quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Águias da República – Cinema & Suspense Político Egípcio em Árabe.

 A doutrina da vida eterna é, de fato, a parte mais importante das crenças dos antigos egípcios”. E.A. Wallis Budge                                   

          

           Cairo é a capital do Egito e da província homônima. É a maior cidade do mundo árabe e no âmbito continental da África. Os egípcios a denominam muitas vezes, simplesmente, com o nome do país no idioma local: Miṣr (مصر), em árabe clássico; e Miṣr, em árabe egípcio. Cairo está localizada nas margens e ilhas do rio Nilo, ao Sul do delta. Ao Sudoeste, encontra-se giza e a antiga necrópole de Mênfis, com a meseta de Giza e suas monumentais pirâmides, como a Grande Pirâmide de Quéops. A cidade foi fundada no ano 969 por Jauar, o Siciliano, do califado Fatímida. Antes de sua fundação, Fostate era a capital do país. O nome da cidade deve-se aos fatímidas, que a batizaram com o nome de Cairo. Depois de diversas invasões, como a dos mamelucos, dos otomanos, de Napoleão e dos britânicos, Cairo se transformou em capital soberana em 1922. Historicamente a cidade foi conquistada em 1517 pelo Império Otomano. Entre 1798 e 1801, foi ocupada pelos franceses. É a sede da Liga Árabe. Uma cidade que é um extraordinário museu aberto, composto por uma mistura singular de antigo e moderno, que convivem nos bairros, ruas, ruelas e becos. Cairo é uma cidade religiosa, repleta de vida e de contrastes, cidade cosmopolita em culturas e gentes, que revela diferentes civilizações. Em março de 2015 foram anunciados planos para cidade planejada a ser construída a Leste, em uma área própria da província, que servirá como capital administrativa e financeira do Egito.  

      Em 2018 a cidade do Cairo tinha cerca de 9,5 milhões de habitantes e a área metropolitana tinha aproximadamente 20,5 milhões de habitantes. É a maior metrópole demograficamente da África com 10 025 657 habitantes em 2021; e a região metropolitana tinha aproximadamente 21 750 000 habitantes, fazendo de Cairo a 13ª metrópole mais povoada do mundo. É também a área metropolitana mais povoada de todo o continente africano. É reconhecida pelos egípcios como a “mãe de todas as cidades” e a “cidade dos mil minaretes”. No Cairo, a religião predominante é o islão e a charia é o principal código de leis. Além da maioria sunita, também vive na cidade uma minoria cristã (os coptas), que são representados por 10% da população e tem uma forte presença na vida da cidade. Deliberadamente não se faz um recenseamento oficial dos cristãos, embora seja obrigatório declarar a religião no passaporte. Entretanto, estima-se que cerca de 90% da população muçulmana seja de sunitas. Quase todo o restante da população é de cristãos (coptas e católicos), cuja sede é a Catedral de São Marcos supostamente o evangelizador do Cairo, situada no distrito de Abbassia e hoje a segunda maior igreja na África. Além disso, a cidade tem ainda uma pequena comunidade de judeus e um pequeno grupo de cristãos ortodoxos gregos. Estas comunidades religiosas vivem lado a lado de forma relativamente pacífica.  

       A cidade tem estatuto de Estado, muhafazah, e governador que é nomeado pelo Presidente do Egito. O Cairo é o centro político, econômico e cultural do Egito e do Oriente Próximo. É a sede do Parlamento (Majlis al-Sha`b), de todos os organismos estatais e religiosos centrais e de numerosas representações diplomáticas. O Cairo é em todos os sentidos o centro do Egito desde o ano de sua fundação em 969, onde é o principal centro comercial, no entanto, era Fostate, agora absorbida por Cairo. Cerca 20% da população total do Egito reside na área metropolitana desta cidade, visto que a maioria do comércio nacional se gera na cidade ou passa ou ela, o que tem provocado um rápido crescimento da cidade de cada cinco edifícios, um tem menos de quinze anos. Este rápido crescimento sobrecarregou os poucos serviços da cidade, como o ramo das estradas, dos serviços de eletricidade, de telefonia e de efluentes passaram logo para muito pequenos para a cidade. Diversos analistas que estudaram as alterações sofridas pela cidade denominaram este fecho como uma hiper urbanização. A cidade do Cairo recebeu 9,1 milhões de turistas em 2006. Várias das principais atrações da cidade se aglomeram no denominado centro histórico, Patrimônio da Humanidade. No entanto, há outros pontos fundamentais do turismo cairota que não estão situados em seu centro histórico. O ponto turístico mais famoso da cidade e do país são as Pirâmides de Gizé, a uns 20 km a Sudoeste da capital. A Grande Pirâmide de Quéops é uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. A sua missão foi acolher o sarcófago do faraó Quéops e para sua construção usaram cerca de 2,5 milhões de blocos de pedra calcária.  

     

Algumas aleijadas são as vizinhas pirâmides dos reinos se encontram as duas pirâmides de Quéfren e Miquerinos. A porta Sul de Bab Zuwayla, situada no Cairo histórico, é o último resquício que permanece da cidade fatimí de Al-Qāhira. Em suas origens, historicamente os mamelucos faziam públicas suas execuções, mas a partir do século XIX o lugar praticado (cf. Certeau, 2014) foi eleito pelo santo Mitwalli para a realização de seus milagres. Atualmente a população e os turistas unham na porta ou um tufo de cabelo ou uma peça de suas prendas com a finalidade de ver cumpridos seus rogos. Também no Cairo histórico se encontra Bayn al-Qasrayn, a que era principal praça pública da cidade, no Medieval. Nela se ergueram vários palácios mamelucos, destacando o Mausoléu e a Madrassa de Qala`un, cuja origem historicamente remonta à 1279. A Mesquita de Amade ibne Tulune, construída em 879, é a que se encontra em melhor estado de conservação. mandada construir pelo general Amade ibne Tulune (835-884), foi o fundador da dinastia tulúnida que governou o Egito Síria entre 868 e 905, a mesquita se converteu em um referente do Oriente e em uma das mais importantes desse momento. Ocupa 2,4 hectares e a única parte que tem sido sensivelmente restaurada é o mirabe, um nicho arquitetônico, mas mantendo elementos originais como o arco, os suportes e a configuração em geral. Também é notável a Mesquita-Madraça do Sultão Haçane (1873-1894), uma das maiores do mundo graças a seus 7 900 m² de área. É um dos edifícios de origem mameluca mais importantes de toda a cidade e foi construído entre 1356 e 1363. Muito conhecidos são os mercados e socos cairotas. Como se detalha per se, o mercado mais importante é o de Khan al-Khalili, situado no Cairo histórico, onde as sedas e as especiarias são os produtos mais procurados.

E quanto aos socos, o de An-Nahassin é um dos mais populares devido a sua grande oferta de objetos de cobre e latão. Também é importante o soco das-Sagha. Cairo, assim como a vizinha Giza, é o lugar praticado onde se encontram os centros hospitalares mais importantes e avançados do país. Entre os hospitais mais importantes do Cairo estão o As-Salam Internacional Hospital-Corniche Nilo; o Maadi (o hospital privado egípcio mais importante); o Hospital Universitário Ain Shams; o Dar O Fouad e o Hospital General Qasr O Ainy. A cidade é a mais importante do país e inclusiva do mundo árabe em quanto a formação educativa mediante colégios, institutos e universidades internacionais. Cairo é o centro das comunicações no Egito pois é a única cidade da África que possui um sistema de transporte e comunicação social subterrâneo metropolitano, o Metrô do Cairo. O Aeroporto Internacional do Cairo se encontra ao Leste da cidade, perto de Heliópolis, com cerca de 9 534 069 passageiros anuais, o segundo mais movimentado da África. O antigo terminal, o 1, por sua vez está dividida em quatro terminais de voos nacionais e internacionais. Três deles os ocupa, quase exclusivamente a EgyptAir, e o quarto está reservado para voos privados. O terminal 2, de recente criação, serve ao resto das companhias internacionais e está dividido em três edifícios, separados uns de outros por 3 km, mas com serviço de um ônibus gratuito que os conecta e está em ampliação. O aeroporto do Cairo é o segundo em tráfego aéreo do continente africano, atrás apenas de Joanesburgo, África do Sul.

Os resultados aproximados são de 10,8 milhões de passageiros passaram pelo aeroporto cairota em 2006 e 10 milhões em 2007, quantidades que pretendem duplicar-se com a implantação do Terminal 3 até chegar aos 22 milhões planejados de usuários anuais. O sistema ferroviário cairota conta com um serviço de trens que conectam a capital com os principais pontos do país. Além disso, a cidade possui seu próprio sistema de metro metropolitano. A Egyptian State Railway é a companhia nacional dos trens. Desde o Cairo se pode ir no trem para as principais cidades egípcias como Alexandria, Luxor e Assuão em categorias de primeira e segunda classe.  Também existe a possibilidade de realizar o trajeto para cidades como Luxor e Assuão com trens noturnos mediante Abela Egypt. Todos os trajetos fazem parada na principal estação cairota, a Estação de Ramessés, em Midan Ramessés. O sistema atualmente está conectado somente a nível nacional, mas planeja-se in statu nascendi que componha futuramente a Ferrovia Cabo–Cairo, de ligação entre o Norte e o Sul do continente. O Metrô do Cairo é o primeiro serviço metropolitano que existe na África e no Egito. Nasceu em 1987 e conta de duas linhas. A linha 1 une o bairro de El-Marg, no centro do Cairo, com a zona industrial de Heluã, ao Sul. A linha 2 conecta O Mounib com Shobra. O metrô cairota anunciou a ampliação do serviço com quatro linhas a mais projetadas para os próximos 30 anos.

No total serão 92 km a mais de novas vias para os usuários. A rede de rodovias que conecta Cairo com as principais metrópoles do país é regularmente considerada boa e eficiente. As rodovias mais importantes para a cidade são o Anel Viário do Cairo e a Autoestrada 1-rodovia do Delta, esta cujo destino é Alexandria, a saída portuária marítima do Cairo. Além desta, há a Rodovia Cairo–Dacar, regionalmente chamada de Autoestrada 11, que permite acesso à zona periférica de Alexandria, bem como a Mersa Matru, Bengasi e Trípoli todas ao Oeste; a Estrada Pan-Africana regionalmente chamada de Autoestrada 2, de acesso a Luxor, Assuão e Cartum todas ao Sul; a Autoestrada 3, de ligação até Porto Saíde, e; a Autoestrada 33, com destino a Suez. No entanto, o resto das vias é pobre, com asfaltos de má qualidade e trechos perigosos. Dentro da própria cidade, a condução é realmente perigosa, chegando a ser inclusive considerada imprudente. Os cairotas não hesitam em avançar em qualquer situação, descumprindo as normas de circulação, que por sua vez são estritas, mas em muitas poucas ocasiões castigam-se os infratores. A “hora de pico” do ponto de vista do trafego urbano na cidade simplesmente não existe, já que durante todo o dia pode considerar-se hora de pico devido aos monumentais congestionamentos que se produzem. Pela noite a condução se torna especialmente perigosa, já que os condutores cairotas utilizam somente as luzes para avisar os veículos que devem afastar-se.

Águias da República (Eagles of the Republic) tem como representação social um filme de suspense político egípcio em árabe de 2025, escrito e dirigido por Tarik Saleh, como a parte final de sua trilogia do Cairo, após The Nile Hilton Incident (2017) e Boy from Heaven (2022). O árabe egípcio, reconhecido localmente como egípcio coloquial ou simplesmente como Masri, é a variedade vernácula do árabe mais falada no Egito. Faz parte da família linguística afro-asiática e originou-se no Delta do Nilo, no Baixo Egito. Estima-se que os 111 milhões de egípcios falem um contínuo de dialetos. O árabe egípcio é reconhecido como árabe cairota. É compreendido na maioria dos países de língua árabe devido à ampla influência egípcia na região, inclusive por meio do cinema e da música egípcios. Esses fatores contribuem para que seja a variedade de árabe mais falada e, de longe, a mais estudada. O filme é estrelado por Fares Fares como George Fahmy, um ator egípcio que “é pressionado a estrelar um filme de propaganda sobre o ditador do país, Abdel Fattah el-Sisi”. Também conta com a participação de Lyna Khoudri, Amr Waked, Zineb Triki e Cherien Dabis no elenco principal. O filme teve sua estreia mundial na competição principal do Festival de Cannes de 2025 em 19 de maio, onde foi indicado à Palma de Ouro. Foi lançado nos cinemas da França em 12 de novembro de 2025 pela Memento e na Suécia em 14 de novembro. Foi selecionado como o representante da Suécia para o Oscar de Melhor Filme Internacional na 98ª edição. George Fahmy é um dos atores mais populares do Egito, trabalhando em filmes B que precisam cumprir as regras de censura do país. 

           

      Ao encontrar seu filho adolescente, Ramy, em um restaurante, ele ordena ao garçom que retire um homem que, presumivelmente, o está perseguindo. Durante um encontro com Donya, sua namorada, uma atriz bem mais jovem, Fahmy é abordado por um grupo, incluindo uma mulher chamada Suzanne, e questionado sobre sua lealdade ao Egito e ao presidente Abdel Fattah el-Sisi, ao que ele responde sarcasticamente. Fahmy é prontamente substituído em seu projeto atual e seu trailer é removido dos estúdios. Fawzy, o agente gay de Fahmy, o informa sobre uma proposta de um funcionário do governo para um filme sobre o papel do presidente no golpe de 2013 contra Mohamed Morsi. Fahmy, que é cristão copta, recusa o papel por não ser muçulmano nem ter a mesma altura de el-Sisi. Ele confidencia a Fawzy que jamais aceitaria ser usado como ferramenta de propaganda. Rula Haddad, parceira frequente de Fahmy nos filmes, é pressionada a denunciá-lo ao vivo na televisão por propaganda contra o Estado, mas decide não o fazer em nome da parceria profissional entre os dois. Pouco depois, frustrado, Fahmy dirige pelas ruas do Cairo, seguido por homens armados que ameaçam seu filho, exigindo que ele obedeça às ordens do governo. Ao chegar ao apartamento de sua ex-esposa, ele visita Ramy e decide aceitar o papel.

Na apresentação pública de sua escalação para o papel, o homem que perseguia Fahmy é apresentado a ele como Mansour, um assessor presidencial sênior que supervisionará a produção do filme. Após um desentendimento no set sobre a precisão histórica da representação de certos eventos, Mansour revela que a casa de Fahmy está grampeada, repetindo um conselho de atuação que havia dado a Donya, com quem se tornou sexualmente impotente. Em um jantar para autoridades envolvidas com o filme, Fahmy conhece o Ministro da Defesa e descobre que ele é marido de Suzanne. Os oficiais militares forçam Fahmy a concordar em fazer um discurso elogiando o presidente quando este comparecer à Academia Militar Egípcia por ocasião do Dia das Forças Armadas, em 6 de outubro. Fahmy é convidado para um evento de gala da indústria cinematográfica, para o qual leva Ramy em vez de Donya. Ele vê Suzanne e flerta com ela, o que leva a um encontro secreto em um hotel. Quando volta para casa e não consegue mostrar nenhuma foto com Ramy, Donya revela que sabe das fotos dele com Suzanne e o abandona. As filmagens continuam e Fahmy intercede junto ao Ministro da Defesa para que Rula seja retirada da lista negra. Mansour revela que sabe do caso de Suzanne e que o ministro é obcecado por Rula. Ele ameaça Fahmy com uma carta de suicídio falsificada e exige que Rula se encontre com o ministro usando um gravador escondido.

No encontro seguinte, Mansour ouve uma briga. Antes de Fahmy discursar na academia militar, um assessor pede que ele faça uma continência ao terminar. Quando Fahmy o faz, vários participantes do desfile começam a atirar, tentando assassinar o presidente. Fahmy escapa em um helicóptero militar, onde Mansour interroga alguns prisioneiros antes de jogá-los para fora. O helicóptero pousa em um bunker seguro, onde descobrem que Sisi está vivo, que a Guarda Republicana reprimiu a tentativa de golpe e a censurou na mídia, e que o Ministro da Defesa está com as tropas. Mansour revela que o jantar ao qual Fahmy compareceu com o ministro havia sido uma reunião para planejar o golpe e prende todos os participantes, exceto Fahmy. Mansour ordena a um relutante Fahmy que se encontre com Suzanne para determinar se ela estava envolvida. Suzanne fica confusa ao ser confrontada e Fahmy a adverte para fugir do país, dizendo que eles não podem se encontrar novamente. Na saída, o Ministro da Defesa intercepta Fahmy e Suzanne, conta a ele que Rula morreu após cair de uma sacada e ordena que Fahmy minta aos investigadores sobre seu envolvimento na tentativa de golpe, sob ameaça de matar seus entes queridos. Fahmy retorna ao apartamento de sua esposa e descobre que Ramy foi sequestrado antes de ser levado pelos homens de Mansour. Mansour diz a Fahmy que Fawzy foi morto e Fahmy revela a Mansour que Suzanne é inocente, expondo o pedido do Ministro da Defesa, e implora que ele salve Ramy. Com base nisso, Mansour ordena a prisão do ministro, reúne Fahmy com seu filho e manda prender e executar o ministro por um pelotão de fuzilamento. Algum tempo depois, o filme é lançado e Fahmy se junta a alguns senhores idosos apostando em corridas de cavalos.

O termo árabe egípcio é geralmente utilizado como sinônimo de árabe caironês, que é tecnicamente um dialeto do árabe egípcio. O termo árabe caironês, também chamado de árabe cairota ou Masri refere-se ao dialeto do árabe falado no Cairo, a capital do Egito. Ele é a variante de maior prestígio e o principal pilar do árabe egípcio. Devido à massiva produção cultural do Egito do ponto de vista comunicativo das novelas, cinema, música e programas de TV que dominam o Oriente Médio desde o século XX, o dialeto cairota tornou-se a variante regional mais falada, compreendida e estudada em todo o mundo árabeO nome nativo do país, مصر Maṣr, é frequentemente usado regionalmente para se referir ao próprio Cairo. Assim como acontece com o francês parisiense, o árabe caironês é de longe o dialeto mais prevalentemente usado no país. O árabe egípcio é usado principalmente no Egito e é falado predominantemente no Cairo e em Alexandria, nas capitais de todos os governos egípcios e em outras grandes cidades do Norte e do Sul do Egito. O árabe egípcio tornou-se amplamente compreendido no mundo árabe principalmente por dois motivos: A proliferação e popularidade de filmes egípcios e outros meios de comunicação na região desde o início do século XX, bem como o grande número de professores egípcios que foram fundamentais na criação dos sistemas educacionais de vários países da Península Arábica e também lecionaram lá e em outros países, como Argélia e Líbia. Além disso, muitos artistas libaneses optam por cantar em egípcio, exemplos proeminentes como Nancy Ajram e Sabah. O árabe era falado em partes do Egito, como o Deserto Oriental e o Sinai, antes do Islã. Parece também que algumas palavras egípcio-árabes derivam de palavras do antigo egípcio. 

No entanto, os egípcios do Vale do Nilo adotaram lentamente o árabe como língua escrita após a conquista muçulmana do Egito no século VII. Até então, eles falavam grego koiné ou egípcio em sua forma copta. Um período de bilinguismo copta-árabe no Baixo Egito durou mais de três séculos. O período duraria muito mais tempo no Sul. O árabe já era familiar aos egípcios do Vale, pois era falado em todo o Deserto Oriental e no Sinai. O árabe também era uma língua minoritária de alguns habitantes do Vale do Nilo, como os qift no Alto Egito, devido ao comércio pré-islâmico com os nabateus na Península do Sinai e na parte mais oriental do Delta do Nilo. O árabe egípcio parece ter começado a tomar forma em Fustat, a primeira capital islâmica do Egito, agora parte do Cairo. Os costumes do Antigo Egito tratam da rotinização das pessoas, cidades, emprego, economia, tudo o que é obtido a partir da agricultura, as suas necessidades e benefícios. Heródoto afirmou: “O Egito é uma dádiva do Nilo” e este permeia todos os aspectos da vida, incluindo a mitologia. Nas margens do Nilo, a revolução do Neolítico foi bem-sucedida, a recolecção, os animais domésticos e as práticas da pecuária. A observação de um aumento da produção de gramíneas no limo das inundações, levou à criação de um sistema de irrigação que levou à organização da economia que ajudou a armazenagem, levando ao desenvolvimento das ciências, e das artes: escrita, para a gestão dos recursos, geometria, para calcular as encostas em valas e medição da área, álgebra, para distribuir adequadamente o fluxo, O tempo, para prever a inundação do rio, astronomia e, pois, o momento de anunciar e organizar trabalho.

Ao Faraó, a encarnação do deus Hórus na terra, desde o período pré-dinástico que se lhe reconhece o poder absoluto sobre o resto dos mortais que, assumem por defeito que ele era o proprietário de todo Egito, terras, culturas, armas e até mesmo das pessoas e, tudo o que ocorria no país era-lhe atribuído, fosse uma boa colheita ou uma inundação do Nilo era ele que nomeava pessoalmente vizires, sacerdotes, generais e outros altos funcionários.  A unificação do Alto e Baixo Egito em Narmer marcou o início da cultura, mas a primeira divisão nunca foi esquecida. Durante muito tempo, ouve duas administrações e quando foram fundidas mantiveram-se uma série de símbolos que lhes recordava essa divisão, sobretudo nos rituais religiosos. O símbolo mais reconhecido é a coroa dupla. Como proprietário absoluto da terra, o Faraó tinha o direito de receber os seus frutos, mas às vezes dava terrenos aos templos que chegaram a controlar vastas propriedades ou a indivíduos, bem como efetuar o pagamento de uma taxa, caso as propriedades fossem devolvidas por um determinado funcionário terminar a sua função social no caso de governadores locais, ou devido a uma atribuição condicional, tais como veteranos, desde que um filho servisse no exército. Entretanto, nos períodos de debilidade real, esquecia-se o acordado e as terras passavam a transmissão hereditária. Mas, em muitos casos, comparativamente, faraós, sacerdotes ou nobres subalugavam-nas a agricultores com experiência. A recolha de impostos mobilizava um grande número de funcionários para controlar tudo e havia censos frequentes, com cada um pagando com parte do seu trabalho, grãos, animais ou a fabricação dos produtos artesanais.

Uma consequência direta da divindade do rei foi o grande poder dos sacerdotes que eram nomeados pessoalmente para o representar na adoração. A cultura do Egito tem milhares de anos de história registrada. O Egito antigo foi uma das civilizações mais antigas historicamente do Oriente Médio e da África. Por milênios, o Egito manteve uma cultura surpreendentemente única, complexa e estável que influenciou as culturas posteriores da Europa. A escrita árabe teve a sua idade de ouro no Cairo. Na imagem, adorno e miçangas sendo vendidos na rua Al-Muizz. O árabe é atualmente a língua oficial do Egito, chegou ao Egito no século VII, é a língua formal e oficial do Estado que é usada pelo governo e pelos jornais. Enquanto isso, o dialeto árabe egípcio ou Masri é a língua oficial falada do povo. Das muitas variedades do árabe, o dialeto egípcio é o mais falado e o mais compreendido, devido à grande influência do cinema egípcio e da mídia egípcia em todo o chamado “mundo de língua árabe”. Atualmente, muitos estudantes estrangeiros tendem a aprender isso praticando em músicas e filmes egípcios, e o dialeto está sendo rotulado positivamente como um dos mais fáceis e rápidos de aprender. A posição do Egito no coração do mundo de língua árabe fez dele o centro da cultura e seu dialeto generalizado teve uma enorme influência em quase todos os dialetos vizinhos, tendo tantos ditados egípcios em suas vidas diárias. A língua egípcia, que formava um ramo separado entre as línguas afro-asiáticas, estava entre as primeiras línguas escritas e é reconhecida pelas inscrições hieroglíficas preservadas em monumentos e folhas de papiro.

A língua copta, o estágio mais recente do egípcio escrito principalmente em alfabeto grego com 7 letras demóticas, é no mundo contemporâneo a língua litúrgica da Igreja Ortodoxa Copta, ou Igreja Copta Ortodoxa de Alexandria é uma igreja cristã oriental ortodoxa baseada no Egito, África e Oriente Médio. O Primaz da Igreja e da Sé de Alexandria é o Patriarca de Alexandria sobre a Sé de São Marcos, que também leva o título de papa copta. O dialeto Koiné da língua grega era importante na Alexandria helenística e era usado na filosofia e ciência dessa cultura, e mais tarde foi estudado por estudiosos árabes. No vale do Nilo, no Sul do Egito, ao redor de Kom Ombo e Aswan, existem cerca de 300 mil falantes de línguas núbios, principalmente Nobiin, mas também Kenuzi-Dongola. As línguas berberes são representadas por Siwi, falado por cerca de 20 mil em todo o oásis de Siwa. Outras minorias incluem aproximadamente 60 mil falantes de grego em Alexandria e Cairo, bem como aproximadamente 10 mil falantes de armênio. Muitos egípcios acreditavam que, quando se tratasse da morte de seu faraó, eles teriam que enterrar o faraó nas profundezas da pirâmide. A literatura egípcia antiga remonta ao Reino Antigo, no terceiro milênio. A literatura religiosa é mais conhecida por seus hinos e textos funerários. A literatura existente mais antiga são os textos das pirâmides: a mitologia e os rituais esculpidos dos túmulos dos governantes. A literatura secular posterior do Egito antigo inclui os textos de sabedoria, formas de instrução filosófica.

       

A Instrução de Ptahhotep, por exemplo, é um agrupamento de provérbios morais por um Egito em meados do segundo milênio parece ter sido extraído de uma classe administrativa de elite, e foi celebrado e reverenciado no Novo Reino até o fim do segundo milênio. Com o tempo, os Textos das Pirâmides se tornaram Textos do Caixão, talvez após o fim do Reino Antigo e, finalmente, a literatura mortuária produziu sua obra-prima, o Livro dos Mortos, durante o Novo Reino. A culinária egípcia consiste em tradições culinárias locais, como Ful medames, Kushari e Molokhia. Ele também compartilha semelhanças com alimentos encontrados em todo o Mediterrâneo oriental, como kebab e faláfel. A arte egípcia refere-se à arte desenvolvida e aplicada pela civilização do Antigo Egito localizada no vale do rio Nilo no Norte da África. Esta manifestação artística teve a sua supremacia na região durante um longo período de tempo, estendendo-se pelos últimos 3000 anos e demarcando diferentes épocas que auxiliam na classificação das diferentes variedades estilísticas adotadas: Época Tinita, Império Antigo, Império Médio, Império Novo, Época Baixa, Período Ptolemaico e vários períodos intermédios, mais ou menos curtos, que separam as grandes épocas, e que se denotam pela turbulência e obscuridade, tanto social e política como artística.

Mas embora sejam reais estes diferentes momentos da história, a verdade é que incutem somente pequenas nuances na manifestação artística que, de um modo geral, segue sempre uma vincada continuidade e homogeneidade. O tempo e os acontecimentos históricos encarregaram-se de ir eliminando os vestígios desta arte ancestral, mas, mesmo assim, foi possível redescobrir algo do seu legado no século XIX, em que escavações sistemáticas trouxeram à luz obras capazes de fascinar investigadores, colecionadores e mesmo o olhar amador. A partir do momento em que se decifram os hieróglifos na Pedra de Roseta é possível dar passos seguros a caminho da compreensão da cultura, história, mentalidade, modo de vida e naturalmente da motivação artística dos antigos egípcios. Mitologia egípcia ou, em sentido lato, religião egípcia refere-se às divindades, mitos e práticas cultuais dos habitantes do Antigo Egito. Não existiu propriamente uma religião egípcia, pois as crenças - frequentemente diferentes de região para região - não era a parte mais importante, mas sim o culto aos deuses, que eram considerados os donos legítimos do solo do Egito, terra que tinham governado no passado distante. Uma grande representante do Egito era a Cleópatra, mostrada em vários filmes, seriados e peças. A religião no Antigo Egito refere-se ao complexo conjunto de crenças religiosas e rituais praticados no Antigo Egito. Não existiu propriamente uma religião egípcia, pois as crenças, frequentemente diferentes culturalmente de região para região, não eram a parte mais importante, mas sim a unidade na representação do culto aos deuses, que eram considerados os donos legítimos do solo, terra que tinham governado no passado distante.

Este conjunto de crenças foi praticado no antigo Egito desde o período pré-dinástico, até o surgimento do cristianismo. Inicialmente, era uma religião politeísta por crer em várias divindades, como forças da natureza. Com o passar dos séculos, a crença se diversificou, sendo considerada henoteísta, porque acreditava em uma divindade criadora do universo, tendo outras forças independentes, mas não iguais em poder a esta. Também pode ser considerada monoteísta, pois tinha a crença em um único deus, as outras divindades eram neteru (plural de neter), participantes da criação e manutenção da realidade, mas ainda assim inferiores em poder ao grande Ser supremo. Amenófis IV instaurou o monoteísmo, que feneceu tão logo Amenófis morreu. A religião era praticada em templos e santuários domésticos. Atualmente, minorias ainda cultuam os deuses egípcios antigos, mas em menor escala. O kemetismo, por exemplo, é uma reconstrução neopagã da religião egípcia que ainda é praticada. O estudo acadêmico da religião egípcia antiga tem como uma das referências principais o egiptólogo Jan Assmann. 

Vale destacar também Mubabinge Bilolo e Algis Uždavinys, que, dentre outros, propõem evidências para a origem da filosofia grega na filosofia egípcia antiga, com a continuidade do pensamento religioso pelos mitos gregos, filósofos pré-socráticos, pitagóricos e Platão. Os templos no Antigo Egito eram entendidos como os locais onde residia a divindade (hut-netjer, “casa do deus”), que poderia ser acompanhada pela sua família e por outras Divindades, sendo, por isso, muito diferentes dos modernos edifícios religiosos. Os templos dos períodos mais antigos da história do Antigo Egito, como o Império Antigo e o Império Médio, não chegaram em bom estado até aos dias de hoje, pelo que são as construções do Império Novo e da época ptolomaica que permitem o conhecimento da estrutura dos templos. Na estrutura clássica dos templos egípcios podem ser distinguidas três partes: o pátio, as salas hipostilas e o santuário. À entrada de um templo, encontravam-se obeliscos e estátuas monumentais, que antecediam o pilone. Nos templos do Império Novo, é comum a existência de uma avenida de acesso ladeada por esfinges com corpo de leão e cabeça de carneiro (que se acreditava protegerem o templo e o deus), na qual desfilava a procissão em dias de festa. Um pilone era uma porta monumental composta por duas torres em forma de trapézio, entre as quais se situava a entrada propriamente dita. Nas paredes do pilone, representavam-se as divindades ou, muitas vezes, a cena clássica na qual se vê o faraó a atacar os inimigos do Egito. Passado o pilone, existia um grande pátio (uba), a única zona acessível ao público, onde a estátua da Divindade era mostrada nos dias de festa. O pátio era rodeado por colunas e possuía por vezes um altar (aba), onde se efetuavam os sacrifícios.  

Este pátio precedia uma sala hipostila (ou seja, uma sala de colunas), mais ou menos imersa na escuridão, que antecedia outras salas onde se guardavam a mesa de oferendas e a barca sagrada. Finalmente, achava-se o santuário do deus (kari). Se os faraós entendessem ampliar um templo construíam-se novas salas, átrios e pilones. Os templos mais importantes poderiam possuir um lago sagrado, nilómetros, per ankh (casas de vida), armazéns e locais para a residência dos sacerdotes. Teoricamente, o rei egípcio tinha o dever de realizar a liturgia em cada templo. Uma vez que era fisicamente impossível para o rei estar presente em todos os templos que existiam no Egito, o soberano nomeava representantes para realizar as cerimônias a deus. Os reis só visitavam os templos em ocasiões especiais associadas a festivais, o que não impedia que fossem representados nos templos fazendo oferendas às Divindades. A vida nos templos seguia o curso da vida normal. Antes do nascer do sol, abatiam-se os animais que seriam oferecidos as Divindades. Os sacerdotes purificavam-se com água, e, vestidos com trajes brancos, entravam em procissão no templo. No pátio do templo, os sacerdotes apresentavam as suas oferendas e queimavam incenso. Um sacerdote dirigia-se ao santuário da divindade, uma sala especialmente consagrada, localizada na parte mais reservada do templo.

Aqui, o sacerdote acendia um archote e abria o naos, tabernáculo onde se guardava a estátua da Divindade. O sacerdote apresentava-se à divindade e anunciava vir cumprir os seus deveres. Limpava o tabernáculo, queimava incenso, lavava a estátua e aplicava sobre ela óleos, vestia-a, maquilava-a e colocava-lhe a coroa. Terminado este processo, o sacerdote colocava a estátua no naos, abandonando a sala e apagando o archote e as pegadas que havia feito. Ao meio-dia, poderia ser feita uma nova cerimónia na qual se ofereciam alimentos. No Antigo Egito, não existiu uma estrutura sacerdotal centralizada; cada Divindade possuía um grupo de homens e mulheres dedicados ao seu culto. O termo mais comum para designar um sacerdote em egípcio era hem-netjer, o que significa “Servo de deus”. Não se sabe em que época da história egípcia se estruturou o grupo sacerdotal. Na época do Império Antigo, os sacerdotes não estavam ainda organizados em corpos fixos como sucederia no Império Novo. De acordo com os Textos das Pirâmides, datados do Império Antigo, os reis tinham cinco refeições diariamente: três no céu e duas na terra; estas últimas estavam a cargo dos sacerdotes funerários. As fontes do Império Novo mostram que os sacerdotes estavam organizados em quatro grupos (em grego: phyles), cada um dos quais trabalhava durante um mês cada três meses.

Durante os oito meses que tinham livres, os sacerdotes levavam uma vida comum inserida na comunidade, junto das suas esposas e filhos. O clero egípcio estava estruturado de forma hierárquica. O rei era, em teoria, o líder de todos os cultos egípcios, mas, como já foi referido, este delegava o seu poder a outro homem devidamente preparado por Deus: o Sumo Sacerdote, que, na hierarquia, era seguido do segundo sacerdote, por sua vez seguido do terceiro e quarto sacerdotes. O grupo seguinte era o dos “pais divinos” e “dos puros”. Existiam também os sacerdotes leitores, os que calculavam o momento ideal para realizar um determinada cerimónia através da observação do Sol (“horólogos”) e os que determinavam os dias fastos e nefastos (“horóscopos”). Finalmente, pode distinguir-se um grupo dedicado aos serviços de manutenção do templo (imiu-seté). As mulheres também trabalhavam nos templos seguindo o mesmo regime de rotatividade dos homens. Frequentemente, estas mulheres eram esposas dos sacerdotes. As mulheres poderiam ser cantoras (chemait), músicas (hesit) ou dançarinas (khebait). Durante o Império Antigo e o Novo, muitas mulheres da classe abastada serviram a deusa Hator. No culto de Amon, o cargo importante ocupado por mulheres era o de “Adoradora Divina”. As mulheres que ocuparam este cargo foram filhas ou irmãs do faraó governante.

O filme é o capítulo final da “trilogia do Cairo” de Saleh, que segue The Nile Hilton Incident (2017) e Boy from Heaven (2022). Os três filmes abordam a corrupção estatal em diferentes esferas políticas e religiosas da sociedade egípcia. Saleh, filho de um imigrante egípcio na Suécia, é um crítico ferrenho do governo de Abdel Fattah el-Sisi e da percepção de falta de democracia no Egito. Pouco antes das filmagens de The Nile Hilton Incident, ele foi forçado a deixar o país imediatamente e tornou-se persona non grata. Amr Waked, que interpreta o funcionário do governo Dr. Mansour, também foi forçado a deixar o país em 2017 após publicações pró-democracia em suas redes sociais. Ele foi posteriormente condenado a oito anos de prisão por espalhar desinformação.  Atualmente, ele vive exilado na Espanha. A premissa do filme foi inspirada em Yasser Galal, que interpretou el-Sisi na série El Ekhteyar (A Escolha), embora não tivesse nenhuma semelhança física com o presidente. Em 2025, Galal tornou-se um dos 100 nomeados presidenciais para o Senado egípcio. As filmagens principais ocorreram em Istambul, que mais uma vez representou o Cairo, após uma filmagem planejada em Casablanca ter sido abruptamente cancelada. Algumas cenas de apoio foram filmadas no Cairo por um membro não identificado da equipe em um carro, servindo como complemento para as cenas de George Fahmy dirigindo pela cidade. A produção foi concluída em julho de 2024. A produção recebeu uma subvenção de € 500.000 do Eurimages durante sua Sessão de Avaliação de Projetos de 2024. 

O filme marca a quarta colaboração de Fares Fares com Saleh. Alexandre Desplat compôs a trilha sonora do filme, marcando sua primeira colaboração com Saleh. Eagles of the Republic teve sua estreia mundial em 19 de maio de 2025 na competição principal do Festival de Cannes de 2025. Em maio de 2024, foi anunciado que a empresa Playtime cuidaria de suas vendas internacionais. A Memento Distribution adquiriu a distribuição francesa do filme e a SF Studios ficará responsável pela distribuição nos países nórdicos. O filme encerrou o 53º Festival Internacional de Cinema da Noruega em 22 de agosto de 2025. Também foi apresentado na seção Icon do 30º Festival Internacional de Cinema de Busan em setembro de 2025. O filme abriu o Festival Internacional de Cinema de Estocolmo de 2025 em 5 de novembro de 2025. O filme concorreu na seção Awards Buzz – Melhor Longa-Metragem Internacional do 37º Festival Internacional de Cinema de Palm Springs em 6 de janeiro de 2026. Foi lançado nos cinemas franceses em 12 de novembro de 2025, arrecadando US$ 588 mil em seu fim de semana de estreia em 228 cinemas. No final de dezembro, o filme havia arrecadado US$ 1,4 milhão. No site de críticas Rotten Tomatoes, 73% das 41 críticas são positivas. O consenso do site diz: “Um thriller ambicioso, porém imperfeito, Eagles of the Republic mistura suspense à moda antiga, sátira política sombria e romance em um retrato irregularmente divertido de celebridades e compromisso moral”. O Metacritic, que usa uma média ponderada, atribuiu ao filme uma pontuação de 70 em 100, com base em 10 críticas, indicando avaliações “geralmente favoráveis”.

Bibliografia Geral Consultada.

CARDOSO, Ciro Flamarion, O Egito Antigo. São Paulo: Editora Brasiliense, 1992; BARBIER, Jean Marie, Savoirs Théoriques et Savoirs d`action. Paris: Presses Universitaires de France,1996; ARAÚJO, Emanuel, Escrito para a Eternidade: A Literatura no Egito Faraônico. Brasília: Editora da Universidade de Brasília: São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 2000; GADALLA, Moustafa, Cosmologia Egípcia - O Universo Animado. São Paulo: Editora Madras. 2003; FUNARI, Raquel dos Santos, Imagens do Egito Antigo: Um Estudo de Representações Históricas. Dissertação de Mestrado em História. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2004; BORGHESI, Massimo, L`Era Dello Spirito: Secolarizzacione ed Escatologia Moderna. Roma: Edizioni Studium, 2008; LANNES, Suellen Borges de, A Formação do Império Árabe-Islâmico: História e Interpretações. Tese de Doutorado. Instituto de Economia. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2013; CERTEAU, Michel, A Invenção do Cotidiano. Volume 1. Artes de fazer. 22ª edição. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 2014; ASANTE, Molefi Kete, “Uma Origem Africana da filosofia: Mito ou Realidade?”. In. Capoeira – Revista de Humanidades e Letras. Vol.1. nº, 1, 2014; SOUZA, Renata Soares de, A Cleópatra de Mankiewicz (1963): Etnicidade e Identidade na Representação Cinematográfica da Antiguidade. Programa de Pós-Graduação em História. São Paulo: Universidade Federal de São Paulo, 2015; MORAES, Marcelo José Derzi, “Filosofia, Ética e Política de Origem Africana Egípcia”. In: Voluntas. Santa Maria, vol. 10, pp. 216-237, set. 2019; MONTEIRO, Bruno Motta, O Orientalismo nas Telas da Globalização: Império, Guerra e Representação no Cinema Hollywoodiano. Dissertação de Mestrado. Instituto de Ciências Sociais. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2021; SILVA, Wanderson Alberto da, História, a Gente Aprende Vivendo: O Ensino da História Egípcia entre a Prática em Sala de Aula e a Proposta Curricular do Novo Ensino Médio da Paraíba (2016-2021). Dissertação de Mestrado. Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes. Programa de Pós-Graduação em História. João Pessoa: Universidade Federal da Paraíba, 2023; SILVA, Wanderson Alberto da, “A Produção Audiovisual sobre Antigo Egito no Livro Didático de História”. In: Revista Espacialidades, vol. 1 n° 01 (2025); artigo: “As Águias da República: Um thriller Político no Cairo, entre Filmes e Conspirações”. Disponível em: https://observador.pt/2026/05/14/; entre outros.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

12 Homens e Uma Sentença – Cultura & Indignação nos Estados Unidos.

                  Morre-se mais de indignação do que de fome nos Estados Unidos”. John Kenneth Galbraith (1908-2006)

                                            

          

         O filme 12 Homens e Uma Sentença tem como representação social um julgamento norte-americano de 1957, do gênero drama, dirigido por Sidney Lumet, com roteiro de Reginald Rose, baseado em seu especial de TV. No cinema e na televisão, drama é uma categoria social de ficção narrativa que pretende ser mais séria do que humorística. Drama deste tipo é geralmente qualificado com termos adicionais que especificam seu supergênero, macrogênero ou microgênero particular, como novela (drama operístico), drama policial, drama político, drama jurídico, drama histórico, drama doméstico, drama adolescente e comédia dramática (dramédia). Esses termos tendem a indicar um determinado cenário ou assunto, ou então qualificam o tom sério de um drama com elementos que encorajam uma gama mais ampla de estados de espírito. Todas as formas de cinema ou televisão que envolvem histórias de ficção são formas de drama no sentido mais amplo se sua narrativa for realizada por meio de atores que representam (mimese) personagens. Nesse sentido mais amplo, o drama é um modo distinto de romances, contos e poesia narrativa ou canções. Na chamada Era Moderna, antes do nascimento do cinema ou da televisão, o drama dentro do teatro era um tipo de dramaturgia de peça que não era nem comédia nem tragédia. É esse sentido mais restrito que as indústrias do cinema e da televisão, juntamente com os estudos cinematográficos, adotaram. Ipso facto, “drama de rádio” é usado em ambos os sentidos - originalmente transmitido em uma performance ao vivo, mas também foi usado para descrever o fim mais sofisticado e sério da produção dramática do rádio.

        Sidney Arthur Lumet (1924-2011) foi um diretor de cinema americano. Lumet começou sua carreira no teatro antes de passar a dirigir para a televisão em 1950 e, em seguida, para o cinema a partir de 1957, onde ganhou reputação por fazer dramas realistas e crus sobre Nova York, que se concentravam na classe trabalhadora, abordavam injustiças sociais e frequentemente questionavam a autoridade. Ele recebeu vários prêmios, incluindo um Oscar Honorário e um Globo de Ouro, bem como indicações para nove prêmios BAFTA e um Primetime Emmy Award. Ele foi indicado cinco vezes ao Oscar: quatro vezes como Melhor Diretor pelo drama jurídico 12 Homens e uma Sentença (1957), pelo drama policial Um Dia de Cão (1975), pelo drama satírico Rede de Intrigas (1976) e pelo thriller jurídico O Veredito (1982), e ganhou o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado por Príncipe da Cidade (1981). Outros filmes incluem A View from the Bridge (1962), Long Day`s Journey into Night (1962), The Pawnbroker (1964), Fail Safe (1964), The Hill (1965), Serpico (1973), Assassinato no Expresso do Oriente (1974), Equus (1977), The Wiz (1978), The Morning After (1986), Running on Empty (1988) e Before the Devil Knows You`re Dead (2007). Ele recebeu o Oscar Honorário em 2004. Membro da turma inaugural do Actors Studio de Nova York, Lumet começou a atuar em peças Off-Broadway e fez sua estreia na Broadway em 1935 na peça Dead End. Ele dirigiu as peças da Broadway Night of the Auk (1956), Caligula (1960) e Nowhere to Go but Up (1962).  É reconhecido por seu trabalho na televisão. Ele recebeu uma indicação ao Primetime Emmy Award de Melhor Direção em Série Dramática por NBC Sunday Showcase (1961). E dirigiu para Goodyear Television Playhouse, Kraft Television Theatre e Playhouse 90. Lumet nasceu na Filadélfia e cresceu no Lower East Side de Manhattan. 

          Ele estudou atuação teatral na Professional Children`s School de Nova York e na Universidade Columbia. Os pais de Lumet, Baruch e Eugenia (nascida Wermus) Lumet, eram judeus e veteranos do teatro iídiche; eles imigraram da Polônia para os Estados Unidos. Seu pai, ator, diretor, produtor e escritor, nasceu em Varsóvia. A mãe de Lumet, que era dançarina, morreu quando ele era criança. Ele tinha uma irmã mais velha. Lumet fez sua estreia profissional no rádio aos quatro anos e sua estreia no palco no Teatro de Arte Iídiche aos cinco anos. Quando criança, ele também apareceu encenando em muitas produções da Broadway, incluindo Dead End, de 1935, e The Eternal Road, de Kurt Weill. Em 1935, aos 11 anos, Lumet apareceu no curta-metragem de Henry Lynn, Papirossen que significa “cigarros” em iídiche, coproduzido pela estrela do rádio Herman Yablokoff (1903-1981). O filme foi exibido em uma peça teatral com o mesmo título, baseada na canção “Papirosn”. A peça e o curta-metragem foram apresentados no McKinley Square Theatre, no Bronx. Em 1939, aos 15 anos, ele fez sua única participação em um longa-metragem em ...One Third of a Nation. A Segunda Guerra Mundial interrompeu o início da carreira de ator de Lumet, e ele passou quatro anos no Exército dos EUA. Após retornar do serviço como técnico de radar estacionado na Índia e na Birmânia (1942–1946), ele se envolveu com o Actors Studio e, formou sua própria oficina de teatro. Ele organizou um grupo Off-Broadway e se tornou seu diretor, e continuou dirigindo em peças de teatro de verão enquanto lecionava atuação na High School of Performing Arts. Era o principal professor de teatro no  da “Performing Arts” na Rua 46. Lumet, aos 25 anos, dirigiu o departamento de teatro em uma produção de The Young and Fair.                                           

John Kenneth Galbraith (1908-2006) foi um consagrado economista, filósofo, cientista político e escritor norte-americano. Politicamente alinhado ao liberalismo americano, ou seja, representando a esquerda daquele país (cf. Bobbio, 2012), e crítico do pensamento econômico conservador, Galbraith foi autor de alguns dos best-sellers de economia e sociologia mais vendidos e lidos da Era Moderna, tais como o seu O Grande Crash de 1929, A Sociedade Afluente, O Novo Estado Industrial, Capitalismo Americano: O Conceito do Poder Compensatório, A Anatomia do Poder e Economia, Paz e Humor, nos quais direciona críticas analíticas intensas a seus pares economistas pelo excesso de matematização e a desconexão da realidade concreta, oferece uma análise crítica da economia de mercado sem regulação estatal. Galbraith foi um Democrata bastante ativo, participando, como conselheiro, dos governos de John Kennedy, Lyndon Johnson e Bill Clinton e vice-presidente da Comissão de Preços do governo de Franklin Roosevelt. As escolas keynesiana e institucionalista são duas tradições econômicas que mais influência exerceram sobre Galbraith, embora ele costumasse conceder importância a conservadores como o escocês Adam Smith e a comunistas como o advogado e filósofo alemão Karl Marx (1818-1883), pela sua relevância histórica, teórica e metodológica. Galbraith também foi presidente da American Economic Association (1972), a principal agremiação de economistas nos Estados Unidos. O economista e cientista político morreu aos 97 anos, em 2006, ano em que faleceu Milton Friedman (1912-2006), um de seus mais reconhecidos adversários.

Galbraith foi cético perante as extravagâncias da “teoria econômica quando não justificadas pelos dados empíricos”. Por exemplo, no seu livro intitulado “In The New Industrial State” (1967), afirmava que muito poucas indústrias nos Estados Unidos enquadram-se no modelo da concorrência perfeita. Keynes, por sua vez, sempre disse que a economia devia ser somente um meio para criar as condições sociais nas quais a maioria dos homens pudesse dedicar seu tempo para a cultura e para as artes. Detestava os “rentistas ociosos”, que, segundo sua visão, deveriam abandonar seus palácios com seu exército de serventes e se dedicar ao trabalho produtivo. E que “o problema político da humanidade é combinar três coisas: a eficiência econômica, a justiça social e a liberdade individual”. Por isso é que segundo Paul Samuelson (1915-2009), economista neokeynesiano, Keynes transformou a economia de “uma ciência triste para uma ciência alegre”. A visão social humanista desses economistas não foi casual ou apenas uma outra interpretação da economia capitalista, entre tantas já existentes. Galbraith além de economista por formação era um bom escritor e um erudito filósofo. E a visão que tinha de certos setores da economia capitalista era revelada num de seus aforismos preferidos: “A maneira como os bancos ganham dinheiro é tão simples que é repugnante”. Quanto a Keynes, ele pode ser incluído entre filósofos políticos e um raro economista interessado nas artes. Foi decisiva sua adesão ao famoso grupo Bloomsbury, onde transitavam Virginia Woolf, Roger Fry, pintor expressionista, Clive Bell, crítico de arte e outros intelectuais.

Grupo de Bloomsbury, Círculo de Bloomsbury ou apenas Bloomsbury, como seus participantes geralmente se autodenominavam, representou um grupo de artistas e intelectuais britânicos que existiu entre 1905 e o fim da II Guerra Mundial (1945). Dentre seus membros mais reconhecidos estão Virginia Woolf, John Maynard Keynes, E. M. Forster e Lytton Strachey. Essa coletividade de amigos e parentes moraram, trabalharam ou estudaram juntos em Bloomsbury, Londres, durante a primeira metade do século XX. De acordo com Ian Ousby, “apesar de seus membros negarem formar um grupo ou qualquer associação formal, eles permaneceram unidos na crença da importância das artes”. Suas obras e perspectivas influenciaram profundamente a literatura, estética, criticismo e economia bem como posturas modernas em relação ao feminismo, pacifismo e sexualidade. Pensador de rara compreensão, foi assessor econômico do presidente John Kennedy e publicou diversos livros, entre os quais The Affluent Society (A Sociedade Opulenta), no ano de 1958, em que critica a política econômica dos Estados Unidos. Aposentado como professor universitário em 1957, publicou em 1981 a autobiografia A Life in Our Times: Memoirs (Uma Vida em Nosso Tempo). Galbraith era filho de canadenses de ascendência escocesa, William Archibald Galbraith e Sarah Catherine Kendall. Nasceu em Iona Station, Ontário, e cresceu em Dutton, Ontário.

Seu pai era um fazendeiro e professor de escola, e sua mãe era ativista política. Galbraith licenciou-se pelo Colégio de Agricultura do Ontário, posteriormente Universidade de Guelph, tendo depois feito o mestrado e doutoramento na Universidade da Califórnia em Berkeley.  Em 1937 se tornou cidadão dos Estados Unidos numa época os Estados Unidos e o Canadá não aceitavam a dupla nacionalidade, mas foi homenageado pelo seu país nativo até o fim de sua vida, e suas origens canadenses foram frequentemente citadas. Durante a Segunda Guerra Mundial, Galbraith pertenceu à administração pública, no cargo de vice-diretor do gabinete da administração de preços (“deputy head of the Office of Price Administration”). No final da guerra foi-lhe pedido que executasse um inquérito sobre o bombardeamento estratégico aliado, que concluiu que ele não teve efeitos e não encurtou a guerra. Após a guerra tornou-se conselheiro da administração do pós-guerra na Alemanha e Japão. Em 1949 Galbraith foi nomeado professor de economia na Universidade de Harvard. Foi então também editor da revista Fortune. Foi amigo do presidente John F. Kennedy, por quem foi nomeado embaixador na Índia entre 1961 e 1963, onde teve um papel no apoio econômico ao governo indiano e ao desenvolvimento do país. No país asiático, ajudou a estabelecer uma das primeiras faculdades de ciências de computação no Instituto Indiano de Tecnologia em Kanpur, Uttar Pradesh. Galbraith morreu aos 97 anos de causas naturais no Hospital Mount Auburn em Cambridge, Massachusetts, depois de duas semanas internado.

Estados Unidos da América: em inglês United States of America, ou simplesmente Estados Unidos ou América, são uma república constitucional federal composta por 50 estados e um distrito federal. A maior parte do país situa-se na região central da América do Norte, formada por 48 estados e o Distrito de Colúmbia, o distrito federal da capital. Banhado pelos oceanos Pacífico e Atlântico, faz fronteira com o Canadá ao Norte e com o México ao Sul. O estado do Alasca está no Noroeste do continente, fazendo fronteira com o Canadá no Leste e com a Rússia a Oeste, através do estreito de Bering. O estado do Havaí é um arquipélago no Pacífico Central. O país também possui vários outros territórios no Caribe e no Oceano Pacífico. Com 9,37 milhões de km² de área e uma população de mais de 330 milhões de habitantes, o país é o quarto maior em área total, o quinto maior em área contígua e o terceiro em população. Os Estados Unidos são uma das nações mais multiculturais e etnicamente diversas do mundo globalizado, produto da forte imigração vinda de muitos países. Sua geografia e sistemas climáticos também são extremamente diversificados, com desertos, planícies, florestas e montanhas que abrigam uma grande variedade de espécies. Os paleoindígenas, que migraram da Ásia há quinze mil anos, habitam o que é território dos Estados Unidos até os dias atuais. Esta população nativa foi muito reduzida após o contato com os europeus devido a doenças e guerras.  

Os Estados Unidos foram fundados pelas treze colônias do Império Britânico localizadas ao longo da sua grande costa atlântica. Em 4 de julho de 1776, foi emitida a Declaração de Independência, que proclamou o seu direito à autodeterminação e a criação de uma união cooperativa. Os estados rebeldes derrotaram a Grã-Bretanha na Guerra Revolucionária Americana (1775-1783), por suposto a primeira guerra colonial bem-sucedida em seu ersatz da Idade Contemporânea. A Convenção de Filadélfia aprovou a atual Constituição dos Estados Unidos em 17 de setembro de 1787; sua ratificação no ano seguinte tornou os estados parte de uma única república com um forte governo central. A Carta dos Direitos, composta por dez emendas constitucionais que garantem vários direitos civis e liberdades fundamentais, foi ratificada em 1791. Guiados pela doutrina do destino manifesto, os Estados Unidos embarcaram em uma vigorosa expansão territorial pela América do Norte durante o século XIX que resultou no deslocamento, na falta de melhor expressãode tribos indígenas, aquisição de territórios e na anexação de novos Estados. Os conflitos entre o Sul agrário e o Norte industrializado do país sobre os direitos dos estados e a expansão da instituição da escravatura provocaram a Guerra de Secessão, que decorreu entre 1861 e 1865. A vitória do Norte impediu a separação do país e levou ao fim da escravatura nos Estados Unidos. No final do século XIX, sua economia tornou-se a maior do mundo e o país expandiu-se para o Oceano Pacífico. A Guerra Hispano-Americana e a I Guerra Mundial (1914-1918) confirmaram o estatuto do país como uma potência militar. A nação emergiu da II Guerra Mundial (1939-1945) como o primeiro país com armas nucleares e como membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.          

O fim da Guerra Fria (1991) e a dissolução da União Soviética deixaram-no como a única superpotência restante. Durante os primeiros anos da Primeira Guerra Mundial, que eclodiu em 1914, os Estados Unidos mantiveram-se neutros. Apesar da maioria dos americanos simpatizarem com os britânicos e com os franceses, muitos eram contra uma intervenção. Em 1917, os Estados Unidos se juntaram aos Aliados, ajudando a “virar a maré” contra as Potências Centrais. Após a guerra, o Senado não ratificou o Tratado de Versalhes, que estabelecia a Liga das Nações. O país seguiu uma política de unilateralismo, beirando o isolacionismo. Em 1920, o movimento pelos direitos das mulheres conseguiu a aprovação de uma emenda constitucional que concedia o sufrágio feminino. A prosperidade dos Roaring Twenties, isto é, os “anos 20 florescentes, alegres, ruidosos ou vívidos” terminou com a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque em 1929, que desencadeou a Grande Depressão, analisada como o pior e o mais longo período de recessão econômica do sistema capitalista do século XX. Este período de depressão econômica causou altas taxas de desemprego, quedas drásticas do produto interno bruto de diversos países, bem como quedas drásticas na produção industrial, preços de ações, e em praticamente todo o medidor de atividade econômica, em diversos países no mundo globalizado. Após sua eleição como presidente em 1932, Franklin D. Roosevelt (1882-1945) respondeu à crise social e econômica com o New Deal, a série de políticas públicas de crescente intervenção governamental na economia. O Dust Bowl de meados da década de 1930 empobreceu muitas comunidades agrícolas e estimulou uma nova onda de imigração ocidental.

            Escólio: A pobreza e o desemprego cresceram muito em razão da crise de 1929. Por isso, a maior parte da população dos países mais afetados pela Grande Depressão (1929-1930) cortou todo e qualquer tipo de gasto economicamente considerado supérfluo, agravando os efeitos da recessão na economia destes países. Por causa da Grande Depressão, milhões de pessoas nas cidades perderam seus empregos, nos países mais atingidos pela recessão. Sem fonte de renda, estas pessoas não tinham mais como sustentar a si próprios e suas famílias. A maioria das residências destas famílias, por sua vez, eram alugadas ou, ainda estavam sendo pagas através de prestações creditícias. Como consequência, milhares de famílias eventualmente foram expulsas de suas residências, por não terem como pagar os aluguéis ou as prestações de sua casa. Além disso, o desemprego fez com que a subnutrição se tornasse comum entre a população dos países mais atingidos. Milhares de pessoas morreram por causa da subnutrição. Algumas pessoas e famílias sem fonte de renda mudaram-se para a residência de parentes, quando perdiam suas residências. A maioria destas famílias, sociologicamente, instalou-se em favelas. Abrigos rústicos feitos com telas de metais, madeira e papelão tornaram-se comuns em áreas das grandes cidades dos países mais atingidos. As condições de vida nestas favelas eram precárias. A  agropecuária de diversos países como os Estados Unidos e o Canadá foram duramente atingidas pela Grande Depressão. Nos Estados Unidos, per se muitos fazendeiros se endividaram pesadamente, e vários foram forçados a ceder suas terras para instituições bancárias.

Na Califórnia, no centro-norte dos Estados Unidos e no centro-oeste do Canadá, grandes períodos de seca, tempestades de areia (Dust Bowl), invernos rigorosos e pestes agravaram a recessão econômica já existente nestas regiões. Muitos dos jovens das áreas rurais abandonaram suas fazendas e suas famílias, e buscaram a sorte nas cidades. Estas pessoas, juntamente com muitas das pessoas desempregadas nas cidades reconhecidas como “hobos”, viajavam de cidade a cidade, pegando carona em trens de carga, em busca de emprego. Esta foi uma cena muito comum nos Estados Unidos e no Canadá. Os chefes de Estado, comparativamente e outras pessoas importantes dos países atingidos passaram a ser frequentemente considerados diretamente na esfera da vida política, culpados pelo início da Grande Depressão por muito da população atingida pela recessão. As favelas como lugar de moradia dos Estados Unidos foram apelidadas de Hoovervilles ou “Vilas do Hoover” em português, comparada em uma sátira da população americana ao presidente Herbert Hoover (1874-1964). No Canadá donos de automóveis apelidaram seus veículos de Bennett Buggies — Carroças Bennett — em uma sátira ao Primeiro-Ministro Richard Bennett. Isto porque estas pessoas não tinham como adquirir o combustível necessário para abastecer, ou cortaram a compra de combustível por considerarem um gasto supérfluo. Estes veículos passaram a ser usados como carroças, puxados por cavalos ou outros equinos.                       

Nem todas as pessoas sofreram igualmente com a Grande Depressão. Para pessoas que conseguiram manter seus empregos, mesmo nos países mais afetados pela recessão, ou que dispunham de uma poupança considerável, o padrão de vida não mudou muito. Apesar que muitos trabalhadores sofreram cortes consideráveis em seus salários, a deflação fez com que os preços de produtos em geral caíssem drasticamente. Ao longo da Grande Depressão, os preços da maioria dos produtos de consumo mantiveram-se muito baixo nos países mais afetados. Por outro lado, muitos afro-americanos nos Estados Unidos não conseguiam emprego, especialmente no sul norte-americano, por causa de discriminação racial. Empregos eram dados primariamente aos brancos. Por isto, em todo Estados Unidos, a taxa de desemprego entre a população afro-americana foi muito maior do que o da população branca. Mulheres com famílias para sustentar também dificilmente encontravam empregos, uma vez que a prioridade era dada para trabalhadores do sexo masculino, e que a discriminação contra mulheres trabalhadoras aumentou.

Grupos étnicos minoritários, especialmente imigrantes, dos países mais atingidos passaram a ser discriminados por muitos da população dos países mais afetados. Estes grupos étnicos eram discriminados porque, na visão de várias pessoas dos países afetados pela Grande Depressão, estes grupos étnicos competiam com a “população nativa” dos países atingidos por empregos. Isto, aliado à forte recessão econômica da década de 1930, fez com que as taxas de imigração caíssem sensivelmente no Canadá e nos Estados Unidos. Após o fim da Grande Depressão, muitos dos países mais severamente atingidos passaram a fornecer maior assistência social e econômica aos necessitados. Por exemplo, o New Deal dava ao governo americano maior poder para fornecer esta ajuda para estes necessitados e também para aposentados. A Grande Depressão gerou grandes mudanças na política econômica em vários dos países envolvidos. Anteriormente à Grande Depressão, o governo dos Estados Unidos da América pouco intervinha na economia do país. Executivos financeiros e grandes magnatas comerciantes eram vistos como líderes nacionais. Por outro lado, a Grande Depressão deu origem a uma atitude repúdio ao Protecionismo e medidas para aprofundar o Livre-comércio. Diversas análises sustentam que o protecionismo retardou de cinco a dez anos a recuperação da economia mundial.

Os Estados Unidos, neutros durante as fases iniciais da Segunda Guerra Mundial, iniciada com a invasão da Polônia pela Alemanha em setembro de 1939, começaram a fornecer material para os Aliados em março de 1941 através do programa Lend-Lease (Lend-Lease Act; “Lei de empréstimo e arrendamento”).  Em 7 de dezembro de 1941, o Império do Japão lançou um ataque surpresa a Pearl Harbor, o que levou os Estados Unidos a se juntar aos Aliados contra as potências do Eixo e ao internamento compulsivo de milhares de americanos de origem japonesa. A participação na guerra estimulou o investimento de capital e a capacidade industrial do país. Entre os principais combatentes, os Estados Unidos foram o único país a se tornar muito mais rico, ao contrário dos restantes aliados, que empobreceram por causa da guerra. As conferências dos aliados em Bretton Woods e Yalta delinearam um novo sistema de organizações internacionais que colocou os Estados Unidos e a União Soviética no centro da política geoestratégica mundial. Como a vitória foi conquistada na Europa, uma conferência internacional realizada em 1945 em São Francisco produziu a Carta das Nações Unidas, que se tornou ativa depois da guerra. Tendo desenvolvido as primeiras armas nucleares, os Estados Unidos, usaram-nas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945. O Japão se rendeu em 2 de setembro marcando o fim da guerra. A inteligência não é uma máquina de reprodução de cálculos. É um processo real, social e orgânico que articula afetividade, corporalidade e os erros mais absurdos.            

Em seres humanos, é pressuposta a presença de desejo e da consciência de sua própria história social e política. A inteligência humana não é concebível separadamente de todos os outros processos cerebrais, corporais e sociais. Diferente de humanos ou animais que pensam com a ajuda de um cérebro localizado dentro de seus corpos uma máquina processa cálculos e diagnósticos sem a capacidade de dar sentido a eles. A ideia de que uma máquina pode substituir humanos não é absurda. É o ser vivo que cria significado a partir do domínio da técnica e não a máquina. Muitos pesquisadores de Inteligência Artificial estão convencidos de que a diferença entre a inteligência humana e a inteligência artificial é quantitativa, enquanto ela é eminentemente qualitativa. Ela tende a superestimar a produtividade humana, com o objetivo de tornar o mundo mais eficiente e seguro, com a melhoria racionalizada de expectativa de vida e servirá para prever temas nevrálgicos em termos de futuro, como prevenir catástrofes e combater as mudanças climáticas. É o conceito amplo de que as máquinas são capazes de executar tarefas de risco, antes realizadas por pessoas. O sistema reproduz a cognição humana e atua de forma autônoma. Por ser inteligente, a tecnologia se desenvolve conforme recebe dados. Atividades de pesquisa devem ser produtivas sem controle hierárquico institucional.

A noção de indivíduo é também social. Em seguida, deseja revelar que a noção de indivíduo pode ser posta em contraste com a ideia de pessoa. Ou seja, que exprime outro aspecto individual da realidade humana. As duas noções permitem introduzir na análise sociológica o dinamismo necessário para poder revelar a dialética do universo social. É aquilo que é tomado e empiricamente elaborado por alguma entidade, de modo que ela possa tomar uma posição ou criar uma perspectiva de interpretação. Mas no plano global, é variado o desenvolvimento dos processos histórico de civilização, assim como de cada figuração dos modelos de civilização. O conceito de caráter nacional pode ter valia como instrumento de pesquisa social para a constituição de uma análise crítica no âmbito da teoria da civilização. Analogamente, é variado o desenvolvimento dos processos especiais de civilização, assim como de cada figuração, como veremos en passant, sobre estes dois modelos pragmáticos de civilização. Estes últimos encontram uma de suas expressões mais prementes no habitus social comum dos indivíduos que formam uma tribo ou Estado. Eles são herdeiros não só de uma linguagem específica, mas também de um modelo crível específico de civilização e, portanto, de formas específicas de autorregularão, que eles absorvem mediante o aprendizado de uma linguagem comum e nas quais, então, se encontram: no caráter comum do habitus social, da sensibilidade e do comportamento dos membros de uma tribo ou de um Estado nacional. O conceito de caráter nacional refere-se precisamente a isso. Ipso facto, ele pode ter valia como instrumento abstrato de pesquisa no âmbito da concepção de teoria da civilização.

Dentre os elementos espirituais comuns aos processos de civilização, assim como contrariamente a todos os processos sociais de descivilização, destaca-se sua direção contumaz na vida. A consciência, para a qual existe agora um ser sensível, é somente um visar, isto é, saiu totalmente para fora do perceber, e regressou a si mesma. Só que o ser sensível e o visar passam, eles mesmos, para o perceber: sou relançado ao ponto inicial, e de novo arrastado no mesmo circuito – o qual se suprassume em cada momento e como um todo. Qualquer consciência suprassume de novo uma verdade do tipo: o aqui é uma árvore ou: o agora é meio-dia, e enuncia o contrário: o aqui não é nenhuma árvore, mas uma casa. A consciência também suprassume logo o que é afirmação de um isto sensível, nessa firmação que suprassume a primeira. Assim, em toda certeza sensível só se experimenta, em verdade, o que já vimos: a saber, o isto como um universal – o contrário do que aquela afirmação garante ser a experiência universal.  A consciência, portanto, percorre necessariamente esse círculo, mas ao mesmo tempo não é do mesmo modo que na primeira vez. Ela fez, justamente, sobre o perceber a experiência de que o resultado e o verdadeiro dele é sua dissolução ou a reflexão sobre si mesma, a partir do verdadeiro. Sendo assim, ficou determinado para a consciência como é que seu perceber está constituído, isto é: não consiste em ser um puro apreender simples, mas em ser seu apreender ao mesmo tempo refletido em si a partir do verdadeiro.                       

Esse retorno da consciência a si mesma, se insere imediatamente no puro apreender, altera o verdadeiro.  A consciência reconhece esse aspecto como o seu, e o toma sobre si; e assim fazendo, manterá puro o objeto verdadeiro. Assim, temos a passagem da representação abstrata, para o conceito claro e concreto através do acúmulo de determinações. Aquilo que por movimento dialético separa e distingue perenemente a identidade e a diferença, sujeito e objeto, finito e infinito, é a alma vivente de todas as coisas, a Ideia Absoluta que é a força geradora, a vida e o espírito eterno. Mas a Ideia Absoluta seria uma existência abstrata se a noção de que procede não fosse mais que uma unidade abstrata, e não o que é em realidade, isto é, a noção que, por um giro negativo sobre si mesma, revestiu-se novamente de forma subjetiva. A determinação mais simples e primeira que o espírito pode estabelecer é o Eu, a faculdade de poder abstrair todas as coisas, até no limite a sua própria vida. Chama-se idealidade precisamente esta supressão da exterioridade. Entretanto, o espírito não se detém na concreta apropriação, transformação e dissolução da matéria em sua universalidade, mas, enquanto consciência religiosa, por sua faculdade representativa, penetra e se eleva através da aparência dos seres, uno, infinito, que conjunta e anima interiormente todas as coisas, enquanto pensamento filosófico, como princípio universal, a ideia eterna que as engendra e nelas se manifesta. Isto quer dizer que o espírito finito se encontra inicialmente numa união imediata com a natureza, a seguir em oposição com esta, e em identidade com esta, porque suprimiu a oposição e voltou a si mesmo e, consequentemente, o espírito finito é a ideia, mas ideia que girou sobre si mesma e que existe por si em sua própria realidade.

Átomo é uma unidade básica de matéria que consiste num núcleo central de carga elétrica positiva envolto por uma nuvem de elétrons de carga negativa. O núcleo atómico é composto por protões e nêutrons. Os elétrons de um átomo estão ligados ao núcleo por força eletromagnética. Da mesma forma, um grupo de átomos pode estar ligado entre si através de ligações químicas baseadas na mesma força, formando uma molécula. Um átomo que tenha o mesmo número de protões e elétrons é eletricamente neutro, enquanto que um com número diferente pode ter carga positiva ou negativa, sendo desta forma denominado ião. Os átomos são classificados de acordo com o número de protões no seu núcleo: o número de protões determina o elemento químico e o número de neutrões determina o isótopo desse elemento. Os átomos são objetos minúsculos cujo diâmetro é de apenas algumas décimas de nanómetros e com pouca massa em relação ao seu volume. A sua observação prática só é possível com recurso a instrumentos específicos e apropriados: o microscópio de corrente de tunelamento. Aproximadamente 99,94% da massa atómica está concentrada no núcleo, tendo os prótons e nêutrons aproximadamente a mesma massa. Cada elemento possui pelo menos um isótopo com nuclídeos instável que pode sofrer decaimento radioativo. Isto pode levar à ocorrência de uma transmutação que altere o número de prótons ou nêutrons no interior do núcleo.

Os elétrons ligados a átomos possuem um conjunto estável de níveis energéticos, ou orbitais atómicas, podendo sofrer transições entre si ao absorver ou emitir fotões que correspondam à diferença de energia entre esses níveis. Os elétrons definem as propriedades químicas de um elemento e influenciam as propriedades magnéticas de um átomo. A mecânica quântica é a representação da teoria que descreve corretamente a estrutura e as propriedades compostas dos átomos. A Era Atômica começou sob o signo de representação ideológico da guerra global. Com o manejo da radioatividade ao fim do século XIX, com a invenção do raio-X pelo alemão Wilhelm Röntgen (1845-1923) e as experiências do francês Henri Becquerel (1852-1908) e da franco-polonesa Marie Curie (1867-1934). Como em inúmeras inovações tecnológicas estão ligados à guerra, o conflito bélico acelerou sua aplicabilidade prática e expandiu suas fronteiras globais. Quando os alemães Otto Hahn e Fritz Strassmann conseguiram realizar a fissão nuclear, os alarmes de incêndio soaram globalmente no mundo científico. A usina de Chernobil produzia energia elétrica por meio de fissão nuclear. A Era Atómica, por vezes designada Era Nuclear, é o termo utilizado sociologicamente para referir-se ao período da história posterior à explosão nuclear ocorrida em 16 de julho de 1945 no deserto de Alamogordo, nos Estados Unidos da América. O termo foi utilizado durante a extraordinária década de 1950, desenvolvimentista, subsequente as primeiras explosões nucleares que puseram fim à 2ª guerra mundial, com a generalização da opinião difundida de que, no futuro, todas as fontes de utilização de energia social seriam de natureza atômico-nuclear.

Estima-se que até 1998, em torno de 2 050 testes nucleares tenham sido realizados pelas principais potências imperialistas do mundo. Mais de 53 milhões de pessoas perderam a vida na maior guerra já vista na história da humanidade. As bombas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki, são chamadas atômicas porque usam o poder e a energia do átomo para causar reações em cadeia altamente energéticas. Bombas atômicas são as armas letais de destruição em massa mais poderosas existentes. Os caracteres que compõem o nome Japão significam “Origem do Sol”, razão pela qual o Japão é às vezes identificado como a “Terra do Sol Nascente”. O nome japonês Nippon é usado de forma oficial, inclusive no dinheiro japonês, selos postais e para muitos eventos esportivos internacionais. Nihon é um termo mais casual e mais frequentemente utilizados no discurso contemporâneo. Tanto Nippon quanto Nihon, literalmente significam “origem do sol” e muitas vezes são traduzidos como a “Terra do Sol Nascente”. Esta nomenclatura vem das missões do Império com a dinastia chinesa Sui e refere-se a posição a leste do Japão em relação à China. Foi durante o século XVI que comerciantes e missionários portugueses chegaram ao Japão pela primeira vez, dando início a um intenso período de trocas culturais e comerciais. No Japão, os portugueses praticaram pari passu o comércio e a evangelização. Os missionários sacerdotes da Companhia de Jesus, levaram a cabo um intenso trabalho de missão e em cerca de 100 anos de presença portuguesa no Japão.

Em 1582 a comunidade cristã no país chegou a ascender a 150 mil cristãos no Japão e 200 igrejas. Toyotomi Hideyoshi deu continuidade ao governo de Oda Nobunaga e unificou o país em 1590. Depois da morte de Hideyoshi, o regente Tokugawa Ieyasu aproveitou-se de sua posição para ganhar apoio político e militar. Quando a oposição deu início a uma guerra, ele a venceu em 1603 na Batalha de Sekigahara. Tokugawa fundou um novo xogunato, um sistema de governo predominante no Japão de 1192 a 1867, com capital em Edo e expulsou os portugueses e restantes estrangeiros, dando início à perseguição dos católicos no país, tidos como subversivos, com uma política reconhecida como sakoku, a política externa isolacionista japonesa. A perseguição aos cristãos japoneses fez parte desta política, levando esta comunidade à conversão forçada ou mesmo à morte, como é o caso dos 26 Mártires do Japão. Neste período o Japão era uma sociedade feudal relativamente bem desenvolvida com tecnologia pré-industrial. O país era mais povoado do que qualquer país ocidental e tinha, no século XVI, cerca de 26 milhões de habitantes. As lutas no Oriente comparativamente seriam a continuação das lutas que já se haviam travado em Portugal e no Norte de África, dominando ou abatendo o poder do Islão. O próprio movimento civilizatório dos chamados “descobrimentos” surgiu em seu ersatz de combate ao Império Otomano que ameaçava a Europa cristã, incapaz de vencer o inimigo em guerra aberta.

Os objetivos passavam por fazer uma concorrência comercial aos muçulmanos, ao mesmo tempo ganhando proveitos e debilitando a economia dos rivais. Mas também se ambicionava encontrar aliados dos europeus nas novas terras, que poderiam ser eles mesmos cristãos, ou passíveis de conversão. Cada um dos tipos ideais metodológicos de discurso neste poema evidencia particularidades estilísticas concretas. Dependendo do assunto que tratam, o estilo pode ser heroico e exaltado, empolgante, lamentoso e melancólico, humorístico, admirador. Na medida em que a regra de pensamento e universalmente aceita, segundo a concepção de teoria, o que é social não pode ser individual. O que é individual não pode ser social, é um desses axiomas que têm a tendência a serem aceitos na medida em que todos parecem aceitá-los, mas que desaparecem como a roupa nova do rei quando são examinados sem preconceitos. Isto é importante na medida em que a regra de pensamento e universalmente aceita, segundo a qual o que é “social” não pode ser “individual” e o que é “individual” não pode ser “social”, é um desses axiomas fossilizados que têm a tendência a serem aceitos na medida em que todos parecem aceitá-los, mas que desaparecem como a roupa nova do rei quando são examinados sem preconceitos.

As sociedades, segundo Norbert Elias (1897-1990), não são nada além de indivíduos conectados entre si; cada indivíduo é dependente de outros, de seu (deles e dele ou dela) amor, de sua língua, de seu conhecimento, de sua identidade, da manutenção da paz e de muitas outras coisas. Há algo de intrínseco nessa discussão, pois até mesmo os conflitos de classe são considerados pelo sociólogo, independentemente do que mais possam ser, conflitos entre seres humanos individuais. E um conflito entre dois seres humanos, por mais que possa ser algo único e pessoal, pode ser ao mesmo tempo representativo de uma luta entre diversos estratos sociais, e no plano histórico e social remontando evidentemente a várias gerações. O estudo da gênese de uma profissão, portanto, não é simplesmente a apreciação de um certo número de indivíduos que tenham sido os primeiros a desempenhar certas funções para outros e a desenvolver certas relações, mas sim a análise de tais funções e relações. As descobertas científicas, invenções e o surgimento de novas necessidades humanas e de meios especializados para satisfazê-las são fatores que contribuem para o desenvolvimento de uma nova profissão. Contudo, nem as novas necessidades nem as novas descobertas são, por si sós, sua fonte. A geografia do Japão tornou este plano de invasão óbvio para os japoneses. 

Eles foram capazes de prever abstratamente os planos de invasão dos Aliados com precisão e, assim, ajustar o seu plano defensivo, a Operação Ketsugō (1945), em conformidade. Os japoneses planejaram uma defesa em Kyūshū, sendo que pouca reserva militar sobrou para quaisquer operações de defesa subsequentes. Quatro divisões veteranas foram retiradas do Exército de Guangdong na Manchúria em março de 1945 para reforçar as forças no Japão e 45 novas divisões foram ativadas entre fevereiro e maio de 1945. A maioria eram formações imóveis para a defesa da costa litorânea, mas 16 eram divisões técnicas móveis de alta qualidade. Ao todo, 2,3 milhão de soldados do exército imperial japonês prepararam-se para defender suas ilhas, apoiados por uma milícia civil de 28 milhões de homens e mulheres. As previsões de vítimas variaram muito, mas eram extremamente elevadas. O vice-chefe do Estado-Maior da Marinha Imperial Japonesa Geral, o vice-almirante Takijiro Onishi (1891-1945), previu 20 milhões de mortes de japoneses. Um estudo de 15 de junho de 1945, realizado pelo Comitê Conjunto de Planos de Guerra e que forneceu informações de planejamento para o Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, estimou que a Olympic resultaria entre 130 mil e 220 mil baixas norte-americanas. Emitido em 15 de junho de 1945, após reconhecimento adquirido a partir da Batalha de Okinawa (1945), o estudo analítico observou defesas inadequadas do Japão devido ao bloqueio marítimo muito eficaz e a campanha de bombardeio do território japonês pelas forças estratégicas norte-americanas.

Bibliografia Geral Consultada.

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