“É pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separava do homem”. Simone de Beauvoir
A Lógica da Ação Coletiva (em
inglês The Logic of Collective Action) é um livro escrito pelo
economista norte-americano Mancur Olson em 1971 que propõe a utilização de
modelos econômicos para a análise dos grupos sociais e da ação coletiva. A tese
básica deste extraordinário livro é a de que “mesmo que todos os indivíduos de
um grupo grande sejam racionais e centrados em seus próprios interesses, e que
saiam ganhando se, como grupo, agirem para atingir seus objetivos comuns, ainda
assim eles não agirão voluntariamente para promover esses interesses comuns e
grupais” (Olson, 1999). O argumento formal empregado pelo autor para explicar a
disjunção entre racionalidade individual e racionalidade coletiva tem como
objetivo se contrapor às interpretações academicamente dominantes do
comportamento coletivo na década de 1950, classificadas por Olson como
pertencendo às “teorias tradicionais dos grupos sociais”. Apropriando-se do
método individualista, do princípio da maximização da utilidade marginal da
economia neoclássica e do conceito de bens públicos sistematizado por Paul
Samuelson, Olson afirma que quando está em pauta um bem público, um
benefício caracterizado pela impossibilidade de discriminação entre aqueles que
contribuíram para o provimento do mesmo daqueles que não o fizeram, o membro
racional, em determinados casos, pode preferir não contribuir para a consecução
do bem grupal. Isto porque o ator, mesmo não contribuindo com a consecução do
benefício coletivo, poderia, em certas circunstâncias, usufruir de igual modo
do bem em questão.
Ainda que os custos da
cooperação sejam mais reduzidos do que os benefícios auferidos pelo ator, a
deserção na ação coletiva é racional, de acordo com Olson, sempre que o efeito
da contribuição de cada indivíduo para a provisão do benefício coletivo não exerce
“uma diferença perceptível para o grupo como um todo, ou para o ônus ou ganho
de qualquer membro do grupo tomado individualmente”. Como a consequência
positiva que cada contribuição individual exerce sobre a produção do bem
coletivo não é notada, pelo fato de ser muito reduzida, e essa contribuição
envolve custos, é racional que o ator auto-interessado não arque com esses
mesmos custos, maximizando assim a sua utilidade. Grupos cujos membros se
deparam com essa percepção em relação à contribuição individual dos mesmos para
a produção do benefício coletivo são classificados por Olson como latentes. O “dilema
da ação coletiva” em grupos latentes tal como formulado por Olson reside
justamente nessa ambivalência: na medida em que todos os membros do grupo
raciocinam da mesma maneira, isto é, na medida em que procuram maximizar as
suas respectivas utilidades às custas da deserção, pelo fato de não notarem, no
fim, qualquer acréscimo significativo no nível de provisão do bem coletivo para
o grupo como um todo ou para algum membro isoladamente por conta da
contribuição individual, o resultado acaba se tornando desastroso do ponto de
vista agregado. Do ponto de vista da racionalidade coletiva, todos ganhariam
caso houvesse uma cooperação integral.
Porém, de acordo com a racionalidade individual, a deserção não deixa de ser a estratégia que proporciona a recompensa mais vantajosa a cada ator, independentemente dos outros membros do grupo cooperarem ou deixarem de cooperar. Ao contrário da metáfora da mão invisível de Adam Smith (1723-1790) que inverte a moral tradicional atribuindo à busca do autointeresse um caráter positivo em termos sociais, justificando, assim, a própria economia de mercado, para Olson, em situações específicas (aquelas que os economistas do bem-estar chamam de “falhas de mercado”), a mera perseguição do interesse individual do membro, seja ele material ou de qualquer outra natureza, termina produzindo resultados desastrosos do ponto de vista coletivo. Em casos como estes, o bem público não será provido a menos que sejam aplicados incentivos seletivos negativos (como processos de coerção) sobre os membros que não cooperam ou inventivos seletivos positivos (como retribuições individuais materiais ou simbólicas) aos membros que forneceram a sua contribuição para o bem comum. A obrigatoriedade das contribuições sindicais, ou ainda o fornecimento de retribuições materiais individuais aos associados de um sindicato, tal como comparativamente os jornais, espaços de lazer e serviços de assistência jurídica e médica, seriam exemplos comprobatórios da impossibilidade da cooperação se encaminhar de forma voluntária em uma série de situações concretas.
Simone
Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir, é, simplesmente, mais reconhecida
como Simone de Beauvoir (Paris, 1908, Paris, 1986), uma escritora talentosa,
filósofa existencialista e feminista francesa par excellence. Escreveu
romances, monografias sobre filosofia, política, sociedade, ensaios, uma
autobiografia: Mémoires d’une jeune fille rangée (1958) e uma biografia:
La Cérémonie des adieux suivi de Entretiens avec Jean-Paul Sartre: août
- septembre 1974. Simone de Beauvoir era
a mais velha das únicas duas filhas de Georges Bertrand de Beauvoir, um
advogado em tempo integral e ator amador, e Françoise Brasseur, uma jovem
mulher de Verdun. Nasceu em Paris como Simone (então um nome pomposo que seu
pai gostava) - Lucie (por sua avó materna) - Ernestine (por seu avô paterno,
Ernest-Narcisse) - Marie (pela Virgem Maria) Bertrand de Beauvoir (ela foi
orientada quando criança a dar seu nome como simplesmente “Simone de
Beauvoir”). Era uma criança atraente, mas mimada, teimando para obter o que
queria, tendo sido o centro das atenções em família. A mãe não foi uma grande
costureira, e as que costurou eram mal ajustadas. Ao crescer, Simone de
Beauvoir não tinha amigos, exceto no âmbito familiar a irmã Hélène, que era
dois anos e meio mais nova e de quem ela era próxima. Em 1909, o avô materno de
Beauvoir, Gustave Brasseur, presidente do Banco Meuse, faliu, jogando toda a
sua família em desonra e pobreza.
Georges não recebeu o
dote devido por casar-se com Françoise, e a família teve que se mudar para um
apartamento menor. Georges de Beauvoir teve de voltar ao trabalho, embora o
trabalho não lhe agradasse. A família lutou durante toda a infância das meninas
para manter seu lugar na alta burguesia, e Georges dizia frequentemente:
“Vocês, meninas, nunca vão se casar, porque vocês não terão nenhum dote”.
Beauvoir sempre esteve consciente de que seu pai esperava ter um filho, ao
invés de duas filhas. Ele afirmava, “Simone pensa como um homem!” o que a
agradava muito, e desde pouca idade Beauvoir distinguiu-se nos estudos. Georges
de Beauvoir passou seu amor pelo teatro e pela literatura para sua filha. Ele
ficou convencido de que somente o sucesso acadêmico poderia tirar as filhas da
pobreza. Hélène tornou-se uma pintora. Do ponto de vista da formação ela se
tornou adolescente desajeitada, dedicada aos livros e à aprendizagem, e
preferiu ignorar os esportes porque ela não era nada atlética e cada pessoa,
socialmente busca determinada coisa e tem uma motivação diferente para se
realizar no mundo. Ela e sua irmã foram
educadas no Institut Adeline Désir, ou Cour Désir, “uma escola católica para
meninas, algo que era desprezado pelos intelectuais da época”.
As escolas católicas
para meninas eram vistas como lugares onde as jovens aprendiam uma das duas
alternativas abertas às mulheres: casamento ou um convento. Sua mãe, que
Beauvoir considerava uma intrusa espiando cada movimento seu, frequentou aulas
com elas, sentada atrás delas, como se esperava que a maioria das mães
fizessem. Lá Beauvoir conheceu sua melhor amiga, Elisabeth Le Coin (ZaZa nas
memórias de Beauvoir). Simone amou a escola e se formou em 1924 com
“distinção”. Aos 15 anos, Beauvoir já havia decidido que seria uma escritora.
Jacques Champigneulle tornou-se seu mentor intelectual e amigo, aquele que sua
mãe esperava que fosse cortejá-la e um dia se casar com ela. Geraldine Paro
(GéGé) e Estepha Awdykovicz (Stépha) tornaram-se suas amigas. Depois de passar
nos exames de bacharelado em matemática e filosofia, estudou matemática no
Instituto Católico e literatura e línguas no Instituto Sainte-Marie, e em
seguida, filosofia na Universidade de Paris. Em 1929, quando na Sorbonne,
Beauvoir fez uma apresentação sobre Leibniz. Lá, ela conheceu outros jovens,
incluindo Maurice Merleau-Ponty, René Maheu e Jean-Paul Sartre que sugeriu aos
outros dois que Simone, então com 21 anos, fizesse uma apresentação privada de
Leibniz para ajudá-los nas provas. Enquanto na Sorbonne, Maheu deu a Beauvoir o
apelido que lhe acompanharia ao longo da vida, Castor, dado a ela por causa do trabalho
ético do animal. Em 1929, na idade de 21, Beauvoir se tornou “a pessoa mais
jovem a obter o Agrégation na filosofia, e a nona mulher a obter este
grau”. No exame final, ficou em segundo lugar; Sartre, 24 anos, foi o primeiro,
mas ele havia sido reprovado em seu primeiro exame.
O júri do Agrégation
discutiu sobre a possibilidade de dar a Sartre ou Beauvoir primeiro lugar na
competição. No final, concederam a
Sartre. Sua amizade com Elizabeth Mabille (“Zaza”) foi abruptamente rompida com
a morte precoce de Zaza. Simone narrou esse episódio de sua vida, em seu
primeiro livro autobiográfico, Memórias de Uma Moça bem-comportada, que é a primeira
parte da obra autobiográfica em que critica os valores tipicamente burgueses,
onde descreve a sua educação numa família de classe média, sem dinheiro e sem
relações sociais, e a sua mudança da vida, graças à literatura, à filosofia e a
novas amizades. Move-a um desejo de intervenção filosófica e de que a sua vida
seja útil. Sem temor escolher o seu próprio destino e de se tornar alguém.
Escolhe a filosofia e com ela uma forma determinada. Logo se uniu estreitamente
ao filósofo Jean-Paul Sartre e a seu círculo, dos amigos íntimos (a chamada
família) criando entre eles uma relação social polêmica e fecunda, que lhes
permitiu compatibilizar suas liberdades individuais com sua vida em conjunto.
Na verdade, é difícil caracterizá-los como casal, porque viveram longas
relações amorosas cada um com outras pessoas; Beauvoir, por exemplo, teve uma
forte relação com o escritor norte-americano Nelson Algren logo após a guerra,
e na década de 1950 manteve outra relação duradoura com Claude Lanzmann, cineasta francês conhecido pelo documentário
Shoah (1985) e também Editor chefe da revista Les Temps Modernes,
fundada por Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, e professor da European
Graduate School em Saas-Fee, na Suíça.
Em 2009, ele publicou
suas memórias sob o título Le lièvre de Patagonie. No verão, era comum Simone de Claude Beauvoir
e Lanzmann viajarem com Sartre e sua amante Michelle Vian, ex-esposa do
escritor Boris Vian. Profissionalmente Simone de Beauvoir foi professora de
filosofia até 1943 em escolas de diferentes localidades francesas, como os
casos de cidades como Ruão e Marselha. Morreu de pneumonia em Paris, aos 78
anos. Encontra-se sepultada no mesmo túmulo de Jean-Paul Sartre no Cemitério de
Montparnasse em Paris. Vale lembrar que Sartre em 1924 ingressou na École
Normale Supérieure na mesma turma de Paul Nizan, Daniel Agache e Raymond Aron.
Curiosamente músico e ator talentoso e sempre disposto a participar de
brincadeiras e eventos sociais, Sartre torna-se muito popular entre os colegas
na universidade. Os alunos da escola se dividem em grupos de afinidades
religiosas, ateus e “carolas”, e claro das facções políticas, socialistas,
comunistas, reacionários, pacifistas. Mas Sartre adere aos ateus e aos
pacifistas e enquanto Aron e Nizan aderem aos círculos socialistas e comunistas
e começa a participar da vida política francesa, o que o leva a manter o
individualismo e o desinteresse pela política que conservaria até o fim da
Segunda Guerra. No campo filosófico, além de Bergson, passou a ler Nietzsche,
Kant, Descartes e Spinoza. Já na escola começa a desenvolver as primeiras ideias
de uma “filosofia da liberdade leiga”, tendo como representação a oposição
entre os seres e a consciência, do absurdo e da contingência que ele viria a
desenvolver posteriormente em suas grandes obras filosóficas. Seu principal
interesse é o indivíduo e a psicologia. A singularidade é o que
distingue um homem de outros, é o que o torna na ontogênese humana.
A mão invisível tem
como representação social um conceito que inicialmente foi introduzido por Adam
Smith (1723-1790) em seu livro Teoria dos Sentimentos Morais, escrito em 1759,
invocando a “interferência natural que o mercado exerceria na economia”. Segundo
Smith, se a economia for livre, sem intervenção alguma de órgãos externos ou do
governo, ela irá regular de forma automática, como se houvesse “uma mão
invisível por trás de tudo, fazendo com que os preços dos produtos fossem
ditados pelo próprio mercado, conforme sua necessidade”. Na época em que
escreveu A Riqueza das Nações, em 1776, Smith estudou os modelos econômicos dos
fisiocratas franceses por muitos anos, e, nesta obra, a “mão invisível” é mais
diretamente associada à produção e ao emprego de capital em suporte à indústria
doméstica. O único uso do termo “mão invisível” encontrado na obra A Riqueza
das Nações se encontra no Livro IV, Capítulo II, “Restrições à Importação de
Mercadorias Estrangeiras que Podem Ser Produzidas no Próprio País”. A frase
exata é utilizada somente três vezes nas escrituras de Smith. Mas
economicamente ele pode ter dado dois significados da frase por influência de
Richard Cantillon (1680-1734), que desenvolveu ambas as aplicações econômicas
em seu modelo do estado isolado. A ideia de comércio e do mercado de troca
automática canalizando o interesse próprio para fins sociais desejáveis é a
justificativa central da filosofia econômica de laissez-faire, que antecede a
economia neoclássica. Nesse sentido, a discordância central entre ideologias
econômicas pode ser vista como uma discordância sobre quão poderosa é a “mão
invisível”.
1. Na História da
Astronomia: “Pois se pode observar que em todas as religiões politeístas, entre
os povos primitivos como nas épocas mais remotas da Antiguidade, apenas os
fenômenos irregulares da natureza são atribuídos ao poder de seus deuses. O
fogo arde, corpos pesados descem e as substâncias mais leves voam por
necessidade própria; o recurso à mão invisível de Júpiter jamais é considerado
nessas circunstâncias. Mas o trovão e o relâmpago, as tempestades e o Sol,
esses fenômenos mais irregulares são atribuídos à sua ira”. 2. Na Teoria dos
Sentimentos Morais: “Os produtos da terra sustentam quase todas as pessoas
que ela é capaz de sustentar. Os ricos escolhem, dentre essa produção, apenas o
que lhes é mais valioso e agradável. Consomem pouco mais que os pobres e,
apesar de seu egoísmo e rapacidade natural, embora aspirem apenas ao próprio
conforto, o único objetivo que buscam obter do trabalho de milhares de pessoas
que empregam seja satisfação de desejos vãos e insaciáveis, compartilham com os
pobres os frutos das melhorias que fazem. São guiados por uma mão invisível
a realizar uma distribuição das necessidades da vida quase idêntica à que
ocorreria se a terra tivesse sido dividida em partes iguais entre todos os seus
habitantes; e assim, sem saber, servem aos interesses da sociedade e fornecem
os meios para a multiplicação da espécie”.
N`A Riqueza das
Nações: “Mas a receita anual de qualquer sociedade é sempre precisamente
igual ao valor de troca de toda a produção anual de sua indústria, ou melhor, é
precisamente a mesma coisa que esse valor de troca. Portanto, como cada
indivíduo se esforça, na medida do possível, 1) para empregar seu capital na
promoção da indústria nacional e 2) para direcionar essa indústria de modo a
produzir o maior valor possível, cada indivíduo necessariamente trabalha para
tornar a receita anual da sociedade a maior possível. Na verdade, sua intenção,
em geral, não é servir ao interesse público, e ele nem sequer sabe até que
ponto pode ser útil à sociedade. Ao preferir o sucesso da indústria nacional ao
da indústria estrangeira, ele está pensando apenas em obter maior segurança
pessoal; e ao direcionar essa indústria para que seu produto tenha o maior
valor possível, ele está pensando apenas em seu próprio ganho.” Nisso, como em
muitos outros casos, ele é conduzido por uma mão invisível a atingir um fim que
não faz parte de sua intenção; e nem sempre é o pior para a sociedade que esse
fim não faça parte de sua intenção. Ao buscar apenas seus próprios interesses,
ele frequentemente trabalha de forma muito mais eficaz para o benefício da
sociedade do que se tivesse realmente essa intenção. Nunca vi aqueles que, em
seus empreendimentos comerciais, aspiravam a trabalhar para o bem comum,
realizarem muito bem. É verdade que essa nobre paixão não é muito comum entre
os comerciantes, e não seriam necessários longos discursos para curá-los dela.
Escólio: Após um
casamento fracassado, Josey Aimes (Charlize Theron) retorna à sua cidade natal,
no Minnesota, Estados Unidos da América, em busca de emprego. Mãe solteira e
com dois filhos para sustentar, ela é contratada pela principal fonte de
empregos da região: as minas de ferro, que sustentam a cidade há gerações. O
trabalho é duro, mas o salário é bom, recompensa o que compensa o esforço. Aos
poucos as amizades conquistadas no trabalho passam a fazer parte do dia-a-dia
de Josey, aproximando famílias e vizinhos. Incentivada por Glory (Frances
McDormand), uma das poucas mulheres que trabalha nas minas, Josey passa a
trabalhar no grupo daqueles que penam para arrancar o minério das pedreiras.
Ela está preparada para o trabalho duro e, às vezes, perigoso, mas o que não
esperava era sofrer com o assédio dos seus colegas de trabalho. Como ao
reclamar do tratamento recebido é ignorada, ela decide levar à justiça o caso.
Terra
Fria (North Country) é um filme de drama norte-americano de 2005
dirigido por Niki Caro, estrelado por Charlize Theron, Frances McDormand, Sean
Bean, Richard Jenkins, Michelle Monaghan, Jeremy Renner, Woody Harrelson e
Sissy Spacek. O roteiro de Michael Seitzman foi inspirado no livro de 2002 Class
Action: The Story of Lois Jenson and the Landmark Case That Changed Sexual
Harassment Law (Ação Coletiva: A História de Lois Jenson e o Caso
Marcante que Mudou a Lei de Assédio Sexual), de Clara Bingham e Laura Leedy
Gansler, que narra o caso Jenson contra a Eveleth Taconite Company e o
sindicato USW Local 2705, que apoiou os esforços do empregador durante os
eventos horríveis e as subsequentes batalhas judiciais. O filme Terra Fria
estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto em 12 de setembro de
2005, antes de ser lançado pela Warner Bros. Pictures em 21 de outubro de 2005.
O filme recebeu críticas positivas, mas teve um desempenho contradizendo “o
princípio hologramático significa que não apenas a parte está num todo, mas que
o todo está inscrito, de certa maneira, na parte”, do esperado nas bilheterias,
arrecadando US$ 25,2 milhões contra um orçamento de US$ 35 milhões. Na 78ª
edição do Oscar, Theron e McDormand foram indicadas ao Oscar de Melhor Atriz e de Melhor Atriz Coadjuvante, respectivamente.
Ela retorna à sua cidade natal, na região de Mesabi Iron Range, no Norte de Minnesota, para morar com os pais, Alice e Hank. Hank tem vergonha da filha, que teve Sammy na adolescência com um pai desconhecido: ele acredita que ela é promíscua. Enquanto trabalha em um salão de cabeleireiro, Josey reencontra uma antiga conhecida, Glory Dodge. Ela trabalha na mina de ferro local e Glory sugere que ela faça o mesmo, pois o emprego lá paga seis vezes o seu salário atual. Quando Josey aceita o emprego, seu relacionamento com Hank fica mais tenso. Ele também trabalha na mina e acredita que mulheres não deveriam trabalhar lá, então Josey e seus filhos se mudam para a casa de Glory e seu marido, Kyle. Josey rapidamente faz amizade com várias outras trabalhadoras da mina, mas logo percebe que as mulheres são alvos constantes de assédio sexual e humilhação por parte da maioria de seus colegas homens. Elas, assim como Hank, acreditam que seus trabalhos são mais apropriados para homens. Josey, em particular, é alvo de Bobby Sharp, seu ex-namorado do Ensino Médio. Ela tenta conversar com seu supervisor, Arlen Pavich, sobre o problema, mas ele se recusa a levar suas preocupações a sério. As mulheres sofrem assédio adicional e até mesmo abuso em represália.
Depois que Josey rejeita as investidas sexuais de Bobby, ele espalha boatos de que ela tentou seduzi-lo, o que leva sua esposa a repreendê-la publicamente no jogo de hóquei de Sammy que começa a acreditar nos boatos sobre a suposta promiscuidade de sua mãe. Josey leva suas preocupações ao dono da mina, mas suas garantias anteriores de que estava ali para ajudar eram uma farsa. Ao chegar, ela descobre que ele convidou Pavich para a reunião, juntamente com vários executivos. Pearson oferece apenas aceitar sua demissão imediatamente, mas ela recusa. Depois que ele insinua acreditar nos rumores sobre sua promiscuidade, ela sai devastada. Mais tarde, após ser agredida física e sexualmente por Bobby no trabalho, Josey pede demissão. Ela então pede a Bill White, um advogado amigo de Kyle e Glory, que a ajude a entrar com um processo contra a empresa. Ele a aconselha a recrutar outras mulheres para formar uma ação coletiva, que seria a primeira desse tipo. As mineiras, no entanto, temem perder seus empregos e enfrentam ainda mais assédio, então Josey decide prosseguir com o caso sozinha. Ela também descobre que Glory tem esclerose lateral amiotrófica (ELA) e sua saúde está se deteriorando rapidamente. Alice e Hank discutem sobre o processo de Josey e, como Hank ainda se recusa a perdoar a filha, Alice o deixa. Em uma reunião do sindicato, Josey tenta se dirigir aos mineiros para explicar os motivos do processo, mas eles a interrompem e a insultam constantemente, levando Hank a tomar o microfone e repreender seus colegas pelo tratamento dado a Josey e mulheres da mina, recebendo alguns aplausos relutantes.
Ele e Alice então se reconciliam. No tribunal, o advogado da mineradora tenta usar o histórico sexual de Josey contra ela, com base no depoimento de Bobby de que Sammy é fruto de uma relação sexual consensual entre Josey e seu professor do ensino médio, Paul Lattavansky. Josey então revela que, um dia, depois da aula, enquanto ela e Bobby cumpriam detenção juntos por terem sido pegos se beijando, ela foi estuprada por Lattavansky, o que resultou em sua gravidez de Sammy. O professor está presente na reunião e Hank o ataca. Bill consegue um recesso depois que Josey sai furiosa do tribunal. Sammy continua se recusando a acreditar na mãe e foge de casa, ficando com Kyle e Glory, até que Kyle o convence a reconsiderar. Ele e Josey se abraçam depois de conversarem. Durante o interrogatório de Bobby, Bill o faz admitir que testemunhou Lattavansky estuprando Josey, mas que estava com muito medo de fazer algo a respeito. Glory, que chegou ao tribunal em sua cadeira de rodas e não consegue falar, pede a Kyle que leia uma carta dizendo que ela apoia Josey, embora isso ainda não seja suficiente para se qualificar para uma ação coletiva. Após uma pausa, muitas outras mulheres se levantam, seguidas por familiares e até mesmo vários mineiros que nunca estiveram envolvidos no caso. A mineradora é obrigada a indenizar as mulheres pelo sofrimento e a estabelecer uma política histórica de combate ao assédio sexual no local de trabalho.
Na esfera
socioeconômica, domínio da segunda e terceira ocorrências, essa fórmula evoca a
ideia de que ações guiadas unicamente pelo interesse próprio podem contribuir
para a riqueza e o bem-estar comum. Apesar de sua posição bastante modesta na
obra de Smith, essa expressão tornou-se muito popular, a ponto de ser objeto de
inúmeros comentários e interpretações, alguns referentes ao seu significado
para Smith no contexto de sua época, e a maioria referentes aos seus usos
posteriores por outros autores. As diversas interpretações, pelo menos catorze,
serão examinadas mais adiante. Uma das razões para a abundância de
interpretações reside no fato de Smith ter escrito numa época em que a
controvérsia em torno do sistema de otimismo de Leibniz era muito intensa. Isso
levanta a questão de se a “mão invisível” seria uma metáfora para algo
semelhante a esse sistema. A outra razão para a multiplicidade de
interpretações reside em consequências práticas, tanto econômicas quanto
políticas; a estas, posteriormente, nos referiremos como as implicações.
William Dyer Grampp (2014-2019) identificou nove maneiras de interpretar a mão
invisível por pesquisadores: A força que faz com que o interesse de um seja o
interesse de outros. É o que Élie Halévy (1870-1937) chama de “harmonização
natural dos interesses”. É também a interpretação mais difundida, à qual
retornaremos mais tarde. Ela foi notavelmente defendida por Cropsey e Sugden.
Vaughn (1987) escreve: “A mão invisível é uma metáfora usada por Smith para
designar o princípio pelo qual uma ordem social benéfica emerge das
consequências não intencionais das ações individuais dos seres humanos”.
Competição. É o que afirma Rosenberg, mas para Grampp, nada no trabalho de
Smith apoia esta tese. Bruno partilha desta posição e escreve que “também não
pode ser comparada à competição perfeita”. A vantagem mútua da troca. Esta
interpretação é a de Frank Knight. Para Grampp, esta ideia já se encontra em
Cícero, de quem Smith também poderia ter tomado emprestada uma ou duas ideias
sobre os benefícios da divisão do trabalho e do bem-estar material. Uma piada
ou uma metáfora irônica. Esta é a interpretação de Emma Rothschild (2001). Um
processo evolutivo. Cosmides e Tooby (1994) acreditam que a “mão invisível” é o
processo pelo qual os seres humanos adquirem o conhecimento, as habilidades e
os hábitos que os levam, ao comprar e vender, a maximizar seus próprios
interesses e os de seu país. Para Grampp, esses temas não são estranhos a
Smith, mas não têm nada a ver com a “mão invisível”. Uma força providencial.
Esta é a interpretação de Jacob Viner, de Spiegel (1979) e de Evensky (1993). A
força que restringe as exportações de capital e contribui para a segurança de
um país. Interpretação proposta por Persky (1989).
Um dos méritos do
artigo de Grampp (2000) é a sua ênfase no forte poder retórico e na capacidade
evocativa da expressão “mão invisível”, mostrando que por vezes a interpretamos
mais de acordo com a nossa própria compreensão do que com o que Smith realmente
escreveu. No entanto, a tipologia de Grampp mistura interpretações a diferentes
níveis, e esta é também a sua fragilidade. De fato, enquanto algumas
interpretações estabelecem um quadro geral de pensamento ou fazem da “mão
invisível” uma metáfora para esse quadro, outras são muito mais técnicas,
enquanto outras ainda visam principalmente minimizar o âmbito “realista” da
expressão “mão invisível” ou dissociar as diferentes ocorrências econômicas da
expressão. Às interpretações inventariadas por Grampp foram acrescentadas as
que emanam do próprio Grampp e as, muitas vezes recentes, de economistas e
filósofos franceses. Grampp (2000) questiona se as três referências à “mão
invisível” encontradas respectivamente na História da Astronomia, na Teoria
dos Sentimentos Morais (1999) e em A Riqueza das Nações (1976)
constituem um oratório, isto é, se devemos interpretá-las como se todas se
referissem ao mesmo princípio, ou se, pelo contrário, são variações sobre um
tema não explorado, isto é, se princípios diferentes estão na verdade
escondidos por trás das mesmas palavras.
Ele segue um caminho
aberto por Macfie (1971). A “mão invisível de Júpiter” e o modelo da “mão
invisível” do século XVIII. Macfie, no artigo “A Mão Invisível de Júpiter”
(1971), argumenta que a escola escocesa do século XVIII ofereceu interpretações
da história semelhantes às de Giambattista Vico (1668-1744), que distinguia
entre a Era dos deuses, a Era dos heróis e a Era dos homens. Assim, para
Macfie, a “mão invisível de Júpiter” simboliza a intervenção caprichosa e
incompreensível dos deuses antigos, ligada à Era da “superstição”. Em
contraste, a “mão invisível” está mais alinhada com a ideia de Deus ou do Ser
Supremo, tal como se desenvolveu no século XVIII, e serve para preservar a
ordem natural. Assim, tornar-se-ia, na Teoria dos Sentimentos Morais e na
Riqueza das Nações, o instrumento do “autor da natureza que governa e anima
toda a máquina do Universo”. Para este autor, a passagem na Teoria dos
Sentimentos Morais, muito mais do que a dos fins não intencionais na Riqueza
das Nações, seria um excelente exemplo do esforço de Smith para articular
argumentos teológicos, jurídicos e éticos naquilo que seria a sua interpretação
do “grande sistema da natureza”. Em Três Variações sobre um Tema Não Explorado
(Grampp 2000), este autor vai além de Macfie. Ele distingue três mãos
invisíveis diferentes e proclama que continuará a pensar desta forma até que
seja demonstrado, com base no que Smith escreveu, que existe uma relação entre
elas.
Em seu artigo, ele
interpreta a “mão invisível de Júpiter” de maneira semelhante à de Macfie. A
mão invisível da Teoria dos Sentimentos Morais claramente lhe apresenta
problemas, por pelo menos três razões: é um componente da ordem natural, ele
considera o livro “enigmático” (confuso) e, sobretudo, este livro não separa a
economia da ética. Ele escreve a este respeito: “O tema da Teoria dos
Sentimentos Morais diz respeito a como formamos nossos juízos éticos, o que
pode ou não ser de interesse para os economistas”. Ele opta claramente pela
segunda solução e parece pensar que os economistas não estão interessados em
juízos éticos: “o que lhes interessa é a distribuição de rendimentos, e esse é
também um tema do livro”. A mão invisível da RDN, a única que, segundo ele,
interessa aos economistas, guia o interesse próprio dos industriais ou
comerciantes que não carecem de bom senso e que, depois de calcular a taxa de
retorno dos negócios realizados dentro e fora do território nacional, optam,
uma vez incluído o prêmio de risco, pelo seu próprio país. Grampp demonstra um
desejo de reduzir o papel da mão invisível. Um conceito marginal na obra de
Adam Smith? Para Élie Halévy, a mão invisível ocupava de fato um lugar central
na obra de Smith. Essa afirmação foi recentemente contestada de forma radical
por Emma Georgina Rothschild e, de maneira mais sutil, por Michaël Biziou. Para
entender essa oposição, é necessário lembrar que existem duas leituras
de Smith: uma conservadora, com Edmund Burke, e outra progressista, com Thomas
Paine, Mary Wollstonecraft ou James Mackintosh.
Emma Rothschild traça
um paralelo entre Smith e Nicolas de Condorcet e adota um “liberalismo
progressista”. Isso pode explicar por que ela minimiza o papel da mão
invisível. Lois Jenson, em quem a personagem Josey é baseada, começou a
trabalhar na mina EVTAC (de “Eveleth Taconite”) em Eveleth, Minnesota, em 1975
e iniciou seu processo em 1984, quatro anos antes do ano em que o filme começa.
O filme condensou a linha do tempo, mas na realidade levou quatorze anos para
que o caso fosse resolvido. Jenson recusou uma oferta para consultoria no filme
e não quis vender os direitos de sua história; assim, os cineastas criaram um
relato ficcional com personagens originais. A personagem Glory Dodge,
interpretada por Frances McDormand, foi baseada em Pat Kosmach, uma das autoras
originais da ação coletiva. Kosmach morreu durante o processo, em 7 de novembro
de 1994. A Eveleth Mines fez um acordo quatro anos depois, em dezembro de 1998,
pagando a quinze mulheres um total de US$ 3,5 milhões. O filme foi filmado nas
cidades do Norte de Minnesota de Eveleth, Virginia, Chisholm e Hibbing;
Minneapolis; bem como Silver City e Santa Fé no Novo México. O filme estreou no
Festival Internacional de Cinema de Toronto de 2005 e foi exibido no Festival
Internacional de Cinema de Chicago antes de ser lançado nos EUA, onde arrecadou
US$ 6.422.455 em seu fim de semana de estreia, ficando em 5º lugar nas
bilheterias.
Com um orçamento de US$
35 milhões, acabou arrecadando US$ 18.337.722 nos EUA e US$ 6.873.453 em
mercados estrangeiros, para uma bilheteria mundial total de US$ 25.211.175. No
agregador de críticas Rotten Tomatoes, 70% dos críticos deram ao filme
avaliações positivas, com base em 174 críticas, e uma classificação média de
6,7/10, com Theron e McDormand recebendo elogios da crítica por suas atuações.
O consenso do site afirma: “Embora às vezes melodramático e previsível, Terra
Fria é, no entanto, uma história emocionante e poderosa de coragem e humanidade”.
No Metacritic, o filme tem uma pontuação média de 68 em 100, com base em 39
críticas. O público pesquisado pelo CinemaScore deu ao filme uma nota média de “A−”
em uma escala de A+ a F. Manohla Dargis,
do The New York Times, chamou-o de “um veículo para estrelas com coração
– um drama liberal à moda antiga sobre verdade e justiça” e acrescentou: “[Ele]
é um daqueles entretenimentos de Hollywood que se esforçam para contar uma
história difícil e amarga com o máximo de otimismo possível. O fato de o filme
funcionar tão bem, apresentando uma primeira hora difícil apenas para se
desintegrar como um jornal molhado, atesta a habilidade dos cineastas, bem como
as restrições impostas a eles por uma indústria que insiste em colocar um laço
bonito até mesmo na verdade mais sórdida”. Em sua crítica no Chicago
Sun-Times, Roger Ebert observou: “Terra Fria é um daqueles filmes que te
agitam e te deixam furioso, porque dramatiza práticas sobre as quais você já
ouviu falar, mas nunca realmente visualizou. Lembramos que Frances McDormand
interpretou uma policial nessa mesma região em Fargo, e valorizamos essa
lembrança porque ela fornece uma base para Josey Aimes.
O papel de McDormand
neste filme é diferente e muito mais triste, mas traz a mesma coragem e bom
senso para a tela. Junte essas duas mulheres (como atrizes e personagens) e
elas podem realizar praticamente qualquer coisa. Vê-las fazer isso é uma ótima
experiência cinematográfica”. Ruthe Stein, do San Francisco Chronicle, chamou o
filme de “um filme envolvente, embora ocasionalmente desnecessariamente
complexo... Os primeiros 15 minutos são uma bagunça... Felizmente, [ele] se
acalma e se torna extremamente cativante, especialmente nas batalhas do
tribunal... tudo é cuidadosamente calculado para efeito dramático e consegue
brilhantemente envolver o espectador e provocar lágrimas no processo... Terra
Fria teria se beneficiado de uma edição mais concisa. Dura pelo menos 15
minutos a mais do que o necessário... Apesar de todas as suas falhas, [ele]
causa um forte impacto emocional e apresenta algumas atuações dignas de
reconhecimento na época das premiações”. Na revista Rolling Stone, Peter
Travers deu ao filme duas de quatro estrelas possíveis e comentou: “Quaisquer
semelhanças entre Josey e Lois Jenson, a mulher real que fez a Eveleth Mines
pagar por seus pecados em um processo histórico de ação coletiva em 1988, são
mera coincidência. Em vez disso, temos uma fantasia de filme para a TV sobre o
empoderamento feminino, revestida de teatralidade de novela. Os atores, a
diretora Niki Caro (Whale Rider) e o excelente diretor de fotografia Chris
Menges se esforçam para que tudo pareça autêntico.
Mas uma farsa é uma
farsa, apesar da ferocidade e da emoção que Theron traz para o papel... Embora
a sujeira e a fuligem em Terra Fria sejam aplicadas artisticamente, são
puramente cosméticas e superficiais”. Em “Stories from North Country”, um
documentário que acompanha o filme no DVD, Lois Jenson, em quem a história é
baseada, disse: “Acho importante que as pessoas vejam isso”. Sobre Charlize
Theron, Jenson disse: “Ela tem a personagem. [...] Ela conhecia o papel. Ela
sabia o que era preciso – a profundidade que precisava alcançar. Ela fez um
ótimo trabalho com isso”. David Rooney, da Variety, disse: “[O filme]
recorre à manipulação cinematográfica em suas cenas culminantes no tribunal.
Mas continua sendo uma história emocionalmente potente, contada com grande
dignidade, à qual as mulheres, em especial, se identificarão... O filme
representa um próximo passo confiante para a protagonista Charlize Theron.
Embora os desafios de suceder um papel que redefiniu sua carreira e lhe rendeu
um Oscar tenham frustrado atrizes, Theron transita de Monster para uma atuação,
em muitos aspectos, mais bem-sucedida... A força tanto da atuação quanto da
personagem ancora o filme firmemente na tradição de outros dramas sobre
mulheres da classe trabalhadora liderando a luta por questões trabalhistas na
indústria, como Norma Rae ou Silkwood”.
Vale lembrar que Norma
Rae é um filme estadunidense de 1979, dos gêneros drama biográfico,
dirigido por Martin Ritt. O roteiro é baseado na história real de Crystal Lee
Sutton, que liderou uma campanha contra as condições de trabalho oferecidas
pela empresa J.P. Stevens Mill. Em 1978, em Hinleyville, uma pequena cidade do
Alabama no sul dos Estados Unidos, a maioria da população trabalha em uma
indústria têxtil, cujas condições de trabalho são péssimas. Lá também trabalha
Norma Rae, uma mãe solteira de dois filhos e que vive com os pais que também
são operários da fábrica. De repente, chega de Nova Iorque o sindicalista
Reuben Warshowsky, que procura um lugar na casa de uma família para morar.
Segundo ele, aquela fábrica é a única no país que não possui um sindicato e ele
quer que os trabalhadores se organizem para formar um no local, mas os mesmos
resistem pois temem a reação dos patrões. Ele também enfrenta preconceito por
ser judeu e na cidade haver predominância da religião Batista. Norma Rae e
Reuben acabam amigos e ele passa a influenciá-la para que se engaje na luta
sindical. Mesmo admirando Reuben, Rae se casa com o operário Sonny Webster que
a ama, mas fica inseguro quando ela se filia à entidade de classe e começa a
passar muito tempo com o sindicalista. No St. Petersburg Times, Steve Persall
classificou o filme como A e o chamou de “profundamente, inegavelmente
comovente... cinema de cruzada no seu melhor”.
Bibliografia Geral Consultada.
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Oscar contam histórias reais do ambiente de trabalho”. In: workplacefairness.org.
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Theron Fala Sobre Desgaste Físico aos 50: ‘Sinto Falta da Juventude’”. In: https://www.estadao.com.br/emais/gente/25/05/2026; entre outros.
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