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digno de Político em Harvard”. In: https://gizmodo.uol.com.br/26/05/2017;
entre outros.
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sábado, 11 de novembro de 2017
Zuckerberg - Trabalho, Pragmatismo & Merceologia em Rede.
Ubiracy de Souza Braga
“Ao dar às pessoas o poder de partilhar,
estamos tornando o mundo mais transparente”. Mark Zuckerberg
O mercado das nações inclui um Pacto Global que possui dez princípios
que o fundamentam, sendo que nove foram estabelecidos na sua criação e um
incluído posteriormente. Eles se derivaram de algumas declarações, são elas:
Declaração Universal de Direitos Humanos, Declaração da Organização
Internacional do Trabalho sobre Princípios e Direitos Fundamentais do Trabalho,
Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento e, também, Convenção
das Nações Unidas contra a Corrupção. O pacto global vem para incentivar as políticas e práticas empresariais com os valores sociais e fins
internacionalmente acordados. Assim, seus princípios reproduzem tais objetivos
condizentes a direitos civis, direitos do trabalho, proteção ambiental e
combate à corrupção. Os dois primeiros princípios dizem respeito aos direitos
humanos. O primeiro estabelece que as empresas tenham o dever de apoiar e
respeitar a proteção de direitos humanos reconhecidos e o
segundo alerta para que elas não violem tais direitos civis, ou seja,
pretende-se certificar que as empresas não são cúmplices políticas em abusos
dos direitos civis trabalhistas.
Dessa forma, as três áreas chaves da
atuação do Pacto Global, no que respeita os direitos civis seriam (i) a
proteção à vida e segurança, (ii) os direitos e liberdades políticas
individuais: direito de ir e vir, privacidade, propriedade, liberdade de expressão,
religião e associação e (iii) direitos econômicos, sociais e culturais, como
o estabelecimento de um padrão de vida digno levando em consideração a
alimentação, habitação, saúde, acesso a serviços sociais, educação, remuneração
justa, lazer e descanso. O Pacto Global,
assim, pretende promover o desenvolvimento humano sustentável, focando atenções
à vida longa e saudável, ao acesso ao conhecimento e ao padrão de vida decente.
Quatro dos princípios se referem ao trabalho. O primeiro deles traz a
necessidade das empresas apoiarem a liberdade de associação, bem como o
reconhecimento efetivo do direito à negociação coletiva. O quarto princípio do
Pacto Global objetiva a eliminação de todas as formas de trabalho forçado ou
compulsório. Os dois outros princípios que dispõe sobre o trabalho abstrato e
concreto tratam da abolição efetiva do trabalho infantil e da eliminação da
discriminação no emprego.
Para ficarmos num exemplo limite da
rede social Facebook vejamos o comentário da atriz e escritora Fernanda Torres:
- Convidada pelo “Conversa com Bial” nesta quinta-feira, 09/10/2017, a atriz e
escritora Fernanda Torres comentou sobre as ameaças de morte direcionadas à sua
mãe, Fernanda Montenegro. Em setembro, a atriz de 88 anos fez um post contra a
censura artística em seu Facebook e recebeu uma série de comentários hostis. – “Se
você pagar um peitinho, a nudez é totalmente vilanizada, mas pode postar
metralhadora, ameaçar de morte, xingar do que for que não fere os 'padrões da
comunidade'. Daqui a pouco vão dizer que vão matar e vão matar. A questão é moral,
ética, educacional... A internet e o Google vão continuar lavando as mãos?''. Ela
acredita que os usuários e as próprias redes não têm ideia do poder da
internet. - ''O Facebook é um alienígena e está sendo usado para eleger o
(Donald) Trump, por exemplo. A tecnologia chegou antes da legislação sobre ela”,
comentou Montenegro. .
Quanto ao meio ambiente, o princípio
número “7” estabelece que as empresas devem apoiar uma abordagem preventiva
sobre desafios ambientais. Desenvolver iniciativas a fim de promover maior
responsabilidade ambiental e incentivar o desenvolvimento e difusão de
tecnologias ambientais amigáveis, ou seja, que não agridam a natureza são mais
dois princípios que prezam pelo zelo em relação ao chamado “meio ambiente”. Desse
modo, pode-se perceber que a abordagem adotada pelo Pacto Global é a preventiva e não corretiva, além de unir esforços
no sentido de promover a gestão do ciclo de vida do produto. O último
princípio dispõe que as empresas possuem a obrigação ética de combater a
corrupção em todas suas formas, inclusive a prática de extorsão e a propina.
Vale ressaltar que tal princípio foi incluído posteriormente e se destina a fortalecer o crescimento econômico.
Mark Elliot Zuckerberg nasceu em
White Plains, Condado de Westchester no estado de Nova York, filho de Kristen,
uma psiquiatra, e de Edward, um dentista. Aluno. Mark foi criado em Dobbs
Ferry, Condado de Westchester no estado de Nova York, assim como suas três irmãs,
Randi, Donna e Arielle. Zuckerberg tem origem judaica, tendo um bar mitzvah, quando ele completou 13 anos,
embora ele já tenha declarado ser ateu. Na escola Ardsley High School, onde
estudava, teve destaque em arte e cultura clássicas. Foi transferido para a
Phillips Exeter Academy, onde ganhou vários prêmios em ciências como
astronomia, matemática e física. Nos estudos clássicos, Mark aprendeu a ler e
escrever francês, hebraico, latim e grego antigo e ainda pertenceu a equipe de
esgrima. Na faculdade, ele era conhecido por recitar versos de poemas épicos como
a Ilíada. Em uma festa promovida por
sua fraternidade durante seu segundo ano na Universidade Harvard, Zuckerberg
conheceu a estudante de medicina Priscilla Chan, sua atual esposa. Em setembro
de 2010, Zuckerberg convidou Chan, até então namorada, para morar em sua casa
alugada em Palo Alto, Condado de Santa Clara no estado da Califórnia.
Zuckerberg começou então a estudar mandarim chinês. O casal visitou a China em
dezembro de 2010. Zuckerberg e Priscilla Chan se casaram em 19 de maio de 2012,
um dia após a entrada do Facebook na bolsa de valores Nasdaq.
Curiosamente em sua página no
Facebook, Zuckerberg listou os seus interesses pessoais como “a abertura,
fazendo coisas que ajudam as pessoas a se conectar e compartilhar o que é
importante para elas, as revoluções, o fluxo de informações, o minimalismo”.
Zuckerberg vê azul melhor por causa do daltonismo vermelho-verde, azul também é
a cor dominante do Facebook. Em 2011, uma brecha de segurança do Facebook
permitiu que vazassem na rede mundial de computadores – Internet, fotos que ele
configurou consideradas como sendo privadas. As imagens demonstram Mark Zuckerberg
cozinhando, recebendo alguns amigos e brincando com seu cachorro. Desde 2010, a revista Time
nomeou Zuckerberg entre as 100 pessoas estatisticamente mais ricas e influentes
do mundo e também foi nomeado pela revista como a “Pessoa do Ano”. Em março de
2011, a revista Forbes situou Zuckerberg
na 36ª posição da lista das pessoas mais ricas do mundo, com uma fortuna
estimada em 17.5 bilhões de dólares. Em dezembro de 2012, Mark Zuckerberg e sua
esposa Priscilla Chan anunciaram que dariam a maior parte de sua riqueza
constituída “ao longo de suas vidas para fazer avançar o potencial humano e
promover a igualdade” no espírito fraterno de “The Giving Pledge”. Em junho de
2015, sua fortuna já estava avaliada em 38.4 bilhões de dólares, e em 2016 seu
patrimônio líquido foi estimado em 51,8 bilhões de dólares. Em 01 de dezembro
de 2015, eles anunciaram que “dariam 99% de suas ações do Facebook”, no valor estimado
de cerca de 45 bi de dólares naquele período para a “Iniciativa Zuckerberg
Chan”.
Como a rede social Facebook interage
politicamente com o seu cliente consumidor
no mercado global? - “Coletamos o conteúdo
e outras informações fornecidas por você quando usa nossos serviços, como
quando se cadastra em uma conta, cria ou
compartilha conteúdos, envia mensagens
ou se comunica com os outros. Isso
pode incluir informações presentes no conteúdo ou a respeito dele, como a
localização de uma foto ou a data em que um arquivo foi criado. Também
coletamos informações sobre como você usa nossos Serviços, por exemplo, os tipos de conteúdo que você vê ou com que
se envolve e a frequência ou duração de
suas atividades. Também coletamos conteúdos e informações fornecidas por
outras pessoas durante o uso dos nossos Serviços, incluindo informações sobre
você, por exemplo, quando elas compartilham fotos suas, enviam mensagens a
você, ou carregam, sincronizam ou importam suas informações de contato. Coletamos
informações sobre as pessoas e grupos
com que você se conecta e sobre como interage com eles, por exemplo, as pessoas
com quem você mais se comunica ou os grupos com que gosta de compartilhar
informações. Também coletamos informações que você fornece quando carrega,
sincroniza ou importa estas informações (agenda de contatos) de um dispositivo”.
No filme A Rede Social, a magia fica
por conta das palavras uma verborragia intensa que prende a atenção ao longo
das duas horas de produção. São as ideias que guiam o filme através dos flashbacks, recurso que garante o
dinamismo da trama. Inspirado no livro: “Bilionários por Acaso”, de Ben Mezrich
(2010), o longa-metragem parte do momento em que, irritado com o término da
relação de uma namorada, Zuckerberg, interpretado com muita consistência por
Jesse Eisenberg, programa um site em que o “internauta” pode escolher, entre
duas fotos, qual universitária é a que interessa mais. A brincadeira, que
envolve hackers, o sistema da
instituição, recebe 22 mil acessos em apenas duas horas, causando
congestionamento na rede da universidade de Harvard. Jesse Eisenberg representa
o gênio da computação e estudante de Harvard sem nenhuma habilidade social, Mark Zuckerberg que, em
determinado momento, irritado por uma bizarra discussão que teve com sua
namorada, levando ao fim da relação, resolve se vingar criando uma ferramenta
que faça o “ranqueamento” das meninas mais bonitas da faculdade. Ele troca
ideias com seus colegas de quarto e parte para programar, em algumas horas, um
site de comparação de mulheres, obtendo para isso a listagem (ou facebooks) das fraternidades do campus.
No processo, ele precisa desesperadamente do amigo brasileiro, estudante de
economia Eduardo Saverin, pois ele conhece uma equação matemática necessária
para interagir em seu plano maquiavélico.
Em horas, todos os alunos
frequentadores de Harvard acessam seu site, então batizado de “Facemash”, para
votar na escolha da menina mais bonita, acarretando a queda dos servidores da
faculdade diante do inusitado tráfego gerado. Imediatamente, Zuckerberg chama a
atenção da comunidade da faculdade, especialmente do reitor e dos irmãos gêmeos
Tyler e Cameron Winklevoss, vividos por Armie Hammer em um dos melhores usos de
computação gráfica e efeitos visuais para gerar “duplos”. Do reitor e da
comissão que analisa seu caso, poucas consequências práticas progridem, apesar
de uma excelente cena de acareação, em que Zuckerberg habilmente menospreza o
sistema de informática da faculdade. No entanto, da relação com os Winklevoss,
nasce o Facebook, a rede social de maior sucesso do planeta, já com 500 milhões
de usuários no ano do lançamento do filme: A
Rede Social. Os irmãos contratam Zuckerberg para criar uma rede particular
de amizades, como se representasse um clube exclusivo. Prepotente, blasé e dono
de um humor cáustico, Mark Zuckerberg pede que a faculdade reconheça que ele
errou, mas sua ação expôs a fragilidade da rede do campus. O caso atrai os irmãos
que o convidam para criar uma rede social exclusiva para alunos de Harvard.
Um filme baseado na virtù de Mark e os fundadores da rede
social Facebook, com o titulo de “A Rede Social”, acabou sendo lançado em 01 de
outubro de 2010, e Mark foi interpretado pelo ator Jesse Eisenberg que lhe
rendeu uma indicação ao Oscar de melhor ator. O filme aparentemente apresentou
uma imagem um tanto negativa para Zuckerberg, dividindo o público entre os que
concordavam com sua atitude e os que o condenavam, chegando a ser considerada a
hipótese de ele sofrer algum grau de Síndrome de Asperger. Após ganhar o Globo de Ouro de Melhor Filme em 16 de
janeiro de 2011, o produtor Scott Rudin agradeceu Facebook e Zuckerberg “pela
sua disponibilidade para nos permitir usar sua vida e obra como uma metáfora
através da qual se [pode] contar uma história sobre a comunicação e a forma
como se relacionam entre si”. Mark Zuckerberg ganhou uma participação especial
na série de maior sucesso norte-americana, “Os Simpsons”. O episódio foi ao ar
no dia 10 de abril de 2010 nos Estados Unidos da América, Zuckerberg ao contrário de como tenha ocorido na participação do filme A Rede
Social, foi mostrado como em geral homens e mulheres na sociedade
globalizada preferem ser representados em suas biografias, o que gera muita
polêmica, “como um cara legal e capaz de fazer amizades, inclusive com o
personagem Bart Simpson”.
Vale lembrar que a Universidade de
Harvard é uma instituição privada membro da Ivy League, localizada em
Cambridge, Massachusetts, Estados Unidos da América, e cuja história,
influência e riqueza tornam-na uma das mais prestigiadas universidades do
mundo. Fundada em 1636 pela Assembleia Estadual de Massachusetts e logo depois
nomeada em homenagem a John Harvard, considerado seu primeiro benfeitor,
Harvard é a mais antiga instituição de ensino superior dos Estados Unidos.
Embora nunca tenha sido formalmente afiliada com qualquer denominação, a
faculdade inicial forneceu ensino principalmente para o clero
congregacionalista e unitarista. Seu currículo e corpo discente foram
gradualmente secularizados ao longo do decorrer do século XVIII e, por volta do
século XIX, a Harvard University tinha emergido como o estabelecimento cultural
central entre as elites de Boston. Hoje em dia, a universidade dispõe de várias
instituições acadêmicas e tem muitos ex-alunos de destaque. Está organizada em
onze unidades acadêmicas diferentes - dez faculdades e do Instituto Radcliffe
de Estudos Avançados - com campi que engloba toda a área metropolitana de
Boston.
O campus principal de 85 hectares da
Universidade de Harvard é centrado no Harvard Yard em Cambridge,
aproximadamente 4,8 quilômetros a noroeste de Boston. As instalações das
faculdades de negócios e atletismo, como o Estádio da Harvard, está localizado
do outro lado do rio Charles, no bairro Allston, em Boston, e as faculdades
médicas, odontológicas e de saúde pública estão localizadas na Área Médica de
Longwood. Oito presidentes dos Estados Unidos formaram-se nessa universidade e
cerca de 150 ganhadores de Prêmios Nobel foram filiados como estudantes,
professores ou funcionários da instituição. Harvard também é a alma mater de
sessenta e dois bilionários que vivem, em sua maioria na América. A Biblioteca
da Universidade de Harvard é também a maior biblioteca acadêmica dos Estados
Unidos e uma das maiores do mundo. O Harvard Crimson compete em 42 esportes
intercolegiais na primeira divisão da National Collegiate Athletic Association
da Ivy League. Harvard tem o maior orçamento de
qualquer instituição acadêmica do mundo, situando-se em 30
bilhões de dólares em 2012.
Até ele começar a ter aulas em
Harvard, ele já tinha conseguido a reputação de um “prodígio de programação”.
Mark estudou psicologia e ciência da computação e era membro da Alpha Epsilon
Pi, uma fraternidade judaica. Em seu segundo ano, ele escreveu um programa
chamado CourseMatch, que permitia que os usuários jogassem Atari Asteroids 1968
entre si, sem conexões, cabos ou internet, o que acabava também por ajudá-los a
formar grupos de estudo. Pouco tempo depois, ele criou um programa bem
diferente, inicialmente chamado “Facemash” que permitia que os alunos
escolhessem entre duas garotas, qual seria a mais bonita (“sexy”). O site
estava indo muito bem, mas de manhã a universidade desativou o site porque sua
popularidade tinha sobrecarregado o servidor de Harvard e impedindo que os
estudantes acessassem a web. Além disso, muitos alunos reclamaram que suas
fotos estavam sendo manipuladas no Photoshop. Zuckerberg pediu desculpas
publicamente e, após o incidente, publicou artigos informando que seu site
estava “completamente inadequado”. No entanto, os alunos já tinham solicitado
para que a universidade desenvolvesse uma “web site” semelhante que incluísse “fotos
e detalhes de contato” para fazerem parte da rede de informática da faculdade. Mark
ouviu esses argumentos e decidiu que se a universidade não fizesse, ele iria
para um local melhor para construir o referido site.
Originalmente o termo mercado, do
latim, era utilizado para designar o “sítio” onde compradores e vendedores se
encontravam para trocar os seus bens. Designa-se por mercado o local no qual
agentes econômicos procedem à troca de bens por uma unidade monetária ou por
outros bens. Os mercados tendem a equilibrar-se pela lei da oferta e da
procura. Existem tanto mercados genéricos como especializados, onde apenas uma
mercadoria é trocada. Um mercado é um sistema que evolui no tempo, sob o efeito
de variáveis cuja influência se verifica, em seu funcionamento ao agrupar vendedores interessados e ao facilitar que os
compradores (potenciais) os encontrem. Uma economia que depende primariamente
das interações sociais entre compradores e vendedores para alocar recursos é reconhecida
como economia de mercado, ou ideologicamente de mercado livre que é defendido pelos proponentes do
chamado liberalismo econômico.
Diferentemente do que ocorre na
Economia planificada ou Economia de estado, onde a produção econômica é
dirigida pelo Estado, na Economia de mercado a maior parte da produção
econômica é gerada pela iniciativa privada. Indústria, comércio e prestação de
serviços são controlados por cidadãos particulares, ou seja, são empresas do
setor privado que detêm a maior parcela dos meios de produção. O Estado tem a
função de regulamentação e fiscalização da economia, além de atender seus setores
prioritários como: energia, segurança, educação e saúde, entre outros. Pode-se,
então, afirmar que nos países denominados capitalistas domina uma economia de
mercado, e opostamente têm-se os países socialistas, onde predomina uma economia
primariamente estatal. Entre estes dois domínios opostos encontram-se ainda os
denominados sistemas econômicos mistos. Sua finalidade centra-se na
harmonização em diversos âmbitos do domínio do setor privado (livre iniciativa)
e do setor público (empresas estatais).
O “fundamentalismo de mercado” ou
simplesmente chamado “market fundamentalism” é uma expressão pejorativa usada pelos
críticos do capitalismo laissez-faire no que eles dizem ser uma exagerada
crença de que mercados livres proporcionam a maior equidade e prosperidade
possível, e qualquer interferência nos processos de mercado reduz o bem estar
social - ou seja, livre-mercados seriam capazes de resolver, de per si, todos
os problemas que afetam uma sociedade. É também empregada, pejorativamente,
para combater os chamados defensores radicais das virtudes dos “livres
mercados” ou, nas palavras de George Soros, contra a ideologia “que coloca o capital
financeiro ao volante”. Portanto, as pessoas e organizações às quais a
expressão se refere, geralmente a consideram pejorativa, já que significa
liberalismo econômico do tipo laissez-faire,
levado ao extremo. Os críticos da atitude chamada “fundamentalista de mercado”
reconhecem que “mercados perfeitos” produzem resultados benéficos a uma
sociedade, mas eles raramente são encontrados na vida real, e os “mercados
imperfeitos”, normalmente, produzem resultados negativos. Assim, consideram que
só onde o mercado “funciona bem” é que deve operar livremente; onde os mercados
atuam contra o interesse comum de uma sociedade, devem ser regulamentados
(leia-se punidos).
Facebook é uma rede social lançada
em 4 de fevereiro de 2004, operado e de propriedade privada da Facebook Inc. Em
4 de outubro de 2012, o Facebook atingiu a marca de 1 bilhão de usuários
ativos, sendo por isso a maior rede social em todo o mundo. O nome do serviço
decorre o nome coloquial para o livro dado aos alunos no início do ano letivo
por algumas administrações universitárias nos Estados Unidos da América para ajudar os
alunos a conhecerem uns aos outros. A rede social foi fundada por Mark
Zuckerberg e por seus colegas de quarto da faculdade Eduardo Saverin, Dustin
Moskovitz e Chris Hughes. A criação do site foi inicialmente limitada pelos
fundadores aos estudantes da Universidade de Harvard, mas foi expandida para
outras faculdades na área de Boston, da Ivy League e da Universidade de
Stanford. O site gradualmente adicionou suporte para alunos em várias universidades antes de abrir para estudantes do ensino médio e, mais tarde,
para qualquer pessoa que declare ter pelo menos treze anos ou mais e neste
sentido possa se tornar usuário registrado do site.
Um estudo quantitativo de janeiro de
2009 do Compete.com classificou o Facebook como a rede social mais utilizada em
todo o mundo ocidental por usuários ativos mensais. A Entertainment Weekly incluiu o site na sua lista de “melhores de”,
dizendo: - “Como vivíamos antes de perseguirmos os nossos ex-namorados,
lembrarmos dos aniversários dos nossos colegas de trabalho, irritarmos os
nossos amigos e jogarmos um jogo empolgante de Scrabulous antes do Facebook?”. A Quantcast afirma que o Facebook teve 138,9 milhões de visitantes
únicos mensais nos Estados Unidos em maio de 2011. De acordo com o Social Media Today, estimava-se que em
abril de 2010 em torno de 41,6% da população estadunidense tinha uma conta no
Facebook. No entanto, o crescimento de mercado do Facebook começou a
estabilizar em algumas regiões, sendo que o site perdeu 7 milhões de usuários
ativos nos Estados Unidos e no Canadá em maio de 2011. Além disso, o Facebook
entrou com pedido de uma oferta pública inicial em 1 de fevereiro de 2012, e
começou a venda das ações após três meses, chegando a uma capitalização em
torno de US$ 104 bilhões de dólares. Em 21 de julho de 2016, o Facebook fez seu
primeiro voo com drone que deve levar internet a todo o mundo. O modo operacional
escolhido por Zuckerberg e sua equipe para tentar levar a web a um público off-line, foi investir em
equipamentos voadores alimentados por energia solar, e depois de
testes com modelos menores, a empresa finalmente realizou o primeiro voo de seu
drone Aquila.
Bibliografia
geral consultada.
Marcadores:
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Conservadorismo,
Contatos,
Dizibilidade,
Facebook,
Mercado,
Poder,
Privacidade,
Relações Sociais,
Sociedade em Rede,
Ubiracy de Souza Braga,
Visibilidade
terça-feira, 15 de agosto de 2017
Avaliação Qualis-periódicos - Razão Técnica & Ilusão Metodológica.
Ubiracy de Souza Braga
“Saber
do que se fala sempre ajuda” Jürgen Habermas
A história da vida intelectual e
artística das sociedades europeias revela-se através da história das
transformações da função do sistema de produção de bens simbólicos e da própria
estrutura destes bens, transformações correlatas à constituição progressiva de
um campo intelectual e artístico, referido à autonomização progressiva do
sistema de relações de produção, circulação e consumo de bens simbólicos. De
fato, à medida que se constitui um campo intelectual e artístico, definindo-se em
oposição ao campo econômico, ao campo político e ao campo religioso, vale
dizer, em relação a todas as instâncias com pretensões a legislar na esfera
cultural em nome de um poder ou de uma autoridade que não seja propriamente
cultural, as funções que cabem aos diferentes grupos de intelectuais ou de artistas,
tendem cada vez mais a se tornar o princípio unificador e gerador dos
diferentes sistemas de tomadas de posição
culturais e, também, o princípio de sua transformação no curso histórico do
tempo.
Destarte, um processo de autonomização da produção intelectual e
artística é correlato à constituição de uma categoria socialmente distinta de
artistas ou de intelectuais profissionais, cada vez mais inclinados a levar em
conta exclusivamente as regras firmadas pela tradição propriamente intelectual
ou artística herdada de seus predecessores, e que lhes fornece um ponto de
partida ou um ponto de ruptura, e cada vez mais propensos a liberar sua
produção e seus produtos de toda e qualquer dependência social, seja das
censuras morais e programas estéticos de uma igreja empenhada em proselitismo,
seja dos controles acadêmicos e das encomendas de um poder político propenso a
tomar a arte como um instrumento de propaganda. Da mesma forma, o processo
conducente à constituição da arte enquanto
tal é correlato à transformação da relação que os artistas mantêm com os não-artistas e, com os demais artistas,
resultando na constituição de um campo artístico relativamente autônomo e na
elaboração concomitante de nova definição em função do artista e da arte.
O campo de produção erudita somente
se constitui como sistema de produção que produz objetivamente apenas para os
produtores através de uma ruptura com o público dos não-produtores, ou seja,
com as frações não intelectuais das classes dominantes. Podem-se medir os graus
de autonomia de um campo de produção erudita com base no pode de que dispões
para definir as normas de sua produção, os critérios de avaliação de seus
produtos e, portanto, para retraduzir e reinterpretar todas as determinações
externas de acordo com seus princípios próprios de funcionamento. Quanto mais o
campo estiver em condições de funcionar como a arena fechada da concorrência
pela legitimidade cultural; pela consagração propriamente cultural e pelo poder
cultural de concedê-la, tanto mais os princípios segundo os quais se realizam
as demarcações internas aparecem como irredutíveis a todos os princípios
externos de divisão. Por exemplo, os fatores de diferenciação econômica, social
ou política, como a origem familiar, a fortuna, o poder, mas neste caso de um
poder capaz de exercer sua ação diretamente sobre o campo, bem como às tomadas
de posição políticas.
Nunca se prestou a devida atenção às
consequências metodológicas ligadas ao fato de que o escritor, o artista e
mesmo o erudito, escrevem não apenas para um público, mas para um público de
pares que são também concorrentes. Vale dizer, quanto mais o campo estiver em
condições de funcionar como o campo de uma competição pela legitimidade
cultural, tanto mais a produção pode e deve orientar-se para a busca de distinções culturalmente pertinentes em
um determinado estágio de um dado campo, isto é, busca de temas, técnicas e
estilos que são dotados de valor na economia específica do campo por serem
capazes de fazer existir culturalmente os grupos que os produzem, vale dizer, de
conferir-lhes um valor propriamente cultural atribuindo-lhes marcas de
distinção reconhecidas pelo campo como culturalmente pertinentes e, portanto,
suscetíveis de serem reconhecidas enquanto tais, em função das taxionomias
culturais disponíveis em um determinado estágio de um dado campo.
Enfim, a análise estatística pode
tornar-se um instrumento eficaz de ruptura se estivermos conscientes de que a
aplicação ingenuamente empirista de taxionomias pré-construídas ou formais a
esta ou àquela população de escritores ou de artistas neutraliza as relações
mais significativas entre as propriedades pertinentes dos indivíduos ou dos
grupos. A maioria das análises estatísticas aplica-se a amostras
pré-construídas de que são parcial ou totalmente excluídos os escritores “menores”
ou marginais, sendo portanto incapazes de detectar os princípios de seleção de
que tal população é o produto, ou seja, as leis que regem o acesso a tal êxito
no campo intelectual e artístico. Ao mesmo tempo, por serem incapazes de compreender
a significação real das regularidades que estabelecem podem acabar dando razão
aos defensores mais ingênuos do estudo ideográfico, estando fadadas a captar,
no máximo, as leis das tendências mais gerais do campo intelectual em seu
conjunto, como por exemplo, a elevação global do nível de formação
universitária dos escritores, ou noutro exemplo no caso francês, durante o
Segundo Império ou o aumento da parcela de escritores originários das classes
médias que ocupavam posições universitárias durante a Terceira República.
Existem,
contudo, armadilhas mais sutis e a análise sociológica corre sempre o risco de
sucumbir aos erros impecáveis de uma sociografia hipermpirista quando se deixa levar pela preocupação de escapar à
acusação de “reducionista”, passando então a competir com a historiografia
tradicional em seu próprio terreno e a procurar na multiplicação das
características sociologicamente pertinentes que seleciona o sistema
explicativo capaz de elucidar cada obra em sua singularidade, ao invés de
construir a hierarquia dos sistemas de fatores pertinentes quando se trata de
dar conta do campo ideológico que corresponde a um determinado estado da
estrutura do campo intelectual. A figura do tutor de significado em geral “protetor”
está presente em universidades ou colégios e consiste numa pessoa envolvida na
gestão do conhecimento e formação técnica e científica. Esta forma especial
preparatória é também chamada “tutoria”, “tutoriat” ou “tutorial”, onde o tutor
observa empiricamente os problemas dos estudantes, prestando assistência de
forma mais célere, eficaz e imediata. O tutor pode ser, ainda um estudante.
Este fato tem a vantagem de propiciar um contato menos formal junto do aluno
tutorado de forma a que a mensagem transmitida pelo tutor seja mais rapidamente
compreendida e assimilada o que facilita o acesso ao conhecimento, e que numa
relação demasiado formal poderia ser dificultada ou mesmo impedida.
A tutoria, também chamada de “mentoring”,
é um método (cf. Bruce, 1995; Bozeman
e Feeney, 2007), geralmente muito utilizado para efetivar uma relação de interação
social e pedagógica. Os tutores acompanham e se comunicam com seus pares de
forma sistemática, planejando, dentre outras atividades, o seu desenvolvimento
e avaliando a eficiência de suas orientações de modo a resolver problemas que
possam ocorrer durante o processo. Uma de suas aplicações, por exemplo, pode
ser dentro do processo pedagógico aplicado em instituições educacionais, onde
exista a tendência de desistência do aluno frente aos desafios encontrados.
Neste caso, o contato com o aluno começa pelo conhecimento global de toda a
estrutura do curso e é necessário que o acompanhamento ocorra com frequência
regular, de forma rápida, densa e eficaz.
Neste sentido o tutor guia o
tutorado, de acordo com a sua formação, mas tem como pressuposto o auxílio como
um fio condutor que atravessa uma grande parte das disciplinas. O tutor conhece
as necessidades e soluções, pelo fato de ter vivenciado semelhantes
dificuldades e por conhecer formas de superá-las. Ele pode ser um ersatz para o aluno em todo o momento em
que o aluno tutorado estiver sobrecarregado, intervindo e auxiliando-o. Esta
estratégia de condução da aprendizagem agrada muitos alunos, porque a
compreendem pouco restritiva, pouco limitadora, simplesmente porque acabam por
aprender a dominar disciplinas de maneira muito eficiente, e por ser-lhes,
também, dada uma série de dicas sobre métodos de estudo e formas de apreensão
das matérias. Representantes diversos do construtivismo, porém, rejeitam esta estratégia e concentram-se na
aprendizagem, para o que o “treinador” será mais qualificado.
As estratégias são ações que graças
ao postulado de um lugar de poder,
elaboram lugares teóricos (sistemas e
discursos totalizantes), capazes de articular um conjunto de lugares físicos
onde as forças se distribuem. Elas combinam esses três tipos de lugar e visam
dominá-los uns pelos outros. Privilegiam, portanto, as relações espaciais. Ao
menos procuram elas reduzir a esse tipo as relações temporais pela atribuição
analítica de um lugar próprio a cada elemento particular e pela organização
combinatória dos movimentos específicos a unidades ou a conjuntos de unidades.
O modelo para isso foi antes o militar que o científico. As táticas são
procedimentos que valem pela pertinência que dão ao tempo - às circunstâncias
que o instante preciso de uma intervenção transforma em situação favorável, à
rapidez de movimentos que mudam a organização do espaço, ás relações entre
momentos sucessivos de um golpe, como na política, aos cruzamentos possíveis de
durações e ritmos heterogêneos. As estratégias apontam para a resistência que o
estabelecimento de um lugar oferece ao gasto do tempo; as táticas apontam para
uma hábil utilização do tempo, das ocasiões de um poder. Os métodos praticados
pela arte da guerra cotidiana jamais se apresentam sob uma forma nítida, nem
por isso - last but not least - menos
certo que apostas feitas no lugar ou no tempo distinguem as maneiras
estruturantes de sentir, pensar e agir.
A razão instrumental é um termo
usado provavelmente por Max Horkheimer no contexto social do debate da teoria
tradicional “versus” teoria crítica, escrito no exílio, nos Estados Unidos da
América (EUA), em 1937, em que o autor prefere utilizar essa expressão para
designar correntemente o estado em que os processos racionais são plenamente
operacionalizados. A razão instrumental nasce, desde Francis Bacon, quando o
sujeito do conhecimento toma a decisão de que conhecer é dominar e controlar a
natureza e os seres humanos. A razão ocidental, caracterizada pela sua
elaboração dos meios de trabalho para obtenção dos fins, se hipertrofia em sua
função de tratamentos dos meios, e não na reflexão objetiva dos fins. Na medida
em que razão se torna instrumental, a ciência vai deixando de ser uma forma de
acesso aos conhecimentos para tornar-se um instrumento de dominação, poder e
exploração. Sendo sustentada pelos processos sociais de aquisição da ideologia
cientificista, da educação através da escola e dos processos de comunicação de
massa, engendra uma mitologia - a religião da ciência - contrária ao espírito
iluminista e à emancipação da humanidade.
Desnecessário dizer que a razão é a capacidade da mente humana que
permite chegar a conclusões a partir de suposições ou premissas. É, entre
outros, um dos meios pelo qual os seres racionais propõem razões ou explicações
para relação causa e efeito. A razão é particularmente associada à natureza
humana, ao que é único e definidor do ser humano. A razão permite identificar e
operar conceitos abstratamente, resolver problemas, encontrar coerência ou
contradição entre eles e, assim, descartar ou formar novos conceitos, de uma
forma ordenada e, geralmente, orientada para objetivos. Inclui raciocinar,
apreender, compreender, ponderar e julgar, por vezes usada como sinónimo de
inteligência. A principal diferença entre a razão e outras formas de consciência decorre na forma de
explicação que é tanto mais racional quanto mais conscientemente for pensado de
forma que possa ser expressa numa linguagem histórica e determinada.
A maioria dos chamados “periódicos”
nacionais está vinculado aos programas de pós-graduação (M/D), isso porque as
revistas surgiram próximas aos cursos de pós-graduação como estratégia de dar
vazão e comunicar entre pares o que é desenvolvido em termos de Pesquisa &
Desenvolvimento nas universidades e demais instituições brasileiras. Esses
movimentos foram base para o grande aumento dos títulos de revistas científicas,
sendo importante a criação de critérios que indicassem a cada revista para a
sociedade científica, tanto para conhecimento dos pesquisadores, quanto para seleção
de quais publicações receberiam fundos de fomento para se sustentarem e
continuarem ativas. Apesar de muitas agências de fomento manter seus próprios
critérios de seleção, a necessidade de um “controle de qualidade” deu origem ao
Qualis da Capes, que em sua essência
faz parte da avaliação de pós-graduação pela instituição, tendo em vista que grandes
partes das revistas científicas estão vinculadas a esse padrão internacional.
Qualis representa
um conjunto de procedimentos técnicos utilizados no Brasil pela chamada Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de
Nível Superior (CAPES) para estratificação técnica da qualidade da produção
intelectual dos programas de pós-graduação. A partir desse sistema os
principais periódicos são classificados segundo estratos indicativos da
qualidade: A1 - para periódicos de excelência internacionais reconhecidos como
relevantes no Brasil (pode haver periódicos nacionais na lista desde que tenham
alcance internacional); A2- para periódicos de excelência reconhecidos como
relevantes no Brasil (é um nível realmente muito bom para se publicar); B1 - B2
- B3 = em ordem decrescente de qualidade para o restante dos periódicos. Neste
sentido B4 e B5 = periódicos bem mais inferiores no sistema de avaliação. Enfim,
C = é periódico só na definição técnica, mas tem por atribuição avaliativa
valor=zero. Os indicadores variam de A1 – o nível mais elevado, até C– o nível
mais baixo da qualidade da produção. Qualis
é definido pela CAPES como uma lista agenciada de veículos utilizados para
a divulgação internacional da produção intelectual dos programas de
pós-graduação de M/D. Serve para fundamentar os processos seletivos
de avaliação do sistema nacional de pós-graduação da CAPES.
O
sistema Qualis-periódicos é usado para classificar a produção científica dos
programas de pós-graduação no que se refere aos artigos publicados em
periódicos científicos. Tal processo foi concebido para atender as necessidades
específicas do sistema de avaliação e é baseado empiricamente “nas informações
fornecidas por meio do aplicativo coleta de dados”. Como resultado,
disponibiliza uma lista com a classificação dos veículos utilizados pelos
programas de pós-graduação para a divulgação da sua produção. A classificação é
realizada pelos comitês de consultores de cada área de avaliação seguindo
critérios previamente definidos pela área de conhecimento e aprovados pelo Conselho Técnico-Científico da Educação
Superior - CTC-ES, que procuram refletir a importância relativa dos
diferentes periódicos para uma determinada área. Os critérios gerais e os
específicos utilizados em cada área de avaliação estão disponibilizados nos
respectivos documentos de área. A estratificação da qualidade dessa produção é
realizada de forma indireta. Do ponto de vista técnico o Qualis afere a
qualidade dos artigos e de outros tipos de produção, a partir da análise da
qualidade dos veículos de divulgação, ou seja, periódicos científicos. A
classificação de periódicos é realizada pelas áreas de avaliação e passa por
processo de série anual de atualização. Esses veículos são enquadrados em
estratos indicativos da qualidade.
As
premissas em que se baseiam são três. A primeira é que a relação da
distribuição de frequência de
conceitos dos programas brasileiros de pós-graduação deve ser “normal”, ou Gaussiana.
Em probabilidade e estatística, a distribuição normal é uma das distribuições
de probabilidade mais utilizada para modelar fenômenos naturais. A distribuição
normal é ligada aos vários conceitos matemáticos como movimento browniano,
ruído branco, entre outros. A distribuição normal também é chamada distribuição
gaussiana, distribuição de Gauss ou distribuição de Laplace-Gauss, em
referência aos matemáticos, físicos e astrônomo francês Pierre-Simon Laplace e o
alemão Carl Friedrich Gauss. Poder-se-ia aqui indagar como foi que se chegou à
conclusão de que essa distribuição é naturalmente normal. A segunda premissa
estabelece que apenas 25% dos programas podem ter conceito máximo 6 ou 7 em
qualquer área de avaliação. Caso o número de programas merecedores de conceito
máximo supere o limite, as normas de avaliação serão automaticamente
“apertadas” para manter o limite. Igualmente, pode-se perguntar se não é
absurdo mudar as regras do jogo no meio da partida para rebaixar o conceito de
programas que à primeira vista pareciam excelentes. A terceira premissa diz
respeito à nova tabela Qualis para
periódicos, que passa a ter sete (7) níveis. Esta vale para quase todas as
áreas do conhecimento, devendo cada área estabelecer os níveis específicos de
corte de tal modo a assegurar que apenas 25% dos periódicos estejam no nível aparentemente mais alto (Qualis A) e que haja maior número de periódicos A2 que A1. Embora
isso não seja explícito, mas per se parece evidente que estes 25% derivam diretamente dos
25% do conceito anterior.
Curiosamente
nas Normas para Defesa Pública de Provas e Títulos do curso de Mestrado e Doutorado
do Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias da Faculdade de
Veterinária da Universidade Estadual do Ceará determina que o candidato (a) só
poderá defender a Dissertação o
mestrando que tiver um (01) artigo enviado para um periódico classificado no
Qualis/CAPES como B3 (ou superior) na área de Medicina Veterinária ou afins.
Quanto à nota após a defesa de Dissertação: a) Só poderá obter nota 9,0 (nove)
ou superior o mestrando que no dia de sua defesa tenha um artigo aceito em
periódico classificado no Qualis/CAPES como B3 (ou superior) na área de Medicina
Veterinária ou afins; b) Só poderá obter nota 10,0 (dez) o mestrando que no dia
da sua defesa tenha um artigo aceito em periódico classificado no Qualis/CAPES
como B1 (ou superior) na área de Medicina Veterinária ou afins; c) Só poderá
obter Louvor o mestrando que no dia da sua defesa tenha um artigo aceito em
periódico classificado Qualis/CAPES como na área de Medicina Veterinária ou afins.
Só
poderá defender a Tese o doutorando que
tiver um artigo enviado e outro aceito em um periódico classificado no
Qualis/CAPES como B1 como (ou superior) na área de Medicina Veterinária ou
afins. Quanto à nota após a defesa da Tese: a) Só poderá obter a nota 9,0
(nove) ou superior o doutorando que no dia da sua defesa tenha um artigo
enviado e outro aceito em periódico classificado no Qualis/CAPES como A na área
de Medicina Veterinária ou afins; b) Só poderá obter nota 10, 0 (dez) o
doutorando que no dia da sua defesa tenha dois artigos aceitos em periódico
classificado no Qualis/CAPES como A na área de Medicina Veterinária ou afins; c)
só poderá obter Louvor o doutorando que no dia de sua defesa tenha dois artigos
aceitos em periódico classificado no Qualis/CAPES como A1 na área de Medicina
Veterinária ou afins.
A
verdadeira figura em que a verdade existe só pode ser o sistema científico dela.
Somente Hegel, insistimos neste aspecto, definiu o princípio da realidade como
uma Ideia lógica, fazendo, portanto, do ser das coisas um ser puramente lógico
e chegando assim a um panlogismo consequente que apresenta ainda, um elemento
dinâmico-irracional, existente no método dialético. Nisto se distingue o
panlogismo hegeliano do neokantismo, que eliminou este elemento e instituiu assim
um puro panlogismo. O idealismo apresenta-se, para sermos breves, em duas
formas principais: como idealismo subjetivo ou psicológico e como idealismo
objetivo e lógico. Mas estas diversidades no plano analítico movimentam-se no
âmbito de uma concepção fundamental. Esta é justamente a tese idealista de que
o objeto do conhecimento não é “menos que nada”, mas algo ideal, para
concordarmos com Slavoj Žižek (2013). A ideia de um objeto independente da
consciência é contraditória, pois, no momento em que pensamos num objeto, como
no amor, por exemplo, fazemos dele um conteúdo de nossa consciência. Se ao afirmarmos
simultaneamente que o objeto existe fora da nossa consciência, contradizemo-nos
com isso a nós próprios; portanto não há objetos reais “extra conscientes”, mas
a realidade enquanto alusão acha-se contida na consciência.
Atualmente,
a gestão administrativa do CNPq é de responsabilidade de uma Diretoria Executiva,
enquanto o conselho deliberativo é responsável pela política institucional. Por
meio de “Comitês de Assessoramento”, a comunidade científica e tecnológica
contribui na gestão e na política do CNPq que oferece “bolsas” e auxilio à
pesquisa em diferentes modalidades. As “bolsas” são destinadas a pesquisadores
experientes, a indivíduos recém-doutorados, a alunos de pós-graduação,
graduação e ensino médio. Os valores econômicos das bolsas são variados.
Existem duas categorias de bolsas: bolsas individuais no Brasil ou no exterior,
ou bolsa por “quotas”. As bolsas individuais, tanto no país, como no exterior,
são de fomento científico ou tecnológico. O auxilio oferecido pelo CNPq pode
ser destinado a instituições, a cursos de pós-graduação de Mestrado e Doutorado,
a pesquisadores e a Fundações de apoio à pesquisa. São várias modalidades de
auxílio, como financiamento para publicação científica, promoção de congressos,
intercâmbios científicos para capacitação de pesquisadores e projetos de
pesquisa. O relatório de “prestação de contas” é obrigatório para bolsistas de A1,
o mais elevado; A2; B1; B2; B3; B4; B5; C - com peso zero.
Contraditoriamente
o anúncio foi feito no início de agosto, com a divulgação, pelo CNPq, do
resultado das Chamadas 2016-2018 das bolsas de Iniciação Científica. Serão 26.169 bolsas concedidas neste ano -
20% a menos do que em 2015. A Iniciação Científica (IC) é importante para
despertar o interesse dos alunos para a ciência. Trata-se, nas palavras do
CNPq, de uma forma de “integração do aluno de graduação à cultura científica
e/ou tecnológica, por meio do desenvolvimento de atividades de pesquisa sob a
supervisão de um orientador qualificado”. O “orientador qualificado”, que
trabalha com o jovem estudante em uma pesquisa de Iniciação Científica, acaba
fazendo também um trabalho de supervisão e de mentoria, atividade que tem ganhado
cada vez mais espaço nas instituições de ensino superior de ponta no mundo.
Aqui, entende-se como “mentor” um professor com o qual o aluno trabalhou de
maneira bem próxima durante a graduação, que auxiliou nos estudos, na definição
de quais disciplinas cursarem e que deu alguma orientação em termos de
carreira. No cenário acadêmico, reduzir o número de bolsas no começo da
carreira científica pode significar menos cientistas qualificados no país no
futuro. - “O problema é que sem ciência não dá para fazer nada, nem exportar
soja”, diz Nader, da SBPC. Ligado ao MCTIC, “o CNPq tem sofrido cortes
juntamente com a pasta de ciência, que deve receber cerca de R$3,5 bilhões
neste ano”. Para se ter uma ideia do que isso significa, “o orçamento do
ex-MCTI em 2014 tinha mais do que o dobro desse valor - antes de todas as pastas começarem a sofrer
cortes”.
Uma
organização observa Marilena Chauí (2003), difere de uma instituição por
definir-se por uma prática social determinada de acordo com sua
instrumentalidade: está referida ao conjunto de meios (administrativos)
particulares para obtenção de um objetivo particular. Não está referida a ações
articuladas às ideias de reconhecimento externo e interno, de legitimidade
interna e externa, mas a operações definidas como estratégias balizadas pelas
ideias de eficácia e de sucesso no emprego de determinados meios para alcançar
o objetivo particular que a define. Por ser uma administração, é regida pelas
ideias de gestão, planejamento, previsão, controle e êxito. Não lhe compete
discutir ou questionar sua própria existência, sua função, seu lugar no
interior da luta de classes, pois isso, que para a instituição social
universitária é crucial, é, para a organização, um dado de fato. Ela sabe (ou
julga saber) por que, para que e onde existe.
Do
ponto de vista do trabalho a gestão de carreira envolve duas partes principais:
a da organização e a concepção do indivíduo. Diferentemente de décadas
passadas, quando as organizações definiam as carreiras de seus empregados, na
modernidade o papel do indivíduo na gestão da carreira se torna relevante e
assume um papel progressivamente mais atípico. Os empregados assumem, na
atualidade, o papel de planejar sua própria carreira, sendo estimulados a
acumular conhecimentos científicos e administrar suas carreiras para garantir
mobilidade no mercado de trabalho. No início
indivíduos buscam desafios, salários atrativos e responsabilidades, após
amadurecerem, passam a se interessar por trabalhos que demandem autonomia e
independência, segurança e estabilidade, competência técnica e funcional,
competência gerencial, criatividade intelectual, serviço e dedicação a uma
causa, desafio político, estilo de vida.
A
instituição social aspira à universalidade. A organização sabe que sua eficácia
e seu sucesso dependem de sua particularidade. Isso significa que a instituição
tem a sociedade como seu princípio e sua referência normativa e valorativa,
enquanto a organização tem apenas a
si mesma como referência, num processo de competição com outras que fixaram os
mesmos objetivos particulares. Em outras palavras, a instituição se percebe
inserida na divisão social e política e pretende definir uma universalidade
(imaginária ou desejável) que lhe permita responder às contradições, impostas
pela divisão. Ao contrário, a organização busca gerir seu espaço e tempo
particulares aceitando como dado bruto sua inserção num dos polos da divisão
social, e seu alvo não é responder às contradições, e sim vencer a competição
com seus supostos iguais. A questão nevrálgica refere-se à pergunta: Como foi
possível passar da ideia da universidade como instituição à definição como
organização prestadora de serviços?
Em
primeiro lugar através da passagem da produção de massa e da economia de
mercado para as sociedades de conhecimento baseadas na informação e
comunicação. Na esfera de ação política é regulação da existência coletiva,
poder decisório, luta entre interesses contraditórios, disputa por posições de
mundo, confrontos mil entre forças sociais, violência em última análise. Só que
a produção dos processos políticos, baseados em instituições sociais como
esfera de poder, em segundo lugar, se diferencia radicalmente da produção
econômica porque usam eventualmente suportes materiais, como armas, livros,
processos, papéis onde se inscrevem as ordens, os atos de gestão, as sentenças
ou as leis, mas não é uma produção material no sentido marxista do termo. É
assim porque consistem em decisões imperativas, decisões que podem mudar o
plano de vida individual (os sonhos) e da coletividade (os mitos, os ritos, os
símbolos). É também diferente da produção simbólica porque se exercita sobre o
interesse dos agentes sociais, quando não sobre os próprios tabus do corpo.
Corresponde a atos de vontade que regulam atividades coletivas; disciplina
práticas sociais. Não produzem mensagens, discursos; produzem obediências,
obrigações, submissões, direitos, deveres, controles. Poder, para sermos breves,
é uma relação social que se constitui através de mando e obediência. As
decisões tomadas politicamente se impõem a todos num dado território ou numa
dada unidade social. Convertem-se em atividades coercitivas (esfera da
segurança), administrativas (esfera da administração), jurídico-judiciárias
(esfera da justiça) e legislativas (esfera da deliberação). Simplificadamente,
processo político diz respeito à pergunta: Quem pode o quê sobre quem? Eis a
grande questão do processo político, do confronto entre forças sociais, da sujeição
de vontades a outras vontades.
Bibliografia
geral consultada.
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das Neves; SOUZA, Ewerton Diego de “Configurações do Ensino de Sociologia como
um Subcampo de Pesquisa: Análise dos Dossiês Publicados em Periódicos Acadêmicos”.
In: https://www.redalyc.org/journal/13/11/2017; entre
outros.
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quarta-feira, 2 de agosto de 2017
Carlos Lacerda - Udenismo & Mercado Jornalístico Global.
Ubiracy de Souza Braga
“A impunidade gera a audácia dos maus”. Carlos
Lacerda
Carlos Lacerda nasceu em Vassouras,
cidade localizada no sul do estado do Rio de Janeiro, onde seu avô residia e
seu pai tinha grandes interesses políticos. Recebeu o nome de Carlos Frederico
como homenagem aos pensadores políticos Karl Marx e Friedrich Engels. Seus pais
eram primos, descendentes em linhas afastadas de Francisco Rodrigues Alves, o
primeiro sesmeiro da cidade de Vassouras. Por outro lado, embora tivesse
sobrenome parecido com o do 2º barão de Pati do Alferes, o seu sobrenome
Lacerda origina-se de seu bisavô, um pobre confeiteiro português que se
estabeleceu em Vassouras e se casou com uma descendente de Francisco Rodrigues
Alves - estes serão os pais de seu avô paterno, Sebastião Lacerda. Seu bisavô
português chamava-se João Augusto Pereira de Lacerda e pertencia a uma das
principais famílias da nobreza açoriana, os Lacerdas do Faial, descendentes das famílias dos Pereiras, senhores da Feira, e dos Lacerdas, descendentes
dos reis de Castela e Leão e dos de França.
Ingressou em 1929 no curso de
Ciências Jurídicas e Sociais da então Faculdade de Direito da Universidade do
Rio de Janeiro, atual Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do
Rio de Janeiro (UFRJ). Durante seu período acadêmico, destacou-se como orador e
participando ativamente do movimento estudantil de esquerda no Centro Acadêmico
Cândido de Oliveira. Devido ao grande envolvimento em atividades políticas,
abandonou o curso em 1932. Tornou-se militante comunista, seguindo os passos de
seu pai, Maurício de Lacerda, e dos seus tios Paulo Lacerda e Fernando Paiva de
Lacerda, antigos militantes do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Sua primeira
ação contra o governo de Getúlio Vargas implantado com a revolução de 1930
deu-se em janeiro de 1931, quando planejou, junto com outros companheiros comunistas,
incentivar marchas de desempregados no Rio de Janeiro e em Santos durante as
quais ocorreriam ataques ao comércio. A “conspiração comunista” foi descoberta
e desbaratada pela polícia liderada por João Batista Luzardo, o que não por
acaso transformou-se em notícia no jornal norte-americano The New York Times. Em março de 1934 leu o manifesto de lançamento
oficial da Aliança Nacional Libertadora
(ANL), entidade ligada ao Partido Comunista do Brasil (PCB), em uma solenidade
na cidade do Rio de Janeiro no qual houve o comparecimento de milhares de
pessoas.
No ano seguinte publicou, com o
pseudônimo de Marcos, um livreto contando a história do quilombo de Manuel
Congo. Apesar do viés de propaganda comunista juvenil, o livreto resultou da
primeira pesquisa histórica feita sobre um assunto que fora quase esquecido. Quando ocorreu a
derrota da Intentona Comunista de 1935, teve que se esconder na velha chácara
da família em Comércio, atual Sebastião Lacerda, Vassouras e ser protegido pela
família influente politicamente. Reformista, rompeu com o movimento comunista
em 1939, dizendo considerar que tal doutrina “levaria a uma ditadura, pior do
que as outras, porque muito mais organizada, e, portanto, muito mais difícil de
derrubar”. A partir de então, como político e escritor, consagrou-se como um
dos maiores porta-vozes das ideologias conservadora e direitista no país, e
grande adversário de Getúlio Dornelles Vargas e dos movimentos trabalhistas e
comunistas, sendo contado como um dos principais oradores da “Banda de música
da UDN”.
A lei eleitoral de maio de 1945,
elaborada sob a supervisão do ministro da Justiça Agamenon Magalhães,
determinou a constituição de partidos políticos de caráter nacional, o que
rompia aparentemente com a tradição regionalista da política partidária
brasileira. A UDN foi fundada no dia 7 de abril de 1945, reunindo diversas
correntes ideológicas que nos anos anteriores haviam-se colocado em oposição à
ditadura do Estado Novo. Setores liberais que desde 1943, com o lançamento do Manifesto dos Mineiros, vinham se manifestando pelo fim do regime ditatorial, se
articularam para lançar a candidatura do brigadeiro Eduardo Gomes à presidência
da República. Para dar sustentação a essa candidatura foi criada a UDN, que num
primeiro momento constituiu uma ampla frente anti-Vargas. Participaram da
fundação da UDN, setores oligárquicos desalojados do poder pela Revolução de
1930, representados por figuras como o baiano Otávio Mangabeira, o paulista
Júlio Prestes ou o ex-presidente Artur Bernardes, e por clãs políticos
estaduais como os Konder, de Santa Catarina, ou os Caiado, de Goiás.
Ingressaram
também na UDN, outros setores oligárquicos que só romperam com Vargas no
decorrer da década de 1930, como José Américo de Almeida, Juarez Távora,
Antônio Carlos, Juraci Magalhães, Carlos de Lima Cavalcanti e Flores da Cunha.
Havia ainda liberais ditos “históricos”, como os irmãos Virgílio e Afonso
Arinos de Melo Franco, Raul Pilla, Pedro Aleixo, Odilon Braga, Milton Campos, e
outros. Finalmente, estiveram entre os fundadores do partido curiosamente alguns
grupos e personalidades de esquerda, como Silo Meireles, rompido com o PCB em
virtude da aproximação desse partido com Getúlio Vargas, e socialistas como
Hermes Lima, Domingos Vellasco e João Mangabeira, aglutinados na chamada “Esquerda
Democrática”. Essa frente ampla e pluralista começou a dissolver-se, contudo,
ainda durante o ano de 1945 da 2ª guerra. Em Minas Gerais, o grupo ligado ao
antigo PRM, liderado por Artur Bernardes, optou por organizar o Partido
Republicano (PR), enquanto no Rio Grande do Sul foi criado o Partido
Libertador, dirigido por Raul Pilla. PR e PL, entretanto, mantiveram seu apoio
à candidatura do brigadeiro Eduardo Gomes. No ano seguinte, a Esquerda
Democrática abandonaria a UDN para reorganizar o Partido Socialista Brasileiro
(PSB). Em 24 de agosto de 1954 - Carlos Lacerda festeja uma suposta renúncia de Getúlio Vargas para depois simular consternação com o suicídio do presidente. Com a saída desses setores, o partido se consolidou como um partido de direita.
Até a sua extinção em 1965, o partido
esteve no centro dos principais acontecimentos da vida política do país.
Caracterizou-se pela defesa da democracia liberal e pelo combate aguerrido às
correntes sulistas getulistas. Os conceitos do papel apropriado do jornalismo
variam de país para país. Em algumas nações, os meios de comunicação de
notícias são controlados pelo governo e não são um corpo completamente
independente. Em outros, os meios de comunicação são independentes do governo,
mas a motivação pelo lucro entra em tensão com as proteções constitucionais da
liberdade de imprensa. O acesso à informação livre recolhida por empresas
jornalísticas independentes e concorrentes, com normas editoriais
transparentes, pode permitir aos cidadãos participarem efetivamente do processo
político. O padrão histórico e politico da comunicação social no Brasil têm
como uma de suas características principais o vínculo orgânico dos meios
massivos de trabalho comunicacional com as representantes elites políticas
locais ou regionais.
Expressões
modernas “coronelismo eletrônico” ou “cartórios eletrônicos” têm sido frequentemente
utilizadas para caracterizar a tentativa ordinária de políticos para exercer,
por intermédio do domínio de mercado da mídia, o controle sobre o mercado
eleitoral. Nesse sentido, interessa-nos descrever e explicar o ineditismo da
experiência de jornais como O Dia, a Última Hora e o jornal Luta Democrática na conjuntura de seu
aparecimento durante o segundo governo de Getúlio Vargas (1951-1954). Ao que
parece deu-se “a primeira união entre veículos de comunicação de alcance
massivo e sua instrumentalização por parte de lideranças políticas, no ambiente
democrático” (cf. Siqueira, 2005). Assim, para Marialva Barbosa em sua tese de
doutoramento, o século XX trouxe à cena um novo tipo de jornalismo, no qual o
investimento em um noticiário amplo buscou um público variado e fortaleceu
determinados jornais como empresas. O caso do jornal Correio da Manhã, fundado
na cidade do Rio de Janeiro em 1901, é exemplar, por razões políticas e
ideológicas, interpelando os indivíduos como sujeitos, mas que não trataremos agora.
Antes,
vale lembrar a tópica da inclusão dos trabalhadores na cena política, em que Angela
de Castro Gomes, historiadora e cientista demarca duas fases. Na primeira, que
cobre toda a Primeira República, estendendo-se até a promulgação da
Constituição de 1934, a direção do processo esteve com os trabalhadores.
Segundo a autora, “a ‘palavra operária’, sob o controle de lideranças
diferenciais, operou buscando criar as bases de uma nova identidade de classe
como fundamento para sua ação política”.
A partir de 1934, em um segundo momento do processo histórico de formação
da classe trabalhadora como ator político, a palavra não esteve mais com os
trabalhadores. O acesso à cidadania por parte dos setores populares passou a realizar-se
via intervenção estatal. Neste quadro, a invenção do trabalhismo e a montagem
do sindicalismo corporativista, complementadas pela criação do Partido
Trabalhista Brasileiro (PTB), constituíram os elementos fundamentais da incorporação
política dos trabalhadores.
O
Estado Novo (1937-46), com as suas características de controle, agravou a
situação, limitando não só a palavra dos trabalhadores, mas influenciando a de
outros grupos. A imprensa esteve cerceada por inúmeros dispositivos, culminando
mesmo no desaparecimento de vários jornais e revistas. A constituição
brasileira de 1937 legalizou a censura prévia aos meios sociais de comunicação.
A imprensa, por meio de uma legislação especial, foi investida da função de
caráter público, o que permitiu sua instrumentalização por parte do Estado. A
palavra, agora, estava concentrada nas mãos do governo autoritário. O “udenismo”
sociologicamente caracterizou-se pela defesa do liberalismo clássico e da
moralidade, e pela forte oposição ao
populismo (cf. Laclau, 2005). Além disso, algumas de suas bandeiras eram as
aberturas econômicas para o capital estrangeiro e a valorização da educação
pública. O partido político detinha forte apoio das classes médias urbanas e de
alguns setores conservadores da elite. Concorreu às eleições presidenciais de
1945, 1950, e de 1955 postulando o brigadeiro Eduardo Gomes nas duas primeiras
e o general Juarez Távora na última, perdendo nas três conjunturas políticas.
Em 1960, apoiou Jânio Quadros que não era filiado à UDN, obtendo assim uma
vitória histórica e singular. Seu principal rival nas eleições era o Partido
Social Democrático. Até as eleições parlamentares de 1962, a UDN era a segunda
maior bancada do Congresso Nacional, atrás apenas da bancada pessedista. Nesse
ano, o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) tomou este segundo lugar da UDN.
Como
todos os demais partidos, a UDN foi extinta pelos golpistas militares que
assumiram o poder em 1964, através do Ato Institucional n° 2. Foi institucionalizado
pelo regime militar, em 27 de outubro de 1965, como resposta aos resultados das
eleições que ocorreram no início daquele mês. Seguindo a estratégia delineada
pelos militares anteriormente ao 1° de abril de 1964, foi necessária a edição
de mais um Ato Institucional, agora com 33 artigos, pois certos dispositivos da
Constituição de 1946 não eram compatíveis com a ordem contrarrevolucionária. Após
o golpe político-militar de 1° de abril de 1964, muitos quadros políticos da UDN
migraram para a Aliança Renovadora Nacional (ARENA). No entanto, sua principal
liderança, o jornalista Carlos Lacerda, apesar de ter sido um dos líderes civis
do golpe de Estado, voltou-se contra ele em 1966, com a prorrogação do mandato
do presidente-marechal Castelo Branco. Segundo Lacerda, a prorrogação do
mandato de Castelo Branco levaria à consolidação do governo revolucionário numa
ditadura militar permanente no Brasil, o que realmente aconteceu até 1984. Em novembro
de 1966, organizou politicamente a “Frente Ampla”, comum em tempos e crise de
hegemonia sócio-política, desencadeando um movimento democrático, contrário ao
golpe militar de abril de 1964, que seria liderada por ele e articulado com
seus antigos adversários, João Goulart e Juscelino Kubitschek. Mercado do Jornalismo: A UDN, de Carlos Lacerda, espalhou que Brasília fez do presidente Juscelino Kubitschek a sétima maior fortuna do mundo.
O
ato institucional, que ainda reabriu processos de cassação e extinguiu os
partidos políticos, fora uma resposta do regime às derrotas sofridas pelos candidatos
a governador oficiais em estados importantes como Minas Gerais e Guanabara.
Carlos Lacerda foi politicamente deslocado, pois com a criação do
bipartidarismo a maior parte dos udenistas filiou-se à situacionista Aliança
Renovadora Nacional (Arena), que se contrapunha ao oposicionista Movimento
Democrático Nacional (MDB). O ingresso dos deputados lacerdistas da Guanabara
no MDB, segundo o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea
do Brasil, da Fundação Getúlio Vargas (CPDOC-FGV), também marcou sua ruptura e
distanciamento com os militares. O ex-governador resolveu então procurar seus
antigos adversários políticos, como os exilados e cassados Juscelino
Kubitschek, vivendo em Portugal, e João Goulart, residindo no Uruguai, numa
tentativa de juntar forças sociais e políticas para lutar pela restauração da
democracia no país. O movimento foi ganhando “corpo a corpo” e conquistando a
adesão de importantes emedebistas, como o secretário-geral do partido, Mário
Covas, líder da bancada, ou o senador Josafá Marinho, figura proeminente da
oposição.
Com
a vitória da oposição nas eleições em cinco estados do país, mais notadamente
as de Israel Pinheiro, em Minas Gerais e a de Negrão de Lima, na Guanabara (RJ),
os setores militares avançaram com a calibragem
da repressão: foram reabertos os processos de cassação, partidos políticos
foram extintos, sob a égide da violência física dos aparelhos repressivos de
Estado (ARE) com suas sedes invadidas e desativadas e o Poder Judiciário, ao
contrário do golpe histórico de 17 de abril de 2016, sofreu intervenção oportunista
do Executivo. Até que, em 27 de outubro de 1965, o marechal cearense Humberto
de Alencar Castelo Branco mandou publicar no Diário Oficial da União e ordenou
o cumprimento do AI-2, que emendou contrariamente vários dispositivos da Constituição
de 1946, tornando indireta a eleição para presidente da República. O Poder
Judiciário em contradição com o Poder Executivo sofreu intervenção direta do
Poder Executivo. Desta forma, os julgamentos das ações dos contrarrevolucionários
deixaram de ser competência da justiça civil e o Estado entrou em um regime de
exceção ainda mais repressor das posições contrárias ao regime.
![]() |
| Deputado Tenório Cavalcanti (UDN) ao centro. |
Ativíssima
era a UDN carioca, com apoios na imprensa, principalmente do jornal Tribuna da Imprensa, na Igreja católica
e nas altas patentes militares. Era galvanizado pelo intelectual orgânico, Carlos Lacerda, o qual ganhou as eleições de
1960 para governador ao derrotar o petebista Sérgio Magalhães por 28% dos votos
a 26%. Seu maior rival aqui era o PTB. Com exceção de Adauto Lúcio Cardoso,
seus grandes expoentes eram figuras carimbadas do lacerdismo, como Sandra
Cavalcanti e Amaral Netto, fundador do chamado “Clube da Lanterna”. A UDN
fluminense não se confunde com a UDN carioca. No antigo estado do Rio de
Janeiro, o PSD, liderado por Amaral Peixoto era hegemônico, daí fazendo com que
a UDN frequentemente se aliasse ao PTB. No entanto, a UDN apoiou o vencedor das
eleições para governador de 1947, com Edmundo Macedo Soares e Silva do PSD. A
UDN fluminense era heterogênea, reunindo bacharéis liberais como Prado Kelly, o
principal defensor do Brigadeiro Eduardo Gomes no partido, e Raul Fernandes,
Ministro das Relações Exteriores do governo do Marechal Dutra, com
ex-integralistas como Raymundo Padilha e líderes populistas de direita, como o
deputado federal Tenório Cavalcanti, considerado o primeiro udenista “com cara
de povo”, se consagraria o “cacique” de Duque de Caxias, na baixada fluminense,
líder famoso assombrando por sua capa preta e metralhadora “Lurdinha”, e
principalmente, por seu anticomunismo radical e envolvimento com dezenas de
assassinatos de adversários e desafetos no corredor da política.
Tenório
conquistou três mandatos seguidos de deputado federal pelo Estado do Rio de
Janeiro (1950, 1954 e 1958), e nos dois últimos pleitos conseguiu a maior
votação do estado. Construiu uma imagem política também no jornal Luta Democrática, de sua propriedade, e
os seus discursos na Câmara dos Deputados expressaram uma linguagem, símbolos e
valores que se identificavam com sua personalidade. Após uma briga política com
Carlos Lacerda, da UDN, ele rompeu e se afastou do partido. Candidatou-se
depois ao governo do recém-criado estado da Guanabara pelo PST, mas Tenório não
foi eleito, ficou em terceiro lugar. O vencedor foi Carlos Lacerda. Mais tarde,
em outubro de 1962, Tenório disputou a eleição novamente pelo PST, desta vez ao
governo do estado do Rio de Janeiro e perdeu para Badger da Silveira, do PTB,
com pouca diferença. Devido às constantes ameaças de morte, Tenório e sua
família moravam em uma casa-fortaleza, em Duque de Caxias. Andava sempre armado
e acompanhado de capangas. A ele foram atribuídos pelo menos 25 crimes
violentos. Apesar de as investigações terem comprovado a participação de
Tenório, ele jamais foi indiciado pelo crime. Em 1958, grandes enchentes
assolaram Duque de Caxias e Tenório assumiu o projeto de construção da Vila São
José com a finalidade de atender a população flagelada. Em 1961, ele apoiou a
posse de João Goulart e aproximou-se de Leonel Brizola. Tenório foi cassado em
1964, e se orgulhava de não ter fugido do país. Quinze anos depois, em 1979,
apoiou o último general-presidente, João Baptista Figueiredo. Mas em 1982,
apoiou Moreira Franco, desvinculando-se do brizolismo.
Tenório
Cavalcanti na política possuía um estilo político agressivo, muitas vezes
violento. Isso lhe rendeu uma aura de mito. Eleito deputado estadual e deputado
federal do Rio de Janeiro, tendo quase vencido também para governador do
estado, sua vida inspirou o filme “O Homem da Capa Preta”, dirigido em 1986 por
Sérgio Rezende e estrelado por José Wilker no papel de Tenório Cavalcanti (cf.
Alves, 2003). Nascido em Alagoas, mudou-se já adulto para Duque de Caxias no
fim dos anos 1920. Sua infância fora humilde, na maior parte passada no sertão
nordestino. Na época de sua chegada ao Rio de Janeiro, Duque de Caxias era
apenas um gueto cruzado por ruas de terra batida. Habitado na maior parte por
migrantes nordestinos, a região era desprovida de qualquer infraestrutura ou saneamento
básico, sendo apenas “uma enorme favela horizontal de loteamentos pantanosos,
infestados de mosquitos”. A Baixada Fluminense, que
Cavalcanti garantiria seu poder político como caudilho. Como deputado estadual,
o “homem da capa preta” providenciou diversas melhorias para a população local,
buscando também instalar as dezenas de milhares de migrantes nordestinos que
vinham diariamente para o Rio de Janeiro em busca de condições melhores de
vida. Suas obras políticas renderam-lhe muitos aliados e eleitores pelas
favelas de Duque de Caxias, apoio este que o levaria a ser eleito deputado
federal.
Pelos
cabos eleitorais, Tenório Cavalcanti fora conhecido como “O Rei da Baixada”;
pelos rivais, era tachado de “O Deputado Pistoleiro”. Devido aos constantes
riscos de morte, Tenório e sua família habitavam uma casa-fortaleza ipsis litteris na Baixada Fluminense. No
entanto, “jamais se recusava em caminhar pelas ruas do gueto, andando sempre
armado e acompanhado de capangas”. As aspirações e os planos políticos de
Tenório Cavalcanti chocavam-se violentamente com o das elites políticas de
Duque de Caxias. Isso lhe rendeu diversos desafetos, muitos dos quais
culminaram em atentados à vida dele e à de seus familiares e aliados. Em casos
como este Tenório Cavalcanti mandava matar quem o desafiasse. Um destes fora o
delegado paulista Albino Imparato, convocado às pressas pela elite política de Duque
de Caxias para que freasse o populismo de direita (cf. Laclau, 2005) e a
agressividade do chamado “homem da capa preta”. Com a chegada de Albino, o
deputado federal Tenório Cavalcanti e seus aliados foram perseguidos de forma
implacável. Sua casa-fortaleza fora metralhada, seus familiares ameaçados e
alguns de seus comparsas sumariamente assassinados.
Até
que, no dia 28 de agosto de 1953, o delegado Imparato fora encontrado
metralhado dentro de seu carro, no Centro da cidade. O crime despertou a
atenção nacional. As investigações policiais comprovaram a participação direta
de Tenório Cavalcanti no crime. As duas residências do “homem da capa preta” –
a fortaleza de Duque de Caxias e o apartamento de Copacabana – foram cercadas
por policiais fortemente armados. Com a intervenção de alguns nomes políticos
de prestígio da época, o cerco fora desfeito. Intervieram Nereu Ramos,
presidente da Câmara, Osvaldo Aranha, ex-ministro da Fazenda, e Afonso Arinos,
então deputado e futuro senador, que foram a Duque de Caxias especialmente para
defender o aliado. A título de curiosidade, Tenório Cavalcanti andava sempre ao
lado de sua “Lurdinha”, uma submetralhadora MP- 40 de fabricação alemã, similar
àquelas utilizadas por soldados nazistas durante a segunda guerra mundial. Esta
arma foi dada como presente do general Góis Monteiro.
Este,
com Antônio Carlos Peixoto de Magalhães (1927-2007), doravante ACM, seu
logotipo político, protagonizaria um dos episódios mais tensos da história
política contemporânea brasileira. Na ocasião, Tenório Cavalcanti, ainda no
mandato de deputado federal, discursava na Câmara dos Deputados. No discurso,
acusava o então presidente do Banco do Brasil, Clemente Mariani, de desvio de
verbas. Antônio Carlos Magalhães, então deputado e baiano como Mariani,
defendera o conterrâneo respondendo que “vossa excelência pode dizer isso e
mais coisas, mas na verdade o que vossa excelência é mesmo é um protetor do
jogo e do lenocínio, porque é um ladrão”. Tenório Cavalcanti, então, sacou o
seu revólver e berrou: “Vai morrer agora mesmo!”. Todos os membros da Câmara
Federal correram para tentar impedir o assassinato. Segurando o microfone,
Antônio Carlos Magalhães não se deu por vencido, mas tremendo gritou: “Atira!”.
Tenório, no fim, resolveu não atirar. O deputado Tenório Cavalcanti teve suas
armas apreendidas e seus direitos políticos cassados pelo governo militar em
1964 com a interveniência direta de Antônio Carlos Magalhães.
Após
a reformulação partidária filiou-se ao PDS em fevereiro de 1980 mantendo
incólume sua condição de líder político apesar do duro golpe sofrido às
vésperas das eleições de 1982 quando um acidente aéreo vitimou Clériston
Andrade, candidato situacionista ao governo da Bahia. Refeito da tragédia, ACM
indicou João Durval Carneiro como candidato a governador, afinal vitorioso.
Entusiasta da candidatura de Mário Andreazza à sucessão do general-presidente
João Figueiredo, opôs-se firmemente ao nome de Paulo Maluf como candidato após
sua vitória sobre Andreazza na convenção nacional do PDS realizada em 11 de agosto
de 1984 pela contagem de 493 votos a 350. Episódio singular de sua postura
antimalufista aconteceu três semanas após a convenção pedessista quando, na
inauguração do novo terminal de passageiros do aeroporto de Salvador, o
Ministro da Aeronáutica, Délio Jardim de Matos, criticou a postura dos
dissidentes do PDS em favor da candidatura de Tancredo Neves no que ACM
respondeu: - “Trair a Revolução de 1964 é apoiar Maluf para presidente”.
O
relativo sucesso dos jornais Última Hora,
O Dia e a Luta Democrática durante a década de 1950 pode ser medido não
apenas a partir de seu desempenho no mercado jornalístico, como também pelo
desempenho eleitoral dos políticos a eles relacionados, como é o caso de Chagas
Freitas e Tenório Cavalcanti. Em 1953, O
Dia já atingia a marca de 90 mil exemplares, tornando-se o matutino de
maior circulação no Distrito Federal. O jornal adquiriu grande penetração nos
subúrbios cariocas e na Baixada Fluminense, fato decisivo para a eleição de Chagas
Freitas à Câmara Federal em 1954. A partir daí, o jornal tornou-se a base de
sustentação da expansão da política chaguista,
durante as duas décadas seguintes, servindo como veículo da marca clientelista
dessa política. O jornal Luta Democrática
foi fundado em 1954 por Tenório Cavalcanti, então deputado federal pela União
Democrática Nacional (UDN) e liderança política em Duque de Caxias, nas áreas
vizinhas da Baixada Fluminense e no então Distrito Federal. Tenório Cavalcanti
usou o jornal para expandir sua clientela política e combater o segundo governo
de Getúlio Vargas. A popularidade de Tenório formou-se na base do clientelismo,
dos pequenos favores e donativos feitos à população pobre. Em 1954, em sua
reeleição como deputado federal, obteve a maior votação do estado do Rio. Em 1958, repetiu seu feito eleitoral, obtendo novamente a maior votação
do estado. Importa demonstrar como a eficácia jornalística e política dos
jornais Última Hora, O Dia e Luta Democrática pode ser explicada pela
especificidade da interseção entre linguagem sensacionalista, udenismo e linguagem
política destes periódicos.
Bibliografia
geral consultada.
BENEVIDES, Maria
Victoria de Mesquita, A UDN e o Udenismo
- Ambiguidades do Liberalismo Brasileiro (1945-1965). Rio de Janeiro: Editora
Paz e Terra, 1981; DULCI, Otávio
Soares, A UDN e o Anti-populismo no Brasil. Belo Horizonte: Editora
UFMG/Programa Nacional de Educação e Desenvolvimento, 1986; DULLES, John Watson Foster, Carlos Lacerda: A vida de um lutador
(1914-1960). Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1992; BEZERRA, Sonia
Jóia, O Jornal Última Hora nas Eleições
de 1955: Um Estado-Maior Intelectual. Dissertação de Mestrado em História.
Rio de Janeiro: Departamento de História da Pontifícia Universidade Católica do
Rio de Janeiro, 1994; BARBOSA, Marialva, Imprensa,
Poder e Público (os diários do Rio de Janeiro, 1880-1920). Tese de
Doutorado em História. Niterói: Universidade Federal Fluminense, 1996; SIQUEIRA, Carla Vieira de,
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Tese de Doutorado em História Social. Rio de Janeiro: Pontifícia Universidade
Católica do Rio de Janeiro, 2002; RIBEIRO,
Ana Paula Goulart, Imprensa e História no
Rio de Janeiro dos anos 50. Tese de Doutorado em Comunicação e Cultura. Rio
de Janeiro: Escola de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio de
Janeiro, 2000; RUFFIN, François, Les
Petits Soldats du Journalisme. Paris: Éditions Les Arènes, 2003; ALVES,
José Cláudio Souza, Dos Barões ao
Extermínio: Uma História da Violência na Baixada Fluminense. Duque de
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105-119; Idem, “Trabajo Análogo a del Esclavo: Construyendo un Problema”. In: Historia, Voces y Memoria, vol. 1, pp.
47-59, 2009; CHALOUB, Jorge
Gomes de Souza, O Liberalismo entre o Espírito e a Espada: A UDN e a
República de 1946. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Ciência
Política. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2015; Idem,
“A Economia Política dos Bacharéis Udenistas”. In: Rev. bras. Ci. Soc.
32 (94) 2017; entre outros.
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