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quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Os Intrusos – Roubo Perfeito, Casa Vazia & Cofre Cheio de Dinheiro.

                                                “Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta”. Carl Jung (1991)


           O tempo, como a unidade negativa do ser-fora-de-si, é igualmente um, sem mais nem menos, abstrato, ideal. Ele é o ser, que, enquanto é, não é, e enquanto não é; ele é o vir-a-ser intuído, segundo a análise dialética de Friedrich Hegel, isto é, analogamente, tal que são determinadas as diferenças simplesmente momentâneas, as que imediatamente se suprassumem como exteriores, isto é, que são apesar disso exteriores a si mesmas. O tempo é como o espaço uma pura forma de sensibilidade ou do intuir, é o sensível, mas, assim como a este espaço, também ao tempo não diz respeito a diferença de objetividade e de uma consciência subjetiva contra ela. Quando se aplicam estas determinações de espaço e tempo, então seria aquele a objetividade abstrata, este [o tempo], porém a subjetividade abstrata. O tempo social é o princípio representativo que o Eu=Eu da autoconsciência pura; mas é o mesmo princípio ou o simples conceito ainda em sua total exterioridade e abstração – como o mero vir-a-ser intuído, o puro ser-em-si como um vir-fora-de-si. O tempo é contínuo como o espaço, pois ele é a negatividade abstratamente referindo-se a si e nesta abstração ainda não há nenhuma diferença real. No tempo, diz-se, tudo surge e perece, se se abstrai de tudo, a saber, do recheio do tempo e igualmente do recheio do espaço, fica de resto o tempo vazio como o espaço vazio, são então postas e representadas estas abstrações de exterioridade, como se elas fossem por si. O real é limitado, e o outro para esta negação está fora dele, a determinidade é assim nele exterior a si, e daí a contradição de seu ser; a abstração opera nessa exterioridade de sua contradição e a inquietação da mesma é o próprio tempo.

        Por isso o finito é transitório e temporário, porque ele não é, como o conceito nele mesmo, a negatividade total, mas tem em si, como sua essência universal, entretanto – diferentemente da mesma essência – é unilateral, e se relaciona à mesma como à sua potência. Só o natural, na vida, na realidade concreta é, portanto, enquanto é finito, sujeito ao tempo; o verdadeiro, porém, a ideia, o espírito, é eterna. A intemporalidade absoluta é diferente da duração; é a eternidade que é sem o tempo natural. Mas o próprio tempo é, em seu conceito, eterno; pois ele, não quer qualquer estabelecer qualquer tempo, nem o agora, mas significativamente o tempo-enquanto-tempo, é seu conceito; este tempo, porém, como cada conceito em geral, é o eterno, e também é presente absoluto. O que não está no tempo é o sem-processo; o péssimo e o mais perfeito não estão no tempo, dura. O péssimo, da pior qualidade, porque ele é uma universalidade abstrata, assim espaço, assim tempo mesmo; sua duração não é vantagem. O duradouro é mais altamente cotado do que o transitório; mas toda florescência, toda bela vitalidade tem morte cedo. Mas também o mais perfeito dura, não só o universal sem-vida, inorgânico, mas também o outro universal, hegelianamente o concreto em si, o gênero, a lei, a ideia, o espírito. Representa o processo total ou apenas um momento do processo que entra no tempo enquanto os momentos do conceito têm a aparência da independência; mas as diferenças excluídas portam-se como reconciliadas e retomadas à paz. A noção de desenvolvimento passa a ser central depois dessa concepção na filosofia da história e, para o bem ou para o mal até os dias presentes.

Mesmo a ideia de progresso, que implicava o depois poder ser explicado em função do antes, encalhou, de certo modo nos recifes materiais do século XX, ao sair das esperanças ou das ilusões que acompanharam a chamada “travessia do mar” aberto pelo século XIX. Esse questionamento refere-se a várias ocorrências distintas entre si que não atestam um progresso moral da humanidade, e sim, uma dúvida sobre a história como portadora de sentido, dúvida renovada, per se no que se refere ao seu método, objeto e como tal nas grandes dificuldades não só em fazer do tempo um princípio de inteligibilidade, como em inserir aí um princípio de identidade. A história humana, isto é, uma série de acontecimentos realmente reconhecidos como acontecimentos por muitos, acontecimentos que podemos pensar que importarão aos olhos dos historiadores de amanhã e, ao qual cada um de nós, por mais consciente que seja de nada representar nesse caso pode vincular algumas circunstâncias ou imagens particulares, como se fosse a cada dia menos verdadeiro que os homens, que fazem a história, pois, senão, quem mais senão homens, não sabem que a fazem. Hegel dizia que a verdade é o todo. Esta é a questão fundamental da filosofia. Que se não enxergamos o todo, podemos atribuir valores exagerados a verdades limitadas, prejudicando a compreensão de uma verdade geral. Essa visão é sempre provisória, nunca alcança uma etapa definitiva e acabada, caso contrário a dialética estaria negando a si própria. O método dialético nos incita a revermos o passado, à luz do que está acontecendo no presente, ele questiona o presente em nome do futuro, o que está sendo na realidade em nome do que “ainda não é”.                                


Para Friedrich Hegel, o trabalho é o conceito chave para compreensão da superação da dialética na história, atribuindo o verbo suspender com três significados: negação de uma determinada realidade, conservação de algo essencial dessa realidade e elevação a um nível superior. A filosofia descreve a realidade e a reflete, portanto, a dialética busca, não interpretar, mas refletir acerca da realidade. A dialética é a história das contradições. O reprimido permanece dentro da totalidade social. Esta contradição não é apenas do pensamento, mas da realidade concreta. Então, tudo está em processo de constante devir. Esse padrão é nosso velho conhecido, visto que é algo do qual a filosofia durante séculos de elaboração utilizou para de fato conhecer. E isto fica claro da seguinte maneira; se o saber é igual ao conceito e a essência corresponde o objeto, logo o conceito precisa corresponder ao objeto e vice-versa, basta para nós, portanto, verificar em nosso exame, diz Hegel (2007) se o objeto corresponde ao conceito. Por isso, é necessário manter os dois momentos do exame; o conceito, quer dizer, “ser para outro e o objeto consequentemente ser em si mesmo”. Com isso verificamos que não é necessário um “padrão de medida”, no sentido funcionalista, um instrumento que capte o raio, mas de outro modo, é necessário investigar a partir do que é dado, embora, aquilo que é dado fique no limite da própria consciência. Dessa forma, a consciência é consciência do objeto e por identificar este objeto como um elemento extrínseco torna-se “consciência de si mesmo”. A consciência do que é verdadeiro é consciência do “seu saber da verdade”, que entre tempo e espaço é a própria consciência.

Hegel, admite Marx, não enxerga a bidimensionalidade do trabalho humano em toda a sua contraditória materialidade no tempo/espaço, e por isso o idealiza e o vê de maneira unilateralmente positiva, minimizando a força da sua negatividade: a essência humana, o ser humano, equivale para Hegel à consciência de si, em vez de reconhecer na consciência de si a consciência de si do homem, quer dizer, “de um homem real, que vive num mundo real, objetivo, e é condicionado por ele”. Por isso, Hegel, na interpretação de Marx da Introdução de 1857, caiu na ilusão de conceber o real como resultado do pensamento, que se encontra em si mesmo, se aprofunda em si mesmo e se movimenta por si mesmo, enquanto o método que consiste em elevar-se do abstrato ao concreto é para o pensamento precisamente a maneira de se apropriar do concreto, de reproduzi-lo como concreto espiritual. Portanto, ao assumir o conceito hegeliano de dialética, Marx foi levado a modificá-lo, mas a perspectiva de Marx implicava não só uma reavaliação do papel do trabalho material na autocriação da sociedade e na autotransformação do ser humano, como também exigia uma reavaliação dos trabalhadores e de sua concepção orgânica como força material de trabalho capaz de dar prosseguimento à autotransformação da humanidade na nossa modernidade. A definição histórica do sábado e do domingo como dias de descanso semanal remunerado é uma conquista relativamente recente dos trabalhadores. Foi resultado da luta operária surgida na Inglaterra depois da Revolução Industrial do século XIX. 

Na Antiguidade, comparativamente, os romanos e os adeptos de religiões pagãs dedicavam o sábado ao deus Saturno, que regia a agricultura. Esse dia reservado para o descanso, “numa forma de agradecimento ao deus por uma boa colheita”. Em outras religiões, como no judaísmo, o sábado também já era consagrado como um dia de repouso semanal. O domingo ganhou esse “status” um pouco mais tarde. Só na Era Cristã é que passou a ser considerado sagrado, “porque Jesus ressuscitou dos mortos neste dia”. Por conta disso, os cristãos consagraram o domingo ao Senhor e, para que os fiéis pudessem ir tranquilamente aos cultos, era natural que fosse reservado um dia sem trabalho. Porque pode fazer história e revolucionar a estrutura dessa sociedade, em sua transitoriedade assimilando assim as conquistas mais profundas da filosofia. Utilizando o conhecimento para superar/conservar a situação particular de classe que lhes é imposta. Em sua concepção dialética, a filosofia, “não pode se realizar sem a superação do proletariado; e o proletariado não pode se superar sem a realização da filosofia”.  O modo de pensar dialético atento à infinitude do real e a irredutibilidade do real ao saber distingue os planos de análise e de realidade de quem opera sociologicamente. Implica uma interpretação da consciência no sentido dela se abrir para o reconhecimento do novo, inédito, no âmbito das “mediações complexas” e das contradições sociais que irrompem no campo visual do sujeito e lhe revelam a existência de problemas que não estava enxergando. Hegel é o primeiro pensador da modernidade a ter visibilidade na Filosofia colocando a questão da consciência e autoconsciência vis-à-vis à consciência do homem comum. É conspícuo a jornada de trabalho que evidência a interrupção do trabalho, fora das crenças religiosas, para que o homem possa gozar na vida cotidiana e reconstituir-se.   

The Owners (Os Intrusos) tem como representação um filme de suspense e terror de 2020, adaptado da história em quadrinhos Une Nuit de Pleine Lune de Hermann e Yves H., nascido em Malmedy, Bélgica, em 17 de julho de 1938, é um quadrinista belga. É um filme francês dirigido por Éric Rohmer e lançado em 1984. É o quarto filme da série Comédias e Provérbios. Ilustra o suposto provérbio de Champagne em alusão a Chrétien de Troyes, um poeta e trovador do final do século XII. Foi um dos primeiros autores de romances de cavalaria, sendo considerado o primeiro grande novelista original em língua francesa. Suas obras inspiraram a literatura na Europa Ocidental durante a Idade Média, pelo próprio Rohmer: “Quem tem duas esposas perde a alma, quem tem duas casas perde a razão”. O filme acompanha Louise, que mora com Rémi e decide assumir seu apartamento em Paris para aproveitar ao máximo suas saídas à noite e ter um pied-à-terre no centro. Seu parceiro encara essa escolha com desconfiança, convencido de que Louise está tentando escapar. Acompanhada por Octave, um amigo que nutre sentimentos ambivalentes por ela, ela vivenciará esse estilo de vida e sofrerá as consequências. Às vezes escrito Malmédy, é uma cidade e também um município da Bélgica localizado no distrito de Verviers, província de Liège, região da Valônia.

 Culturalmente é uma cidade de língua francesa com instalações para seus habitantes de língua alemã que gira em torno de 5% de seus cidadãos. É definitivamente anexado à Bélgica em 10 de junho de 1925, em execução do Tratado de Versalhes. Com o florescimento do comércio no fim da Idade Média, a função de banqueiro se tornou algo muito comum na Europa. Nas feiras da Europa Central, quando as pessoas chegavam com valores em ouro para trocar por outro produto, era o banqueiro quem fazia a pesagem de moedas, avaliação da autenticidade e qualidade dos metais, “em troca de uma comissão”. Com o passar do tempo, os banqueiros passaram a aceitar depósitos monetários e, em troca, o banco emitia uma espécie de certificado. Todavia, foi após a percepção de que nem sempre as pessoas retiravam tudo o que haviam depositado, melhor dizendo, sempre haveria dinheiro para circular, que surgiu a ideia de conceder empréstimos mediante o pagamento de juros. Esta foi a base para o enriquecimento dos banqueiros, que deixaram de ser simplesmente “cambistas” ou agiotas. Contudo, a cobrança de juros era algo de total desaprovação da Igreja, aspecto que explica o porquê da existência de muitos judeus no ramo bancário naquele período histórico e social.            

            Lembrava Marx que num debate parlamentar sobre os Bank-Actas de Sir Robert Peel de 1844 e 1845, Gladstone observava que “nem mesmo o amor levou tantas pessoas à loucura como o cismar sobre a essência do dinheiro”. Ele falava de britânicos para britânicos. Os holandeses, ao contrário, que apesar da dúvida de Petty possuíam desde tempos imemoriais uma “malícia angelical” para a especulação com o dinheiro, nunca perderam sua malícia na especulação sobre o dinheiro. A principal dificuldade da análise sobe o dinheiro é vencida quando se compreende que o dinheiro tem a sua origem na própria mercadoria. Desse pressuposto, apenas resta conceber nitidamente as idades que lhe são próprias; o que é dificultado em certa medida pelo fato de que todas as relações burguesas aparecem transformadas em ouro ou prata, aparecendo como relações monetárias. E a forma dinheiro parece possuir, por conseguinte, um conteúdo fetichista infinitamente variado que lhe é estranho, mas o primeiro ato necessário desse processo consiste em que as mercadorias excluam uma mercadoria específica, digamos o ouro, como encarnação imediata do tempo de trabalho geral, ou seja, como equivalente geral.

Porque todas as mercadorias medem seus valores de troca pelo ouro, na proporção em que determinada quantidade de ouro e determinada quantidade de mercadoria contêm a mesma quantidade de tempo de trabalho, o ouro se torna medida de valor, e só se torna equivalente geral (ou dinheiro), unicamente através dessa determinação como medida de valores, medida que como tal mede seu próprio valor de imediato por todo o conjunto de equivalentes-mercadorias. Por outro lado, o valor de troca de todas as mercadorias expressa-se em ouro. Deve-se distinguir nessa expressão: um momento qualitativo e outro quantitativo. Primeiro, o valor de troca da mercadoria existe como encarnação do mesmo tempo de trabalho uniforme; segundo, do ponto de vista econômico sua grandeza de valor se apresenta na mesma proporção em que as mercadorias são igualadas ao ouro também igualadas entre si. De um lado, aparece o caráter geral e utilidade de uso do tempo de trabalho contido; de outro, sua quantidade expressa em seu equivalente ouro. O valor de troca das mercadorias assim expresso como equivalência geral e ao mesmo tempo como grau dessa equivalência em relação a uma mercadoria específica, ou expresso ainda numa só equação ligando as mercadorias a uma mercadoria específica é o preço.

Portanto, o preço é a forma transformada sob a qual aparece o valor de troca das mercadorias no interior do processo de circulação. Ipso facto, através do mesmo processo pelo qual as mercadorias apresentam seus valores em preços-ouro, apresentam também o outro como medida dos valores e, daí, como dinheiro. O ouro só se torna medida dos valores porque é por ele que todas as mercadorias avaliam seu valor de troca. Não é senão pura aparência do processo de circulação a impressão de que o dinheiro faz as mercadorias comensuráveis, pois a medida entre ouro e mercadoria é o tempo de trabalho, e o ouro só se torna medida dos valores pelo fato de que as mercadorias se meçam com ele. Ao contrário, não é senão a comensurabilidade das mercadorias como tempo de trabalho objetivado que permite ao ouro transformar-se em dinheiro. Ao entrar para o processo de troca, as mercadorias assumem a figura real de valores de uso. Somente através da sua alienação é que se tornam equivalente geral. A determinação de seu preço é a sua transformação ideal em equivalente geral, é equação com o ouro que ainda está por se realizar. Mas como as mercadorias estão transformadas em ouro apenas idealmente, ou apenas em ouro representado, seu ser dinheiro não está ainda efetivamente separado de seu ser real, o ouro; por enquanto, está transformado apenas em dinheiro ideal, em medida dos valores, e, de fato, determinadas quantias de ouro funcionam por enquanto apenas como nomes para determinadas quantias de tempo de trabalho.  

A determinidade formal em que o ouro se cristaliza como dinheiro depende em cada caso do modo determinado em que as mercadorias apresentam, umas as outras, seu próprio valor de troca. Nessa diferença entre valor de troca e preço, observa-se o seguinte: o trabalho individual particular contido na mercadoria precisa primeiro ser apresentado, pelo processo de alienação, em seu contrário, em seu trabalho sem individualidade, abstratamente geral e, somente dessa forma, em trabalho social, ou seja, em dinheiro. O mal dinheiro põe-se de emboscada na invisível capa da medida de valor. O ouro é medida de valor como tempo de trabalho objetivado. Padrão de preços ele o é como determinado peso de metal. Torna-se medida de valor ao relacionar-se como valor de troca com as mercadorias (trabalho) enquanto valores de troca; uma determinada quantia de ouro, como padrão de preços, serve a outras quantias de ouro como unidade. O ouro é a medida de valor porque seu valor é variável, e é padrão de preços porque é fixado como unidade de peso invariável. Aqui, como em todas as determinações de grandezas nominalmente iguais, solidez e determinidade das relações de medidas são decisivas.

A necessidade de se fixar uma quantia de ouro como unidade de medida e partes alíquotas como subdivisões dessa unidade produziu a representação de que uma determinada quantia de ouro, que naturalmente tem um valor variável, se colocasse numa relação de valor fixa com os valores de troca das mercadorias, no que se perdeu de vista que os valores de troca das mercadorias estão transformados em preços, em quantias de ouro antes mesmo que o ouro se desenvolva como padrão dos preços. Assim como o valor do ouro varia, diferentes quantias de ouro apresentam entre si permanente a mesma proporção de valor. O preço de uma mercadoria ou de forma de equivalente geral a quantia de ouro, na qual se transforma idealmente, se expressa agora, portanto, nos nomes monetários do padrão-ouro. A forma própria com que essas mercadorias dão os seus valores de troca está transformada em nomes monetários, pelo quais expressam mutuamente o que elas valem. O dinheiro, por sua vez, torna-se moeda de cálculo. O dinheiro, compreendido como moeda de cálculo, pode existir apenas idealmente (teoria), enquanto o dinheiro que circula efetivamente (prática) é cunhado em um outro padrão totalmente diferente. Em muitas colônias inglesas da América do Norte, a moeda circulante, até boa parte do século XVIII, consistia em moedas portuguesas e espanholas, enquanto, por toda parte, a moeda de cálculo era a mesma da Inglaterra.

A cidade de Malmedy está localizada na confluência do Warche e do Warchenne. O Warche é um rio no Leste da Bélgica (província de Liège). De sua nascente em Losheimergraben, na fronteira entre a Bélgica e a Alemanha, ele flui aproximadamente para Oeste por cerca de 50 km (31 milhas), através do Sul da região de Hautes Fagnes. Ele passa pela cidade de Malmedy, e os lagos artificiais de Robertville e de Bütgenbach são formados por represas no Warche. Éric Rohmer é mais reconhecido pela série pós-apocalíptica Jeremiah, que deu origem à série de televisão homônima. Ganhou o Troféu HQ Mix de 1999 pela edição brasileira do álbum Caatinga. Dirigido pelo diretor estreante Julius Berg, com roteiro de Mathieu Gompel e Julius Berg em colaboração com Geoff Cox, estrelado por Maisie Williams, Sylvester McCoy, Rita Tushingham, Jake Curaram, Ian Kenny e Andrew Ellis. The Owners foi lançado nos Estados Unidos da América em 4 de setembro de 2020, pela RLJE Films. Na comédia Gaz, Nathan e Terry decidiram “invadir a casa do Dr. Richard Huggins e sua esposa Ellen, pois fica no interior e dizem que tem um grande cofre cheio de dinheiro”. Mary, a namorada de Nathan, complica as coisas quando chega para pegar o carro emprestado, mas é persuadida a ir junto. Ela entra em casa depois que os meninos não conseguem acessar o cofre, pois ela estava esperando há muito tempo. Uma vez lá dentro, ela diz a Nathan que está grávida. Quando os Huggins voltam, os meninos amarram o casal e tentam ameaçá-los para que abram o cofre.

No cenário dramático do filme, Richard reconhece Nathan e Terry de quando eram crianças, fazendo com que Nathan relutasse em continuar o roubo. Em uma tentativa de assumir o controle, Gaz pega uma briga séria com Nathan e o esfaqueia. Ele então tenta machucar Ellen, apenas para Mary matá-lo com uma marreta. Enquanto ela e Terry desamarram o casal, Ellen parece reconhecer Mary. Richard engana Terry e Mary oferecendo-se para operar Nathan e fingindo chamar uma ambulância. Ellen então droga secretamente Terry, que alucina a irmã gêmea de Mary, Jane, que está desaparecida e presume-se que fugiu. Mary finalmente percebe que eles foram enganados. Richard tenta persuadir ela e Terry a beber chá com eles, durante o qual eles discutem a morte prematura da filha do casal, Kate, anos antes, bem como o misterioso desaparecimento de várias adolescentes na área. Agora ciente do perigo que o casal representa, Mary tenta, sem sucesso, escapar. Ela e Terry chegam à garagem, apenas para Terry atirar em Mary nas costas. Enquanto ela sangra até a morte, Richard diz a Mary que eles capturariam e aprisionariam várias garotas em seu cofre, onde as vestiriam como garotinhas e as chamariam de Kate. Eles não encontraram nenhum que se encaixasse no papel até que capturaram a irmã de Mary, Jane, que ainda está em cativeiro. Como recompensa por ajudá-los, o casal aprisiona Terry no cofre com Jane. O filme termina de uma forma macabra e aparentemente ingênua, com a mãe de Terry questionando os Huggins sobre o desaparecimento de seu filho, last but not least, sem saber do envolvimento do casal e da presença dos corpos recém-enterrados de Gaz, Nathan e Mary no jardim.

O tempo, como a unidade negativa do ser-fora-de-si, é igualmente um, sem mais nem menos, abstrato, ideal. Ele é o ser, que, enquanto é, não é, e enquanto não é; ele é o vir-a-ser intuído, segundo Hegel, isto é, analogamente, tal que são determinadas as diferenças simplesmente momentâneas, as que imediatamente se suprassumem como exteriores, isto é, que são apesar disso exteriores a si mesmas. O tempo é como o espaço uma pura forma de sensibilidade ou do intuir, é o sensível, mas, assim como a este espaço, também ao tempo não diz respeito a diferença de objetividade e de uma consciência subjetiva contra ela. Quando se aplicam estas determinações de espaço e tempo, então seria aquele a objetividade abstrata, este [o tempo], porém a subjetividade abstrata. O tempo é o princípio representativo que o Eu=Eu da autoconsciência pura; mas é o mesmo princípio ou o simples conceito ainda em sua total exterioridade e abstração – como o mero vir-a-ser intuído, o puro ser-em-si como um vir-fora-de-si. O tempo é igualmente contínuo como o espaço, pois ele é a negatividade abstratamente referindo-se a si e nesta abstração ainda não há nenhuma diferença real. No tempo, diz-se, tudo surge e perece, se se abstrai de tudo, a saber, do recheio do tempo e igualmente do recheio do espaço, fica de resto o tempo vazio como o espaço vazio, são então postas e representadas estas abstrações de exterioridade, como se elas fossem por si. O real é limitado, e o outro para esta negação está fora dele, a determinidade é assim nele exterior a si, e daí a contradição de seu ser; a abstração opera nessa exterioridade de sua contradição e a inquietação da mesma é o próprio tempo.

Por isso o finito é transitório e temporário, porque ele não é, como o conceito nele mesmo, a negatividade total, mas tem em si, como sua essência universal, entretanto – diferentemente da mesma essência – é unilateral, e se relaciona à mesma como à sua potência. Só o natural, na vida, na realidade concreta é, portanto, enquanto é finito, sujeito ao tempo; o verdadeiro, porém, a ideia, o espírito, é eterna. A intemporalidade absoluta é diferente da duração; é a eternidade que é sem o tempo natural. Mas o próprio tempo é, em seu conceito, eterno; pois ele, não quer qualquer tempo, nem o agora, mas significativamente o tempo-enquanto-tempo, é seu conceito; este tempo, porém, como cada conceito em geral, é o eterno, e também é presente absoluto. O que não está no tempo é o sem-processo; o péssimo e o mais perfeito não estão no tempo, dura. O péssimo, da pior qualidade, porque ele é uma universalidade abstrata, assim espaço, assim tempo mesmo; sua duração não é vantagem. O duradouro é mais altamente cotado do que o transitório; mas toda florescência, toda bela vitalidade tem morte cedo. Mas também o mais perfeito dura, não só o universal sem-vida, inorgânico, mas também o outro universal, o concreto em si, o gênero, a lei, a ideia, o espírito. Representa o processo total ou apenas um momento do processo que entra no tempo enquanto os momentos do conceito têm a aparência da independência; mas as diferenças excluídas portam-se como reconciliadas e retomadas à paz. A noção de desenvolvimento passa a ser central depois dessa concepção na filosofia da história e, para o bem ou para o mal até os dias presentes. Mesmo a ideia de progresso, que implicava o depois poder ser explicado em função do antes, encalhou, de certo modo nos recifes materiais do século XX, ao sair das esperanças ou das ilusões que acompanharam a chamada “travessia do mar” aberto pelo século XIX.

Esse questionamento refere-se a várias ocorrências distintas entre si que não atestam um progresso moral da humanidade, e sim, uma dúvida sobre a história como portadora de sentido, dúvida renovada, per se no que se refere ao seu método, objeto e como tal nas grandes dificuldades não só em fazer do tempo um princípio de inteligibilidade, como em inserir aí um princípio de identidade. A história humana, isto é, uma série de acontecimentos reconhecidos como acontecimentos por muitos, acontecimentos que podemos pensar que importarão aos olhos dos historiadores de amanhã e, ao qual cada um de nós, por mais consciente que seja de nada representar nesse caso pode vincular algumas circunstâncias ou imagens particulares, como se fosse a cada dia menos verdadeiro que os homens, que fazem a história, pois, senão, quem mais senão homens, não sabem que a fazem. Hegel dizia que a verdade é o todo. Esta é a questão fundamental da filosofia. Que se não enxergamos o todo, podemos atribuir valores exagerados a verdades limitadas, prejudicando a compreensão de uma verdade geral. Essa visão é sempre provisória, nunca alcança uma etapa definitiva e acabada, caso contrário a dialética estaria negando a si própria. O método dialético nos incita a revermos no plano abstrato do passado, à luz do que está acontecendo no presente, ele questiona o presente em nome do futuro, o que está sendo em nome do que “ainda não é”. Para Hegel, o trabalho é o conceito chave para compreensão da superação da dialética na história, atribuindo o verbo suspender com três significados: negação de uma determinada realidade, conservação de algo essencial dessa realidade e elevação a um nível superior.  

A filosofia descreve a realidade e a reflete, portanto, a dialética busca, não interpretar, mas refletir acerca da realidade. A dialética é a história das contradições. O reprimido permanece dentro da totalidade. Esta contradição não é apenas do pensamento, mas da realidade concreta. Então, tudo está em processo de constante devir. Esse padrão é nosso velho conhecido, visto que é algo do qual a filosofia durante séculos de elaboração utilizou para conhecer. E isto fica claro da seguinte maneira; se o saber é igual ao conceito e a essência corresponde o objeto, logo o conceito precisa corresponder ao objeto e vice-versa, basta para nós, portanto, verificar em nosso exame, diz Hegel (2007) se o objeto corresponde ao conceito. Por isso, é necessário manter os dois momentos do exame; o conceito, quer dizer, “ser para outro e o objeto consequentemente ser em si mesmo”. Com isso verificamos que não é necessário um “padrão de medida”, no sentido funcionalista, um instrumento que capte o raio, mas de outro modo, é necessário investigar a partir do que é dado, embora, aquilo que é dado fique no limite da própria consciência. Dessa forma, a consciência é consciência do objeto e por identificar este objeto como um elemento extrínseco torna-se “consciência de si mesmo”. A consciência do que é verdadeiro é consciência do “seu saber da verdade”, que estabelece na relação entre tempo e espaço é a própria consciência.

Friedrich Hegel admite Marx, não enxerga o trabalho em toda a sua contraditória materialidade e por isso o idealiza e o interpreta de maneira unilateralmente positiva, minimizando a força da sua negatividade: a essência humana, o ser humano, equivale para Hegel à consciência de si, em vez de reconhecer na consciência de si a consciência de si do homem, quer dizer, “de um homem real, que vive num mundo real, objetivo, e é condicionado por ele”. Por isso, Hegel, na interpretação de Marx da Introdução de 1857, caiu na ilusão de conceber o real como resultado do pensamento, que se encontra em si mesmo, se aprofunda em si mesmo e se movimenta por si mesmo, enquanto o método que consiste em elevar-se do abstrato ao concreto é para o pensamento precisamente a maneira de se apropriar do concreto, de reproduzi-lo como concreto espiritual. Portanto, ao assumir o conceito hegeliano de dialética, Marx foi levado a modificá-lo, mas a perspectiva de Marx implicava não só uma reavaliação do papel do trabalho material na autocriação da sociedade e na autotransformação do ser humano, como também exigia uma reavaliação dos trabalhadores e de sua concepção orgânica como força material de trabalho capaz de dar prosseguimento à autotransformação histórica da humanidade na modernidade. A definição histórica do sábado e do domingo como dias de descanso semanal remunerado é uma conquista relativamente recente dos trabalhadores. Foi resultado da luta operária surgida na Inglaterra historicamente depois da Revolução Industrial, no início do século XIX. Na Antiguidade, em termos de análise comparada, os romanos e os adeptos de religiões pagãs dedicavam o sábado ao deus Saturno, que regia a agricultura. Esse dia reservado para o descanso, numa forma de agradecimento ao deus por uma boa colheita. Em outras religiões, como no judaísmo, o sábado também já era consagrado como um dia de repouso semanal.

O domingo ganhou esse “status” um pouco mais tarde. Só na Era Cristã é que passou a ser considerado sagrado, “porque Jesus ressuscitou dos mortos neste dia”. Por conta disso, os cristãos consagraram o domingo ao Senhor e, para que os fiéis pudessem ir tranquilamente aos cultos, era natural que fosse reservado um dia sem trabalho. Porque pode fazer história e revolucionar a estrutura dessa sociedade, em sua transitoriedade assimilando assim as conquistas mais profundas da filosofia. Utilizando o conhecimento para superar/conservar a situação particular de classe que lhes é imposta. Em sua concepção dialética, a filosofia, “não pode se realizar sem a superação do proletariado; e o proletariado não pode se superar sem a realização da filosofia”.  O modo de pensar dialético atento à infinitude do real e a irredutibilidade do real ao saber distingue os planos de análise e de realidade de quem opera sociologicamente. Implica uma interpretação da consciência no sentido dela se abrir para o reconhecimento do novo, inédito, no âmbito das “mediações complexas” e das contradições sociais que irrompem no campo visual do sujeito e lhe revelam a existência de problemas que não estava enxergando. Hegel é o primeiro a ter visibilidade na Filosofia colocando a questão da consciência e autoconsciência vis-à-vis à consciência comum. É conspícuo a jornada de trabalho que evidência a interrupção do trabalho, fora das crenças religiosas, para que o homem possa gozar e reconstituir-se.   

Porque todas as mercadorias medem seus valores de troca pelo ouro, na proporção em que determinada quantidade de ouro e determinada quantidade de mercadoria contêm a mesma quantidade de tempo de trabalho, o ouro se torna medida de valor, e só se torna equivalente geral (ou dinheiro), unicamente através dessa determinação como medida de valores, medida que como tal mede seu próprio valor de imediato por todo o conjunto de equivalentes-mercadorias. Por outro lado, o valor de troca de todas as mercadorias expressa-se em ouro. Deve-se distinguir nessa expressão: um momento qualitativo e outro quantitativo. Primeiro, o valor de troca da mercadoria existe como encarnação do mesmo tempo de trabalho uniforme; segundo, sua grandeza de valor se apresenta na mesma proporção em que as mercadorias são igualadas ao ouro também igualadas entre si. De um lado, aparece o caráter geral do tempo de trabalho contido nelas; de outro, sua quantidade expressa em seu equivalente ouro. O valor de troca das mercadorias assim expresso como equivalência geral e ao mesmo tempo como grau dessa equivalência em relação a uma mercadoria específica, ou expresso ainda numa só equação ligando as mercadorias a uma mercadoria específica é o preço. Portanto, o preço é a forma transformada sob a qual aparece o valor de troca das mercadorias no interior do processo de circulação. Ipso facto, através do mesmo processo pelo qual as mercadorias apresentam seus valores em preços-ouro, apresentam também o outro como medida dos valores e, daí, como dinheiro. O ouro só se torna medida dos valores porque é por ele que todas as mercadorias avaliam seu valor de troca.

Não é senão pura aparência do processo de circulação a impressão de que o dinheiro faz as mercadorias comensuráveis, pois a medida entre ouro e mercadoria é o tempo de trabalho, e o ouro só se torna medida dos valores pelo fato de que as mercadorias se meçam com ele. Ao contrário, não é senão a comensurabilidade das mercadorias como tempo de trabalho objetivado que permite ao ouro transformar-se em dinheiro. Ao entrar para o processo de troca, as mercadorias assumem a figura real de valores de uso. Somente través da sua alienação é que se tornam equivalente geral. A determinação de seu preço é a sua transformação ideal em equivalente geral, é equação com o ouro que ainda está por se realizar. Mas como as mercadorias estão transformadas em ouro apenas idealmente, ou apenas em ouro representado, seu ser dinheiro não está ainda efetivamente separado de seu ser real, o ouro; por enquanto, está transformado apenas em dinheiro ideal, em medida dos valores, e, de fato, determinadas quantias de ouro funcionam por enquanto apenas como nomes para determinadas quantias de tempo de trabalho. A determinidade formal em que o ouro se cristaliza como dinheiro depende em cada caso do modo determinado em que as mercadorias apresentam, umas às outras, seu próprio valor de troca. Nessa diferença entre valor de troca e preço, observa-se o seguinte: o trabalho individual particular contido na mercadoria precisa primeiro ser apresentado, pelo processo de alienação, em seu contrário, em seu trabalho sem individualidade, abstratamente geral e, somente dessa forma, em trabalho social, ou seja, em dinheiro. O mal dinheiro põe-se de emboscada na invisível capa da medida de valor

O ouro é medida de valor como tempo de trabalho objetivado. Padrão de preços ele o é como determinado peso de metal. Torna-se medida de valor ao relacionar-se como valor de troca com as mercadorias (trabalho) enquanto valores de troca; uma determinada quantia de ouro, como padrão de preços, serve a outras quantias de ouro como unidade. O ouro é medida de valor porque seu valor é variável, e é padrão de preços porque é fixado como unidade de peso invariável. Aqui, como em todas as determinações de grandezas nominalmente iguais, solidez e determinidade das relações de medidas são decisivas. A necessidade de se fixar uma quantia de ouro como unidade de medida e partes alíquotas como subdivisões dessa unidade produziu a representação de que uma determinada quantia de ouro, que naturalmente tem um valor variável, se colocasse numa relação de valor fixa com os valores de troca das mercadorias, no que se perdeu de vista que os valores de troca das mercadorias estão transformados em preços, em quantias de ouro antes mesmo que o ouro se desenvolva como padrão dos preços. Assim como o valor do ouro varia, diferentes quantias de ouro apresentam entre si permanente a mesma proporção de valor. O preço de uma mercadoria ou a quantia de ouro, na qual se transforma idealmente, se expressa agora, portanto, nos nomes monetários do padrão-ouro. A forma própria com que essas mercadorias dão os seus valores de troca está transformada em nomes monetários, pelo quais expressam mutuamente o que elas valem. O dinheiro, por sua vez, torna-se moeda de cálculo. 

O dinheiro, compreendido como moeda de cálculo, pode existir apenas idealmente (teoria), enquanto o dinheiro que circula efetivamente (prática) é cunhado em um outro padrão totalmente diferente. Em muitas colônias inglesas da América do Norte, a moeda circulante, até boa parte do século XVIII, consistia em moedas portuguesas e espanholas, enquanto, por toda parte, a moeda de cálculo era a mesma da Inglaterra. O mais famoso agiota da literatura viveu em Veneza e se chamava: Shylock, personagem de Shakespeare, do ensaio “Mercador de Veneza”. O assunto empréstimo foi central neste romance, o agiota se dispõe a emprestar o dinheiro em troca de uma garantia da parte do amigo de Barsanio, o comerciante Antônio. Em qualquer empréstimo o risco das coisas dar errado é grande, e talvez seja por isso, que as pessoas que emprestam dinheiro precisam economicamente ser compensadas, com um valor pago pelo que emprestou além do montante emprestado que é chamado de juros. Mas porque se tornou o grande vilão do valor de troca entre pessoas? Naquela época, ele era um dos muitos judeus agiotas que viviam nos guetos de Veneza. Durante a vida de Shakespeare, a agiotagem era uma ocupação comum entre os judeus, devido à crença entre os cristãos nesse período de que a usura era um pecado, e por ser uma das poucas profissões que era permitido aos judeus exercerem na Europa medieval, tendo em vista que as leis mercantilistas proibiam qualquer outro tipo de ocupação. A cidade os tolerava, pois eram os únicos que poderiam fornecer o serviço comercial que os mercadores cristãos eram proibidos de fazer, e poderiam cobrar juros pelos seus empréstimos. 

Talvez por isso que os maiores banqueiros foram judeus. Os judeus se sentavam em suas mesas, as suas “tavule” em seus bancos, os “banci”, raiz da palavra italiana para “bancos”, num local conhecido por Banco Rosso. Pinturas de Giorgio Vasari, Frederico Zuccari e Domenico di Michelino retratam bem a crença de um inferno para os agiotas. No final da história Shylok é proibido de cobrar o meio quilo de carne de Antônio exigido no empréstimo em caso de inadimplência. O tribunal o proíbe de derramar sangue de um veneziano, por ele ser judeu a lei determina ainda a perda de seus bens por planejar a morte de um cristão. Então porque ele confiou o empréstimo, como grande vilão do romance de William Shakespeare – “Mercador de Veneza”? Os bancos desfrutam, portanto, do poder de multiplicação monetária através do crédito sem lastro.  Mas nem sempre foi assim, como demonstra Murray Rothbard. O esquema de reservas fracionárias não passa de uma fraude, segundo o economista.  A produção de mercadorias e a circulação de mercadorias, o comércio, constituem os pressupostos históricos em que aquele surge o mercado mundial e abrem no século XVI a moderna biografia do capital. Se abstrairmos do conteúdo material da circulação de mercadorias, da troca dos diversos valores de uso, e considerarmos apenas as formas que este processo gera, encontraremos então como seu último produto o dinheiro. Este último produto da circulação de mercadorias é a primeira forma fenomênica do capital. 

O capital contrapõe-se à propriedade fundiária e em primeiro lugar, sob a forma de dinheiro, como fortuna em dinheiro, capital mercantil e capital usurário. E necessário voltarmos à gênese para reconhecermos o dinheiro como a sua primeira forma fenomênica. Murray Rothbard (1839-1897) combinou a economia laissez-faire de seu professor Ludwig von Mises com os pontos de vista absolutistas dos direitos do homem e a rejeição do Estado que ele tinha absorvido a partir do estudo dos anarquistas individualistas norte-americanos do século XIX, como Lysander Spooner e Benjamin Tucker. Rothbard foi um ardente crítico do influente economista John Maynard Keynes (1883-1946) e do pensamento econômico keynesiano. Seu ensaio “Keynes, o homem”, é um ataque as ideias econômicas e ao personagem Keynes. Rothbard foi também um crítico severo do utilitarista Jeremy Bentham (1748-1832) em seu ensaio: Jeremy Bentham: The Utilitarian as Big Brother. Rothbard enunciou a ideia segundo a qual “os acadêmicos tenderiam a se especializar no que eles são piores”. Henry George (1839-1897) foi grande em tudo, exceto no que diz respeito a terra, sendo assim, ele escreveu sobre terra, 90% do tempo. Milton Friedman (1912-2006) foi excelente, exceto em teoria monetária, então foi nisso que ele se concentrou. Murray Rothbard dedica um capítulo em “Power and Market” para o papel tradicional do economista. Rothbard nota que as funções do economista no livre mercado, diferem muito das do economista em um mercado obstruído. – “O que pode fazer um economista no livre mercado puro?”. No campo da ideologia econômica Rothbard infere. – Ele pode explicar o funcionamento da economia de mercado (uma tarefa vital, especialmente porque a pessoa ignorante tende a considerar a economia de mercado como mero caos desordenado), mas ele não pode fazer muito mais.

Bibliografia Geral Consultada.

BEAUVOIR, Simone de, La Vieillesse. Paris: Éditions Gallimard, 1970; NAPOLEONI, Claudio, Smith, Ricardo, Marx. Considerazioni sulla Storia del Pensiero Econômico. Torino: Boringhieri Editore, 1970; JUNG, Carl Gustav, Sincronicidade. 5ª edição. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 1991; KEYNES, John Maynard, Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda. São Paulo: Editora Atlas, 1992; ELIAS, Norbert, O Processo Civilizador. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 1993, Parte II: Sinopse: “Sugestões para uma Teoria de Processos Civilizadores”, pp. 193-274; INWOOD, Michael, Dicionário Hegel. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1997;  HUIZINGA, Johann, Homo Ludens: O Jogo como Elemento da Cultura. São Paulo: Editora Perspectiva, 1999; CERTEAU, Michel de, L`Invenzione del Quotidiano. Roma: Edizionne Lavoro, 2000; MAFFESOLI, Michel, El Instante Eterno. El Retorno de lo Trágico en las Sociedades Posmodernas. Buenos Aires: Ediciones Paidós, 2001; DAMIÃO, Carla Milani, Sobre o Declínio da Sinceridade. São Paulo: Editora Loyola, 2004; CASTARÈDE, Jean, O Luxo: Os Segredos dos Produtos mais Desejados do Mundo. São Paulo: Editora Barcarolla, 2005; HEGEL, Friedrich, Fenomenologia do Espírito. 4ª edição. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes; Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco, 2007; ZELIZER, Viviana, El Significado Social del Dinero. Buenos Aires: Fondo de Cultura Econômica, 2011; PIKETTY, Thomas, Le Capital au XXIe Siècle. Colección Les Livres du Nouveau Monde. Paris: Editions Du Seuil; 2013; DODD, Nigel, The Social Life of Money. Princeton: Princeton University Press, 2014; JONES, Gareth Stedman, Karl Marx: Grandeza e Ilusão. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2017; BATISTA, João Rodrigo de Melo, Entre a Imensidão Virtual. Sobre o Espaço e as suas Diversas Potencialidades. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Belas Artes. Lisboa: Universidade de Lisboa, 2022; GIL, Igor Motta, Entre Utopias e Distopias: A Imaginação de Futuro sob a Lógica do Capitalismo Tardio. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Sociologia. Instituto de Ciências Sociais. Departamento de Sociologia. Brasília: Universidade de Brasília, 2024; SILVA, Juliane Sousa; GODINHO, Monica Oliveira Dominici, “Ressignificando a Velhice: Quebrando Estereótipos”. In: Revista Foco | vol.18 n°4 |e8341| pp.01-16 |2025; entre outros. 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Andorra - Uma Realidade Social de Prosperidade na Velhice.

                                                                                     Ubiracy de Souza Braga

           “Andorra te la farà, si no és avui, serà demà”. Anna Maria Parés Puntas



Em termos geopolíticos, microestado é um Estado independente com área menor que mil km². Sendo territorialmente pequenos, em sua maioria também o são em termos de população. Atualmente dos 204 países do mundo, 24 se classificam como microestados. Com exceção do Vaticano, todos os demais se encontram em regiões exclusivas de montanhas ou ilhas. Com exceção de Singapura, o restante possui menos de um (01) milhão de habitantes. Os mais economicamente importantes são Singapura, o microestado mais populoso do mundo, uma pequena ilha ao sul da Malásia com mais de cinco milhões de habitantes. Mônaco, um enorme bairro de 33 mil habitantes, à beira o Mar Mediterrâneo e “aos pés” dos Alpes, na França. Vaticano, um quarteirão murado de 900 habitantes na cidade de Roma, na Itália, é sede da Igreja Católica Apostólica Romana, é o menor país do mundo tanto em área quanto em população.  
San Marinho, representando um conjunto de pequenas vilas medievais de 30 mil habitantes, no topo do Monte Titano, também na Itália, mas numa área rural, e não encravada em uma cidade, como o Vaticano. Listenstaine um principado de castelos e vilas medievais de 35 mil habitantes, numa região de difícil acesso dos Alpes, entre a Áustria e a Suíça. E Bahrein, um pequeno sultanato islâmico, formadas por 33 ilhas, situadas no meio do golfo Pérsico. Os estados soberanos estão localizados nas seguintes regiões do globo: sete na Oceania, sete na América Central, seis na Europa Ocidental, duas no Oceano Índico, além do Bahrein no Oriente Médio, e Singapura no Sudeste Asiático. Os seis microestados da Europa são: Malta, Andorra, Listenstaine, San Marinho, Mônaco e Vaticano. Com exceção do Bahrein, todos esses países têm sua economia baseada no turismo, com um pequeno, mas importante apoio da agricultura e pesca. Também oferecem à sua população um elevado Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), de 7 a 9 pontos, em uma escala adaptada de 0 a 1, para 0 a 10.

        

Oficialmente, o “Principado de Andorra”, em catalão: “Principat d`Andorra”, e por vezes “Principado dos Vales de Andorra”, em catalão: “Principat de les Valls d`Andorra”, é um país europeu localizado na cordilheira pirenaica entre o nordeste da Espanha e o sudoeste da França. Antes, aparentemente isolado, o principado é hoje um país próspero principalmente devido ao crescimento do turismo e por seu status ideológico de “paraíso fiscal” que tem um centro comercial rico graças ao seu sistema bancário e constituído de baixos impostos. O país oferece “residência passiva” para aqueles que têm fontes de renda fora do país, como por exemplo, trabalho pela internet, etc. Andorra quer o seu investimento e em troca lhe dará o direito de viver naquele país sem pagar impostos. Porém, você não terá o direito de trabalhar no país e nem de usufruir dos serviços médicos gratuitamente. Por isso, o candidato à vaga de “residente passivo” tem que ser uma pessoa que já tenha o seu negócio em outro país ou on-line.
Andorra tem um ótimo sistema educacional, oferecido de forma gratuita para todos os estudantes, sejam eles “residentes passivos”, cidadãos andorranos ou outros residentes. A residência passiva Andorrana é uma excelente alternativa para aqueles que querem obter uma residência no exterior e, acima de tudo, a oportunidade de diversificar seu capital fora do Brasil. Sem contar que, caso haja crises financeiras ou políticas no Brasil, você poderá estar seguro sabendo que parte dos seus bens está investida no exterior. Ou seja, essa é a maneira mais eficaz para manter seu patrimônio seguro contra ações inesperadas de governos golpistas. O país oferece três sistemas de educação: Andorrano, Francês e Espanhol. O último é uma escola internacional (particular) que também oferece ensino bilíngue em inglês. A grande vantagem da chamada “residência passiva” é a isenção total de impostos. A população andorrana é listada tendo a maior expectativa de vida do mundo, com média estatística de 83,52 anos, segundo dados censitários de 2007. O principado é o único cuja única língua oficial é o catalão, representando qualitativamente 0,22% do total de catalanófonos da Europa, com maioria distribuída regionalmente na Catalunha, Valência e Baleares.
No seu território também são falados o castelhano, o português e o francês, nesta ordem de números de falantes. Andorra também é o sexto menor país da Europa, maior apenas que Malta, Liechtenstein, São Marinho, Mónaco e Vaticano. Sua capital é a cidade de Andorra-a-Velha, também conhecida como “Andorra la Vella”. Etnograficamente a população do principado é de 71 201 habitantes (2006), o que corresponde a uma densidade de aproximadamente 150,75 hab./km2. A taxa de natalidade é de 8,71% e a taxa de mortalidade é de 6,25%o. A esperança média de vida é de 83,51 anos, uma das mais altas do Mundo. Estima-se que em 2025 a população seja de 78 000 habitantes. As nacionalidades mais representativas estatisticamente na população de Andorra são a espanhola, com 46%; a andorrana, 28%; a portuguesa, 11% e a francesa, 8%. A religião maioritária é o catolicismo. A língua oficial é o catalão, fato social que se deve à forte afinidade que, tradicionalmente, o principado tem com a Catalunha, região do Nordeste de Espanha. Também se fala o castelhano e o francês.
De acordo com Coelho (2013) depois dos anos 1930, Andorra percebe as vantagens económicas decorrentes da sua situação geográfica de montanha e do seu posicionamento na fronteira entre dois grandes países como França e Espanha e assiste-se a um processo de ruptura com o sistema econômico tradicional fundamentado numa economia de subsistência suportada pela agricultura, para uma economia em franco crescimento, onde o turismo, o comércio e a banca passam a ditar as remessas de capital. O crescimento das atividades econômicas andorranas, resultantes, por um lado, das políticas de liberalismo econômico e de baixa fiscalidade e, por outro, de um forte impulso no seu tradicional turismo de montanha, que se mantém até à atualidade, justificou o recrutamento de grandes contingentes de trabalhadores estrangeiros e de baixas qualificações, os quais, para além de responderem às necessidades de mão de obra do país, tiveram um papel muito importante na dinamização da procura interna  e por isso dizer-se que “a composição demográfica da atual população andorrana é, antes de mais, “o resultado de um contínuo saldo migratório positivo em relação ao exterior”. No decorrer dos anos 1970, em pleno processo de emigração intra-europeia, exigida pela necessidade de reconstruir muitos países devastados pela 2ª guerra mundial, surge a fixação de cidadãos portugueses em Andorra, correspondendo a cerca de 14,38% da população total. Em 2011, segundo dados estatísticos do Observatório da Emigração, a população de portugueses em Andorra chega a atingir os 15 % da população total.
O principado de Andorra foi durante séculos um território essencialmente agrícola e de pastorícia, onde a prática da caça era frequente. Segundo algumas lendas, Carlos Magno foi seu fundador. O primeiro soberano conhecido de Andorra foi um nobre catalão, o Conde de Urgel, que dominou a região no século IX, passando-a então para diocese de Urgel. No século XI, o Bispo de Urgel, na impossibilidade de governar Andorra sozinho, pediu então a um nobre catalão, o Senhor de Caboet, que defendesse a região. Um nobre francês, o Conde de Foix, herdou através de casamentos os encargos do catalão. O conde francês e o bispo lutaram por Andorra, até que finalmente em 1278 encerraram suas disputas através de um tratado que os tornavam governantes conjuntos. Andorra permaneceu controlada pelo bispo de Urgel, exceto durante a revolução clássica francesa, quando revolucionários declararam a Independência do Reino.
Em 1806, os habitantes locais pediram a Napoleão Bonaparte que devolvesse ao território o estatuto de Principado. Durante 700 anos, o Principado prestou vassalagem ao bispo de Urgel e ao Monarca francês, depois, com o regime de República em França, ao presidente. No dia 6 de julho de 1934, o russo Boris Skossyreff foi proclamado Rei Borís I de Andorra pelo Governo local. No dia 14 de julho, a Guarda Civil espanhola entrou em Andorra, prendeu e expulsou Skossyreff, que passou por Barcelona, Madrid, e finalmente foi mandado para Portugal. Até 1970, o direito de voto era exclusivo dos homens de Andorra, a partir da terceira geração. Atualmente o voto é extensivo a todos os andorranos de primeira geração, com idade igual ou superior a 28 anos, cujos pais sejam estrangeiros. O número de eleitores é diminuto, comparativamente em relação ao total da população, aproximadamente de 70% da qual é composta por residentes estrangeiros que têm vindo a reivindicar os seus direitos políticos e de cidadania.


A imigração, controlada através de um sistema de quotas, restringe-se aos nacionais da França e da Espanha que pretendam trabalhar em Andorra. Antes de 1993, o país não possuía qualquer constituição formal, tendo, à época, todas as moções e propostas submetidas a delegados permanentes representantes dos dois chefes de Estado para aprovação. Em 1976 foi criada uma organização política, tecnicamente ilegal, o Partido Democrático de Andorra, fornecendo as bases de um futuro sistema  democrático. Òscar Riba Reig tornou-se primeiro primeiro-ministro do país em 1981, e em 1982 foi nomeado um Conselho Executivo chefiado pelo Primeiro-Ministro. Tal ato provocou a separação entre os poderes legislativo e executivo. Em Julho de 1991 foram estabelecidos laços formais com a Comunidade Europeia. Em maio de 1993 foi adotada uma nova Constituição, concedendo a Independência em quase todos os aspetos, exceto o da segurança externa, que continuou sob a responsabilidade da França e da Espanha.
As primeiras eleições diretas tiveram lugar em dezembro daquele ano, tendo sido formado um Governo de coligação liderado pelo primeiro-ministro, Óscar Riba Reig. Em 1994, Andorra tornou-se um membro de pleno direito das Nações Unidas e do Conselho da Europa. A coligação de Reig, o Grupo Nacional Democrático, perdeu o apoio dos independentes em dezembro de 1994 e Marc Forné Molné, da União Liberal, substituiu-o no cargo. Desde a década de 1950, Andorra tornou-se economicamente uma nação próspera, tendo chegado a ser declarada como o país com o maior crescimento econômico do mundo, com um rendimento per capita superior ao japonês. No Principado existe mais de 5000 lojas e 500 hotéis, a atividade turística é intensa e a banca vive uma situação estável e próspera. Em grande parte, este panorama deve-se à isenção de impostos de que usufruem muitos produtos e atividades no Principado. 
Bibliografia geral consultada.

SANGUIN, André-Louis, Les Micro-États d’Europe (Andorra, Liechtenstein, Monaco, Saint Marin). These de Géographie Politique et Économique (Ph.d.). Liège: Université de Liège, 1973; CHAPEAU, Gabriel, La Mise en Valeur d’une Région de Montagne: Les Vallées d’Andorre. Nancy-Metz: Centre Regionaux de Documentation Pedagogique, 1986; BOSI, Eclea, Memória e Sociedade: Lembranças de Velhos. Tese de Doutorado em Psicologia. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 1994; LARROSA, Maria Jesús Lluelles, La Transformació Econòmica d`Andorra. Barcelona: Edizionne L`Avenc, 1991; Idem, “La Transformació Econòmica d`Andorra Durant el Segle XX”. In: Treballs de la Societat Catalana de Geografia, nº 64, 2007, pp. 71-88; Idem, Impacte de la Immigració a Andorra. Govern d`Andorra. Departament de Recerca. Ministeri d`d`Educació. Vol. 57, nº 2, 2011; CARVALHO, José Luiz, Portugueses em Andorra - ´Uma Visão Global`. Andorra: Andbanc Editor, 2007; MATIAS, Magda Santos, A que sabe um sumol a 2.200 metros de altitude? Identidade, integração e redes sociais dos cidadãos portugueses em Andorra. Andorra: Pagès Editors, 2008; BARREIRA, Irlys, Cidades Narradas - Memória, Representações e Práticas de Turismo. Campinas, SP; Pontes Editores, 2012; COELHO, Judite do Rosário Ferreira, Obstáculos ao Empreendedorismo Emigrante Português em Andorra. Dissertação de Mestrado. Vila Nova de Gaia: Instituto Superior de Línguas, 2013; GONÇALVES, Maria Ortelinda; COELHO, Judite Ferreira; PEREIRA, Michaël, “Mulheres Portuguesas Empreendedoras em Andorra”. Disponível em: Revista População e Sociedade - A Nova Vaga da Emigração Portuguesa, nº 22, janeiro de 2014; BLEVIN, Pierre Alexis, Les Micro-États Européens. Étude Historique, Juridique et Fiscale (Andorre, Lichtenstein, Monaco, Saint-Martin, Vatican). Paris: Éditions L`Harmattan, 2017; entre outros.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Marilena Chauí - Crise de Autoridade & Ciências Humanas no Brasil.

                                                                                     Ubiracy de Souza Braga

                                                 “Fuvest e Lattes são a prova da estupidez brasileira”. Marilena Chauí

            
          Marilena de Souza Chauí, nasceu em Pindorama, em 4 de setembro de 1941. A história oficial de Pindorama teve início em 1908, quando o comendador Ferdinando Massimiliano Motta adquiriu do coronel Firmino de Araújo Aguiar, então residente em Casa Branca, uma gleba à margem direita do ribeirão São Domingos. Sabe-se que a escritura da gleba adquirida por Ferdinando Motta foi lavrada no livro de notas 90, fls. 75, do Segundo Tabelião de Jaboticabal, em 15 de fevereiro de 1908, e registrada sob o número 14389, no livro de transcrição 50, no Registro de Imóveis daquela cidade, em 17 de fevereiro de 1908. É uma escritora e filósofa brasileira, especialista na obra de Baruch Espinoza e professora Emérita de História da Filosofia Moderna na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. É considerada uma das filósofas mais importantes do Brasil e uma das mais influentes intelectuais do país, com vasta e reconhecida obra. Também é reconhecida por sua atuação política, tendo combatido a ditadura militar golpista de 1964 e sido uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores (PT), do qual é ativa militante. Foi secretária de Cultura do Município de São Paulo durante a gestão da prefeita Luiza Erundina.

Marilena é filha do jornalista Nicolau Alberto Chauí e da professora Laura de Souza Chauí. Foi casada com o jornalista José Augusto de Mattos Berlinck, com quem teve dois filhos, José Guilherme e Luciana. Atualmente é casada com Michael Hall, historiador e professor da Universidade Estadual de Campinas.  Concluiu a graduação em 1965, na Universidade de São Paulo. Sua Dissertação de Mestrado, intitulada: “Merleau-Ponty e a Crítica do Humanismo”, foi defendida em 1967, mesmo ano em que deixou de lecionar no Colégio Estadual Alberto Levyi, em São Paulo, e mesmo ano em que iniciou o doutorado acerca das ideias do filósofo Baruch Espinoza, orientada por Gilda Rocha de Mello e Souza e concluída em 1971, também na Universidade de São Paulo. Em 1977, defendeu sua Tese de Livre-docência, sob o título: “A Nervura do Real: Espinosa e a Questão da Liberdade”, onde abrangeu alguns assuntos relevantes como a liberdade, a servidão, a beatitude, a paixão, a imanência e a necessidade. 

Em entrevista, Marilena definia que os anos que passou sob o regime militar foram anos de medo em que você não sabia se quando saísse de casa poderia voltar ou se veria colegas de trabalho. Relata também que universidades eram controladas por militares havendo até escutas nas salas de aula, policiais disfarçados de estudantes e o exílio de professores era tão grande que restaram apenas cinco na instituição em que Marilena lecionava. Resistente ao regime militar, a filósofa, juntamente a outros professores, criou o que chamavam de “grupo de amigos” que se dedicavam em abrigar perseguidos e se certificarem de que os apreendidos ainda estavam vivos, dedicavam se também a crítica ao autoritarismo através de filósofos antigos. Em 1987, prestou concurso público de provas e títulos e foi aprovada para o cargo de professora Titular de Filosofia da Universidade de São Paulo. Passou a dar aulas no Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo, tendo se especializado em História da Filosofia Moderna e Filosofia Política. Atualmente, Marilena é Presidente da Associação Nacional de Estudos Filosóficos do século XVII, historiadora da filosofia brasileira, professora de Filosofia Política e História da Filosofia Moderna da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.                                                        

O sistema de currículos Lattes surgiu da necessidade de controle político e ideológico do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para gerenciar uma base de dados sobre pesquisadores em Ciência &Tecnologia para credenciamento de orientadores no país. Leva o nome do físico paranaense César Lattes. De 1993 a 1999, utilizaram-se formulários “em papel”, um sistema em ambiente DOS (BCURR) e um sistema de currículos específico para credenciamento de orientadores. Nesse período, a Agência acumulou aproximadamente de 35 mil registros curriculares da atividade de pesquisa em Ciência & Tecnologias no país. Embora esses instrumentos tenham viabilizado a operação de fomento da Agência, a natureza das informações dificultava uma plena utilização dessa base de dados em outros processos de gestão em Ciência &Tecnologia. Não era possível separar coautores ou mesmo contabilizar índices puros de coautoria nos currículos vitae. O sistema de Ciência &Tecnologia, no Brasil, é gerido pelo Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT). Com um orçamento anual da ordem de R$ 2 bilhões, durante o governo da presidente eleita Dilma Rousseff, com mandato presidencial de 1° de janeiro de 2011, interrompido com o golpe de Estado de meados de abril até 31 de agosto de 2016, chamado por ela de “interrupção ilegal e usurpadora” do seu mandato e disse que vai lutar com “todos os instrumentos”, o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) possuía em sua estrutura 20 Instituições de grande porte no desenvolvimento de pesquisas. 

 
No que diz respeito à gerência de recursos e formulação de políticas de Ciência & Tecnologia, o Ministério de Ciência e Tecnologia é auxiliado pelo velho Conselho Nacional de Desenvolvimento de Pesquisa (CNPq) e pela elitista Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), é uma empresa pública brasileira de fomento à ciência, tecnologia e inovação em empresas, universidades, institutos tecnológicos e outras instituições públicas ou privadas, sediadas no Rio de Janeiro. A empresa é vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação. No curto período 1998-1999, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) realizou um levantamento junto à comunidade de consultores ad hoc visando estabelecer um modelo de currículo que atendesse tanto às  suas necessidades de operação de fomento como às de planejamento e gestão em Ciência &Tecnologia. Além disso, o grupo de desenvolvimento CESAR - Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife - da Universidade Federal de Pernambuco, e o grupo Stela - atual Instituto Stela - da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) incluiu no formulário eletrônico as diversas “funcionalidades” técnicas há muito solicitadas pela comunidade científica, tais como relatórios configuráveis, saída para outras fontes, indicadores de produção, dicionários individualizados, importação dos dados preenchidos em outros sistemas de currículos, etc. Entre março e abril de 1999, 140 dos 400 consultores Ad hoc que responderam à pesquisa avaliaram as respostas do primeiro protótipo.
Em maio de 1999, CNPq e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) acordaram a completa compatibilização do novo currículo do CNPq com os dados de pós-graduação, sob a ótica dos indivíduos de um Programa (pesquisadores, docentes ou discentes). O encontro entre ambas as agências resultou na modificação do protótipo, que se transformou no “Sistema de Currículos Lattes”, lançado a 16 de agosto de 1999. Nos dois primeiros anos de operação do Sistema de Currículos Lattes, a cobertura de currículos ligados a C&T aumentou em mais de 300%, com a base anterior de cerca de 35.000 registros sendo incrementada para mais de 100 mil currículos. Em julho de 2000, a Coordenação Geral de Informática do CNPq iniciou um trabalho de intercâmbio com outras instituições ligadas à C&T no País. O resultado foi a ligação dinâmica em termos de processo de trabalho dos currículos Lattes do CNPq com referência ao mesmo pesquisador em outras bases de dados. Ao mesmo tempo em que construiu o formulário “off-line”, a Coordenação Geral de Informática do CNPq trabalhou na ferramenta on-line, que funciona sobre uma plataforma Web e permite que pesquisadores atualizem os seus currículos diretamente na base do CNPq. 
Neste trabalho de intercâmbio, o CNPq vinculou os currículos Lattes com o INPI, para apresentação dinâmica das patentes de registro dos pesquisadores; o Scielo, LILACS, MEDLINE, fruto de acordo com BIREME, para leitura dos textos completos publicados pelos pesquisadores e para vínculo com os currículos de parceria dos coautores; e as universidades, para vínculo com bases institucionais de trabalho desses pesquisadores. A universidade brasileira submeteu-se à ideologia neoliberal da sociedade de mercado, ou “sociedade administrada” (Escola de Frankfurt, etc.), que transforma direitos sociais, inclusive educação, em serviços; concebe a universidade como prestadora de serviços; e confere à autonomia universitária o sentido de gerenciamento empresarial da instituição. Em repetidas manifestações, o reitor da Universidade de São Paulo (USP) revela seu “lugar de fala”, sua afinação com esse ideário, ao recorrer ao discurso neoliberal utilizado para pensar o trabalho universitário, que inclui expressões como “qualidade universitária”, definida como competência e excelência e medida pela “produtividade” e “avaliação universitária”. Foi o que sustentou a filósofa e professora universitária Marilena Chauí ao proferir sua Aula Magna sobre o tema: “Contra a Universidade Operacional”, em 8 de agosto de 2015, que pelo seu prestígio lotou com centenas de pessoas o auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.

Neste contexto, a Universidade de São Paulo, como suas congêneres, transformou-se numa “fábrica de produzir diplomas, teses”, tendo como parâmetros os critérios da produtividade: quantidade, tempo, custo. - “Esse horror do currículo Lattes. É um crime o currículo Lattes! Porque ele não quer dizer nada. Eu me recuso a avaliar alguém pelo Lattes!”, disse Marilena Chauí. As frases fortes mereceram da plateia aplausos entusiasmados. - “Vejo as pessoas desesperadas porque perderam 7 ou ganharam 7 da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). Não significa nada. ‘Quero ser 7 porque Porto Alegre é 7’. A gente incorporou a competição pelas organizações, pela eficácia”, destacou Marilena Chauí. Acrescentou: - “FUVEST e Lattes são a prova da estupidez brasileira”. Antes da Aula Magna, o professor Ciro Correia, presidente da ADUSP, fez um discurso sobre a gravidade da crise em curso. Ele criticou “o ataque explícito da Reitoria e do governo estadual à concepção que sempre defendemos: de implantação e desenvolvimento de uma universidade democrática, pública, gratuita, laica e de qualidade socialmente referenciada”.
Ciro Correia afirmou que a administração da universidade “se sente à vontade para governar à revelia de qualquer preocupação com legitimar suas diretivas, ou sequer chancelá-las nas instâncias internas de deliberação, por mais inadequadas que sejam”, e criticou com dureza a oligarquia que controla a Universidade de São Paulo: - “O processo que chegou a ser referido como ‘a rebelião dos diretores’, que conduziu ao esquema de transição nos marcos da reunião do Conselho Universitário de 1º de outubro de 2013, supostamente para nos salvar da perspectiva de continuidade da descontrolada gestão anterior, acabou por definir um amplo espectro de apoios para uma candidatura que, como todos podem constatar, nos outorgou antes um tirano do que um reitor”. Por fim, o presidente da ADUSP conclamou os presentes a se engajarem com determinação no movimento de greve, seja cobrando posições dos colegiados “quanto às ações ilegítimas e violentas da Reitoria, como no caso do inaceitável confisco dos salários decorrente dos cortes do ponto dos funcionários”, seja participando “da nossa caminhada do próximo dia 14 de agosto, no início da tarde, seguida de ato conjunto das universidades e do Centro Paula Souza diante do Palácio dos Bandeirantes”.
Marilena Chauí ingressou no curso de filosofia no ano de 1960 e finalizou a faculdade em 1965 na Universidade de São Paulo. Sua dissertação de mestrado, cujo título era “Merleau-Ponty e a crítica do humanismo”, foi defendida por ela no ano de 1967, mesmo ano em que começou um doutorado na França defendendo tese acerca das ideias do filósofo Baruch Espinoza, orientada pela professora doutora Gilda Rocha de Mello e Souza. Alguns anos depois, já em 1977, defendeu sua Tese de Livre-Docência na Universidade de São Paulo, sob o título: “A Nervura do Real: Espinosa e a Questão da Liberdade”, onde abrangeu temas contemporâneos em torno do ideário da liberdade, a tópica da servidão, a beatitude, a paixão, a imanência e a necessidade humana.  
Vale lembrar que Thomas Kuhn, ao desenvolver o conceito de “comunidade científica” tinha como propósito pensar a ciência como uma atividade coletiva e, para que essa atividade coletiva pudesse realmente ser constituída, fazia-se necessário ter um espaço único, próprio, adequado para que ela pudesse ser desenvolvida com certa legitimidade. É um dos principais pensadores neste âmbito que entende e procura demonstrar que a ciência é uma atividade intrinsecamente comunitária. O indivíduo continua fazendo ciência, mas ele necessita estar vinculado a uma comunidade de pesquisa. Seu trabalho individual feito de forma aparentemente independente, não adquire reconhecimento social e/ou político, pois o campo fértil para o desenvolvimento científico está na estrutura comunitária. A comunidade científica passa a ser a fonte primordial de estímulos necessários para a resolução de um determinado problema.
Uma “comunidade científica” passa a ser entendida como uma instituição, ou seja, é algo diferente do que uma simples união, junção de cientistas. Para definir o que seja uma comunidade científica, não basta enumerar os indivíduos que dela fazem parte,  tendo em vista que se refere a uma comunidade científica como um grupo de praticantes de uma especialidade científica que se encontram unidos por elementos comuns que foram incorporados através dos procedimentos burocráticos da iniciação científica. É no ambiente oferecido pela comunidade científica que os cientistas veem-se a si mesmo e são vistos pelos outros como os responsáveis pela resolução de um conjunto de problemas. Kuhn enfatiza a importância que a comunidade científica exerce sobre a prática científica. À medida que os cientistas fazem parte de uma comunidade científica, estão autorizados a desenvolver suas atividades profissionais. Encontram-se num espaço adequado onde todos os integrantes do grupo se tratam e se veem como iguais, pois receberam praticamente a mesma iniciação. A comunicação entre os cientistas torna-se mais fácil. Todos os cientistas passam a investigar o mesmo problema. 
Como receberam a mesma iniciação científica, tendem a evitar divergências em suas ideias. Conseguindo, geralmente, atingir os mesmos resultados, os cientistas “falam a mesma língua”. Em 1987, prestou concurso público e foi aprovada para o cargo de professora Titular de Filosofia da Universidade de São Paulo. Passou a ensinar no Departamento de Filosofia, tendo se especializado em História da Filosofia Moderna e Filosofia Política. Atuante no ambiente acadêmico, mas também no meio intelectual e político brasileiro, Marilena Chauí integra o Partido dos Trabalhadores (PT), uma instituição que ela ajudou a fundar na década de 1980. Durante a gestão da ex-prefeita da cidade de São Paulo, Luiza Erundina, atuou a filósofa como líder da Secretaria Municipal de Cultura daquela cidade. Seu trabalho na política e produção acadêmica alcançaram também pessoas desvinculadas das instituições de ensino formais, pois conseguiu vislumbrar grade êxito com trabalhos escritos em estilo didático jornalístico, de compreensão para leigos. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) é um dos principais órgãos federais de fomento à pesquisa no Brasil.
        No entanto, já está bastante claro que a ciência brasileira passa por mais um período de grave crise, com periódicos especializados sendo citados na revista britânica Nature por fraude, número de citações a pesquisadores brasileiros caindo na comunidade acadêmica mundial, crescente desinteresse dos pesquisadores por ciências exatas e biológicas, entre outros exemplos. Portanto, é importante promover uma análise crítica sobre o complexo perfil de órgãos como o CNPq. Afinal, quando a instituição avalia o mérito de uma proposta de desenvolvimento científico e tecnológico, o que exatamente é levado em consideração? Que certos homens e mulheres façam “avançar” o conhecimento científico e tecnológico historicamente determinado de nossa nação globalizada no mundo ocidental. No entanto, no site do CNPq não há informações transparentes e detalhadas sobre o destino dessas verbas federais. Quem recebe essas bolsas? Por que alguns recebem este tipo de apoio e outros não? Quais são os critérios utilizados para a concessão de bolsas? Importante também frisar que a concessão de bolsas não tem impactos sociais apenas sobre os cofres públicos e o bolso de quem recebe. Bolsas para pesquisadores apresentam caminhos muito “visíveis” ideologicamente em Instituições nas quais estão lotados os pesquisadores, bem como entre pares em grupos de pesquisa.
          Enfim, a sociedade brasileira lembra-nos o drama estadunidense: “The Curious Case of Benjamin Button” (2008), baseado no conto homônimo lançado em 1921 pelo escritor F. Scott Fitzgerald. Metaforicamente representa a história social de um homem, Benjamin, que em 1918 nasce com a aparência envelhecida e por isso, pensando que ele é um monstro, seu pai o abandona. Benjamin, contudo, é criado num lar assistencial de idosos e, enquanto pequeno, todos pensavam que ele iria acabar desgraçadamente por morrer rapidamente. Durante a sua infância conhece Daisy, o grande amor de sua vida. Apesar de ninguém acreditar na sua sobrevivência, ele vai ficando mais novo ao longo dos anos, vendo os outros ao seu redor envelhecerem. Mas como isto se aplicaria na vida de Benjamin que nasceu ao contrario, com aparência e corpo de uma pessoa aproximada de 80 anos em diante? Chega-se a conclusão que o mesmo acontece com o idoso. O envelhecimento é um processo de perdas em relação a muitos aspectos da vida, mas algumas coisas, como o saber, ao contrario de serem perdidas, acumulam-se. Mas o processo de envelhecimento, fora de dúvida, desencadeia o aumento das limitações das capacidades da memória e de ordem biológica, em decorrência de fatores genéticos e ambiental, chegando a Benjamin como um bebê.
Bibliografia geral consultada.

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