Mostrando postagens com marcador Jornalismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jornalismo. Mostrar todas as postagens

sábado, 29 de março de 2025

Millenium – Cinema & Homens que Não Amavam as Mulheres.

      Não existem inocentes, apenas diferentes graus de responsabilidade”. Stieg Larsson

          Em 1966, Harriet Vanger, jovem herdeira de um império industrial, some sem deixar vestígios. No dia de seu desaparecimento, fechou-se o acesso à ilha onde ela e membros de sua extensa família se encontravam. Desde então, a cada ano, Henrik Vanger, o velho patriarca do clã, recebe, no dia de seu aniversário, uma flor emoldurada - o mesmo presente que Harriet lhe dava, até desaparecer misteriosamente. Henrik está convencido de que ela foi assassinada e que um Vanger a matou, provavelmente por ganância, pelo fato social de ela ser a virtual herdeira de todo o império industrial de Henrik. O livro desenvolve-se apresentando os fatos cotidianos e os vários personagens pouco a pouco, deixando o leitor curioso sobre o desfecho da história. Mikael Blomkvist é um jornalista e cofundador da revista Millenium, que se dedica principalmente a desmascarar escândalos na alta finança, mas que acabou de ser declarado culpado de um caso de difamação a uma as mais influentes personalidades suecas. Lisbeth Salander é uma investigadora excepcional e irreverente, que trabalha em uma empresa de segurança, com muitos trunfos na manga, que irá juntar forças com Mikael para desvendar o mistério da família Vanger. É considerada dependente do ponto de vista da Justiça, pelo fato de ser aparentemente desequilibrada, o que se revela sendo um equívoco ao longo do livro, tendo em vista que é uma jovem muito astuta e inteligente, já teve várias famílias adotivas e fugiu de todas. Henrik Vanger é um grande empresário na reforma com um passado familiar conturbado, mas que anda obcecado há 40 anos com o desaparecimento da menina dos seus olhos, a sua sobrinha Harriet Vanger.

            O filme Os Homens que Não Amavam as Mulheres (2012) baseiam-se no livro do escritor sueco Stieg Larsson (1954-2004), o primeiro da Trilogia Millennium. Trata-se de um enigmático romance “huis clos” ambientado na ilha fictícia de Hedestad, Suécia. Huis clos (“Entre quatro paredes”) é uma peça teatral de Jean-Paul Sartre (1905-1980), escrita em 1944. Marcada pelo existencialismo do autor, é reconhecida pela frase mundialmente famosa: “O inferno são os outros”, dita pelo personagem Garcin. Em 1966, Harriet Vanger, jovem herdeira de um extraordinário império industrial, some sem deixar vestígios. No dia de seu desaparecimento, fechou-se o acesso à ilha onde ela e membros de sua extensa família se encontravam. Desde então, a cada ano, Henrik Vanger, o velho patriarca do clã, recebe, no dia de seu aniversário, uma flor emoldurada - o mesmo presente que Harriet lhe dava, até desaparecer. Henrik está convencido de que ela foi assassinada e que um Vanger a matou, provavelmente por ganância, pelo fato dela ser a virtual herdeira de todo o império industrial de Henrik. O livro desenvolve-se apresentando os fatos sociais e os vários personagens pouco a pouco, deixando o leitor curioso sobre o desfecho da história social. Foi um jornalista e escritor sueco, famoso pela trilogia policial Millennium, livros publicados postumamente, após a morte súbita de Stieg, em 2004. A trilogia representou um sucesso de crítica e de público em todos os países em que foi lançada. No seu país de origem, Suécia, uma em cada quatro pessoas leu pelo menos um exemplar da série. Em 2011 o filme ganhou o British Academy Film Awards (BAFTA) na categoria social de Melhor filme em língua não inglesa.

Desapareceu sem deixar testemunhas, qualquer prova, como se houvesse crime perfeito, mas Henrik está convencido que foi assassinada. Aproveitando-se da problemática situação em que se encontra Mikael, Henrik pede-lhe para escrever um livro sobre a biografia da família Vanger, como desculpa para investigar o desaparecimento de Harriet. Dragan Armanskij é dono da empresa na qual Lisbeth trabalha, a Milton Security. Ele tem um afeto especial por sua funcionária, a quem trata gentilmente. Stieg Larsson recebeu o Prêmio Chave de Vidro para o Melhor Romance Policial da Academia Sueca de Ficção Policial, pelo livro Män som hatar kvinnor em 2006. Uma questão de dimensão social e política na esfera do projeto social democrata, por muitos caracterizada como transformadora do sistema, foi o projeto de constituição dos “fundos de assalariados”, apresentado pelo Partido Socialdemocrata e elaborado originalmente no interior do movimento sindical. A proposta consistia na transferência de uma parte dos ganhos das empresas de certo tamanho, a fundos especiais por ramo industrial, geridos por diretórios com uma maioria de representantes dos assalariados. Os defensores do projeto costumavam apresentá-lo como um terceiro passo na luta do movimento operário para a transformação da sociedade; o primeiro passo tinha consistido na conquista da democracia política e o segundo, no estabelecimento de uma sociedade de bem-estar. Agora, o direito de cidadão em geral, os assalariados, seriam coparticipes da propriedade real do capital. Os adversários do projeto vociferavam, acusando a socialdemocracia de ter abandonado seu pragmatismo anterior, de ter tirado sua máscara e de estar disposta a instaurar uma nova e perigosa modalidade de socialismo na sociedade sueca. Comparado com o desenho originalmente, o projeto finalmente aprovado em 1983, após grandes discussões políticas, mostrou-se uma versão muito diluída do primeiro. O debate tão inflamado foi paulatinamente esfriando.

         Chama-se jornalismo político a especialização da profissão jornalística nos assuntos relativos à política global em níveis local, regional e nacional, ao parlamento, aos partidos e a todas as esferas de poder formal na sociedade. Em vários veículos, a cobertura política é fundida com a editoria Nacional. As pautas do jornalismo político incluem a cobertura de eventos tais como: 1) eleições, revoluções, golpes de Estado, votações parlamentares, decretos, negociações entre partidos e blocos de poder etc., 2) as instituições que geram produtos e fatos políticos: governos, ministérios, secretarias, partidos, órgãos oficiais, institutos de pesquisa de opinião, as políticas públicas dos ministérios da área institucional, secretarias de governo e o dia-a-dia do poder. Nestes assuntos incluem-se: negociações, acordos e trâmites de projetos de lei, mudanças de cargos, processos contra políticos e ocupantes de cargos públicos, além de escândalos políticos, abuso de poder, tráfico de influência e a invenção da corrupção. Como na maior parte das especializações jornalísticas, as fontes primárias de Política são divididas entre protagonistas políticos, inclusive sem cargo público, autoridades públicas: presidentes, governadores, prefeitos, ministros, secretários, senadores, deputados, vereadores, especialistas ou analistas políticos, cientistas sociais e cientistas políticos, politólogos, antropólogos e usuários, estes sim, os eleitores, contribuintes, correligionários. Não por acaso os jornalistas que cobrem política em nível nacional costumam ser concentrados naturalmente na capital do país.

A trilogia foi adaptada em três filmes cinematográficos na Suécia e um nos Estados Unidos da América apenas do primeiro livro. A editora então, do ponto de vista merceológico, encomendou uma expansão da trilogia ao escritor David Lagercrantz, totalizando seis livros. Lagercrantz nascido em Solna, em 4 de setembro de 1962 é um escritor, jornalista e conferencista sueco. A sua obra mais conhecida é a biografia do futebolista sueco Zlatan Ibrahimović, escrita em conjunto por ele e pelo biografado, com o título Jag är Zlatan Ibrahimović, literalmente: Eu sou o Zlatan Ibrahimović, publicada em 2011, e traduzida para 4 línguas estrangeiras. Em 2013, recebeu da editora Norstedts a incumbência de escrever uma continuação da Trilogia Millennium de Stieg Larsson. O novo romance policial recebeu o título Det som inte dödar oss, literalmente: O que não nos mata, e foi publicado em 2015. Foi o segundo autor mais bem-vendido no mundo em 2008, atrás apenas de Khaled Hosseini, após o sucesso da tradução de seu primeiro livro, The Girl With the Dragon Tattoo. O último livro da trilogia, The Girl Who Kicked the Hornets` Nest, tornou-se um sucesso nos Estados Unidos da América, em 2010.

Em março de 2015, a série vendeu mais de 80 milhões de cópias pelo mundo. Stieg Larsson foi um dos mais influentes jornalistas e ativistas políticos suecos. Trabalhou na destacada TT News Agency; anteriormente Tidningarnas Telegrambyrå até 2013, que significa “o escritório de telegramas do jornal” é uma agência de notícias sueca, a maior da Escandinávia, de propriedade conjunta dos jornais do país e dos grupos de mídia por trás deles. Os serviços da TT são usados como fonte exclusiva de notícias nacionais por muitos veículos de comunicação locais. A TT News Agency é o serviço nacional de notícias da Suécia, com uma história que remonta à década de 1920. Fornece artigos de notícias, imagens, vídeos e infográficos para veículos de comunicação, empresas e autoridades públicas da Suécia. A TT News Agency é classificada como uma das agências de notícias mais lucrativas da Europa. O número de funcionários é, em 2018, de 208 pessoas. É de propriedade privada das maiores empresas de mídia suecas e está livre de quaisquer esferas governamentais, religiosas ou políticas. O Chief Executive Officer (CEO), que significa Diretor Executivo, é o cargo mais alto de uma empresa, ipso facto, hierarquicamente acima dele apenas o dono ou presidente, e editor-chefe é Per-Anders Broberg.

À frente da revista Expo, fundada por ele, denunciou organizações neofascistas e racistas. É coautor de Extremhögern, livro sobre a extrema direita em seu país. Stieg Larsson nasceu em 15 de agosto de 1954, nominalmente como Karl Stig-Erland Larsson, em Skelleftehamn. Seu pai e seu avô materno trabalhavam na fundição local. Sofrendo de envenenamento por arsênico, seu pai se demitiu e a família se mudou para Estocolmo. A família vivia em condições difíceis e decidiram deixar o Stieg, de apenas um ano para trás. Até os 9 anos, ele morou com seus avós em uma pequena cabana no interior, perto da vila de Bjursele, na comuna de Norsjö. Ele estudou na escola da vila e costumava esquiar até chegar lá durante os longos invernos suecos, época que ele lembrava de ter sido muito boa de se viver. Stieg Larsson não gostava do movimento ambiente urbano da cidade de Umeå, para onde ele se mudou para conviver com os pais depois que seu avô, Severin Boström, morreu de infarto aos 50 anos. Larsson se formou na escola secundária em 1972 então se candidatou a uma vaga na Joint Colleges of Journalism, em Estocolmo, mas não passou no exame de admissão. Em 1974, Larsson foi convocado pelo Exército devido à lei de alistamento e serviu 16 meses de serviço obrigatório, treinando com morteiros na unidade de infantaria em Kalmar. Sua mãe, Vivianne, morreu em 1991, devido a complicações de um câncer de mama e a um aneurisma.

          Seus habitantes, por extensão, se denominaram burgensis, burgari - burgueses - termo atestado pela primeira vez de forma corrente no século VIII. Com a conquista normanda da Inglaterra o termo bürg foi importado e aparece no século XII como bury, borough, burgh, denominando uma cidade. Aparece na mesma época também no Norte do Reino da França. O conceito é associado ao de cidadania, cujas origens históricas estão na Antiguidade. Tanto a Grécia como Roma organizaram suas sociedades urbanas de maneira a integrar um corpo de cidadãos, que viviam em um espaço físico bem definido, eram regidos por leis específicas e detinham relevantes direitos políticos, não atribuídos a outras classes. Após a queda do Império Romano as cidades entraram em declínio comercial e a população se ruralizou em larga proporção. No processo social e de comunicação através de crescimento dos burgos o estatuto de cidadão adquiriu uma base jurídica diferenciada. Passou a ser exclusivo dos habitantes livres, ou homens livres do servilismo ou escravidão, e capazes de exercer direitos especiais. A este grupo social específico, apenas, ficou restrito o uso do termo burguês, um sinônimo de cidadão. Outros residentes dos burgos passaram a ser em alemão: Lumpen-proletariat (lumpen, “trapo, farrapo” + proletariat, “proletariado”), ou “lumpesinato”, ou ainda “subproletariado”, designando na economia marxista, a população situada socialmente abaixo do nível do proletariado, do ponto de vista das condições sociais de vida e de trabalho, formada por frações pobres de miseráveis, não organizadas do proletariado, não apenas destituídas de recursos econômicos, mas também desprovidas de consciência de classe, não sendo suscetíveis de servir aos interesses particulares da burguesia.

Em 1982, a social-democracia conseguiu, entretanto, recuperar o controle do governo. Em 1979, tornou-se membro da Comissão Norte-Sul da Organização das Nações Unidas (ONU), encarregada de melhorar as relações entre os países industrializados e o 3º Mundo. Como presidente da Comissão das Nações Unidas para Questões de Desarmamento e Segurança, lutou a partir de 1981 por uma Escandinávia livre de armas atômicas. De volta ao poder em 1982, Olof Palme passou dois anos trocando acusações com a União Soviética, devido à presença de submarinos soviéticos em águas territoriais suecas, desta vez sem esquecer a política interna. Com uma desvalorização da coroa sueca e uma série de medidas drásticas, seu governo conseguiu retomar as rédeas da economia. A modificação das relações políticas e partidárias fez com que a organização social e política da Suécia, apesar da manutenção de um consolidado sistema pluripartidarista, se aproximasse do sistema clássico de contradição e oposição assimétrica exequível do bipartidarismo anglo-saxão com mediações complexas um bloco liberal oposto ao socialista.  Mas a Suécia continua a ser uma economia pujante e com um Estado Social que é continuamente repensado através de suas lutas sociais e políticas, à medida das capacidades da economia sueca e não de certas e determinadas correntes ideológicas que fazem lobby junto do poder político e usam sindicatos como “correias de transmissão” dos partidos políticos, como é lugar-comum em Portugal e outros países continentais do Sul da Europa.

O bipartidarismo tradicional nasce após a Revolução Francesa. Com maior ou menor êxito, foram sendo implantados na Europa parlamentos bipartidaristas nos quais se apresentaram sempre dois blocos opostos que se rivalizam em conservadores e liberais. Uma interpretação muito comum, mas errônea quando se fala do Estado Social na Suécia, é a ideia de representação social de que este foi o resultado político de um produto exclusivo da esquerda e que anteriormente às ideias socialistas que germinaram no século XIX, não existia qualquer tipo de Estado Social nesse país. Na realidade, foi a Igreja sueca que lançou as primeiras pedras na construção do Estado Social sueco, quando esta instituiu em 1734 a obrigação de cada paróquia ter um asilo para os mais desfavorecidos e economicamente carenciados. O sistema eleitoral dessa instituição cristã é único no mundo. A cada quatro anos, os cidadãos filiados à igreja elegem nominalmente uma espécie de Parlamento da Igreja Sueca (“Svenska kyrkan”), a que é a maior organização religiosa do país. Esse Parlamento é composto tanto por representantes do clero como por leigos e tem o poder de decidir não só questões mundanas, como a reforma das paróquias e o valor de doações a países pobres, mas também assuntos de ordem teológica, mas também de ordem sociológica, a exemplo do casamento entre pessoas do mesmo sexo, aprovado pela Igreja Sueca em 2009. Até a segunda metade do século XIX a Suécia manteve-se um país relativamente pobre e tipicamente subdesenvolvido no quadro comparativo da Europa que tinha então já iniciado a sua industrialização nos países economicamente mais avançados.

            Uma interpretação muito comum, mas errônea quando se fala do Estado Social na Suécia, é a ideia de representação social de que este foi o resultado político de um produto exclusivo da esquerda e que anteriormente às ideias socialistas que germinaram no século XIX, não existia qualquer tipo de Estado Social nesse país. Na realidade, foi a Igreja sueca que lançou as primeiras pedras na construção do Estado Social sueco, quando esta instituiu em 1734 a obrigação de cada paróquia ter um asilo para os mais desfavorecidos e economicamente carenciados. O sistema eleitoral dessa instituição cristã é único no mundo. A cada quatro anos, os cidadãos filiados à igreja elegem uma espécie de Parlamento da Igreja Sueca (“Svenska kyrkan”), a que é a maior organização religiosa do país. Esse Parlamento é composto tanto por representantes do clero como por leigos e tem o poder de decidir não só questões mundanas, como a reforma das paróquias e o valor de doações a países pobres, mas também assuntos de ordem teológica, mas também de ordem sociológica, a exemplo do casamento entre pessoas do mesmo sexo, aprovado pela Igreja Sueca em 2009. Até ao início da segunda metade do século XIX a Suécia manteve-se um país relativamente pobre e “subdesenvolvido economicamente, no quadro da formação política na Europa que tinha então já iniciado a sua industrialização nos países economicamente mais avançados. Até ao início do século XX a Suécia manteve um crescimento econômico acelerado, para o qual contribuíram também as inovações tecnológicas e esforços técnico-científico constituído por vários inventores e empreendedores suecos.

            Ainda no século XIX, surgem diversas empresas inovadoras, chamadas por Erixon (1996) de “empresas gênio”. A primeira delas foi a Atlas, mais tarde reconhecida como Atlas Copco, fundada em 1873. Sua produção econômica foi, inicialmente, voltada para equipamentos pesados ferroviários, mais tarde entrando no mercado de compressores de ar e perfuratrizes. Em 1876, é fundada a Ericsson, que instalou sistemas telefônicos por todo o país. Seu sucesso foi tão grande que, em 1885, Estocolmo era a cidade com o maior número de telefones instalados em todo o mundo. No final da década de 1870, surge a Alfa-Laval, empresa que produz máquinas de laticínios. Em 1891, funda-se a ASEA, produtora de motores de corrente alternada e de equipamentos de transmissão de energia elétrica de longa distância. Em 1904, surge a AGA, que em poucos anos torna-se líder mundial de equipamentos de gás para uso industrial e médico. Por fim, em 1907, é fundada a SKF, produtora de rolamentos, que também assume rapidamente uma posição de líder global em seu segmento. O surgimento de empresas como a Ericsson (1876), a Volvo (1927), a Saab (1937) são alguns exemplos reais daquilo que foram e representaram nas últimas décadas do século XIX e as primeiras do século XX para a consolidação da economia sueca. A Suécia deixou assim de ser apenas mais um país rural e com uma economia baseada quase exclusivamente na em produtos primários da agricultura (e pesca), para se transformar volitivamente, numa Nação moderna e competitiva pautada por um claro investimento econômico no processo de industrialização mecanizada e urbanização articulada com a demanda social.  

Até ao início do século XX a Suécia manteve um crescimento econômico acelerado, para o qual contribuíram também as inovações tecnológicas e esforços técnico por vários inventores e empreendedores suecos. Ainda no século XIX, surgem diversas empresas inovadoras, chamadas por Erixon (1996) de “empresas gênio”. A primeira delas foi a Atlas, mais tarde reconhecida como Atlas Copco, fundada em 1873. Sua produção econômica foi, inicialmente, voltada para equipamentos pesados ferroviários, mais tarde entrando no mercado de compressores de ar e perfuratrizes. Em 1876, é fundada a Ericsson, que instalou sistemas telefônicos por todo o país. Seu sucesso foi tão grande que, em 1885, Estocolmo era a cidade com o maior número de telefones instalados em todo o mundo. No final da década de 1870, surge a Alfa-Laval, empresa que produz máquinas de laticínios. Em 1891, funda-se a ASEA, produtora de motores de corrente alternada e de equipamentos de transmissão de energia elétrica de longa distância. Em 1904, surge a AGA, que em poucos anos torna-se líder mundial de equipamentos de gás para uso industrial e médico. Por fim, em 1907, é fundada a SKF, produtora de rolamentos, que também assume rapidamente uma posição de líder global em seu segmento. O surgimento de empresas no ramo industrial como a Ericsson (1876), a Volvo (1927), a Saab (1937) são alguns exemplos reais daquilo que foram e representaram nas últimas décadas do século XIX e as primeiras do século XX para a consolidação da economia sueca. A Suécia deixou assim de ser apenas mais um país rural e com uma economia baseada quase exclusivamente em produtos primários da agricultura (e pesca), para se transformar numa Nação moderna e competitiva pautada no processo de industrialização mecanizada e urbanização articulada com a demanda social.

No início do século XIX, quase toda a população mundial vivia no campo e produzia alimentos, por sua teoria alimentar para o controle do aumento populacional, reconhecida como malthusianismo e na Suécia não era diferente. Isso quer dizer que a produção econômica de cada país e seu padrão de vida era determinada por sua capacidade de produzir alimentos. As condições naturais ao redor do polo norte não são particularmente favoráveis para atividades agropecuárias, mormente Suécia, Noruega e Finlândia estavam entre os países europeus de fato mais pobres historicamente. Apesar disso, a Suécia vinha de uma revolução pró-mercado na agricultura que seria importante para o rápido crescimento que viria mais adiante. Nos anos entre 1790 e 1815, o governo transferiu a propriedade de grandes áreas rurais para fazendeiros, estimulando o livre mercado na produção e comercialização de produtos do setor primário. Isso criou no país um ambiente onde o mecanismo de preços de mercado direcionava as ações dos agentes. Outras características fundamentais foram os investimentos que fizeram em canais e estradas e o surgimento de companhias de comércio e de sociedades de crédito para financiar capital. Por fim, a Suécia foi o primeiro país do mundo ocidental a ter escolas públicas e gratuitas, criando uma população alfabetizada e muito mais economicamente produtiva. Esse ambiente favorável causou positivamente um “surto demográfico” e de prosperidade que terminou de abrir as portas para a industrialização. Até meados do século XIX, micro-indústrias espalhadas pelas zonas rurais do país, principalmente de aço e madeira, desenvolveram-se em organizações maiores e especializadas, caracterizando uma I Revolução Industrial. Nos anos 1850, a maior parte das tarifas e barreiras às importações foram abolidas, e em 1873, o país adotou economicamente o padrão-ouro, o que significa paridade fixa da moeda oficial e o ouro. 

Além disso, a malha ferroviária foi largamente ampliada, tanto pelo governo como por empresas, interligando todo o país. Com uma área terrestre de 407 311 km², um comprimento de 1 572 km e uma largura de 499 km, a Suécia é o terceiro maior país da União Europeia em termos de superfície. É constituída por um terreno plano ou ondulado na sua parte sul, enquanto a parte norte apresenta uma planície costeira seguida de um interior acidentado culminando em alta montanha junto à fronteira com a Noruega. Como consequência topográfica, a Suécia pôde especializar-se na produção e exportação de bens que a Europa demandava: aço, madeira e aveia, enquanto importava tudo aquilo que não produzia internamente. No final do século, era um dos países mais abertos ao comércio exterior da Europa. Com o aumento abrupto nas exportações, os investimentos na indústria também aumentaram. Estima-se que entre 1850 e 1890, a taxa de investimento sobre o PIB tenha crescido de 5% para 10%. A abertura comercial permitiu ao país importar pesada quantidade de bens de capital, sendo um dos aspectos essenciais para a segunda Revolução Industrial que viria em seguida. O outro foi o robusto mercado de crédito e capital que se desenvolveu. Em 1848 foi editada uma lei de sociedades abertas, e em 1866 foi estabelecida a Bolsa de Valores de Stockholm (cf. Hilferding, 2011), o principal mercado de valores dos países nórdicos. Foi fundada em 1863, tendo sido adquirida em 1998 pela empresa sueco-finlandesa OMX, a qual, por sua vez, aderiu em 2008 à NASDAQ OMX Group. O principal índice de referência da Bolsa de Valores de Estocolmo é o OMX-S30. Este índice engloba as 30 empresas com maior volume de negócios da bolsa. Ao banco central sueco foi estabelecido em 1897 a legalidade contratual de prover liquidez ao mercado de crédito, fomentando a criação de bancos, que por sua vez financiavam pequenos negócios. Novas indústrias surgiram, em diversos novos setores e, em alguma medida substituíram os setores antigos, que agora encontravam competição internacional mais acirrada. Em suma, nos primeiros anos do século XX a economia sueca era robusta, estável e naturalmente dinâmica.               

As políticas econômicas desse período foram, portanto, quase todas liberais. Benefícios sociais, redistribuição de lucros, alta carga tributária, e todas as coisas que caracterizam o Estado do Bem-Estar Social não estiveram presentes até 1950. A Suécia era um país que tinha, para sua época, um mercado livre e, consequentemente, forte. E isso se reflete em sua taxa média de crescimento: Crescimento médio do PIB per capita no período, ajustado pelo poder de compra de cada país ou região. Aqui já temos o argumento mais forte de todos para refutar a hipótese de que o Estado do Bem-Estar Social trouxe qualidade de vida aos suecos: antes mesmo de serem adotadas as medidas que caracterizam essa linha de condução econômica, o sueco já tinha poder de compra 1,68x o europeu e 3,21x o mundial. É senso comum que a causa não pode ocorrer cronologicamente depois do efeito, então não é possível que as políticas adotadas a partir de meados do século XX expliquem o alto padrão de vida dos suecos em 1950. Essa explicação vem, na verdade, das políticas conduzidas durante 100 anos anteriores ao pós-guerra. A diferença de taxas de crescimento pode parecer pouca, mas ao aplicá-las pelos 130 anos a que correspondem, percebemos que o PIB per capita sueco aumentou mais de oito vezes no período, enquanto que o europeu não aumentou nem quatro. PIB per capita dos países europeus em 1950, em dólares internacionais de 1990 e ajustado ao poder de compra de cada país. Com tamanha abundância de recursos, muitas famílias suecas faziam caridade. De acordo com Per Bylund, isso foi determinante para que a aceitasse que o Estado assumisse o papel de organizar e distribuir essas assistências.

Todo o Estado do Bem-Estar Social sueco foi idealizado e construído pelo Partido Social Democrata (SAP), na sigla em sueco. Dos quase 110 anos em que a Suécia foi um reino separado da Noruega, o partido esteve no poder por nada menos que 69 deles, inclusive 40 anos ininterruptos, entre as décadas de 1936 e 1976. Desde seu primeiro governo, na década de 1920, o SAP já buscava nacionalizar a economia no bom e velho estilo de economia política soviético. Diante da dificuldade política encontrada nessa abordagem, mais adiante escolheu-se deixar a produção de bens a cargo dos procedimentos técnicos capitalistas, mas deram ao Estado a responsabilidade intervencionista da “justa distribuição” de seus frutos à sociedade. Em um congresso de 1951, dois economistas de uma confederação sueca de sindicatos, Gösta Rehn e Rudolf Meidner, apresentaram um programa de políticas macroeconômicas reconhecido como modelo Rehn-Meidner (cf. Quintas, 2017), também chamado Modelo Sueco. Esse modelo serviu para a condução econômica no país pelo menos até início da década de 1970, mesmo que nem sempre tenha se conseguido cumpri-lo à risca. Nos anos que se seguiram da 2ª guerra mundial, a economia sueca estava superaquecida pelo processo de reconstrução europeu. O problema que antes da guerra de desemprego, agora era de inflação causada pela disputa por mão-de-obra. O governo tentou, através de diversas medidas conter a inflação, entre elas um congelamento de salários em 1949 e 1950.

O modelo Rehn-Meidner de política econômica e salarial desenvolvido em 1951 por dois economistas do Departamento de Pesquisa da Confederação Sindical Sueca (LO), Gösta Rehn e Rudolf Meidner. Os quatro principais objetivos a serem alcançados foram: inflação baixa, pleno emprego, alto crescimento e igualdade de renda. O modelo foi teorizado como tentativa de solucionar o problema da inflação, mas sem abrir mão do pleno emprego vigente. Recomendava-se usar gastos públicos e impostos para manter o nível de atividade econômica logo abaixo daquele que normalmente seria o de pleno emprego e que pudesse, portanto, gerar pressões inflacionárias. As “ilhas de desemprego” que sobrassem seriam eliminadas através da indução de políticas ativas de planejamento no mercado de trabalho, ao por exemplo determinar “retreinamento” ou “realocação de trabalhadores”. A partir de meados da década de 1950, as negociações salariais passaram a ser conduzidas centralizadamente entre as centrais sindicais conjuntas de patrões e empregados. Essas negociações resultaram em aumentos nos salários de trabalhadores pouco produtivos, e imposição de limites aos salários mais altos, parte do que o modelo cunhou de “política salarial solidária”. A Suécia foi também o primeiro país do mundo a recuperar-se da Grande Depressão de 1929, o colapso do capitalismo e também do liberalismo econômico e o fato de ter conseguido manter a sua neutralidade axiológica durante a 1ª grande guerra (1914-1918) e a 2ª guerra mundial (1939-1945) permitiu-lhe evitar a destruição e morte que arruinou economicamente países da Europa durante décadas e abriu as portas à ocupação soviética a outros tantos. 

A revista Life descreveu em 1938 a Suécia como sendo o país com o “padrão de vida mais elevado do Mundo”.  Padrão este, segundo Nobre (2014) que nada teve de socialista ou se baseou sequer em qualquer tipo de modelo socialista ou marxista. As empresas não lucrativas do mercado deveriam ser empurradas para o que se convencionou chamar de política salarial solidária, com aumento dos salários reais em linha com o crescimento da produtividade, obrigando-as a melhorar sua capacidade produtiva para melhorar a rentabilidade, por meio de medidas como também o ajuste estrutural. como robotização e automação da produção, e através de meios subjetivos mais indiretos, como melhores condições de trabalho, com o objetivo de diminuir as taxas de licenças médicas e aumentar a produtividade. Tudo isso liberou recursos de trabalho, que foram então mobilizados em corporações de alta produtividade, por meio de políticas ativas de mercado de trabalho, visto que se beneficiaram dos custos do trabalho comparativamente favoráveis ​​a eles e estavam expandindo a produção à medida que a demanda geral aumentava quando os salários reais e o poder de compra aumentavam. Isso levou a tomada de lucros crescentes que foram reinvestidos na melhoria da capacidade produtiva dessas empresas, em parte para aumentar a lucratividade, em parte para atender à demanda crescente, em parte porque os incentivos fiscais favoreceram investimentos de típicos de longo prazo em Pesquisa & Desenvolvimento, ao invés de capital ganhos e dividendos e, em parte, para que essas corporações não se tornem improdutivas e corram o risco de falência, garantindo alto crescimento da produtividade e aumento dos salários. 

O modelo é estatizante e intervencionista, baseado em uma interação sociológica entre a economia fiscal keynesiana, o crescimento real dos salários, as políticas ativas do mercado de trabalho e a intervenção estatal. O objetivo era criar uma espiral positiva como parte do ciclo de negócios, de acordo com a teoria keynesiana, permanece a ideia de que o importante, em termos de política fiscal, não é a geração de déficits, mas sim o papel do gasto público na complementação de uma demanda efetiva insuficiente, uma vez que a criação de um Estado de bem-estar expansivo e o investimento público para manter a demanda doméstica ao longo dos ciclos econômicos garantiam segurança, proteção e estabilidade ao trabalho, capital, empresas e consumidores. Isso, por sua vez, ajudou a garantir baixa inflação, ao ajudar a evitar espirais salários-preços e, assim, fortaleceu os sindicatos com os salários reais em linha com o crescimento da produtividade, combinado com os efeitos do Estado de bem-estar e programas sociais, levou ao aumento do poder de compra e da confiança do consumidor. Resultando em aumento da demanda geral e aumento, manter um ciclo que levou a altas taxas de crescimento e pleno emprego, alimentado por tributação progressiva e redistribuição da riqueza, que aumentou ainda mais o poder de compra e garantiu a igualdade de renda.

O boom econômico que tomou conta da Europa no pós-guerra e que ficou conhecido como o período dos Trinta Anos Gloriosos por só ter terminado com a crise do petróleo em 1973, conferiu ainda mais prosperidade e pujança à já muito forte economia sueca. Designa o período compreendido de 1945 a 1975 que se seguiram ao final da 2ª guerra mundial e que constituíram um período de crescimento económico na maioria dos países notadamente os membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), uma organização econômica intergovernamental criada por 37 países membros, fundada em 1961 para estimular o progresso econômico e o comércio mundial através dessas lideranças. Basta ter-se em conta que em 1970 a Suécia ocupava normalmente o 3º lugar nos rankings mundiais comparativos de rendimento per capita. Contudo, a crise do petróleo de 1973 e o fim dos Trinta Gloriosos não deixou a Suécia, nem nenhuma outra economia da Europa imune aos seus efeitos. As consequências foram um abrandamento da subida do padrão de vida na Suécia, a que se seguiu a grave recessão económica do início da década de 1990 e que obrigou a uma reforma do Welfare State sueco, que havia se tornado “demasiado pesado”, na falta de melhor expressão e desajustado em relação à economia do país. Os problemas económicos trazidos por um Estado Social trabalhista são notórios que entre 1950 e 1975 a despesa do Estado sueco em políticas sociais subiu de 20% para 50% do PIB.

As figuras dominantes da política sueca destas décadas foram também personalidades novas. Por um lado, Olof Palm, que em 1969 tinha sucedido a Tage Erlander como líder socialdemocrata, manteve-se como tal durante 16 anos, até aquela noite de fevereiro de 1986 em que foi assassinado numa rua central de Estocolmo. E, por outro lado, Ingvar Carlsson que assumiu então como o quinto chefe na história de um partido, próximo a cumprir 100 anos de existência. Como a figuração política mais importante do setor liberal durante esse período surgia Thorbjorn Falldin, um agricultor do norte da Suécia e chefe do Partido de Centro, que ocupou o cargo de primeiro-ministro durante cinco anos dos seis anos de mandato em que os partidos liberais contaram com maioria parlamentar. Nestas duas décadas surgiram dificuldades econômicas às quais o país não estava acostumado. Isto é, referida à crise do petróleo afetou a Suécia de maneira extraordinariamente forte, dado a dependência energética da sua indústria. A indústria sueca orientada para a exportação, começou a perder espaços no mercado internacional, devido ao nível relativamente elevado de seus salários e à crescente concorrência produzida com a emergência de novas nações industriais. 

Áreas centrais da indústria sueca, como por exemplo os estaleiros, tiveram na prática que ser liquidadas em consequência das condições de crise então vigentes no mercado internacional/globalizado. Durante alguns anos, o ritmo do crescimento econômico diminuiu ou se deteve totalmente, a inflação foi considerada bastante alta e surgiram déficits fiscais que foram parcialmente financiados mediante o endividamento externo da economia. Simultaneamente ao desenvolvimento desse tipo político de contradições, que tendiam a fortalecer a divisão do espectro político sueco num bloco de direita e outro de esquerda, surgiram também controvérsias não demarcadas nessa escala tradicional de direita-esquerda. Com frequência trata-se de questões que é possível referir a outra dimensão, aquela existente entre a ideia de desenvolvimento ou não-desenvolvimento. Tende-se aqui para a produção de alinhamento diferente, situando-se as ideologias de conservadores, liberais e socialdemocratas de um lado e o Partido de Centro, os comunistas e o Partido Verde de outro. Os problemas derivados da tensão existente entre esses dois polos de desenvolvimento contra não-desenvolvimento, podem em alguns casos atravessar também um mesmo partido, o que é especialmente válido para a socialdemocracia. Nesta ordem de problemas, a questão que tem despertado maior atenção na política sueca é o problema da energia atômica. A Suécia contava, em virtude tecnológica bem-sucedida, com um considerável arsenal de energia atômica em 1980.

A Suécia é uma monarquia constitucional parlamentarista, em que o chefe de Estado é um monarca, com poderes e funções meramente oficiais e cerimoniais. O atual rei é Carlos XVI Gustav da Suécia desde 1973. Foi o único filho homem do príncipe Gustavo Adolfo, Duque da Bótnia Ocidental, e sua esposa, a princesa Sibila de Saxe-Coburgo-Gota. Seu pai morreu quando ele tinha menos de um ano de idade, fazendo de Carlos Gustavo o herdeiro e depois sucessor de seu avô, o rei Gustavo VI Adolfo. Sua herdeira aparente é a princesa Vitória, Princesa Herdeira da Suécia, a sua primeira filha com a sua esposa, a rainha consorte Sílvia Sommerlath. Vitória ascendeu a princesa herdeira, passando à frente de seu irmão Carlos Filipe, Duque da Varmlândia, em 1º de janeiro de 1980, depois de aprovada uma nova lei estabelecendo a primogenitura absoluta. A herdeira sueca atual é a princesa Vitória, Princesa Herdeira da Suécia, a primogênita do rei, é a primeira na linha de sucessão ao trono sueco. A governação do país é efetuada pelo governo, liderado pelo primeiro-ministro, e respondendo politicamente perante o parlamento. O primeiro-ministro é Kjell Stefan Löfven do Partido Social-Democrata, desde 3 de outubro de 2014. O Governo Löfven é uma coligação do Partido Social-Democrata com o Partido Verde. Entre o começo de 2012 e o fim de 2014, ele foi o líder da oposição e do seu partido. Após as eleições gerais de 2014, ele foi nomeado primeiro-ministro, liderando um governo de coalizão minoritária com o Partido Verde. Ele foi confirmado para um segundo mandato em 18 de janeiro de 2019 após longas negociações depois da inconclusiva eleição de 2018, com o impasse resultante resolvido devido à abstenção dos membros do Partido do Centro, do Partido de Esquerda e dos Liberais.

Bibliografia Geral Consultada.

MONTALBÁN, Manoel Vásquez, História y Comunicación Social. Madrid: Editorial Alianza, 1985; LEBRUN, Gérard, O Avesso da Dialética, Hegel à Luz de Nietzsche. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 1988; DEJOURS, Christophe, O Corpo entre a Biologia e a Psicanálise. São Paulo: Editora Artes Médicas, 1988; AGOSTINHO, Aucione Torres, A Charge. Tese de Doutorado. Escola de Comunicações e Artes. São Paulo: Universidade de São Paulo, 1993; BECK, Ulrich, La Invención de lo Político. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 1998; BRIGGS, Asa; BURKE, Peter, De Gutenberg a Internet: Una História Social de los Medios de Comunicación. Madrid: Ediciones Aguilar, 2005; RANCIÉRE, Jacques, El Odio à la Democracia. Buenos Aires: Ediciones Amorrortu, 2006; ORIHUELA, José Carlos, La Revolución de los Blogs. Primera Edición. Madrid: Esfera Libros, 2006; BLANCHOT, Maurice, A Conversa Infinita: A Experiência Limite. São Paulo: Editora Escuta, 2007; SILVA, Nilson Adauto Guimarães da, A Revolta na Obra de Albert Camus: Posicionamento no Campo Literário, Gênero, Estética e Ética. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Letras Neolatinas. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2008; CHOMSKY, Noam, El Miedo à la Democracia. Barcelona: Editorial Crítica, 2009; AGAMBEN, Giorgio, Profanaciones. 1ª edición. Buenos Aires: Ariana Hidalgo Editora, 2005; Idem, Nudità. Roma: Editora Nottempo, 2009; FREITAS, Eduardo Luiz Viveiros de, Política e Internet: 4 Jornalistas (Blogueiros) em Novos Tempos. Tese de Doutorado. Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2010; BOURDIEU, Pierre, O Senso Prático. 2ª edição. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 2011; BURTON, Robert, A Anatomia da Melancolia. Curitiba (PR): Editora da Universidade Federal do Paraná, 2011; AMORIM, Paulo Henrique, O Quarto Poder: uma outra história. 1ª edição. São Paulo: Editora Hedra, 2015; QUINTAS, Felipe Maruf, Uma Estratégia Nacionalista e Social-Democrata de Desenvolvimento: O Modelo Rehn-Meidner na Suécia (1952-1983). Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Ciência Política. Instituto de Ciências Humanas e Filosofia. Niterói: Universidade Federal Fluminense, 2017; Artigo: “Suécia vive luto após pior assassinato em massa do país: Tristeza e consternação”.  Disponível em: https://noticias.uol.com.br/2025/02/05/; entre outros. 

sábado, 22 de fevereiro de 2025

Glória Maria – 1ª Repórter Negra & Narradora da Televisão Brasileira.

Fui a primeira a fazer matérias de aventura na televisão, a voar de asa-delta, a cobrir guerra”. Glória Maria

            Vila Isabel é um bairro da Zona Norte do município do Rio de Janeiro. O bairro foi oficialmente fundado em 3 de janeiro de 1872, inspirado no “urbanismo parisiense”. Para urbanizá-lo e loteá-lo, Drummond organizou a Companhia Arquitetônica de Vila Isabel (1873), contratando o arquiteto Francisco Joaquim Bethencourt da Silva, discípulo de Grandjean de Montigny. É também reconhecido por ser um dos berços do samba no Brasil, localiza-se na subprefeitura da Grande Tijuca. É vizinho dos bairros de Grajaú, a Oeste; Maracanã, a Leste; Andaraí e Tijuca a Sul; e Engenho Novo, Sampaio, Riachuelo, Rocha e São Francisco Xavier, a Norte, pelos quais é separado pela Serra do Engenho Novo. Vila Isabel é sede da região administrativa de Vila Isabel, a mesma engloba os bairros de Vila Isabel, Andaraí, Grajaú e Maracanã. Seu índice de qualidade de vida, no ano 2000, era de 0,901, o 27º melhor do Rio de Janeiro, dentre 126 bairros avaliados, sendo considerado alto. As terras da fazenda eram cortadas por duas antigas estradas, a do Macaco e a de Cabuçu, que se tornaram, respectivamente, a Boulevard 28 de Setembro e a Rua Barão do Bom Retiro. O sistema de transporte de bondes a tração animal, provido pela Companhia Ferrocarril de Vila Isabel, empreendimento também criado por Drummond para explorá-lo (1873). Foi inaugurado em 1875, ligando o bairro ao Centro com a Companhia de Fiação e Tecidos Confiança Industrial, uma fábrica de tecidos localizada em Aldeia Campista, entre os bairros de Vila Isabel e do Andaraí, na Zona Norte do Rio de Janeiro, fundada em 1885.  

          Glória Maria Matta da Silva (1949-2023) revelou-se uma extraordinária jornalista, repórter e apresentadora de televisão na sociedade brasileira. Considerada um dos maiores símbolos do jornalismo brasileiro, foi a primeira repórter a realizar matérias jornalísticas ao vivo e a cores na televisão no Brasil. Glória Maria nasceu no bairro de Vila Isabel, na Zona Norte da capital do Rio de Janeiro. Começou sua vida profissional como telefonista na extinta Telecomunicações do Rio de Janeiro (Telerj), a empresa operadora de telefonia do sistema Telebras no estado do Rio de Janeiro, antes do processo de privatização em julho de 1998. Graduada em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), na década de 1960 foi princesa do bloco carnavalesco Cacique de Ramos. De acordo com Bira presidente, ela conseguiu seu primeiro emprego quando foi, junto com o bloco, apresentar-se no programa do Chacrinha, na Rede Globo de Relevisão. Após a apresentação, conseguiu um estágio na emissora, já que tinha concluído o curso superior. – “O Chacrinha pedia sempre para eu levar a rainha e a princesa do bloco ao programa. Lá, a Glória comentou que precisava fazer um estágio, e ele gostou dela”, recorda o carioca Bira. A antiga fábrica é um supermercado. O bairro tem nove prédios tombados pelo Patrimônio Histórico. 

No antigo Jardim Zoológico, o primeiro do Brasil, hoje denominado de “Recanto do Trovador”, o Barão de Drummond criou o famoso jogo do bicho. No início do século XX, historicamente o bairro tornou-se ponto de encontro de músicos e boêmios, como Noel Rosa, adquirindo, então, a fama de bairro boêmio. No meio da Boulevard 28 de Setembro, encontra-se a Igreja Matriz de Vila Isabel, a Basílica Nossa Senhora de Lourdes. A matriz recebeu o título de basílica menor, em 23 de maio de 1959, concedido pelo Papa João XXIII. Aos domingos, de manhã bem cedo, os sinos da Igreja de Santo Antônio, a segunda maior, repicam continuamente. Esse templo fica no alto do morro, acedido por uma longa escadaria. Os limites do bairro abrangem todo lado direito da Serra do Engenho Novo descendo a Rua São Francisco Xavier até a Av. Prof. Manoel de Abreu seguindo a Av. Engenheiro Otacílio Negrão de Lima, Av. Maxwell e Rua Barão de Mesquita até a Rua Barão do Bom Retiro e seguindo esta até o gargalo que separa o Maciço da Tijuca da Serra do Engenho Novo, na altura do Parque do Trovador. O Cacique de Ramos, culturalmente falando, quer dizer, é um dos mais reconhecidos e tradicionais blocos de carnaval do Rio de Janeiro. São entidades carnavalescas análogas que desfilam, do ponto de vista disciplinar, antes do carnaval e terminam após o carnaval do Estado do Rio de Janeiro, são divididos em: enredo, sujo, embalo e os clubes de frevo, entre outros.

           O indivíduo privatista é o mesmo que pensa ser justificada a existência do espaço público apenas na medida em que satisfaz os interesses dos indivíduos privados. O mesmo indivíduo que tolera, admite e recomenda a privatização da vida pública em que seus representantes aparentemente se constituam em modelos de probidade. Na esfera pública da cidadania comparativamente, não obstante, quase sempre confunde princípios políticos com metas econômicas e está disposto a abrir mão da aparente moralidade e pudor quando um representante demonstra ser um bom administrador. O mesmo que exige probidade moral e pública e desrespeita as regras mínimas da convivenciabilidade em nome da satisfação de interesses privados. A distorção entre o campo social e o político decorre da moderna concepção da sociedade, a qual encara a política como um espaço de regulação da esfera privada. Hannah Arendt (1906-1975) defendia um conceito de pluralismo no âmbito político. Graças ao pluralismo, o potencial de uma liberdade e igualdade política seria gerado entre as pessoas. O que significa o juízo? Primeiramente, organização e subsunção do individual e particular ao geral e universal, procedendo-se então a uma avaliação ordenada com a aplicação de parâmetros pelos quais se identifica o concreto e de acordo com decisões. Por trás desses juízos há um prejulgamento, um preconceito social. O caso individual é julgado, não o próprio parâmetro, ou a questão de ele Ser ou não, uma medida adequada do objeto que está sendo medido.  Num dado momento, emitiu-se um juízo sobre o parâmetro, mas esse juízo foi adotado, tornando-se um meio para se emitirem juízos. 

Mas juízo pode significar algo totalmente diferente e sempre significa de fato quando nos confrontamos com algo que nunca vimos e para o que não temos nenhum parâmetro à disposição. Esse juízo que não conhece parâmetro só pode recorrer à evidência do que está sendo julgado, e seu único pré-requisito é a faculdade de julgar, o que tem muito mais a ver com a capacidade de discernir do que com a capacidade de organizar e subordinar. Tais juízos sem parâmetros nos são bastante familiares quando se trata de questões de estética e gosto, que, como observou Immanuel Kant, não se podem discutir, mas de que se pode, seguramente, discordar e concordar. Na vida cotidiana, como sabemos isso se verifica “em face de uma situação desconhecida, que fulano ou beltrano fez um juízo correto ou equivocado”.  Melhor dizendo, em toda crise histórica, são os preconceitos os primeiros a se esboroar e deixar de ser confiáveis, ipso facto, é essa pretensão de universalidade que distingue muito claramente ideologia de preconceito (sempre parcial por natureza). A ideologia afirma peremptoriamente que não devemos mais nos fiar em preconceitos - declarados como literalmente inapropriados. A falta de padrões no mundo moderno - a impossibilidade de formar novos juízos sobre o que aconteceu e o que acontece todos os dias com base em padrões sólidos, reconhecidos por todos, e de subsumir esses eventos a princípios gerais bem conhecidos, assim como a dificuldade estreitamente associada, de se proverem princípios de ação para o que deve acontecer agora - descrita como niilismo inerente à época, como desvalorização de valores, espécie de crepúsculo dos deuses, uma catástrofe na ordem moral do mundo.

Todas essas interpretações pressupõem tacitamente que só se pode esperar que os seres humanos tivessem juízos se tiverem parâmetros, que a faculdade de julgar não é, mais do que a habilidade de consignar casos individuais aos seus lugares corretos e adequados dentro de princípios gerais aplicáveis e sobre os quais estão todos de acordo. Escólio: Fazem parte da tabela do jogo 25 bichos, cada um correspondendo a quatro dezenas, somando 100 dezenas finais nos sorteios da loteria. O número do bicho é chamado de grupo. Para saber qual é o bicho (grupo), divide-se a dezena por 4 e se houver resto, aumenta-se 1 ao quociente. Ex.: 33 divididos por 4 é igual a 8, resta 1, logo o grupo do bicho é 9, que é “cobra”. O jogo do bicho foi criado pelo Barão João Batista Viana Drummond (1825-1897), carioca que viveu no final do século XIX, na cidade do Rio de Janeiro. O barão de Drummond era um empresário reconhecido de grande prestígio na Corte, participava de vários empreendimentos e investimentos e era acionista da Cia Ferro Carril Vila Isabel. Quer dizer, o primeiro bairro planejado da cidade do Rio de Janeiro foi Vila Isabel. No projeto de criação do bairro estava previsto a instalação de um parque e de um jardim zoológico, jardim esse que mais tarde seria, não por acaso, o nascedouro do jogo de bicho. O Comendador Drummond, reconhecendo o projeto, solicitou, em 1884, permissão para instalar o jardim zoológico (cf. Magalhães, 2005; Bento, 2022). Em julho de 1888, houve a inauguração oficial do empreendimento que se tornou um sucesso.  Nesse mesmo ano, recebeu do Imperador Pedro II (1825-1891) o título nobiliárquico de Barão. Em 1890 com a segunda parte do projeto, ampliou as instalações do zoológico e criou um parque com plantas exóticasA situação financeira do zoológico, era difícil mesmo com a ajuda financeira recebida pela municipalidade, piorou com a criação do parque. 

O orçamento não era suficiente para cobrir as despesas com a alimentação dos animais e a manutenção do parque. O Barão tentou solucionar o problema cobrando dos visitantes, mas essa medida não foi bem aceita e provocou efeito contrário: os frequentadores do jardim zoológico desapareceram. O Barão recorreu à Intendência Municipal, visando obter licença para explorar jogos públicos lícitos nas dependências do zoológico, com a finalidade de trazer de volta o público visitante. A licença permitida “desde que não incluíssem os chamados jogos de azar, conforme estava previsto no Código Penal de 1890”. O mexicano Ismael Zevada, auxiliar do Barão, com o intuito de colaborar para a solução do problema mencionou o “jogo das flores” que existia em sua terra e que poderia ser adaptado para os “bichos”. A ideia foi analisada e posta em prática: foram pintados 25 quadros, cada quadro com um bicho, numerados a partir de 1. Antes de abrir o zoológico, o Barão escolhia um quadro e colocava-o em uma caixa que ficava estrategicamente a sua entrada. Em cada ingresso havia a figura de um dos vinte e cinco bichos. Às 15horas, a caixa era aberta e aqueles que tivessem no ingresso o bicho sorteado, eram os ganhadores de um prêmio em dinheiro. O primeiro sorteio ocorreu num domingo, em 3 de julho de 1892. O bicho sorteado foi o avestruz, uma espécie de ave não voadora, originária da África. Nessa ocasião publicista foram disponibilizados para o público consumidor, entre outros entretenimentos correlatos, porém, o jogo do bicho foi o que obteve na imprensa, um laissez faire e a própria reinauguração do zoológico.

Nesta época foram abertos os chamados “bookmakers”, casas de apostas que vendiam “poules” (“pule”) das mais diversas apostas permitidas ou não, inclusive a do jogo do bicho, que passou a ter validade por quatro dias. Assim o apostador não precisava ir ao zoológico nem estar presente no momento do sorteio. Além dos bookmakers, o Barão espalhou pela cidade seus agentes para vender os bilhetes do bicho, sendo essa participação dos vendedores ambulantes importante para o sucesso do jogo entre os apostadores. Mesmo clandestino, sobrevive por mais de um século graças às relações entre bicheiros e apostadores. Geralmente, os postos de trabalho dos “apontadores” de jogo e seus “clientes” são pessoas da mesma vizinhança, que discutem juntos as apostas. O prêmio é pago em dia um requisito básico para manter a credibilidade do sorteio e os apontadores tradicionais sabem de memória o palpite de seus clientes. Alguns apostadores protegem os bicheiros da polícia, escondendo-os em suas casas quando passa a fiscalização cotidiana. Por causa da repressão, o resultado do bicho é divulgado de maneira disfarçada, para não chamar a atenção da polícia. Um dos costumes é anunciar os animais sorteados em classificados ou em rádios clandestinas. Em alguns bairros, para evitar que os apontadores sejam pegos com a prova do crime, os bicheiros pregam os resultados do sorteio em um lugar público. Cada apostador arranca uma folha com o bicho do dia e leva o seu “fruto” para casa. Para ser vendido nas ruas, o jogo do bicho passou por adaptações: a primeira vincula os bichos aos números, depois veio a divisão em grupos e dezenas. Em 1897, morre o Barão, mas o jogo continua.

Em 1899, a Lei 628 que instituiu a pena de 1 a 3 meses de prisão para os acusados da prática do jogo do bicho. A imprensa teve sua contribuição na legitimação do jogo do bicho. Nas primeiras décadas do século XX, jornais foram criados em função do jogo. Em 1903 “O Bicho”, o primeiro dedicado ao jogo, mais tarde surgiram o “Talismã” e o “Mascotte”. Em 1915, o senador Érico Coelho apresentou um projeto de lei para legitimação do jogo do bicho, mas não foi aprovado. Segundo Magalhães (2006), o poder público responsável pela Capital Federal, jamais conseguiu definir uma estratégia efetiva para combater os chamados “bicheiros” ou deixar claro por que algumas loterias eram permitidas e outras não. Em 1941, o jogo do bicho é incluído na lei de Contravenções Penais. Cavalcanti (1995) afirma que depois de 1946, com a cassação de todas as licenças concedidas para funcionamento de casas de jogo no Brasil, o jogo do bicho se expandiu muito mais, acompanhando o crescimento de áreas periféricas. O bicheiro era reconhecido pela honra à palavra empenhada, obtendo com isso a confiança e o respeito do apostador, que recebia ajuda pessoal e benfeitorias públicas em troca da sua lealdade. O jogo do bicho, passou a fazer parte do cotidiano, do folclore e da vida contumaz brasileira, já tendo sido motivo para discórdia e infelicidade; tristeza e alegria. Foi tema consagrado para letra de música, roteiro de filmes, novela e enredo de escolas de samba.

É tema para trabalhos acadêmicos, livros, artigos de revistas e manchetes de jornais. A sua história já foi várias vezes sufocada à margem da sociedade, mas continua presente na cultura popular. A loteria foi “batizada” de jogo - bilhetes começaram a ser vendidos não apenas no zoológico, mas em lojas pela cidade. O jogo do bicho é semelhante a uma loteria federal, mas com algumas diferenças: uma delas é que o jogador pode apostar qualquer valor, que muitas vezes é bem acima de suas possibilidades. Quanto maior o valor apostado em uma sequência numérica (milhar, centena, dezena, etc.), maior será o prêmio em caso de acerto. Com essa flexibilidade de apostas, o jogador é livre para escolher pelo menor valor possível o seu número da sorte nas dez mil chances disponíveis em cada sorteio. Exemplo: um apostador pode jogar apenas R$ 1,00 num milhar no primeiro prêmio, reconhecido como na “cabeça por ser a primeiro milhar no topo da lista de resultados”. A repressão do Estado não demorou e autoridades criminalizaram a atividade nos anos 1890, pelo bem da segurança pública. No carnaval de 2013 foram 492 a desfilar pela cidade, o que levou a prefeitura a estudar sua diminuição. A história dos blocos já foi narrada em livro, de autoria de Aydano André Motta, lançado em 2011 como: Blocos de Rua do Carnaval do Rio de Janeiro.

Blocos carnavalescos protagonizados nas ruas, interdisciplinares (trabalho) e multiculturais têm obtido força na história social e prestígio carioca, a ponto de blocos tradicionais ficarem passadistas. Os desfiles dos campeonatos de blocos de enredo são filiados à Federação dos Blocos e desfilam no sábado de carnaval, onde de 2011 a 2014 passaram a desfilar definitivamente como Escola de Samba, sem ter de desfilar como avaliação. Os blocos de embalo já tiveram desfile na tradicional Avenida Rio Branco, como sua pista de desfile, cujo itinerário desde 2016 foi substituído pela Avenida Graça Aranha. As outras pistas de desfiles são a Estrada Intendente Magalhães, no Campinho e a Rua Cardoso de Morais, no bairro de Bonsucesso. Os blocos de embalo em sua maioria costumam desfilar antes e depois do período carnavalesco na maior parte na Zona Sul e Centro da cidade. Além de outras regiões, sempre no mesmo local e hora, a critério da Riotur, que organiza junto com outros setores do poder público, o trajeto desses blocos de embalo, com dia e horário. A Riotur é a empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro, e tem como finalidade incrementar o desenvolvimento das atividades turísticas da cidade, através de estudos e programas específicos, além de promover eventos de atração turística e executar uma política comercial geradora de recursos. Através da empresa estatal Riotur, a cidade promove o extraordinário carnaval carioca e o réveillon.

          Bairro de tradição boêmia, em muitos bares antigos ainda persistem na região, atraindo muitos clientes. No Boulevard 28 de Setembro o já extinto Restaurante Petisco da Vila ajudou a manter essa fama. Aldir Blanc, Martinho da Vila, Neguinho da Beija-Flor, Jamelão e o cartunista Jaguar foram clientes do Petisco. Graças a esses e tantos outros fregueses o Petisco da Vila alcançou o posto de maior vendedor de chope do país, com média de 42.000 litros consumidos mensalmente. Outro bar badalado do bairro é o Carioca da Vila, bar requintado e irreverente, os pratos tem nomes que fazem referência ao bairro, enaltecendo o espírito bairrista dos moradores da Vila. A tradicional adega Vilas Boas, na esquina da Boulevard 28 de Setembro com a Rua Silva Pinto, tem a fama de melhor bolinho de bacalhau da Grande Tijuca. Na esquina das ruas Visconde de Abaeté e Torres Homem se encontra um dos polos gastronômicos do bairro, o “quadrilátero do álcool”, desafia a matemática, por ser uma esquina que possui quatro pontas e 5 bares. O mais tradicional era o Bar do Costa, um dos mais antigos do bairro (infelizmente falido há anos), no seu lugar surgiu o Bar Veja Bem. O Bar Vilarejo também é outra excelente opção, destaque para cozinha do bar que é excelente, com variedades de pratos e petiscos. A rua dos Artistas também conta com uma variedade comercialmente de bares, botequins e restaurantes, como uma filial do Bar do Adão, tradicionalmente transformou-se em um bar do vizinho bairro Grajaú, famoso por seus pasteis. Porem o mais tradicional dessa parte da Vila Isabel é o Restaurante Siri, com especialização em frutos do mar, o Siri atrai o público fã dessas iguarias.  

O bairro possui excelente comércio, sendo o principal eixo o Boulevard 28 de Setembro, onde se encontram agências dos principais bancos, lanchonetes, mercados e comércio de todo tipo. No bairro funciona também o Shopping Center Boulevard Rio, na esquina das ruas Barão de São Francisco e Teodoro da Silva. Além abrigar muitos bares e restaurantes ao longo do Boulevard 28 de Setembro, o bairro conta com várias unidades da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, como a Faculdade de Ciências Médicas, a Faculdade de Enfermagem, o Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes, a Faculdade de Odontologia e o Hospital Universitário Pedro Ernesto. O bairro também abriga a Basílica Nossa Senhora de Lourdes, a sede estadual da igreja Congregação Cristã no Brasil e a Sede Mundial do Racionalismo Cristão. O bairro contava com os clubes Vila Isabel Futebol Clube (1912), Confiança A.C. (1915), o Smart A.C. (1915), Sport C.A. (1912) e o Independência F.C. (1921). Hoje encontram-se a Associação Atlética Vila Isabel; e o Esporte Clube Maxwell. Além dos parques Jardim da Princesa, Largo Sete de Março, Praça Barão Drummond e Recanto do Trovador. Vila Isabel é famosa pela presença de inúmeros poetas e compositores que nasceram no bairro ou que nele foram revelados. O mais famoso é Noel Rosa, que nasceu no bairro em 11 de dezembro de 1910. No largo de entrada do Boulevard 28 de Setembro, existe uma estátua em tamanho natural do compositor em bronze, sentado numa mesa sendo atendido por um garçom. Na mesa, está escrita a letra da música de Noel “Conversa de botequim”. Podemos destacar Martinho da Vila, que adicionou o nome do bairro ao seu quando criou seu nome artístico. Jornalismo pode ser definido do ponto de vista sociológico, como a técnica de transmissão de informações sociais a um público cujos componentes não são reconhecidos. Esta particularidade diferencia o jornalismo das demais formas sociais de comunicação visual.

As fontes jornalísticas são pessoas, entidades e documentos primários que fornecem informações aos jornalistas, seja emitindo comentários e opiniões, verificando o rigor de dados obtidos ou aferindo a veracidade dos juízos de valor que lhes foram confiados. O termo jornalismo faz referência as formas possíveis de comunicação pública de notícias e seus comentários e interpretações. O tipo de jornalismo de ética duvidosa, ou contestável é chamado ideologicamente de “imprensa marrom”. Um princípio comum no jornalismo é o da objetividade, orientada pela investigação das informações, descrevendo características do objeto da notícia e não impressões ou comentários do sujeito que observa a participação social. No entanto, erroneamente diversos críticos têm refutado este princípio, alegando que, na prática, a objetividade do conhecimento não existe, pois, toda construção de texto é um discurso e uma narrativa influenciadas por ideologias, pela práxis e por outros valores subjetivos. A questão da “imparcialidade” é também central nas discussões sobre ética jornalística. Para este ponto de vista comunicativo não é difícil distinguir dados objetivos do chamado “jornalismo opinativo”, como se a interpretação jornalística fosse isenta da opinião pessoal daquele que investiga os conteúdos de sentido da informação. Jornalistas podem ser interpelados pelas formas ideológicas representadas pela distorção no cotidiano ou pela desinformação induzida na comunicação social. Mesmo sem cometer fraude deliberada, jornalistas podem dar um recorte embasado dos fatos sendo seletivos na apuração e na redação, em determinados aspectos em detrimento de outros, ou dando explicações parciais, tanto incompletas quanto tendenciosas. Isto é especialmente efetivo no jornalismo global, já que as fontes disponíveis nem sempre podem ser interpretadas. Distinto da ciência, os códigos de ética do jornalismo incluem, como valores e preceitos fundamentais, a “busca da verdade, a veracidade e a precisão das informações”.

Glória Maria Matta da Silva estreia como repórter, em 1971, na cobertura do desabamento do Elevado Paulo de Frontin, no Rio de Janeiro. O Elevado, também reconhecido como Viaduto Engenheiro Freyssinet, é uma via expressa no Rio de Janeiro. Tem 5,2 quilômetros de extensão. Liga o Túnel Rebouças ao início da Linha Vermelha. É considerado a “cicatriz” do Rio Comprido. Cobriu a posse do presidente norte-americano Jimmy Carter (1924-2024) em Washington e, no Brasil, durante a ditadura militar (1964-1984), entrevistou chefes de Estado, como o ex-presidente João Baptista Figueiredo (1918-1999), aquele que disse: - “Não deixe aquela neguinha chegar perto de mim”.  E, ainda, cobriu e reportou o fim da Guerra das Malvinas, em 1982, como primeira mulher da Globo a fazer cobertura de guerra; a invasão da embaixada brasileira do Peru por um grupo terrorista (1996), os Jogos Olímpicos de Atlanta (1996) e a Copa do Mundo na França (1998). Entrevistas com celebridades a colocaram frente a frente com o roqueiro britânico Mick Jagger, em 1984; com Freddie Mercury (1946-1991), vocalista da banda Queen, durante o Rock In Rio de 1985, com Michael Jackson (1958-2009), quando da gravação do clipe: They don’t care about us, no Morro Dona Marta, no Rio de Janeiro, em 1996. O espírito livre, aventureiro a fez desafiar-se humanamente a ponto de pular de bungee jump a 233 metros de altura, em Macau, na China, para realizar uma reportagem Especial para o Globo Repórter; sobrevoar de helicóptero um vulcão, voar de asa delta, nadar com um urso polar e escalar a Cordilheira do Himalaia, onde fica o Monte Everest. 

A paixão pelo trabalho, segundo Lisa Andrade, no artigo intitulado: “Gloriosa Glória, a Primeira Jornalista” (s. d.) a levou a todos os nossos seis grandes continentes: África, Ásia, Europa, Oceania, América e Antártida, construindo uma coleção com mais de dez passaportes preenchidos, com carimbos de mais de 160 países. Assim Glória Maria define sua profissão e a carreira vivida, enraizada na Rede Globo de televisão, a emissora onde ganhou notoriedade como repórter e âncora dos noticiários Hoje, Jornal das Sete, Bom Dia Rio e RJTV. Mas a vida de Glória Maria Matta da Silva não começa na tela da TV. Esta mulher negra vitoriosa, pioneira, vem à luz em 15 de agosto de 1949, saída do ventre de Edna Alves Matta, enquanto o alfaiate Cosme Braga da Silva, aguardava ansioso as notícias sobre seu bebê. A infância foi no bairro Vila Isabel, na Zona Norte do Rio de Janeiro. E, na escola – estudava em colégio público – já se destacava nos concursos de redação e sabia falar inglês, francês e latim. A vida profissional se inicia aos 16 anos: telefonista na Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel). Com o salário ajudava nas despesas de casa e pagava a mensalidade do curso de jornalismo na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Eram os anos 1960. A diversão? Samba. Glória Maria foi princesa do bloco carnavalesco Cacique de Ramos. E desta condição de realeza do Carnaval nasce sua história com a Globo. No programa do Chacrinha, com membros do bloco, ela pediu um emprego e conseguiu. Ingressa na emissora em 1970, trabalhando como radioescuta, como estagiária – quer dizer, sem salário – segue estudando para a profissão e como telefonista com os estudos, até ser efetivada na rede de TV carioca.

Em 1971, do ponto de vista tecnológico Glória Maria se torna a primeira repórter negra da TV brasileira e o seu primeiro desafio é cobrir o desabamento do Elevado Paulo de Frontin, no bairro Rio comprido, no Rio de Janeiro. Na época, os jornalistas não apareciam em vídeo. O que se via eram as imagens e a voz do repórter ou apresentador. Sua matéria de estréia em vídeo acontece em 1974 e é realizada no Hotel das Palmeiras, onde a Seleção Brasileira estava concentrada para os jogos da Copa do Mundo. Glória Maria é também a primeira repórter – e negra – a entrar ao vivo e a cores na televisão, direto da Avenida Brasil, no Rio de Janeiro, para o Jornal Nacional, e a primeira a realizar a primeira transmissão em High Definition (HD), é de imagens com “alta definição”. É da televisão brasileira, lá em 2007. Depois de, em 1984, antecipar, com exclusividade para o Jornal Nacional (RJ) parte do juramento olímpico do velocista Carl Lewis – então campeão mundial dos 100m rasos, antes mesmo da solenidade de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres, no estádio Los Angeles Memorial Coliseum, na Califórnia (EUA), é ela quem dá um salto dialético na carreira! Em 1986, entra para a equipe do Fantástico, seu rosto passsa a ser reconhecido e as experiências se tornam eletrizantes e estelares: Madonna, Leonardo Di Caprio, Nicole Kidman, Deserto do Saara, os caminhos de Jesus de Israel ao Egito, Lapônia, no Norte da Finlândia.

Ao lado do jornalista Pedro Bial, em 1998, Glória assume o comando do Programa de Domingo. Anos depois, em 2003, faz uma entrevista exclusiva com o presidente Luís Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), após a sua posse. Em 2004, Zeca Camargo e Guilherme Azevedo iniciaram uma jornada ao redor do planeta, com um roteiro pré-determinado pelos próprios telespectadores do programa FantásticoEm 2006, produz quadros de destaque durante uma viagem ao lado do escritor Paulo Coelho, na Rússia. Depois de quase dez anos de programa Fantástico, Glória Maria pede um tempo, se afasta das telas por dois anos, durante os quais descansa, se dedica a projetos pessoais e trabalhos voluntários na Índia e na Nigéria. Neste período, também, decide ser mãe e adota as irmãs Maria e Laura, em 2009. De volta em 2010, assina um novo contrato como repórter especial do programa Globo Repórter. Fora da TV, como eterna repórter, gosta de conversar bem próximo das pessoas, mas prefere manter sua vida pessoal longe dos holofotes e das redes sociais. De sua vida amorosa, se sabe de oito anos ao lado do engenheiro austríaco Hans Bernhard e seis anos com o francês Eric Auguin. Em 2008 teve um breve caso de relacionamento com o estudante de psicologia Bernardo Langlott e se casou, em segredo, com o produtor musical Carlos Araújo – mas cada um viveu em seu apartamento durante os quatro anos de relacionamento. Sua idade é outro mistério plausível, segundo Liza Andrade – ela diz que não revelar a idade é uma forma de não envelhecer mais cedo. E, para ajudar no rejuvenescimento, se exercita regularmente, faz jejuns e toma até cinco mil cápsulas de remédios naturais por semana. Em 2019, submeteu-se a cirurgia para retirar um tumor cerebral maligno. Passados alguns meses, declarou, em entrevista, que ainda prosseguia o tratamento do câncer. E, em janeiro de 2020, teve de ser internada devido a uma infecção pulmonar. Vivemos um tempo de visibilidade negra nas mídias, de quase celebração – não fosse o racismo evidene e sempre presente no nosso cotidiano -, mas Glória Maria vem de outro século, em que a presença negra no telejornalismo era quase solitária e sua posição simplesmente feminina e direta na tela da TV era ativismo.

No Brasil, a primeira transmissão televisiva deu-se em 28 de setembro de 1948, na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais. O responsável pela transmissão foi o técnico em eletrônica, o leopoldinense Olavo Bastos Freire. A experiência pioneira aconteceu da sacada do prédio onde seria mais tarde a Fundação Alfredo Ferreira Lage (Funalfa). Olavo ficou com uma câmera e uma antena. As imagens captadas da Avenida Rio Branco foram transmitidas em uma TV de três polegadas, instalada na Getúlio Vargas, onde funcionava a antiga Casa do Rádio. A tecnologia completa foi trazida para o Brasil por Assis Chateaubriand e foi inaugurada em 18 de setembro de 1950, quase dois anos depois da experiência pioneira de Olavo Bastos Freire (1915-2005). Naquela data, Chateaubriand fundou o primeiro canal televisivo no país, a TV Tupi. Na época, entretanto, o alto custo do aparelho televisor, que era importado, restringia o seu acesso às classes mais abastadas. O primeiro televisor montado no Brasil foi pela Sociedade Eletromercantil Paulista em 1951. Em 1977, a SEMP formaria uma joint-venture com a empresa Toshiba, passando a nova empresa a se chamar Semp Toshiba. A massificação de produção-consumo do aparelho aconteceu com a instalação de fábricas de televisores na Zona Franca de Manaus (AM) com a chegada da multinacional Sharp (1971) e outras empresas nacionais como a Gradiente, atraídas pelos incentivos fiscais. Em 2006, cerca de 12 milhões de televisores com cinescópio foram produzidos no Polo Industrial de Manaus (AM). Tendo em vista que o Brasil foi a sede da Copa do Mundo da Federação Intenacional de Futebol (FIFA) de 2014 e Jogos Olímpicos de Verão de 2016, a perspectiva é que, em 2014, o país seja estatisticamente o terceiro maior mercado mundial de televisores.

Na sociedade contemporânea, as notícias correm o mundo em tempo real através dos mais avançados meios tecnológicos. A expressão jornalismo em tempo real é uma figura de linguagem utilizada para associar a proximidade da instantaneidade com que a informação que é transmitida, do momento em que ocorre o fato a ser noticiado ao momento em que chega aos receptores, sejam eles leitores, telespectadores ou a opinião de público ouvinte. Para que exista, é necessário que haja concomitância da percepção sociológica dos fatos ao momento em que eles acontecem. Em suma, é nível máximo de prontidão, como “cão de guarda” como se referem os norte-americanos no jornalismo relativa à transmissão, processamento e/ou uso das informações. O tempo real é relativo à sua velocidade, que está associada ao instrumento de transmissão, nunca contendo matematicamente a suposição considerada como sendo exatamente real, devido ao tempo gasto com o processamento e a finalização do processo de trabalho e comunicação de difusão da informação. A rede global internet rompeu com a imprensa clássica ao ponto de centenas de jornais terem desaparecido após muitos anos de grande sucesso jornalístico e de empresa econômica. Em Portugal desde 2012 não há um jornal, diário ou semanário, economicamente viável, as despesas estão acima das receitas, o mesmo está ocorrendo com os custos das televisões e das rádios, com algumas poucas exceções. Nos massmídia global, o passado deixou de ter futuro, de modo definitivo. 

A maior contribuição de Karl Marx ao jornalismo per se foi sua inabalável profissão de fé na “liberdade de imprensa”, mais de uma vez registrado nas páginas do New York Tribune. Nos tempos de Marx, ainda não havia grandes monopólios de mídias, enquanto comunicação social e política massiva, sendo o jornal impresso uma das poucas fontes de informação e difusão de um conjunto de práticas e saberes sociais. A variedade de publicações, nas mais diversas correntes ideológicas era tão grande, que Marx habilmente pode utilizar o jornalismo, como forma de expressão política, porque existiam outras vozes ligada à origem do trabalhismo inglês para lhes fazer contrapontos. O próprio New York Tribune, fundado por Horace Greeley em 1841. Entre 1842 e 1866, o jornal adotou o nome New-York Daily Tribune, visceralmente abolicionista e vagamente socialista utópico, do qual Karl Marx (1818-1883) & Friedrich Engels (1829-1895) eram colaboradores assíduos, enviando àquele jornal, entre 1851 e 1862, mais de quinhentos (500) artigos, pôs a nu as diversas mazelas vitorianas, com destaque para as exorbitâncias do colonialismo britânico na Índia e na China, inclusive tendo repercussão política no continente latino-americano.

O culto socialmente da indiferença de classe social representa o hábito de estupidez de uma sociedade que perdeu o sentido de comunidade. O consumo é o leitmotiv do progresso que faz da cidade um lugar passageiro. Onde tudo pode ser destruído e reconstruído a qualquer momento, onde as histórias são substituídas por outras sem perspectiva de futuro. A forma do urbano, sua razão suprema, a saber, a simultaneidade e o encontro aparente não podem desaparecer. A cidade é fora de dúvida a maior vitrine, onde os episódios cotidianos da existência material são vividos e observados na indiferença da reprodução do capital. A ocupação divertida do urbano, por uma população sonhadora movida pelo acaso de viver o imprevisível, é descartada pela cidade contemporânea. A cidade é o palco da reprodução do “capital cultural” dominante, onde tudo se descobre ou se reinventa, e se apaga na mesma velocidade. Tudo é vivido na condição de espetáculo como se a vida urbana fosse um conjunto de cenas de teatro. A favela é fruto da falta de observação e de reconhecimento social e político de que o operário existe na construção civil irradiada pela visão de Chico Buarque. 

Ele é um ator social, construtor social e sua realidade não é virtual. O Brasil lento e demagógico demora a reconhecer a imprensa, historicamente, por causa da censura e da proibição de tipografias na Colônia, impostas pela Coroa Portuguesa. A falta de uma imprensa própria forçosamente limitava o desenvolvimento político e culturalmente, pois os livros e periódicos importados atingiam apenas uma pequena, talvez ínfima parcela de letrados na cidade do Rio de Janeiro neste período. Mas em contrapartida é espantoso que nos poucos anos que mediaram entre o início e o fim da “Impressão Régia”, notícias tenham sido publicadas. A própria heterogeneidade dos títulos revela curiosidade intelectual, e a nervura de interesses os mais diversos: romances, estudos históricos, poesia, teatro, crítica literária, astronomia, medicina, religião, saúde pública, e outras, tudo isso formando um emaranhamento de assuntos, de seleção difícil de discernir, mas sempre possível. O que é certo é que a Impressão Régia não se limitou à divulgação de apenas atos oficiais, como nos governos republicanos. Sua existência abriu caminho para numerosas edições, para o surgimento de editoras e tipografias, e criação de um mercado de livros que antes praticamente não existia. A única obra significativa de referência específica sobre a “Impressão Régia”, que existia até agora, era o trabalho de Alfredo do Valle Cabral, publicado nos Annales da Biblioteca Nacional, em 1831. É um clássico, mas contém falhas e incorreções, e o velho sonho de Rubens Borba de Moraes (1899-1986) sempre foi completa-lo, suprindo-lhe as deficiências e descrevendo os muitos títulos que lhe faltavam. 

Cuja existência só foi revelada pelas exaustivas pesquisas realizadas por ele e por Ana Maria de Almeida Camargo (1945-2023), promovida pela “Vitae”, pela Edusp – Editora da Universidade de São Paulo, pela livraria Kosmos e projeto gráfico de Diana Mindlin. Em 1848, jornais de Nova York se unem comercialmente para formar a agência “Associated Press”, durante a guerra dos Estados Unidos da América contra o México. O principal motivo da associação devido à guerra era contenção de custos entre as edições dos periódicos. Em 1851 o alemão Paul Julius Reuter (1816-1899) funda a agência “Reuters”. No mesmo ano é fundado o “The New York Times”, o principal jornal de Nova Iorque e atualmente um dos mais importantes nos Estados Unidos, para não falarmos em sua influência no mundo ocidental. A “United Press International” é criada em 1892, sendo pioneira no processo de globalização da cultura, política e informação. A agência alemã “Transocean” é fundada em 1915 para cobrir os eventos sociais e políticos da 1ª grande guerra na Europa (1914-1918), a weltanschauung da Tríplice Aliança. Em 1949, três agências alemãs se unem e formam a extraordinária Deutsche Presse-Agentur (DPA). Discordamos das teses aceitas de que o impacto de choque cultural é componente do desenvolvimento bem-sucedido da sensibilidade intercultural e da competência bicultural, entendido também como “aculturação”, que ocorre fenomenologicamente quando duas culturas distintas ou parecidas, são absorvidas uma pela outra, formando uma nova cultura diferente. Além disso, aculturação pode ser também a absorção de uma cultura pela outra, onde essa nova cultura terá aspectos da cultura inicialmente e da cultura assim absorvida.

A tese “Fatores socioculturais que retardaram a implantação da imprensa no Brasil” foi editada em livro, pelas editoras Vozes, em Petrópolis, Rio de Janeiro, no mesmo ano da defesa, com o nome de Sociologia da Imprensa Brasileira. Não foi o primeiro livro do autor, que antes dele já publicara outros quatro trabalhos dedicados ao universo da Comunicação, entre eles, Comunicação Social: Teoria e Pesquisa (1970) e Estudos de Jornalismo Comparado (1972). Ao referir à sua trajetória de pesquisa, o prof. Marques de Melo (1943-2018), destaca sua tese de doutoramento, ao referir-se a ela como a “primeira evidência que demonstrei academicamente”, ao propor que “o Brasil ingressou de modo tardio na civilização jornalística não por maldade dos nossos colonizadores, como defende a história oficial, mas em decorrência da nossa formação sociocultural, que reprimiu as demandas nacionais pela informação impressa, retardando desta maneira a produção de jornais e revistas”, resumiu o professor numa entrevista. A pesquisa é amparada, segundo o prefácio de Luiz Beltrão de Andrade Lima, por “uma construção metódica e consciente, em que não se aceitam os dogmas ou proposições que, submetidas, não possam resistir aos assaltos e impactos da dúvida que a observação e a experimentação, o raciocínio e as hipóteses, os dados, os fatos e os princípios, suscitam, a fim de possibilitar o surgimento da verdade e do rigor científico”.

Um exemplo extraordinário é o que ocorre com a cultura romana que logo por ser similar à grega torna-se uma cultura denominada greco-romana ou a chamada “interpenetração cultural”. Vale lembrar que o pernambucano José Marques de Melo obteve o título de doutor em Comunicação com a tese: “Fatores socioculturais que retardaram a implantação da imprensa no Brasil”, defendida, em 26 de fevereiro de 1973, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. O trabalho, que teve a orientação do Prof. Dr. Rolando Morel Pinto, representou a singularidade de ter sido a 1ª tese de doutorado defendida e aprovada no Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicações e Artes quando se propõe a abordagem através das representações do jornalismo e da imprensa. Inverter papéis” na sociedade racista dá certo? - Gabriela Moura ... Naquela conjuntura as teses eram defendidas em regime de doutorado direto, dentro do modelo europeu que ainda prevalecia nas universidades brasileiras. Os pesquisadores que defenderam suas teses nesse modelo foram os primeiros orientadores do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Escola de Comunicações e Artes nessa área - nos parâmetros prevalecentes. Vale lembrar que o primeiro doutor da Escola de Comunicação e Artes com tese em Jornalismo, seria um orientando do Prof. Dr. Marques de Melo, o também professor da Escola de Comunicação e Artes Carlos Eduardo Lins da Silva, que defendeu seu doutorado, intitulado: Muito Além do Jardim Botânico: um estudo sobre a audiência do Jornal Nacional da Globo entre trabalhadores (1984), representando uma brilhante análise de como um dos programas da TV de maior audiência do país é visto, comparativamente, em duas comunidades de trabalhadores, uma em São Paulo, outra no Nordeste. Uma análise, também, da chamada indústria cultural  e do telejornalismo em nosso país.

Bibliografia Geral Consultada.

CAMARGO, Zeca, A Fantástica Volta Ao Mundo. Rio de Janeiro: Editora Globo, 2004; MAGALHÃES, Felipe Santos, Ganhou, Leva, Só Vale o Que Está Escrito: Experiência de Bicheiros na Cidade do Rio de Janeiro: 1890-1960. Tese de Doutorado. Departamento de História. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2005; BOUNANNO, Milly, L’Etat della Télévisione. Esperienze e Teorie. Roma: Edizione Laterza, 2006; MIRANDA, Júlia, Imaginários Sociais em Movimento: Oralidade e Escrita em Contextos Multiculturais / Júlia Miranda, Ismael Pordeus, François Laplantine (Orgs.), Lyon, França: Universidade de Lyon 2 - Fortaleza, Brasil: Universidade Federal do Ceará - Campinas, Brasil: Pontes Editores, 2006;  FREITAS, Eduardo Luiz Viveiros, Política e Internet: 4 Jornalistas (Blogueiros) em Novos Tempos. Tese de Doutorado. Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2010; AMORIM, Paulo Henrique, O Quarto Poder: Uma Outra História. 1ª edição. São Paulo: Editora Hedra, 2015; MELO, Seane Alves, Discursos e Práticas: Um Estudo do Jornalismo Investigativo no Brasil. Dissertação de Mestrado. Escola de Comunicações e Artes. Universidade de São Paulo, 2015; WILLIAMS, Raymond, Televisão: Tecnologia e Forma Cultural. São Paulo; Belo Horizonte: Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, 2016; SOUZA, André Barcellos Carlos de, Televisão e (Des)razão. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Educação. Faculdade de Educação. Goiânia: Universidade Federal de Goiás, 2017; HORA, Caroline, Além de Glória Maria: A Representatividade da Mulher Negra no Telejornalismo Brasileiro Atual. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2018; GONZALEZ, Lélia, Por um Feminismo Afro-latino-americano: Ensaios, Intervenções e Diálogos. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 2020; SILVA, Glória Maria Matta, Roda Viva. [Entrevista concedida a] Cláudia Lima. Roda Viva, TV Cultura, 14 mar. 2022; BENTO, Cida, O Pacto da Branquitude. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2022; Artigo: “Glória Maria: Nosso Diamante do Jornalismo Foi Para Casa”. In: https://jornalistas.org.br/2023/02/02/; FABBRI JÚNIOR, Duílio, Glória Maria: Glória Maria Matta da Silva. Campinas: Editora Mostarda, 2024; GALLO, Elisiele Máximo da Silva, Mulheres Negras no Jornalismo: Uma Análise do Grupo Herdeiras de Glória Maria. Monografia de Graduação em Jornalismo. Brasília: Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, 2024; CARDOSO, Aíla Cristhie dos Santos, A Cor de Quem Escreve Narra a História de Quem Lê: Jornalismo Negro no Brasil, História e Relações com os Movimentos Negros. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Comunicação.  Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa. São Cristóvão: Universidade Federal de Sergipe, 2025; entre outros.