quarta-feira, 8 de julho de 2026

Da Toscana, com Amor – Dialética Parental Entre o Exótico e Familiar.

                        A vida social consiste em destruir aquilo que lhe dá o seu aroma”. Claude Lévi-Strauss  (1908-2009)     

          

       O homem é criação propiciada pelo processo real de transformação da realidade e por uma formação ideal exagerada da imaginação individual (o sonho) e coletiva (os mitos, os ritos, os símbolos) e percepção social que faz a essência do homem per se criadora. A possibilidade real, a ocasião apriorística desse modo de comportamento que chamamos amor, fará surgir, se for o caso, e levará à consciência, como um sentimento obscuro e geral, inicial de sua própria realidade, antes mesmo que a ele se some a incitação por um objeto determinado para levá-lo a seu efeito acabado.  A existência desse impulso sem objeto, por assim dizer incessantemente fechado em si, acento premonitório do amor, puro produto do interior e, no entanto, já acento de amor, é a prova mais decisiva em favor da essência central puramente interior do fenômeno amor. É muitas vezes dissimulado sob um modo de representação pouco claro, segundo o qual o amor seria uma espécie de surpresa ou de violência vindas do exterior, tendo seu símbolo mais pertinente no “filtro do amor”, em vez de uma maneira de ser, de uma modalidade e de uma orientação que a vida como tal toma por si mesma – como se o amor viesse de seu objeto, quando, na realidade, vai em direção a ele. O amor é o sentimento que, fora dos sentimentos religiosos, se liga mais estreita e mais incondicionalmente a seu objeto. À acuidade com a qual ele brota do sujeito corresponde a acuidade igual com que ele se dirige para o objeto. É que nenhuma instância vem se interpor. Se venero alguém. É pela qualidade de venerabilidade que, em sua realidade, permanece ligada à imagem pelo tempo quanto eu o venerar, passível de adoração, contemplação e respeito.

Por mais insuficiente, por mais preso a um estreito simbolismo humano que esteja  o conceito de objetivo e de meios em presença da misteriosa realização da vida, devemos qualificar essa emoção sexual de meio de que a vida se serve para a manutenção da espécie, confiando aqui a consecução desse objetivo não mais a um mecanismo (no sentido lato) mas a mediações psíquicas. Enfim, a pulsão, dirigida a princípio, tanto no sentido genérico quanto no sentido hedonista, ao outro sexo enquanto tal, parece ter diferenciado cada vez mais seu objeto, à medida que seus suportes se diferenciavam, até singularizá-lo. Claro, sabemos que a pulsão não se torna amor pelo simples fato de sua individualização; esta última pode ser refinadamente hedonista, ou instinto vital-teleológico para o parceiro apto a procriar os melhores filhos.  Mas, indubitavelmente, ela cria uma disposição formativa e, por assim dizer, um marco para essa exclusividade que constitui a essência do amor, mesmo quando seu sujeito se volta para uma pluralidade de objetos. Não duvidamos em absoluto que no seio do que se chama “atração dos sexos” constitui-se o primeiro factum, ou, se quiserem, a prefiguração do amor. A vida social se metamorfoseia nessa produção, traz sua corrente à altura dessa onda cuja crista vital, sobressai acima dela. Se considerarmos o processo da vida como um dispositivo de meios a serviço desse objetivo; e se levarmos em conta seu significado efetivo para a propagação da espécie, então este também é um dos meios que a vida se dá para si e a partir de si. 

O filme “Da Toscana, com Amor” (2026), dirigido por Laura Chiossone, é uma comédia romântica italiana ambientada na Toscana. Nascida em Milão, em 23 de abril de 1974 é uma cineasta italiana. Ela seguiu uma educação composta, graduando-se em Filosofia Teórica com honras, estudando na Escola de Teatro Arsenale e tocando em uma banda pop. Ela começou sua carreira em 2003 dirigindo alguns curtas-metragens, incluindo Routine, uma história de amor em tons de cinza com atmosferas à la Antonioni e Broadcast, com Paola Barale. Posteriormente, ele fez vários videoclipes para artistas musicais, incluindo Morgan, Marracash, Marlene Kuntz, Otto Ohm, também trabalhando como diretor de publicidade com várias agências criativas italianas. A exploração de diferentes formatos de vídeo continua com o documentário ¿Necesitas algo nena?, produzido com o patrocínio da Amnistia Internacional, que narra a história social de Ángela María Aieta, uma emigrante calabresa que se tornou uma das desaparecidas durante a ditadura militar na Argentina. Em junho de 2013, seu primeiro longa-metragem, Tra Cinque Minuti in Scena (2012), foi lançado nos cinemas, um filme, estrelado pela atriz Gianna Coletti, que mistura diferentes linguagens, cinema, teatro e documentário para contar “a vida de uma mãe idosa e sua filha e seu amor que é dependência e dor, mas também alegria e humor, [e que] estão intimamente ligados ao teatro, com suas dificuldades e suas paixões”. Em 29 de agosto de 2019, estreou nos cinemas “Pais Quase Perfeitos”, uma comédia sobre as festas de aniversário infantis: as conversas compulsivas dos pais sobre o evento, os preparativos intermináveis, a escolha dos animadores, os bolos da solidariedade, as fantasias das crianças, os inevitáveis ​​imprevistos e, acima de tudo, a dialética parental durante essas festas, que desencadeia ciúme, vaidade e competição.                  

Escólio: Do ponto de vista da análise sobre o filme “Da Toscana, com amor”, Elisa, vivida por Matilde Gioli, tenta manter de pé a propriedade Le Giuggiole, uma antiga fazenda familiar que já não atrai hóspedes como antes e acumula problemas financeiros. Do outro lado está Lorenzo, interpretado por Cristiano Caccamo, um homem que herda as terras próximas e chega com a intenção de vendê-las. A presença dele muda a rotina do lugar, mexe com os planos de Elisa e ainda oferece à pequena cidade um novo assunto para fofocas, palpites e constrangimentos públicos. A história começa com Elisa em uma posição ruim. Ela não administra um cenário idílico de catálogo turístico, mas um negócio que exige dinheiro, manutenção, paciência e um tipo especial de otimismo que beira a teimosia. A fazenda precisa de hóspedes, reformas e alguma estabilidade, mas a protagonista tem de lidar com contas, expectativas familiares e a sensação de que todos ao redor sabem melhor do que ela o que deve ser feito. Matilde Gioli dá à personagem uma mistura de firmeza e cansaço que ajuda o filme a escapar do açúcar em excesso. Elisa quer preservar a propriedade, mas também tenta preservar a própria autoridadeO amor é sempre uma dinâmica que se gera, para Simmel (1993) por assim dizer, a partir de uma autossuficiência interna, sem dúvida trazida, por seu objeto exterior, do estado latente ao estado atual, mas que não pode ser, propriamente falando, provocada por ele; a alma o possui enquanto realidade última, ou não o possui, e nós não podemos remontar, para além dele, a um dos movens exterior ou interior que, de certa forma, seria mais que sua causa ocasional. 

É esta a razão mais profunda que torna o procedimento de exigi-lo, a qualquer título legítimo que seja totalmente desprovido de sentido. Sequer sua atualização dependa sempre de um objeto, e se aquilo que chamamos de desejo ou necessidade de amor – esse impulso surdo e sem objeto, em particular na juventude, em direção a qualquer coisa a ser amada – já não é amor, que por enquanto só se move em si mesmo, digamos um amor em roda livre. Seguramente, a pulsão em direção a um comportamento poderá ser considerada como o aspecto afetivo do próprio comportamento, ele próprio já iniciado; o fato de nos sentirmos “levados” a uma ação significa que a ação já começou anteriormente e que seu acabamento não é outra coisa que o desenvolvimento ulterior dessas primeiras inervações. Onde, apesar do impulso sentido, não passamos à ação, isso se dá seja porque a energia não basta, de pronto, para ir além desses primeiros elos da ação, seja porque ela é contrariada por forças opostas, antes mesmo que esses primeiros elos já anunciados à consciência tenham podido se prolongar num ato visível. A possibilidade real, a ocasião apriorística desse modo de comportamento originados pela presença na vida que chamamos amor, fará surgir se for o caso, à consciência, na oposição dialética, como um sentimento obscuro e geral, um estágio inicial de sua própria realidade, antes mesmo que a ele se some a incitação por um objeto determinado para levá-lo a seu efeito socialmente acabado.   

A existência desse impulso sem objeto, por assim dizer incessantemente fechado em si, acento premonitório do amor, puro produto do interior e, no entanto, já acento de amor, é a prova mais decisiva em favor da essência central puramente interior do fenômeno amor, muitas vezes dissimulado sob um modo de representação pouco claro, segundo o qual o amor seria uma espécie de surpresa ou de violência vindas do exterior, tendo su símbolo mais pertinente no “filtro do amor”, em vez de uma maneira de ser, de uma modalidade e de uma orientação que a vida como tal toma por si mesma – como se o amor viesse de seu objeto, quando, na realidade, vai em direção a ele. De fato, o amor é o sentimento que, fora dos sentimentos perremptoriamente invariáveis religiosos, se liga mais estreita e mais incondicionalmente a seu objeto. À acuidade com a qual ele brota do sujeito corresponde a acuidade igualmente com que ele se dirige para o objeto. O que é decisivo aqui é que nenhuma instância de caráter geral vem de fato se interpor. Se venero alguém. É pela mediação da qualidade de certo modo geral de venerabilidade que, em sua realidade particular, permanece ligada à imagem desse por tanto tempo em termos de duração quanto eu possa o venerar. Do mesmo modo, no homem que temo, o caráter terrível e o motivo que o provocou estão intimamente ligados; mesmo o homem que odeio não é, na maioria dos casos separado em minha representação da causa desse ódio – é esta uma das diferenças entre amor e ódio que desmente a assimilação que comumente se faz deles.

Mas o específico do amor é excluir do amor existente a qualidade mediadora de seu objeto, sempre relativamente geral, que provocou o amor por ele. Ele permanece como intenção direta e centralmente dirigida para esse objeto, e revela a sua natureza verdadeira e incomparável nos casos em que sobrevive ao desaparecimento indubitavelmente do que foi sua razão de nascer. Essa constelação, que engloba inúmeros graus, desde a frivolidade até a mais alta intensidade, é vivida segundo o mesmo modelo, seja em relação a uma mulher ou a um objeto, a uma ideia ou a um amigo, à pátria ou a uma divindade. Isso deve ser solidamente estabelecido em primeiro lugar, se quisermos elucidar em sua estrutura seu significado mais restrito, o que se eleva no terreno da sexualidade. A ligeireza com que a opinião corrente alia instinto sexual a amor lança talvez uma das pontes mais enganadoras na paisagem psicológica exageradamente rica em construções desse gênero. Quando ela penetra no domínio da psicologia que se dá por científica, temos com demasiada frequência a impressão de que esta última caiu nas mãos de açougueiros. O que é óbvio, não podemos afastar pura e simplesmente essa relação. Nossa emoção sexual, para Simmel, desenrola-se em dois níveis de significação filosófica. Por trás do arrebatamento e do desejo, da realização e do prazer sentidos, diretamente subjetivos, delineia-se, consequência disso tudo, por fim a reprodução da espécie. Pela propagação contínua do plasma germinal, a vida segue atravessando estágios ou levada por eles de ponta a ponta.      

Por mais insuficiente, por mais preso a um estreito simbolismo humano que esteja o conceito de objetivo e de meios em presença da misteriosa realização da vida, devemos qualificar essa emoção sexual de meio de que a vida se serve para a manutenção da espécie, confiando aqui a consecução desse objetivo não mais a um mecanismo (no sentido lato do termo) mas a mediações psíquicas. Enfim, a pulsão, dirigida a princípio, tanto no sentido genérico quanto no sentido hedonista, ao outro sexo enquanto tal, parece ter diferenciado cada vez mais seu objeto, à medida que seus suportes se diferenciavam, até singularizá-lo. Claro, a pulsão não se torna amor pelo simples fato de sua individualização das referências; esta última pode ser refinadamente hedonista, ou instinto vital-teleológico para o parceiro apto a procriar os melhores filhos. Mas, indubitavelmente, ela cria uma disposição formativa e, por assim dizer, um marco para essa exclusividade que constitui a essência do amor, mesmo quando seu sujeito se volta para uma pluralidade de objetos. Não duvidamos em absoluto que no seio do que se chama “atração dos sexos” constitui-se o primeiro factum, ou, se quiserem, a “prefiguração do amor”. A vida se metamorfoseia também nessa produção, traz sua corrente à altura dessa onda, cuja crista, porém, sobressai livremente acima dela. Se considerarmos o processo social de conhecimento e construção social da vida absolutamente como um dispositivo de meios a serviço desse objetivo - a vida – e se levarmos em conta o significado simplesmente efetivo do amor para a propagação da espécie, então este também é um dos meios que a vida se dá para si e a partir de si. 

A noção de causa é, na origem, o caso do litígio, depois a ocorrência em que surge um acontecimento. A coisa, de mesma origem, é a questão a tratar. A palavra “ordem” exprime primeiro a fórmula do comando e o resultado ordenado. Inspirado no romance best-seller de Felicia Kingsley, Da Toscana, com Amor (2026), pseudônimo de Serena Artioli nascida em Carpi, em 13 de outubro de 1987, é uma escritora italiana. Capri está localizada no Mar Tirreno, na entrada ocidental do Golfo de Nápoles, a 5 km da ponta continental da Península Sorrentina. A ilha geograficamente tem uma área extraordinária de 10,4 km² de extensão. O terreno é montanhoso, consistindo principalmente de calcário e arenito; falésias íngremes dominam grande parte do litoral. O ponto mais alto é o Monte Solaro, com 589 metros. A parte ocidental da ilha, que culmina no Monte Solaro, é reconhecida como Anacapri, distinta da parte oriental, centrada na cidade de Capri. Os dois principais portos são a Marina Grande, na costa Norte, o porto principal, e a Marina Piccola, na costa Sul. Entre as atrações naturais notáveis, destacam-se os famosos faraglioni, formações rochosas no mar, ao largo da costa Sudeste, a Gruta Azul, na costa Noroeste, e o Arco Naturale, um grande arco natural na costa Leste. Capri possui um clima mediterrâneo. Os verões são quentes a muito quentes e geralmente secos, enquanto os invernos são amenos e úmidos. Temperaturas abaixo de zero são raras. É uma ilha localizada no Mar Tirreno, ao largo da Península Sorrentina, no lado Sul do Golfo de Nápoles, na região da Campânia, Itália.   

            Felicia Kingsley se formou no Ensino Médio e posteriormente em arquitetura em 2012. Em 2014, ela autopublicou seu primeiro romance, “Becoming a Liar”, e, posteriormente, em 2016, “Matrimonio di Convenienza”, também autopublicado. Este último alcançou o topo das listas de livros digitais e, assim, foi adquirido pela editora romana Newton Compton Editori. Felicia Kingsley chegou, portanto, às prateleiras das livrarias como autora publicada com a nova edição de “Matrimonio di Convenienza” na primavera de 2017, e o romance se tornou o e-book italiano mais lido. No ano seguinte, seus romances “Stronze si Nasce” e “Una Cenerentola a Manhattan” alcançaram o mesmo resultado. Na Itália, ela vendeu mais de 1 milhão de exemplares e seus romances também foram traduzidos para o inglês e o tcheco. Em 2020, no ranking de e-books da Kindle Store, “seus romances ficaram em primeiro e terceiro lugar”. Em 2020, estrategicamente ela decidiu doar os rendimentos de Appuntamento in Terrazzo. Em 2024, ela foi premiada como autora do ano no TikTok Book Awards na Feira do Livro de Turim. No mesmo ano, seu livro Una Conquista Fuori Menù alcançou o topo das listas de best-sellers. Sobre o filme Da Toscana, com Amor (2026) em Belvedere, uma pitoresca cidade toscana onde o amor é a “única moeda” que importa, Elisa, uma “mãe solteira”, deve escolher entre a vida sozinha e Michele, o homem “que pode trazer à tona tudo o que ela tentou esquecer”.  

            Não só na sociologia, mas no conjunto das ciências socais, encontram-se as mais diversas explicações sobre como e por que se dá a mudança social, a evolução genética, o progresso, o desenvolvimento, a modernização, a crise, a recessão, o golpe de classe, a reforma, a revolução social. Para explicar as transformações sociais, em sentido amplo, o sociólogo, antropólogo, economista, politólogo, psicólogo, historiador e outros têm buscado causas, condições, tendências, fatores, indicadores, variáveis, e assim por diante. Ao analisar as condições históricas e sociais de formação, funcionamento, reprodução, generalização, mudança e crise do capitalismo globalizado, os cientistas sociais têm proposto explicações que nem sempre se excluem. Em umas implicam outras, ou as englobam. Em primeiro lugar, uma interpretação sociológica que se generalizou bastante, desde os arquétipos comparados da Revolução Industrial, estabelece que o progresso econômico é o resultado da “criatividade empresarial”. Toda mudança, inovação ou modernização econômica substantiva tende a consumar a capacidade de criação e liderança de empresários imaginosos, inventivos ou mesmo lúdicos, capazes de articular e dinamizar os fatores da produção preexistentes e novos. Essa interpretação tem os seus principais enunciados nos escritos de economistas clássicos, seus discípulos e continuadores no século XIX e XX. Os valores relacionados dos self-made ao capitão de indústria, ao pioneiro, à identidade entre propriedade privada, livre empresa e sociedade aberta, ligam-se à tese de que a criatividade é a base do progresso capitalista.                 

            O imprinting cultural determina à “desatenção seletiva”, que nos faz desconsiderar tudo aquilo que não concorde com as nossas crenças, e o recalque eliminatório, que nos faz recusar toda informação inadequada às nossas convicções, ou toda objeção vinda de fonte técnica considerada ruim. A normalização manifesta-se de maneira repressiva ou intimidatória. Cala os que teriam a tentação de duvidar ou de contestar. A normalização, portanto, com seus subaspectos de conformismo, exerce uma prevenção contra o desvio e elimina-o, se ele se manifesta. Mantém, impõe a norma do que é importante, válido, inadmissível, verdadeiro, errôneo, imbecil, perverso. Indica os limites a não ultrapassar. As palavras que não devem proferir. Os conceitos a desdenhar, as teorias a desprezar. O imprinting assimila a perpetuação dos modos de conhecimento e verdades estabelecidas. Obedece a processos de tribunais: uma cultura produz modos de conhecimento entre os homens dessa própria cultura. Através do seu modo de conhecimento, reproduzem a legitimidade que produz esse conhecimento. As crenças que se impõem são fortalecidas pela fé que as suscitaram. Então, reproduzem não somente os conhecimentos, mas as estruturas e os modos reguladores que determinam a invariância desses conhecimentos. A prova disso, no entanto, ocorre com as anulações de concursos quando não surge o candidato certo. Mas o inegavelmente ridículo é quando operam um parecer contrário.

Sustentando que a carreira do pesquisador não apresenta o desempenho (fálico) estimulado, ultrapassado pela quase “meia verdade”, caraterizada pelo conceito de estigma especificamente propalado por um cientista político estudioso das relações concretas de poder nas instituições. Mas isso não deve mascarar ou anular a originalidade complexa da comunidade/sociedade constituída pela trupe de cientistas, nem as ideias fixas, as obsessões intelectuais, themata, autônomas e dissociadas da estrutura social, que animam ou dispensam a busca específica da verdade objetiva da qual Foucault (2016: 49), com razão, apoiando-se na exterioridade que Magritte nomeia seus quadros infere: “Ceci n`est pas um pipe”, para impor respeito à denominação. Nesse espaço quebrado e à deriva, que exige respeito, estranhas relações se tecem, intrusões se produzem, bruscas invasões destrutoras, quedas de imagens em meios às palavras, fulgores verbais que atravessam os desenhos e fazem-no voar em pedaços. Pacientemente, Paul Klee (1879-1940) constrói um espaço sem nome nem geometria, entrecruzando a cadeia dos signos e a trama das figuras. Magritte, quanto a ele, mina em segredo um espaço que parece mante na disposição tradicional. Mas ele o cava com palavras: e a velha pirâmide da perspectiva está carcomida em seu secreto mórbido está aponto de ruir, a sair de si própria e isolar-se. 

A arte da conversa, segundo Foucault cotidianamente, “é a gravitação autônoma das coisas que fizeram suas próprias palavras na indiferença dos homens, impondo-a a eles, sem mesmo que eles o saibam, em sua tagarelice cotidiana”. Destino turístico in statu nascendi da República Romana, é reconhecida por sua beleza natural, sítios históricos e indústria do turismo. A ilha caracteriza-se pela sua paisagem acidentada de calcário, pelos faraglioni arqueologicamente rochas rochosas no mar, pelas grutas costeiras, incluindo a famosa Gruta Azul, e pelas altas falésias com vista para o mar. Entre os seus pontos de interesse, destacam-se os portos de Marina Grande e Marina Piccola, o miradouro panorâmico de Tragara, as ruínas de vilas imperiais romanas, como a Villa Jovis, e as cidades de Capri e Anacapri, esta última situada nas encostas do Monte Solaro, o ponto mais alto da ilha. Evidências arqueológicas indicam a presença humana em Capri desde o Neolítico e a Idade do Bronze. O historiador romano Suetônio relata que, quando trabalhadores escavaram os alicerces da vila do Imperador Augusto, descobriram ossos gigantes e armas de pedra, que Augusto exibiu em sua residência, o Palazzo a Mare. Análises modernas sugerem que estes podem ter sido fósseis de grandes mamíferos extintos. O poeta romano Virgílio, na Eneida, referiu-se à ilha como sendo habitada por colonos gregos das Ilhas Jônicas. Estrabão observou que Capri tinha duas cidades, posteriormente reduzidas a uma. O imperador Augusto desenvolveu Capri como resort privado, construindo vilas, templos e aquedutos, e jardins. Seu sucessor, Tibério, construiu doze vilas na ilha, segundo Tácito.

A mais famosa, a Villa Jovis, é uma das vilas romanas melhor preservadas da Itália. Em 27 d.C., Tibério mudou-se para Capri, governando o Império Romano a partir da ilha até sua morte em 37 d.C. Em 182, o imperador Cômodo exilou sua irmã Lucila para Capri, onde ela foi posteriormente executada. Após a queda do Império Romano do Ocidente, Capri ficou sob o controle do Ducado de Nápoles. A ilha sofreu ataques de piratas e sarracenos. Em 866, o Imperador Luís II concedeu a ilha ao Ducado de Amalfi. Em 987, o Papa João XV estabeleceu a Diocese de Capri, inicialmente como sufragânea da Arquidiocese de Amalfi. Capri permaneceu uma diocese até 1818, quando foi absorvida pela Arquidiocese de Sorrento. Ao final do conflito pelo reino de Nápoles entre Luís II de Anjou e Ladislau, o forte de Capri, controlado pela guarnição de Luís, foi sitiado pelas forças de Ladislau e capturado em julho de 1399. A guarnição francesa escapou da morte juntando-se aos navios do marechal Boucicaut (1366-1421) que passavam a caminho de lutar contra os turcos no Mar Egeu. Em 1496, o rei Frederico IV de Nápoles estabeleceu a paridade entre os assentamentos de Capri e Anacapri. Os ataques de piratas aumetaram durante o século XVI; os almirantes Barbarossa Hayreddin Pasha e Turgut Reis conquistaram a ilha para o Império Otomano em 1535 e 1553.

O antiquário francês Jean-Jacques Bouchard (1606-1641) visitou o local no século XVII e é considerado um dos pioneiros turistas modernos; seu diário oferece informações valiosas. Durante as Guerras Napoleônicas, as tropas francesas ocuparam Capri em janeiro de 1806, mas foram expulsas pelos britânicos a seguir em maio. A Grã-Bretanha estabeleceu base naval, mas causou danos a sítios arqueológicos durante a construção. Os franceses recapturaram a ilha em 1808 e a mantiveram até 1815, quando foi devolvida ao Reino Bourbon de Nápoles. No século XIX, o naturalista Ignazio Cerio (1841-1921) catalogou a flora e a fauna da ilha. Seu trabalho foi continuado por seu filho, Edwin Cerio, um escritor e engenheiro conhecido por seus escritos sobre a vida em Capri. A partir do final do século XIX, Capri tornou-se um resort mais popular para artistas, escritores e expatriados europeus. Figuras notáveis ​​que viveram ou passaram um tempo significativo na ilha incluem John Ellingham Brooks, Somerset Maugham, Norman Douglas, Jacques d`Adelswärd-Fersen, Christian Wilhelm Allers, Emil von Behring, Axel Munthe, Louis Coatalen, Maximo Gorky, Oscar Wilde (brevemente), Compton Mackenzie, Romaine Brooks, Dame Gracie Fields e Lenin hospedado por Gorky em 1908. A Rainha Vitória de Baden era uma visitante frequente. O industrial Friedrich Alfred Krupp financiou trabalhos arqueológicos, mas “abandonou o projeto após um escândalo envolvendo acusações de orgias homossexuais”.

Todavia, Capri continua um importante destino turístico, popular durante os meses de verão, atraindo visitantes da Itália e do exterior. Uma vez que a razão sozinha não pode produzir nenhuma ação nem gerar volição, inferimos que essa mesma faculdade é igualmente incapaz de impedir uma volição ou de disputar nossa preferência com qualquer paixão ou emoção. Essa é uma consequência exatamente necessária. A única possibilidade de a razão ter esse efeito de impedir a volição seria conferido um impulso em direção contrária à de nossa paixão; e esse impulso, se operasse isoladamente, teria sido capaz de produzir a volição. Nada pode se opor ao impulso da paixão, ou retardá-lo, senão um impulso contrário; e para que esse impulso contrário pudesse alguma vez resultar da razão, esta última faculdade teria de exercer uma influência original sobre a vontade e ser capaz de causar, bem como de impedir, qualquer ato volitivo. Mas se a razão não possui influência original, é impossível que possa fazer frente a um princípio dessa eficácia (simbólica) ou que possa manter a mente em suspenso (abstrata) por um instante sequer. Quando nos referimos ao combate entre paixão e razão, lembra Hume, “a razão é e deve ser, apenas a escrava das paixões, e não pode aspirar a outra função além de servir e obedecer a elas”. 

A razão, querendo extinguir as paixões, torna-se per se, singularmente a paixão de si própria. Uma paixão é uma existência original ou, uma modificação de existência; não contém nenhuma qualidade representativa que a torne cópia de outra existência ou modificação. A princípio o que pode se pensar sobre esse ponto é que, uma vez que nada pode ser contrário à verdade ou à razão exceto o que se refira a ela de alguma maneira, e uma vez que somente os juízos de nosso entendimento o fazem, deve-se seguir que as paixões só podem ser contrárias à razão enquanto estiverem acompanhadas de algum juízo ou opinião. De acordo com esse princípio, que é tão evidente e natural, um afeto só pode ser dito contrário á razão em dois sentidos. Primeiro, quando uma paixão, como a esperança ou o medo, a tristeza ou a alegria, o desespero ou a confiança, está fundada na suposição da existência de objetos que existem realmente. Segundo, quando, ao agirmos movidos por uma paixão, escolhemos meios insuficientes para o fim pretendido, e nos enganamos em juízos de causas e efeitos. Quando uma paixão não está fundada em falsas suposições, nem escolhe meios insuficientes para sua finalidade objetivamente, o entendimento não pode justifica-la, e muito menos nem condená-la. Não é contrário à razão, diz David Hume (1711-1776), eu preferir a destruição do mundo inteiro a um arranhão em meu dedo.

Não é contrário à razão que eu escolha minha total destruição só para evitar o menor desconforto de um índio ou de uma pessoa que me inteiramente desconhecida. Tampouco é contrário à razão eu preferir aquilo que reconheço ser para mim um bem menor a um bem maior, ou sentir uma afeição mais forte pelo primeiro que pelo segundo. Um bem trivial imaterial pode, graças a certas circunstâncias, produzir um desejo superior ao que resulta do prazer mais intenso e valioso. Uma paixão tem de ser acompanhada de algum juízo falso para ser contrária à razão; e de fato, não é propriamente a paixão que é contrária à razão, mas o juízo. As consequências disso são evidentes, pois é impossível que razão e paixão possam se opor mutuamente ou disputar o controle da vontade e das ações. Assim que percebemos a falsidade de uma suposição ou a insuficiência de certos meios, nossas paixões cedem à nossa razão e sem nenhuma oposição. Enfim, é por isso que toda ação da mente que opera com a mesma calma e tranquilidade é confundida com a razão por todos aqueles que julgam as coisas por seu primeiro aspecto e aparência. Quando alguma dessas paixões é calma e não causa nenhuma desordem na alma, é facilmente confundida com as determinações da razão, e supomos que procede da mesma faculdade que a que julga sobre a verdade a falsidade. Supomos que sua natureza e princípios são os mesmos porque suas sensações não são evidentemente diferentes. 

Bibliografia Geral Consultada.

FORACCHI, Marialice Mencarini, A Juventude na Sociedade Moderna. São Paulo: Editora Pioneira, 1972; REICH, Wilhelm, O Combate Sexual da Juventude. 2ª edição. Lisboa: Editor Antídoto, 1978; GUIMARÃES, Alba Zaluar, Desvendando Máscaras Sociais. 2ª edição. Rio de Janeiro: Francisco Alves Editora, 1980; LÉVI-STRAUSS, Claude, As Estruturas Elementares do Parentesco. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 1982; DURHAM, Eunice Ribeiro, “Família e Reprodução Humana”. In: Perspectivas Antropológicas da Mulher. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 1983, vol.3, pp. 13-44; LALANDE, Denis, Jean II le Meingre, dit Boucicaut (1366-1421). Étude d`une Biographie Héroïque. Genebra: Librairie Droz, 1988; DEJOURS, Christophe, O Corpo entre a Biologia e a Psicanálise. São Paulo: Editora Artes Médicas, 1988; WATZLAWICK, Paul (Org.), L’Invention de la Réalité. Comment Savons-Nous Ce Que Nous Savons? Contributions au Constructivisme. Paris: Editeur Seuil, 1988; SARTI, Cynthia Andersen, “Contribuições da Antropologia para o Estudo da Família”. In: Psicol. USP vol.3 n°.1-2. São Paulo, 1992; SIMMEL, Georg, “O Papel do Dinheiro nas Relações entre os Sexos - Fragmento de uma Filosofia do Dinheiro”. In: Filosofia do Amor. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1993; pp. 41-65; Idem, El Individuo y la Libertad: Ensayos de Crítica de la Cultura. Barcelona: Ediciones Península, 2001; CARNEIRO, Beatriz. “Sexo, Poder e Liberdade”. In: Revista Verve. São Paulo: Nu-Sol, nº17, 2010; JUNQUEIRA, Flávia, A Teatralidade na Vida Cotidiana. Dissertação de Mestrado. Escola de Comunicações e Artes. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2014; LELOUP, Jean-Yves, Une Danse Immobile. Paris: Éditions Du Relie, 2015; FOUCAULT, Michel, Isto não é um cachimbo. 7ª edição. Sã Paulo: Editora Paz e Terra, 2016; SPEZZARIA, Mario, A Linha Metafísica do Belo. Estética e Antropologia em K. P. Moritz. Tese de Doutorado. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2017; Artigo: “Felicia Kingsley, a arquiteta de Capri que só faz best-sellers”. In: jornal La Repubblica, 16 de novembro de 2022; MACHADO, Fernando, “Romance italiano no Prime Vídeo vai te fazer querer comprar passagem só de ida para a Toscana”. Disponível em: https://www.revistabula.com/08/05/2026; entre outros.

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