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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Por Uma Mulher – Poder, Narrativa & Família Monoparental.

 Mentes criativas são conhecidas por sobreviverem a qualquer tipo de mau treinamento”. Ana Freud (1895-1982)         

            

         Por Uma Mulher (Pour une femme) tem como representação social um filme dramático francês de 2013, dirigido por Diane Kurys, nascida em 3 de dezembro de 1948, é uma diretora, produtora, cineasta e atriz francesa. Vários de seus filmes como diretora são semiautobiográficos. Apesar de ter sido nomeada apenas no início do século XIX, a escrita autobiográfica em primeira pessoa tem origem na Antiguidade. Diane Kurys nasceu em Lyon, Rhône, França, cidade na histórica região francesa do Ródano-Alpes, está situada na junção dos rios Ródano e Saône, a mais nova de duas filhas de imigrantes judeus russos e poloneses, Lena e Michel. Diane Kurys e sua irmã mais velha passaram seus primeiros anos em Lyon. Como muitas das personagens de seus filmes, ela teve um relacionamento difícil com os pais, e sua infância traumática tornou-se tema de muitos de seus filmes. Seus pais se conheceram e se casaram no Camp de Rivesaltes em 1942, também reconhecido como Campo Joffre, isto é, um campo de internamento e trânsito na comuna de Rivesaltes, no departamento dos Pirenéus Orientais, na Zona Sul da França, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), separando-se em 1954. O divórcio marcou e afetou profundamente Diane, e se tornaria uma verdadeira fonte de inspiração para vários de seus filmes; Kurys afirmou que fez filmes sobre eles porque “queria vê-los juntos novamente”.  Foi após esse evento que sua mãe decidiu se mudar com as duas filhas para Paris, onde administrou uma boutique de moda feminina, enquanto seu pai permaneceu em Lyon, onde administrou uma loja de roupas masculinas.

Ela morou com a mãe após o divórcio em 1954, tendo fugido de casa para se juntar ao pai aos dezesseis anos de idade. Na adolescência, ela foi radicalizada pelo extraordinário evento Maio de 1968, mas ficou um tanto desiludida com razão, depois, chamando-o de “revolução burguesa” em uma entrevista com Jean-Luc Wachthausen.  Ela conheceu seu parceiro e também cineasta Alexandre Arcady quando tinha quinze anos, em 1964, e foi morar em Israel em um kibutz perto da fronteira com o Líbano. Eles são um casal desde a década de 1960 e têm duas produtoras juntos. Seu filho Yasha, nascido em 1991, é um escritor que escreve sob o nome de Sacha Sperling. O acampamento foi chamado de “Campo Joffre” em homenagem ao General Joseph Joffre (1852–1931), comandante-em-chefe do exército francês durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Após a Retirada, isto é, consumando-se o êxodo de cerca de meio milhão de refugiados da Espanha para a França no início de 1939, no final da chamada Guerra Civil Espanhola, o governo francês decidiu através do processo de permutação usar o Campo Joffre para internar mais de 15.000 refugiados catalães. Esta decisão nunca foi totalmente posta em prática, embora um pequeno fluxo de refugiados catalães tenha sido detido lá em 1939. Em 10 de dezembro de 1940, o Ministério da Defesa reservou 600 acres (2,4 km²) ao Sul do campo para abrigar pessoas expulsas da Alemanha.

Atingimos na modernidade a compreensão do visível como visível e pari pasu do invisível como invisível, enquanto vínculo orgânico que une o invisível ao visível concreto. Assim, é visível todo objeto ou problema que se situa no terreno, e no horizonte, isto é, no campo estruturado definido da problemática teórica de determinada disciplina teórica. Impõe-se-nos tomar essas palavras ao pé da letra. Alguns autores ajudam-nos a elucidar esses termos. A visão já não é então a representação de uma pessoa individual, dotada da faculdade de “ver” a qual é exercida quer da atenção, quer da distração. A vista é o fato imediato de suas condições estruturais. A vista é a relação de reflexão imanente do campo da problemática sobre seus objetos e seus problemas. A visão perde então seus privilégios religiosos da “leitura sagrada”. Nada mais é que a reflexão da necessidade imanente que liga o objeto ou o problema às suas condições de existência, que têm a ver com as condições de sua produção. A rigor, não é mais o olho do espírito de uma pessoa que vê o que existe no campo definido por uma problemática teórica. E esse próprio campo que se vê nos objetos ou nos problemas que ele define, sendo a visão apenas a reflexão necessária do campo de análise em seus objetos. O Quartier Latin deve seu nome à época Medieval, quando os habitantes da zona eram estudantes que utilizavam o latim para se comunicar. Desde a Idade Média, os estudantes do “Bairro Latino” historicamente tiveram uma grande e eficaz influência sobre a França, e durante os séculos XIX e XX promoveram movimentos estudantis de grande transcendência política.

                        


O Quartier Latin foi um dos centros da Revolução de Maio de 68. Depois de atravessar a Praça de Saint Michel, na qual há uma enorme fonte com a figura de São Miguel lutando com um dragão, há pequenas e encantadoras ruazinhas que formam o Bairro Latino. A partir desse ponto, tudo que você verá são restaurantes e cafeterias que oferecem terraços agradáveis com preços acessíveis. Embora haja muitas ruas com restaurantes agradáveis, uma das principais artérias do bairro é a Rue Huchette. O Quartier Latin é um bairro que fica no quinto e no sexto distritos de Paris, na França. Localiza-se na margem esquerda (Sul) do Rio Sena, em torno da Universidade de Sorbonne. O nome do bairro deriva do fato do Latim ter sido amplamente falado próximo à universidade durante a Idade Média. Atualmente, ainda abriga vários estabelecimentos de ensino superior, como a École Normale Supérieure, a École des Mines de Paris e o Campus Universitaires de Jussieu. Durante os anos 1960, especialmente em maio de 1968, foi um grande e extraordinário palco de contestação da sociedade. Na modernidade os estudantes são um barômetro sensível às tensões que estão se acumulando nas profundezas da sociedade. A onda de manifestações e ocupações estudantis que precederam os acontecimentos de maio foi como um relâmpago que anuncia a tormenta.

Nos meses anteriores a maio já havia uma efervescência entre os estudantes que havia se expressado em uma série de manifestações e ocupações. Frente à onda ascendente de protestos estudantis o reitor da prestigiosa universidade Sorbone decidiu fechá-la, era a segunda vez em seus setecentos anos de história. A primeira vez aconteceu em 1940 quando os nazistas ocuparam Paris. A tentativa da polícia de liberar o pátio da Sorbone em 03 de maio foi a centelha que acendeu o fogo. A violência irrompeu no “Bairro Latino”, com o resultado de mais de cem feridos e 596 presos. Os estudantes, os professores, os profissionais, camponeses, cientistas, jogadores de futebol, inclusive as bailarinas do Follies Bergères foram à luta. Em Paris os estudantes ocuparam a Sorbone. O teatro l`Odeon foi ocupado por 2.500 estudantes, inclusive do ensino médio nas escolas. A União Nacional de Estudantes da França (UNEF) e o Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESUP) convocaram greves indefinidas. Em 6 de maio houve novos enfrentamentos no Quartier Latin (“Bairro Latino”): 422 presos, 345 policiais e em torno de 600 estudantes feridos. A repressão utilizada através dos aparelhos de Estado provocara uma indignação popular generalizada nas cidades. Os estudantes enfurecidos arrancaram paralelepípedos do chão, utilizados como arma, para arremessar contra os policiais e levantaram barricadas seguindo a boa tradição francesa.

Os estudantes das universidades na França saíram em seu apoio. Na noite de 10 de maio houve uma ampla revolta no Bairro Latino. Os manifestantes levantaram barricadas e a polícia os atacou com grande violência. Homens armados da polícia antidistúrbios tomaram de assalto apartamentos privados e golpeou gente simples e corrente, até mesmo o inclusivo caso de uma mulher grávida. Depararam-se com uma resistência que não esperavam. Os parisienses de suas janelas rechaçavam a polícia atirando vasos de plantas e objetos pesados. Dos 367 hospitalizados, 251 eram policiais, 720 pessoas feridas e 468 foram presas. Carros foram destruídos ou queimados. O Ministro da Educação insultou os manifestantes: “Ni doctrine, ni foi, ni loi”.  A polícia de choque pode ser composta por policiais regulares que atuam como tal em situações específicas, ou pode ser formada por unidades separadas, organizadas dentro ou em paralelo às forças policiais regulares. A polícia de choque é utilizada em diversas situações e para diferentes fins. Ela pode ser empregada para controlar distúrbios, como o próprio nome sugere, para dispersar ou controlar multidões, para manter a ordem pública ou desencorajar a criminalidade, ou para proteger pessoas ou propriedades.

A militarização da polícia moderna trouxe equipamentos antimotim militarizados e novas tecnologias que permitem que suas funções se expandam para além das atribuições policiais normais. A polícia de choque frequentemente usa equipamentos especiais chamados equipamentos antimotim para se proteger e para uso ofensivo no controle de distúrbios. O equipamento antimotim normalmente inclui coletes à prova de balas, cassetetes, escudos táticos, escudos antimotim e capacetes antimotim. Muitas equipes policiais antimotim também utilizam armas não letais especializadas, como: balas de borracha, granadas de esponja, spray de pimenta, gás lacrimogêneo, armas antimotim, balas de borracha, granadas de efeito moral, canhões de água e dispositivos acústicos de longo alcance. Ao longo dos anos 1900 e até os anos 2000, a tecnologia de equipamentos antimotim avançou com a ajuda da militarização das organizações policiais antimotim. Algumas tecnologias de equipamentos antimotim, incluindo gás lacrimogêneo, foram originalmente criadas para uso militar, especificamente na Primeira Guerra Mundial. Nos Estados Unidos, em 1969, foi registrado que a polícia antimotim possuía extenso equipamento militarizado, incluindo coletes à prova de balas, granadas multiuso, canhões de água, helicópteros, cassetetes, comunicação por rádio, arame farpado, escudos policiais e veículos antimotim.

 Em 2017, os protestos sociais na Venezuela inauguraram uma nova Era para os equipamentos da polícia antimotim venezuelana, com veículos militares que incluíam recursos como lançadores de gás lacrimogêneo e canhões de água. Os veículos militares foram usados ​​como linhas de defesa perimetral para conter os protestos e fornecer à polícia antimotim poder suficiente para inibir o avanço da violência. Esses veículos militares usados ​​pela polícia de choque em todo o mundo são geralmente provenientes de empresas de produtos militares, incluindo a Norinco, uma fabricante chinesa de produtos militares. Nos Estados Unidos, o programa federal 1033 permite que departamentos de polícia, incluindo unidades de polícia antimotim, solicitem equipamentos militares para circunstâncias que já ocorreram ou que possam ocorrer no futuro. Devido a esse programa, a militarização da polícia se expandiu por todos os estados, permitindo que a polícia antimotim estadual receba equipamentos de estilo militar semelhantes (cf. Foucault, 2016), comparativamente, aos das equipes de Armas e Táticas Especiais (SWAT). Os departamentos de polícia que receberam financiamento do programa 1033 são departamentos de polícia menores. Os equipamentos antimotim tornaram-se as principais ferramentas das forças policiais para combater grandes manifestações, incluindo protestos políticos e econômicos e manifestações laborais, que procuravam mudanças sem o consentimento explícito do governo em exercício. A polícia de choque é responsável por operações policiais que exigem táticas e equipamentos avançados para controlar multidões e manter a ordem pública. Essas atribuições podem variar entre as organizações policiais de choque em diferentes países, mas geralmente são semelhantes, pois têm a tarefa de manter a ordem estabelecida pelo governo vigente.

Começou assim como uma série de greves estudantis que irromperam em algumas universidades e escolas de ensino secundário em Paris, após confrontos com a administração e a polícia. A tentativa do governo gaullista de esmagar essas greves com mais ações policiais no Quartier Latin levou a uma escalada do conflito, que culminou numa greve geral de estudantes e em greves com ocupações de fábricas em toda a França. O símbolo unificador dos protestos foi O Livro Vermelho de Mao Tsé-Tung e sua inspiração imediata a Revolução Cultural Chinesa, iniciada em 1966 em que o governo de Pequim usava massas de jovens enraivecidos como “tropa de choque” para perseguir, humilhar, torturar e matar milhares de adversários do regime. Alguns filósofos e historiadores afirmaram que esse evento foi um dos mais importantes e significativos do século XX, porque não se deveu a uma camada restrita da população, como trabalhadores e camponeses - que eram maioria -, mas a uma insurreição popular que superou barreiras étnicas, culturais, de idade e de classe. Além disso, teve intrínsecas ligações com os acontecimentos do pós-guerra e com os da chamada Guerra Fria. Vale lembrar que as noções sociológicas e política de “esquerda” e “direita” são rótulos antigos, que remontam à clássica Revolução Francesa. Em 1789, a Assembleia Nacional Constitutiva reuniu-se para decidir se, sob o novo regime político da França, o rei deveria ter poder de veto.

Em caso afirmativo, perguntava-se se esse direito deveria ser absoluto ou simplesmente suspensivo, por um período de tempo social. Ao votar, os partidários do veto absoluto se sentaram ao lado direito do presidente, o lado nobre. De acordo com a tradição cristã, é uma honra sentar-se ao lado direito de Deus, ou à direita do chefe da família na hora do jantar. Aqueles que queriam um veto altamente restrito estavam sentados à esquerda. A organização da sala assumiu o significado político: à direita, aqueles apoiantes de uma monarquia que procurou preservar os poderes do rei; à esquerda, aqueles que desejavam reduzi-los. No século XIX, este vocabulário cada vez mais usado para descrever as tendências políticas dos membros do parlamento francês. Colocariam monarquistas versus republicanos e depois republicanos conservadores versus modernistas que programaram as principais reformas sociais da Terceira República, mas que incluíam a liberdade de imprensa, a liberdade de associação, o direito de pertencer a um sindicato e o divórcio, entre outras coisas.

Na virada do século XX, o debate político-ideológico entre esquerda-direita abrangeu essencialmente a divisão entre os defensores do Catolicismo e os defensores da separação da Igreja e do Estado. Esta mudança, que ocorreu em 1905, é muitas vezes referida como “o choque das duas Franças” – católica e anticlerical. A partir da década de 1930, a divisão surgiu, com a esquerda defendendo o socialismo e a direita a liberalização econômica. Na década de 1970, a liberalização dos costumes tornou-se questão fundamental, com debates contínuos sobre aborto, divórcio, homoerotismo, igualdade matrimonial, eutanásia, entre outros aspectos. O mesmo se aplica à imigração e abertura à globalização que se opõe ao protecionismo cultural, social e econômico. Como presidente, Charles de Gaulle (1890-1970) pôs fim ao caos político que precedeu o seu regresso ao poder. Durante seu governo, promoveu o controle político da inflação e instituiu uma nova moeda em janeiro de 1960. Também fomentou o crescimento industrial. Apesar de ter apoiado inicialmente o domínio imperialista francês sobre a Argélia, decidiu mais tarde “conceder” a independência àquele país, encerrando uma guerra cara, violenta e impopular. 

A decisão dividiu a opinião pública francesa, e De Gaulle teve que enfrentar a oposição dos colonos chamados pieds-noirs e dos militares franceses que tinham inicialmente apoiado seu retorno fabuloso ao poder. Em 13 de maio de 1958, os argelinos de origem europeia apelam ao general Charles De Gaulle, fora do poder desde 1950, para manter a soberania da França sobre a Argélia. No começo de 1958, o deputado democrata-cristão de Estrasburgo, Pierre Pflimlin (1907-2000), estava sendo sondado para o cargo de primeiro-ministro da Quarta República. Porém, havia a suspeita de que queria negociar um cessar-fogo com os rebeldes da Frente Nacional de Libertação (FNL) que lutavam pela independência da Argélia. Os gaullistas que militavam de corpo e alma pelo retorno ideológico de De Gaulle ao poder encorajam os “Pieds-noirs” - população francesa das antigas colônias no norte da África - à sedição contra Pflimlin. Deixam entender que o general é a personalidade em melhores condições estratégicas de manter os três departamentos argelinos da república francesa. De Gaulle empreendeu o desenvolvimento de armas nucleares francesas e promoveu uma política externa pan-europeia, buscando livrar-se das influências norte-americana e britânica. Retirou da França, o comando militar da Organisation du Traité de l`Atlantique Nord apesar de continuar a ser membro da aliança ocidental - e por duas vezes vetou a entrada do Reino Unido na Comunidade Europeia.

Viajou frequentemente pela Europa Oriental e por outras partes do mundo quando reconheceu a virada da China ao comunismo. Em 1967, durante uma visita oficial ao Canadá, incentivou publicamente o Movimento pela Independência de Quebec, o que causou a mais grave crise diplomática entre a França e o Canadá. Seu discurso pronunciado em Montreal, no dia 24 de julho, foi concluído exatamente com o slogan dos separatistas: “Viva o Quebec livre!”, o que foi interpretado pelas autoridades canadenses como apoio do presidente francês ao movimento autonomista. Foi alvo de três atentados confirmados, todos eles falhados. O primeiro ocorreu em Paris, no ano de 1945, por atiradores furtivos alemães. Outro em 8 de setembro de 1961, organizado por Raoul Salan (1899-1984), uma bomba fabricada com explosivo plástico explodiu perto de seu carro. O último aconteceu em 22 de agosto de 1962, quando seu carro foi crivado de balas, ficando o vidro traseiro estilhaçado e os pneus estourados, num atentado que mais tarde foi narrado no best-seller “O Dia do Chacal”, de Frederick Forsyth. Ainda em 1963, seria desbaratado um complô na Escola Militar para enfim matá-lo. De Gaulle também enfrentou a oposição dos comunistas e socialistas. Apesar de ter sido reeleito presidente em 1965, desta vez por voto popular direto, em maio de 1968 parecia provável que perdesse o poder, em meio a protestos generalizados de estudantes e trabalhadores. No entanto, sobreviveu à crise com uma ampliação da maioria na Assembleia. Em 1969, depois de perder um referendo sobre a reforma do Senado e a regionalização, renunciou.

As manifestações em torno do Maio de 68 representou uma grande onda de protestos que teve início com as mobilizações estudantis para pedir reformas no setor educacional. A maioria dos insurretos era adepta a ideias esquerdistas, comunistas ou anarquistas. Muitos viam os eventos como uma oportunidade para sacudir os valores conservadores, contrapondo ideias avançadas sobre a educação, a sexualidade e o prazer. Entre eles, uma barulhenta minoria, como o Occident, professava ideias de direita. O começo de tudo ocorreu com uma série de conflitos entre estudantes e autoridades da Universidade de Paris, em Nanterre, cidade próxima à capital francesa. No dia 2 de maio de 1968, a administração decidiu fechar a escola e ameaçou expulsar vários estudantes acusados de liderar o movimento contra a instituição. As medidas provocaram a reação imediata dos alunos de uma das mais renomadas universidades do mundo ocidental, a vetusta Sorbonne, em Paris. Eles se reuniram no dia seguinte para protestar, saindo em passeata sob o comando do líder estudantil Daniel Cohn-Bendit. A polícia reprimiu estudantes com violência e durante dias as ruas de Paris viraram cenário de brutais batalhas. É político franco-alemão do partido ecologista Die Grünen, deputado europeu e copresidente o grupo parlamentar Grupo dos Verdes/Aliança Livre Europeia. Foi líder estudantil protagonista da massiva movimentação popular em maio de 1968 em Paris.

A partir de 68 o “modelo profético do engajamento” passa a sofrer um acentuado declínio, atingindo em cheio os privilégios do intelectual que, autônomo em relação aos partidos ou a quaisquer organismos políticos, se punha a representar os interesses gerais, uma universalidade personificada e estilizada pelo seu carisma. A especialização resultante do fortalecimento das ciências humanas, somada à crescente divisão do trabalho e a prevalência do paradigma científico, condicionou o cenário em que o engajamento profético dos intelectuais veio a ser substituído pelo modelo que conciliava o saber localizado e a luta política concreta, estabelecidos mutualmente por limites estratégicos particulares, o “intelectual crítico especializado” ou, segundo seu nome foucaultiano de batismo, o “intelectual específico”. Daí a filosofia da diferença, embora avessa à teleologia dialética da história, ganhar repercussão no círculo acadêmico e, sem ajuste ou adaptação, encontrar afinidade de princípios junto a determinadas franjas da esquerda extraparlamentar. Porque essa filosofia, inicialmente deleuziana e depois esquizoanalítica, era portadora de categorias que remetiam ao sentido dos engajamentos em curso, ela mostrava-se capaz de indexar, na sua própria linguagem conceitual, a disposição subjetiva de boa parte da militância “gauchista”, o “fundo rebelde irredutível” que permaneceria ativo sob as diferenças de toda representação política.   

O Maio de 1968 tem sido reconhecido como a maior greve geral da história. Este poderoso movimento aconteceu no auge da economia na esfera capitalista do pós-guerra. A reação violenta do governo só ampliou a importância das manifestações: o Partido Comunista Francês (PCF) anunciou seu apoio aos universitários e uma influente federação de sindicatos convocou uma greve geral para o dia 13 de maio. No auge do movimento, quase dois terços da força de trabalho do país cruzaram os braços. Pressionado, no dia 30 de maio o presidente Charles De Gaulle convocou eleições para junho. O movimento cresceu tanto que proporcionalmente evoluiu para uma greve de trabalhadores que balançou as estruturas e técnicas persuasivas do governo do presidente Charles De Gaulle. Os universitários se uniram politicamente aos operários e promoveram a maior greve geral da Europa, com a participação de cerca de 9 milhões de pessoas. Isso enfraqueceu politicamente o general De Gaulle, que renunciou um ano depois. Os acontecimentos de maio, com sua força bruta, não foram previstos pelos analistas e estrategistas do capital, nem na França nem em nenhum lugar do mundo.

O general foi incapaz até mesmo de imprimir as cédulas do referendo devido à greve dos trabalhadores das gráficas franceses e a negativa de seus colegas belgas de atuar como fura greves. Este não foi o único exemplo de solidariedade internacional. Os condutores de trens alemães e belgas detinham seus trens na fronteira francesa para não romper a greve. As forças da reação, até esse momento em estado de choque e obrigadas a estar na defensiva, começaram de fato a se organizar. Foram criados Comitês de Defesa da República (CDR), como tentativa de mobilizar a classe média contra os trabalhadores e estudantes. A correlação de forças de classe não é uma questão puramente numérica do tamanho da classe trabalhadora em relação ao campesinato e da classe média em geral. Uma vez que o proletariado entre na luta decisiva e demonstra ser uma força poderosa na sociedade, atrai rapidamente a massa explorada de camponeses e de pequenos comerciantes de classe média que são vítimas da usura dos bancos e dos monopólios. Este fato era evidente como sodalidade em 1968, quando os camponeses levantaram bloqueios nas estradas ao redor de Nantes e distribuíram comida grátis aos grevistas. Uma importante característica da sodalidade é sua autonomia. Entendemos que há de se diferenciar aqui autonomia de independência.

Uma vez na luta, os trabalhadores começaram a ter iniciativas que ultrapassavam os limites de uma greve normal. Um elemento fundamental na equação foram os meios de comunicação de massas. Formalmente, são armas poderosas nas mãos do Estado, mas também dependem dos trabalhadores, que fazem funcionar as emissoras de rádio e televisão. No dia 25 de maio a rádio televisão estatal, a Office de Radiodiffusion-Télévision Française (ORTF) entrou em greve. Suprimiram as notícias das oito da noite. Os gráficos e jornalistas impuseram uma espécie de controle operário sobre a imprensa. Os jornais burgueses tinham que submeter seus editoriais ao escrutínio e deviam publicar as declarações dos comitês de trabalhadores. A Assembleia Nacional discutiu a crise universitária e as batalhas do “Bairro Latino”. Porém, os debates nos salões da assembleia já eram irrelevantes. O poder havia escapado das mãos dos legisladores e agora estava nas ruas. No dia 24 de maio, o presidente De Gaulle anunciou o referendo no rádio e na televisão. O plano de Charles De Gaulle de celebrar um referendo foi frustrado pela ação social sindicalizada organizada setorialmente pelos trabalhadores.

As greves e ocupações de empresas multiplicam-se a partir de 13 de maio e aumentam, diariamente durante semanas. A 20 de maio, uma semana depois, o número de grevistas será entre 7 e 9 milhões de trabalhadores, o número de dias de greve durante este período é de 150 milhões, segundo as estatísticas. Mais de 4 milhões de pessoas estarão em greve durante três semanas, mais de dois milhões durante um mês. A Sorbonne estará ocupada durante um mês. Nesta conjuntura de crise de hegemonia efetuam-se negociações variadas e serão assinados os acordos de Grenelle em 27 de maio, entre o governo de Pompidou, o patronato e as centrais sindicais. São aprovados um aumento de 35% do salário mínimo e de 10%, em média, para os restantes níveis salariais. É também aprovada a possibilidade de criação de secção sindical em cada empresa. Os acordos não tiveram, no entanto, significativo impacto nas greves e ocupações, que se irão manter até à dissolução da Assembleia Nacional, a 29 de maio, e à realização da manifestação de apoio ao governo a 30 de maio. O Parti Communiste Français (PCF), curiosamente, opôs-se desde início das barricadas ao movimento estudantil e a sua principal preocupação foi acabar com a agitação política e a crise. É um dos partidos políticos historicamente mais tradicionais da França. Liderado atualmente por Fabien Roussel como Secretário Nacional, o partido foi fundado em 1920 e defende uma plataforma de esquerda baseada na justiça social, na transição ecológica e na valorização do trabalho.

O campo militar passou então a funcionar em paralelo com os campos civis. Após a assinatura do armistício, a França foi dividida em duas. A zona livre, na qual os Pirenéus Orientais estavam incluídos ficou sob a administração do governo de Vichy, um colaboracionista francês liderado pelo marechal Philippe Pétain, estabelecido na cidade homônima entre 1940 e 1944. Gradualmente, o campo de Joffre tornou-se um local de internamento para famílias de ciganos, judeus e refugiados espanhóis. Com capacidade para 8.000 pessoas, em pouco tempo o campo ficou superlotado, famílias foram separadas e as condições deterioraram-se drasticamente. Quando os primeiros internos chegaram em 14 de janeiro de 1941, o status do campo ainda não estava definido. Inicialmente planejado para um máximo de 17.000, o campo incluía 150 grandes barracões com capacidade para 10.000 pessoas. Em 31 de maio de 1941, o campo abrigava 6.475 internos de 16 nacionalidades; espanhóis constituíam mais da metade deles, e refugiados judeus de outros países, mais de um terço. Às cinco horas da manhã de 26 de agosto de 1942, os judeus estrangeiros da zona sul foram reunidos e levados para o Centre National de Rassemblement des Israélites em Rivesaltes. Este “centro” havia sido recentemente estabelecido no campo, dividido em blocos J ​​(para mulheres e crianças), F (para homens; este bloco era anteriormente reservado para trabalhadores) e K (recepção, triagem e classificação). Foi planejado estrategicamente como um “campo de trânsito” para um total de 10.000 internos, que seriam alojados ali por 15 dias antes de serem deportados.

Os 1.176 judeus que já estavam no campo antes da reunião foram incluídos nessa contagem. Os comboios partiram de Rivesaltes para o campo de internamento de Drancy em 11 de agosto (400 pessoas), 23 de agosto (175 pessoas), 1 de setembro (173 pessoas), 4 de setembro (621 pessoas), 14 de setembro (594 pessoas), 21 de setembro (72 pessoas), 28 de setembro (70 pessoas), outubro (101 pessoas) e 20 de outubro (107 pessoas). Serge Klarsfeld chamou o campo de Rivesaltes de “o Drancy da zona livre”, observando que de 4 de setembro a 22 de outubro ele desempenhou o mesmo papel que o campo de Drancy, foi um infame campo de concentração temporário na cidade de Drancy, poucos quilômetros ao Norte de Paris, França. Foi usado durante a ocupação da França pelos alemães na Segunda Guerra Mundial, na zona ocupada: um campo de trânsito para deportados cujo destino final eram os campos de extermínio. Rivesaltes foi, o campo onde os judeus presos na chamada “zona livre” foram reunidos e de onde muitos deles (cerca de 1.700) foram enviados para o próprio Drancy. Em novembro de 1942, quando a Alemanha invadiu a zona Sul da França, até então desocupada, as tropas alemãs se instalaram no Campo Joffre, que foi fechado como “campo de internação” em 25 de novembro. Havia 277 funcionários quando foi fechado. Durante esses dois anos, o campo de Rivesaltes abrigou cerca de 21.000 internos; 5.714 deles foram internados no “campo especial” ou campo de trânsito, dos quais 2.313 foram enviados para Drancy e 2.251 excluídos da deportação pelo comitê de triagem. Outros 215 internos morreram no campo, incluindo 51 crianças de um ano ou menos.

        

Diane Kurys dirigiu vários filmes vagamente baseados na vida de seus pais, vistos pelos olhos da jovem Kurys e de sua irmã mais velha. Entre eles (em ordem cronológica): Coup de Foudre (1983) — o encontro de seus pais; Pour Une Femme (2013) — os primeiros anos de casamento; La Baule-les-Pins (1990) — a separação; e Diabolo Menthe (1977) — as duas irmãs e sua mãe em uma família monoparental. No início da década de 1980, Anne e Tania acabavam de perder a mãe. Mergulhando nos escritos, fotos e memórias deixados por ela, Anne, cineasta, descobriu e reconstruiu os primeiros anos do casamento de seus pais. Durante a Segunda Guerra Mundial, Michel, um judeu francês, casa-se por amor com Léna, uma judia estrangeira internada em Rivesaltes. Essa união permite que ela escape do campo. Após a guerra, Léna, Michel e sua filha pequena, Tania, vivem felizes em Lyon, entre a alfaiataria de Michel e a célula local do Partido Comunista. Um dia, Jean, o irmão mais novo de Michel, entra em suas vidas. Ele estava em um acampamento de verão na União Soviética quando a guerra começou, e Michel acreditava que ele fosse uma vítima do Holocausto, como seus pais. 

Gradualmente, um amor apaixonado se desenvolve entre Léna e Jean. Mas Jean é uma figura misteriosa, na verdade um agente secreto do recém-criado Estado de Israel. Sua missão é assassinar ex- nazistas que fogem para a América do Sul; ele e seu superior, Sacha, estão sendo perseguidos pela polícia francesa. É enquanto o ajuda a preparar sua fuga que Léna se entrega a Jean. Michel, tomado pela dor, concorda em levar seu irmão até a fronteira italiana para garantir sua fuga. Tendo trazido seu passaporte e o da esposa, ele propõe a Léna que ela parta com Jean, como marido e mulher; mas Léna fica. Na primavera seguinte, nasce Anne. O parêntese se fecha e a vida cotidiana pode recomeçar. Construída sob o signo de ruptura, não queremos perder de vista, sociologicamente falando, que a obra de Michel Foucault subverteu, transformou, amplificou nossa relação social com o saber e a verdade institucionalizada. Será preciso balizar: a perversidade da economia do poder e não tanto a fraqueza ou a crueldade é o que ressalta da crítica dos seus reformadores. O momento histórico das disciplinas é o momento em que nasce uma arte do corpo humano, que visa unicamente o aumento de suas habilidades, nem tampouco aprofundar sua sujeição, mas a formação de uma relação que no mesmo mecanismo o torna tanto mais obediente quanto é mais útil, e inversamente. Forma-se então uma política de coerções que são um trabalho sobre o corpo, uma manipulação calculada de seus elementos, de seus gestos, de seus comportamentos. O corpo humano entra numa maquinaria de poder que o desarticula e o recompõe. A divisão do trabalho não visa o aprofundamento das relações técnicas, mas a penas seu quadriculamento: uma disciplina linear das pesquisas.

    Mesmo de corte etnográfico, fabrica corpos submissos e exercitados, os chamados “corpos dóceis”. A disciplina aumenta as forças em termos econômicos de utilidade e diminuem essas mesmas forças em termos políticos de obediência programada. É neste sentido que Michel Foucault ressalta que o espaço disciplinar tende a se dividir em tantas parcelas quando corpos ou elementos há a repartir. A disciplina organiza o espaço analítico. Lugares determinados se definem para satisfazer não só a necessidade de vigiar, de romper as comunicações perigosas, mas também de criar um espaço útil, um dispositivo que afixa e quadricula, decompondo a confusão da ilegalidade e do princípio do mal. Na disciplina, os elementos são intercambiáveis, pois cada um se define pelo lugar que ocupa na série, e pela distância que o separa dos outros. A unidade não é, portanto, nem o território (unidade de dominação), nem o local (unidade de residência), mas a posição na fila, o lugar que alguém ocupa numa classificação, o ponto em que se cruzam uma linha e uma coluna, o intervalo numa série de intervalos que se pode percorrer sucessivamente. A disciplina, arte de dispor em fila, e da técnica, para a transformação dos arranjos, individualiza os corpos pela localização que não os implanta, mas os distribui e os faz circular numa rede de relações. A organização de um espaço serial representou uma das grandes modificações técnicas do ensino elementar. Permitiu ultrapassar o sistema tradicional: um aluno que trabalha alguns minutos com o professor, enquanto fica ocioso e sem vigilância o grupo confuso dos que estão esperando.

   

Determinando lugares individuais tornou possível o controle de cada um e o trabalho simultâneo de todos. Organizou uma nova economia do tempo de aprendizagem. Fez funcionar o espaço escolar como uma “máquina de ensinar”, mas também de vigiar, de hierarquizar, de recompensar. O tempo penetra o corpo, e com ele todos os controles minuciosos do poder. O controle disciplinar não consiste simplesmente em ensinar ou impor uma série de gestos definidos; impõe a melhor relação entre um gesto e a atitude global do corpo, que é sua condição de eficácia e de rapidez. No bom emprego do corpo, que permite um bom emprego do tempo, nada deve ficar ocioso: tudo deve ser chamado a formar o suporte do ato requerido. Um corpo disciplinado forma o contexto de realização do mínimo gesto dos recursos multimodais (aspectos verbais, gestos, corpo e mundo material) com rigor abrangendo por inteiro, da ponta do pé à extremidade do indicador. A aprendizagem corporativa com a utilização de bolsistas, introduzidas pelas castas que formam pequenos grupos de pesquisas nas universidades públicas, surgiu originalmente em 1667, confiados certo tempo a um mestre que devia realizar “sua educação e instrução”, depois colocados para a aprendizagem junto aos diversos mestres tapeceiros da manufatura; após seis anos de aprendizagem, quatro anos de serviço e uma prova qualificatória, tinham direito a “erguer e manter loja” em qualquer cidade do reino.

Encontramos aí a divisão técnica do trabalho corporativo: relação de dependência ao mesmo tempo individual e total quanto ao mestre; duração estatutária da formação que se conclui com uma prova qualificatória, mas que não se decompõe segundo um programa preciso; troca total entre o mestre que deve dar seu saber e o aprendiz que deve trazer seus serviços, sua ajuda mútua e muitas vezes uma retribuição. A forma de domesticidade se mistura a uma transferência de conhecimento. A escola é dividida em três classes. A primeira para os que não têm nenhuma noção de desenho; a segunda para os que já têm alguns princípios e, na terceira, aprendem as cores, fazem pastel, iniciam-se na teoria e na prática do tingimento. Regularmente, os alunos fazem deveres individuais: cada um desses exercícios, marcado com o nome e a data da execução, é depositado nas mãos do professor. Os melhores são recompensados, reunidos no fim do ano e comparados entre eles, permitem estabelecer os progressos, o valor atual, o lugar relativo de cada aluno, e os que podem seguir para a classe superior. Em resumo, pode-se dizer historicamente que a disciplina produz, a partir dos corpos que controla quatro tipos de individualidade, ou antes, uma individualidade dotada de quatro características: é celular, pelo jogo da repartição espacial, é orgânica, pela codificação das atividades, é genética, pela acumulação do tempo, é combinatória, pela composição das forças.

E, para tanto, essencialmente utiliza quatro grandes técnicas: constrói quadros; prescreve manobras; impõe exercícios; enfim, para realizar a combinação das forças, organiza táticas. Esta representa a arte de construir, com os corpos localizados, atividades codificadas e as aptidões formadas, aparelhos em que o produto das diferentes forças se encontra majorado por sua combinação calculada é sem dúvida a forma mais elevada da prática disciplinar. Uma técnica extensiva utilizada nos laboratórios das universidades. É possível que a guerra como estratégia seja a continuação da política. A política, como técnica da paz e da ordem interna, procurou pôr em funcionamento o dispositivo do exército perfeito, da massa disciplinada, da tropa dócil e útil, do regimento na manobra e no exercício. Se há uma série guerra-política que passa pela estratégia, há uma série exército-política que passa pela tática. A vigilância se torna um operador econômico decisivo, na medida em que é ao mesmo tempo uma peça interna no aparelho de produção e uma engrenagem específica do poder disciplinar. Na essência de todos os sistemas disciplinares, funciona um pequeno mecanismo penal.                        

É beneficiado por uma espécie de privilégio de justiça, com suas leis próprias, seus delitos especificados, suas formas particulares de sanção, suas instâncias de julgamento. As disciplinas estabelecem uma infrapenalidade, quadriculam um espaço deixado pelas leis, qualificam e reprimem um conjunto de comportamentos que escapava aos grandes sistemas de castigo por sua relativa indiferença. Na oficina, na escola, no exército, funciona como repressora toda uma micropenalidade do tempo (atrasos, ausências, interrupções das tarefas), da atividade (desatenção, negligência, falta de zelo), da maneira de ser (grosseria, desobediência), dos discursos (tagarelice, insolência), do corpo (atitudes incorretas, gestos não conformes, sujeira), da sexualidade (imodéstia, indecência). Ao mesmo tempo é utilizada, a título de punição, uma série de processos sutis, que vão do castigo físico leve a privações ligeiras e a pequenas humilhações. Trata-se ao mesmo tempo de tornar penalizáveis as frações mais tênues de conduta social, e de dar uma função punitiva aos elementos aparentemente indiferentes do aparelho disciplinar: levando ao extremo, que tudo possa servir para punir a mínima coisa; que cada indivíduo se encontre preso numa universalidade punível-punidora.

Mas a disciplina traz consigo uma maneira específica de punir, e que é apenas um modelo reduzido do tribunal. O que pertence à penalidade disciplinar é a inobservância, tudo o que está inadequado à regra, tudo o que se afasta dela, os desvios. É passível de pena o campo indefinido do não conforme. O regulamento da infantaria prussiana impunha tratar com “todo o rigor possível” o soldado que não tivesse  aprendido a manejar corretamente o fuzil. O castigo disciplinar tem a função de reduzir os desvios. Deve, portanto, ser essencialmente corretivo. De modo que o efeito corretivo que dela se espera apenas de uma maneira acessória passa pela expiação e pelo arrependimento; é diretamente obtido pela mecânica de um castigo. Castigar é exercitar. Ipso facto, o exame combina as técnicas da hierarquia que vigia e as da sanção que normaliza. É um controle normalizante, uma vigilância que permite qualificar, classificar, punir. Estabelece sobre os indivíduos uma visibilidade através da qual eles são diferenciados e sancionados. Em todos os dispositivos de disciplina, o exame é altamente ritualizado. Nele vêm-se reunir a cerimônia do poder. A forma da experiência, a demonstração da força e o estabelecimento da verdade. O indivíduo é o átomo fictício de uma representação social. É uma realidade fabricada por essa tecnologia específica de poder: a disciplina.

   O panóptico de Bentham, é uma máquina de dissociar o par-ser-visto: no anel periférico, se é totalmente, se é totalmente visto, sem nunca ver; na torre central, vê-se tudo, sem nunca ser visto, pois é a figura arquitetural dessa composição. O princípio é reconhecido: na periferia uma construção em anel; no centro, uma torre: esta é vazada de largas janelas que se abrem sobre a face interna do anel; a construção periférica é dividida em celas, cada uma atravessando toda a espessura da construção; elas têm duas janelas, uma para o interior, correspondendo às janelas da torre; outra, que dá para o exterior, permite que a luz atravesse a cela de lado a lado. Basta então colocar um vigia na torre central, e em cada cela trancar um louco, um doente, um condenado, um operário ou um estudante. Pelo efeito da contraluz, pode-se perceber a torre, recortando-se exatamente sobre a claridade, as pequenas silhuetas cativas nas celas da periferia. Tantas jaulas, tantos pequenos teatros, em que cada ator está sozinho, perfeitamente individualizado e constantemente visível. O dispositivo panóptico organiza unidades que permitem “ver sem parar e reconhecer imediatamente. Em suma, o princípio da masmorra é invertido; ou antes, de suas três funções – trancar, privar de luz e esconder – só se conserva a primeira e se suprime duas. A plena luz e o olhar de um vigia captam melhor que a sombra, que finalmente protegia. A visibilidade é uma armadilha” (cf. Foucault, 2014: 194).

Bentham não diz se se inspirou, em seu projeto, no zoológico que Le Vaux construíra em Versalhes: primeiro zoológico cujos elementos não estão, como tradicionalmente, espalhados em um parque: no centro, um pavilhão octogonal que, no primeiro andar, só comportava uma peça, o salão do rei; todos os lados se abriam com largas janelas, sobre sete jaulas (o oitavo lado estava reservado para a entrada), onde encerradas diversas espécies de animais. O panóptico descrito pela analítica do poder, é um zoológico real; o animal é substituído pelo homem, a distribuição individual pelo grupamento específico e o rei pela maquinaria de um poder furtivo. Fora essa diferença, o Panóptico, também, faz um trabalho de naturalista. Permite estabelecer as diferenças: nos doentes, observar os sintomas de cada um, sem que a proximidade dos leitos, a circulação dos miasmas, os efeitos do contágio misturem os quadros clínicos; nas crianças, anotar os desempenhos (sem que haja limitação ou cópia), perceber as aptidões, apreciar os caracteres, estabelecer classificações rigorosas e, em relação a uma evolução normal, distinguir o que é “preguiça ou teimosia” do que é “imbecilidade incurável”; nos operários, anotar as aptidões de cada um, comparar o tempo que levam para fazer um serviço, e, se são pagos por dia, calcular seu salário em vista disso. Mas o panóptico pode ser utilizado como uma “máquina de fazer experiências”, modificar o comportamento, treinar ou retreinar os indivíduos. Experimentar remédios e verificar seus efeitos.

Tentar diversas punições sobre os prisioneiros, segundo seus crimes e temperamento, e procurar as mais eficazes. Ensinar simultaneamente diversas técnicas aos operários, estabelecer qual é a melhor. Tentar experiências pedagógicas – e particularmente abordas o famoso problema da educação reclusa, usando crianças encontradas ; ver-se-ia o que acontece quando aos dezesseis ou dezoito anos rapazes e moças se encontram; poder-se-ia acompanhar “a genealogia de qualquer ideia observável”; criar diversas crianças em diversos sistemas  de pensamento, fazer alguns acreditarem que dois e dois são quatro e que a lua é um queijo, depois de juntá-los todos quando tivessem vinte ou vinte e cinco anos; haveria então discussões que valeriam bem os sermões ou as conferências para as quais se gasta tanto dinheiro: haveria pelo menos ocasião de fazer descobertas no campo da metafísica. O Panóptico é um local privilegiado para tornar possível a experiência com homens, e para analisar com toda certeza as transformações que se pode obter neles. Mais do que isso: pode até se constituir em aparelho de controle, pois em sua torre, o diretor pode inspecionar todos os empregados submetidos a seu serviço; poderá julgá-los continuamente, modificar seu comportamento, impor-lhes métodos que considerar melhores; e ele mesmo, por sua vez, poderá ser facilmente observado. O Panóptico funciona como uma espécie de Laboratório de poder. Através da observação, ganha em eficácia e em capacidade de penetração no corpo dos homens: um aumento de saber vem se implantar em todas as frentes do poder, descobrindo objetos que devem ser conhecidos em todas as superfícies de saber-poder.

  Em cada uma de suas aplicações, na esfera da ação individual e coletiva, permite aperfeiçoar o exercício do poder de várias maneiras: porque pode reduzir o número dos que o exercem, ao mesmo tempo em que multiplica o número daqueles sobre os quais é exercido. Permite intervir a cada momento e a pressão constante age antes mesmo que as faltas, os erros, os crimes sejam cometidos. Porque, nessas condições, sua força é nunca intervir, é se exercer espontaneamente e sem ruído. É construir um mecanismo de efeitos em cadeia. Porque é um intensificador para qualquer aparelho de poder: assegura sua economia (em material, em pessoal, em tempo); assegura sua eficácia por seu caráter preventivo, seu funcionamento contínuo e seus mecanismos automáticos. É uma maneira astuciosa de obter poder. É uma espécie de “ovo de Colombo” na ordem da política. Ele cria dispositivos discursivos com efeitos de vir se integrar a uma função qualquer, de educação, de terapêutica, de produção, de castigo; de aumentar essa função, ligando-se intimamente a ela; de construir um mecanismo misto no qual as relações de poder (e de saber) podem-se ajustar exatamente, e até nos detalhes, aos processos que é preciso controlar; de estabelecer uma proporção direta entre o “mais-poder” e a “mais produção”. 

Enfim, o dispositivo panóptico não é simplesmente uma charneira. Um local de trocas simbólicas e experimentais entre um mecanismo de poder e uma função. É capaz de reformar a moral, preservar a saúde, revigorar a indústria, difundir a instrução, aliviar os encargos públicos, estabelecer a economia como que sobre um rochedo, desfazer, em vez de cortar, tudo isso com uma simples ideia arquitetural. Na realidade, qualquer instituição panóptica, mesmo que seja tão cuidadosamente fechada quanto aquelas controladas por uma casta, poderá sem dificuldade ser submetida ser submetida a essas inspeções ao mesmo tempo aleatórias e incessantes: e isso não só por parte dos controladores designados, mas por parte do público, que pode ser agregado à analítica do poder, como membro da sociedade com direito de vir constatar com seus olhos como funcionam as universidades, os hospitais, as fábricas, as prisões. Não há, consequentemente, risco de que o crescimento de poder devido à máquina panóptica possa degenerar em tirania, pois a máquina de ver é uma espécie de câmara escura em que se espionam os indivíduos; ela se torna um edifício transparente onde o exercício do poder disciplinar poderá ser democraticamente controlado, com a redução de mandato colocaria em xeque como função estabelecer as diretrizes, objetivos e metas de médio prazo da administração pública. Não queremos perder de vista que o panoptismo é o princípio geral de uma nova “anatomia política”, cujo objeto e fim não são as relações de soberania do Eu. São relações de disciplina-bloco, na constituição de uma instituição fechada, entorpecida pelo ódio e pré-estabelecida à margem, mormente voltada para funções negativas: realizar para o mal, romper as comunicações, suspender o tempo.    

Bibliografia Geral Consultada.

LENAIN, Thierry (Org.), L’Image: Deleuze, Foucault, Lyotard. Paris: Librairie Philosophique J. Vrin, 1997; BOITEL, Anne, Le Camp de Rivesaltes 1941-1942. Perpignan: Presses Universitaires de Perpignan, 2001; PESCHANSKI, Denis, La France des Camps. Paris: Éditions Gallimard, 2002; LÉVINAS, Emmanuel, Éthique Comme Philosophie Première. Paris: Éditions Payot & Rivages, 1998; Idem, Difícil Libertad: Ensayos sobre el Judaísmo. Madrid: Caparrós Editores, 2004; BURGER, Peter, Teoria da Vanguarda. São Paulo: Editor Cosac & Naify, 2008; DEWEY, John, A Arte como Experiência. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2010; PASSOS, Helder Machado, Relação entre Ética e Política no Pensamento de Emmanuel Levinas. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Filosofia. Departamento de Filosofia. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Juiz de Fora: Universidade Federal de Juiz de Fora, 2012; BERMAN, Marshall, Tutto Ciò Che è Solido Svanisce Nell'aria. L`esperienza Della Modernità. Bologna: Editore Il Mulino, 2012; ARCHER, Michael, Arte Contemporânea. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2013; MAIDA, Bruno, La Shoah dei Bambini. La Persecuzione dell’infanzia hebraica in Italia, 1938-1945. Torino: Einaudi Editore, 2013; MILLER, Jeannette E., “Um Campo para Estrangeiros e Alienígenas: O Exílio dos Harkis no Campo de Rivesaltes (1962–1964)”. In: Política, Cultura e Sociedade Francesas, 2013; 31 (3): 21–44; LEFEBVRE, Michel, “Mémorial de Rivesaltes: Se Souvenir des Camps Français”. In: Le Monde, 25 de setembro de 2015; FOUCAULT, Michel, Vigiar e Punir: Nascimento da Prisão. 42. ed. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 2014; Idem, Isto não é um cachimbo. 7ª edição. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 2016; DE SALVADOR AGRA, Saleta, “Viendo el Sentido: Similitudes y Juegos Sígnicos en Magritte”. In: Revista Signa. Vigo: Universidade de Vigo, 27 (2018), pp. 1023-1042; ACHILLE, Etienne; FORSDICK, Charles; MOUDILENO, Lydie, Domínios Pós-coloniais da Memória: Locais e Símbolos na França Moderna. Reino Unido: Liverpool University Press, 2020; OLIVEIRA, Daniela Vale de Monoparentalidade Feminina e Socialização dos Filhos: Um Estudo com Famílias em Situação de Vulnerabilidade Social. Dissertação de Mestrado em Educação. Instituto de Ciências Humanas e Sociais. Mariana: Universidade Federal de Ouro Preto, 2020; FELINTO, Jislayne Fidelis e outros, “Ser mãe solo no Brasil: um panorama dos desafios em diferentes contextos sociais”. In: Revista Delos. Curitiba, vol.19, n°79, pp. 01-25, 2026; entre outros.

sábado, 6 de setembro de 2025

Bolsa Preta – História, Verdade & Efeitos de Poder na Cinematografia.

 A liberdade de consciência traz mais perigos do que a autoridade e o despotismo”. Michel Foucault

            

         O Big Ben é o nome dado etnograficamente de um grande sino instalado na torre Noroeste do Palácio de Westminster, sede do Parlamento Britânico, localizado em Londres, no Reino Unido. O nome oficial da torre em que o Big Ben está localizado era originalmente Clock Tower, mas ela foi renomeada como Elizabeth Tower em 2012 para marcar o Jubileu de Diamante da Rainha Elizabeth II (1952-2022). A torre foi inaugurada durante a gestão de Sir Benjamin Hall, ministro de Estado da Inglaterra, em 1859. A torre foi construída em estilo neogótico e tem 96 metros de altura, tendo sido concluída em 1858 e iniciado suas atividades em 7 de setembro de 1859. A Torre do Big Ben é um ícone cultural britânico, um dos símbolos mais proeminentes na história social do Reino Unido e frequentemente em cenas de filmes, séries de televisão, programas ou documentários ambientados em Londres. Em 15 de fevereiro de 1952 tocou 56 vezes, todos os minutos durante o funeral do rei Jorge VI, falecido com 56 anos de idade. Em 27 de julho de 2012 tocou durante 3 minutos de forma programada das 8 horas e 12 minutos às 8horas e 15 minutos para anunciar a Abertura dos Jogos Olímpicos de Verão de 2012. Foi a primeira vez que o sino tocou fora de sua programação normal desde o funeral do Rei Jorge VI, em 1952. A torre abriga o maior relógio composto de quatro lados do mundo e é considerada a décima quarta torre de relógio mais alta do mundo contemporâneo. O funcionamento do relógio é famoso por sua confiabilidade. Os designers foram o advogado e horologista amador Edmund Beckett Denison e George Airy, o Astrônomo Real. A construção foi confiada ao relojoeiro Edward John Dent (1790-1853); após sua morte em 1853, seu enteado Frederick Dent concluiu o trabalho, em 1854. 

        Como a torre não estava completa até 1859, Denison teve tempo para experimentar: em vez de usar o especificamente o escapamento deadbeat e remontoire como originalmente projetado, Denison inventou tecnologicamente o escapamento gravitacional duplo de três pernas que fornece a melhor separação entre o pêndulo e o mecanismo do relógio. O pêndulo é instalado dentro da caixa à prova de vento fechada sob a sala do relógio. Tem 13 pés (4,0 m) de comprimento, pesa 660 libras (300 kg), é suspenso em tira de aço para molas de 1⁄64 polegadas (0,40 mm) de espessura e bate a cada 2 segundos. O mecanismo de relógio em sala abaixo pesa cinco toneladas. No topo do pêndulo está uma pequena pilha de moedas antigas; estes são para ajustar a hora do relógio. Adicionar uma moeda tem o efeito de levantar minuciosamente a posição do centro de massa do pêndulo, reduzindo o comprimento efetivo da haste do pêndulo e, portanto, aumentando a taxa de oscilação do pêndulo. Adicionar ou remover um centavo mudará a velocidade do relógio em 0,4 segundos por dia. O relógio tem corda manual, levando cerca de 1,5 horas três vezes por semana. Em 10 de maio de 1941, um bombardeio alemão danificou duas faces do relógio e seções do telhado da torre e destruiu a Câmara dos Comuns. O arquiteto Sir Giles Gilbert Scott (1880-1960) projetou um novo bloco de cinco andares. Dois andares são ocupados pela câmara usada pela primeira vez em 26 de outubro de 1950. 

       O relógio funcionou com precisão e soou durante toda a Blitz. Antes de 1878 o relógio parou pela primeira vez em sua história, “devido a uma forte queda de neve” nos ponteiros de um relógio. Entre 21 de agosto de 1877 e janeiro de 1878 o relógio foi parado por três semanas para permitir que a torre e o mecanismo fossem limpos e reparados. A velha roda de escape foi substituída. A tarefa de descrever os nexos do agir comunicativo não consiste simplesmente em explanação o mais precisa possível do sentido das exteriorizações simbólicas que compõem a sequência observada? Certamente precisamos distinguir entre as realizações interpretativas de um observador que tenha a intenção de entender o sentido de uma exteriorização simbólica, de um lado, e as realizações interpretativas dos participantes da interação, de outro, os quais coordenam suas ações socialmente por meio do mecanismo de entendimento. Diversamente dos que têm envolvimento direto, o intérprete não está empenhado em chegar a uma interpretação passível de consenso, para que possa conciliar seus planos de ação com os dos outros atores. Mas talvez as realizações interpretativas de observador e participante se distingam somente em sua função e não em sua estrutura. Jürgen Habermas, um filósofo e sociólogo alemão que participa da tradição da teoria crítica e do pragmatismo, sendo membro da Escola de Frankfurt (cf. Jay, 2008), sustenta a seguinte tese acadêmica: ações comunicativas não podem ser interpretadas de outro modo senão de um modo racional. A sociologia tem de procurar um acesso compreensivo a seu campo objetal porque encontra nele processos de entendimento pelos quais e nos quais o campo objetal já se havia constituído de antemão, antes de qualquer intervenção teorética.                         


            O campo de objetos das Ciências Sociais abrange tudo a que se a descrição “parte constituinte de sua vida”. O que significa essa expressão pode ser aclarado intuitivamente por meios de remissões aos objetos simbólicos que criamos ao falar e agir: a começar por exteriorizações imediatas, como atos da fala, atividades voltadas a um fim, cooperações, passando por sedimentos dessas exteriorizações, como textos, transmissões orais, documentos, obras de arte, teorias, objetos da cultura material, bens, técnicas, etc., até construtos criados por via indireta, aptos a organizar-se, que se estabilizam por si mesmos tais como instituições, sistemas sociais e estruturas de personalidades. Falar e agir são conceitos fundamentais inexplicados, aos quais recorremos quando queremos aclarar, mesmo de maneira provisória, o pertencer a um mundo da vida sociocultural, o ser-parte de um mundo como esse. O problema do “compreender” nas ciências humanas e sociais ganhou importância metodológica sobretudo porque o cientista não consegue acesso à realidade simbolicamente pré-estruturada somente por meio da observação, e porque a compreensão de sentido não se deixa controlar metodicamente da mesma maneira que a observação em experimentos científicos. O cientista social não tem acesso diverso ao mundo a vida do que tem o leigo em ciência sociais. De certa maneira, ele já tem de fazer parte do mundo da via cujas partes constituintes pretende descrever e explicar.   

Nas ciências humanas e sociais, segundo Habermas (2012: 202), sem temor a erro, os procedimentos de interpretação racional contam com uma reputação questionável, apenas crítica. Originalmente no âmbito filosófico a crítica ao platonismo modelar vinculado às ciências econômicas demonstra que alguns intérpretes contestam o teor empírico e a fertilidade elucidativa dos modelos racionais de decisão; restrições às abordagens cognitivistas da ética filosófica e reparos à crítica da ideologia formada principalmente na tradição hegeliano-marxista revelam que outros, por sua vez, duvidam da possibilidade de uma fundamentação prático-moral de normas coercitivas de ação social e da compensação entre interesses particulares e interesses passíveis de generalização; e a difundida crítica à cientificidade da psicanálise revela que muitos já consideram problemática a concepção do inconsciente e o conceito do significado duplo e potencialmente manifesto, que se considera próprio às exteriorizações de vivências. São restrições que se baseiam em assunções fundamentais empiristas questionáveis. Ações comunicativas sempre exigem uma interpretação que seja racional desde o início. No agir comunicativo o ponto de partida da interação torna-se dependente de que os envolvidos tenham sido capazes de acordo sobre um julgamento intersubjetivamente válido de suas referências ao mundo.   Segundo esse modelo de ação, uma interação só pode lograr êxito à medida em que os envolvidos cheguem a um consenso uns com os outros; e esse consenso, por sua vez, depende de posicionamentos do tipo sim/não em face de preensões potencialmente baseadas em razões.

            Black Bag tem como representação social um filme de suspense e espionagem norte-americano de 2025, dirigido por Steven Soderbergh e escrito por David Koepp, o nono roteirista mais bem sucedido de todos os tempos em termos de bilheteria nos Estados Unidos, com um ganho comercial total de 2,3 bilhões de dólares. Soderbergh também foi, eventualmente, freelance como editor de filmes. Tornou-se famoso por executar várias funções policompetentes, segundo E. Morin, dentro de um mesmo filme, como direção de fotografia, edição, direção e roteiro. Writers Guild of America (WGA) é um esforço conjunto de dois diferentes sindicatos dos Estados Unidos que representam os roteiristas da televisão e cinema: O Writers Guild of America, East com sede em Nova Iorque e o Writers Guild of America, West com sede em Los Angeles. Como a WGA proíbe que o cineasta exerça múltiplas funções dentro de um filme, ele assina sua obra sob diferentes pseudônimos. É estrelado por Cate Blanchett, Michael Fassbender, Marisa Abela, Tom Burke, Naomie Harris, Regé-Jean Page e Pierce Brosnan. No filme, o oficial de inteligência britânico George Woodhouse (Fassbender) é “designado para investigar uma lista de suspeitos de traição, um dos quais é sua esposa, Kathryn (Blanchett)”. O filme foi anunciado em janeiro de 2024, após a confirmação das participações de Soderbergh, Blanchett e Fassbender. O restante do elenco foi formado em março e as filmagens começaram em maio, com filmagens em Londres e no Pinewood Studios. Black Bag foi lançado nos cinemas primeiro na França em 12 de março de 2025, pela Universal Pictures, e nos Estados Unidos da América sendo dois dias depois, pela Focus Features. Recebeu críticas positivas e arrecadou comercialmente US$ 43,4 milhões em todo o mundo.

      Desnecessário dizer que o auge da popularidade dos filmes de espionagem é frequentemente considerado a década de 1960, quando os medos da chamada Guerra Fria se misturaram ao desejo notável do público de ver filmes emocionantes e cheios de suspense. O filme de espionagem desenvolveu-se em duas direções nessa época. Por um lado, os romances realistas de espionagem de Len Deighton e John le Carré foram adaptados para thrillers relativamente sérios da Guerra Fria que lidavam com algumas das realidades do mundo da espionagem. Alguns desses filmes incluem The Spy Who Came in from the Cold (1965), The Deadly Affair (1966), Torn Curtain (1966) e a série Harry Palmer, baseada nos romances de Len Deighton, nascido em Marylebone, Londres, em 18 de fevereiro de 1929, é um escritor britânico, de história, culinária e romances. Seu pai era um motorista e mecânico, e sua mãe era uma cozinheira. Depois de deixar a escola, trabalhou como balconista de trem, antes de executar seu serviço nacional, passou como fotógrafo especial Investigation Branch (ramo investigativo) da Força Aérea Real. Após a alta da RAF, ele estudou na Escola de St. Martin of Art, em Londres, em 1949, e em 1952 ganhou uma bolsa de estudos para o Royal College of Art, graduando-se em 1955. Sociologicamente a chamada Guerra Fria representa a designação atribuída ao período histórico de disputas estratégicas e conflitos indiretos entre os Estados Unidos da América (EUA) e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, compreendendo o período entre o final da 2ª guerra Mundial (1940-1945) e a dissolução da União Soviética correu em 26 de dezembro de 1991, como resultado da declaração nº 142-Н do Soviete Supremo da União Soviética. A declaração reconheceu a Independência das antigas repúblicas soviéticas e criou a Comunidade de Estados Independentes (CEI).

A conjuntura anterior representou um conflito extraordinário de ordem política, militar, tecnológica, econômica, social e ideológica entre as duas nações, no plano das relações políticas e econômicas e suas zonas conflitantes de influência político-militar. É chamada guerra “fria” porque não houve guerra direta entre as duas superpotências, dada a inviabilidade da vitória em uma batalha nuclear. A corrida armamentista pela construção de um grande arsenal de armas nucleares foi o objetivo central durante a primeira metade da chamada “Guerra Fria”, estabilizando-se na década de 1960-1970 e sendo reativada nos anos 1980 com o projeto do presidente dos Ronald Reagan chamado de “Guerra nas Estrelas”. Ronald Wilson Reagan foi um ator e político norte-americano, o 40.º presidente dos Estados Unidos e o 33º governador da Califórnia. Nascido e criado em pequenas cidades de Illinois, formou-se em economia e sociologia no Eureka College e em seguida trabalhou como radialista esportivo. A corrida espacial foi um dos episódios que marcaram a segunda metade do século XX e foi resultado direto da Guerra Fria. Ocorrida especificamente entre os anos de 1957 e 1975, a corrida espacial ficou caracterizada pela intensa exploração no espaço realizada por americanos e soviéticos. Um dos episódios geopolíticos de maior relevância da corrida espacial foi a estratégia global ocorrida com a chegada do homem à Lua. É neste âmbito de transformações sociais e políticas globais polarizadas que emerge na esfera política o Socialisme ou Barbarie representando um grupo socialista libertário radical francês do período pós-guerra. Seu nome vem de uma frase da economista marxista e dialética de Rosa Luxemburgo usada em um ensaio de 1916, The Junius Pamphlet.             

O funcionário se prepara para uma carreira por concurso público, o que não impede que ocorra por determinado tempo a vigilância hierárquica para o cargo no serviço público. Foi esse tipo específico de poder que Michel Foucault chamou de “disciplina” ou “poder disciplinar”. E é justamente esse aspecto que explica o fato de que tem como alvo o corpo humano, não para supliciá-lo, mutilá-lo, mas para aprimorá-lo, adestra-lo. O que lhe interessa não é expulsar os homens da vida social, impedir o exercício de suas atividades, e sim gerir a vida dos homens, controla-los em suas ações para que seja possível e viável utilizá-los ao máximo, aproveitando suas potencialidades e utilizando um sistema de aperfeiçoamento gradual e contínuo de suas capacidades. É um objetivo ao mesmo tempo econômico e político: aumento do efeito de seu trabalho, isto é, tornar os homens força de trabalho dando-lhes uma utilidade econômica máxima; diminuição de sua capacidade de revolta, de resistência, de luta, de insurreição contra as ordens do poder, neutralização dos efeitos sociais de contrapoder, isto é, tornar os homens dóceis politicamente. Aumentar a utilidade econômica e diminuir os inconvenientes, os perigos políticos; aumentar a força econômica e diminuir expressivamente a sua força política. Situemos as suas características básicas. 

Em primeiro lugar, a disciplina é um tipo de organização do espaço. É uma técnica de distribuição dos indivíduos através da inserção dos corpos em um espaço individualizado, classificatório, combinatório. Isola praticamente em um espaço fechado, esquadrinhado, hierarquizado, capaz de desempenhar funções diferentes segundo o objetivo específico que deles se exige. Mas, como relações de poder disciplinar não necessitam de espaço fechado para se realizar, é essa sua característica menos importante. Em segundo lugar, e mais fundamentalmente, a disciplina é um controle do tempo. Isto é, ela estabelece uma sujeição do corpo ao tempo, com o objetivo de produzir o máximo de rapidez e o máximo de eficácia. Em terceiro lugar, a vigilância é um dos seus principais instrumentos de controle. Não uma vigilância que reconhecidamente se exerce de modo fragmentar e descontínuo; mas que é ou precisa ser vista pelos indivíduos que a ela estão expostos como forma contínua, perpétua, permanente; que não tenha limites, penetre nos lugares mais recônditos, esteja presente em toda extensão do espaço. Olhar invisível que permite impregnar quem é vigiado de tal modo que este adquira de si mesmo a visão panóptica de quem o olha. A disciplina implica um registro contínuo de conhecimento. O olhar que observa para controlar não é o mesmo que transfere as informações para os pontos mais altos da hierarquia do poder? Seu objetivo econômico e político é tornar o homem útil e dócil. A grande importância estratégica que as relações de poder disciplinar desempenham nas sociedades modernas depois do século XIX, vem do fato delas não serem negativas.

Mas positivas, quando tiramos desses termos qualquer juízo de valor moral ou político e pensarmos unicamente na tecnologia empregada. É então, que, segundo Foucault, surge uma das teses fundamentais da genealogia: “o poder é produtor de individualidade”. O indivíduo é uma produção do poder e do saber. Atuando sobre uma massa confusa, desordenada e desordeira, o esquadrinhamento disciplinar faz nascer uma multiplicidade ordenada no seio da qual o indivíduo emerge como alvo do poder. O nascimento da prisão em fins do século XVIII, não representou uma massificação com relação ao modo como anteriormente se era encarcerado. O nascimento do hospício não destruiu a especificidade da loucura. É o hospício, ao contrário, que produz o louco como doente mental. Um personagem individualizado a partir da instauração de relações disciplinares. E antes da constituição das ciências humanas, no século XIX, a organização das paróquias, a institucionalização do exame de consciência e da direção espiritual e a reorganização do sacramento da confissão, que aparecem como importantes dispositivos de individualização. Em suma, o poder disciplinar não destrói o indivíduo; ao contrário, ele o fabrica. O indivíduo não é o outro do poder, realidade exterior, que é por ele anulado; é um de seus mais importes efeitos. O objetivo é neutralizar a ideia que faz da ciência um conhecimento em que o sujeito vence as limitações reais ou imaginárias de suas condições particulares de existência, instalando-se na neutralidade objetiva no âmbito do universal e da ideologia originalmente e um conhecimento em que o sujeito tem sua relação com a verdade perturbada, obscurecida, velada pelas condições reais de existência.

Todo conhecimento, seja ele científico ou ideológico, só pode existir a partir de condições políticas que são as condições para que se formem tanto o sujeito quanto os domínios do saber. A investigação do saber não deve remeter a um sujeito de conhecimento que seria a sua origem, mas a relações de poder que lhe constituem. Não há saber neutro. Todo saber é político. E isso não porque cai nas malhas do Estado, é apropriado por ele, que dele se serve como instrumento de dominação, descaracterizando seu núcleo essencial. Mas porque todo saber tem sua gênese em relações de poder. O fundamental da análise teórica é que saber e poder se implicam mutuamente; não há relação de poder sem constituição de um campo de saber, como também, reciprocamente, todo saber constitui novas relações de poder. Todo ponto de exercício do poder é, ao mesmo tempo, um lugar de formação de saber. É assim que o hospital não é apenas local de cura, mas também instrumento de produção, acúmulo e transmissão de saber. Do mesmo modo comparativamente falando, que a escola está na origem da pedagogia, a prisão da criminologia, o hospício da psiquiatria. Mas a relação ainda é mais intrínseca: é o saber enquanto tal que se encontra dotado estatutariamente, institucionalmente, de determinado poder. O saber funciona dotado de poder. E enquanto é saber tem poder. 

A configuração do que Foucault denomina de “intelectual específico” se desenvolveu na 2ª grande guerra, e talvez o físico atômico tenha sido quem fez a articulação entre intelectual universal e intelectual específico. É porque tinha uma relação direta e localizada com a instituição e o saber científico que o físico atômico intervinha; mas já que a ameaça atômica concernia todo o gênero humano e o destino do mundo, seu discurso podia ser ao mesmo tempo o discurso do universal. Sob a proteção deste protesto que dizia respeito a todos, o cientista atômico desenvolveu uma posição específica na ordem do saber. E admite Foucault, pela primeira vez o intelectual foi perseguido pelo poder político, não mais em função do seu discurso geral, mas por causa do saber que detinha: é neste nível que ele se constituía como um perigo político. Mas o intelectual específico deriva de uma figura muito pobre e diversa do “jurista-notável”. O “cientista-perito”. O importante é que a verdade não existe fora do poder ou sem poder. A verdade é deste mundo, produzida nele graças a múltiplas coerções que produz efeitos regulamentados de poder. Cada sociedade tem seu regime de verdade, seus tipos de discursos que faz funcionar como verdadeiros; os mecanismos e as instâncias que permitem distinguir os enunciados verdadeiros dos falsos, a maneira como se sanciona uns e outros; as técnicas e os procedimentos que são valorizados, sob nosso olhar, para a obtenção da verdade. Quem está de fora do poder, mas tem a capacidade de interpretar o estatuto que delimita o seu campo de saber, percebe os efeitos de poder do que funciona como verdadeiro. 

            Historicamente o gênero de filmes de espionagem começou na Era do Cinema Mudo, com a paranoia da literatura de invasão e o início da 1ª grande guerra (1914-1918). Esses medos produziram o britânico The German Spy Peril, de 1914, concentrado em uma conspiração para explodir o Parlamento, e o OHMS, de 1913, que significa “Our Helpless Millions Saved” (Nossos Milhões Desamparados Salvos), bem como On His Majesty`s Service e apresentando pela primeira vez uma personagem feminina forte que ajuda o herói). Em 1928, Fritz Lang dirigiu o filme Espiões, que continha muitos tropos que se tornariam populares em dramas de espionagem posteriores, incluindo quartéis-generais secretos, um agente reconhecido por um número e a bela agente estrangeira que se apaixona pelo herói. Os filmes de Dr. Mabuse de Lang, também contêm elementos de thrillers de espionagem, embora o personagem central seja “um gênio do crime interessado apenas em espionagem para fins lucrativos”. Além disso, vários filmes norte-americanos de Lang, como “Os Carrascos Também Morrem” abordam espiões durante a 2ª guerra mundial (1939-1945). Por outro lado, Alfred Hitchcock contribuiu significativamente para a popularização do cinema de espionagem na década de 1930 com seus influentes thrillers “O Homem Que Sabia Demais” (1934), “Os 39 Degraus” (1935), “Sabotagem” (1937) e “A Dama Oculta” (1938). Estes filmes frequentemente envolviam civis inocentes envolvidos em conspirações internacionais ou redes de sabotadores no front doméstico, como em “Sabotador” (1942).

Alguns, no entanto, tratavam de espiões profissionais, como em “O Agente Secreto” (1936), de Hitchcock, baseado nas histórias de Ashenden, de W. Somerset Maugham, ou na série “Mr. Moto”, baseada nos livros de John P. Marquand. Nas décadas de 1940 e início de 1950, diversos filmes foram produzidos sobre as façanhas de agentes aliados na Europa ocupada, o que poderia ser considerado um subgênero. 13 Rue Madeleine e OSS eram histórias fictícias sobre agentes americanos na França ocupada pelos alemães. Houve vários filmes baseados em histórias reais de agentes britânicos do Serviço de Energia Atômica (S.O.E.), incluindo Odette e Carve Her Name With Pride. Um exemplo ficcional mais recente é Charlotte Gray – Paixão sem Fronteiras (2001), baseado no romance de Sebastian Faulks. Também durante o período, houve muitos filmes de detetive, The Thin Man Goes Home e Charlie Chan em Serviço Secreto, por exemplo, em que o mistério envolvia a estratégia de quem provavelmente roubou os projetos secretos ou quem sequestrou o famoso cientista. Em meados da década de 1950, Alfred Hitchcock retornou ao gênero de espionagem com O Homem Que Sabia Demais (1956), representando um remake de seu filme de 1934. Ele seguiu em 1959 com Intriga Internacional (1959), amplamente considerado uma das obras mais influentes do gênero de espionagem. O auge da popularidade comercial dos filmes de espionagem é frequentemente considerado a década de 1960, quando os medos da Guerra Fria se misturaram ao desejo do público de ver filmes emocionantes e cheios de suspense.

O filme de espionagem desenvolveu-se em duas direções nessa conjuntura histórica nacionalista. Por um lado, os romances realistas de espionagem de Len Deighton e John le Carré foram adaptados para thrillers relativamente sérios da Guerra Fria que lidavam com algumas das realidades do mundo da espionagem. Alguns desses filmes incluem The Spy Who Came in from the Cold (1965), The Deadly Affair (1966), Torn Curtain (1966) e a serie Harry Palmer, baseada nos romances de Len Deighton. Em outra direção, os romances de James Bond de Ian Fleming foram adaptados em uma série cada vez mais fantástica de filmes de aventura irônicos pelos produtores Harry Saltzman e Albert R. Broccoli, com Sean Connery como a estrela. Eles apresentavam supervilões secretos e extravagantes, um arquétipo que mais tarde se tornaria um grampo da explosão de filmes de espionagem em meados do final da década de 1960. O sucesso fenomenal da série Bond leva a uma enxurrada de imitadores, como o gênero eurospy e vários da América. Exemplos notáveis ​​incluem os dois filmes de Derek Flint estrelados por James Coburn, The Quiller Memorandum (1966) com George Segal, e a série Matt Helm com Dean Martin. A televisão também entrou em ação com séries como The Man from UNCLE e I Spy nos EUA, e Danger Man e The Avengers, na Grã-Bretanha. Os espiões permaneceram populares na TV até os dias atuais com séries como Callan, Alias ​​e Spooks. Os filmes de espionagem também tiveram um certo renascimento no final da década de 1990, embora frequentemente fossem filmes de ação com elementos de espionagem ou comédias como Austin Powers. Alguns críticos identificam uma tendência de afastamento da fantasia em favor do realismo, como observado em Syriana, na série de filmes Bourne e nos filmes de James Bond estrelados por Daniel Craig desde Cassino Royale (2006).

Em outra direção, os romances de James Bond de Ian Fleming foram adaptados em uma série cada vez mais fantástica de filmes de aventura irônicos pelos produtores Harry Saltzman e Albert R. Broccoli, com o extraordinário Sean Connery (1930-2020) como a estrela (cf. Morin, 1993). Eles apresentavam supervilões secretos e extravagantes, um arquétipo que mais tarde se tornaria “um grampo da explosão de filmes de espionagem em meados do final da década de 1960”. O sucesso fenomenal da série Bond leva a uma enxurrada de imitadores, como o gênero eurospy e vários da América. Exemplos notáveis ​​incluem os dois filmes de Derek Flint (1966) estrelados por James Coburn, The Quiller Memorandum (1966) com George Segal, e a série Matt Helm com Dean Martin. É um personagem de ficção criado pelo escritor norte-americano Donald Hamilton em 1960. Um agente secreto especializado em contraespionagem, diferente do espião relativamente comum, para ser diferenciado de James Bond, criado em 1953 por Ian Fleming, por seu autor, apareceu em 27 livros escritos entre 1960 e 1993. A televisão também entrou em ação com séries competitivamente no mercado como The Man from UNCLE e I Spy nos Estados Unidos da América, e Danger Man e The Avengers na Grã-Bretanha. Os espiões permaneceram populares na TV até hoje com séries como Callan, Alias ​​e Spooks. Os filmes de espionagem também tiveram um certo “renascimento” no final da década de 1990, embora frequentemente fossem filmes de ação com elementos de espionagem ou comédias como Austin Powers. Alguns críticos identificam uma tendência de afastamento da fantasia em favor do realismo, como observado em Syriana, na série de filmes Bourne e nos filmes de James Bond estrelados por Daniel Craig desde Cassino Royale (2006).

Todo ponto de exercício do poder é, ao mesmo tempo, um lugar de formação de saber. É assim que o hospital não é apenas local de cura, mas também instrumento de produção, acúmulo e transmissão de saber. Do mesmo modo que a escola está na origem da pedagogia, a prisão da criminologia, o hospício da psiquiatria. Mas a relação ainda é mais intrínseca: é o saber enquanto tal que se encontra dotado estatutariamente, institucionalmente, de determinado poder. O saber funciona dotado de poder. E enquanto é saber tem poder. A configuração do que Foucault denomina de “intelectual específico” se desenvolveu na 2ª grande guerra, e talvez o físico atômico tenha sido quem fez a articulação entre intelectual universal e o específico. É porque tinha uma relação direta e localizada com a instituição e o saber científico que o físico atômico intervinha; mas já que a ameaça atômica concernia todo o gênero humano e o destino do mundo, seu discurso podia ser ao mesmo tempo o discurso do universal. Sob a proteção deste protesto que dizia respeito a todos, o cientista atômico desenvolveu uma posição específica na ordem do saber. E admite Foucault, pela primeira vez o intelectual foi perseguido pelo poder político, não mais em função do seu discurso geral, mas por causa do saber que detinha: é neste nível que ele se constituía como um perigo político. Mas o intelectual específico deriva de uma figura muito pobre e diversa do “jurista-notável”. O “cientista-perito”. O importante é que a verdade não existe fora do poder ou sem poder. 

A verdade é deste mundo, produzida nele graças a múltiplas coerções que produz efeitos regulamentados de poder. Cada sociedade tem seu regime de verdade, seus tipos de discursos que faz funcionar como verdadeiros; os mecanismos e as instâncias que permitem distinguir os enunciados verdadeiros dos falsos, a maneira como se sanciona uns e outros; as técnicas e os procedimentos que são valorizados, sob nosso olhar, para a obtenção da verdade. Quem está de fora do poder, mas tem a capacidade analítica de interpretar o estatuto que delimita o seu campo de saber, percebe os efeitos de poder do que funciona como verdadeiro. É preciso repensar os problemas políticos dos intelectuais não mais em termos exclusivos da relação entre ciência e ideologia, mas sem abandoná-la, tendo em vista que a universidade pública é um domínio de casta, “a forma natural pela qual costumam socializarem-se as comunidades étnicas que creem no parentesco de sangue com os membros de comunidades exteriores e o relacionamento social. Essa situação de casta é parte do fenômeno de povos párias e se encontra em todo o mundo” (cf. Weber, 1982), a análise pode ser religada na medida em que a questão da profissionalização do intelectual, da divisão entre trabalho intelectual, na esfera pública pode ser retomada. A verdade está ligada a sistemas de poder que a produzem e apoiam, e a efeitos de poder que ela induz e a reproduzem. Ipso facto, o problema político essencial para o intelectual não é apenas criticar os conteúdos ideológicos que privilegiam grupos no sistema educacional que estariam ligados à ciência ou fazer com que sua prática científica seja acompanhada por métodos de inclusão democráticos. O que está em jogo num sistema de castas, que tomou o poder na universidade pública  nos últimos 20 anos, é se podemos constituir uma nova arena política da verdade. Mas não se trata de libertar a verdade do sistema de poder, mas de desvincular o poder da verdade das formas com as quais ele legitima suas formas de saber. A genealogia exige a minúcia do saber, evidenciando um grande número de materiais acumulados. 

Na universidade estes materiais se esgueiram como sombras. Fazer a genealogia dos valores, da moral, do ascetismo, do conhecimento não será, portanto, partir em busca do que lhe é originário, mas ao contrário, se demorar nas meticulosidades e nos acasos dos projetos interrompidos pelos predecessores, prestar uma atenção escrupulosa à sua derrisória maldade; esperar vê-los surgir, máscaras enfim retiradas, com o rosto do outro, num trabalho de escavação incessante no campus, nos arquivos, sem deixar-lhes o tempo emascular o labirinto onde nenhuma verdade as manteve jamais sob a guarda. É preciso saber reconhecer os acontecimentos da história, seus abalos, suas surpresas, as vacilantes vitórias, as derrotas mal digeridas que dão conta dos atavismos e das hereditariedades. A história, com suas intensidades, seus desfalecimentos, seus furores secretos, suas grandes agitações febris como suas síncopes, é o próprio corpo do devir. É preciso ter um espírito metafísico para encontrar na alma a idealidade distinta. A pesquisa da proveniência não funda, muito pelo contrário: ela agita o que se percebia imóvel, ela fragmenta o que se pensava unido; ela mostra a heterogeneidade do que se imaginava em conformidade consigo mesmo. Bastam para tanto que façamos a análise genealógica em sua atenção “desinteressada”, em sua ligação à objetividade.

Longe de ser uma categoria de semelhança, tal origem permite ordenar, para coloca-las a parte, todas as marcas diferentes. O genealogista parte em busca do começo, esta marca quase apagada que não saberia enganar um olho, por pouco histórico que seja; a análise da proveniência permite dissocia o Eu e fazer pulular lugares e recantos de sua síntese vazia, entre acontecimentos aparentemente perdidos. A proveniência permite também reencontrar sob o aspecto único de um caráter ou de um conceito a proliferação dos acontecimentos através dos quais eles se formaram. Metodologicamente a genealogia não pretende recuar no tempo para restabelecer uma grande continuidade para além da dispersão do esquecimento; sua tarefa não é a de mostrar que o passado ainda está lá, bem vivo no presente, animando-o ainda em segredo, depois de ter imposto a todos os obstáculos do percurso uma forma delineada desde o início. Seguir o filão complexo da proveniência é, ao contrário, manter o que se passou na dispersão que lhe é própria: é demarcar os acidentes, os ínfimos desvios, os erros, as falhas na apreciação, os maus cálculos que deram nascimento ao que existe e tem valor para nós; é descobrir que na raiz daquilo que nós conhecemos e daquilo que nós somos – não existem a verdade e o ser, mas a exterioridade do acidente. Na universidade basta o que ficou da gestão passada para compreendermos o presente. Na vã política em geral e particularmente na gestão acadêmica o passado nos condena.

A cena pública da verdade é sempre a mesma em que repetem indefinidamente os dominadores e os dominados. Homens dominam outros homens e é assim que nasce a diferença de valores; classes dominam classes e é assim que nasce a ideia de liberdade, homens se apoderam de coisas das quais eles têm necessidade para viver, eles lhes impõem uma duração que elas não têm, ou eles as assimilam pela força – e é o nascimento da lógica. Nem a relação de dominação é mais uma relação, nem o lugar onde ela se exerce é um lugar. E é por isto precisamente que em cada momento da história a dominação se fixa em um ritual; ela impõe obrigações e direitos; ela constitui cuidadosos procedimentos. Ela estabelece marcas, grava lembranças e até nos corpos; ela se torna responsável pelas dívidas. Universo de regras que não é destinado a adoçar, mas ao contrário a satisfazer a violência. A regra é o prazer calculado da obstinação, é o sangue prometido. Ela permite reativar sem cessar o jogo da dominação; ela põe em cena uma violência meticulosamente repetida. A humanidade não progride lenta de combate em combate, ela instala cada uma de suas violências em um sistema de regras, e prossegue assim num processo ad infinitum de dominação em dominação. É justamente a regra que permite que seja feita a violência à violência e que uma outra dominação possa dobrar aqueles que dominam. 

Em si mesmas as regras são vazias, violentas, não finalizadas; elas são feitas para servir a isto ou aquilo; elas podem ser burladas ao sabor da vontade de uns e outros. O grande jogo da história será, segundo Foucault, de quem se apoderar das regras, de quem tomar o lugar daqueles que as utilizam, de quem se disfarçar para perverte-las, utilizá-las ao inverso e volta-las contra aqueles  que as tinham imposto; de quem, se introduzindo no aparelho complexo, o fizer funcionar de tal modo que os dominadores encontrar-se-ão dominados por suas próprias regras. As diferenças emergenciais que se podem demarcar não são figuras sucessivas de uma mesma significação; são efeitos de substituição, reposição e deslocamento, conquistas disfarçadas, inversões sistemáticas. Se interpretar eras colocar lentamente em foco uma significação oculta na origem, apenas a metafísica poderia interpretar o devir da humanidade. Mas se interpretar é se apoderar por violência ou sub-repção, de um sistema de regras que não tem em si significado essencial, e lhe impor uma direção, dobrá-lo a uma nova vontade, fazê-lo entrar noutro jogo e submetê-lo a novas regras, então o devir da humanidade é uma série de interpretações. E a genealogia dever ser a sua história: história das morais, dos ideais (uma universidade de verdade), dos conceitos metafísicos, história do conceito de liberdade ou da vida ascética, como emergências de interpretações diferentes. Trata-se de fazê-las aparecer como acontecimentos reais no teatro dos procedimentos. O genealogista sabe o que é necessário pensar. 

Não que ele a rechace por espírito de seriedade; ele quer leva-la ao extremo: porque quer por em cena um grande carnaval (cf. DaMatta, 1981) do tempo em que as máscaras reapareçam incessantemente. Não queremos perder de vista que a disciplina é, antes de tudo, a análise do espaço. É a individualização pelo espaço, a inserção dos corpos em um espaço individualizado, classificatório, combinatório. A disciplina exerce seu controle, não sobre o resultado de uma ação, mas sobre seu desenvolvimento. No século XVII, nas oficinas de tipo corporativo, o que se exigia do companheiro ou do mestre era que fabricasse um produto com determinadas qualidades. A maneira de fabricá-lo dependia da transmissão de geração em geração. Do mesmo modo, se ensinava o soldado a lutar, a ser mais forte do que o adversário na luta individual da batalha. A partir do século XVIII, se desenvolve uma arte do corpo humano. Observa-se de que maneira os gestos são feitos, qual o mais eficaz, rápido e melhor ajustado. Nas oficinas aparece o famoso e sinistro personagem do contramestre, destinado não só a observar se o trabalho foi feito, mas como é feito, como pode ser mais rapidamente realizado e com gestos humanos melhor adaptados. O famoso Regulamento da Infantaria Prussiana, que assegurou as vitórias de Frederico da Prússia (1712-1786), consiste em mecanismos de gestão disciplinar dos corpos. A disciplina é uma técnica de poder que implica uma vigilância perpétua e constante dos indivíduos. 

Não basta olhá-los às vezes ou ver se o que o que fizeram é conforme à regra. É preciso vigiá-los durante todo o tempo da atividade e submetê-los a uma perpétua “pirâmide de olhares”. Mas a disciplina implica um registro contínuo. Anotação do indivíduo e transferência da informação de baixo para cima, de modo que, no cume da pirâmide disciplinar escape a esse saber. No sistema clássico o exercício do poder era confuso, global e descontínuo, do soberano sobre grupos constituídos por famílias, cidades, paróquias, isto é, por unidades globais, e não um poder contínuo atuando sobre o indivíduo. A disciplina é o conjunto de técnicas pelas quais os sistemas de poder vão ter por alvo e resultado os indivíduos em sua singularidade. O exame é a vigilância permanente, classificatória, que permite distribuir os indivíduos, julgá-los, medi-los, localizá-los e, por isso, utilizá-los ao máximo. Através do exame, a individualidade torna-se um elemento para o exercício do poder. A invenção dessa nova anatomia política não deve ser entendida como uma descoberta súbita. Mas como uma multiplicidade de processos muitas vezes mínimos, de origens diferentes, de localizações esparsas, que se recordam, se repetem, ou se imitam, apoiam-se uns sobre os outros, distinguem-se segundo seu campo de aplicação, entram em convergência e esboçam aos poucos a fachada de um presunçoso método geral. 

Não se trata de fazer aqui a história das diversas instituições disciplinares no que podem ter cada uma de singular: 1) ambas, neste caso, são instituições públicas gerenciadas por uma casta no poder (cf. Weber, 1982; Dumont, 1992); 2) Existe uma série de exemplos de algumas das técnicas essenciais empregadas que, de uma a outra, se generalizaram mais facilmente. Pequenas astúcias dotadas de um grande poder de difusão, arranjos sutis, de aparência inocente, mas profundamente suspeitos, são dispositivos que obedecem a economias inconfessáveis, ou que procuram coerções sem grandeza (assédio moral), são eles, entretanto que levaram à mutação do regime punitivo contemporâneo; 3) Descrevê-los metodicamente, nominalmente, implicará a demora sobre o detalhe da corrupção do pensamento e a atenção às minúcias: sob as mínimas figuras, procurar não um sentido, mas uma precaução; recoloca-las não apenas na solidariedade de um funcionamento, mas na coerência de uma tática; 4) Astúcias, não tanto de grande razão que trabalha até durante o sono, no sentido analítico freudiano, e dá coerência ao insignificante quando da atenta malevolência que de tudo alimenta. Nunca é demais repetir, a disciplina é uma anatomia política do detalhe. O que nos interessa, sociologicamente, é a racionalização utilitária do detalhe na contabilidade moral e no controle político. A regra das localizações funcionais vai pouco a pouco codificar um espaço que a arquitetura deixava livre e pronto para vários usos.

Bibliografia Geral Consultada.

CASTORIADIS, Cornelius, L`Institution Imaginaire de la Société. Paris: Éditions Du Seuil, 1975; GALLIE, Walter Bryce, Os Filósofos da Paz e da Guerra: Kant, Clausewitz, Marx, Engels e Tolstoi. Rio de Janeiro: Editora Artenova; Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1979; HORKHEIMER, Max, Dialética do Esclarecimento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1985; BERNSTEIN, Richard; GIDDENS, Anthony; RORTY, Richard, “et al”, Habermas y la Modernidad. Madrid: Catedra Ediciones, 1994; GIDDENS, Anthony, As Consequências da Modernidade. São Paulo: Editora Unesp, 1991;  DUMONT, Louis, Homo Hierarchicus. O Sistema de Castas e suas Implicações. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1992; WEBER, Max, Parlamento e Governo na Alemanha Reordenada: Crítica Política da Burocracia e da Natureza dos Partidos. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 1993; GOTTRAUX, Philippe, Socialisme ou Barbarie, un Engagement Politique et Intellectuel dans la France de l`après Guerre. Suisse: Editions Payot Lausanne, 1997; KEHL, Maria Rita, Ressentimento. São Paulo: Editor Casa do Psicólogo, 2007; JAY, Martin, A Imaginação Dialética: História da Escola de Frankfurt e do Instituto de Pesquisas Sociais, 1923-1950. Rio de Janeiro: Contraponto Editora, 2008; GOFFMAN, Erving, Os Quadros da Experiência Social. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 2012; FOUCAULT, Michel, El Orden del Discurso. Barcelona: Ediciones Tusquets, 1973; Idem, Nietzsche, Marx, Freud. Buenos Aires: Ediciones Anagrama, 2010; Idem, Vigiar e Punir. Nascimento da Prisão. 42ª edição. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 2014; FERREIRA, Tiago Alfredo da Silva, Entendimento, Conhecimento e Autonomia: Virtudes Intelectuais e o Objetivo do Ensino de Ciências. Tese de Doutorado em Ensino, História e Filosofia das Ciências. Salvador: Universidade Federal da Bahia, 2015; HABERMAS, Jürgen, Teoria do Agir Comunicativo. Racionalidade da Ação e Racionalização Social. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2012; Idem, A Nova Obscuridade: Pequenos Escritos Políticos V. 1ª edição. São Paulo: Editora Unesp, 2015; BENZAQUEM, Guilherme Figueredo, “Quando o Indivíduo se Transforma: Reflexões a partir de Mead, Goffman e Garfinkel”. In: Ponto e Vírgula. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, nº 24, 2º semestre de 2018; pp. 97-112; Artigo: “Revisão da Bolsa Preta: O Elegante Thriller de Espião de Steven Soderbergh É Um Bom Tempo Inteligente e Escaldante”. Disponível em: https://universocinema.com.br/7/03/2025; entre outros.