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segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Beijo de Amor - Excitação, Consagração & Normalização do Afeto.

                                                                                                    Ubiracy de Souza Braga
                    Um beijo é um segredo que se diz na boca e não no ouvido”. Jean Rostand


          O beijo na boca é o maior gesto de consagração de carinho, amor e paixão entre um casal, desde o simples tocar de lábios até o beijo mais intenso e apaixonado. O dia 13 de Abril é o Dia do Beijo, uma data instituída para celebrar o amor através do beijo. Estudos e pesquisas comprovaram que o ato de beijar na boca estimula o cérebro a liberar endorfina, substância responsável pela sensação de prazer e bem-estar. Quanto mais prolongado e apaixonado, ocorrem maiores os benefícios. Mantém o rosto mais jovem porque o trabalho muscular dá firmeza à pele. O livro de recordes do Guinness (1955), é uma edição publicada anualmente, que contém uma coleção da representação de recordes e superlativos reconhecidos internacionalmente, tanto em termos de performances humanas como de extremos da natureza. Em 2003, o livro alcançou o binômio produção-consumo em torno de 100 milhões de cópias vendidas, desde a sua primeira edição em 1955, e lá existem vários temas de espaço e lugar relacionando aos beijos. Entre eles está o beijo “mais caro de sempre”. Em 2003, Joni Rimm pagou 50.000 dólares num leilão de beneficência para poder beijar a atriz Sharon Stone que leiloou o beijo para uma instituição de caridade. Um beijo tem como representação social “o toque dos lábios em outra pessoa” ou objeto. Na cultura ocidental é um poderoso “gesto de afeição”. 
          O beijo “mais longo gravado em vídeo” foi registrado durante um episódio do The Bachelor programa norte-americano da American Broadcasting Company (ABC). Nesse episódio Sean Lowe e Lesley M. se beijaram durante cerca de 3 minutos e 17 segundos, quebrando assim o anterior recorde de 3 minutos e 15 segundos. Uma das regras da competição “era que se os lábios se separassem durante qualquer altura, eles seriam desclassificados”. Mas o beijo mais longo de sempre aconteceu durante um concurso na Tailândia, onde um casal se beijou durante 50 horas, 25 minutos e 1 segundo. Ekkachai Tiranarat, 44 anos, e a sua mulher Laksana, de 33 anos, permaneceram de “lábios agarrados”, como descreve a organização do evento, durante 58 horas, 35 minutos e 58 segundos, ultrapassando o anterior recorde em mais de oito horas. Ao longo da maratona para conquistar o título de “beijo mais prolongado”, tecnicamente o casal não podia interromper o beijo, nem mesmo para irem à casa de banho, terminando a prova muito cansada por passaram o tempo acordados em pé. Como recompensa pelo ato genuíno da competição, o casal levou para casa um cheque de 100.000 bath, equivalentes a 2.500 euros, e dois anéis com diamantes como prêmio.          
          Os gregos, é sabido, “adoravam beijar”. Mas foram os romanos que difundiram a prática e permitiram que os nobres mais influentes beijassem seus lábios. Os menos importantes às mãos. Os súditos podiam beijar os pés. O “basium”, entre reconhecidos; o “osculum”, entre amigos; e o “suavium”, o fabuloso beijo dos amantes. Na Escócia, era costume o padre beijar os lábios da noiva ao final da cerimônia. Acreditava-se que a felicidade conjugal dependia dessa benção. Já na festa, a noiva “deveria beijar todos os homens na boca, em troca de dinheiro”. Na Rússia, uma das mais altas formas de “reconhecimento oficial era o beijo do czar”. No século XV, os nobres franceses “podiam beijar qualquer mulher”. Na Itália, entretanto, se um homem beijasse uma donzela em público, “era obrigado a casar imediatamente”. No latim, beijo significa toque dos lábios. Na cultura ocidental, ele é considerado gesto de afeição. Entre amigos é realizado como forma de cumprimento, ou despedida; entre amantes e apaixonados, como prova da paixão. Mas é também um sinal de reverência, ao se beijar, por exemplo, o anel do Papa ou dentre membros da alta hierarquia da Igreja. Beijar os lábios de outra pessoa tornou-se uma expressão comum de afeto em muitas culturas ao redor do mundo. Em certas sociedades, o beijo só foi introduzido através dos meios de violência simbólica, isto é, através da colonização europeia, sendo que antes não era uma ocorrência prazerosa rotineira.
                                            
         
         O ato de beijar pode se dar de várias formas, em diferentes lugares e com diferentes propósitos, dependendo do país e de sua própria cultura, da situação, das partes interessadas e de outros aspectos sociais. Entre amigos, é utilizado “como cumprimento ou despedida”. Nos lábios de outra pessoa é um símbolo de afeição romântica ou de desejo sexual, sendo que o beijo pode ocorrer também noutras partes do corpo. Ainda há o “beijo de língua”, em que as pessoas que se beijam mantêm a boca aberta, enquanto trocam carícias em formas prazerosas das línguas. Os mais antigos relatos  remontam aos templos de Khajuraho, na Índia. As mais antigas referências vieram do Oriente, precisamente dos hindus. Há um registro de1200 a. C., no livro Satapatha, textos sagrados em que se baseia o bramanismo, abundante de sensualidade: - “Amo beber o vapor de seus lábios”. Os Vedas formam a base do extenso sistema milenar de escrituras sagradas do hinduísmo, que tout court representam a mais antiga literatura de qualquer língua indo-europeia. Mais explícito e malicioso, o Mahabarata, originou-se como um poema épico em sua extensão com mais de 200 mil versos, compilados em torno do ano 1000 a. C., descrito da seguinte forma: - “Pôs a sua boca em minha boca, fez um barulho e isso produziu em mim um prazer”.  
            A consagrada tela de Gustav Klimt é enorme e respeita a forma de um quadrado perfeito - o quadro tem exatamente 180 centímetros por 180 centímetros. O Beijo, é considerada a mais famosa pintura austríaca e faz parte da coleção permanente do Belvedere Palace Museum, situado em Viena. O quadro foi exibido pela primeira vez numa exposição em 1908 na Austrian Gallery, já nessa ocasião ele foi adquirido pelo Belvedere Palace Museum, de onde não saiu mais. Para se ter noção da reputação do pintor austríaco: O Beijo foi vendido (e exposto) antes mesmo de ser terminado. O quadro foi comprado pelo valor de 25 mil coroas, e analisado como um recorde de mercado da arte para a sociedade austríaca de seu tempo. A tela foi pintada provavelmente entre 1907 e 1908, é considerada uma das maiores criações da pintura Ocidental e pertence à chamada interpretação técnica da “fase dourada”, pois do ponto de vista técnico-metodológico o período ganhou esse nome porque nos trabalhos foram utilizadas folhas de ouro. São finas folhas do referente metal, tradicionalmente empregues na decoração de objetos de diversos tipos de arte, como são exemplo retábulos, esculturas, ourivesarias, mobiliário, entre outras. Para além das folhas de ouro, existem também folhas de prata, cobre, alumínio ou paládio que são utilizados conforme o acabamento final pretendido. Um dos métodos de douramento consiste em bater folhas de ouro sobre o suporte que posteriormente são polidos, obtendo assim o brilho desejado. Este procedimento de batimento permanece o mesmo desde a Antiguidade.
          
Imagem relacionada 
Imagem: Photographie de Rue, de Robert Doisneau. 
           Existem diferentes tipos de beijos comumente reconhecidos. O beijo carinhoso, aquele amistoso que é dado na bochecha ou na testa. O beijo na boca, que se da nos lábios de uma pessoa, muitas vezes pode ser visto como um sinal de afeto entre um casal. O selinho, que não é um beijo dado na boca com muito pouco contato envolvidos. O beijo francês (ou de língua), no qual uma ou ambas as pessoas envolvidas introduzem a língua na boca da pessoa que beijam. O Beijo de esquimó, não é tecnicamente um beijo já que acontece quando duas pessoas esfregam seus narizes juntos. O beijo é uma prática social muito comum e está associado a valores românticos e amorosos e ao mesmo tempo, tem sido objeto de inspiração de diversas obras de arte através da história. Entre estas podemos incluir a famosa pintura O Beijo, de Gustav Klimt. Outro exemplo é a escultura de Auguste Rodin, Le Baiser. Uma famosa fotografia de um beijo foi tirada por Alfred Eisenstaedt, fotógrafo e fotojornalista norte-americano que em 14 de agosto de 1945, portanto, com o fim do conflito bélico, demonstra “um marinheiro beijando uma enfermeira no meio da celebração pelo fim da 2ª guerra mundial”.
          O Beijo é uma escultura em mármore do artista realista Auguste Rodin que está atualmente no Museu Rodin, em Paris. Na obra do escultor francês, o artista inspirou-se nos delírios amorosos vividos com Camille Claudel, sua assistente. Como muitos dos mais reconhecidos trabalhos de Rodin, incluindo O Pensador. o casal que se abraça retratado na escultura apareceu originalmente como parte de um grupo no trabalho de Rodin os “Os Portões do Inferno”, encomendado por um planeado museu de arte em Paris. O casal foi posteriormente removido e substituído por outro casal de namorados localizado na coluna direita dos Portões. “O Beijo” originalmente tinha o nome “Francesca da Rimini”, pois descreve a nobre do século XIII italiano imortalizado no Inferno de Dante que se apaixona por Paolo, irmão mais novo do seu marido Giovanni Malatesta. Tendo-se apaixonado ao ler a história de Lancelot e Guinevere, o casal é descoberto e morto pelo marido. Na escultura, o livro pode ser visto nas mãos de Paolo. Os lábios dos amantes não se tocam realmente na escultura, sugerindo-se que eles foram interrompidos quando de sua morte, sem seus lábios nunca terem se tocado.
         Quando os críticos de arte viram pela primeira vez a escultura, em 1887, sugeriram um titulo menos específico: Le Baiser. Rodin indicou que a sua abordagem às mulheres na escultura foi uma homenagem a elas e aos seus corpos, não apenas para submetê-las aos homens, mas como parceiros num ato de pleno ardor. O erotismo consequente na escultura tornou-a controversa. Uma versão de bronze da escultura (74 cm de altura) foi enviada para uma exposição em 1893 na cidade de Chicago. No entanto, a escultura foi considerada inadequada para a exibição em geral e relegada para uma câmara interna. O método de trabalho de Rodin para grandes esculturas, ocorreu empregando escultores assistentes para copiar um modelo menor, de um material que se tornava mais fácil de trabalhar do que o emprego da técnica no mármore. Quando eles tinham acabado, Rodin ia dar os últimos retoques na versão maior. Antes de criar a versão em mármore de “O Beijo”, Rodin reproduziu várias esculturas menores em barro, gesso e bronze.                  
       Uma história social do rosto será, com efeito, uma história da emergência da expressão, dessa sensibilidade crescente, dessa atenção mais exigente que se dá a partir do século 16 a expressão do rosto como signo da identidade individual. A individualidade expressiva, segundo Courtine e Haroche (2016), será captada então nas formas de observação do homem natural, no deslocamento da relação entre o homem exterior e o homem interior, o homem físico e o homem psicológico. É a razão pela qual dá grande destaque à tradição fisiognomônica, apelando ainda aos escritos médicos e anatômicos, mas também aos textos usados pelos pintores, a certos escritos estéticos. Tal abordagem não se inscreve, entretanto, nas tradições estéticas ou antropológicas de uma história da mímica, da caricatura, da máscara, ainda que tais objetos possam aí figurar. Ela também não se confunde com esse modo essencial de representação do rosto: o retrato. Embora o retrato seja um indicador maior das novas estruturas mentais e sociais, da expressividade individual, os rostos não se esgotam no reflexo, quando um objeto bem iluminado é colocado na frente da câmara invertida de que falavam, na ideologia, os extraordinários Marx & Engels, ou da cultura Freud, que deles dá o retrato. 
         Uma história do rosto é, com efeito, ao mesmo tempo, a história do controle da expressão, das exigências religiosas, das normas sociais, políticas e éticas que contribuem historicamente desde o Renascimento para o aparecimento de um tipo de comportamento social, emocional, sentimental, psicológico fundado no afastamento dos excessos, no silenciar do corpo. Elas deram nascimento a um homem sem paixões de comportamento moderado, medido, reservado, prudente, circunspecto, calculado - com frequência reticente, silencioso por vezes. P homem razoável das elites e, depois, das classes médias. O homem das paixões, o homem espontâneo e impulsivo progressivamente  apagou-se por trás do home sem paixão. Mas no fundo desse homem sem paixão se abriga o homem sensível e expressivo. Enfim, vale lembrar que refazer uma história individual e social dos rostos em que o político se une ao psicológico na questão da expressividade é, portanto, querer traçar a história dessa paradoxal injunção à autenticidade e à conformidade, á expressão e ao apagamento, á espontaneidade das emoções e ao silêncio das figuras. É buscar a gênese do indivíduo moderno numa antropologia histórica buscando compreender o homem em sociedade de modo inteiro, ela estenderia sua atenção do escrito ao oral e ao gesto, integrando assim uma história do corpo dos homens em sociedade. 
            Ipso facto, temos a emergência de um saber, uma ética, uma estética da linguagem e corpo que ligam assim peremptoriamente a civilidade ao processo social de conversação. O surgimento da noção de civilidade, e portanto, vir a ser o que é, no sentido hegeliano, dá a noção de civilidade, sua estreita associação com uma educação da linguagem, no sentido amplo da linguagem do corpo, do gesto e do rosto como verbo, de um domínio de si mesmo que são assim, testemunho de uma profunda transformação dos laços sociais. Conquanto aos poucos se irá desfazendo a ordem baseada no berço e na hierarquia de sangue, construindo práticas de espaços e lugares em que a linguagem e as relações entre os homens vão encontrar uma expressão, mais profunda, sem dúvida mais complexa. O renascer da era da eloquência, se já não é um truísmo, mais do que uma simples arte de convencer, marca um deslocamento de práticas, em que a dissolução das sociedades política e civil medievais abre um tempo e um espaço em que se vai fundar gradativamente uma legitimidade nova fundada no uso controlado do corpo e da linguagem. A Arte de conhecer os homens opera, enquanto antropologia física, um divisão social dos rostos. A observação do rosto é um instrumento para governar os outros. Esse reconhecimento da identidade individual e coletiva afirma antes de mais anda que a linguagem é a natureza mesma do homem.  
             A primeira telenovela brasileira, mutatis mutandis, foi exibida historicamente na TV Tupi de São Paulo, intitulada: Sua Vida Me Pertence, escrita e dirigida por Walter Forster, e estreou em 21 de dezembro de 1951. E na primeira rede de televisão brasileira, a Rede Tupi inaugurada em 18 de setembro de 1950. O primeiro beijo da televisão brasileira ocorreu nesta telenovela entre os protagonistas, interpretados por Walter Forster e Vida Alves. A produção de uma telenovela para o mercado de consumo baseia-se em sua audiência. Trata-se de uma produção em série em que quanto maior a audiência, maior a duração da novela, “pois nem sempre, grandes audiências representam grandes telenovelas”. É uma técnica que se inicia com quatro meses de antecedência. O autor pode ter uma ideia concebida só por ele, ou nos casos de dois ou três autores trabalhando no mesmo tema da novela. Também pode ocorrer os casos de utilização de palavras e expressões, com  terminologias distintas com usos diferentes. Esses são os termos usados em telenovelas.
               Walter Gerhard Forster foi ator de rádio, cinema, teatro e pioneiro da televisão brasileira. Seu pai, Jacob Forster, era filho de alemães de origem irlandesa, e sua mãe, Ida Forster, era suíça de um dos cantões alemães. Em 1937, mudou-se para a cidade de São Paulo, onde foi contratado pelas Rádios Bandeirantes, como locutor e depois como redator. Depois se mudou para a Rádio Difusora, e com o mesmo contrato, em 1947, pela Rádio Tupi. Como era diretor artístico do elenco de radionovelas, ajudou a formar o elenco para a telenovela da TV Tupi-PRF3. Também trabalhou nas rádios Excelsior, que atende hoje por CBN, e Nacional, como diretor de rádio-teatro (1952-1968). Na inauguração da TV Tupi, em 1950, atuou em todas as discussões e decisões de elenco para a nova emissora. Já estava casado e com dois filhos. Da telenovela Sua Vida Me Pertence, em 1951, foi autor, diretor e ator. Contracenou com Vida Alves que na trama amava o galã (que era ele), e ainda Lima Duarte, Lia de Aguiar, José Parisi e Dionísio Azevedo. Tinha 25 capítulos, mas enfrentou vários problemas com esse meio novo de comunicação: os atores falavam muito alto no estúdio, esqueciam os microfones, não sabiam se posicionar frente às câmeras, o que deixava desesperados os cameramen.
O conceito partiu de uma sugestão técnica do diretor artístico da TV Tupi São Paulo, Cassiano Gabus Mendes, um radialista e pioneiro da televisão no Brasil. Filho do radialista Otávio Gabus Mendes e pai dos atores Cássio e Tato Gabus Mendes. Escreveu novelas de grande sucesso como Anjo Mau, Locomotivas, Que Rei Sou Eu?, Ti Ti Ti, Brega e Chique, Elas por Elas, que sugeriu uma produção que se assemelhasse ao cinema. Forster foi o primeiro a falar em “telenovela”, comparativamente, como versão para televisão da radionovela, que já era sucesso de mercado. O produto começou  apresentado ainda “ao vivo” duas vezes por semana. A princípio uma produção menor,  com a representação de sua técnica erótica e a reprodução das imagens, se tornou o produto televisivo de maior importância merceológicas nacional. O galã Walter Forster encostou os lábios nos da atriz Vida Alves, enquanto acariciava o braço da amada, causando frisson durante a transmissão da TV Tupi. A cena ocorreu no último capítulo. Não há registros etnográficos, ela fora realizada no teatro e ainda não havia videotape, várias histórias foram narradas ao longo do tempo sobre o beijo.
Do ponto de vista técnico-metodológico do processo de comunicação social a novela não era exibida diariamente. Mas duas vezes por semana, estrategicamente nas bordas da semana, de preparação do telespectador, entre as terças e quintas-feiras. Cada capítulo tinha 20 minutos e, eram apresentadas na televisão ao vivo em preto e branco. Tinham dois cenários: o principal temático, reproduzindo um quarto e o outro, externo, representando um belo jardim da praça. Nessa produção também ocorreu o primeiro beijo da televisão brasileira. Não era um beijo como estamos acostumados a depreender nas paixões, pois não passou de um leve encontro dos lábios entre os protagonistas Walter Forster, o brutal Alfredo, indomável que desdenha de seus sentimentos e Vida Alves, por ela ser jovem e romântica, tem como representação novelesca uma moça ingênua e apaixonada. Ela teve toda a expectativa típica de uma primeira vez: em plano fechado, com os rostos colados, os atores murmuravam suas falas um para o outro. E, muito embora não fosse possível escutar o que diziam, a ação atraía a atenção para seus lábios. Daí, “o homem ajeitava seu vistoso bigode e encostava a boca na da mulher”.
Filmado por Thomas Edison, curiosamente o inventor da lâmpada, The Kiss demonstrava a cena final do musical The Widow Jones, encenada pelos mesmos atores da Broadway. May Irwin foi atriz e também cantora canadense. Apareceu em 1896 no primeiro beijo filmado com John C. Rice e fora filmada por uma máquina de Thomas Edison no filme The Kiss, dirigido por William Heise para o Edson`s Black Maria Studios em West Orange, New Jersey de propriedade do inventor norte-americano. O filme possui 47 minutos de duração com a reencenação do beijo entre May Irwin e John Rice, inspirado na cena final da peça musical The Widow Jones. O fonógrafo foi uma de suas principais invenções. O cinematógrafo, mais do que isso, pois representa a primeira câmera cinematográfica bem-sucedida, com o equipamento disponível para demonstrar os filmes que fazia. O famoso Edison também aperfeiçoou o telefone, inventado por Antonio Meucci, em um aparelho que funcionava melhor. Fez de forma idêntica com a máquina de escrever. Trabalhou em projetos variados, como alimentos empacotados a vácuo, um aparelho de raios X e um sistema de construções feitas de concreto. 
Entre as suas contribuições mais universais para o desenvolvimento encontra-se a relevante lâmpada elétrica incandescente, o fonógrafo, o cinescópio, o ditafone e o microfone de grânulos de carvão para o telefone. A desigualdade social reproduzida através da classe social está relacionada ao poder aquisitivo, ao acesso à renda, à posição social, ao nível de escolaridade e ao padrão de vida existente entre as frações da classe dominante que controlam direta ou indiretamente o Estado, através de efeitos de poder político, na educação e trabalho, reproduzindo inexoravelmente uma estrutura social implantada e difundida pelos métodos de trabalho e de produção no âmbito das esferas sociais e de poder dominante. A divisão da sociedade em classes é consequência dos diferentes papéis que os grupos sociais têm no processo de produção, ocupado por cada classe que depende o nível de fortuna e de rendimento, o gênero de vida e numerosas características culturais das diferentes classes. Classe social define-se como conjunto de agentes sociais nas mesmas condições no processo de produção e que têm afinidades eletivas políticas e ideológicas.
E esse problema não estava relacionado exclusivamente ao trabalho manual e às classes trabalhadoras. Basta pensarmos na referência ao capitão Hawdon, ou Nemo, de “A Casa Abandonada”, de Charles Dickens. O personagem era um ex-oficial do Exército que vivia fazendo trabalho temporário como jurista. Mas no caso de Marx, lembra Jones (2017: 357), não se tratava de pobreza no sentido comum da palavra. Em 1862, a bem intencionada sugestão de Lassale de que uma das filhas de Marx trabalhasse para ganhar dinheiro com a condessa Von Hatzfeldt, sua companheira, foi recebida como um indizível desrespeito ao status social deles e provocou um dos mais repulsivos insultos de Marx. – “Imagine só! Esse sujeito, sabendo do caso americano etc. [a perda dos rendimentos do Tribune], e, portanto, da situação de crise em que me encontro, teve a insolência de perguntar se eu cederia uma das minhas filhas à la Hatzfeldt como “dama de companhia”. Uma das justificativas para o comportamento  deles era de que isso seria determinado para garantir o “futuro das filhas”. Em julho de 1865, admitiu Marx: - “É verdade que minha casa está acima de meus meios, e que temos, além disso, vivido melhor este ano do que foi o caso antes. Mas “é o único jeito de as meninas se estabelecerem socialmente, com vistas a assegurar o seu futuro”.
O beijo romântico em culturas ocidentais representa um desenvolvimento relativamente recente e raramente é mencionado, até mesmo na literatura grega antiga. Durante a Idade Média, tornou-se um gesto “social” e era considerado um sinal de refinamento das castas dominantes. Outras culturas têm diferentes definições e usos do ato de beijar. Na China, por exemplo, uma expressão similar de afeto consiste em “esfregar o nariz contra o rosto de outra pessoa”. Em outras culturas orientais beijar é incomum. Nos países do Sudeste Asiático o beijo “entre narizes” é a forma mais comum de afeto e o costume ocidental de beijar na boca é frequentemente reservado para às preliminares sexuais.  Um beijo também pode ser usado para expressar sentimentos, sem um elemento erótico. O beijo de respeito também representa uma marca de lealdade, humildade e reverência. O primeiro filme vencedor do Oscar de melhor filme, Wings (“Asas”), também foi o primeiro filme em demonstrar dois homens beijando-se na face, entre os personagens Jack Powell e David Armstrong, no momento em que estava à morte, ferido em batalha. O beijo foi representado de forma fraternal, não sexual e não erótica.
O filme Casablanca emocionou com a cena do beijo de despedida que o personagem de Rick (Humphrey Bogart) dá em Ilsa (Ingrid Bergman).  O filme A Um Passo da Eternidade apresentou uma das cenas mais reconhecidas de beijo da história do cinema entre as personagens de Burt Lancaster e Deborah Kerr  deitados na areia da praia.No filme de animação da Disney: Lady and the Tramp, enquanto os personagens comem um espaguete, simultaneamente, de lados opostos, seus lábios se encontram no meio. O filme: Guess Who's Coming to Dinner causou furor por demonstrar o relacionamento de um médico afro-americano (Sidney Poitier) e uma garota branca da classe média alta (Katharine Houghton). Giuseppe Tornatore, com Cinema Paradiso, presta uma homenagem ao beijo no cinema. O projetista Alfredo (Philippe Noiret) deixa de herança para seu amigo e auxiliar Salvatore (Jacques Perrin) um rolo de filme onde estão montadas as cenas de beijo (e algumas de nus) que haviam sido cortadas pelo padre de localidade, pois pertenciam, em sua maioria, à Igreja. O filme: Brokeback Mountain causa furor nos lugares do mundo em que foi lançado. A representação da cena que Ennis (Heath Ledger) reencontra Jack (Jake Gyllenhaal), pela primeira vez passados anos, e se beijam é uma das mais lembradas. Acabou por levar um MTV Movie Award de “melhor sequência de beijo”.
          Na televisão, em 1968, no papel da Tenente Uhura, Nichelle Nichols participou do primeiro beijo inter-racial da televisão norte-americana, no seriado Star Trek com o ator canadense William Shatner. Um episódio do aclamado seriado dramático norte-americano L. A. Law (1991) uma série de televisão norte-americana, um drama de tribunal exibido por oito temporadas pela National Broadcasting Company (NBC) de 15 de setembro de 1986 a 19 de maio de 1994causou enorme controvérsia ao demonstrar um beijo entre as personagens femininas Abby (Michele Greene) e C.J. (Amanda Donohoe). Tal cena foi reconhecida como “o primeiro beijo gay”, de mulher prá mulher, dos seriados norte-americanos, e foi responsável por quebrar um enorme tabu não só televisivo. No episódio Acting Out (2000) da fabulosa série cômica norte-americana intitulada: Will & Grace, os personagens Will (Eric McCormack) e Jack (Sean Hayes) se beijam ao protestarem por causa de uma cena de beijo de um seriado fictício da NBC que não foi reproduzido na mídia, semelhante ao “beijo de América”. O último episódio da telenovela brasileira América (2005) causou muito furor quando um espetacularizado beijo homossexual masculino - que seria o primeiro em telenovela brasileira - dos personagens Júnior (Bruno Gagliasso) e Zeca (Erom Cordeiro) não ocorreu.
A cena foi escrita pela autora e gravada, mas a Rede Globo de televisão optou por não exibi-la, frustrando seus milhões de telespectadores. A propaganda de trinta segundos da linha de relógios Time (2007) da companhia italiana Dolce & Gabbana “demonstra dois rapazes se beijando e causa furor no mundo inteiro”. Felizmente, os antropólogos não chegaram a uma conclusão sobre se o beijo é aprendido ou se é comportamento do instinto. Mas acertam quando afirmam que o ato de beijar em humanos é postulado como um processo de evolução que surgiu a partir da regurgitação direta boca-a-boca de alimentos dos pais para seus filhos (beijo de alimentação) ou entre machos e fêmeas e tem sido observado empiricamente em vários tipos de mamíferos. As semelhanças entre os métodos usados no “beijo de alimentação” e nos “beijos de língua” humanos são bastante acentuadas. Isto quer dizer que, no primeiro caso, a língua é usada para empurrar o alimento da boca da mãe para a da criança, que recebe os alimentos da mãe através dos movimentos de sucção da língua. E o último é o mesmo movimento de repetição, mas sem a presença de comida pré-mastigada, através de observações empíricas comparativas de várias espécies e culturas. Pode ser confirmado que instintivamente beijo e pré-mastigação, evoluíram de comportamentos afetivos na divisão sexual parental nas relações de subalternidade entre os sexos.    
Bibliografia geral consultada.
CAMÊLO, Polyana, O Beijo Invisível do Onírico: Na Linguagem Imaginária de Andara. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Letras. Centro de Arte e Comunicação. Departamento de Pós-Graduação em Letras e Linguística. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 2010; DEMARCHI, Guilherme, Da Paixão à Ressurreição: Uma Análise Semiótica. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Semiótica. Departamento de Linguística. São Paulo: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Universidade de São Paulo, 2015; ABREU, Relines Rufino de, Mulher de Papel, Mulher de Talento: A Representação da Escritora da Ficção em Reparação, de Ian McEwan, e em Um Beijo de Colombina, de Andrade Lisboa. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários. Faculdade de Letras. Universidade Federal de Juiz de Fora, 2016; ALMEIDA, Thiago de, O Conceito de Amor: Um Estudo Exploratório com uma Amostra Brasileira. Tese de Doutorado. Instituto de Psicologia. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2017; COSTA, Jéssica Fraga de, Os Labirintos da Ficção: Os Mosaicos Textuais de um Beijo de Colombina, de Adriana Lisboa. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Letras. Instituto de Letras. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande dos Sul, 2017; LUCENA, Cibele Toledo, Beijo de Línguas: Quando o Poeta Surdo e o Poeta Ouvinte se Encontram. Dissertação de Mestrado em Psicologia Clínica. Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2017; ELIAS, Norbert; DUNNING, Eric, A Busca da Excitação: Desporto e Lazer no Processo Civilizacional. 1ª edição. Lisboa: Edições 70, 2019; MILLÁS, Cláudia  Regina Garcia, Corpo-em-Fluxo. Dança e Escalada como Práticas de Emancipação para o Artista em Cena. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas. Centro de Artes e Letras. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2019; ABREU, Rachel Luiza Pulcino de, É Algo Socialmente Construído: Gênero e Sexualidade na Escola entre Percepções de Docentes e Estudantes. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Educação. Rio de Janeiro: Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, 2019; entre outros.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Maitê Proença - Pensões Vitalícias & Poder, Previdência da Alma Divina.


                                                                                                      Ubiracy de Souza Braga

                                                Eu sou quase louca. É que disfarço bem”. Maitê Proença

     
                           
Sobre a questão em epígrafe levantada por Maitê Proença: - Eu sou quase louca. É que disfarço bem”, lembramos uma passagem sobre este tema na esfera da analítica de poder de Michel Foucault (2014). -  Uma outra verdade veio penetrar aquela que a mecânica judicial requeria: uma verdade que, enredada na primeira, faz da afirmação de culpabilidade um estranho complexo científico-jurídico. Um fato significativo: a maneira como a questão da loucura evoluiu na prática penal. De acordo com o código francês de 1810, ela só era abordada no final do artigo 64. Este prevê que não há crime nem delito, se o infrator estava em estado de demência no instante do ato. A possibilidade de invocar a loucura excluía, pois, a qualificação de um ato como crime: na alegação de o autor ter ficado louco, não era a gravidade de seu gesto que se modificava, nem a sua pena que devia ser atenuada: mas o próprio crime desaparecia. Impossível, pois, declarar alguém ao mesmo tempo culpado e louco; o diagnóstico de loucura uma vez declarado não podia ser integrado no juízo; ele interrompia o processo e retirava o poder da justiça sobre o autor do ato. O que importa, na interpretação é que apesar de vários decretos do supremo tribunal de justiça lembrando que o estado de loucura não podia acarretar nem uma pena moderada, nem sequer uma absolvição, mas uma improcedência judicial, eles levantaram em seu próprio veredicto a questão da loucura. Entretanto, admitiram que era possível alguém ser culpado e louco; quanto mais louco, tanto menos culpado; culpado, sem dúvida, mas que deveria ser enclausurado e tratado, e não punido; culpado perigoso, pois manifestamente doente etc. 
Filha de Margot Proença e Augusto Carlos Eduardo da Rocha Monteiro Gallo, Maitê Proença nasceu em São Paulo e foi criada em Campinas. Aos 12 anos de idade, a atriz passou por uma grande tragédia. Seu pai descobriu que sua esposa mantinha um relacionamento extraconjugal. Enfurecido, assassinou a esposa com onze facadas, mas não foi preso, e sim, absolvido, pois Maitê Proença foi sua testemunha de defesa, o que facilitou o processo. Tanto a empregada quanto Maitê foram inquiridas pelo procurador. A adolescente Maitê declarou a um juiz de Campinas (SP), onde residiam, “ter visto o professor na cama da sua mãe, vestido de pijama”. Uma ex-empregada da família, falou de um relacionamento de Margot, que era professora, com um ex-aluno, pois “eles ficavam trancados no escritório, quando o marido se ausentava da casa”. Com as evidências, Augusto marcou um encontro decisivo com a esposa. Toda sua família materna ficou contra ela, por ter dado anuência a favor do pai no processo, e deixaram de manter contato com ela. Para amenizar tamanha dor, começou a fazer terapia, e, após o crime, decidiu sair do país, indo morar com o irmão em um pensionato luterano, onde residiriam por três anos. Aos dezesseis, foi morar em Paris, para terminar seus estudos. Ao seu retorno, decide sair do pensionato luterano e pede abrigo a um padre. Aos dezenove, prestou o exame vestibular para várias faculdades pari pasu chegando a iniciar o curso de graduação em Psicologia, na PUC-SP, mas não o concluiria.  
O famoso jurista Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a determinação do desembargador Vallim Bellocchi, do Tribunal de Justiça de São Paulo, que garantia à atriz Maitê Proença Gallo o valor de R$ 24,6 mil para a pensão que recebe desde o suicídio do seu pai, em 1989, o procurador de Justiça Eduardo da Rocha Monteiro Gallo. Agora, a pensão é de R$ 21,5 mil. A decisão de Mendes baseou-se na emenda constitucional segundo a qual a aposentadoria de funcionários públicos não pode superar o salário do topo de carreia nem exceder o salário do presidente do Executivo e o do Judiciário. No caso da pensão de Maitê, o teto de comparação é o salário do governador do Estado. A atriz tem o direito constitucional à pensão deixada pelo seu pai porque nunca casou no cartório. Ele morou 12 anos com o empresário Paulo Marinho, com quem teve uma filha. Depois, viveu com o cineasta Edgar Moura. A lei que garante pensão permanente às filhas solteiras de servidores públicos é de 1958. Já houve tentativa de revogá-la. A atriz tem participado de novelas na televisão brasileira e do badalado programa “Saia Justa”, da GNT. Ela escreveu um livro sobre sua vida em 2008. Nele, contém a descrição e relembra o fato social que o seu pai matou sua mãe, Margot Proença, com 11 facadas.


Decidiu deixar o tratamento psicológico, mas sua depressão estava forte demais, e então se viciou em drogas, narrando em entrevistas ter sido usuária durante três anos. Nesta época, decidiu mudar os rumos de sua vida, e durante dois anos saiu pelo mundo em viagens, morando em hotéis, conhecendo pessoas e novas culturas, passando por cerca de trinta países, entre Europa, África e Ásia. Fez “bicos” vendendo jornal, cuidando de crianças e distribuindo folhetos nas esquinas parisienses. Em Paris obteve a sua primeira experiência com as artes cênicas, em curso de mímica com o mestre de Marcel Marceau, o ator e mímico francês Étienne Decroux (1898-1991). Depois, matriculou-se também em vários cursos na Universidade de Paris, entre eles, arquitetura do século XVII, pensamento do século XX, pensamento alemão do início do século e outras disciplinas acadêmicas. Posteriormente conheceu o Oriente Médio, mas quando soube que seu pai estava doente e retornou ao Brasil. Ele se recuperou em pouco tempo e já estava casado novamente. Contudo, não pretendia ficar por muito tempo no Brasil, talvez o tempo necessário para a recuperação do pai, para em seguida regressar à França, porém sua vida tomou outros rumos. Neste ínterim começou a fazer um curso de teatro com Antunes Filho e a estudar roteiros para cinema no Museu da Imagem e do Som. O escritor, dramaturgo, cronista e jornalista Mário Prata, um dos palestrantes do curso do Museu da Imagem e do Som convidou-a para teste na TV Tupi.
Em 1979, estreia como atriz na novela “Dinheiro Vivo”. Inicialmente, sua participação se restringiria a uma ponta, porém sua personagem acabou ficando até o final da novela. Poucos meses depois, já estava contratada pela Rede Globo e participaria da novela “Coração Alado”, mas sofreu um acidente de carro que afetou sua coluna, e afastou-a de suas atividades por quase um ano. Ainda usando bengala, devido ao acidente, é convidada a viver sua primeira protagonista na novela “As Três Marias”, dividindo o título de “mocinha” com as experientes Nádia Lippi e Glória Pires. Para viver a personagem, mudou-se de cidade, e pediu um melhor salário, pago na época somente para atores do primeiro escalão. Acordo feito e Maitê Proença aceitou o desafio de protagonizar a novela, porém, segundo depoimento, ”o alto salário não pagava todas as críticas e pressões que sofria, fazendo-a odiar o trabalho de atriz”. Chegou a pensar em abandonar a carreira, porém além de ter um contrato com a tv Globo, se estabelecia no mercado. Havia estampado diversas capas de revistas e batido recordes de audiência de público à empresa contratante, e pelo interesse comercial aconselhada a permanecer.
Em 1981, foi convidada a participar da telenovela “Jogo da Vida”, sob a direção de Roberto Talma, de forte influência e principal responsável por fazê-la repensar na decisão de abandonar a carreira artística. Durante a novela conheceu Carlos Augusto Strazzer, que se tornaria um dos melhores amigos. Em 1982, encenou o espetáculo “Mentiras Alucinantes de um Casal Feliz”, tendo como parceiro de cena Armando Bogus. Em 1983, participou da novela “Guerra dos Sexos”, interpretando a bela e romântica Juliana. Em seguida, transferiu-se para a Rede Manchete, onde protagonizou a famosa minissérie “A Marquesa de Santos”. Em 1985, retornou à TV Globo e integrou o elenco da novela “Um Sonho a Mais”, contracenando com o talentoso Marco Nanini, que já conhecia desde o trabalho de “As Três Marias”. Em 1986, recebeu convite para participar do remake de “Selva de Pedra”, porém recusou, alegando que a Rede Manchete havia apresentado uma proposta comercial melhor. Maitê Proença viveu um dos melhores momentos de sua carreira, ao interpretar a cortesã Dona Beija na novela homônima, um dos grandes sucessos da emissora. Vale lembrar que Maitê protagonizou as primeiras cenas de “erotismo e nudez” em uma novela do horário nobre no Brasil, as quais se tornariam ícones daquela produção. A mística revela a cortesã tomando seus banhos em uma cachoeira. Imagem da Semana da Justiça pela Paz em Casa realizada no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.
                       

A partir desse trabalho, após atuar na novela “Corpo Santo”, de 1987, volta para a Rede Globo e continua a despontar sempre em papéis marcantes na dramaturgia nacional. Em 1987, após tantas recusas de convites para posar nua, finalmente aceitou, tornando-se um dos maiores símbolos sexuais do Brasil. A edição vendeu 630 mil exemplares, algo raro, sendo o maior número de vendas no mercado editorial até então. Posaria uma segunda vez, em 1996, aos 38 anos, na belíssima paisagem da Sicília, e reconfirmaria o sucesso erótico, desta vez, a revista alcançou a marca dos 720 mil exemplares vendidos. Ainda em 1987, trabalhou na novela “Sassaricando”, como a fotógrafa Camila, contracenando com o ator Edson Celulari, com quem dividiu os sets de filmagens dos longas-metragens “Sexo Frágil” e “Brasa Adormecida”. Nesse último obteve o Prêmio de Melhor Atriz do 2º Rio Cine Fest. Também encenou o espetáculo “La Malasangre” e protagonizou o filme “A Dama do Cine Shanghai”, ao lado de Antônio Fagundes, conquistando o Prêmio de Melhor Atriz no II Festival de Cinema de Natal e também no XV Festival dos Melhores do Ano do CineSesc. Depois, apresentou  o “Programa de Domingo” e “Diálogo”, ambos através da Rede Manchete.
Em 1989, de volta à TV Globo, protagonizou a novela “O Salvador da Pátria”, inspirador do mito messiânico Fernando Collor, fazendo par romântico com Lima Duarte, que viria a se tornar amigo e também confidente, em um momento que seu pai está muito doente. Participara ainda dos longas-metragens “O Beijo” e “Kuarup”, além de encenar a peça teatral “Na Sauna”. Nesse mesmo ano, outra tragédia ocorreu na sua dura vida. Seu pai comete suicídio. Abalada, ela retorna a terapia por mais alguns anos. O ano de 1990 se destaca bastante na vida da atriz, com outra triste notícia. A morte de seu irmão de criação, Zuca, vítima de alcoolismo, e por uma muito feliz. O nascimento de sua única filha, Maria. Disciplinada, apenas seis meses após dar à luz foi protagonista da minissérie “O Sorriso do Lagarto”, em que fez par romântico com Tony Ramos, que seria repetido várias vezes depois. Ainda em 1991, viveu uma das “Helenas” mais jovens de Manoel Carlos, ao protagonizar a novela “Felicidade”.
Em 1993, estreou a peça “Confissões de Mulheres de 30” no Rio de Janeiro e depois em excursão pelo Nordeste. No final desse ano, encena a mesma montagem em São Paulo, além de atuar também no espetáculo “História de Nova York - Dorothy Parker”. Em 1994, fez uma incursão pela dramaturgia na Rede Bandeirantes ao participar de alguns episódios da minissérie “Confissões de Adolescente”. E também trabalhou no filme “16060”, obtendo o Prêmio de Melhor Atriz no Festival de Brasília. No ano seguinte, realiza a sua primeira vilã na televisão, a Heloísa, de “Cara e Coroa”. Encenou uma mulher fraca de caráter que mantinha um relacionamento secreto com o advogado inescrupuloso Mauro, de Miguel Falabella. Durante o trabalho, chegou a iniciar um affaire com o colega de elenco Victor Fasano, que durou pouco, tornando-se depois  amigos. Após um desentendimento com a produção da novela, foi afastada da trama. Heloísa foi jogada de um penhasco por Mauro, numa das cenas mais marcantes do folhetim. Anos depois, em uma entrevista, o ator Miguel Falabella, declarou ter perdido totalmente o interesse pela trama depois que Maitê foi afastada. Em 1999, também em uma entrevista, Maitê Proença culpou Wolf Maya pela sua saída.   
Maitê posaria nua se o Botafogo subisse para a Série A.
Em 1996, integrou o elenco fixo da série “A Vida Como Ela É” e, em 1997, participou do curta “Vox Populi”, ganhando o Prêmio de Melhor Atriz no Festival de Salvador. Depois, em 1998, filmou os longas-metragens “A Hora Mágica” e “Paixão Perdida”, além de atuar na novela “Torre de Babel”, em um dos personagens centrais, novamente com Tony Ramos. Em 1999, interpretou a rainha da França, Ana da Bretanha, no seriado “Os Três Mosqueteiros”, da tv Globo, e a protagonista de “Tolerância”. O filme gira em torno de um casal e confronto que estabelecem entre seus sonhos, ideais, teorias e a realidade, passando por situações de adultério. Têm sua tolerância alongada e acabam por perceber que talvez sejam menos civilizados do que gostariam. É mais uma das ousadias de Maitê, e o filme tem ótima repercussão. Participou também do filme “Bufo & Spallanzani” e estrelou a novela “Vila Madalena”, ao lado de Cristiana Oliveira, Edson Celulari, Herson Capri e Marcos Winter.

Entre os clubes brasileiros em atividade, o Botafogo é o clube poliesportivo mais antigo e o 7º a praticar ininterruptamente futebol. Em 2006, com a conquista do Campeonato Carioca de Futebol, tornou-se o único clube brasileiro campeão em três séculos. O Club de Regatas Botafogo foi o primeiro clube carioca campeão brasileiro de Remo. Reconhecido pela estrela de cinco pontas em seu distintivo, que lhe dá a alcunha de clube da Estrela Solitária, o Botafogo tem como suas cores oficiais o preto e o branco. Desde 2007, manda seus jogos de futebol no Estádio Nilton Santos, antes chamado de Engenhão. Um dos clubes mais populares do Brasil, tem como seus principais rivais o Flamengo, o Fluminense e o Vasco da Gama. Foi indicado pela FIFA ao seleto grupo dos maiores clubes do século XX. Dentre seus principais títulos no futebol estão: 21 Campeonatos Cariocas, 4 Torneios Rio-São Paulo, 3 Taças dos Campeões Estaduais Rio-São Paulo, 2 Campeonatos Brasileiros e 1 Copa Conmebol, precursora da atual Copa Sul-Americana. Além disso, o clube detém alguns dos principais recordes do futebol brasileiro, como o de maior número de partidas de invencibilidade: 52 jogos entre os anos de 1977 e 1978; o recorde de partidas invictas em jogos do Campeonato Brasileiro: 42, também entre 1977 e 1978. É um dos maiores recordistas numa mesma edição de Campeonato Brasileiro: 24 jogos invictos em 1978. O maior número de participações de jogadores em partidas totais da Seleção Brasileira, considerando jogos oficiais e não oficiais: 1103 participações; e o maior número de jogadores cedidos à Seleção Brasileira para Copas do Mundo. O clube ainda é o responsável pela maior vitória já registrada no futebol brasileiro: 24-0 sobre o Sport Club Mangueira no Campeonato Carioca de 1909.

A partir de então, passou a dedicar mais tempo ao teatro. Em 2000, protagonizou o espetáculo “Isabel”, pelo qual foi elogiada pela crítica, além de ter sido indicada à categoria de Melhor Atriz para o Prêmio Shell. Em 2001, após uma participação especial na telenovela “Estrela Guia” como a hippie Kalinda, protagonizou Dona Yatá no filme “A Selva”, uma coprodução de Espanha, Portugal e Brasil protagonizada também por Cláudio Marzo e pelo ator português Diogo Morgado. Também participou do filme “Viva Sapato”, interpretando uma cômica jornalista norte-americana. Em 2002 assinou, pela primeira vez sozinha, uma produção de teatro, levando aos palcos o monólogo Buda. Ainda atuou na comédia “Com a Pulga Atrás da Orelha”, como Madame Chandebise, uma divertida e desconfiada mulher que tenta tirar à prova a fidelidade do marido. Também encenou o espetáculo de concepção e background religioso “Paixão de Cristo”, na Nova Jerusalém do sertão pernambucano, como Maria.
O ano de 2003 foi marcado pela sua estreia na revista Época com uma coluna de crônicas. Após quase 25 anos de carreira, Maitê Proença revelou seu talento também para a literatura. As crônicas escritas quinzenalmente conquistaram o público por seu estilo franco, delicado e inteligente. Simultaneamente, destacou-se na temporada daquele ano do seriado adolescente na tv Globo “Malhação” e também com a participação no filme “Jogo Subterrâneo”. Em 2004, esteve presente no elenco de “Da Cor do Pecado”, interpretando a cômica Verinha, uma mulher fútil, falida, mãe da antagonista principal da novela, Bárbara, de Giovanna Antonelli. Continuou publicando suas crônicas para a revista Época e, no ano seguinte, aproveitando o sucesso, lançou seu primeiro livro, “Entre Ossos e a Escrita”, que reúne 50 crônicas publicadas na revista Época entre 2003 e 2004. Também em 2005 fez uma participação especial na telenovela “A Lua me Disse”, como a milionária Maria Regina. Sua personagem morre logo no início da trama e deixa toda sua herança para a filha, herança essa que desperta o interesse de muita gente na história. Nesse mesmo ano, ainda escreveu sua primeira peça teatral, “Achadas e Perdidas”, que ficou em cartaz por três anos consecutivos.
A partir de 2006, passou a integrar o time de apresentadoras do programa Saia Justa, do GNT, ao lado da jornalista Mônica Waldvogel, da atriz Betty Lago, da filósofa Márcia Tiburi e da cantora Ana Carolina. Em 2007 finalizou seu segundo livro, Uma Vida Inventada, que mistura ficção a fatos reais num jogo de pistas falsas proposital; lançado em 2008, o livro obteve grande sucesso, ficando em primeiro lugar no ranking da revista Veja, além de permanecer inúmeras semanas entre os dez mais vendidos na categoria Ficção. Também escreveu a peça As Meninas, em parceria com Luiz Carlos Góes, que estrearia somente em 2009. Gravou o programa Saia Justa durante todo o ano e participou das filmagens de Elvis & Madona. Em 2008 viajou para Bali, na Indonésia, para gravar as primeiras cenas de “Três Irmãs”, novela que marca seu retorno à TV depois de três anos sem atuar na esteira dos folhetins globais.           
Em seguida, estreou o filme “Onde Andará Dulce Veiga?”, no papel da protagonista Dulce Veiga, cantora e atriz que após um período de sucesso desaparece misteriosamente nos anos de 1960. Em agosto desse ano, o filme é exibido em Nova York na Mostra Competitiva do Tribeca Cinemas. Juntamente com Irene Ravache gravou o audiobook de “Uma Vida Inventada”, lançado em agosto na Bienal do Livro de São Paulo. Em setembro daquele ano, em Ibitipoca, Minas Gerais, numa fazenda de amigos, sofreu um acidente ao cair de um cavalo, no qual fraturou cinco vértebras; ainda assim, continuou gravando “Três Irmãs” e o programa “Saia Justa”, narrando ainda “Belezas Francesas”, além de telebiografias sobre Maria Callas, Brigitte Bardot e Sophia Loren no canal pago GNT. Também participou de um sketch dos comediantes portugueses Gato Fedorento, no qual tentava imitar a pronúncia europeia da língua.
Em março de 2009 “Onde Andará Dulce Veiga?”, foi exibido no V Prêmio Fiesp/Sesi do Cinema Paulista, concorrendo em todas as categorias, inclusive na de Melhor Atriz. No mês seguinte, a peça “As Meninas” começou a ser ensaiada. Além de produzir, envolveu-se também na assistência de direção da peça. Posteriormente, em junho, foi convidada pela autora Glória Perez para participar da novela “Caminho das Índias”, no papel de Nanda, uma mulher rica que sofre um golpe. Em outubro de 2009, circulou pela internet um vídeo realizado, em 2007, para o programa “Saia Justa”, em que a atriz faz alguns comentários satíricos circulando por ruas e monumentos de Portugal. Junto à fonte do claustro do Mosteiro dos Jerônimos, o vídeo mostra a atriz cuspindo dentro da fonte. A atriz diz em seu blog que estava apenas imitando a estátua da fonte ao lado, que jorra água pela boca. Após a sua exibição em telejornais portugueses, o vídeo gerou revolta de parte do público que exigiu da parte dela, através de um abaixo-assinado online, um pedido de desculpas formais. A retratação da atriz foi feita em 13 de outubro do mesmo ano e reiterada. A direção do canal pago GNT do Brasil também apresentou suas desculpas formais pelo mal sucedido. Em 2010, saiu do ar o programa denominado “Saia Justa”, e Maitê Proença passou a integrar o elenco da telenovela Passione, da TV Globo, no papel de Stella, uma mulher rica, mãe zelosa, mas infeliz com o casamento. Enquanto seu marido dá mais atenção à empresa da família e ao trabalho por ser um importante executivo, ela o trai com rapazes mais jovens. 
Em 2012, interpreta a Sinhazinha em Gabriela. Considerada por muitos, uma das mais belas atrizes brasileiras, já foi capa de revistas masculinas, como a edição brasileira da revista Playboy. Foi uma das raras mulheres a ganhar um suplemento especial na revista. Em fevereiro de 2015, entra para novela “Alto Astral” como Kitty. Em 2016, para novela das 23h, “Liberdade Liberdade”. Após anos de contrato fixo com a rede Globo e fazendo parte do primeiro time da emissora, fãs são surpreendidos com a demissão da atriz em 2016, o que foi muito noticiado em sites e revistas. A atriz ficou revoltada com a emissora, na qual dedicou toda sua vida profissional. Em excerto extraído do livro de Maitê Proença, “Uma Vida Inventada” (2008) ela etnograficamente relata: - raios não caiem duas vezes no mesmo lugar. Às vezes. Na minha casa caíram, e assim convivi com dois homicídios, no período de minha infância, o de meu pai e de minha tia sua irmã, que, por ironia, também matou o parceiro. Tenho, portanto, intimidade com o assunto. Mais do que isso, conheço-o profundamente, já que tive de compreendê-lo para sobreviver. Nada alivia tanto quanto o entendimento minucioso dos fatos que levaram a uma dor – como em tudo, só o conhecimento traz a cura. Cheguei ao requinte de compreender melhor os crimes a minha volta do que fizeram as pessoas que os praticaram. Afirma ainda: O assassino passional não sabe por que matou, e é erro recorrente nos tribunais querer arrancar motivos de seus réus.
Eles não os têm. Destroem o núcleo de suas vidas, o grande amor e a razão de tudo, e depois choram em cima de seus cadáveres por pena de si e pela falta do objeto amado. É um processo irracional. É também autodestrutivo. Tanto assim que, via de regra, esse homicida não foge do local de seu crime, mas fica ali, não tendo mais a perder, para ser preso em flagrante. A criatura que mata por amor é alguém cuja necessidade de paixão chegou a níveis obsessivos. Ali, há um apaixonado, ávido de afeto e incapaz de renúncia. A pessoa pensa sem parar numa única coisa, na impossibilidade de ter o outro como ele precisa que o outro seja, na traição, ou em sua eventualidade. Fantasias obscuras lhe entorpem a cabeça, e não há ser sobre a terra que consiga viver com uma só ideia a lhe atazanar dia e noite, na rua, no trabalho, por toda parte, a toda hora. A tormenta chega a um ponto de ruptura, que, dali, um mínimo detalhe leva a matar. Além do mais, há pessoas que só sabem amar na tensão, vivem às turras e assim se realizam. O sentimento tranquilo e pacífico, que para tantos é a forma ideal, para eles nada significa - o amor tem faces múltiplas, e há aspectos que vêm com a violência embutida. Nesses casos os homens tendem a ser mais agressivos.
Eles batem, espancam e se portam de forma primária. A mulher, mais sutil, observa, e, intuitiva, aprende por onde atacar. Ela finge que trai, provoca, pede dinheiro que ele não tem para dar, fere-lhe o orgulho e vai levando o parceiro à exasperação. Aí ele bate, machuca e por aí vão anos de amor e dor. Até que um dia… Qual o ser vivo, por mais bondoso, que já não pensou na morte de uns vinte? As crianças pensam. Todos nós pensamos. No trânsito, no trabalho, nas discussões com o parceiro. O homicida ocasional não é um homem ruim, mas alguém que viveu um tumulto interior gigantesco e por ali desviou de si. Ele pode ser bom sujeito, honesto, trabalhador, pai carinhoso. Não voltará a matar, e representa muito pouco perigo para a sociedade. Deve ser punido porque em seu desvario amputou a vida de alguém e espalhou sofrimento a sua volta, mas deve também, e pode ser compreendido. É estranhíssimo, e dificulta a compreensão saber que essa criatura não sente remorsos. Para Maitê Proença: - A ideia de que o assassino vive numa tortura interna que lhe devora o espírito é equivocada.
É neste sentido que afirma: - Em seu mundo subjetivo ele (ou ela) tinha razões para fazer o que fez. Você, com sua ética, não consegue perdoá-lo, mas o homicida não vive sequer a questão do perdão. A coisa está feita, e os limites que rompeu ao praticá-la estavam amarrados na mesma praia onde ele hoje reencontra as justificativas que lhe permitem seguir vivendo. O que outrora serviu de motivação emocional para matar, hoje é um raciocínio lógico de seu universo íntimo. Se essa pessoa não assassinou por motivo fútil, ela merece ser vista à clareza das imparcialidades. Por ter refletido sobre isso a vida inteira, aprendi que para se julgar um gesto apaixonado é preciso muito desapego. E que há de se ter compaixão, pois com ela não só esse crime mas qualquer transgressão humana pode ser compreendida. Não há nada mais primário e mesquinho do que enxergar os atos alheios pelo ângulo exclusivo da acusação. Não se deve pensar, aquele fez mal à minha filha. Pense antes, minha filha fez mal a alguém.
No corajoso depoimento revela que teve seu primeiro namorado aos 16 anos, quando morava em Paris. Ele era francês, poucos anos mais velho. Por descuido, Maitê engravidou, mas após diversas brigas, ele decidiu que não a apoiaria e a abandonou grávida. Sem ter nenhuma condição emocional para ter um filho, ela fez um aborto em uma clínica local e teve uma recuperação tranquila. Em entrevistas, ela revelou se sentir segura do que fez na época e não ter se arrependido, informando que as mulheres precisam ter a liberdade do que fazer com sua vida, com seu próprio corpo. A atriz teve diversos namorados. Em 1982, já de volta ao Brasil há alguns anos, decidiu viver com o noivo, Paulo Marinho, ex-marido de Odile Rubirosa. Eles viveram juntos 12 anos e da relação nasceu sua única filha, Maria, em outubro de 1990. Em 1995, teve um breve namoro com o colega de elenco da rede Globo Victor Fasano. De 1996 a 2000, morou com o namorado, Edgar Moura. De 2004 a 2007, teve um relacionamento com o assessor de imprensa Rodrigo Paiva. Posteriormente, namorou o empresário carioca Toninho Dias Leite e o escritor português Miguel Sousa Tavares, além do empresário Alexandre Colombo, com quem permaneceu em namoro por dois anos, até 2011.
A atriz Maitê Proença apareceu recentemente em uma lista de mulheres beneficiadas por pensão paga pelo governo estadual a filhas solteiras de determinados funcionários públicos. Embora tenha dividido um lar com Edgar Moura por 4 anos e por 12 anos com Paulo Marinho, descrito por ela como marido, a atriz nunca se casou no civil com nenhum dos dois amantes. Se o fizesse, deixaria de receber a pensão paga pela instituição de pensionistas São Paulo Previdência (SPPREV), que recebe desde 1989, ano de falecimento do pai, o desembargador Augusto Carlos Eduardo da Rocha Monteiro Gallo. A SPPREV foi criada em junho de 2007. Desde que a Lei Complementar nº 1.010 foi promulgada, é a única administradora do Regime Próprio de Previdência dos Servidores Públicos (RPPS). Administra também o Regime Próprio de Previdência Militar (RPPM). A autarquia tem atualmente liberdade administrativa, financeira, patrimonial e de gestão de recursos humanos. Sua função é tratar especificamente do pagamento de aposentadorias e pensões dos Servidores Públicos Civis e Militares do Estado de São Paulo. A criação da São Paulo Previdência foi programada para reduzir os gastos do Governo e aperfeiçoar a gestão. Entre as principais contribuições está a padronização fordista dos benefícios. - Morri também um pouco, diz Maitê Proença sobre morte de Sinhazinha. 
Entretanto, a autarquia São Paulo Previdência também administra o cadastro dos beneficiários e gere os fundos e recursos levantados constantemente. A unidade não pode utilizar qualquer capital em título público - exceto títulos do Governo. Também não pode agir em outra Seguridade Social fora de sua área de atuação. Segundo dados estatísticos divulgados pela Revista Época, em 2013 o valor da pensão era de cerca de R$ 13 mil, chegando ao valor de R$ 21,5 mil em 2008. O benefício é garantido pela lei complementar 180/1978, que determina que “a pensão atribuída ao incapaz ou inválido será devida enquanto durar a incapacidade ou invalidez e à filha solteira até o casamento”. Segundo a reportagem, uma prática comum entre muitas mulheres é fazer apenas um casamento religioso, viver com maridos e ter filhos, mas sem registrar a relação oficialmente para não perder o benefício. Ela se relaciona com a Secretaria da Fazenda. Foi implantada para que os benefícios sigam os critérios da legislação federal para o regime de Previdência Social, responsável pela manutenção dos dados e fundos e pela emissão das folhas de pagamento das aposentadorias e pensões, ou seja,  dos demonstrativos dos servidores públicos e militares do estado de São Paulo. 
Enfim, sondada para ocupar o cargo de ministra do Meio Ambiente, a atriz Maitê Proença comentou a indicação. - “A ideia é tirar o viés ideológico a que o setor ambiental ficou associado. Trazer um nome que possa abrir as portas que se fecham para os ecologistas. Um nome ligado às causas ambientais, mas que circule nos diversos meios de forma isenta. E que possa colocar a pasta acima de picuinhas políticas. Concordo com tudo. Mas o meu nome “é apenas uma ideia”. As informações são do jornal O Globo. Maitê também tem boa relação no círculo mais próximo de Bolsonaro. Mas a própria Maitê explica que o seu nome, por enquanto, é “apenas uma ideia”. O nome da atriz foi proposto ao presidente eleito, para a pasta do Meio Ambiente por um grupo de ambientalistas, economistas e pesquisadores. Mesmo sem filiação partidária ou atuação política, a atriz conta com bom trânsito na área ambiental e fora dela. Ex-marido de Maitê Proença, o empresário Paulo Marinho, suplente do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL) filho do presidente eleito, considerou a indicação do nome da atriz para o Meio Ambiente, afirmando - “Isso é uma loucura. Não sei de onde tiraram isso”, disse Paulo Marinho, que “emprestou a casa no Jardim Botânico para as gravações do programa de TV da campanha de Jair Bolsonaro”. O empresário afirmou que, desde o término da campanha, mantém-se afastado da equipe de Bolsonaro. - “O que eu tinha que fazer, eu já fiz, dei minha contribuição. Não participo do governo”. 
Bibliografia geral consultada.
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