sexta-feira, 3 de abril de 2026

Energia Elétrica – Questão Técnica, Política & Energia Solar das Cidades.

 Uma nação que não consegue controlar suas fontes de energia não pode controlar o seu futuro”. Barack Obama                                  

       

         A eletricidade permaneceria pouco mais do que uma “curiosidade intelectual” por milênios até 1600, quando o cientista inglês William Gilbert (1544-1603) escreveu De Magnete, no qual fez um estudo cuidadoso da eletricidade e do magnetismo, distinguindo o efeito magnetita da eletricidade estática produzida pela fricção do âmbar. Ele utilizou a palavra neolatina electricus para se referir à propriedade de atrair pequenos objetos após serem friccionados. Essa associação deu origem às palavras inglesas “elétrico” e “eletricidade”, que fizeram sua primeira publicação impressa na Pseudodoxia Epidemica de Thomas Browne de 1646. Isaac Newton (1643-1727) fez as primeiras investigações sobre eletricidade, com uma ideia sua escrita em seu livro Opticks, or, A Treatise of the Reflexions, Refractions, Inflexions and Colours of Light representa socialmente um livro do filósofo natural inglês Isaac Newton que foi publicado em inglês em 1704, foi sem dúvida o início da teoria de campo da força elétrica. Trabalhos posteriores foram conduzidos no século XVII e início do século XVIII por Otto von Guericke, Robert Boyle, Stephen Gray e Charles Du Fay. Mais tarde Benjamin Franklin (1706-1790) conduziu extensas pesquisas em eletricidade, vendendo seus bens para financiar seu trabalho. Em junho de 1752, ele teria prendido uma chave de metal na ponta de uma linha de pipa úmida e empinado a pipa em um céu ameaçado por tempestade.

           Energia elétrica representa uma forma específica de energia que se origina da energia potencial elétrica, baseada na geração de diferenças de potencial elétrico, permitindo estabelecer corrente elétrica entre dois pontos e os fenômenos físicos envolvidos. Pode ser obtida também a partir da energia cinética. Mediante a transformação adequada é possível obter que tal energia mostre-se em outras formas finais de uso direto, em forma de luz, movimento ou calor, segundo os elementos da conservação da energia. É uma das formas de energia que a humanidade mais utiliza na atualidade, graças a sua facilidade de transporte, baixo índice de perda energética durante conversões. A energia elétrica é obtida principalmente através de termoelétricas, usinas hidrelétricas, usinas eólicas e usinas termonucleares. A geração de energia elétrica se leva a cabo mediante diferentes tecnologias. As principais aproveitam um movimento rotatório para gerar corrente alternada em um alternador. O movimento rotatório pode provir de uma fonte de energia mecânica direta, como a corrente de uma queda d`água ou o vento, ou de um ciclo termodinâmico. Em um ciclo termodinâmico se esquenta um fluido e se consegue com que realize um circuito no qual move um motor ou uma turbina. O calor deste processo se obtém mediante a queima de combustíveis fósseis, as reações nucleares ou outros processos, como o calor proveniente do interior da Terra ou o calor do Sol.

Uma sucessão de faíscas saltando da chave para o dorso de sua mão mostrou que o relâmpago era de fato elétrico por natureza. Ele também explicou o comportamento aparentemente paradoxal da Garrafa de Leiden como um dispositivo para armazenar grandes quantidades de carga elétrica em termos de eletricidade consistindo em cargas positivas e negativas. Em 1775, Hugh Williamson relatou uma série de experimentos à Royal Society sobre os choques aplicados pela enguia elétrica; naquele mesmo ano, o cirurgião e anatomista John Hunter descreveu a estrutura dos órgãos elétricos do peixe. Em 1791, Luigi Galvani publicou bioeletromagnetismo, demonstrando que a eletricidade era o meio pelo qual os neurônios passavam sinais para os músculos. A bateria de Alessandro Volta, ou pilha voltaica, de 1800, de camadas alternadas de zinco e cobre, forneceu aos cientistas uma fonte mais confiável de energia elétrica que as máquinas eletrostáticas usadas. O reconhecimento do eletromagnetismo, a unidade dos fenômenos elétricos e magnéticos, deve-se a Hans Christian Ørsted e André-Marie Ampère em 1819-1820. Michael Faraday inventou o motor elétrico em 1821, e Georg Ohm analisou matematicamente o circuito elétrico em 1827. A eletricidade e o magnetismo (e a luz) foram  ligados por James Clerk Maxwell, em particular em seu artigo On Physical Lines of Force em 1861 e 1862: o início do século XIX testemunhou um rápido progresso na ciência elétrica, o final do século XIX testemunharia o maior progresso na engenharia elétrica.

                                    


Por meio invenções de pessoas como Alexander Graham Bell, Ottó Bláthy, Thomas Edison, Galileu Ferraris, Oliver Heaviside, Ányos Jedlik, Lorde Kelvin, Charles Algernon Parsons, Werner von Siemens, Joseph Swan, Reginald Fessenden, Nikola Tesla (1856-1943) e George Westinghouse, a eletricidade deixou de ser uma “curiosidade científica” e se tornou um meio de trabalho ou ferramenta essencial para a vida moderna. Em 1887, Heinrich Hertz descobriu que eletrodos iluminados com luz ultravioleta criam faíscas elétricas com mais facilidade. Em 1905, Albert Einstein (1879-1955) publicou um artigo que explicava os dados experimentais do efeito fotoelétrico como sendo o resultado da energia luminosa transportada em pacotes quantizados discretos, energizando elétrons. Essa descoberta levou à revolução quântica. Einstein recebeu o Prêmio Nobel de Física em 1921 por “sua descoberta da lei do efeito fotoelétrico”. O efeito também é empregado em fotocélulas, como as encontradas em painéis solares. O primeiro dispositivo de estado sólido foi o “detector de bigodes de gato”, usado pela primeira vez na década de 1900 em receptores de rádio. Um fio em forma de bigode é colocado levemente em contato com um cristal sólido (como um cristal de germânio) para detectar um sinal de rádio pelo efeito de junção de contato. Em um componente de estado sólido, a corrente elétrica é confinada a elementos sólidos e compostos projetados para comutá-la e amplificá-la. O fluxo de corrente pode ser entendido de duas formas: como elétrons carregados negativamente e como deficiências de elétrons carregadas positivamente, chamadas de buracos.

Essas cargas e lacunas são entendidas em termos de física quântica. O material de construção é, na maioria das vezes, um semicondutor cristalino. A eletrônica de estado sólido ganhou destaque com o surgimento da tecnologia de transistores. O primeiro transistor funcional, um transistor de contato pontual à base de germânio, foi inventado por John Bardeen e Walter Houser Brattain nos Laboratórios Bell em 1947, seguido pelo transistor de junção bipolar em 1948. A rede de distribuição de energia elétrica é um segmento do sistema elétrico, composto basicamente através da divisão de energia elétrica pelas redes elétricas primárias (redes de distribuição de média tensão), e redes secundárias (redes de distribuição de baixa tensão), cuja construção, manutenção e operação é responsabilidade das companhias distribuidoras de eletricidade. Idade Antiga ou Antiguidade ou Mundo Antigo, na periodização das épocas históricas da humanidade, é o período que se estende desde a invenção da escrita até à queda do Império Romano. O estudo dos fenômenos elétricos remonta à Antiguidade, com a compreensão teórica da ciência progredindo até os séculos XVII e XVIII. O desenvolvimento da teoria do eletromagnetismo no século XIX marcou um progresso significativo, levando à aplicação industrial e residencial da eletricidade por engenheiros eletricistas no final do século.

Essa rápida expansão da tecnologia elétrica na época foi a força motriz por trás da Segunda Revolução Industrial, com a versatilidade da eletricidade impulsionando transformações na indústria e na sociedade. A eletricidade é parte integrante do desenvolvimento científico e em torno de aplicações significativas nas sociedades que abrangem transporte, climatização, iluminação, telecomunicações e computação, tornando-se a base da sociedade industrial. Eletricidade é o conjunto de fenômenos físicos associados à presença e ao movimento de matéria com carga elétrica. A eletricidade está relacionada ao magnetismo, sendo parte do fenômeno tecnológico do eletromagnetismo, conforme descrito pelas equações de Maxwell. Fenômenos comuns estão relacionados à eletricidade, incluindo relâmpagos, eletricidade estática, aquecimento elétrico, descargas elétricas e muitos outros. A presença de uma carga elétrica positiva ou negativa produz um campo elétrico. O movimento de cargas elétricas é uma corrente elétrica e produz um campo magnético. Na maioria das aplicações, a lei de Coulomb, uma importante lei da Física que estabelece que a força eletrostática entre duas cargas elétricas é proporcional ao módulo das cargas elétricas e inversamente proporcional ao quadrado da distância que as separa, determinando a força que atua sobre uma carga elétrica. Foi formulada e publicada pela primeira vez em 1783 pelo físico francês Charles Augustin de Coulomb (1736-1806) e foi essencial para o desenvolvimento do estudo da eletricidade. O potencial elétrico é o trabalho tecnológico realizado para mover uma carga elétrica de um ponto a outro dentro da formação de um campo elétrico, normalmente medido em volts.  

A eletricidade desempenha um papel central em tecnologias modernas, atuando na energia elétrica, onde a corrente elétrica é usada para energizar equipamentos, e na eletrônica, lidando com circuitos elétricos envolvendo componentes ativos, como válvulas termiônicas, transistores, diodos e circuitos integrados, e tecnologias de interconexão passiva associadas. A descoberta de Hans Christian Ørsted em 1821 de que existia um campo magnético ao redor de um fio condutor de corrente elétrica indicava que havia uma relação direta entre eletricidade e magnetismo. Além disso, a interação parecia diferente das forças gravitacionais e eletrostáticas, as duas forças da natureza então conhecidas. A força sobre a agulha da bússola não a direcionava para perto ou para longe do fio condutor de corrente, mas agia perpendicularmente a ele: As palavras de Ørsted foram que “o conflito elétrico age de maneira rotacional”. A força também dependia da direção da corrente, pois se o fluxo fosse invertido, a força também se invertia. Ørsted não compreendeu completamente sua descoberta, mas observou que o efeito era recíproco: uma corrente elétrica exerce uma força sobre um ímã, e um campo magnético exerce uma força sobre uma corrente elétrica. O fenômeno foi posteriormente investigado por André-Marie Ampère (1775-1836), que descobriu que dois fios paralelos percorridos por corrente elétrica exerciam uma força um sobre o outro: dois fios conduzindo correntes na mesma direção são atraídos um pelo outro, enquanto fios com correntes em direções opostas são repelidos. Essa interação é mediada pelo campo magnético que produz e constitui a base para a definição internacional do ampere.

     

O motor elétrico explora um efeito importante do eletromagnetismo: uma corrente elétrica que atravessa um campo magnético sofre uma força perpendicular tanto ao campo quanto à corrente. Essa relação entre campos magnéticos e correntes elétricas é extremamente importante, pois levou à invenção do motor elétrico por Michael Faraday em 1821. O motor homopolar de Faraday consistia em um ímã permanente imerso em um recipiente com mercúrio. Uma corrente elétrica era aplicada a um fio suspenso por um pivô acima do ímã e mergulhado no mercúrio. O ímã exercia uma força tangencial sobre o fio, fazendo-o girar em torno do ímã enquanto a corrente elétrica fosse mantida. As experiências realizadas de Faraday em 1831 revelaram que um fio condutor se movendo perpendicularmente a um campo magnético desenvolvia uma diferença de potencial entre suas extremidades. Uma análise mais aprofundada desse processo, conhecido como indução eletromagnética, permitiu-lhe enunciar o princípio, hoje conhecido como Lei de indução de Faraday, que afirma que a diferença de potencial induzida em um circuito fechado é proporcional à taxa de variação do fluxo magnético através do circuito. A exploração dessa descoberta permitiu-lhe inventar o primeiro gerador elétrico em 1831, no qual ele convertia a energia mecânica de um disco de cobre em rotação em energia elétrica. O disco de Faraday era ineficiente e não tinha utilidade como gerador prático, mas demonstrou a possibilidade de gerar energia elétrica usando magnetismo, uma possibilidade que seria aproveitada por aqueles que deram continuidade ao seu trabalho.

Um circuito elétrico é uma interconexão de componentes elétricos de tal forma que a carga elétrica flua ao longo de um caminho fechado (um circuito), geralmente para realizar alguma tarefa útil. Os componentes de um circuito elétrico podem assumir diversas formas de distribuição social, incluindo elementos técnicos como resistores, capacitores, interruptores, transformadores e componentes eletrônicos. Os circuitos eletrônicos contêm componentes ativos, geralmente semicondutores e tipicamente exibem comportamento não linear exigindo análises complexas. Os componentes elétricos mais simples são aqueles denominados passivos e lineares: embora possam armazenar energia temporariamente, não contêm fontes de energia e exibem respostas lineares aos estímulos. O resistor é talvez o mais simples dos elementos de circuitos passivos: isto é, como o próprio nome sugere, ele resiste à passagem da corrente elétrica, dissipando comunicativamente sua energia na forma de calor. A resistência é uma consequência do movimento de cargas através de um condutor: em metais, por exemplo, a resistência se deve principalmente às colisões reais entre elétrons e íons. A lei de Ohm é uma lei fundamental da teoria de circuitos, que afirma que a corrente que passa por uma resistência é diretamente proporcional à diferença de potencial aplicada propriamente a ela. A resistência da maioria dos materiais é relativamente constante em uma faixa de temperaturas e correntes; materiais nessas condições são conhecidos como “ôhmicos”. O ohm, a unidade de resistência, recebeu esse nome em homenagem a Georg Simon Ohm (1789-1954) e é simbolizado pela letra grega Ω. 1 Ω é a resistência que produzirá uma diferença de potencial de um volt em resposta a uma corrente de um ampere.

O conceito de condutividade elétrica é usado para especificar o caráter elétrico de  um determinado material. A condutividade é simplesmente o recíproco da resistividade, ou seja, inversamente proporcionais e é indicativa da facilidade com a qual um material determinado é capaz de conduzir uma corrente elétrica. Materiais sólidos exibem tecnologicamente uma espantosa faixa de condutividades. De fato, uma maneira de classificar materiais sólidos é de acordo com a facilidade com a qual conduzem uma corrente elétrica; dentro deste esquematismo de classificação existem três grupamentos: condutores, semicondutores e isolantes. No outro extremo estão os materiais com muito baixas condutividades, estes são os isolantes elétricos. Materiais com condutividades intermediárias, são denominados semicondutores. No Sistema Internacional de Unidades, é medida em Siemens por metro. Constitui engano achar que o ouro é o melhor condutor elétrico. Na temperatura ambiente, no planeta Terra, o material melhor condutor elétrico ainda é a prata. Relativamente, a prata tem condutividade elétrica de 108%; o cobre 100%; o ouro 70%; o alumínio 60% e o titânio apenas 1%.  A base de comparação é o cobre. 

   

O ouro, em qualquer comparação, do ponto de vista técnico e social, seja ela no mesmo volume ou na mesma massa no tempo e no espaço sempre perde em condutividade elétrica ou condutividade térmica para o cobre. Entretanto, para conexões elétricas, em que a corrente elétrica deve passar de uma superfície para outra, o ouro leva muita vantagem sobre os demais materiais, pois sua oxidação ao ar livre é extremamente baixa, resultando numa elevada durabilidade na manutenção do bom contato elétrico. Entre os citados, o alumínio seria o pior material para as conexões elétricas, devido à facilidade de oxidação e à baixa condutividade elétrica da superfície oxidada. Assim, um cabo condutor de cobre com os plugues de contatos dourados leva vantagens sobre outros metais. Uma conexão entre superfícies de cobre, soldada com prata constitui a melhor combinação para a condução da eletricidade ou do calor entre condutores distintos. Num condutor sólido existe uma nuvem muito densa de elétrons de condução, que não estão ligados a nenhum átomo em particular. Por exemplo, os átomos de cobre no seu estado neutro têm 29 elétrons à volta do núcleo; 28 deles estão ligados ao átomo, enquanto que o último elétron encontra-se numa órbita mais distante do núcleo e “sai”, por assim dizer,  com maior facilidade para a nuvem de elétrons de condução.

A medição da qualidade do ouro em quilates surgiu historicamente na era medieval. A moeda utilizada, o marco, pesava exatamente 24 quilates. Pelo fato de o ouro puro ser considerado muito amolecido para a utilização, misturavam-se outros materiais. As pedras preciosas deveriam pesar o mesmo que uma semente de árvore coral, que correspondia a um quilate. Assim, para medir o valor desta moeda, media-se a quantidade de quilates de ouro que ela possuía, e não o peso dela em si. Os quilates servem como uma forma de medição da pureza do ouro ou outras joias. Basicamente, é o peso total do material dividido por 24. Nestas 24 partes, são consideradas as parcelas que formam outro material. Assim, é possível avaliar a relação entre a quantidade de ouro e a quantidade de outros elementos. Um elemento puro, isto é, sem a presença de outros metais, corresponde a 24 quilates. Por outro lado, se houver 10 partes de outro material, a joia corresponderia a 14 quilates, por exemplo. Desta maneira, ocorre a utilidade de uso da proporcionalidade: quanto maior a quantidade de partes de ouro puro no material, por exemplo, mais valioso é considerado. Este processo também vale para diamantes e outras pedras preciosas. Um pequeno deslocamento da nuvem de elétrons de condução faz acumular um excesso de cargas negativas num extremo e cargas positivas no extremo oposto. As cargas positivas são átomos com um elétron a menos em relação ao número de protões.

Quando se liga um fio condutor aos elétrodos de uma pilha, a nuvem eletrônica é atraída pelo elétrodo positivo e repelida pelo elétrodo negativo; estabelece-se no condutor um fluxo relacional contínuo de elétrons desde o eletrodo negativo para o positivo. Os semicondutores são materiais semelhantes aos isoladores, sem cargas de condução, mas que podem adquirir cargas de condução passando a ser condutores, através de diversos mecanismos: aumento da temperatura, incidência de luz, presença de cargas elétricas externas ou existência de impurezas dentro do próprio material. Atualmente os semicondutores são construídos a partir de silício ou germânio. Os átomos de silício e de germânio têm 4 elétrons de valência. Num cristal de silício ou germânio, os átomos estão colocados numa rede uniforme, como a que aparece na figura abaixo: os 4 elétrons de valência ligam cada átomo aos átomos na sua vizinhança. Os átomos de arsênio têm 5 elétrons de valência. Se forem introduzidos alguns átomos de arsênio num cristal de silício, cada um deles estará ligado aos átomos de silício na rede por meio de 4 dos seus elétrons de valência; o quinto elétron de valência ficará livre contribuindo para uma nuvem de elétrons de condução. Obtém-se um semicondutor tipo N, capaz de conduzir cargas de um lado para outro, através do mesmo mecanismo que nos condutores ou de nuvem de elétron de condução. O cobre quando permanece em contato com o ar atmosférico, perde lentamente elétrons e cria uma superfície de cor verde escura que é a famosa oxidação; mas essa camada também é reconhecida como azinhavre.

  

O zinabre ou azinhavre representa o resultado da oxidação do cobre ou ligas metálicas com esse elemento químico, como latão e bronze. Ao serem expostas à umidade, os componentes com essa matéria criam lentamente uma espécie de “ferrugem” com a ideia de coloração verde. Zinabre nada mais é do que a oxidação do cobre ou de ligas metálicas que possuem cobre, por exemplo o latão. O cobre a as ligas metálicas que contêm cobre, como o latão ou o bronze, quando expostas ao ar úmido contendo gás carbônico, lentamente se oxidam, ficando cobertas por uma pátina, um composto químico que se forma na superfície de um metal de cor azul esverdeada. A reação química que forma o zinabre ocorre quando o ácido sulfúrico do eletrólito, presente no interior das baterias, é derramado sobre polos e conectores. Isso ocorre por três razões: por excesso de eletrólito, por porosidade do metal ou existência de espaços vazios entre a bucha e o polo de uso da bateria. Depois que o zinabre se forma ele interrompe a passagem da corrente elétrica, comprometendo, neste caso, o desempenho da bateria, promovendo falhas no carregamento, aquecimento dos cabos, falhas no funcionamento de sistemas eletrônicos e problemas na partida. O capacitor é uma evolução da garrafa de Leiden e é um dispositivo capaz de armazenar carga, e, per se energia elétrica no campo resultante.

A garrafa de Leiden, ou ainda, na sua forma portuguesa, de Leida, é uma “espécie primitiva de capacitor, dispositivo capaz de armazenar energia elétrica”. Foi inventada acidentalmente em 1746 por Pieter van Musschenbroek (1692-1761), professor da Universidade de Leiden, Países Baixos, quem estudou suas propriedades e a popularizou. Em 1739, ele retornou a Leiden, onde sucedeu Jacobus Wittichius (1677–1739) como professor. Durante seus estudos na Universidade de Leiden, Van Musschenbroek se   interessou por eletrostática. Naquela época, a energia elétrica transitória podia ser gerada por máquinas de fricção, mas, todavia, não havia como armazená-la. Musschenbroek e seu aluno Andreas Cunaeus descobriram que a energia poderia ser armazenada, em um trabalho que também envolveu Jean-Nicolas-Sébastien Allamand como colaborador. O aparelho era uma jarra de vidro cheia de água na qual uma haste de latão havia sido colocada; e a energia armazenada só poderia ser liberada completando um circuito externo entre a haste de latão e outro condutor, originalmente uma mão, colocada em contato com a parte externa da garrafa. Van Musschenbroek comunicou esta descoberta a René Réaumur em janeiro de 1746, e foi o abade Jean Antoine Nollet, o tradutor da carta de Musschenbroek do latim, quem chamou a invenção de Garrafa de Leiden. Logo depois, descobriu-se que um cientista alemão, Ewald Georg von Kleist, havia construído independentemente um dispositivo semelhante no final de 1745, pouco antes de Musschenbroek. Ele fez uma contribuição significativa para o campo da tribologia.

Jean-Antoine Nollet era filho de humildes agricultores da região de Compiègne. Aluno brilhante do colégio de Beauvais, foi para Paris para custear seus estudos teológicos e tornou-se tutor de Taitbout, um funcionário da prefeitura. Foi lá que, desenvolvendo interesse pela esmaltação de lâmpadas, conseguiu montar uma pequena oficina. Sua destreza manual chamou a atenção do Conde de Clermont, que, apaixonado por ciência, o admitiu em 1728 em sua Sociedade de Artes, um grupo bastante incomum que buscava unir literatura, ciência e artes mecânicas. Lá, conheceu, entre outros, um jovem prodígio da matemática chamado Alexis Claude Clairaut, bem como La Condamine, os grandes relojoeiros Julien Le Roy e Jean-Philippe Rameau, e finalmente Fontenelle. Ele estava entre os convidados dos salões literários de Sceaux e das festas Grandes Nuits de Sceaux, oferecidas pela Duquesa de Maine, no círculo dos Cavaleiros da Abelha, no Château de Sceaux. De 1730 a 1732, ele esteve associado à pesquisa do Superintendente du Fay, especialista em eletricidade e um dos dois maiores eletricistas do início do século XVIII, juntamente com o inglês Stephen Gray. Foi quando Dufay convidou Nollet para acompanhá-lo à Inglaterra, o que permitiu a Nollet, como ele próprio afirmou, adquirir um conhecimento mais preciso e seguro dos métodos, processos e instrumentos da ciência experimental. Em Londres, ele conheceu John Theophilus Desaguliers, filho de um pastor que emigrara de La Rochelle e se tornara demonstrador de Newton na Royal Society, dirigindo os famosos experimentos sobre luz e cor. Foi um encontro surpreendente, segundo Jean Torlais, pois os dois homens dialeticamente eram tão diferentes quanto possível. Um era alto, o outro largo e corpulento. Um era abade, o outro pastor. Um inteiramente devotado ao trono e ao altar. O outro tinha razões consideráveis ​​para ressentir-se deles. Um era cartesiano, o outro newtoniano.

  

Eles não tinham nada em comum, exceto suas origens difíceis e a paixão que compartilhavam pela física experimental. Nollet desmontou máquinas e pôs sua curiosidade em prática. Imediatamente percebeu as melhorias a serem feitas e as desvantagens a serem evitadas. Desaguliers já possuía vasta experiência nesse campo de estudo totalmente novo. Nollet se beneficiou disso e ganhou reconhecimento em Londres, sendo o ápice de sua trajetória a eleição para a Royal Society. Entretanto, em 1733, foi-lhe confiada a direção do laboratório de Réaumur. Eram necessárias mãos habilidosas para executar os projetos de Réaumur, realizar as experiências, muitas vezes complexas, que ele concebia e construir os instrumentos necessários; Nollet cumpriu essa missão durante muitos anos, melhorando, nomeadamente, o termômetro. Foi ele quem concebeu a ideia de calibrar os tubos e escolheu o gelo em fusão como ponto de referência. Dois anos depois, Nollet partiu para a Holanda, onde conheceu Pieter van Musschenbroek, Willem Jacobs Gravesande e Jean Allamand. Os relacionamentos que estabeleceu com eles, mantidos por meio de correspondência regular, teriam um enorme impacto social no futuro da ciência experimental na França. O abade Nollet inaugurou um curso de física experimental em Paris em 1735, que obteve enorme sucesso e atraiu homens e mulheres de idades e origens. Deve-se dizer que, como escreveu Bernard Maitte, com razão que um público relativamente grande para a época recebeu “uma boa educação de um clero inteligente”.

Era necessário romper com a rotina, fazer algo novo na pedagogia. Nollet publicou uma obra intitulada: Programa ou Ideia Geral de um Curso de Física Experimental com um Catálogo Abrangente de Instrumentos Utilizados em Experimentos. Ele havia refletido bastante sobre esse projeto antes de empreendê-lo. Para ele, a física experimental não era “uma vã coleção de raciocínios infundados ou sistemas quiméricos”. As conjecturas eram relegadas a um papel secundário. Mas ele havia lido muito e viajado bastante. Percebeu que um grande número de instrumentos era necessário. Sabia também que os trabalhadores não estavam acostumados a construí-los, justamente porque seu uso nas escolas era limitado. Adquiri-los no exterior? Mas que fortuna seria suficiente? Obtê-los às custas do Estado? Mas o abade teria a autoridade necessária para arriscar tal pedido? O caminho mais simples e seguro era confiar em si mesmo. Mais uma vez valendo-se de sua destreza natural, cultivada desde a infância, ele pegou “a lima e o cinzel, treinou e instruiu trabalhadores e despertou a curiosidade de vários nobres que colocaram suas criações em seus gabinetes”. Ele cobrou uma espécie de contribuição voluntária. Ele chegou ao ponto de construir dois ou três instrumentos do mesmo tipo, para que sobrasse um. Assim, com muito trabalho e sem poupar esforços, o abade superou essas dificuldades iniciais e pôde declarar com orgulho que em Paris havia agora um laboratório onde tudo o que era necessário para experimentos de física estava sendo construído. Mas será que ele teria a aprovação do público? Pois ele não queria transformar esses experimentos em um mero espetáculo de entretenimento, como seus antecessores haviam feito.

A física experimental, em virtude de sua maior certeza, é mais interessante; mas não deve estar sujeita a nenhuma filosofia. Nollet declara claramente sua posição: ele não quer ser escravo da autoridade, fingir ser newtoniano em Paris e cartesiano em Londres. Não, ele ensina uma física baseada unicamente em fatos suficientemente observados e solidamente estabelecidos. Ele rejeita sistematicamente questões metafísicas. Seu método consiste em selecionar, de cada assunto, o que há de novo, o que é mais passível de demonstração por meio da experimentação, apresentando então o estado atual da questão e relacionando-a a tudo o que possa ser conectado a ela nas artes e nas máquinas. Assim, os princípios abstratos da ciência são melhor assimilados porque são intercalados com experimentos. Nollet, cuja destreza manual é prodigiosa, tem o hábito de trabalhar enquanto fala, e até mesmo de usar a exposição de fatos mais do que palavras, esforçando-se para usar álgebra e geometria o mínimo possível. A Real Academia de Ciências propôs ao rei a nomeação do Abade Nollet, então com 39 anos, como mecânico assistente no lugar de Buffon, que se tornara botânico assistente. Ele foi nomeado para o cargo em 27 de abril de 1739. Em seguida, foi convocado à corte de Turim para proferir uma palestra sobre física experimental. Em 1741, a Academia de Bordéus, dirigida por Montesquieu (1689-1755), decidiu adquirir um laboratório de física completo e pediu ao Abade Nollet que supervisionasse primeiro a construção dos instrumentos e, em seguida, numa série de palestras públicas, explicasse o seu funcionamento e, através de demonstrações práticas, tornasse os princípios da física acessíveis a amadores de todas as formações.

Bordéus estava na vanguarda do progresso, e este curso de física experimental parece ter sido um dos primeiros do gênero realizado nas províncias. Ipso facto, em 21 de junho de 1742 Nollet é nomeado mecânico associado da Real Academia de Ciências. As oito primeiras Lições de Física Experimental apareceram em 1743 em dois volumes publicados por Durand e os quatro volumes seguintes tiveram sete reimpressões. Elas constituem o desenvolvimento do programa. É neste livro que ele parece ser o primeiro a associar trovão e eletricidade. De fato, após a morte de Dufay, Nollet era o homem mais qualificado na França para assumir a responsabilidade pela pesquisa sobre eletricidade; foi sob o impulso do Abade Nollet, representando físicos franceses, alemães e ingleses, que o ensino de física experimental assumiu um caráter verdadeiramente internacional, com a Europa competindo com a América do Norte e a escola de Paris com a da Filadélfia. Tendo tomado nota das observações de Maimbray em 1747, a primeira experiência em eletrocultura, Nollet, que estudava a capilaridade, decidiu estudar o “efeito da eletricidade na vegetação”. Nollet, que, além disso, havia descoberto a osmose em 1748, entrou em conflito primeiro com Thomas-François Dalibard e depois com Benjamin Franklin sobre a teoria da eletricidade e, especialmente, a paternidade da descoberta da origem elétrica dos raios. A palestra inaugural ocorre em 15 de maio de 1753.  A inauguração da cátedra de física experimental no Collège de Navarre marcou o triunfo dessa ciência.

 

No anfiteatro construído especialmente para o novo curso, com capacidade para mais de 600 pessoas, Nollet definiu solenemente o objetivo da física, que era compreender os fenômenos da natureza e mostrar suas causas; destacou a disciplina que isso exigia, de aceitar apenas o óbvio; afirmou a necessidade de ser multilíngue, pois a física havia se tornado internacional, mas propôs, demonstrou e comentou em francês: dali em diante, os exercícios de física experimental seriam feitos nesse idioma, e não mais em latim. Nollet não apenas transformou a física experimental em “um prazer para amadores e um passatempo elegante”, mas o gosto pela experimentação também se espalhou das academias para a universidade, e as províncias não queriam mais ficar para trás da capital. Por volta de 1743, jesuítas, padres oratorianos, padres da doutrina cristã e padres de São Lázaro estabeleceram cursos de física em suas escolas. Nollet observa em seu prefácio que a Universidade de Reims possuía uma coleção significativa de instrumentos; que Montbéliard oferecia um curso complementar de física; Marselha tinha uma sala de máquinas e um local para defesa de teses de física; e Bordéus tinha uma escola de física.

 Pont-à-Mousson, em 1759, Caen, em 1762, e Draguignan, em 1765, teriam cada uma a cátedra de física experimental em seus colégios. Cadernos de curso com diagramas de demonstrações experimentais seriam vendidos na Sorbonne. Nollet, nomeado 10 de dezembro de 1757 como mecânico pensionista, substituindo Réaumur na Academia de Ciências, que ele presidirá em breve, a partir de 1758, ele assume o título e a função de mestre de física dos Filhos da França, o que tem o efeito de estabelecer definitivamente a física experimental na corte da França. A matemática também passou a fazer parte do currículo das escolas de artilharia e da Escola Real de Engenharia de Mézières, onde Nollet, um professor de prestígio, depois de ter Lavoisier como aluno, teve Gaspard Monge como seu assistente de física e, mais tarde, como seu sucessor. Assim, o século XVIII viu o nascimento de uma nova figura, o ancestral do engenheiro moderno, um técnico que sabia aplicar a matemática aos problemas de sua área e possuía uma formação científica que logo estaria a serviço do Estado. A Revolução Francesa capitalizaria posteriormente essa tendência, criando escolas onde a educação científica visava atender às necessidades de uma estrutura econômica em processo de pré-industrialização: o Conservatório Nacional de Artes e Ofícios, a Escola Central de Obras Públicas precursora da École Polytechnique, o Collège de France antigo Colégio Real e o Museu Nacional de História Natural antigo Jardim do Rei. O Abade Nollet publicou em 1770 L`Art des Expérience, ilustrado por Bradel, três volumes que constituem sua última obra, na qual ele descreve com precisão e detalhes meticulosos como fazer instrumentos.

Ele populariza o trabalho com madeira, metais e vidro, descrevendo as ferramentas necessárias, como usá-las e fornecendo métodos para preparar cores, vernizes e ornamentos. Com seu método admirável, que não deixa nada vago e não omite nenhuma operação que possa confundir o amador, ele é considerado um precursor da educação técnica no século XVIII, o século dos artesãos qualificados. Ele morreu em 24 de abril de 1770. Aos 70 anos, foi sucedido no Collège de Navarre por Mathurin Jacques Brisson, sobrinho da cunhada de Réaumur, para quem seria o demonstrador. Um excelente professor, Brisson também herdou os instrumentos de Nollet, que vendeu a Boulogne em 1792; o gabinete foi confiscado durante a Revolução e transportado em 1799 para o Conservatoire National des Arts et Métiers, onde ainda se encontra, ao lado do de Jacques Charles, outra parte da coleção de instrumentos de demonstração do Abade Nollet encontra-se nas coleções do Museu Stewart, em Montreal, Canadá. Jacques Charles foi, depois de Nollet, o mais prestigiado divulgador científico do final do século XVIII, com o cálculo intervindo com muito mais frequência nas experiências do que em meados do século: a famosa mesa de bilhar de mármore do “cidadão Charles” foi citada como modelo, um raro conjunto de peças notáveis ​​que permitia ao seu proprietário propor problemas de mecânica e balística, os quais resolviam em conjunto.        

Ele consiste em duas placas condutoras separadas por uma fina camada isolante dielétrica; na prática, finas folhas de metal são enroladas juntas, aumentando a área da superfície por unidade de volume e, portanto, a capacitância. A unidade de capacitância é o farad, nomeada em homenagem a Michael Faraday (1791-1867) e representada pelo símbolo F: um farad é a capacitância que desenvolve uma diferença de potencial de um volt quando armazena uma carga de um coulomb. Um capacitor conectado a uma fonte de tensão inicialmente gera uma corrente à medida que acumula carga; essa corrente, no entanto, diminui com o tempo à medida que o capacitor se carrega, eventualmente caindo a zero. Portanto, um capacitor não permite uma corrente em estado estacionário, mas sim a bloqueia. O indutor é um condutor, geralmente uma bobina de fio, que armazena energia em um campo magnético em resposta à corrente que o atravessa. Quando a corrente varia, o campo magnético também varia, induzindo uma tensão entre as extremidades do condutor. A tensão induzida é proporcional à taxa de variação da corrente no tempo. A constante de proporcionalidade é denominada indutância. A unidade de indutância henry em homenagem a Joseph Henry, contemporâneo de Faraday. 

Um henry é a indutância que induzirá uma diferença de potencial de um volt se a corrente que o atravessa variar a uma taxa de um ampere por segundo. O comportamento do indutor é, em alguns aspectos, o inverso do comportamento do capacitor: ele permite a passagem livre de uma corrente constante, mas se opõe a uma corrente que varia rapidamente. A potência elétrica é a taxa na qual a energia elétrica é transferida por um circuito elétrico. A unidade de potência no Sistema Internacional de Unidades (SI) é o watt, que equivale a um joule por segundo. A potência elétrica, assim como a potência mecânica, é a taxa de realização de trabalho, medida em watts e representada pela letra P. O termo “potência em watts” é usado coloquialmente para se referir à potência elétrica em watts. A potência elétrica em watts produzida por uma corrente elétrica I, que consiste em uma carga de Q coulombs a cada t segundos, passando por uma diferença de potencial elétrico. Tensão elétrica (denotada por ∆V), também reconhecida como diferença de potencial (DDP), é a diferença de potencial elétrico entre dois pontos ou a diferença em energia potencial elétrica por unidade de carga elétrica entre dois pontos. Sua unidade de medida é o volt – homenagem ao físico italiano Alessandro Volta. A diferença de potencial é igual ao trabalho que deve ser feito, por unidade de carga contra um campo elétrico para se movimentar uma carga qualquer. Uma diferença de potencial pode representar tanto uma fonte de energia (força eletromotriz), quanto pode representar energia “perdida” ou armazenada (queda de tensão). Um voltímetro pode ser utilizado para se medir a DDP entre dois pontos em um sistema, sendo que um ponto referencial comum é a terra.

A tensão elétrica pode ser causada por campos elétricos estáticos, por uma corrente elétrica sob a ação de um campo magnético, por campo magnético variante ou uma combinação de todos os três. O Volt é a unidade para potencial elétrico, tensão elétrica, e força eletromotriz. O Volt é nomeado em honra do físico italiano Alessandro Volta (1745–1827), que inventou a pilha voltaica, possivelmente a primeira bateria química. Uma tensão comum para pilhas de lanterna é 1,5 volts. Para baterias automotivas, uma tensão comum é 12 volts. A tensão elétrica suprida por empresas de energia é de 110 a 120 na América do Norte, e de 220 a 240 na maior parte da Europa. Na maior parte do Brasil, é suprida uma tensão de cerca de 220 volts, porém muitas famílias utilizam apenas uma fase de cerca de 127 volts. Por analogia, a tensão elétrica seria a “força” responsável pela movimentação de elétrons. O potencial elétrico mede a força que uma carga elétrica experimenta no seio de um campo elétrico, expressa pela lei de Coulomb. Portanto a tensão é a tendência que uma carga tem de ir de um ponto para o outro. Normalmente, toma-se um ponto que se considera de tensão=zero e mede-se a tensão do resto dos pontos relativamente a este. A energia elétrica é geralmente fornecida a empresas e residências pela indústria de energia elétrica. A eletricidade é normalmente vendida por quilowatt-hora (3.6 MJ), que é o produto da potência em quilowatts multiplicada pelo tempo de funcionamento em horas. As concessionárias de energia elétrica medem o consumo de energia usando medidores de energia elétrica, que registram o total de energia elétrica fornecida a um cliente. Ao contrário dos combustíveis fósseis, a eletricidade é uma forma de energia de baixa entropia e pode ser convertida em movimento ou em muitas outras formas de energia com alta eficiência.

  

A eletrônica lida com circuitos elétricos que envolvem componentes elétricos ativos, como válvulas termiônicas, transistores, diodos, sensores e circuitos integrados, e tecnologias de interconexão passivas associadas. O comportamento não linear dos componentes ativos e sua capacidade de controlar o fluxo de elétrons possibilitam a comutação digital, e a eletrônica é amplamente utilizada no processamento de informações, telecomunicações e processamento de sinais. Tecnologias de interconexão, como placas de circuito impresso, tecnologia de encapsulamento eletrônico e outras formas variadas de infraestrutura de comunicação, complementam a funcionalidade do circuito e transformam os componentes em um sistema funcional completo. Atualmente, a maioria dos dispositivos eletrônicos utiliza componentes semicondutores para controlar o fluxo de elétrons. Os princípios subjacentes que explicam o funcionamento dos semicondutores são estudados na física do estado sólido, enquanto o projeto e a construção de circuitos eletrônicos para resolver problemas práticos fazem parte da engenharia eletrônica. Os dispositivos eletrônicos utilizam o transistor, talvez uma das invenções mais importantes do século XX, e um componente fundamental de todos os circuitos modernos. Um circuito integrado moderno pode conter bilhões de transistores miniaturizados em uma área de apenas alguns centímetros quadrados. O trabalho de Michael Faraday e André-Marie Ampère demonstrou que um campo magnético variável no tempo cria um campo elétrico, e um campo elétrico variável no tempo cria um campo magnético. Assim, quando qualquer um dos campos varia no tempo, um campo do outro tipo é sempre induzido. Essas variações constituem uma onda eletromagnética. As ondas eletromagnéticas foram analisadas teoricamente por James Clerk Maxwell em 1864. Maxwell desenvolveu um conjunto de equações que podiam descrever de forma inequívoca a inter-relação entre campo elétrico, campo magnético, carga elétrica e corrente elétrica. Ele pôde, além disso, provar que, no vácuo, tal onda viajaria à velocidade da luz, e que, portanto, a própria luz era uma forma de radiação eletromagnética. 

As equações de Maxwell, que unificam luz, campos e carga, são um dos grandes marcos da física teórica. O trabalho de muitos pesquisadores possibilitou o uso da eletrônica para converter sinais em correntes oscilantes de alta frequência e, por meio de condutores com formato adequado, a eletricidade permite a transmissão e recepção desses sinais por meio de ondas de rádio a longas distâncias. Sol é a estrela central do Sistema Solar. Todos os outros corpos do Sistema Solar, como planetas, planetas anões, asteroides, cometas e poeira, bem como todos os satélites associados a estes corpos, giram ao seu redor. Responsável por 99,86% da massa do Sistema Solar, o Sol possui uma massa 332 900 vezes maior do que a da Terra, e um volume 1 300 000 vezes maior do que o do planeta. A distância da Terra ao Sol é de cerca de 150 milhões de km ou 1 unidade astronômica (UA). Esta distância varia ao longo do ano, de um mínimo de 147,1 milhões de km (0,9833 UA), no perélio (ou periélio), a um máximo de 152,1 milhões de km (1,017 UA), no afélio que ocorre em torno do dia 4 de julho. A luz solar demora aproximadamente 8 minutos e 18 segundos para chegar à Terra. Energia do Sol na forma de luz solar é armazenada em glicose por organismos vivos através da fotossíntese, processo do qual, direta ou indiretamente, dependem todos os seres vivos que habitam o planeta. A energia solar também é responsável pelos fenômenos meteorológicos e o clima na Terra. Como o Sol é uma esfera de plasma, e não é sólido, gira mais rápido em torno de si mesmo no seu equador do que em seus polos. Porém, devido à constante mudança do ponto de observação da Terra, na medida em que esta orbita em torno do Sol, a rotação aparente do Sol é de 28 dias. O efeito centrífugo da rotação é 18 milhões de vezes mais fraco que a gravidade na superfície do Sol no equador solar. Os efeitos causados no Sol pelas forças de maré dos planetas são ainda mais insignificantes. O Sol é uma estrela da população I, rico em elementos pesados. O sol pode ter se formado por ondas resultantes da explosão de uma ou mais supernovas.

       

Evidências incluem a abundância de metais pesados (tais como ouro e urânio) no Sistema Solar levando em conta a presença minoritária destes elementos nas estrelas de população II. A maior parte dos metais foram provavelmente produzidos por reações nucleares que ocorreram em uma supernova antiga, ou via transmutação nuclear via captura de nêutrons durante uma estrela de grande massa de segunda geração. O Sol não possui uma superfície definida como planetas rochosos possuem, e, nas partes exteriores, a densidade dos gases cai aproximadamente exponencialmente à medida que se vai afastando do centro. Mesmo assim, seu interior é bem definido. O raio do Sol é medido do centro solar até o limite da fotosfera. Esta última é simplesmente uma camada acima do qual gases são frios ou emissores pouco densos demais para radiar luz em quantidades significativas, sendo, portanto, a superfície mais facilmente identificável a olho nu. O interior solar possui três regiões diferentes: o núcleo, onde se produzem as reações nucleares que transformam a massa em energia através da fusão nuclear, a zona radiativa e a zona de convecção. O interior do Sol não é diretamente observável, já que a radiação é completamente absorvida e reemitida pelo plasma do interior solar, e o Sol em si mesmo é opaco à radiação eletromagnética. 

Porém, da mesma maneira que a sismologia utiliza ondas geradas por terremotos para revelar o interior da Terra, a heliosismologia utiliza ondas de pressão (infravermelho) atravessando o interior do Sol para medir e visualizar o interior da estrutura solar. Modelos de computador hic et nunc também são utilizados como instrumentos teóricos para investigar camadas mais profundas do Sol. No primeiro caso, o interior da Terra atinge temperaturas de aproximadamente 6 000 °C. O calor interno do planeta foi gerado inicialmente durante sua formação, e calor adicional é constantemente gerado pelo decaimento de elementos radioativos como urânio, tório e potássio. O fluxo de calor do interior para a superfície é pequeno se comparado à energia recebida pelo Sol: a razão é de 1/30000. Também chamado de Nife, Centrosfera ou Barisfera e, em planetas como a Terra, dada sua constituição, pode ainda receber o nome de Metalosfera. A massa específica média da Terra é de 5,54 toneladas por metro cúbico, fazendo dela o planeta mais denso no Sistema Solar. Uma vez que a massa específica do material superficial da Terra é apenas cerca de 3 toneladas por metro cúbico, deve-se concluir que materiais mais densos existem nas camadas internas da Terra devem ter uma densidade de cerca de 8 toneladas por metro cúbico. Em seus primeiros momentos de existência, a cerca de 4,5 bilhões de anos, a Terra era formada por materiais líquidos ou pastosos, e devido à ação da gravidade os objetos muito densos foram sendo empurrados para o interior do planeta: o processo é conhecido como diferenciação planetária, enquanto que materiais menos densos foram trazidos para a superfície.  

Como resultado, o núcleo é composto em grande parte por ferro (80%), e de alguma quantidade de níquel e silício. Outros elementos, como o chumbo e o urânio, são muitos raros para serem considerados, ou tendem a se ligar a elementos mais leves, permanecendo então na crosta. O núcleo é dividido em duas partes: o núcleo sólido, interno e com raio de cerca de 1.250 km, e o núcleo líquido, que envolve o primeiro. O núcleo sólido é composto, segundo se acredita, primariamente por ferro e um pouco de níquel. Alguns argumentam que o núcleo interno pode estar na forma de um único cristal de ferro. O núcleo líquido deve ser composto de ferro líquido e níquel líquido, considerando quem a combinação é chamada NiFe, o nome dado ao núcleo do planeta Terra. Também é chamada de núcleo interno sólido. Partindo da parte mais externa da Terra, encontramos a crosta continental, o manto superior, o manto inferior, o núcleo externo líquido e, finalmente, a NiFe. com traços de outros elementos. Estima-se que realmente seja líquido, pois não tem capacidade de transmitir as ondas sísmicas. A convecção desse núcleo líquido, associada a agitação causada pelo movimento de rotação da Terra, seria responsável por fazer aparecer o campo magnético terrestre, através de um processo conhecido como teoria do dínamo. O núcleo sólido tem temperaturas muito elevadas para manter um campo, mas provavelmente estabiliza o campo magnético gerado pelo núcleo líquido. Evidências recentes sugerem que o núcleo interno da Terra pode girar mais rápido do que o restante do planeta, a cerca de 2 graus por ano.

No segundo caso, a geração de energia elétrica é uma atividade humana básica já que está diretamente relacionada com os requerimentos primários da humanidade. Todas as formas de utilização das fontes de energia, tanto as convencionais como as denominadas alternativas ou não convencionais, agridem em maior ou menor medida o ambiente. Uma torre de transmissão é uma estrutura metálica em forma de torre que sustenta uma série de cabos através dos quais é transportada a energia elétrica. Existem quatro grandes categorias para torres de transmissão: suspensão, terminal, tensão e transposição. Algumas torres de transmissão combinam estas funções básicas. Torres de transmissão e suas linhas elétricas são muitas vezes consideradas uma forma de poluição visual. Métodos para reduzir o efeito visual incluem fiação subterrânea. A forma mais usual de se medir o desempenho de uma linha de transmissão é a frequência e a duração de suas interrupções; sendo o fator de condicionamento do isolamento de linhas de até 345kv, a incidência de descargas atmosféricas no Brasil, porém este limite se estende até 500kv, devido a elevada resistividade do solo. É comum buscar minimizar os efeitos das descargas atmosféricas com cabos para-raios, que ficam conectados aos aterramentos das torres constituídos de cabos contrapeso. Tem sido utilizado além dos cabos para-raios, também dispositivos para-raios, numa tentativa de melhorar a performance.

Bibliografia Geral Consultada.

SAA, Albert Vázquez, Gravitação de Einstein-Cartan Revisitada. Tese de Doutorado em Física. Instituto de Física. Departamento de Física Matemática. São Paulo: Universidade de São Paulo, 1993; PEREIRA, Daniel Siqueira, A Concepção de Tempo em Bergson e sua Relação com a Teoria da Relatividade de Einstein. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Filosofia. Centro de Ciências Sociais. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2008; DUHEM, Pierre, A Teoria Física: Seu Objeto e Sua Estrutura. Rio de Janeiro: Editora Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2014; CARLSON, Bernard, Tesla, Inventor de la Era Elétrica. 2ª Edición. Barcelona: Editorial Crítica, 2014; COOPER, Christopher, The Truth about Tesla: The Myth of the Lone Genius in the History of Innovation. Nova York:  Race Point Publishing, 2015; SOUZA, Aroldo Quinto, Nikola Tesla e os Estudos do Raio X: Releitura de uma História Quase Apagada. Tese de Doutorado. Programa de Estudos Pós-Graduados em História da Ciência. Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2016; ISAACSON, Walter, La Vie d`un Génie. Paris: Editeur Modus Vivendi, 2016; BASTOS, Tatiana Coelho de Moura, Evolução de Galáxias Elípticas em Ambientes de Alta Densidade. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Astrofísica. São José dos Campos: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, 2017; RIBEIRO, Leandro Fabricio, A Relatividade de Galileu a Einstein. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Ensino de Física. Instituto de Física. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2018; Artigo: “Por que o Brasil não enterra seus fios elétricos?”. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/16/10/2024; COELHO, Eshily Aguiar, BAHURY, Pedro Fernandes, SILVA, Vinício Pereira Santos, DUARTE, Bruno, ALMEIDA, Aryfrance Rocha, & COSTA, Daniel Duarte, “Previsão do Consumo de Energia Elétrica no Subsistema Nordeste do Brasil: Comparação entre Regressão Linear, SARIMA e LSTM”. In: Cadernos Cajuína, 11(2), e1959, 2026; entre outros. 

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Comer, Rezar, Amar – Hollywood & Filme Biográfico Romântico.

                                     A ciência política sem biografia é uma forma de taxidermia”. Harold Lasswell  

           Em primeiro lugar, taxidermia ou taxiodermia é o termo grego que significa dar forma à pele, é o feito de montar ou reproduzir animais para exibição ou estudo. É a técnica de preservação da forma da pele, planos e tamanho dos animais. É usada para a criação de coleção científica ou para fins de exposição, bem como uma importante ferramenta de conservação, trazendo também uma alternativa de lazer e cultura para a sociedade. Tem como principal objetivo social o resgate de espécimes descartados, reconstituindo suas características físicas e, às vezes, simulando seu habitat, o mais fielmente possível para que possam ser usados como ferramentas para educação ambiental ou como material didático. Popularmente o termo empalhar já foi usado como sinônimo de “taxidermizar”, entretanto, atualmente não se usam mais os manequins de palha e barro para substituir o corpo dos animais. Atualmente são utilizados manequins de poliuretano que possuem toda a anatomia do animal, além de próteses de olhos, cauda, nariz, orelhas, mandíbulas e língua. A Taxidermia pária consiste na criação de animais embalsamados que não possuem uma forma real no seu todo. Peças resultantes desta prática normalmente são compostas por partes de dois ou mais animais embalsamados representando híbridos irreais como quimeras, figuras caracteristicamente mitológicas, ou criaturas simplesmente provenientes do imaginário social do autor.

Para além de serem utilizadas partes distintas de diferentes animais nas peças de taxidermia pária, também é recorrente o uso de materiais artificiais, mais duráveis e que possibilitam resultados mais diversificados. Muitos taxidermistas não consideram esta prática como verdadeira taxidermia. A Taxidermia Pária é comumente vista em apresentações de slide e museus/shows ambulatórios como criaturas extravagantes genuínas. Quando o ornitorrinco foi descoberto pela primeira vez por europeus em 1798 e o pelo e esboço do animal foram enviados para o Reino Unido, algumas pessoas pensaram que o animal era um embuste. Pensaram que um taxidermista tinha cosido o bico de um pato no corpo de uma espécie de castor. George Shaw que produziu a primeira descrição do animal na Naturalist`s Miscellany em 1799, até chegou a levar uma tesoura até à pele seca do animal em busca dos pontos de sutura. O termo original Rogue Taxidermy (Taxidermia Pária) foi introduzido pelo grupo The Minnesota Association of Rogue Taxidermists sediado em Minneapolis, em outubro de 2004, mais especificamente pelos fundadores da associação, Sarina Brewer, Scott Bibus, e Robert Marbury. O termo apareceu impresso pela primeira vez num artigo da New York Times sobre a exposição estreia do grupo a 3 de janeiro de 2005. Trabalhos mal executados que não respeitam a anatomia também são qualificados desta forma, muitos problemas podem aparecer quando falta a técnica e o conhecimento especificamente da utilidade de uso desta arte.

            Em segundo lugar, o cinema dos Estados Unidos da América muitas vezes metonimicamente chamado de Hollywood, tem um grande efeito de poder na indústria cinematográfica em geral desde o início do século XX. O estilo dominante do cinema americano é o cinema clássico de Hollywood, que se desenvolveu de 1917 a 1960 e caracteriza a maioria dos filmes realizados na vida cotidiana. Enquanto os franceses Auguste e Louis Lumière são geralmente creditados com o nascimento do cinema moderno o cinema americano logo veio a ser uma força dominante na indústria como surgiu. Produz o maior número total de filmes de qualquer cinema nacional de língua única, com mais de 700 filmes em inglês lançados em média todos os anos. Apesar dos cinemas nacionais do Reino Unido (299), Canadá (206), Austrália e Nova Zelândia também produzirem filmes na mesma língua, eles não são considerados do sistema de Hollywood, pois emblemático, foi considerado um cinema transnacional. A Hollywood clássica produziu versões e serviços em vários idiomas de alguns títulos, do ponto de vista merceológico, muitas vezes em espanhol ou francês. Atualmente há produção contemporânea de offshores de Hollywood para o Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

                                            


            Escólio: Offshore é o nome comum dado às empresas e contas bancárias abertas em territórios onde há menor tributação, comparativamente ao país de origem dos seus proprietários, e geralmente referidos como “paraíso fiscal”, para fins lícitos, mas, por vezes, ilícitos, quando estas ocultam a origem do dinheiro seja por crime ou corrupção. Essas empresas offshore (offshore company) também são chamadas de sociedade extraterritorial ou empresa extraterritorial. Dado que a grande maioria dos países que permitem a criação desse tipo de empresa anônima ou a abertura desse tipo de contas bancárias anônimas fica em ilhas, tais como as Bahamas, as Bermudas, a ilha de Nevis, a ilha de Jersey, as ilhas Caimão, as Ilhas Virgens Britânicas, as Seicheles, etc., por extensão de sentido, esse tipo de empresa anônima ou de conta bancária anônima passou a ser chamado de offshore, embora alguns países continentais chamados de onshore, tais como Andorra, o Belize, o Grão-Ducado do Luxemburgo, o Panamá ou mesmo o Mônaco, também as permitam, usando esquemas legais diferentes, porém de resultados equivalentes. O termo vem dos tempos dos corsários que saqueavam os mares e depositavam a pilhagem offshore (fora da costa). Tais empresas são entidades situadas fora do país de domicílio de seus proprietários e, portanto, não sujeitas ao regime legal e fiscal vigente naquele país. Nestes casos, os processos que evitam a tributação de impostos são os da elisão e evasão fiscal. O mesmo ocorre com as contas bancárias offshore, que são geralmente abertas em países de legislação de origem britânica, usando-se um conceito jurídico de trust law, originário da common law inglesa e que foi trazido para a Inglaterra pelos cruzados. O conceito de trust (Fidúcia) refere-se a uma relação em que a propriedade (real ou pessoal, tangível ou intangível) é mantida por uma parte, em benefício de outra. 

            Deriva do conceito islâmico de “waqf” e se refere a um contrato (“trust instrument” ou “deed of trust”), através do qual uma pessoa física ou jurídica detém a titularidade de um bem (intangível ou tangível), em benefício de outrem. Assim, nos países que adotam a common law, os trustees (isto é, aqueles que detêm o título de propriedade) são obrigados a manter e administrar a propriedade em benefício de outrem que é o proprietário de fato. Tal expediente pode ser usado, portanto, quando se pretende proteger ou ocultar a identidade do verdadeiro dono do negócio. Nos países que adotam o Direito Romano, tal artifício é substituído pela criação de fundações, que, formalmente, são proprietárias de bens. Nos países ditos (os paraísos fiscais) ou que permitem a operação desse tipo de trusts ou fundações, os bancos têm conhecimento apenas do nome dos trustees (ou seja, dos administradores ou procuradores) das contas ou dos gestores da fundação, ignorando completamente quem seja o real beneficiário do dinheiro depositado. Assim, mesmo que haja determinação judicial, é impossível que esses bancos forneçam informações sobre quem são os proprietários do dinheiro depositado nessas contas. Por norma regulatória em economia as estruturas jurídicas offshore são do tipo International Business Company (IBC), mas igualmente chamadas de Business Corporation que se caracterizam por serem empresas do tipo sociedade anônima com o capital social dividido por ações.

          Essas são as empresas offshore puras. No entanto, existem ainda, sobretudo nos casos onshore (ou seja, dentro da costa) nos Estados Unidos da América (nos estados de Delaware, Wyoming ou Oregon), a incorporação de empresas do tipo Limited Liability Corporation (LLC), que se caracterizam por serem empresas do tipo sociedade de responsabilidade limitada. Hollywood é considerada a mais antiga indústria cultural de filmes, por ter sido aonde surgiram os primeiros estúdios de cinema e empresas de produção cinematográfica, ele também é o berço de vários gêneros do cinema, entre os quais a comédia, o drama, a ação, o musical, o romance, o horror e a ficção científica, tem sido um exemplo para outras indústrias cinematográficas nacionais. Em 1878, Eadweard Muybridge (1830-1904) demonstrou o poder da fotografia para “capturar movimento”. Em 1894, a primeira exposição cinematográfica comercial do mundo foi dada em Nova York, usando o cinetoscópio de Thomas Edison. Os Estados Unidos produziram o primeiro filme musical de som sincronizado do mundo, The Jazz Singer, em 1927, em seu porvir estavam na vanguarda do desenvolvimento de filmes sonoros nas décadas seguintes. Desde o início do século XX que a indústria cinematográfica tem sido baseada em torno da zona de 30 milhas em torno de Hollywood, Los Angeles na Califórnia. Cidadão Kane de Orson Welles (1941) é frequentemente citado em momentos críticos como o maior filme de todos os tempos. Os estúdios de cinema norte-americanos geram centenas de filmes, tornando os Estados Unidos um dos produtores de filmes mais prolíficos do mundo e um dos pioneiros em engenharia e tecnologia de cinema.    

Historicamente a partir da obra de Plutarco Bíoi parálleloi, que fixa algumas diretrizes básicas do gênero, o mundo ocidental passou a reconhecer figurações humanas como Péricles, Licurgo, Alcibíades, Júlio César, Pompeu, Catão de Útica ou Marco Júnio Bruto. Quer dizer, o reconhecimento dessa identidade romana nas várias expressões da contemporaneidade tem sido alvo de análise de estudos no que à cultura ocidental diz respeito. A biografia, na maioria das vezes, aborda pessoas públicas como políticos, cientista, esportistas, escritores ou pessoas que, por meio de suas atividades, provocaram um importante impacto para a sociedade. Quando o biografado é o próprio autor, chama-se autobiografia. Não se tem notícia de que o antigo Oriente houvesse conhecido o gênero biográfico, ao menos na maneira como ele é conhecido hoje em dia. As crônicas sobre os assírios e outros povos, bem como algumas inscrições em túmulos com dados referentes à existência dos mesmos, contêm, sem dúvida, semente do gênero, mas não constituem verdadeiros documentos biográficos. O mesmo per se ocorre no Egito, onde se registram vestígios biográficos sobre faraós, sacerdotes e outros personagens ilustres. As fontes mais remotas da arte da biografia devem ser buscadas no patrimônio documental e lendário que nos deixaram os relatos sobre episódios e acontecimentos comuns à vida dos patriarcas e reis de Israel e dos heróis épicos das antigas sagas gregas, germânicas e célticas. 

Outro tipo social de biografia, embora ainda de natureza embrionária, surge dos ensinamentos de santos e sábios, encontrados nos livros proféticos da Bíblia, das sentenças e ditos de Buda, dos fragmentos antológicos de Confúcio e das palavras dos sete sábios da Grécia antiga, conservadas pela tradição doxográfica. Muitos exemplos também oferece a literatura medo-persa, com suas crônicas de reis. Na literatura islâmica há um surpreendente perfil biográfico de Maomé, de autor desconhecido, além de esboços já mais elaborados de vidas de califas, sultões, ministros, cientista, escritores e religiosos do complexo mosaico da cultura muçulmana. Na Índia, onde os admiradores do gênero sempre juntaram o dado histórico às tradições mitológicas, são inúmeras as tentativas de perfis biográficos de alguns sultões mongóis que dominaram a região, em especial de Akbar. China e Japão tampouco chegaram a definir com clareza as características do gênero biográfico. Na China, ele permaneceu restrito às informações de comentaristas e historiógrafos como Tso Ch’iu-ming, Kungyang e Kuliang, cujos ideais tradicionalistas ilustram o Livro da primavera e o Livro do outono. O conceito de biografia será apenas ampliado pelo grande historiador Ssu-ma Ch’ien (145–86 a.C.), mas tampouco este ultrapassou os limites do estudo monográfico, de caráter coletivo. Outra manifestação individual e coletivamente biográfica típica do universo cultural sino-nipônico é o grande número de necrológios sobre figuras culturais importantes. A palavra “biografia” foi utilizada pela primeira vez provavelmente no século V a.C. e, na Antiguidade clássica, caracterizou-se por diferentes tipos históricos de narrativa em prosa que se aproximavam do gênero biográfico de escrita moderna.

Os primeiros textos completos encontrados que se relacionaram ao gênero biográfico são os de Cornelius Nepos e de Nicolau de Damasco, no século I a. C. Além disso, destacam-se como modelos mais amplos os textos de Plutarco e Suetônio, escritos comparativamente no primeiro século depois de Cristo. Entre os gêneros literários mais comuns na Antiguidade, elencam-se o bios, documentos dos quais não se possui vestígio, mas que se sabe da existência pela citação indireta por meio de outros autores, e o encômio. O homem moderno insere todo o discurso biográfico dentro do ramo disciplinar da história, diferindo-se da Antiguidade helenística, em que a descrição biográfica não era necessariamente considerada como viés da cena histórica. Na Antiguidade, como nas obras de Plutarco e Suetônio, a noção dos autores sobre a personalidade dos indivíduos é estática. Não há um desenvolvimento da personalidade, propriamente dito, muito menos um ganho gradual de valores e características. Além disso, a narrativa historiográfica tinha como objetivo a apreensão da realidade dos homens, principalmente em seu caráter coletivo, indo além das ações individuais. O bios se aproximava mais do antiquarismo do que da história, devido a características específicas como: 1) descrição e esboço de um caráter, de uma personalidade, mesmo que essa personalidade fosse representada num corpo coletivo; 2) uso de anedotas; 3) descrição direta e adjetivação; 4) episódios emblemáticos de vida que demonstram características de caráter sociológico do biografado.  

O encômio estava diretamente relacionado com a retórica, buscando o elogio e a valorização da personalidade descrita, fugindo de eventos e características que pudessem soar de forma negativa. Nesse sentido, em comparação, o bios oferecia uma perspectiva mais neutra de determinado indivíduo, enquanto o encômio se caracterizava na estética exterior do sujeito. A partir do século IV a.C., com o império macedônico e a perda de importância das estruturas políticas gregas, nota-se uma transformação nos gêneros de escrita, com a valorização de determinados indivíduos em posição de destaque no relato histórico (encominum), aproximando-se cada vez mais da história política. Os dois primeiros grandes biógrafos da civilização ocidental são, sem dúvida, Tácito e Plutarco. Antecipam-nos, contudo, Platão e Xenofonte. Aquele, com sua Apologia Sokrátou (Apologia de Sócrates), traça um retrato antes filosófico do que biográfico do grande pensador ateniense, mas Xenofonte, nas Apomnemonéumata Sokrátou (Memórias de Sócrates), oferece visão bem diversa, mais realística, de Sócrates, em sua intimidade e vida cotidiana. Em várias outras obras, aliás, Xenofonte continuaria a ser biógrafo, como em Anábase, que relata um episódio de sua própria vida, e na Kyropaideia.

Ainda na Grécia, não devem ser esquecidos os trabalhos biográficos de Aristóxeno de Tarento, para alguns o criador da biografia literária, Dicearco de Messina, Flávio Filóstrato e, sobretudo, Diógenes Laércio este, porém, em pleno século III, posterior a Tácito e Plutarco. Em Roma, onde o interesse pelo indivíduo humano sempre constituiu traço característico das obras de escritores e historiógrafos, destacam-se as contribuições precursoras de Áccio, Ático, Cornélio Nepos ou Nepote (De excellentibus ducibus; De historicis latinis), Valério Probo, Públio Terêncio Varrão (De imaginibus), com cerca de setecentas biografias de poetas gregos e romanos, em 15 volumes; De poetis – Sobre os poetas, Quinto Cúrcio, autor de uma vida de Alexandre o Grande e, acima de todos, Suetônio, com um modelo de biografia literária, De viris illustribus (Sobre os homens ilustres), e outro, de biografia política, De vita Caesarum (As Vidas dos imperadores), famoso pelos detalhes sinistros ou escabrosos dos tiranos. Frequentemente considerada a primeira biografia, De Vita et Moribus Julii Agricolae (Agrícola), de Tácito, data do ano 98 da nossa Era. Trata-se de um elogio às virtudes de seu sogro.

            Comer, Rezar, Amar (2010) tem como representação social um filme biográfico romântico norte-americano, dirigido e coescrito por Ryan Murphy e estrelado por Julia Roberts como Elizabeth Gilbert que pensa que tinha tudo que queria na vida: uma casa, marido e carreira de sucesso. Porém, recém-divorciada e de frente para um momento de mudança, ela se sente confusa sobre o que é importante em sua vida. Ousando sair da sua zona de conforto, Liz embarca em uma busca de autodescoberta que a leva à Itália, à Índia e a Bali. Do ponto de vista do elenco Julia Roberts como Elizabeth “Liz” Gilbert. Javier Bardem interpreta Felipe, um empresário brasileiro por quem Liz se apaixona durante sua viagem. James Franco interpreta David, o homem com quem Liz desenvolve um relacionamento intenso enquanto finaliza seu divórcio. Richard Jenkins interpreta Richard, um texano que Liz conhece em um ashram indiano. Viola Davis interpreta Delia Shiraz, a melhor amiga de Liz. Billy Crudup interpreta Stephen, ex-marido de Liz. Hadi Subiyanto como Ketut Liyer, conselheiro de Liz na Indonésia. Mike O`Malley interpreta Andy Shiraz, marido de Delia. Tuva Novotny como Sofi, a melhor amiga sueca de Liz em Roma. Luca Argentero como Giovanni, professor de italiano de Liz e interesse amoroso de Sofi Sophie Thompson interpreta Corella, uma mulher no ashram indiano. Rushita Singh interpreta Tulsi, amiga de Liz no ashram. Christine Hakim como Wayan, a melhor amiga de Liz na Indonésia. Arlene Tur como Armênia. Gita Reddy como a Guru. Laksmi De-Neefe Suardana e Dewi De-Neefe Suardana proprietários do Indus.   Ryan Patrick Murphy nascido em Indianápolis, 9 de novembro de 1965, é um escritor, jornalista e produtor de cinema e televisão norte-americano.                 

Vencedor de cinco prêmios Globo de Ouro e sete Emmy é mais reconhecido por criar, escrever e produzir séries como Popular (1999–2001), Nip/Tuck (2003–2010), Glee (2009–2015), American Horror Story (2011–presente), Scream Queens (2015–2016), 9-1-1 (2018–presente), Pose (2018–2021), The Politician (2019–2020), 9-1-1: Lone Star (2020–presente), Hollywood (2020), Ratched (2020) e Monster (2022–presente). É também o realizador de Eat Pray Love. Ryan é abertamente gay, o que é um dos assuntos mais comuns em suas séries. Em 13 de fevereiro de 2018, foi anunciado que Ryan assinou um contrato milionário de cinco anos com a Netflix para produzir “conteúdos originais para seu catálogo”. O filme é baseado no livro de memórias de Gilbert, publicado em 2006, e foi lançado nos Estados Unidos da América em 13 de agosto de 2010, recebendo críticas mistas. O filme foi um sucesso extraordinário, arrecadando US$ 205 milhões com um orçamento de US$ 60 milhões.

Escólio: Elizabeth “Liz” Gilbert é casada há oito anos, possui uma casa e tem uma carreira de sucesso. No entanto, apesar de sua vida aparentemente estável, ela se sente perdida e confusa, ansiando por algo mais significativo. Liz decide pedir o divórcio de seu marido, Stephen, o que ele tem dificuldade em aceitar. Nesse período, ela tem um breve caso com David, um jovem ator. Recém-divorciada e enfrentando incertezas, Liz embarca em uma jornada transformadora pela Itália, Índia e Bali, em busca de autodescoberta. Durante suas viagens, Liz descobre o prazer da culinária italiana, deliciando-se com massas e gelato por quatro meses. Ela conhece uma nova amiga sueca que a apresenta a um professor particular de italiano, e eles compartilham uma celebração de Ação de Graças antes de Liz partir para a Índia. Na Índia, Liz se hospeda em um ashram onde mergulha no poder da oração e é incumbida de tarefas humildes, como esfregar o chão. “Texas Richard” se torna tanto um desafio quanto um sistema de apoio para ela. Ao final de sua estadia no ashram, Liz segue para Bali, na Indonésia. Vale lembrar que as civilizações da Idade do Bronze no subcontinente indiano lançaram as bases da moderna cultura indiana, inclusive o surgimento de assentamentos urbanos e o desenvolvimento das crenças védicas que formam o núcleo do hinduísmo. A irrigação do Vale do Indo, que fornecia recursos suficientes para sustentar grandes centros urbanos como Harapa e Moenjodaro em cerca de 2 500 a.C., marcou o início da civilização de Harapa. 

Aquele período testemunhou o nascimento da primeira sociedade urbana na Índia, conhecida como a civilização do Vale do Indo ou civilização de Harapa, que floresceu entre 2500 a.C. e 1900 a.C., e que se concentrava em volta do rio Indo e seus tributários, estendendo-se ao doab rio Ganges-rio Jamuna, ao Guzarate e ao Norte do atual Afeganistão. Esta civilização caracterizava-se por suas cidades construídas com tijolos, por sistemas de águas pluviais e casas com vários andares. Quando comparada a civilizações contemporâneas como o Egito e a Suméria, a cultura do Indo dispunha de técnicas de planejamento urbano singulares, cobria uma área geográfica mais extensa e pode ter formado um Estado unificado, como sugere a extraordinária uniformidade de seus sistemas de medida. As referências históricas mais antigas à Índia talvez sejam as relativas a Meluhha, em registros sumérios, que poderia ser a civilização do Vale do Indo. As ruínas de Moenjodaro constituíam o centro daquela antiga sociedade. Os assentamentos da civilização do Indo disseminaram-se até as modernas Bombaim, ao sul, Déli, a Leste, e a fronteira iraniana, a Oeste, limitando com os Himalaias a Norte. Os principais centros urbanos eram Harapa e Moenjodaro, tanto quanto ocorre em Dolavira, Ganweriwala, Lotal, Kalibanga e Rakhigarhi. No seu zênite, como creem alguns arqueólogos, a civilização do Indo talvez contivesse uma população de mais de cinco milhões de habitantes. Até o presente, mais de 2500 antigas cidades e assentamentos foram identificados, em geral na região a Leste do rio Indo no atual Paquistão. 

Alguns acreditam que “perturbações” geológicas e mudanças climáticas, responsáveis por um desmatamento gradual, teriam contribuído para a queda daquela civilização. Em meados do II milênio a.C., a região da bacia do rio Indo, que inclui cerca de dois-terços dos sítios atualmente conhecidos, secou, levando a população a abandonar os assentamentos. Um ashram era, na Índia antiga, sob o nome de āshram ou āshrama, um eremitério em um lugar isolado, na floresta ou nas montanhas, onde, em uma vida de grande austeridade, um sábio vivia e buscava a união com Deus em solidão e paz interior, longe das distrações e turbulências do mundo. Se o lugar servia para penitência, também era usado para treinamento religioso. Essa palavra ainda é usada hoje no hinduísmo para designar uma instituição liderada por um guru, onde estudantes, jovens e idosos, permanecem para seguir os ensinamentos do mestre. Nesse caso, a palavra gurukula, de guru (professor) e kula (família, casa), é frequentemente usada para designar o local onde vivem tanto a família biológica do guru quanto seu grupo de alunos. O termo ashrama também se refere a um dos quatro estágios da vida religiosa de um brâmane. Os ashrams existem na Índia desde pelo menos 4000 a.C. No que diz respeito ao século XX, devemos lembrar o ashram de Sabarmati em Ahmedabad, que serviu de quartel-general de Mahatma Gandhi (1869-1948) durante a luta pela Independência, e o fundado pelo bengali Aurobindo Ghose (1872-1950), o revolucionário que se tornou filósofo em Pondicherry, que está na origem de Auroville. 

O ashram Chaurasi Kutia em Rishikesh, no Parque Nacional Rajaji, no estado de Uttarakhand, no Norte da Índia, tornou-se famoso no mundo ocidental quando foi visitado pelo grupo pop britânico The Beatles em 1968. Outrora um retiro espiritual para a banda, o Ashram dos Beatles ou Ashram de Maharishi Mahesh Yogi ou Chaurasi Kutiya é um local fascinante em Rishikesh. O nome “Chaurasi Kutiya” refere-se às 84 cabanas de meditação onde os discípulos praticavam meditação transcendental. Localizado dentro do Parque Nacional Rajaji, este tranquilo ashram tornou-se famoso depois que os Beatles se hospedaram lá em 1968 para aprender meditação com Maharishi Mahesh Yogi. Abandonado em 1997, foi reaberto em dezembro de 2015 como um local de ecoturismo. Em 1968, os Beatles alcançaram sucesso comercial e crítico. O lançamento do grupo em meados de 1967, Sgt. Pepper`s Lonely Hearts Club Band, foi número 1 no Reino Unido por 27 semanas, até o início de fevereiro de 1968, tendo vendido 250 mil cópias na primeira semana após o lançamento. A revista Time declarou que Sgt. Pepper constituiu uma “partida histórica no progresso da música – qualquer música”, enquanto o escritor norte-americano Timothy Leary escreveu que a banda era “os avatares (encarnações divinas, agentes de Deus) mais sábios, sagrados e eficazes que a raça humana já produziu”. A banda recebeu uma resposta negativa da crítica ao seu filme de televisão Magical Mystery Tour, que foi transmitido na Grã-Bretanha, inicialmente em P & B, durante o Boxing Day em dezembro de 1967. Em contraste, a reação dos fãs foi positiva. As canções que apareceriam em The Beatles foram demostradas na casa de George Harrison, Kinfauns, em maio de 1968.           

A maioria das canções de The Beatles foi composta durante um curso de Meditação Transcendental com Maharishi Mahesh Yogi (1911-2008) em Rishikesh, na Índia, entre fevereiro e abril de 1968. O retiro envolveu longos períodos de meditação, concebidos pela banda como um refúgio espiritual de todos os esforços mundanos – uma chance, nas palavras de John Lennon, de “fugir de tudo”. Lennon e Paul McCartney rapidamente se envolveram novamente na composição de canções, muitas vezes se encontrando “clandestinamente à tarde nos quartos um do outro” para revisar seus novos trabalhos. “Independentemente do que eu deveria estar fazendo”, Lennon lembrou mais tarde, “eu escrevi algumas das minhas melhores canções lá”. O autor Ian MacDonald (1948-2003) disse que Sgt. Pepper foi “moldado pelo LSD”, mas os Beatles não levaram nenhuma droga com eles para a Índia além da maconha, e suas mentes claras ajudaram o grupo com suas composições. A estadia em Rishikesh provou ser especialmente frutífera para George Harrison como compositor, coincidindo com seu reencontro com a guitarra após dois anos estudando sitar. O musicólogo Walter Everett compara o desenvolvimento de Harrison como compositor em 1968 ao de Lennon e McCartney cinco anos antes, embora ele observe que Harrison se tornou “privadamente prolífico”, dado seu usual status subordinado dentro do grupo. Os Beatles deixaram Rishikesh antes do fim do curso.

Ringo Starr foi o primeiro a sair, menos de duas semanas depois, pois disse que “não tolerava a comida”; McCartney partiu em meados de março, enquanto Harrison e Lennon estavam mais interessados ​​na religião indiana e permaneceram até abril. Lennon deixou Rishikesh porque se sentiu “pessoalmente traído após ouvir rumores de que o Maharishi havia se comportado de forma inadequada com as mulheres que acompanharam os Beatles à Índia”. McCartney e Harrison descobriram mais tarde que as acusações eram falsas, e a esposa de Lennon, Cynthia, relatou que não havia “um pingo de evidência ou justificativa”. Coletivamente, o grupo escreveu cerca de 40 novas composições em Rishikesh, 26 das quais seriam demonstradas em Kinfauns, a casa de Harrison em Esher, em maio de 1968. Lennon escreveu a maior parte do novo material, contribuindo com 14 canções. Lennon e McCartney trouxeram demos gravadas em casa para a sessão e trabalharam juntos nelas. Algumas demos caseiras e sessões de grupo em Kinfauns foram posteriormente apresentadas no álbum de compilação Anthology 3, lançado em 1996. O conjunto completo das “demos de Esher” (Esher demos), como as gravações ficaram conhecidas, foi lançado na edição “de luxe” do álbum em 2018.

A palavra ashrama designa um dos quatro estágios da vida pelos quais um brâmane deve passar de acordo com a tradição védica. Descritos em vários capítulos das Leis de Manu, esses quatro períodos (caturāśrama), que correspondem aos quatro objetivos da existência (purushartha), são os seguintes: 1. O brahmacharya: o jovem hindu, na presença de seu mestre ou guru, observa um período de treinamento que é tanto acadêmico quanto espiritual. Durante esse tempo, ele desenvolverá seu conhecimento e virtude. 2. O grihastha ou gārhasthya: o hindu entra na vida mundana, casa-se e constitui família, o que também é um dever religioso. Durante esse período, ele tem o direito de desfrutar a vida enquanto aprende o autocontrole. 3. O vānaprastha ou vānaprasthya: após cumprir seu dever social, o hindu deixa sua família, à qual deixou os meios de subsistência, e vai viver um período de estudo das escrituras sagradas em um “retiro na floresta”. Lá, ele praticará meditação e jejum. 4. Sannyasa ou samnyasa: o hindu atinge o estado de renúncia (vairāgya) ao se desapegar do mundo; é então que ele se torna um sannyasin. Tendo se retirado do mundo, ele pode retornar ao seu povo, pois não teme mais as tentações materiais. Ele pode então compartilhar sua experiência e conhecimento com aqueles ao seu redor. Segundo Michel Angot, “esta descrição das fases da vida diz respeito principalmente à vida dos brâmanes; os tratados sânscritos foram escritos por eles e para seu benefício. Mas, teoricamente, estes quatro estados sucessivos dizem respeito às três varnas superiores, excluindo assim os śūdras e os párias”. Em Bali, Indonésia, Liz reencontra Ketut, um curandeiro local, e aceita várias tarefas que ele lhe designa.

Enquanto pedala, ela se depara com Felipe, um brasileiro, e procura tratamento para uma lesão com Wayan, um curandeiro da aldeia. Durante sua recuperação, ela conhece Armenia, que a incentiva a participar das festividades da aldeia. Lá, Felipe se desculpa pelo acidente e eles começam a conversar. Apesar da tentativa de Armenia de arranjar um encontro para ela com outra pessoa, Liz se sente atraída por Felipe. Eles passam tempo juntos e Liz organiza uma arrecadação de fundos para a casa de Wayan, angariando mais de US$ 18.000. Quando Felipe a pede em casamento, Liz aceita, mas, ao passarem um tempo a sós em um local isolado, ela se sente sobrecarregada e termina o noivado. Enquanto se prepara para deixar Bali, Liz busca conselhos de Ketut, que a encoraja a abraçar o amor sem medo. Inspirada, Liz corre para Felipe e confessa seu amor por ele, finalmente encontrando, inesperadamente, a paz interior e o equilíbrio do amor verdadeiro. Ryan Murphy cresceu em uma família católica, mas acabou saindo da igreja, tendo-a deixado; no entanto, ele ainda vai ocasionalmente à igreja.

Ele atua no National Advisory Board of Young Storytellers, anteriormente reconhecida como Young Storytellers Foundation, é uma organização sem fins lucrativos de educação artística que opera principalmente em Los Angeles. Atualmente, o programa Young Storytellers atende alunos do ensino fundamental, médio e superior no Sul da Califórnia, incluindo as cidades de Los Angeles, Culver City, Santa Monica, Burbank, Nova York, Austin, Little Rock e Akron. O Young Storytellers apoia alunos de escolas Title 1; essas são escolas e distritos escolares com as maiores concentrações de pobreza, nos quais o desempenho acadêmico tende a ser baixo e os obstáculos para a melhoria do desempenho são maiores. O programa aprimora a escrita e a autoconfiança, ao mesmo tempo que se concentra na aprendizagem socioemocional e inclui componentes dos Padrões de Justiça Social da Learning for Justice. A Young Storytellers começou como um programa de mentoria escolar em 1997. A empresa foi fundada por três roteiristas, Mikkel Bondesen, Brad Falchuk e Andrew Barrett, ao tomarem conhecimento dos cortes no financiamento de programas de artes criativas nas escolas públicas de Los Angeles. A primeira escola a participar do programa foi a Playa Del Rey Elementary School em Culver City. 

O programa foi incorporado como uma organização 501(c) em 2003. A organização apoia estudantes do ensino fundamental, médio e superior. Este programa de 9 semanas para o ensino fundamental, alinhado ao Common Core, coloca os alunos com um mentor adulto individualmente para escreverem roteiros que são inteiramente seus, e então os atores os apresentam para os alunos e seus colegas ao vivo em um espetáculo. Ele já teve uma casa projetada pelo renomado arquiteto moderno de meados do século Carl Maston. Em uma entrevista sobre sua série de televisão Pose, que se passa em 1987. Murphy começou como um jornalista trabalhando para The Miami Herald, Los Angeles Times, New York Daily News, Knoxville News Sentinel e Entertainment Weekly. Ele começou a escrever roteiros no fim de 1990, quando Steven Spielberg comprou seu roteiro Why Can`t I Be Audrey Hepburn? Murphy começou sua carreira na televisão em 1999 com a comédia adolescente Popular. O show foi ao ar na The WB por duas temporadas. Murphy é o escritor da série ganhadora do Globo de Ouro, Nip/Tuck, que foi ao ar no canal FX e ambas as séries foram bastante comerciais e foram um grande sucesso. Ele produziu, escreveu e dirigiu vários episódios; em 2004, Murphy ganhou seu primeiro Emmy. Ele foi nomeado como escritor de série de drama. Murphy disse que a frase famosa da série Nip/Tuck; “Me diga o que não gosta em você mesmo” foi pega de um cirurgião plástico que ele conheceu quando era jornalista e escrevia sobre cirurgia plástica em Beverly Hills, California. 

Um dos projetos de maiores sucessos de Murphy, é a série de comédia-dramática musical do canal Fox Glee, cocriada com Brad Falchuk e Ian Brennan. Fox levou o piloto da série ao ar em 19 de maio de 2009, após o final do American Idol; a série teve seu início em 9 de setembro de 2009. O show teve tão boas críticas e avaliações tão positivas que a Fox encomendou uma temporada completa de 22 episódios. Ele ganhou um Primetime Emmy Award pela direção do episódio piloto de Glee. Ele recebeu um recorde de 19 indicações incluindo a de Melhor nova série de comédia (ele perdeu para Modern Family); ganhando 4 estatuetas das 19 indicações. A série teve seu desfecho em 2015 depois de 6 temporadas e mais de 120 episódios. Murphy produziu também o reality show The Glee Project, que teve sua estreia no canal Oxygen em 12 de junho de 2012. Esse show teve duas temporadas sendo a primeira com 10 episódios e a segunda temporada com 11. Murphy e o coprodutor executivo de Glee, Ali Adler criaram The New Normal, uma comédia de trinta minutos “centrada em um casal gay que tentam decidir quem será a barriga de aluguel que carregará seu bebê” que teve sua estreia no canal NBC em 2012. A série foi inspirada nas experiências de Ryan Murphy quando teve seu primeiro filho. Os nomes são baseados em Ryan e seu marido: Bryan e David. De acordo com o Entertainment Weekly, houve uma batalha entre ABC, NBC e Fox para conseguirem produzir o projeto.

No final a NBC comprou o projeto e encomendou um episódio piloto em 27 de janeiro de 2012, entretanto a série acabou sendo cancelada depois de uma temporada. A primeira temporada centra-se na fraternidade Kappa Kappa Tau da Universidade Wallace, liderada por Chanel Oberlin ( Emma Roberts ) que tem suas ajudantes Chanel #2 ( Ariana Grande ) #3 ( Billie Lourd) e #5 (Abigail Breslin)que tem sua existência ameaçada pela reitora Cathy Munsch (Jamie Lee Curtis ); que devido a um evento misterioso ocorrido 20 anos antes, passa a ser alvo de um assassino em série, vestido como o mascote da Universidade, o Diabo Vermelho, que começa a matar cada um dos membros da Kappa e todos aqueles que estão em seu caminho. A segunda temporada centra-se em um local totalmente novo. Agora graduados na Universidade, os personagens se veem dentro de um novo mistério terrivelmente engraçado, junto de um novo assassino. Desta vez, a série se passará em um hospital, onde alguns dos casos médicos mais fascinantes e bizarros acontecem. Entretanto a série acabou sendo cancelada depois de duas temporadas. Outro projeto de Ryan Patrick Murphy com Bradley Douglas Falchuk é a série antológica American Horror Story, ela teve seu início no canal FX em 5 de outubro de 2011 e ela foi indicada para 17 Emmy Awards pela temporada de estreia. A série teve sua quarta temporada finalizada em 21 de janeiro de 2015. Todas as temporadas trazem vários dos mesmos atores interpretando personagens diferentes em cenários diferentes. Em outubro de 2014, foi anunciado que o FX encomendou 10 episódios da nova série Ryan chamada American Crime Story, uma série antológica que retratará crimes reais. A série servirá como um complemento para American Horror Story. A primeira temporada foi ao ar em 2016 estrelando Cuba Gooding, Jr., Sarah Paulson, David Schwimmer e John Travolta. O trabalho de Murphy como produtor executivo lhe rendeu o Emmy de melhor série limitada e o Globo de Ouro de melhor minissérie nas temporadas da série de antologia.

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