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sábado, 29 de março de 2025

Millenium – Cinema & Homens que Não Amavam as Mulheres.

      Não existem inocentes, apenas diferentes graus de responsabilidade”. Stieg Larsson

          Em 1966, Harriet Vanger, jovem herdeira de um império industrial, some sem deixar vestígios. No dia de seu desaparecimento, fechou-se o acesso à ilha onde ela e membros de sua extensa família se encontravam. Desde então, a cada ano, Henrik Vanger, o velho patriarca do clã, recebe, no dia de seu aniversário, uma flor emoldurada - o mesmo presente que Harriet lhe dava, até desaparecer misteriosamente. Henrik está convencido de que ela foi assassinada e que um Vanger a matou, provavelmente por ganância, pelo fato social de ela ser a virtual herdeira de todo o império industrial de Henrik. O livro desenvolve-se apresentando os fatos cotidianos e os vários personagens pouco a pouco, deixando o leitor curioso sobre o desfecho da história. Mikael Blomkvist é um jornalista e cofundador da revista Millenium, que se dedica principalmente a desmascarar escândalos na alta finança, mas que acabou de ser declarado culpado de um caso de difamação a uma as mais influentes personalidades suecas. Lisbeth Salander é uma investigadora excepcional e irreverente, que trabalha em uma empresa de segurança, com muitos trunfos na manga, que irá juntar forças com Mikael para desvendar o mistério da família Vanger. É considerada dependente do ponto de vista da Justiça, pelo fato de ser aparentemente desequilibrada, o que se revela sendo um equívoco ao longo do livro, tendo em vista que é uma jovem muito astuta e inteligente, já teve várias famílias adotivas e fugiu de todas. Henrik Vanger é um grande empresário na reforma com um passado familiar conturbado, mas que anda obcecado há 40 anos com o desaparecimento da menina dos seus olhos, a sua sobrinha Harriet Vanger.

            O filme Os Homens que Não Amavam as Mulheres (2012) baseiam-se no livro do escritor sueco Stieg Larsson (1954-2004), o primeiro da Trilogia Millennium. Trata-se de um enigmático romance “huis clos” ambientado na ilha fictícia de Hedestad, Suécia. Huis clos (“Entre quatro paredes”) é uma peça teatral de Jean-Paul Sartre (1905-1980), escrita em 1944. Marcada pelo existencialismo do autor, é reconhecida pela frase mundialmente famosa: “O inferno são os outros”, dita pelo personagem Garcin. Em 1966, Harriet Vanger, jovem herdeira de um extraordinário império industrial, some sem deixar vestígios. No dia de seu desaparecimento, fechou-se o acesso à ilha onde ela e membros de sua extensa família se encontravam. Desde então, a cada ano, Henrik Vanger, o velho patriarca do clã, recebe, no dia de seu aniversário, uma flor emoldurada - o mesmo presente que Harriet lhe dava, até desaparecer. Henrik está convencido de que ela foi assassinada e que um Vanger a matou, provavelmente por ganância, pelo fato dela ser a virtual herdeira de todo o império industrial de Henrik. O livro desenvolve-se apresentando os fatos sociais e os vários personagens pouco a pouco, deixando o leitor curioso sobre o desfecho da história social. Foi um jornalista e escritor sueco, famoso pela trilogia policial Millennium, livros publicados postumamente, após a morte súbita de Stieg, em 2004. A trilogia representou um sucesso de crítica e de público em todos os países em que foi lançada. No seu país de origem, Suécia, uma em cada quatro pessoas leu pelo menos um exemplar da série. Em 2011 o filme ganhou o British Academy Film Awards (BAFTA) na categoria social de Melhor filme em língua não inglesa.

Desapareceu sem deixar testemunhas, qualquer prova, como se houvesse crime perfeito, mas Henrik está convencido que foi assassinada. Aproveitando-se da problemática situação em que se encontra Mikael, Henrik pede-lhe para escrever um livro sobre a biografia da família Vanger, como desculpa para investigar o desaparecimento de Harriet. Dragan Armanskij é dono da empresa na qual Lisbeth trabalha, a Milton Security. Ele tem um afeto especial por sua funcionária, a quem trata gentilmente. Stieg Larsson recebeu o Prêmio Chave de Vidro para o Melhor Romance Policial da Academia Sueca de Ficção Policial, pelo livro Män som hatar kvinnor em 2006. Uma questão de dimensão social e política na esfera do projeto social democrata, por muitos caracterizada como transformadora do sistema, foi o projeto de constituição dos “fundos de assalariados”, apresentado pelo Partido Socialdemocrata e elaborado originalmente no interior do movimento sindical. A proposta consistia na transferência de uma parte dos ganhos das empresas de certo tamanho, a fundos especiais por ramo industrial, geridos por diretórios com uma maioria de representantes dos assalariados. Os defensores do projeto costumavam apresentá-lo como um terceiro passo na luta do movimento operário para a transformação da sociedade; o primeiro passo tinha consistido na conquista da democracia política e o segundo, no estabelecimento de uma sociedade de bem-estar. Agora, o direito de cidadão em geral, os assalariados, seriam coparticipes da propriedade real do capital. Os adversários do projeto vociferavam, acusando a socialdemocracia de ter abandonado seu pragmatismo anterior, de ter tirado sua máscara e de estar disposta a instaurar uma nova e perigosa modalidade de socialismo na sociedade sueca. Comparado com o desenho originalmente, o projeto finalmente aprovado em 1983, após grandes discussões políticas, mostrou-se uma versão muito diluída do primeiro. O debate tão inflamado foi paulatinamente esfriando.

         Chama-se jornalismo político a especialização da profissão jornalística nos assuntos relativos à política global em níveis local, regional e nacional, ao parlamento, aos partidos e a todas as esferas de poder formal na sociedade. Em vários veículos, a cobertura política é fundida com a editoria Nacional. As pautas do jornalismo político incluem a cobertura de eventos tais como: 1) eleições, revoluções, golpes de Estado, votações parlamentares, decretos, negociações entre partidos e blocos de poder etc., 2) as instituições que geram produtos e fatos políticos: governos, ministérios, secretarias, partidos, órgãos oficiais, institutos de pesquisa de opinião, as políticas públicas dos ministérios da área institucional, secretarias de governo e o dia-a-dia do poder. Nestes assuntos incluem-se: negociações, acordos e trâmites de projetos de lei, mudanças de cargos, processos contra políticos e ocupantes de cargos públicos, além de escândalos políticos, abuso de poder, tráfico de influência e a invenção da corrupção. Como na maior parte das especializações jornalísticas, as fontes primárias de Política são divididas entre protagonistas políticos, inclusive sem cargo público, autoridades públicas: presidentes, governadores, prefeitos, ministros, secretários, senadores, deputados, vereadores, especialistas ou analistas políticos, cientistas sociais e cientistas políticos, politólogos, antropólogos e usuários, estes sim, os eleitores, contribuintes, correligionários. Não por acaso os jornalistas que cobrem política em nível nacional costumam ser concentrados naturalmente na capital do país.

A trilogia foi adaptada em três filmes cinematográficos na Suécia e um nos Estados Unidos da América apenas do primeiro livro. A editora então, do ponto de vista merceológico, encomendou uma expansão da trilogia ao escritor David Lagercrantz, totalizando seis livros. Lagercrantz nascido em Solna, em 4 de setembro de 1962 é um escritor, jornalista e conferencista sueco. A sua obra mais conhecida é a biografia do futebolista sueco Zlatan Ibrahimović, escrita em conjunto por ele e pelo biografado, com o título Jag är Zlatan Ibrahimović, literalmente: Eu sou o Zlatan Ibrahimović, publicada em 2011, e traduzida para 4 línguas estrangeiras. Em 2013, recebeu da editora Norstedts a incumbência de escrever uma continuação da Trilogia Millennium de Stieg Larsson. O novo romance policial recebeu o título Det som inte dödar oss, literalmente: O que não nos mata, e foi publicado em 2015. Foi o segundo autor mais bem-vendido no mundo em 2008, atrás apenas de Khaled Hosseini, após o sucesso da tradução de seu primeiro livro, The Girl With the Dragon Tattoo. O último livro da trilogia, The Girl Who Kicked the Hornets` Nest, tornou-se um sucesso nos Estados Unidos da América, em 2010.

Em março de 2015, a série vendeu mais de 80 milhões de cópias pelo mundo. Stieg Larsson foi um dos mais influentes jornalistas e ativistas políticos suecos. Trabalhou na destacada TT News Agency; anteriormente Tidningarnas Telegrambyrå até 2013, que significa “o escritório de telegramas do jornal” é uma agência de notícias sueca, a maior da Escandinávia, de propriedade conjunta dos jornais do país e dos grupos de mídia por trás deles. Os serviços da TT são usados como fonte exclusiva de notícias nacionais por muitos veículos de comunicação locais. A TT News Agency é o serviço nacional de notícias da Suécia, com uma história que remonta à década de 1920. Fornece artigos de notícias, imagens, vídeos e infográficos para veículos de comunicação, empresas e autoridades públicas da Suécia. A TT News Agency é classificada como uma das agências de notícias mais lucrativas da Europa. O número de funcionários é, em 2018, de 208 pessoas. É de propriedade privada das maiores empresas de mídia suecas e está livre de quaisquer esferas governamentais, religiosas ou políticas. O Chief Executive Officer (CEO), que significa Diretor Executivo, é o cargo mais alto de uma empresa, ipso facto, hierarquicamente acima dele apenas o dono ou presidente, e editor-chefe é Per-Anders Broberg.

À frente da revista Expo, fundada por ele, denunciou organizações neofascistas e racistas. É coautor de Extremhögern, livro sobre a extrema direita em seu país. Stieg Larsson nasceu em 15 de agosto de 1954, nominalmente como Karl Stig-Erland Larsson, em Skelleftehamn. Seu pai e seu avô materno trabalhavam na fundição local. Sofrendo de envenenamento por arsênico, seu pai se demitiu e a família se mudou para Estocolmo. A família vivia em condições difíceis e decidiram deixar o Stieg, de apenas um ano para trás. Até os 9 anos, ele morou com seus avós em uma pequena cabana no interior, perto da vila de Bjursele, na comuna de Norsjö. Ele estudou na escola da vila e costumava esquiar até chegar lá durante os longos invernos suecos, época que ele lembrava de ter sido muito boa de se viver. Stieg Larsson não gostava do movimento ambiente urbano da cidade de Umeå, para onde ele se mudou para conviver com os pais depois que seu avô, Severin Boström, morreu de infarto aos 50 anos. Larsson se formou na escola secundária em 1972 então se candidatou a uma vaga na Joint Colleges of Journalism, em Estocolmo, mas não passou no exame de admissão. Em 1974, Larsson foi convocado pelo Exército devido à lei de alistamento e serviu 16 meses de serviço obrigatório, treinando com morteiros na unidade de infantaria em Kalmar. Sua mãe, Vivianne, morreu em 1991, devido a complicações de um câncer de mama e a um aneurisma.

          Seus habitantes, por extensão, se denominaram burgensis, burgari - burgueses - termo atestado pela primeira vez de forma corrente no século VIII. Com a conquista normanda da Inglaterra o termo bürg foi importado e aparece no século XII como bury, borough, burgh, denominando uma cidade. Aparece na mesma época também no Norte do Reino da França. O conceito é associado ao de cidadania, cujas origens históricas estão na Antiguidade. Tanto a Grécia como Roma organizaram suas sociedades urbanas de maneira a integrar um corpo de cidadãos, que viviam em um espaço físico bem definido, eram regidos por leis específicas e detinham relevantes direitos políticos, não atribuídos a outras classes. Após a queda do Império Romano as cidades entraram em declínio comercial e a população se ruralizou em larga proporção. No processo social e de comunicação através de crescimento dos burgos o estatuto de cidadão adquiriu uma base jurídica diferenciada. Passou a ser exclusivo dos habitantes livres, ou homens livres do servilismo ou escravidão, e capazes de exercer direitos especiais. A este grupo social específico, apenas, ficou restrito o uso do termo burguês, um sinônimo de cidadão. Outros residentes dos burgos passaram a ser em alemão: Lumpen-proletariat (lumpen, “trapo, farrapo” + proletariat, “proletariado”), ou “lumpesinato”, ou ainda “subproletariado”, designando na economia marxista, a população situada socialmente abaixo do nível do proletariado, do ponto de vista das condições sociais de vida e de trabalho, formada por frações pobres de miseráveis, não organizadas do proletariado, não apenas destituídas de recursos econômicos, mas também desprovidas de consciência de classe, não sendo suscetíveis de servir aos interesses particulares da burguesia.

Em 1982, a social-democracia conseguiu, entretanto, recuperar o controle do governo. Em 1979, tornou-se membro da Comissão Norte-Sul da Organização das Nações Unidas (ONU), encarregada de melhorar as relações entre os países industrializados e o 3º Mundo. Como presidente da Comissão das Nações Unidas para Questões de Desarmamento e Segurança, lutou a partir de 1981 por uma Escandinávia livre de armas atômicas. De volta ao poder em 1982, Olof Palme passou dois anos trocando acusações com a União Soviética, devido à presença de submarinos soviéticos em águas territoriais suecas, desta vez sem esquecer a política interna. Com uma desvalorização da coroa sueca e uma série de medidas drásticas, seu governo conseguiu retomar as rédeas da economia. A modificação das relações políticas e partidárias fez com que a organização social e política da Suécia, apesar da manutenção de um consolidado sistema pluripartidarista, se aproximasse do sistema clássico de contradição e oposição assimétrica exequível do bipartidarismo anglo-saxão com mediações complexas um bloco liberal oposto ao socialista.  Mas a Suécia continua a ser uma economia pujante e com um Estado Social que é continuamente repensado através de suas lutas sociais e políticas, à medida das capacidades da economia sueca e não de certas e determinadas correntes ideológicas que fazem lobby junto do poder político e usam sindicatos como “correias de transmissão” dos partidos políticos, como é lugar-comum em Portugal e outros países continentais do Sul da Europa.

O bipartidarismo tradicional nasce após a Revolução Francesa. Com maior ou menor êxito, foram sendo implantados na Europa parlamentos bipartidaristas nos quais se apresentaram sempre dois blocos opostos que se rivalizam em conservadores e liberais. Uma interpretação muito comum, mas errônea quando se fala do Estado Social na Suécia, é a ideia de representação social de que este foi o resultado político de um produto exclusivo da esquerda e que anteriormente às ideias socialistas que germinaram no século XIX, não existia qualquer tipo de Estado Social nesse país. Na realidade, foi a Igreja sueca que lançou as primeiras pedras na construção do Estado Social sueco, quando esta instituiu em 1734 a obrigação de cada paróquia ter um asilo para os mais desfavorecidos e economicamente carenciados. O sistema eleitoral dessa instituição cristã é único no mundo. A cada quatro anos, os cidadãos filiados à igreja elegem nominalmente uma espécie de Parlamento da Igreja Sueca (“Svenska kyrkan”), a que é a maior organização religiosa do país. Esse Parlamento é composto tanto por representantes do clero como por leigos e tem o poder de decidir não só questões mundanas, como a reforma das paróquias e o valor de doações a países pobres, mas também assuntos de ordem teológica, mas também de ordem sociológica, a exemplo do casamento entre pessoas do mesmo sexo, aprovado pela Igreja Sueca em 2009. Até a segunda metade do século XIX a Suécia manteve-se um país relativamente pobre e tipicamente subdesenvolvido no quadro comparativo da Europa que tinha então já iniciado a sua industrialização nos países economicamente mais avançados.

            Uma interpretação muito comum, mas errônea quando se fala do Estado Social na Suécia, é a ideia de representação social de que este foi o resultado político de um produto exclusivo da esquerda e que anteriormente às ideias socialistas que germinaram no século XIX, não existia qualquer tipo de Estado Social nesse país. Na realidade, foi a Igreja sueca que lançou as primeiras pedras na construção do Estado Social sueco, quando esta instituiu em 1734 a obrigação de cada paróquia ter um asilo para os mais desfavorecidos e economicamente carenciados. O sistema eleitoral dessa instituição cristã é único no mundo. A cada quatro anos, os cidadãos filiados à igreja elegem uma espécie de Parlamento da Igreja Sueca (“Svenska kyrkan”), a que é a maior organização religiosa do país. Esse Parlamento é composto tanto por representantes do clero como por leigos e tem o poder de decidir não só questões mundanas, como a reforma das paróquias e o valor de doações a países pobres, mas também assuntos de ordem teológica, mas também de ordem sociológica, a exemplo do casamento entre pessoas do mesmo sexo, aprovado pela Igreja Sueca em 2009. Até ao início da segunda metade do século XIX a Suécia manteve-se um país relativamente pobre e “subdesenvolvido economicamente, no quadro da formação política na Europa que tinha então já iniciado a sua industrialização nos países economicamente mais avançados. Até ao início do século XX a Suécia manteve um crescimento econômico acelerado, para o qual contribuíram também as inovações tecnológicas e esforços técnico-científico constituído por vários inventores e empreendedores suecos.

            Ainda no século XIX, surgem diversas empresas inovadoras, chamadas por Erixon (1996) de “empresas gênio”. A primeira delas foi a Atlas, mais tarde reconhecida como Atlas Copco, fundada em 1873. Sua produção econômica foi, inicialmente, voltada para equipamentos pesados ferroviários, mais tarde entrando no mercado de compressores de ar e perfuratrizes. Em 1876, é fundada a Ericsson, que instalou sistemas telefônicos por todo o país. Seu sucesso foi tão grande que, em 1885, Estocolmo era a cidade com o maior número de telefones instalados em todo o mundo. No final da década de 1870, surge a Alfa-Laval, empresa que produz máquinas de laticínios. Em 1891, funda-se a ASEA, produtora de motores de corrente alternada e de equipamentos de transmissão de energia elétrica de longa distância. Em 1904, surge a AGA, que em poucos anos torna-se líder mundial de equipamentos de gás para uso industrial e médico. Por fim, em 1907, é fundada a SKF, produtora de rolamentos, que também assume rapidamente uma posição de líder global em seu segmento. O surgimento de empresas como a Ericsson (1876), a Volvo (1927), a Saab (1937) são alguns exemplos reais daquilo que foram e representaram nas últimas décadas do século XIX e as primeiras do século XX para a consolidação da economia sueca. A Suécia deixou assim de ser apenas mais um país rural e com uma economia baseada quase exclusivamente na em produtos primários da agricultura (e pesca), para se transformar volitivamente, numa Nação moderna e competitiva pautada por um claro investimento econômico no processo de industrialização mecanizada e urbanização articulada com a demanda social.  

Até ao início do século XX a Suécia manteve um crescimento econômico acelerado, para o qual contribuíram também as inovações tecnológicas e esforços técnico por vários inventores e empreendedores suecos. Ainda no século XIX, surgem diversas empresas inovadoras, chamadas por Erixon (1996) de “empresas gênio”. A primeira delas foi a Atlas, mais tarde reconhecida como Atlas Copco, fundada em 1873. Sua produção econômica foi, inicialmente, voltada para equipamentos pesados ferroviários, mais tarde entrando no mercado de compressores de ar e perfuratrizes. Em 1876, é fundada a Ericsson, que instalou sistemas telefônicos por todo o país. Seu sucesso foi tão grande que, em 1885, Estocolmo era a cidade com o maior número de telefones instalados em todo o mundo. No final da década de 1870, surge a Alfa-Laval, empresa que produz máquinas de laticínios. Em 1891, funda-se a ASEA, produtora de motores de corrente alternada e de equipamentos de transmissão de energia elétrica de longa distância. Em 1904, surge a AGA, que em poucos anos torna-se líder mundial de equipamentos de gás para uso industrial e médico. Por fim, em 1907, é fundada a SKF, produtora de rolamentos, que também assume rapidamente uma posição de líder global em seu segmento. O surgimento de empresas no ramo industrial como a Ericsson (1876), a Volvo (1927), a Saab (1937) são alguns exemplos reais daquilo que foram e representaram nas últimas décadas do século XIX e as primeiras do século XX para a consolidação da economia sueca. A Suécia deixou assim de ser apenas mais um país rural e com uma economia baseada quase exclusivamente em produtos primários da agricultura (e pesca), para se transformar numa Nação moderna e competitiva pautada no processo de industrialização mecanizada e urbanização articulada com a demanda social.

No início do século XIX, quase toda a população mundial vivia no campo e produzia alimentos, por sua teoria alimentar para o controle do aumento populacional, reconhecida como malthusianismo e na Suécia não era diferente. Isso quer dizer que a produção econômica de cada país e seu padrão de vida era determinada por sua capacidade de produzir alimentos. As condições naturais ao redor do polo norte não são particularmente favoráveis para atividades agropecuárias, mormente Suécia, Noruega e Finlândia estavam entre os países europeus de fato mais pobres historicamente. Apesar disso, a Suécia vinha de uma revolução pró-mercado na agricultura que seria importante para o rápido crescimento que viria mais adiante. Nos anos entre 1790 e 1815, o governo transferiu a propriedade de grandes áreas rurais para fazendeiros, estimulando o livre mercado na produção e comercialização de produtos do setor primário. Isso criou no país um ambiente onde o mecanismo de preços de mercado direcionava as ações dos agentes. Outras características fundamentais foram os investimentos que fizeram em canais e estradas e o surgimento de companhias de comércio e de sociedades de crédito para financiar capital. Por fim, a Suécia foi o primeiro país do mundo ocidental a ter escolas públicas e gratuitas, criando uma população alfabetizada e muito mais economicamente produtiva. Esse ambiente favorável causou positivamente um “surto demográfico” e de prosperidade que terminou de abrir as portas para a industrialização. Até meados do século XIX, micro-indústrias espalhadas pelas zonas rurais do país, principalmente de aço e madeira, desenvolveram-se em organizações maiores e especializadas, caracterizando uma I Revolução Industrial. Nos anos 1850, a maior parte das tarifas e barreiras às importações foram abolidas, e em 1873, o país adotou economicamente o padrão-ouro, o que significa paridade fixa da moeda oficial e o ouro. 

Além disso, a malha ferroviária foi largamente ampliada, tanto pelo governo como por empresas, interligando todo o país. Com uma área terrestre de 407 311 km², um comprimento de 1 572 km e uma largura de 499 km, a Suécia é o terceiro maior país da União Europeia em termos de superfície. É constituída por um terreno plano ou ondulado na sua parte sul, enquanto a parte norte apresenta uma planície costeira seguida de um interior acidentado culminando em alta montanha junto à fronteira com a Noruega. Como consequência topográfica, a Suécia pôde especializar-se na produção e exportação de bens que a Europa demandava: aço, madeira e aveia, enquanto importava tudo aquilo que não produzia internamente. No final do século, era um dos países mais abertos ao comércio exterior da Europa. Com o aumento abrupto nas exportações, os investimentos na indústria também aumentaram. Estima-se que entre 1850 e 1890, a taxa de investimento sobre o PIB tenha crescido de 5% para 10%. A abertura comercial permitiu ao país importar pesada quantidade de bens de capital, sendo um dos aspectos essenciais para a segunda Revolução Industrial que viria em seguida. O outro foi o robusto mercado de crédito e capital que se desenvolveu. Em 1848 foi editada uma lei de sociedades abertas, e em 1866 foi estabelecida a Bolsa de Valores de Stockholm (cf. Hilferding, 2011), o principal mercado de valores dos países nórdicos. Foi fundada em 1863, tendo sido adquirida em 1998 pela empresa sueco-finlandesa OMX, a qual, por sua vez, aderiu em 2008 à NASDAQ OMX Group. O principal índice de referência da Bolsa de Valores de Estocolmo é o OMX-S30. Este índice engloba as 30 empresas com maior volume de negócios da bolsa. Ao banco central sueco foi estabelecido em 1897 a legalidade contratual de prover liquidez ao mercado de crédito, fomentando a criação de bancos, que por sua vez financiavam pequenos negócios. Novas indústrias surgiram, em diversos novos setores e, em alguma medida substituíram os setores antigos, que agora encontravam competição internacional mais acirrada. Em suma, nos primeiros anos do século XX a economia sueca era robusta, estável e naturalmente dinâmica.               

As políticas econômicas desse período foram, portanto, quase todas liberais. Benefícios sociais, redistribuição de lucros, alta carga tributária, e todas as coisas que caracterizam o Estado do Bem-Estar Social não estiveram presentes até 1950. A Suécia era um país que tinha, para sua época, um mercado livre e, consequentemente, forte. E isso se reflete em sua taxa média de crescimento: Crescimento médio do PIB per capita no período, ajustado pelo poder de compra de cada país ou região. Aqui já temos o argumento mais forte de todos para refutar a hipótese de que o Estado do Bem-Estar Social trouxe qualidade de vida aos suecos: antes mesmo de serem adotadas as medidas que caracterizam essa linha de condução econômica, o sueco já tinha poder de compra 1,68x o europeu e 3,21x o mundial. É senso comum que a causa não pode ocorrer cronologicamente depois do efeito, então não é possível que as políticas adotadas a partir de meados do século XX expliquem o alto padrão de vida dos suecos em 1950. Essa explicação vem, na verdade, das políticas conduzidas durante 100 anos anteriores ao pós-guerra. A diferença de taxas de crescimento pode parecer pouca, mas ao aplicá-las pelos 130 anos a que correspondem, percebemos que o PIB per capita sueco aumentou mais de oito vezes no período, enquanto que o europeu não aumentou nem quatro. PIB per capita dos países europeus em 1950, em dólares internacionais de 1990 e ajustado ao poder de compra de cada país. Com tamanha abundância de recursos, muitas famílias suecas faziam caridade. De acordo com Per Bylund, isso foi determinante para que a aceitasse que o Estado assumisse o papel de organizar e distribuir essas assistências.

Todo o Estado do Bem-Estar Social sueco foi idealizado e construído pelo Partido Social Democrata (SAP), na sigla em sueco. Dos quase 110 anos em que a Suécia foi um reino separado da Noruega, o partido esteve no poder por nada menos que 69 deles, inclusive 40 anos ininterruptos, entre as décadas de 1936 e 1976. Desde seu primeiro governo, na década de 1920, o SAP já buscava nacionalizar a economia no bom e velho estilo de economia política soviético. Diante da dificuldade política encontrada nessa abordagem, mais adiante escolheu-se deixar a produção de bens a cargo dos procedimentos técnicos capitalistas, mas deram ao Estado a responsabilidade intervencionista da “justa distribuição” de seus frutos à sociedade. Em um congresso de 1951, dois economistas de uma confederação sueca de sindicatos, Gösta Rehn e Rudolf Meidner, apresentaram um programa de políticas macroeconômicas reconhecido como modelo Rehn-Meidner (cf. Quintas, 2017), também chamado Modelo Sueco. Esse modelo serviu para a condução econômica no país pelo menos até início da década de 1970, mesmo que nem sempre tenha se conseguido cumpri-lo à risca. Nos anos que se seguiram da 2ª guerra mundial, a economia sueca estava superaquecida pelo processo de reconstrução europeu. O problema que antes da guerra de desemprego, agora era de inflação causada pela disputa por mão-de-obra. O governo tentou, através de diversas medidas conter a inflação, entre elas um congelamento de salários em 1949 e 1950.

O modelo Rehn-Meidner de política econômica e salarial desenvolvido em 1951 por dois economistas do Departamento de Pesquisa da Confederação Sindical Sueca (LO), Gösta Rehn e Rudolf Meidner. Os quatro principais objetivos a serem alcançados foram: inflação baixa, pleno emprego, alto crescimento e igualdade de renda. O modelo foi teorizado como tentativa de solucionar o problema da inflação, mas sem abrir mão do pleno emprego vigente. Recomendava-se usar gastos públicos e impostos para manter o nível de atividade econômica logo abaixo daquele que normalmente seria o de pleno emprego e que pudesse, portanto, gerar pressões inflacionárias. As “ilhas de desemprego” que sobrassem seriam eliminadas através da indução de políticas ativas de planejamento no mercado de trabalho, ao por exemplo determinar “retreinamento” ou “realocação de trabalhadores”. A partir de meados da década de 1950, as negociações salariais passaram a ser conduzidas centralizadamente entre as centrais sindicais conjuntas de patrões e empregados. Essas negociações resultaram em aumentos nos salários de trabalhadores pouco produtivos, e imposição de limites aos salários mais altos, parte do que o modelo cunhou de “política salarial solidária”. A Suécia foi também o primeiro país do mundo a recuperar-se da Grande Depressão de 1929, o colapso do capitalismo e também do liberalismo econômico e o fato de ter conseguido manter a sua neutralidade axiológica durante a 1ª grande guerra (1914-1918) e a 2ª guerra mundial (1939-1945) permitiu-lhe evitar a destruição e morte que arruinou economicamente países da Europa durante décadas e abriu as portas à ocupação soviética a outros tantos. 

A revista Life descreveu em 1938 a Suécia como sendo o país com o “padrão de vida mais elevado do Mundo”.  Padrão este, segundo Nobre (2014) que nada teve de socialista ou se baseou sequer em qualquer tipo de modelo socialista ou marxista. As empresas não lucrativas do mercado deveriam ser empurradas para o que se convencionou chamar de política salarial solidária, com aumento dos salários reais em linha com o crescimento da produtividade, obrigando-as a melhorar sua capacidade produtiva para melhorar a rentabilidade, por meio de medidas como também o ajuste estrutural. como robotização e automação da produção, e através de meios subjetivos mais indiretos, como melhores condições de trabalho, com o objetivo de diminuir as taxas de licenças médicas e aumentar a produtividade. Tudo isso liberou recursos de trabalho, que foram então mobilizados em corporações de alta produtividade, por meio de políticas ativas de mercado de trabalho, visto que se beneficiaram dos custos do trabalho comparativamente favoráveis ​​a eles e estavam expandindo a produção à medida que a demanda geral aumentava quando os salários reais e o poder de compra aumentavam. Isso levou a tomada de lucros crescentes que foram reinvestidos na melhoria da capacidade produtiva dessas empresas, em parte para aumentar a lucratividade, em parte para atender à demanda crescente, em parte porque os incentivos fiscais favoreceram investimentos de típicos de longo prazo em Pesquisa & Desenvolvimento, ao invés de capital ganhos e dividendos e, em parte, para que essas corporações não se tornem improdutivas e corram o risco de falência, garantindo alto crescimento da produtividade e aumento dos salários. 

O modelo é estatizante e intervencionista, baseado em uma interação sociológica entre a economia fiscal keynesiana, o crescimento real dos salários, as políticas ativas do mercado de trabalho e a intervenção estatal. O objetivo era criar uma espiral positiva como parte do ciclo de negócios, de acordo com a teoria keynesiana, permanece a ideia de que o importante, em termos de política fiscal, não é a geração de déficits, mas sim o papel do gasto público na complementação de uma demanda efetiva insuficiente, uma vez que a criação de um Estado de bem-estar expansivo e o investimento público para manter a demanda doméstica ao longo dos ciclos econômicos garantiam segurança, proteção e estabilidade ao trabalho, capital, empresas e consumidores. Isso, por sua vez, ajudou a garantir baixa inflação, ao ajudar a evitar espirais salários-preços e, assim, fortaleceu os sindicatos com os salários reais em linha com o crescimento da produtividade, combinado com os efeitos do Estado de bem-estar e programas sociais, levou ao aumento do poder de compra e da confiança do consumidor. Resultando em aumento da demanda geral e aumento, manter um ciclo que levou a altas taxas de crescimento e pleno emprego, alimentado por tributação progressiva e redistribuição da riqueza, que aumentou ainda mais o poder de compra e garantiu a igualdade de renda.

O boom econômico que tomou conta da Europa no pós-guerra e que ficou conhecido como o período dos Trinta Anos Gloriosos por só ter terminado com a crise do petróleo em 1973, conferiu ainda mais prosperidade e pujança à já muito forte economia sueca. Designa o período compreendido de 1945 a 1975 que se seguiram ao final da 2ª guerra mundial e que constituíram um período de crescimento económico na maioria dos países notadamente os membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), uma organização econômica intergovernamental criada por 37 países membros, fundada em 1961 para estimular o progresso econômico e o comércio mundial através dessas lideranças. Basta ter-se em conta que em 1970 a Suécia ocupava normalmente o 3º lugar nos rankings mundiais comparativos de rendimento per capita. Contudo, a crise do petróleo de 1973 e o fim dos Trinta Gloriosos não deixou a Suécia, nem nenhuma outra economia da Europa imune aos seus efeitos. As consequências foram um abrandamento da subida do padrão de vida na Suécia, a que se seguiu a grave recessão económica do início da década de 1990 e que obrigou a uma reforma do Welfare State sueco, que havia se tornado “demasiado pesado”, na falta de melhor expressão e desajustado em relação à economia do país. Os problemas económicos trazidos por um Estado Social trabalhista são notórios que entre 1950 e 1975 a despesa do Estado sueco em políticas sociais subiu de 20% para 50% do PIB.

As figuras dominantes da política sueca destas décadas foram também personalidades novas. Por um lado, Olof Palm, que em 1969 tinha sucedido a Tage Erlander como líder socialdemocrata, manteve-se como tal durante 16 anos, até aquela noite de fevereiro de 1986 em que foi assassinado numa rua central de Estocolmo. E, por outro lado, Ingvar Carlsson que assumiu então como o quinto chefe na história de um partido, próximo a cumprir 100 anos de existência. Como a figuração política mais importante do setor liberal durante esse período surgia Thorbjorn Falldin, um agricultor do norte da Suécia e chefe do Partido de Centro, que ocupou o cargo de primeiro-ministro durante cinco anos dos seis anos de mandato em que os partidos liberais contaram com maioria parlamentar. Nestas duas décadas surgiram dificuldades econômicas às quais o país não estava acostumado. Isto é, referida à crise do petróleo afetou a Suécia de maneira extraordinariamente forte, dado a dependência energética da sua indústria. A indústria sueca orientada para a exportação, começou a perder espaços no mercado internacional, devido ao nível relativamente elevado de seus salários e à crescente concorrência produzida com a emergência de novas nações industriais. 

Áreas centrais da indústria sueca, como por exemplo os estaleiros, tiveram na prática que ser liquidadas em consequência das condições de crise então vigentes no mercado internacional/globalizado. Durante alguns anos, o ritmo do crescimento econômico diminuiu ou se deteve totalmente, a inflação foi considerada bastante alta e surgiram déficits fiscais que foram parcialmente financiados mediante o endividamento externo da economia. Simultaneamente ao desenvolvimento desse tipo político de contradições, que tendiam a fortalecer a divisão do espectro político sueco num bloco de direita e outro de esquerda, surgiram também controvérsias não demarcadas nessa escala tradicional de direita-esquerda. Com frequência trata-se de questões que é possível referir a outra dimensão, aquela existente entre a ideia de desenvolvimento ou não-desenvolvimento. Tende-se aqui para a produção de alinhamento diferente, situando-se as ideologias de conservadores, liberais e socialdemocratas de um lado e o Partido de Centro, os comunistas e o Partido Verde de outro. Os problemas derivados da tensão existente entre esses dois polos de desenvolvimento contra não-desenvolvimento, podem em alguns casos atravessar também um mesmo partido, o que é especialmente válido para a socialdemocracia. Nesta ordem de problemas, a questão que tem despertado maior atenção na política sueca é o problema da energia atômica. A Suécia contava, em virtude tecnológica bem-sucedida, com um considerável arsenal de energia atômica em 1980.

A Suécia é uma monarquia constitucional parlamentarista, em que o chefe de Estado é um monarca, com poderes e funções meramente oficiais e cerimoniais. O atual rei é Carlos XVI Gustav da Suécia desde 1973. Foi o único filho homem do príncipe Gustavo Adolfo, Duque da Bótnia Ocidental, e sua esposa, a princesa Sibila de Saxe-Coburgo-Gota. Seu pai morreu quando ele tinha menos de um ano de idade, fazendo de Carlos Gustavo o herdeiro e depois sucessor de seu avô, o rei Gustavo VI Adolfo. Sua herdeira aparente é a princesa Vitória, Princesa Herdeira da Suécia, a sua primeira filha com a sua esposa, a rainha consorte Sílvia Sommerlath. Vitória ascendeu a princesa herdeira, passando à frente de seu irmão Carlos Filipe, Duque da Varmlândia, em 1º de janeiro de 1980, depois de aprovada uma nova lei estabelecendo a primogenitura absoluta. A herdeira sueca atual é a princesa Vitória, Princesa Herdeira da Suécia, a primogênita do rei, é a primeira na linha de sucessão ao trono sueco. A governação do país é efetuada pelo governo, liderado pelo primeiro-ministro, e respondendo politicamente perante o parlamento. O primeiro-ministro é Kjell Stefan Löfven do Partido Social-Democrata, desde 3 de outubro de 2014. O Governo Löfven é uma coligação do Partido Social-Democrata com o Partido Verde. Entre o começo de 2012 e o fim de 2014, ele foi o líder da oposição e do seu partido. Após as eleições gerais de 2014, ele foi nomeado primeiro-ministro, liderando um governo de coalizão minoritária com o Partido Verde. Ele foi confirmado para um segundo mandato em 18 de janeiro de 2019 após longas negociações depois da inconclusiva eleição de 2018, com o impasse resultante resolvido devido à abstenção dos membros do Partido do Centro, do Partido de Esquerda e dos Liberais.

Bibliografia Geral Consultada.

MONTALBÁN, Manoel Vásquez, História y Comunicación Social. Madrid: Editorial Alianza, 1985; LEBRUN, Gérard, O Avesso da Dialética, Hegel à Luz de Nietzsche. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 1988; DEJOURS, Christophe, O Corpo entre a Biologia e a Psicanálise. São Paulo: Editora Artes Médicas, 1988; AGOSTINHO, Aucione Torres, A Charge. Tese de Doutorado. Escola de Comunicações e Artes. São Paulo: Universidade de São Paulo, 1993; BECK, Ulrich, La Invención de lo Político. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 1998; BRIGGS, Asa; BURKE, Peter, De Gutenberg a Internet: Una História Social de los Medios de Comunicación. Madrid: Ediciones Aguilar, 2005; RANCIÉRE, Jacques, El Odio à la Democracia. Buenos Aires: Ediciones Amorrortu, 2006; ORIHUELA, José Carlos, La Revolución de los Blogs. Primera Edición. Madrid: Esfera Libros, 2006; BLANCHOT, Maurice, A Conversa Infinita: A Experiência Limite. São Paulo: Editora Escuta, 2007; SILVA, Nilson Adauto Guimarães da, A Revolta na Obra de Albert Camus: Posicionamento no Campo Literário, Gênero, Estética e Ética. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Letras Neolatinas. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2008; CHOMSKY, Noam, El Miedo à la Democracia. Barcelona: Editorial Crítica, 2009; AGAMBEN, Giorgio, Profanaciones. 1ª edición. Buenos Aires: Ariana Hidalgo Editora, 2005; Idem, Nudità. Roma: Editora Nottempo, 2009; FREITAS, Eduardo Luiz Viveiros de, Política e Internet: 4 Jornalistas (Blogueiros) em Novos Tempos. Tese de Doutorado. Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2010; BOURDIEU, Pierre, O Senso Prático. 2ª edição. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 2011; BURTON, Robert, A Anatomia da Melancolia. Curitiba (PR): Editora da Universidade Federal do Paraná, 2011; AMORIM, Paulo Henrique, O Quarto Poder: uma outra história. 1ª edição. São Paulo: Editora Hedra, 2015; QUINTAS, Felipe Maruf, Uma Estratégia Nacionalista e Social-Democrata de Desenvolvimento: O Modelo Rehn-Meidner na Suécia (1952-1983). Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Ciência Política. Instituto de Ciências Humanas e Filosofia. Niterói: Universidade Federal Fluminense, 2017; Artigo: “Suécia vive luto após pior assassinato em massa do país: Tristeza e consternação”.  Disponível em: https://noticias.uol.com.br/2025/02/05/; entre outros. 

sexta-feira, 26 de julho de 2024

O Abismo – Cinema & Falha Geológica da Maior Mina do Mundo.

                                                              Você devia se orgulhar de ter uma filha que luta por algo”. Richard Holm (2020)

            Em sua versão mais simples, uma falha geológica tem como representação social uma fratura nos materiais rochosos que constituem uma determinada estrutura geológica, dando origem a uma superfície, em geral designada por plano de falha, através da qual é produzido o deslocamento relativo dos blocos situados em lados opostos do plano de fratura (cf. Brito, 2008). O deslocamento de um dos blocos, ou de ambos, é conditio sine qua non para a existência de uma falha, já que as fraturas ou fendas sem deslocamento relativo não são denominadas falhas, mas sim diaclases (torção) ou juntas. A formação de uma falha depende, em última instância, da natureza das rochas, concretamente do seu limite de plasticidade, e das forças geradoras dos esforços presentes, com maior frequência esforços de distensão crustal, embora as falhas também possam ser produzidas por compressão ou por deslizamento lateral. Quando o esforço não é muito intenso, ou quando o limite de plasticidade das rochas é elevado, ou seja, sendo nesse caso a rocha considerada dúctil, será mais provavelmente originar a produção de uma dobra em vez de uma falha. Contrariamente, quando os esforços são muito intensos, ou mesmo se suas rochas apresentarem baixa plasticidade, sendo nesse caso a rocha considerada, rúptil ou frágil, é ainda assim formada uma falha.

As falhas geológicas apresentam tamanhos que variam de centímetros a centenas de quilômetros, ou mesmo milhares de quilômetros nas falhas que correspondem aos limites de placas tectônicas e aos rifts ou no caso das grandes falhas transformantes associadas às dorsais oceânicas. O estudo das falhas constitui um dos objetos relevantes da geologia, da geomorfologia e da mecânica das rochas, o que levou ao desenvolvimento de um importante corpo científico (cf. Ferrera, 2014), com milhares de estudos sobre os processos que originam as falhas, não por acaso, vezes referidos geologicamente como o “mecanismo de falhamento”, da sua gênese e desenvolvimento e as suas características morfológicas e evolutivas. Associado a este campo, ou nível de análise, surgiu um vocabulário específico, descrevendo os processos e a morfologia, bem como um vasto conjunto de conceitos. Sendo as massas rochosas estruturas rúpteis, a geração de falhas e o seu movimento súbito é um dos objetos da sismologia (cf. Hazbún; Laszano, 1993; Ferreira, 2014). Os geólogos reconhecem falhas no campo de diversas maneiras, tanto por evidências diretas como indiretas. As evidências diretas são observadas em afloramentos ou na superfície do terreno e envolvem o deslocamento de um nível estratigráfico ou a presença de indicadores na superfície da falha que refletem o atrito ocorrido pelo deslocamento dos blocos, compreendidos como rochas de falha.  

Evidências de falhas são também indiretamente por meio de métodos geofísicos, critérios geomorfológicos com presença de escarpa de falha, vales característicos, etc., fotografias aéreas, imagens tiradas de satélite, mapas geológicos e topográficos. Se o movimento relativamente for grande, as formações rochosas, agora em contato umas com as outras na linha de falha, vão, provavelmente, diferir em litologia e idade. Para estabelecer a idade do falhamento, os geólogos usam uma ideia simples: falha deve ser mais nova que a mais nova dentre as rochas que corta, pois, as rochas deveriam estar lá antes de que pudessem ser falhadas, e mais antiga que a mais antiga das camadas que a recobrem e que não foram por ela deslocadas. Qualquer plano de falha pode ser completamente descrito com duas medidas: sua direção e seu mergulho. O plano de falha tem uma atitude, definida pela direção e mergulho atuais, que não são necessariamente os mesmos da época do falhamento, pois, o conjunto pode ser basculado e deformado após a falha ter se formado. O acúmulo de energia e a liberação desta em zonas de falhas é um dos fatores responsáveis pela ocorrência dos terremotos. Surge em função da pressão aplicada por uma força, geralmente as placas tectônicas, em que a pressão exercida excede a capacidade de resistência e plasticidade das camadas rochosas, provocando cisão ou ruptura, podendo gerar pequenas fraturas em seu entorno.

Entre o liberalismo de David Hume (2009) e dos Fisiocratas, encontra-se a distância que separa a invenção da conformidade. Hume de um lado, os Fisiocratas de outro. Fisiocratas que viam a produção de bens e serviços como consumo do excedente agrícola, uma vez que a principal fonte de energia era o músculo humano ou animal e toda a energia era derivada a partir do excedente de produção agrícola. A unidade própria do nascente liberalismo econômico se tornaria problemática. Apesar da relativa uniformidade das reivindicações, parece que o fosso se escava entre, de um lado, uma metafísica da ordem que impõe respeito a uma norma natural, limitadora por essência e instruída pela providência regida, em última instância, pela cumplicidade secreta entre finalismo e mecanicismo, e, de outro, a marcha hesitante da espontaneidade cega em seu princípio, e anônima em seus efeitos sociais, que exige que a norma, em sua variedade e contingência, seja construída, inventada, em função das circunstâncias. Assim comparativamente a política econômica nacional é constituída sobre o modelo da gestão privada, sendo que a representação da economia do universo é, do mesmo modo, construída a partir do modelo tecnológico da ação sobre a apropriação da natureza.    

O arquiteto divino aparece também como uma derivação conceitual do artesão. Em todo lugar em que surge uma vontade capaz de dar forma ao projeto que ela mesma concebeu, o arranjo mecânico dos elementos, sustentado pelo decreto inicial, compõe uma totalidade externa cuja finalidade escapa por natureza aos componentes para se transportar inteira para a mente do organizador. O lucro do negociante sugere o lucro da nação. A balança é sua imagem obrigatória. O produto artesanal sugere o produto divino: o relógio, divisor do tempo, a máquina se torna sua representação privilegiada. Equilíbrio, ajuste e adaptação dos meios aos fins se unem no trabalho de montagem que supõe ao mesmo tempo um projeto humano, um plano, um construtor, condicionando uma escolha entre as diferentes séries de objetos manufaturados. Sem dúvida, é por ter apreendido nessas falências a lógica da argumentação, que Hume sugere nos Diálogos, a “fábula de uma repartição de tarefas”. Seus personagens debatem uma série de ideias e argumentos contemporâneos cujos proponentes acreditam que através do qual poderemos vir a conhecer a natureza de Deus. Os artesãos divinos contra os que persistem em considerar a questão da divisão do trabalho como conveniência comandada pela providência, mais do que a solução do problema vital colocado como sobrevivência para a espécie.

Reconhecido pelo padrão de que não há ideias inatas na vida e que todo o conhecimento vem da experiência rigorosamente ao nexo de causalidade e necessidade, David Hume em vez de tomar a noção de causalidade, como concedido, desafia-nos a considerar o que a experiência nos permite saber sobre a relação estabelecida entre causa e efeito, pois nada é mais usual e natural, para aqueles que pretendem oferecer ao mundo novas descobertas filosóficas e científicas que insinuar elogios ao seu próprio sistema. O homem de discernimento e de saber percebe facilmente a fragilidade do fundamento, até mesmo daqueles sistemas bem aceitos e com maiores pretensões de conter raciocínios precisos e profundos. Alguns princípios da confiança; consequências deles deduzidas de maneira defeituosa; falta de coerência entre as partes, e de evidência no todo – tudo isso se pode encontrar nos sistemas dos mais eminentes filósofos, e parece cobrir de opróbrio a própria extensão da filosofia, pois mesmo “a plebe lá fora é capaz de julgar, pelo barulho e vozerio que ouve, que nem tudo vai bem aqui dentro”.  

Neste âmbito tampouco é necessário um conhecimento muito profundo para se descobrir a distância e imperfeição e que de fato, não há nada que não seja objeto de discussão e sobre o qual os estudiosos não manifestam opiniões contrárias. Se por um lado multiplicam-se as disputas, como se tudo fora incerto; e essas disputas são conduzidas da maneira mais acalorada, como se tudo fora certo. É daí que surge na opinião de Hume, o preconceito comum contra todo tipo de raciocínio metafísico. Mesmo por parte daqueles que são doutos e que costumam avaliar de maneira justa todos os outros gêneros da literatura. E realmente nada, a não ser o mais determinado e puro ceticismo, juntamente como um elevado grau de indolência, pode justificar tal aversão à metafísica. Pois se a verdade está ao alcance da capacidade humana, é certo que ela deva esconder em algum lugar muito profundo, e portanto, abstruso. Não por acaso, devemos reunir nossos experimentos mediante a observação cuidadosa da vida em que estamos inseridos. Tomando-os tais aspectos socialmente como aparecem no curso habitual do mundo, no comportamento em suas ocupações e prazeres. E criteriosamente reunidos e comparados, podemos estabelecer, com base neles, uma ciência, que não será inferior em certeza, mas superior em utilidade, a qualquer outra que esteja ao alcance da compreensão humana.

Assim Hume sustenta que nossas ideias são imagens de nossas impressões, assim também podemos formar ideias secundárias, que são imagens das primárias. Não se trata de uma exceção à regra, mas de uma explicação. As ideias produzem as imagens de si mesmas em novas ideias; mas como supomos que as primeiras são derivadas de impressões, continua sendo verdade que todas as nossas ideias simples procedem, mediata ou imediatamente, de suas impressões correspondentes. Esse é o primeiro princípio que Hume estabelece na ciência da natureza humana. Pois cabe notar que a presente questão, a respeito da anterioridade de nossas impressões ou ideias, é a mesma que produziu tanto barulho sob outra formulação, quando se discutiu se haveria ideias inatas, ou se todas as ideias derivam da sensação e da reflexão. A fim de provar que as ideias de extensão e de cor não são inatas, os filósofos nada mais fazem que mostrar que elas são transmitidas por nossos sentidos. Para provar que as ideias de paixão e desejo são inatas, eles observam que experimentamos previamente em nós mesmos essas emoções. A faculdade pela qual repetimos nossas impressões da primeira maneira se chama memória, e a outra, imaginação. Mas se examinarmos cuidadosamente esses argumentos, veremos que eles nada provam, senão que as ideias são precedidas por percepções mais vívidas, das quais derivam e as quais elas representam em sociedade.

Melhor dizendo, que as ideias da memória são muito mais vivas e fortes que as da imaginação, e que a primeira faculdade pinta seus objetos em cores mais distintas que todas as que possam ser usadas pela última. Ao nos lembrarmos de um acontecimento passado, sua ideia invade nossa mente com força, ao passo que, na imaginação, a percepção é fraca e lânguida, e apenas com muita dificuldade pode ser conservada firme e uniforme pela mente durante todo o período considerável de tempo. Temos aqui uma diferença sensível entre as duas espécies de ideias. Mas há uma outra diferença, não menos evidente, entre esses dois tipos de ideias. Embora nem as ideias da memória nem as da imaginação, nem as ideias vívidas nem as fracas possam surgir na mente antes que impressões correspondentes tenham vindo abrir-lhes o caminho, a imaginação não se restringe à mesma ordem na forma das impressões originais, ao passo que a memória está de certa maneira amarrada quanto a esse aspecto, sem nenhum poder de variação. É evidente que a memória preserva a forma originalmente sob a qual seus objetos da imaginação se apresentaram. A principal função da memória não é preservar as ideias simples, mas sua ordem e posição. Esse princípio se apoia em aspectos comuns e vulgares do dia a dia que podemos nos poupar o trabalho de continuar insistindo nele. 

Como a imaginação pode separar todas as ideias simples, e uni-las novamente da forma que bem lhe aprouver, nada seria mais inexplicável que as operações dessa faculdade, se ela não fosse guiada por alguns princípios universais, que a tornam, em certa medida, uniforme em todos os momentos e lugares. Fossem as ideias inteiramente soltas e desconexas, apenas o acaso as ajuntaria; e seria impossível que as mesmas ideias simples se reunissem de maneira regular em ideias complexas se não houvesse algum laço de união entre elas, alguma qualidade associativa, pela qual uma ideia naturalmente introduz outra. Esse princípio de união entre as ideias não deve ser considerado uma conexão inseparável, tampouco devemos concluir que, sem ele a mente não poderia juntar duas ideias – pois nada é mais livre que essa faculdade. Devemos vê-lo apenas como uma força suave, que comumente prevalece, e que é a causa pela qual, entre outras coisas, as línguas se correspondem de modo tão estreito umas às outras: pois a natureza de alguma forma aponta a cada um de nós as ideias simples mais apropriadas para serem unidas em uma ideia complexa. As qualidades não dão origem a tal associação, e que levam a mente, dessa maneira, de uma ideia a outra relacionalmente, são três, a saber: semelhança, contiguidade no tempo e no espaço, e causa e efeito. Dois objetos podem ser considerados estando inseridos nessa relação, quando um deles é a causa de qualquer ação ou movimento do outro, seja quando o primeiro é a causa da existência do segundo.

Pois como essa ação ou movimento não é senão o próprio objeto, considerado sob um certo ângulo, e como o objeto continua o mesmo em todas as suas diferentes situações, é fácil imaginar de que forma tal influência dos objetos uns sobre os outros pode conectá-los na imaginação. Podemos prosseguir com esse raciocínio, observando que dois objetos estão conectados pela relação causa e efeito não apenas quando produz um movimento ou uma ação qualquer no outro, no outro, mas também quando tem o poder de os produzir. Notemos que essa é a fonte de todas as relações de interesse e dever através dos quais os homens se influenciam mutuamente na sociedade que se ligam pelos laços de governo e subordinação. Um senhor é aquele que, por sua situação, decorrente quer da força quer de um acordo, tem o poder de dirigir, sob alguns aspectos particulares, as ações de outro homem. Um juiz é aquele que, em todos os casos litigiosos entre membros da sociedade, é capaz de decidir, com sua opinião especializada a quem cabe à posse ou a propriedade de determinado objeto. Quando uma pessoa possui certo poder, nada mais é necessário para convertê-lo em ação que o exercício da vontade; e em todos os casos, é considerável possível, em muitos, provável – no caso da autoridade, em que a obediência do súdito é prazer e uma vantagem para seu superior.

Está claro que, no curso de nosso pensamento social e na constante circulação de nossas ideias, a imaginação passa facilmente de uma ideia a qualquer outra que seja semelhante a ela. Assim como existe o nascimento de uma semiologia e sociologia da celebridade e até mesmo mais recentemente, uma economia da celebridade e tal qualidade, por si só, constitui um vínculo afetivo e uma associação suficiente para a fantasia. É também evidente que, com os sentidos, ao passarem de um objeto a outro, precisam fazê-lo de modo regular, tomando-os sua contiguidade uns em relação aos outros, a imaginação adquire, por um longo costume, o mesmo método de pensamento, e percorre as partes do espaço e do tempo ao conceber seus objetos. Quanto à conexão realizada pela relação de causa e efeito, basta observar que nenhuma relação produz uma conexão mais forte na fantasia e faz com que uma ideia evoque mais prontamente outra ideia que a relação de causa e efeito entre seus objetos. Para compreender toda a extensão dessas relações sociais, devemos considerar que dois objetos estão conectados na imaginação. Não somente quando um deles é imediatamente semelhante ou contíguo ao outro, ou quando é a representação da causa. Mas quando entre eles encontra-se inserido um terceiro objeto, que mantém com ambos notáveis relações. Dentre as três relações mencionadas, a de causalidade comumente é a de maior extensão.

Richard Holm, é um popular diretor, escritor e ator sueco. Os diretores de cinema criam uma visão geralmente de qual filme é realizado. Dar vida a essa visão inclui supervisionar os elementos artísticos e técnicos da produção cinematográfica, bem como dirigir o cronograma de filmagem e cumprir prazos ou datas de entrega. Isso envolve organizar a equipe de filmagem de tal forma que você alcance a visão do filme. São necessárias habilidades de liderança de grupo, bem como a capacidade de manter um nível de escopo singular, no ambiente programático e acelerado de um set de filmagem. É necessário um olhar artístico e esteticamente para enquadramento das tomadas e dar instruções precisas ao elenco e à equipe técnica, portanto, são necessárias excelentes habilidades de comunicação social. Dado que o cineasta depende da cooperação contínua de muitos indivíduos criativos com ideias sociais diferentes e visões multidisciplinares artísticas potencialmente contraditórias, ele também necessita de competências de resolução de conflitos para mediar o necessário. O diretor garante que todos os envolvidos na produção do filme trabalhem para conseguir uma visão idêntica do filme finalizado. O conjunto de diferentes desafios que ele teve que enfrentar foi descrito como “um quebra-cabeça multidimensional com diferentes egos para completar”.  Há uma pressão crescente de que o sucesso de um filme pode influenciar quando e como ele funcionará novamente.

Os limites de dois lançamentos de filmes também estão presentes. Além disso, o diretor pode ter que garantir através da irradiação da troca simbólica com a sociedade que o filme receba uma determinada classificação etária. Teoricamente, o único superior de um diretor é o estúdio que financia o filme. No entanto, uma relação profissional ruim entre um diretor de cinema e um ator pode resultar na substituição do ator pelo diretor ou pela atriz por um ator. estrela de cinema. Da mesma forma, não há dúvida de que o diretor está dedicando mais tempo a um projeto, visto que é um dos dois cargos que exigem participação íntima em cada etapa da produção cinematográfica. Portanto, o cargo de diretor de cinema é amplamente considerado muito estressante e exigente. Foi dito que “dias de trabalho de 20 horas não são incomuns”. De acordo com a legislação da União Europeia, o diretor do filme é considerado o autor ou os dois autores de um filme, em grande parte como resultado da influência de teoria do autor.  A teoria do autor é um conceito de crítica cinematográfica, porque sustenta que o filme de um diretor de cinema reflete a visão criativamente do diretor, como o fosse ou autor principal. Apesar da produção do filme fazer parte de um processo crescentemente de inovação industrial, e às vezes por causa dele, a voz criativa do (s) autor (s) é clara ou suficientemente para brilhar através da interferência do estudo e do processo coletivo amplificado da criação.

  Monte Kiruna (em sueco Kirunavaara), representa uma montanha da província de Lapônia, no extremo Norte da Suécia. É uma região no Norte da Escandinávia, que abrange território de quatro países, a saber: Noruega, Suécia, Finlândia e Federação Russa (península de Kola) e que corresponde à região onde habitam os sámi, tradicionalmente reconhecidos como lapões. Cerca de 80 mil a 100 mil lapões (sámi) vivem numa área de 390 mil km², com suecos, noruegueses, finlandeses e russos. A província mais setentrional da Finlândia é a Lapônia finlandesa. De modo similar, a província sueca mais setentrional é a Lapônia sueca. Antropologicamente é uma das regiões mais procuradas do mundo hodierno no Natal por tradicionalmente ser reconhecida como “a casa do Pai Natal”. O clima é subártico e a vegetação é esparsa no extremo Norte, enquanto no Sul aparece a floresta boreal. A costa Oeste (na Noruega) é montanhosa, mas tem invernos suaves e mais precipitação do que as planícies centrais e orientais. As temperaturas variam entre os 15 °C positivos no verão e os -50 ºC no inverno. É rica em depósitos minerais de valor econômico, particularmente minério de ferro na zona sueca, cobre na norueguesa, e níquel e apatite na zona da Rússia. Renas, lobos, ursos e aves marítimas e terrestres representam a fauna mais comum. A pesca é abundante, tanto fluvial como marítima.

         Descobertas arqueológicas comprovam que a área compreendida como Suécia era povoada durante a chamada Idade da Pedra, quando o gelo resultante da última glaciação recuou. Aparentemente, os primeiros habitantes eram povos caçadores e coletores que viviam da pesca no mar Báltico. Evidências apontam que o Sul da Suécia era densamente povoado durante a Idade do Bronze, pois foram encontradas ruínas de grandes comunidades comerciais. Durante os séculos IX e XI, a chamada Era Viking marcou a à Suécia, com a expansão do comércio local e internacional, a consolidação do poder local e regional, a cristianização e a europeização do país. O núcleo do futuro reino da Suécia, estava na Uppland, onde surgiram as primeiras cidades em Uppsala, Birka e Sigtuna. A expansão comercial e guerreira dos Vikings desse núcleo inicial dirigiu-se em primeiro lugar para o Oriente, na direção dos países bálticos, Rússia e do mar Negro. Em 1389, os três estados escandinavos a Noruega, a Suécia e a Dinamarca estavam unidos sob um único monarca. A União de Kalmar começou como uma união pessoal, não política e quando, no século XV, se tentou centralizar o poder no rei dinamarquês, a Suécia resistiu chegando mesmo a uma rebelião armada. A Suécia separou-se em 1523, quando Gustavo Eriksson, reconhecido mais tarde por Gustavo Vasa (1496-1560), liderou a rebelião contra a União de Kalmar e restabeleceu a Independência da Coroa Sueca.   

No século XVII viu-se a Suécia tornar-se uma das principais potências europeias, devido ao sucesso da participação na Guerra dos 30 anos, iniciada pelo rei Gustavo Adolfo II. Esta posição iria desmoronar-se no século XVIII, quando a Rússia conquistou os reinos da Europa do Norte na Grande Guerra do Norte e, finalmente, quando em 1809 houve a separação da parte oriental da Suécia, criando-se assim a Finlândia, como um grão-ducado russo. Em 1814, a Suécia esteve envolvida na sua última guerra, quando desencadeou a Campanha Contra a Noruega, pela qual estabeleceu uma união pessoal dos reinos separados da Suécia e Noruega, com a designação de Reinos Unidos da Suécia e Noruega. Em 1818, o antigo marechal francês Jean Baptiste Bernadotte foi proclamado rei da Suécia com o nome Karl Johan, iniciando assim a dinastia atual que ainda rege a Suécia. A união Suécia-Noruega acabou por ser dissolvida pacificamente em 1905, e desde então a Suécia tem vivido sem envolvimento em conflitos armados. O país manteve a neutralidade durante a 1ª e a 2ª Guerra Mundial, entre 1914 e 1945, com pequena exceção da Guerra de Inverno na Finlândia. Durante a Guerra Fria e a dissolução da União Soviética, continuou a não se posicionar, só abandonando a neutralidade axiológica após conversão em 2024 no 32º membro da OTAN na sequência da invasão russa da Ucrânia em 2022. A Suécia começou a construir uma democracia liberal moderna. O parlamento foi democratizado em 1866. O voto universal foi concedido aos homens em 1909 e, posteriormente, às mulheres em 1921. A partir dos anos 1940, a economia entrou em poderoso ciclo de desenvolvimentismo. Na década de 1990 uma crise econômica atingiu o país, seguida de um período de recuperação nos começos do século XXI.

Friedrich Hegel que parte da análise da consciência comum, não podia situar como princípio primeiro uma dúvida universal que só é própria da reflexão filosófica. Por isso mesmo ele segue o caminho aberto pela consciência e a história detalhada de sua formação. Ou seja, a Fenomenologia (1807) vem a ser de fato uma história concreta da consciência, sua saída da caverna e sua ascensão à Ciência. Daí a analogia que em Hegel existe de forma coincidente entre a história da filosofia e a história do desenvolvimento do pensamento, mas este desenvolvimento é necessário, como força irresistível que se manifesta lentamente através dos filósofos, que são instrumentos de sua manifestação. Assim, preocupa-se apenas em definir os sistemas, sem discutir as peculiaridades e opiniões dos diferentes filósofos. Na determinação do sistema, o que o preocupa é a categoria fundamental que determina o todo complexo do sistema, e o assinalamento das diferentes etapas, bem como as vinculasses destas etapas que conduzem à síntese do espírito absoluto. Para compreender o sistema é necessário começar pela representação, que ainda não sendo totalmente exata permite, no entender de sua obra fenomenologicamente a seleção de afirmações e preenchimento do sistema abstrato de interpretação do método dialético, para poder alcançar a transformação da representação socialmente, isto é, no mundo em que vivemos, numa noção clara e exata.

Assim, temos a passagem da representação abstrata, para o conceito claro e concreto através do acúmulo de determinações. Aquilo que por movimento dialético separa e distingue perenemente a identidade e a diferença, sujeito e objeto, finito e infinito, é a alma vivente de todas as coisas, a Ideia Absoluta que é a força geradora, a vida e o espírito eterno. Mas a Ideia Absoluta seria uma existência abstrata se a noção de que procede não fosse mais que uma unidade abstrata, e não o que é em realidade, isto é, a noção que, por um giro negativo sobre si mesma, revestiu-se novamente de forma subjetiva. Metodologicamente a determinação mais simples e primeira que o espírito pode estabelecer é o Eu, a faculdade de poder abstrair todas as coisas, até sua própria vida. Chama-se idealidade precisamente esta supressão da exterioridade. Entretanto, o espírito não se detém apenas per se na apropriação, transformação e dissolução da matéria em sua universalidade, mas, enquanto consciência religiosa, por sua faculdade representativa, penetra e se eleva através da aparência dos seres até esse poder divino, uno, infinito, que conjunta e anima interiormente todas as coisas, enquanto pensamento filosófico, como princípio universalmente, a ideia eterna que as engendra e nelas se manifesta. Quer dizer, o espírito finito se encontra inicialmente numa união imediata com a natureza, a seguir em oposição com esta e em identidade com esta, porque suprimiu a oposição e voltou a si mesmo e, consequentemente, o espírito finito é a ideia, mas que girou sobre si mesma e que existe por si em sua própria realidade dinâmica.

A Ideia absoluta que para realizar-se colocou como oposta a si, à natureza, produz-se através dela como espírito, que através da supressão de sua exterioridade entre inicialmente em relação simples com a natureza, e, depois, ao encontrar a si mesma nela, torna-se consciência de si, espírito que conhece a si mesmo, suprimindo assim a distinção entre sujeito e objeto, chegando assim à Ideia a ser por si e em si, tornando-se unidade perfeita de suas diferenças, sua absoluta verdade. Com o surgimento do espírito através da natureza abre-se a história da humanidade e a história humana é o processo que medeia entre isto e a realização do espírito consciente de si. A filosofia hegeliana centra sua atenção sobre esse processo e as contribuições mais expressivas de Hegel ocorrem precisamente nesta esfera, do espírito. Melhor dizendo, para Hegel, à existência na consciência, no espírito chama-se saber, conceito pensante. O espírito é também isto: trazer à existência, isto é, à consciência. Como consciência em geral tenho eu um objeto; uma vez que eu existo e ele está na minha frente. Enquanto o Eu é o objeto de pensar, é o espírito precisamente isto: produzir-se, sair fora de si, saber o que ele é. Nisto consiste a grande diferença: o homem sabe o que ele é. Em primeiro lugar, ele é real. Sem isto, a razão, a liberdade não são nada. O homem é essencialmente razão. O homem, a criança, o culto e o inculto, é razão. A possibilidade existe em cada um, é dada a cada um.

A razão não ajuda em nada a criança, o inculto. É somente uma possibilidade, embora não seja uma possibilidade vazia, mas possibilidade real e que se move em si. Assim, por exemplo, dizemos que o homem é racional, e distinguimos muito bem o homem que nasceu somente e aquele cuja razão educada está diante de nós. Isto pode ser expresso também assim: o que é em si, tem que se converter em objeto para o homem, chegar à consciência; assim chega para ele e para si mesmo. A história para Hegel, é o desenvolvimento do Espírito no tempo, assim como a Natureza é o desenvolvimento da ideia no espaço. Deste modo o homem se duplica. Uma vez, ele é razão, é pensar, mas em si: outra, ele pensa, converte este ser, seu em si, em objeto do pensar. Assim o próprio pensar é objeto, logo objeto de si mesmo, então o homem é por si. A racionalidade produz o racional, o pensar produz os pensamentos. O que o ser em si é se manifesta no ser por si. Todo conhecer, todo aprender, toda visão, toda ciência, inclusive toda atividade verdadeiramente humana, não possui nenhum outro interesse além do aquilo que é em si, no interior, podendo manifestar-se desde si mesmo, produzir-se, transformar-se. Nesta diferença se descobre toda a diferença na história do mundo.

Os homens são todos racionais. O formal desta racionalidade é que o homem seja livre. Esta é a sua natureza. Isto pertence à essência do homem: a liberdade. O europeu sabe de si, afirma Hegel, é objeto de si mesmo. A determinação que ele conhece é a liberdade. Ele se conhece a si mesmo como livre. O homem considera a liberdade como sua substância. Se os homens falam mal de conhecer é porque não sabem o que fazem. Conhecer-se, converter-se a si mesmo no objeto (do conhecer próprio) e o fazem relativamente poucos. Mas o homem é livre somente se sabe que o é. Pode-se também em geral falar mal do saber, como se quiser. Mas somente este saber libera o homem. O conhecer-se é no espírito a existência. Portanto isto é o segundo, esta é a única diferença da existência (Existenz), quer dizer, a diferença do separável. O Eu é livre em si, mas também por si mesmo é livre e eu sou livre somente enquanto existo como livre. A terceira determinação, concretamente, é que o que existe em si, e o que existe por si são somente uma e mesma coisa. Isto quer dizer precisamente evolução. O em si que já não fosse em si seria outra coisa. Por conseguinte, haveria ali uma variação, mudança. Na mudança existe algo que chega a ser outra coisa. Na evolução, em essência, podemos também sem dúvida falar da mudança, mas esta deve ser tal que o outro, o que resulta, é ainda idêntico ao primeiro, de maneira que o simples, o ser em si não seja negado.

Para Friedrich Hegel a evolução não somente faz aparecer o interior originário, exterioriza o concreto contido já no em si, e este concreto chega a ser por si através dela, impulsiona-se a si mesmo a este ser por si. O espírito abstrato assim adquire o poder concreto da realização. O concreto é em si diferente, mas logo só em si, pela aptidão, pela potência, pela possibilidade. O diferente está posto ainda em unidade, ainda não como diferente. É em si distinto e, contudo, simples. É em si mesmo contraditório. Posto que é através desta contradição impulsionado da aptidão, deste este interior à qualidade, à diversidade; logo cancela a unidade e com isto faz justiça às diferenças. Também a unidade das diferenças ainda não postas como diferentes é impulsionada para a dissolução de si mesma. O distinto (ou diferente) vem assim a ser atualmente, na existência. Porém do mesmo modo que se faz justiça à unidade, pois o diferente que é posto como tal é anulado novamente. Tem que regressar à unidade; porque a unidade do diferente consiste em que o diferente seja um. E somente por este movimento é a unidade verdadeiramente concreta. É algo concreto, algo distinto. Entretanto contido na unidade, no em si primitivo. O gérmen se desenvolve assim, não muda. Se o gérmen fosse mudado desgastado, triturado, não poderia evoluir. Na alma, enquanto determinada como indivíduo, as diferenças estão enquanto mudanças que se dão no indivíduo, que é o sujeito uno que nelas persiste enquanto momentos do seu desenvolvimento.

O ponto alto da montanha de Kiruna (Kirunavaara) está a 234 metros acima do vizinho lago de Luossajärvi e a 736 metros acima do nível do mar. No seu interior está um dos maiores jazigos de ferro do Mundo, explorado através da mina de Kiruna pela empresa sueca Luossavaara-Kiirunavaara Aktiebolag (LKAB) uma empresa estatal sueca de extração e processamento de minério de ferro, com instalações em Kiruna, Malmberget e Svappavaara, e com sede em Luleå. Foi fundada em 1890 e tornada estatal em 1976 é a maior empresa da Suécia, sendo responsável por 85% da extração de minério de ferro na União Europeia, e uma das líderes mundiais na produção de minério de ferro. Explora as minas de Kiruna, Malmberget e Svappavaara, assim como fabrica pelotas e finos, dois granulados distintos de ferro concentrado. Todos os portos no mar da Noruega e os do Barents a Nordeste de Murmansk estão livres de gelo no Inverno. O golfo de Bótnia congela habitualmente na estação mais fria. Com uma densidade populacional de 3 a 4 habitantes por km², a Lapônia é escassamente povoada. O povo indígena, os lapões (sami), são de pequena estatura, braquicéfalos e falam um idioma fino-úgrico reconhecido como língua lapã. Na Lapônia os lapões são uma minoria, totalizando, de acordo com o Parlamento Lapônio da Suécia, 70 mil pessoas, algumas das quais ainda nômades.

Antropologicamente a humanidade sempre atravessa estágios em que: a) opressão da individualidade é o ponto de passagem obrigatório de seu livre desabrochar superior, em que a pura exterioridade das condições de vida se torna a escola da interioridade, b) em que a violência simbolicamente da modelagem produz uma acumulação de energia, destinada, em seguida, a gerar toda a especificidade pessoal. Do alto desse ideal abstrato é que, c) a individualidade plenamente desenvolvida, tais períodos parecerão, é claro, grosseiros e indignos. Mas, para dizer a verdade, além de semear os germes positivos do progresso humano vindouro, já é em si uma manifestação do espírito exercendo uma dominação organizadora sobre a matéria-prima das impressões flutuantes, uma aplicação das personalidades especificamente humanas, procurando-as fixar suas normas de vida - do modo mais brutal, exterior ou, mesmo, estúpido que seja -, em vez de recebê-las das simples forças da natureza físicamente externa ao homem. A horda, uma estrutura socialmente e militarmente histórica encontrada na estepe eurasiática “não protege mais a moça e rompe suas relações com ela, porque nenhuma contrapartida foi obtida por sua pessoa”. 

As montanhas arqueologicamente sempre fizeram parte da história humana por se tratarem de obstáculos a serem transpostos em viagens, explorações ou migrações. Até à Idade Média, os homens evitavam os cumes aos quais levantavam rumores e lendas, e em 1387 os magistrados de Lucerna fecharam o monge Niklaus Bruder (1417-1487) e cinco outros religiosos que haviam tentado subir o Monte Pilatus da região. Em 1492, Antoine de Ville escalou o Monte Aiguille, na França, apesar das inúmeras superstições existentes a respeito de seu cume. Em 1744 ocorre a chegada ao cume, chamada pelos montanhistas de “conquista”, do Monte Titlis, nos Alpes berneses; em 1770, a do Monte Buet, no Maciço do Giffre, Alpes Ocidentais, e em 1779 o Monte Vélan, nos Alpes Peninos, é conquistado. O alpinismo moderno, porém, nasceu em 8 de agosto de 1786, quando dois franceses, o médico Michel Paccard e o cristaleiro Jacques Balmat, motivados por um prêmio oferecido por Horace-Bénédict de Saussure (1740-1799), “o fundador do alpinismo”, venceram os 4 810 metros do Monte Branco, na fronteira entre França e Itália. As cotações são notas que definem o grau de dificuldade de cada desafio. Os maiores para alpinismo são as escaladas das montanhas com mais de 8 000 metros de altitude, todas no Himalaia, e das montanhas mais altas dos Alpes, Pirenéus, Andes e Montanhas Rochosas, e as extensas “paredes verticais”, como Torres Trango e Eiger. Há outros desafios importantes, por exemplo, as três grandes vertentes Norte dos Alpes.

O montanhismo não deve ser assim confundido com o alpinismo que exige boa condição física, um equipamento de montanha apropriado, uma técnica de progressão que lhe é própria, e necessita a presença de um guia para escolher o trajeto e assegurar a cordada. O alpinismo toma uma dimensão importante socialmente com os grandes nomes do alpinismo inglês como Edward Whymper (1840-1911), Albert Frederick Mummery (1855-1895), Frederick Gardiner (1850-1919), naquilo que ficou reconhecido como a “idade de ouro do alpinismo”, na passagem do século XIX para XX quando se verifica uma corrida à conquista de montanhas inexploradas. As mais altas perspectivas deveriam abrir-se ao alpinismo depois da conquista do Monte Branco pelo naturalista Horace Bénédict de Saussure (1740-1789) e os seus companheiros em 1786-1787. Assim, em 1868, os ingleses conquistaram os principais picos do Cáucaso. Na cordilheira dos Andes, o Chimborazo (6267 metros) foi vencido em 1880, e o Aconcágua (6959 metros) em 1897. Em 1889 foi conquistado o Kilimanjaro (5895 metros), na África, e o Monte McKinley (6194 metros), no Alasca, em 1913. O Monte Everest, ponto culminante do planeta, com 8848 metros de altitude, foi finalmente conquistado pelo neozelandês Edmund Hillary (1919-2018) e pelo xerpa, Sardar Tenzing Norgay (1914-1986), em 1953, representado pelo que habita a região montanhosa do Himalaia, especialmente a região no Nepal, pelas suas qualidades nativas e o trabalho de guias e carregadores de montanha.

A partir de 1900, o alpinismo começa a desenvolver-se como técnica de desporto de competição, tendo começado como a escalada chamada ainda de artificial. Wilhelm Welzenbach (1899-1934) é o primeiro a atacar-se às cascatas de gelo usando crampons especiais, uma peça formada por um conjunto de picos (pontas) destinados a serem presos à sola da bota do alpinista ou do escalador para permitir a sua progressão, é que ele estabelece uma escala de dificuldades no plano abstrato das vias de ascensão artificiais. Em 1925, escalada a face Norte do Dent d`Hérens, seguido pelo Fiescherhorn e o Weisshorn entre 1930 e 1933. A ascensão da face Norte do Cervin em 1931 inaugura a série dos últimos grandes desafios. Em 1938 Anderl Heckmair e Ludwig Vörg conquistam com Fritz Kasparek (1910-1954) e Heinrich Harrer (1912-2006) a face Norte do Eiger. Em 1978, a União Internacional das Associações de Alpinismo junta cinco graus na escala das dificuldades, a “cotação de montanha”, criadas por Wilhelm Welzenbach em 1947. Entre 1950 e 1964, “os 8000” do Himalaia foram todos conquistados devido a verdadeiras expedições. A que foi conduzida pelo suíço Albert Eggler foi a segunda a atingir o cume do monte Everest, logo depois da expedição de Edmund Hillary (1919-2008) e Tenzing Norgay a 29 de maio de 1953, e a primeira ascensão do Lhotse em 1956. É a quarta montanha mais alta, possuindo interessante ligação com o monte Everest pela coluna Sul. Dada a proximidade com o Everest, tem um baixo valor de proeminência topográfica (610 metros) e de isolamento (2, 42 km).

Até outubro de 2003 haviam subido ao topo do Lhotse, a quarta montanha mais alta do mundo, 243 alpinistas, sendo que 11 de forma letalmente. Em 1960, os alpinistas realizaram sob direção de Max Eiselin a primeira expedição do Dhaulagiri. Depois do tirolês Reinhold Messner e o polaco Jerzy Kukuczka (1948-1989), o suíço Erhard Loretan (1959-2011) conquista por sua vez os 14 cumes com mais de 8000 metros de altitude. O flanco ocidental do Lhotse é conhecido como a face de Lhotse. Todos os alpinistas que vão pela coluna Sul do Everest devem escalar esta parede de 1125 metros constituída de gelo glacial. Esta face levanta-se em declives de 40 e 50 graus com protuberâncias ocasionais de 80 graus. Os primeiros alpinistas a atingirem o seu cume foram os suíços chefiados por Albert Eggler em 18 de maio de 1956. O primeiro português a atingir o seu cume foi João Garcia, em 21 de maio de 2005, sem recurso a oxigénio artificial. A sua equipa também integrava o alpinista português Hélder Santos, que devido a intoxicação alimentar foi forçado a descer previamente. Em 1978, a União Internacional das Associações de Alpinismo juntou cinco graus na escala normalizada das dificuldades técnicas criadas por Wilhelm Welzenbach em 1947, e que historicamente na origem de escala numérica só contava seis. A temporada de escalada ao monte Everest já registrou ao menos onze mortes em 2019. A elevada letalidade verificada nesta temporada não está relacionada apenas às condições extremas, típicas para uma montanha com mais de 8 mil metros. A combinação do excesso de alpinistas com o despreparo, de boa parte deles, pode dar pistas para tamanha catástrofe de ordem humana sobre desastres naturais. 

Os indivíduos vivem em relações sociais de cooperação, mas também de oposição, portanto, os conflitos são parte mesma da constituição da sociedade. É neste sentido que formam momentos de crise, um intervalo entre dois momentos de harmonia, vistos numa função positiva de superação das divergências. Fundamenta uma episteme em torno da ideia de movimento, da relação, da pluralidade, da inexorabilidade do conhecimento, de seu caráter construtivista, cuja dimensão social central realça o fugidio, o fragmento e o imprevisto. Por isso, seu panteísmo estético, ancorado sob inúmeras formas paradoxais de interpretação real, como episteme, no qual se entende que cada ponto, cada fragmento superficial e, portanto, fugaz é passível de significado estético absoluto, de compreender o sentido totalmente, e ipso facto, os traços significativos, do fragmento à totalidade. O significado sociológico do “conflito” social, em princípio, nunca foi contestado. Conflito é admitido por causar ou modificar grupos de interesse, unificações, organizações. Os fatores de sociais de dissociação entre pessoas e grupos, relativamente como o ódio, a inveja, a necessidade, o desejo, são as causas tanto sociais quanto psíquicas da condenação, que irrompe em função deles. Conflito é destinado a resolver dualismos divergentes, a maneira de obter um tipo de unidade social, que seja através da aniquilação de uma das partes em litígio.

A Suécia é uma monarquia constitucional parlamentarista, em que o chefe de Estado é um monarca, com poderes e funções meramente oficiais e cerimoniais. O atual rei é Carlos XVI Gustav da Suécia desde 1973. Foi o único filho homem do príncipe Gustavo Adolfo, Duque da Bótnia Ocidental, e sua esposa, a princesa Sibila de Saxe-Coburgo-Gota. Seu pai morreu quando ele tinha menos de um ano de idade, fazendo de Carlos Gustavo o herdeiro e depois sucessor de seu avô, o rei Gustavo VI Adolfo. Sua herdeira aparente é a princesa Vitória, Princesa Herdeira da Suécia, a sua primeira filha com a sua esposa, a rainha consorte Sílvia Sommerlath. Vitória ascendeu a princesa herdeira, passando à frente de seu irmão Carlos Filipe, Duque da Varmlândia, em 1º de janeiro de 1980, depois de aprovada uma nova lei estabelecendo a primogenitura absoluta. A herdeira sueca atual é a princesa Vitória, Princesa Herdeira da Suécia, a primogênita do rei, é a primeira na linha de sucessão ao trono sueco. A governação do país é efetuada pelo governo, liderado pelo primeiro-ministro, e respondendo politicamente perante o parlamento. O atual primeiro-ministro é Kjell Stefan Löfven do Partido Social-Democrata, desde 3 de outubro de 2014. O Governo Löfven é uma coligação do Partido Social-Democrata com o Partido Verde. Entre o começo de 2012 e o fim de 2014, ele foi o representante político líder da oposição e líder do seu partido. Após as eleições gerais de 2014, ele foi nomeado primeiro-ministro, extraordinariamente liderando um governo de coalizão minoritária com o Partido Verde.

Foi confirmado para um segundo mandato em 18 de janeiro de 2019 após longas negociações depois da inconclusiva eleição de 2018, com o impasse resultante resolvido devido à abstenção dos membros do Partido do Centro, do Partido de Esquerda e dos Liberais. Stefan Löfven nasceu em Estocolmo, mas foi adotado por uma família de trabalhadores humildes em Sollefteå. Aos 13 anos, funda a associação local da Juventude Social-Democrata Sueca (SSU). Depois de ter feito um curso de dois anos do Ensino Médio, Löfven estudou Serviço Social na Universidade de Umeå, tendo abandonado os estudos depois de um ano e meio. Em seguida fez um curso prático de soldadura de 48 semanas em Kramfors. Depois de ter trabalhado nos correios e numa serração, Löfven esteve empregado como soldador numa empresa de fabrico de material de guerra em Örnsköldsvik entre 1979 e 1995. Foi ativo no poderoso Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos (IF Metall), um dos maiores sindicatos do país, e importante organização do movimento operário social-democrata na Suécia, tendo sido presidente no período 2006-2012, eleito líder dos Social-Democratas, numa conferência interna da direção do partido. Em outubro de 2014, tomou posse como Primeiro-Ministro do Governo Löfven.

Os Sociais-Democratas, saíram vitoriosos nas eleições gerais de 2014 na Suécia, conquistando 31% dos votos. Löfven anunciou que pretendia formar uma coligação governamental com o Partido Verde, e ter uma colaboração pontual com outros partidos, tendo indicado à esquerda o Partido da Esquerda, e à direita o Partido do Centro e o Partido Liberal. Igualmente, tencionava manter alguns amplos acordos parlamentares, incluindo os conservadores Partido Moderado e Partido Democrata-Cristão. Apesar de o Governo Löfven ter sido aprovado pelo Parlamento, a proposta de Orçamento do Estado foi vencida pela proposta da oposição pela aliança política de centro-direita e viabilizada pelo Partido dos Democratas Suecos de extrema-direita, tendo Stefan Löfven convocado novas eleições para março do ano seguinte. O país tem pouco mais de 10 milhões de habitantes. Trata-se de uma história baseada em fatos reais, apresentando um ótimo enredo. A trama gira em torno do caos que uma catástrofe pode causar numa cidade e em seus habitantes. O drama familiar faz parte, mas, o background é o desastre. O filme cumpre o objetivo e retrata bem o que pode acontecer numa situação análoga e realmente. A Mina de Kiruna (em Kirunagruvan) é uma mina de ferro, localizada na proximidade da cidade de Kiruna, na província da Lapônia, no Norte da Suécia.

É a maior mina subterrânea de minério de ferro do Mundo, situada a 145 km ao Norte do Círculo Polar Ártico, na montanha de Kiirunavaara, imediatamente a Sudoeste da cidade de Kiruna. O filão de minério tem 4 km de comprimento e 85 metros de largura, e está colocado numa posição íngreme, até pelo menos 2000 metros de profundidade. Tem um teor muito rico em ferro – magnetita e hematita – assim como em algum fósforo. O Círculo Polar Ártico passa através do Oceano Ártico, a península escandinava, Norte da Ásia, América do Norte e da Groenlândia. As terras sobre o Círculo Polar Ártico estão divididas entre os oito países: Noruega, Suécia, Finlândia, Rússia, Estados Unidos da América, Canadá, Dinamarca (Groenlândia) e Islândia. Astronomicamente denominam-se com base em pesquisas, círculos polares as linhas definidas pelos pontos de interseção entre a superfície da esfera planetária (em questão a terrestre) e uma reta imaginária que passe pelo centro do planeta de forma a posicionar-se sempre perpendicular ao plano eclíptico, provida no mínimo uma rotação completa do planeta ou um dia sideral. Por simetria justapõem-se a dois dos paralelos geográficos do planeta. Ao paralelo selecionado no hemisfério Norte dá-se o nome de Círculo Polar Ártico, e ao paralelo no hemisfério Sul dá-se o nome de Círculo Polar Antártico.  

Nas regiões entre os dois círculos polares verifica-se sempre um nascer e um ocaso da estrela central (o Sol no caso da Terra) a cada dia. Sobre cada um dos círculos polares, em uma data do ano não se verifica o nascer, e em outra não se verifica o poente da estrela, havendo, pois, um dia sem iluminação e outro sem umbra ao longo do ano. Para regiões entre cada um dos círculos polares e seu respectivo polo, quanto mais junta ao polo, maior o número de dias consecutivos sob iluminação contínua (sem ocaso) e maior o número de dias sob umbra contínua (sem o amanhecer), verificando-se o extremo para tais períodos justamente nos polos. O Círculo Polar Ártico terrestre corresponde ao paralelo da latitude 66º 33’ 44” (ou 66,5622°) Norte. Define uma linha imaginária no planeta, mas dialeticamente ao Norte da qual há pelo menos um dia de noite absoluta (24 horas de escuridão) no inverno e pelo menos um dia de luz absoluta (24 horas de Sol) no verão boreal (Sol da meia-noite) por ano. Aí há um dia por ano no qual o Sol não aparece, ficando, porém, na fímbria do horizonte. Daí para o Norte, ocorrem gradativamente mais dias sem que o sol apareça, até que no Polo Norte, durante seis meses, o Sol não aparece.

As áreas localizadas na proximidade deste paralelo e a Sul da latitude 70° N são de clima subártico ou subártico oceânico, passando praticamente o quase ano todo com temperaturas abaixo do ponto de congelamento. Nestas latitudes, a amplitude térmica anual é geralmente superior aos 30 °C, variando de vários graus abaixo de zero durante o inverno boreal, a até poucos graus acima de zero no verão boreal. Tanto que durante o inverno o Mar Glacial Ártico costuma congelar, formando “uma calota de gelo durante a longa noite fria, que na latitude 90º N pode durar até seis meses”. As principais áreas pelas quais passa o Círculo Polar Ártico são o estado norte-americano do Alasca, o Norte do Canadá, o Sul da Groenlândia, o extremo Norte da Islândia (ilha de Grímsey), o Norte da Escandinávia e o Norte da Rússia. Os Círculos Polares movem-se, estimando-se em cerca de 15 metros no decorrer do ano no sentido da redução. A área a Norte do Círculo Polar Ártico é escassamente habitada. As maiores cidades são Murmansk (Rússia, população de 325 100), Norilsk (Rússia, população de 135 000), Tromsø (Noruega, população de 62 000) e Rovaniemi (Finlândia, população de 59 000).

O isolamento de seus territórios asiáticos foi o motivo pelo qual São Petersburgo (então sede do governo) se assustou quando, no verão de 1890, soube dos planos da China de construir uma ferrovia rumo à periferia do Extremo Oriente russo. A China, com a ajuda de engenheiros ingleses, começou a criar a estrutura de sua ferrovia de Pequim ao Norte, à Manchúria e à cidade de Hunchun, localizada na junção de três países: China, Rússia e Coreia, a apenas 100 km de Vladivostok. Na época, a China tinha uma população estimada em 400 milhões de habitantes, e as regiões russas que fazem fronteira com o país contavam com uma população de menos de dois milhões. Foi então que, em agosto de 1890, o ministro do Exterior do Império Russo, Nikolai Girs, declarou que a construção da Ferrovia Transiberiana era “de suma importância”. Ele foi um dos arquitetos da Aliança Franco-Russa, que mais tarde foi transformada na Triple Entente. Ele promoveu uma imagem da Rússia como um parceiro pacífico para lidar com situações diplomáticas complexas e perigosas, mas a maior parte do crédito público foi para o czar. Alexander. O cenário geopolítico acabou se sobrepondo aos receios financeiros, e Aleksandr III (1845-1894) instruiu o príncipe herdeiro, Nikolai, a supervisionar a construção em Vladivostok e do “Grande Caminho Siberiano”, como a Ferrovia Transiberiana, era então chamada, começou em 31 de maio de 1891.

Até 1890, a porção europeia da Rússia dispunha de uma rede ferroviária que se estendia quase 30.000 km, fruto de uma parceria público-privada. Enquanto isso, a leste dos montes Urais, que separam a Europa da Ásia, não havia um quilômetro sequer de vias férreas, embora o tzar Aleksandr III houvesse dado aval para sua construção. Em 1886, o imperador lamentou que o governo ainda não tivesse feito nada praticamente “para atender às necessidades dessa região rica, porém fronteiriça”. A ideia de um projeto ferroviário de Moscou até o Oceano Pacífico parecia utópica. Se a construção de 650 quilômetros da ferrovia São Petersburgo-Moscou (aberta em 1851) tinha custado 67 milhões de rublos – quando o governo tinha um orçamento anual de 200 milhões de rublos –, para ligar Moscou a Vladivostok custaria, pelo menos, cinco vezes mais: 330 milhões de rublos. Além disso, sabemos que a Guerra da Crimeia (1853-1856) havia drenado muitos recursos econômicos, e os cofres públicos estavam quase vazios. Outro fator que assustava o governo era o fato de que a Transiberiana deveria ser construída através de regiões quase despovoada da Sibéria, atravessando centenas de rios, tanto pequena como grandes. Os burocratas responderam a Aleksandr 3º que as obras eram inviáveis. Ninguém imaginava que dentro de poucos anos chegaria uma notícia para compensar o medo dos custos econômicos exorbitantes: em julho de 1890, soube-se que a poderosa política da China havia iniciado a construção de uma ferrovia à periferia do Extremo Oriente russo.

A ferrovia Transiberiana é uma das mais antigas estradas de ferro do mundo. O principal trecho da ferrovia com extensão de 7500 km, que vai da cidade de Tcheliábinsk a Vladivostok, foi construído entre 1891 e 1916. O transporte direto de passageiros entre Moscou e Vladivostok só teve início após a conclusão da construção da ponte sobre o rio Amur, junto à cidade de Khabárovsk, no ano de 1916. Antes disso, para percorrer o mesmo trajeto, eram utilizados trechos da estrada de ferro Chinesa-Oriental e a viagem em um único sentido prolongava-se por 16 dias. A construção de uma ferrovia de tais dimensões foi realmente um evento importantíssimo para o Império Russo. Prova disso é o fato de que o príncipe Nikolái Aleksándrovitch, por incumbência do tzar Aleksandr III, esteve presente na missa celebrada para o lançamento das bases da ferrovia. A ideia de uma ferrovia na região foi concebida no século XIX, como alternativa para desbravar e desenvolver economicamente as longas distâncias daquele território de dimensões continentais com mais de 17 milhões de km², considerado o maior país do mundo. Para se ter uma ideia de planejamento econômico que o governo russo tinha para ver aquelas linhas férreas em funcionamento, a cada ano eram acrescentados mil km de trilhos, cujo auge das obras otimizadas no período de 1895 a 1896 contou com a capacidade da força de trabalho em torno de 84 mil trabalhadores (cf. Marks, 1991; Chapman, 2001).

Outros lapões vivem permanentemente em aldeias dispersas pela costa e fiordes, vales ou lagos onde a pesca é possível. A maior parte dos lapões vive a maior parte do ano na Noruega (40 000). Segundo a cultura originária do Norte da Europa, a Lapônia é a terra onde habita Joulupukki (Papai Noel) e todo o séquito de duendes. Segundo a mesma cultura, o Pai Natal sai da Lapónia na noite de 24 de dezembro, véspera de Natal, com o seu trenó puxado por renas com presentes que os distribui a todas as crianças do mundo que se comportaram bem durante o ano. O solo da Lapônia, com cerca de 2,5 mil milhões de anos, era constituído basicamente por granito. Foi coberta com inúmeras camadas de gelo durante a última era glacial. O período mais gelado foi há cerca de 20 mil anos e o gelo começou a derreter há 10 mil anos. Cerca de mil anos mais tarde a Lapónia passou a ter neve apenas durante os meses de Inverno. Os primeiros a habitarem a Lapónia fizeram-no há oito mil anos. Os “lapões” chegaram há quatro mil anos e com uma economia baseada na caça. Assim continuaram até ao século XVI quando se iniciou o pastoreio de renas. Época que o Cristianismo chegou à Lapônia. A agricultura teve o início no século XIX, e até ao início do século XX não havia estradas nela. O transporte era feito por renas no inverno e por barcos ou a cavalo no verão.

A Lapônia é reconhecida turisticamente pelo Sol da meia noite no Verão e pela Aurora boreal no Inverno, pela tradição de aí residir o Papai Noel e as suas renas, pelos fiordes na costa ocidental, pela pesca do bacalhau e do salmão, e pelas montanhas e florestas a perder de vista. A vegetação é basicamente formada por coníferas na Zona Sul. A fauna principal compreende alces, renas, águias, falcões, ursos, lobos, peixes diversos. A Aurora Boreal é o fenômeno naturalmente mais magnífico da Lapônia. São partículas oriundas do Sol, que geram o chamado “vento solar”, que ao carregarem os elétrons dos átomos de oxigênio e azoto da atmosfera geram efeitos coloridos. Para uma melhor observação, o céu deve estar limpo, sem nuvens, e será mais visível em noites de Lua Nova, a meio do inverno. Outro fenômeno natural é o Sol da Meia Noite. Devido à inclinação do eixo da Terra em relação ao eixo do Sol, a Lapônia, a norte do Círculo Polar Ártico passa até três meses no Inverno sem que haja claridade e até três meses durante o Verão sem que haja noite. As cores no céu transformam-se rapidamente. É de uma beleza fascinante e encantadora. Existe uma tradição popular que acredita que o norte da Finlândia, em Rovaniemi, é o abrigo oficial do Papai Noel por estar inserido exatamente no Círculo Polar Ártico, o que faz a região ser uma das maiores atrações turísticas do mundo na época das festas natalinas. A coloração das folhas das árvores no outono da Lapônia varia entre o vermelho, o amarelo, o laranja e o violeta. Esta coloração tem início no fim de agosto e até meados de setembro, quando então algumas árvores chegam a ter folhas em tons de marrom (castanho). É em função extraordinária do tamanho da noite e não pela temperatura do final do Verão que as cores se definem.

Os quatro grandes mamíferos predadores da Lapônia são o urso, o lobo, o lince e  o glutão. As lebres são muito comuns e podem ser vistas nas proximidades das casas. Martas e lontras são encontradas próximas às margens dos rios e com uma população estável, enquanto a dos esquilos varia de acordo com o número de sementes das coníferas, e as raposas vermelhas multiplicaram-se muito rapidamente e tornaram-se uma grande preocupação para as suas presas, enquanto comparativamente as raposas do Ártico estão ameaçadas de extinção. Outros grandes mamíferos são as renas e alces, habitualmente encontrados próximos dos rios. Existem castores, veados, ratos-almiscarados e as martas, fugitivas das fazendas de criação. Há uma grande quantidade de lemingues, pequenos roedores da família dos Murídeos que se abrigam sob a neve durante o inverno. Entre os mamíferos marinhos, as focas e as baleias são as mais facilmente encontradas. Nesta região são característicos o salmão, o bacalhau e a truta, mas muitos outros são os peixes encontrados. Mais de cinco espécies de pescada, lúcio, perca e outros. No rio Tana, na Finlândia, são pescados anualmente de 100 a 150 toneladas de salmão, com os maiores exemplares chegando a pesar 30 kg quando atingem os cinco ou seis anos de idade. O fiorde Porsanger transforma-se, na Primavera, num “santuário”, na falta de melhor expressão, com 350 mil unidades de aves migratórias, sendo que algumas estão de passagem, para se alimentarem e descansar, para depois seguir em direção ao Ártico, outras para a Groenlândia, outras ficam por ali nidificando, é um espetáculo diário a observação dos pássaros, neste fiorde localizado no extremo norte da Noruega. No Verão, entre junho e agosto, a temperatura é corre agradavelmente e os dias são lindos.

O solo da Lapônia, com cerca de 2,5 mil milhões de anos, era constituído basicamente por granito. Foi coberta com inúmeras camadas de gelo durante a última Era glacial. O período mais gelado foi há cerca de 20 mil anos e o gelo começou a derreter há 10 mil anos. Cerca de mil anos mais tarde a Lapónia passou a ter neve apenas durante os meses de Inverno. Os primeiros a habitarem a Lapônia fizeram-no há oito mil anos. Os “lapões” chegaram há quatro mil anos e com uma economia baseada na caça. Assim continuaram até ao século XVI quando se iniciou o pastoreio de renas. Foi nesta época que o Cristianismo chegou à Lapônia. A agricultura teve o seu início apenas no século XIX, e até ao início do século XX não havia estradas nesta região. O transporte era feito por renas no inverno e por barcos ou a cavalo no verão. O solo da Lapônia, com cerca de 2,5 mil milhões de anos de idade, e constituído basicamente de granito, foi coberto com inúmeras camadas de gelo durante a última Era glacial. O período mais gelado há cerca de 20 mil anos e o gelo começou a derreter há 10 mil anos. Cerca de mil anos mais tarde a Lapônia passou a ter neve apenas durante os meses de inverno. Os primeiros a habitarem a Lapônia fizeram-no há oito mil anos. Os lapões chegaram há quatro mil anos e com uma economia baseada na caça. Assim continuaram até ao século XVI quando se iniciou o pastoreio de renas. Foi nesta época que o Cristianismo chegou à Lapônia. A agricultura teve o seu início apenas no século XIX, e até ao início do século XX não havia estradas nesta região. O transporte era feito por renas no inverno e por barcos ou a cavalo no verão.

Bibliografia Geral Consultada.

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