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sexta-feira, 6 de março de 2026

Armas na Mesa – Lobby, Ideologia & Suicídio Profissional Americano.

                    Lobby é questão de prever, de antecipar os movimentos de seus oponentes”. Miss Sloane   

       

Jessica Michelle Chastain nasceu em 24 de março de 1977, em Sacramento, Califórnia, filha de Jerri Renee Hastey (nascida Chastain) e do músico de rock Michael Monasterio. Seus pais eram adolescentes quando ela nasceu. Chastain reluta em discutir publicamente sua história familiar. Ela estava afastada de Monasterio, que morreu em 2013, e afirmou que nenhum pai consta em sua certidão de nascimento. Chastain tem duas irmãs e dois irmãos. Sua irmã mais nova, Juliet, morreu por suicídio em 2003, após anos de dependência química. Chastain foi criada em Sacramento por sua mãe e seu padrasto, Michael Hastey, um bombeiro. Sua família enfrentava dificuldades financeiras. Chastain disse que seu padrasto foi a primeira pessoa a fazê-la se sentir segura. Ela tem um forte laço com sua avó materna, Marilyn, e a considera alguém que “sempre acreditou em mim”. Chastain desenvolveu interesse pela atuação aos sete anos, depois que sua avó a levou a uma produção de José e o Incrível Manto Tecnicolor. Ela costumava apresentar peças amadoras com outras crianças e se considerava sua diretora artística. Como aluna da El Camino Fundamental High School em Sacramento, Estados Unidos da América, Chastain teve dificuldades acadêmicas. Ela era solitária e se considerava uma “desajustada na escola”, eventualmente encontrando uma válvula de escape nas artes cênicas. Ela descreveu como costumava faltar às aulas para ler Shakespeare, cujas peças a encantaram depois de participar do Festival Shakespeare de Oregon com seus colegas. 

Com muitas faltas escolares durante seu último ano do Ensino Médio, Chastain não se qualificou para a formatura, mas oportunamente obteve diploma para adultos. Ela frequentou o Sacramento City College de 1996 a 1997, período em que foi membro da equipe de debates da instituição. Ao descrever sua infância, ela recordou: - Eu cresci com uma mãe solteira que trabalhava muito para colocar comida na nossa mesa. Não tínhamos dinheiro. Havia muitas noites em que tínhamos que ir dormir sem comer. Foi uma criação muito difícil. As coisas não foram fáceis para mim enquanto crescia. Em 1998, Chastain concluiu seus estudos in statu nascendi na American Academy of Dramatic Arts e sua estreia nos palcos como Julieta em uma produção de Romeu e Julieta encenada pela Theatre Works, uma companhia da região da Baía de São Francisco. A produção a levou a fazer um teste para a Juilliard School, em Nova York, onde foi logo aceita e recebeu uma bolsa de estudos financiada pelo ator Robin Williams (1951-2014). Em seu primeiro ano na escola, Chastain sofreu de ansiedade e temia ser desligada, passando a maior parte do tempo lendo e assistindo a filmes. Mais tarde, ela comentou que sua participação em uma produção bem-sucedida de A Gaivota, durante seu segundo ano, ajudou a construir sua confiança. É uma peça de teatro do dramaturgo russo Anton Tchekhov (1860-1904). Ela se formou na escola com um diploma de Bacharel em Belas Artes em 2003. Em 2025, curiosamente, Chastain anunciou que estava matriculada em um programa de Mestrado em Administração Pública “de meio de carreira” na Harvard Kennedy School. 

Jessica Michelle Chastain é uma atriz e produtora norte-americana. Reconhecida principalmente por estrelar projetos com temas feministas, ela recebeu vários prêmios, incluindo um Oscar e um Globo de Ouro, além de indicações ao Primetime Emmy Award, dois Tony Awards e dois BAFTA. O feminismo alterou principalmente as perspectivas predominantes em diversas áreas da sociedade ocidental, que vão da cultura ao direito. As ativistas femininas fizeram campanhas pelos direitos legais das mulheres: direitos de contrato, direitos de propriedade, direitos ao voto, pelo direito da mulher à sua autonomia e à integridade de seu corpo, pelos direitos ao aborto e pelos direitos reprodutivos, incluindo o acesso à contracepção e a cuidados pré-natais de qualidade, pela proteção de mulheres e garotas contra a violência doméstica, o assédio sexual e o estupro, pelos direitos trabalhistas, incluindo a licença-maternidade e salários iguais, e todas as outras formas de discriminação. A revista Time a nomeou uma das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2012. Chastain desenvolveu interesse pela atuação desde cedo e fez sua estreia profissional nos palcos em 1998 como Julieta, de Shakespeare. Após estudar atuação na Juilliard School, trabalhou na televisão e no teatro. Depois de estrear no cinema aos 31 anos no drama Jolene (2008), Chastain alcançou o sucesso com seis filmes lançados, incluindo os dramas Take Shelter (2011) e A Árvore da Vida (2011).                                 


Ela recebeu indicações ao Oscar por interpretar uma aspirante a socialite no drama de época Histórias Cruzadas (2011) e uma analista da Central Intelligence Agency (CIA) no thriller A Hora Mais Escura (2012). O maior sucesso comercial veio com os filmes de ficção científica: Interestelar (2014) e Perdido em Marte (2015), e o filme de terror It: Capítulo Dois (2019). Chastain recebeu ainda mais aclamação por interpretar mulheres de personalidade forte nos dramas Um Ano Muito Violento (2014), Miss Sloane (2016) e A Grande Jogada (2017), e na minissérie de televisão Cenas de um Casamento (2021). Ela passou a interpretar Tammy Faye Bakker na cinebiografia Os Olhos de Tammy Faye (2021), ganhando o Oscar de Melhor Atriz, e Tammy Wynette na minissérie George & Tammy (2022). Na Broadway, Chastain estrelou remontagens de “The Heiress” (2012) e “A Doll`s House” (2023). Esta lhe rendeu uma indicação ao Prêmio Tony de Melhor Atriz em Peça. Ela é fundadora da produtora Freckle Films, criada para promover a diversidade no cinema, e investidora do clube de futebol Angel City FC. É um clube de futebol feminino americano, com sede no BMO Stadium, localizado no bairro de Exposition Park, em Los Angeles, Califórnia. O clube, cuja criação foi anunciada em julho de 2020, juntou-se à Liga Nacional de Futebol Feminino em 2022. Tornou-se assim a 12ª equipe neste campeonato. 

Este é o primeiro time profissional de futebol feminino na área de Los Angeles desde o Sol de Los Angeles, que jogou no Futebol Profissional Feminino até 2010. Chastain se manifesta sobre questões de saúde mental, bem como sobre igualdade de gênero e racial. Ela é casada com o executivo de moda Gian Luca Passi de Preposulo e eles têm dois filhos. Miss Sloane tem como representação social um filme norte-americano de suspense político de 2016, dirigido por John Madden e escrito por Jonathan Perera, o filme é estrelado por Jessica Chastain no papel principal, o de uma lobista do bem, disposta a tudo para aprovar uma lei que limite o porte de armas de fogo. O filme também é estrelado por Mark Strong, Gugu Mbatha-Raw, Michael Stuhlbarg, Alison Pill, Jake Lacy, John Lithgow e Sam Waterston. A trama sociológica na esfera do poder acompanha Elizabeth Sloane, representando uma lobista incansável que “luta para aprovar leis de controle de armas”. O filme teve sua estreia mundial em 11 de novembro de 2016, no AFI Fest, e iniciou um lançamento limitado nos cinemas dos Estados Unidos da América em 25 de novembro de 2016, pela EuropaCorp, antes de expandir para um lançamento mais amplo em 9 de dezembro de 2016. Foi lançado na França em 8 de março de 2017. 

Recebeu críticas geralmente positivas, com a atuação extraordinária de “suicídio profissional” de Jessica Chastain muito elogiada. Miss Sloane arrecadou US$ 3,5 milhões nos Estados Unidos e Canadá e US$ 5,6 milhões em outros territórios, totalizando US$ 9,1 milhões em todo o mundo. O filme começou seu lançamento cinematográfico junto com as estreias de Office Christmas Party (2016) e The Bounce Back (2016), e a ampla expansão de Nocturnal Animals (2016). O filme foi projetado para arrecadar de US$ 2 a 4 milhões em seu fim de semana de estreia, mas acabou faturando US$ 1,73 milhão, em 11º lugar nas bilheterias. Elizabeth Sloane representa uma lobista implacável e viciada em trabalho que foi convocada a depor perante o senador Ronald Sperling em uma audiência no Congresso para responder a perguntas sobre possíveis violações das regras de ética do Senado durante seu período na empresa de lobby Cole Kravitz & Waterman, em Washington, D.C. Três meses e uma semana antes, a empresa de Sloane foi abordada por Bill Sanford, representante de fabricantes de armas, para liderar a oposição ao projeto de lei Heaton-Harris, que ampliaria a verificação de antecedentes na compra de armas, visando especificamente eleitoras. Sloane ridicularizou a ideia de Sanford e, posteriormente, foi procurada por Rodolfo Schmidt, chefe da empresa de lobby rival Peterson Wyatt, para liderar o movimento em apoio ao projeto. Sloane aceitou e levou consigo a maior parte de sua equipe, embora sua associada mais próxima, Jane Molloy, se recusasse a partir.

    

Na Peterson Wyatt, Sloane escolhe Esme Manucharian para conduzir a maioria das aparições da empresa na mídia, e eles começam a obter progressos significativos na conquista de votos para o projeto de lei. Sloane confronta Esme revelando que ela sobreviveu a “um tiroteio em uma escola”. Mesmo que Esme não queira divulgar a informação, Sloane revela o segredo dela durante um debate televisionado ao vivo. Mais tarde Esme é assaltada à mão armada ao sair de seu escritório. Mas seu agressor é morto a tiros por outro civil que portava uma arma legalmente. Os defensores do direito ao porte de armas capitalizam sobre esse evento, o que faz com que o projeto de lei Heaton-Harris perca apoio no Senado. Isso é agravado pela notícia da investigação do Senado sobre as práticas de lobby de Sloane. Retornando à audiência no Congresso, o Senador Sperling apresenta um formulário solicitando aprovação para viagem ao exterior de um Senador. O formulário foi preenchido por uma organização sem fins lucrativos, mas com a suposta caligrafia de Sloane, indicando que ela violou as normas de ética do Senado ao se envolver, como lobista, na organização da viagem dos congressistas. Em resposta a outras perguntas, Sloane jura sob juramento que “nunca praticou escutas telefônicas ilegais”.            

Em sua declaração final na audiência, Sloane admite que previa que a oposição poderia atacá-la pessoalmente caso o escritório Peterson Wyatt fizesse muito progresso com o projeto de lei Heaton-Harris que prevê maior rigor na legislação, visando uma política de controle de armas. Ela revela que tinha alguém (Molloy, seu ex-assistente) trabalhando secretamente para ela e que utilizou uma escuta telefônica – que gravou o senador Sperling aceitando subornos de seu ex-chefe, George Dupont. Dez meses depois, Sloane recebe a visita de seu advogado na prisão. O projeto de lei foi aprovado, Dupont e Sperling estão sob investigação, e ele solicitou sua libertação antecipada. Ele pergunta estrategicamente se valeu a pena o suicídio profissional, e ela responde: melhor do que suicídio profissional. A política de armas, na esfera política, uma área da política norte-americana definida por duas ideologias opostas primárias sobre a posse de armas civis. A ideologia é a relação imaginária do homem sobre suas condições reais de existência. As pessoas em geral que defendem o controle de armas apoiam o aumento das regulamentações relacionadas à posse de armas; as pessoas que defendem os direitos das armas apoiam a diminuição dos regulamentos relacionados à propriedade das armas. Esses grupos frequentemente discordam da interpretação de leis e processos judiciais relacionados a armas de fogo, bem como dos efeitos do regulamento sobre armas de fogo no crime e na segurança pública. 

Uma arma de fogo é um tipo específico de arma capaz de disparar um ou mais projéteis em série em alta velocidade através da ação pneumática provocada pela expansão de gases resultantes da queima de propelente de alta velocidade. Este processo de queima subsônica é tecnicamente conhecido como deflagração, em oposição a combustão supersônica conhecida como detonação. Em armas de fogo mais antigas, o propulsor era tipicamente a pólvora negra ou a cordite, mas armas de fogo modernas usam a pólvora sem fumaça de base simples ou dupla ou outros propelentes. A maioria das armas de fogo modernas, com a exceção das armas de alma lisa, tem canos raiados com ranhuras internas espiraladas, para dar giro em movimento helicoidal ao projétil visando melhor estabilidade ao voo do mesmo e consequentemente mais precisão a distâncias maiores. A munição, outro elemento distinto da arma, é imprescindível para o funcionamento da arma de fogo. Estima-se que os civis dos Estados Unidos da América possuam estatisticamente 393 milhões de armas de fogo, e que 35% a 42% das famílias no país tenham pelo menos uma arma. A legislação sobre armas, ou não legislação, nos Estados norte-americanos, é aumentada por interpretações judiciais da Constituição. Em 1791, os Estados Unidos adotaram a Segunda Emenda, e em 1868 adotaram a Décima Quarta Emenda. O efeito dessas duas emendas na política de armas foi objeto de decisões históricas da Suprema Corte dos EUA em 2008 e 2010, que mantiveram o direito dos indivíduos de possuir armas para autodefesa. 

Os Estados Unidos da América têm o maior número estimado de armas de fogo per capita, com 120,5 armas para cada 100 pessoas na sociedade norte-americana. A Segunda Emenda da Constituição dos Estados Unidos diz: “Uma milícia bem regulamentada, sendo necessária à segurança de um Estado livre, o direito do povo de manter e portar armas, não será infringida”. Os debates sobre a disponibilidade de armas de fogo e a violência armada nos Estados Unidos foram caracterizados por preocupações sobre o direito de portar armas, como as encontradas na Segunda Emenda à Constituição dos EUA, a responsabilidade do governo dos Estados Unidos de atender às necessidades de seus cidadãos e para prevenir crimes e mortes. Os partidários do regulamento de armas de fogo dizem que os direitos indiscriminados ou irrestritos às armas inibem o governo de cumprir essa responsabilidade e causam problemas de segurança. Os defensores dos direitos das armas promovem armas de fogo exatamente para autodefesa, incluindo segurança contra a tirania, além de atividades sociais de caça e esporte. Os defensores do regulamento de armas de fogo afirmam que restringir e rastrear o acesso às armas resultaria em comunidades mais seguras, enquanto os defensores dos direitos das armas afirmam que o aumento da posse de armas de fogo por cidadãos cumpridores da lei reduz o crime e afirma que os criminosos sempre tiveram acesso fácil a eles de armas de fogo.

Escólio: Jack Allan Abramoff, nascido em 28 de fevereiro de 1959, é um lobista, empresário, produtor de cinema, escritor e criminoso condenado. Ele esteve no centro de uma extensa investigação federal de corrupção, que resultou em sua condenação e na de outras 21 pessoas que se declararam culpadas, ou foram consideradas culpadas, incluindo os funcionários da Casa Branca J. Steven Griles e David Safavian, o representante dos EUA Bob Ney e outros nove lobistas e assessores do Congresso. Abramoff foi presidente do Comitê Nacional Republicano Universitário de 1981 a 1985, membro fundador da International Freedom Foundation, supostamente financiada pelo governo da Era do Apartheid da África do Sul, e atuou no conselho de diretores do National Center for Public Policy Research, um think tank conservador. De 1994 a 2001, foi um dos principais lobistas da empresa Preston Gates & Ellis e, posteriormente, da Greenberg Traurig até março de 2004. Após se declarar culpado no escândalo de lobby de Jack Abramoff contra os nativos americanos e em seus negócios com a SunCruz Casinos em janeiro de 2006, ele foi condenado a seis anos de prisão federal por fraude postal, conspiração para subornar funcionários públicos e evasão fiscal. 

Ele cumpriu 43 meses antes de ser libertado em 3 de dezembro de 2010. Após sua libertação da prisão, ele escreveu o livro autobiográfico Capitol Punishment: The Hard Truth About Washington Corruption From America`s Most Notorious Lobbyist, publicado em novembro de 2011. O lobby de Abramoff e os escândalos e investigações associados a ele foi tema de dois filmes, Casino Jack and the United States of Money, lançado em maio de 2010, e Casino Jack, lançado em 17 de dezembro de 2010, com Kevin Spacey estrelando como Abramoff. Após se formar em Brandeis, Abramoff candidatou-se à presidência do Comitê Nacional Republicano Universitário (CRNC). Após uma campanha que custou mais de US$ 11.000 e foi gerenciada por Grover Norquist, Abramoff venceu a eleição. Sua principal concorrente, Amy Moritz, foi persuadida a desistir; mais tarde, como Amy Ridenour, ela se tornou diretora fundadora do Centro Nacional de Pesquisa de Políticas Públicas e foi presenteada com diversas viagens financiadas por Jack Abramoff quando este era lobista federal. Abramoff “mudou a direção do comitê [universitário] e o tornou mais ativista e conservador do que nunca”, observa o CRNC. – “Não é nosso trabalho buscar a coexistência pacífica com a esquerda”, escreveu Abramoff, segundo o relatório anual do grupo de 1983. - “Nosso trabalho é removê-los do poder permanentemente”. Norquist atuou como executivo do Comitê Nacional dos Republicanos Universitários sob Abramoff, e Abramoff mais tarde recrutou Ralph Reed, um ex-presidente do capítulo dos Republicanos Universitários da Universidade da Geórgia, como estagiário não remunerado. De acordo com o livro de Reed, Active Faith, Reed apresentou Abramoff a Pamela Clarke Alexander, com quem Abramoff se casou.

Em agosto de 1984 como presidente do CRNC, Abramoff discursou na Convenção Nacional Republicana de 1984 em Dallas, que nomeou Ronald Reagan (1911-2004) como candidato do partido para a reeleição presidencial de 1984. Na CRNC, Abramoff desenvolveu alianças políticas com presidentes de capítulos republicanos universitários em todo o país, muitos dos quais ascenderam a cargos importantes na política e nos negócios em nível estadual e nacional, e alguns que posteriormente interagiram com Abramoff em sua função técnica de lobista. Algumas dessas relações estiveram posteriormente no cerne da investigação federal. Na CRNC, Abramoff, Norquist e Reed formaram uma aliança agressiva reconhecida como o “triunvirato Abramoff-Norquist-Reed”. Após a eleição de Abramoff, o trio expurgou os “dissidentes” e reescreveu os estatutos da CRNC para consolidar seu controle sobre a organização. De acordo com a biografia de Nina Easton, Gang of Five (2000), ele “executava as ordens de Abramoff-Norquist com eficiência implacável, sem se preocupar em esconder suas impressões digitais”. Em 1983, o CRNC aprovou uma resolução condenando a “propaganda deliberadamente plantada pela KGB (Komitet Gosudarstvennoy Bezopasnosti), ou Comitê de Segurança do Estado, foi a principal agência de segurança e inteligência da União Soviética, responsável por atividades de contraespionagem, coleta de informações, segurança interna e operações secretas em território estrangeiro e forças soviéticas por procuração” contra o governo da África do Sul, quando o governo do país estava sob críticas mundiais pelo apartheid. Em 1984, Abramoff e outros republicanos universitários formaram a USA Foundation, uma organização não partidária e isenta de impostos, que realizou dois dias de comícios em campi universitários por todo o país para celebrar o primeiro aniversário da invasão americana de Granada.

Em uma carta aos líderes republicanos dos campi na época, Abramoff escreveu: - Embora a Coalizão do Dia da Libertação Estudantil seja apartidária e destinada apenas a fins educacionais, não preciso dizer a vocês o quão importante este projeto é para nossos esforços como Republicanos Universitários. – “Estou confiante de que um estudo imparcial dos contrastes entre o fracasso de Carter/Mondale no Irã e a vitória de Reagan em Granada será muito esclarecedor para os eleitores 12 dias antes da eleição geral”. Em 1985, Abramoff juntou-se à Citizens for America, um grupo pró-Reagan que ajudou Oliver North a angariar apoio para os Contras na Nicarágua. A Citizens for America organizou uma reunião sem precedentes de líderes rebeldes anticomunistas, reconhecida como Internacional Democrática, em Jamba, Angola, que incluiu líderes dos mujahidin afegãos, da UNITA de Angola, dos Contras e de grupos de oposição do Laos. A conferência, em grande parte cerimonial, levou ao desenvolvimento da International Freedom Foundation. Abramoff ajudou a organizar a conferência e participou dela. 

Abramoff deixou posteriormente a Citizens for America quando o principal patrocinador da organização, Lewis Lehrman, um ex-candidato a governador de Nova York, concluiu que Abramoff havia gasto o dinheiro da organização de forma negligente. Em 1986, Reagan nomeou Abramoff para o Conselho Memorial do Holocausto dos Estados Unidos. Segundo o historiador Saul Cornell, quando aprovou algumas das primeiras leis de controle de armas, começando com a lei de Kentucky para “coibir a prática de portar armas escondidas em 1813”. Houve oposição e, como resultado, a correta interpretação individual da Segunda Emenda começou e cresceu em resposta direta a essas leis iniciais de controle de armas, de acordo com esse novo “espírito generalizado de individualismo”. Como observado por Cornell, “ironicamente, o primeiro movimento de controle de armas ajudou a dar origem à primeira ideologia de direitos de armas autoconsciente construída em torno de um direito constitucional de autodefesa individual”. A interpretação individual correta da Segunda Emenda surgiu historicamente pela primeira vez em Bliss v. Commonwealth (1822), que avaliou o direito de portar armas em defesa de si e do Estado, de acordo com a Seção 28 da Segunda Constituição de Kentucky (1799). O direito de portar armas em defesa de si e do Estado foi interpretado como um direito individual, no caso de uma bengala escondida. Este caso foi descrito como “um estatuto que proíbe o transporte de armas ocultas [que] violou a Segunda Emenda”. A primeira decisão do tribunal estadual relevante para a questão do “direito de portar armas” foi Bliss v. Commonwealth

O tribunal de Kentucky sustentou que “o direito dos cidadãos de portar armas em defesa de si mesmos e do Estado deve ser preservado inteiro”. Saul Cornell é o titular da Cátedra Paul e Diane Guenther de História Americana na Universidade Fordham. Ele foi professor de história na Universidade Estadual de Ohio e diretor do Centro de Pesquisa da Segunda Emenda no Instituto John Glenn. Ele recebeu um doutorado da Universidade da Pensilvânia em 1989 e é uma autoridade no pensamento constitucional americano inicial. Ele é o autor de The Other Founders: Anti-Federalism and the Dissenting Tradition in America (1999), pelo qual ganhou o Prêmio Cox de Livro de 2001, e de A Well-Regulated Militia: The Founding Fathers and the Origins of Gun Control in America (2006). Ele também é coautor de muitas outras publicações, incluindo o livro didático Visions of America: A History of the United States (2009). Recentemente, ele escreveu um artigo no Salon sobre o tiroteio de Tucson em 2011 e o controle de armas. Além de escrever livros, ele contribuiu para inúmeros pareceres de amicus curiae em casos judiciais envolvendo a 2ª Emenda. Mais notavelmente, ele é coautor de um parecer de amicus curiae em apoio à proibição de armas de fogo em Washington DC, apresentado em District of Columbia v. Heller, e New York State Rifle & Pistol Association Inc. v. Bruen. Também durante a Era Jacksoniana, surgiu a primeira interpretação do direito coletivo (ou direito do grupo) da Segunda Emenda. Em State v. Buzzard (1842), o tribunal superior do Arkansas adotou um direito político baseado em milícias, lendo o direito de portar armas de acordo com a lei estadual e sustentou a 21ª seção do segundo artigo da Constituição do Arkansas que declarou: “que os homens brancos livres deste Estado terão o direito de manter e portar armas em defesa comum” enquanto rejeitam uma contestação a um estatuto que proíbe a progressão sobre o porte de armas ocultas.

            A Era Jacksoniana durou das eleições de 1828 até a década de 1850, quando a escravidão se tornou o tema central da política estadunidense que acabou precipitando uma violenta guerra civil nos Estados Unidos que mudaria dramaticamente a política no país. As políticas de Andrew Jackson se tornaram populares logo em seguida a era denominada sociologicamente “democracia jeffersoniana”. Quando o Partido Democrata-Republicano dos jeffersonianos começou se fracionar na década de 1820, os apoiadores de Jackson começaram a formar as bases do atual Partido Democrata. Eles combateram os rivais reconhecidos como Partido Adams e os Anti-Jacksonianos, sendo que estas duas facções acabaram se fundindo e criando o Partido Whig. Mais amplamente, o termo “democracia jacksoniana” se popularizou durante a Era do “Sistema de Segundo Partido” (1830-1854) e caracterizou o espírito democrático de seu tempo. Pode ser contrastado com as características da “democracia jeffersoniana”. A política de igualdade de Jackson mirava acabar com o que ele definia como o “monopólio” do governo pelas elites. Jeffersonianos se opunham às elites também, mas favoreciam os homens mais educados e instruídos, enquanto os jacksonianos davam pouco atenção a estes, preferindo o homem comum. Os Whigs eram os herdeiros da democracia jeffersoniana em termos de promover escolas e faculdades. Antes mesmo da Era Jacksoniana começar, o direito a voto (sufrágio) havia sido estendido para todos os cidadãos brancos adultos, algo que os jacksonianos comemoraram. Em contraste com a Era jeffersoniana, a democracia jacksoniana promovia o fortalecimento da presidência e do poder executivo às custas do Congresso, enquanto também tentavam aumentar a participação popular no governo. 

Os jacksonianos exigiam eleições para juízes e reescreveram várias constituições estaduais para refletir seus valores. No âmbito nacional, eles defendiam a expansão territorial, justificando isso nos termos do Destino Manifesto. Havia também um consenso entre os jacksonianos e os Whigs que confrontamento a respeito da questão da escravidão deveria ser evitado. A expansão da democracia de Jackson era limitada a americanos descendentes de europeus e o direito a voto deveria ser apenas de homens brancos adultos. Não havia muito progresso proposto para os afro-americanos, em alguns casos, houve retrocessos. O tribunal superior do Arkansas declarou “que as palavras uma milícia bem regulamentada é necessária para a segurança de um Estado livre e as palavras defesa comum mostram claramente a verdadeira intenção e significado dessas Constituições e provar que é um direito político e não individual e, é claro, que o Estado, em sua capacidade legislativa, tem o direito de regulamentá-lo e controlá-lo: sendo esse o caso, então o povo, nem individual nem coletivamente, tem o direito de manter e portar armas. 

Os influentes Commentaries on the Law of Statutory Crimes (1873), de Joel Prentiss Bishop (1814-1901) adotaram a interpretação baseada na milícia de Buzzard, uma visão que Bishop caracterizou como a “doutrina do Arkansas”, como a visão ortodoxa do direito de portar armas na lei americana. Os dois primeiros casos de tribunais estaduais, Bliss e Buzzard, estabeleceram a dicotomia fundamental na interpretação da Segunda Emenda, isto é, se ela garantiu um direito individual versus um direito coletivo. O cinema feminista, que defende ou ilustra as perspectivas feministas, surgiu em grande parte com o desenvolvimento da filmografia feminista nos anos 1960 e início dos anos 1970. As mulheres foram radicalizadas durante a década de 1960 pelo debate político e pela chamada liberação sexual; mas o fracasso do radicalismo em produzir alterações profundas para as mulheres galvanizou-se para formar grupos de conscientização e começou a analisar, a partir de diferentes perspectivas, a construção do cinema feminista. As diferenças foram particularmente acentuadas entre as feministas de ambos os lados do Atlântico. Em 1972, aconteceram os primeiros festivais de cinema feminista nos Estados Unidos e no Reino Unido, bem como a primeira revista de cinema feminista, a Women and Film. Teóricas deste período incluem Claire Johnston e Laura Mulvey, que também organizaram eventos feministas no Festival Internacional de Cinema de Edimburgo. Entre outras teóricas que tiveram um impacto poderoso no cinema feminista estão Teresa de Lauretis. Argumentou-se que há duas abordagens distintas para o cinema independente e teoricamente inspirado pelo feminismo. Preocupa-se pela “desconstrução”, com uma análise e uma quebra dos códigos do cinema mainstream, com o objetivo de criar uma relação diferente entre o espectador e o cinema dominante.

A segunda abordagem, uma contracultura feminista, encarna a escrita feminina para investigar uma linguagem cinematográfica especificamente feminina. Algumas recentes críticas das abordagens feministas no cinema têm-se centrado em torno de um sistema de classificação sueco chamado teste de Bechdel. Durante o período entre as décadas de 1930 e 1950, o apogeu dos grandes estúdios de Hollywood, a condição social das mulheres na indústria era péssima e, embora muito o cenário tenha melhorado, muitos argumentam que ainda há muito a ser feito nesta área de conhecimento. Dos filmes de arte de Sally Potter, Catherine Breillat, Claire Denis e Jane Campion, até os filmes de ação de Kathryn Ann Bigelow é uma cineasta norte-americana que se tornou a primeira mulher a ganhar um Óscar de melhor direção por The Hurt Locker,  as mulheres agora são muito mais conscientes da diferença social de gênero ainda persistente no mundo cinematográfico. O movimento feminista efetuou mudanças na sociedade ocidental, incluindo o sufrágio feminino; maior acesso à educação; salários mais equitativos com os dos homens; o direito de iniciar o processo de divórcio; o direito da mulher de tomar decisões individuais relativas à gravidez incluindo o acesso aos contraceptivos e ao aborto; e o direito de propriedade. A partir da década de 1960, a campanha pelos direitos das mulheres foi recebida com resultados mistos nos Estados Unidos e no Reino Unido.

 Outros países da Comunidade Econômica Europeia (CEE) concordaram em garantir que leis discriminatórias seriam suprimidas em toda a Comunidade Europeia. Algumas campanhas feministas também ajudaram a promover atitudes de reforma para o abuso sexual infantil. A visão de que as moças levam os homens a ter relações sexuais com elas foram substituídas pela responsabilidade dos homens pelo seu próprio comportamento, caso os homens fossem adultos. Nos Estados Unidos, a Organização Nacional das Mulheres começou em 1966 para ajudar a conquistar a igualdade das mulheres, nomeadamente através da Emenda de Direitos Iguais, que não foi aprovada, apesar de alguns estados terem promulgado suas próprias leis sobre o tema. Os direitos reprodutivos em nos Estados Unidos centraram-se na decisão judicial no caso Roe v. Wade`, enunciando o direito da mulher de escolher se quer levar uma gravidez até o fim. As mulheres ocidentais ganharam o um controle de natalidade mais confiável, o que permitiu o planejamento familiar e de suas carreiras profissionais. Nos Estados Unidos, o movimento começou na década de 1910 sob Margaret Sanger (1879-1966) e em outros lugares sob Marie Stopes (1880-1958). Nas últimas três décadas do século XX, as mulheres ocidentais conquistaram uma nova liberdade através de controle de natalidade, que permitiu às mulheres planejar sua vida adulta, muitas vezes abrindo caminho tanto a carreira quanto para a família. A divisão do trabalho dentro das famílias foi afetada pelo aumento da entrada das mulheres no local de trabalho.

A socióloga Arlie Russell Hochschild uma professora universitária, feminista e socióloga estadunidense descobriu que, em casais onde ambos trabalham, homens e mulheres, em média, gastam quantidades iguais de tempo de trabalho, mas as mulheres ainda gastam mais tempo com o domínio das tarefas domésticas, embora Cathy Young tenha argumentado que as mulheres acabam por evitar a “igualdade de participação dos homens em tarefas domésticas e parentais”.  Judith K. Brown, uma antropóloga norte-americana renomada por suas contribuições pioneiras para a antropologia feminista, particularmente no estudo intercultural dos papéis de gênero, dos percursos de vida das mulheres e da violência doméstica escreve: “as mulheres são mais propensas a fazer uma contribuição substancial quando as atividades de subsistência têm as seguintes características: quando o participante não é obrigado a estar longe de casa; as tarefas são relativamente monótonas e não exigem concentração extasiada; e o trabalho não é perigoso, pode ser realizado, apesar de interrupções, e pode ser facilmente interrompido, uma vez reiniciado”. No direito internacional, a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (1981) é uma convenção internacional adotada pela Assembleia Geral das Nações Unidas e é descrita como uma declaração internacional dos direitos das mulheres. Ela entrou em vigor nos países que a ratificaram.

Os defensores da linguagem de gênero neutro argumentam que a utilidade de uso da linguagem específica de gênero, muitas vezes, implica a superioridade masculina ou reflete um estado desigual da sociedade. A teologia feminista representa um movimento que reexamina as tradições, práticas, escrituras e teologias das religiões a partir de uma perspectiva feminista. Alguns dos objetivos da teologia feminista incluem o aumento do papel das mulheres no clero e nas autoridades religiosas, reinterpretando imagens de dominação masculina e da linguagem sobre Deus, determinando o lugar das mulheres em relação à carreira e da maternidade e estudando imagens de mulheres em textos religiosos considerados sagrados.  As ideias de J. J. Bachofen e Robert Graves, e posteriormente de Walter Burkert, Jane Ellen Harrison, James Mellart, Sir Arthur Evans, Joseph Campbell, Erich Neumann sobre uma religião matriarcal e um período da história da humanidade cuja estrutura social teria sido baseada num determinado matriarcado, foram incorporadas pelo feminismo dos anos 1970 por autores como Merlin Stone (1931-2011), que estudou as estatuetas de Vênus do Paleolítico como evidências de uma religião matriarcal desde a pré-história até as civilizações antigas do politeísmo pré-helênico. Merlin Stone, autora de When God Was a Woman (1976) e Marija Gimbutas (1921-1994) são chamadas com razão de autoras do ramo científico da arqueologia feminista da década de 1970.

A obra The Civilization of the Goddess (1989) tornou-se um trabalho padrão para a teoria de um patriarcado e “androcracia” que teria surgido na Idade do Bronze, substituindo o Neolítico centrado no culto da Deusa mãe. Stone apresenta uma religião matriarcal como envolvendo o culto universal da serpente associado à mulher e como um símbolo fundamental de sabedoria espiritual, fertilidade, vida e força. O feminismo cristão é, last but not least, um ramo da teologia feminista, que procura interpretar e compreender o cristianismo à luz da igualdade de mulheres e homens e que essa interpretação é necessária para uma completa compreensão do cristianismo. Embora não haja um padrão estabelecido de crenças entre as feministas cristãs, a maioria concorda que Deus não discrimina com base em sexo e estão envolvidas em torno de questões como a ordenação de mulheres, a dominação masculina e o equilíbrio da parentalidade no matrimônio cristão, além de reivindicações de deficiência moral, a inferioridade das mulheres em relação aos homens e o tratamento geral das mulheres dentro da igreja cristã.

As feministas islâmicas defendem os direitos das mulheres, igualdade de gênero e a justiça social fundamentada dentro de uma estrutura secular islâmica. Os defensores pretendem evidenciar os ensinamentos profundamente enraizados de igualdade no Alcorão e incentivar um questionamento da interpretação patriarcal do ensinamento islâmico através do Alcorão, hadith (ditos de Maomé) e da sharia (lei) para a criação de uma sociedade mais igualitária e justa. Embora enraizada no islamismo, os pioneiros do movimento utilizaram discursos feministas seculares e ocidentais e reconhecem o papel do feminismo islâmico como do movimento feminista global integrado. O feminismo judaico é um movimento que visa melhorar o estado religioso, jurídico e social das mulheres dentro do judaísmo e para abrir novas oportunidades para a experiência religiosa e liderança para as mulheres judias. As principais questões para as feministas judias no início desses movimentos foram a exclusão do grupo de oração apenas para homens, a incapacidade das mulheres para serem testemunhas e o divórcio. O feminismo ateísta tem se engajado na crítica feminista da religião, argumentando que muitas religiões têm regras opressivas em relação às mulheres e temas e elementos misóginos em textos religiosos.

Bibliografia Geral Consultada.

LOWI, Theodore, The End of Liberalism. The Second Republic of the United States. 2ª edição. Nova York: Editor W.W. Norton, 1979; BLUMER, Herbert, Filmes e Conduta. Nova York: Maximillan Editor, 1983; SCHEIBE, Karl, Self Studies. The Psychology of Self and Identity. London: Praeger, 1985; LEMOS, Roberto Jenkins, Lobby: Direito Democrático. São Paulo: Editor Sagra, 1988; ELIAS, Norbert, El Proceso de la Civilización: Investigaciones Sociogenéticas Y Psicogenéticas. 2ª edición. México: Fondo de Cultura Económica, 1989; SCOTT, Joan, Gender and the Politics of History. New York: Columbia University Press, 1989; DENZIN, Norman, A Sociedade Cinematográfica. Londres: Editor Sage, 1995; GRAZIANO, Luigi, Lobbying Pluralismo Democrazia. Roma: La Nuova Italia Scientifica, 1995; ADAMS, Les, The Second Amendment Primer. A Citizen`s Guidebook to the History, Sources, and Authorities for the Constitutional Guarantee of the Right to Keep and Bear Arms. Birmingham: Odysseus Editions, 1996; DAVIS, William, Brothers in Arms. The Lives and Experiences of the Men who Fought the Civil War - In their Own Words. Nova York: Salamander Books, 2000; TODOROV, Tzvetan, Los Abusos de la Memoria. Barcelona: Paidós Asterisco, 2000; BAILYN, Bernard, As Origens Ideológicas da Revolução Americana. Bauru (SP): EDUSC, 2003; HANSON, Helen, Hollywood Heroines: Women in Film Noir and the Femme Gothic Film. New York: I.B Tauris & Co, 2007; WINKLER, Adam, Gunfight: The Battle Over the Right to Bear Arms in America. Nova York: W. W. Norton & Company, 2011; CALMON, Renata Rocha, Regulamentação do Lobby e Accountability. Instituto de Ciência Política. Brasília: Universidade de Brasília, 2017; BISCARO, Matheus Pinto, Encurralado: Um Conto sobre a Paranoia, a Máquina e a Masculinidade na Hollywood dos anos de 1970. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais. Escola de Comunicações e Artes. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2023; MACÊDO, Marcelle Maciel da Veiga, Facetas Paradoxais do Consumo: Mal-estar e Felicidade. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Psicanálise. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2024; BARROS, Alexandre de, “Quando a Guerra Mudou a História e a Linguagem do Cinema”. In: https://soumaispop.com.br/2026/01/18/; entre outros.

sexta-feira, 4 de julho de 2025

Sorriso de Mona Lisa – Cinema, Literatura & Enamoramento de Juventude.

                          A arte é a mentira que nos permite conhecer a verdade”. Pablo Picasso 

       

          Juventude (Youth) representou o título de um filme do diretor italiano Paolo Sorrentino, que narrava a história de dois amigos que estão chegando aos 80 anos de idade e enfrentam os dilemas humanos da conflitante passagem entre juventude e finitude da vida. Na metafísica finitude é uma característica dos entes que se modificam ou têm limites. Cada atributo é infinito no seu gênero, isto é, não é limitado pela Substância nem por outros atributos, pois não tem nada em comum com os mesmos. Cada atributo tem infinitos modos. Os modos são finitos ou limitados, pois estão em comunidade com outras coisas do mesmo gênero que eles mesmos. A limitação dos modos é carência de infinitude, ou simplesmente finitude, uma característica das coisas singulares que pertencem a certo atributo da Substância. E finitude significa ser limitado por outras coisas singulares do mesmo atributo. Todos os seres vivos são seres finitos isto quer dizer que todos morremos porque temos um final. A filosofia de Baruch Spinoza tem muito em comum com o estoicismo, mas difere muito da filosofia dos estoicos na medida em que, comparativamente, rejeitou a afirmação de que “a razão pode dominar a emoção”. Pelo contrário, analiticamente defendeu que uma emoção pode ser ultrapassada por uma emoção maior no sentido dialético de superação/conservação. A distinção crucial deriva, entre as emoções ativas e passivas, sendo as primeiras àquelas que são compreendidas sua ratio e as outras as que não o são. Espinosa pretende afirmar a imanência como princípio e retirar a expressão de toda subordinação no que diz respeito a uma causa emanativa ou exemplar. Expressar não é emanar, parecer, imitar ou assemelhar-se. 

          Gilles Deleuze interpreta a substância como singular. O ser é singular, infinito e notável. Ele não é distinto de, ou diferente de qualquer coisa fora de si mesmo, mas distinto em si. A distinção da substância nasce de dentro. Causa sui significa que o ser tanto é infinito quanto definido. Dotado de causalidade eficiente sua diferença é interna a si. A substância é definida por que é diferente em si mesma. Esta autodistinção tem como consequência que o ser não é diferente de qualquer coisa fora do ser, nem é indiferente ou abstrato. A substância única é qualificada, mas não limitada, se tivesse que ser limitada (ou ter número) teria que envolver uma causa externa. A substância é causa de si, o ser é causa material e eficiente de si mesmo. A substância já é real e qualificada (“complicatio”) e não se coloca a questão da determinação por que os atributos preenchem o papel da expressão (“explicatio”). Na definição seis do livro Um da Ética, Espinosa diz que: - “Por Deus eu entendo um ser absolutamente infinito, quer dizer uma substância que consiste em uma infinitude de atributos onde cada um exprime uma essência eterna e infinita”. O amor é sempre uma dinâmica que se gera, Para Simmel (1993) por outro lado, a partir de uma autossuficiência interna, sem dúvida trazida, por seu objeto exterior, do estado latente ao estado atual, mas que não pode ser, propriamente falando, provocada por ele; a alma o possui enquanto realidade última, ou não o possui, e nós não podemos remontar, para além dele, a um dos movens exterior ou interior que, de certa forma, seria mais que sua causa ocasional. 

        É esta a razão mais profunda que torna o procedimento de exigi-lo, a um título legítimo que seja desprovido de sentido. Sequer sua atualização dependa sempre de um objeto, e se aquilo que chamamos de desejo ou necessidade de amor – esse impulso surdo e sem objeto, em particular na juventude, em direção a qualquer coisa a ser amada – já não é amor, que por enquanto só se move em si mesmo, digamos um amor em roda livre. Seguramente, a pulsão em direção a um comportamento poderá ser considerada como o aspecto afetivo do próprio comportamento, ele próprio já iniciado; o fato de nos sentirmos “levados” a uma ação significa que a ação já começou anteriormente e que seu acabamento não é outra coisa que o desenvolvimento ulterior dessas primeiras inervações. Onde, apesar do impulso sentido, não passamos à ação, isso se dá seja porque a energia não basta, de pronto, para ir além desses primeiros elos da ação, seja porque ela é contrariada por forças opostas, antes mesmo que esses primeiros elos já anunciados à consciência tenham podido se prolongar num ato visível. A possibilidade real, a ocasião apriorística desse modo de comportamento originados pela presença humana na vida que chamamos amor, fará surgir se for o caso, à consciência, na oposição dialética, como um sentimento obscuro e geral, um estágio inicial de sua própria realidade, antes mesmo que a ele se some a incitação por um objeto determinado para levá-lo a seu efeito acabado.  

                                                  

A existência desse impulso sem objeto, por assim dizer incessantemente fechado em si, acento premonitório do amor, puro produto do interior e, no entanto, já acento de amor, é a prova mais decisiva em favor da essência central puramente interior do fenômeno amor, muitas vezes dissimulado sob um modo de representação pouco claro, segundo o qual o amor seria uma espécie de surpresa ou de violência vindas do exterior, tendo su símbolo mais pertinente no “filtro do amor”, em vez de uma maneira de ser, de uma modalidade e de uma orientação que a vida como tal toma por si mesma – como se o amor viesse de seu objeto, quando, na realidade, vai em direção a ele. De fato, o amor é o sentimento que, fora dos sentimentos invariáveis religiosos, se liga mais estreita e mais incondicionalmente a seu objeto. À acuidade com a qual ele brota do sujeito corresponde a acuidade igual com que ele se dirige para o objeto. O que é decisivo aqui é que nenhuma instância de caráter geral vem de fato se interpor. Se venero alguém. É pela mediação da qualidade de certo modo geral de venerabilidade que, em sua realidade particular, permanece ligada à imagem desse por tanto tempo quanto eu o venerar. Do mesmo modo, no homem que temo, o caráter terrível e o motivo que o provocou estão intimamente ligados; mesmo o homem que odeio não é, na maioria dos casos separado em minha representação da causa desse ódio – é esta uma das diferenças entre amor e ódio que desmente a assimilação que comumente se faz deles.

Mas o específico do amor é excluir do amor existente a qualidade mediadora de seu objeto, sempre relativamente geral, que provocou o amor por ele. Ele permanece como intenção direta e centralmente dirigida para esse objeto, e revela a sua natureza verdadeira e incomparável nos casos em que sobrevive ao desaparecimento indubitavelmente do que foi sua razão de nascer. Essa constelação, que engloba inúmeros graus, desde a frivolidade até a mais alta intensidade, é vivida segundo o mesmo modelo, seja em relação a uma mulher ou a um objeto, a uma ideia ou a um amigo, à pátria ou a uma divindade. Isso deve ser solidamente estabelecido em primeiro lugar, se quisermos elucidar em sua estrutura seu significado mais restrito, o que se eleva no terreno da sexualidade. A ligeireza com que a opinião corrente alia instinto sexual a amor lança talvez uma das pontes mais enganadoras na paisagem psicológica exageradamente rica em construções desse gênero. Quando, ademais, ela penetra no domínio da psicologia que se dá por científica, temos com demasiada frequência a impressão de que esta última caiu nas mãos de açougueiros. Por outro lado, o que é óbvio, não podemos afastar pura e simplesmente essa relação. Nossa emoção sexual, afirma Simmel, desenrola-se em dois níveis de significação filosófica. Por trás do arrebatamento e do desejo, da realização e do prazer sentidos, diretamente subjetivos, delineia-se, consequência disso tudo, por fim a reprodução da espécie. Pela propagação contínua do plasma germinal, a vida humana corre, concretamente e infinitamente, atravessando todos estágios ou levada por eles de ponta a ponta.                                    

Por mais insuficiente, por mais preso a um estreito simbolismo humano que esteja o conceito de objetivo e de meios em presença da misteriosa realização da vida, devemos qualificar essa emoção sexual de meio de que a vida se serve para a manutenção da espécie, confiando aqui a consecução desse objetivo não mais a um mecanismo (no sentido lato do termo) mas a mediações psíquicas. Enfim, a pulsão, dirigida a princípio, tanto no sentido genérico quanto no sentido hedonista, ao outro sexo enquanto tal, parece ter diferenciado cada vez mais seu objeto, à medida que seus suportes se diferenciavam, até singularizá-lo. Claro, a pulsão não se torna amor pelo simples fato de sua individualização; esta última pode ser refinadamente hedonista, ou instinto vital-teleológico para o parceiro apto a procriar os melhores filhos.  Mas, indubitavelmente, ela cria uma disposição formativa e, por assim dizer, um marco para essa exclusividade que constitui a essência do amor, mesmo quando seu sujeito se volta para uma pluralidade de objetos. Não duvidamos em absoluto que no seio do que se chama “atração dos sexos” constitui-se o primeiro factum, ou, se quiserem, a “prefiguração do amor”. A vida se metamorfoseia também nessa produção, traz sua corrente à altura dessa onda, cuja crista, porém, sobressai livremente acima dela. Se considerarmos o processo social de conhecimento e construção social da vida absolutamente como um dispositivo de meios a serviço desse objetivo - a vida – e se levarmos em conta o significado simplesmente efetivo do amor para a propagação da espécie, então este também é um dos meios que a vida se dá para si e a partir de si. A noção de causa é, na origem, o caso do litígio, depois a ocorrência em que surge um acontecimento. A coisa, de mesma origem, é a questão a tratar. A palavra “ordem” exprime primeiro a fórmula do comando e o resultado ordenado.

O termo “cosmos” designa, primeiro, a organização de um exército, depois da constituição de um Estado, antes de tornar-se a constituição do mundo. A geometria nasceu das necessidades de agrimensura e de irrigação das civilizações agrárias; a aritmética, das necessidades de cálculo das civilizações urbanas. As Leis físicas são uma projeção das Leis jurídicas sobre o Universo. A ideia de um Deus legislador do Universo, em Descartes, desenvolve-se quarenta anos depois da teoria do Soberano Jean Bodin. A Ordem e as Leis da Natureza foram sugeridas à física por Deus, pelo Rei e pelo Estado. Mais recentemente, a energia, conceito-chave da física moderna e de trabalho no momento da primeira revolução industrial. É certo que todos os conceitos científicos extraídos da experiência social se emanciparam e transformaram. Nem por isso se separam totalmente: força, trabalho, energia, ordem, desordem conservam o seu cordão umbilical com a vida comum.  As sociedades científicas multiplicaram-se, depois, no século XIX, a ciência instalou-se na universidade, criando aí os seus departamentos e laboratórios. Em torno de 1840, o termo scientist aparece na Inglaterra, e a ciência profissionaliza-se. No século XX, ela se implantará no coração das empresas industriais”, chamado pelos trabalhadores, coração da fábrica  e depois no aparelho de Estado do ponto de vista da lieeratura marxista de Antônio Gramsci a Louis Althusser. O profissional é alguém que se interroga sobre problemas ligados a “história cumulativa” do capital, antevisto na pena do pensamento revoucionário de Marx, e que se esforçam em resolvê-los com certos métodos, eles mesmos produzidos pela história cumulativa.

        O filme Mona Lisa Smile (2003) tem como representação social um drama norte-americano, produzido pela Revolution Studios e Columbia Pictures em associação com a Red Om Films Productions, dirigido por Mike Cormac Newell um cineasta inglês. Nascido em Hertfordshire, recebeu sua educação na St. Albans School e na Universidade de Cambridge, escrito por Lawrence Konner e Mark Rosenthal e estrelado por Julia Roberts, Kirsten Dunst, Julia Stiles e Maggie Gyllenhaal. O título é uma referência extraordinária à Mona Lisa, a famosa pintura de Leonardo da Vinci (1452-1519), e à canção de mesmo nome, originalmente interpretada por Nat King Cole (1919-1965), que foi regravada por Seal para o filme. Julia Roberts recebeu um recorde de US$ 25 milhões por sua atuação no cinema, o maior valor já recebido por uma atriz naquela década. Em 1953, Katherine Ann Watson, de 30 anos, aceita um cargo de professora de História da Arte no Wellesley College, uma faculdade liberal para mulheres, situada em Wellesley, Massachusetts, que funciona desde 1875, fundada por Henry Fowle Durant e esposa Pauline Fowle Durant. Ela descobre que seus alunos memorizaram o livro e o programa de estudos, introduz a arte moderna e incentiva a discussão sobre o que é arte. Katherine também desafia seus alunos a realizarem mais na vida do que o casamento.

         O amor é sempre uma dinâmica que se gera, Para Simmel (1993) por assim dizer, a partir de uma autossuficiência interna, sem dúvida trazida, por seu objeto exterior, do estado latente ao estado atual, mas que não pode ser, propriamente falando, provocada por ele; a alma o possui enquanto realidade última, ou não o possui, e nós não podemos remontar, para além dele, a um dos movens exterior ou interior que, de certa forma, seria mais que sua causa ocasional. É esta a razão mais profunda que torna o procedimento de exigi-lo, a qualquer título legítimo que seja totalmente desprovido de sentido. Sequer sua atualização dependa sempre de um objeto, e se aquilo que chamamos de desejo ou necessidade de amor – esse impulso surdo e sem objeto, em particular na juventude, em direção a qualquer coisa a ser amada – já não é amor, que por enquanto só se move em si mesmo, digamos um amor em roda livre. Seguramente, a pulsão em direção a um comportamento poderá ser considerada como o aspecto afetivo do próprio comportamento, ele próprio já iniciado; o fato de nos sentirmos “levados” a uma ação significa que a ação já começou anteriormente e que seu acabamento não é outra coisa que o desenvolvimento ulterior dessas primeiras inervações. Onde, apesar do impulso sentido, não passamos à ação, isso se dá seja porque a energia não basta, de pronto, para ir além desses primeiros elos da ação, seja porque ela é contrariada por forças opostas, antes mesmo que esses primeiros elos já anunciados à consciência tenham podido se prolongar num ato visível. A possibilidade real, a ocasião apriorística desse modo de comportamento originados pela presença humana na vida que chamamos amor, fará surgir se for o caso, à consciência, na oposição dialética, como um sentimento obscuro e geral, um estágio inicial de sua própria realidade, antes mesmo que a ele se some a incitação por um objeto determinado para levá-lo a seu efeito socialmente acabado.   

A existência desse impulso sem objeto, por assim dizer incessantemente fechado em si, acento premonitório do amor, puro produto do interior e, no entanto, já acento de amor, é a prova mais decisiva em favor da essência central puramente interior do fenômeno amor, muitas vezes dissimulado sob um modo de representação pouco claro, segundo o qual o amor seria uma espécie de surpresa ou de violência vindas do exterior, tendo su símbolo mais pertinente no “filtro do amor”, em vez de uma maneira de ser, de uma modalidade e de uma orientação que a vida como tal toma por si mesma – como se o amor viesse de seu objeto, quando, na realidade, vai em direção a ele. De fato, o amor é o sentimento que, fora dos sentimentos invariáveis religiosos, se liga mais estreita e mais incondicionalmente a seu objeto. À acuidade com a qual ele brota do sujeito corresponde a acuidade igual com que ele se dirige para o objeto. O que é decisivo aqui é que nenhuma instância de caráter geral vem de fato se interpor. Se venero alguém. É pela mediação da qualidade de certo modo geral de venerabilidade que, em sua realidade particular, permanece ligada à imagem desse por tanto tempo quanto eu o venerar. Do mesmo modo, no homem que temo, o caráter terrível e o motivo que o provocou estão intimamente ligados; mesmo o homem que odeio não é, na maioria dos casos separado em minha representação da causa desse ódio – é esta uma das diferenças entre amor e ódio que desmente a assimilação que comumente se faz deles.  

Mas o específico do amor é excluir do amor existente a qualidade mediadora de seu objeto, sempre relativamente geral, que provocou o amor por ele. Ele permanece como intenção direta e centralmente dirigida para esse objeto, e revela a sua natureza verdadeira e incomparável nos casos sociais em que sobrevive ao desaparecimento indubitavelmente do que foi sua razão de nascer. Essa constelação, que engloba inúmeros graus, desde a frivolidade até a mais alta intensidade, é vivida segundo o mesmo modelo, seja em relação a uma mulher ou a um objeto, a uma ideia ou a um amigo, à pátria ou a uma divindade. Isso deve ser solidamente estabelecido em primeiro lugar, se quisermos elucidar em sua estrutura seu significado mais restrito, o que se eleva no terreno da sexualidade. A ligeireza com que a opinião corrente alia instinto sexual a amor lança talvez uma das pontes mais enganadoras na paisagem psicológica exageradamente rica em construções desse gênero. Quando, ademais, ela penetra no domínio da psicologia que se dá por científica, temos com demasiada frequência a impressão de que esta última caiu nas mãos de açougueiros. Por outro lado, o que é óbvio, não podemos afastar pura e simplesmente essa relação. Nossa emoção sexual, afirma Simmel, desenrola-se em dois níveis de significação. Por trás do arrebatamento e do desejo, da realização e do prazer, diretamente subjetivos, delineia-se, consequência disso tudo, a reprodução da espécie. Pela propagação contínua do plasma germinal, a vida corre per se, atravessando todos estágios ou levada por eles de ponta a ponta.  

Por mais insuficiente, por mais preso a um estreito simbolismo humano que esteja o conceito de objetivo e de meios em presença da misteriosa realização da vida, devemos qualificar essa emoção sexual de meio de que a vida se serve para a manutenção da espécie, confiando aqui a consecução desse objetivo não mais a um mecanismo (no sentido lato do termo) mas a mediações psíquicas. Enfim, a pulsão, dirigida a princípio, tanto no sentido genérico quanto no sentido hedonista, ao outro sexo enquanto tal, parece ter diferenciado cada vez mais seu objeto, à medida que seus suportes se diferenciavam, até singularizá-lo. Claro, a pulsão não se torna amor pelo simples fato de sua individualização; esta última pode ser refinadamente hedonista, ou instinto vital-teleológico para o parceiro apto a procriar os melhores filhos.  Mas, indubitavelmente, ela cria uma disposição formativa e, por assim dizer, um marco para essa exclusividade que constitui a essência do amor, mesmo quando seu sujeito se volta para uma pluralidade de objetos. Não duvidamos em absoluto que no seio do que se chama “atração dos sexos” constitui-se o primeiro factum, ou, se quiserem, a “prefiguração do amor”. A vida se metamorfoseia também nessa produção, traz sua corrente à altura dessa onda, cuja crista, porém, sobressai livremente acima dela. Se considerarmos o processo social de conhecimento e construção social da vida absolutamente como um dispositivo de meios a serviço desse objetivo - a vida – e se levarmos em conta o significado simplesmente efetivo do amor para a propagação da espécie, então este também é um dos meios que a vida se dá para si e a partir de si. A noção de causa é, na origem, o caso do litígio, depois a ocorrência em que surge um acontecimento. A coisa, de mesma origem, é a questão a tratar. A palavra “ordem” exprime primeiro a fórmula do comando e o resultado ordenado.

O termo “cosmos” designa, primeiro, a organização de um exército, depois da constituição de um Estado, antes de tornar-se a constituição do mundo. A geometria nasceu das necessidades de agrimensura e de irrigação das civilizações agrárias; a aritmética, das necessidades de cálculo das civilizações urbanas. As Leis físicas são uma projeção das Leis jurídicas sobre o Universo. A ideia de um Deus legislador do Universo, em Descartes, desenvolve-se quarenta anos depois da teoria do Soberano Jean Bodin. A Ordem e as Leis da Natureza foram sugeridas à física por Deus, pelo Rei e pelo Estado. Mais recentemente, a energia, conceito-chave da física moderna e de trabalho no momento da primeira revolução industrial. É certo que todos os conceitos científicos extraídos da experiência social se emanciparam e transformaram. Nem por isso se separam totalmente: força, trabalho, energia, ordem, desordem conservam o seu cordão umbilical com a vida comum.  As sociedades científicas multiplicaram-se, depois, no século XIX, a ciência instalou-se na universidade, criando aí os seus departamentos e laboratórios. Em torno de 1840, o termo scientist aparece na Inglaterra, e a ciência profissionaliza-se. No século XX, ela se implantará no coração das empresas industriais e depois no aparelho de Estado. O profissional é alguém que se interroga sobre certos problemas ligados a uma “história cumulativa” e que se esforçam em resolvê-los com certos métodos, eles mesmos produzidos pela história cumulativa.

        Julia Fiona Roberts nascida em 28 de outubro de 1967 é uma atriz norte-americana. Reconhecida por seus papéis principais em vários gêneros, ela recebeu diversos prêmios, incluindo um Oscar, um British Academy Film Award e três Globos de Ouro. Ela se tornou reconhecida por interpretar personagens charmosos e relacionáveis ​​em comédias românticas e sucessos de bilheteria, antes de expandir sua carreira para dramas, thrillers e filmes independentes. Os filmes em que ela estrelou arrecadaram coletivamente mais de US$ 3,9 bilhões em todo o mundo, tornando-a uma das estrelas mais lucrativas de Hollywood, enquanto a mídia a apelidou de “Queridinha da América”, ​​em reconhecimento à sua ampla popularidade e carisma dentro e fora das telas. Além de atuar, Roberts dirige a produtora Red Om Films, por meio da qual atuou como produtora executiva de vários projetos em que estrelou, bem como dos quatro primeiros filmes da franquia American Girl (2004-2008). Ela atuou como embaixadora global da Lancôme desde 2009. Ela foi a atriz mais bem paga do mundo durante a maior parte da década de 1990 e a primeira metade da década de 2000.  Ela recebeu honorários sem precedentes de US$ 20 milhões e US$ 25 milhões por seus papéis em Erin Brockovich (2000) e Mona Lisa Smile (2003), objeto de nossa análise respectivamente. Em 2020, o patrimônio líquido de Julia Roberts foi estimado em US$ 250 milhões. A revista People, não por acaso a nomeou a “mulher mais bonita do mundo”, um recorde, cinco vezes.

        Kirsten Caroline Dunst, nascida em 30 de abril de 1982 é uma atriz norte-americana. Estreou como atriz no filme antológico New York Stories (1989) e, desde então, atuou em diversas produções cinematográficas e televisivas. Recebeu diversos prêmios, incluindo indicações ao Oscar, ao Primetime Emmy Award e a quatro Globos de Ouro. Dunst ganhou reconhecimento pela primeira vez por seu papel como a “vampira infantil” Claudia no filme de horror Entrevista com o Vampiro (1994), que lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante. Ela também obteve papéis em sua juventude em Adoráveis ​​Mulheres (1994) e Jumanji (1995). Fez a transição para   papéis principais em filmes adolescentes de 1999, as sátiras Dick e Drop Dead Gorgeous e o drama feminista de Sofia Coppola The Virgin Suicides. Após o papel principal no filme de “cheerleading” Bring It On (2000), ela ganhou maior atenção por seu papel como Mary Jane Watson na trilogia Homem-Aranha de Sam Raimi (2002–2007). Sua carreira progrediu com um papel coadjuvante em Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (2004), seguido por um papel principal na tragicomédia Elizabethtown (2005) de Cameron Crowe e como Maria Antonieta em Maria Antonieta de Coppola (2006). Em 2011, Dunst estrelou como uma recém-casada deprimida no drama Melancholia, de Lars von Trier, que lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz do Festival de Cinema de Cannes. Em 2015, ela interpretou Peggy Blumquist na segunda temporada da série Fargo, da FX, ganhando uma indicação ao Primetime Emmy Award pelo papel. Um papel coadjuvante no filme Hidden Figures (2016) e papéis principais em The Beguiled (2017), de Francis Ford Coppola, e na série de comédia de humor On Becoming a God in Central Florida (2019), pela qual recebeu uma terceira indicação ao extraordinário Globo de Ouro. Dunst ganhou sua quarta indicação ao Globo de Ouro e a primeira ao Oscar por sua atuação no drama psicológico The Power of the Dog (2021). Em 2024, ela caminha ao extremo e estrelou o filme de suspense distópico Civil War.

           Julia O`Hara Stiles nascida em 28 de março de 1981 é uma atriz americana. Stiles começou a atuar aos 11 anos como parte do La MaMa Experimental Theatre Club de Nova York. Sua estreia no cinema ocorreu num pequeno papel aos 15 anos em I Love You, I Love You Not (1996), seguido por um papel principal em Wicked (1998), pelo qual recebeu o prêmio Karlovy Vary Film Festival de Melhor Atriz. Ela ganhou destaque com papéis principais em filmes adolescentes como 10 Things I Hate About You (1999), Down to You (2000) e Save the Last Dance (2001). Seus elogios incluem um Teen Choice Award e dois MTV Movie Awards, bem como indicações ao Golden Globe Award e ao Primetime Emmy Award. Stiles adicionou à sua lista de créditos filmes como The Business of Strangers (2001), Mona Lisa Smile (2003) e The Omen (2006), e se tornou reconhecida do público mundialmente com sua interpretação de Nicky Parsons na franquia Bourne (2002–2016). Seus outros créditos notáveis ​​no cinema incluem Hamlet, State and Main (ambos de 2000), O (2001), A Guy Thing (2002), Carolina (2003), The Prince & Me (2004), Edmond , A Little Trip to Heaven (ambos de 2005), The Cry of the Owl (2009), Silver Linings Playbook (2012), Out of the Dark (2014), Blackway (2015), 11:55 (2016), Hustlers (2019) e Orphan: First Kill (2022). Fora do cinema, Stiles interpretou Lumen Pierce na quinta temporada de Dexter (2010), recebendo indicações ao Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante e ao Primetime Emmy de Melhor Atriz Convidada. De 2012 a 2014, ela apareceu como a personagem-título na webserie Blue, pela qual ganhou dois prêmios IAWTV de Melhor Atriz. De 2017 a 2020, ela estrelou como Georgina Ryland na série Riviera, da Sky Atlantic. Ela estrelou a série The Lake, da Amazon (2022–2023).

            Ruth Maggie Gyllenhaal, nascida em 16 de novembro de 1977, é uma atriz e cineasta norte-americana. Parte da família Gyllenhaal, ela é filha dos cineastas Stephen Gyllenhaal e Naomi Achs, e irmã mais velha do ator Jake Gyllenhaal. Ela tem cinco indicações ao Globo de Ouro com uma vitória, duas indicações ao Oscar e duas indicações ao Emmy. Ela começou sua carreira ainda adolescente, com pequenos papéis em vários filmes de seu pai, e apareceu com seu irmão no thriller Donnie Darko (2001). Ela então apareceu em Adaptação, Confissões de uma Mente Perigosa (ambos de 2002) e O Sorriso de Mona Lisa (2003). Gyllenhaal recebeu elogios por suas atuações principais nos dramas Secretária (2002) e Sherrybaby (2006), cada um dos quais lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro. Ela obteve sucesso comercial no thriller World Trade Center (2006) e recebeu reconhecimento ainda maior por interpretar Rachel Dawes no filme de super-heróis Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008). Por sua atuação como mãe solteira em Crazy Heart (2009), ela recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Posteriormente, estrelou os filmes Nanny McPhee and the Big Bang (2010), Hysteria (2011), Won`t Back Down (2012), White House Down (2013), Frank (2014) e The Kindergarten Teacher (2018). Ela estrelou várias séries de televisão, incluindo a minissérie de suspense político da BBC: The Honourable Woman (2014), que rendeu um Globo de Ouro de Melhor Atriz e indicação ao Primetime Emmy Award.  

Ela também produziu e estrelou a série dramática de época da HBO: The Deuce (2017–2019). Gyllenhaal estreou como roteirista e diretora com o drama psicológico “A Filha Perdida” (2021), pelo qual foi indicada ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado. Ela também atuou em cinco produções teatrais desde 2000, incluindo sua estreia na Broadway em uma remontagem de “The Real Thing”, é uma peça de Tom Stoppard que foi encenada pela primeira vez em 1982. Nascido Tomáš Straussler, Zlín, Checoslováquia, em 3 de julho de 1937 é um dramaturgo e guionista inglês de origem checa. É o responsável pela elaboração de roteiros ou guiões de filmes, programas de televisão, jogos eletrônicos ou HQ/banda desenhada. O roteirista pode criar uma história original ou adaptar uma obra literária já existente, transpondo-a para a linguagem do cinema, televisão etc.  A peça tem como escopo o relacionamento entre Henry e Annie, uma atriz e membro de um grupo que luta para libertar Brodie, “um soldado escocês preso por queimar uma coroa de flores em sua memória durante um protesto”. The Real Thing examina a questão singular da natureza e da honestidade humana e utiliza vários constructos, socialmente falando, incluindo o arquétipo de uso de uma peça dentro de uma peça, para explorar o tema da realidade versus a aparência. Foi descrita como uma das “peças mais populares, duradouras e autobiográficas” de Stoppard.

         Ipso facto, todos os anos, milhares de pessoas buscam o quadro “Mona Lisa”, no Museu do Louvre, em Paris – fazendo da visita à obra de arte um dos programas turísticos mais famosos do mundo ao lado da típica visita à Torre Eiffel. Segundo dados do próprio museu francês, cerca de 80% dos 10 milhões de visitantes do Louvre buscam a pintura de Leonardo da Vinci quando entram no local. A procura é de tal ordem que, em 2024, o presidente francês Emmanuel Macron anunciou que o quadro terá uma área livre somente para ele, em uma parte do Louvre dedicada aos trabalhos de Leonardo Da Vinci, que foi pintor, anatomista, arquiteto, paleontólogo, botânico, escritor, escultor, filósofo, engenheiro, inventor, músico, poeta e urbanista, como trata a Encyclopedia Britannica, especificamente a plataforma de conhecimentos gerais do Reino Unido.  Mas por que mais de cinco séculos depois de ter sido pintada, a Mona Lisa – ou “La Gioconda”, como também é conhecida – segue atraindo tanta atenção? A que se deve sua popularidade? National Geographic traz algumas respostas. Segundo dados estatisticamente do próprio site do Museu do Louvre, o famoso sorriso enigmático de Mona Lisa vem fascinando pessoas de forma intermitente há séculos. Da Vinci pintou “La Gioconda” entre 1503 e 1506, e o retrato imediatamente chamou a atenção do rei francês François 1º, um dos primeiros admiradores da obra, conforme conta a fonte. 

O monarca convidou Da Vinci para ir à França e comprou a pintura dele em 1518, fazendo com que a Mona Lisa entrasse para “as coleções reais exibidas no Louvre depois da Revolução Francesa”. Atualmente, o retrato está pendurado atrás de um vidro protetor à prova de balas e de terremotos, sob temperatura e umidade controladas, e vive sob vigilância 24 horas por dia. - “O enigma sobre o sorriso de Mona Lisa provavelmente decorre da multiplicidade de emoções que podem ser lidas quando se contempla o rosto da mulher retratada”, explica um artigo da "Smithsonian Magazine", a revista do Museu Smithsonian de História Natural, melhor dizendo, uma instituição educacional e de pesquisa administrada pelo governo dos Estados Unidos da América, em um artigo de National Geographic intitulado: “A Mona Lisa está sorrindo? A resposta da ciência para uma das incógnitas mais notáveis da arte”. Nascido como filho “ilegítimo” de um notário Piero da Vinci e de uma camponesa, Caterina, em Vinci, na região da Florença, Leonardo da Vinci foi educado no ateliê do renomado pintor florentino, Verrocchio. Passou a maior parte do início de sua vida profissional a serviço de Ludovico Sforza (Ludovico il Moro), em Milão. Trabalhou posteriormente em Veneza, Roma e Bolonha, e passou seus últimos dias na França, numa casa que lhe foi presenteada pelo rei Francisco I. Leonardo era como até hoje, conhecido principalmente como pintor. Duas de suas obras, a “Mona Lisa” e “A Última Ceia”, estão entre as pinturas mais famosas, mais reproduzidas e mais parodiadas de todos os tempos, e sua fama se compara apenas à “Criação de Adão”, de Michelangelo.  

O desenho do “Homem Vitruviano”, feito por Leonardo, também é tido como um ícone cultural, e foi reproduzido por todas as partes, desde o euro até camisetas. Cerca de quinze de suas pinturas sobrevivera. O número pequeno se deve às suas experiências constantes e que ocorrem frequentemente de formas desastrosas com novas técnicas, além de sua procrastinação crônica. Estas poucas obras, juntamente com seus Cadernos de Anotações que contêm acumulação ordinária de desenhos, diagramas científicos, e pensamentos sobre a natureza da pintura, formam uma contribuição histórica e etnológica às gerações de artistas que só pode ser rivalizada à de seu contemporâneo, Michelangelo. Leonardo é reverenciado pela sua engenhosidade tecnológica. Concebera ideias maquínicas muito à frente de seu tempo, como um protótipo de helicóptero, um tanque de guerra, o uso da energia solar, uma calculadora, o casco duplo nas embarcações, e uma teoria rudimentar das placas tectônicas. Um número relativamente pequeno de seus projetos chegou a ser construído durante sua vida (muitos nem mesmo eram factíveis), mas algumas de suas invenções menores, como uma bobina automática, e um aparelho que testa a resistência à tração de um fio, entraram sem crédito algum para o mundo da indústria. 

Como cientista, foi responsável por grande avanço na representação do conhecimento no âmbito da anatomia, da engenharia civil, da óptica e da hidrodinâmica. O homem representa todo o Universo e nele está consciente. Microcosmo é o Universo do ponto de vista pessoal e subjetivo, por oposição ao macrocosmo: ao Universo do ponto de vista coletivo e objetivo. No Homem encontram-se ambos o universal e o particular, ora na forma de conteúdo, o que é contido, ora na forma de continente, o que contém. O microcosmo é o mundo do homem consciente de si, e o mundo é a medida do homem. Em primeiro lugar, Leonardo era dotado de excepcionais poderes de observação e memória visual típico da Renascença. Era capaz de desenhar os turbilhões da água ou os movimentos velozes de um pássaro com precisão que só seria alcançada novamente com o advento da fotografia serial. Ele, como um grande renascentista, estava absolutamente consciente do extraordinário talento que possuía. Ele considerava o olho como o principal instrumento tanto do pintor como do cientista. – “O olho, do qual se diz ser a janela da alma”, ele escreveu, “é o principal meio pelo qual o senso comum pode mais abundante e magnificamente contemplar as infinitas obras da natureza”. Sua abordagem do conhecimento científico era visual. A pintura é a chave para entender a ciência de Leonardo, como declarou: - “contém em si mesma todas as formas da natureza”. A “teoria das cores” de Leonardo da Vinci representa as formulações históricas contidas em seus escritos e reunidas no livro: “Tratado da Pintura e da Paisagem - Sombra e Luz”. Trata-se das anotações recolhidas pelo artista em anos de observação e é a teoria corrente, um legado para as artes visuais. A cor, elemento fundamental em qualquer processo social de comunicação, merece atenção. A cor é sentida: provoca emoção.

A ciência como um todo é viva para Leonardo. Ele viu os padrões e processos do microcosmo como semelhantes àqueles do microcosmo. Com frequência, desenhou analogias entre a anatomia humana e a estrutura da Terra, como na bela passagem do Códex Leicester – “Poderíamos dizer que a Terra possui uma força vital de crescimento, que sua carne é o solo, seus olhos são os sucessivos estratos de rocha que formam as montanhas; sua cartilagem são as rochas poderosas; seu sangue, os cursos de água. O lago de sangue que se estende em volta do coração é o oceano. Sua respiração é o aumento e a diminuição do sangue na pulsação, assim como na Terra há o fluxo e refluxo dos mares”.  O mundo medieval toma para si a doutrina do microcosmo praticada no mundo antigo. De maneira similar essa doutrina servirá de base textualmente para as ilustrações medievais que versavam de forma complexa sobre a analogia do homem-mundo. A analogia entre microcosmo e macrocosmo remonta a Platão e se tornara bem conhecida na Idade Média e na Renascença, mas Leonardo desembaraçou-a de seu contexto mítico original e tratou-a estritamente como uma teoria científica. 

A principal ferramenta de Leonardo para a representação e análise mental (abstrata) das formas da natureza era a sua extraordinária facilidade para o desenho, que quase sempre correspondia à rapidez de sua visão. Observação e documentação eram fundidas num único ato shakespeariano. Ele usou talento artístico para produzi desenhos de uma beleza espantosa e que ao mesmo tempo serviam diagramas geométricos, formando um veículo perfeito para a formulação de seus modelos conceituais; uma matemática perfeita para a sua ciência das formas orgânicas. E neste duplo propósito dos desenhos de Leonardo – de arte e o de ferramenta abstrata de análise científica, ou de apropriação do real, demonstra-nos por que sua ciência não pode ser entendida sem sua arte, e neste âmbito dialeticamente, inversamente nem sua arte sem sua ciência. Para praticar sua arte, ele precisava de conhecimento científico das formas da natureza; para analisar as formas da natureza, ele precisava de suas habilidades artísticas para interpretá-las sob a forma de desenhos.    No seu Tratado de Pintura, Leonardo deixa claro que a pintura é a perspectiva unificadora e o encadeamento integrador que percorreu todas as áreas de estudo. Desse processo de trabalho e de comunicação, surge uma estrutura conceitual coerente, que ele deve ter pretendido usar na eventual publicação de seus cadernos de notas. Mas como todos os verdadeiros cientistas, baseou sua ciência na observação sistemática. Daí ser correto observar que seu ponto de partida ter sido o olho humano. Suas cuidadosas investigações da anatomia do olho e da origem da visão não tinham paralelo em seu tempo.

Particularmente nas conexões de sentido entre o olho e o cérebro, que ele demonstrou pela primeira vez numa série de belos desenhos do crânio humano, usando dissecações anatômicas o percurso completo da visão através da pupila e das lentes do nervo óptico, até uma cavidade específica do cérebro, conhecida pelos neurologistas hoje como o terceiro ventrículo cerebral. Foi aí que ele situou “a sede da alma”, onde todas as impressões dos sentidos se encontram. Leonardo via as suas descobertas na óptica e na fisiologia da visão como as bases de sua ciência da pintura, a começar pela ciência da perspectiva, a admirável inovação da arte renascentista. Da perspectiva ele passou à exploração da geometria dos raios de luz, segundo Capra, reconhecida hoje como “óptica geométrica”; os efeitos da luz incidindo sobre esferas e cilindros, a natureza da sombra e dos contrastes e a justaposição de cores. Esses estudos sistemáticos, ilustrados numa longa série de desenhos intricados, era a base científica da extraordinária habilidade artística para compreender reproduzir as mais sutis complexidades visuais: uma fusão de sombras, conhecida como “sfumato”, que borram delicadamente o contorno dos corpos. O sfumato é uma técnica artística usada para gerar suaves gradientes entre as tonalidades, é comumente aplicado em desenhos ou pinturas. Sfumato originalmente vem do italiano sfumare, que significa, de tom baixo, ou com o sentido de evaporar como fumaça.

A ciência das formas vivas, para Leonardo e de resto pensadores renascentistas, é a ciência da transformação, seja quando ele estudava as montanhas, rios e plantas ou o corpo humano. Entender a forma humana significa entender o corpo em movimento: nervos, músculos, tendões, ossos e articulações trabalham juntos para movimentar os membros; como os membros e as expressões faciais executam gestões e ações. Nas palavras de Daniel Arasse, citado por Capra, desde as primeiras Madonnas, passando por retratos, até São João Batista, Leonardo capturou a figura do movimento. O impacto social imediato e excepcional da Última Ceia, nome que tem como representação à última refeição que, de acordo com os cristãos, Jesus dividiu com seus apóstolos em Jerusalém antes da crucificação ipso facto ao que parece têm dívida com a sabedoria renascentista, muito pelo fato de Leonardo ter substituído o “arranjo tradicional” por uma composição rítmica que mudou a própria ideia peculiar no Ocidente sobre o tema. Mais do que isso, não queremos perder de vista a weltanschauung de Leonardo, retrata a expressão corporal do espírito humano representava a mais elevada aspiração do artista.

Leonardo não se dedicava à ciência e à engenharia para dominar a natureza, como ele observara no The Tao of Physics (1975), como Francis Bacon “advogaria” um século mais tarde. De fato, “ele tinha um profundo respeito pela vida, uma compaixão especial pelos animais e grande admiração e respeito pela complexidade e abundância da natureza”. Embora ele mesmo um extraordinário inventor social, criador brilhante, sempre pensou que a “engenhosidade” da natureza era vastamente superior às criações humanas. Ele percebeu que seria sábio respeitarmos a natureza e aprender com ela. Essa é uma atitude que ressurge hoje, por exemplo, na prática do design ecológico. Para estudiosos de sua obra, o que caracterizou os trabalhos do mestre renascentista nessa área foi a abrangência. O artista não se intimidava e lidava com todo tipo de problema de construção. Os conhecimentos de mecânica, de hidráulica e das propriedades de materiais naturais permitiam que o gênio planejasse toda a construção de um prédio. Enfim, sobre o legado multidimensional de Leonardo da Vinci, precisamos nestas notas exatamente um conjunto de práticas e saberes sociais. O tipo de pensamento e ciência que Leonardo da Vinci antecipou na história social e na arte há séculos. No ápice da Renascença e da concepção científica moderna ocidental é que se forjou sob o signo das transformações históricas, políticas, econômicas e sociais do século XVII a revolução técnico-científica do século XVIII.

            No cinema, a conservadora Betty Warren escreve editoriais para o jornal da faculdade e insiste na existência de um padrão universal para o que é boa arte. Ela ataca Katherine por defender que as mulheres busquem carreiras além do casamento e expõe a enfermeira e lésbica Amanda Armstrong por fornecer anticoncepcionais a estudantes, o que resultou em sua demissão. Betty está ansiosa para se casar com seu noivo, Spencer, e espera as tradicionais isenções para estudantes casados; no entanto, Katherine insiste que a avaliará com base no mérito e espera que ela conclua todas as tarefas e provas. Quando a vida de casada de Betty não corre bem afetivamente, ela começa a descontar suas frustrações nas outras meninas, principalmente em Connie e Giselle. Betty frequentemente ridiculariza Connie Baker e insiste que seu primo, Charlie, está levando Connie à recepção de seu casamento apenas como um favor. Connie fica surpresa quando ele demonstra interesse genuíno por ela, e os dois começam a namorar. Connie termina o relacionamento depois que Betty afirma que Charlie está namorando Deb, isto é, a filha do casal que Charlie havia evitado durante as férias. Betty afirma que Connie é apenas um caso casual que Charlie estava tentando esconder. Semanas depois, Connie e Charlie se reencontram, insistindo que ele havia parado de ver Deb no verão anterior e só começou com a namorada atual depois que Connie parou de vê-lo. Em lágrimas, confronta Betty por mentir e perguntando por que Betty não a deixava ser feliz? 

   Mais tarde, Connie invade o dormitório de Charlie para pedir outra chance, e eles reatam o relacionamento. Joan Brandwyn considera estudar Direito na Faculdade de Direito de Yale, então Katherine a incentiva a se candidatar. Embora aceita, Joan recusa a admissão para fugir com Tom Donegal. Quando Joan diz a Katherine que é isso que ela realmente quer, Katherine a parabeniza e lhe deseja felicidades. Giselle Levy é liberal em relação ao sexo e teve vários amantes, incluindo Bill Dunbar, professor de italiano de Wellesley. Ela o abandona quando ele e Katherine começam a namorar. Giselle admira Katherine por incentivar a independência dos alunos. Ela ganha a inimizade de Betty quando seu casamento desmorona. O namorado californiano de Katherine, Paul, a visita inesperadamente e a pede em casamento, mas Katherine recusa e eles terminam. Ela começa a namorar Bill Dunbar, que frequentemente conta histórias sobre seu serviço militar na Itália. Bill teve casos com alunas, incluindo Giselle, então Katherine insiste que ele pare. Ao descobrir que Bill nunca serviu na Itália e que estava apenas lotado no Centro de Idiomas do Exército em Long Island, Katherine termina o relacionamento.

O casamento de Betty “desmorona” após Spencer ter consolidado um caso. Betty o abandona, mas sua mãe exige que ela o perdoe. Ela confronta Giselle em seu dormitório, primeiro atacando-a por ser promíscua, depois desabando. Giselle é a única aluna universitária que sabe da infidelidade de Spencer e consola Betty. Entetanto, se arrepende de ter difamado Katherine em seus editoriais. Eventualmente, Betty pede o divórcio, e ela e Giselle planejam encontrar um apartamento em Greenwich Village, o epicentro do movimento de contracultura (cf. Roszak, 1972) da cidade na década de 1960. As ruas arborizadas agora se transformaram em um centro de famosos cafés, bares e restaurantes. Clubes de jazz e teatros off-Broadway também podem ser encontrados entre os antigos prédios e os edifícios da Universidade de Nova York. No centro do bairro está o Washington Square Park, onde as pessoas se misturam ao redor da praça central. Quando a mãe de Betty a confronta na formatura, Betty a repreende e dá crédito a Katherine como a única que a apoiou, jurando viver sua própria vida. Apesar de desaprovarem os métodos de ensino progressistas de Katherine, os administradores de Wellesley a convidam a retornar no ano seguinte, visto que seu curso é extremamente popular, mas apenas sob condições rigorosas. Katherine se recusa e pede demissão. Betty dedica seu último editorial a ela, admirando-a por viver pelo exemplo e desafiando-os a ver o mundo com novos olhos. Enquanto Katherine sai de táxi, os alunos a seguem em suas bicicletas para se despedir.

Bibliografia Geral Consultada.

ROSZAK, Theodore, A Contracultura. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 1972; ASOR ROSA, Scrittori e Popolo – Il Populismo nella Letteratura Italiana Contemporânea. Roma: Savelli Editore, 1976; FREUD, Sigmund, Leonardo da Vinci e uma lembrança de sua infância. Rio de Janeiro: Editora Imago, 1976; REICH, Wilhelm, O Combate Sexual da Juventude. 2ª edição. Lisboa: Editor Antídoto, 1978; MONDOLFO, Rodolfo, Figuras e Ideas de la Figura del Renacimiento. Barcelona: Icaria Editorial, 1980; DELEUZE, Gilles, Cinéma I – l`Image-Mouvement. Paris: Éditions Minuit, 1983; ALBERONI, Francesco, O Erotismo, Fantasias e Realidades do Amor e da Sedução. São Paulo: Editor Círculo do Livro, 1986; BRAMLY, Serge, Leonardo da Vinci. Rio de Janeiro: Editora Imago, 1989; MANNHEIM, Karl, “El Problema de las Generaciones”. In: Revista Española de Investigaciones Sociológicas, n° 62, pp. 193-242; 1993; COSTA, Jurandir Freire, O Vestígio e a Aura - Corpo e Consumismo na Moral do Espetáculo. 1ª edição. Rio de Janeiro: Editora Garamond, 2004; CAWTHORNE, Nigel, A Vida Sexual dos Ídolos de Hollywood. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004; CAPRA, Fritjof, Sabedoria Incomum. São Paulo: Editora Cultrix, 1988; Idem, The Science of Leonardo; Inside the Mind of the Genius of the Renaissance. New York: Doubleday Editor, 2007; KICKHOFEL, Eduardo Henrique Peiruque, A Natureza, a Razão e a Ciência do Homem: Edição dos Estudos de Anatomia de Leonardo da Vinci e Notas para uma Interpretação de sua Ciência. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Filosofia. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2007; FRIDE-CARRASSAT, Patrícia; MARCADE, Isabelle, Les Mouvements dans la Peinture. Paris: Éditions Larousse, 2008; CARNEIRO, Beatriz. “Sexo, Poder e Liberdade” in Revista Verve. São Paulo: Nu-Sol, nº17, 2010; FOUCAULT, Michel, A Coragem de Verdade: O Governo de Si e dos Outros II. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2011; KEMP, Martin; PALLANTI, Giuseppe, Mona Lisa: O Povo e a Pintura. Oxford: Oxford University Press, 2017; ALBERGE, Dalya, “O mistério do local onde a Mona Lisa foi pintada foi resolvido, afirma geólogo”. In: The Guardian, 11 de maio de 2024; Artigo: “Por Que a Mona Lisa se Tornou Tão Famosa? Os Quatro Postos-chave de Sua Popularidade”. Disponível em: https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/03/26; entre outros.