“Não se teria jamais atingido o possível, se não se houvesse tentado o impossível”. Max Weber
A obra A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo (2003) é considerada a grande obra de Max Weber e o seu texto reconhecido. A primeira parte desta obra foi publicada em 1904 e a segunda veio a público em 1905, depois da viagem do autor e de sua esposa Marianne Schnitger (1870-1954), destacada feminista e escritora aos Estados Unidos da América. Analisando o processo em seu conjunto, Weber verifica que dos dogmas e, em especial, dos impulsos morais do protestantismo, derivados após a reforma de Lutero, surge uma forma de vida de caráter metódico, disciplinado e racional. Da base moral do protestantismo surge não só a valorização religiosa do trabalho e da riqueza, mas também uma forma de vida que submete toda a existência do indivíduo a uma lógica férrea e coerente: uma personalidade sistemática e ordenada. Sem estes impulsos morais não seria possível compreender a ideia de vocação profissional, concepção que subjaz as figuras modernas do operário e do empresário. A moral presente na vida social dos círculos protestantes possui uma relação sociológica de afinidade eletiva com o comportamento (espírito) que subjaz ao sistema econômico e, disciplinar, ainda que não derive deste fator unicausal, trata-se de um impulso vital para o entendimento do mundo social tanto moderno quanto contemporâneo. Max Weber destaca que, apesar de secularizada, ou seja, desprovida de fundamentos religiosos, a vida aquisitiva moderna generalizou-se para todo conjunto da vida social: os puritanos queriam tornar-se monges, todos têm que segui-los.
Esta avaliação também ganha contornos analíticos críticos, pois Weber constata que a lógica da produção, do trabalho e da riqueza envolve o mundo moderno como uma “jaula de ferro” (Eisernen Käfig) e se pergunta qual o destino dos tempos modernos: o ressurgimento de velhas ideias ou profecias ou uma realidade petrificada, até que a última tonelada de carvão fóssil seja queimada? Em tons que lembram Friedrich Nietzsche (1844-1900), ele dirá ainda sobre os homens de imaginação sociológica insípida dos tempos atuais: “especialistas sem espírito, nulidades sem coração”. Esta visão crítica do capitalismo encorajou importantes pensadores marxistas como Georg Lukács (1885-1971), Karl Löwith, Michael Löwy a ressaltarem algumas afinidades do pensamento hic et nunc com a visão marxista, corrente que, sem menosprezar as sensíveis diferenças entre as duas formas de pensamento, denominada de webero-marxismo (cf. Löwy, 2014). No entanto, diferente da visão marxista, que privilegia os condicionamentos econômicos, Max Weber, coerente com uma visão multicausal dos níveis sociais, destaca seus fatores culturais e, mais tarde, concordando com Marx, enfatizará também os fatores materiais ou níveis de análise com domínio econômico, no surgimento das instituições modernas sobre a questão específica a respeito das Afinidade eletivas.
Lembra Michael Löwy que são raros os pesquisadores especializados em sociologia das religiões que, ao comentar os escritos de Weber sobre o tema hic et nunc, em particular A Ética Protestante e o Espírito do Capitlismo, não constataram a utilização conceitual através do termo “afinidade eletiva”. Isto porque, estranhamente, esse termo suscitou poucos estudos, discussões acadêmicas ou debates conspícuos e menos ainda uma análise criteriosa mais sistemática de seu significado metodológico. Dentre estes existe o ensaio de Richard Howe (1978) que contém informações úteis sobre as origens do termo, mas a definição que ele propõe considerando a “afinidade eletiva”, como uma ideia no sentido de emprego formalista kantiano não é muito pertinente. Além disso, na interpretação Löwyniana, o referido autor não distingue a “afinidade interna” da conceitual afinidade eletiva, sociologicamente o que elimina o papel social decisivo da eleição. Enfim, ele parece querer reduzir a Wahlverwandtschaft a uma “afinidade entre palavras”, em função da “interseção de significados”, o que limita seu considerável alcance de interpretação. No ensaio de J. J. R. Thomas (1985) depois de uma discussão não sem interesse, chega a conclusão decepcionante: - “Tentando evitar o conceito de ideologia, considerado por ele grosseiramente materialista, Weber criou um conceito [afinidade eletiva] que não leva a lugar algum”. A contribuição é a de José María González Garcia que dedicou às afinidades eletivas um capítulo de seu livro entre Max Weber e Johann Wolfgang von Goethe (1992).
O termo Wahlverwandtschaft tem uma longa história, muito anterior aos escritos sobre religião de Max Weber. Foi na alquimia medieval que o termo “afinidade” começou a ser usado para explicar a atração e fusão dos corpos. Segundo Alberto Magno (1193-1280), se o enxofre se une aos metais, é por causa da afinidade que ele tem com esses corpos: “propter affinitarem naturae metalla adurit”. Encontramos essa temática nos alquimistas dos séculos seguintes. Por exemplo, Hermannus Boerhaave (1668-1738) em seu livro Elementa Chimiane (1724), explica que “particulae solventes et solutae se affinitate suae naturae colligunt in corpora homogênea”. A afinidade do ponto de vista desta ciência é uma força em virtude da qual duas substâncias “procuram-se, unem-se e encontram-se” numa espécie de casamento, de bodas químicas, antes procedendo do amor que do ódio, “magis ex amore quam ex dio”. O termo attractio electiva aparece pela primeira vez nos escritos do químico sueco Torbern Olof Bergman (1735-1784). Seu livro, De Attractionjibus Electivis (Upsalla, 1775), foi traduzido para o francês com o título de Traité des affinités chimiques ou Attractions électives (1788). Na tradução alemã (Frankfurt, Tabor, 1782-1790), “atração eletiva” foi exatamente traduzido por Wahlverwandtschaft, isto é, “afinidade eletiva”. Foi dessa versão alemã do livro de Bergman que Goethe tirou o título de seu extraordinário romance Wahlverwandtschaft (1809), no qual ele menciona um livro de química estudado “há cerca de dez anos” por um de seus personagens.
O termo se torna na verdade uma metáfora para designar o movimento passional pelo qual um homem e uma mulher são atraídos um para o outro – correndo o risco de se separarem de seus antigos companheiros – a partir da afinidade íntima entre suas almas. Essa transposição de Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) faz do conceito químico para o social da espiritualidade e amor foi facilitada pelo fato de que, em vários alquimistas, como Boerhaave, o termo já era fortemente carregado de metáforas sentimentais e eróticas. Para Goethe, existe afinidade eletiva quando dois seres humanos ou elementos “procuram-se um ao outro, atraem-se, apropriam-se um do outros e, em seguida ressurgem dessa união íntima numa forma renovada me imprevista”. A semelhança com a fórmula de Boerhaave – dois elementos “procuram-se, unem -se e encontram-se” – é impressionante, e não excluímos que Goethe conhecesse e tenha se inspirado na obra do alquimista holandês. Com o romance de Goethe, o termo ganhou direito de cidadania na cultura alemã como designação de um tipo de ligação particular entre duas almas. Foi na Alemanha, portanto, que ele passou por sua terceira metamorfose: a transmutação, por obra desse grande alquimista da ciência social chamado Max Weber, em conceito de representação puramente de encarnação sociológico. Da acepção antiga, ele conserva as conotações de escolha recíproca, atração e combinação, mas a dimensão da novidade parece desaparecer.
O conceito ocupa um
lugar importante em A Ética Protestante, precisamente por levar a cabo a
análise da relação complexa e sutil entre essas duas formas. Para Weber,
trata-se de superar a abordagem tradicional em termos de causalidade e, assim,
evitar o debate sobre a primazia do “material” ou do “espiritual”. Com isso, são especificados ao mesmo tempo,
na medida do possível, o modo e a direção geral segundo as quais, em
consequência de tais afinidades eletivas, o movimento religioso agiu sobre o
desenvolvimento da cultura material. A afinidade eletiva é talvez um meio para
uma busca causal “num segundo momento”, mas isso não significa que ela própria
seja uma relação causal. As formulações de Max Weber são suficientemente
flexíveis para podemos admitir diferentes leituras de interpretação. O que sociologicamente Weber tenta demonstrar
em sua análise com o conceito de Wahlverwandtschaft é, segundo Michael Löwy (2014), em
primeiro lugar a coexistência de elementos convergentes e análogos entre uma
ética religiosa e um comportamento econômico: o ascetismo puritano e a economia
do capital, a ética protestante do trabalho e a disciplina burguesa do
trabalho, a valorização calvinista do ofício virtuosos e o ethos do
empreendimento burguês racional, a concepção ascética do uso utilitário das
riquezas e acumulação produtiva do capital, a exigência puritana da vida
metódica e sistemática e a busca racional do lucro capitalista.
É a partir dessas
analogias profundas, desses “parentescos íntimos”, que na Holanda, na
Inglaterra e nos Estados Unidos historicamente do século XVII ao XIX, vai se
desenvolver uma relação de afinidade eletiva entre a ética protestante e o
espírito do capitalismo, graças a qual a concepção puritana da existência
favorece a tendência a uma vida burguesa economicamente racional e vice-versa.
Não surpreende que a expressão “afinidade eletiva” não tenha sido compreendida
pela recepção anglo-saxã historicista positivista de Max Weber. O próprio autor utiliza o conceito apenas
três vezes em A Ética Protestante, mas ela aparece também em outros
escritos, na maioria das vezes em ensaios de sociologia das religiões. 1. No
nível de análise religioso: trata-se da relação da afinidade eletiva em
diversas formas religiosas; por exemplo, entre o ritualismo e a graça sacramental
ou entre a profecia de missão e “determinada concepção do divino: a de um Deus
criador, transcendente, pessoal, fulminante, que perdoa, ama, exige, castiga”,
em oposição à divindade impessoal e contemplativa da profecia exemplar. 2. No
nível econômico: entre o “espírito” do capitalismo e as formas de organização
econômicas capitalistas. Isso pode parecer redundante, mas Weber insiste no
fato sociológico de que, do mesmo modo que uma organização sindical nem sempre
é movida por um espírito sindicalista ou um império colonial, pelo espírito do
imperialismo, uma economia capitalista não é necessariamente movida pelo
“espírito do capitalismo”.
Conforme o caso, o
“espírito” encontra-se, num grau ou noutro, em adequação e, eventualmente, em
“relação de afinidade eletiva” com a “forma”. 3. No campo cultural: esse é um
exemplo curioso, pois Weber opõe a formação patrimonial que, ao racionalizar-se
conduz à burocracia moderna (especialização, profissionalização) – a formação
(Bildung) feudal, “com seus traços lúdicos e sua afinidade eletiva com a
atividade artística. Max Weber tem em mente a educação da aristocracia, mas os
traços comuns com a prática da arte não são explicitados. Para sermos breves, a
partir do uso weberiano do termo, Michael Löwy propõe a seguinte definição: a
afinidade eletiva representa o processo pelo qual a) duas formas
culturais/religiosas, intelectuais, políticas ou econômicas ou b) uma forma
cultural e o estilo de vida e/ou os interesses de um grupo social entram, a
partir de certas analogias significativas, parentescos íntimos ou afinidades de
sentido, numa relação de atração e influência recíprocas, de escolha ativa,
convergência e de reforço mútuo. Essa definição leva em consideração os
diversos níveis ou graus de afinidade eletiva, a começar pela finidade simples,
o parentesco espiritual, a congruência, a adequação interna. É importante
frisar que esta última é ainda estática, cria a possibilidade, mas não a
necessidade, de uma convergência ativa, de uma atração eletiva. A transformação
dessa potência em ato, sua dinamização, depende de condições históricas e
sociais concretas. Assim, o sociólogo Max Weber constata, por exemplo, “certo parentesco (Verwandtschaft)”
entre o confucionismo e o racionalismo puritano. Isso não é o suficiente para
criar entre eles uma relação efetiva de convergência.
Naturalmente, a
afinidade eletiva depende do grau de “adequação” ou mesmo de “parentesco” entre
as duas formas, mas depende também de outros fatores, pois ela é favorecida ou
entravada por certas condições históricas. Em outras palavras, é preciso haver certa
“constelação” de fatores históricos, sociais e culturais para que ocorra um
processo de attractio electiva, de seleção recíproca, de esforço mútuo e
até, em certos casos, de “simbiose” de duas figuras espirituais. Esse aspecto
está presente em Max Weber, mas é raramente desenvolvido. Nascida em uma
família “disfuncional”, Demi Moore precisou lidar com a ausência do pai e o
alcoolismo da mãe desde cedo. Ela chegou a contar, em uma entrevista, que ainda
criança chegou a tirar comprimidos de dentro da boca da mãe para evitar que ela
se suicidasse. Seu pai biológico, Charles Foster Harmon (1940-1997) era um
aviador da Força Aérea dos Estados Unidos, abandonou sua mãe, Virginia, antes
mesmo do nascimento da filha Demi. Virginia, então com apenas 18 anos, logo se
casou com Danny Guynes, um publicitário cuja carreira no mercado instável
obrigava a família a mudar-se constantemente. A estrutura familiar de Demi era
complexa. Ela tem um meio-irmão, Morgan, nascido em 1967. O casamento de sua
mãe foi marcado por altos e baixos, incluindo dois casamentos e divórcios com o
próprio Danny. Um ano após o segundo divórcio, Danny tirou a própria vida, um
ano após o segundo divórcio. Até os 13 anos, Demi tinha a certeza de que era
filha de Danny.
A mãe vivia frequentando bares e, desde criança, Demi a
acompanhava. Em uma dessas ocasiões, ao voltar de um bar, Demi foi estuprada
por um conhecido de sua própria mãe. Após
violentá-la, ele a perguntou: “como você se sente ao ser prostituída por sua
mãe por US$ 500 (R$3 mil)?”. Aos 15 anos, Demi Moore mudou-se com sua família
para West Hollywood, Califórnia, onde sua mãe conseguiu emprego em uma empresa
de distribuição de revistas. Em 1978,
passou a viver com o guitarrista Tom Dunston, de 28 anos, abandonando o ensino
médio para trabalhar como recepcionista na 20th Century Fox, graças à mãe de
Dunston, que era assistente do produtor Douglas S. Cramerl. Logo depois, assinou
contrato com a agência de modelos Elite e iniciou aulas de atuação sob
influência da vizinha, a reconhecida atriz Nastassja Kinskinski. Três anos depois, começou a viver com Freddy
Moore, um músico 12 anos mais velho que se divorciou para casar com ela. Na
época, Demi tinha 18 anos. Apesar do
casamento ter durado apenas quatro anos, foi dele que a atriz herdou o
sobrenome que a tornou famosa. Demi colaborou com Freddy Moore na composição de
três músicas e participou do videoclipe de “It`s Not a Rumor”, interpretada
pela banda dele, The Nu-Kats. Em janeiro de 1981, ela foi capa da
revista adulta Oui, onde posou sem roupas.
Oui era uma revista pornográfica masculina publicada nos Estados Unidos da América, que apresentava fotos explícitas de modelos nus, além de pin-ups de página inteira, páginas centrais, entrevistas e outros artigos, além de charges. A Oui deixou de ser publicada em 2007. A racionalidade de opiniões e ações representa um tema cuja elaboração se deve originalmente à filosofia. Pode-se dizer, até mesmo, que o pensamento filosófico tem sua origem no fato da razão corporificada no conhecer, no falar e no agir torna-se reflexiva. O tema fundamental da filosofia é a razão. A filosofia empenha-se desde o começo por explicar o mundo como um todo, mediante princípios encontráveis na razão, bem como a unidade na diversidade dos fenômenos. E não o faz em comunicação com uma divindade além do mundo, nem pela retrogradação ao fundamento de um cosmo que abranja a natureza e a sociedade. O pensamento grego não via a uma teologia, nem a uma cosmologia ética das grandes religiões mundiais. Ele visa sim à ontologia. Se há algo comum às doutrinas filosóficas, é a intenção de pensar o ser ou a uma idade do mundo pela via de uma explanação das experiências da razão em seu trato consigo mesma. Os substitutivos teóricos das imagens de mundo perderam valor não em virtude do suposto avanço das ciências empíricas, mas, e principalmente pela “consciência reflexiva” que o acompanhou. Onde quer que se tenha formado núcleos temáticos rígidos na filosofia contemporânea, e uma argumentação mais coerente, em lógica ou epistemológica, nas teorias da linguagem e do significado, em ética ou na teoria da ação, o interesse se volta às condições formais da racionalidade do conhecer.
A
teoria da argumentação ganha um significado especial, do entendimento verbal
mútuo e do agir comunicativo, ou no plano das práticas instituídas ou dos
discursos instituídos, porque é tarefa de reconstituir os pressupostos e
condições formal-pragmáticos de um comportamento explicitamente racional. Como
se pode compreender pelo exemplo da epistemologia ou da fabulosa história das
ciências, ocorre entre as explanações formais das condições de racionalidade e
análise empírica da corporificação e desenvolvimento histórico das estruturas
de racionalidade um imbricamento bastante peculiar. A pretensão dessas ciências
só pode ser checada com base na evidência de exemplos contrários; e só é
possível ampará-la, afinal caso a teoria reconstrutiva logre tomar aspectos
internos da história das ciências e prepara-los de modo que seja possível
explicar sistematicamente in status nascendi esta história, isto é, a
história factual e narrativamente documentada, no contexto de desdobramentos
sociais e com a devida vinculação a análises empíricas. O que vale para um
arcabouço de “racionalidade cognitiva”, segundo Habermas (2012), tão complexo
como a ciência moderna aplica-se a outras formas de espírito objetivo, ou seja,
a corporificação da racionalidade ora cognitiva e instrumental, ora até mesmo
prático-estética. Quanto aos conceitos fundamentais, é preciso que
investigações desse tipo, empiricamente direcionadas, se apresentem de tal modo
que seja possível associá-la a reconstruções racionais de nexos de sentido e
soluções de problemas. Nas ciências é a sociologia que está mais intimamente
ligada à problemática da racionalidade, cuja competência abrangeria os problemas deixados pela política e economia em parcours até se
tornarem ciências especializadas.
Seu tema são as
transformações da integração social ocasionadas na estrutura de sociedades
europeias mais antigas mediante a autonomização e diferenciação de um sistema
econômico regulado pelo mercado. A sociologia torna-se ciência da crise par
excellence, que se ocupa sobretudo dos aspectos anômicos da dissolução de
sistemas sociais tradicionais e da formação de sistemas sociais modernos. Os
pensadores clássicos da sociologia, quase sem exceção, procuram apresentar sua
teoria da ação de maneira que as categorias sociais que a integram atinjam os
aspectos mais importantes da transição progressiva de “comunidade” para
“sociedade”. Esse nexo entre a) a questão metateórica de âmbito vinculado à
teoria da ação e concebido mediante aspectos do agir possíveis de
racionalização e b) a questão metodológica de uma teoria da compreensão de
sentido que aclare aas relações internas entre significação e validade (entre a
explanação do significado de uma externação simbólica e o posicionamento em
face de suas pretensões de validade implícitas) será associado por fim c) à
questão empírica sobre a possibilidade de descrever a modernização da sociedade
sob o ponto de vista de uma racionalização cultural e social e, caso essa
descrição seja possível, sobre o sentido em que ela ocorre. Esse nexo está
particularmente marcado em Max Weber. Sua hierarquia dos conceitos de ação
social está voltada ao tipo do agir racional-finalista, de tal maneira que
todas as demais ações podem ser niveladas como desvios específicos em relação a
esse tipo de racionalidade.
Ao analisar o método da
compreensão de sentido, o sociólogo procede de tal modo que se precisam referir
à passagem dos casos mais complexos ao caso-limite da compreensão do agir
racional-finalista: isto é, a compreensão do agir subjetivamente orientado ao
êxito requer ao mesmo tempo uma valoração objetiva desse mesmo agir
comunicativo. Evidencia-se, assim, um parti pris epistemológico entre o nexo e
decisões metodológicas vinculadas à conceitualidade básica e a questão do ponto
de vista sobre como o racionalismo pode ser explicado. GI Jane é um
filme de ação e drama norte-americano de 1997, dirigido por Ridley Scott e estrelado por Demi Moore, Viggo Mortensen e
Anne Bancroft. O filme narra a história fictícia da “primeira mulher a
passar por um treinamento de operações especiais semelhante ao dos Seals da
Marinha dos Estados Unidos da América”. O filme foi produzido pela Largo
Entertainment, Scott Free Productions e Caravan Pictures, e distribuído pela
Buena Vista Pictures através do selo Hollywood Pictures. Embora tenha recebido
críticas favoráveis e a atuação de Moore tenha recebido alguns elogios, ela
ainda ganhou o prêmio Framboesa de Ouro de Pior Atriz, que é comumente
atribuído ao seu papel no criticamente criticado Strip-tease no ano anterior.
Estreou em primeiro lugar nas bilheterias dos Estados Unidos da América, onde
permaneceu por duas semanas, arrecadando US$ 98,4 milhões em todo o mundo com
um orçamento de US$ 50 milhões. O filme arrecadou mais de US$ 22 milhões em
aluguéis de VHS e DVD. Em sua autobiografia Inside Out (2019), Moore
chamou GI Jane de sua maior conquista profissional. As Equipes de
Mar, Ar e Terra (SEAL) da Marinha dos Estados Unidos, comumente reconhecidas
como Navy Seals, representam a principal força de operações especiais da
Marinha dos Estados Unidos e um componente do Comando de Guerra Especial
Naval dos Estados Unidos.
Entre as principais funções estão a condução de missões de operações especiais de pequenas unidades em ambientes marítimos, de selva, urbanos, árticos, montanhosos e desérticos. São normalmente ordenados a capturar ou matar alvos de alto nível ou a reunir inteligência atrás das linhas inimigas. Embora não tenham sido formalmente fundados até 1962, os atuais Seals da Marinha têm suas raízes na 2ª guerra mundial (1939-1945). O Exército dos Estados Unidos da América percebeu a necessidade dinâmica do reconhecimento secreto de praias de desembarque e defesas costeiras. Como resultado, a Escola Anfíbia de Escoteiros e Invasores do Exército, Corpo de Fuzileiros Navais e Marinha foi estabelecida em 1942 em Fort Pierce, Flórida. Os Escoteiros e Invasores foram formados em setembro daquele ano, apenas nove meses após o ataque a Pearl Harbor, a partir do Grupo de Observadores, uma unidade conjunta do Exército, Fuzileiros Navais e Marinha dos EUA. Reconhecendo a necessidade historicamente de uma força de reconhecimento de praia, um grupo seleto de militares do Exército e da Marinha se reuniu na Base de Treinamento Anfíbio (ATB) Little Creek, Virgínia, em 15 de agosto de 1942 para iniciar o treinamento conjunto de batedores e invasores anfíbios. A missão dos batedores e invasores era identificar e reconhecer a praia-alvo, manter uma posição na praia antes do desembarque e guiar as ondas de assalto até a praia de desembarque. A unidade era liderada pelo 1º Tenente do Exército dos Estados Unidos Lloyd Peddicord como comandante e pelo Alferes da Marinha John Bell como oficial executivo.
Os suboficiais e marinheiros da Marinha vieram da piscina de barcos da Base de Treinamento Anfíbio Naval dos Estados Unidos da América, Solomons, Maryland, e o pessoal dos invasores do Exército veio das 3ª e 9ª Divisões de Infantaria. Eles treinaram em Little Creek até embarcar para a campanha do Norte da África em novembro seguinte. A Operação Tocha foi lançada em novembro de 1942 na costa atlântica do Marrocos Francês, no Norte da África. O primeiro grupo incluía Phil H. Bucklew (1914-1992), reconhecido disciplinarmente como o Pai da Guerra Especial Naval, que deu nome ao edifício do Centro de Guerra Especial Naval. Comissionado em outubro de 1942, este grupo participou de combate em novembro de 1942 durante a Operação Tocha na Costa Norte da África. Batedores e Raiders. Os Marine Raiders são forças de operações especiais originalmente criadas pelo Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial para conduzir operações de infantaria leve anfíbia. Apesar da intenção original de os Raiders servirem em operações especiais, a maioria de combate os viu empregados como infantaria convencional. Isso, somado ao ressentimento do restante do Corpo de Fuzileiros Navais por eles serem uma “força de elite dentro de uma força de elite”, levou à dissolução das unidades Raider originais com desembarques na Sicília, Salerno, Anzio, Normandia e Sul da França.
O segundo grupo de Scouts e Raiders, codinome Special Service Unit n° 1, foi estabelecido em 7 de julho de 1943, como uma organização de força de operações conjuntas e combinadas. A primeira missão, em setembro de 1943, foi em Finschhafen, na Papua Nova Guiné. As operações posteriores foram em Gasmata, uma vila na costa sul da Nova Bretanha, Papua Nova Guiné, Arawe, uma região geográfica e um povo na ilha de Nova Bretanha, que deu nome ao porto de Arawe e à pequena península, Cabo Glouceste é um cabo na ilha da Nova Bretanha, na Papua-Nova Guiné. Durante a Segunda Guerra Mundial, os japoneses capturaram a ilha e trasladaram a maioria da população nativa da zona do cabo Gloucester para construir dois campos de aviação e nas costas Leste e Sul da Nova Bretanha, “todas sem nenhuma perda de pessoal”. Conflitos surgiram sobre questões operacionais e todo o pessoal não pertencente à Marinha foi realocado. A unidade, renomeada 7th Amphibious Scouts, recebeu uma nova missão tática e estratégica: desembarcar com os barcos de assalto, balizar canais, erguer marcadores para as embarcações que chegavam, lidar com baixas, fazer sondagens offshore, sondagens em terrenos sob lâmina d`água, limpar obstáculos na praia e manter comunicações de voz ligando as tropas, os barcos e os navios próximos. O 7th Amphibious Scouts conduziu operações no Pacífico durante o conflito, participando de mais de 40 desembarques.
A terceira e última organização de Escoteiros e Invasores operou na China. Escoteiros e Invasores foram destacados para lutar com a Organização Cooperativa Sino-Americana (SACO). Para ajudar a reforçar o trabalho da SACO, o Almirante Ernest Joseph King (1878-1956) ordenou que 120 oficiais e 900 homens fossem treinados para “Invasores Anfíbios” na escola de Escoteiros e Invasores em Fort Pierce, Flórida. Eles formaram o núcleo do que foi imaginado como uma “organização anfíbia de guerrilha de americanos e chineses operando em águas costeiras, lagos e rios, empregando pequenos barcos a vapor e sampanas”. Enquanto a maioria das forças de Invasores Anfíbios permaneceu em Camp Knox, em Calcutá, três dos grupos prestaram serviço ativo. Eles conduziram um levantamento do alto rio Yangtzé na primavera de 1945 e, disfarçados de coolies, conduziram um levantamento detalhado de três meses da costa chinesa de Xangai a Kitchioh Wan, perto de Hong Kong. “Coolie” é um termo historicamente usado para se referir a “trabalhadores braçais asiáticos”, especialmente da China e Índia, que realizavam trabalhos pesados por baixo pagamento, sendo atualmente considerado um termo ofensivo e pejorativo.
Entretanto, o termo é de origem indiana, significando “trabalhador diário”, e foi popularizado pelos comerciantes europeus na Ásia no século XVI. Um Comitê do Senado dos Estados Unidos entrevista um candidato para o cargo de Secretário da Marinha dos Estados Unidos. A senadora Lillian DeHaven (Anne Bancroft), do Texas, critica a Marinha “por não ser neutra em termos de gênero”. Por trás das cortinas, um acordo é feito: se as mulheres se comparam favoravelmente com os homens em uma série de testes, os militares integrarão plenamente as mulheres em todas as ocupações da Marinha. O primeiro teste é o curso de treinamento da Marinha dos Estados Unidos da América. A senadora DeHaven escolhe a tenente e analista de topografia Jordan O`Neil (Demi Moore), porque ela é fisicamente mais feminina do que as outras candidatas. Para obter a nota, O`Neil deve sobreviver a um programa de seleção esgotante, no qual quase 60% de todos os candidatos são eliminados, a maioria antes da quarta semana, com a terceira semana sendo particularmente intensa (“semana do inferno”). O enigmático comandante John James Urgayle (Viggo Mortensen) dirige o brutal programa de treinamento que envolve 20 horas diárias de tarefas destinadas a desgastar a força física e mental dos recrutas, incluindo empurrar gigantescos para-lamas nas dunas da praia, trabalhando em obstáculos, e transportar jangadas de desembarque. Dado um subsídio de 30 segundos em uma pista de obstáculos, O`Neil exige ser mantida nos mesmos padrões que os estagiários do sexo masculino. O comandante o observa ajudando os outros candidatos, permitindo que eles subam de costas para atravessar a pista de obstáculo da parede.
Oito semanas no programa, durante outro treinamento, ela é amarrada a uma cadeira com as mãos atrás das costas, agarrada e jogada através da porta, em seguida, a levanta do chão e repetidamente afunda a cabeça na água fria na frente dos outros membros da sua equipe. O`Neil luta com Urgayle e é bem sucedida em causar-lhe alguma lesão, apesar de seus braços imobilizados. Ao fazê-lo, ela adquire respeito dele, bem como dos outros estagiários. Líderes da Marinha, confiantes de que uma mulher sairia rapidamente, ficam preocupados. A mídia civil aprende sobre o envolvimento de O`Neil, e ela se torna uma sensação conhecida como “GI Jane”. Em breve, ela deve lutar com acusações forjadas de que é lésbica ao confraternizar com mulheres. O`Neil é informada de que receberá uma carteira durante a investigação e, se liberada, precisará repetir seu treinamento. Ela decide “tocar fora” uma campainha três vezes, sinalizando sua retirada voluntária do programa ao invés de aceitar um trabalho de secretária. Mais tarde é revelado que a evidência fotográfica da suposta confraternização de O`Neil veio do escritório da senadora DeHaven que nunca pretendeu que O`Neil tivesse sucesso; ela usou O`Neil como moeda de barganha para impedir o fechamento de bases militares em seu Estado natal (Texas).
O`Neil ameaça expor DeHaven, que
então tem as acusações anuladas e O`Neil retornando aos treinamentos.
Essa observação serve como uma crítica ao comportamento humano, sugerindo que a autopiedade é uma emoção improdutiva que pode prejudicar a resiliência. A brevidade e a simplicidade do poema aumentam seu impacto. Sua linguagem direta e a ausência de adjetivos criam um senso de objetividade e autoridade. O escopo de anaálise do poema na natureza contrasta com sua aplicação pretendida ao comportamento humano, criando uma ironia sutil, mas eficaz. Comparado a outras obras de Lawrence, “Autopiedade” se distancia de sua poesia mais emocional e introspectiva. É um poema curto e didático que oferece uma clara lição moral. Essa mudança de tom e propósito demonstra a versatilidade de Lawrence como escritor. No geral, “Autopiedade” é um poema poderoso e instigante que explora a natureza das emoções humanas e oferece uma perspectiva valiosa sobre a importância de superar a autopiedade. No contexto “Autopiedade” alinha-se às tendências modernistas em direção à objetividade do conhecimento e à rejeição do sentimentalismo. Sua ênfase na importância da resiliência e da autoconfiança também ressoa com os valores pragmáticos vitorianos. Demi Moore vive Jordan O`Neill, a atriz que disciplinarmetne precisou fazer uma rotina de trabalho físico de engajamento verdadeiramente militar.
Exercícios cardiovasculares, artes marciais, corrida de obstáculos,
natação, maratonas, flexões de braço, abdominais e agachamentos faziam parte do
seu preparo para o papel. A dieta da atriz também era controlada e restrita.
Apenas frango, salmão e verduras estavam no seu cardápio. O responsável pela
transformação física da atriz foi o ex-fuzileiro Scott Helvenston, que perdeu a
vida em uma missão no Iraque em março de 2004. Ele é o responsável pela
emblemática cena em que a atriz faz flexão de braço com o apoio de apenas um
braço. Na cena onde Demi Moore interage com outras mulheres, são identificadas
duas garotas cujos nomes são Thelma e Louise. Trata-se de uma homenagem do
diretor Ridley Scott ao filme Thelma & Louise (1991) dirigido por
ele. O ator Sam Rockwell chegou a ensaiar algumas cenas, mas acabou tendo que
deixar a produção. O diretor Ridley Scott filmou um final alternativo no qual a
personagem de Demi Moore perde a vida durante uma missão secreta na Líbia. A
atriz Anne Bancroft disse que ela e Scott eram a favor do final alternativo,
mas finalmente decidiram o final mais “heroico”, que seria mais popular no
público. G.I. Jane recebeu críticas mistas dos críticos, onde detém classificação de 53% no Rotten Tomatoes com base em 32
avaliações, com uma classificação média de 5.8/10. Demi Moore ganhou o
Framboesa de Ouro como pior atriz em 1997.
Assim, infere o contexto histórico e social, se forem seres
humanos que desempenharam papel importante na determinação do destino de seu
próprio país, a briga interessará ao métier dos historiadores. Estes
considerarão a briga como um acontecimento único, tentarão descobrir os motivos
pessoais dos envolvidos e situa-los no interior de seu contexto histórico
irrepetível. Mas e os sociólogos? Tendemos a pensar que cabe aos sociólogos se
ocuparem com os problemas sociais. E, pela maneira como as palavras “sociedade”
e “coletividade” são atualmente compreendidas, isso implica que os sociólogos
não podem ou não deveriam se ocupar com os problemas dos indivíduos isolados.
Em sua análise, um exame mais atento poderia revelar que há algo que não
funciona bem nessa separação do trabalho intelectual, praticamente absoluta
entre o estudo das sociedades e o dos seres humanos individuais. A regra do
pensamento e expressão universalmente aceita, segundo a qual o que é “social”
não pode ser “individual” e o que é “individual” não pode ser “social” é um
desses axiomas fossilizados que têm a tendência a serem aceitos na medida em
que em regra geral, todos parecem aceita-los, mas que desaparecem como “a roupa
nova do rei” quando na medida certa com o desenvolvimento histórico-social são
examinados sem preconceitos sociais.
As sociedades não são nada além do que indivíduos conectados entre si; cada um dos indivíduos é dependente de outros, de seu (deles e dele e dela) amor, de sua língua, de seu conhecimento, de sua identidade, da manutenção da paz e de muitas outras coisas. Até mesmo os conflitos de classe são também – independentemente do que mais possam ser – conflitos entre seres humanos individuais. E um conflito entre dois seres humanos, por mais que possam ser algo único e pessoal, pode ser ao mesmo tempo representativo de uma luta entre diversos estratos sociais, remontando a várias gerações. O que aqui se expõe é o relato de um tal conflito. O material foi tomado em prestado da história. Não seria difícil encontrar, em nossa própria época, um material do mesmo tipo. Mas, como material para uma investigação paradigmática, é vantajosa a utilização de um conflito ocorrido em uma outra época. Fora de dúvida, afirma Elias, as paixões foram arrefecidas pela distância temporal. A história pode ser construída sem que o narrador seja distraído pelos argumentos convencionais de partidários e oponentes de sua própria época que, independentemente de sua vontade, repercutiriam em seus ouvidos. Além dos mais, nas sociedades passadas os seres humanos eram habitualmente menos ambíguos. Em geral, não se deixava pairar nenhuma dúvida sobre as linhas de divisão social que atravessavam a sociedade, e em que ponto da escala social alguém estava situado. A ambiguidade do status, do ponto de vista da análise, que pode surgir quando alguém ascende socialmente, tinha pouca influência sobre a avaliação da posição estamental, feita pelos contemporâneos, em sociedades com uma camada aristocrática superior que atribuía grande valor à origem social e ao berço.
Não é, portanto,
particularmente difícil estabelecer a hierarquia em um período passado e a
posição nele ocupada por um determinado indivíduo, quando se observa bem o que
seus contemporâneos tinham a dizer a respeito. A maioria das dificuldades
possivelmente experimentadas pelos pesquisadores na reconstrução dessa
hierarquia decorre do procedimento anacrônico utilizado: eles examinam as
desigualdades de poder e status nas sociedades antigas como se elas tivessem
necessariamente o mesmo caráter das existentes em sua própria sociedade. Um
exemplo notável deste método de trabalho é a tendência atual de pretender
descrever a desigualdade de poder e prestígio em geral em termos de classes
sociais e estamentos. Tanto na literatura elizabetana e jacobita, sendo cristão
ortodoxo monofisista da Igreja síria, na Inglaterra quanto na literatura
francesa do mesmo período, de fato em todo o século XVII e em parte do século
XVIII, essa divisão é mencionada. Essa separação social estava ligada, na
história da religião, mas não era idêntica, à divisão em diversos estamentos,
tais como na Inglaterra, entre a nobreza e os comuns. Nem todos os cortesãos
eram nobres, assim como, nem todos os membros da nobreza eram cortesãos. Para o
que nos interessa, neste aspecto, durante a sua famosa viagem pelo mundo,
Francis Drake (1540-1596) teve uma briga com um outro membro da expedição, seu
antigo amigo Thomas Doughty (1793-1856).
A briga tomou seu curso lentamente, mas no final inflamou-se em tal proporção que o empreendimento inteiro ameaçava naufragar. Apesar de Francis Drake e Thomas Doughty terem sido inicialmente amigos, suas origens sociais e competências específicas eram totalmente diferentes. Drake era um marítimo profissional, Doughty, um militar profissional, que pertencia às altas esferas da corte da rainha Elizabeth e, ao contrário de Drake, era educado e se comportava como um gentleman. Até onde se pode saber, não era um homem de posses. Durante a expedição, provavelmente se encontrava em uma situação pior do que a de Drake. Em dezembro de 1577, com uma pequena frota e uma tripulação de cerca de 160 homens, partiram de Falmouth, supostamente em direção a Alexandria. Apenas Drake, Doughty e alguns outros líderes da expedição sabiam qual era o verdadeiro objetivo da viagem: regiões desconhecidas no Pacífico Sul, que não pertenciam ao rei da Espanha, mas que, esperava-se, seriam provavelmente tão ricas em ouro e prata quanto as colônias espanholas. Aparentemente, Drake planejava atingir o Pacífico Sul através do estreito de Magalhães, entre o continente a Norte e a Terra do Fogo e cabo Horn a Sul. Este estreito é a maior e mais importante passagem natural entre os oceanos Atlântico e Pacífico. E, tanto quanto possível, tomar o rumo das costas da desconhecida Terra Australis, circulavam muitas lendas e/ou histórias míticas, mas sobre a qual ninguém sabia algo concretamente com absoluta certeza. A expedição também tinha um segundo objetivo, este mais concreto. Em viagens anteriores, Drake esperava conquistar um butim de espanhóis e portugueses, principalmente atacando seus navios.
Drake gozava já naquele
tempo de certa reputação como pirata e capitão de corsários. A postura da
rainha Elizabeth e seus conselheiros em relação a essa forma irregular de
guerra combinada com pirataria dependia da situação política. Atualmente,
tende-se a considerar as circunstâncias políticas, militares e comerciais como
funções independentes. Naquele tempo não era assim. Na Irlanda, Drake encontrou
Thomas Doughty, oficial com certa reputação, então secretário do conde de
Essex. Drake e Doughty tornaram-se bons amigos. Juntos, os dois homens sonhavam
com uma nova e maior expedição à parte Sul do continente americano e, se
possível, ainda além, até o oceano pacífico. Começaram a fazer seus planos na
Irlanda e provavelmente iniciaram conjuntamente os preparativos após seu
retorno à Inglaterra, em 1576. Posteriormente, Doughty lembraria a Drake tudo o
que fizera por ele. Não é improvável que houvesse algo de verdade nisso, apesar
de Drake negar tudo peremptoriamente. Doughty, sem dúvida, estava mais à vontade
na corte do que Drake. Havia tido o tipo de educação indispensável para a vida
na corte – ao contrário de Drake, que havia sido criado como marítimo. Além
disso, após seu retorno a Londres, Doughty havia se tornado secretário de
Christopher Hatton, um dos amis importantes favoritos da rainha, e fora nomeado
capitão da Guarda. Não é, portanto, improvável que tenha sido ele quem
apresentou seu amigo Drake a Hatton. Parece, contudo, que Doughty recebeu uma
participação menor do que esperava. Mais tarde ele diria, desdenhosamente, que
Drake lhe havia concebido apenas “a cota de um pobre gentleman”. Apesar de na história ter ficado ressentido
com Drake por causa desse fato histórico e socialmente relevante, entretanto,
não levou a um rompimento explícito. Ambos partiram da Inglaterra como dois
grandes amigos.
Profissões, despojadas de suas roupagens próprias, são funções técnicas e sociais especializadas que as pessoas desempenham em resposta a necessidades especializadas de outras; são, ao menos em sua forma mais desenvolvida, segundo Norbert Elias, conjuntos especializados de relações humanas. Para ele, o estudo da gênese de uma profissão, portanto, não é simplesmente a apreciação de um certo número de indivíduos que tenham sido os primeiros a desempenhar certas funções para outros e a desenvolver certas relações, mas sim a análise de tais funções e relações. Toas as profissões, ocupações, ou qualquer que seja o nome que tenham, são, de uma forma peculiar, independentes, não das pessoas, mas daquelas pessoas em particular pelas quais elas são representadas em uma época determinada. Elas continuam existindo depois que esses seus representantes morrem. Como as línguas, pressupõem a existência de um grupo. Descobertas científicas, invenções e o surgimento de novas necessidades humanas e de meios especializados para satisfazê-las são indubitavelmente fatores que contribuem para o desenvolvimento de uma nova profissão. O processo social como tal nível abstrato de análise sociológico, a gênese e o desenvolvimento de uma profissão ou de qualquer outra ocupação social, é mais que a soma total de atos individuais, do ponto de vista da função social, tem em sua constituição seu modelo próprio de origem e significado. A profissão naval tomou forma em um tempo em que a Marinha era uma frota de embarcações a vela. Em muitos sentidos, portanto, o treinamento, as tarefas e padrões dos oficiais eram diferentes dos padrões de nossa época.
Diz-se que o comando de um navio de um navio moderno, com seus equipamentos técnicos elaborados, requer uma mente cientificamente treinada. O comando de um navio a vela requeria a mente de um artesão. Apenas algumas pessoas iniciadas em tenra idade na vida do mar poderiam esperar dominar essa técnica. “Recrutá-los jovens” era um reconhecido lema da antiga Marinha. Era norma que um jovem começasse sua futura carreira de oficial naval aos 9 ou 10 anos diretamente a bordo. Muitas pessoas experientes achavam que poderia ser tarde demais, caso se começasse a ir a bordo somente aos 14 anos, não apenas porque quem o fizesse teria que se acostumar ao balanço do mar e superar o enjoo o mais rapidamente possível, mas também por que a arte de amarrar e dar nós em cordas, a maneira correta de subir ao mastro – seguramente o ovém, isto é, ovém de avante e ovém de ré, para servir de apoio aos mastros e mastaréus de um navio, e não a enfechadura – e várias outras operações mais complicadas somente poderiam ser aprendidas com uma prática longa e exaustiva.
Todos os oficiais navais, ao menos do século XVIII em diante, se viam, e queriam ser vistos pelos outros, como gentleman. Dominar a arte do marinheiro era apenas uma das funções. Antes como depois, oficiais navais eram líderes militares que comandavam homens. Uma das mais importantes era lutar contra um inimigo, comandar a tripulação na batalha e, se necessário, abordar um navio hostil numa luta corpo a corpo até a vitória. Em tempos de paz como tempos de guerra, oficiais navais frequentemetne entravam em contato com membros de outros países. Esperava-se que soubessem utilizar línguas estrangeiras, que agissem como membros de seus próprios países com firmeza, dignidade e uma certa dose de diplomacia, e que se comportassem conforme as regras do que “era considerado boa educação e civilidade”. Um oficial da velha Marinha tinha que reunir algumas das qualidades de artesão experiente e gentleman militar. À primeira vista essa combinação de deveres pode não parecer surpreendente nem problemática. No curso do século XX, “gentlemen” tornou-se um termo genérico, vago, que se refere mais à conduta que à posição social. Pode-se aplica-lo a trabalhadores manuais, a mestres-artesãos e aos nobres. Durante os séculos XVII e XVIII, no entanto, tinha um significado social muito estrito.
Tratava-se, durante o período de formação da profissão naval, da marca distintiva dos homens das classes altas e de algumas porções das classes médias, uma designação que os diferenciava do restante do povo. Inclusive a mera suspeita de que tivesse feito trabalho manual em alguma etapa de sua vida era degradante para gentlemen. Enfim, a fusão das tarefas de um marinheiro com as de um gentleman, como vemos mais tarde na história da profissão naval, não era, portanto, o arranjo simples e óbvio que parece ser quando se aplicam os conceitos sociais do nosso tempo. Era, outrossim, consequência de uma luta prolongada e de um processo de tentativa e erro que durou mais de um século. Da época de Elizabeth à da rainha Ana, e mesmo depois, os responsáveis pela Marinha lutaram contra esse problema sem muito sucesso imediato. Condições especiais – reinantes apenas na Inglaterra e parcialmente na Holanda, dentre todos ou pleo menos a maioria dos países da Europa Ocidental – tornaram possível superar gradualmente essas dificuldades em certa medida. E tanto os obstáculos quanto os próprios conflitos deles resultantes identificados per se na pena de Norbert Elias, além da maneira lenta como se resolveram, foram responsáveis por algumas das mais notáveis características da profissão naval inglesa.
No entanto, para entender tudo isso, é necessário ter em mente as atitudes sociais e os padrões daquele período e visualizar os problemas inerentes ao crescimento da profissão naval tal como se apresentavam àquelas pessoas, e não como parecem ser para nós, segundo nossas próprias referências sociais contemporâneas. Para Rubens Ewald Filho, o filme ficou bem aquém de outros trabalhos de Ridley Scott, que não conseguiu controlar o elenco e deu ao filme um tom “fútil e militarista”, o que acabaria prejudicando até a carreira da própria Demi Moore, irreconhecível “de cabeça raspada e corpo de halterofilista”. Tallulah Willis, filha de Bruce Willis e Demi Moore raspou os cabelos, como sua mãe fez após ver o filme. O filme foi um sucesso moderado, mas foi considerado uma decepção de arrecadação nas bilheterias. G.I. Jane abriu em #1 arrecadando $11,094,241 no seu fim de semana de estreia, apresentado em um total de 1,945 cinemas. Em seu segundo fim de semana, o filme ficou em primeiro lugar, arrecadando $8,183,861 em 1,973 cinemas. No final, o filme foi exibido em um lançamento mais amplo de 2,043 cinemas e arrecadou US$48,169,156 no mercado estadunidense, ficando um pouco abaixo de seu orçamento de US$50,000,000. O filme fez um total de $97,169,156 no mundo. G.I. Jane foi lançado em DVD em 22 de abril de 1998. O único recurso extra foi um trailer. Foi lançado em Blu-ray em 3 de abril de 2007, sem recursos extras, além de trailers de outros filmes. O filme também foi lançado em Laserdisc; este lançamento contou com um comentário em áudio do diretor Ridley Scott.
Bibliografia Geral Consultada.
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