segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Cálculo Mortal – Suspense Psicológico & Lugar Comum do Psicopata.

A maldade é a vingança do homem contra a sociedade, pelas restrições que ela impõe”. Sigmund Freud                                             

        Uma arma de fogo é um tipo específico de arma capaz de disparar um ou mais projéteis em série em alta velocidade através da ação pneumática provocada pela expansão de gases resultantes da queima de propelente de alta velocidade. Este processo de queima subsônica é tecnicamente conhecido como deflagração, em oposição a combustão supersônica conhecida como detonação. Em armas de fogo mais antigas, o propulsor era tipicamente a pólvora negra ou a cordite, mas armas de fogo modernas usam a pólvora sem fumaça de base simples ou dupla ou outros propelentes. A maioria das armas de fogo modernas, com a exceção das armas de alma lisa, tem canos raiados com ranhuras internas espiraladas, para dar giro em movimento helicoidal ao projétil visando melhor estabilidade ao voo do mesmo e consequentemente mais precisão a distâncias maiores. A munição, outro elemento distinto da arma, é imprescindível para o funcionamento da arma de fogo. Estima-se que os civis dos Estados Unidos da América possuam estatisticamente 393 milhões de armas de fogo, e que 35% a 42% das famílias no país tenham pelo menos uma arma. A legislação sobre armas, ou não legislação, nos Estados norte-americanos, é aumentada por interpretações judiciais da Constituição. Em 1791, os Estados Unidos adotaram a Segunda Emenda, e em 1868 adotaram a Décima Quarta Emenda. O efeito dessas duas emendas na política de armas foi objeto de decisões históricas da Suprema Corte dos Estados Unidos da América em 2008 e 2010, que mantiveram o direito dos indivíduos de possuir armas para autodefesa.

Os Estados Unidos da América têm o maior número estimado de armas de fogo per capita, com 120,5 armas para cada 100 pessoas na sociedade norte-americana. A Segunda Emenda da Constituição dos Estados Unidos diz: “Uma milícia bem regulamentada, sendo necessária à segurança de um Estado livre, o direito do povo de manter e portar armas, não será infringida”. Os debates sobre a disponibilidade de armas de fogo e a violência armada nos Estados Unidos foram caracterizados por preocupações sobre o direito de portar armas, como as encontradas na Segunda Emenda à Constituição dos EUA, a responsabilidade do governo dos Estados Unidos de atender às necessidades de seus cidadãos e para prevenir crimes e mortes. Os partidários do regulamento de armas de fogo dizem que os direitos indiscriminados ou irrestritos às armas inibem o governo de cumprir essa responsabilidade e causam problemas de segurança. Os defensores dos direitos das armas promovem armas de fogo exatamente para autodefesa, incluindo segurança contra a tirania, além de atividades sociais de caça e esporte. Os defensores do regulamento de armas de fogo afirmam que restringir e rastrear o acesso às armas resultaria em comunidades mais seguras, enquanto os defensores dos direitos das armas afirmam que o aumento da posse de armas de fogo por cidadãos cumpridores da lei reduz o crime e afirma que os criminosos sempre tiveram acesso fácil a eles de armas de fogo.

Cálculo Mortal (Murder by Numbers) tem como representação social um filme de suspense psicológico norte-americano de 2002, produzido e dirigido por Barbet Schroeder, e estrelado por magistralmente por elenco in statu nascendi promissor Sandra Bullock no papel principal, ao lado de Ben Chaplin, Ryan Gosling e Michael Pitt. É vagamente baseado no caso Leopold e Loeb. O filme foi exibido no Festival de Cinema de Cannes de 2002, mas não entrou na competição. Nascido em Teerã, em 26 de agosto de 1941, é um cineasta e produtor francês de origem suíça que iniciou sua carreira na década de 1960. Ele é casado com a atriz Bulle Ogier e já realizou trabalhos com outros diretores como Jean-Luc Godard e Jacques Rivette. Schroeder nasceu na capital do Irã, Teerã, sua mãe Ursula era uma médica alemã e seu pai Jean-William era um geólogo suíço. Fundou uma empresa chamada Les Films du Losange aos 23 anos de idade, que produziu alguns dos filmes da Era do cinema francês chamada de French New Wave. Seu debut como diretor foi com o filme More (1969), que trata sobre o vício em heroína, tornou-se um sucesso na Europa. A trilha sonora do filme foi assinada pela banda Pink Floyd. A banda também foi responsável pela trilha sonora do filme La Vallée. Mais tarde ingressou como diretor em Hollywood, com filmes como Barfly (1987) estrelando Mickey Rourke, Single White Female (1992) e O Reverso da Fortuna (1990), trabalho em que Jeremy Irons recebeu o Óscar da Academia.

                               


Apesar do seu sucesso comercial, o diretor ainda se interessa em filmes curtos e com audiência limitada, como a adaptação de Fernando Vallejo do romance La Virgen de los Sicarios de (2000), um romance semiautobiográfico do escritor colombiano Fernando Vallejo sobre um autor na casa dos 50 anos que retorna à sua cidade natal, Medellín, após 30 anos de ausência, e se vê preso em uma atmosfera de violência e assassinatos causada pela guerra entre cartéis de drogas. Nessa linha, em 2007 produziu e dirigiu o filme O Advogado do Terror, um documentário sobre o terrorismo nos últimos cinquenta anos na visão do advogado francês Jacques Vergès e alguns de seus clientes. Schroeder também fez pontas como ator, em Marte Ataca! de (1996) como o Presidente da França, como um vendedor em Paris, Te Amo de (2006) e como um mecânico em A Viagem para Darjeeling de (2007). O romance foi posteriormente adaptado para o cinema, recebendo diversos reconhecimentos internacionais, como o Prêmio do Senado Italiano, o prêmio de melhor filme latino-americano no Festival de Cinema de Veneza (2000) e o prêmio do Festival Internacional de Cinema Novo de Havana (2000). Existe um crescente corpo de estudos acadêmicos e comentários críticos sobre esta obra controversa, a maioria em espanhol. As breves seções a seguir buscam proporcionar ao leitor uma compreensão básica de algumas das principais abordagens daquela que é, sem dúvida, uma obra central da ficção colombiana da década de 1990. Trata-se de uma obra de ficção elaborada e debatida que aborda eventos relacionados ao narcotráfico e suas consequências nefastas para a sociedade colombiana ou do documentário General Idi Amin Dada de 1974.

Nascido em Campala, de um pai da tribo kakwa e uma mãe lubara em 30 de maio de 1928 e morto em Jidá, 16 de agosto de 2003, foi um militar ugandense que ocupou o cargo de presidente de Uganda de 1971 até 1979. É considerado um dos ditadores mais brutais e déspotas da história. Em 1946, aos vinte anos, ingressou nos King`s African Rifles (KAR) do exército colonial britânico como cozinheiro. Ele foi ascendendo as patentes, até chegar a tenente, lutando ao lado dos britânicos contra rebeldes somalis, na Guerra de Shifta e, depois, na Revolta dos Mau-Mau, no Quênia. Quando Uganda ganhou sua Independência do Reino Unido, em 1962, Amin permaneceu nas forças armadas, chegando à patente de major, sendo nomeado general e comandante do exército ugandense em 1965. Em 1971, quando ele soube que o presidente Apollo Milton Obote foi presidente de Uganda entre 1966 e 1971 e retornou ao poder entre 1980 e 1985. Mas estava planejando prendê-lo, por desviar fundos do exército, Amin lançou um golpe de Estado e se declarou presidente. Durante os anos no poder, Amin deixou de ser um governante pró-Ocidente, que contava com um apoio considerável de Israel e do Reino Unido, para se tornar um líder aliado a Muammar Gaddafi da Líbia (1942-2011), a Mobutu Sese Seko (1930-1997) do Zaire, à União Soviética e à Alemanha Oriental. Em 1975, Amin tornou-se presidente da Organização da Unidade Africana (OUA), um grupo Pan-africano, criado para promover a solidariedade entre os Estados africanos. Uganda chegou a ser membro da Comissão das Nações Unidas para os Direitos Humanos, de 1977 a 1979. O Reino Unido rompeu relações diplomáticas com Uganda, em 1977, e Amin declarou que ele havia derrotado os britânicos, adicionando Conqueror of the British Empire (CBE) ou “Conquistador do Império Britânico” ao seu título oficial.

Escólio: Richard Haywood e Justin Pendleton são colegas de escola; Richard é um extrovertido arrogante, rico e popular, enquanto Justin é um solitário talentoso, porém introvertido. Aparentemente, são inimigos, mas secretamente são amigos muito próximos. Após meses planejando as condições e possibilidade de execução de um “crime perfeito”, a dupla sequestra uma mulher aleatoriamente, a estrangula e planta provas que incriminam o traficante de maconha de Richard, que é a figuração do zelador da escola Ray Feathers. A detetive Cassie Mayweather (Sandra Bullock) e seu novo parceiro, Sam Kennedy (Ben Chaplin), investigam o assassinato. Curiosamente ela transa com ele logo no início, como fazia com parceiros de trabalho anteriores, mas não permite que ele veja seus seios e o manda para casa de forma brusca depois. Neste ínterim, tanto as marcas de pegadas na cena do crime levam a Richard, quanto a ocorrência de vômito próximo incrimina Justin. Ambos têm álibis e negam se conhecer, mas Cassie está convencida de que Richard é o assassino e Justin está envolvido. Sam critica sua recusa em considerar outros suspeitos, já que a maior parte das evidências físicas apontam para longe dos dois garotos. O chefe de Cassie, Capitão Rod Cody, e seu ex, o promotor assistente Al Swanson, temendo a influência dos pais de Richard, afastam Cassie da liderança do caso. A cena de crime é qualquer local que talvez esteja associado a um crime cometido. Cenas de crimes contêm evidências físicas pertinentes para uma investigação criminal. Estas evidências são coletadas por investigadores (peritos criminais) e autoridades.

A localização de uma cena de crime pode ser o local onde o crime ocorreu ou qualquer área que contenha evidências do próprio crime. As cenas não são limitadas apenas por uma localização, mas podem ser qualquer pessoa, lugar ou objeto associado com as condutas criminosas que ocorreram. Após uma cena de crime ter sido descoberta, é importante que sejam tomadas medidas para protege-la de contaminação. Em ordem para manter a integridade da cena, as autoridades devem tomar medidas de segurança para bloquear a área ao redor, bem como controlar a entrada e saída de pessoas. Por tomarem essas precauções, os oficiais garantem que as evidências coletadas poderão ser usadas em tribunal. Evidências que foram contaminada, adulteradas ou danificadas podem poluir a cena e fazer com que um caso seja desconsiderado. É importante que tudo que ocorrer durante a análise da cena seja documentado. É trabalho do perito garantir que seja feito uma documentação extremamente coerente e resumida. A documentação deve incluir as observações e ações do perito enquanto estiver no local. O laudo pericial é responsável por documentar a aparência e a condição da cena na chegada. O laudo coletará declarações e comentários de testemunhas, vítimas e possíveis suspeitos. Vários outros documentos também são gerados para que a integridade de uma cena continue intacta. Esses documentos incluem uma lista de quem esteve em contato com a evidência (cadeia de custódia), bem como um registro de quais evidências foram coletadas.

Richard mata Ray, simulando um suicídio. Sam, seguindo as evidências plantadas, encontra Ray.  Ao encontrá-lo morto, o assassinato da mulher parece resolvido; mas Sam finalmente se convence, por meio de Cassie, de que ela pode estar certa, e continua a investigação. Justin, que tem uma queda pela colega de classe Lisa Mills, finalmente toma coragem para convidá-la para sair. Richard, com ciúmes, seduz Lisa, filma os dois e depois entrega uma cópia para Justin. Justin fica furioso, mas se controla, sabendo que a polícia ainda os está observando. Cassie começa a receber ligações do ex-marido, Carl Hudson, que foi preso por esfaqueá-la 17 (dezessete) vezes no peito. A audiência de liberdade condicional dele está chegando, e ele quer que ela fale em seu nome. Cassie confidencia a Sam que, embora tenha se tornado policial para provar a si mesma que não era uma vítima, está apavorada com a ideia de reencontrar Carl. Ela confessa que Richard a faz lembrar de Carl, e é por isso que está convencida da culpa de Richard e obcecada em prová-la. Sam e Cassie levam Richard e Justin para interrogatórios separados, tentando induzi-los a incriminar um ao outro, mas nenhum dos dois fala antes de serem liberados. Na casa da vítima, Cassie descobre como os garotos realizaram o “sequestro e alteraram as evidências físicas”. Richard, sabendo que Cassie está se aproximando e tendo iniciado um acordo judicial com o promotor, foge para uma casa abandonada.

Ele convence Justin a ir com ele até lá, então pega dois revólveres e propõe um inesperado “suicídio mútuo”. De olhos fechados, na contagem de três, Justin atira para o alto, mas Richard não. Justin exige ver a arma de Richard, que está descarregada. Quando um Justin furioso está prestes a atirar em Richard, Cassie chega. Richard pega a arma de Justin e atira em Cassie, ferindo Justin, que tenta protegê-la. Ela parte para cima de Richard, mas ele começa a estrangulá-la em um deck precário que se projeta sobre um penhasco. Cassie consegue se desvencilhar, derrubando Richard da sacada, onde ele cai e morre. Justin agarra Cassie, que está pendurada na beira do deck, e a puxa de volta para dentro da casa. Cassie garante a Justin que intercederá em seu favor para que ele seja julgado “como menor de idade”, já que ele foi uma vítima inocente, manipulada pelo implacável Richard. Então, ela percebe uma marca em seu pescoço causada pelo grande anel de Richard e conclui que o pescoço da mulher morta não apresentava uma marca semelhante. Confrontado com as evidências, Justin confessa ter estrangulado a vítima, provando sua “coragem” para Richard, e é preso. Cassie enfrenta seus medos e entra no tribunal para depor na audiência de liberdade condicional de Carl. O oficial de justiça a chama ao banco das testemunhas pelo seu nome legal: Jessica Marie Hudson.

Em julho de 2000, foi noticiado que Tony Gayton havia escrito um roteiro de suspense intitulado Murder by Numbers (20002) para a Castle Rock Entertainment, centrado em dois estudantes do Ensino Médio talentosos que planejam e executam uma série de assassinatos “perfeitos”, enquanto fogem de um agente novato do FBI. A tática é a arte do fraco. Carl Phillip Gottlieb von Clausewitz, militar do Reino da Prússia que ocupou o posto de general é considerado um grande estrategista militar e teórico da guerra por sua obra “Da Guerra” (“Vom Kriege”, 1963). Foi diretor da Escola Militar de Berlim nos últimos treze anos de sua vida, período em que escreveu a obra “Vom Kriege”, publicada postumamente. Nela ficou conhecida a tese materialista em que ele define a associação entre guerra e política: - “A guerra é a continuação da política por outros meios”. Von Clausewitz considerava fundamental que a guerra estivesse sempre submetida à política. Isso porque nenhuma guerra pode ser vencida sem a compreensão precisa dos objetivos e da disponibilidade de meios¸ em primeiro lugar, ou sem o cálculo racional das capacidades e das oportunidades, assim como o estabelecimento dos limites éticos ao uso da força - sempre submetida aos objetivos políticos estabelecidos.

Suas lições de tática e estratégia vão além dos exercícios militares propriamente ditos, para se constituírem, inclusive, numa profunda reflexão sobre a filosofia da guerra e da paz. Produtores desconhecidos, poetas de seus negócios, inventores de trilhas nas selvas da racionalidade funcionalista, consumidores produzem algo que se assemelha às “linhas de erre”, traçando trajetórias indeterminadas, aparentemente desprovidas de sentido porque não são coerentes com o espaço constituído, escrito e pré-fabricado onde se movimentam. São frases imprevisíveis num lugar ordenado pelas técnicas organizadoras dos sistemas. Não queremos perder de vista que estratégias se referem ao cálculo ou a manipulação das relações de forças que se torna possível a partir do momento em que um sujeito de querer e poder: uma empresa, um exército, uma cidade, uma instituição científica que pode ser isolado. A estratégia postula um lugar suscetível de ser circunscrito como algo próprio e ser a base de onde se podem gerir as relações com uma exterioridade de alvos ou ameaças. Gesto cartesiano, quem sabe: circunscrever um próprio num mundo enfeitiçado pelos poderes invisíveis do Outro. Mas que também pode ser interpretado analiticamente como gesto da modernidade científica, política ou militar. Mas é preciso recorrer a outro modelo quando interpretamos as imagens. Em outubro daquele ano de 2000, foi noticiado que Barbet Schroeder estava em negociações finais para dirigir o filme, com Sandra Bullock como possível protagonista, após a experiência tão positiva que esta última teve em Miss Simpatia (2000), da Castle Rock, que estava ansiosa para trabalhar novamente com a empresa em outro projeto.

O filme foi lançado em 19 de abril de 2002 nos Estados Unidos e Canadá e arrecadou US$ 9,3 milhões em 2.663 cinemas em seu fim de semana de estreia, ficando em terceiro lugar nas bilheterias, atrás de outros filmes que também estrearam, como O Rei Escorpião (US$ 36,1 milhões) e Mudando de Faixa (US$ 11,1 milhões). O filme arrecadou um total de US$ 56.714.147 em todo o mundo — US$ 31.945.749 nos Estados Unidos e Canadá e US$ 24.768.398 em outros territórios. As críticas ao filme foram mistas a negativas. O agregador de críticas Rotten Tomatoes relatou que 30% dos críticos deram ao filme uma avaliação positiva com base em 128 críticas, com uma classificação média de 5,30/10. O consenso dos críticos do site diz: “Um policial previsível que funciona melhor como um estudo de personagem do que como um thriller”. No Metacritic, o filme tem uma pontuação média ponderada de 50 em 100 com base em 35 críticos, indicando “críticas mistas ou medianas”. O público pesquisado no mercado de opinião pelo CinemaScore deu ao filme uma nota média de “C+” em uma escala de A+ a F. Roger Ebert atribuiu três estrelas em quatro possíveis, afirmando: “Bullock faz um bom trabalho aqui ao lutar contra sua simpatia natural, criando uma personagem de quem você gostaria de gostar, e poderia gostar, se ela não fosse tão triste, estranha e introspectiva. Ela se entrega ao trabalho policial não tanto por dedicação, mas porque precisa da distração, precisa se manter ocupada e ser boa para garantir seu valor. 

À medida que ela se aproxima do alvo e enfrenta mais perigos e mais oposição oficial, mais ou menos impotente, começa a pensar naquele penhasco sobre o mar, mas pelo menos o clímax nos mostra que Bullock consegue se manter na personagem, não importa o que aconteça”. A.O. Scott, escrevendo para o The New York Times, afirmou que “grande parte deste novo filme de Barbet Schroeder — um veículo para o estrelato de Sandra Bullock, que também é produtora executiva - segue os caminhos já trilhados de clichê de policiais e psicopatas” que que se inscrevem na matriz norte-americana da força bruta. Ele descreve Haywood e Pendleton como “um par de adolescentes nietzschianos que poderiam estar estrelando um remake do extraordinário “Festim Diabólico”, de Alfred Hitchcock, para a emissora The WB”. Scott acrescenta: A verdadeira surpresa, dado o material de segunda mão, é que nem tudo procede por obrigação em Assassinato por Números, que estreia 19 de abril de 2002 em todo o país. A estrutura frágil da trama principal do filme sustenta uma investigação psicológica perturbadora e fascinante, e suspeita-se que, como em Mulher Solteira Procura (1992), o interesse do Sr. Schroeder reside menos na história em si do que nas possibilidades que ela oferece para exercer sua curiosidade perversa e fria sobre poder, intimidade e as diversas formas de sofrimento humano. Este filme é mais interessante como um estudo de dois relacionamentos paralelos, nenhum deles primordialmente sexual (embora a sexualidade seja o subtexto de um e a consequência quase acidental do outro), “mas ambos permeados por desejo, inveja, ternura e aversão suficientes para tornar o sexo propriamente dito um tanto redundante”. Scott também comenta sobre “a cena em que [Cassie] é atacada por um babuíno furioso. O babuíno, pelo menos, é inesperado, embora também inexplicável”.               

Aqui vale uma digressão. Friedrich Hegel que parte da análise da consciência comum, não podia situar como princípio primeiro uma dúvida universal que só é própria da reflexão filosófica. Por isso mesmo ele segue o caminho aberto pela consciência e a história detalhada de sua formação. Ou seja, a Fenomenologia vem a ser uma história concreta da consciência, sua saída da caverna e sua ascensão à Ciência. Daí a analogia que em Hegel existe de forma coincidente entre a história da filosofia e a história do desenvolvimento do pensamento, mas este desenvolvimento é necessário, como força irresistível que se manifesta lentamente através dos filósofos, que são instrumentos de sua manifestação. Assim, preocupa-se apenas em definir os sistemas, sem discutir as peculiaridades e opiniões dos diferentes filósofos. Na determinação do sistema, o que o preocupa é a categoria fundamental que determina o todo complexo do sistema, e o assinalamento das diferentes etapas, bem como as vinculasses destas etapas que conduzem à síntese do espírito absoluto. Para compreender o sistema é necessário começar pela representação, que ainda não sendo exata permite, no entender de sua obra a seleção de afirmações e preenchimento do sistema abstrato de interpretação do método dialético, para alcançar a transformação da representação em uma noção clara e exata.

Assim, temos a passagem da representação abstrata, para o conceito claro e concreto através do acúmulo de determinações. Aquilo que por movimento dialético separa e distingue perenemente a identidade e a diferença, sujeito e objeto, finito e infinito, é a alma vivente de todas as coisas, a Ideia Absoluta que é a força geradora, a vida e o espírito eterno. Mas a Ideia Absoluta seria uma existência abstrata se a noção de que procede não fosse mais que uma unidade abstrata, e não o que é em realidade, isto é, a noção que, por um giro negativo sobre si mesma, revestiu-se novamente de forma subjetiva. Metodologicamente a determinação mais simples e primeira que o espírito pode estabelecer é o Eu, a faculdade de poder abstrair todas as coisas, como vemos no filme, até sua própria vida. Chama-se idealidade precisamente esta supressão da exterioridade. Entretanto, o espírito não se detém na apropriação, transformação e dissolução da matéria em sua universalidade, mas, enquanto consciência de fato religiosa, por sua faculdade representativa, penetra e se eleva através da aparência dos seres até esse poder divino, uno, infinito, que conjunta e anima interiormente todas as coisas, enquanto pensamento filosófico, como princípio universal, a ideia eterna que as engendra e nelas se manifesta. Isto quer dizer que o espírito finito se encontra inicialmente numa união imediata com a natureza, a seguir em oposição com esta, e finalmente em identidade com esta, porque  suprimiu a oposição e voltou a si mesmo e, consequentemente, o espírito finito é a ideia, mas ideia que girou sobre si mesma e que existe por si em sua própria realidade.

A Ideia absoluta que para realizar-se colocou como oposta a si, à natureza, produz-se através dela como espírito, que através da supressão de sua exterioridade entre inicialmente em relação simples com a natureza, e, depois, ao encontrar a si mesma nela, torna-se consciência de si, espírito que conhece a si mesmo, suprimindo assim a distinção entre sujeito e objeto, chegando assim à Ideia a ser por si e em si, tornando-se unidade perfeita estabelecida de suas diferenças, sua absoluta verdade. Com o surgimento do espírito através da natureza abre-se a história da humanidade e a história humana é o processo que medeia entre isto e a realização do espírito consciente de si. A filosofia hegeliana centra sua atenção sobre esse processo e as contribuições mais expressivas de Hegel ocorrem precisamente nesta esfera, objetiva e subjetivamente do espírito. Melhor dizendo, para Hegel, à existência na consciência, no espírito chama-se saber, conceito pensante. O espírito é também isto: trazer à existência, isto é, à consciência. Como consciência em geral tenho eu um objeto; uma vez que eu existo e ele está na minha frente. Mas enquanto o Eu é o objeto de pensar, é o espírito precisamente isto: produzir-se, sair fora de si, saber o que ele é. Nisto consiste a grande diferença: o homem sabe o que ele é. Logo, em primeiro lugar, ele é real. Sem isto, a razão, a liberdade não são nada.

O homem é essencialmente razão. O homem, a criança, o culto e o inculto, é razão. Ou melhor, a possibilidade para isto, para ser razão, existe em cada um, é dada a cada um. A razão não ajuda em nada a criança, o inculto. É somente uma possibilidade, embora não seja uma possibilidade vazia, mas possibilidade real e que se move em si. Assim, por exemplo, dizemos que o homem é racional, e distinguimos muito bem o homem que nasceu somente e aquele cuja razão educada está diante de nós. Isto pode ser expresso também assim: o que é em si, tem que se converter em objeto para o homem, chegar à consciência; assim chega num movimento único para ele e para si mesmo. A história para Hegel, é o desenvolvimento do Espírito no tempo, assim como a Natureza é o desenvolvimento da ideia no espaço. Deste modo o homem se duplica. Uma vez, ele é razão, é pensar, mas em si: outra, ele pensa, converte este ser, seu em si, em objeto do pensar. Assim o próprio pensar é objeto, logo objeto de si mesmo, então o homem é por si. A racionalidade produz o racional, o pensar produz os pensamentos. O que o ser em si é se manifesta no âmbito do ser por si. Todo conhecer, todo aprender, toda visão, toda ciência, inclusive toda atividade humana, não possui nenhum outro interesse além do aquilo que filosoficamente é em si, no interior, podendo manifestar-se desde si mesmo, produzir-se, transformar-se objetivamente. Nesta diferença se descobre toda a diferença na história do mundo. Os homens são todos racionais. O formal desta racionalidade é que o homem seja livre. Esta é a sua natureza. Isto pertence à essência do homem: a liberdade.

O europeu sabe de si, afirma Hegel, é objeto de si mesmo. A determinação que ele conhece é a liberdade. Ele se conhece a si mesmo como livre. O homem considera a liberdade como sua substância. Se os homens falam mal de conhecer é porque não sabem o que fazem. Conhecer-se, converter-se a si mesmo no objeto (do conhecer próprio) e o fazem relativamente poucos. Mas o homem é livre somente se sabe que o é. Pode-se também em geral falar mal do saber, como se quiser. Mas somente este saber libera o homem. O conhecer-se é no espírito a existência. Portanto isto é o segundo, esta é a única diferença da existência (Existenz) a diferença do separável. O Eu é livre em si, mas também por si mesmo é livre e eu sou livre somente enquanto existo como livre. A terceira determinação é que o que existe em si, e o que existe por si são somente uma e mesma coisa. Isto quer dizer precisamente evolução. O em si que já não fosse em si seria outra coisa. Por conseguinte, haveria ali uma variação, mudança, na sociedade. Na mudança existe algo que chega a ser outra coisa. Na evolução, em essência, podemos também sem dúvida falar da mudança, mas esta mudança deve ser tal que o outro, o que resulta, é ainda idêntico ao primeiro, de maneira que o simples, o ser em si não seja negado.

Para Friedrich Hegel a evolução não somente faz aparecer o interior originário, exterioriza o concreto contido já no em si, e este concreto chega a ser por si através dela, impulsiona-se a si mesmo a este ser por si. O espírito abstrato assim adquire o poder concreto da realização. O concreto é em si diferente, mas logo só em si, pela aptidão, pela potência, pela possibilidade. O diferente está posto ainda em unidade, ainda não como diferente. É em si distinto e, contudo, simples. É em si mesmo contraditório. Posto que é através desta contradição impulsionado da aptidão, deste este interior à qualidade, à diversidade; logo cancela a unidade e com isto faz justiça às diferenças. Também a unidade das diferenças ainda não postas como diferentes é impulsionada para a dissolução de si mesma. O distinto (ou diferente) vem assim a ser atualmente, na existência. Porém do mesmo modo que se faz justiça à unidade, pois o diferente que é posto como tal é anulado novamente. Tem que regressar à unidade; porque a unidade do diferente consiste em que o diferente seja um. E somente por este movimento é a unidade verdadeiramente concreta. É algo concreto, algo distinto. Entretanto contido na unidade, no em si primitivo. O gérmen se desenvolve assim, não muda. Se o gérmen fosse mudado desgastado, triturado, não poderia per se evoluir. Na alma, enquanto determinada como indivíduo, as diferenças estão enquanto mudanças que se dão no indivíduo, que é o sujeito uno que nelas persiste e, segundo Hegel, enquanto momentos do seu desenvolvimento.             

Por serem elas diferenças, à uma, físicas e espirituais, seria preciso, para determinação ou descrição mais concreta, antecipar a noção do espírito cultivado. As diferenças são: 1) curso natural das idades da vida, desde a criança, desde a criança, o espírito envolvido em si mesmo – passando pela oposição desenvolvida, a tensão de uma universalidade ela mesma ainda subjetiva em contraste com a singularidade imediata, isto é, como o mundo presente, não conforme a tais ideais, e a situação que se encontra, em seu ser-aí para esse mundo, o indivíduo que, de outro lado, está ainda não-autônomo e em si mesmo não está pronto (o jovem), para chegar à relação verdadeira, ao reconhecimento da necessidade e racionalidade objetivas do mundo já presente, acabado; em sua obra, que leva a cabo por si e para si, o indivíduo retira, por sua atividade, uma confirmação e uma parte, mediante a qual ele é algo, tem uma presença efetiva e um valor objetivo (homem); até a plena realização da unidade com essa objetividade do conhecer: unidade que, enquanto real, vem dar na inatividade da rotina que tira o interesse, enquanto ideal se liberta dos interesses mesquinhos é das complicações do presente exterior (o ancião).   O espírito manifesta aqui sua independência da própria corporalidade, em poder desenvolver-se antes que nela torne. Com frequência, crianças têm demonstrado um desenvolvimento espiritual que vai muito mais rápido que sua formação corporal aos quais são chamados de gênios. 

Esse foi o caso histórico, sobretudo em talentos artísticos indiscutíveis, em particular nos gênios da música. Também em relação ao fácil apreender de variados conhecimentos, especialmente na disciplina matemática; e tal precocidade tem-se mostrado não raramente também em relação a um raciocínio de entendimento, e mesmo sobre objetos éticos e religiosos. O processo de desenvolvimento do indivíduo humano natural decompõe-se então em uma série de processos, cuja diversidade se baseia sobre a relação do indivíduo para com o gênero, e funda a diferença da criança, do homem e do ancião simultaneamente. Essas diferenças são as apresentações das diferenças do conceito. A idade da infância é o tempo da harmonia natural, da paz do sujeito consigo mesmo com o mundo. Um começo tão sem-oposição quanto a velhice é um fim sem-oposição. Assim que surgem ficam sem interesse profundo. A criança vive na inocência, sem sofrimento durável; no amor aos seus pais, e no sentimento de ser amado por eles. Gênios artísticos podem se manifestar na primeira infância (prodígio) ou mais tarde na vida; de qualquer forma, os gênios eventualmente se diferenciam do restante através de grande originalidade. Gênios intelectuais geralmente têm visões nítidas e concisas de uma dada situação, na qual a interpretação é desnecessária - os fatos simplesmente os impactam e eles constroem ou agem de acordo com estes fatos sociais, geralmente com tremenda energia. Aqui também, gênios consumados em campos cognitivos intelectuais começam em muitos casos como prodígios, privilegiados com memória superior, reconhecimento de padrões ou apenas percepção. Na linha divisória entre a Matemática dos séculos XVIII e XIX domina a figura majestosa de Carl Friedrich Gauss. Filho de um trabalhador à jorna foi criado no âmbito de uma família pobre, austera e sem educação. A vida pessoal de Friedrich Gauss foi trágica e complicada, na falta de melhor expressão.

Um pai insensível, a morte prematura da sua primeira mulher, a pouca saúde da sua segunda mulher e uma terrível relação com os seus filhos negou-lhe, até tarde, a possibilidade de vida estável no seio de uma família equilibrada. Dadas as precárias condições econômicas familiares, recebeu o precioso apoio do Duque de Brunswich que reconheceu nele uma criança-prodígio. Este apoio institucional começou desde 14 anos e permitiu-lhe dedicar-se exclusivamente aos estudos, durante 16 anos. Gauss não encontrou nenhum colaborador entre os seus colegas matemáticos tendo trabalhado sempre sozinho. Mas, se é verdade que o seu isolamento relativo, a sua compreensão das matemáticas puras e aplicadas, a sua preocupação com a astronomia e o uso frequente que faz do Latim têm a marca do século XVIII, é inegável que, nos seus trabalhos, se amplifica o espírito científico de um novo período. Comparativamente se tal como os seus contemporâneos Kant, Goethe, Beethoven e Hegel, hic et nunc se manteve à margem das grandes lutas sociais e políticas, a verdade é que, no seu próprio campo científico, Gauss expressou as novas ideias da sua época de uma forma poderosíssima.

Curiosamente nem na descendência de Gauss, nem no seu ambiente infantil, existe qualquer indício, no sentido de Ginzburg (1986) do que resulta o trabalho da sua vida. Do lado paterno, temos, sobretudo, os donos de pequenas quintas, trabalhadores rurais e operários em Braunschweig que é uma parte da ex-Alemanha de Leste, isto é, trabalhadores que lutavam arduamente pela sua subsistência. Contudo, há também notícia de agricultores abastados, pedreiros e titulares de postos eclesiásticos. O avô paterno, Jürgen Goos, estabeleceu-se na cidade de Braunschweig, mais tarde, capital do Ducado de Braunschweig em 1744. Seu pai, Gebhard Dietrich Gauss, nasceu em 1744. Finalmente, e após trabalhar como pedreiro, construtor de canais e jardineiro, Gebhard tornou-se proprietário de uma casa, em Wilhelmstrasse, que havia sido comprada por seu pai, Jürgen Goos, em 1753, com uma elevada hipoteca. Como Gebhard calculava e escrevia bem, foi-lhe confiado a função de tesoureiro de um fundo de enterro. A primeira mulher de Gebhard morreu em 1775. No ano seguinte, Gebhard casou com Dorothea Benze. O único filho desta união foi Carl Friedrich Gauss, que nasceu a 30 de abril de 1777, na casa de Wilhelmstrasse que mais tarde se tornou um museu e foi destruída num bombardeamento durante a 2ª Guerra Mundial. O avô materno de Gauss, Kristoffer Benze, era pedreiro na aldeia de Velpke, nos arredores de Braunschweig. Como trabalhava no arenito, seus pulmões foram afetados, acabando por morrer quando tinha apenas trinta anos. O irmão mais novo de Dorothea Benze, Johann Friedrich, era dotado, original e autodidata, tendo aprendido per se a ser um bom tecelão de damasco. 

Quando morreu, em 1809, Gauss declarou que o mundo havia perdido um génio, declaração esta que só tem a evidência do olhar de Gauss como sustentação. Quanto à sua mãe, Dorothea, nunca aprendeu a escrever e quase não conseguia ler. No entanto tinha uma óptima inteligência, bom humor e um forte caráter. O seu filho Carl Friedrich foi o seu interesse dominante da sua vida cujos últimos vinte e dois anos dedicou a acompanhar o filho no conhecido observatório, em Göttingen. Durante muito tempo, se acreditou que a economia de etapas e a rapidez na resolução de problemas fossem os objetivos máximos a serem alcançados na disciplina de Matemática. Nesse sentido, ensinar algoritmos para fazer contas parecia ser o mais indicado. Se por um lado o uso de fórmulas permite organizar o raciocínio, registrá-lo, lê-lo e chegar à resposta exata, por outro, fixa o aprendizado somente nessa estratégia e leva o estudante apenas a conhecer uma prática cada vez menos usada e, pior, a realizá-la de modo automático, sem entender exatamente o que está fazendo. Começaram cedo os indícios que faziam antever o talento apaixonante que Friedrich Gauss demonstraria em sua vida. Isso é patente em alguns dos excertos que relatam períodos da sua infância. É o caso do seguinte episódio: durante os verões, Gebhard Gauss, que era contramestre numa firma de alvenaria, pagava o salário semanal aos seus trabalhadores. Uma vez, quando Gebhard estava prestes a pagar o salário a um dos trabalhadores, Carl Friedrich, na altura com apenas três anos, levantou-se e disse: - “Papa, cometeste um erro!”, indicando em seguida a quantia certa. Gauss tinha seguido os cálculos sem sequer poder ver os registos escritos, dado que a sua altura ainda não era suficiente para alcançar a mesa, e para surpresa dos presentes, uma confirmação provou que o pequeno Carl estava certo. É natural que Gauss tivesse o costume de dizer que tinha aprendido precocemente a contar e a calcular antes de ter aprendido a falar.

 Gauss tinha cerca de dez anos e frequentava a classe de aritmética quando Büttner propôs o seguinte difícil problema: - “Escrevam todos os números de 1 a 100 e depois vejam quanto dá a sua soma”. Era hábito, quando a classe tinha uma tarefa deste tipo, que se fizesse o seguinte: o primeiro aluno a acabar iria até à secretária do professor com a sua ardósia e colocá-la-ia em cima da mesa. O seguinte a acabar colocaria a sua ardósia em cima da ardósia do colega e assim sucessivamente, até a pilha de ardósias estar completa. O problema em questão não era difícil para alguém que tivesse alguma familiaridade com as progressões aritméticas. Como os rapazes ainda eram principiantes, Büttner certamente pensou que lhe seria possível fazer um intervalo por um bom bocado. Mas estava enganado... Em alguns segundos, Gauss colocou a sua ardósia na mesa, e ao mesmo tempo disse no seu dialeto Braunschweig: “Ligget se” (“Aqui jaz”). Enquanto outros continuavam a somar, Gauss sentou-se sereno, impassível aos olhares desdenhosos de Büttner.          

 No final da aula os resultados foram examinados. A grande maioria dos alunos tinha apresentado resultados errados “pelo que foram severamente corrigidos com uma cana-da-índia”. Na ardósia de Gauss, que se encontrava no fim, estava apenas um número: 5050. Como seria de esperar, Gauss teve que explicar ao espantado professor Büttner como é que tinha obtido aquele resultado: - “Então, 1+100=101, 2+99=101, 3+98=101, e por ai em diante, até finalmente 49+52=101 e 50+51=101. Isto dá um total de 50 pares de números cuja soma dá 101. Portanto, a soma total é 50101=5050”. Desta maneira aparentemente simples, Gauss tinha encontrado a propriedade da simetria das progressões aritméticas, derivando a fórmula da soma para uma progressão aritmética arbitrária, fórmula que provavelmente Gauss descobriu por si próprio. Este acontecimento marcou o ponto de viragem, como dizem os italianos, na sua própria vida. Büttner percebeu que pouco tinha para ensinar a Gauss e deu-lhe o melhor livro de aritmética, especialmente encomendado de Hamburg. Assim, Gauss teve estreito contato com Martin Bartels, com apenas 18 anos, assistente de Büttner nas aulas o que constituiu uma virtù e fortuna, não tanto para Gauss que pouco tinha a aprender com ele, mas para Bartels que, mais tarde, se tornou professor de Matemática. Friedrich Gauss (1777-1855) é considerado no meio acadêmico e científico um dos maiores matemáticos de todos os tempos. Alguns o referendam como Princeps Mathematicorum ou “o mais notável dos matemáticos” e um “grande matemático desde a antiguidade”, uma marca influente em muitas áreas da matemática e da ciência e é um dos mais influentes na história teórica da matemática. Mas até a idade de 20 anos teve um grande interesse por idiomas e quase se tornou um filologista, como Friedrich Nietzsche um século depois. Posteriormente, literatura estrangeira e leituras sobre política eram seus passatempos prediletos. Por serem incomuns, ambos com tendências conservadoras.  

A matemática gaussiana serviu às principais áreas de pesquisa da matemática moderna. A etnografia de Gauss demonstrou que ele antecipou a geometria não-Euclidiana, 30 anos antes de Bolyai e Lobachevsky. Descobriu o teorema fundamental de Cauchy da análise complexa 14 anos antes. Descobriu os quatérnios antes de Sir Willian Rowan Hamilton e antecipou os trabalhos de Legendre, Abel e Jacobi. Se Gauss tivesse publicado todos os seus resultados, teria feito avançar o progresso da Matemática em mais de 50 anos. O principal matemático da Antiguidade uniu o mundo abstrato dos números com o mundo real. Newton também era um matemático notável. Propôs medir o volume de objetos curvos ou calcular a velocidade de objetos em aceleração. Leibniz não era popular como Newton, mas aprofundou o conceito de grandezas infinitesimais, muito relevantes do ponto de vista teórico na matemática. Évariste Galois (1811-1832) criou as estruturas algébricas e Henri Poincaré (1854-1912) inventou sua topologia ambos neste século. Aquele rebelde é o único matemático cuja obra não tem erros. Seu principal trabalho levou-o a solucionar problemas matemáticos em aberto desde a Antiguidade. Com a topologia algébrica, é possível demonstrar como uma caneca representa a deformação da metade do aro. A conjectura que ele propôs em 1904 só foi resolvida em 2006. Al-Khwarizmi (c.780 –c. 850) criou as bases teóricas para a álgebra no distante século oito. Ele fundamentou a matemática descrevendo métodos e técnicas para resolver equações lineares e quadráticas. O italiano Fibonacci difundiu seus ensinamentos com numerais arábicos e algarismos de 0 a 9, para representá-los em procedimentos matemáticos. Ela está presente na nossa vida desde o nosso nascimento. Nosso cotidiano gira em torno de números, medidas, figuras geométricas e outros conceitos inerentes a essa disciplina.

Antes mesmo de iniciar o período escolar, as crianças já têm contato no processo de formação com noções matemáticas no seu dia a dia, aprendendo sem sequer perceber. No processo de socialização escolar, a Matemática aparece com a divisão técnica e social do trabalho educativo e disciplinar, embora muitos alunos já alfabetizados não possuírem necessariamente habilidades fundamentais na Matemática. Quando isso ocorre e a criança não consegue atribuir um sentido prático aos conceitos matemáticos, surge a contradição sociológica de aversão à Matemática para a refutá-la. Contudo, Gauss foi perseguido pelo governo de seu tempo e foi salvo pela proteção de um seguidor de seus conhecimentos, o qual mais tarde veio descobrir que se tratava de uma mulher. Aos 10 anos de idade, Gauss respondeu rapidamente qual era a soma dos algarismos de 1 a 100 em poucos minutos, 5.050 disse ele ao seu professor cálculo esse que demonstra a fórmula da soma de uma progressão geométrica. Gauss desenvolveu uma concepção sobre as teorias das congruências, um método de interpretação para determinar datas do calendário, e determinar quando iria cair a Pascoa, uma vez que esta deveria ser coincidir no dia de domingo após a primeira lua cheia da Primavera na Europa.

Vale lembrar é com o conceito de Lei, que Montesquieu traz à sociedade fora do campo da teologia e da crônica inserindo-a no âmbito propriamente teórico. Estabelece uma regra de imanência que incorpora a teoria ao campo das ciências: as instituições políticas são regidas por leis que derivam das relações políticas. As leis que regem as instituições políticas são relações próprias entre as diversas classes em que se divide a população, as formas de organização econômica, as formas de distribuição do poder etc. Mas o objeto de Montesquieu não são as leis que regem as relações entre os homens em geral, mas as leis positivas, isto é, as leis e instituições criadas pelos homens para reger as relações determinadas entre os homens. Ele observa que, ao contrário dos outros seres, os homens têm a capacidade de se furtar às leis da razão que deveriam reger suas relações, e, além disso, adotam leis escritas e costumes destinados a reger os comportamentos humanos. E têm a capacidade de se furtar igualmente às leis e instituições. 

O objetivo de Montesquieu é imiscuir o espírito das leis, isto é, esclarecer as relações intrínsecas entre as leis (positivas) e “diversas coisas”, tais como o clima, as dimensões do Estado, a organização do comércio, as relações entre as classes etc. Neste contexto de socialização os procedimentos didáticos costumam se pautar  não apenas nos conteúdos a serem estudados, mas também em atividades práticas, que evoquem situações cotidianas de aprendizados importantes. É a partir daí que a escola deve desenvolver o ensino da Matemática nos primeiros anos da vida escolar. Não há discordância em relação à idade ideal para a introdução do ensino da Matemática na educação. A partir dos seis meses de vida os bebês já identificam a diferença entre conjuntos de elementos que contenham quantidades diferentes. A partir dos três anos de idade, eles já entendem as operações básicas de adição e subtração. Na vida cotidiana a Matemática deve proporcionar, na prática, a exploração dos diversos preceitos gnosiológicos, abordando medidas, proporções e formas geométricas, de forma que os alunos desenvolvam e nutram prazer e curiosidade por esses procedimentos. Essa proposta deve trazer elementos do mundo real, utilizando-se de experiências da linguagem no desenvolvimento de didáticas que ampliem suas noções matemáticas. Além disso, a Matemática é uma ciência fundamental para diferentes aspectos da vida contemporânea, desde os avanços tecnológicos a situações e necessidades da vida cotidiana nas esferas de ação social que vão desde a economia à esfera da ação política.

Bibliografia Geral Consultada.

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