terça-feira, 15 de agosto de 2017
Avaliação Qualis-periódicos - Razão Técnica & Ilusão Metodológica.
domingo, 13 de agosto de 2017
Porteiro Predial - Trabalho, Rotinização & Adoção Social de Domótica.
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Severino Florença, porteiro no prédio Chopin & “quentinha” da Maitê Proença.
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A alguns quarteirões, na portaria do n° 194 da rua Barata Ribeiro, no bairro Copacabana, um minuto parece comportar mais “boa tardes” do que os 60 segundos dos ponteiros de um relógio de ponto. O vaivém é incessante no edifício que fez fama com o seu número original, o 200, e traça novos rumos. Porteiro há 31 anos ali, o paraibano Luiz Domingues, de 69 anos, conta que o movimento só diminui depois da meia-noite, quando seis dos sete elevadores são desligados. - Aqui é como em qualquer outro prédio. Não vejo nada demais. Briga de vizinho, suicídio. Mas tudo muito raro. O gigante de 45 apartamentos por andar foi habitado por 2 mil pessoas no auge das manchetes policiais, nos anos 1970. Hoje, são cerca de 700. - O máximo que acontece é cair uma cobra da mata atrás do prédio - garante o síndico Benedito Rodrigues, no cargo há 11 anos. - A maioria dos apartamentos naquela época era alugada. Hoje, a situação inverteu-se e o prédio melhorou. Enquanto o condomínio mudava de perfil, a vida de Domingues também. Um segundo casamento aumentou o número de filhos de quatro para oito. O endereço mudou de Copacabana para Vila Isabel. O que se manteve igual mesmo foi o trabalho.
O síndico do n°180 me chamou para trabalhar lá, mas não quis. Aqui conheço o pessoal e o trabalho. Conheço bem o prédio e até tenho um projeto de reforma com cozinha americana que já fiz em vários apartamentos. Deixo tipo casinha de boneca - narra, acrescentando criticamente. – “Mas para trabalhar aqui tem que ter paciência”. A concepção de Axel Honneth (2004; 2006) problematiza a “invisibilidade” como uma patologia social caracterizada por formas intencionais de tornar pessoas invisíveis. De forma semelhante à interpretação da análise da reificação, a invisibilidade também é tratada de um ponto de vista epistemológico e moral, a partir da teoria do reconhecimento. Para Honneth, um ato de reconhecimento pressupõe dois elementos: 1) uma identificação cognitiva de uma pessoa como dotada de propriedades particulares em uma situação particular, e: 2) a confirmação da cognição da existência da outra pessoa como dotada de características específicas, através de ações, gestos e expressões faciais positivas manifestados por quem a percebe. A invisibilidade, por outro lado, significa mais do que a negação desses dois elementos. Sintetizada em expressões como a de um “olhar através”, ela nega a existência do outro do ponto de vista perceptual, como se ele não estivesse presente no campo de observação da visão de quem olha.
Enquanto a invisibilidade no sentido visual significa apenas o fato de que um objeto não está presente como um objeto no campo perceptivo de uma pessoa, a visibilidade física requer que nós assumamos uma posição cognitiva diante do objeto dentro de uma estrutura espaço-temporal como algo com propriedades visuais relevantes. A qualidade de vida é um tema que merece destaque pelo fato de se tratar de questões sociais e políticas relacionadas diretamente com a maneira com que os indivíduos conduzem sua forma de vida. A qualidade de vida no trabalho pode ser definida como o conjunto das ações dentro da empresa que envolve a implantação e manutenção de melhorias e inovações gerenciais, tecnológicas e estruturais no ambiente de trabalho. Representa, portanto, como a gestão e a educação para o bem-estar no trabalho, com decisões e escolhas baseadas na cultura organizacional e no estilo de vida dos diferentes segmentos ocupacionais. Apesar de ser uma linha de estudo recente e necessitar de detalhamento de situações concretas para melhor compreensão do tema, a qualidade de vida no ambiente de trabalho com diversas concepções e teorias, que trouxeram à tona fatores preponderantes para o desenvolvimento da atividade administrativa em função das condições adequadas de trabalho, incentivos e recompensas salariais oportunas, cuidados com a saúde do trabalhador etc.
De qualquer forma, há muitos postos de trabalho que devido a suas implicações de tempo/espaço, não permitem à pessoa estabelecer laços sociais, pois são trabalhos solitários ou de serviço temporário. Quem é esse profissional de quem você recebe o primeiro bom dia quando chega ao trabalho e tem uma grande carga de vigilância e preconceito social? Ele não é uma figura muito presente nas pequenas cidades do interior brasileiro, mas nos grandes centros econômicos e políticos é muito comum encontrá-lo cuidando de portarias de prédios residenciais ou comerciais. Esse profissional é visto literalmente como porteiro, posto que represente “o cuidador de portas”, segundo o dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, versão original que resultou do trabalho de pesquisa de mais de três décadas do reconhecido lexicógrafo, o Imortal Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. No programa Sai de Baixo, Ribamar era o porteiro do edifício Arouche Towers. O personagem se popularizou extrapolando as fronteiras de marca do programa, projetando seu personagem nordestino ao humorístico Zorra Total e se tornou uma das maiores figuras humorísticas de Tom Cavalcante.
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| “Sai de Baixo” (Rede Globo). |
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sexta-feira, 11 de agosto de 2017
Luiz Melodia - Artista Popular & Tipógrafo da Pérola Negra.
Como
“arte do efêmero”, a música não pode ser completamente reconhecida e por isso é
tão difícil enquadrá-la inicialmente em sua dinâmica social, com a formação das cidades, em um conceito
simples no âmbito da formação cultural. A música também pode ser definida como
uma forma de linguagem que se utiliza da voz, instrumentos musicais e outros
artifícios, para expressar algo a alguém. Um dos poucos consensos é que ela
consiste em uma combinação de sons e de silêncios, numa sequência simultânea ou
em sequências sucessivas e simultâneas que se desenvolvem ao longo do tempo
social. Neste sentido, engloba toda combinação de elementos sonoros destinados
a serem percebidos pela audição. Isso inclui variações nas características do
som, caracterizados pela altura, duração, intensidade e timbre, sendo ainda que podem ocorrer sequencialmente o ritmo e a melodia, ou simultaneamente a harmonia. Ritmo, melodia e harmonia são
entendidos aqui apenas em seu sentido de organização temporal, pois a música
pode conter propositalmente harmonias ruidosas, que contém ruídos ou sons
externos ao tradicional e arritmias com ausência de ritmo formal ou desvios
rítmicos.
A música representa uma forma de arte que se constitui na combinação de vários sons e ritmos, seguindo uma pré-organização historicamente. É considerada por diversos autores como uma prática cultural e humana. Não se conhece nenhuma civilização ou agrupamento que não possua manifestações musicais próprias. Embora nem sempre seja feita com esse objetivo, a música pode ser considerada como uma forma de arte, considerada por muitos como sua principal função. A criação, a performance, o significado e até mesmo a definição de música variam de acordo com a cultura e o contexto social. A música vai desde composições fortemente organizadas e a sua recriação na performance, música improvisada até formas aleatórias. Pode ser dividida em gêneros e subgêneros, contudo as linhas divisórias e as relações entre gêneros musicais são muitas vezes sutis, algumas vezes abertas à interpretação socialmente do tipo individual e ocasionalmente controversas. Dentro das artes em geral, a música pode ser classificada como uma arte de representação social, uma arte sublime, uma arte de espetáculo. Definir a música sociologicamente, não é tarefa fácil porque apesar de ser intuitivamente reconhecida por qualquer pessoa, no âmbito histórico da sociologia é difícil encontrar um conceito que abarque todos os significados dessa prática.
Mais
do que qualquer outra manifestação humana, a música contém e manipula o som e o
organiza no tempo. Talvez por essa razão ela esteja sempre fugindo a qualquer
definição, pois ao buscá-la, a música já se modificou, já evoluiu. E esse jogo
do tempo é simultaneamente físico e emocional. E é nesse ponto que o consenso
deixa de existir. As perguntas que decorrem desta simples constatação encontram
diferentes respostas, se encaradas do ponto de vista social do criador
(compositor), do executante (músico), do historiador, do filósofo, do
antropólogo, do linguista ou do amador. Para indivíduos de muitas culturas, a
música está extremamente ligada à sua vida. A música expandiu-se ao longo dos
anos, e atualmente se encontra em diversas utilidades não só como arte, mas
também como a militar, educacional ou terapêutica (musicoterapia). Além disso,
tem presença central em diversas atividades coletivas, como os rituais
religiosos, festas e funerais. Há evidências de que a música é reconhecida e
praticada desde a pré-história. Provavelmente a observação dos sons da natureza
tenha despertado no ser humano, através do sentido auditivo, a necessidade ou
vontade de uma atividade que se baseasse na organização de sons. Embora nenhum
critério científico permita estabelecer seu desenvolvimento de forma precisa, a
história da música confunde-se com a própria história do desenvolvimento da
inteligência e da cultura humana.
Vale lembrar que o termo específico “música
popular brasileira” (MPB) já era historicamente utilizado na vida cotidiana no início do século
XX, sem, entretanto, definir um “movimento social” ou grupo de artistas e da
popularidade de um gênero musical organizadamente determinado pelo processo de
miscigenação na cidade. No ano de final da segunda guerra mundial (1945), o
livro: “Música Popular Brasileira”, de Oneyda Alvarenga, relaciona o termo a
“manifestações populares, como o bumba-meu-boi”. Somente duas décadas depois
ganharia também a sigla Música Popular Brasileira e a concepção que se tem
atual do termo. A música popular brasileira surgiu exatamente em um momento de
declínio da Bossa Nova, gênero renovador na música brasileira, surgido na
segunda metade da década de 1950, considerado um processo simultaneamente
industrialista e desenvolvimentista do eixo urbano do Rio de Janeiro-São Paulo.
Influenciado pelo jazz norte-americano, a a invenção da Bossa Nova
deu novas marcas simbólicas ao samba tradicional. Mas na primeira metade da
década de 1960, a Bossa Nova passaria por evidentes transformações culturais e,
a partir de uma nova geração de compositores, o movimento chegaria ao fim já na
segunda metade daquela década. Ipso facto, se as portas da percepção sobre o
samba estivessem limpas, tudo apareceria para o homem tal como é: infinito.
Inicialmente, o estilo que seria conhecido como MPB era denominado como Música Popular Moderna (MPM), terminologia utilizada pela primeira vez em 1965, para identificar: a) canções que já se diferenciavam da bossa nova, b) que não eram samba, nem moda ou marchinha, c) mas, que aproveitavam simultaneamente a suavidade do repertório da bossa nova, d) o carisma das tradições regionais e o cosmopolitismo de canções norte-americanas, que se tornaram conhecidas do público brasileiro por meio do cinema. Um dos primeiros exemplos de canção rotulada como Música Popular Moderna foi “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes, que em 1965, interpretada por Elis Regina, venceu o 1º Festival de Música Popular da TV Excelsior. Em 1966, o samba “Pedro Pedreiro”, de Chico Buarque, também foi classificado como MPM, pois não era bossa nova, nem jovem guarda e nem música de protesto. Também em 1966, um conjunto vocal de Niterói, até então conhecido como “Quarteto do CPC”, sigla do Centro Popular de Cultura, adotou o nome “MPB 4”. Na virada da década de 1960 para a de 1970, deixou-se de adotar a sigla MPM que foi substituída pela sigla MPB – Música Popular Brasileira.
Machado
de Assis pôde assistir, no decorrer do século XIX e no começo do século XX, as
alterações amplas e decisivas no cenário social e político internacional e
nacional, nos costumes, nas ciências da natureza e da sociedade, nas técnicas e
em quase tudo o que entende no âmbito do progresso material. Alguns estudiosos
supõem, no entanto, erroneamente que as crenças antropológicas atribuídas a
Machado de Assis como um escritor engajado são falsas e que ele não esperava
nada ou quase nada da história e da política. Afrodescendente, testemunhou a tardia
Abolição da Escravatura e a mudança política no país quando a República
substituiu o Reinado, e foi grande comentador e relator dos eventos
político-sociais. Suas crônicas estão repletas destes comentários. Em 1868, por
exemplo, D. Pedro II demitiu o gabinete liberal de Zacarias de Góis e
substitui-o pelo gabinete conservador de Itaboraí. Grêmios e jornais liberais
acusaram a atitude do imperador de bonapartista. Machado de Assis testemunhou
com simpatia aos liberais. Em 1895 com a morte de Joaquim Saldanha Marinho,
liberal, maçom e republicano escreveu: - “Os liberais voltaram mais tarde,
tornaram a sair e a voltar, até que se foram de vez, como os conservadores, e
com uns e outros o Império”. Machado de Assis como afrodescendente e liberal
não estava só, e era fervorosamente contrário à escravidão.
Sua obra foi de fundamental
importância para as escolas literárias brasileiras do século XIX e XX e surge
nos dias de hoje como de grande interesse acadêmico e público. Influenciou
grandes nomes das letras, como Olavo Bilac, Lima Barreto, Drummond de Andrade,
John Barth, Donald Barthelme e outros. Para a as frações da classe dominante o
óbice maior não vinha do nosso Estado constitucional, que representava o
latifúndio e dele se servia: o obstáculo era interposto pela nova matriz
internacional, a Inglaterra. Em seu tempo de vida, alcançou relativa fama e
prestígio pelo Brasil, contudo não desfrutou de popularidade no exterior em
função da divisão internacional do trabalho. Contudo, na modernidade tendo em
vista sua inovação, imaginação e audácia em temas precoces e paradoxais, é
frequentemente visto como o escritor brasileiro de produção intelectual sem
precedentes, de modo que, recentemente, seu nome e sua obra têm alcançado
diversos críticos literários, estudiosos e admiradores do mundo inteiro.
Machado de Assis é considerado um dos grandes gênios da história da literatura,
ao lado de autores como Dante, Shakespeare e Camões. Entende-se a reivindicação do mais desenfreado
laissez-faire, contrapondo-se no plano pragmático ou das ideias a hostilidade
que despertava entre os proprietários o controle social da sua nação por um
Estado-nação estrangeiro.
Mas
como o denominador ideológico comum era o liberalismo econômico, que conhece na
época a sua fase áurea, só restava à retórica escravista uma saída para o
impasse. Demonstrar que as ideias mestras da doutrina clássica, porque justas
deveriam aplicar-se com justeza às circunstâncias, tanto quanto às
peculiaridades nacionais. A atenção e o respeito ostensivo ao particular, tão
insistentes nos escritos conservadores de Edmund Burke, permeiam a ideologia
romântico-nacional que vai de Francisco de Varnhagen a José de Alencar, de
Vasconcelos a Olinda, de Paraná a Itaboraí. Será o topo maior da argumentação
de cunho protelatório: dar tempo ao tempo, já que o Brasil colonizado e
periférico não é a Europa, e é preciso respeitar as diferenças, que na
interpretação de literária de Alfredo Bosi (1992: 195) tem como escopo analítico
crítico a filtragem ideológica e contemporização. As estratégias do nosso
liberalismo intra-oligárquico em todo o período em que se constituía o Estado
nacional.
Machado de Assis nasceu em 21 de
junho de 1839, no Morro do Livramento, no centro do Rio de Janeiro, então
capital do Império, em pleno Período Regencial. Seu pai Francisco José de Assis, foi um mulato que
pintava paredes, filho de Francisco de Assis e Inácia Maria Rosa, ambos pardos
e escravos alforriados. A mãe foi a lavadeira Maria Leopoldina da Câmara
Machado, portuguesa e branca, filha de Estevão José Machado e Ana Rosa. Consta
que a família Machado de Assis imigrara para o Brasil em 1815, oriunda da Ilha
de São Miguel, no arquipélago português dos Açores. Os pais de Joaquim Maria
Machado de Assis sabiam ler e escrever, fato quase incomum naquele tempo e
estratificação social. Ambos eram agregados da Dona Maria José de Mendonça
Barrozo Pereira, esposa do falecido senador Bento Barroso Pereira, que abrigou
seus pais permitindo morar com ela. As terras do Livramento eram ocupadas pela
chácara da família de Maria José e já em 1818 o terreno começou a ser loteado
de tão imenso que era dando origem à Rua Nova do Livramento. Maria José
tornou-se madrinha do bebê e Joaquim Alberto de Sousa da Silveira, seu cunhado,
tornou-se o padrinho, de modo que os pais de Machado resolveram homenagear os
dois nomeando-o com seus nomes.
Nascera junto a ele uma irmã, que morreu jovem, em seus 4 anos, em 1845. Iniciou seus estudos numa escola pública da região, mas aparentemente não se demonstrou interessado por ela. Ocupava-se também em celebrar missas, o que lhe fez conhecer o Padre Silveira Sarmento, que de acordo com certos biógrafos, se tornou seu mentor de latim e amigo. Os biógrafos notam hic et nunc que, interessado pela boemia e pela Corte, imiscuiu-se para subir socialmente abastecendo-se de superioridade e domínio intelectual. Para isso, assumiu diversos cargos técnicos públicos, passando pelo Ministério da Agricultura, do Comércio e das Obras Públicas, e conseguindo precoce notoriedade em jornais onde publicava suas primeiras poesias e crônicas. Em sua maturidade, reunido a colegas próximos, fundou e foi o primeiro presidente unânime da Academia Brasileira de Letras. Sua extensa obra constitui-se de nove romances e peças teatrais, duzentos contos, cinco coletâneas de poemas e sonetos, e mais de seiscentas crônicas. Fundou o periódico: “O Jequitinhonha”, com o seu cunhado Josefino Vieira em 1860, por meio do qual teria difundido o ideal republicano. No entanto, a República lhe trouxe muitos desagrados econômicos e políticos, mas como letrado percebeu um mundo em agonia, sendo “uma voz inquietante que fala baixo, mas provoca sempre”.















