sexta-feira, 17 de abril de 2026

Flamengo X Independiente Medellín - A Copa Libertadores da América.

                             O tempo não se ocupa em realizar as nossas esperanças: faz o seu trabalho e voa”. Eurípedes                                   

                           

          A organização técnica e tática no futebol é um conceito anterior à consolidação do próprio esporte. Em 1529, por exemplo, dois grupos de 27 jogadores escolheram o futebol para resolver um problema entre eles. O duelo ocorreu na Piazza Santa Croce, em Florença, e houve o primeiro registro de organização tática. Numa época em que todos os atletas eram defensores e atacantes ao mesmo tempo, as equipes começaram a dividir suas funções para ocupar melhor os espaços no campo e melhorar a marcação ao adversário. Durante quase um século, prevaleceu a organização com 15 jogadores no ataque, uma linha de cinco homens no meio e sete na defesa. Essa formação mudou para um 3-4-5-5 quando o número de atletas por equipe foi reduzido para 17, por volta do século XVII. A formação do futebol com 11 atletas em cada equipe se deu no fim do século XIX, e pela primeira vez em 1863, quando foram definidas as primeiras regras da modalidade. A existência de uma série de impedimentos legais criou mais exigências para as equipes, dando origem aos sistemas táticos para reduzir o número de erros. A evolução tática do futebol está ligada ao confronto entre defensores e atacantes, assim como a busca por espaços não utilizados no gramado. 

       Como as equipes procuram persuadir através de jogadas e dribles para vencer seus adversários de uma forma mais fácil, este aspecto fenomenológico deu origem a uma necessidade de organização e controle. A tática é a arte do fraco. Clausewitz, militar do Reino da Prússia que ocupou o posto de general é considerado um grande estrategista militar e teórico da guerra por sua obra “Da Guerra” (“Vom Kriege”). Foi diretor da Escola Militar de Berlim nos treze anos de vida em que escreveu a obra, publicada postumamente. Nela ficou conhecida a tese materialista em que ele define a associação entre guerra e política: - “A guerra é a continuação da política por outros meios”. Especificamente, Clausewitz considerava fundamental que a guerra estivesse sempre submetida à política. Isso porque nenhuma guerra pode ser vencida sem a compreensão precisa dos objetivos e da disponibilidade de meios¸ em primeiro lugar, ou sem o cálculo racional das capacidades e das oportunidades, assim como o estabelecimento dos limites éticos ao uso da força - sempre submetida aos objetivos políticos estabelecidos. Suas lições de tática e estratégia vão, porém, além dos exercícios militares propriamente ditos, para se constituírem, inclusive, numa profunda reflexão sobre a filosofia da guerra e da paz. 

        A estratégia pode ser compreendida como a elaboração técnica do planejamento. A tática faz parte convencimento da estratégia definida, ou seja, fazer as ações corretas para atingir a estratégia escolhida. Produtores desconhecidos, poetas de seus negócios, inventores de trilhas nas selvas da racionalidade funcionalista, produzem algo que se assemelha às trajetórias indeterminadas, aparentemente desprovidas de sentido porque não são coerentes com o espaço constituído, escrito, ou que se movimentam. São frases imprevisíveis num lugar ordenado pelas técnicas organizadoras dos sistemas. Não queremos perder de vista que estratégias se referem ao cálculo ou a manipulação das relações de forças que se torna possível a partir do momento em que um sujeito de querer e poder, por exemplo, uma empresa, um exército, uma cidade, uma instituição científica) pode ser isolado. A estratégia postula um lugar suscetível de ser circunscrito como algo próprio e ser a base de onde se podem gerir as relações técnicas, políticas ou meramente sociais, com uma exterioridade de alvos concretos ou ameaças. Gesto cartesiano, quem sabe: circunscrever um próprio num mundo global enfeitiçado pelos poderes invisíveis do outro. Mas que também pode ser interpretado sociologicamente como gesto da modernidade científica, política ou militar. É preciso recorrer a outro modelo quando interpretamos as imagens, tentando nos convencer a tomar decisões ou mesmo mudando nossa forma de sentir, pensar e agir.                                


             Clausewitz compara ainda a astúcia à palavra espirituosa: - “Assim como a palavra espirituosa é uma espécie de prestidigitação em face das ideias e das concepções, a astúcia é uma prestidigitação relativa a atos”. Isto porque o modo pelo qual a tática, verdadeira prestidigitação, se introduz por surpresa numa ordem. A arte de “dar um golpe” é o senso de ocasião. Mediante procedimentos que psicanaliticamente Sigmund Freud precisa a respeito do chiste, combina elementos audaciosamente reunidos para insinuar o insight de uma coisa na linguagem de um lugar para atingir o destinatário. Raios, relâmpagos, fendas e achados no reticulado de um sistema, as maneiras de fazer são os equivalentes práticos dos chistes. Contudo, sem lugar próprio, sem visão globalizante, cega e perspicaz, como se fica no corpo a corpo sem distância, comandada pelos acasos do tempo, a tática é determinada pela ausência de poder, assim como a estratégia é organizada pelo postulado de um poder. Deste ponto de vista, sua dialética poderá ser iluminada pela arte da sofística, de fortificar ao máximo a posição do mais fraco. Mas destaca a relação de forças que está no princípio de uma criatividade tão tenaz como sutil, incansável, mobilizada à espera da ocasião.             

           As estratégias são, portanto, ações que, graças ao postulado de um lugar de poder, elaboram lugares teóricos (sistemas e discursos totalizantes), capazes de articular um conjunto de lugares físicos onde as forças se distribuem. Elas combinam esses três tipos de lugar e visam dominá-los uns pelos outros. Privilegiam, portanto, as relações espaciais. Ao menos procuram elas reduzir a esse tipo as relações temporais pela atribuição analítica de um lugar próprio a cada elemento particular e pela organização combinatória dos movimentos específicos a unidades ou a conjuntos de unidades. O modelo para isso foi antes o militar que o científico. As táticas são procedimentos que valem pela pertinência que dão ao tempo – às circunstâncias que o instante preciso de uma intervenção transforma em situação favorável, à rapidez de movimentos que mudam a organização do espaço, ás relações entre momentos sucessivos de um golpe, como na política, aos cruzamentos possíveis de durações e ritmos heterogêneos. As estratégias apontam para a resistência que o estabelecimento de um lugar oferece ao gasto do tempo; as táticas apontam para uma hábil utilização do tempo, das ocasiões de um poder. Os métodos praticados pela arte da guerra cotidiana jamais se apresentam de forma nítida, nem por isso menos certo que apostas feitas no lugar ou no tempo distinguem as maneiras “estruturantes” de sentir, pensar e agir.

A América Latina está localizada na totalidade no hemisfério ocidental, cujas linhas imaginárias que atravessam são: o Trópico de Câncer, pelo qual é cortado o centro do México; o Equador, linha imaginária passada no Brasil, Colômbia, Equador e pelo qual perpassa o Norte do Peru e o Trópico de Capricórnio, pelo qual são atravessados o Brasil, o Paraguai, a Argentina e o Chile. A América Latina é um complexo cultural das Américas a qual é distribuída irregularmente pelos hemisférios Norte e Sul, porque a maioria de suas terras é estendida ao Sul da Linha do Equador. Na América Latina são comportadas diversas culturas, porque estão misturados línguas, etnias e costumes. Há predomínio do espanhol como língua dos países da América Latina, com a invasão e conquista das ilhas do Caribe em 1492, se estendeu rapidamente através da América com os colonos procedentes principalmente de Andaluzia e Extremadura, mas também de outras partes da Espanha, que se estabeleceram ali nos séculos XVI e XVII constituindo-se ao redor de 200.000 pessoas nesses primeiros séculos de colonização. É falado por mais de 370 milhões de latino-americanos, mas, em sua especificidade linguística, o português, francês e, em certas regiões ao Norte do continente, inglês e neerlandês. Há também muitas e várias nações de línguas nativas, merecendo destaque o quíchua, legado dos Incas e idioma que se fala no Peru, Equador, Bolívia e Argentina. Línguas românicas oficiais na América Latina: português em laranja; espanhol em verde e francês em azul. A etnia dos habitantes da América tem grande variação de país a país.       

Apesar da intensidade de mestiços, existem algumas nações em que a maior parte dos habitantes é branca como a Argentina e Uruguai, outras, ungidas no âmbito do processo civilizatório, estudado por Darcy Ribeiro onde quase todos os habitantes são de origem negra, como ocorre no Haiti, República Dominicana, Granada, Bahamas e Barbados e outras, onde está fortemente presente na origem continental o índio: Peru, Bolívia, México, Equador e Paraguai. Existem países mestiços de verdade: Colômbia e Venezuela e demais como o Brasil, no qual são existentes regiões de população com pequeno predomínio população e de cultura de brancos e demais onde é apresentada maior parte de negros, mestiços, mulatos ou índios. Tawantinsuyu foi um Estado criado pela civilização Inca, resultado de uma sucessão de civilizações andinas e que se tornou o maior império da América pré-colombiana. A administração política e o centro de forças armadas do império ficavam localizados em Cusco, em quíchua, “Umbigo do Mundo”, no atual Peru. O império surgiu nas terras altas peruanas em algum momento do século XIII. De 1438 até 1533, os incas utilizaram métodos da conquista militar à assimilação, para incorporar uma grande porção do Oeste da América do Sul, centrado na Cordilheira dos Andes, incluindo grande parte do atual Equador e Peru, Sul e Oeste da Bolívia, Noroeste da Argentina, Norte do Chile e Sul da Colômbia. O nome quíchua do império Tawantinsuyu, pode ser traduzido como as quatro regiões ou “as quatro regiões unidas”.  

Antes da reforma ortográfica era escrita em espanhol como Tahuantinsuyo. “Tawantin” é um grupo de quatro partes – “tawa” significa “quatro”, com o sufixo -ntin que nomeia um grupo; “Suyu” significa região ou província. O império foi dividido em quatro “Suyus”, cujos cantos faziam fronteira com a capital, Cusco (Qosqo). Darcy Ribeiro considera esse padrão de organização social, que denomina de “império teocrático do regadio”, semelhante aos formados há mais ou menos dois mil anos na região Mesopotâmia ou às civilizações que se desenvolveram na Índia e China mil anos depois e às civilizações Maias e Astecas na Mesoamérica. Esse tipo de formação imperial caracteriza-se pela tecnologia de irrigação (regadio), desenvolvendo sistemas de engenharia hidráulica, agricultura irrigada com exceção talvez dos Maias que apenas possuíam o domínio do transporte das águas, metalurgia do cobre e bronze, técnicas de construção, notação numérica (“quipos”), escrita ideográfica, no caso dos Astecas e técnicas de comunicação. Devido ao seu governo centralizado, a organização social do império Inca é frequentemente comparada àquela por governos socialistas.

A Sierra Maestra é uma cordilheira que se estende para o oeste em todo o sul da antiga província de Oriente, na atual Província de Guantánamo para Niquero, no sudeste de Cuba, levantando-se abruptamente a partir da costa. Sierra Maestra é a mais elevada cadeia de montanhas de Cuba; sendo rica em minerais, especialmente cobre, manganês, cromo e ferro. Nos 6. 650 pés (1.999 m), o Pico Turquino é o ponto mais alto da cadeia. Essa cadeia de montanhas foi centro de operações e acampamentos dos rebeldes em três guerras de Independência contra a Espanha no século XIX e a guerra revolucionária contra o ditador Fulgencio Batista. Os rebeldes lentamente se fortalecem, aumentando seu armamento e angariando apoio e o recrutamento de inúmeros camponeses, intelectuais e trabalhadores urbanos. Che Guevara toma a responsabilidade de médico revolucionário, mas, em pouco tempo, foi se tornando naturalmente líder e seguido pelos rebeldes. Após a vitória da guerrilha em 1959, Batista exila-se em São Domingos e instaura-se um novo regime em Cuba, de orientação socialista. Mas teria sido a hostilidade dos norte-americanos que levou Fidel Castro ao seu alinhamento estratégico com a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Após a vitória dos revolucionários, em 1959 e a implantação do socialismo em Cuba, Che Guevara tornou-se membro ativo do governo cubano de Fidel Castro, exercendo as funções de embaixador, presidente do Banco Nacional e Ministro da Indústria. 

Em 1961, visitou o Brasil e foi condecorado, pelo presidente populista Jânio Quadros, com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul.Che Guevara acreditava que a revolução contra o imperialismo norte-americano, deveria ser levada para outros países. Lutou na República do Congo (África) e depois na Bolívia, onde estabeleceu a base guerrilheira. Pretendia unificar os países da América Latina sob a bandeira do socialismo e invadir a Argentina. O território boliviano é habitado há mais de 12.000 anos. Foram formadas várias culturas nos Andes, destacando-se, especialmente, a cultura Tiwanaku e os reinos Aymaras posteriores à expansão Wari. Estes reinos foram, por sua vez, anexados ao império Inca no século XIII. A cultura Tiwanaku se desenvolveu em torno do centro cerimonial homônimo próximo ao lago Titicaca. A sua fundação ocorreu antes do ano 300. O inca estabeleceu um império antes da colonização dos espanhóis. Durante esse século, a Bolívia esteve habitada por vários grupos de língua aimará, dentre estes, os Collas, Pacajes, Lupacas, Omasuyos, destacando-se os Collas, que dominaram um vasto território e que lutaram com os membros falantes de língua quíchuas de Cuzco pelo controle da região. 

Os Collas foram derrotados pelo inca Pachacuti, que se apoderou de quase todo o planalto boliviano. A Bolívia constituiu, durante quase um século, uma das quatro grandes divisões do Tahuantinsuyu sob o nome de Collasuyo. Estas civilizações deixaram monumentos arquitetônicos e as línguas aimará e quíchua difundidas no país. A Bolívia é uma República democrática, dividida em nove departamentos. Geograficamente, possui duas regiões distintas, o altiplano a oeste e as planícies do leste, cuja parte norte pertence à bacia Amazônica e a parte sul à Bacia do Rio da Prata, da qual faz parte o Chaco boliviano. É um país com um Índice de Desenvolvimento Humano médio e uma taxa de pobreza que atinge 60% da população. Dentre suas principais atividades econômicas, destacam-se a agricultura, silvicultura, pesca, mineração, e bens de produção como tecidos, vestimentas, metais refinados e petróleo refinado. A Bolívia é rica em minerais, especialmente em estanho. A população boliviana, estimada em 10 milhões de habitantes, é multiétnica, possuindo ameríndios, mestiços, europeus, asiáticos e africanos. A principal língua falada é o espanhol, embora o aimará e o quíchua também sejam muito comuns. Além delas, outras 34 línguas indígenas são oficiais. O grande número de diferentes culturas na Bolívia contribuiu para uma grande diversidade social em áreas como a arte, culinária, literatura e música. Provavelmente ainda com pouco conhecimento do território e sem apoio total dos camponeses e do partido comunista boliviano, sua luta tornou-se difícil. O Partido Comunista da Bolívia (PCB) é um partido político na Bolívia.

Foi fundado em 1950 por Raúl Ruiz González e outros ex-membros do Partido da Esquerda Revolucionária (PIR). Mas só conseguiu realizar seu primeiro congresso nacional em 1959. Logo após sua fundação foi declarado ilegal pelo governo de Mamerto Urriolagoitia, mesmo assim conseguiu penetrar no movimento operário e foi incluído na liderança da Central Obrera Boliviana (COB) e da Federação Sindical dos Trabalhadores Mineiros da Bolívia (FSTMB) durante os anos 1960. No entanto, manteve-se como força minoritária na maioria dos sindicatos. A ruptura sino-soviética enfraqueceu a influência do Partido Comunista da Bolívia (PCB), em 1964, Ruiz González e militantes se separaram para formar o Partido Comunista da Bolívia de orientação político-ideológica de influência e formação marxista-leninista. Em 1966, o revolucionário argentino Che Guevara planejou iniciar uma importante guerra de guerrilha contra René Barrientos, o ditador militar comandante da Bolívia. O Partido Comunista prometeu o seu apoio, mas não participou na campanha de Ernesto Che Guevara. Que formou uma organização separada, o Exército de Libertação Nacional para a Guerrilha de Ñancahuaz. A Guerrilha de Ñancahuazú, também reconhecida como Ejército de Liberación Nacional de Bolívia (ELN) é o nome frequentemente dado na esfera das relações políticas para se referir ao grupo guerrilheiro formado principalmente de bolivianos e guerrilheiros cubanos liderados por Ernesto Che Guevara na Bolívia entre 1966 e 1967. A guerrilha tinha a intenção de funcionar como um foco, um ponto de resistência armada para ser usada como ponto de partida para derrubar o governo boliviano e iniciar uma revolução marxista.

A guerrilha derrotou várias patrulhas bolivianas antes de ter sido aniquilada e Che Guevara executado. Apenas cinco guerrilheiros conseguiram sobreviver e fugir para o Chile. Em 1965, foi revelado que Che estava no Congo, onde liderou guerrilheiros que tentaram derrubar o ditador Joseph Mobutu (1930-1997). Com o fracasso da empreitada, ele voltou para Cuba na clandestinidade e arquitetou o plano de criar um foco de guerrilha na Bolívia, onde entrou disfarçado em 1966. O país vivia a ditadura do general René Barrientos, apoiado pelo imperialismo norte-americano. Os Estados Unidos da América forneceram ao Exército boliviano armas e treinamento para ações de contraguerrilha. Um destacamento de 02 (dois) mil homens atacou o grupo de Che Guevara, que foi ferido por um tiro e capturado. No dia 9 de outubro de 1967, após interrogatório, Guevara, aos 39 anos, foi morto com uma rajada de fuzil pelo tenente Mario Terán. Após sua morte, o uso de truculência e vingança ocorreu quando as mãos de Che Guevara foram esquartejadas e enviadas pelo Exército boliviano à Central Intelligence Agency (CIA) para que sua identidade pudesse ser confirmada com a análise das impressões digitais.

Jean-Marie Faustin Goedefroid Havelange, reconhecido no mundo esportivo global, como João Havelange, nasceu no Rio de Janeiro em 8 de maio de 1916, vindo a falecer na mesma cidade em16 de agosto de 2016. Filho do belga Faustin Havelange, um comerciante de armas radicado no Rio de Janeiro, onde possuía uma grande propriedade que se estendia pelos atuais bairros de Laranjeiras, Cosme Velho, na zona sul e Santa Teresa, no centro do Rio de Janeiro, desde a infância se dedicou aos esportes. Foi atleta olímpico, advogado, empresário, e dirigente esportivo brasileiro. No Fluminense Futebol Clube, foi escoteiro e atleta, infantil, juvenil e adultos, destacando-se em vários esportes, inclusive no futebol, tendo sido em 1931 campeão carioca juvenil. Ainda nesta década graduou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF) com a bela edificação na praia de Icaraí, e competiu como nadador nas Olimpíadas de Berlim, em 1936. Como atleta, participou das Olimpíadas de 1936, nas provas de natação dos 400 metros e 1500 metros livre. Também esteve na edição de 1952, com o time de polo aquático. Foi presidente da Federação Internacional de Futebol (FIFA) de 1974 até 1998, tendo organizando seis Copas do Mundo. Foi o segundo presidente com maior tempo no cargo, depois de Jules Rimet, que a presidiu durante 33 anos (1921-1954).

Posteriormente, foi dirigente de esporte, inicialmente na Federação Paulista de Natação, já que residia em São Paulo em 1948. Quando retorna ao Rio de Janeiro em 1952, torna-se presidente da Federação Metropolitana de Natação e vice-presidente da Confederação Brasileira de Desportos. Na década de 1930, mutatis mutandis, John Maynard Keynes (1883-1946) iniciou uma transformação radical no pensamento econômico, opondo-se às ideias neoclássicas que defendiam que os mercados livres ofereceriam automaticamente empregos aos trabalhadores contanto que eles fossem flexíveis na sua procura salarial. Após a eclosão da 2ª Guerra Mundial (1939-1945), as ideias econômicas de Keynes foram adotadas ideologicamente pelas principais potências econômicas do Ocidente. Durante as décadas de 1950-60, a popularidade das ideias keynesianas refletiu-se positivamente na influência de seus conceitos sobre as políticas públicas de grande número de governos ocidentais. A influência de Keynes na política econômica, declinou na década de 1970, com resultados de problemas que começaram a afligir as economias norte-americana e britânica como a Crise do Petróleo de 1973.

 E também devido às críticas de Milton Friedman (1912-2006) e outros economistas liberais em relação à capacidade do Estado de regular o ciclo econômico com políticas fiscais. Entretanto, o advento da crise econômica global do final da década de 2000 causou uma releitura do pensamento keynesiano. A economia keynesiana forneceu a base teórica para os planos dos presidentes norte-americanos Franklin Roosevelt (1882-1945) e Barack Obama, do primeiro-ministro britânico Gordon Brown e de líderes mundiais para evitar a ocorrência de uma grande recessão nos moldes da crise de 1929. Em 1999 revista Time nomeou Keynes como uma das 100 pessoas mais influentes do século XX, dizendo que “sua ideia radical de que os governos devem gastar o dinheiro que não têm, pode ter salvado a economia da localidade temporariamente”. Keynes defendeu uma política económica de Estado intervencionista, através da qual os governos usariam medidas fiscais e monetárias para mitigar os efeitos adversos dos ciclos econômicos como recessão, depressão e booms. Além de economista era um funcionário público, um patrono das artes, um diretor do Banco da Inglaterra, um conselheiro de instituições de caridade, um escritor, um investidor privado, um colecionador de arte e um fazendeiro de imponente estatura, com 1,98 metros de altura.

O impacto da teoria geral do emprego, do juro e da moeda nos meios acadêmicos e na formulação de políticas públicas excedeu o que normalmente seria esperado (cf. Keynes, 1992). A razão para seu extraordinário sucesso, frente a defesa de longo tempo da “doutrina herdada” e à recepção geralmente negativa nos círculos não acadêmicos no período de sua publicação, em 1936, é que “a obra tinha alguma coisa para todos”. É curioso salientar que, apesar do peso que a política fiscal assume nas interpretações feitas a partir de Keynes, na Teoria Geral, mais especificamente numa edição brasileira de 1996, tal expressão é vista apenas seis vezes, além de uma vez como nota de rodapé. As suas ideias e as dos seus seguidores foram adotadas por vários governos ocidentais e também por muitos governos do chamado “terceiro mundo”. Constituem a essência da política econômica mantida nos Estados Escandinavos, cujas populações desfrutam dos melhores padrões de vida do mundo. A sua influência começou a diminuir a partir dos anos 1970 com a ascensão dos monetaristas, provocada pela crise do dólar norte-americano de 1971, durante o governo Nixon, quando os Estados Unidos se viram obrigados a interromper a conversibilidade do dólar em ouro, mas ressurge depois de 1986 com a publicação do teorema de Greenwald-Stiglitz e o surgimento dos economistas neokeynesianos.

Em 1998, em meio à crise asiática, o economista Paul Krugman afirmava que “Keynes é ainda mais importante hoje do que há 50 anos”. Mas ele como economista esteve envolvido em assuntos públicos numa posição ou outra, particularmente em questões de comércio e finanças. Este aspecto de sua carreira está em perfeita consonância com a abordagem predominantemente pragmática; a economia como ciência pura era-lhe muito menos interessante do que a economia a serviço de políticas. Com efeito, a contribuição de Keynes à teoria e à prática de economia política tem de ser vista em perspectiva, tendo como background os anos de guerra e entreguerras, a fim de ser plenamente compreendida e apreciada. Estes anos foram marcados pela interrupção das relações de comércio e do padrão-ouro durante a 1ª grande guerra (1914-1918), seguindo-se primeiramente a inflação, a instabilidade da taxa de câmbio e os desequilíbrios do balanço de pagamentos, e mais tarde pela deflação e desemprego em massa em escala internacionalizada. O exame teórico desses fenômenos catastróficos e, mais importante sob o ponto de vista de Keynes, as soluções práticas para os problemas criados por estes mesmos fenômenos estavam na ordem do dia. Com a irrupção da 2ª guerra mundial (1939-1945), dedicou-se à interpretação das questões das finanças de guerra, o restabelecimento do comércio internacional e de moedas estáveis.  

Suas ideias sobre estes assuntos foram divulgadas em um panfleto Como Pagar a Guerra, publicado em 1940, e no Plano Keynes para o estabelecimento de uma autoridade monetária internacional que ele propôs em 1943. A proposta que foi adotada em 1944 na Conferência de Bretton Woods, da qual participou como líder na delegação britânica, refletia claramente a influência e, sobretudo, a importância social de seu pensamento econômico. Conquistada a Jules Rimet, o Brasil levou 24 anos para vencer outra Copa do Mundo. Nesse intervalo, o futebol-arte deu um breve suspiro, mas fracassou diante da Itália, na Copa da Espanha, em 1982. Sobre aquela seleção, e sua rápida, mas marcante trajetória, que encantou o mundo global do futebol, há outro lúcido livro de João Saldanha, O Trauma da Bola, com artigos publicados em seu tempo, vários dos quais, se não o explicam, certamente ajudam a entender algumas das razões da inesperada derrota. Em contrapartida, em termos editoriais, 1982 foi repleto de simbolismo. Em 1982, foi lançado o Universo do Futebol, dos antropólogos Roberto DaMatta, Luiz Felipe Baeta Neves, Simoni Lahud Guedes (1950-2019) e Arno Vogel. 

Tratava-se de iniciativa quase inédita entre pesquisadores e professores para superar preconceitos, ainda não de todo suprassumido sobre o tema no meio acadêmico. Com efeito, o ano marca, como muitos analisaram, a entrada em campo de alguns dos precursores dos estudos acadêmicos sobre o futebol. Talvez porque o país começasse a caminhar mais decididamente para retomar o caminho da democracia, já que vivíamos a transição conservadora do regime autoritário para uma ordem liberal conservadora. E, com isso, os símbolos nacionais, como o hino, a bandeira e, no caso dos esportes, a própria seleção, já chamada pelo escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980), de “a pátria em chuteiras e calções”, voltassem a ser “repatriados” pelo povo brasileiro. A seleção de Telê Santana parecia contribuir adotando o estilo que marcara nosso futebol, ou seja, o “futebol-arte”, ou, como descrevera Gilberto Freyre, o “futebol dionisíaco”. Telê Santana da Silva foi um dos mais importantes treinadores e jogadores da história do futebol brasileiro. Em 2019, figurou na 35ª posição da lista de 50 maiores treinadores de futebol de todos os tempos, publicada pela revista francesa France Football, sendo o único brasileiro.

O Deportivo Independiente Medellín, mais reconhecido como Independiente Medellín ou DIM, é um clube de futebol colombiano com sede na cidade de Medellín, também reconhecida como Medeline ou Medelim, é a segunda maior cidade da Colômbia e a capital do departamento de Antioquia. Está localizada no Vale do Aburrá, uma região central da Cordilheira dos Andes na América do Sul. Com sua área circundante que inclui nove outras cidades, a área metropolitana de Medellín é a segunda maior aglomeração urbana da Colômbia em termos de população e economia, com mais de 3,7 milhões de habitantes. Em 1616, o espanhol Francisco Herrera Campuzano ergueu uma pequena aldeia (“poblado”) conhecida como “São Lourenço de Aburrá” (San Lorenzo de Aburrá), localizada na atual comuna de El Poblado. No dia 2 de novembro de 1675, a rainha consorte Mariana da Áustria fundou a “Vila de Nossa Senhora da Candelária de Medellín” na região de Aná, que hoje corresponde ao centro da cidade) e foi a primeira a descrever a região como Medellín. Em 1826, a cidade foi nomeada a capital do Departamento de Antioquia pelo Congresso Nacional da nascente República da Grande Colômbia, composta pelas nações ibero-americanas Colômbia, Venezuela, Equador e Panamá.

Depois que a Colômbia conquistou sua Independência da Espanha, Medellín tornou-se a capital do estado federal de Antioquia até 1888, com a proclamação da Constituição colombiana de 1886. Durante o século XIX, Medellín era um centro comercial dinâmico, primeiro exportando ouro e depois café. No início do século XXI, a cidade recuperou o dinamismo industrial, com a construção do metrô de Medellín, liberalizou políticas de desenvolvimento, melhorou a segurança e melhorou a educação. Pesquisadores do Overseas Development Institute elogiaram a cidade como pioneira de um “modelo de desenvolvimento local” pós-Consenso de Washington. A cidade é promovida internacionalmente como um destino turístico e é considerada um tipo de cidade global gama pela Universidade de Loughborough. A Região Metropolitana de Medellín produz 67% do PIB do Departamento de Antioquia e 11% da economia da Colômbia. Medellín é importante socialmente para a região por suas universidades, academias, comércio, indústria, ciência, serviços de saúde, floricultura e festivais.

Em fevereiro de 2013, o Urban Land Institute escolheu Medellín como a cidade mais inovadora do mundo globalizado devido aos recentes avanços na política, educação e desenvolvimento social. No mesmo ano, Medellín foi anunciada como o destino preferido de negócios corporativos na América do Sul e ganhou o Prêmio Verónica Rudge de Urbanismo conferido pela Universidade de Harvard à Empresa de Desenvolvimento Urbano, principalmente devido ao Projeto de Desenvolvimento Integral do Noroeste da cidade. Em setembro de 2013, as Nações Unidas ratificaram a petição da Colômbia para sediar o 7º Fórum Urbano Mundial da UN-Habitat em Medellín, de 5 a 11 de abril de 2014. A pesquisa mais recente sobre o status global das Cidades Inteligentes da Indra Sistemas catalogou Medellín como uma das melhores cidades para se viver na América do Sul, dividindo o primeiro lugar com Santiago do Chile, e ao lado de Barcelona e Lisboa na Europa. Medellín venceu o Prêmio Cidade do Mundo Lee Kuan Yew 2016. O prêmio busca reconhecer e celebrar esforços para promover a inovação em soluções urbanas. O Vale do Aburrá contém 58% da população do Departamento de Antioquia e 67% da população do Vale do Aburrá vive na cidade de Medellín. Dos habitantes de Medellín, 61,3% nasceram na cidade, 38% em outras partes da Colômbia e 0,3% em outro país. De acordo com o Departamento Nacional de Estatística, Medellín tinha, em 2005, uma população de 2 223 078 habitantes, tornando-se a segunda maior cidade da Colômbia.

   

A metrópole  Medellín em 2005 incluía 3 312 165 habitantes. Existem 5 820 pessoas por quilômetro quadrado na cidade, sendo que 46,7% da população é do sexo masculino e 53,3% do sexo feminino. O analfabetismo atinge de 9,8% dos habitantes com mais de 5 anos de idade. 98,8% dos domicílios em Medellín têm eletricidade, 97,3% têm água potável e 91% têm telefone fixo. Segundo o censo do DANE de 2005, naquele ano Medellín registrou 33 307 nascimentos, pouco menos que em 2004 (33 615). Em 2005, o número de mortes foi de 10 828, em 2004, 11 512.[17] Segundo dados apresentados pelo censo do DANE 2005, a composição etnográfica da cidade é: negros, mulatos, afro-colombianos ou afrodescendentes (6,5%); ameríndios indígenas (0,1%) e nenhuma afiliação étnica (93,4%). O Independiente Medellín foi seis vezes campeão do Campeonato Colombiano, uma vez semifinalista da Copa Libertadores da América, e tem uma grande rivalidade com o outro clube da cidade, o Atlético Nacional. A Corporación Deportiva Independiente Medellín foi fundada em 1913, na cidade de Medellín. Conquistou seu primeiro título colombiano em 1955 e o segundo em 1957, o destaque da campanha do primeiro título foi Efraín Sánchez. Passou 45 anos sem conquistas, jejum quebrado em 2002, quando o DIM conquistou seu terceiro campeonato nacional, vencendo o Deportivo Pasto. Em 2004, foi campeão ao vencer o seu grande rival, o Atlético Nacional. Seu último título foi em 2016, quando passou pelo Junior Barranquilla.

Sociologicamente falando Medellín já foi reconhecida como a cidade mais perigosa do mundo, como resultado de uma guerra urbana desencadeada pelos cartéis de drogas no final dos anos 1980. Como a casa do Cartel de Medellín financiado por Pablo Escobar (1949-1993), a cidade foi vítima do terror causado pela guerra entre a organização dirigida por Escobar e organizações concorrentes como El Cartel del Valle. No entanto, após a morte de Escobar, as taxas de criminalidade na cidade diminuíram drasticamente. Medellín é agora considerada mais seguro do que as cidades estadunidenses de Baltimore, St. Louis, Detroit e Nova Orleans, que aparecem na lista de cidades por taxa de homicídios. Ao longo dos anos 1990, as taxas de criminalidade permaneceram relativamente altas, embora declinassem gradualmente. Em outubro de 2002, o presidente Álvaro Uribe ordenou que os militares realizassem a “Operação Orion”, cujo objetivo era desmantelar as milícias urbanas das FARC e da AUC. Entre 2003 e 2006, a desmobilização das milícias urbanas remanescentes das AUC foi concluída, com mais de 3 000 homens armados desistindo do combate. No entanto, após a dissolução dos principais grupos paramilitares, sabe-se que muitos membros dessas organizações se reorganizaram em bandos criminosos conhecidos comumente como Águilas Negras. Esses grupos ganharam notoriedade em Medellín por convocar toques de recolher para a população menor de idade e são conhecidos por distribuir panfletos anunciando a limpeza social de prostitutas, viciados em drogas e alcoólatras. A extradição do líder paramilitar Don Berna parece ter desencadeado uma onda de crimes com um aumento acentuado nos assassinatos. O governo da cidade de Medellín é dividido em executivo e legislativo. O prefeito da cidade (Alcalde) é eleito por um mandato de quatro anos e o presidente e o governador de qualquer outro departamento na Colômbia.

Bibliografia Geral Consultada.

ENCINOZA, Valmore Eloy; CARMELO, Vilda, Se Llamaba Simón Bolívar. Vida y Obra del Libertador. Caracas: Ediciones Educación y Cultura Religiosa, 1988; ALABARCES, Pablo (Org.), Futbologías: Fútbol, Identidad y Violencia en América Latina. Buenos Aires: Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales, 2003; KEYNES, John Maynard, Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda. São Paulo: Editora Atlas, 1992; LUHMANN, Niklas, Confianza. Barcelona: Editorial Anthropos, 2005; PÉREZ-LIÑAN, Aníbal, Juicio Político al Presidente y Nueva Inestabilidad Política en América Latina. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 2009; JENNINGS, Andrew, Jogo Sujo: O Mundo Secreto da Fifa: Compra de Votos e Escândalo de Ingressos. São Paulo: Editora Panda Books, 2011; HILFERDING, Rudolf, Il Capitale Finanziario. Milano: Editore Mimesis, 2011; PENNA, Adriana Machado, Esporte Contemporâneo: Um Novo Templo do Capital Monopolista. Tese de Doutorado. Faculdade de Serviço Social. Rio de Janeiro: Universidade Estadual do Rio de Janeiro, 2011; PÉREZ, Marcelo Jorge, A Guerra Silenciosa de Manuel Scorza: Literatura e Denúncia. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Letras. Centro de Artes e Comunicação. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 2015; YANGCHEN, Lin, “Colombian City Awarded LKY City Prize”. In: The Straits Times, 16 de março de 2016; ROCHA, Luiz Guilherme Burlamaqui Soares Porto, A Dança das Cadeiras: A Eleição de João Havelange à Presidência da FIFA (1950-1974). Tese de Doutorado. Departamento de História. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2019; MACHADO, Wesley Barbosa, “O FIFAgate e Outros Recentes Escândalos de Corrupção no Futebol Brasileiro e Mundial e os Fenômenos da Midiatização e da Hipermercantilização do Futebol”. In: Ludopédio. São Paulo, vol. 137, nº 68, 2020; FREIRE, Vitor Daronco, A CBD e Suas Disputas de Poder (1966-1974). Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Educação Física. Faculdade de Educação Física. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2021; RIBEIRO, Emmanuelle, “Análise: com cinco mudanças, Flamengo mantém atitude, domina Medellín e exibe padrão com Jardim”. Disponível em: https://ge.globo.com/futebol2026/04/17/; Artigo: “Conmebol muda critério de desempate na fase de grupos da Libertadores e Sul-Americana”. Disponível em: https://ge.globo.com/futebol/2026/03/20/; entre outros.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

O Sistema – Cultura, Forma de Alienação & Mobilidade Social Total.

                 A verdadeira figura, em que a verdade existe, só pode ser o seu sistema científico”. Friedrich Hegel                           

     

        O amor é uma das grandes categorias sociais que dá forma ao existente, mas isso é dissimulado tanto por certas realidades psíquicas como in fieri por certos modos de representações teóricas. Não há dúvida que o efeito amoroso desloca e falsifica inúmeras vezes a imagem objetivamente reconhecível de seu objeto e, nessa medida, é decerto geralmente reconhecido, segundo Simmel, como “formativo”, mas de uma maneira que não pode visivelmente parecer coordenada com as outras forças espirituais que dão forma. Trata-se de uma imagem já existente que se encontra modificada em sua determinação qualitativa, sem que se tenha abandonado seu nível de existência teórica, nem criado um produto de uma nova categoria. Essas modificações que o amor já presente traz à exatidão objetiva da representação nada têm a ver com a criação inicial que produz o ser amado como tal. Na verdade, todas essas categorias são coordenadas, por sua significação, quaisquer que sejam o momento ou as circunstâncias em que elas atuam. E o amor é uma delas, na medida em que cria seu objeto como produto totalmente original. É preciso, antes de mais anda, que o ser humano exista e seja conhecido, antes de ser amado. Esse algo que acontece não tem lugar com esse ser existente que permaneceria não modificado, foi, ao contrário, no sujeito que uma nova categoria fundamental se tornou criadora.  Eu, amante, sou diferente do quer era antes – pois não é determinado “aspecto” meu, determinada energia que ama em mim, mas meu ser inteiro, o que não precisa uma transformação das minhas outras manifestações, é um outro, nascendo de outro que não o ser conhecido ou temido, indiferente ou venerado. 

          Por que o amor está, antes de mais nada, absolutamente intricado em seu objeto, e não simplesmente associado a ele: ou seja, o objeto do amor em toda a sua significação categorial não existe antes do amor, mas apenas por intermédio dele. O que faz aparecer de maneira bem clara que o amor – e, no sentido lato, todo o comportamento do amante enquanto tal – é algo absolutamente unitário, que não pode se compor a partir de elementos preexistentes. Totalmente inúteis parecem, pois, as tentativas de considerar o amor como um produto secundário, no sentido de que seria motivado como resultante de outros fatores psíquicos primários. No entanto, ele pertence a um estágio demasiado elevado da “natureza humana” para que possamos situá-lo no mesmo plano cronológico e genético da respiração ou da alimentação, ou mesmo do instinto sexual. Tampouco podemos safar-nos do embaraço por esta escapatória fácil: em virtude de seu sentido metafísico, de seu significado atemporal, o amor permanece sem dúvida à primeira – ou última - ordem dos valores e das ideias, mas sua realização humana ou psicológica colocá-lo-ia num estágio ulterior de uma série longa e complexa na evolução contínua da vida. Não podemos nos satisfazer com essa estranheza recíproca de seus significados ou de suas areações. O problema de seu dualismo é aí, reconhecido e bem expresso, mas não resolvido; determo-nos nessa conclusão seria duvidar de sua solubilidade. 

       O amor é sempre uma dinâmica que se gera, filosoficamente para Georg Simmel, por assim dizer, a partir de uma autossuficiência interna, sem dúvida trazida, por seu objeto exterior, do estado latente ao estado de perfeição atualmente, mas que não pode ser, propriamente falando, provocada por ele; a alma o possui enquanto realidade última, ou não o possui, e nós não podemos remontar, para além dele, a um dos movens exterior ou interior que, de certa forma, seria mais que sua causa ocasional. É esta a razão mais profunda que torna o procedimento de exigi-lo, a qualquer título legítimo que seja totalmente desprovido de sentido. Sequer sua atualização dependa sempre de um objeto, e se aquilo que chamamos de desejo ou necessidade de amor – esse impulso surdo e sem objeto, em particular na juventude, em direção a qualquer coisa a ser amada – já não é amor, que por enquanto só se move em si mesmo, digamos um amor em roda livre. Seguramente, a pulsão em direção a um comportamento poderá ser considerada como o aspecto afetivo do próprio comportamento, ele próprio já iniciado; o fato de nos sentirmos “levados” a uma ação significa que a ação já começou anteriormente e que seu acabamento não é outra coisa que o desenvolvimento ulterior dessas primeiras inervações. Onde, apesar do impulso sentido, não passamos à ação, porque a energia não basta para ir além desses elos da ação, porque ela é contrariada por forças opostas, antes mesmo que esses elos já anunciados à consciência tenham podido se prolongar num ato visível.

A possibilidade real, a ocasião apriorística desse modo de comportamento que chamamos amor, fará surgir, se for o caso, e levará à consciência, como um sentimento obscuro e geral, inicial de sua própria realidade, antes mesmo que a ele se some a incitação por um objeto determinado para levá-lo a seu efeito acabado.  A existência desse impulso sem objeto, por assim dizer incessantemente fechado em si, acento premonitório do amor, puro produto do interior e, no entanto, já acento de amor, é a prova mais decisiva em favor da essência central puramente interior do fenômeno amor, muitas vezes dissimulado sob um modo de representação pouco claro, segundo o qual o amor seria uma espécie de surpresa ou de violência vindas do exterior, tendo su símbolo mais pertinente no “filtro do amor”, em vez de uma maneira de ser, de uma modalidade e de uma orientação que a vida como tal toma por si mesma – como se o amor viesse de seu objeto, quando, na realidade, vai em direção a ele. De fato, o amor é o sentimento que, fora dos sentimentos religiosos, se liga mais estreita e mais incondicionalmente a seu objeto. À acuidade com a qual ele brota do sujeito corresponde a acuidade igual com que ele se dirige para o objeto. É que nenhuma instância vem se interpor. Se venero alguém. É pela qualidade de venerabilidade que, em sua realidade particular, permanece ligada à imagem desse por tanto tempo quanto eu o venerar, passível de adoração, contemplação e grande respeito.

Por mais insuficiente, por mais preso a um estreito simbolismo humano que esteja o conceito de objetivo e de meios em presença da misteriosa realização da vida, devemos qualificar essa emoção sexual de meio de que a vida se serve para a manutenção da espécie, confiando aqui a consecução desse objetivo não mais a um mecanismo (no sentido lato) mas a mediações psíquicas. Enfim, a pulsão, dirigida a princípio, tanto no sentido genérico quanto no sentido hedonista, ao outro sexo enquanto tal, parece ter diferenciado cada vez mais seu objeto, à medida que seus suportes se diferenciavam, até singularizá-lo. Claro, sabemos que a pulsão não se torna amor pelo simples fato de sua individualização; esta última pode ser refinadamente hedonista, ou instinto vital-teleológico para o parceiro apto a procriar os melhores filhos.  Mas, indubitavelmente, ela cria uma disposição formativa e, por assim dizer, um marco para essa exclusividade que constitui a essência do amor, mesmo quando seu sujeito se volta para uma pluralidade de objetos. Não duvidamos em absoluto que no seio do que se chama “atração dos sexos” constitui-se o primeiro factum, ou, se quiserem, a prefiguração do amor. A vida se metamorfoseia também nessa produção, traz sua corrente à altura dessa onda, cuja crista, porém, sobressai acima dela. O processo da vida é um dispositivo de meios a serviço desse objetivo e se levarmos em conta o significado efetivo do amor para a propagação da espécie, então este também é um dos meios que a vida se dá para si e a partir de si.

Do mesmo modo, no homem que temo, o caráter terrível e o motivo que o provocou estão intimamente ligados; mesmo o homem que odeio não é, na maioria dos casos separado em minha representação da causa desse ódio – é esta uma das diferenças entre amor e ódio que desmente a assimilação que comumente se faz deles. Mas o específico do amor é excluir do amor existente a qualidade mediadora de seu objeto, sempre relativamente geral, que provocou o amor por ele. Ele permanece como intenção direta e centralmente dirigida para esse objeto, e revela a sua natureza verdadeira e incomparável nos casos em que sobrevive ao desaparecimento indubitável do que foi sua razão de nascer. Essa constelação, que engloba inúmeros graus, desde a frivolidade até a mais alta intensidade, é vivida segundo o mesmo modelo, seja em relação a uma mulher ou a um objeto, a uma ideia ou a um amigo, à pátria ou a uma divindade. Isso deve ser solidamente estabelecido em primeiro lugar, se quisermos elucidar em sua estrutura seu significado mais restrito, o que se eleva no terreno da sexualidade. A ligeireza com que a opinião corrente alia instinto sexual a amor lança talvez uma das pontes mais enganadoras na paisagem psicológica exageradamente rica em construções desse gênero. Quando, ademais, ela penetra no domínio da psicologia que se dá por científica, temos com demasiada frequência a impressão de que esta última caiu nas mãos de açougueiros. Por outro lado, o que é óbvio, não podemos afastar pura e simplesmente essa relação. Nossa emoção sexual, afirma Simmel, desenrola-se em dois níveis de significação.

Por trás do arrebatamento e do desejo, da realização e do prazer sentidos, diretamente subjetivos, delineia-se, consequência disso tudo, a reprodução da espécie. Pela propagação do plasma germinal a vida corre levada de ponta a ponta. Por mais insuficiente, por mais preso a um estreito simbolismo humano que esteja o conceito de objetivo e de meios em presença da misteriosa realização da vida, devemos qualificar essa emoção sexual de meio de que a vida se serve para a manutenção da espécie, confiando aqui a consecução desse objetivo não mais a um mecanismo (no sentido lato) mas a mediações psíquicas. Enfim, a pulsão, dirigida a princípio, tanto no sentido genérico quanto no sentido hedonista, ao outro sexo enquanto tal, parece ter diferenciado cada vez mais seu objeto, à medida que seus suportes se diferenciavam, até singularizá-lo. Claro, sabemos que a pulsão não se torna amor pelo simples fato de sua individualização; esta última pode ser refinadamente hedonista, ou instinto vital-teleológico para o parceiro apto a procriar os melhores filhos.  Mas, indubitavelmente, ela cria uma disposição formativa e, por assim dizer, um marco para essa exclusividade que constitui a essência do amor, mesmo quando seu sujeito se volta para uma pluralidade de objetos. Não duvidamos em absoluto que no seio do que se chama “atração dos sexos” constitui-se o primeiro factum, ou, se quiserem, a prefiguração do amor. A vida se metamorfoseia também nessa produção, traz sua corrente à altura dessa onda, cuja crista, porém, sobressai livremente acima dela. Se considerarmos o processo da vida como um dispositivo de meios a serviço desse objetivo e levarmos em conta o significado efetivo do amor para a propagação da espécie, então este também é um dos meios que a vida se dá para si e a partir de si.

Friedrich Hegel que parte da análise da consciência comum, não podia situar como princípio primeiro uma dúvida universal que só é própria da reflexão filosófica. Por isso mesmo ele segue o caminho aberto pela consciência e a história detalhada de sua formação. Ou seja, a Fenomenologia vem a ser uma história concreta da consciência, sua saída da caverna e sua ascensão à Ciência. Daí a analogia que em Hegel existe de forma coincidente entre a história da filosofia e a história do desenvolvimento do pensamento, mas este desenvolvimento é necessário, como força irresistível que se manifesta lentamente através dos filósofos, que são instrumentos de sua manifestação. Assim, preocupa-se apenas em definir os sistemas, sem discutir as peculiaridades e opiniões dos diferentes filósofos. Na determinação do sistema, o que o preocupa é a categoria fundamental que determina o todo complexo do sistema, e o assinalamento das diferentes etapas, bem como as vinculasses destas etapas que conduzem à síntese do espírito absoluto. Para compreender o sistema é necessário começar pela representação, que ainda não sendo totalmente exata permite, no entender de sua obra a seleção de afirmações e preenchimento do sistema abstrato de interpretação do método dialético, para poder alcançar a transformação da representação numa noção clara e exata.

Assim, temos a passagem da representação abstrata, para o conceito claro e concreto através do acúmulo de determinações. Aquilo que por movimento dialético separa e distingue perenemente a identidade e a diferença, sujeito e objeto, finito e infinito, é a alma vivente de todas as coisas, a Ideia Absoluta que é a força geradora, a vida e o espírito eterno. Mas a Ideia Absoluta seria uma existência abstrata se a noção de que procede não fosse mais que uma unidade abstrata, e não o que é em realidade, isto é, a noção que, por um giro negativo sobre si mesma, revestiu-se novamente de forma subjetiva. Metodologicamente a determinação mais simples e primeira que o espírito pode estabelecer é o Eu, a faculdade de poder abstrair todas as coisas, até sua própria vida. Chama-se idealidade precisamente esta supressão da exterioridade. Entretanto, o espírito não se detém na apropriação, transformação e dissolução da matéria em sua universalidade, mas, enquanto consciência religiosa, por sua faculdade representativa, penetra e se eleva através da aparência dos seres até esse poder divino, uno, infinito, que conjunta e anima interiormente todas as coisas, enquanto pensamento filosófico, como princípio universal, a ideia eterna que as engendra e nelas se manifesta. Isto quer dizer que o espírito finito se encontra inicialmente numa união imediata com a natureza, a seguir em oposição com esta, e finalmente em identidade com esta, porque suprimiu a oposição e voltou a si mesmo e, consequentemente, o espírito finito é a ideia, mas ideia que girou sobre si mesma e que existe por si em sua própria realidade.

A Ideia absoluta que para realizar-se colocou como oposta a si, à natureza, produz-se através dela como espírito, que através da supressão de sua exterioridade entre inicialmente em relação simples com a natureza, e, depois, ao encontrar a si mesma nela, torna-se consciência de si, espírito que conhece a si mesmo, suprimindo assim a distinção entre sujeito e objeto, chegando assim à Ideia a ser por si e em si, tornando-se unidade perfeita de suas diferenças, sua absoluta verdade. Com o surgimento do espírito através da natureza abre-se a história da humanidade e a história humana é o processo que medeia entre isto e a realização do espírito consciente de si. A filosofia hegeliana centra sua atenção sobre esse processo e as contribuições mais expressivas de Hegel ocorrem precisamente nesta esfera, do espírito. Melhor dizendo, para Hegel, à existência na consciência, no espírito chama-se saber, conceito pensante. O espírito é também isto: trazer à existência, isto é, à consciência. Como consciência em geral tenho eu um objeto; uma vez que eu existo e ele está na minha frente. Mas enquanto o Eu é o objeto de pensar, é o espírito precisamente isto: produzir-se, sair fora de si, saber o que ele é. Nisto consiste a grande diferença: o homem sabe o que ele é. Logo, em primeiro lugar, ele é real. Sem isto, a razão, a liberdade não são nada. O homem é essencialmente razão. O homem, a criança, o culto e o inculto, é razão. Ou melhor, a possibilidade para isto, para ser razão, existe em cada um, é dada a cada um. A razão não ajuda em nada a criança, o inculto.

É somente uma possibilidade, embora não seja uma possibilidade vazia, mas possibilidade real e que se move em si. Assim, por exemplo, dizemos que o homem é racional, e distinguimos muito bem o homem que nasceu somente e aquele cuja razão educada está diante de nós. Isto pode ser expresso também assim: o que é em si, tem que se converter em objeto para o homem, chegar à consciência; assim chega para ele e para si mesmo. A história para Hegel, é o desenvolvimento do Espírito no tempo, assim como a Natureza é o desenvolvimento da ideia no espaço. Deste modo o homem se duplica. Uma vez, ele é razão, é pensar, mas em si: outra, ele pensa, converte este ser, seu em si, em objeto do pensar. Assim o próprio pensar é objeto, logo objeto de si mesmo, então o homem é por si. A racionalidade produz o racional, o pensar produz os pensamentos. O que o ser em si é se manifesta no ser por si. Todo conhecer, todo aprender, toda visão, toda ciência, inclusive toda atividade humana, não possui nenhum outro interesse além do aquilo que filosoficamente é em si, no interior, podendo manifestar-se desde si mesmo, produzir-se, transformar-se objetivamente. Nesta diferença se descobre toda a diferença na história do mundo. Os homens são todos racionais. O formal desta racionalidade é que o homem seja livre. Esta é a sua natureza. Isto pertence à essência do homem: a liberdade.

O europeu sabe de si, afirma Hegel, é objeto de si mesmo. A determinação que ele conhece é a liberdade. Ele se conhece a si mesmo como livre. O homem considera a liberdade como sua substância. Se os homens falam mal de conhecer é porque não sabem o que fazem. Conhecer-se, converter-se a si mesmo no objeto (do conhecer próprio) e o fazem relativamente poucos. Mas o homem é livre somente se sabe que o é. Pode-se também em geral falar mal do saber, como se quiser. Mas somente este saber libera o homem. O conhecer-se é no espírito a existência. Portanto isto é o segundo, esta é a única diferença da existência (Existenz) a diferença do separável. O Eu é livre em si, mas também por si mesmo é livre e eu sou livre somente enquanto existo como livre. A terceira determinação é que o que existe em si, e o que existe por si são somente uma e mesma coisa. Isto quer dizer precisamente evolução. O em si que já não fosse em si seria outra coisa. Por conseguinte, haveria ali uma variação, mudança. Na mudança existe algo que chega a ser outra coisa. Na evolução, em essência, podemos também sem dúvida falar da mudança, mas esta mudança deve ser tal que o outro, o que resulta, é ainda idêntico ao primeiro, de maneira que o simples, o ser em si não seja negado. Para Friedrich Hegel a evolução não somente faz aparecer o interior originário, exterioriza o concreto contido já no em si, e este concreto chega a ser por si através dela, impulsiona-se a si mesmo a este ser por si. O espírito abstrato assim adquire o poder concreto da realização.

O concreto é em si diferente, mas logo só em si, pela aptidão, pela potência, pela possibilidade. O diferente está posto ainda em unidade, ainda não como diferente. É em si distinto e, contudo, simples. É em si mesmo contraditório. Posto que é através desta contradição impulsionado da aptidão, deste este interior à qualidade, à diversidade; logo cancela a unidade e com isto faz justiça às diferenças. Também a unidade das diferenças ainda não postas como diferentes é impulsionada para a dissolução de si mesma. O distinto (ou diferente) vem assim a ser atualmente, na existência. Porém do mesmo modo que se faz justiça à unidade, pois o diferente que é posto como tal é anulado novamente. Tem que regressar à unidade; porque a unidade do diferente consiste em que o diferente seja um. E somente por este movimento é a unidade verdadeiramente concreta. É algo concreto, algo distinto. Entretanto contido na unidade, no em si primitivo. O gérmen se desenvolve assim, não muda. Se o gérmen fosse mudado desgastado, triturado, não poderia evoluir. Na alma, enquanto determinada como indivíduo, as diferenças estão enquanto mudanças que se dão no indivíduo, que é o sujeito uno que nelas persiste e, segundo Hegel, enquanto momentos do seu desenvolvimento.  Por serem elas diferenças, à uma, físicas e espirituais, seria preciso, para determinação ou descrição mais concreta, antecipar a noção do espírito cultivado. As diferenças são: 1) curso natural das idades da vida, desde a criança, desde a criança, o espírito envolvido em si mesmo – passando pela oposição desenvolvida, a tensão de uma universalidade ela mesma ainda subjetiva em contraste com a singularidade imediata, isto é, como o mundo presente, não conforme a tais ideais, e a situação que se encontra, em seu ser-aí para esse mundo.

O indivíduo que, de outro lado, está ainda não-autônomo e em si mesmo não está pronto (o jovem) – para chegar à relação verdadeira, ao reconhecimento da necessidade e racionalidade objetivas do mundo já presente, acabado; em sua obra, que leva a cabo por si e para si, o indivíduo retira, por sua atividade, uma confirmação e uma parte, mediante a qual ele é algo, tem uma presença efetiva e um valor objetivo (homem); até a plena realização da unidade com essa objetividade do conhecer: unidade que, enquanto real, vem dar na inatividade da rotina que tira o interesse, enquanto ideal se liberta dos interesses mesquinhos é das complicações do presente exterior (o ancião). O espírito manifesta aqui sua independência da própria corporalidade, em poder desenvolver-se antes que nela torne. Com frequência, crianças têm demonstrado um desenvolvimento espiritual que vai muito mais rápido que sua formação corporal. Esse foi o caso histórico, sobretudo em talentos artísticos indiscutíveis, em particular nos gênios da música. Também em relação ao fácil apreender de variados conhecimentos, especialmente na disciplina matemática; e tal precocidade tem-se mostrado não raramente também em relação a um raciocínio de entendimento, e mesmo sobre objetos éticos e religiosos. O processo de desenvolvimento do indivíduo humano natural decompõe-se então em uma série de processos, cuja diversidade se baseia sobre a relação do indivíduo para com o gênero, e funda a diferença da criança, do homem e do ancião. Essas diferenças são as apresentações das diferenças do conceito. A idade da infância é o tempo de representação da harmonia natural, da paz do sujeito consigo mesmo e com o mundo. Um começo tão sem-oposição quanto a velhice é um fim sem-oposição.

 As oposições que surgem ficam sem interesse mais profundo. A criança vive na inocência, sem sofrimento durável; no amor aos seus pais, e no sentimento de ser amado por eles. Na Roma antiga, o gênio representava o espírito ou guia de uma pessoa, ou mesmo de uma gens inteira. Um termo relacionado é genius loci, o espírito de um local específico. Por contraste a força interior que move todas as criaturas viventes é o animus. Um espírito específico ou daimon pode habitar uma imagem ou ícone natural, dando-lhe poderes sobrenaturais. Gênios são dotados de excepcional brilhantismo, mas frequentemente também são insensíveis às limitações da mediocridade bem como são emocionalmente muito sensíveis, algumas vezes ambas as coisas. O termo prodígio indica simplesmente a presença de talento ou “gênio excepcional” na primeira infância. Os termos prodígio e criança prodígio são sinônimos, sendo o último um pleonasmo. Deve-se ter em consideração que é perigoso tomar como referência as pontuações em testes aplicados de QI quando se deseja fazer um diagnóstico razoavelmente correto de genialidade. Há que se levar em consideração que em todos as pontuações, e em todas as medidas, existe uma incerteza inerente, bem como os resultados obtidos nos testes representam a performance alcançada por uma pessoa em determinadas condições, não refletindo necessariamente toda a capacidade da pessoa em condições ideais. 

A contribuição histórica e cultura dos filósofos pré-socráticos à matemática, enquanto ciência, não são discutíveis e em grande parte fruto de tradição bem documentada. As mais antigas evidências concretas sobre as atividades de um matemático propriamente dito referem-se a Hipócrates de Quios. Nossos conhecimentos sobre Hipócrates de Quios e outros matemáticos baseiam-se em fragmentos de suas obras e em tradições conservadas nos séculos posteriores. O mais antigo tratado matemático que chegou até nós é o Da Esfera Móvel, um estudo a respeito do valor piramidal da esfera. Dos matemáticos posteriores restam-nos diversas obras de valor desigual, dentre as quais se destaca Os Elementos, de Euclides, cuja influência persiste analiticamente. O interesse pela história da Matemática iniciou, também, na Grécia Antiga. Eudemo de Rodes um dos discípulos de Aristóteles escreveu consecutivas histórias da aritmética, da geometria e da astronomia, mas que infelizmente não foram conservadas. Durante o período greco-romano o matemático Papo de Alexandria representa um relato etnográfico sistemático da obra de seus predecessores, desde Euclides até Esporo de Niceia. Há também extensas notas explicativas sobre vários temas matemáticos e valiosas introduções aos diversos livros, nas quais Papo de Alexandria resume o tema geral e os assuntos técnico-metodológicos a serem tratados. Notabilizou-se por ser pai da filosofa Hipátia e por produzir em 390 uma versão mais elaborada da obra Os Elementos de Euclides que sobreviveu aos dias atuais. Dentre suas obras está uma que faz considerações sobre um eclipse solar em Alexandria.

A mobilidade social trouxe a Atenas Hipócrates de Quios, no século V a. C., o primeiro autor de uma compilação de Elementos, em que parecem já figurar investigações ligadas à resolução do problema de Delos sobre a duplicação do cubo e à quadratura do círculo. Com a morte de Platão, seu discípulo, Têudio de Magnésia, escreveu nova compilação dos manuscritos Elementos. Para que o gênio se manifeste num indivíduo, este indivíduo deve ter recebido como herança a soma de poder cognitivo que excede em muito o que é necessário para o serviço de uma vontade individual, segundo Arthur Schopenhauer, é este excedente que, tornado livre, serve para constituir um objeto liberto de vontade, um claro espelho do ser do mundo. A través disto se explica a vivacidade que os homens de gênio desenvolvem por vezes até a turbulência: o presente raramente lhes chega, visto que ele não enche, de modo nenhum, a sua consciência; daí a sua inquietude sem tréguas; daí a sua tendência para perseguir sem cessar objetos novos e dignos de estudo, para desejar enfim, quase sempre sem sucesso, seres que se lhes assemelham, que estejam à sua medida e que os possam compreender. O homem comum, plenamente farto e satisfeito com a rotina atual, aí se absorve; em todo lado encontra seus iguais; daí essa satisfação particular que experimenta no curso da vida e que o gênio não conhece. - Quis-se ver na imaginação filosófica um elemento essencial do gênio, o que é bastante legítimo; quis-se mesmo identificar os dois, mas isso é um erro. O fato social e dinâmico é que, seja em que medida for, o certo é o incerto e o incerto a estrada reta. O objeto ser/compreender do gênio, considerado como tal, são as ideias eternas, as formas persistentes e essenciais do mundo e de todos os seus fenômenos. 

Onde reina só a imaginação, ela empenha-se em construir castelos no ar a lisonjear o egoísmo e o capricho pessoal, a enganá-los momentaneamente e a diverti-los; mas neste caso, conhecemos sempre, para falar com propriedade, apenas as relações das quimeras assim combinadas. Talvez ponha por escrito os sonhos da sua imaginação: é daí que nos vêm esses romances ordinários, de todos os gêneros, que fazem a alegria do grande público e das pessoas semelhantes aos seus atores, visto que o leitor sonha que está no lugar do herói, e acha tal representação bastante agradável.  A história da matemática é uma área de estudo dedicada à investigação sobre a origem das descobertas da matemática e, em uma menor extensão, à investigação dos métodos matemáticos e aos registros etnográficos ou notações matemáticas do passado. A matemática islâmica, por sua vez, desenvolveu e expandiu a matemática conhecida destas civilizações. Muitos textos gregos e árabes sobre matemática foram então traduzidos ao Latim, o que contribuiu com o desenvolvimento da matemática na Europa medieval. Dos tempos antigos à Idade Média, a eclosão da criatividade matemática foi frequentemente por séculos de estagnação. Começando no Renascimento e a partir daí a revelação de novos talentos e progressos técnicos da matemática, interagindo com as descobertas científicas, realizados de forma crescente, continuando decerto sem paixão. Deve ser suprassumida como essa unidade imediata do indivíduo com seu gênero e com o mundo em geral; é preciso que o indivíduo progrida a ponto de se contrapor ao universal, como a Coisa assente-para-si, pronto e subsistente; e de apreender-se em sua autonomia.

Essa autonomia, essa oposição, primeiro se apresenta em uma figura tão unilateral quanto, na criança, a unidade do subjetivo e do objetivo. O jovem desagrega a ideia efetivada no mundo, de modo a atribuir-se a si mesmo a determinação do substancial: o verdadeiro e o bem; e atribui ao mundo, pelo contrário, a determinação do contingente, do acidental. Não se pode ficar nessa oposição não-verdadeira: o jovem deve, antes, elevar-se acima da dela à inteligência de que, ao contrário, deve-se considerar o mundo como o substancial, e o indivíduo, inversamente, só como um acidente; e que portanto o homem só pode encontrar sua ativação e contentamento essenciais no mundo que se lhe contrapõe firmemente, que segue seu curso com autonomia; e que, por esse motivo, deve conseguir a aptidão necessária para a Coisa. Chagado a esse ponto de vista, o jovem tornou-se homem. Pronto em si mesmo, o homem considera também a ordem ética do mundo não como a ser produzida só por ele, mas como uma ordem pronta, no essencial. Assim ele é ativo pela Coisa, não contra ela; assim se mantém elevado, acima da subjetividade unilateral do jovem, no ponto de vista da espiritualidade objetiva. 

A velhice, ao contrário, é o retorno ao desinteresse pela Coisa; o ancião habituou-se a viver dentro da Coisa, e por causa dessa unidade (que faz perder a oposição em relação à Coisa) renuncia à atividade de interesse. É bem verdade que a liberdade no pensamento tem somente o puro pensamento por sua verdade; e verdade sem a implementação da vida. Por isso, para Hegel, é ainda só o conceito da liberdade, não a própria liberdade viva. Com efeito, para ela a essência é só o pensar em geral, a forma coo tal, que afastando-se da independência das coisas retornou a si mesma. Mas porque a individualidade, como individualidade atuante, deveria representar-se como viva; ou, como individualidade pensante, captar o mundo vivo como um sistema de pensamento; então teria de encontrar-se no pensamento mesmo, para aquela expansão do agir, um conteúdo do que é bom, e para essa expansão do agir, um conteúdo do que é bom, e para essa expansão do pensamento, um conteúdo do que é verdadeiro. Com isso não haveria, absolutamente nenhum outro ingrediente, naquilo que é para a consciência, a não ser o conceito que é a essência. Porém, aqui o conceito enquanto abstração, separando-se da multiplicidade variada das coisas, não tem conteúdo nenhum em si mesmo, exceto um conteúdo que lhe é dado. A consciência, quando pensa o conteúdo, o destrói como um ser alheio; mas o conceito é conceito determinado e justamente essa determinidade é o alheio que o conceito possui nele. 

Esta unidade do existente, o que existe, e do que é em si é o essencial da evolução. É um conceito especulativo, esta unidade do diferente, do gérmen e do desenvolvido. Ambas estas coisas são duas e, no entanto, uma. É um conceito da razão. Por isso só todas as outras determinações são inteligíveis, mas o entendimento abstrato não pode conceber isto. O entendimento fica nas diferenças, só pode compreender abstrações, não o concreto, nem o conceito. Resumindo, teremos uma única vida a qual está oculta. Mas depois entra na existência e separadamente, na multiplicidade das determinações, e que com graus distintos, são necessárias. E juntas de novo, constituem um sistema. Essa representação é uma imagem da história da filosofia. O primeiro momento era o em si da realização, e em si do gérmen etc. O segundo é a existência, aquilo que resulta. Assim, o terceiro é a identidade de ambos, mais precisamente agora o fruto da evolução, o resultado de todo este movimento. E a isto Hegel chama “o ser por si”. É o “por si” do homem, do espírito mesmo. Somente o espírito chega a ser verdadeiro por si, idêntico consigo. O que o espírito produz, seu objeto de pensamento, é ele mesmo. Ele é um desembocar em seu outro. O desenvolvimento do espírito é um desprendimento, um desdobrar-se, e por isso, ao mesmo tempo, um desafogo.

No que toca mais precisamente a um dos lados da educação, melhor dizendo, à disciplina, não se há de permitir ao adolescente abandonar-se a seu próprio bel-prazer; ele deve obedecer para aprender a mandar. A obediência é o começo de toda a sabedoria; pois, por ela, a vontade que ainda não conhece o verdadeiro, o objetivo, e não faz deles  o seu fim, pelo que ainda não é verdadeiramente autônoma e livre, mas, antes, uma vontade despreparada, faz que em si vigore a vontade racional que lhe vem de fora, e que pouco a pouco esta se torne a sua vontade. O capricho deve ser quebrado pela disciplina; por ela deve ser aniquilado esse gérmen do mal. No começo, a passagem de sua vida ideal à sociedade civil pode parecer ao jovem como uma dolorosa passagem à vida de filisteu. Até então preocupado apenas com objetos universais, e trabalhando só para si mesmo, o jovem que se torna homem deve, ao entrar na vida prática, ser ativo para os outros e ocupar-se com singularidades, pois concretamente se se deve agir, tem-se de avançar em direção ao singular. Nessa conservadora produção e desenvolvimento do mundo consiste no trabalho do homem. Podemos, pois, de um lado dizer que o homem só produz o que já existe. É necessário que um progresso individual seja efetuado. Mas o progredir no mundo só ocorrer nas massas, e só se faz notar em uma grande soma de coisas produzidas. Ipso facto, a consciência moral não pode renunciar à felicidade.

Bibliografia Geral Consultada.

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