Auguste Comte era um pensador lógico, formado nas disciplinas da Escola Politécnica francesa. A maneira de pensar positiva se impôs mais cedo nas matemáticas, na física, na química, e depois na biologia. É curioso que o positivismo apareça mais tarde nas disciplinas que têm por objeto matérias mais complexas. Quanto mais simples uma disciplina, mais fácil pensar sobre ela positivamente. Há mesmo alguns fatos sociais cuja observação se impõe por si mesma, seja pela curiosidade ocular, seja pela impressão que causa, de sorte que, nesses casos, a inteligência é imediatamente positiva. O fundamento desta ciência social teria por objeto de estudo a história da espécie humana, considerada como uma unidade, o que seria indispensável para a compreensão das funções particulares do todo social e de um momento particular do devenir. É normal, que o positivismo apareça mais tarde nas disciplinas que têm por objeto matérias mais complexas. Mas essa combinação interdisciplinar não tem unicamente por objeto de pensamento demonstrar a necessidade de criar a sociologia. Na linguagem positiva comteana (cf. Martins, 2010) as múltiplas significações são abstratas quando estabelecem leis entre fenômenos isolados, e isolados necessária e legitimamente pela ciência.
Na biologia, porém, do ponto de vista da análise comparativa é impossível explicar um órgão ou uma função sem considerar o ser vivo como um todo. É com relação ao organismo como um todo que um fato biológico particular tem um significado e pode ser explicado. Se quiséssemos separar arbitrária e artificialmente um elemento de um ser vivo, teríamos diante de nós apenas matéria morta. A matéria viva enquanto tal é intrinsecamente global. Ipso facto, essa ideia de primazia do todo sobre os elementos deve ser transposta para a sociologia. É impossível compreender o estado de um fenômeno social particular se não o recolocarmos no todo social. Não se pode entender a situação da religião, ou a forma precisa do Estado, numa sociedade particular, sem considerar o conjunto dessa sociedade. Mas tal prioridade do todo sobre os elementos não se aplica apenas a um momento artificialmente abstrato do devenir histórico. Isto é, só se compreenderá o estado da sociedade francesa no princípio do século XIX se recolocarmos esse momento histórico na continuidade do devenir francês. A Restauração só pode ser compreendida pela Revolução, e a Revolução pelos séculos de regime monárquico. O declínio do espírito teológico e militar pelas suas origens, nos séculos passados. Da mesma forma como só é possível compreender logicamente um elemento do todo, não se pode entender um momento da evolução histórica sem levar em conta o conjunto dessa evolução social.
A divisão do trabalho social não é específica do nível de análise econômico: podemos observar sua influência crescente nas regiões mais distintas da sociedade. As funções políticas, administrativas, judiciárias especializam-se cada vez mais. O mesmo ocorre com as funções artísticas e científicas no âmbito das universidades. As especulações filosóficas da biologia nos demonstraram, na divisão do trabalho, um fato social de uma tal generalidade que os economistas, que foram os primeiros a mencioná-lo, não haviam podido suspeitar. Não é mais uma instituição social que tem sua fonte na inteligência e na vontade dos homens. Mas um fenômeno de biologia geral, cujas condições, ao que parece, precisam ser buscadas nas propriedades essenciais da disciplina organizada. A divisão do trabalho social passa a aparecer apenas como uma forma particular desse processo geral, e as sociedades, conformando-se a essa lei, parecem ceder a uma corrente de pensamento que nasceu bem antes delas e que arrasta no mesmo sentido todo o mundo vivo. Semelhante fato não pode, evidentemente, produzir-se sem afetar profundamente nossa constituição moral, pois o desenvolvimento do homem se fará em dois sentidos de todo diferentes. Não é necessário demonstrar a gravidade desse problema prático; qualquer que seja o juízo sobre a divisão do trabalho, sabemos que ela é uma das bases fundamentais da ordem social tanto quanto política.
O termo biologia teórica foi utilizado pela primeira vez por Johannes Reinke em 1901. Um texto fundador é On Growth and Form (1917) por D`Arcy Thompson, e outros especialistas incluem Ronald Fisher, Hans Leo Przibram, Nicolas Rashevsky e Vito Volterra. A Terra é o terceiro planeta mais próximo do Sol, o mais denso e o quinto maior dos oito planetas do Sistema Solar. É também o maior dos quatro planetas telúricos. É por vezes designada como Mundo ou Planeta Azul. Lar de milhões de espécies de seres vivos, incluindo os seres humanos, a Terra é o único corpo celeste onde é reconhecida a existência de vida. O planeta formou-se há 4,56 bilhões de anos, e a vida surgiu na sua superfície depois de um bilhão de anos. Desde então, a biosfera terrestre alterou de forma significativa a atmosfera e fatores abióticos do planeta, permitindo a proliferação de organismos aeróbicos, como a formação da camada de ozônio, que em conjunto com seu campo magnético, bloqueia radiação solar prejudicial, permitindo a vida no planeta. A sua superfície exterior é dividida em segmentos rígidos, chamados placas tectônicas, que migram sobre a superfície terrestre ao longo de milhões de anos. Aproximadamente 71% da superfície é coberta por oceanos de água salgada, com o restante consistindo de continentes e ilhas, contendo lagos e corpos de água que contribuem para a hidrosfera. Os polos geográficos do planeta Terra encontram-se majoritariamente cobertos por mantos de gelo ou por banquisas. O interior abstrato da Terra permanece ativo e relativamente sólido: um núcleo externo líquido que gera um campo magnético, e um núcleo interno sólido, composto, sobretudo por ferro.
Vale lembrar, neste aspecto que a biomatemática
é um ramo da biologia que emprega análises teóricas, modelos matemáticos e
abstrações dos organismos vivos para investigar os princípios que governam a
estrutura, desenvolvimento e comportamento dos sistemas, em oposição à biologia
experimental que lida com a realização de experimentos para comprovar e validar
as teorias científicas. O campo multidisciplinar é algumas vezes chamado
de biologia matemática ou biomatemática para enfatizar o lado
técnico-científico matemático, ou biologia teórica para enfatizar
abstratamente o lado biológico. Ipso facto, biologia teórica se concentra mais
do que nunca no desenvolvimento programático de princípios teóricos para a
biologia. Enquanto a biologia matemática se concentra no uso de técnicas
matemáticas para estudar sistemas biológicos embora ambos sejam muitas vezes
trocados. A biologia matemática visa a representação matemática e modelagem de
processos biológicos, utilizando técnicas e procedimentos metodológicos da
matemática aplicada. Pode ser útil tanto em pesquisas teóricas e práticas.
Descrever sistemas de maneira quantitativa significa que seu comportamento pode
ser melhor simulado e, podem ser previstas propriedades que podem não ser
evidentes para o experimentador. Uma matéria sempre apresenta a tendência de
manter o seu estado, seja de repouso, seja de movimento, a não ser que uma
força externa influencie. A massa é uma grandeza que indica a medida da inércia
ou da resistência de um corpo de ter seu movimento acelerado. De uma forma
geral, podemos associar a massa à quantidade de partículas existentes em uma
matéria.
Isso
requer modelos matemáticos precisos. Devido à complexidade dos sistemas vivos,
a biologia teórica emprega vários campos de domínio de métodos da matemática, e
tem contribuído para o desenvolvimento de novas técnicas. A matemática foi
usada na biologia já no século XIII, quando Leonardo Fibonacci (1170-1250) usou
a famosa série de Fibonacci para descrever uma população crescente de coelhos.
No século XVIII, Daniel Bernoulli (1700-1782) aplicou a matemática para
descrever o efeito da varíola na população humana. O ensaio de Malthus de 1789
sobre o crescimento da população humana foi baseado no conceito de crescimento
exponencial. Há aqui um debate memorável: Pierre François Verhulst (1804-1849)
formulou o modelo de crescimento logístico em 1836. Fritz Müller (1822-1897)
descreveu os benefícios evolucionários do que é chamado mimetismo Müllerian em
1879, em uma conta notável sendo o primeiro uso de argumento matemático em
ecologia evolutiva para mostrar o quão poderoso o efeito da seleção natural
seria, a menos que se inclui Malthus s` discussão dos efeitos do crescimento
populacional que influenciaram Charles Robert Darwin (1809-1882) e Thomas
Malthus (1766-1834) argumentam que tal crescimento seria exponencial, enquanto
os recursos só poderiam crescer aritmeticamente.
Analogamente convém acrescentar que Comte, considerando que a sociologia é uma ciência à maneira das ciências precedentes, não hesita em retomar a fórmula que já empregara nos Opúsculos: assim como não há liberdade de consciência na matemática ou na astronomia, não pode haver também em matéria de sociologia. Como os cientistas impõem seu veredito aos ignorantes e aos amadores, em matemática e astronomia, devem logicamente fazer o mesmo em sociologia e política. O que pressupõe, evidentemente, que a sociologia possa determinar o que é, o que será e o que deve ser. Sua sociologia sintética, na expressão de Aron (1993: 75), sugere aliás, tal competência: ciência do todo histórico, ela determina não só o que foi e o que é, mas também o que será, no sentido da necessidade do determinismo. O que será é justificado como sendo conforme aquilo que os filósofos do passado teriam chamado a “natureza humana”, com aquilo que o pensador francês chama simplesmente de realização da ordem humana e social, justificando uma teoria da natureza humana e da natureza social, essa unidade da história humana. O ponto de partida da análise é uma reflexão interna da sociedade de seu tempo, entre o tipo teológico militar e o científico-industrial. Como esse momento histórico é caracterizado pela generalização do pensamento científico e da atividade industrial, o único meio de por fim à crise é acelerar o devenir, criando um sistema de ideias científicas que presidirá a ordem social, como o sistema de ideias teológicas presidiu à ordem social do passado.
Auguste Comte representou seu pensamento sociológico de umponto de vista lógico, formado nas disciplinas da Escola Politécnica. Raciocínio lógico é um processo de estruturação do pensamento de acordo com as normas da lógica que permite chegar a uma determinada conclusão ou resolver um problema. Um raciocínio lógico requer consciência e capacidade de organização do pensamento. A maneira de pensar positiva se impôs mais cedo nas matemáticas, na física, na química, e depois na biologia. É normal, aliás, que o positivismo apareça mais tarde nas disciplinas que têm por objeto matérias mais complexas. Quanto mais simples uma disciplina, mais fácil pensar sobre ela positivamente. Há mesmo alguns aspectos ou fatos sociais cuja observação se impõe por si mesma, seja pela curiosidade ocular, seja pela impressão que causa, de sorte que, nesses casos, a inteligência é imediatamente positiva. O fundamento desta ciência social teria por objeto de estudo a história da espécie humana, considerada como uma unidade, o que seria indispensável para a compreensão das funções particulares do todo social e de um momento particular do devenir. É normal, que o positivismo apareça mais tarde nas disciplinas que têm por objeto matérias mais complexas. Mas essa combinação interdisciplinar não tem unicamente por objeto de pensamento demonstrar a necessidade de criar a sociologia. Na linguagem de Comte as múltiplas significações são analíticas no sentido de que estabelecem leis entre fenômenos isolados, e necessária e legitimamente pela ciência.
Na biologia, porém, é impossível explicar um órgão ou uma função sem considerar o ser vivo como um todo. É com relação ao organismo como um todo que um fato biológico particular tem um significado e pode ser explicado. Se quiséssemos separar arbitrária e artificialmente um elemento de um ser vivo, teríamos diante de nós apenas matéria morta. A matéria viva enquanto tal é intrinsecamente global. Ipso facto, essa ideia de primazia do todo sobre os elementos deve ser transposta para a sociologia. É impossível compreender o estado de um fenômeno social particular se não o recolocarmos no todo social. Não se pode entender a situação da religião, ou a forma precisa do Estado, numa sociedade particular, sem considerar o conjunto dessa sociedade. Mas tal prioridade do todo sobre os elementos não se aplica apenas a um momento artificialmente abstrato do devenir histórico. Isto é, só se compreenderá o estado da sociedade francesa no princípio do século XIX se recolocarmos esse momento histórico na continuidade do devenir francês. A Restauração só pode ser compreendida pela Revolução, e a Revolução pelos séculos de regime monárquico. O declínio do espírito teológico e militar pelas suas origens, nos séculos passados. Da mesma forma como só é possível compreender logicamente um elemento do todo, não se pode entender um momento da evolução histórica sem levar em conta o seu conjunto.
Analogamente convém acrescentar que Comte, considerando que a sociologia é uma ciência à maneira das ciências precedentes, não hesita em retomar a fórmula que já empregara nos Opúsculos: assim como não há liberdade de consciência na matemática ou na astronomia, não pode haver também em matéria de sociologia. Como os cientistas impõem seu veredito aos ignorantes e aos amadores, em matemática e astronomia, devem logicamente fazer o mesmo em sociologia e política. O que pressupõe, evidentemente, que a sociologia possa determinar o que é, o que será e o que deve ser. Sua sociologia sintética, na expressão de Aron (1993: 75), sugere aliás, tal competência: ciência do todo histórico, ela determina não só o que foi e o que é, mas também o que será, no sentido da necessidade do determinismo. O que será é justificado como sendo conforme aquilo que os filósofos do passado teriam chamado a “natureza humana”, com aquilo que o pensador francês chama simplesmente de realização da ordem humana e social, justificando uma teoria da natureza humana e da natureza social, essa unidade da história humana. O ponto de partida da análise representa uma reflexão interna da sociedade de seu tempo, entre o tipo social teológico militar e o tipo social científico-industrial. Como esse momento histórico é caracterizado pela generalização do pensamento científico e da atividade industrial, o único meio de por fim à crise é acelerar o devenir, criando um sistema de ideias científicas que presidirá a ordem social, como o sistema de ideias teológicas presidiu à ordem social do passado.
O positivismo como corrente de pensamento defende a ideia de que o conhecimento científico é a única forma de conhecimento verdadeiro. Assim sendo, desconsideram-se todas as outras formas do conhecimento humano que não possam ser comprovadas cientificamente. Consiste na observação dos fenômenos, opondo-se ao racionalismo e ao idealismo, por meio da promoção do primado da experiência sensível. Única capaz de produzir a partir dos dados concretos (positivos) a verdadeira ciência (positivista), sem qualquer atributo teológico ou metafísico. Subordinando a imaginação à observação, tomando como base apenas o mundo físico ou material. É uma reação radical ao transcendentalismo idealista alemão e ao romantismo, no qual os afetos individuais e coletivos e a subjetividade cultural são completamente ignorados, limitando a experiência humana ao mundo sensível e ao conhecimento aos fatos observáveis. Substitui-se a teologia e a metafísica pelo culto à ciência, o mundo espiritual pelo mundo humano, tendo como primícias a realização do espírito pela matéria, sabidamente porque considerava os problemas políticos, sociais e culturais como estreitamente ligados à nossa capacidade prática de resolvê-los.
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KREMER-MARIETTI, Angèle, L’Anthropologie Positiviste d’Auguste Comte. Paris: Thèse Paris IV: Université Paris-Sorbonne, 1977; GIANNOTTI, José Arthur (Seleção e Introdução), Comte. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1978; AZZI, Riolando, A Concepção da Ordem Social Segundo o Positivismo Ortodoxo Brasileiro. São Paulo: Edições Loyola, 1980; MORAIS FILHO, Evaristo de, Augusto Comte: Sociologia. São Paulo: Editora Ática, 1983; ARON, Raymond, As Etapas do Pensamento Sociológico. 4ª edição. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1993; particularmente, “Auguste Comte”, pp. 69-128; CARVALHO, José Murilo de, A Formação das Almas: O Imaginário da República no Brasil. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 1999; DUARTE, Constância Lima (Org.), Cartas: Nísia Floresta e Augusto Comte. Santa Cruz do Sul: Editora Mulheres, 2002; TISKI, Sergio, A Questão da Moral em Augusto Comte. Tese de Doutorado. Departamento de Filosofia. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2005; FERREIRA, Luiz Otávio, “O Ethos Positivista e a Institucionalização da Ciência no Brasil no Início do Século XIX”. In: Fênix. Uberlândia. Vol. 4, Ano 4, n° 3, pp. 1-10, jul.-set. 2007; FÉDI, Laurent, Comte. São Paulo: Editor Estação Liberdade, 2008; MARTINS, Gabriela Pereira, O Positivismo: Uma Linguagem dos Sentimentos. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais. Instituto de Ciências Humanas. Juiz de Fora: Universidade Federal de Juiz de Fora, 2010; LACERDA, Gustavo Biscaia de, O Momento Comtiano: República e Política no Pensamento de Auguste Comte. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política. Centro de Filosofia e Ciências Humanas. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2010; LACERDA, Gustavo Biscaia de, O Momento Comtiano: República e Política no Pensamento de Augusto Comte. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política. Centro de Filosofia e Ciências Humanas. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2012; CIRINO, Roseneide Maria Batista, A Atividade Docente no Processo Formativo de Acadêmicos para Atuar com a Diversidade Humana em Contextos Inclusivos. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Educação. Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes. Ponta Grossa: Universidade Estadual de Ponta Grossa, 2015; entre outros.



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