domingo, 5 de julho de 2026

Uma Batalha Após a Outra – Cinema, Ensemble Cast & Ex-revolucionário.

             Nas grandes batalhas da vida, o primeiro passo para a vitória é o desejo de vencer”. Mahatma Gandhi                                    

          Uma Batalha Após a Outra (One Battle After Another) tem como representação social um filme norte-americano de 2025 do gênero comédia e action-thriller produzido, escrito e dirigido por Paul Thomas Anderson. É inspirado no romance de 1990 Vineland, de Thomas Pynchon. O ensemble cast do filme é liderado por Leonardo DiCaprio, Sean Penn, Benicio del Toro, Regina Hall, Teyana Taylor e Chase Infiniti em sua estreia cinematográfica. Do ponto de vista estético e narrativo, o filme articula elementos de drama, comédia, suspense, alegoria, sátira e tragédia sociopolítica. A obra combina sequências de ação intensas com elementos de sátira e crítica social, produzindo um resultado que ultrapassa o rótulo do cinema de ação convencional e se insere em um circuito mais autoral e reflexivo. Note bem: Ensemble cast é um termo em inglês que designa um elenco formado por vários atores principais e artistas cênicos aos quais são atribuídos, aproximadamente, a mesma importância e tempo de tela em uma produção dramática. A história acompanha um ex-revolucionário forçado a retomar seu antigo estilo de vida combativo quando ele e sua filha passam a ser perseguidos por um oficial militar corrupto. Thomas Anderson desejava adaptar Vineland desde o início dos anos 2000 e, por fim, incorporou suas próprias histórias à narrativa durante a escrita do roteiro. Bob Ferguson (Leonardo DiCaprio), apelidado de Guetto Pat, um ex-revolucionário que vive em um Estados Unidos transformado em um Estado policial de caráter fascista.

No início do filme, um grupo radical denominado French 75 conduz uma operação na fronteira entre México e Estados Unidos, libertando imigrantes detidos e prendendo agentes estatais, o que desencadeia uma resposta violenta das forças policiais, comandadas pelo coronel Steven J. Lockjaw (Sean Penn), figura masculina branca. A líder do movimento revolucionário, Perfidia Beverly Hills (Teyana Taylor), mulher negra, mantém um relacionamento com Bob e engravida, mas decide abandonar a filha recém-nascida, Willa (Chase Infiniti), para permanecer no movimento, até ser posteriormente presa. As filmagens principais ocorreram na Califórnia entre janeiro e junho de 2024 usando Vista Vision, tornando-se um dos primeiros filmes a utilizar o formato desde a década de 1960. Após sua estreia no TCL Chinese Theatre em Los Angeles em 8 de setembro de 2025, foi lançado nos Estados Unidos pela Warner Bros. Pictures em 26 de setembro. Com um orçamento de US$ 130–175 milhões, é o mais caro da carreira de Anderson. Arrecadou US$ 208,3 milhões mundialmente, ipso facto, imediatamente se tornando o maior sucesso comercial de Anderson. One Battle After Another recebeu aclamação generalizada e diversos prêmios. Entre eles, três vitórias no Critics` Choice Awards de 2026, quatro vitórias no Prêmios Globo de Ouro de 2026, recorde de sete indicações no Prêmios Actor 2026, 14 indicações no BAFTA 2026 (incluindo Melhor Filme), e seis vitórias no Oscar 2026 (incluindo Melhor Filme). Conquistou recorde de cinco prêmios do National Board of Review (incluindo Melhor Filme) e pelo American Film Institute um dos dez melhores filmes de 2025.

A palavra batalha, atestada pela primeira vez no idioma português em 1258, na forma batalia, vem do latim medieval batt(u)alia, “combate”, “luta” ou “peleja”, que por sua vez vem do latim battuere. O termo bateria, que tem origem semelhante através do francês batterie, designava as batalhas encenadas no Coliseu, em Roma, e que podiam envolver até 10 mil pessoas. Uma batalha, de modo geral, é um componente conceitual na hierarquia de combate durante uma guerra entre duas ou mais forças armadas ou combatentes. Numa batalha cada uma das partes tentará derrotar as outras, e a derrota é determinada pelas condições tecnológicas de uma campanha militar. Geralmente as batalhas são definidas por duração, área e forças bélicas envolvidas. Guerras e campanhas militares são guiadas praticamente por estratégias militares, enquanto batalhas ocorrem num nível de planeamento e execução conhecido como Mobilidade operacional. O extraordinário estrategista alemão Carl von Clausewitz afirmou que a utilização de batalhas (...) para alcançar o objetivo da guerra é a essência da estratégia. O registo arqueológico mais antigo de uma batalha é a Batalha de Megido, travada no século XV a.C. no coração da região do Levante. Coliseu, também conhecido como Anfiteatro Flaviano, é um anfiteatro oval localizado no centro da cidade de Roma, capital da Itália. Construído com tijolos revestidos de argamassa e areia, e originalmente cobertos com travertino é o maior anfiteatro já construído e está situado a Leste do Fórum Romano. A construção começou sob o governo do imperador Vespasiano em 72 d.C. e foi concluída em 80 d.C., sob o regime do seu sucessor e herdeiro, Tito.                                     

Outras modificações foram feitas durante o reinado de Domiciano (81-96). Estes três imperadores são conhecidos como a dinastia flaviana e o anfiteatro foi nomeado em latim desta maneira por sua associação com o nome da família (Flavius). O Coliseu poderia abrigar, estima-se, entre 50 mil e 80 mil espectadores, com uma audiência média de cerca de 65 mil pessoas. O edifício era usado para combates de gladiadores e espetáculos públicos, tais como simulações de batalhas marítimas (em um curto período de tempo como o hipogeu era inundado através de mecanismos de apoio), caças de animais selvagens, execuções, encenações de batalhas famosas e dramas baseados na mitologia clássica. O prédio deixou de ser usado para entretenimento na era medieval. Mais tarde foi reutilizado para vários fins, tais como habitação, oficinas, sede de uma ordem religiosa, uma fortaleza, uma pedreira e um santuário cristão. Em 2007, o monumento foi eleito informalmente como uma das sete maravilhas do mundo moderno. Embora parcialmente arruinado por causa de danos causados ​​por terremotos e saques, o Coliseu é ainda um símbolo da Roma Imperial. É uma das atrações turísticas mais populares da capital italiana e tem também historicamente conexões com a Igreja Católica Romana, pois, a cada Sexta-feira Santa, o Papa guia a Via Crúcis que começa em torno do Coliseu. O Coliseu também é retratado na versão italiana da moeda de 5 cêntimos de euro.

O nome original do Coliseu de Roma era Anfiteatro Flávio ou Flaviano, tendo sido construído no reinado dos imperadores da Dinastia Flaviana, após o governo do imperador Nero. Curiosamente, este nome não foi exclusivo do Coliseu, visto que Vespasiano e Tito haviam construído um anfiteatro que portou o mesmo nome na cidade de Pozzuoli, na província de Nápoles. O nome Anfiteatro Flavio é empregado ainda hoje, embora seja mais popularmente conhecido como Coliseu de Roma. A sua designação de “Coliseu” começou a difundir-se a partir do século VIII, o qual se crê que tenha sido devido a uma grande estátua de Nero, que se encontrava perto do edifício, na Casa Dourada, conhecida popularmente como o Colosso de Nero. Este fato pode ter sido a razão pela qual o anfiteatro de Roma tenha adoptado o nome de Coliseu. Essa dita estátua foi destruída provavelmente para reciclagem do seu bronze. Apenas a sua base chegou aos nossos dias, e pode ser vista entre o anfiteatro e o Templo de Venus e Roma. O Coliseu de Roma foi construído entre 72 d.C. e 80 d.C. Iniciado por Vespasiano (69 a 79 d.C.), mais tarde foi inaugurado por Tito (79 a 81 d.C.), embora apenas tivesse sido finalizado poucos anos depois. Empresa colossal, este edifício, inicialmente, poderia sustentar no seu interior cerca de 50 000 espectadores, em três andares.  Durante o reinado de Alexandre Severo e Gordiano III, foi ampliado com um quarto andar, podendo abrigar então cerca de 90 000 espectadores. Finalmente foi concluído por Domiciano (81 a 96 d.C.), filho de Vespasiano e irmão mais novo de Tito.    

A construção começou sob ordem de Vespasiano numa área que se encontrava no fundo de um vale entre as colinas de Célio, Esquilino e Palatino. O lugar fora devastado pelo Grande incêndio de Roma do ano 64, durante a época de governo do imperador Nero, e mais tarde havia sido reurbanizado para o prazer pessoal do imperador com a construção de um enorme lago artificial, da Casa Dourada (Domus Aurea), situada num complexo de uma vila, e de uma colossal estátua de si mesmo. Vespasiano, fundador da dinastia Flaviana, decidiu aumentar o moral e autoestima dos cidadãos romanos e também cativá-los com uma “política de pão e circo”, demolindo o palácio de Nero e construindo uma “arena permanente para espetáculos de gladiadores, execuções e outros entretenimentos de massas”. Vespasiano começou a sua própria remodelação do lugar entre os anos 70 e 72, possivelmente financiada com os tesouros conseguidos depois da vitória romana na Grande Revolta Judaica, no ano 70. O cerco de Jerusalém em 70 d.C. foi o evento decisivo da Primeira Guerra Judaico-Romana (66–73 d.C.), uma importante rebelião contra o domínio romano na província da Judeia. Lideradas por Tito, as forças romanas sitiaram a cidade, que havia se tornado o reduto da resistência judaica.

Após meses de conflito, os romanos romperam as defesas da cidade, culminando na destruição do Segundo Templo, no arrasamento da cidade e na matança em massa, escravização e deslocamento de seus habitantes. O cerco marcou o fim efetivo da revolta judaica e teve profundas implicações políticas, religiosas e culturais para o povo judeu, bem como consequências históricas mais amplas. No inverno de 69/70 d.C., Tito liderou uma força de aproximadamente 50 000 soldados, incluindo quatro legiões e tropas auxiliares, na Judeia. Na primavera, esse exército circundou Jerusalém, cuja população havia aumentado com peregrinos da Páscoa (Pessach) e refugiados de toda a província. A cidade, já enfraquecida por lutas internas entre facções rivais lideradas por João de Giscala, Simão bar Giora e Eleazar ben Simão — que haviam assumido o controle após o colapso do governo rebelde moderado — foi isolada do suprimento de mantimentos, deixando seus habitantes à mercê da fome e de doenças. Apesar da forte resistência dos defensores, os romanos romperam as muralhas, forçando a concentração dos defensores no complexo do templo. No mês de Av durante o verão, as forças romanas romperam o Monte do Templo e destruíram o Segundo Templo — um evento lembrado anualmente na tradição judaica no dia de jejum de Tisha B`Av. Os romanos acabaram por capturar toda a cidade, sufocando a resistência remanescente e infligindo um pesado tributo à população, com dezenas de milhares mortos, escravizados ou executados.

A cidade foi destruída sistematicamente, restando apenas as três torres da cidadela herodiana como símbolo de sua antiga grandiosidade. Um ano depois, a vitória romana foi celebrada com um grande triunfo em Roma, durante o qual centenas de cativos foram exibidos ao lado dos despojos do templo, incluindo a menorá. Estruturas monumentais, como o Arco de Tito — que ainda permanece de pé na cidade — foram erguidas para comemorar a conquista. A destruição de Jerusalém e do templo representou um grande marco na história judaica, trazendo consequências profundas que remodelaram a cultura, a religião e a identidade judaicas. Com a destruição do templo, o culto judaico se adaptou, dando origem ao Judaísmo rabínico, que enfatizou a oração, o estudo da Torá e os encontros em sinagoga em substituição aos rituais de sacrifício antes realizados no templo. A queda de Jerusalém desempenhou um papel importante no desenvolvimento do Cristianismo primitivo, à medida que o movimento se distanciava cada vez mais de suas raízes judaicas. Após a guerra, a Legio X Fretensis estabeleceu um acampamento militar sobre as ruínas de Jerusalém. Algumas décadas depois, os romanos refundaram a cidade como a colônia de Aelia Capitolina, dedicando-a a Júpiter e extinguindo as esperanças judaicas de restauração do templo. Esse evento preparou o cenário para outra grande revolta judaica — a Revolta de Bar Kokhba. Drenou-se o lago e o lugar foi designado para o Coliseu. Reclamando a terra da qual Nero se apropriou para o seu anfiteatro, Vespasiano conseguiu dois objetivos: por um lado realizava um gesto muito popular e por outro colocava um símbolo (cf. Durand, 1997) do seu poder no coração da cidade.  Mais oram construídos uma escola de gladiadores e outros edifícios de apoio das antigas terras da Casa Dourada, a maior parte da qual havia sido derrubada. 

 Embora em ruínas, o Anfiteatro Flávio, conhecido popularmente como Coliseu, ergue-se como símbolo de Roma. Vespasiano morreu mesmo antes do Coliseu ser concluído. O edifício tinha alcançado o terceiro piso e Tito foi capaz de terminar a construção tanto do Coliseu como dos banhos públicos adjacentes que são conhecidos como as Termas de Tito um ano da morte de Vespasiano. A grandeza deste monumento testemunha verdadeiramente o poder e esplendor de Roma na época dos Flávios. Os jogos inaugurais do Coliseu tiveram lugar no ano 80, sob o mandato de Tito, para celebrar a finalização da construção. Depois do curto reinado de Tito começar com vários meses de desastres, incluindo a erupção do Vesúvio de 79, um incêndio em Roma em 64 e um surto de peste, o mesmo imperador inaugurou o edifício com jogos pródigos que duraram mais de cem dias, talvez para tentar apaziguar o público romano e os deuses. Nesses jogos de cem dias teriam ocorrido combates de gladiadores, “venationes”, lutas de animais, execuções, batalhas navais, caçadas e outros divertimentos numa escala sem precedentes. Durante os primeiros dias do Coliseu, escritores antigos registraram que o edifício era usado para naumachiae, mais propriamente conhecido como navalia proelia ou simulações de batalhas navais. Relatos dos jogos inaugurais realizados por Tito no ano 80 descrevem-no sendo enchido de água para uma exibição de cavalos e touros especialmente treinados para nadar.

Há também um relato de uma reencenação de uma famosa batalha naval entre os gregos corcireus (de Corfu) e os coríntios e objeto de debate entre os historiadores; embora o fornecimento de água não fosse problema, não está claro como a arena poderia ter sido impermeabilizada, nem haveria espaço suficiente na arena para os navios de guerra se movimentarem. Tem sido sugerido que os relatórios têm a localização errada ou que o Coliseu apresentava um amplo canal inundável em seu eixo central que mais tarde seria substituído pelo hipogeu. O Coliseu, comparativamente, não estava inserido numa zona de encosta, enterrado, tal como normalmente sucede com a maioria dos teatros e anfiteatros romanos. Em vez disso, possuía um “anel” artificial de rocha à sua volta, para garantir sustentação e, ao mesmo tempo, esta substrutura serve como ornamento ao edifício e como condicionador da entrada dos espectadores. Tal como foi referido anteriormente, possuía três pisos, sendo mais tarde adicionado um outro. O edifício é construído em mármore, pedra travertina, ladrilho e tufo (pedra calcária com grandes poros). A sua planta elíptica mede dois eixos que se estendem aproximadamente de 190 metros por 155 metros. A fachada compõe-se de arcadas decoradas com colunas dóricas, jónicas e coríntias, de acordo com o pavimento em que se encontravam. Esta subdivisão deve-se ao fato de ser uma construção essencialmente vertical, criando assim uma diversificação do espaço. A arena (87,5 metros por 55 metros) possuía um piso de madeira, normalmente coberto de areia para absorver o sangue dos combates (certa vez foi colocada água na representação de uma batalha naval), sob o qual existia um nível subterrâneo com celas e jaulas que tinham acessos diretos para a arena.

Alguns detalhes dessa construção, como a cobertura removível que poupava os espectadores do sol, são bastante interessantes, e mostram o refinamento atingido pelos construtores romanos. Formado por cinco anéis concêntricos de arcos abóbadas, o Coliseu representa bem o avanço introduzido pelos romanos à engenharia de estruturas. Esses arcos são de concreto (de cimento natural) revestidos por alvenaria. Na verdade, a alvenaria era construída simultaneamente e já servia de forma para a concretagem. Os assentos eram em mármore e a cavea, escadaria ou arquibancada, dividia-se em três partes, correspondentes às diferentes classes sociais: o pódio, para as classes altas; as maeniana, setor destinado à classe média; e os portici, ou pórticos, construídos em madeira, para a plebe e as mulheres. O pulvinar, a tribuna imperial, encontrava-se situada no pódio e era balizada pelos assentos reservados aos senadores e magistrados. Rampas no interior do edifício facilitavam o acesso às várias zonas de onde era possível visualizar o espetáculo, sendo protegidos por uma barreira e por uma série de arqueiros posicionados numa passagem de madeira, para o caso de algum acidente. Por cima dos muros ainda são visíveis as mísulas, que sustentavam o velarium, enorme cobertura de lona destinada a proteger do Sol os espectadores e, nos subterrâneos, ficavam as jaulas dos animais, bem como todas as celas e galerias necessárias aos serviços do anfiteatro.  Vineland é um romance pós-moderno de 1990 de Thomas Pynchon, ambientado na Califórnia em 1984, ano da reeleição do presidente Ronald Reagan (1911-2004) um ator e político norte-americano, o 40º presidente dos Estados Unidos e o 33º governador da Califórnia.           

             Nascido e criado em pequenas cidades de Illinois, formou-se em economia e sociologia no Eureka College e em seguida trabalhou como radialista esportivo. Mudou-se para Hollywood em 1937, onde trabalhou como ator por quase três décadas, tornou-se presidente da Screen Actors Guild e porta-voz da General Electric (GE). Sua carreira política tem suas origens durante seu trabalho para a GE. Originalmente membro do Partido Democrata, mudou para o Partido Republicano em 1962, creditando tal atitude a mudanças ideológicas do Partido Democrata durante a década de 1950. Após realizar o seu famoso discurso em apoio à candidatura de Barry Goldwater à presidência dos Estados Unidos em 1964, tornou-se um fenômeno no Partido Republicano, ganhando forte apoio entre os eleitores do partido e sendo persuadido a candidatar-se ao cargo de governador da Califórnia. Foi eleito para este cargo em 1966. Como governador, transformou um déficit orçamentário em um excedente, ordenou que tropas da Guarda Nacional atuassem nos protestos do período, e foi reeleito em 1970.

Participou das primárias republicanas para a escolha do candidato do partido à presidência em 1968 e 1976, sendo derrotado em ambas as vezes. No entanto, em 1980, foi escolhido como candidato republicano e elegeu-se presidente dos Estados Unidos após derrotar o candidato à reeleição Jimmy Carter. Na presidência, implementou algumas iniciativas econômicas e novas políticas. Sua política de recuperação econômica através do estímulo a oferta, popularmente reconhecida como “Reaganomics”, incluiu medidas de desregulamentação, redução dos gastos governamentais e cortes de impostos. Até ao final do governo, a inflação reduziu significativamente, dezesseis milhões de empregos foram criados e o país cresceu a uma taxa média anual de 7,93%, mas a dívida pública quase triplicou. Em seu primeiro mandato, sobreviveu a uma tentativa de assassinato, defendeu a oração nas escolas, enfrentou sindicatos e iniciou uma guerra contra as drogas. Em 1984, foi reeleito com uma vitória esmagadora. Seu segundo mandato foi marcado principalmente por assuntos internacionais, tais como o término da Guerra Fria, o bombardeio da Líbia, a invasão de Granada e a revelação do Caso Irã-Contras. Embora a relação com a União Soviética tenha mudado em seu segundo mandato, descreveu publicamente o país em seu primeiro mandato como um “império do mal” e apoiou movimentos anticomunistas em todo o mundo. Negociou com o líder soviético Mikhail Gorbachev, culminando no Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário e na diminuição dos arsenais nucleares de ambos os países. Durante seu famoso discurso no Portão de Brandemburgo, desafiou Gorbachev a “derrubar este muro!”.

Logo após o fim do seu mandato, o Muro de Berlim foi derrubado e a União Soviética entrou em colapso político pouco depois. Reagan deixou a presidência no início de 1989, sendo sucedido por George H. W. Bush, seu vice-presidente. Em 1994, revelou que estava sofrendo da doença de Alzheimer e apareceu em público pela última vez no funeral de Richard Nixon, em abril daquele ano. Morreu dez anos depois, aos 93 anos de idade. Considerado um ícone entre os republicanos, ocupa um lugar de destaque nas classificações históricas dos presidentes dos Estados Unidos, e seu mandato contribuiu para o renascimento ideológico da direita norte-americana. Através de flashbacks, seus personagens, que viveram a década de 1960, relatam o espírito livre e rebelde daquela década e descrevem as características da “repressão fascista nixoniana” e contra as drogas que se opôs. O livro retrata as transformações na sociedade norte-americana das décadas de 1960 a 1980. O romance serviu de inspiração para o roteiro, livremente adaptado, do filme “One Battle After Another”, de 2025, dirigido por Paul Thomas Anderson. A história se passa na Califórnia em 1984, ano da reeleição de Ronald Reagan. Após uma cena em que o ex-hippie Zoyd Wheeler se atira por uma janela, algo que ele é obrigado a fazer anualmente para continuar recebendo seus benefícios por invalidez mental, o romance começa com o reaparecimento do agente federal Brock Vond, que, por meio de um pelotão de agentes, força Zoyd e sua filha de 14 anos, Prairie, a saírem de casa.

Eles se escondem de Brock e de Hector Zuñiga, um agente federal antidrogas do passado de Zoyd, que Zoyd suspeita estar em conluio com Brock, com antigos amigos de Zoyd. Logo, Prairie acompanha seu namorado Isaiah Two Four a um casamento da máfia, onde encontra DL Chastain, uma ninjette e ex-amiga da família que, ao reconhecer Prairie, explica a motivação de Brock para perseguir a família Wheeler.  A trama gira em torno de Frenesi Gates, a mãe de Prairie, a quem ela não vê desde que era bebê. Na década de 1960, no auge da era hippie, a fictícia Faculdade do Surf, no também fictício Condado de Trasero, que supostamente fica entre os condados de Orange e San Diego, no Sul da Califórnia se separou dos EUA e se tornou a República Popular do Rock and Roll (RP³), uma nação de hippies e usuários de maconha. Brock pretende derrubar a RP³ e encontra uma cúmplice disposta em Gates. Ela é membro do 24fps, um coletivo de cinema militante (outra integrante, Ditzah, está contando a história para Prairie no presente), que busca documentar as transgressões dos “fascistas” contra a liberdade e os ideais hippies. Gates sente-se irremediavelmente atraído por Brock e acaba trabalhando como agente duplo para assassinar o líder de fato da PR³, Weed Atman (um professor de matemática que acidentalmente se tornou alvo de um culto de personalidade. Após a traição, Gates foge e vive sob proteção de testemunhas com a ajuda de Brock até os dias atuais.

Agora, ela desapareceu. Os membros da 24fps, Brock e Hector estão todos à sua procura, cada um com seus próprios motivos. O tema central do livro, a onipresença da televisão (ou da TV), atinge seu ápice quando Hector, um viciado em TV que na verdade não trabalha com Brock, consegue financiamento para seu projeto pessoal: um filme que conta a história da depravação dos anos 1960, com Gates na direção. A pompa e as circunstâncias que envolvem esse acordo milionário criam uma rede de segurança que permite que Gates saia do esconderijo. A 24fps a encontra e alcança seu objetivo de permitir que Prairie a conheça, em uma grande reunião da família de Gates, os Traverse e os Becker incluindo uma anciã, Jess Traverse, que é criança no romance de Pynchon de 2006 Contra o Dia. Enquanto isso, DL Chastain e Takeshi Fumimota, seu parceiro em “ajustes cármicos”, estão passando um tempo com Weed Atman e outros Thanatoides - pessoas que estão em um estado “parecido com a morte, mas diferente” - quando ouvem a notícia sobre Brock. Brock, praticamente onipotente com os fundos da DEA, encontra Prairie com um helicóptero de vigilância e tenta sequestrá-la, alegando ser seu pai, e não Zoyd. Enquanto paira sobre ela preso a um cabo, o governo corta abruptamente todo o seu financiamento devido à perda de interesse em financiar a guerra contra as drogas, já que as pessoas começaram a aderir voluntariamente ao ideal antidrogas. Seu parceiro, Roscoe, então, pilota o helicóptero para longe. Brock tenta imediatamente levar o helicóptero de volta para Vineland à força, mas é aparentemente morto durante a tentativa. Pynchon descreve metaforicamente sua jornada “através do rio” com os motoristas de guincho Blood e Vato, a quem chama para ajudar a desatolar seu “carro”.

Enquanto isso, a reunião de família e o bar Thanatoid comemoram a notícia do desaparecimento de Brock, e o livro termina com Prairie retornando ao local onde Brock tentou sequestrá-la, na esperança de que ele volte para buscá-la. Vineland polarizou a crítica na época de seu lançamento. O autor Tobias Meinel afirmou em um ensaio de 2013 que o romance “levou muitos críticos a se concentrarem em sua mudança de estilo e conteúdo e a lê-lo como Pynchon Lite ou como um comentário crítico sobre a cultura americana contemporânea”. Salman Rushdie escreveu uma resenha favorável no The New York Times após o lançamento do livro, chamando-o de “fluido, leve e engraçado, e talvez a obra mais acessível que o velho Homem Invisível já escreveu”. Ele o chamou de “aquela raridade” que, “no final da Década da Ganância”, é “um grande romance político sobre o que a América vem fazendo consigo mesma, com seus filhos, durante todos esses anos”. Embora tenha elogiado o toque leve, porém mortal, de Pynchon ao abordar os pesadelos do presente em vez do passado, Rushdie reconheceu que o livro “ou te prende ou não”. Do ponto de vista analítico o crítico literário britânico Frank Kermode ficou desapontado com o livro, sentindo que lhe faltava o “belo suspense ontológico” de O Leilão do Lote 49 ou o “virtuosismo ficcional ampliado” de O Arco-Íris da Gravidade.                  

Ele reconheceu que era “indiscutivelmente da mesma oficina” que os trabalhos anteriores de Pynchon, mas o considerou literariamente menos compreensível. Brad Leithauser concordou, escrevendo no The New York Review of Books que Vineland era “um livro desorganizado e sem muita organização” que lembrava o que havia de mais fraco na obra do autor e não conseguia expandi-la ou aprimorá-la. No Chicago Tribune, James McManus afirmou que, embora os leitores inveterados de Pynchon comparassem o livro desfavoravelmente a O Arco-Íris da Gravidade, que era um livro administrável, com prosa forte, que “se destacava como um ataque mordaz e sombriamente divertido à América republicana”. O crítico Terrence Rafferty admirou o romance e, na revista The New Yorker, chamou-o de “a história mais antiga do mundo — o pecado original e o exílio do Paraíso”, mas o autor Sean Carswell argumentou mais tarde que, além de Rafferty e Rushdie, as críticas de Vineland “variam de ligeiramente irritadas a francamente hostis”. A crítica de Edward Mendelson na The New Republic foi em sua maioria favorável; ele achou o enredo confuso e tedioso, mas elogiou a “energia intelectual e imaginativa” de Pynchon e chamou o livro de “um conto visionário” cujo mundo era “mais rico e mais variado do que o mundo de quase qualquer romance americano recente”. Ele também elogiou sua “extravagância cômica”, escrevendo: “nenhum outro escritor americano transita com tanta suavidade e rapidez entre os extremos do estilo erudito e do popular”. 

Mendelson observou ainda que Vineland estava mais integrado com suas emoções e sentimentos do que os romances anteriores de Pynchon, e Jonathan Rosenbaum escreveu no Chicago Reader que era a obra mais esperançosa do autor até então. Essa esperança também foi mencionada por Rushdie, que acreditava que o livro sugeria comunidade, individualidade e família como contrapesos à repressiva Era Nixon-Reagan, mas Dan Geddes opinou em 2005 no The Satirist que o “final feliz” do livro era surpreendente, dado seu alerta abrangente sobre um crescente estado policial. Em contrapartida, Rushdie considerou que a chocante cena final se prestava a um final moralmente ambíguo e sentiu que o romance mantinha um equilíbrio habilmente entre luz e escuridão do início ao fim. O romance de Pynchon foi considerado pelo cineasta Paul Thomas Anderson como a inspiração livre para seu filme de 2025, One Battle After Another. Anderson falou muitas vezes sobre seu amor por Vineland e seu desejo de adaptá-lo. No início de 2024, ele começou a filmar um novo projeto, posteriormente confirmado como sendo baseado no romance. One Battle After Another foi lançado em setembro de 2025 e foi indicado a 14 Oscars, vencendo seis: Melhor Elenco, Melhor Ator Coadjuvante (Sean Penn), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Montagem, Melhor Diretor e Melhor Filme. Numa sessão de perguntas e respostas após uma exibição, Anderson mencionou que teve dificuldades em conceber uma adaptação adequada do livro, afirmando: “quando você vai adaptá-lo, você tem que ser muito mais duro com o livro para adaptá-lo. Você tem que não ser gentil”. O crítico da revista Variety, Andrew McGowan, referiu-se às diferenças comparativamente entre o livro e a sua adaptação cinematográfica. Embora o filme mantenha as mesmas personagens e dinâmicas entre elas, escreveu ele, os seus nomes foram alterados e o filme é mais direto do que a realidade alternativa “vanguardista”, “pós-moderna” e “bizarra” de Pynchon.

Bibliografia Geral Consultada.

LEFORT, Claude, Éléments d`une Critique de la Burocratie. Paris: Éditions Gallimard, 1979; ROUSSEAU, Jean-Jacques, O Contrato Social. 3ª edição. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1996; CASTORIADIS, Cornelius, L`Enigma del Soggetto: L`Immaginario e Le Istituzioni. Itália: Edizionne Dédalo, 1998; DURAND, Gilbert, As Estruturas Antropológicas do Imaginário. Introdução à Arquetipologia Geral. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1997; ECO, Umberto, Il Fascismo Eterno. Milão: Editora La Nave di Tesco, 1997; PATTEL, Cyrus RK, Liberdades Negativas: Morrison, Pynchon e o Problema da Ideologia Liberal. Carolina do Norte: Duke University Press, 2001; MAFFESOLI, Michel, El Instante Eterno. El Retorno de Lo Trágico en las Sociedades Posmodernas. Buenos Aires: Ediciones Paidós, 2001; MÉSZÀROS, István, O Poder da Ideologia. São Paulo: Boitempo Editorial, 2004; GEDDES, Dan, “Vineland de Pynchon: A Guerra às Drogas e o Estado Policial que se Aproxima”. Disponível em: https://www.thesatirist.com/books/03/01/2005; GENNEP, Arnold van, Les Rites de Passage. Paris: Editor Picard, 2011; NASCIMENTO, Gabriel Leão Augusto da Costa, O Animal Político Midiático: Imagens e Representações na Política Contemporânea. Dissertação de Mestrado. Programa de Mestrado em Comunicação. São Paulo: Faculdade Cásper Líbero, 2012; FOUCAULT, Michel, Vigiar e Punir: Nascimento da Prisão. 42ª edição. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 2014; SILVA, Wilton Carlos Lima da, “A Vida, a Obra, o que Falta, o que Sobra: Memorial Acadêmico, Direitos e Obrigações da Escrita”. In: Revista Tempo e Argumento. Florianópolis. Volume 7, nº 15, pp. 103-136, maio/agosto, 2015; COSTA, Grasielle Aires da, Ritual em Richard Schechner e Victor Turner: Aspectos de um Diálogo Interdisciplinar. Programa de Pós-graduação em Performance Cultural. Escola de Música e Artes Cênicas. Goiânia: Universidade Federal de Goiás, 2015; VIEIRA, Carlos, Depressão-Doença: O Grande Mal do Século XXI. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 2016; SOUZA, Bruno Garcia, Considere o Fracasso: Ensaio, Ensaismo em Robert Musil. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em História. Departamento de História. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, 2017; Artigo: “Dossiê Uma Batalha Após a Outra”. Disponível em : https://abraccine.org/2026/02/12/; entre outros.

Nenhum comentário:

Postar um comentário