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domingo, 28 de abril de 2024

Deserto do Ouro – Dignidade, Cobiça & Individualismo Possessivo.

                                 O dinheiro não é apenas um dos objetos da paixão de enriquecer”. Karl Marx

          O Capital mercantiliza as relações sociais, as pessoas enredadas em seu trabalho e as coisas. Ao mesmo tempo, pois, mercantiliza a força de trabalho, a energia humana que produz valor, transforma as pessoas em mercadorias, tornando-as adjetivas de sua força de trabalho. A mais-valia e a mercadoria são a condição e o produto das relações de dependência, alienação e antagonismo do operário e do capitalista, um em face do outro. A mais-valia e a mercadoria não podem ser compreendidas em si, mas como produto das relações de produção que reproduzem as relações de produção no capitalismo. Na análise dialética, elas surgem como realmente são, isto é, como propriedades naturalizadas a essas coisas e, por isso, ofuscam também a relação social dos produtores com o trabalho total como uma relação social entre objetos, existentes à margem dos produtores. A isso Marx utiliza antropologicamente a noção de fetichismo da mercadoria (cf. Marx, 1973: 86) inseparável da produção. Na determinação do sistema, o que o preocupa é a categoria fundamental que determina o todo complexo do sistema, e o assinalamento das diferentes etapas históricas, bem como as vinculasses destas etapas que conduzem à síntese do espírito absoluto. 

        Para compreender o sistema é necessário começar pela representação, que ainda não sendo totalmente exata permite, no entender de sua obra a seleção de afirmações e preenchimento do sistema abstrato de interpretação do método dialético, para poder alcançar a transformação da representação filosófica numa noção clara e exata. Assim, temos a passagem da representação abstrata, para o conceito claro e concreto através do acúmulo de determinações. Aquilo que por movimento dialético separa e distingue perenemente a identidade e a diferença, sujeito e objeto, finito e infinito, é a alma vivente das coisas, a Ideia Absoluta que é a força geradora, a vida e o espírito eterno. Mas a Ideia Absoluta seria uma existência abstrata se a noção de que procede não fosse mais que uma unidade abstrata, e não o que é em realidade, isto é, a noção que, por um giro negativo sobre si mesma, revestiu-se novamente de forma subjetiva. Metodologicamente a determinação mais simples e primeira que o espírito pode estabelecer é o Eu, a faculdade de poder abstrair todas as coisas, até sua própria vida. Chama-se idealidade precisamente esta supressão da exterioridade. O espírito não se detém na apropriação, transformação e dissolução da matéria em sua universalidade, mas, enquanto consciência religiosa, por sua faculdade representativa, penetra e se eleva através da aparência dos seres até esse poder divino, uno, infinito, que conjunta e anima interiormente todas as coisas, enquanto pensamento filosófico, como princípio universal, a ideia eterna que as engendra e nelas se manifesta. 

        Isto quer dizer que o espírito finito se encontra numa união imediata com a natureza, a seguir em oposição com esta em identidade, porque suprimiu a oposição e voltou a si mesmo e, consequentemente, o espírito finito é a ideia, sobre si mesma e que existe por si em sua própria realidade. A naturalização dos homens não é dissociável do progresso social. O aumento da produtividade econômica, que por um lado produz as condições para um mundo mais justo, confere por outro lado ao aparelho técnico e aos grupos sociais que o controlam uma superioridade imensa sobre o resto da população. O indivíduo se vê completamente anulado em face dos poderes econômicos. Ao mesmo tempo, estes elevam o poder a sociedade sobre a natureza a um nível jamais imaginado. Desaparecendo diante do aparelho a que serve, o indivíduo se vê, ao mesmo tempo, melhor do que nunca provido por ele. Numa situação injusta, a impotência e a dirigibilidade da massa aumentam com a quantidade de bens a ela per se destinados. A elevação do padrão de vida das classes subalternas, materialmente considerável e socialmente lastimável, reflete-se da difusão hipócrita do espírito. Sua verdadeira aspiração é a negação da reificação. Mas ele necessariamente se esvai quando se vê concretizando em um bem cultural e distribuído paras fins de consumo. A enxurrada de informações precisas e diversões assépticas desperta e idiotiza as pessoas ao mesmo tempo. O que está em questão não é a cultura como valor. O esclarecimento deve tomar consciência de si mesmo, se os homens não forem traídos. Não se trata da conservação/superação do passado, mas de resgate-esperança. O passado se prolonga como sua própria destruição.

           O sobrenatural, isto é, o espírito e os demônios seriam as imagens especulares dos homens que se deixam amedrontar pelo natural. Todas as figuras míticas podem se reduzir, segundo o esclarecimento, ao mesmo denominador, a saber, ao sujeito. A resposta de Édipo ao enigma da esfinge: - “É o homem!” é a informação estereotipada invariavelmente repetida pelo esclarecimento, não importa se este se confronta com uma parte de um sentido objetivo, o esboço de uma ordem, o medo de potências maléficas ou a esperança da redenção. E antemão, o esclarecimento só reconhece como ser e acontecer o que se deixa captar pela unidade.  Sei ideal é o sistema do qual se pode deduzir toda e cada coisa. Não é nisso que sua versão racionalista se distingue da versão empirista. Embora as diferentes escolas interpretassem de maneira diferente os axiomas, a estrutura da ciência unitária era sempre a mesma. O postulado baconiano de “una scientia universalis” é, apesar de todo o pluralismo das áreas de pesquisa, tão hostil ao que não pode ser vinculado, quanto ao mathesis universalis de Leibniz à descontinuidade. A multiplicidade das figuras se reduz à posição e à ordem, a história ao fato, as coisas à matéria. Com Bacon, entre os primeiros princípios e os enunciados observacionais deve subsistir uma ligação lógica unívoca, medida por graus de universalidade. De Maistre zomba de Bacon por cultivar o que foi denominado filosoficamente de “une idole d`échelle”.  A lógica formal representava a grande escola da unificação. Ela oferecia aos esclarecedores o esquema da calculabilidade do mundo. 

         No filme Deserto de Ouro (2022) afirmando sem motivo algum aparente, seu ódio pelas pessoas que fogem das cidades em busca dos recursos de suas terras, e acusando Virgílio “de esconder algo”, ele a mata com sua pá e enterra seu corpo. Sua cova rasa é posteriormente desenterrada “por um cão selvagem”. Virgílio a arrasta para longe do acampamento e queima seu corpo durante a noite. Um dia depois, uma tempestade de areia destrói o acampamento e a árvore, deixando Virgílio ferido por um galho no estômago e sem suprimentos. A saúde de Virgílio piora ainda mais com a remoção do galho da árvore, o sangramento e a exposição adicional ao Sol. Acorda após um breve período de inconsciência com outra necrófaga, apontando uma besta para ele, antes de cair inconsciente novamente e comparativamente a ter estranhas visões do escorpião e do necrófago. Ele acorda com o necrófago oferecendo-se para ajudá-lo a chegar a um bebedouro e, além disso, oferecendo-lhe comida. Virgílio grita “para ela ir embora”. A mulher pergunta se “ele quer conhecer a sua irmã e desaparece”. Virgil faz contato social com Keith via rádio, que informa Virgil que está por perto. No entanto, Virgílio, agora gravemente ferido, é atacado e morto por uma matilha de cães selvagens. É revelado que Keith está observando por perto, esperando com o equipamento de escavação. Enquanto ele se move para extrair o ouro, Keith leva “uma flechada no peito, tombando ao chão”.

Em novembro de 2020 foi anunciado que Zac Efron havia assinado contrato para o filme, a ser dirigido por Anthony Hayes, que também desempenharia um dos papéis principais. O roteiro foi coescrito por Anthony Hayes e Polly Smyth, enquanto o filme foi produzido por Hayes em parceria com John Schwartz e Michael Schwarz. Mais tarde, foi anunciado que Susie Porter havia se juntado ao elenco, com o filme programado para ser exibido em Stan na Austrália como um Stan Original, com Stan apoiando o filme, depois que a Madman Entertainment o distribuiu nos cinemas na Austrália. A Altitude Film Entertainment foi responsável pelas vendas internacionais. A fotografia principal começou em novembro de 2020 no interior da Austrália do Sul, na cordilheira Flinders e na cidade de Leigh Creek. O filme inclui uma cena de tempestade de areia no deserto, expressa pela utilidade de uso para a qual “ventiladores e areia foram transportados para o local deserto das filmagens”. Uma verdadeira “tempestade de areia” começou na região e os atores concordaram em filmar na sua duração. Efron quebrou um osso da mão no meio das filmagens, mas “escondeu da equipe para evitar a paralisação da produção”. O lago Frome é um grande lago endorreico na Austrália, localizado na parte Centro-leste do estado da Austrália Meridional, a Leste do Norte da Cordilheira Flinders. O Lago Frome representa geograficamente uma grande área plana, desprovida de vegetação, com cerca de 100 km de comprimento e 40 km de largura, a grande maioria abaixo do nível do mar.

Possui uma área de 2.596,15 km². Apenas esporadicamente é inundado por águas que escorrem de riachos e ravinas da zona Norte da cordilheira de Flinders, a Oeste, ou contribuições excepcionais do riacho Strzelecki, a Norte. O lago faz fronteira com o Parque Nacional Vulkathunha-Gammon Ranges a oeste e fica perto do Lago Callabonna conectado pelo Salt Stream ao Norte, ao deserto de Strzelecki ao Leste e às pastagens de Frome Downs ao Sul. A região, em geral, registra pouquíssimas chuvas e há poucos assentamentos, sendo o mais próximo a pequena cidade de Villa Arkaroola, cerca de 40 km a Noroeste de suas margens. Existem dois importantes depósitos de urânio perto do Lago Frome que são explorados usando um processo hidrometalúrgico de lixiviação in-situ: Beverley, que está localizado a Noroeste, e Honeymoon, a Sudeste. As Cordilheiras Flinders são as maiores cadeias de montanhas do Sul da Austrália, que começam cerca de 200 km (125 milhas) ao Norte de Adelaide. As cordilheiras se estendem por mais de 430 km (265 milhas) de Port Pirie ao Lago Callabonna. Os primeiros humanos a habitar a Cordilheira Flinders foram o povo Adnyamathanha que significa “povo da colina” ou “povo da rocha” cujos descendentes residem na área e o povo Ngadjuri (Ndajurri). 

O desejo que torna o homem corruptível é imutável, e aparece quando o homem se sente livre do Leviatã. A prudência é uma presunção do futuro baseada numa experiência do passado. Porém, existe uma presunção de que as coisas do passado derivem de outras coisas que não são futuras, mas passadas também. O “bellum omnium contra omnes” representa, a disputa pelo poder no mundo, em que a análise de Hobbes sobre esse “estado-natural animalesco”, poderia ser resolvido dentro das fronteiras, sob o comando de um governo soberano. O grande dilema na modernidade é que a teoria não previa a intensa luta supranacional, que ultrapassa os limites imaginários e físicos. Quando limitou a convivência em uma fronteira, não pode conceber a ideia de que governos de outros países que tentassem controlar outrem, só causariam o que nós podermos perceber: o caos e banhos de sangue moderno e contemporâneo. Idealizou uma criatura mística chamada Leviatã, em sua ilustração de um “monstro composto por vários homens dispostos como escamas”. Quer dizer que o soberano que controla a sociedade civil é formado pelo conjunto de indivíduos, demonstrando também que o ser humano deu ao Estado o direito de controlá-lo como se deseja. Todos os seres humanos buscam o sucesso contínuo na obtenção dos objetos de desejo, isto é, procuram a felicidade.

Entretanto, é justamente essa busca que conduz os homens à guerra no estado de natureza e é, em última instância, o medo da morte que os leva a criarem o estado civil. Isto porque sem o medo da morte a procura pela felicidade conduz a uma “guerra de todos contra todos”, já que os homens, para terem certeza de que alcançariam a felicidade, teriam que se tornarem poderosos na busca por um poder. Mas esta busca motivada por um desejo contínuo de poder e mais poder salvaguardaria a felicidade, que outra coisa não é senão uma satisfação dos desejos. Os homens ao se valerem de todos os meios necessários para serem felizes inevitavelmente entrariam em guerra uns contra os outros. Quem já observou os procedimentos e os graus que levam um Estado florescente à guerra civil e, em seguida, à ruína, ao ver qualquer outro Estado em ruínas deduzirá que foi uma consequência das mesmas guerras e dos mesmos acontecimentos. Porém, essa conjectura tem o mesmo grau de incerteza da conjectura do futuro. Ambas estão baseadas apenas na experiência. Os seres humanos desejam aquilo que amam, e odeiam coisas pelas quais têm aversão. Com o desejo significamos a ausência do objeto; com amor, sua presença. Com aversão a ausência e, com ódio, a presença do objeto. Primeiro filósofo moderno a articular uma teoria detalhada do contrato social, com sua obra Leviatã, escrita em 1651, Thomas Hobbes foi um filósofo inglês do século XVII, reconhecido como um dos fundadores da filosofia política e ciência política moderna. Desde Hobbes o poder de um homem, universalmente considerado, consiste nos meios de trabalho de que dispõe para alcançar, algum bem evidente tanto original (natural) como instrumental (político).

O maior de todos os poderes humanos é o poder integrado de vários homens unidos com o consentimento de uma pessoa natural ou civil: é o poder do Estado ou aquele representativo de um número de pessoas, cujas ações estão sujeitas à vontade de determinadas pessoas em particular, como é o poder de uma facção ou de facções coligadas no mundo contemporâneo. Ter servos é poder, como também ter amigos, pois isso significa união de forças. Igualmente, a riqueza, unida à liberalidade, é poder, pois congrega, une amigos & servos. Mas, sem a liberalidade, a riqueza não é protetora; pelo contrário, expõe o homem à inveja e à rapina. Reputação de poder é representação de poder (cf. Crignon, 2007), porque, por meio delas, obtemos a adesão e conquistamos o afeto político dos homens que precisam ser protegidos. Êxito, analogamente também é poder, pois a reputação da sabedoria ou da “boa fortuna” faz com que os outros homens temam, idolatrem ou confiem. O valor ou conceito de um homem é, como para todas as outras mercadorias, seu preço; isto é, depende de quanto seria dado pelo uso de seu poder. Assim, não é absoluto, mas apenas uma consequência da necessidade e do julgamento alheio, através do macróbio senhor dos códigos, escritor, filósofo e filólogo romano, autor das Saturnais e do Comentário ao Sonho de Cipião. Numa das versões, nasceu por volta de 370 na Numídia, na África. Exerceu grande influência na Idade Média pela transmissão e elaboração de uma parte da tradição filosófica grega pagã no período pré-nissênico da escola neoplatônica do Ocidente latino. A estima pública é o valor que lhe é conferido pelo Estado, é o que denominamos ordinariamente dignidade

Essa valorização pelo Estado é expressa pelo cargo público para o qual é designado, tanto na magistratura como em funções públicas, ou quando esse valor é expresso por títulos e honrarias que lhe são concedidos. A fonte da honra é o Estado, e depende da vontade do soberano. A honra não sofre alterações se uma ação é justa ou injusta. A honra consiste unicamente na opinião de poder. O medo é a única paixão que impede o homem de violar leis. O medo pode levar a cometer um crime expressando o que C.B. Macpherson (1979) denominou de “individualismo possessivo” demonstra que há uma tradição política na qual a propriedade é constitutiva da individualidade, da liberdade e da igualdade.   - “Ser indivíduo é ser proprietário – em uma primeira instância, proprietário de sua própria pessoa e de suas capacidades, mas também daquilo que adquirimos através do uso de nossas capacidades”. Dessa forma, ser livre é ser proprietário, e a liberdade é ser independente em relação aos outros indivíduos. A igualdade é também conceituada em relação à propriedade, uma vez que ser proprietário de sua própria pessoa e de suas capacidades constitui um status que todo o indivíduo pretende alcançar. A interpretação de Macpherson há uma coerência temática, dinâmica, e irreprochável, pois ele trata de forma perene os conceitos de propriedade, liberdade e democracia, onde o homem é artífice de sua própria condição, e, pode conhecer tanto a presente condição miserável quanto os meios para alcançar a paz e a prosperidade.

São conceitos que continuam inspirando a reflexão crítica no âmbito da política sobre as condições e possibilidades de realização do poder interpretando o que está, no plano de análise, por trás das relações sociais e de poder entre os homens. A constituição de uma Arquetipologia política de soberania é a resposta dada por Hobbes à distinção entre o poder espiritual e o poder temporal ou civil. Não importa se o soberano do governo secular é um líder temporal ou espiritual, se é autoridade soberana representativa de um Estado civil ou cristão, pois neste mundo não há outro reino senão o secular. Tal asserção equivale a dizer que Hobbes quer explicar o Direito e o Estado sem transcender o plano do simplesmente humano. A referida afirmação ressalta o caráter secularista da teoria do Estado de Hobbes, já que fundar o Direito e o Estado em um plano estritamente secular ou simplesmente humano significa romper com a ideia de fundar o poder de dirigir a ação de homens em um plano teológico-metafísico. Ao contrário de um aliciante plano de vida voltado para transcendência comandado por autoridades espirituais, desvela-se a possibilidade de planejar a vida, isto é, a salvação, em uma dimensão política do agir humano que somente pode residir em uma esfera de ação da constituição do Estado, produto da vontade humana. Não se deve perder de vista que Hobbes somente consegue emancipar um domínio temporal a partir do momento em que reconhece a distinção entre poder espiritual e temporal. E quem reconhecia a Bíblia como ele entenderia sua metáfora: ele referia-se, ao afirmar isso, à servidão e à posterior saída dos filhos de Israel do Egito na liderança de Moisés, modelo de libertador, Lutero, complementado por Hobbes, à autonomia do poder civil diante da instituição religiosa.

Por isso, sua afirmação final do Leviatã será: - “A verdade que não se opõe aos interesses ou aos prazeres de ninguém é bem recebida por todos”. Com isso, alerta seu leitor para o fato de que mesmo as Escrituras, ao testemunharem sobre Deus, são obras dos homens. Seu principal objetivo é demonstrar que se deve ter cautela em relação ao magistério eclesiástico, que define tanto o que é canônico quanto as regras de interpretação do texto, o que é heresia, o que é verdade e o que é um poder civil legítimo, interferindo, em nome da religião revelada, em todas as esferas da vida civil. Os frutos da religião culturalmente diferenciam-se entre as religiões dos gentios e a religião daqueles que buscam as causas das coisas. Sendo assim, as sementes da religião, além de serem cultivadas por homens que “as alimentaram e ordenaram segundo sua própria invenção”, como os gentios, também foram cultivados por aqueles “que o fizeram sob o mando e direção de Deus”. Porém, Hobbes afirma que o objetivo, em ambas as espécies de religião, era levar os que confiavam em seus autores a “tender mais para a obediência, as leis, a paz, a caridade e a sociedade civil”. A primeira espécie de religião faz parte da política, enquanto a segunda “é a política divina, que encerra preceitos para aqueles que se erigiram como súditos do Reino de Deus” e desta forma fazem parte religiosamente, “Abraão, Moisés e nosso abençoado Salvador, dos quais chegaram até nós as leis do Reino de Deus”. Se na superfície mundo ou da terra não existem homens com corpos espirituais, não pode haver poder espiritual ou Estado espiritual, também chamada de poder invisível neste mundo (cf. Castelo Branco, 2004).

O reino de homens cujos corpos existem carnalmente é sempre um reino temporal. Repare-se que na interpretação filosófica de Hobbes, como bom agnóstico, não nega, portanto, em nenhuma passagem do Leviatã a existência de um poder espiritual. Sua análise crítica esmera-se no sentido de suprimir a usurpação da jurisdição secular por parte de autoridades eclesiásticas. Para tanto, como poucos em seu tempo, fundamenta suas ideias com argumentos extraídos da própria Bíblia Sagrada. O mais persuasivo de todos repete em inúmeras passagens ao longo do Leviatã e é atribuído a Jesus: - “O meu reino não é deste mundo” (cf. Bíblia. João, 18: 36). Portanto, “nosso Salvador veio a este mundo para ser rei e juiz no mundo vindouro”. Daí que em sua concepção em torno de uma teoria da igreja o poder espiritual tem jurisdição em um mundo que está por vir. Enfim, como Deus todo-poderoso é incompreensível, segue-se que nós não podemos ter uma concepção ou imagem da divindade, e consequentemente todos os seus atributos significam a nossa inabilidade e impotência para conceber qualquer coisa concernente à sua natureza, e não alguma concepção sua, excetuando-se apenas esta, segundo a qual, afinal o ser humano acredita que “existe Deus”. Os efeitos que naturalmente reconhecemos envolvem uma potência que os produziu antes que eles tivessem sido produzidos; e essa potência pressupõe alguma coisa existente que a tenha enquanto potência. E a coisa que assim existe como potência para produzir, se não fosse eterna, deveria ter sido produzida por alguma outra anterior a ela, e esta novamente por outra anterior a ela, até que chegássemos a uma eterna. Melhor dizendo, à potência primeira de todas as potências e causa primeira de todas as causas. Aquela que todos os homens concebem pelo chamamento ao nome do todo poderoso (amor) de Deus, envolvendo eternidade, incompreensão e onipotência. 

Na questão do Deserto do Ouro, eles habitaram a região por dezenas de milhares de anos antes de serem dispersos pela colonização europeia após a colonização. Pinturas rupestres, gravuras rupestres e outros artefatos culturais indicam que os Adnyamathanha e Ndajurri viveram na cordilheira Flinders por ofertas de milhares de anos. A ocupação do abrigo rochoso Warratyi remonta a 49.000 anos. Os primeiros exploradores europeus foram um grupo de exploração da visita marítima de Matthew Flinder são alto Golfo Spencerum bordo do HMS Investigator. Eles escalaram o Monte Brown em março de 1802. No inverno de 1839, Edward John Eyre (1815-1901), com cinco homens, duas carroças e dez cavalos, explorou ainda mais a região, partindo de Adelaide em 1º de maio. O grupo montou um depósito perto do Monte Arden, e depois explorou a região circundante e a parte superior do Golfo Spencer, antes de seguir para Leste até orio Murraye retornar para Adelaide. Existem registros de posseiros no distrito de Quornjá em 1845; no entanto, os três primeiros arrendamentos pastorais na cordilheira central de Flinders só foram marcados em 1851. Estes foram Wilpena, Arkaba e Aroona, que foram do ponto de vista da economia desenvolvidos como lugares de “estações de ovelhas”.

As locações foram inicialmente concedidas por 14 anos pelo governo da Colônia do Sul da Austrália, sobre terras denominadas “terrenos baldios desocupados”. O nome Aroona é derivado de uma palavra Adnyamathanha que significa “água corrente” ou lugar das rãs”. O Vale Aroona é um longo vale aberto que fica aproximadamente a 25 km (16 milhas) ao Norte de Wilpena Pound, entre as cordilheiras Heysen e ABC. A concessão foi reforçada primeiro pelos Brownes e depois por Johnson Frederick Hayward na década de 1850. Uma maneira de classificar materiais sólidos – mutatis mutandis - é de acordo com a facilidade com a qual conduzem uma corrente elétrica; dentro deste esquematismo de classificação existem três grupamentos: condutores, semicondutores e isolantes. No outro extremo estão os materiais com muito baixas condutividades, estes são os isolantes elétricos. Entretanto, materiais com condutividades intermediárias, são denominados semicondutores. No Sistema Internacional de Unidades, é medida em Siemens por metro. Constitui engano achar que o ouro é o melhor condutor elétrico. Na temperatura ambiente, no planeta Terra, o material melhor condutor elétrico ainda é a prata. Relativamente, a prata tem condutividade elétrica de 108%; o cobre 100%; o ouro 70%; o alumínio 60% e o titânio apenas 1%.  A base de comparação é o cobre. O ouro, em qualquer comparação, técnica e social, seja ela no mesmo volume, ou na mesma massa, no tempo e no espaço, sempre perde em condutividade elétrica ou condutividade térmica para o cobre.

Entretanto, para conexões elétricas, em que a corrente elétrica deve passar de uma superfície para outra, o ouro leva muita vantagem sobre os demais materiais, pois sua oxidação ao ar livre é extremamente baixa, resultando numa elevada durabilidade na manutenção do bom contato elétrico. Entre os citados, o alumínio seria o pior material para as conexões elétricas, devido à facilidade de oxidação e à baixa condutividade elétrica da superfície oxidada. Assim, um cabo condutor de cobre com os plugues de contatos dourados leva vantagens sobre outros metais. Uma conexão entre superfícies de cobre, soldada com prata constitui a melhor combinação para a condução da eletricidade ou do calor entre condutores distintos. Num condutor sólido existe uma nuvem muito densa de elétrons de condução, que não estão ligados a nenhum átomo particularmente. Por exemplo, os átomos de cobre no seu estado neutro têm 29 elétrons à volta do núcleo; 28 deles estão ligados ao átomo, enquanto que o último elétron encontra-se numa órbita mais distante do núcleo e “sai” com maior facilidade para a nuvem de elétrons de condução. A medição da qualidade do ouro em quilates surgiu historicamente na Era Medieval. A moeda utilizada, o marco, pesava exatamente 24 quilates. Pelo fato de o ouro puro ser considerado muito amolecido para a utilização, misturavam-se outros materiais.

 As pedras preciosas deveriam pesar o mesmo que uma semente de árvore coral, que correspondia a um quilate. Assim, para medir o valor desta moeda, media-se a quantidade de quilates de ouro que ela possuía, e não o peso dela em si. Os quilates servem como uma forma de medição da pureza do ouro ou outras joias. Basicamente, é o peso total do material dividido por 24. Nestas 24 partes, são consideradas as parcelas que formam outro material. Assim, é possível avaliar a relação entre a quantidade de ouro e a quantidade de outros elementos. Um elemento puro, isto é, sem a presença de outros metais, corresponde a 24 quilates. Por outro lado, se houver 10 partes de outro material, a joia corresponderia a 14 quilates, por exemplo. Desta maneira, ocorre a utilidade de uso da proporcionalidade: quanto maior a quantidade de partes de ouro puro no material, por exemplo, mais valioso é considerado. Este processo também vale para diamantes e outras pedras preciosas. Um pequeno deslocamento da nuvem de elétrons de condução faz acumular um excesso de cargas negativas num extremo e cargas positivas no extremo oposto. As cargas positivas são átomos com um elétron a menos em relação ao número de protões. Quando se liga um fio condutor aos elétrodos de uma pilha, a nuvem eletrônica é atraída pelo elétrodo positivo e repelida pelo elétrodo negativo; estabelece-se no condutor um fluxo contínuo de elétrons desde o eletrodo negativo para o positivo.

Os semicondutores são materiais semelhantes aos isoladores, sem cargas de condução, mas que podem adquirir cargas de condução passando a ser condutores, através de diversos mecanismos: aumento da temperatura, incidência de luz, presença de cargas elétricas externas ou existência de impurezas dentro do próprio material. Atualmente os semicondutores são construídos a partir dos metais de silício ou germânio. Os átomos de silício e de germânio têm 4 elétrons de valência. Num cristal de silício ou germânio, os átomos estão colocados numa rede uniforme, como a que aparece na figurativamente nas explicações de Física onde os 4 elétrons de valência ligam cada átomo aos átomos na sua vizinhança. Os átomos de arsênio têm 5 elétrons de valência. Se forem introduzidos alguns átomos de arsênio num cristal de silício, cada um deles estará ligado aos átomos de silício na rede por meio dos elétrons de valência; o quinto elétron de valência ficará livre contribuindo para uma nuvem de elétrons de condução. Obtém-se um semicondutor tipo N, capaz de conduzir cargas de um lado para outro, através do mesmo mecanismo que nos condutores ou de nuvem de elétron de condução.

Gold (“Deserto do Ouro”) é um filme de suspense de sobrevivência australiano de 2022 dirigido por Anthony Hayes. É estrelado por Zac Efron, Susie Porter e Anthony Hayes. O filme foi lançado internacionalmente em 13 de janeiro, antes de estrear no serviço de streaming Stan em 26 de janeiro de 2022. Em um futuro próximo (distópico), na narrativa cinematográfica, um viajante solitário chamado Virgil chega a um posto avançado e paga ao homem Keith, residente da região, para transportá-lo para uma área reconhecida como The Compound. Viajando por um deserto inóspito, os dois acabam descobrindo, ao acaso, uma enorme pepita de ouro em uma área remota “depois que Virgil superaquece o carro ao ligar o ar condicionado”. As pepitas de ouro são raras e, consequentemente, mesmo uma pequena pepita vale uma vez e meia a duas vezes o preço do ouro. Elas são encontradas na terra. Na trama depois de não conseguir extraí-lo com suas ferramentas básicas e com o auxílio da tração do caminhão, tentando extrair a pepita do solo, Keith sugere ficar com o ouro enquanto Virgil sai para tentar encontrar uma escavadeira, sugerindo que ele não tem o que é preciso para sobreviver sozinho.

Virgílio argumenta que deveria ser ele, quem o descobriu, ficaria com o ouro como o encontrou. Keith deixa Virgil com seus suprimentos restantes e um retorno estimado de 5 dias. Com o passar do tempo, Virgil começa a deteriorar-se física e mentalmente à medida que a paranoia da região desértica se instala. Em sua busca por lenha para manter os cães selvagens afastados, ele se depara com os destroços de um avião acidentado.  Virgílio faz para si um abrigo ao lado do ouro das peças que recolhe do avião. Durante esse período, ele encontra um escorpião que deixa escapar e uma cobra, que em suas tentativas de matar com seu canivete, ele acidentalmente derruba do pote água suficiente para um dia. Depois de vários dias aguardando o retorno de Keith, uma mulher solitária encontra Virgil enquanto ele vasculha mais o avião. A mulher imediatamente “desconfia” de seu raciocínio taciturno por estar sozinho no deserto, dizendo que sabe do acampamento perto da árvore. Ela vai investigar e Virgil a segue.

Hayward chegou em 1847 vindo de Somersete foi inicialmente superintendente da Estação Pekina. Hayward Bluff, False Mount Hayward, South Mount Hayward e Mount Hayward, na cordilheira Heysen, foram todos nomeados em sua homenagem. No início da década de 1860, Hayward retornou à Inglaterra e comprou uma propriedade perto de Bath, que chamou de Aroona. Hayward também foi implicado em um massacre de aborígenes perto de Brachina Gorge. Pelo menos 15 homens, mulheres e crianças foram mortos em um ataque na madrugada de 17 de março de 1852, em retaliação pelo assassinato do pastor Robert Richardson em 14 de março. William Pinkerton é considerado o primeiro europeu a encontrar uma rota através da cordilheira Flinders via Pichi Richi Pass. Em 1853, ele converteu 7.000 ovelhas ao longo das barragens orientais da cordilheira, até onde Quornseria construída 25 anos depois, Pinkerton Creek atravessa o município de Quorn. Durante o final da década de 1870, o esforço para abrir terras agrícolas para o trigo ao Norte da Linha Goyder teve um sucesso incomum, com boas chuvas e colheitas na cordilheira Flinders, com o lobby da mineração de cobre, extraído na área de Hawker-Flinders Ranges no final da década de 1850 e transportado por terra em carros de boi, induziu o governo a construir uma linha ferroviária de bitola estreita ao Norte de Port Augusta através da passagem de Pichi Richi, Quorn, Hawkere para o Oeste das cordilheiras até Marree, para atender às indústrias agrícolas e pastoris.

A Ferrovia Pichi Richi é uma ferrovia histórica de bitola estreita de 39 km (24 milhas) no Sul da cordilheira Flinders, no Sul da Austrália, entre Quorn e Port Augusta. Em grande parte de sua extensão, a linha fica na pitoresca passagem de Pichi Richi, onde a linha foi concluída em 1879, enquanto os trabalhos prosseguiam para o Norte para construir uma ferrovia para o “Centro Vermelho” da Austrália - a Ferrovia Central da Austrália. Isto é, a Commonwealth Railways operou trens pela passagem até 1970, quando encerrou os serviços. Houve propostas para demolir a linha, incluindo as pontes e muros de pedra seca, mas a Quorn Progress Association reconheceu o seu valor e significado patrimonial. O lobby de apoiadores locais e distantes chegou ao Sr. Keith Smith, Comissário da Commonwealth Railways. Em 22 de julho de 1973, a Pichi Richi Railway Preservation Society Inc., sem fins lucrativos, foi constituída, inicialmente para garantir a conservação dos muros de pedra seca de 1878 e das pontes na passagem de Pichi Richi. Tornou-se evidente que a perspectiva de operar comboios históricos era possível e depois de empreender a restauração de troços deteriorados da linha, a Sociedade operou os seus primeiros comboios para Summit, 12 meses depois. Novos reparos, os trens puderam viajar no sentido para Pichi Richi e para Woolshed Flat. Após a retransmissão, a linha foi restaurada para Stirling North – o terminal Oeste da linha.

No entanto, as chuvas voltaram ao padrão normal na região, causando o colapso de muitas explorações agrícolas. Restos de casas abandonadas ainda podem ser vistos espalhados pela paisagem árida. A estação de Wilpena, devido à sua geografia incomum, junto com as áreas ao redor de Quorn e Carrieton, são agora os únicos lugares ao Norte da Linha de Goyder que sustenta qualquer cultivo. A exploração mineira contínua na região, mas a mineração de carvão em Leigh Creeke as baritas em Oraparinna foram os únicos sucessos a longo prazo. As indústrias pastoris floresceram e a linha férrea tornaram-se de grande importância na abertura e manutenção de estações de ovelhas e gado ao longo da rota para Alice Springs. A cidade de Hawker foi pesquisada em uma curva da linha férrea, onde a linha do trem saiu da estrada principal para Blinman, e recebeu o nome em 1880 em homenagem ao político e pastor da Austrália do Sul George Sir Charles Hawker (1818-1895). Quorn foi pesquisado por Godfrey Walsh e proclamada cidade em 16 de maio de 1878. O município cobria uma área de 1,72 km² de maneira semelhante à capital do Estado, Adelaide. O governador Jervois concedeu o nome de “Quorn” seu secretário era da paróquia de Quorn, Leicester Shire, na Inglaterra.

Quer dizer, pepita é um metal nativo, em especial ao ouro, quando ocorre como grãos ou palhetas. Três das maiores pepitas de ouro do mundo foram encontradas no Brasil, em Serra Pelada (Pará), e estão expostas, em estado natural, no Museu de Valores do Banco Central do Brasil, em Brasília: a maior com um peso bruto de 60,8 quilogramas, chamada Canaã, foi descoberta em 13 de setembro de 1983 por Júlio de Deus Filho; a segunda, com peso bruto de 42,7 quilogramas, foi descoberta em junho de 1983. O Museu de Valores possui dois tipos de acervo, o numismático e o artístico. O primeiro, composto por 135 mil peças brasileiras e estrangeiras, abrange diversos objetos pecuniários. Estão presentes moedas, cédulas, condecorações, medalhas, títulos públicos e particulares, barras e pepitas de ouro, além de documentos e objetos que caracterizam o progresso tecnológico da fabricação do dinheiro, como matrizes de cédulas, cunhos, desenhos originais de cédulas e moedas. O acervo artístico é composto por 554 obras de arte de caráter museológico. São pinturas, desenhos, gravuras e esculturas, principalmente de artistas brasileiros relacionados ao modernismo. É parte de uma pepita bem maior, de 150 kg, que se quebrou. A maior pepita de platina foi descoberta em 1843, nos montes Urais, na Rússia. Tinha 9,635 kg, mas já não existe, pois foi fundida. Das ainda existentes, a maior tem 7,860 kg e é chamada de Gigante Ural. As pepitas de ouro são raras e, mesmo uma pequena pepita vale uma vez e meia a duas vezes o preço do ouro. Elas são encontradas na terra como no filme.

Bibliografia Geral Consultada.

NAPOLEONI, Claudio, Smith, Ricardo, Marx. Considerazioni Sulla Storia del Pensiero Econômico. Torino: Boringhieri Editore, 1970; MARX, Carlos, El Capital. Crítica de la Economía Política. Libro primero. Buenos Aires: Editorial Cartago, 1973; item IV - Carácter fetichista de la mercancía y su secreto, pp. 86-105;  MACPHERSON, Crawford Brough, A Teoria Política do Individualismo Possessivo. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1979; RIBEIRO, Renato Janine, Ao Leitor sem Medo: Hobbes Escrevendo contra seu Tempo. Tese de Doutorado. São Paulo: Editora Brasiliense, 1984; DURAND, Gilbert, As Estruturas Antropológicas do Imaginário. Introdução à Arquetipologia Geral. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1997; PEDROSSIAN, Dulce Regina dos Santos, A Ideologia da Racionalidade Tecnológica, o Narcisismo e a Melancolia: Marcas do Sofrimento. Tese de Doutorado em Psicologia Social. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2005; CRIGNON, Philippe, Hobbes et la Represéntation: Une Ontologie Politique. Paris: Thèse de Doctorat. Université de Paris 8. Saint-Denis, 2007; BRANCO, Pércio de Moraes, Dicionário de Mineralogia e Gemologia. São Paulo: Editor Oficina de Textos, 2008; SILVA, Uiran Gebara, “Antiguidade Tardia como Forma de História”. In: Anos 90. Porto Alegre, vol. 16, nº 30, pp. 77-108, dezembro de 2009; BALIEIRO, Marcos Ribeiro, Essa Mistura Terrena Grosseira: Filosofia e Vida Comum em David Hume. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Filosofia. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Departamento de Filosofia. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2009; SIAPKAS, Johannes, “Ontología del Otro: Reflexiones sobre la Filosofía de Michel de Certeau”. In: La Torre del Virrey. Revista de Estudios Culturales, nº 17, pp. 48-59, 2015; JONES, Gareth Stedman, Karl Marx: Grandeza e Ilusão. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2017; MOURA, Ariana, A Lógica do Fetichismo e os Limites do Esclarecimento. Tese Doutorado. Instituto de Psicologia. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2021, e UFR d`Études Psychanalytiques. Paris: Université de Paris, 2021; PARIS, Clarinice Aparecida, A Função Ética da Psicanálise diante do Sofrimento Psíquico Engendrado. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2023; entre outros.

domingo, 1 de julho de 2018

Sociologia Política - Teoria, Modernidade & Contradição de Valor.

                                                                                                     Ubiracy de Souza Braga

Um povo abandona a irreverência porque começa a ser reverente com outro”. Marshall Berman

                       
            Marshall Berman foi um filósofo negro e escritor talentoso estadunidense de tendência marxista deste século. Nascido em 1940, em Nova York, o pensador lecionava ciência política no The City College of New York e filosofia política e urbanismo na City University of New York. Sua obra reconhecida internacionalmente é All That Is Solid Melts Into Air: The Experience of Modernity (2012), o mais famoso ensaio marxista dos anos 1980, cujo título alude a frase do Manifesto do Partido Comunista, de Marx e Engels de 1848 que se tornou famosa associada à linguagem estética em que o marxista humanista apresenta-se radicalmente contrário ao conceito de “pós-modernismo” e acreditava na retomada do humanismo marxista. O livro desenvolve a crítica da modernidade, constituindo-se de análises argutas de vários autores e suas épocas - desde o Fausto, de Goethe, passando pelo “Manifesto” e pelos poemas em prosa de Charles Baudelaire e pela ficcionalização das ideias de Fiódor Dostoiévski, até as vanguardas artísticas do século XX. Jean-Jacques Rousseau é o primeiro a usar a palavra “moderniste” no sentido em que os séculos XIX e XX a usarão fartamente. Contudo, pode-se ter analogamente uma ideia da complexidade da relação entre modernidade e o modernismo do século XIX, se prestarmos atenção a duas de suas vozes mais distintas e contraditórias na filosofia: Nietzsche, que é geralmente aceito como fonte dos modernismos, e Marx, que não era associado antes da leitura do filósofo Marshall Berman.
            Com isso, o tema da ideologia sofria uma desdramatização. Se o ideológico, afinal não passava de uma consequência pura e simples de um processo prático, material, que importância maior poderiam ter, na sua esfera social de ação, as controvérsias que lançavam, uns contra os outros, os sujeitos históricos? Os dramas subjetivos - reconhecidos como secundários - remetiam os pesquisadores à realidade tida como objetiva, que era o nível analítico onde podiam ser encontradas as causas concretas, isto é, a verdade dos fenômenos. A questão filosófica cedia lugar a um campo de estudos bem mais restrito. Agora ficava entregue à competência exclusiva dos sociólogos, incumbidos de verificar a que grupos, classes ou atores sociais se ligavam as representações ideológicas. Os marxistas do final do século XIX e, sobretudo do início do século XX, em sua maioria, adotaram uma concepção redutiva e sociológica da ideologia, o imaginário social, como relação da realidade social em si, limitando-se ao recurso de apropriação mental - e neste sentido poder denunciar - as formas diretas mais simples da expressão dos interesses materiais das classes sociais nos discursos, nos programas de ação ou na produção artística e estética em geral.



Sociologia política é o ramo da sociologia que analisa os efeitos sociais específicos - as práticas de poder, o Estado e o dever político. É o estudo das bases sociais de representação da política. A distinção entre ciência política e sociologia política, não se refere apenas a tópica de espaço e lugar, que deve ser precisada do ponto de vista da análise. Mas caracteriza-se pela explicação concreta dos fatos que têm determinada orientação nos processos do mundo político, mas que pode mudar de forma. O cientista político busca regularidades e conexões de sentido entre os fatos em torno do mundo político. Qualquer que seja o nível de estrutura da sociedade é sempre possível pensar como Montesquieu, isto é, analisar a forma própria da heterogeneidade de uma determinada sociedade, procurando, pelo equilíbrio dos poderes em confronto, a garantia da moderação e da liberdade. Para os liberais, todo indivíduo têm direitos humanos inatos. Muitos viram aí uma filosofia implícita de representação do progresso inspirada por valores liberais que, em última instância, desembocou na ideia de que o ser humano é capaz de descobrir como reparar as injustiças sociais e políticas fomentadas pelos retrocessos da história humana
             No caso brasileiro, a divisão entre o poder e a sociedade manifesta-se especialmente pela contradição marxista entre estabilidade da estrutura e a instabilidade governamental, pelo desequilíbrio entre a população representada no poder e a mantida na periferia, pela não integração à sociedade nacional de vastas camadas da população, pelo desequilíbrio no crescimento econômico nacional e setorial, pelos desajustamentos regionais em confronto entre a pare e o todo. A não incorporação de mais da metade da população aos benefícios da civilização - moradia, trabalho e educação - revela a esterilidade dos partidos políticos e o quase esgotamento das lideranças, se levarmos em consideração a farsa da prisão de Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT). Uns e outros sucedem-se no comando ineficiente e incapaz, levando o país ao xeque-mate político, ameaçando a coexistência da liderança com o povo, e por fim, ainda mais sombriamente, do povo com a nação. Os Partidos e as lideranças ainda encontram-se alheios à sociedade em seu conjunto, e muito atentos aos pequenos interesses pessoais e partidários. Os partidos, que deveriam ser instrumentos deste objetivo, omitiram-se com o golpe de Estado de 17 de abril de 2016. Enfim, a conciliação, em vez de ser um acordo, um compromisso de concessões mútuas, visando a fins programáticos econômicos sociais, tornou-se um objetivo, um fim em si mesma, para benefícios pessoais e partidários. A conciliação aparando apenas divergências pessoais partidárias, constitui-se a expressão mais clara de poder e do atraso político. 
 
Para concordarmos com Raymond Aron, num certo sentido, Montesquieu é o último dos filósofos clássicos; noutro, é o primeiro dos sociólogos. Ainda é um  clássico na medida em que considera que uma sociedade se define essencialmente pelo seu regime político, e na medida em que chega a uma concepção da liberdade. Em outro sentido, porém, reinterpretou o pensamento político clássico no interior de uma concepção global da sociedade, e procurou explicar sociologicamente todos os aspectos das coletividades. De fato, como Montesquieu o percebeu, depois de muitos outros, o devenir político até nossos dias é feito efetivamente de alternâncias, de movimentos de progresso e depois de decadência. O pensamento sociológico de Montesquieu se caracteriza, pela cooperação incessante entre o que se poderia chamar de pensamento sincrônico e diacrônico, isto é, pela combinação, perpetuamente renovada, da explicação das partes contemporâneas de uma sociedade umas pelas outras, com a explicação dessa mesma sociedade pelo passado e pela história. A distinção entre o que Comte chama de estática e dinâmica já é visível no método sociológico do autor de l`Esprit des Lois como obra de passagem à interpretação sociológica do real. 
A instituição social aspira à universalidade. A organização sabe que sua eficácia e seu sucesso dependem de sua particularidade. Isso significa que a instituição tem a sociedade como seu princípio e sua referência normativa e valorativa, enquanto a organização tem apenas a si mesma como referência, num processo de competição com outras que fixaram os mesmos objetivos particulares. Em outras palavras, a instituição se percebe inserida na divisão social e política e pretende definir uma universalidade (imaginária ou desejável) que lhe permita responder às contradições, impostas pela divisão. Ao contrário, a organização busca gerir seu espaço e tempo particulares aceitando como dado bruto sua inserção num dos polos da divisão social, e seu alvo não é responder às contradições, e sim vencer a competição com seus supostos iguais. A questão nevrálgica refere-se à pergunta: Como foi possível passar da universidade como instituição à definição como organização prestadora de serviços?Em primeiro lugar através da passagem da produção de massa e da economia de mercado para as sociedades de conhecimento baseadas na informação e comunicação. Na esfera de ação política é regulação da existência coletiva, poder decisório, luta entre interesses contraditórios, disputa por posições de mundo, confrontos mil entre forças sociais, isto é, violência em última análise. Só que a produção dos processos políticos, baseados em instituições sociais como esfera de poder, em segundo lugar, se diferencia radicalmente da produção econômica porque usam eventualmente suportes materiais, como armas, livros, processos, papéis onde se inscrevem as ordens, os atos de gestão, as sentenças ou as leis, mas não é uma produção material (econômica) no sentido marxista do termo. 
        A administração pública e a defesa dos interesses, bens e direitos envolvidos, requerem a reformulação da administração dos negócios, influindo na qualidade e natureza dos serviços e produtos ofertados. Como consequência dessa necessidade nasceu a “blindagem jurídica” para enfrentamento dos desafios na divisão internacional da atividade intelectual articulada aos procedimentos técnicos, visando a segurança econômica, social e jurídica e de interesses pessoais e empresariais.A coerência desta articulação, aliada à teleologia das normas, à jurisprudência e à doutrina, quando sopesadas na efetivação do negócio resulta no tão propalado bom direito e, que deve ser defendido como imprescindível e proficiente, assim, em seu brilhante nascedouro. Esse direito, sob múltiplas influências de suas disciplinas carrega particularidades que devem ser conhecidas e estudadas pelos profissionais que ocupem posições jurídicas e administrativas nas empresas e sociedade para que se realize a blindagem jurídica, como processo político de gestão estratégica  permanentemente, indutora de segurança jurídica com prosperidade. A blindagem é muito distinta de qualquer tour de force em busca das brechas da lei para a defesa de direitos, contrapondo-se as iniquidades, ou amparados por destaques que possam afrontar o Estado, a moralidade e a tradição econômica consuetudinária. O fato social e político é que a gestão da universidade é marcada por uma série de desafios, os quais são configurados como compromissos políticos da instituição tanto em termos de pesquisa & desenvolvimento como seu ersatz de comunicação inter pares e produção social. No Brasil ocorre a blindagem jurídica como questão sociológica recente, para conter o acesso ao exame de professor Titular e de Livre Docente.

        Escola de Sociologia e Política de São Paulo (2017). 
O Estatuto é o documento legal da universidade para desenvolver sua estrutura e seu funcionamento e, assim, propugnar sua política acadêmica em suas áreas de ensino, pesquisa, extensão e gestão. O último termo é objeto de nossa análise crítica. O gestor da universidade não é pessoa competente, no sentido jurídico do termo, para tomar decisões tal como lhe convém, sem permitir a participação de seus pares. Por isso, os colegiados devem ter autonomia administrativa como órgãos consultivos e deliberativos com o objetivo de construir modelo de gestão democrática e compartilhado, sem perder de vista as exigências políticas e administrativas de seu entorno com o poder público local. Apesar de o Brasil investir 1% de seu Produto Interno Bruto (PIB) em Pesquisa & Desenvolvimento, a maior parte dos cientistas brasileiros, estimados em torno de 75% de seu total trabalha como professor e pesquisador em instituições acadêmicas prevalentemente públicas e secundariamente privadas.  No setor acadêmico, é natural que o número de artigos científicos e de títulos de doutores concedidos a cada ano esteja aumentando, em função da parceria de público-privado, mas regionalmente é preciso encontrar maneiras sensatas de estimular a diversidade da base acadêmica, tanto na perspectiva regional quanto na perspectiva de formação de campos de conhecimento.    
Na conjuntura política e econômica mundializada, é cada vez mais premente a demanda pela integração de diferentes áreas de saber, no âmbito acadêmico e científico, tendo como exigência a formação de profissionais ditos “policompetentes”, compatíveis com as exigências do mercado de trabalho e a singular interdependência dos saberes. Nem sempre ocorre integração entre setores da instituição, como setor administrativo, de formação e titulação, além dos aspectos de interesse dentre alunos e dos professores. Do ponto de vista histórico e pontual o conceito de “carreira” deriva da palavra latina “carraria” e passou por diversas transformações no decorrer de sua aplicabilidade teórica e historicamente determinada. Por volta dos anos de 1530, no período renascentista, simplificadamente, “carreira” identificava um caminho, ou o “curso do sol através dos céus”. Nas disputas de Justa, em 1590, a palavra “carreira” estava inserida no seguinte contexto: o cavalo que, durante o combate, passava uma “carreira” em seu oponente. A partir de 1803, o significado contemporâneo da palavra “carreira” passou a se relacionar ao mundo perigoso dos negócios, quando o termo foi associado à ideia de “caminho na vida profissional” e que comumente entende-se “carreira” como a soma de “todos os cargos” ou “posições” ocupadas por uma pessoa durante sua vida profissional.   
Este entendimento contraria a raiz etimológica do termo e impede que o conceito real da palavra seja plenamente assimilado no mercado, inclusive por alguns profissionais de renome representados em nível globalizado. Neste sentido, não está associado a restrições temporais, mas sim espaciais. Não revela um histórico profissional, propriamente dito, mas um caminho particular rumo a um objetivo institucional condicionado pelo cargo. No sentido pontual é um termo disciplinar que designa um determinado campo do conhecimento. Como campos específicos de saber, as disciplinas se referem aos mais diversos âmbitos de produção de conhecimento técnico e científico. Tem como representação a produção social através de instâncias ou níveis de análises sobre a realidade social, a constituição de uma linguagem aparentemente comum entre os seus praticantes, a definição e constante redefinição de seus objetos de estudo, uma singularidade que as diferencia de outros saberes, uma complexidade interna que termina por gerar novas modalidades no interior da disciplina. Enfim, a rede de conexão humana de conhecimentos que constitui determinado campo de saber, com a formação progressiva da chamada comunidade científica compartilhada pelos diversos praticantes do campo disciplinar. Há de fato um processo de trabalho e de comunicação social e política com a fundação e manutenção de revistas científicas especializadas, a ocorrência constante de congressos frequentados pelos praticantes do campo disciplinar, a criação de instituições científicas que representam os profissionais do campo de saber vinculando seu nome, seu cargo no âmbito das instituições e assim por diante.

Encontro massivo dos trabalhadores da British Leyland Cars em 1981. O segundo sentido de conceptual denota os paradigmas exemplares, decerto positivistas, e, portanto, tecnicistas que têm constituído a base da formação científica, uma vez que o pesquisador passa a dominar o conteúdo cognitivo da ciência através da experimentação no âmbito dos exemplos compartilhados. Um pós-doutorado, nunca é demais repetir, consiste em uma atividade especializada ou estágio de pesquisa em universidade, realizado após a conclusão do doutorado. Quem termina um doutorado e quer continuar se aprimorando como pesquisador tem a opção de fazer um pós-doutorado. Ao contrário da pós-graduação (M/D, LD, Titular), o estágio de pós-doutorado não visa obtenção de um título. Em outras palavras, não existe o título pós-doutor. O pesquisador pós-doutorando não tem vínculo trabalhista com a instituição que o recepciona e pode ou não ter bolsa de estudos como financiamento. É comum haver um professor supervisor na instituição, que será responsável por “fiscalizar” a realização dos objetivos da pesquisa. 
O objetivo maior é o aprofundamento da pesquisa em dada área do conhecimento, mas pode haver também a condição e possibilidade de o estágio do pós-doutorando conter atividades paralelas, tais como oferecer cursos, aulas e palestras, assim como participar em júris ou bancas de avaliação, como no caso de avaliações de mestrados e doutorados. Vale lembrar que output é conceito de uso frequente no âmbito da informática para se referir aos dados resultantes de um processo. Um output (ou saída) é constituído pela informação que é emitida por um sistema. Isto quer dizer que os dados em questão “saem” do sistema, seja através de um formato digital ou mesmo em algum suporte material. O processo costuma incluir, como primeiro passo, a entrada (ou input) da informação para o sistema. Para isso, é possível usar um teclado, ou outros dispositivos que permitam introduzir os dados no computador. Já dentro do sistema, a informação é manipulada e processada até que o utilizador, finalmente, decida concretizar a saída. É então quando se gera esse output. Dentro do campo macroeconómico, o conceito de output refere-se aos produtos e os serviços que se geram no âmbito de uma economia. O output, neste sentido, representa o resultado de um processo social de produção.
Existe um modelo desenvolvido pelo economista Wassily Leontief, vencedor do Prémio Nobel, através do qual se refletem as diversas interações sociais que existem entre os vários setores que formam uma economia. De acordo com este modelo “input-output”, quando uma indústria produz uma saída de bens, outra recebe esse output, gerando-se o input correspondente. A sua teoria, no entanto, pode-se dizer que há tempo antes foi estabelecida por outro personagem importante dentro da economia. Trata-se do francês François Quesnay, que a projetou através daquilo que deu a chamar “tableau économique”. Posto isto, dentro do âmbito económico também existe o que se conhece como “output gap”. Este é o termo que se utiliza em referência à diferença que existe entre o PIB potencial e o PIB observado. Mas, para entender melhor esse vocábulo, há que ter em conta o que é um e outro. O PIB potencial é o produto interno bruto que pode criar a economia do país num período de tempo determinado, tendo em conta fatores tais como o volume de emprego e o capital instalado. O PIB observado, por outro lado, pode estabelecer o que representa o conjunto de bens e serviços que se produz durante um determinado prazo, formando um ciclo de tempo num país, tanto por pessoas que vivem no mesmo país, como por estrangeiros que nele residam.
 O Conselho Universitário é um aparelho de Estado com o maior poder de logística dentro da Universidade. Não são os exemplos de funções do Conselho que nos interessam, mas as diretrizes da universidade e o supervisionamento e sua execução, mas o regimento de suas unidades nas faculdades, institutos e escolas, que visam emendar o estatuto da universidade, deliberar sobre a criação e extinção de cursos de graduação, assim como os exames internos de ascensão na hierarquia. Na Universidade de São Paulo, o Conselho Universitário é composto pelo reitor, vice-reitor, pró-reitores de graduação, pró-reitores de pós-graduação, pesquisa e extensão, pelos diretores das faculdades, institutos e escolas, da congregação de cada unidade, dos professores titulares, dos professores associados, dos professores doutores, dos representantes dos funcionários, dos discentes da graduação em número correspondente a 10% do total de docentes no Conselho, dos discentes da pós-graduação em número correspondente a 5% do total de docentes no Conselho da Instituição, da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo, da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, das Entidades Associadas e, finalmente um representante das classes trabalhadoras do Estado de São Paulo.

Em muitos países europeus e nos Estados Unidos, por exemplo, o “postdoc” é visto como um pesquisador Associado porque ocorre o processo de  amadurecimento, incentivado por pesquisadores mais experientes como Titulares e Livre-Docentes. De fato, os doutores ainda carecem de experiência acadêmica, por isso não estão totalmente preparados para a carreira científica. Obviamente, que sempre há exceções à regra. Ainda, por vezes esse incentivo não se limita a fazer apenas um, mas alguns pós-doutoramentos em diferentes instituições e grupos organizados de pesquisa. Se por um lado o pós-doutorado pode trazer vantagens e aperfeiçoamentos, por outro pode haver consideráveis desvantagens, ainda mais quando o pesquisador não desejar o ingresso em uma carreira acadêmica, mas se direcionar para o mercado ou indústria. Exemplo disso é o texto escrito pelo jornalista Devin Powell, intitulado: “The Price of Doing a Postdoc”, no qual são apresentados alguns dados que demonstram desvalorização em termos financeiros e prestígio é um “postdoc” ao comparar com quem ingressou diretamente no mercado de trabalho, sem a realização do estágio pôs-doutoral.  
Aliás, o texto ratifica um erro comum entre os “postdoc” brasileiros, pois muitos deles abrem mão de “ganhar mais” pela possibilidade de desenvolver as suas pesquisas de uma maneira livre, aparentemente sem impedimentos institucionais. O “pósdoc” é um consumismo que se refere a um produto mental orientado por uma crescente propensão ao consumo de bens e serviços públicos em geral supérfluos. Talvez em razão do seu significado fetichista articulado em torno de prazer, sucesso, felicidade, frequentemente atribuído pelos meios de comunicação da ciência. O fetiche relaciona-se à fantasia ou seu simbolismo que paira sobre o objeto, projetando nele uma relação social definida. Melhor dizendo, a ilusão que sobre a maioria dos economistas produz e o fetichismo inerente ao mundo das mercadorias, ou a aparência material dos atributos sociais do trabalho, resulta demonstrada por sua prolongada e insípida querela a proposito do papel da natureza na criação do valor de troca. Como este não é mais que uma maneira social particular de mensurar o trabalho empregado na produção de um objeto, não pode conter elementos materiais, como não pode contê-los, por exemplo, a cotização de trocas. A diferença entre o consumo e o consumismo é que no consumo as pessoas adquirem somente aquilo que lhes é necessário. Já o consumismo se caracteriza pelos gastos excessivos em produtos supérfluos. A necessidade de consumo pode vir a tornar-se uma compulsão, enquanto uma patologia comportamental. Pessoas compram compulsivamente coisas que realmente não precisam. Na universidade fazem “pósdoc” no lugar da pesquisa, quando a pesquisa de fato representativa pelo seu caráter meritório e hierárquico é a cátedra de Livre Docente e Titular em conformidade com a teoria. 
Bibliografia geral consultada.
MOURA, Clovis, Sociologia Politica da Guerra Camponesa de Canudos. São Paulo: Editora Expressão Popular, 2000; SALLUM JR., Brasílio João, Notas sobre o Surgimento da Sociologia Política em São Paulo. In: Revista de Sociologia Política, volume 1, nº 1. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, Cidade Futura, 2002; LE BRAS, Gabriel; BOAS, Glaucia Villas, “Para Ler a Sociologia Política de Maria Isaura Pereira de Queiroz”. In: Revista de Estudos Políticos, nº 0, pp. 37-44; 2010; BERMAN, Marshall, Tutto ciò che è Solido Svanisce nell`aria. L`Esperienza della Modernità. Bologna: Editore Il Mulino, 2012; TRAVASSOS, Juliana Azevedo, Responsabilidade Corporativa: Institucionalização e Ideologia. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais. Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 2012; DIAS JUNIOR, Antônio Carlos, A Sociologia Política de Raymond Aron. Tese de Doutorado. Campinas. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, 2013; VASCONCELOS, Francisco Thiago Rocha, Esboço de uma Sociologia Política das Ciências Sociais Contemporâneas (1968-2010): A Formação do Campo de Segurança Pública e o Debate Criminológico no Brasil. Tese de Doutorado em Sociologia. São Paulo: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2014; FERNANDEZ, Luciana Moretti, Mente Firme e Coração Blindado: Uma Teoria da Presentificação Social na Prática Comunicacional de Representar o Crime Proibido. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação. Escola de Comunicações e Artes. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2017; ENGERROFF, Ana Martina Baron, A Sociologia do Ensino Médio: A Produção de Sentido para a Disciplina através dos Livros Didáticos. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2017; MALVEZZI, Amarildo Muniz, As Ambivalências do Gosto: Repensando os Limites da Teoria Bourdiesiana do Habitus à Luz da Dimensão Estética. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Sociologia. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 2018; entre outros.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Goldie Hawn - Anacorese das Borboletas na Arte Cinematográfica.

                                                                                                    Ubiracy de Souza Braga

         “E ela não passava de uma mulher... inconstante e borboleta”. Clarice Lispector
             
                        
Adaptado a partir da peça teatral Butterflies are free de Leonard Gershe, “Liberdade para as borboletas” (1972) é um filme que retrata o surgimento de um romance pós-moderno entre Don Baker, um rapaz que tenta ser independente, se afastando da mãe superprotetora e Jill, sua vizinha liberal, que não sabe ao certo que nenhum vento ajuda a quem não sabe a que porto quer chegar. Trata-se de um jovem músico cego que decide morar sozinho. Aluga um apartamento em São Francisco e envolve-se com uma bela vizinha, atriz. Não é a mãe do rapaz que cria um puzzle na relação que se constrói passo a passo, mas as exigências da profissão como obstáculo para o relacionamento de ambos. São Francisco tornou-se o centro da contracultura, ao longo da década de 1950, e na década de 1960, o centro da chamada cultura hippie. Além disso, a cidade encontra-se no contexto das sociedades ocidentais em que a autonomia e a liberdade estão associadas ao período de transição para a idade adulta. A contracultura pode influenciar o modo como os jovens representam e antecipam o que é ser adulto, na vida individual e coletiva, claramente quando a literatura sugere que as representações do papel de adulto adquirem na modernidade uma configuração própria.
A pós-modernidade é um conceito da sociologia histórica que designa a condição sociocultural e estética dominante no capitalismo após a queda do Muro de Berlim (1989), a “revolução retificada” (cf. Habermas, 1990) da União Soviética e a crise das ideologias nas sociedades ocidentais no final do século XX, com a dissolução da referência à razão como uma garantia de possibilidade de compreensão do mundo através de esquemas totalizantes. O uso do termo se tornou corrente embora haja controvérsias quanto ao seu significado e a sua pertinência. Algumas escolas de pensamento situam sua origem no alegado esgotamento do projeto moderno, que dominou a estética e a cultura até final do século XX. Em A Condição Pós-Moderna, François Lyotard caracteriza a pós-modernidade como uma decorrência da morte das “grandes narrativas” totalizantes, fundadas na crença no progresso e nos ideais iluministas de igualdade, liberdade e fraternidade. Outros, porém, afirmam que a pós-modernidade seria apenas uma extensão da modernidade, período em que, segundo Walter Benjamin, ocorre a perda da aura do objeto artístico em razão do que ele nomeou “a obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica”, em múltiplas formas: cinema, fotografia, vídeo, etc.


           
Para o crítico marxista norte-americano Frederic Jameson, a pós-modernidade representa a “lógica cultural do capitalismo tardio”, correspondente à chamada terceira fase do capitalismo, conforme o esquema proposto por Ernest Mandel. Outros autores preferem evitar o termo. O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, um dos principais popularizadores do termo pós-modernidade no sentido de forma póstuma da modernidade, prefere usar a expressão “modernidade líquida” - uma realidade ambígua, multiforme, na qual, como na clássica expressão do manifesto comunista, de Marx  & Engels “tudo o que é sólido se desmancha no ar”. O filósofo francês Gilles Lipovetsky prefere o termo “hipermodernidade”, por considerar não ter havido de fato uma ruptura com os tempos modernos chaplinianos - como o prefixo “pós” dá a entender. Segundo Lipovetsky, os tempos atuais são modernos, com uma exacerbação de certas características das sociedades modernas, tais como o individualismo, o consumismo, a ética hedonista, a fragmentação do tempo e do espaço. Já o filósofo alemão Jürgen Habermas relaciona o conceito de pós-modernidade a tendências políticas e culturais neoconservadoras, determinadas a combater os ideais iluministas. A perspectiva individualista do “Flower Power” contraria as transformações estruturais dos sistemas de ensino e de formação que no processo civilizatório induzem também a períodos mais longos de coabitação entre pais e filhos adultos, facilitados por mudanças culturais, que permitem aos jovens pela via geracional optar pela “coabitação entre gerações”.
O final da década de 1970 trouxe também uma nova onda de homossexuais à cidade. Em 1972, o Edifício Transamérica foi construído no centro da cidade, planejado para resistir a fortes abalos sísmicos. Outros “arranha-céus” foram construídos na cidade na década de 1970 e do começo da década de 1980, o que causou uma discussão na cidade: Muitos da população eram contra a construção de “arranha-céus”, achando que grandes edifícios arruinavam as vistas e destruíam o caráter único de São Francisco. Outras pessoas eram a favor, dizendo que a construção de arranha-céus criam empregos e fortalecem a economia da cidade. Um novo plano diretor, apoiada pela lei municipal “Downtown Plan”, limitou a altura máxima dos edifícios construídos na maior parte da cidade, e incentivava a criação de parques e outros espaços públicos abertos. Tal tipo de plano diretor tornou-se comum em muitas das cidades globais do mundo ocidental. Altos arranha-céus são permitidos apenas em uma pequena área ao sul da cidade.
Goldie Hawn é filha de um músico presbiteriano, descendente de um dos   signatários da Declaração de Independência dos Estados Unidos e de mãe judia, filha de imigrantes húngaros. Apesar de crescer no judaísmo, Goldie ia à igreja com a família e comemorava o Natal. Aos três anos começou a aprender balé e sapateado e aos quinze estreou-se nos palcos como Julieta numa produção de Romeu e Julieta de William Shakespeare. Em 1964, após deixar a faculdade para se tornar professora de balé, participou num musical como dançarina na Feira Mundial de Nova Iorque e no ano seguinte estabeleceu-se como dançarina “go-go” profissional na cidade. Na segunda metade de década de 1960, Goldie Hawn estreou em televisão, personificando diversas vezes o estereótipo cômico e machista da “loira burra e meiga”, que a tornaria famosa e em cima do qual faria três comédias românticas de sucesso nos anos seguintes na tela: “Liberdade Para as Borboletas”, “Caiu uma Moça na Minha Sopa” e “Flor de Cacto”, um trabalho de estreia no cinema, com Walter Matthau e Ingrid Bergman nos papéis principais que lhe garantiu o Óscar de melhor atriz secundária de 1969.  
No cinema a década começa com a originalidade de Robert Altman em M.A.S.H., tendo como background a “Guerra da Coréia”. Liza Minnelli ganha mais um Oscar para sua família com “Cabaret”. Francis Ford Coppola entrega o filme que mudaria a história da Sétima Arte, “The Godfather”, um dos melhores filme dos anos 1970 e um dos melhores já feitos, com Marlon Brando e Al Pacino. Vencedor de 3 Óscar nas categorias de melhor filme, melhor ator (Brando) e melhor roteiro adaptado. A primeira parte da saga da família Corleone. O aclamado diretor russo Andrei Tarkovski lança a aclamada ficção científica: “Solyaris”. O famoso cineasta Ingmar Bergman lança um dos melhores filmes da década de 1970 com “Viskningar och rop” (“Gritos e Sussurros”), filme historicamente determinado e se tornando um dos únicos filmes estrangeiros a ser indicado na categoria de Melhor Filme no Óscar, mas paradoxalmente, como se sabe, apenas ganhando na categoria de Melhor Fotografia.                       
Nos anos 1970 e 1980 Goldie Hawn consagrar-se-ia como atriz e produtora,  primeiro com o papel principal do thriller de estreia de Steven Spielberg no cinema, “The Sugarland Express” e depois, principalmente, em comédias dramáticas como “Shampoo”, “Golpe Sujo”, “Bird on a Wire” e “Private Benjamin”, também produzido por ela e que lhe deu uma indicação ao Óscar de melhor atriz de 1980. Nos anos 1990 a sua carreira entrou num compasso mais lento com sucessos de bilheteira menores, o maior deles em “The First Wives Club” com Bette Midler e Diane Keaton, em que ela também demonstra seus dotes de cantora com a banda sonora do filme. Apesar de judia por parte de mãe, Hawn converteu-se ao budismo nos anos 1970 e pratica a religião, tendo criado os seus filhos dentro das filosofias judaica e budista. Do ângulo da diversidade cultural não abre mão das suas raízes etnológicas judaicas e descreve-se como “meio judia e meio budista”, visitando a Índia anualmente e viajando a Israel, como demonstração de identificação com seu povo e com as duas religiões.
Dom foi criado como um “bibelô” (adorno) pela mãe, possessiva e dominadora, mas na idade adulta, resolve ir morar sozinho, num apartamento, quando sua vida totalmente organizada vai bem até a chegada da nova vizinha, o que transforma radicalmente sua vida e seus sentimentos. Don e Jill logo criam uma intensa “conexão de sentido” um com o outro, porém, com a chegada da mãe de Don, a relação pela presença materna se complica. Obviamente ela não vê com seus olhos a relação do filho com Jill, que tinha um histórico de relacionamentos curtos, pouco afetivos e complicados. O longa-metragem, de 1972, aborda com um olhar inocente temas atemporais e sentimentos inerentes aos jovens na transição para idade adulta. O diretor consegue identificar a intimidade do apartamento de Don com precisão. A câmera de move no interior do apartamento, levando o telespectador a interagir com os personagens, aliando-se ao som e a excelente direção de atores, criando um ambiente perfeitamente crível. Vale destacar a trilha sonora com fator de integração.
O nome grego para borboleta é psyque, e a mesma palavra significa alma. Psiquê, na mitologia grega, é uma divindade que representa a personificação da alma. Seu mito foi narrado nos últimos tempos da Antiguidade na história latina. Sua história é uma alegoria a alma humana, que é purificada por paixões e desgraças, e é, portanto, preparada para desfrutar da verdadeira e pura felicidade. Em obras de arte Psiquê é representada como uma donzela com asas de borboleta, uma simbologia que significa que Psiquê, como a borboleta, depois de uma vida rastejante como lagarta, flutua na brisa do dia e torna-se um belo aspecto da primavera. Não há ilustração da imortalidade da alma tão impressionante e bela como na representação social da borboleta.
Depois de uma vida rastejante e mesquinha como lagarta, passa pela fase de pupa, somente depois de estender as asas brilhantes do túmulo no qual tinha ficado, flutua na brisa do dia e torna-se um dos mais belos e delicados aspectos da primavera. Psique, é a alma humana purificada pelos sofrimentos e infortúnios, está preparada, assim, para o desfrute da verdadeira felicidade. O termo grego psyque, originalmente, tinha dois significados, como já mencionados, a alma e a borboleta, sendo que esse último simbolizava o espírito imortal. Segundo as crenças nativistas gregas populares, quando alguém morria, o espírito saía do corpo em forma de borboleta. Importante destacar que a simbologia da borboleta pode variar de lugar para lugar, de povo para povo, uma vez que sua representação está associada às diversas formas de vida, de culturas, religiões e crenças. Pela etimologia, a palavra borboleta é uma designação comum referida aos insetos lepidópteros diurnos, cujas antenas são clavadas.
Provavelmente, a palavra borboleta tem origem do latim belbellita, calcado em bellus “bom, bonito”. Mariposa, de outra parte, é uma designação geral dos lepidópteros heteróceos e apresenta hábitos noturnos. Do castelhano deriva de María e “posa”, imperativo de posar, que significa em língua portuguesa “pousar”. Os antigos gregos converteram as borboletas em símbolos da alma difundindo no Ocidente, em especial as de cor branca. Em analogia, a borboleta é a alma humana purificada pelos sofrimentos terrenos, pronta para gozar da felicidade após o túmulo da pupa. A borboleta também é considerada um símbolo de ligeireza e de inconstância. O voo da borboleta em direção ao fogo comparativamente nos remete “ao voo de Ícaro em direção ao sol”. Em algumas tradições, a chama (“flama”) também tem como significado antropológico um símbolo de purificação, de iluminação e de amor espirituais, representando a imagem do espírito e da transcendência, e, portanto, a alma do fogo (cf. Bulfinch, 1981).       
 Teatro experimental é um termo genérico que se refere a diversos movimentos estéticos do teatro ocidental, iniciados no século XX, como forma de reação às convenções que até então dominavam a criação e produção de obras dramáticas e, mais especificamente, o naturalismo. O termo mudou, com o tempo, à medida que o teatro dito mainstream adotou diversas destas formas que eram então consideradas radicais. Costuma ser usado de maneira mais ou menos equivalente ao termo teatro de vanguarda. Historicamente sob intensa expectativa, a 8 de maio de 1945, uma noite fabulosa para o teatro brasileiro, o Teatro Experimental do Negro (TEM) apresentou seu espetáculo fundador. O estreante Aguinaldo Camargo entrou no palco do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, onde antes nunca pisara um negro como intérprete ou como público, e, numa interpretação inesquecível, viveu o trágico Brutus Jones, de O` Neill. Na sua unanimidade, a crítica saudou entusiasticamente o aparecimento do TEM e do grande ator negro Aguinaldo Camargo, iguala-o em estrutura dramática a Paul Robeson, que também desempenhou o mesmo personagem nos Estados Unidos da América. Henrique Pongetti, cronista do jornal O Globo, registrou comparativamente o evento: - “Os negros do Brasil - e os brancos também - possuem agora um grande astro dramático: Aguinaldo de Oliveira Camargo. Um anti-escolar, rústico, instintivo grande ator”. 
Desde os anos 1960 e de anos anteriores, quando era ligado à cultura beat, Haight-Ashbury era procurado como moradia de pessoas fora de casa que não tinham condições de morar em locais mais nobres do norte da cidade, e ali encontravam imóveis e aluguéis mais baratos numa área menos densamente povoada. Desde esta época, o lugar e a cidade de São Francisco tornaram-se a referência física do movimento hippie e da chamada contracultura. São Francisco e The Haight ganharam reputação como centro de uma cultura de drogas ilegais, notadamente maconha e LSD, além de outras drogas alucinógenas. Em 1967, a área ganhou fama internacional como o paraíso de drogados e habitat natural de diversos músicos e grupos de rock`n`roll psicodélico da época, como Janis Joplin, Jefferson Airplane e Grateful Dead, cujos integrantes viviam há pouca distância da famosa interseção e que eternizaram a cena local urbana em diversas canções. Grupos performáticos de teatro de rua e todo tipo de cultura underground também faziam parte do clima de comunicação efervescente da área.   
Bibliografia geral consultada.
NOGUEZ, Dominique, Éloge du Cinema Experimental. Paris: Centre Georges Pompidou, 1979; BAUDRILLARD, Jean, Simulacres et Simulation. Paris: Éditions Galilée, 1981; HABERMAS, Jürgen, “What Does Socialism Mean Today?  The Rectifying Revolution and the Need for New Thinking on the Left”. In: New Left Review, n° 183, Sept./Oct. 1990; LYOTARD, Jean François, O Pós-Moderno. 4ª edição. Rio de Janeiro: José Olympio, 1993; PARAIRE, Philippe, O Cinema de Hollywood. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1994; KEHL, Maria Rita, A Mínima Diferença: os dois lados do cinema. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1995; KAPLAN, Elizabeth Ann, A Mulher e o Cinema: os dois lados da câmera. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1995; BROOK, James; CARLSSON, Chris; PETERS, Nancy Joyce, Reclaiming San Francisco: History, Politics, Culture.  University of California Press, 1998; TASKER, Yvone, Working Girls: gender and sexuality in popular cinema. New York: Routledge, 2000; NASCIMENTO, Abdias do, “Teatro Experimental do Negro: Trajetória e Reflexões”. In: Estud. av. vol.18 n° 50. São Paulo Jan./Abr. 2004; MORETTI, Franco, Signos e Estilos da Modernidade: Ensaio sobre a Sociologia das Formas Literárias. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 2007; BÜRGER, Peter, Teoria da Vanguarda. São Paulo: Editor Cosac Nayfy, 2008; ANDERSON, Benedict, Comunidades Imaginadas. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2008; ALBERA, Francis, La vanguardia en el cine. 1ª edicíón. Buenos Aires: Ediciones Manantial, 2009; CAMÊLO, Polyanna, O Beijo Invisível do Onírico: Na Linguagem Imaginária de Andara. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Letras. Centro de Artes e Comunicação. Departamento de Pós-Graduação em Letras Linguística. Recife: Universidade de Fedral de Pernambuco, 2010; LIMA, Cecília Almeida Rodrigues, Da Bond Girl à Comédia Romântica: Identidades Femininas no Cinema de Hollywood. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Comunicação. Universidade Federal de Pernambuco, 2010; Artigo: “O Barata Ribeiro 200 com pós-escrito de Yvonne Maggie e comentários de Anthony Leeds”. In: https://aa.revues.org/2012; CARNEIRO, Cesar Felipe Pereira, Recriações de Otelo nos Palcos Brasileiros: Do Globe Theatre ao Barracão Encena. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Letras. Setor de Ciências Humanas. Curitiba: Universidade Federal do Paraná, 2015;  entre outros.