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sábado, 11 de novembro de 2017

Zuckerberg - Trabalho, Pragmatismo & Merceologia em Rede.

                                                                                                     Ubiracy de Souza Braga
 
            Ao dar às pessoas o poder de partilhar, estamos tornando o mundo mais transparente”. Mark Zuckerberg


                                                                                
            O mercado das nações inclui um Pacto Global que possui dez princípios que o fundamentam, sendo que nove foram estabelecidos na sua criação e um incluído posteriormente. Eles se derivaram de algumas declarações, são elas: Declaração Universal de Direitos Humanos, Declaração da Organização Internacional do Trabalho sobre Princípios e Direitos Fundamentais do Trabalho, Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento e, também, Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção. O pacto global vem para incentivar as políticas e práticas empresariais com os valores sociais e fins internacionalmente acordados. Assim, seus princípios reproduzem tais objetivos condizentes a direitos civis, direitos do trabalho, proteção ambiental e combate à corrupção. Os dois primeiros princípios dizem respeito aos direitos humanos. O primeiro estabelece que as empresas tenham o dever de apoiar e respeitar a proteção de direitos humanos reconhecidos e o segundo alerta para que elas não violem tais direitos civis, ou seja, pretende-se certificar que as empresas não são cúmplices políticas em abusos dos direitos civis trabalhistas.  
            Dessa forma, as três áreas chaves da atuação do Pacto Global, no que respeita os direitos civis seriam (i) a proteção à vida e segurança, (ii) os direitos e liberdades políticas individuais: direito de ir e vir, privacidade, propriedade, liberdade de expressão, religião e associação e (iii) direitos  econômicos, sociais e culturais, como o estabelecimento de um padrão de vida digno levando em consideração a alimentação, habitação, saúde, acesso a serviços sociais, educação, remuneração justa, lazer e descanso. O Pacto Global, assim, pretende promover o desenvolvimento humano sustentável, focando atenções à vida longa e saudável, ao acesso ao conhecimento e ao padrão de vida decente. Quatro dos princípios se referem ao trabalho. O primeiro deles traz a necessidade das empresas apoiarem a liberdade de associação, bem como o reconhecimento efetivo do direito à negociação coletiva. O quarto princípio do Pacto Global objetiva a eliminação de todas as formas de trabalho forçado ou compulsório. Os dois outros princípios que dispõe sobre o trabalho abstrato e concreto tratam da abolição efetiva do trabalho infantil e da eliminação da discriminação no emprego.


            Para ficarmos num exemplo limite da rede social Facebook vejamos o comentário da atriz e escritora Fernanda Torres: - Convidada pelo “Conversa com Bial” nesta quinta-feira, 09/10/2017, a atriz e escritora Fernanda Torres comentou sobre as ameaças de morte direcionadas à sua mãe, Fernanda Montenegro. Em setembro, a atriz de 88 anos fez um post contra a censura artística em seu Facebook e recebeu uma série de comentários hostis. – “Se você pagar um peitinho, a nudez é totalmente vilanizada, mas pode postar metralhadora, ameaçar de morte, xingar do que for que não fere os 'padrões da comunidade'. Daqui a pouco vão dizer que vão matar e vão matar. A questão é moral, ética, educacional... A internet e o Google vão continuar lavando as mãos?''. Ela acredita que os usuários e as próprias redes não têm ideia do poder da internet. - ''O Facebook é um alienígena e está sendo usado para eleger o (Donald) Trump, por exemplo. A tecnologia chegou antes da legislação sobre ela”, comentou Montenegro. .
            Quanto ao meio ambiente, o princípio número “7” estabelece que as empresas devem apoiar uma abordagem preventiva sobre desafios ambientais. Desenvolver iniciativas a fim de promover maior responsabilidade ambiental e incentivar o desenvolvimento e difusão de tecnologias ambientais amigáveis, ou seja, que não agridam a natureza são mais dois princípios que prezam pelo zelo em relação ao chamado “meio ambiente”. Desse modo, pode-se perceber que a abordagem adotada pelo Pacto Global é a preventiva e não corretiva, além de unir esforços no sentido de promover a gestão do ciclo de vida do produto. O último princípio dispõe que as empresas possuem a obrigação ética de combater a corrupção em todas suas formas, inclusive a prática de extorsão e a propina. Vale ressaltar que tal princípio foi incluído posteriormente e se destina a fortalecer o crescimento econômico.
            Mark Elliot Zuckerberg nasceu em White Plains, Condado de Westchester no estado de Nova York, filho de Kristen, uma psiquiatra, e de Edward, um dentista. Aluno. Mark foi criado em Dobbs Ferry, Condado de Westchester no estado de Nova York, assim como suas três irmãs, Randi, Donna e Arielle. Zuckerberg tem origem judaica, tendo um bar mitzvah, quando ele completou 13 anos, embora ele já tenha declarado ser ateu. Na escola Ardsley High School, onde estudava, teve destaque em arte e cultura clássicas. Foi transferido para a Phillips Exeter Academy, onde ganhou vários prêmios em ciências como astronomia, matemática e física. Nos estudos clássicos, Mark aprendeu a ler e escrever francês, hebraico, latim e grego antigo e ainda pertenceu a equipe de esgrima. Na faculdade, ele era conhecido por recitar versos de poemas épicos como a Ilíada. Em uma festa promovida por sua fraternidade durante seu segundo ano na Universidade Harvard, Zuckerberg conheceu a estudante de medicina Priscilla Chan, sua atual esposa. Em setembro de 2010, Zuckerberg convidou Chan, até então namorada, para morar em sua casa alugada em Palo Alto, Condado de Santa Clara no estado da Califórnia. Zuckerberg começou então a estudar mandarim chinês. O casal visitou a China em dezembro de 2010. Zuckerberg e Priscilla Chan se casaram em 19 de maio de 2012, um dia após a entrada do Facebook na bolsa de valores Nasdaq.

          Curiosamente em sua página no Facebook, Zuckerberg listou os seus interesses pessoais como “a abertura, fazendo coisas que ajudam as pessoas a se conectar e compartilhar o que é importante para elas, as revoluções, o fluxo de informações, o minimalismo”. Zuckerberg vê azul melhor por causa do daltonismo vermelho-verde, azul também é a cor dominante do Facebook. Em 2011, uma brecha de segurança do Facebook permitiu que vazassem na rede mundial de computadores – Internet, fotos que ele configurou consideradas como sendo privadas. As imagens demonstram Mark Zuckerberg cozinhando, recebendo alguns amigos e brincando com seu cachorro. Desde 2010, a revista Time nomeou Zuckerberg entre as 100 pessoas estatisticamente mais ricas e influentes do mundo e também foi nomeado pela revista como a “Pessoa do Ano”. Em março de 2011, a revista Forbes situou Zuckerberg na 36ª posição da lista das pessoas mais ricas do mundo, com uma fortuna estimada em 17.5 bilhões de dólares. Em dezembro de 2012, Mark Zuckerberg e sua esposa Priscilla Chan anunciaram que dariam a maior parte de sua riqueza constituída “ao longo de suas vidas para fazer avançar o potencial humano e promover a igualdade” no espírito fraterno de “The Giving Pledge”. Em junho de 2015, sua fortuna já estava avaliada em 38.4 bilhões de dólares, e em 2016 seu patrimônio líquido foi estimado em 51,8 bilhões de dólares. Em 01 de dezembro de 2015, eles anunciaram que “dariam 99% de suas ações do Facebook”, no valor estimado de cerca de 45 bi de dólares naquele período para a “Iniciativa Zuckerberg Chan”.
            Como a rede social Facebook interage politicamente com o seu cliente consumidor no mercado global? - “Coletamos o conteúdo e outras informações fornecidas por você quando usa nossos serviços, como quando se cadastra em uma conta, cria ou compartilha conteúdos, envia mensagens ou se comunica com os outros. Isso pode incluir informações presentes no conteúdo ou a respeito dele, como a localização de uma foto ou a data em que um arquivo foi criado. Também coletamos informações sobre como você usa nossos Serviços, por exemplo, os tipos de conteúdo que você vê ou com que se envolve e a frequência ou duração de suas atividades. Também coletamos conteúdos e informações fornecidas por outras pessoas durante o uso dos nossos Serviços, incluindo informações sobre você, por exemplo, quando elas compartilham fotos suas, enviam mensagens a você, ou carregam, sincronizam ou importam suas informações de contato. Coletamos informações sobre as pessoas e grupos com que você se conecta e sobre como interage com eles, por exemplo, as pessoas com quem você mais se comunica ou os grupos com que gosta de compartilhar informações. Também coletamos informações que você fornece quando carrega, sincroniza ou importa estas informações (agenda de contatos) de um dispositivo”.
            No filme A Rede Social, a magia fica por conta das palavras uma verborragia intensa que prende a atenção ao longo das duas horas de produção. São as ideias que guiam o filme através dos flashbacks, recurso que garante o dinamismo da trama. Inspirado no livro: “Bilionários por Acaso”, de Ben Mezrich (2010), o longa-metragem parte do momento em que, irritado com o término da relação de uma namorada, Zuckerberg, interpretado com muita consistência por Jesse Eisenberg, programa um site em que o “internauta” pode escolher, entre duas fotos, qual universitária é a que interessa mais. A brincadeira, que envolve hackers, o sistema da instituição, recebe 22 mil acessos em apenas duas horas, causando congestionamento na rede da universidade de Harvard. Jesse Eisenberg representa o gênio da computação e estudante de Harvard sem nenhuma habilidade social, Mark Zuckerberg que, em determinado momento, irritado por uma bizarra discussão que teve com sua namorada, levando ao fim da relação, resolve se vingar criando uma ferramenta que faça o “ranqueamento” das meninas mais bonitas da faculdade. Ele troca ideias com seus colegas de quarto e parte para programar, em algumas horas, um site de comparação de mulheres, obtendo para isso a listagem (ou facebooks) das fraternidades do campus. No processo, ele precisa desesperadamente do amigo brasileiro, estudante de economia Eduardo Saverin, pois ele conhece uma equação matemática necessária para interagir em seu plano maquiavélico.                                   
            Em horas, todos os alunos frequentadores de Harvard acessam seu site, então batizado de “Facemash”, para votar na escolha da menina mais bonita, acarretando a queda dos servidores da faculdade diante do inusitado tráfego gerado. Imediatamente, Zuckerberg chama a atenção da comunidade da faculdade, especialmente do reitor e dos irmãos gêmeos Tyler e Cameron Winklevoss, vividos por Armie Hammer em um dos melhores usos de computação gráfica e efeitos visuais para gerar “duplos”. Do reitor e da comissão que analisa seu caso, poucas consequências práticas progridem, apesar de uma excelente cena de acareação, em que Zuckerberg habilmente menospreza o sistema de informática da faculdade. No entanto, da relação com os Winklevoss, nasce o Facebook, a rede social de maior sucesso do planeta, já com 500 milhões de usuários no ano do lançamento do filme: A Rede Social. Os irmãos contratam Zuckerberg para criar uma rede particular de amizades, como se representasse um clube exclusivo. Prepotente, blasé e dono de um humor cáustico, Mark Zuckerberg pede que a faculdade reconheça que ele errou, mas sua ação expôs a fragilidade da rede do campus. O caso atrai os irmãos que o convidam para criar uma rede social exclusiva para alunos de Harvard.
            Um filme baseado na virtù de Mark e os fundadores da rede social Facebook, com o titulo de “A Rede Social”, acabou sendo lançado em 01 de outubro de 2010, e Mark foi interpretado pelo ator Jesse Eisenberg que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor ator. O filme aparentemente apresentou uma imagem um tanto negativa para Zuckerberg, dividindo o público entre os que concordavam com sua atitude e os que o condenavam, chegando a ser considerada a hipótese de ele sofrer algum grau de Síndrome de Asperger. Após ganhar o Globo de Ouro de Melhor Filme em 16 de janeiro de 2011, o produtor Scott Rudin agradeceu Facebook e Zuckerberg “pela sua disponibilidade para nos permitir usar sua vida e obra como uma metáfora através da qual se [pode] contar uma história sobre a comunicação e a forma como se relacionam entre si”. Mark Zuckerberg ganhou uma participação especial na série de maior sucesso norte-americana, “Os Simpsons”. O episódio foi ao ar no dia 10 de abril de 2010 nos Estados Unidos da América, Zuckerberg ao contrário de como tenha ocorido na participação do filme A Rede Social, foi mostrado como em geral homens e mulheres na sociedade globalizada preferem ser representados em suas biografias, o que gera muita polêmica, “como um cara legal e capaz de fazer amizades, inclusive com o personagem Bart Simpson”.

            Vale lembrar que a Universidade de Harvard é uma instituição privada membro da Ivy League, localizada em Cambridge, Massachusetts, Estados Unidos da América, e cuja história, influência e riqueza tornam-na uma das mais prestigiadas universidades do mundo. Fundada em 1636 pela Assembleia Estadual de Massachusetts e logo depois nomeada em homenagem a John Harvard, considerado seu primeiro benfeitor, Harvard é a mais antiga instituição de ensino superior dos Estados Unidos. Embora nunca tenha sido formalmente afiliada com qualquer denominação, a faculdade inicial forneceu ensino principalmente para o clero congregacionalista e unitarista. Seu currículo e corpo discente foram gradualmente secularizados ao longo do decorrer do século XVIII e, por volta do século XIX, a Harvard University tinha emergido como o estabelecimento cultural central entre as elites de Boston. Hoje em dia, a universidade dispõe de várias instituições acadêmicas e tem muitos ex-alunos de destaque. Está organizada em onze unidades acadêmicas diferentes - dez faculdades e do Instituto Radcliffe de Estudos Avançados - com campi que engloba toda a área metropolitana de Boston.                                 
            O campus principal de 85 hectares da Universidade de Harvard é centrado no Harvard Yard em Cambridge, aproximadamente 4,8 quilômetros a noroeste de Boston. As instalações das faculdades de negócios e atletismo, como o Estádio da Harvard, está localizado do outro lado do rio Charles, no bairro Allston, em Boston, e as faculdades médicas, odontológicas e de saúde pública estão localizadas na Área Médica de Longwood. Oito presidentes dos Estados Unidos formaram-se nessa universidade e cerca de 150 ganhadores de Prêmios Nobel foram filiados como estudantes, professores ou funcionários da instituição. Harvard também é a alma mater de sessenta e dois bilionários que vivem, em sua maioria na América. A Biblioteca da Universidade de Harvard é também a maior biblioteca acadêmica dos Estados Unidos e uma das maiores do mundo. O Harvard Crimson compete em 42 esportes intercolegiais na primeira divisão da National Collegiate Athletic Association da Ivy League. Harvard tem o maior orçamento de qualquer instituição acadêmica do mundo, situando-se em 30 bilhões de dólares em 2012.                     
            Até ele começar a ter aulas em Harvard, ele já tinha conseguido a reputação de um “prodígio de programação”. Mark estudou psicologia e ciência da computação e era membro da Alpha Epsilon Pi, uma fraternidade judaica. Em seu segundo ano, ele escreveu um programa chamado CourseMatch, que permitia que os usuários jogassem Atari Asteroids 1968 entre si, sem conexões, cabos ou internet, o que acabava também por ajudá-los a formar grupos de estudo. Pouco tempo depois, ele criou um programa bem diferente, inicialmente chamado “Facemash” que permitia que os alunos escolhessem entre duas garotas, qual seria a mais bonita (“sexy”). O site estava indo muito bem, mas de manhã a universidade desativou o site porque sua popularidade tinha sobrecarregado o servidor de Harvard e impedindo que os estudantes acessassem a web. Além disso, muitos alunos reclamaram que suas fotos estavam sendo manipuladas no Photoshop. Zuckerberg pediu desculpas publicamente e, após o incidente, publicou artigos informando que seu site estava “completamente inadequado”. No entanto, os alunos já tinham solicitado para que a universidade desenvolvesse uma “web site” semelhante que incluísse “fotos e detalhes de contato” para fazerem parte da rede de informática da faculdade. Mark ouviu esses argumentos e decidiu que se a universidade não fizesse, ele iria para um local melhor para construir o referido site.
         Originalmente o termo mercado, do latim, era utilizado para designar o “sítio” onde compradores e vendedores se encontravam para trocar os seus bens. Designa-se por mercado o local no qual agentes econômicos procedem à troca de bens por uma unidade monetária ou por outros bens. Os mercados tendem a equilibrar-se pela lei da oferta e da procura. Existem tanto mercados genéricos como especializados, onde apenas uma mercadoria é trocada. Um mercado é um sistema que evolui no tempo, sob o efeito de variáveis cuja influência se verifica, em seu funcionamento ao agrupar  vendedores interessados e ao facilitar que os compradores (potenciais) os encontrem. Uma economia que depende primariamente das interações sociais entre compradores e vendedores para alocar recursos é reconhecida como economia de mercado, ou ideologicamente de mercado livre que é defendido pelos proponentes do chamado liberalismo econômico.                      
            Diferentemente do que ocorre na Economia planificada ou Economia de estado, onde a produção econômica é dirigida pelo Estado, na Economia de mercado a maior parte da produção econômica é gerada pela iniciativa privada. Indústria, comércio e prestação de serviços são controlados por cidadãos particulares, ou seja, são empresas do setor privado que detêm a maior parcela dos meios de produção. O Estado tem a função de regulamentação e fiscalização da economia, além de atender seus setores prioritários como: energia, segurança, educação e saúde, entre outros. Pode-se, então, afirmar que nos países denominados capitalistas domina uma economia de mercado, e opostamente têm-se os países socialistas, onde predomina uma economia primariamente estatal. Entre estes dois domínios opostos encontram-se ainda os denominados sistemas econômicos mistos. Sua finalidade centra-se na harmonização em diversos âmbitos do domínio do setor privado (livre iniciativa) e do setor público (empresas estatais).         
            O “fundamentalismo de mercado” ou simplesmente chamado “market fundamentalism” é uma expressão pejorativa usada pelos críticos do capitalismo laissez-faire no que eles dizem ser uma exagerada crença de que mercados livres proporcionam a maior equidade e prosperidade possível, e qualquer interferência nos processos de mercado reduz o bem estar social - ou seja, livre-mercados seriam capazes de resolver, de per si, todos os problemas que afetam uma sociedade. É também empregada, pejorativamente, para combater os chamados defensores radicais das virtudes dos “livres mercados” ou, nas palavras de George Soros, contra a ideologia “que coloca o capital financeiro ao volante”. Portanto, as pessoas e organizações às quais a expressão se refere, geralmente a consideram pejorativa, já que significa liberalismo econômico do tipo laissez-faire, levado ao extremo. Os críticos da atitude chamada “fundamentalista de mercado” reconhecem que “mercados perfeitos” produzem resultados benéficos a uma sociedade, mas eles raramente são encontrados na vida real, e os “mercados imperfeitos”, normalmente, produzem resultados negativos. Assim, consideram que só onde o mercado “funciona bem” é que deve operar livremente; onde os mercados atuam contra o interesse comum de uma sociedade, devem ser regulamentados (leia-se punidos).
            Facebook é uma rede social lançada em 4 de fevereiro de 2004, operado e de propriedade privada da Facebook Inc. Em 4 de outubro de 2012, o Facebook atingiu a marca de 1 bilhão de usuários ativos, sendo por isso a maior rede social em todo o mundo. O nome do serviço decorre o nome coloquial para o livro dado aos alunos no início do ano letivo por algumas administrações universitárias nos Estados Unidos da América para ajudar os alunos a conhecerem uns aos outros. A rede social foi fundada por Mark Zuckerberg e por seus colegas de quarto da faculdade Eduardo Saverin, Dustin Moskovitz e Chris Hughes. A criação do site foi inicialmente limitada pelos fundadores aos estudantes da Universidade de Harvard, mas foi expandida para outras faculdades na área de Boston, da Ivy League e da Universidade de Stanford. O site gradualmente adicionou suporte para alunos em várias universidades antes de abrir para estudantes do ensino médio e, mais tarde, para qualquer pessoa que declare ter pelo menos treze anos ou mais e neste sentido possa se tornar usuário registrado do site.
            Um estudo quantitativo de janeiro de 2009 do Compete.com classificou o Facebook como a rede social mais utilizada em todo o mundo ocidental por usuários ativos mensais. A Entertainment Weekly incluiu o site na sua lista de “melhores de”, dizendo: - “Como vivíamos antes de perseguirmos os nossos ex-namorados, lembrarmos dos aniversários dos nossos colegas de trabalho, irritarmos os nossos amigos e jogarmos um jogo empolgante de Scrabulous antes do Facebook?”. A Quantcast afirma que o Facebook teve 138,9 milhões de visitantes únicos mensais nos Estados Unidos em maio de 2011. De acordo com o Social Media Today, estimava-se que em abril de 2010 em torno de 41,6% da população estadunidense tinha uma conta no Facebook. No entanto, o crescimento de mercado do Facebook começou a estabilizar em algumas regiões, sendo que o site perdeu 7 milhões de usuários ativos nos Estados Unidos e no Canadá em maio de 2011. Além disso, o Facebook entrou com pedido de uma oferta pública inicial em 1 de fevereiro de 2012, e começou a venda das ações após três meses, chegando a uma capitalização em torno de US$ 104 bilhões de dólares. Em 21 de julho de 2016, o Facebook fez seu primeiro voo com drone que deve levar internet a todo o mundo. O modo operacional escolhido por Zuckerberg e sua equipe para tentar levar a web a um público off-line, foi investir em equipamentos voadores alimentados por energia solar, e depois de testes com modelos menores, a empresa finalmente realizou o primeiro voo de seu drone Aquila. 
Bibliografia geral consultada.

BEHAIRY, Nivein, Children as Autonomous Consumers of Emerging Technologies. Tese de Doutorado em Marketing. University of Califórnia, 2003; FISS, Owen, A Ironia da Liberdade de Expressão. São Paulo: Editora Renovar, 2005; CAZELLI, Sibele, Ciência, Cultura, Museus, Jovens e Escola: Quais as Relações? Tese de Doutorado em Educação. Rio de Janeiro: Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, 2005; LUMANN, Niklas, Confianza. Barcelona: Anthropos Editorial, 2005; JAPPE, Anselm, As Aventuras da Mercadoria. Lisboa: Editora Antígona, 2006; JASMIN, Marcelo, “Lenguajes Políticos en el Mundo de la Acción: História Conceptual y Teoría Política”. In: Prismas - Revista de História Intelectual, Vol. 11, pp. 171-76, 2007; BRACALEONE, Cássio, “Comunidade, Sociedade e Sociabilidade: Revisitando Ferdinand Tönnies”. In: Revista de Ciências Sociais. Volume 39, n° 1, 2008; AGAMBEN, Goirgio, O que é o Contemporâneo? e Outros Ensaios. Chapecó (SC): Editor Argos, 2009; SILVA, Francisco de Assis, Sobre o Fetichismo do Capital de Karl Marx. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Filosofia. Salvador: Universidade Federal da Bahia, 2011; CASTELLS, Manuel, Networks of Outrage and Hope - Social Movements in the Internet Age. Cambridge: Polity Press Editor, 2012; BRITO CRUZ, Francisco Carvalho de, Direito, Democracia e Cultura Digital: A Experiência de Elaboração Legislativa do Marco Civil da Internet. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Direito. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2015; LEDOUX, Sébastien, Le Devoir de Mémoire: Une Formule son Histoire. Paris: CNRS Éditions, 2016; ANTONIALLI, Dennys, A Arquitetura da Internet e o Desafio da Tutela do Direito à Privacidade pelos Estados Nacionais. Tese de Doutorado. Faculdade de Direito. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2017;  ESTES, Adam Clarck, “Mark Zuckerberg fez um Discurso digno de Político em Harvard”. In: https://gizmodo.uol.com.br/26/05/2017; entre outros. 

domingo, 13 de agosto de 2017

Porteiro Predial - Trabalho, Rotinização & Adoção Social de Domótica.

                                                                                     Ubiracy de Souza Braga

Não adianta ir à igreja, fazer yoga e não cumprimentar o porteiro”. Osvaldo Daibert


Severino Florença, porteiro no prédio Chopin & quentinha da Maitê Proença.

            A alguns quarteirões, na portaria do n° 194 da rua Barata Ribeiro, no bairro Copacabana, um minuto parece comportar mais “boa tardes” do que os 60 segundos dos ponteiros de um relógio de ponto. O vaivém é incessante no edifício que fez fama com o seu número original, o 200, e traça novos rumos. Porteiro há 31 anos ali, o paraibano Luiz Domingues, de 69 anos, conta que o movimento só diminui depois da meia-noite, quando seis dos sete elevadores são desligados. - Aqui é como em qualquer outro prédio. Não vejo nada demais. Briga de vizinho, suicídio. Mas tudo muito raro. O gigante de 45 apartamentos por andar foi habitado por 2 mil pessoas no auge das manchetes policiais, nos anos 1970. Hoje, são cerca de 700. - O máximo que acontece é cair uma cobra da mata atrás do prédio - garante o síndico Benedito Rodrigues, no cargo há 11 anos. - A maioria dos apartamentos naquela época era alugada. Hoje, a situação inverteu-se e o prédio melhorou. Enquanto o condomínio mudava de perfil, a vida de Domingues também. Um segundo casamento aumentou o número de filhos de quatro para oito. O endereço mudou de Copacabana para Vila Isabel. O que se manteve igual mesmo foi o trabalho.

             O síndico do n°180 me chamou para trabalhar lá, mas não quis. Aqui conheço o pessoal e o trabalho. Conheço bem o prédio e até tenho um projeto de reforma com cozinha americana que já fiz em vários apartamentos. Deixo tipo casinha de boneca - narra, acrescentando criticamente. – “Mas para trabalhar aqui tem que ter paciência”. A concepção de Axel Honneth (2004; 2006) problematiza a “invisibilidade” como uma patologia social caracterizada por formas intencionais de tornar pessoas invisíveis. De forma semelhante à interpretação da análise da reificação, a invisibilidade também é tratada de um ponto de vista epistemológico e moral, a partir da teoria do reconhecimento. Para Honneth, um ato de reconhecimento pressupõe dois elementos: 1) uma identificação cognitiva de uma pessoa como dotada de propriedades particulares em uma situação particular, e: 2) a confirmação da cognição da existência da outra pessoa como dotada de características específicas, através de ações, gestos e expressões faciais positivas manifestados por quem a percebe. A invisibilidade, por outro lado, significa mais do que a negação desses dois elementos. Sintetizada em expressões como a de um “olhar através”, ela nega a existência do outro do ponto de vista perceptual, como se ele não estivesse presente no campo de observação da visão de quem olha.



É importante mencionar que Honneth faz uma distinção muito sofisticada entre invisibilidade e visibilidade, de modo que, embora ambas as ideias sejam aparentemente espelhadas, elas conteriam em si mecanismos de funcionamento fundamentalmente diferentes. No conceito negativo (invisibilidade), as pessoas afetadas sentem-se como se não tivessem sido percebidas. A perceptibilidade corresponde à capacidade de ver alguém, enquanto a visibilidade designa mais do que mera perceptibilidade porque acarreta a capacidade para uma identificação individual elementar. Desse modo, para as pessoas afetadas em particular, a invisibilidade significaria o sentimento de realmente não serem percebidas ou vistas, ao contrário da ideia de que a invisibilidade significaria puramente a ideia negativa de visibilidade, já que esta funciona segundo pressupostos que vão além da capacidade de ver, pois a visibilidade também inclui, além da visão, as capacidades de identificar, conhecer. Em outras palavras, quem é invisibilizado socialmente sente que sequer é visto. Não entra em jogo o sentimento de que não é identificado ou reconhecido. A discrepância conceitual que se torna aparente entre invisibilidade visual e visibilidade ocorre com a transição para o conceito positivo, as condições governando a sua aplicabilidade são mais exigentes.
       Enquanto a invisibilidade no sentido visual significa apenas o fato de que um objeto não está presente como um objeto no campo perceptivo de uma pessoa, a visibilidade física requer que nós assumamos uma posição cognitiva diante do objeto dentro de uma estrutura espaço-temporal como algo com propriedades visuais relevantes. A qualidade de vida é um tema que merece destaque pelo fato de se tratar de questões sociais e políticas relacionadas diretamente com a maneira com que os indivíduos conduzem sua forma de vida. A qualidade de vida no trabalho pode ser definida como o conjunto das ações dentro da empresa que envolve a implantação e manutenção de melhorias e inovações gerenciais, tecnológicas e estruturais no ambiente de trabalho. Representa, portanto, como a gestão e a educação para o bem-estar no trabalho, com decisões e escolhas baseadas na cultura organizacional e no estilo de vida dos diferentes segmentos ocupacionais. Apesar de ser uma linha de estudo recente e necessitar de detalhamento de situações concretas para melhor compreensão do tema, a qualidade de vida no ambiente de trabalho com diversas concepções e teorias, que trouxeram à tona fatores preponderantes  para o desenvolvimento da atividade administrativa em função das condições adequadas de trabalho, incentivos e recompensas salariais oportunas, cuidados com a saúde do trabalhador etc.                       
Ironicamente, o setor da construção civil brasileira, construído artesanalmente pelas mãos de operários majoritariamente analfabetos e sem qualificação técnica, paga o preço de anos sem investimentos em formação de pessoal. E agora, quando, finalmente, depois de quase três décadas de estagnação, o segmento retoma o ciclo de crescimento consistente e demanda um contingente de mão-de- obra expressiva para dar conta do aumento do volume de obras falta trabalhadores habilitados. Carpinteiros de formas, armadores e profissionais de escoramento já são figuras raras no mercado. E se nem mesmo aqueles que já atuam no setor respondem às necessidades do novo paradigma da construção, o que dizer dos mais de 20 milhões de desempregados do Brasil afora, que em outros tempos seriam aqueles que poderiam abastecer a demanda da construção, historicamente receptiva à mão-de-obra desqualificada e conhecida como a porta de entrada do trabalho? A questão é quem vai assumir a responsabilidade social e de mercado pela qualificação e formação de todo esse contingente de trabalhadores? A construção não apenas deixou de investir no aprimoramento de seus funcionários como também atrai mão-de-obra gradativamente menos qualificada, perdendo seus profissionais para as indústrias metalúrgica, têxtil e automobilística, mais atrativas. 


Porteiros são substituídos por equipamentos eletrônicos ou virtual.

A divisão do trabalho proposta por Adam Smith acabou resultando na concentração dos trabalhadores em centros produtivos, destinados à realização de operações mais ou menos similares e, simultaneamente, na organização dos diversos centros produtivos ao longo de certa cadeia de produção. Além disso, os trabalhadores não tinham ideia do processo produtivo como um todo, pois eram especialistas numa única tarefa. Por isso, tornava-se necessário controlar a sua atividade especializada, já que um erro nas múltiplas operações poderia ter consequências inesperadas nas tarefas subsequentes e nos produtos finais. Na fábrica, a divisão do trabalho em tarefas cada vez menores exige do trabalhador especialidade, domínio específico sobre determinada atividade. O trabalho, tecnicamente dividido em parcelas cada vez menores, implica na desqualificação do trabalhador. A parcelarização da atividade de trabalho corresponde à pulverização do saber científico e técnico do trabalhador, predominante ao longo de quase todo o século XX, pois a extração e o fracionamento do saber do trabalhador conheceram a sua forma mais aperfeiçoada desde o taylorismo e o toyotismo e o fracionamento na execução do trabalho tornou-se rotina com o modelo anterior adotado pelo fordismo e toyotismo em suas fábricas automobilísticas.                  
O toyotismo enquanto ideologia do mais trabalhorepresenta um sistema de organização voltado para a produção de mercadorias. Criado no Japão após a 2ª guerra mundial pelo engenheiro japonês Taiichi Ohno, o sistema foi aplicado na fábrica da Toyota originando o nome do sistema.  O Toyotismo espalhou-se a partir da década de 1960 por várias regiões do mundo e até hoje é aplicado em muitas empresas. Nesse sistema os trabalhadores se tornaram “corpos dóceis”, bem educados, treinados e qualificados para conhecer todos os processos de produção, podendo atuar em várias áreas do sistema produtivo da empresa. É um sistema flexível de mecanização, voltado para a produção “somente do necessário”, evitando ao máximo o excedente. A produção deve ser ajustada a demanda do mercado, com o uso aparente de controle visual em todas as etapas de produção como forma de acompanhar e controlar o processo produtivo, com a chamada implantação do “sistema de qualidade total” nas etapas de produção. Além da alta qualidade dos produtos, busca-se evitar ao máximo o desperdício de matérias-primas e tempo. É reconhecido pela aplicação do sistema Just in Time, ou seja, produzir somente o necessário, no tempo necessário e na quantidade necessária, utilizando a técnica da técnica de marketing de mercado para adaptar os produtos às exigências dos clientes.
Porteiro, também encarregado de portaria, é a designação da profissão onde o trabalhador deve ficar na porta da entrada de um estabelecimento para proteger a entrada indevida de estranhos. Este local é designado como portaria. Este profissional vigia dependências, áreas públicas e privadas, com a finalidade de prevenir, controlar e combater delitos do dia-a-dia como roubo, porte ilícito de armas e munições, e outras irregularidades. Estes trabalhadores zelam pela segurança das pessoas, do patrimônio e pelo cumprimento das leis e regulamentos; recepcionam e controlam a movimentação de pessoas em áreas de acesso livre e restrito; fiscalizam pessoas, cargas e patrimônio; escoltam pessoas e mercadorias. Controlam objetos e cargas, vigiam parques e reservas florestais, combatendo inclusive focos de incêndio. Comunicam-se via rádio, telefone fixo, celular ou interfone e prestam informações ao público e aos órgãos competentes. São condições de trabalho para inexperientes e de faixa etária diversificada. 

Entende-se por posto de trabalho ao “lugar praticado” por uma pessoa em uma empresa, instituição ou entidade qualquer que desenvolva algum tipo de atividade ou emprego para poder ganhar a vida e receber um salário determinado. O posto de trabalho é um conceito abstrato que significa que a atividade pela qual uma pessoa é contratada, recebe um salário devido ao seu esforço, à quantidade de horas trabalhadas, à necessidade de conhecimentos, ao perigo que o trabalho pode oferecer etc. 
        De qualquer forma, há muitos postos de trabalho que devido a suas implicações de tempo/espaço, não permitem à pessoa estabelecer laços sociais, pois são trabalhos solitários ou de serviço temporário. Quem é esse profissional de quem você recebe o primeiro bom dia quando chega ao trabalho e tem uma grande carga de vigilância e preconceito social? Ele não é uma figura muito presente nas pequenas cidades do interior brasileiro, mas nos grandes centros econômicos e políticos é muito comum encontrá-lo cuidando de portarias de prédios residenciais ou comerciais. Esse profissional é visto literalmente como porteiro, posto que represente “o cuidador de portas”, segundo o dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, versão original que resultou do trabalho de pesquisa de mais de três décadas do reconhecido lexicógrafo, o Imortal Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. No programa Sai de Baixo, Ribamar era o porteiro do edifício Arouche Towers. O personagem se popularizou extrapolando as fronteiras de marca do programa, projetando seu personagem nordestino ao humorístico Zorra Total e se tornou uma das maiores figuras humorísticas de Tom Cavalcante.
A confecção do léxico teve início ainda nos anos 1950, quando o poeta Manuel Bandeira convidou o então professor da Fundação Getúlio Vargas, Aurélio Buarque, para auxiliar na redação do “Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa”, da Civilização Brasileira. Da equipe formada então faziam parte Joaquim Campelo Marques e Marina Baird Ferreira (esposa de Aurélio) a que se juntaram mais tarde Margarida dos Anjos, Stella Rodrigo Otávio Moutinho e Elza Tavares Ferreira que, junto ao próprio Aurélio, foram os autores da primeira edição. A intenção inicial era sua publicação em suplementos da revista O Cruzeiro, o que não ocorreu, e em 1966 a equipe foi contratada, sob a condição de concluir o trabalho em dois anos, pelo editor Abraham Koogan. A nova iniciativa também fracassa, fazendo com que os próprios colaboradores fundassem uma editora - a JEMM - com o fim específico de publicar o dicionário. Após sucessivos atrasos, disputas entre os dicionaristas, a iniciativa também não vingou, sendo então procurados outros parceiros capazes de custear a iniciativa. Instituições públicas e privadas negaram-se a participar da edição, como o editor José Olympio ou o Banco Itaú, além de instituições estatais. Com a cassação do político Carlos Lacerda, este se voltara para sua editora Nova Fronteira. Através da mediação do cronista Rubem Braga, Lacerda se interessa em publicar o dicionário. Com os lucros da venda do romance O Exorcista, de Peter Blatty, finalmente teve o capital necessário para custear a primeira tiragem da obra, que se revelou um sucesso editorial.
Em tempos da monarquia entre Portugal e Brasil, comparativamente durante o processo de colonização chegaram a existir despachos públicos dos reis para louvar esta função quanto ao serviço prestado da Casa Real. Mas, eles e os contadores também desempenhavam as funções de contabilistas da mesma casa régia. O trabalho de porteiro em Portugal é uma profissão regulamentada. Na França é muito usado o termo concièrge “para designar uma pessoa responsável por uma casa, o que corresponderia antes ao zelador”. A designação também é usada para uma pessoa, “encarregada de orientar os hóspedes de um hotel e também prestar informações sobre os mais variados aspectos da cidade que está sendo visitada pelos hóspedes”. A função do concièrge é justamente “orientar os hóspedes para lhes proporcionar uma estada agradável e bem sucedidos na cidade visitada”. Em 2008 existiram no Brasil aproximadamente 414 mil pessoas exercendo a função de porteiro. O dia 9 de junho foi declarado o Dia do Porteiro. O porteiro pertence simultaneamente a posto e função da classe 5174 correlata aos porteiros e vigias segundo a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO).
“Sai de Baixo” (Rede Globo).
De acordo com a legislação do Ministério do Trabalho e Previdência Social referente ao emprego de portaria, (inc. II, parágrafo único, art. 87 CF/88), estão dispostas na Portaria nº 397, de 09 de outubro de 2002: CBO - 5174 - Porteiros e Vigias, 5174-05 – Porteiro (hotel) Atendente de portaria de hotel, Capitão porteiro; 5174-10 – Porteiro de edifícios – Guariteiro, Porteiro, Porteiro industrial; 5174-15 – Porteiros de locais de diversão – Agente de portaria. Descrição sumária: Zelam pela guarda do patrimônio de fábricas, armazéns, residências, estacionamentos, edifícios públicos, privados e outros estabelecimentos, entrada de pessoas estranhas e outras anormalidades. Controla o fluxo de pessoas, identificando, orientando e encaminhando-as para os lugares desejados, recebem hospedes em hotéis e fazem manutenções simples nos locais de trabalho na portaria em que exercem as suas funções regulares. Funções do Porteiro: 1º - Atendimento aos funcionários; 2º - Controle de entrada e saída de pessoas; 3º - Controle de entrada e saída de veículos; 4º - Controle de entrada e saída de mercadorias; 5º - Recebimentos e encaminhamento de documentos / correspondências; 6º - Identificação de cargas, embalagens e documentos; 7º - À circulação (entrada e saída) de mercadorias com a documentação fiscal em ordem; 8º - Encaminhamento de autoridades: Policiais / Judiciária; 9º - Atendimento e uso de telefones da empresa; 10º - Relação de telefone na portaria; 11º - Transmissão de recados urgentes ou não.
A tabela de Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) foi atualizada com 21 novas profissões registradas. Na lista, entraram as funções de sanitarista, técnico em espirometria (exame que mede velocidade de entrada e saída de ar dos pulmões), estoquista e monitor de ressocialização prisional. Agora, o Brasil possui 2.638 profissões reconhecidas. Os dados da CBO alimentam as bases estatísticas de trabalho e servem de subsídio para a formulação de políticas públicas de emprego. A atualização é feita levando em conta mudanças nos cenários tecnológico, cultural, econômico e social do País, que provocam alterações na dinâmica do mercado de trabalho brasileiro. O reconhecimento de uma ocupação é feito após um estudo das atividades e do perfil da categoria. São levadas em consideração informações descritas através da Relação Anual Informações Sociais (RAIS), demandas geradas pelo Sistema Nacional de Emprego (SINE), pelas associações e sindicatos tanto trabalhistas quanto patronais e por profissionais autônomos. No decorrer do processo social, são realizadas entrevistas em imersão com trabalhadores nos setores indicados. A chefa de Divisão da CBO, Cláudia Maria Virgílio de Carvalho, destaca a importância de ouvir todos os envolvidos. “Quem melhor pode falar sobre uma ocupação é quem desempenha a função”. A CBO é o documento que reconhece a existência de determinada ocupação, e não a sua regulamentação, que deve ser feita por lei e sancionada pela Presidência da República.
É a partir desta representação material entre coisas é que se configura o processo social de alienação do trabalho na portaria. O Capital mercantiliza as relações sociais, as pessoas enredadas em seu trabalho e as coisas. Ao mesmo tempo, pois, mercantiliza a força de trabalho, a energia humana que produz valor, transforma as pessoas em mercadorias, tornando-as adjetivas de sua força de trabalho. A mais-valia e a mercadoria são a condição e o produto das relações de dependência, alienação e antagonismo do operário e do capitalista, um em face do outro. A mais-valia e a mercadoria não podem ser compreendidas em si, mas como produto das relações de produção que reproduzem as relações de produção na sociedade global. Na análise dialética, elas surgem como realmente são, isto é, como propriedades naturalizadas a essas coisas e, por isso, ofuscam também a relação social com o trabalho total como uma relação social entre objetos, existentes à margem dos produtores. Marx utiliza a noção de fetichismo da mercadoria posto que é inseparável da produção.   

 
Francisco Evandro é cearense, porteiro e optou pela moradia no local de trabalho.A questão pode ser posta da seguinte forma: por que o trabalhador encarregado de uma portaria é visto pela sociedade brasileira do ponto de vista do preconceito e do desprezo social? A rotinização pode ser considerada uma variante da racionalização da tarefa e do cargo, mas quando utilizada integralmente um de seus princípios, modifica outro princípio e descarta outros. Assim é que, a rotinização do trabalho de porteiro não permite a formação de grupos. Separa o planejamento da execução da tarefa até um nível conveniente, sem estabelecer a maneira ótima de desempenho. Não procede ao selecionamento e desenvolvimento científico do trabalhador, mas através de relações pessoais. Não usa recompensas monetárias como fator motivacional para aumentar a produtividade no ambiente de trabalho. Na medida em que os princípios utilizados pelos métodos de racionalização do trabalho se justificam, em seu conjunto, em termos de busca de máxima produtividade, esta lógica é derivada de uma determinada concepção quanto ao trabalhador, sua função e ao mercado de mão-de-obra de uma forma geral.
Conforme dados da RAIS, existem no Brasil 413,7mil porteiros. O estado de São Paulo concentra o maior número: mais de 149 mil. A seguir vem o Rio de Janeiro com 55,6 mil e a terra de Tancredo Neves com 34,5mil. No Acre constam registrados apenas 204 porteiros. O Brasil vive uma conjuntura degradada de desvalorização da mão de obra. A insatisfação com o trabalho é um problema que a cada dia afetam profissionais, principalmente em ocupações com pouca exigência de qualificação de mão-de-obra. Falta de concentração, produção reduzida e distração são algumas das características de profissionais insatisfeitos. Pesquisa da ISMA Brasil (International Stress Management Association) demonstrou segundo amostragem que 72% das pessoas não estão insatisfeitas com o trabalho. Segundo a pesquisa, a insatisfação em 89% dos casos tem a ver com reconhecimento, em 78% com excesso de tarefas e em 63% com problemas de relacionamento. A pesquisa foi realizada nas três capitais mais representativas do Brasil, São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre com amostragem de 1.034 profissionais no mercado de trabalho em 2014. O perfil profissional mais recorrente é o de um trabalhador com 33 anos, Ensino Médio incompleto, do sexo masculino que trabalha 44h semanais em grandes empresas do segmento de Serviços combinados para apoio a edifícios. A faixa salarial do Porteiro CBO 5174-10 é equiparada entre R$ 1.235,56 (média do piso salarial 2020 de acordos, convenções coletivas e dissídios), R$ 1.348,00 (salário da pesquisa) e o teto salarial de R$ 2.145,21, levando em conta carteira assinada em regime da Consolidação das Leis de Trabalho no Brasil.
Bibliografia geral consultada. 
RODRIGUES, José Honório, História, Corpo do Tempo. São Paulo: Editora Perspectiva, 1976; ELIAS, Norbert, El Proceso de la Civilización: Investigaciones Sociogenéticas y Psicogenéticas. 2ª edicíon. México: Fondo de Cultura Económica, 1989; LIMONGI-FRANÇA, Ana Cristina, Indicadores Empresariais de Qualidade de Vida no Trabalho: Esforço Empresarial e Satisfação dos Empregados no Ambiente de Manufaturas com Certificação ISO 9000. Tese de Doutorado em Administração. São Paulo: Universidade de São Paulo, 1996; GAVILÁN, Mirta, “La desvalorización del rol docente”. In: Revista Iberoamericana de Educación. La Plata, nº 19, pp. 211-227, 1999; FLOTTES, Anne, “La subjectivité dans le travail; est-elle vendable? À quel prix?”. In: Revue Travailler. Paris, nº4, pp.73-92, dec. 2000; DEL MAESTRO FILHO, Antônio, Modelo Relacional entre Modernização Organizacional, Práticas Inovadoras de Treinamento e Satisfação no Trabalho. Tese de Doutorado em administração. Faculdade de Ciências Econômicas. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 2004; SGARBI, Julio André, Domótica Inteligente: Automação Residencial Baseada em Comportamento. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica. São Bernardo do Campo: Centro Universitário da FEI, 2007; HONNETH, Axel, Luta por Reconhecimento. A Gramática Moral dos Conflitos Sociais. São Paulo: Editora 34, 2009; MENEZES, Luciane Sant`Anna de, Um Olhar Psicanalítico sobre a Precarização do Trabalho: Desamparo, Pulsão de Domínio de Servidão. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Instituto de Psicologia. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2010; DOMINGUES, Ricardo Gil, A Domótica como Tendência na Habitação: Aplicação em Habitações de Interesse Social com Suporte aos Idosos e Incapacitados. Dissertação de Mestrado. Programa de Engenharia Urbana. Escola Politécnica. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2013; SILVA NETO, Francisco Secundo da, A Gênese da Cultura Moleque Cearense: Análise Sociológica da Interpretação e Produção Culturais. Tese de Doutorado em Sociologia. Fortaleza: Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Ceará, 2015; NOGUEIRA, Mariana Lima, O Processo Histórico da Confederação Nacional dos Agentes Comunitários de Saúde: Trabalho, Educação e Consciência Política Coletiva. Tese de Doutorado. Programa de Políticas Públicas e Formação Humana. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2017; entre outros.