segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Parker – Ladrão Profissional, Excelência & Ética de Compromisso no Trabalho.

                                                      Regra é, em primeiro lugar, gestão da vida quotidiana”. Max Weber     

                             

          Max Weber havia resumido sob a expressão racionalidade formal as condições ideal-típicas que torna possível a ponderabilidade das ações sociais sob o aspecto instrumental, a eficácia dos meios disponíveis; e sob o aspecto estratégico e de probabilidade em termos de legitimidade no acerto da escolha dos meios segundo preferência, meios e condições periféricas dadas. A denominação “formal” destina-se em especial a esse segundo aspecto da “racionalidade eletiva”, que por isso diferencia então do julgamento material dos próprios valores subjacentes às preferências dos sujeitos. Ele aplica esse conceito como sinônimo de “racionalidade teleológica”. Trata-se da estrutura de orientações da ação determinada pela racionalidade cognitivo-instrumental, mediante a desconsideração de parâmetros de uma racionalidade moral-prática ou estético-prática. Cadeias prolongadas de ações podem ser julgadas de maneira sistemática sob o aspecto da validade da verdade e da eficácia de sua interpretação, mas que podem ser bem como calculadas e melhoradas no sentido da racionalidade formal. A obra A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo (2003) é considerada a grande obra de Max Weber e é o seu texto mais reconhecido. A primeira parte desta obra foi publicada em 1904 e a segunda veio a público em 1905, depois da viagem do autor e de sua esposa Marianne Schnitger (1870-1954), destacada feminista e escritora aos Estados Unidos da América. 

Analisando o processo em seu conjunto, Weber verifica que dos dogmas e, em especial, dos impulsos morais do protestantismo, derivados após a reforma de Lutero, surge uma forma de vida de caráter metódico, disciplinado e racional. Da base moral do protestantismo surge não só a valorização religiosa do trabalho e da riqueza, mas também uma forma de vida que submete toda a existência do indivíduo a uma lógica férrea e coerente: uma personalidade sistemática e ordenada. Sem estes impulsos morais não seria possível compreender a ideia de vocação profissional, concepção que subjaz as figuras modernas do operário e do empresário. A moral presente na vida social dos círculos protestantes possui uma relação sociológica de afinidade eletiva com o comportamento (espírito) que subjaz ao sistema econômico e, disciplinar, ainda que não derive deste fator unicausal, trata-se de um impulso vital para o entendimento do mundo social tanto moderno quanto contemporâneo. No final da Ética Protestante, Max Weber destaca para o que nos interessa - objeto de nossa argumentação que, apesar de secularizada, ou seja, desprovida de fundamentos religiosos, a vida aquisitiva da economia moderna generalizou-se para todo conjunto da vida social: os puritanos queriam tornar-se monges, hoje todos têm que segui-los. Esta avaliação também ganha contornos críticos, pois Weber constata que a lógica da produção, do trabalho e da riqueza envolve o mundo moderno como uma jaula de ferro (Eisernen Käfig) e se pergunta qual o destino dos tempos modernos: o ressurgimento de velhas ideias ou profecias ou uma realidade petrificada, até que a última tonelada de carvão fóssil seja queimada? 

Em tons que lembram Friedrich Nietzsche, ele dirá ainda sobre os homens dos tempos atuais: “especialistas sem espírito, nulidades sem coração”. Esta visão crítica do capitalismo encorajou importantes pensadores marxistas como Georg Lukács (1885-1971), Karl Löwith, Michael Löwy a ressaltarem algumas afinidades do pensamento hic et nunc com a visão marxista, corrente que, sem menosprezar as sensíveis diferenças entre as duas formas de pensamento, denominada de webero-marxismo (cf. Löwy, 2014). No entanto, diferente da visão marxista, que privilegia os condicionamentos econômicos, Max Weber, coerente com uma visão multicausal dos níveis sociais, destaca seus fatores culturais e, mais tarde, concordando com Marx, enfatizará também os fatores materiais ou níveis de análise com domínio econômico no surgimento das instituições modernas. Sobre a questão específica a respeito das chamadas Afinidade eletivas, lembra Michael Löwy que são raros os pesquisadores especializados em sociologia das religiões que, ao comentar os diversos escritos de Weber sobre o tema hic et nunc, em particular A Ética Protestante, não constataram a utilização conceitual através do termo “afinidade eletiva”. Isto porque, estranhamente, esse termo suscitou poucos estudos, discussões ou debates e menos ainda uma análise mais sistemática de seu significado metodológico. Dentre estes existe o ensaio de Richard Howe (1978) que contém informações úteis sobre as origens do termo, mas a definição que ele propõe considerando a “afinidade eletiva”, como uma ideia no sentido de emprego kantiano não é muito pertinente. Na interpretação Löwyniana, o referido autor não distingue a “afinidade interna” da conceitual afinidade eletiva, o que elimina o papel decisivo da eleição. Enfim, ele parece querer reduzir a Wahlverwandtschaft a uma “afinidade entre palavras”, em função da “interseção de significados”, o que limita seu considerável alcance. No ensaio de J. J. R. Thomas (1985) depois de uma discussão não sem interesse, chega a uma conclusão decepcionante: - “Tentando evitar o conceito de ideologia, considerado por ele grosseiramente materialista, Weber criou um conceito [afinidade eletiva] que não leva a lugar algum”. A contribuição social é a de José María González Garcia que dedicou às afinidades eletivas um capítulo de seu livro entre Max Weber e Johann Wolfgang von Goethe (1992).                                             

   

O termo Wahlverwandtschaft tem uma longa história, muito anterior aos escritos sobre religião de Max Weber. Foi na alquimia medieval que o termo “afinidade” começou a ser usado para explicar a atração e fusão dos corpos. Segundo Alberto Magno, se o enxofre se une aos metais, é por causa da afinidade que ele tem com esses corpos: “propter affinitarem naturae metalla adurit”. Encontramos essa temática nos alquimistas dos séculos seguintes. Por exemplo, em seu livro Elementa Chimiane (1724), Hermannus Boerhaave explica que “particulae solventes et solutae se affinitate suae naturae colligunt in corpora homogênea”. A afinidade é uma força em virtude da qual duas substâncias “procuram-se, unem-se e encontram-se” numa espécie de casamento, de bodas químicas, antes procedendo do amor que do ódio, “magis ex amore quam ex dio”. O termo attractio electiva aparece pela primeira vez nos escritos do químico sueco Torbern Olof Bergman. Seu livro, De attractionjibus electivis (Upsalla, 1775), foi traduzido para o francês com o título de Traité des affinités chimiques ou Attractions électives (1788). Na tradução alemã (Frankfurt, Tabor, 1782-1790), o termo “atração eletiva” foi exatamente traduzido por Wahlverwandtschaft, afinidade eletiva. Foi dessa versão alemã do livro de Bergman que Goethe tirou o título de seu romance Wahlverwandtschaft (1809), no qual ele menciona um livro de química estudado “há cerca de dez anos” por um de seus personagens.

O termo se torna na verdade uma extraordinária metáfora para designar o movimento passional pelo qual um homem e uma mulher são atraídos um para o outro – correndo o risco de se separarem de seus antigos companheiros – a partir da afinidade íntima entre suas almas. Essa transposição de Goethe faz do conceito químico para a o terreno social da espiritualidade e do amor foi facilitada pelo fato de que, em vários alquimistas, como Boerhaave, por exemplo, o termo já era fortemente carregado de metáforas sentimentais e eróticas. Para Goethe, existe afinidade eletiva quando dois seres ou elementos “procuram-se um ao outro, atraem-se, apropriam-se um do outros e, em seguida ressurgem dessa união íntima numa forma renovada me imprevista”. A semelhança com a fórmula de Boerhaave – dois elementos “procuram-se, unem -se e encontram-se” – é impressionante, e não excluímos que Goethe conhecesse e tenha se inspirado na obra do alquimista holandês. Com o romance de Goethe, o termo ganhou direito de cidadania na cultura alemã como designação de um tipo de ligação particular entre duas almas. Foi na Alemanha, portanto, que ele passou por sua terceira metamorfose: a transmutação, por obra desse grande alquimista da ciência social chamado Max Weber, em conceito de representação puramente de encarnação sociológico.  Da acepção antiga, ele conserva as conotações de escolha recíproca, atração e combinação, mas a dimensão da novidade parece desaparecer.

O conceito ocupa um lugar importante em A Ética Protestante, precisamente por levar a cabo a análise da relação complexa e sutil entre essas duas formas. Para Weber, trata-se de superar a abordagem tradicional em termos de causalidade e, assim, evitar o debate sobre a primazia do “material” ou do “espiritual”.  Com isso, são especificados ao mesmo tempo, na medida do possível, o modo e a direção geral segundo as quais, em consequência de tais afinidades eletivas, o movimento religioso agiu sobre o desenvolvimento da cultura material. A afinidade eletiva é talvez um meio para uma busca causal “num segundo momento”, mas isso não significa que ela própria seja uma relação causal. As formulações de Max Weber são suficientemente flexíveis para podemos admitir diferentes leituras de interpretação. O que sociologicamente Weber tenta demonstrar em sua análise com o conceito de Wahlverwandtschaft é, segundo Michael Löwy, em primeiro lugar a coexistência de elementos convergentes e análogos entre uma ética religiosa e um comportamento econômico: o ascetismo puritano e a economia do capital, a ética protestante do trabalho e a disciplina burguesa do trabalho, a valorização calvinista do ofício virtuosos e o ethos do empreendimento burguês racional, a concepção ascética do uso utilitário das riquezas e acumulação produtiva do capital, a exigência puritana da vida metódica e sistemática e a busca racional do lucro capitalista.

É a partir dessas analogias profundas, desses “parentescos íntimos”, que na Holanda, na Inglaterra e nos Estados Unidos historicamente do século XVII ao XIX, vai se desenvolver uma relação de afinidade eletiva entre a ética protestante e o espírito do capitalismo, graças a qual a concepção puritana da existência favorece a tendência a uma vida burguesa economicamente racional e vice-versa. Não surpreende que a expressão “afinidade eletiva” não tenha sido compreendida pela recepção anglo-saxã historicista positivista de Max Weber.  O próprio autor utiliza o conceito apenas três vezes em A Ética Protestante, mas ela aparece também em outros escritos, na maioria das vezes em ensaios de sociologia das religiões. 1. No nível de análise religioso: trata-se da relação da afinidade eletiva em diversas formas religiosas; por exemplo, entre o ritualismo e a graça sacramental ou entre a profecia de missão e “determinada concepção do divino: a de um Deus criador, transcendente, pessoal, fulminante, que perdoa, ama, exige, castiga”, em oposição à divindade impessoal e contemplativa da profecia exemplar. 2. No nível econômico: entre o “espírito” do capitalismo e as formas de organização econômicas capitalistas. Isso pode parecer redundante, mas Weber insiste no fato de que, do mesmo modo que uma organização sindical nem sempre é movida por um espírito sindicalista ou um império colonial, pelo espírito do imperialismo, uma economia capitalista não é necessariamente movida pelo “espírito do capitalismo”. Conforme o caso, o “espírito” encontra-se, num grau ou noutro, em adequação e, eventualmente, em “relação de afinidade eletiva” com a “forma”. 

3. No campo cultural: esse é um exemplo curioso, pois Weber opõe a formação patrimonial que, ao racionalizar-se conduz à burocracia moderna (especialização, profissionalização) – a formação (Bildung) feudal, “com seus traços lúdicos e sua afinidade eletiva com a atividade artística. Max Weber tem em mente a educação da aristocracia, mas os traços comuns com a prática da arte não são explicitados. Para sermos breves, a partir do uso weberiano do termo, Michael Löwy propõe a seguinte definição: a afinidade eletiva representa o processo pelo qual a) duas formas culturais/religiosas, intelectuais, políticas ou econômicas ou b) uma forma cultural e o estilo de vida e/ou os interesses de um grupo social entram, a partir de certas analogias significativas, parentescos íntimos ou afinidades de sentido, numa relação de atração e influência recíprocas, de escolha ativa, convergência e de reforço mútuo. Essa definição leva em consideração os diversos níveis ou graus de afinidade eletiva, a começar pela finidade simples, o parentesco espiritual, a congruência, a adequação interna. É importante frisar que esta última é ainda estática, cria a possibilidade, mas não a necessidade, de uma convergência ativa, de uma atração eletiva. A transformação dessa potência em ato, sua dinamização, depende de condições históricas e sociais concretas. Assim, Weber constata, por exemplo, “certo parentesco (Verwandtschaft)” entre o confucionismo e o racionalismo puritano. Isso não é o suficiente para criar entre eles uma relação efetiva de convergência.  Naturalmente, a afinidade eletiva depende do grau de “adequação” ou mesmo de “parentesco” entre as duas formas, mas depende também de outros fatores, pois ela é favorecida ou entravada por certas condições históricas. Em outras palavras, é preciso haver certa “constelação” de fatores históricos, sociais e culturais para que ocorra um processo de attractio electiva, de seleção recíproca, de esforço mútuo e até, em certos casos, de “simbiose” de duas figuras espirituais. Esse aspecto está presente em Max Weber, mas é raramente desenvolvido.  

            Parker é um filme americano dirigido por Taylor Hackford e lançado em 2013. É uma adaptação do romance Flashfire, de Donald E. Westlake, sob o pseudônimo de Richard Stark, publicado em 2000. Jason Statham interpreta Parker, um personagem que já apareceu em diversos romances e filmes. O filme recebeu críticas mistas após seu lançamento e não foi um sucesso comercial. Parker (Jason Statham) é um ladrão profissional. Seu mentor, Hurley (Nick Nolte), pede que ele aceite um trabalho com uma equipe que ele não conhece, composta por Melander (Michael Chiklis), Carlson (Wendell Pierce), Ross (Clifton Collins Jr.) e Hardwicke (Kirk Baltz). Eles roubam com sucesso a Feira Estadual de Ohio, mas Hardwicke altera parte do plano de Parker, resultando em uma morte desnecessária. Enfurecido com o assassinato, Parker se recusa a participar do roubo de joias proposto. Precisando de sua parte do saque em Ohio para financiar o plano maior, Melander ordena que Hardwicke mate Parker, e eles o abandonam em um rio à beira da estrada. Ele sobrevive e é resgatado por fazendeiros. Após fugir do hospital, ele é levado por Hurley para Nova Orleans, onde o irmão de Hardwicke lhe diz que a quadrilha está em Palm Beach, na Flórida. Hurley tenta convencer Parker a ficar com seu próprio dinheiro e deixar o assunto para lá, a fim de proteger a si mesmo e sua filha Claire que também é namorada de Parker de represálias do tio de Hardwicke, Danzinger, um chefão da máfia de Chicago. Parker se recusa. O assassino de aluguel de Danzinger tenta capturar Claire, mas ela escapa. 

        Parker viaja para Palm Beach e se passa por um rico magnata do petróleo do Texas chamado Parmitt, em busca de uma casa luxuosa. A corretora de imóveis Leslie Rodgers (Jennifer Lopez) lhe mostra uma casa supostamente vazia, comprada por um homem chamado Rodrigo, o que desperta seu interesse. Leslie, uma divorciada com dificuldades financeiras, convida Parker (Parmitt) para sair, mas ele recusa. Ao verificar seu crédito, ela descobre que sua identidade (obtida de um conhecido de Hurley) é falsa. Desesperada por dinheiro e para sair do apartamento da mãe, ela oferece sua ajuda. Quando Parker lhe conta que o próximo trabalho é um roubo de joias, Leslie sugere que haja um leilão de joias nas proximidades. O assassino encontra Parker e o ataca em seu hotel, mas Parker o joga da sacada do prédio e escapa. Um policial vai até o apartamento de Leslie para interrogar Parmitt sobre a briga já que ela o havia mostrado algumas casas e, durante a conversa, ela encontra Parker sangrando na varanda. Ela convence o policial a ir embora e começa a trabalhar. Ela fica arrasada ao retornar e encontrar Claire cuidando dos ferimentos de Parker. Apesar dos ferimentos, ele insiste em se vingar da gangue de Melander naquela noite. Melander e sua equipe se infiltram na casa de leilões para instalar alto-falantes adulterados, com a intenção de explodi-los. Mais tarde, eles se disfarçam de bombeiros e roubam as joias, escapando pela água. Parker os espera em casa; antes, ele havia invadido o local, plantado rifles e danificado os percutores das armas. 

             Quando eles retornam, ele se prepara para atacar, mas Leslie é capturada por Melander. Usando uma das pistolas escondidas e os percutores danificados, Leslie e Parker conseguem matar a equipe. Parker entrega as joias a Leslie, pede que ela as guarde em um lugar seguro e diz que encontrará um jeito de conseguir o valor equivalente. Em seguida, ele mata Danzinger em Chicago, envia a parte dela para Leslie um ano e meio depois e manda dinheiro para os fazendeiros que o salvaram. Escólio: A semelhança comporta uma única asserção, sempre a mesma. A similitude as afirmações diferentes, que dançam juntas, apoiando-se e caindo umas em cima das outras. Expulsa do espaço do quadro, excluída da relação entre as coisas que reenviam uma à outa, a semelhança desaparece. Mas não era para reinar em outro lugar, onde estaria liberta do jogo indefinido da similitude. Não cabe à semelhança ser a soberania que faz surgir. A semelhança, que não é uma propriedade das coisas, não é própria ao pensamento? “Só ao pensamento”, diz Magritte, “é dado ser semelhante; ele assemelha sendo o que vê, ouve ou conhece; torna-se o que o mundo oferece”. O pensamento assemelha sem similitude, tornando-se ele próprio essas coisas cuja similitude entre si exclui a semelhança. A pintura é esse ponto onde está na vertical um pensamento que está sob o modo da semelhança e das coisas que estão nas relações de similitude. Isto não é um cachimbo é suficiente para a questão: quem fala a enunciação? Ou antes, de fazer falar, os elementos dispostos, seja deles mesmo: “Isto não é um cachimbo”. Ela inaugura um jogo de transferências que correm, proliferam, se propagam, se respondem, no plano do quadro sem nada afirmar, nem representar nesses jogos da similitude. Em Les Liaisons Dangereuses uma mulher nua mantém diante de si um espelho que a esconde quase inteiramente: tem os dois olhos quase fechados, baixa a cabeça, que volta para a esquerda como se quisesse não ser vista e não ver que é vista.                

           Esse espelho, que se encontra exatamente no plano do quadro e de frente para o espectador, envia a imagem da própria mulher que se esconde: a face refletidora do espelho faz ver essa parte do corpo (dos ombros às coxas) que a face cega esconde. O espelho funciona um pouco ao modo de uma tela radioscópica. Mas com todo um jogo de diferenças. A mulher é ali vista de perfil, inteiramente voltada para a direita, o corpo ligeiramente inclinado para a frente, o braço não estendido para carregar o espelho pesado, mas dobrado sobre os seios; a longa cabeleira que deve mergulhar por trás do espelho, à direita, escorre, na imagem do espelho, à esquerda, ligeiramente interrompida pela moldura do espelho, no momento desse ângulo brusco. A imagem é notavelmente menor do que a própria mulher, indicando assim, entre o espelho e o que ele reflete, uma certa distância que a atitude da mulher contesta, ou é por ela contestada, apertando o espelho contra seu próprio corpo para melhor escondê-lo. Esse pouco de distância por trás do espelho é manifestado ainda pela extrema proximidade da parede. Entre a parede e o espalho, o corpo escondido foi eliminado e a superfície opaca da parede, que recebe apenas sombras, não há nada. Em todos esses planos, escorregam-se similitudes que nenhuma referência vem fixar; translações sem ponto de partida nem suporte. 

            Dia virá no qual a própria imagem, com o nome que traz, é que será desidentificada pela relação social de similitude indefinidamente transferida numa série. Isto quer dizer que o objeto abstrato: “Isto não é um cachimbo”, silenciosamente escondido na representação semelhante, tornou-se o “Isto não é um cachimbo” das similitudes em circulação. Michel Foucault com o único fim de estabelecer os efeitos sociais a partir de tais relações sociais e políticas desloca-se deste ponto de vista para trabalhar com algumas séries de noções: “formações discursivas”, “positividade”, “arquivo”, definindo um domínio. Os enunciados, o campo enunciativo, as práticas discursivas, revelam a especificidade de um método de análise filosófico que não seria “nem formalizador, nem interpretativo”, pois já existem muitos métodos capazes de descrever e analisar a linguagem, para que não seja presunção querer acrescentar-lhes outro. Ele já havia mantido “sob suspeita”, expressão que utiliza hic et nunc, em unidades de discurso como o livro ou a obra porque desconfiava que não fosse tão imediata e evidente quanto pareciam: será razoável opor-lhes unidades estabelecidas à custa de tal esforço, depois de tantas hesitações e segundo princípios tão obscuros que foram necessárias centenas de páginas para elucidá-los? O que pode oferecer essa arqueologia? Qual é a recompensa de tão árdua empresa? A arqueologia em termos de método procura ordenar, classificar, averiguar e compreender os fatos sociais e históricos ocorridos.       

Entre análise arqueológica e história das ideias, os pontos de separação são numerosos, mas que simplificadamente, para o filósofo, apresentam quatro distinções: 1ª) A arqueologia busca definir não os pensamentos, as representações, as imagens, os temas, as obsessões que se ocultam ou se manifestam nos discursos; mas os próprios discursos, enquanto práticas que obedecem a regras sociais. Ela não trata o discurso como documento, mas onde se mantém a parte, a profundidade do essencial; ela se dirige ao discurso em seu volume próprio, na qualidade de monumento. Não busca um “outro discurso” mais oculto. Recusa-se a ser “alegórica”; 2ª) A arqueologia não procura encontrar a transição contínua e insensível que liga, em declive suave, os discursos ao que os precede, envolve ou segue. O problema dela é, pelo contrário, definir a tópica dos discursos em sua especificidade, sintoma e precariedade dada.  Mostrando em que sentido o jogo das regras que utilizam é irredutível a qualquer outro; segui-los ao longo de suas arestas exteriores para melhor salientá-los. Ela não vai à progressão lenta do campo do confuso da opinião à singularidade do sistema ou à estabilidade definitiva da ciência; não é uma “doxologia”, mas uma análise diferencial das modalidades de discurso; 3ª) A arqueologia não é ordenada pela figura soberana da obra; não busca compreender o momento em que esta intuição se destacou no horizonte anônimo. Não quer reencontrar o ponto enigmático em que o individual e o social se invertem um no outro.

Ela não é nem psicologia, nem sociologia, nem, num sentido mais geral, a ideia de “antropologia da criação”. A obra não é para ele um recorte metodológico acadêmico pertinente, mesmo se se tratasse de recolocá-la em seu contexto mais global, ou na rede das causalidades positivistas que a sustentam. Ela define tipos e regras de práticas discursivas que atravessam obras individuais. Embora muitas vezes as comandasse inteiramente e as dominam sem que nada lhes escape, no sentido panoptista. Mas sem dúvida em outras vezes, que só lhes rege uma parte referida à instância do sujeito e princípio de sua unidade que ao que parece lhes são estranhas. Mas Michel Foucault entende que a arqueologia não procura reconstituir o que pôde ser pensado, desejado, visado, experimentado, almejado pelos homens no próprio instante em que proferiam o discurso. Ela não se propõe a recolher esse núcleo aparente e fugidio onde Autor e obra trocam de identidade. Onde o pensamento permanece ainda o mais próximo de si, na forma ainda não alterada do mesmo, e onde a linguagem não se desenvolveu ainda na dispersão espacial sucessiva do discurso. Não tenta repetir o que parece que foi dito, reencontrando-o em sua própria identidade. Não se pretende apagar na modéstia ambígua de uma leitura que deixaria voltar, em sua pureza, a luz longínqua, precária, quase extinta da origem. Menos que nada e diferente de uma “reescrita”. É na forma mantida da exterioridade, uma transformação regulada do que já foi escrito. Não é o retorno ao próprio segredo da origem; é descrição de um discurso-objeto. É neste sentido que no livro: As Palavras e as Coisas (2016), a arqueologia indica-nos pistas e propõe metodologicamente uma forma peculiar de descrever a imagem, sobre a técnica de interpretação através da pintura do quadro Las Meninas, de 1656 de Diego Velásquez, o principal artista do século de ouro espanhol havendo sido reconhecida como uma das pinturas mais importantes na história da arte ocidental. 

Não por acaso o pintor barroco Luca Giordano afirmou que ela representa a “teologia da pintura”, com o presidente da Academia Real Inglesa ou Royal Academy School of Arts: Sir Thomas Lawrence (1769-1830) descrevendo a obra em 1827 para David Wilkie refere-se a ela como “a verdadeira filosofia da arte”. Seguindo esta direção interpretativa a obra foi descrita magistralmente ainda como a “realização suprema de Velásquez, uma demonstração bem consciente e calculada sobre o que uma pintura pode alcançar”. Artista celebrado e prolífico, tinha o cognome de Luca Fapresto pelos seus contemporâneos pela inusitada rapidez com que pintava. Uma tela da igreja de Santa Maria do Pranto, Nápoles, teria sido pintada em 48 horas. O número de obras a ele atribuído ascende à casa dos cinco mil títulos, mas a maioria de nível medíocre. Na análise o pintor está ligeiramente afastado do quadro, com um olhar em direção ao modelo e acrescentar um último toque, mas é possível também que o primeiro traço não tenha ainda sido aplicado. O braço que segura o pincel está dobrado para a esquerda, na direção da palheta; permanece imóvel, por um instante, entre a tela e as cores. Essa mão hábil particular do ofício de pintor está pendente do olhar; e o olhar, em troca, repousa sobre o gesto suspenso. Entre a fina ponta do pincel e o gume do olhar, o espetáculo vai liberar seu volume. Não sem um sistema sutil de evasivas. Distanciando-se o pintor colocou-se ao lado da obra na qual trabalha. 

Isso quer dizer que para o espectador que olha, ele está à direita de seu quadro, o qual ocupa toda a extremidade esquerda. A esse mesmo espectador o quadro volta às costas: dele só se pode perceber o reverso, com a imensa armação que o sustenta como se fosse um arco da representação e captura da imagem. É perfeitamente visível em toda a sua estatura. Mas, de todo modo, ele não está encoberto pela alta tela que, talvez, irá absorvê-lo logo em seguida, quando, dando um passo em sua direção, se entregará novamente a seu trabalho; mas, nesse mesmo instante, ele acaba de aparecer aos olhos do espectador, surgindo dessa espécie de grande gaiola virtual que a superfície que ele está pintando projeta para trás. Podemos vê-lo agora, num instante de pausa, no centro neutro dessa oscilação. Jennifer Lopez foi escalada como protagonista feminina do filme chamada Leslie,   uma fonte que ajuda Parker durante um assalto. Seu talhe escuro, seu rosto claro são meios-termos entre o visível e o invisível: saindo dessa tela que nos escapa, ele emerge aos nossos olhos; mas quando, dentro em pouco, der um passo para a direita, furtando-se aos nossos olhares, achar-se-á colocado bem em face da tela que está pintando; entrará nessa região onde seu quadro, negligenciado por um instante, se lhe vai tornar-se de novo visível, sem sombra nem reticência por que se trata de imiscuir na realidade. Como se o pintor não pudesse ser ao mesmo tempo visto, no quadro em que está representado, e ver, aquele em que se aplica representar, ele reina no limiar dessas duas visibilidades incompatíveis. 

Quando se colocam o espectador no campo de seu olhar, os olhos do pintor captam-no, constrangem-no a entrar no quadro, designam-lhe um lugar-tempo privilegiado, obrigatório, apropriam-se da espécie e projetam a superfície inacessível da tela virada. Ele vê sua invisibilidade tornada visível ao pintor e transposta em uma imagem definitivamente invisível a ele próprio. Surpresa que é multiplicada e tornada ainda mais inevitável por um estratagema marginal. Pensando bem, ele não faz ver nada do que o próprio quadro representa. Seu olhar imóvel vai captar à frente do quadro, nessa região necessariamente invisível que forma sua face exterior, as personagens que ali estão dispostas. Em vez de girar em torno de objetos visíveis, esse espelho atravessa todo o campo da representação, negligenciando o que aí poderia captar, e restitui a visibilidade ao que permanece fora do olhar. As significações são armadilhas inevitáveis. Como podermos nos portar diante delas? Talvez como leitores e expectadores deslumbrados pelo universo dos discursos. Parker tem como representação social um filme norte-americano dirigido por Taylor Hackford e lançado em 2013. É um diretor e produtor, nascido em 31 de dezembro de 1944. 

Após estudar Ciência Política e servir por dois anos como voluntário do Corpo da Paz na Bolívia, na década de 1960, Taylor Hackford dedicou-se à produção de documentários, criando inúmeros documentários e reportagens investigativas para a emissora de televisão californiana pública americana KCET, localizada em Los Angeles, Califórnia, e afiliada à rede Public Broadcasting Service (PBS). É uma rede de televisão pública sem fins lucrativos com mais de 330 estações de televisão afiliadas nos Estados Unidos que a detêm coletivamente. Seu trabalho, reconhecido em Hollywood e que lhe rendeu dois prêmios Emmy, permitiu-lhe diversificar sua carreira. Ele se tornou produtor e fundou sua própria empresa, a New Visions Pictures. Em 1978, Teenage Father, que ele escreveu, produziu e dirigiu, ganhou o Oscar de Melhor Curta-Metragem em Live Action. Com base nesse sucesso, ele dirigiu seu primeiro longa-metragem dois anos depois, The Age of Rock and Roll. Mas foi An Officer and a Gentleman, estrelado por Richard Gere, em 1982, um sucesso comercial e de crítica, que realmente o trouxe à atenção do público em geral e de toda a indústria cinematográfica, rendendo-lhe dois Oscars: Melhor Canção Original por “Up Where We Belong” e Melhor Ator Coadjuvante para Louis Gossett Jr. Em 1996, ele produziu o documentário “When We Were Kings”, sobre a luta entre o boxeador Muhammad Ali (1942-2016) e o boxeador George Foreman (1949-2025) em 1974 em Kinshasa, a capital da República Democrática do Congo. É o principal centro econômico e político, das indústrias, incluindo manufatura, telecomunicações, bancos etc., dirigido por Leon Gast com o Oscar de melhor documentário. 

Em 2004, ele dirigiu o filme Ray, sobre a vida do cantor Ray Charles (1930-2004), estrelado pelo ator Jamie Foxx, com uma indicação ao Oscar de melhor diretor. O filme é uma adaptação do romance Flashfire, de Donald E. Westlake, sob o pseudônimo de Richard Stark, publicado em 2000. Jason Statham interpreta Parker, um personagem que já apareceu em diversos romances e filmes. Parker é um personagem fictício criado por Donald E. Westlake que aparece em seus romances sob o pseudônimo de Richard Stark. Westlake escolheu esse pseudônimo como uma homenagem a Richard Widmark, “um ator magnífico, fantástico em papéis ameaçadores”. Parker é um ladrão de bancos independente que age friamente, guiado unicamente pelo interesse próprio. O personagem já apareceu em diversos filmes. O próprio Westlake criou uma versão cômica com o personagem Dortmunder. Desde o primeiro livro, a característica que define Parker é a sua completa ausência de emoção na sociedade. Ele é o ladrão profissional por excelência, agindo com frio distanciamento. A intenção de Stark/Westlake era suprimir quaisquer sentimentos pelo seu personagem principal, mesmo quando o submete a enormes provações: a traição dos seus cúmplices e da sua esposa, o confronto com a máfia no primeiro romance. O primeiro nome de Parker nunca é mencionado nos romances, e muitos detalhes sobre ele permanecem envoltos em torno do mistério. Suas principais características são “sua natureza taciturna e seu hábito de esperar pelas pessoas sentado em um sofá em um quarto escuro”. Parker é assustador não apenas por ser frio, metódico e eficiente, mas também porque Westlake conseguiu torná-lo extremamente verossímil. Parker não se envolve em feitos espetaculares, o que o tornaria irreal, mas age de forma realista, optando pelo caminho mais direto em suas ações. 

O primeiro romance da série Parker é “O Caçador”, adaptado duas vezes para o cinema “À Queima-Roupa” e “O Golpe”, no qual ele persegue seu parceiro e sua ex-esposa, que o traíram durante um assalto e o deixaram para morrer. Após uma breve passagem pela prisão, ele os encontra e os elimina, voltando então sua atenção para a Organização, para quem seu parceiro havia entregado sua parte do roubo para quitar uma dívida. No final deste primeiro romance, Parker foi preso pela polícia. O editor, no entanto, perguntou a Westlake se havia alguma maneira de Parker escapar. Sua intenção era publicar dois ou três livros ano com esse personagem. Westlake concordou prontamente, considerando Parker “bem melhor” do que a polícia. Após essa primeira aventura, ele orquestra roubos e assaltos à mão armada com cúmplices escolhidos a dedo ou que encontra por acaso, como o assalto a uma cidade inteira En coupe règle, ou a uma base da Força Aérea em Le Divan Indiscret (1968). Ele é conhecido no submundo do crime por planejar meticulosamente seus roubos. Mas seus planos são regularmente frustrados, pela incompetência ou ganância de um de seus parceiros. Esse padrão geralmente leva a um infeliz final sangrento. Jean-Patrick Manchette (1942-1995) mostrou como esse padrão pode ser decomposto em “figuras impostas”: o primeiro plano de ação é falho, então Parker impõe outro.

Ele se impõe como líder, geralmente sem entusiasmo, mas porque precisa de dinheiro. Algumas características definem a equipe de executores. Financiamento, preparação de equipamentos e logística constituem outras sequências. Parker cerca-se de cúmplices para realizar seus roubos. Alguns deles são personagens recorrentes. O mais próximo deles é um ator chamado Alan Grofield, que Richard Stark também apresenta em outros quatro romances nos quais Parker não aparece. John Sheer, Handy McKay, Ed e Brenda Mackey aparecem em vários livros da série. Em “Piecework”, o nono romance da série, Parker conhece Claire Carroll, que se torna sua parceira e com quem ele vive nos períodos em que não está ocupado planejando ou executando seus roubos. Claire não deseja se envolver nas atividades ilícitas de seu parceiro, mas ocasionalmente se vê involuntariamente arrastada para episódios de violência. O casal vive grande parte do ano em uma casa à beira de um lago em Nova Jersey, mas passa o verão em Miami. Entre 1962 e 1974, Westlake publicou dezesseis romances com Parker como protagonista. Vinte e quatro anos depois, Parker reapareceu em mais dez romances. Parker foi retratado no cinema: Lee Marvin (Walker em Point Blank), Jim Brown (McClain em The Split), Michel Constantin (Georges em Mise à sac), Robert Duvall (Earl Macklin em The Outfit), Peter Coyote (Stone em Slayground), Mel Gibson (Porter em Payback) e Jason Statham, sob seu próprio nome, em Parker. A atuação de Lee Marvin em Point Blank impressionou tanto Westlake que influenciou a representação de Parker em seus romances posteriores. Em 2025, Parker é assumido por dois autores franceses: o ilustrador Kieran e o escritor Doug Headline. A obra serve para lançar uma nova coleção da editora Dupuis chamada “Aire noire”. A Presa, 2025, adaptação de Um Pouco de Vinagre, publicado em 1969.

Bibliografia Geral Consultada.

MACPHERSON, Crawford Brough, Libertá e Proprietà alle Origini del Pensiero Borghesi. La Teoria del L’Individualismo Possessivo da Hobbes a Locke. Milano: Casa Editrice Isedi, 1973; FREEMAN, Judi, A Imagem Dada & Surrealista Word. Los Angeles: Los Angeles County Museum of Art, de 1989; DELEUZE, Gilles, Cinéma II: l` Imagem-temps. Paris: Éditions Minuit, 1985; HOBBES, Thomas, Leviatano. Tradutore G. Micheli. Biblioteca Universale Rizzoli, 1991; SOARES, Luiz Eduardo, A Invenção do Sujeito Universal: Hobbes e a Política como Experiência Dramática do Sentido. Tese de Doutorado em Ciência Política. Rio de Janeiro: Instituto Universitário de Pesquisas do Estado do Rio de Janeiro, 1991; DIDI-HUBERMAN, Georges, Ce Que Nous Voyons, Ce Qui Nous Regarde. Paris: Les Éditions de Minuit, 1992; PAQUET, Marcel, Magritte: O Pensamento Tornado Visível. Colônia: Editora Benedikt Taschen, 1992; ALLMER, Patrícia, René Magritte: Beyond Painting. Manchester University Press, 2009; DEWEY, John, A Arte como experiência. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2010; ARCHER, Michael, Arte Contemporânea. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2013; LÖWY, Michael, Redenção e Utopia: O Judaísmo Libertário na Europa Central (Um Estudo de Afinidade Eletiva). São Paulo: Editora Companhia das Letras, 1989; Idem, A Jaula de Aço: Max Weber e o Marxismo Weberiano. 1ª edição. São Paulo: Boitempo Editorial, 2014TRINDADE, Flávia Ferreira, “A dicotomia figura x linguagem apresentada na obra Isto não é um cachimbo analisada sobre a ótica da semelhança”. In: Enciclopédia. Pelotas, vol. 5, 2016; DE SALVADOR AGRA, Saleta, “Viendo el Sentido: Similitudes y Juegos Sígnicos en Magritte”. In: Revista Signa. Universidade de Vigo, 27 (2018), pp. 1023-1042; ARAUJO, Manoel Deisson Xenofonte; BOTELHO, Adriana Barroso, “O Pensamento Tornado Visível: O Surrealismo de Magritte no Design Gráfico de Thorgerson”. In: Educação Gráfica. Vol. 19, n˚ 1, 2015; FOUCAULT, Michel, Isto não é um cachimbo. 7ª edição. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 2016; Idem, As Palavras e as Coisas. Uma Arqueologia das Ciências Humanas. Rio de Janeiro: Editora Martins Fontes, 2016; WILLIAMS, Raymond, Televisão: Tecnologia e Forma Cultural. São Paulo; Belo Horizonte: Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, 2016; JOLLY, Claude, Destutt de Tracy. L’Idéologie Rationnelle. Paris: Editeur Librairie J. Vrin - Bibliothèque des Philosophies, 2024; BARBER, Nicholas, “De Ainda Estou Aqui a Wicked, por que Oscar 2025 é o mais politizado de todos os tempos”. In: https://www.bbc.com/portuguese/25/01/2025; entre outros.

domingo, 9 de agosto de 2026

Ilha de Santa Catarina – Cultura, Modernização & História da Natureza.

                          Florianópolis não é a Ilha da Magia, mas sim, a do Ilusionismo”. Franciele Schappo

        

        Carl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868) chegou ao Brasil há 200 anos como um dos integrantes da Missão Austríaca em companhia da imperatriz Leopoldina por ocasião de seu casamento com dom Pedro I (1798-1834). A Expedição Austríaca ao Brasil (Österreichischen Brasilien-Expedition) foi uma grande expedição de investigação científica destinada a explorar o Brasil, com destaque para as áreas da Botânica, da Zoologia e da Etnologia, organizada e financiada pelo Império Austríaco e realizada entre 1817 e 1835. A missão austríaca de 1817 trouxe um conjunto de sábios e artistas destacados. Compunham o séquito da arquiduquesa os zoólogos Johan Baptiste Von Spix (1781-1826) e Johann Natterer (1787-1843); os botânicos Karl Friedrich Philipp von Martius, Johann Sebastian Mikan (1769-1844) e Johann Emanuel Pohl (1782-1834), além do pintor Thomas Ender (1793-1875). A expedição fica meio ano na província do Rio de Janeiro para preparar a viagem, tendo contratada uma equipe de apoio, composta de guias, tropeiros, escravos e índios, que viabilizariam a parte técnica e operacional da expedição. A aventura do jovem botânico alemão percorreu mais de 10 mil km do Brasil por assim dizer inóspito, mas que resultou na obra Reise in Brasilien (“Viagem pelo Brasil”), concluída em 1831, além da Flora Brasiliensis, conduzida por Von Martius até sua morte (1868) e dando continuidade por 65 cientistas até a publicação, em 1906.

           - “A Flora Brasiliensis ainda é a maior obra de flora já feita no mundo, com o maior número de espécies e gêneros descritos”, afirma Rafaela Forzza, pesquisadora e curadora do Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. - “Até hoje nenhum botânico brasileiro trabalha sem ela”. O Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, ou apenas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, é um instituto de pesquisas e jardim botânico localizado no bairro do Jardim Botânico, na zona sul do município do Rio de Janeiro. Representa uma das mais belas e bem preservadas áreas verdes da cidade, exemplo da diversidade da flora brasileira e estrangeira. Nele podem ser observadas cerca de 6 500 espécies, distribuídas por uma área de 54 hectares, ao ar livre e em estufas. A instituição é responsável pela coordenação da Lista de Espécies da Flora do Brasil e pela avaliação de risco de extinção destas espécies. A instituição abriga, ainda, monumentos de valor histórico, artístico e arqueológico e a mais completa biblioteca do país especializada em botânica, com mais de 32 000 volumes e o maior herbário do Brasil, que possui 600 mil amostras desidratadas, número de 2014, com uma média de 20 mil novas amostras incorporadas anualmente, informatizadas e disponíveis na página da instituição. A sua origem remonta à transferência da corte portuguesa afugentada por Napoleão Bonaparte (1769-1821) para o Brasil, entre 1808 e 1821. 

          A corte fixou-se no Rio de Janeiro, desde 1763 sede do Brasil, uma colônia portuguesa, e agora alçada à condição de sede do império português, propiciando-lhe tout court diversas oportunidades e melhorias. Dentre essas destaca-se a implantação de uma fábrica de pólvora na sede do antigo Engenho da Lagoa, de propriedade de Rodrigo de Freitas, cujas ruínas dos muros integram os limites da instituição. Por decreto real de 13 de junho de 1808, o príncipe-regente Dom João, em nome de sua mãe “incapacitada” - Dona Maria I -, “manda tomar posse do engenho e terras denominadas da Lagoa Rodrigo de Freitas”, para criar o Jardim de Aclimação, com a finalidade de “aclimatar as plantas de especiarias oriundas das Índias Orientais: noz-moscada, canela e pimenta-do-reino”. No mesmo ano, a 11 de outubro, recebeu o nome de Real Horto, e no dia seguinte em 12 de outubro, o Príncipe-regente assinou um decreto real criando o cargo de feitor para a fazenda da Lagoa. Os primeiros exemplares de plantas que o integraram vieram do Jardim La Pamplemousse, nas ilhas Maurício, pelas mãos de Luiz de Abreu Vieira e Silva, que os ofereceu ao Príncipe-regente. Entre eles encontrava-se a chamada “Palma Mater”.  A sua direção foi inicialmente entregue ao general Carlos Antônio Napion (1808) e, em seguida, ao brigadeiro dom João Gomes da Silveira Mendonça, marquês de Sabará, que o dirigiu de 1808 a 1819. Em 1810, o prussiano Kancke transformou-o em uma estação experimental, recebendo, nessa função, mais de 800 000 réis por ano. Nos viveiros, já havia mudas de cânfora, nogueira, jaqueira, cravo-da-índia e outras plantas do Oriente.

                                 


Em termos administrativos, o alvará de 1º de março de 1811 “Cria a Real Junta de Fazenda dos Arsenais, Fábricas, e Fundição da Capitania do Rio de Janeiro e uma Contadoria dos mesmos Arsenais (...) dirigindo também um estabelecimento de um jardim botânico da cultura em grandes plantas exóticas que mandou que se haja de formar na dita fazenda da Lagoa (...)”. No ano seguinte (1812), chegaram, ao Real Horto, as primeiras mudas de chá Camellia sinensis, planta denominada anteriormente como Tea viridis, enviadas de Macau pelo senador daquela colônia portuguesa no Extremo Oriente, Dom Rafael Botado de Almeida. Visando dinamizar essa cultura, em 1814 o Príncipe-regente faz trazer para trabalhar no jardim um grupo de cerca de 300 chineses. O decreto real de 11 de maio de 1819 anexa o Real Horto ao Museu Real, criado no ano anterior, por decreto real de 6 de junho de 1818. Pelo Decreto Real de 22 de fevereiro de 1822, a instituição, que, desde 1808, se encontrava subordinada ao Ministério dos Negócios da Guerra, passou para a alçada do Ministério dos Negócios do Reino. O Decreto Real de 11 de maio de 1819 anexa o Real Horto ao Museu Real, criado no ano anterior, por decreto real de 6 de junho de 1818. Pelo decreto real de 22 de fevereiro de 1822, a instituição, que, desde 1808, se encontrava subordinada administrativamente ao Ministério dos Negócios da Guerra, passou para a alçada do Ministério dos Negócios do Reino. 

Com a proclamação da República brasileira (1889), no ano seguinte passou a ser denominado como Jardim Botânico. A partir de então, receberia diversos visitantes ilustres, como Albert Einstein (1925) e a rainha Isabel II do Reino Unido em novembro de 1968, entre outros, transformando-se em cartão-postal da cidade. Entre os nomes de pesquisadores que lhe estão ligados destaca-se o de Manuel Pio Correia (1874-1934),  um botânico português. Naturalista, botânico, geólogo e pesquisador, nascido na cidade do Porto, em Portugal, filho do editor e livreiro Ignacio Corrêa, dedicou-se ao estudo da Botânica aplicada, ressaltando aspectos científicos, econômicos e industriais das plantas. Membro de mais de uma dezena de instituições científicas. Os trabalhos desenvolvidos por este naturalista deram origem a importantes publicações, dentre as quais os seis volumes do Dicionário das Plantas Úteis do Brasil e das Exóticas Cultivadas (1926) pelo Ministério da Agricultura. Sua bibliografia completa inclui cerca de 150 trabalhos. Quando faleceu, era pesquisador do Museu de História Natural de Paris. O Jardim Botânico do Rio de Janeiro encontra-se tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde 1937. Em 1991, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e a Cultura (UNESCO) considerou-o como Reserva da Biosfera. 

Naquele momento, quando o jardim passava por dificuldades de manutenção e conservação, um grupo de empresas públicas e privadas formou-se para auxiliá-lo. Como resultado das parcerias, em 1992 o orquidário e a estufa de violetas foram renovados, além de procedida uma limpeza no lago. Em 1995, foi construído o Jardim Sensorial, com plantas aromáticas e placas indicadoras em braile, permitindo a visitação por portadores de deficiência visual. Posteriormente, uma nova estufa para as bromélias foi construída. No início do século XXI, o muro do jardim na rua Pacheco Leão, na cidade do Rio de Janeiro, foi demolido, dando lugar a uma grade, melhorando a sua integração tornando transparente a paisagística no bairro. Como reconhecimento pela importância científica, foi rebatizado como Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, em 1998, ficando afeto ao Ministério do Meio Ambiente. Em 2002, tornou-se uma autarquia federal. Desconhecido pela etnografia, mas que marcaria um importante acontecimento teórico e prático na história da escrita e da representação da filologia para o conhecimento da flora nacional, então representada de forma exótica e quase inatingível no âmbito do imaginário individual (o sonho) e coletivo (os mitos, os ritos, os símbolos). Formado em medicina, entretanto, dedicou-se às ciências naturais. Desnecessário dizer que as “ciências naturais” constituem uma classificação que abarca as áreas da ciência que visam a estudar a natureza em seus aspectos mais gerais e fundamentais. Isso é, o universo como um todo, que é entendido como regulado por regras ou leis de origem natural e com validade universal, fazendo-o de forma a focar-se nos aspectos físicos e não no homem ou em aspectos comportamentais. 

 Além do uso tradicional, a expressão ciências naturais é por vezes usada no dia-a-dia como sinônima de história natural. Neste sentido, “ciência natural” pode estar subentendendo biologia e talvez alguma das chamadas ciências da Terra, em oposição às ciências físicas, como astronomia, física e química. Em tempos medievais, o estudo natureza era reconhecido como filosofia natural. No final destes tempos e início da modernidade, a interpretação filosófica da natureza foi sendo substituída por uma aproximação científica através da utilização do método indutivo. A Filosofia da natureza é a expressão usada para descrever o estudo da natureza, tanto do ponto de vista que chamamos científica ou empírica, tanto do ponto de vista metafísico, de uma ciência geral de movimento e mudança, o movimento sendo entendido como qualquer tipo de mudança, como mudança de qualidade ou de lugar. Como o nome sugere a filosofia natural é interessada com esses movimentos e mudanças que ocorrem naturalmente, tal como geração, crescimento, e movimentos espontâneos como do coração e digestão, a queda de corpos e os movimentos circulares das esferas celestes. Num sentido mais restrito ela se destinava a todo o trabalho de análise e síntese de experiências comuns adicionados aos argumentos relativos à descrição e compreensão da natureza. O termo ciência, emergirá só mais tarde, depois de Galileu, Descartes e Newton e para o desenvolvimento de uma investigação experimental independente e de natureza matemática, governada por um método.

            Na literatura a influência do extraordinário Goethe, formando um ambiente que mais tarde ele denominaria, com argúcia, seu “bom treinamento intelectual pré-escolar”. Ipso facto Viena na virada para o século XX viveu momentos e circunstâncias díspares de decadência e inovação, unidade e multiplicidade, cosmopolitismo e provincianismo, propiciando o florescimento de criatividade tal que a vida cultural e política posterior seriam marcadas por seus traços de gênio e de bom humor, culpa e redenção, angústia e beleza. Os sábios eram pensadores de fora do ambiente filosófico acadêmico cuja obra Wittgenstein lera ainda bem moço, como Karl Kraus, o “feroz crítico” da cultura e da linguagem do final do Império Habsburgo que lhe causou forte impressão, por sua insistência na integridade pessoal. Sua obra inseria-se no âmbito da crise da linguagem, quando a preocupação geral se referia à autenticidade da expressão simbólica na arte e na vida pública. Outra expressão histórica dessa crise representava a crítica analítica interpretativa da linguagem de Fritz Mauthner, autor que perseguiu uma meta kantiana, a derrota da especulação metafísica, substituindo a “crítica da razão” por uma “crítica da linguagem”, sendo sua obra mais tributária de Hume e de Mach. Seu método, entretanto, era psicologista e historicista: a crítica da linguagem faz parte da psicologia social. O conteúdo da crítica era empirista, pois consideravam que a linguagem se funda nas sensações. Seu resultado foi cético - a razão idêntica à linguagem. Se acreditarmos que esta não serve para a apropriação da realidade. Ludwig Wittgenstein, acertadamente, opõe sua própria crítica lógica da linguagem à de Mauthner, primeiro que identificou a filosofia com a crítica da linguagem. Os trabalhos de Ibn al-Haytham e Francis Bacon popularizaram essa aproximação, e assim ajudando a forjar a revolução técnico-científica. 

No século XIX o estudo a ciência recebeu atenção maior dos profissionais e instituições, e ao fazê-lo surgiu o nome moderno de ciência natural. O termo cientista foi criado por William Whewell em 1834. Enfim, o termo ciência natural é também usado para distinguir esses campos que usam o método científico para estudar a natureza, das ciências sociais e ciências humanas, que usam o método científico para estudar o comportamento e sociedade humana e das ciências formais, como a matemática e lógica, que usam uma metodologia distinta. Como grupo, as ciências naturais se diferenciam das ciências sociais, por um lado, e das artes liberais, como as ciências humanas, por outro lado. Não por acaso, a biologia tende a se interessar objetivamente com as características, classificação e comportamento dos organismos, como as espécies desde Charles Darwin, foram formadas e as interações acrescidas da análise social, entre cada uma e com o ambiente. Von Martius percorreu o Brasil durante três anos chegando até o alto Amazonas, reunindo material que lhe permitiu publicar extensa e importante obra.

De volta à Alemanha, foi nomeado professor da Universidade de Munique (1826) e diretor do Jardim Botânico dessa cidade (1832). Chegando ao Rio de Janeiro a 15 de julho de 1817, iniciou imediatamente expedições científicas nos arredores da capital. Seguiu para São Paulo e, depois, permanecendo vários meses na província de Minas Gerais.  Internou-se no sertão, fazendo contato com índios “antropófagos” e, subindo o rio São Francisco, chegou ao interior de Goiás. Atravessou a Bahia, Pernambuco e, transpondo a Serra Dois Irmãos, visitou as províncias do Piauí e Maranhão. Partindo de Belém do Pará, percorreu o fabuloso rio Amazonas, terminando a viagem em Santarém, de onde embarcou para a Europa. No decorrer dessa viagem, reuniu cerca de 6.500 espécies de plantas, sem contar o material etnográfico e filológico que a ele igualmente se deve. A principal coleção de plantas está conservada no Museu Real de Munique. Com os dados obtidos no Brasil, Von Martius publicou também: “História Natural das Palmeiras”; “Novos Gêneros e Espécies de Plantas”; “Desenhos Selecionados das Plantas Criptogâmicas Brasileiras”; e “Sistema dos Remédios Vegetais Brasileiros”. Von Martius também contribuiu para o estudo e pesquisa etnográfica e da linguística indígenas com as obras Contribuição para a etnografia e a linguística da América, especialmente do Brasil e Glossário das Línguas Brasileiras, reunindo os termos indígenas coligidos por Spix.

Ambos descreveram sua etnologia no livro Viagem pelo Brasil, nos Anos de 1817 a 1820. De volta à Alemanha Von Martius iniciou a organização das informações, que resultou em Flora Brasiliensis, o mais abrangente levantamento da flora, com a descrição de 22.767 espécies – 19.629 brasileiras e 5.689 que eram novas para a ciência do período histórico da etnologia – e 3.811 desenhos de plantas, suas flores, frutos e sementes. Cem anos depois da publicação do último dos 40 volumes, a obra acaba de ganhar uma inédita versão eletrônica, cujo desenvolvimento é encabeçado pelo botânico George Shepherd, professor do Instituto de Biologia (IB) da Universidade de Campinas, no qual esboçaram imagens da natureza e da sociedade brasileira em três tomos, editados em 1823, 1828 e 1831, e cuja edição brasileira, promovida pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), data de 1938. Tendo sido um evidente sucesso literário, o livro de Spix e de Von Martius recebeu inúmeras edições na Europa, sendo ilustradas por numerosos desenhos da autoria de Thomas Ender, que deixou mais de 700 aquarelas sobre o Brasil, do próprio Von Martius, além de outros membros da expedição. Ender também foi responsável por ilustrações para as viagens de Johann Emanuel Pohl (1951). Muitos de seus diversos desenhos da região do Rio de Janeiro e da província de São Paulo somente viriam a ser conhecidos após sua morte, em 1875.   

A expedição científica de Johan Baptiste von Spix e Carl Friedrich Philipp von Martius ao Brasil, realizada entre 1817 e 1820, deu primícias das mais relevantes num vasto leque temático, que abrange tanto as respectivas especialidades destes viajantes naturalistas, a zoologia e a botânica, como em outros campos próximos do saber. Essa empresa tem sido unanimemente aclamada pelo conhecimento que produziu no âmbito da botânica, o acervo etnográfico que reuniu é atualmente orgulho do Museu Etnográfico de Munique, e os historiadores, que por sua vez, presentemente citam e discutem com interesse a proposta de Von Martius sobre o tema “Como se deve escrever a História do Brasil?”. Entre as obras do cientista na área das ciências sociais, encontra-se o texto: “Como se deve escrever a história do Brasil”, no qual ele propunha que o relato da história brasileira desse valor à contribuição das três raças para a formação do país, à língua e aos costumes indígenas, à atuação dos jesuítas e ao modo de vida colonial, entre outros aspectos. A obra demonstra a preocupação com uma história que elevasse o passado nacional, comum a todos os brasileiros. Com esse texto etnográfico, Von Martius venceu um concurso promovido em 1840 pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

  

Da zoologia e a mineralogia à linguística, a música e a vida social e política, esses viajantes esquadrinharam e pensaram o processo civilizatório, e os resultados foram dados a conhecer em várias dezenas de publicações editadas. Etnograficamente o tamanho e variedade do material coletado possibilitaram ao   botânico Von Martius, com a ajuda de especialistas de todos os países, publicar o maior estudo já feito sobre flora de determinado país, Flora Brasiliensis, obra que veio à luz entre 1840 a 1906, e onde são descritas e catalogadas mais de 20 mil espécies de vegetais, dos quais mais de cinco mil pela primeira vez. Com a longa expedição ao Brasil, Martius publicou, junto com Spix, a obra Viagem ao Brasil. Tendo sobrevivido ao zoólogo por quarenta anos, Martius pôde, além dessa obra, dedicar ao Brasil vasta e proveitosa atividade científica. A maior realização desse notável botânico foi a monumental Flora Brasiliensis, que iniciou em 1840 e dirigiu até 1868. Depois de sua morte, a obra foi alentada por colaboradores, e concluída em 1906. Em 15 volumes, com 20.773 páginas, e 3.811 gravuras, classifica 850 famílias com mais de 8 mil espécies descritas. Contribuíram para sua publicação Fernando I, imperador da Áustria, Luís I, rei da Baviera, e Pedro II, imperador do Brasil.

Florianópolis é uma cidade brasileira, capital do estado de Santa Catarina desde 1823, localizada na Ilha de Santa Catarina no Oceano Atlântico, no centro do estado de Santa Catarina a 27° de latitude Sul e 48° de longitude Oeste. Ela mede aproximadamente 54 km, orientada de Norte a Sul e uma largura máxima de 18 km em sua extremidade Norte, com uma área de 424 km². Situada a algumas centenas de metros do continente, está ligada a ele por duas pontes: A suspensa Hercílio-Luz (1926), na atualidade fechada ao tráfego, que se tornou um símbolo de Florianópolis; uma ponte rodoviária dupla, denominada ponte Colombo Salles (1975) e ponte Pedro Ivo Campos (1991). Também chamada de Ilha da Magia, representa a ilha principal de um arquipélago de mais de 20 ilhas incluindo: Ilha do Campeche, Ilha Xavier, Ilha Ratones Grande, Ilha Anhatomirim, Ilha Laranjeiras, Ilhas Moleques do Sul, etc. Faz parte do município de Florianópolis, cuja maior parte (97%) está localizada na própria ilha. O centro da cidade situa-se na parte Centro-oeste da ilha, no ponto mais próximo do continente, que separa as baías Norte e Sul. A ilha possui dois corpos d`água significativos, a Lagoa da Conceição e a Lagoa do Peri. Seu ponto mais alto é o Morro do Ribeirão, com 532 metros acima do nível do mar. É uma das cidades mais conceituadas em termos de qualidade de vida entre as capitais estaduais, especialmente em termos de desenvolvimento humano e segurança. É um dos centros econômicos da região Sul, juntamente com Curitiba, Porto Alegre e Joinville. Embora seja apenas a segunda maior cidade em termos de população, depois de Joinville.

            Habitada antes da colonização pelos índios Tupi-Guarani, e depois por alguns desertores de expedições marítimas, a vila foi fundada por volta de 1675 por Francisco Dias Velho, com o nome de Nossa Senhora do Desterro, iniciando assim a ocupação da ilha. Em 23 de março de 1726 o povoado foi elevado à categoria de vila. Foi somente a partir de 1747 que Florianópolis experimentou sua primeira onda significativa de imigração. Entre 1747 e 1756, aproximadamente 5.000 portugueses do arquipélago dos Açores se estabeleceram na ilha e ao longo da costa marítima do estado. Muitas das vilas de pescadores da ilha ainda testemunham essa imigração. Da segunda metade do século XVIII até o final do século XIX, a cidade participou ativamente da caça à baleia. Em 1823, com a Independência da tutela colonialista predatória portuguesa, tornou-se capital do estado de Santa Catarina, inaugurando um período de prosperidade impulsionado por investimentos do governo federal. O primeiro nome da cidade foi Meiembipe, dado pelos índios Carijó que ali viviam antes da colonização europeia. Com a invasão de Francisco Dias Velho, um povoado foi chamado de Nossa Senhora do Desterro, ou simplesmente Desterro. Após a derrota das tropas federalistas durante a Revolução Federalista (1893-1895), tornou-se definitivamente “Florianópolis”, em homenagem a Floriano Peixoto, chefe de estado e primeiro ditador do Brasil. A cidade também é popularmente reconhecida como Floripa. A vida política modernizou-se e as atividades culturais floresceram, particularmente após a visita do imperador Pedro II em 1845.

            O município de Florianópolis, que inclui uma porção continental e uma porção insular, abrange 433 km² e tinha uma população de 421.203 habitantes em novembro de 2010, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística. A maior parte da população do município está concentrada ao redor do estreito que separa a ilha do continente, no Distrito Central. O município compreende um total de 12 distritos. É também o centro da Região Metropolitana de Florianópolis e da Microrregião de Florianópolis, dentro da Mesorregião da Grande Florianópolis. A Ilha de Santa Catarina tem um formato alongado e estreito, com um comprimento total de 54 km e uma largura média de 18 km. Seu litoral recortado apresenta inúmeras enseadas, promontórios, ilhas, baías e lagos. A ilha situa-se paralela ao continente, do qual é separada por um estreito canal. Seu relevo é caracterizado por picos montanhosos descontínuos, com altitudes que variam de 400 a 532 metros. O ponto mais alto da ilha é o Morro do Ribeirão, com 532 metros. Ao longo das montanhas, estendem-se planícies a Leste e Noroeste da ilha. Em sua parte oriental, o litoral apresenta numerosas dunas de areia formadas pela ação praticamente constante dos ventos. Florianópolis possui um clima subtropical úmido, ou seja, características climáticas típicas do litoral Sul do Brasil. As estações climáticas do ano são bem definidas, com inverno e verão distintos, e estações intermediárias com características semelhantes. As temperaturas máximas médias durante os meses mais quentes variam de 26 °C a 31 °C, e as temperaturas mínimas médias durante os meses mais frios variam de 7,5 °C a 12 °C. A temperatura média anual é de cerca de 24 °C. A temperatura mais baixa já registrada na cidade foi de 0 °C e a mais alta, de 39 °C.

Geadas são raras, mas podem ocorrer esporadicamente durante o inverno. Devido à sua proximidade com o mar, a umidade relativa média é de cerca de 80%. A precipitação é significativa e bem distribuída ao longo do ano. A precipitação média anual no período de 1911 a 1984 foi de 1.521 mm. Não há estação seca, sendo o verão geralmente o mês com maior índice pluviométrico. A precipitação significativa ocorre de janeiro a março, com uma média de 160 mm por mês. De abril a dezembro, há pouca variação, com uma média de 100 mm por mês. A menor precipitação é registrada de junho a agosto. Com espírito aventureiro pode fazer trilhas em uma das últimas regiões cobertas pela Mata Atlântica, que abrangia quase todo o litoral brasileiro, do Nordeste ao Sul. Arquitetura tradicional no centro histórico. Na própria cidade, pode-se admirar, entre outras coisas: o Palácio Cruz e Sousa, antiga residência do governador do estado, abriga atualmente um museu; a ponte suspensa Hercílio-Luz, que liga a ilha ao continente, construída entre 1922 e 1926; o mercado público; a catedral metropolitana; A Praça XV de Novembro e sua figueira centenária. Na ilha o município possui diversas localidades que conseguiram preservar o seu caráter pitoresco, num estilo que remonta à época da colonização açoriana da região, como Santo Antônio de Lisboa e Ribeirão da Ilha. Existem também várias fortalezas, construídas entre 1740 e 1744 pelo Brigadeiro José da Silva Paes (1679-1760), que controlavam os acessos Norte e Sul da baía localizada entre a ilha e o continente.

            A cidade possui dois teatros principais, o Teatro Ademir Rosa, Ademir Rosa (1949-1997) foi um ator brasileiro. Formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Santa Catarina, fez pós-graduação/especialização em Teatro-Educação, pela Universidade do Estado. Casou-se, em 1976, com Edilma Guimarães da Rosa, que conheceu no interior de Alagoas, em 1974. Foi professor de História na rede estadual de ensino, no Colégio de Aplicação da UFSC e em cursos pré-vestibulares. Também lecionou Sociologia Rural na UFSC. Em sua homenagem, o Teatro do Centro Integrado de Cultura (CIC) leva o seu nome.  Ademir Rosa foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) em Florianópolis (1980). Contribuiu muito com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), sendo amigo pessoal de João Pedro Stédile, líder do movimento. Foi agente de pastoral da Comissão Pastoral da Terra de Santa Catarina (CPT-SC), tendo realizado trabalhos de assessoria e formação, principalmente no litoral do estado. Líder sindical no Sindicato da Previdência Social e o Teatro Álvaro de Carvalho, é um teatro brasileiro, localizado em Florianópolis, a capital de Santa Catarina. Teve sua construção iniciada com o lançamento da pedra fundamental em 29 de julho de 1857. Seu nome primeiro foi Teatro Santa Isabel, nome dado em homenagem à Princesa Isabel. Foram dezoito anos de obras e paralisações, devido à falta de recursos.

Depois de inaugurado, não possuía ainda os recursos necessários, e as companhias artísticas tinham que arcar com os custos do fornecimento de iluminação e cadeiras para camarotes e plateia. Desde 1894, numa atitude de rompimento com a monarquia extinta, o edifício passou a chamar-se Teatro Álvaro de Carvalho, em homenagem ao primeiro dramaturgo local. A edificação, originalmente de características luso-brasileiras, foi sendo reformada e, ao longo do século XX, adotou as linhas ecléticas. Em 1955, no governo de Irineu Bornhausen, o teatro veio a sofrer alterações radicais, sendo o espaço interno de autoria do engenheiro-arquiteto Tom Trougott Wildi (1897-1985). Em 1975 e 1984, aconteceram novas reformas. O tombamento como Patrimônio Estadual data de 1988. No acesso às escadarias, dois vitrais retratam cenas populares e folclóricas e, no foyer,  duas grandes telas do artista plástico Martinho de Haro. A sala de espetáculos tem capacidade para 470 poltronas, além de diversas salas menores. Entre os museus da cidade, destacam-se o Museu Victor Meirelles, localizado na antiga residência do pintor, e a Galeria de Arte da Fundação Cultural Badesc, ambos no centro da cidade. No Centro Cultural CIC, os visitantes também podem explorar o Museu de Arte de Santa Catarina, o Museu da Imagem e do Som e o Espaço Lindolf Bell. O Museu Histórico de Santa Catarina está instalado no Palácio Cruz e Sousa. O Museu Militar Major Lara Ribas fica no Forte Sant'Anna, próximo à Ponte Hercílio-Luz. Por fim, o Museu da Universidade está situado no bairro da Agrônica, no campus da Universidade Federal de Santa Catarina.   

A cidade possui diversas universidades, incluindo: Universidade Federal de Santa Catarina, uma das mais renomadas do país; Universidade do Estado de Santa Catarina; Universidade do Sul de Santa Catarina. A cidade possui dois principais clubes de futebol, o Figueirense Futebol Clube e o Avaí Futebol Clube, que disputam entre as duas primeiras divisões nacionais. Florianópolis também abriga um dos principais clubes de vôlei do Brasil, o Cimed Florianópolis, campeão brasileiro em 2006, 2008 e 2009, bem como um dos principais clubes de rúgbi do Brasil, o Desterro Rúgbi Clube, campeão brasileiro em 1996, 2000 e 2005. O International Challenge of the Stars, é uma competição de karting criada por Felipe Massa em 2005, em Bauru, e realizada desde 2006 no Kartódromo dos Ingleses em Florianópolis. A primeira edição foi vencida por Daniel Serra, enquanto Felipe Massa venceu a segunda em 2006. Esta competição atrai grandes nomes da Fórmula 1. Michael Schumacher venceu em 2007 e 2009, Rubens Barrichello em 2008, Lucas di Grassi em 2010 e Jaime Alguersuari em 2011. O evento não foi realizado em 2012 para alterar seu calendário: em vez de ocorrer no período de final do ano, em novembro ou dezembro, o evento passou a ser realizado em janeiro. Em 2013, o francês Jules Bianchi venceu, depois em 2014, perdeu o título para o italiano Vitantonio Liuzzi. 

Escólio: Em 1824, Von Martius descreve um tipo de vegetação brasileira a que ele chamou “Matto-virgem [Urwäldern] do litoral”, ou “Matta Geral”. O mesmo autor, em 1837, denominou a área fitogeográfica do litoral do Brasil como Regio montano-nemorosa ou Dryas, renomeada em 1858 como Dryades. Nos anos de 1850, Joachim Burmeister a chamaria Südöstliches Urwald-oder Küstengebiet, “região das matas virgens do Sudeste ou costeiras”. Dentre os primeiros autores a usar como referência o nome do adjacente oceano Atlântico, estão Johann Eduard Wappäus (1884), que usou os termos “zona do litoral”, “zona da mata virgem da costa oriental”, “zona das florestas virgens do Atlântico” e “matta virgem da costa do Atlântico”. A expressão Mata Atlântica pode ser usada em ao menos dois sentidos: Mata Atlântica sensu stricto e Mata Atlântica sensu lato. Se refere à vegetação que, ocorre ao longo de todo o litoral brasileiro, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, estendendo-se para o interior nas regiões Sul e Sudeste (nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, e partes de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, além de Paraguai e Argentina), sendo característica das Serras do Mar e da Mantiqueira. Apresenta os seguintes tipos de vegetação: Floresta Ombrófila Densa (Mata Atlântica sensu stricto), Floresta Ombrófila Mista (Mata de Araucária) e Floresta Estacional Semidecidual e Decidual (Mata Seca, ou Mata Atlântica do Interior, ou Mata de Planalto), além de ecossistemas associados, que são os campos sulinos e as áreas de influência fluviomarinha (manguezais e restingas).

A história da Mata Atlântica tem seu início há 50 milhões de anos, quando o continente sul-americano já era uma massa de terra isolada e suas formas de vida passaram a evoluir localmente, sem transtornos geológicos adicionais. Ao longo desse tempo, no período Quaternário, a floresta passou por períodos de fragmentações e expansões, em decorrências das inúmeras eras Glaciais que ocorreram durante esse período. Nos períodos em que o planeta se encontrava com temperaturas mais baixas, os refúgios eram centros em que a biodiversidade florestal evoluía de forma isolada. Essa hipótese pode explicar a enorme diversidade desse bioma, tal como seu alto grau de endemismo. É notável que exatamente o sul da Bahia, norte do Espírito Santo e litoral de Pernambuco são centros de endemismo na Mata Atlântica e os registros de pólen demonstram que tais regiões eram refúgios no final do Pleistoceno. Concomitante a relativa estabilidade no nordeste brasileiro, havia uma instabilidade climática à sudeste, embora isso parece não ter evitado endemismo de alguns táxons de anfíbios amplamente distribuídos. Essa instabilidade climática no Sudeste e Sul do Brasil tinha como consequência o surgimento de outras fitofisionomias que não eram florestadas: estudos paleoclimáticos utilizando pólen demonstram que o Sudeste e Sul passaram por inúmeros momentos em que as florestas eram substituídas por formações abertas, como pradarias.

Mais especificamente, a Mata de Araucária, chegou a ocorrer até a latitudes em torno de 19º (muito ao Norte do que ocorre atualmente) durante as glaciações, sendo substituída pela floresta estacional semidecidual há cerca de 10 000 anos, quando o clima voltou a ficar mais quente. A primeira leva de colonizadores humanos na região da Mata Atlântica ocorreu há entre 12 e 10 mil anos, como evidenciado por achados arqueológicos em Lagoa Santa, Minas Gerais. Esses colonizadores já impactaram o ambiente com atividades agricultoras itinerantes (atividades agrícolas em sistemas agroflorestais, baseado em queimada e derrubada, principalmente do sub-bosque) após sua chegada, principalmente em regiões em que as queimadas para o cultivo eram mais frequentes, ocorrendo savanização. Existe teste de hipótese de que os pampas surgiram decorrente das intensas queimadas provocadas por povos indígenas, já que vestígios demonstram que a região era florestada há cerca de 5 mil anos. É provável que toda a mata da baixada litorânea tivesse sido, pelo menos uma vez, modificada para o cultivo pelos Tupis. É interessante que uma das fitofisionomias mais reconhecidas, a Mata de Araucária atualmente, pode ter surgido decorrente do manejo feito por agricultores itinerantes da Araucaria angustifolia. Também, a agricultura itinerante é praticada por vários grupos ancestrais de índios caiçaras e quilombolas do litoral do Rio de Janeiro e São Paulo.

            Florianópolis está localizada na Mata Atlântica, que possui uma mistura extremamente diversa e única de vegetação e tipos de floresta. A principal ecorregião é a Mata Atlântica costeira, a estreita faixa de cerca de 50 a 100 km ao longo da costa, que cobre cerca de 20% da região. Essa floresta se estende por até 500 a 600 quilômetros para o interior, e sua distribuição atinge altitudes de até 2.000 metros acima do nível do mar. A altitude determina pelo menos três tipos de vegetação na Mata Atlântica: a floresta de planície costeira, as florestas montanhosas e o campo rupestre. O município contém parte da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, com 17.104 hectares (42.260 acres), uma unidade de conservação totalmente protegida, estabelecida em 1990. Também contém parte do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, com 84.130 hectares (207.900 acres), uma área montanhosa coberta por florestas exuberantes. O parque protege as nascentes dos rios Vargem do Braço, Cubatão e Una, que fornecem a maior parte da água potável para a região metropolitana de Florianópolis e o litoral Sul. O município também abriga o Parque Estadual do Rio Vermelho, com 1.532 hectares (3.790 acres), no nordeste da Ilha de Santa Catarina, criado em 2007. Há precipitação significativa, bem distribuída ao longo do ano. A precipitação média anual para o período de 1961 a 1990 foi de 1.517,8 milímetros (59,76 polegadas). Não há estação seca, e o verão geralmente é a estação mais chuvosa. O aumento da precipitação ocorre de janeiro a março, com uma mediana de 160 milímetros (6,3 polegadas) por mês, e de abril a dezembro, há um pouco menos de precipitação, com uma média de 100 milímetros (3,9 polegadas) por mês. Os meses mais secos são de junho a agosto. Florianópolis apresenta um clima subtropical úmido e quente, não chegando a ser um clima tropical propriamente dito. As estações do ano são bem definidas, com verão e inverno distintos, e clima característico no outono e na primavera. Devido à proximidade do mar, a umidade relativa do ar é de 80% em média. A área está ameaçada pelas alterações climáticas, com a subida do nível do mar a provocar um aumento da erosão costeira. Estão a ser plantados manguezais na cidade e arredores para ajudar a mitigar os potenciais danos, ao mesmo tempo que se restauram os ecossistemas        

Bibliografia Geral Consultada.

DORENKOTT JR., Charles, José da Silva Pais: The Defense and Expansion of Southern Brazil, 1735-1749. Albuquerque: University of New Mexico, 1972; PIAZZA, Walter Fernando, O Brigadeiro José da Silva Paes, Estruturador do Brasil Meridional. Florianópolis: Editora da UFSC, 1988; LISBOA, Karen Macknow, “Viagem pelo Brasil de Spix e Martius: Quadros da Natureza e Esboço de uma Civilização”. In: Revista Brasileira de História, vol. 15, n° 29. São Paulo: 1995; BRANCHER, Ana, História de Santa Catarina: Estudos Contemporâneos. Florianópolis: Editora Letras Contemporâneas, 1999; CORRÊA, Carlos Humberto Pederneiras, História de Nossa Senhora do Desterro: Florianópolis Ilustrada. Florianópolis: Editora Insular, 1995; TODOROV, Tzvetan, A Conquista da América: a questão do outro. 3ª edição. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2003; ELIAS, Norbert, A Sociedade dos Indivíduos. Organizado por Micheal Schröter. 1ª edição. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 1994; Idem, O Processo Civilizador: Uma História dos Costumes. Vol. 1. 2ª edição. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 2011; BECK, Ulrich, Modernização Reflexiva: Política, Tradição e Estética na Ordem Social Moderna. Anthony Giddens e Scott Lasch. 2ª edição. São Paulo: Universidade Estadual Paulista, 2012; FOUCAULT, Michel, Isto não é um cachimbo. 7ª edição. São Paulo: Editora Paz e Terra, 2016; LEITE, Luiz Carlos, Dramaturgia em Processos Coletivos de Criação Teatral: Experiências de Autoralidade. Tese de Doutorado em Artes Cênicas. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, 2017; BECKER, Howard Saul, Outsiders: Estudos de Sociologia do Desvio. 2ª edição. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 2019; BRAGA, Talita, Banho de Sol. Belo Horizonte: Editora Javali, 2020; SOUZA, Caroline Vetori, Caros Destinatários, Parem de Apagar Nossas Histórias: Cartilhas-faíscas como Possibilidades de Saídas do Cárcere. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas. Florianópolis: Centro de Artes, design e Moda. Florianópolis: Universidade do Estado de Santa Catarina 2023; SANTOS, André Francisco Pereira Oliveira, Teatro de Grupo em Santa Catarina: Trajetória e Estratégias de Sobrevivência do Teatro em Trâmite de Florianópolis (SC) entre os Anos 2003-2023. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas. Centro de Artes, design e Moda. Florianópolis: Universidade do Estado de Santa Catarina, 2025; SOUSA, Kácia Mikaela de, “Impressões de Spix e Martius sobre a Província do Piauí”. In: Revista Galo, n° 12, pp. 8–23, 2 nov. 2025; entre outros.