“O criminoso, no momento em que pratica o seu crime, é sempre um doente”. Fiódor Dostoiévski
Fiódor Dostoiévski nascido em
Moscou, em 11 de novembro de 1821 e falecido em São Petersburgo, em 9 de
fevereiro de 1881 foi um escritor, filósofo e jornalista russo. É considerado
por muitos especialistas um dos maiores romancistas e pensadores da história
social, bem como um dos maiores “psicólogos” que já existiu, ao considerar a
designação e etimologia mais ampla do termo, como investigador da psique.
Ao terminar a sua formação acadêmica, como engenheiro, Dostoiévski
trabalhou a full-time como escritor, escrevendo romances, novelas,
contos, memórias, notas, escritos jornalísticos e escritos críticos. Além
disso, atuou como editor em revistas próprias, como preceptor e participou em
algumas atividades políticas. Suas obras mais importantes foram as literárias,
nas quais abordou, entre outros temas, o significado do sofrimento e da culpa,
o livre-arbítrio, o cristianismo, o racionalismo, o niilismo, a pobreza, a
violência, o assassinato, o altruísmo, além de analisar transtornos mentais, muitas
vezes ligados à humilhação, ao isolamento, ao sadismo, ao masoquismo e ao
suicídio. Pela retratação filosófica e psicológica profunda e atemporal dessas
questões, sociais seus escritos são comumente chamados de romances filosóficos
e romances psicológicos. Dostoiévski logrou atingir certo sucesso já com seu
primeiro romance, Gente Pobre, o qual foi elogiado e protegido
pelo mais importante crítico literário russo da primeira metade do século XIX,
Vissarion Belinski (1811-1848).
Seu segundo romance, O
Duplo (1846), obra muita famosa, tendo sido reinterpretada literária e
cinematograficamente, recebeu críticas muito negativas, inclusive do seu antigo
protetor, críticas que acabaram por destruir o reconhecimento que
Dostoiévski começava a adquirir como escritor. Apenas após seu retorno da
prisão na Sibéria, Dostoiévski foi preso por tramar contra o Czar, repetiria o
escritor seu sucesso inicial com a semibiográfica obra Recordações da Casa dos
Mortos, a qual trata dos anos que passou na prisão. Mais tarde sua fama
aumentaria drasticamente graças a obras como Crime e Castigo, O
Idiota e Os Demônios. Foi, entretanto, já próximo da morte que
Dostoiévski consolidou-se um dos maiores escritores de todos os tempos com sua
obra-prima Os Irmãos Karamazov. A
influência de Dostoiévski é ímpar: ele influenciou diretamente a Literatura, a
Filosofia, a Psicologia e a Teologia. Sob sua influência direta foram
produzidas várias obras literárias e cinematográficas. Foi também reconhecido
como precursor dos seguintes movimentos sociais: nietzscheanismo, psicanálise,
expressionismo, surrealismo, teologia da crise e existencialismo. O
reconhecimento populista também é imenso, tendo em vista que é mundialmente reconhecido,
possui diversas estátuas, selos e moedas em sua homenagem e contemporaneamente
celebra-se em São Petesburgo o Dia Dostoiévski. São Petersburgo é a
segunda maior cidade da Rússia, politicamente incorporada como uma cidade
autônoma ou cidade federal. Ela está localizada no rio Neva, na
entrada do Golfo da Finlândia, no Mar Báltico.
Em 1914, o nome da
cidade foi mudado para Petrogrado e, em 1924, para Leningrado. Em 1991, após o “colapso”
da União Soviética, a cidade voltou ao seu nome original. É frequentemente
chamada apenas de Petersburgo e informalmente conhecida como Peter. São
Petersburgo foi fundada pelo czar Pedro, o Grande em 27 de maio de 1703. Entre
1713–1728 e 1732–1918, foi a capital do Império Russo. Em 1918, as instituições
da administração central mudaram-se de São Petersburgo então denominada
Petrogrado para Moscou. Com 5 milhões de habitantes (2012) é a quarta
subdivisão federal mais populosa do país. A cidade é um grande centro cultural
europeu e também um importante porto russo no Báltico. É frequentemente
descrita como a metrópole mais ocidentalizada da Rússia, bem como a capital
cultural do país. É a cidade mais setentrional do mundo com população
acima de 1 milhão de habitantes. Seu centro histórico e monumentos constituem
um Patrimônio Mundial. São Petersburgo também é o lar do Hermitage, um dos
maiores museus de arte do mundo. Um grande número de consulados estrangeiros,
corporações internacionais, bancos e outras empresas estão sediados na cidade. Em
1611, exploradores suecos construíram Nyenskans, um forte às margens do rio
Neva, na terra da Íngria, habitada por um grupo de fínicos. Uma pequena cidade
chamada Nyen cresceria naquele local. O czar Pedro I, o Grande era interessado pela marinha, e aspirava pela construção de novo porto para o
Império, já que a principal cidade portuária do país, Archangelsk,
localizava-se no mar Branco, que era bloqueado para navegação durante os meses
de inverno rigoroso.
Em 12 de maio de 1703,
durante a Grande Guerra do Norte, Pedro capturou a cidade de Nyenskans das mãos
dos suecos. Em 27 de maio de 1703, próximo do estuário da ilha de Hare, o czar
estabeleceu o Forte de Pedro e Paulo, que daria início à construção da cidade. A
cidade seria então construída por camponeses de toda a Rússia, junto de alguns
prisioneiros de guerra suecos, que também se envolveram na construção, todos
sob a supervisão de Alexandre Menchikov. Dezenas de milhares de servos morreram
durante a construção da cidade, que mais tarde se tornaria o centro de uma nova
província. Pedro então transferiu a capital de Moscou para uma São Petersburgo
ainda não concluída no ano de 1712, nove anos antes do Tratado de Nystad que
daria um fim à guerra. Ele referia-se a São Petersburgo como a capital desde
1704. Em seus primeiros anos, a cidade desenvolveu-se em torno da Praça da
Trindade na margem oeste do Neva, próximo ao forte. No entanto, São Petersburgo
logo começou a ser construída de acordo com o plano. Em 1716, Domenico Trezzini
elaborou um projeto no qual o centro da cidade localizar-se-ia na Ilha de
Vassiliev e seria moldada por uma cadeia retangular de canais. O projeto não
foi completado, e o fracasso da ideia ainda é visível nos formatos das vias. Em
1716, Pedro apontaria Jean-Baptiste Alexandre Le Blond como o arquiteto-chefe da
cidade.
O estilo Barroco,
desenvolvido por Trezzini e outros arquitetos são explícitos em construções
como o Palácio de Menchikov, o Kunstkamera e a Catedral de Pedro e Paulo, que se
tornaram prédios proeminentes no início do século XVIII. Em 1724, a Academia de
Ciências, a Universidade nacional e um Ginásio Acadêmico foram inaugurados na
cidade pelo czar que a fundara. Em 1725, Pedro morreria, sete anos após o
filho, deixando o trono ao seu neto Pedro II, que transferiu a capital
novamente para Moscou, pressionado pela nobreza que se opunha aos ideais de
modernizações característicos de Pedro I. Com a ascensão da czarina Ana, em
1732, São Petersburgo mais uma vez viria a se tornar a capital russa. Por mais
186 anos, a cidade permaneceria como o trono da família Romanov e a sede da
corte do Império Russo, até a Revolução de 1917. Em 1736, a cidade sofreu de incêndios
catastróficos. Para reestruturar os distritos mais danificados, um novo plano
foi estabelecido em 1737, por um comitê sob o comando de Burkhard Christoph von
Münnich. A cidade foi dividida em cinco distritos, enquanto o centro foi
transferido para o bairro do Almirantado, situado na margem leste entre o Neva
e o Fontanka. O centro então passou a prosperar por três vias radiais, que se
encontravam no Almirantado e que dariam origem à célebre Avenida Névski. O
estilo Barroco dominou a cidade pelos primeiros sessenta anos, sendo sucedido
pelo estilo Naryshkin, representado pelo arquiteto Bartolomeo Rastrelli com o
majestoso Palácio de Inverno.
Na década de 1760, a arquitetura barroca foi substituída pelo neoclássico. O departamento de construção civil da cidade definiu que em 1762 que nenhuma estrutura deveria ser mais alta que o Palácio de Inverno, proibindo espaços entre construções. Durante o reinado de Catarina, a Grande, as margens do rio Neva foram definidas com granito. Todavia, apenas em 1850 foi aberta a primeira ponte permanente sobre o Neva, a Blagoveshchenski. Os principais nomes do neoclássico de São Petersburgo da época foram Jean-Baptiste Vallin de la Mothe, que construiu a Academia Imperial de Artes, o Gostiny Dvor, o Arco de Nova Holanda e a Igreja Católica de Santa Catarina; Antonio Rinaldi, arquiteto do Palácio de Mármore; Iuri Felten, representado pelo Hermitage e pela Igreja de Chesme, Giacomo Quarenghi, que arquitetou a Academia de Ciências, o teatro do Hermitage e o Palácio de Iussupov; Andrei Voronikhin, cujas obras incluem o Instituto de Mineração e a Catedral de Nossa Senhora de Kazan; Andrei Zakharov, arquiteto do prédio do Almirantado; Jean-François Thomas de Thomon, que projetou a Bolsa da Ilha de Vassiliev; Carlo Rossi, autor do Palácio de Ielagin, de Mikhailovski, do Teatro Alexandrino, dos prédios do Senado e do Sínodo e de várias ruas, praças e avenidas; Vassili Stasov, que construiu o Portão Triunfal de Moscou e a Catedral da Trindade e Auguste de Montferrand, arquiteto da Catedral de Santo Isaac e da Coluna de Alexandre.
Em 1810, a primeira instituição de ensino superior de engenharia foi aberta em São Petersburgo pelo czar Alexandre I. A vitória sobre a Império Francês de Napoleão Bonaparte na Guerra Patriótica de 1812 foi celebrada com vários monumentos, incluindo a Coluna, de 1834 e o Portão Triunfal de Narva. Em 1825, a revolta contra Nicolau I ocorreria na Praça do Senado da cidade, um dia após ele ter assumido o trono. Em torno dos anos 1840, a arquitetura neoclássica deu lugar a vários estilos românticos, que permaneceriam na moda até a década de 1890, representados por arquitetos como o reconhecido Andrei Stackenschneider, que projetou os palácios de Mariinski, Beloselski-Belozérski e Nikolaiévski. Com a emancipação dos camponeses sancionada por Alexandre II em 1861 e uma revolução industrial, o influxo de camponeses para a capital cresceu imensamente. Os distritos mais pobres emergiriam nas periferias da cidade. São Petersburgo ultrapassava Moscou com relação à população e crescimento industrial, desenvolvendo-se até tornar-se uma das maiores cidades industriais da Europa, com uma importante base naval em Kronstadt.
Os nomes dos santos Pedro e Paulo, que batizaram as primeiras construções da cidade, por ironia, eram os mesmos dos primeiros dois czares russos assassinados - Pedro III, em 1762, como resultado de um complô elaborado pela própria czarina Catarina, e Paulo I, em 1801, morto por conspiradores que pretendiam levar o seu filho, Alexandre I, ao trono. O terceiro czar assassinado seria Alexandre II, em 1881 e, posteriormente, Nicolau II seria o último, em 1918. The Last Stop in Yuma County tem como representação social um filme norte-americano de suspense policial neo-western de 2023, produzido, escrito e dirigido por Francis Galluppi em sua estreia na direção de longas-metragens. É estrelado por Jim Cummings, Jocelin Donahue, Richard Brake, Faizon Love e Michael Abbott Jr. O filme estreou no Fantastic Fest em 23 de setembro de 2023 e teve um lançamento limitado nos cinemas dos Estados Unidos antes de ser lançado em plataformas digitais em 10 de maio de 2024 pela Well Go USA Entertainment. O faroeste contemporâneo é um subgênero do gênero faroeste que inclui cenários contemporâneos e utiliza temas, arquétipos e motivos do Velho Oeste, como um “anti-herói rebelde, planícies abertas e paisagens desérticas, ou tiroteios”. Este subgênero inclui os gêneros pós-faroeste, neo-faroeste e faroeste urbano, que incluem o “culto do cowboy” em um cenário moderno que envolve os sentimentos e a compreensão do público sobre os filmes de faroeste. Pode-se dizer que um neo-faroeste utiliza temas do faroeste ambientados. De acordo com Stephen Teo em Eastern Westerns: Film and Genre Outside and Inside Hollywood, há pouca diferença entre o neo-faroeste e o pós-faroeste, e os termos podem ser frequentemente usados de forma intercambiável.
O
filme representou um projeto de paixão para Francis Galluppi, que passou anos
tentando realizá-lo. Antes de trabalhar na indústria da Sétima Arte, o
realizador teve uma carreira musical que envolvia muitas viagens, tendo
descrito experienciar uma sensação recorrente de ser um “peixe fora d`água” ao
entrar em estabelecimentos de áreas pouco povoadas. Após um acordo com uma
produtora que não se concretizou, o produtor executivo James Claeys ofereceu-se
para vender a sua própria casa e financiar o filme, acabando Galluppi por
aceitar a oferta de Claeys. Numa entrevista, o realizador confessou que o projeto
só se concretizou quando finalmente encontrou um cenário de lanchonete no Four
Aces Movie Ranch em Palmdale, Califórnia, para começar as filmagens. O
longa-metragem foi rodada ao longo de 20 dias com um orçamento de US$ 1 milhão.
O filme The Last Stop in Yuma County estreou no Fantastic Fest em 23 de
setembro de 2023. Teve um lançamento limitado nos cinemas e foi lançado em
plataformas digitais a 10 de maio de 2024 e em formato físico Blu-ray nos
Estados Unidos a 16 de julho de 2024, ambos pelo Well Go USAM Entertainment. A
versão em Blu-ray contem versões com comentários em audio, um making-of
e o trailer original de cinema do filme. A Arrow Vídeo lançou o filme também em
Blu-ray a 17 de fevereiro de 2025 no Reino Unido. O lançamento contém todos os
extras do lançamento anterior, para além de uma entrevista adicional com
Galluppi, um ensaio visual e um texto sobre o filme.
Na América do Norte
(Canadá, Estados Unidos e Porto Rico), The Last Stop in Yuma County arrecadou
cerca de US$ 41.520 em 45 cinemas durante o seu fim de semana de estreia,
terminando em 29º lugar no ranking. No total, o filme arrecadou US$
94.344 na América do Norte. O filme teve um ótimo desempenho e críticas em
França, estreando com US$ 211.801 e arrecadando US$ 590.840 durante o seu tempo
de exibição nos cinemas. Mundialmente, o filme arrecadou US$ 685.184. Historicamente
em 1929, já se falava da necessidade de mudanças nos filmes de faroeste para
que se mantivessem relevantes na América moderna da época, pois “Tom Mix, Hoot
Gibson e Ken Maynard precisam trocar os cavalos pelos aviões ou voltar para o
asilo de atores veteranos”. No entanto, o surgimento do faroeste contemporâneo
é atribuído a dois motivos específicos: 1) a ambientação contemporânea permitiu
o uso de um número maior de ideias sociais para enredos, que incluíam de tudo,
desde bandidos modernos e malvados até carros de alta tecnologia e
metralhadoras; 2) Gene Autry, um astro famoso dos filmes de faroeste, também
era um cantor e artista renomado. Para aproveitar ao máximo sua reputação, a
Republic Pictures decidiu que o melhor seria Autry interpretar a si mesmo,
transferindo assim os filmes do Velho Oeste para um cenário contemporâneo.
Alguns atores
anteriores, como Ken Maynard (1895-1973) e Hoot Gibson (1892-1962),
ocasionalmente estrelaram filmes com ambientação moderna, mas Autry foi
o primeiro ator a estrelar esse tipo de filme regularmente. Os filmes de
Autry também foram descritos como “dramas policiais em um cenário ocidental
contemporâneo”. Outros exemplos iniciais do gênero foram filmes estrelados por
Roy Rogers, que incluíam cenários contemporâneos com forte dependência de
personagens e imagens tradicionais do faroeste, como Silver Spurs
(1943). Seus filmes realizados após 1947 são descritos como “quase sem exceção,
filmes de aventura modernos ambientados no oeste americano”. A empresa Republic
Pictures, que distribuiu um número significativo de filmes de Gene Autry e Roy
Rogers foram as duas maiores lendas dos faroestes musicais dos anos 1930 e
1940. Embora tenham sido os maiores rivais da época de ouro do estúdio Republic
Pictures, eles trabalharam juntos num único longa-metragem e dividiram espaço em outro. Autry e Rogers se especializou no
subgênero faroeste contemporâneo, um exemplo do qual é também Texas Rangers
Ride Again (1940) da Paramount.
Um dos primeiros anti-heróis
é Tersites, de Homero, pois ele serve para expressar críticas, demonstrando uma
postura anti-establishment. O conceito também foi identificado no drama grego
clássico, na sátira romana e na literatura renascentista como Dom Quixote e o
malandro picaresco. Um anti-herói que se encaixa na noção mais contemporânea do
termo é o guerreiro de casta inferior Karna, no Mahabharata. Karna é o sexto
irmão dos Pândavas (simbolizando o bem), nascido fora do casamento e criado por
um cocheiro de casta inferior. Ele é ridicularizado pelos Pândavas, mas aceito
como um excelente guerreiro pelo antagonista Duryodhana, tornando-se assim um
amigo leal, eventualmente lutando no lado errado da guerra justa final. Karna
serve como uma crítica à sociedade da época, aos protagonistas, bem como à
ideia de a guerra ser válida em si, mesmo que Krishna a justifique
posteriormente de forma adequada. O termo anti-herói foi usado pela primeira
vez já em 1714, surgindo em obras como O Sobrinho de Rameau no século
XVIII, e também é usado mais amplamente para cobrir os heróis byronianos,
criados pelo poeta inglês Lord Byron. O Romantismo literário do século XIX
ajudou a popularizar novas formas de anti-herói, como o duplo gótico. O
anti-herói acabou por se tornar uma forma estabelecida de crítica social, um
fenômeno frequentemente associado ao protagonista sem nome em Notas do Subsolo,
de Fiódor Dostoiévski. O anti-herói emergiu como um contraponto ao arquétipo
tradicional do herói, um processo que Northrop Frye chamou de “centro de
gravidade” ficcional. Este movimento indicou uma mudança literária no ethos
heroico, do aristocrata feudal (cf. Anderson, 1984) para o democrata urbano,
tal como a mudança das narrativas épicas para as narrativas irônicas.
O anti-herói tornou-se
proeminente em obras existencialistas do início do século XX, como A Metamorfose de Franz Kafka
(1915), A Náusea de Jean-Paul Sartre (1938), e O Estrangeiro de
Albert Camus (1942). O protagonista nessas obras é um personagem central
indeciso que vagueia pela vida e é marcado pelo tédio, angústia e
alienação. O anti-herói entrou na literatura americana nas décadas de
1950 e 1960 como uma figura alienada, incapaz de se comunicar. O anti-herói
americano das décadas de 1950 e 1960 era tipicamente mais proativo do que seu
equivalente francês. A versão britânica do anti-herói emergiu nas obras dos
“jovens raivosos” da década de 1950. Os protestos coletivos da contracultura
dos anos 1960 fizeram com que o anti-herói solitário fosse gradualmente
eclipsado da proeminência ficcional, embora não sem subsequentes ressurgimentos
em formas literárias e cinematográficas. Durante a Era de Ouro da Televisão,
dos anos 2000 até o início dos anos 2020, anti-heróis como Tony Soprano, Jack
Bauer, Gregory House, Dexter Morgan, Walter White, Frank Underwood, Don Draper,
Neal Caffrey, Nucky Thompson, Jax Teller, Alicia Florrick, Annalise Keating,
Selina Meyer e Kendall Roy tornaram-se proeminentes nos programas de TV mais
populares e aclamados pela crítica. Na década de 2020, os estudos sobre
televisão expandiram-se para incluir a “anti-heroína”, examinando protagonistas
femininas complexas que subvertem as expectativas tradicionais de gênero de
cuidado e submissão. Em seu ensaio publicado em 2020, intitulado: Heróis
Pós-heroicos – Uma Imagem Contemporânea, o sociólogo alemão Ulrich
Bröckling examina a simultaneidade de modelos de papéis heroicos e pós-heroicos
como uma oportunidade para explorar o lugar do heroísmo na sociedade
contemporânea.
Na arte contemporânea, o artista multimídia francês Thomas Liu Le Lann aborda essa questão é clara em sua série espetacular Soft Heroes (2006), na qual anti-heróis sobrecarregados, modernos e cansados parecem ter desistido do mundo da vida cotidiana ao seu redor. Bröckling é um sociólogo alemão e professor de sociologia cultural na Universidade Albert-Ludwigs de Freiburg. É coeditor das revistas Leviathan – Berliner Zeitschrift für Sozialwissenschaft e Behemoth – A Journal on Civilization. Após concluir a formação profissional como professor de educação especial, Bröckling estudou sociologia, história moderna e filosofia na Universidade de Freiburg. Até 1991, trabalhou para o publicitário Walter Dirks e foi coeditor da coletânea de escritos de Dirks (1987–1991), além de contribuir para a revista trimestral anarquista Schwarzer Faden. De 1991 a 1999, Bröckling trabalhou como editor em uma editora. De 1999 a 2002, foi pesquisador associado no Centro de Pesquisa Colaborativa 511 da DFG “Literatura e Antropologia” na Universidade de Konstanz e, posteriormente, até 2007, foi o coordenador acadêmico do Grupo de Treinamento em Pesquisa 838 da DFG “A Figura do Terceiro”, também na Universidade de Konstanz. Bröckling recebeu seu doutorado em 1996 e sua habilitação em sociologia pela Universidade de Freiburg em 2006. De 2007 a 2009, foi professor de Ética, Política, Retórica, no Instituto de Ciência Política da Universidade de Leipzig. De 2009 a 2011, foi professor de sociologia geral centrado em teoria sociológica na Universidade Martin Luther de Halle-Wittenberg. Desde 1º de abril de 2011, Bröckling é professor de Sociologia Cultural no Instituto de Sociologia da Universidade de Freiburg.
De outubro de 2016 a setembro de 2017, foi pesquisador associado no Instituto de Estudos Avançados em Humanidades da Universidade de Konstanz. A pesquisa de Ulrich Bröckling concentra-se na sociologia das tecnologias sociais e do Eu, estudos de governamentalidade, sociologia cultural, antropologia e sociologia da guerra e das forças armadas. Bröckling publica regularmente artigos e livros sobre formas contemporâneas de governo e subjetivação. Além de inúmeros ensaios sobre esses temas, suas publicações incluem a monografia The Entrepreneurial Self (Suhrkamp, 2007), que adota uma postura crítica em relação à governamentalidade, e a coletânea de ensaios Good Shepherds Lead Gently: On the Arts of Governing People (Suhrkamp, 2017). Essas publicações receberam ampla atenção, inclusive no Die Zeit e no Frankfurter Rundschau. O livro de Bröckling, Heróis Pós-Heroicos, foi escrito como parte do Centro de Pesquisa Colaborativa interdisciplinar Heróis - Heroização - Heroísmos. Da meta-perspectiva sociocultural, examina a relevância dos heróis, o desejo de heroização e também as tendências à deseherização. Bröckling explica que o culto aos heróis permanece uma “tecnologia de dominação” mesmo em sociedades pós-heroicas, como as democracias liberais.
O crítico Michael Opitz (1962-2026) escrevendo na Deutschlandfunk Kultur, afirma: A tese muito convincente de Bröckling é que o “heroico” deve ser “pensado até o esquecimento”. Ulrich Bröckling demonstra teórica e metodologicamente de forma impressionante, neste ensaio estimulante e esclarecedor, como o status de herói pode ser “pensado até o esquecimento” e como se pode refutar de forma inteligente e elegante o heroísmo duvidoso. O xadrez, empiricamente, é classificado como jogo de mesa, classificação dada por aspectos visíveis, posto que é jogado em uma superfície plana. A formação do conceito teórico é decorrente do processo de investigação da gênese e desenvolvimento do objeto, que possibilitará a expressão da relação essencial. Para investigarmos o conteúdo teórico do conceito de xadrez, segundo Meneghel (2019), necessitamos acessar elementos teóricos referentes à essência e manifestação do objeto estudado, neste caso, o xadrez. A essência de um objeto se dá por formações a partir de conjuntos de relações sociais e históricas. Se o alvo está relacionado ao objetivo, podemos concluir que uma peça do xadrez, por exemplo, não pode ser o alvo dessa relação essencial. Dessa forma, a peça age como instrumento intermediário, pois o verdadeiro alvo é a conquista de território ou espaço. A estrutura do jogo é formada por quatro elementos: as regras, a dinâmica de ataque e defesa, a percepção e análise nas situações de jogo e os conhecimentos estratégicos e táticos. O controle da ação corporal do outro é a estrutura do xadrez desde seu surgimento como atividade lúdica, em jogos que o precederam ainda que não totalmente desenvolvidos. O jogo como manifestação do xadrez é o ponto de partida para a investigação da especificidade de nosso objeto de pesquisa.
Partindo das relações sociais derivadas dessa compreensão, temos como finalidade, nesta produção de âmbito acadêmico, responder ao seguinte questionamento: quais elementos específicos compõem o conteúdo teórico do conceito de xadrez? Para responder compreensivamente ao nosso questionamento sobre quais são os elementos que os jogadores necessitam operar em suas ações durante o jogo de xadrez, de forma geral, reportamo-nos a sua gênese e desenvolvimento, buscando no jogo contemporâneo tal resposta. Embora diversas civilizações antigas tenham sido descritas ou caracterizadas como havendo sido o berço do xadrez, tais como o Antigo Egito e a China dinástica, na contemporaneidade a maioria dos pesquisadores concorda que o jogo tenha se originado na Índia por volta do século VI d. C., na forma de uma concepção antiga xadrez com regras diferentes das atuais e denominados Chaturanga em sânscrito. Posteriormente o Chaturanga difundiu-se na Pérsia durante o século VII, recebendo o nome persa de Shatranj, provavelmente com regras diferenciadas comparativamente em relação ao jogo indiano. O Shatranj, por sua vez, foi assimilado pelo Mundo Islâmico após a conquista da Pérsia pelos muçulmanos, porém as peças se mantiveram durante muito tempo com os seus nomes persas originais. Dentre os praticantes de Shatranj, aqueles que mais se notabilizaram foram al-Razi, al-Adli e o historiador al-Suli e seu discípulo e sucessor al-Lajlaj. Diversos estudos foram realizados por al-Suli com o objetivo de compreender os princípios das aberturas e os finais de cada partida, além de “classificar os praticantes de Shatranj em cinco categorias em razão de sua força de jogo”. Na passagem do primeiro milênio da nossa Era civilizacional, o jogo já havia se difundido por grande toda a Europa e atingido a Península Ibérica no século X, sendo citado no manuscrito do século XIII, o Libro de los Juegos, que discorria sobre o Shatranj, dentre outros jogos.
Os jogos de tabuleiro são reconhecidos desde a Antiguidade, mas foi durante a Idade Média que a maioria deles recebeu as regras e a imagem com que são reconhecidos. Xadrez, Dama, Gamão e Moinho possuem praticamente as mesmas regras e tabuleiros que tinham na Era Medieval. Quando surgiram, os jogos de tabuleiro estavam restritos aos membros da nobreza e do clero. As pessoas comuns que formavam os gentios não tinham acesso a este tipo de entretenimento. A explicação para isso pode ser encontrada na complexidade técnica de interpretação da regra de alguns destes jogos. Outro fator estava no elevado preço que estes produtos tinham, como mercadoria, o que afastava a maior parte dos consumidores. Entre todos os jogos de tabuleiro surgidos, destacou-se o Xadrez. Mas ao contrário do que se possa imaginar, o Xadrez não foi criado na Europa. Apesar das peças do jogo estarem relacionadas a sociedade medieval europeia: rei, rainha, bispo, cavalo, torre e peões, o jogo surgiu no oriente. Mais precisamente na Índia, onde o jogo é reconhecido como Chaturanga. Com isso as peças do jogo estão associadas a cultura e religião deste povo: Raja (espécie de rei), Mantri (conselheiro do rei), Ratha (carruagem), elefante, cavalo e infantaria.
Um dos ancestrais dos jogos de
tabuleiro contemporâneos é o Jogo real de Ur. Estima-se que era jogada em torno
de 2.500 a. C. na cidade Suméria de Ur, atualmente Iraque. O jogo foi
descoberto entre 1922 e 1934, durante as escavações lideradas pelo arqueólogo
inglês Sir Leonard Woolley (1880-1960). Em meio a tumbas, Leonard
encontrou joias, armas, e também vários tabuleiros, trabalhados em madeira e
adornados com madrepérola e lápis-lazúli. O curador do Museu Britânico e
especialista em escrita cuneiforme Irving Finkel, trabalhou na decifração das
regras do jogo, sendo um trabalho complexo, realizado durante longa duração de sua
vida. Finkel e outros especialistas do Museu Britânico encontraram uma tabuinha
que se permitiu concluir que os jogos eram utilizados por essas atividades
divinatórias. A arte divinatória era muito importante para os sumérios,
utilizada como uma forma de se comunicar com os deuses, e para isso poderia ser
usada além dos jogos, como a interpretação de sonhos e a observação de vísceras
de animais. Os egípcios se interessavam por jogos de tabuleiro, um deles era o
Senat, ou Senet, também conhecido como “Jogo de passagem da alma para outro
mundo”.
Fragmentos e hieróglifos encontrados em escavações indicam que o jogo de Senat teria por volta de 5.500 anos. Na tumba do faraó Tutancâmon foi encontrado quatro tabuleiros, um deles constituído de ébano e marfim, com peças em ouro. O faraó detinha o poder religioso, administrativo, judicial e militar. Podia ter diversas esposas e grande número de amantes. A endogamia era comum não somente entre os faraós, mas também nas outras frações de classes sociais. A sociedade do antigo Egito era dividida em diversos estratos sociais. A primeira era constituída pelos membros da família real. Depois, os sacerdotes, os nobres, os escribas, os guerreiros, os mercadores e os artesões. Os lavradores, operários e servos faziam parte da classe baixa da população. As classes privilegiadas eram as classes dos nobres e dos sacerdotes. Os nobres eram funcionários que administravam, em nome do faraó, os nomos, antigas divisões territoriais. Os sacerdotes faziam parte da elite intelectual de grande poder social, em virtude de serem considerados intermediários entre os homens e os deuses. Os escribas eram fiscais e contabilistas da produção das terras do faraó e constituíam uma classe prestigiada, pois era a única que dominava a complicada escrita hieroglífica.
O jogo de Senat tinha
profunda ligação com a mitologia egípcia, sendo citado no Livro dos Mortos e
textos religiosos. Quando havia apenas um jogador, entendia-se que ele
enfrentava o seu próprio destino, representado pela imagem do deus dos mortos,
Osíris. Se vitorioso, o jogador receberia a benção da vida eterna. Vencer o
jogo de Senat significa triunfar sobre o mal e renascer com sucesso na vida
após a morte. O Senet era utilizado como entretenimento pelos antigos egípcios,
assim como podemos perceber em várias cenas apresentadas em papiros. Apesar de
ter um fim de entretenimento, apresentava um profundo significado religioso por
representar a alma em sua árdua trajetória no mundo dos mortos. Segundo o
arqueólogo norte-americano Peter Piccione (1980: 58) o jogo indica que os
antigos egípcios acreditavam que eles poderiam influenciar a sua pós-vida. Até
o final da décima oitava dinastia em 1293 a. C., o Senet foi transformado em
uma simulação das viagens ao submundo. Isso porque os jogos foram encontrados
em tumbas e inscrições mostram que o jogo poderia em alguns momentos ser jogado
por apenas uma pessoa. Então o autor acredita em duas formas simultâneas de uso
do jogo Senet. Quando se faz uso por duas pessoas, em forma de entretenimento,
e por uma pessoa, em um ritual divinatório da vida após a morte.
O Condado de Yuma é um
dos 64 condados do Estado americano do Colorado. A sede do condado é Wray, e a
sua maior cidade é Yuma. Os primeiros nativos norte-americanos que viviam no
Colorado foram os anasazis, cerca de um milênio antes da chegada dos primeiros
exploradores europeus na região. À época da chegada dos primeiros exploradores
europeus na região, viviam no atual Colorado os Arapahos, os Cheyennes, os Comanches,
os Kiowas e os Pawnees, na região Leste, e os Utes, no Oeste. Milhares de
nativos, de tribos diferentes do Leste norte-americano, passariam pela região
durante o século XIX, quando foram forçados a sair do Leste e migrar em direção
ao Oeste. Os primeiros exploradores europeus na região foram espanhóis, durante
o século XVI. Tais exploradores chegaram à região vindos do Sul, do México, e
estavam em busca de metais preciosos, tais como ouro. Os espanhóis, não tendo
encontrado ouro no atual Colorado, não se interessaram em povoar a região,
tendo reivindicado posse da região somente em 1706, 24 anos depois de o francês
René-Robert Cavelier ter reivindicado a posse da região Leste do atual Colorado
para a coroa francesa e, assim, ter feito parte da colônia francesa de
Louisiana. Nascido em Sieur de La Salle (1643-1687) foi um nobre, comerciante e
explorador francês do século XVII, atuante principalmente na América do Norte.
Um dos mais notórios exploradores franceses do chamado Novo Mundo, La
Salle explorou a região dos Grandes Lagos dos países posteriormente fundado e
nomeados Estados Unidos da América e Canadá, o rio Mississippi e o Golfo do
México.
Enquanto isso boa parte da África encontra-se na fase “pré-colonial”. Fase em que a presença dos europeus - sobretudo portugueses, holandeses, franceses e ingleses em contínua disputa e concorrência - se expressa em entrepostos, localizados nas costas atlânticas, onde era praticado o comércio de mercadorias bem como de homens, mulheres e crianças escravizados. Levados à força como mão-de-obra para as Américas, foi por meio desse tráfico humano que se estruturou um forte eixo de conexão transcultural entre o espaço africano ocidental, oeste e leste central e americano. Nessa parte da África, a colonização pelas nações europeias se cristaliza a partir da década de 1860, e se acirra na de 1880 com a corrida imperialista. Do lado americano do Atlântico, após a fase das independências políticas, observa-se o processo de construção e formação dos estados modernos e das nações americanas. Se as Américas e a África vivenciam trajetórias políticas marcadas por diferenças e especificidades, pode-se especular com a hipótese que impacto da Ilustração apresenta semelhanças. A Ilustração - um movimento cultural, científico, social e político que se espraia pelo continente europeu - teve a sua materialização, na França, por exemplo, no projeto da Encyclopédie, na fundação de sociedades científicas e na profissionalização das academias de ciências, que contribuíram para a organização das grandes viagens de exploração. Como as de Louis Antoine de Bougainville (1729-1811) e Jean François de La Pérouse (1741-1788), que semelhante ao britânico James Cook (1728-1779), viajam pelo “mundo afora” com uma enorme equipe de cientistas, em navios, que funcionavam também como laboratórios e gabinetes itinerantes de pesquisa nas várias áreas do saber.
Essas viagens de
circum-navegação foram essenciais no sentido civilizatório de mapear os
continentes e descobrir rincões ainda desconhecidos pelos colonizadores europeus.
Mas essas expedições priorizavam os litorais e somente em raros casos, como por
exemplo a expedição do matemático Charles Marie de La Condamine (1701-1774)
pela bacia do Amazonas, atravessavam os continentes. Afora as regiões costeiras
onde os europeus já mantinham desde o século XV os seus entrepostos e por onde
passam também as viagens de circum-navegação, o interior da África era terra
ignota aos europeus. Com a fundação da African Association em 1788, na
Grã-Bretanha, “a abertura da África” dá os seus primeiros passos. O escocês
Mungo Park (1771-1806) será uma das figuras pioneiras desse movimento social in
statu nascendi, ancorado na ciência da Ilustração, tornando-se referência
para ulteriores exploradores, dentre eles os franceses, com o intento de penetrar
no continente africano. Na América, as independências políticas e o fim dos
monopólios coloniais implicaram na abertura das fronteiras franqueando a
entrada de muitos estrangeiros, dentre eles numerosos viajantes exploradores
motivados por razões científicas e comerciais. No caso do Brasil joanino
(1808-1821), os franceses somente puderam usufruir dessa abertura após a queda
de Napoleão e o restabelecimento da paz no continente europeu. É a partir dessa
conjuntura política que ocorre um novo “descobrimento francês” no Brasil e um
renovado interesse comercial pelo país.
La Salle é mais reconhecido por sua expedição no início de 1682 em que canoou o Baixo Mississippi da foz do rio Illinois até o Golfo do México. Em 9 de abril de 1682, La Salle reivindicou toda a Bacia do Mississippi para a França de Luís XIV, “batizando” a região de La Louisiane em homenagem a São Luís e ao próprio monarca francês. Alguns historiadores salientam que a expedição de La Salle “adquiriu para a França a metade mais fértil do continente norte-americano”. La Salle é frequentemente considerado o primeiro europeu a atravessar o rio Ohio e, eventualmente, o Mississippi como um todo. Entretanto, estudos mais recentes confirmam que Louis Jolliet (1645-1700) e Jacques Marquette (1637-1675) o precederam no Mississippi em sua jornada de 1673-1674, e evidências existentes não indicam que La Salle sequer alcançou o vale dos rios Ohio e Allegheny. Esta região passaria ao controle dos espanhóis em 1762 e, sob os termos do Tratado de Santo Ildefonso, passaria novamente ao controle dos franceses em 1800, para ser finalmente anexada, como parte da Compra da Luisiana, pelos Estados Unidos. Em 1806, um oficial do Exército dos Estados Unidos, Zebulon Montgomery Pike (1779-1813), realizou a Expedição Pike na parte norte-americana do Colorado.
O Monte Pike seria nomeado em sua homenagem. Outra exploração, também liderada por oficiais do exército norte-americano, seria realizada em 1820. Em 1833, os norte-americanos fundariam seu primeiro forte na região, onde atualmente está localizada La Junta. Em 1848, os norte-americanos obteriam posse do restante do Colorado, então sob domínio do México, após o fim da guerra mexicano-americana. A região do atual Colorado era escassamente povoada até a década de 1850. Em 1858, porém, minas de ouro foram encontradas na região. Em apenas um ano cerca de 50 000 pessoas, entre imigrantes e habitantes do Leste norte-americano, haviam migrado para a região. O súbito crescimento populacional da região causou problemas entre os mineiros e os nativos que viviam na região, que reivindicavam a posse da região. Os mineiros instituíram um território, que foi chamado de Território de Jefferson. O governo norte-americano não reconheceu o território, e, no lugar, criou o Território de Colorado, em 1861. Diversos conflitos entre brancos e nativos ocorreram no Colorado, nas décadas de 1860 e 1870. Em 1864, por exemplo, uma milícia branca mataria, no que ficou reconhecido como o Massacre de Sand Creek, 150 cheyennes e arapahos, a maioria mulheres, crianças e idosos. Em 1868, 50 soldados do exército foram emboscados por nativos. Estes soldados lutaram por diversos dias, até serem salvos por tropas norte-americanas. A última batalha entre brancos e nativos no Colorado ocorreria em 1879, no Massacre de Meeker. Grandes minas de prata seriam encontradas no Colorado depois do término da Corrida do Ouro, o que manteve em alta o crescimento populacional do estado.
Grandes reservas de petróleo foram encontradas no Colorado, embora estas não tenham sido exploradas em grande escala até o início da década de 1900. Em 1870, a primeira ferrovia conectando o Colorado com outras regiões foi inaugurada, comunicando Denver com Cheyenne, em Wyoming. Em 1° de agosto de 1876, o Colorado tornou-se o 38º estado norte-americano. Escólio: Em um local remoto e desértico no Condado de Yuma, Arizona, na década de 1970, um vendedor ambulante de facas para em um posto de gasolina. Vernon, o frentista do posto e do motel, informa-o de que “as bombas estão secas e que não há outros postos de gasolina num raio de 160 km, mas que um caminhão-tanque deve chegar em breve”. No rádio, o vendedor ouve sobre um assalto a banco ocorrido naquela manhã em Buckeye, onde os ladrões fugiram com aproximadamente US$ 700.000 em um Ford Pinto verde com a traseira danificada. Charlotte, garçonete de uma lanchonete próxima, é deixada ali por seu marido Charlie, que é o xerife local; ela abre a lanchonete e recebe o vendedor. Em conversa com Charlotte, ele menciona que está a caminho de Carlsbad, Califórnia, para o aniversário de sua filha Sarah. Pouco depois, os dois assaltantes de banco, Travis e Beau, passam pelos destroços de um caminhão-tanque e chegam em um Pinto verde, que o vendedor reconhece sendo o carro usado na fuga do assalto. Ele conta suas suspeitas para Charlotte, que tenta ligar para o marido na delegacia, mas Beau a impede e corta o fio do telefone antes que ela consiga falar com o xerife. Os assaltantes a obrigam, sob a mira de armas de fogo, a continuar agindo normalmente em suas atividades de garçonete até que o caminhão-tanque chegue ou que alguém com combustível suficiente no carro pare.
Sem que ninguém no restaurante saiba, o caminhão nunca chegará, pois saiu da estrada e está tombado a vários quilômetros de distância e é derradeiro para o desfecho da trama. Charlie pede ao seu assistente, Gavin, que passe na lanchonete para pegar café para a delegacia, e Charlotte tenta lhe entregar um pedido de ajuda na tampa de um dos copos, mas o café acaba derramando sem que Gavin veja a tampa quando esbarra em Travis. Enquanto isso, juntando-se ao vendedor e a Charlotte na lanchonete estão um casal de idosos do Texas, dois jovens aspirantes a criminosos chamados Miles e Sybil, e o fazendeiro local Pete que como praxe visita-o matinalmente. Com o tanque de combustível do carro de Pete quase cheio, Beau e Travis tentam obrigá-lo a entregar as chaves, mas como várias pessoas na lanchonete estão armadas, um impasse se instala. Pete tenta negociar uma saída para o impasse. No entanto, Charlotte esfaqueia Beau, o que desencadeia um tiroteio no qual todos morrem, exceto o vendedor e Sybil. Mas Sybil atira no vendedor, e ele consegue esfaqueá-la e matá-la em legítima defesa. Comparativamente é o que ocorre, na prática, com o truque espetacular no jogo de Damas que as peças parecem cair todas simultaneamente é reconhecido no meio enxadrístico como Golpe do Ladrão, Tema Turco ou simplesmente “a tática de sacrifício em cadeia”. A mágica acontece porque a captura é obrigatória, e uma dama sua colocada estrategicamente é forçada a comer várias peças do adversário em um único turno. Como funciona o truque na prática.
Nessa manobra, você entrega uma ou mais peças de bandeja, obrigando o adversário a capturá-las. Em seguida, ao chegar na casa correta, a sua peça, geralmente uma dama, inicia uma longa sequência de capturas ziguezagueando pelo tabuleiro. O termo “Tema Turco” refere-se à dinâmica onde uma única peça limpa uma grande área de capturas em uma velocidade visual impressionante. Regras fundamentais para o golpe dar certo. Captura em Cadeia: A sua dama deve pousar em uma casa onde ela seja obrigada a pular sobre outra peça do adversário, e assim sucessivamente, até que não restem mais pulos válidos. A Lei da Maioria: Lembre-se de que, pelas regras oficiais, a captura é obrigatória e, se houver mais de um caminho possível, o jogador é obrigado a escolher o caminho que captura o maior número de peças. Casas de Pouso: A peça só é retirada do tabuleiro após a dama completar a volta inteira da captura, o que dá a ilusão de que todas as pedras caem ao mesmo tempo quando a sequência se encerra. O vendedor decide pegar o dinheiro roubado do porta-malas do Pinto e furta um pouco de combustível da caminhonete do Pete. Antes de partir em seu próprio Toyota, ele é interrompido por um jovem casal com um bebê que chega ao local. Em uma briga que se segue, o vendedor acaba matando os dois e, sem saber, atirando no próprio tanque de gasolina. O vendedor deixa o bebê chorando no carro do casal e foge, deixando um rastro de gasolina derramada. O xerife e o delegado chegam e descobrem a carnificina. Buscando vingança pelo assassinato de sua esposa, o xerife persegue o vendedor em fuga, cujo carro ficou sem gasolina perto dos destroços do caminhão-tanque. O xerife duvida, pela sua experiência, da inocência do vendedor e atira nele enquanto foge. Pouco antes de ser atingido no abdômen, o vendedor incendeia um rastro de gasolina que destrói o caminhão-tanque, resultando em uma explosão imediatamente que mata o xerife. O vendedor se deixa cair sobre sua sacola de dinheiro enquanto as notas voam com o vento.
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