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quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Comunidade Amish - Memória da Guerra & Destino Social de Grace.

                                    Instead of putting others in their place, put yourself in their place”. Provérbio Amish

            A primeira visita documentada a terras canadenses por navegadores europeus ocorreu em 1497 ou 1498, quando o veneziano ao serviço de Inglaterra Giovanni Caboto, reconhecido em inglês como John Cabot aportou à Terra Nova. Alguns historiadores compreendem que há indícios que a Terra Nova já teria sido rebuscada pelo navegador português João Vaz Corte Real em 1472, ou antes e por Diogo de Teive e o seu piloto Pero Vasques Saavedra em 1452. A colonização europeia começou efetivamente no século XVI, quando os britânicos, e principalmente, os franceses estabeleceram-se pelo Canadá. Os britânicos não tiveram uma forte presença no antigo Canadá, instalando-se originalmente na Terra de Rupert, sendo que a região dos Grandes Lagos e do Rio São Lourenço, bem como a região que atualmente compõe as províncias de Nova Escócia e Novo Brunswick, estava sob domínio territorial dos franceses. A Nova França e a Acádia continuavam a se expandir. Essa expansão territorial não foi bem aceita pelos iroqueses, e, também pelos britânicos e os colonos rearranjados das chamadas Treze Colônias, desencadeando uma série de batalhas que culminou, em 1763, no Tratado de Paris, no qual os franceses cederam seus territórios da Nova França e da Acádia aos britânicos.

            Os iroqueses eram primariamente nômades. Até o século XVII, formavam o que é chamado de nação iroquesa. Esta nação indígena é composta pelos seguintes povos Seneca, Cayuga, Onondaga, Oneida, Mohawk e Tuscarora, formando uma confederação distribuída entre o Canadá e os Estados Unidos, no estado de Nova Iorque e província de Quebec. Os iroqueses foram estudados, no século XVIII, pelo missionário jesuíta J. F. Lafitau (1681-1746), que chegou a conviver com eles. Sua obra, Mœures des Sauvages Américains Comparées aux Mœurs des Premiers Temps, publicada em 1724 (cf. Silva, 2015), descreve os princípios básicos da sociedade iroquesa em relação a sua matriarcalidade e matrilinearidade. Lafitau abordou também os ritos de casamento, os jogos, lazer, doenças, enterros, língua, caça, educação e a divisão de trabalho entre os iroqueses, enfocando seus estudos na religião. Para ele, os iroqueses possuíam a sua religião, diferentemente de pensadores anteriores, que afirmavam que os índios não tinham religião alguma, embora esta não fosse tão organizada quanto a religião católica. Embora possuíssem religião, eram desprovidos de leis e política. Demonstra, também, que a religião dos nativos deturpava a “verdadeira” religião: o Catolicismo. Ao estudar os iroqueses, J. C. Lafitau distinguiu características positivas, como a coragem, e negativas, como vingança e cobiça, inovando ao utilizar o método de análise comparativo, ao comparar os iroqueses aos heróis de Homero, na comunidade científica europeia, se idealizavam os gregos e romanos. 

Lafitau enaltecia os iroqueses, ao dizer que as construções náuticas desses povos eram parecidas, mas também os denegria, afirmando que a brutalidade dos heróis de Homero não se distinguia da ferocidade dos iroqueses, ferocidade esta que ele considerava como sendo inata. Mesmo assim, a importância social e histórica se deu pelo que deixou os nativos mais humanos, diferentemente de pensadores da filosofia moral como Bernard Mandeville (1670-1733) que assemelhavam os nativos a monstros. A Economia dos iroqueses tem como escopo a produção comunal e ao sistema combinado de horticultura e de caçador-recoletor. As tribos da Confederação Iroquesa e outras do Norte do continente americano que compartilhavam idioma (iroquês), como o povo Huron, viviam na região do atual Estado de Nova York e a Região dos Grandes Lagos. A Confederação Iroquesa compunha-se de seis tribos existentes antes da história da colonização europeia da América. Mesmo não sendo iroquês, o povo Huron entrava no mesmo grupo linguístico e compartilhava economia com os iroqueses. Os hurões, huronianos, wyandot ou wendat representam um grupo de indígenas agricultores da América do Norte. Antigamente, viviam em tribos de até mil membros. Em suas aldeias, que eram geralmente fortificadas, eles chegavam a construir casas comunais de até 60 , semelhante aos iroqueses (outro povo indígena norte-americano que habitou o território correspondente ao Canadá). Eles possuíam uma língua comum e sobreviviam do cultivo de feijão, milho e abóbora. A caça e a pesca forneciam alimento adicional aos huronianos que possuem várias reservas em Quebec e nos Estados Unidos.

Os Estados Unidos, em 1812, invadiram o Canadá Inferior e o Canadá Superior, na tentativa de anexar o resto das colônias britânicas na América do Norte, desencadeando a Guerra de 1812. Os Estados Unidos não tiveram sucesso, recuando ao tomarem conhecimento da chegada de tropas britânicas enviadas para combatê-los, mas, ocuparam temporariamente as cidades de York (atual Toronto) e Quebec, queimando-as ao se retirarem. Como o Reino Unido ainda mantinha o controle das relações exteriores do Canadá, ao abrigo da Lei da Confederação, com a declaração britânica de guerra em 1914, o Canadá foi automaticamente envolvido na 1ª grande guerra. O Canadá declarou guerra à Alemanha de forma independente durante a 2ª guerra mundial sob o governo do primeiro-ministro liberal William Lyon Mackenzie King, três dias após o Reino Unido. As primeiras unidades do Exército canadense chegaram na Grã-Bretanha em dezembro de 1939. Em 1919, o Canadá entrou na Liga das Nações, independentemente do Reino Unido e, em 1931, o Estatuto de Westminster, afirmou a Independência do Canadá. O Domínio de Terra Nova (Terra Nova e Labrador), equivalente do Canadá e da Austrália como um domínio, uniu-se ao Canadá em 1949. O crescimento do Canadá, combinado com as políticas dos sucessivos governos liberais, levou ao aparecimento de uma nova identidade canadense, marcada pela adoção da atual bandeira, em 1965, a aplicação do bilinguismo oficial ocorreu em 1969, e o multiculturalismo oficial em 1971. O Quebec passou por profundas mudanças sociais e econômicas através da “Revolução Tranquila”, dando origem a um movimento separatista radical na província Front de libération du Québec (FLQ), cujas ações culminaram na Crise de Outubro de 1970.

O termo Amish surgiu originalmente do nome do líder religioso Jakob Amman (1644-1712), um suíço anabatista, defensor radical da Reforma Protestante, a Igreja Mennonita, que debateu fervorosamente ideias religiosas para que a Bíblia fosse interpretada de forma literal. Por conta de sua influência, houve uma ruptura entre os radicais, e os seguidores de Amman ficaram reconhecidos como Amish. No contexto da comunidade Amish, além de os anabatistas pertencerem a uma ala radical da Reforma são contra o batismo de bebês. Segundo acreditam, esse ritual só deve ser realizado quando o cristão for capaz de aceitar a sua fé. Assim, geralmente, os Amish se batizam provavelmente entre os 18 e os 22 anos de idade e, só depois disso, eles podem realizar o desejo se casar, e apenas com membros de sua própria igreja, evidentemente. Ao contrário de outros grupos cristãos, que tentam converter pessoas para a sua fé, os Amish não participam de “missões” nem de “trabalhos de evangelização” para aumentar o número de fiéis. Quem quiser se converter primeiro precisa aprender o dialeto falado pelos Amish, derivado do alemão, abandonar os luxos da vida moderna, passar uma temporada na comunidade e ser aceito por meio de uma votação. Os Amish são contra as formas de violência e, ipso facto, os membros da comunidade não ingressam nas Forças Armadas de seus países.

Rumspringa se refere ao rito de passagem (cf. Van Gennep, 1978), compreendendo um período de “liberdade” ao qual os adolescentes têm direito quando atingem os 16 anos de idade. Os mais comuns são os ligados a nascimentos, mortes, casamentos e formaturas. Em nossa sociedade, os ritos ligados a nascimentos, mortes e casamentos são praticamente monopolizados pelas religiões. Durante o Rumspringa, os jovens podem fazer uma série de coisas que eles normalmente seriam proibidos de fazer, como ir ao cinema e aprender a dirigir, por exemplo, embora alguns aproveitem “para provar bebidas alcoólicas e até drogas”. Basicamente, as mulheres das comunidades Amish se limitam apenas serem “donas de casa e se ocupam de cozinhar, costurar, limpar, organizar o lar e ajudar os vizinhos”. Em locais públicos, elas quase sempre são vistas seguindo os maridos. Os homens têm papel dominante nas comunidades, e é possível distinguir os casados dos solteiros por conta da barba. Apenas pela barba, já que “os bigodes são proibidos”. As crianças são alfabetizadas em escolas paroquiais por integrantes da comunidade e, mais tarde, em casa por membros de sua família para realizar atividades relacionadas com a agricultura e carpintaria. Os membros que não andarem na linha podem sofrer duras consequências. Dependendo da infração, os transgressores são isolados pela  comunidade para que envergonhados, assim voltem para a igreja onde seus erros são apontados.

Ritos de passagem são celebrações que marcam mudanças de status de uma pessoa no interior de sua comunidade. Os ritos de passagem (cf. Van Gennep, 1978) podem ter caráter social, comunitário ou religioso.  Ritos de passagem são aqueles que marcam momentos importantes na vida das pessoas. Os mais comuns são os ligados a nascimentos, mortes, casamentos e formaturas. Em nossa sociedade, os ritos ligados aos nascimentos, mortes e casamentos são praticamente monopolizados pelas religiões. Já as formaturas não costumam ser, em si, religiosas, mas frequentemente têm importantes momentos religiosos. O termo foi popularizado pelo antropólogo franco-holandês Arnold van Gennep no início do século XX, mas também desenvolvido por Mary Douglas e Victor Turner na década de 1960. Em todas as sociedades chamadas pela antropologia colonialista de “primitivas”, determinados momentos na vida de seus membros eram marcados por cerimônias especiais, reconhecidas como “ritos de iniciação” ou “ritos de passagem”. Essas cerimônias, mais do que representarem uma transição ritual para o indivíduo, representam sua progressiva aceitação e participação tanto na sociedade local e simultaneamente global em que está disponível, sendo a representação social de cunho tanto individual quanto coletivamente.

Geralmente, a primeira dessas cerimônias era praticada dentro do próprio ambiente familiar, logo em seguida ao nascimento. Nesse rito, o recém-nascido era apresentado aos seus antecedentes diretos, e era reconhecido como sendo parte da linhagem ancestral. Seu nome, previamente escolhido, era então pronunciado para ele pela primeira vez, de forma solene. Anos mais tarde, ao atingir a puberdade, o jovem passava por outra cerimônia. Para as mulheres, isso se dava geralmente no momento da primeira menstruação, marcando o fato que, entrando no seu período fértil, estava apta a preparar-se para o casamento. Para os rapazes, essa cerimônia geralmente se dava no momento em que ele fazia a caça e o abate do primeiro animal. Ligadas, portanto, ao derramamento de sangue, essas cerimônias significavam a integração daquela pessoa como membro produtivo da tribo: ao derramar sangue para a preservação da comunidade pela procriação ou pela alimentação, ela estava simbolicamente misturando o seu próprio sangue ao sangue do seu clã. Variadas cerimônias marcavam, ainda, a idade adulta. Entre os nativos norte-americanos, algumas tribos praticavam um rito onde a pele do peito dos jovens guerreiros era trespassada por espetos e repuxada por cordas. A dor e o sangue derramado eram, dessa forma, considerados como uma retribuição à Terra das dádivas que a tribo recebera até ali. Outras cerimônias seguiam-se, ao longo da vida. O casamento era uma delas, e os ritos fúnebres eram considerados como a última transição, aquela que propiciava a entrada no chamado “reino dos mortos” e garantia o retorno futuro ao “mundo dos vivos”.

Nas sociedades contemporâneas muitos desses ritos subsistiram embora muitos deles esvaziados do seu conteúdo de sentido simbólico. Batismo e festas de aniversário de 15 anos, por exemplo, são resquícios desse tipo de cerimônia, que hoje representam muito mais um compromisso social do que a demarcação do início de uma nova fase na vida do indivíduo. No entanto, a troca do símbolo pela ostentação pura e simples, acaba criando a desestruturação do padrão social. Os ritos de passagem estão inseridos em algumas das religiões afro-brasileiras, estando mais presentes no Culto de Ifá, nos rituais   Candomblé e Culto aos Egungun que, seguindo as tradições africanas, fazem o ritual do nascimento, ritual do nome quando uma criança é “apresentada ao Orun e ao Tempo, ritual de iniciação ou feitura de santo, algumas fazem o ritual do casamento, o ritual fúnebre e o ritual do Axexê quando a pessoa iniciada morre”. A Umbanda e Quimbanda não incluem os ritos de passagem, nem feitura de santo propriamente dita, uma vez que não incorporam Orixás, usa-se o termo “fazer a cabeça” onde pode existir a catulagem e pintura, porém a cabeça não é raspada completamente, e não tem imposição do adoxú. A reclusão nesses casos é de 3 a 7 dias, feita a instrução esotérica, aprendizado das rezas e pontos riscados e cantados, e é feita a apresentação pública naquele espaço reservado.

Isto porque na segunda metade do século XIX, os amish se dividiram em vários subgrupos, dentre os quais os amish da antiga ordem incluem aproximadamente um terço da comunidade. A maioria dos subgrupos perderam suas peculiaridades amish, não da ordem antiga, mas assimilaram-se mais ou menos à sociedade majoritária norte-americana. Os subgrupos amish mais ou menos assimilados e que ainda existem são os menonitas amish e os beachy amish. Os primeiros amish começaram a migrar para os Estados Unidos da América no século XVIII, para evitar perseguições e o serviço militar obrigatório. Os primeiros foram para o condado de Berks, Pensilvânia. É um dos 67 do estado norte-americano da Pensilvânia. A sede e maior cidade do condado é Reading. Foi fundado em 11 de março de 1752. O condado possui uma área de 2 242 km², dos quais 24 km² estão cobertos por água, uma população de 411 442 habitantes, e uma densidade de 185,5 habitantes/km² segundo o censo nacional de 2010.

Se a indisciplina for considerada grave como adquirir um computador, ser pego tomando bebidas alcóolicas e não ajoelhar durante o culto, os acusados podem ser banidos e expulsos, e todo e qualquer contato com essas pessoas é completamente cortado. O mais interessante é que, apesar de ser um grupo incrivelmente conservador e com regras pra lá de severas, estima-se que entre 80% e 90% das crianças Amish crescem e permanecem na comunidade. Uma das festividades mais icônicas dos Amish é a construção de celeiros, quando a comunidade se reúne para edificar para um dos membros do grupo, e o gesto serve para simbolizar o ato de desprendimento pessoal e o intuito de ajudar os demais. Amish representa um grupo religioso cristão anabatista baseado nos Estados Unidos da América e no Canadá. São reconhecidos pelos costumes ultraconservadores, como o uso restrito de equipamentos eletrônicos, inclusive telefones e automóveis. Quando se fala dos amish, quase sempre se refere aos amish da antiga ordem (“Old Order Amish”).

As relações entre Canadá e Estados Unidos abrangem mais de dois séculos. Isto inclui uma herança colonial britânica compartilhada, conflitos entre 1770 e 1812, e o eventual desenvolvimento de um dos relacionamentos de maior sucesso internacional no mundo moderno. Um é o principal parceiro econômico do outro, e o turismo em grande escala e a migração entre as duas nações aumentou as semelhanças. A ruptura mais grave na relação bilateral ocorreu com a Guerra de 1812, que viu uma invasão dos Estados Unidos da então América do Norte Britânica, e contra-invasões de forças britânico-canadenses. A fronteira foi desmilitarizada após a guerra e, além de incursões menores, manteve-se pacífica. Um volume intenso de comércio e migração entre os Estados Unidos e o Canadá tem gerado uma maior aproximação, especialmente após a assinatura do Acordo de Livre Comércio Canadá - Estados Unidos, em 1988. Canadá e os Estados Unidos representam a maior parceria comercial do mundo. Além disto, as duas nações possuem a maior fronteira compartilhada do planeta, com 8.891 km de extensão, e também mantêm significante interoperabilidade na área de defesa e segurança.

As recentes dificuldades nas relações canadiano-americanas devem-se às disputas comerciais, questões sobre o meio ambiente (habitat) e à constante preocupação do governo canadense sobre a exportação petrolífera. Apesar disto, o comércio manteve o crescimento, especialmente após a solidificação da Nafta, bloco econômico formado pelos três países da América do Norte, é marcado pelo protagonismo dos Estados Unidos da América e pelas várias críticas existentes. O Nafta – sigla em inglês para Tratado Norte-Americano de Livre Comércio – é um bloco econômico composto por Estados Unidos, México e Canadá de cooperação em diversas áreas, troca de recursos, serviços e população permanecem fortes com o estabelecimento de agências de inspeção de fronteiras que atuam em ambos os territórios. No florescer da Revolução Americana, os revolucionários esperavam o apoio dos franco-canadianos no Québec e colonialistas na Nova Escócia, sendo que ambos os grupos estavam previamente autorizados a unir forças com o Exército Continental pelos Artigos da Confederação.

Quando o Canadá foi invadido, milhares uniram-se à causa americana e formaram regimentos que combateram durante o restante do conflito; contudo a maioria dos canadenses mantiveram neutralidade ou passaram ao lado britânico. A Grã-Bretanha salientou que os direitos dos franco-canadenses já haviam sido assegurados pelo Ato do Québec, o qual foi visto pelas colônias americanas como um dos Atos Intoleráveis. A invasão americana foi um fiasco e os britânicos ampliaram seus domínios aos territórios do norte. Em 1777, uma grande invasão britânica a Nova Iorque desencadeou a rendição de todo o Exército Britânico em Saratoga e culminou na entrada da França no conflito ao lado dos americanos. Após a Guerra da Independência, o Canadá se tornou refúgio de cerca de 75 mil legalistas que desejavam ou foram compelidos a deixar os Estados Unidos. Entre os legalistas, 3.500 eram afro-americanos. A maioria mudou-se para Nova Escócia, em 1792, 1.200 migraram para Serra Leoa. Cerca de 2 mil africanos foram escravizados por colonos legalistas nesta condição até a abolição da escravidão em 1833. Antes de 1860, cerca de 30 mil africanos entraram no Canadá.             

A maioria das comunidades Amish que foram estabelecidas na América do Norte, no final não mantinham sua identidade Amish. A divisão principal que resultou na perda de identidade de muitas congregações amish ocorreu no terceiro quartel do século XIX. Nos anos após 1850, as tensões aumentaram entre os Amish. Entre 1862 e 1878, foram realizadas conferências ministeriais anuais, sobre a questão como os amish deveriam lidar com as tensões causadas pelas pressões da sociedade moderna. Não foi possível chegar a um compromisso entre os amish tradicionalistas e os amish mais progressistas o que levou a isso, que os bispos mais tradicionais concordaram em boicotar as conferências. Os amish progressistas, compreendendo cerca de dois terços, tornaram-se conhecidos pelo nome menonitas amish (Amish Mennonites), eventualmente, a grande maioria unira-se à igreja menonita e outras denominações menonitas no início do século XX. Os grupos tradicionais são conhecidos amish da antiga ordem (Old Order Amish). Como nenhuma divisão ocorreu na Europa, as congregações Amish que lá permaneciam, tomaram o mesmo caminho que os menonitas amish e lentamente se fundiram com os menonitas. Estimativas do início da década de 2000 registravam a existência de 198 mil membros da comunidade Amish no mundo, sendo 47 mil apenas na Pensilvânia. Esses grupos são compostos por descendentes de algumas centenas de alemães e suíços que migraram para os Estados Unidos da América e o Canadá. Os amish preferem viver afastados do restante da sociedade. Eles não prestam serviços militares, não pagam a Segurança Social e não aceitam qualquer forma de assistência do governo. Todos evitam até mesmo fazer seguro de vida. 

        A grande maioria fala um dialeto alemão reconhecido como “Alemão da Pensilvânia”. Eles dividem-se em irmandades (affiliations), que por sua vez se divide em distritos ou congregações. Cada distrito é independente e tem suas próprias regras de convivência. - Homens usando ternos e chapéus pretos e mulheres com a cabeça coberta por um capuz branco e com um vestido preto. Os amish não gostam de ser fotografados. Interpretam com a Bíblia, que um cristão não deve manter sua própria imagem. Eles acreditam também que ser fotografado mostra falta de humildade. O filme A Testemunha, com Harrison Ford, mostra o modo de vida dos amish.  É um filme norte-americano de 1985, do gênero policial, dirigido por Peter Weir e baseado em história social de Pamela Wallace, William Kelley e Earl W. Wallace. A viúva Rachel e seu filho amish Samuel, de oito anos, pretendem viajar para Baltimore, mas na estação de trens da Filadélfia, o menino presencia o assassinato de um policial e reconhece outro policial como o assassino. Para protegê-los, John Book, o policial encarregado do caso, resolve levá-los de volta para a comunidade a que eles pertencem e que recusa os benefícios da vida moderna. Ao ser ferido pelos assassinos, o detetive precisa permanecer na comunidade até que se recupere da enfermidade e encontra dificuldades para se adaptar ao novo estilo de vida. Ao final os suspeitos e John travam uma batalha final. O culto Amish é praticado desde a mesma concepção do Anabatismo da Reforma, consiste quase não de atos rituais, mas principalmente de sermão e canção. Dunkers ou Igreja dos Irmãos (Schwarzenau Brethren) representam grupos de cristãos de doutrina pietista-anabatista organizados na Alemanha no século XVIII. 

Em agosto de 1708, no distrito de Schwarzenau, sob a liderança de Alexander Mack, um grupo de oito pessoas do movimento pietista alemão, foi batizado por trina imersão no Rio Eder, o batismo suevo da epístola De Trina Mersione, escrita por Martinho de Dume. Esse grupo de pietistas sofreu profunda influência anabatista, o que o levou a essa decisão pelo rebatismo. Também reconhecidos como Neu Taufers (“novos batistas”), Tunkers, Dunkers ou Irmãos Batistas Alemães, organizaram-se sem muita hierarquia, proclamando, diferentemente de outros anabatistas, que só tinham como credo o Novo Testamento, chegando a dizer só a Jesus Cristo. Perseguidos no Velho Continente, em 1720 haviam imigrado para a Pensilvânia, povoada por imigrantes quakers tolerantes. Não se considerando evangélicos nem católicos, os Tunkers mantiveram crenças peculiares, como ágape, o batismo por trina imersão e o ósculo santo. Eram, a princípio, universalistas, acreditando na salvação de todos, pacifistas radicais, não escravagistas e apolíticos. Entretanto, durante a pasagem  do fim do século XIX para o século XX, dividiram-se em várias denominações, algumas mais liberais e com o maior número de membros; outras mais conservadoras, como os amish não usam automóveis, apenas carroças e charretes, eletricidade, telefone e se vestem de forma peculiar. Algumas se tornaram evangélicas.

De acordo com Max Weber (2003) historicamente a doutrina da predestinação é também o ponto de partida do movimento ascético conhecido como pietismo. Na medida em que o movimento social permaneceu dentro da Igreja Reformada, é quase impossível traçar a linha entre os calvinistas pietistas e os não-pietistas. Quase todos os principais representantes do puritanismo são às vezes classificados como pietistas. É legítimo considerar-se toda a conexão entre a predestinação e a doutrina da prova, com seu fundamental interesse pela obtenção da certitudo salutis, como um desenvolvimento pietista das doutrinas originais de Calvino. A ocorrência de revivescências ascéticas dentro da Igreja Reformada, em especial na Holanda, foi regularmente acompanhada por uma regeneração da doutrina da predestinação temporariamente esquecida, ou não estritamente conservada. Daí, não ser costumeiro na Inglaterra o uso do termo pietismo. Mesmo o uso do pietismo continental na Igreja Reformada (holandês e do Baixo Reno), pelo menos fundamentalmente, como, por exemplo, as doutrinas de Bailey, nada mais foi que uma simples intensificação do ascetismo reformado. Foi posta tanta ênfase na práxis pietatis que a ortodoxia doutrinal passou para segundo plano, parecendo às vezes, de fato, quase um assunto sem importância. Aqueles predestinados para a graça podiam ocasionalmente estar sujeitos ao erro dogmático assim como a outros pecados, e a experiência mostrou que frequentemente aqueles cristãos que quase não tinham orientação da teologia acadêmica exibiam claramente os frutos da fé, e ficou evidente que o mero conhecimento da teologia não garantia a prova de fé através da conduta.

A eleição não podia ser aprovada pelo conhecimento teológico. O Pietismo, com uma profunda desconfiança na Igreja dos Teólogos da qual oficialmente ainda pertencia, começou a reunir os adeptos da chamada práxis pietatis em conventículos separados na trradição do mundo. Ele desejava tornar, a invisível Igreja dos eleitos, visível nesta terra. Sem chagar a formar uma seita separada, seus membros tentaram viver nesta comunidade uma vida livre das tentações do mundo, e ditada as minúcias pela vontade divina, para, assim, tornarem-se seguros de sua própria redenção, por sinais externos manifestos em sua conduta diária. Deste modo, a eclesiola dos verdadeiros convertidos – isto era comum a todos grupos genuinamente pietistas – desejava, por meio do ascetismo intensificado, gozar a bem-aventurança da comunidade com Deus nesta vida. Esta última tendência tinha algo que se aproximava da unio mystica luterana, e muitas vezes levou a uma ênfase maior no lado emocional da religião, do que aceita pela média dos calvinistas ortodoxos. O que é singular na sociologia clássica, e Max Weber acentua, é que se pode dizer que é esta característica decisiva do Pietismo desenvolvido dentro da Igreja Reformada, pois este elemento de emoção, originalmente, bem estranho ao calvinismo, estava relacionado com certas formas religiosas medievais, levou a religião na prática a empenhar-se muito mais no gozo da salvação do que na luta ascética pela certeza do mundo futuro.

Além disso, a questão da emoção podia ter tanta intensidade que a religião assumiu um caráter positivamente histérico, assim resultando na alternação reconhecida por inúmeros exemplos e neuropatologicamente compreensíveis, de estados semiconscientes, de êxtase religiosa com períodos de exaustão nervosa, que eram sentidos como “abandono” de Deus. O efeito era, exatamente o oposto da disciplina estrita e temperada sob a qual os homens eram colocados pela sistemática vida de santidade no puritanismo. O pietismo da Europa continental e o metodismo dos povos anglo-saxões são considerados movimentos secundários, tanto em seu conteúdo de ideias, como em sua importância histórica. No entanto, encontramos ao lado do calvinismo uma segunda fonte independente do ascetismo protestante no movimento batista e nas seitas que, no decorrer dos séculos XVI e XVII dele se derivaram, quer diretamente, quer por adoção de suas formas de pensamento religioso: os batistas, menonitas, e, principalmente, os quakersCom elas, chegamos a compreender a relação social entre grupos religiosos cuja ética está em uma base que difere, em princípio, da doutrina calvinista. 

As ideias mais importantes de todas essas comunidades, que são importantes e cuja influência no desenvolvimento da cultura somente pode ser esclarecida em uma conexão diferente, são algo com que já estamos familiarizados: os crentes da Igreja. Isto significa que a comunidade religiosa – a “Igrejas visível” na linguagem das Igrejas da Reforma – já não era considerada como um tipo de fundação de confiança para fins extraterrenos, como uma instituição que necessariamente incluísse tanto os justos como os injustos, seja para enaltecera glória de Deus (calvinista), seja como um meio de trazer aos homens os meios de salvação (católica e luterana), mas apenas como uma comunidade de pessoas que creem na renovação, e somente estas. Em outras palavras, não uma igreja, mas uma “seita”. Só isto é que deveria simbolizar o princípio, em su puramente externo, de que apenas os adultos que tivessem pessoalmente adquirido sua própria fé deveriam ser batizados. A justificação através desta fé era para os batistas – como eles insistentemente repetiam em todas as discussões religiosas – radicalmente diferente da ideia de “trabalho no mundo” a serviço de Cristo, tal como estabelecia o dogma ortodoxo do velho protestantismo. Ela consistia mais na tomada de posse espiritual de Seu dom da Salvação. Esta ocorria através da revelação individual: pela ação do Divino Espírito no indivíduo, e apenas deste modo. 

Os chamados Brethren batistas alemães são mais conservadores e usam a veste peculiar da tradição Tunker. No fim do século XIX os ramos mais liberais que defendem uma ampla gama de pontos de vista, dependendo da sua compreensão desses princípios, estiveram entre os primeiros cristãos a permitir que mulheres pregassem, e, no princípio do século XX, elas podiam ser ordenadas no ministério. Nos anos de 1980 começou uma discussão, ainda em curso, sobre a plena aceitação de gays e lésbicas e também a sua ordenação. O culto é voltado a Deus e não tem o carácter per se evangelizador, portanto, práticas como “chamada ao altar” ou “aceitar Jesus” não existem. Não constroem igreja, assim reúnem-se em casas privadas ou celeiros. As mulheres sentam-se separadas dos homens e cobrem a cabeça com um véu. O culto inicia com uma invocação de algum dos anciãos, seguem-se hinos, cantado do hinário Ausbund, que é o mesmo texto desde o século XVI e não contém notação musical. Há dois sermões, um mais curto e um mais longo. Entre os sermões há uma oração onde todos se ajoelham silenciosamente até que algum membro masculino ore convicto pela igreja. A leitura e pregação da Bíblia é realizada extemporaneamente, sem sermões preparados e os anciãos (Älteste ou Elders) abrem as Escrituras aleatoriamente. Seguem uma oração do ministro e uma benção final.

A congregação se despede com um ósculo santo, também reconhecido por “beijo da paz”, foi uma forma de cumprimento criada por Jesus Cristo, segundo a religião cristã. O ato consiste em dar um beijo na face de outra pessoa, em sinal de fraternidade. Com os lábios cerrados, o beijo é descrito apenas como um toque sútil em alguma parte do rosto da pessoa. Uma das maiores comunidades Amish no mundo ocidental fica na Pensilvânia. Em outubro de 2006, uma chacina na escola Amish resultou na morte de cinco crianças entre 6 e 13 anos, além do atirador de 32 anos que se suicidou. O atirador era um motorista de caminhão de leite que atendia a comunidade. Fez reféns 10 meninas. No mesmo dia, membros da comunidade visitaram a família de Roberts (o motorista) para dizer que o perdoavam. No enterro das meninas, o avô de uma das vítimas disse às outras crianças: - “não devemos odiar aquele homem”. O fato social inspirou o filme Grace. Os Amish são vezes confundidos com comunidades reservadas, como os Menonitas traditionais, os Dunkers ou os Huteritas. Os costumes como não usar energia elétrica, é o que fazem deles tão diferentes. Eles também não usam aparelhos eletrônicos.

Finalizando, Marshall McLuhan foi um arguto pensador e destacado teórico da comunicação social canadense, reconhecido por vislumbrar a rede mundial de comunicação - internet - quase trinta anos antes dela possa ter sido implementada. Ficou também famoso por sua máxima de interpretação da realidade social segundo a qual “O meio é a mensagem”, e por ter cunhado o termo comunicativo de Aldeia Global. O mais importante não é o conteúdo da mensagem, mas o meio de trabalho através do qual a mensagem é transmitida. Isto porque independente da sua utilidade, afeta a sociedade de algum modo além da finalidade para a qual foi criado. Ele tinha o objetivo de indicar que a utilidade de uso de novas tecnologias eletrônicas tendem a encurtar distâncias e o progresso social entre elas tende a reduzir todo o planeta à mesma situação que ocorre em uma aldeia: um mundo em que todos estariam, de certa forma, interligados. Foi pioneiro dos estudos culturais e filosófico das transformações sociais provocadas pela revolução tecnológica do computador e das redes de telecomunicações. Em 1921, Marshall demonstrou sua aptidão para o manejo das comunicações ao construir um receptor para captar transmissões de uma rádio do centro-oeste americano. Em meados da década de 1930, começou a lecionar na Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos. Interessou-se social e tecnologicamente pelo estudo da cultura popular. Após se fixar converteu-se ao catolicismo, decisão favorecida pela leitura da coletânea de ensaios de Gilbert Keith Chesterton “What`s wrong in the world” (2006).   

A sua obra: Understanding Media: The Extensions of Man, de 1964, apresenta-se como aquela onde aflora toda a tessitura integrada nesta emissão comunicativa. No entanto, viria a fazer outra: The Place of Thomas Nashe in the Learning of His Time para a Universidade de Cambridge, em 1942, na qual analisou a história social das artes verbais clássicas, a saber a Gramática, a Retórica, e a Lógica, reconhecidas também, nos tempos medievais, como parte do trivium. É precisamente nessa abordagem histórica que Marshall McLuhan mergulha, referindo-se que o desenvolvimento-chave conducente ao Renascimento foi, precisamente, uma alteração na importância dada à lógica, sendo relegada perante a retórica e a própria linguagem. O ressurgimento da gramática surge, para o canadense, como a principal caraterística da vida contemporânea, naquilo que é o entendimento dos objetos per se. As influências sofridas por McLuhan no seu trabalho incluíram um filósofo jesuíta Pierre Teilhard de Chardin. Algumas das ideias veiculadas anteciparam o que seria a maturidade do seu pensamento, em especial o desenvolvimento da mente humana até ao estado de noosphere. Este foi um dos conceitos mais rebatidos em The Mechanical Bride, em que a externalização dos sentidos, naquilo que é a feitura do chamado “cérebro tecnológico” para todo o mundo, acaba por ser monitorizada por uma entidade capacitada de regular essa informatização do mundo. A coexistência e a interdependência surgem como valores imprescindíveis perante o medo da parametrização e vigilância.

Em 1944, regressou ao Canadá para lecionar durante dois anos na Assumption University, uma universidade católica em Windsor, Ontário, Canadá, federada com a Universidade de Windsor. Foi fundada em 1857 como Assumption College pela Sociedade de Jesus e incorporada por uma lei do Parlamento do Alto Canadá, recebendo Royal Assent, em 16 de agosto de 1858.  Sua mãe era batista, professora de colégio e atriz. Seu pai era metodista e corretor de imóveis. Em 1915, a família, de origem escócio-irlandesa, mudou-se para Winnipeg, na área leste do Canadá. Em 1951, publicou o ensaio: The Mechanical Bride: Folklore of Industrial Man. Em 1952, tornou-se professor catedrático no St. Michael's College da Universidade de Toronto. Entre 1953 e 1955, dirigiu o Seminário sobre Cultura e Comunicações patrocinado pela Fundação Ford. Com o antropólogo Edmundo Carpenter (1922-2011), reconhecido por seu trabalho em arte tribal e mídia visual, lançou o publicação de revista sob a forma de artigos,  Explorations e editou a antologia Explorations in Comunication (1960). Na década de 1960, já detinha uma sólida reputação como teórico da comunicação social, tendo sido contratado pelo U.S. Office of Education e pela National Association of Educational Broadcasters. Em 1962, publicou a obra máxima: The Gutenberg Galaxy: The Making of Typographic Man, que lhe proporcionou o Prêmio Governador Geral de 1963.  Recebeu a Ordre du Canada em 1970, uma ordem nacional e a segunda maior honra ao mérito de ordens, condecorações e medalhas. Antecede apenas para a participação na Ordem de Mérito, que é o dom pessoal do monarca do Canadá.

No livro, o acadêmico analisa os efeitos sociais da mídia massiva e da invenção da imprensa na cultura e na consciência europeia. Foi essa obra que popularizou o termo e o conceito da aldeia global, alusão à intensa integração globalizada através dos meios de comunicação em massa. Mas a teoria crítica diferia dessa condição em vários aspectos. Antes de tudo, recusava-se a “fetichizar” o conhecimento como algo separado da ação e superior a ela. Além disso, reconhecia que a pesquisa científica desinteressada era impossível em uma sociedade em que os próprios homens ainda não eram autônomos, o pesquisador era sempre parte do objeto social que tentava estudar. Num comentário em que respondia a Marshall McLuhan, trinta anos antes da recente popularidade deste, Max Horkheimer escreveu: - “Inverta a frase que diz que as ferramentas são extensões dos órgãos dos homens, para que os órgãos também sejam extensões das ferramentas dos homens” – uma injunção endereçada até mesmo ao cientista social “objetivo”, positivista ou intuicionista. Os dois extremos interpretavam mal as subjetividades culturais, vendo-a como totalmente autônoma ou contingente. Apesar de ser parte da sociedade, o pesquisador não era incapaz de se elevar nela. Na verdade, era seu dever revelar as forças e tendências negativas da sociedade para outra realidade.             

Na mesma conjuntura, assumiu a diretoria do Centro de Cultura e Tecnologia da Universidade de Toronto. Em 1964, publicou Understanding Media: The Extension of Man, no qual prosseguia suas análises a respeito das consequências da televisão, do telefone, do rádio e dos computadores para a reestruturação da percepção humana do mundo contemporâneo. Em 1966, proferiu palestras no Simpósio sobre Tecnologia e Comércio Mundial do National Bureau of Standards, na Associação de Linguagem Moderna e na Sociedade de Relações Públicas da América. Também foi convidado a assumir a cátedra de humanidades Albert Schweitzer (1875-1965), importante teólogo, organista, filósofo e médico alemão, na Fordham University, universidade privada, sem fins lucrativos e católica dos Estados Unidos, com três campi ao redor da cidade de Nova Iorque. Fundada pela Diocese Católica Romana de Nova Iorque em 1841. No ano seguinte, publicou The Medium is The Message: An Inventory of Effects. Em 1968, publicou Guerra e Paz na Aldeia Global, prevendo que o mundo deixaria de se tornar tribal e fragmentado passando a uma aldeia integrada pela tecnologia elétrica. Marshall McLuhan permaneceu na Universidade de Toronto até 1979, quando teve um derrame que afetou sua habilidade de falar. Nunca mais se recuperou falecendo em 1980.

Bibliografia geral consultada.

VAN GENNEP, Arnold, Os Ritos de Passagem. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 1978; ATTEBERY, Brian, The Fantasy Tradition in Amoricnn Literature; from Irving to Le Guin. Bloominccton: Indiana University Press, 1980; TURNER, Victor, El Proceso Ritual. Estructura y Antiestructura. Versión revisada por Beatriz García Ríos. Madrid: Ediciones Taurus Alfaguara, 1988; Idem, Selva de los Símbolos. Madrid: Siglo Veintiuno Editores, 1990; MASKE, Wilson, Bíblia e Arado. Os Menonitas e a Construção do Seu Reino. Trabalho de Mestrado. Curitiba: Universidade Federal do Paraná, 1999; WEBER, Max, A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. 2ª edição. São Paulo: Editora Pioneira, 2003; MESQUITA, Luciano Pires, A Guerra no Pós-Guerra: O Cinema Norte-americano e a Guerra do Vietnã. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em História. Niterói: Universidade Federal Fluminense, 2004; PEREIRA, Vinícius Andrade, “Consciência e Memória como Objetos da Comunicação: O Approach de Marshall McLuhan”. In: Revista Famecos. Porto Alegre, nº 24, julho 2004; SANTOS, Bruno César Leon Monteiro, Oneida: A Mobilização Indígena no Processo de Independência Estadunidense (1766-1777). Dissertação de Mestrado. Instituto de Ciências Humanas e Filosofia. Departamento de História. Niterói: Universidade Federal Fluminense, 2016; LÖWEN SAHR, Cecilian; HEIDRICH, Álvaro Luiz, “Translocalidades Menonitas no Contexto da América Latina e do Caribe: Reflexões a partir do Caso do Paraguai”. In: Revista Geousp – Espaço e Tempo. Volume 20, nº 3, pp. 536-550, 2016; MILHOMEM, Fredson Coelho Heymbeeck, A Crise da Comunidade na Religiosidade Pós-Moderna sob a Perspectiva de Zygmunt Bauman. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião. Escola de Formação de Professores e Humanidade. Goiânia: Pontifícia Universidade Católica de Goiás, 2016; ALONSO, Nicolás, “Os Amish Ganham Disputa com o Mundo Moderno”. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2017/12/25/; CARDOSO, Tatiana Cristina, Americanismo e Cinema Hollywoodiano no filme A Felicidade não se Compra. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-graduação em História. Faculdade de História. Goiânia: Universidade Federal de Goiás, 2018; TIRABOSCHI, Fernanda Franco, (De)colonialidades na Educação Literária em Língua Inglesa: Construção Crítico-colaborativa de Sentidos Rumo a Travessias Interculturais. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística. Goiânia: Universidade Federal de Goiás, 2022; entre outros.

sábado, 30 de janeiro de 2021

Jacindamania - Política & Eficácia Populista na Nova Zelândia.

 

Um lugar diverso, acolhedor, gentil e compassivo. Esses valores representam o melhor de nós”. Jacinda Ardern

            Nascida em 1980, em Hamilton, ao sul de Auckland, Jacinda Ardern compreende que suas convicções de esquerda nasceram do contato com a pobreza que viu na Nova Zelândia. Filha de um policial, ela foi criada na religião mórmon, porém se desligou da organização nos anos 2000, devido “às posições da igreja sobre a homossexualidade”. Muito cedo se interessou por política e ingressou nas organizações trabalhistas ainda na juventude. Depois de estudar comunicação social, trabalhou para a primeira-ministra Helen Clark e, mais tarde, em Londres, para Tony Blair. Eleita para a Câmara dos Representantes em 2008, e continuamente reeleita desde então, Ardern tornou-se vice-presidente do Partido Trabalhista em março de 2017. Assumiu a liderança da oposição com a renúncia de seu antecessor Andrew Little no início de agosto, a menos de dois meses da eleição, quando o Partido Trabalhista detinha estatisticamente apenas 23% das intenções de voto. Desde que virou primeira-ministra da Nova Zelândia aos 37 anos, em 2017, Jacinda Ardern, terceira mulher a chefiar o governo em seu país e a dirigente mais jovem desde 1856, tornou-se um “ícone político pop da esquerda global”. Acompanhada por uma onda popular denominada Jacindamania pela mídia, ela baseou sua campanha na promessa de uma mudança social de geração após nove anos de reinado de centro-direita e ofereceu aos trabalhistas uma vitória quase que inesperada. 

        Auckland ou raramente, Auclanda, é a maior cidade da Nova Zelândia. Embora Wellington seja a capital neozelandesa, Auckland é o principal centro financeiro e econômico da Nova Zelândia. Com uma população estimada em 1 413 700 habitantes, a cidade detém cerca de 31% da população do país. Auckland possui vários aspectos positivos. Um deles é seu clima, que é considerado um clima ameno, além da abundância de empregos e oportunidades educativas, bem como numerosas instalações de lazer. Entretanto, problemas de trânsito, a falta de bons transportes públicos e o aumento dos custos da habitação, foram citados pela população da cidade como entre os fatores negativos dos que ali vivem, juntamente com o crime. No entanto, Auckland está atualmente em uma boa posição em relação à qualidade de vida, sendo listada entre as 215 maiores cidades do mundo. Em 2006, Auckland ocupava a 23ª posição na lista das cidades mais ricas do mundo. Geograficamente está localizada a 37 graus de latitude sul, na ilha Norte, a cidade de Auckland está situada sobre um estreito que separa dois portos: o de Manukau, aberto ao Mar da Tasmânia, a oeste e o de Waitemata, que se abre ao Golfo de Hauraki do Oceano Pacífico, a leste. Umas das características é que se localiza sobre um vulcão e há um grande número de gêiseres no local. Um ano depois, Jacinda Ardern se tornou a segunda primeira-ministra do mundo, depois da paquistanesa Benazir Bhutto em 1990 - a dar à luz durante seu mandato. O assassinato de Benazir Bhutto, ex-primeira-ministra do Paquistão e líder do oposicionista Partido Popular do Paquistão (PPP), ocorreu em 27 de dezembro de 2007. 

Ela foi morta em um atentado suicida, quando deixava um comício na cidade de Rawalpindi, a 12 km da capital Islamabad. Um dia após o ataque, um dirigente da Al Qaeda no Afeganistão assumiu a responsabilidade da organização pelo assassinato. Um porta-voz do Talibã negou envolvimento no atentado. Bhutto Bhutto estava em campanha para as eleições parlamentares, marcadas para 8 de janeiro de 2008. A líder paquistanesa foi declarada morta às 18 horas e 16 minutos no horário local, já no Hospital Geral de Rawalpindi. O ataque que tirou a vida de Bhutto também matou pelo menos 20 pessoas. Dois meses antes, um atentado terrorista de grandes proporções matou mais de 120 pessoas em Karachi, que festejavam o retorno de Benazir do exílio de oito anos. Bhutto havia optado pelo auto-exílio para escapar de processos na justiça paquistanesa por corrupção e desvio de dinheiro. Em 2004, ela e o marido foram condenados na Suíça por lavagem de dinheiro, relativo a um indiciamento de 1998, segundo o qual teriam recebido propinas e comissões de cerca de US$ 11 milhões de duas empresas suíças que tinham contratos com o governo paquistanês. Adversária política do presidente Pervez Musharraf, Benazir e o presidente fizeram um acordo para que, após as eleições presidenciais de outubro de 2007, ela ocupasse o cargo de premiê sob a presidência do referido general. Esta possível aliança política abriu caminho para que Pervez Musharraf anistiasse a líder exilada, assim como possibilitou sua volta ao Paquistão. Após oito ano de exílio em Dubai e Londres, Bhutto retornou a Karachi em 18 de outubro de 2007. Nesse dia, ela escapou ilesa de um atentado terrorista que matou mais de 120 pessoas, ferindo 450 que acompanhavam carreata política.


Meses depois, Jacinda Ardern compareceu à assembleia geral das Nações Unidas com seu companheiro, Clarke Gayford, que cuida de seu bebê, imagem em forma de manifesto pela igualdade entre homens e mulheres, uma de suas lutas. Seu ativismo a favor da luta contra as alterações climáticas a marcou com a marca progressista do “anti-Trumpismo”. Internamente, entretanto, sua vontade de reforma foi muitas vezes prejudicada pela atuação demagógica de Winston Peters, chefe do populista partido New Zealand First e um parceiro não natural na coalizão governamental. Se por um lado, a Nova Zelândia é notável por seu isolamento geográfico, pois está situada a cerca de 2 000 km a sudeste da Austrália, separados através do mar da Tasmânia e os seus vizinhos mais próximos ao norte são a Nova Caledônia, Fiji e Tonga; por outro lado, um grande obstáculo   que deve ser eliminado no seu segundo mandato, graças à sua esmagadora maioria parlamentar. Contudo, a líder trabalhista terá que lidar além do indício de ataque terrorista do arquipélago, uma erupção vulcânica, a recessão mais severa em mais de 30 anos e o desafio contemporâneo da pandemia.  A forma como a Nova Zelândia reagiu ao ataque e as medidas tomadas na sua sequência foram elogiadas em todo o mundo. A maioria dos louvores vão para Jacinda Ardern e para a forma como deu a cara pela luta contra o terrorismo. O assassinato de 50 fiéis muçulmanos num país como a Nova Zelândia será examinado durante muito tempo pelo modo como sociologicamente os chamados ódios violentos são gerados e encenados nas redes sociais e na rede mundial de computadores - Internet. Mas talvez o mundo social deva aprender com a forma como a primeira-ministra reagiu ao estabelecimento do horror.

O empresário e político Donald Trump, nascido em 1946, foi eleito o 45º presidente dos Estados Unidos, após derrotar a ex-secretária de Estado Hillary Clinton. O empresário republicano torna-se o primeiro presidente dos Estados Unidos sem uma carreira política tradicional, o mais velho já eleito e também o mais rico. O bordão de Trump no reality da campanha “O Aprendiz” foi um dos vários gritos que ecoaram entre milhares de manifestantes em Nova York e em pelo menos outras seis cidades dos Estados Unidos na noite de quarta-feira (9/11/2016), menos de 24 horas após o republicano ser escolhido como o novo chefe da Casa Branca. A candidata derrotada nas eleições Hillary Clinton, não teve apoio em massa dentro do gênero. Em percentuais, a democrata conquistou 54% dos votos femininos, menos que os 55% conquistados pelo também democrata Barack Obama em 2012. Eleitoras de características “brancas” da classe média trabalhadora sem diploma universitário representando 17% aderiram a Trump: foram 62% dos votos para o republicano contra os 34% de Hillary. As mulheres representam 52% do eleitorado do país. O aspecto político e social singular do populismo nos Estados Unidos da América é sua perspectiva ideológica de que “não existem classes sociais na sociedade americana”.

Esta ideia abstrata se baseia na proposta de Declaração de Independência, de 1776, em que “todos os homens são iguais” e que a história oficial dos Estados Unidos se tem encarregado de reforçar. Esta história tem incluído movimentos políticos para empreender reformas, dentro de segmentos de estratificação de diferentes classes sociais tem formado alianças políticas temporais. O centro da ideologia populista tem como representação social a ideia de “um povo” que luta contra alguma instituição fabulosa, tais como os bancos, os detentores da riqueza e a burocracia governamental. O populismo norte-americano reúne aspectos multiculturais de segmentos capitalistas, da “classe média” sob um só estandarte. Ideologicamente, enquanto um conjunto de práticas sociais o populismo não se coloca contrário ao capitalismo. Historicamente o movimento comum se associa com a ascensão do populismo é a luta dos agricultores desde a década de 1890 até os anos 1930. Sua mobilização se dirigiu contra as ferrovias, os grandes bancos e as empresas de produtos agropecuários, de agricultores pobres, comerciantes rurais e formando grupos da classe operária. Para os norte-americanos, a palavra populismo não tem conotações positivas nem negativas. Não é progressista nem conservadora. Para Michael Kazin, no ensaio: “The Populist Persuasion (1995), mais do que uma ideologia, “é uma retórica que define o terreno em termos de enfrentamento sociológico entre os debaixo e os de cima, o povo e as elites”. 

No âmbito social da chamada “batalha das ideias” e efeitos de poder Donald Trump amplificou a verborragia aparente de um falastrão inconsequente em busca de popularidade e votos a qualquer custo. Finalmente ele foi o mais votado da história nas primárias republicanas - o recorde anterior era de George W. Bush, em 2000. Conhecida por prever o futuro, a série “Os Simpsons” exibiu no ano 2000 um episódio chamado de “Bart no Futuro”, no qual que Donald Trump de fato chegou à presidência dos EUA. Mais de 40 milhões de norte-americanos mantiveram-se fiéis a ele, ignorando seus comentários ideológicos desastrosos, racistas, xenófobos, machistas, além de sua aparente inexperiência política, as acusações que recaem sobre ele, da sonegação de impostos aos abusos sexuais. Nas últimas semanas, líderes republicanos desembarcaram da campanha de Trump, doadores pediram o dinheiro de volta, um representante da ONU declarou que o candidato, se eleito, seria uma ameaça ao mundo.      

            A atitude de candidato que não joga segundo as regras políticas tradicionais agradou a uma boa parcela de eleitores conservadores, principalmente aos que pertencem à minguante classe média norte-americana. O magnata do setor imobiliário não foi o único a despontar, apesar - ou por causa - das ideias estapafúrdias. Um de seus concorrentes, o cirurgião Bem Carson, acredita que as teorias de Charles Darwin são “coisas do demônio”. Pesquisas errôneas feitas naquele período demonstravam que Trump perderia a eleição de 2016 para a democrata Hillary Clinton. Os resultados de 1º de fevereiro em Iowa se desviaram em uma direção satisfatória para os republicanos, mas desconfortável para os democratas. Não ainda em termos de eleição de novembro propriamente dita, mas por seu significado para as disputas internas até julho, Donald Trump, um possível pesadelo para a máquina burocrática republicana e para quem tenha um mínimo de bom senso político, saiu diminuído pela derrota para Ted Cruz e mais ainda pelo quase empate com o terceiro colocado Marco Rubio. Hillary conseguiu um mero empate com Bernie Sanders e isso fez prever uma disputa desgastante.

           Os resultados de Iowa repõem a disputa em um curso familiar, mas o consenso ideológico ainda está abalado. Apesar de Iowa ser um Estado tão pequeno, em que as comunidades se reúnem para debater em espaços públicos durante as primárias, seus resultados têm forte influência sobre o financiamento das campanhas e a estratégia dos pré-candidatos à presidência. A vantagem das convenções partidárias de Iowa é que permite que um grupo de eleitores avalie os candidatos de perto e faça escolhas mais bem informadas do que numa primária nacional. À espera do discurso de Donald Trump na Pensilvânia, um homem bradava o slogan da campanha: - “Donald Trump is going to make America great!”. Em outro palanque, uma mulher esperava para ouvir o candidato vestindo uma camiseta com a frase: - “Hey Trump, talk dirty to me!” e a estampa de lábios pintados com batom cor de rosa. Isso, um dia depois de publicados no “New York Times” depoimentos de duas mulheres que disseram terem sido abusadas sexualmente por ele. Lou Dobbs, âncora da emissora “Fox Business Network”, compartilhou nas redes sociais para seus quase 800 mil seguidores o link de um site conservador e o post de um apoiador de Donald Trump que revelavam o endereço e o telefone de Jessica Leeds, uma das vítimas. Criticado, ele apagou os posts em seguida. A página disponível da Wikipédia da candidata democrata, Hillary Clinton, “foi invadida e vandalizada com imagens de pornografia e mensagens pró-Trump”. 

Politicamente falando é preciso compreender o simbolismo contido no Trumpismo. As mulheres que o acusaram de “abuso” o fizeram após o candidato declarar, durante o segundo debate presidencial, que o áudio em que foi flagrado contando vantagem por abusar de mulheres era tecnicamente “conversa de vestiário” e não ato. Duas falaram ao New York Times, e uma ex-repórter da revista People revelou que Donald Trump tentou abusar dela num encontro profissional, em 2005, quando a mulher grávida dele estava nas proximidades, enquanto uma ex-candidata a Miss Teen EUA disse ao “BuzzFeed” que ele invadiu o camarim onde elas se trocavam. Trump reagiu às acusações desenterrando casos de abuso sexual envolvendo o ex-presidente Bill Clinton. Seus eleitores saíram às ruas exibindo cartazes e inundaram as redes sociais com posts: - “Hillary é casada com um estuprador”, mas ignorando completamente as acusações contra o próprio Trump. Sobre o áudio, de 2005, em que ele bravateia sobre poder fazer o que quiser com as mulheres, beijá-las e “agarrá-las” pela genitália por ser um “astro”, um engenheiro elétrico, eleitor de Trump, comenta: - “A única coisa que a gravação mostra é que ele é um heterossexual saudável”.

Em uma rápida sequência programada de entrevistas gerenciadas pelo jornal New York Times, quase todos declararam desconsiderar as acusações contra Donald Trump, contrapondo em seu lugar as intenções das acusadoras. Uma das entrevistadas disse acreditar que Trump agiu “como todos os homens ricos agiam décadas atrás”, referindo-se ao relato de uma mulher que o acusou de tocar seus seios e colocar a mão por baixo de sua saia. - “São oportunistas. Ouça, nenhum homem ataca uma mulher a menos que ela pareça estar pedindo isso”, disse outra. A maioria dos eleitores se mostrou cética em relação às denúncias. Alguns justificaram as acusações com “teorias conspiratórias”. Outros disseram que o comportamento de Trump não importava e que ele deveria ser eleito por tudo o que representa. Mas o que nos interessa saber é o que Donald Trump representa no plano da globalização da política e internamente nos Estados Unidos da América. Para o filósofo Slavoj Žižek, que preferiu a candidatura do republicano frente à Hillary Clinton, o presidente eleito é uma fenômeno ambíguo. – “Por um lado, é racista, nojento, mas ele quase não fala sobre mudanças concretas. Para mim, o verdadeiro monstro era Ted Cruz, pré-candidato republicano”. Para o cientista político Boaventura de Sousa Santos afirma a política partidária no mundo abre caminho para candidatos não terem a necessidade de apresentar qualificações específicas para serem dirigentes políticos. – “A notoriedade pública em qualquer domínio, seja espetáculo, futebol ou cinema, pode ser qualificação suficiente”. 

Devido ao seu aparente isolamento, o país desenvolveu uma fauna distinta dominada por pássaros, alguns dos quais foram extintos após a colonização dos seres humanos e dos mamíferos introduzidos por eles. A maioria da população da Nova Zelândia é de ascendência europeia (67,6%), sobretudo britânica, enquanto os nativos māori, ou seus descendentes, tornaram-se minoria societária (14,6%). Asiáticos e polinésios não māori também são grupos de minoria significativa (16,1%), especialmente em áreas urbanas. A língua mais falada é o inglês, introduzida pelos colonizadores britânicos, embora também sejam considerados idiomas oficiais línguas nativas, como a língua māori. A  Nova Zelândia é um país desenvolvido e industrializado do mundo ocidental/oriental globalizado, e que se posiciona muito bem em análises comparativas internacionais sobre o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), qualidade de vida, “esperança” de vida, alfabetização, educação pública, paz, prosperidade, liberdade econômica, facilidade de fazer negócios, aparente falta de corrupção política e econômica, liberdade de imprensa, democracia e proteção das liberdades civis e de direitos políticos. Suas cidades também estão entre consideradas “mais habitáveis do mundo”. Aotearoa, muitas vezes traduzido como “terra da longa nuvem branca” é o nome māori contemporâneo para a Nova Zelândia e também é usado internacionalmente no inglês neozelandês.

        Haka são os representantes das danças típicas do povo Maori. Geralmente demonstram a paixão e intimidação. É usada para dar boas-vindas a visitantes e tribos inimigas. Segundo o povo Maori, Tama-nui-to-ra, o Deus do Sol, tinha duas mulheres, sendo uma delas Hine-raumati, a virgem do verão (perdendo este estatuto!), da qual nasceu Tane-rore, creditado pela origem da dança. Tane-rore representa o vento nos dias quentes de verão, na dança coreografado com o tremor de mãos. Os All Blacks se preparando para a haka no jogo da final da Copa das Três Nações, contra a Austrália, de 2005. Atualmente o Haka é conhecido mundialmente pela performance de intimidação no início dos jogos de Rugby da seleção da Nova Zelândia (All Blacks), que costuma antes de seus jogos executar uma haka específica chamada Ka Mate. Antes da dança o chefe grita como um grito para iniciar, coisa que no caso dos All Blacks é feita pelo jogador de sangue maori mais velho, nāo sendo este necessariamente capitāo da equipe. As palavras são utilizadas nāo só para incitar quem está realizando a dança, mas também para recordar-se o seu comportamento correto. Muitas vezes o tom utilizado para gritar o refrāo é o mesmo no curso de toda a exibição, ou seja, quanto mais alto, estridente e agressivo, feroz e brutal, mais vai incentivar mais o grupo - e intimidar o adversário.

Na língua maori, a palavra maori representa toda a grandeza de uma cultura. Em lendas e outras tradições orais, a palavra distinguia seres humanos mortais de divindades e espíritos. Maori tem cognatos em outras línguas da Polinésia, comparativamente como na língua havaiana (Maoli) e na língua taitiana (Maohi), e provavelmente todos têm sentidos semelhantes. Os primeiros exploradores europeus às ilhas da Nova Zelândia se referiam às pessoas que lá encontraram como aborígenes, nativos ou também chamados neozelandeses. Maori permaneceu como o termo usado pelos maoris “para descreverem a si mesmos”. Em 1947, vale lembrar que o Departamento de Relações Nativas foi renomeado, alternando para Departamento de Relações Maoris para reafirmar a decisão. Não existe registro etnográfico de assentamento na Nova Zelândia antes dos viajantes maoris; por outro lado, evidências arqueológicas indicam que os primeiros habitantes vieram do leste da Polinésia e se tornaram os maoris. Na Nova Zelândia há uma riqueza enorme quanto à tatuagem. E a tatuagem mais importante é feita no rosto. Para muitas culturas, a mão, o rosto e o pescoço ficam fora da pintura corporal. Para os maoris, o homem cobre todo o rosto quanto mais nobre ele é ou pela sua posição social. A tatuagem dá status dentro da tribo ou clã. A colonização europeia da Nova Zelândia foi relativamente recente. Os maoris representaram a última comunidade a ser influenciada pelos europeus.

 
Grupo de Maoris: a dança típica Haka.




A identidade maori foi estudada por Ranginui Walker (1997) antropólogo de formação acadêmica e política como chefe do Departamento de Estudos Maori da Universidade de Auckland desde 1992, além de dirigente do Conselho do Distrito Maori de Auckland e membro fundador do Conselho Maori da Nova Zelândia. Sua trajetória como pesquisador e política como dirigente vincula-se estreitamente às lutas pela obtenção de direitos e melhorias na condição social dos Maori, nas quais desempenhou papel de destaque nos últimos anos. Natural de Whakatohea, na Ilha do Norte, é descendente dos Opotiki. Publicou dois livros: Nga Tau Tohetoe. The Years of Anger (1987) e Ka Whawhai Tonu Matou: Struggle Without End (1990) – ambos sobre as formas de organização social e atuação política do movimento maori –, além de mais de quarenta artigos sobre educação, ativismo e política maori. - Em 1967, fui contratado, afirma em depoimento Walker, para ensinar na Universidade de Auckland, quando comecei a cursar o doutorado. Minha principal área de interesse era a antropologia social e tive como professor Ralph Piddington, que, por volta de 1950, criou o Departamento de Antropologia. Ele havia estudado com Malinowski e, assim, muito do seu interesse estava voltado para os desenvolvimentos malinowskianos, como a teoria das necessidades, as noções de estrutura e função social etc. Estes foram meus estudos iniciais em antropologia, com uma ênfase muito grande no trabalho de campo. No mestrado, decidi que faria minha dissertação sobre as relações sociais dos estudantes Maori  no Teacher’s College e os ajustes necessários para conviverem com o grupo europeu dominante. Cursei as disciplinas do doutorado entre 1966 e 1967, e escolhi como tema de tese a migração dos Maori do interior para a cidade. Concentrei-me em um bairro e fui a todas as reuniões de comitês, grupos e organizações. Encontrei um processo muito dinâmico, com os Maori tendo de aprender a viver em uma economia monetária: a economia de subsistência tinha de ser posta de lado, pois vivendo na cidade não havia meios de buscar alimentos como faziam no campo, ou à beira-mar; era preciso encontrar um emprego, controlar as despesas, enfrentar a vida urbana. Interessava-me a maneira como essas pessoas formavam novas organizações para ajudar umas às outras a se ajustarem.

            A expectativa de vida de uma criança nascida na Nova Zelândia em 2015 era de 84 anos para as mulheres e 80,2 anos para os homens. A esperança de vida ao nascer deverá aumentar de 80 anos para 85 anos em 2050 e a mortalidade infantil deverá diminuir ainda mais. Em 2050, estima-se, a população deverá chegar aos 5,3 milhões de habitantes, a idade média subirá de 36 anos para 43 anos e a percentagem de pessoas com 60 anos de idade e mais velhas subirá de 18% para 29%. O país tem a maior taxa de suicídio entre os jovens de países desenvolvidos, com taxa de 15,6 suicídios por 100 mil pessoas. O cristianismo é a religião predominante na Nova Zelândia. No censo de 2006, 55,6% da população se identificou como cristã, enquanto que 34,7% não tinham religião de 29,6% em 2001 e cerca de 4% eram afiliados com outras religiões. As principais denominações cristãs são representadas pelo anglicanismo, catolicismo romano, presbiterianismo e o metodismo. Há também um número significativo de cristãos que se identificam com pentecostais, batista, “em que todas as comunidades batistas desejavam ser puras Igrejas, no sentido da inocente conduta de seus membros” (cf. Weber, 1973: 80), membros da A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e da religião neozelandesa rātana, que tem adeptos entre māori. De acordo com outras religiões significativas incluem o hinduísmo, o budismo e o islamismo. Uma dificuldade na interpretação dos dados estatísticos de afiliação religiosa na Nova Zelândia é a grande proporção de pessoas que se opõem a responder à pergunta, identificados em cerca de 313.000 entrevistados em 2018. A maioria dos relatórios de porcentagens se baseia no número total de respostas, e não na população real total.

            Não queremos perder de vista que para a sociologia compreensiva de Max Weber, desde que a predestinação foi rejeitada, o caráter peculiarmente racional da moralidade batista apoiou-se psicologicamente, acima de tudo, na ideia da “espera”, ela descida do espírito que, caracteriza o meeting quaker. A finalidade desta tranquila espera é a superação do impulsivo e do irracional, das paixões e dos interesses subjetivos do homem “natural”. Ele deve calar-se afim de conseguir aquela profunda tranquilidade de alma que é a única em que pode ser ouvida a palavra de Deus. Esta espera pode, naturalmente, sob condições histéricas, resultar em profecias e, enquanto sobreviverem esperanças escatológicas, em certas circunstâncias, até em entusiástica eclosão de quiliasmo, como é possível em todos os tipos similares de religião. Isto realmente aconteceu no movimento que se fragmentou em Münster. Contudo, à medida que o batismo foi afetando a vida profissional secular, a ideia de que Deus somente fala quando silencia a criatura, significou, evidentemente, um incentivo para a tranquila ponderação das ações e para a justificação em termos da consciência do indivíduo. As seitas batistas mais recentes, de modo particular os quakers, adotaram este caráter de conduta, tranquilo, moderado e eminentemente consciencioso. A eliminação da magia do mundo não permitiu nenhum outro recurso psicológico, que não a prática do ascetismo laico.  Uma vez que a estas comunidades nada queriam ter que ver com os poderes políticos e com seu procedimento, disto visivelmente resultou a penetração desta moral ascética, conforme Weber (2003) na vida profissional. Os líderes dos primeiros movimentos sociais batistas foram implacavelmente radicais em sua rejeição do mundanismo, naturalmente, mesmo como ocorre na primeira geração, o modo de vida estritamente apostólico não foi considerado de forma societária como absolutamente essencial para a prova de redenção.

            A Nova Zelândia é um país desenvolvido localizado na Oceania, continente banhado pelo Oceano Pacífico e caracterizado por grande quantidade de ilhas. Possui características geográficas diversas devido ao seu isolamento e, ainda, as recorrentes atividades vulcânicas e sísmicas que ocorrem no seu território. O país foi colonizado pelos europeus, mas a presença dos maoris, população nativa, ainda é culturalmente muito forte. Os neozelandeses possuem uma elevada qualidade de vida humana. A população local é predominantemente adulta e urbana. A economia é diversificada, com destaque para o elevado emprego de tecnologias nas atividades primárias. A infraestrutura é típica de países altamente desenvolvidos, sendo a Nova Zelândia reconhecida por seus governos de cunho progressista. A prática de esportes de aventura faz parte da cultural local, e o país é famoso pelo seu time de Rugby. O isolamento não apenas físico, mas de ordem comunicativa e de trabalho, causou isolamento biológico, resultando em uma ecologia evolutiva dinâmica com exemplos de plantas e animais muito distintos, bem como populações de espécies comuns. Cerca de 82% das Planta vascularplantas vasculares da Nova Zelândia são endêmicas, cobrindo 1.944 espécies em 65 gêneros. O número de fungos registrados na Nova Zelândia, incluindo espécies formadoras de líquen, não é conhecido, nem a proporção desses fungos endêmicos, mas uma estimativa sugere que existem cerca de 2.300 espécies de fungos formadores de líquen na Nova Zelândia e 40% deles são endêmicos. Os dois principais tipos de floresta são dominados por árvores de folhas largas com podocarpos emergentes ou por faias do sul em climas mais frios. Os demais tipos de vegetação consistem em pradarias, a maioria tussock. Antes da colonização, estima-se que 80% da terra estava coberta de floresta, com apenas altas áreas alpinas, úmidas, inférteis e vulcânicas sem árvores.

O desmatamento maciço ocorreu depois que os humanos chegaram, com cerca de metade da cobertura florestal perdida para o fogo após o assentamento polinésio. Grande parte da floresta restante caiu após o assentamento europeu, sendo derrubada ou derrubada para dar espaço à agricultura pastoral, deixando a floresta ocupando apenas 23% da terra. As florestas eram dominadas por pássaros, e a falta de predadores de mamíferos levou a que alguns como apteryx, kiwi, kakapo, weka e takahe evoluíssem a ausência de voo. A chegada dos seres humanos, as mudanças associadas ao habitat e a introdução de ratos, furões e outros mamíferos levaram à extinção de muitas espécies de aves, incluindo grandes aves como o moa e a águia-de-haast. A Nova Zelândia, originalmente parte da colônia de Nova Gales do Sul, tornou-se uma colônia da coroa separada em 1841. A colônia ganhou um governo representativo em 1852 e o primeiro parlamento da Nova Zelândia se reuniu em 1854. Em 1856, ela efetivamente tornou-se autogovernada, ganhando a responsabilidade sobre todos os assuntos domésticos, com exceção da política nativa. Controle sobre a política nativa foi concedida em meados da década de 1860. Preocupado com a possibilidade da Ilha do Sul formar uma colônia separada, o premiê Alfred Domett apresentou uma resolução para transferir a capital de Auckland para uma localidade perto do Estreito de Cook. Wellington foi escolhida pelo seu porto e localização central, com o parlamento oficialmente sediado ali pela primeira vez em 1865. Com o aumento do número de imigrantes e os conflitos pela posse de terra, levou às Guerras da Nova Zelândia da década de 1860 a década de 1870, resultando na perda e no confisco de terras nativas māori. Em 1893, o país tornou-se o primeiro do mundo a conceder as mulheres o direito ao voto. Em 1894 pioneiro na adoção da arbitragem obrigatória entre empregadores e sindicatos. Em 1907 declarou-se um domínio dentro do Império Britânico e em 1947 o país adotou o Estatuto de Westminster, o que tornou a Nova Zelândia um reino da Commonwealth.  

O país se envolveu em assuntos políticos de relações internacionais, lutando ao lado do Império Britânico na primeira e 2ª guerra mundial, e sofrendo os impactos sociais e políticos da Grande Depressão. A depressão econômica levou à eleição do primeiro governo trabalhista e ao estabelecimento de um estado de bem-estar abrangente e de economia protecionista. Entre 1923 e 1926, Conferências Imperiais decidiram que a Nova Zelândia devia ser autorizada a negociar os seus próprios tratados políticos, sendo o primeiro tratado comercial de sucesso estabelecido com o Japão, em 1928. Apesar dessa relativa independência, a Nova Zelândia prontamente seguiu o Reino Unido ao declarar guerra à Alemanha nazista em 3 de setembro de 1939, quando o então primeiro-ministro neozelandês, Michael Savage, proclamou: “Onde ela vai, nós vamos; onde ela está, nós estamos”. Em 1951, o Reino Unido virou-se cada vez mais para seus interesses europeus, enquanto a Nova Zelândia juntou-se à Austrália e aos Estados Unidos no tratado de defesa ANZUS. A influência dos Estados Unidos na Nova Zelândia enfraqueceu após protestos sobre a Guerra norte-americana contra o Vietnã, o fracasso dos Estados Unidos em advertir França após o naufrágio do Rainbow Warrior e por desacordos sobre questões agrícolas comerciais, ambientais e sobre a políticas sobre a zona livre de armas nucleares da Nova Zelândia. Apesar da suspensão das obrigações dos Estados Unidos, o tratado ANZUS permaneceu em vigor entre a Nova Zelândia e a Austrália, cuja política externa tem seguido uma tendência semelhante. Próximos, contatos políticos são mantidos entre eles, de livre comércio e organização de viagens que permitem aos cidadãos visitar, viver e trabalhar em ambos os países sem qualquer restrição. Mais de 500 mil neozelandeses vivem na Austrália e 65 mil australianos vivem na Nova Zelândia.

A Nova Zelândia tem uma expressiva presença entre os países insulares do Pacífico. Uma grande proporção da ajuda externa, em contrapartida, vai para esses países e muitos povos do Pacífico migram para a Nova Zelândia em busca de emprego. A migração permanente é regulamentada no âmbito do programa do governo, que permitem até 1.100 samoanos e até 750 habitantes de outras ilhas do Pacífico, respectivamente, para se tornarem residentes permanentes da Nova Zelândia por ano. Um esquema de trabalhadores sazonais de migração temporária foi introduzido em 2007 e em 2009 cerca de 8.000 habitantes das ilhas do Pacífico foram empregados nele. A Nova Zelândia está envolvida no Fórum das Ilhas do Pacífico, Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico e do Fórum Regional da Associação de Nações do Sudeste Asiático, incluindo a Cúpula do Leste Asiático. O país é membro da ONU, da Comunidade das Nações, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e os Cinco Acordos de Força de Defesa. A nação experimentou um período de prosperidade crescente após a 2ª guerra mundial e os māori começaram a deixar sua vida rural tradicional e ir para as cidades em busca de trabalho. Um movimento de protesto dos māori desenvolveu-se, criticando o eurocentrismo e trabalhando por um maior reconhecimento da cultura māori e do Tratado de Waitangi. Em 1975, um Tribunal Waitangi foi criado para investigar as violações do tratado e foi habilitado para investigar queixas históricas em 1985. Depois da assinatura do Tratado de Waitangi, no início da década de 1840, o governador da colônia inglesa, William Hobson, teve que eleger uma capital para a colônia.

Até então, a capital efetiva era Kororareka, na atualidade chamada Russell, em Bay of Islands. Sem dúvida, Kororareka estava muito distante do restante do país e, além disso, tinha uma má reputação moralista cristã devido ao alcoolismo e imoralidade dos seus habitantes. Com base nos conselhos do missionário Henry Williamson, Hobson elegeu a praia sul do porto natural de Waitemata como nova capital. Adquiriu-se a terra necessária aos seus proprietários, a tribo maori dos Ngati Whatua, e a cerimónia de fundação teve lugar às 13 horas de 18 de setembro de 1840. Hobson escolheu o nome em honra de George Eden, primeiro duque de Auckland, seu protetor e amigo. Finalmente, em 1865, a capital mudou-se para Port Nicholson, mudando o nome para Wellington. As vantagens estratégicas de uma posição geopolítica central tornaram-se óbvias evidentemente quando a Ilha do Sul cresceu em prosperidade econômica com pesquisa e desenvolvimento (P&D) sobre a descoberta de ouro em Otago e o desenvolvimento da criação de ovelhas e a refrigeração.

Politicamente a Força de Defesa da Nova Zelândia é composta por três ramos: a Marinha Real da Nova Zelândia, o Exército da Nova Zelândia e a Força Aérea Real da Nova Zelândia. As necessidades de defesa nacional da Nova Zelândia não são modestas, devido à improbabilidade de ataque direto, mesmo com a presença global do país. A Nova Zelândia lutou nas duas guerras mundiais, com campanhas notáveis em Galípoli, Creta, El Alamein e Cassino. A Campanha de Galípoli desempenhou um papel importante na promoção da identidade nacional da Nova Zelândia e fortaleceu a tradição  da Australian and New Zealand Army Corps (ANZAC) compartilhada com a Austrália. De acordo com Mary Edmond-Paul, “a Primeira Guerra Mundial tinha deixado cicatrizes na sociedade neozelandesa, com cerca de 18.500, no total, mortos como resultado da guerra, mais de 41.000 feridos e outros afetados emocionalmente, de uma força de combate no exterior de cerca de 103 mil e uma população de pouco mais de um milhão” A Nova Zelândia também teve uma importante participação na Batalha do Rio da Prata (1939) e na campanha aérea da Batalha da Grã-Bretanha (1940-1941).

Durante a 2ª guerra mundial, os Estados Unidos da América tinham mais de 400 mil militares norte-americanos estacionados na Nova Zelândia. Além do Vietnã e das duas guerras mundiais, a Nova Zelândia lutou na Guerra da Coreia (1950-1953), na Segunda Guerra dos Bôeres (1899-1902), na Emergência Malaia, guerra de guerrilha travada entre as forças armadas da Commonwealth e o Exército de Libertação Nacional Malaio (ELNM), o braço militar do Partido Comunista da Malásia, de 1948 a 1960, na Guerra do Golfo, 2 de agosto de 1990 até 28 de fevereiro de 1991 e na Guerra do Afeganistão, é a atual fase da guerra civil afegã, que opôs, inicialmente no período de outubro a novembro de 2001, os Estados Unidos da América, com a contribuição militar da organização armada muçulmana Aliança do Norte e de países ocidentais (Reino Unido, França, Canadá e outros), ao regime talibã. O país tem contribuído com forças militares para várias missões de paz regionais e globais, tais como aquelas no Chipre, Somália, Bósnia e Herzegovina, Suez, Angola, Camboja, fronteira Irã-Iraque, Bougainville, Timor-Leste e nas Ilhas Salomão. A nação enviou uma unidade de engenheiros do exército de para ajudar na reconstrução de infraestrutura do Iraque por um ano durante a Guerra do Iraque.

A Campanha de Galípoli, também reconhecida como Batalha dos Dardanelos, teve como palco a península de Galípoli na Turquia, de 25 de abril de 1915 a 9 de janeiro de 1916, durante a 1ª grande guerra. Foi uma das campanhas mais custosas e trágicas da guerra. Forças britânicas, francesas, australianas e neozelandesas desembarcaram em Galípoli, numa tentativa de invasão da Turquia e captura do estreito de Dardanelos. A tentativa falhou, com pesadas perdas para ambos os lados. Os aliados se retiraram do local durante os meses de dezembro de 1915 e janeiro de 1916. As divisões ANZAC se viram especialmente danificadas, e esta campanha passou a significar certa dissensão por parte dos aliados oriundos da Nova Zelândia e da Austrália, que acusaram as tropas britânicas de arrogância, crueldade e inaptidão, bem como principais responsáveis pelo fracasso das operações. O Anzac Day (25 de abril) continua a ser a comemoração política mais significativa dos veteranos na Austrália e na Nova Zelândia, superando o Dia do Armistício/Dia da Lembrança. A Campanha de Galípoli repercutiu profundamente em todas as nações imperialistas envolvidas. Na Turquia, a batalha é percebida como um momento crucial e definitivo na história social e política da nação, tendo em vista a questão política da defesa final da terra-mãe após séculos de desintegração social do Império Otomano. A luta estabeleceu as bases para a Guerra de Independência Turca e a fundação da República Turca oito anos mais tarde, sob Atatürk, ele próprio um comandante remanescente em Galípoli.

            A Nova Zelândia é uma monarquia constitucional com uma democracia parlamentar, embora a sua Constituição não seja codificada. Elizabeth II é a monarca neozelandesa e a chefe de Estado do país. A rainha é representada pelo governador-geral, que é nomeado a conselho do primeiro-ministro. O governador-geral pode exercer os poderes prerrogativos da Coroa, como revisão de casos de injustiça e nomeações de ministros, embaixadores e outros importantes funcionários públicos e, em raras situações, os poderes moderadores o de demitir um primeiro-ministro, dissolver o parlamento ou recusar o Consentimento Real de um projeto de lei. Os poderes da Rainha e do governador-geral são limitados por restrições constitucionais e não podem normalmente ser exercidos sem o Conselho de Ministros. O gabinete, formado por ministros e liderado pelo primeiro-ministro, é o órgão máximo de formulação de políticas e por decidir as ações mais significativas do governo. Por convenção, os membros do gabinete estão ligados por responsabilidade coletiva de decisões tomadas pelo gabinete

            Jacinda Ardern foi eleita primeira-ministra da Nova Zelândia em outubro de 2017, depois que o partido populista New Zealand First concordou em formar uma coalização de centro-esquerda articulada em torno do Partido Trabalhista, do qual ela própria faz parte. Ardern é a mais jovem líder do país desde 1856 e se tornou a chefe de governo mais jovem do mundo ao assumir, então com 37 anos, seu posto. A plataforma que levou a escolha do seu nome para governar a Nova Zelândia era sólida e incluiu “o aumento do salário mínimo, uma lei para combater a pobreza infantil e o acesso à moradia”. Durante seu mandato, ela deu à luz sua primeira filha, Neve, em junho de 2018, tornando-se a segunda chefe de governo eleita a fazê-lo, e também liderou o país após o ataque contra a mesquita de Christchurch. Ardern, que costuma se descrever como progressista, republicana, feminista e que apoia o ensino obrigatório da língua Maori nas escolas neozelandesas, completou 40 anos no fim de julho como uma das lideranças mais eficazes no combate ao “novo coronavírus”. O país chegou a deter o controle imunológico e passar cem (100) dias sem transmissão comunitária do vírus. Esta semana, depois de quatro casos terem sido registrados em Auckland, ela decretou lockdown na maior cidade do país.

        Nova Zelândia tem uma moderna, próspera e desenvolvida economia de mercado, com um Produto Interno Bruto (PIB) em paridade do poder de compra (PPC) per capita estimado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), uma organização criada em 1944 com o objetivo de recuperar a economia internacional dos efeitos da Grande Depressão de 1929 e da 2ª guerra mundial. Até hoje, no entanto, funciona como um centro de cooperação financeira entre seus 189 países-membros, em cerca de US$ 26.966. A moeda do país é o dólar da Nova Zelândia, informalmente reconhecido como o “dólar Kiwi”, que também circula nas Ilhas Cook, Niue, Tokelau e nas Ilhas Pitcairn. A Nova Zelândia havia sido classificada como o 5º país mais desenvolvido do mundo ocidental pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 2011 e caiu para 16º na classificação de 2018 elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), e ficando em 4º lugar no Índice de Liberdade Econômica de 2011, publicado pela Heritage Foundation. As indústrias extrativistas têm contribuído para a economia da Nova Zelândia, concentrando-se, de acordo com a época, na caça às focas e baleias, linho, ouro, goma kauri e na madeira nativa.  Com o desenvolvimento do transporte refrigerado em 1880, carne e produtos lácteos passaram a ser exportados à Grã-Bretanha, um comércio internacional que serviu de base desenvolvimentista para o crescimento do mercado interno econômico na Nova Zelândia.

A elevada demanda de produtos agrícolas do Reino Unido e dos Estados Unidos ajudou os neozelandeses a alcançar um padrão de vida mais elevado do que o da Austrália e da Europa Ocidental nos anos 1950 e 1960. Em 1973, o mercado de exportação da Nova Zelândia foi reduzido quando o Reino Unido aderiu à Comunidade Europeia e por outros fatores, tais como crise do petróleo de 1973 e a crise energética de 1979, o que levou a uma grave depressão econômica. O padrão de vida neozelandês caiu atrás daqueles registrados na Austrália e na Europa Ocidental e, em 1982, a Nova Zelândia tinha a menor renda per capita entre os países desenvolvidos pesquisados pelo Banco Mundial. Desde 1984 sucessivos governos engajados na reestruturação macroeconômica do país transformou rapidamente a Nova Zelândia de uma economia altamente protecionista para uma economia de livre comércio e liberalizada. O desemprego chegou acima dos 10% em 1991 e 1992, após a “segunda-feira negra de 1987”, mas finalmente caiu a uma baixa recorde de 3,4% em 2007, a 5ª menor taxa entre os 27 países comparáveis da OCDE. A crise financeira mundial que se seguiu, porém, teve um grande impacto na economia neozelandesa, com o PIB do país encolhendo por cinco trimestres consecutivos, a mais longa recessão em mais de 30 anos, e com o aumento do desemprego para uma taxa de 7% no final de 2009. A taxa de desemprego para os jovens foi de 17,4% no trimestre de junho de 2011. A Nova Zelândia tem experimentado historicamente uma série de “fuga de cérebros” desde 1970, enquanto um processo comunicativo de fenômeno contínuo. Quase um 1/4 dos trabalhadores altamente qualificados do país vivem no exterior, a maioria na Austrália e no mercado do Reino Unido, taxa maior do que a de qualquer outra nação social desenvolvida. Nos últimos anos, entretanto, um “ganho de cérebros” trouxe profissionais educados da Europa e de outros países por ser menos desenvolvidos.

Bibliografia geral consultada.

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