“A maldade é a vingança do homem contra a sociedade, pelas restrições que ela impõe”. Sigmund Freud
Uma arma de fogo é um tipo
específico de arma capaz de disparar um ou mais projéteis em série em alta
velocidade através da ação pneumática provocada pela expansão de gases
resultantes da queima de propelente de alta velocidade. Este processo de queima
subsônica é tecnicamente conhecido como deflagração, em oposição a combustão
supersônica conhecida como detonação. Em armas de fogo mais antigas, o
propulsor era tipicamente a pólvora negra ou a cordite, mas armas de fogo
modernas usam a pólvora sem fumaça de base simples ou dupla ou outros
propelentes. A maioria das armas de fogo modernas, com a exceção das armas de
alma lisa, tem canos raiados com ranhuras internas espiraladas, para dar giro
em movimento helicoidal ao projétil visando melhor estabilidade ao voo do mesmo
e consequentemente mais precisão a distâncias maiores. A munição, outro
elemento distinto da arma, é imprescindível para o funcionamento da arma de
fogo. Estima-se que os civis dos Estados Unidos da América possuam
estatisticamente 393 milhões de armas de fogo, e que 35% a 42% das famílias no
país tenham pelo menos uma arma. A legislação sobre armas, ou não legislação,
nos Estados norte-americanos, é aumentada por interpretações judiciais da
Constituição. Em 1791, os Estados Unidos adotaram a Segunda Emenda, e em
1868 adotaram a Décima Quarta Emenda. O efeito dessas duas emendas na política
de armas foi objeto de decisões históricas da Suprema Corte dos Estados Unidos
da América em 2008 e 2010, que mantiveram o direito dos indivíduos de possuir armas
para autodefesa.
Os Estados Unidos da
América têm o maior número estimado de armas de fogo per capita, com 120,5
armas para cada 100 pessoas na sociedade norte-americana. A Segunda Emenda da
Constituição dos Estados Unidos diz: “Uma milícia bem regulamentada, sendo
necessária à segurança de um Estado livre, o direito do povo de manter e portar
armas, não será infringida”. Os debates sobre a disponibilidade de armas de
fogo e a violência armada nos Estados Unidos foram caracterizados por
preocupações sobre o direito de portar armas, como as encontradas na Segunda
Emenda à Constituição dos EUA, a responsabilidade do governo dos Estados Unidos
de atender às necessidades de seus cidadãos e para prevenir crimes e mortes. Os
partidários do regulamento de armas de fogo dizem que os direitos
indiscriminados ou irrestritos às armas inibem o governo de cumprir essa
responsabilidade e causam problemas de segurança. Os defensores dos direitos
das armas promovem armas de fogo exatamente para autodefesa, incluindo
segurança contra a tirania, além de atividades sociais de caça e esporte. Os
defensores do regulamento de armas de fogo afirmam que restringir e rastrear o
acesso às armas resultaria em comunidades mais seguras, enquanto os defensores
dos direitos das armas afirmam que o aumento da posse de armas de fogo por
cidadãos cumpridores da lei reduz o crime e afirma que os criminosos sempre
tiveram acesso fácil a eles de armas de fogo.
Cálculo Mortal (Murder by Numbers) tem como
representação social um filme de suspense psicológico norte-americano de 2002, produzido
e dirigido por Barbet Schroeder, e estrelado por magistralmente por elenco in statu nascendi promissor Sandra Bullock no papel
principal, ao lado de Ben Chaplin, Ryan Gosling e Michael Pitt. É vagamente
baseado no caso Leopold e Loeb. O filme foi exibido no Festival de Cinema de
Cannes de 2002, mas não entrou na competição. Nascido em Teerã, em 26 de agosto
de 1941, é um cineasta e produtor francês de origem suíça que iniciou sua
carreira na década de 1960. Ele é casado com a atriz Bulle Ogier e já realizou
trabalhos com outros diretores como Jean-Luc Godard e Jacques Rivette. Schroeder
nasceu na capital do Irã, Teerã, sua mãe Ursula era uma médica alemã e seu pai
Jean-William era um geólogo suíço. Fundou uma empresa chamada Les Films du
Losange aos 23 anos de idade, que produziu alguns dos filmes da Era do
cinema francês chamada de French New Wave. Seu debut como diretor
foi com o filme More (1969), que trata sobre o vício em heroína,
tornou-se um sucesso na Europa. A trilha sonora do filme foi assinada pela
banda Pink Floyd. A banda também foi responsável pela trilha sonora do filme La
Vallée. Mais tarde ingressou como diretor em Hollywood, com filmes como Barfly
(1987) estrelando Mickey Rourke, Single White Female (1992) e O
Reverso da Fortuna (1990), trabalho em que Jeremy Irons recebeu o Óscar da
Academia.
Apesar do seu sucesso
comercial, o diretor ainda se interessa em filmes curtos e com audiência
limitada, como a adaptação de Fernando Vallejo do romance La Virgen de los Sicarios
de (2000), um romance semiautobiográfico do escritor colombiano Fernando
Vallejo sobre um autor na casa dos 50 anos que retorna à sua cidade natal,
Medellín, após 30 anos de ausência, e se vê preso em uma atmosfera de violência
e assassinatos causada pela guerra entre cartéis de drogas. Nessa linha, em
2007 produziu e dirigiu o filme O Advogado do Terror, um documentário sobre o
terrorismo nos últimos cinquenta anos na visão do advogado francês Jacques
Vergès e alguns de seus clientes. Schroeder também fez pontas como ator, em Marte
Ataca! de (1996) como o Presidente da França, como um vendedor em Paris, Te
Amo de (2006) e como um mecânico em A Viagem para Darjeeling de
(2007). O romance foi posteriormente adaptado para o cinema, recebendo diversos
reconhecimentos internacionais, como o Prêmio do Senado Italiano, o prêmio de
melhor filme latino-americano no Festival de Cinema de Veneza (2000) e o prêmio
do Festival Internacional de Cinema Novo de Havana (2000). Existe um crescente
corpo de estudos acadêmicos e comentários críticos sobre esta obra controversa,
a maioria em espanhol. As breves seções a seguir buscam proporcionar ao leitor
uma compreensão básica de algumas das principais abordagens daquela que é, sem
dúvida, uma obra central da ficção colombiana da década de 1990. Trata-se de
uma obra de ficção elaborada e debatida que aborda eventos relacionados ao narcotráfico
e suas consequências nefastas para a sociedade colombiana ou do documentário General
Idi Amin Dada de 1974.
Nascido em Campala, de
um pai da tribo kakwa e uma mãe lubara em 30 de maio de 1928 e morto em Jidá,
16 de agosto de 2003, foi um militar ugandense que ocupou o cargo de presidente
de Uganda de 1971 até 1979. É considerado um dos ditadores mais brutais e
déspotas da história. Em 1946, aos vinte anos, ingressou nos King`s African
Rifles (KAR) do exército colonial britânico como cozinheiro. Ele foi ascendendo
as patentes, até chegar a tenente, lutando ao lado dos britânicos contra
rebeldes somalis, na Guerra de Shifta e, depois, na Revolta dos
Mau-Mau, no Quênia. Quando Uganda ganhou sua Independência do Reino Unido,
em 1962, Amin permaneceu nas forças armadas, chegando à patente de major, sendo
nomeado general e comandante do exército ugandense em 1965. Em 1971, quando ele
soube que o presidente Apollo Milton Obote foi presidente de Uganda entre 1966
e 1971 e retornou ao poder entre 1980 e 1985. Mas estava planejando prendê-lo,
por desviar fundos do exército, Amin lançou um golpe de Estado e se declarou
presidente. Durante os anos no poder, Amin deixou de ser um governante
pró-Ocidente, que contava com um apoio considerável de Israel e do Reino Unido,
para se tornar um líder aliado a Muammar Gaddafi da Líbia (1942-2011), a Mobutu
Sese Seko (1930-1997) do Zaire, à União Soviética e à Alemanha Oriental. Em
1975, Amin tornou-se presidente da Organização da Unidade Africana
(OUA), um grupo Pan-africano, criado para promover a solidariedade entre os
Estados africanos. Uganda chegou a ser membro da Comissão das Nações Unidas
para os Direitos Humanos, de 1977 a 1979. O Reino Unido rompeu relações
diplomáticas com Uganda, em 1977, e Amin declarou que ele havia derrotado os
britânicos, adicionando Conqueror of the British Empire (CBE) ou “Conquistador
do Império Britânico” ao seu título oficial.
Escólio: Richard
Haywood e Justin Pendleton são colegas de escola; Richard é um extrovertido
arrogante, rico e popular, enquanto Justin é um solitário talentoso, porém
introvertido. Aparentemente, são inimigos, mas secretamente são amigos muito
próximos. Após meses planejando as condições e possibilidade de execução de um “crime
perfeito”, a dupla sequestra uma mulher aleatoriamente, a estrangula e planta
provas que incriminam o traficante de maconha de Richard, que é a figuração do
zelador da escola Ray Feathers. A detetive Cassie Mayweather (Sandra Bullock) e
seu novo parceiro, Sam Kennedy (Ben Chaplin), investigam o assassinato. Curiosamente
ela transa com ele logo no início, como fazia com parceiros de trabalho anteriores,
mas não permite que ele veja seus seios e o manda para casa de forma brusca
depois. Neste ínterim, tanto as marcas de pegadas na cena do crime levam a
Richard, quanto a ocorrência de vômito próximo incrimina Justin. Ambos têm
álibis e negam se conhecer, mas Cassie está convencida de que Richard é o
assassino e Justin está envolvido. Sam critica sua recusa em considerar outros
suspeitos, já que a maior parte das evidências físicas apontam para longe dos
dois garotos. O chefe de Cassie, Capitão Rod Cody, e seu ex, o promotor
assistente Al Swanson, temendo a influência dos pais de Richard, afastam Cassie
da liderança do caso. A cena de crime é qualquer local que talvez esteja
associado a um crime cometido. Cenas de crimes contêm evidências físicas
pertinentes para uma investigação criminal. Estas evidências são coletadas por
investigadores (peritos criminais) e autoridades.
A localização de uma
cena de crime pode ser o local onde o crime ocorreu ou qualquer área que
contenha evidências do próprio crime. As cenas não são limitadas apenas por uma
localização, mas podem ser qualquer pessoa, lugar ou objeto associado com as
condutas criminosas que ocorreram. Após uma cena de crime ter sido descoberta,
é importante que sejam tomadas medidas para protege-la de contaminação. Em
ordem para manter a integridade da cena, as autoridades devem tomar medidas de
segurança para bloquear a área ao redor, bem como controlar a entrada e saída
de pessoas. Por tomarem essas precauções, os oficiais garantem que as
evidências coletadas poderão ser usadas em tribunal. Evidências que foram
contaminada, adulteradas ou danificadas podem poluir a cena e fazer com que um
caso seja desconsiderado. É importante que tudo que ocorrer durante a análise
da cena seja documentado. É trabalho do perito garantir que seja feito uma
documentação extremamente coerente e resumida. A documentação deve incluir as
observações e ações do perito enquanto estiver no local. O laudo pericial é
responsável por documentar a aparência e a condição da cena na chegada. O laudo
coletará declarações e comentários de testemunhas, vítimas e possíveis
suspeitos. Vários outros documentos também são gerados para que a integridade
de uma cena continue intacta. Esses documentos incluem uma lista de quem esteve
em contato com a evidência (cadeia de custódia), bem como um registro de
quais evidências foram coletadas.
Richard mata Ray, simulando
um suicídio. Sam, seguindo as evidências plantadas, encontra Ray. Ao encontrá-lo morto, o assassinato da mulher
parece resolvido; mas Sam finalmente se convence, por meio de Cassie, de que
ela pode estar certa, e continua a investigação. Justin, que tem uma queda pela
colega de classe Lisa Mills, finalmente toma coragem para convidá-la para sair.
Richard, com ciúmes, seduz Lisa, filma os dois e depois entrega uma cópia para
Justin. Justin fica furioso, mas se controla, sabendo que a polícia ainda os
está observando. Cassie começa a receber ligações do ex-marido, Carl Hudson,
que foi preso por esfaqueá-la 17 (dezessete) vezes no peito. A audiência de
liberdade condicional dele está chegando, e ele quer que ela fale em seu nome.
Cassie confidencia a Sam que, embora tenha se tornado policial para provar a si
mesma que não era uma vítima, está apavorada com a ideia de reencontrar Carl.
Ela confessa que Richard a faz lembrar de Carl, e é por isso que está
convencida da culpa de Richard e obcecada em prová-la. Sam e Cassie levam
Richard e Justin para interrogatórios separados, tentando induzi-los a
incriminar um ao outro, mas nenhum dos dois fala antes de serem liberados. Na
casa da vítima, Cassie descobre como os garotos realizaram o “sequestro e
alteraram as evidências físicas”. Richard, sabendo que Cassie está se
aproximando e tendo iniciado um acordo judicial com o promotor, foge para uma
casa abandonada.
Ele convence Justin a
ir com ele até lá, então pega dois revólveres e propõe um inesperado “suicídio
mútuo”. De olhos fechados, na contagem de três, Justin atira para o alto, mas
Richard não. Justin exige ver a arma de Richard, que está descarregada. Quando
um Justin furioso está prestes a atirar em Richard, Cassie chega. Richard pega
a arma de Justin e atira em Cassie, ferindo Justin, que tenta protegê-la. Ela
parte para cima de Richard, mas ele começa a estrangulá-la em um deck
precário que se projeta sobre um penhasco. Cassie consegue se desvencilhar,
derrubando Richard da sacada, onde ele cai e morre. Justin agarra Cassie, que
está pendurada na beira do deck, e a puxa de volta para dentro da casa. Cassie
garante a Justin que intercederá em seu favor para que ele seja julgado “como
menor de idade”, já que ele foi uma vítima inocente, manipulada pelo implacável
Richard. Então, ela percebe uma marca em seu pescoço causada pelo grande anel
de Richard e conclui que o pescoço da mulher morta não apresentava uma marca
semelhante. Confrontado com as evidências, Justin confessa ter estrangulado a
vítima, provando sua “coragem” para Richard, e é preso. Cassie enfrenta seus
medos e entra no tribunal para depor na audiência de liberdade condicional de
Carl. O oficial de justiça a chama ao banco das testemunhas pelo seu nome
legal: Jessica Marie Hudson.
Em julho de 2000, foi
noticiado que Tony Gayton havia escrito um roteiro de suspense intitulado Murder
by Numbers (20002) para a Castle Rock Entertainment, centrado em dois
estudantes do Ensino Médio talentosos que planejam e executam uma série de
assassinatos “perfeitos”, enquanto fogem de um agente novato do FBI. A tática é
a arte do fraco. Carl Phillip Gottlieb von Clausewitz, militar do Reino da
Prússia que ocupou o posto de general é considerado um grande estrategista
militar e teórico da guerra por sua obra “Da Guerra” (“Vom Kriege”, 1963). Foi
diretor da Escola Militar de Berlim nos últimos treze anos de sua vida, período
em que escreveu a obra “Vom Kriege”, publicada postumamente. Nela ficou
conhecida a tese materialista em que ele define a associação entre guerra e
política: - “A guerra é a continuação da política por outros meios”. Von
Clausewitz considerava fundamental que a guerra estivesse sempre
submetida à política. Isso porque nenhuma guerra pode ser vencida sem a
compreensão precisa dos objetivos e da disponibilidade de meios¸ em primeiro
lugar, ou sem o cálculo racional das capacidades e das oportunidades, assim
como o estabelecimento dos limites éticos ao uso da força - sempre submetida
aos objetivos políticos estabelecidos.
Suas lições de tática e
estratégia vão além dos exercícios militares propriamente ditos, para se
constituírem, inclusive, numa profunda reflexão sobre a filosofia da guerra e
da paz. Produtores desconhecidos, poetas de seus negócios, inventores de
trilhas nas selvas da racionalidade funcionalista, consumidores produzem algo
que se assemelha às “linhas de erre”, traçando trajetórias indeterminadas,
aparentemente desprovidas de sentido porque não são coerentes com o espaço
constituído, escrito e pré-fabricado onde se movimentam. São frases
imprevisíveis num lugar ordenado pelas técnicas organizadoras dos sistemas. Não
queremos perder de vista que estratégias se referem ao cálculo ou a manipulação
das relações de forças que se torna possível a partir do momento em que um
sujeito de querer e poder: uma empresa, um exército, uma cidade, uma
instituição científica que pode ser isolado. A estratégia postula um lugar
suscetível de ser circunscrito como algo próprio e ser a base de onde se podem
gerir as relações com uma exterioridade de alvos ou ameaças. Gesto cartesiano,
quem sabe: circunscrever um próprio num mundo enfeitiçado pelos poderes
invisíveis do Outro. Mas que também pode ser interpretado analiticamente como
gesto da modernidade científica, política ou militar. Mas é preciso recorrer a
outro modelo quando interpretamos as imagens. Em outubro daquele ano de 2000,
foi noticiado que Barbet Schroeder estava em negociações finais para dirigir o
filme, com Sandra Bullock como possível protagonista, após a experiência tão
positiva que esta última teve em Miss Simpatia (2000), da Castle Rock,
que estava ansiosa para trabalhar novamente com a empresa em outro projeto.
O filme foi lançado em 19 de abril de 2002 nos Estados Unidos e Canadá e arrecadou US$ 9,3 milhões em 2.663 cinemas em seu fim de semana de estreia, ficando em terceiro lugar nas bilheterias, atrás de outros filmes que também estrearam, como O Rei Escorpião (US$ 36,1 milhões) e Mudando de Faixa (US$ 11,1 milhões). O filme arrecadou um total de US$ 56.714.147 em todo o mundo — US$ 31.945.749 nos Estados Unidos e Canadá e US$ 24.768.398 em outros territórios. As críticas ao filme foram mistas a negativas. O agregador de críticas Rotten Tomatoes relatou que 30% dos críticos deram ao filme uma avaliação positiva com base em 128 críticas, com uma classificação média de 5,30/10. O consenso dos críticos do site diz: “Um policial previsível que funciona melhor como um estudo de personagem do que como um thriller”. No Metacritic, o filme tem uma pontuação média ponderada de 50 em 100 com base em 35 críticos, indicando “críticas mistas ou medianas”. O público pesquisado no mercado de opinião pelo CinemaScore deu ao filme uma nota média de “C+” em uma escala de A+ a F. Roger Ebert atribuiu três estrelas em quatro possíveis, afirmando: “Bullock faz um bom trabalho aqui ao lutar contra sua simpatia natural, criando uma personagem de quem você gostaria de gostar, e poderia gostar, se ela não fosse tão triste, estranha e introspectiva. Ela se entrega ao trabalho policial não tanto por dedicação, mas porque precisa da distração, precisa se manter ocupada e ser boa para garantir seu valor.
À medida que ela se aproxima do alvo e enfrenta mais perigos e mais oposição oficial, mais ou menos impotente, começa a pensar naquele penhasco sobre o mar, mas pelo menos o clímax nos mostra que Bullock consegue se manter na personagem, não importa o que aconteça”. A.O. Scott, escrevendo para o The New York Times, afirmou que “grande parte deste novo filme de Barbet Schroeder — um veículo para o estrelato de Sandra Bullock, que também é produtora executiva - segue os caminhos já trilhados de clichê de policiais e psicopatas” que que se inscrevem na matriz norte-americana da força bruta. Ele descreve Haywood e Pendleton como “um par de adolescentes nietzschianos que poderiam estar estrelando um remake do extraordinário “Festim Diabólico”, de Alfred Hitchcock, para a emissora The WB”. Scott acrescenta: A verdadeira surpresa, dado o material de segunda mão, é que nem tudo procede por obrigação em Assassinato por Números, que estreia 19 de abril de 2002 em todo o país. A estrutura frágil da trama principal do filme sustenta uma investigação psicológica perturbadora e fascinante, e suspeita-se que, como em Mulher Solteira Procura (1992), o interesse do Sr. Schroeder reside menos na história em si do que nas possibilidades que ela oferece para exercer sua curiosidade perversa e fria sobre poder, intimidade e as diversas formas de sofrimento humano. Este filme é mais interessante como um estudo de dois relacionamentos paralelos, nenhum deles primordialmente sexual (embora a sexualidade seja o subtexto de um e a consequência quase acidental do outro), “mas ambos permeados por desejo, inveja, ternura e aversão suficientes para tornar o sexo propriamente dito um tanto redundante”. Scott também comenta sobre “a cena em que [Cassie] é atacada por um babuíno furioso. O babuíno, pelo menos, é inesperado, embora também inexplicável”.
Aqui vale uma
digressão. Friedrich Hegel que parte da análise da consciência comum,
não podia situar como princípio primeiro uma dúvida universal que só é própria
da reflexão filosófica. Por isso mesmo ele segue o caminho aberto pela
consciência e a história detalhada de sua formação. Ou seja, a Fenomenologia
vem a ser uma história concreta da consciência, sua saída da caverna e sua
ascensão à Ciência. Daí a analogia que em Hegel existe de forma coincidente
entre a história da filosofia e a história do desenvolvimento do pensamento,
mas este desenvolvimento é necessário, como força irresistível que se manifesta
lentamente através dos filósofos, que são instrumentos de sua manifestação.
Assim, preocupa-se apenas em definir os sistemas, sem discutir as
peculiaridades e opiniões dos diferentes filósofos. Na determinação do sistema,
o que o preocupa é a categoria fundamental que determina o todo complexo do
sistema, e o assinalamento das diferentes etapas, bem como as vinculasses
destas etapas que conduzem à síntese do espírito absoluto. Para compreender o
sistema é necessário começar pela representação, que ainda não sendo exata
permite, no entender de sua obra a seleção de afirmações e preenchimento do
sistema abstrato de interpretação do método dialético, para alcançar a
transformação da representação em uma noção clara e exata.
Assim, temos a passagem
da representação abstrata, para o conceito claro e concreto através do acúmulo
de determinações. Aquilo que por movimento dialético separa e distingue
perenemente a identidade e a diferença, sujeito e objeto, finito e infinito, é a
alma vivente de todas as coisas, a Ideia Absoluta que é a força geradora, a
vida e o espírito eterno. Mas a Ideia Absoluta seria uma existência abstrata se
a noção de que procede não fosse mais que uma unidade abstrata, e não o que é
em realidade, isto é, a noção que, por um giro negativo sobre si mesma,
revestiu-se novamente de forma subjetiva. Metodologicamente a determinação mais
simples e primeira que o espírito pode estabelecer é o Eu, a faculdade de poder
abstrair todas as coisas, como vemos no filme, até sua própria vida.
Chama-se idealidade precisamente esta supressão da exterioridade. Entretanto, o
espírito não se detém na apropriação, transformação e dissolução da matéria em
sua universalidade, mas, enquanto consciência de fato religiosa, por sua
faculdade representativa, penetra e se eleva através da aparência dos seres até
esse poder divino, uno, infinito, que conjunta e anima interiormente todas as
coisas, enquanto pensamento filosófico, como princípio universal, a ideia eterna
que as engendra e nelas se manifesta. Isto quer dizer que o espírito finito se
encontra inicialmente numa união imediata com a natureza, a seguir em oposição
com esta, e finalmente em identidade com esta, porque suprimiu a oposição e voltou a si mesmo e,
consequentemente, o espírito finito é a ideia, mas ideia que girou sobre si
mesma e que existe por si em sua própria realidade.
A Ideia absoluta que
para realizar-se colocou como oposta a si, à natureza, produz-se através dela
como espírito, que através da supressão de sua exterioridade entre inicialmente
em relação simples com a natureza, e, depois, ao encontrar a si mesma nela,
torna-se consciência de si, espírito que conhece a si mesmo, suprimindo assim a
distinção entre sujeito e objeto, chegando assim à Ideia a ser por si e em si,
tornando-se unidade perfeita estabelecida de suas diferenças, sua absoluta
verdade. Com o surgimento do espírito através da natureza abre-se a história da
humanidade e a história humana é o processo que medeia entre isto e a
realização do espírito consciente de si. A filosofia hegeliana centra sua
atenção sobre esse processo e as contribuições mais expressivas de Hegel
ocorrem precisamente nesta esfera, objetiva e subjetivamente do espírito.
Melhor dizendo, para Hegel, à existência na consciência, no espírito chama-se saber,
conceito pensante. O espírito é também isto: trazer à existência, isto
é, à consciência. Como consciência em geral tenho eu um objeto; uma vez que eu
existo e ele está na minha frente. Mas enquanto o Eu é o objeto de pensar, é o
espírito precisamente isto: produzir-se, sair fora de si, saber o que ele é.
Nisto consiste a grande diferença: o homem sabe o que ele é. Logo, em
primeiro lugar, ele é real. Sem isto, a razão, a liberdade não são nada.
O homem é
essencialmente razão.
O homem, a criança, o culto e o inculto, é razão. Ou melhor, a possibilidade
para isto, para ser razão, existe em cada um, é dada a cada um. A razão não
ajuda em nada a criança, o inculto. É somente uma possibilidade, embora não
seja uma possibilidade vazia, mas possibilidade real e que se move em si.
Assim, por exemplo, dizemos que o homem é racional, e distinguimos muito bem o
homem que nasceu somente e aquele cuja razão educada está diante de nós. Isto
pode ser expresso também assim: o que é em si, tem que se converter em objeto
para o homem, chegar à consciência; assim chega num movimento único para ele e
para si mesmo. A história para Hegel, é o desenvolvimento do Espírito no
tempo, assim como a Natureza é o desenvolvimento da ideia no espaço.
Deste modo o homem se duplica. Uma vez, ele é razão, é pensar, mas em si:
outra, ele pensa, converte este ser, seu em si, em objeto do pensar. Assim o
próprio pensar é objeto, logo objeto de si mesmo, então o homem é por si. A
racionalidade produz o racional, o pensar produz os pensamentos. O que o ser em
si é se manifesta no âmbito do ser por si. Todo conhecer, todo aprender, toda
visão, toda ciência, inclusive toda atividade humana, não possui nenhum outro
interesse além do aquilo que filosoficamente é em si, no interior, podendo
manifestar-se desde si mesmo, produzir-se, transformar-se objetivamente. Nesta
diferença se descobre toda a diferença na história do mundo. Os homens são todos
racionais. O formal desta racionalidade é que o homem seja livre. Esta é a sua
natureza. Isto pertence à essência do homem: a liberdade.
O europeu sabe de si,
afirma Hegel, é objeto de si mesmo. A determinação que ele conhece é a
liberdade. Ele se conhece a si mesmo como livre. O homem considera a liberdade
como sua substância. Se os homens falam mal de conhecer é porque não sabem o
que fazem. Conhecer-se, converter-se a si mesmo no objeto (do conhecer próprio)
e o fazem relativamente poucos. Mas o homem é livre somente se sabe que o é.
Pode-se também em geral falar mal do saber, como se quiser. Mas somente este
saber libera o homem. O conhecer-se é no espírito a existência. Portanto isto é
o segundo, esta é a única diferença da existência (Existenz) a diferença
do separável. O Eu é livre em si, mas também por si mesmo é livre e eu sou
livre somente enquanto existo como livre. A terceira determinação é que o que
existe em si, e o que existe por si são somente uma e mesma coisa. Isto quer
dizer precisamente evolução. O em si que já não fosse em si seria outra coisa. Por
conseguinte, haveria ali uma variação, mudança, na sociedade. Na mudança existe
algo que chega a ser outra coisa. Na evolução, em essência, podemos também sem
dúvida falar da mudança, mas esta mudança deve ser tal que o outro, o que
resulta, é ainda idêntico ao primeiro, de maneira que o simples, o ser em si
não seja negado.
Para Friedrich Hegel a
evolução não somente faz aparecer o interior originário, exterioriza o concreto
contido já no em si, e este concreto chega a ser por si através dela,
impulsiona-se a si mesmo a este ser por si. O espírito abstrato assim adquire o
poder concreto da realização. O concreto é em si diferente, mas logo só em si,
pela aptidão, pela potência, pela possibilidade. O diferente está posto ainda
em unidade, ainda não como diferente. É em si distinto e, contudo, simples. É em
si mesmo contraditório. Posto que é através desta contradição impulsionado da
aptidão, deste este interior à qualidade, à diversidade; logo cancela a unidade
e com isto faz justiça às diferenças. Também a unidade das diferenças ainda não
postas como diferentes é impulsionada para a dissolução de si mesma. O distinto
(ou diferente) vem assim a ser atualmente, na existência. Porém do mesmo modo
que se faz justiça à unidade, pois o diferente que é posto como tal é anulado
novamente. Tem que regressar à unidade; porque a unidade do diferente consiste
em que o diferente seja um. E somente por este movimento é a unidade
verdadeiramente concreta. É algo concreto, algo distinto. Entretanto contido na
unidade, no em si primitivo. O gérmen se desenvolve assim, não muda. Se o
gérmen fosse mudado desgastado, triturado, não poderia per se evoluir.
Na alma, enquanto determinada como indivíduo, as diferenças estão enquanto
mudanças que se dão no indivíduo, que é o sujeito uno que nelas persiste e,
segundo Hegel, enquanto momentos do seu desenvolvimento.
Por serem elas diferenças, à uma, físicas e espirituais, seria preciso, para determinação ou descrição mais concreta, antecipar a noção do espírito cultivado. As diferenças são: 1) curso natural das idades da vida, desde a criança, desde a criança, o espírito envolvido em si mesmo – passando pela oposição desenvolvida, a tensão de uma universalidade ela mesma ainda subjetiva em contraste com a singularidade imediata, isto é, como o mundo presente, não conforme a tais ideais, e a situação que se encontra, em seu ser-aí para esse mundo, o indivíduo que, de outro lado, está ainda não-autônomo e em si mesmo não está pronto (o jovem), para chegar à relação verdadeira, ao reconhecimento da necessidade e racionalidade objetivas do mundo já presente, acabado; em sua obra, que leva a cabo por si e para si, o indivíduo retira, por sua atividade, uma confirmação e uma parte, mediante a qual ele é algo, tem uma presença efetiva e um valor objetivo (homem); até a plena realização da unidade com essa objetividade do conhecer: unidade que, enquanto real, vem dar na inatividade da rotina que tira o interesse, enquanto ideal se liberta dos interesses mesquinhos é das complicações do presente exterior (o ancião). O espírito manifesta aqui sua independência da própria corporalidade, em poder desenvolver-se antes que nela torne. Com frequência, crianças têm demonstrado um desenvolvimento espiritual que vai muito mais rápido que sua formação corporal aos quais são chamados de gênios.
Esse foi o caso histórico, sobretudo em talentos artísticos indiscutíveis, em particular nos gênios da música. Também em relação ao fácil apreender de variados conhecimentos, especialmente na disciplina matemática; e tal precocidade tem-se mostrado não raramente também em relação a um raciocínio de entendimento, e mesmo sobre objetos éticos e religiosos. O processo de desenvolvimento do indivíduo humano natural decompõe-se então em uma série de processos, cuja diversidade se baseia sobre a relação do indivíduo para com o gênero, e funda a diferença da criança, do homem e do ancião simultaneamente. Essas diferenças são as apresentações das diferenças do conceito. A idade da infância é o tempo da harmonia natural, da paz do sujeito consigo mesmo com o mundo. Um começo tão sem-oposição quanto a velhice é um fim sem-oposição. Assim que surgem ficam sem interesse profundo. A criança vive na inocência, sem sofrimento durável; no amor aos seus pais, e no sentimento de ser amado por eles. Gênios artísticos podem se manifestar na primeira infância (prodígio) ou mais tarde na vida; de qualquer forma, os gênios eventualmente se diferenciam do restante através de grande originalidade. Gênios intelectuais geralmente têm visões nítidas e concisas de uma dada situação, na qual a interpretação é desnecessária - os fatos simplesmente os impactam e eles constroem ou agem de acordo com estes fatos sociais, geralmente com tremenda energia. Aqui também, gênios consumados em campos cognitivos intelectuais começam em muitos casos como prodígios, privilegiados com memória superior, reconhecimento de padrões ou apenas percepção. Na linha divisória entre a Matemática dos séculos XVIII e XIX domina a figura majestosa de Carl Friedrich Gauss. Filho de um trabalhador à jorna foi criado no âmbito de uma família pobre, austera e sem educação. A vida pessoal de Friedrich Gauss foi trágica e complicada, na falta de melhor expressão.
Um pai insensível, a
morte prematura da sua primeira mulher, a pouca saúde da sua segunda mulher e
uma terrível relação com os seus filhos negou-lhe, até tarde, a possibilidade
de vida estável no seio de uma família equilibrada. Dadas as precárias condições
econômicas familiares, recebeu o precioso apoio do Duque de Brunswich que
reconheceu nele uma criança-prodígio. Este apoio institucional começou desde 14
anos e permitiu-lhe dedicar-se exclusivamente aos estudos, durante 16 anos.
Gauss não encontrou nenhum colaborador entre os seus colegas matemáticos tendo
trabalhado sempre sozinho. Mas, se é verdade que o seu isolamento relativo, a
sua compreensão das matemáticas puras e aplicadas, a sua preocupação com a
astronomia e o uso frequente que faz do Latim têm a marca do século XVIII, é
inegável que, nos seus trabalhos, se amplifica o espírito científico de um novo
período. Comparativamente se tal como os seus contemporâneos Kant, Goethe,
Beethoven e Hegel, hic et nunc se manteve à margem das grandes lutas sociais e
políticas, a verdade é que, no seu próprio campo científico, Gauss expressou as
novas ideias da sua época de uma forma poderosíssima.
Curiosamente nem na descendência de Gauss, nem no seu ambiente infantil, existe qualquer indício, no sentido de Ginzburg (1986) do que resulta o trabalho da sua vida. Do lado paterno, temos, sobretudo, os donos de pequenas quintas, trabalhadores rurais e operários em Braunschweig que é uma parte da ex-Alemanha de Leste, isto é, trabalhadores que lutavam arduamente pela sua subsistência. Contudo, há também notícia de agricultores abastados, pedreiros e titulares de postos eclesiásticos. O avô paterno, Jürgen Goos, estabeleceu-se na cidade de Braunschweig, mais tarde, capital do Ducado de Braunschweig em 1744. Seu pai, Gebhard Dietrich Gauss, nasceu em 1744. Finalmente, e após trabalhar como pedreiro, construtor de canais e jardineiro, Gebhard tornou-se proprietário de uma casa, em Wilhelmstrasse, que havia sido comprada por seu pai, Jürgen Goos, em 1753, com uma elevada hipoteca. Como Gebhard calculava e escrevia bem, foi-lhe confiado a função de tesoureiro de um fundo de enterro. A primeira mulher de Gebhard morreu em 1775. No ano seguinte, Gebhard casou com Dorothea Benze. O único filho desta união foi Carl Friedrich Gauss, que nasceu a 30 de abril de 1777, na casa de Wilhelmstrasse que mais tarde se tornou um museu e foi destruída num bombardeamento durante a 2ª Guerra Mundial. O avô materno de Gauss, Kristoffer Benze, era pedreiro na aldeia de Velpke, nos arredores de Braunschweig. Como trabalhava no arenito, seus pulmões foram afetados, acabando por morrer quando tinha apenas trinta anos. O irmão mais novo de Dorothea Benze, Johann Friedrich, era dotado, original e autodidata, tendo aprendido per se a ser um bom tecelão de damasco.
Quando morreu, em 1809, Gauss declarou que o mundo havia perdido um génio, declaração esta que só tem a evidência do olhar de Gauss como sustentação. Quanto à sua mãe, Dorothea, nunca aprendeu a escrever e quase não conseguia ler. No entanto tinha uma óptima inteligência, bom humor e um forte caráter. O seu filho Carl Friedrich foi o seu interesse dominante da sua vida cujos últimos vinte e dois anos dedicou a acompanhar o filho no conhecido observatório, em Göttingen. Durante muito tempo, se acreditou que a economia de etapas e a rapidez na resolução de problemas fossem os objetivos máximos a serem alcançados na disciplina de Matemática. Nesse sentido, ensinar algoritmos para fazer contas parecia ser o mais indicado. Se por um lado o uso de fórmulas permite organizar o raciocínio, registrá-lo, lê-lo e chegar à resposta exata, por outro, fixa o aprendizado somente nessa estratégia e leva o estudante apenas a conhecer uma prática cada vez menos usada e, pior, a realizá-la de modo automático, sem entender exatamente o que está fazendo. Começaram cedo os indícios que faziam antever o talento apaixonante que Friedrich Gauss demonstraria em sua vida. Isso é patente em alguns dos excertos que relatam períodos da sua infância. É o caso do seguinte episódio: durante os verões, Gebhard Gauss, que era contramestre numa firma de alvenaria, pagava o salário semanal aos seus trabalhadores. Uma vez, quando Gebhard estava prestes a pagar o salário a um dos trabalhadores, Carl Friedrich, na altura com apenas três anos, levantou-se e disse: - “Papa, cometeste um erro!”, indicando em seguida a quantia certa. Gauss tinha seguido os cálculos sem sequer poder ver os registos escritos, dado que a sua altura ainda não era suficiente para alcançar a mesa, e para surpresa dos presentes, uma confirmação provou que o pequeno Carl estava certo. É natural que Gauss tivesse o costume de dizer que tinha aprendido precocemente a contar e a calcular antes de ter aprendido a falar.
Gauss tinha cerca de dez anos e frequentava a
classe de aritmética quando Büttner propôs o seguinte difícil problema: -
“Escrevam todos os números de 1 a 100 e depois vejam quanto dá a sua soma”. Era
hábito, quando a classe tinha uma tarefa deste tipo, que se fizesse o seguinte:
o primeiro aluno a acabar iria até à secretária do professor com a sua ardósia
e colocá-la-ia em cima da mesa. O seguinte a acabar colocaria a sua ardósia em
cima da ardósia do colega e assim sucessivamente, até a pilha de ardósias estar
completa. O problema em questão não era difícil para alguém que tivesse alguma
familiaridade com as progressões aritméticas. Como os rapazes ainda eram
principiantes, Büttner certamente pensou que lhe seria possível fazer um
intervalo por um bom bocado. Mas estava enganado... Em alguns segundos, Gauss
colocou a sua ardósia na mesa, e ao mesmo tempo disse no seu dialeto
Braunschweig: “Ligget se” (“Aqui jaz”). Enquanto outros continuavam a
somar, Gauss sentou-se sereno, impassível aos olhares desdenhosos de
Büttner.
No final da aula os resultados foram examinados. A grande maioria dos alunos tinha apresentado resultados errados “pelo que foram severamente corrigidos com uma cana-da-índia”. Na ardósia de Gauss, que se encontrava no fim, estava apenas um número: 5050. Como seria de esperar, Gauss teve que explicar ao espantado professor Büttner como é que tinha obtido aquele resultado: - “Então, 1+100=101, 2+99=101, 3+98=101, e por ai em diante, até finalmente 49+52=101 e 50+51=101. Isto dá um total de 50 pares de números cuja soma dá 101. Portanto, a soma total é 50101=5050”. Desta maneira aparentemente simples, Gauss tinha encontrado a propriedade da simetria das progressões aritméticas, derivando a fórmula da soma para uma progressão aritmética arbitrária, fórmula que provavelmente Gauss descobriu por si próprio. Este acontecimento marcou o ponto de viragem, como dizem os italianos, na sua própria vida. Büttner percebeu que pouco tinha para ensinar a Gauss e deu-lhe o melhor livro de aritmética, especialmente encomendado de Hamburg. Assim, Gauss teve estreito contato com Martin Bartels, com apenas 18 anos, assistente de Büttner nas aulas o que constituiu uma virtù e fortuna, não tanto para Gauss que pouco tinha a aprender com ele, mas para Bartels que, mais tarde, se tornou professor de Matemática. Friedrich Gauss (1777-1855) é considerado no meio acadêmico e científico um dos maiores matemáticos de todos os tempos. Alguns o referendam como Princeps Mathematicorum ou “o mais notável dos matemáticos” e um “grande matemático desde a antiguidade”, uma marca influente em muitas áreas da matemática e da ciência e é um dos mais influentes na história teórica da matemática. Mas até a idade de 20 anos teve um grande interesse por idiomas e quase se tornou um filologista, como Friedrich Nietzsche um século depois. Posteriormente, literatura estrangeira e leituras sobre política eram seus passatempos prediletos. Por serem incomuns, ambos com tendências conservadoras.
A matemática gaussiana serviu às principais áreas de pesquisa da matemática moderna. A etnografia de Gauss demonstrou que ele antecipou a geometria não-Euclidiana, 30 anos antes de Bolyai e Lobachevsky. Descobriu o teorema fundamental de Cauchy da análise complexa 14 anos antes. Descobriu os quatérnios antes de Sir Willian Rowan Hamilton e antecipou os trabalhos de Legendre, Abel e Jacobi. Se Gauss tivesse publicado todos os seus resultados, teria feito avançar o progresso da Matemática em mais de 50 anos. O principal matemático da Antiguidade uniu o mundo abstrato dos números com o mundo real. Newton também era um matemático notável. Propôs medir o volume de objetos curvos ou calcular a velocidade de objetos em aceleração. Leibniz não era popular como Newton, mas aprofundou o conceito de grandezas infinitesimais, muito relevantes do ponto de vista teórico na matemática. Évariste Galois (1811-1832) criou as estruturas algébricas e Henri Poincaré (1854-1912) inventou sua topologia ambos neste século. Aquele rebelde é o único matemático cuja obra não tem erros. Seu principal trabalho levou-o a solucionar problemas matemáticos em aberto desde a Antiguidade. Com a topologia algébrica, é possível demonstrar como uma caneca representa a deformação da metade do aro. A conjectura que ele propôs em 1904 só foi resolvida em 2006. Al-Khwarizmi (c.780 –c. 850) criou as bases teóricas para a álgebra no distante século oito. Ele fundamentou a matemática descrevendo métodos e técnicas para resolver equações lineares e quadráticas. O italiano Fibonacci difundiu seus ensinamentos com numerais arábicos e algarismos de 0 a 9, para representá-los em procedimentos matemáticos. Ela está presente na nossa vida desde o nosso nascimento. Nosso cotidiano gira em torno de números, medidas, figuras geométricas e outros conceitos inerentes a essa disciplina.
Antes mesmo de iniciar o período escolar, as crianças já têm contato no processo de formação com noções matemáticas no seu dia a dia, aprendendo sem sequer perceber. No processo de socialização escolar, a Matemática aparece com a divisão técnica e social do trabalho educativo e disciplinar, embora muitos alunos já alfabetizados não possuírem necessariamente habilidades fundamentais na Matemática. Quando isso ocorre e a criança não consegue atribuir um sentido prático aos conceitos matemáticos, surge a contradição sociológica de aversão à Matemática para a refutá-la. Contudo, Gauss foi perseguido pelo governo de seu tempo e foi salvo pela proteção de um seguidor de seus conhecimentos, o qual mais tarde veio descobrir que se tratava de uma mulher. Aos 10 anos de idade, Gauss respondeu rapidamente qual era a soma dos algarismos de 1 a 100 em poucos minutos, 5.050 disse ele ao seu professor cálculo esse que demonstra a fórmula da soma de uma progressão geométrica. Gauss desenvolveu uma concepção sobre as teorias das congruências, um método de interpretação para determinar datas do calendário, e determinar quando iria cair a Pascoa, uma vez que esta deveria ser coincidir no dia de domingo após a primeira lua cheia da Primavera na Europa.
Vale lembrar é com o conceito de Lei, que Montesquieu traz à sociedade fora do campo da teologia e da crônica inserindo-a no âmbito propriamente teórico. Estabelece uma regra de imanência que incorpora a teoria ao campo das ciências: as instituições políticas são regidas por leis que derivam das relações políticas. As leis que regem as instituições políticas são relações próprias entre as diversas classes em que se divide a população, as formas de organização econômica, as formas de distribuição do poder etc. Mas o objeto de Montesquieu não são as leis que regem as relações entre os homens em geral, mas as leis positivas, isto é, as leis e instituições criadas pelos homens para reger as relações determinadas entre os homens. Ele observa que, ao contrário dos outros seres, os homens têm a capacidade de se furtar às leis da razão que deveriam reger suas relações, e, além disso, adotam leis escritas e costumes destinados a reger os comportamentos humanos. E têm a capacidade de se furtar igualmente às leis e instituições.
O objetivo de Montesquieu é imiscuir o espírito das leis, isto é, esclarecer as relações intrínsecas entre as leis (positivas) e “diversas coisas”, tais como o clima, as dimensões do Estado, a organização do comércio, as relações entre as classes etc. Neste contexto de socialização os procedimentos didáticos costumam se pautar não apenas nos conteúdos a serem estudados, mas também em atividades práticas, que evoquem situações cotidianas de aprendizados importantes. É a partir daí que a escola deve desenvolver o ensino da Matemática nos primeiros anos da vida escolar. Não há discordância em relação à idade ideal para a introdução do ensino da Matemática na educação. A partir dos seis meses de vida os bebês já identificam a diferença entre conjuntos de elementos que contenham quantidades diferentes. A partir dos três anos de idade, eles já entendem as operações básicas de adição e subtração. Na vida cotidiana a Matemática deve proporcionar, na prática, a exploração dos diversos preceitos gnosiológicos, abordando medidas, proporções e formas geométricas, de forma que os alunos desenvolvam e nutram prazer e curiosidade por esses procedimentos. Essa proposta deve trazer elementos do mundo real, utilizando-se de experiências da linguagem no desenvolvimento de didáticas que ampliem suas noções matemáticas. Além disso, a Matemática é uma ciência fundamental para diferentes aspectos da vida contemporânea, desde os avanços tecnológicos a situações e necessidades da vida cotidiana nas esferas de ação social que vão desde a economia à esfera da ação política.
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Sabedoria dos Psicopatas: O que Santos, Espiões e Serial Killers Podem nos
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