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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Globalização, Relações Dialéticas & Dispositivos da Copa do Mundo.

                                                                             “Tem que colocar o coração na ponta da chuteira!”. Galvão Bueno

                         

        Carlos Eduardo dos Santos Galvão Bueno nascido no Rio de Janeiro, em 21 de julho de 1950, é profissionalmente um locutor esportivo, empresário, radialista e apresentador brasileiro. Atualmente é narrador do SBT e do Amazon Prime Vídeo. O Sistema Brasileiro de Televisão é uma rede de televisão comercial aberta brasileira fundada em 19 de agosto de 1981 por Silvio Santos. Considerado o narrador esportivo de maior popularidade do Brasil, ao mesmo tempo que é alvo de críticas por ufanismos e exageros, é famoso por ter narrado momentos relevantes e histórico-sociais do esporte nacional. Entre esses eventos estão a conquista do tetra e o pentacampeonato mundial da Seleção Brasileira de Futebol, os títulos mundiais da Fórmula 1 e o acidente fatal do piloto brasileiro Ayrton Senna em 1994, vitórias de times brasileiros em Libertadores da América e Mundiais de Clubes, além de vários Jogos Olímpicos da era moderna. É proprietário da Bueno Wines, vinícola com sede no município de Candiota, no Rio Grande do Sul. Começou a carreira na Rádio Gazeta de São Paulo em 1974, depois de trabalhar numa fábrica de materiais plásticos. Logo depois, saiu da Rádio e trabalhou para a TV Gazeta. Na emissora, participou do programa Mesa Redonda, onde cobriu a Copa do Mundo de 1974. Em 1977, Galvão passou pela Rede Record apenas dois meses. Ingressou na TV Bandeirantes no final de 1977 como comentarista na Copa do Mundo de 1978. Em 1980, quando a emissora comprou os direitos de transmissão do Grande Prêmio da Fórmula 1, o locutor narrou pela primeira vez provas da categoria. Galvão foi contratado pela TV Globo em 1981.  Seu primeiro trabalho na emissora foi a narração da partida entre Flamengo e Jorge Wilstermann, da Bolívia, pela Copa Libertadores da América. 

             Narrou jogos da Copa do Mundo de 1982, mas ainda não era o locutor principal da emissora; o titular do posto era Luciano do Valle (1947-2014), que narrou os jogos do Brasil naquele mundial. Logo após o Mundial realizado na Espanha, Luciano do Valle foi para a TV Record. Assim, o Grande Prêmio da África do Sul de 1982 foi o primeiro GP da categoria narrado por Galvão pela TV Globo. Em 2013, contou que um erro na narração deste GP quase lhe custou o emprego: “Eu vou contar o dia em que (risadas) eu achei que tinha perdido o emprego. Estava começando a carreira e terminando no mesmo dia. Estreia na Globo na Fórmula 1, Grande Prêmio da África do Sul de 1982. Naquela época ninguém parava para abastecer e trocar pneus, quem parava para trocar um pneu furado estava fora da corrida. O Prost, que estava em primeiro lugar, entrou nos boxes trocou um pneu e foi embora... e na minha cabeça nunca mais ele iria se recuperar. Quando ele passou o Carlos Reutemann eu disse: Tá tirando volta de atraso. Estava nada, Prost voltou na mesma volta e estava voltando para a primeira colocação. Narrei vitória de Carlos Reutemann. Fomos para o comercial, quando voltamos preparou-se o pódio e apareceu lá Alain Prost como vencedor. Me deu um desespero, vou pedir ajuda para quem? Para o Reginaldo Leme, que já tinha alguma história na televisão. Olhei para o Reginaldo do lado e fiz assim para ele: E agora? Ele olhou para mim e disse: Não sei. Nesse momento eu falei: acabou a minha carreira. Foram oito horas e meia de volta para o Rio de Janeiro certo que eu estava demitido. Graças a Deus o Boni, diretor da TV Globo, me deu uma chance, eu continuei e estou aí até hoje”. 

            Em 1983, no Maracanã, fez a cobertura para o Globo Esporte da morte do ex-jogador brasileiro Garrincha. Já em 1984, Galvão narrou o final da maratona feminina dos Jogos Olímpicos realizados em Los Angeles, quando a suíça Gabriela Andersen-Schiess, extenuada, conseguiu completar a prova em 37º lugar, e foi ovacionada pelo público. O brasileiro narrou ao vivo a emocionante volta final da corredora no Coliseu de Los Angeles. Em 1986, na Copa do Mundo FIFA daquele ano, Galvão ainda não era o principal narrador da Globo. Com isso, narrou apenas um jogo do Brasil naquele Mundial, pois Osmar Santos não estava se sentindo bem. Quatro anos depois, na Copa do Mundo de 1990, Galvão já era o principal narrador da emissora. Nesta primeira passagem de Galvão pela TV Globo, destaca-se, ainda, a narração das conquistas de dois dos três títulos de Nelson Piquet, em 1983 e 1987, e os três campeonatos de Ayrton Senna, em 1988, 1990 e 1991. Em 1992, Galvão deixou a TV Globo em nome de um projeto para comandar o departamento de esporte da Rede OM (atual CNT), com sede no estado do Paraná. Galvão acumulava os cargos de narrador, apresentador e diretor de esportes. Na época, a então recém criada emissora de televisão comprou os direitos de exibição da Copa Libertadores da América, sendo a única emissora do Brasil a transmitir o torneio continental daquele ano, dando a sorte de registrar a histórica campanha do São Paulo de Telê Santana. A estreia oficial de Galvão como locutor na emissora aconteceu em 1º de abril de 1992, após uma campanha de divulgação em grandes jornais brasileiros. O contratado debutou com a partida em que o São Paulo goleou o Criciúma por 4–0, no Morumbi, válida pela fase de grupos do torneio. A ocasião foi amplamente divulgada pela emissora. Nos principais jornais daquele dia, havia o anúncio da partida com o slogan “O jogão do Galvão!”.       

           O sucesso do São Paulo na Libertadores colocava a Rede OM à frente de emissoras como SBT, Manchete, Band e Record. A cada avanço do Tricolor na competição, a audiência da emissora paranaense crescia um pouco mais. Com o fim da Libertadores, a Rede OM se virava como podia com outros eventos esportivos. Chegou a transmitir, inclusive, o Campeonato Nacional de Rodeios para todo o Brasil. Galvão Bueno participou até da transmissão de um evento de lutas chamado “Os Campeões do Ringue”. A emissora acabou sendo prejudicada pelo envolvimento do proprietário no escândalo PC Farias, 13 de maio de 1992, que derrubaria Fernando Collor da presidência do país. As dificuldades financeiras que vieram depois disso provocaram demissões no jornalismo e denúncias de salários atrasados. Galvão seguia no comando e a área representava 60% do faturamento total da emissora, conforme informou a Folha de S. Paulo em 15 de novembro de 1992. O avanço das investigações do caso PC Farias fez com que a emissora tivesse que trocar de nome para se desvencilhar dos escândalos e da fama de cheques sem fundos distribuídos a funcionários e diretores. Com isso, Galvão iniciou suas conversas de retorno à Rede Globo em fevereiro de 1993, acertando seu retorno a Globo no dia 2 de março, como informou no dia seguinte a Folha de S. Paulo com reportagem de Flávio Gomes. Em seu retorno à TV Globo, Galvão narrou as principais conquistas de atletas do país — exceção aos títulos de Gustavo Kuerten no torneio de Roland Garros —, com destaque para as Copas do Mundo FIFA vencidas pela Seleção Brasileira em 1994, nos Estados Unidos (onde famosamente gritou “é tetra, é tetra” abraçado a Pelé), e em 2002, na Coreia do Sul e no Japão. 

         Também cobriu o acidente fatal de Ayrton Senna e vários Jogos Olímpicos. Em 1996, quando o Jornal Nacional passou por uma profunda reformulação e William Bonner e Lillian Witte Fibe passaram a assumir o comando, Galvão passou a participar na bancada, quase todos os dias, dando notícias do esporte. Sua participação no Jornal, porém, foi bem curta. Na Copa do Mundo de 1998, realizada na França, Galvão, além de narrar os jogos do Brasil, coordenou o debate esportivo Bate-Bola, um quadro do Esporte Espetacular com comentários sobre os jogos do torneio. De 1999 a 2001, Galvão apresentou o programa Espaço Aberto, na GloboNews. Na Copa do Mundo da Coreia e do Japão, em 2002, o Bate-Bola passou a ser um programa independente, exibido logo após os jogos da seleção. Além do programa esportivo, Galvão Bueno, Pedro Bial e Fátima Bernardes apresentaram o Brasil na Copa, exibido nas noites de domingo. De 2003 a 2022, além do futebol na Globo, Galvão apresentou o programa Bem, Amigos! nas noites de segunda, no canal de televisão a cabo SporTV. Em 2008, ganhou um quadro no programa Esporte Espetacular chamado Na Estrada com Galvão, em que ele entrevistava grandes nomes do futebol. Em entrevista à Mônica Bergamo, Galvão contou um drama que aconteceu na Copa do Mundo FIFA de 2010, realizada na África do Sul. “No jogo de Brasil e Holanda, eu travei. A minha voz falhava, parecia carro de embreagem ruim. O Cléber Machado chegou a ficar de prontidão. Me apavorei”. O problema foi um fungo nas cordas vocais, que exigiu um longo tratamento e muitos remédios. Após a final da Copa, Galvão Bueno anunciou que esta Copa seria a última que ele trabalhou fora do Brasil e que a próxima Copa que foi realizada no Brasil em 2014 seria a sua última, pois se aposentaria após o evento. Galvão, porém, voltou atrás e confirmou que narraria a Copa do Mundo de 2018, na Rússia. Em julho de 2014 renovou seu contrato com a Rede Globo até 2019.

Entre 2 de junho e 13 de julho de 2014, Galvão Bueno trabalhou como âncora do Jornal Nacional ao lado da apresentadora e jornalista Patrícia Poeta, na cobertura da Copa do Mundo FIFA. O expediente foi repetido em eventos seguintes, ao lado de Renata Vasconcellos. Nos Jogos Olímpicos de 2016, ele narrou algumas das principais conquistas brasileiras, como o inédito título conquistado pelo futebol masculino. Em 24 de março de 2022, em uma entrevista ao jornal O Globo, o narrador anunciou que deixaria as narrações da TV Globo após a Copa do Mundo de 2022, fechando assim um ciclo de 41 anos na emissora (sendo 29 anos seguidos). No dia 23 de abril, o locutor esportivo fechou um contrato de quatro anos com a empresa Play9, de propriedade do youtuber Felipe Neto. O intuito da empresa é levar Galvão Bueno para plataformas como YouTube e Twitch, para que o narrador realize transmissões digitais. Em maio de 2022, Galvão lançou seu primeiro projeto digital sem vínculo com a TV Globo, o podcast PodFalar, Galvão! em parceria com a HUB Mídia. Na primeira temporada, que foi de 25 de maio a 7 de setembro, o narrador contou histórias de sua vida e carreira. Seu último jogo narrado na Globo foi a final da Copa do Mundo entre Argentina e França. Em julho de 2024, retornou à emissora para a cobertura das Olimpíadas de Paris, participando da cerimônia de abertura e comentando diretamente da Central Olímpica. Após a saída da TV Globo, Galvão estreou seu canal no YouTube no dia 25 de março de 2023, com a transmissão do amistoso entre Brasil e Marrocos. 

Em 13 de fevereiro de 2025, Galvão anunciou, por meio das redes sociais, seu retorno à Band após 44 anos. Em 10 de setembro de 2025, com o anúncio que o SBT havia adquirido a segunda metade da Copa do Mundo FIFA de 2026 em parceria com a N Sports (canal por assinatura da qual Galvão é sócio), dividido as transmissões com a Globo em TV aberta e jogos da Seleção Brasileira, o narrador foi confirmado para a cobertura do evento realizado nos Estados Unidos, México e Canadá. Essa inclusive é a sua primeira passagem no canal de Silvio Santos (1930-2024), a qual seria oficializada em 31 de outubro com o anúncio da aquisição da Copa, quando o narrador anunciou no dia 2 de novembro que ficaria até 22 de dezembro na Band. Separar controvérsias numa se(c)ção específica pode não ser a melhor maneira de se estruturar um artigo, pois pode gerar peso indevido para pontos de vista negativos. Se possível, integre o conteúdo ao corpo do texto em dezembro de 2025. Um dos momentos mais notáveis foi durante a partida entre Alemanha e Brasil na Copa do Mundo de 2014, quando a Seleção Alemã marcou cinco gols no primeiro tempo e goleou a Seleção Brasileira por 7–1, com Galvão atuando de forma parcial em favor do Brasil, lamentando cada gol dos alemães. Já foram frequentes as ofensas de torcidas brasileiras ao locutor em jogos em que esteve presente. Durante a final do basquetebol masculino dos Jogos Pan-Americanos de 2007, entre aplausos para Oscar Schmidt e Hortência, mais uma vez o locutor foi motivo de escárnio dos torcedores. Em 2002, novamente durante a Copa do Mundo, dessa vez na Coreia do Sul e no Japão, na transmissão do jogo entre Brasil e China, disse que: “Os chineses agora estão todos torcendo contra o Brasil”. 

Em 2004, na final da Copa do Brasil, realizada no Maracanã entre Flamengo e Santo André, quando este último marcou um gol, Galvão gritou como tendo sido marcado pelo clube rival São Caetano. Em 2006, pouco antes do Grande Prêmio de Mônaco de Fórmula 1, outra gafe. O tenor espanhol Plácido Domingo estava visitando os boxes das equipes e cumprimentando os pilotos, e Galvão se referiu ao tenor como "Placido Iglesias", confundindo-o com outro cantor espanhol famoso, Julio Iglesias. Em 2009, durante o Grande Prêmio do Barém de Fórmula 1, Bueno escalou uma banda musical imaginária com o já falecido tecladista Richard Wright, do Pink Floyd, como baterista. Na verdade, sua intenção foi se referir a Nick Mason, real percussionista da banda britânica, que é fã do esporte e estava no Oriente Médio para acompanhar a prova. Em 2010, além do incidente “cala a boca, Galvão” no Twitter, o narrador, em uma entrevista para a Folha de S. Paulo, afirmou, após ser perguntado se a Rede Globo manda “na bola no Brasil”, que “isso é uma bobagem. Eu acho até que devia mandar mais. Porque ela paga as contas”, referindo-se ao pagamento dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. Em 2011, na partida de despedida de Ronaldo da Seleção, diante da Romênia, no Estádio do Pacaembu, o locutor fez referências a um texto do argentino Alberto Briti. As palavras ditas eram, na verdade, do consagrado dramaturgo alemão Bertolt Brecht. Novamente em 2012, agora em outubro, a Globo, durante a transmissão do UFC 153, entre Anderson Silva e Stephan Bonnar, teve de baixar o som ambiente, pois o público, em coro, não parava de xingar o narrador.     

Em 2013, enquanto cobria a semifinal da Liga dos Campeões da UEFA entre Bayern de Munique e Barcelona, o narrador chegou a afirmar que o ator austríaco Arnold Schwarzenegger já foi eleito “Miss Universo”, confundindo o prêmio de fisiculturistas Mister Universo com o concurso de beleza feminino Miss Universo. Além do mais, Bueno se referiu ao atacante blaugrana David Villa como “Vilas”. Em maio de 2014, no amistoso contra a África do Sul, Galvão se distraiu com uma mensagem e não narrou um gol do Brasil marcado por Oscar. Os internautas não perdoaram e usaram as redes sociais para criticar o locutor da TV Globo. Em 1990, nas oitavas de final da Copa do Mundo realizada na Itália, o Brasil enfrentou a Argentina na polêmica partida da "água batizada". A Seleção Brasileira foi derrotada por 1–0 e foi eliminada da competição nas oitavas de final. O gol da Argentina ocorreu após grande jogada de Diego Maradona, que fez fila na defesa brasileira e tocou para Claudio Caniggia balançar as redes. Galvão Bueno criticou a marcação frouxa do meio-campo da Seleção e acusou o volante Alemão de ter facilitado por ser “cupincha” do argentino. O narrador pediria desculpas em 2023.

Em 1994, durante a Copa do Mundo realizada nos Estados Unidos, sem saber que estava sendo gravado, o locutor reclamou sobre Pelé, que trabalhou como comentarista naquela competição. Galvão Bueno chegou a afirmar que queria “dar com uma marreta na cabeça dele”. Ainda durante a Copa do Mundo, o meio-campista Zinho foi apelidado de “enceradeira” pelos humoristas do grupo Casseta & Planeta fundado em 1986. O apelido foi bastante utilizado por Galvão Bueno nas transmissões dos jogos do Brasil na Copa do Mundo. Anos depois, em julho de 2020, o locutor pediria desculpas publicamente. Em 2005, o zagueiro Roque Júnior e Galvão Bueno discutiram após um treino da Seleção Brasileira durante a Copa das Confederações. Segundo a Folha de S.Paulo, o jogador cobrou Galvão por conta das críticas recebidas: “Sou um profissional e mereço respeito”. O narrador, então, rebateu: “O que é isso, Roque? Quando falo bem, você não diz nada”. Na eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 2006, Galvão Bueno acusou Roberto Carlos de ter ficado arrumando a meia no lance do gol marcado por Thierry Henry. Em 2010, Roberto confessou que tinha mágoa de Galvão.

Em 2014, Roberto Carlos afirmou que isso havia ficado para trás e que agora ele e Galvão eram amigos. Em agosto de 2012, durante a transmissão dos Jogos Olímpicos de Londres, Galvão discutiu no ar, pelo canal fechado SporTV, com o comentarista Renato Maurício Prado, após não gostar de uma brincadeira feita pelo seu então colega de emissora. Após o imbróglio, Prado acabou afastado e, em novembro, assinou com a concorrente Fox Sports. No ano de 2016, devido ao fraco desempenho da Seleção Brasileira no início dos Jogos Olímpicos de Verão, Galvão chegou a dizer que faltava comprometimento por parte dos jogadores homens e que Marta é melhor que Neymar: “Neymar é nada perto de Marta”. Em novembro de 2018, o ex-técnico da Seleção Brasileira, Luiz Felipe Scolari, disse ter mágoa de Galvão por este tê-lo criticado na derrota do Brasil para a Alemanha na Copa do Mundo de 2014, na partida conhecida como “Mineiraço”. Por causa disso, Felipão recusou o convite para ir ao programa Bem, Amigos! apresentado por Galvão Bueno no canal SporTV. Em outubro de 2021, durante a transmissão de uma partida de futebol entre Brasil e Colômbia, vazou um áudio em que, supostamente, Galvão teria chamado Neymar de “idiota”. Isso repercutiu muito nas redes sociais e a irmã do jogador, Rafaella Santos, criticou Galvão. Em fevereiro de 2023, o locutor falou sobre isso e negou ter xingado Neymar. Galvão disse que falou “cara, que coisa idiota”, após Neymar ter saído de campo sem cumprimentar os jogadores da Colômbia. O áudio da transmissão pegou apenas a palavra “idiota”, fazendo parecer que ele tinha xingado o atacante. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo no mês de setembro de 2025, Galvão revelou que o principal motivo de ter decidido não renovar o vínculo com a Globo após as Olimpíadas de Paris teria sido pela perda de prestígio na emissora carioca, que teria perguntado se ele ainda tinha projetos a apresentar por lá.

Apitar uma partida de Copa do Mundo é difícil. As diferenças de culturas estão presentes também para os árbitros. Desde a primeira edição, em 1930, houve brigas generalizadas. Anteriormente não existiam cartões, os árbitros só podiam excluir os jogadores. O juiz belga John Langenus que apitou a primeira final da Copa do Mundo, no ríspido jogo entre Argentina e Chile, pela primeira fase do Mundial de 1930, após uma grande confusão, afirmou: “Na Europa, eu teria excluído os vinte e dois jogadores. Na América, aquilo era quase natural. Finalmente, após a intervenção da polícia montada, o jogo pôde terminar normalmente”. A interpretação das regras difere de acordo com os árbitros e por causa de questões de equidade. Os cartões amarelos e vermelhos foram criados durante a Copa do Mundo de 1970, quatro anos após o caso com o capitão argentino Antonio Rattín, que se recusou a deixar o campo, conforme solicitado pelo alemão Rudolf Kreitlein. Contra a Inglaterra, o atleta argentino teve que ser escoltado por policiais para sair de campo. Domingo, 31 de maio de 1970, o também árbitro alemão Kurt Tschenscher deu o primeiro cartão da história do Mundial, durante a partida entre México e União Soviética. O soviético Yevgeniy Lovchev, número 6 da seleção, recebeu cartão amarelo em jogo que terminou 0 a 0.       

O primeiro cartão vermelho foi recebido pelo chileno Carlos Caszely, contra a Alemanha Ocidental, no dia 14 de junho de 1974. O juiz turco Doğan Babacan foi quem o expulsou e o placar final da partida foi 1 a 0 para a Alemanha Ocidental. A arbitragem é muitas vezes severamente criticada por erros e controvérsias, podendo alterar o andamento de jogos decisivos. No Mundial de 1962, a Espanha vencia o Brasil por 1 a 0, quando o árbitro Sergio Bustamante, do Chile, não marcou um pênalti de Nílton Santos no espanhol Enrique Collar, onde, após o lance, Nílton se colocou um pouco para frente e o juiz marcou falta fora da área. Na sequência, após a cobrança da falta, onde a bola foi levantada para a área, Joaquín Peiró marcou de bicicleta para os espanhóis, mas o juiz novamente se equivocou, anulando erroneamente o gol. Na edição de 1966 da Copa, a Inglaterra, nação anfitriã, fez o terceiro gol contra a Alemanha Ocidental quando o jogo estava na prorrogação e empatado por 2 a 2. Geoff Hurst chutou a bola, que bateu no travessão e depois na linha da goleira, mas o árbitro suíço Gottfried Dienst validou o gol que não houve após consultar o assistente azeri Tofiq Bahramov. Em 1982, quando Alemanha Ocidental e França empatavam por 1 a 1, o goleiro alemão ocidental Harald Schumacher cometeu um pênalti violento no francês Patrick Battiston, que teve concussão cerebral e perdeu dois dentes, mas o juiz neerlandês Charles Corver não marcou nada. 

No Mundial de 1986, disputado no México, o árbitro tunisiano Ali Bin Nasser não assinalou mão do argentino Diego Maradona nas quartas de final contra a Inglaterra. Maradona utilizou a mão para superar o goleiro Peter Shilton e depois fazer o gol, que mais tarde seria apelidado de “la Mano de Dios”. Em 2002, mais uma seleção anfitriã foi favorecida. A Coreia do Sul, que sediou o Mundial ao lado do Japão, viu a Espanha fazer dois gols legítimos contra si, mal anulados pelo juiz Gamal Al-Ghandour, do Egito. No Mundial de 2006, o jogador croata Josip Šimunić recebeu três cartões amarelos para ser expulso contra a Austrália. O árbitro inglês Graham Poll deu o primeiro cartão aos 17 minutos do segundo tempo e em seguida, aos 45 da etapa final, mas se esqueceu de expulsá-lo. Três minutos depois, nos acréscimos, Šimunić cometeu outra falta e recebeu seu terceiro cartão amarelo na partida, sendo só então expulso. Na Copa da África do Sul, em 2010, mais uma vez a arbitragem errou. Após o inglês Frank Lampard fazer o gol de empate contra a Alemanha, o árbitro uruguaio Jorge Larrionda não validou o tento, mas a bola havia passado da linha. Copa do Mundo da FIFA ou Campeonato Mundial de Futebol da FIFA, popularmente reconhecida como Copa ou Mundial, é uma competição internacional de futebol entre seleções masculinas organizada pela Fédération Internationale de Football Association (FIFA). Ocorre a cada quatro anos, com exceção de 1942 e 1946, quando não aconteceu devido à Segunda Guerra Mundial (19139-1945). Instituída em 1928, sob a liderança do então presidente da FIFA, Jules Rimet, está aberta a todas as federações reconhecidas pela FIFA. A primeira edição ocorreu em 1930 no Uruguai, escolhido como país-sede e cuja seleção saiu vencedora. Com exceção da Copa do Mundo de 1934 e 1938, o torneio sempre foi realizado em duas fases. 

Organizada pelas confederações continentais, as Eliminatórias da Copa do Mundo permitem que as melhores seleções de cada continente participem da competição, que ocorre em um ou mais países-sede. O formato atual da Copa do Mundo é com quarenta e oito equipes nacionais, implementado a partir da edição de 2026, por um período de cerca de um mês. Apenas oito países foram campeões mundiais até hoje. O Brasil, a única seleção a ter jogado todas as edições da competição, é o maior campeão isolado, com cinco títulos. Estes foram conquistados em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002. É também o único proprietário permanente da Taça Jules Rimet e ganha em definitivo pelo país que vencesse pela terceira vez, o que se deu na competição em 1970, com Pelé, o único jogador tricampeão mundial da história. A Seleção Brasileira é seguida pela Itália (1934, 1938, 1982 e 2006) e Alemanha (1954, 1974, 1990 e 2014) com quatro troféus cada uma. A Argentina é tricampeã, ganhando em (1978, 1986 e 2022), e é a atual vencedora, enquanto que a equipe que venceu a primeira edição, o Uruguai, conquistou duas vezes, em (1930 e 1950), assim como a França (1998 e 2018).

Finalmente, a Inglaterra (1966) e a Espanha (2010) ganharam uma Copa do Mundo cada uma. O Uruguai (1930), a Itália (1934), a Inglaterra (1966), a Alemanha (1974), a Argentina (1978) e a França (1998) conseguiram vencer ao menos uma edição em casa. Os únicos países que ganharam fora de seus continentes são o Brasil (na Europa em 1958 e na Ásia em 2002), a Espanha (na África em 2010), a Alemanha (na América em 2014) e a Argentina (na Ásia em 2022). A Copa do Mundo é o evento esportivo mais assistido e prestigiado em todo o mundo, ultrapassando até mesmo os Jogos Olímpicos, que era principal competição mundial. Economicamente, a competição tem efeitos positivos sobre o crescimento de certos setores e para o desenvolvimento do país que sedia. Instalações desportivas, incluindo os estádios, são construídos ou reformados para a ocasião. Estradas, aeroportos, hotéis e infraestrutura de um modo geral também são melhorados para receber a competição. Entretanto, um país em desenvolvimento pode sofrer mais que o esperado para organizar um Mundial. A Copa do Mundo tem aspectos políticos. Enquanto pode transmitir os valores da paz e universalismo, a competição pode ser também a ocasião de brigas generalizadas e violência em torno das partidas, ou até mesmo desencadear uma guerra entre países. Há várias adversidades para se organizar um Mundial. O evento está presente na cultura popular, em vários filmes e documentários, e é uma oportunidade para criar canções ou hinos. Jogos eletrônicos e álbuns de figurinhas dos futebolistas, são colocados à venda antes da Copa do Mundo e geram uma excelente oportunidade econômica e lucrativa.

        A primeira partida internacional de futebol representou um amistoso disputado em Glasgow no ano de 1872, entre Escócia e Inglaterra, e terminou empatada em 0 a 0. O primeiro torneio internacional, o British Home Championship, ocorreu em 1884. Com o aumento da popularidade do futebol em diversos países do mundo no início do século XX, o futebol foi incluído no plano esportivo dos Jogos Olímpicos de Verão de 1900, em Paris, e 1904, em Saint Louis, como esporte de demonstração, e por isso não foram concedidas medalhas. Depois que a Federação Internacional de Futebol (FIFA) foi fundada em 1904, houve uma tentativa de organizar um torneio internacional na Suíça em 1906, porém a própria FIFA descreveu esta tentativa aparentemente como um “fracasso”. O futebol veio a ser reconhecido oficialmente pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) nos Jogos Olímpicos de Verão de 1908 em Londres, apesar de já ter sido disputado nos Jogos Olímpicos Intercalados de 1906 em Atenas, edição não é reconhecida pelo COI. Planejado pela The Football Association (FA), a entidade que rege o futebol na Inglaterra, o evento era apenas para jogadores amadores. A Grã-Bretanha (representada pela seleção nacional de futebol amador da Inglaterra) conquistou as medalhas de ouro nesta edição e na seguinte, em 1912 na cidade de Estocolmo.

Tendo em vista que as Olimpíadas continuavam a ser disputadas por equipes amadoras, o empresário Thomas Lipton organizou o Troféu Sir Thomas Lipton, disputado em Turim no ano de 1909. Esta competição foi disputada por clubes individuais, cada qual representando sua nação. Muitas vezes a competição é referida como “Pré-Copa do Mundo”, e foi disputada por equipes que representaram Alemanha, Itália e Suíça, porém a FA recusou-se a encaminhar uma equipe que representasse a Inglaterra. Lipton então convidou o West Auckland Town FC, uma equipe amadora do Condado de Durham para representar a Inglaterra. O West Auckland venceu as duas edições do torneio, em 1909 e 1911. Em 1914, a FIFA concordou em reconhecer o torneio olímpico como “Campeonato Mundial Amador de Futebol” e assumiu historicamente a responsabilidade pela gestão do evento. Isto pavimentou o caminho in statu nascendi para a primeira competição de futebol intercontinental do mundo, nos Jogos Olímpicos de Verão de 1920, disputada pelo Egito um país que liga o nordeste da África ao Oriente Médio, remonta ao tempo dos faraós e outras 13 equipas europeias, sendo vencida pela Bélgica. O Uruguai venceu os dois torneios olímpicos de futebol seguintes, em 1924 e 1928. Jules Rimet, presidente da FIFA, convenceu as confederações a organizar um torneio intercontinental.

Devido ao sucesso dos torneios olímpicos de futebol, a FIFA, liderada pelo seu presidente Jules Rimet (1873-1956), novamente começou a organizar seu próprio torneio internacional fora das Olimpíadas. Em 28 de maio de 1928, o Congresso da FIFA em Amsterdã decidiu realizar um campeonato mundial. Por ser o então bicampeão olímpico de futebol e comemorando o centenário de sua independência em 1930, a FIFA nomeou o Uruguai como país-sede da primeira Copa do Mundo. Diversas associações nacionais foram convidadas a participar, porém a escolha do Uruguai como sede da competição significou uma longa e custosa viagem pelo Oceano Atlântico para as equipes europeias. De fato, nenhum país europeu se comprometeu a enviar uma equipe até dois meses antes do início da competição. Rimet convenceu as seleções da Bélgica, França, Romênia e Iugoslávia a fazer a viagem. No total, 13 nações participaram, sendo sete da América do Sul, quatro da Europa e duas da América do Norte. Estádio Centenário em Montevidéu, sede da primeira final de Copa do Mundo em 1930. Os dois primeiros jogos da Copa do Mundo aconteceram simultaneamente em 13 de julho de 1930, e foram vencidos pela França e pelos Estados Unidos, que derrotaram o México por 4–1 e a Bélgica por 3–0, respectivamente. O primeiro gol na história da Copa do Mundo foi marcado por Lucien Laurent, da França. Na final, o Uruguai derrotou a Argentina por 4–2 na frente de quase 93 mil pessoas em Montevidéu e se tornou a primeira seleção a vencer a Copa do Mundo.

 Após a criação da Copa do Mundo, a FIFA e o COI discordaram sobre o status de jogadores amadores e, assim, o futebol foi retirado dos Jogos Olímpicos de Verão de 1932, retornando nos Jogos Olímpicos de Verão de 1936, porém ofuscado pela mais prestigiada Copa do Mundo. Os problemas enfrentados pelos primeiros torneios da Copa do Mundo foram as dificuldades de viagens intercontinentais e conflitos armados. Poucas equipes sul-americanas estavam dispostas a viajar para a Europa na Copa do Mundo FIFA de 1934 e apenas as seleções do Brasil e Cuba participaram da edição de 1938. O Brasil foi a única seleção sul-americana a disputas ambas as edições. As edições de 1942 e 1946 foram canceladas devido à Segunda Guerra Mundial e suas consequências. No entanto, apesar de não ter tido o torneio durante o período de guerra, a Alemanha convocou a Suécia para uma final não-oficial da Copa do Mundo, em 1942. Jogo de abertura do Estádio do Maracanã no Rio de Janeiro, alguns dias antes do início da Copa do Mundo FIFA de 1950. A Copa do Mundo FIFA de 1950, realizada no Brasil, foi a primeira com participação da Inglaterra, sendo que esta seleção se retirou da FIFA em 1920 pela recusa de jogar contra os países que estiveram em guerra e em protesto contra a influência estrangeira no futebol, retornando em 1946 após convite da FIFA. O Uruguai também retornou após não participar das duas edições anteriores, sagrando-se campeão novamente do torneio após vencer o Brasil por 2–1 na final, em partida que ficou reconhecida como “Maracanaço”.

 Nas edições entre 1934 e 1978, dezesseis equipes competiram em cada torneio, exceto em 1938, quando a Áustria foi dominada pela Alemanha após a qualificação, deixando o torneio com quinze equipes; e em 1950, quando a Índia, Escócia e Turquia desistiram de participar, fazendo com que o torneio fosse disputado com treze equipes. A maioria das seleções participantes era da Europa e da América do Sul, com um pequeno número de representantes da América do Norte, África, Ásia e Oceania, que não obtiveram resultados expressivos nas edições. Até 1982, as únicas equipes de fora da Europa e da América do Sul que avançaram para a fase final foram os Estados Unidos (semifinalista em 1930), Cuba (quartas de final em 1938) Coreia do Norte (quartas de final em 1966) e o México (quartas de final em 1970). O torneio foi expandido para 24 equipes em 1982 e para 32 equipes em 1998, permitindo que mais seleções da África, Ásia e América do Norte participassem. Desde então, as seleções destas regiões tiveram mais sucesso, com várias avançando nas fases finais da competição, sendo o México nas quartas de final em 1986, Camarões nas quartas de final em 1990, Coreia do Sul conquistando o quarto lugar em 2002; Senegal e Estados Unidos nas quartas de final em 2002, Gana nas quartas de final em 2010,Costa Rica nas quartas de final em 2014 e Marrocos terminando com o 4° lugar em 2022 Contudo, as equipes europeias e sul-americanas possuem um nível técnico bastante superior, sendo, por exemplo, os únicos a disputar as quartas de final nas edições de 1994, 1998, 2006 e 2018, assim como equipes destes continentes foram as únicas a disputar as finais do torneio.

Vista do estádio Soccer City em Joanesburgo, durante partida válida pela Copa do Mundo FIFA de 2010, a primeira disputada no continente africano. Um total de 199 equipes participaram das Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA de 2002, diminuindo para 197 equipes nas Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA de 2006, aumentando para 205 nas Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA de 2010, diminuindo novamente para 203 equipes nas Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA de 2014 aumentando para 209 equipes nas Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA de 2018, e estabelecendo um novo recorde de 210 equipes nas Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA de 2022. A Alemanha é a equipe que mais jogou finais de Copa do Mundo, oito no total, sendo também a mais regular nas semifinais, com treze aparições. A Alemanha marcou vinte e cinco gols na conquista do Mundial de 1954, o que representa o melhor desempenho ofensivo de uma equipe campeã da Copa do Mundo. Nessa edição também se estabeleceu o recorde de gols de uma seleção em uma Copa: vinte e sete, pela seleção húngara. Cinco países organizaram duas vezes a Copa do Mundo FIFA: Itália, França, México, Alemanha e Brasil. O Brasil organizou a Copa do Mundo de 1950 e de 2014. Com exceção de México e Brasil, todos ganharam a Copa do Mundo em seus domínios. Com a nomeação da América do Norte representada pela tríplice candidatura entre México, Canadá e Estados Unidos para sediar a Copa de 2026, o México se tornará mais vezes terá sediado a Copa do Mundo. Uruguai em 1930, Itália em 1934, Inglaterra em 1966, Alemanha em 1974, Argentina em 1978 e França em 1998 tornaram-se campeões em casa (seis vezes das dezenove edições). Três Copas do Mundo foram decididas nos pênaltis.         

Em 1994, Brasil e Itália se enfrentaram com vitória brasileira. Em 2006, a Itália foi para uma disputa de pênaltis novamente, desta vez com a França e com vitória italiana. Em 2022, a França voltou a disputar pênaltis em uma final com a Argentina, mas novamente perdeu na disputa. Na qualificação para a Copa do Mundo, a Espanha foi o primeiro país a ter vencido dez jogos de dez disputados, ocorrendo nas eliminatórias para o Mundial de 2010. A seleção seguinte a conseguir o mesmo feito foi a Alemanha, oito anos depois, nas eliminatórias para o Mundial de 2018. Na qualificação para o Mundial de 1970, o Brasil ganhou seis jogos de seis disputados. Respectivamente nas eliminatórias de 1982 e 2010 da Copa, a Alemanha Ocidental e os Países Baixos ganharam oito partidas de oito disputada. Estes são os únicos casos de seleções que jogaram mais de cinco jogos em uma eliminatória e ganharam todas as partidas. Nas próprias eliminatórias, também ficou famosa a goleada de 31 a 0 da Austrália sobre a Samoa Americana, na qualificação à Copa do Mundo de 2002, no qual treze gols foram marcados por Archie Thompson, que detém o recorde de maior número de gols em uma partida internacional. A maior goleada da Copa do Mundo foi da vitória da Hungria por 10 a 1 sobre El Salvador, pela Copa do Mundo de 1982. 

Nessa partida, László Kiss, que entrou no decorrer do jogo, realizou o mais rápido hat-trick da história da Copa, ao marcar nos minutos 25, 28 e 33 do segundo tempo, realizando também, o primeiro hat-trick por um jogador a entrar durante o jogo. Outros jogos também terminaram em uma vitória com margem de nove gols de diferença, quando a Iugoslávia derrotou Zaire no Mundial de 1974 por 9 a 0 e quando a Hungria goleou a Coreia do Sul na Copa de 1954 pelo mesmo placar. O francês Lucien Laurent foi o primeiro jogador a marcar numa Copa do Mundo, no jogo de abertura contra o México, em 1930, no Uruguai, com uma assistência de Ernest Libérati. O milésimo gol da competição foi feito pelo neerlandês Robert Rensenbrink durante a derrota de sua seleção para a Escócia, em 1978, na Argentina. O jogador polonês naturalizado alemão Miroslav Klose detém o recorde de gols marcados na Copa do Mundo, com 16 gols, seguido do brasileiro Ronaldo Nazário com 15 gols e o alemão Gerd Müller, que possui quatorze. O francês Just Fontaine continua a ser o maior artilheiro em uma edição única, com treze gols em 1958. Ele não marcou em mais nenhuma edição, já que disputou apenas aquele Mundial e se aposentou precocemente em 1961, com 27 anos, após sofrer uma grave lesão. O brasileiro Pelé é o quinto melhor marcador da história da Copa do Mundo, com doze gols. O russo Oleg Salenko é o maior marcador em uma única partida, com cinco gols no jogo entre Rússia e Camarões, quando sua seleção venceu os camaroneses por 6 a 1 em 1994.  Durante esse jogo, outros dois recordes foram quebrados pelo camaronês Roger Milla. Ele se tornou o jogador mais velho a fazer um gol em Copas, com 42 anos e 39 dias; e também, à época, o mais velho a participar do torneio.

O seu recorde só seria batido por Faryd Mondragón, guarda redes (goleiro) da seleção da Colômbia, ao jogar na partida frente ao Japão em 24 de junho de 2014, na Copa do Mundo de 2014 no Brasil, aos 43 anos e 3 dias de idade. O mais jovem a jogar foi Norman Whiteside, da Irlanda do Norte, que tinha 17 anos e 41 dias durante o primeiro jogo de sua equipe contra a Iugoslávia, na Copa do Mundo de 1982. O jogador que mais vezes ganhou Copa do Mundo é Pelé, do Brasil, com três conquistas (1958, 1962 e 1970). Ele também é o mais jovem a marcar um gol e vencer o torneio, aos 17 anos. Em contrapartida, o goleiro italiano Dino Zoff é o atleta mais velho a vencer a competição, em 1982, com 40 anos.  Lionel Messi é o único jogador a vencer a Bola de Ouro em mais de uma edição de Copa do Mundo. O maior artilheiro e maior assistente da Seleção Argentina nesse torneio, foi eleito o melhor jogador na Copa do Mundo 2014 e na Copa do Mundo 2022. Os jogadores Antonio Carbajal, Cristiano Ronaldo, Gianluigi Buffon, Lionel Messi e Lothar Matthäus são os únicos que jogaram em cinco edições do torneio. Messi foi o que disputou o maior número de jogos, vinte e seis, entre 2006 e 2022. O brasileiro Cafu é o único jogador a ter jogado em três finais de Copa do Mundo: vencedor em 1994, finalista em 1998 e novamente vencedor em 2002, essa última como capitão.       

O argentino naturalizado italiano Luis Monti, jogou duas finais por dois países diferentes. Ele perdeu em 1930 com a Argentina e ganhou em 1934 com a Itália. Os irmãos alemães Fritz e Ottmar Walter e os ingleses Bobby e Jack Charlton ganharam a Copa do Mundo juntos por suas seleções em 1954 e 1966, respectivamente.  Jairzinho é o único futebolista a marcar pelo menos um gol em todos os jogos de uma edição da competição. Na Copa de 1970, no México, o brasileiro deixou sua marca em todos os jogos e o Brasil venceu pela terceira vez o torneio. Lionel Messi é o único futebolista a marcar pelo menos um gol em todas as fases de uma copa do mundo em uma única edição, desde que as oitavas de final foram incluídas. Na Copa de 2022, o argentino marcou na fase de grupos, nas oitavas, nas quartas na semi e na final. O recorde de gol mais rápido marcado numa Copa do Mundo é de Hakan Şükür, da Turquia, com 10,8 segundos após o apito inicial. Esse gol foi marcado no jogo entre Turquia e Coreia do Sul, vencido pelos turcos por 3 a 2, na disputa pelo terceiro lugar do Mundial de 2002. Na fase de qualificação para a Copa do Mundo, o gol mais rápido foi aos 8,3 segundos, feito por Davi de Gualtieri de San Marino contra a Inglaterra, nas eliminatórias de 1994.

Na edição de 1986, no México, o uruguaio José Batista foi expulso aos 56 segundos de jogo pelo árbitro francês Joël Quiniou, no jogo Uruguai vs. Escócia. Ele detém o recorde da expulsão mais rápida da história da competição. Nas edições de 1974 e 1978 jogaram pela seleção da Holanda os irmãos gêmeos Willy van de Kerkhof e René van de Kerkhof. Nas edições de 1994 e 1998 jogaram pela seleção da Holanda os irmãos gêmeos Frank de Boer e Ronald de Boer. O treinador mais bem sucedido da Copa do Mundo é Vittorio Pozzo, da Itália, com duas conquistas, sendo o único técnico a conseguir tal feito, em 1934 e em 1938. Por sua vez, o brasileiro Mário Zagallo detém o recorde de títulos da Copa em geral. Vitorioso como jogador em 1958 e 1962, ganhou a competição como treinador em 1970 e depois como assistente técnico em 1994, totalizando quatro conquistas em três funções diferentes. Zagallo ainda treinou o Brasil em 1974 e 1998 onde obteve um vice-campeonato e foi assistente técnico em 2006. Foram cinco finais em sete participações em Copas do Mundo. O alemão Franz Beckenbauer foi o segundo a ganhar como jogador e treinador, vencendo como jogador em 1974 e como treinador em 1990. O francês Didier Deschamps se tornou o terceiro campeão como jogador e treinador, ao vencer em 1998 como atleta e treinar a equipe francesa no bicampeonato de 2018. Além disso Beckenbauer e Deschamps são os únicos campeões como capitão e treinador. O técnico alemão Helmut Schön é o que mais participou de jogos em Copas do mundo, vinte e cinco. É também o que mais venceu, dezesseis.

O brasileiro Luiz Felipe Scolari, também possui dois recordes. Ele ficou invicto doze jogos na Copa do Mundo, sete com o Brasil, com quem conquistou o título em 2002 e cinco com Portugal, em 2006. Scolari ainda venceu onze jogos seguidos na competição, sendo a mais longa série de vitórias da Copa. O brasileiro Carlos Alberto Parreira também é um treinador histórico da Copa do Mundo. Ele é o técnico recordista em participações de Mundiais, presente em seis edições do torneio. Parreira levou o Kuwait à Copa em 1982, dirigiu os Emirados Árabes Unidos no Mundial de 1990, tornou-se campeão mundial com Brasil quatro anos depois e treinou a Arábia Saudita em 1998. Ele voltou à frente da seleção brasileira em 2006, onde chegou às quartas de final, antes de se tornar treinador da África do Sul em 2010, o país anfitrião daquele Mundial. O sérvio Bora Milutinović é, ao lado de Carlos Alberto Parreira, o único treinador a participar de cinco Copas do Mundo com cinco seleções diferentes. Ele treinou o México em 1986, Costa Rica em 1990, Estados Unidos em 1994, Nigéria em 1998 e a China em 2002. O treinador mais jovem a dirigir uma seleção no torneio é o argentino Juan José Tramutola, com 27 anos e 267 dias, quando treinou a Argentina ao lado de Francisco Olazar na Copa do Mundo de 1930. O mais velho é o alemão Otto Rehhagel, que aos 71 anos e 317 dias comandou a Grécia no Mundial de 2010. A organização da primeira Copa do Mundo foi concedida ao Uruguai no Congresso da FIFA, em Barcelona, 18 de maio de 1929, para celebrar o centenário de sua independência, mas também porque a seleção havia sido campeã olímpica duas vezes, em 1924 e 1928. Para a segunda edição, em 1934, a Itália se destacou como o país por ter as condições financeiras necessárias. A Suécia desistiu antes da oferta italiana. A nomeação planejada para maio de 1932 no Congresso de Estocolmo, foi finalizada em dezembro para as nações responderem a pedidos de adiamentos da competição. 

Áustria e outros países europeus estavam esperando para adiar o torneio em 1936 por causa do contexto econômico marcado pela Grande Depressão. Em 1938, Jules Rimet, Presidente da FIFA, esperava que a competição fosse disputada em seu país, a França. Argentina e Alemanha também apareceram como candidatas para a organização. A FIFA chegou a questionar a capacidade da França a dispor de instalações suficientes para sediar a competição. Mas em 15 de agosto de 1936, a França foi eleita a nação anfitriã da Copa do Mundo e teve a responsabilidade da organização do evento. Candidato para sediar a Copa do Mundo de 1942 que teve de ser cancelada por causa da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o Brasil foi nomeado para organizar a primeira edição depois da guerra, em 1950. No Congresso na cidade de Luxemburgo, em 25 de julho de 1946, foi decidido que o quarto Mundial seria realizado no Brasil. No Congresso, também foi anunciado que a Suíça seria o país sede da Copa do Mundo de 1954. Mais uma vez sem votação, a organização da edição de 1958 foi confirmada para a Suécia, em 23 de junho de 1950, na cidade do Rio de Janeiro, cerca de oito anos antes do início da Copa. Para o Mundial de 1962, três países foram candidatos para a organização: Argentina, Chile e Alemanha Ocidental. A Alemanha Ocidental se retirou e a FIFA fez uma votação no dia 10 de junho de 1956, em Lisboa, para designar qual dos dois países sul-americanos sediaria a Copa do Mundo de 1962. O Chile venceu por 32 votos a 11. Outra votação foi realizada em Roma, no dia 22 de agosto de 1960 para a próxima edição e a Inglaterra recebeu a responsabilidade de sediar a competição em 1966. Para a Copa de 1970, o Congresso da FIFA continuou alternando entre a Europa e a América. Em 8 de outubro de 1964, em Tóquio, foi decidido que o México seria o país sede em 1970. Em 6 de julho de 1966, em Londres, o Congresso da FIFA escolheu os três países anfitriões das seguintes edições do torneio. 

A Alemanha Ocidental e a Espanha foram os únicos candidatos da Europa para as temporadas de 1974 e 1982 do Mundial, respectivamente. Portanto, ficou decidido que os alemães ocidentais sediariam a edição de 1974 e os espanhóis a de 1982. Após as tentativas frustradas para ser sede em 1962 e 1970, a Argentina finalmente ganhou o direito de organizar a Copa do Mundo de 1978. Escolhida para sediar a Copa de 1986, em 9 de junho de 1974, em Estocolmo, a Colômbia enfrentou problemas financeiros e não sediou o evento. Em 20 de maio de 1983, em Zurique, a candidatura mexicana foi aprovada por unanimidade pelo comitê executivo da FIFA e o México sediou sua segunda Copa do Mundo. Novamente em Zurique, na data de 19 de maio de 1984, a Itália ganhou a votação sobre a União Soviética por 11 a 5 e sediou o Mundial de 1990. Para designar o organizador da Copa do Mundo de 1994, uma nova votação foi realizada em Zurique, em 1988. Os Estados Unidos derrotaram Marrocos e Brasil, fazendo a Copa ficar sem ser sediada na América do Sul desde 1978 e continuar sem nunca ter sido sediada na África. Marrocos foi mais uma vez derrotado quatro anos mais tarde com a escolha da França para a edição de 1998 do Mundial. Em 31 de maio de 1996, uma candidatura conjunta do Japão e da Coreia do Sul foi proposta e aceita pelo comitê executivo da FIFA. Os dois países asiáticos sediaram a Copa do Mundo de 2002. Foi o primeiro Mundial sediado na Ásia e também a primeira vez em que o torneio teve dois países anfitriões. Depois de três rodadas de votação, a Alemanha foi designada para organizar a Copa do Mundo de 2006, ganhando da África do Sul por 12 votos a 11. Finalmente, o país africano seria nomeado para organizar a próxima edição do Mundial, em 2010, vencendo Marrocos, mais uma vez derrotado.

A África do Sul um país situado na extremidade sul do continente africano e marcado por vários ecossistemas diferentes, se tornou o primeiro país do continente africano a sediar a competição. Com a rotação de continentes, a Copa do Mundo de 2014 foi disputada na América do Sul, o que não ocorria desde 1978, quando a Argentina sediou o torneio. Em 3 de junho de 2003, a Confederação Sul-Americana de Futebol havia anunciado que Argentina, Brasil e Colômbia a se candidataram à sede do evento. Em 17 de março de 2006, as confederações votaram de forma unânime pela inscrição do Brasil como seu único candidato. Em 30 de outubro de 2007 a FIFA ratificou o Brasil como país sede da Copa do Mundo de 2014. No dia 2 de dezembro de 2010, as edições de 2018 e 2022 foram, respectivamente, atribuídas à Rússia e ao Catar, que sediarão o Mundial pela primeira vez. Será a primeira vez do Leste Europeu e do Oriente Médio a receber a competição. No dia 13 de junho de 2018, foi eleita a primeira candidatura tripla da história social das Copas. Estados Unidos, México e Canadá, foram eleitos os países sede da Copa do Mundo de 2026. Em 4 de outubro de 2023, a FIFA anunciou que Espanha, Marrocos e Portugal sediarão a Copa de 2030, porém as três primeiras partidas serão na Argentina, no Paraguai e no Uruguai, em homenagem aos cem anos da primeira copa, disputada no país celeste, com isso a 24ª edição será a primeira a ser disputada em seis países e três continentes diferentes. Em 31 de outubro de 2023, a FIFA anunciou que a Arábia Saudita sediará a Copa de 2034 após a desistência da Austrália no pleito previsto para 2025, sendo a segunda edição a acontecer no Médio Oriente.

O sorteio aconteceu em 5 de dezembro de 2025 às 14h (UTC−5), no Kennedy Center em Washington, D.C. Os quatro vencedores dos playoffs da UEFA e os dois vencedores da repescagem intercontinental não serão conhecidos no momento do sorteio, pois essas partidas estão previstas para acontecer em março de 2026. As 48 equipes foram divididas em quatro potes de 12. O Pote 1 foram compostos pelos três anfitriões e pelas nove melhores equipes do ranking mundial da FIFA de novembro de 2025, excluindo os anfitriões. Os Potes 2, 3 e 4 foram compostos pelas equipes restantes, de acordo com o ranking. Os 12 grupos foram formados aleatoriamente, selecionando-se uma equipe de cada um dos quatro potes. Com exceção da UEFA, que pode ter até duas equipes no mesmo grupo, duas equipes da mesma confederação não podem ser colocadas no mesmo grupo. As três nações anfitriãs foram pré-alocadas em três grupos para fins de programação. O México foi colocado no Grupo A e jogará a partida de abertura do torneio no Estádio Azteca em 11 de junho. O Canadá e os Estados Unidos foram colocados nos Grupos B e D, respectivamente. Eles jogarão a terceira e a quarta partidas do torneio, respectivamente, ambas em 12 de junho. As seleções qualificadas para a copa de 2026 podem convocar até 26 jogadores para a disputa do torneio. As equipes são obrigadas a divulgar a lista final até 2 de junho. Se um jogador lesionar ou adoecer a ponto de não poder participar do torneio, poderá ser substituído por outro atleta da lista provisória em até 24 horas antes do primeiro jogo da equipe, a exceção do guarda-redes/goleiro lesionado, que poderá ser trocado por outro da lista a qualquer momento da competição. A primeira seleção a divulgar lista foi a Bósnia, no dia 11 de maio.    

Nas seleções da lusofonia, a Seleção do Brasil fez a sua convocação em 18 de maio, a de Portugal fez a sua em 19 de maio, e a estreante Cabo Verde indicou os seus nomes em 18 de maio. Os confrontos específicos envolvendo as seleções que terminaram em terceiro lugar dependem de quais oito equipes classificadas em terceiro lugar avançarão para a fase de 16 avos de final. As 495 combinações possíveis foram publicadas no Anexo C do regulamento do torneio. A Associação Europeia de Clubes e seus clubes membros se opuseram à proposta de expansão da Copa do Mundo, dizendo que o número de jogos já estava em um nível “inaceitável” e instaram o órgão governante a reconsiderar sua ideia de aumentar o número de equipes que se classificam. Alegaram que se tratava de uma decisão tomada por razões políticas porque Infantino satisfaria assim o seu eleitorado, e não por razões esportivas. O presidente da Liga Nacional de Fútbol Profesional (La Liga), Javier Tebas, concordou, afirmando a inaceitabilidade do novo formato. Ele disse ao Marca que a indústria do futebol se mantém graças aos clubes e ligas, não à FIFA, e que Infantino usou a promessa de mais países jogando na Copa do Mundo para ganhar sua eleição. O técnico da seleção alemã, Joachim Löw, alertou que a expansão, como ocorreu na Euro 2016, diluiria o valor do torneio mundial porque os jogadores já atingiram seu limite físico e mental. As ordens executivas do presidente dos EUA, Donald Trump, relativas à imigração de certos países de maioria muçulmana implementadas em 2017 foram apresentadas como um risco potencial, com Infantino dizendo: acesso ao país, caso contrário não há Copa do Mundo”. Em resposta, o governo Trump enviou cartas à FIFA que diziam, em parte, que Trump estava “confiante” de que “todos os atletas, funcionários e torcedores elegíveis de todos os países todo o mundo seriam capazes de entrar nos Estados Unidos sem discriminação”.

Em 2018, Trump questionou os países que pretendiam apoiar a candidatura de Marrocos para sediar a Copa do Mundo de 2026, twittando: “Os EUA montaram uma FORTE candidatura com Canadá e México para a Copa do Mundo de 2026. Seria uma pena se os países que sempre apoiamos fizessem lobby contra a candidatura dos EUA. Por que deveríamos apoiar esses países quando eles não nos apoiam (inclusive nas Nações Unidas)?”. Em janeiro de 2021, a proibição de viagem foi revertida por seu sucessor, Joe Biden. Preocupações em torno da realização do torneio também foram levantadas devido à política de imigração do segundo governo Donald Trump. Em resposta, o vice-presidente JD Vance disse: “É claro que todos são bem-vindos para vir e ver este evento incrível, mas quando o tempo acabar, eles terão que ir para casa. Caso contrário, eles terão que falar com a secretária Kristi Noem”. Em junho de 2025, uma segunda proibição de viagens foi promulgada, embora contenha uma isenção para atletas e suas equipes de apoio que entram nos Estados Unidos para eventos como a Copa do Mundo FIFA, Olimpíadas ou outros grandes eventos esportivos, conforme determinado pela Secretaria de Estado. Em março de 2022, o presidente da Liga MX, Mikel Arriola, afirmou que o envolvimento do México como coanfitrião poderia estar em risco se a Liga e a Federação não tivessem respondido rapidamente a Tragédia no Estádio da Corregidora entre torcedores rivais que “deixou 26 espectadores feridos e resultou em 14 prisões”. Arriola disse que a FIFA ficou “chocada” com o incidente, mas Infantino ficou satisfeito com as sanções impostas contra o Querétaro ou Querétaro de Arteaga, é um dos 32 estados do México, localizado no centro do país em uma região reconhecida como Bajío.

Em janeiro de 2025, a Queen`s University Belfast alertou sobre os potenciais riscos de calor para a maioria das cidades-sede e instou a FIFA a agendar o início das partidas para o final da tarde ou da noite, afirmando que a temperatura do globo de bulbo úmido em certas cidades-sede era mais alta do que a do Catar no inverno. Preocupações também foram levantadas por ativistas climáticos sobre o impacto ambiental tanto da expansão para 48 equipes quanto das viagens entre as cidades-sede, a maioria das quais exigiria viagens aéreas extensas e aumentaria as emissões de carbono, um contraponto a uma das metas da FIFA sobre sustentabilidade. Durante a Copa do Mundo de Clubes da FIFA de 2025, que também foi sediada nos Estados Unidos, várias partidas relataram altas temperaturas variando de 32 a 39 °C (90 a 102 °F) e atrasos climáticos. Um relatório dos Cientistas pela Responsabilidade Global de julho de 2025 calculou que a quantidade de emissões de gases com efeito de estufa do torneio o tornaria um dos eventos mais poluentes do mundo, que seria quase o dobro da média dos últimos quatro torneios (2022 teria tido 5,25 milhões de toneladas métricas), aproximadamente a mesma quantidade que 6,5 milhões de carros dirigidos por um ano. Questões envolvendo a Guerra de Gaza desde 2023, fizeram com que países como a Espanha ameaçassem boicotar a Copa do Mundo em caso de uma classificação de Israel. A medida, vista como inédita na história do torneio, repercutiu após a participação do país nas eliminatórias pelo Grupo I junto com Noruega, Estônia e Moldávia, gerando debates pela mídia ocidental. 

Com a repercussão, tendo até comparações com a punição envolvendo a Rússia e a Bielorrússia, que foram automaticamente eliminadas das eliminatórias de 2022 e de 2026 por conta da Invasão na Ucrânia, representantes da Organização das Nações Unidas chegaram a pedir para que a UEFA e a FIFA excluíssem Israel da competição. Uma reportagem do jornal britânico The Times, do dia 25 de setembro de 2025, relatou que a UEFA realizaria uma reunião de emergência para discutir a permanência de Israel nas eliminatórias, tendo também maioria favorável pela sua desclassificação, além de aumentar a pressão na FIFA, que estaria alinhada politicamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, através do presidente da entidade, Gianni Infantino. O caso não seria inédito na história do campeonato já que além de Rússia e Bielorrússia em 2022, a África do Sul ficou suspensa entre as décadas de 1960 a 1990 por conta do regime de Apartheid, e demais seleções como Colômbia, a própria Espanha, Japão e Alemanha por outros incidentes, no caso dos três últimos, a suspensão aconteceu por situações envolvendo guerras de alcance internacional. O presidente da FIFA, Gianni Infantino, rejeitou os pedidos para suspender Israel de competições internacionais. Ele afirmou: “A FIFA não pode resolver os crescentes problemas geopolíticos, mas pode e deve promover o futebol em todo o mundo, explorando os seus valores unificadores, educativos, culturais e humanitários”. Infantino destacou ainda que “o poder do futebol está em unir as pessoas num mundo dividido. Queremos continuar enviando uma mensagem de paz e de unidade”. A decisão marcou uma diferença em relação à postura adotada em 2022, quando FIFA e UEFA suspendeu a Rússia de torneios após a invasão da Ucrânia. 

Neste caso, a entidade defendeu que sua função é manter o esporte como espaço de integração, sem intervir em disputas políticas. Com as tensões causadas por Donald Trump em ameaças de invasão à Groenlândia, o governo alemão anunciou no dia 20 de janeiro de 2026 que iria boicotar a Copa do Mundo e retirar a sua seleção do torneio caso se concretizasse a anexação da ilha dinamarquesa pelos Estados Unidos. Em uma pesquisa realizada pelo jornal Bild, 47% dos alemães se mostraram favoráveis a saída do país da competição e 35% se mostraram contrários. A Federação Alemã de Futebol e a FIFA informaram que estavam monitorando a situação. A participação da Seleção Iraniana é cercada por controvérsias. O contexto social dos protestos de 2025–2026, reprimidos violentamente pelo governo, levou a cobranças públicas de posicionamento e ações ágeis por parte da FIFA, como as do ex-capitão iraniano Masoud Shojaei. Em fevereiro de 2026, após os Ataques dos Estados Unidos e Israel que bombardearam o país, vitimando o líder supremo Ali Khamenei, o presidente da Federação, Mehdi Taj, afirmou ser “improvável” a ida da equipe à Copa, citando preocupações com segurança e a situação política do país. A FIFA afirmou estar monitorando de perto a situação. Em 11 de março de 2026, em declaração dada à TV estatal iraniana, o ministro dos Esportes do país, Ahmad Donyamali, disse que o país não participará da Copa do Mundo “sob nenhuma circunstância”. O Irã já havia sido o único país ausente de uma cúpula de planejamento da FIFA realizada na semana passada, em Atlanta. 

A entidade diz que ainda não recebeu comunicação oficial e aguarda a formalização da saída para se manifestar a respeito. O ataque também levantou dúvidas sobre as condições como país sede do torneio, com comentaristas apontando semelhanças com o caso da Rússia, punida por ter atacado outro país também em ano de Copa do Mundo. E no caso estadunidense que atacou, além do Irã, a Venezuela, o caso passou sem nenhuma penalidade do Tribunal Penal Internacional posto que é um tribunal penal internacional permanente e universal encarregado de julgar pessoas acusadas de genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de agressão e crimes de guerra. Em 28 de setembro de 2024, a FIFA anunciou que a Global Citizen, uma organização internacional de defesa de direitos, coproduziria um show do intervalo para a partida final no MetLife Stadium, um estádio de futebol norte-americano localizado em East Rutherford, Nova Jérsei. É a casa do New York Jets e do New York Giants na National Football League, o primeiro show do intervalo na história da Copa do Mundo. O show pretende copiar o formato do do intervalo do Super Bowl, com artista reconhecido para aumentar o apelo comercial do torneio no mercado. Em 14 de maio de 2026, a FIFA anunciou que o show do intervalo contará com apresentações de Madonna, Shakira e BTS. O show gerou debate na comunidade global do futebol. Os apoiadores argumentam que ele moderniza a Copa do Mundo e oferece uma plataforma para o intercâmbio cultural global e o crescimento da receita. Críticos, jogadores, mídia, sindicatos e grupos de torcedores tradicionalistas criticaram o que consideram ersatz e “americanização” do futebol. As principais objeções se concentram na possível extensão do tradicional intervalo de 15 minutos do meio do jogo, o que gerou o argumento de que isso prejudicará a recuperação dos jogadores, interferirá nos ajustes técnicos dos treinadores e quebrará o fluxo natural da partida. 

Bibliografia Geral Consultada.

MITZMAN, Arthur, La Jaula de Hierro: Una Interpretación Histórica de Max Weber. Madri: Alianza Editorial, 1976; COLLIOT-THÉLÈNE, Catherine, Le Désenchantement de l`État: de Hegel a Max Weber. Paris: Éditions Minuit, 1992; LUHMANN, Niklas, Confianza. Barcelona: Editorial Anthropos, 2005; GOLDBLATT, David, The Ball is Round: A Global History of Football. Londres: Penguin Books, 2007; WEBER, Max, La Objetividad del Conocimiento en la Ciencia Social y en la Política Social. Madrid: Alianza Editorial, 2009; JENNINGS, Andrew, Jogo Sujo: O Mundo Secreto da Fifa: Compra de Votos e Escândalo de Ingressos. São Paulo: Editora Panda Books, 2011; HILFERDING, Rudolf, Il Capitale Finanziario. Milano: Editore Mimesis, 2011; PENNA, Adriana Machado, Esporte Contemporâneo: Um Novo Templo do Capital Monopolista. Tese de Doutorado. Faculdade de Serviço Social. Rio de Janeiro: Universidade Estadual do Rio de Janeiro, 2011; GALEANO, Eduardo, Futebol ao Sol e à Sombra. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2014; FOUCAULT, Michel, Nietzsche, Marx, Freud. Buenos Aires: Ediciones Anagrama, 2010; Idem, Vigiar e Punir. Nascimento da Prisão. 42ª edição. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 2014; BRINATI, Francisco Ângelo, Maracanazo e Mineiratzen: Imprensa e Representação da Seleção Brasileira nas Copas do Mundo de 1950 e 2014. Tese de Doutorado. Faculdade de Comunicação Social. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2015; BAYLE, Emannuel; RAYNER, Hervé, “Sociology of a Scandal: The Emergence of FIFAgate”. In: Soccer & Society. San Diego: Editor Taylor & Francis Group, 2016; GONÇALVES, Glauco Roberto, A Produção Espetacular do Espaço: As Cidades como Cenário da Copa do Mundo de 2014. Tese de Doutorado em Geografia Humana. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2016; MEAD, Margaret, Sexo e Temperamento. São Paulo: Editora Perspectiva, 2000; FREIRE, Vitor Daronco, A CBD e Suas Disputas de Poder (1966-1974). Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Educação Física. Faculdade de Educação Física. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2021; MEUCCI, Arthur; HONNETH, Axel, “A Invisibilidade Social como Desrespeito na Teoria do Reconhecimento de Axel Honneth”. In: Violência, Dor e Sofrimento • Estud. Av. 40 (116) • Jan.-Apr. 2026; entre outros.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

O Jogo do Predador – Alpinismo, Mal-estar & Dessacralização Feminina.

                                            “O mal não é outra coisa que a não-conformidade do ser ao dever-ser”. Friedrich Hegel                             

        

           Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831) nasceu em Stuttgart, Alemanha, no  dia 27 de agosto de 1770. Recebeu esmerada educação cristã. Em 1788 ingressou no seminário de Tübingen, que cursou durante cinco anos a fim de se preparar para receber ordens. Foi colega de classe do poeta Friedrich Hölderlin (1779-1843) e do filósofo Joseph Schelling (1775-1854), que partilhavam sua admiração pela tragédia grega e pelos ideais da clássica Revolução Francesa. Os primeiros escritos de Hegel versaram sobre assuntos teológicos, mas ao concluir o curso, Hegel não seguiu a carreira eclesiástica, preferiu se dedicar ao estudo da literatura e da filosofia grega. Em 1796 mudou-se para Frankfurt, onde Hölderlin lhe conseguiu um lugar de preceptor. Em 1801 habilitou-se Livre-Docente na Universidade Friedrich Schiller de Jena (Friedrich-Schiller-Universität Jena) situada na cidade de Jena na Turíngia no centro administrativo do país. É uma das dez universidades mais antigas da Alemanha, estabelecida no ano de 1558 segundo os planos do príncipe João Frederico I (1503-1554) da Saxônia. O auge da sua reputação acadêmica ocorreu sob os auspícios do duque Carlos Augusto, patrono do escritor Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), autor do clássico Fausto, poema trágico, obra prima da literatura, quando Fichte, Hegel, Schelling, Friedrich von Schlegel (1772-1829) e Friedrich Schiller (1759-1805) do corpo docente. 

         No seminário de Tübingen, escreveu com renomados colegas, os filósofos Friedrich Schelling e Friedrich Hölderlin, o que chamaram de “o mais antigo programa de sistema do idealismo alemão”. Desenvolveu um sistema filosófico extraordinário que denominou “Idealismo Absoluto”, uma filosofia capaz de compreender discursivamente o Absoluto. Entre 1807 e 1808 dirigiu um jornal em Bamberg. Entre 1808 e 1816 foi diretor do ginásio de Nuremberg. Em 1816 tornou-se professor da Universidade de Heidelberg. A Universidade de Heidelberg, ou, nas suas formas portuguesas, de Heidelberga ou de Edelberga, oficialmente denominada Universidade de Heidelberg Ruprecht Karl (Ruprecht-Karls-Universität Heidelberg, em alemão), é uma universidade pública alemã, das mais prestigiadas universidades do país. Está estabelecida na cidade de Heidelberg, no estado de Baden-Württemberg. Foi fundada em 1386, tendo sido a terceira universidade estabelecida no Sacro Império. Seu nome latino é Ruperto Carola Heidelbergensis. Estudantes do sexo feminino passaram a ser admitidas em 1899. A Universidade é constituída de doze faculdades e oferece programas de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado em cerca de 100 disciplinas, integrando o Grupo Coimbra. A universidade, criada por Ruperto I, Eleitor do Palatinato, quando Heidelberg era a capital do Palatinado, e tornou-se um centro de teólogos e especialistas em leis no Sacro Império. 

         Durante a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) a universidade entrou em decadência financeira e intelectual, e só viria a se recuperar no início do século XIX, aderindo ao pensamento democrático e de intelectuais humanistas independentes, tendo sido adotada como modelo para universidades norte-americanas. Não queremos perder de vista que O Mais Antigo Sistema do Idealismo Alemão é um ensaio de 1796/1797, de autoria desconhecida, possivelmente escrito por Friedrich Schelling, Georg Wilhelm Friedrich Hegel ou Friedrich Hölderlin. O documento foi publicado pela primeira vez (em alemão) por Franz Rosenzweig, que o designou como Das älteste Systemprogramm des deutschen Idealismus. Embora o documento tenha a caligrafia de Hegel, especula-se se terá sido escrito por Hegel, Schelling, Hölderlin ou uma quarta pessoa desconhecida. Yves Bonnefoy considera que foi “certamente inspirado por Hölderlin”. Segundo Glenn Magee, a maioria dos peritos em Hegel considera-o o autor. No entanto, várias das ideias defendidas no ensaio (como o desaparecimento do Estado ou a supremacia da poesia no universo intelectual) parecem contraditórias com a filosofia hegeliana. Schelling, Hegel, e Hölderlin eram colegas de turma e de dormitório em Tübinger Stift, o seminário da Universidade de Tubinga, e eram reconhecidos como os “Três de Tubinga”. Hegel e Hölderlin tinham 27 anos, e Schelling 22 anos. Em 1818 em Berlim, quando ocupou a cátedra de filosofia, período em que encontra a expressão definitiva de suas concepções estéticas e religiosas. Tinha grande talento pedagógico, mas considerado mau orador, pois usava terminologias que dificultavam sua interpretação na sociedade.                            

Exerceu enorme influência em seus discípulos que dominaram as universidades da Alemanha. Logo passou a ser o filósofo oficial do rei da Prússia. Friedrich Hegel descreve sua concepção filosófica, no prefácio a uma de suas mais célebres obras, a Fenomenologia do Espírito (1807).  O prólogo é posterior à redação da obra. Foi escrito, passado já o tempo, quando o próprio Hegel pode tomar consciência de seu avanço e sua descoberta. Tinha como objetivo assegurar o ligamento entre a Fenomenologia, a qual só aparece como a primeira parte da ciência, e a Lógica que, situando-se em uma perspectiva distinta da adotada pela Fenomenologia, deve constituir o primeiro momento abstrato da Enciclopédia. Explica-se que neste prólogo que é assim, comparativamente, como um gonzo entre a subjetividade da Fenomenologia e a objetividade Lógica, Hegel se sentira fundamentalmente preocupado em representar uma ideia geral de todo o seu sistema filosófico. Isto é, segundo sua concepção que só deve ser justificada pela apresentação do próprio sistema, tudo decorre de entender e exprimir o verdadeiro não como substância, mas precisamente como sujeito. A substância viva é o ser, que na verdade é sujeito, ou que é efetivo, mas só na medida em que é o movimento do pôr-se-a-si-mesmo, ou a mediação consigo do tornar-se outro. Na interpretação do sujeito, é a negatividade pura e simples, e justamente por isso é o fracionamento do simples ou a duplicação oponente, que é de novo a negação dessa diversidade indiferente e de seu oposto. A história do Alpinismo se perde na Antiguidade, entre tribos que adoravam as montanhas como refúgio dos deuses, exércitos que cruzavam cordilheiras em busca de liberdade e poder, poetas e monges que procuravam inspiração entre os picos mais escarpados. 

A maioria dos resultados destas primeiras experiências foram relatos assustadores, aos quais se atribuía uma origem misteriosa, divina, ou até infernal. A curiosidade humana foi se aguçando em relação às montanhas até o século XVIII. E levou o homem ao desejo de conhecer a si mesmo e ao mundo que o rodeava. Os mares do mundo já haviam sido percorridos, as terras descobertas, mas as grandes cadeias de montanhas estavam praticamente inexploradas. A conquista das montanhas representava uma forma de se realizar novas experiências e alcançar uma verdade técnica e social que parecia ter querido se ocultar do homem. Alpinismo tem cada vez mais popularidade no mundo contemporâneo, onde recebe também a denominação de Montanhismo.Só essa igualdade se reinstaurando, ou só a reflexão em si mesmo no seu ser-Outro, é que são o verdadeiro; e não uma unidade originária enquanto tal, ou uma unidade imediata enquanto tal. O verdadeiro é o vir-a-ser de si mesmo, o círculo que pressupõe seu fim como sua meta, ipso facto sua antítese, que o tem como princípio, e que só é efetivo mediante sua atualização e seu fim. Friedrich Hegel era crítico das filosofias claras e distintas, uma vez que, para ele, o negativo era constitutivo da ontologia. A clareza não seria adequada para conceituar o objeto. Introduziu um sistema de pensamento para compreender a história da filosofia e do mundo chamado geralmente dialética: uma progressão no âmbito da história e sociedade na qual cada movimento sucessivo surge, como solução das contradições inerentes ao anterior.

Em O Jogo do Predador (2026), uma mulher “viciada” em adrenalina coloca seus limites à prova ao embarcar numa aventura pela natureza selvagem australiana.  A palavra adrenalina foi criada pelo cientista que conseguiu isolar este hormônio pela primeira vez, o cientista japonês Takamine Jōkichi (1854-1922), que formou o nome em questão, tomando o nome dos rins, o qual se situam as glândulas secretoras, como já mencionado. A alpinista se encontra no meio de uma caçada quando os predadores naturais não são os únicos atrás de sangue. A jovem precisa lutar para sobreviver e vencer os obstáculos do aparente caçador. Alpinismo historicamente vem ganhando cada vez mais popularidade no mundo sociológico contemporâneo das competições em seu ersatz recebe a denominação de Montanhismo. Existe uma diferença entre esses dois conceitos. Montanhismo representa a prática de qualquer atividade física em região montanhosa, como caminhadas e acampamentos, porém sem a necessidade de grandes esforços e equipamentos específicos. O Alpinismo se refere ao ato de escalar uma montanha, ou pico, usando equipamentos e conhecimentos técnicos. O termo que mais se difundiu foi “Montanhismo”, sendo “Montanhista” a pessoa que pratica qualquer tipo de atividade física na montanha, e “Escalador” (cf. Gschwendtner, 1986) aquele que recorre a equipamentos técnicos para escalar em rocha.  

Existe uma diferença entre esses dois conceitos. Montanhismo representa a prática de qualquer atividade física em região montanhosa, como caminhadas e acampamentos, porém sem a necessidade de grandes esforços e equipamentos específicos. O Alpinismo se refere ao ato de escalar uma montanha, ou pico, usando para isso equipamentos e conhecimentos técnicos. O Alpinismo não se limita apenas aos Alpes. O termo que mais se difundiu foi “Montanhismo”, sendo “Montanhista” a pessoa que pratica qualquer tipo de atividade na montanha, e “Escalador” aquele que recorre a equipamentos técnicos para escalar em rocha. A história do Alpinismo se perde na Antiguidade, entre tribos primitivas que adoravam as montanhas como refúgio dos deuses, exércitos que cruzavam cordilheiras em busca de liberdade e poder, poetas e monges que procuravam inspiração entre os picos mais escarpados. A maioria dos resultados destas primeiras experiências foram relatos assustadores, aos quais se atribuía uma origem misteriosa, divina, ou até infernal. A curiosidade humana foi se aguçando em relação às montanhas até os idos do século XVIII. O iluminismo levou o homem ao desejo de conhecer melhor a si mesmo e ao mundo que o rodeava. Os mares do mundo haviam sido percorridos, as terras descobertas, mas as grandes cadeias de montanhas estavam inexploradas. Assim sendo, a conquista das montanhas representava uma forma de se realizar novas experiências e alcançar uma verdade técnica e social que parecia ter querido se ocultar do homem. Este desafio foi aceito por Horace Saussure, naturalista, físico e professor de Filosofia na Universidade de Genebra.

 Uma montanha constituía para ele uma verdadeira obsessão: o Mont Blanc, de 4.808 metros de altitude, ponto culminante dos Alpes Europeus, encravado entre a França e a Itália. Saussure imaginava que, se chegasse a escalar este pico, poderia realizar inúmeras experiências científicas. Seguiu então em 1760 para o vale de Chamonix, que se estende no lado francês do Mont Blanc, oferecendo uma grande soma em dinheiro para aqueles que o ajudassem. Foram inúmeras tentativas para que somente após 26 anos, Saussure ter o seu grande sonho realizado. A escalada do Mont Blanc aconteceu no dia 8 de agosto de 1786 pelo médico Michel-Gabriel Paccard (1757-1827) e pelo pesquisador de diamantes Jacques Balmat (1762-1834). Um ano depois o próprio Saussure logrou chegar ao cume do Mont Blanc, guiado por Jacques Balmat e acompanhado por 17 homens. Tal número de acompanhantes era necessário devido à grande quantidade de equipamentos científicos, com os quais se realizaram experiências durante as quatro horas e meia que permaneceram no cume. Embora o marco inicial do alpinismo realmente tenha sido a escalada do Mont Blanc, outra montanha desempenhou um papel fundamental para que ele se afirmasse como esporte, trata-se do Matterhorn, como é na Suíça, ou Cervino, como é chamado na Itália.

Seus 4.478 metros acham-se espremidos entre estes dois países e foram vencidos pela primeira vez em 1865 pelo inglês Edward Whymper (1840-1911), culminando “a idade do ouro do alpinismo”. Ele foi um ilustrador, alpinista e explorador reconhecido pela primeira escalada do Matterhorn em 1865, descida quando quatro membros da expedição morreram. O seu livro Scrambles Among the Alps (1871) é realizado com a descrição dessas expedições e na qual se nota que se interessa mais pela primeira ascensão do que da via tomada, pelo que se faz guiar sempre pelo melhor guia de alta montanha, e emprega assim Melchior Anderegg ou Christian Almer. Como exemplo, a Aiguille Verte, é um cume do Maciço do Monte Branco, em França, com 4122 metros de altitude, e que faz parte dos cumes dos Alpes com mais de 4000 metros, cujo corredor ficou com o seu nome, e mesmo se bifurcou diretamente para o cume na última terceira parte, evitando assim uma parte considerada a mais difícil. Está considerado como o ponto de passagem entre o alpinismo de exploração e o alpinismo desportivo. Em 1865 Edward Whymper que há anos tenta conquistar o Matterhorn junta-se a Charles Hudson (1828-1865) que havia escolhido Michel Croz como guia e que chefia uma cordada de sete alpinistas composta pelo experiente guia Peter Taugwalder e o seu filho como ele chamado Peter, como carregador, Lord Francis Douglas, Douglas Hadow, Charles Hudson e Whymper.

 Na descida Douglas Hadow perde o equilíbrio e arrasta na queda Croz, Lord Francis e Hudson. Com uma formação de desenhador e de gravador, e uma imaginação fantástica in limine descobre uma relação com os Alpes à procura de novos temas para ilustrações. Em latim, humanus é a forma adjetival do nome homo, traduzido como Homem para incluir machos e fêmeas. Por vezes, em Filosofia, é mantida uma distinção entre as noções de ser humano ou homem e de pessoa. O primeiro refere-se à espécie biológica enquanto o segundo refere-se a um agente racional, visto, por exemplo, na obra de John Locke, Ensaio sobre o Entendimento Humano (1689), e na obra de Immanuel Kant, Introdução à Metafísica da Moral (1797). Segundo a perspectiva de John Locke, a noção de pessoa passa a ser a de “uma coleção de ações e operações mentais”. O termo pessoa poderá assim ser utilizado para referir animais para além do Homem, para referir seres míticos, uma inteligência artificial ou um ser extraterrestre. O termo binomial Homo sapiens foi descrito por Carl Linnaeus em seu trabalho do século XVIII Systema Naturae e também é o lectótipo do espécime. O termo para o gênero Homo é uma derivação do século XVIII do latim homō (homem), em última instância “ser terrestre” do latim antigo hemō. A evolução humana é caracterizada por uma série de importantes alterações morfológicas, de desenvolvimento, fisiológico e comportamental, que tiveram lugar desde que a separação entre o último ancestral comum de humanos e chimpanzés.    

Carl Linnaeus (1707-1778), o grande nomenclador que dedicou sua vida a nomear a maioria dos objetos e seres vivos e, em seguida, ordená-los de acordo com sua posição hierárquica, tinha ele próprio um problema com a formação de sua identidade, pois seu nome, e até mesmo seu primeiro nome, foram alterados tantas vezes ao longo de sua vida que existem nada menos que nove binômios (ou bi-nomos) e outros tantos sinônimos.  Um nomenclador, derivado do latim nomen (nome) + calare (chamar), nos tempos clássicos, referia-se a um escravo cujo dever era recordar os nomes das pessoas que seu mestre reconheceu durante uma campanha política. Gradativamente, isso se tornou nomes de pessoas em qualquer contexto social e incluiu outras informações socialmente importantes. Assumiu vários outros significados e também se refere a um livro contendo coleções ou lista de palavras. Também denota uma pessoa, geralmente um funcionário público, que anuncia os nomes dos convidados em uma festa ou outra reunião social ou cerimônia. Em termos mais gerais ainda, tem como representação social uma pessoa que fornece ou cria os nomes das coisas, e isso pode se referir à aplicação de nomes em um contexto científico ou qualquer outro, mas especialmente em relação a terminologias especializadas, glossários, etc. Vários nomencladores foram criados em biologia.

Eles geralmente listam os nomes dos gêneros e às vezes das espécies junto com as origens (fontes) desses nomes. Às vezes, eles também incluem informações adicionais, como a distribuição. Por exemplo, uma entrada no Nomenclator Zoologicus se parece com isso: Abronia Gray 1838, Ann. Mag. Nat. Hist., 1 (5), 389. Rept. Abronia é um gênero de lagarto que foi descrito por John Edward Gray em 1838 na revista Annals and Magazine of Natural History. A entrada termina com uma nota sobre o grupo de animais a que pertence o gênero, nomeadamente os répteis (Rept.). Nos séculos XVII e XVIII, a maioria dos suecos ainda não possuía sobrenomes. Assim, o avô de Linnaeus, de acordo com a tradição escandinava, chamava-se Ingemar Bengtsson que significa “Ingemar, filho de Bengt” e seu próprio filho, o pai de Linnaeus, foi inicialmente ou in statu nascendi reconhecido como “Nils Ingemarsson” (1674-1748) que significa “Nils, filho de Ingemar”. Mas Nils, para cumprir os requisitos administrativos para sua matrícula na Universidade de Lund, fundada em 1666 e está classificada entre as 100 melhores universidades do mundo, precisava escolher um sobrenome. Uma grande tília crescia nas terras da família. A propriedade já tinha seu nome: Linnagård (ou Linnegård), um topônimo formado por linn (uma variante agora obsoleta de lind, “tília” em sueco) e gård (“fazenda”). Vários membros da família o haviam adotado como base para sobrenomes como Lindelius (de lind) ou Tiliander (de Tilia, “tília” em latim). E como era moda nos círculos intelectuais usar o latim, Nils escolheu se tornar “Nils Ingemarsson Linnæus”.

O filme Meu Ano em Oxford (2025), foi gravado em locais autênticos do pontode vista da cenografia de Oxford, o que permite aos espectadores ver a beleza da universidade e da cidade, incluindo o Magdalen College e a famosa Biblioteca Bodleian. Mas do ponto de vista técnico-metodológico o filme lançado na Netflix, é baseado no romance My Oxford Year de Julia Whelan, mas apresenta diversas mudanças sociais significativas em relação à obra original. Infelizmente, para os amantes da leitura, o livro ainda não está disponível em português. Neste texto, a Tangerina (2025) te explica, com base no texto do site Deadline, as grandes mudanças que a produção do serviço de streaming fez na trama literária. Uma das alterações mais evidentes está no nome e na origem da protagonista feminina. No livro, a personagem principal se chama Eleanor Duran, é de Ohio e recebeu uma bolsa Rhodes para estudar em Oxford. Presentemente no filme, objeto de reflexão, ela é Anna De La Vega (Sofia Carson), que vem de Nova York, Estados Unidos da América. A trajetória profissional de Anna (Sofia Carson) também é diferente: enquanto Eleanor do livro é recrutada para uma campanha política focada em políticas educacionais, Anna do filme tem um emprego na Goldman Sachs após a formatura em Oxford.

A trama de Eleanor no livro dava maior destaque a essa oportunidade de trabalho, que afetava seu tempo em Oxford. Outra mudança que ocorre substancialmente na história de Anna no filme Netflix é que seu pai está vivo e muito bem, contrastando com o livro, onde o pai de Eleanor morreu jovem em um fatal acidente de carro. Essa tragédia de Eleanor resultava em um relacionamento tenso com a mãe e era um ponto crucial na segunda metade da história, algo que Eleanor compartilha com Jamie (Corey Mylchreest) no livro. No romance, essa revelação acontece durante um passeio de barco, onde Eleanor e Jamie compartilham chocolate quente, o que lembra Eleanor de seu pai. No filme, porém, Anna faz o passeio de barco com seus amigos Charlie (Harry Trevaldwyn), Maggie (Esmé Kingdom) e Tom (Nikhil Parmar). As diferenças também se estendem aos personagens secundários e à forma como Anna descobre a verdade sobre Jamie. No filme, o irmão morte de Jamie (Corey Mylchreest) é Eddie, e Cecelia Knowles (Poppy Gilbert) era sua namorada. No livro, o irmão se chama Oliver, e Cecelia era sua noiva. Além disso, a maneira como Anna desvenda a mentira de Jamie sobre sua tese também muda: no livro, Eleanor descobre a farsa ao tentar surpreender Jamie na biblioteca Bodleian, onde ele afirmava estar estudando, mas não o encontra. No filme, é a bibliotecária Laura (Nia Anisah) quem revela a Anna que não tem visto Jamie na biblioteca com a frequência que Anna imaginava. Nestes casos, a mentira de Jamie encobre sua doença grave, o mesmo tipo de câncer que levou seu irmão.

O final da história é, talvez, a divergência extraordinariamente mais notável. O livro de Julia Whelan termina de forma mais ambígua, com Eleanor decidindo não voltar aos Estados Unidos da América para a campanha política, mas com uma reflexão interna que sugere que ela e Jamie não estavam destinados a ficar juntos. O filme, por outro lado, oferece um desfecho mais definitivo e trágico: Anna assume o cargo de professora de poesia em Oxford, assim como Jamie, e uma montagem mostra a protagonista viajando pela Europa, realizando subjetivamente os sonhos que Jamie havia mencionado. Contudo, Jamie desaparece dessas imagens, revelando que Anna está sozinha e que ele morreu, o que Mylchreest afirma categoricamente ao dizer “O cara está morto”. Os atores Sofia Carson e Corey Mylchreest, que interpretam Anna e Jamie, explicaram à Entertainment Weekly as razões por trás das mudanças no final do filme. Corey Mylchreest acredita que o final mais trágico é mais poderoso e se alinha melhor com a filosofia de vida de Jamie, que valoriza cada momento devido ao pouco tempo socialmente que lhe resta nesta vida diante das agruras hic et nunc do sujeito. Para ele, seria uma hipocrisia para o personagem pregar essas ideias e não ter um desfecho condizente com elas.   

Sofia Carson, que também é produtora do filme, revelou que a decisão sobre a morte de Jamie (Corey Mylchreest) foi debatida intensamente até os últimos momentos da edição final, com o produtor principal, Marty Bowen, preferindo manter que Jamie (Corey Mylchreest) sobrevivesse para consagrar a possibilidade de um futuro juntos. No entanto, eles optaram por um final que, embora estilosamente de interpretação do social como trágico, transmitisse “esperança e a ideia de vida após a perda”. A sequência de Anna viajando pela Europa com Jamie desaparecendo gradualmente representa Anna vivendo o sonho deles em sua homenagem, carregando as lições que ele a ensinou. Eles testaram várias versões do final com o público, e a que demonstrava Jamie desaparecendo e Anna em todos os lugares sozinha foi a que mais emocionou e foi considerada a mais bonita para a história. Ambos comentaram como a trama os fez refletir sobre temas complexos como o direito de morrer com dignidade. Mylchreest pesquisou e conversou com pessoas que enfrentaram situações semelhantes à de Jamie, para entender a força de interpretação do personagem. O filme narra a história social de Anna, que vai estudar em Oxford e se apaixona por Jamie, descobrindo que ele tem câncer e não pode ser curado, mas se tornando o ponto central de sua vida. Os artigos destacam que há mudanças na história original do livro, como o nome da protagonista e detalhes do seu histórico familiar, a relação com Jamie e até mesmo o desfecho para o protagonista.

Tradição representa a continuidade ou permanência de uma doutrina, visão de mundo, costumes e valores de um grupo social ou escola de pensamento. Em grego, na acepção religiosa do termo, corresponde à expressão paradosis (παραδοσις), que é a transmissão de práticas e de valores espirituais, ou o conjunto das crenças, que são conservados e seguidos com respeito ao longo de muito tempo entre diferentes famílias. Baseia-se em dois pressupostos antropológicos: a) as pessoas são mortais; b) a necessidade de haver um nexo de conhecimento entre as gerações. A tradição toma feições peculiares em cada crença e mesmo pode-se destacar a sua forte presença nos grandes grupos religiosos: judaísmo, cristianismo, islamismo, hinduísmo. Várias disciplinas acadêmicas também usam a palavra de maneiras distintas. As tradições são objeto em campos acadêmicos, especialmente nas ciências sociais, como estudos de folclore, antropologia e arqueologia. Sob a perspectiva da tradição revela um conjunto de costumes, comportamentos, memórias, rumores, crenças, lendas, música, práticas, doutrinas e leis de uma comunidade, sendo que os elementos passam a fazer parte da cultura. O conceito de tradição, encontra-se per se no discurso político e filosófico.

É a base do conceito político de tradicionalismo, e de vertentes de muitas religiões mundiais, comparativamente falando, incluindo a questão do catolicismo tradicional. Embora seja comumente assumido que as tradições têm uma história antiga, muitas tradições foram inventadas de propósito, seja político ou cultural, em curtos períodos de tempo. Em contextos artísticos, a tradição é usada para distinguir o padrão de uma determinada forma de arte. Por exemplo, na performance de gêneros tradicionais, como o folclore e a dança tradicional, a adesão às diretrizes que ditam como uma forma de arte deve ser composta recebe maior importância na vida real do que as próprias preferências do intérprete social. Desnecessário dizer que a cultura da Grécia Antiga historicamente é a base sobre a qual se eleva a cultura da civilização ocidental. Como sabemos, exerceu poderosa influência sobre os romanos, que se encarregaram de repassá-la a diversas partes da Europa. A civilização grega antiga teve influência na linguagem, na política, no sistema educacional, na filosofia, na ciência, na tecnologia, na arte e na arquitetura moderna, particularmente durante a renascença da Europa ocidental e de resto durante os diversos reviverem neoclássicos dos séculos XVIII e XIX. Conceitos sociológicos como cidadania e democracia são gregos, ou pelo menos de pleno desenvolvimento nos manuscritos dos gregos. Os historiadores e escritores políticos profissionais cujos trabalhos sobreviveram ao tempo eram, em sua maioria, atenienses ou pró-atenienses e todos conservadores. Por isso se reconhece melhor a história de Atenas do que a história das outras cidades.

Esses homens concentraram seus trabalhos em aspectos políticos, militares e diplomáticos, ignorando o que veio a se conhecer como utilidade de uso modernamente por áreas de conhecimento em história econômica e social. O homem é criação propiciada pelo processo real de transformação da realidade e por uma formação ideal exagerada da imaginação coletiva que faz a essência do homem criadora. A possibilidade real, a ocasião apriorística desse modo de comportamento que chamamos amor, fará surgir, se for o caso, e levará à consciência, como um sentimento obscuro e geral, inicial de sua própria realidade, antes mesmo que a ele se some a incitação por um objeto determinado para levá-lo a seu efeito acabado.  A existência desse impulso sem objeto, por assim dizer incessantemente fechado em si, acento premonitório do amor, puro produto do interior e, no entanto, já acento de amor, é a prova mais decisiva em favor da essência central puramente interior do fenômeno amor, muitas vezes dissimulado sob um modo de representação pouco claro, segundo o qual o amor seria uma espécie de surpresa ou de violência vindas do exterior, tendo seu símbolo mais pertinente no “filtro do amor”, em vez da maneira de ser, da modalidade e da orientação que a vida como tal toma por si mesma – como se o amor viesse de seu objeto, quando, na realidade, vai em direção a ele.

De fato, o amor é o sentimento que, fora dos entendimentos religiosos, se liga mais estreita e mais incondicionalmente a seu objeto. À acuidade com a qual ele brota do sujeito corresponde a acuidade igual com que ele se dirige para o objeto. É que nenhuma instância vem se interpor. Se venero alguém. É pela qualidade de venerabilidade que, em sua realidade, permanece ligada à imagem pelo tempo quanto eu o venerar, passível de adoração, contemplação e respeito. Por mais insuficiente, por mais preso a um estreito simbolismo humano que esteja o conceito de objetivo e de meios em presença da misteriosa realização da vida, devemos qualificar essa emoção sexual de meio de que a vida se serve para a manutenção da espécie, confiando aqui a consecução desse objetivo não mais a um mecanismo, mas a mediações psíquicas. A pulsão, dirigida a princípio, tanto no sentido genérico quanto no sentido hedonista, ao outro sexo enquanto tal, parece ter diferenciado cada vez mais seu objeto, à medida que seus suportes se diferenciavam, até singularizá-lo. Claro, sabemos que a pulsão não se torna amor pelo simples fato de sua individualização; esta última pode ser refinadamente hedonista, ou instinto vital-teleológico para o parceiro apto a procriar os melhores filhos. Mas, indubitavelmente, ela cria uma disposição formativa e, por assim dizer, um marco para essa exclusividade que constitui a essência do amor, mesmo quando seu sujeito se volta para uma pluralidade de objetos. Não duvidamos em absoluto do que se chama na literatura “atração dos sexos” se compreendermos que se constitui o primeiro factum, ou, a prefiguração do amor.

A vida se metamorfoseia na dimensão da produção, traz sua corrente à altura dessa onda cuja crista vital, de desenvolvimento, sobressai acima dela. Se considerarmos o processo da vida como um dispositivo de meios a serviço desse objetivo e se levarmos em conta seu significado efetivo para a propagação da espécie, este também é um dos meios que a vida se dá para si e a partir de si.  Do mesmo modo, no homem que temo, o caráter terrível e o motivo que o provocou estão intimamente ligados; mesmo o homem que odeio não é, na maioria dos casos separado em minha representação da causa desse ódio – é esta uma das diferenças entre amor e ódio que desmente a assimilação que comumente se faz deles. Mas o específico do amor é excluir do amor existente a qualidade mediadora de seu objeto, sempre relativamente geral, que provocou o amor por ele. Ele permanece como intenção direta e centralmente dirigida para esse objeto, e revela a sua natureza verdadeira e incomparável nos casos em que sobrevive ao desaparecimento indubitável do que foi sua razão de nascer. Essa constelação, que engloba inúmeros graus, desde a frivolidade à alta intensidade, é vivida segundo o mesmo modelo, seja em relação a uma mulher ou a um objeto, a uma ideia ou a um amigo, à pátria ou a uma divindade. Isso deve ser solidamente estabelecido em primeiro lugar, se quisermos elucidar em sua estrutura seu significado mais restrito, o que se eleva no terreno da sexualidade.

A ligeireza com que a opinião corrente alia instinto sexual a amor lança talvez uma das pontes mais enganadoras na paisagem psicológica exageradamente rica em construções desse gênero. Quando, ademais, ela penetra no domínio da psicologia que se dá por científica, temos com demasiada frequência a péssima impressão de que esta última caiu nas mãos de açougueiros. Por outro lado, o que é óbvio, não podemos afastar pura e simplesmente essa relação preconceituosamente.  Em seguida, em homenagem ao soberano sueco muito popular da época, Carlos XII (em sueco Karl XII, 1682-1718), Nils deu o primeiro nome do rei ao seu filho, que assim começou sua existência chamado “Carl Nilsson” que significa “Carl, filho de Nils”, depois Karl Linnæus, mais frequentemente grafado “Carl Linnæus”. Quando Carl Linnaeus se matriculou na Universidade de Lund aos vinte anos, seu primeiro nome foi registrado na forma latinizada de Carolus. E foi sob esse nome, Carolus Linnaeus, que ele publicou cientificamente seus primeiros trabalhos em latim. Tendo alcançado imensa fama como médico da família real sueca, foi enobrecido em 1761 e, em 1762, adotou o nome “Carl von Linné”. Entretanto, o nome Linné é um diminutivo, no estilo francês, como era comum na época em muitos países de língua alemã, de Linnæus, e von é a partícula nobre alemã. 

No mundo francófono, assim como na Suécia, ele é hoje comumente reconhecido simplesmente como “Linnaeus”. Em botânica, onde as citações de autores são abreviadas, a abreviatura padronizada “L.” é usada. Ele é o único botânico cujo nome é abreviado para única letra. E não deve ser confundido com Carl von Linné, o Jovem, que se distingue por ser citado como Linnaeus filius, abreviado em botânica como Lf. Em zoologia, onde é costume citar o sobrenome completo do Autor do táxon, “Linnaeus” ou sua grafia sem ligaduras, “Linnaeus”. Adotada em inglês e mais prática para usuários sociais dos chamados teclados internacionais, é usado após os táxons que ele descreveu, e mais raramente “Linné”, porque foi sob seu nome propriamente acadêmico “Linnaeus” que suas principais obras sobre taxonomia zoológica até a década de 1761 foram publicadas, com exceção dos 1.500 nomes de novas espécies animais estabelecidos em 1766/1767 na 12ª edição do Systema Naturae, para os quais o nome do Autor “Linné” é geralmente utilizado na nomenclatura em francês. Além disso, diferentemente da utilidade social de uso de seu nome próprio (Carolus), “Linnaeus” não é meramente uma transliteração latina posterior, mas sim seu sobrenome propriamente dito. Quanto às suas obras academicamente, elas foram publicadas até 1762 sob os nomes “Caroli Linnæi”, a forma genitiva, significando “de Carolus Linnæus”, “Carl Linnæus” ou simplesmente “Linnaeus”. Em 1762, na capa da segunda edição de Species plantarum, o nome ainda era impresso dessa forma. Mas, a partir de então, passou a aparecer impresso apenas em sua forma aristocrática, “Carl von Linné” ou “Carolus a Linné” (sendo o “a” ou “ab” a tradução latina de “von”). Em algumas bibliotecas, geralmente consta como “Linnaeus, Carolus (Carl von Linné)”, enquanto outras usam “Carl von Linné”. Em francês, o nome aparece, por vezes, na forma afrancesada “Charles Linné”, principalmente em obras manuscritas do século XVIII, e ainda em nomes de ruas, mas também em algumas obras recentes.                                   

O cão (Canis lupus familiaris), no Brasil também chamado de “cachorro”, é um mamífero carnívoro da família dos canídeos, subespécie do lobo, e talvez o mais antigo animal domesticado pelo ser humano. Teorias postulam que surgiu do lobo cinzento no continente asiático há mais de cem mil anos. Historicamente através da domesticação, o ser humano realizou uma “seleção artificial dos cães por suas aptidões, características físicas ou tipos de comportamento”. O resultado foi uma grande diversidade de raças caninas, as quais variam em pelagem e tamanho dentro de suas próprias raças, atualmente classificadas em diferentes grupos ou categorias. As designações vira-lata (no Brasil) ou rafeiro (em Portugal) são dadas “aos cães sem raça definida ou mestiços descendentes”. Com expectativa de vida que varia entre dez e vinte anos, o cão é um animal social que, na maioria das vezes, aceita o seu dono provavelmente como o “chefe da matilha” e possui várias características que o tornam de grande utilidade para o homem. Possui excelente olfato e audição, é bom caçador e corredor vigoroso, relativamente dócil e leal, inteligente e com boa capacidade de aprendizagem. Deste modo, o cão pode ser adestrado para executar um grande número de tarefas úteis, como um cão de caça, de guarda ou pastor de rebanhos, por exemplo. Assim como o ser humano, também é vítima de doenças como o resfriado, a depressão e o mal de Alzheimer, bem como das características do envelhecimento, como problemas de visão e audição, artrite e mudanças de humor.        

O cão foi descrito por Carl Linnaeus (1707-1778) em 1758 como Canis familiaris, e considerado como uma espécie distinta do lobo, descrito também por Lineu no mesmo ano como Canis lupus. Outros nomes foram descritos por Lineu, Johann Friedrich Gmelin (1748-1804) e Charles Hamilton Smith (1776-1859) para a mesma espécie, sendo considerados sinônimos. A ancestralidade canina vem sendo discutida e estudada desde há muitos séculos. Teorias antigas sugerem uma origem proveniente do chacal-dourado ou então uma origem híbrida entre várias espécies. Um levantamento das sequências da região de controle do DNA mitocondrial em 140 cães e 162 lobos demonstrou que o lobo é o único ancestral dos cães. Esta conclusão foi confirmada em outro estudo envolvendo 654 cães e 38 lobos da Eurásia. Enquanto há uma aceitação do lobo como único progenitor do cão, a questão taxonômica envolvendo o reconhecimento de uma ou duas espécies distintas ainda não está resolvida. Baseado na consistência genética, Wayne considerou que o cão, apesar da diversidade em tamanho e proporção, “nada mais é do que um lobo”. 

Em contraste, análises estatísticas de crânios têm repetidamente demonstrado uma separação totalmente entre lobo e cão. O conceito ecológico de espécie proposto por Van Valen (1935-2010) foi aplicado por pesquisadores para demonstrar características adaptativas específicas nos cães por viverem em um nicho antropogênico. Esta hipótese suporta o reconhecimento do Canis familiaris como uma espécie distinta do Canis lupus, apesar de uma idade de separação não superior a 12 000 a 15 000 anos atrás. Apesar de certos pesquisadores continuarem a reconhecer duas espécies distintas, existe uma tendência recente em seguir a classificação proposta por Wallace Christopher Wozencraft (1954-2007) que inclui o C. familiaris como uma subespécie de C. lupus. Pela lei da prioridade estipulada pelo Código Internacional de Nomenclatura Zoológica, o nome C. familiaris, descrito na página 38, tem prioridade sobre C. lupus, descrito na página 39 do Systema Naturae por Linnaeus. Por questões de usabilidade e estabilidade, foi requisitado à Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica (ICZN) a conservação de dezessete nomes específicos baseados em espécies selvagens, entre eles o Canis lupus. É uma organização dedicada a “alcançar estabilidade e sentido na nomenclatura científica dos animais”. Fundado em 1895, atualmente compreende 24 comissários de 18 países. O ICZN é regido pela “Constituição do ICZN”, que geralmente é publicada junto com o “Código do ICZN”. Os membros são eleitos pela Seção de Nomenclatura Zoológica, estabelecida pela União Internacional de Ciências Biológicas (IUBS). O mandato regular de um membro da Comissão é de 6 anos. Os membros podem ser reeleitos até um total de três mandatos completos de seis anos consecutivos.

Após 18 anos contínuos de serviço eleito, um intervalo de pelo menos 3 anos é prescrito antes que o membro possa se candidatar novamente. Desde 2014, o trabalho da Comissão é apoiado por uma pequena secretaria sediada na Universidade Nacional de Singapura, em Singapura. Anteriormente, o secretariado era sediado em Londres e financiado pelo International Trust for Zoological Nomenclature. A Comissão auxilia a comunidade zoológica “através da geração e divulgação de informações sobre a utilização correta dos nomes científicos dos animais”. O ICZN publica o Código Internacional de Nomenclatura Zoológica, geralmente referido como “o Código” ou “Código ICZN”, uma convenção amplamente aceita que contém as regras para a nomenclatura científica formal de todos os organismos que são tratados como animais. As novas edições do Código são elaboradas pelo Comitê Editorial indicado pela Comissão. A 4ª edição do Código (1999) foi editada por sete pessoas. A Comissão também fornece decisões sobre problemas individuais trazidos à sua atenção, uma vez que a arbitragem pode ser necessária em casos contenciosos, onde a estrita aderência ao Código interferiria na estabilidade de uso. Essas decisões são publicadas extraordinariamente no Boletim de Nomenclatura Zoológica. A partir de 2017, o Boletim tornou-se um jornal apenas online e se juntou à BioOne, que hospeda do volume 65 em diante do Boletim (2008). Akita inu é uma raça de cães de grande porte do tipo Spitz originária das regiões montanhosas do Norte do Japão.   

Existem duas variedades distintas de Akita: um tipo japonês, comumente chamado Akita inu (“inu” significa cão em japonês) ou Akita japonês, e um tipo americano, reconhecido como Akita americano. A primeira grande alteração morfológica foi a evolução de uma forma de adaptação de locomoção arborícola ou semiarborícola para uma forma de locomoção bípede, com todas as suas adaptações decorrentes, tais como um joelho valgo, um índice intermembral baixo (pernas longas em relação aos braços), e redução da força superior do corpo. Os hominídeos são descendentes de um ancestral comum. Esqueletos de gibão, humano, chimpanzé, gorila e orangotango. Os humanos ancestrais desenvolveram um cérebro muito maior, isto é, normalmente de 1 400 cm³ em seres humanos modernos, mais de duas vezes o tamanho do cérebro de um chimpanzé ou gorila. O padrão de crescimento pós-natal do cérebro humano difere de outros primatas e permite longos períodos de aprendizagem social e aquisição da linguagem nos seres humanos juvenis. Os antropólogos físicos argumentam que as diferenças entre a estrutura dos cérebros humanos, e os dos outros macacos são ainda mais significativas do que as diferenças de tamanho. Outras mudanças morfológicas significantes foram: a evolução de um poder de aderência e precisão; um sistema mastigatório reduzido; a redução do dente canino; e a descida da laringe e do osso hioide, tornando a fala possível.

Uma importante mudança fisiológica em humanos foi a evolução do estro oculto, ou ovulação oculta, o que pode ter coincidido com a evolução de importantes mudanças comportamentais, tais como a ligação em casais. Os relacionamentos sendo uma jornada contínua e dinâmica de conexão e reconexão, como uma dança imóvel, metaforicamente, alternando momentos de proximidade social e distância, revelando simultaneamente complexidade e harmonia. Outra mudança significativa de comportamento foi o desenvolvimento da cultura material, com objetos feitos pelos humanos cada vez mais comuns e diversificados ao longo do tempo. A relação social entre todas estas mudanças é ainda tema de debate. A evolução humana é caracterizada por uma série de mudanças morfológicas, fisiológicas e comportamentais que ocorreram desde a divisão entre o último ancestral comum dos humanos e dos chimpanzés. As mais significativas dessas adaptações são o bipedalismo obrigatório, o aumento do tamanho do cérebro e a diminuição do dimorfismo sexual; neotenia, quando comparados a outras espécies de primatas. A relação entre todas essas mudanças é objeto de debate contínuo. As forças da seleção natural continuam a operar em populações humanas, com a evidência de que determinadas regiões do genoma exibiram seleção direcional nos últimos 15 mil anos.

Para que possamos melhor especificar a questão tópica as quais derivam os grupos particularmente dedicados às ideias e ao conhecimento, isto é, a clericatura, denominam todas as coisas: pessoas, objetos, sensações, sentimentos e a intelligentsia, faremos uma  distinção sobre a posição da classe intelectual e as duas culturas nas sociedades arcaicas, nas quais há, fora de dúvida e com frequência, uma extraordinária acumulação de savoir-faire e de conhecimentos sobre a vida vegetal e animal, os homens possuem por vezes um saber escondido ás mulheres, e essas, um saber desconhecido dos homens: os anciãos são, em geral, portadores da experiência e da sabedoria e há, entre os feiticeiros ou xamãs, um conhecimento visionário que é fonte, segundo Morin (1972), de terapias e de atos mágicos. São comuns ao conjunto de práticas e saberes da sociedade, por um lado, um rico pensamento cosmogônico e cosmológico, expresso sob a forma de mitos e, por outro lado, uma sabedoria de vida concentrada em máximas e provérbios. Nas sociedades teocráticas da Antiguidade, comparativamente, os saberes cosmológicos, mágico, mitológico e religioso foram concentrados nos espíritos, na casta de Sacerdotes/Magos. As verdades supremas, de caráter esotérico, não podiam ser divulgadas e o acesso exigia iniciação longa, na Idade Média ocidental a instrução é privilégio dos clérigos.                    

A sentinela é a pessoa que tem a função de vigiar os outros e estar atento a qualquer perigo ou ameaça, real ou imaginária. Por este motivo, é um termo técnico que se utiliza primordialmente na esfera de influência militar. A estratégia militar exige um complexo sistema de organização. Um elemento fundamental é a segurança das tropas que formam um corpo militar. Neste contexto de segurança, a sentinela cumpre com uma missão específica: vigiar e advertir qualquer tipo de perigo que seja possível. O indivíduo que realiza esta função é normalmente uma figura ideal do soldado que durante um tempo determinado se coloca em posição estratégica para ter amplo campo de visão. Na segunda metade do século XVIII: o soldado se tornou algo que se fabrica; de uma massa informe, de um corpo inapto, fez a máquina de que se precisa; corrigiram-se aos poucos as posturas: lentamente uma coação calculada percorre cada parte per se do corpo, assenhoreia-se dele, dobra o conjunto, torna-o perpetuamente disponível, e se prolonga, em silêncio, no automatismo dos hábitos (cf. Foucault, 2014); em resumo, foi “expulso o camponês” e lhe foi dada a “fisiognomia de soldado”. O rosto seduz de forma mais segura e ainda mais sutil do que as palavras. O rosto é objeto de um trabalho pessoal, indispensável à conversão e ao comércio entre os homens. Manuais de retórica, de fisiognomonia, livros de civilidade e artes de conversação lembram incansavelmente da passagem do século XVI ao XVIII que o rosto está no centro das percepções de si, da sensibilidade ao outro, dos rituais da sociedade civil, das formas do político.

Trata-se de um privilégio antigo que reveste, porém, uma nova tonalidade a partir do início daquele século. Todos esses textos dizem e repetem que o rosto fala. Ou, mais precisamente, que pelo rosto é o indivíduo que se exprime. Um laço se esboça e depois é traçado, mais nitidamente entre sujeito, linguagem e rosto, um laço crucial para a elucidação moderna. As percepções do rosto são lentamente deslocadas, as sensibilidades à expressão se desenvolvem progressivamente. É um dos traços físicos essenciais do avanço do individualismo nas mentalidades. Um “individualismo de costumes” que Philippe Ariès atribui a um processo social geral de privatização que vai transformar profundamente a identidade individual entre estes últimos séculos e reconfigurar de maneira paradoxal as relações entre comportamentos públicos e privados: o que vai, por um lado, afirmar a proeminência do indivíduo e incitar a expressão pessoal. O indivíduo é, em diante, indissociável da expressão singular de seu rosto, com uma tradução corporal de seu eu íntimo. Mas, por outro lado, esse mesmo movimento que o incita a se exprimir leva-o ao mesmo tempo a se apagar, a mascarar o seu rosto, a encobrir sua expressão. As sentinelas ficam situadas em pontos específicos no exterior dos quartéis e costumam proteger-se das inclemências relacionais de apreensão do tempo e espaço no interior de uma guarita. Este soldado deve permanecer uniformizado e armado. Deve-se ressaltar a importância do papel social da sentinela sob a ótica militar, pois cumpre também uma função social comunicativa, prêt-à-porter através de sua presença e pronto para defender de qualquer eventualidade.        

Se a sentinela não cumprisse com essa função de prontidão certamente o recinto militar ficaria desprotegido e suscetível a ataques. Fora do campo militar é possível também empregar o conceito sentinela em um sentido figurado. Isso acontece com as várias passagens da Bíblia e que “aparecem como sinônimo de guarda”. Por exemplo, os querubins são descritos como guardiões da árvore da vida e o Arcanjo Miguel tem a incumbência de cuidar do corpo de Moisés. A figura do profeta Ezequiel também cumpre essa função como sentinela do “seu povo”, o nome Ezequiel significa em hebraico “Deus é minha fortaleza”. Desta maneira, a ideia de sentinela na Bíblia tem o papel de guardião em um sentido simbólico de expiação. Os recrutas são habituados a manter a cabeça ereta e alta; a se manter direito sem curvar as costas, a fazer avançar o ventre, a salientar o peito, e esconder o dorso; e a fim de que se habituem essa posição lhes será dada apoiando-os contra um muro, de maneira que os calcanhares, a batata da perna, os ombros e a cintura encostem-se a ele, assim como as costas das mãos, virando os braços para fora, se afastá-los do corpo, ser-lhes-á igualmente ensinado a nunca fixar os olhos na terra, mas a olhar com ousadia aqueles diante de quem eles passam, a ficar imóveis esperando o comando, sem mexer a cabeça, as mãos nem os pés, enfim, marchar com passo firme, com o joelho e a perna esticados, a ponta baixa e para fora. 

Houve na história durante a Época Clássica, uma descoberta da representação do corpo como objeto de alvo e poder, ao corpo que se manipula, modelam-se, treina-se, que obedece, responde, torna-se hábil ou cujas forças se multiplicam. O grande livro do homem-máquina foi escrito simultaneamente em dois registros: no anátomo-metafísico, cujas primeiras páginas haviam sido escritas por René Descartes e que os médicos, os filósofos continuaram; o outro, técnico-político, constituído por um conjunto de regulamentos militares, escolares, hospitalares e por processos empíricos e refletidos para controlar ou corrigir as operações do corpo.  Dois registros bem distintos, pois se tratava ora de submissão e utilização, ora de funcionamento e de explicação: corpo útil, corpo inteligível. E, portanto, de um ao outro, pontos de cruzamento. “O homem-máquina” de La Mettrie é ao mesmo tempo uma redução materialista da alma e, além disso, uma teoria geral do adestramento, no centro dos quais reina a noção de “docilidade” que une corpo ao corpo analisável o corpo manipulável. Ipso facto, é dócil, afirma Foucault, “um corpo que pode ser utilizado, que pode ser transformado e aperfeiçoado”. O que há de novo?  Não é a primeira vez, certamente, não sendo a última, que o corpo é objeto de investimentos tão imperiosos e urgentes; nas sociedades onde o corpo está preso no interior de poderes apertados, que lhe impõem limitações, proibições ou obrigações. Muitas são novas nessas técnicas. A escala, em primeiro lugar: não se trata de cuidar do corpo, em massa, como se fosse uma unidade indissociável, mas detalhadamente; de exercer sobre ele uma coerção sem folga, de mantê-lo ao nível da mecânica – movimentos, gestos, atitude, rapidez: poder infinitesimal sobre o corpo ativo.

O objeto humano, em seguida do controle: não, ou não mais os elementos significativos do comportamento ou a linguagem do corpo; mas a economia, a eficácia dos movimentos, sua organização interna; a coação se faz mais sobre as forças que sobre os sinais; a única cerimônia que realmente importa é a do exercício. A modalidade, implica coerção ininterrupta, constante, que vela sobre os processos da atividade mais que sobre seu resultado e se exerce de acordo com uma codificação que esquadrinha formalmente ao máximo o tempo, o espaço, os movimentos. Esses métodos que permitem o controle minucioso das operações do corpo, que realizam a sujeição constante de suas forças e lhes impõem uma relação de docilidade-utilidade, são o que podemos chamar as “disciplinas”. Muitos processos disciplinares existam há muito tempo: nos conventos, nos exércitos, nas oficinas também. Mas as disciplinas se tornaram no decorrer do século XVII e XVIII fórmulas gerais de dominação. Diferentes da escravidão, não se fundamentam numa relação de apropriação dos corpos. Diferentemente da domesticidade, quando nos vemos diante do imediato, que é uma forma de relação social de dominação constante, global, maciça, não analítica, ilimitada e estabelecida sob a forma da vontade singular do patrão, da questão de seu “capricho”. Diferentes da vassalidade que é uma relação de submissão altamente codificada, mas longínqua e que se realiza menos sobre as operações do corpo que sobre os produtos trabalho e as marcas rituais da obediência. Diferentes ainda do ascetismo e das “disciplinas” de tipo monástico, que têm por função realizar renúncias mais do que aumentos de utilidade e que, implicam obediência à outrem, têm como fim principal um aumento do domínio de cada um sobre seu próprio corpo. 

O momento histórico das disciplinas é o momento de representação nas sociedades em que nasce uma arte de utilidade de uso do corpo humano, que visa não exclusivamente o aumento de suas habilidades, nem tampouco aprofundar sua sujeição, mas a formação de uma relação que no mesmo mecanismo o torna tanto mais obediente quanto é mais útil, e inversamente. Forma-se uma política das coerções que são um trabalho sobre o corpo, uma manipulação calculada de seus elementos, de seus gestos, de seus comportamentos. O corpo humano entra numa maquinaria de poder que o esquadrinha, o desarticula, o recompõe. Sem temor a erro assim se coloca o problema abstrato das relações desses procedimentos com o discurso. Mas eles não têm a fixidez repetitiva dos ritos, dos costumes ou dos reflexos, como ocorre via de regra com cidades da dimensão de Fortaleza – saberes que não mais ou ainda se articulam em discursos. Sua mobilidade se ajusta incessantemente a uma diversidade de objetivos e “golpes”, mas sem que dependam de uma elucidação verbal. Mas são de fato autônomas a este respeito? Táticas no discurso pode ser o ponto de referência formal de táticas sem discurso. Como também essas maneiras de pensar investidas em maneiras de fazer constituem um caso estranho – e maciço – das relações que tais práticas mantêm com teorias. Em Foucault, o drama se desenrola, como sempre, entre duas forças, cuja relação a astúcia do tempo inverte. Essas táticas vão se afinando e estendendo sem precisar recorrer a uma ideologia. Mediante um lugar celular do mesmo tipo para todos, elas aperfeiçoam a visibilidade e o reticulado desse espaço para transformá-lo num instrumento capaz de disciplinar, vigiando, e de tratar não importa que grupo humano. 

Trata-se de detalhes tecnológicos, processos ínfimos e decisivos. Acabam vencendo a inércia por assim dizer da concepção de teoria e social: por eles se impõem a universalização da pena uniforme, a prisão, que inverte, a partir de dentro, as instituições revolucionárias e instala em toda parte o complexo “penitenciário” ocupando o lugar da justiça penal que os distingue. Esta notável técnica de interpretação historiográfica destaca ao mesmo tempo duas questões que não se devem, no entanto, confundir: de um lado, o papel decisivo dos procedimentos e dispositivos tecnológicos na organização de uma sociedade; de outro lado, o desenvolvimento excepcional de uma categoria particular desse dispositivo: a) como explicar o desenvolvimento privilegiado da série particular que é constituída pelos dispositivos panópticos? E, b) qual o estatuto de muitas séries que, prosseguido em seus silenciosos itinerários, não deram lugar a uma configuração discursiva nem a uma sistematização tecnológica? Poderiam ser consideradas como uma imensa reserva constituindo os esboços ou traços de desenvolvimentos diferentes. Outros dispositivos tecnológicos, e seus jogos relativamente duradouros à ideologia, foram já esquadrinhados por estudos recentes que sublinham também, embora em perspectivas diferentes, o seu caráter dominante. Mas parecem prevalecer durante um tempo mais ou menos longo, depois cair na massa estratificada dos procedimentos, enquanto vão dando lugar a outros através da representação do papel de informar um determinado sistema.        

Uma escarpa, em geomorfologia, tem como representação social uma forma de relevo que é uma área de transição entre diferentes províncias fisiogeográficas que envolve uma elevação aguda superior a 49º, caracterizada pela formação de um penhasco ou uma encosta íngreme. O termo vem do italiano scarpa. A superfície desta encosta íngreme é chamada de “rosto da escarpa”. Imagem sombreada e colorida da Shuttle Radar Topography Mission, demonstrando um modelo altimétrico da Falha Alpina da Nova Zelândia, com aproximadamente 500 km de extensão. A escarpa é flanqueada por cadeias de montanhas entre a falha e as montanhas dos Alpes do Sul. No topo da figura está a direção Nordeste. As escarpas geralmente são formadas pela erosão diferencial de rochas cristalinas ou pelo movimento vertical da crosta terrestre ao longo de uma falha geológica. Em outras palavras, rampas aclíveis que surgem nas bordas de planaltos. As escarpas estão na transição entre uma série de rochas sedimentares para outra série de uma composição e datação diferente. As escarpas que são formadas por falhas geológicas surgem quando uma falha move a superfície terrestre de modo a que um lado fique mais alto que o outro, dando origem a uma escarpa de falha. Em 1788, logo após a chegada dos europeus na região de Sydney, Arthur Phillip (1738-1914) nomeou a área de Colinas de Carmarthen e Lansdowne.

 As colinas de Carmarthen estavam ao Norte, e as de Lansdowne ao Sul. Porém, a área geograficamente logo passou a ser chamada de Montanhas Azuis, pela tonalidade que ela adquiria quando vista de longe.  Acredita-se que a explicação sociológica para a cor seja a Teoria de Mie onde luz com comprimentos de onda mais curtos é espalhada pelas partículas da atmosfera, dando uma tonalidade azul-acinzentada para objetos distantes, incluindo montanhas e nuvens. Terpenoides voláteis emitidos em grandes quantidades pelas muitas árvores de eucalipto na região podem causar o espalhamento da luz, dando assim a cor azulada para névoa, que dá nome ao local. É uma região montanhosa da Austrália. Ela faz fronteira com Sydney, e está localizada 50 km a Oeste do centro de Sydney, perto de Penrith. O entendimento comum do tamanho das Montanhas Azuis é variado, já que ela é parte da grande área montanhosa associada com a cordilheira australiana. A Solução de Mie recebeu este nome devido ao seu desenvolvimento pelo físico alemão Gustav Mie (1868-1957). Entretanto, o físico dinamarquês Ludvig Lorenz (1829-1891) e outros independentemente desenvolveram a teoria da dispersão da onda plana eletromagnética por uma esfera dielétrica. Em contraste à dispersão de Rayleigh, a Solução de Mie ao problema da dispersão é válida para todos as possíveis razões entre diâmetros e comprimentos de onda, embora a técnica resulte em soma numérica ad infinitum. Em sua formulação original assume-se um material homogêneo, isotrópico e opticamente linear irradiado por uma infinita onda plana. Entretanto, soluções para esferas em camadas são também possíveis. 

De acordo com a definição de 1970, a região das Montanhas Azuis faz fronteira com os rios Nepean e Hawkesbury ao Leste, com o rio Coxs e o lago Burragorang ao Oeste e Sul, e com os rios Wolgan e Colo ao Norte. Geograficamente, ela está situada na região central da bacia de Sydney. A extensão das Montanhas Azuis se estende da cordilheira e escarpas do planalto que saem da cordilheira australiana por 4.8 km ao Noroeste da falha de Wolgan até 96 km mais ou menos ao Sudeste, terminando em Emu Plains. Em mais ou menos dois terços de seu comprimento, é atravessada pela Great Western Highway e pela Main Western Railway, e será atravessada pelo túnel das Montanhas Azuis, quando completo. Há muitos povoados na região, como Katoomba, Blackheath, Mount Victoria e Springwood. Sua cordilheira forma a bacia hidrográfica entre o rio Coxs ao sul e os rios Grose e Wolgan ao Norte. A cordilheira engloba as cordilheiras do Explorador e de Bell.  A área das Montanhas Azuis inclui o governo local da cidade de Blue Mountains. Desde o início da década de 2010, a biodiversidade e infraestrutura da região vêm sendo afetadas por grandes queimadas. Em 2018, 84 milhões de pessoas visitaram o local. As florestas de basalto das Montanhas Azuis e dos Planaltos do Sul são uma comunidade florestal proeminente dentro da ecorregião. O termo Teoria de Mie é um engano, já que não se refere a uma teoria física independente ou lei. A frase “a solução de Mie às equações de Maxwell é consequente e preferível. O termo “solução de Mie” é também usado em contextos mais amplos, por exemplo ao discutir soluções das equações de Maxwell para dispersão por esferas estratificadas ou por cilindros infinitos, ou geralmente quando trata-se problemas de dispersão resolvíveis pelo uso das equações exatas de Maxwell nos casos onde se pode escrever equações separadas para a dependência radial e angular das soluções. A economia da Austrália tem como maiores bases econômicas a mineração. 

O país é o 2º maior exportador mundial de carvão e o 10º maior exportador de gás natural, o maior produtor mundial de minério de ferro, bauxita e opala, e o 2º maior produtor mundial de ouro, manganês e chumbo, entre outros. A pecuária, em vista que o país era, em 2018, o maior produtor de lã do mundo e o 5º maior produtor de carne bovina, e no âmbito do turismo foi o 7º maior em receitas turísticas em 2018 e na agricultura o país é um dos 10 maiores produtores mundiais de trigo, cevada e cana-de-açúcar e também de vinho. A Austrália tem uma economia de livre mercado com elevado PIB per capita e baixa taxa de pobreza. O dólar australiano é a moeda oficial da nação e também da Ilha Christmas, Ilhas Cocos (Keeling) e Ilha Norfolk, bem como dos independentes Estados-ilhas do Pacífico Kiribati, Nauru e Tuvalu. Após a fusão de 2006 da Australian Stock Exchange e da Sydney Futures Exchange, a Australian Securities Exchange é agora a nona maior bolsa de valores do mundo. Embora a agricultura e recursos naturais representem apenas 3% e 5% do Produto Interno Bruto (PIB), respectivamente, eles contribuem substancialmente para o desempenho da exportação. Os maiores mercados de exportação da Austrália são o Japão, a China, os Estados Unidos, a Coreia do Sul e a Nova Zelândia. O turismo é um importante setor da economia australiana. Em 2003/04, a indústria do turismo representou 3,9% do PIB da Austrália no valor de cerca de 32 bilhões de dólares australianos para a economia nacional. A participação do turismo no PIB tem vindo a decrescer ligeiramente nos últimos anos, representando 1,1% do total das exportações de bens e serviços. Os 10 países que mais enviam turistas para viagens de curta duração para a Austrália são Nova Zelândia, Reino Unido, EUA, China, Japão, Singapura, Malásia, Coreia do Sul, Hong Kong e Índia.      

Bibliografia Geral Consultada.

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