“É tolo quem se quer opor ao amor, como se pudesse lutar com ele”. Sófocles
Sófocles foi um dramaturgo grego, um dos mais importantes escritores de tragédia ao lado de Ésquilo e Eurípedes, dentre aqueles cujo trabalho sobreviveu. Suas peças retratam personagens nobres e da realeza. Filho de um rico mercador, nasceu em Colono, perto de Atenas, na época do governo de Péricles, o apogeu da cultura helênica. Suas primeiras peças foram escritas depois que as de Ésquilo e antes que as de Eurípedes. De acordo com a Suda, uma enciclopédia do século X, Sófocles escreveu 123 peças durante sua vida, mas apenas sete sobreviveram em uma forma completa. Por quase 50 anos, Sófocles foi o mais celebrado dos dramaturgos nos concursos dramáticos da cidade-estado de Atenas, que aconteciam durante as festas religiosas Leneana e Dionísia. Sófocles competiu em cerca de 30 concursos, venceu 24 e, talvez, nunca tenha ficado abaixo do segundo lugar; em comparação, Ésquilo venceu 14 concursos e foi derrotado por Sófocles várias vezes, enquanto Eurípides ganhou apenas quatro competições. Também trabalhou como ator. Foi ordenado sacerdote de Asclépio, o deus da medicina, e eleito duas vezes para a Junta de Generais, que administrava os negócios civis e militares de Atenas. Dirigiu o departamento do Tesouro, que controlava os fundos da Confederação de Delos. Em suas tragédias, mostra dois tipos de sofrimento: o que decorre do excesso de paixão e o que é consequência de um acontecimento acidental (destino). Reduziu a importância do coro no teatro grego, relegando-o ao papel de observador do drama que se desenrola.
Também aperfeiçoou a cenografia e o número de elementos do coro de 12 para 15, porém esse número pode variar de acordo com o poeta que define a tragédia. Sua concepção teatral foi inovadora e elevou o número de atores de dois para três. Sófocles, filho de Sófilos, era um rico membro do demo (pequena comunidade) rural da Colônia Hipius na Ática, que mais tarde se tornaria um cenário para suas peças, e provavelmente tenha nascido lá. Seu nascimento ocorreu alguns anos antes da Batalha de Maratona em 490: o ano exato não é claro, embora 497 ou 496 seja talvez o mais provável. O primeiro triunfo artístico de Sófocles foi em 468, quando obteve o primeiro prêmio na competição de teatro Dionísia, vencendo o mestre reinante do drama ateniense, Ésquilo. De acordo com Plutarco, a vitória veio em circunstâncias incomuns. Em vez de seguir o costume de escolher os juízes por sorteio, o arconte pediu a Címon e aos outros estrategos presentes para decidir o vencedor do concurso. Plutarco afirma ainda que Ésquilo partiu para a Sicília logo após sua derrota para Sófocles. Embora Plutarco diga que esta foi a primeira produção de Sófocles, considera-se que isso teria sido um embelezamento da verdade e que a sua primeira produção foi em 470. Triptólemo foi uma peça que Sófocles apresentou no festival. Sófocles se tornou um homem de grande importância nos salões públicos de Atenas, bem como nos teatros. Foi escolhido para liderar o “canto de triunfo”, um canto coral a um deus, aos 16 anos, comemorando a vitória marítima decisiva dos gregos sobre os persas na Batalha de Salamina.
Esta pequena informação existente sobre a vida cívica de Sófocles mostra que ele era um homem bem quisto que participava de atividades na sociedade e mostrava habilidade artística notável. Ele também foi eleito como um dos dez estrategos, altos funcionários executivos que comandavam as forças armadas, como um colega iniciante de Péricles. Sófocles nasceu extremamente rico, pois seu pai era um fabricante de armas e recebeu excelente educação ao longo de sua vida inteira. No início de sua carreira, o político Címon pode ter sido um de seus patronos, embora se isso ocorreu, não houve nenhuma má vontade por parte de Péricles, rival de Címon, quando este foi condenado ao ostracismo em 46. Em 443 ou 442 serviu como um dos hellenotamiai (tesoureiros) de Atenas, ajudando a controlar as finanças da cidade, durante a ascensão política de Péricles. De acordo com o Vita Sophoclis, serviu como um general na campanha ateniense contra Samos, que se havia se revoltado em 441. Supostamente foi eleito para o cargo como o resultado de sua produção de Antígona. Em 420, acolheu e criou um altar para o ícone de Esculápio em sua casa, quando a divindade foi introduzida em Atenas. Por isso foi-lhe dado o epíteto póstumo Dexion (receptor) pelos atenienses. Ele também foi eleito, em 413, para ser um dos comissários com a função de elaborar uma reação à destruição catastrófica da força expedicionária de Atenas na Sicília durante a Guerra do Peloponeso.
Sófocles morreu na
idade de noventa ou noventa e um anos, no inverno de 406 ou 405, tendo visto
durante sua vida tanto o triunfo grego nas Guerras Persas como o
terrível derramamento de sangue da Guerra do Peloponeso. Como aconteceu
com muitos homens famosos na Antiguidade Clássica, a morte de Sófocles inspirou
uma série de histórias apócrifas sobre sua causa. Talvez a mais famosa é a
sugestão de que ele morreu devido ao esforço excessivo “ao tentar recitar uma
longa passagem de sua Antígona sem pausa para respirar”. Outra versão sugere
que ele se engasgou ao comer uvas no festival Antestreia em Atenas. Uma
terceira história afirma que ele morreu de felicidade depois de obter a vitória
final na Cidade Dionísia. Poucos meses depois, o poeta cômico escreveu este
elogio em sua peça intitulada As Musas: “Bendito seja Sófocles, que teve
uma vida longa, era um homem feliz e talentoso e o escritor de muitas boas
tragédias, e terminou sua vida assim, sem sofrer qualquer desgraça”. Isto é um
tanto irônico, pois de acordo com alguns relatos seus próprios filhos tentaram
declará-lo incapaz perto do fim da sua vida. Diz-se que teria refutado seu
cargo na corte através da leitura de sua ainda não produzida Édipo em Colono.
Tanto Iofon, um de seus filhos e um neto também chamado de Sófocles, seguiram
seus passos e tornaram-se dramaturgos.
Fantasia romântica ou romantasia é um subgênero da ficção de fantasia, que descreve uma história de fantasia, utilizando muitos dos elementos e convenções do gênero romance. Uma das principais características do “romantismo fantástico” envolve o escopo nas relações, sociais, políticas e românticas. Fantasia romântica foi publicado por ambos autores de fantasia e romance. Alguns editores distinguem entre a “romântica fantasia”, onde o romance é o mais importante e o “fantasia de romance”, onde os elementos de fantasia são mais importantes. Outros dizem que “a fronteira entre a fantasia, romance e fantasia romântica, essencialmente, deixou de existir, ou se ele ainda está lá, indo e voltando constantemente”. - Atitudes em relação a magia na Fantasia romântica são, geralmente, muito diferentes do que a expressa na mais alta fantasia ou espada e feitiçaria. Em vez de representar um alienígena e corrompendo a força que destrói seus praticantes, ou um complexo secreto do corpo de folclore, que isola mágicos da sociedade normal através de longos estudos e reclusão, a magia normalmente assume a forma de habilidades inatas que são naturais e simples de usar, às vezes, descrito como talentos psíquicos como empatia ou precognição, às vezes, orientados a afinidade ou o controle de um determinado elemento natural, tal como os quatro gregos clássico elementos, fogo, ar, terra e água. A magia é assim apresentada na narrativa como uma capacidade inata e a parte positiva da natureza de alguém, e por extensão de uma parte natural do mundo; o medo de uma dessas habilidades é muitas vezes descrito como uma reação nascida da ignorância simbólica, a má orientação, ou mal.
Os protagonistas da
fantasia romântica muitas vezes começam a sua jornada escapando de um abusivo
ou opressivo ambiente, mas seu objetivo não é tornar-se livre de todos os laços
sociais. Em vez disso, a maioria dos personagens está procurando uma nova
comunidade ou grupo social onde eles realmente pertençam. Recebe apoio de um
grupo social que é considerado, de longe, superior a ser independente e
solitário. A constatação de um novo grupo socialmente relevante onde o
personagem se encaixa e é feliz, é considerado muito melhor do que tentar
forçar o seu grupo anterior alterações significativas de opinião e prática, que
são discutidas para ser mais útil e eficaz se feitas de maneira gradual, e
desenvolver a partir de dentro ao invés de imposto. Enquanto permanece, muitas
vezes, sendo necessário a derrota dos inimigos pelo confronto direto, a solução
diplomática do conflito é considerada superior à força bruta; muitas histórias
contêm, além do principal e, geralmente, mais explicitamente mal antagonista,
um subsidiário ou secundário antagonista com motivações mais simpáticas, e que,
eventualmente, é convertido para os aliados através da negociação e diplomacia.
O filme A Grande Viagem da Sua Vida (A Big Bold Beautiful Journey)
tem como representação social um filme norte-americano de “fantasia romântica”
de 2025 dirigido por Kogonada e escrito por Seth Reiss. Kogonada é um cineasta
e roteirista sul-coreano.
Reconhecido principalmente por seu filme de
estreia, Columbus, lançado em 2017, trabalhou por muito tempo na
produção de videoensaios sobre diretores de cinema notáveis, como Wes
Anderson, Yasujirō Ozu, Stanley Kubrick, Federico Fellini, Ingmar Bergman,
Alfred Hitchcock, Robert Bresson e Jean-Luc Godard. O filme é estrelado por
Margot Robbie, Colin Farrell, Kevin Kline e Phoebe Waller-Bridge. O filme
estreou nas Filipinas em 17 de setembro de 2025 e foi lançado nos Estados
Unidos pela Sony Pictures Releasing em 19 de setembro de 2025. O filme recebeu
críticas mistas e foi considerado um fracasso econômico de bilheteria,
arrecadando US$ 20,2 milhões contra um orçamento líquido de US$ 45 milhões. Em
dezembro de 2020, A Big Bold Beautiful Journey, escrito por Seth Reiss,
foi incluído na lista anual Blacklist. Na prática é uma lista, ata ou
registro de alguma entidade ou pessoa física, que por alguma razão nega
direitos, serviços, participação ou mobilidade a alguém ou a alguma entidade,
em determinada situação, período de tempo ou lugar. O termo é famoso historicamente
e se tornou de uso comum, por denominar a relação de pessoas que foram
perseguidas ou proibidas de exerceram sua profissão sob a acusação verbal de
serem comunistas, pelo hipócrita Comitê de Investigação de Atividades
Antiamericanas do Senado dos Estados Unidos, no período histórico de “caça
às bruxas” do macarthismo, durante os anos 1950, nos Estados Unidos da
América, nos anos iniciais e duração social da Guerra Fria.
O termo “comunismo”
etimologicamente falando deriva do communisme francês, que se
desenvolveu a partir da combinação do latim communis e do sufixo isme.
Semanticamente, communis e traduzido “de ou para a comunidade”, enquanto
isme que indica a abstração em um estado, condição, ação ou doutrina. Sociologicamente
Guerra Fria foi um período de tensão geopolítica entre a União Soviética
e os Estados Unidos e seus respectivos aliados, o Bloco Oriental e o Bloco
Ocidental, após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Considera-se geralmente
que o período abrange a Doutrina Truman de 1947 até a dissolução da União
Soviética em 1991. O termo “fria” é usado porque “não houve combates em larga
escala diretamente entre as duas superpotências, mas cada uma delas apoiou
grandes conflitos regionais conhecidos como guerras por procuração”. O conflito
foi baseado em torno da luta ideológica e geopolítica pela influência global
das duas potências, após sua aliança temporária e vitória contra a Alemanha
obscurantista em 1945. A doutrina da Destruição Mutuamente Assegurada desencorajou um ataque nuclear de ambos os lados. Além do
desenvolvimento do arsenal nuclear e da mobilização militar convencional, a
luta pelo domínio foi expressa por meios indiretos, precisamente como guerra
psicológica, campanhas de propaganda, espionagem, embargos econômicos de longo
alcance, rivalidade em eventos esportivos e competições tecnológicas como a
Corrida Espacial.
Além disso, o Muro de
Berlim construído em 1961 pelo governo da Alemanha Oriental para evitar que
seus habitantes fugissem e deixassem um vazio economicamente desastroso de
trabalhadores. A barreira se tornou um símbolo da Guerra Fria e sua queda, em
1989, marcou o fim iminente do conflito e o início do processo de
descomunização e lustração. O Ocidente era liderado pelos Estados Unidos e por
outras nações do Primeiro Mundo do Bloco Ocidental que eram geralmente
democráticas liberais, mas ligadas a uma rede de Estados autoritários, a
maioria das quais eram suas ex-colônias. O Oriente era liderado pela União
Soviética e seu Partido Comunista, que tiveram influência em todo o Segundo
Mundo. O governo dos Estados Unidos apoiou regimes e golpes de direita em todo
o mundo, enquanto o governo soviético financiou partidos e revoluções
comunistas. Como quase todos os Estados coloniais alcançaram a Independência no
período de 1945 a 1960, eles tornaram-se campos de batalha do Terceiro Mundo
na Guerra Fria. A primeira fase da Guerra Fria começou imediatamente após o fim
da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Os Estados Unidos criaram a aliança militar
da OTAN em 1949, apreendendo um ataque soviético e denominaram sua política
global contra a contenção da influência soviética. A União Soviética formou o
Pacto de Varsóvia em 1955 em resposta à OTAN.
As principais crises dessa fase incluíram o bloqueio de Berlim de 1948 a 1949, a Guerra Civil Chinesa de 1927 a 1950, a Guerra da Coreia de 1950 a 1953, a Crise de Suez de 1956, a crise de Berlim em 1961 e a crise dos mísseis de Cuba em 1962. A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e os Estados Unidos da América competiram por influência na América Latina, no Oriente Médio e nos Estados descolonizadores da África e da Ásia. As repúblicas Armênia, Azerbaijão, Bielo-Rússia, Cazaquistão, Estônia, Geórgia, Letônia, Lituânia, Moldávia, Quirguistão, Rússia, Tajiquistão, Turcomenistão, Ucrânia e Uzbequistão, formaram a União da Repúblicas Socialistas Soviéticas entre 30 de dezembro de 1922 a 26 de dezembro de 1991. Após a crise dos mísseis de Cuba, começou uma nova fase que viu a divisão sino-soviética entre a China e a União Soviética complicar as relações na esfera comunista, enquanto a aliada dos EUA, a França, começou a exigir maior autonomia de ação. A URSS invadiu a Tchecoslováquia para suprimir a Primavera de Praga de 1968, enquanto os EUA experimentaram turbulências internas do movimento pelos direitos civis e oposição à Guerra do Vietnã. Nos anos 1960-1970, um movimento internacional de paz se enraizou entre os cidadãos do mundo globalizado.
Ocorreram movimentos de protestos contra o teste de armas nucleares e pelo desarmamento nuclear, com grandes protestos antiguerra. Na década de 1970, os dois lados começaram a fazer concessões de paz e segurança, dando início a um período de detenção que viu as conversações estratégicas sobre limitação de armas e os EUA abrindo relações com a República Popular da China como um contrapeso estratégico para a URSS. A détente entrou em colapso no final da década, com o início da Guerra Soviético-Afegã, em 1979. O início dos anos 1980 foi outro período de tensão elevada. Os Estados Unidos aumentaram as pressões diplomáticas, militares e econômicas sobre a União Soviética, numa época em que ela já estava sofrendo de estagnação econômica. Em meados da década de 1980, o novo líder soviético Mikhail Gorbachev introduziu as reformas liberalizantes da glasnost (abertura, c. 1985) e perestroika (reorganização, 1987) e encerrou o envolvimento soviético no Afeganistão. As pressões pela soberania nacional se intensificaram na Europa Oriental e Gorbachev se recusou a apoiar militarmente seus governos. O resultado em 1989 foi uma onda de revoluções que com exceção da Romênia derrubaram pacificamente todos os governos comunistas da Europa Central e Oriental. O próprio Partido Comunista da União Soviética perdeu o controle na União Soviética e foi banido após uma tentativa de golpe abortada em agosto de 1991. Isso, por sua vez, levou à dissolução formal da URSS em dezembro de 1991, à declaração de independência de suas repúblicas constituintes e ao colapso dos governos comunistas em grande parte da África e Ásia.
Os Estados Unidos foram deixados como a única superpotência do mundo. A Guerra Fria e seus eventos deixaram um legado significativo. É frequentemente mencionada na cultura popular, especialmente na mídia que apresenta temas de espionagem (principalmente a franquia internacional de livros e filmes de James Bond) e a ameaça da guerra nuclear. Apesar disso, um estado renovado de tensão entre o Estado sucessor da União Soviética, a Rússia, e os Estados Unidos nos anos 2010 incluindo seus aliados ocidentais, bem como uma tensão crescente entre uma China cada vez mais poderosa e os Estados Unidos e seus aliados ocidentais passou a ser referido como a Segunda Guerra Fria. A mais famosa dessas perseguições teve como alvo a comunidade de negócios da indústria do cinema e do entretenimento. Todos aqueles que se negassem a depor diante do Comitê ou que fossem considerados suspeitos de afinidade ideológica com o comunismo ou mesmo que confessassem qualquer ligação com o Partido eram proibidos de trabalhar para os grandes estúdios cinematográficos. Os primeiros a serem incluídos na chamada “Lista Negra de Hollywood” foram os chamados “Os Dez de Hollywood” - a maioria deles escritores ou roteiristas. Com base na Primeira Emenda à Constituição dos Estados Unidos, os integrantes do grupo recusaram-se a depor perante o Comitê, sobre a acusação de terem ou terem tido alguma ligação com o Partido Comunista Americano. O mais famoso deles foi o escritor Dalton Trumbo, que, por doze anos, foi obrigado a escrever sob pseudônimos, utilizando-se de “testas de ferro” para poder trabalhar. Trumbo, respeitado intelectual e escritor, foi o autor do roteiro do filme Spartacus, de Stanley Kubrick, de 1960, escrito sob pseudônimo.
Martin Ritt, anos depois, numa comédia de humor negro, Testa de Ferro Por Acaso, também conta a história de Trumbo e seus companheiros durante esse período sombrio da história americana. Entre outros nomes famosos que integraram a lista negra do macarthismo - um período no qual se destaca a figura do senador Joseph McCarthy (1908-1957), no estabelecimento de um clima de comunicação inquisitorial, marcado por suspeitas e temor generalizados na sociedade americana - estavam a escritora Lillian Hellman (1905-1984) e o ator John Garfield (1913-1952). Nessa época, muitas pessoas acabavam sendo indiciadas pelo Comitê e entravam nesta lista negra por intermédio de denúncias dos próprios colegas do meio artístico. O diretor Elia Kazan (1909-2003), por exemplo, é acusado de ter sido um dos principais delatores de companheiros. Muitos anos depois, Kazan protagonizou um dos momentos mais polêmicos da história das cerimônias da Academia, quando, ao ser homenageado com um Oscar especial por sua carreira, foi recebido pelo auditório com um misto de aplausos, protestos e vaias. Em 2020, a Associação dos Magistrados de Pernambuco publicou uma cartilha chamada “Racismo nas Palavras” na qual sugere a substituição da expressão “lista negra” por “lista de restrições”, tendo havido manifestações de desconforto por parte de alguns magistrados com a iniciativa. Em fevereiro de 2024, foi anunciado que Kogonada dirigiria o filme com Reiss na produção. Margot Robbie e Colin Farrell em negociações para estrelar. Naquele mês, o Deadline noticiou que a Sony Pictures havia fechado um acordo na faixa de US$ 50 milhões no European Film Market para o filme, descrito como “um dos roteiros mais quentes do mercado”.
Em abril de 2024, Lily Rabe, Jodie Turner-Smith, Phoebe Waller-Bridge e a estreante Lucy Thomas se juntaram ao elenco. As filmagens começaram na Califórnia. Em maio, Billy Magnussen, Sarah Gadon, Hamish Linklater, Brandon Perea, Yuvi Hecht, Calahan Skogman, Chloe East, Jacqueline Novak e Jennifer Grant completaram o elenco. Kogonada citou O Castelo Animado (2004) e Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (2004) como influências no filme. A Big Bold Beautiful Journey foi lançada nas Filipinas em 17 de setembro de 2025 e na Albânia em 18 de setembro de 2025. Nos Estados Unidos, o filme foi lançado em 19 de setembro de 2025, após ter sido previamente agendado para lançamento em 9 de maio de 2025. Desde 9 de outubro de 2025, A Big Bold Beautiful Journey foi lançada juntamente com Him, e a previsão era de que arrecadasse entre US$ 8 e US$ 10 milhões em 3.300 cinemas no fim de semana de estreia. O filme arrecadou US$ 1,4 milhão no primeiro dia e terminou com uma estreia de apenas US$ 3,5 milhões, ficando em sexto lugar. Escólio: Quando seu carro é apreendido, David visita uma peculiar “Locadora de Carros” onde lhe oferecem o único modelo disponível, um Saturn SL de 1994 com um GPS especial. A caminho do casamento de um amigo, David conhece Sarah, que não demonstra interesse em casamento ou relacionamentos, enquanto David, que emigrou da Irlanda na adolescência, revela que seu sonho de infância era se casar e ter filhos. David recusa o convite de Sarah para dançar, e ela passa a noite com outro homem. No caminho para casa, o GPS leva David a um Burger King em uma área de descanso, onde ele encontra Sarah. Apesar da paquera entre eles, ela continua pessimista em relação a relacionamentos.
Prontos para seguirem caminhos separados, eles descobrem que ambos alugaram carros da mesma locadora inusitada. Quando o carro de Sarah se recusa a ligar, o Global Positioning System de David o instrui a buscá-la, e partem juntos para a viagem. O GPS o guia até sua primeira parada, uma porta misteriosa na floresta. Ao atravessá-la, eles se encontram em um farol no Canadá que David havia visitado. Eles retornam ao carro e chegam a outra porta estranha que Sarah reconhece como a entrada dos fundos de seu museu de arte favorito. Lá dentro, eles exploram as pinturas que ela costumava ver com sua mãe, que faleceu quando ela estava na faculdade. De volta ao carro, Sarah se lembra de uma viagem agradável com seu pai, de quem estava afastada. O próximo destino deles é uma estufa onde encontram as portas da antiga escola de David. Lá dentro, ele revive o dia em que estrelou a peça escolar. “Como Vencer na Vida Sem Fazer Força”, com Sarah e seus pais na plateia. Ele confessa seus sentimentos por uma colega de elenco e revive a rejeição dela, mas acaba atrapalhando o espetáculo ao confrontá-la no palco com duras verdades sobre o futuro. Sarah se junta ao número musical, e todo o auditório canta junto com os dois enquanto eles seguem viagem. Dirigindo noite adentro, Sarah implora a David que não a persiga. O carro para repentinamente e eles se encontram em um teatro experimental com as portas de um hospital à mostra. Sarah confronta a culpa por ter dormido com seu professor da faculdade em vez de estar com a mãe na noite em que ela morreu sozinha no hospital.
Enquanto Sarah lamenta
ao lado do leito da mãe, David consola o próprio pai, que está ansioso com o
nascimento prematuro do filho. Saindo com presentes da loja de lembrancinhas,
Sarah troca de roupa no banco de trás enquanto David revela que sua mãe abandonou
a família por um breve período quando ele era criança. Eles concordam que a
vida pode parecer curta demais. Num mirante na montanha, de onde avistam o
planeta inteiro, David e Sarah imaginam ter ido juntos ao casamento e se
beijam. Chegam a um outdoor à beira da estrada com uma porta que dá para um
café. A ex-noiva de David o confronta, exigindo uma explicação para o fim do
noivado. Sarah se depara com um ex-namorado que abandonou repentinamente. Cada
um é forçado a admitir suas falhas amorosas. Voltam para a estrada, mas acabam
atropelando um cervo, saindo ilesos, embora o carro fique danificado. Sarah
sugere que terminem a viagem antes que se machuquem. David diz que a ama, mas
ela insiste que estão apenas vivendo uma fantasia. Eles passam uma noite solitária
na pousada Timely Inn, ali perto, enquanto o carro é consertado. David deixa
Sarah perto do carro dela e eles se separam, mas ambos são levados às casas de
sua infância. Como seu próprio pai, David conforta seu eu de quinze anos,
enquanto Sarah revive uma noite feliz com sua mãe, quando tinha doze anos.
David devolve o carro, divertindo o caixa e o mecânico ao sugerir que eles unem clientes com suas almas gêmeas. Mudando de ideia, Sarah chega ao
endereço de David e declara que o ama. Eles se beijam e saem juntos pela porta
da frente.
Hollywood é a mais
antiga promissora “indústria cultural” onde os estúdios de cinema e empresas de
produção cinematográfica surgiram. Mas também é o berço cinematográfico de
vários gêneros de cinema, entre os quais a comédia, drama, ação,
musical, romance, horror e ficção científica,
constituindo um exemplo para outras indústrias cinematográficas nacionais. O
cinema dos Estados Unidos, muitas vezes chamado metonimicamente de
Hollywood, teve um grande efeito de poder na indústria cinematográfica em geral
desde o início do século XX. Seu estilo dominante é o cinema clássico de
Hollywood, que se desenvolveu de 1917 a 1960 e caracteriza a maioria dos filmes
realizados. Enquanto os franceses Auguste Lumière (1862-1954) e Louis Lumière (1864-1948)
são geralmente creditados com o nascimento do cinema moderno, o cinema
americano logo veio a ser uma força estratégica dominante na indústria in statu
nascendi. Produz o maior número de filmes de qualquer cinema nacional de língua
única, com mais de 700 filmes em inglês lançados em média todos os anos.
Enquanto os cinemas do Reino Unido (299), Canadá (206), Austrália e Nova
Zelândia também produzem filmes na mesma língua, eles “não são considerados
parte do sistema de Hollywood que também é considerado um cinema
transnacional”. Hollywood clássica produziu versões em vários idiomas de
títulos em espanhol ou francês. Produção contemporânea de offshores, ou seja,
sociedades ou contas bancárias, abertas em países ou territórios no exterior,
que oferecem benefícios fiscais e políticas de privacidade e confidencialidade
aos investidores de Hollywood para o Canadá, Austrália, Nova Zelândia e assim
por diante.
Os seres humanos desejam aquilo que amam, e odeiam coisas pelas quais têm aversão. Com o desejo significamos a ausência do objeto; com amor, sua presença. Com aversão a ausência e, com ódio, a presença do objeto. Primeiro filósofo moderno a articular uma teoria detalhada do contrato social, com sua obra Leviatã, escrita em 1651, Thomas Hobbes foi um filósofo inglês do século XVII, reconhecido como um dos fundadores da filosofia política e ciência política moderna. Desde Hobbes o poder de um homem, universalmente considerado, consiste nos meios de trabalho de que dispõe para alcançar, algum bem evidente tanto original (natural) como instrumental (político). O maior de todos os poderes humanos é o poder integrado de vários homens unidos com o consentimento geral de uma pessoa natural ou civil: é o poder do Estado ou aquele representativo de um número estipulado de pessoas, cujas ações estão sujeitas à vontade de determinadas pessoas em particular, como é o poder de uma facção ou de facções coligadas no mundo contemporâneo. Ter servos é poder, como também ter amigos, pois isso significa união de forças. Igualmente, a riqueza, unida à liberalidade, é uma relação estabelecida de poder, pois congrega, une amigos & servos. Mas, sem a liberalidade, a riqueza não é protetora; pelo contrário, expõe o homem à inveja e à rapina.
Reputação de poder é representação de poder (cf. Crignon, 2007), porque, por meio delas, obtemos a adesão e conquistamos o afeto político dos homens que precisam ser protegidos. Êxito, analogamente também é poder, pois a reputação da sabedoria ou da “boa fortuna” faz com que os outros homens temam, idolatrem ou confiem. O valor ou conceito de um homem é, como para todas as outras mercadorias, seu preço; isto é, depende de quanto seria dado pelo uso de seu poder. Assim, não é absoluto, mas apenas uma consequência da necessidade e do julgamento alheio, através do macróbio senhor dos códigos, escritor, filósofo e filólogo romano, autor das Saturnais e do Comentário ao Sonho de Cipião. Segundo uma das versões, nasceu por volta de 370 na Numídia, na África. Exerceu influência na Idade Média pela transmissão e elaboração de uma parte da tradição filosófica grega pagã no período pré-nissênico da escola neoplatônica do Ocidente latino. A estima pública de um homem, é o valor que lhe é conferido pelo Estado que denominamos ordinariamente dignidade. Esse valor de Estado é expresso pelo cargo público para o qual é designado, na magistratura como em funções públicas, ou quando esse valor é expresso por títulos e honrarias que lhe são concedidos. A fonte da honra é o Estado, e depende da vontade do soberano. A honra não sofre alterações se uma ação é justa ou injusta.
Ela consiste na opinião de poder. O medo pode levar a cometer um crime expressando o que C. B. Macpherson (1911-1987) denominou de “individualismo possessivo” o que demonstra que há uma tradição europeia na qual a propriedade é constitutiva da individualidade, da liberdade e da igualdade. - “Ser indivíduo é ser proprietário – em uma primeira instância, proprietário de sua própria pessoa e de suas capacidades, mas também daquilo que adquirimos através do uso de nossas capacidades”. Dessa forma, ser livre é ser proprietário, e a liberdade é ser independente em relação aos outros indivíduos. A igualdade é também conceituada em relação à propriedade, uma vez que ser proprietário de sua própria pessoa e de suas capacidades constitui um status que todo o indivíduo pretende alcançar. A interpretação de Macpherson apresenta-nos uma coerência temática, dinâmica, atual e irreprochável, pois ele trata de forma perene os conceitos de propriedade, liberdade e democracia, onde o homem é artífice de sua própria condição, e, além disso, pode conhecer tanto a presente condição miserável quanto os meios para alcançar a paz e a prosperidade. Conceitos que continuam inspirando a reflexão crítica no âmbito da política sobre as condições e possibilidades de realização do poder interpretando o que está por trás das relações sociais e de poder entre os homens. A constituição de uma arquetipologia política de soberania é a resposta dada por Hobbes à distinção entre o poder espiritual e o poder temporal ou civil.
Não importa se o soberano do governo secular é um líder temporal ou espiritual, se é autoridade soberana representativa de um Estado civil ou cristão, pois neste mundo não há outro reino senão o secular. Tal asserção equivale a dizer que Hobbes quer explicar o Direito e o Estado sem transcender o plano do simplesmente humano. A referida afirmação ressalta o caráter secularista da teoria do Estado de Hobbes, já que fundar o Direito e o Estado em um plano estritamente secular ou simplesmente humano significa romper com a ideia de fundar o poder de dirigir a ação de homens em um plano teológico-metafísico. Ao contrário de um aliciante plano na esfera social de vida voltado para transcendência comandado por autoridades espirituais, desvela-se a possibilidade de planejar a propriedade da vida, isto é, a “salvação”, em uma dimensão política do agir humano que somente pode residir em uma esfera de ação política da constituição do Estado, produto da vontade humana. Não se deve perder de vista que Hobbes somente consegue emancipar um domínio temporal a partir do momento em que reconhece a distinção entre poder espiritual e temporal. E quem reconhecia a Bíblia em igualdade de interpretação como ele entenderia sua metáfora: ele referia-se, ao afirmar isso, à longa servidão e à posterior saída dos filhos de Israel do Egito sob a liderança de Moisés, modelo de um novo libertador, Lutero, complementado agora por ele, Thomas Hobbes, em relação à autonomia do poder civil diante da questão religiosa. A sua afirmação final do Leviatã será: - “A verdade que não se opõe aos interesses ou aos prazeres de ninguém é bem recebida por todos”. Com isso, alerta seu leitor para o fato de que mesmo as Escrituras, ao testemunharem sobre Deus, são obras dos homens.
Seu principal objetivo é demonstrar que se deve ter cautela em relação ao magistério eclesiástico, que define tanto o que é canônico quanto as regras de interpretação do texto, o que é heresia, o que é verdade e o que é um poder civil legítimo, interferindo, em nome da religião revelada, em todas as esferas da vida civil. A mensagem do Iluminismo era: Religião é superstição. Por isso, a religião, que já fora um componente central na civilização europeia, devia perder a centralidade. A razão devia tomar seu lugar. Se seguíssemos a razão e a ciência, haveria progresso. O progresso era uma ideia nova. Os antigos não acreditavam em progresso, mas na existência de um ciclo de crescimento e deterioração: as instituições e a sociedade seriam puras e vigorosas na juventude, depois se instalaria um processo de corrupção; a história se desenvolveria em ciclos. A Igreja não acreditava em progresso, ao menos não no progresso obtido por esforço humano independente de Deus, pois entendia que os humanos eram basicamente maus. Para ela, humanos guiados unicamente pela razão nunca seriam capazes de produzir uma sociedade perfeita. As ideias do Iluminismo tiveram seu primeiro experimento na clássica Revolução Francesa, no fim do século XVIII. Frustrando as grandes esperanças individuais e coletivas quanto ao que a razão seria capaz de fazer, quando reis e Igreja foram banidos do poder a Revolução Francesa não inaugurou uma nova era de esclarecimento; na verdade gerou derramamento de sangue, tirania, ditadura.
Mas antes disso acontecer, o último elemento da antiga mistura foi libertado de suas amarras pelo movimento do Romantismo do fim do século XVIII e início do século XIX. Foi um movimento que abrangeu toda a Europa, porém, mais expressivo na Alemanha, onde essas ideias foram trabalhadas com mais completude. Os adeptos deste movimento romântico não queriam que a razão controlasse nossas emoções e paixões. Achavam que um grande escritor ou artistas não era o que retomava com elegância um antigo tema dos clássicos, mas alguém capaz de desnudar a própria alma, seu furor, suas angústias, seu desespero. A arte devia ser emocional e expressiva. Ideias alemãs se desenvolveram em oposição às ideias do Iluminismo francês. O grande dilema na modernidade é que a teoria não previa a intensa luta supranacional, que ultrapassa os limites imaginários e físicos. Quando limitou a convivência em uma fronteira, não pode conceber a ideia de que governos de outros países que tentassem controlar outrem, só causariam o que nós podermos perceber: o caos e banhos de sangue moderno e contemporâneo. Segundo o historiador Tom Kemp, a industrialização inglesa possuía características concretas e únicas, tendo como resultado forças históricas profundamente enraizadas e da oportunidade e circunstâncias sob as que se iniciaram e foram seguidas. Uma vez iniciada, veio a luz todo um arsenal de inovações técnicas e de organização. Estas puderam ser transplantadas a outros climas, algumas vezes pelos próprios empresários ingleses e outras por adoção estrangeira. Trabalho e capital, o mesmo que empresa, puderam cruzar as fronteiras. Pelo que respeita ao continente, à medida que cada país começou a sentir o impacto da revolução, começou a tomar forma o que poderia chamar-se sua “fisionomia econômica nacional”. Sob a consideração deste aspecto, fundamentalmente deve dar-se uma importância socialmente considerável as estruturas e tradições nacionais.
O nacionalismo,
especialmente no período que seguiu a Revolução Francesa, se constituiu em uma
das grandes forças da história europeia. Se formaram novos estados nacionais e
os antigos estados dinásticos adquiriram uma nova natureza. A expansão de uma
classe média comerciante e industrial aconteceu no seio destes estados. E mais,
a consciência de identidade nacional a tout court encontrou nela sua
mais forte expressão. O nacionalismo, o mesmo que o liberalismo, viu-se assim
alimentado pelo crescimento econômico. O Estado, já era nacional ou dinástico,
tinha voz no parlamento e voto popular, na economia através de suas aduanas,
suas unidades monetárias e o corpo legal, civil e comercial, que regulava os
tratados comerciais e distinguia entre indígenas e estrangeiros. Ao largo do
século XIX e à medida que a vida econômica se fazia cada vez mais complexa e o
nacionalismo se convertia em uma força política de crescente importância, tomou
parte mais ativa e dominante na esfera produtiva econômica. Em certos aspectos seria muito mais lógico
contemplar a industrialização europeia desde a base de uma perspectiva
continental, prescindindo das fronteiras nacionais. O que ressaltaria então
seria a importância dos fatores físicos, especialmente a localização e a dotação
de recursos, a hora de determinar a extensão e o índice de industrialização.
As áreas mais avançadas
da Europa do século XIX tiveram por núcleo as minas de carvão do Norte da
França, Bélgica e a região ocidental da Alemanha; desde a influência da
industrialização se foi estendendo ao largo a formação de oportunas vias de
comunicação, incluindo nelas o mar, a outras áreas destes mesmos países,
criando instalações distantes em zonas que ligam regiões do Sul e do Leste,
contando-se centros administrativos, portos marítimos e fluviais, além de
depósitos minerais entre pontos chaves. Do ponto de vista da divisão do
trabalho social entre regiões industriais e predominantemente agrárias se
realizou sobre as divisões fronteiriças e, uma vez estabelecida, conservou
considerável influência até o presente. Contudo, esta breve ilustração da industrialização
europeia pode ser completada com outra generalização, pois para ele, “tendemos
a prestar especial atenção as diferenças existentes ente a Inglaterra e o
Continente durante os séculos XIX e XX; não obstante, desde uma perspectiva
mundial, o verdadeiramente importante é a diferenciação existente entre a
Europa e o resto do mundo”. Se excluímos
os “povos transplantados” europeus e a América, os pesquisadores só tem podido
traçar leves sinais precursores – e ainda assim, praticamente só em algumas
partes da Índia e do Japão, de um processo de crescimento autônomo que pode
haver tido como consequência a industrialização em outros continentes.
O único argumento que
nos sugere este enfoque é que o curso da história do que resultou ser a
“preparação” para a industrialização ocupa um espaço muito prolongado e vem
ligado a natureza global da civilização europeia tal como surgiu da Idade
Média. O fato de que a irrupção tivera lugar na Europa em primeiro lugar, é
mais importante que o ponto geográfico europeu donde aconteceu em concreto. Em
realidade, graças a sua posição geográfica e insular e a possessão do tipo
adequado de recursos disponíveis, o primeiro ato se representou no cenário
político britânico. Não obstante, em alguns lugares e espaços, como o Norte da
Itália e Flandres, homens destas mesmas características haviam montado
importantes industrias na Idade Média sem que deste seguisse ali um processo
geral de transformação econômica. Enfim, o estabelecimento do controle
capitalista sobre a indústria foi só um começo e podia não levar a parte
alguma, a menos de ver-se acompanhado por um câmbio em conjunto da economia,
isto é, no setor agrário, onde estava empregada a grande massa da população
trabalhadora. O que distinguiu o desenvolvimento britânico, e o inglês
particularmente, da Europa continental, foi o fato social de que estas relações
agrárias feudais começaram a rachar-se antes e, portanto, com maior rapidez e
exaustividade. Embora os seres humanos não sejam civilizados “por natureza”, na
esteira do pensar de Elias (2011), possuem por natureza uma disposição que
torna possível, sob determinadas condições sociais, uma civilização que representa
uma autorregulação individual de impulsos do comportamento momentâneo,
condicionado por afetos e pulsões, ou o desvio desses impulsos de seus fins
primários para alguns fins secundários, sendo eventualmente também sua
reconfiguração sublimada.
É decerto desnecessário, mas talvez útil, dizer que Sigmund Freud e Anna Freud são os pais do conceito de “impulsos pulsionais humanos moldáveis, capazes de sublimação”. O fato social de que processos de civilização não seriam possíveis sem um potencial do biológico que os antecedesse é facilmente esquecido. Dado que os seres humanos, diferentemente de muitos outros seres vivos sociais, não possuem uma regulação nativa dos afetos e pulsões. Mas eles não podem prescindir da sua mobilização de disposição natural rumo à autorregularão mediante o aprendizado (pessoal/singular) dos controles dos afetos e pulsões, no sentido de um modelo de civilização específico da sociedade, a fim de que possam conviver consigo mesmos e com os outros seres humanos. O processo universal de civilização individual pertence tanto às condições da individualização do ser humano singular, como às condições da vida social em comum dos seres humanos. No uso cotidiano da linguagem, o conceito de civilização é, muitas vezes, despido de seu caráter enquanto “civilizer” originalmente processual como derivação da cultura francesa.
O conceito alemão Kultur alude a fatos sociais intelectuais, artísticos e religiosos e apresenta a tendência de traçar uma nítida linha divisória entre fatos deste tipo, por um lado, e fatos políticos, econômicos e sociais, por outro. O conceito francês e inglês comparado de civilização pode ser referir a realizações, mas também a atitudes ou “comportamentos” de pessoas, pouco importando se realizaram ou não alguma coisa. No conceito alemão de Kultur, em contraste, a referência a “comportamento”, o valor que a pessoa tem em virtude de sua mera existência e conduta, sem absolutamente qualquer realização, é provavelmente aspecto muito secundário. O sentido especificamente alemão do conceito Kultur encontra sua expressão clara em seu derivado, o adjetivo Kuluturell, que descreve o caráter e o valor de determinados produtos humanos, e não apenas o valor intrínseco da pessoa. Esta palavra, o conceito inerente a kulturell, porém, não pode ser traduzido exatamente para o francês e o inglês. A palavra Kultiviert (cultivado) aproxima-se muito do conceito ocidental de civilização. Até certo ponto, representa a forma mais alta de ser civilizado: até mesmo pessoas e famílias que nada realizaram de kulturell podem ser kultiviert. Tal como a palavra “civilizado”, comparativamente kultiviert refere-se à forma da conduta de referência social da pessoa. Descreve a qualidade real das pessoas, suas habitações, suas maneiras, sua fala, suas roupas, ao contrário de kulturell, que “não alude diretamente às próprias pessoas”, mas exclusivamente a realizações humanas peculiares.
Como um apanhado algo
sumarizado do que se apurou na investigação empírico-teórica das transformações
civilizatória acerca de seu direcionamento, pode-se dizer que dentre os
principais critérios para um processo de civilização estão as transformações do
habitus social dos seres humanos na direção de um modelo de autocontrole mais
bem proporcionado, universal, estável. Mas o que é decisivo é que estes
conceitos portam o selo não de seitas ou famílias, mas de povos inteiros, ou
talvez apenas de certas classes. Mas, em muitos aspectos, o que se aplica a
palavras específicas de grupos menores estende-se também a eles: são usados
basicamente por e para povos que compartilham uma tradição e situação
particulares, polindo-os na fala e na questão própria da escrita. É neste
sentido comparativo que o conceito de “civilização” minimiza as diferenças
nacionais entre os povos. Manifesta a autoconfiança de povos cujas fronteiras
nacionais e identidade nacional forma plenamente estabelecidas, desde séculos,
e que deixaram de ser tema de qualquer discussão, povos que há muito se
expandiram fora de suas fronteiras reais e colonizaram terras além delas. O
conceito alemão Kultur dá ênfase especial a diferenças nacionais e à identidade
particular de formação de grupos. Em virtude disto, adquiriu em campos a
pesquisa etnológica e antropológica uma significação muito além da área
linguística alemã e da situação em que se originou o conceito.
Enquanto o conceito
político de civilização inclui a “função de dar expressão a uma
tendência continuamente expansionista de grupos colonizadores”, o conceito de
Kultur reflete a “consciência de si mesma de uma nação que teve de buscar e
constituir incessante e novamente suas fronteiras, tanto no sentido político
como no espiritual”. A orientação do conceito alemão de cultura, para Norbert
Elias (2011), com sua tendência à demarcação e ênfase dentre as diferenças, e
no seu detalhamento, entre grupos sociais, corresponde a este processo
histórico. A história coletiva neles se
cristalizou e ressoa. O indivíduo encontra essa cristalização já em suas
possibilidades de uso. Não sabe bem por que este significado teórico e desta
delimitação estão implicadas nas palavras, ou por que exatamente, esta
nuance e aquela possibilidade delas podem ser derivadas. Usam-nas porque lhes
parecem uma coisa natural. Porque desde a infância aprendem a ver a janela do
mundo através da lente conceitual. A sobrevivência do sistema de crenças no
Novo Mundo é notável, embora as tradições tenham se modificado com o tempo.
Uma das maiores diferenças entre o vodu da África Ocidental e o haitiano é que os africanos “transplantados” ao Haiti, na tipologia clássica da Antropologia das Civilizações de Darcy Ribeiro, correspondentes às nações criadas pela migração europeia para novos espaços enquanto “lugares praticados” mundiais, procuram reconstituir formas de vida idênticas às de sua origem. Entretanto, historicamente, a categoria social chamada “Novo Mundo” é um termo criado pelos europeus para designar o continente americano. A expressão teve seu uso difundido no período do descobrimento do continente, a América, pois até então era desconhecido pelos europeus, vindo a ser algo novo em relação aos continentes já reconhecidos. O conceito de figuração, é revelador, neste caso, pois distingue-se de muitos conceitos abstratos da sociologia de Elias por incluir expressamente os seres humanos em sua formação. No caso da figuração fílmica de Liam Neeson há incorporação e brilhantismo de interpretação à atividade de trabalho social como ator. Contrasta decididamente com um tipo ideal sociológico dominante de formação de conceitos que se desenvolve sobretudo na investigação de objetos sem vida, no campo da física e da filosofia para ela orientada. Há figurações de estrelas, assim como as de plantas e de animais. Mas apenas os seres humanos formam figurações magníficas uns em relação com os outros. O modo de sua vida conjunta em grupos grandes e pequenos é, de certa maneira, singular e sempre co-determinado pela transmissão de conhecimento de uma base geracional a outra, por meio do ingresso do singular no mundo simbólico específico, de uma figuração já existente dos seres humanos. Às quatro dimensões espaço-temporais ligadas se somam, no caso dos seres vivos humanos, a expressão de uma quinta, a de representação dos símbolos socialmente aprendidos.
Sem sua apropriação, por exemplo, o aprendizado de uma determinada língua, especificamente social, os seres humanos não seriam capazes de se orientar no seu mundo, e nem de se comunicar de forma clara uns com os outros. Um ser humano adulto, que não teve livre acesso aos símbolos da língua e do conhecimento de determinado grupo social, permanece de fora de todas as figurações humanas e, não é propriamente dito um ser humano. O crescimento de um jovem em figurações humanas, como processo e experiência, assim como o aprendizado de um determinado esquema de autorregulação na relação com os seres humanos, é condição indispensável do desenvolvimento rumo à humanidade. Socialização e individualização de um ser humano são, portanto, nomes diferentes para o mesmo processo. Cada ser humano assemelha-se aos outros e é, ao mesmo tempo, diferente de todos os outros. O mais das vezes, as teorias sociológicas deixam sem resolver o problema da relação entre indivíduo e sociedade. Em seu ersatz o convívio em sociedades tem sempre, mesmo no caos, na desintegração, na desordem social, uma forma absolutamente determinada. É o que exprime o conceito concreto de figuração. Uma geração os transmite a outra sem estar consciente do processo todo, e os conceitos sobrevivem enquanto esta cristalização de experiências passadas e situações retiver um valor existencial, uma função na existência concreta da sociedade. Isto é, enquanto suas gerações sucessivas puderem identificar suas próprias experiências nuas e cruas no significado das palavras. Em outras ocasiões, eles apenas adormecem, ou o fazem em certos aspectos vívidos, e adquirem um novo valor existencial com uma nova situação. Mas são relembrados porque algo estado presente encontra expressão na cristalização do passado corporificada nas palavras.
As novas relações econômicas e sociais e a necessidade de desenvolvimento motivaram entes subnacionais a se relacionar e cooperar com o mundo civilizado exterior. As novas tecnologias da informação, os avanços nas telecomunicações, a diminuição nos custos de transporte de cargas e pessoas também contribuíram para essa mudança, afinal tornaram o plano internacional mais acessível. Ipso facto, a dimensão metodológica do conceito de processo social refere-se às transformações amplas, contínuas, de longa duração – ou seja, em geral não aquém de três gerações - de figurações formadas por seres humanos, ou de seus aspectos, em uma de duas direções opostas. Uma delas tem, geralmente, o caráter de uma ascensão, a outra o caráter decorrente de um certo declínio. Em ambos os casos, os critérios são puramente objetivos. Eles independem do fato de o respectivo observador os considerar bons ou mesmo ruins. Exemplos disso são, comparativamente, a diferenciação crescente e decrescente de funções sociais. O aumento ou a diminuição do “capital social”, ou, do patrimônio social do saber, do nível de controle humano sobre a natureza não-humana ou da compaixão por outros homens, pertençam eles ao grupo estabelecido que for. Um deles pode tornar-se dominante, ou caber ao outro manter o equilíbrio.
Assim um processo dominante, direcionado a uma maior integração, pode, sucessivamente, andar de par em par com uma desintegração parcial. Inversamente, um processo dominante de desintegração social, como exemplo, o processo de feudalização pode conduzir sob certas condições a uma reintegração sob novas bases, a princípio parcial e para seguir dominante um novo processo de formação do Estado. A espada socialmente foi associada com a lenda Arturiana e incluem duas espadas. Ciclo Arturiano é um ciclo literário, a parte reconhecida da Matter of Britain (“Matéria da Bretanha”), quer dizer a lenda referente ao rei Artur e os cavaleiros (cf. Assumpção, 2014). Seu sucesso comunicativo deveu-se em grande parte ao fato de que conta duas histórias entrelaçadas que intrigaram autores posteriores. Uma diz respeito à cidade de Camelot, geralmente imaginada como uma utopia condenada de virtude cavalheiresca, desfeita pelas falhas fatais de Artur e Sir Lancelot. A outra diz respeito às buscas dos vários cavaleiros obter o Santo Graal; alguns obtiveram êxito (Galahad, Percival), e outros falharam (Lancelot). O conto medieval de Artur e seus cavaleiros está recheado de temas cristãos; estes temas envolvem a destruição dos planos humanos de virtude pelas falhas morais de seus personagens, e a busca de uma importante relíquia cristã. Finalmente, o relacionamento entre os personagens convidava ao tratamento na tradição de beleza do amor cortês, tais como Lancelot e Guinevere, ou Tristão e Isolda. Em anos mais recentes, a tendência é vinculada aos contos do rei Artur e seus cavaleiros com a mitologia céltica, geralmente em versões reconstruídas altamente romantizadas do início do século XX.
Bibliografia Geral Consultada.
CASTORIADIS, Cornelius, L`Institution
Imaginaire de la Société. Paris: Éditions Du Seuil, 1975; Idem, “From Marx to
Aristotle, from Aristotle to Us”. In:
Social Research 45 (1978); Idem, L`Enigma del Soggetto: L`Immaginario
e Le Istituzione. Itália: Edizionne Dédalo, 1998; AMORIM, Mirtes Miriam, Labirintos
da Autonomia: A Utopia e o Imaginário em Castoriadis. Dissertação de
Mestrado em Sociologia. Fortaleza: Editora da Universidade Federal do Ceará,
1995; ARRIGHI, Giovanni, O Longo Século XX: Dinheiro, Poder e as Origens de Nosso
Tempo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996; GOTTRAUX, Philippe, Socialisme
ou Barbarie, un Engagement Politique et Intellectuels dans la France de l`Après
Guerre. Suisse: Editions Payot Lausanne, 1997; CARVALHO, Flávio José de, A
Constituição da Subjetividade em Cornelius Castoriadis: A Relação Psique e
Sociedade. Dissertação de Mestrado. Centro de Filosofia e Ciências Humanas.
Departamento de Filosofia. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 2002; CRIGNON,
Philippe, Hobbes et la Represéntation: Une Ontologie Politique. Paris:
Thèse. Université de Paris 8. Saint-Denis, 2007; LANSDORF, Thomas, Communism.
New York: Cavendish
Square Publishing, 2007; DUTRA, Daniel Iturvides, Literatura de Ficção
Científica no Cinema: A Transposição para a Mídia Fílmica de A Máquina do Tempo
de H. G. Wells. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em
Letras. Instituto de Estudos de Letras. Porto Alegre: Universidade Federal do
Rio Grande do Sul, 2009; ELIAS, Norbert, O Processo Civilizador: Uma
História dos Costumes. Volume 1. 2ª edição. Rio de Janeiro: Zahar Editor,
2011; FERREIRA, Evandson Paiva, Filosofia, Democracia e Autonomia: O
Pensamento de Cornelius Castoriadis e a Formação Humana. Tese de Doutorado
em Ciências Humanas. Goiânia: Universidade Federal de Goiás, 2012; SANTOS,
Erickson Henrique Martins, O Narrador e a Figuração de Personagens em Les
Misérables, de Victor Hugo. Dissertação de Mestrado. Programa de
Pós-Graduação em Estudos Literários. Faculdade de Ciências e Letras.
Araraquara: Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, 2021;
REINA, Alessandro, O Cinema Novo como Fator de Educação por Intermédio da
Prática Cineclubista. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em
Educação. Setor de Educação. Curitiba: Universidade Federal do Paraná, 2022; COSTA,
João Reynaldo de Paiva, Texto, Visualidade e Movimento: Do Filme-texto ao
Datilograma. Dissertação de Mestrado. São Paulo: Universidade de São Paulo,
2025; ROXBOROUGH, Scott, “Como Festival de Cannes de 2026 Reflete o Mundo em Conflito”.
In: https://www.dw.com/22/05/2026; entre outros.