quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Phil Collins –Calçada da Fama, Multinstrumentista & Produtor britânico.

                                                        É desta forma que as coisas são, não há nada que eu possa fazer!”. Phil Collin                        

        A obra do sociólogo não é a do homem público, assevera Émile Durkheim (2015). O que a experiência do passado demonstra, antes de mais nada, é que os marcos do grupo profissional devem guardar sempre uma relação com os marcos da vida econômica; foi por ter faltado com essa condição que o regime corporativo desapareceu. Portanto, já que o mercado, de municipal que era, tornou-se nacional e internacional, a corporação deve adquirir a mesma extensão. Em vez de ser limitada apenas aos artesãos de uma cidade, ela deve ampliar-se, de maneira a compreender todo os membros da profissão, dispersos em toda a extensão do território, porque, qualquer que seja a região em que se encontram, quer no campo, todos são solidários uns com os outros e participam da vida comum. Já que essa vida comum é, praticamente sob certos aspectos sociais e políticos, independentemente de qualquer determinação territorial, tem que ser criado um órgão apropriado, que a exprima e regularize com a organização seu funcionamento (cf. Marra, 1987). Por causa de suas dimensões, tal órgão estaria em contato com a vida coletiva, pois os acontecimentos importantes o bastante para envolverem toda uma categoria de empresas industriais num país tem repercussões gerais, que o Estado não pode sentir, transitoriamente o que o leva a intervir. Não foi sem fundamento na esfera de ação que o poder real tendeu prevalentemente a não deixar fora de sua ação a grande indústria.

      Era impossível que ele se desinteressasse por uma forma de atividade que por sua natureza, é capaz de afetar o conjunto da sociedade. Essa organização unitária para o conjunto de normas de um mesmo país não exclui, de modo algum, a formação de órgãos secundários, que compreendam os trabalhadores similares de uma mesma região ou localidade, e cujo papel seria especializar ainda mais a regulamentação profissional segundo as necessidades locais ou regionais. A vida econômica poderia ser regulada e determinada, sem nada perder de sua diversidade. Por isso mesmo, o regime corporativo seria protegido contra essa propensão ao imobilismo, que lhe foi frequente e justamente criticada no passado, porque é um defeito que resultava do caráter estreitamente comunal da corporação. Na síntese durkheimiana representada sobre o lugar de análise das corporações deve-se até supor que esteja destinada a se tornar a base, ou uma das bases essenciais de nossa organização política. Ela começa por ser exterior ao sistema social, tenderá a se empenhar de forma cada vez mais profunda nele, à medida que a vida econômica se desenvolve. Agora que a comuna  de organismo autônomo que era outrora, veio se perder no Estado, como o mercado municipal no mercado nacional, não é legítimo pensar a corporação também deveria sofrer uma transformação política correspondente e tornar-se tout court a divisão elementar do Estado, a unidade política fundamental? 

A sociedade, em vez de continuar sendo o que ainda é, um agregado de distritos territoriais justapostos, tornar-se-ia um vasto sistema de corporações nacionais. Mas essas divisões geográficas são, em sua maioria, artificiais e já não despertam em nós sentimentos profundos. O espírito provinciano desapareceu: o “patriotismo de paróquia” tornou-se um arcaísmo que não se pode restaurar à vontade. Para o sociólogo uma nação só se pode manter se, entre o Estado e os particulares, se intercalar toda uma série de grupos secundários bastante próximos dos indivíduos para atraí-los fortemente em sua esfera de ação e arrastá-los, assim, na torrente geral da vida social. Isso não quer dizer, que a corporação seja panaceia capaz de servir a tudo. Será necessário que, em cada profissão, um corpo de regras se constitua, fixando a quantidade de trabalho, a justa remuneração dos diferentes funcionários, seu dever para com os demais e para com a comunidade, etc.  Estaremos não menos que na prática, em presença de uma tábula rasa.  A vida social deriva inexoravelmente de uma dupla fonte: a similitude das consciências e a divisão do trabalho social. O indivíduo é socializado no primeiro caso, porque, não tendo individualidade própria, confunde-se como seus semelhantes, no seio de um tipo coletivo; no segundo, porque, tendo uma fisionomia e uma atividade pessoais que o distinguem dos outros, depende deles na mesma medida e, por conseguinte, da sociedade que resulta de sua união.                                         


          Esta divisão dá origem às regras jurídicas que determinam as relações das funções divididas, mas cuja violação acarreta apenas medidas reparadoras sem caráter expiatório. De todos os elementos técnicos e sociais da civilização, a ciência nada mais é que a consciência levada a seu mais alto ponto de clareza. Nunca é demais repetir que para que as sociedades possam viver nas condições de existência que lhes são dadas, é necessário que o campo da consciência se estenda e se esclareça. Quanto mais obscura uma consciência, mais é refratária à mudança social, porque não vê depressa o que é necessário mudar.  Nem em que sentido é preciso mudar. Uma consciência esclarecida sabe preparar de antemão a maneira de se adaptar a essa mudança risível. Eis porque é necessário que a inteligência guiada disciplinarmente pela ciência adquira uma importância maior no curso da vida coletiva. Tais sentimentos são capazes de inspirar não apenas esses sacrifícios cotidianos, mas também atos de renúncia completa e de abnegação exclusiva. A sociedade aprende a ver os membros que a compõem como cooperadores que ela não pode dispensar e para com os quais tem deveres. Na realidade, a cooperação também tem sua moralidade intrínseca. 

Há apenas motivos para crer, que, em nossas sociedades, essa moralidade ainda não tem todo o desenvolvimento que lhes seria necessário. Daí resulta duas grandes correntes, que correspondem dois tipos de estrutura não menos diferentes. Dessas correntes, a que tem sua origem nas similitudes sociais ocorre quando um grupo é capaz de criar e reproduzir para si e para os outros a princípio só e sem rival. Phil Collins começou sua carreira muito jovem como ator e modelo infantil. Aos 12 anos, interpretou Artful Dodger na produção teatral londrina de Oliver! Jack Dawkins, reconhecido como Artful Dodger, é um personagem do romance de 1838 de Charles Dickens, Oliver TwistO Dodger é um batedor de carteiras e seu apelido se refere à sua habilidade e astúcia nessa ocupação. Em seguida, fez uma breve participação no filme A Hard Day`s Night (1964) de Richard Lester, como um jovem fã na plateia durante uma apresentação dos Beatles, embora a cena tenha sido cortada. Essa experiência no cinema foi seguida por outra na televisão, estrelando a série Calamity the Cow (1967), produzida pela Children`s Film Foundation. Ele também teve papéis coadjuvantes no filme Chitty Chitty Bang Bang (1968); a cena final, em que as crianças correm em direção ao castelo, foi cortada da versão final.

 Apesar desses papéis, Phil Collins não se sentia realizado como ator. Sua paixão continuava sendo evidentemente a música, e sua ambição era se tornar baterista e fazer sua profissão. Mais tarde, ele se juntou à banda The Real Thing (1970), com Philip Gadd na guitarra, o irmão Martin Gadd no baixo e Peter Newton nos vocais, todos amigos da Barbara Speake Stage School. Em seguida, conseguiu shows com a banda Charge antes de formar o Freehold, composto por John “Fluff” Hunt na guitarra e vocais, Les Mannering no baixo e vocais, Jeff Slater nos vocais e pandeiro, e Phil Collins na bateria e vocais, com quem escreveu sua primeira música, “Lying, Crying, Dying”, em 1968. Aos 18 anos, junto com seu amigo e colaborador, o guitarrista Ronnie Caryl, ele acompanhou o cantor americano John Walker, da banda Walker Brothers, em uma turnê pela Grã-Bretanha. Os outros dois músicos eram Gordon “Flash” Smith no baixo e Brian Chatton, ex-organista dos Warriors, antiga banda de Jon Anderson. Ao término da turnê, os quatro jovens decidiram permanecer juntos e a sorte, formando a banda Hickory e gravando o single “Green Light/The Key” em 24 de janeiro de 1969, lançado pela CBS Records International. 

        Esse grupo se tornaria o Flaming Youth, após conhecer os compositores Ken Howard e Alan Blaikley, que lhes ofereceram a oportunidade de gravar um álbum. A banda assinou com a Fontana Records e gravou o álbum Ark II em 1969, que foi eleito Álbum do Mês pela revista musical britânica Melody Maker. Ele se apresentou no Planetário de Londres para o lançamento do álbum em 1969. Após alguns shows, o grupo não conseguiu despertar mais interesse do público ou da mídia, apesar da adição de um novo músico, o organista Rod Mayall, irmão de John Mayall. O Flaming Youth acabou se dissolvendo. Naquele mesmo ano, Phil Collins teve uma pequena participação como vendedor de sorvetes no filme I Start Counting, de David Greene, com roteiro de Richard Harris, embora não tenha sido creditado. Em 1970, Phil Collins foi convidado como músico de estúdio para o álbum de George Harrison, All Things Must Pass, no qual tocou congas na música Art of Dying. No entanto, de acordo com a autobiografia do cantor, Not Dead Yet, sua participação acabou sendo rejeitada. Phil Collins nascido em Chiswick em 30 de janeiro de 1951, no distrito londrino de Hounslow, Inglaterra é um cantor, compositor, ator e produtor britânico. Reconhecido como baterista e vocalista da banda Genesis, teve uma prolífica carreira solo de 1981 a 1996, conciliando ambas as atividades. 

            Ele também é um músico talentoso que toca vários instrumentos: bateria e percussão são seus instrumentos principais, mas ele também toca teclado, guitarra e baixo. Influenciado pelo soul music e doo-wop dos grupos da Motown e pelo pop dos Beatles, Collins começou sua carreira profissional como baterista em 1968 com a banda Freehold, com quem produziu o single “Lying, Crying, Dying/The Sandman”. Em seguida, fundou outro grupo chamado Hickory, com seu amigo Ronnie Caryl na guitarra, Brian Chatton nos teclados e Gordon Smith no baixo. O grupo mudou seu nome para Flaming Youth e lançou um álbum intitulado Ark 2. Apesar de participações na TV e críticas favoráveis, o grupo se desfez em 1970. Pouco depois, Phil Collins tornou-se membro do Genesis, a banda de rock progressivo fundada em 1967. Originalmente apenas “baterista e vocalista de apoio”, foi após a saída do vocalista Peter Gabriel em 1975 que Phil Collins se tornou, por consequência, o vocalista principal do Genesis em 1976. O grupo adicionou um segundo baterista em 1976, para as turnês Bill Braford, Chester Thompson a partir de 1977 e seu próprio filho, Nicholas Collins, a partir de 2020. Após sucessos como “Follow You Follow Me” em 1978, o Genesis, agora um trio, desfrutou de seu maior período de sucesso comercial até o início da década de 1990. Genesis foi uma banda britânica de rock formada em 1967, quando os seus fundadores Anthony Phillips, Peter Gabriel, Mike Rutherford e Tony Banks ainda estudavam na Charterhouse School. 

         O grupo alcançou enorme sucesso nas décadas de 1970, 1980 e 1990, e com aproximadamente 130 milhões de álbuns vendidos em todo o mundo, é considerada uma das mais importantes bandas de rock de todos os tempos. Sua carreira tem duas fases musicais diferentes. Na fase com Peter Gabriel como vocalista, suas estruturas musicais complexas, instrumentação elaborada e apresentações teatrais tornaram-na uma das bandas mais reverenciadas do rock progressivo na década de 1970. Criações clássicas da banda nesse período incluem a canção de 23 minutos “Supper`s Ready” do álbum Foxtrot de 1972, além do álbum conceitual de 1974 The Lamb Lies Down on Broadway. Com a saída de Peter em 1975 e sendo substituído nos vocais por Phil Collins, no final da década de 70 e a partir dos anos 80, sua música tomou um caminho distinto em direção ao pop, tornando-a mais acessível para a cena musical. Em 18 de outubro de 2006, a BBC anunciou que os membros do Genesis, incluindo Phil Collins, Mike Rutherford e Tony Banks, aceitaram reunir-se para uma turnê mundial e explorando a possibilidade de gravação de um novo material. No auge do sucesso de sua carreira solo, Phil Collins deixou a banda em 1996, sendo brevemente substituído por Ray Wilson. No entanto, o Genesis se reuniu com Phil Collins em 2007 uma turnê mundial. Alguns discursos de Collins, Hackett e Gabriel no final de 2005 sobre um provável retorno do grupo e um encontro entre os membros da banda na Suíça em janeiro de 2006 estimularam as especulações dos fãs do grupo acerca de um possível regresso. Apesar de um desmentido da produtora da banda sobre esse fato, rumores sobre uma possível reunião em meados de 2007 circularam na internet durante quase todo o ano de 2006.

Após muita especulação sobre a reunião, Tony Banks, Phil Collins e Mike Rutherford anunciaram a turnê de reunião “Turn It On Again” em 7 de novembro de 2006, quase 40 anos após a formação da banda. Foi confirmado que a primeira parte da turnê seria na Europa, em 12 países, começando em Helsinque, Finlândia em junho de 2007 e terminou em Roma, Itália em julho. A turnê então seguiu para os Estados Unidos para mais 20 concertos, encerrando-se em outubro de 2007. A ideia original era reunir também Peter Gabriel e Steve Hackett e executar a turnê para The Lamb Lies Down on Broadway. A princípio, Peter Gabriel aceitou o convite para apresentar-se, mas não gostaria de comprometer-se com a turnê, o que acabou levando a sua saída da reunião. Hackett também recusou o convite, mas mantém boas relações com o resto da banda. Em seu sítio oficial o músico expressa, inclusive, desejo de sucesso na reunião do Genesis. Diante disso, a formação da turnê foi a que vem se repetindo desde 1978: Phil Collins (voz e bateria), Tony Banks (teclados e vocais), Mike Rutherford (baixo, guitarras e vocais), Daryl Stuermer (guitarras, baixo e vocais) e Chester Thompson (bateria e sampler). Seguindo o embalo da volta aos palcos, a banda e o produtor Nick Davis relançaram álbuns antigos em 2007 no formato box-set pela Virgin Records, de Trespass a Calling All Stations, no formato 5.1. Um digital vídeo disc (DVD) extra incluindo vídeos promocionais e novas entrevistas sobre o período de lançamento de cada álbum presente.

Em 2008 foi lançado um DVD duplo com o show ocorrido em Roma, no encerramento da turnê europeia. Ele mescla sucessos da formação clássica: “In The Cage”, “Afterglow”, “Cinema Show”, “The Carpert Crawlers”, “Los Endos”, etc., com os êxitos comerciais dos anos 1980 e 90 “Land of Confusion”, “Invisible Touch”, “No Son of Mine”, etc. A partir daquele ano, Phil Collins começou “a ter problemas de saúde após sofrer uma lesão na coluna, o que o impediu de tocar bateria”. Depois de anunciar sua aposentadoria, ele retornou aos palcos em 2016. Em 23 de abril de 2018, publicou sua autobiografia, Not Dead Yet, na qual reflete abertamente sobre sua carreira. A turnê Not Dead Yet de concertos do artista musical inglês Phil Collins, nomeada em homenagem à sua autobiografia lançada em 25 de outubro de 2016.  Collins anunciou a turnê em 17 de outubro de 2016, em uma coletiva de imprensa realizada no Royal Albert Hall, em Londres. A turnê incluía cinco shows no local e cinco shows cada na Lanxess Arena, em Colônia, e na AccorHotels Arena, em Paris. Em 8 de novembro de 2016, foi anunciado que Collins seria a atração principal de um show no Hyde Park, em Londres. Em 16 de dezembro de 2016, foi anunciado que Collins se apresentaria no Aviva Stadium, em Dublin, no domingo, 25 de junho de 2017. Em 27 de fevereiro de 2017, foi anunciado que Collins se apresentaria na Echo Arena, em Liverpool, na sexta-feira, 2 de junho de 2017. Collins se apresentando para 65.000 pessoas no Hyde Park, em Londres, no dia 30 de junho de 2017, como parte da turnê Not Dead Yet

Em 8 de junho de 2017, foi anunciado que os shows cancelados de Collins nos dias 8 e 9 de junho seriam remarcados para os dias 26 e 27 de novembro. Os dois concertos foram cancelados depois de Collins ter tropeçado num degrau no quarto do seu hotel, em Londres para o hospital, após um concerto no Royal Albert Hall em 7 de junho. Devido a problemas “nervosos persistentes nas mãos”, esta foi a primeira turnê em que Collins não tocou bateria em nenhum momento do show. Em vez disso, ele incumbiu seu filho Nicholas de executar todas as partes de bateria. Collins usou um cajón durante as últimas partes da turnê. De 2017 a 2019, ele voltou a fazer turnês com seu filho Nicholas. No outono de 2021, o Genesis retornou com a The Last Domino? Tour (2021) a última turnê da carreira de Phil Collins, durante a qual ele cantou sentado, acompanhado por seu filho na bateria. Suas canções de maior sucesso comercial são: In the Air Tonight (1981), Against All Odds (1984), Take Me Home (1985) e Sussudio (1985), One More Night (1986), Two Hearts (1988), Another Day in Paradise (1989), Easy Lover (1990), Something Happened on the Way to Heaven (1989), Do You Remember (1996), Phil Collins recebeu sete prêmios Grammy, um Oscar e dois Globos de Ouro. 

Além disso, resultado de sua vocação e prêmios, tem uma estrela na Hollywood Walk of FameCalçada da Fama de Hollywood é um passeio no percurso das ruas Hollywood Boulevard e Vine Street em Hollywood, Califórnia, Estados Unidos, constituído por mais de 2 000 lajes com estrelas, fazendo menção a celebridades honradas pela Câmara do Comércio de Hollywood pelas suas contribuições para a indústria do entretenimento. Gene Autry e Britney Spears são exemplos destacados na Calçada da Fama: ele por ser a única pessoa com estrelas em todas as cinco categorias e ela por ser a pessoa mais jovem a receber uma, com 21 anos. Etnograficamente a Calçada da Fama percorre 1,3 milhas (2,1 km) de Leste para Oeste na Hollywood Boulevard a partir da North Gower Street até a Norte La Brea Avenue, além de um pequeno segmento da Marshfield Way que percorre na diagonal entre Hollywood e La Brea; e 0,4 milhas (0,7 km) de Norte a Sul na Vine Street, entre a Yucca Street e Sunset Boulevard. De acordo com um relatório de 2003 realizado pela empresa de pesquisa de mercado NPO Plog Research, a Calçada atrai cerca de 10 milhões de visitantes por ano, mais do que Sunset Strip, Grauman`s Chinese Theatre, o Queen Mary e o Los Angeles County Museum of Art e tem desempenhado um papel importante no turismo da maior indústria no condado de Los Angeles. De todas as estrelas na Calçada, de divisão do trabalho social 47% foram concedidas na categoria Indústria cinematográfica, 24% em Indústria televisiva, 17% em Indústria da música, 10% em Indústria de radiodifusão, e menos de 2% na categoria Indústria de teatro.  

Em 1953 o presidente da Câmara de Comércio de Hollywood, E. M. Stuart, teve a ideia de criar uma Calçada da Fama, como forma de "manter a glória de uma comunidade cujo nome significa glamour e emoção nos quatro cantos do mundo".[11] Uma comissão foi formada para aprofundar a ideia, e uma empresa de arquitetura foi contratada para desenvolver propostas específicas. Por volta de 1955, o conceito básico do projeto geral tinha sido acordado, e os planos foram apresentados à Câmara Municipal de Los Angeles. Existem várias versões para a origem do conceito das estrelas na calçada, uma delas seria a do histórico Hotel Hollywood - que funcionou por mais de 50 anos na Hollywood Boulevard, local hoje ocupado pelo complexo do Teatro Dolby - estrelas eram exibidas no teto da sala de jantar em homenagem aos seus mais famosos clientes celebridades, e que pode ter servido como uma inspiração. Em fevereiro de 1956, um protótipo foi apresentado. Em março de 1956, o projeto final havia sido aprovado, e entre a primavera de 1956 e outono de 1957, 1 558 homenageados foram selecionados por comitês que representavam os quatro principais ramos da indústria do entretenimento na época: Cinema, Televisão, Indústria fonográfica e rádio. Um requisito estipulado pela comissão da Indústria fonográfica (e mais tarde anulada) especificava a venda de no mínimo 1 milhão de gravações ou 250 mil álbuns para todos os candidatos da categoria.                       

O comitê logo percebeu que muitos artistas importantes seriam excluídos da calçada por essa exigência. Como resultado, a National Academy of Recording Arts and Sciences foi formada com o objetivo de criar um sistema de premiação separada para mundo da música. Os primeiros Grammy Awards foram apresentados em Beverly Hills, em 1959. A construção da calçada começou em 1958, mas dois processos atrasaram sua conclusão. O primeiro foi apresentado por proprietários locais que contestavam a legalidade de 1 250 mil dólares de imposto cobrado sobre eles para pagar a calçada, juntamente com a nova iluminação pública e árvores. O segundo processo, aberto por Charles Chaplin, Jr., buscava uma indenização pela exclusão de seu pai, cuja nomeação havia sido retirada devido à pressão de vários bairros. O processo foi arquivado em 1960 abrindo o caminho para a conclusão do projeto. Joanne Woodward é muitas vezes apontada como a primeira a receber uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood, na verdade não houve uma “primeira”; as estrelas originais foram instaladas como um projeto contínuo, sem cerimônias individuais. O nome de Woodward foi um dos oito sorteados aleatoriamente a partir de 1 558 nomes inscritos em oito estrelas “de exibição” que foram construídas disciplinarmente durante a construção permanente. Elas foram instaladas temporárias no canto noroeste da Hollywood Boulevard e Highland Avenue, em agosto de 1958, para gerar publicidade e demonstrar como a Calçada seria.           

Os outros sete nomes foram os de Olive Borden, Ronald Colman, Louise Fazenda, Preston Foster, Burt Lancaster, Edward Sedgwick, e Ernest Torrence. A inauguração oficial ocorreu em 08 fevereiro de 1960. A lenda sobre Joanne Woodward pode ter se originado, de acordo com fontes, porque ela foi a primeira a posar com sua estrela para fotógrafos. Cerca de 20 novas estrelas são adicionadas a cada ano. Em 6 de março de 2014, a calçada era composta por 2 518 estrelas. Cada estrela é rosa, fabricada de um mármore chamado terrazo e com um escudo de latão e não bronze, como é muito difundido, com o nome do homenageado e uma figura relacionada a sua área. Esta categoria visa reconhecer as várias contribuições de entidades empresariais, organizações sociais e homenageados especiais que exibe emblemas exclusivos para aqueles homenageados. Por exemplo, a estrela de ex-prefeito de Los Angeles Tom Bradley exibe o selo da cidade de Los Angeles; o emblema do Departamento de Polícia de Los Angeles é uma réplica de um crachá da Divisão de Hollywood; e as estrelas que representam corporações, como a Victoria`s Secret e os Los Angeles Dodgers, exibem o logotipo corporativo dos homenageados. O monumento a missão espacial Apollo 11 (1969), por exemplo, foram moldados exclusivamente por quatro luas circulares idênticas, com os nomes dos três astronautas: Neil A. Armstrong, Buzz Aldrin, Michael Collins, com data do primeiro pouso na Lua (20 de julho de 1969), e estão localizadas em cada um dos quatro cantos do cruzamento da Hollywood Boulevard e Vine Street. As estrelas especiais são monumentos concedidos pela Câmara de Comércio de Hollywood, mas não fazem parte da Calçada da Fama e estão apenas localizadas nas proximidades.   

Philip David Charles Collins nasceu em 30 de janeiro de 1951 no Hospital Putney, no atual distrito de Wandsworth, no Sudoeste de Londres, Inglaterra. Na época, o Hospital Putney ficava no distrito metropolitano de Wandsworth, no condado de Londres. Sua mãe, June Winifred (nascida Strange, 1913–2011), trabalhava em uma loja de brinquedos e, como agente teatral na Barbara Speake Stage School, uma escola independente de artes cênicas em East Acton, no atual distrito londrino de Ealing, enquanto seu pai, Greville Philip Austin Collins (1907–1972), era agente de seguros da London Assurance. Collins é o caçula de três filhos; sua irmã, Carole, competiu como patinadora artística profissional e seguiu os passos de June como agente teatral, enquanto seu irmão, Clive, era cartunista. A família mudou-se duas vezes quando Collins completou três anos, estabelecendo-se no número 453 da Hanworth Road, no município de Brentford e Chiswick, agora parte do município londrino de Hounslow. Phill Collins ganhou uma bateria de brinquedo no Natal aos cinco anos de idade e, mais tarde, seus dois tios fizeram para ele um conjunto improvisado com triângulos e pandeiros que cabia em uma mala. 

Estes foram seguidos por conjuntos musicais mais completos comprados por June e Greville progressivamente à medida que Collins crescia. Collins praticava tocando junto com músicas na televisão e no rádio. Durante umas férias em família no Butlin`s, Collins, aos sete anos, participou de um importante concurso de talentos, cantando “The Ballad of Davy Crockett” (1955); ele interrompeu a orquestra no meio da música para dizer que estavam na tonalidade errada. Os Beatles foram uma grande influência inicial para ele, incluindo seu baterista Ringo Starr. Collins seguia a banda londrina menos conhecida The Action, cujo baterista, Roger Powell, ele imitava e cujo trabalho o apresentou à música soul da Motown e da Stax Records. Collins também foi influenciado pelo baterista de jazz e big band Buddy Rich (1917-1987), cuja opinião sobre a importância do chimbal levou o primeiro a parar de usar um segundo bumbo e começar a usar o chimbal. Collins recebeu aulas básicas de piano e música da tia de Greville por volta dos 12 anos de idade. Collins estudou rudimentos de bateria com Lloyd Ryan e mais tarde com Frank King, e considerou esse treinamento “mais útil do que qualquer outra coisa porque eles são usados o tempo todo. Em qualquer tipo de bateria funk ou jazz, os rudimentos estão sempre presentes”. Collins nunca aprendeu a ler ou escrever notação musical e criou seu próprio sistema, do qual se arrependeu mais tarde. - “Sempre achei que se eu conseguisse cantarolar, conseguiria tocar. Para mim, isso era suficiente, mas essa atitude é ruim”.

Collins frequentou a Nelson Primary School em Twickenham, então parte de Middlesex e agora parte do distrito londrino de Richmond upon Thames, até 1962, quando foi aceito na Chiswick County Grammar School em Chiswick, no atual distrito londrino de Hounslow. Lá, Collins se apaixonou por futebol e formou a Real Thing, uma banda escolar que tinha sua futura esposa Andrea Bertorelli e a amiga Lavinia Lang como backing vocals; ambas as mulheres teriam um impacto social na vida pessoal de Collins nos anos seguintes. O próximo grupo de Collins foi o Freehold, com quem ele escreveu sua primeira música, “Lying, Crying, Dying”, e tocou em um grupo chamado The Charge. Collins era amigo de infância de Jack Wild, que se tornaria famoso por interpretar o Artful Dodger no filme musical dramático Oliver! (1968). June avistou Wild quando ele e Collins estavam jogando futebol juntos no parque, e os dois meninos frequentavam a escola Barbara Speake. Embora originalmente concebida em parte para incentivar o redesenvolvimento da Hollywood Boulevard, os anos 1960 e 1970 foram períodos de decadência urbana prolongada na área de Hollywood com os moradores se mudando para os subúrbios da cidade. Extraordinariamente mais 1 500 estrelas foram instaladas entre 1960-1961, depois oito anos se passaram sem a adição de uma nova estrela.

Escólio: Se o espaço “é um lugar praticado”, para concordarmos com Michel de Certeau, que desenvolve de forma conspícua a percepção fenomenológica do cotidiano, através do que ele denominou “invenção do cotidiano”, livro que já alcançou em 2013 a 20ª edição pelas Editoras Vozes, a rua geometricamente definida por um urbanismo “é transformada em espaço pelos pedestres”. Analogamente, a leitura é o espaço produzido pela prática do lugar constituído por um sistema de signos – um manuscrito. Merleau-Ponty já distinguia de um espaço geométrico outra espacialidade que denominava “espaço antropológico”, que visava separar da univocidade geométrica a experiência de um “fora” dado sob a forma de espaço e para o qual dialeticamente o “espaço é existencial” e “a existência é espacial”. Essa experiência dialética é relação com o mundo, no sonho e na percepção, de Freud aos nossos dias, e per se anterior à sua diferenciação.  Ela exprime o nosso ser situado por um desejo, indissociável da existência e plantado no espaço de uma paisagem em experiências espaciais distintas. A cadeia das operações espacializante parece toda pontilhada de referências ao que produz uma representação de lugares ou ao que implica uma ordem local. Tem-se assim a estrutura do relato de viagem, histórias de caminhadas e gestas que são marcadas pela “citação” dos lugares que daí resulta ou que as autoridades simbólicas preconizam preconceitos sociais.                     

Os relatos antropológicos efetuam um trabalho que, seguindo a etnografia extraordinária de Michel de Certeau (1925-1986), incessantemente, transforma “lugares em espaços” ou “espaços em lugares”. Organizam também os “jogos” das relações sociais mutáveis que uns mantêm com os outros. São inúmeros esses jogos, num leque se estende desde a implantação de uma ordem imóvel e quase mineralógica até a sucessividade acelerada das ações multiplicadoras de espaços populares, no âmbito das representações da vida. A Câmara Municipal de Los Angeles, Estados Unidos, aprovou uma lei nomeando a Câmara de Comércio de Hollywood como “The Agent to Advise the City” (1962) sobre a adição de novos nomes a calçada, e a Câmara, ao longo dos seis anos seguintes, criou regras, procedimentos e métodos de financiamento para fazê-lo. Em dezembro de 1968, Richard D. Zanuck foi premiado com a primeira estrela em oito anos em uma cerimônia de apresentação apresentada por Danny Thomas. Em julho de 1978, a prefeitura de Los Angeles nomeou a Calçada da Fama de Hollywood um Monumento Histórico e Cultural da cidade, estabelecendo-se como uma atração turística importante.

A partir de 1968, Johnny Grant (1923-2008) prefeito honorário de Hollywood, estimulou a publicidade e a cobertura da imprensa internacional, exigindo também que cada homenageado fosse pessoalmente a inauguração da cerimônia de sua estrela. Johnny recordou mais tarde que “foi difícil conseguir que as pessoas viessem a aceitar uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood” até que a região da Boulevard fosse finalmente recuperada a partir dos anos 1980. Johnny Grant aprovou uma taxa de US$ 2 500, pagos pelo homenageado ou entidade de nomeação do destinatário, para financiar a manutenção da Calçada da Fama. Essa taxa tem aumentado progressivamente ao longo do tempo; em 2002 seu valor realmente era de US$ 15 000, em 2012 tinha chegado a US$ 30 000. Grant foi premiado com uma estrela em 1980 por seu trabalho na televisão, e em 2002 ele recebeu uma segunda estrela na categoria Especial pelo reconhecimento de seu papel na melhoria e popularização da calçada da fama. Em 1984, uma quinta categoria, a Indústria de teatro, foi adicionada a calçada para permitir o reconhecimento das contribuições do ramo da indústria do entretenimento teatral, e uma segunda fileira de estrelas foi criada em cada calçada para alternar comparativamente com as estrelas existentes. Em 1994, a Calçada da Fama foi estendida para oeste na Hollywood Boulevard, Sycamore Avenue e ao Norte da LaBrea Avenue, onde termina na praça “Four Ladies of Hollywood”. 

No mesmo ano, Sophia Loren foi homenageada com a estrela de número 2 000. Durante a construção de túneis para o sistema de metrô de Los Angeles, em 1996, a Autoridade de Transporte Metropolitano removeu e armazenou mais de 300 estrelas. Em 2008, um projeto de restauração a longo prazo começou com uma avaliação de todas as 2 365 estrelas na Calçada, cada um recebendo uma carta de grau A, B, C, D ou F. Nas estrelas com notas “F”, foram indicados os danos mais graves, outras cinquenta estrelas receberam notas “D”. Pelo menos 778 estrelas foram eventualmente reparadas ou substituídas a um custo estimado de US$ 4 milhões. Para incentivar o financiamento suplementar para o projeto, o programa “Amigos da Calçada da Fama” foi inaugurado. Absolut Vodka foi a primeira empresa amiga e doou US$ 1 milhão, seguida da L`Oréal. Os amigos da calçada são reconhecidos com placas honoríficas adjacentes à Calçada da Fama em frente ao Teatro Dolby. O programa, porém, recebeu algumas críticas. Gene Autry é o único homenageado com estrelas em todas as cinco categorias. Bob Hope, Mickey Rooney, Roy Rogers, e Tony Martin tem cada um quatro estrelas em quatro categorias. Trinta e três pessoas, incluindo Bing Crosby, Dean Martin, Frank Sinatra, Dinah Shore, Gale Storm, Danny Kaye, e Jack Benny, tem três estrelas individualmente. Sete artistas têm duas estrelas na mesma categoria por realizações distintas: Michael Jackson, como performance solo e como membro do The Jackson 5; Diana Ross, como membro da The Supremes e por seu trabalho solo; Smokey Robinson, também como um artista solo e como membro da The Supremes; e John Lennon, George Harrison, Ringo Starr e Paul McCartney, cada um com uma estrela e como membros dos Beatles.  

Indisciplinada Cher perdeu a chance de ser homenageada, já que se recusou a agendar sua participação pessoal e obrigatória quando foi selecionada em 1983. Ela esteve presente na inauguração da estrela Sonny & Cher, em 1998, como uma homenagem ao seu ex-marido, Sonny Bono. George Eastman é o único homenageado com duas estrelas na mesma categoria pela mesma realização, a invenção do filme fotográfico. O nome de Charles Chaplin (cf. Chaplin, 1981; Matos-Cruz, 1982) foi censurado entre os primeiros homenageados, e logo suas impressões foram retiradas do local por conta de questões relacionadas com a sua moral (ele havia sido acusado de violar a Lei de Mann Act (White-Slave Traffic Act) durante a década de 1940, mas é mais provável, que tivesse sido devido às suas opiniões políticas. Sua estrela foi finalmente adicionada à calçada em 1972, no mesmo ano em que recebeu seu Oscar, independente do motivo que manteve o ator fora da calçada, atualmente ele é uma das estrelas mais fotografadas. Em 1978, o comitê da Câmara de Comércio de Hollywood, votou contra a concessão de uma estrela ao ator, atleta, escritor, advogado e ativista social Paul Robeson. O clamor da indústria cultural, de círculos cívicos, políticos locais e nacionais, e outros foram tão intensos que decisão foi revertida quase que imediatamente. É difícil escapar à impressão de que em geral as pessoas usam “medidas falsas”, dizia Freud (2011), com razão, sobre a questão tópica do mal-estar na civilização, de que buscam poder, sucesso, riqueza para si mesmas e admiram aqueles que os têm, assim subestimando os autênticos valores da vida. 

E, no entanto, corremos o risco, num julgamento assim genérico, de esquecer a variedade do humano - last but not least – e de sua vida psíquica. Existem homens que não deixam de ser venerados pelos contemporâneos, como Herman Hesse (1877-1962), embora sua grandeza repouse em qualidades e realizações inteiramente alheias aos objetivos e ideais da multidão. Provavelmente se há de supor que apenas uma minoria reconhece esses grandes homens, enquanto a maioria os ignora. Mas a coisa, é claro, pode não ser tão simples assim, devido à incongruência entre as ideias e os atos das pessoas e à diversidade dos seus desejos. A ideia de que o homem adquire noção de seu vínculo com o mundo por um sentimento imediato, desde o início orientado para isso, é tão estranha, ajusta-se tão mal à nossa trama, que podemos tentar uma aproximação psicanalítica, genética para esse sentimento. A seguinte linha de pensamento se oferece. Normalmente nada é mais seguro do que o sentimento de nós mesmos, de nosso Eu. Este Eu nos aparece como autônomo, unitário, bem demarcado de tudo o mais. Que esta aparência é enganosa, que o Eu na verdade se prolonga para dentro, sem fronteira nítida, numa entidade psíquica inconsciente a que denominamos Id, à qual ele serve de fachada – isto aprendemos com a pesquisa psicanalítica, mas que não é bem o nosso caso, na sociologia que propugnamos. De todo modo a patologia nos apresenta um grande número de estados em que a delimitação do Eu ante o mundo externo se torna problemática, e nos faz lembrar a expressão de despedida de Gilles Deleuze (1997) que tomamos de empréstimo, através das palavras, entre as palavras, que se vê e que se ouve: - “A vergonha de ser um homem: haverá razão melhor para escrever?”. Ipso facto, no prefácio à 2ª edição da obra Da Divisão do Trabalho Social, de Émile Durkheim (2010) lembra-nos da ideia que ficou na penumbra na primeira edição e que parece útil ressaltar e determinar melhor, pois ela esclarecerá melhor algumas partes do presente trabalho. Trata-se do papel social que os agrupamentos profissionais estão destinados a desempenhar na organização social dos povos contemporâneos. 

Mas o que proporciona, particularmente nos dias de hoje, excepcional gravidade a esse estado é o desenvolvimento então desconhecido, que as funções econômicas adquiriram nos últimos dois séculos, aproximadamente. Estamos longe do tempo em que eram desdenhosamente abandonadas às classes inferiores, pois diante delas, vemos as funções militares, administrativas, religiosas recuarem cada vez mais. Somente as funções científicas, adverte o pragmático sociólogo, que encetou sua obra magnífica em torno de dez anos de produção ininterrupta, de reconhecimento, estão em condição de disputar-lhes o lugar – e ainda assim, a ciência contemporaneamente só tem prestígio na medida em que pode servir à prática, isto é, em grande parte, às “profissões econômicas”. É por isso que se pode dizer, não sem alguma razão, que elas são ou tendem a ser essencialmente industriais. Uma forma de atividade generalizada que tomou lugar na vida social não pode, evidentemente, permanecer tão desregulamentada, em seu desempenho e atividade, sem que disso resulte os impactos sociais sobre a divisão do trabalho e as mais profundas perturbações. 

Mas sofrer no trabalho não é uma fatalidade. É, em particular, como decorre e testemunhamos, uma fonte de desmoralização geral real. Pois, precisamente porque as funções econômicas absorvem o maior número de cidadãos, para o pleno desenvolvimento da vida social, há uma multidão de indivíduos, como dizia Freud, cuja vida transcorre quase toda no meio industrial e comercial; a decorrência disso é que, como tal meio é pouco marcado pela moralidade, a maior parte da existência transcorre fora de toda e qualquer ação moral. A tese funcionalista expressa na pena de Émile Durkheim, como uma espécie de antídoto da civilização, e que o sentimento do dever cumprido se fixe fortemente em nós, é preciso que as próprias circunstâncias em que vivemos permanentemente desperto. A atividade de uma profissão só pode ser regulamentada eficazmente por “um grupo próximo o bastante dessa mesma profissão para conhecer bem seu funcionamento, para sentir todas as suas necessidades e poder seguir todas as variações destas”. O único grupo que corresponde a essas condições é o que seria formado por todos os agentes de uma mesma condição reunidos num mesmo corpo. E que a sociologia durkheimiana conceitua de corporação ou grupo profissional. É na ordem econômica que o grupo profissional existe tanto quanto a moral profissional. Desde que, não sem razão, com a supressão das antigas corporações, não se fizeram mais do que tentativas fragmentárias e incompletas para reconstituí-las em novas bases sociais. Os únicos agrupamentos dotados de permanência são os que se chamam sindicatos, seja de patrões, seja de operários. Historicamente, temos aí in statu nascendi o começo e o princípio ético de uma organização profissional, mas ainda historicamente de forma rudimentar.

Isto porque, em primeiro lugar, um sindicato é uma associação privada, sem autoridade legal, desprovida, por conseguinte, de qualquer poder regulamentador. O número deles é teoricamente ilimitado, mesmo no interior de uma categoria industrial; e, como cada um é independente dos outros, se não se constituem em federação e se unificam, não há neles nada que exprima a unidade da profissão em seu conjunto de práticas e saberes sociais. Não só os sindicatos de patrões e de empregados são distintos uns dos outros, o que é legítimo e necessário, como não há entre eles contatos regulares. Não existe organização comum que os aproxime sem fazê-los perder sua individualidade e na qual possam elaborar em comum uma regulamentação que, estabelecendo suas relações mútuas, imponha-se a ambas as partes com a mesma autoridade; por conseguinte, é sempre a “lei dos mais forte” que resolve os conflitos, e o estado de guerra subiste inteiro. Salvo no caso de seus atos pertencentes à esfera moral comum estão na mesma situação. A tese sociológica é a seguinte: para que uma moral e um direito profissionais possam se estabelecer nas diferentes profissões, é necessário, pois, que a corporação, em vez de permanecer um agregado confuso e sem unidade, se torne, ou antes, volte a ser, um grupo definido, organizado, uma instituição pública. A primeira observação familiar da crítica de Durkheim, é que a corporação tem contra si seu próprio passado histórico.

Ela é tida como intimamente solidária do antigo regime político e, por conseguinte, como incapaz de sobreviver a ele. Na história da filosofia, o que permite considerar as corporações uma organização temporária, boa apenas para uma época e uma civilização determinada, é, ao mesmo tempo, sua grande antiguidade e a maneira como se desenvolveram na história. Se elas datassem unicamente da Idade Média, poder-se-ia crer, de fato que, nascidas com um sistema político, deviam necessariamente desaparecer com ele. Mas, na realidade, têm uma origem bem mais antiga. Em geral, elas aparecem desde que as profissões existem, isto é, desde que a atividade deixa de ser puramente agrícola. Se não parecem ter sido conhecidas na Grécia, da conquista romana, é porque os ofícios, sendo desprezados, eram exercidos por estrangeiros e, por isso mesmo, achavam-se excluídos da organização legal da cidade. Mas em Roma, comparativamente, elas datam pelo menos dos primeiros tempos da República; uma tradição chegava até a atribuir sua criação ao rei Numa, um sabino escolhido como segundo rei de Roma. Sábio, pacífico e religioso, dedicou-se a elaboração das primeiras leis de Roma, assim como dos primeiros ofícios religiosos da cidade e do primeiro calendário.                         

É verdade que, por tempo, elas tiveram de levar uma existência bastante humilde, pois os historiadores e os monumentos só raramente as mencionam; não sabemos muito bem como eram organizadas. Desde de Cícero, sua quantidade tornara-se considerável e elas começavam a desempenhar um papel. Mas o caráter desses agrupamentos se modificou; eles acabaram tornando-se “verdadeiras engrenagens da administração”. Desempenhavam funções oficiais; cada profissão era vista como um serviço público, cujo encargo e cuja responsabilidade ante o Estado cabiam à corporação correspondente. Foi a ruína da instituição. Porque, segundo Durkheim, essa dependência em relação ao Estado não tardou a degenerar numa servidão intolerável que os imperadores só puderam manter pela coerção. Todas as sortes de procedimentos foram empregadas para impedir que os trabalhadores escapassem das pesadas obrigações que resultavam, para eles, de sua própria profissão. Evidentemente, tal sistema de trabalho só podia durar enquanto o poder político fosse o bastante para impô-lo. 

É por isso que ele não sobreviveu à dissolução do Império. Aliás, as guerras civis e as invasões haviam destruído o comércio e a indústria; os artesãos aproveitaram essas circunstâncias para fugir das cidades e se dispersar nos campos. Assim, os primeiros séculos de nossa era viram produzir-se um fenômeno que devia se repetir tal qual no fim do século XVII: a vida corporativa se extinguiu quase por completo. Mal subsistiram alguns vestígios seus, na Gália e na Germânia, nas cidades de origem romana. Portanto, naquele momento, um teórico tivesse tomado consciência da situação, teria provavelmente concluído, como o fizeram mais tarde os economistas, que as corporações não tinham, ou, em todo caso, não tinham mais razão de ser, que haviam desaparecido irreversivelmente, e sem dúvida teria tratado de retrógrada e irrealizável toda tentativa de reconstituí-las. Os acontecimentos desmentiriam uma tal profecia. De fato, após um “eclipse da razão” de algum tempo caminhando para os nossos dias, as corporações recomeçaram nova existência em todas as sociedades europeias. Elas renasceram por volta dos séculos XI e XII. Desde esse momento, diz Emile Levasseur (1828-1911), “os artesãos começam a sentir a necessidade de se unir e formam suas primeiras associações”.  No século XII, elas estão outra vez florescentes e se desenvolvem até o dia em que começa para elas uma nova decadência. Uma instituição tão persistente assim não poderia depender de uma particularidade contingente e acidental; muito menos ainda é possível admitir que tenha sido o produto de não sei que “aberração coletiva”. 

Se, desde a origem da cidade até o apogeu do Império, desde o alvorecer das sociedades cristãs aos tempos modernos, elas foram necessárias, é porque correspondem a necessidades duradouras e profundas. Sobretudo, o próprio fato social de que, depois de terem desaparecido uma primeira vez, reconstituíram-se por si mesmas e sob uma nova forma, retira todo e qualquer valor ao argumento que apresenta sua desaparição violenta no fim do século passado como uma prova de que não estão mais em harmonia com as novas condições de existência coletiva. A necessidade que todas as grandes sociedades civilizadas sentem de chamá-las de volta à vida é o mais seguro sintoma evidente dessa supressão radical não era um remédio e de que a reforma de Jacques Turgot (1727-1781) requeria outra que não poderia ser indefinidamente adiada. Mas o sociólogo francês lembra que nem toda organização corporativa é anacronismo histórico. Acreditamos que ela seria chamada a desempenhar, nas sociedades contemporâneas, pelo papel considerável que julgamos indispensável, por causa não dos serviços econômicos que ela poderia prestar, mas da influência moral que poderia ter.  O que vemos antes de mais nada no grupo profissional é um poder moral capaz de conter os egoísmos individuais, de manter no coração dos trabalhadores um sentimento vivo de solidariedade comum, de impedir que a “lei do mais forte” se aplique de maneira brutal nas relações industriais e comerciais. Mas é preciso evitar estender a todo regime corporativo o que pode ter sido válido para certas corporações e durante um curto lapso de tempo de seu desenvolvimento. Longe de ser atingido por uma sorte de enfermidade moral devida à sua própria constituição, foi sobretudo um papel moral que ele representou e continua representando ainda, na maior parte de sua história.                       

Isso é particularmente evidente no caso das corporações romanas. Sem dúvida, a associação lhes dava mais forças para salvaguardar, se necessário, seus interesses comuns. Mas era isso apenas um dos contragolpes úteis que a instituição produzia, lembra Durkheim: “não era sua razão de ser, sua função principal. Antes de mais nada, a corporação era um colégio religioso”. Cada uma tinha seu deus particular, cujo culto quando ela tinha meios, era celebrado num templo especial. Do mesmo modo que cada família tinha seu Lar familiaris, cada cidade seu Genius publicus, cada colégio tinha seu deus tutelar, Genius collegi. Naturalmente, o culto profissional não se realizava sem festas, que eram celebradas em comum sem sacrifícios e banquetes. Todas as espécies de circunstâncias serviam, aliás, de ocasião para alegres reuniões, além disso, distribuições de víveres ou de dinheiro ocorriam com frequência às expensas da comunidade. Indagou-se se a corporação tinha uma caixa de auxílio, se ela assistia regularmente seus membros necessitados, e as opiniões a esse respeito são divididas. Mas o que retira da discussão parte de seu interesse e de seu alcance é que esses banquetes comuns, mais ou menos periódicos, e as distribuições que os acompanharam serviam de auxílios e faziam não raro as vezes de uma assistência direta. Os infortunados sabiam que podiam contar com essa subvenção dissimulada. Como corolário do caráter religioso, o colégio de artesãos era, ao mesmo tempo, um colégio funerário. Unidos, como gentiles, num culto durante sua vida, os membros da corporação queriam, como eles, dormir juntos seu derradeiro sono. 

A importância tão considerável que a religião tinha em sua vida, tanto em Roma quanto na Idade Média, põe particularmente em evidência a verdadeira natureza de suas funções; porque toda comunidade religiosa constituía, então, um ambiente moral, do mesmo modo que toda disciplina moral tendia necessariamente a adquirir uma forma religiosa. A partir do instante em que, no seio de uma sociedade política, certo número de indivíduos tem em comum ideias, interesses, sentimentos, ocupações que o resto da população não partilha com eles, é inevitável que, sob a influência dessas similitudes eles sejam atraídos uns para os outros, que se procurem, teçam relações, se associem e que se forme assim, pouco a pouco, um grupo restrito, com sua fisionomia especial da sociedade em geral. Porque é impossível que homens vivam juntos, estejam regularmente em contato, sem adquirirem o sentimento do todo que formam por sua união, sem que se apeguem a esse todo, se preocupem com seus interesses e o levem em conta em sua conduta. Enfim, basta que esse sentimento se precise e se determine, que, aplicando-se às circunstâncias mais ordinárias e mais importantes da vida, se traduza em fórmulas definidas, para que se tenha um corpo de regras morais em via de se constituir. Ao mesmo tempo que se produz por si mesmo e pela força das coisas, esse resultado é útil e o sentimento de sua utilidade contribui para confirma-lo. A vida em comum é atraente, ao mesmo tempo que coercitiva. 

Para o ponto de vista conservantista do método analítico durkheimiano, a coerção é necessária para levar o homem a se superar, a acrescentar à sua natureza física outra natureza; mas, à medida que aprende a apreciar os encantos dessa nova existência, ele contrai a sua necessidade e não há ordem de atividade que não os busque com paixão. A moral doméstica não se formou de outro modo. Por causa do prestígio que a família conserva ante nossos olhos, parece-nos que, se e ela foi e é sempre uma escola de dedicação e de abnegação, o escopo por excelência da moralidade, é em virtude de características bastante particulares que teria o privilégio e que não se encontrariam em ouro lugar em nenhum grau. Costuma-se crer que exista antropologicamente na consanguinidade uma causa excepcionalmente poderosa de aproximação moral. A prova está em que, num sem-número de sociedades, os não-consanguíneos são muitos no seio da família; o parentesco dito artificial se contrai então com grande facilidade e exerce todos os efeitos de poder do parentesco natural. Inversamente, acontece com grande frequência consanguíneos bem próximos serem, moral ou juridicamente, estranhos uns aos outros; é, por exemplo, o caso dos cognatos na família romana. A família não deve suas virtudes à unidade de descendência: ela é, um grupo de indivíduos que foram aproximados uns dos outros, no seio da sociedade política, por uma comunidade mais particularmente estreita de ideias, sentimentos e interesses. A consanguinidade pode ter facilitado essa concentração, pois ela tem por efeito natural inclinar as consciências umas em relação às outras. Outros fatores intervieram: a proximidade material, a solidariedade de interesses, a necessidade de união contra um perigo comum, ou simplesmente de se unir, foram causas muito mais poderosas de comunicação social no processo produtivo. 

Mas, para dissipar todas as prevenções, adverte Durkheim, para mostrar bem que o sistema corporativo não é apenas uma instituição do passado, seria necessário mostrar que transformações ele deve e pode sofrer para se adaptar às sociedades modernas, pois é evidente que ele não pode ser o que era na Idade Média. Seriam necessários estudos comparativos que não estão feitos e que não podemos fazer de passagem. Talvez, porém, não seja impossível perceber desde já, mas apenas em suas linhas mais gerais, o que foi esse desenvolvimento. O historiador que empreende resolver em seus elementos a organização política dos romanos não encontra, no decurso de sua análise, nenhum fato socialmente que possa adverti-lo da existência das corporações. Elas não entravam na constituição romana, na qualidade de unidades definidas e reconhecidas. Em nenhuma das assembleias eleitorais, em nenhuma das reuniões do exército, os artesãos se reuniam por colégios. Em parte alguma o grupo profissional tomava parte, como tal, na vida pública, seja em corpo, seja por intermédio de representantes regulares. No máximo, a questão pode se colocar a propósito de três ou quatro colégios que se imaginou poder identificar com algumas das centúrias constituídas por Sérvio Túlio, a saber: tignari (construtores de casas), aerari (corporação clerical), tibicines (monumento funerário), corporações cornicínes (espécie de pizza enrolada), mas o fato não está bem estabelecido. 

Quanto às outras corporações, estavam certamente fora da organização oficial do povo romano. Ora, por muito tempo os ofícios não foram mais do que uma forma acessória e secundária da atividade social dos romanos. Roma era per se uma sociedade agrícola e guerreira. No primeiro era dividida em gentes e em cúrias; a assembleia por centúrias refletia antes a organização militar. Quanto às funções industriais, eram demasiado rudimentares para afetar a estrutura política da cidade. Aliás, até um momento bem avançado da história romana, os ofícios permaneceram marcados por um descrédito moral que não lhes permitia ocupar uma posição regular no Estado. Sem dúvida, veio um tempo em que sua condição social melhorou. Mas a própria maneira como foi obtida essa melhora é significativa. Para conseguir fazer respeitar seus interesses e desempenhar um papel na vida pública, os artesãos tiveram de recorrer a procedimentos irregulares e extralegais. Só triunfaram sobre o desprezo de que eram objeto por meios de intrigas, complôs, agitação clandestina. E, se, mais tarde, acabaram sendo integrados ao Estado para se tornar engrenagens da máquina administrativa, essa situação como foi, para eles, uma conquista gloriosa, mas uma penosa dependência; se entraram então no Estado, não foi para nele ocupar a posição a que seus serviços sociais podiam lhes dar direito, mas simplesmente para poder ser mais bem vigiados pelo poder governamental. 

Quando as cidades se emanciparam da tutela senhorial, quando a comuna se formou, o corpo de ofícios, que antecipara e preparara esse movimento, tornou-se a base da constituição comunal. De fato, segundo J.-P Waltzing, “em quase todas as comunas, o sistema político e a eleição dos magistrados baseiam-se na divisão dos cidadãos em corpos de ofícios”. Era costumeiro votar-se por corpos de ofícios e elegiam-se ao mesmo tempo os chefes da corporação e os da comuna. – Em Amiens, por exemplo, os artesãos se reuniam todos os anos para eleger os prefeitos de cada corporação ou bandeira (bannière); os prefeitos eleitos nomeavam em seguida doze escabinos, que nomeavam outros doze, e o escabinato apresentava, por sua vez, aos prefeitos das bandeiras três pessoas, dentre as quais eles escolhiam o prefeito da comuna. Em algumas cidades, o modo de eleição era ainda mais complicado, mas, em todas, a organização política e municipal era intimamente ligada à organização do trabalho. Inversamente, assim como a comuna era um agregado de corpos de ofícios, o corpo de ofício era uma comuna em miniatura, pelo próprio fato de que fora o modelo do qual a instituição comunal era a forma ampliada e desenvolvida. Queremos dizer com isso, que sabemos o que a comuna foi na história de nossas sociedades, de que se tornou, com o tempo, a pedra angular. Ipso facto, já que era uma reunião de corporações e que se formou com base no tipo da corporação, esta foi em última análise, que serviu de base a todo o sistema político oriundo do movimento comunal em torno do continente europeu. Vê-se que, em sua trajetória, ela cresceu singularmente em importância culturalmente e dignidade política. Em Roma, começou estando quase fora dos contextos normais, ela serviu de marco elementar para sociedades contemporâneas. É um motivo para que recusemos a considera-la instituição cinematográfica arcaica destinada a desaparecer.

Bibliografia Geral Consultada.

BARTOLI, Marc, L`Intensité du Travail. Thèse pour le Doctorat d`État en Sciences Économiques. Grenoble: Université des Sciences Sociales de Grenoble, 1980; CHAPLIN, Charles, Mis Primeros Años. Buenos Aires: Emecé Editores, 1981; MATOS-CRUZ, José de, Charles Chaplin, A Vida, o Mito, os Filmes. 2ª edição. Belo Horizonte: Editora Vega, 1982; FREUND, Julien, Sociologie du Conflit. Paris: Presses Universitaires de France, 1983; MARRA, Realinho, “Merton e la Teoria dell’Anomia”. In: Dei Delitti e Delle Pene. Volume 2, 1987, pp. 207-21; SIMMEL, Georg, La Tragédie de la Culture. Paris: Petite Bibliothèque Rivages, 1988; CHAPPLE, Steve e GAROFALO, Reebee, Rock e Indústria. História e Política da Indústria Musical. Tradutor Manuel Ruas. Lisboa: Editor Caminho, 1989; COLEMAN, Ray, Phil Collins: The Definitive Biography. Estados Unidos: Editor Pocket Books, 1996; DELEUZE, Gilles, Crítica e Clínica. São Paulo: Editora 34, 1997; THOMPSON, Edward Palmer, Costumes em Comum. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 1998; CERTEAU, Michel de, L`Invenzione del Quotidiano. Roma: Edizioni Lavoro, 2000; GIDDENS, Anthony, “Funcionalismo, Après la Lutte”. In: GIDDENS, Anthony, Em Defesa da Sociologia: Ensaios, Interpretações e Tréplicas. São Paulo: Editora Universidade Estadual Paulista, 2001; LUHMANN, Niklas, Confianza. Barcelona: Ediciones Anthropos, 2005; THOMPSON, John Brookshire, Ideologia e Cultura Moderna: Teoria Social e Crítica na Era dos Meios de Comunicação de Massa. 7ª edição. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 2007; HERRAIZ, Martin, O Estranho Perfeito: A Música Orquestral de Franz Zappa. Dissertação de Mestrado. Instituto de Artes. São Paulo: Universidade Estadual Paulista, 2010; DURKHEIM, Émile, Da Divisão do Trabalho Social. 4ª edição. São Paulo: Editor WMF/Martins Fontes, 2015; PEREIRA, Douglas da Silveira, Felicidade e Significado: Um Estudo sobre o Bem-Estar em Profissionais da Educação do Estado de São Paulo. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Educação. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2017; PELEGRINI, Tatiane; FRANÇA, Marco Túlio Aniceto, “Endogenia Acadêmica: Insights sobre a Pesquisa Brasileira”. In: Estudos Econômicos. São Paulo, vol.50 nº4, pp.573-610, out.- dez. 2020; Artigo: “Phil Collins tem doença que dificulta andar, mesmo após cinco cirurgias”. In: https://oglobo.globo.com/cultura/musica/noticia/2026/01/27/; entre outros.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Alexey Navalny – Ativista, Estado & Prisioneiro de Consciência.

                    “Se eles decidirem me matar, significa que somos incrivelmente fortes”. Alexey Navalny

                                

Alexei Anatolievitch Navalny (1976-2024) foi um líder da oposição russa, ativista anticorrupção e prisioneiro político. Ele fundou a Fundação Anticorrupção (FBK) em 2011. Foi reconhecido pela Anistia Internacional como “prisioneiro de consciência” e recebeu o Prêmio Sakharov por seu trabalho em prol dos direitos humanos. Por meio de suas contas nas mídias sociais, Navalny e sua equipe publicaram material sobre corrupção na Rússia, organizaram manifestações políticas e promoveram suas campanhas. Em uma entrevista em 2011, ele descreveu o partido governista Rússia Unida, como um “partido dos bandidos e ladrões”, que se tornou um apelido popular. Navalny e o Fundação Anticorrupção publicaram investigações detalhando a suposta corrupção de autoridades russas de alto escalão e associados. Navalny recebeu duas vezes uma sentença suspensa por desvio de fundos, em 2013 e 2014. Ambos os casos criminais foram amplamente considerados como tendo motivação política e com o objetivo de impedi-lo de concorrer em eleições futuras. Ele concorreu na eleição para prefeito de Moscou em 2013 e ficou em segundo lugar com 27,2% dos votos, mas foi impedido de concorrer na eleição presidencial de 2018. Em agosto de 2020, Navalny foi hospitalizado após ser envenenado com um agente nervoso Novichok, que atacam o sistema nervoso e interrompem vários processos essenciais ao corpo humano. Ele foi medicamente evacuado para Berlim e recebeu alta um mês depois. Ele acusou o presidente Vladimir Putin de ser “responsável por seu envenenamento”, e uma investigação implicou agentes do Serviço Federal de Segurança. 

Em janeiro de 2021, Navalny retornou à Rússia e foi detido sob a acusação de violar as condições da liberdade condicional enquanto estava hospitalizado na Alemanha. Após sua prisão, foram realizados protestos em massa em toda a Rússia. No mês seguinte, a sentença suspensa de Navalny foi substituída por uma sentença de prisão de mais de 2 1⁄2 anos de detenção, e suas organizações foram posteriormente designadas como extremistas e liquidadas. Em março de 2022, Navalny foi condenado a “mais nove anos de prisão após ser considerado culpado de desvio de fundos e desacato ao tribunal em um novo julgamento descrito como uma farsa pela Anistia Internacional”. Navalny tem como representação social um longa-metragem documental norte-americano lançado em 2022 dirigido por Daniel Roher que gira em torno do líder da oposição russa ao presidente Vladimir Putin, Alexei Navalny e eventos relacionados ao seu envenenamento. Daniel Roher é um diretor canadense de filmes documentaristas de Toronto, Ontário. Ele é mais reconhecido por seu filme: Once Were Brothers: Robbie Robertson and the Band (2019), que representou o filme de Abertura do Festival Internacional de Cinema de Toronto de 2019 e seu filme de 2022, Navalny, sobre o líder da oposição russa, advogado, ativista anticorrupção e prisioneiro político Alexei Navalny, que ganhou o Oscar de Melhor Documentário na 95ª edição do Oscar. Roher cresceu no centro de Toronto, em uma família judia.

Depois de se formar na Etobicoke School of the Arts, uma escola secundária pública especializada em artes e estudos acadêmicos em Toronto, Ontário, Canadá. Localizada em Etobicoke, está instalada nas antigas instalações do Royal York Collegiate Institute desde 1983. Fundada em 8 de setembro de 1981, tem a distinção de ser a escola independente com escopo em artes mais antiga do Canadá. Ele estudou por três semestres no Savannah College of Art and Design na Geórgia, Estados Unidos da América. Seu filme foi também exibido no Whistler Film Festival de 2019, onde ganhou o prêmio de Melhor Documentário. Roher e Eamonn O`Connor foram indicados ao Canadian Screen Award de Melhor Edição em Documentário na 8ª edição do Canadian Screen Awards em 2020 e ao prêmio Canadian Cinema Editors de Melhor Edição em Documentário em 2020.  Roher dirigiu os curtas-documentários Survivors Rowe, indicado ao CSA de Melhor Programa Documentário no 5º Canadian Screen Awards em 2017, e Sourtoe: The Story of the Sorry Cannibal, que foi indicado ao CSA de Melhor Direção em Programa ou Série Web no 6º Canadian Screen Awards em 2018. Foi produzido pela HBO Max e CNN Films e estreou em 25 de janeiro de 2022 no Festival de Cinema de Sundance, que historicamente tem início em agosto de 1978, como Utah/U.S. Film Festival. Em 1985, o Sundance Institute, fundado anos antes por Robert Redford com o intuito de ajudar novos cineastas, incorpora o festival a seus programas, dirigindo o evento para as produções independentes. 

                                                


O festival acontece no mês de janeiro, em Park City, Utah, o maior festival de cinema independente dos Estados Unidos. Navalny nasceu em 4 de junho de 1976 em Butyn, Rússia, então parte da União Soviética. Sua mãe, Lyudmila Ivanovna Navalnaya, nascida em 1954, é russa, originária de Zelenograd, e seu pai, Anatoly Ivanovich Navalny, nascido em 1947, é ucraniano de Zalissia, um vilarejo próximo à fronteira entre a Ucrânia e a Bielorrússia que foi realocado devido à contaminação nuclear causada pelo desastre de Chernobyl. Navalny se identificou como metade russo e metade ucraniano e cresceu em Obninsk, cerca de 100 km (62 milhas) a Sudoeste de Moscou, mas passou os verões com seus avós em Zalissia até os oito anos de idade, adquirindo proficiência em ucraniano. Os pais de Navalny são proprietários privados de uma fábrica de tecelagem de cestas que o casal administra desde 1994 em Kobyakovo, um vilarejo em Vologda Oblast; eles ainda estavam administrando a fábrica em 2012. A mídia perguntava regularmente a Navalny se ele se identificava mais como russo ou ucraniano e, em seu livro de memórias publicado postumamente, Patriot, ele afirma: “Era como se lhe perguntassem quem você amava mais, sua mãe ou seu pai”.

Navalny se formou na Escola Secundária Kalininets nível 3 de acordo com o International Standard Classification of Education em 1993. Ele se formou em Direito pela Universidade Russa da Amizade dos Povos em 1998. Em seguida, estudou valores mobiliários e bolsas de valores na Universidade Financeira do Governo da Federação Russa, graduando-se em 2001. Em 2010, por recomendação de Garry Kasparov, Yevgeniya Albats e Sergey Guriev, Navalny recebeu uma bolsa de estudos para o programa Yale World Fellows da Universidade de Yale, onde estudou ciências políticas e assuntos mundiais. Como bolsista do programa World Fellows da Universidade de Yale, Navalny teve como objetivo “criar uma rede global de líderes emergentes e ampliar a compreensão internacional” em 2010. De 1998 em diante, Navalny trabalhou como advogado corporativo para várias empresas russas. Em 2009, Navalny tornou-se advogado e membro da câmara de advogados (associação de advogados) do Oblast de Kirov (número de registro 43/547). Em 2010, devido à sua mudança para Moscou, ele deixou de ser membro da câmara de advogados do Oblast de Kirov e tornou-se membro da câmara de advogados de Moscou. Em novembro de 2013, depois que a sentença no caso Kirovles entrou em vigor foi privado do status de advogado. Em 2000, após o anúncio de uma lei que aumentava o limite eleitoral para as eleições da Duma, Navalny se filiou ao Yabloko, o Partido Democrático Unido da Rússia.

De acordo com Navalny, a lei estava sendo aplicada contra o Yabloko e a União das Forças de Direita, e ele decidiu se filiar, mesmo não sendo “um grande fã” de nenhuma das organizações. Em 2001, ele foi registrado como membro do partido. Em 2002, foi eleito para o conselho regional da filial de Moscou do Yabloko. Em 2003, ele chefiou a subdivisão de Moscou da campanha eleitoral do partido para a eleição parlamentar realizada em dezembro. Em abril de 2004, Navalny tornou-se chefe de gabinete da filial de Moscou do Yabloko, onde permaneceu até fevereiro de 2007. Também em 2004, tornou-se vice-chefe da seção de Moscou do partido. De 2006 a 2007, ele foi membro do Conselho Federal do partido.Em agosto de 2005, Navalny foi admitido no Conselho Social do Okrug Administrativo Central de Moscou, criado antes da eleição para a Duma da cidade de Moscou, realizada no final daquele ano, da qual ele participou como candidato. Em novembro, ele foi um dos iniciadores da Câmara Pública da Juventude, destinada a ajudar políticos mais jovens a participar de iniciativas legislativas. Ao mesmo tempo, em 2005, Navalny iniciou outro movimento social juvenil, chamado “DA! - Democratic Alternative” (Alternativa Democrática). No final de 2006, Navalny recorreu à prefeitura de Moscou, pedindo permissão para realizar a marcha nacionalista russa de 2006. 

No entanto, ele acrescentou que o Yabloko condenava “qualquer ódio étnico ou racial e qualquer xenofobia” e pediu à polícia que se opusesse a “qualquer manifestação fascista, nazista e xenófoba”. O projeto não estava ligado ao Yabloko ou a outro partido político. Dentro do movimento, Navalny participou de vários projetos. Em particular, ele foi um dos organizadores dos debates políticos conduzidos pelo movimento, que logo repercutiram na mídia. Navalny também organizou debates na televisão por meio do canal estatal TV Center, de Moscou; dois episódios iniciais tiveram alta audiência, mas o programa foi subitamente cancelado. De acordo com Navalny, as autoridades proibiram a aparição de certas pessoas na televisão. Em dezembro de 2007, o Yabloko perdeu a eleição legislativa para a Duma russa, recebendo apenas 1,6% dos votos. Em uma reunião do bureau do partido, Navalny propôs a reforma do partido e a mudança de sua liderança devido ao fracasso nas eleições. Ele criticou duramente muitas ações do partido e pediu “a renúncia imediata do presidente do partido e de todos os seus deputados, e a reeleição de pelo menos 70% do bureau”. Ele disse: “O Yabloko fracassou completamente nessas eleições... Não se trata de uma questão de contagem [dos votos]. As eleições foram desonestas e injustas. Mas conseguiríamos ainda menos em eleições justas. Porque eleições justas não devem ser apenas transmissão ao vivo para Grigory Alekseevich. Todos devem poder participar. Isso significa que os mais populares Kasparov e Ryzhkov estariam na mesma transmissão ao vivo.

Isso significa que Kasyanov, com seus recursos financeiros, participaria das eleições. ... Eu defendo que o Yabloko entrou em colapso porque se transformou em uma seita. Exigimos que todos sejam democratas, mas nós mesmos não queremos ser democratas. ... E quanto piores forem os resultados, mais forte será a posição da liderança”. Ele foi expulso do Yabloko na mesma reunião por suas opiniões nacionalistas e por participar da Marcha Russa. De acordo com o político da oposição russa Ilya Yashin, Navalny foi expulso do Yabloko porque desafiou o líder do partido, Grigory Yavlinsky. Em dezembro de 2011, após eleições parlamentares e acusações de fraude eleitoral, aproximadamente 6.000 pessoas se reuniram em Moscou para protestar contra o resultado contestado, e cerca de 300 pessoas foram presas, incluindo Navalny preso em 5 de dezembro. Após um período de incerteza para seus apoiadores, Navalny compareceu ao tribunal e foi condenado a uma pena máxima de 15 dias “por desafiar um funcionário do governo”. Alexei Venediktov, editor-chefe da estação de rádio Echo of Moscow, chamou a prisão de “um erro político: a prisão de Navalny o transforma de um líder on-line em um líder off-line”. Após sua prisão, seu blog ficou disponível em inglês.

Navalny foi mantido na mesma prisão que vários outros ativistas, incluindo Ilya Yashin e Sergei Udaltsov, o líder não oficial da Vanguarda da Juventude Vermelha, um grupo radical de jovens comunistas russos. Udaltsov entrou em uma greve de fome para protestar contra as condições. Após sua libertação em 20 de dezembro de 2011, Navalny conclamou os russos a se unirem contra Putin, que, segundo Navalny, tentaria reivindicar a vitória na eleição presidencial, que foi realizada em 4 de março de 2012. Após sua libertação, Navalny informou aos repórteres que não faria sentido ele concorrer às eleições presidenciais porque o Kremlin não permitiria que as eleições fossem justas, mas se fossem realizadas eleições livres, ele estaria “pronto” para concorrer. Em 24 de dezembro, ele ajudou a liderar uma manifestação, estimada em 50.000 pessoas, que foi muito maior do que a manifestação pós-eleitoral anterior. Falando para a multidão, ele disse: “Vejo pessoas suficientes para tomar o Kremlin agora mesmo”. Em março de 2012, depois que Putin foi reeleito presidente, Navalny ajudou a liderar uma manifestação anti-Putin na Praça Pushkinskaya, em Moscou, que contou com a presença de 14.000 a 20.000 pessoas. Após o comício, Navalny foi detido pelas autoridades por várias horas e depois liberado. Em 8 de maio de 2012, um dia após a posse de Putin, Navalny e Udaltsov foram presos após uma manifestação anti-Putin em Clean Ponds, e cada um foi condenado a 15 dias de prisão. 

A Anistia Internacional designou os dois homens como “prisioneiros de consciência”. Em 11 de junho, os promotores de Moscou realizaram uma busca de 12 horas na casa de Navalny, no escritório e no apartamento de um de seus parentes. Em 26 de junho de 2012, foi anunciado que os companheiros de Navalny estabeleceriam um novo partido político baseado na democracia virtual; Navalny declarou que não pretendia participar desse projeto no momento. Em 31 de julho, eles apresentaram um documento para registrar um comitê organizador de um futuro partido chamado “A Aliança Popular”. O partido se identificava como centrista; um dos líderes atuais do partido e aliado de Navalny, Vladimir Ashurkov, explicou que a intenção era ajudar o partido a obter uma grande parcela de eleitores. Navalny disse que o conceito de partidos políticos estava “ultrapassado” e acrescentou que sua participação tornaria a manutenção do partido mais difícil. No entanto, ele “abençoou” o partido e discutiu sua manutenção com seus líderes. Eles, por sua vez, afirmaram que queriam ver Navalny como membro do partido. Em 15 de dezembro de 2012, Navalny expressou seu apoio ao partido, dizendo: A Aliança Popular é o meu partido”, mas se recusou a se filiar a ele, citando os processos criminais contra ele. Em 10 de abril de 2013, o partido apresentou documentos para o obter o registro partidário oficial.

Em 30 de abril, o registro do partido foi suspenso. Em 5 de julho de 2013, o registro do partido foi negado; de acordo com o Izvestia, nem todos os fundadores do partido estavam presentes durante o congresso, embora os documentos contivessem suas assinaturas. Após a eleição para prefeito, em 15 de setembro de 2013, Navalny declarou que se juntaria e, possivelmente, lideraria o partido. Em 17 de novembro de 2013, Navalny foi eleito líder do partido. Em 8 de janeiro de 2014, o partido de Navalny apresentou documentos para registro pela segunda vez. Em 20 de janeiro, o registro do partido foi suspenso; de acordo com as leis russas, dois partidos não podem compartilhar o mesmo nome. Em 8 de fevereiro de 2014, o partido de Navalny mudou seu nome para “Partido do Progresso”. Em 25 de fevereiro de 2014, o partido foi registrado e, a essa altura, tinha seis meses para registrar filiais regionais em pelo menos metade dos territórios federais da Rússia. Em 26 de setembro de 2014, o partido declarou que havia registrado 43 filiais regionais. Uma fonte não identificada do Izvestia no ministério disse que os registros concluídos após o prazo de seis meses não seriam levados em consideração, acrescentando: “Sim, estão ocorrendo julgamentos em algumas regiões... eles não podem registrar novas filiais em outras regiões durante os julgamentos, porque o prazo principal acabou”. O blog de Navalny rebateu: “Nossa resposta é simples. O prazo de seis meses para o registro foi legalmente prorrogado e o processo provisório de apelações de recusas e suspensões de registro foi suspenso”.

Em 1º de fevereiro de 2015, o partido realizou uma convenção, na qual Navalny afirmou que o partido estava se preparando para as eleições de 2016, declarando que o partido manteria sua atividade em toda a Rússia, dizendo: “Não temos pudor de trabalhar em terras remotas onde a oposição não trabalha. Podemos até [trabalhar] na Crimeia”. Os candidatos que o partido indicaria seriam escolhidos por meio de eleições primárias; entretanto, ele acrescentou, os candidatos do partido podem ser removidos das eleições. Em 17 de abril de 2015, o partido iniciou uma coalizão de partidos democráticos. Em 28 de abril de 2015, o partido foi privado do registro pelo Ministério da Justiça, que afirmou que o partido não havia registrado o número necessário de filiais regionais dentro de seis meses após o registro oficial. Krainev afirmou que o partido só poderia ser eliminado pela Suprema Corte e acrescentou que nem todos os julgamentos de registro de filiais regionais haviam terminado, chamando o veredito de “duas vezes ilegal”. Ele acrescentou que o partido recorreria à Corte Europeia de Direitos Humanos e expressou confiança de que o partido seria restaurado e admitido nas eleições. No dia seguinte, o partido contestou oficialmente o veredito. Em 30 de maio de 2013, Sergey Sobyanin, prefeito de Moscou, argumentou que um prefeito eleito é uma vantagem para a cidade em comparação com um prefeito nomeado e, em 4 de junho, anunciou que se encontraria com o Presidente Vladimir Putin e pediria a ele uma eleição rápida, mencionando que os moscovitas concordariam que as eleições para governador deveriam ocorrer na cidade de Moscou e no Oblast de Moscou ao redor.

Em 6 de junho, a solicitação foi atendida e, no dia seguinte, a Duma da cidade de Moscou marcou a eleição para 8 de setembro, o dia nacional de votação. Em 3 de junho, Navalny anunciou que concorreria ao cargo. Para se tornar um candidato oficial, ele precisaria de setenta mil assinaturas de moscovitas ou ser vinculado ao cargo por um partido registrado e, em seguida, coletar 110 assinaturas de deputados municipais de 110 subdivisões diferentes, isto é, três quartos das 146 de Moscou. Navalny escolheu ser registrado por um partido, o Partido da Liberdade Popular, popularmente conhecido como PARNAS. Entre os seis candidatos que foram oficialmente registrados como tal, apenas dois, Sobyanin e o comunista Ivan Melnikov, conseguiram coletar o número necessário de assinaturas por conta própria, e os outros quatro receberam um número de assinaturas do Conselho de Formações Municipais, seguindo uma recomendação de Sobyanin, para superar a exigência (Navalny aceitou 49 assinaturas, e outros candidatos aceitaram 70, 70 e 82). Em 17 de julho, Navalny foi registrado como um dos seis candidatos para a eleição para prefeito de Moscou. Em 18 de julho, ele foi condenado a uma pena de cinco anos de prisão pelas acusações de desvio de fundos e fraude declaradas em 2012. Várias horas depois de sua sentença, ele saiu da disputa e pediu um boicote à eleição.

Mais tarde naquele dia, o escritório da promotoria solicitou que Navalny fosse liberado sob fiança e liberado das restrições de viagem, já que o veredito ainda não havia entrado em vigor, dizendo que ele havia seguido as restrições anteriormente. Navalny era candidato a prefeito e, portanto, a prisão não estaria em conformidade com a regra de acesso igualitário ao eleitorado. Ao retornar a Moscou após ser libertado, enquanto aguardava um recurso, ele prometeu permanecer na disputa. O Washington Post especulou que sua libertação foi ordenada pelo Kremlin para fazer com que a eleição e Sobyanin parecessem mais legítimos. As maiores organizações de pesquisa sociológica previram que Sobyanin venceria a eleição, com 58% a 64% dos votos; elas esperavam que Navalny recebesse de 15 a 20% dos votos e que o comparecimento fosse de 45 a 52%. O Levada Center foi o único que não fez nenhuma previsão; os dados que tinha em 28 de agosto eram semelhantes aos de outras organizações. Os resultados finais da votação demonstraram que Navalny recebeu 27% dos votos, mais que os indicados pelos partidos que obtiveram o segundo, terceiro, quarto e quinto maiores resultados durante as eleições parlamentares de 2011, extraordinariamente juntos. Navalny se saiu melhor no Centro e no Sudoeste que têm níveis mais altos de renda e educação. Sobyanin recebeu 51% dos votos, vencendo a eleição. 

O comparecimento às urnas foi de 32%. As organizações explicaram que as diferenças se deveram ao fato de o eleitorado de Sobyanin não ter votado, pois achavam que seu candidato tinha a vitória garantida. O escritório da campanha de Navalny previu que Sobyanin teria 49% a 51% dos votos, e Navalny teria 24% a 26%. Muitos especialistas disseram que a eleição foi justa, que o número de irregularidades foi muito menor do que o de outras eleições realizadas no país e que as irregularidades tiveram pouco efeito sobre o resultado. Dmitri Abyzalov, principal especialista do Center of Political Conjuncture, acrescentou que os baixos números de comparecimento são mais um sinal da imparcialidade da eleição, pois mostram que eles não foram superestimados. No entanto, de acordo com Andrei Buzin, copresidente da Associação GOLOS, os Departamentos Estaduais de Seguridade Social acrescentaram pessoas que originalmente não queriam votar às listas dos que votariam em casa, sendo que o número desses eleitores foi de 5% dos que votaram, e acrescentou que isso causou dúvidas se Sobyanin atingiria 50% se isso não ocorresse. Dmitry Oreshkin, líder do projeto “Comissão eleitoral do povo” que fez uma contagem separada com base nos dados dos observadores eleitorais; seu resultado para Sobyanin foi de 50%, disse que agora que faltavam apenas 2% para o 2° turno, todos os detalhes seriam analisados com muita atenção e acrescentou que era impossível provar “qualquer coisa” juridicamente. Em 9 de setembro, no dia seguinte à eleição, Navalny denunciou a contagem, dizendo: “Não reconhecemos os resultados. Eles são falsos”.

O gabinete de Sobyanin rejeitou uma oferta de recontagem de votos. Em 12 de setembro, Navalny dirigiu-se ao Tribunal da Cidade de Moscou para anular o resultado da pesquisa; o tribunal rejeitou a alegação. Navalny então contestou a decisão na Suprema Corte da Rússia, mas o tribunal decidiu que os resultados da eleição eram legítimos. Após a eleição para prefeito, foi oferecido a Navalny um cargo como quarto copresidente do RPR-PARNAS. Em 14 de novembro de 2014, os dois copresidentes remanescentes do RPR-PARNAS, Boris Nemtsov e o ex-primeiro-ministro da Rússia Mikhail Kasyanov, declararam que era o momento certo para criar uma ampla coalizão de forças políticas favoráveis à “escolha europeia”; o Partido do Progresso de Navalny era visto como um dos possíveis participantes. Entretanto, em 27 de fevereiro de 2015, Nemtsov foi assassinado em Moscou. Antes de seu assassinato, Nemtsov trabalhou em um projeto de coalizão, no qual Navalny e Khodorkovsky se tornariam copresidentes do RPR-PARNAS. Navalny declarou que a fusão de partidos traria dificuldades burocráticas e questionaria a legitimidade do direito do partido de participar de eleições federais sem coleta de assinaturas. No entanto, o assassinato de Nemtsov acelerou o trabalho e, em 17 de abril, Navalny declarou que havia ocorrido uma ampla discussão entre o Partido do Progresso, o RPR-PARNAS e outros partidos estreitamente alinhados, o que resultou em um acordo de formação de um novo bloco eleitoral entre os dois líderes. Logo depois, o Acordo foi assinado por quatro outros partidos e apoiado pela fundação Open Russia, de Khodorkovsky, e os candidatos que o RPR-PARNAS indicaria seriam escolhidos por meio de eleições primárias. 

Em 5 de julho de 2015, Kasyanov foi eleito como o único líder do RPR-PARNAS, e o partido foi renomeado para apenas PARNAS. Ele acrescentou que gostaria de eventualmente restabelecer a instituição da copresidência, acrescentando: “Nem Alexei Navalny nem Mikhail Khodorkovsky entrarão em nosso partido hoje e serão eleitos co-presidentes. Mas, no futuro, acho que esse momento chegará”. Em 7 de julho, em uma entrevista divulgada pela TV Rain, ele especificou que Navalny não poderia deixar o seu partido, e que isso precisaria ser feito pelo PARNAS, que incorporaria membros do Partido do Progresso e de outros partidos da coalizão, e que Navalny deveria chegar em algum momento em que “crescesse e sentisse que isso poderia ser feito” e se filiasse ao partido também. A coalizão alegou ter coletado assinaturas de cidadãos suficientes para o registro nas quatro regiões originalmente pretendidas. Entretanto, em uma região, a coalizão declarou que algumas assinaturas e dados pessoais foram alterados por coletores mal-intencionados; as assinaturas nas outras regiões foram rejeitadas pelas comissões eleitorais regionais. No Oblast de Novosibirsk, alguns funcionários do escritório eleitoral entraram em greve de fome, que foi abandonada quase duas semanas depois de seu início, quando Khodorkovsky, Navalny e Kasyanov aconselharam publicamente que isso fosse feito. Foram apresentadas reclamações à Comissão Eleitoral Central da Rússia, após as quais a coalizão foi registrada como participante de uma eleição regional em uma das três regiões contestadas, Kostroma Oblast. 

De acordo com uma fonte da Gazeta.ru “próxima ao Kremlin”, a administração presidencial via as chances da coalizão como muito baixas, mas estava cautelosa, mas a restauração em uma região ocorreu para que o PARNAS pudesse “marcar um gol de consolação”. De acordo com os resultados oficiais da eleição, a coalizão obteve 2% dos votos, o que não foi suficiente para superar o limite de 5%; o partido admitiu que a eleição estava perdida. Com o crescente apoio popular, Navalny anunciou sua entrada na corrida presidencial em 13 de dezembro de 2016, no entanto, em 8 de fevereiro de 2017, o tribunal distrital de Leninsky de Kirov repetiu sua sentença de 2013, após o caso ter sido enviado para um novo julgamento com um juiz diferente pela Suprema Corte, que anulou a sentença inicial após a decisão da CEDH, que determinou que a Rússia havia violado o direito de Navalny a um julgamento justo, no caso de Kirovles e o condenou novamente com uma sentença de cinco anos. Essa sentença, se entrar em vigor e permanecer válida, poderá proibir o futuro registro oficial de Navalny como candidato. Navalny anunciou que buscaria a anulação da sentença que claramente contradiz a decisão da CEDH. Além disso, Navalny anunciou que sua campanha presidencial prosseguiria independentemente das decisões judiciais.  Ele se referiu à Constituição russa (Artigo 32), que priva apenas dois grupos de cidadãos do direito de serem eleitos: aqueles reconhecidos pelo tribunal como legalmente incapazes e aqueles mantidos em locais de confinamento por uma sentença judicial. De acordo com a Freedom House e a The Economist, Navalny era o candidato mais viável a Vladimir Putin nas eleições de 2018. 

Navalny organizou uma série de comícios anticorrupção em diferentes cidades da Rússia em março. Esse apelo foi respondido por representantes de 95 cidades russas e quatro cidades no exterior: Londres, Praga, Basileia e Bonn. Navalny foi atacado por agressores desconhecidos do lado de fora de seu escritório na Fundação Anticorrupção em 27 de abril de 2017. Eles borrifaram corante verde brilhante, possivelmente misturado com outros componentes, em seu rosto em um ataque Zelyonka que pode danificar os olhos da vítima. Ele já havia sido atacado antes, no início da primavera. No segundo ataque, o desinfetante de cor verde foi misturado com produto químico cáustico, resultando em “uma queimadura química em seu olho direito”. Segundo relatos de dados etnográficos, ele perdeu 80% da visão do olho direito. Navalny acusou o Kremlin de orquestrar o ataque. Navalny foi libertado da prisão em 27 de julho de 2017 após passar 25 dias preso. Antes disso, ele foi preso em Moscou por participar de protestos e “foi condenado a 30 dias de prisão por organizar protestos ilegais”. Em setembro de 2017, a Human Rights Watch acusou a polícia russa de interferência sistemática na campanha presidencial de Navalny. “O padrão de assédio e intimidação contra a campanha de Navalny é inegável”, disse Hugh Williamson, diretor da Human Rights Watch para a Europa e Ásia Central. “As autoridades russas devem permitir que os ativistas de Navalny trabalhem sem interferência indevida e investigar adequadamente os ataques contra eles por parte de ultranacionalistas e grupos pró-governo”. 

Em 21 de setembro, o Comitê de Ministros do Conselho da Europa convidou as autoridades russas, em conexão com o caso Kirovles, “a usar urgentemente outros meios para eliminar a proibição da candidatura do Sr. Navalny às eleições”. Navalny foi condenado a 20 dias de prisão em 2 de outubro de 2017 por convites para participar de protestos sem a aprovação das autoridades. Em dezembro de 2017, a Comissão Eleitoral Central da Rússia impediu Navalny de concorrer à presidência em 2018, citando a “condenação de Navalny por corrupção”. A UE disse que a remoção de Navalny lançou “sérias dúvidas” sobre a eleição. Navalny pediu um boicote à eleição presidencial de 2018, afirmando que sua remoção significava que milhões de russos estavam tendo seu voto negado. Navalny entrou com um recurso contra a decisão da Suprema Corte da Rússia em 3 de janeiro, mas alguns dias depois, em 6 de janeiro, a Suprema Corte da Rússia rejeitou seu recurso. Navalny liderou protestos em 28 de janeiro de 2018 para pedir um boicote à eleição presidencial russa de 2018. Navalny foi preso no dia do protesto e liberado no mesmo dia, aguardando julgamento. O OVD-Info informou que 257 pessoas foram presas em todo o país. De acordo com as notícias russas, a polícia declarou que Navalny provavelmente seria acusado de convocar manifestações não autorizadas. Dois dos associados de Navalny foram condenados a breves penas de prisão por incitarem as pessoas a participarem de comícios de oposição não sancionados. Navalny declarou em 5 de fevereiro de 2018 que o governo estava acusando Navalny de agredir um oficial durante os protestos estava entre as 1.600 pessoas detidas durante o 5 de maio, antes da posse de Putin; Navalny foi acusado de desobedecer à polícia.

Em 15 de maio, ele foi condenado a 30 dias de prisão. Imediatamente após sua libertação, em 25 de setembro de 2018, ele foi preso e condenado por organizar manifestações ilegais e sentenciado a mais 20 dias de prisão. Durante a eleição para a Duma da cidade de Moscou em 2019, Navalny apoiou candidatos independentes, a maioria dos quais não teve permissão para participar das eleições, o que levou a protestos de rua em massa. Em julho de 2019, Navalny foi preso, primeiro por dez dias e depois, quase imediatamente, extensivo por mais 30 dias. Na noite de 28 de julho, ele foi hospitalizado com graves lesões nos olhos e na pele. No hospital, ele foi diagnosticado com uma “alergia”, embora esse diagnóstico tenha sido contestado por Anastasia Vasilyeva, uma oftalmologista que já havia tratado Navalny depois de um ataque químico realizado por um suposto manifestante em 2017. Vasilyeva questionou o diagnóstico e sugeriu a possibilidade de que a condição de Navalny fosse o resultado dos “efeitos prejudiciais de produtos químicos indeterminados”. Em 29 de julho de 2019, Navalny recebeu alta do hospital e foi levado de volta à prisão, apesar das objeções de seu médico, que questionou os motivos do hospital. Apoiadores de Navalny e jornalistas próximos ao hospital foram atacados pela polícia e muitos foram detidos. 

Em resposta, ele iniciou o projeto Voto Inteligente. Navalny fez campanha contra a votação das emendas constitucionais que ocorreu em 1º de julho, chamando-a de “golpe” e “violação da constituição”. Ele também disse que as mudanças permitiriam que o presidente Putin se tornasse “presidente vitalício”. Depois que os resultados foram anunciados, ele os chamou de “grande mentira” que não refletia a opinião pública. As reformas incluem uma emenda que permite que Putin cumpra mais dois mandatos (até 2036), após o término de seu quarto mandato presidencial. Em 2008, Navalny tentou se tornar um acionista ativista de cinco empresas russas de petróleo e gás (Rosneft, Gazprom, Gazprom Neft, Lukoil e Surgutneftegas), investindo 300.000 rublos com o objetivo final de aumentar a transparência de seus ativos financeiros. Essa transparência é exigida por lei, mas há alegações de que os gerentes de alto nível dessas empresas estão envolvidos em roubos e resistindo à transparência. Em novembro de 2010, Navalny publicou documentos confidenciais sobre a auditoria da Transneft. De acordo com o blog de Navalny, cerca de US$ 4 bilhões foram roubados pelos líderes da Transneft durante a construção do oleoduto Sibéria Oriental-Oceano Pacífico. Em dezembro, Navalny anunciou o lançamento do projeto RosPil, que busca trazer à tona práticas corruptas no processo de compras governamentais. O projeto tira proveito da regulamentação sobre aquisições que exige que todos os pedidos de licitação sejam publicados on-line. As informações sobre as propostas vencedoras também devem ser publicadas on-line. O nome RosPil é um trocadilho com o termo de gíria “распил” (literalmente “serrar”), que implica o desvio de fundos estatais. Em maio de 2011, Navalny lançou o RosYama (literalmente “buraco russo”), um projeto que permitia que as pessoas relatassem buracos e acompanhassem as respostas do governo às reclamações. Em agosto, Navalny publicou documentos relacionados a um escandaloso negócio imobiliário entre os governos húngaro e russo. 

De acordo com os documentos, a Hungria vendeu um prédio de uma antiga embaixada em Moscou por US$ 21 milhões a uma empresa offshore de Viktor Vekselberg, que imediatamente o revendeu ao governo russo por US$ 116 milhões. O valor real da propriedade foi estimado em US$ 52 milhões. Irregularidades no rastro implicavam em conluio. Três funcionários húngaros responsáveis pelo negócio foram detidos em fevereiro de 2011. Em fevereiro de 2012, Navalny concluiu que o dinheiro federal russo destinado ao Ministério do Interior da Chechênia de Ramzan Kadyrov estava sendo gasto “de forma totalmente obscura e fraudulenta”. Em maio, Navalny acusou o vice-primeiro-ministro Igor Shuvalov de corrupção, afirmando que as empresas de Roman Abramovich e Alisher Usmanov haviam transferido dezenas de milhões de dólares para a empresa de Shuvalov, permitindo que Shuvalov participasse do lucro da empresa siderúrgica britânica Corus por Usmanov. Navalny publicou digitalizações de documentos em seu blog demonstrando as transferências de dinheiro. Usmanov e Shuvalov declararam que os documentos que Navalny havia publicado eram legítimos, mas que a transação não havia violado a lei russa. “Segui inabalavelmente as regras e os princípios de conflito de interesses”, disse Shuvalov. “Para um advogado, isso é sagrado”. Em julho, Navalny publicou documentos em seu blog que supostamente mostravam que Alexander Bastrykin, chefe do Comitê de Investigação da Rússia, possuía um negócio não declarado na República Tcheca. A postagem foi descrita pelo Financial Times como o “tiro de resposta” por ter tido seus e-mails vazados durante sua prisão. A pesquisa do Levada Center demonstrou que “58% dos russos pesquisados apoiaram os protestos russos de 2017 contra a corrupção do governo”. Em agosto de 2018, Navalny alegou que Viktor Zolotov roubou pelo menos US$ 29 milhões de contratos de aquisição para a Guarda Nacional. 

Pouco depois de suas alegações contra Zolotov, Navalny foi preso por realizar protestos em janeiro de 2018. Posteriormente, Viktor Zolotov publicou uma mensagem de vídeo em 11 de setembro desafiando Navalny para um duelo e prometendo fazer dele “um bom e suculento picadinho”.  Em março de 2017, Navalny publicou a investigação He Is Not Dimon to You, acusando o primeiro-ministro Dmitry Medvedev de corrupção. As autoridades ignoraram a acusação ou argumentaram que ela havia sido feita por um “criminoso condenado” e que não merecia comentários. Em 26 de março, Navalny organizou uma série de comícios anticorrupção em cidades de toda a Rússia. Em algumas cidades, os comícios foram sancionados pelas autoridades, mas em outras, incluindo Moscou e São Petersburgo, eles não foram permitidos. A polícia de Moscou disse que 500 pessoas foram detidas, mas de acordo com o grupo de direitos humanos OVD-Info, 1.030 pessoas foram detidas somente em Moscou, incluindo o próprio Navalny. Em 27 de março, ele recebeu uma multa mínima de 20.000 rublos por organizar um protesto ilegal e foi preso por 15 dias por resistir à prisão. Navalny e sua equipe organizaram cerca de 90 protestos “Ele não é nosso czar” em toda a Rússia em maio de 2018. Em 19 de janeiro de 2021, dois dias depois de ter sido detido pelas autoridades russas ao retornar à Rússia, foi publicada uma investigação de Navalny e da Fundação Anticorrupção acusando o presidente Vladimir Putin de usar fundos obtidos de forma fraudulenta para construir uma enorme propriedade para si mesmo perto da cidade de Gelendzhik, na região de Krasnodar, no que ele chamou de “o maior suborno do mundo”. A propriedade foi noticiada pela primeira vez em 2010, depois que o empresário Sergei Kolesnikov, que estava envolvido no projeto, deu detalhes sobre ela. 

De acordo com Navalny, a propriedade tem 39 vezes o tamanho de Mônaco, com o Serviço Federal de Segurança possuindo 70 km² de terra ao redor do palácio, e a propriedade custou mais de 100 bilhões de rublos (US$ 1,35 bilhão) para ser construída. Também foram exibidas imagens aéreas da propriedade por meio de um drone e uma planta baixa detalhada do palácio que, segundo Navalny e a Fundação Anticorrupção, foi fornecida por um empreiteiro e comparada com fotografias do interior do palácio que vazaram na Internet em 2011. Usando a planta baixa, também foram mostradas visualizações geradas por computador do interior do palácio. Há cercas inexpugnáveis, seu próprio porto, sua própria segurança, uma igreja, seu próprio sistema de permissões, uma zona de exclusão aérea e até mesmo seu próprio posto de controle de fronteira. É absolutamente um estado separado dentro da Rússia. Essa investigação também detalhou um elaborado esquema de corrupção, supostamente envolvendo o círculo íntimo de Putin, que permitiu que Putin escondesse bilhões de dólares para construir a propriedade. A equipe de Navalny também disse que conseguiu confirmar as informações sobre as supostas amantes de Putin, Svetlana Krivonogikh e Alina Kabaeva. O vídeo de Navalny no YouTube obteve mais de 20 milhões de visualizações em menos de um dia e mais de 92 milhões em uma semana. Em uma coletiva de imprensa, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, chamou a investigação de “golpe” e disse que os cidadãos deveriam “pensar antes de transferir dinheiro para esses vigaristas”.  Putin negou ter posse da propriedade e o oligarca Arkady Rotenberg, amigo de infância de Putin e parceiro de judô, reivindicou a propriedade. 

Em 30 de julho de 2012, o Comitê Investigativo acusou Navalny de peculatoO comitê declarou que ele havia conspirado para roubar madeira da Kirovles, uma empresa estatal no Oblast de Kirov, em 2009, enquanto atuava como conselheiro do governador de Kirov, Nikita Belykh. Os investigadores haviam encerrado uma investigação anterior “sobre as alegações por falta de provas. Navalny foi libertado, mas instruído a não deixar Moscou”. Navalny descreveu as acusações como “estranhas” e infundadas. Ele afirmou que as autoridades “estão fazendo isso para observar a reação do movimento de protesto e da opinião pública ocidental... Até o momento, eles consideram essas duas coisas aceitáveis e, portanto, estão continuando nessa linha”. Seus apoiadores protestaram diante dos escritórios do Comitê Investigativo. Em abril de 2013, a Loeb & Loeb LLP publicou “Uma análise dos processos da Federação Russa contra Alexei Navalny”, detalha as acusações do Comitê de Investigação. O documento conclui que “o Kremlin voltou a fazer uso indevido do sistema jurídico russo para assediar, isolar e tentar silenciar oponentes políticos”. O julgamento de Kirovles teve início na cidade de Kirov em 17 de abril de 2013. Em 18 de julho, Navalny foi condenado a cinco anos de prisão por peculato. Ele foi considerado culpado de se apropriar indevidamente de cerca de 16 milhões de rublos (US$ 500.000) em madeira de uma empresa estatal. A sentença lida pelo juiz Sergey Blinov foi textualmente igual ao pedido do promotor, com a única exceção de que Navalny recebeu cinco anos e a promotoria pediu seis anos.  Mais tarde, naquela mesma noite, a Procuradoria recorreu das sentenças de prisão de Navalny e Ofitserov, argumentando que, até que o tribunal superior confirmasse a sentença, ela não seria válida. Na manhã seguinte, o recurso foi aceito. Navalny e Ofitserov foram libertados em 19 de julho, aguardando as audiências do tribunal superior. A sentença de prisão foi suspensa por um tribunal em Kirov em 16 de outubro de 2013, ainda sendo um fardo para seu futuro político. 

Em 23 de fevereiro de 2016, a Corte Europeia de Direitos Humanos determinou que a Rússia havia violado o direito de Navalny a um julgamento justo e ordenou que o governo lhe pagasse 56.000 euros em custos legais e indenizações. Em 16 de novembro de 2016, a Suprema Corte da Rússia anulou a sentença de 2013, enviando o veredito de volta ao Tribunal Distrital de Leninsky em Kirov para revisão. Em 8 de fevereiro de 2017, o Tribunal Distrital de Leninsky de Kirov repetiu a sentença de 2013 e acusou Navalny com uma sentença suspensa de cinco anos. Navalny anunciou que buscará a anulação da sentença que claramente contradiz a decisão da CEDH. Em 2008, Oleg Navalny fez uma oferta à Yves Rocher Vostok, a subsidiária da Yves Rocher na Europa Oriental entre 2008 e 2012, para credenciar a Glavpodpiska, criada por Navalny, para realizar entregas. Em 5 de agosto, as partes assinaram um contrato. Para cumprir as obrigações previstas no acordo, a Glavpodpiska terceirizou a tarefa para subfornecedores, AvtoSAGA e Multiprofile Processing Company (MPC). Em novembro e dezembro de 2012, o Comitê de Investigação interrogou e questionou a Yves Rocher Vostok. Em 10 de dezembro, Bruno Leproux, diretor geral da Yves Rocher Vostok, entrou com ação no Comitê de Investigação, para investigar se a empresa de assinaturas Glavpodpiska havia prejudicado a Yves Rocher Vostok, e o Comitê de Investigação. A promotoria alegou que a Glavpodpiska desviou dinheiro ao cobrar direitos e redistribuí-los a outras empresas por quantias menores, e ao coletar o excedente: 26,7 milhões de rublos (US$ 540.000) da Yves Rocher Vostok e 4,4 milhões de rublos da MPC. 

Alegou-se que os fundos foram legalizados posteriormente, transferindo-os, com base em fatos fictícios, de uma empresa típica de fachada para a Kobyakovskaya Fabrika Po Lozopleteniyu, uma empresa de tecelagem de salgueiros fundada por Navalny e operada por seus pais. Os Navalnys negaram as acusações. Ipso facto, os advogados dos irmãos Navalny alegaram que os investigadores “acrescentaram frases como ‘com intenções criminosas’ a uma descrição de atividade empresarial regular”. De acordo com o advogado de Oleg Navalny, a Glavpodpiska não se limitava a coletar dinheiro, ela “controlava a provisão de meios de transporte, a execução de pedidos, coletava e agilizava a produção para as transportadoras e era responsável perante os clientes pelos termos e pela qualidade da execução dos pedidos”. Nenhuma das testemunhas confirmou que houve perdas, exceto o Chief Executive Officer da MPC, Sergei Shustov, que disse ter tomado conhecimento de suas perdas por um investigador e acreditou nele sem fazer auditorias. Os dois irmãos e seus advogados alegaram que Alexei Navalny não participou das operações da Glavpodpiska, e todas as testemunhas afirmaram que nunca haviam encontrado Alexei Navalny pessoalmente antes do julgamento. Após a suposta violação das restrições de viagem, Navalny foi colocado em prisão domiciliar e proibido de se comunicar com qualquer pessoa que não fosse sua família, advogados e investigadores em 28 de fevereiro de 2014.

Navalny alegou que a prisão teve motivação política e apresentou uma queixa à Corte Europeia de Direitos Humanos. Em 7 de julho, ele declarou que a queixa havia sido aceita e recebeu prioridade; o tribunal obrigou o governo da Rússia a fornecer respostas a um questionário. A prisão domiciliar, em particular, proibiu o uso da Internet; no entanto, novas postagens foram publicadas em suas contas de mídia social após o anúncio da prisão. Uma postagem de 5 de março afirmava que as contas eram controladas por seus colegas de equipe da Fundação Anticorrupção e por sua esposa Yulia. Em 13 de março, seu blog LiveJournal foi bloqueado na Rússia porque, de acordo com o Serviço Federal de Supervisão de Comunicações, Tecnologia da Informação e Mídia de Massa (Roskomnadzor), “o funcionamento da página da Web em questão viola a regulamentação da decisão jurídica da audiência de fiança de um cidadão contra o qual foi iniciado um processo criminal”. A prisão domiciliar foi flexibilizada várias vezes: Em 21 de agosto, Navalny foi autorizado a se comunicar com os demais réus; um jornalista presente no tribunal naquele momento confirmou que Navalny estava autorizado a se comunicar com “qualquer pessoa, exceto as testemunhas do caso Yves Rocher”. Em 10 de outubro, seu direito de se comunicar com a imprensa foi confirmado por outro tribunal, e ele foi autorizado a fazer comentários sobre o caso na mídia (o pedido de Navalny para não prolongar a prisão foi, no entanto, rejeitado). Em 19 de dezembro, ele foi autorizado a enviar correspondência às autoridades e aos tribunais internacionais. E pediu para não prolongar a prisão, mas o pedido foi novamente rejeitado. O veredito foi anunciado em 30 de dezembro de 2014. Os dois irmãos foram considerados culpados de fraude contra a Multiprofile Processing Company (MPC) e Yves Rocher Vostok e lavagem de dinheiro, e foram condenados nos termos dos artigos 159.4 §§ 2 e 3 e 174.1 § 2 (a) e (b) do Código Penal. 

Alexei Navalny recebeu três anos e meio de pena e Oleg Navalny foi condenado a três anos e meio de prisão e foi preso após o anúncio do veredito; ambos tiveram que pagar uma multa de 500.000 rublos e uma indenização à MPC de mais de 4 milhões de rublos. À noite, vários milhares de manifestantes se reuniram no centro de Moscou. Navalny quebrou sua prisão domiciliar para participar da manifestação e foi imediatamente detido pela polícia e levado de volta para casa. Em 17 de outubro de 2017, a Corte Europeia de Direitos Humanos determinou que a condenação de Navalny por fraude e lavagem de dinheiro “foi baseada em uma aplicação imprevisível da lei criminal e que os procedimentos foram arbitrários e injustos”. A Corte considerou que as decisões do tribunal nacional foram arbitrárias e manifestamente irracionais. A CEDH considerou que as decisões dos tribunais russos violaram os artigos 6 e 7 da Convenção Europeia de Direitos Humanos. Em 15 de novembro de 2018, a Grande Câmara manteve a decisão. Após o caso Yves Rocher, Navalny teve que pagar uma indenização de 4,4 milhões de rublos. Ele declarou que era “uma armação”, mas acrescentou que pagaria a quantia, pois isso poderia afetar a concessão da liberdade condicional de seu irmão. Em 7 de outubro de 2015, o advogado de Alexei anunciou que o réu pagou de bom grado 2,9 milhões e solicitou um plano de parcelamento para o restante da quantia. A solicitação foi atendida, exceto pelo fato de que o prazo foi reduzido dos cinco meses solicitados para dois, e uma parte da quantia declarada paga (900.000 rublos; retirada da conta bancária de Navalny) ainda não foi recebida pela polícia; os promotores declararam que isso pode acontecer devido a atrasos entre processos. 

Mais tarde naquele mês, Kirovles processou Navalny pelo prejuízo pecuniário declarado de 16,1 milhões de rublos; Navalny declarou que não esperava o processo, pois Kirovles não o iniciou durante o julgamento de 2012-2013. Em 23 de outubro, um tribunal decidiu que a referida quantia deveria ser paga pelos três réus. O tribunal negou a moção dos réus; 14,7 milhões já haviam sido pagos até aquele momento; o veredito e o valor do pagamento foram justificados por uma decisão de um Plenário da Suprema Corte da Federação Russa. Navalny declarou que não poderia cobrir a quantia solicitada; ele chamou o processo de “estratégia de drenagem” das autoridades. No final de dezembro de 2012, o Comitê Investigativo da Rússia afirmou que a Allekt, uma empresa de publicidade dirigida por Navalny, fraudou o partido político União das Forças de Direita (SPS) em 2007 ao receber 100 milhões de rublos (US$ 3,2 milhões) de pagamento por publicidade e não honrar seu contrato. Se for acusado e condenado, Navalny poderá ser preso por até 10 anos. Leonid Gozman, ex-funcionário da SPS, foi citado como tendo dito: “Nada disso aconteceu - ele não cometeu nenhum roubo”. No início de dezembro, conforme relatado pela BBC, “o Comitê Investigativo acusou [...] Navalny e seu irmão Oleg de desviar 55 milhões de rublos (US$ 1,76 milhão) entre 2008 e 2011, quando trabalhavam em uma empresa de correios”. Navalny, que negou as alegações nos dois casos anteriores, procurou rir da notícia do terceiro inquérito com um tuíte dizendo “Fiddlesticks”. Em abril de 2020, o mecanismo de busca Yandex começou a colocar artificialmente comentários negativos sobre Navalny nas primeiras posições dos resultados de busca para seu nome. A Yandex declarou que isso fazia parte de um “experimento” e voltou a apresentar resultados de pesquisa orgânicos. Navalny alegou que o bilionário e empresário russo Yevgeny Prigozhin estava ligado a uma empresa de Moskovsky Shkolnik (estudante de Moscou), que forneceu alimentos de baixa qualidade para escolas, o que causou um surto de disenteria.      

Em abril de 2019, o Moskovsky Shkolnik entrou com uma ação contra Navalny. Em outubro de 2019, o Tribunal Arbitral de Moscou ordenou que Navalny pagasse 29,2 milhões de rublos. Navalny disse que “casos de disenteria foram comprovados por meio de documentos. Mas somos nós que temos que pagar”. Em abril de 2019, Navalny havia ganhado seis reclamações contra as autoridades russas na CEDH por um total de € 225.000. Prigozhin foi citado pelo serviço de imprensa de sua empresa de catering Concord Management and Consulting em 25 de agosto de 2020 como tendo dito que pretendia executar uma decisão judicial que exigia que Navalny, seu associado Lyubov Sobol e sua Fundação Anticorrupção pagassem 88 milhões de rublos em danos à empresa Moskovsky Shkolnik por causa de uma investigação em vídeo. Em 20 de agosto de 2020, Navalny passou mal durante um voo de Tomsk para Moscou e foi hospitalizado no Hospital de Emergência Clínica da Cidade em Omsk, onde o avião fez um pouso de emergência. A mudança em sua condição no avião foi repentina e violenta, e imagens de vídeo mostraram membros da tripulação do voo correndo em sua direção enquanto ele gritava alto. Mais tarde, ele disse que não estava gritando de dor, mas por saber que estava morrendo. A porta-voz de Navalny, Kira Yarmysh, disse mais tarde que ele estava em coma e utilizando ventilação mecânica no hospital de Omsk. Ela também disse que, desde que acordou naquela manhã, Navalny não havia consumido nada além de uma xícara de chá, adquirida no aeroporto. Inicialmente, suspeitou-se que algo havia sido misturado em sua bebida, e os médicos afirmaram que uma “toxina misturada em uma bebida quente seria rapidamente absorvida”. O hospital disse que ele estava em uma condição estável, mas grave. Embora a equipe tenha reconhecido que Navalny havia sido envenenado, depois que vários policiais apareceram do lado de fora do quarto de Navalny, a equipe médica não foi tão receptiva. 

Mais tarde, o médico-chefe adjunto do hospital de Omsk disse aos repórteres que o envenenamento era “um cenário entre muitos” que estavam sendo considerados. Um avião foi enviado da Alemanha para evacuar Navalny da Rússia para tratamento no Hospital Charité, em Berlim. Embora os médicos que o tratavam em Omsk tenham inicialmente declarado que ele estava muito doente para ser transportado, mais tarde o liberaram. Em 24 de agosto, os médicos na Alemanha fizeram um anúncio, confirmando que Navalny havia sido envenenado com um inibidor de colinesterase. Ivan Zhdanov, chefe da Fundação Anticorrupção de Navalny, disse que Navalny poderia ter sido envenenado por causa de uma das investigações da fundação. Em 2 de setembro, o governo alemão anunciou que Navalny foi envenenado com um agente nervoso Novichok, da mesma família de agentes nervosos que foi usada para envenenar Sergei Skripal e sua filha. Autoridades internacionais disseram que obtiveram “provas inequívocas” de testes toxicológicos e pediram explicações ao governo russo. Em 7 de setembro, os médicos alemães anunciaram que ele havia saído do coma. Em 15 de setembro, a porta-voz de Navalny disse que Navalny voltaria à Rússia. Em 17 de setembro, a equipe de Navalny disse que traços do agente nervoso usado para envenenar Navalny foram detectados em garrafa de água vazia de seu quarto de hotel em Tomsk, sugerindo que ele possivelmente foi envenenado antes de deixar o hotel. 

Em 23 de setembro, Navalny recebeu alta do hospital após sua condição ter melhorado o suficiente. Em 6 de outubro, a OPCW confirmou a presença do inibidor de colinesterase do grupo Novichok nas amostras de sangue e urina de Navalny. Em 14 de dezembro, foi publicada uma investigação conjunta do The Insider e do Bellingcat, em cooperação com a CNN e a Der Spiegel, que implicou agentes do Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia no envenenamento de Navalny. A investigação detalhou uma unidade especial do FSB, especializada em substâncias químicas, e os investigadores rastrearam os membros da unidade, usando dados de telecomunicações e viagens. De acordo com a “investigação, Navalny estava sendo vigiado por um grupo de agentes da unidade há 3 anos e pode ter havido tentativas anteriores de envenenar Navalny”. Em uma entrevista ao jornal espanhol El País, Navalny disse que “é difícil para mim entender exatamente o que se passa na mente [de Putin]. (...) 20 anos de poder estragariam qualquer pessoa e a deixariam louca. Ele acha que pode fazer o que quiser”. Em 21 de dezembro de 2020, Navalny divulgou um vídeo que o mostrava se passando por um oficial de segurança russo e falando ao telefone com um homem identificado por alguns meios de comunicação investigativos como um especialista em armas químicas chamado Konstantin Kudryavtsev. Durante a ligação, ele revelou que “o veneno havia sido colocado nas roupas de Navalny, especialmente em sua roupa íntima”, e teria morrido se não fosse pelo pouso de emergência do avião e pela rápida resposta de uma equipe de ambulância na pista. Em janeiro de 2021, Bellingcat, The Insider e Der Spiegel relacionaram a unidade que rastreou a outras mortes, incluindo os ativistas Timur Kuashev em 2014 e Ruslan Magomedragimov em 2015, e o político Nikita Isayev em 2019. 

Em fevereiro, outra investigação conjunta descobriu que o político da oposição russa Vladimir Kara-Murza foi seguido pela mesma unidade antes de seu suposto envenenamento. A União Europeia, o Reino Unido e os Estados Unidos reagiram ao envenenamento impondo sanções a altos funcionários russos. Em 17 de janeiro de 2021, Navalny voou da Alemanha para a Rússia no voo DP936 da companhia aérea Pobeda. O voo estava programado para pousar no Aeroporto Vnukovo de Moscou, mas foi desviado no meio do voo para o Aeroporto Internacional Sheremetyevo. No controle de passaportes, ele foi detido. O Serviço Penitenciário Federal (FSIN) confirmou sua detenção e disse que ele permaneceria sob custódia até a audiência no tribunal. O FSIN havia dito que Navalny poderia ser preso ao chegar a Moscou por violar os termos de sua liberdade condicional ao deixar a Rússia, dizendo que seria “obrigado” a detê-lo quando ele retornasse; em 2014, Navalny recebeu uma sentença suspensa no caso Yves Rocher, que ele chamou de motivação política e, em 2017, o Tribunal Europeu de Direitos Humanos decidiu que Navalny foi condenado injustamente. A Anistia Internacional declarou Navalny como “prisioneiro de consciência” e pediu às autoridades russas que o libertassem. Em fevereiro de 2021, a Anistia revogou brevemente a designação depois de dizer que estava sendo “bombardeada” com reclamações sobre comentários xenófobos feitos por Navalny no passado; no entanto, eles reverteram essa decisão em maio do mesmo ano, com uma declaração que observava que a designação de “um indivíduo como Prisioneiro de Consciência [. ...] de forma alguma envolve ou implica o endosso de seus pontos de vista” e que o objetivo principal de tal designação era ‘destacar [...] a necessidade urgente de que seus direitos [...] fossem reconhecidos e cumpridos pelas autoridades russas’”.

Uma decisão judicial de 18 de janeiro de 2021 ordenou a detenção de Navalny até 15 de fevereiro por violar sua liberdade condicional. Um tribunal improvisado foi montado na delegacia de polícia onde Navalny estava detido. Outra audiência seria realizada posteriormente para determinar se sua sentença suspensa deveria ser substituída por uma pena de prisão. Navalny descreveu o procedimento como “a maior ilegalidade” e convocou seus apoiadores a irem às ruas. No dia seguinte, enquanto estava na prisão, foi publicada uma investigação de Navalny e da Fundação Anticorrupção acusando o presidente Vladimir Putin de corrupção. A investigação e sua prisão levaram a protestos em massa em toda a Rússia a partir de 23 de janeiro de 2021. Um tribunal de Moscou, em 2 de fevereiro de 2021, substituiu a sentença suspensa de três anos e meio de Navalny por uma sentença de prisão, menos o tempo que ele passou em prisão domiciliar, o que significa que ele passaria mais de 2 anos em uma colônia de trabalho corretiva. O veredito foi condenado pelos governos dos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França e outros, bem como pela UE. Imediatamente após o anúncio do veredito, foram realizados protestos em várias cidades russas, que foram recebidos com uma dura repressão policial. Mais tarde, Navalny retornou ao tribunal para um julgamento sobre acusações de difamação, onde foi acusado de difamar um veterano da 2ª guerra mundial que participou de um vídeo promocional apoiando as emendas constitucionais no ano passado. O caso foi aberto em junho de 2020 depois que Navalny chamou aqueles que participaram do vídeo de “lacaios corruptos” e “traidores”. 

Navalny chamou o caso de motivação política e acusou as autoridades de usar o caso para manchar sua reputação. Embora a acusação seja punível com até dois anos de prisão se comprovada, seu advogado disse que Navalny não pode enfrentar uma pena privativa de liberdade porque a lei foi alterada para torná-la um crime passível de prisão após a ocorrência do suposto crime. O Tribunal Europeu de Direitos Humanos decidiu em 16 de fevereiro de 2021 que o governo russo deveria libertar Navalny imediatamente, com o tribunal dizendo que a resolução foi tomada em “relação à natureza e extensão do risco à vida do requerente”. Os advogados de Navalny haviam solicitado ao tribunal uma “medida provisória” para sua libertação em 20 de janeiro de 2021 após sua detenção. No entanto, as autoridades russas indicaram que não cumpririam a decisão. O ministro da Justiça, Konstantin Chuychenko, chamou a medida de “intervenção flagrante na operação de um sistema judicial de um Estado soberano”, além de “irracional e ilegal”, alegando que ela não “continha nenhuma referência a qualquer fato ou norma da lei que permitisse ao tribunal tomar essa decisão”. Em dezembro de 2020, uma série de leis também foi aprovada e assinada, dando à constituição precedência sobre as decisões tomadas por órgãos internacionais e tratados internacionais. O Tribunal Europeu de Direitos Humanos decidiu em 16 de fevereiro de 2021 que o governo deveria libertar Navalny, com o tribunal dizendo que a resolução foi tomada em “relação à natureza e extensão do risco à vida do requerente”. Os advogados de Navalny haviam solicitado ao tribunal uma “medida provisória” para sua libertação em 20 de janeiro de 2021 após sua detenção. As autoridades indicaram que não cumpririam a decisão. 

O ministro da Justiça, Konstantin Chuychenko, chamou a medida de “intervenção flagrante na operação de um sistema judicial de um Estado soberano”, além de “irracional e ilegal”, alegando que ela não “continha nenhuma referência a qualquer fato ou norma da lei que permitisse ao tribunal tomar essa decisão”. Em dezembro de 2020, uma série de leis foi aprovada e assinada, dando à constituição precedência sobre as decisões tomadas por órgãos internacionais e tratados internacionais. Poucos dias depois, um tribunal de Moscou rejeitou o recurso de Navalny e manteve sua sentença de prisão; no entanto, reduziu sua sentença em seis semanas depois de decidir contar seu tempo em prisão domiciliar como parte do tempo cumprido. Outro tribunal condenou Navalny por acusações de difamação contra o veterano da 2ª guerra mundial, multando-o em 850.000 rublos (US$ 11.541). Em 28 de fevereiro de 2021, foi relatado que Navalny havia chegado recentemente à colônia correcional de Pokrov, no Oblast de Vladimir, uma prisão onde Dmitry Demushkin e Konstantin Kotov também estavam presos. No início de março de 2021, a União Europeia e os Estados Unidos impuseram sanções a altos funcionários russos em resposta ao envenenamento e à prisão de Navalny. Em março de 2021, em uma queixa formal, Navalny acusou as autoridades de tortura ao privá-lo do sono, pois as autoridades o consideram um risco de fuga. Navalny disse aos advogados que os guardas o acordavam oito vezes por noite, anunciando para uma câmera que ele estava em sua cela de prisão. Um advogado de Navalny disse que ele estava sofrendo de problemas de saúde, incluindo perda de sensibilidade na coluna e nas pernas, e que as autoridades prisionais negaram os pedidos de Navalny por um médico civil, alegando que sua saúde era “satisfatória”. Em 31 de março de 2021, Navalny anunciou uma greve de fome para exigir tratamento médico adequado. Em 6 de abril de 2021, seis médicos, incluindo a médica pessoal de Navalny, Anastasia Vasilyeva, e dois correspondentes da Cable News Network (CNN), foram presos do lado de fora da prisão quando tentaram visitar Navalny, cuja saúde se deteriorou significativamente. 

Em 7 de abril de 2021, os advogados de Navalny alegaram que ele havia sofrido duas hérnias de disco na coluna vertebral e perdido a sensibilidade nas mãos, o que provocou críticas do governo dos Estados Unidos da América. Agnès Callamard, secretária-geral da Anistia Internacional, acusou Vladimir Putin de matar lentamente Alexei Navalny por meio de tortura e tratamento desumano na prisão. Ele também reclamou que não tinha permissão para ler jornais ou ter livros, inclusive uma cópia do Alcorão que ele planejava estudar. Em 17 de abril de 2021, foi relatado que Navalny estava precisando de atenção médica imediata. A médica pessoal de Navalny, Anastasia Vasilyeva, e três outros médicos, incluindo o cardiologista Yaroslav Ashikhmin, pediram aos funcionários da prisão que lhes concedessem acesso imediato, declarando nas mídias sociais que “nosso paciente pode morrer a qualquer momento”, devido ao aumento do risco de uma parada cardíaca fatal ou insuficiência renal “a qualquer momento”. Os resultados dos exames obtidos pelos advogados de Navalny mostraram níveis elevados de potássio no sangue, o que pode causar parada cardíaca, e níveis de creatinina muito elevados, indicando comprometimento dos rins. Os resultados de Navalny mostraram níveis de potássio no sangue de 7,1 mmol (milimoles) por litro; níveis de potássio no sangue superiores a 6,0 mmol por litro geralmente exigem tratamento imediato. Mais tarde, naquela noite, uma carta aberta, endereçada a Putin e aberta à assinatura dos cidadãos russos, foi assinada e publicada por 11 políticos representando vários parlamentos regionais, exigindo que um médico independente fosse autorizado a visitar Navalny e que todos os seus processos criminais fossem revisados e cancelados. 

- “Consideramos o que está acontecendo em relação a Navalny como um atentado contra a vida de um político, cometido por ódio pessoal e político”, diz a carta. “O senhor, presidente da Federação Russa, assume pessoalmente a responsabilidade pela vida de Alexey Navalny no território da Federação Russa, inclusive em instalações prisionais - [o senhor assume essa responsabilidade] perante o próprio Navalny, seus parentes e o mundo inteiro”. Entre os signatários estavam o presidente da seção do Oblast de Pskov do partido Yabloko, o deputado da assembleia regional Lev Schlossberg, o deputado da Carélia, a ex-presidente do Yabloko Emilia Slabunova e o deputado da Duma de Moscou Yevgeny Stupin. No dia seguinte, sua filha pediu às autoridades prisionais russas que permitissem que seu pai fosse examinado por médicos em um tweet escrito da Universidade de Stanford, onde ela é estudante. Celebridades de destaque, como J.K. Rowling e Jude Law, também enviaram uma carta às autoridades russas pedindo que Navalny recebesse tratamento médico adequado. O presidente dos EUA, Joe Biden, chamou seu tratamento de “totalmente injusto” e o conselheiro de segurança nacional Jake Sullivan disse que o Kremlin havia sido avisado “que haverá consequências se o Sr. Navalny morrer”. O diplomata-chefe da União Europeia, Josep Borrell, declarou que a organização considera o governo russo responsável pelas condições de saúde de Navalny. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também expressou sua preocupação com sua saúde. No entanto, as autoridades russas rechaçaram essas preocupações de países estrangeiros. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que os funcionários da prisão russa estão monitorando a saúde de Navalny, e não o presidente. Em 19 de abril de 2021, Navalny foi transferido da prisão para um hospital para condenados, de acordo com o serviço penitenciário russo, para “terapia com vitaminas”. 

Em 23 de abril de 2021, Navalny anunciou que estava encerrando sua greve de fome por recomendação de seus médicos e por achar que suas exigências haviam sido parcialmente atendidas. Em junho de 2021, seus jornais ainda estavam sendo censurados e os artigos foram cortados. Em 16 de abril de 2021, a promotoria de Moscou solicitou ao Tribunal da Cidade de Moscou que designasse as organizações ligadas a Navalny, incluindo a Fundação Anticorrupção e sua sede, como organizações extremistas, alegando que: “Sob o disfarce de slogans liberais, essas organizações estão empenhadas em criar condições para a desestabilização da situação social e sociopolítica”. Em resposta, o assessor de Navalny, Leonid Volkov, declarou: “Putin acaba de anunciar uma repressão política em massa e em grande escala na Rússia”. Em 26 de abril de 2021, a promotoria de Moscou ordenou que a rede de escritórios regionais de Navalny, incluindo os da Fundação Anticorrupção, cessasse suas atividades, enquanto se aguarda uma decisão judicial sobre a possibilidade de designá-los como organizações extremistas. Volkov explicou que isso limitará muitas das atividades do grupo, já que os promotores buscam rotular a Fundação como “extremista”. A medida foi condenada pela Alemanha e pela Anistia Internacional, que, em um comunicado, afirmou que: “O objetivo é claro: arrasar o movimento de Alexei Navalny enquanto ele definha na prisão”. Em 29 de abril de 2021, a equipe de Navalny anunciou que a rede política seria dissolvida, antes de uma decisão judicial em maio, que deverá designá-la como extremista. De acordo com Volkov, as sedes seriam transformadas em organizações políticas independentes “que lidarão com investigações e eleições, campanhas públicas e comícios”.  

No mesmo dia, seus aliados disseram que um novo processo criminal havia sido aberto contra Navalny, por supostamente ter criado uma organização sem fins lucrativos que infringia os direitos dos cidadãos. No dia seguinte, o líder da Equipe 29, Ivan Pavlov, que também representa a equipe de Navalny no caso de extremismo, foi detido em Moscou. Em 30 de abril, a agência de monitoramento financeiro acrescentou os escritórios regionais da campanha de Navalny a uma lista de “terroristas e extremistas”. Em 20 de maio, o chefe do sistema penitenciário russo e aliado de Navalny, Ivan Zhdanov, informou que Navalny havia se recuperado “mais ou menos” e que sua saúde era, em geral, satisfatória. Em 7 de junho, Navalny retornou à prisão após se recuperar totalmente dos efeitos da greve de fome. Em 9 de junho de 2021, a rede política de Navalny, incluindo sua sede e a Fundação Anticorrupção, foi designada como organização extremista e liquidada pelo Tribunal da Cidade de Moscou. Vyacheslav Polyga, juiz do Tribunal da Cidade de Moscou, acatou a reclamação administrativa do promotor da cidade de Moscou Denis Popov e, rejeitando todas as petições da defesa, decidindo reconhecer a Fundação Anticorrupção como organização extremista, liquidá-la e confiscar seus bens; decisão semelhante foi tomada contra a Fundação de Proteção dos Direitos dos Cidadãos; a atividade da equipe de Alexei Navalny foi proibida (caso nº 3а-1573/2021). A audiência do caso foi realizada à porta fechada porque, conforme indicado pelo advogado Ilia Novikov, o arquivo do caso, incluindo o texto da reclamação administrativa, foi classificado como segredo de Estado. 

De acordo com o advogado Ivan Pavlov, Navalny não era parte no processo e o juiz se recusou a conceder-lhe esse status; na audiência, o promotor declarou que os réus são organizações extremistas porque querem uma mudança de poder na Rússia e prometeram ajudar os participantes do protesto pagando multas administrativas e criminais, além de apresentar queixas ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos. Em 4 de agosto de 2021, o Primeiro Tribunal de Apelação de Jurisdição Geral em Moscou confirmou a decisão do tribunal de primeira instância (processo nº 66а-3553/2021) e essa decisão entrou em vigor naquele dia. Em 28 de dezembro de 2021 a Fundação Anticorrupção, a Fundação de Proteção dos Direitos dos Cidadãos e 18 indivíduos, incluindo Alexei Navalny, entraram com um recurso de cassação no Segundo Tribunal de Cassação de Jurisdição Geral. Em 25 de março de 2022, a Segunda Corte de Cassação rejeitou todos os recursos e manteve as sentenças dos tribunais inferiores (processo nº 8а-5101/2022). Em outubro de 2021, Navalny disse que a comissão penitenciária russa o designou como “terrorista” e “extremista”, mas que ele não era mais considerado um risco de fuga. Em janeiro de 2022, a Rússia o incluiu e seus assessores na lista de “terroristas e extremistas”. Em 28 de junho de 2022, Navalny perdeu sua apelação por ter sido designado como “extremista” e “terrorista”. Em fevereiro de 2022, Alexei Navalny enfrentou uma pena adicional de 10 a 15 anos de prisão em um novo julgamento por acusações de fraude e desacato ao tribunal. As acusações alegavam que ele havia roubado US$ 4,7 milhões (£ 3,5 milhões) de doações feitas a suas organizações políticas e insultado um juiz. Ele foi julgado em uma sala de audiências improvisada na colônia correcional em que estava preso.

 A Anistia Internacional analisou de forma independente os materiais do julgamento, chamando as acusações de “arbitrárias” e “politicamente motivadas”. Em 21 de fevereiro de 2022, a testemunha de acusação Fyodor Gorozhanko se recusou a testemunhar contra Navalny no julgamento, declarando que os investigadores o haviam “pressionado” a testemunhar e que ele não acreditava que Navalny tivesse cometido qualquer crime. Em 24 de fevereiro, durante seu julgamento, Navalny condenou a invasão russa da Ucrânia que começou naquele dia e pediu ao tribunal que incluísse sua declaração no protocolo do julgamento. Ele disse que isso “levaria a um grande número de vítimas, futuros destruídos e a continuação dessa linha de empobrecimento dos cidadãos da Rússia”. Ele chamou a guerra de uma distração para a população para “desviar sua atenção dos problemas que existem dentro do país”. Em 22 de março de 2022, Navalny foi considerado culpado de desacato ao tribunal e desvio de fundos e recebeu uma sentença de 9 anos em uma prisão de segurança máxima; ele também foi condenado a pagar uma multa de 1,2 milhão de rublos (aproximadamente US$ 13.000). A Anistia Internacional descreveu o julgamento como uma “farsa”. Em 17 de maio de 2022, Navalny abriu um processo de apelação contra a sentença; o tribunal disse que o processo seria retomado em 24 de maio, depois que Navalny solicitou o adiamento da audiência para ter uma reunião familiar antes de ser transferido. 

Em 24 de maio, o Tribunal da Cidade de Moscou confirmou a sentença do tribunal de primeira instância. Em 31 de maio de 2022, Navalny disse que foi notificado oficialmente sobre as novas acusações de extremismo feitas contra ele, nas quais ele poderia pegar até 15 anos adicionais de prisão. Em meados de junho de 2022, Navalny foi transferido para a prisão de segurança máxima IK-6 em Melekhovo, Oblast de Vladimir. Em 11 de julho de 2022, Navalny anunciou o relançamento de sua Fundação Anticorrupção reestabelecida com um conselho consultivo que inclui sua esposa Yulia Navalnaya, Guy Verhofstadt, Anne Applebaum e Francis Fukuyama; Navalny também declarou que a primeira contribuição para a Fundação Anticorrupção Internacional seria o Prêmio Sakharov (US$ 50.000) que lhe foi concedido. Em 7 de setembro de 2022, Navalny disse que havia sido colocado em confinamento solitário pela quarta vez em pouco mais de um mês, imediatamente após sua libertação. No dia seguinte, ele disse que o sigilo cliente-advogado foi revogado e que as autoridades prisionais o acusaram de continuar a cometer crimes na prisão. Em 4 de outubro de 2022, aliados de Navalny disseram que estavam relançando sua rede política regional para combater a mobilização e a guerra. Em 17 de novembro de 2022, Navalny declarou que agora estava em confinamento solitário permanente. 

As infrações, além da tentativa de iniciar um sindicato entre os prisioneiros, foram: não abotoar o colarinho, não limpar o pátio da prisão suficientemente bem e dirigir-se a um funcionário da prisão por sua patente militar em vez de seu patronímico. O filme foi aclamado pela crítica e pelo público, vencendo o Prêmio do Público na competição de Documentário dos Estados Unidos da América e o Prêmio de Favorito do Festival. Venceu o Melhor Documentário na 95ª cerimônia do Oscar, venceu o prêmio de Melhor Documentário Político no 7º Critics` Choice Documentary Awards, por fim, obteve indicações em outras cerimônias premiação, como o Academia Britânica de Artes do Cinema e Televisão (BAFTA, 2023) uma organização britânica que desenvolve a arte audiovisual, famosa pela sua premiação anual com padrão de excelência em cinema, televisão e jogos, sendo o “Oscar Britânico”, com análise rigorosa e reconhecimento global, e os prêmios do Sindicato dos Produtores da América e do Sindicato dos Diretores da América. Vale lembrar que os chamados filmes independentes americanos notáveis, também conhecidos como especializados, alternativos, “indie” e/ou de qualidade foram realizados fora do sistema de estúdios de Hollywood ou do cinema de arte/independente tradicional, mas conseguiram ser produzidos, financiados e distribuídos pelos dois com graus variados de sucesso comercal de verndas de ingressos e/ou fracasso. Os filmes são frequentemente produzidos com orçamentos extraordinariamente menores do que os filmes de Hollywood. 

Alguns filmes como a sátira de Robert Townsend de 1987, Hollywood Shuffle, a obra contracultural de Richard Linklater de 1991, Slacker, e a comédia da Geração X de Kevin Smith de 1994, Clerks, foram financiados com cartões de crédito e cada aspecto do processo de produção cinematográfica passa por menos escrutínio por comitês. Além disso, na abordagem Indiewood, o cineasta pode levar o tempo que precisar na fase de pós-produção do seu filme, enquanto comparativamente em Hollywood eles são contratados para terminar o filme em um período específico geralmente 10 semanas. Em Hollywood, o filme é então exibido em sessões para grupos focais nos estúdios. No Indiewood, os cineastas podem determinar os próximos passos do filme. E apresentam semelhanças impressionantes com os “proto-indies” da década de 1960, assim como foram influenciados por eles, como o filme de imagens estáticas de Robert Downey Sr, Chafed Elbows (1966), Faces, de John Cassavetes, indicado ao Oscar, e Greetings, de Brian de Palma, ambos de 1968, que por sua vez foram influenciados pela cultura da Geração Beat. Muitos filmes independentes foram feitos por pequenas empresas que surgiam diariamente nas décadas de 1980 e 1990, a ponto de a maioria delas ter falido. A maioria dos filmes de Indiewood são exibidos pela primeira vez em festivais de cinema com a esperança positivamente de uma distribuição posterior, sendo adquiridos (ou comprados) por uma empresa ou distribuidora de filmes maiores, a fim de atingir públicos mais amplos de consumidores, além da consideração para prêmios, por exemplo, A Single Man, de 2009. 

O cinema Independente norte-americano, começando historicamente na década de 1910, mas antes da década de 1980 e da primeira metade da década de 1990, era anteriormente associado a filmes raciais, filmes B da Poverty Row, por exemplo, Republic Pictures, filmes de exploração, cinema underground de vanguarda, quando era reconhecido como Novo Cinema Americano, documentários sociais e políticos, curtas-metragens de animação experimental desde meados da década de 1930, apresentando obras dos pioneiros da animação Mary Ellen Bute e Oskar Fischinger, dramas realistas sociais. Muitos cineastas independentes do período pós-Segunda Guerra Mundial, como Francis Thompson (1859-1907), acreditavam que o cinema é caracteristicamente uma forma de arte e um fórum para discutir questões sociais. Um estudioso notável do cinema independente é Ray Carney, conhecido principalmente por seu trabalho como teórico do cinema, embora também escreva extensivamente sobre arte e literatura americanas. Ele é conhecido por seu estudo das obras do ator e diretor John Cassavetes, e por defender as obras de Cassavetes e Mark Rappaport. Durante meados da década de 1990, a palavra “Indiewood”, também reconhecida como “indie boom” ou “movimento do cinema independente” foi criada para descrever um componente do espectro de filmes norte-americanos no qual existem distinções, parecia que Hollywood e o setor independente haviam se tornado indistintos. As divisões de Indiewood se beneficiam da experiência especializada do setor de nicho ao contratar personalidades independentes de destaque, como Harvey Weinstein da Disney após a saída dos Weinsteins, e James Schamus, ex-chefe conjunto da Good Machine ao lado do produtor Ted Hope, na Focus Features.

Bibliografia Geral Consultada.

AZCÁRATE, Manuel, Crisis del Eurocomunismo. Barcelona: Argos Vergara, 1982; HABERMAS, Jürgen, “What Does Socialism Mean Today? The Rectifying Revolutions and the Need for New Thinking on the Left”. In: New Left Review, number 183, September/October, 1990; ARBEX JR., José, A Segunda Morte de Lenin - O Colapso do Império Vermelho. 1ª edição. São Paulo: Editora Folha de São Paulo, 1991; EICHLER, Maya, “Russia's Post-Communist Transformation: A Gendered Analysis of the Chechen Wars”. In: International Feminist Journal of Politics, 4, Dezember 2006; 486-511; ANDRES, Laiapea, “Putin`s Neo-Stalinism in Historical Perspective”. In: American Chronice, 26 de fevereiro de 2007; Artigo: “Na Solitária e Em Greve de Fome”. In: Revista Época, 30 de setembro de 2013; FOXALL, Andrew, “Photographing Vladimir Putin: Masculinity, Nationalism and Visuality in Russian Political Culture”. In: Geopolitics, n° 18, 2013; 132–156; LEITE, Flávia Lucchesi de Carvalho, Riot Grrril: Capturas e Metamorfoses de uma Máquina de Guerra. Dissertação de Mestrado em Ciências Sociais. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2015; Idem, “Mulheres em Revolução pelas Ruas Incendiárias do Planeta”. In: Revista Ecopolítica. São Paulo, n° 19, set-dez, pp. 107-121; 2017; MIRANDA, Juliana Aparecida dos Santos, O Movimento Riot Girrrl: Histórias, Letras e Resistências Contra as Violências às Mulheres. Dissertação de Mestrado. Departamento de Educação. Alagoinhas: Universidade do Estado da Bahia, 2018; Artigo: “Navalny: Kremlin diz que investigação sobre a morte do opositor está em curso”. Disponível em: https://visao.pt/atualidade/mundo/2024/02/19; NICODEMOS, Marcio Daniel da Costa, Cartografias do Livramento: O Que Pode um Professor de Filosofia na Escola da Prisão? Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Educação. Centro de Educação e Humanidades. Faculdade de Educação. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2024; entre outros.