“A ação humana não é apenas direcionada por metas; ela também é moldada por paixões”. Jon Elster
O ouro é medida de valor porque seu
valor é variável, e é padrão de preços porque é fixado como unidade de peso
invariável. Aqui, como em todas as determinações de grandezas nominalmente
iguais, solidez e determinidade das relações de medidas são decisivas. A
necessidade de se fixar uma quantia de ouro como unidade de medida e partes
alíquotas como subdivisões dessa unidade produziu a representação de que uma
determinada quantia de ouro, que naturalmente tem um valor variável, se
colocasse numa relação de valor fixa com os valores de troca das mercadorias,
no que se perdeu de vista que os valores de troca das mercadorias estão
transformados em preços, em quantias de ouro antes mesmo que o ouro se
desenvolva como padrão dos preços. Assim como o valor do ouro varia, diferentes
quantias de ouro apresentam entre si permanente a mesma proporção de valor. O
preço de uma mercadoria ou a quantia de ouro, na qual se transforma idealmente,
se expressa agora, portanto, nos nomes monetários do padrão-ouro. A forma própria
com que essas mercadorias dão os seus valores de troca está transformada em
nomes monetários, pelo quais expressam mutuamente o que elas valem. O dinheiro,
por sua vez, torna-se moeda de cálculo. O dinheiro, compreendido como moeda de
cálculo, pode existir apenas idealmente (teoria), enquanto o dinheiro que
circula efetivamente (prática) é cunhado em um outro padrão totalmente
diferente.
Em muitas colônias
inglesas da América do Norte, a moeda circulante, até boa parte do século
XVIII, consistia em moedas portuguesas e espanholas, enquanto, por toda parte,
a moeda de cálculo era a mesma da Inglaterra. O mais famoso agiota da
literatura viveu em Veneza e se chamava: Shylock, personagem de William
Shakespeare, do “Mercador de Veneza”. O assunto empréstimo foi central neste
romance, o agiota Shylock se dispõe a emprestar o dinheiro em troca de uma
garantia da parte do amigo de Barsanio, o comerciante Antônio. Em qualquer
empréstimo o risco de as coisas dar errado é grande, e talvez seja por isso,
que as pessoas que emprestam dinheiro precisam economicamente ser compensadas,
com um valor pago pelo que emprestou além do montante emprestado que é chamado
de juros. Mas porque Shylock se tornou o grande vilão do valor de troca entre
pessoas? Naquela época, ele era um dos muitos judeus agiotas que viviam nos
guetos de Veneza. Durante a vida de Shakespeare, a agiotagem era uma ocupação
comum entre os judeus, devido à crença entre os cristãos nesse período de que a
usura era um pecado, e por ser uma das poucas profissões que era permitido aos
judeus exercerem na Europa medieval, tendo em vista que as leis mercantilistas
proibiam qualquer outro tipo de ocupação. A cidade os tolerava, pois eram os
únicos que poderiam fornecer o serviço comercial que os mercadores cristãos
eram proibidos de fazer, e poderiam cobrar juros pelos seus empréstimos. Por
isso que os maiores banqueiros foram judeus.
Os judeus se sentavam em suas mesas, as suas “tavule” em seus bancos, os “banci”, raiz da palavra italiana para “bancos”, num local reconhecido por Banco Rosso. Pinturas de Giorgio Vasari, Frederico Zuccari e Domenico di Michelino retratam bem a crença de um inferno para os agiotas. No final da história Shylok é proibido de cobrar o meio quilo de carne de Antônio exigido no empréstimo em caso de inadimplência. O tribunal o proíbe de derramar sangue de um veneziano, por ele ser judeu a lei determina ainda a perda de seus bens por planejar a morte de um cristão. Então porque ele confiou o empréstimo, como grande vilão do romance de William Shakespeare – “Mercador de Veneza”? Os bancos desfrutam, portanto, do poder de multiplicação monetária através do crédito sem lastro. Mas nem sempre foi assim, como demonstra Murray Rothbard. O esquema de reservas fracionárias não passa de uma fraude, segundo o economista. A produção de mercadorias e a circulação de mercadorias, o comércio, constituem os pressupostos históricos em que aquele surge o mercado mundial e abrem no século XVI a moderna biografia do capital. Se abstrairmos do conteúdo material da circulação de mercadorias, da troca dos diversos valores de uso, e considerarmos apenas as formas econômicas que este processo gera, encontraremos seu último produto o dinheiro.
Este último produto da
circulação de mercadorias é a primeira forma fenomênica do capital. O capital
contrapõe-se à propriedade fundiária e em primeiro lugar, sob a forma de
dinheiro, como fortuna em dinheiro, capital mercantil e capital usurário. E
necessário voltarmos à gênese do capital para reconhecermos o dinheiro como a
sua primeira forma fenomênica. Murray Rothbard combinou a economia laissez-faire
de seu professor Ludwig von Mises com os pontos de vista absolutistas dos
direitos do homem e a rejeição do estado que ele tinha absorvido a partir do
estudo dos anarquistas individualistas norte-americanos do século XIX, como
Lysander Spooner e Benjamin Tucker. Rothbard foi um ardente crítico do
influente economista John Maynard Keynes e do pensamento econômico keynesiano.
Seu ensaio “Keynes, o homem”, é um ataque as ideias econômicas e ao personagem
Keynes. Rothbard foi também um crítico severo do filósofo utilitarista Jeremy
Bentham em seu ensaio: “Jeremy Bentham: The Utilitarian as Big Brother”.
Rothbard enunciou a ideia segundo a qual “os acadêmicos tenderiam a se
especializar no que eles são piores”. Henry George foi grande em tudo, exceto
no que diz respeito a terra, sendo assim, ele escreveu sobre terra, 90% do
tempo. Milton Friedman foi excelente, exceto em teoria monetária, então foi
nisso que ele se concentrou.
Murray Rothbard dedica
um capítulo em “Power and Market” para o papel tradicional do economista.
Rothbard nota que as funções do economista no livre mercado, diferem muito das
do economista em um mercado obstruído. – “O que pode fazer um economista no
livre mercado puro?”. No campo da ideologia econômica Rothbard infere. – “Ele
pode explicar o funcionamento da economia de mercado (uma tarefa vital, especialmente
porque a pessoa ignorante tende a considerar a economia de mercado como mero
caos desordenado), mas ele não pode fazer muito mais”. A mesma história
desenrola-se diariamente diante dos nossos olhos. Cada novo capital pisa o
palco: o mercado de mercadorias e de trabalho ou mercado que se transforma em
capital através de processos determinados. O surgimento das operações bancárias
foi simultâneo ao surgimento da moeda, na medida em que seu surgimento logo
criou a necessidade de instituições que a guardassem e emprestassem. O nome
“banco” foi criado pelos banqueiros judeus de Florença na época do
Renascimento, designando “a mesa onde eram trocadas as moedas”. Em 1406, foi
criado aquele que é considerado o primeiro banco moderno: o Banco di San
Giorgio, em Gênova. Em 1983, o Banco da Escócia se tornou o primeiro banco a
oferecer serviços eletrônicos, tendência esta que vem se ampliando continuamente
desde então no mundo inteiro. O primeiro
caixa eletrônico do mundo ocidental foi fabricado pela empresa britânica De La
Rue e foi instalado num bairro no norte da Grande Londres em 27 de junho de
1967 pelo Barclays Bank.
A invenção foi
creditada a John Sheperd-Barron, apesar de Luther George Simjian a ter
patenteado em Nova Iorque, EUA na década de 1930 e Donald Wetzel e outros da
Docutel também o terem feito em 4 de junho de 1973. Os primeiros caixas
aceitavam apenas uma “ficha” ou “cupão” de uso único, que era retida pelo
caixa. Essas trabalhavam em vários princípios como radiação e magnetismo de
baixa coercitividade que era retirado pelo leitor de cartão para tornar fraudes
mais difíceis. A ideia de um número de identificação pessoal (PIN) armazenado
no cartão em si ao invés de ser digitado quando se queria retirar o dinheiro
foi desenvolvido pelo engenheiro britânico James Goodfellow em 1965, que ainda
possui patentes internacionais cobrindo esta tecnologia. Os primeiros “caixas
eletrônicos falantes”, ou seja, caixas com instruções sonoras para pessoas com
deficiência visual, foram instalados no Canadá em 1999. O primeiro caixa
eletrônico “falante” nos Estados Unidos foi instalado em São Francisco em
outubro do mesmo ano. Em 2005 já há em torno de trinta mil caixas eletrônicos
falantes naquele país. A circulação de mercadorias lembra a análise materialista
de Marx, é o ponto de partida do capital. Como portador consciente deste
movimento, o possuidor de dinheiro torna-se capitalista. A sua pessoa, a sua
algibeira, é o ponto de partida e o ponto de chegada do dinheiro.
O conteúdo objetivo daquela circulação - a valorização do valor - é o seu fim subjetivo e apenas na medida em que a crescente apropriação da riqueza abstrata é o único motivo propulsor das suas operações ele funciona como capitalista ou como “capital personificado”, dotado de vontade e consciência. O valor de uso não é, portanto, nunca de tratar como fim imediato do capitalista. E também não o ganho singular, mas apenas o movimento incansável do ganhar. Este impulso absoluto de enriquecimento, esta caça apaixonada ao valor é comum ao capitalista e ao entesourador: mas enquanto que o entesourador é o capitalista louco, o capitalista é o entesourador racional. A incansável multiplicação do valor, a que o entesourador aspira na medida em que tenta salvar o dinheiro da circulação, alcança-a o capitalista esperto quando o entrega de novo à circulação. Com razão afirmava satiricamente nosso jornalista, escritor e pioneiro no humorismo político brasileiro, o conhecido Barão de Itararé, Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly (1895-1971), também reconhecido por Apporelly e pelo falso título de nobreza de Barão de Itararé: - “O banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro”. Uma rede interbancária é uma rede de computadores que liga as caixas eletrônicas de diferentes bancos e permite que estes possam interagir economicamente com clientes de outros bancos.
Embora as redes interbancárias possam fornecer recursos para todos os
cartões de dentro da mesma rede, para usar caixas eletrônicos de outros bancos
que pertencem à mesma rede, os serviços podem variar. Por exemplo, quando uma
pessoa usa seu cartão de débito em um caixa eletrônico que não pertencem ao seu
banco, serviços básicos, tais como consulta de saldos e saques, são geralmente
disponíveis. No entanto, serviços específicos, tais como recarga de telefones
celulares, podem não estar disponíveis para clientes de outros bancos. Além
disso, os bancos podem cobrar uma taxa, quando o cliente usa esse serviço, a
partir de um caixa eletrônico de um banco diferente. Redes interbancárias são
úteis porque as pessoas podem acessar caixas eletrônicos de outros bancos que
são membros da rede quando não um há caixa eletrônico do seu próprio banco nas
proximidades. Isto é especialmente conveniente para as pessoas que viajam ao
exterior, onde, as redes interbancárias internacionais como “Plus” ou “Cirrus”,
quando estão disponíveis. Redes interbancárias, através de seus diferentes
meios, como processo de trabalho, também permitem o uso dos cartões em diversos
estabelecimentos, na função crédito ou débito. Apesar dos caixas eletrônicos
serem utilizados principalmente para retirar dinheiro, eles evoluíram para
incluir muitas outras funções bancárias.
Uma Saída de Mestre (The Italian Job) tem como representação social um filme de assalto de ação, uma refilmagem norte-americana de 2003 do filme homônimo britânico de 1969, dirigido por F. Gary Gray, um diretor de cinema e produtor de videoclipes estado-unidense, e estrelado por Mark Wahlberg, Charlize Theron, Edward Norton, Jason Statham, Seth Green, Mos Def e Donald Sutherland. O enredo segue uma equipe heterogênea de ladrões que planejam roubar o ouro de um ex-associado que os enganou. Apesar do título compartilhado, o enredo e os personagens deste filme diferem daqueles do filme original; Gray descreveu o filme como “uma homenagem ao original”. Neal Purvis e Robert Wade escreveram um esboço de um remake da comédia criminal britânica The Italian Job, de 1969, que originalmente foi rejeitada pela Paramount. A equipe de roteiristas Donna e Wayne Powers foram posteriormente contratados para escrever um remake. A dupla viu o filme original, que nenhum dos dois tinha visto antes, apenas uma vez “porque [eles] queriam ter uma noção do que era” em relação ao seu tom. Ao longo de dois anos e através de 18 rascunhos, eles desenvolveram um roteiro que foi descrito pelo diretor F. Gary Gray como “inspirado no original”. Gray, Powers e Powers e o produtor executivo James Dyer identificaram as semelhanças mais proeminentes como o trio de Mini Cooper usado pelos ladrões, bem como o roubo titular envolvendo o roubo de barras de ouro.
Algumas sequências do filme passaram pelo
processo de storyboards e previsualizadas por Gray antes do início da
produção. Etnograficamente
a maior parte do filme foi gravada em locações topográficas específicas em
Veneza, Itália, no continente europeu e per se, em Los Angeles, nos Estados Unidos da
América, onde canais e ruas, respectivamente, foram temporariamente fechados
durante a filmagem principal. Distribuído pela Paramount Pictures, The
Italian Job estreou no Festival de Cinema de Tribeca em 11 de maio
de 2003, e foi lançado nos Estados Unidos em 30 de maio de 2003. Em seu fim de
semana de estreia, o filme arrecadou US$19,457,944, ficando em 3º lugar. A
Paramount relançou-o em 29 de agosto e quando o filme foi lançado em novembro
de 2003, o filme arrecadou US$106,128.601 nos Estados Unidos e no Canadá e
US$69,941,570 no exterior - US$176,070,171 em todo o mundo comercialmente globalizado
pela Arte. Foi o filme de maior bilheteria produzido pela Paramount em 2003. Em
2012, foi produzido outro remake em Bollywood na Índia, Players, a
indústria cultura de cinema de língua hindi, a maior indústria de cinema
indiana, em termos de lucros e popularidade a nível nacional e internacional que
empregam igualmente o mesmo enredo da versão de 2003, todavia, enquanto fazem
os personagens e incidentes completamente diferentes. A resposta crítica foi
geralmente positiva, com publicações destacando as sequências de ação.
Uma sequência, The Brazilian Job, está em desenvolvimento desde 2004,
mas ainda não foi produzida a partir de 2018.
Eles viam
comerciais de automóveis e fotografias de revistas, bem como sequências de
perseguição analogamente nos filmes The French Connection (1971), Ronin
(1998) e The Bourne Identity (2002) como referências visuais. Gray
queria que o filme fosse o mais realista possível; consequentemente, os atores
fizeram a maioria de suas próprias cenas de ação, e as imagens geradas por
computador foram usadas com muita parcimônia. A segunda unidade, sob o comando
do diretor Alexander Witt e de fotografia Josh Bleibtreu, fizeram plano de
estabelecimento, a sequência de perseguição do canal de Veneza e a sequência de
perseguição de Los Angeles durante um período de 40 dias. As filmagens no local
colocaram alguns desafios. A sequência do assalto inicial em Veneza, na Itália,
foi rigorosamente monitorada pelas autoridades locais, devido às altas
velocidades em que os barcos foram levados. As temperaturas frias em Passo
Fedaia nos Alpes italianos criaram problemas à produção: “Os canhões
engasgariam, e se você pudesse imaginar não ser capaz de caminhar 12 metros com
uma garrafa de água sem congelar, essas são as condições em que tivemos que
trabalhar”, observou Gray. Pedestres tiveram permissão para usar as calçadas da
Hollywood Boulevard entre tomadas. Além disso, cenas ocorridas em estradas e
ruas da cidade foram filmadas nos finais de semana.
Em
filosofia e lógica, a contingência enquanto representação da realidade é o modo
de ser daquilo que não é necessário nem impossível. É bem verdade que a liberdade no pensamento
tem somente o puro pensamento por sua verdade; e verdade sem a implementação da
vida. Por isso, para lembrarmos de Friedrich Hegel, é ainda só o conceito da
liberdade, não a própria liberdade viva. Com efeito, para ela a essência é só o
pensar em geral, a forma coo tal, que afastando-se da independência das coisas
retornou a si mesma. Mas porque a individualidade, como individualidade
atuante, deveria representar-se como viva; ou, como individualidade pensante,
captar o mundo vivo como um “sistema de pensamento”; teria de encontrar-se no
pensamento mesmo, para aquela expansão do agir, um conteúdo do que é bom, e
para essa expansão do agir, um conteúdo do que é bom, e para essa expansão do
pensamento, um conteúdo do que é verdadeiro. Com isso não haveria, nenhum outro
ingrediente, naquilo que é para a consciência, a não ser o conceito que é a
essência. O conceito abstrato, separando-se da multiplicidade das coisas, não
tem conteúdo nenhum em si mesmo, exceto um conteúdo que lhe é dado. A
consciência, quando pensa o conteúdo, o destrói como um ser alheio; mas o
conceito é determinado e justamente essa determinidade é o alheio que o
conceito possui nele.
Esta unidade do existente, o que existe, e do que é em si é o essencial da evolução. É um conceito especulativo, esta unidade do diferente, do gérmen e do desenvolvido. Ambas estas coisas são duas e, no entanto, uma. É um conceito da razão. Por isso só todas as outras determinações são inteligíveis, mas o entendimento abstrato não pode conceber isto. O entendimento fica nas diferenças, só pode compreender abstrações, não o concreto, nem o conceito. Resumindo, teremos uma única vida a qual está oculta. Mas depois entra na existência e separadamente, na multiplicidade das determinações, e que com graus distintos, são necessárias. E juntas de novo, constituem um sistema. Essa representação é uma imagem da história da filosofia. O primeiro momento era o em si da realização, e em si do gérmen etc. O segundo é a existência, aquilo que resulta. Assim, o terceiro é a identidade de ambos, mais precisamente agora o fruto da evolução, o resultado de todo este movimento. E a isto Hegel chama “o ser por si”. É o “por si” do homem, do espírito mesmo. Somente o espírito chega a ser verdadeiro por si, idêntico consigo. O que o espírito produz, seu objeto, é ele mesmo. Ele é um desembocar em seu outro. É um desprendimento, um desdobrar-se, e por isso, ao mesmo tempo, um desafogo. No que toca mais precisamente a um dos lados da educação, melhor dizendo, à disciplina, não se há de permitir ao adolescente abandonar-se a seu próprio bel-prazer; ele deve obedecer para aprender a mandar.
A obediência é o começo de toda a sabedoria;
pois, por ela, a vontade que ainda não conhece o verdadeiro, o objetivo, e não
faz deles o seu fim, pelo que ainda não é verdadeiramente autônoma e livre,
mas, antes, uma vontade despreparada, faz que em si vigore a vontade racional
que lhe vem de fora, e que pouco a pouco esta se torne a sua vontade. O
capricho deve ser quebrado pela disciplina; por ela deve ser aniquilado esse
gérmen do mal. No começo, a passagem de sua vida ideal à sociedade civil pode
parecer ao jovem como uma dolorosa passagem à vida de filisteu. Até então
preocupado apenas com objetos universais, e trabalhando só para si mesmo, o
jovem que se torna homem deve, ao entrar na vida prática, ser ativo para os
outros e ocupar-se com singularidades, pois concretamente se se deve agir,
tem-se de avançar em direção ao singular. Nessa produção do mundo consiste no
trabalho do homem. Podemos, pois, fora de dúvida, de um lado dizer que o homem
só produz o que já existe. Por outro, é necessário que um progresso individual
seja efetuado. Mas o progredir no mundo só ocorrer nas massas, e só se faz
notar em uma grande soma de coisas produzidas.
Mesmo que a ação racional seja um elemento fundamental, o individualismo metodológico não é em princípio, segundo Jon Elster, redutível ao primeiro. Em tese, e isto é importante, na perspectiva da ação, pode-se imaginar a suposição analítica como referencial de análise da ação individual, mas não necessariamente, a ação racional no sentido weberiano. Elster dá um exemplo na seguinte frase, “os Estados Unidos temem a União Soviética, o primeiro substantivo coletivo é objeto de redução, mas não o segundo, porque aquilo que os norte-americanos individualmente considerados temem pode muito bem ser uma nebulosa entidade coletiva (escrito em 1986)”. A função do individualismo metodológico é a de ajudar a “abrir a caixa preta” e mostrar como funcionam as suas “engrenagens internas”. Isto é, a dedução a partir das macroestruturas não é válida, pois os mecanismos causais da ação social ficam ocultos e o nível de explicação do(s) motivo(s) da ocorrência de determinado(s) evento(s) fica bastante reduzido. Além disso, argumenta que “a racionalidade instrumental, a escolha de meios adequados aos interesses egoístas, é mais um mecanismo que explica as razões da escolha e da ação do homem”. Elster estuda um amplo conjunto de práticas e saberes sociais, em torno de mecanismos que ele divide entre aqueles que explicam as ações individuais e aqueles que explicam a interação social entre os indivíduos; evidentemente, os segundos são mais complexos que os primeiros e os pressupõem.
Escólio: O desenvolvimento do tema da justiça na concepção de teoria de Aristóteles, discípulo de Platão, tem sede no campo ético, ou seja, no campo de um saber que vem definido em sua teoria como saber prático. É da reunião das opiniões dos sábios, dentro de uma visão de todo o problema que surgiu uma concepção propriamente aristotélica. O mestre do Liceu tratou também a justiça a entendendo como virtude, assemelhada a todas as demais tratadas no curso. A justiça, assim definida como virtude, torna-se o escopo das atenções de um ramo do conhecimento humano que se dedica ao estudo próprio do comportamento humano; à ciência prática, intitulada ética, cumpre investigar e definir o que é o justo e o injusto, o que é ser temperante e o que é ser corajoso, o que é ser jactante, etc. Somente a educação ética (hábito em grego), a criação do hábito do comportamento ético, o que se faz com a prática à conduta diuturna do que é deliberado pela reta razão à esfera das ações humanas, pode construir um comportamento virtuoso, ou seja, um comportamento justo. A justiça, em meio as demais virtudes, que se opõem a dois extremos, caracteriza-se por uma peculiaridade: trata-se de uma virtude à qual não se opõe dois vícios diferentes, mas um único vício, que é a injustiça. Teoria da ação representa um nível abstrato da filosofia que se dedica à análise de processos que causam os movimentos voluntários de um tipo mais ou menos complexo.
Entre os mecanismos da ação social, chama a atenção para dois, e especialmente: a) as emoções e paixões que nos impelem impulsivamente, e, b) as normas sociais, leis que nós obedecemos (e queremos que os outros obedeçam), sem uso de coerção social, e, portanto, formas de conduta compulsória. Entre as interações sociais, chama a atenção ainda, em especial, para as consequências “não intencionais” de um comportamento, desde a sua progênie quer em Max Weber e ipso facto em Charles Wright Mills, enquanto que explicam muito bem os mecanismos de “ação coletiva”, uma forma de interação cooperativa entre todos os indivíduos de um grupo (como partidos políticos), e as instituições, mecanismos de imposição de regras compulsórias, utilizando inventivos positivos ou coerções para regular o comportamento do indivíduo, como por exemplo: Estado, empresas, exército, judiciário, etc. Enfim, ele analisa a mudança social de várias esferas da vida social, da inovação tecnológica às revoluções políticas. É muito claro e conciso, igualmente ilustrando os mecanismos hipotéticos, históricos e literários, demonstrando na teoria que sabe muito bem do que está falando, estabelecendo bases sólidas de interpretação para as ciências sociais, considerando uma gama de dados e status correlatos à idade, barrando interesses e posições particulares. O contexto político ligeiramente amplexo é profundamente contextualizado na trama com um roteiro instigante que retoma oportunas reviravoltas ao longo de seu desenvolvimento. Que prende a atenção do espectador, ainda que o “arco dramático” de maior relevância permaneça mesmo com escopo no romance entre Moïse e Alice. Essa relação social é apresentada de modo convincente. E, muito, pelo “social irradiado” do elenco principal, apaixonado e comprometido, além da intrometida presença de Tim Roth nesse conturbado romance. Ela permanece alheia às verdades sobre Moïse. Seus senadores também se engajam em atividades políticas secretas, a pedido do presidente dos Estados Unidos.
Este nível de análise
tem sido regra dos filósofos, principalmente desde a obra de Aristóteles, Ética
a Nicômaco, a principal interpretação de Aristóteles sobre Ética. Nela se expõe
sua concepção teleológica e eudaimonista de racionalidade prática, sua concepção
da virtude como mediania e suas considerações acerca do papel do hábito e da
prudência. Em Aristóteles, toda racionalidade prática é teleológica, quer
dizer, orientada para um fim, ou um bem, como está no texto. À Ética cabe
determinar a “finalidade suprema” (o summum bonum), que preside e
Desta forma,
metodologicamente, o que é injusto ocupa na teoria dois polos diversos, ou
seja, é ora injustiça por excesso, ora é injustiça por defeito. Desse modo,
como o homem sem lei é injusto e o cumpridor da lei é justo, evidentemente
todos os atos conforme à lei são atos justos em certo sentido, pois os atos
prescritos pela arte do legislador são conforme a lei, e dizemos que cada um
dele é justo. Aristóteles desenvolveu uma concepção de justiça muito eficiente
sobre a qual vários países do mundo ocidental elaboraram medidas pragmáticas de
punições para pessoas que cometerem crimes graves na sociedade, baseadas nos
métodos de justiça criados por ele. A palavra equidade, por exemplo,
carregada de conteúdo de sentido, tem origem no latim “aequitas” e quer dizer
característica de algo ou alguém que “revela senso de justiça, imparcialidade,
isenção e neutralidade: duvidou da equidade das eleições”. Correção no modo de
agir ou de opinar; lisura; honestidade; igualdade: tratou-a com equidade.
Disposição elementar para reconhecer a imparcialidade do direito de cada
indivíduo. Assim, Aristóteles em sua obra Ética a Nicômaco, Livro V,
aborda a questão da originalmente em torno da equidade enquanto princípio
norteador indispensável para a efetivação da justiça.
Para o referido
filósofo, o maior pensador da Antiguidade, a singularidade é que “o equitativo
é justo, porém não o legalmente justo, e sim uma correção da justiça legal. A
razão disto é que toda lei é universal, mas a respeito de certas coisas não é
possível fazer uma afirmação universal que seja correta”. Diante de tal
raciocínio, é possível constatar que para Aristóteles, a lei não é totalmente
plena, no sentido de abranger todas as situações e problemas jurídicos aos
quais a sociedade possa estar sujeita, ou seja, existe uma determinada lei,
entretanto, podem existir situações que não foram pensadas pelo legislador e
consequentemente não estão abrangidas por esta lei, mas que também necessitam
de amparo legal. Desse modo, não seria justo que tal situação ou caso fosse
ignorado por uma “falha” do legislador, sendo necessário então a aplicação do
princípio da equidade para permitir que aquele caso seja conhecido e apreciado
quanto ao seu mérito de maneira justa, levando-se em consideração as
peculiaridades do caso concreto. Aristóteles menciona ainda que “essa é a
natureza do equitativo: uma correção da lei quando ela é deficiente em razão da
sua universalidade”, sendo que é justamente essa correção que torna justa a
resolução do caso concreto. Desse modo é possível depreender por meio de um
raciocínio lógico que toda lei é justa, mas nem tudo que é justo é abarcado
pela lei, sendo necessário então a aplicação do princípio da equidade para que
aquela situação que não foi abrangida pela lei tenha seu mérito analisado de
maneira justa.
E é justamente por ter esse caráter corretivo e, também, complementarmente, que para Aristóteles, o equitativo é uma espécie superior de justiça: por se amoldar as mais diversas situações existentes no mundo fático, afinal, é claro e notório que a sociedade tem uma mutação/mudança social muito mais acelerada do que a legislação posta para a regular, até mesmo porque são as próprias mudanças da sociedade que vão embasar alterações na legislação. Da perspectiva da teoria da ação social, é só de maneira insatisfatória que as atividades do espírito humano podem ser restritas à confrontação cognitivo-instrumental, segundo Habermas (2012) com a natureza exterior; ações sociais orientam-se por valores culturais. Estes últimos, porém, não contam com um referencial de verdade. Assim, coloca-se a seguinte alternativa: ou negamos aos componentes “não cognitivos” da tradição cultural o status assumido pelas entidades do terceiro mundo graças à alojação delas em uma esfera de nexos de validade, e então nivelamos esses mesmos componentes de maneira empirista, como formas enunciativas do espírito subjetivo; ou procuramos equivalentes para o referencial de verdade que está ausente.
Essa segunda via, como veremos, é escolhida ou mediada pela teoria da ciência de Max Weber. Ele tem o mérito de distinguir do ponto de vista da teoria, diversas esferas culturais de valor, a saber para o que nos interessa, ciência e técnica, direito e moral, bem como arte e crítica. E também as esferas de valor não cognitivas constituem esferas de validade. Noções jurídicas e morais podem ser criticadas e analisadas sob o ponto de vista da correção normativa; obras de arte, sob o ponto de vista da autenticidade (ou beleza). Pode-se trabalhá-las como campo autônomos de problemas. Entende que a tradição cultural no todo como uma provisão de saber, a partir da qual se podem formar “esferas especiais de valor” e “sistemas especiais de validade distintas”. Por isso ele atribuiria ao terceiro mundo tanto os componentes culturais avaliativos e expressivos quanto os cognitivos-instrumentais. Quando se escolhe essa alternativa, é preciso esclarecer o que podem significar “validade” e “saber” em face dos componentes “não cognitivos” da cultura. Este aspecto é muito importante na análise. Estes últimos, diversamente de teorias e enunciados, não podem ser ordenados a entidades do primeiro mundo. Valores culturais não cumprem uma função representativa. Segundo Habermas, desde Aristóteles, o conceito de agir teleológico está no centro da teoria filosófica da ação. O ator realiza um propósito ou ocasiona um estado almejado, à medida que escolhe em dada situação meios auspiciosos, para empregá-los de modo adequado. O conceito central é o da decisão entre diversas alternativas, voltada à realização de um propósito, de máximas e apoiada na interpretação da situação. O modelo teleológico do agir é ampliado a modelo estratégico, quando pelo menos um ator que atua orientado a determinados fins revela-se capaz de integrar ao “cálculo do êxito” a expectativa de decisões.
Esse modelo de ação é
frequentemente interpretado de maneira utilitarista; aí se supõe que o ator
escolhe e calcula os meios e fins, provavelmente no trabalho, segundo aspectos
da maximização do proveito ou das expectativas de proveito. Esse modelo de ação,
em economia, sociologia e psicologia social, está subjacente às abordagens
vinculadas à decisão ou à teoria lúdica.
O conceito de agir regulado por normas não se refere ao
comportamento de um ator, que encontra outros no entorno, mas a membros de um
grupo social, que orientam seu agir segundo valores em comum. O ator individual
segue uma norma (ou colide com ela), tão logo as condições se apresentem em uma
dada situação na qual se possa emprega-las. As normas expressam o comum acordo
subsistente em um grupo social. Todos os membros de um grupo social em que vale
determinada norma podem esperar uns dos outros que cada um execute ou omita as
ações preceituadas de acordo com determinadas situações. O conceito central de
cumprimento da norma significa a satisfação de uma expectativa de comportamento
generalizada. A expectativa de comportamento não tem o sentido cognitivo da
expectativa de um acontecimento prognosticado, mas o sentido normativo de que o
partícipe goze do direito à expectativa de um comportamento. Esse modelo
normativo de ação subjaz à teoria dos papéis.
O conceito do “agir
dramatúrgico” sociologicamente falando, seguindo as pegadas de Jurgen Habermas
não se refere primeiramente ao “ator solitário”, muito menos ao membro de um
grupo social, mas aos participantes de uma interação social que constituem uns
para os outros um público a cujos olhos eles se apresentam. O ator suscita em seu
público uma determinada imagem, uma “impressão de si mesmo”, ao desvelar sua
subjetividade em maior ou menor medida. Todo aquele que age pode controlar o
acesso público à esfera de suas próprias intenções, pensamentos,
posicionamentos, desejos, sentimentos, etc., à qual somente ele mesmo tem
acesso. No “agir dramatúrgico”, os partícipes usam essa circunstância e
monitoram sua interação por meio da regulação do acesso recíproco à
subjetividade culturalmente própria. Portanto, filosoficamente o conceito central
de “autorrepresentação” não significa a disciplina de um comportamento
expressivo espontâneo, mas per se a “estilização da expressão de vivências
próprias endereçadas a expetadores”. Esse modelo dramatúrgico de ação serve em
primeira linha a descrições da interação fenomenologicamente orientadas; até o
momento, porém, ele não foi elaborado a ponto de construir uma abordagem
teoricamente generalizante.
Baseado
em 182 comentários dados por Rotten Tomatoes, The Italian Job tem uma
classificação média de aprovação de 73%, com uma pontuação média ponderada de
6.43/10. O consenso do site diz: “Apesar de alguns elementos duvidosos da
trama, The Italian Job consegue apresentar uma versão moderna e
divertida do filme original de 1969, graças a um elenco carismático”. Em
comparação, o Metacritic, que atribui uma classificação normalizada a
revisões de críticos convencionais, calculou uma pontuação média de 68 de 100
das 37 revisões que coletou, indicando “revisões geralmente favoráveis”. Stephanie
Zacharek, escrevendo para Salon.com, gostou da reinvenção da trama e do estilo
e execução das sequências de ação, especificamente aquelas que envolvem o trio
de Mini Cooper, que ela escreveu foram as estrelas do filme. O crítico do Los
Angeles Times, Kevin Thomas, elogiou a sequência de abertura de Veneza e a
caracterização de cada um dos ladrões, mas sentiu que a sequência de assaltos
de Los Angeles estava “indiscutivelmente esticada um pouco demais”. Roger Ebert
deu o filme 3 de 4, escrevendo que o filme foi “duas horas de escapismo sem
sentido em um nível profissional relativamente qualificado”. Mick LaSalle, do San
Francisco Chronicle, concordou, descrevendo The Italian Job como
entretenimento puro, mas inteligente, “plotado e executado com invenção e humor”.
O revisor James Berardinelli também deu ao filme 3 estrelas de 4, e disse que
Gray descobriu a receita certa para fazer um filme de assalto: “mantenha as
coisas em movimento, desenvolva um bom relacionamento entre os protagonistas,
lance ocasionalmente surpresa, e top com uma pitada de brio”.
Robert Koehler, da Variety,
comparou The Italian Job a The Score (2001), outro filme de
assalto que também contou com Edward Norton em um papel semelhante. David
Denby, escrevendo para The New Yorker, elogiou o desempenho de Norton,
assim como os de Seth Green e Mos Def, e a falta de efeitos digitais nas
sequências de ação. Owen Gleiberman da Entertainment Weekly deu ao filme
uma nota B, comparando-o positivamente com o remake de 2000 de Gone
in 60 Seconds, bem como o remake de 2001 de Ocean`s Eleven. O
revisor do New York Daily News, Jack Mathews, deu para The Italian
Job 2,5 de 4 estrelas, escrevendo que as sequências de ação e reviravoltas
foram uma “grande melhoria” do original, e que a sequência do roubo de Los
Angeles foi “inteligente e absurda”. Mike Clark, do USA Today, um jornal
diário norte-americano de circulação nacional fundado em 1982 por Allen
Neuharth e publicado pela Gannett. É um dos jornais de maior circulação nos
Estados Unidos, mas que também questionou a probabilidade da sequência de
assaltos de Los Angeles e escreveu que o filme era “um remake preguiçoso e com
apenas um nome”, dando-lhe 2 estrelas de 4. Peter Travers, escrevendo para a Rolling
Stone, uma revista mensal sediada nos Estados Unidos dedicada à música,
política, e cultura popular, deu para o filme The Italian Job 1 estrela
de 4, descrevendo-o de forma rotinizada como “um remake de um filme de
assalto que já era plano e estereotipado em 1969”. Travers apreciou o alívio
cômico nos personagens de Green e Def, e acrescentou que o Norton era “o
desempenho mais perversamente magnético” fora do Mini Cooper, mas sentiu que
havia uma falta de lógica no filme.
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