Agronegócio - Poder da Monsanto, Política & Assassinatos no Brasil.
Giuliane de Alencar & Ubiracy de Souza Braga
“A sociologia desprovida de um certo tipo de esperança é inútil”. José de Souza Martins
Desde 1980, políticas federais americanas têm incentivado instituições públicas de ensino a produzir pesquisas nas áreas agrícolas e de biotecnologia em parceria com empresas privadas. Em consonância com esta política, a Monsanto tem inundado instituições públicas de ensino com investimentos. Em troca, tem seus produtos protegidos e fortalecidos por um arcabouço de pesquisas técnicas e científicas com viés favorável. Além de cargos no governo e na academia norte-americana, executivos da Monsanto posicionaram-se em cargos em instituições-chave para política alimentar e científica de seu país ou de âmbito internacional, como o “International Food and Agricultural Trade Policy Council”, o “Council for Bitechnology Information”, a “United Kingdom Academy of Medicine”, a “National Academy of Sciences Biological Weapons Working Group”, a “CropLife International” e o “Council of Foreign Relations”. Naturalmente, as posições privilegiadas alcançadas pela Monsanto renderam-lhe excelentes retornos. Em 1993, a Agência para Alimentação e Medicamentos [Food and Drug Administration”, FDA] dos EUA aprovou o uso de um produto denominado “Hormônio de Crescimento Bovino” [Recombinant Bovine Hormone, ou rBGH]. Desenvolvido pela Monsanto, trata-se de uma droga hormonal injetada em vacas de modo a incentivar a produção de leite. O rBGH foi a primeira substância geneticamente modificada aprovada pelo FDA.
A Monsanto é uma multinacional de alcance globalizado da área de agricultura e biotecnologia. Especializada em engenharia genética com produção de organismos geneticamente modificados de sementes e herbicidas que são apenas tratados com os herbicidas vendidos pela própria companhia, fato que condiciona os agricultores à dependência. Criada em 1901 como uma companhia na área da engenharia química, gradativamente se tornou a maior empresa do mundo no setor, fornecendo produtos para gigantes empresariais como a Coca-Cola, a Pepsico e a Kraft. Controla 90% do mercado de sementes transgênicas do mundo – materializando-se como um dos maiores monopólios contemporâneos. Recentemente, ela adquiriu diversas empresas na América do Sul e no Leste Europeu, dominando consistentes fatias de mercado em países como Argentina, México e Brasil. Este crescimento tem representado uma ameaça real à sobrevivência de pequenos produtores em todo o mundo. Os impactos sociais dos produtos comercializados pela empresa Monsanto vão além da esfera socioeconômica.
Os programas oficiais divulgados pelos partidos nessa campanha eleitoral foram alvo de um estudo do Laboratório de Análises Estatísticas, Econômicas e Sociais das Relações Raciais, da UFRJ - LAESER demonstrou que não existe uma definição clara dos partidos políticos para a questão dos quilombolas. Trata-se de uma das questões mais importantes para a população negra brasileira. Remanescentes de comunidades escravas, muitos dos territórios quilombolas foram frutos da organização dos negros, que fugiam das senzalas e se organizavam em comunidades, como o histórico Quilombo dos Palmares. No estudo do LAESER, apenas PCB, PSB e o PCO apresentavam alguma discussão sobre a questão quilombola. O debate e as reivindicações sobre o tema são necessários. Em primeiro lugar, os quilombolas enfrentam a luta pela terra, que é uma das mais fatais no Brasil. Isso em virtude do latifúndio, muitas vezes acompanhados da polícia oficial, promover o massacre no campo. Por outro lado, os quilombolas enfrentam o racismo e em grande medida ainda são tratados como escravos, sem direito algum, a um trabalho, moradia, reconhecimento de suas terras, etc. Uma das questões políticas mais recentes, que tem sido a “bandeira de lutas” das comunidades quilombolas, é a questão da titulação de suas terras, que sofrem um processo historicamente burocrático influenciado pelo setor mais atrasado do país, o latifúndio.
No
dia 19 de agosto de 2015, a Justiça Estadual de Limoeiro do Norte (CE) decidiu
que os acusados do assassinato do líder comunitário e ambientalista José Maria
Filho, o Zé Maria do Tomé, deverão ser levados à Júri Popular. A decisão de
pronunciar os réus, levando a julgamento pelo Tribunal do Júri, ocorre mais de
cinco anos (05) após o assassinato do líder comunitário, em 21 de abril de
2010, com mais de 20 tiros, depois de sofrer ameaças de morte. A morte ocorreu
depois de Zé Maria denunciar as ilegalidades e violações de direitos civis cometidas
pelas empresas do agronegócio instaladas na região da Chapada do Apodi, envolvidas
com a grilagem de terras, poluição das águas e, principalmente, a pulverização
aérea de agrotóxicos. O caso Zé Maria é emblemático no contexto dos
assassinatos e violência no campo. José Maria F° morreu por defender direitos
ao meio ambiente, à terra e ao território, à saúde e à vida.
Um
dos réus é João Teixeira Júnior, proprietário da Frutacor e um dos mais importantes empresários do agronegócio
brasileiro. Também são réus e vão ao Tribunal do
Júri: José Aldair Gomes Costa, gerente da empresa Frutacor, que teria
intermediado o homicídio e Francisco Marcos Lima Barros, morador da comunidade
de Tomé, que teria dado suporte ao assassino. Além desses acusados, outros três
estariam envolvidos na morte de Zé Maria do Tomé: Westilly Hytler Raulino Maia,
é pistoleiro que teria cometido o homicídio, morto em operação policial em
2010, Sebastião Dantas de Barros, morador da comunidade de Tomé, que teria
cometido suicídio em 2012 e Antônio Wellington Ferreira Lima, também morador de
Tomé, assassinado em agosto deste ano de 2015, em uma desastrada operação da
Polícia Militar. A concentração de terras, em posse dos grandes fazendeiros,
tem sido com frequência apontada como a principal causa das injustiças sociais,
para não falarmos no irresponsável inchaço demográfico das grandes cidades e do
aumento da violência como um todo.
Um
latifúndio, estrutura fundiária, concentração fundiária, ou “indústria
fundiária” em como representação econômica e social uma propriedade agrícola de
grande extensão pertencente quase que exclusivamente a uma única pessoa, uma
família ou empresa e que se caracteriza pela exploração extensiva de seus
recursos. A extensão necessária para se considerar uma propriedade como um
latifúndio depende do contexto: enquanto na Europa o grande latifúndio pode ter
algumas centenas de hectares, na América Latina, pode facilmente ultrapassar os
10 mil hectares. Além da extensão, outras características do que é conhecido
como latifúndio são: baixos rendimentos unitários, uso da terra abaixo do nível
de exploração máxima e baixa capitalização. O latifúndio tem sido
tradicionalmente uma fonte de instabilidade social, associada à existência de
grandes massas de camponeses sem terra. Para resolver os problemas causados
por grandes propriedades, já se tentou fórmulas diferenciadas, dependendo do
tipo de governo: desde a mudança na estrutura da propriedade (reforma agrária),
inclusive com expropriações, até a modernização da exploração agrícola de mercado.
A Europa é o segundo menor
continente em superfície do mundo, cobrindo cerca de 10 180 000 km² ou 2% da
superfície da Terra e cerca de 6,8% da área acima do nível do mar. Dos cerca de
50 países da Europa, a Rússia é o maior tanto em área quanto em população, sendo
que a Rússia se estende por dois continentes, a Europa e a Ásia e o poderoso Vaticano
é o menor. A Europa é o quarto continente mais populoso do mundo, após a Ásia,
a África e as Américas do Norte (EUA), América Central e América Latina ou
América do Sul com 740 milhões de habitantes em 2015, cerca de 11% da população
mundial naquele ano, isto é, a cada 100 pessoas no mundo neste período, 11
viviam no continente. No entanto, de acordo com a Organização das Nações Unidas
(estimativa média), o peso europeu pode cair para cerca de 7% em 2050. Em 1900,
por exemplo, a população europeia representava 25% da população mundial, ou
seja, a cada 4 habitantes do mundo naquele ano, 1 vivia dentro dos limites do
continente. A Europa, e a Grécia Antiga, o berço da cultura ocidental. Tendo
desempenhado um papel preponderante a partir do século XVI,
especialmente após o início do colonialismo.
Entre
os séculos XVI e XX, no âmbito do processo civilizatório as nações europeias controlaram em vários momentos as
Américas, a maior parte da África, a Oceania e grande parte da Ásia. Ambas as
guerras mundiais foram em grande parte centradas na Europa, sendo considerado
como o principal fator para um declínio do domínio da Europa Ocidental na
política e economia mundial a partir de meados do século XX, com os Estados
Unidos e a União Soviética ganhando maior protagonismo. Durante a chamada Guerra
Fria, a Europa estava dividida politicamente ao longo da Cortina de Ferro
entre a Organização do Tratado do Atlântico Norte, a Oeste, e o Pacto de
Varsóvia, a Leste. A vontade de evitar outra guerra acelerou o processo de
integração europeia e levou à formação do Conselho Europeu e da União Europeia
na Europa Ocidental, os quais, desde a queda do Muro de Berlim e do fim da
União Soviética em 1991, têm vindo a expandir-se para o Leste. A moeda da maior
parte dos países da União Europeia, o Euro, é mais usada por
europeus. O Acordo de Schengen aboliu na ação política os habituais controles de imigração fortes nas
fronteiras de países membros da União Europeia. O hino à Alegria é o hino do
Conselho Europeu e da União Europeia.
O
nome “Euro” foi oficialmente adotado em 16 de dezembro de 1995. O primeiro nome
para o sistema de conversão entre as moedas que se uniriam foi o European
Currency Unit (ECU). O nome de Euro é atribuído ao Belga German Pirloit que
assim o sugeriu a Jacques Santer em 1995. Nascido em 18 de março de 1943 em
Sart-Custinne, Gedinne, Bélgica, é um esperantista belga e ex-professor de francês
e história, atualmente morando em Ostende. Ele é reconhecido como o inventor do
nome Euro para a moeda comum da União Europeia (UE). Em 4 de agosto de 1995, Pirlot enviou uma
carta ao presidente da Comissão Europeia, Jacques Santer, na qual ele sugeriu
que o nome Euro fosse usado para a moeda especificada da UE. Mais tarde, Pirlot
recebeu uma carta oficial agradecendo-lhe pela sugestão. O nome euro foi
oficialmente aprovado pelo Conselho Europeu em Madrid (Espanha) em 16 de
dezembro de 1995. Jean-Jacques Schul, presidente da Promeuro, a Associação para
a promoção do euro, afirma que ninguém mais havia sugerido usar este nome para
a moeda antes de 4 de agosto de 1995. O valor da nova moeda foi ancorado ao do
ECU por resolução do Conselho da União Europeia de 31 de dezembro de 1998. Esta
entrou em vigor a 1° de janeiro de 1999 em forma não material, isto é, através da capitalização, transferências,
cheques, etc., e a 1° de janeiro de 2002 em notas e moedas impressas.
O
euro foi introduzido nos mercados financeiros mundiais como unidade de conta a
1 de janeiro de 1999, em substituição da antiga Unidade Monetária Europeia
(ECU), a um câmbio de 1:1 (1,1743 USD). O dólar dos Estados Unidos (United
States dollar), também conhecido como dólar estadunidense ou dólar americano é
a moeda oficial dos Estados Unidos e utilizada no mundo inteiro, tanto em
reservas internacionais, como em livre circulação em alguns países. As moedas e
notas físicas de euro entraram em circulação a 1 de janeiro de 2002, tornando-a
a moeda de uso corrente entre os membros originais. Embora nos primeiros dois
anos a cotação do euro tenha descido para 0,8252 USD (26 de outubro de 2000), a
partir do fim de 2002 começou a ser transacionada a valores superiores ao
dólar, atingindo um máximo de 1,6038 USD em 18 de julho de 2008. A partir do
fim de 2009, a crise da dívida pública da Zona Euro levou à criação do Fundo
Europeu de Estabilização Financeira e à adoção de várias medidas de reformas de
estabilização monetária. A ideia do estabelecimento de uma moeda única na CEE
nasceu já na década de 1970. Teve como defensores os economistas
Fred Arditti, Neil Dowling, Wim Duisenberg, Robert Mundell, Tommaso
Padoa-Schioppa e Robert Tollison.
No
entanto, só pelo Tratado de Maastricht, de 1992 esta ideia passou da teoria
para o Direito. Este tratado foi celebrado pelos doze países que à data faziam
parte da Comunidade Económica Europeia. O Reino Unido e a Dinamarca optaram
neste tratado por ficar de fora da moeda única. Os países que aderissem
posteriormente à União estão legalmente obrigados a aderir à moeda única. A
Suécia aderiu à União em 1995, mas negociou entrar numa fase posterior. Os
critérios para adesão à nova moeda única foram estabelecidos pelo Pacto de
Estabilidade e Crescimento de 1997. O uso do termo “Europa” desenvolveu-se
gradualmente ao longo da história geopolítica. Na Antiguidade, o historiador
grego Heródoto provavelmente em referência a mapas de Hecateu de Mileto embora
sem o nomear explicitamente, descreve o mundo como tendo sido dividido em três
continentes, sendo eles a Europa, a Ásia e a Líbia (África), com o Nilo e o rio
Fásis formando de suas fronteiras, embora também afirme que alguns consideravam
o rio Don, em vez do Fásis, como a fronteira entre Europa e Ásia. Flávio Josefo
e o Livro dos Jubileus descreve ao nível ideológico os continentes: “as terras dadas por Noé aos seus três filhos, sendo a Europa definida entre as
Colunas de Hércules no Estreito de Gibraltar, separando-a da África, e o rio
Don, separando-o da Ásia”.
A
definição cultural da Europa como terras da cristandade latina consolidou-se no
século VIII, significando um novo espaço demográfico e cultural criado através
da confluência de tradições germânicas e da cultura cristã-latina, definidas em
parte, em contraste com o Islão e Império Bizantino, e limitado a Norte pela
Ibéria (no Cáucaso), Ilhas Britânicas, França, Alemanha ocidental
cristianizada, e as regiões alpinas do Norte e no centro da Itália. Esta
divisão, tanto geográfica como cultural, foi utilizada até a Baixa Idade Média,
quando foi desafiada pela Era dos descobrimentos. O problema da redefinição da
Europa, finalmente foi resolvido em 1730 quando, em vez de canais, o geógrafo e
cartógrafo sueco von Strahlenberg (1676-1747). Foi um militar e geógrafo sueco
de origem alemã. Fez importantes contribuições para a cartografia da Rússia.
Strahlenberg nasceu em Stralsund, que pertencia à Suécia, e seu nome original
era Philip Johan Tabbert. Ele se juntou ao exército sueco em 1694 e foi
promovido a capitão em 1703. Em 1707, ele foi enobrecido e tomou o nome von
Strahlenberg. Em sua cartografia ou geografia política propôs a região dos
Montes Urais como a fronteira mais importante do Leste, uma sugestão que foi
aceita na Rússia e em toda a Europa. A Europa está agora em geral, definida
pelos geógrafos, como a península ocidental da Eurásia, com seus limites
marcados por grandes massas de água para o norte, oeste e sul; limites da
Europa para o Extremo Oriente são normalmente tomadas para os Urais, o rio
Ural, e o Mar Cáspio, a Sudeste, as montanhas do Cáucaso, o Mar Negro e nas
vias que ligam o Mar Negro ao Mar Mediterrâneo. Às vezes, a palavra “Europa” é
utilizada de forma geopoliticamente limitada para se referir apenas à União
Europeia ou, ainda mais exclusiva, a um núcleo cultural definido. Por outro
lado, o Conselho da Europa tem 47 países membros, e 28 estados-membros constituem parte da União Europeia. As pessoas que vivem em áreas insulares,
como a Irlanda, o Reino Unido, no Atlântico Norte e Mediterrâneo e ilhas também
na Escandinávia podem rotineiramente se referir a parte continental ou ao continente
da Europa ou simplesmente como “o continente”.
Agronegócio é toda a relação
comercial e industrial envolvendo a cadeia produtiva agrícola ou pecuária. No
Brasil o conhecido termo agropecuário é usado para definir a utilidade de uso econômico do
solo para o cultivo da terra associado com a criação de animais. Agronegócio
também chamado de agribusiness representa
o conjunto de negócios relacionados à agricultura e pecuária dentro do ponto de
vista econômico. Explora o solo pelo cultivo de árvores que serão transformadas
em madeira, celulose ou produtos químicos para posterior utilização como
matéria prima de várias indústrias, como a móvel/moveleira e construção civil,
a indústria papeleira, ou mesmo a obtenção de lenha para combustível. O aprimoramento
do agronegócio barateou o custo dos alimentos e deu a população um maior poder
de consumo e de escolha, mas também trouxe vários problemas, principalmente
ligados às questões ambientais e sociais. O maior desafio agora é a produção no
campo sem impactos ao meio-ambiente, causados notadamente pelo uso de
defensivos, pelo desmatamento e empobrecimento do solo, queimadas, contaminação
de mananciais e do lençol freático, desequilíbrio ecológico e proliferação de
pragas. Nas cidades a preocupação se dá com o lixo gerado após o consumo, mais
precisamente com o descarte de embalagens.
Um estudo de 2009 do Journal of Biologycal Science mostrou
que o consumo do milho proveniente da semente geneticamente modificada pode
produzir efeitos negativos em órgãos como os rins e o fígado. Outro estudo,
publicado em 2012 na Food And Chemical Toxicology, constatou que ratos
submetidos a uma dieta à base de organismos geneticamente modificados morrem
mais rápido e são mais propensos ao desenvolvimento de câncer. Para chegar a
esta conclusão, cientistas administraram em 200 ratos, durante dois anos, três
dietas distintas: uma à base de milho convencional, outra a base do milho
transgênico NK603 e outra a base do NK603 tratado com o herbicida RoundUp.
Tanto o milho transgênico NK603 como o herbicida RoundUp (o mais utilizado do
mundo) são pertencentes à Monsanto. O resultado foi a morte acelerada de parte
dos ratos e o aparecimento de tumores enormes naqueles cuja base da dieta fora
o milho transgênico NK603, da empresa multinacional Monsanto.
Historicamente já em torno do século
XIX, o Código Napoleônico valorizou a propriedade privada, inspirando desta
forma os códigos civis que através da proposta liberal favoreceram a
concentração de propriedades rurais a reduzido grupo social. Isto acabou
favorecendo o sub-aproveitamento agrícola e aumentando a exploração dos
trabalhadores rurais, reduzindo assim as opções de trabalho e aumentando o
êxodo rural e a miséria social. Atualmente, o latifúndio ainda é regime impróprio
de países pobres e ditos “subdesenvolvidos” e um dos responsáveis pelo atraso e
pelo subemprego nos campos e nas cidades. Este sistema de distribuição da propriedade
rural ainda é injusto e muito comum no Brasil, com o tema tratado no campo
jurídico pelo Estatuto da Terra, legislação estudada no ramo do Direito chamado
“Direito Agrário”, além de interessar às políticas governamentais de reforma
agrária que determinam o uso do solo rural no país. O latifúndio tem sido
tradicionalmente uma fonte de instabilidade política e social.
O Brasil é o país que por falta de
políticas públicas de controle da produção agrícola mais consome agrotóxicos no
mundo. Esta frase é mais do que conhecida e, por mais que tenha gravidade, não
conseguimos ainda descer nenhuma posição no ranking
dos maiores consumidores mundiais de agrotóxicos. Devido a todo o processo de
produção-consumo que envolve essa primeira posição no ranking de consumo de agrotóxicos, que vai desde o incentivo fiscal
aos produtos à falta de informação, milhares de pessoas foram às ruas em todo o
país nesse dia 3 de dezembro, convocadas pela “Campanha Permanente Contra os
Agrotóxicos e Pela Vida” para reivindicar um direito que deveria ser garantido
pelo Estado: uma vida mais saudável. – “É uma data em que a gente relembra e
faz um apanhado histórico de todos os casos envolvendo o agrotóxico e todas as
violações que já foram sofridas. Uma data que serve para debater e trazer à
tona como o problema do agrotóxico vem sendo tratado. É para relembrar e
fortalecer a luta”, explicou uma das coordenadoras da Campanha, Fran Castro.
Entre
as principais pautas políticas estão: a) o fim da “pulverização aérea” - que contamina
plantas, solo e comunidades no entorno; b) a proibição de agrotóxicos que já
estão proibidos em diversos países, como o Abamectina, Acefato e Tiram; c) a
questão das isenções de impostos, que, segundo dados da Campanha, os
agrotóxicos já acumulam 60% de isenção do ICMS, além de 100% de isenção do IPI,
PIS/PASEP e COFINS. – “A Campanha traz para as ruas alguns pontos que envolvem,
principalmente, o posicionamento do Estado brasileiro. Enfim, o caso da liberação
da pulverização aérea é emblemático da responsabilidade que o governo não quer
assumir. É importante relembrar os casos recentes como o de Rio Verde, em
Goiás, e Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, onde diversas pessoas, entre elas
crianças, foram envenenadas com a pulverização”, lembrou Fran Castro, que
completou: - “Além disso, queremos ainda trazer à tona os casos que impactam a
saúde como os relatos de câncer nas populações expostas constantemente”.
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