sábado, 30 de janeiro de 2021

Jacindamania - Política & Eficácia Populista na Nova Zelândia.

 

Um lugar diverso, acolhedor, gentil e compassivo. Esses valores representam o melhor de nós”. Jacinda Ardern

            Nascida em 1980, em Hamilton, ao sul de Auckland, Jacinda Ardern compreende que suas convicções de esquerda nasceram do contato com a pobreza que viu na Nova Zelândia. Filha de um policial, ela foi criada na religião mórmon, porém se desligou da organização nos anos 2000, devido “às posições da igreja sobre a homossexualidade”. Muito cedo se interessou por política e ingressou nas organizações trabalhistas ainda na juventude. Depois de estudar comunicação social, trabalhou para a primeira-ministra Helen Clark e, mais tarde, em Londres, para Tony Blair. Eleita para a Câmara dos Representantes em 2008, e continuamente reeleita desde então, Ardern tornou-se vice-presidente do Partido Trabalhista em março de 2017. Assumiu a liderança da oposição com a renúncia de seu antecessor Andrew Little no início de agosto, a menos de dois meses da eleição, quando o Partido Trabalhista detinha estatisticamente apenas 23% das intenções de voto. Desde que virou primeira-ministra da Nova Zelândia aos 37 anos, em 2017, Jacinda Ardern, terceira mulher a chefiar o governo em seu país e a dirigente mais jovem desde 1856, tornou-se um “ícone político pop da esquerda global”. Acompanhada por uma onda popular denominada Jacindamania pela mídia, ela baseou sua campanha na promessa de uma mudança social de geração após nove anos de reinado de centro-direita e ofereceu aos trabalhistas uma vitória quase que inesperada. 

        Auckland ou raramente, Auclanda, é a maior cidade da Nova Zelândia. Embora Wellington seja a capital neozelandesa, Auckland é o principal centro financeiro e econômico da Nova Zelândia. Com uma população estimada em 1 413 700 habitantes, a cidade detém cerca de 31% da população do país. Auckland possui vários aspectos positivos. Um deles é seu clima, que é considerado um clima ameno, além da abundância de empregos e oportunidades educativas, bem como numerosas instalações de lazer. Entretanto, problemas de trânsito, a falta de bons transportes públicos e o aumento dos custos da habitação, foram citados pela população da cidade como entre os fatores negativos dos que ali vivem, juntamente com o crime. No entanto, Auckland está atualmente em uma boa posição em relação à qualidade de vida, sendo listada entre as 215 maiores cidades do mundo. Em 2006, Auckland ocupava a 23ª posição na lista das cidades mais ricas do mundo. Geograficamente está localizada a 37 graus de latitude sul, na ilha Norte, a cidade de Auckland está situada sobre um estreito que separa dois portos: o de Manukau, aberto ao Mar da Tasmânia, a oeste e o de Waitemata, que se abre ao Golfo de Hauraki do Oceano Pacífico, a leste. Umas das características é que se localiza sobre um vulcão e há um grande número de gêiseres no local. Um ano depois, Jacinda Ardern se tornou a segunda primeira-ministra do mundo, depois da paquistanesa Benazir Bhutto em 1990 - a dar à luz durante seu mandato. O assassinato de Benazir Bhutto, ex-primeira-ministra do Paquistão e líder do oposicionista Partido Popular do Paquistão (PPP), ocorreu em 27 de dezembro de 2007. 

Ela foi morta em um atentado suicida, quando deixava um comício na cidade de Rawalpindi, a 12 km da capital Islamabad. Um dia após o ataque, um dirigente da Al Qaeda no Afeganistão assumiu a responsabilidade da organização pelo assassinato. Um porta-voz do Talibã negou envolvimento no atentado. Bhutto Bhutto estava em campanha para as eleições parlamentares, marcadas para 8 de janeiro de 2008. A líder paquistanesa foi declarada morta às 18 horas e 16 minutos no horário local, já no Hospital Geral de Rawalpindi. O ataque que tirou a vida de Bhutto também matou pelo menos 20 pessoas. Dois meses antes, um atentado terrorista de grandes proporções matou mais de 120 pessoas em Karachi, que festejavam o retorno de Benazir do exílio de oito anos. Bhutto havia optado pelo auto-exílio para escapar de processos na justiça paquistanesa por corrupção e desvio de dinheiro. Em 2004, ela e o marido foram condenados na Suíça por lavagem de dinheiro, relativo a um indiciamento de 1998, segundo o qual teriam recebido propinas e comissões de cerca de US$ 11 milhões de duas empresas suíças que tinham contratos com o governo paquistanês. Adversária política do presidente Pervez Musharraf, Benazir e o presidente fizeram um acordo para que, após as eleições presidenciais de outubro de 2007, ela ocupasse o cargo de premiê sob a presidência do referido general. Esta possível aliança política abriu caminho para que Pervez Musharraf anistiasse a líder exilada, assim como possibilitou sua volta ao Paquistão. Após oito ano de exílio em Dubai e Londres, Bhutto retornou a Karachi em 18 de outubro de 2007. Nesse dia, ela escapou ilesa de um atentado terrorista que matou mais de 120 pessoas, ferindo 450 que acompanhavam carreata política.


Meses depois, Jacinda Ardern compareceu à assembleia geral das Nações Unidas com seu companheiro, Clarke Gayford, que cuida de seu bebê, imagem em forma de manifesto pela igualdade entre homens e mulheres, uma de suas lutas. Seu ativismo a favor da luta contra as alterações climáticas a marcou com a marca progressista do “anti-Trumpismo”. Internamente, entretanto, sua vontade de reforma foi muitas vezes prejudicada pela atuação demagógica de Winston Peters, chefe do populista partido New Zealand First e um parceiro não natural na coalizão governamental. Se por um lado, a Nova Zelândia é notável por seu isolamento geográfico, pois está situada a cerca de 2 000 km a sudeste da Austrália, separados através do mar da Tasmânia e os seus vizinhos mais próximos ao norte são a Nova Caledônia, Fiji e Tonga; por outro lado, um grande obstáculo   que deve ser eliminado no seu segundo mandato, graças à sua esmagadora maioria parlamentar. Contudo, a líder trabalhista terá que lidar além do indício de ataque terrorista do arquipélago, uma erupção vulcânica, a recessão mais severa em mais de 30 anos e o desafio contemporâneo da pandemia.  A forma como a Nova Zelândia reagiu ao ataque e as medidas tomadas na sua sequência foram elogiadas em todo o mundo. A maioria dos louvores vão para Jacinda Ardern e para a forma como deu a cara pela luta contra o terrorismo. O assassinato de 50 fiéis muçulmanos num país como a Nova Zelândia será examinado durante muito tempo pelo modo como sociologicamente os chamados ódios violentos são gerados e encenados nas redes sociais e na rede mundial de computadores - Internet. Mas talvez o mundo social deva aprender com a forma como a primeira-ministra reagiu ao estabelecimento do horror.

O empresário e político Donald Trump, nascido em 1946, foi eleito o 45º presidente dos Estados Unidos, após derrotar a ex-secretária de Estado Hillary Clinton. O empresário republicano torna-se o primeiro presidente dos Estados Unidos sem uma carreira política tradicional, o mais velho já eleito e também o mais rico. O bordão de Trump no reality da campanha “O Aprendiz” foi um dos vários gritos que ecoaram entre milhares de manifestantes em Nova York e em pelo menos outras seis cidades dos Estados Unidos na noite de quarta-feira (9/11/2016), menos de 24 horas após o republicano ser escolhido como o novo chefe da Casa Branca. A candidata derrotada nas eleições Hillary Clinton, não teve apoio em massa dentro do gênero. Em percentuais, a democrata conquistou 54% dos votos femininos, menos que os 55% conquistados pelo também democrata Barack Obama em 2012. Eleitoras de características “brancas” da classe média trabalhadora sem diploma universitário representando 17% aderiram a Trump: foram 62% dos votos para o republicano contra os 34% de Hillary. As mulheres representam 52% do eleitorado do país. O aspecto político e social singular do populismo nos Estados Unidos da América é sua perspectiva ideológica de que “não existem classes sociais na sociedade americana”.

Esta ideia abstrata se baseia na proposta de Declaração de Independência, de 1776, em que “todos os homens são iguais” e que a história oficial dos Estados Unidos se tem encarregado de reforçar. Esta história tem incluído movimentos políticos para empreender reformas, dentro de segmentos de estratificação de diferentes classes sociais tem formado alianças políticas temporais. O centro da ideologia populista tem como representação social a ideia de “um povo” que luta contra alguma instituição fabulosa, tais como os bancos, os detentores da riqueza e a burocracia governamental. O populismo norte-americano reúne aspectos multiculturais de segmentos capitalistas, da “classe média” sob um só estandarte. Ideologicamente, enquanto um conjunto de práticas sociais o populismo não se coloca contrário ao capitalismo. Historicamente o movimento comum se associa com a ascensão do populismo é a luta dos agricultores desde a década de 1890 até os anos 1930. Sua mobilização se dirigiu contra as ferrovias, os grandes bancos e as empresas de produtos agropecuários, de agricultores pobres, comerciantes rurais e formando grupos da classe operária. Para os norte-americanos, a palavra populismo não tem conotações positivas nem negativas. Não é progressista nem conservadora. Para Michael Kazin, no ensaio: “The Populist Persuasion (1995), mais do que uma ideologia, “é uma retórica que define o terreno em termos de enfrentamento sociológico entre os debaixo e os de cima, o povo e as elites”. 

No âmbito social da chamada “batalha das ideias” e efeitos de poder Donald Trump amplificou a verborragia aparente de um falastrão inconsequente em busca de popularidade e votos a qualquer custo. Finalmente ele foi o mais votado da história nas primárias republicanas - o recorde anterior era de George W. Bush, em 2000. Conhecida por prever o futuro, a série “Os Simpsons” exibiu no ano 2000 um episódio chamado de “Bart no Futuro”, no qual que Donald Trump de fato chegou à presidência dos EUA. Mais de 40 milhões de norte-americanos mantiveram-se fiéis a ele, ignorando seus comentários ideológicos desastrosos, racistas, xenófobos, machistas, além de sua aparente inexperiência política, as acusações que recaem sobre ele, da sonegação de impostos aos abusos sexuais. Nas últimas semanas, líderes republicanos desembarcaram da campanha de Trump, doadores pediram o dinheiro de volta, um representante da ONU declarou que o candidato, se eleito, seria uma ameaça ao mundo.      

            A atitude de candidato que não joga segundo as regras políticas tradicionais agradou a uma boa parcela de eleitores conservadores, principalmente aos que pertencem à minguante classe média norte-americana. O magnata do setor imobiliário não foi o único a despontar, apesar - ou por causa - das ideias estapafúrdias. Um de seus concorrentes, o cirurgião Bem Carson, acredita que as teorias de Charles Darwin são “coisas do demônio”. Pesquisas errôneas feitas naquele período demonstravam que Trump perderia a eleição de 2016 para a democrata Hillary Clinton. Os resultados de 1º de fevereiro em Iowa se desviaram em uma direção satisfatória para os republicanos, mas desconfortável para os democratas. Não ainda em termos de eleição de novembro propriamente dita, mas por seu significado para as disputas internas até julho, Donald Trump, um possível pesadelo para a máquina burocrática republicana e para quem tenha um mínimo de bom senso político, saiu diminuído pela derrota para Ted Cruz e mais ainda pelo quase empate com o terceiro colocado Marco Rubio. Hillary conseguiu um mero empate com Bernie Sanders e isso fez prever uma disputa desgastante.

           Os resultados de Iowa repõem a disputa em um curso familiar, mas o consenso ideológico ainda está abalado. Apesar de Iowa ser um Estado tão pequeno, em que as comunidades se reúnem para debater em espaços públicos durante as primárias, seus resultados têm forte influência sobre o financiamento das campanhas e a estratégia dos pré-candidatos à presidência. A vantagem das convenções partidárias de Iowa é que permite que um grupo de eleitores avalie os candidatos de perto e faça escolhas mais bem informadas do que numa primária nacional. À espera do discurso de Donald Trump na Pensilvânia, um homem bradava o slogan da campanha: - “Donald Trump is going to make America great!”. Em outro palanque, uma mulher esperava para ouvir o candidato vestindo uma camiseta com a frase: - “Hey Trump, talk dirty to me!” e a estampa de lábios pintados com batom cor de rosa. Isso, um dia depois de publicados no “New York Times” depoimentos de duas mulheres que disseram terem sido abusadas sexualmente por ele. Lou Dobbs, âncora da emissora “Fox Business Network”, compartilhou nas redes sociais para seus quase 800 mil seguidores o link de um site conservador e o post de um apoiador de Donald Trump que revelavam o endereço e o telefone de Jessica Leeds, uma das vítimas. Criticado, ele apagou os posts em seguida. A página disponível da Wikipédia da candidata democrata, Hillary Clinton, “foi invadida e vandalizada com imagens de pornografia e mensagens pró-Trump”. 

Politicamente falando é preciso compreender o simbolismo contido no Trumpismo. As mulheres que o acusaram de “abuso” o fizeram após o candidato declarar, durante o segundo debate presidencial, que o áudio em que foi flagrado contando vantagem por abusar de mulheres era tecnicamente “conversa de vestiário” e não ato. Duas falaram ao New York Times, e uma ex-repórter da revista People revelou que Donald Trump tentou abusar dela num encontro profissional, em 2005, quando a mulher grávida dele estava nas proximidades, enquanto uma ex-candidata a Miss Teen EUA disse ao “BuzzFeed” que ele invadiu o camarim onde elas se trocavam. Trump reagiu às acusações desenterrando casos de abuso sexual envolvendo o ex-presidente Bill Clinton. Seus eleitores saíram às ruas exibindo cartazes e inundaram as redes sociais com posts: - “Hillary é casada com um estuprador”, mas ignorando completamente as acusações contra o próprio Trump. Sobre o áudio, de 2005, em que ele bravateia sobre poder fazer o que quiser com as mulheres, beijá-las e “agarrá-las” pela genitália por ser um “astro”, um engenheiro elétrico, eleitor de Trump, comenta: - “A única coisa que a gravação mostra é que ele é um heterossexual saudável”.

Em uma rápida sequência programada de entrevistas gerenciadas pelo jornal New York Times, quase todos declararam desconsiderar as acusações contra Donald Trump, contrapondo em seu lugar as intenções das acusadoras. Uma das entrevistadas disse acreditar que Trump agiu “como todos os homens ricos agiam décadas atrás”, referindo-se ao relato de uma mulher que o acusou de tocar seus seios e colocar a mão por baixo de sua saia. - “São oportunistas. Ouça, nenhum homem ataca uma mulher a menos que ela pareça estar pedindo isso”, disse outra. A maioria dos eleitores se mostrou cética em relação às denúncias. Alguns justificaram as acusações com “teorias conspiratórias”. Outros disseram que o comportamento de Trump não importava e que ele deveria ser eleito por tudo o que representa. Mas o que nos interessa saber é o que Donald Trump representa no plano da globalização da política e internamente nos Estados Unidos da América. Para o filósofo Slavoj Žižek, que preferiu a candidatura do republicano frente à Hillary Clinton, o presidente eleito é uma fenômeno ambíguo. – “Por um lado, é racista, nojento, mas ele quase não fala sobre mudanças concretas. Para mim, o verdadeiro monstro era Ted Cruz, pré-candidato republicano”. Para o cientista político Boaventura de Sousa Santos afirma a política partidária no mundo abre caminho para candidatos não terem a necessidade de apresentar qualificações específicas para serem dirigentes políticos. – “A notoriedade pública em qualquer domínio, seja espetáculo, futebol ou cinema, pode ser qualificação suficiente”. 

Devido ao seu aparente isolamento, o país desenvolveu uma fauna distinta dominada por pássaros, alguns dos quais foram extintos após a colonização dos seres humanos e dos mamíferos introduzidos por eles. A maioria da população da Nova Zelândia é de ascendência europeia (67,6%), sobretudo britânica, enquanto os nativos māori, ou seus descendentes, tornaram-se minoria societária (14,6%). Asiáticos e polinésios não māori também são grupos de minoria significativa (16,1%), especialmente em áreas urbanas. A língua mais falada é o inglês, introduzida pelos colonizadores britânicos, embora também sejam considerados idiomas oficiais línguas nativas, como a língua māori. A  Nova Zelândia é um país desenvolvido e industrializado do mundo ocidental/oriental globalizado, e que se posiciona muito bem em análises comparativas internacionais sobre o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), qualidade de vida, “esperança” de vida, alfabetização, educação pública, paz, prosperidade, liberdade econômica, facilidade de fazer negócios, aparente falta de corrupção política e econômica, liberdade de imprensa, democracia e proteção das liberdades civis e de direitos políticos. Suas cidades também estão entre consideradas “mais habitáveis do mundo”. Aotearoa, muitas vezes traduzido como “terra da longa nuvem branca” é o nome māori contemporâneo para a Nova Zelândia e também é usado internacionalmente no inglês neozelandês.

        Haka são os representantes das danças típicas do povo Maori. Geralmente demonstram a paixão e intimidação. É usada para dar boas-vindas a visitantes e tribos inimigas. Segundo o povo Maori, Tama-nui-to-ra, o Deus do Sol, tinha duas mulheres, sendo uma delas Hine-raumati, a virgem do verão (perdendo este estatuto!), da qual nasceu Tane-rore, creditado pela origem da dança. Tane-rore representa o vento nos dias quentes de verão, na dança coreografado com o tremor de mãos. Os All Blacks se preparando para a haka no jogo da final da Copa das Três Nações, contra a Austrália, de 2005. Atualmente o Haka é conhecido mundialmente pela performance de intimidação no início dos jogos de Rugby da seleção da Nova Zelândia (All Blacks), que costuma antes de seus jogos executar uma haka específica chamada Ka Mate. Antes da dança o chefe grita como um grito para iniciar, coisa que no caso dos All Blacks é feita pelo jogador de sangue maori mais velho, nāo sendo este necessariamente capitāo da equipe. As palavras são utilizadas nāo só para incitar quem está realizando a dança, mas também para recordar-se o seu comportamento correto. Muitas vezes o tom utilizado para gritar o refrāo é o mesmo no curso de toda a exibição, ou seja, quanto mais alto, estridente e agressivo, feroz e brutal, mais vai incentivar mais o grupo - e intimidar o adversário.

Na língua maori, a palavra maori representa toda a grandeza de uma cultura. Em lendas e outras tradições orais, a palavra distinguia seres humanos mortais de divindades e espíritos. Maori tem cognatos em outras línguas da Polinésia, comparativamente como na língua havaiana (Maoli) e na língua taitiana (Maohi), e provavelmente todos têm sentidos semelhantes. Os primeiros exploradores europeus às ilhas da Nova Zelândia se referiam às pessoas que lá encontraram como aborígenes, nativos ou também chamados neozelandeses. Maori permaneceu como o termo usado pelos maoris “para descreverem a si mesmos”. Em 1947, vale lembrar que o Departamento de Relações Nativas foi renomeado, alternando para Departamento de Relações Maoris para reafirmar a decisão. Não existe registro etnográfico de assentamento na Nova Zelândia antes dos viajantes maoris; por outro lado, evidências arqueológicas indicam que os primeiros habitantes vieram do leste da Polinésia e se tornaram os maoris. Na Nova Zelândia há uma riqueza enorme quanto à tatuagem. E a tatuagem mais importante é feita no rosto. Para muitas culturas, a mão, o rosto e o pescoço ficam fora da pintura corporal. Para os maoris, o homem cobre todo o rosto quanto mais nobre ele é ou pela sua posição social. A tatuagem dá status dentro da tribo ou clã. A colonização europeia da Nova Zelândia foi relativamente recente. Os maoris representaram a última comunidade a ser influenciada pelos europeus.

 
Grupo de Maoris: a dança típica Haka.




A identidade maori foi estudada por Ranginui Walker (1997) antropólogo de formação acadêmica e política como chefe do Departamento de Estudos Maori da Universidade de Auckland desde 1992, além de dirigente do Conselho do Distrito Maori de Auckland e membro fundador do Conselho Maori da Nova Zelândia. Sua trajetória como pesquisador e política como dirigente vincula-se estreitamente às lutas pela obtenção de direitos e melhorias na condição social dos Maori, nas quais desempenhou papel de destaque nos últimos anos. Natural de Whakatohea, na Ilha do Norte, é descendente dos Opotiki. Publicou dois livros: Nga Tau Tohetoe. The Years of Anger (1987) e Ka Whawhai Tonu Matou: Struggle Without End (1990) – ambos sobre as formas de organização social e atuação política do movimento maori –, além de mais de quarenta artigos sobre educação, ativismo e política maori. - Em 1967, fui contratado, afirma em depoimento Walker, para ensinar na Universidade de Auckland, quando comecei a cursar o doutorado. Minha principal área de interesse era a antropologia social e tive como professor Ralph Piddington, que, por volta de 1950, criou o Departamento de Antropologia. Ele havia estudado com Malinowski e, assim, muito do seu interesse estava voltado para os desenvolvimentos malinowskianos, como a teoria das necessidades, as noções de estrutura e função social etc. Estes foram meus estudos iniciais em antropologia, com uma ênfase muito grande no trabalho de campo. No mestrado, decidi que faria minha dissertação sobre as relações sociais dos estudantes Maori  no Teacher’s College e os ajustes necessários para conviverem com o grupo europeu dominante. Cursei as disciplinas do doutorado entre 1966 e 1967, e escolhi como tema de tese a migração dos Maori do interior para a cidade. Concentrei-me em um bairro e fui a todas as reuniões de comitês, grupos e organizações. Encontrei um processo muito dinâmico, com os Maori tendo de aprender a viver em uma economia monetária: a economia de subsistência tinha de ser posta de lado, pois vivendo na cidade não havia meios de buscar alimentos como faziam no campo, ou à beira-mar; era preciso encontrar um emprego, controlar as despesas, enfrentar a vida urbana. Interessava-me a maneira como essas pessoas formavam novas organizações para ajudar umas às outras a se ajustarem.

            A expectativa de vida de uma criança nascida na Nova Zelândia em 2015 era de 84 anos para as mulheres e 80,2 anos para os homens. A esperança de vida ao nascer deverá aumentar de 80 anos para 85 anos em 2050 e a mortalidade infantil deverá diminuir ainda mais. Em 2050, estima-se, a população deverá chegar aos 5,3 milhões de habitantes, a idade média subirá de 36 anos para 43 anos e a percentagem de pessoas com 60 anos de idade e mais velhas subirá de 18% para 29%. O país tem a maior taxa de suicídio entre os jovens de países desenvolvidos, com taxa de 15,6 suicídios por 100 mil pessoas. O cristianismo é a religião predominante na Nova Zelândia. No censo de 2006, 55,6% da população se identificou como cristã, enquanto que 34,7% não tinham religião de 29,6% em 2001 e cerca de 4% eram afiliados com outras religiões. As principais denominações cristãs são representadas pelo anglicanismo, catolicismo romano, presbiterianismo e o metodismo. Há também um número significativo de cristãos que se identificam com pentecostais, batista, “em que todas as comunidades batistas desejavam ser puras Igrejas, no sentido da inocente conduta de seus membros” (cf. Weber, 1973: 80), membros da A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e da religião neozelandesa rātana, que tem adeptos entre māori. De acordo com outras religiões significativas incluem o hinduísmo, o budismo e o islamismo. Uma dificuldade na interpretação dos dados estatísticos de afiliação religiosa na Nova Zelândia é a grande proporção de pessoas que se opõem a responder à pergunta, identificados em cerca de 313.000 entrevistados em 2018. A maioria dos relatórios de porcentagens se baseia no número total de respostas, e não na população real total.

            Não queremos perder de vista que para a sociologia compreensiva de Max Weber, desde que a predestinação foi rejeitada, o caráter peculiarmente racional da moralidade batista apoiou-se psicologicamente, acima de tudo, na ideia da “espera”, ela descida do espírito que, caracteriza o meeting quaker. A finalidade desta tranquila espera é a superação do impulsivo e do irracional, das paixões e dos interesses subjetivos do homem “natural”. Ele deve calar-se afim de conseguir aquela profunda tranquilidade de alma que é a única em que pode ser ouvida a palavra de Deus. Esta espera pode, naturalmente, sob condições histéricas, resultar em profecias e, enquanto sobreviverem esperanças escatológicas, em certas circunstâncias, até em entusiástica eclosão de quiliasmo, como é possível em todos os tipos similares de religião. Isto realmente aconteceu no movimento que se fragmentou em Münster. Contudo, à medida que o batismo foi afetando a vida profissional secular, a ideia de que Deus somente fala quando silencia a criatura, significou, evidentemente, um incentivo para a tranquila ponderação das ações e para a justificação em termos da consciência do indivíduo. As seitas batistas mais recentes, de modo particular os quakers, adotaram este caráter de conduta, tranquilo, moderado e eminentemente consciencioso. A eliminação da magia do mundo não permitiu nenhum outro recurso psicológico, que não a prática do ascetismo laico.  Uma vez que a estas comunidades nada queriam ter que ver com os poderes políticos e com seu procedimento, disto visivelmente resultou a penetração desta moral ascética, conforme Weber (2003) na vida profissional. Os líderes dos primeiros movimentos sociais batistas foram implacavelmente radicais em sua rejeição do mundanismo, naturalmente, mesmo como ocorre na primeira geração, o modo de vida estritamente apostólico não foi considerado de forma societária como absolutamente essencial para a prova de redenção.

            A Nova Zelândia é um país desenvolvido localizado na Oceania, continente banhado pelo Oceano Pacífico e caracterizado por grande quantidade de ilhas. Possui características geográficas diversas devido ao seu isolamento e, ainda, as recorrentes atividades vulcânicas e sísmicas que ocorrem no seu território. O país foi colonizado pelos europeus, mas a presença dos maoris, população nativa, ainda é culturalmente muito forte. Os neozelandeses possuem uma elevada qualidade de vida humana. A população local é predominantemente adulta e urbana. A economia é diversificada, com destaque para o elevado emprego de tecnologias nas atividades primárias. A infraestrutura é típica de países altamente desenvolvidos, sendo a Nova Zelândia reconhecida por seus governos de cunho progressista. A prática de esportes de aventura faz parte da cultural local, e o país é famoso pelo seu time de Rugby. O isolamento não apenas físico, mas de ordem comunicativa e de trabalho, causou isolamento biológico, resultando em uma ecologia evolutiva dinâmica com exemplos de plantas e animais muito distintos, bem como populações de espécies comuns. Cerca de 82% das Planta vascularplantas vasculares da Nova Zelândia são endêmicas, cobrindo 1.944 espécies em 65 gêneros. O número de fungos registrados na Nova Zelândia, incluindo espécies formadoras de líquen, não é conhecido, nem a proporção desses fungos endêmicos, mas uma estimativa sugere que existem cerca de 2.300 espécies de fungos formadores de líquen na Nova Zelândia e 40% deles são endêmicos. Os dois principais tipos de floresta são dominados por árvores de folhas largas com podocarpos emergentes ou por faias do sul em climas mais frios. Os demais tipos de vegetação consistem em pradarias, a maioria tussock. Antes da colonização, estima-se que 80% da terra estava coberta de floresta, com apenas altas áreas alpinas, úmidas, inférteis e vulcânicas sem árvores.

O desmatamento maciço ocorreu depois que os humanos chegaram, com cerca de metade da cobertura florestal perdida para o fogo após o assentamento polinésio. Grande parte da floresta restante caiu após o assentamento europeu, sendo derrubada ou derrubada para dar espaço à agricultura pastoral, deixando a floresta ocupando apenas 23% da terra. As florestas eram dominadas por pássaros, e a falta de predadores de mamíferos levou a que alguns como apteryx, kiwi, kakapo, weka e takahe evoluíssem a ausência de voo. A chegada dos seres humanos, as mudanças associadas ao habitat e a introdução de ratos, furões e outros mamíferos levaram à extinção de muitas espécies de aves, incluindo grandes aves como o moa e a águia-de-haast. A Nova Zelândia, originalmente parte da colônia de Nova Gales do Sul, tornou-se uma colônia da coroa separada em 1841. A colônia ganhou um governo representativo em 1852 e o primeiro parlamento da Nova Zelândia se reuniu em 1854. Em 1856, ela efetivamente tornou-se autogovernada, ganhando a responsabilidade sobre todos os assuntos domésticos, com exceção da política nativa. Controle sobre a política nativa foi concedida em meados da década de 1860. Preocupado com a possibilidade da Ilha do Sul formar uma colônia separada, o premiê Alfred Domett apresentou uma resolução para transferir a capital de Auckland para uma localidade perto do Estreito de Cook. Wellington foi escolhida pelo seu porto e localização central, com o parlamento oficialmente sediado ali pela primeira vez em 1865. Com o aumento do número de imigrantes e os conflitos pela posse de terra, levou às Guerras da Nova Zelândia da década de 1860 a década de 1870, resultando na perda e no confisco de terras nativas māori. Em 1893, o país tornou-se o primeiro do mundo a conceder as mulheres o direito ao voto. Em 1894 pioneiro na adoção da arbitragem obrigatória entre empregadores e sindicatos. Em 1907 declarou-se um domínio dentro do Império Britânico e em 1947 o país adotou o Estatuto de Westminster, o que tornou a Nova Zelândia um reino da Commonwealth.  

O país se envolveu em assuntos políticos de relações internacionais, lutando ao lado do Império Britânico na primeira e 2ª guerra mundial, e sofrendo os impactos sociais e políticos da Grande Depressão. A depressão econômica levou à eleição do primeiro governo trabalhista e ao estabelecimento de um estado de bem-estar abrangente e de economia protecionista. Entre 1923 e 1926, Conferências Imperiais decidiram que a Nova Zelândia devia ser autorizada a negociar os seus próprios tratados políticos, sendo o primeiro tratado comercial de sucesso estabelecido com o Japão, em 1928. Apesar dessa relativa independência, a Nova Zelândia prontamente seguiu o Reino Unido ao declarar guerra à Alemanha nazista em 3 de setembro de 1939, quando o então primeiro-ministro neozelandês, Michael Savage, proclamou: “Onde ela vai, nós vamos; onde ela está, nós estamos”. Em 1951, o Reino Unido virou-se cada vez mais para seus interesses europeus, enquanto a Nova Zelândia juntou-se à Austrália e aos Estados Unidos no tratado de defesa ANZUS. A influência dos Estados Unidos na Nova Zelândia enfraqueceu após protestos sobre a Guerra norte-americana contra o Vietnã, o fracasso dos Estados Unidos em advertir França após o naufrágio do Rainbow Warrior e por desacordos sobre questões agrícolas comerciais, ambientais e sobre a políticas sobre a zona livre de armas nucleares da Nova Zelândia. Apesar da suspensão das obrigações dos Estados Unidos, o tratado ANZUS permaneceu em vigor entre a Nova Zelândia e a Austrália, cuja política externa tem seguido uma tendência semelhante. Próximos, contatos políticos são mantidos entre eles, de livre comércio e organização de viagens que permitem aos cidadãos visitar, viver e trabalhar em ambos os países sem qualquer restrição. Mais de 500 mil neozelandeses vivem na Austrália e 65 mil australianos vivem na Nova Zelândia.

A Nova Zelândia tem uma expressiva presença entre os países insulares do Pacífico. Uma grande proporção da ajuda externa, em contrapartida, vai para esses países e muitos povos do Pacífico migram para a Nova Zelândia em busca de emprego. A migração permanente é regulamentada no âmbito do programa do governo, que permitem até 1.100 samoanos e até 750 habitantes de outras ilhas do Pacífico, respectivamente, para se tornarem residentes permanentes da Nova Zelândia por ano. Um esquema de trabalhadores sazonais de migração temporária foi introduzido em 2007 e em 2009 cerca de 8.000 habitantes das ilhas do Pacífico foram empregados nele. A Nova Zelândia está envolvida no Fórum das Ilhas do Pacífico, Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico e do Fórum Regional da Associação de Nações do Sudeste Asiático, incluindo a Cúpula do Leste Asiático. O país é membro da ONU, da Comunidade das Nações, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e os Cinco Acordos de Força de Defesa. A nação experimentou um período de prosperidade crescente após a 2ª guerra mundial e os māori começaram a deixar sua vida rural tradicional e ir para as cidades em busca de trabalho. Um movimento de protesto dos māori desenvolveu-se, criticando o eurocentrismo e trabalhando por um maior reconhecimento da cultura māori e do Tratado de Waitangi. Em 1975, um Tribunal Waitangi foi criado para investigar as violações do tratado e foi habilitado para investigar queixas históricas em 1985. Depois da assinatura do Tratado de Waitangi, no início da década de 1840, o governador da colônia inglesa, William Hobson, teve que eleger uma capital para a colônia.

Até então, a capital efetiva era Kororareka, na atualidade chamada Russell, em Bay of Islands. Sem dúvida, Kororareka estava muito distante do restante do país e, além disso, tinha uma má reputação moralista cristã devido ao alcoolismo e imoralidade dos seus habitantes. Com base nos conselhos do missionário Henry Williamson, Hobson elegeu a praia sul do porto natural de Waitemata como nova capital. Adquiriu-se a terra necessária aos seus proprietários, a tribo maori dos Ngati Whatua, e a cerimónia de fundação teve lugar às 13 horas de 18 de setembro de 1840. Hobson escolheu o nome em honra de George Eden, primeiro duque de Auckland, seu protetor e amigo. Finalmente, em 1865, a capital mudou-se para Port Nicholson, mudando o nome para Wellington. As vantagens estratégicas de uma posição geopolítica central tornaram-se óbvias evidentemente quando a Ilha do Sul cresceu em prosperidade econômica com pesquisa e desenvolvimento (P&D) sobre a descoberta de ouro em Otago e o desenvolvimento da criação de ovelhas e a refrigeração.

Politicamente a Força de Defesa da Nova Zelândia é composta por três ramos: a Marinha Real da Nova Zelândia, o Exército da Nova Zelândia e a Força Aérea Real da Nova Zelândia. As necessidades de defesa nacional da Nova Zelândia não são modestas, devido à improbabilidade de ataque direto, mesmo com a presença global do país. A Nova Zelândia lutou nas duas guerras mundiais, com campanhas notáveis em Galípoli, Creta, El Alamein e Cassino. A Campanha de Galípoli desempenhou um papel importante na promoção da identidade nacional da Nova Zelândia e fortaleceu a tradição  da Australian and New Zealand Army Corps (ANZAC) compartilhada com a Austrália. De acordo com Mary Edmond-Paul, “a Primeira Guerra Mundial tinha deixado cicatrizes na sociedade neozelandesa, com cerca de 18.500, no total, mortos como resultado da guerra, mais de 41.000 feridos e outros afetados emocionalmente, de uma força de combate no exterior de cerca de 103 mil e uma população de pouco mais de um milhão” A Nova Zelândia também teve uma importante participação na Batalha do Rio da Prata (1939) e na campanha aérea da Batalha da Grã-Bretanha (1940-1941).

Durante a 2ª guerra mundial, os Estados Unidos da América tinham mais de 400 mil militares norte-americanos estacionados na Nova Zelândia. Além do Vietnã e das duas guerras mundiais, a Nova Zelândia lutou na Guerra da Coreia (1950-1953), na Segunda Guerra dos Bôeres (1899-1902), na Emergência Malaia, guerra de guerrilha travada entre as forças armadas da Commonwealth e o Exército de Libertação Nacional Malaio (ELNM), o braço militar do Partido Comunista da Malásia, de 1948 a 1960, na Guerra do Golfo, 2 de agosto de 1990 até 28 de fevereiro de 1991 e na Guerra do Afeganistão, é a atual fase da guerra civil afegã, que opôs, inicialmente no período de outubro a novembro de 2001, os Estados Unidos da América, com a contribuição militar da organização armada muçulmana Aliança do Norte e de países ocidentais (Reino Unido, França, Canadá e outros), ao regime talibã. O país tem contribuído com forças militares para várias missões de paz regionais e globais, tais como aquelas no Chipre, Somália, Bósnia e Herzegovina, Suez, Angola, Camboja, fronteira Irã-Iraque, Bougainville, Timor-Leste e nas Ilhas Salomão. A nação enviou uma unidade de engenheiros do exército de para ajudar na reconstrução de infraestrutura do Iraque por um ano durante a Guerra do Iraque.

A Campanha de Galípoli, também reconhecida como Batalha dos Dardanelos, teve como palco a península de Galípoli na Turquia, de 25 de abril de 1915 a 9 de janeiro de 1916, durante a 1ª grande guerra. Foi uma das campanhas mais custosas e trágicas da guerra. Forças britânicas, francesas, australianas e neozelandesas desembarcaram em Galípoli, numa tentativa de invasão da Turquia e captura do estreito de Dardanelos. A tentativa falhou, com pesadas perdas para ambos os lados. Os aliados se retiraram do local durante os meses de dezembro de 1915 e janeiro de 1916. As divisões ANZAC se viram especialmente danificadas, e esta campanha passou a significar certa dissensão por parte dos aliados oriundos da Nova Zelândia e da Austrália, que acusaram as tropas britânicas de arrogância, crueldade e inaptidão, bem como principais responsáveis pelo fracasso das operações. O Anzac Day (25 de abril) continua a ser a comemoração política mais significativa dos veteranos na Austrália e na Nova Zelândia, superando o Dia do Armistício/Dia da Lembrança. A Campanha de Galípoli repercutiu profundamente em todas as nações imperialistas envolvidas. Na Turquia, a batalha é percebida como um momento crucial e definitivo na história social e política da nação, tendo em vista a questão política da defesa final da terra-mãe após séculos de desintegração social do Império Otomano. A luta estabeleceu as bases para a Guerra de Independência Turca e a fundação da República Turca oito anos mais tarde, sob Atatürk, ele próprio um comandante remanescente em Galípoli.

            A Nova Zelândia é uma monarquia constitucional com uma democracia parlamentar, embora a sua Constituição não seja codificada. Elizabeth II é a monarca neozelandesa e a chefe de Estado do país. A rainha é representada pelo governador-geral, que é nomeado a conselho do primeiro-ministro. O governador-geral pode exercer os poderes prerrogativos da Coroa, como revisão de casos de injustiça e nomeações de ministros, embaixadores e outros importantes funcionários públicos e, em raras situações, os poderes moderadores o de demitir um primeiro-ministro, dissolver o parlamento ou recusar o Consentimento Real de um projeto de lei. Os poderes da Rainha e do governador-geral são limitados por restrições constitucionais e não podem normalmente ser exercidos sem o Conselho de Ministros. O gabinete, formado por ministros e liderado pelo primeiro-ministro, é o órgão máximo de formulação de políticas e por decidir as ações mais significativas do governo. Por convenção, os membros do gabinete estão ligados por responsabilidade coletiva de decisões tomadas pelo gabinete

            Jacinda Ardern foi eleita primeira-ministra da Nova Zelândia em outubro de 2017, depois que o partido populista New Zealand First concordou em formar uma coalização de centro-esquerda articulada em torno do Partido Trabalhista, do qual ela própria faz parte. Ardern é a mais jovem líder do país desde 1856 e se tornou a chefe de governo mais jovem do mundo ao assumir, então com 37 anos, seu posto. A plataforma que levou a escolha do seu nome para governar a Nova Zelândia era sólida e incluiu “o aumento do salário mínimo, uma lei para combater a pobreza infantil e o acesso à moradia”. Durante seu mandato, ela deu à luz sua primeira filha, Neve, em junho de 2018, tornando-se a segunda chefe de governo eleita a fazê-lo, e também liderou o país após o ataque contra a mesquita de Christchurch. Ardern, que costuma se descrever como progressista, republicana, feminista e que apoia o ensino obrigatório da língua Maori nas escolas neozelandesas, completou 40 anos no fim de julho como uma das lideranças mais eficazes no combate ao “novo coronavírus”. O país chegou a deter o controle imunológico e passar cem (100) dias sem transmissão comunitária do vírus. Esta semana, depois de quatro casos terem sido registrados em Auckland, ela decretou lockdown na maior cidade do país.

        Nova Zelândia tem uma moderna, próspera e desenvolvida economia de mercado, com um Produto Interno Bruto (PIB) em paridade do poder de compra (PPC) per capita estimado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), uma organização criada em 1944 com o objetivo de recuperar a economia internacional dos efeitos da Grande Depressão de 1929 e da 2ª guerra mundial. Até hoje, no entanto, funciona como um centro de cooperação financeira entre seus 189 países-membros, em cerca de US$ 26.966. A moeda do país é o dólar da Nova Zelândia, informalmente reconhecido como o “dólar Kiwi”, que também circula nas Ilhas Cook, Niue, Tokelau e nas Ilhas Pitcairn. A Nova Zelândia havia sido classificada como o 5º país mais desenvolvido do mundo ocidental pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 2011 e caiu para 16º na classificação de 2018 elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), e ficando em 4º lugar no Índice de Liberdade Econômica de 2011, publicado pela Heritage Foundation. As indústrias extrativistas têm contribuído para a economia da Nova Zelândia, concentrando-se, de acordo com a época, na caça às focas e baleias, linho, ouro, goma kauri e na madeira nativa.  Com o desenvolvimento do transporte refrigerado em 1880, carne e produtos lácteos passaram a ser exportados à Grã-Bretanha, um comércio internacional que serviu de base desenvolvimentista para o crescimento do mercado interno econômico na Nova Zelândia.

A elevada demanda de produtos agrícolas do Reino Unido e dos Estados Unidos ajudou os neozelandeses a alcançar um padrão de vida mais elevado do que o da Austrália e da Europa Ocidental nos anos 1950 e 1960. Em 1973, o mercado de exportação da Nova Zelândia foi reduzido quando o Reino Unido aderiu à Comunidade Europeia e por outros fatores, tais como crise do petróleo de 1973 e a crise energética de 1979, o que levou a uma grave depressão econômica. O padrão de vida neozelandês caiu atrás daqueles registrados na Austrália e na Europa Ocidental e, em 1982, a Nova Zelândia tinha a menor renda per capita entre os países desenvolvidos pesquisados pelo Banco Mundial. Desde 1984 sucessivos governos engajados na reestruturação macroeconômica do país transformou rapidamente a Nova Zelândia de uma economia altamente protecionista para uma economia de livre comércio e liberalizada. O desemprego chegou acima dos 10% em 1991 e 1992, após a “segunda-feira negra de 1987”, mas finalmente caiu a uma baixa recorde de 3,4% em 2007, a 5ª menor taxa entre os 27 países comparáveis da OCDE. A crise financeira mundial que se seguiu, porém, teve um grande impacto na economia neozelandesa, com o PIB do país encolhendo por cinco trimestres consecutivos, a mais longa recessão em mais de 30 anos, e com o aumento do desemprego para uma taxa de 7% no final de 2009. A taxa de desemprego para os jovens foi de 17,4% no trimestre de junho de 2011. A Nova Zelândia tem experimentado historicamente uma série de “fuga de cérebros” desde 1970, enquanto um processo comunicativo de fenômeno contínuo. Quase um 1/4 dos trabalhadores altamente qualificados do país vivem no exterior, a maioria na Austrália e no mercado do Reino Unido, taxa maior do que a de qualquer outra nação social desenvolvida. Nos últimos anos, entretanto, um “ganho de cérebros” trouxe profissionais educados da Europa e de outros países por ser menos desenvolvidos.

Bibliografia geral consultada.

FRIEDRICH, Carl Joachim, La Democracia como Forma de Política y como Forma de Vida. 2ª ediciones. Madrid: Editorial Tecnos, 1966; DUVERGER, Maurice, Os Partidos Políticos. 2ª edição. Rio de Janeiro: Zahar Editor; Brasília: Universidade de Brasília, 1980; BRIDGSTOCK, Martin, A Sociological Approach to Fraud in Science. In: Astralian and New Zealand Journal of Sociology, 18 (1982), pp. 364-383; FERNÁNDEZ, Ana Maria, El Campo Grupal: Notas para una Genealogia. Buenos Aires: Ediciones Nueva Visión, 1992; BARROS, Regina Duarte Benevides, Grupos: A Afirmação de um Simulacro. Tese de Doutorado em Psicologia Clínica. Programa de Estudos de Pós-Graduação em Psicologia Clínica. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 1994; WALKER, Ranginui, “Identidade e Antropologia Maori na Nova Zelândia”. In: Mana, 30 (1) 169-178; 1997; WEBER, Max, A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. 2ª edição. São Paulo: Editora Pioneira, 2003; BOBBIO, Norberto, Il Futuro della Democrazia. 1ª edizione. Itália: Einaudi Editore, 2005; LACLAU, Ernesto, La Razón Populista. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 2005; PARTON, Benjamin John, Organização Sindical e Condições de Trabalho no Setor de Fast-Food em São Paulo e na Nova Zelândia. Dissertação de Mestrado. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2009; PASSETTI, Gabriel, O Mundo Interligado: Poder, Guerra e Território nas Lutas na Argentina e na Nova Zelândia (1826-1885). Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em História Social. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2010; CRUZ, Katiano Miguel, O Conceito de Institucionalização Partidária: Uma Análise Sistemática da Literatura de Ciência Política. Dissertação de Mestrado em Ciência Política. Setor de Ciências Humanas. Curitiba: Universidade Federal do Paraná, 2019; RAMÍREZ, Noelia, “Jacinda Ardern torna a Nova Zelândia a utopia para onde todo mundo quer se mudar”. In: https://brasil.elpais.com/smoda/2020-05-25/QUIDEL LINCOLEO, José, La Noción Mapuche de Che (Persona): A Noção Mapuche de Che (Pessoa). Tese de Doutorado. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2020; ROSA, Irina, Factores de Sucesso na Gestão da Crise da COVID-19 na Nova Zelândia e o Estilo Comunicacional da Primeira-Ministra Jacinda Arden. In: Francisco Rui Cádima & Ivone Ferreira, Perspectivas Multidisciplinares da Comunicação em Contexto de Pandemia. Vol. II. Instituto de Comunicação da Nova Faculdade de Ciências Socaisie Humanas. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa, 2021; CABRERA, Valéria Cabreira, A Teoria do Desenvolvimento Humano de Ronald Inglehart: Uma Defesa Normativa da Teoria Liberal da Democracia. Tese de Doutorado.  Programa de Pós-Graduação em Ciência Política. Instituto de Filosofia, Sociologia e Política. Pelotas: Universidade Federal de Pelotas, 2021; entre outros.   

sábado, 23 de janeiro de 2021

Terror na Antártida – Cinema, Nevascas Mortais & Corpos Necrosados.

                     “Eu nunca quis que ninguém se machucasse, mas Haden ficou ganancioso”. Dr. John Fury

                                             

        Antártida é o mais meridional e o segundo menor dos continentes, maior apenas que a Austrália, com uma superfície de 14 milhões de km². Rodeia o polo Sul, e por esse motivo está quase completamente coberta por enormes geleiras (glaciares), exceção feita a algumas zonas de elevado aclive nas cadeias montanhosas e à extremidade Norte da península Antártica. Sua formação se deu pela separação do antigo supercontinente Gondwana há aproximadamente 100 milhões de anos e seu resfriamento aconteceu nos últimos 35 milhões de anos. É o continente mais frio, mais seco, com a maior média de altitude e de maior índice de ventos fortes do planeta. A temperatura mais baixa da Terra (-89,2 °C) foi registrada na Antártida, sendo a temperatura média na costa, durante o verão, de -10 °C; no interior do continente, é de -40 °C. Muitos autores o consideram um grande deserto polar, pela baixa taxa de precipitação no interior do continente. A altitude média da Antártida é de aproximadamente 2 000 metros. Ventanias com velocidades de aproximadamente 100 km/h são comuns e podem durar vários dias. Ventos de até 320 km/h já foram registrados na área costeira. A Antártida está sujeita ao Tratado da Antártida (1959), pelo qual as várias nações que reivindicavam territórios no continente, tais como: Argentina, Austrália, Chile, França, Noruega, Nova Zelândia e Reino Unido concordam em suspender as suas reivindicações, abrindo o continente à exploração científica. 

       Por esse motivo social, e pela dureza das condições climáticas, não tem população permanente, embora tenha uma população provisória de cientistas e pessoal de apoio nas bases polares, que oscila entre mil, no inverno e quatro mil pessoas no verão. Dois destes assentamentos com uma população regular (diversa) são Villa Las Estrellas do Chile e Base Esperanza da Argentina. Como não há povos nativos da Antártida, a sua história é a da sua exploração. É muito provável que os povos de regiões próximas ao continente tenham sido os primeiros a explorá-lo: os povos Aush da Terra do Fogo, por exemplo, falam sobre o “país do gelo” e um chefe māori de nome Ui-Te-Rangiora teria atingido a região em 650. No entanto, esses povos não deixaram vestígios de sua presença. As primeiras expedições documentadas começam no século XVI. Américo Vespúcio relatou o registro visual de terras a 52°S. Várias expedições aproximaram-se gradativamente do continente sem, no entanto, ter-se a certeza de que se tratava realmente de um continente ou de um conjunto de ilhas, até às expedições de James Cook, o primeiro a circum-navegá-lo entre 1772 e 1775 sem o avistar, devido à névoa e aos icebergs. A primeira pessoa que avistou o continente Antártico foi o explorador russo Fabian Gottlieb Thaddeus von Bellingshausen (1778-1852) em 28 de janeiro de 1820. A ocupação humana propriamente dita começa na primeira metade do século XIX, quando navios baleeiros chegavam à região das Ilhas Sandwich do Sul. Nesse período, James Weddell e James Clark Ross descobriram os mares que como praxe levam seus nomes. Este último fez uma viagem de exploração na qual descobriu ainda a Ilha de Ross, os montes Érebo e Terror e a Terra de Vitória, retornando em 1843.

Realizados em 1895 e 1889, o VI e o VII Congresso Internacional de Geografia, respectivamente, obtêm relativo sucesso em seu chamado pela exploração do continente meridional, firmando-se uma colaboração mútua de Grã-Bretanha e Alemanha para a exploração científica da Antártida, resultando em diversas expedições ao continente com o apoio e a participação de diferentes nações. A expedição liderada pelo norueguês Roald Amundsen foi a primeira a atingir o polo Sul em 1911-1912. No início do século XX, os exploradores se voltam para a conquista do polo Sul. Ernest Henry Shackleton organizou uma expedição em 20 de outubro de 1908, sendo obrigado a retornar sem atingir o polo. Seguem-se a ele Roald Amundsen e Robert Falcon Scott em uma verdadeira corrida, pois partem com apenas duas semanas de diferença em outubro de 1911 a partir da plataforma de Ross. Amundsen atinge o polo em 14 de dezembro de 1911, retornando em janeiro. O grupo de Scott chega ao ponto em 17 de janeiro e encontra a bandeira norueguesa. No caminho de volta, os cinco expedicionários morrem de fome e exaustão. Após a conquista do polo, restava ainda a façanha de atravessar o continente de costa a costa. Shackleton assumiu a tarefa na Expedição Imperial Transantártica, em 1914, que não obteve sucesso por uma série de dificuldades, as primeiras foram os navios terem ficado presos no gelo e afundado. Richard Evelyn Byrd, explorador dos Estados Unidos, foi o primeiro a sobrevoar o polo Sul, em 29 de novembro de 1929, após o que conduziu diversas viagens de avião à Antártida nas décadas de 1930 e de 1940. Byrd também realizou extensas pesquisas geológicas e biológicas. Atualmente, após o Tratado da Antártida, muitos países mantêm bases de pesquisa permanente e a ocupação programada humana é in statu nascendi constante.                           

A maior parte do continente austral está localizada ao Sul do Círculo Polar Antártico e circundada pelo oceano Antártico. É a massa de terra mais meridional e compreende mais de 14 milhões de km², tornando-se o quinto maior continente. Fisicamente, ela é dividida em duas partes pelos montes Transantárticos perto do estreitamento entre o mar de Ross e o mar de Weddell: a Antártida Oriental, ou Maior, e a Antártida Ocidental, ou Antártida Menor, porque correspondem aproximadamente ao  hemisfério ocidental e hemisfério oriental em relação ao meridiano de Greenwich.  Aproximadamente 98% da Antártida está coberta por um manto de gelo, que possui em média 2 km de espessura, sendo 4 776 metros sua espessura máxima. Essa cobertura de gelo tem um volume estimado em 25,4 milhões de quilômetros cúbicos, contendo 70% de toda a água doce do planeta sendo assim o continente de maior altitude média. O gelo advindo do manto forma barreiras que se estendem para além da costa, conhecidas como plataformas de gelo, a maior das quais é a de Ross com 800 km de largura e estendendo-se por 1 000 km em direção ao polo Sul. Os icebergs são blocos de gelo flutuante formados pela neve, desprendidos das geleiras ou das plataformas de gelo. Embora a maior parte da massa continental da Antártida se encontre acima do nível do mar, uma grande parte da pequena Antárctica Ocidental encontra-se abaixo do nível do mar.

Em grande parte do interior do continente a precipitação média anual fica entre 30 e 70 mm; em algumas áreas de “gelo azul” a precipitação é mais baixa do que a perda de massa pela sublimação e, assim, o balanço local é negativo. Nos vales secos o mesmo efeito ocorre sobre uma base de rochas, conduzindo a uma paisagem esturricada. Abriga o Polo geográfico Sul do planeta, a 90º de latitude S, e o polo magnético, cuja localização não é fixa. Apenas a península Antártida, com 1 000 km de extensão, não está sempre coberta por gelo. O relevo é marcado pelos montes Transantárticos, prolongamento geológico dos Andes. Ela divide o continente em Antártida Oriental, com planícies, colinas baixas e a geleira Lambert (a maior do mundo), e Antártida Ocidental, com arquipélagos ligados pela cobertura de gelo permanente. As banquisas formadas por água do mar congelado se confundem com o contorno do continente. A Antártida Ocidental é coberta pelo manto de gelo da Antártida Ocidental. Este chamou a atenção recentemente por causa da possibilidade real de seu colapso: se derretesse, o nível do mar elevar-se-ia em vários metros em um curto espaço de tempo geológico, talvez em questão de séculos. Diversos fluxos de gelo antártico, que correspondem a aproximadamente 10% da cobertura de gelo, correm para uma das muitas plataformas. A Antártida tem mais de 145 lagos sob a superfície de gelo continental. O lago Vostok, descoberto abaixo da estação Vostok em 1996, é o maior deles. 

Supõe-se que o lago está selado pelo manto de gelo há 30 milhões de anos. Há alguns rios no continente, o maior dos quais é o rio Onyx, com 30 km de extensão, que desagua no lago Vanda a 75 metros de profundidade. Na Antártida Oriental encontram-se os montes Transantárticos ou Cadeia Transantártica que se estende por 4 800 km, desde a Terra de Vitória à Terra de Coats. Na Ocidental está a Península Antártica, ao Sul da qual se encontram os montes Ellsworth e o maciço Vinson, ponto mais elevado do continente com 5 140 metros. Localizadas entre suas cordilheiras, há sete geleiras na Antártida, das quais a maior é a Geleira Byrd. Embora seja lar de muitos vulcões, apenas uma cratera na ilha Decepção e o monte Érebo expelem lava atualmente, a primeira desde 1967. O monte Érebo, de 4 023 metros de altitude e localizado na Ilha de Ross, é o vulcão ativo cientificamente mais meridional do mundo. Pequenas erupções são comuns e fluxos de lava foram observados em anos recentes. O gelo azul cobrindo o Lago Fryxell, nos Montes Transantárticos, origina-se do derretimento de geleiras. A Antártida é o continente mais frio e seco da Terra, um grande deserto. A precipitação média anual fica entre 30 e 70 mm. Devido à influência das correntes marítimas, as zonas costeiras apresentam temperaturas mais amenas, com uma média anual de -10 °C atingindo valores entre 10 °C no verão e -40 °C no inverno. Por outro lado, no interior do continente, a média anual é -30 °C, com temperaturas variando entre -30 °C no verão até abaixo de -80 °C no inverno. A menor temperatura do mundo, -93,2 °C, foi registrada entre Domo Argurs e Domo Fuji no dia 10 de agosto de 2010.

No entanto, estima-se que seja a Cordilheira A (ou Ridge A) seja o local mais frio da superfície terrestre, que fica localizada nas seguintes coordenadas: 81° 30` S, 73° 30` L. Estima-se que, apesar dos seis meses de escuridão do inverno, a incidência da energia solar no Polo Sul seja semelhante à recebida anualmente no Equador, mas 75% dessa energia é refletida de forma extraordinária pela superfície de gelo.  A Antártida Oriental é mais fria que a Ocidental por ser mais elevada. As massas de ar raramente penetram muito no continente, deixando seu interior frio e seco. O gelo no interior do continente dura muito tempo, apesar da falta de precipitação para renová-lo. A queda de neve não é rara no litoral, onde já se registrou a queda de 1,22 metros em 48 horas. É um continente com ventos fortes, registrando-se ventos com velocidades superiores a 200 km/h na região costeira, sendo a média nestes locais de 100 km/h. No interior, entretanto, as velocidades são tipicamente moderadas. A Antártida é mais fria do que o Ártico por dois motivos: em primeiro lugar, grande parte do continente está a mais de três quilômetros acima do nível do mar. Em segundo lugar, a área do polo Norte é coberta pelo oceano Ártico e o relativo calor do oceano é transferido através do gelo, impedindo que as temperaturas nas regiões árticas alcancem os extremos típicos da superfície da terra no Sul.

Alguns eventos climáticos são comuns na região. A aurora austral, reconhecida como “Luzes do Sul”, é um brilho observado durante a noite perto do Polo Sul. Outro acontecimento é o “pó de diamante”, neblina composta de pequenos cristais de gelo. Forma-se geralmente sob céu limpo, por isso é referido como precipitação de céu limpo. Falsos sóis, brilhos formados pela reflexão da luz solar em cristais de gelo, reconhecidos como parélio, são uma manifestação óptica atmosférica comum. Em 9 de fevereiro de 2020, o continente registrou uma temperatura de 20,7 °C, a mais alta de toda a história da Antártida.  Aproximadamente 400 espécies de líquenes são reconhecidas na Antártida. As principais dificuldades para o crescimento dos vegetais na Antártida são os fortes ventos, a curta espessura do solo e a limitada quantidade de luz solar durante o inverno austral. Por isso, a variedade de espécies de plantas na superfície é limitada a plantas “inferiores”, na falta de melhor expressão, como musgos e hepáticas. Mas há uma comunidade autotrófica, formada por protistas. A flora continental consiste em líquens, briófitas, algas e fungos. O crescimento e a reprodução ocorrem geralmente no verão. Há mais de 200 espécies de líquens e em torno de 50 espécies de briófitas como musgos. No continente existem 700 espécies de algas, a maioria das quais forma o fitoplâncton. Diatomáceas e algas da neve, algas microscópicas (cf. Rosnay, 1995; 1996) que crescem na neve e no gelo dando-lhes coloração, são abundantes nas regiões costeiras durante o verão.  

Há ainda duas espécies de plantas que florescem e são encontradas na Península Antártica, assim como Pinguins-imperador na ilha do Monte Nevado. O krill é importante para as teias alimentares, servindo de alimento para lulas, baleias, focas, como a foca-leopardo, pinguins e outras aves. As aves mais comuns são os pinguins, os albatrozes e os petréis. No entanto, somente 13 espécies fazem seus ninhos em terra firme, geralmente no litoral, e partem para regiões mais quentes no inverno. Enquanto todas as demais migram, duas espécies de pinguim permanecem e migram para o interior: o pinguim-imperador, a maior espécie, e o pinguim-de-adélia. Por volta de abril, machos e fêmeas dos pinguins-imperador migram cem quilômetros para o Sul, as fêmeas voltam para o litoral para se alimentar, só voltando em julho e os machos se agrupam para se aquecerem. A fauna dos mares em torno da Antártida é bastante rica. É composta por uma miríade de invertebrados como esponjas, anêmonas, estrelas-do-mar e ouriços-do-mar, anelídeos, crustáceos e moluscos e entre os mais abundantes estão o isópode Glyptonotus antarticus e o molusco Nacella concinna, comum nas zonas costeiras.

As condições ambientais afetam o crescimento e a reprodução desses animais: eles se tornam maiores e crescem mais lentamente, se reproduzindo de forma mais lenta em comparação com seus congéneres de regiões quentes. Em regiões com profundidade de cerca de 200 metros abaixo da camada de gelo e em plena escuridão, acreditava-se que existiam apenas micróbios, mas, conforme anúncio feito pela NASA em 16 de março de 2010, também podem ser encontrados o crustáceo Lyssianasid amphipod e uma espécie de água-viva. A aprovação do Ato de Conservação da Antártida trouxe severas restrições ao continente. A introdução de plantas ou dos animais estrangeiros pode ser punida criminalmente, bem como a retirada de qualquer espécie nativa. O excesso de pesca do krill, de grande importância para o ecossistema local, fez com que a pesca fosse regulamentada e controlada. A Convenção para Conservação dos Recursos Vivos Marinhos Antárticos (CCAMLR, em inglês), um tratado que entrou em vigor em 1980, requer que regulamentos sobre o Oceano Antártico levem em conta os potenciais efeitos sobre todo o ecossistema antártico. Apesar destes novos regulamentos, a pesca ilegal, particularmente da merluza-negra, continua sendo um sério problema. A pesca ilegal da merluza aumentou para cerca de trinta e duas mil toneladas em 2000. Antropocentricamente ocorre há mais de 100 milhões de anos a Antártida fazia parte da Gondwana. Ao longo do tempo, a Gondwana dividiu-se e a Antártida como é reconhecida formou-se por volta de há 25 a 23 milhões de anos, ao se separar da América do Sul e tornar-se circundada pelo oceano Antártico.

Escólio: O oficial general, Robert Papp serviu como Comandante da Área Atlântica da Guarda Costeira, onde foi comandante operacional de todas as missões da Guarda Costeira dos Estados Unidos da América (EUA) na metade Leste do mundo e prestou apoio ao Departamento de Defesa; como Chefe do Estado-Maior da Guarda Costeira e Comandante do Quartel-General da Guarda Costeira; como Comandante do Nono Distrito da Guarda Costeira, com responsabilidades pelas missões da Guarda Costeira nos Grandes Lagos e na Fronteira Norte; e como Diretor de Reserva e Treinamento, onde foi responsável por gerenciar e apoiar 13.000 reservistas da Guarda Costeira e todos os Centros de Treinamento da Guarda Costeira. Papp é um marinheiro experiente, tendo servido em seis navios da Guarda Costeira e comandado os navios USCGC Red Beech, USCGC Papaw, USCGC Forward e USCGC Eagle, o navio-escola da Guarda Costeira dos Estados Unidos da América. Ele também serviu como comandante de uma unidade de operações especiais durante a Operação Able Manner, na costa do Haiti, em 1994, para fazer cumprir as sanções das Nações Unidas. Sua unidade de operações especiais reforçou as Forças Navais durante intervenção americana no Haiti. As funções de Papp em terra incluíram o comando da equipe de cadetes da Academia da Guarda Costeira; a equipe de auxílios à navegação no Terceiro Distrito da Guarda Costeira; a chefia do Departamento de Capacidades da Divisão de Operações de Defesa; a chefia da Equipe de Desenvolvimento da Frota; a direção do Centro de Desenvolvimento de Liderança; a chefia do Escritório de Assuntos Parlamentares da Guarda Costeira; e o cargo de vice-chefe do Estado-Maior da Guarda Costeira.

Até maio de 2010, Papp serviu como Comandante da Área Atlântica da Guarda Costeira em Portsmouth, Virgínia, e Comandante da Força de Defesa Leste. Ele serviu como comandante operacional de todas as missões da Guarda Costeira dos EUA na metade leste do mundo; desde as Montanhas Rochosas até o Golfo Pérsico, abrangendo uma área de responsabilidade em 42 estados com mais de 14 milhões de milhas quadradas, isto é, unidade da milha quadrada é largamente empregada nos Estados Unidos e no Reino Unido países onde o km² praticamente não é utilizado — e, em menor grau, também no Canadá, e servindo com mais de 51.000 funcionários militares e civis e auxiliares. Nessa função, ele também foi Comandante da Força de Defesa Leste e forneceu apoio à missão da Guarda Costeira ao Departamento de Defesa e aos Comandantes de Combate. Ele assumiu essas funções em julho de 2008. Papp foi promovido a almirante e sucedeu ao almirante Thad Allen como comandante da Guarda Costeira dos EUA em uma cerimônia de troca de comando em 25 de maio de 2010. Papp fez a primeira nomeação na história dos Estados Unidos de uma mulher para chefiar uma academia militar dos Estados Unidos quando designou Sandra Leigh Stosz como superintendente da Academia da Guarda Costeira dos Estados Unidos. Em 30 de maio de 2014, Papp foi sucedido pelo almirante Paul F. Zukunft. Ele foi confirmado pelo Senado dos EUA como comandante, com a patente de almirante, em maio de 2014 e substituiu Robert J. Papp Jr. como comandante em 30 de maio de 2014. Em 16 de julho de 2014, o Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, anunciou a nomeação do Almirante aposentado Robert Papp para servir como Representante Especial para o Ártico.

Ele se aposentou deste cargo em janeiro de 2017 para se tornar lobista de uma empresa de construção naval. Em astrofísica, o paradoxo de Olbers, ou “paradoxo da noite escura”, argumenta que a escuridão do céu está em contradição com a hipótese de universo infinito e estático. A escuridão do céu é uma das evidências da não estaticidade do universo, como no modelo do Big Bang do universo. Se o universo fosse estático e com uma quantidade infinita de estrelas, qualquer linha de visão abstrata partindo da Terra coincidiria provavelmente com uma estrela suficientemente luminosa, de forma que o céu seria completamente brilhante. Isso contradiz a observação do céu predominantemente escuro. O paradoxo foi descrito primeiramente pelo astrônomo alemão Heinrich Wilhelm Olbers em 1826, e anteriormente por Johannes Kepler em 1610 e Edmond Halley e Jean Philippe de Chéseaux no século XVIII. Face à simplicidade da pergunta sobre a escuridão, as respostas dos astrônomos vêm sempre acompanhadas com as mais inteligentes e elegantes explicações envolvendo múltiplas demarcações abstratas das ciências exatas. O paradoxo é a afirmação de que em um universo estático, infinito e com distribuição regular de estrelas em seu espaço, o céu noturno deveria ser brilhante. O paradoxo possui o nome indevido já que pressuposto num universo estático e infinito a distribuição de estrelas, mesmo sendo em número infinito, não precisa necessariamente ser regular. Aliás, a suposição de que a função de estrelas f(x) pela quantidade de volume de espaço x dividida por esse mesmo volume x tende a uma constante K quando x vai ao infinito é uma suposição cientificamente forte. Embora o Paradoxo de Olbers constate que, se a distribuição de estrelas no céu fosse regular num universo infinito, a quantidade de energia estelar que atingiria a Terra seria igualmente infinita.

            Roald Engelbregt Gravning Amundsen nasceu em Borge, em 16 de julho de 1872, no Polo Ártico, próximo da Ilha do Urso, e faleceu em 18 de junho de 1928. Foi um explorador norueguês das regiões polares, que liderou a primeira expedição a atingir o Polo Sul em 14 de dezembro de 1911, utilizando para isso trenós puxados por cães. O Ártico exibe testemunhos de ocupação humana desde 15 mil anos e algumas povoações modernas têm história de vários milênios. Cerca de 4 milhões de pessoas vivem atualmente no Ártico, das quais cerca de 10% são povos indígenas, com o domínio de dezenas de diferentes culturas e línguas. Temperaturas abaixo de 40º C negativos, ventos que podem ultrapassar 100 km/h e tempestades de neve. Os obstáculos parecem não assustar os cientistas e exploradores que, em 2023, pretendem viajar para algumas das regiões mais geladas do planeta Terra, a fim de estudar assuntos específicos como a crise climática, a elevação do nível do mar e a história da Terra registrada em camadas profundas de gelo. A maior parte da população vive muito dispersa em pequenas vilas e povoados, e há muitos grupos nômades, mas existem algumas cidades importantes, como Murmansk, a capital do Oblast de Murmansque, localizada acerca de 200 km ao Norte do Círculo Polar Ártico, na Rússia, com mais de 300 mil habitantes.

       Há significativa disparidade na qualidade de vida e desenvolvimento dessas populações “aborígenes”, e o ritmo e processo de globalização tem aumentado essas diferenças em algumas regiões. Quando vista do hemisfério norte, a Lua parece invertida em comparação com uma vista do hemisfério sul. O Polo Norte está voltado para longe do centro galáctico da Via Láctea. O Hemisfério Norte é o lar de aproximadamente 6,40 bilhões de pessoas, o que representa cerca de 87,0% da população humana total da Terra de 7,36 bilhões de pessoas. As populações na América do Norte e Escandinávia são as mais favorecidas em vários indicadores, como renda, saúde, educação, expectativa de vida e Coeficiente de Conrado Gini, mas na Federação Russa, que abriga cerca de 70% da população ártica total, os indicadores geralmente ficam abaixo, ou muito abaixo da média global. Nas regiões prósperas pode haver importantes desigualdades internas. O clima ártico reconhece grande variações climáticas ao longo do ano. A região fica no extremo Norte do globo terrestre devido à inclinação do eixo terrestre sua parte Norte permanece mergulhada na obscuridade durante o inverno. Mesmo no verão a luz solar chega à região em um ângulo baixo. O calor recebido do Sol é menor que nos trópicos e boa parte dele é refletido de volta para o espaço pela brancura do gelo.                            

Terror na Antártida (Whiteout) tem como representação social um filme de 2009 baseado na história em quadrinhos de mesmo nome de 1998 de Greg Rucka e Steve Lieber, lançado em 11 de setembro de 2009.  O filme foi produzido sob a bandeira da Dark Castle Entertainment por Joel Silver, Susan Downey e David Gambino, dirigido por Dominic Sena, distribuído pela Warner Bros. e estrelado por Kate Beckinsale, Gabriel Macht e Alex O`Loughlin. Após dois anos vivendo em uma estação de pesquisa na Antártida, a solitária chefe de polícia norte-americana, Carrie Stetko (Kate Beckinsale), está ansiosa para voltar para casa. Mas três dias antes de sua partida, um corpo é encontrado no gelo, e Carrie inicia a primeira investigação de assassinato na gélida e inóspita Antártida. À medida que o número de corpos aumenta, o mistério se aprofunda e as lealdades mudam. Em meio a nevascas mortais, um assassino implacável não hesitará em fazer qualquer coisa para proteger um segredo enterrado por mais de sessenta anos. Gregory Rucka, nascido em 29 de novembro de 1969 em São Francisco, Califórnia, Estados Unidos é um romancista de mistério e roteirista de quadrinhos norte-americano. É reconhecido por seu trabalho em quadrinhos como Action Comics, Batwoman e Detective Comics, bem como pela criação da série Lazarus para a Image Comics e romances policiais como sua série Atticus Kodiak. Ele também escreveu o roteiro do filme The Old Guard (2020), baseado em sua série de quadrinhos de mesmo nome.

Gregory Rucka iniciou sua carreira literária com uma série de romances policiais protagonizados pelo personagem Atticus Kodiak. A série Atticus Kodiak se destaca pelo “realismo e atenção aos detalhes, em parte devido à experiência de Rucka como paramédico”. A série Atticus Kodiak é composta por sete romances, dos quais apenas quatro foram traduzidos para o francês. Greg Rucka escreveu outros seis romances fora da série Atticus. Três deles estão ligados à série de quadrinhos Queen & Country. Em 1998, Greg Rucka estreou no mundo dos quadrinhos com Whiteout que narra um assassinato em uma base na Antártida.  A obra foi seguida por uma sequência, Whiteout: Melt. A maior parte do trabalho de Rucka ao longo dos anos 2000 foi para a DC Comics, onde ele esteve envolvido nas histórias de seus personagens mais reconhecidos: Superman, Batman e Mulher-Maravilha. De 2002 a 2004, ele trabalhou para a Marvel, incluindo o início do terceiro volume de Wolverine, Elektra e a minissérie Ultimate Daredevil & Elektra. Ele também trabalhou para a Image Comics, notavelmente em sua série Queen & Country. Em 2017, Rucka escreveu a série The Old Guard, que foi ilustrada por Leandro Fernandez, colorida por Daniela Miwa e publicada pela Image Comics. Em março de 2017 a Skydance Productions comprou os direitos para adaptar a história em quadrinhos para um filme de mesmo nome. Rucka escreveu o roteiro do filme, que foi lançado na Netflix em 2010 e posteriormente em julho de 2020. Mas em julho de 2019 Rucka começou a escrever uma minissérie de 12 edições intitulada Lois Lane com o artista Mike Perkins em dezembro de 2019 Rucka começou a escrever um segundo volume de The Old Guard intitulado The Old Guard: Force Multiplied. 

Steve Lieber, nascido em 19 de maio de 1967 é um ilustrador norte-americano de histórias em quadrinhos, reconhecido por seu trabalho em títulos como Detective Comics e Hawkman, e pela aclamada minissérie Whiteout, que foi adaptada para um filme de 2009 estrelado por Kate Beckinsale. Entre seus outros trabalhos estão a sequência vencedora do Prêmio Eisner, Whiteout: Melt, e os thrillers Shooters e Underground. Com o escritor Nat Gertler, ele é coautor de The Complete Idiot`s Guide to Creating a Graphic Novel. Lieber descreveu sua carreira como sendo sobre “contar suas próprias histórias unificadas com finalidade”. Lieber cresceu na região de Squirrel Hill, em Pittsburgh, no estado da Pensilvânia. Ele se formou em 1985 na Allderdice High School, estudou na Pennsylvania State University, mas saiu antes de se formar para concluir sua educação artística na The Kubert School for cartoonists em Nova Jersey. Ele estudou com Joe Kubert, a quem cita como uma influência significativa em sua carreira e sensibilidade artística, e se formou em 1990. Lieber também cita os artistas de quadrinhos David Mazzucchelli, Alberto e Enrique Breccia, Milton Caniff, Alex Toth, Howard Chaykin, Alex Raymond e Jaime Hernandez como grandes influências. Fora dos quadrinhos, ele cita outros pintores e ilustradores como tendo influenciado seu estilo artístico: Hieronymus Bosch, Howard Pyle, N.C. Wyeth, Joseph Clement Coll, Norman Rockwell, Edgar Degas, Edward Hopper, os pintores da Ashcan School, Andrew Loomis, Robert Fawcett e Charles Dana Gibson.

Em 1993, Lieber desenhou Hawkman Annual #1. Posteriormente, ele desenhou 20 edições da série mensal Hawkman de 1994 a 1995, começando com a edição #5 e terminando com a edição #27, e em um determinado momento, lançou uma edição #0 (que aconteceu entre as edições #13 e #14) como uma ação promocional. As ilustrações de Lieber para o Homem-Gavião chamaram a atenção de Hollywood, onde ele começou a fazer esboços para a série Batman. Ele disse: - Uma grande empresa que detém os direitos dos personagens oferece muita visibilidade e a possibilidade de trabalhar com ícones extremamente conhecidos... Trabalhando para uma grande empresa, você precisa ser capaz de deixar o personagem e as ideias para trás [após sair do projeto] exatamente da mesma forma que estava quando entrou (cf. Steve Lieber, 2001). Em 1998, Lieber ilustrou a minissérie de quatro edições Whiteout com o escritor Greg Rucka para a Oni Press. A série aclamada pela crítica, que foi descrita como uma “história de assassino em série com sangue na neve”, foi compilada em um livro de bolso e adaptada para um filme de 2009 estrelado por Kate Beckinsale e Tom Skerritt. Lieber atribui seu sucesso à persistência e descreveu-se ao sair da escola como tendo “habilidades medianas”, mas que “continuou trabalhando com quadrinhos por mais tempo do que alguns de seus contemporâneos porque não queria fazer mais nada”. Além disso, Lieber trocou informações e dicas com criadores de quadrinhos como Dwayne McDuffie.

A graphic novel Underground, de Lieber, uma história sobre um guarda florestal preso em uma caverna, foi descrita como um “thriller de espeleologia” pela revista Time. Lieber foi convidado em convenções de quadrinhos como a San Diego Comic-Con de 200. Em fevereiro de 2008, Lieber desenhou uma série de ilustrações em que personagens do programa de TV The Wire foram renderizados no estilo do programa de TV Os Simpsons, uma das quais foi nomeada por Alan Sepinwall do The Star-Ledger e NJ.com como o “link mais legal do dia”.  A partir de setembro de 2009, Lieber ilustrou a minissérie de cinco edições Underground com o escritor Jeff Parker para a Image Comics. A série, sobre um guarda florestal espeleólogo preso em uma caverna, foi posteriormente compilada em um livro de bolso no início de maio de 2010. Em abril de 2012, a DC/Vertigo publicou a graphic novel de suspense militar Shooters, escrita por Brandon Jerwa e Eric Stephen Trautmann, ilustrada por Lieber. Em julho de 2013, Lieber começou a desenhar Superior Foes of Spider-Man para a Marvel Comics. A série acompanha uma equipe de vilões azarados e pouco conhecidos do universo do Homem-Aranha. Lieber recebeu muitos elogios por seu trabalho na série, incluindo uma menção na lista “Melhores de 2013” da Comics Alliance. O crítico da Comics Alliance, Dylan Todd, diz: “Lieber está no auge de sua carreira aqui, com uma mistura do estilo tradicional dos quadrinhos de super-heróis e um ponto de vista mais humano que nos lembra que essas são apenas pessoas em trajes fazendo coisas estúpidas e perigosas e que podem se machucar a qualquer momento. Lieber e sua esposa, a romancista Sara Ryan, moram em Portland, Oregon, onde ele é membro do Helioscope Studio.

Bibliografia Geral Consultada.

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