“Morre-se mais de indignação do que de fome nos Estados Unidos”. John Kenneth Galbraith
O filme 12 Homens e Uma Sentença
tem como representação social um julgamento norte-americano de 1957, do gênero
drama, dirigido por Sidney Lumet, com roteiro de Reginald Rose, baseado em seu
especial de TV. No cinema e na televisão, drama é uma categoria social de
ficção narrativa que pretende ser mais séria do que humorística. Drama deste
tipo é geralmente qualificado com termos adicionais que especificam seu supergênero,
macrogênero ou microgênero particular, como novela (drama operístico), drama
policial, drama político, drama jurídico, drama histórico, drama doméstico,
drama adolescente e comédia dramática (dramédia). Esses termos tendem a indicar
um determinado cenário ou assunto, ou então qualificam o tom sério de um drama
com elementos que encorajam uma gama mais ampla de estados de espírito. Todas
as formas de cinema ou televisão que envolvem histórias de ficção são formas de
drama no sentido mais amplo se sua narrativa for realizada por meio de atores
que representam (mimese) personagens. Nesse sentido mais amplo, o drama é um
modo distinto de romances, contos e poesia narrativa ou canções. Na chamada Era
Moderna, antes do nascimento do cinema ou da televisão, o drama dentro do
teatro era um tipo de dramaturgia de peça que não era nem comédia nem tragédia. É esse sentido
mais restrito que as indústrias do cinema e da televisão, juntamente com os
estudos cinematográficos, adotaram. Ipso facto, “drama de rádio” é usado
em ambos os sentidos - originalmente transmitido em uma performance ao vivo,
mas também foi usado para descrever o fim mais sofisticado e sério da produção
dramática do rádio.
Sidney Arthur Lumet (1924-2011) foi um diretor de cinema americano. Lumet começou sua carreira no teatro antes de passar a dirigir para a televisão em 1950 e, em seguida, para o cinema a partir de 1957, onde ganhou reputação por fazer dramas realistas e crus sobre Nova York, que se concentravam na classe trabalhadora, abordavam injustiças sociais e frequentemente questionavam a autoridade. Ele recebeu vários prêmios, incluindo um Oscar Honorário e um Globo de Ouro, bem como indicações para nove prêmios BAFTA e um Primetime Emmy Award. Ele foi indicado cinco vezes ao Oscar: quatro vezes como Melhor Diretor pelo drama jurídico 12 Homens e uma Sentença (1957), pelo drama policial Um Dia de Cão (1975), pelo drama satírico Rede de Intrigas (1976) e pelo thriller jurídico O Veredito (1982), e ganhou o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado por Príncipe da Cidade (1981). Outros filmes incluem A View from the Bridge (1962), Long Day`s Journey into Night (1962), The Pawnbroker (1964), Fail Safe (1964), The Hill (1965), Serpico (1973), Assassinato no Expresso do Oriente (1974), Equus (1977), The Wiz (1978), The Morning After (1986), Running on Empty (1988) e Before the Devil Knows You`re Dead (2007). Ele recebeu o Oscar Honorário em 2004. Membro da turma inaugural do Actors Studio de Nova York, Lumet começou a atuar em peças Off-Broadway e fez sua estreia na Broadway em 1935 na peça Dead End. Ele dirigiu as peças da Broadway Night of the Auk (1956), Caligula (1960) e Nowhere to Go but Up (1962). É reconhecido por seu trabalho na televisão. Ele recebeu uma indicação ao Primetime Emmy Award de Melhor Direção em Série Dramática por NBC Sunday Showcase (1961). E dirigiu para Goodyear Television Playhouse, Kraft Television Theatre e Playhouse 90. Lumet nasceu na Filadélfia e cresceu no Lower East Side de Manhattan.
Ele estudou atuação teatral na Professional Children`s School de Nova York e na Universidade Columbia. Os pais de Lumet, Baruch e Eugenia (nascida Wermus) Lumet, eram judeus e veteranos do teatro iídiche; eles imigraram da Polônia para os Estados Unidos. Seu pai, ator, diretor, produtor e escritor, nasceu em Varsóvia. A mãe de Lumet, que era dançarina, morreu quando ele era criança. Ele tinha uma irmã mais velha. Lumet fez sua estreia profissional no rádio aos quatro anos e sua estreia no palco no Teatro de Arte Iídiche aos cinco anos. Quando criança, ele também apareceu encenando em muitas produções da Broadway, incluindo Dead End, de 1935, e The Eternal Road, de Kurt Weill. Em 1935, aos 11 anos, Lumet apareceu no curta-metragem de Henry Lynn, Papirossen que significa “cigarros” em iídiche, coproduzido pela estrela do rádio Herman Yablokoff (1903-1981). O filme foi exibido em uma peça teatral com o mesmo título, baseada na canção “Papirosn”. A peça e o curta-metragem foram apresentados no McKinley Square Theatre, no Bronx. Em 1939, aos 15 anos, ele fez sua única participação em um longa-metragem em ...One Third of a Nation. A Segunda Guerra Mundial interrompeu o início da carreira de ator de Lumet, e ele passou quatro anos no Exército dos EUA. Após retornar do serviço como técnico de radar estacionado na Índia e na Birmânia (1942–1946), ele se envolveu com o Actors Studio e, em seguida, formou sua própria oficina de teatro. Ele organizou um grupo Off-Broadway e se tornou seu diretor, e continuou dirigindo em peças de teatro de verão enquanto lecionava atuação na High School of Performing Arts. Ele era o principal professor de teatro no novo prédio da “Performing Arts” na Rua 46. Lumet, aos 25 anos, dirigiu o departamento de teatro em uma produção de The Young and Fair.
John Kenneth Galbraith
(1908-2006) foi um consagrado economista, filósofo, cientista político e
escritor norte-americano. Politicamente alinhado ao liberalismo americano, ou
seja, representando a esquerda daquele país, e crítico do pensamento econômico
conservador, Galbraith foi autor de alguns dos best-sellers de economia
e sociologia mais vendidos e lidos da Era Moderna, tais como o seu O Grande
Crash de 1929, A Sociedade Afluente, O Novo Estado Industrial,
Capitalismo Americano: O Conceito do Poder Compensatório, A Anatomia
do Poder e Economia, Paz e Humor, nos quais direciona críticas analíticas
intensas a seus pares economistas pelo excesso de matematização e a desconexão
da realidade concreta, oferece uma análise crítica da economia de mercado sem
regulação estatal. Galbraith foi um Democrata bastante ativo,
participando, como conselheiro, dos governos de John Kennedy, Lyndon Johnson e
Bill Clinton e vice-presidente da Comissão de Preços do governo de Franklin
Roosevelt. As escolas keynesiana e institucionalista são duas tradições econômicas
que mais influência exerceram sobre Galbraith, embora ele costumasse conceder
importância a conservadores como o escocês Adam Smith e a comunistas como o
filósofo alemão Karl Marx, pela sua relevância histórica. Galbraith também foi
presidente da American Economic Association (1972), a principal
agremiação de economistas nos Estados Unidos. O economista e
cientista político morreu aos 97 anos, em 2006, ano em que faleceu Milton
Friedman (1912-2006), um de seus mais reconhecidos adversários.
Galbraith foi cético
perante as extravagâncias da “teoria econômica quando não justificadas pelos
dados empíricos”. Por exemplo, no seu livro intitulado “In The New Industrial
State” (1967), afirmava que muito poucas indústrias nos Estados Unidos
enquadram-se no modelo da concorrência perfeita. Keynes, por sua vez, sempre
disse que a economia devia ser somente um meio para criar as condições nas
quais a maioria dos homens pudesse dedicar seu tempo para a cultura e para as
artes. Detestava os “rentistas ociosos”, que, segundo sua visão, deveriam
abandonar seus palácios com seu exército de serventes e se dedicar ao trabalho
produtivo. E que “o problema político da humanidade é combinar três coisas: a
eficiência econômica, a justiça social e a liberdade individual”. Por isso é
que segundo Paul Samuelson (1915-2009), economista neokeynesiano, Keynes
transformou a economia de “uma ciência triste para uma ciência alegre”. A visão
social humanista desses economistas não foi casual ou apenas uma outra
interpretação da economia capitalista, entre tantas já existentes. Galbraith
além de economista por formação era um bom escritor e um erudito filósofo. E a
visão que tinha de certos setores da economia capitalista era revelada num de
seus aforismos preferidos: “A maneira como os bancos ganham dinheiro é tão
simples que é repugnante”. Quanto a Keynes, ele pode ser incluído entre
filósofos políticos e um raro economista interessado nas artes. Foi decisiva
sua adesão ao famoso grupo Bloomsbury, onde transitavam Virginia Woolf,
Roger Fry, pintor expressionista, Clive Bell, crítico de arte e outros
intelectuais.
Grupo de Bloomsbury, Círculo de Bloomsbury ou apenas Bloomsbury, como seus participantes geralmente se autodenominavam, representou um grupo de artistas e intelectuais britânicos que existiu entre 1905 e o fim da II Guerra Mundial (1945). Dentre seus membros mais reconhecidos estão Virginia Woolf, John Maynard Keynes, E. M. Forster e Lytton Strachey. Essa coletividade de amigos e parentes moraram, trabalharam ou estudaram juntos em Bloomsbury, Londres, durante a primeira metade do século XX. De acordo com Ian Ousby, “apesar de seus membros negarem formar um grupo ou qualquer associação formal, eles permaneceram unidos na crença da importância das artes”. Suas obras e perspectivas influenciaram profundamente a literatura, estética, criticismo e economia bem como posturas modernas em relação ao feminismo, pacifismo e sexualidade. Pensador de rara compreensão, foi assessor econômico do presidente John Kennedy e publicou diversos livros, entre os quais The Affluent Society (A Sociedade Opulenta), no ano de 1958, em que critica a política econômica dos Estados Unidos. Aposentado como professor universitário em 1957, publicou em 1981 a autobiografia A Life in Our Times: Memoirs (Uma Vida em Nosso Tempo). Galbraith era filho de canadenses de ascendência escocesa, William Archibald Galbraith e Sarah Catherine Kendall. Nasceu em Iona Station, Ontário, e cresceu em Dutton, Ontário.
Seu pai era um fazendeiro
e professor de escola, e sua mãe era ativista política. Galbraith licenciou-se
pelo Colégio de Agricultura do Ontário, posteriormente Universidade de Guelph,
tendo depois feito o mestrado e doutoramento na Universidade da Califórnia em
Berkeley. Em 1937 se tornou cidadão dos
Estados Unidos numa época os Estados Unidos e o Canadá não aceitavam a dupla
nacionalidade, mas foi homenageado pelo seu país nativo até o fim de sua vida,
e suas origens canadenses foram frequentemente citadas. Durante a Segunda
Guerra Mundial, Galbraith pertenceu à administração pública, no cargo de
vice-diretor do gabinete da administração de preços (“deputy head of the Office
of Price Administration”). No final da guerra foi-lhe pedido que executasse um
inquérito sobre o bombardeamento estratégico aliado, que concluiu que ele não
teve efeitos e não encurtou a guerra. Após a guerra tornou-se conselheiro da
administração do pós-guerra na Alemanha e Japão. Em 1949 Galbraith foi nomeado
professor de economia na Universidade de Harvard. Foi então também editor da
revista Fortune. Foi amigo do presidente John F. Kennedy, por quem foi
nomeado embaixador na Índia entre 1961 e 1963, onde teve um papel no apoio
econômico ao governo indiano e ao desenvolvimento do país. No país asiático,
ajudou a estabelecer uma das primeiras faculdades de ciências de computação no
Instituto Indiano de Tecnologia em Kanpur, Uttar Pradesh. Galbraith morreu aos
97 anos de causas naturais no Hospital Mount Auburn em Cambridge,
Massachusetts, depois de duas semanas internado.
Estados Unidos da
América: em inglês United States of America, ou simplesmente Estados
Unidos ou América, são uma república constitucional federal composta por 50
estados e um distrito federal. A maior parte do país situa-se na região central
da América do Norte, formada por 48 estados e o Distrito de Colúmbia, o distrito
federal da capital. Banhado pelos oceanos Pacífico e Atlântico, faz fronteira
com o Canadá ao Norte e com o México ao Sul. O estado do Alasca está no Noroeste
do continente, fazendo fronteira com o Canadá no Leste e com a Rússia a Oeste,
através do estreito de Bering. O estado do Havaí é um arquipélago no Pacífico
Central. O país também possui vários outros territórios no Caribe e no Oceano
Pacífico. Com 9,37 milhões de km² de área e uma população de mais de 330
milhões de habitantes, o país é o quarto maior em área total, o quinto maior em
área contígua e o terceiro em população. Os Estados Unidos são uma das nações
mais multiculturais e etnicamente diversas do mundo globalizado, produto da
forte imigração vinda de muitos países. Sua geografia e sistemas
climáticos também são extremamente diversificados, com desertos, planícies,
florestas e montanhas que abrigam uma grande variedade de espécies. Os paleoindígenas,
que migraram da Ásia há quinze mil anos, habitam o que é território dos Estados
Unidos até os dias atuais. Esta população nativa foi muito reduzida após o
contato com os europeus devido a doenças e guerras.
Os Estados Unidos foram fundados pelas treze colônias do Império Britânico localizadas ao longo da sua grande costa atlântica. Em 4 de julho de 1776, foi emitida a Declaração de Independência, que proclamou o seu direito à autodeterminação e a criação de uma união cooperativa. Os estados rebeldes derrotaram a Grã-Bretanha na Guerra Revolucionária Americana, por suposto a primeira guerra colonial bem-sucedida da Idade Contemporânea. A Convenção de Filadélfia aprovou a atual Constituição dos Estados Unidos em 17 de setembro de 1787; sua ratificação no ano seguinte tornou os estados parte de uma única república com um forte governo central. A Carta dos Direitos, composta por dez emendas constitucionais que garantem vários direitos civis e liberdades fundamentais, foi ratificada em 1791. Guiados pela doutrina do destino manifesto, os Estados Unidos embarcaram em uma vigorosa expansão territorial pela América do Norte durante o século XIX que resultou no deslocamento de tribos indígenas, aquisição de territórios e na anexação de novos Estados. Os conflitos entre o Sul agrário e o Norte industrializado do país sobre os direitos dos estados e a expansão da instituição da escravatura provocaram a Guerra de Secessão, que decorreu entre 1861 e 1865. A vitória do Norte impediu a separação do país e levou ao fim da escravatura nos Estados Unidos. No final do século XIX, sua economia tornou-se a maior do mundo e o país expandiu-se para o Oceano Pacífico. A Guerra Hispano-Americana e a I Guerra Mundial (1914-1918) confirmaram o estatuto do país como uma potência militar. A nação emergiu da II Guerra Mundial (1939-1945) como o primeiro país com armas nucleares e como membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
O fim da Guerra Fria
e a dissolução da União Soviética deixaram-no como a única superpotência
restante. Durante os primeiros anos da Primeira Guerra Mundial, que
eclodiu em 1914, os Estados Unidos mantiveram-se neutros. Apesar da maioria dos
americanos simpatizarem com os britânicos e com os franceses, muitos eram
contra uma intervenção. Em 1917, os Estados Unidos se juntaram aos Aliados,
ajudando a “virar a maré” contra as Potências Centrais. Após a guerra, o Senado
não ratificou o Tratado de Versalhes, que estabelecia a Liga das Nações.
O país seguiu uma política de unilateralismo, beirando o isolacionismo. Em
1920, o movimento pelos direitos das mulheres conseguiu a aprovação de uma
emenda constitucional que concedia o sufrágio feminino. A prosperidade dos Roaring
Twenties, isto é, os “anos 20 florescentes, alegres, ruidosos ou vívidos”
terminou com a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque em 1929, que
desencadeou a Grande Depressão, analisada como o pior e o mais longo
período de recessão econômica do sistema capitalista do século XX. Este período
de depressão econômica causou altas taxas de desemprego, quedas drásticas do
produto interno bruto de diversos países, bem como quedas drásticas na produção
industrial, preços de ações, e em praticamente todo o medidor de atividade
econômica, em diversos países no mundo globalizado. Após sua eleição como
presidente em 1932, Franklin D. Roosevelt (1882-1945) respondeu à crise social
e econômica com o New Deal, a série de políticas públicas de crescente
intervenção governamental na economia. O Dust Bowl de meados da década
de 1930 empobreceu muitas comunidades agrícolas e estimulou uma nova onda de
imigração ocidental.
Escólio:
A pobreza e o desemprego cresceram muito em razão da crise de 1929. Por isso, a
maior parte da população dos países mais afetados pela Grande Depressão cortou
todo e qualquer tipo de gasto considerado supérfluo, agravando os efeitos da
recessão na economia destes países. Por causa da Grande Depressão, milhões de
pessoas nas cidades perderam seus empregos, nos países mais atingidos pela
recessão. Sem fonte de renda, estas pessoas não tinham mais como sustentar a si
próprios e suas famílias. A maioria das residências destas famílias, por sua
vez, eram alugadas ou, ainda estavam sendo pagas através de prestações
creditícias. Como consequência, milhares de famílias eventualmente foram
expulsas de suas residências, por não terem como pagar os aluguéis ou as
prestações de sua casa. Além disso, o desemprego fez com que a subnutrição se
tornasse comum entre a população dos países mais atingidos. Milhares de pessoas
morreram por causa da subnutrição. Algumas pessoas e famílias sem fonte de
renda mudaram-se para a residência de parentes, quando perdiam suas
residências. A maioria destas famílias, sociologicamente, instalou-se em
favelas. Abrigos rústicos feitos com telas de metais, madeira e papelão
tornaram-se comuns em áreas das grandes cidades dos países mais atingidos. As
condições de vida nestas favelas eram precárias. A agropecuária de diversos países como os
Estados Unidos e o Canadá foram duramente atingidas pela Grande Depressão. Nos
Estados Unidos, per se muitos fazendeiros se endividaram pesadamente, e
vários foram forçados a ceder suas terras para instituições bancárias.
Na Califórnia, no centro-norte dos Estados Unidos e no centro-oeste do Canadá, grandes períodos de seca, tempestades de areia (Dust Bowl), invernos rigorosos e pestes agravaram a recessão econômica já existente nestas regiões. Muitos dos jovens das áreas rurais abandonaram suas fazendas e suas famílias, e buscaram a sorte nas cidades. Estas pessoas, juntamente com muitas das pessoas desempregadas nas cidades reconhecidas como “hobos”, viajavam de cidade a cidade, pegando carona em trens de carga, em busca de emprego. Esta foi uma cena muito comum nos Estados Unidos e no Canadá. Os chefes de Estado, comparativamente e outras pessoas importantes dos países atingidos passaram a ser frequentemente considerados diretamente na esfera da vida política, culpados pelo início da Grande Depressão por muito da população atingida pela recessão. As favelas dos Estados Unidos foram apelidadas de Hoovervilles ou “Vilas do Hoover” em português, em uma sátira da população americana ao presidente Herbert Hoover (1874-1964). No Canadá donos de automóveis apelidaram seus veículos de Bennett Buggies — Carroças Bennett — em uma sátira ao Primeiro-Ministro Richard Bennett. Isto porque estas pessoas não tinham como adquirir o combustível necessário para abastecer, ou cortaram a compra de combustível por considerarem um gasto supérfluo. Estes veículos passaram a ser usados como carroças, puxados por cavalos ou outros equinos.
Nem todas as pessoas
sofreram igualmente com a Grande Depressão. Para pessoas que conseguiram manter
seus empregos, mesmo nos países mais afetados pela recessão, ou que dispunham
de uma poupança considerável, o padrão de vida não mudou muito. Apesar que
muitos trabalhadores sofreram cortes consideráveis em seus salários, a deflação
fez com que os preços de produtos em geral caíssem drasticamente. Ao longo da
Grande Depressão, os preços da maioria dos produtos de consumo mantiveram-se
muito baixo nos países mais afetados. Por outro lado, muitos afro-americanos
nos Estados Unidos não conseguiam emprego, especialmente no sul norte-americano,
por causa de discriminação racial. Empregos eram dados primariamente aos
brancos. Por isto, em todo Estados Unidos, a taxa de desemprego entre a
população afro-americana foi muito maior do que o da população branca. Mulheres
com famílias para sustentar também dificilmente encontravam empregos, uma vez
que a prioridade era dada para trabalhadores do sexo masculino, e que a discriminação
contra mulheres trabalhadoras aumentou.
Grupos étnicos
minoritários, especialmente imigrantes, dos países mais atingidos passaram a
ser discriminados por muitos da população dos países mais afetados. Estes
grupos étnicos eram discriminados porque, na visão de várias pessoas dos países
afetados pela Grande Depressão, estes grupos étnicos competiam com a “população
nativa” dos países atingidos por empregos. Isto, aliado à forte recessão
econômica da década de 1930, fez com que as taxas de imigração caíssem
sensivelmente no Canadá e nos Estados Unidos. Após o fim da Grande Depressão,
muitos dos países mais severamente atingidos passaram a fornecer maior
assistência social e econômica aos necessitados. Por exemplo, o New Deal dava
ao governo americano maior poder para fornecer esta ajuda para estes necessitados
e também para aposentados. A Grande Depressão gerou grandes mudanças na
política econômica em vários dos países envolvidos. Anteriormente à Grande
Depressão, o governo dos Estados Unidos da América pouco intervinha na economia
do país. Executivos financeiros e grandes magnatas comerciantes eram vistos
como líderes nacionais. Por outro lado, a Grande Depressão deu origem a uma
atitude repúdio ao Protecionismo e medidas para aprofundar o Livre-comércio.
Diversas análises sustentam que o protecionismo retardou de cinco a dez anos a
recuperação da economia mundial.
Os Estados Unidos, neutros durante as fases iniciais da Segunda Guerra Mundial, iniciada com a invasão da Polônia pela Alemanha em setembro de 1939, começaram a fornecer material para os Aliados em março de 1941 através do programa Lend-Lease (Lend-Lease Act; “Lei de empréstimo e arrendamento”). Em 7 de dezembro de 1941, o Império do Japão lançou um ataque surpresa a Pearl Harbor, o que levou os Estados Unidos a se juntar aos Aliados contra as potências do Eixo e ao internamento compulsivo de milhares de americanos de origem japonesa. A participação na guerra estimulou o investimento de capital e a capacidade industrial do país. Entre os principais combatentes, os Estados Unidos foram o único país a se tornar muito mais rico, ao contrário dos restantes aliados, que empobreceram por causa da guerra. As conferências dos aliados em Bretton Woods e Yalta delinearam um novo sistema de organizações internacionais que colocou os Estados Unidos e a União Soviética no centro da política geoestratégica mundial. Como a vitória foi conquistada na Europa, uma conferência internacional realizada em 1945 em São Francisco produziu a Carta das Nações Unidas, que se tornou ativa depois da guerra. Tendo desenvolvido as primeiras armas nucleares, os Estados Unidos, usaram-nas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945. O Japão se rendeu em 2 de setembro marcando o fim da guerra. A inteligência não é uma máquina de reprodução de cálculos. É um processo real, social e orgânico que articula afetividade, corporalidade e os erros mais absurdos.
Em seres humanos, é
pressuposta a presença de desejo e da consciência de sua própria história
social e política. A inteligência humana não é concebível separadamente de
todos os outros processos cerebrais, corporais e sociais. Diferente de humanos
ou animais que pensam com a ajuda de um cérebro localizado dentro de seus
corpos uma máquina processa cálculos e diagnósticos sem a capacidade de dar
sentido a eles. A ideia de que uma máquina pode substituir humanos não é
absurda. É o ser vivo que cria significado a partir do domínio da técnica e não
a máquina. Muitos pesquisadores de Inteligência Artificial estão convencidos de
que a diferença entre a inteligência humana e a inteligência artificial é
quantitativa, enquanto ela é eminentemente qualitativa. Ela tende a
superestimar a produtividade humana, com o objetivo de tornar o mundo mais
eficiente e seguro, com a melhoria racionalizada de expectativa de vida e
servirá para prever temas nevrálgicos em termos de futuro, como prevenir
catástrofes e combater as mudanças climáticas. É o conceito amplo de que as
máquinas são capazes de executar tarefas de risco, antes realizadas por
pessoas. O sistema reproduz a cognição humana e atua de forma autônoma. Por ser
inteligente, a tecnologia se desenvolve conforme recebe dados. Atividades de
pesquisa devem ser produtivas sem controle hierárquico institucional.
A noção de indivíduo é
também social. Em seguida, deseja revelar que a noção de indivíduo pode ser
posta em contraste com a ideia de pessoa. Ou seja, que exprime outro aspecto
individual da realidade humana. As duas noções permitem introduzir na análise sociológica
o dinamismo necessário para poder revelar a dialética do universo
social. É aquilo que é tomado e empiricamente elaborado por alguma entidade, de
modo que ela possa tomar uma posição ou criar uma perspectiva de interpretação.
Mas no plano global, é variado o desenvolvimento dos processos histórico de
civilização, assim como de cada figuração dos modelos de civilização. O
conceito de caráter nacional pode ter valia como instrumento de pesquisa social
para a constituição de uma análise crítica no âmbito da teoria da civilização.
Analogamente, é variado o desenvolvimento dos processos especiais de
civilização, assim como de cada figuração, como veremos en passant, sobre estes
dois modelos pragmáticos de civilização. Estes últimos encontram uma de suas
expressões mais prementes no habitus social comum dos indivíduos que formam uma
tribo ou Estado. Eles são herdeiros não só de uma linguagem específica, mas
também de um modelo crível específico de civilização e, portanto, de formas
específicas de autorregularão, que eles absorvem mediante o aprendizado de uma
linguagem comum e nas quais, então, se encontram: no caráter comum do habitus
social, da sensibilidade e do comportamento dos membros de uma tribo ou de um
Estado nacional. O conceito de caráter nacional refere-se precisamente a isso.
Ipso facto, ele pode ter valia como instrumento abstrato de pesquisa no âmbito
da concepção de teoria da civilização.
Dentre os elementos espirituais comuns aos processos de civilização, assim como contrariamente a todos os processos sociais de descivilização, destaca-se sua direção contumaz na vida. A consciência, para a qual existe agora um ser sensível, é somente um visar, isto é, saiu totalmente para fora do perceber, e regressou a si mesma. Só que o ser sensível e o visar passam, eles mesmos, para o perceber: sou relançado ao ponto inicial, e de novo arrastado no mesmo circuito – o qual se suprassume em cada momento e como um todo. Qualquer consciência suprassume de novo uma verdade do tipo: o aqui é uma árvore ou: o agora é meio-dia, e enuncia o contrário: o aqui não é nenhuma árvore, mas uma casa. A consciência também suprassume logo o que é afirmação de um isto sensível, nessa firmação que suprassume a primeira. Assim, em toda certeza sensível só se experimenta, em verdade, o que já vimos: a saber, o isto como um universal – o contrário do que aquela afirmação garante ser a experiência universal. A consciência, portanto, percorre necessariamente esse círculo, mas ao mesmo tempo não é do mesmo modo que na primeira vez. Ela fez, justamente, sobre o perceber a experiência de que o resultado e o verdadeiro dele é sua dissolução ou a reflexão sobre si mesma, a partir do verdadeiro. Sendo assim, ficou determinado para a consciência como é que seu perceber está constituído, isto é: não consiste em ser um puro apreender simples, mas em ser seu apreender ao mesmo tempo refletido em si a partir do verdadeiro.
Esse retorno da consciência
a si mesma, se insere imediatamente no puro apreender, altera o
verdadeiro. A consciência reconhece esse
aspecto como o seu, e o toma sobre si; e assim fazendo, manterá puro o objeto
verdadeiro. Assim, temos a passagem da representação abstrata, para o conceito
claro e concreto através do acúmulo de determinações. Aquilo que por movimento
dialético separa e distingue perenemente a identidade e a diferença, sujeito e
objeto, finito e infinito, é a alma vivente de todas as coisas, a Ideia
Absoluta que é a força geradora, a vida e o espírito eterno. Mas a Ideia
Absoluta seria uma existência abstrata se a noção de que procede não fosse mais
que uma unidade abstrata, e não o que é em realidade, isto é, a noção que, por
um giro negativo sobre si mesma, revestiu-se novamente de forma subjetiva. A
determinação mais simples e primeira que o espírito pode estabelecer é o Eu, a
faculdade de poder abstrair todas as coisas, até no limite a sua própria vida.
Chama-se idealidade precisamente esta supressão da exterioridade. Entretanto, o
espírito não se detém na concreta apropriação, transformação e dissolução da
matéria em sua universalidade, mas, enquanto consciência religiosa, por sua
faculdade representativa, penetra e se eleva através da aparência dos seres,
uno, infinito, que conjunta e anima interiormente todas as coisas, enquanto
pensamento filosófico, como princípio universal, a ideia eterna que as engendra
e nelas se manifesta. Isto quer dizer que o espírito finito se encontra
inicialmente numa união imediata com a natureza, a seguir em oposição com esta,
e em identidade com esta, porque suprimiu a oposição e voltou a si mesmo e,
consequentemente, o espírito finito é a ideia, mas ideia que girou sobre si
mesma e que existe por si em sua própria realidade.
Átomo é uma unidade
básica de matéria que consiste num núcleo central de carga elétrica positiva
envolto por uma nuvem de elétrons de carga negativa. O núcleo atómico é
composto por protões e nêutrons. Os elétrons de um átomo estão ligados ao
núcleo por força eletromagnética. Da mesma forma, um grupo de átomos pode estar
ligado entre si através de ligações químicas baseadas na mesma força, formando
uma molécula. Um átomo que tenha o mesmo número de protões e elétrons é
eletricamente neutro, enquanto que um com número diferente pode ter carga
positiva ou negativa, sendo desta forma denominado ião. Os átomos são
classificados de acordo com o número de protões no seu núcleo: o número de
protões determina o elemento químico e o número de neutrões determina o isótopo
desse elemento. Os átomos são objetos minúsculos cujo diâmetro é de apenas
algumas décimas de nanómetros e com pouca massa em relação ao seu volume. A sua
observação prática só é possível com recurso a instrumentos específicos e
apropriados: o microscópio de corrente de tunelamento. Aproximadamente 99,94%
da massa atómica está concentrada no núcleo, tendo os prótons e nêutrons
aproximadamente a mesma massa. Cada elemento possui pelo menos um isótopo com
nuclídeos instável que pode sofrer decaimento radioativo. Isto pode levar à
ocorrência de uma transmutação que altere o número de prótons ou nêutrons no
interior do núcleo.
Os elétrons ligados a átomos possuem um conjunto estável de níveis energéticos, ou orbitais atómicas, podendo sofrer transições entre si ao absorver ou emitir fotões que correspondam à diferença de energia entre esses níveis. Os elétrons definem as propriedades químicas de um elemento e influenciam as propriedades magnéticas de um átomo. A mecânica quântica é a representação da teoria que descreve corretamente a estrutura e as propriedades compostas dos átomos. A Era Atômica começou sob o signo de representação ideológico da guerra global. Com o manejo da radioatividade ao fim do século XIX, com a invenção do raio-X pelo alemão Wilhelm Röntgen (1845-1923) e as experiências do francês Henri Becquerel (1852-1908) e da franco-polonesa Marie Curie (1867-1934). Como em inúmeras inovações tecnológicas estão ligados à guerra, o conflito bélico acelerou sua aplicabilidade prática e expandiu suas fronteiras globais. Quando os alemães Otto Hahn e Fritz Strassmann conseguiram realizar a fissão nuclear, os alarmes de incêndio soaram globalmente no mundo científico. A usina de Chernobil produzia energia elétrica por meio de fissão nuclear. A Era Atómica, por vezes designada Era Nuclear, é o termo utilizado sociologicamente para referir-se ao período da história posterior à explosão nuclear ocorrida em 16 de julho de 1945 no deserto de Alamogordo, nos Estados Unidos da América. O termo foi utilizado durante a extraordinária década de 1950, desenvolvimentista, subsequente as primeiras explosões nucleares que puseram fim à 2ª guerra mundial, com a generalização da opinião difundida de que, no futuro, todas as fontes de utilização de energia social seriam de natureza atômico-nuclear.
Estima-se que até 1998,
em torno de 2 050 testes nucleares tenham sido realizados pelas principais
potências imperialistas do mundo. Mais de 53 milhões de pessoas perderam a vida
na maior guerra já vista na história da humanidade. As bombas lançadas sobre
Hiroshima e Nagasaki, são chamadas atômicas porque usam o poder e a energia do
átomo para causar reações em cadeia altamente energéticas. Bombas atômicas são
as armas letais de destruição em massa mais poderosas existentes. Os caracteres
que compõem o nome Japão significam “Origem do Sol”, razão pela qual o Japão é
às vezes identificado como a “Terra do Sol Nascente”. O nome japonês Nippon é
usado de forma oficial, inclusive no dinheiro japonês, selos postais e para
muitos eventos esportivos internacionais. Nihon é um termo mais casual e mais
frequentemente utilizados no discurso contemporâneo. Tanto Nippon quanto Nihon,
literalmente significam “origem do sol” e muitas vezes são traduzidos como a
“Terra do Sol Nascente”. Esta nomenclatura vem das missões do Império com a
dinastia chinesa Sui e refere-se a posição a leste do Japão em relação à China.
Foi durante o século XVI que comerciantes e missionários portugueses chegaram
ao Japão pela primeira vez, dando início a um intenso período de trocas
culturais e comerciais. No Japão, os portugueses praticaram pari passu o
comércio e a evangelização. Os missionários sacerdotes da Companhia de Jesus,
levaram a cabo um intenso trabalho de missão e em cerca de 100 anos de presença
portuguesa no Japão.
Em 1582 a comunidade
cristã no país chegou a ascender a 150 mil cristãos no Japão e 200 igrejas.
Toyotomi Hideyoshi deu continuidade ao governo de Oda Nobunaga e unificou o
país em 1590. Depois da morte de Hideyoshi, o regente Tokugawa Ieyasu
aproveitou-se de sua posição para ganhar apoio político e militar. Quando a
oposição deu início a uma guerra, ele a venceu em 1603 na Batalha de
Sekigahara. Tokugawa fundou um novo xogunato, um sistema de governo
predominante no Japão de 1192 a 1867, com capital em Edo e expulsou os
portugueses e restantes estrangeiros, dando início à perseguição dos católicos
no país, tidos como subversivos, com uma política reconhecida como sakoku, a
política externa isolacionista japonesa. A perseguição aos cristãos japoneses
fez parte desta política, levando esta comunidade à conversão forçada ou mesmo
à morte, como é o caso dos 26 Mártires do Japão. Neste período o Japão
era uma sociedade feudal relativamente bem desenvolvida com tecnologia
pré-industrial. O país era mais povoado do que qualquer país ocidental e tinha,
no século XVI, cerca de 26 milhões de habitantes. As lutas no Oriente
comparativamente seriam a continuação das lutas que já se haviam travado em
Portugal e no Norte de África, dominando ou abatendo o poder do Islão. O
próprio movimento civilizatório dos chamados “descobrimentos” surgiu em seu ersatz
de combate ao Império Otomano que ameaçava a Europa cristã, incapaz de vencer o
inimigo em guerra aberta.
Os objetivos passavam
por fazer uma concorrência comercial aos muçulmanos, ao mesmo tempo ganhando
proveitos e debilitando a economia dos rivais. Mas também se ambicionava
encontrar aliados dos europeus nas novas terras, que poderiam ser eles mesmos
cristãos, ou passíveis de conversão. Cada um dos tipos ideais metodológicos de
discurso neste poema evidencia particularidades estilísticas concretas.
Dependendo do assunto que tratam, o estilo pode ser heroico e exaltado,
empolgante, lamentoso e melancólico, humorístico, admirador. Na medida em que a
regra de pensamento e universalmente aceita, segundo a concepção de teoria,
o que é social não pode ser individual. O que é individual não pode ser
social, é um desses axiomas que têm a tendência a serem aceitos na medida em
que todos parecem aceitá-los, mas que desaparecem como a roupa nova do rei
quando são examinados sem preconceitos. Isto é importante na medida em que a
regra de pensamento e universalmente aceita, segundo a qual o que é “social”
não pode ser “individual” e o que é “individual” não pode ser “social”, é um
desses axiomas fossilizados que têm a tendência a serem aceitos na medida em
que todos parecem aceitá-los, mas que desaparecem como a roupa nova do rei
quando são examinados sem preconceitos.
As sociedades, segundo
Norbert Elias (1897-1990), não são nada além de indivíduos conectados entre si;
cada indivíduo é dependente de outros, de seu (deles e dele ou dela) amor, de
sua língua, de seu conhecimento, de sua identidade, da manutenção da paz e de
muitas outras coisas. Há algo de intrínseco nessa discussão, pois até mesmo os
conflitos de classe são considerados pelo sociólogo, independentemente do que
mais possam ser, conflitos entre seres humanos individuais. E um conflito entre
dois seres humanos, por mais que possa ser algo único e pessoal, pode ser ao
mesmo tempo representativo de uma luta entre diversos estratos sociais, e no
plano histórico e social remontando evidentemente a várias gerações. O estudo
da gênese de uma profissão, portanto, não é simplesmente a apreciação de um
certo número de indivíduos que tenham sido os primeiros a desempenhar certas
funções para outros e a desenvolver certas relações, mas sim a análise de tais
funções e relações. As descobertas científicas, invenções e o surgimento de
novas necessidades humanas e de meios especializados para satisfazê-las são
fatores que contribuem para o desenvolvimento de uma nova profissão. Contudo,
nem as novas necessidades nem as novas descobertas são, por si sós, sua fonte. A
geografia do Japão tornou este plano de invasão óbvio para os japoneses. Eles
foram capazes de prever abstratamente os planos de invasão dos Aliados com
precisão e, assim, ajustar o seu plano defensivo, a Operação Ketsugō (1945), em
conformidade.
Os japoneses planejaram
uma defesa em Kyūshū, sendo que pouca reserva militar sobrou para quaisquer
operações de defesa subsequentes. Quatro divisões veteranas foram retiradas do
Exército de Guangdong na Manchúria em março de 1945 para reforçar as forças no
Japão e 45 novas divisões foram ativadas entre fevereiro e maio de 1945. A
maioria eram formações imóveis para a defesa da costa litorânea, mas 16 eram
divisões técnicas móveis de alta qualidade. Ao todo, 2,3 milhão de soldados do
exército imperial japonês prepararam-se para defender suas ilhas, apoiados por
uma milícia civil de 28 milhões de homens e mulheres. As previsões de vítimas
variaram muito, mas eram extremamente elevadas. O vice-chefe do Estado-Maior da
Marinha Imperial Japonesa Geral, o vice-almirante Takijiro Onishi (1891-1945),
previu 20 milhões de mortes de japoneses. Um estudo de 15 de junho de 1945,
realizado pelo Comitê Conjunto de Planos de Guerra e que forneceu informações
de planejamento para o Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, estimou que a
Olympic resultaria entre 130 mil e 220 mil baixas norte-americanas. Emitido em
15 de junho de 1945, após reconhecimento adquirido a partir da Batalha de
Okinawa (1945), o estudo analítico observou defesas inadequadas do Japão devido
ao bloqueio marítimo muito eficaz e a campanha de bombardeio do território
japonês pelas forças estratégicas norte-americanas.
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