quinta-feira, 2 de abril de 2026

Comer, Rezar, Amar – Hollywood & Filme Biográfico Romântico.

                                     A ciência política sem biografia é uma forma de taxidermia”. Harold Lasswell  

           Em primeiro lugar, taxidermia ou taxiodermia é o termo grego que significa dar forma à pele, é o feito de montar ou reproduzir animais para exibição ou estudo. É a técnica de preservação da forma da pele, planos e tamanho dos animais. É usada para a criação de coleção científica ou para fins de exposição, bem como uma importante ferramenta de conservação, trazendo também uma alternativa de lazer e cultura para a sociedade. Tem como principal objetivo social o resgate de espécimes descartados, reconstituindo suas características físicas e, às vezes, simulando seu habitat, o mais fielmente possível para que possam ser usados como ferramentas para educação ambiental ou como material didático. Popularmente o termo empalhar já foi usado como sinônimo de “taxidermizar”, entretanto, atualmente não se usam mais os manequins de palha e barro para substituir o corpo dos animais. Atualmente são utilizados manequins de poliuretano que possuem toda a anatomia do animal, além de próteses de olhos, cauda, nariz, orelhas, mandíbulas e língua. A Taxidermia pária consiste na criação de animais embalsamados que não possuem uma forma real no seu todo. Peças resultantes desta prática normalmente são compostas por partes de dois ou mais animais embalsamados representando híbridos irreais como quimeras, figuras caracteristicamente mitológicas, ou criaturas simplesmente provenientes do imaginário social do autor.

Para além de serem utilizadas partes distintas de diferentes animais nas peças de taxidermia pária, também é recorrente o uso de materiais artificiais, mais duráveis e que possibilitam resultados mais diversificados. Muitos taxidermistas não consideram esta prática como verdadeira taxidermia. A Taxidermia Pária é comumente vista em apresentações de slide e museus/shows ambulatórios como criaturas extravagantes genuínas. Quando o ornitorrinco foi descoberto pela primeira vez por europeus em 1798 e o pelo e esboço do animal foram enviados para o Reino Unido, algumas pessoas pensaram que o animal era um embuste. Pensaram que um taxidermista tinha cosido o bico de um pato no corpo de uma espécie de castor. George Shaw que produziu a primeira descrição do animal na Naturalist`s Miscellany em 1799, até chegou a levar uma tesoura até à pele seca do animal em busca dos pontos de sutura. O termo original Rogue Taxidermy (Taxidermia Pária) foi introduzido pelo grupo The Minnesota Association of Rogue Taxidermists sediado em Minneapolis, em outubro de 2004, mais especificamente pelos fundadores da associação, Sarina Brewer, Scott Bibus, e Robert Marbury. O termo apareceu impresso pela primeira vez num artigo da New York Times sobre a exposição estreia do grupo a 3 de janeiro de 2005. Trabalhos mal executados que não respeitam a anatomia também são qualificados desta forma, muitos problemas podem aparecer quando falta a técnica e o conhecimento especificamente da utilidade de uso desta arte.

            Em segundo lugar, o cinema dos Estados Unidos da América muitas vezes metonimicamente chamado de Hollywood, tem um grande efeito de poder na indústria cinematográfica em geral desde o início do século XX. O estilo dominante do cinema americano é o cinema clássico de Hollywood, que se desenvolveu de 1917 a 1960 e caracteriza a maioria dos filmes realizados na vida cotidiana. Enquanto os franceses Auguste e Louis Lumière são geralmente creditados com o nascimento do cinema moderno o cinema americano logo veio a ser uma força dominante na indústria como surgiu. Produz o maior número total de filmes de qualquer cinema nacional de língua única, com mais de 700 filmes em inglês lançados em média todos os anos. Apesar dos cinemas nacionais do Reino Unido (299), Canadá (206), Austrália e Nova Zelândia também produzirem filmes na mesma língua, eles não são considerados do sistema de Hollywood, pois emblemático, foi considerado um cinema transnacional. A Hollywood clássica produziu versões e serviços em vários idiomas de alguns títulos, do ponto de vista merceológico, muitas vezes em espanhol ou francês. Atualmente há produção contemporânea de offshores de Hollywood para o Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

                                            


            Escólio: Offshore é o nome comum dado às empresas e contas bancárias abertas em territórios onde há menor tributação, comparativamente ao país de origem dos seus proprietários, e geralmente referidos como “paraíso fiscal”, para fins lícitos, mas, por vezes, ilícitos, quando estas ocultam a origem do dinheiro seja por crime ou corrupção. Essas empresas offshore (offshore company) também são chamadas de sociedade extraterritorial ou empresa extraterritorial. Dado que a grande maioria dos países que permitem a criação desse tipo de empresa anônima ou a abertura desse tipo de contas bancárias anônimas fica em ilhas, tais como as Bahamas, as Bermudas, a ilha de Nevis, a ilha de Jersey, as ilhas Caimão, as Ilhas Virgens Britânicas, as Seicheles, etc., por extensão de sentido, esse tipo de empresa anônima ou de conta bancária anônima passou a ser chamado de offshore, embora alguns países continentais chamados de onshore, tais como Andorra, o Belize, o Grão-Ducado do Luxemburgo, o Panamá ou mesmo o Mônaco, também as permitam, usando esquemas legais diferentes, porém de resultados equivalentes. O termo vem dos tempos dos corsários que saqueavam os mares e depositavam a pilhagem offshore (fora da costa). Tais empresas são entidades situadas fora do país de domicílio de seus proprietários e, portanto, não sujeitas ao regime legal e fiscal vigente naquele país. Nestes casos, os processos que evitam a tributação de impostos são os da elisão e evasão fiscal. O mesmo ocorre com as contas bancárias offshore, que são geralmente abertas em países de legislação de origem britânica, usando-se um conceito jurídico de trust law, originário da common law inglesa e que foi trazido para a Inglaterra pelos cruzados. O conceito de trust (Fidúcia) refere-se a uma relação em que a propriedade (real ou pessoal, tangível ou intangível) é mantida por uma parte, em benefício de outra. 

            Deriva do conceito islâmico de “waqf” e se refere a um contrato (“trust instrument” ou “deed of trust”), através do qual uma pessoa física ou jurídica detém a titularidade de um bem (intangível ou tangível), em benefício de outrem. Assim, nos países que adotam a common law, os trustees (isto é, aqueles que detêm o título de propriedade) são obrigados a manter e administrar a propriedade em benefício de outrem que é o proprietário de fato. Tal expediente pode ser usado, portanto, quando se pretende proteger ou ocultar a identidade do verdadeiro dono do negócio. Nos países que adotam o Direito Romano, tal artifício é substituído pela criação de fundações, que, formalmente, são proprietárias de bens. Nos países ditos (os paraísos fiscais) ou que permitem a operação desse tipo de trusts ou fundações, os bancos têm conhecimento apenas do nome dos trustees (ou seja, dos administradores ou procuradores) das contas ou dos gestores da fundação, ignorando completamente quem seja o real beneficiário do dinheiro depositado. Assim, mesmo que haja determinação judicial, é impossível que esses bancos forneçam informações sobre quem são os proprietários do dinheiro depositado nessas contas. Por norma regulatória em economia as estruturas jurídicas offshore são do tipo International Business Company (IBC), mas igualmente chamadas de Business Corporation que se caracterizam por serem empresas do tipo sociedade anônima com o capital social dividido por ações.

          Essas são as empresas offshore puras. No entanto, existem ainda, sobretudo nos casos onshore (ou seja, dentro da costa) nos Estados Unidos da América (nos estados de Delaware, Wyoming ou Oregon), a incorporação de empresas do tipo Limited Liability Corporation (LLC), que se caracterizam por serem empresas do tipo sociedade de responsabilidade limitada. Hollywood é considerada a mais antiga indústria cultural de filmes, por ter sido aonde surgiram os primeiros estúdios de cinema e empresas de produção cinematográfica, ele também é o berço de vários gêneros do cinema, entre os quais a comédia, o drama, a ação, o musical, o romance, o horror e a ficção científica, tem sido um exemplo para outras indústrias cinematográficas nacionais. Em 1878, Eadweard Muybridge (1830-1904) demonstrou o poder da fotografia para “capturar movimento”. Em 1894, a primeira exposição cinematográfica comercial do mundo foi dada em Nova York, usando o cinetoscópio de Thomas Edison. Os Estados Unidos produziram o primeiro filme musical de som sincronizado do mundo, The Jazz Singer, em 1927, em seu porvir estavam na vanguarda do desenvolvimento de filmes sonoros nas décadas seguintes. Desde o início do século XX que a indústria cinematográfica tem sido baseada em torno da zona de 30 milhas em torno de Hollywood, Los Angeles na Califórnia. Cidadão Kane de Orson Welles (1941) é frequentemente citado em momentos críticos como o maior filme de todos os tempos. Os estúdios de cinema norte-americanos geram centenas de filmes, tornando os Estados Unidos um dos produtores de filmes mais prolíficos do mundo e um dos pioneiros em engenharia e tecnologia de cinema.    

Historicamente a partir da obra de Plutarco Bíoi parálleloi, que fixa algumas diretrizes básicas do gênero, o mundo ocidental passou a reconhecer figurações humanas como Péricles, Licurgo, Alcibíades, Júlio César, Pompeu, Catão de Útica ou Marco Júnio Bruto. Quer dizer, o reconhecimento dessa identidade romana nas várias expressões da contemporaneidade tem sido alvo de análise de estudos no que à cultura ocidental diz respeito. A biografia, na maioria das vezes, aborda pessoas públicas como políticos, cientista, esportistas, escritores ou pessoas que, por meio de suas atividades, provocaram um importante impacto para a sociedade. Quando o biografado é o próprio autor, chama-se autobiografia. Não se tem notícia de que o antigo Oriente houvesse conhecido o gênero biográfico, ao menos na maneira como ele é conhecido hoje em dia. As crônicas sobre os assírios e outros povos, bem como algumas inscrições em túmulos com dados referentes à existência dos mesmos, contêm, sem dúvida, semente do gênero, mas não constituem verdadeiros documentos biográficos. O mesmo per se ocorre no Egito, onde se registram vestígios biográficos sobre faraós, sacerdotes e outros personagens ilustres. As fontes mais remotas da arte da biografia devem ser buscadas no patrimônio documental e lendário que nos deixaram os relatos sobre episódios e acontecimentos comuns à vida dos patriarcas e reis de Israel e dos heróis épicos das antigas sagas gregas, germânicas e célticas. 

Outro tipo social de biografia, embora ainda de natureza embrionária, surge dos ensinamentos de santos e sábios, encontrados nos livros proféticos da Bíblia, das sentenças e ditos de Buda, dos fragmentos antológicos de Confúcio e das palavras dos sete sábios da Grécia antiga, conservadas pela tradição doxográfica. Muitos exemplos também oferece a literatura medo-persa, com suas crônicas de reis. Na literatura islâmica há um surpreendente perfil biográfico de Maomé, de autor desconhecido, além de esboços já mais elaborados de vidas de califas, sultões, ministros, cientista, escritores e religiosos do complexo mosaico da cultura muçulmana. Na Índia, onde os admiradores do gênero sempre juntaram o dado histórico às tradições mitológicas, são inúmeras as tentativas de perfis biográficos de alguns sultões mongóis que dominaram a região, em especial de Akbar. China e Japão tampouco chegaram a definir com clareza as características do gênero biográfico. Na China, ele permaneceu restrito às informações de comentaristas e historiógrafos como Tso Ch’iu-ming, Kungyang e Kuliang, cujos ideais tradicionalistas ilustram o Livro da primavera e o Livro do outono. O conceito de biografia será apenas ampliado pelo grande historiador Ssu-ma Ch’ien (145–86 a.C.), mas tampouco este ultrapassou os limites do estudo monográfico, de caráter coletivo. Outra manifestação individual e coletivamente biográfica típica do universo cultural sino-nipônico é o grande número de necrológios sobre figuras culturais importantes. A palavra “biografia” foi utilizada pela primeira vez provavelmente no século V a.C. e, na Antiguidade clássica, caracterizou-se por diferentes tipos históricos de narrativa em prosa que se aproximavam do gênero biográfico de escrita moderna.

Os primeiros textos completos encontrados que se relacionaram ao gênero biográfico são os de Cornelius Nepos e de Nicolau de Damasco, no século I a. C. Além disso, destacam-se como modelos mais amplos os textos de Plutarco e Suetônio, escritos comparativamente no primeiro século depois de Cristo. Entre os gêneros literários mais comuns na Antiguidade, elencam-se o bios, documentos dos quais não se possui vestígio, mas que se sabe da existência pela citação indireta por meio de outros autores, e o encômio. O homem moderno insere todo o discurso biográfico dentro do ramo disciplinar da história, diferindo-se da Antiguidade helenística, em que a descrição biográfica não era necessariamente considerada como viés da cena histórica. Na Antiguidade, como nas obras de Plutarco e Suetônio, a noção dos autores sobre a personalidade dos indivíduos é estática. Não há um desenvolvimento da personalidade, propriamente dito, muito menos um ganho gradual de valores e características. Além disso, a narrativa historiográfica tinha como objetivo a apreensão da realidade dos homens, principalmente em seu caráter coletivo, indo além das ações individuais. O bios se aproximava mais do antiquarismo do que da história, devido a características específicas como: 1) descrição e esboço de um caráter, de uma personalidade, mesmo que essa personalidade fosse representada num corpo coletivo; 2) uso de anedotas; 3) descrição direta e adjetivação; 4) episódios emblemáticos de vida que demonstram características de caráter sociológico do biografado.  

O encômio estava diretamente relacionado com a retórica, buscando o elogio e a valorização da personalidade descrita, fugindo de eventos e características que pudessem soar de forma negativa. Nesse sentido, em comparação, o bios oferecia uma perspectiva mais neutra de determinado indivíduo, enquanto o encômio se caracterizava na estética exterior do sujeito. A partir do século IV a.C., com o império macedônico e a perda de importância das estruturas políticas gregas, nota-se uma transformação nos gêneros de escrita, com a valorização de determinados indivíduos em posição de destaque no relato histórico (encominum), aproximando-se cada vez mais da história política. Os dois primeiros grandes biógrafos da civilização ocidental são, sem dúvida, Tácito e Plutarco. Antecipam-nos, contudo, Platão e Xenofonte. Aquele, com sua Apologia Sokrátou (Apologia de Sócrates), traça um retrato antes filosófico do que biográfico do grande pensador ateniense, mas Xenofonte, nas Apomnemonéumata Sokrátou (Memórias de Sócrates), oferece visão bem diversa, mais realística, de Sócrates, em sua intimidade e vida cotidiana. Em várias outras obras, aliás, Xenofonte continuaria a ser biógrafo, como em Anábase, que relata um episódio de sua própria vida, e na Kyropaideia.

Ainda na Grécia, não devem ser esquecidos os trabalhos biográficos de Aristóxeno de Tarento, para alguns o criador da biografia literária, Dicearco de Messina, Flávio Filóstrato e, sobretudo, Diógenes Laércio este, porém, em pleno século III, posterior a Tácito e Plutarco. Em Roma, onde o interesse pelo indivíduo humano sempre constituiu traço característico das obras de escritores e historiógrafos, destacam-se as contribuições precursoras de Áccio, Ático, Cornélio Nepos ou Nepote (De excellentibus ducibus; De historicis latinis), Valério Probo, Públio Terêncio Varrão (De imaginibus), com cerca de setecentas biografias de poetas gregos e romanos, em 15 volumes; De poetis – Sobre os poetas, Quinto Cúrcio, autor de uma vida de Alexandre o Grande e, acima de todos, Suetônio, com um modelo de biografia literária, De viris illustribus (Sobre os homens ilustres), e outro, de biografia política, De vita Caesarum (As Vidas dos imperadores), famoso pelos detalhes sinistros ou escabrosos dos tiranos. Frequentemente considerada a primeira biografia, De Vita et Moribus Julii Agricolae (Agrícola), de Tácito, data do ano 98 da nossa Era. Trata-se de um elogio às virtudes de seu sogro.

            Comer, Rezar, Amar (2010) tem como representação social um filme biográfico romântico norte-americano, dirigido e coescrito por Ryan Murphy e estrelado por Julia Roberts como Elizabeth Gilbert que pensa que tinha tudo que queria na vida: uma casa, marido e carreira de sucesso. Porém, recém-divorciada e de frente para um momento de mudança, ela se sente confusa sobre o que é importante em sua vida. Ousando sair da sua zona de conforto, Liz embarca em uma busca de autodescoberta que a leva à Itália, à Índia e a Bali. Do ponto de vista do elenco Julia Roberts como Elizabeth “Liz” Gilbert. Javier Bardem interpreta Felipe, um empresário brasileiro por quem Liz se apaixona durante sua viagem. James Franco interpreta David, o homem com quem Liz desenvolve um relacionamento intenso enquanto finaliza seu divórcio. Richard Jenkins interpreta Richard, um texano que Liz conhece em um ashram indiano. Viola Davis interpreta Delia Shiraz, a melhor amiga de Liz. Billy Crudup interpreta Stephen, ex-marido de Liz. Hadi Subiyanto como Ketut Liyer, conselheiro de Liz na Indonésia. Mike O`Malley interpreta Andy Shiraz, marido de Delia. Tuva Novotny como Sofi, a melhor amiga sueca de Liz em Roma. Luca Argentero como Giovanni, professor de italiano de Liz e interesse amoroso de Sofi Sophie Thompson interpreta Corella, uma mulher no ashram indiano. Rushita Singh interpreta Tulsi, amiga de Liz no ashram. Christine Hakim como Wayan, a melhor amiga de Liz na Indonésia. Arlene Tur como Armênia. Gita Reddy como a Guru. Laksmi De-Neefe Suardana e Dewi De-Neefe Suardana proprietários do Indus.   Ryan Patrick Murphy nascido em Indianápolis, 9 de novembro de 1965, é um escritor, jornalista e produtor de cinema e televisão norte-americano.                 

Vencedor de cinco prêmios Globo de Ouro e sete Emmy é mais reconhecido por criar, escrever e produzir séries como Popular (1999–2001), Nip/Tuck (2003–2010), Glee (2009–2015), American Horror Story (2011–presente), Scream Queens (2015–2016), 9-1-1 (2018–presente), Pose (2018–2021), The Politician (2019–2020), 9-1-1: Lone Star (2020–presente), Hollywood (2020), Ratched (2020) e Monster (2022–presente). É também o realizador de Eat Pray Love. Ryan é abertamente gay, o que é um dos assuntos mais comuns em suas séries. Em 13 de fevereiro de 2018, foi anunciado que Ryan assinou um contrato milionário de cinco anos com a Netflix para produzir “conteúdos originais para seu catálogo”. O filme é baseado no livro de memórias de Gilbert, publicado em 2006, e foi lançado nos Estados Unidos da América em 13 de agosto de 2010, recebendo críticas mistas. O filme foi um sucesso extraordinário, arrecadando US$ 205 milhões com um orçamento de US$ 60 milhões.

Escólio: Elizabeth “Liz” Gilbert é casada há oito anos, possui uma casa e tem uma carreira de sucesso. No entanto, apesar de sua vida aparentemente estável, ela se sente perdida e confusa, ansiando por algo mais significativo. Liz decide pedir o divórcio de seu marido, Stephen, o que ele tem dificuldade em aceitar. Nesse período, ela tem um breve caso com David, um jovem ator. Recém-divorciada e enfrentando incertezas, Liz embarca em uma jornada transformadora pela Itália, Índia e Bali, em busca de autodescoberta. Durante suas viagens, Liz descobre o prazer da culinária italiana, deliciando-se com massas e gelato por quatro meses. Ela conhece uma nova amiga sueca que a apresenta a um professor particular de italiano, e eles compartilham uma celebração de Ação de Graças antes de Liz partir para a Índia. Na Índia, Liz se hospeda em um ashram onde mergulha no poder da oração e é incumbida de tarefas humildes, como esfregar o chão. “Texas Richard” se torna tanto um desafio quanto um sistema de apoio para ela. Ao final de sua estadia no ashram, Liz segue para Bali, na Indonésia. Vale lembrar que as civilizações da Idade do Bronze no subcontinente indiano lançaram as bases da moderna cultura indiana, inclusive o surgimento de assentamentos urbanos e o desenvolvimento das crenças védicas que formam o núcleo do hinduísmo. A irrigação do Vale do Indo, que fornecia recursos suficientes para sustentar grandes centros urbanos como Harapa e Moenjodaro em cerca de 2 500 a.C., marcou o início da civilização de Harapa. 

Aquele período testemunhou o nascimento da primeira sociedade urbana na Índia, conhecida como a civilização do Vale do Indo ou civilização de Harapa, que floresceu entre 2500 a.C. e 1900 a.C., e que se concentrava em volta do rio Indo e seus tributários, estendendo-se ao doab rio Ganges-rio Jamuna, ao Guzarate e ao Norte do atual Afeganistão. Esta civilização caracterizava-se por suas cidades construídas com tijolos, por sistemas de águas pluviais e casas com vários andares. Quando comparada a civilizações contemporâneas como o Egito e a Suméria, a cultura do Indo dispunha de técnicas de planejamento urbano singulares, cobria uma área geográfica mais extensa e pode ter formado um Estado unificado, como sugere a extraordinária uniformidade de seus sistemas de medida. As referências históricas mais antigas à Índia talvez sejam as relativas a Meluhha, em registros sumérios, que poderia ser a civilização do Vale do Indo. As ruínas de Moenjodaro constituíam o centro daquela antiga sociedade. Os assentamentos da civilização do Indo disseminaram-se até as modernas Bombaim, ao sul, Déli, a Leste, e a fronteira iraniana, a Oeste, limitando com os Himalaias a Norte. Os principais centros urbanos eram Harapa e Moenjodaro, tanto quanto ocorre em Dolavira, Ganweriwala, Lotal, Kalibanga e Rakhigarhi. No seu zênite, como creem alguns arqueólogos, a civilização do Indo talvez contivesse uma população de mais de cinco milhões de habitantes. Até o presente, mais de 2500 antigas cidades e assentamentos foram identificados, em geral na região a Leste do rio Indo no atual Paquistão. 

Alguns acreditam que “perturbações” geológicas e mudanças climáticas, responsáveis por um desmatamento gradual, teriam contribuído para a queda daquela civilização. Em meados do II milênio a.C., a região da bacia do rio Indo, que inclui cerca de dois-terços dos sítios atualmente conhecidos, secou, levando a população a abandonar os assentamentos. Um ashram era, na Índia antiga, sob o nome de āshram ou āshrama, um eremitério em um lugar isolado, na floresta ou nas montanhas, onde, em uma vida de grande austeridade, um sábio vivia e buscava a união com Deus em solidão e paz interior, longe das distrações e turbulências do mundo. Se o lugar servia para penitência, também era usado para treinamento religioso. Essa palavra ainda é usada hoje no hinduísmo para designar uma instituição liderada por um guru, onde estudantes, jovens e idosos, permanecem para seguir os ensinamentos do mestre. Nesse caso, a palavra gurukula, de guru (professor) e kula (família, casa), é frequentemente usada para designar o local onde vivem tanto a família biológica do guru quanto seu grupo de alunos. O termo ashrama também se refere a um dos quatro estágios da vida religiosa de um brâmane. Os ashrams existem na Índia desde pelo menos 4000 a.C. No que diz respeito ao século XX, devemos lembrar o ashram de Sabarmati em Ahmedabad, que serviu de quartel-general de Mahatma Gandhi (1869-1948) durante a luta pela Independência, e o fundado pelo bengali Aurobindo Ghose (1872-1950), o revolucionário que se tornou filósofo em Pondicherry, que está na origem de Auroville. 

O ashram Chaurasi Kutia em Rishikesh, no Parque Nacional Rajaji, no estado de Uttarakhand, no Norte da Índia, tornou-se famoso no mundo ocidental quando foi visitado pelo grupo pop britânico The Beatles em 1968. Outrora um retiro espiritual para a banda, o Ashram dos Beatles ou Ashram de Maharishi Mahesh Yogi ou Chaurasi Kutiya é um local fascinante em Rishikesh. O nome “Chaurasi Kutiya” refere-se às 84 cabanas de meditação onde os discípulos praticavam meditação transcendental. Localizado dentro do Parque Nacional Rajaji, este tranquilo ashram tornou-se famoso depois que os Beatles se hospedaram lá em 1968 para aprender meditação com Maharishi Mahesh Yogi. Abandonado em 1997, foi reaberto em dezembro de 2015 como um local de ecoturismo. Em 1968, os Beatles alcançaram sucesso comercial e crítico. O lançamento do grupo em meados de 1967, Sgt. Pepper`s Lonely Hearts Club Band, foi número 1 no Reino Unido por 27 semanas, até o início de fevereiro de 1968, tendo vendido 250 mil cópias na primeira semana após o lançamento. A revista Time declarou que Sgt. Pepper constituiu uma “partida histórica no progresso da música – qualquer música”, enquanto o escritor norte-americano Timothy Leary escreveu que a banda era “os avatares (encarnações divinas, agentes de Deus) mais sábios, sagrados e eficazes que a raça humana já produziu”. A banda recebeu uma resposta negativa da crítica ao seu filme de televisão Magical Mystery Tour, que foi transmitido na Grã-Bretanha, inicialmente em P & B, durante o Boxing Day em dezembro de 1967. Em contraste, a reação dos fãs foi positiva. As canções que apareceriam em The Beatles foram demostradas na casa de George Harrison, Kinfauns, em maio de 1968.           

A maioria das canções de The Beatles foi composta durante um curso de Meditação Transcendental com Maharishi Mahesh Yogi (1911-2008) em Rishikesh, na Índia, entre fevereiro e abril de 1968. O retiro envolveu longos períodos de meditação, concebidos pela banda como um refúgio espiritual de todos os esforços mundanos – uma chance, nas palavras de John Lennon, de “fugir de tudo”. Lennon e Paul McCartney rapidamente se envolveram novamente na composição de canções, muitas vezes se encontrando “clandestinamente à tarde nos quartos um do outro” para revisar seus novos trabalhos. “Independentemente do que eu deveria estar fazendo”, Lennon lembrou mais tarde, “eu escrevi algumas das minhas melhores canções lá”. O autor Ian MacDonald (1948-2003) disse que Sgt. Pepper foi “moldado pelo LSD”, mas os Beatles não levaram nenhuma droga com eles para a Índia além da maconha, e suas mentes claras ajudaram o grupo com suas composições. A estadia em Rishikesh provou ser especialmente frutífera para George Harrison como compositor, coincidindo com seu reencontro com a guitarra após dois anos estudando sitar. O musicólogo Walter Everett compara o desenvolvimento de Harrison como compositor em 1968 ao de Lennon e McCartney cinco anos antes, embora ele observe que Harrison se tornou “privadamente prolífico”, dado seu usual status subordinado dentro do grupo. Os Beatles deixaram Rishikesh antes do fim do curso.

Ringo Starr foi o primeiro a sair, menos de duas semanas depois, pois disse que “não tolerava a comida”; McCartney partiu em meados de março, enquanto Harrison e Lennon estavam mais interessados ​​na religião indiana e permaneceram até abril. Lennon deixou Rishikesh porque se sentiu “pessoalmente traído após ouvir rumores de que o Maharishi havia se comportado de forma inadequada com as mulheres que acompanharam os Beatles à Índia”. McCartney e Harrison descobriram mais tarde que as acusações eram falsas, e a esposa de Lennon, Cynthia, relatou que não havia “um pingo de evidência ou justificativa”. Coletivamente, o grupo escreveu cerca de 40 novas composições em Rishikesh, 26 das quais seriam demonstradas em Kinfauns, a casa de Harrison em Esher, em maio de 1968. Lennon escreveu a maior parte do novo material, contribuindo com 14 canções. Lennon e McCartney trouxeram demos gravadas em casa para a sessão e trabalharam juntos nelas. Algumas demos caseiras e sessões de grupo em Kinfauns foram posteriormente apresentadas no álbum de compilação Anthology 3, lançado em 1996. O conjunto completo das “demos de Esher” (Esher demos), como as gravações ficaram conhecidas, foi lançado na edição “de luxe” do álbum em 2018.

A palavra ashrama designa um dos quatro estágios da vida pelos quais um brâmane deve passar de acordo com a tradição védica. Descritos em vários capítulos das Leis de Manu, esses quatro períodos (caturāśrama), que correspondem aos quatro objetivos da existência (purushartha), são os seguintes: 1. O brahmacharya: o jovem hindu, na presença de seu mestre ou guru, observa um período de treinamento que é tanto acadêmico quanto espiritual. Durante esse tempo, ele desenvolverá seu conhecimento e virtude. 2. O grihastha ou gārhasthya: o hindu entra na vida mundana, casa-se e constitui família, o que também é um dever religioso. Durante esse período, ele tem o direito de desfrutar a vida enquanto aprende o autocontrole. 3. O vānaprastha ou vānaprasthya: após cumprir seu dever social, o hindu deixa sua família, à qual deixou os meios de subsistência, e vai viver um período de estudo das escrituras sagradas em um “retiro na floresta”. Lá, ele praticará meditação e jejum. 4. Sannyasa ou samnyasa: o hindu atinge o estado de renúncia (vairāgya) ao se desapegar do mundo; é então que ele se torna um sannyasin. Tendo se retirado do mundo, ele pode retornar ao seu povo, pois não teme mais as tentações materiais. Ele pode então compartilhar sua experiência e conhecimento com aqueles ao seu redor. Segundo Michel Angot, “esta descrição das fases da vida diz respeito principalmente à vida dos brâmanes; os tratados sânscritos foram escritos por eles e para seu benefício. Mas, teoricamente, estes quatro estados sucessivos dizem respeito às três varnas superiores, excluindo assim os śūdras e os párias”. Em Bali, Indonésia, Liz reencontra Ketut, um curandeiro local, e aceita várias tarefas que ele lhe designa.

Enquanto pedala, ela se depara com Felipe, um brasileiro, e procura tratamento para uma lesão com Wayan, um curandeiro da aldeia. Durante sua recuperação, ela conhece Armenia, que a incentiva a participar das festividades da aldeia. Lá, Felipe se desculpa pelo acidente e eles começam a conversar. Apesar da tentativa de Armenia de arranjar um encontro para ela com outra pessoa, Liz se sente atraída por Felipe. Eles passam tempo juntos e Liz organiza uma arrecadação de fundos para a casa de Wayan, angariando mais de US$ 18.000. Quando Felipe a pede em casamento, Liz aceita, mas, ao passarem um tempo a sós em um local isolado, ela se sente sobrecarregada e termina o noivado. Enquanto se prepara para deixar Bali, Liz busca conselhos de Ketut, que a encoraja a abraçar o amor sem medo. Inspirada, Liz corre para Felipe e confessa seu amor por ele, finalmente encontrando, inesperadamente, a paz interior e o equilíbrio do amor verdadeiro. Ryan Murphy cresceu em uma família católica, mas acabou saindo da igreja, tendo-a deixado; no entanto, ele ainda vai ocasionalmente à igreja.                               

Ele atua no National Advisory Board of Young Storytellers, anteriormente reconhecida como Young Storytellers Foundation, é uma organização sem fins lucrativos de educação artística que opera principalmente em Los Angeles. Atualmente, o programa Young Storytellers atende alunos do ensino fundamental, médio e superior no Sul da Califórnia, incluindo as cidades de Los Angeles, Culver City, Santa Monica, Burbank, Nova York, Austin, Little Rock e Akron. O Young Storytellers apoia alunos de escolas Title 1; essas são escolas e distritos escolares com as maiores concentrações de pobreza, nos quais o desempenho acadêmico tende a ser baixo e os obstáculos para a melhoria do desempenho são maiores. O programa aprimora a escrita e a autoconfiança, ao mesmo tempo que se concentra na aprendizagem socioemocional e inclui componentes dos Padrões de Justiça Social da Learning for Justice. A Young Storytellers começou como um programa de mentoria escolar em 1997. A empresa foi fundada por três roteiristas, Mikkel Bondesen, Brad Falchuk e Andrew Barrett, ao tomarem conhecimento dos cortes no financiamento de programas de artes criativas nas escolas públicas de Los Angeles. A primeira escola a participar do programa foi a Playa Del Rey Elementary School em Culver City. O programa foi incorporado como uma organização 501(c) em 2003. A organização apoia estudantes do ensino fundamental, médio e superior. Este programa de 9 semanas para o ensino fundamental, alinhado ao Common Core, coloca os alunos com um mentor adulto individualmente para escreverem roteiros que são inteiramente seus, e então os atores os apresentam para os alunos e seus colegas ao vivo em um espetáculo

 Ele já teve uma casa projetada pelo renomado arquiteto moderno de meados do século Carl Maston. Em uma entrevista sobre sua série de televisão Pose, que se passa em 1987. Murphy começou como um jornalista trabalhando para The Miami Herald, Los Angeles Times, New York Daily News, Knoxville News Sentinel e Entertainment Weekly. Ele começou a escrever roteiros no fim de 1990, quando Steven Spielberg comprou seu roteiro Why Can`t I Be Audrey Hepburn? Murphy começou sua carreira na televisão em 1999 com a comédia adolescente Popular. O show foi ao ar na The WB por duas temporadas. Murphy é o escritor da série ganhadora do Globo de Ouro, Nip/Tuck, que foi ao ar no canal FX e ambas as séries foram bastante comerciais e foram um grande sucesso. Ele produziu, escreveu e dirigiu vários episódios; em 2004, Murphy ganhou seu primeiro Emmy. Ele foi nomeado como escritor de série de drama. Murphy disse que a frase famosa da série Nip/Tuck; “Me diga o que não gosta em você mesmo” foi pega de um cirurgião plástico que ele conheceu quando era jornalista e escrevia sobre cirurgia plástica em Beverly Hills, California. Um dos projetos de maiores sucessos de Murphy, é a série de comédia-dramática musical do canal Fox Glee, cocriada com Brad Falchuk e Ian Brennan. Fox levou o piloto da série ao ar em 19 de maio de 2009, após o final do American Idol; a série teve seu início em 9 de setembro de 2009.

O show teve tão boas críticas e avaliações tão positivas que a Fox encomendou uma temporada completa de 22 episódios. Ele ganhou um Primetime Emmy Award pela direção do episódio piloto de Glee. Ele recebeu um recorde de 19 indicações incluindo a de Melhor nova série de comédia (ele perdeu para Modern Family); ganhando 4 estatuetas das 19 indicações. A série teve seu desfecho em 2015 depois de 6 temporadas e mais de 120 episódios. Murphy produziu também o reality show The Glee Project, que teve sua estreia no canal Oxygen em 12 de junho de 2012. Esse show teve duas temporadas sendo a primeira com 10 episódios e a segunda temporada com 11. Murphy e o coprodutor executivo de Glee, Ali Adler criaram The New Normal, uma comédia de trinta minutos “centrada em um casal gay que tentam decidir quem será a barriga de aluguel que carregará seu bebê” que teve sua estreia no canal NBC em 2012. A série foi inspirada nas experiências de Ryan Murphy quando teve seu primeiro filho. Os nomes são baseados em Ryan e seu marido: Bryan e David. De acordo com o Entertainment Weekly, houve uma batalha entre ABC, NBC e Fox para conseguirem produzir o projeto.

No final a NBC comprou o projeto e encomendou um episódio piloto em 27 de janeiro de 2012, entretanto a série acabou sendo cancelada depois de uma temporada. A primeira temporada centra-se na fraternidade Kappa Kappa Tau da Universidade Wallace, liderada por Chanel Oberlin ( Emma Roberts ) que tem suas ajudantes Chanel #2 ( Ariana Grande ) #3 ( Billie Lourd) e #5 (Abigail Breslin)que tem sua existência ameaçada pela reitora Cathy Munsch (Jamie Lee Curtis ); que devido a um evento misterioso ocorrido 20 anos antes, passa a ser alvo de um assassino em série, vestido como o mascote da Universidade, o Diabo Vermelho, que começa a matar cada um dos membros da Kappa e todos aqueles que estão em seu caminho. A segunda temporada centra-se em um local totalmente novo. Agora graduados na Universidade, os personagens se veem dentro de um novo mistério terrivelmente engraçado, junto de um novo assassino. Desta vez, a série se passará em um hospital, onde alguns dos casos médicos mais fascinantes e bizarros acontecem. Entretanto a série acabou sendo cancelada depois de duas temporadas.

Outro projeto de Ryan Murphy com Brad Falchuk é a série antológica American Horror Story, ela teve seu início no canal FX em 5 de outubro de 2011 e ela foi indicada para 17 Emmy Awards pela temporada de estreia. A série teve sua quarta temporada finalizada em 21 de janeiro de 2015. Todas as temporadas trazem vários dos mesmos atores interpretando personagens diferentes em cenários diferentes. Em outubro de 2014, foi anunciado que o FX encomendou 10 episódios da nova série Ryan chamada American Crime Story, uma série antológica que retratará crimes reais. A série servirá como um complemento para American Horror Story. A primeira temporada foi ao ar em 2016 estrelando Cuba Gooding, Jr., Sarah Paulson, David Schwimmer e John Travolta. O trabalho de Murphy como produtor executivo lhe rendeu o Emmy de melhor série limitada e o Globo de Ouro de melhor minissérie nas temporadas da série de antologia.

Bibliografia Geral Consultada.

DESJARDINS, Arnaud, Ashrams, Grands Maîtres de l`Inde. Paris: Editeur La Palatine, 1962; SEBAG, Lucien, L`Invention du Monde chez les Indiens Pueblos. Paris: François Maspéro, 1971; LASSWELL, Harold, “A Estrutura e a Função da Comunicação na Sociedade”. In: COHN, Gabriel (Org.), Comunicação e Indústria Cultural. São Paulo: Editora Nacional, 1975; HIRANO, Sedi, Castas, Estamentos e Classes Sociais - Discussões Técnicas Preliminares. Dissertação de Mestrado. Departamento de Sociologia. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 1972; WEBER, Max, Ensaios de Sociologia. Org. e Introd. de Hans Gerth e Charles Wright Mills. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1982; cap. XVI – “Índia: O Brâmane e as Castas”; pp. 449-470; DUMONT, Louis, Homo Hierarchicus. O Sistema de Castas e suas Implicações. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1992; BAYLY, Susan, Caste, Society and Politics in Índia from the Eighteenth Century to the Modern Age. The New Cambridge History of India. Cambridge University Press, 2001; MARKOVITS, Claude, A History of Modern India, 1480-1950. Nova Deli: Anthem Press, 2004; ERALY, Abraham, The Mughal World: Life in India`s Last Golden Age. Londres: Penguin Books, 2007; KUIPER, Kathleen, (ed.), Culture of India. Estados Unidos: Rosen Publishing Group, 2010; DRÉZE, Jean; SEN, Amartya, Glória Incerta - A Índia e suas Contradições. Rio de Janeiro: Editora Companhia das Letras, 2015; CAVALCANTI, Ana Paula Rodrigues, Relações entre Preconceito Religioso, Preconceito Racial e Autoritarismo de Direita: Uma Análise Psicossocial. Tese de Doutorado. Programa de Pós-graduação em Psicologia Social. João Pessoa: Universidade Federal da Paraíba, 2016; CHAUDHURI, Amit, “Ants Among Elephants by Sujatha Didla Review - Life as un Untouchable in Modern India”. In: The Guardian, 2 de agosto de 2018; ALVES, Sabrina, O Corpo como Arena Político-Religiosa do Ayurveda no Século XXI: Existências Fluidas de Ser nem Homem, nem Mulher. Tese de Doutorado. Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciência da Religião. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2019; Artigo: “Célébrités Âgées Aujourd’hui: Découvrez Comment Elles Vivent Leur Vie”. Disponível em: https://www.tipgalore.com/10/21/2025; GUERRA, Gustavo Tatis, “La Invisible Maravilla”. In: El Diário Madrid, 11 de março de 2026; entre outros.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Pavão – Variações de Cor, Padrão & Status de Ave Nacional.

                                     Seja como um pavão, nunca deixe ser vencido pelo cansaço e pela dor”. Khadija Furlan                             

  

         Os pavões de cores alternadas nascem de cores diferentes dos pavões do tipo selvagem e, embora cada cor seja reconhecível ao nascimento, sua plumagem de pêssego não corresponde necessariamente à plumagem adulta. Ocasionalmente, aparecem pavões com plumagem branca. Embora existam pavões albinos, isso é bastante raro, e quase todos os pavões brancos não são albinos; eles têm uma condição genética chamada leucismo, que faz com que as células pigmentares não migrem da crista neural durante o desenvolvimento. O pavão leucístico pode produzir pigmento, mas não deposita o pigmento em suas penas, resultando em sua cor de olhos azul-acinzentada e na completa falta de coloração em sua plumagem. Pavões malhados são afetados por leucismo parcial, onde apenas algumas células de pigmento não conseguem migrar, resultando em aves que têm cor, mas também têm manchas ausentes de toda a cor; eles também têm olhos azul-acinzentados. Por outro lado, o verdadeiro pavão albino teria uma completa falta de melanina, resultando em íris que parecem vermelhas ou rosa. Os pêssegos leucísticos nascem amarelos e tornam-se brancos à medida que amadurecem. Pavões são aves florestais que passam o dia no chão e à noite se empoleiram em arvores. No chão fazem também seus ninhos e é onde as fêmeas passam a fase de criação dos filhotes. Costumam alimentar-se de achados terrestres e vegetais. Todas as espécies são reconhecidamente polígamas. Assim como outros membros dos Galliformes, os machos possuem esporões ligados ao metatarso de cada perna, utilizados em brigas. Em acasalamento, a principal forma que o macho utiliza para atrair as fêmeas é seu canto.

 Alguns estudos sugerem que a complexidade da “canção” produzida pela exibição dos machos poderia impressionar as fêmeas. Os pavões costumam cantar imediatamente antes, imediatamente depois ou até mesmo durante a cópula. Os pavões são onívoros e comem muitas plantas, pétalas de flores, sementes, insetos e outros artrópodes, pequenos répteis e anfíbios. Na natureza os pavões encontram seu alimento ciscando na serrapilheira ao amanhecer ou ao anoitecer. Quando o dia está mais quente, eles entram nas partes mais arborizadas das florestas a fim de se proteger do calor. Não são aves exigentes e comem de quase tudo que couber em seus bicos e se considerarem capazes de digerir. Eles costumam caçar insetos como formigas, grilos e cupins; millipedes; e outros artrópodes e pequenos mamíferos. Pavões domesticados costumam comer pão e grãos rachados, como aveia e milho, queijo e arroz cozido. Foi dito por criadores que os pavões também gostam de alimentos ricos em proteínas, incluindo larvas que infestam suas moradias, diferentes tipos de carne e frutas, bem como vegetais, incluindo folhas verdes escuras, brócolis, cenoura, feijão, beterraba e ervilha. Na Roma antiga, os pavões eram uma iguaria. O poeta Horácio ridicularizou o uso de pavões como alimento, dizendo que eles tinham gosto de frango. Ovos de pavão também foram valorizados. Caio Petronius em Satíricon também zombou da ostentação e esnobismo de comer pavões e seus ovos. O pavão-azul é nativo da Índia tem importante significado em sua cultura. No hinduísmo, um pavão-azul é montado por Kartikeya, o deus da guerra, e por Kaumari, a deusa guerreira, e também é retratado em volta da deusa Santoshi. Segundo a mitologia indiana, durante uma guerra contra os asuras, Kartikeya dividiu o rei demônio Surapadman ao meio. Como mostra de respeito ao adversário, Kartikeya converteu suas metades em partes de si mesmo. 

Uma das metades tornou-se um pavão que o serviu de montaria e a outra tornou-se um galo que passou a adornar sua bandeira. Ainda na mitologia indiana, ele representa a forma divina de Omkara, quando este espalha suas plumas em forma circular completa. As penas do pavão adornam a coroa de Krishna e também é um avatar de Vishnu. Conta uma lenda que Chandragupta Máuria, o fundador do Império Máuria, nascera órfão e fora criado por uma família de pavões. De acordo com a tradição budista, os ancestrais dos reis Máuria se estabeleceram em uma região onde os pavões eram abundantes. Por isso, passaram a ser chamados de Moriyas que significa “pertencentes ao lugar dos pavões”. De acordo com outro relato budista, esses ancestrais construíram uma cidade chamada Moriya-nagara, que foi assim chamada porque foi construída com os “tijolos coloridos como pescoços de pavões”. Depois de conquistar o Império Nanda e derrotar o Império Selêucida, a dinastia Chandragupta reinou incontestada em seu tempo. Seu emblema real permaneceu o pavão até que o imperador Açoca o mudou para um leão, como visto no Capitel do Leão de Açoca, bem como em seus éditos. O pavão continuou a representar elegância e realeza na Índia durante os tempos medievais; por exemplo, o trono dos imperadores Mughal era chamada de “Trono do Pavão”. O pavão é representado nos zodíacos birmanês e cingalês. Para os cingaleses, o pavão é o terceiro animal do zodíaco do Sri Lanka. Acreditava-se que os pavões muitas vezes um símbolo de orgulho e vaidade comiam propositalmente substâncias venenosas para se tornarem imunes a elas, bem como para tornar as cores de sua plumagem resplandecente ainda mais vibrantes, visto que tantas plantas e animais venenosos são também muito coloridos devido ao apossematismo. A divindade budista Mahamayuri é retratada sentada em um pavão. Pavões também são vistos apoiando o trono de Amitaba. 

                                    


A Índia adotou o pavão como seu pássaro nacional em 1963 e é ainda hoje um dos símbolos nacionais da Índia.  Na Pérsia e na Babilônia, o pavão era visto como um guardião da realeza e muitas vezes foi gravado em tronos reais. Melek Taus, o “Anjo Pavão”, é o nome iazidi para a figura central de sua fé. Os iazidis consideram Tawûsê Melek uma emanação de Deus e um anjo benevolente que se redimiu de sua queda e se tornou um demiurgo que criou o cosmos a partir do ovo cósmico. Depois que ele se arrependeu, ele chorou por 7.000 anos, suas lágrimas encheram sete jarras, que então extinguiram o fogo do inferno. Na arte e escultura, Tawûsê Melek é retratado como um pavão. No Diwan Masbuta d-Hibil Ziwa, a emanação do mandeísmo de Yushamin é descrita como um pavão. Os gregos antigos acreditavam que a carne do pavão não entrava em decomposição após a morte, por isso a ave se tornou um símbolo da imortalidade. Nas imagens helenísticas, a carruagem da deusa grega Hera era puxada por pavões, pássaros desconhecidos pelos gregos antes das conquistas de Alexandre, o Grande. O tutor de Alexandre, Aristóteles, refere-se aos pavões como “o pássaro persa”. Quando Alexandre viu os pássaros na Índia, ficou tão maravilhado com sua beleza que ameaçou as mais severas penalidades para qualquer homem que matasse um. Cláudio Eliano escreve que havia pavões na Índia, maiores do que em qualquer outro lugar. Um mito afirma que um servo de Hera, Argos Panoptes, de cem olhos, foi instruído a guardar Io, a mulher que foi transformada em vaca por Hera, depois que o interesse de Zeus por ela foi descoberto. Zeus fez com que o mensageiro dos deuses, Hermes, matasse Argos através do sono eterno e libertasse Io. Segundo Ovídio, para homenagear seu fiel vigia, Hera preservou para sempre, os cem olhos de Argos na cauda do pavão.  

        Em diversas áreas do conhecimento indiano, o Pavão (Pavão) assume significados variados. No Jainismo e Vaishnavismo, é associado à beleza e refúgio. Em Arthashastra, representa facções rivais. No Purana, manifesta-se em mitos e paisagens. Ayurveda destaca suas propriedades medicinais. Dharmashastra o classifica em contextos de leis e culinária. Rasashastra utiliza sua bile em processos alquímicos. No Mahayana, é montaria divina. Na história indiana e Kavyashastra, simboliza vaidade e beleza, enquanto nas Ciências da Saúde, representa reações superficiais a novas ideias. No budismo, o pavão simboliza beleza e a transformação do veneno em sabedoria. No budismo tibetano, representa a riqueza da virtude espiritual, figurando no palácio ocidental. No Mahayana, serve como montaria do deus Kumara, personificando graça. No Theravada, a criatura outrora protegida, tornou-se vulnerável ao negligenciar a prática. No contexto do Hinduísmo, o pavão (“Pavão” ou “Pavões”) é uma ave multifacetada, presente em diversas escrituras e com significados variados. Em Vaishnavismo, o pavão é um símbolo de beleza, realeza e orgulho, exibindo plumagem iridescente e cortejos elaborados. Sua presença vibrante enriquece a atmosfera, como nos bosques de Govardhana, onde sua beleza se manifesta. Em algumas narrativas, o pavão cria arcos para Krishna, simbolizando boas-vindas e beleza. No entanto, também pode representar a perda, como um bem que a Nayaki é forçada a abandonar. Nos Puranas, o pavão é retratado de diversas formas. Suas penas adornam as flechas de Arjuna. O som de carros pode evocar reações nos pavões, associando-os ao som das nuvens. 

O pavão também é descrito como um animal que serpentes rastejam sobre na floresta. Ele anseia pela água da chuva e dança com sua cauda exuberante, às vezes capturando cobras. Grupos de pavões empoleirados em árvores com suas caudas multicoloridas são comparados a arco-íris. Em uma forma divina, Madhara assume a forma de um pavão para matar o demônio Tristhubha. Na literatura Kavya, o pavão é uma alegoria para liberdade e transformação. No Arthashastra, a ave surge em um contexto político, com o Rei Jewel-plume representando forças adversárias. No Ayurveda, a carne do pavão e seus sucos são valorizados por suas propriedades medicinais. São recomendados para doenças da laringe e tratamento de venenos. Sua carne é considerada benéfica para a visão, audição, inteligência e vitalidade, enquanto seus ovos são usados para tratar tosse e problemas cardíacos. No Rasashastra, a bile do pavão é utilizada no processo de bhavana para criar compostos medicinais. Em Jyotisha, o pavão é classificado como uma ave diurna. No Dharmashastra, é incluído em listas de animais permitidos para consumo, mas também associado a consequências negativas, como renascimento como pavão devido ao roubo de vegetais. Matar um pavão pode acarretar multas. Em Kavyashastra, sua beleza é associada ao orgulho. No Jainismo, o pavão surge em diversos contextos. Ajita Svamin é comparado a um trovão para os pavões de seus súditos, demonstrando sua proteção e poder como governante. Os topetes dos monges se assemelham a caudas de pavões jovens, ressaltando a graça e beleza de seus movimentos.

O pavão é também o veículo de Sanmukha, um Yaksha que porta armas. Além disso, o pavão está associado a Trimukha, um chefe Yaksha presente em congregações. A presença destas aves transforma jardins em refúgios, onde até mesmo se envergonham da beleza dos cabelos das mulheres. Pavões também são mantidos para entretenimento, agitando colares nas árvores dos desejos. O pavão, na história da Índia, surge como um símbolo multifacetado. A sua plumagem exuberante associa-se à beleza e ao orgulho, mas também à extravagância. A dança do pavão, por sua vez, representa a tragédia de Maya, simbolizando a morte e a libertação. O pavão assume um papel cultural e religioso significativo, sendo por vezes considerado um mensageiro ou enviado em narrativas. Contudo, a sua beleza pode ser vã, como exemplificado na discussão sobre a inutilidade de olhos sem visão. Assim, o pavão oscila entre a representação da beleza e a da futilidade, refletindo a complexidade da cultura indiana. Em grego, a narrativa explora um Pavão que expressa a Juno seu descontentamento pela ausência de uma voz melodiosa comparada à do rouxinol, apesar de sua beleza notável. Um Pavão é descrito com sua cauda magnífica e adornado em ouro, púrpura e todas as cores do arco-íris. A beleza do pavão é central. O mandeísmo é uma religião étnica classificada por estudiosos como gnóstica, remanescentes até os dias atuais. Veneram João Batista como o messias e praticam o ritual do batismo. Possuem cerca de 100 mil adeptos em todo o mundo, principalmente no Iraque. O mandeísmo é uma rara forma de gnosticismo contemporâneo junto com movimento de Samael Aun Weor (1917-1977). 

 Os mandeístas não consideram o mundo material como sendo maligno, não rejeitam o casamento, nem a procriação. Os mandeístas ou mandeus são assim classificados devido à etimologia da palavra manda, que na língua mandeia significa conhecimento, que em grego é o vocábulo gnosis. Existe controvérsia sobre sua origem, se seriam de fato pré-cristãos, contemporâneos de João Batista ou de origem mesopotâmica. A religião mandeísta tem uma visão dualística mais estrita que a maioria dos gnósticos. Ao invés de um grande pleroma (plenitude), existe uma clara divisão entre luz e trevas, onde o senhor das trevas é chamado de Ptahil (semelhante ao Demiurgo gnóstico) e o gerador da luz (Deus) é conhecido como “a grande primeira Vida dos mundos da luz, o sublime que permanece acima de todos os mundos”. Quando esse ser espalhou, outros seres espirituais se corromperam, e eles e seu senhor Ptahil criaram o nosso mundo. A escritura mandeísta mais importante é o Ginza Rba, juntamente com o Qolastā. A linguagem usada por eles é o mandeu, uma subespécie do aramaico. O rito máximo é o batismo ou masbuta, realizado todos domingo em águas correntes. Christopher Knight e Robert Lomas referem em The Second Messiah (1997), que o historiador romano Flávio Josefo diz que os essênios, e, portanto, a Igreja de Jerusalém, acreditavam que as almas justas residiam além do oceano no Ocidente, numa região que não era assolada por tempestades de chuva, neve ou intenso calor, mas por aragens frescas. Existe uma descrição dada por um povo chamado Mandeus que viviam no Sul do Iraque desde que haviam deixado Jerusalém depois da crucificação de Jesus, a fugirem às perseguições de Paulo.

Estes judeus deixaram Jerusalém no 1 século d.C. e de acordo com a sua doutrina João Batista for o primeiro líder dos nazarenos e Jesus foi um líder posterior que se terá afastado dos segredos que lhe haviam sido transmitidos. Os mandeus ainda celebram o batismo no rio, têm toques particulares e têm práticas rituais que recordam as modernas fraternidades iniciáticas. O simbolismo foi adotado pelo cristianismo primitivo, portanto, muitas pinturas e mosaicos cristãos antigos mostram o pavão. O pavão ainda é usado na época da Páscoa, especialmente no oriente. Os ocelos nas penas da cauda do pavão simbolizariam o Deus cristão que tudo vê e – em algumas interpretações – a Igreja. Um pavão bebendo de um vaso é usado como símbolo de um crente cristão bebendo das águas da vida eterna. O pavão também pode simbolizar o cosmos se interpretarmos sua cauda com seus muitos “olhos” como a abóbada do céu pontilhada pelo Sol, a Lua e as estrelas. Pela adoção cristã do antigo simbolismo persa e babilônico, no qual o pavão era associado ao Paraíso e à Árvore da Vida, a ave é novamente associada à imortalidade. Na iconografia cristã, o pavão é frequentemente representado ao lado da Árvore da Vida. Entre os judeus asquenazes, o pavão dourado é um símbolo de alegria e criatividade, com penas de pássaros sendo uma metáfora para a inspiração de um escritor. Em 1956, John J. Graham (1923-1994) criou o conceito de um logotipo de pavão de 11 penas para a emissora americana NBC. Este pavão brilhantemente colorido foi adotado devido ao aumento na programação com cores. 

As primeiras transmissões em cores da NBC mostraram apenas um quadro estático do pavão colorido. O emblema fez sua primeira aparição no ar em 22 de maio de 1956. O atual logotipo de seis penas estreou em 12 de maio de 1986. Pavão tem como representação social o nome comum dado para três espécies de aves dos gêneros Pavo e Afropavo que estão contidas dentro da tribo Pavonini da família Phasianidae que inclui também os galos, faisões, codornizes etc. É um gênero de aves galináceas da família Phasianidae. A par com o gênero Afropavo, forma o conjunto de animais reconhecido como pavões. O gênero Pavo foi introduzido por Carl Linnaeus na 10ª edição de Systema Naturae, em 1758. Carl Linnaeus (1707-1778), o grande nomenclador que dedicou sua vida a nomear a maioria dos objetos e seres vivos e, em seguida, ordená-los de acordo com sua posição sociológica hierárquica, tinha ele próprio um problema com a formação de sua identidade, pois seu nome, e até mesmo seu primeiro nome, foram alterados tantas vezes durante sua vida que existem nada menos que nove binômios e outros tantos sinônimos. Nos séculos XVII e XVIII, a maioria dos suecos ainda não possuía sobrenomes. O avô de Linnaeus segundo a tradição escandinava, chamava-se Ingemar Bengtsson que significa “Ingemar, filho de Bengt” e seu filho, o pai de Linnaeus, foi inicialmente reconhecido como “Nils Ingemarsson” (1674-1748) que significa “Nils, filho de Ingemar”. Mas Nils, para cumprir os requisitos administrativos para sua matrícula na Universidade de Lund fundada, em 1666, e classificada entre as 100 melhores universidades do mundo, precisava escolher um sobrenome. Uma grande tília crescia nas terras da família. A propriedade tinha seu nome: Linnagård (ou Linnegård), formado por “linn”, uma variante na atualidade obsoleta de lind, “tília” em sueco e gård (“fazenda”).

 Vários membros da família o haviam adotado como base para sobrenomes como Lindelius (de lind) ou Tiliander (de Tilia, “tília” em latim). E como era moda nos círculos intelectuais usar o latim, Nils escolheu se tornar “Nils Ingemarsson Linnæus”. Em homenagem ao soberano sueco muito popular da época, Carlos XII (em sueco Karl XII, 1682-1718), Nils deu o primeiro nome do rei ao seu filho, que assim começou sua existência chamado “Carl Nilsson” que significa “Carl, filho de Nils”, depois Karl Linnæus, mais frequentemente grafado “Carl Linnæus”. Quando Carl Linnaeus se matriculou na Universidade de Lund aos vinte anos, seu primeiro nome foi registrado na forma latinizada de Carolus. E foi sob esse nome, Carolus Linnaeus, que ele publicou cientificamente seus primeiros trabalhos em latim. Tendo alcançado imensa fama como médico da família real sueca, foi enobrecido em 1761 e, em 1762, adotou o nome “Carl von Linné”. Entretanto, o nome Linné é um diminutivo, no estilo francês, como era comum na época em muitos países de língua alemã, de Linnæus, e von é a partícula nobre alemã. No mundo francófono como na Suécia é reconhecido como “Linnaeus”. Do ponto de vista técnico-metodológico em botânica, onde as citações de autores são abreviadas, a abreviatura padronizada “L.” admite sua utilidade. É o único botânico cujo nome é abreviado para uma única letra. 

Ele não deve ser confundido com seu filho Carl von Linné, o Jovem, que se distingue do pai por ser citado como Linnaeus filius, abreviado em botânica como Lf. Em zoologia, onde praticamente é costume citar o sobrenome completo do Autor do táxon, “Linnaeus” ou sua grafia sem ligaduras, “Linnaeus”. Adotada em inglês e mais prática para usuários sociais dos chamados teclados internacionais, é usado após os táxons que ele descreveu, e mais raramente “Linné”, porque foi sob seu nome propriamente acadêmico “Linnaeus” que suas principais obras sobre taxonomia zoológica até a década de 1761 foram publicadas, com exceção dos 1.500 nomes de novas espécies animais estabelecidos em 1766/1767 na 12ª edição do Systema Naturae, para os quais o nome do Autor “Linné” é geralmente utilizado na nomenclatura em francês. Além disso, diferentemente da utilidade social de uso de seu nome próprio (Carolus), “Linnaeus” não é meramente uma transliteração latina posterior, mas sim seu sobrenome propriamente dito. Quanto às suas obras academicamente, elas foram publicadas até 1762 sob os nomes “Caroli Linnæi”, a forma genitiva, significando “de Carolus Linnæus”, “Carl Linnæus” ou simplesmente “Linnaeus”. Em 1762, na capa da segunda edição de Species plantarum, o nome ainda era impresso dessa forma. Mas, a partir de então, passou a aparecer impresso apenas em sua forma aristocrática, “Carl von Linné” ou “Carolus a Linné” (sendo o “a” ou “ab” a tradução latina de “von”).

 Em algumas bibliotecas, geralmente consta como “Linnaeus, Carolus (Carl von Linné)”, enquanto outras usam “Carl von Linné”. Em francês, o nome aparece, por vezes, na forma afrancesada “Charles Linné”, principalmente em obras do século XVIII, e ainda hoje em nomes de ruas, mas também em algumas obras recentes. Escólio: Atualmente há duas espécies no gênero Pavo: o pavão-azul e o pavão-verde-de-Java. A única espécie fóssil reconhecida, entretanto, é a Pavo bravardi, que existiu há cerca de 15 milhões de anos. Existem duas espécies de origem asiática, o pavão-azul, originário do subcontinente indiano, e o pavão-verde, do Sudoeste asiático; há ainda uma espécie africana, o pavão-congolês, nativa da bacia do Congo. Os machos são reconhecidos por seus “chamados penetrantes e sua plumagem colorida”. Essa última característica mais proeminente nas espécies asiáticas que apresentam “uma longa cauda colorida, repleta de olhos que abrem em leque num ritual de acasalamento”. As funções da elaborada coloração iridescente e grande cauda dos pavões têm sido objeto de debate científico. Charles Darwin sugeriu que estas formas características serviam para atrair as fêmeas, e as características mais vistosas dos machos evoluíram por seleção sexual. Amotz Zahavi propôs na teoria do Princípio do handicap que essas características agiam como sinais claros da aptidão dos machos, uma vez que os machos menos aptos seriam prejudicados pela dificuldade de sobreviver com estruturas tão grandes e distintas. O subcontinente indiano é a região peninsular do Sul da Ásia onde se situam os países Índia, Paquistão, Bangladesh, Nepal e Butão. Por razões culturais e tectônicas, a ilha do Sri Lanka e as Maldivas podem também considerar-se como pertencentes ao Subcontinente.

Esta região do Sul da Ásia conhecida por Hindustão ou Indostão, nomenclatura hoje apenas utilizada no contexto da história da relação entre os povos europeus e o subcontinente. Geologicamente, a noção de subcontinente baseia-se no fato de que esta região assentar numa placa tectônica própria, separada do resto da Ásia. A parte Sul do subcontinente forma uma enorme península enquanto o Norte é composto pela cordilheira do Himalaia, que age como barreira geográfica e cultural com a China e com a Ásia Central. O nome de subcontinente indiano dado à península, muito identificado com a Índia, abrange, contudo, um território cujos limites geográficos não coincidem com aquele Estado. Apesar de não existir uma definição precisa para a região, e dos seus limites terem variado ao longo da história, em geral também são incluídos os territórios do Bangladesh, do Sri Lanka e das Maldivas, para além de partes dos Estados vizinhos do Afeganistão e da Birmânia. O Indostão, conceito regional que antecedeu o de subcontinente indiano, incluía a região ao Sul da Ásia Central entre o Irã, e a China. Foi uma região de passagem de inúmeros povos e de múltiplas incursões, entre as quais se podem citar o exército de Alexandre, o Grande, os mongóis de Gêngis Cã e a migração dos ciganos, entre tantos outros viajantes. Foi durante séculos uma região estratégica, ponto de encontro da Rota da Seda, percurso chave para a troca de mercadorias e intercâmbio cultural entre o Império Chinês e o mundo ocidental.   

Com o advento geopolítico da abertura do caminho através do Oceano Índico pelos navegadores ocidentais e a abertura de novas rotas e postos de trocas de mercadoria, começa a perder parte da sua estratégica importância econômica, social e cultural. Com a expansão do Islão, parte da população humana converteu-se a esta religião seguindo maioritariamente a corrente sunita. Composta por diversos reinos, caracterizados pelas suas alianças tribais e às vezes circunscritos apenas ao domínio de uma cidade, com o passar dos tempos acabou fechando-se ao acesso de estranhos. Com a expansão do Império Russo no século XVIII e do Império Britânico, a sua estrutura e existência começou a ser ameaçada. Na época de Aquebar, o Indostão político ia do Afeganistão até a baía de Bengala e dos Himalaias até ao rio Godavari. Muitas vezes chamado simplesmente do Subcontinente, por ser a única região do mundo à qual esse termo é comumente aplicado, a região era conhecida no Ocidente simplesmente como “Índia” ou “Índias” até 1947, quando a partição da antiga Índia Britânica viu o território dividido entre os Estados da União da Índia e do Paquistão. A parte oriental deste Estado seria mais tarde dividida sob o nome de Bangladesh. 

Muitas pessoas no Paquistão e em Bangladesh rejeitam o termo “subcontinente indiano”, acreditando que o adjetivo “indiano” deve ser aplicado apenas ao Estado atualmente da República da Índia. O colonialismo e expansão territorial russa foi um processo de descoberta e conquista de novos territórios pela Rússia. Caracterizou-se por oposição à colonização da maioria das outras potências coloniais europeias visto que estavam destinados principalmente aos territórios ultramarinos, mas já a Rússia principalmente a expansão continental nas zonas adjacentes (“colonialismo interno”). Estendeu sobre regiões que compõem a moderna Polônia, Ucrânia, Bielorrússia, Finlândia, Países Bálticos, Moldávia, Ásia Central, Sibéria e o Cáucaso. Seus primórdios podem ser datados para a conquista moscovita da República da Novogárdia em 1478 e sua subsequente colonização da Moscóvia. Enquanto as potências europeias realizavam a grande expansão marítima comercial, o Império Russo realizava sua expansão territorial para leste, sudoeste e sudeste, chegando até o Oceano Pacífico através de deslocamentos terrestres. Para se ter uma ideia, em 1542 os russos já tinham conquistado a Sibéria ocidental; em 1620, a central e, em 1650, a oriental. Em 1671, atingiram o Oceano Pacífico e, em 1742, atravessaram o estreito de Bering, dando início à exploração do Alasca. Embora o colonialismo russo terminou formalmente em 1991 com a independência política das ex-repúblicas soviéticas, a capital russa ainda domina os territórios e pode ser dito que mantêm uma relação de neocolonial com eles. 

Os colonos russos que chegaram na época soviética, ainda tendem a se identificar culturalmente e intelectualmente com Moscou e a Rússia, mais do que nas nações em que vivem, a mídia nas recém-independentes repúblicas não russas, com exceção dos países bálticos, permanecem fortemente russificadas. O primeiro Estado eslavo do Oriente, a Rússia de Quieve, foi fundado pelos viquingues nórdicos que vieram da Escandinávia, navegando pelos rios da Europa do Leste. Eles adotaram o cristianismo do Império Bizantino em 988 e iniciaram a síntese das culturas bizantinas e eslavas que vieram a definir a cultura russa. Os mongóis sob Gengis Cã (1167–1227) assaltaram e devastaram a China (1211–1215), atacando o Império Corásmio (1219–1225), e rumando para a Europa Oriental. Com a morte de Oguedai Cã, um dos quatro filhos de Gengis Cã, os vitoriosos exércitos mongóis sob neto de Gêngis Cã, Batu recuaram de repente da Europa. Embora tecnicamente grande no seu tamanho territorial em comparação com os estados europeus do Oeste, o Estado de Rus de Quieve rapidamente sucumbiu aos invasores mongóis no ano 1230 quando a Horda de Ouro correu para o Ocidente e a Rússia foi conquistada pelos cavaleiros das vastas estepes do Oriente, isolando-a da Europa e provocou a sua decadência cultural; o que segundo alguns estudiosos, foi a gênese do desejo da Rússia de propagação e conquista do Leste. Uma das características mais marcantes da história da Moscóvia é o seu impressionante crescimento territorial. A expansão coincidiu com a fragmentação e a desintegração do Império Mongol na Eurásia do final do século XIV, mas foi quase exclusivamente à custa dos principados do nordeste de Rus: Tuéria, Susdália, Resânia, Novogárdia, Pscóvia. 

Como o controle mongol rapidamente se enfraqueceu, uma série de centros provinciais de Novogárdia Magna e Pescóvia, lutaram para herdar o legado da Rússia de Quieve, mas foi Moscou, que passou a dominar o antigo centro cultural. Inicialmente, o poder era fraco, e os tributos eram pagos aos cãs tártaros. O Canato Quipchaco da Horda de Ouro, não assimilado pela civilização russo-bizantina e islamizado apenas superficialmente, deteriorou-se internamente. Eventualmente, foi dividido nos Canatos separados da Crimeia (1430-1783), de Cazã (1445-1552) e de Astracã (1466-1556). Seria sob Ivã III que Moscou rejeitou o costumeiro tributo pago ao grande tártaro Amade Cã, e enquanto combatia as tribos turcas do Leste, começou a unificar todas as províncias que eram culturalmente russas. Isso incluiu uma guerra vencida contra a República de Novogárdia. Seu filho Basílio III continuou as políticas do pai e anexou as províncias autônomas sobreviventes de Pscóvia, Volokolamsk, Resânia e Novogárdia Sevéria, e mais notavelmente capturaram a cidade polonesa de Esmolensco. 

O termo Hindustão seria mais apropriado devido ao seu uso histórico e origem terminológica, mas raramente é usado hoje em dia. Um nome alternativo para a região é a Ásia Meridional, embora esse nome às vezes também inclua Afeganistão e Irã, e às vezes até Birmânia. O subcontinente indiano é geologicamente delimitado dos Himalaias ao Norte e pelo Oceano Índico ao Sul. Caracteriza-se por uma linha divisória Norte-Sul entre a Planície Indo-Gangética ao Norte, que inclui os sistemas fluviais Indo, Ganges e Bramaputra, e o Planalto de Decão ao Sul, cujos principais sistemas incluem os rios Maanandim, Godavari, Krishna e Kaveri. A geografia do subcontinente confere-lhe o clima de monções mais pronunciado do mundo. A mudança sazonal na direção do vento leva a uma elevada instabilidade atmosférica com o início das monções de verão, tipicamente em junho, quando o ar quente e húmido do Oceano Índico sopra do Sudoeste. Em outubro, a direção do vento inverte-se e traz ar mais frio do Nordeste, mas tanto a intensidade como a humidade das monções de inverno são desviadas pelos Himalaias. O resultado é uma estação predominante seca. O subcontinente indiano é a região do mundo mais afetada pela poluição do ar. O diretor executivo da Greenpeace para o Sudeste Asiático, Yeb Sano, explica que “além das perdas humanas, o custo global estimado é de 225 mil milhões de dólares em custos laborais e de bilhões em custos médicos”. O Greenpeace é uma rede global independente de campanhas, fundada no Canadá em 1971 por um grupo de ativistas ambientais. Afirma que seu objetivo é “garantir a capacidade da Terra de nutrir a vida em toda a sua diversidade” e concentra suas campanhas em questões mundiais como mudanças climáticas, desmatamento, sobrepesca, caça comercial de baleias, engenharia genética, pacifismo e questões antinucleares. 

Ele utiliza ação direta, advocacia, pesquisa e ecotagem para atingir seus objetivos. A rede compreende 26 organizações nacionais/regionais independentes em mais de 55 países na Europa, Américas, África, Ásia, Austrália e Pacífico, bem como um órgão coordenador, o Greenpeace Internacional, com sede em Amsterdã, Holanda. A rede global não aceita financiamento de governos, empresas ou partidos políticos, contando com três milhões de apoiadores individuais e subsídios de fundações. O Greenpeace tem um estatuto consultivo geral junto do Conselho Económico e Social das Nações Unidas e é membro fundador da Carta de Responsabilização das ONGs Internacionais, uma organização não governamental internacional que pretende promover a responsabilização e a transparência das organizações não governamentais. O Greenpeace é conhecido por suas ações sociais diretas não violentas e tem sido descrito sociologicamente como uma das organizações ambientais mais visíveis do mundo. Ele elevou as questões ambientais à consciência e ao conhecimento público, e influenciou tanto o setor privado quanto o público. A organização recebeu críticas; foi tema de uma Carta Aberta per se de mais de 100 laureados com o Prêmio Nobel, instando o Greenpeace a encerrar sua campanha contra organismos geneticamente modificados (OGMs). As ações diretas da organização desencadearam processos judiciais contra o próprio Greenpeace e seus ativistas. Em março de 2025, um júri de nove pessoas do estado de Dakota do Norte considerou o Greenpeace responsável por mais de US$ 660 milhões em danos e difamação pelos protestos de Standing Rock de 2016 a 2017 contra o oleoduto Dakota Access. 

Além disso, ativistas receberam multas e penas suspensas por destruírem uma área de teste de trigo geneticamente modificado, e, de acordo com os promotores do governo peruano e a decisão do tribunal, por danificarem as Linhas de Nazca, ou Nazca são um grupo de grandes geoglifos feitos no solo do deserto de Sechura no Sul do Peru. Eles foram criados pela cultura nasca entre os anos 500 a.C. e 500 d.C. por pessoas fazendo depressões ou incisões rasas no solo do deserto, removendo seixos e deixando pó de cores diferentes exposto, portanto, um Patrimônio Mundial da UNESCO. Falando das características de forma geral, em todas as espécies as fêmeas são menores em peso e envergadura, porém, os machos são significantemente maiores por conta da sua longa cauda que é chamada de trem. A cauda ou trem dos pavões não consiste em penas de cauda propriamente ditas, mas em penas de sobre cauda muito longas. Essas longas penas possuem ocelos que são mais visíveis quando o pavão abre seu trem em leque. Ambos os sexos de todas as espécies possuem uma crista de penas acima da cabeça. Quanto aos filhotes, nas três espécies as cores são mistas. Há variação entre amarelo pálido e pardo, com manchas de cor marrom-escuro ou castanho claro e marfim. Há registros de pavoas adultas que acabaram desenvolvendo plumagem masculina e também fazendo o chamado dos machos. Embora se suspeitasse de ginandromorfismo, os pesquisadores sugeriram que “as mudanças em aves maduras são devido à falta de estrogênio de ovários velhos ou danificados, e que a plumagem e as chamadas masculinas são o padrão do defeito, a menos que este seja suprimido hormonalmente”. Os híbridos entre o pavão-azul e pavão-verde são chamados de pavão-de-spalding, em homenagem à primeira pessoa a hibridizá-los com sucesso, Keith Spalding (1913-2002).           

Ao contrário de muitos híbridos, comparativamente, os pavões-de-spalding são férteis e geralmente se beneficiam do vigor híbrido; Pavões-de-spalding com um fenótipo verde alto se saem muito melhor em temperaturas frias do que os próprios pavões-verdes naturais, que são intolerantes ao frio, enquanto ainda se parecem com seus pais verdes. A plumagem varia entre os indivíduos, com alguns parecendo muito mais com o pavão-verde e alguns parecendo muito mais com o pavão-azul, embora a maioria carregue visualmente características de ambos. Quanto ao pavão-azul, além da coloração “azul” do tipo selvagem, várias centenas de variações de cor e padrão são formas reconhecidas em separado do natural azul-indiano entre os criadores de pavões. As variações de padrão incluem: ombro sólido/preto (as listras pretas e marrons na asa são de uma cor sólida), malhado, olhos brancos (os ocelos nas penas dos olhos de um macho têm manchas brancas em vez de preto) e malhado prateado (uma ave maioritariamente branca com pequenas manchas de cor). As variações de cores incluem branco, roxo, bronze Buford, opala, meia-noite, carvão, jade e cinza, bem como as cores ligadas ao sexo: roxo, camafeu, pêssego e Violeta de Sonja. Variações adicionais de cores e padrões são aprovadas pela United Peafowl Association para se tornarem oficialmente reconhecidas como uma metamorfose entre os criadores.       

Esta região do Sul da Ásia conhecida por Hindustão ou Indostão, nomenclatura hoje utilizada no contexto da história da relação entre os povos europeus e o subcontinente. Geologicamente, a noção de subcontinente baseia-se no fato de que esta região assentar numa placa tectônica própria, separada do resto da Ásia. A parte Sul do subcontinente forma uma enorme península enquanto o Norte é composto pela cordilheira do Himalaia, que age como barreira geográfica e cultural com a China e com a Ásia Central. O nome de subcontinente indiano dado à península, muito identificado com a Índia, abrange, contudo, um território cujos limites geográficos não coincidem com aquele Estado. Apesar de não existir uma definição precisa para a região, e dos seus limites terem variado ao longo da história, em geral também são incluídos os territórios do Bangladesh, do Sri Lanka e das Maldivas, para além de partes dos Estados vizinhos do Afeganistão e da Birmânia. O Indostão, conceito regional que antecedeu o de subcontinente indiano, incluía toda a região ao Sul da Ásia Central, entre o Irã, e a China. Foi uma região de passagem de inúmeros povos e de múltiplas incursões, entre as quais se podem citar o exército de Alexandre, o Grande, as incursões mongóis de Gêngis Cã e a migração dos ciganos, entre tantos outros viajantes. Foi durante séculos região estratégica, ponto de encontro da Rota da Seda, percurso chave para a troca de mercadorias e intercâmbio cultural entre o Império Chinês e o mundo ocidental.

Com o advento geopolítico da abertura do caminho através do Oceano Índico pelos navegadores ocidentais e a abertura de novas rotas e postos de trocas de mercadoria, começa a perder parte da sua estratégica importância econômica, social e cultural. Com a expansão do Islão, parte da população converteu-se a esta religião seguindo maioritariamente a corrente sunita. Composta por diversos reinos, caracterizados pelas suas alianças tribais e às vezes circunscritos apenas ao domínio de uma cidade, com o passar dos tempos acabou fechando-se ao acesso de estranhos. Com a expansão do Império Russo no século XVIII e do Império Britânico, a sua estrutura e existência começou a ser ameaçada. Na época de Aquebar, o Indostão político ia do Afeganistão até a baía de Bengala e dos Himalaias até ao rio Godavari. Muitas vezes chamado simplesmente do Subcontinente, por ser a única região do mundo à qual esse termo é comumente aplicado, a região era conhecida no Ocidente simplesmente como “Índia” ou “Índias” até 1947, quando a partição da antiga Índia Britânica viu o território dividido entre os Estados da União da Índia e do Paquistão. A parte oriental deste último Estado seria mais tarde dividida sob o nome de Bangladesh. Muitas pessoas no Paquistão e em Bangladesh rejeitam o termo “subcontinente indiano”, acreditando que o adjetivo “indiano” deve ser aplicado apenas ao Estado atualmente da República da Índia.

O termo Hindustão seria mais apropriado devido ao seu uso histórico e origem terminológica, mas raramente é usado hoje em dia. Um nome alternativo para a região é a Ásia Meridional, embora esse nome às vezes também inclua Afeganistão e Irã, e às vezes até Birmânia. O subcontinente indiano é geologicamente delimitado dos Himalaias ao Norte e pelo Oceano Índico ao Sul. Caracteriza-se por uma linha divisória Norte-Sul entre a Planície Indo-Gangética ao Norte, que inclui os sistemas fluviais Indo, Ganges e Bramaputra, e o Planalto de Decão ao Sul, cujos principais sistemas incluem os rios Maanandim, Godavari, Krishna e Kaveri. A geografia do subcontinente confere-lhe o clima de monções mais pronunciado do mundo. A mudança sazonal na direção do vento leva a uma elevada instabilidade atmosférica com o início das monções de verão, tipicamente em junho, quando o ar quente e húmido do Oceano Índico sopra do Sudoeste. Em outubro, a direção do vento inverte-se e traz ar mais frio do Nordeste, mas tanto a intensidade como a humidade das monções de inverno são desviadas pelos Himalaias. O resultado é uma estação predominante seca. O subcontinente indiano é a região do mundo mais afetada pela poluição do ar. O diretor executivo da Greenpeace para o Sudeste Asiático, Yeb Sano, explica que “além das perdas humanas, o custo global estimado é de 225 mil milhões de dólares em custos laborais e de bilhões em custos médicos”.

O Greenpeace representou, mutatis mutandis, uma das primeiras organizações a formular um cenário de desenvolvimento sustentável para a mitigação das alterações climáticas, o que fez em 1993. De acordo com os sociólogos Marc Mormont e Christine Dasnoy, a organização desempenhou um papel significativo na sensibilização do público para o aquecimento global na década de 1990. O Greenpeace também se concentrou nos CFCs, devido ao seu potencial de aquecimento global e ao seu efeito na camada de ozono. Foi um dos principais participantes na defesa da eliminação precoce das substâncias que destroem a camada de ozono no Protocolo de Montreal. No início da década de 1990, o Greenpeace desenvolveu uma tecnologia de refrigeração sem CFC, o “Greenfreeze”, para produção em massa em conjunto com a indústria de refrigeração. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente premiou o Greenpeace por “contribuições notáveis ​​para a proteção da camada de ozônio da Terra” em 1997. Em 2011, dois quintos da produção mundial total de refrigeradores eram baseados na tecnologia Greenfreeze, com mais de 600 milhões de unidades em uso. Atualmente, o Greenpeace considera o aquecimento global o maior problema ambiental que a Terra enfrenta.

A organização defende que as emissões globais de gases de efeito estufa atinjam o pico em 2015 e diminuam o máximo possível até 2050, aproximando-se de zero. Para alcançar esses números, o Greenpeace defende que os países industrializados reduzam suas emissões em pelo menos 40% até 2020 (em relação aos níveis de 1990) e forneçam financiamento substancial para que os países em desenvolvimento construam uma capacidade energética sustentável, se adaptem às consequências inevitáveis ​​do aquecimento global e parem o desmatamento até 2020. Juntamente com a EREC, o Greenpeace formulou um cenário energético global, “Energy [R]evolution”, no qual 80% da energia total mundial é produzida com fontes renováveis ​​e as emissões do setor energético são reduzidas em mais de 80% em relação aos níveis de 1990 até 2050. Utilizando a ação direta, os membros do Greenpeace protestaram várias vezes contra o carvão, ocupando centrais elétricas a carvão e bloqueando carregamentos de carvão e operações de mineração, em locais como a Nova Zelândia, Svalbard, Austrália, e o Reino Unido. O Greenpeace também critica a extração de petróleo das areias betuminosas e utilizou a ação direta para bloquear as operações nas areias betuminosas de Athabasca, no Canadá. Em 1999, o Greenpeace Alemanha (ONG) fundou o Greenpeace Energy, uma cooperativa de eletricidade renovável que também fornecia gás fóssil aos clientes a partir de 2011.

Após uma repercussão negativa na mídia em 2021 sobre uma entidade associada ao Greenpeace que vendia combustível fóssil, o que foi descrito como greenwashing, a cooperativa mudou seu nome para Green Planet Energy. O Greenpeace Alemanha mantém uma participação na cooperativa, que tem sido criticada por praticar greenwashing com gás russo. Em outubro de 2007, seis manifestantes do Greenpeace foram presos por invadir a usina elétrica de Kingsnorth, em Kent, Inglaterra; escalar a chaminé de 200 metros, pintar o nome Gordon na chaminé (em referência ao ex-primeiro-ministro britânico, Gordon Brown) e causar um prejuízo estimado em £30.000. No julgamento subsequente, eles admitiram ter tentado paralisar a usina, mas argumentaram que estavam legalmente justificados, pois tentavam impedir que as mudanças climáticas causassem danos ainda maiores à propriedade em outras partes do mundo. Depuseram o conselheiro ambiental de David Cameron, Zac Goldsmith, o cientista climático James E. Hansen e um líder inuit da Groenlândia, todos afirmando que as mudanças climáticas já estavam afetando seriamente a vida em todo o mundo. Os seis ativistas foram absolvidos. Este foi o primeiro caso em que a prevenção de danos materiais causados ​​pelas mudanças climáticas foi usada como parte de uma defesa de “justificativa legal” em um tribunal. Tanto o The Daily Telegraph como o The Guardian descreveram a absolvição como um embaraço para o Ministério Brown. Em dezembro de 2008, o The New York Times incluiu a absolvição na sua lista anual das ideias mais influentes do ano.

Bibliografia Geral Consultada.

BENJAMIN, Walker, Hindu World: An Encyclopedic Survey of Hinduism. London: Editor Allen & Unwin, 1968; BUITENEN, Johannes Adrianus Bernardus van; DIMMITT, Cornelia, Classical Hindu Mythology: A Reader in the Sanskrit Purãnas. Philadelphia: Editor Temple University Press, 1978; DARWIN, Charles, La Expresión de las Emociones en los Animales y en el Hombre. Madrid: Editorial Alianza, 1984; ANDERSON, Margaret  Jean, Carls  Linnaeus. Springfield: Enslow Publishers, 1997; COSTA, Edilson da, A Impossibilidade de uma Ética Ambiental: O Antropocentrismo Moral como Obstáculo ao Desenvolvimento de um Vínculo Ético entre o Ser Humano e Natureza. Tese Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento. Curitiba: Universidade Federal do Paraná, 2007; MARX, Karl & ENGELS, Friedrich, La Condizione Postcoloniale: Storia e Politica nel Presente Globale. Verona: Ombre Corte Edizioni, 2008; CUNHA, Luciano Carlos, O Consequencialismo e a Deontologia na Ética Animal: Uma Análise Crítica Comparativa das Perspectivas de Peter Singer, Steve Sapontzis, Tom Regan e Gary Francioni. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-graduação em Filosofia. Centro de Filosofia e Ciências Humanas. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2010; VELOSO, Maria Cristina Brugnara, A Condição Animal: Uma Aporia Moderna. Dissertação de Mestrado. Programa de Estudos Pós-Graduados em Direito. Belo Horizonte: Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, 2011; SEGATA, Jean, Nós e os Outros Humanos, os Animais de Estimação. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2012; MAGALHÃES, Fernanda Cândido, A Teoria da Evolução de Charles Darwin e sua Representação Social Contemporânea. Tese de Doutorado em Psicologia.  Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social. Centro de Educação e Humanidades. Instituto de Psicologia. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2013; INGLIS-ARKELL, Esther, “The Long-running Mystery of Why Birds Seemingly Change Sex”. Disponível em: https://gizmodo.com/07/05/2013; FAUTH, Juliana de Andrade, Sujeitos de Direitos não Personalizados e o Status Jurídico Civil dos Animais não Humanos. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Direito. Faculdade de Direito. Salvador: Universidade Federal da Bahia, 2016; DIMITROVA, Stefania, The Day of Brahma. The Myths of India - Epics of Human Destiny. Published: Alpha-Omega, 2017; Artigo: “Colorido ou Branco, o Pavão Transforma a Plumagem em Espetáculo Visual”. Disponível em: https://www.opovo.com.br/agencia/flipar/2026/01/14/; entre outros.