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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Terra Fria – Ação Coletiva, Justiça & Interpretação Consciente no Trabalho.

 “É pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separava do homem”. Simone de Beauvoir                         

          

          A Lógica da Ação Coletiva (em inglês The Logic of Collective Action) é um livro escrito pelo economista norte-americano Mancur Olson em 1971 que propõe a utilização de modelos econômicos para a análise dos grupos sociais e da ação coletiva. A tese básica deste extraordinário livro é a de que “mesmo que todos os indivíduos de um grupo grande sejam racionais e centrados em seus próprios interesses, e que saiam ganhando se, como grupo, agirem para atingir seus objetivos comuns, ainda assim eles não agirão voluntariamente para promover esses interesses comuns e grupais” (Olson, 1999). O argumento formal empregado pelo autor para explicar a disjunção entre racionalidade individual e racionalidade coletiva tem como objetivo se contrapor às interpretações academicamente dominantes do comportamento coletivo na década de 1950, classificadas por Olson como pertencendo às “teorias tradicionais dos grupos sociais”. Apropriando-se do método individualista, do princípio da maximização da utilidade marginal da economia neoclássica e do conceito de bens públicos sistematizado por Paul Samuelson, Olson afirma que quando está em pauta um bem público, um benefício caracterizado pela impossibilidade de discriminação entre aqueles que contribuíram para o provimento do mesmo daqueles que não o fizeram, o membro racional, em determinados casos, pode preferir não contribuir para a consecução do bem grupal. Isto porque o ator, mesmo não contribuindo com a consecução do benefício coletivo, poderia, em certas circunstâncias, usufruir de igual modo do bem em questão.

Ainda que os custos da cooperação sejam mais reduzidos do que os benefícios auferidos pelo ator, a deserção na ação coletiva é racional, de acordo com Olson, sempre que o efeito da contribuição de cada indivíduo para a provisão do benefício coletivo não exerce “uma diferença perceptível para o grupo como um todo, ou para o ônus ou ganho de qualquer membro do grupo tomado individualmente”. Como a consequência positiva que cada contribuição individual exerce sobre a produção do bem coletivo não é notada, pelo fato de ser muito reduzida, e essa contribuição envolve custos, é racional que o ator auto-interessado não arque com esses mesmos custos, maximizando assim a sua utilidade. Grupos cujos membros se deparam com essa percepção em relação à contribuição individual dos mesmos para a produção do benefício coletivo são classificados por Olson como latentes. O “dilema da ação coletiva” em grupos latentes tal como formulado por Olson reside justamente nessa ambivalência: na medida em que todos os membros do grupo raciocinam da mesma maneira, isto é, na medida em que procuram maximizar as suas respectivas utilidades às custas da deserção, pelo fato de não notarem, no fim, qualquer acréscimo significativo no nível de provisão do bem coletivo para o grupo como um todo ou para algum membro isoladamente por conta da contribuição individual, o resultado acaba se tornando desastroso do ponto de vista agregado. Do ponto de vista da racionalidade coletiva, todos ganhariam caso houvesse uma cooperação integral.

Porém, de acordo com a racionalidade individual, a deserção não deixa de ser a estratégia que proporciona a recompensa mais vantajosa a cada ator, independentemente dos outros membros do grupo cooperarem ou deixarem de cooperar. Ao contrário da metáfora da mão invisível de Adam Smith (1723-1790) que inverte a moral tradicional atribuindo à busca do autointeresse um caráter positivo em termos sociais, justificando, assim, a própria economia de mercado, para Olson, em situações específicas (aquelas que os economistas do bem-estar chamam de “falhas de mercado”), a mera perseguição do interesse individual do membro, seja ele material ou de qualquer outra natureza, termina produzindo resultados desastrosos do ponto de vista coletivo. Em casos como estes, o bem público não será provido a menos que sejam aplicados incentivos seletivos negativos (como processos de coerção) sobre os membros que não cooperam ou inventivos seletivos positivos (como retribuições individuais materiais ou simbólicas) aos membros que forneceram a sua contribuição para o bem comum. A obrigatoriedade das contribuições sindicais, ou ainda o fornecimento de retribuições materiais individuais aos associados de um sindicato, tal como comparativamente os jornais, espaços de lazer e serviços de assistência jurídica e médica, seriam exemplos comprobatórios da impossibilidade da cooperação se encaminhar de forma voluntária em uma série de situações concretas.                                            

Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir, é, simplesmente, mais reconhecida como Simone de Beauvoir (Paris, 1908, Paris, 1986), uma escritora talentosa, filósofa existencialista e feminista francesa par excellence. Escreveu romances, monografias sobre filosofia, política, sociedade, ensaios, uma autobiografia: Mémoires d’une jeune fille rangée (1958) e uma biografia: La Cérémonie des adieux suivi de Entretiens avec Jean-Paul Sartre: août - septembre 1974.  Simone de Beauvoir era a mais velha das únicas duas filhas de Georges Bertrand de Beauvoir, um advogado em tempo integral e ator amador, e Françoise Brasseur, uma jovem mulher de Verdun. Nasceu em Paris como Simone (então um nome pomposo que seu pai gostava) - Lucie (por sua avó materna) - Ernestine (por seu avô paterno, Ernest-Narcisse) - Marie (pela Virgem Maria) Bertrand de Beauvoir (ela foi orientada quando criança a dar seu nome como simplesmente “Simone de Beauvoir”). Era uma criança atraente, mas mimada, teimando para obter o que queria, tendo sido o centro das atenções em família. A mãe não foi uma grande costureira, e as que costurou eram mal ajustadas. Ao crescer, Simone de Beauvoir não tinha amigos, exceto no âmbito familiar a irmã Hélène, que era dois anos e meio mais nova e de quem ela era próxima. Em 1909, o avô materno de Beauvoir, Gustave Brasseur, presidente do Banco Meuse, faliu, jogando toda a sua família em desonra e pobreza.

Georges não recebeu o dote devido por casar-se com Françoise, e a família teve que se mudar para um apartamento menor. Georges de Beauvoir teve de voltar ao trabalho, embora o trabalho não lhe agradasse. A família lutou durante toda a infância das meninas para manter seu lugar na alta burguesia, e Georges dizia frequentemente: “Vocês, meninas, nunca vão se casar, porque vocês não terão nenhum dote”. Beauvoir sempre esteve consciente de que seu pai esperava ter um filho, ao invés de duas filhas. Ele afirmava, “Simone pensa como um homem!” o que a agradava muito, e desde pouca idade Beauvoir distinguiu-se nos estudos. Georges de Beauvoir passou seu amor pelo teatro e pela literatura para sua filha. Ele ficou convencido de que somente o sucesso acadêmico poderia tirar as filhas da pobreza. Hélène tornou-se uma pintora. Do ponto de vista da formação ela se tornou adolescente desajeitada, dedicada aos livros e à aprendizagem, e preferiu ignorar os esportes porque ela não era nada atlética e cada pessoa, socialmente busca determinada coisa e tem uma motivação diferente para se realizar no mundo.  Ela e sua irmã foram educadas no Institut Adeline Désir, ou Cour Désir, “uma escola católica para meninas, algo que era desprezado pelos intelectuais da época”.  

As escolas católicas para meninas eram vistas como lugares onde as jovens aprendiam uma das duas alternativas abertas às mulheres: casamento ou um convento. Sua mãe, que Beauvoir considerava uma intrusa espiando cada movimento seu, frequentou aulas com elas, sentada atrás delas, como se esperava que a maioria das mães fizessem. Lá Beauvoir conheceu sua melhor amiga, Elisabeth Le Coin (ZaZa nas memórias de Beauvoir). Simone amou a escola e se formou em 1924 com “distinção”. Aos 15 anos, Beauvoir já havia decidido que seria uma escritora. Jacques Champigneulle tornou-se seu mentor intelectual e amigo, aquele que sua mãe esperava que fosse cortejá-la e um dia se casar com ela. Geraldine Paro (GéGé) e Estepha Awdykovicz (Stépha) tornaram-se suas amigas. Depois de passar nos exames de bacharelado em matemática e filosofia, estudou matemática no Instituto Católico e literatura e línguas no Instituto Sainte-Marie, e em seguida, filosofia na Universidade de Paris. Em 1929, quando na Sorbonne, Beauvoir fez uma apresentação sobre Leibniz. Lá, ela conheceu outros jovens, incluindo Maurice Merleau-Ponty, René Maheu e Jean-Paul Sartre que sugeriu aos outros dois que Simone, então com 21 anos, fizesse uma apresentação privada de Leibniz para ajudá-los nas provas. Enquanto na Sorbonne, Maheu deu a Beauvoir o apelido que lhe acompanharia ao longo da vida, Castor, dado a ela por causa do trabalho ético do animal. Em 1929, na idade de 21, Beauvoir se tornou “a pessoa mais jovem a obter o Agrégation na filosofia, e a nona mulher a obter este grau”. No exame final, ficou em segundo lugar; Sartre, 24 anos, foi o primeiro, mas ele havia sido reprovado em seu primeiro exame.

O júri do Agrégation discutiu sobre a possibilidade de dar a Sartre ou Beauvoir primeiro lugar na competição.  No final, concederam a Sartre. Sua amizade com Elizabeth Mabille (“Zaza”) foi abruptamente rompida com a morte precoce de Zaza. Simone narrou esse episódio de sua vida, em seu primeiro livro autobiográfico, Memórias de Uma Moça bem-comportada, que é a primeira parte da obra autobiográfica em que critica os valores tipicamente burgueses, onde descreve a sua educação numa família de classe média, sem dinheiro e sem relações sociais, e a sua mudança da vida, graças à literatura, à filosofia e a novas amizades. Move-a um desejo de intervenção filosófica e de que a sua vida seja útil. Sem temor escolher o seu próprio destino e de se tornar alguém. Escolhe a filosofia e com ela uma forma determinada. Logo se uniu estreitamente ao filósofo Jean-Paul Sartre e a seu círculo, dos amigos íntimos (a chamada família) criando entre eles uma relação social polêmica e fecunda, que lhes permitiu compatibilizar suas liberdades individuais com sua vida em conjunto. Na verdade, é difícil caracterizá-los como casal, porque viveram longas relações amorosas cada um com outras pessoas; Beauvoir, por exemplo, teve uma forte relação com o escritor norte-americano Nelson Algren logo após a guerra, e na década de 1950 manteve outra relação duradoura com Claude Lanzmann,  cineasta francês conhecido pelo documentário Shoah (1985) e também Editor chefe da revista Les Temps Modernes, fundada por Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, e professor da European Graduate School em Saas-Fee, na Suíça.

Em 2009, ele publicou suas memórias sob o título Le lièvre de Patagonie.  No verão, era comum Simone de Claude Beauvoir e Lanzmann viajarem com Sartre e sua amante Michelle Vian, ex-esposa do escritor Boris Vian. Profissionalmente Simone de Beauvoir foi professora de filosofia até 1943 em escolas de diferentes localidades francesas, como os casos de cidades como Ruão e Marselha. Morreu de pneumonia em Paris, aos 78 anos. Encontra-se sepultada no mesmo túmulo de Jean-Paul Sartre no Cemitério de Montparnasse em Paris. Vale lembrar que Sartre em 1924 ingressou na École Normale Supérieure na mesma turma de Paul Nizan, Daniel Agache e Raymond Aron. Curiosamente músico e ator talentoso e sempre disposto a participar de brincadeiras e eventos sociais, Sartre torna-se muito popular entre os colegas na universidade. Os alunos da escola se dividem em grupos de afinidades religiosas, ateus e “carolas”, e claro das facções políticas, socialistas, comunistas, reacionários, pacifistas. Mas Sartre adere aos ateus e aos pacifistas e enquanto Aron e Nizan aderem aos círculos socialistas e comunistas e começa a participar da vida política francesa, o que o leva a manter o individualismo e o desinteresse pela política que conservaria até o fim da Segunda Guerra. No campo filosófico, além de Bergson, passou a ler Nietzsche, Kant, Descartes e Spinoza. Já na escola começa a desenvolver as primeiras ideias de uma “filosofia da liberdade leiga”, tendo como representação a oposição entre os seres e a consciência, do absurdo e da contingência que ele viria a desenvolver posteriormente em suas grandes obras filosóficas. Seu principal interesse é o indivíduo e a psicologia. A singularidade é o que distingue um homem de outros, é o que o torna na ontogênese humana.

A mão invisível tem como representação social um conceito que inicialmente foi introduzido por Adam Smith (1723-1790) em seu livro Teoria dos Sentimentos Morais, escrito em 1759, invocando a “interferência natural que o mercado exerceria na economia”. Segundo Smith, se a economia for livre, sem intervenção alguma de órgãos externos ou do governo, ela irá regular de forma automática, como se houvesse “uma mão invisível por trás de tudo, fazendo com que os preços dos produtos fossem ditados pelo próprio mercado, conforme sua necessidade”. Na época em que escreveu A Riqueza das Nações, em 1776, Smith estudou os modelos econômicos dos fisiocratas franceses por muitos anos, e, nesta obra, a “mão invisível” é mais diretamente associada à produção e ao emprego de capital em suporte à indústria doméstica. O único uso do termo “mão invisível” encontrado na obra A Riqueza das Nações se encontra no Livro IV, Capítulo II, “Restrições à Importação de Mercadorias Estrangeiras que Podem Ser Produzidas no Próprio País”. A frase exata é utilizada somente três vezes nas escrituras de Smith. Mas economicamente ele pode ter dado dois significados da frase por influência de Richard Cantillon (1680-1734), que desenvolveu ambas as aplicações econômicas em seu modelo do estado isolado. A ideia de comércio e do mercado de troca automática canalizando o interesse próprio para fins sociais desejáveis é a justificativa central da filosofia econômica de laissez-faire, que antecede a economia neoclássica. Nesse sentido, a discordância central entre ideologias econômicas pode ser vista como uma discordância sobre quão poderosa é a “mão invisível”. A mão invisível é uma expressão da economia política usada três vezes na obra de Adam Smith. 

         1. Na História da Astronomia: “Pois se pode observar que em todas as religiões politeístas, entre os povos primitivos como nas épocas mais remotas da Antiguidade, apenas os fenômenos irregulares da natureza são atribuídos ao poder de seus deuses. O fogo arde, corpos pesados ​​descem e as substâncias mais leves voam por necessidade própria; o recurso à mão invisível de Júpiter jamais é considerado nessas circunstâncias. Mas o trovão e o relâmpago, as tempestades e o Sol, esses fenômenos mais irregulares são atribuídos à sua ira”. 2. Na Teoria dos Sentimentos Morais: “Os produtos da terra sustentam quase todas as pessoas que ela é capaz de sustentar. Os ricos escolhem, dentre essa produção, apenas o que lhes é mais valioso e agradável. Consomem pouco mais que os pobres e, apesar de seu egoísmo e rapacidade natural, embora aspirem apenas ao próprio conforto, o único objetivo que buscam obter do trabalho de milhares de pessoas que empregam seja satisfação de desejos vãos e insaciáveis, compartilham com os pobres os frutos das melhorias que fazem. São guiados por uma mão invisível a realizar uma distribuição das necessidades da vida quase idêntica à que ocorreria se a terra tivesse sido dividida em partes iguais entre todos os seus habitantes; e assim, sem saber, servem aos interesses da sociedade e fornecem os meios para a multiplicação da espécie”.

N`A Riqueza das Nações: “Mas a receita anual de qualquer sociedade é sempre precisamente igual ao valor de troca de toda a produção anual de sua indústria, ou melhor, é precisamente a mesma coisa que esse valor de troca. Portanto, como cada indivíduo se esforça, na medida do possível, 1) para empregar seu capital na promoção da indústria nacional e 2) para direcionar essa indústria de modo a produzir o maior valor possível, cada indivíduo necessariamente trabalha para tornar a receita anual da sociedade a maior possível. Na verdade, sua intenção, em geral, não é servir ao interesse público, e ele nem sequer sabe até que ponto pode ser útil à sociedade. Ao preferir o sucesso da indústria nacional ao da indústria estrangeira, ele está pensando apenas em obter maior segurança pessoal; e ao direcionar essa indústria para que seu produto tenha o maior valor possível, ele está pensando apenas em seu próprio ganho.” Nisso, como em muitos outros casos, ele é conduzido por uma mão invisível a atingir um fim que não faz parte de sua intenção; e nem sempre é o pior para a sociedade que esse fim não faça parte de sua intenção. Ao buscar apenas seus próprios interesses, ele frequentemente trabalha de forma muito mais eficaz para o benefício da sociedade do que se tivesse realmente essa intenção. Nunca vi aqueles que, em seus empreendimentos comerciais, aspiravam a trabalhar para o bem comum, realizarem muito bem. É verdade que essa nobre paixão não é muito comum entre os comerciantes, e não seriam necessários longos discursos para curá-los dela.                                               

Escólio: Após um casamento fracassado, Josey Aimes (Charlize Theron) retorna à sua cidade natal, no Minnesota, Estados Unidos da América, em busca de emprego. Mãe solteira e com dois filhos para sustentar, ela é contratada pela principal fonte de empregos da região: as minas de ferro, que sustentam a cidade há gerações. O trabalho é duro, mas o salário é bom, recompensa o que compensa o esforço. Aos poucos as amizades conquistadas no trabalho passam a fazer parte do dia-a-dia de Josey, aproximando famílias e vizinhos. Incentivada por Glory (Frances McDormand), uma das poucas mulheres que trabalha nas minas, Josey passa a trabalhar no grupo daqueles que penam para arrancar o minério das pedreiras. Ela está preparada para o trabalho duro e, às vezes, perigoso, mas o que não esperava era sofrer com o assédio dos seus colegas de trabalho. Como ao reclamar do tratamento recebido é ignorada, ela decide levar à justiça o caso.

            Terra Fria (North Country) é um filme de drama norte-americano de 2005 dirigido por Niki Caro, estrelado por Charlize Theron, Frances McDormand, Sean Bean, Richard Jenkins, Michelle Monaghan, Jeremy Renner, Woody Harrelson e Sissy Spacek. O roteiro de Michael Seitzman foi inspirado no livro de 2002 Class Action: The Story of Lois Jenson and the Landmark Case That Changed Sexual Harassment Law (Ação Coletiva: A História de Lois Jenson e o Caso Marcante que Mudou a Lei de Assédio Sexual), de Clara Bingham e Laura Leedy Gansler, que narra o caso Jenson contra a Eveleth Taconite Company e o sindicato USW Local 2705, que apoiou os esforços do empregador durante os eventos horríveis e as subsequentes batalhas judiciais. O filme Terra Fria estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto em 12 de setembro de 2005, antes de ser lançado pela Warner Bros. Pictures em 21 de outubro de 2005. O filme recebeu críticas positivas, mas teve um desempenho contradizendo “o princípio hologramático significa que não apenas a parte está num todo, mas que o todo está inscrito, de certa maneira, na parte”, do esperado nas bilheterias, arrecadando US$ 25,2 milhões contra um orçamento de US$ 35 milhões. Na 78ª edição do Oscar, Theron e McDormand foram indicadas ao Oscar de Melhor Atriz e de Melhor Atriz Coadjuvante, respectivamente. Em 1989, Josey Aimes foge do marido abusivo com os filhos, Sammy e Karen.

            Ela retorna à sua cidade natal, na região de Mesabi Iron Range, no Norte de Minnesota, para morar com os pais, Alice e Hank. Hank tem vergonha da filha, que teve Sammy na adolescência com um pai desconhecido: ele acredita que ela é promíscua. Enquanto trabalha em um salão de cabeleireiro, Josey reencontra uma antiga conhecida, Glory Dodge. Ela trabalha na mina de ferro local e Glory sugere que ela faça o mesmo, pois o emprego lá paga seis vezes o seu salário atual. Quando Josey aceita o emprego, seu relacionamento com Hank fica mais tenso. Ele também trabalha na mina e acredita que mulheres não deveriam trabalhar lá, então Josey e seus filhos se mudam para a casa de Glory e seu marido, Kyle. Josey rapidamente faz amizade com várias outras trabalhadoras da mina, mas logo percebe que as mulheres são alvos constantes de assédio sexual e humilhação por parte da maioria de seus colegas homens. Elas, assim como Hank, acreditam que seus trabalhos são mais apropriados para homens. Josey, em particular, é alvo de Bobby Sharp, seu ex-namorado do Ensino Médio. Ela tenta conversar com seu supervisor, Arlen Pavich, sobre o problema, mas ele se recusa a levar suas preocupações a sério. As mulheres sofrem assédio adicional e até mesmo abuso em represália.  

        Depois que Josey rejeita as investidas sexuais de Bobby, ele espalha boatos de que ela tentou seduzi-lo, o que leva sua esposa a repreendê-la publicamente no jogo de hóquei de Sammy que começa a acreditar nos boatos sobre a suposta promiscuidade de sua mãe. Josey leva suas preocupações ao dono da mina, mas suas garantias anteriores de que estava ali para ajudar eram uma farsa. Ao chegar, ela descobre que ele convidou Pavich para a reunião, juntamente com vários executivos. Pearson oferece apenas aceitar sua demissão imediatamente, mas ela recusa. Depois que ele insinua acreditar nos rumores sobre sua promiscuidade, ela sai devastada. Mais tarde, após ser agredida física e sexualmente por Bobby no trabalho, Josey pede demissão. Ela então pede a Bill White, um advogado amigo de Kyle e Glory, que a ajude a entrar com um processo contra a empresa. Ele a aconselha a recrutar outras mulheres para formar uma ação coletiva, que seria a primeira desse tipo. As mineiras, no entanto, temem perder seus empregos e enfrentam ainda mais assédio, então Josey decide prosseguir com o caso sozinha. Ela também descobre que Glory tem esclerose lateral amiotrófica (ELA) e sua saúde está se deteriorando rapidamente. Alice e Hank discutem sobre o processo de Josey e, como Hank ainda se recusa a perdoar a filha, Alice o deixa. Em uma reunião do sindicato, Josey tenta se dirigir aos mineiros para explicar os motivos do processo, mas eles a interrompem e a insultam constantemente, levando Hank a tomar o microfone e repreender seus colegas pelo tratamento dado a Josey e mulheres da mina, recebendo alguns aplausos relutantes.  

Ele e Alice então se reconciliam. No tribunal, o advogado da mineradora tenta usar o histórico sexual de Josey contra ela, com base no depoimento de Bobby de que Sammy é fruto de uma relação sexual consensual entre Josey e seu professor do ensino médio, Paul Lattavansky. Josey então revela que, um dia, depois da aula, enquanto ela e Bobby cumpriam detenção juntos por terem sido pegos se beijando, ela foi estuprada por Lattavansky, o que resultou em sua gravidez de Sammy. O professor está presente na reunião e Hank o ataca. Bill consegue um recesso depois que Josey sai furiosa do tribunal. Sammy continua se recusando a acreditar na mãe e foge de casa, ficando com Kyle e Glory, até que Kyle o convence a reconsiderar. Ele e Josey se abraçam depois de conversarem. Durante o interrogatório de Bobby, Bill o faz admitir que testemunhou Lattavansky estuprando Josey, mas que estava com muito medo de fazer algo a respeito. Glory, que chegou ao tribunal em sua cadeira de rodas e não consegue falar, pede a Kyle que leia uma carta dizendo que ela apoia Josey, embora isso ainda não seja suficiente para se qualificar para uma ação coletiva. Após uma pausa, muitas outras mulheres se levantam, seguidas por familiares e até mesmo vários mineiros que nunca estiveram envolvidos no caso. A mineradora é obrigada a indenizar as mulheres pelo sofrimento e a estabelecer uma política histórica de combate ao assédio sexual no local de trabalho.

Na esfera socioeconômica, domínio da segunda e terceira ocorrências, essa fórmula evoca a ideia de que ações guiadas unicamente pelo interesse próprio podem contribuir para a riqueza e o bem-estar comum. Apesar de sua posição bastante modesta na obra de Smith, essa expressão tornou-se muito popular, a ponto de ser objeto de inúmeros comentários e interpretações, alguns referentes ao seu significado para Smith no contexto de sua época, e a maioria referentes aos seus usos posteriores por outros autores. As diversas interpretações, pelo menos catorze, serão examinadas mais adiante. Uma das razões para a abundância de interpretações reside no fato de Smith ter escrito numa época em que a controvérsia em torno do sistema de otimismo de Leibniz era muito intensa. Isso levanta a questão de se a “mão invisível” seria uma metáfora para algo semelhante a esse sistema. A outra razão para a multiplicidade de interpretações reside em consequências práticas, tanto econômicas quanto políticas; a estas, posteriormente, nos referiremos como as implicações. William Dyer Grampp (2014-2019) identificou nove maneiras de interpretar a mão invisível por pesquisadores: A força que faz com que o interesse de um seja o interesse de outros. É o que Élie Halévy (1870-1937) chama de “harmonização natural dos interesses”. É também a interpretação mais difundida, à qual retornaremos mais tarde. Ela foi notavelmente defendida por Cropsey e Sugden. Uma metáfora para a ideia de consequências não intencionais. Para Grampp (2000), trata-se dos neoaustríacos.

 Vaughn (1987) escreve: “A mão invisível é uma metáfora usada por Smith para designar o princípio pelo qual uma ordem social benéfica emerge das consequências não intencionais das ações individuais dos seres humanos”. Competição. É o que afirma Rosenberg, mas para Grampp, nada no trabalho de Smith apoia esta tese. Bruno partilha desta posição e escreve que “também não pode ser comparada à competição perfeita”. A vantagem mútua da troca. Esta interpretação é a de Frank Knight. Para Grampp, esta ideia já se encontra em Cícero, de quem Smith também poderia ter tomado emprestada uma ou duas ideias sobre os benefícios da divisão do trabalho e do bem-estar material. Uma piada ou uma metáfora irônica. Esta é a interpretação de Emma Rothschild (2001). Um processo evolutivo. Cosmides e Tooby (1994) acreditam que a “mão invisível” é o processo pelo qual os seres humanos adquirem o conhecimento, as habilidades e os hábitos que os levam, ao comprar e vender, a maximizar seus próprios interesses e os de seu país. Para Grampp, esses temas não são estranhos a Smith, mas não têm nada a ver com a “mão invisível”. Uma força providencial. Esta é a interpretação de Jacob Viner, de Spiegel (1979) e de Evensky (1993). A força que restringe as exportações de capital e contribui para a segurança de um país. Interpretação proposta por Persky (1989).

Um dos méritos do artigo de Grampp (2000) é a sua ênfase no forte poder retórico e na capacidade evocativa da expressão “mão invisível”, mostrando que por vezes a interpretamos mais de acordo com a nossa própria compreensão do que com o que Smith realmente escreveu. No entanto, a tipologia de Grampp mistura interpretações a diferentes níveis, e esta é também a sua fragilidade. De fato, enquanto algumas interpretações estabelecem um quadro geral de pensamento ou fazem da “mão invisível” uma metáfora para esse quadro, outras são muito mais técnicas, enquanto outras ainda visam principalmente minimizar o âmbito “realista” da expressão “mão invisível” ou dissociar as diferentes ocorrências econômicas da expressão. Às interpretações inventariadas por Grampp foram acrescentadas as que emanam do próprio Grampp e as, muitas vezes recentes, de economistas e filósofos franceses. Grampp (2000) questiona se as três referências à “mão invisível” encontradas respectivamente na História da Astronomia, na Teoria dos Sentimentos Morais (1999) e em A Riqueza das Nações (1976) constituem um oratório, isto é, se devemos interpretá-las como se todas se referissem ao mesmo princípio, ou se, pelo contrário, são variações sobre um tema não explorado, isto é, se princípios diferentes estão na verdade escondidos por trás das mesmas palavras.

Ele segue um caminho aberto por Macfie (1971). A “mão invisível de Júpiter” e o modelo da “mão invisível” do século XVIII. Macfie, no artigo “A Mão Invisível de Júpiter” (1971), argumenta que a escola escocesa do século XVIII ofereceu interpretações da história semelhantes às de Giambattista Vico (1668-1744), que distinguia entre a Era dos deuses, a Era dos heróis e a Era dos homens. Assim, para Macfie, a “mão invisível de Júpiter” simboliza a intervenção caprichosa e incompreensível dos deuses antigos, ligada à Era da “superstição”. Em contraste, a “mão invisível” está mais alinhada com a ideia de Deus ou do Ser Supremo, tal como se desenvolveu no século XVIII, e serve para preservar a ordem natural. Assim, tornar-se-ia, na Teoria dos Sentimentos Morais e na Riqueza das Nações, o instrumento do “autor da natureza que governa e anima toda a máquina do Universo”. Para este autor, a passagem na Teoria dos Sentimentos Morais, muito mais do que a dos fins não intencionais na Riqueza das Nações, seria um excelente exemplo do esforço de Smith para articular argumentos teológicos, jurídicos e éticos naquilo que seria a sua interpretação do “grande sistema da natureza”. Em Três Variações sobre um Tema Não Explorado (Grampp 2000), este autor vai além de Macfie. Ele distingue três mãos invisíveis diferentes e proclama que continuará a pensar desta forma até que seja demonstrado, com base no que Smith escreveu, que existe uma relação entre elas.

Em seu artigo, ele interpreta a “mão invisível de Júpiter” de maneira semelhante à de Macfie. A mão invisível da Teoria dos Sentimentos Morais claramente lhe apresenta problemas, por pelo menos três razões: é um componente da ordem natural, ele considera o livro “enigmático” (confuso) e, sobretudo, este livro não separa a economia da ética. Ele escreve a este respeito: “O tema da Teoria dos Sentimentos Morais diz respeito a como formamos nossos juízos éticos, o que pode ou não ser de interesse para os economistas”. Ele opta claramente pela segunda solução e parece pensar que os economistas não estão interessados ​​em juízos éticos: “o que lhes interessa é a distribuição de rendimentos, e esse é também um tema do livro”. A mão invisível da RDN, a única que, segundo ele, interessa aos economistas, guia o interesse próprio dos industriais ou comerciantes que não carecem de bom senso e que, depois de calcular a taxa de retorno dos negócios realizados dentro e fora do território nacional, optam, uma vez incluído o prêmio de risco, pelo seu próprio país. Grampp demonstra um desejo de reduzir o papel da mão invisível. Um conceito marginal na obra de Adam Smith? Para Élie Halévy, a mão invisível ocupava de fato um lugar central na obra de Smith. Essa afirmação foi recentemente contestada de forma radical por Emma Georgina Rothschild e, de maneira mais sutil, por Michaël Biziou. Para entender essa oposição, é necessário lembrar que existem duas leituras de Smith: uma conservadora, com Edmund Burke, e outra progressista, com Thomas Paine, Mary Wollstonecraft ou James Mackintosh.

Emma Rothschild traça um paralelo entre Smith e Nicolas de Condorcet e adota um “liberalismo progressista”. Isso pode explicar por que ela minimiza o papel da mão invisível. Lois Jenson, em quem a personagem Josey é baseada, começou a trabalhar na mina EVTAC (de “Eveleth Taconite”) em Eveleth, Minnesota, em 1975 e iniciou seu processo em 1984, quatro anos antes do ano em que o filme começa. O filme condensou a linha do tempo, mas na realidade levou quatorze anos para que o caso fosse resolvido. Jenson recusou uma oferta para consultoria no filme e não quis vender os direitos de sua história; assim, os cineastas criaram um relato ficcional com personagens originais. A personagem Glory Dodge, interpretada por Frances McDormand, foi baseada em Pat Kosmach, uma das autoras originais da ação coletiva. Kosmach morreu durante o processo, em 7 de novembro de 1994. A Eveleth Mines fez um acordo quatro anos depois, em dezembro de 1998, pagando a quinze mulheres um total de US$ 3,5 milhões. O filme foi filmado nas cidades do Norte de Minnesota de Eveleth, Virginia, Chisholm e Hibbing; Minneapolis; bem como Silver City e Santa Fé no Novo México. O filme estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto de 2005 e foi exibido no Festival Internacional de Cinema de Chicago antes de ser lançado nos EUA, onde arrecadou US$ 6.422.455 em seu fim de semana de estreia, ficando em 5º lugar nas bilheterias.

Com um orçamento de US$ 35 milhões, acabou arrecadando US$ 18.337.722 nos EUA e US$ 6.873.453 em mercados estrangeiros, para uma bilheteria mundial total de US$ 25.211.175. No agregador de críticas Rotten Tomatoes, 70% dos críticos deram ao filme avaliações positivas, com base em 174 críticas, e uma classificação média de 6,7/10, com Theron e McDormand recebendo elogios da crítica por suas atuações. O consenso do site afirma: “Embora às vezes melodramático e previsível, Terra Fria é, no entanto, uma história emocionante e poderosa de coragem e humanidade”. No Metacritic, o filme tem uma pontuação média de 68 em 100, com base em 39 críticas. O público pesquisado pelo CinemaScore deu ao filme uma nota média de “A−” em uma escala de A+ a F.  Manohla Dargis, do The New York Times, chamou-o de “um veículo para estrelas com coração – um drama liberal à moda antiga sobre verdade e justiça” e acrescentou: “[Ele] é um daqueles entretenimentos de Hollywood que se esforçam para contar uma história difícil e amarga com o máximo de otimismo possível. O fato de o filme funcionar tão bem, apresentando uma primeira hora difícil apenas para se desintegrar como um jornal molhado, atesta a habilidade dos cineastas, bem como as restrições impostas a eles por uma indústria que insiste em colocar um laço bonito até mesmo na verdade mais sórdida”. Em sua crítica no Chicago Sun-Times, Roger Ebert observou: “Terra Fria é um daqueles filmes que te agitam e te deixam furioso, porque dramatiza práticas sobre as quais você já ouviu falar, mas nunca realmente visualizou. Lembramos que Frances McDormand interpretou uma policial nessa mesma região em Fargo, e valorizamos essa lembrança porque ela fornece uma base para Josey Aimes.

O papel de McDormand neste filme é diferente e muito mais triste, mas traz a mesma coragem e bom senso para a tela. Junte essas duas mulheres (como atrizes e personagens) e elas podem realizar praticamente qualquer coisa. Vê-las fazer isso é uma ótima experiência cinematográfica”. Ruthe Stein, do San Francisco Chronicle, chamou o filme de “um filme envolvente, embora ocasionalmente desnecessariamente complexo... Os primeiros 15 minutos são uma bagunça... Felizmente, [ele] se acalma e se torna extremamente cativante, especialmente nas batalhas do tribunal... tudo é cuidadosamente calculado para efeito dramático e consegue brilhantemente envolver o espectador e provocar lágrimas no processo... Terra Fria teria se beneficiado de uma edição mais concisa. Dura pelo menos 15 minutos a mais do que o necessário... Apesar de todas as suas falhas, [ele] causa um forte impacto emocional e apresenta algumas atuações dignas de reconhecimento na época das premiações”. Na revista Rolling Stone, Peter Travers deu ao filme duas de quatro estrelas possíveis e comentou: “Quaisquer semelhanças entre Josey e Lois Jenson, a mulher real que fez a Eveleth Mines pagar por seus pecados em um processo histórico de ação coletiva em 1988, são mera coincidência. Em vez disso, temos uma fantasia de filme para a TV sobre o empoderamento feminino, revestida de teatralidade de novela. Os atores, a diretora Niki Caro (Whale Rider) e o excelente diretor de fotografia Chris Menges se esforçam para que tudo pareça autêntico.

Mas uma farsa é uma farsa, apesar da ferocidade e da emoção que Theron traz para o papel... Embora a sujeira e a fuligem em Terra Fria sejam aplicadas artisticamente, são puramente cosméticas e superficiais”. Em “Stories from North Country”, um documentário que acompanha o filme no DVD, Lois Jenson, em quem a história é baseada, disse: “Acho importante que as pessoas vejam isso”. Sobre Charlize Theron, Jenson disse: “Ela tem a personagem. [...] Ela conhecia o papel. Ela sabia o que era preciso – a profundidade que precisava alcançar. Ela fez um ótimo trabalho com isso”. David Rooney, da Variety, disse: “[O filme] recorre à manipulação cinematográfica em suas cenas culminantes no tribunal. Mas continua sendo uma história emocionalmente potente, contada com grande dignidade, à qual as mulheres, em especial, se identificarão... O filme representa um próximo passo confiante para a protagonista Charlize Theron. Embora os desafios de suceder um papel que redefiniu sua carreira e lhe rendeu um Oscar tenham frustrado atrizes, Theron transita de Monster para uma atuação, em muitos aspectos, mais bem-sucedida... A força tanto da atuação quanto da personagem ancora o filme firmemente na tradição de outros dramas sobre mulheres da classe trabalhadora liderando a luta por questões trabalhistas na indústria, como Norma Rae ou Silkwood”.

Vale lembrar que Norma Rae é um filme estadunidense de 1979, dos gêneros drama biográfico, dirigido por Martin Ritt. O roteiro é baseado na história real de Crystal Lee Sutton, que liderou uma campanha contra as condições de trabalho oferecidas pela empresa J.P. Stevens Mill. Em 1978, em Hinleyville, uma pequena cidade do Alabama no sul dos Estados Unidos, a maioria da população trabalha em uma indústria têxtil, cujas condições de trabalho são péssimas. Lá também trabalha Norma Rae, uma mãe solteira de dois filhos e que vive com os pais que também são operários da fábrica. De repente, chega de Nova Iorque o sindicalista Reuben Warshowsky, que procura um lugar na casa de uma família para morar. Segundo ele, aquela fábrica é a única no país que não possui um sindicato e ele quer que os trabalhadores se organizem para formar um no local, mas os mesmos resistem pois temem a reação dos patrões. Ele também enfrenta preconceito por ser judeu e na cidade haver predominância da religião Batista. Norma Rae e Reuben acabam amigos e ele passa a influenciá-la para que se engaje na luta sindical. Mesmo admirando Reuben, Rae se casa com o operário Sonny Webster que a ama, mas fica inseguro quando ela se filia à entidade de classe e começa a passar muito tempo com o sindicalista. No St. Petersburg Times, Steve Persall classificou o filme como A e o chamou de “profundamente, inegavelmente comovente... cinema de cruzada no seu melhor”.

Bibliografia Geral Consultada.

HOBBES, Thomas, A Natureza Humana. Prefácio e tradução de João Aloísio Lopes. Lisboa: Editora Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1987; COHEN, Ierome Bernard, La Rivoluzione nella Scienza. Milano: Editore Longanesi, 1988; MARÍAS, Julián, A Felicidade Humana. São Paulo: Livraria Duas Cidades, 1989; ALBUQUERQUE, José Augusto Guilhon, “Nova Ordem Política traz o Fim dos Alinhamentos Ideológicos”. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/12/18; VIGARRELLO, Georges, Storia della Violenza Sessuale. Veneza: Marsilio Editore, 2001; MACÉ, Eric (Org.), Penser les Médiacultures. Nouvelles Pratiques et Nouvelles Aproches de la Represéntation du Monde. Paris: Editeur Armand Colin, 2005; RUSSELL, Matt, “Metade de Terra Fria foi filmada no Novo México”. In: Post Bulletin, 20 de outubro de 2005; MANOHLA, Dargis, “Algumas mulheres em uma mina, dando um golpe por todas”. In: The New York Times, 21 de outubro de 2005; Artigo: “Filmes indicados ao Oscar contam histórias reais do ambiente de trabalho”. In: workplacefairness.org. 7 de março de 2006; PERSALL, Steve, “Uma vítima se levanta”. In: St. Petersburg Times. Arquivado do original em 7 de agosto de 2011; EBERT, Roger, “Uma mina de atuações dignas de Oscar”. In: Rogerebert.com, 20 de outubro de 2005; STEIN, Ruthe, “Uma mineira impressionante consegue extrair emoção de uma situação desoladora”. In: San Francisco Chronicle, 21 de outubro de 2005; THOREAU, Henry, Walden, La Vida en los Bosques. Buenos Aires: Parsifal Ediciones, 1989; Idem, A Desobediência Civil. São Paulo: Penguin Classics; Editora Companhia das Letras, 2012; METZ, Christian, A Significação no Cinema. São Paulo: Editora Perspectiva, 2012; DIAS, Janaina Almeida Ortins, Ambiguidade e Liberdade na Filosofia Moral de Simone de Beauvoir. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-graduação em Filosofia. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2016; GRÜNER, Eduardo, Lo Sólido en el Aire: El Eterno Retorno de la Crítica Marxista. Buenos Aires: Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales, 2022; Artigo: “Charlize Theron Fala Sobre Desgaste Físico aos 50: ‘Sinto Falta da Juventude’”. In: https://www.estadao.com.br/emais/gente/25/05/2026; entre outros.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Uma Saída de Mestre – Trabalho & Ação Coletiva Heterogênea.

           “A ação humana não é apenas direcionada por metas; ela também é moldada por paixões”. Jon Elster                                        

          O ouro é medida de valor porque seu valor é variável, e é padrão de preços porque é fixado como unidade de peso invariável. Aqui, como em todas as determinações de grandezas nominalmente iguais, solidez e determinidade das relações de medidas são decisivas. A necessidade de se fixar uma quantia de ouro como unidade de medida e partes alíquotas como subdivisões dessa unidade produziu a representação de que uma determinada quantia de ouro, que naturalmente tem um valor variável, se colocasse numa relação de valor fixa com os valores de troca das mercadorias, no que se perdeu de vista que os valores de troca das mercadorias estão transformados em preços, em quantias de ouro antes mesmo que o ouro se desenvolva como padrão dos preços. Assim como o valor do ouro varia, diferentes quantias de ouro apresentam entre si permanente a mesma proporção de valor. O preço de uma mercadoria ou a quantia de ouro, na qual se transforma idealmente, se expressa agora, portanto, nos nomes monetários do padrão-ouro. A forma própria com que essas mercadorias dão os seus valores de troca está transformada em nomes monetários, pelo quais expressam mutuamente o que elas valem. O dinheiro, por sua vez, torna-se moeda de cálculo. O dinheiro, compreendido como moeda de cálculo, pode existir apenas idealmente (teoria), enquanto o dinheiro que circula efetivamente (prática) é cunhado em um outro padrão totalmente diferente.

Em muitas colônias inglesas da América do Norte, a moeda circulante, até boa parte do século XVIII, consistia em moedas portuguesas e espanholas, enquanto, por toda parte, a moeda de cálculo era a mesma da Inglaterra. O mais famoso agiota da literatura viveu em Veneza e se chamava: Shylock, personagem de William Shakespeare, do “Mercador de Veneza”. O assunto empréstimo foi central neste romance, o agiota Shylock se dispõe a emprestar o dinheiro em troca de uma garantia da parte do amigo de Barsanio, o comerciante Antônio. Em qualquer empréstimo o risco de as coisas dar errado é grande, e talvez seja por isso, que as pessoas que emprestam dinheiro precisam economicamente ser compensadas, com um valor pago pelo que emprestou além do montante emprestado que é chamado de juros. Mas porque Shylock se tornou o grande vilão do valor de troca entre pessoas? Naquela época, ele era um dos muitos judeus agiotas que viviam nos guetos de Veneza. Durante a vida de Shakespeare, a agiotagem era uma ocupação comum entre os judeus, devido à crença entre os cristãos nesse período de que a usura era um pecado, e por ser uma das poucas profissões que era permitido aos judeus exercerem na Europa medieval, tendo em vista que as leis mercantilistas proibiam qualquer outro tipo de ocupação. A cidade os tolerava, pois eram os únicos que poderiam fornecer o serviço comercial que os mercadores cristãos eram proibidos de fazer, e poderiam cobrar juros pelos seus empréstimos. Por isso que os maiores banqueiros foram judeus.

Os judeus se sentavam em suas mesas, as suas “tavule” em seus bancos, os “banci”, raiz da palavra italiana para “bancos”, num local reconhecido por Banco Rosso. Pinturas de Giorgio Vasari, Frederico Zuccari e Domenico di Michelino retratam bem a crença de um inferno para os agiotas. No final da história Shylok é proibido de cobrar o meio quilo de carne de Antônio exigido no empréstimo em caso de inadimplência. O tribunal o proíbe de derramar sangue de um veneziano, por ele ser judeu a lei determina ainda a perda de seus bens por planejar a morte de um cristão. Então porque ele confiou o empréstimo, como grande vilão do romance de William Shakespeare – “Mercador de Veneza”? Os bancos desfrutam, portanto, do poder de multiplicação monetária através do crédito sem lastro.  Mas nem sempre foi assim, como demonstra Murray Rothbard. O esquema de reservas fracionárias não passa de uma fraude, segundo o economista.  A produção de mercadorias e a circulação de mercadorias, o comércio, constituem os pressupostos históricos em que aquele surge o mercado mundial e abrem no século XVI a moderna biografia do capital. Se abstrairmos do conteúdo material da circulação de mercadorias, da troca dos diversos valores de uso, e considerarmos apenas as formas econômicas que este processo gera, encontraremos seu último produto o dinheiro.

Este último produto da circulação de mercadorias é a primeira forma fenomênica do capital. O capital contrapõe-se à propriedade fundiária e em primeiro lugar, sob a forma de dinheiro, como fortuna em dinheiro, capital mercantil e capital usurário. E necessário voltarmos à gênese do capital para reconhecermos o dinheiro como a sua primeira forma fenomênica. Murray Rothbard combinou a economia laissez-faire de seu professor Ludwig von Mises com os pontos de vista absolutistas dos direitos do homem e a rejeição do Estado que ele tinha absorvido a partir do estudo dos anarquistas individualistas norte-americanos do século XIX, como Lysander Spooner e Benjamin Tucker. Rothbard foi um ardente crítico do influente economista John Maynard Keynes e do pensamento keynesiano. Seu ensaio “Keynes, o homem”, é um ataque as ideias econômicas e ao personagem Keynes. Rothbard foi também um crítico severo do filósofo Jeremy Bentham em seu ensaio: “Jeremy Bentham: The Utilitarian as Big Brother”. Rothbard enunciou a ideia segundo a qual “os acadêmicos tenderiam a se especializar no que eles são piores”. Henry George foi grande em tudo, exceto no que diz respeito a terra, sendo assim, ele escreveu sobre terra, 90% do tempo. Milton Friedman foi excelente, exceto em teoria monetária, então foi nisso que ele se concentrou.

Murray Rothbard dedica um capítulo em “Power and Market” para o papel tradicional do economista. Ele nota que as funções do economista no livre mercado, diferem do economista em um mercado obstruído. – “O que pode fazer um economista no livre mercado puro?”. No campo da ideologia econômica Rothbard infere. – “Ele pode explicar o funcionamento da economia de mercado (uma tarefa vital, especialmente porque a pessoa ignorante tende a considerar a economia de mercado como mero caos desordenado), mas ele não pode fazer muito mais”. A mesma história desenrola-se diariamente diante dos nossos olhos. Cada novo capital pisa o palco: o mercado de mercadorias e de trabalho ou mercado que se transforma em capital através de processos determinados. O surgimento das operações bancárias foi simultâneo ao surgimento da moeda, na medida em que seu surgimento logo criou a necessidade de instituições que a guardassem e emprestassem. O nome “banco” foi criado pelos banqueiros judeus de Florença no Renascimento, designando “a mesa onde eram trocadas as moedas”. Em 1406, foi criado aquele que é considerado o primeiro banco moderno: o Banco di San Giorgio, em Gênova. Em 1983, o Banco da Escócia se tornou o primeiro banco a oferecer serviços eletrônicos, tendência esta que vem se ampliando continuamente desde então no mundo inteiro.  O primeiro caixa eletrônico do mundo foi fabricado pela empresa britânica De La Rue e foi instalado num bairro no norte da Grande Londres em 27 de junho de 1967 pelo Barclays Bank.

A invenção foi creditada a John Sheperd-Barron, apesar de Luther George Simjian a ter patenteado em Nova Iorque, EUA na década de 1930 e Donald Wetzel e outros da Docutel também o terem feito em 4 de junho de 1973. Os primeiros caixas aceitavam apenas uma “ficha” ou “cupão” de uso único, que era retida pelo caixa. Essas trabalhavam em vários princípios como radiação e magnetismo de baixa coercitividade que era retirado pelo leitor de cartão para tornar fraudes mais difíceis. A ideia de um número de identificação pessoal (PIN) armazenado no cartão em si ao invés de ser digitado quando se queria retirar o dinheiro foi desenvolvido pelo engenheiro britânico James Goodfellow em 1965, que ainda possui patentes internacionais cobrindo esta tecnologia. Os primeiros “caixas eletrônicos falantes”, ou seja, caixas com instruções sonoras para pessoas com deficiência visual, foram instalados no Canadá em 1999. O primeiro caixa eletrônico “falante” nos Estados Unidos foi instalado em São Francisco em outubro do mesmo ano. Em 2005 já há em torno de trinta mil caixas eletrônicos falantes naquele país. A circulação de mercadorias lembra a análise de Marx, é o ponto de partida do capital. Como portador deste movimento, o possuidor de dinheiro torna-se capitalista. A sua pessoa, a sua algibeira, é o ponto de partida e o ponto de chegada do dinheiro.

O conteúdo objetivo daquela circulação - a valorização do valor - é o seu fim subjetivo e apenas na medida em que a crescente apropriação da riqueza abstrata é o único motivo propulsor das suas operações ele funciona como capitalista ou como “capital personificado”, dotado de vontade e consciência. O valor de uso não é, portanto, nunca de tratar como fim imediato do capitalista. E também não o ganho singular, mas apenas o movimento incansável do ganhar. Este impulso absoluto de enriquecimento, esta caça apaixonada ao valor é comum ao capitalista e ao entesourador: mas enquanto que o entesourador é o capitalista louco, o capitalista é o entesourador racional. A incansável multiplicação do valor, a que o entesourador aspira na medida em que tenta salvar o dinheiro da circulação, alcança-a o capitalista esperto quando o entrega de novo à circulação. Com razão afirmava satiricamente nosso jornalista, escritor e pioneiro no humorismo político brasileiro, o conhecido Barão de Itararé, Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly (1895-1971), também reconhecido por Apporelly e pelo falso título de nobreza de Barão de Itararé: - “O banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro”. Uma rede interbancária é uma rede de computadores que liga as caixas eletrônicas de diferentes bancos e permite que estes possam interagir economicamente com clientes de outros bancos. 

Embora as redes interbancárias possam fornecer recursos para todos os cartões de dentro da mesma rede, para usar caixas eletrônicos de outros bancos que pertencem à mesma rede, os serviços podem variar. Por exemplo, quando uma pessoa usa seu cartão de débito em um caixa eletrônico que não pertencem ao seu banco, serviços básicos, tais como consulta de saldos e saques, são geralmente disponíveis. No entanto, serviços específicos, tais como recarga de telefones celulares, podem não estar disponíveis para clientes de outros bancos. Além disso, os bancos podem cobrar uma taxa, quando o cliente usa esse serviço, a partir de um caixa eletrônico de um banco diferente. Redes interbancárias são úteis porque as pessoas podem acessar caixas eletrônicos de outros bancos que são membros da rede quando não um há caixa eletrônico do seu próprio banco nas proximidades. Isto é especialmente conveniente para as pessoas que viajam ao exterior, onde, as redes interbancárias internacionais como “Plus” ou “Cirrus”, quando estão disponíveis. Redes interbancárias, através de seus diferentes meios, como processo de trabalho, também permitem o uso dos cartões em diversos estabelecimentos, na função crédito ou débito. Apesar dos caixas eletrônicos serem utilizados principalmente para retirar dinheiro, eles evoluíram para incluir muitas outras funções bancárias.

Uma Saída de Mestre (The Italian Job) tem como representação social um filme de assalto de ação, uma refilmagem norte-americana de 2003 do filme homônimo britânico de 1969, dirigido por F. Gary Gray, um diretor de cinema e produtor de videoclipes estado-unidense, e estrelado por Mark Wahlberg, Charlize Theron, Edward Norton, Jason Statham, Seth Green, Mos Def e Donald Sutherland. O enredo segue uma equipe heterogênea de ladrões que planejam roubar o ouro de um ex-associado que os enganou. Apesar do título compartilhado, o enredo e os personagens deste filme diferem daqueles do filme original; Gray descreveu o filme como “uma homenagem ao original”. Neal Purvis e Robert Wade escreveram um esboço de um remake da comédia criminal britânica The Italian Job, de 1969, que originalmente foi rejeitada pela Paramount. A equipe de roteiristas Donna e Wayne Powers foram posteriormente contratados para escrever um remake. A dupla viu o filme original, que nenhum dos dois tinha visto antes, apenas uma vez “porque [eles] queriam ter uma noção do que era” em relação ao seu tom. Ao longo de dois anos e através de 18 rascunhos, eles desenvolveram um roteiro que foi descrito pelo diretor F. Gary Gray como “inspirado no original”. Gray, Powers e Powers e o produtor executivo James Dyer identificaram as semelhanças mais proeminentes como o trio de Mini Cooper usado pelos ladrões, bem como o roubo titular envolvendo o roubo de barras de ouro. 

Algumas sequências do filme passaram pelo processo de storyboards e previsualizadas por Gray antes do início da produção. Etnograficamente a maior parte do filme foi gravada em locações topográficas específicas em Veneza, Itália, no continente europeu e per se, em Los Angeles, nos Estados Unidos da América, onde canais e ruas, respectivamente, foram temporariamente fechados durante a filmagem principal. Distribuído pela Paramount Pictures, The Italian Job estreou no Festival de Cinema de Tribeca em 11 de maio de 2003, e foi lançado nos Estados Unidos em 30 de maio de 2003. Em seu fim de semana de estreia, o filme arrecadou US$19,457,944, ficando em 3º lugar. A Paramount relançou-o em 29 de agosto e quando o filme foi lançado em novembro de 2003, o filme arrecadou US$106,128.601 nos Estados Unidos e no Canadá e US$69,941,570 no exterior - US$176,070,171 em todo o mundo comercialmente globalizado pela Arte. Foi o filme de maior bilheteria produzido pela Paramount em 2003. Em 2012, foi produzido outro remake em Bollywood na Índia, Players, a indústria cultura de cinema de língua hindi, a maior indústria de cinema indiana, em termos de lucros e popularidade a nível nacional e internacional que empregam igualmente o mesmo enredo da versão de 2003, todavia, enquanto fazem os personagens e incidentes completamente diferentes. A resposta crítica foi geralmente positiva, com publicações destacando as sequências de ação. Uma sequência, The Brazilian Job, está em desenvolvimento desde 2004, mas ainda não foi produzida a partir de 2018. Gray e o diretor de fotografia Wally Pfister trabalharam juntos para desenvolver um estilo visual para o filme avant-première da produção.

           Eles viam comerciais de automóveis e fotografias de revistas, bem como sequências de perseguição analogamente nos filmes The French Connection (1971), Ronin (1998) e The Bourne Identity (2002) como referências visuais. Gray queria que o filme fosse o mais realista possível; consequentemente, os atores fizeram a maioria de suas próprias cenas de ação, e as imagens geradas por computador foram usadas com muita parcimônia. A segunda unidade, sob o comando do diretor Alexander Witt e de fotografia Josh Bleibtreu, fizeram plano de estabelecimento, a sequência de perseguição do canal de Veneza e a sequência de perseguição de Los Angeles durante um período de 40 dias. As filmagens no local colocaram alguns desafios. A sequência do assalto inicial em Veneza, na Itália, foi rigorosamente monitorada pelas autoridades locais, devido às altas velocidades em que os barcos foram levados. As temperaturas frias em Passo Fedaia nos Alpes italianos criaram problemas à produção: “Os canhões engasgariam, e se você pudesse imaginar não ser capaz de caminhar 12 metros com uma garrafa de água sem congelar, essas são as condições em que tivemos que trabalhar”, observou Gray. Pedestres tiveram permissão para usar as calçadas da Hollywood Boulevard entre tomadas. Além disso, cenas ocorridas em estradas e ruas da cidade foram filmadas nos finais de semana.

            Em filosofia e lógica, a contingência enquanto representação da realidade é o modo de ser daquilo que não é necessário nem impossível.  É bem verdade que a liberdade no pensamento tem somente o puro pensamento por sua verdade; e verdade sem a implementação da vida. Por isso, para lembrarmos de Friedrich Hegel, é ainda só o conceito da liberdade, não a própria liberdade viva. Com efeito, para ela a essência é só o pensar em geral, a forma como tal, que afastando-se da independência das coisas retornou a si mesma. Mas porque a individualidade, como individualidade atuante, deveria representar-se como viva; ou, como individualidade pensante, captar o mundo vivo como um “sistema de pensamento”; teria de encontrar-se no pensamento mesmo, para aquela expansão do agir, um conteúdo do que é bom, e para essa expansão do agir, um conteúdo do que é bom, e para essa expansão do pensamento, um conteúdo do que é verdadeiro. Com isso não haveria, nenhum outro ingrediente, naquilo que é para a consciência, a não ser o conceito que é a essência. O conceito abstrato, separando-se da multiplicidade das coisas, não tem conteúdo nenhum em si mesmo, exceto um conteúdo que lhe é dado. A consciência, quando pensa o conteúdo, o destrói como um ser alheio; mas o conceito é determinado e justamente essa determinidade é o alheio que o conceito possui nele.  

Esta unidade do existente, o que existe, e do que é em si é o essencial da evolução. É um conceito especulativo, esta unidade do diferente, do gérmen e do desenvolvido. Ambas estas coisas são duas e, no entanto, uma. É um conceito da razão. Por isso só todas as outras determinações são inteligíveis, mas o entendimento abstrato não pode conceber isto. O entendimento fica nas diferenças, só pode compreender abstrações, não o concreto, nem o conceito. Resumindo, teremos uma única vida a qual está oculta. Mas depois entra na existência e separadamente, na multiplicidade das determinações, e que com graus distintos, são necessárias. E juntas de novo, constituem um sistema. Essa representação é uma imagem da história da filosofia. O primeiro momento era o em si da realização, e em si do gérmen etc. O segundo é a existência, aquilo que resulta. Assim, o terceiro é a identidade de ambos, mais precisamente agora o fruto da evolução, o resultado de todo este movimento. E a isto Hegel chama “o ser por si”. É o “por si” do homem, do espírito mesmo. Somente o espírito chega a ser verdadeiro por si, idêntico consigo. O que o espírito produz, seu objeto, é ele mesmo. Ele é um desembocar em seu outro. É um desprendimento, um desdobrar-se, e por isso, ao mesmo tempo, um desafogo. No que toca mais precisamente a um dos lados da educação, melhor dizendo, à disciplina, não se há de permitir ao adolescente abandonar-se a seu próprio bel-prazer; ele deve obedecer para aprender a mandar. 

A obediência é o começo de toda a sabedoria; pois, por ela, a vontade que ainda não conhece o verdadeiro, o objetivo, e não faz deles o seu fim, pelo que ainda não é verdadeiramente autônoma e livre, mas, antes, uma vontade despreparada, faz que em si vigore a vontade racional que lhe vem de fora, e que pouco a pouco esta se torne a sua vontade. O capricho deve ser quebrado pela disciplina; por ela deve ser aniquilado esse gérmen do mal. No começo, a passagem de sua vida ideal à sociedade civil pode parecer ao jovem como uma dolorosa passagem à vida de filisteu. Até então preocupado apenas com objetos universais, e trabalhando só para si mesmo, o jovem que se torna homem deve, ao entrar na vida prática, ser ativo para os outros e ocupar-se com singularidades, pois concretamente se se deve agir, tem-se de avançar em direção ao singular. Nessa produção do mundo consiste no trabalho do homem. Podemos, pois, fora de dúvida, de um lado dizer que o homem só produz o que já existe. Por outro, é necessário que um progresso individual seja efetuado. Mas o progredir no mundo só ocorrer nas massas, e só se faz notar em uma grande soma de coisas produzidas. Adam Przeworski entende que todas as teorias que explicam o funcionamento da sociedade sejam elas oriundas concepção revolucionária de Marx, conservantista de Émile Durkheim ou sistêmica de Talcott Parsons, incluindo este que buscou combinar atividade humana e estrutura em uma teoria da ação e não se limitou ao “funcionalismo” strictu sensu, necessitam ser submetidas ao pleno desafio: fornecer os micros-fundamentos para interações sociais e especificamente, basear toda a teoria da sociedade nas ações dos indivíduos concebidas como orientadas para a realização de objetivos racionais. 

Mesmo que a ação racional seja um elemento fundamental, o individualismo metodológico não é em princípio, segundo Jon Elster, redutível ao primeiro. Em tese, e isto é importante, na perspectiva da ação, pode-se imaginar a suposição analítica como referencial de análise da ação individual, mas não necessariamente, a ação racional no sentido weberiano. Elster dá um exemplo na seguinte frase, “os Estados Unidos temem a União Soviética, o primeiro substantivo coletivo é objeto de redução, mas não o segundo, porque aquilo que os norte-americanos individualmente considerados temem pode muito bem ser uma nebulosa entidade coletiva (escrito em 1986)”. A função do individualismo metodológico é a de ajudar a “abrir a caixa preta” e mostrar como funcionam as suas “engrenagens internas”. Isto é, a dedução a partir das macroestruturas não é válida, pois os mecanismos causais da ação social ficam ocultos e o nível de explicação do(s) motivo(s) da ocorrência de determinado(s) evento(s) fica bastante reduzido. Além disso, argumenta que “a racionalidade instrumental, a escolha de meios adequados aos interesses egoístas, é mais um mecanismo que explica as razões da escolha e da ação do homem”. Elster estuda um amplo conjunto de práticas e saberes sociais, em torno de mecanismos que ele divide entre aqueles que explicam as ações individuais e aqueles que explicam a interação social entre os indivíduos; evidentemente, os segundos são mais complexos que os primeiros e os pressupõem. 

Escólio: O desenvolvimento do tema da justiça na concepção de teoria de Aristóteles, discípulo de Platão, tem sede no campo ético, ou seja, no campo de um saber que vem definido em sua teoria como saber prático. É da reunião das opiniões dos sábios, dentro de uma visão de todo o problema que surgiu uma concepção propriamente aristotélica. O mestre do Liceu tratou também a justiça a entendendo como virtude, assemelhada a todas as demais tratadas no curso. A justiça, assim definida como virtude, torna-se o escopo das atenções de um ramo do conhecimento humano que se dedica ao estudo próprio do comportamento humano; à ciência prática, intitulada ética, cumpre investigar e definir o que é o justo e o injusto, o que é ser temperante e o que é ser corajoso, o que é ser jactante, etc. Somente a educação ética (hábito em grego), a criação do hábito do comportamento ético, o que se faz com a prática à conduta diuturna do que é deliberado pela reta razão à esfera das ações humanas, pode construir um comportamento virtuoso, ou seja, um comportamento justo. A justiça, em meio as demais virtudes, que se opõem a dois extremos, caracteriza-se por uma peculiaridade: trata-se de uma virtude à qual não se opõe dois vícios diferentes, mas um único vício, que é a injustiça. Teoria da ação representa um nível abstrato da filosofia que se dedica à análise de processos que causam os movimentos voluntários de um tipo mais ou menos complexo.

Entre os mecanismos da ação social, chama a atenção para dois, e especialmente: a) as emoções e paixões que nos impelem impulsivamente, e, b) as normas sociais, leis que nós obedecemos (e queremos que os outros obedeçam), sem uso de coerção social, e, portanto, formas de conduta compulsória. Entre as interações sociais, chama a atenção ainda, em especial, para as consequências “não intencionais” de um comportamento, desde a sua progênie quer em Max Weber e ipso facto em Charles Wright Mills, enquanto que explicam muito bem os mecanismos de “ação coletiva”, uma forma de interação cooperativa entre todos os indivíduos de um grupo (como partidos políticos), e as instituições, mecanismos de imposição de regras compulsórias, utilizando inventivos positivos ou coerções para regular o comportamento do indivíduo, como por exemplo: Estado, empresas, exército, judiciário, etc. Enfim, ele analisa a mudança social de várias esferas da vida social, da inovação tecnológica às revoluções políticas. É muito claro e conciso, igualmente ilustrando os mecanismos hipotéticos, históricos e literários, demonstrando na teoria que sabe muito bem do que está falando, estabelecendo bases sólidas de interpretação para as ciências sociais, considerando uma gama de dados e status correlatos à idade, barrando interesses e posições particulares. O contexto político ligeiramente amplexo é profundamente contextualizado na trama com um roteiro instigante que retoma oportunas reviravoltas ao longo de seu desenvolvimento. Que prende a atenção do espectador, ainda que o “arco dramático” de maior relevância permaneça mesmo com escopo no romance entre Moïse e Alice. Essa relação social é apresentada de modo convincente. E, muito, pelo “social irradiado” do elenco principal, apaixonado e comprometido, além da intrometida presença de Tim Roth nesse conturbado romance. Ela permanece alheia às verdades sobre Moïse. Seus senadores também se engajam em atividades políticas secretas, a pedido do presidente dos Estados Unidos. 

 

Este nível de análise tem sido regra dos filósofos, principalmente desde a obra de Aristóteles, Ética a Nicômaco, a principal interpretação de Aristóteles sobre Ética. Nela se expõe sua concepção teleológica e eudaimonista de racionalidade prática, sua concepção da virtude como mediania e suas considerações acerca do papel do hábito e da prudência. Em Aristóteles, toda racionalidade prática é teleológica, quer dizer, orientada para um fim, ou um bem, como está no texto. À Ética cabe determinar a “finalidade suprema” (o summum bonum), que preside e justifica todas as demais, e qual a maneira de alcançá-la. Essa finalidade suprema é a felicidade (eudaimonia), que não consiste, comparativamente, nem nos prazeres, nem nas riquezas, nem nas honras, mas numa vida virtuosa. A virtude, por sua vez, se encontra no justo meio de trabalho entre os extremos, da divisão do trabalho intelectual e, será encontrada por aquele “dotado de prudência” (phronesis) e educado pelo hábito no seu exercício. Vale destacar ipso facto que a ideia de virtude, na Grécia Antiga, não é idêntica ao conceito atualmente, muito influenciado tipicamente pela forma moralista pelo cristianismo. Virtude tinha o sentido da “excelência de cada ação”, ou seja, de “fazer bem feito”, na justa medida, cada vez em ato. Os valores sociais da conjuntura em que ele escreveu eram bem diferentes dos leitores atualmente; a palavra bem ou mal, por exemplo, apresenta significados totalmente opostos.

Desta forma, metodologicamente, o que é injusto ocupa na teoria dois polos diversos, ou seja, é ora injustiça por excesso, ora é injustiça por defeito. Desse modo, como o homem sem lei é injusto e o cumpridor da lei é justo, evidentemente todos os atos conforme à lei são atos justos em certo sentido, pois os atos prescritos pela arte do legislador são conforme a lei, e dizemos que cada um dele é justo. Aristóteles desenvolveu uma concepção de justiça muito eficiente sobre a qual vários países do mundo ocidental elaboraram medidas pragmáticas de punições para pessoas que cometerem crimes graves na sociedade, baseadas nos métodos de justiça criados por ele. A palavra equidade, por exemplo, carregada de conteúdo de sentido, tem origem no latim “aequitas” e quer dizer característica de algo ou alguém que “revela senso de justiça, imparcialidade, isenção e neutralidade: duvidou da equidade das eleições”. Correção no modo de agir ou de opinar; lisura; honestidade; igualdade: tratou-a com equidade. Disposição elementar para reconhecer a imparcialidade do direito de cada indivíduo. Assim, Aristóteles em sua obra Ética a Nicômaco, Livro V, aborda a questão da originalmente em torno da equidade enquanto princípio norteador indispensável para a efetivação da justiça.

Para o referido filósofo, o maior pensador da Antiguidade, a singularidade é que “o equitativo é justo, porém não o legalmente justo, e sim uma correção da justiça legal. A razão disto é que toda lei é universal, mas a respeito de certas coisas não é possível fazer uma afirmação universal que seja correta”. Diante de tal raciocínio, é possível constatar que para Aristóteles, a lei não é totalmente plena, no sentido de abranger todas as situações e problemas jurídicos aos quais a sociedade possa estar sujeita, ou seja, existe uma determinada lei, entretanto, podem existir situações que não foram pensadas pelo legislador e consequentemente não estão abrangidas por esta lei, mas que também necessitam de amparo legal. Desse modo, não seria justo que tal situação ou caso fosse ignorado por uma “falha” do legislador, sendo necessário então a aplicação do princípio da equidade para permitir que aquele caso seja conhecido e apreciado quanto ao seu mérito de maneira justa, levando-se em consideração as peculiaridades do caso concreto. Aristóteles menciona ainda que “essa é a natureza do equitativo: uma correção da lei quando ela é deficiente em razão da sua universalidade”, sendo que é justamente essa correção que torna justa a resolução do caso concreto. Desse modo é possível depreender por meio de um raciocínio lógico que toda lei é justa, mas nem tudo que é justo é abarcado pela lei, sendo necessário então a aplicação do princípio da equidade para que aquela situação que não foi abrangida pela lei tenha seu mérito analisado de maneira justa.

E é justamente por ter esse caráter corretivo e, também, complementarmente, que para Aristóteles, o equitativo é uma espécie superior de justiça: por se amoldar as mais diversas situações existentes no mundo fático, afinal, é claro e notório que a sociedade tem uma mutação/mudança social muito mais acelerada do que a legislação posta para a regular, até mesmo porque são as próprias mudanças da sociedade que vão embasar alterações na legislação. Da perspectiva da teoria da ação social, é só de maneira insatisfatória que as atividades do espírito humano podem ser restritas à confrontação cognitivo-instrumental, segundo Habermas (2012) com a natureza exterior; ações sociais orientam-se por valores culturais. Estes últimos, porém, não contam com um referencial de verdade. Assim, coloca-se a seguinte alternativa: ou negamos aos componentes “não cognitivos” da tradição cultural o status assumido pelas entidades do terceiro mundo graças à alojação delas em uma esfera de nexos de validade, e então nivelamos esses mesmos componentes de maneira empirista, como formas enunciativas do espírito subjetivo; ou procuramos equivalentes para o referencial de verdade que está ausente. 

Essa segunda via, como veremos, é escolhida ou mediada pela teoria da ciência de Max Weber. Ele tem o mérito de distinguir do ponto de vista da teoria, diversas esferas culturais de valor, a saber para o que nos interessa, ciência e técnica, direito e moral, bem como arte e crítica. E também as esferas de valor não cognitivas constituem esferas de validade. Noções jurídicas e morais podem ser criticadas e analisadas sob o ponto de vista da correção normativa; obras de arte, sob o ponto de vista da autenticidade (ou beleza). Pode-se trabalhá-las como campo autônomos de problemas. Entende que a tradição cultural no todo como uma provisão de saber, a partir da qual se podem formar “esferas especiais de valor” e “sistemas especiais de validade distintas”. Por isso ele atribuiria ao terceiro mundo tanto os componentes culturais avaliativos e expressivos quanto os cognitivos-instrumentais. Quando se escolhe essa alternativa, é preciso esclarecer o que podem significar “validade” e “saber” em face dos componentes “não cognitivos” da cultura. Este aspecto é muito importante na análise. Estes últimos, diversamente de teorias e enunciados, não podem ser ordenados a entidades do primeiro mundo. Valores culturais não cumprem uma função representativa. Segundo Habermas, desde Aristóteles, o conceito de agir teleológico está no centro da teoria filosófica da ação. O ator realiza um propósito ou ocasiona um estado almejado, à medida que escolhe em dada situação meios auspiciosos, para empregá-los de modo adequado. O conceito central é o da decisão entre diversas alternativas, voltada à realização de um propósito, de máximas e apoiada na interpretação da situação. O modelo teleológico do agir é ampliado a modelo estratégico, quando pelo menos um ator que atua orientado a determinados fins revela-se capaz de integrar ao “cálculo do êxito” a expectativa de decisões.

Esse modelo de ação é frequentemente interpretado de maneira utilitarista; aí se supõe que o ator escolhe e calcula os meios e fins, provavelmente no trabalho, segundo aspectos da maximização do proveito ou das expectativas de proveito. Esse modelo de ação, em economia, sociologia e psicologia social, está subjacente às abordagens vinculadas à decisão ou à teoria lúdica.  O conceito de agir regulado por normas não se refere ao comportamento de um ator, que encontra outros no entorno, mas a membros de um grupo social, que orientam seu agir segundo valores em comum. O ator individual segue uma norma (ou colide com ela), tão logo as condições se apresentem em uma dada situação na qual se possa emprega-las. As normas expressam o comum acordo subsistente em um grupo social. Todos os membros de um grupo social em que vale determinada norma podem esperar uns dos outros que cada um execute ou omita as ações preceituadas de acordo com determinadas situações. O conceito central de cumprimento da norma significa a satisfação de uma expectativa de comportamento generalizada. A expectativa de comportamento não tem o sentido cognitivo da expectativa de um acontecimento prognosticado, mas o sentido normativo de que o partícipe goze do direito à expectativa de um comportamento. Esse modelo normativo de ação subjaz à teoria dos papéis.

O conceito do “agir dramatúrgico” sociologicamente falando, seguindo as pegadas de Jurgen Habermas não se refere primeiramente ao “ator solitário”, muito menos ao membro de um grupo social, mas aos participantes de uma interação social que constituem uns para os outros um público a cujos olhos eles se apresentam. O ator suscita em seu público uma determinada imagem, uma “impressão de si mesmo”, ao desvelar sua subjetividade em maior ou menor medida. Todo aquele que age pode controlar o acesso público à esfera de suas próprias intenções, pensamentos, posicionamentos, desejos, sentimentos, etc., à qual somente ele mesmo tem acesso. No “agir dramatúrgico”, os partícipes usam essa circunstância e monitoram sua interação por meio da regulação do acesso recíproco à subjetividade culturalmente própria. Portanto, filosoficamente o conceito central de “autorrepresentação” não significa a disciplina de um comportamento expressivo espontâneo, mas per se a “estilização da expressão de vivências próprias endereçadas a expetadores”. Esse modelo dramatúrgico de ação serve em primeira linha a descrições da interação fenomenologicamente orientadas; até o momento, porém, ele não foi elaborado a ponto de construir uma abordagem teoricamente generalizante.

            Baseado em 182 comentários dados por Rotten Tomatoes, The Italian Job tem uma classificação média de aprovação de 73%, com uma pontuação média ponderada de 6.43/10. O consenso do site diz: “Apesar de alguns elementos duvidosos da trama, The Italian Job consegue apresentar uma versão moderna e divertida do filme original de 1969, graças a um elenco carismático”. Em comparação, o Metacritic, que atribui uma classificação normalizada a revisões de críticos convencionais, calculou uma pontuação média de 68 de 100 das 37 revisões que coletou, indicando “revisões geralmente favoráveis”. Stephanie Zacharek, escrevendo para Salon.com, gostou da reinvenção da trama e do estilo e execução das sequências de ação, especificamente aquelas que envolvem o trio de Mini Cooper, que ela escreveu foram as estrelas do filme. O crítico do Los Angeles Times, Kevin Thomas, elogiou a sequência de abertura de Veneza e a caracterização de cada um dos ladrões, mas sentiu que a sequência de assaltos de Los Angeles estava “indiscutivelmente esticada um pouco demais”. Roger Ebert deu o filme 3 de 4, escrevendo que o filme foi “duas horas de escapismo sem sentido em um nível profissional relativamente qualificado”. Mick LaSalle, do San Francisco Chronicle, concordou, descrevendo The Italian Job como entretenimento puro, mas inteligente, “plotado e executado com invenção e humor”. O revisor James Berardinelli também deu ao filme 3 estrelas de 4, e disse que Gray descobriu a receita certa para fazer um filme de assalto: “mantenha as coisas em movimento, desenvolva um bom relacionamento entre os protagonistas, lance ocasionalmente surpresa, e top com uma pitada de brio”.

Robert Koehler, da Variety, comparou The Italian Job a The Score (2001), outro filme de assalto que também contou com Edward Norton em um papel semelhante. David Denby, escrevendo para The New Yorker, elogiou o desempenho de Norton, assim como os de Seth Green e Mos Def, e a falta de efeitos digitais nas sequências de ação. Owen Gleiberman da Entertainment Weekly deu ao filme uma nota B, comparando-o positivamente com o remake de 2000 de Gone in 60 Seconds, bem como o remake de 2001 de Ocean`s Eleven. O revisor do New York Daily News, Jack Mathews, deu para The Italian Job 2,5 de 4 estrelas, escrevendo que as sequências de ação e reviravoltas foram uma “grande melhoria” do original, e que a sequência do roubo de Los Angeles foi “inteligente e absurda”. Mike Clark, do USA Today, um jornal diário norte-americano de circulação nacional fundado em 1982 por Allen Neuharth e publicado pela Gannett. É um dos jornais de maior circulação nos Estados Unidos, mas que também questionou a probabilidade da sequência de assaltos de Los Angeles e escreveu que o filme era “um remake preguiçoso e com apenas um nome”, dando-lhe 2 estrelas de 4. Peter Travers, escrevendo para a Rolling Stone, uma revista mensal sediada nos Estados Unidos dedicada à música, política, e cultura popular, deu para o filme The Italian Job 1 estrela de 4, descrevendo-o de forma rotinizada como “um remake de um filme de assalto que já era plano e estereotipado em 1969”. Travers apreciou o alívio cômico nos personagens de Green e Def, e acrescentou que o Norton era “o desempenho mais perversamente magnético” fora do Mini Cooper, mas sentiu que havia uma falta de lógica no filme.

Bibliografia Geral Consultada.

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