segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

La Vie d`Adèle – Relações de Gênero & História de Amadurecimento.

                              Compreender o que é, esta é a tarefa da Filosofia, pois o que é, é a razão”. Friedrich Hegel 

 

        

Michel Jean Emmanuel de La Barge de Certeau reconhecido como Michel de Certeau, nascido em17 de maio de 1925 em Chambéry (França) e morreu em 9 de janeiro de 1986. Em Paris, ele é um padre jesuíta francês, filósofo, teólogo e historiador. É autor de estudos em história da religião, especialmente o misticismo dos séculos XVI e XVII, notadamente com sua obra La Fable Mystique, publicada em 1982, e de obras de reflexão mais geral sobre história e sua epistemologia, psicanálise e o estatuto da religião no mundo moderno. Michel de Certeau nasceu em17 de maio de 1925 na villa Les Fouzes, rue Marceau em Chambéry, Savoie. Ele é filho de Hubert de La Barge de Certeau (1900-1986) e Marie-Antoinette de Tardy de Montravel (1903-1967). Seu pai era corretor de seguros em Chambéry e possuía uma segunda residência em Savoie, em Saint-Jean-de-la-Porte: o Château de Lourdens. Esta antiga dependência do mosteiro cartuxo de Aillon, que remonta ao século XIII, é a casa ancestral deste ramo da família, perto de Saint-Pierre-d`Albigny. A grande casa savoiarda, restaurada em 1659 pelos monges cartuxos, abrigava os pais e seus quatro filhos durante as férias. Michel, nascido em 17 de maio de 1925. Jean, nascido em10 de junho de 1926. Marie-Amélie, nascida em 25 de novembro de 1930. Hubert, nascido em18 de maio de 1933.

Um de seus biógrafos, François Dosse, escreve: “Foi neste mundo montanhoso do maciço de Bauges, com seus sinclinais imponentes com vista para o vale de Chambéry, que Michel passou uma infância marcada por uma educação muito rigorosa”. Em entrevista a este autor, Alex Derczansky, que conhecia bem Michel de Certeau, revela: “Certeau é profundamente saboiano. Você não pode entendê-lo se não entender a Saboia!”. Michel e seu irmão frequentaram o Colégio Notre-Dame de La Villette de 1936 a 1940, até o último ano do ensino secundário (retórica). Este colégio, administrado por padres da Diocese de Chambéry, ocupava uma antiga propriedade legada pela família Costa de Beauregard em La Ravoire, hoje um subúrbio de Chambéry. A instituição também servia como seminário menor para a Diocese de Chambéry. Sob a benevolente orientação do Cônego Colomb, os dois irmãos receberam uma sólida formação acadêmica e, aos 14 anos, Michel já considerava a vocação religiosa. Em 1942 e 1943, foi interno no Colégio Sainte-Marie, em La Seyne-sur-Mer, departamento de Var, pertencente aos Padres Maristas. Lá, participou ativamente da Jeunesse étudiante chrétienne. Concluiu com êxito as duas partes do exame de bacharelado, incluindo o último ano do Ensino Médio e o exame de filosofia. Participou da resistência na Saboia como agente de ligação. 

Após a guerra, Michel de Certeau ingressou no seminário de Issy-les-Moulineaux, no departamento de Hauts-de-Seine (França), desde a expulsão e confisco do edifício original na praça Saint-Sulpice (Paris) em 1905, para estudar filosofia em preparação para o sacerdócio (1944-1945 e 1946-1947), que prosseguiu com estudos de teologia no seminário de Lyon (1947-1950). Recebeu a tonsura do Cardeal Gerlier em 1948. Michel de Certeau entrou no noviciado jesuíta em Laval (Mayenne) em 5 de novembro de 1950. Após dois anos de noviciado, sua formação jesuíta foi breve, pois ele já havia concluído os estudos filosóficos e teológicos. Ele foi ordenado sacerdote em Lyon em 31 de julho de 1956 quando cofundou a revista Christus. Foi em revistas acadêmicas jesuítas, como Christuse Revue d`ascétique et mystique, fundada em 1920 e publicada até 1977, mas também em revistas não jesuítas e não especificamente cristãs (Esprit, Traverses, Politique Aujourd`hui), que ele publicou seus trabalhos. Seu desejo apostólico inicial era ir para a China como missionário. Jesuíta, ele sempre permaneceu fiel à sua família religiosa, ao mesmo tempo em que circulava em círculos freudianos: ele cofundou a École Freudienne de Paris, trabalhando com Jacques Lacan. Em 1960, em Paris, sob a supervisão de Jean Orcibal, Michel de Certeau defendeu sua tese de doutorado na Sorbonne, dedicada à vida mística do jesuíta saboiano Pierre Favre (1506-1546).                              

Natural de Saint-Jean-de-Sixt, Favre foi, no início do Renascimento, um dos cofundadores da Companhia de Jesus juntamente com Inácio de Loyola. Era venerado como santo no Ducado de Saboia. Mas foi sua pesquisa sobre outro jesuíta do século XVII, Jean-Joseph Surin, que o levou a se concentrar mais especificamente nos aspectos humanos da experiência religiosa, no misticismo e até mesmo na psicanálise. Em agosto de 1967, sua mãe morreu em um acidente de carro durante o qual ele próprio, gravemente ferido no rosto, perdeu a visão do olho direito. Michel de Certeau lecionou em Genebra, San Diego e Paris. Em 1968, publicou dois importantes artigos na revista Études, nos quais se posicionou a favor do movimento Maio de 68. É o autor da famosa frase: “Em maio passado, as pessoas saíram às ruas como tomaram a Bastilha em 1789”. Também colaborou com Robert Jaulin, do Departamento de Etnologia da Universidade Paris VII, para aprofundar suas pesquisas. Historiador do misticismo e, no mínimo, “convencido pela experiência”, Michel de Certeau é uma figura complexa que não reivindica nenhuma afiliação específica e cujo trabalho abrange todos os campos das ciências sociais. Lecionou no Instituto Católico de Paris e na Universidade Paris VIII na década de 1970. Em 1974, Augustin Girard, chefe do departamento de pesquisa e estudos da Secretaria de Estado para a Cultura, ofereceu a Michel de Certeau um cargo de colaborador em um estudo sobre políticas relacionadas ao desenvolvimento cultural.      

Essa experiência levou posteriormente a um contrato de pesquisa com a Delegação Geral para Pesquisa Científica e Técnica para um projeto que refletia sobre práticas culturais com base em casos concretos. O título oficial dado ao projeto foi “Conjuntura, Síntese e Perspectivas”. O projeto foi realizado de 1974 a 1977 e foi desenvolvido por meio de três grupos de consulta compostos por especialistas de diversas áreas, embora a maioria tivesse apenas 25 anos de idade, que participaram sucessivamente durante esse período. De 1978 a 1984, lecionou na Universidade da Califórnia, em San Diego. Retornou à França para assumir uma nova cátedra de pesquisa em “antropologia histórica das crenças” na École des Hautes Études en Sciences Sociales. Também dedicou vários seminários a este tema incluindo um intitulado: “Antropologia Histórica das Crenças, Séculos XIV-XVIII”. Ele influenciou grandemente os historiadores do grupo de la Bussière. A influência psicanalítica é fortemente evidente em seu trabalho historiográfico, onde ele analisa o “retorno do reprimido” através dos limites arbitrários da história oficial e a sobrevivência do “não dito” nas margens da escrita. Ele é uma figura chave, frequentemente citada em pesquisas relacionadas aos estudos culturais. Morre em 9 de janeiro de 1986 em Paris, aos 60 anos, após um episódio de câncer pancreático.     

A Vida de Adèle tem como representação social um filme francês de drama “coming-of-age”, um gênero na literatura e cinema que enfatiza o desenvolvimento do protagonista da juventude para a idade adulta (“maioridade”), dirigido, coescrito e coproduzido por Abdellatif Kechiche, estrelado por Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux. Em estudos de relações de gênero, uma história sobre amadurecimento (coming-of-age) tendem a enfatizar o diálogo ou o monólogo interno sobre a ação social e são muitas vezes criados no passado. Os temas são tipicamente de “homens em sua adolescência”. Nos bildungsroman, um subgênero específico de “história de amadurecimento” especialmente proeminente na literatura concentra-se no desenvolvimento psicológico e moral do protagonista, e, portanto, a mudança de caráter é extremamente importante. A Vida de Adèle é baseado no romance gráfico Le Bleu Est Une Couleur Chaude de Julie Maroh, publicado pela Glénat, em março de 2010. A Glénat Éditions é uma editora francesa que atua nas áreas de quadrinhos, romances gráficos, mangá, livros de arte e livros infantis. Foi fundada em 1969 em Grenoble por Jacques Glénat, nascido em 1952. A edição brasileira foi publicada pela Editora Martins Fontes em 2013. O romance narra uma história social de amor entre duas jovens mulheres na França no final da década de 1990. 

O filme gira em torno de Adèle (Exarchopoulos), uma adolescente que descobre amor e liberdade quando conhece a jovem pintora de cabelo azul (Seydoux).  O filme é a démarche delas, durante o Ensino Médio de Adèle, sua vida adulta precoce e carreira como professora de escola. Do ponto de vista técnico-metodológico a produção começou em março de 2012 e durou seis meses. Cerca de 800 horas de filmagens foram realizadas, incluindo extensas filmagens em B-roll. Kechiche selecionou tudo na edição, com o corte final deixando o filme com 179 minutos. La vie d`Adèle gerou controvérsia na sua estreia no Festival de Cannes 2013 e antes de seu lançamento. Grande parte da controvérsia foi centrada em torno das alegações de más condições de trabalho no set pela equipe e atrizes principais, e também pela representação crua da sexualidade feminina. Em Cannes, La Vie d`Adèle ganhou o Palma de Ouro do júri oficial e o Prêmio Fédération Internationale de la Presse Cinématographique, reconhecida pela sigla FIPRESCI. É uma organização que reúne críticos de cinema de todo o mundo. É o primeiro filme a ter o Palma de Ouro concedido tanto para o diretor e as atrizes principais, com Seydoux e Exarchopoulos juntando-se a diretora Jane Campion como únicas mulheres que ganharam o prêmio. Elizabeth Jane Campion nascida Wellington em1954 é diretora de cinema neozelandesa.

Ela é a segunda entre cinco mulheres nomeada para o Oscar de Melhor Direção e a primeira cineasta feminina na história a receber a Palma de Ouro do Festival de Cinema de Cannes, a qual lhe foi concedida em reconhecimento ao seu trabalho no filme O Piano (1993), pelo qual também ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Original. Em 2022, recebeu seu primeiro Oscar de Melhor Direção, pelo filme The Power of the Dog e se tornou a primeira mulher nomeada duas vezes na categoria. Exarchopoulos também é a pessoa mais jovem a receber o Palma de Ouro, com apenas 19 anos. Após sua estreia nos cinemas mundiais no final de 2013, La Vie d`Adèle recebeu aclamação da crítica e foi indicado ao Globo de Ouro de melhor filme em língua estrangeira e ao British Academy Film Awards de melhor filme especificamente em língua não-inglesa. Muitos críticos o elegeram como um dos melhores filmes de 2013. Na produção cinematográfica e televisiva são filmagens suplementares ou alternativas intercaladas com a tomada principal. O termo A-roll, referente à filmagem principal, per se caiu em desuso.  Filmes e vídeos podem interromper a narrativa principal para demonstrar cenários ou ações relacionadas. Planos de estabelecimento podem ser usados ​​para mostrar ao público a história.

Essas imagens secundárias são frequentemente apresentadas sem som, ou com som em nível muito baixo, já que se espera que o som da filmagem principal continue enquanto as outras imagens são exibidas. Os vários planos apresentados sem som são chamados de B-roll. As filmagens de apoio (B-roll) podem ser feitas por equipes menores de segunda unidade, já que não há necessidade de som. No cinema, câmeras MOS menores, sem circuitos de som, podem ser usadas para maior portabilidade e facilidade de configuração. Em projetos de reportagem eletrônica (ENG) e documentários, as filmagens de apoio são frequentemente feitas após a entrevista principal, para fornecer cenas complementares ao que foi dito pelo entrevistado. Em um projeto de docudrama, o termo “B-roll” pode se referir a cenas de reconstituição dramática encenadas pelo produtor e interpretadas por atores, para serem usadas como planos de corte. Existem muitos tipos diferentes de “B-roll”, incluindo: planos de inserção, planos de efeitos especiais, planos de estabelecimento, imagens de arquivo e planos adicionais. Imagens de apoio podem ser adicionadas ou extraídas de uma biblioteca de imagens de arquivo.

Abdellatif Kechiche chamado de Abdel Kechiche, nascido em 7 de dezembro de 1960 em Túnis, é um diretor, roteirista e ator franco- tunisiano. Conhecido por seus filmes de estilo naturalista, ele ganhou vários prêmios César. Em 2013, recebeu a Palma de Ouro no Festival de Cannes por Azul é a Cor Mais Quente, juntamente com as duas atrizes principais do filme, Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux. Nascido na Tunísia, Abdellatif Kechiche chegou a Nice com seus pais aos seis anos de idade e cresceu no bairro de Moulins. Filho de operários de fábrica, ele se deparou desde cedo com o racismo e o preconceito de classe. Apaixonado por teatro, estudou artes dramáticas no Conservatório de Antibes. Atuou em diversas peças na Riviera Francesa, notadamente uma peça de Federico García Lorca em 1978 e uma peça de Eduardo Manet no ano seguinte. Também se dedicou à direção e apresentou O Arquiteto no Festival de Avignon em 1981. No cinema conseguiu o papel principal em Mint Tea (1984) de Abdelkrim Bahloul, onde interpretou “um jovem imigrante argelino que vive de pequenos furtos”. André Téchiné o contratou em 1987, para Les Innocents, onde interpretou um gigolô contracenando com Sandrine Bonnaire e Jean-Claude Brialy. Graças a Bezness (1992), de Nouri Bouzid, ele ganhou o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cinema de Namur. Neste ano, ele conheceu Ghalya Lacroix, que colaboraria na escrita e edição de seus trabalhos futuros.

Abdellatif Kechiche decidiu então passar para trás das câmeras. Ele escreveu vários roteiros que tentou vender sem sucesso. O roteiro de La Faute à Voltaire (2000) finalmente conquistou o produtor Jean-François Lepetit, um produtor e ator francês, fundador da produtora cinematográfica francesa Flach Film Production. Este filme pinta um retrato simples, porém vibrante, de um imigrante indocumentado. O jovem diretor mostra a realidade cotidiana dos despossuídos ou marginalizados, e seu talento para narrar histórias e criar reviravoltas na trama. Ele queria uma atuação naturalista dos atores Sami Bouajila e Élodie Bouchez. Ele recebeu o Leão de Ouro de Melhor Primeiro Filme no Festival de Cinema de Veneza em 2000. Em 2003, ele escreveu e dirigiu L`Esquive (“Jogos de Amor e Acaso”) com atores iniciantes e um orçamento limitado. O filme acompanha um grupo de estudantes do Ensino Médio dos subúrbios parisienses enquanto ensaiam uma peça de Pierre Carlet de Chamblain de Marivaux, reconhecido apenas como Marivaux, de formação jornalística, de dramaturgo e romancista para a aula de francês. Esta obra busca retratar a sedução relacional adolescente e desconstruir estereótipos reificados sobre comportamento de jovens da periferia urbana. O filme foi um sucesso considerável; foi aclamado pela crítica como um dos grandes filmes franceses de 2004. 

Na cerimônia do 30º César Awards, venceu os dois favoritos do público: Les Choristes de Christophe Barratier e Un Long Dimanche de Fiançailles de Jean-Pierre Jeunet, ganhando quatro Césars: o César de melhor estreante feminina para a revelação Sara Forestier, e, para Kechiche, os Césars de melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro. Em seguida, dirigiu O Segredo do Grão em 2006; o filme narra a história social de um operário norte-africano que deseja se requalificar para o ramo da restauração no porto de Sète. Este terceiro filme do diretor inclina-se para o realismo social. Foi bem recebido no Festival de Cinema de Veneza de 2007, ganhando o Grande Prêmio do Júri. A atriz Hafsia Herzi ganhou o prêmio de Melhor Atriz Jovem. Após receber o Prêmio Louis-Delluc de 2007, Kechiche ganhou os mesmos quatro prêmios que havia conquistado por Jogos de Amor e Acaso três anos antes, incluindo o de Melhor Revelação Feminina para Hafsia Herzi. A recepção da crítica foi favorável; a extraordinária revista Cahiers du Cinéma considerou o filme uma expressão do cinema de autor popular, semelhante ao de Maurice Pialat (1925-2003), um cineasta, guionista e ator francês. Pintor por vocação, estudou Artes Decorativas e Belas Artes. Em 1955 entrou no mundo do teatro, mas ia dedicar-se depois ao cinema. Em 1969 dirige o seu primeiro filme intitulado L`enfance Nue interpretada por atores não profissionais. O filme vendeu um (01) milhão de ingressos na França. Seu próximo filme, selecionado para o Festival de Cinema de Veneza de 2010, intitula-se Vênus Negra, uma referência à “Vênus Hotentote” (Saartjie Baartman). É seu primeiro drama de época, ambientado em um contexto sociológico perturbador devido ao tratamento dado à personagem. 

A recepção da crítica foi favorável; no César de 2011, o filme recebeu apenas uma indicação: “Atriz Revelação” para Yahima Torres. O filme foi um fracasso comercial, com 200 mil espectadores! Ele adaptou e produziu com sua recém-criada produtora, Quat`sous Films a graphic novel de Jul`Maroh, azul, sob o título Azul é a Cor Mais Quente; o filme narra a história de um caso de amor apaixonado que se estende por vários anos entre duas jovens de diferentes origens sociais no Norte da França. O filme foi exibido no Festival de Cannes de 2013 e recebeu aclamação da crítica francesa e internacional, que o considerou uma obra-prima. Foi unanimemente premiado com a Palma de Ouro pelo júri presidido por Steven Spielberg, para a qual era um dos favoritos desde sua apresentação. Pela primeira vez, o prêmio foi concedido conjuntamente ao diretor e às duas atrizes principais: Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux. No próprio dia da exibição em Cannes, surgiu uma controvérsia a respeito das condições de trabalho no set: técnicos acusaram Kechiche, em um comunicado à imprensa, de comportamento “beirando o assédio psicológico” e de violar as leis trabalhistas. Poucos dias depois, Jul` Maroh, autor da graphic novel na qual o filme se baseia, lamentou a presença de cenas de “sexo lésbico”, que considerou clínicas, demonstrativas e grosseiras, desprovidas de qualquer desejo romântico. Ele expressou sua decepção com o comportamento desdenhoso de Kechiche para com ele: alegou que Kechiche havia parado de responder às suas mensagens após a venda dos direitos de adaptação, não o convidou para Cannes com a equipe do filme e não o mencionou em seu discurso de aceitação da Palma de Ouro.        

Vários projetos foram discutidos desde 2013 e estão evoluindo de acordo com as possibilidades de produção: uma sequência do filme Azul é a Cor Mais Quente, que ele prontamente compara a Antoine Doinel, uma cinebiografia sobre Marilyn Chambers (1952-2009), uma adaptação do relacionamento entre Heloise e Abelardo, um longa-metragem sobre Marguerite Porete (1250-1310) intitulado: Amor Inefável ou Irmã Marguerite, uma adaptação da graphic novel Cadernos de Tese de Tiphaine Rivière para uma série de televisão para o canal Arte, ou um “road movie”, O Cordeiro de Deus. Foi uma escritora mística e cristã do movimento beguino, nascida por volta de 1250 e queimada na fogueira em 1° de junho de 1310 na Place de Grève em Paris, França com seu livro O Espelho das Almas Simples. Pouco se sabe sobre a vida de Marguerite Porete, além de seu livro e seu julgamento. Nascida no século XIII, ela viveu no Condado de Hainaut, provavelmente em Valenciennes; nada se sabe sobre sua família, sua infância ou sua educação. Seu sobrenome é desconhecido; na verdade, ela é referida como “Marguerite dite Porette”, enquanto porette significa uma pequena cebola. Marguerite Porete foi uma das beguinas, um importante e muito ativo movimento social religioso na Flandres. Hadewijch de Antuérpia e Heilwige Bloemart também pertenciam a esse grupo. 

Essas mulheres piedosas dedicavam-se a Deus e às boas obras, evitando escândalos, sem necessariamente viver em comunidade ou obedecer às regras prescritas. Ela expressou seu “misticismo” em um livro em francês antigo intitulado: Le Mirouer des Simples pouco se sabe sobre a vida de Marguerite Porete, além de seu livro e seu julgamento. Nascida no século XIII, ela viveu no Condado de Hainaut, provavelmente em Valenciennes; nada se sabe sobre sua família, sua infância ou sua educação. Seu sobrenome é desconhecido; na verdade, ela é referida como “Marguerite dite Porette”, enquanto porette significa uma pequena cebola. Marguerite Porete foi uma das beguinas, um importante e muito ativo movimento religioso na Flandres. Hadewijch de Antuérpia (1190-1240) e Heilwige Bloemart (120-1335) também pertenciam a esse grupo. Essas mulheres piedosas dedicavam-se a Deus e às boas obras, evitando escândalos, sem necessariamente viver em comunidade ou obedecer às regras prescritas. Ela expressou seu misticismo em um livro escrito em francês antigo intitulado “Le Mirouer des simples âmes anienties et qui seulmnt demourent en vouloir et désir d'amour” (O Espelho das Almas Simples Aniquiladas e Que Só Resta a Vontade e o Desejo de Amor). A obra apresenta o Amor da alma tocada por Deus e dá voz ao Amor e à Razão em diálogos alegóricos. Este livro e sua doutrina rapidamente causaram escândalo. Os seus opositores viram no seu livro “uma abordagem que ignora a Igreja enquanto instituição, que relativiza os sacramentos e rejeita a moralidade”. 

A primeira condenação do livro de Porete veio de Guy de Colle Medio, bispo de Cambrai (1296-1305). Ele mandou queimar um exemplar do Espelho na Place d`Armes, em Valenciennes, declarando-o “herético”. Margarida persistiu em divulgá-lo apesar dessa condenação inicial, e o bispo de Châlons a denunciou ao Inquisidor do Reino da França, o dominicano Guilherme de Paris. A razão mais provável para essa intervenção foi o fato de Margarida estar residindo em Châlons-en-Champagne naquela época. O julgamento foi conduzido com a participação de dois acadêmicos parisienses. Uma comissão de teólogos deliberou sobre uma lista de cerca de quinze trechos apresentados pelo inquisidor, que simultaneamente pediu a um grupo de canonistas que emitisse sua opinião sobre a conduta de Margarida, que seria julgada herege reincidente por ter violado a primeira condenação. Combinando essas duas opiniões de especialistas, Guilherme de Paris pronunciou simultaneamente a condenação do livro e de seu autor. Entregue às autoridades seculares, foi queimado em1 de junho de 1310 na Praça de Grève, em Paris. Esta infeliz mulher inaugura a lista de execuções realizadas pelo sistema judiciário na Praça de Grève. Esta condenação não passou despercebida. Eis o que Les Grandes Chroniques de France noticiou sobre o assunto: - “Em direção ao moinho de Santo Antônio e para ver o que aconteceu depois, na véspera da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo, os outros Templários neste mesmo lugar foram queimados, e sua carne e ossos foram reduzidos a pó… E na segunda-feira seguinte, uma clériga beguina chamada Marguerite la Porete foi queimada no local mencionado (In communi platea Gravi). 

Ela havia transgredido e transcendido as Sagradas Escrituras e errado nos artigos de fé; ela havia proferido palavras contrárias e prejudiciais a respeito do sacramento do altar; e por isso, ela havia sido condenada por mestres especialistas em teologia”. Dois anos mais tarde, em 1312, esta condenação contribuiu para a redação de um cânone do Concílio de Vienne que denunciava a heresia do Espírito Livre. O trabalho dos historiadores demonstrou que esta heresia não tinha realidade senão nas mentes dos prelados e teólogos que a condenaram. mes anienties et qui seulmnt demourent en vouloir et désir d`amour (O Espelho das Almas Simples Aniquiladas e Que Só Resta a Vontade e o Desejo de Amor). Este livro e sua doutrina rapidamente causaram escândalo. Os seus opositores viram no seu livro “uma abordagem que ignora a Igreja enquanto instituição, que relativiza os sacramentos e rejeita a moralidade”. A primeira condenação do livro de Porete veio de Guy de Colle Medio, bispo de Cambrai (1296-1305). Ele mandou queimar um exemplar do Espelho na Place d`Armes, em Valenciennes, declarando-o “herético”. Margarida persistiu em divulgá-lo apesar dessa condenação inicial, e o bispo de Châlons a denunciou ao Inquisidor do Reino da França, o dominicano Guilherme de Paris. A razão mais provável para essa intervenção foi o fato de Margarida estar residindo em Châlons-en-Champagne naquela época.

O julgamento foi conduzido com a participação de dois acadêmicos parisienses. Uma comissão de teólogos deliberou sobre uma lista de quinze trechos apresentados pelo Inquisidor, que simultaneamente pediu a um grupo de canonistas que emitisse sua opinião sobre a conduta de Margarida, que seria julgada herege reincidente por ter violado a primeira condenação. Combinando essas duas opiniões de especialistas, Guilherme de Paris pronunciou a condenação do livro e de seu autor. Entregue às autoridades seculares, foi queimado em 1° de junho de 1310 na Praça de Grève, em Paris. Esta feliz mulher inaugura a lista de execuções realizadas pelo sistema judiciário na Praça de Grève. Esta condenação não passou despercebida. Eis o que Les Grandes Chroniques de France noticiou sobre o assunto: - “Em direção ao moinho de Santo Antônio e para ver o que aconteceu depois, na véspera da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo, os outros Templários neste mesmo lugar foram queimados, e sua carne e ossos foram reduzidos a pó… E na segunda-feira seguinte, uma clériga beguina chamada Marguerite la Porete foi queimada no local mencionado (In communi platea Gravi). Ela havia transgredido e transcendido as Sagradas Escrituras e errado nos artigos de fé; ela havia proferido palavras contrárias e prejudiciais a respeito do sacramento do altar; e por isso, ela havia sido condenada por mestres especialistas em teologia”. Dois anos mais tarde, em 1312, esta condenação contribuiu para a redação de um cânone do Concílio de Vienne que denunciava a heresia do Espírito Livre. O trabalho dos historiadores demonstrou que esta heresia não tinha realidade senão nas mentes dos prelados e teólogos que a condenaram. Segundo o Midi Libre, mutatis mutandis, ele dirigiu um novo filme em Sète que poderia ser transmitido como uma série.

Convidado a comentar sobre a Primavera Árabe no site da Inrockuptibles de 12 de fevereiro de 2011, Abdellatif Kechiche convoca o povo da França a se levantar contra a injustiça social, o desprezo e a humilhação dos homens: - “Como é bela esta revolução. Como tantas pessoas, ela me embriaga. Às vezes, sinto que vem de dentro de mim, que é a expressão da minha revolta contra a injustiça, que brota do meu âmago. É mais uma revolta visceral do que de jasmim, rosas ou qualquer outra coisa. É um grito verdadeiro. Homens estão lutando, sacrificando suas vidas pela dignidade. [...] É uma lição poderosa para todo o planeta. Ao mesmo tempo, é um verdadeiro tapa na cara dos intelectuais, políticos e artistas, inclusive eu, que nada fizeram ou não puderam fazer nada para mudar as coisas. Desejo de todo o coração que esta revolta popular tenha longa vida, que continue a se espalhar por todo o mundo árabe, é claro, mas não só lá. Sonho em vê-la se espalhar por todas as ditaduras, mas também por todas as democracias corruptas, em todos os lugares onde prevalecem a injustiça social, o desprezo e a humilhação dos seres humanos”.  Durante a cerimônia de entrega da Palma de Ouro ao seu filme Azul é a Cor Mais Quente, apresentado na competição do Festival de Cannes de 2013, Abdellatif Kechiche declarou: - “Gostaria de dedicar este prêmio e este filme à maravilhosa juventude da França, que tanto me ensinou sobre o espírito de liberdade, tolerância e convivência, e também gostaria de dedicá-los a outra geração, a da revolução tunisiana, por sua aspiração de viver livremente, expressar-se livremente e amar livremente”. Abdellatif Kechiche aceitou, em duas ocasiões, ser condecorado pelo regime de Ben Ali, em 2005 e depois em 2008. 

Em 2013 , ele estava entre as personalidades do cinema francês que assinaram uma petição contra François Hollande, então Michel Sapin, seu Ministro do Trabalho, e Aurélie Filippetti, Ministra da Cultura ; eles criticaram a decisão deles de validar o acordo coletivo assinado pela CGT e quatro grandes grupos (Pathé, Gaumont, UGC e MK2); eles exigiram que os técnicos fossem melhor remunerados, que um número mínimo de posições fosse imposto para cada filmagem e que as taxas horárias e a remuneração fossem melhor controladas e regulamentadas. Em fevereiro de 2014, embora se descreva como muito de esquerda e contrário às políticas social-liberais de François Hollande, apoiou a candidatura à reeleição do então prefeito da UMP de Nice, Christian Estrosi, considerando que este era o melhor baluarte contra a Frente Nacional a nível local. Por outro lado, em dezembro de 2015, afirmou que preferia Marine Le Pen a Nicolas Sarkozy, considerando que a Frente Nacional se tornara “a representante do povo, das classes trabalhadoras”. Acrescentou: “Continuam a demonizar [a Frente Nacional] tal como demonizaram o Partido Socialista em 1974, dizendo que corríamos o risco de os tanques voltarem a Paris”, e denunciou a retórica do Primeiro-Ministro Manuel Valls: “Agora há as eleições regionais em que nos dizem: Temos de votar para os bloquear, temos de impedir que o partido mais popular se manifeste”. Esclareceu, contudo, que não votou, por acreditar que “[a sua] voz não é ouvida por nenhum partido”. Em 2017, numa entrevista ao Nice-Matin, anunciou a sua intenção de votar em Philippe Poutou na primeira volta das eleições presidenciais, considerando que ele é o candidato que melhor compreende o sofrimento de uma classe social e que demonstra um sentido de sacrifício ao concorrer numa eleição em que as suas hipóteses de vitória são quase nulas.

As duas atrizes principais elogiaram as qualidades do filme, afirmando estarem orgulhosas dele, mas quatro meses depois, durante a turnê promocional norte-americana, elas confidenciaram sobre as filmagens desconfiança: descreveram-nas como “horríveis” e “intermináveis”, enfatizando a “manipulação” a que o cineasta as submeteu e a violência simbólica que ele podia exibir no set. O cineasta é conhecido, assim como Maurice Pialat, por ser muito exigente com as atuações dos atores e por filmar muitas cenas: foram 750 horas de filmagens brutas para o filme Azul é a Cor Mais Quente.  A reação do diretor foi violenta; foi dirigida exclusivamente contra Léa Seydoux; a controvérsia, reacendida e amplificada na mídia, culminou em uma entrevista à Télérama: o cineasta afirmou que Azul é a Cor Mais Quente não deveria ser lançado porque “ele foi muito difamado”. No final de outubro de 2013, Kechiche publicou um longo artigo de opinião para a Rue89: ele acusou várias figuras da indústria cinematográfica, incluindo Léa Seydoux, e os produtores Jean-François Lepetit e Marin Karmitz, de terem explorado uma controvérsia com o objetivo de difamá-lo e impedir o sucesso do filme. O filme atraiu mais de um milhão de espectadores nos cinemas e ganhou o Prêmio Louis-Delluc, o segundo de Kechiche. Foi aclamado em festivais de cinema americanos. Foi indicado ao BAFTA de Melhor Filme Estrangeiro e ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, mas não ao Oscar, pois o filme foi lançado após o prazo de elegibilidade. Kechiche não compareceu à cerimônia do César de 2014; o filme, indicado oito vezes, recebeu apenas um prêmio, o de “Atriz Mais Promissora” para Adèle Exarchopoulos. A imprensa suspeitou de um boicote do público devido às controvérsias provavelmente moralista devido ao tema.

Em 16 de janeiro de 2015 Abdellatif Kechiche foi condenado pelo Tribunal Superior de Paris a pagar € 180.000 à produtora MK2, dirigida por Marin Karmitz. Os juízes decidiram que o diretor havia “violado suas obrigações contratuais” para com a MK2. De acordo com os termos do contrato assinado em abril de 2008 entre o diretor e a produtora, Abdellatif Kechiche havia concordado em “oferecer à MK2 os direitos exclusivos de seus três próximos filmes, incluindo Vênus Negra, que estava então em produção”, por uma taxa de € 270.000. No entanto, a duração do primeiro filme que realizou de 2 horas e 42 minutos, bem como seu fracasso comercial de apenas 212.000 espectadores, tensionaram as relações entre Abdellatif Kechiche e Marin Karmitz. Como resultado, Abdellatif Kechiche apresentou apenas mais uma sinopse, O Ministro, que foi rejeitada pela MK2, e colaborou com a Wild Bunch na produção de Azul é a Cor Mais Quente, violando assim a cláusula de exclusividade concedida à MK2. Abdellatif Kechiche acusa a MK2 de “pressão, assédio e práticas desleais” que o “impediram de trabalhar por aproximadamente 4 anos” e reivindica € 6,5 milhões em indenização. Suas reivindicações são rejeitadas. No outono de 2016, ele filmou uma adaptação livre do romance de François Bégaudeau, La Blessure, la Vraie, em Sète , sob o título “Mektoub, my love: canto uno”, um filme que acabou sendo a primeira parte de um díptico. O filme foi apresentado no Festival de Cinema de Veneza de 2017 após uma disputa com seu produtor. Vendeu 130.000 ingressos com um orçamento de aproximadamente 8 milhões de euros. Em maio de 2019 seu retorno a Cannes na seleção oficial foi anunciado com o filme Mektoub, My Love: Intermezzo. O filme dividiu a imprensa, que considerou certas cenas “pornográficas”. Não foi lançado nos cinemas devido a um conflito com sua distribuidora, a Pathé. Mektoub, My Love: Intermezzo permaneceu em suspenso, mas Abdellatif Kechiche continuou a trabalhar em sua saga Mektoub, My Love, uma trilogia ou quadrilogia, quase toda já filmada. Em 2025, o cineasta sofreu um AVC. Ele retornou com Canto devido ao Festival de Cinema de Locarno.

Bibliografia Geral Consultada.

BENYAHIA, Sarah Casey; GAFFNEY, Freddie; WHITE, John, As Film Studies: The Essential Introduction. Essentials Series. Londres: Editor Taylor & Francis, 2006; MÁRQUEZ, Gabriel García, La Increíble y Triste História de la Cândida Eréndira y de su Abuela Desalmada. Colômbia: Editor Debolsillo, 1972; DE MARCHI, Luigi, Wilhelm Reich: Biografía de Una Idea. Barcelona: Península, 1974; REICH, Wilhelm, La Función del Orgasmo. Buenos Aires: Paidós, 1974; Idem, O Combate Sexual da Juventude. 2ª edição. Lisboa: Editor Antídoto, 1978; DELEUZE, Gilles, Cinéma I – l`Image-Mouvement. Paris: Éditions Minuit, 1983; ALBERONI, Francesco, O Erotismo, Fantasias e Realidades do Amor e da Sedução. São Paulo: Editor Círculo do Livro, 1986; MANNHEIM, Karl, “El Problema de las Generaciones”. In: Revista Española de Investigaciones Sociologicas, n° 62, pp. 193-242; 1993; VANEIGEM, Raoul, Movement of the Free Spirit. New York: Editor Zone Books, 1994; RICHIR, Luc, Marguerite Porete, Uma Alma a Serviço do Uno.  Bruxelas: Ousia Editions, 2003; HERNÁNDEZ, Fernando, “¿ De qué Hablamos quando Hablamos de Cultura Visual?”. In: Educação & Realidade, 30 (2): 9-34, jul./dez. 2005; ASLAN, Odette, O Ator no Século XX. São Paulo: Editora Perspectiva, 2010; FOX, Alistair, Jane Campion: Authorship and Personal Cinema. Bloomington: Indiana University Press, 2011; WELLER, Wivian, “A Atualidade do Conceito de Gerações de Karl Mannheim”. In: Soc. estado. Vol. 25 n° 2. Brasília, May/Aug. 2010; TURCAN, Marie, “Kechiche: ‘Léa Seydoux nasceu em berço de ouro’”. In: Le Figaro, 5 de setembro de 2013; MURAT, Pierre; RIGOULET, Laurent, “Controvérsia em torno do azul é a cor mais quente: Abdellatif Kechiche se explica em Télérama”. In: Télérama, 26 de setembro de 2013; LECLERC, Fabrice, “Azul é a Cor Mais Quente: Nos Bastidores de um Vencedor da Palma de Ouro”. In: L`Express,12 de outubro de 2013; PARGUAD, Maxime, “Azul é a Cor Mais Quente, uma ‘obra-prima comovente’”. In: L’Express, 23 de maio de 2013; PIRON, Sylvain, “Marguerite in Champagne”. In: Journal of Medieval Religious Cultures, vol. 43, 2017, pp. 135-156; PORÈTE, Marguerite, “Pelo Amor de Deus e Contra a Fúria da Inquisição”. In: Le Monde, 28 de julho de 2022; Artigo: “Investigação. Abdellatif Kechiche e a trilogia ‘Mektoub, Meu Amor’: por trás das cenas de um desaparecimento e um retorno”. In: Libération, 29 de julho de 2025; entre outros.

Phil Collins –Calçada da Fama, Multinstrumentista & Produtor britânico.

                                                        É desta forma que as coisas são, não há nada que eu possa fazer!”. Phil Collins                        

        A obra do sociólogo não é a do homem público, assevera Émile Durkheim (2015). O que a experiência do passado demonstra, antes de mais nada, é que os marcos do grupo profissional devem guardar sempre uma relação com os marcos da vida econômica; foi por ter faltado com essa condição que o regime corporativo desapareceu. Portanto, já que o mercado, de municipal que era, tornou-se nacional e internacional, a corporação deve adquirir a mesma extensão. Em vez de ser limitada apenas aos artesãos de uma cidade, ela deve ampliar-se, de maneira a compreender todo os membros da profissão, dispersos em toda a extensão do território, porque, qualquer que seja a região em que se encontram, quer no campo, todos são solidários uns com os outros e participam da vida comum. Já que essa vida comum é, praticamente sob certos aspectos sociais e políticos, independentemente de qualquer determinação territorial, tem que ser criado um órgão apropriado, que a exprima e regularize com a organização seu funcionamento (cf. Marra, 1987). Por causa de suas dimensões, tal órgão estaria em contato com a vida coletiva, pois os acontecimentos importantes o bastante para envolverem toda uma categoria de empresas industriais num país tem repercussões gerais, que o Estado não pode sentir, transitoriamente o que o leva a intervir. Não foi sem fundamento na esfera de ação que o poder real tendeu prevalentemente a não deixar fora de sua ação a grande indústria.

      Era impossível que ele se desinteressasse por uma forma de atividade que por sua natureza, é capaz de afetar o conjunto da sociedade. Essa organização unitária para o conjunto de normas de um mesmo país não exclui, de modo algum, a formação de órgãos secundários, que compreendam os trabalhadores similares de uma mesma região ou localidade, e cujo papel seria especializar ainda mais a regulamentação profissional segundo as necessidades locais ou regionais. A vida econômica poderia ser regulada e determinada, sem nada perder de sua diversidade. Por isso mesmo, o regime corporativo seria protegido contra essa propensão ao imobilismo, que lhe foi frequente e justamente criticada no passado, porque é um defeito que resultava do caráter estreitamente comunal da corporação. Na síntese durkheimiana representada sobre o lugar de análise das corporações deve-se até supor que esteja destinada a se tornar a base, ou uma das bases essenciais de nossa organização política. Ela começa por ser exterior ao sistema social, tenderá a se empenhar de forma cada vez mais profunda nele, à medida que a vida econômica se desenvolve. Agora que a comuna  de organismo autônomo que era outrora, veio se perder no Estado, como o mercado municipal no mercado nacional, não é legítimo pensar a corporação também deveria sofrer uma transformação política correspondente e tornar-se tout court a divisão elementar do Estado, a unidade política fundamental? 

A sociedade, em vez de continuar sendo o que ainda é, um agregado de distritos territoriais justapostos, tornar-se-ia um vasto sistema de corporações nacionais. Mas essas divisões geográficas são, em sua maioria, artificiais e já não despertam em nós sentimentos profundos. O espírito provinciano desapareceu: o “patriotismo de paróquia” tornou-se um arcaísmo que não se pode restaurar à vontade. Para o sociólogo uma nação só se pode manter se, entre o Estado e os particulares, se intercalar toda uma série de grupos secundários bastante próximos dos indivíduos para atraí-los fortemente em sua esfera de ação e arrastá-los, assim, na torrente geral da vida social. Isso não quer dizer, que a corporação seja panaceia capaz de servir a tudo. Será necessário que, em cada profissão, um corpo de regras se constitua, fixando a quantidade de trabalho, a justa remuneração dos diferentes funcionários, seu dever para com os demais e para com a comunidade, etc.  Estaremos não menos que na prática, em presença de uma tábula rasa.  A vida social deriva inexoravelmente de uma dupla fonte: a similitude das consciências e a divisão do trabalho social. O indivíduo é socializado no primeiro caso, porque, não tendo individualidade própria, confunde-se como seus semelhantes, no seio de um tipo coletivo; no segundo, porque, tendo uma fisionomia e uma atividade pessoais que o distinguem dos outros, depende deles na mesma medida e, por conseguinte, da sociedade que resulta de sua união.                                         


          Esta divisão dá origem às regras jurídicas que determinam as relações das funções divididas, mas cuja violação acarreta apenas medidas reparadoras sem caráter expiatório. De todos os elementos técnicos e sociais da civilização, a ciência nada mais é que a consciência levada a seu mais alto ponto de clareza. Nunca é demais repetir que para que as sociedades possam viver nas condições de existência que lhes são dadas, é necessário que o campo da consciência se estenda e se esclareça. Quanto mais obscura uma consciência, mais é refratária à mudança social, porque não vê depressa o que é necessário mudar.  Nem em que sentido é preciso mudar. Uma consciência esclarecida sabe preparar de antemão a maneira de se adaptar a essa mudança risível. Eis porque é necessário que a inteligência guiada disciplinarmente pela ciência adquira uma importância maior no curso da vida coletiva. Tais sentimentos são capazes de inspirar não apenas esses sacrifícios cotidianos, mas também atos de renúncia completa e de abnegação exclusiva. A sociedade aprende a ver os membros que a compõem como cooperadores que ela não pode dispensar e para com os quais tem deveres. Na realidade, a cooperação também tem sua moralidade intrínseca. 

Há apenas motivos sociais para crer que em nossas sociedades essa moralidade ainda não tem todo o desenvolvimento que lhes seria necessário. Daí resulta duas grandes correntes, que correspondem dois tipos de estrutura não menos diferentes. Dessas correntes, a que tem sua origem nas similitudes sociais ocorre quando um grupo é capaz de criar e reproduzir para si e para os outros a princípio só e sem rival. Phil Collins começou sua carreira muito jovem como ator e modelo infantil. Aos 12 anos, interpretou Artful Dodger na produção teatral londrina de Oliver! Jack Dawkins, reconhecido como Artful Dodger, é um personagem do romance de 1838 de Charles Dickens, Oliver TwistO Dodger é um batedor de carteiras e seu apelido se refere à sua habilidade e astúcia nessa ocupação. Em seguida, fez uma breve participação no filme A Hard Day`s Night (1964) de Richard Lester, como um jovem fã na plateia durante uma apresentação dos Beatles, embora a cena tenha sido cortada. Essa experiência no cinema foi seguida por outra na televisão, estrelando a série Calamity the Cow (1967), produzida pela Children`s Film Foundation. Ele também teve papéis coadjuvantes no filme Chitty Chitty Bang Bang (1968); a cena final, em que as crianças correm em direção ao castelo, foi cortada da versão final.

 Apesar desses papéis, Phil Collins não se sentia realizado como ator. Sua paixão continuava sendo evidentemente a música, e sua ambição era se tornar baterista e fazer sua profissão. Mais tarde, ele se juntou à banda The Real Thing (1970), com Philip Gadd na guitarra, o irmão Martin Gadd no baixo e Peter Newton nos vocais, todos amigos da Barbara Speake Stage School. Em seguida, conseguiu shows com a banda Charge antes de formar o Freehold, composto por John “Fluff” Hunt na guitarra e vocais, Les Mannering no baixo e vocais, Jeff Slater nos vocais e pandeiro, e Phil Collins na bateria e vocais, com quem escreveu sua primeira música, “Lying, Crying, Dying”, em 1968. Aos 18 anos, junto com seu amigo e colaborador, o guitarrista Ronnie Caryl, ele acompanhou o cantor americano John Walker, da banda Walker Brothers, em uma turnê pela Grã-Bretanha. Os outros dois músicos eram Gordon “Flash” Smith no baixo e Brian Chatton, ex-organista dos Warriors, antiga banda de Jon Anderson. Ao término da turnê, os quatro jovens decidiram permanecer juntos e a sorte, formando a banda Hickory e gravando o single “Green Light/The Key” em 24 de janeiro de 1969, lançado pela CBS Records International. 

        Esse grupo se tornaria o Flaming Youth, após conhecer os compositores Ken Howard e Alan Blaikley, que lhes ofereceram a oportunidade de gravar um álbum. A banda assinou com a Fontana Records e gravou o álbum Ark II em 1969, que foi eleito Álbum do Mês pela revista musical britânica Melody Maker. Ele se apresentou no Planetário de Londres para o lançamento do álbum em 1969. Após alguns shows, o grupo não conseguiu despertar mais interesse do público ou da mídia, apesar da adição de um novo músico, o organista Rod Mayall, irmão de John Mayall. O Flaming Youth acabou se dissolvendo. Naquele mesmo ano, Phil Collins teve uma pequena participação como vendedor de sorvetes no filme I Start Counting, de David Greene, com roteiro de Richard Harris, embora não tenha sido creditado. Em 1970, Phil Collins foi convidado como músico de estúdio para o álbum de George Harrison, All Things Must Pass, no qual tocou congas na música Art of Dying. No entanto, de acordo com a autobiografia do cantor, Not Dead Yet, sua participação acabou sendo rejeitada. Phil Collins nascido em Chiswick em 30 de janeiro de 1951, no distrito londrino de Hounslow, Inglaterra é um cantor, compositor, ator e produtor britânico. Reconhecido como baterista e vocalista da banda Genesis, teve uma prolífica carreira solo de 1981 a 1996, conciliando ambas as atividades. 

            Ele também é um músico talentoso que toca vários instrumentos: bateria e percussão são seus instrumentos principais, mas ele também toca teclado, guitarra e baixo. Influenciado pelo soul music e doo-wop dos grupos da Motown e pelo pop dos Beatles, Collins começou sua carreira profissional como baterista em 1968 com a banda Freehold, com quem produziu o single “Lying, Crying, Dying/The Sandman”. Em seguida, fundou outro grupo chamado Hickory, com seu amigo Ronnie Caryl na guitarra, Brian Chatton nos teclados e Gordon Smith no baixo. O grupo mudou seu nome para Flaming Youth e lançou um álbum intitulado Ark 2. Apesar de participações na TV e críticas favoráveis, o grupo se desfez em 1970. Pouco depois, Phil Collins tornou-se membro do Genesis, a banda de rock progressivo fundada em 1967. Originalmente apenas “baterista e vocalista de apoio”, foi após a saída do vocalista Peter Gabriel em 1975 que Phil Collins se tornou, por consequência, o vocalista principal do Genesis em 1976. O grupo adicionou um segundo baterista em 1976, para as turnês Bill Braford, Chester Thompson a partir de 1977 e seu próprio filho, Nicholas Collins, a partir de 2020. Após sucessos como “Follow You Follow Me” em 1978, o Genesis, agora um trio, desfrutou de seu maior período de sucesso comercial até o início da década de 1990. Genesis foi uma banda britânica de rock formada em 1967, quando os seus fundadores Anthony Phillips, Peter Gabriel, Mike Rutherford e Tony Banks ainda estudavam na Charterhouse School. 

         O grupo alcançou enorme sucesso nas décadas de 1970, 1980 e 1990, e com aproximadamente 130 milhões de álbuns vendidos em todo o mundo, é considerada uma das mais importantes bandas de rock de todos os tempos. Sua carreira tem duas fases musicais diferentes. Na fase com Peter Gabriel como vocalista, suas estruturas musicais complexas, instrumentação elaborada e apresentações teatrais tornaram-na uma das bandas mais reverenciadas do rock progressivo na década de 1970. Criações clássicas da banda nesse período incluem a canção de 23 minutos “Supper`s Ready” do álbum Foxtrot de 1972, além do álbum conceitual de 1974 The Lamb Lies Down on Broadway. Com a saída de Peter em 1975 e sendo substituído nos vocais por Phil Collins, no final da década de 70 e a partir dos anos 80, sua música tomou um caminho distinto em direção ao pop, tornando-a mais acessível para a cena musical. Em 18 de outubro de 2006, a BBC anunciou que os membros do Genesis, incluindo Phil Collins, Mike Rutherford e Tony Banks, aceitaram reunir-se para uma turnê mundial e explorando a possibilidade de gravação de um novo material. No auge do sucesso de sua carreira solo, Phil Collins deixou a banda em 1996, sendo brevemente substituído por Ray Wilson. No entanto, o Genesis se reuniu com Phil Collins em 2007 uma turnê mundial. Alguns discursos de Collins, Hackett e Gabriel no final de 2005 sobre um provável retorno do grupo e um encontro entre os membros da banda na Suíça em janeiro de 2006 estimularam as especulações dos fãs do grupo acerca de um possível regresso. Apesar de um desmentido da produtora da banda sobre esse fato, rumores sobre uma possível reunião em meados de 2007 circularam na internet durante quase todo o ano de 2006.

Após muita especulação sobre a reunião, Tony Banks, Phil Collins e Mike Rutherford anunciaram a turnê de reunião “Turn It On Again” em 7 de novembro de 2006, quase 40 anos após a formação da banda. Foi confirmado que a primeira parte da turnê seria na Europa, em 12 países, começando em Helsinque, Finlândia em junho de 2007 e terminou em Roma, Itália em julho. A turnê então seguiu para os Estados Unidos para mais 20 concertos, encerrando-se em outubro de 2007. A ideia original era reunir também Peter Gabriel e Steve Hackett e executar a turnê para The Lamb Lies Down on Broadway. A princípio, Peter Gabriel aceitou o convite para apresentar-se, mas não gostaria de comprometer-se com a turnê, o que acabou levando a sua saída da reunião. Hackett também recusou o convite, mas mantém boas relações com o resto da banda. Em seu sítio oficial o músico expressa, inclusive, desejo de sucesso na reunião do Genesis. Diante disso, a formação da turnê foi a que vem se repetindo desde 1978: Phil Collins (voz e bateria), Tony Banks (teclados e vocais), Mike Rutherford (baixo, guitarras e vocais), Daryl Stuermer (guitarras, baixo e vocais) e Chester Thompson (bateria e sampler). Seguindo o embalo da volta aos palcos, a banda e o produtor Nick Davis relançaram álbuns antigos em 2007 no formato box-set pela Virgin Records, de Trespass a Calling All Stations, no formato 5.1. Um digital vídeo disc (DVD) extra incluindo vídeos promocionais e novas entrevistas sobre o período de lançamento de cada álbum presente.

Em 2008 foi lançado um DVD duplo com o show ocorrido em Roma, no encerramento da turnê europeia. Ele mescla sucessos da formação clássica: “In The Cage”, “Afterglow”, “Cinema Show”, “The Carpert Crawlers”, “Los Endos”, etc., com os êxitos comerciais dos anos 1980 e 90 “Land of Confusion”, “Invisible Touch”, “No Son of Mine”, etc. A partir daquele ano, Phil Collins começou “a ter problemas de saúde após sofrer uma lesão na coluna, o que o impediu de tocar bateria”. Depois de anunciar sua aposentadoria, ele retornou aos palcos em 2016. Em 23 de abril de 2018, publicou sua autobiografia, Not Dead Yet, na qual reflete abertamente sobre sua carreira. A turnê Not Dead Yet de concertos do artista musical inglês Phil Collins, nomeada em homenagem à sua autobiografia lançada em 25 de outubro de 2016.  Collins anunciou a turnê em 17 de outubro de 2016, em uma coletiva de imprensa realizada no Royal Albert Hall, em Londres. A turnê incluía cinco shows no local e cinco shows cada na Lanxess Arena, em Colônia, e na AccorHotels Arena, em Paris. Em 8 de novembro de 2016, foi anunciado que Collins seria a atração principal de um show no Hyde Park, em Londres. Em 16 de dezembro de 2016, foi anunciado que Collins se apresentaria no Aviva Stadium, em Dublin, no domingo, 25 de junho de 2017. Em 27 de fevereiro de 2017, foi anunciado que Collins se apresentaria na Echo Arena, em Liverpool, na sexta-feira, 2 de junho de 2017. Collins se apresentando para 65.000 pessoas no Hyde Park, em Londres, no dia 30 de junho de 2017, como parte da turnê Not Dead Yet

Em 8 de junho de 2017, foi anunciado que os shows cancelados de Collins nos dias 8 e 9 de junho seriam remarcados para os dias 26 e 27 de novembro. Os dois concertos foram cancelados depois de Collins ter tropeçado num degrau no quarto do seu hotel, em Londres para o hospital, após um concerto no Royal Albert Hall em 7 de junho. Devido a problemas “nervosos persistentes nas mãos”, esta foi a primeira turnê em que Collins não tocou bateria em nenhum momento do show. Em vez disso, ele incumbiu seu filho Nicholas de executar todas as partes de bateria. Collins usou um cajón durante as últimas partes da turnê. De 2017 a 2019, ele voltou a fazer turnês com seu filho Nicholas. No outono de 2021, o Genesis retornou com a The Last Domino? Tour (2021) a última turnê da carreira de Phil Collins, durante a qual ele cantou sentado, acompanhado por seu filho na bateria. Suas canções de maior sucesso comercial são: In the Air Tonight (1981), Against All Odds (1984), Take Me Home (1985) e Sussudio (1985), One More Night (1986), Two Hearts (1988), Another Day in Paradise (1989), Easy Lover (1990), Something Happened on the Way to Heaven (1989), Do You Remember (1996), Phil Collins recebeu sete prêmios Grammy, um Oscar e dois Globos de Ouro. 

Além disso, resultado de sua vocação e prêmios, tem uma estrela na Hollywood Walk of FameCalçada da Fama de Hollywood é um passeio no percurso das ruas Hollywood Boulevard e Vine Street em Hollywood, Califórnia, Estados Unidos, constituído por mais de 2 000 lajes com estrelas, fazendo menção a celebridades honradas pela Câmara do Comércio de Hollywood pelas suas contribuições para a indústria do entretenimento. Gene Autry e Britney Spears são exemplos destacados na Calçada da Fama: ele por ser a única pessoa com estrelas em todas as cinco categorias e ela por ser a pessoa mais jovem a receber uma, com 21 anos. Etnograficamente a Calçada da Fama percorre 1,3 milhas (2,1 km) de Leste para Oeste na Hollywood Boulevard a partir da North Gower Street até a Norte La Brea Avenue, além de um pequeno segmento da Marshfield Way que percorre na diagonal entre Hollywood e La Brea; e 0,4 milhas (0,7 km) de Norte a Sul na Vine Street, entre a Yucca Street e Sunset Boulevard. De acordo com um relatório de 2003 realizado pela empresa de pesquisa de mercado NPO Plog Research, a Calçada atrai cerca de 10 milhões de visitantes por ano, mais do que Sunset Strip, Grauman`s Chinese Theatre, o Queen Mary e o Los Angeles County Museum of Art e tem desempenhado um papel importante no turismo da maior indústria no condado de Los Angeles. De todas as estrelas na Calçada, de divisão do trabalho social 47% foram concedidas na categoria Indústria cinematográfica, 24% em Indústria televisiva, 17% em Indústria da música, 10% em Indústria de radiodifusão, e menos de 2% na categoria Indústria de teatro.  

Em 1953 o presidente da Câmara de Comércio de Hollywood, E. M. Stuart, teve a ideia de criar uma Calçada da Fama, como forma de "manter a glória de uma comunidade cujo nome significa glamour e emoção nos quatro cantos do mundo".[11] Uma comissão foi formada para aprofundar a ideia, e uma empresa de arquitetura foi contratada para desenvolver propostas específicas. Por volta de 1955, o conceito básico do projeto geral tinha sido acordado, e os planos foram apresentados à Câmara Municipal de Los Angeles. Existem várias versões para a origem do conceito das estrelas na calçada, uma delas seria a do histórico Hotel Hollywood - que funcionou por mais de 50 anos na Hollywood Boulevard, local hoje ocupado pelo complexo do Teatro Dolby - estrelas eram exibidas no teto da sala de jantar em homenagem aos seus mais famosos clientes celebridades, e que pode ter servido como uma inspiração. Em fevereiro de 1956, um protótipo foi apresentado. Em março de 1956, o projeto final havia sido aprovado, e entre a primavera de 1956 e outono de 1957, 1 558 homenageados foram selecionados por comitês que representavam os quatro principais ramos da indústria do entretenimento na época: Cinema, Televisão, Indústria fonográfica e rádio. Um requisito estipulado pela comissão da Indústria fonográfica (e mais tarde anulada) especificava a venda de no mínimo 1 milhão de gravações ou 250 mil álbuns para todos os candidatos da categoria.                       

O comitê logo percebeu que muitos artistas importantes seriam excluídos da calçada por essa exigência. Como resultado, a National Academy of Recording Arts and Sciences foi formada com o objetivo de criar um sistema de premiação separada para mundo da música. Os primeiros Grammy Awards foram apresentados em Beverly Hills, em 1959. A construção da calçada começou em 1958, mas dois processos atrasaram sua conclusão. O primeiro foi apresentado por proprietários locais que contestavam a legalidade de 1 250 mil dólares de imposto cobrado sobre eles para pagar a calçada, juntamente com a nova iluminação pública e árvores. O segundo processo, aberto por Charles Chaplin, Jr., buscava uma indenização pela exclusão de seu pai, cuja nomeação havia sido retirada devido à pressão de vários bairros. O processo foi arquivado em 1960 abrindo o caminho para a conclusão do projeto. Joanne Woodward é muitas vezes apontada como a primeira a receber uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood, na verdade não houve uma “primeira”; as estrelas originais foram instaladas como um projeto contínuo, sem cerimônias individuais. O nome de Woodward foi um dos oito sorteados aleatoriamente a partir de 1 558 nomes inscritos em oito estrelas “de exibição” que foram construídas disciplinarmente durante a construção permanente. Elas foram instaladas temporárias no canto noroeste da Hollywood Boulevard e Highland Avenue, em agosto de 1958, para gerar publicidade e demonstrar como a Calçada seria.           

Os outros sete nomes foram os de Olive Borden, Ronald Colman, Louise Fazenda, Preston Foster, Burt Lancaster, Edward Sedgwick, e Ernest Torrence. A inauguração oficial ocorreu em 08 fevereiro de 1960. A lenda sobre Joanne Woodward pode ter se originado, de acordo com fontes, porque ela foi a primeira a posar com sua estrela para fotógrafos. Cerca de 20 novas estrelas são adicionadas a cada ano. Em 6 de março de 2014, a calçada era composta por 2 518 estrelas. Cada estrela é rosa, fabricada de um mármore chamado terrazo e com um escudo de latão e não bronze, como é muito difundido, com o nome do homenageado e uma figura relacionada a sua área. Esta categoria visa reconhecer as várias contribuições de entidades empresariais, organizações sociais e homenageados especiais que exibe emblemas exclusivos para aqueles homenageados. Por exemplo, a estrela de ex-prefeito de Los Angeles Tom Bradley exibe o selo da cidade de Los Angeles; o emblema do Departamento de Polícia de Los Angeles é uma réplica de um crachá da Divisão de Hollywood; e as estrelas que representam corporações, como a Victoria`s Secret e os Los Angeles Dodgers, exibem o logotipo corporativo dos homenageados. O monumento a missão espacial Apollo 11 (1969), por exemplo, foram moldados exclusivamente por quatro luas circulares idênticas, com os nomes dos três astronautas: Neil A. Armstrong, Buzz Aldrin, Michael Collins, com data do primeiro pouso na Lua (20 de julho de 1969), e estão localizadas em cada um dos quatro cantos do cruzamento da Hollywood Boulevard e Vine Street. As estrelas especiais são monumentos concedidos pela Câmara de Comércio de Hollywood, mas não fazem parte da Calçada da Fama e estão apenas localizadas nas proximidades.   

Philip David Charles Collins nasceu em 30 de janeiro de 1951 no Hospital Putney, no atual distrito de Wandsworth, no Sudoeste de Londres, Inglaterra. Na época, o Hospital Putney ficava no distrito metropolitano de Wandsworth, no condado de Londres. Sua mãe, June Winifred (nascida Strange, 1913–2011), trabalhava em uma loja de brinquedos e, como agente teatral na Barbara Speake Stage School, uma escola independente de artes cênicas em East Acton, no atual distrito londrino de Ealing, enquanto seu pai, Greville Philip Austin Collins (1907–1972), era agente de seguros da London Assurance. Collins é o caçula de três filhos; sua irmã, Carole, competiu como patinadora artística profissional e seguiu os passos de June como agente teatral, enquanto seu irmão, Clive, era cartunista. A família mudou-se duas vezes quando Collins completou três anos, estabelecendo-se no número 453 da Hanworth Road, no município de Brentford e Chiswick, agora parte do município londrino de Hounslow. Phill Collins ganhou uma bateria de brinquedo no Natal aos cinco anos de idade e, mais tarde, seus dois tios fizeram para ele um conjunto improvisado com triângulos e pandeiros que cabia em uma mala. 

Estes foram seguidos por conjuntos musicais mais completos comprados por June e Greville progressivamente à medida que Collins crescia. Collins praticava tocando junto com músicas na televisão e no rádio. Durante umas férias em família no Butlin`s, Collins, aos sete anos, participou de um importante concurso de talentos, cantando “The Ballad of Davy Crockett” (1955); ele interrompeu a orquestra no meio da música para dizer que estavam na tonalidade errada. Os Beatles foram uma grande influência inicial para ele, incluindo seu baterista Ringo Starr. Collins seguia a banda londrina menos conhecida The Action, cujo baterista, Roger Powell, ele imitava e cujo trabalho o apresentou à música soul da Motown e da Stax Records. Collins também foi influenciado pelo baterista de jazz e big band Buddy Rich (1917-1987), cuja opinião sobre a importância do chimbal levou o primeiro a parar de usar um segundo bumbo e começar a usar o chimbal. Collins recebeu aulas básicas de piano e música da tia de Greville por volta dos 12 anos de idade. Collins estudou rudimentos de bateria com Lloyd Ryan e mais tarde com Frank King, e considerou esse treinamento “mais útil do que qualquer outra coisa porque eles são usados o tempo todo. Em qualquer tipo de bateria funk ou jazz, os rudimentos estão sempre presentes”. Collins nunca aprendeu a ler ou escrever notação musical e criou seu próprio sistema, do qual se arrependeu mais tarde. - “Sempre achei que se eu conseguisse cantarolar, conseguiria tocar. Para mim, isso era suficiente, mas essa atitude é ruim”.

Collins frequentou a Nelson Primary School em Twickenham, então parte de Middlesex e agora parte do distrito londrino de Richmond upon Thames, até 1962, quando foi aceito na Chiswick County Grammar School em Chiswick, no atual distrito londrino de Hounslow. Lá, Collins se apaixonou por futebol e formou a Real Thing, uma banda escolar que tinha sua futura esposa Andrea Bertorelli e a amiga Lavinia Lang como backing vocals; ambas as mulheres teriam um impacto social na vida pessoal de Collins nos anos seguintes. O próximo grupo de Collins foi o Freehold, com quem ele escreveu sua primeira música, “Lying, Crying, Dying”, e tocou em um grupo chamado The Charge. Collins era amigo de infância de Jack Wild, que se tornaria famoso por interpretar o Artful Dodger no filme musical dramático Oliver! (1968). June avistou Wild quando ele e Collins estavam jogando futebol juntos no parque, e os dois meninos frequentavam a escola Barbara Speake. Embora originalmente concebida em parte para incentivar o redesenvolvimento da Hollywood Boulevard, os anos 1960 e 1970 foram períodos de decadência urbana prolongada na área de Hollywood com os moradores se mudando para os subúrbios da cidade. Extraordinariamente mais 1 500 estrelas foram instaladas entre 1960-1961, depois oito anos se passaram sem a adição de uma nova estrela.

Escólio: Se o espaço “é um lugar praticado”, para concordarmos com Michel de Certeau, que desenvolve de forma conspícua a percepção fenomenológica do cotidiano, através do que ele denominou “invenção do cotidiano”, livro que já alcançou em 2013 a 20ª edição pelas Editoras Vozes, a rua geometricamente definida por um urbanismo “é transformada em espaço pelos pedestres”. Analogamente, a leitura é o espaço produzido pela prática do lugar constituído por um sistema de signos – um manuscrito. Merleau-Ponty já distinguia de um espaço geométrico outra espacialidade que denominava “espaço antropológico”, que visava separar da univocidade geométrica a experiência de um “fora” dado sob a forma de espaço e para o qual dialeticamente o “espaço é existencial” e “a existência é espacial”. Essa experiência dialética é relação com o mundo, no sonho e na percepção, de Freud aos nossos dias, e per se anterior à sua diferenciação.  Ela exprime o nosso ser situado por um desejo, indissociável da existência e plantado no espaço de uma paisagem em experiências espaciais distintas. A cadeia das operações espacializante parece toda pontilhada de referências ao que produz uma representação de lugares ou ao que implica uma ordem local. Tem-se assim a estrutura do relato de viagem, histórias de caminhadas e gestas que são marcadas pela “citação” dos lugares que daí resulta ou que as autoridades simbólicas preconizam preconceitos sociais.                     

Os relatos antropológicos efetuam um trabalho que, seguindo a etnografia extraordinária de Michel de Certeau (1925-1986), incessantemente, transforma “lugares em espaços” ou “espaços em lugares”. Organizam também os “jogos” das relações sociais mutáveis que uns mantêm com os outros. São inúmeros esses jogos, num leque se estende desde a implantação de uma ordem imóvel e quase mineralógica até a sucessividade acelerada das ações multiplicadoras de espaços populares, no âmbito das representações da vida. A Câmara Municipal de Los Angeles, Estados Unidos, aprovou uma lei nomeando a Câmara de Comércio de Hollywood como “The Agent to Advise the City” (1962) sobre a adição de novos nomes a calçada, e a Câmara, ao longo dos seis anos seguintes, criou regras, procedimentos e métodos de financiamento para fazê-lo. Em dezembro de 1968, Richard D. Zanuck foi premiado com a primeira estrela em oito anos em uma cerimônia de apresentação apresentada por Danny Thomas. Em julho de 1978, a prefeitura de Los Angeles nomeou a Calçada da Fama de Hollywood um Monumento Histórico e Cultural da cidade, estabelecendo-se como uma atração turística importante.

A partir de 1968, Johnny Grant (1923-2008) prefeito honorário de Hollywood, estimulou a publicidade e a cobertura da imprensa internacional, exigindo também que cada homenageado fosse pessoalmente a inauguração da cerimônia de sua estrela. Johnny recordou mais tarde que “foi difícil conseguir que as pessoas viessem a aceitar uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood” até que a região da Boulevard fosse finalmente recuperada a partir dos anos 1980. Johnny Grant aprovou uma taxa de US$ 2 500, pagos pelo homenageado ou entidade de nomeação do destinatário, para financiar a manutenção da Calçada da Fama. Essa taxa tem aumentado progressivamente ao longo do tempo; em 2002 seu valor realmente era de US$ 15 000, em 2012 tinha chegado a US$ 30 000. Grant foi premiado com uma estrela em 1980 por seu trabalho na televisão, e em 2002 ele recebeu uma segunda estrela na categoria Especial pelo reconhecimento de seu papel na melhoria e popularização da calçada da fama. Em 1984, uma quinta categoria, a Indústria de teatro, foi adicionada a calçada para permitir o reconhecimento das contribuições do ramo da indústria do entretenimento teatral, e uma segunda fileira de estrelas foi criada em cada calçada para alternar comparativamente com as estrelas existentes. Em 1994, a Calçada da Fama foi estendida para oeste na Hollywood Boulevard, Sycamore Avenue e ao Norte da LaBrea Avenue, onde termina na praça “Four Ladies of Hollywood”. 

No mesmo ano, Sophia Loren foi homenageada com a estrela de número 2 000. Durante a construção de túneis para o sistema de metrô de Los Angeles, em 1996, a Autoridade de Transporte Metropolitano removeu e armazenou mais de 300 estrelas. Em 2008, um projeto de restauração a longo prazo começou com uma avaliação de todas as 2 365 estrelas na Calçada, cada um recebendo uma carta de grau A, B, C, D ou F. Nas estrelas com notas “F”, foram indicados os danos mais graves, outras cinquenta estrelas receberam notas “D”. Pelo menos 778 estrelas foram eventualmente reparadas ou substituídas a um custo estimado de US$ 4 milhões. Para incentivar o financiamento suplementar para o projeto, o programa “Amigos da Calçada da Fama” foi inaugurado. Absolut Vodka foi a primeira empresa amiga e doou US$ 1 milhão, seguida da L`Oréal. Os amigos da calçada são reconhecidos com placas honoríficas adjacentes à Calçada da Fama em frente ao Teatro Dolby. O programa, porém, recebeu algumas críticas. Gene Autry é o único homenageado com estrelas em todas as cinco categorias. Bob Hope, Mickey Rooney, Roy Rogers, e Tony Martin tem cada um quatro estrelas em quatro categorias. Trinta e três pessoas, incluindo Bing Crosby, Dean Martin, Frank Sinatra, Dinah Shore, Gale Storm, Danny Kaye, e Jack Benny, tem três estrelas individualmente. Sete artistas têm duas estrelas na mesma categoria por realizações distintas: Michael Jackson, como performance solo e como membro do The Jackson 5; Diana Ross, como membro da The Supremes e por seu trabalho solo; Smokey Robinson, também como um artista solo e como membro da The Supremes; e John Lennon, George Harrison, Ringo Starr e Paul McCartney, cada um com uma estrela e como membros dos Beatles.  

Indisciplinada Cher perdeu a chance de ser homenageada, já que se recusou a agendar sua participação pessoal e obrigatória quando foi selecionada em 1983. Ela esteve presente na inauguração da estrela Sonny & Cher, em 1998, como uma homenagem ao seu ex-marido, Sonny Bono. George Eastman é o único homenageado com duas estrelas na mesma categoria pela mesma realização, a invenção do filme fotográfico. O nome de Charles Chaplin (cf. Chaplin, 1981; Matos-Cruz, 1982) foi censurado entre os primeiros homenageados, e logo suas impressões foram retiradas do local por conta de questões relacionadas com a sua moral (ele havia sido acusado de violar a Lei de Mann Act (White-Slave Traffic Act) durante a década de 1940, mas é mais provável, que tivesse sido devido às suas opiniões políticas. Sua estrela foi finalmente adicionada à calçada em 1972, no mesmo ano em que recebeu seu Oscar, independente do motivo que manteve o ator fora da calçada, atualmente ele é uma das estrelas mais fotografadas. Em 1978, o comitê da Câmara de Comércio de Hollywood, votou contra a concessão de uma estrela ao ator, atleta, escritor, advogado e ativista social Paul Robeson. O clamor da indústria cultural, de círculos cívicos, políticos locais e nacionais, e outros foram tão intensos que decisão foi revertida quase que imediatamente. É difícil escapar à impressão de que em geral as pessoas usam “medidas falsas”, dizia Freud (2011), com razão, sobre a questão tópica do mal-estar na civilização, de que buscam poder, sucesso, riqueza para si mesmas e admiram aqueles que os têm, assim subestimando os autênticos valores da vida. 

E, no entanto, corremos o risco, num julgamento assim genérico, de esquecer a variedade do humano - last but not least – e de sua vida psíquica. Existem homens que não deixam de ser venerados pelos contemporâneos, como Herman Hesse (1877-1962), embora sua grandeza repouse em qualidades e realizações inteiramente alheias aos objetivos e ideais da multidão. Provavelmente se há de supor que apenas uma minoria reconhece esses grandes homens, enquanto a maioria os ignora. Mas a coisa, é claro, pode não ser tão simples assim, devido à incongruência entre as ideias e os atos das pessoas e à diversidade dos seus desejos. A ideia de que o homem adquire noção de seu vínculo com o mundo por um sentimento imediato, desde o início orientado para isso, é tão estranha, ajusta-se tão mal à nossa trama, que podemos tentar uma aproximação psicanalítica, genética para esse sentimento. A seguinte linha de pensamento se oferece. Normalmente nada é mais seguro do que o sentimento de nós mesmos, de nosso Eu. Este Eu nos aparece como autônomo, unitário, bem demarcado de tudo o mais. Que esta aparência é enganosa, que o Eu na verdade se prolonga para dentro, sem fronteira nítida, numa entidade psíquica inconsciente a que denominamos Id, à qual ele serve de fachada – isto aprendemos com a pesquisa psicanalítica, mas que não é bem o nosso caso, na sociologia que propugnamos. De todo modo a patologia nos apresenta um grande número de estados em que a delimitação do Eu ante o mundo externo se torna problemática, e nos faz lembrar a expressão de despedida de Gilles Deleuze (1997) que tomamos de empréstimo, através das palavras, entre as palavras, que se vê e que se ouve: - “A vergonha de ser um homem: haverá razão melhor para escrever?”. Ipso facto, no prefácio à 2ª edição da obra Da Divisão do Trabalho Social, de Émile Durkheim (2010) lembra-nos da ideia que ficou na penumbra na primeira edição e que parece útil ressaltar e determinar melhor, pois ela esclarecerá melhor algumas partes do presente trabalho. Trata-se do papel social que os agrupamentos profissionais estão destinados a desempenhar na organização social dos povos contemporâneos. 

Mas o que proporciona, particularmente nos dias de hoje, excepcional gravidade a esse estado é o desenvolvimento então desconhecido, que as funções econômicas adquiriram nos últimos dois séculos, aproximadamente. Estamos longe do tempo em que eram desdenhosamente abandonadas às classes inferiores, pois diante delas, vemos as funções militares, administrativas, religiosas recuarem cada vez mais. Somente as funções científicas, adverte o pragmático sociólogo, que encetou sua obra magnífica em torno de dez anos de produção ininterrupta, de reconhecimento, estão em condição de disputar-lhes o lugar – e ainda assim, a ciência contemporaneamente só tem prestígio na medida em que pode servir à prática, isto é, em grande parte, às “profissões econômicas”. É por isso que se pode dizer, não sem alguma razão, que elas são ou tendem a ser essencialmente industriais. Uma forma de atividade generalizada que tomou lugar na vida social não pode, evidentemente, permanecer tão desregulamentada, em seu desempenho e atividade, sem que disso resulte os impactos sociais sobre a divisão do trabalho e as mais profundas perturbações. 

Mas sofrer no trabalho não é uma fatalidade. É, em particular, como decorre e testemunhamos, uma fonte de desmoralização geral real. Pois, precisamente porque as funções econômicas absorvem o maior número de cidadãos, para o pleno desenvolvimento da vida social, há uma multidão de indivíduos, como dizia Freud, cuja vida transcorre quase toda no meio industrial e comercial; a decorrência disso é que, como tal meio é pouco marcado pela moralidade, a maior parte da existência transcorre fora de toda e qualquer ação moral. A tese funcionalista expressa na pena de Émile Durkheim, como uma espécie de antídoto da civilização, e que o sentimento do dever cumprido se fixe fortemente em nós, é preciso que as próprias circunstâncias em que vivemos permanentemente desperto. A atividade de uma profissão só pode ser regulamentada eficazmente por “um grupo próximo o bastante dessa mesma profissão para conhecer bem seu funcionamento, para sentir todas as suas necessidades e poder seguir todas as variações destas”. O único grupo que corresponde a essas condições é o que seria formado por todos os agentes de uma mesma condição reunidos num mesmo corpo. E que a sociologia durkheimiana conceitua de corporação ou grupo profissional. É na ordem econômica que o grupo profissional existe tanto quanto a moral profissional. Desde que, não sem razão, com a supressão das antigas corporações, não se fizeram mais do que tentativas fragmentárias e incompletas para reconstituí-las em novas bases sociais. Os únicos agrupamentos dotados de permanência são os que se chamam sindicatos, seja de patrões, seja de operários. Historicamente, temos aí in statu nascendi o começo e o princípio ético de uma organização profissional, mas ainda historicamente de forma rudimentar.

Isto porque, em primeiro lugar, um sindicato é uma associação privada, sem autoridade legal, desprovida, por conseguinte, de qualquer poder regulamentador. O número deles é teoricamente ilimitado, mesmo no interior de uma categoria industrial; e, como cada um é independente dos outros, se não se constituem em federação e se unificam, não há neles nada que exprima a unidade da profissão em seu conjunto de práticas e saberes sociais. Não só os sindicatos de patrões e de empregados são distintos uns dos outros, o que é legítimo e necessário, como não há entre eles contatos regulares. Não existe organização comum que os aproxime sem fazê-los perder sua individualidade e na qual possam elaborar em comum uma regulamentação que, estabelecendo suas relações mútuas, imponha-se a ambas as partes com a mesma autoridade; por conseguinte, é sempre a “lei dos mais forte” que resolve os conflitos, e o estado de guerra subiste inteiro. Salvo no caso de seus atos pertencentes à esfera moral comum estão na mesma situação. A tese sociológica é a seguinte: para que uma moral e um direito profissionais possam se estabelecer nas diferentes profissões, é necessário, pois, que a corporação, em vez de permanecer um agregado confuso e sem unidade, se torne, ou antes, volte a ser, um grupo definido, organizado, uma instituição pública. A primeira observação familiar da crítica de Durkheim, é que a corporação tem contra si seu próprio passado histórico.

Ela é tida como intimamente solidária do antigo regime político e, por conseguinte, como incapaz de sobreviver a ele. Na história da filosofia, o que permite considerar as corporações uma organização temporária, boa apenas para uma época e uma civilização determinada, é, ao mesmo tempo, sua grande antiguidade e a maneira como se desenvolveram na história. Se elas datassem unicamente da Idade Média, poder-se-ia crer, de fato que, nascidas com um sistema político, deviam necessariamente desaparecer com ele. Mas, na realidade, têm uma origem bem mais antiga. Em geral, elas aparecem desde que as profissões existem, isto é, desde que a atividade deixa de ser puramente agrícola. Se não parecem ter sido conhecidas na Grécia, da conquista romana, é porque os ofícios, sendo desprezados, eram exercidos por estrangeiros e, por isso mesmo, achavam-se excluídos da organização legal da cidade. Mas em Roma, comparativamente, elas datam pelo menos dos primeiros tempos da República; uma tradição chegava até a atribuir sua criação ao rei Numa, um sabino escolhido como segundo rei de Roma. Sábio, pacífico e religioso, dedicou-se a elaboração das primeiras leis de Roma, assim como dos primeiros ofícios religiosos da cidade e do primeiro calendário.                         

É verdade que, por tempo, elas tiveram de levar uma existência bastante humilde, pois os historiadores e os monumentos só raramente as mencionam; não sabemos muito bem como eram organizadas. Desde de Cícero, sua quantidade tornara-se considerável e elas começavam a desempenhar um papel. Mas o caráter desses agrupamentos se modificou; eles acabaram tornando-se “verdadeiras engrenagens da administração”. Desempenhavam funções oficiais; cada profissão era vista como um serviço público, cujo encargo e cuja responsabilidade ante o Estado cabiam à corporação correspondente. Foi a ruína da instituição. Porque, segundo Durkheim, essa dependência em relação ao Estado não tardou a degenerar numa servidão intolerável que os imperadores só puderam manter pela coerção. Todas as sortes de procedimentos foram empregadas para impedir que os trabalhadores escapassem das pesadas obrigações que resultavam, para eles, de sua própria profissão. Evidentemente, tal sistema de trabalho só podia durar enquanto o poder político fosse o bastante para impô-lo. 

É por isso que ele não sobreviveu à dissolução do Império. Aliás, as guerras civis e as invasões haviam destruído o comércio e a indústria; os artesãos aproveitaram essas circunstâncias para fugir das cidades e se dispersar nos campos. Assim, os primeiros séculos de nossa era viram produzir-se um fenômeno que devia se repetir tal qual no fim do século XVII: a vida corporativa se extinguiu quase por completo. Mal subsistiram alguns vestígios seus, na Gália e na Germânia, nas cidades de origem romana. Portanto, naquele momento, um teórico tivesse tomado consciência da situação, teria provavelmente concluído, como o fizeram mais tarde os economistas, que as corporações não tinham, ou, em todo caso, não tinham mais razão de ser, que haviam desaparecido irreversivelmente, e sem dúvida teria tratado de retrógrada e irrealizável toda tentativa de reconstituí-las. Os acontecimentos desmentiriam uma tal profecia. De fato, após um “eclipse da razão” de algum tempo caminhando para os nossos dias, as corporações recomeçaram nova existência em todas as sociedades europeias. Elas renasceram por volta dos séculos XI e XII. Desde esse momento, diz Emile Levasseur (1828-1911), “os artesãos começam a sentir a necessidade de se unir e formam suas primeiras associações”.  No século XII, elas estão outra vez florescentes e se desenvolvem até o dia em que começa para elas uma nova decadência. Uma instituição tão persistente assim não poderia depender de uma particularidade contingente e acidental; muito menos ainda é possível admitir que tenha sido o produto de não sei que “aberração coletiva”. 

Se, desde a origem da cidade até o apogeu do Império, desde o alvorecer das sociedades cristãs aos tempos modernos, elas foram necessárias, é porque correspondem a necessidades duradouras e profundas. Sobretudo, o próprio fato social de que, depois de terem desaparecido uma primeira vez, reconstituíram-se por si mesmas e sob uma nova forma, retira todo e qualquer valor ao argumento que apresenta sua desaparição violenta no fim do século passado como uma prova de que não estão mais em harmonia com as novas condições de existência coletiva. A necessidade que todas as grandes sociedades civilizadas sentem de chamá-las de volta à vida é o mais seguro sintoma evidente dessa supressão radical não era um remédio e de que a reforma de Jacques Turgot (1727-1781) requeria outra que não poderia ser indefinidamente adiada. Mas o sociólogo francês lembra que nem toda organização corporativa é anacronismo histórico. Acreditamos que ela seria chamada a desempenhar, nas sociedades contemporâneas, pelo papel considerável que julgamos indispensável, por causa não dos serviços econômicos que ela poderia prestar, mas da influência moral que poderia ter.  O que vemos antes de mais nada no grupo profissional é um poder moral capaz de conter os egoísmos individuais, de manter no coração dos trabalhadores um sentimento vivo de solidariedade comum, de impedir que a “lei do mais forte” se aplique de maneira brutal nas relações industriais e comerciais. Mas é preciso evitar estender a todo regime corporativo o que pode ter sido válido para certas corporações e durante um curto lapso de tempo de seu desenvolvimento. Longe de ser atingido por uma sorte de enfermidade moral devida à sua própria constituição, foi sobretudo um papel moral que ele representou e continua representando ainda, na maior parte de sua história.                       

Isso é particularmente evidente no caso das corporações romanas. Sem dúvida, a associação lhes dava mais forças para salvaguardar, se necessário, seus interesses comuns. Mas era isso apenas um dos contragolpes úteis que a instituição produzia, lembra Durkheim: “não era sua razão de ser, sua função principal. Antes de mais nada, a corporação era um colégio religioso”. Cada uma tinha seu deus particular, cujo culto quando ela tinha meios, era celebrado num templo especial. Do mesmo modo que cada família tinha seu Lar familiaris, cada cidade seu Genius publicus, cada colégio tinha seu deus tutelar, Genius collegi. Naturalmente, o culto profissional não se realizava sem festas, que eram celebradas em comum sem sacrifícios e banquetes. Todas as espécies de circunstâncias serviam, aliás, de ocasião para alegres reuniões, além disso, distribuições de víveres ou de dinheiro ocorriam com frequência às expensas da comunidade. Indagou-se se a corporação tinha uma caixa de auxílio, se ela assistia regularmente seus membros necessitados, e as opiniões a esse respeito são divididas. Mas o que retira da discussão parte de seu interesse e de seu alcance é que esses banquetes comuns, mais ou menos periódicos, e as distribuições que os acompanharam serviam de auxílios e faziam não raro as vezes de uma assistência direta. Os infortunados sabiam que podiam contar com essa subvenção dissimulada. Como corolário do caráter religioso, o colégio de artesãos era, ao mesmo tempo, um colégio funerário. Unidos, como gentiles, num culto durante sua vida, os membros da corporação queriam, como eles, dormir juntos seu derradeiro sono. 

A importância tão considerável que a religião tinha em sua vida, tanto em Roma quanto na Idade Média, põe particularmente em evidência a verdadeira natureza de suas funções; porque toda comunidade religiosa constituía, então, um ambiente moral, do mesmo modo que toda disciplina moral tendia necessariamente a adquirir uma forma religiosa. A partir do instante em que, no seio de uma sociedade política, certo número de indivíduos tem em comum ideias, interesses, sentimentos, ocupações que o resto da população não partilha com eles, é inevitável que, sob a influência dessas similitudes eles sejam atraídos uns para os outros, que se procurem, teçam relações, se associem e que se forme assim, pouco a pouco, um grupo restrito, com sua fisionomia especial da sociedade em geral. Porque é impossível que homens vivam juntos, estejam regularmente em contato, sem adquirirem o sentimento do todo que formam por sua união, sem que se apeguem a esse todo, se preocupem com seus interesses e o levem em conta em sua conduta. Enfim, basta que esse sentimento se precise e se determine, que, aplicando-se às circunstâncias mais ordinárias e mais importantes da vida, se traduza em fórmulas definidas, para que se tenha um corpo de regras morais em via de se constituir. Ao mesmo tempo que se produz por si mesmo e pela força das coisas, esse resultado é útil e o sentimento de sua utilidade contribui para confirma-lo. A vida em comum é atraente, ao mesmo tempo que coercitiva. 

Para o ponto de vista conservantista do método analítico durkheimiano, a coerção é necessária para levar o homem a se superar, a acrescentar à sua natureza física outra natureza; mas, à medida que aprende a apreciar os encantos dessa nova existência, ele contrai a sua necessidade e não há ordem de atividade que não os busque com paixão. A moral doméstica não se formou de outro modo. Por causa do prestígio que a família conserva ante nossos olhos, parece-nos que, se e ela foi e é sempre uma escola de dedicação e de abnegação, o escopo por excelência da moralidade, é em virtude de características bastante particulares que teria o privilégio e que não se encontrariam em ouro lugar em nenhum grau. Costuma-se crer que exista antropologicamente na consanguinidade uma causa excepcionalmente poderosa de aproximação moral. A prova está em que, num sem-número de sociedades, os não-consanguíneos são muitos no seio da família; o parentesco dito artificial se contrai então com grande facilidade e exerce todos os efeitos de poder do parentesco natural. Inversamente, acontece com grande frequência consanguíneos bem próximos serem, moral ou juridicamente, estranhos uns aos outros; é, por exemplo, o caso dos cognatos na família romana. A família não deve suas virtudes à unidade de descendência: ela é, um grupo de indivíduos que foram aproximados uns dos outros, no seio da sociedade política, por uma comunidade mais particularmente estreita de ideias, sentimentos e interesses. A consanguinidade pode ter facilitado essa concentração, pois ela tem por efeito natural inclinar as consciências umas em relação às outras. Outros fatores intervieram: a proximidade material, a solidariedade de interesses, a necessidade de união contra um perigo comum, ou simplesmente de se unir, foram causas muito mais poderosas de comunicação social no processo produtivo. 

Mas, para dissipar todas as prevenções, adverte Durkheim, para mostrar bem que o sistema corporativo não é apenas uma instituição do passado, seria necessário mostrar que transformações ele deve e pode sofrer para se adaptar às sociedades modernas, pois é evidente que ele não pode ser o que era na Idade Média. Seriam necessários estudos comparativos que não estão feitos e que não podemos fazer de passagem. Talvez, porém, não seja impossível perceber desde já, mas apenas em suas linhas mais gerais, o que foi esse desenvolvimento. O historiador que empreende resolver em seus elementos a organização política dos romanos não encontra, no decurso de sua análise, nenhum fato socialmente que possa adverti-lo da existência das corporações. Elas não entravam na constituição romana, na qualidade de unidades definidas e reconhecidas. Em nenhuma das assembleias eleitorais, em nenhuma das reuniões do exército, os artesãos se reuniam por colégios. Em parte alguma o grupo profissional tomava parte, como tal, na vida pública, seja em corpo, seja por intermédio de representantes regulares. No máximo, a questão pode se colocar a propósito de três ou quatro colégios que se imaginou poder identificar com algumas das centúrias constituídas por Sérvio Túlio, a saber: tignari (construtores de casas), aerari (corporação clerical), tibicines (monumento funerário), corporações cornicínes (espécie de pizza enrolada), mas o fato não está bem estabelecido. 

Quanto às outras corporações, estavam certamente fora da organização oficial do povo romano. Ora, por muito tempo os ofícios não foram mais do que uma forma acessória e secundária da atividade social dos romanos. Roma era per se uma sociedade agrícola e guerreira. No primeiro era dividida em gentes e em cúrias; a assembleia por centúrias refletia antes a organização militar. Quanto às funções industriais, eram demasiado rudimentares para afetar a estrutura política da cidade. Aliás, até um momento bem avançado da história romana, os ofícios permaneceram marcados por um descrédito moral que não lhes permitia ocupar uma posição regular no Estado. Sem dúvida, veio um tempo em que sua condição social melhorou. Mas a própria maneira como foi obtida essa melhora é significativa. Para conseguir fazer respeitar seus interesses e desempenhar um papel na vida pública, os artesãos tiveram de recorrer a procedimentos irregulares e extralegais. Só triunfaram sobre o desprezo de que eram objeto por meios de intrigas, complôs, agitação clandestina. E, se, mais tarde, acabaram sendo integrados ao Estado para se tornar engrenagens da máquina administrativa, essa situação como foi, para eles, uma conquista gloriosa, mas uma penosa dependência; se entraram então no Estado, não foi para nele ocupar a posição a que seus serviços sociais podiam lhes dar direito, mas simplesmente para poder ser mais bem vigiados pelo poder governamental. 

Quando as cidades se emanciparam da tutela senhorial, quando a comuna se formou, o corpo de ofícios, que antecipara e preparara esse movimento, tornou-se a base da constituição comunal. De fato, segundo J.-P Waltzing, “em quase todas as comunas, o sistema político e a eleição dos magistrados baseiam-se na divisão dos cidadãos em corpos de ofícios”. Era costumeiro votar-se por corpos de ofícios e elegiam-se ao mesmo tempo os chefes da corporação e os da comuna. – Em Amiens, por exemplo, os artesãos se reuniam todos os anos para eleger os prefeitos de cada corporação ou bandeira (bannière); os prefeitos eleitos nomeavam em seguida doze escabinos, que nomeavam outros doze, e o escabinato apresentava, por sua vez, aos prefeitos das bandeiras três pessoas, dentre as quais eles escolhiam o prefeito da comuna. Em algumas cidades, o modo de eleição era ainda mais complicado, mas, em todas, a organização política e municipal era intimamente ligada à organização do trabalho. Inversamente, assim como a comuna era um agregado de corpos de ofícios, o corpo de ofício era uma comuna em miniatura, pelo próprio fato de que fora o modelo do qual a instituição comunal era a forma ampliada e desenvolvida. Queremos dizer com isso, que sabemos o que a comuna foi na história de nossas sociedades, de que se tornou, com o tempo, a pedra angular. Ipso facto, já que era uma reunião de corporações e que se formou com base no tipo da corporação, esta foi em última análise, que serviu de base a todo o sistema político oriundo do movimento comunal em torno do continente europeu. Vê-se que, em sua trajetória, ela cresceu singularmente em importância culturalmente e dignidade política. Em Roma, começou estando quase fora dos contextos normais, ela serviu de marco elementar para sociedades contemporâneas. É um motivo para que recusemos a considera-la instituição cinematográfica arcaica destinada a desaparecer.

Bibliografia Geral Consultada.

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