“Quando a dor de não estar vivendo for maior que o medo da mudança, a pessoa muda”. Sigmund Freud
O Esclarecimento exprime o movimento real da sociedade burguesa como um todo sob o aspecto da encarnação de sua Ideia em pessoas e instituições, assim também a verdade não significa meramente a consciência relacional, mas, do mesmo modo, a figura que esta assume na realidade efetiva. O medo que o bom filho da civilização moderna tem de afastar-se dos fatos – fatos esses que, no entanto, já estão pré-moldados como clichês na própria percepção pelas usanças dominantes na ciência, nos negócios e na política – é exatamente o mesmo medo do desvio social. Essas usanças também definem o conceito de clareza na linguagem e no pensamento a que a arte, a literatura e a filosofia devem se conformar. Ao tachar de compilação obscura e, de preferência, de alienígena o pensamento que se aplica negativamente aos fatos, bem como às formas de pensar dominantes, e ao colocar assim um tabu sobre ele, esse conceito mantém o espírito sob o domínio da mais profunda cegueira. É característico de uma situação in statu nascendi sem saída que até mesmo o mais honesto dos reformadores, ao usar uma linguagem desgastada para recomendar a inovação social, adota também o aparelho categorial inculcado e a má filosofia que se esconde por trás dele, e assim reforça o poder da ordem existente que ele gostaria de romper. A “falsa clareza”, a ilusão em relação à realidade em si é apenas uma outra expressão do mito. Este na história da humanidade sempre foi obscuro e iluminante ao mesmo tempo.
Suas credenciais tem sido desde sempre a familiaridade e o fato de dispensar o trabalho característico do conceito. A aporia com que defrontamos em nosso trabalho cotidiano revela-se assim como o primeiro objeto a investigar: a autodestruição do esclarecimento. Não alimentamos dúvida nenhuma, afirmavam Adorno e Horkheimer (1985) – e nisso reside nossa petitio principi - de que a liberdade na sociedade é inseparável do pensamento esclarecido. Se o esclarecimento não acolhe dentro de si a reflexão sobre esse elemento regressivo, ele está selando seu próprio destino. Abandonado a seus inimigos e reflexão sobre o elemento destrutivo do progresso, o pensamento cegamente pragmatizado perde seu caráter superador e, por isso, também a sua relação social com a verdade. A disposição enigmática das massas educadas tecnologicamente a deixar dominar-se pelo fascínio de um despotismo, sua afinidade autodestrutiva com a paranoia racista, todo esse absurdo incompreendido manifesta socialmente fraqueza e a dúvida sobre o poder de compreensão do pensamento teórico no âmbito científico. A causa da recaída do esclarecimento não deve ser buscada tanto nas mitologias nacionalistas, pagãs e em outras mitologias modernas especificamente idealizadas em vista dessa recaída, mas no próprio esclarecimento paralisado pelo temor da verdade.
A naturalização dos homens não é dissociável do progresso. O aumento da produtividade econômica, que por um lado produz as condições para o mais justo, confere por outro lado ao aparelho técnico e aos grupos sociais que o controlam uma superioridade imensa sobre o resto da população. O indivíduo se vê completamente anulado em face dos poderes econômicos. Ao mesmo tempo, estes elevam o poder a sociedade sobre a natureza a um nível jamais imaginado. Desaparecendo diante do aparelho a que serve, o indivíduo se vê, ao mesmo tempo, melhor do que nunca provido por ele. Numa situação injusta, a impotência e a dirigibilidade da massa aumentam com a quantidade de bens a ela per se destinados. A elevação do padrão de vida das classes sociais subalternas, materialmente considerável e socialmente lastimável, reflete-se da difusão hipócrita do espírito. Sua verdadeira aspiração é a negação da reificação. Mas ele necessariamente se esvai quando se vê concretizando em um bem cultural e distribuído paras fins de consumo. A enxurrada de informações precisas e diversões assépticas desperta e idiotiza as pessoas ao mesmo tempo. O que está em questão não é a cultura como valor. A questão é que o esclarecimento deve tomar consciência de si mesmo, se os homens não forem traídos. Não se trata da conservação/superação hegeliana (2001) do passado, mas de resgate-esperança. O passado se prolonga como sua própria destruição.
Escólio: Friedrich
Hegel que parte da análise da consciência comum, não podia situar como
princípio primeiro uma dúvida universal que só é própria da reflexão
filosófica. Por isso mesmo ele segue o caminho aberto pela consciência e a
história detalhada de sua formação. Ou seja, a Fenomenologia vem a ser uma
história concreta da consciência, sua saída da caverna e sua ascensão à
Ciência. Daí a analogia que em Hegel existe de forma coincidente entre a
história da filosofia e a história do desenvolvimento do pensamento, mas este
desenvolvimento é necessário, como força irresistível que se manifesta
lentamente através dos filósofos, que são instrumentos de sua manifestação.
Assim, preocupa-se apenas em definir os sistemas, sem discutir as
peculiaridades e opiniões dos diferentes filósofos. Na determinação do sistema,
o que o preocupa é a categoria fundamental que determina o todo complexo do
sistema, e o assinalamento das diferentes etapas, bem como as vinculasses
destas etapas que conduzem à síntese do espírito absoluto. Para compreender o
sistema é necessário começar pela representação, que ainda não sendo totalmente
exata permite, no entender de sua obra a seleção de afirmações e preenchimento
do sistema abstrato de interpretação do método dialético, para poder
alcançar a transformação da representação numa noção clara e exata.
Assim, temos a passagem
da representação abstrata, para o conceito claro e concreto através do acúmulo
de determinações. Aquilo que por movimento dialético separa e distingue
perenemente a identidade e a diferença, sujeito e objeto, finito e infinito, é a
alma vivente de todas as coisas, a Ideia Absoluta que é a força geradora, a
vida e o espírito eterno. Mas a Ideia Absoluta seria uma existência abstrata se
a noção de que procede não fosse mais que uma unidade abstrata, e não o que é
em realidade, isto é, a noção que, por um giro negativo sobre si mesma,
revestiu-se novamente de forma subjetiva. Metodologicamente a determinação mais
simples e primeira que o espírito pode estabelecer é o Eu, a faculdade de poder
abstrair todas as coisas, até sua própria vida. Chama-se idealidade
precisamente esta supressão da exterioridade. Entretanto, o espírito não se
detém na apropriação, transformação e dissolução da matéria em sua
universalidade, mas, enquanto consciência religiosa, por sua faculdade
representativa, penetra e se eleva através da aparência dos seres até esse
poder divino, uno, infinito, que conjunta e anima interiormente todas as
coisas, enquanto pensamento filosófico, como princípio universal, a ideia
eterna que as engendra e nelas se manifesta. Isto quer dizer que o espírito
finito se encontra inicialmente numa união imediata com a natureza, a seguir em
oposição com esta, e finalmente em identidade com esta, porque suprimiu a
oposição e voltou a si mesmo e, consequentemente, o espírito finito é a ideia,
mas ideia que girou sobre si mesma e que existe por si em sua própria
realidade.
A Ideia absoluta que
para realizar-se colocou como oposta a si, à natureza, produz-se através dela
como espírito, que através da supressão de sua exterioridade entre inicialmente
em relação simples com a natureza, e, depois, ao encontrar a si mesma nela,
torna-se consciência de si, espírito que conhece a si mesmo, suprimindo assim a
distinção entre sujeito e objeto, chegando assim a Ideia a ser por si e em si,
tornando-se unidade perfeita de suas diferenças, sua absoluta verdade. Com o
surgimento do espírito através da natureza abre-se a história da humanidade e a
história humana é o processo que medeia entre isto e a realização do espírito
consciente de si. A filosofia hegeliana centra sua atenção sobre esse processo
e as contribuições mais expressivas de Hegel ocorrem precisamente nesta esfera,
do espírito. Melhor dizendo, para Hegel, à existência na consciência, no
espírito chama-se saber, conceito pensante. O espírito é também isto: trazer à
existência, isto é, à consciência. Como consciência em geral tenho eu um
objeto; uma vez que eu existo e ele está na minha frente. Mas enquanto o Eu é o
objeto de pensar, é o espírito precisamente isto: produzir-se, sair fora de si,
saber o que ele é. Nisto consiste a grande diferença: o homem sabe o que ele é.
Logo, em primeiro lugar, ele é real. Sem isto, a razão, a liberdade não são
nada. O homem é essencialmente razão. O homem, a criança, o culto e o inculto,
é razão. Ou melhor, a possibilidade para isto, para ser razão, existe em cada
um, é dada a cada um. A razão não ajuda em nada a criança, o inculto.
É somente uma
possibilidade, embora não seja uma possibilidade vazia, mas possibilidade real
e que se move em si. Assim, por exemplo, dizemos que o homem é racional, e
distinguimos muito bem o homem que nasceu somente e aquele cuja razão educada
está diante de nós. Isto pode ser expresso também assim: o que é em si, tem que
se converter em objeto para o homem, chegar à consciência; assim chega para ele
e para si mesmo. A história para Hegel, é o desenvolvimento do Espírito no
tempo, assim como a Natureza é o desenvolvimento da ideia no espaço. Deste modo
o homem se duplica. Uma vez, ele é razão, é pensar, mas em si: outra, ele
pensa, converte este ser, seu em si, em objeto do pensar. Assim o próprio
pensar é objeto, logo objeto de si mesmo, então o homem é por si. A
racionalidade produz o racional, o pensar produz os pensamentos. O que o ser em
si é se manifesta no ser por si. Todo conhecer, todo aprender, toda visão, toda
ciência, inclusive toda atividade humana, não possui nenhum outro interesse
além do aquilo que filosoficamente é em si, no interior, podendo manifestar-se
desde si mesmo, produzir-se, transformar-se objetivamente. Nesta diferença se
descobre toda a diferença na história do mundo. Os homens são todos racionais.
O formal desta racionalidade é que o homem seja livre. Esta é a sua natureza.
Isto pertence à essência do homem: a liberdade.
O europeu sabe de si,
afirma Hegel, é objeto de si mesmo. A determinação que ele conhece é a
liberdade. Ele se conhece a si mesmo como livre. O homem considera a liberdade
como sua substância. Se os homens falam mal de conhecer é porque não sabem o
que fazem. Conhecer-se, converter-se a si mesmo no objeto (do conhecer próprio)
e o fazem relativamente poucos. Mas o homem é livre somente se sabe que o é.
Pode-se também em geral falar mal do saber, como se quiser. Mas somente este
saber libera o homem. O conhecer-se é no espírito a existência. Portanto isto é
o segundo, esta é a única diferença da existência (Existenz) a diferença
do separável. O Eu é livre em si, mas também por si mesmo é livre e eu sou
livre somente enquanto existo como livre. A terceira determinação é que o que
existe em si, e o que existe por si são somente uma e mesma coisa. Isto quer
dizer precisamente evolução. O em si que já não fosse em si seria outra coisa. Por
conseguinte, haveria ali uma variação, mudança. Na mudança existe algo que
chega a ser outra coisa. Na evolução, em essência, podemos também sem dúvida
falar da mudança, mas esta mudança deve ser tal que o outro, o que resulta, é
ainda idêntico ao primeiro, de maneira que o simples, o ser em si não seja
negado. Para Friedrich Hegel a evolução não somente faz aparecer o interior
originário, exterioriza o concreto contido já no em si, e este concreto chega a
ser por si através dela, impulsiona-se a si mesmo a este ser por si. O espírito
abstrato assim adquire o poder concreto da realização.
O concreto é em si
diferente, mas logo só em si, pela aptidão, pela potência, pela possibilidade.
O diferente está posto ainda em unidade, ainda não como diferente. É em si
distinto e, contudo, simples. É em si mesmo contraditório. Posto que é
através desta contradição impulsionado da aptidão, deste este interior à
qualidade, à diversidade; logo cancela a unidade e com isto faz justiça às
diferenças. Também a unidade das diferenças ainda não postas como diferentes é
impulsionada para a dissolução de si mesma. O distinto (ou diferente) vem assim
a ser atualmente, na existência. Porém do mesmo modo que se faz justiça à
unidade, pois o diferente que é posto como tal é anulado novamente. Tem que
regressar à unidade; porque a unidade do diferente consiste em que o diferente
seja um. E somente por este movimento é a unidade verdadeiramente concreta. É
algo concreto, algo distinto. Entretanto contido na unidade, no em si
primitivo. O gérmen se desenvolve assim, não muda. Se o gérmen fosse mudado
desgastado, triturado, não poderia evoluir. Na alma, enquanto determinada como
indivíduo, as diferenças estão enquanto mudanças que se dão no indivíduo, que é
o sujeito uno que nelas persiste e, segundo Hegel, enquanto momentos do seu
desenvolvimento.
Por serem elas
diferenças, à uma, físicas e espirituais, seria preciso, para determinação ou
descrição mais concreta, antecipar a noção do espírito cultivado. As diferenças
são: 1) curso natural das idades da vida, desde a criança, desde a criança, o
espírito envolvido em si mesmo – passando pela oposição desenvolvida, a tensão
de uma universalidade ela mesma ainda subjetiva em contraste com a
singularidade imediata, isto é, como o mundo presente, não conforme a tais
ideais, e a situação que se encontra, em seu ser-aí para esse mundo, o
indivíduo que, de outro lado, está ainda não-autônomo e em si mesmo ainda não
está pronto (o jovem) – para chegar à relação verdadeira, ao reconhecimento da
necessidade e racionalidade objetivas do mundo já presente, acabado; em sua
obra, que leva a cabo por si e para si, o indivíduo retira, por sua atividade,
uma confirmação e uma parte, mediante a qual ele é algo, tem uma presença
efetiva e um valor objetivo (homem); até a plena realização da unidade com essa
objetividade do conhecer: unidade que, enquanto real, vem dar na inatividade da
rotina que tira o interesse, enquanto ideal se liberta dos interesses
mesquinhos é das complicações do presente exterior (o ancião). O espírito manifesta aqui sua independência
da própria corporalidade, em poder desenvolver-se antes que nela torne. Com
frequência, crianças têm demonstrado um desenvolvimento espiritual que vai
muito mais rápido que sua formação corporal.
Esse foi o caso histórico, sobretudo em talentos artísticos indiscutíveis, em particular nos gênios da música. Também em relação ao fácil apreender de variados conhecimentos, especialmente na disciplina matemática; e tal precocidade tem-se mostrado não raramente também em relação a um raciocínio de entendimento, e mesmo sobre objetos éticos e religiosos. O processo de desenvolvimento do indivíduo humano natural decompõe-se então em uma série de processos, cuja diversidade se baseia sobre a relação do indivíduo para com o gênero, e funda a diferença da criança, do homem e do ancião. Essas diferenças são as apresentações das diferenças do conceito. A idade da infância é o tempo da harmonia natural, da paz do sujeito consigo mesmo e com o mundo. Um começo tão sem-oposição quanto a velhice é um fim sem-oposição. As oposições que surgem ficam sem interesse mais profundo. A criança vive na inocência, sem sofrimento durável; no amor aos seus pais, e no sentimento de ser amado por eles. No trajeto social para a concepção de ciência moderna, os homens renunciaram ao sentido e substituíram o conceito pela fórmula, a causa pela regra e pela probabilidade. A causa representou apenas o último conceito filosófico que serviu de padrão para a crítica científica, porque ela era, por assim dizer, dentre todas as ideias antigas, o único conceito que a ela ainda se apresentava, derradeira secularização do princípio criador.
Com as Ideias de Platão, finalmente, também os deuses
patriarcais do Olimpo foram capturados pelo logos filosófico. O esclarecimento,
porém, reconheceu as antigas potências no legado platônico e aristotélico da
metafísica e instaurou um processo contra a pretensão de verdade dos
universais, acusando-a de superstição. Na autoridade dos conceitos universais
ele crê enxergar ainda o medo pelos demônios, cujas imagens eram o meio, de que
serviam os homens, no ritual mágico, para tentar influenciar a natureza.
Doravante, a matéria era dominada sem o recurso ilusório a forças soberanas ou
imanentes, sem a ilusão de qualidades ocultas. O que não submete ao critério da
calculabilidade e da utilidade de uso, no sentido marxista, torna-se suspeito
para ideias em torno do esclarecimento. Mas cada resistência cultural que ele
encontra serve apenas para aumentar a sua força social. Isso se deve ao fato de
que o esclarecimento ainda se reconhece a si mesmo nos próprios mitos.
Quaisquer que sejam os mitos de que possam se valer a resistência, o simples
fato que eles se tornam argumentos por uma tal oposição significa que eles
adotam o princípio da racionalidade decerto corrosiva da qual acusam o
esclarecimento. O esclarecimento é totalitário. Para ele, o elemento
social e humano básico do mito foi sempre o antropomorfismo, a projeção do
subjetivo na natureza.
A cultura respeitável
constituiu até o século dezenove um privilégio, cujo preço era o aumento do
sofrimento dos incultos, no século vinte o espaço higiênico da fábrica teve por
preço a fusão de todos os elementos da cultura num cadinho gigantesco. Talvez
não fosse um preço tão alto, como acreditam alguns defensores da cultura, se a
venda em liquidação da cultura não contribuísse para a conversão das conquistas
econômicas em seu contrário. Nas condições atuais, os próprios bens da fortuna
convertem-se em elementos de infortúnio. Enquanto no período passado a massa
desse bens, na falta de um sujeito social, resultava na chamada superprodução,
em meio às crises da economia interna, ela produz com a entronização dos grupos
que detém o poder no lugar desse sujeito
social, a ameaça internacional do monopólio ligado aos grupos econômicos, com a
entronização do grupos que detêm o poder no lugar desse sujeito social que
procura tornar inteligível o entrelaçamento da racionalidade e da realidade
social, bem como o entrelaçamento, inseparável do primeiro, da natureza e da
dominação da natureza. No centro estão os conceitos de sacrifício e renúncia,
nos quais revelam tanto a diferença quanto a unidade da natureza mítica e do
domínio esclarecido da natureza.
Ele mostra como a submissão de tudo aquilo que é natural ao sujeito autocrático culmina exato no domínio de uma natureza e uma objetividade cegas. Essa tendência, segundo Adorno e Horkheimer, aplaina as antinomias do pensamento liberal, em especial a do rigor moral e absoluta amoralidade. No sentido do progresso do pensamento, o conceito de esclarecimento tem perseguido o objetivo de livrar os homens do medo e de investi-los na posição de senhores. Mas a terra totalmente esclarecida resplandece sob o signo de uma calamidade triunfal. O programa do esclarecimento representava o desencantamento do mundo. Sua meta era dissolver os mitos e substituir a imaginação pelo saber. A credulidade, a aversão à dúvida, a temeridade no responder, o vangloriar-se com o saber, a timidez no contradizer, o agir por interesse, a preguiça nas investigações pessoais, o fetichismo verbal, o deter-se em conhecimentos parciais: isto e coisas semelhantes impediram um casamento feliz do entendimento humano com a natureza das coisas e o acasalaram, em vez disso, a conceitos vãos e experimentos erráticos: o fruto da prosperidade de tão gloriosa união pode-se facilmente imaginar. A imprensa não passou de uma inovação grosseira; a bússola já era, até certo ponto reconhecida. Mas que mudanças essas três invenções produziram – uma na ciência, a outra na guerra, a terceira nas finanças, no comércio e na navegação. Apenas presumimos dominar a natureza (cf. Castells, 2018), estamos submetidos à sua necessidade; se nos deixássemos guiar por ela na invenção, a comandaríamos na prática. Desencantar o mundo é destruir o animismo.
Não Diga Uma Palavra (Don`t Say a Word) tem como
representação social um filme norte-americano de suspense psicológico de 2001,
estrelado por Michael Douglas, Sean Bean, Brittany Murphy, Guy Torry, Jennifer
Esposito, Famke Janssen, Skye McCole Bartusiak e Oliver Platt, baseado no
romance homônimo de Andrew Klavan. A vida calma do psiquiatra nova-iorquino
Nathan Conrad (Michael Douglas) é devastada quando, uma manhã, descobre que um
estranho entrou no seu apartamento em Manhattan e sequestrou a sua filha de
oito anos. A mulher do psiquiatra (Famke Janssen) está imobilizada e não pode
sair da cama, porque partiu uma perna num acidente de esqui, o que dificulta
ainda mais a busca da criança. A detentora da chave do mistério do rapto poderá
ser uma doente de Conrad, uma jovem chamada Elisabeth (Brittany Murphy) que
passou dez anos internada em estado de choque numa instituição psiquiátrica
depois de ter testemunhado o assassínio do pai. Após se formar em Berkeley,
Klavan começou sua carreira de escritor como liberal. A vitória esmagadora de
Reagan em 1980 resultou de uma guinada conservadora à direita na política
americana, incluindo uma perda de confiança nos programas e prioridades
liberais, do New Deal e da Grande Sociedade que haviam dominado a agenda
nacional desde a década de 1930. Em âmbito interno, o governo Reagan
implementou um grande corte de impostos, buscou reduzir gastos não militares e
eliminou regulamentações federais. As políticas econômicas do governo,
reconhecidas como Reaganômica, foram inspiradas pela economia da oferta.
A combinação de cortes de impostos e aumento nos gastos com defesa levou a déficits orçamentários, e a dívida federal aumentou significativamente durante seu mandato. Reagan sancionou a Lei de Reforma Tributária de 1986, que simplificou o código tributário reduzindo alíquotas e eliminando diversas isenções fiscais, e a Lei de Reforma e Controle da Imigração de 1986, que implementou mudanças abrangentes na legislação de imigração dos Estados Unidos da América e concedeu anistia a três milhões de imigrantes ilegais. Reagan também nomeou mais juízes federais do que qualquer outro presidente, incluindo quatro juízes da Suprema Corte. Ele se tornou conservador durante o governo de Ronald Reagan (1981-1989). O político Reagan, um republicano da Califórnia, assumiu o cargo após derrotar o então presidente democrata Jimmy Carter e o representante independente John B. Anderson na eleição presidencial de 1980. Quatro anos depois, ele foi reeleito na eleição presidencial de 1984, após derrotar o candidato democrata Walter Mondale. Reagan estava constitucionalmente limitado a dois mandatos e foi sucedido por seu vice-presidente, George H.W. Bush, que venceu a eleição presidencial de 1988. Ele elogiou e criticou o presidente dos EUA, Donald Trump. Klavan apoia o direito ao porte de armas e a liberdade de expressão. Foi dirigido por Gary Fleder e escrito por Anthony Peckham e Patrick Smith Kelly. A filha do psiquiatra Nathan Conrad é sequestrada para forçá-lo a entrar em contato com Elisabeth Burrows, uma jovem que sofre de transtorno de estresse pós-traumático, já que o sequestrador exige que ela revele um número para recuperar algo valioso. Foi lançado pela 20th Century Fox e arrecadando US$ 100 milhões, contra um orçamento de US$ 50 milhões.
Reagan implementou políticas econômicas neoliberais baseadas na economia da oferta, defendendo uma filosofia de laissez-faire e uma política fiscal de livre mercado. As políticas tributárias de Reagan assemelhavam-se às instituídas pelo presidente Calvin Coolidge e pelo secretário do Tesouro Andrew Mellon na década de 1920. A equipe de Reagan também foi fortemente influenciada por economistas contemporâneos como Arthur Laffer, que rejeitavam as visões então dominantes dos economistas keynesianos. Reagan baseou-se em Laffer e outros economistas para argumentar que os cortes de impostos reduziriam a inflação, o que contrariava a visão keynesiana predominante. Os defensores da economia da oferta também afirmavam que a redução de impostos levaria, em última análise, a uma maior receita governamental devido ao crescimento econômico, uma proposição que foi contestada por muitos economistas. Em um pronunciamento televisionado do Salão Oval, em julho de 1981, ele apresentou seu plano para uma legislação de redução de impostos. O congressista republicano Jack Kemp e o senador republicano William Roth quase conseguiram aprovar um grande corte de impostos durante a presidência de Carter, mas Carter impediu a aprovação do projeto de lei devido a preocupações com o déficit. Reagan fez da aprovação do projeto de lei Kemp-Roth sua principal prioridade interna ao assumir o cargo. Como os democratas controlavam a Câmara dos Representantes, a aprovação de qualquer projeto de lei exigiria o apoio de alguns democratas da Câmara, além do apoio dos republicanos do Congresso.
A vitória de Reagan na
campanha presidencial de 1980 uniu os republicanos em torno de sua liderança,
enquanto democratas conservadores como Phil Gramm, do Texas que mais tarde se
tornou republicano, estavam ansiosos para apoiar algumas das políticas
conservadoras de Reagan. Ao longo do ano de 1981, Reagan se reuniu
frequentemente com membros do Congresso, concentrando-se especialmente em obter
o apoio de democratas conservadores do Sul. Reagan também se beneficiou de uma
maioria conservadora na Câmara durante seus dois primeiros anos como
presidente, com cerca de 230 votos durante o 97º Congresso, embora isso tenha
mudado após os ganhos democratas na eleição de 1982, com o controle da Câmara
passando para os liberais dentro do cáucus democrata. Em julho de 1981, o Senado votou 89 a 11 a
favor do projeto de lei de redução de impostos defendido por Reagan, e a Câmara aprovou o projeto por 238 a 195 votos. A Lei de Recuperação
Econômica de 1981 reduziu a alíquota marginal máxima de imposto de 70% para
50%, diminuiu o imposto sobre ganhos de capital de 28% para 20%, mais que
triplicou o valor do dinheiro herdado isento do imposto sobre herança e reduziu
o imposto corporativo. O sucesso de Reagan em aprovar um importante projeto de
lei tributária e cortar o orçamento federal foi saudado como a “Revolução
Reagan” por alguns repórteres; um colunista escreveu que o sucesso legislativo
de Reagan representou a “iniciativa doméstica mais formidável que qualquer
presidente conduziu desde os Cem Dias de Franklin Roosevelt”.
A
postura de política externa de Reagan era resolutamente anticomunista. Seu
plano de ação, reconhecido como Doutrina Reagan, buscava reduzir a
influência global da União Soviética, numa tentativa de pôr fim à Guerra
Fria. Sob essa doutrina, o governo Reagan iniciou um enorme fortalecimento
das forças armadas dos Estados Unidos; promoveu novas tecnologias, como
sistemas de defesa antimíssil; e, em 1983, realizou a invasão de Granada, a
primeira grande ação militar americana no exterior desde o fim da Guerra do
Vietnã (1955-1975). O governo também gerou controvérsia ao conceder auxílio a
forças paramilitares que buscavam derrubar governos de esquerda,
particularmente na América Central e no Afeganistão, países devastados pela
guerra . Especificamente, o governo Reagan realizou vendas secretas de armas ao
Irã para financiar os rebeldes Contras na Nicarágua, que lutavam para derrubar
o governo socialista do país. O escândalo Irã-Contras resultante levou à
condenação ou renúncia de vários funcionários do governo. Durante o segundo mandato
de Reagan, ele trabalhou com o líder soviético Mikhail Gorbachev para assinar
um importante acordo de controle de armas. Em 1986, o Congresso derrubou o veto
de Reagan a um projeto de lei que visava implementar sanções econômicas contra
o regime do apartheid na África do Sul. Historiadores e cientistas políticos
geralmente classificam Reagan no escalão superior dos presidentes americanos e
o consideram um dos presidentes mais importantes desde Franklin D. Roosevelt
(1882-1945). Os defensores da presidência de Reagan destacam suas contribuições
para a recuperação econômica da década de 1980, o fim pacífico da Guerra
Fria e uma restauração mais ampla da confiança americana. A
presidência de Reagan também foi alvo de críticas devido ao aumento do déficit
orçamentário e da desigualdade de renda durante e após seu mandato. Devido à
popularidade de Reagan junto ao público e à sua defesa do conservadorismo
americano, alguns historiadores descreveram o período durante e após sua
presidência como a Era Reagan.
Escólio:
Em 1991, uma quadrilha de ladrões rouba uma joia rara avaliada em 10 milhões de
dólares, mas, durante o roubo, dois deles traem seu líder, Patrick
Koster, e fogem com a pedra preciosa. Dez anos depois, na véspera do Dia de
Ação de Graças, o renomado psiquiatra infantil de consultório particular de
Manhattan, Dr. Nathan R. Conrad, é convidado por seu amigo e ex-colega, Dr.
Louis Sachs, para examinar uma jovem “perturbada” chamada Elisabeth Burrows no
sanatório estadual. Após ser libertado da prisão duas semanas antes, Patrick e
os membros restantes da gangue invadem um apartamento com vista para o de
Nathan, onde ele mora com sua esposa Aggie e sua filha de 8 anos, Jessie.
Nathan é informado por Patrick que Elisabeth está apenas fingindo insanidade
para se esconder na instituição da gangue que está procurando pela joia. Naquela
noite, Patrick sequestra Jessie para forçar Nathan a obter um número de seis
dígitos da memória de Elisabeth. Quando Nathan visita Elisabeth, ela se mostra
relutante a princípio, mas ele conquista sua confiança mais tarde –
especialmente quando revela a situação com Jessie. Sachs confessa a Nathan que
a gangue que sequestrou Jessie também sequestrou sua namorada para obrigá-lo a
conseguir o número de telefone de Elisabeth. Ele então recebe a visita da
Detetive Sandra Cassidy, que revela que sua namorada foi encontrada morta. Mas,
Aggie ouve a voz de Jessie e percebe que os raptores estão no apartamento
próximo. Eles enviam um deles para matar Aggie enquanto os outros fogem com
Jessie, mas ela arma uma emboscada e o mata. Depois que Nathan tira Elisabeth
do sanatório, “ela se lembra de certos eventos relacionados à gangue”. É
revelado que o pai de Elisabeth era o membro da gangue que traiu os outros e
ficou com a joia.
No entanto, outros
membros da gangue o encontraram mais tarde e o obrigaram a revelar onde a havia
escondido, chegando a empurrá-lo na frente de um trem do metrô bem na frente de
sua filha (Elisabeth) quando ela ainda era criança. Os membros da quadrilha
foram presos imediatamente, e Elisabeth escapou com sua boneca, na qual a joia
estava escondida. Ela também se lembra de que o número necessário, 815508, é o
número da sepultura de seu pai em Hart Island e que sua boneca está colocada ao
lado dele no caixão. Ela explica que havia embarcado clandestinamente em um
barco que levava o caixão de seu pai para ser enterrado no cemitério da ilha,
onde os coveiros colocaram a boneca, chamada Mischka, dentro. Nathan e
Elisabeth roubam um barco para chegar à Ilha Hart. Os membros da gangue os
encontram e exigem que Nathan revele o número que desejam. Elisabeth revela o
número e Patrick ordena que seu companheiro desenterre o caixão de seu pai após
libertar Jessie. Ele encontra a boneca e a joia escondida. Antes
que Patrick consiga matar Nathan e Elisabeth, Cassidy chega. A acompanhante de
Patrick é baleada pelo policial, mas Patrick consegue feri-la. Aproveitando-se
da confusão, Nathan pega a joia dele e a joga em uma vala comum aberta. Ele
chuta Patrick para dentro da vala e, em seguida, provoca um desabamento nas
laterais, enchendo-a de terra e enterrando-o vivo. Nathan se reencontra com
Aggie e Jessie, agradece a Cassidy e convida Elisabeth para morar com eles.
No elenco Michael
Douglas interpreta Nathan Conrad, psiquiatra infantil, marido de Aggie e pai de
Jessie. Sean Bean como Patrick Koster, líder de uma gangue de ladrões de joias.
Brittany Murphy interpreta Elisabeth Burrows, uma jovem "perturbada"
com um número que Patrick deseja. Skye McCole Bartusiak interpreta Jessie
Conrad, filha de Nathan e Aggie, que é sequestrada por Patrick. Guy Torry como
Martin Dolen. Jennifer Esposito interpreta Sandra Cassidy, uma policial. Shawn
Doyle como Russel Maddox. Victor Argo como Sydney Simon. Aidan Devine como Leon
Croft. Conrad Goode como Max. Paul Schulze como Jake. Lance Reddick como Arnie.
Famke Janssen interpreta Aggie Conrad, esposa de Nathan e mãe de Jessie. Oliver
Platt como Louis Sachs e Larry Block como porteiro. Em setembro de 2000, foi
anunciado que a Regency Enterprises e a 20th Century Fox iniciariam a produção
de uma adaptação de Don't Say a Word, de Andrew Klavan, com Gary Fleder na
direção e Michael Douglas como protagonista. Uma versão anterior do roteiro não
incluía a trama secundária de investigação centrada na detetive Sandra Cassidy.
Embora o filme se passe inteiramente em Nova York, as filmagens ocorreram no
inverno de 2000, tanto em Nova York quanto em Toronto. Devido ao lançamento do
filme quase três semanas após os ataques terroristas de 11 de setembro de
2001 os cineastas cogitaram adiar o lançamento, mas acabaram decidindo não o
fazer.
No entanto, eles
cortaram e substituíram cenas do World Trade Center na edição, como a
cena de abertura, que agora mostra o Brooklyn. A trilha sonora do filme foi
composta por Mark Isham e interpretada pela Hollywood Studio Symphony. O CD da
trilha sonora foi lançado pela Varèse Sarabande e contém oito faixas
selecionadas de várias cenas, incluindo o assalto, o sequestro e os terríveis
eventos no Subway. O filme Don`t Say a Word recebeu críticas negativas.
No agregador de críticas Rotten Tomatoes, 24% das 114 críticas são positivas,
com uma classificação média de 4,4/10. O consenso do site diz: “Don`t Say a
Word é bem feito e produzido, mas o filme é rotineiro e força a barra da
credibilidade com muitos momentos constrangedores”. O Metacritic, que usa uma
média ponderada, atribuiu ao filme uma pontuação de 38 em 100, com base em 32
críticas, indicando avaliações “geralmente desfavoráveis”. O público pesquisado
pelo CinemaScore deu ao filme uma nota média de “B+” em uma escala de A+ a F. Roger
Ebert, do Chicago Sun-Times, deu ao filme duas estrelas e meia de
quatro, considerando que “o filme como um todo parece e ocasionalmente funciona
melhor do que realmente é” e elogiando o “toque visual poético” de Gary Fleder,
bem como as atuações de Brittany Murphy e Sky McCole Bartusiak. Em sua crítica
para a Empire, Kim Newman achou o filme insosso e pensou que “raramente
consegue fazer você esquecer sua evidente tolice”. Ele, per se elogiou o
elenco feminino, em particular o desempenho de Famke Janssen.
Bibliografia Geral Consultada.
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Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2017; CASTELLS,
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Janeiro: Zahar Editor, 2018; Artigo: “Cárcere de Si: Marina Fernandes
explora as prisões invisíveis do silêncio em novo suspense psicológico”. Disponível
em: https://www.geleiatotal.com.br/2026/06/04/; entre outros.
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