quarta-feira, 22 de abril de 2026

Traje de Banho – Tecnologia, Cultura & História do Vestuário de Têxteis.

                                                                                                O homem e a vaidade movem o mundo”. Michel Foucault                           

        O conceito de figuração distingue-se de outros conceitos teóricos da sociologia por incluir expressamente os seres humanos em sua formação social. Contrasta, portanto, decididamente com um tipo amplamente dominante de formação de conceitos que se desenvolve sobretudo na investigação de objetos sem vida, portanto no campo da física e da filosofia para ela orientada. Há figurações de estrelas, assim como de plantas e de animais. Mas apenas os seres humanos formam figurações uns com os outros. O modo de sua vida conjunta em grupos grandes e pequenos é, de certa maneira, singular e sempre co-determinado pela transmissão de conhecimento de uma geração a outra, por tanto por meio do ingresso singular do mundo simbólico específico de uma figuração já existente de seres humanos. Às quatro dimensões espaço-temporais indissoluvelmente ligadas se soma, no caso dos seres humanos, uma quinta, a dos símbolos socialmente apreendidos. Sem sua apropriação, sem, por exemplo, o aprendizado de uma determinada língua especificamente social, os seres humanos não seriam capazes de se orientar no seu mundo nem de se comunicar uns com os outros. Um ser humano adulto, que não teve acesso aos símbolos da língua e do conhecimento de determinado grupo permanece fora das as figurações humanas, pois não é um ser humano. As definições de controle social são demasiado amplas e vagas, e, seria legítimo indagar, escolhendo-as mais ou menos ao acaso, para inferir que resultam em termos de controle, estímulo ou complexo de estímulos que provoca determinada reação.

Assim, pois, todos os estímulos são controles, pois representam a direção do comportamento por influências grupais, estimulando ou inibindo a ação individual ou grupal. O controle social pode ser definido como a soma total ou, antes, o conjunto de padrões culturais, símbolos sociais, signos coletivos, valores culturais, ideias e idealidades, tanto como atos quanto como processos diretamente ligados a eles, pelo qual a sociedade inclusiva, cada grupo particular, e cada membro individual participante superam as tensões e os conflitos entre si, através do equilíbrio temporário, e se dispõem a novos esforços criativos. Ipso facto, em toda a dimensão da vida associativa deverá haver algum ajustamento de relações sociais tendentes a prevenir a interferência de direitos e privilégios entre os indivíduos. De maneira mais específica, são três as funções do estabelecidas pelo controle social: a obtenção e a manutenção da ordem social, da proteção social e da eficiência social. O seu emprego hic et nunc na investigação sociológica contribuiu consideravelmente para produzir uma simplificação ou redução na análise dos problemas sociais, conseguida proporcionalmente, graças à compreensão positiva da integração das contradições correspondentes no sistema de organização das sociedades e da importância relativa de cada um deles, como e enquanto expressão do jogo social.  Embora obscuro e equívoco, em seu significado corrente, o conceito de controle é necessário à investigação na modernidade, encontraram um sistema de referências propício à sua crítica científica, seleção lógica e coordenação metódica.  

O tempo, como a unidade negativa do ser-fora-de-si, é igualmente um, sem mais nem menos, abstrato, ideal. Ele é o ser, que, enquanto é, não é, e enquanto não é; ele é o vir-a-ser intuído, analogamente, tal que são determinadas as diferenças simplesmente momentâneas, as que imediatamente se suprassumem como exteriores, isto é, que são apesar disso exteriores a si mesmas. O tempo é como o espaço uma pura forma de sensibilidade ou do intuir, é o sensível, mas, assim como a este espaço, também ao tempo não diz respeito a diferença de objetividade e de uma consciência subjetiva contra ela. Quando se aplicam estas determinações de espaço e tempo, então seria aquele a objetividade abstrata, este [o tempo], porém a subjetividade abstrata. O tempo é o princípio representativo que o Eu=Eu da autoconsciência pura; mas é o mesmo princípio ou o simples conceito ainda em sua total exterioridade e abstração – como o mero vir-a-ser intuído, o puro ser-em-si como um vir-fora-de-si. O tempo é igualmente contínuo como o espaço, pois ele é a negatividade abstratamente referindo-se a si e nesta abstração ainda não há nenhuma diferença real. No tempo, diz-se, tudo surge e perece, se se abstrai de tudo, do recheio do tempo e do recheio do espaço, fica de resto o tempo vazio como o espaço vazio, são então postas e representadas estas abstrações de exterioridade, como se elas fossem por si. O real é limitado, e o outro para esta negação está fora dele, a determinidade é assim nele exterior a si, e daí a contradição de seu ser; a abstração opera nessa exterioridade de sua contradição e a inquietação da mesma é o próprio tempo.                                        

            O que não está no tempo é o sem-processo; o péssimo e o mais perfeito não estão no tempo, dura. O péssimo, da pior qualidade, porque ele é uma universalidade abstrata, assim espaço, assim tempo mesmo; sua duração não é vantagem. O duradouro é mais altamente cotado do que o transitório; mas toda florescência, toda bela vitalidade tem morte cedo. Mas também o mais perfeito dura, não só o universal sem-vida, inorgânico, mas também o outro universal, o concreto em si, o gênero, a lei, a ideia, o espírito. Representa o processo total ou apenas um momento do processo que entra no tempo enquanto os momentos do conceito têm a aparência da independência; mas as diferenças excluídas portam-se como reconciliadas e retomadas à paz. A noção de desenvolvimento passa a ser central depois dessa concepção na filosofia da história e, para o bem ou para o mal até os dias presentes. Mesmo a ideia de progresso, que implicava o depois poder ser explicado em função do antes, encalhou, de certo modo nos recifes materiais do século XX, ao sair das esperanças ou das ilusões que acompanharam a chamada “travessia do mar” aberto pelo século XIX. O crescimento de um jovem convivendo e habitando comum em figurações humanas, como processo social e experiência, assim como o aprendizado de um determinado esquema de autorregulação na relação com os seres humanos, é condição indispensável ao desenvolvimento rumo à humanidade.   

Socialização e individualização de um ser humano, são nomes diferentes para o processo. Cada ser humano assemelha-se aos outros, e é, ao mesmo tempo, diferente de todos os outros. O mais das vezes, as teorias sociológicas em seu ersatz deixam sem resolver o problema da relação entre indivíduo e sociedade. Quando se fala que uma criança se torna um indivíduo humano por meio da integração em determinadas figurações, como, por exemplo, em famílias, em classes escolares, em comunidades aldeãs ou em Estados, assim como mediante a apropriação e reelaboração de um patrimônio simbólico social, conduz-se o pensamento por entre dois grandes perigos da teoria e das ciências humanas: o perigo de partir de um indivíduo a-social, portanto como que de um agente que existe por si mesmo; e o perigo de postular um “sistema”, um “todo”, em suma, uma sociedade humana que existiria para além do ser humano singular, para além dos indivíduos. Embora não possuam um começo absoluto, não tendo nenhuma outra substância a não ser seres humanos gerados familiarmente por pais e mães, as sociedades humanas não são simplesmente um aglomerado cumulativo qualquer dessas pessoas postas em fila. O convívio dos seres humanos em sociedades tem sempre, mesmo no caos, na desintegração, na maior desordem social, uma forma absolutamente determinada. É isso que o conceito de figuração exprime.

O estudo ou pesquisa & desenvolvimento da história social do vestuário e dos têxteis representa o desenvolvimento, uso e disponibilidade de vestuário e têxteis da história humana. Roupas e tecidos refletem os materiais e tecnologias disponíveis em diferentes civilizações em diferentes épocas. A variedade e distribuição, produção e consumo de roupas e tecidos da sociedade revelam costumes sociais e cultura. Cultura é um conceito que abrange o comportamento social, as instituições e as normas encontradas nas sociedades humanas, bem como o conhecimento, as crenças, as artes, as leis, os costumes, as capacidades, as atitudes e os hábitos dos indivíduos nesses grupos. A cultura geralmente se origina ou é atribuída a uma região ou local específico. Os humanos adquirem cultura por meio dos processos de aprendizagem de enculturação e socialização, o que é demonstrado pela diversidade de culturas nas sociedades. Uma norma cultural codifica a conduta aceitável na sociedade; serve como uma diretriz normalizadora para o comportamento social, como vestimenta, linguagem e comportamento em uma situação cultural, que serve como um modelo para expectativas em um grupo social. Aceitar apenas uma monocultura em um grupo social pode trazer riscos, assim como uma única espécie pode definhar diante de uma mudança ambiental, por falta de respostas funcionais à mudança social. Assim, na cultura militar, a coragem é contada como um comportamento típico de um indivíduo, e o dever, a honra e a lealdade ao grupo são contadas como virtudes ou respostas funcionais no continuum do conflito.

Na religião, atributos análogos podem ser identificados em um grupo. Mudança cultural, ou reposicionamento, é a reconstrução de um conceito cultural de uma sociedade. As culturas são afetadas internamente tanto por forças sociais que incentivam quanto por forças sociais que inversamente resistem às mudanças. As culturas in statu nascendi são afetadas externamente pelo contato social global entre sociedades. Civilização é qualquer sociedade complexa, dinâmica, caracterizada pelo desenvolvimento do Estado, estratificação social, urbanização e sistemas simbólicos de comunicação social além das línguas gestuais ou faladas e sistemas de escrita. A cultura é considerada conceito central na antropologia, e porque não dizer, igualmente na sociologia, abrangendo a gama de fenômenos que são transmitidos através da aprendizagem normalizada, que compartilham universais culturais, como arte, música, dança, ritual, religião e tecnologias como uso de ferramentas, culinária, abrigo e vestuário. 

O conceito de cultura material abrange as expressões físicas da cultura, como tecnologia, arquitetura e arte, enquanto os aspectos imateriais da cultura, como princípios de organização social (incluindo práticas de organização política e instituições sociais), mitologia, filosofia, literatura (escrita e oral) e ciência compreendem o patrimônio cultural intangível de uma sociedade. Nas humanidades, um sentido de cultura como um atributo do indivíduo tem sido o grau em que eles cultivaram um nível particular de sofisticação nas artes, ciências, educação ou costumes. O nível de sofisticação cultural também tem sido usado às vezes para distinguir civilizações comparativamente de sociedades menos complexas. Essas perspectivas hierárquicas sobre cultura também são encontradas em distinções baseadas em classe entre uma alta cultura da elite social e uma baixa cultura, cultura popular ou cultura folclórica das classes mais pobres, distinguidas pelo acesso estratificado ao capital cultural. Na linguagem comum cotidianamente, cultura é frequentemente usada para se referir especificamente aos “marcadores simbólicos” usados por grupos étnicos para se distinguirem visivelmente uns dos outros, como modificações corporais, roupas ou joias. O conceito de cultura de massa se refere às formas de cultura de consumo produzidas em massa e mediadas em massa que surgiram no século XX. Algumas escolas de filosofia, como o marxismo e a teoria crítica, argumentam que a cultura é frequentemente usada politicamente como uma ferramenta das elites para manipular o proletariado e criar uma falsa consciência. Essas perspectivas são comuns na disciplina de estudos culturais.

Nas ciências sociais mais amplas, incluindo a comunicação social, a perspectiva teórica do materialismo cultural sustenta que a cultura simbólica surge das condições materiais da vida humana e que a base da cultura é encontrada em disposições biológicas evoluídas. Quando usado como utilidade de uso um substantivo contável, uma “cultura” tem como representação social o conjunto per se de costumes, tradições e valores de uma sociedade ou comunidade, como um grupo étnico ou nação, e o conhecimento adquirido ao longo do tempo. Nesse sentido, o multiculturalismo um princípio que defende a necessidade de se ir além das atitudes de tolerância entre diferentes culturas num mesmo território ou nação, valoriza a coexistência pacífica e o respeito mútuo entre diferentes culturas que habitam o mesmo planeta. Às vezes, o termo cultura também é usado para descrever práticas específicas dentro de um subgrupo de uma sociedade, uma subcultura ou uma contracultura. Dentro da antropologia, a ideologia e a postura analítica do relativismo cultural sustentam que as culturas não podem ser facilmente classificadas ou avaliadas objetivamente porque qualquer avaliação está necessariamente situada dentro do sistema de valores de uma determinada cultura. O maiô ou fato de banho é uma peça única de roupa de banho usada por mulheres. Antecedeu o biquíni na história das roupas. Seus modelos geralmente cobrem as regiões da genitália, o abdômen e o peito.

Possui vários modelos: mais ou menos reservados, decorados, frente única. Também há o chamado triquíni, maiô falso, em português do Brasil, já que atrás pode ser aberto a ponto de parecer um biquíni. No início do século XX, as mulheres passaram a utilizar maiôs fechados, que cobriam boa parte das pernas. A partir da década de 1920, o maiô começa a perder seu alongamento nas pernas, ficando mais evidente nas coxas, mas é comum o uso de sapatos mesmo na areia. O termo moderno cultura é baseado em um termo usado pelo antigo orador romano Cícero em suas Tusculanae Disputationes, são uma obra filosófica de Cícero, na qual o autor busca estabelecer a imortalidade da alma e demonstrar que a felicidade só pode ser fundamentada na virtude. É um manifesto do estoicismo, onde ele escreveu sobre o “cultivo da alma” ou cultura animi, usando uma metáfora de poder agrícola para o desenvolvimento de uma alma filosófica, entendida teleologicamente como o ideal mais elevado possível para o desenvolvimento pragmático humano. Nas palavras do antropólogo Edward Burnett Tylor (1832-1917) é “aquele todo complexo que inclui conhecimento, crença, arte, moral, lei, costume e quaisquer outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade”. As ideias de Tylor tipificam com razão o evolucionismo cultural do século XIX. Em Primitive Culture (1871) e Anthropology (1881), definiu o estudo científico da antropologia, com base nas teorias evolutivas de Charles Lyell (1797-1875).

 Ele acreditava que havia uma base funcional para o desenvolvimento da sociedade e da religião, que ele determinou ser universal. Tylor sustentava que todas as sociedades passavam por três estágios básicos de desenvolvimento: da selvageria, da barbárie à civilização. Tylor é uma figura fundadora da ciência da antropologia social, e seus trabalhos acadêmicos ajudaram a construir a disciplina da antropologia no século XIX. Alternativamente, em uma variante contemporânea, “cultura é definida como um domínio social que enfatiza as práticas, discursos e expressões materiais, que, ao longo do tempo, expressam as continuidades e descontinuidades do significado social de uma vida mantida em comum”. O Cambridge English Dictionary define cultura como “o modo de vida, especialmente os costumes e crenças gerais, de um determinado grupo de pessoas em um determinado momento”. A teoria da gestão do terror postula que a cultura é uma série de atividades e visões de mundo que fornecem aos seres humanos a base para se perceberem como “pessoas de valor dentro do mundo do significado”, elevando-se acima dos aspectos meramente físicos da existência, a fim de negar a insignificância animal e a morte das quais o Homo sapiens tomou consciência quando adquiriu um cérebro maior. A palavra é usada geralmente como a capacidade evoluída de categorizar e representar experiências com símbolos e de agir de forma imaginativa e criativa. Essa capacidade surgiu com a evolução da modernidade comportamental em humanos há cerca de 50 mil anos e muitas vezes é considerada exclusiva dos humanos. No entanto, algumas outras espécies demonstraram habilidades semelhantes, embora menos complicadas, para aprendizagem social. Também é usada para denotar as redes complexas de práticas e conhecimento e ideias acumulados que são transmitidos por meio da interação social e existem em grupos humanos específicos, ou culturas, usando a forma plural.

Antes da revolução industrial a tecelagem era um ofício manual e a principal fibra era a lã. Nas principais zonas lanifícias uma forma primitiva de sistema fabril tinha sido já introduzida. Mas nas zonas montanhosas os tecelões continuavam a trabalhar em casa num sistema de subcontratação. Os teares podiam ser largos ou estreitos. Os teares largos eram, nessa altura, aqueles largos demais para que o tecelão passasse a lançadeira através da cala, necessitando de um ajudante, geralmente, um aprendiz de tecelão. Este ajudante deixou de ser necessário quando John Kay (1704-1779) inventou a Lançadeira voadora em 1733. Foi um inventor inglês cuja criação mais importante foi a lançadeira volante, que foi uma contribuição fundamental para a Revolução Industrial. Ele é frequentemente confundido com seu homônimo, que construiu exatamente a primeira “máquina de fiar”. Esta lançadeira, impulsionada pela ação de dois martelos de madeira em ambas as extremidades e acionados pelo tecelão aumentou a velocidade de produção de tecido. Por este motivo ocorreu uma falha no fornecimento de fio de lã e uma capacidade instalada de tecelagem em excesso. A abertura do Canal de Bridgewater em junho de 1761, permitiu ao algodão desembarcado em Liverpool ser transportado para Manchester, onde a existência de muitos rios com caudalosos e rápidos permitiam a utilização de maquinaria impulsionada pela força hidráulica. A fiação foi a primeira a ser mecanizada (máquina de fiar, máquina de fiar de carrinho) e isso facilitou o fornecimento de fio ao tecelão.

Edmund Cartwright foi a primeira pessoa que tentou mecanizar o tear a partir de 1785. Ele construiu uma fábrica em Doncaster e obteve uma série de patentes entre 1785 e 1792. Em 1788, o seu irmão, o Major John Cartwright construiu uma fábrica em Retford. Em 1791, ele licenciou o seu tear aos irmãos Grimshaw de Manchester, mas a sua fábrica ardeu completamente, provavelmente por fogo posto. O Parlamento britânico atribuiu a Edmund Cartwrght um prêmio de £ 10 000 em 1809 “para premiar os seus esforços na mecanização do tear”. No entanto o sucesso do tear mecânico ficou também a dever-se a melhorias no desenho de Cartwright feitas por terceiros. O tear mecânico apenas passou a dominar a produção de tecido a partir de 1805. Nessa altura havia cerca de 250 000 tecelões manuais no Reino Unido. A Indústria têxtil era um dos sectores de ponta na Revolução Industrial Britânica, mas a tecelagem foi uma área onde a mecanização se deu relativamente tarde. Apenas em 1842 e como resultado de várias melhorias que foram feitas à máquina de Arkwright, o Tear tornou-se semiautomático, e apenas tinha de parar para o tecelão mudar a canela de fio da lançadeira. Apenas em 1890 é que com o sistema automático de enchimento e mudança de canela, o tear mecânico tornou-se 100% automático. Estas inovações transformaram a tecelagem de uma atividade caseira, com mão-de-obra intensiva e manual, num processo fabril movido a vapor. Paralelamente o tear deixou de ser fabricado em madeira e passou a sê-lo em ferro fundido, o que levou ao aparecimento da grande indústria metalúrgica dedicada à produção de teares mecânicos e outros equipamentos têxteis.

A grande maioria da indústria de tecelagem algodoeira localizava-se em barracões em pequenas povoações à volta de Manchester e afastados das fábricas de fiação. A tecelagem de lã, penteada ou cardada localizou-se no Oeste de Yorkshire, em particular na cidade de Bradford. Estavam localizadas enormes fábricas como a Lister’s e Drummond’s onde tinham lugar todas as operações desde a recepção das fibras ao envio de tecidos acabados. O tecido in limine em cru era enviado para os acabadores onde era branqueado, tingido e/ou estampado, primeiro com corantes naturais e depois com corantes sintéticos, a partir da segunda metade do século XIX. A necessidade destes químicos foi um fator social importante para o desenvolvimento da química moderna, nomeadamente da Química orgânica. A invenção em 1804 do tear Jaquard em França permitiu a tecelagem de tecidos com padrões e desenhos extremamente complicados, através da utilização de cartões perfurados anteriormente inventados em 1725 por Basille Bouchon e melhorados em 1728 por Jean-Baptiste Falcon, que permitiam definir que fios apareceriam na parte de cima do tecido. Os cartões perfurados permitiam o controlo individual de cada fio de teia, linha-a-linha sem que houvesse qualquer repetição do padrão, isso tornou possível a tecelagem de padrões complexos. Existem exemplos de tecidos Jacquard com caligrafia, gravuras tecidas. A máquina de Jacquard podia ser montada tanto em teares automáticos como em teares manuais. Os cartões perfurados do Tear Jacquard foram os percursores de todos os modernos computadores.

Foi a utilização de cartões perfurados no controlo dos fios de teia que inspirou Charles Babbage (1791-1871) a usá-los como método de inserção de dados na sua máquina analítica. No final do século XIX, Hermann Hollerith (1860-1929) utilizá-los-ia como suporte de dados de entrada na sua máquina tabuladora que desenhou para o Censo de 1890 nos Estados Unidos da América. Os cartões perfurados continuariam a ser usados nos computadores até aos anos 1970 do século XX e nos teares Jacquard até aos anos 90 do século XX, sendo substituídos por sistemas electrónicos. Durante a primeira metade do século XX, o tear mecânico manteve-se idêntico ao do final do século passado. Apenas durante esse tempo inventaram-se a máquina automática de atar teias e a de inserção de teia nos liços. A seguir à 2ª guerra mundial, em 1953 começaram a ser comercializados teares com inserção de trama por projétil. Em 1972 por lanças rígidas ou flexíveis e 1975 por Jacto de ar.  Estas inovações fizeram que a taxa de inserção de trama passasse de alguns metros por minuto para cerca de 2000 m/min, fazendo com que a produtividade por tear subisse de 8.5 jardas quadradas por hora em 1975 para 29.5 em 1995. Todos os teares seguem a mesma ideia básica da tecelagem, como foi descrito: (1) Abertura da Cala, (2) Inserção da Trama e (3) Batida do pente. A principal diferença de um tear para o outro é a técnica da inserção do fio de trama. Os modelos mais antigos tinham inserção por lançadeiras. Atualmente os tipos de inserção de trama mais comuns são por projéteis, pinças, jato-de-ar ou jato-de-água. Na tecelagem industrial, o sistema de abertura da cala pode ser por excêntricos, maquineta ou maquineta de Jacquard.

Embora o sistema de lançadeira pareça arcaico, ele é o único que consegue produzir tecidos de até oito metros de largura. Na década de 2010, a indústria têxtil global foi criticada por práticas insustentáveis. A indústria têxtil demonstrou ter um “impacto ambiental negativo na maioria das fases do processo de produção. O comércio global de vestuário de segunda mão mostra-se promissor na redução da utilização de aterros, no entanto, as relações internacionais e os desafios à reciclagem de têxteis mantêm o mercado pequeno em comparação com a utilização total de vestuário. O consumo excessivo e a geração de resíduos na cultura da moda global levaram marcas e varejistas em todo o mundo a adotar a reciclagem têxtil, que se tornou um foco principal dos esforços mundiais de sustentabilidade. As marcas anunciam cada vez mais produtos feitos de materiais reciclados de acordo com as mudanças nas expectativas dos consumidores. A partir de 2010, os investimentos em empresas de reciclagem têxtil cresceram para dimensionar as soluções de reciclagem para a demanda global, com a Inditex apoiando a empresa de reciclagem têxtil-têxtil Circ em julho de 2022 ou a Goldman Sachs liderando um investimento merceológico em mecanização empresa de algodão reciclado Recover Textile Systems. A reciclagem têxtil é o processo mediante de recuperação de fibras, fios ou tecidos e o reprocessamento do material em produtos novos e úteis. Os resíduos têxteis são divididos em pré-consumo e pós-consumo e classificados em categorias derivadas de um modelo de pirâmide.                   

Os têxteis podem ser reutilizados ou reciclados mecanicamente/quimicamente. Houve uma mudança nos últimos anos para a reciclagem de têxteis por causa de novos regulamentos em vários países. Em resposta, as empresas estão desenvolvendo produtos a partir de resíduos pós-consumo e materiais reciclados, como plásticos. Os resultados de estudos acadêmicos demonstram que a reutilização e a reciclagem de têxteis são mais vantajosas do que a incineração e o aterro.  Mais de 100 bilhões de roupas são produzidas anualmente, a maioria das quais acaba em incineradores ou aterros sanitários. A EPA informou que, somente em 2018, foram gerados 17 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos (RSU) têxteis. A indústria da moda é indiscutivelmente um dos segundos maiores poluidores ao lado da indústria do petróleo. Ao reciclar têxteis, diminui o espaço em aterros, cria menos poluição e reduz o consumo de energia e água. A maioria dos materiais utilizados na reciclagem têxtil pode ser dividida em duas categorias: resíduos pré-consumo e resíduos pós-consumo. Os resíduos pré-consumo envolvem materiais secundários das indústrias têxtil, de fibras e de algodão. Esses produtos são reaproveitados para outras indústrias, como móveis, colchões, fios grossos, construção civil, automotivo, papel e vestuário. Os resíduos pós-consumo consistem em roupas têxteis e artigos domésticos que foram descartados por seus proprietários.

Esses artigos têxteis são normalmente descartados porque estão danificados, desgastados ou desatualizados. 85% dos resíduos pós-consumo nos Estados Unidos, no entanto, são encontrados em aterros sanitários. Os restantes resíduos pós-consumo podem ser encaminhados para retalhistas de segunda mão para serem revendidos ou encaminhados para armazéns dedicados à reciclagem têxtil. Os têxteis são classificados em categorias de acordo com o modelo de pirâmide, que organiza os têxteis pela sua qualidade e usabilidade. Essas colocações de categoria determinam quais processos são usados para reciclar ou reutilizar o tecido. Essas categorias são: têxteis para mercados de roupas usadas, têxteis para conversão, limpeza e polimento de roupas, têxteis enviados para aterros sanitários e incineradores e diamantes. Os diamantes constituem 1-2% dos têxteis reciclados. Apesar de ser a menor categoria, os diamantes geram o maior lucro por item para as empresas de reciclagem. Os diamantes são itens de vestuário mais antigos e modernos de marcas reconhecidas e sofisticadas. Roupas e acessórios considerados diamantes incluem alta costura, Harley Davidson, Levi`s, Ralph Lauren e fibras de luxo (i. e, caxemira). Esses artigos de roupas de segunda mão estão em alta demanda e podem ser vendidos online, em butiques de varejo ou em lojas vintage. Cerca de 7% dos produtos têxteis reciclados são incinerados ou depositados em aterros. Os têxteis que são colocados em aterros não têm valor e não podem ser reaproveitados; é caro e é evitado sempre que possível. Têxteis podem ser incinerados para produzir energia elétrica. Esta prática é mais comum na Europa do que nos Estados Unidos porque os sistemas de caldeiras europeus têm capacidades mais altas do que os sistemas de caldeiras americanos. 

Embora a incineração de resíduos sólidos urbanos (RSU) ainda não seja viável nos Estados Unidos, mais de dois terços dos RSU são incinerados em países como Dinamarca, Japão e Suíça. Os valores energéticos da queima de RSU são comparáveis aos do óleo em termos de calorias; no entanto, existem obstáculos a este processo. Esses obstáculos incluem aumentar a eficiência da incineração e reduzir os subprodutos nocivos da incineração. Cerca de 17% dos têxteis usados são classificados na categoria de panos de limpeza e polimento. Esses tecidos são considerados inutilizáveis e são então usados para criar panos de limpeza e polimento. Os panos de limpeza e polimento podem ser feitos de uma combinação de fibras oleofílicas e hidrofílicas que são frequentemente úteis em aplicações industriais. Têxteis, como camisetas, são comumente usados para criar esses panos devido às suas fibras de algodão naturalmente absorventes. É importante salientar que 29% dos resíduos têxteis são transformados em novos produtos se considerados inutilizáveis. A usabilidade depende se os tecidos estão ou não manchados ou rasgados além do reparo. Má qualidade e mungo são os dois resultados do processo de reengenharia. Shoddy envolve a criação de novos produtos de fios a partir de materiais antigos e é um dos exemplos históricos de reciclagem têxtil.

Um dos maiores produtores de fios de má qualidade é a Panipat, no Norte da Índia, que possui mais de 300 fábricas. A maior parte do material de má qualidade em Panipat é usado para fazer cobertores de malha, perfazendo mais de 90% dos cobertores que são doados às comunidades em socorro a desastres. Mungo foi inventado depois da má qualidade e refere-se ao processo de utilização de recortes têxteis para fazer lã. Essa lã é exportada para países europeus, cujos climas mais frios e regulamentações de inflamabilidade resultam em uma maior necessidade de mungo. Shoddy e mungo podem ser utilizados para produtos de alta e baixa qualidade. Essas fibras modificadas têm sido usadas em suéteres de caxemira e no enchimento de móveis, automóveis e sacos de boxe. Nos mercados de roupas usadas 48% dos têxteis são classificados na categoria de mercados de roupas usadas. Os países ocidentais exportam têxteis usados para países em desenvolvimento ou para ajuda humanitária. Nos países “em desenvolvimento”, os têxteis ocidentais usados são altamente valorizados, pois geralmente são mais acessíveis do que os têxteis locais. Têxteis ocidentais usados também são vendidos para as classes baixa e média em países mais desenvolvidos, cuja renda não é grande o suficiente para comprar tecidos locais mais caros. Como a exportação têxtil é uma indústria global, os exportadores devem estar cientes das diversas regulamentações e restrições comerciais em diferentes países. A reutilização têxtil é o método de processamento preferível porque prolonga a vida útil do produto original. A reutilização ocorre quando os proprietários têxteis alugam, trocam, trocam, emprestam, herdam produtos por meio de lojas de segunda mão, vendas de garagem, mercados on-line/pulgas ou instituições de caridade.

 O processamento mecânico é um método de reciclagem no qual o tecido têxtil é quebrado enquanto as fibras ainda são preservadas. Uma vez trituradas, essas fibras podem ser fiadas para criar novos tecidos. Esta é a técnica mais utilizada para reciclar têxteis e é um processo particularmente bem desenvolvido para têxteis de algodão. Os protocolos de processamento mecânico podem diferir dependendo do material, portanto, também requerem vários níveis de classificação antes do início do processo. Os têxteis devem ser separados por composição de tecido e por cor para evitar tingimento e branqueamento de materiais. Depois de separados, os materiais têxteis podem ser triturados, lavados e separados em fibras menores. Essas fibras individuais são então alinhadas em um processo conhecido como cardagem em preparação para serem fiadas juntas. Algumas fibras, incluindo o algodão, devem ser fiadas junto com uma fibra transportadora para manter a qualidade superior. Essas fibras transportadoras são mais comumente algodão, algodão orgânico ou poliéster. Uma vez que as fibras são transformadas em novos fios, elas podem ser usadas para criar novos tecidos. Este processo funciona como um ciclo semifechado de reciclagem. O número de vezes que um material pode ser reciclado depende da qualidade das fibras, que diminui a cada ciclo de processamento mecânico. O processamento mecânico também pode ser usado com outros materiais além dos têxteis. Um exemplo comum disso é o poliéster.

No caso do poliéster, os materiais reciclados são garrafas plásticas feitas de polietileno tereftalato. De maneira semelhante aos têxteis, os plásticos são separados por cor e tipo quando chegam às instalações de reciclagem. O plástico é então triturado e lavado para quebrá-lo e remover os contaminantes. Os restos plásticos secos são moldados em pastilhas de PET e depois passam por extrusão para criar novas fibras. Essas novas fibras podem então ser usadas para criar novos tecidos. O processamento químico ocorre quando a reutilização têxtil é inviável. Este processo ainda não é amplamente implementado, mas existem empresas que estão pesquisando e integrando a reciclagem química. Os principais locais de produção em pequena escala são Eco Circle, Worn Again, Evrnu e Ioncell. A reciclagem química é utilizada em fibras sintéticas, como o Polietileno Tereftalato (PET). Essas fibras sintéticas podem ser quebradas para criar fibras, fios e têxteis. Para o PET, os materiais iniciais são primeiro decompostos em nível molecular usando produtos químicos que facilitam a glicólise, metanólise, hidrólise e/ou amonólise. Este ato de despolimerização também remove contaminantes do material de partida, como corantes e fibras indesejadas. A partir daqui o material é polimerizado e utilizado para produzir produtos têxteis. Ao contrário do método mecânico de reciclagem, a reciclagem química produz fibras de alta qualidade semelhantes à fibra original utilizada. Portanto, não são necessárias novas fibras para sustentar o produto do processo químico. Diferentes produtos químicos e processos são usados para outros materiais, como nylon e fibras à base de celulose, mas a estrutura geral do processo é a mesma.

Muitas empresas como Patagonia, Everlane, Heavy Eco e Girlfriend Collective agora desenvolvem seus produtos a partir de uma combinação de resíduos têxteis pós-consumo reciclados, bem como outros materiais reciclados, como plásticos. Isso também pode ser feito para outros tecidos além de roupas. Por exemplo, a Egetæpper é uma empresa dinamarquesa de fabricação de tapetes que fabrica seus tapetes usando fibras de redes de pesca recicladas. Muitas dessas empresas também desenvolvem programas especificamente projetados para reduzir o desperdício de fabricação e permitir que seus clientes reciclem peças de roupa velhas por meio da mesma empresa. A Glen Raven, Inc., uma fabricante de tecidos, projetou um programa que coleta peças não utilizadas durante a produção e as recicla em um novo tecido. Uma região específica que é mais progressiva em aplicações de têxteis reciclados é a Escandinávia, que criou produtos de mercado convencionais. Na Suécia, empresas como Lindex e H&M estão incluindo fibras residuais pré-consumo e pós-consumo em suas novas linhas de roupas. Da mesma forma, na Finlândia, a Pure Waste é uma empresa de roupas que cria camisetas a partir de fibras recicladas em suas fábricas 95% movidas a energia eólica. Novas regulamentações para a indústria têxtil foram introduzidas em vários países que favorecem o uso de materiais reciclados. Em 30 de março de 2022, a Comissão Europeia publicou a Estratégia da União Europeia para Têxteis Sustentáveis e Circulares, que descreve o plano de ação da União Europeia para alcançar uma melhor sustentabilidade e regulamentação na indústria têxtil.     

A estratégia da União Europeia inclui regular a superprodução, reduzir a liberação de microplásticos durante a produção e utilizar a Responsabilidade Estendida do Produtor da União Europeia para garantir que os produtores estejam agindo de forma sustentável. Em resposta às mudanças nas expectativas dos consumidores, os investimentos em empresas de reciclagem têxtil aumentaram para alcançar uma melhor sustentabilidade na indústria têxtil. Em julho de 2021, a H&M é uma empresa multinacional sueca de moda presente em 74 mercados e com mais de 5000 lojas. O seu modelo de negócio é “Moda e qualidade ao melhor preço, de forma sustentável” e a Adidas investiram na empresa de reciclagem química Infinited Fiber Company, que produz uma fibra reengenharia semelhante ao algodão e biodegradável. O Goldman Sachs liderou um investimento na empresa de algodão reciclado mecanicamente Recover Textile Systems em junho de 2022. Muitas marcas de moda de luxo estão exibindo publicamente seu investimento em abordagens de sustentabilidade, com um objetivo comum de mudar tecnologicamente para sistemas circulares e utilizar materiais reestruturados e/ou biodegradáveis em suas coleções. Os processos de reutilização e reciclagem de têxteis são os métodos de processamento de têxteis mais ecológicos, enquanto a incineração e o aterro são considerados os menos ecológicos.  Ao comparar a reutilização têxtil com a reciclagem têxtil, a reutilização têxtil é mais vantajosa. Um estudo sueco descobriu que, para cada tonelada de resíduos têxteis, a reutilização têxtil pode economizar 8 toneladas de CO2 em termos de potencial de aquecimento global (GWP) e 164 GJ de uso de energia.

Em análise comparativa o processo de reciclagem têxtil economiza 5,6 toneladas de CO2 em termos de GWP e 116 GJ de uso de energia. Existem algumas circunstâncias em que a reciclagem e a reutilização podem ser menos eficazes. Por exemplo, em relação à reciclagem, os benefícios podem ser compensados se as taxas de substituição forem relativamente baixas, se a reciclagem for energizada por combustíveis fósseis ou se os procedimentos de fabricação evitados forem limpos. Além disso, no que diz respeito à reutilização, o impacto ambiental do transporte pode superar as vantagens da fabricação evitada, a menos que a vida útil do item reutilizado seja consideravelmente prolongada. Essas circunstâncias devem ser levadas em consideração ao defender, projetar e implementar novos procedimentos de reciclagem e reutilização de têxteis. Os avanços no tratamento, revestimento e corantes têxteis têm efeitos pouco claros na saúde humana, e a prevalência da dermatite de contato têxtil está a aumentar entre os trabalhadores têxteis e as pessoas comuns. Os estudiosos identificaram um aumento na taxa de compra de roupas novas pelos consumidores ocidentais, bem como uma diminuição na vida útil das roupas. Foi sugerido que a fast fashion contribui para o aumento dos níveis de desperdício têxtil. O mercado mundial de exportações de têxteis e vestuário em 2013, de acordo com a Base de Dados de Estatísticas do Comércio de Mercadorias das Nações Unidas, situou-se em 772 mil milhões de dólares. Em 2016, os maiores países exportadores de vestuário foram a China (161 bilhões de dólares), o Bangladesh (28 bilhões de dólares), o Vietnã (25 bilhões de dólares), a Índia (18 bilhões de dólares), Hong Kong (16 bilhões de dólares), a Turquia (15 bilhões de dólares) e a Indonésia (7 bilhões de dólares).

Bibliografia Geral Consultada.

SATRIANI, Luigi Maria Lombardi, Folklore & Proffito. Tecniche di Distruizione di una Cultura. Italian: Guaraldi Editore, 1973; MARX. Carlos, El Capital. Crítica de la Economía Política. Libro Primero. Buenos Aires: Editorial Cartago, 1973; JAMIN, Jean, Les Lois du Silence. Essai sur la Fonction Sociale du Secret. Paris: Éditions François Maspéro, 1977; KAPP, Yvone, Eleanor Marx: La Vida Familiar de Carlos Marx (1855-1883). México: Editorial Nuestro Tiempo, 1979; LEAF, Murray, Uma História da Antropologia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor; Editora da Universidade de São Paulo, 1981; PEIRANO, Mariza, An Anthropology of Anthropology. The Brazilian Case. Ph.D. Dissertation. Cambridge: Harvard University, 1981; MERCIER, Paul, História da Antropologia. Lisboa. Editora Teorema, 1986; CARDOSO DE OLIVEIRA, Roberto, Sobre o Pensamento Antropológico. Rio de Janeiro: Editor Tempo Brasileiro, 1988; ELIAS, Norbert, El Proceso de la Civilización: Investigaciones Sociogenéticas Y Psicogenéticas. 2ª edición. México: Fondo de Cultura Económica, 1989; BARBER, Elizabeth Jane Wayland, Women`s Work: The First 20,000 Years: Women, Cloth, and Society in Early Times. New York: Editor W. W. Norton & Company, 1994; GEVART, Joseph, El Problema del Hombre. Introducción a la Antropología Filosófica. Salamanca: Ediciones Sígueme, 2003; BACKER, Patricia, Technology in the Middle Ages. 1ª ed. California: San Jose State University, 2005; ENGELS, Friedrich, La Situazione della Classe Operaia in Inghilterra. Roma: Editore Lotta Comunista, 2011; SAPIRO, Gisèle, La Sociologie de la Littérature. Paris: Éditions La Découverte, 2014; BORGES, Lucas Nogueira, As Provas da Imortalidade da Alma no Livro I das Discussões Tusculanas de Cícero. Dissertação de Mestrado em Ciências Humanas.  Uberlândia: Universidade Federal de Uberlândia, 2016; MARINHO, Venâncio José Michiles, A Razão Sensível: Literatura e Teoria Sociológica em Émile Durkheim. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Sociologia. Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais. Manaus: Universidade Federal do Amazonas, 2018; KODAMA, Francielly, “Dia Mundial do Biquíni: Conheça a Origem da Peça e as Mudanças ao Longo dos Anos”. Disponível em: https://gshow.globo.com/comportamento/05/07/2023; JUNQUEIRA, Vinícius dos Santos, “O Feio na Estética de Theodor Adorno”. Disponível em: https://aterraeredonda.com.br/13/04/2026; entre outros.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

O Sistema – Cultura, Forma de Alienação & Mobilidade Social Total.

                 A verdadeira figura, em que a verdade existe, só pode ser o seu sistema científico”. Friedrich Hegel                           

     

        O amor é uma das grandes categorias sociais que dá forma ao existente, mas isso é dissimulado tanto por certas realidades psíquicas como in fieri por certos modos de representações teóricas. Não há dúvida que o efeito amoroso desloca e falsifica inúmeras vezes a imagem objetivamente reconhecível de seu objeto e, nessa medida, é decerto geralmente reconhecido, segundo Simmel, como “formativo”, mas de uma maneira que não pode visivelmente parecer coordenada com as outras forças espirituais que dão forma. Trata-se de uma imagem já existente que se encontra modificada em sua determinação qualitativa, sem que se tenha abandonado seu nível de existência teórica, nem criado um produto de uma nova categoria. Essas modificações que o amor já presente traz à exatidão objetiva da representação nada têm a ver com a criação inicial que produz o ser amado como tal. Na verdade, todas essas categorias são coordenadas, por sua significação, quaisquer que sejam o momento ou as circunstâncias em que elas atuam. E o amor é uma delas, na medida em que cria seu objeto como produto totalmente original. É preciso, antes de mais anda, que o ser humano exista e seja conhecido, antes de ser amado. Esse algo que acontece não tem lugar com esse ser existente que permaneceria não modificado, foi, ao contrário, no sujeito que uma nova categoria fundamental se tornou criadora.  Eu, amante, sou diferente do quer era antes – pois não é determinado “aspecto” meu, determinada energia que ama em mim, mas meu ser inteiro, o que não precisa uma transformação das minhas outras manifestações, é um outro, nascendo de outro que não o ser conhecido ou temido, indiferente ou venerado. 

          Por que o amor está, antes de mais nada, absolutamente intricado em seu objeto, e não simplesmente associado a ele: ou seja, o objeto do amor em toda a sua significação categorial não existe antes do amor, mas apenas por intermédio dele. O que faz aparecer de maneira bem clara que o amor – e, no sentido lato, todo o comportamento do amante enquanto tal – é algo absolutamente unitário, que não pode se compor a partir de elementos preexistentes. Totalmente inúteis parecem, pois, as tentativas de considerar o amor como um produto secundário, no sentido de que seria motivado como resultante de outros fatores psíquicos primários. No entanto, ele pertence a um estágio demasiado elevado da “natureza humana” para que possamos situá-lo no mesmo plano cronológico e genético da respiração ou da alimentação, ou mesmo do instinto sexual. Tampouco podemos safar-nos do embaraço por esta escapatória fácil: em virtude de seu sentido metafísico, de seu significado atemporal, o amor permanece sem dúvida à primeira – ou última - ordem dos valores e das ideias, mas sua realização humana ou psicológica colocá-lo-ia num estágio ulterior de uma série longa e complexa na evolução contínua da vida. Não podemos nos satisfazer com essa estranheza recíproca de seus significados ou de suas areações. O problema de seu dualismo é aí, reconhecido e bem expresso, mas não resolvido; determo-nos nessa conclusão seria duvidar de sua solubilidade. 

       O amor é sempre uma dinâmica que se gera, filosoficamente para Georg Simmel, por assim dizer, a partir de uma autossuficiência interna, sem dúvida trazida, por seu objeto exterior, do estado latente ao estado de perfeição atualmente, mas que não pode ser, propriamente falando, provocada por ele; a alma o possui enquanto realidade última, ou não o possui, e nós não podemos remontar, para além dele, a um dos movens exterior ou interior que, de certa forma, seria mais que sua causa ocasional. É esta a razão mais profunda que torna o procedimento de exigi-lo, a qualquer título legítimo que seja totalmente desprovido de sentido. Sequer sua atualização dependa sempre de um objeto, e se aquilo que chamamos de desejo ou necessidade de amor – esse impulso surdo e sem objeto, em particular na juventude, em direção a qualquer coisa a ser amada – já não é amor, que por enquanto só se move em si mesmo, digamos um amor em roda livre. Seguramente, a pulsão em direção a um comportamento poderá ser considerada como o aspecto afetivo do próprio comportamento, ele próprio já iniciado; o fato de nos sentirmos “levados” a uma ação significa que a ação já começou anteriormente e que seu acabamento não é outra coisa que o desenvolvimento ulterior dessas primeiras inervações. Onde, apesar do impulso sentido, não passamos à ação, porque a energia não basta para ir além desses elos da ação, porque ela é contrariada por forças opostas, antes mesmo que esses elos já anunciados à consciência tenham podido se prolongar num ato visível.

A possibilidade real, a ocasião apriorística desse modo de comportamento que chamamos amor, fará surgir, se for o caso, e levará à consciência, como um sentimento obscuro e geral, inicial de sua própria realidade, antes mesmo que a ele se some a incitação por um objeto determinado para levá-lo a seu efeito acabado.  A existência desse impulso sem objeto, por assim dizer incessantemente fechado em si, acento premonitório do amor, puro produto do interior e, no entanto, já acento de amor, é a prova mais decisiva em favor da essência central puramente interior do fenômeno amor, muitas vezes dissimulado sob um modo de representação pouco claro, segundo o qual o amor seria uma espécie de surpresa ou de violência vindas do exterior, tendo su símbolo mais pertinente no “filtro do amor”, em vez de uma maneira de ser, de uma modalidade e de uma orientação que a vida como tal toma por si mesma – como se o amor viesse de seu objeto, quando, na realidade, vai em direção a ele. De fato, o amor é o sentimento que, fora dos sentimentos religiosos, se liga mais estreita e mais incondicionalmente a seu objeto. À acuidade com a qual ele brota do sujeito corresponde a acuidade igual com que ele se dirige para o objeto. É que nenhuma instância vem se interpor. Se venero alguém. É pela qualidade de venerabilidade que, em sua realidade particular, permanece ligada à imagem desse por tanto tempo quanto eu o venerar, passível de adoração, contemplação e grande respeito.

Por mais insuficiente, por mais preso a um estreito simbolismo humano que esteja o conceito de objetivo e de meios em presença da misteriosa realização da vida, devemos qualificar essa emoção sexual de meio de que a vida se serve para a manutenção da espécie, confiando aqui a consecução desse objetivo não mais a um mecanismo (no sentido lato) mas a mediações psíquicas. Enfim, a pulsão, dirigida a princípio, tanto no sentido genérico quanto no sentido hedonista, ao outro sexo enquanto tal, parece ter diferenciado cada vez mais seu objeto, à medida que seus suportes se diferenciavam, até singularizá-lo. Claro, sabemos que a pulsão não se torna amor pelo simples fato de sua individualização; esta última pode ser refinadamente hedonista, ou instinto vital-teleológico para o parceiro apto a procriar os melhores filhos.  Mas, indubitavelmente, ela cria uma disposição formativa e, por assim dizer, um marco para essa exclusividade que constitui a essência do amor, mesmo quando seu sujeito se volta para uma pluralidade de objetos. Não duvidamos em absoluto que no seio do que se chama “atração dos sexos” constitui-se o primeiro factum, ou, se quiserem, a prefiguração do amor. A vida se metamorfoseia também nessa produção, traz sua corrente à altura dessa onda, cuja crista, porém, sobressai acima dela. O processo da vida é um dispositivo de meios a serviço desse objetivo e se levarmos em conta o significado efetivo do amor para a propagação da espécie, então este também é um dos meios que a vida se dá para si e a partir de si.

Do mesmo modo, no homem que temo, o caráter terrível e o motivo que o provocou estão intimamente ligados; mesmo o homem que odeio não é, na maioria dos casos separado em minha representação da causa desse ódio – é esta uma das diferenças entre amor e ódio que desmente a assimilação que comumente se faz deles. Mas o específico do amor é excluir do amor existente a qualidade mediadora de seu objeto, sempre relativamente geral, que provocou o amor por ele. Ele permanece como intenção direta e centralmente dirigida para esse objeto, e revela a sua natureza verdadeira e incomparável nos casos em que sobrevive ao desaparecimento indubitável do que foi sua razão de nascer. Essa constelação, que engloba inúmeros graus, desde a frivolidade até a mais alta intensidade, é vivida segundo o mesmo modelo, seja em relação a uma mulher ou a um objeto, a uma ideia ou a um amigo, à pátria ou a uma divindade. Isso deve ser solidamente estabelecido em primeiro lugar, se quisermos elucidar em sua estrutura seu significado mais restrito, o que se eleva no terreno da sexualidade. A ligeireza com que a opinião corrente alia instinto sexual a amor lança talvez uma das pontes mais enganadoras na paisagem psicológica exageradamente rica em construções desse gênero. Quando, ademais, ela penetra no domínio da psicologia que se dá por científica, temos com demasiada frequência a impressão de que esta última caiu nas mãos de açougueiros. Por outro lado, o que é óbvio, não podemos afastar pura e simplesmente essa relação. Nossa emoção sexual, afirma Simmel, desenrola-se em dois níveis de significação.

Por trás do arrebatamento e do desejo, da realização e do prazer sentidos, diretamente subjetivos, delineia-se, consequência disso tudo, a reprodução da espécie. Pela propagação do plasma germinal a vida corre levada de ponta a ponta. Por mais insuficiente, por mais preso a um estreito simbolismo humano que esteja o conceito de objetivo e de meios em presença da misteriosa realização da vida, devemos qualificar essa emoção sexual de meio de que a vida se serve para a manutenção da espécie, confiando aqui a consecução desse objetivo não mais a um mecanismo (no sentido lato) mas a mediações psíquicas. Enfim, a pulsão, dirigida a princípio, tanto no sentido genérico quanto no sentido hedonista, ao outro sexo enquanto tal, parece ter diferenciado cada vez mais seu objeto, à medida que seus suportes se diferenciavam, até singularizá-lo. Claro, sabemos que a pulsão não se torna amor pelo simples fato de sua individualização; esta última pode ser refinadamente hedonista, ou instinto vital-teleológico para o parceiro apto a procriar os melhores filhos.  Mas, indubitavelmente, ela cria uma disposição formativa e, por assim dizer, um marco para essa exclusividade que constitui a essência do amor, mesmo quando seu sujeito se volta para uma pluralidade de objetos. Não duvidamos em absoluto que no seio do que se chama “atração dos sexos” constitui-se o primeiro factum, ou, se quiserem, a prefiguração do amor. A vida se metamorfoseia também nessa produção, traz sua corrente à altura dessa onda, cuja crista, porém, sobressai livremente acima dela. Se considerarmos o processo da vida como um dispositivo de meios a serviço desse objetivo e levarmos em conta o significado efetivo do amor para a propagação da espécie, então este também é um dos meios que a vida se dá para si e a partir de si.

Friedrich Hegel que parte da análise da consciência comum, não podia situar como princípio primeiro uma dúvida universal que só é própria da reflexão filosófica. Por isso mesmo ele segue o caminho aberto pela consciência e a história detalhada de sua formação. Ou seja, a Fenomenologia vem a ser uma história concreta da consciência, sua saída da caverna e sua ascensão à Ciência. Daí a analogia que em Hegel existe de forma coincidente entre a história da filosofia e a história do desenvolvimento do pensamento, mas este desenvolvimento é necessário, como força irresistível que se manifesta lentamente através dos filósofos, que são instrumentos de sua manifestação. Assim, preocupa-se apenas em definir os sistemas, sem discutir as peculiaridades e opiniões dos diferentes filósofos. Na determinação do sistema, o que o preocupa é a categoria fundamental que determina o todo complexo do sistema, e o assinalamento das diferentes etapas, bem como as vinculasses destas etapas que conduzem à síntese do espírito absoluto. Para compreender o sistema é necessário começar pela representação, que ainda não sendo totalmente exata permite, no entender de sua obra a seleção de afirmações e preenchimento do sistema abstrato de interpretação do método dialético, para poder alcançar a transformação da representação numa noção clara e exata.

Assim, temos a passagem da representação abstrata, para o conceito claro e concreto através do acúmulo de determinações. Aquilo que por movimento dialético separa e distingue perenemente a identidade e a diferença, sujeito e objeto, finito e infinito, é a alma vivente de todas as coisas, a Ideia Absoluta que é a força geradora, a vida e o espírito eterno. Mas a Ideia Absoluta seria uma existência abstrata se a noção de que procede não fosse mais que uma unidade abstrata, e não o que é em realidade, isto é, a noção que, por um giro negativo sobre si mesma, revestiu-se novamente de forma subjetiva. Metodologicamente a determinação mais simples e primeira que o espírito pode estabelecer é o Eu, a faculdade de poder abstrair todas as coisas, até sua própria vida. Chama-se idealidade precisamente esta supressão da exterioridade. Entretanto, o espírito não se detém na apropriação, transformação e dissolução da matéria em sua universalidade, mas, enquanto consciência religiosa, por sua faculdade representativa, penetra e se eleva através da aparência dos seres até esse poder divino, uno, infinito, que conjunta e anima interiormente todas as coisas, enquanto pensamento filosófico, como princípio universal, a ideia eterna que as engendra e nelas se manifesta. Isto quer dizer que o espírito finito se encontra inicialmente numa união imediata com a natureza, a seguir em oposição com esta, e finalmente em identidade com esta, porque suprimiu a oposição e voltou a si mesmo e, consequentemente, o espírito finito é a ideia, mas ideia que girou sobre si mesma e que existe por si em sua própria realidade.

A Ideia absoluta que para realizar-se colocou como oposta a si, à natureza, produz-se através dela como espírito, que através da supressão de sua exterioridade entre inicialmente em relação simples com a natureza, e, depois, ao encontrar a si mesma nela, torna-se consciência de si, espírito que conhece a si mesmo, suprimindo assim a distinção entre sujeito e objeto, chegando assim à Ideia a ser por si e em si, tornando-se unidade perfeita de suas diferenças, sua absoluta verdade. Com o surgimento do espírito através da natureza abre-se a história da humanidade e a história humana é o processo que medeia entre isto e a realização do espírito consciente de si. A filosofia hegeliana centra sua atenção sobre esse processo e as contribuições mais expressivas de Hegel ocorrem precisamente nesta esfera, do espírito. Melhor dizendo, para Hegel, à existência na consciência, no espírito chama-se saber, conceito pensante. O espírito é também isto: trazer à existência, isto é, à consciência. Como consciência em geral tenho eu um objeto; uma vez que eu existo e ele está na minha frente. Mas enquanto o Eu é o objeto de pensar, é o espírito precisamente isto: produzir-se, sair fora de si, saber o que ele é. Nisto consiste a grande diferença: o homem sabe o que ele é. Logo, em primeiro lugar, ele é real. Sem isto, a razão, a liberdade não são nada. O homem é essencialmente razão. O homem, a criança, o culto e o inculto, é razão. Ou melhor, a possibilidade para isto, para ser razão, existe em cada um, é dada a cada um. A razão não ajuda em nada a criança, o inculto.

É somente uma possibilidade, embora não seja uma possibilidade vazia, mas possibilidade real e que se move em si. Assim, por exemplo, dizemos que o homem é racional, e distinguimos muito bem o homem que nasceu somente e aquele cuja razão educada está diante de nós. Isto pode ser expresso também assim: o que é em si, tem que se converter em objeto para o homem, chegar à consciência; assim chega para ele e para si mesmo. A história para Hegel, é o desenvolvimento do Espírito no tempo, assim como a Natureza é o desenvolvimento da ideia no espaço. Deste modo o homem se duplica. Uma vez, ele é razão, é pensar, mas em si: outra, ele pensa, converte este ser, seu em si, em objeto do pensar. Assim o próprio pensar é objeto, logo objeto de si mesmo, então o homem é por si. A racionalidade produz o racional, o pensar produz os pensamentos. O que o ser em si é se manifesta no ser por si. Todo conhecer, todo aprender, toda visão, toda ciência, inclusive toda atividade humana, não possui nenhum outro interesse além do aquilo que filosoficamente é em si, no interior, podendo manifestar-se desde si mesmo, produzir-se, transformar-se objetivamente. Nesta diferença se descobre toda a diferença na história do mundo. Os homens são todos racionais. O formal desta racionalidade é que o homem seja livre. Esta é a sua natureza. Isto pertence à essência do homem: a liberdade.

O europeu sabe de si, afirma Hegel, é objeto de si mesmo. A determinação que ele conhece é a liberdade. Ele se conhece a si mesmo como livre. O homem considera a liberdade como sua substância. Se os homens falam mal de conhecer é porque não sabem o que fazem. Conhecer-se, converter-se a si mesmo no objeto (do conhecer próprio) e o fazem relativamente poucos. Mas o homem é livre somente se sabe que o é. Pode-se também em geral falar mal do saber, como se quiser. Mas somente este saber libera o homem. O conhecer-se é no espírito a existência. Portanto isto é o segundo, esta é a única diferença da existência (Existenz) a diferença do separável. O Eu é livre em si, mas também por si mesmo é livre e eu sou livre somente enquanto existo como livre. A terceira determinação é que o que existe em si, e o que existe por si são somente uma e mesma coisa. Isto quer dizer precisamente evolução. O em si que já não fosse em si seria outra coisa. Por conseguinte, haveria ali uma variação, mudança. Na mudança existe algo que chega a ser outra coisa. Na evolução, em essência, podemos também sem dúvida falar da mudança, mas esta mudança deve ser tal que o outro, o que resulta, é ainda idêntico ao primeiro, de maneira que o simples, o ser em si não seja negado. Para Friedrich Hegel a evolução não somente faz aparecer o interior originário, exterioriza o concreto contido já no em si, e este concreto chega a ser por si através dela, impulsiona-se a si mesmo a este ser por si. O espírito abstrato assim adquire o poder concreto da realização.

O concreto é em si diferente, mas logo só em si, pela aptidão, pela potência, pela possibilidade. O diferente está posto ainda em unidade, ainda não como diferente. É em si distinto e, contudo, simples. É em si mesmo contraditório. Posto que é através desta contradição impulsionado da aptidão, deste este interior à qualidade, à diversidade; logo cancela a unidade e com isto faz justiça às diferenças. Também a unidade das diferenças ainda não postas como diferentes é impulsionada para a dissolução de si mesma. O distinto (ou diferente) vem assim a ser atualmente, na existência. Porém do mesmo modo que se faz justiça à unidade, pois o diferente que é posto como tal é anulado novamente. Tem que regressar à unidade; porque a unidade do diferente consiste em que o diferente seja um. E somente por este movimento é a unidade verdadeiramente concreta. É algo concreto, algo distinto. Entretanto contido na unidade, no em si primitivo. O gérmen se desenvolve assim, não muda. Se o gérmen fosse mudado desgastado, triturado, não poderia evoluir. Na alma, enquanto determinada como indivíduo, as diferenças estão enquanto mudanças que se dão no indivíduo, que é o sujeito uno que nelas persiste e, segundo Hegel, enquanto momentos do seu desenvolvimento.  Por serem elas diferenças, à uma, físicas e espirituais, seria preciso, para determinação ou descrição mais concreta, antecipar a noção do espírito cultivado. As diferenças são: 1) curso natural das idades da vida, desde a criança, desde a criança, o espírito envolvido em si mesmo – passando pela oposição desenvolvida, a tensão de uma universalidade ela mesma ainda subjetiva em contraste com a singularidade imediata, isto é, como o mundo presente, não conforme a tais ideais, e a situação que se encontra, em seu ser-aí para esse mundo.

O indivíduo que, de outro lado, está ainda não-autônomo e em si mesmo não está pronto (o jovem) – para chegar à relação verdadeira, ao reconhecimento da necessidade e racionalidade objetivas do mundo já presente, acabado; em sua obra, que leva a cabo por si e para si, o indivíduo retira, por sua atividade, uma confirmação e uma parte, mediante a qual ele é algo, tem uma presença efetiva e um valor objetivo (homem); até a plena realização da unidade com essa objetividade do conhecer: unidade que, enquanto real, vem dar na inatividade da rotina que tira o interesse, enquanto ideal se liberta dos interesses mesquinhos é das complicações do presente exterior (o ancião). O espírito manifesta aqui sua independência da própria corporalidade, em poder desenvolver-se antes que nela torne. Com frequência, crianças têm demonstrado um desenvolvimento espiritual que vai muito mais rápido que sua formação corporal. Esse foi o caso histórico, sobretudo em talentos artísticos indiscutíveis, em particular nos gênios da música. Também em relação ao fácil apreender de variados conhecimentos, especialmente na disciplina matemática; e tal precocidade tem-se mostrado não raramente também em relação a um raciocínio de entendimento, e mesmo sobre objetos éticos e religiosos. O processo de desenvolvimento do indivíduo humano natural decompõe-se então em uma série de processos, cuja diversidade se baseia sobre a relação do indivíduo para com o gênero, e funda a diferença da criança, do homem e do ancião. Essas diferenças são as apresentações das diferenças do conceito. A idade da infância é o tempo de representação da harmonia natural, da paz do sujeito consigo mesmo e com o mundo. Um começo tão sem-oposição quanto a velhice é um fim sem-oposição.

 As oposições que surgem ficam sem interesse mais profundo. A criança vive na inocência, sem sofrimento durável; no amor aos seus pais, e no sentimento de ser amado por eles. Na Roma antiga, o gênio representava o espírito ou guia de uma pessoa, ou mesmo de uma gens inteira. Um termo relacionado é genius loci, o espírito de um local específico. Por contraste a força interior que move todas as criaturas viventes é o animus. Um espírito específico ou daimon pode habitar uma imagem ou ícone natural, dando-lhe poderes sobrenaturais. Gênios são dotados de excepcional brilhantismo, mas frequentemente também são insensíveis às limitações da mediocridade bem como são emocionalmente muito sensíveis, algumas vezes ambas as coisas. O termo prodígio indica simplesmente a presença de talento ou “gênio excepcional” na primeira infância. Os termos prodígio e criança prodígio são sinônimos, sendo o último um pleonasmo. Deve-se ter em consideração que é perigoso tomar como referência as pontuações em testes aplicados de QI quando se deseja fazer um diagnóstico razoavelmente correto de genialidade. Há que se levar em consideração que em todos as pontuações, e em todas as medidas, existe uma incerteza inerente, bem como os resultados obtidos nos testes representam a performance alcançada por uma pessoa em determinadas condições, não refletindo necessariamente toda a capacidade da pessoa em condições ideais. 

A contribuição histórica e cultura dos filósofos pré-socráticos à matemática, enquanto ciência, não são discutíveis e em grande parte fruto de tradição bem documentada. As mais antigas evidências concretas sobre as atividades de um matemático propriamente dito referem-se a Hipócrates de Quios. Nossos conhecimentos sobre Hipócrates de Quios e outros matemáticos baseiam-se em fragmentos de suas obras e em tradições conservadas nos séculos posteriores. O mais antigo tratado matemático que chegou até nós é o Da Esfera Móvel, um estudo a respeito do valor piramidal da esfera. Dos matemáticos posteriores restam-nos diversas obras de valor desigual, dentre as quais se destaca Os Elementos, de Euclides, cuja influência persiste analiticamente. O interesse pela história da Matemática iniciou, também, na Grécia Antiga. Eudemo de Rodes um dos discípulos de Aristóteles escreveu consecutivas histórias da aritmética, da geometria e da astronomia, mas que infelizmente não foram conservadas. Durante o período greco-romano o matemático Papo de Alexandria representa um relato etnográfico sistemático da obra de seus predecessores, desde Euclides até Esporo de Niceia. Há também extensas notas explicativas sobre vários temas matemáticos e valiosas introduções aos diversos livros, nas quais Papo de Alexandria resume o tema geral e os assuntos técnico-metodológicos a serem tratados. Notabilizou-se por ser pai da filosofa Hipátia e por produzir em 390 uma versão mais elaborada da obra Os Elementos de Euclides que sobreviveu aos dias atuais. Dentre suas obras está uma que faz considerações sobre um eclipse solar em Alexandria.

A mobilidade social trouxe a Atenas Hipócrates de Quios, no século V a. C., o primeiro autor de uma compilação de Elementos, em que parecem já figurar investigações ligadas à resolução do problema de Delos sobre a duplicação do cubo e à quadratura do círculo. Com a morte de Platão, seu discípulo, Têudio de Magnésia, escreveu nova compilação dos manuscritos Elementos. Para que o gênio se manifeste num indivíduo, este indivíduo deve ter recebido como herança a soma de poder cognitivo que excede em muito o que é necessário para o serviço de uma vontade individual, segundo Arthur Schopenhauer, é este excedente que, tornado livre, serve para constituir um objeto liberto de vontade, um claro espelho do ser do mundo. A través disto se explica a vivacidade que os homens de gênio desenvolvem por vezes até a turbulência: o presente raramente lhes chega, visto que ele não enche, de modo nenhum, a sua consciência; daí a sua inquietude sem tréguas; daí a sua tendência para perseguir sem cessar objetos novos e dignos de estudo, para desejar enfim, quase sempre sem sucesso, seres que se lhes assemelham, que estejam à sua medida e que os possam compreender. O homem comum, plenamente farto e satisfeito com a rotina atual, aí se absorve; em todo lado encontra seus iguais; daí essa satisfação particular que experimenta no curso da vida e que o gênio não conhece. - Quis-se ver na imaginação filosófica um elemento essencial do gênio, o que é bastante legítimo; quis-se mesmo identificar os dois, mas isso é um erro. O fato social e dinâmico é que, seja em que medida for, o certo é o incerto e o incerto a estrada reta. O objeto ser/compreender do gênio, considerado como tal, são as ideias eternas, as formas persistentes e essenciais do mundo e de todos os seus fenômenos. 

Onde reina só a imaginação, ela empenha-se em construir castelos no ar a lisonjear o egoísmo e o capricho pessoal, a enganá-los momentaneamente e a diverti-los; mas neste caso, conhecemos sempre, para falar com propriedade, apenas as relações das quimeras assim combinadas. Talvez ponha por escrito os sonhos da sua imaginação: é daí que nos vêm esses romances ordinários, de todos os gêneros, que fazem a alegria do grande público e das pessoas semelhantes aos seus atores, visto que o leitor sonha que está no lugar do herói, e acha tal representação bastante agradável.  A história da matemática é uma área de estudo dedicada à investigação sobre a origem das descobertas da matemática e, em uma menor extensão, à investigação dos métodos matemáticos e aos registros etnográficos ou notações matemáticas do passado. A matemática islâmica, por sua vez, desenvolveu e expandiu a matemática conhecida destas civilizações. Muitos textos gregos e árabes sobre matemática foram então traduzidos ao Latim, o que contribuiu com o desenvolvimento da matemática na Europa medieval. Dos tempos antigos à Idade Média, a eclosão da criatividade matemática foi frequentemente por séculos de estagnação. Começando no Renascimento e a partir daí a revelação de novos talentos e progressos técnicos da matemática, interagindo com as descobertas científicas, realizados de forma crescente, continuando decerto sem paixão. Deve ser suprassumida como essa unidade imediata do indivíduo com seu gênero e com o mundo em geral; é preciso que o indivíduo progrida a ponto de se contrapor ao universal, como a Coisa assente-para-si, pronto e subsistente; e de apreender-se em sua autonomia.

Essa autonomia, essa oposição, primeiro se apresenta em uma figura tão unilateral quanto, na criança, a unidade do subjetivo e do objetivo. O jovem desagrega a ideia efetivada no mundo, de modo a atribuir-se a si mesmo a determinação do substancial: o verdadeiro e o bem; e atribui ao mundo, pelo contrário, a determinação do contingente, do acidental. Não se pode ficar nessa oposição não-verdadeira: o jovem deve, antes, elevar-se acima da dela à inteligência de que, ao contrário, deve-se considerar o mundo como o substancial, e o indivíduo, inversamente, só como um acidente; e que portanto o homem só pode encontrar sua ativação e contentamento essenciais no mundo que se lhe contrapõe firmemente, que segue seu curso com autonomia; e que, por esse motivo, deve conseguir a aptidão necessária para a Coisa. Chagado a esse ponto de vista, o jovem tornou-se homem. Pronto em si mesmo, o homem considera também a ordem ética do mundo não como a ser produzida só por ele, mas como uma ordem pronta, no essencial. Assim ele é ativo pela Coisa, não contra ela; assim se mantém elevado, acima da subjetividade unilateral do jovem, no ponto de vista da espiritualidade objetiva. 

A velhice, ao contrário, é o retorno ao desinteresse pela Coisa; o ancião habituou-se a viver dentro da Coisa, e por causa dessa unidade (que faz perder a oposição em relação à Coisa) renuncia à atividade de interesse. É bem verdade que a liberdade no pensamento tem somente o puro pensamento por sua verdade; e verdade sem a implementação da vida. Por isso, para Hegel, é ainda só o conceito da liberdade, não a própria liberdade viva. Com efeito, para ela a essência é só o pensar em geral, a forma coo tal, que afastando-se da independência das coisas retornou a si mesma. Mas porque a individualidade, como individualidade atuante, deveria representar-se como viva; ou, como individualidade pensante, captar o mundo vivo como um sistema de pensamento; então teria de encontrar-se no pensamento mesmo, para aquela expansão do agir, um conteúdo do que é bom, e para essa expansão do agir, um conteúdo do que é bom, e para essa expansão do pensamento, um conteúdo do que é verdadeiro. Com isso não haveria, absolutamente nenhum outro ingrediente, naquilo que é para a consciência, a não ser o conceito que é a essência. Porém, aqui o conceito enquanto abstração, separando-se da multiplicidade variada das coisas, não tem conteúdo nenhum em si mesmo, exceto um conteúdo que lhe é dado. A consciência, quando pensa o conteúdo, o destrói como um ser alheio; mas o conceito é conceito determinado e justamente essa determinidade é o alheio que o conceito possui nele. 

Esta unidade do existente, o que existe, e do que é em si é o essencial da evolução. É um conceito especulativo, esta unidade do diferente, do gérmen e do desenvolvido. Ambas estas coisas são duas e, no entanto, uma. É um conceito da razão. Por isso só todas as outras determinações são inteligíveis, mas o entendimento abstrato não pode conceber isto. O entendimento fica nas diferenças, só pode compreender abstrações, não o concreto, nem o conceito. Resumindo, teremos uma única vida a qual está oculta. Mas depois entra na existência e separadamente, na multiplicidade das determinações, e que com graus distintos, são necessárias. E juntas de novo, constituem um sistema. Essa representação é uma imagem da história da filosofia. O primeiro momento era o em si da realização, e em si do gérmen etc. O segundo é a existência, aquilo que resulta. Assim, o terceiro é a identidade de ambos, mais precisamente agora o fruto da evolução, o resultado de todo este movimento. E a isto Hegel chama “o ser por si”. É o “por si” do homem, do espírito mesmo. Somente o espírito chega a ser verdadeiro por si, idêntico consigo. O que o espírito produz, seu objeto de pensamento, é ele mesmo. Ele é um desembocar em seu outro. O desenvolvimento do espírito é um desprendimento, um desdobrar-se, e por isso, ao mesmo tempo, um desafogo.

No que toca mais precisamente a um dos lados da educação, melhor dizendo, à disciplina, não se há de permitir ao adolescente abandonar-se a seu próprio bel-prazer; ele deve obedecer para aprender a mandar. A obediência é o começo de toda a sabedoria; pois, por ela, a vontade que ainda não conhece o verdadeiro, o objetivo, e não faz deles  o seu fim, pelo que ainda não é verdadeiramente autônoma e livre, mas, antes, uma vontade despreparada, faz que em si vigore a vontade racional que lhe vem de fora, e que pouco a pouco esta se torne a sua vontade. O capricho deve ser quebrado pela disciplina; por ela deve ser aniquilado esse gérmen do mal. No começo, a passagem de sua vida ideal à sociedade civil pode parecer ao jovem como uma dolorosa passagem à vida de filisteu. Até então preocupado apenas com objetos universais, e trabalhando só para si mesmo, o jovem que se torna homem deve, ao entrar na vida prática, ser ativo para os outros e ocupar-se com singularidades, pois concretamente se se deve agir, tem-se de avançar em direção ao singular. Nessa conservadora produção e desenvolvimento do mundo consiste no trabalho do homem. Podemos, pois, de um lado dizer que o homem só produz o que já existe. É necessário que um progresso individual seja efetuado. Mas o progredir no mundo só ocorrer nas massas, e só se faz notar em uma grande soma de coisas produzidas. Ipso facto, a consciência moral não pode renunciar à felicidade.

Bibliografia Geral Consultada.

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