sábado, 30 de janeiro de 2021

Jacindamania - Política & Eficácia Populista na Nova Zelândia.

 

Um lugar diverso, acolhedor, gentil e compassivo. Esses valores representam o melhor de nós”. Jacinda Ardern

            Nascida em 1980, em Hamilton, ao sul de Auckland, Jacinda Ardern compreende que suas convicções de esquerda nasceram do contato com a pobreza que viu na Nova Zelândia. Filha de um policial, ela foi criada na religião mórmon, porém se desligou da organização nos anos 2000, devido “às posições da igreja sobre a homossexualidade”. Muito cedo se interessou por política e ingressou nas organizações trabalhistas ainda na juventude. Depois de estudar comunicação social, trabalhou para a primeira-ministra Helen Clark e, mais tarde, em Londres, para Tony Blair. Eleita para a Câmara dos Representantes em 2008, e continuamente reeleita desde então, Ardern tornou-se vice-presidente do Partido Trabalhista em março de 2017. Assumiu a liderança da oposição com a renúncia de seu antecessor Andrew Little no início de agosto, a menos de dois meses da eleição, quando o Partido Trabalhista detinha estatisticamente apenas 23% das intenções de voto. Desde que virou primeira-ministra da Nova Zelândia aos 37 anos, em 2017, Jacinda Ardern, terceira mulher a chefiar o governo em seu país e a dirigente mais jovem desde 1856, tornou-se um “ícone político pop da esquerda global”. Acompanhada por uma onda popular denominada Jacindamania pela mídia, ela baseou sua campanha na promessa de uma mudança social de geração após nove anos de reinado de centro-direita e ofereceu aos trabalhistas uma vitória quase que inesperada. 

            Auckland ou raramente, Auclanda, é a maior cidade da Nova Zelândia. Embora Wellington seja a capital neozelandesa, Auckland é o principal centro financeiro e econômico da Nova Zelândia. Com uma população estimada em 1 413 700 habitantes, a cidade detém cerca de 31% da população do país. Auckland possui vários aspectos positivos. Um deles é seu clima, que é considerado um clima ameno, além da abundância de empregos e oportunidades educativas, bem como numerosas instalações de lazer. Entretanto, problemas de trânsito, a falta de bons transportes públicos e o aumento dos custos da habitação, foram citados pela população da cidade como entre os fatores negativos dos que ali vivem, juntamente com o crime. No entanto, Auckland está atualmente em uma boa posição em relação à qualidade de vida, sendo listada entre as 215 maiores cidades do mundo. Em 2006, Auckland ocupava a 23ª posição na lista das cidades mais ricas do mundo. Geograficamente está localizada a 37 graus de latitude sul, na ilha Norte, a cidade de Auckland está situada sobre um estreito que separa dois portos: o de Manukau, aberto ao Mar da Tasmânia, a oeste e o de Waitemata, que se abre ao Golfo de Hauraki do Oceano Pacífico, a leste. Umas das características é que se localiza sobre um vulcão e há um grande número de gêiseres no local.

Um ano depois, Jacinda Ardern se tornou a segunda primeira-ministra do mundo, depois da paquistanesa Benazir Bhutto em 1990 - a dar à luz durante seu mandato. O assassinato de Benazir Bhutto, ex-primeira-ministra do Paquistão e líder do oposicionista Partido Popular do Paquistão (PPP), ocorreu em 27 de dezembro de 2007. Ela foi morta em um atentado suicida, quando deixava um comício na cidade de Rawalpindi, a 12 km da capital Islamabad. Um dia após o ataque, um dirigente da Al Qaeda no Afeganistão assumiu a responsabilidade da organização pelo assassinato. Um porta-voz do Talibã negou envolvimento no atentado. Bhutto Bhutto estava em campanha para as eleições parlamentares, marcadas para 8 de janeiro de 2008. A líder paquistanesa foi declarada morta às 18 horas e 16 minutos no horário local, já no Hospital Geral de Rawalpindi. O ataque que tirou a vida de Bhutto também matou pelo menos 20 pessoas. Dois meses antes, um atentado terrorista de grandes proporções matou mais de 120 pessoas em Karachi, que festejavam o retorno de Benazir do exílio de oito anos. Bhutto havia optado pelo auto-exílio para escapar de processos na justiça paquistanesa por corrupção e desvio de dinheiro. Em 2004, ela e o marido foram condenados na Suíça por lavagem de dinheiro, relativo a um indiciamento de 1998, segundo o qual teriam recebido propinas e comissões de cerca de US$ 11 milhões de duas empresas suíças que tinham contratos com o governo paquistanês. Adversária política do presidente Pervez Musharraf, Benazir e o presidente fizeram um acordo para que, após as eleições presidenciais de outubro de 2007, ela ocupasse o cargo de premiê sob a presidência do referido general. Esta possível aliança política abriu caminho para que Pervez Musharraf anistiasse a líder exilada, assim como possibilitou sua volta ao Paquistão. Após oito ano de exílio em Dubai e Londres, Bhutto retornou a Karachi em 18 de outubro de 2007. Nesse dia, ela escapou ilesa de um atentado terrorista que matou mais de 120 pessoas, ferindo 450 que acompanhavam carreata política.


Meses depois, Jacinda Ardern compareceu à assembleia geral das Nações Unidas com seu companheiro, Clarke Gayford, que cuida de seu bebê, imagem em forma de manifesto pela igualdade entre homens e mulheres, uma de suas lutas. Seu ativismo a favor da luta contra as alterações climáticas a marcou com a marca progressista do “anti-Trumpismo”. Internamente, entretanto, sua vontade de reforma foi muitas vezes prejudicada pela atuação demagógica de Winston Peters, chefe do populista partido New Zealand First e um parceiro não natural na coalizão governamental. Se por um lado, a Nova Zelândia é notável por seu isolamento geográfico, pois está situada a cerca de 2 000 km a sudeste da Austrália, separados através do mar da Tasmânia e os seus vizinhos mais próximos ao norte são a Nova Caledônia, Fiji e Tonga; por outro lado, um grande obstáculo   que deve ser eliminado no seu segundo mandato, graças à sua esmagadora maioria parlamentar. Contudo, a líder trabalhista terá que lidar além do indício de ataque terrorista do arquipélago, uma erupção vulcânica, a recessão mais severa em mais de 30 anos e o desafio contemporâneo da pandemia.  A forma como a Nova Zelândia reagiu ao ataque e as medidas tomadas na sua sequência foram elogiadas em todo o mundo. A maioria dos louvores vão para Jacinda Ardern e para a forma como deu a cara pela luta contra o terrorismo. O assassinato de 50 fiéis muçulmanos num país como a Nova Zelândia será examinado durante muito tempo pelo modo como sociologicamente os chamados ódios violentos são gerados e encenados nas redes sociais e na rede mundial de computadores - Internet. Mas talvez o mundo social deva aprender com a forma como a primeira-ministra reagiu ao estabelecimento do horror.

O empresário e político Donald Trump, nascido em 1946, foi eleito o 45º presidente dos Estados Unidos, após derrotar a ex-secretária de Estado Hillary Clinton. O empresário republicano torna-se o primeiro presidente dos Estados Unidos sem uma carreira política tradicional, o mais velho já eleito e também o mais rico. O bordão de Trump no reality da campanha “O Aprendiz” foi um dos vários gritos que ecoaram entre milhares de manifestantes em Nova York e em pelo menos outras seis cidades dos Estados Unidos na noite de quarta-feira (9/11/2016), menos de 24 horas após o republicano ser escolhido como o novo chefe da Casa Branca. A candidata derrotada nas eleições Hillary Clinton, não teve apoio em massa dentro do gênero. Em percentuais, a democrata conquistou 54% dos votos femininos, menos que os 55% conquistados pelo também democrata Barack Obama em 2012. Eleitoras de características “brancas” da classe média trabalhadora sem diploma universitário representando 17% aderiram a Trump: foram 62% dos votos para o republicano contra os 34% de Hillary. As mulheres representam 52% do eleitorado do país. O aspecto político e social singular do populismo nos Estados Unidos da América é sua perspectiva ideológica de que “não existem classes sociais na sociedade americana”.

Esta ideia abstrata se baseia na proposta de Declaração de Independência, de 1776, em que “todos os homens são iguais” e que a história oficial dos Estados Unidos se tem encarregado de reforçar. Esta história tem incluído movimentos políticos para empreender reformas, dentro de segmentos de estratificação de diferentes classes sociais tem formado alianças políticas temporais. O centro da ideologia populista tem como representação social a ideia de “um povo” que luta contra alguma instituição fabulosa, tais como os bancos, os detentores da riqueza e a burocracia governamental. O populismo norte-americano reúne aspectos multiculturais de segmentos capitalistas, da “classe média” sob um só estandarte. Ideologicamente, enquanto um conjunto de práticas sociais o populismo não se coloca contrário ao capitalismo. Historicamente o movimento comum se associa com a ascensão do populismo é a luta dos agricultores desde a década de 1890 até os anos 1930. Sua mobilização se dirigiu contra as ferrovias, os grandes bancos e as empresas de produtos agropecuários, de agricultores pobres, comerciantes rurais e formando grupos da classe operária. Para os norte-americanos, a palavra populismo não tem conotações positivas nem negativas. Não é progressista nem conservadora. Para Michael Kazin, no ensaio: “The Populist Persuasion (1995), mais do que uma ideologia, “é uma retórica que define o terreno em termos de enfrentamento sociológico entre os debaixo e os de cima, o povo e as elites”. 

No âmbito social da chamada “batalha das ideias” e efeitos de poder Donald Trump amplificou a verborragia aparente de um falastrão inconsequente em busca de popularidade e votos a qualquer custo. Finalmente ele foi o mais votado da história nas primárias republicanas - o recorde anterior era de George W. Bush, em 2000. Conhecida por prever o futuro, a série “Os Simpsons” exibiu no ano 2000 um episódio chamado de “Bart no Futuro”, no qual que Donald Trump de fato chegou à presidência dos EUA. Mais de 40 milhões de norte-americanos mantiveram-se fiéis a ele, ignorando seus comentários ideológicos desastrosos, racistas, xenófobos, machistas, além de sua aparente inexperiência política, as acusações que recaem sobre ele, da sonegação de impostos aos abusos sexuais. Nas últimas semanas, líderes republicanos desembarcaram da campanha de Trump, doadores pediram o dinheiro de volta, um representante da ONU declarou que o candidato, se eleito, seria uma ameaça ao mundo.      

            A atitude de candidato que não joga segundo as regras políticas tradicionais agradou a uma boa parcela de eleitores conservadores, principalmente aos que pertencem à minguante classe média norte-americana. O magnata do setor imobiliário não foi o único a despontar, apesar - ou por causa - das ideias estapafúrdias. Um de seus concorrentes, o cirurgião Bem Carson, acredita que as teorias de Charles Darwin são “coisas do demônio”. Pesquisas errôneas feitas naquele período demonstravam que Trump perderia a eleição de 2016 para a democrata Hillary Clinton. Os resultados de 1º de fevereiro em Iowa se desviaram em uma direção satisfatória para os republicanos, mas desconfortável para os democratas. Não ainda em termos de eleição de novembro propriamente dita, mas por seu significado para as disputas internas até julho, Donald Trump, um possível pesadelo para a máquina burocrática republicana e para quem tenha um mínimo de bom senso político, saiu diminuído pela derrota para Ted Cruz e mais ainda pelo quase empate com o terceiro colocado Marco Rubio. Hillary conseguiu um mero empate com Bernie Sanders e isso fez prever uma disputa desgastante.

           Os resultados de Iowa repõem a disputa em um curso familiar, mas o consenso ideológico ainda está abalado. Apesar de Iowa ser um Estado tão pequeno, em que as comunidades se reúnem para debater em espaços públicos durante as primárias, seus resultados têm forte influência sobre o financiamento das campanhas e a estratégia dos pré-candidatos à presidência. A vantagem das convenções partidárias de Iowa é que permite que um grupo de eleitores avalie os candidatos de perto e faça escolhas mais bem informadas do que numa primária nacional. À espera do discurso de Donald Trump na Pensilvânia, um homem bradava o slogan da campanha: - “Donald Trump is going to make America great!”. Em outro palanque, uma mulher esperava para ouvir o candidato vestindo uma camiseta com a frase: - “Hey Trump, talk dirty to me!” e a estampa de lábios pintados com batom cor de rosa. Isso, um dia depois de publicados no “New York Times” depoimentos de duas mulheres que disseram terem sido abusadas sexualmente por ele. Lou Dobbs, âncora da emissora “Fox Business Network”, compartilhou nas redes sociais para seus quase 800 mil seguidores o link de um site conservador e o post de um apoiador de Donald Trump que revelavam o endereço e o telefone de Jessica Leeds, uma das vítimas. Criticado, ele apagou os posts em seguida. A página disponível da Wikipédia da candidata democrata, Hillary Clinton, “foi invadida e vandalizada com imagens de pornografia e mensagens pró-Trump”. 

Politicamente falando é preciso compreender o simbolismo contido no Trumpismo. As mulheres que o acusaram de “abuso” o fizeram após o candidato declarar, durante o segundo debate presidencial, que o áudio em que foi flagrado contando vantagem por abusar de mulheres era tecnicamente “conversa de vestiário” e não ato. Duas falaram ao New York Times, e uma ex-repórter da revista People revelou que Donald Trump tentou abusar dela num encontro profissional, em 2005, quando a mulher grávida dele estava nas proximidades, enquanto uma ex-candidata a Miss Teen EUA disse ao “BuzzFeed” que ele invadiu o camarim onde elas se trocavam. Trump reagiu às acusações desenterrando casos de abuso sexual envolvendo o ex-presidente Bill Clinton. Seus eleitores saíram às ruas exibindo cartazes e inundaram as redes sociais com posts: - “Hillary é casada com um estuprador”, mas ignorando completamente as acusações contra o próprio Trump. Sobre o áudio, de 2005, em que ele bravateia sobre poder fazer o que quiser com as mulheres, beijá-las e “agarrá-las” pela genitália por ser um “astro”, um engenheiro elétrico, eleitor de Trump, comenta: - “A única coisa que a gravação mostra é que ele é um heterossexual saudável”.

Em uma rápida sequência programada de entrevistas gerenciadas pelo jornal New York Times, quase todos declararam desconsiderar as acusações contra Donald Trump, contrapondo em seu lugar as intenções das acusadoras. Uma das entrevistadas disse acreditar que Trump agiu “como todos os homens ricos agiam décadas atrás”, referindo-se ao relato de uma mulher que o acusou de tocar seus seios e colocar a mão por baixo de sua saia. - “São oportunistas. Ouça, nenhum homem ataca uma mulher a menos que ela pareça estar pedindo isso”, disse outra. A maioria dos eleitores se mostrou cética em relação às denúncias. Alguns justificaram as acusações com “teorias conspiratórias”. Outros disseram que o comportamento de Trump não importava e que ele deveria ser eleito por tudo o que representa. Mas o que nos interessa saber é o que Donald Trump representa no plano da globalização da política e internamente nos Estados Unidos da América. Para o filósofo Slavoj Žižek, que preferiu a candidatura do republicano frente à Hillary Clinton, o presidente eleito é uma fenômeno ambíguo. – “Por um lado, é racista, nojento, mas ele quase não fala sobre mudanças concretas. Para mim, o verdadeiro monstro era Ted Cruz, pré-candidato republicano”. Para o cientista político Boaventura de Sousa Santos afirma a política partidária no mundo abre caminho para candidatos não terem a necessidade de apresentar qualificações específicas para serem dirigentes políticos. – “A notoriedade pública em qualquer domínio, seja espetáculo, futebol ou cinema, pode ser qualificação suficiente”. 

Devido ao seu aparente isolamento, o país desenvolveu uma fauna distinta dominada por pássaros, alguns dos quais foram extintos após a colonização dos seres humanos e dos mamíferos introduzidos por eles. A maioria da população da Nova Zelândia é de ascendência europeia (67,6%), sobretudo britânica, enquanto os nativos māori, ou seus descendentes, tornaram-se minoria societária (14,6%). Asiáticos e polinésios não māori também são grupos de minoria significativa (16,1%), especialmente em áreas urbanas. A língua mais falada é o inglês, introduzida pelos colonizadores britânicos, embora também sejam considerados idiomas oficiais línguas nativas, como a língua māori. A  Nova Zelândia é um país desenvolvido e industrializado do mundo ocidental/oriental globalizado, e que se posiciona muito bem em análises comparativas internacionais sobre o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), qualidade de vida, “esperança” de vida, alfabetização, educação pública, paz, prosperidade, liberdade econômica, facilidade de fazer negócios, aparente falta de corrupção política e econômica, liberdade de imprensa, democracia e proteção das liberdades civis e de direitos políticos. Suas cidades também estão entre consideradas “mais habitáveis do mundo”. Aotearoa, muitas vezes traduzido como “terra da longa nuvem branca” é o nome māori contemporâneo para a Nova Zelândia e também é usado internacionalmente no inglês neozelandês.

        Haka são os representantes das danças típicas do povo Maori. Geralmente demonstram a paixão e intimidação. É usada para dar boas-vindas a visitantes e tribos inimigas. Segundo o povo Maori, Tama-nui-to-ra, o Deus do Sol, tinha duas mulheres, sendo uma delas Hine-raumati, a virgem do verão (perdendo este estatuto!), da qual nasceu Tane-rore, creditado pela origem da dança. Tane-rore representa o vento nos dias quentes de verão, na dança coreografado com o tremor de mãos. Os All Blacks se preparando para a haka no jogo da final da Copa das Três Nações, contra a Austrália, de 2005. Atualmente o Haka é conhecido mundialmente pela performance de intimidação no início dos jogos de Rugby da seleção da Nova Zelândia (All Blacks), que costuma antes de seus jogos executar uma haka específica chamada Ka Mate. Antes da dança o chefe grita como um grito para iniciar, coisa que no caso dos All Blacks é feita pelo jogador de sangue maori mais velho, nāo sendo este necessariamente capitāo da equipe. As palavras são utilizadas nāo só para incitar quem está realizando a dança, mas também para recordar-se o seu comportamento correto. Muitas vezes o tom utilizado para gritar o refrāo é o mesmo no curso de toda a exibição, ou seja, quanto mais alto, estridente e agressivo, feroz e brutal, mais vai incentivar mais o grupo - e intimidar o adversário.

Na língua maori, a palavra maori representa toda a grandeza de uma cultura. Em lendas e outras tradições orais, a palavra distinguia seres humanos mortais de divindades e espíritos. Maori tem cognatos em outras línguas da Polinésia, comparativamente como na língua havaiana (Maoli) e na língua taitiana (Maohi), e provavelmente todos têm sentidos semelhantes. Os primeiros exploradores europeus às ilhas da Nova Zelândia se referiam às pessoas que lá encontraram como aborígenes, nativos ou também chamados neozelandeses. Maori permaneceu como o termo usado pelos maoris “para descreverem a si mesmos”. Em 1947, vale lembrar que o Departamento de Relações Nativas foi renomeado, alternando para Departamento de Relações Maoris para reafirmar a decisão. Não existe registro etnográfico de assentamento na Nova Zelândia antes dos viajantes maoris; por outro lado, evidências arqueológicas indicam que os primeiros habitantes vieram do leste da Polinésia e se tornaram os maoris. Na Nova Zelândia há uma riqueza enorme quanto à tatuagem. E a tatuagem mais importante é feita no rosto. Para muitas culturas, a mão, o rosto e o pescoço ficam fora da pintura corporal. Para os maoris, o homem cobre todo o rosto quanto mais nobre ele é ou pela sua posição social. A tatuagem dá status dentro da tribo ou clã. A colonização europeia da Nova Zelândia foi relativamente recente. Os maoris representaram a última comunidade a ser influenciada pelos europeus.

 
Grupo de Maoris: a dança típica Haka.




A identidade maori foi estudada por Ranginui Walker (1997) antropólogo de formação acadêmica e política como chefe do Departamento de Estudos Maori da Universidade de Auckland desde 1992, além de dirigente do Conselho do Distrito Maori de Auckland e membro fundador do Conselho Maori da Nova Zelândia. Sua trajetória como pesquisador e política como dirigente vincula-se estreitamente às lutas pela obtenção de direitos e melhorias na condição social dos Maori, nas quais desempenhou papel de destaque nos últimos anos. Natural de Whakatohea, na Ilha do Norte, é descendente dos Opotiki. Publicou dois livros: Nga Tau Tohetoe. The Years of Anger (1987) e Ka Whawhai Tonu Matou: Struggle Without End (1990) – ambos sobre as formas de organização social e atuação política do movimento maori –, além de mais de quarenta artigos sobre educação, ativismo e política maori. - Em 1967, fui contratado, afirma em depoimento Walker, para ensinar na Universidade de Auckland, quando comecei a cursar o doutorado. Minha principal área de interesse era a antropologia social e tive como professor Ralph Piddington, que, por volta de 1950, criou o Departamento de Antropologia. Ele havia estudado com Malinowski e, assim, muito do seu interesse estava voltado para os desenvolvimentos malinowskianos, como a teoria das necessidades, as noções de estrutura e função social etc. Estes foram meus estudos iniciais em antropologia, com uma ênfase muito grande no trabalho de campo. No mestrado, decidi que faria minha dissertação sobre as relações sociais dos estudantes Maori  no Teacher’s College e os ajustes necessários para conviverem com o grupo europeu dominante. Cursei as disciplinas do doutorado entre 1966 e 1967, e escolhi como tema de tese a migração dos Maori do interior para a cidade. Concentrei-me em um bairro e fui a todas as reuniões de comitês, grupos e organizações. Encontrei um processo muito dinâmico, com os Maori tendo de aprender a viver em uma economia monetária: a economia de subsistência tinha de ser posta de lado, pois vivendo na cidade não havia meios de buscar alimentos como faziam no campo, ou à beira-mar; era preciso encontrar um emprego, controlar as despesas, enfrentar a vida urbana. Interessava-me a maneira como essas pessoas formavam novas organizações para ajudar umas às outras a se ajustarem.

            A expectativa de vida de uma criança nascida na Nova Zelândia em 2015 era de 84 anos para as mulheres e 80,2 anos para os homens. A esperança de vida ao nascer deverá aumentar de 80 anos para 85 anos em 2050 e a mortalidade infantil deverá diminuir ainda mais. Em 2050, estima-se, a população deverá chegar aos 5,3 milhões de habitantes, a idade média subirá de 36 anos para 43 anos e a percentagem de pessoas com 60 anos de idade e mais velhas subirá de 18% para 29%. O país tem a maior taxa de suicídio entre os jovens de países desenvolvidos, com taxa de 15,6 suicídios por 100 mil pessoas. O cristianismo é a religião predominante na Nova Zelândia. No censo de 2006, 55,6% da população se identificou como cristã, enquanto que 34,7% não tinham religião de 29,6% em 2001 e cerca de 4% eram afiliados com outras religiões. As principais denominações cristãs são representadas pelo anglicanismo, catolicismo romano, presbiterianismo e o metodismo. Há também um número significativo de cristãos que se identificam com pentecostais, batista, “em que todas as comunidades batistas desejavam ser puras Igrejas, no sentido da inocente conduta de seus membros” (cf. Weber, 1973: 80), membros da A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e da religião neozelandesa rātana, que tem adeptos entre māori. De acordo com outras religiões significativas incluem o hinduísmo, o budismo e o islamismo. Uma dificuldade na interpretação dos dados estatísticos de afiliação religiosa na Nova Zelândia é a grande proporção de pessoas que se opõem a responder à pergunta, identificados em cerca de 313.000 entrevistados em 2018. A maioria dos relatórios de porcentagens se baseia no número total de respostas, e não na população real total.

            Não queremos perder de vista que para a sociologia compreensiva de Max Weber, desde que a predestinação foi rejeitada, o caráter peculiarmente racional da moralidade batista apoiou-se psicologicamente, acima de tudo, na ideia da “espera”, ela descida do espírito que, caracteriza o meeting quaker. A finalidade desta tranquila espera é a superação do impulsivo e do irracional, das paixões e dos interesses subjetivos do homem “natural”. Ele deve calar-se afim de conseguir aquela profunda tranquilidade de alma que é a única em que pode ser ouvida a palavra de Deus. Esta espera pode, naturalmente, sob condições histéricas, resultar em profecias e, enquanto sobreviverem esperanças escatológicas, em certas circunstâncias, até em entusiástica eclosão de quiliasmo, como é possível em todos os tipos similares de religião. Isto realmente aconteceu no movimento que se fragmentou em Münster. Contudo, à medida que o batismo foi afetando a vida profissional secular, a ideia de que Deus somente fala quando silencia a criatura, significou, evidentemente, um incentivo para a tranquila ponderação das ações e para a justificação em termos da consciência do indivíduo. As seitas batistas mais recentes, de modo particular os quakers, adotaram este caráter de conduta, tranquilo, moderado e eminentemente consciencioso. A eliminação da magia do mundo não permitiu nenhum outro recurso psicológico, que não a prática do ascetismo laico.  Uma vez que a estas comunidades nada queriam ter que ver com os poderes políticos e com seu procedimento, disto visivelmente resultou a penetração desta moral ascética, conforme Weber (2003) na vida profissional. Os líderes dos primeiros movimentos sociais batistas foram implacavelmente radicais em sua rejeição do mundanismo, naturalmente, mesmo como ocorre na primeira geração, o modo de vida estritamente apostólico não foi considerado de forma societária como absolutamente essencial para a prova de redenção.

            A Nova Zelândia é um país desenvolvido localizado na Oceania, continente banhado pelo Oceano Pacífico e caracterizado por grande quantidade de ilhas. Possui características geográficas diversas devido ao seu isolamento e, ainda, as recorrentes atividades vulcânicas e sísmicas que ocorrem no seu território. O país foi colonizado pelos europeus, mas a presença dos maoris, população nativa, ainda é culturalmente muito forte. Os neozelandeses possuem uma elevada qualidade de vida humana. A população local é predominantemente adulta e urbana. A economia é diversificada, com destaque para o elevado emprego de tecnologias nas atividades primárias. A infraestrutura é típica de países altamente desenvolvidos, sendo a Nova Zelândia reconhecida por seus governos de cunho progressista. A prática de esportes de aventura faz parte da cultural local, e o país é famoso pelo seu time de Rugby. O isolamento não apenas físico, mas de ordem comunicativa e de trabalho, causou isolamento biológico, resultando em uma ecologia evolutiva dinâmica com exemplos de plantas e animais muito distintos, bem como populações de espécies comuns. Cerca de 82% das Planta vascularplantas vasculares da Nova Zelândia são endêmicas, cobrindo 1.944 espécies em 65 gêneros. O número de fungos registrados na Nova Zelândia, incluindo espécies formadoras de líquen, não é conhecido, nem a proporção desses fungos endêmicos, mas uma estimativa sugere que existem cerca de 2.300 espécies de fungos formadores de líquen na Nova Zelândia e 40% deles são endêmicos. Os dois principais tipos de floresta são dominados por árvores de folhas largas com podocarpos emergentes ou por faias do sul em climas mais frios. Os demais tipos de vegetação consistem em pradarias, a maioria tussock. Antes da colonização, estima-se que 80% da terra estava coberta de floresta, com apenas altas áreas alpinas, úmidas, inférteis e vulcânicas sem árvores.

O desmatamento maciço ocorreu depois que os humanos chegaram, com cerca de metade da cobertura florestal perdida para o fogo após o assentamento polinésio. Grande parte da floresta restante caiu após o assentamento europeu, sendo derrubada ou derrubada para dar espaço à agricultura pastoral, deixando a floresta ocupando apenas 23% da terra. As florestas eram dominadas por pássaros, e a falta de predadores de mamíferos levou a que alguns como apteryx, kiwi, kakapo, weka e takahe evoluíssem a ausência de voo. A chegada dos seres humanos, as mudanças associadas ao habitat e a introdução de ratos, furões e outros mamíferos levaram à extinção de muitas espécies de aves, incluindo grandes aves como o moa e a águia-de-haast. A Nova Zelândia, originalmente parte da colônia de Nova Gales do Sul, tornou-se uma colônia da coroa separada em 1841. A colônia ganhou um governo representativo em 1852 e o primeiro parlamento da Nova Zelândia se reuniu em 1854. Em 1856, ela efetivamente tornou-se autogovernada, ganhando a responsabilidade sobre todos os assuntos domésticos, com exceção da política nativa. Controle sobre a política nativa foi concedida em meados da década de 1860. Preocupado com a possibilidade da Ilha do Sul formar uma colônia separada, o premiê Alfred Domett apresentou uma resolução para transferir a capital de Auckland para uma localidade perto do Estreito de Cook. Wellington foi escolhida pelo seu porto e localização central, com o parlamento oficialmente sediado ali pela primeira vez em 1865. Com o aumento do número de imigrantes e os conflitos pela posse de terra, levou às Guerras da Nova Zelândia da década de 1860 a década de 1870, resultando na perda e no confisco de terras nativas māori. Em 1893, o país tornou-se o primeiro do mundo a conceder as mulheres o direito ao voto. Em 1894 pioneiro na adoção da arbitragem obrigatória entre empregadores e sindicatos. Em 1907 declarou-se um domínio dentro do Império Britânico e em 1947 o país adotou o Estatuto de Westminster, o que tornou a Nova Zelândia um reino da Commonwealth.  

O país se envolveu em assuntos políticos de relações internacionais, lutando ao lado do Império Britânico na primeira e 2ª guerra mundial, e sofrendo os impactos sociais e políticos da Grande Depressão. A depressão econômica levou à eleição do primeiro governo trabalhista e ao estabelecimento de um estado de bem-estar abrangente e de economia protecionista. Entre 1923 e 1926, Conferências Imperiais decidiram que a Nova Zelândia devia ser autorizada a negociar os seus próprios tratados políticos, sendo o primeiro tratado comercial de sucesso estabelecido com o Japão, em 1928. Apesar dessa relativa independência, a Nova Zelândia prontamente seguiu o Reino Unido ao declarar guerra à Alemanha nazista em 3 de setembro de 1939, quando o então primeiro-ministro neozelandês, Michael Savage, proclamou: “Onde ela vai, nós vamos; onde ela está, nós estamos”. Em 1951, o Reino Unido virou-se cada vez mais para seus interesses europeus, enquanto a Nova Zelândia juntou-se à Austrália e aos Estados Unidos no tratado de defesa ANZUS. A influência dos Estados Unidos na Nova Zelândia enfraqueceu após protestos sobre a Guerra norte-americana contra o Vietnã, o fracasso dos Estados Unidos em advertir França após o naufrágio do Rainbow Warrior e por desacordos sobre questões agrícolas comerciais, ambientais e sobre a políticas sobre a zona livre de armas nucleares da Nova Zelândia. Apesar da suspensão das obrigações dos Estados Unidos, o tratado ANZUS permaneceu em vigor entre a Nova Zelândia e a Austrália, cuja política externa tem seguido uma tendência semelhante. Próximos, contatos políticos são mantidos entre eles, de livre comércio e organização de viagens que permitem aos cidadãos visitar, viver e trabalhar em ambos os países sem qualquer restrição. Mais de 500 mil neozelandeses vivem na Austrália e 65 mil australianos vivem na Nova Zelândia.

A Nova Zelândia tem uma expressiva presença entre os países insulares do Pacífico. Uma grande proporção da ajuda externa, em contrapartida, vai para esses países e muitos povos do Pacífico migram para a Nova Zelândia em busca de emprego. A migração permanente é regulamentada no âmbito do programa do governo, que permitem até 1.100 samoanos e até 750 habitantes de outras ilhas do Pacífico, respectivamente, para se tornarem residentes permanentes da Nova Zelândia por ano. Um esquema de trabalhadores sazonais de migração temporária foi introduzido em 2007 e em 2009 cerca de 8.000 habitantes das ilhas do Pacífico foram empregados nele. A Nova Zelândia está envolvida no Fórum das Ilhas do Pacífico, Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico e do Fórum Regional da Associação de Nações do Sudeste Asiático, incluindo a Cúpula do Leste Asiático. O país é membro da ONU, da Comunidade das Nações, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e os Cinco Acordos de Força de Defesa. A nação experimentou um período de prosperidade crescente após a 2ª guerra mundial e os māori começaram a deixar sua vida rural tradicional e ir para as cidades em busca de trabalho. Um movimento de protesto dos māori desenvolveu-se, criticando o eurocentrismo e trabalhando por um maior reconhecimento da cultura māori e do Tratado de Waitangi. Em 1975, um Tribunal Waitangi foi criado para investigar as violações do tratado e foi habilitado para investigar queixas históricas em 1985. Depois da assinatura do Tratado de Waitangi, no início da década de 1840, o governador da colônia inglesa, William Hobson, teve que eleger uma capital para a colônia.

Até então, a capital efetiva era Kororareka, na atualidade chamada Russell, em Bay of Islands. Sem dúvida, Kororareka estava muito distante do restante do país e, além disso, tinha uma má reputação moralista cristã devido ao alcoolismo e imoralidade dos seus habitantes. Com base nos conselhos do missionário Henry Williamson, Hobson elegeu a praia sul do porto natural de Waitemata como nova capital. Adquiriu-se a terra necessária aos seus proprietários, a tribo maori dos Ngati Whatua, e a cerimónia de fundação teve lugar às 13 horas de 18 de setembro de 1840. Hobson escolheu o nome em honra de George Eden, primeiro duque de Auckland, seu protetor e amigo. Finalmente, em 1865, a capital mudou-se para Port Nicholson, mudando o nome para Wellington. As vantagens estratégicas de uma posição geopolítica central tornaram-se óbvias evidentemente quando a Ilha do Sul cresceu em prosperidade econômica com pesquisa e desenvolvimento (P&D) sobre a descoberta de ouro em Otago e o desenvolvimento da criação de ovelhas e a refrigeração.

Politicamente a Força de Defesa da Nova Zelândia é composta por três ramos: a Marinha Real da Nova Zelândia, o Exército da Nova Zelândia e a Força Aérea Real da Nova Zelândia. As necessidades de defesa nacional da Nova Zelândia não são modestas, devido à improbabilidade de ataque direto, mesmo com a presença global do país. A Nova Zelândia lutou nas duas guerras mundiais, com campanhas notáveis em Galípoli, Creta, El Alamein e Cassino. A Campanha de Galípoli desempenhou um papel importante na promoção da identidade nacional da Nova Zelândia e fortaleceu a tradição  da Australian and New Zealand Army Corps (ANZAC) compartilhada com a Austrália. De acordo com Mary Edmond-Paul, “a Primeira Guerra Mundial tinha deixado cicatrizes na sociedade neozelandesa, com cerca de 18.500, no total, mortos como resultado da guerra, mais de 41.000 feridos e outros afetados emocionalmente, de uma força de combate no exterior de cerca de 103 mil e uma população de pouco mais de um milhão” A Nova Zelândia também teve uma importante participação na Batalha do Rio da Prata (1939) e na campanha aérea da Batalha da Grã-Bretanha (1940-1941).

Durante a 2ª guerra mundial, os Estados Unidos da América tinham mais de 400 mil militares norte-americanos estacionados na Nova Zelândia. Além do Vietnã e das duas guerras mundiais, a Nova Zelândia lutou na Guerra da Coreia (1950-1953), na Segunda Guerra dos Bôeres (1899-1902), na Emergência Malaia, guerra de guerrilha travada entre as forças armadas da Commonwealth e o Exército de Libertação Nacional Malaio (ELNM), o braço militar do Partido Comunista da Malásia, de 1948 a 1960, na Guerra do Golfo, 2 de agosto de 1990 até 28 de fevereiro de 1991 e na Guerra do Afeganistão, é a atual fase da guerra civil afegã, que opôs, inicialmente no período de outubro a novembro de 2001, os Estados Unidos da América, com a contribuição militar da organização armada muçulmana Aliança do Norte e de países ocidentais (Reino Unido, França, Canadá e outros), ao regime talibã. O país tem contribuído com forças militares para várias missões de paz regionais e globais, tais como aquelas no Chipre, Somália, Bósnia e Herzegovina, Suez, Angola, Camboja, fronteira Irã-Iraque, Bougainville, Timor-Leste e nas Ilhas Salomão. A nação enviou uma unidade de engenheiros do exército de para ajudar na reconstrução de infraestrutura do Iraque por um ano durante a Guerra do Iraque.

A Campanha de Galípoli, também reconhecida como Batalha dos Dardanelos, teve como palco a península de Galípoli na Turquia, de 25 de abril de 1915 a 9 de janeiro de 1916, durante a 1ª grande guerra. Foi uma das campanhas mais custosas e trágicas da guerra. Forças britânicas, francesas, australianas e neozelandesas desembarcaram em Galípoli, numa tentativa de invasão da Turquia e captura do estreito de Dardanelos. A tentativa falhou, com pesadas perdas para ambos os lados. Os aliados se retiraram do local durante os meses de dezembro de 1915 e janeiro de 1916. As divisões ANZAC se viram especialmente danificadas, e esta campanha passou a significar certa dissensão por parte dos aliados oriundos da Nova Zelândia e da Austrália, que acusaram as tropas britânicas de arrogância, crueldade e inaptidão, bem como principais responsáveis pelo fracasso das operações. O Anzac Day (25 de abril) continua a ser a comemoração política mais significativa dos veteranos na Austrália e na Nova Zelândia, superando o Dia do Armistício/Dia da Lembrança. A Campanha de Galípoli repercutiu profundamente em todas as nações imperialistas envolvidas. Na Turquia, a batalha é percebida como um momento crucial e definitivo na história social e política da nação, tendo em vista a questão política da defesa final da terra-mãe após séculos de desintegração social do Império Otomano. A luta estabeleceu as bases para a Guerra de Independência Turca e a fundação da República Turca oito anos mais tarde, sob Atatürk, ele próprio um comandante remanescente em Galípoli.

            A Nova Zelândia é uma monarquia constitucional com uma democracia parlamentar, embora a sua Constituição não seja codificada. Elizabeth II é a monarca neozelandesa e a chefe de Estado do país. A rainha é representada pelo governador-geral, que é nomeado a conselho do primeiro-ministro. O governador-geral pode exercer os poderes prerrogativos da Coroa, como revisão de casos de injustiça e nomeações de ministros, embaixadores e outros importantes funcionários públicos e, em raras situações, os poderes moderadores o de demitir um primeiro-ministro, dissolver o parlamento ou recusar o Consentimento Real de um projeto de lei. Os poderes da Rainha e do governador-geral são limitados por restrições constitucionais e não podem normalmente ser exercidos sem o Conselho de Ministros. O gabinete, formado por ministros e liderado pelo primeiro-ministro, é o órgão máximo de formulação de políticas e por decidir as ações mais significativas do governo. Por convenção, os membros do gabinete estão ligados por responsabilidade coletiva de decisões tomadas pelo gabinete

            Jacinda Ardern foi eleita primeira-ministra da Nova Zelândia em outubro de 2017, depois que o partido populista New Zealand First concordou em formar uma coalização de centro-esquerda articulada em torno do Partido Trabalhista, do qual ela própria faz parte. Ardern é a mais jovem líder do país desde 1856 e se tornou a chefe de governo mais jovem do mundo ao assumir, então com 37 anos, seu posto. A plataforma que levou a escolha do seu nome para governar a Nova Zelândia era sólida e incluiu “o aumento do salário mínimo, uma lei para combater a pobreza infantil e o acesso à moradia”. Durante seu mandato, ela deu à luz sua primeira filha, Neve, em junho de 2018, tornando-se a segunda chefe de governo eleita a fazê-lo, e também liderou o país após o ataque contra a mesquita de Christchurch. Ardern, que costuma se descrever como progressista, republicana, feminista e que apoia o ensino obrigatório da língua Maori nas escolas neozelandesas, completou 40 anos no fim de julho como uma das lideranças mais eficazes no combate ao “novo coronavírus”. O país chegou a deter o controle imunológico e passar cem (100) dias sem transmissão comunitária do vírus. Esta semana, depois de quatro casos terem sido registrados em Auckland, ela decretou lockdown na maior cidade do país.

        Nova Zelândia tem uma moderna, próspera e desenvolvida economia de mercado, com um Produto Interno Bruto (PIB) em paridade do poder de compra (PPC) per capita estimado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), uma organização criada em 1944 com o objetivo de recuperar a economia internacional dos efeitos da Grande Depressão de 1929 e da 2ª guerra mundial. Até hoje, no entanto, funciona como um centro de cooperação financeira entre seus 189 países-membros, em cerca de US$ 26.966. A moeda do país é o dólar da Nova Zelândia, informalmente reconhecido como o “dólar Kiwi”, que também circula nas Ilhas Cook, Niue, Tokelau e nas Ilhas Pitcairn. A Nova Zelândia havia sido classificada como o 5º país mais desenvolvido do mundo ocidental pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 2011 e caiu para 16º na classificação de 2018 elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), e ficando em 4º lugar no Índice de Liberdade Econômica de 2011, publicado pela Heritage Foundation. As indústrias extrativistas têm contribuído para a economia da Nova Zelândia, concentrando-se, de acordo com a época, na caça às focas e baleias, linho, ouro, goma kauri e na madeira nativa.  Com o desenvolvimento do transporte refrigerado em 1880, carne e produtos lácteos passaram a ser exportados à Grã-Bretanha, um comércio internacional que serviu de base desenvolvimentista para o crescimento do mercado interno econômico na Nova Zelândia.

A elevada demanda de produtos agrícolas do Reino Unido e dos Estados Unidos ajudou os neozelandeses a alcançar um padrão de vida mais elevado do que o da Austrália e da Europa Ocidental nos anos 1950 e 1960. Em 1973, o mercado de exportação da Nova Zelândia foi reduzido quando o Reino Unido aderiu à Comunidade Europeia e por outros fatores, tais como crise do petróleo de 1973 e a crise energética de 1979, o que levou a uma grave depressão econômica. O padrão de vida neozelandês caiu atrás daqueles registrados na Austrália e na Europa Ocidental e, em 1982, a Nova Zelândia tinha a menor renda per capita entre os países desenvolvidos pesquisados pelo Banco Mundial. Desde 1984 sucessivos governos engajados na reestruturação macroeconômica do país transformou rapidamente a Nova Zelândia de uma economia altamente protecionista para uma economia de livre comércio e liberalizada. O desemprego chegou acima dos 10% em 1991 e 1992, após a “segunda-feira negra de 1987”, mas finalmente caiu a uma baixa recorde de 3,4% em 2007, a 5ª menor taxa entre os 27 países comparáveis da OCDE. A crise financeira mundial que se seguiu, porém, teve um grande impacto na economia neozelandesa, com o PIB do país encolhendo por cinco trimestres consecutivos, a mais longa recessão em mais de 30 anos, e com o aumento do desemprego para uma taxa de 7% no final de 2009. A taxa de desemprego para os jovens foi de 17,4% no trimestre de junho de 2011. A Nova Zelândia tem experimentado historicamente uma série de “fuga de cérebros” desde 1970, enquanto um processo comunicativo de fenômeno contínuo. Quase um 1/4 dos trabalhadores altamente qualificados do país vivem no exterior, a maioria na Austrália e no mercado do Reino Unido, taxa maior do que a de qualquer outra nação social desenvolvida. Nos últimos anos, entretanto, um “ganho de cérebros” trouxe profissionais educados da Europa e de outros países por ser menos desenvolvidos.

Bibliografia geral consultada.

FRIEDRICH, Carl Joachim, La Democracia como Forma de Política y como Forma de Vida. 2ª ediciones. Madrid: Editorial Tecnos, 1966; DUVERGER, Maurice, Os Partidos Políticos. 2ª edição. Rio de Janeiro: Zahar Editor; Brasília: Universidade de Brasília, 1980; BRIDGSTOCK, Martin, A Sociological Approach to Fraud in Science. In: Astralian and New Zealand Journal of Sociology, 18 (1982), pp. 364-383; FERNÁNDEZ, Ana Maria, El Campo Grupal: Notas para una Genealogia. Buenos Aires: Ediciones Nueva Visión, 1992; BARROS, Regina Duarte Benevides, Grupos: A Afirmação de um Simulacro. Tese de Doutorado em Psicologia Clínica. Programa de Estudos de Pós-Graduação em Psicologia Clínica. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 1994; WALKER, Ranginui, “Identidade e Antropologia Maori na Nova Zelândia”. In: Mana, 30 (1) 169-178; 1997; WEBER, Max, A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. 2ª edição. São Paulo: Editora Pioneira, 2003; BOBBIO, Norberto, Il Futuro della Democrazia. 1ª edizione. Itália: Einaudi Editore, 2005; LACLAU, Ernesto, La Razón Populista. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 2005; PARTON, Benjamin John, Organização Sindical e Condições de Trabalho no Setor de Fast-Food em São Paulo e na Nova Zelândia. Dissertação de Mestrado. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2009; PASSETTI, Gabriel, O Mundo Interligado: Poder, Guerra e Território nas Lutas na Argentina e na Nova Zelândia (1826-1885). Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em História Social. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2010; CRUZ, Katiano Miguel, O Conceito de Institucionalização Partidária: Uma Análise Sistemática da Literatura de Ciência Política. Dissertação de Mestrado em Ciência Política. Setor de Ciências Humanas. Curitiba: Universidade Federal do Paraná, 2019; RAMÍREZ, Noelia, “Jacinda Ardern torna a Nova Zelândia a utopia para onde todo mundo quer se mudar”. In: https://brasil.elpais.com/smoda/2020-05-25/QUIDEL LINCOLEO, José, La Noción Mapuche de Che (Persona): A Noção Mapuche de Che (Pessoa). Tese de Doutorado. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2020; ROSA, Irina, Factores de Sucesso na Gestão da Crise da COVID-19 na Nova Zelândia e o Estilo Comunicacional da Primeira-Ministra Jacinda Arden. In: Francisco Rui Cádima & Ivone Ferreira, Perspectivas Multidisciplinares da Comunicação em Contexto de Pandemia. Vol. II. Instituto de Comunicação da Nova Faculdade de Ciências Socaisie Humanas. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa, 2021; CABRERA, Valéria Cabreira, A Teoria do Desenvolvimento Humano de Ronald Inglehart: Uma Defesa Normativa da Teoria Liberal da Democracia. Tese de Doutorado.  Programa de Pós-Graduação em Ciência Política. Instituto de Filosofia, Sociologia e Política. Pelotas: Universidade Federal de Pelotas, 2021; entre outros.   

sábado, 16 de janeiro de 2021

Sobre Celebridade, Poder Social & Intelligentsia Pós-Burocrática.

 Eles têm uma existência moral que depende de sua opinião recíproca”. Antoine Lilti

                         

        Antoine Lilti, nascido em 1972, é um historiador francês especializado na Era Moderna e no Iluminismo. É diretor de estudos da École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS) desde 2011. Formou-se na École Normale Supérieure, que frequentou entre 1991 e 1995. Foi aprovado na agregação em história em 1994. Defendeu sua dissertação de mestrado em história na Universidade de Paris 1 em 1993 sob a orientação de Antoine Prost, intitulada: Le PSU et la Gauche (1960-1968). Em 2003, Antoine Lilti defendeu uma tese em história na Universidade de Paris 1 Panthéon-Sorbonne intitulada: “O Mundo dos Salões: Sociabilidade Mundana em Paris na Segunda Metade do século XVIII” sob a direção de Daniel Roche. Entre 2005 e 2011 lecionou na École Normale Supérieure como conferencista . Ele então se tornou diretor de estudos na Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales. Desde 2006, é membro do conselho editorial da revista Annales Histoire, Sciences sociales , da qual foi editor entre janeiro de 2007 e dezembro de 2011. Dirigiu a redação dos Annales entre 2006 e 2011. Seu trabalho mais recente enfoca a recepção atual do período do Iluminismo e seu legado no mundo político de hoje. As primeiras obras de Antoine Lilti centraram-se nos salões do século XVIII, verdadeiras instituições, em Paris, das elites intelectuais.

Antoine Lilti os apresenta na encruzilhada da sociedade da corte e da vida intelectual, ao mesmo tempo em que enfatiza seu papel fundamental no início da Revolução Francesa . Por exemplo, o salão Choiseul em Chanteloup é objeto, no Le Monde des Salons, de um estudo aprofundado de Lilti. Este é descrito como um “nó onde se cruzam os fluxos de informação do tribunal, do mundo literário, dos cafés e dos jornalistas” (Éric Saunier) 10e um pool de oponentes e oposições. Além disso, Lilti quer contradizer uma visão excessivamente idealizada – às vezes tingida de nostalgia – de salões onde estes são considerados apenas pelo seu aspecto filosófico e intelectual. Ele enfatiza as dimensões mundanas e triviais (jogos, refeições, shows 13 ): Roger Chartier explica que Antoine Lilti, os salões “não são tanto lugares para exercícios filosóficos, mas oportunidades para compartilhar os prazeres e jogos do mundanismo”. Seu livro Le Monde des salons (2005) foi traduzido para o inglês por Lydia Cochrane em 2015, sob o título “O mundo dos salões: sociabilidade e mundanismo na Paris do século XVIII”, na imprensa da Oxford Universidade. Ainda ligada ao ideário do Iluminismo e à clássica Revolução Francesa, Lilti estudou, em Public Figures (2014), o nascimento e a relação de poder histórico do conceito moderno de celebridade que tem como primícias no século XVIII. Neste livro, o historiador se propõe a estudar “as figuras públicas que desde a década de 1750 até cerca de 1850 marcaram a opinião europeia e americana”.  

Analisa as celebridades de Rousseau transportado pelo sucesso de La Nouvelle Héloïse, de Voltaire (Lilti retorna à sua “coroação” na Comédie-Française em março de 1778) do comediante Janot. Lilti explica que alguns autores contemporâneos à Voltaire e Janot lamentaram que um filósofo e um ator de boulevard pudessem ter uma celebridade equivalente. Assim, a fama é vista “como uma força que 'nivela', que apaga as distinções legítimas entre esferas de atividade”. Uma ligação com sua obra sobre o mundo dos salões seria a da distinção entre as noções de público e privado, e do comentário à obra do teórico Jürgen Habermas sobre esses conceitos.Na introdução do livro, Antoine Lilti propõe diferenciar entre glória, reputação e celebridade. As duas primeiras são as características do tradicional latim fama. Enquanto o terceiro é mais moderno. Ele detalha que a glória se refere aos heróis antigos e à comemoração dos gloriosos mortos e que a reputação é “em grande parte independente” da celebridade. Para descrever a celebridade, Lilti cita uma velha fórmula: “uma pessoa famosa é conhecida por pessoas que não têm motivos para opinar sobre ela”. A celebridade é público mais amplo, variado, contemporâneo à pessoa. Esse público costuma estar ávido por detalhes sobre a vida privada dessas celebridades e busca construir um vínculo afetivo com elas. Lilti se propõe a compreender a notoriedade do ator François-Joseph Talma (1763-1826) com esta chave de leitura. Mas também as figuras David Garrick e Sarah Siddons na Inglaterra, ou mesmo Miss Clairon na França.                                 


Para que possamos melhor especificar a questão tópica as quais derivam os grupos sociais particularmente dedicados às ideias e ao conhecimento, isto é, a clericatura, denominam todas as coisas: pessoas, objetos, sensações, sentimentos e a intelligentsia, faremos uma  distinção sobre a posição da classe intelectual e as duas culturas nas sociedades arcaicas, nas quais há, com frequência, uma extraordinária acumulação de savoir-faire e de conhecimentos sobre a vida vegetal e animal, os homens possuem por vezes um saber escondido ás mulheres, e essas, um saber desconhecido dos homens: os anciãos são, em geral, portadores da experiência e da sabedoria e há, entre os feiticeiros ou xamãs, um conhecimento visionário que é fonte, segundo Morin (1998), de terapias e de atos mágicos. São comuns ao conjunto da sociedade, por um lado, um rico pensamento cosmogônico e cosmológico, expresso sob a forma de mitos e, por outro lado, uma sabedoria de vida concentrada em máximas e provérbios. Nas sociedades teocráticas da Antiguidade, os saberes cosmológicos, mágico, mitológico e religioso foram concentrados nos mesmos espíritos, na casta de Sacerdotes/Magos. As verdades supremas, de caráter esotérico, não podiam ser divulgadas e o acesso a elas exigia uma iniciação longa, mas na Idade Média ocidental a instrução é privilégio dos clérigos.  

Que os rostos dos atores sociais célebres sejam frequentemente reproduzidos pode parecer algo anódino. Na verdade, trata-se de um fenômeno novo que traduzia o lugar que o teatro assumia na vida urbana do século XVIII, que se inscrevia também em uma transformação mais ampla da cultura visual. Com frequência imagina-se que a celebridade moderna esteja ligada à reprodução maciça das imagens, caraterística do século XX. As novas tecnologias de produção e de reprodução da figura humana, a partir da fotografia, e sobretudo com o cinema e a televisão, teriam transformado a história da celebridade, para fazer a visibilidade a forma dominante da notoriedade. É incontestável que essas tecnologias tenham transformado de maneira considerável o universo midiático, bom como nossa relação com a imagem. Os retratos das estrelas estão, disponíveis profusamente, fixos ou móveis, em close ou com teleobjetiva. No entanto, uma transformação da cultura visual já acontecera ao longo do século XVIII, fundada em inovações técnicas, como a gravura em couro a buril e a água-forte, que permitiam tiragens bastante importantes, outrora inacessíveis para a gravura em madeira, e imagens mais fiéis. A mutação era sobre social e cultural. Nos grandes centros urbanos, os retratos eram cada vez mais visíveis, em todas as formas de suporte – dos retratos pintados, expostos nos salões da Academia, as figuras de porcelana que se tornaram na moda, passado pelas inúmeras gravuras vendidas nas bancas dos comerciantes.  

Mas a celebridade não se reduz à visibilidade e à presença de imagens: ela se alimenta, na mesma medida, de narrativas, de discursos, de textos, como demonstra o jornalismo de fofoca. Também no âmbito do impresso, as mutações foram decisivas do século XVIII. O público alfabetizado conheceu um crescimento, e a relação com o livro, com a leitura, transformou-se largamente. Atividade erudita nos séculos precedentes, a leitura muda doravante de estatuto, conforme demonstrado pelo sucesso dos romances, dos impressos baratos, e, sobretudo, dos jornais, que se multiplicam, a partir do século XVII, por toda a Europa. Os jornais literários e as gazetas políticas, sobretudo, chamaram a atenção dos historiadores. Os primeiros asseguram a comunicação intelectual entre meios eruditos, ao lado das correspondências pessoais, que haviam estruturado, a primeira República das Letras. Os segundos inauguraram uma nova era de informação política, que não circula mais unicamente sob a forma de correspondências manuscritas ou rumores orais, mas por meio de organismos de imprensa. Para os teóricos do espaço público, foi por meios dos jornais, e nos lugares de sociabilidade reservados à sua leitura coletiva e ao seu comentário, que o uso público da razão se forjou no século das Luzes. Quando Kant, em O Que é o Iluminismo?  descreve a Auflarklärung como um processo de emancipação individual e coletivo permitido pelo uso que cada um faz da razão “diante do público que lê” (cf. Lilti, 2018), refere-se aos leitores de jornais.

E foi, em um deles, nomeadamente Berlinische Monatsshcrift, que esse texto famoso apareceu em 1784, no quadro de um debate sobre as questões do casamento religioso. Alguns anos mais tarde, Hegel poderá chegar a escrever que a leitura do jornal da manhã tornou-se “a prece do homem moderno”. Entretanto, ao lado dos homens eruditos e políticos que relatam as notícias diplomáticas e políticas, recenseiam as novidades científicas e literárias ou acolhem debates intelectuais, existem, no século XVIII, outros jornais, cada vez mais numerosos, muitos deles mais interessados na atualidade da alta sociedade e na cultural, no sentido amplo. Eles oferecem a seus leitores as notícias dos espetáculos e dos lançamentos literários, dos principais acontecimentos literários e políticos, mas também os faits divers mais notórios e, cada vez mais, anedotas sobre a vida, pública e privada, das pessoas célebres. Por mais que esses periódicos tenham chamado menos a atenção dos historiadores, eles contribuíram de maneira decisiva para moldar a consciência das camadas médias urbanas de que elas constituíram um público. A atualidade era alimentada tanto por faits divers e escândalos quanto por tratados e batalhas. O conjunto dessas transformações marca a entrada em uma nova era midiática, que, espirituosamente, um historiador propôs chamar de Print 2.0, para indicar que se trata de uma verdadeira guinada na história do impresso, de seus usos e de seus efeitos. A comunicação mediatizada, que difunde textos e imagens para um público indefinido, potencialmente ilimitado, torna-se uma condição ordinária da comunicação e concorre com as formas tradicionais fundadas na oralidade, na copresença e na reciprocidade.

As próprias condições da celebridade são profundamente transformadas por ela: as cadeias da reputação estendem-se, e ser confrontado com o nome ou a imagem de pessoas que jamais se encontrará em carne e osso torna-se cada vez mais frequente. A notoriedade de alguns indivíduos muito conhecidos emancipa-se dos círculos tradicionais em que circulava o reconhecimento (a corte, os salões, os espectadores de teatro, as academias e as redes eruditas) e, projeta no espaço público um conjunto de representações – de discursos e de imagens – destinadas a um público indefinido e anônimo de leitores e de consumidores, de curiosos e de admiradores. Essa circulação potencialmente ilimitada e incontrolável de representações os constitui como figuras públicas. Mas a questão é: onde se viam retratos de pessoas vivas, antes do século XVIII? Nas moedas em que figurava o rosto do soberano; nos palácios, em que os cortesãos podiam admirar os retratos do rei; nos palacetes aristocráticos em que os donos da casa se faziam voluntariamente retratar ao lado a galeria de seus ancestrais. Tratava-se, antes de tudo, de uma representação de poder, político ou social. O retrato do rei era, um simulacro do poder, e que tinha uma eficácia própria para representar o poder e de ser, de algum modo, o próprio poder, em sua força e em seu prestígio, o mesmo podendo ser dito da força sociopolítica que “emanava” dos retratos aristocráticos.

Seria possível objetar que havia, no século XVII, retratos de alguns escritores, como Corneille ou Molière. Inversamente, pode-se lembrar que não existe nenhum retrato, em vida, de Rabelais. O reinado de Luís XIV já marcara uma clara ascensão do retrato, com a criação da Academia de pintura e de escultura, na qual os retratistas eram admitidos, e o sucesso de Pierre Mignard e, depois, de Hyacinthe Rigaud. No entanto, os retratos permaneceriam essencialmente ligados ao universo da corte e da alta nobreza, na qual tinham uma função política e sentimental. Dificilmente deixava-se que fossem copiados. Até o início do século XVIII, a existência de retratos sinalizava o acesso de algumas raras figuras culturais a um estatuto social excepcional, sobretudo no quadro de instituições a acadêmicas. Eles circulavam unicamente em espaços restritos e estavam quase sempre integrados em uma relação interpessoal. Possuir o retrato de alguém era uma honra calcada na dignidade do modelo, mas também na exibição de um laço direto, familiar ou de amizade. Quando Samuel Sorbière, que admirava Thomas Hobbes e muito contribuiu para a difusão de sua obra na Europa, quis obter seu retrato, teve que lhe pedir autorização pessoalmente para mandar copiar um retrato já existente, que pertencia a Thomas de Martel: “Peço-lhe do modo mais sério do mundo, certo de que examinareis com benevolência meu pedido e desconsiderará obrigatoriamente minha ousadia”. Em 1658, escreve-lhe que seu maior prazer é poder falar dele e de sua obra com seus amigos e contemplar “o retrato na minha coleção”. O retrato substitui o amigo ausente, inscreve-se em um regime de familiaridade, de afeição e de admiração. Sua presença honra Sorbière, pois demonstra que ele mantém laços diretos de amizade com o modelo. Em 1661, Hobbes aceita posar no ateliê de Samuel Cooper para seu grande amigo John Aubrey, afim de agradecer-lhe por tê-lo permitido cair nas graças de Charles II.  

             A clericatura significa na origem o Estado eclesiástico, mas, já no século XV, o clérigo tornou-se a pessoa instruída, o letrado, o sábio e, embora dentro da Igreja, ele se diferencia do padre. Depois, a maior parte do saber moderno escapou à clericatura da Igreja e o termo clérico laicizou-se e profissionalizou-se. À antiga clericatura, sucedeu a intelligentsia, aos clérigos, sucederam os intelectuais. O termo intelligentsia vem-nos da Rússia do século XIX e designa o conjunto de pessoas instruídas, cultivadas, por oposição à massa rural ou urbana que não teve acesso à escola, ou mesmo à escrita. Mais intensivo que o termo “intelectual”, da teoria geral de Antônio Gramsci especifica as duas esferas de ação social, de divisão do trabalho intelectual na luta política de organização da cultura entre letrado (abstrato) da classe dominante e orgânico (concreto) da classe subalterna, para a análise de Edgar Morin, a intelligentsia engloba não apenas letrados e professores, mas, também, funcionários e burgueses educados, abrangendo, assim, um grande número de categorias sociais. Ela compreende as profissões que produzem ou reproduzem saber (professores, pesquisadores), ideias (filósofos), formas (artistas, arquitetos, designers), ou ainda, cuja qualidade do trabalho profissional depende do manejo das ideias (advogados), do saber (experts) ou da concepção (engenheiros). Morin define a intelligentsia em função do caráter intelectual/espiritual dos produtos da atividade social de seus membros (saber, ideias, coisas do espírito) e não pela atividade intelectual/espiritual em si mesma, de que são desprovidos muitos membros da intelligentsia, como práticas manuais, como o artesanato, a caça, a pesca, que demandam inteligência constantemente desperta, de que muitos são desprovidos.  

Isto quer dizer o seguinte: a intelligentsia contemporânea engloba categorias muito diferentes. Ela avoluma-se e diversifica-se com o desenvolvimento, em paralelo à intelligentsia humanista, de uma intelligentsia científica e de uma intelligentsia tecnicista. Mais do que isso, os intelectuais são membros da intelligentsia, mas os membros da intelligentsia não são necessariamente intelectuais. Escritores, artistas, advogados, pesquisadores não são, enquanto tais, “intelectuais”. Para que se tornem intelectuais é necessário que, a partir, mas para além da sua arte e da sua ciência, auto-instituam-se como tais, isto é, autorizem-se a tratar dos problemas gerais/fundamentais de importância moralmente, socialmente, politicamente; assumam-se assim general problems setters/solvers. A noção de intelectual não pode reduzir-se a uma categoria socioprofissional; ao contrário, ela perpassa as categorias: muitos escritores, artistas, universitários, cientistas, advogados consideram-se e são considerados exclusivamente como escritores, artistas, universitários, cientistas, advogados; outros, consideram-se e são considerados como intelectuais porque intervêm na vida pública, seja pelo ensaio, pelo artigo de jornal, seja em função de uma tribuna política. Roland Barthes, escritor, crítico literário e filósofo dizia que o escritor (écrivain) escreve para escrever, e que o escritor-intelectual (écrivant) escreve para exprimir propriamente ideias. Os que são écrivains e écrivants são ao mesmo tempo, filósofos, escritores e ensaístas, talvez possam ser considerados os mais representativos dos intelectuais, visto que a atividade social e política de intelectuais em geral, ignoram as categorias especializadas e tratam os problemas ignorados pelas categorias sociais especializadas.  

            A teoria neopragmática de Richard Rorty representa um termo filosófico recente, existente da década de 1960, sendo utilizado para denominar a filosofia que reintroduziu muitos dos conceitos do pragmatismo, sobre a verdade como objetivo de desvencilhar-se das influências dos dualismos metafísicos típicos; as distinções entre essência e acidente, aparência e realidade, sendo tal posição denominada de antiessencialista. Grande parte do que Rorty descreve em seus textos sobre a verdade desenvolve-se através de um diálogo com Donald Davidson (2002) e sua teoria semântica da verdade. Ambos estão de acordo que a noção de verdade não pode ser tida como uma correspondência, como uma representação, mas discordam em alguns pontos quanto à solução que procuram encaminhar para essa questão. Enquanto que para Davidson, os nossos conceitos podem ser verdadeiros e utilmente descrever uma realidade objetiva, para Rorty a verdade não deve ser um objetivo da reflexão filosófica, pois o objetivo da investigação é procurar evidências substantivas para nossas crenças ocidentais, e que não há nada mais que possamos fazer para firmar nossas convicções. Embora seja possível reconhecer que o universalismo liberal tenha sido um instrumento de entendimento da dissolução das diferenças, ele acredita que a associação não é forçosa, mas representação contingente.   

       O pragmatismo que contemporaneamente mais do que nunca e em diferentes variantes técnicas apresenta-se como uma forma de filosofia capaz de enfrentar os desafios próprios de nosso tempo, certamente, pode ser compreendido do ponto de vista de suas raízes, como sendo devedor, in statu nascendi, de um lado, ao pragmatismo clássico recursivo aos pensadores norte-americanos Charles Peirce, John Dewey, James, Schiller, por outro lado, às filosofias que emergiram da reviravolta pragmática do Ludwig Wittgenstein das Investigações Filosóficas. O pragmatismo que segundo Jean-Pierre Cometti (2010), é a filosofia mais solidamente enraizada na cultura norte-americana, desenvolveu-se em torno de uma filosofia do conhecimento, mas, desde o princípio, se afastou de concepções que tendem a privilegiar a busca de um fundamento no Absoluto ou de um modelo da Razão, que determina a priori as possibilidades de busca e de descoberta. Pode-se dizer que o pensamento central da metafísica, é que o conhecimento não se limita ao conhecimento da experiência, mas que é possível chegar a um conhecimento objetivo do mundo através das categorias e dos conceitos. Fundamento da verdade não é, o mundo “material empírico”, mas o “mundo do pensamento”, que apreende a estrutura inteligível do real de análise. O espírito é compreendido ao mundo em que a lógica exprime as leis que estruturam a realidade.

Richard Rorty interpreta esta postura clássica como sendo a pretensão de captar, pela mediação do conceito, a forma e o movimento da natureza e da história o que, em última instância, desembocou na ideia de que o ser humano é capaz, tanto de descobrir como reparar a injustiça da história humana. Há cerca de duzentos anos, a ideia de que a verdade era produzida, e não descoberta começou a tomar conta do imaginário individual (o sonho) e coletivo (os mitos, os ritos, os símbolos) europeu. O precedente estabelecido pelos românticos conferiu a seu pleito uma plausibilidade inicial. O papel efetivo de romances, poemas, peças teatrais, quadros, estátuas e prédios no movimento social dos últimos 150 anos deu-lhe uma plausibilidade ainda maior, obtendo legitimidade, já que as ideias adquirem  força na história. Alguns filósofos inclinaram-se ao iluminismo e continuaram a se identificar com a ciência. Eles veem a antiga luta entre a ciência e a religião, a razão e a irracionalidade, como um processo ainda em andamento que assumiu a forma de uma luta entre a razão e todas as mediações complexas intraculturais que pensam na verdade como algo constituído e não de fato encontrado. Esses filósofos consideram que a ciência é a atividade paradigmática e insistem que a ciência natural descobre a verdade, ao invés de cria-la de acordo com os instrumentos da razão. Encaram a expressão “criar a verdade” como meramente metafórica e totalmente enganosa. Pensam na perspectiva comparada entre a política e a arte como esferas de ação social em que a ideia de “verdade” fica deslocada. 

O idealismo metafísico alemão, porém, representou uma solução de compromisso pouco duradoura e insatisfatória. É que Immanuel Kant e Georg Hegel fizeram apenas concessões parciais em seu repúdio à ideia de que a verdade está “dada”. Dispusera-se a ver o mundo da ciência empírica como um mundo “fabricado” – a ver a matéria como algo construído pela mente, ou como feita de uma mente insuficientemente cônscia de seu próprio caráter mental -, mas persistiram em ver a mente, o espírito, as profundezas do eu como dotados de uma natureza intrínseca – uma natureza que se poderia conhecer por uma espécie de “superciência” não empírica, chamada de filosofia. Isso significava que apenas metade da verdade – a metade científica inferior – era produzida. A verdade superior, a verdade sobre a mente, seara da filosofia, ainda era uma questão de descoberta, não de criação. Ipso facto admitimos que Richard Rorty precisa sua tese de distinção entre a afirmação de que o mundo está dado e a de que a verdade dada, equivale a dizer, com bom senso, que a maioria das coisas no espaço e no tempo, é efeito de causas que não incluem os estados mentais humanos. Dizer que a verdade não está dada é dizer que, onde não há frases, não há verdade. E que as frases são componentes das línguas humanas, e que as línguas humanas são criações humanas. Só as descrições podem ser “verdadeiras” ou “falsas” - sem o auxílio das atividades descritivas dos seres humanos - não pode sê-lo.       

Neste âmbito peculiar da concepção de teoria e da história, assim como da filosofia, recorda-nos Edgar Morin que foi no século XVIII que se autointitularam, com o nome de “filósofos” os intelectuais modernos. São, não somente filósofos, mas também escritores e cientistas que decidem exprimir as verdades universais da Razão e combater superstições e o obscurantismo. Lutando contra a religião, retomam, no entanto, a missão dos clérigos, cujo sentido invertem e revolucionam. Quando, no século seguinte, a filosofia universitária, dividida, erudita, a palavra “filósofo” perde o significado missionário, militante, divulgador (e reduz-se à profissão de “professor de filosofia”). Ipso facto, é o termo “intelectual” que, no começo do século XX, restaurará e ampliará o senso perdido pela palavra “filósofo”. É certo que, no século XIX, os Hugo, Lamartine, Michelet, Quinet, transcendiam as categorias da literatura e da universidade e eram assim superintelectuais; mas, por isso mesmo, foram considerados como magos ou sábios. Para que sejam vistos como intelectuais, é necessário que constituam um conjunto de indivíduos, pela “massa crítica”, representativos de uma coletividade, justamente a dos intelectuais. Assim, foi necessário esperar o Eu Acuso, de Émile Zola para que o caso Dreyfus catalizasse, a partir de diferentes categorias de intelligentsia, o processo de auto-instituição dos intelectuais. J’accuse é o título do artigo redigido por Émile Zola quando ocorrido o “Affaire Dreyfus”. Publicado no L`Aurore de 13 de janeiro de 1898 sob a forma de carta ao presidente da República Francesa, Félix Faure.

Émile Zola inspirou-se num dossiê fornecido em 1896, pelo escritor Bernard Lazare. Publicado três dias após Esterhazy ter sido inocentado pelo Conselho de Guerra, o que parece acabar com toda esperança dos que contavam com uma revisão do processo que condenara Dreyfus. Nele, Zola ataca nominalmente os generais e outros oficiais responsáveis do erro judicial que levou ao processo e à condenação, e os especialistas em grafologia culpados de “relatórios mentirosos e fraudulentos”. Ele ainda acusa o exército, de uma campanha de imprensa mentirosa, bem como os dois Conselhos de Guerra. Um tendo condenado Dreyfus baseado em uma peça mantida em segredo, enquanto o segundo inocentou sabidamente um culpado. Mas, acima de tudo, ele proclama desde o início a inocência do citoyen Dreyfus: - “Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice. Mes nuits seraient hantées par le spectre de l`innocent qui expie là-bas, dans la plus affreuse des tortures, un crime qu`il n`a pas commis”. Estes estabeleceram-se duas alas inimigas dos intelectuais ditos de esquerda, continuadores da missão universalista das Luzes, e a dos intelectuais ditos de direita, defensores dos valores singulares do Estado e da nação.  Edgar Morin está preparando o terreno para introduzir o que denomina “sociologia da intelligentsia e dos intelectuais” de forma previsível, como observou Karl Mannheim que nenhuma sociologia do conhecimento pode ignorar.

            No filme Mr. Holland (EUA, 1995), com direção de Stephen Herek, em 1964 o músico Richard Dreyfuss, coincidentemente como caso francês, decide começar a lecionar, para obter mais dinheiro e assim se dedicar a compor uma obra sinfônica. Inicialmente ele sente grande dificuldade em fazer com que seus alunos se interessem pela música e as coisas se complicam ainda mais quando sua mulher (Glenne Headly) dá luz a um filho, que o casal vem a descobrir mais tarde que é surdo. Para poder financiar os estudos especiais e o tratamento do filho, ele se envolve cada vez mais com a escola e seus alunos. Deixando de lado aparentemente seu sonho de tornar-se um grande compositor. Passados trinta anos lecionando no mesmo colégio, após todo este tempo uma grande recepção o aguarda. A grande lição deste professor diz respeito ao aprendizado, o saber e a compreensão do oralismo, que entende a surdez como uma deficiência e visa à integração da criança com surdez com os ouvintes. Acreditam que para a criança surda se comunicar é necessário que ela saiba de fato oralizar. Não queremos perder de vista que em nível de análise social dos motivos e ideias, o declínio da eficácia do saber e aprendizado teórico podem ser descritos como uma das contradições e perplexidade da modernidade no mundo contemporâneo, com uma nova ambivalência da razão humana. Em nível das forças sociais e políticas, o novo conflito, que até agora se encontra pouco refletido e, sobretudo pensado, principalmente em regiões fora do grande circuito de proliferação de saberes sociais.

        Isto quer dizer o seguinte: a noção de intelligentsia apresenta dificuldades de definição sociológica. É “classe” social pelo seu modo de produção original que diz respeito às coisas do espírito, mas as fronteiras dessa classe são mesmo difusas. Essa classe, em pleno crescimento no século XX, comporta esferas cada vez mais diferenciadas e cada vez menos comunicativas como ocorre na esfera humanista e a científica. A intelligentsia moderna enfrenta um crescimento e uma diferenciação internos extremamente rápidos. É também uma classe social cujas relações com as demais classes e com o poder político são ambivalentes, logo instáveis e variáveis. A maior parte dos membros da intelligentsia saem com frequência das classes superiores ou classes médias, daí uma dupla filiação virtual, à classe de origem e à própria intelligentsia. Um segundo tipo de dupla filiação aparece quando os intelectuais se dedicam ao povo, como se tornou frequente a partir do século XIX, o narodnikismo, ou “populismo russo”. Desde então, pode haver tripla filiação: à classe de origem, à classe de inserção e à classe de dedicação. É no topo que pode haver duplo ou triplo jogo de identidade social. Assim, os Aragon e os Neruda tiveram uma vida elitista de classe superior, integraram a alta intelligentsia enquanto poetas e escritores dedicaram ou acreditaram dedicar a vida ao proletariado. Enfim, o desvio no interior da intelligentsia pode parecer neurose, delírio ou decadência. Ele começa a ser admitido, ou admirado, logo que aparece como criação, inovação ou avant-garde

A própria palavra célébrité, comparativamente, não é totalmente nova e ocorre em meados do século XVIII, mas somente então ela começa a assumir o sentido que conhecemos. No século anterior, seu emprego era raro e designava exclusivamente o caráter solene de uma cerimônia oficial. Antoine Furetière, que lhe dá esta definição: “pompa, magnificência, cerimônia que torna uma ação célebre, propõe o seguinte exemplo: “A entrada dos legados faz-se com uma grande celebridade”, e acrescenta: - “Essa palavra é obsoleta”. É com esse sentido de cerimônia solene que La Bruyère a emprega: - “Ele zomba da piedade daqueles que enviam suas oferendas aos templos em dias de grande celebridade”. A ironia da formulação assenta na etimologia da palavra, que implica a ideia de um lugar muito frequentado e dá a entender que essa piedade é mais ostentatória que sincera. Em latim clássico, celebritas designa tanto a presença de inúmeras pessoas em um lugar quanto o caráter solene de uma festa à qual assiste uma multidão, portanto a ideia de afluência e de profusão. O termo, por outro lado, designa apenas raramente reputação ampliada, e unicamente na fórmula celebritas famae. Somente alguns autores muito isolados (Aulo Gélio e Boécio) tentam, tardiamente, e em vão, conferir-lhe esse sentido em uso absoluto. Na Idade Média, ela nunca possui esse sentido, com algumas raras exceções. Quando a palavra aparece em francês, ela designa, portanto, unicamente o caráter solene de uma festa. O adjetivo celeber designava em latim um lugar, um fato ou um indivíduo conhecido. Em francês, célébe assume esse sentido bem cedo, em concorrência com ilustre e fameux.  O emprego de célébrité para designar a grande notoriedade de um indivíduo aparece timidamente nos anos 1720. 

Encontra-se em uma ocorrência nas Cartas Persas, em que a palavra designa uma reputação ampliada, e unicamente na fórmula celebritas fumae. O termo aparece na pena de Pierre de Marivaux e Prosper de Crébillon, mas é ainda recente em 1751, quando Charles Duclos colaborador da Encyclopédie o emprega. Duclos tornou-se membro da Academia das Inscrições em 1739 e da Académie française em 1747, sendo nomeado secretário perpétuo. Em 1747, ambas as academias estavam em dívida com ele não apenas por muitas contribuições valiosas, mas também por vários regulamentos e melhorias úteis. A partir da década 1750-1760, as ocorrências aumentaram regularmente e conhecem um pico, em frequência relativa, de 1770 a 1790. Em termos de frequência relativa, o período 1750-1850 marca claramente o apogeu da presença do termo celebridade nas publicações em francês. Nos anos 1750-1760, o temo permanece ainda muito próximo de reputação”, parece designar uma notoriedade rápida, ampla, sobre a qual pesa uma suspeita.  Os adversários dos filósofos iluministas, por exemplo, utilizam a palavra para denunciar a reputação, julgada excessiva, de seus rivais. Em seu Lettres sur de grands philosophes, Charles Palissot ridiculariza o refrão de louvores que esses senhores fazem uns dos outros como figuração de fato de um debate e a esses certificados de celebridade que se oferecem, um após o outro, em suas obras. No mesmo momento, François Antoine Chevrier denuncia as damas que recebem livremente todos aqueles que se apresentam à sua porta: - “É em suas casas que os autores que desejam uma celebridade passageira devem ir ler suas produções efêmeras”.  

A celebridade conotada negativamente, remete a formas de auto-promoção, a publicidade, orquestrada artificialmente, de grupos de intelectuais que estão na moda. A celebridade não é somente um atributo, ela é uma condição, modifica o modo de vida, quase o estatuto social, de uma pessoa. Tornar-se uma figura pública, ser o objeto da curiosidade por conta de seus talentos, é uma prova que pode ser enaltecedora, mas também dolorosa, e que transforma o “destino” de um indivíduo.  Na pesquisa abstrata de qualquer problema da história universal, um produto da civilização sempre estará sujeito à indagação sobre qual combinação de fatores sociais a que se pode atribuir o fato de na civilização ocidental, e somente nela, tenha surgido fenômenos culturais dotados de desenvolvimento universal em seu valor e significado. Os conhecimentos empíricos, as reflexões sobre os problemas do mundo social e da vida, a sabedoria filosófica e teológica mais profunda não se restringem à ciência. Conhecimento e observação de grande acuidade também existiram noutras civilizações. Igualmente ocorre com a força social mais significativa de nossa vida moderna global: o capitalismo. O “impulso para a aquisição”, a “ânsia do lucro”, o “quanto mais dinheiro melhor” não tem mais a ver em si com o capitalismo. A superação dessa noção ingênua pertence ao ensino do jardim da infância da história. Dentro da ordem capitalista, uma empresa que não aproveitasse das oportunidades que visam ao lucro estaria falida, e per se, condenada ao desaparecimento.

O que nos interessa sociologicamente na história universal da cultura, analisado por Max Weber, mesmo do ponto de vista puramente econômico, em última análise, não é tanto o desenvolvimento da atividade capitalista como tal, diferindo nas várias culturas apenas na forma do tipo aventureiro, ou o capitalismo no comércio, na guerra, na política ou na administração como fonte de lucro. São antes, as origens desse sóbrio capitalismo burguês, com sua organização racional do trabalho livre. Noutras palavras, do ponto de vista da história da cultura, a origem da classe burguesa ocidental e de suas peculiaridades é um problema teórico que certamente está relacionado com a origem da organização capitalista do trabalho, não sendo, entretanto, o mesmo. Não estamos longe de admitir que os burgueses já existiam antes do desenvolvimento da forma peculiar do capitalismo moderno. Mas é verdade que existiam apenas no hemisfério ocidental. A chave para explicar historicamente o ressurgimento da escravidão nas empresas colonialistas açucareiras, segundo Franco (1978: 30), está na organização social destas últimas, determinada pela estrutura dos mercados capitalistas globalizados, que já envolviam a difusão e a interferência merceológica nos centros produtores.  

É a isso que se deve a configuração do latifúndio, das grandes unidades de produção para a obtenção regular quantitativamente do produto, mediante trabalhadores numerosos, conjugados e controlados por sujeitos que detinham a propriedade do trabalho. Trata-se de uma situação social em que se opera a dissociação radical entre o produtor direto, os meios de produção e o produto do trabalho. Significava isto que se determinava historicamente a constituição de uma categoria de homens expropriados dos meios de produção e postos a serviço de outros. O recurso ao trabalho escravo poderia ser explicado erroneamente com o argumento de que na colônia seria impossível a preservação de homens livres, na condição de expropriados, dada a abundância de terras, onde todos poderiam encontrar meios de subsistência. O entrosamento entre produção colonial e comércio capitalista, levou à organização das grandes propriedades latifundiárias, numa época histórica em que jamais poderiam ter sido utilizados homens livres, pela simples e forte razão crível de que o sujeito expropriado obrigado a vender sua força de trabalho não existia como categoria social, mas noutra condição capaz de preencher as necessidades de mão-de-obra requeridas pela produção colonial, 

       Ipso facto, a formação dos empreendimentos açucareiros não só implicou a exploração sistemática e maciça de homens expropriados, mas seu próprio crescimento, integrado aos mercados em expansão, estava condicionado a um crescimento regular de mão-de-obra. Inscrita no movimento de expansão do setor açucareiro, a escravidão moderna representa um momento importante na organização social do trabalho, em vista de objetivos econômicos. Desse modo, impõe-se a necessidade de uma massa de homens disponíveis, prontos para serem incorporados ao processo de produção. A escravidão representa, face à exigência, do ponto de vista da análise comparada, a possibilidade de mobilização social rápida e plástica de mão-de-obra, adequando-a às necessidades da produção crescente de produção social. Correspondendo a essas exigências, a empresa açucareira assume a forma de grande unidade de produção, assentada numa base técnica simples, necessária e estável e cuja via de crescimento dependia da extensão, em termos absolutos, da exploração dos fatores de produção. A grande propriedade colonial sintetizou dois princípios reguladores da vida econômica: produção direta dos meios de existência e produção de lucro, que são essencialmente contraditórios.

Na história de acumulação do capital, a particularidade brasileira, as duas práticas são constitutivas uma da outra. A produção e o consumo diretos encontram sua razão de ser na atividade mercantil, como meios determinado juntamente com a extensão das terras apropriadas, a tecnologia rudimentar, a escravaria. A combinação colonial dos fatores de produção assentou, em larga medida, na possibilidade do latifúndio auto-suprir-se, concebendo desse modo o vínculo entre a produção direta dos meios de vida e a produção mercantil, como práticas que se engam e se determinam, não correrá o risco de perder o significado histórico da economia e da sociedade coloniais. Para compreender o curso da história colonial, é preciso acentuar que a produção de gêneros tropicais fez parte desse movimento civilizatório, em que se generalizam as relações de troca. Contudo, com o latifúndio e a escravaria se instala um modo de produção presidido pelo capital, vale dizer, um sistema particular de dominação social.

           O trabalho escravo inscrito na modalidade particular de produção definida na Colônia, configura-se como contrapartida necessária do trabalho livre na Europa. O desenvolvimento de ambos e o crescimento dos mercados, na Europa e na Colônia, formaram uma rede unitária de determinações. Também entrelaçado nessa rede, está o destino do homem livre e pobre no Brasil, com sua existência quase dispensável, mas que por longo tempo o colocou a salvo de transformar-se num assalariado. A contradição não antagônica é que o trabalho livre na Europa e na Colônia se negam e se determinam através da mediação da escravidão. A modalidade de dominação que se desenvolveu na sociedade colonial apresenta regularidades, embora esteja marcada pelas diferenças existentes entre o estatuto do escravo e do homem livre. Em seu sentido mais profundo e mais amplo, nunca é demais repetir, essa dominação social tem suas raízes engendradas no regime de produção estabelecida, e mais especificamente, na estrutura das propriedades agrícolas. A escravidão, que nelas concentrou pessoal numeroso, e o caráter extraordinário de latifúndio, que as manteve isoladas umas das outras e distantes dos povoados, tornaram necessária uma complexa diferenciação de funções internas relativas ao cultivo de gêneros alimentares, indústria doméstica, oficinas de manutenção, serviços religiosos etc., lhes conferiu o cunho que chama atenção: a aparência de uma unidade autônoma de produção e consumo.

        Neste sentido, o capitalismo e as empresas capitalistas, inclusive com uma considerável racionalização do cálculo capitalista, existiram em todos os países civilizados na Terra como podemos julgar pelos documentos econômicos. Existiram na Índia, na Babilônia, no Egito, na Antiguidade Mediterrânea e na Idade Média, tanto quanto na Idade Moderna. Não eram apenas empreendimentos isolados, em sua aparência, mas empresas econômicas, que dependiam inteiramente da constante renovação de empreendimentos capitalistas, e até de “operações” contínuas, embora o comércio não fosse por muito tempo ininterrupto como no caso ocidental, constituindo-se antes uma série de empreendimentos individuais. Só aos poucos tardiamente as atividades mesmo dos grandes comerciantes, adquiriram coesão interna. De qualquer forma, a empresa capitalista e o empreendimento capitalista, não como empreendedores ocasionais, mas como empresas regulares, existem de longa data e estão em toda parte. No entanto, Max Weber observa, que o Ocidente desenvolveu o capitalismo tanto na quantidade como nos tipos, formas e direções, nunca antes observados. Foram feitos empréstimos de todo tipo, e criados bancos com funções diversificadas, pelo menos comparáveis aos que ocorrem no século XVI. Onde sempre existiam moedas financeiras de instituições públicas, também aparecia a figura do agiota  que financiaram guerras e piratarias diversas, em contratos sociais e construções civis de toda espécie.

Na política de ultramar, atuaram como empreendedores coloniais, fazendeiros com escravos, mão-de-obra direta ou indiretamente sendo escravizada – arrendaram territórios repartições, e acima de tudo, impostos. Financiaram festas de políticos nas eleições e os condottieri na guerra civil. Foram os líderes políticos “especuladores” nas ocasiões do lucro monetário de todos os tipos. Essa espécie de empreendedor, o capitalista aventureiro, existiu em todo o mundo. Suas atividades, exceto a comercial, creditício ou bancário, eram puramente irracionais e especulativas, ou orientadas para a apropriação pela força, principalmente do butim obtido na guerra ou mediante a contínua exploração fiscal dos súditos. O capitalismo de empresários, de especuladores em larga escala, de colonizadores, e boa parte do capitalismo financeiro considerado mesmo em tempo de paz, mas, acima de tudo, o capitalismo voltado para a exploração das guerras, possui essas características nos países ocidentais modernos, e uma parte (apenas uma), partes do comércio internacional de larga escala ainda estão presas a ela atualmente como desde sempre. 

O Ocidente desenvolveu um tipo diverso de capitalismo nunca antes encontrado: a organização capitalista racional do trabalho livre. A organização industrial racional, orientada para o mercado regular, e não para oportunidades políticas ou especulativas de lucro, não é a única criação do capitalismo ocidental. A moderna organização racional da empresa capitalista não teria sido viável sem a presença de dois importantes fatores no seu desenvolvimento: a separação da empresa do trabalho doméstico, que domina por completo a vida econômica moderna, e, associada a esta, a criação de uma contabilidade racional. Há uma separação especial dos locais de trabalho daqueles da residência, como no bazar oriental e na ergasteria de outras culturas. O surgimento de associações capitalistas financeiramente independentes é encontrado no Oriente Médio, no Extremo Oriente e na Antiguidade, mas, comparadas às modernas empresas comerciais independentes, apenas constituem modestos primórdios. O motivo, segundo Weber (2003), era a falta de requisitos indispensáveis para esta independência, nossa contabilidade racional e nossa separação jurídica dos bens da empresa dos do indivíduo ou que eram completamente desprovidos ou que davam apenas os primeiros passos. A tendência geral era as empresas lucrativas como partes de um trabalho doméstico real ou feudal, do oikos, o que constitui, como já percebeu Karl Rodbertus, com toda a sua semelhança superficial, um desenvolvimento fundamentalmente diverso e até oposto. Seu significado atual, entretanto, só foi alcançado pelo capitalismo ocidental, com sua associação à organização capitalista do trabalho. 

Até o que se costuma chamar de comercialização – ou seja, o desenvolvimento dos valores mobiliários negociáveis e a racionalização da especulação, a Bolsa de Valores etc. – depende dela. De fato, sem a organização capitalista racional do trabalho, até onde foi racionalmente possível, não teria seu significado atual, no que diz respeito à estrutura social e aos problemas específicos do Ocidente deles decorrentes. O cálculo exato, a base de todos os demais, só é possível na base do trabalho livre. Assim como o mundo não conheceu uma organização racional do trabalho fora do Ocidente moderno, não existiu nenhum socialismo racional. Existiram instituições como a economia urbana, a política de abastecimento civil, o mercantilismo e a política de bem-estar dos príncipes, o racionamento, a regulamentação da economia, teorias de protecionismo e laissez-faire (como na China). O mundo conhecia um grande número de experiências comunistas e socialistas: familiares, religiosas ou militares, socialismo de Estado (Egito), cartéis monopolistas e organizações de consumidores. Apesar de ter havido em toda parte privilégios civis de mercado, corporações e toda espécie de diferenças legais entre a cidade e o campo, não havia o conceito de cidadão fora do Ocidente, assim como o de “burguesia” não existia fora do Ocidente moderno. Desta forma, o “proletariado” como classe produtora da existência material não poderia mesmo existir, porque não havia o trabalho livre institucionalizado. Lutas de classe entre frações de classe credoras e devedoras, latifundiários e os sem-terra, servos ou meeiros; interesses comerciais e consumidores ou proprietários de terra existem em toda parte e em diversas formas. 

Houve indícios de lutas no Ocidente, na Idade Média, entre empresários e empregados, inexistindo por completo o atual conflito capital versus trabalho na relação social estabelecida entre o empresário industrial e o operário livre assalariado. Não podia haver problemas reais semelhantes ao do socialismo. A queda do Muro de Berlim deu-se na passagem do dia 9 de novembro de 1989. Esse acontecimento social e político é marcante. Representou o prenúncio da queda da República Democrática Alemã, a Alemanha Oriental, e da reunificação da Alemanha, separada em duas nações desde a Segunda Guerra Mundial, um conflito burocrático-militar global que durou de 1939 a 1945, envolvendo a maioria das nações do mundo ocidental globalizado incluindo todas as grandes potências organizadas em duas alianças militares opostas: os Aliados e o Eixo. Foi a guerra mais abrangente e violenta da história política, com mais de 100 milhões de militares mobilizados. Em estado de guerra total, os principais envolvidos dedicaram toda sua capacidade econômica, industrial e científica a serviço dos esforços de guerra, deixando de lado a distinção entre recursos civis e militares. Marcado por um número significante de ataques contra civis, incluindo o Holocausto e a única vez em que armas nucleares foram utilizadas decsivamente em combate, foi o conflito mais letal da história da humanidade, resultando entre 50 a mais de 70 milhões de mortes. 

Bibliografia geral consultada.

BAECHLER, Jean, Qu`est-ce que l`idéologieParis: Col. Idées Gallimard, 1976; SAUL, John Ralston, Los Bastardos de Voltaire: La Dictadura de la Razón en Occidente. Barcelona: Editorial Andrés Bello, 1988; MORIN, Edgar, O Método 4 – As Ideias, Habitat, Vida, Costumes, Organização. 4ª edição. Porto Alegre: Editora Sulina, 1998; WEBER, Max, Ensaios de Sociologia. Organização e Introdução de Hans Gerth e Charles Wright Mills. Revisão Técnica de Fenando Henrique Cardoso. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1974; Idem, A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. 2ª edição revista. São Paulo: Editora Pioneira, 2003; OLIVEIRA, Andréia Cristina de Jesus, Lobby e Representação de Interesses: Lobistas e seus Impactos sobre a Representação de Interesses no Brasil. Tese de Doutorado em Ciências Sociais. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2004; ARON, Raymond, L`Opium des Intellectuelles. Paris: Editeur Hachette, 1991; Idem, O Marxismo de Marx. São Paulo: Editor Arx, 2005; ALMEIDA, Milene Suzano de, Melodrama Bacharelesco: Um Estudo Estilístico da Recepção do Caso Dreyfus no Brasil. Dissertação de Mestrado. Instituto de Estudos da Linguagem. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2009; COMETTI, Jean-Pierre, Qu`est-ce que le pragmatisme? Paris: Éditions Gallimard, 2010; LÖWY, Michael, A Jaula de Aço: Max Weber e o Marxismo Weberiano. 1ª edição. São Paulo: Boitempo Editorial, 2014; LILTI, Antoine, A Invenção da Celebridade (1750-1850). 1ª edição. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 2018; ROMANO, Roberto, Moral e Ciência - A Monstruosidade do Século XVIII. São Paulo: Editora Senac, 2019; MOREIRA NETO, Euclides, J`Accuse!: Análise das Representações Textual-discursivas de Dreyfus e de Esterhazy. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem. Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes. Natal: Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2018; OLIVEIRA, Juliana Michelli da Silva, A Vida das Máquinas: O Imaginário dos Autômatos em O Método de Edgar Morin. Tese de Doutorado. Faculdade de Educação. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2019; ABERS, Rebecca, O Papel da Burocracia na Construção das Políticas Públicas. Brasília: Enap Cadernos, 2021;  entre outros.