sábado, 2 de maio de 2026

Estação Bielorrúsia – Guerra Patriótica, Trabalho & Ética de Solidariedade.

Na terra sofredora, as explosões estão trovejando hoje e as pessoas estão morrendo”. Alexander Lukashenko

        Aleksandr Grigorievitch Lukashenko, ou Łukašenka, nascido em 30 de agosto de 1954 é um historiador, militar, economista, diretor agrícola e político bielorrusso. É o atual presidente da Bielorrússia. Eleito pela primeira vez em 20 de julho de 1994 com mandato até 2001, foi novamente reeleito. O seu governo é muito controverso: os seus apoiadores afirmam que sua política econômica salvou o país das piores consequências do capitalismo pós-soviético. Entretanto, seus opositores o acusam de ser ditador, sendo reconhecido inclusive como “o último tirano da Europa”. Os Estados Unidos e a União Europeia proibiram a entrega de vistos para ele e a sua família. É considerado o homem mais rico da Bielorrússia, com uma fortuna estimada em 2010 de US$ 9 bilhões de dólares. Lukashenko foi membro do Partido Comunista da União Soviética até a Bielorrússia e os outros estados soviéticos tornarem-se Independentes. Quando jovem, teve experiência militar no exército soviético, depois se tornou vice-presidente de uma fazenda coletiva (sovkhoz). Foi eleito deputado no Conselho Supremo da República da Bielorrússia, em 1990, onde ele apoiou os esforços de linha dura para expulsar reformistas na Era de Mikhail Gorbachev, foi o último governante soviético, estando no poder de 1985 a 1991. Formou-se em Direito e em Produção Agrícola. Entrou para o Partido Comunista na década de 1950 e cresceu rapidamente na hierarquia desse partido. Implantou duas reformas importantes em seu governo: a glasnost e a perestroika.

Ele presidiu o comité anti-corrupção do parlamento em 1993 e concorreu à presidência em uma plataforma populista nas eleições de 1994. Logo depois, ele iria empurrar uma nova constituição, apesar do protesto de dezenas de membros do parlamento que pediram seu impeachment, que, basicamente, concedido o regime de Lukashenko uma ditadura legal. Em 2005, 2006 e em 2008, ele foi presidente do Conselho Interestadual da Comunidade Econômica da Eurásia. Lukashenko nasceu na cidade de Orsha, em 31 de agosto de 1954. Formou-se na Universidade Estatal Pedagógica de Mogilev em 1975 e na Academia Agrícola da Bielo-Rússia em 1985, em História e Economia. Em 1975, Lukashenko casou com sua namorada de colégio, Galina Rodionovna, e eles tiveram dois filhos: Viktor, nascido em 1975, e Dmitry, nascido em 1980. Viktor trabalha como assessor do seu pai, mas Lukashenko considera, aparentemente, como seu “herdeiro” um filho de outra relação matrimonial, Nikolai Lukashenko, nascido por volta de 2005 (a mãe é alegadamente Irina Abelskaya, sua médica) e que ele apresentou oficialmente ao casal Obama e levou a eventos como a Assembleia Geral da ONU e a um desfile militar na China em 2015. Sua esposa Galina vive afastada do público desde o início de seu primeiro mandato, numa fazenda remota em Shkloŭ, enquanto a biografia presidencial oficial omite qualquer menção a ela e mesmo aos filhos. 

Lukashenko é reconhecido por ter um grande interesse em concursos de beleza do seu país. Em 2019, a imprensa começou a reportar que ele estaria namorando a Miss Bielorrússia 2018, Maria Vasilevich, que havia participado do Miss Mundo 2018 e com quem ele havia sido visto em diversos eventos públicos, inclusive na Copa do Mundo FIFA de 2018. Os dois foram vistos dançando juntos nos bailes de final de ano de 2019 e 2020. Galina Rodionovna, sua esposa, foi banida e não participa da vida pública do marido. Segundo o website Alfa da Lituânia em janeiro de 2010, ela vive no distrito de Shkloŭ, “uma remota vila bielorrussa esquecida por todos”. Em novembro de 2019, a imprensa reportou que Maria Vasilevich havia ganho um assento no parlamento em eleições fraudadas. Segundo o The Sun britânico, “nenhum candidato da oposição ganhou uma cadeira nas eleições parlamentares de fim de semana - embora Vasilevich, que não tem experiência e nem mesmo campanha, tenha conquistado uma cadeira como parlamentar”. Grandes eventos como futebol e hóquei no gelo continuaram com sua agenda regularmente no país e Lukashenko chegou a dizer que jogar hóquei protege contra o vírus. “É melhor morrer de pé do que viver de joelhos! Não há vírus no gelo. Isto é um frigorífico. Eu vivo a mesma vida que sempre vivi, ainda ontem tive uma sessão de treino com a minha equipe. Encontrámo-nos, apertámos as mãos, abraçámo-nos, batemos uns nos outros”. 

Em 28 de julho de 2020, Lukashenko anunciou que testou positivo para a covid-19, mas que já estava recuperado. Logo após sua reeleição em 2020, depois de 26 anos no poder, os bielorrussos começaram a protestar, dizendo que as eleições haviam sido fraudadas. Segundo a Euronews em 11 de agosto, “Lukashenko diz que não passam de ´carneiros ao serviço das potências estrangeiras` e ´querem armar confusão no nosso país. Avisei que não iriam fazer o mesmo que na Ucrânia, por muito que queiram fazer isso. As pessoas têm de se acalmar`”. Na Bielorrússia os votos dos eleitores são feitos em cédulas de papel, onde os eleitores marcam suas escolhas e em seguida depositam o voto em uma urna. A contagem dos votos é realizada manualmente pelas comissões eleitorais nas seções eleitorais. A transparência e a segurança desse processo têm sido amplamente questionadas. Observadores internacionais e grupos dos direitos humanos frequentemente apontam para possíveis manipulações e irregularidades no registro e na contagem dos votos. Sua opositora Svetlana Tikhanovskaya pediu a recontagem dos votos, mas teve que deixar o país logo após o pleito, se refugiando na Lituânia. Antes, o marido de Svetlana, Sergei Tikhanovsky, um blogueiro popular, havia sido impedido de concorrer e enviado para a prisão. Enquanto isto, Maria Vasilevich, escreveu em seu Instagram que os protestos deveriam parar. “Aqueles que causam desordem, parem com a agressão!”, escreveu em seu Instagram. Enquanto a União Europeia condenava a repressão aos protestos após as eleições de 2020, Lukashenko recebeu apoio da China e da Rússia, de quem é aliado.  Em 3 de setembro de 2020, após o governo alemão ter noticiado no dia anterior que o opositor de Putin, Alexei Navalny (1976-2024), havia sido envenenado, Lukashenko disse que “não houve envenenamento de Navalny”.                            

            A Bielorrússia é um país sem saída para o mar, relativamente plano, com grandes extensões de terreno pantanoso. De acordo com uma estimativa realizada em 2005 pela Organização das Nações Unidas, 40% do país está coberto por florestas. Diversos riachos e cerca de 11 mil lagos podem ser encontrados na Bielorrússia. Três grandes rios cortam o país: o Neman, o Pripyat, e o Dnieper. O Neman corre em direção oeste, rumo ao mar Báltico, enquanto o Pripyat vai para Leste, rumo ao Dnieper, que por sua vez deságua no mar Negro. O ponto mais elevado geograficamente da Bielorrússia é o Dzyarzhynskaya Hara (Monte Dzyarzhynsk), com 345 m de altitude, e seu ponto mais baixo é o rio Neman, situado a 90 m. A altitude média do país é de 160 m acima do nível do mar. Seu clima apresenta invernos frios, com temperaturas médias, em janeiro, de −6 °C, e verões frescos e úmidos, com uma temperatura média de 18 °C. A Bielorrússia tem uma média de chuva anual de 550 a 700 mm. O país se situa na zona de transição entre o clima continental e o clima oceânico. Entre os recursos naturais da Bielorrússia estão depósitos de turfa, pequenas quantidades de petróleo e gás natural, granito, dolomita (calcário), marga, giz, areia, cascalho e argila. Cerca de 70% da radiação resultante do desastre nuclear de Chernobyl, ocorrido em 1986 na vizinha Ucrânia, penetrou o território bielorrusso, e em 2005 cerca de um quinto das terras do país, especialmente fazendas e florestas nas províncias do Sudeste continuam a ser afetadas pela cinza nuclear. As Nações Unidas e outras agências internacionais procuraram reduzir o nível de radiação nas áreas afetadas, através do uso de substâncias retentoras de césio e do cultivo de colza, visando diminuir os níveis de césio 137 no solo.

A Bielorrússia faz fronteira com a Letônia, ao Norte, com a Lituânia, a Noroeste, a Polônia a Oeste, a Rússia ao Norte e Leste e a Ucrânia ao Sul. Tratados realizados em 1995 e 1996 demarcaram as fronteiras da Bielorrússia com a Letônia e a Lituânia, porém a Bielorrússia não ratificou um tratado de 1997 que estabelecia a fronteira Bielorrússia-Ucrânia. A Bielorrússia e a Lituânia ratificaram os documentos que estabeleceram de maneira final a demarcação de suas fronteiras em fevereiro de 2007. As florestas bielorrussas ocupam 40% da superfície do país. São limpas, bem gerenciadas e altamente protegidas. A Constituição estipula que as florestas pertencem ao Estado; portanto, não há florestas privadas no país. Entretanto, algumas áreas florestais são arrendadas a empresas internacionais. A extração de madeira é altamente regulamentada a fim de manter a cobertura florestal estável e muitas áreas são protegidas. O alto número de guardas florestais e um nível relativamente baixo de corrupção permite que o país aplique suas leis melhor do que muitos de seus vizinhos, tais como Rússia, Ucrânia ou Polônia. A política de proteção florestal é de longa data. O corte maciço de madeira começou a corroer gravemente as florestas do país no início do século XX. Em 1945, eles haviam sido reduzidos a 25% do território da Bielorrússia. Entretanto, a partir dos anos 1950, a política ambiental do regime soviético enfatizou o equilíbrio entre a exploração e a proteção dos recursos naturais, de modo que no início dos anos 1990 o país havia voltado para a área florestal do início do século. A Floresta de Białowieża é um Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1992. Considerada “a última floresta primária da Europa”, foi usada como campo de caça pela aristocracia russa já no século XV.

Durante o período soviético, após a 2ª guerra mundial (1939-1945), ela se tornou uma área protegida, uma vitrine da política ecológica do regime comunista. Um refúgio para muitos mamíferos, notadamente o bisonte europeu, só ele concentra 70% da flora da Bielorrússia. Indivíduos de etnia bielorrussa constituem 81,2% do total da população do país. Os outros principais grupos étnicos são os russos (11,4%), poloneses (3,9%) e ucranianos (2,4%). Os dois idiomas oficiais do país são o russo e o bielorrusso. O russo é o principal idioma, utilizado por 72% da população, enquanto o bielorrusso, segunda língua oficial, é utilizado apenas por 11,9%. O polonês, o ucraniano e o iídiche oriental também são falados por minorias. A Bielorrússia tem uma densidade populacional de cerca de 50 hab./km2; 71,7% do total está concentrado nas áreas urbanas. Minsk, a capital e maior cidade do país, é lar de 1 741 400 dos 9 724 700 habitantes da Bielorrússia. Gomel, com 481 000 habitantes, é a segunda maior cidade do país, e capital do Voblast de Homel. Outras grandes cidades são Mogilev (365 100), Vitebsk (342 400), Hrodna (314 800) e Brest (298 300). Como muitos outros países europeus, comparativamente, a Bielorrússia tem um crescimento populacional negativo, e uma taxa negativa de crescimento natural. Em 2007 a população do país diminuiu em 0,41% e sua taxa de fertilidade era de 1,22. Sua taxa bruta de migração é de +0,38 por 1 000, indicando que a Bielorrússia tem uma imigração levemente superior à sua emigração. Em 2007, 69,7% da população do país tinha entre 14 e 64 anos de idade; 16% tem menos de 14, e 14,6% tem mais de 65. Sua população também está envelhecendo; enquanto a idade média atualmente é de 37, estima-se que a idade média dos bielorrussos estará entre 55 e 65 anos em 2050. Existem cerca de 0,88 homens para cada mulher no país. A expectativa de vida média é de 68,7 anos com 63,0 para homens e 74,9 para as mulheres.

Mais de 99% dos bielorrussos são alfabetizados. Historicamente, a Bielorrússia teve a predominância de diferentes religiões, principalmente o cristianismo ortodoxo, o catolicismo especialmente nas regiões ocidentais, diferentes denominações do protestantismo, especialmente durante o período de união com a Suécia protestante. Grandes minorias praticam o judaísmo e outras religiões. Diversos bielorrussos se converteram à Igreja Ortodoxa Russa depois que a Bielorrússia foi anexada pela Rússia, após a partilha da Comunidade Polonesa-Lituana. Como consequência, a ortodoxia russa tem atualmente mais adeptos que as outras denominações cristãs. A minoria católica romana do país, que forma cerca de 10% da população do país, e se concentra na parte ocidental do país, especialmente em torno de Hrodna, e é formada por uma mistura de bielorrussos e da minoria polonesa e lituana do país. Em torno de 1% da população pertence à Igreja Greco-Católica Bielorrussa. Atualmente, o país tem a maior proporção de católicos romanos em toda a Europa do Leste. A Bielorrússia já foi um dos grandes centros judaicos da Europa, com até 10% da população pertencendo à religião em determinado ponto de sua história, porém a população de judeus foi reduzida drasticamente pelas guerras, fomes, o Holocausto e a imigração subsequente; hoje em dia os judeus formam uma minoria bem pequena, de cerca de 1% ou menos. Os tártaros de Lipka, muçulmanos, totalizam mais de 15 000 indivíduos. De acordo com o Artigo 16 da Constituição da Bielorrússia, o país não tem religião oficial. Embora a liberdade de religião seja estabelecida no mesmo artigo, organizações religiosas tidas como ameaçadoras ao governo, à ordem social ou ao país podem ser proibidas.

    O nome Bielorrússia deriva da expressão Rússia Branca (“Branco-Rus”). O nome descrevia a área da Europa Oriental coberta por neve e povoada por povos eslavos, em oposição à Ruténia Negra, controlada pelos lituanos. Outra origem para o nome poderia ser a vestimenta branca utilizada no período pela população eslava. Outras hipóteses para o nome diriam respeito às terras meridionais do país Polatsk, Vitsiebsk e Mahilyow, que não haviam sido conquistadas pelos tártaros; antes de 1267, a terra que não havia sido conquistada pelos mongóis era considerada parte do “Rus Branco”, dado que bel ou biel também significaria “livre”, num período em que a maior parte da Rússia se encontrava sob o jugo dos tártaros. O nome apareceu pela primeira vez na literatura medieval alemã e latina. Nas crônicas escritas por Jan de Czarnków (1320-1387), mencionava-se que o grão-duque lituano Jogaila e sua mãe teriam sido encarcerados, em 1381, em “Albae Russiae, Poloczk dicto”. O termo latino Alba Russia foi utilizado novamente pelo Papa Pio VI, ao estabelecer ali uma Sociedade Jesuíta em 1783. Sua bula papal decretava: “Approbo Societatem Jesu in Alba Russia degentem, approbo, approbo”. Historicamente, o país foi designado em idiomas ocidentais como “Ruténia Branca”; o primeiro uso de “Rússia Branca” para se referir à Bielorrússia se deu no fim do século XVI, pelo inglês sir Jerome Horsey. Durante o século XVII, os czares russos utilizaram o termo “Rus' Branco” para descrever as terras conquistadas do Grão-Ducado da Lituânia.

            Pio VI, nascido Giovanni Angélico Braschi (1717-1799) foi o Papa da Igreja Católica e Soberano dos Estados Papais de 15 de fevereiro de 1775 até a data de sua morte. Seu Pontificado decorreu num dos períodos mais turbulentos da história europeia, quando o advento do Iluminismo, o avanço do Absolutismo estatal e, posteriormente, a eclosão da Revolução Francesa colocaram em tensão social a relação entre a Igreja e as monarquias. Pio VI enfrentou a supressão de instituições religiosas, o confisco de bens eclesiásticos e as tentativas de subordinar a Igreja ao poder civil. Sua firme resistência às políticas revolucionárias e sua defesa da liberdade espiritual conduziram-no ao dramático exílio pelas forças francesas, que o levaram cativo até Valença, onde faleceu após prolongado sofrimento. Braschi se tornou o secretário particular do legado papal, cardeal Tommaso Ruffo. Bispo de Ostia e Velletri. O cardeal Ruffo o levou como seu conclavista no Conclave de 1740 e, quando este se tornou decano em 1740, Braschi foi nomeado auditor, cargo que ocupou até 1753. Sua habilidade na condução de uma missão à corte de Nápoles lhe rendeu a estima do Papa Bento XIV. Em 1753, após a morte do cardeal Ruffo, Bento nomeou Braschi secretário. Em 1755 nomeou um cânone da Basílica de São Pedro. Em 1758, pondo fim ao noivado, ele foi ordenado ao sacerdócio como referendo da Assinatura Apostólica em 1758 e ocupou esse cargo até 1759. Ele também se tornou auditor e secretário do cardeal Carlo Rezzonico, sobrinho do papa Clemente XIII.

Em 1766, ele foi apontado como o tesoureiro da câmera apostólica pelo Papa Clemente XIII. Aqueles que sofreram com sua economia consciente conseguiram convencer o Papa Clemente XIV a elevá-lo ao cardinalato. Braschi foi elevado em 26 de abril de 1773 em Roma, como cardeal-sacerdote de Santo Onofre. Foi uma promoção que o tornou inócuo por um breve período de tempo. Ele então se retirou para a Abadia de Subiaco, da qual ele era abade de louvor. O Papa Clemente XIV morreu em 1774 e isso desencadeou um conclave para escolher um sucessor. Espanha, França e Portugal abandonaram todas as objeções à eleição de Braschi, que era um dos oponentes mais moderados da postura anti-jesuíta do falecido papa. Braschi recebeu apoio daqueles que não gostavam dos jesuítas e acreditavam que ele continuaria as ações de Clemente XIV e se manteria fiel ao breve “Dominus ac Redemptor” (1773) de Clemente, que viu a dissolução da ordem. Mas a facção zelanti, pró-jesuíta, acreditava que ele tinha uma simpatia secreta com os jesuítas e esperava reparação pelos erros sofridos no reinado anterior. Como resultado, Braschi empossado como papa foi levado a situações em que ele dava pouca satisfação a ambos os lados. O cardeal Braschi foi eleito para o pontificado em 15 de fevereiro de 1775 e recebeu o nome pontifício de “Pio VI”. Ele foi consagrado ao episcopado em 22 de fevereiro de 1775 pelo cardeal Gian Francesco Albani e foi coroado no mesmo dia pelo cardeal Protodeacon Alessandro Albani.

                          

Pio VI abriu um jubileu que seu antecessor convocou e iniciou o ano do jubileu de 1775.  Os atos anteriores de Pio VI deram uma promessa justa de governo reformista e abordaram o problema da corrupção nos Estados papais. Embora ele fosse geralmente benevolente, Pio VI às vezes mostrava discriminação. Ele nomeou seu tio Giovanni Carlo Bandi como bispo de Ímola em 1752 e depois como membro da Cúria Romana, cardeal no consistório em 29 de maio de 1775, mas não ofereceu nenhum outro membro de sua família. Ele repreendeu o príncipe Potenziani, governador de Roma, por não ter lidado adequadamente com a corrupção na cidade, nomeou um conselho de cardeais para remediar o estado das finanças e aliviar a pressão dos impostos, chamado a prestar contas a Nicolò Bischi (1732-1813) pelo gasto de fundos “destinado à compra de grãos, reduziu os desembolsos anuais ao negar pensões a muitas pessoas proeminentes e adotou um sistema de recompensa para incentivar a agricultura”. Após sua eleição, Pio VI ordenou a libertação de Lorenzo Ricci, um padre jesuíta italiano, décimo oitavo superior-geral de 1758 a 1773. Superior Geral da Companhia de Jesus, que foi mantido prisioneiro no Castel Sant`Angelo, mas o general morreu “antes da chegada do decreto de libertação”. Foi o último superior-geral antes da Supressão da Companhia de Jesus. Talvez seja devido a Pio VI, que os jesuítas conseguiram escapar à dissolução na Ruténia Branca e na Silésia. Em 1792, o papa considerou o restabelecimento da Companhia de Jesus como um “baluarte contra as ideias da Revolução Francesa”, mas isso não aconteceu.

É um castelo localizado na margem direita do rio Tibre, diante da Ponte do Santo Anjo, próximo do Vaticano, no rione Borgo de Roma, Itália. Construído sobre as ruínas do antigo Mausoléu de Adriano e, posteriormente, dedicado ao Arcanjo São Miguel, é atualmente um museu. Sua primitiva estrutura foi iniciada no ano 135 pelo imperador Adriano como um mausoléu pessoal e familiar (Tumbas de Adriano), concluído por Antonino Pio em 139. O monumento, em travertino, era adornado por uma quadriga em bronze, conduzida por Adriano. Em pouco tempo, entretanto, a sua função foi alterada, sendo utilizado como edifício militar. Nessa qualidade, passou a integrar a Muralha Aureliana em 403. A sua atual designação remonta a 590, durante uma grande epidemia de peste que assolou Roma. Na ocasião, o Papa Gregório I afirmou ter visto o Arcanjo São Miguel sobre o topo do castelo, o qual embainhava a sua espada, indicando o fim da epidemia. Para celebrar essa aparição angélica, a estátua do referido anjo coroa o edifício: inicialmente um mármore de Raffaello da Montelupo, e desde 1753, um bronze de Pierre van Verschaffelt sobre um esboço de Gian Lorenzo Bernini. Durante a história medieval esta foi a mais importante das fortalezas pertencentes aos Papas. Serviu também como sistema prisional (cf. Foucault, 2014) na época dos movimentos de unificação da Itália no século XIX. De planta circular, o seu desenho renascentista influenciou a traça do Forte de São Lourenço do Bugio, em Portugal, e a do Forte de São Marcelo, no Brasil. A Ponte do Santo Anjo, sobre o rio Tibre, é ornada por doze estátuas de anjos esculpidas por Gian Lorenzo Bernini. De seu terraço superior, tem-se uma magnífica vista do rio Tibre, dos prédios da cidade e até do domo superior da Basílica de São Pedro.

A Invasão francesa da Rússia em 1812, também reconhecida como a Campanha Russa em França (Campagne de Russie) e Guerra Patriótica de 1812 na Rússia, foi um ponto de virada durante as chamadas Guerras Napoleônicas. Reduziu a dimensão das forças francesas e forças aliadas (o Grande Armée) para uma pequena fracção de sua força inicial, e provocou uma grande mudança na política europeia uma vez que enfraqueceu dramaticamente a hegemonia francesa na Europa. A reputação de Napoleão como “um gênio militar invencível foi severamente abalada”, enquanto antigos aliados do Império Francês, primeiro o Reino da Prússia e depois o Império Austríaco, romperam a sua aliança com a França, e trocaram de lado, desencadeando a guerra da Sexta Coligação. A campanha começou em 24 de junho de 1812, quando as forças de Napoleão atravessaram o rio Neman. Ele pretendia obrigar o imperador da Rússia Alexandre I (1777-1825) a permanecer no Bloqueio Continental do Reino Unido; um objetivo oficial era acabar com a ameaça de uma invasão russa da Polônia. Napoleão designou a campanha de Segunda Guerra Polaca em referência à Primeira Guerra Polaca; o governo russo proclamou uma Guerra Patriótica. Quase meio milhão de homens, o Grande Armée, marchou pela Rússia Ocidental, ganhando uma série de pequenas batalhas e uma grande batalha (Batalha de Smolensk), entre 16 e 18 de agosto. a ala direita do exército russo, sob o comando do general Peter Wittgenstein, bloqueou parte do exército, liderado pelo mal Nicolas Oudinot, na Batalha de Polotsk.

Esta ação impediu os franceses de avançar sobre a capital russa de São Petersburgo; o destino da guerra tinha que ser decidido na frente de Moscovo, onde o próprio Napoleão liderou suas forças.  Embora os russos tenham utilizado a política da terra queimada, e, por vezes, tenham atacado o inimigo com a cavalaria ligeira de cossacos, o seu exército principal retirou-se por cerca de três meses. Este recuo prejudicou a confiança no marechal-de-campo Michael Andreas Barclay, (1761-1818) levando Alexandre I a nomear um veterano, Príncipe Mikhail Kutuzov (1745-1813), o novo comandante-em-chefe. Finalmente, a 7 de setembro, os dois exércitos encontraram-se perto de Moscovo, na Batalha de Borodino. A batalha resultou na maior e mais sangrenta ação em um único dia, durante as Guerras Napoleónicas. Envolveu mais de 250 mil soldados e resultou em pelo menos 70 mil vítimas. Os franceses capturaram o campo de batalha, mas não conseguiram destruir o exército russo. Além disso, os franceses não conseguiram substituir as suas perdas, enquanto os russos o podiam fazer. Napoleão entrou Moscovo no dia 14 de setembro, depois de o exército russo ter, novamente, recuado. Mas, por essa altura, os russos tinham já evacuado a cidade e até libertado criminosos das prisões para complicar o avanço francês. Além disso, o governador, o conde Fyodor Rostopchin (1763–1826), ordenou que a cidade fosse incendiada. Alexandre I recusou-se a capitular, e as conversações de paz de Napoleão falharam. Em outubro, sem um sinal de vitória claro, Napoleão começou a sua retirada desastrosa de Moscovo, durante o período de chuvas e lama habituais no Outono russo. Na Batalha de Maloyaroslavets, os franceses tentaram chegar a Kaluga, onde poderiam encontrar alimentos para os homens e para os animais.

Mas o exército russo, bem alimentado, bloqueou a estrada, e Napoleão foi forçado a recuar pelo mesmo caminho de onde tinham vindo desde Moscovo, através das áreas fortemente devastadas ao longo da estrada de Smolensk. Nas semanas seguintes, o grande Armée sofreu golpes catastróficos como o início do Inverno Russo, a falta de suprimentos e constantes ataques de camponeses russos e tropas irregulares. Quando as restantes tropas do exército de Napoleão atravessaram o rio Berezina em novembro, já só restavam 27 mil soldados; o grande Armée tinha perdido 380 mil homens e 100 mil tinham sido feitos prisioneiros. Napoleão abandonou os seus homens e voltou para Paris para proteger a sua “posição como Imperador e preparar-se para resistir aos avanços dos russos”. A campanha terminou a 14 de dezembro de 1812, quando as últimas tropas francesas deixaram a Rússia. Um evento de proporções épicas e de grande importância para a história da Europa, a invasão francesa da Rússia tem sido objeto de muita discussão entre os historiadores. A importância da campanha na cultura russa pode ser vista na obra de Liev Tolstoi, Guerra e Paz; na composição de Tchaikovsky, Abertura 1812; e a sua identificação com a invasão alemã de 1941-1945, que se tornou reconhecida como a Grande Guerra Patriótica na União das Republicas Socialistas Soviética. Para um projeto dessas dimensões, em 1810 Napoleão começou a preparar uma tropa à altura.

A grande Armée reunia mais de meio milhão de homens. Eram 610 mil combatentes, levando 1 420 canhões. Ao todo, mais de 680 mil, se contarmos as tropas reservas. Esse gigantesco exército, além de franceses, era formado por gente do Reino da Prússia, Áustria, Baviera, Saxônia, Itália, Nápoles, Polônia, Espanha e Croácia. A campanha começou na madrugada do dia 24 de junho de 1812, quando o grande exército napoleônico cruzou o rio Neman e invadiu a Rússia sem avisos ou declarações formais de guerra, e a 16 de agosto atacava Smolensk. A ação foi um golpe nos planos de Alexandre I, que desde maio vinha montando seu próprio grande exército. Incluindo cossacos e milícias populares, chegava-se à espantosa cifra de 900 mil homens. O problema é que essa massa militar estava sendo reunida na Moldávia, na Crimeia, no Cáucaso, na Finlândia e em regiões do interior do império, longe demais do local de entrada do exército francês. Por isso, em junho de 1812 os russos só conseguiram colocar cerca de 280 mil homens e 934 canhões na fronteira ocidental. A importante cidade de Smolensk caiu rapidamente. O exército russo decidiu não dar muita batalha aos franceses, uma decisão difícil do alto comando para não correr o risco de perder importantes forças em uma batalha praticamente perdida. Eram três exércitos cuidando da fronteira. O primeiro, com 160 mil homens, combateria sob as ordens do gAL e ministro, Mikhail Bogdanovich Barclay de Tolly (1761-1818) em direção a São Petersburgo.

 

O segundo exército, de Pyotr Bagration (1765-1812), general e príncipe da Geórgia, tinha 62 mil homens e se fixara entre os rios Neman e Bug, ao Norte dos pântanos de Pripet. Já o terceiro exército, do general Pyotr Alexander Tormasov, tinha cerca de 58 mil homens e olhava para o sul, em direção a Kiev. Sem condições de contra-atacar, os russos começaram a se retirar para o interior do país. Era uma necessidade para oferecer combate aos invasores. Em 8 de julho, a Rússia saiu às ruas para ouvir um manifesto de Alexandre I que chamava o povo a combater os franceses. As milícias populares vieram por causa do chamado, apoiado pela Igreja Ortodoxa. Cossacos, camponeses e até ciganos se alistaram aos milhares. Mesmo assim, no dia 23 de julho o marechal Blason de Louis-Nicolas Davout (1770-1823) bloqueou a passagem do general Bagration em Mogilev na atual Bielorrússia e impediu sua reunião com Barclay e, por extensão, a reação russa. Os problemas já começavam a rondar a brigada francesa. Sem ter lutado nenhuma batalha decisiva, a grand Armée havia sido reduzida em dois terços por causa de fadiga, fome, deserção e morte. A vantagem continuava ao lado de Napoleão.           

No lado oposto, o czar reclamava da incompetência de Barclay em interromper o avanço francês e o substituiu pelo veterano general Mikhail Illarionovich Golenishchev-Kutuzov (1745-1813) em 20 de agosto. Este, contudo, após tomar ciência da delicada situação, continuou a estratégia do seu antecessor de “ceder terreno arrasado ao invasor ainda com mais vigor”. Na época, ele disse o seguinte a seus homens: “Os franceses vieram para cá sozinhos e sozinhos voltarão”. É preciso entender que essa retirada russa escondia um mecanismo perverso. Quanto mais os franceses avançavam, mais sofriam com a falta de comida e armamentos e cada vez mais se distanciavam da linha de suprimentos estabelecida na fronteira. Em paralelo, as fileiras de Alexandre I engordavam com alistamentos em massa. Preocupado em conseguir mantimentos, Napoleão rumou para a capital russa, onde tinha a certeza de poder se reabastecer. Não foi bem o que aconteceu. Em setembro, com uma armada já numerosa e organizada, o general Kutuzov achou que chegara o momento de parar e lutar. Estacionou seus então 155 mil homens e 640 canhões na aldeia de Borodino, a menos de 150 km de Moscou. No dia 7 de setembro, às 6 horas da manhã, Napoleão deu início ao ataque com seus 135 mil homens e 587 canhões. O sangue jorrou até depois do pôr-do-sol. Foram cerca de 16 horas de confronto ininterrupto, transformando-o na maior batalha de um dia das Guerras Napoleônicas. Apesar de a vitória formal ter sido francesa, a armada de Napoleão amargou 58 mil mortos, incluindo 48 generais. Os russos perderam quase metade de seu exército: 66 mil baixas, incluindo 29 generais entre elas a do talentoso general Bagration.             

A demora na chegada do reforço e o massacre do dia anterior fizeram Kutuzov optar pela difícil decisão da retirada ainda mais para o Leste e do abandono da capital. Mesmo sob severas reprimendas do czar, e de boa parte de seu estado-maior, Kutuzov conseguiu prevalecer a sua decisão de entregar a cidade sem oferecer combate nos portões, suportando uma forte pressão, e provando mais tarde que este sacrifício foi crucial para o estabelecimento do cruel destino do exército francês. Napoleão entrou então em Moscou, e encontrou a cidade surpreendentemente vazia evacuadas dias antes prevendo a invasão. Em meio a indisciplina das tropas francesas, e a falta de autoridade dos oficiais perante as suas tropas, que não conseguiam impedir o saque, a pilhagem e a deserção dos soldados; grandes incêndios provocados por fogueiras mal alocadas e sabotadores acabaram por transformar a cidade em pilhas de escombros. Enquanto Napoleão acampado esperava a rendição do czar, o inimigo recuperava seus exércitos rapidamente. Napoleão teve então de reavaliar as opções estrategicamente. Seu exército estava enfraquecido e com moral baixa. As linhas de abastecimento foram cortadas. A rendição inimiga não dava mostras de acontecer. Após cinco semanas de acampamento sobre as cinzas da cidade, o imperador francês decidiu dar meia volta e iniciar o retorno à França em 19 de outubro. Junto aos soldados, seguiram uma lenta procissão de carroças carregadas de peles, prata, porcelana e seda da utilidade da força bruta fruto dos saques.

Em 24 de outubro, 20 mil homens do general francês Alexis Joseph Delzons (1775-1812) procuravam suprimentos em Maloyaroslavets, a 121 km de Moscou. Ao dar com os primeiros franceses, o general russo Kutuzov cometeu um erro. Acreditando se tratar de uma fação desgarrada, enviou apenas 12 mil homens para detê-la. Na Batalha de Maloyaroslavets, apesar da vitória tática de Napoleão, o imperador francês foi empurrado de volta ao caminho devastado usado na ida. No dia 4 de novembro, uma neve pesada começou a cair sobre os franceses desnutridos. No dia 9 de novembro, a temperatura caiu para cerca de -26 °C e continuava baixando. O frio penetrava nas roupas esfarrapadas dos soldados e se somava à exaustão. Muitos, mal conseguiam andar, cair simplesmente significava não levantar mais, devido a tamanha fraqueza das tropas. Centenas de franceses acampavam para dormir nas longas noites nas estepes geladas e simplesmente amanheciam congelados devido ao inverno rigoroso ou então assados pela proximidade das fogueiras que montavam, na tentativa de escapar do frio. Somado a isto, surgiam os constantes ataques dos cossacos liderados pelo chefe Matvey Ivanovich Platov (1753-1818), e pelas guerrilhas camponesas pelo caminho de volta. Quando essa multidão maltrapilha finalmente alcançou os suprimentos guardados em Smolensk, todo o resquício da disciplina militar desapareceu. Uma turba de soldados famélicos saqueou os armazéns e destruiu boa parte dos alimentos, que poderiam ter durado o inverno inteiro.

Por volta do dia 16 de novembro, sob o frio de -32 °C, a marcha tentava ir para casa. A partir de Smolensk, criou-se o sentimento de cada um por si nas tropas francesas. As armas e bagagens de saque, agora inúteis e inoportunas, eram abandonadas pelo caminho. Os cadáveres congelados espalhavam-se aos milhares pelas estradas, vilas abandonadas e florestas. Lutar contra o exército russo não era mais possibilidade, somente havia entre o imaginário do restante do exército francês o desejo cego de fugir. É esclarecedor sobre a terrífica retirada este texto de obra do historiador e escritor J. Lucas-Dubreton (1883-1972): Nas estradas geladas, luzidias como espelhos, os cavalos tombavam, obrigando-os a abandonar as carroças que transportavam o tesouro. Do Norte chegava um vento gelado, capaz de queimar; o cano do fuzil grudava nas mãos, a pele inchava, cheia de bolhas; e as extremidades dos dedos, duras e descoradas, pareciam bolas de marfim. Cobertos de andrajos, os olhos injetados, o rosto tumefato, infestados de vermes - fazia três meses que não trocavam de farda nem de roupa de baixo -, os antigos vencedores da Europa lutavam contra a agonia. Se adormecessem, era a morte; se resistissem, se um passante os arrastasse um pouco mais adiante, ela estava apenas adiada. Os fracos morriam primeiro, o sangue na boca e, antes que expirassem, seus camaradas já os haviam despido. Neste oceano de barbárie, nunca há de ter havido semelhante trajetória de cadáveres na extensão da que seguiram os que fizeram essa campanha; eles estão em todos os cantos, em todas as estradas, frescos e velhos.

A natureza humana, exaurida, desgastada pelo sofrimento, punha sua trama a nu, sua fibra fundamental; já não havia hierarquia nem disciplina; só um egoísmo feroz; todos curvados sob o mesmo nível de miséria. A própria velha guarda tinha perdido a bela compostura, e Napoleão se viu obrigado a chamá-la à ordem: “Não deem ouvidos a esses fracos que a desgraça abate e que não sabem sofrer. Façam justiça, pelas próprias mãos, com aqueles que, dentre vocês, saírem da fila durante a marcha; estabeleçam uma disciplina interior em cada companhia, e que os homens que se comportarem mal sejam apedrejados pelos camaradas”. O gráfico histórico de Charles Joseph Minard (1781-1870) demonstra a evolução do exército francês ao longo da campanha, e a respectiva quantidade de homens, bem como as condições atmosféricas. O passo seguinte era atravessar o rio Berezina na atual Bielorrússia. No dia 26 de novembro, os remanescentes da armada francesa caíram numa armadilha. Pela frente os russos seguravam a ponte. Por trás pressionava o exército de Kutuzov. Em segredo, Napoleão enviou seu corpo de engenharia para construir uma ponte improvisada sobre o semicongelado Berezina. Quando os russos perceberam, abriram fogo. 

Cerca de 10 mil russos pereceram, contra 36 mil franceses, muitos dos quais só foram encontrados com o degelo da primavera. No dia 14 de dezembro de 1812, sob um frio de -38 °C, o que restou da grande Armée conseguiu cruzar o rio Nemen de volta; apenas 10 mil homens em estado lastimável, incluindo um Bonaparte perplexo. A contagem das baixas do fracasso napoleônico: 550 mil homens mortos. No lado russo, 250 mil soldados efetivos e 50 mil entre milícias cossacas e populares. A campanha da Rússia mostrou que Napoleão não era invencível. Muitos países se rebelaram. Era o fim do sonho napoleônico de um domínio da Europa. A invasão do exército de Napoleão de 1812 deixou uma profunda herança no imaginário russo; da sensação de perdição do país, da completa destruição de Moscou, e da improvável virada posterior, e o extermínio e expulsão dos invasores, este episódio marcou a cultura da França e da Rússia e de suas tradições militares. Carl von Clausewitz (1780-1831), um general prussiano da época e teórico literário militar, esclareceu em suas obras que na invasão napoleônica de 1812 na Rússia, surgiu e definiu-se as características da chamada guerra total, onde os lados combatentes buscam destruir e conquistar não apenas os alvos militares, mas todos os componentes no caminho do conflito, mobilizando todos os recursos disponíveis, inclusive os ligados na vida civil.

Carl Philipp Gottlieb von Clausewitz (1972) foi um general do Reino da Prússia e teórico militar que destacou os aspectos políticos e psicológicos da guerra. Sua obra mais reconhecida, Vom Kriege, inacabada à época de sua morte, é considerada um tratado fundamental de estratégia militar e ciência militar. Toda a história da campanha napoleônica na Rússia gerou a famosa obra literária Guerra e Paz de Leon Tolstói; escrita ainda na segunda metade do século XIX, eternizando dezenas de passagens da campanha, a maioria verídicas. A derrota inicial da Rússia e sua vitória final também são lembrados na Abertura 1812 de Tchaikovsky. Até 1941 ela era reconhecida na Rússia sob o nome de “Guerra Patriótica”. Atualmente, o termo russo Guerra Patriótica de 1812 a distingue da Grande Guerra Patriótica, que designa a campanha levada à cabo pelos Soviéticos contra os militares alemães durante a 2ª Guerra Mundial. Em meados de 2010 um grupo de amantes da história, que procuravam restos mortais de soldados encontraram dezoito soldados do Grande Exército de Napoleão I, numa região próxima à cidade de Vilnius, na Lituânia. Com os botões dos uniformes, que estavam bem conservados, foi possível determinar que os soldados pertenciam ao 29º regimento de infantaria, ao 2° regimento de dragões e ao 7° regimento de hussardos, unidades estas que faziam a guarda de Napoleão na retirada das tropas francesas na campanha da Rússia em 1812. Desta maneira, os restos dos soldados descobertos em 2010 foram enterrados em novembro deste ano, junto com outros dois mil corpos de soldados napoleônicos descobertos em 2001 e sepultados em 2003, no cemitério de Antakalnis, em Vilnius.

A Bielorrússia passou a receber seu nome atual no período do Império Russo; o czar russo costumava ser designado o “Czar de Todas as Rússia” referindo-se à Grande, à Pequena e à Branca. Na época, a Bielorrússia era vista como parte da nação russa, e o idioma bielorrusso era considerado um dialeto do russo. Após a Revolução Bolchevique de 1917, o termo Rússia Branca passou a causar alguma confusão, pois também era o nome da força militar que se opunha aos bolcheviques vermelhos. Durante o período da República Socialista Soviética Bielorrussa, o termo Bielorrússia foi adotado como parte de uma consciência nacional. Na Bielorrússia Ocidental, sob o domínio polaco, o termo foi utilizado com frequência para se referir às regiões de Bialystok e Grodno, durante o período entreguerras. O termo Bielorrússia assim como seus nomes na maioria dos idiomas vem da forma russa, Byelorussia, foi utilizado oficialmente apenas até 1991, quando o Soviete Supremo da RSSB decretou que a nova república independente deveria se chamar Belarus (Беларусь), em russo e em todas as transcrições do nome para outros idiomas. A mudança supostamente visava refletir adequadamente a forma bielorrussa do nome, e o período de transição durou até 1993. Forças conservadoras da recém-independente República não apoiaram a mudança de nome e se opuseram à sua inclusão no esboço realizado em 1991 da Constituição da Bielorrússia. Desde a Independência do país, com o fim da União Soviética, o governo bielorrusso oficializou este pedido para que o endônimo Belarus fosse usado em todas as línguas para se referir ao país.

Em determinados idiomas, como o inglês, o pedido foi bem aceito, mas a maioria das outras línguas europeias mantiveram seus exônimos próprios, como o grego Λευκορωσία, o alemão Weißrußland, o dinamarquês Hviderusland, o sueco Vitryssland, o neerlandês Wit-Rusland, o islandês Hvíta-Rússland, todos traduzidos literalmente como Rússia Branca que também era o nome português até a década de 1990. O francês mantém o nome Biélorussie. O mesmo que se deu com o inglês aconteceu, até certo ponto, com o russo embora o nome tradicional ainda exista naquele idioma; do mesmo modo, o adjetivo “Belorussian” ou “Byelorussian” foi substituído, em inglês, por Belarusian, enquanto o russo não tenha desenvolvido uma nova versão do adjetivo (“bielaruski”). A intelligentsia bielorrussa no período de Stalin tentou alterar o nome do país para “Krivia”, para tentar eliminar esta suposta ligação com a Rússia; alguns nacionalistas também têm objeção ao nome por este mesmo motivo. Diversos jornais populares publicados localmente, no entanto, ainda conservam o nome antigo do país em russo nos seus nomes, como por exemplo Komsomolskaya Pravda v Byelorussii, edição local de um popular tabloide russo. Partidários da união do país com a Rússia também continuam a utilizar a forma anterior. Oficialmente, o nome completo do país é República da Bielorrússia.

            Ex-companheiros de armas não se encontram há 20 anos, desde o verão de 1945, quando cada um per se seguiu seu caminho depois de chegar à estação ferroviária da Bielorrússia em Moscou ao final da 2ª guerra mundial (1939-1945). Agora, uma triste ocasião reúne os homens novamente - a morte de um deles que permaneceu no exército. Muitas mudanças sociais aconteceram na vida de cada um, mas os amigos conservaram os sentimentos de irmandade, solidariedade e humanidade desenvolvidos no front. Antes de retornarem às suas rotinas cotidianas, vivem um dia repleto de recordações e situações inesperadas. O diretor Andrei Smirnov conseguiu o impossível. Rodou um dos filmes mais autênticos sobre a Grande Guerra Patriótica, sem mostrar uma cena sequer da própria guerra. Além disso, a canção “Precisamos de uma vitória”, de Bulat Okudzhava (1924-1997), acabou se tornando uma das músicas mais poderosas sobre a guerra. Bulat Shalvovich Okudzhava foi um extraordinário poeta, escritor, músico, romancista e cantor e compositor soviético e russo de ascendência georgiana-armênia. Ele foi um dos fundadores do gênero soviético chamado “canção de autor”, ou “canção de violão”, e autor de cerca de 200 canções, musicadas com sua própria poesia. Suas canções são uma mistura equilibrada de tradições poéticas e folclóricas russas e do estilo francês chansonnier, representado por contemporâneos de Okudzhava como Georges Brassens.

Embora suas canções nunca tenham sido explicitamente políticas, a frescura e a independência da voz artística de Okudzhava representaram um desafio sutil às autoridades culturais soviéticas, que, portanto, hesitaram por muitos anos em lhe conceder reconhecimento oficial. Bulat Okudzhava nasceu em Moscou em 9 de maio de 1924, em uma família de comunistas que vieram de Tbilisi, a capital da Geórgia, para estudar e trabalhar para o Partido Comunista. Filho de pai georgiano, Shalva Okudzhava [ru], e mãe armênia, Ashkhen Nalbandyan, Bulat Okudzhava falava e escrevia apenas em russo. A mãe de Okudzhava era sobrinha de um reconhecido poeta armênio, Vahan Terian (1885-1920). Seu pai serviu como comissário político durante a Guerra Civil e como membro de alto escalão do Partido Comunista, posteriormente, sob a proteção de Sergo Ordzhonikidze (1886-1937). Seu tio Vladimir Okudzhava era um anarquista e terrorista que deixou o Império Russo após uma tentativa fracassada de assassinar o governador de Kutaisi. Vladimir estava listado entre os passageiros do infame trem lacrado que transportou Vladimir Lenin, Grigory Zinoviev e outros líderes revolucionários da Suíça para a Rússia em 1917. Shalva, pai de Okudzhava, foi preso em fevereiro de 1937 durante o Grande Expurgo, acusado de trotskismo e sabotagem. Ele foi fuzilado em 4 de agosto com seus dois irmãos. Sua esposa foi presa em 1939 “por atos antissoviéticos” e enviada para o Gulag. 

Bulat retornou a Tbilisi para viver com seus parentes.  Sua mãe foi libertada em 1946, mas presa pela segunda vez em 1949, passando mais 5 anos em campos de trabalho forçado. Ela foi totalmente libertada em 1954 e reabilitada em 1956, juntamente com seu marido. Em 1942, aos 17 anos, Bulat Okudzhava, aluno do 9º ano, alistou-se voluntariamente na infantaria do Exército Vermelho e, a partir de 1942, participou da guerra contra a Alemanha. Após sua dispensa do serviço militar em 1944, retornou a Tbilisi, onde concluiu o Ensino Médio e ingressou na Universidade Estadual de Tbilisi, graduando-se em 1950. Depois de formado, trabalhou como professor, primeiro em uma escola rural na vila de Shamordino, na região de Kaluga, e mais tarde na própria cidade de Kaluga. Em 1956, Okudzhava retornou a Moscou. Após a reabilitação de seus pais e o XX Congresso do Partido Comunista Chinês, no qual Khrushchov denunciou os expurgos, Bulat Okudzhava pôde ingressar no Partido Comunista, do qual permaneceu membro até 1990. Na capital soviética, trabalhou inicialmente como editor na editora Molodaya Gvardiya (Jovem Guarda) e, posteriormente, como chefe da seção de poesia do mais importante semanário literário nacional da antiga União das Repúblicas Socialista Soviética, o Literaturnaya Gazeta (“Jornal Literário”). Foi então, em meados da década de 1950, que começou a compor canções e a interpretá-las, acompanhando-se ao violão russo. Logo ele começou a dar concertos. Ele usava apenas alguns acordes e não tinha formação musical formal, mas possuía um dom melódico excepcional, e as letras inteligentes de suas canções combinavam perfeitamente com sua música e sua voz. Suas canções eram elogiadas por seus amigos, e gravações amadoras foram feitas. Essas gravações não oficiais foram amplamente copiadas como magnitizdat e se espalharam pela URSS e Polônia, onde outros jovens pegaram violões e começaram a cantar as canções por conta própria.

Em 1970, suas letras apareceram no clássico filme soviético Beloye Solntse Pustyni “Sol Branco do Deserto” é um filme ostern soviético de 1970, dirigido por Vladimir Motyl (1927-2010). Sua mistura de comédia de ação, música e drama o tornou altamente bem-sucedido nas bilheterias soviéticas e resultou em uma série de citações memoráveis. Ele mantém alta aprovação doméstica. Embora as canções de Okudzhava não tenham sido publicadas por nenhuma organização de mídia oficial até o final da década de 1970, elas rapidamente alcançaram enorme popularidade, especialmente entre a intelectualidade, principalmente na URSS a princípio, mas logo também entre os falantes de russo em outros países. Vladimir Nabokov, por exemplo, citou sua Marcha Sentimental no romance Ada ou Ardor. Okudzhava, no entanto, considerava-se principalmente um poeta e afirmava que suas gravações musicais eram insignificantes. Durante a década de 1980, ele também publicou muita prosa, pois em seu ersatz seu romance O Espetáculo Acabou lhe rendeu o Prêmio Booker Russo em 1994. Na década de 1980, gravações de Okudzhava interpretando suas canções finalmente começaram a ser lançadas oficialmente na União Soviética, e muitos volumes de sua poesia também foram publicados. Em 1991, ele foi agraciado com o Prêmio Estatal da URSS. Ele apoiou o movimento reformista na URSS e, em outubro de 1993, assinou a Carta dos Quarenta e Dois. Okudzhava faleceu em Paris em 12 de junho de 1997 e está sepultado no Cemitério Vagankovo, em Moscou. Um monumento marca o prédio de número 43 da Rua Arbat, onde ele morava. Sua dacha em Peredelkino agora é um museu aberto ao público. Um planeta menor, 3149 Okudzhava, descoberto pela astrônoma tcheca Zdeňka Vávrová em 1981, recebeu o nome em sua homenagem. Ela também descobriu vários asteroides. Suas canções continuam muito populares e são frequentemente executadas.

Bibliografia Geral Consultada.

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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Glenda Kozlowski – Jornalismo Esportivo & Persona da Comunicação.

                                                 O que não conseguimos lembrar, retornará como ação”. Sigmund Freud

                   

            O pensamento grego dividiu o tempo da memória de seu passado, sobre o tempo da Era Heroica, durante o qual a tradição oral grega foi criada e mantida tendo como resultado a criação de um passado mítico baseado em elementos que diferiam em caráter e precisão, cuja origem remontava a períodos de tempos esparsos. Essa tradição transmitia e simultaneamente criava o passado. O principal objeto de pensamento ocorreu com a formação e manutenção da identidade grega realizada pela criação da consciência e do orgulho pan-helênicos em que emerge um governo aristocrático e especialmente o direito da aristocracia de governar enfatizando às suas notáveis qualificações e virtudes. Trata-se de um processo de secularização criação mítica que não termina no século VIII a. C., final do chamado período Homérico e quando se tem historicamente a formação da polis.  Ele continua presente na mitificação de indivíduos combinando elementos antigos com novas formas evolucionárias sociais, adaptando-se às mudanças religiosas e políticas. A era pós-heroica é demarcada pelo interesse na preservação do passado remoto e mítico, todavia totalmente vivo na consciência grega e expressou-se pela conservação e repetição do mapa mítico. O passado heroico era alvo de atenção passiva que assegurava a sua manutenção na lembrança social, na versão aceita e “perpetua-se nas gerações futuras por meio da preservação desse conhecimento e da sua permanente utilização”.

Primeiro, o registro desse passado não dispunha de documentos nem arquivos de onde possamos retirá-los, por essa razão foi preservado por meio da oralidade. No segundo momento, da oralidade à prática cultural, incluindo-se o registro etnográfico, tem-se a elaboração do universo ritual que fiel às origens da tradição, acaba por consolidar a relação fala-ação que consagra o princípio de que o mito é o principal veículo de comunicação da memória na sociedade grega. A condição significativa da mensagem criou a necessidade de comunicar-se. E como motor de todo tipo de codificações expressivas, sendo a linguagem e a escrita instrumentos de comunicação oral e escrita sujeitos as limitações de espaço e lugar e a sua transmissão através da distância entre o emissor e o receptor. Etnograficamente pode-se dividir em quatro fases a história da codificação de signos e fonemas aos serviços da relação inter-humana: mnemônica, pictórica, ideográfica e fonética. A primeira periodização se caracterizou pelo emprego de objetos reais como dados ou mensagens entre pessoas que viviam aparentemente alheios e não pertenciam ao mesmo sistema convencional de comunicação. Os antigos chineses, escreve Albert A. Sutton (1890-1954), e inclusivamente outras tribos primitivas mais recentes, utilizaram com muita frequência o quipo, cada um dos cordões nodosos uados pelos peruanos, no tempo da monarquia dos Incas, que formavam um método de análise mnemônico, fundado nas cores e ordem dos cordões, número e disposição dos nós, etc., para presentificar dias felizes, para servir como instrumentos de cálculo, ou guardas de recordações da memória dos mortos das tribos. 

Na segunda, a comunicação historicamente humana se transmite mediante a pintura, a representação dos objetos. Estas gravuras aparecem não só na pintura rupestre, e também sobre objetos variados, tais como utensílios, armas ou artigos de valor empregados para o intercâmbio comercial. Na terceira, resulta de uma associação de símbolos pictográficos como objetos e ideias. Nesta fase, os signos se empregam cada vez mais na representação de ideias, numa progressiva separação da estrutura do objeto a comunicar e uma modelação cada vez mais simbólica que aproximará no signo alfabético, na escritura. A expressão ideográfica serviu para as formas primitivas de “relatos”, tal como podemos valorar na escritura ideográfica das culturas pré-colombianas ou mesopotâmicas, ainda que o máximo tipo cultural deste sistema social de comunicação representou a escrita hieroglífica dos egípcios. A última se estabelece quando o signo representa um som, fora das palavras inteiras, de sílabas ou que chamamos letras, como unidade fonética. A invenção cultural do alfabeto representou o ponto máximo da codificação da comunicação, propiciada precisamente por aqueles povos de maior desenvolvimento social e de maior inter-relação comercial com outros povos.  O alfabeto era uma chave de intercomunicação e ao mesmo tempo um aríete de penetração cultural em mãos dos povos da Antiguidade criadores das primeiras rotas de comércio marítimo e terrestres.                        

 A relação binômica entre comércio e comunicação social é delimitada por Gordon Childe (cf. Faulkner, 2007) nas civilizações orientais. Os artesãos livres podiam viajar com as caravanas buscando um mercado para seu ofício enquanto que os escravos formavam parte da mercadoria. Os forasteiros em um país estranho pediam os conselhos da religião. Uma cena esculpida em um jarro por um artista sumério descreve um culto índio que se celebrava em templo de Arrad. A descoberta de um templo monumental datado do final do século X e início do século IX a. C. surpreendeu arqueólogos em Israel. A existência do complexo religioso, situado onde ficava a antiga cidade de Moza, contradiz textos bíblicos que abordam aquele período da história da religião. Se os cultos se transmitiam, as artes e os ofícios úteis podiam difundir-se com análoga facilidade.  O intercâmbio promoveu a mancomunada experiência humana. Fosse qual fosse o sistema de signos empregados para a comunicação social necessitavam de um suporte material onde inscrever-se e a possibilidade de criar um âmbito de emissão e recepção. Desenvolveram-se sistemas paralelos de comunicação mediante escritura em todas as civilizações que haviam alcançado um parecido sistema de organização social e desenvolvimento cultural. Estes sistemas ajudam já a um forcejo tecnológico para melhorar os suportes essenciais dos materiais da escritura. 

Os egípcios empregaram o papiro a partir de uma matéria-prima de que dispunham abundantemente nas margens do fabuloso Nilo: a medula de velhos, que podia prensar-se, laminar-se e conservar os seus gravados durante muito tempo. Para começar, intercomunicar-se Alfabetos, tecnologia de escritura e os materiais para fazê-la possível. Os gregos aceitaram o alfabeto Fenício e na impossibilidade de dispor de pairos empregaram tabuletas de madeira coberta de cera. Os romanos adotaram novos suportes de escritura como o pergaminho ou a vitela.  O (des)cobrimento do papel tardaria a chegar à Europa, mesmo com evidências que a China dispunha dele no ano 105. Ts`ai Lun comunicou ao imperador “um novo material sobre o qual era uma delícia escrever”. O sistema social condiciona o sistema de comunicação. A comunicação sempre vem unida à existência da mudança de mercadoria e à busca de matérias-primas que já mobilizou aos antigos. As rotas comerciais e de expansão imperial depredatória da antiguidade foram autênticos canais informativos, lentos e precários, que abasteceram aos homens de um conhecimento aproximado dos limites do mundo reconhecido e das tentações dos outros considerados desde cada especial forma de etnocêntrica. Os sistemas de correio e a comunicação ligada a sociedades em processos de mudança social formam os primeiros instrumentos de comunicação internacional. Os editos e decretos, os primeiros instrumentos de comunicação intracomunitária. Uns e outros instrumentos nasceram com a associação humana e só foram qualitativamente modificados quando apareceu a imprensa. 

Todo processo de trabalho é um processo de comunicação, embora nem toda comunicação represente trabalho social. A impressão de regressão que suscita o trânsito do Império Romano e a fragmentação política seguinte se vê alimentada, sobretudo pelo evidente obstáculo cultural. Contudo, ainda que no marco político e econômico da evolução histórica, sua queda é consequência do enfraquecimento entre a organização do Estado e as necessidades objetivas (materiais) dos homens e das comunidades societárias submetidas à superestrutura jurídico-política imperial.  A comunicação com o Oriente e a própria dinâmica da produção e o comércio empurraram a Europa da Baixa Idade Média a uma série de descobrimentos técnicos que afetaram o sistema de comunicação social globalizante. O passo da Idade Média ao Renascimento é uma mera convenção didática, last but not least, sobre a extraordinária produção historiográfica sobre este período histórico-sociológico. Ipso facto, a imprensa nasceu quando um tipo móvel suscetível de se alinhar para compor palavras, linhas, depois de tingida a composição, se reproduzia sobre o papel mediante pressão. Em todo o século XV ocorreu uma série de acasos tecnológicos no tipo móvel de Gutenberg. Mas, previamente a aparição da Bíblia impressa por Gutenberg, em 1546, em Manguncia, já se conheciam amostras de impressão baseada na utilização de tipos móveis. Contudo, a imprensa incidiu mais no terreno da literatura que da informação propriamente. Mainz ou Mainz é a capital do estado alemão (Land) da Renânia-Palatinado. É uma cidade no Sudoeste da Alemanha, às margens do rio Reno, onde o rio Meno deságua. É um importante porto fluvial. Johannes Gutenberg inventou a imprensa lá. 

Hoje, Mainz tornou-se novamente um centro de mídia, pois abriga a sede da ZDF (Zweites Deutsches Fernsehen”) (Segunda Televisão Alemã), é um canal de televisão público alemão com sede em Mainz, o segundo canal de televisão alemão. Embora tenha sido severamente destruída durante a 2ª Guerra Mundial (1939-1945), a cidade conserva uma parte significativa da cidade antiga, na qual se destacam os edifícios construídos em pedra vermelha (principalmente arenito). Mainz possui uma universidade desde 1477, chamada Johannes Gutenberg, localizada perto do centro da cidade. Seu antigo campus inclui não apenas salas de aula e anfiteatros, mas também casas, bares e restaurantes que constituem um bairro independente. Com 196.950 habitantes (em 31 de março de 2006), é a terceira maior cidade da região do Reno-Meno. Seu time de futebol, o FSV Mainz 05, joga na primeira divisão (Bundesliga). Quando apareceu a imprensa, a informação escrita tinha certamente relevância história. Toda tecnologia tende a criar um novo mundo. A escritura e o papiro criaram o ambiente para os impérios do mundo antigo. O estudo da Reforma, Contra-Reforma e lutas religiosas, apresentaram grande interesse no processo de comunicação: o rastro de uma e outra intransigência é sangrento.

Os católicos mataram Giordano Bruno (1548-1600), e os protestantes via João Calvino (1509-1564), mataram Miguel Servet (1511-1553).  A importância ideológica do Areópago de Milton deve ser medida por sua equidistância comunicativamente com os protestos gregos contra a repressão intelectual e os primeiros teóricos da relação entre o poder e a liberdade de expressão: o Areópago, representa um tribunal de justiça ou conselho, célebre pela honestidade e retidão no juízo, que funcionava a céu aberto no outeiro de Marte, antiga Atenas, desempenhando papel importante em política e assuntos religiosos. O Areópago é uma ilhota teórica em um imenso oceano que tem, de um lado, os sofistas gregos, e de outro, Thomas Jefferson (1743-1826) e John Stuart Mill (1806-1873), do liberalismo burguês. Napoleão compreendeu que devia manietar os meios de comunicação social se quisesse criar uma imagem imaculada do poder pessoal. Visível cabeça dessa nova classe dirigente levou esse medo ao nível característico do terror do ditador à sua própria imagem. O capitalismo em expansão necessitava desenvolvimento tecnológico e científico. Necessitava de mão-de-obra mais culta e especializada para a complexidade do processo industrial. Necessitava, além disso, saltar barreiras de níveis políticos do protecionismo econômico e comercial para sua expansão imperialista.

A palavra persona vem do latim, do verbo personare, “per-sonare”: falar através de, onde se referia à máscara usada pelos atores de teatro. Essa máscara servia tanto para dar ao ator social a aparência do personagem que ele interpretava, quanto para permitir que sua voz fosse ouvida pelo público. Em sua psicologia analítica, Carl Gustav Jung usa o termo latino persona para se referir à parte da personalidade que organiza a relação do indivíduo com a sociedade, a maneira como cada pessoa deve, em maior ou menor grau, conformar-se a uma persona socialmente predefinida para cumprir seu papel social. O ego pode facilmente se identificar com a persona, levando o indivíduo a acreditar que é quem os outros veem como ele e a perder de vista sua verdadeira identidade. Nesse sentido, a persona de Jung se aproxima do conceito de falso Eu de Donald W. Winnicott (1896-1971). A persona deve, portanto, ser entendida como uma “máscara social”, uma imagem criada pelo ego que pode, em última instância, usurpar a verdadeira identidade do indivíduo. Embora necessário para interagir com o mundo exterior, a persona pode ser considerada como fachada, frequentemente influenciada por expectativas sociais, que pode mascarar a verdadeira natureza do indivíduo e dificultar a autocompreensão.

            A psicologia analítica (Analytische Psychologie em alemão), ou “psicanálise junguiana”, é uma teoria psicológica desenvolvida pelo psiquiatra suíço Carl Gustav Jung a partir de 1913. Inicialmente criada para se diferenciar da psicanálise de Sigmund Freud, visa investigar o inconsciente e a “alma”, ou seja, a psique individual. A história da psicologia analítica está intimamente ligada à biografia de Carl Jung. Inicialmente representada pela Escola de Zurique, com Eugen Bleuler, Franz Riklin, Alphonse Maeder e Jung, a psicologia analítica foi primeiro uma teoria dos complexos psíquicos, até que Jung, após sua ruptura com Freud, a transformou em um método geral de investigação de arquétipos e do inconsciente, bem como em uma psicoterapia específica. A psicologia analítica, ou “psicologia complexa”, tem sido fonte de inúmeros desenvolvimentos, tanto na psicologia quanto em outras disciplinas. De fato, os sucessores de Jung são numerosos e organizados em sociedades nacionais no mundo. As aplicações e os desenvolvimentos dos postulados de Jung deram origem a um corpo de literatura denso e multidisciplinar.

            O Instituto CG Jung de Zurique cujo nome oficial em alemão é CG Jung-Institut Zürich é um instituto de psicologia analítica localizado em Küsnacht, no cantão de Zurique, na Suíça. Küsnacht é uma comuna da Suíça, no Cantão Zurique, com cerca de 12.816 habitantes. Estende-se por uma área de 12,35 km², de densidade populacional de 1.038 hab/km². Confina com as seguintes comunas: Erlenbach, Herrliberg, Kilchberg, Maur, Rüschlikon, Thalwil, Zollikon, Zumikon. A língua oficial nesta comuna é o Alemão. Ali faleceram o psiquiatra Carl Jung (6 de junho de 1961) e a cantora Tina Turner (25 de maio de 2023). Baseada numa concepção objetiva da psique, Jung estabeleceu sua teoria desenvolvendo conceitos-chave dos campos da psicologia e da psicanálise, como o  “inconsciente coletivo”, o “arquétipo” e a “sincronicidade”. Ela se distingue pela consideração de mitos e tradições, que revelam aspectos da psique de todas as épocas e continentes, pelo escopo nos sonhos como elemento central da comunicação com o inconsciente e pela existência de entidades psíquicas autônomas, como o animus para as mulheres ou a anima para os homens, e a persona ou sombra, comum a ambos os sexos.

Considerando que a psique de um indivíduo é composta por elementos da vida pessoal do sujeito, bem como por representações que se baseiam em mitos e símbolos universais, a psicoterapia ligada à psicologia analítica estrutura-se em torno do paciente e visa ao desenvolvimento do “Si mesmo”, através da descoberta dessa totalidade psíquica pela noção de individuação. O psiquiatra suíço e seus sucessores foram além da estrutura epistemológica da psicanálise freudiana para explorar disciplinas como a física e os tipos de personalidade, que incorporaram a uma teoria dita “analítica” da psique. A história da psicologia analítica está intimamente ligada, em seus estágios iniciais, à biografia do psiquiatra suíço que lançou seus fundamentos: Carl Gustav Jung (1875-1961). Ele foi, de fato, o primeiro a desenvolver seus postulados sozinho (após sua ruptura com Freud), e, aos poucos, foi acompanhado por figuras salientes dos mundos médico, psicanalítico e psiquiátrico, que assim produziram um corpo de literatura abundante e diversificado. Jung iniciou sua carreira médica como psiquiatra na Clínica Psiquiátrica Universitária de Zurique, apelidada de Burghölzli, em 1900. Foi nesse hospital universitário, sob a direção de Eugen Bleuler, que ele gradualmente desenvolveu sua nova abordagem. Primeiramente, acumulou “uma significativa coleção de sonhos e delírios de pacientes”. Desenvolveu um método semelhante à psicanálise, baseado na troca verbal (a cura pela fala) e no estudo das manifestações inconscientes, bem como na transferência.

Rejeitando a hipnose, assim como Freud (1856-1939), Jung desenvolveu uma abordagem amplificadora dos símbolos oníricos, o que o distingue do fundador da psicanálise. Finalmente, descreveu um aparelho psíquico diferente da topografia freudiana, notadamente através da hipótese de um inconsciente coletivo, que ele concebeu após o estudo dos delírios de seu paciente Emil Schwyzer. Inicialmente, Jung definiu esse método como “uma observação das profundezas psíquicas”, tomando emprestado o nome “psicologia profunda” do mentor Eugen Bleuler (1857-1939). Seu aspecto experimental, datado de seu trabalho com Franz Riklin (1878-1938), buscava abordar os complexos utilizando o método de “associação de palavras”. E trabalhou com o psicanalista Ludwig Binswanger (1881-1966). Desses primeiros anos Jung considerava que o inconsciente é parcialmente composto por elementos psíquicos, autônomos, que são frequentemente personificados, que influenciam a mente consciente. Assim, ele se distanciou da teoria das pulsões de Freud. Jung falava, nessa época conceitual, de “psicologia complexa”. Neste aspecto singular vale lembrar no caso da Antropologia, Gilbert Durand (1921-2012) foi um antropólogo, filósofo, pesquisador e professor universitário francês reconhecido por seus trabalhos sobre imaginário e mitologia. Professor de Filosofia de 1947 a 1956, professor titular e professor emérito de Sociologia e de Antropologia da Universidade de Grenoble II, foi cofundador, juntamente com Léon Cellier e Paul Deschamps, em 1966 do Centre de recherche sur l`Imaginaire

Também foi membro do Círculo de Eranos, participando das reuniões desde 1960 a partir de um convite de seu amigo Henry Corbin. Participou da Resistência Francesa durante a 2ª Guerra Mundial. Discípulo de Gaston Bachelard e de Carl Gustav Jung, mestre de Michel Maffesoli e Jean-Jacques Wunenbuger, Durand é reconhecido mundialmente pela criação da Teoria Geral do Imaginário a partir da tese de doutorado, intitulada: As estruturas Antropológicas do Imaginário, publicada em livro pela primeira vez em 1960 e hoje em sua 12ª edição. Recebeu o Título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Nova de Lisboa, Portugal, no ano acadêmico de 1988/1989. Em As Estruturas Antropológicas do Imaginário, Durand propõe pensar o imaginário como um sistema, não como um conjunto de imagens ligadas pelas convenções culturais ou simplesmente pelas semelhanças icônicas. Resultado de seu doutoramento, aqui ele apresenta primícias conceito de “trajeto antropológico” também reconhecido como “trajeto do sentido”. Este trajeto se daria entre dois polos relativamente estáveis: as intimações biopsíquicas, dadas pela natureza humana mesma, e as coerções apresentadas pelos contextos históricos, sociais, culturais. O modo de as imagens simbólicas se organizarem dá origem a diferentes regimes ou “estruturas do imaginário”, criando e desenvolvendo-se per se o que ele chama também nessa obra de “estruturalismo figurativo”. 

Vê-se, aí, que é a imagem que produz a estrutura, e não o contrário. Segundo ele, o imaginário se dará a ver principalmente através de três esquemas míticos organizadores do simbólico: o esquizomórfico, o místico e o sintético. O primeiro se relaciona a todo o simbolismo ascensional das imagens aéreas, está relacionado ao reflexo dominante postural dos seres humanos (colocar-se de pé) e aos esquemas do pensamento da distinção e identidade. O mito do herói faz parte desse primeiro esquema e, por isso, recorrentemente o regime esquizomórfico é tomado como sinônimo do regime heroico. No regime místico, o simbólico se relaciona à ação de confundir, misturar-se, o que diz respeito ao reflexo digestivo do organismo humano, que através do simbolismo da descida, leva à escuridão quente das tripas. Por último, o regime sintético evoca os simbolismos rítmicos, prevendo uma dialética entre antagonistas e a coincidência dos opostos, em que nenhum dos conteúdos precisaria eliminar o outro (como na lógica da distinção) ou misturar-se com o outro (como na lógica mística). Quatro anos depois, em 1964, publica A Imaginação Simbólica, livro no qual apresenta uma espécie de glossário da Teoria Geral do Imaginário, onde faz distinções entre os estudos do simbólicos e outras vertentes interessadas pelas imagens (como a semiótica, o estruturalismo e a psicanálise) que por vezes se utilizam dos mesmos termos, tais como mito, símbolo e signo. Em Figures Mythiques et Visages de l’œuvre (Figuras míticas e rostos da obra), publicado em 1979, apresenta a metodologia da Teoria Geral do Imaginário, que chama de mitodologia. O procedimento seria partido em dois momentos, o primeiro da mitocrítica e o segundo da mitanálise.


Glenda Gonçalves dos Reis Kozlowski nasceu no Rio de Janeiro, em 9 de julho de 1974. É filha de inglês com uma brasileira e herdou o sobrenome de origem polonesa de um avô. Foi casada, entre 2001 e 2008, com o ex-nadador Cassiano Leal, com quem tem um filho, Eduardo, nascido em 29 de setembro de 2005. De um relacionamento anterior teve Gabriel, nascido em 4 de janeiro de 1996. É uma repórter esportiva, narradora, apresentadora, empresária e ex-bodyboarder. Começou a vida no esporte na modalidade bodyboarding, conquistando cinco campeonatos nacionais e quatro campeonatos mundiais: 1987, este com apenas 13 anos de idade, 1989, 1990 e 1991, entrando para o grupo seleto de maiores campeãs da modalidade. No ano de 1991, participou do filme Os Trapalhões e a Árvore da Juventude. Apesar do sonho de se tornar uma atriz, acabou seguindo as pegadas do jornalismo como carreira de apresentadora. Pela indicação e por já ter passado a experiência estética pelo filme dos Trapalhões, em 1992, foi contratada pelo canal de TV esportivo Top Sport (hoje SporTV) para apresentar o programa 360 Graus que objetiva a questão da notícia “vista de todos os ângulos e de todos os pontos de vista”. Em 1996, foi contratada pela TV Globo. Apresentou o programa esportivo dominical Esporte Espetacular. Participou da cobertura da Jogos Olímpicos de Verão de 2000 em Sydney, dos Jogos Olímpicos de Verão de 2004 em Atenas, da Copa do Mundo FIFA de 2006 na Alemanha, dos Jogos Olímpicos de Verão de 2008 em Pequim e da Copa do Mundo FIFA de 2010 na África do Sul.               

Bodyboarding tem como representação social um esporte praticado na superfície das ondas do mar em que o surfista utiliza/emprega sua prancha bodyboard para “deslizar pela crista, face ou curva de uma onda em direção à areia”. A atividade desportiva também foi durante muito tempo reconhecida como “Morey boogie”, por referência ao inventor da prancha, o norte-americano Tom Morey (1935-2021). Uma prancha padrão de bodyboarding consiste numa peça curta e retangular de material sintético hidrodinâmico, contendo uma tira ligada ao centro chamada leash ou stringer. Os praticantes do bodyboarding (bodyboarders) geralmente usam “pés de pato para proporcionar uma propulsão adicional e controle da prancha”. O bodyboard é um desporto praticado no mar e utilidade de uso de trajes de Neoprene, um tecido encorpado, com gramatura mais pesada, excelente elasticidade e caimento, e com uma espessura suficientemente grossa, para o praticante não sentir frio. Os mais experientes passam na prancha, antes de cada utilização, um tipo específico de cera (em inglês wax), semelhante a plasticina quando em repouso está seca. Isto serve para criar atrito ou fricção entre a prancha e o traje encarnado no ser humano, de modo em que equipado totalmente não escorregue do bodyboarder. Um dos equipamentos com utilidade de uso para a atividade de autorrealização marítima e que auxiliam a prática do bodyboard é o “pé de pato”. Ele é bem versátil que lhe ajuda em esportes aquáticos, sendo que para cada utilidade de uso do sufista existem características mais ou menos específicas.

É realizado de um material resistente, mas flexível. E cada detalhe do modelo tem um motivo, como a hidrodinâmica, refere-se às variáveis que atuam sob os líquidos em movimento, tais quais velocidade, aceleração e força, flutuabilidade, com maior densidade, contém mais massa e, portanto, mais peso no mesmo volume. A força de empuxo, que é igual ao peso do fluido deslocado, é, maior que o peso do objeto. Da mesma forma, um objeto mais denso que o fluido afundará, além disso, conforto. No caso no bodyboard, além de ser um item importante de segurança para a atividade, o pé de pato vai auxiliar na propulsão para entrar na onda e impulsão do usuário. O uso do pé de pato transforma o bodyboard em uma atividade per se prazerosa. Quer dizer, o formato do pé de pato influencia na performance. Os pés de patos assimétricos podem sobrecarregar as articulações, enquanto os simétricos distribuem o fluxo de água por igual, evitando a sobrecarga. É uma característica importante que deve ser observada pelo usuário na hora da utilização do pé de pato, para evitar desconfortos na prática do esporte. Além disso, o tamanho das abas também influencia diretamente na propulsão e agilidade do usuário. Um pé de pato com abas mais largas e compridas proporciona maior propulsão, mas reduz a agilidade das pernas na hora das manobras radicais.

Outro aspecto socialmente que faz a diferença na hora de escolher o pé de pato para bodyboard é a rigidez do material utilizado na aba. Quanto mais rígido, maior será o impulso, mas, em contrapartida, maior é o esforço muscular nas batidas de perna. O ideal, nesse sentido, é encontrar um pé de pato que proporcione ao atleta a propulsão desejada, sem deixar o conforto de lado. O conforto é um ponto fundamental do ponto de vista ergonômico (cf. Iida; Buarque, 2021). Um pé de pato desconfortável pode gerar no usuário machucados, como ferimentos, bolhas e calos nos pés, além de dores articulares, e isso pode ser um fator realmente negativo e desanimador para qualquer praticante, principalmente, os iniciantes. O idealizado é encontrar um pé de pato com borracha super elástica e macia na região do foot pocket, isto é, a cavidade onde se aloja o pé, que garanta uma boa aderência, sem machucá-lo, “vestindo como uma luva”. O pé de pato não pode estar grande demasiadamente, pois, além de correr o risco de sair do pé, ele atrapalha na propulsão. Em contrapartida, o pé de pato pequeno ou apertado pode causar machucados, interferindo no conforto. Os pés tem que estar bem encaixado. Na prática do bodyboard é comum a entrada de areia no pé de pato. Fora o fluxo de água que ocorre por dentro durante a prática do surf. Melhor dizendo, um sistema eficiente de escoamento de água e detritos no pé de pato é importante para superior performance e conforto do corpo humano. É algo que deve ser cuidadosamente observado na escolha do dispositivo esportivo. É uma ideia que consiste em aplicar a lógica do esporte em outros domínios, como uma forma de gerenciamento para a vida.

Glenda Koslowski presentou o Globo Esporte de São Paulo entre os anos de 2002 a 2007. A partir de janeiro de 2008, esteve à frente da nova fase do Globo Esporte, inicialmente fazendo dupla com Tino Marcos, que saiu do programa em dezembro de 2008, e mais tarde como líder. Em 2010, foi selecionada para apresentar a nova temporada do reality-show Hipertensão, também da Rede Globo. Com o sucesso na apresentação do programa, Glenda foi convidada a retornar ao Esporte Espetacular e por isso deixou o Globo Esporte. Inicialmente comandou o EE ao lado de Luís Ernesto Lacombe e Luciana Ávila. Também teve como colegas de programa o ex-jogador de vôlei Tande e os jornalistas Alex Escobar e Ivan Moré. Em fevereiro de 2011, por conta de Mariana Ferrão apresentar o programa Bem Estar, Glenda apresentou uma temporada do Globo Mar. Em 2016 foi escalada para os Jogos Olímpicos de Verão no Rio de Janeiro, para narração da Ginástica Artística e Rítmica. Em 2018 narrou as Olimpíadas de Inverno das madrugadas ao vivo na Globo. No carnaval de 2009, 2010, 2011, 2012 e 2013, narrou os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, ao lado de Cléber Machado e Luís Roberto, substituindo a também jornalista Maria Beltrão. Tal experiência qualificou Glenda para “se tornar a primeira narradora esportiva da Globo”. Glenda também participava das transmissões do Grande Prêmio do Brasil dentro do Esporte Espetacular com reportagens sobre a corrida antes dos eventos da largada. Em maio de 2018, comandou o especial As Matrioskas, no qual acompanhada das mães de Gabriel Jesus (Vera), Neymar (Nadine) e Fernandinho (Ane), percorreram a Rússia as vésperas da Copa do Mundo FIFA de 2018.

Grande Prêmio do Brasil foi um evento de Fórmula 1 que aconteceu pela primeira vez em 1972 e fez parte do campeonato de Fórmula 1 entre 1973 e 2019. Foi realizado em todos os anos no Autódromo José Carlos Pace, mais reconhecido popularmente como Autódromo de Interlagos, com exceção dos anos de 1978 e de 1981 a 1989, em que as corridas foram disputadas no antigo Autódromo de Jacarepaguá na cidade do Rio de Janeiro (Autódromo Internacional Nelson Piquet). Após sua edição de 2020 a última sob contrato com a Fórmula 1 ser cancelada devido à pandemia global, o Brasil retornou ao calendário da Fórmula 1 em 2021, mas com o evento realizado em Interlagos passando a ser oficialmente designado de Grande Prêmio de São Paulo. Assim como os circuitos de Bacu, de Marina Bay, o Circuito das Américas e o de Yas Marina, o Grande Prêmio do Brasil era um dos poucos que esteve presente até recentemente no calendário da Fórmula 1 a ser disputado em sentido anti-horário. A última sede do Grande Prêmio do Brasil, o Autódromo José Carlos Pace recebeu inúmeras reformas, melhorias e adaptações ao longo dos seus 76 anos de história. As principais intervenções se deram nos anos de 1979, 1990 e 2000, por conta de adequações às normas de desenvolvimento do automobilismo mundial. Sendo assim, desde a sua inauguração, a extensão original da pista, de 7 960 metros, sofreu algumas alterações. Em 1979, passou a ter 7 873 metros. Em 1990, a reforma do circuito quando trouxe o Grande Prêmio de volta a São Paulo, reduzindo sua extensão da pista para 4 325 metros com uma diminuição de 3 548 metros. Em 2000, a pista foi adaptada para sua atual extensão de 4 309 metros. O Grande Prêmio Brasil foi palco da decisão de títulos nos anos de 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009.

É inegável que Glenda Kozlowski ostenta um sobrenome forte, porém difícil de se pronunciar. Pelo menos, no Grupo Globo, onde permaneceu por mais de 20 anos, a ex-apresentadora encontrou certas dificuldades para ter seu nome “aceito” por José Bonifácio de Oliveira, o Boni, um dos grandes nomes por trás da emissora carioca. Em entrevista ao podcast “Flow Sport Club”, Glenda contou que o ex-chefão da Globo pretendia mudar o seu nome de apresentação, uma vez que era uma espécie de trava-língua. - Meu sobrenome é polonês. Quando fui contratada pela Globo, eu já tinha sido atleta, mas o Boni quis mudar meu nome. “Como é? Vou contratar quem? Qual nome dessa garota? Você pode imaginar nosso apresentador do Jornal Nacional chamando Glenda Kozlowski? Ela não tem outro sobrenome?” - disse Glenda, que é tetracampeã mundial de bodyboard, se referindo às aspas de Boni. - E quando falaram para ele os meus outros sobrenomes, Gonçalves e Reis, ele não gostou. Tiveram que falar pra ele: “Boni, não tem como mudar o sobrenome dela. Ela foi atleta, as pessoas conhecem ela”. Ele aceitou, mas disse: “Por mim, eu mudaria esse nome”. Já pensou? Quase ganho um outro nome ou sobrenome, disse apresentadora da Band. Depois de deixar o Grupo Globo em 2019, a apresentadora assinou com o Sistema Brasileiro de Televisão para comandar o reality show “Uma vida, um sonho”. 

Antes mesmo de ir ao ar, a profissional entrou em acordo e rescindiu seu contrato. Em janeiro de 2019, foi anunciada como apresentadora no Tá na Área no canal fechado SporTV, após 22 anos na Rede Globo. Anunciou sua saída do Grupo Globo em outubro de 2019, após 23 anos. Em 6 de novembro de 2019 foi anunciada como nova contratada do SBT para apresentar o reality-show Uma Vida, Um Sonho, com previsão de estreia para 2020. O horário certo não foi definido, mas estava previsto para ir ao ar nas manhãs de domingo da emissora. No entanto, por causa de um desacordo financeiro com a emissora, Glenda anunciou a saída do SBT no dia 27 de junho de 2020, antes mesmo da estreia do reality. Em 10 de setembro de 2020, Glenda foi anunciada como nova contratada da Rede Bandeirantes. No dia seguinte foi anunciada como nova apresentadora do Show do Esporte. Em 2021 passou a apresentar um programa na rádio BandNews FM. Em 3 de julho de 2022, Glenda envolveu-se em situação polêmica após questionar contexto de comentários racistas feitos pelo ex-piloto Nelson Piquet. A repercussão nas redes sociais fora gigante, contudo, pouco tempo depois Glenda solta nota pedindo desculpas sobre seu posicionamento. Em outubro de 2023, migrou do jornalismo esportivo para a área do entretenimento. Passou a apresentar o programa Melhor da Noite, na Rede Bandeirantes, ao lado de Zeca Camargo substituído por Rodrigo Alvarez. Em 7 de fevereiro de 2025 deixaria o programa após discordar da mudança de horário devido à estreia da novela Beleza Fatal.

A famosa jornalista acaba aceitando o convite para retornar ao Show do Esporte, depois de ter recusado. Beleza Fatal é uma telenovela brasileira via streaming produzida pela plataforma HBO Max em parceria com a produtora Coração da Selva, com a primeira temporada lançada entre as datas de 27 de janeiro a 21 de março de 2025. É a primeira produção deste tipo voltada exclusivamente para a HBO Max.  É um serviço de streaming de vídeo por assinatura sob demanda norte-americano. É de propriedade da Warner Bros. Discovery (WBD), um dos principais conglomerados de mídia e de entretenimento global. A plataforma oferece conteúdo da Warner Bros., Discovery Channel, HBO, TNT, CNN, Cartoon Network, Adult Swim, Animal Planet, Eurosport e suas marcas relacionadas. Lançado pela primeira vez nos Estados Unidos em 27 de maio de 2020, o serviço também oferece programação original inédita sob o título de Max Originals”. O serviço foi planejado para suceder ao HBO Now, um serviço de “vídeo sob demanda” anterior da HBO; e HBO Go, a plataforma de streaming TV Everywhere para assinantes de televisão paga por assinatura da HBO. Nos Estados Unidos, os assinantes do HBO Now e os assinantes de televisão paga da HBO foram “migrados” para o HBO Max sem custo adicional. E substituiu o serviço de streaming DC Universe da DC Entertainment, com suas séries originais sendo “migradas” para o HBO Max como Max Originals.

O serviço se expandiu para exterior e chegou na América Latina que inclui o Brasil e no Caribe no dia 29 de junho de 2021, substituindo o HBO Go. Em Andorra, Espanha e países nórdicos (excluindo Islândia) foi lançado em 26 de outubro de 2021, enquanto em Portugal chegou no dia 8 de março de 2022, assim como em alguns outros territórios europeus da Europa Central e Oriental. Em outros países, os programas originais HBO e HBO Max foram licenciados para redes de terceiros e serviços de streaming sob acordos de longo prazo. Nesses casos, a HBO Max na época deixou para cada detentor de direitos decidir se ofereceria sua programação em serviços OTT. A extensão e a duração dos negócios variam de acordo com o país. De acordo com a AT&T, HBO e HBO Max tinham um total combinado de 69,4 milhões de assinantes pagantes globalmente em 30 de junho de 2021, incluindo 43,5 milhões de assinantes do HBO Max nos EUA, 3,5 milhões de assinantes apenas do HBO nos EUA principalmente clientes comerciais, como hotéis e 20,5 milhões de assinantes do HBO Max ou da própria HBO em outros países. No final de 2021, a HBO e a HBO Max mantinham um total combinado de 73,8 milhões de assinantes globais pagantes. No final do primeiro trimestre de 2022, a HBO e a HBO Max mantinham 76,8 milhões de assinantes globais. Desde a fusão em abril de 2022 da WarnerMedia com a Discovery, Inc. para formar a Warner Bros. Discovery, o HBO Max era um dos principais serviços de streaming da empresa combinada, o outro o Discovery+, principalmente na programação factual das marcas Discovery.  

A WBD anunciou inicialmente planos para a fusão do HBO Max e do Discovery+ em 2023, mas a empresa acabou optando por manter o Discovery+ de forma separada. A WBD substituiu o HBO Max por um serviço recém-renomeado que foi lançado primeiro nos Estados Unidos em 23 de maio de 2023, encurtando o nome do serviço para “Max”, apresentando uma interface de usuário redesenhada e adicionando mais conteúdo Discovery entre outras novas séries e filmes. Porém, em 14 de maio de 2025, a Warner Bros. Discovery voltou atrás em sua decisão de qual nome seria melhor para o serviço, e anunciou o retorno do nome antigo: Max para HBO Max; a mudança ocorreu em 9 de julho de 2025 e foi oficializada com um novo logotipo. No dia 6 de dezembro de 2025 foi anunciado pela própria Netflix e pela Warner Bros. Discovery a compra dos estúdios e divisão de estúdios Warner Bros. (inclui os estúdios da DC), a plataforma de streaming HBO Max e o canal premium HBO. Os canais de TV da empresa seriam divididos numa nova empresa publicamente listada sob a denominação Discovery Global. Porém, a Paramount Skydance lançou, três dias depois, uma oferta hostil de aquisição pela totalidade da WBD, com um valor empresarial de US$ 108,4 bilhões, resultando na compra da WBD. Com essa aquisição, o CEO da Paramount, David Ellison, revelou que a HBO Max e o Paramount+ seriam fundidos em uma única plataforma, futuramente.

Criada e escrita por Raphael Montes, com colaboração de Mariana Torres, Victor Atherino, Rafael Souza-Ribeiro e Luiza Yabrudi. A direção geral foi realizada por Maria de Medicis. Conta com Camila Pitanga, Camila Queiroz, Giovanna Antonelli, Caio Blat, Marcelo Serrado, Herson Capri, Murilo Rosa e Augusto Madeira nos papéis principais. Formada na tradicional Casa das Artes de Laranjeiras (CAL), é um centro de treinamento de mão-de-obra artística para diversos setores das artes cênicas localizada na cidade do Rio de Janeiro. O descontraído bairro das Laranjeiras é conhecido pelos elegantes edifícios antigos como o Palácio Guanabara, o capitólio estadual e o Palácio Laranjeiras, a residência do governador no exuberante Parque Guinle. A área também tem praças encantadoras como a Praça São Salvador, rodeada de bares modernos e com um popular mercado de artesanato ao domingo, com música choro ao vivo. Padarias tradicionais e interessantes boutiques de moda ladeiam as ruas frondosas do bairro. A CAL fundada em  1982, por Eric Nielsen e Gustavo Ariani, com a colaboração de um grupo de artistas de teatro - entre eles, Sérgio Britto, Glorinha Beuttenmüller e Aderbal Freire-Filho sob a coordenação de Yan Michalski. Desde então, a escola continua fiel à sua filosofia de trabalho, estando atualmente sob a coordenação de Hermes Frederico. Na área de teatro para crianças e adolescentes, a coordenação está a cargo de Alice Reis.

O curso de formação profissional do ator, inicia-se com o aluno na etapa preliminar, que dura um semestre, após essa etapa o aluno passa por um teste escrito, e por uma banca. Se aprovado, ele passa para a etapa regular do curso. A etapa regular tem quatro semestres, mais uma montagem no final. Algumas das disciplinas oferecidas no curso: interpretação; interpretação realista; improviso; corpo e movimento; técnica vocal; técnica musical-canto; história da arte; história do teatro mundial. No ano de 2012, a Casa das Artes de Laranjeiras deu início ao curso de Bacharelado em Teatro (ênfase na formação de ator) em sua nova sede no bairro da Glória, na cidade do Rio de Janeiro. Maria de Médicis estreou sua carreira no teatro, foi da produção à direção audiovisual e tem mais de 25 anos de carreira na TV. No Grupo Globo, esteve à frente de novelas como “Segundo Sol”, “Rock Story”, “Sangue Bom”, “JK”, “Cheias de Charme”, “Babilônia” e “Geração Brasil”. Na estreia Diretora no Especial de Natal “Juntos a Magia Acontece”, ganhou o Prêmio Leão de Ouro de Melhor Entretenimento no Festival de Cannes 2021. Em seguida dirige a série da Netflix “De Volta aos 15” em sua 2ª temporada.  Laranjeiras é um bairro tradicional de classe média alta da Zona Sul do município do Rio de Janeiro, capital do estado homônimo. É celebrado por ser um dos pontos mais descontraídos e charmosos da Cidade Maravilhosa e conhecido por seus elegantes prédios antigos, como o Palácio Guanabara e o Palácio das Laranjeiras, este situado no Parque Guinle.            

Apelido surgido no início do século XX se popularizou quando virou marchinha gravada por Aurora Miranda, irmã de Carmen. Seu conjunto de belas praias, sua vida boêmia e as diversas paisagens paradisíacas são alguns dos motivos que podem nos levar a pensar o que torna o Rio de Janeiro a “Cidade Maravilhosa”. Completando 456 anos nesta segunda, a capital fluminense é dona do invejável título, consagrado pela clássica marchinha de carnaval já interpretada por grandes nomes, como Caetano Veloso e Carmem Miranda. Mas ao contrário do que se pode pensar, a origem da expressão não é tão clara. Três histórias podem explicar o surgimento do título. Fernando Krieger, curador do Instituto Moreira Salles, sugere duas hipóteses em um artigo publicado no site do IMS. A primeira traça a origem em um texto do escritor maranhense Coelho Neto, publicado em 29 de novembro de 1908, no jornal A Notícia. Em “Os Sertanejos”, Coelho Neto usa a expressão que se tornaria título de um livro lançado 20 anos depois. A obra reunia um conjunto de crônicas sobre a cidade, descrita como “Cidade Maravilhosa! Cidade sonho, cidade do amor”. O texto faz alusões ao Rio de Janeiro, com descrições que lembram a cidade, e o protagonista de um dos contos é carioca. Mas há quem defenda que o cenário do livro na verdade trata-se de uma cidade fictícia. - Em texto publicado em “O Jornal” de julho de 1964 e transcrito no livro “Figuras e coisas da Música Popular Brasileira”, ambos de Jota Efegê, e cita que o filho de Coelho Neto (Paulo Coelho Neto), reclamava para seu pai a autoria da expressão, utilizada por ele em artigo publicado em 1908.    Mas não posso afirmar, comenta Krieger. Ele reforça que os textos da época tratam a expressão como “consagrada por Coelho Neto”, logo, o autor pode ser o nome por trás da popularização, mas não é possível o defini-lo com certeza como seu criador.  

 Krieger considera uma segunda hipótese para a origem da expressão. A escritora francesa Jane Catulle-Mendès lançou em 1913 o livro de poemas “La ville merveileuse”. A coletânea tem como escopo o Rio de Janeiro, visitado pela autora em 1911, os textos enaltecem suas paisagens naturais e as belezas de uma cidade pós reformas promovidas por Pereira Passos. A hipótese mais antiga nos leva a 1904, no jornal O Paiz. Em uma edição do periódico, publicada em fevereiro daquele ano, durante o carnaval, foram publicados versos em tom de crítica às carrocinhas, frequentes na época. O texto termina dizendo: “Terra sempre em polvorosa/Bem igual no mundo inteiro, /Cidade Maravilhosa! / Salve, Rio de Janeiro”. Esse teria sido o pontapé inicial para que jornalistas passassem a abraçar o termo, que logo mais se tornou parte do vocabulário brasileiro. Krieger destaca que a popularização da marchinha que enaltece a cidade foi uma das peças chaves para que a expressão se mantivesse viva. — Quando uma música cai no gosto popular, é mais fácil ela se tornar conhecida e se eternizar. Essa marcha parece pertencer àquela categoria de músicas que nós já “sabemos” antes mesmo de nascer. É possível que muitos pensem que a expressão “Cidade maravilhosa” surgiu por causa dela. A música foi escrita por Antônio André de Sá Filho, em 1934, um jovem compositor que já havia trabalho com diversos grandes artistas de seu tempo. Inspirado pela beleza da cidade, abraçada por um Cristo Redentor recém construído, ele compôs a marcha com os versos “Cidade maravilhosa, cheias de encantos mil / Cidade maravilhosa, coração do meu Brasil”.

A cantora Aurora Miranda (irmã de Carmen) foi convidada para se juntar ao processo de dar voz à sua criação. Juntos, lançaram a música pela gravadora Odeon. No ano seguinte, a cantora se apresentou no concurso de músicas de Carnaval da Prefeitura do Rio, que aconteceu em 10 de fevereiro de 1935, ficando em segundo lugar na competição. Apesar do resultado, a marchinha foi abraçada pelo público e ganhou espaço nos bailes de carnaval. Com o enorme sucesso, na década de 1960 foi adotada como o hino oficial da cidade, mas foi reconhecida pela Prefeitura Municipal mais de 40 anos depois, através da Lei 3.611 de 12 de agosto de 2003. O imaginário urbano, em segundo lugar, são as coisas que o soletram. Elas se impõem. Estão lá, fechadas em si mesmas, forças mudas. Elas têm caráter. Ou melhor, são “caracteres” no teatro urbano. Personagens secretos. As docas do Sena, monstros paleolíticos encalhados nas margens. O canal San-Martin, brumosa citação de paisagem nórdica. As casas abandonadas (em 1928) da Rue Vercingétorix ou da Rue de l`Quest, exemplarmente onde fervilham os sobreviventes de uma terrível catástrofe urbana. Por subtrair-se à lei do presente, esses objetos abstratos inanimados adquirem autonomia. São autores, heróis de legenda. Organizam em torno de si o romance da cidade. A proa aguda de uma casa de esquina, um teto provido de janelas como uma catedral gótica, a elegância de um poço na sombra de um pátio remelento: esses personagens levam sua vida própria.

Assim o papel misterioso que as sociedades tradicionais atribuíam à velhice, que vem de regiões que ultrapassam o saber. Eles são testemunhas de uma história que, ao contrário daquelas dos museus ou dos livros, já não têm mais linguagem. E, de fato, eles têm uma função que consiste em abrir uma profundidade no presente, mas sem o conteúdo que provê de sentido a estranheza do passado. Suas histórias deixam de ser pedagógicas; não mais “pacificadas” nem colonizadas por semântica. Como entregues à sua existência, selvagens, delinquentes. Esses objetos de pensamento, razoáveis, provenientes de passados indecifráveis são para nós o equivalente que eram alguns deuses da Antiguidade, os “espíritos” do lugar. Como seus ancestrais divinos, eles têm papéis de atores na cidade não por causa do que fazem ou do que dizem, mas porque sua estranheza é muda e sua existência subtraída de atualidade. Para o que nos interessa, seu retiro faz falar – gera relatos, etnografias – e permite agir – “autoriza”, por sua ambiguidade, espaços de operações. Esses objetos inanimados ocupam aliás, hoje, na pintura, o lugar dos antigos deuses: uma igreja ou uma casa, nos quadros de Van Gogh; uma praça, uma rua ou uma fábrica nos de Chirico. O pintor consegue “ver” esses poderes locais.

Ele apenas antecipa, mais uma vez, um reconhecimento público. Para reabilitar uma antiga fábrica de concreto, o prefeito de Tours, M. Royer, e M. Claude Mollard, do ministério da Cultura, honram um “espírito” de lugar, como Lina Bo Bardi o faz em São Paulo em relação à Fábrica da Pompeia (que se tornou centro de Lazer), ou muitos outros “ministros” desses cultos locais, com uma arquitetura, radiante, otimista e generosa.  A conveniência é, grosso modo, comparável ao sistema de “caixinha” (ou “vaquinha”): representa, pois, no nível dos comportamentos, um compromisso pelo qual cada pessoa, renunciando à anarquia das pulsões individuais, contribui com sua cota para a vida coletiva, com o fito de retirar daí benefícios simbólicos necessariamente protelados. Por esse “preço a pagar”, o que diz respeito a saber “comportar-se”, ser “conveniente”, o usuário se torna um parceiro de um contrato social que ele se obriga a respeitar para que seja possível a fluidez na vida cotidiana. Isto é, “possível” deve ser entendido no sentido mais trivial do termo: não se tornar “a vida impossível” por ruptura abusiva do contrato sobre o qual se fundamenta a coexistência do bairro.

A contrapartida desse tipo de imposição é para o usuário a certeza de ser reconhecido, “considerado” por seus pares, e fundar assim em benefício próprio, sociologicamente, “uma relação de forças nas diversas trajetórias que percorre”. Pode-se então compreender melhor o conceito de “prática cultural”: esta é a combinação mais ou menos corrente, mais ou menos fluida, de elementos cotidianos concretos (menu gastronômico) ou aparatos ideológicos (tanto religiosos, como políticos), ao mesmo tempo passados por uma tradição e realizados dia a dia através dos comportamentos que traduzem em uma “visibilidade social” fragmentos desse dispositivo cultural, da mesma maneira que a enunciação traduz na palavra fragmentos do discurso, por assim dizer, amoroso. Enfim, o bairro é, quase sempre, por definição, um domínio do ambiente social, pois ele constitui para o usuário uma parcela reconhecida do espaço urbano na qual, positiva ou negativamente, ele se sente reconhecido. Pode-se, portanto, apreender o bairro como esta porção do espaço público em geral (anônimo, de todo o mundo) em que se insinua pouco a pouco um espaço privado particularizado pelo fato do uso quase cotidiano desse espaço. A fixidez do habitat dos usuários, o costume recíproco do fato da vizinhança, os processos de reconhecimento e de identificação que se estabelecem graças à proximidade, graças à coexistência concreta em um mesmo território urbano, todos esses elementos “práticos” se nos oferecem como imensos campos de exploração em vista de compreender um pouco melhor esta grande desconhecida que é a vida cotidiana.

Quando nos colocamos diante de nós a pergunta: o que é um bairro? A resposta objetiva de síntese é respondida pela pena de Henri Lefebvre (1901-1991), para o qual “o bairro é uma porta de entrada e de saída entre espaços qualificados e o espaço quantificado”. O bairro surge como o domínio onde a relação espaço/tempo é a mais favorável para um usuário que deseja realizar o processo cotidiano de deslocar-se por ele a pé saindo de sua casa. Ipso facto, é o pedaço de cidade atravessado por um limite distinguindo o espaço privado do espaço público: é o que resulta de uma caminhada, da sucessão de passos numa calçada, pouco a pouco significada pelo seu vínculo orgânico com a residência. No prolongamento dos esquemas explicativos, arquétipos e simples símbolos modernos podem-se considerar o mito. Lembramos, todavia, que não estamos tomando este termo na concepção restrita que lhe dão os etnólogos, que fazem dele apenas o reverso representativo de um ato ritual. Entendemos por mito, “um sistema dinâmico de símbolos, arquétipos e esquemas, sistema dinâmico que, sob o impulso de um esquema, tende a compor-se na narrativa”. O mito é já um esboço de racionalização, dado que utiliza o fio do discurso, no qual os símbolos se resolvem em palavras e os arquétipos em ideias. O mito explicita um esquema ou um grupo de esquemas.

Do mesmo modo que o arquétipo promovia a ideia e que o símbolo engendrava o nome, podemos dizer que o mito promove a doutrina religiosa, o sistema filosófico ou, como bem observou Bréhier, a narrativa histórica e lendária. O método de convergência evidencia o mesmo isomorfismo na constelação e no mito. Enfim, para sermos breves, este isomorfismo dos esquemas, arquétipos e símbolos no seio dos sistemas míticos ou de constelações estáticas pode levar-nos a verificar a existência normativa das representações imaginárias, bem definidos e relativamente estáveis, agrupados em torno dos esquemas originais e a literatura refere-se como estruturas. A atividade dialética surge esboçada em princípio como atividade e a partir da análise da noção de “corpúsculo”. Tendo como certo que o filósofo deve tentar compreender a novidade da linguagem e ao mesmo tempo aprender a formar noções e conceitos novos para resistir aos conhecimentos comuns e à memória cultural, Bachelard, tentando precisar a noção de “corpúsculo”, rememora uma sequência de teses: o corpúsculo não é um pequeno corpo. Não é fragmento de substância. O corpúsculo não tem dimensões absolutas definidas. Só existe nos limites do espaço em que atua.  Correlativamente, se o corpúsculo não tem dimensões definidas, não tem, portanto, forma reconhecida. Melhor dizendo, o elemento não tem geometria.  

E não se lhe pode atribuir um lugar muito preciso em virtude do princípio da indeterminação na Física de Werner Heisenberg (1927), a sua localização é submetida a tais restrições que a função de existência situada não tem mais valor absoluto. Em várias circunstâncias, a microfísica põe como um verdadeiro princípio a perda da individualidade do corpúsculo. Enfim, uma última tese que contradiz o axioma fundamental do chamado atomismo filosófico. Complementarmente com as suas reflexões acerca da imaginação criadora e da poética, Bachelard infere que os corpúsculos, não sendo dados dos sentidos, “nem de perto nem de longe”, também não são dados escondidos. No entanto, apenas é possível conhecê-los, descobrindo-os, ou melhor, inventando-os, porque eles são a prova de que algo está no limite da invenção e da descoberta. Admirável é, então, a referência que Bachelard faz à noção de intuição trabalhada. Em Études, no ensaio “Idealismo discursivo” ele sublinha que tem alguma confiança e garantia na intuição para descrever positivamente o seu ser íntimo. Diz mesmo que o fato de exercermos uma preparação discursiva in statu nascendi dá à intuição uma nova Jeunesse. De maneira que aconselha a fecharmos os olhos como uma forma de nos prepararmos para termos uma visão do nosso ser. A intuição será a via refletida de renunciar aos acidentes na história e significa um recurso metafísico de compreensão “de si”. Interessa, então, a intuição trabalhada e não a intuição imediata, a intuição que permite uma espécie de “repouso”, mesmo sabendo que na ciência, esse “repouso” na intuição pode ser “quebrado” por uma nova necessidade de rigor metafísico e pela necessidade de encadear mais forte as teorias sociais.

Esta valorização da intuição intelectual em detrimento da intuição sensível torna-se nítida quando o realismo das primeiras intuições deve pôr-se entre parêntesis, uma vez que a apreensão do real científico não se satisfaz com imagens primeiras. As imagens cotidianamente podem ser então, “boas” e “más”, indispensáveis e perigosas, dependendo da moderação no seu uso e da instância da redução em que as imagens devem permanecer quando as queremos usar para descrever um mundo que não se vê, ou fenômenos que não aparecem. Na ciência é preciso ir das imagens às ideias e este caminho é propriamente dito de análise, de discussão e de ordenação. Com certeza, também de polêmica, uma razão polêmica pode pensar-se como uma razão que tanto sabe afirmar, em reação às negações oficiais antecedentes, como negar afirmações anteriores a partir dos valores da verificação e da descoberta; uma razão polêmica crítica e introduz “nãos” que passam a desempenhar um papel pedagógico decisivo na produção de conhecimento por darem a compreender que na interpretação toda a afirmação não é sinônimo de conhecimento e que aquilo que é dado como verdadeiro aparece, muitas vezes, sob um fundo de erros e de ignorâncias tomadas como antecedentes. O espírito, exigindo aproximações sucessivas da experiência deve afastar-se daquelas teses cartesianas da razão.  O novo espírito sabe-se que todo o problema da intuição se encontra subvertido, trabalhado. Para lembrarmos de Michel de Certeau, sabemos que a reflexão teórica não escolhe manter as práticas à distância de seu lugar, de que tenha de sair para analisá-las, mas basta-lhe invertê-las para se encontrar em casa. Ela repete o corte que efetua. Este lhe é imposto pela história.      

A região também é reconhecida por suas charmosas e boêmias praças, como a Praça São Salvador, cercada por bares descolados, e a Praça do Choro, na Rua General Glicério, coração de uma famosa feira popular; em ambas, há anos, tradicionais apresentações de choro encantam moradores e visitantes semanalmente. É também reconhecido como o bairro onde se situa a sede do Fluminense Football Club, um dos quatro grandes clubes de futebol; daí vem a alcunha “Tricolor das Laranjeiras”, frequentemente associada ao clube em questão. -“[E]m um documento de 1780, apareceu o nome Laranjeiras pela primeira vez em referência à região que ficava no interior do vale, e que passou a se distinguir das áreas da Glória e do Catete, também na bacia do rio Carioca, no entanto, mais próximas da baía”. Ao contrário do que se pode intuir, o nome do bairro não se deve à suposta existência de laranjais no local. A montanhosa região do atual bairro, coberta em toda sua extensão por extensas chácaras, lembrava a também acidentada região de Laranjeiras na região alta de Lisboa, o que levou à nomeação do bairro carioca. Laranjeiras, em virtude de sua localização, é um dos bairros mais antigos da cidade do Rio de Janeiro. Na análise da Brasiliana Iconográfica, “a região era, na época da chegada dos portugueses, habitada pelos Tamoios, depois foi encontrada pelos franceses, até ser tomada pelos portugueses ainda no século XVI”. O acesso às águas puras do rio Carioca foi um dos grandes atrativos para a mobilização rumo à região. A ocupação formal aconteceu com a divisão da área em sesmarias entre aqueles que lutaram para expulsar os franceses. As terras foram divididas e doadas a Cristóvão Monteiro, primeiro ouvidor do Rio de Janeiro, que logo construiu uma torre e um moinho.

Bibliografia Geral Consultada.

DURAND, Gilbert, A Imaginação Simbólica. Lisboa: Edições 70, 1993; Idem, A Fé do Sapateiro. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1995; Idem, As Estruturas Antropológicas do Imaginário. Introdução à Arquetipologia Geral. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1997; BECHERIE, Paul, Genesis de los Conceptos Freudianos. Buenos Aires: Ediciones Paidós, 1998; PITTA, Danielle Perin Rocha, Iniciação à Teoria do Imaginário de Gilbert Durand. Rio de Janeiro: Atlântica Editora, 2005; PONTE, Cristina, Para Entender as Notícias: Linhas de Análise do Discurso Jornalístico. Florianópolis: Editora Insular, 2005; FAULKNER, Neil, “Gordon Childe and Marxist Archaeology”. Disponível em: http://isj.org.uk/28/09/2007; UNZELTE, Celso, Jornalismo Esportivo: Relatos de Uma Paixão. São Paulo: Editora Saraiva, 2009; COELHO, Paulo Vinicius, Jornalismo Esportivo. 3ª edição. São Paulo: Editora Contexto, 2009; BUARQUE DE HOLLANDA, Bernardo Borges; MELO, Victor Andrade de, O Esporte na Imprensa e a Imprensa Esportiva no Brasil. Rio de Janeiro: Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro; Editora 7 Letras, 2012; BARBEIRO, Heródoto; RANGEL, Patrícia, Manual do Jornalismo Esportivo. São Paulo: Editora Contexto, 2013; GOMES, Marilise, “Glenda Kozlowski Comemora ser 1ª Narradora da Globo: Me Senti Abraçada”. In: Purepeople, 22 de julho de 2016; FIRMINO, Carolina Bortoleto, Gênero e Posicionamento no Esporte: A Noticiabilidade no Jornalismo Esportivo Feminista do Dibradoras. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Comunicação. Bauru: Universidade Estadual Paulista, 2021; LIMA, Luciellen Souza, A Experiência do Usuário com Conteúdos de Jornalismo Audiovisual em 360° e a Centralidade da Sensação de Presença. Tese de Doutorado. Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas. Faculdade de Comunicação. Salvador: Universidade Federal da Bahia, 2022; SOUSA, Cíntia Aparecida de, Representações da Mulher Esportista Brasileira sob a Ótica da Análise de Discurso Crítica: O Jornalismo Esportivo sobre Elas, Feito por Elas e Comentado por Elas. Tese de Doutorado. Programa de Pós-graduação em Estudos Linguísticos. Uberlândia: Universidade Federal de Uberlândia, 2025; Artigo: “Glenda Koslowski Mediará Encontro Histórico entre Hortência e Magic Paula no Fórum Nacional de Formação Esportiva”. In: https://surtoolimpico.com.br/19/03/2026; entre outros.