“Quem não vive para servir, não serve para viver”. Mahatma Gandhi
É uma forma de transformar ativos não líquidos em títulos líquidos, transferindo os riscos para os investidores que os compram. Em fevereiro de 1970, historicamente o Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos Estados Unidos criou a primeira transação envolvendo um ativo financeiro lastreado em hipotecas. A Associação Nacional da Hipoteca do governo dos EEUU - Government National Mortgage Association (GNMA), reconhecida como Ginnie Mae -, começou então a vender ativos lastreados por uma carteira de empréstimos hipotecários. Créditos habitacionais transformavam-se assim em títulos, que passavam a ser negociados nos mercados financeiro e de capitais. Em 1985, as técnicas de securitização, originalmente desenvolvidas para o mercado de hipotecas, foram aplicadas, pela primeira vez, a créditos não hipotecários, a saber, os contratos de empréstimos para aquisição de automóveis, os quais viriam a lastrear o segundo maior fundo em volume de ativos, superado apenas pelos fundos lastreados em hipotecas, que se tornou um atraente produto das chamadas finanças estruturadas, por ter um prazo de vencimento mais curto que o das hipotecas. A primeira operação de securitização de empréstimos no mercado nacional automobilístico para compra massiva de automóveis, no valor de 60 milhões de dólares, teve origem na Marine Midland Bank e realizada em 1985 pela Certificate for Automobile Receivables Trust.
Um comprovante cujo valor é derivado de um empréstimo de carro. Isso confere ao proprietário o direito de reclamar os pagamentos da parte principal do negócio (contrato social) efetuado e juros dos empréstimos para automóveis específicos que sustentam a garantia. Há aproximadamente duzentos anos, a ideia de que a verdade era produzida, e não descoberta começou a tomar conta do imaginário individual (o sonho) e coletivo (os mitos, os ritos, os símbolos) europeu. O precedente estabelecido pelos românticos conferiu a seu pleito uma plausibilidade inicial. O papel efetivo de romances, poemas, peças teatrais, quadros, estátuas e prédios no movimento social dos últimos 150 anos deu-lhe uma plausibilidade ainda maior, obtendo legitimidade, já que sabemos que “as ideias adquirem força na história”. Alguns filósofos inclinaram-se ao iluminismo e continuaram a se identificar com a ciência. Eles veem a antiga luta entre a ciência e a religião, a razão e a irracionalidade, como um processo em andamento que assumiu a forma de luta entre a razão e todas as mediações intraculturais que pensam na verdade constituída e não encontrada. Esses filósofos consideram que a ciência é a atividade paradigmática e insistem que a ciência natural descobre a verdade, ao invés de cria-la. Grégory Lioubov (Jean Dujardin) é um agente secreto que trabalha para o governo russo. Ele é enviado a Mônaco para investigar as ações sigilosas de um poderoso empresário. Alice (Cécile de France), uma especialista das finanças, é contratada para integrar a equipe e se infiltrar no local, mas Grégory começa a suspeitar que ela está trabalhando para o inimigo. Ele precisa se aproximar dela e conhecê-la melhor. Os dois acabam se envolvendo em uma paixão perigosa, capaz de destruir a carreira de ambos.
Encaram a expressão “criar a verdade” como meramente metafórica e totalmente enganosa. Pensam na política e na arte como esferas em que a ideia de “verdade” fica deslocada. Outros filósofos, percebendo que o mundo descrito pelas ciências físicas não ensina nenhuma lição moral e não oferece conforto espiritual, concluíram que a ciência não passa de uma serva da tecnologia. Esses filósofos alinham-se com o utopista político e com o artista inovador. Os primeiros contrastam a “realidade científica concreta” com o “subjetivo” ou o “metafórico”, os segundos veem a ciência como mais uma das atividades humanas, e não como o lugar em que os seres humanos deparam com uma realidade não humana “concreta”. De acordo com essa visão, os grandes cientistas inventam descrições do mundo que são úteis para o objetivo de prever e controlar o que acontece, assim como os poetas e os pensadores políticos inventam outras descrições do mundo para outros fins. Não há sentido algum, porém, em que qualquer dessas descrições seja uma representação exata de como é o mundo em si. Esses filósofos consideram inútil a própria ideia dessa representação, consignando uma verdade de categoria fenomênica, como uma descrição do espírito ainda não plenamente cônscio de sua natureza espiritual (dialética) e, elevar ao tipo de verdade oferecida pelo poeta e pelo revolucionário político.
O
idealismo alemão, porém, representou uma solução de compromisso pouco duradoura
e insatisfatória. É que Immanuel Kant e Georg Hegel fizeram apenas concessões
parciais em seu repúdio à ideia de que a verdade está “dada”. Dispusera-se a
ver o mundo da ciência empírica como um mundo “fabricado” – a ver a matéria
como algo construído pela mente, ou como feita de uma mente insuficientemente
cônscia de seu próprio caráter mental -, mas persistiram em ver a mente, o
espírito, as profundezas do eu como dotados de uma natureza intrínseca – uma
natureza que se poderia conhecer por uma espécie de superciência não empírica,
chamada de filosofia. Isso significava que apenas metade da verdade – a metade
científica inferior – era produzida. A verdade superior, a verdade sobre a
mente, seara da filosofia, ainda era uma questão de descoberta, não de criação.
Richard Rorty precisa sua tese de distinção entre a afirmação de que o mundo
está dado e a de que a verdade dada, equivale a dizer, com bom senso, que a
maioria das coisas no espaço e no tempo, é efeito de causas que não incluem os
estados mentais humanos. Dizer que a verdade não está dada é dizer que, onde
não há frases, não há verdade. E que as frases são componentes das línguas
humanas, e que as línguas humanas são criações humanas. Só as descrições podem
ser “verdadeiras” ou “falsas” - sem o auxílio das atividades descritivas dos
seres humanos - não pode sê-lo.
Em
filosofia e lógica, a contingência enquanto representação da realidade é o modo
de ser daquilo que não é necessário nem impossível. É bem verdade que a liberdade no
pensamento tem somente o puro pensamento por sua verdade; e verdade sem a
implementação da vida. Por isso, para lembrarmos de Hegel, é ainda só o
conceito da liberdade, não a própria liberdade viva. Com efeito, para ela a
essência é só o pensar em geral, a forma coo tal, que afastando-se da
independência das coisas retornou a si mesma. Mas porque a individualidade,
como individualidade atuante, deveria representar-se como viva; ou, como
individualidade pensante, captar o mundo vivo como um “sistema de pensamento”;
teria de encontrar-se no pensamento mesmo, para aquela expansão do agir, um
conteúdo do que é bom, e para essa expansão do agir, um conteúdo do que é bom,
e para essa expansão do pensamento, um conteúdo do que é verdadeiro. Com isso
não haveria, nenhum outro ingrediente, naquilo que é para a consciência, a não
ser o conceito que é a essência. O conceito abstrato, separando-se da
multiplicidade das coisas, não tem conteúdo nenhum em si mesmo, exceto um
conteúdo que lhe é dado. A consciência, quando pensa o conteúdo, o destrói como
um ser alheio; mas o conceito é conceito determinado e justamente essa determinidade
é o alheio que o conceito possui nele.
Esta
unidade do existente, o que existe, e do que é em si é o essencial da evolução.
É um conceito especulativo, esta unidade do diferente, do gérmen e do
desenvolvido. Ambas estas coisas são duas e, no entanto, uma. É um conceito da
razão. Por isso só todas as outras determinações são inteligíveis, mas o
entendimento abstrato não pode conceber isto. O entendimento fica nas
diferenças, só pode compreender abstrações, não o concreto, nem o conceito. Resumindo,
teremos uma única vida a qual está oculta. Mas depois entra na existência e
separadamente, na multiplicidade das determinações, e que com graus distintos,
são necessárias. E juntas de novo, constituem um sistema. Essa representação é
uma imagem da história da filosofia. O primeiro momento era o em si da
realização, e em si do gérmen etc. O segundo é a existência, aquilo que
resulta. Assim, o terceiro é a identidade de ambos, mais precisamente agora o
fruto da evolução, o resultado de todo este movimento. E a isto Hegel chama “o
ser por si”. É o “por si” do homem, do espírito mesmo. Somente o espírito chega
a ser verdadeiro por si, idêntico consigo. O que o espírito produz, seu objeto
de pensamento, é ele mesmo. Ele é um desembocar em seu outro. É um
desprendimento, um desdobrar-se, e por isso, ao mesmo tempo, um desafogo.
No
que toca mais precisamente a um dos lados da educação, melhor dizendo, à
disciplina, não se há de permitir ao adolescente abandonar-se a seu próprio
bel-prazer; ele deve obedecer para aprender a mandar. A obediência é o começo
de toda a sabedoria; pois, por ela, a vontade que ainda não conhece o
verdadeiro, o objetivo, e não faz deles o seu fim, pelo que ainda não é
verdadeiramente autônoma e livre, mas, antes, uma vontade despreparada, faz que
em si vigore a vontade racional que lhe vem de fora, e que pouco a pouco esta
se torne a sua vontade. O capricho deve ser quebrado pela disciplina; por ela
deve ser aniquilado esse gérmen do mal. No começo, a passagem de sua vida ideal
à sociedade civil pode parecer ao jovem como uma dolorosa passagem à vida de
filisteu. Até então preocupado apenas com objetos universais, e trabalhando só
para si mesmo, o jovem que se torna homem deve, ao entrar na vida prática, ser
ativo para os outros e ocupar-se com singularidades, pois concretamente se se
deve agir, tem-se de avançar em direção ao singular. Nessa produção do mundo
consiste no trabalho do homem. Podemos, pois, fora de dúvida, de um lado dizer
que o homem só produz o que já existe. Por outro, é necessário que um progresso
individual seja efetuado. Mas o progredir no mundo só ocorrer nas
massas, e só se faz notar em uma grande soma de coisas produzidas.
A lei preventiva da “Reforma da Inteligência e Terrorismo”, de 2004, criou o cargo de Diretor de Inteligência Nacional (DNI), que assumiu alguns procedimentos técnicos do governo e IC-gama de funções. O DNI gerencia o IC e, portanto, do ciclo de inteligência. As funções que se mudaram para o DNI incluíram a preparação de estimativas de parecer consolidadas do IC 16 agências, e a preparação de briefings para o presidente do estado norte-americano. Grégory Lioubov (Jean Dujardin) é um charmoso agente secreto que trabalha para o governo russo. Ele é enviado a Mônaco para investigar as ações sigilosas de um poderoso empresário. Alice (Cécile de France) é uma especialista em “securitização”, prática financeira que consiste em agrupar vários tipos de passivos financeiros, convertendo-os em títulos “limpos” padronizados negociáveis no mercado de capitais. É contratada para integrar a equipe e se infiltrar no local. Mas Grégory começa a suspeitar que ela esteja também trabalhando para o inimigo. Ele precisa se aproximar dela; conhecê-la melhor. Os dois se envolvem numa paixão arrebatadora capaz de destruir suas impecáveis carreiras.
No filme é possível observar o que é decisivo no debate econômico e político sobre segurança, em especial na contribuição europeia ao cotejar os principais conceitos e inovações propostas, voltadas a uma ação integradora das relações sociais e ao fortalecimento do papel das instituições de segurança pública. A Escola de Copenhagen criada no âmbito do Copenhagen Peace Research Institute (COPRI), em 1985, com o objetivo de desenvolver estudos voltados à questão global da paz, sendo influenciada pela teoria construtivista das relações internacionais, trabalha com a criação das chamadas “identidades coletivas” e objetivam compreender a segurança internacional sob uma perspectiva globalizante, tendo como principais pensadores Barry Buzan, Ole Waever e Jaap de Wilde, cujo pensamento econômico é voltado à securitização. Os seus trabalhos se distanciam do escopo proposto pela Escola Realista em razão da mudança de simbólica do conceito de segurança proposto por Barry Buzan (1984; 1991: 123), assim o debate da segurança não se encontra mais adstrito ao setor militar; este novo cenário de análise identifica cinco setores onde a securitização poderia ocorrer: militar, político, econômico, social e ambiental, destacando-se que o processo de securitização pode envolver concomitantemente mais de um setor. O contraste do pensamento europeu com os estudos desenvolvidos nos Estados Unidos é nítido, uma vez que o conceito norte-americano de segurança não é aprofundado devido à prevalência do empirismo sobre a teoria. Ou o desprezo por ela em dadas circunstâncias, sociais e políticas sendo influenciado pelo enfoque realista das relações de segurança internacionais. Com uma abordagem eminentemente militarizada para a resolução das questões relacionadas com a segurança, utiliza-se da teoria racionalista e o instrumental teórico do conhecimento debatido como legitimação do processo político de decisão.
HAFTENDORN, Helga, “The Security Puzzle: theory-Building and discipline-building in international security”. In: International Studies Quarterly, 35, 1991, pp.3-17; McSWEENEY, Bill, “Durkheim and the Copenhagen School: A Response to Buzan and Wæver”. In: Review of International Studies, volume 24, nº 1, 1998; BORGES, Luiz Fernando Xavier, “Securitização como parte da segregação de risco”. In: Revista do BNDES, vol. 6, n° 12, pp. 123-136, dez. 1999; TANNO, Grace, A Contribuição da Escola de Copenhague aos Estudos de Segurança Internacional. Dissertação de Mestrado em Ciências. Instituto de Relações Internacionais. Rio de Janeiro: Pontifícia Universidade Católica-Rio de Janeiro, 2002; Idem, “A Contribuição da Escola de Copenhague aos Estudos de Segurança Internacional”. In: Contexto. Volume 25 n°1. Rio de Janeiro Jan./June 2003; RORTY, Richard, Contingência, Ironia e Solidariedade. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2007; BRASIL JR., Antonio da Silveira, Uma Sociologia Brasileira da Ação Coletiva. Oliveira Vianna e Evaristo de Moraes Filho. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia. Instituto de Filosofia e Ciências Sociais. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2007; PINHEIRO, Fernando Antonio Perrone, Securitização de Recebíveis - Uma Análise dos Riscos Inerentes. Dissertação de Mestrado. Departamento de Administração. Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2008; FERREIRA, Laura Senna, Processos de Resistência e Novos Desenhos Identitários: O Ofício do Mecânico e a Racionalização da Indústria da Reparação Automotiva. Tese de Doutorado em Sociologia. Instituto de Filosofia e Ciências Sociais. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2013; BAIGORRI, Maia Camila, Securitização de Recebíveis e Risk Taking da Instituições Financeiras: Evidências do Mercado Brasileiro. Dissertação de Mestrado em Ciências Contábeis. Programa Multi-Institucional e Inter-Regional de Pós-Graduação em Ciências Contábeis. Brasília: Universidade de Brasília; João Pessoa: Universidade Federal da Paraíba; Natal: Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2014; MOTTA, Bárbara Vasconcellos de Carvalho, Securitização e Política de Exceção: O Excepcionalismo Internacionalista Norte-Americano na Segunda Guerra do Iraque. Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas (UNESP, UNICAMP, PUC/SP). Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais Sant Tiago Dantas. São Paulo, 2014; LELOUP, Jean-Yves, Une Danse Immobile. Paris: Éditions Du Relie, février, 2015; entre outros.



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