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quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Marcha Pela Paz – Ersatz: As Ideias Adquirem Força na História.

                                     O homem é um animal amarrado a teias de significados que ele mesmo teceu”. Max Weber                             

           O desenvolvimento do tema da justiça na concepção de teoria de Aristóteles, discípulo de Platão, tem sede no campo ético, ou seja, no campo de um saber que vem definido em sua teoria como saber prático. É da reunião das opiniões dos sábios, dentro de uma visão de todo o problema que surgiu uma concepção propriamente aristotélica. O mestre do Liceu tratou também a justiça a entendendo como virtude, assemelhada a todas as demais tratadas no curso. A justiça, assim definida como virtude, torna-se o escopo das atenções de um ramo do conhecimento humano que se dedica ao estudo próprio do comportamento humano; à ciência prática, intitulada ética, cumpre investigar e definir o que é o justo e o injusto, o que é ser temperante e o que é ser corajoso, o que é ser jactante, etc. Somente a educação ética (hábito em grego), a criação do hábito do comportamento ético, o que se faz com a prática à conduta diuturna do que é deliberado pela reta razão à esfera das ações humanas, pode construir um comportamento virtuoso, ou seja, um comportamento justo. A justiça, em meio das demais virtudes, que se opõem a dois extremos, caracteriza-se por uma peculiaridade: trata-se de uma virtude à qual não se opõe dois vícios diferentes, mas um único vício, que é a injustiça. Teoria da ação é um nível abstrato da filosofia que se dedica à análise de processos que causam os movimentos voluntários de um tipo mais ou menos complexo. Este nível de análise tem sido regra dos filósofos, principalmente desde a obra de Aristóteles, Ética a Nicômaco, a principal interpretação de Aristóteles sobre Ética. 

         Nela se expõe sua concepção teleológica e eudaimonista de racionalidade prática, sua concepção da virtude como mediania e suas considerações acerca do papel do hábito e da prudência. Em Aristóteles, toda racionalidade prática é teleológica, quer dizer, orientada para um fim, ou um bem, como está no texto. À Ética cabe determinar a “finalidade suprema” (o summum bonum), que preside e justifica todas as demais, e qual a maneira de alcançá-la. Essa finalidade suprema é a felicidade (eudaimonia), que não consiste, comparativamente, nem nos prazeres, nem nas riquezas, nem nas honras, mas numa vida virtuosa. A virtude, por sua vez, se encontra no justo meio de trabalho entre os extremos, da divisão do trabalho intelectual e, será encontrada por aquele “dotado de prudência” (phronesis) e educado pelo hábito no seu exercício. Vale destacar ipso facto que a ideia de virtude, na Grécia Antiga, não é idêntica ao conceito atualmente, muito influenciado pelo cristianismo. Virtude tinha o sentido da “excelência de cada ação”, ou seja, de fazer bem feito, na justa medida, cada pequeno ato. Os valores sociais da conjuntura em que ele escreveu eram bem diferentes dos leitores atualmente; a palavra bem ou mal, por exemplo, apresenta significados totalmente opostos. Desta forma, metodologicamente, o que é injusto ocupa na teoria dois polos diversos, ou seja, é ora injustiça por excesso, ora é injustiça por defeito. Desse modo, como o homem sem lei é injusto e o cumpridor da lei é justo, evidentemente todos os atos conforme à lei são atos justos em certo sentido, pois os atos prescritos pela arte do legislador são conforme a lei, e dizemos que cada um dele é justo. 

Aristóteles desenvolveu uma concepção de justiça muito eficiente sobre a qual vários países do mundo ocidental elaboraram medidas pragmáticas de punições para pessoas que cometerem crimes graves na sociedade, baseadas nos processo e métodos de trabalho na justiça democraticamente criados por ele. A palavra equidade, por exemplo, carregada de conteúdo de sentido, tem origem no latim “aequitas” e quer dizer característica de algo ou alguém que “revela senso de justiça, imparcialidade, isenção e neutralidade: duvidou da equidade das eleições”. Correção no modo de agir ou de opinar; lisura; honestidade; igualdade: tratou-a com equidade. Disposição elementar para reconhecer a imparcialidade do direito de cada indivíduo. Assim, Aristóteles em sua obra Ética a Nicômaco, Livro V, aborda a questão da originalmente em torno da equidade enquanto princípio norteador indispensável para a efetivação da justiça. Para o referido filósofo, o maior pensador da Antiguidade, a singularidade é que “o equitativo é justo, porém não o legalmente justo, e sim uma correção da justiça legal. A razão disto é que toda lei é universal, mas não é possível fazer uma afirmação universal que seja correta”. É possível constatar que a lei não é totalmente plena, no sentido de abranger todas as situações e problemas jurídicos e sociais aos quais a sociedade possa estar sujeita, ou seja, existe uma determinada lei, entretanto, podem existir situações que não foram pensadas pelo legislador e consequentemente não estão abrangidas por esta lei, mas que também necessitam de amparo legal.                            


Desse modo, não seria justo que tal situação ou caso fosse ignorado por uma “falha” do legislador, sendo necessário então a aplicação do princípio da equidade para permitir que aquele caso seja conhecido e apreciado quanto ao seu mérito de maneira justa, levando-se em consideração as peculiaridades do caso concreto. Aristóteles menciona ainda que “essa é a natureza do equitativo: uma correção da lei quando ela é deficiente em razão da sua universalidade”, sendo que é justamente essa correção que torna justa a resolução do caso concreto. Desse modo é possível depreender por meio de um raciocínio lógico que toda lei é justa, mas nem tudo que é justo é abarcado pela lei, sendo necessário então a aplicação do princípio da equidade para que aquela situação que não foi abrangida pela lei tenha seu mérito analisado de maneira justa. E é justamente por ter esse caráter corretivo e, diga-se também, complementarmente, que para Aristóteles, o equitativo é uma espécie superior de justiça: por se amoldar as mais diversas situações existentes no mundo fático, afinal, é claro e notório que a sociedade tem uma mutação/mudança social muito mais acelerada do que a legislação posta para a regular, até mesmo porque são as próprias mudanças que vão embasar alterações na legislação. Da perspectiva da teoria da ação social, é só de maneira insatisfatória que as atividades do espírito humano podem ser restritas à confrontação cognitivo-instrumental, segundo a concepção filosófica de Habermas (2012) com a natureza exterior; ações sociais orientam-se por valores culturais. 

Estes últimos, porém, não contam do ponto de vista da ciência com um referencial de verdade. Assim, coloca-se a seguinte alternativa: ou negamos aos componentes “não cognitivos” da tradição cultural o status assumido pelas entidades do terceiro mundo graças à alojação delas em uma esfera de nexos de validade, e então nivelamos esses mesmos componentes de maneira empirista, como formas enunciativas do espírito subjetivo; ou procuramos equivalentes para o referencial de verdade que está ausente. Essa segunda via, como veremos, é escolhida por Max Weber. Ele distingue diversas esferas culturais de valor – ciência e técnica, direito e moral, bem como arte e crítica. E também as esferas de valor não cognitivas constituem esferas de validade. Noções jurídicas e morais podem ser criticadas e analisadas sob o ponto de vista da correção normativa; obras de arte, sob o ponto de vista da autenticidade (ou beleza). Pode-se trabalhá-las como campo autônomos de problemas. Entende que a tradição cultural no todo como uma provisão de saber, a partir da qual se podem formar “esferas especiais de valor” e “sistemas especiais de validade distintas”. Por isso ele atribuiria ao terceiro mundo tanto os componentes culturais avaliativos e expressivos quanto os cognitivos-instrumentais. Quando se escolhe essa alternativa, é preciso esclarecer o que podem significar “validade” e “saber” em face dos componentes “não cognitivos” da cultura. Este aspecto é importante na análise. 

Estes últimos, diversamente de teorias e enunciados, não podem ser ordenados a entidades do primeiro mundo. Valores culturais não cumprem uma função representativa. Segundo Habermas, desde Aristóteles, o conceito de agir teleológico está no centro da teoria filosófica da ação. O ator realiza um propósito ou ocasiona o início de um estado almejado, à medida que escolhe em dada situação meios auspiciosos, para então empregá-los de modo adequado. O conceito central é o da decisão entre diversas alternativas, voltada à realização de um propósito, derivada de máximas e apoiada em uma interpretação da situação. O modelo teleológico do agir é ampliado a modelo estratégico quando pelo menos um ator que atua orientado a determinados fins revela-se capaz de integrar ao cálculo do êxito a expectativa de decisões. Esse modelo de ação é frequentemente interpretado de maneira utilitarista; aí se supõe que o ator escolhe e calcula os meios e fins, provavelmente no trabalho, segundo aspectos da maximização do proveito ou das expectativas de proveito. Esse modelo de ação, em economia, sociologia e psicologia social, está subjacente às abordagens vinculadas à decisão ou à teoria lúdica.  O conceito de agir regulado por normas não se refere especificamente ao comportamento de um ator, que encontra outros no entorno, mas a membros de um grupo social, que orientam seu agir segundo valores em comum.  O ator individual segue uma norma (ou colide com ela), tão logo as condições se apresentem em uma dada situação na qual se possa emprega-las.

 As normas expressam o comum acordo subsistente em um grupo social. Todos os membros de um grupo social em que vale determinada norma podem esperar uns dos outros que cada um execute ou omita as ações preceituadas de acordo com determinadas situações. O conceito central de cumprimento da norma significa a satisfação de uma expectativa de comportamento generalizada. A expectativa de comportamento não tem o sentido cognitivo da expectativa de um acontecimento prognosticado, mas o sentido normativo de que o partícipe goze do direito à expectativa de um comportamento. Esse modelo normativo de ação subjaz à teoria dos papéis. O conceito do “agir dramatúrgico” não se refere primeiramente ao ator solitário, nem ao membro de um grupo social, mas aos participantes de uma interação que constituem uns para os outros um público a cujos olhos eles se apresentam. O ator suscita em seu público uma determinada imagem, uma impressão de si mesmo, ao desvelar sua subjetividade em maior ou menor medida. Todo aquele que age pode controlar o acesso público à esfera de suas próprias intenções, pensamentos, posicionamentos, desejos, sentimentos, etc., à qual somente ele com a percepção de sua individualidade tem acesso ao hic et nunc. No “agir dramatúrgico”, os partícipes usam essa circunstância e monitoram sua interação por meio da regulação do acesso recíproco à subjetividade própria.

            Escólio: No título deste estudo, a saber sobre a “ética protestante” e o conceito de capitalismo, afirma Max Weber, é usada a expressão pretensiosa o espírito do capitalismo. O que se deve entender por ela? A tentativa de lhe atribuir qualquer coisa semelhante a uma definição acarreta certas dificuldades que estão na própria natureza deste tipo de investigação. Se puder ser encontrado algum objeto ao qual este termo possa ser aplicado com algum significado compreensível, ele apenas poderá ser uma unidade histórica, isto é, um conjunto de elementos associados na realidade histórica, que unimos em um todo conceitual do ponto de vista de seu significado cultural. Tal conceito histórico, entretanto, uma vez que se refere seu conteúdo a um fenômeno significativo por sua individualidade única, não pode ser definido segundo a fórmula genus proximum, differentia specifica, mas deve ser gradualmente estruturado as partir de cada parte extraída da realidade histórica que o institui. Assim, o conceito final e definitivo não pode figurar no início da investigação, mas deve surgir ao seu término.  Em outras palavras, devemos desenvolver no curso da discussão, como seu método mais importante, a melhor formulação conceitual do que entendemos aqui por “espírito do capitalismo”, isto é, a melhor do ponto de vista que aqui nos interessa. Este ponto de vista não é de modo algum, o único possível, a partir do qual o fenômeno histórico que estamos investigando possa ser analisado.

Certos pontos de vista produziriam, para este como para qualquer outro fenômeno histórico, outras características. Resulta disso, não ser necessário entender por espírito do capitalismo somente aquilo que ele virá a significar para nós, para os propósitos de nossa análise. Isto é um resultado necessário da natureza dos conceitos históricos que não tentam abarcar para suas finalidades metodológicas a realidade histórica em fórmulas gerais abstratas, mas em conjuntos genéticos de relações sociais concretas, que são inevitavelmente de caráter individual e especificamente único. Assim, a tentativa de determinação do objeto, cuja análise e explanação histórica é nossa intenção, não pode ser feita na forma de uma definição conceitual, mas pelo menos inicialmente, deve apenas ser uma descrição provisória do que aqui se entende por espírito do capitalismo. Tal descrição é, todavia, indispensável para a clara compreensão do objeto de investigação. Voltamo-nos para um documento deste espírito, que contém aquilo que procuramos na pureza quase clássica e que, ao mesmo tempo, apresenta a vantagem de ser livre de qualquer ação direta com a religião, e para os nossos objetivos, livre de preconceitos.        

        A Paz (do latim: Pax) é geralmente definida como um estado de calma ou tranquilidade, uma ausência de perturbações e agitação. Derivada do latim Pacem = Absentia Belli, pode referir-se à ausência de violência ou guerra. Neste sentido, a paz entre nações contemporâneas (dentro delas) o objetivo assumido de muitas organizações, designadamente a Organização das Nações Unidas criada em 25 de 24 de outubro de 1945, São Francisco, Califórnia, Estados Unidos da América. No plano pessoal, paz designa um estado de espírito isento de ira, de desconfiança e - de um modo geral - de todos os sentimentos negativos. Assim, ela é desejada por cada pessoa para si próprio e, eventualmente, para os outros, ao ponto de se ter tornado uma frequente saudação (que a paz esteja contigo) e um objetivo de vida. A paz é mundialmente representada pelo pombo e pela bandeira branca. Paz também é um estado de espírito, onde o ser se encontra equilibrado e sereno, com isso, encontrando a sua total paz interior. Muitas diferentes teorias de “paz” existem no mundo da polemologia, das guerras e seus efeitos, formas, causas e funções enquanto fenômeno social. Envolve o estudo da transformação dos conflitos, desarmamento e cessação de violência. A definição de paz pode variar com a religião, cultura ou matéria de estudo. A paz tem como representação a busca incessante num estado de equilíbrio e entendimento em si. Onde o respeito é adquirido pela aceitação das diferenças, tolerância. 

         Onde os conflitos são resolvidos através do diálogo, os direitos das pessoas são respeitados e suas vozes são ouvidas. Onde todos estão em seu ponto mais alto de serenidade sem tensão social. O Prêmio Nobel da Paz é atribuído anualmente a pessoas que se evidenciaram pelo seu contributo para o fim de períodos prolongados de violência, conflito ou opressão através do seu empenho e liderança moral. No entanto, algumas controversas atribuições deste prêmio contemplaram antigos guerrilheiros e supostos terroristas que se acredita terem ajudado ao fim de situações similares fazendo concessões excepcionais no sentido da pacificação. Muitas diferentes teorias de "paz" existem no mundo da polemologia, que envolve o estudo e pesquisa da transformação dos conflitos, desarmamento e cessação de violência. A definição de paz pode variar de acordo com a religião, cultura ou matéria de estudo. A paz é um estado de entendimento em si mesmo onde o respeito é adquirido pela aceitação das diferenças, tolerância, os conflitos através do diálogo, os direitos das pessoas são respeitados e suas vozes são ouvidas, e todos estão em seu ponto mais alto de serenidade sem tensão social. 

Ao receber o prêmio, em 1958, o escritor Boris Pasternak foi forçado a recusá-lo publicamente sob a pressão do governo da União Soviética. Em 1964, Jean-Paul Sartre anunciou que não gostaria de aceitar Nobel, dando continuidade a uma prática sua de recusar todas as honrarias oficiais que recebe. No entanto, o comitê do Nobel não reconhece as recusas pessoais e inclui Pasternak e Sartre em sua lista de laureados. Significativamente para a literatura catorze mulheres receberam o Nobel de Literatura, mais que qualquer outro Prêmio Nobel, à exceção do Nobel da Paz. Desde a primeira entrega do Nobel de Literatura, houve quatro momentos nos quais o prêmio foi dado a duas pessoas (1904, 1917, 1966, 1974). Em sete anos não foi concedido (1914, 1918, 1935 e de 1940 a 1943). O país com o maior número de laureados é a França (15), seguida dos Estados Unidos da América e Reino Unido (11). Os únicos sul-americanos a ganharem o prêmio foram os chilenos Gabriela Mistral (1954) e Pablo Neruda (1971), o colombiano Gabriel Garcia Márquez (1982) e o peruano Mario Vargas Llosa (2010). O único falante de língua portuguesa a receber a premiação foi José Saramago (1998).

O naturalista inglês Charles Darwin, contemporâneo de Marx, que fundou a biologia moderna nasceu na Inglaterra e era filho de um médico, desde pequeno sendo interessado pelo campo das Ciências Naturais. Ele abandonou a faculdade de medicina, erroneamente para se tornar pastor. Com 22 anos de idade embarcou em uma expedição no continente negro, viajando por cinco anos em um navio onde começou a escrever a Teoria da Evolução, que só viria a publicar aos cinquenta anos de idade. O ensaio: Sobre a Origem das Espécies, publicado em 1859 afirmava que os animais evoluíram através de um processo de seleção da natureza. Quem era mais “forte” e conseguia se adaptar, permaneceria vivo e progrediria. O livro esgotou-se em um dia e criou uma grande reviravolta na comunidade científica. De saúde frágil, Darwin quase nunca saía de casa e passava muito tempo dedicado aos seus estudos, tendo publicado outros nove livros envolvendo a temática da evolução. Passou a ser é visto como um dos cientistas mais influentes do mundo, irradiando toda a biologia com as suas teorias evolutivas. A física moderna não seria a mesma sem o carisma sociológico e inteligência matemática de Stephen Hawking, cientista inglês que se tornou uma celebridade do século XX e XXI. 

Filho de pai médico e mãe filósofa, Hawking foi um garoto prodígio que ainda criança construía seus próprios brinquedos. Seu interesse em física e astrologia o levou a cursar física na Universidade de Oxford com apenas 17 anos de idade. Apesar de ter sido diagnosticado com “esclerose lateral amiotrófica” (ELA) aos 21 anos de idade e saber que seus movimentos físicos iriam se perder gradualmente com o tempo, Stephen continuou seus estudos e desenvolveu algumas das teorias mais importantes da física moderna. Entre as suas descobertas geniais está o Teorema da Singularidade, que explica como os fenômenos dos buracos negros, originaram o mundo como conhecemos, inclusivo a nós humanos. Sua forma simples no processo de comunicação, falando apenas através de um computador, e simpatia conquistou milhões de fãs no mundo, tornando o cientista moderno mais popular, consciente e importante do mundo. Nascido na Alemanha em uma família de juízes, cientistas e teólogos, Max Planck era um garoto talentoso para a música e para física, tendo recebido o título de doutor em filosofia com apenas 21 anos de idade.      

Trabalhando como professor em várias universidades alemãs durante a vida, Max continuou seus estudos acerca de radiações eletromagnéticas, e foi assim que evoluiu para a sua teoria de que a energia era produzida em pacotes, chamada quantas, foi assim que de Albert Einstein e Niels Bohr, dez anos depois, puderam originar a teoria quântica. Em 1874, Max Planck ingressou na Universidade de Munique, onde iniciou seus estudos em física. Em 1877 foi para Berlim, onde estudou com grandes físicos como, Hermann Helmholtz e Gustav Kirchhof. Doutorou-se em 1879 com uma tese relativa a uma experiência sobre difusão do hidrogênio através da platina aquecida. Dizem que foi a única experiência que ele realizou. Era um cientista matemático e não experimental. Em 1880, Max Planck voltou para a Universidade de Munique, onde foi nomeado professor-assistente. Em 1885 retornou para sua cidade natal, onde lecionou física na Universidade de Kiel. Pelo nascimento da física quântica, Planck foi laureado em 1918 com o Nobel de Física.

Se hoje é possível combater algumas infecções bacterianas com certa facilidade, isso se deve ao cientista, químico e bacteriologista francês Louis Pasteur. Talvez por ter se formado em Letras, Pasteur descobriu na ciência, química e especialmente na biologia uma paixão, e ajudou a salvar milhões de vidas com suas teorias e ideias. Pasteur provou que germes dão origem a maioria de doenças infecciosas. Que assepsia e esterilização eram fundamentais para evitar propagação de doenças. Também criou a vacina contra a raiva e a teoria da biogênese, sua ideia mais famosa, que comprovava que micro-organismos do ar infectavam matérias. Completou o curso de Letras em 1840, e concluiu o bacharelado, mas o cargo de professor de colégio não era exatamente o que pretendia. Foi outra vez a Paris, a fim de se especializar em Física e Química na Escola Normal Superior. E passou a trabalhar como assistente do químico Antoine Jerôme Balard por ter descoberto o elemento bromo (Br) em 1826. Muitas técnicas avançaram na biologia, mas o método de pasteurização serve para evitar infecção por micro-organismos/bactérias em alimentos.

Em 1848, com apenas 26 anos, apesar dos protestos do professor Balard e outros membros da Academia de Ciências, Pasteur é nomeado para ensinar Física Elementar numa escola secundária de Dijon. No ano seguinte, foi nomeado professor de Química da Universidade de Estrasburgo. Nesse mesmo ano Pasteur casa-se com Marie Laurent, filha do reitor da universidade.  Em 1854, com 32 anos deixa Estrasburgo para assumir a cadeira de Química e triunfar na Universidade Lille, onde realizou diversas pesquisas e descobertas. Enquanto era estudante começou seus estudos ópticos de cristais do ácido tartárico que foram levados à Academia Francesa de Ciências. Realizou estudos na indústria vinícola, e como resultado desenvolveu a teoria da fermentação como consequência da ação de micróbios, trabalho que foi apresentado a Societé de Sciences de Lille. Ao pesquisar as alterações provenientes do vinho e da cerveja, descobriu que o vinho se transforma em vinagre sob a ação do fermento Mycoderma aceti. Para evitar a degeneração do engenho, criou o fundamental processo chamado pasteurização. Karen Keskulla Uhlenbeck é a primeira mulher a ganhar o Prêmio Abel.    

Nos últimos anos de pesquisas, convencido de que as moléstias infecciosas deviam ser provocadas por micróbios, em 1881 viu a confirmação de sua teoria isolando o micróbio de uma doença bovina - o carbúnculo. Descobriu os agentes da pebrina, doença do bicho-da-seda que causava grandes prejuízos na lavoura, que causam alta mortalidade, prejuízos na produção de casulos e podem ser transmitidas hereditariamente ou pelo ambiente. Pasteur identificou a bactéria estafilococo como causadora da osteomielite e dos furúnculos, e a estreptococo causador da infecção pleural. Louis Pasteur produziu duas vacinas essenciais para proteger o homem de agentes patogênicos. Em 6 de julho de 1885 aplicou pela primeira vez sua vacina contra a hidrofobia “raiva”, salvando um menino de 9 anos. E a vacina contra a cólera das galinhas. O cientista fez carreira acadêmica brilhante. Foi membro da Academia de Medicina, da Academia Francesa e da Academia de Ciências. Em 1888 viu seu sonho ser realizado com a inauguração do centro de pesquisas dedicado ao estudo de doenças infecciosas: o Instituto Pasteur de Paris, que se tornou centro mundial de pesquisa.

            Se na modernidade o símbolo de novas ideias e de criatividade é uma lâmpada, é graças a Thomas Alva Edison, o inventor norte-americano que patenteou a criação da lâmpada para iluminação. Thomas não teve uma educação formal, por ser considerado rebelde, e foi educado em casa pela mãe. Isso permitiu que o garoto se dedicasse às ciências, matéria que se interessava. Tinha um laboratório em casa com apenas 12 anos de idade. Com pouco mais de 40 anos de idade já havia registrado aproximadamente mil invenções e criado a sua empresa, a reconhecida mundialmente chamada General Electric. Apesar de ser reconhecido por inventar a lâmpada elétrica, Edson costumava comprar os direitos dos verdadeiros inventores e fazia disso um bom negócio. No entanto, tal fato não tira o mérito do cientista que, entre outros aparelhos, criou o fonógrafo, a câmera de cinema, a bateria de carro elétrico e a caneta elétrica, atualmente utilizada para fazer tatuagens no corpo humano. Em 1868 obteve sua primeira patente, por um registrador elétrico de diversas aplicações. No ano seguinte arranja trabalho na agência telegráfica da Bolsa de Valores, em Nova Iorque, onde é reconhecido que dormia no porão. Trabalhando 20 horas por dia e economizando conseguiu, em parceria com um  amigo, montar uma firma de engenharia eletrotécnica. 

Com pouco tempo inventa um telégrafo que permite enviar diversas mensagens ao mesmo tempo. Em 1870, constrói um telégrafo adequado para transmissão de notícias das cotações da Bolsa de Valores. Vai oferecê-lo ao presidente de uma poderosa companhia, esperando ganhar 3 mil dólares, ao invés disso, consegue 40 mil dólares. Passada as dificuldades financeiras, Edison desenvolveu, em 1873, um grande laboratório de trabalho em West Orange, na cidade de Nova Jersey. Com o avanço do negócio patenteia uma máquina de escrever, aproveitada pela fábrica de máquinas Remington, uma pena registradora (mimeógrafo), aperfeiçoa o microfone, o que pôs em prática o telefone inventado por Graham Bell. Em 1877 inventa o fonógrafo, aparelho que reproduzia o som e que evoluiu para o popular toca discos. Em 1890 Edison fundou a Edison General Eletric Company, que se tornaria um dos maiores conglomerados empresarias do mundo ocidental. Atribui-se a frase a ele: - “A surdez foi de grande valia para mim. Poupou-me o trabalho de ficar ouvindo grande quantidade de conversas inúteis e me ensinaram a ouvir a voz interior”.

Um prêmio é algo, abstrato ou concreto, concedido a uma pessoa ou grupo de  pessoas como reconhecimento da excelência em determinado campo de conhecimento, ou por um serviço relevante prestado. Pela interpretação de ambos os dispositivos pode-se chegar à conclusão de que, como normas jurídicas, ambas apresentam caráter de generalidade quanto aos sujeitos e abstrata quanto ao substrato fático. Os prêmios assumem a forma de troféus, títulos, certificados, placas comemorativas, medalhas, distintivos, comendas ou fitas como ocorre na Universidade de Coimbra. Um prêmio pode significar um bem concreto ou valor monetário concedido. O mais cobiçado é Prêmio Nobel por reiteradas contribuições para a sociedade, ou o Prêmio Pulitzer, por realizações literárias. Um prêmio pode também ser simplesmente um reconhecimento público de excelência, sem concessão de qualquer bem material ou imaterial. Prêmios podem ser concedidos a qualquer pessoa ou instituição, embora o prestígio de um prêmio geralmente dependa do status de quem o concede. Prêmios são concedidos por uma organização de algum tipo, ou uma autoridade de de governo. Um tipo comum de prêmio em países que seguem métodos de administração de valorização da capacidade de trabalho humano é o referente ao “empregado do mês”.            

Um caso curioso ocorreu com o belga François Englert e o britânico Peter Higgs ganharam o Prêmio Nobel de Física 2013, anunciado pela instituição, em Estocolmo, na Suécia. Ambos foram laureados pela descoberta da existência de uma partícula elementar, batizada como “bóson de Higgs”, também conhecida como “partícula de Deus” (cf. Braga, 2013) que confere massa a outras partículas. Os dois cientistas eram favoritos para ganhar o prêmio de 8 milhões de coroas suecas equivalente a US$ 1,25 milhão. A dupla, separadamente, previu a existência da partícula - fundamental para explicar porque a matéria tem massa elementar - há quase 50 anos. O trabalho teórico foi finalmente provado no ano passado em experiências feitas no gigantesco colisor de Laboratório Europeu de Física de Partículas. Foi criado por Alfred Nobel, químico e industrial sueco, inventor da dinamite, no seu testamento. Os prêmios são entregues no dia 10 de dezembro devido ao aniversário da morte do seu criador, às pessoas que fizeram pesquisas importantes, criaram técnicas pioneiras ou deram contribuições destacadas à sociedade. 

Alfred Nobel generosamente deixou uma herança de 32 milhões de coroas. Seu testamento, redigido em 1895, determinava a criação de uma instituição à qual caberia recompensar, a cada ano, pessoas que prestaram grandes serviços à humanidade, nos campos da paz ou da diplomacia, literatura, química, fisiologia ou medicina e física. A primeira cerimônia de premiação nos campos da literatura, física, química e fisiologia/medicina ocorreu no Conservatório Real de Estocolmo, em 1901. A entrega do Nobel da Paz continua a ser feita em Oslo, sendo presidida pelo rei da Noruega. Finalmente, vale lembrar, a originalidade de um prêmio que transcende o escopo meramente acadêmico. Conserva o valor do cientista no campo da teoria. Amplifica o campo experimental da pesquisa, ratifica o mérito da atividade intelectual criadora. O Prêmio Nobel é título concedido com criteriosas condições: pode ser ganho individualmente ou repartido entre até três pessoas, ou pode não ser concedido em determinado ano, o que permite a concessão de dois prêmios da mesma categoria no ano seguinte. O prêmio em determinado campo de análise pode não ser concedido por um ano ou mais - o que ocorre mais frequentemente com o Nobel da Paz por razões óbvias. O Prêmio Nobel da Literatura tem sido alvo de críticas por sua particularidade no campo da ideologia. O que dizer agora sobre a “partícula de Deus”? De acordo com a vontade de Alfred Nobel, o prêmio deveria distinguir a pessoa que tivesse feito a maior, ou a melhor ação, pela fraternidade entre as nações, pela abolição e redução dos esforços de guerra e pela manutenção e promoção de tratados de paz. 

Por iniciativa do argentino Adolfo Pérez Esquivel, vencedor do prêmio por sua luta pelos direitos civis na década de 1970, uma campanha internacional mobiliza apoio para a indicação do ex-metalúrgico, ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A campanha ultrapassou 500 mil assinaturas com adesão de ex-chefes de Estados, personalidades mundiais no âmbito da cultura, das artes e ciências e ativistas sociais. O ex-metalúrgico e ex-presidente recebeu o apoio coletivo da União Geral Tunisiana do Trabalho (UGTT), um país da África do Norte que pertence à região do Magrebe e principalmente quando a central sindical da Tunísia passou a ser uma das vencedoras do Nobel da Paz de 2015. As estruturas sociais de classe, gênero e etnia são geralmente reduzidas às  imagens do social e vividas através do meio de reprodução das imagens e de estilo de vida no processo concreto de globalização. Queremos dizer com isto, que a estrutura implica pelo contrário, certo dinamismo transformador. Em todas as nações e nacionalidades envolvidas em emblemas tais como Oriente Médio, África do Sul, Índia, Rússia, Estados Unidos, Europa, América Latina, Caribe, ou, Primeiro, Segundo e Terceiro Mundo; ou ainda Centro e Periferia; para não repetir Ocidente e Oriente em todas as nações e nacionalidades há problemas raciais, pouco evidentes ou agudos, antigos ou recentes, que se desenvolvem, mas não se resolvem. O caráter contrastivo destas identidades constitui, portanto, um atributo essencial da identidade étnica. Na carta a justificativa à Comissão de candidatura de Lula ao Prêmio Nobel da Paz ratifica seu compromisso social, sindical e político, tendo em vista que desenvolveu políticas públicas para superar a fome e a pobreza em seu país, uma das desigualdades mais estruturais do mundo. A paz não representa apenas a ausência de guerra. Mas também dar esperança ao futuro do povo, especialmente aos setores mais vulneráveis, que são vítimas da chamada “cultura de descarte”, da qual referencia o Papa Francisco. 

Promover a paz é incluir e proteger aqueles que a ganância e o desequilíbrio econômico condenam à morte e à violência múltipla. No relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) de 2017, a fome afeta mais de 815 milhões de pessoas no mundo. Um governo torna-se exemplo de combate à pobreza quando obtém reconhecimento mundial por sua contribuição para a paz na humanidade. Pessoas que tenham conquistado determinados prêmios prestigiosos, tais como o Nobel, o título de um campeonato desportivo global, um Oscar ou um Grammy, podem passar a ter sua identidade associada ao prêmio obtido: “o campeão do mundo”, “a vencedora do Oscar”, “o prêmio Nobel”, “o vencedor do Grammy”, etc. em vez de por qualquer outra realização ou ocupação, como ocorre, negativamente com os prêmios satíricos, que tipicamente reconhecem falhas ou realizações atípicas, e que também são populares. São usualmente concedidos por pessoas e organizações de baixo ou médio prestígio, tais como organizações cômicas, confrarias e colunistas. Um prêmio pelo conjunto da obra é concedido a um indivíduo em homenagem às suas contribuições durante toda a trajetória profissional de vida. Muitas organizações concedem tais prêmios, incluindo de entretenimento, desporto, academia e instituições de caridade. Conhecem-se somente três personagens fictícios aos quais foram concedidos prêmios pelo conjunto da obra: Jason Voorhees, Godzilla e Chewbacca, a quem a MTV granjeou a distinção entre os anos 1992, 1996 e 1997.

Os Prêmios da Academy Awards ou The Oscars é a representação mais importante do cinema norte-americano, uma cerimônia da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas fundada em Los Angeles em 1927 que premia anualmente os profissionais da indústria cinematográfica com o prêmio em reconhecimento à excelência do trabalho e conquistas na arte da produção cinematográfica. A primeira entrega dos prêmios da Academia aconteceu em 16 de maio de 1929, no Hotel Roosevelt em Hollywood honrando as realizações cinematográficas mais proeminentes ocorridas em 1927 e 1928. A cerimônia foi apresentada pelo ator Douglas Fairbanks e pelo diretor William Churchill de Mille, roteirista e diretor de cinema norte-americano, que atuou em filmes mudos até o início da década de 1930. A cerimônia formal na qual os prêmios historicamente passaram a ser entregues é uma das mais bem elaboradas comercialmente do mundo ocidental e, também a mais prestigiosa premiação. Outras foram inspiradas no Oscar, com: Emmy (televisão), Tony (teatro) e Grammy (música). A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas foi concebida por Louis B. Mayer, um dos principais fundadores da organização Metro-Goldwyn-Mayer.

A primeira apresentação dos Prêmios da Academia foi realizada em 16 de maio de 1929, em um jantar privado no Roosevelt Hotel de Hollywood com um público de aproximadamente 270 pessoas. A festa pós-premiação foi realizada no Mayfair Hotel. O custo dos bilhetes dos hóspedes para a cerimônia simbólica daquela noite foi 5 dólares . Quinze estatuetas foram atribuídas, honrando artistas, diretores e outros participantes da indústria cinematográfica da época, por trabalhos durante o período entre 1927 e 1928. A cerimônia decorreu durante 15 minutos. Os vencedores foram anunciados na mídia três meses anteriores; no entanto, isto foi mudado para a segunda cerimônia em 1930. Durante a primeira década da premiação, os resultados foram dados aos jornais para publicação às 11 horas na noite de premiação. Este procedimento técnico-metodológico foi utilizado até à ocasião em que o Los Angeles Times anunciou os vencedores antes de a cerimônia começar. Ipso facto, como resultado e a singularidade do evento, a Academia desde 1941, usa um envelope selado para revelar o nome dos vencedores. Diversas organizações pacifistas nos Estados Unidos organizaram marchas regularmente para protestar contra guerras, incluindo a Guerra do Iraque. Às vezes, essas marchas são coordenadas para ocorrer no mesmo dia em todo o país. Em San Diego, o maior número de manifestantes contra a guerra, cerca de 7.000 pessoas, compareceu a uma manifestação em 15 de março de 2003, cinco dias antes do início da Guerra do Iraque. 

       Os nativos indígenas americanos organizaram inúmeras caminhadas pela paz que atravessaram o país, incluindo a “Caminhada Mais Longa” em 1978 e a “Longa Caminhada pela Sobrevivência” em 1980. Os projetos aumentaram a conscientização não apenas pela paz, mas também por questões ambientais e pela proteção de sítios indígenas. Em 1984, várias caminhadas cruzaram a nação, incluindo “Na Linha”, que traçou a rota dos trens que transportavam armas nucleares da Base de Bangor, Washington, até Charleston, Carolina do Sul, e a “Peregrinação pela Paz dos Europeus”. A Trilha da Paz Carter-King no Freedom Park, em Atlanta, foi inaugurada em 2003. O trecho de 2,4 quilômetros conecta os marcos que homenageiam os dois únicos ganhadores do Prêmio Nobel da Paz da Geórgia: Martin Luther King Jr. e Jimmy Carter. A Caminhada da Ponte pela Paz acontece todos os anos desde 2008, in statu nascendi 4 de abril, na Filadélfia, para o aniversário do assassinato do Martin Luther King Jr., sendo a celebração mais antiga do gênero nos Estados Unidos. O evento reúne pessoas ao nascer do sol, aos pés da Ponte Benjamin Franklin, para caminhar até o topo e fazer uma oração pela paz. De 1963 a 1965, dois membros do movimento Sarvodaya de Gandhi, Satish Kumar e EP Menon, caminharam cerca de 8.000 milhas de Nova Delhi a Washington, DC, passando pelo Paquistão, Afeganistão, Irã, Rússia, Polônia, Alemanha, França e Bélgica. 

        Eles atravessaram o canal e o Oceano Atlântico de navio. Sua experiência anterior de Bhave deu dois presentes a Kumar e Menon: a pobreza, ou seja, a pobreza voluntária, e o vegetarianismo. De 1982 a 1986, Prem Kumar caminhou mais de 17.000 quilômetros (cerca de 10.500 milhas) ao redor do mundo pela paz e desarmamento internacional. Ele organizou caminhadas na Índia envolvendo participantes de todo o mundo e fundou organizações de serviço social.  A “Peregrinação Inter-religiosa pela Paz e pela Vida” teve início em Auschwitz, na Polônia, em 8 de dezembro de 1994, e terminou em Nagasaki no 50º aniversário do bombardeio de Nagasaki, em 9 de agosto de 1995. Foi liderada por monges budistas japoneses da ordem Nipponzan-Myōhōji-Daisanga. Os monges, contudo, eram em número muito menor do que os leigos americanos, europeus, sul-americanos e japoneses presentes. A viagem foi organizada para comemorar o 50º aniversário do fim da 2ª Guerra Mundial, bem como para testemunhar o sofrimento em zonas de guerra contemporâneas. De Auschwitz, o grupo caminhou até Viena, depois viajou pela Croácia, Bósnia e Sérvia. Cruzaram as linhas de frente da Guerra da Bósnia em Mostar e realizaram “um dia de vigília, jejum e oração”. A etapa seguinte os levou por Israel, Faixa de Gaza, Cisjordânia, Jordânia e Iraque. O grupo viajou pelas linhas de frente no Camboja, onde se juntou ao Dhammayietra, uma caminhada anual pela paz liderada por Maha Ghosananda, reconhecido como o “Gandhi do Camboja”.  Em seguida, visitaram locais de guerra no Vietnã e nas Filipinas, antes de irem a Hiroshima e Nagasaki.  

 Esta caminhada foi uma das extraordinárias peregrinações de paz organizadas pelos monges Nipponzan-Myōhōji-Daisanga, mas esta foi uma das maiores e mais longas. Mais de 1.000 pessoas participaram em pelo menos parte da peregrinação, incluindo budistas, quakers, católicos, muçulmanos e judeus. – “Uma Caminhada até Moscou” foi uma das muitas caminhadas pela paz no século XX. Elas foram organizadas por grupos de pacifistas e ativistas da paz que desejavam protestar contra a política de guerra e o uso de armas químicas, biológicas e nucleares. Em 1960-1961, o Comitê para Ação Não Violenta organizou a “Caminhada de São Francisco a Moscou pela Paz”. O grupo percorreu cerca de 6.000 milhas em dez meses e conseguiu atravessar a Rússia a pé. O organizador da caminhada, Bradford Lyttle, escreveu um livro sobre o projeto chamado Você Vem com as Mãos Nuas. Entre 1981 e 1983, um grupo caminhou pelos Estados Unidos e pela Europa até Moscou para demonstrar solidariedade a todos os povos e mostrar, de forma participativa, que todas as pessoas estão unidas pelo direito de viver na Terra em paz e segurança. Essa caminhada foi idealizada pelos organizadores durante outra marcha pela paz, chamada “Uma Caminhada pela Sobrevivência”, que partiu de Santa Cruz, Califórnia, e chegou à Base Aérea de Bangor, em Washington, em 1980.           

 Durante uma reunião solicitada com o Consulado Russo em São Francisco, o coorganizador Jack Chalmers perguntou se, caso o grupo continuasse a caminhada para o Leste, atravessando os EUA e depois a Europa, seria permitido caminhar até Moscou. O funcionário do Consulado respondeu: “Claro”. Assim, quando a “Caminhada pela Sobrevivência” terminou no local de uma base de submarinos nucleares Trident em Bangor, os organizadores imediatamente começaram a planejar a “Caminhada para Moscou”. O projeto teve início em Bangor em 1º de março de 1981 e chegou à Costa Leste a tempo de passar o inverno em Boston. Os participantes viajaram para a Europa em março de 1982 e caminharam pelo Reino Unido, França, Bélgica e Alemanha Ocidental. Alguns fizeram viagens paralelas à Irlanda e Berlim Ocidental de ônibus, retornando ao ponto de partida para que a determinada rota da caminhada pudesse continuar sem interrupções. Equipes de reconhecimento foram enviadas algumas semanas antes para cidades ao longo da rota planejada para organizar oportunidades na mídia, palestras e acomodações. As decisões eram tomadas por consenso, o que frequentemente resultava em reuniões longas e acaloradas. A República Democrática Alemã havia recusado a entrada do grupo, então os membros caminharam para o Sul, até a Baviera, e lá permaneceram durante o inverno enquanto negociavam vistos para entrar na Tchecoslováquia, Polônia e URSS. 

- “Uma Caminhada para Moscou” (o artigo indefinido, em vez do definitivo “A Caminhada”, era importante para os participantes originais, pois implicava que se tratava apenas de uma iniciativa e que outras, com sorte, a seguiriam. A distinção, no entanto, passou despercebida pelas pessoas nos países do Leste Europeu, já que as línguas eslavas não possuem palavras para uma ou o/a). Passaram quase um ano na Europa trabalhando em um antigo moinho em Regnitzlosau, na Alemanha. Foi difícil convencer os governos do “bloco comunista” da época a permitirem que o grupo atravessasse seus territórios. Enquanto alguns membros negociavam, outros caminhantes visitavam lugares na Alemanha e faziam palestras para grupos pacifistas locais. Alguns membros se envolveram em resistência passiva, acorrentando-se a grades em protesto contra o recrutamento militar na Alemanha, e outros fizeram jejum pela paz mundial. Alguns foram à Dinamarca para se encontrar com grupos pacifistas e falar sobre a caminhada. Em 1983, foram obtidos vistos para a Checoslováquia e a Polônia, e foi planeada e realizada com sucesso uma rota de caminhada contínua até à fronteira entre a Polônia e a URSS. As relações com os pacifistas oficiais nesses países foram delicadas; o governo checo tentou incorporar a iniciativa na sua conferência de prestígio em defesa do Pacto de Varsóvia, em Praga, em 1983. 

         A tensão entre os blocos da Guerra Fria era alta, e um evento notável foi o exercício militar da OTAN chamado “Able Archer 83”, que simulou um ataque nuclear soviético e quase provocou uma resposta militar real da União Soviética, mas isso não ocorreu em Praga nem envolveu uma reunião específica do Pacto de Varsóvia. O Pacto de Varsóvia na esfera política representou uma aliança militar formada em 1955 pela União Soviética e seus países satélites como resposta à inclusão da Alemanha Ocidental na Organização do Tratado do Atlântico Norte. Contudo, o grupo não participou, embora alguns membros tenham feito lobby junto dos delegados no exterior e tenham sido convidados para uma discussão. A travessia a pé da URSS não era permitida. O grupo entrou no país e seguiu para Minsk, depois para Smolensk, na esperança de um acordo nas negociações. Mas isso não aconteceu. Nesse ponto, muitos membros optaram por retornar e não ir para Moscou; alguns tentaram caminhar até Moscou mesmo assim, mas foram imediatamente detidos e enviados para se juntarem aos outros em Minsk. Ao final da caminhada, alguns membros do grupo discursaram em um comício da CND sobre seu trabalho e o movimento de resistência passiva. O grupo era internacional, com pessoas vindas de boa parte do mundo para participar e fazer a diferença. Alguns participantes da Caminhada para Moscou encontraram-se posteriormente com outros participantes de caminhadas que atravessaram os Estados Unidos e a Europa, incluindo a Caminhada do Povo - Uma Peregrinação pela Vida, que ocorreu de 1984 a 1985. Não teve permissão para caminhar na Rússia, mas alguns membros viajaram de trem para Moscou para se encontrar com autoridades e pessoas comuns.

Bibliografia Geral Consultada.

AUGÉ, Marc (Org.), Les Hommes, Leurs Espaces et Leurs Aspirations: Hommage à Paul-Henry Chombarte de Lauwe. Paris: Éditions L`Harmattan, 1994; AUBENQUE, Pierre, Le Problème de l’ètre chez Aristote 4. ed. Paris: Presses Universitaires de France, 2002; SOERENSEN, Bruno, “et al”, Cem Anos pela Estrada do Progresso: Um Século de Prêmio Nobel. Adamantina (SP): Edições Omnia, 2004; PUGLIESE, Gabriel, “Um Sobrevoo no Caso Marie Curie: Um Experimento de Antropologia, Gênero e Ciência”. In: Rev. Antropol. Vol.50 n°1. São Paulo, jan./june 2007; 

MAGNOLI, Demetrio, História da Paz. São Paulo: Editora Contexto, 2008; TRUC, Olivier, “Et Camus obtint enfin le Prix Nobel”. In: Le Monde, 28 dezembro 2008; NUNES, Benedito, O Dorso do Tigre. Rio de Janeiro: Editora 34, 2009; NATILI, Donatella, Beleza e Ambiguidade: Os Discursos dos Prêmios Nobel da Literatura Japonesa e seus Autores. Tese de Doutorado em Literatura. Programa de Pós-Graduação em Literatura. Departamento de Teoria Literária e Literaturas. Brasília: Universidade de Brasília, 2012; BRAGA, Ubiracy de Souza, “A Partícula de Deus?”. In: Jornal O Povo. Fortaleza, 15 de outubro de 2013; MAINGUENEAU, Dominique, Discurso e Análise do Discurso. São Paulo: Parábola Editorial, 2015; SANTOS, Aparecida Araújo dos, A Avaliatividade e o Pós-guerra em Home, de Toni Morrison. Uma Abordagem Sistêmico-Funcional. Dissertação de Mestrado. Programa de Estudos Pós-Graduados em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2016; FERNANDES, Gabriel, Prêmio a la Nobleza del Corazón: Comedia para los Niños, en Tres Actos y en Verso. Londres: Editora Forgotten Books, 2018; Artigo: “A História da Caminhada Mais Longa dos Nativos Americanos é Lembrada em Washington e no Parque Nacional Greenbelt”. In: New American Journal, 7 de setembro de 2018; HURLOCK, Kathryn, “Paz, a Política e Piedade: Peregrinação Católica na Europa em Tempo de Guerra, 1939–1945”. In: War & Society, 41 (1): 36– 52, 2 de janeiro de 2022; MORAES, Felipe Moralles e, Neoconservadorismo: A Teoria da Injustiça de Jürgen Habermas. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Filosofia. Centro de Filosofia e Ciências Humanas. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2024; SPÍNDOLA, Felipe Oliveira, Estilo Quadestênico: A Retórica d`a Pedra do Reino. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Literatura. Instituto de Letras. Departamento de Teoria Literária e Literaturas. Brasília: Universidade de Brasília, 2025; entre outros. 

sábado, 6 de setembro de 2025

Bolsa Preta – História, Verdade & Efeitos de Poder na Cinematografia.

 A liberdade de consciência traz mais perigos do que a autoridade e o despotismo”. Michel Foucault

            

         O Big Ben é o nome dado etnograficamente de um grande sino instalado na torre Noroeste do Palácio de Westminster, sede do Parlamento Britânico, localizado em Londres, no Reino Unido. O nome oficial da torre em que o Big Ben está localizado era originalmente Clock Tower, mas ela foi renomeada como Elizabeth Tower em 2012 para marcar o Jubileu de Diamante da Rainha Elizabeth II (1952-2022). A torre foi inaugurada durante a gestão de Sir Benjamin Hall, ministro de Estado da Inglaterra, em 1859. A torre foi construída em estilo neogótico e tem 96 metros de altura, tendo sido concluída em 1858 e iniciado suas atividades em 7 de setembro de 1859. A Torre do Big Ben é um ícone cultural britânico, um dos símbolos mais proeminentes na história social do Reino Unido e frequentemente em cenas de filmes, séries de televisão, programas ou documentários ambientados em Londres. Em 15 de fevereiro de 1952 tocou 56 vezes, todos os minutos durante o funeral do rei Jorge VI, falecido com 56 anos de idade. Em 27 de julho de 2012 tocou durante 3 minutos de forma programada das 8 horas e 12 minutos às 8horas e 15 minutos para anunciar a Abertura dos Jogos Olímpicos de Verão de 2012. Foi a primeira vez que o sino tocou fora de sua programação normal desde o funeral do Rei Jorge VI, em 1952. A torre abriga o maior relógio composto de quatro lados do mundo e é considerada a décima quarta torre de relógio mais alta do mundo contemporâneo. O funcionamento do relógio é famoso por sua confiabilidade. Os designers foram o advogado e horologista amador Edmund Beckett Denison e George Airy, o Astrônomo Real. A construção foi confiada ao relojoeiro Edward John Dent (1790-1853); após sua morte em 1853, seu enteado Frederick Dent concluiu o trabalho, em 1854. 

        Como a torre não estava completa até 1859, Denison teve tempo para experimentar: em vez de usar o especificamente o escapamento deadbeat e remontoire como originalmente projetado, Denison inventou tecnologicamente o escapamento gravitacional duplo de três pernas que fornece a melhor separação entre o pêndulo e o mecanismo do relógio. O pêndulo é instalado dentro da caixa à prova de vento fechada sob a sala do relógio. Tem 13 pés (4,0 m) de comprimento, pesa 660 libras (300 kg), é suspenso em tira de aço para molas de 1⁄64 polegadas (0,40 mm) de espessura e bate a cada 2 segundos. O mecanismo de relógio em sala abaixo pesa cinco toneladas. No topo do pêndulo está uma pequena pilha de moedas antigas; estes são para ajustar a hora do relógio. Adicionar uma moeda tem o efeito de levantar minuciosamente a posição do centro de massa do pêndulo, reduzindo o comprimento efetivo da haste do pêndulo e, portanto, aumentando a taxa de oscilação do pêndulo. Adicionar ou remover um centavo mudará a velocidade do relógio em 0,4 segundos por dia. O relógio tem corda manual, levando cerca de 1,5 horas três vezes por semana. Em 10 de maio de 1941, um bombardeio alemão danificou duas faces do relógio e seções do telhado da torre e destruiu a Câmara dos Comuns. O arquiteto Sir Giles Gilbert Scott (1880-1960) projetou um novo bloco de cinco andares. Dois andares são ocupados pela câmara usada pela primeira vez em 26 de outubro de 1950. 

       O relógio funcionou com precisão e soou durante toda a Blitz. Antes de 1878 o relógio parou pela primeira vez em sua história, “devido a uma forte queda de neve” nos ponteiros de um relógio. Entre 21 de agosto de 1877 e janeiro de 1878 o relógio foi parado por três semanas para permitir que a torre e o mecanismo fossem limpos e reparados. A velha roda de escape foi substituída. A tarefa de descrever os nexos do agir comunicativo não consiste simplesmente em explanação o mais precisa possível do sentido das exteriorizações simbólicas que compõem a sequência observada? Certamente precisamos distinguir entre as realizações interpretativas de um observador que tenha a intenção de entender o sentido de uma exteriorização simbólica, de um lado, e as realizações interpretativas dos participantes da interação, de outro, os quais coordenam suas ações socialmente por meio do mecanismo de entendimento. Diversamente dos que têm envolvimento direto, o intérprete não está empenhado em chegar a uma interpretação passível de consenso, para que possa conciliar seus planos de ação com os dos outros atores. Mas talvez as realizações interpretativas de observador e participante se distingam somente em sua função e não em sua estrutura. Jürgen Habermas, um filósofo e sociólogo alemão que participa da tradição da teoria crítica e do pragmatismo, sendo membro da Escola de Frankfurt (cf. Jay, 2008), sustenta a seguinte tese acadêmica: ações comunicativas não podem ser interpretadas de outro modo senão de um modo racional. A sociologia tem de procurar um acesso compreensivo a seu campo objetal porque encontra nele processos de entendimento pelos quais e nos quais o campo objetal já se havia constituído de antemão, antes de qualquer intervenção teorética.                         


            O campo de objetos das Ciências Sociais abrange tudo a que se a descrição “parte constituinte de sua vida”. O que significa essa expressão pode ser aclarado intuitivamente por meios de remissões aos objetos simbólicos que criamos ao falar e agir: a começar por exteriorizações imediatas, como atos da fala, atividades voltadas a um fim, cooperações, passando por sedimentos dessas exteriorizações, como textos, transmissões orais, documentos, obras de arte, teorias, objetos da cultura material, bens, técnicas, etc., até construtos criados por via indireta, aptos a organizar-se, que se estabilizam por si mesmos tais como instituições, sistemas sociais e estruturas de personalidades. Falar e agir são conceitos fundamentais inexplicados, aos quais recorremos quando queremos aclarar, mesmo de maneira provisória, o pertencer a um mundo da vida sociocultural, o ser-parte de um mundo como esse. O problema do “compreender” nas ciências humanas e sociais ganhou importância metodológica sobretudo porque o cientista não consegue acesso à realidade simbolicamente pré-estruturada somente por meio da observação, e porque a compreensão de sentido não se deixa controlar metodicamente da mesma maneira que a observação em experimentos científicos. O cientista social não tem acesso diverso ao mundo a vida do que tem o leigo em ciência sociais. De certa maneira, ele já tem de fazer parte do mundo da via cujas partes constituintes pretende descrever e explicar.   

Nas ciências humanas e sociais, segundo Habermas (2012: 202), sem temor a erro, os procedimentos de interpretação racional contam com uma reputação questionável, apenas crítica. Originalmente no âmbito filosófico a crítica ao platonismo modelar vinculado às ciências econômicas demonstra que alguns intérpretes contestam o teor empírico e a fertilidade elucidativa dos modelos racionais de decisão; restrições às abordagens cognitivistas da ética filosófica e reparos à crítica da ideologia formada principalmente na tradição hegeliano-marxista revelam que outros, por sua vez, duvidam da possibilidade de uma fundamentação prático-moral de normas coercitivas de ação social e da compensação entre interesses particulares e interesses passíveis de generalização; e a difundida crítica à cientificidade da psicanálise revela que muitos já consideram problemática a concepção do inconsciente e o conceito do significado duplo e potencialmente manifesto, que se considera próprio às exteriorizações de vivências. São restrições que se baseiam em assunções fundamentais empiristas questionáveis. Ações comunicativas sempre exigem uma interpretação que seja racional desde o início. No agir comunicativo o ponto de partida da interação torna-se dependente de que os envolvidos tenham sido capazes de acordo sobre um julgamento intersubjetivamente válido de suas referências ao mundo.   Segundo esse modelo de ação, uma interação só pode lograr êxito à medida em que os envolvidos cheguem a um consenso uns com os outros; e esse consenso, por sua vez, depende de posicionamentos do tipo sim/não em face de preensões potencialmente baseadas em razões.

            Black Bag tem como representação social um filme de suspense e espionagem norte-americano de 2025, dirigido por Steven Soderbergh e escrito por David Koepp, o nono roteirista mais bem sucedido de todos os tempos em termos de bilheteria nos Estados Unidos, com um ganho comercial total de 2,3 bilhões de dólares. Soderbergh também foi, eventualmente, freelance como editor de filmes. Tornou-se famoso por executar várias funções policompetentes, segundo E. Morin, dentro de um mesmo filme, como direção de fotografia, edição, direção e roteiro. Writers Guild of America (WGA) é um esforço conjunto de dois diferentes sindicatos dos Estados Unidos que representam os roteiristas da televisão e cinema: O Writers Guild of America, East com sede em Nova Iorque e o Writers Guild of America, West com sede em Los Angeles. Como a WGA proíbe que o cineasta exerça múltiplas funções dentro de um filme, ele assina sua obra sob diferentes pseudônimos. É estrelado por Cate Blanchett, Michael Fassbender, Marisa Abela, Tom Burke, Naomie Harris, Regé-Jean Page e Pierce Brosnan. No filme, o oficial de inteligência britânico George Woodhouse (Fassbender) é “designado para investigar uma lista de suspeitos de traição, um dos quais é sua esposa, Kathryn (Blanchett)”. O filme foi anunciado em janeiro de 2024, após a confirmação das participações de Soderbergh, Blanchett e Fassbender. O restante do elenco foi formado em março e as filmagens começaram em maio, com filmagens em Londres e no Pinewood Studios. Black Bag foi lançado nos cinemas primeiro na França em 12 de março de 2025, pela Universal Pictures, e nos Estados Unidos da América sendo dois dias depois, pela Focus Features. Recebeu críticas positivas e arrecadou comercialmente US$ 43,4 milhões em todo o mundo.

      Desnecessário dizer que o auge da popularidade dos filmes de espionagem é frequentemente considerado a década de 1960, quando os medos da chamada Guerra Fria se misturaram ao desejo notável do público de ver filmes emocionantes e cheios de suspense. O filme de espionagem desenvolveu-se em duas direções nessa época. Por um lado, os romances realistas de espionagem de Len Deighton e John le Carré foram adaptados para thrillers relativamente sérios da Guerra Fria que lidavam com algumas das realidades do mundo da espionagem. Alguns desses filmes incluem The Spy Who Came in from the Cold (1965), The Deadly Affair (1966), Torn Curtain (1966) e a série Harry Palmer, baseada nos romances de Len Deighton, nascido em Marylebone, Londres, em 18 de fevereiro de 1929, é um escritor britânico, de história, culinária e romances. Seu pai era um motorista e mecânico, e sua mãe era uma cozinheira. Depois de deixar a escola, trabalhou como balconista de trem, antes de executar seu serviço nacional, passou como fotógrafo especial Investigation Branch (ramo investigativo) da Força Aérea Real. Após a alta da RAF, ele estudou na Escola de St. Martin of Art, em Londres, em 1949, e em 1952 ganhou uma bolsa de estudos para o Royal College of Art, graduando-se em 1955. Sociologicamente a chamada Guerra Fria representa a designação atribuída ao período histórico de disputas estratégicas e conflitos indiretos entre os Estados Unidos da América (EUA) e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, compreendendo o período entre o final da 2ª guerra Mundial (1940-1945) e a dissolução da União Soviética correu em 26 de dezembro de 1991, como resultado da declaração nº 142-Н do Soviete Supremo da União Soviética. A declaração reconheceu a Independência das antigas repúblicas soviéticas e criou a Comunidade de Estados Independentes (CEI).

A conjuntura anterior representou um conflito extraordinário de ordem política, militar, tecnológica, econômica, social e ideológica entre as duas nações, no plano das relações políticas e econômicas e suas zonas conflitantes de influência político-militar. É chamada guerra “fria” porque não houve guerra direta entre as duas superpotências, dada a inviabilidade da vitória em uma batalha nuclear. A corrida armamentista pela construção de um grande arsenal de armas nucleares foi o objetivo central durante a primeira metade da chamada “Guerra Fria”, estabilizando-se na década de 1960-1970 e sendo reativada nos anos 1980 com o projeto do presidente dos Ronald Reagan chamado de “Guerra nas Estrelas”. Ronald Wilson Reagan foi um ator e político norte-americano, o 40.º presidente dos Estados Unidos e o 33º governador da Califórnia. Nascido e criado em pequenas cidades de Illinois, formou-se em economia e sociologia no Eureka College e em seguida trabalhou como radialista esportivo. A corrida espacial foi um dos episódios que marcaram a segunda metade do século XX e foi resultado direto da Guerra Fria. Ocorrida especificamente entre os anos de 1957 e 1975, a corrida espacial ficou caracterizada pela intensa exploração no espaço realizada por americanos e soviéticos. Um dos episódios geopolíticos de maior relevância da corrida espacial foi a estratégia global ocorrida com a chegada do homem à Lua. É neste âmbito de transformações sociais e políticas globais polarizadas que emerge na esfera política o Socialisme ou Barbarie representando um grupo socialista libertário radical francês do período pós-guerra. Seu nome vem de uma frase da economista marxista e dialética de Rosa Luxemburgo usada em um ensaio de 1916, The Junius Pamphlet.             

O funcionário se prepara para uma carreira por concurso público, o que não impede que ocorra por determinado tempo a vigilância hierárquica para o cargo no serviço público. Foi esse tipo específico de poder que Michel Foucault chamou de “disciplina” ou “poder disciplinar”. E é justamente esse aspecto que explica o fato de que tem como alvo o corpo humano, não para supliciá-lo, mutilá-lo, mas para aprimorá-lo, adestra-lo. O que lhe interessa não é expulsar os homens da vida social, impedir o exercício de suas atividades, e sim gerir a vida dos homens, controla-los em suas ações para que seja possível e viável utilizá-los ao máximo, aproveitando suas potencialidades e utilizando um sistema de aperfeiçoamento gradual e contínuo de suas capacidades. É um objetivo ao mesmo tempo econômico e político: aumento do efeito de seu trabalho, isto é, tornar os homens força de trabalho dando-lhes uma utilidade econômica máxima; diminuição de sua capacidade de revolta, de resistência, de luta, de insurreição contra as ordens do poder, neutralização dos efeitos sociais de contrapoder, isto é, tornar os homens dóceis politicamente. Aumentar a utilidade econômica e diminuir os inconvenientes, os perigos políticos; aumentar a força econômica e diminuir expressivamente a sua força política. Situemos as suas características básicas. 

Em primeiro lugar, a disciplina é um tipo de organização do espaço. É uma técnica de distribuição dos indivíduos através da inserção dos corpos em um espaço individualizado, classificatório, combinatório. Isola praticamente em um espaço fechado, esquadrinhado, hierarquizado, capaz de desempenhar funções diferentes segundo o objetivo específico que deles se exige. Mas, como relações de poder disciplinar não necessitam de espaço fechado para se realizar, é essa sua característica menos importante. Em segundo lugar, e mais fundamentalmente, a disciplina é um controle do tempo. Isto é, ela estabelece uma sujeição do corpo ao tempo, com o objetivo de produzir o máximo de rapidez e o máximo de eficácia. Em terceiro lugar, a vigilância é um dos seus principais instrumentos de controle. Não uma vigilância que reconhecidamente se exerce de modo fragmentar e descontínuo; mas que é ou precisa ser vista pelos indivíduos que a ela estão expostos como forma contínua, perpétua, permanente; que não tenha limites, penetre nos lugares mais recônditos, esteja presente em toda extensão do espaço. Olhar invisível que permite impregnar quem é vigiado de tal modo que este adquira de si mesmo a visão panóptica de quem o olha. A disciplina implica um registro contínuo de conhecimento. O olhar que observa para controlar não é o mesmo que transfere as informações para os pontos mais altos da hierarquia do poder? Seu objetivo econômico e político é tornar o homem útil e dócil. A grande importância estratégica que as relações de poder disciplinar desempenham nas sociedades modernas depois do século XIX, vem do fato delas não serem negativas.

Mas positivas, quando tiramos desses termos qualquer juízo de valor moral ou político e pensarmos unicamente na tecnologia empregada. É então, que, segundo Foucault, surge uma das teses fundamentais da genealogia: “o poder é produtor de individualidade”. O indivíduo é uma produção do poder e do saber. Atuando sobre uma massa confusa, desordenada e desordeira, o esquadrinhamento disciplinar faz nascer uma multiplicidade ordenada no seio da qual o indivíduo emerge como alvo do poder. O nascimento da prisão em fins do século XVIII, não representou uma massificação com relação ao modo como anteriormente se era encarcerado. O nascimento do hospício não destruiu a especificidade da loucura. É o hospício, ao contrário, que produz o louco como doente mental. Um personagem individualizado a partir da instauração de relações disciplinares. E antes da constituição das ciências humanas, no século XIX, a organização das paróquias, a institucionalização do exame de consciência e da direção espiritual e a reorganização do sacramento da confissão, que aparecem como importantes dispositivos de individualização. Em suma, o poder disciplinar não destrói o indivíduo; ao contrário, ele o fabrica. O indivíduo não é o outro do poder, realidade exterior, que é por ele anulado; é um de seus mais importes efeitos. O objetivo é neutralizar a ideia que faz da ciência um conhecimento em que o sujeito vence as limitações reais ou imaginárias de suas condições particulares de existência, instalando-se na neutralidade objetiva no âmbito do universal e da ideologia originalmente e um conhecimento em que o sujeito tem sua relação com a verdade perturbada, obscurecida, velada pelas condições reais de existência.

Todo conhecimento, seja ele científico ou ideológico, só pode existir a partir de condições políticas que são as condições para que se formem tanto o sujeito quanto os domínios do saber. A investigação do saber não deve remeter a um sujeito de conhecimento que seria a sua origem, mas a relações de poder que lhe constituem. Não há saber neutro. Todo saber é político. E isso não porque cai nas malhas do Estado, é apropriado por ele, que dele se serve como instrumento de dominação, descaracterizando seu núcleo essencial. Mas porque todo saber tem sua gênese em relações de poder. O fundamental da análise teórica é que saber e poder se implicam mutuamente; não há relação de poder sem constituição de um campo de saber, como também, reciprocamente, todo saber constitui novas relações de poder. Todo ponto de exercício do poder é, ao mesmo tempo, um lugar de formação de saber. É assim que o hospital não é apenas local de cura, mas também instrumento de produção, acúmulo e transmissão de saber. Do mesmo modo comparativamente falando, que a escola está na origem da pedagogia, a prisão da criminologia, o hospício da psiquiatria. Mas a relação ainda é mais intrínseca: é o saber enquanto tal que se encontra dotado estatutariamente, institucionalmente, de determinado poder. O saber funciona dotado de poder. E enquanto é saber tem poder. 

A configuração do que Foucault denomina de “intelectual específico” se desenvolveu na 2ª grande guerra, e talvez o físico atômico tenha sido quem fez a articulação entre intelectual universal e intelectual específico. É porque tinha uma relação direta e localizada com a instituição e o saber científico que o físico atômico intervinha; mas já que a ameaça atômica concernia todo o gênero humano e o destino do mundo, seu discurso podia ser ao mesmo tempo o discurso do universal. Sob a proteção deste protesto que dizia respeito a todos, o cientista atômico desenvolveu uma posição específica na ordem do saber. E admite Foucault, pela primeira vez o intelectual foi perseguido pelo poder político, não mais em função do seu discurso geral, mas por causa do saber que detinha: é neste nível que ele se constituía como um perigo político. Mas o intelectual específico deriva de uma figura muito pobre e diversa do “jurista-notável”. O “cientista-perito”. O importante é que a verdade não existe fora do poder ou sem poder. A verdade é deste mundo, produzida nele graças a múltiplas coerções que produz efeitos regulamentados de poder. Cada sociedade tem seu regime de verdade, seus tipos de discursos que faz funcionar como verdadeiros; os mecanismos e as instâncias que permitem distinguir os enunciados verdadeiros dos falsos, a maneira como se sanciona uns e outros; as técnicas e os procedimentos que são valorizados, sob nosso olhar, para a obtenção da verdade. Quem está de fora do poder, mas tem a capacidade de interpretar o estatuto que delimita o seu campo de saber, percebe os efeitos de poder do que funciona como verdadeiro. 

            Historicamente o gênero de filmes de espionagem começou na Era do Cinema Mudo, com a paranoia da literatura de invasão e o início da 1ª grande guerra (1914-1918). Esses medos produziram o britânico The German Spy Peril, de 1914, concentrado em uma conspiração para explodir o Parlamento, e o OHMS, de 1913, que significa “Our Helpless Millions Saved” (Nossos Milhões Desamparados Salvos), bem como On His Majesty`s Service e apresentando pela primeira vez uma personagem feminina forte que ajuda o herói). Em 1928, Fritz Lang dirigiu o filme Espiões, que continha muitos tropos que se tornariam populares em dramas de espionagem posteriores, incluindo quartéis-generais secretos, um agente reconhecido por um número e a bela agente estrangeira que se apaixona pelo herói. Os filmes de Dr. Mabuse de Lang, também contêm elementos de thrillers de espionagem, embora o personagem central seja “um gênio do crime interessado apenas em espionagem para fins lucrativos”. Além disso, vários filmes norte-americanos de Lang, como “Os Carrascos Também Morrem” abordam espiões durante a 2ª guerra mundial (1939-1945). Por outro lado, Alfred Hitchcock contribuiu significativamente para a popularização do cinema de espionagem na década de 1930 com seus influentes thrillers “O Homem Que Sabia Demais” (1934), “Os 39 Degraus” (1935), “Sabotagem” (1937) e “A Dama Oculta” (1938). Estes filmes frequentemente envolviam civis inocentes envolvidos em conspirações internacionais ou redes de sabotadores no front doméstico, como em “Sabotador” (1942).

Alguns, no entanto, tratavam de espiões profissionais, como em “O Agente Secreto” (1936), de Hitchcock, baseado nas histórias de Ashenden, de W. Somerset Maugham, ou na série “Mr. Moto”, baseada nos livros de John P. Marquand. Nas décadas de 1940 e início de 1950, diversos filmes foram produzidos sobre as façanhas de agentes aliados na Europa ocupada, o que poderia ser considerado um subgênero. 13 Rue Madeleine e OSS eram histórias fictícias sobre agentes americanos na França ocupada pelos alemães. Houve vários filmes baseados em histórias reais de agentes britânicos do Serviço de Energia Atômica (S.O.E.), incluindo Odette e Carve Her Name With Pride. Um exemplo ficcional mais recente é Charlotte Gray – Paixão sem Fronteiras (2001), baseado no romance de Sebastian Faulks. Também durante o período, houve muitos filmes de detetive, The Thin Man Goes Home e Charlie Chan em Serviço Secreto, por exemplo, em que o mistério envolvia a estratégia de quem provavelmente roubou os projetos secretos ou quem sequestrou o famoso cientista. Em meados da década de 1950, Alfred Hitchcock retornou ao gênero de espionagem com O Homem Que Sabia Demais (1956), representando um remake de seu filme de 1934. Ele seguiu em 1959 com Intriga Internacional (1959), amplamente considerado uma das obras mais influentes do gênero de espionagem. O auge da popularidade comercial dos filmes de espionagem é frequentemente considerado a década de 1960, quando os medos da Guerra Fria se misturaram ao desejo do público de ver filmes emocionantes e cheios de suspense.

O filme de espionagem desenvolveu-se em duas direções nessa conjuntura histórica nacionalista. Por um lado, os romances realistas de espionagem de Len Deighton e John le Carré foram adaptados para thrillers relativamente sérios da Guerra Fria que lidavam com algumas das realidades do mundo da espionagem. Alguns desses filmes incluem The Spy Who Came in from the Cold (1965), The Deadly Affair (1966), Torn Curtain (1966) e a serie Harry Palmer, baseada nos romances de Len Deighton. Em outra direção, os romances de James Bond de Ian Fleming foram adaptados em uma série cada vez mais fantástica de filmes de aventura irônicos pelos produtores Harry Saltzman e Albert R. Broccoli, com Sean Connery como a estrela. Eles apresentavam supervilões secretos e extravagantes, um arquétipo que mais tarde se tornaria um grampo da explosão de filmes de espionagem em meados do final da década de 1960. O sucesso fenomenal da série Bond leva a uma enxurrada de imitadores, como o gênero eurospy e vários da América. Exemplos notáveis ​​incluem os dois filmes de Derek Flint estrelados por James Coburn, The Quiller Memorandum (1966) com George Segal, e a série Matt Helm com Dean Martin. A televisão também entrou em ação com séries como The Man from UNCLE e I Spy nos EUA, e Danger Man e The Avengers, na Grã-Bretanha. Os espiões permaneceram populares na TV até os dias atuais com séries como Callan, Alias ​​e Spooks. Os filmes de espionagem também tiveram um certo renascimento no final da década de 1990, embora frequentemente fossem filmes de ação com elementos de espionagem ou comédias como Austin Powers. Alguns críticos identificam uma tendência de afastamento da fantasia em favor do realismo, como observado em Syriana, na série de filmes Bourne e nos filmes de James Bond estrelados por Daniel Craig desde Cassino Royale (2006).

Em outra direção, os romances de James Bond de Ian Fleming foram adaptados em uma série cada vez mais fantástica de filmes de aventura irônicos pelos produtores Harry Saltzman e Albert R. Broccoli, com o extraordinário Sean Connery (1930-2020) como a estrela (cf. Morin, 1993). Eles apresentavam supervilões secretos e extravagantes, um arquétipo que mais tarde se tornaria “um grampo da explosão de filmes de espionagem em meados do final da década de 1960”. O sucesso fenomenal da série Bond leva a uma enxurrada de imitadores, como o gênero eurospy e vários da América. Exemplos notáveis ​​incluem os dois filmes de Derek Flint (1966) estrelados por James Coburn, The Quiller Memorandum (1966) com George Segal, e a série Matt Helm com Dean Martin. É um personagem de ficção criado pelo escritor norte-americano Donald Hamilton em 1960. Um agente secreto especializado em contraespionagem, diferente do espião relativamente comum, para ser diferenciado de James Bond, criado em 1953 por Ian Fleming, por seu autor, apareceu em 27 livros escritos entre 1960 e 1993. A televisão também entrou em ação com séries competitivamente no mercado como The Man from UNCLE e I Spy nos Estados Unidos da América, e Danger Man e The Avengers na Grã-Bretanha. Os espiões permaneceram populares na TV até hoje com séries como Callan, Alias ​​e Spooks. Os filmes de espionagem também tiveram um certo “renascimento” no final da década de 1990, embora frequentemente fossem filmes de ação com elementos de espionagem ou comédias como Austin Powers. Alguns críticos identificam uma tendência de afastamento da fantasia em favor do realismo, como observado em Syriana, na série de filmes Bourne e nos filmes de James Bond estrelados por Daniel Craig desde Cassino Royale (2006).

Todo ponto de exercício do poder é, ao mesmo tempo, um lugar de formação de saber. É assim que o hospital não é apenas local de cura, mas também instrumento de produção, acúmulo e transmissão de saber. Do mesmo modo que a escola está na origem da pedagogia, a prisão da criminologia, o hospício da psiquiatria. Mas a relação ainda é mais intrínseca: é o saber enquanto tal que se encontra dotado estatutariamente, institucionalmente, de determinado poder. O saber funciona dotado de poder. E enquanto é saber tem poder. A configuração do que Foucault denomina de “intelectual específico” se desenvolveu na 2ª grande guerra, e talvez o físico atômico tenha sido quem fez a articulação entre intelectual universal e o específico. É porque tinha uma relação direta e localizada com a instituição e o saber científico que o físico atômico intervinha; mas já que a ameaça atômica concernia todo o gênero humano e o destino do mundo, seu discurso podia ser ao mesmo tempo o discurso do universal. Sob a proteção deste protesto que dizia respeito a todos, o cientista atômico desenvolveu uma posição específica na ordem do saber. E admite Foucault, pela primeira vez o intelectual foi perseguido pelo poder político, não mais em função do seu discurso geral, mas por causa do saber que detinha: é neste nível que ele se constituía como um perigo político. Mas o intelectual específico deriva de uma figura muito pobre e diversa do “jurista-notável”. O “cientista-perito”. O importante é que a verdade não existe fora do poder ou sem poder. 

A verdade é deste mundo, produzida nele graças a múltiplas coerções que produz efeitos regulamentados de poder. Cada sociedade tem seu regime de verdade, seus tipos de discursos que faz funcionar como verdadeiros; os mecanismos e as instâncias que permitem distinguir os enunciados verdadeiros dos falsos, a maneira como se sanciona uns e outros; as técnicas e os procedimentos que são valorizados, sob nosso olhar, para a obtenção da verdade. Quem está de fora do poder, mas tem a capacidade analítica de interpretar o estatuto que delimita o seu campo de saber, percebe os efeitos de poder do que funciona como verdadeiro. É preciso repensar os problemas políticos dos intelectuais não mais em termos exclusivos da relação entre ciência e ideologia, mas sem abandoná-la, tendo em vista que a universidade pública é um domínio de casta, “a forma natural pela qual costumam socializarem-se as comunidades étnicas que creem no parentesco de sangue com os membros de comunidades exteriores e o relacionamento social. Essa situação de casta é parte do fenômeno de povos párias e se encontra em todo o mundo” (cf. Weber, 1982), a análise pode ser religada na medida em que a questão da profissionalização do intelectual, da divisão entre trabalho intelectual, na esfera pública pode ser retomada. A verdade está ligada a sistemas de poder que a produzem e apoiam, e a efeitos de poder que ela induz e a reproduzem. Ipso facto, o problema político essencial para o intelectual não é apenas criticar os conteúdos ideológicos que privilegiam grupos no sistema educacional que estariam ligados à ciência ou fazer com que sua prática científica seja acompanhada por métodos de inclusão democráticos. O que está em jogo num sistema de castas, que tomou o poder na universidade pública  nos últimos 20 anos, é se podemos constituir uma nova arena política da verdade. Mas não se trata de libertar a verdade do sistema de poder, mas de desvincular o poder da verdade das formas com as quais ele legitima suas formas de saber. A genealogia exige a minúcia do saber, evidenciando um grande número de materiais acumulados. 

Na universidade estes materiais se esgueiram como sombras. Fazer a genealogia dos valores, da moral, do ascetismo, do conhecimento não será, portanto, partir em busca do que lhe é originário, mas ao contrário, se demorar nas meticulosidades e nos acasos dos projetos interrompidos pelos predecessores, prestar uma atenção escrupulosa à sua derrisória maldade; esperar vê-los surgir, máscaras enfim retiradas, com o rosto do outro, num trabalho de escavação incessante no campus, nos arquivos, sem deixar-lhes o tempo emascular o labirinto onde nenhuma verdade as manteve jamais sob a guarda. É preciso saber reconhecer os acontecimentos da história, seus abalos, suas surpresas, as vacilantes vitórias, as derrotas mal digeridas que dão conta dos atavismos e das hereditariedades. A história, com suas intensidades, seus desfalecimentos, seus furores secretos, suas grandes agitações febris como suas síncopes, é o próprio corpo do devir. É preciso ter um espírito metafísico para encontrar na alma a idealidade distinta. A pesquisa da proveniência não funda, muito pelo contrário: ela agita o que se percebia imóvel, ela fragmenta o que se pensava unido; ela mostra a heterogeneidade do que se imaginava em conformidade consigo mesmo. Bastam para tanto que façamos a análise genealógica em sua atenção “desinteressada”, em sua ligação à objetividade.

Longe de ser uma categoria de semelhança, tal origem permite ordenar, para coloca-las a parte, todas as marcas diferentes. O genealogista parte em busca do começo, esta marca quase apagada que não saberia enganar um olho, por pouco histórico que seja; a análise da proveniência permite dissocia o Eu e fazer pulular lugares e recantos de sua síntese vazia, entre acontecimentos aparentemente perdidos. A proveniência permite também reencontrar sob o aspecto único de um caráter ou de um conceito a proliferação dos acontecimentos através dos quais eles se formaram. Metodologicamente a genealogia não pretende recuar no tempo para restabelecer uma grande continuidade para além da dispersão do esquecimento; sua tarefa não é a de mostrar que o passado ainda está lá, bem vivo no presente, animando-o ainda em segredo, depois de ter imposto a todos os obstáculos do percurso uma forma delineada desde o início. Seguir o filão complexo da proveniência é, ao contrário, manter o que se passou na dispersão que lhe é própria: é demarcar os acidentes, os ínfimos desvios, os erros, as falhas na apreciação, os maus cálculos que deram nascimento ao que existe e tem valor para nós; é descobrir que na raiz daquilo que nós conhecemos e daquilo que nós somos – não existem a verdade e o ser, mas a exterioridade do acidente. Na universidade basta o que ficou da gestão passada para compreendermos o presente. Na vã política em geral e particularmente na gestão acadêmica o passado nos condena.

A cena pública da verdade é sempre a mesma em que repetem indefinidamente os dominadores e os dominados. Homens dominam outros homens e é assim que nasce a diferença de valores; classes dominam classes e é assim que nasce a ideia de liberdade, homens se apoderam de coisas das quais eles têm necessidade para viver, eles lhes impõem uma duração que elas não têm, ou eles as assimilam pela força – e é o nascimento da lógica. Nem a relação de dominação é mais uma relação, nem o lugar onde ela se exerce é um lugar. E é por isto precisamente que em cada momento da história a dominação se fixa em um ritual; ela impõe obrigações e direitos; ela constitui cuidadosos procedimentos. Ela estabelece marcas, grava lembranças e até nos corpos; ela se torna responsável pelas dívidas. Universo de regras que não é destinado a adoçar, mas ao contrário a satisfazer a violência. A regra é o prazer calculado da obstinação, é o sangue prometido. Ela permite reativar sem cessar o jogo da dominação; ela põe em cena uma violência meticulosamente repetida. A humanidade não progride lenta de combate em combate, ela instala cada uma de suas violências em um sistema de regras, e prossegue assim num processo ad infinitum de dominação em dominação. É justamente a regra que permite que seja feita a violência à violência e que uma outra dominação possa dobrar aqueles que dominam. 

Em si mesmas as regras são vazias, violentas, não finalizadas; elas são feitas para servir a isto ou aquilo; elas podem ser burladas ao sabor da vontade de uns e outros. O grande jogo da história será, segundo Foucault, de quem se apoderar das regras, de quem tomar o lugar daqueles que as utilizam, de quem se disfarçar para perverte-las, utilizá-las ao inverso e volta-las contra aqueles  que as tinham imposto; de quem, se introduzindo no aparelho complexo, o fizer funcionar de tal modo que os dominadores encontrar-se-ão dominados por suas próprias regras. As diferenças emergenciais que se podem demarcar não são figuras sucessivas de uma mesma significação; são efeitos de substituição, reposição e deslocamento, conquistas disfarçadas, inversões sistemáticas. Se interpretar eras colocar lentamente em foco uma significação oculta na origem, apenas a metafísica poderia interpretar o devir da humanidade. Mas se interpretar é se apoderar por violência ou sub-repção, de um sistema de regras que não tem em si significado essencial, e lhe impor uma direção, dobrá-lo a uma nova vontade, fazê-lo entrar noutro jogo e submetê-lo a novas regras, então o devir da humanidade é uma série de interpretações. E a genealogia dever ser a sua história: história das morais, dos ideais (uma universidade de verdade), dos conceitos metafísicos, história do conceito de liberdade ou da vida ascética, como emergências de interpretações diferentes. Trata-se de fazê-las aparecer como acontecimentos reais no teatro dos procedimentos. O genealogista sabe o que é necessário pensar. 

Não que ele a rechace por espírito de seriedade; ele quer leva-la ao extremo: porque quer por em cena um grande carnaval (cf. DaMatta, 1981) do tempo em que as máscaras reapareçam incessantemente. Não queremos perder de vista que a disciplina é, antes de tudo, a análise do espaço. É a individualização pelo espaço, a inserção dos corpos em um espaço individualizado, classificatório, combinatório. A disciplina exerce seu controle, não sobre o resultado de uma ação, mas sobre seu desenvolvimento. No século XVII, nas oficinas de tipo corporativo, o que se exigia do companheiro ou do mestre era que fabricasse um produto com determinadas qualidades. A maneira de fabricá-lo dependia da transmissão de geração em geração. Do mesmo modo, se ensinava o soldado a lutar, a ser mais forte do que o adversário na luta individual da batalha. A partir do século XVIII, se desenvolve uma arte do corpo humano. Observa-se de que maneira os gestos são feitos, qual o mais eficaz, rápido e melhor ajustado. Nas oficinas aparece o famoso e sinistro personagem do contramestre, destinado não só a observar se o trabalho foi feito, mas como é feito, como pode ser mais rapidamente realizado e com gestos humanos melhor adaptados. O famoso Regulamento da Infantaria Prussiana, que assegurou as vitórias de Frederico da Prússia (1712-1786), consiste em mecanismos de gestão disciplinar dos corpos. A disciplina é uma técnica de poder que implica uma vigilância perpétua e constante dos indivíduos. 

Não basta olhá-los às vezes ou ver se o que o que fizeram é conforme à regra. É preciso vigiá-los durante todo o tempo da atividade e submetê-los a uma perpétua “pirâmide de olhares”. Mas a disciplina implica um registro contínuo. Anotação do indivíduo e transferência da informação de baixo para cima, de modo que, no cume da pirâmide disciplinar escape a esse saber. No sistema clássico o exercício do poder era confuso, global e descontínuo, do soberano sobre grupos constituídos por famílias, cidades, paróquias, isto é, por unidades globais, e não um poder contínuo atuando sobre o indivíduo. A disciplina é o conjunto de técnicas pelas quais os sistemas de poder vão ter por alvo e resultado os indivíduos em sua singularidade. O exame é a vigilância permanente, classificatória, que permite distribuir os indivíduos, julgá-los, medi-los, localizá-los e, por isso, utilizá-los ao máximo. Através do exame, a individualidade torna-se um elemento para o exercício do poder. A invenção dessa nova anatomia política não deve ser entendida como uma descoberta súbita. Mas como uma multiplicidade de processos muitas vezes mínimos, de origens diferentes, de localizações esparsas, que se recordam, se repetem, ou se imitam, apoiam-se uns sobre os outros, distinguem-se segundo seu campo de aplicação, entram em convergência e esboçam aos poucos a fachada de um presunçoso método geral. 

Não se trata de fazer aqui a história das diversas instituições disciplinares no que podem ter cada uma de singular: 1) ambas, neste caso, são instituições públicas gerenciadas por uma casta no poder (cf. Weber, 1982; Dumont, 1992); 2) Existe uma série de exemplos de algumas das técnicas essenciais empregadas que, de uma a outra, se generalizaram mais facilmente. Pequenas astúcias dotadas de um grande poder de difusão, arranjos sutis, de aparência inocente, mas profundamente suspeitos, são dispositivos que obedecem a economias inconfessáveis, ou que procuram coerções sem grandeza (assédio moral), são eles, entretanto que levaram à mutação do regime punitivo contemporâneo; 3) Descrevê-los metodicamente, nominalmente, implicará a demora sobre o detalhe da corrupção do pensamento e a atenção às minúcias: sob as mínimas figuras, procurar não um sentido, mas uma precaução; recoloca-las não apenas na solidariedade de um funcionamento, mas na coerência de uma tática; 4) Astúcias, não tanto de grande razão que trabalha até durante o sono, no sentido analítico freudiano, e dá coerência ao insignificante quando da atenta malevolência que de tudo alimenta. Nunca é demais repetir, a disciplina é uma anatomia política do detalhe. O que nos interessa, sociologicamente, é a racionalização utilitária do detalhe na contabilidade moral e no controle político. A regra das localizações funcionais vai pouco a pouco codificar um espaço que a arquitetura deixava livre e pronto para vários usos.

Bibliografia Geral Consultada.

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