Apesar da sua grandeza, é pouco utilizada para eventos desportivos e jogos de futebol, mas sim para festas, espetáculos e eventos culturais. A 30 de maio de 2005, é inaugurado o Allianz Arena, com uma capacidade 75 mil espetadores. É propriedade do Bayern de Munique e do Munique 1860. Esse e o Mineirão, nominalmente Estádio Governador Magalhães Pinto, são os únicos estádios no mundo que podem mudar de cor conforme a equipe que joga no estádio, isto é importante em termos de representação: vermelho para o Bayern de Munique, azul para o Munique 1860, e branco para a seleção nacional. Foi a partir de inícios do século XXI que os estádios começaram a ser criados para satisfazer socialmente os espectadores, sendo mais modernos e mais cômodos do que os antigos. Atualmente, o Estádio da Luz, localizado em Lisboa é propriedade do Benfica, é o maior estádio português, e o Maracanã é o maior estádio brasileiro, inaugurado em 1950 e com uma capacidade de cerca de 78 mil lugares, servindo para jogos do Clube de Regatas Flamengo e do Fluminense Football Club. Nos Estados Unidos da América, a criação de estádios específicos para futebol ajudou a popularizar a Major League Soccer. Anteriormente, os times de futebol jogavam em estádio multiusos de Futebol americano, o que impedia a criação de uma identidade dos torcedores com os times. O primeiro a ser criado foi o Historic Crew Stadium do Columbus Crew Soccer Club.      

Nosso intelecto realizou tremendas proezas enquanto desmoronava nossa morada espiritual. Estamos profundamente convencidos de que apesar dos mais modernos e potentes telescópios refletores construídos nos Estados Unidos da América, não descobriremos nenhum empíreo nas mais longínquas nebulosas; sabemos também que o nosso olhar comunicativamente errará desesperadamente através do vazio mortal dos espaços incomensuráveis. As coisas não melhoram quando a física matemática nos revela o mundo do infinitamente pequeno. Finalmente, desenterramos a sabedoria de todos os tempos e povos, descobrindo que tudo o que há de mais caro e precioso já foi dito na mais bela 1inguagem. Estendemos as mãos como crianças ávidas e, ao apanhá-lo, pensamos possuí-lo. No entanto, o que possuímos não tem mais validade e as mãos se cansam de reter, pois a riqueza está em toda a parte, até onde o olhar alcança. Temos, seguramente, de percorrer o caminho da água, que sempre tende a descer, se quisermos resgatar o tesouro, a preciosa herança do Pai. No hino gnóstico à alma, o Filho é enviado pelos pais à procura da pérola perdida que caíra da coroa real do Pai. 

Ela jaz no fundo de um poço, guardada por um dragão, na terra dos egípcios - mundo de concupiscência e embriaguez com todas as suas riquezas físicas e espirituais. O filho e herdeiro parte à procura da joia, e se esquece de si mesmo e de sua tarefa na orgia dos prazeres mundanos historicamente dos egípcios, até que uma carta do pai o lembra do seu dever. Ele põe-se então a caminho em direção à água e mergulha na profundeza sombria do poço, em cujo fundo encontra a pérola, para oferecê-la então à suprema divindade. Como podemos escapar da alternativa entre o para si e o em si, como a consciência perceptiva pode ser obstruída por seu objeto, como podemos distinguir a consciência sensível da consciência intelectual? É que: 1°) Toda percepção acontece em uma atmosfera de generalidade e se dá anos como anônima. Não posso dizer que eu vejo o azul do céu no sentido em que digo que compreendo um livro ou, ainda, que decido consagrar minha vida às matemáticas. Minha percepção, mesmo vista do interior, exprime uma situação dada: vejo o azul por que sou sensível às cores – ao contrário, os atos pessoais criam uma situação: sou matemático porque decidi sê-lo. De forma que, se eu quisesse traduzir exatamente a experiência perceptiva, deveria dizer que se percebe em mim e não que eu percebo. Toda sensação comporta um germe de sonho ou de despersonalização, como nós o experimentamos por essa espécie de estupor em que ela nos coloca quando vivemos verdadeiramente em seu plano.  Sem dúvida, o conhecimento me ensina que a sensação não aconteceria sem uma adaptação de meu corpo, por exemplo que não haveria contato determinado sem um movimento de minha mão. Mas essa atividade se desenrola na periferia de meu ser, não tenho mais consciência de ser o verdadeiro sujeito da sensação do que de meu nascimento ou de minha morte.

Nem meu nascimento nem minha morte podem aparecer-me como experiências minhas, já que, se eu os pensasse assim, eu me suporia preexistente ou sobrevivente a mim mesmo para poder experimentá-los, e, portanto, não pensaria seriamente meu nascimento ou minha morte. Quer dizer, cada sensação, sendo rigorosamente a primeira, a última e a única de sua espécie, é um nascimento e uma morte. O sujeito que tem a sua experiência começa e termina com ela, e, como ele não pode preceder-se nem sobreviver a si, a sensação necessariamente se manifesta a si mesma em um meio de generalidade, ela provém de quem de mim mesmo, ela depende de uma sensibilidade que a precedeu e que sobreviverá a ela, assim como meu nascimento e minha morte pertencem a uma natalidade e a uma mortalidade anônimas. Pela sensação, eu apreendo, à margem de minha vida pessoal e de meus atos próprios, uma vida de consciência dada da qual eles emergem, a vida de meus olhos, de minhas mãos, de meus ouvidos, que são tantos Eus naturais. Enfim, toda vez que experimento uma sensação, sinto que ela diz respeito não ao meu ser próprio, evidentemente, aquele do qual sou responsável e do qual decido, mas a um outro eu que já tomou partido pelo mundo, que já se abriu a alguns de seus aspectos e sincronizou-se a eles. Entre minha sensação e mim há sempre a espessura de um saber originário que impede minha experiência de ser clara para si mesma. 

Experimento a sensação como modalidade de uma experiência geral, e isso é fundamentalmente humano, já consagrada a um mundo físico, e que crepita através de m sem que eu seja seu autor. 2°) A sensação só pode ser anônima porque é parcial. Aquele que vê e aquele que toca não sou exatamente eu mesmo, porque o mundo visível e o mundo tangível não são o mundo por inteiro. Quando vejo um objeto, sinto sempre que ainda existe ser para além daquilo que atualmente vejo, não apenas ser visível, mas ainda ser tangível ou apreensível pela audição, e não apenas ser sensível, mas inda uma profundidade do objeto que nenhuma antecipação sensorial esgotará. Correlativamente não estou por inteiro nessas operações, elas permanecem marginais, produzem-se adiante de mim, o eu que vê ou o eu que ouve são de alguma maneira um eu especializado, familiares a um único setor do ser, e é justamente a esse preço que o olhar e a mão são capazes de adivinhar o movimento que vai tornar a percepção precisa e pode dar provas desta presciência que lhes dá a aparência do automatismo. Podemos resumir essas duas ideias dizendo que toda sensação pertence a um certo campo. Dizer que tenho um campo visual é dizer que, por posição, tenho acesso e abertura a um sistema de seres, os seres visuais, que eles estão à disposição de meu olhar em virtude de uma espécie de contrato primordial e por um dom da natureza, sem nenhum esforço de minha parte; é dizer, portanto, que a visão é pré-pessoal; e é dizer ao mesmo tempo que ela é sempre limitada, que existe em torno de minha visão atual a um horizonte de coisas não-vistas ou mesmo não visíveis. A visão é um pensamento sujeito a um certo campo e é isso que chamamos de um sentido. Quando digo que tenho sentidos e me fazem ter acesso ao mundo.         

Não sou vítima de uma confusão, não misturo o pensamento causal e a reflexão, não apenas exprimo esta verdade que se impõe a uma reflexão integral: que sou capaz, por conaturalidade, de encontrar um sentido para certos aspectos do ser, sem que eu mesmo o tenha dado receptivamente a eles uma operação constituinte. Com a distinção entre os sentidos e a intelecção, em Merleau-Ponty, encontra-se justificada a distinção entre os diferentes sentidos. O intelectualismo não fala dos sentidos porque, para ele, sensação e sentidos só aparecem quando eu retorno ao ato concreto de conhecimento para analisá-lo. Então distingo nele uma matéria contingente e uma forma necessária, mas a matéria é apenas um momento ideal e não um elemento separável do ato total. Portanto, os sentidos não existem, mas apenas a consciência. Por exemplo, o intelectualismo recusa-se a colocar o famoso problema da contribuição dos sentidos na experiência do espaço, porque as qualidades sensíveis e os sentidos, enquanto materiais do conhecimento, não podem possuir como propriedade o espaço que é a forma da objetividade em geral e, em particular, o meio pelo qual uma consciência de qualidade se torna possível.

Se uma sensação não fosse uma sensação de algo, ela seria um nada de sensação, e “coisas” no sentido mais geral da palavra, por exemplo qualidades definidas, só se esboçam na massa confusa das impressões se esta é posta em perspectiva e coordenada pelo espaço. Assim, todos os sentidos devem ser espaciais se eles devem fazer-nos ter acesso a uma forma qualquer do ser, quer dizer, se eles são sentidos. E, pela mesma necessidade, é preciso que todos eles se abram ao mesmo espaço, sem o que os seres sensoriais com os quais eles nos fazem comunicar só existiriam para os sentidos dos quais eles dependem – assim como os fantasmas só se manifestam à noite -, faltar-lhes-ia a plenitude do ser e não poderíamos verdadeiramente ter consciência deles, quer dizer, pô-los como seres verdadeiros. A essa dedução, o empirismo tentaria em vão opor fatos. Por exemplo, se se quer demonstrar que o tato não é por si mesmo espacial, se se tenta encontrar nos cegos ou nos casos exemplares de cegueira psíquica uma experiência tátil pura e mostrar que ela não é articulada segundo o espaço e tempo, essas provas experimentais pressupõem aquilo que a elas caberia estabelecer. Com efeito, como saber se a cegueira e a cegueira psíquica se limitaram a subtrair, da experiência do doente, os dados visuais, e se elas também não atingiram a estrutura de sua experiência tátil?  Não se tata, bem entendido, de uma relação de continente e conteúdo, já que esta relação só existe entre objetos, nem mesmo de uma relação de inclusão lógica, como a que existe entre o indivíduo e a classe, já que o espaço é anterior às suas pretensas partes, que sempre são recortadas nele. 

O espaço não é o ambiente (real ou lógico) em que as coisas se dispõem, mas o meio pelo qual a posição das coisas se torna possível. Quer dizer, em lugar de imaginá-lo como uma espécie de éter no qual todas as coisas mergulham, ou de concebê-lo abstratamente com um caráter que lhes seja comum, devemos pensá-lo como a potência universal de suas conexões. O testemunho do sonho encontra uma violenta resistência por parte da mente consciente, que só reconhece o “espirito” como algo que se encontra no alto. O “espírito” parece “sempre vir de cima”, enquanto tudo o que é turvo e reprovável vem de baixo. Segundo esse modo de ver o espírito significa a máxima liberdade, um flutuar sobre os abismos, uma evasão do cárcere do mundo ctônico, por isso um refúgio para todos os pusilânimes que não querem “tornar-se” algo diverso. Mas a água é tangível e terrestre, é o fluido do corpo dominado pelo instinto, sangue e fluxo de sangue, o odor do animal e a “corporalidade cheia de paixão”. O inconsciente (cf. Jung, 2000) é a psique que alcança, a partir da luz diurna de uma consciência espiritual, e moralmente lúcida, o sistema nervoso designado há muito tempo por “simpático”. Este não controla como o sistema cérebro espinal a percepção e a atividade muscular e através delas o ambiente; mantém, no entanto, o equilíbrio da vida sem os órgãos dos sentidos, através das vias misteriosas de excitação, que não só anunciam a natureza mais profunda de outra vida, mas também irradia sobre eia um efeito interno. Trata-se de um sistema extremamente coletivo: a base operativa de toda participation mystique, ao passo que a função cérebro-espinhal, e per se social do ponto de vista, comparativamente, culmina na distinção diferenciada do Eu, e só apreende o superficial e exterior sempre por meio de sua relação com o espaço. O social capta como “fora”, e o sistema simpático tudo vivência como “dentro”. 

Câmera lenta, expressão que tem como representação social o efeito especial de cinema, e vídeo em que os movimentos e ações em quadro são vistos numa duração maior do que a normal, dando a sensação de que o próprio tempo está passando mais devagar. Efeito especial é qualquer uma de várias técnicas utilizadas na indústria de entretenimento, cinema e televisão para realizar cenas que não podem ser obtidas por meios normais ou por ação ao vivo. Estas técnicas também são utilizadas quando a criação de efeitos por meios tradicionais sairia proibitivamente dispendiosa; por exemplo, seria extremamente caro construir um castelo do século XVI ou afundar um transatlântico do século XX, mas isto pode ser simulado com efeitos visuais. Com o advento da computação gráfica, são utilizados também para realçar elementos previamente filmados, acrescentando, removendo ou destacando objetos em uma cena. Existem muitas técnicas diferentes de efeitos especiais, indo dos tradicionais efeitos teatrais como corre com os dos “espetáculos da restauração” ingleses historicamente de fins do século XVII, através das técnicas cinematográficas clássicas inventadas no início do século XX, tais como fotografia aérea e impressão óptica, até a modernidade per se do emprego de computação gráfica. Frequentemente, diferentes técnicas são utilizadas em conjunto numa única cena ou tomada para atingir o efeito desejado. Embora o efeito só seja perceptível quando da projeção, ele pode ser preparado na filmagem ou no tratamento das imagens. 

Os efeitos especiais também podem ser categorizados em três tipos, sendo eles: efeitos sonoros, que são produzidos digitalmente ou com auxílio de dublagem, legendagem e mixagem sonora; efeitos visuais, produzidos digitalmente com o mais recente auxílio da pós-produção; e os efeitos físicos, que podem ser referenciados como sendo práticas ao vivo com auxílio de cenários, figurinos, caracterização, objetos de cena, etc. Carlos Niemeyer (1920-1999) foi um produtor de cinema brasileiro. Nos anos 1940, foi piloto da Força Aérea Brasileira e em 1945 foi aos Estados Unidos da América com um grupo de oito aviadores, levando aviões para reparos. Lá conheceu a cantora Carmem Miranda, uma cantora, dançarina, e atriz luso-brasileira. Sua carreira artística transcorreu no Brasil e nos Estados Unidos entre as décadas de 1930 e 1950. Trabalhou no rádio, no teatro de revista, no cinema e na televisão e que, nesta época vivia em Los Angeles. Os dois tiveram um romance, que durou um mês, até Niemeyer voltar para o Brasil. Niemeyer também ficou conhecido por pertencer ao “Clube dos Cafajestes”, uma turma de playboys bem nascidos do Rio de Janeiro, nos anos 1950 e 1960. Em 1970, foi ao México para filmar as primeiras imagens coloridas de uma Copa do Mundo a serem exibidas no Brasil. Entre os outros “cafajestes” estavam o jornalista Ibrahim Sued e o ator Jece Valadão. Começou na atividade nos anos 1950, produzindo documentários com Jean Manzon, e notabilizando-se ao lançar o Canal 100, um cinejornal semanal que era exibido nos cinemas, como introito antes do filme principal. Com estilo próprio, e com muitas câmeras colocadas em vários pontos do estádio, inclusive detalhando o lance em câmera lenta, contando para isso com o talento do cinegrafista Francisco Torturra. Com seu acervo, produziu também filmes de longa-metragem, como Brasil Bom de Bola e Futebol Total. Era primo do arquiteto Oscar Niemeyer e morreu de causas naturais, aos 79 anos.

Bibliografia Geral Consultada.

CHAPLIN, Charles, Mis Primeros Años. Buenos Aires: Emecé Editores, 1981; MATOS-CRUZ, José de, Charles Chaplin, A Vida, o Mito, os Filmes. 2ª edição. Belo Horizonte: Editora Vega, 1982; FELDEN, Marceau, La Guerra en el Espacio. Armas e Nuevas Tecnologías. Madrid: Fundesco; Editorial Tecnos, 1983; DE MASI, Domenico (Org.), L`Emozione e la Regola. I Gruppi Creativi in Europa dal 1850 al 1950. Bari: Casa Editrice Laterza, 1991; TAVARES, Ana Maria, Armadilhas para os Sentidos: Uma Experiência no Espaço-Tempo da Arte. Tese de Doutorado em Artes. Departamento de Artes Plásticas. Escola de Comunicações e Artes. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2000; JUNG, Carl, Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo. 2ª edição. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 2000; CANEVACCI, Massimo, Antropologia della Comunicazione Visuale. Roma: Edizionne Meltemi, 2001; BOUNANNO, Milly, L’Etat della Télévisione. Esperienze e Teorie. Roma: Edizionne Laterza, 2006; MAIA, Paulo Roberto de Azevedo, Canal 100: A Trajetória de Um Cinejornal.  Dissertação de Mestrado. Instituto de Artes. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2006; BECKER, Harold, Outsiders: Estudos da Sociologia do Desvio. Rio de Janeiro: Editor Zahar, 2008; COMPAGNON, Antoine, O Demônio da Teoria. Literatura e Senso Comum. 2ª edição. Belo Horizonte: Editora da Universidade Federal de Minas Gerais, 2011; FOUCAULT, Michel, Vigiar e Punir. Nascimento da Prisão. 42ª edição. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 2014; PADIGLIONE, Cristina, “Com Imagens Históricas, Canal 100 é Digitalizado e Rende Série de Documentários à ESPN”. Disponível em: https://www.estadao.com.br/cultura/23/04/2016; SOUZA, André Barcellos Carlos de, Televisão e (Des)razão. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Educação. Faculdade de Educação. Goiânia: Universidade Federal de Goiás, 2017; ROMERO, Hidalgo, Em Câmera Lenta: Uma Transcriação. Dissertação de Mestrado. Instituto de Artes. Campinas; Universidade Estadual de Campinas, 2019; DEJOURS, Christophe, Primeiro, o Corpo: Corpo Biológico, Corpo Erótico e Senso Moral. Porto Alegre: Editora Dublinense, 2019; BOEHM, Camila, “Cinemateca Lança Projeto de Recuperação de Acervo do Canal 100”. In: https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2024-11/27; RESING, Daniela Souto, Design Gráfico e Imagem em Movimento no Brasil (1929–2017): Uma Coleção de 200 Artefatos Gráficos Audiovisuais. Tese de Doutorado em Design. Escola Superior em Desenho Industrial. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2025; Artigo: “Globo Joga Pesado e Torce para Arrecadar R$ 2 bilhões na Copa do Mundo de 2026”. In: https://www.otempo.com.br/entretenimento/2025/9/17/; entre outros.

domingo, 1 de março de 2026

AIR – Um Significado Cultural & Estilo de Vida Por Trás do Logo.

 O talento vence jogos, mas só o trabalho em equipe ganha campeonatos”. Michael Jordan

        Em primeiro lugar, estilo de vida tem como representação social uma expressão moderna que se refere à estratificação da sociedade por aspectos comportamentais, expressos geralmente sob a forma de padrões de consumo, rotinas, hábitos ou uma forma de vida adaptada hic et nunc ao dia a dia. Sua determinação não foge às regras da formação e diferenciação das culturas: a adaptação ao meio ambiente e aos outros seres humanos. É a forma pela qual uma pessoa ou um grupo de pessoas vivencia o mundo e, em consequência, se comporta e faz escolhas. Há revistas populares e colunas em jornais anunciando padrões específicos de conduta, alimentação, roupas, espaços de esporte, lazer etc. Poder-se dizer que o “estilo de vida” denomina alguns aspectos da vida social relacionadas ao comportamento de grupos específicos, como, por exemplo: as classes sociais, concebidas numa perspectiva da teoria marxista ou do ponto de vista funcionalista, simplesmente como segmentos da estratificação socioeconômica; os novos ricos; os aristocratas (e burgueses); o american way of life; e o comportamento das tribos urbanas punks, góticas e hippies, entre outros outsiders. O problema que se coloca a um pesquisador é “como” e “por que” estudar estilos de vida. Não há dúvida que estamos diante de um tema (objeto) de estudo das ciências sociais (sociologia e etnologia) e/ou psicologia social. Alguns padrões sociais de estilo de vida constituem os principais fatores de risco comportamentais envolvidos nas doenças crônicas e incapacidades sérias. Observe-se que doenças crônicas típicas como as cardiovasculares e neoplasias, com os acidentes e violências urbanas, estão entre as principais causas de morte nas sociedades.

Nada acontece por acaso, e essencialmente já seria uma razão suficiente, mas outros problemas sociais e comportamentais também podem ser compreendidos, como a elaboração de conceitos e medidas relativas a esse modo de ser da sociedade e dos indivíduos. Michael nasceu no Brooklyn, Nova Iorque, filho de James e Delores Jordan. Michael nem sequer andava quando a família se mudou para a Carolina do Norte. Jordan entrou na Emsley A. Laney High School em Wilmington, onde impulsionou sua carreira de atleta, jogando beisebol, futebol e basquete. Ele tentou entrar para o time do colégio de basquete durante seu segundo ano, mas tendo apenas 1,80 m, ele foi “considerado muito baixo para jogar”. Seu amigo, Harvest Leroy Smith, foi o único segundanista a fazer parte da equipe. Motivado a provar seu valor, Jordan tornou-se a estrela da equipe júnior, registrando vários jogos de 40 pontos. No verão seguinte, Jordan cresceu 10 centímetros após treinamentos rigorosos. Após ganhar um lugar no time do colégio, Jordan teve médias de 20 pontos por jogo nas duas últimas temporadas atuando na escola. Como sênior, foi selecionado para a equipe All-American McDonald, depois de ter média de um triple-double: 29,2 pontos, 11,6 rebotes e 10,1 assistências. Jordan foi recrutado por inúmeros programas de basquete universitário, incluindo as Universidades de Duke, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Syracuse e Virginia. Em 1981, Jordan aceitou uma bolsa de estudo para jogar basquete pela Universidade da Carolina do Norte, onde se formou em geografia cultural. Como calouro, foi treinado por Dean Smith e foi nomeado Calouro do Ano da Atlantic Coast Conference (ACC), depois de uma média de 13,4 pontos por jogo, tendo um aproveitamento de 53,4% nos arremessos.

É um prêmio determinado por várias ligas esportivas, principalmente as dos Estados Unidos da América, para o atleta que se destacou durante sua primeira temporada profissional. O prêmio é concedido anualmente aos jogadores/pilotos da NBA, NFL, NHL, MLB, MLS, Nascar e Fórmula Indy. O Campeonato de Basquete da National Collegiate Athletic Association (NCAA) de 1982 representou a 44ª edição do campeonato universitário americano de basquete. Quarenta e oito equipes competiram em jogos de eliminação simples até chegar ao Final Four, que foi realizado em Nova Orleans de 11 a 29 de março. Pela primeira vez desde 1947, o campeonato não terá uma disputa pelo terceiro lugar. Esta é também a primeira edição transmitida nos Estados Unidos pela CBS, Broadcasting Inc.; as edições anteriores foram transmitidas pela NBC, National Broadcasting Company, uma rede de televisão e de rádio comercial americana que é a propriedade carro-chefe da NBC Universal, uma subsidiária da Comcast. A final foi vencida pelo North Carolina Tar Heels contra o Georgetown Hoyas por 63 a 62, com uma cesta de Michael Jordan que marcou o início de sua lenda pela vitória contra seu eterno rival Patrick Aloysius Ewing. Foi dele a cesta da vitória no Campeonato da NCAA de 1982 contra a Universidade de Georgetown, que era liderada por Patrick Ewing, seu futuro rival na NBA. Jordan descreveu esse arremesso o principal ponto de partida para sua carreira no basquete.  Durante suas três temporadas na Universidade da Carolina do Norte, um sistema universitário de várias universidades públicas, composto por todas as 16 universidades públicas, obteve médias de 17,7 pontos e 54,0% de aproveitamento nos arremessos, além de 5,0 rebotes.

                                       


Ele foi escolhido por consenso para o NCAA All-American First Team, tanto no ano de 1983 como no ano de 1984. Depois de vencer o Naismith and the Wooden College Player of the Year Awards em 1984, Jordan deixou Carolina do Norte um ano antes de sua formatura para entrar no Draft da NBA de 1984. O Chicago Bulls selecionou Jordan como a terceira escolha geral, depois de Hakeem Olajuwon (Houston Rockets) e Sam Bowie (Portland Trail Blazers). Jordan voltou a Carolina do Norte para completar a sua licenciatura ciências em 1986. O talento de Jordan para o basquete estava claro desde sua temporada de estreia. Em seu primeiro jogo no Madison Square Garden contra o New York Knicks, Jordan foi ovacionado de pé por um longo período, uma raridade para um jogador adversário. Depois de marcar o recorde de 63 pontos para um jogo de playoffs contra o Boston Celtics em 1986, Larry Bird, estrela dos Celtics, descreveu-o como “Deus disfarçado de Michael Jordan”. Jordan liderou a NBA em pontos em 10 temporadas (recorde da NBA) e junto com Wilt Chamberlain detém o recorde de temporadas seguidas liderando a liga neste quesito com sete títulos. Ele também foi um nome notável na lista de jogadores defensivos da liga, sendo escolhido para o NBA All-Defensive Team em nove oportunidades, (recorde da NBA compartilhado com Gary Payton).

Jordan também detém as melhores médias de pontos da temporada regular e playoffs (30,1 e 33,4 pontos por jogo), respectivamente. Jordan marcou 5 987 pontos nos playoffs, sendo o segundo maior pontuador da história da NBA. Ele se aposentou com 32 292 pontos marcados na temporada regular, ficando em terceiro na lista dos maiores de todos os tempos da NBA atrás de Kareem Abdul-Jabbar e Karl Malone. Com cinco MVP (Minimum Viable Product) da temporada regular, empatado em segundo lugar com Bill Russell, ficando atrás apenas de Kareem Abdul-Jabbar que ganhou seis vezes, seis vezes MVP das Finais (recorde da NBA), e três MVP do All-Star Game, Jordan é o jogador mais condecorado da história da liga. Em empreendedorismo, principalmente no contexto de startups, um produto viável mínimo é a versão mais simples de um produto que pode ser lançada com uma quantidade mínima de esforço e desenvolvimento. Um MVP ajuda os empreendedores a iniciarem o processo de aprender da forma mais rápida possível, pois poupa tempo e esforços. Porém, ele não é necessariamente o menor produto imaginável. Jordan terminou entre os três primeiros colocados na lista de MVP da temporada regular por 10 vezes, e foi nomeado um dos 50 maiores jogadores da história da NBA em 1996. Muitos dos jogadores contemporâneos de Jordan o rotulam como o maior jogador de basquete de todos os tempos. Um levantamento realizado pela ESPN entre jornalistas, atletas e figuras de esportes, classificou Jordan como “o maior atleta norte-americano do século XX, acima de ícones como Babe Ruth e Muhammad Ali”.

Jordan ficou em segundo lugar na lista da Associated Press, perdendo para Babe Ruth. Além disso, a Associated Press o elegeu como o maior jogador de basquete do século XX. Jordan também apareceu a capa da Sports Illustrated por 50 vezes. Na edição de esportes de setembro 1996, tema do 50º aniversário da publicação, Jordan foi nomeado o maior atleta dos últimos 50 anos. A habilidade atlética de Jordan para saltar, com destaque em suas duas vitórias seguidas no campeonato de enterradas 1987 e 1988, é creditado por muitos por ter influenciado uma geração de jovens jogadores. Vários dos atuais All-Stars têm afirmado que consideravam Jordan seu modelo, enquanto cresciam, incluindo LeBron James e Dwyane Wade. Além disso, vários comentaristas têm chamado alguns jogadores das gerações seguintes como “O próximo Michael Jordan”, comparando seus primeiros anos da liga, incluindo Anfernee “Penny” Hardaway, Grant Hill, Allen Iverson, Kobe Bryant, LeBron James, Vince Carter e Dwyane Wade. Ipso facto, vale lembrar que calçado é uma peça do vestuário. Um acessório com a função primária de proteger os pés do ambiente. Há uma grande variedade de calçados, que são classificados por sua utilidade de uso e formato. Em alguns casos, utilizam-se meias juntamente com os calçados, tanto para a proteção como para o conforto dos pés. Dependendo da cultura e época, há diferenciações nos calçados utilizados por homens e mulheres.

Com o resto da indumentária, pode ser utilizado como forma de distinção social, demonstrando a riqueza ou posicionamento político de uma pessoa, sendo que alguns poucos modelos são adornados com pedras preciosas. Na sociedade moderna, o design final é ditado pela indústria da moda. O termo calçado deriva do verbo calçar, cujo uso comum está ligado “ao ato de cobrir um pé”. Calçado é, portanto, o elemento utilizado para a proteção e cobertura dos pés e parte das pernas. Por exemplo: No meu último aniversário deram-me muito calçado, essa semana eles inauguraram uma loja de calçado no centro comercial, eu já escolhi as roupas que vou usar na festa de fim de ano: só preciso escolher o calçado. Existem vários tipos de calçado. Sua função básica é proteger e abrigar os pés, embora eles também tenham uma finalidade estética. Muito calçado é usado com meias: isto é, eles não estão em contato direto com a pele da pessoa, mas sim em outra peça: as meias. Os tamanhos dos sapatos variam de acordo com o pé do usuário. O calçado é feito com uma variedade de materiais: couro, borracha, tecido, etc. Com roupas casuais, é comum as pessoas usarem calçados esportivos. Este tipo de calçado é reconhecido como sapatilhas ou tênis, dependendo do país. O calçado mais formal é chamado de sapato

Quando o calçado cobre os tornozelos e parte da perna, fala-se de uma bota. Alpercatas, sandálias, chinelos e pantufas são outros artigos de calçado. Deve-se notar que alguns artigos de calçado são usados em ambiente doméstico, dentro de casa. Os tênis são quase indispensáveis no mundo atualmente, sejam para prática de exercícios físicos, atividades esportivas, ou apenas como itens de um determinado estilo. Desde à Antiguidade os homens já inventavam formas de calçar os pés. Existem relatos históricos, segundo o site Mais Calçados, que nos Jogos Olímpicos da Grécia Antiga, os atletas utilizavam sandálias feitas a partir de tiras de couro. Como estes obtiveram maior êxito do que os que os atletas descalços, logo a invenção se tornou popular. No século XVIII, as práticas esportivas no Reino Unido levaram ao desenvolvimento de um tipo de calçado de couro flexível. Mas, o tênis tal qual é reconhecido hoje teve início nos Estados Unidos em 1839, quando o fabricante de pneus Charles Goodyear descobriu o processo chamado de vulcanização, um método que consiste na aplicação de calor e pressão a uma composição de borracha, garantindo a sua maior preservação. A borracha vulcanizada, que de início era utilizada para a melhora na qualidade de pneus, passou a ser usada na sola dos calçados, antes feitas de couro, tornando-os mais leves e flexíveis. A novidade foi adotada por várias indústrias de calçados, segundo o site da loja World Tennis. Em 1860 e 1870, surgem os cadarços e as sapatilhas para a prática de esportes. Em 1917, nos Estados Unidos da América, surge um tênis que “poderia ser levado à máquina de lavar”: era o popular Keds, que se transformou em um ícone da modernidade norte-americana.

             No mesmo ano, é criado o primeiro All Star unissex de cano alto, utilizado inicialmente para a prática de basquete, tornando-se popular ao ser adotado pelo jogador Chuck Taylor (1901-1969), que passou a assinar a fabricação do tênis. Charles Hollis “Chuck” Taylor nascido no Condado de Brown, em 24 de junho de 1901 e morto em Port Charlotte, em 23 de junho de 1969, foi um basquetebolista e treinador de basquete estadunidense, membro do Basketball Hall of Fame em 1969 como um contribuinte. Taylor adotou e fez o tênis mundialmente famoso All Star, feito de lona e borracha e produzidos pela empresa Converse. Taylor estudou na Columbus High School em Indiana, uma das escolas públicas de Ensino Médio localizadas em Columbus, Indiana, Estados Unidos onde jogou basquete até a formatura em 1918. Mais tarde, deixou a faculdade e jogou em várias equipes profissionais em Detroit e Fort Wayne; tocou no Akron Firestone Non-Skids durante a década de 1920. Durante a 2ª guerra mundial (1939-1945), treinou a equipe na base militar da Força Aérea Wright-Patterson. Desde o Ensino Médio, Taylor costumava usar tênis de jogo da Converse. Apreciou-os a ponto de ir diretamente para a empresa em 1921, para procurar um emprego. Foi contratado com a qualificação de agente de vendas e, a partir de então, dedicou-se quase exclusivamente à divulgação dos tênis All Star, que tinham sido de pouco sucesso até então. Taylor viajou por todos os Estados Unidos, promovendo o jogo de basquete e o uso dos All Star.

Em 1922, teve a intuição de não só catalogar, mas sobretudo, publicar o “Converse Basketball Yearbook”, um anuário que reunia fotos históricas para preservação da memória dos campeões, que usavam tênis Converse. O Converse Basketball Yearbook, publicado até 1983, tornou-se uma dentre as mais aguardadas publicações de basquete, e contribuiu decisivamente para a notoriedade do jogo, promovendo e celebrando o trabalho técnico e social de jogadores e treinadores norte-americanos. Em 1932, o nome de Chuck Taylor foi consagrado pela Converse, colocando a assinatura do jogador no All Star, que, portanto, oficialmente se tornou o Chuck Taylor All Star. Taylor continuou a gastar com a disseminação e o desenvolvimento do basquete em todo o mundo, realizando cursos e seminários (“clínicas”) em escolas de ensino médio, faculdades e academias onde o basquete era jogado. Foi para o México, América do Sul, Canadá, Porto Rico, África e Europa. Tornou-se o seletor All-America, e suas escolhas foram inscritas anualmente no Converse Yearbook. Em 1969, seu nome tornou-se parte do Basketball Hall of Fame, em reconhecimento aos esforços pioneiros que visam promover e difundir o basquete nos Estados Unidos. Em 1920, o alemão Adolph Dassler (1900-1978), um dos criadores da Adidas produz o primeiro calçado de corrida do mundo, mais leve que os sapatos convencionais. Adolf “Adi” Dassler nasceu em Herzogenaurach, uma cidade da Baviera, Alemanha, em 3 de novembro de 1900 e falecendo em 6 de setembro de 1978.

Foi um sapateiro e empresário alemão, fundador da empresa de material esportivo Adidas. Deu à companhia o nome de Adidas devido a seu apelido (Adi), junto com as iniciais do sobrenome (Das, Dassler). Adi Dassler iniciou a vida como padeiro. Começou a produzir seus próprios sapatos esportivos na lavanderia da casa materna, após seu retorno da I Guerra Mundial (1914-1918). Seu pai, Christoph, havia trabalhado numa fábrica de calçados e deu-lhe apoio no início do negócio. Em 1924 seu irmão Rudolf Dassler juntou-se à iniciativa. Por causa de disputas pessoais, Rudolf Dassler deixou a companhia em 1947 e fundou a concorrente Puma AG. Após essa cisão, Adolf batizou seus materiais com a marca Adidas, baseada em seu nome. A empresa estava assim fundada no ano de 1949. Equipado com chuteiras Adidas, a Seleção Alemã Ocidental de futebol venceu a Copa do Mundo de 1954, debaixo de forte chuva. Em 2003 o filme “Das Wunder von Berna” (“O Milagre de Berna”) reconta a história social desse triunfo, apresentando os calçados de Dassler como chave para o sucesso do time e, ainda mais, da nação: a vitória proporcionou uma verdadeira injeção de ânimo para a Alemanha de pós-guerra, e a inclusão da Adidas no filme pode ser vista como uma grande publicidade da companhia. A partir dos anos 1950, os tênis se popularizaram entre a “juventude rebelde sem causa” simbolizada pelo ator James Dean, tornando-se não só necessário para a prática esportiva, um estilo de vida e de contestação aos padrões estéticos conservadores.

Horst, filho de Adi Dassler, estabeleceu uma sucursal da Adidas, na França, em 1959, iniciando a expansão internacional da empresa. Ao longo das décadas, os tênis sofreram mudanças e ajustes para acompanhar principalmente as práticas esportivas e atender às necessidades dos atletas. Nos anos 1960 as empresas Puma e a Adidas introduziram no mercado os “tênis de couro com formatos mais adaptáveis ao pé”. Até os anos 1970, o tênis não era utilizado na vida cotidiana pela maioria das pessoas no dia-a-dia. Em 1973, Horst fundou a Arena, marca para a produção de equipamentos de natação. Após a morte de Adi, em 1978, seu filho e a esposa Käthe assumiram a administração da empresa.  O tênis passa a ser um significado cultural maior a partir dos anos 1980, quando grupos de jovens de diversos estilos musicais passam a adotá-lo, em especial o All Star. Segundo o site da loja Rami Calçados, em 1980, graças à greve dos meios de transportes em Nova York, as americanas passaram a caminhar de tênis até o trabalho (o sapato alto era carregado dentro da bolsa). Era comum ver em clipes e filmes dessa década artistas exibindo grandes marcas (algumas inclusive assinadas por eles), o que disseminou o consumo por todo o mundo. Em 1989 a Adidas converteu-se em companhia limitada, permanecendo uma propriedade familiar até a sua abertura de capital em 1996. E hoje, o tênis é um dos calçados mais utilizados no mundo. Deixou de ter apenas a função de pratica esportiva e tornou-se ícone da moda, do estilo de vida e até símbolo de status. Segundo o posto do Portal do Empreendedor, publicado em março de 2010, Nike (proprietária da Converse), Reebok, Adidas e Puma são as marcas que dominam o mercado mundial de tênis. Todas possuem o faturamento mundial acima de US$ 1 bilhão por ano. No caso da Nike, líder mundial, seu faturamento já alcança quase US$ 15 bilhões.

Air: A História por Trás do Logo, tem como representação social um longa-metragem estadunidense biográfico esportivo e dramático lançado em 2023 dirigido por Ben Affleck e escrito pelo roteirista Alex Convery. A narrativa é baseada em fatos reais sobre a origem do “Air Jordan”, linha de calçados de basquete, da qual um funcionário da Nike busca fechar um negócio com o jogador novato Michael Jordan. Um filme de esportes é um gênero cinematográfico que usa o esporte como tema do filme. É uma produção em que um esporte, evento esportivo, atleta e seu esporte ou seguidor do esporte e o esporte que eles seguem, são destaques e que dependem do esporte em um grau significativo para sua motivação ou resolução de enredo. Apesar disso, o esporte raramente é a preocupação central de tais filmes e o esporte desempenha principalmente um papel alegórico. Além disso, os fãs de esportes não são necessariamente o público-alvo desses filmes, mas os fãs de esportes tendem a ter um grande número de seguidores ou respeito por esses filmes. O roteirista e acadêmico Eric R. Williams identifica os filmes esportivos como um dos onze “supergêneros” na sua taxonomia de roteiristas, alegando que todos os filmes narrativos de longa-metragem podem ser classificados por esses supergêneros. Os outros dez gêneros que ele define como “supergêneros” são ação, crime, fantasia, terror, romance, ficção científica, slice of life, thriller, guerra e western.

É estrelado por Matt Damon, Ben Affleck, Jason Bateman, Marlon Wayans, Chris Messina, Chris Tucker e Viola Davis. O projeto fora anunciado em abril de 2023 com Affleck definido para dirigir, bem como estrelar e produzir ao lado de Damon com sua recém-formada produtora Artists Equity. As filmagens ocorreram entre junho e julho de 2022, com Affleck se reunindo com seus colaboradores frequentes: o diretor de fotografia Robert Richardson e o montador William Goldenberg. Embora Michael Jordan não estivesse envolvido com a produção, ele se encontrou com Affleck, oferecendo várias sugestões, incluindo escalar Davis como sua mãe. Originalmente programado para estrear no serviço de streaming Amazon Prime Vídeo, a distribuidora Amazon Studios optou por lançar o filme primeiro nos cinemas após exibições de teste positivas, tornando-o o primeiro título da Amazon desde Late Night (2019) a ser lançado nos cinemas sem estrear também no Prime Vídeo. Air estreou na South by Southwest em 18 de março de 2023 e foi lançado nos cinemas nos Estados Unidos, Brasil e Portugal em abril, grande parte das críticas foram positivas, especialmente sobre a direção de Affleck, o roteiro de Convery e atuações do elenco, nas bilheterias, arrecadou 85 milhões de dólares no mundo.

História social é um campo ou nível de análise abstrato da disciplina História que tem como objeto a sociedade como um todo. Surgiu como uma reação à história política e militar, que destacava figuras individuais como reis e heróis. Desde o início das reflexões sobre a história, com Heródoto e Tucídides, pode-se rastrear tentativas de ampliar o objeto e a concepção do sujeito da história, mas é apenas no século XX que a história econômica e a história social se desdobram intimamente ligadas. O surgimento da história social esteve ligado à recepção do materialismo histórico de origem marxista, sua adaptação e modificação por diferentes escolas históricas, especialmente pela Escola dos Annales, na França. A abordagem chamada história total também teria fronteiras imprecisas metodologicamente com a história social, embora a história total privilegie inter-relacionar todos os aspectos correlatos e possíveis do passado. Não há história econômica e social. Há somente história, em sua unidade. A história que é, por definição, absolutamente social. Para o historiador marxista Eric Hobsbawm, a história social pode ser vista a partir de três ângulos. Primeiro como a história dos pobres ou das classes mais baixas como escopo a história do trabalho e das ideias e organizações socialistas.

Em segundo lugar como a história sobre “diversas atividades humanas difíceis de se classificar”. Coletivismo é um elemento cultural básico da natureza humana que existe como o inverso do individualismo. Coletivistas salientam a importância da coesão no seio dos grupos sociais e, em alguns casos, a prioridade dos objetivos do grupo são mais importantes que objetivos individuais. Os coletivistas muitas vezes concentram seus objetivos em comunidade, sociedade, nação ou país. Ele tem sido usado como um elemento em muitos tipos diferentes e diversificados do governo e filosofias políticas, econômicas e educacionais ao longo da história e nas sociedades humanas, na prática, contendo elementos de individualismo e coletivismo. Coletivismo pode ser dividido em coletivismo horizontal (ou igualitário) e coletivismo vertical (ou hierárquico). Coletivismo horizontal salienta a tomada de decisão coletiva entre indivíduos iguais, e é, portanto, geralmente baseada na descentralização e igualitarismo. O ato de "trabalhar e produzir para consumirmos juntos" é a principal característica deste coletivismo. Coletivismo vertical é baseado em estruturas hierárquicas de poder e em conformidade moral e cultural e, portanto, baseia-se na centralização e hierarquia.

A empresa cooperativa seria um exemplo de coletivismo horizontal, enquanto que a hierarquia militar seria um exemplo de coletivismo vertical. E, finalmente, como o estudo da combinação entre a história social e a história econômica. A partir dessas três variáveis, identifica-se a mudança extraordinária para uma história das coletividades, que vem fornecer contribuições significativas a partir de vivências e experiências, que permitem uma mudança na compreensão do desenvolvimento das sociedades no estudo historiográfico. A história social é recebida pela influência europeia e pelo trabalho de hispanistas como Pierre Vilar (1906-2003) e exilados como Manuel Tuñón de Lara. Um dos seus principais representantes é Josep Fontana, um historiador espanhol, nascido em Barcelona em 1931, e morto na mesma cidade em 28 de agosto de 2018. Formou-se em História pela Universidade de Barcelona em 1956. Doutorou-se em História pela mesma universidade em 1970. É um dos historiadores mais prestigiados na Espanha. Escólio: Em 1984, a Nike, Inc., sediada no Oregon (EUA), estava prestes a fechar sua divisão de calçados de basquete devido às baixas vendas. Em resposta a isso, o vice-presidente de marketing, Rob Strasser, juntamente com o cofundador e Chief Executive Officer (CEO), Phil Knight, incumbiram o “olheiro de talentos” de basquete da Nike, Sonny Vaccaro, executivo norte-americano de marketing esportivo de encontrar um novo porta-voz para os calçados de basquete da Nike. CEO ou Diretor Executivo, é o mais alto cargo executivo dentro da empresa. Como líder máximo, é responsável pela visão estratégica da organização, pela tomada de decisões críticas e pela supervisão geral de todas as operações empresariais. Ao analisar os jogadores de basquete escolhidos no draft da National Basketball Association é a principal liga de basquetebol profissional da América do Norte. Com 30 franquias, a NBA também é considerada a principal liga de basquete do mundo.  

Na NBA de 1984, os executivos da Nike consideravam “Michael Jordan, a terceira escolha, inacessível, por ser fã da Adidas e mais caro para o orçamento limitado da divisão de basquete”. Após assistir a lances de destaque de Jordan com um comercial de raquetes Head estrelado por Arthur Ashe, Vaccaro se convenceu de que a Nike deveria investir naquele que ele considerava “um talento geracional, com a marca e o atleta se beneficiando mutuamente”. Após jantar com seu amigo George Raveling, que treinou Jordan no torneio olímpico, e pedir seu apoio para conquistar o astro. As unidades de geração desenvolvem perspectivas, reações e posições políticas e afetivas diferentes em relação a um mesmo dado problema. O nascimento em um contexto social idêntico, mas em um período específico, faz surgirem diversidades nas ações dos sujeitos. Outra característica é a adoção ou criação de estilos de vida distintos pelos indivíduos, mesmo vivendo em um mesmo âmbito social. Em outras palavras, sociologicamente, a unidade geracional constitui uma adesão mais concreta em relação àquela comparativamente estabelecida pela conexão geracional. Mas a forma como grupos de uma mesma conexão geracional lida com os fatos históricos vividos, por sua geração, fará surgir distintas unidades geracionais no âmbito da mesma conexão geracional no conjunto da sociedade. Karl Mannheim não esconde sua preferência pela abordagem histórico-romântica alemã.  Destaca ainda que este é um exemplo bastante claro de como a forma de se colocar uma questão pode variar, na análise comparada, de país para país culturalmente, assim como de uma época para outra no âmbito da história social. O pensamento romântico alemão se esforça em compreender no problema geracional uma contraproposta diante da linearidade do fluxo temporal da história social.

 O problema geracional gira em torno de um conjunto de práticas e saberes sociais que se torna um problema de existência de um tempo interior não mensurável e que só pode ser apreendido qualitativamente. As unidades de geração desenvolvem perspectivas, reações e posições políticas diferentes em relação a um mesmo problema dado. O nascimento em um contexto social idêntico, mas em um período específico, faz surgirem diversidades sociais nas ações dos sujeitos. Outra característica é a adoção ou criação de estilos de vida distintos pelos indivíduos, mesmo vivendo em um mesmo ambiente social. Em outras palavras: a unidade geracional constitui uma adesão mais concreta em relação àquela estabelecida pela conexão geracional. Estes, de acordo com Karl Mannheim (1893-1947), foram produtos específicos - capazes de produzir mudanças sociais, last but not least, da colisão entre o tempo biográfico e o tempo histórico. Ao mesmo tempo, as gerações podem ser consideradas o resultado de descontinuidades históricas e, portanto, de mudanças sociais geracionais. O que forma uma geração não é uma data de nascimento - a “demarcação geracional” é algo apenas potencial - mas é a parte do processo histórico que jovens da mesma idade compartilham em vista do vínculo com a geração atual.  Vaccaro viaja para Wilmington, na Carolina do Norte, onde convence a mãe de Michael, Deloris, de que a Nike daria a Jordan toda a atenção que ele não receberia de suas marcas preferidas, Adidas e Converse. Após receber um telefonema negativo do agente de Jordan, David Falk, sobre como contatar a família de seu cliente, Vaccaro descobre que os Jordans agendaram uma reunião na sede da Nike em Beaverton, Oregon, na segunda-feira seguinte. Vaccaro e Strasser começam a preparar sua apresentação enquanto pedem ao designer de calçados Peter Moore que crie um protótipo, que Moore batiza de “Air Jordan”, em referência à tecnologia Air Sole da Nike. Enquanto isso, Knight concorda em destinar todo o orçamento de US$ 250.000 da divisão de basquete para a contratação de Jordan. 

Após o sucesso da reunião com Jordan e seus pais, Vaccaro descobre que a Adidas igualou a oferta, acrescentando um Mercedes-Benz 380SL, e pensa que o negócio não se concretizará. No entanto, Vaccaro recebe uma ligação de Deloris, que afirma que Michael assinará com a Nike sob a condição de receber uma porcentagem de cada Air Jordan vendido. Embora Vaccaro acredite que os altos executivos da empresa não aceitariam esse bônus devido a precedentes da indústria, Knight concorda, considerando-o necessário para garantir o patrocínio. Um epílogo revela que o Air Jordan superou as expectativas de Knight de US$ 3 milhões em vendas, faturando US$ 162 milhões em um ano e se tornando uma fonte estável de renda para a Nike. Affleck criou uma playlist intitulada 1984 no Spotify, com mais de cem sucessos populares da década de 1980. Ele enviou a playlist para a supervisora ​​musical Andrea von Foerster e instruiu-a a selecionar as faixas adequadas para o filme. Como ela não tinha um grande orçamento para a música do filme, pediu a artistas e editoras musicais que confiassem (cf. Luhmann, 1996) na história do filme e compilassem a trilha sonora. A trilha sonora do filme apresentou 13 músicas das 23 faixas tocadas e 18 trechos da trilha sonora ouvidas no filme, e foi lançada pela gravadora Legacy Recordings em 5 de abril de 2023. Air foi originalmente planejado para um lançamento apenas em streaming no Amazon Prime Vídeo, mas a Amazon Studios acabou decidindo lançar o filme nos cinemas após resultados positivos de exibições de teste. Air foi lançado nos cinemas dos Estados Unidos em 5 de abril de 2023, tornando-se o primeiro título da Amazon desde Late Night (2019) a receber um lançamento exclusivo nos cinemas. A Warner Bros. 

Pictures cuidou do lançamento internacional nos cinemas e do mundial em mídia física (cf. Maigret, Eric; Macé, Eric, 2005). A Amazon deu uma janela de exibição mais longa antes de lançá-lo no Prime Vídeo do que seus lançamentos anteriores nos cinemas. O filme encerrou o festival South by Southwest Film & TV Festival de 2023 em 18 de março de 2023. O filme foi lançado via streaming no Amazon Prime Vídeo em 12 de maio de 2023. A Amazon gastou US$ 40 a 50 milhões na promoção do filme, incluindo US$ 7 milhões em um anúncio que foi ao ar durante o Super Bowl LVII. De acordo com o Deadline, a Amazon “apreciou o longo alcance do filme e seu impacto no Prime Vídeo em termos de visualizações, retenção de assinantes e repercussão em outras partes do Amazon.com”. Foi lançado em Blu-ray e DVD em 12 de setembro de 2023 pela Warner Bros. Home Entertainment. Apesar de ser um filme da Amazon Studios, o lançamento físico é creditado como um lançamento da Metro-Goldwyn-Mayer Pictures devido à aquisição desse estúdio pela Amazon em 2022. O filme teve sua estreia na televisão aberta na American Broadcasting Company em 11 de junho de 2024, servindo como um programa de transição para a transmissão das finais da NBA de 2024 pela rede, sendo exibido em uma noite de folga entre os jogos 2 e 3. Air arrecadou US$ 52,5 milhões nos Estados Unidos e Canadá e US$ 37,6 milhões em outros territórios, totalizando US$ 90,1 milhões em todo o mundo. Nos Estados Unidos da América (EUA) e no Canadá, Air foi lançado juntamente com The Super Mario Bros. Movie e a previsão era de que arrecadasse entre US$ 16 e US$ 18 milhões em 3.507 cinemas em seu fim de semana de estreia de cinco dias. Arrecadou US$ 3,2 milhões no primeiro dia e US$ 2,4 milhões no segundo. O filme estreou com US$ 14,4 milhões e o total de US$ 20,2 milhões nos cinco dias, terminando em terceiro lugar nas bilheterias; 49% do público tinha mais de 35 anos.

O filme arrecadou US$ 7,6 milhões e US$ 5,5 milhões em seu segundo e terceiro fim de semana, respectivamente, terminando em quinto lugar em ambos os casos.  Fora dos EUA e Canadá, Air arrecadou US$ 10,5 milhões em 59 mercados no seu fim de semana de estreia. No seu segundo fim de semana, o filme arrecadou US$ 6,2 milhões em 66 mercados, representando uma queda de 34%. No site agregador de críticas Rotten Tomatoes, 93% das 343 críticas são positivas, com uma classificação média de 7,7/10. O consenso do site diz: “Um drama baseado em fatos reais que ninguém vai criticar, Air pretende dramatizar eventos que mudaram o mundo dos esportes para sempre — e acerta quase nada além da rede”. O Metacritic, que usa uma média ponderada, atribuiu ao filme uma pontuação de 73 em 100, com base em 59 críticas, indicando avaliações “geralmente favoráveis”. O público pesquisado pelo CinemaScore deu ao filme uma nota média de “A” em uma escala de A+ a F, enquanto aqueles entrevistados pelo PostTrak deram uma pontuação positiva de 93%, com 83% dizendo que o recomendariam. Richard Roeper, do Chicago Sun-Times, deu ao filme quatro estrelas, escrevendo: “Graças à direção segura e impecável de Affleck, ao roteiro brilhante de Alex Convery e às performances vibrantes, engraçadas, calorosas e apaixonadas do elenco de primeira linha, Air é tão divertido e dinâmico quanto um jogo das finais da NBA que está destinado à prorrogação”.

Peter Debruge, escrevendo para a Variety, fez uma crítica positiva ao filme e elogiou as atuações, dizendo: “Air deve ser considerado o exemplo máximo do sonho americano, uma história engraçada e comovente de Cinderela sobre como a marca de tênis em terceiro lugar fez um pedido a uma estrela, e como aquele homem — e sua mãe — foram inteligentes o suficiente para reconhecer seu valor”. Lovia Gyarkye, do The Hollywood Reporter, também deu ao filme uma crítica positiva e considerou que, “Para a maioria do público, Air valerá a pena assistir apenas pelo fabuloso elenco estelar — particularmente o reencontro entre Mat Damon & Ben Affleck. Suas cenas possuem um dinamismo cinético e íntimo que o resto do filme tenta alcançar, mas nem sempre consegue igualar”. Os cineastas AV Rockwell e Reinaldo Marcus Green o citaram como seus filmes favoritos de 2023. Por menos Aisha Harris, da National Public Radio, rejeitou a “premissa frágil” como um “exercício covarde de exaltação capitalista”; embora tenha elogiado as atuações de Davis e Messina, Harris ressentiu-se do desenvolvimento inadequado dos personagens e concluiu com a impressão de que havia “algo, em última análise, vazio em tentar extrair a mentalidade da Fubu, de estilos nas ruas associada ao ar rap e hip-hop fundada em 1992 por Daimon John é uma marca icônica de moda urbana e hip hop. O nome Fubu significando alvo na cultura afro-americana nos anos noventa tornou-se um símbolo de expressão cultural com roupas, do que equivale “a um anúncio de duas horas para a Nike e os super-ricos”. Da mesma forma, Peter Bradshaw, do The Guardian, advertiu o filme por “parecer a promoção corporativa interna mais cara da história: superficial, provinciana e obtusa” e também lamentou a subutilização de Davis, que ele descreveu como tendo “mais carisma e força do que o resto do elenco junto”.

Etnograficamente o roteiro fora escrito por Alex Convery entre 2020 e 2021, aparecendo na The Black List de 2021 com o título Air Jordan. Esta lista é uma pesquisa anual dos roteiros cinematográficos “mais apreciados” ainda não produzidos. Convery teve a ideia enquanto assistia ao trecho de como a Nike assinou com o jogador de basquete Michael Jordan e criou o Air Jordan na minissérie documental The Last Dance, e logo em seguida fez uma pesquisa sobre o assunto. Foi relatado em abril de 2022 que o roteiro havia sido adquirido pela Amazon Studios por 125 milhões de dólares, que iria produzir com a Skydance Sports e Mandalay Pictures, com Ben Affleck e Matt Damon se unindo para estrelar o filme, enquanto o primeiro ainda assumiria a direção do projeto. As filmagens iniciaram em Los Angeles em 6 de junho de 2022, com Jason Bateman, Viola Davis, Chris Tucker, Marlon Wayans e Chris Messina entre às várias adições ao elenco. Robert Richardson atuou como diretor de fotografia, utilizando a câmera recém lançada na época da Arri, Alexa 35. No mesmo mês, Joel Gretsch, Gustaf Skarsgård e Jessica Green foram anunciados no elenco. O personagem de Michael Jordan é retratado no filme, embora seu rosto não seja visto e tenha diálogos limitados. Embora não estivesse diretamente envolvido com o filme, Jordan se encontrou com Affleck antes do início da produção e deu sua aprovação ao projeto, solicitando quatro mudanças no roteiro, pedindo a inclusão de George Raveling, seu assistente técnico na equipe olímpica masculina de basquete dos Estados Unidos que disputou os Jogos Olímpicos de Verão de 1984, este, segundo Michael, fora o primeiro a recomendá-lo a assinar com a Nike.

Jordan também pediu que Howard White, vice-presidente da Jordan Brand da Nike e seu amigo pessoal, fosse incluído no filme. Isso levou diretamente Affleck a escalar Tucker, com quem há muito desejava trabalhar e que Jordan conhecia. Ele também pediu o afastamento de Tinker Hatfield como personagem, já que Hatfield, apesar de trabalhar na Nike na época, não esteve envolvido com a criação do Air Jordan. Por fim, Jordan solicitou que os papéis de seus pais, James R. Jordan Sr. e Deloris Jordan, fossem estendidos, além da escalação de Viola Davis para interpretar sua mãe, fundamental para decidir sobre o encontro e a assinatura de um contrato com a Nike. Affleck e Damon fizeram uma revisão do roteiro sem créditos para atender aos pedidos de Jordan. Air foi originalmente programado para ser lançado apenas em streaming no Amazon Prime Vídeo, todavia, a Amazon Studios optou por lançá-lo nos cinemas após fortes resultados em exibições teste. Por conta disso, o longa-metragem estreou nos cinemas nos Estados Unidos em 5 de abril de 2023, tornando-se o primeiro título da Amazon desde Late Night (2019) que recebeu um lançamento nos cinemas. A Warner Bros. Pictures cuidou do lançamento da mídia doméstica física internacional e mundial do filme.    

A Amazon também deu ao filme “uma janela nos cinemas mais longa antes de lançá-lo no Prime Vídeo”. Além disso, o filme também encerrou o festival South by Southwest no dia 18 de março de 2023. Seu lançamento ocorreu simultaneamente digitalmente e ao vivo no Amazon Prime Vídeo em 12 de maio de 2023. Ainda fora informado que a Amazon investiu cerca de 40 até 50 milhões de dólares ao promover o filme, incluindo 7 milhões de dólares em um anúncio que foi ao ar durante o Super Bowl LVII. Foi a 57ª edição do Super Bowl e a 53ª decisão de campeonato da era moderna da National Football League (NFL) que decidiu o campeão da temporada da NFL de 2022. O jogo foi disputado entre o Kansas City Chiefs, campeão da AFC e o Philadelphia Eagles, campeão da NFC, em 12 de fevereiro de 2023, no State Farm Stadium em Glendale, Arizona, terminando com a vitória dos Chiefs, sendo o terceiro título da franquia. Foi o quarto Super Bowl sediado na Região metropolitana de Phoenix, sendo a edição mais recente o Super Bowl XLIX, disputado em 2015, historicamente no chamado de University of Phoenix Stadium. O jogo foi televisionado nacionalmente nos Estados Unidos pela Fox. Ambos os times terminaram a temporada de 2022 com quatorze vitórias e três derrotas, sendo as melhores campanhas da liga. Os Chiefs jogaram o quinto Super Bowl da sua história, tendo participado das edições I, IV, LIV e LV. Os Eagles estavam na sua terceira final, tendo vencido a edição LII, tendo aparecido também nos Super Bowls XV e XXXIX. 

Três dos cinco Super Bowls apresentaram ou os Chiefs ou os Eagles, na primeira vez que as duas equipes se enfrentariam na final do campeonato. A vitória do Chiefs foi a segunda em quatro anos e a terceira no geral. Os Eagles começaram o jogo melhor, indo para o intervalo na liderança no placar por 24 a 14. No segundo tempo, contudo, os Chiefs conseguiram virar o placar e venceram a partida por 38 a 35 após um chute de field goal pelo kicker Harrison Butker. É um jogador de futebol americano do Kansas City Chiefs da National Football League. Ele jogou futebol americano universitário na Georgia Tech. Ele é o segundo na história da NFL em porcentagem de field goals na carreira com 90,1%, atrás apenas de Justin Tucker. O total de pontos combinados nesta partida (73) foi o terceiro jogo do Super Bowl com maior pontuação e os 35 marcados pelos Eagles foi a maior quantidade por um time perdedor na história do Super Bowl. O quarterback dos Chiefs, Patrick Mahomes, foi nomeado com o Jogador Mais Valioso (MVP) da partida, completando 21 de 27 passes para 182 jardas e três touchdowns, correndo com a bola também seis vezes para 44 jardas. Mahomes se tornou o primeiro jogador desde Kurt Warner em 1999 a vencer o prêmio de MVP da liga e o título do Super Bowl na mesma temporada. 

A transmissão do jogo pela Fox se tornou o segundo programa mais assistido na história da televisão dos Estados Unidos até aquele momento (sendo superado pela edição do ano seguinte), com uma média de 113 milhões de telespectadores. O show do intervalo, cuja principal atração foi a cantora Rihanna, teve um pico de audiência de 118,7 milhões. Até 31 de maio de 2023, Air arrecadou 52,5 milhões de dólares nos Estados Unidos e Canadá e 37,5 milhões de dólares em territórios, totalizando cerca de 90 milhões de dólares globalmente. Nos Estados Unidos e no Canadá, ele fora lançado juntamente a The Super Mario Bros. Movie, e arrecadou entre 16 e 18 milhões de dólares em 3 507 cinemas em seu fim de semana de estreia de cinco dias. Arrecadando 3,2 milhões de dólares no primeiro dia e 2,4 milhões de dólares no segundo. O longa-metragem estreou com 14,4 milhões de dólares e um total de 20,2 milhões de dólares nos cinco dias, terminando em terceiro na bilheteria; 49% do público de faixa etária que tinha mais de 35 anos. 

Ele ainda arrecadou 7,6 milhões de dólares e 5,5 milhões de dólares em segundo e terceiro fim de semana, respectivamente, terminando em quinto nas duas vezes. Fora dos Estados Unidos e Canadá, arrecadou 10,5 milhões de dólares em 59 praças primeiro fim de semana. Em seu segundo fim de semana, o arrecadou 6,2 milhões de dólares em 66 praças, marcando uma queda de 34%. No site agregador de críticas, Rotten Tomatoes, 92% das 295 críticas dos críticos são positivas, com uma classificação média de 7,7/10. O consenso do site diz: “Um drama baseado em fatos que ninguém vai enterrar, Air visa dramatizar eventos que mudaram o mundo dos esportes para sempre - e atinge quase nada além da rede”. Metacritic, como abemos, que utiliza uma média ponderada, atribuiu ao filme uma pontuação de 73 em 100, com base em 59 críticos, indicando “críticas geralmente favoráveis”. O público entrevistado pelo CinemaScore atribuiu ao filme uma nota média de “A” em uma escala de A + a F, enquanto os entrevistados pelo PostTrak deram uma pontuação positiva de 93%, com 83% afirmando que o recomendariam. Richard Roeper, do Chicago Sun-Times, atribuiu ao filme quatro de quatro estrelas, escrevendo “Graças à direção certeira e perfeita de Affleck, um bom roteiro estaladiço de Alex Convery e as performances animadas, engraçadas, calorosas e apaixonadas do elenco de primeira linha, Air é tão divertido e acelerado quanto um jogo das finais da NBA destinado à prorrogação”.

Para Peter Debruge, a Variety, deu uma crítica positiva ao filme e elogiou as atuações, de suas personagens dizendo: “Air deve ser considerado o exemplo máximo do sonho americano, uma história engraçada e comovente da Cinderela sobre como a terceira marca de tênis desejou sobre uma estrela, e como aquele homem - e sua mãe - eram espertos o suficiente para saber seu valor”. Lovia Gyarkye, do The Hollywood Reporter, considerou que, “Para a maioria do público, Air valerá a pena assistir apenas pelo elenco estrelado - particularmente o reencontro entre Damon e Affleck. Suas cenas possuem um dinamismo cinético e íntimo que o resto do filme se aproxima, mas nem sempre corresponde”. Conclusão: Max Weber quis dizer que o homem é um animal amarrado a teias de significados que ele mesmo teceu, a cultura como sendo o condutor dessas teias e as suas análises acerca do pensamento, portanto, não como uma ciência experimental em busca de leis, mas como uma ciência interpretativa, à procura do significado.

Bibliografia Geral Consultada.

HELLER, Agnes, Sociologia della Vita Quotidiana. Roma: Editore Riuniti, 1975; TOURAINE, Alain, La Voix et le Regard. Paris: Éditions du Seuil, 1978; LUHMANN, Niklas, Confianza. Mexico: Ediciones Universidad Iberoamericana, 1996; GIDDENS, Anthony, Modernidad y Identidadel Yo: El Yo y la Sociedad en la Época Contemporânea. Barcelona: Ediciones Península, 1997; ALVIRA, Rafael, La Razón de Ser Hombre. Ensayo Acerca de la Justificación del Ser Humano. Madrid: Ediciones Rialp, 1998; MAIGRET, Eric; MACÉ, Eric (Org.), Penser les Médiacultures. Nouvelles Pratiques et Nouvelles Approches de la Represéntation du Monde. Paris: Editeur Armand Colin, 2005; FIRESTEIN, David, “Fields of Dreams: American Sports Movies”. In: E Journal USA,12, 2007; CAMY, Julien; CAMY, Gérard, Sport & Cinéma. Editeur Du Bailli de Suffren, 2016; CROSSON, Seán, Sport and Film. Abingdon, Oxon: Routledge, 2013; JERÓNIMO, Jérémy Silvares, A Nova Direita Radical Americana. O Movimento Tea Party: Entre a Homogeneidade e a Heterogeneidade Política. Dissertação de Mestrado em Ciência Política. Faculdade de Ciências Humanas e Sociais. Covilhã: Universidade da Beira Interior, 2013; PIKETTY, Thomas, “Um Estado Social para o Século XXI”. In: O Capital no Século XXI. 1ª edição. Rio de Janeiro: Editora Intrínseca, 2014; WILLIAMS, Eric, The Screenwriters Taxonomy: A Roadmap to Collaborative Storytelling. New York: Routledge - Studies in Media Theory and Practice, 2017; BENSON, Pat, “Michael Jordan e Nike Comemoram 38 anos Juntos”. In: FanNation, 26 de outubro de 2022; CREAMER, Chris, “First Look at the Super Bowl LVII Logo, Held in Arizona in 2023”. In: SportsLogos.Net News, 14 de fevereiro de 2022; D`ALESSANDRO, Anthony, “Amazon Studios Retorna aos Cinemas com o Filme Air, de Ben Affleck e Matt Damon, Patrocinado Pela Nike, Nesta Primavera”. In: Deadline Hollywood, 23 de janeiro de 2023; GUPTA, Manas Sem, “Air: Uma análise profunda da parceria lendária entre Michael Jordan e a Nike”. In: August Man, 21 de março de 2023; BAUM, Brent, “Como Michael Jordan revolucionou a indústria de tênis — e nossa relação com os calçados”. In: Temple Now, 3 de abril de 2023; MORAES, Felipe Moralles e, Neoconservadorismo: A Teoria da Injustiça de Jürgen Habermas. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Filosofia. Centro de Filosofia e Ciências Humanas. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2024; RIBEIRO, Maria João de Barros, Criação de Uma Marca de Calçado Sustentável e a Proposta de Seu Modelo de Negócio. Dissertação de Mestrado. Escola de Engenharia. Minho: Universidade do Minho, 2024; SKOLNIK, Neil, “Revisando os pilares da medicina do estilo de vida”. Disponível em: https://portugues.medscape.com/04/02/2026; entre outros.