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quinta-feira, 3 de maio de 2018

Paul Singer - Sabedoria & Paternidade da Economia Solidária.

                                                                                                     Ubiracy de Souza Braga

                   A economia solidária se aproxima das origens do socialismo”. Paul Singer


Paul Singer nasceu numa família de pequenos comerciantes judeus estabelecidos em Erlaa, subúrbio operário de Viena. Em 1938 a Áustria foi anexada à Alemanha, e começou a perseguição aos judeus. A família decidiu emigrar e, em 1940, radicou-se no Brasil, onde já tinha alguns parentes residentes, estabelecidos em São Paulo. Em 1948 se encontrava no movimento de cunho kibutziano Dror, atual Habonim Dror. Em 1951 Singer formou-se em eletrotécnica na Escola Técnica Getúlio Vargas de São Paulo, exercendo a profissão nos anos entre 1952 e 1956. Nesse período, filiou-se ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, militando no movimento sindical. Como trabalhador metalúrgico, liderou a histórica greve dos 300 mil, que paralisou a indústria paulistana por mais de um mês em 1953. Obteve a nacionalidade brasileira em 1954. Estudou economia na Universidade de São Paulo ao mesmo tempo em que desenvolvia atividade político-partidária, no PSB. Graduado em 1959, no mesmo ano participou da fundação da Organização Revolucionária Marxista Política Operária (Polop), organização da esquerda extraparlamentar brasileira, contrária à linha do Partido Comunista Brasileiro, e que deu origem a outras. Foi constituída por membros da esquerda do PSB.
        Quando da fundação da Polop, em 1961, o Partido Comunista Brasileiro era praticamente sinônimo de esquerda no Brasil. Desde as décadas precedentes e até 1943, seguindo as orientações da Internacional Comunista, e, depois de 1947 quando a IC foi extinta, do Cominform (Escritório de Informação dos Partidos Comunistas e Operários), o PCB sustentava que o caráter da revolução no Brasil era democrático, isto é, tratava-se de uma revolução burguesa. A ênfase na formulação das orientações em cada país recorrendo à aplicação da teoria, a partir da análise da realidade concreta, já havia sido soterrada pelo pragmatismo, orientado pela necessidade dos Estados socialistas, vitoriosos em países periféricos e que enfrentavam o cerco das potências imperialistas. As formulações da POLOP relativamente à independência das bandeiras e da organização da classe operária, à participação nas eleições, às palavras de ordem de transição e ao governo de transição, bem como às relações entre países imperialistas a partir da Segunda Guerra Mundial – a cooperação antagônica - retomam as orientações clássicas de Marx e Engels, dos quatro primeiros congressos da 3ª Internacional, na época em que Vladimir Lenin era vivo, e as marcas da convivência de Eric Sachs com Thalheimer.                 
       A história demonstra que nenhuma classe abandonou o seu domínio sem luta. Todas as revoluções vitoriosas tiveram que se impor através de uma luta tenaz e armada contra o inimigo interno e externo. A diplomacia dos países socialistas usava a defesa da “coexistência pacífica” como argumento para denunciar os preparativos bélicos dos países imperialistas, para os quais a guerra é uma saída para as suas crises; a guerra servindo, além disso, como a única possibilidade de conter as lutas de libertação dos povos. A “coexistência pacifica” não pode ser aplicada, entretanto, nas relações entre países dominados e dominadores, nem nas relações entre as classes exploradas e exploradoras. O golpe militar de 1964 desmentiu a ilusão do caminho pacífico, um dos fatores da desagregação ulterior do partidão. A Polop afirmava que o processo em curso acabaria desembocando em uma luta acirrada e que o golpe de Estado viria, e de fato veio com todas as consequências conhecidas: a intervenção nos sindicatos, perseguição aos partidos de esquerda, às ligas camponesas, à União Nacional de Estudantes, etc.

                                
               
           O surgimento da Polop ocorre em uma conjuntura político-ideológica marcada, por um lado, pelo aguçamento das disputas entre setores das classes dominantes e, de outro, pela influência da revolução vitoriosa cubana. Em 1959 os guerrilheiros cubanos vencem a ditadura militar de Batista, desgastada pelos movimentos de guerrilhas deflagrados em 1956. O golpe final na ditadura foi a greve geral seguida de insurreição dos trabalhadores, chamada pela rádio rebelde dos guerrilheiros, e preparada pelos grupos revolucionários urbanos que agiam articulados em sintonia com os guerrilheiros. A revolução ocorreu a menos de 200 km do território dos Estados Unidos, mostrou a sua viabilidade no continente, foi capaz de destruir as forças militares do Estado, e mais – a principal organização que dirigiu o processo não foi o partido comunista, mas sim o Movimento Revolucionário 26 de julho apoiado pelo Diretório revolucionário 13 de março e pelo Partido Socialista Popular (partido comunista); inovou no processo de luta, combinando a guerrilha rural constituída de colunas móveis com a insurreição urbana sendo que nesta, pesou a tradição de luta do proletariado cubano, que em 1933 teve papel decisivo na derrubada do ditador Gerardo Machado, através da greve geral.            
          Para desenvolver esse trabalho, a Polop contava com quadros na maioria não operários. Impunha-se como tarefa preliminar, mas nada fácil, formar quadros operários em setores decisivos da classe. Nada fácil porque nos anos anteriores ao golpe os sindicatos eram dirigidos, na sua grande maioria, ou pelo Partido Comunista Brasileiro ou pelo Partido Trabalhista Brasileiro. Com o golpe e a ditadura militar veio a destituição dos dirigentes sindicais e a imposição de interventores: aumentou o risco da repressão, além da demissão que já estava presente no dia a dia. Com o AI-5 e a ação dos grupos militares de enfrentamento da ditadura, a repressão se intensificou ainda mais. Nessas condições o trabalho de enraizamento na classe avançou muito lentamente. A Polop era uma organização revolucionária, mas não um partido, precisamente porque era baixa o seu enraizamento no operariado. Se outros grupos semelhantes surgissem havia a disposição de trabalhar conjuntamente e conjugarem esforços para um partido de classe. Mas de modo algum concebia um partido sem a participação de um contingente expressivo de lideranças operárias de setores decisivos da classe. Entendiam que a formação de um partido tinha que se dar paralelamente ao amadurecimento da classe nas suas lutas econômicas e políticas; partido da classe e seu amadurecimento são duas faces da mesma moeda.
     Michael Löwy em sua Wahlverwandtschaft no artigo: “Paul Singer, socialista solidário” (02.05.2018), situou o sociólogo e economista quando apresenta-nos um depoimento emocionante sobre seu amigo: - Marxista convicto e confesso, se matricula  no curso de Economia Política na Universidade de São Paulo em 1956 e participa, a partir de 1959, do seminário informal de leitura do Capital de Marx iniciado por Fernando Henrique Cardoso. Membro do Partido Socialista Brasileiro, é perseguido pela Ditadura Militar em 1964; excluído da Universidade, será um dos criadores do CEBRAP em 1969. Em 1980, Singer é um dos fundadores do PT, partido ao qual permanecerá fiel até o fim de sua vida. Foi secretário de Planejamento na gestão de Luiza Erundina na Prefeitura de São Paulo (1989 e 1993). A partir de 1992, passa a se entusiasmar pela economia solidária, que será sua grande paixão intelectual e política nas próximas décadas. Com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (2002), assume a representativa Secretaria de Economia Solidária, do Ministério do Trabalho, onde desenvolverá durante 14 anos um trabalho considerável de promoção de cooperativas autogeridas pelos trabalhadores. Pensador, educador, militante, Paul Singer nunca separou teoria e prática, pensamento e ação. Generoso, se entregou de corpo e alma à causa de um socialismo democrático e autogestionário. 

            Sua integridade, coerência moral e política, sua ausência de qualquer sectarismo, sua estatura de intelectual comprometido com a causa dos trabalhadores, lhe valeram a simpatia e o respeito de todas as sensibilidades da esquerda brasileira. Uma das primeiras medidas do golpe de Estado de 2016 foi destruir as cooperativas.   Singer estava saindo do Partido Socialista, afirma Löwy, decepcionado com sua adesão à ideologia do janismo. Partidário de um socialismo revolucionário, era alérgico ao stalinismo e crítico em relação ao leninismo. Sua principal referência internacional era um partido marxista norte-americano dissidente do trotskismo, a “Independent Socialist League”, fundada nos anos 1940 por Max Schachtman e Hal Draper. A ISL era muito crítica à União Soviética stalinista, que ela não considerava ser um Estado operário burocratizado (tese de Leon Trótski), mas sim uma nova sociedade de classes que designava “coletivismo burocrático”. Hoje em dia concretamente essas discussões parecem exóticas, mas eram questões políticas candentes. Em 1955 Paulo encontrou-se com Hermínio Sacchetta e Maurício Tragtenberg, ex-dirigente do PCB, e depois do trotskismo brasileiro, do qual haviam recentemente se afastado – Tragtenberg, já nessa época um marxista libertário –, e junto com mais algumas outras figuras, resolveram fundar uma pequena organização de inspiração estritamente luxemburguista: a Liga Socialista Independente. Eu o acompanhei nessa aventura e permaneci na LSI quando Paulo, um ou dois mais tarde, acabou se afastando e retornou ao Partido Socialista.                          
- Durante meus anos na França, mantivemos algum contato epistolar, mas é a partir de 1979, quando recomeço a visitar o Brasil, que nossos laços de amizade voltam a se estreitar, tanto mais que partilhávamos o entusiasmo com a criação do PT. Cada vez que vinha ao Brasil com minha companheira Eleni – que tinha muito carinho e admiração por ele – não deixávamos de visitar Paulo e Melanie. Lembro-me de longas conversas e discussões sobre questões do socialismo: eu defendia o princípio da planificação democrática e o Paulo uma economia solidária dentro do mercado. Sempre abordava essas controvérsias com generosidade e modéstia, sem nenhuma pretensão de impor suas ideias. Recordo-me de sua reação quando meus amigos excluídos ou dissidentes do PT fundaram um novo partido, o PSOL: “é bom para o PT que haja uma oposição de esquerda”. Ele frequentemente criticava as decisões econômicas do governo – por exemplo, o ajuste fiscal de Dilma – mas estava convencido de que havia a possibilidade, na Secretaria, de semear economia solidária pelo Brasil afora: seria esse o caminho que poderia conduzir ao socialismo. Paulo ficou profundamente abalado, física e moralmente, com o golpe pseudo-institucional contra Dilma [Rousseff]. Era um golpe fatal a todo o trabalho que ele havia desenvolvido durante quatorze anos. Mas sua herança intelectual, ética e política nunca será apagada, e portanto, nem esquecida.  
            Na Secretaria Nacional de Economia Solidária desde 2003, o economista Paul Singer deixou o cargo com a mudança forçada de governo. Seu substituto, conforme nomeação publicada no Diário Oficial da União (DOU) é Natalino Oldakoski, servidor da Polícia Civil do Paraná. Não é a única mudança no Ministério do Trabalho, que tem novos nomes na secretaria Executiva e de Políticas de Proteção ao Emprego, neste último caso reforçando a influência do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), que já havia indicado Ronaldo Nogueira, que acabou sendo nomeado ministro do governo interino. Intelectual respeitado e fundador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), Paul Singer, manteve-se na Economia Solidária durante todas as gestões no ministério, que já teve nomes do PT e do PDT, quando o PTB ganhou a indicação. O novo titular é escrivão de Polícia, que se aposentou em 2014 como funcionário da Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná. Renato Janine Ribeiro disse que Paul Singer, não estaria à vontade no atual governo. –“Ele é uma das pessoas que engrandecem o cargo, o que é exceção – geralmente, o cargo é maior que seu ocupante”. Na opinião do filósofo ele “ficou treze anos dirigindo a economia solidária, uma alternativa à busca prioritária do lucro. Em 2015, na reforma do ministério, falou-se em tirá-lo, mas ninguém do PMDB queria sua secretaria – afinal, não renderia nada do que eles gostariam. Agora, a secretaria deve ser deformada, imagino”.
            Um princípio marxista com o qual Paul Singer concorda é que a solidariedade na economia só pode se realizar se ela for organizada igualitariamente pelos que se associam para produzir, comerciar, consumir ou poupar. A chave dessa proposta e a associação entre iguais em vez do contrato entre desiguais como um constructo capitalista. Na cooperativa de produção, protótipo de empresa solidária, todos os sócios têm a mesma parcela do capital e, por decorrência, o mesmo direito de voto em todas as decisões. Este e o seu princípio básico. Se a cooperativa precisa de diretores, estes são eleitos por todos os sócios e são responsáveis perante eles. Ninguém manda em ninguém. E não há competição entre os sócios: se a cooperativa progredir, acumular capital, todos ganham por igual. Se ela for mal, acumular dívidas, todos participam por igual nos prejuízos e nos esforços para saldar os débitos assumidos. 
Se toda economia fosse solidária, a sociedade seria muito menos desigual. Mas, mesmo que nas cooperativas cooperassem entre si, inevitavelmente algumas iriam melhor e outras pior, em função do acaso e das diferenças de habilidade e inclinação das pessoas que as compõem. Haveria, portanto empresas ganhadoras e perdedoras. Suas vantagens e desvantagens teria de serem periodicamente igualadas para não se tornarem cumulativas, o que exige um poder estatal que redistribua dinheiro dos ganhadores aos perdedores, usando para isso impostos e subsidies e/ou credito. O que importa entender e que a desigualdade não e natural e a competição generalizada tampouco o e. Elas resultam da forma como se organizam as atividades econômicas e que se denomina modo de produção. O capitalismo e um modo de produção cujos princípios são o direito de propriedade individual aplicado ao capital e o direito a liberdade individual.
Na empresa solidária, os sócios não recebem salário, no sentido econômico, mas retirada, que varia conforme a receita obtida. Os sócios decidem coletivamente, em assembleia, se as retiradas devem ser iguais ou diferenciadas. Há empresas em que a maioria opta pela igualdade das retiradas por uma questão de principio ou então porque os trabalhos que executam são idênticos, ou quase. Mas a maioria das empresas solidárias adota certa desigualdade das retiradas, que acompanha o escalonamento vigente nas empresas capitalistas, mas com diferenças muito menores, particularmente entre trabalho mental e manual. Muitas empresas solidárias fixam limites máximos entre a menor e a maior retirada. As razoes que levam a maioria dos cooperadores a aceitar certa desigualdade de retiradas variam de empresa para empresa. Em algumas, a maioria acha natural que certos trabalhos valham mais do que outros, pois os trabalhadores aceitam e defendem a hierarquia profissional a que foram acostumados. Em outras, a maioria opta pela desigualdade de retiradas para não perder a colaboração de cooperadores mais qualificados, que poderiam obter melhor remuneração em empresas capitalistas. Nestes casos, há um calculo racional de execução: pagar melhor a técnicos e administradores permite a cooperativa alcançar ganhos maiores que beneficiam o conjunto dos sócios, inclusive os que têm retiradas menores.
A aplicação destes princípios divide a sociedade em duas classes básicas: a classe proprietária ou possuidora do capital e a classe que por não dispor de capital ganha a vida mediante a venda de sua força de trabalho a outra classe. O resultado naturalizado e a competição e a desigualdade. A economia solidária e outro modo de produção, cujos princípios básicos são a propriedade coletiva ou associada do capital e o direito a liberdade individual. A aplicação desses princípios une todos os que produzem numa única classe de trabalhadores que são possuidores de capital por igual em cada cooperativa ou compreendida como sociedade econômica. O resultado e a solidariedade e a igualdade, cuja reprodução, no entanto, exige mecanismos estatais de redistribuição solidária da renda. Em outras palavras, mesmo que toda atividade econômica fosse organizada em empreendimentos solidários, sempre haveria necessidade de um poder publico com a missão de captar parte dos ganhos acima do considerado necessário para redistribuir essa receita entre trabalhadores que ganham abaixo do mínimo considerado indispensável. Uma alternativa frequente aventada para cumprir essa função e a “renda cidadã”, uma renda básica igual, entregue a todo e qualquer cidadão pelo Estado, que levantaria o fundo para esta renda mediante um imposto de renda progressivo.
O projeto de lei (PL 254/03) que institui a renda básica de cidadania, bandeira que Eduardo Suplicy (PT) carrega desde que foi eleito senador pela primeira vez, em 1990, foi aprovado pelo Congresso Nacional. O projeto aprovado garante a todos os brasileiros e estrangeiros que residam a mais de 5 anos no país, sem distinção de origem, raça, sexo, idade, condição civil ou socioeconômica, “uma renda básica mensal suficiente para suprir as necessidades com alimentação, educação e saúde”. Em ofício enviado ao presidente  Luiz Inácio Lula da Silva, em 24 de novembro - no qual atualiza o presidente sobre a tramitação de seu projeto de lei - Suplicy explica que a renda básica é um amadurecimento do Programa de Garantia da Renda Mínima, que desde 1992 aguardava votação na Comissão de Finanças da Câmara dos Deputados. Na avaliação de Suplicy, a atual unanimidade em torno do projeto deve-se à força dos argumentos.
O ideário de programas de transferência de renda passa a integrar a agenda pública brasileira a partir de 1991, tendo em vista que ocorre a partir da aprovação no Senado Federal do Projeto de Lei do Programa de Garantia de Renda Mínima. Desde então vemos uma trajetória marcada por uma série de especificidades de programas municipais, estaduais e federais, até a implementação do programa Bolsa Família em 2003 e a aprovação da lei 10.8353, de 08 de janeiro de 2004, que instituiu a renda básica de cidadania. A perspectiva da focalização da política social abandona a dimensão da universalidade e faz opção pela “gestão estratégica da pobreza”, deslocando-se do centro da política social de uma possível dimensão da redistribuição da riqueza para o tratamento compensatório dos seus efeitos econômicos. Nessa lógica desvincula-se a pobreza dos seus determinantes estruturais, como a divisão da sociedade em classes antagônicas, onde uma minoria é detentora dos meios sociais de produção e explora o trabalho assalariado, em contraposição a uma imensa maioria que não possui os meios próprios de produção e depende da venda da sua força de trabalho para sobreviver.
Sabemos que os programas de transferência de renda são vistos por parte do senso comum, das elites e da mídia brasileira como responsável por acomodação, dependência, ou falta de iniciativa. As condicionalidades, de certa forma, operam para fortalecer estas ideias, pois reforçam a necessidade dos beneficiários serem producentes para justificarem o acesso ao suposto direito. O princípio da condicionalidade confronta diretamente a universalidade, para esta a condição de pessoa é o requisito único para o acesso aos direitos civis conquistados em democracias. Sob a ótica dos direitos civis, e sustentados na ideia referida a um direito humano não se deve impor contrapartidas, exigências ou condicionalidades, como podemos notar expressamente no Art. 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos: - “Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle”.

O novo secretário de Políticas Públicas de Emprego é Leonardo José Arantes, que já foi superintendente regional do Trabalho em Goiás, quando Henrique Arantes era secretário estadual de Cidadania e Trabalho. Henrique é filho de Jovair Arantes e primo de Leonardo. Jovair foi relator do impeachment na Câmara e pretende disputar a presidência da Casa no ano que vem. A Secretaria Executiva do Ministério do Trabalho tem agora como titular Jânio Carlos Endo Macedo, ex-diretor do Banco do Brasil. Falta um cargo estratégico: a Secretaria de Relações do Trabalho, que era ocupada pelo Manoel Messias Nascimento Melo, ex-dirigente da Central Única de Trabalhadores (CUT), que foi exonerado em maio, assim que o governo golpista de Michel Temer (2016) assumiu como presidente da República. Loteado entre o PTB e o movimento “Solidariedade”, isso foi possível porque, com a criação do partido, nas ceu da conciliação política daqueles que tinham mandato eletivo de mudarem de legenda sem que cometessem infidelidade partidária e perdessem seus mandatos. 
Dessa maneira, muitas lideranças reacionárias migraram para “Solidariedade”, legendas que integram o antigo Centrão e, até bem pouco tempo atrás, eram responsáveis por dar sustentação política ao deputado corrupto cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o Ministério do Trabalho teria um papel ideológico em uma das reformas planejadas pelo golpe de Michel Temer: a trabalhista. A secretaria-executiva do ministério, o segundo cargo ideológico na hierarquia, tem padecido de instabilidade. O posto era ocupado por Jânio Macedo, substituído por Antônio Barreto, que passou a exercer a função de maneira secundária interina. Ambos são petebistas. Abaixo da executiva, a principal secretaria, a de Políticas Públicas de Emprego (SPPE), é ocupada por Leonardo José Arantes, sobrinho do líder do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) na Câmara, Jovair Arantes (GO). Jovair não compareceu à Câmara na última segunda-feira durante a sessão de cassação de Cunha - de acordo com o peemedebista, o petebista ligou-lhe algumas vezes e disse que não concordava com “a repugnância da ação”. A Força Sindical, presidida pelo deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (SD-SP) - que votou contra a cassação de Cunha comanda a secretaria de Relações do Trabalho. O secretário, Carlos Cavalcanti de Lacerda, foi indicado por Paulinho para conduzir a área responsável por organizar os registros sindicais. A Força já ocupou setor semelhante durante o governo do Partido dos Trabalhadores (PT), quando dividia o Ministério com a Central Única de Trabalhadores (CUT). O movimento político  Solidariedade não existia na politica e Paulinho era filiado ao Partido Democrático Tabalhista (PDT).
Bibliografia geral consultada. 
MARX, Carlos, “La Cooperación”. In: El Capital. Crítica de la Economía Política. Libro primero. Buenos Aires: Editorial Cartago, 1973; pp. 321-360; SINGER, Paul, “Economia Solidária contra o Desemprego”. In: Folha de São Paulo. São Paulo, 11 de julho de 1996; Idem, “Economia Solidária: Um modo de Produção e Distribuição”. In: SINGER, Paul; SOUZA, André Ricardo de (Organizadores), A Economia Solidária no Brasil: A Autogestão como resposta ao desemprego. São Paulo: Editor Contexto, 2000: Idem, Introdução à Economia Solidária. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2002; MOTTA, Eugênia de Souza Mello Guimarães, A Outra Economia: Um Olhar Etnográfico sobre a Economia Solidária. Dissertação de Mestrado em Antropologia. Rio de Janeiro: UFRJ: Museu Nacional. Programa de Pós-graduação em Antropologia Social, 2004; BIOLGHINI, Davide, Il Popolo dell`Economia Solidale. Bologna: Editrice Missionaria Italiana, 2007;  MOTA, José Rubens Dutra, Políticas Públicas e Economia Solidária: Avaliação do Projeto Sementes da Solidariedade.  Dissertação de Mestrado. Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação. Curso de Mestrado Profissional em Avaliação de Políticas Públicas. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2009; SILVA, Andréia Vieira da, Economia Solidária: Uma Estratégia Política de Desenvolvimento. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Sociologia. João Pessoa: Universidade Federal da Paraíba, 2010; GUERRA, Ana Carolina, Os Valores da Economia Solidária e os Valores do Trabalho: Um Estudo em Empreendimentos Econômicos Solidários. Tese de Doutorado em Administração. Faculdade de Ciências Econômicas. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 2014; NASCIMENTO, Celso Augusto Torres do, Economia Solidária e Cooperativismo no Contexto Rural: O Trabalho Autogestionário da Associação Comunitária dos Produtores Rurais da Comunidade N. Sra. Aparecida. Tese de Doutorado em Sociedade e Cultura da Amazônia. Manaus: Universidade Federal da Amazônia, 2016; ARAÚJO, Alcione Lino de, Economia Solidária e a Autonomia Feminina na Associação de Agricultores Familiares das Colônias Iapó, Santa Clara e Vizinhaça. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção. Ponta Grossa: Universidade Tecnológica Federal do Paraná, 2017; Artigo: “Economia solidária se aproxima das origens do socialismo”. Disponível em: http://brasildebate.com.br/07/04/2018; Artigo: “Löwy vê Paul Singer, socialista solidário”. Disponível em: https://outraspalavras.net/02/05/2018; entre outros.

sábado, 12 de novembro de 2016

Praia de Copacabana - Multidão, Lazer & Estratégia Coletiva.

                                                                                                    Ubiracy de Souza Braga*

      “Copacabana princesinha do mar. Pelas manhãs tu és a vida a cantar”. Tom Jobim

            
Copacabana é um bairro nobre situado na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, no Brasil. É considerado um dos bairros mais famosos e prestigiados do Brasil e um dos mais conhecidos do mundo. Tem o apelido de “Princesinha do Mar” e “Coração da Zona Sul”. Faz divisa com os bairros nobres da Lagoa, Ipanema, Botafogo, Leme e Humaitá. A população de Copacabana é, em sua maior parte, das classes “média-alta” e média. Atualmente, o bairro tem a maior concentração populacional da Zona Sul carioca, tendo em torno de 150 mil habitantes em 2013. Também abriga a maior quantidade de idosos do município e um dos maiores do país, proporcionalmente falando, com 16,7% da população acima de sessenta anos. De fato, Copacabana é por vezes apontada como “o bairro com população mais idosa do país”. Copacabana atrai um grande contingente de turistas para seus mais de oitenta hotéis, que ficam especialmente cheios durante as épocas do ano-novo e do carnaval. No fim de ano, a tradicional queima de fogos na Praia de Copacabana internacionaliza uma multidão de pessoas. A orla é lugar de variados eventos nacionais e internacionais durante o ano.
A célebre exposição dos United Buddy Bears realizou-se de maio a fim de julho de 2014 nessa praia carioca, apesar de protestos da FIFA durante toda a Copa do Mundo de futebol. Os ursos puderam ser vistos no famoso calçadão de Copacabana, no bairro do Leme. Contou-se com a presença de mais de um milhão de visitantes. Fizeram parte da exposição mais de 140 esculturas de ursos, cada uma com mais de 2 metros de altura, realizadas por artistas de mais de 140 países, representando 140 nações do mundo. A arte de dar um golpe seja ele qual for econômico ou político, representa o senso de ocasião. Mediante procedimentos que psicanaliticamente Sigmund Freud precisa a respeito do chiste, combina elementos audaciosamente reunidos para insinuar o “insight” de uma coisa na linguagem de um lugar para atingir o destinatário. Contudo, sem lugar próprio, sem visão globalizante, cega e perspicaz, como se fica no corpo a corpo sem distância, comandada pelos acasos do tempo, a tática é determinada pela ausência de poder, assim como a estratégia é organizada pelo postulado de um poder. A sua dialética poderá ser iluminada pela antiga arte da sofística, de fortificar ao máximo a posição do mais fraco. Mas destaca a relação de forças que está no princípio de uma criatividade intelectual tão tenaz como sutil, incansável, mobilizada à espera da ocasião.


Não devemos desprezar, portanto, estilo dialético de Freud quando menciona a expressão “psicologia das massas” em vez de “psicologia de grupo”. A distinção entre a psicologia de grupo e das massas ou coletiva, que inclusive faz parte da introdução do livro de 1921, é um tema ainda polêmico no âmbito da psicologia social. O psicanalista considera inadequadas as teorias fisiológicas para compreensão dos fenômenos hipnóticos, em todas as circunstâncias que este se manifesta. No sentido estrito ele se refere às condições patológicas, relações de poder nos tabus e rituais de grupos primitivos, tanto quanto ao comportamento da imitação nas multidões, relação entre amantes, relação entre pais e filhos, etc. A partir dos trabalhos propostos por Freud os psicanalistas estudam a influência e origem dos símbolos culturais, incluindo mitos, sonhos e rituais, comparando-os com os resultados da aplicação da técnica psicanalítica.
O contraste de Copacabana está no morro do Cantagalo-Pavão/Pavãozinho representando uma das 900 favelas do Rio de Janeiro. Fica na zona sul, a mais rica e turística da cidade, estende-se de Ipanema a Copacabana, mas é considerado um “bairro de lata”, com esgotos a céu aberto, casas precárias e fios de eletricidade emaranhados, descarnados e perigosos. Tem, no entanto, uma vista deslumbrante sobre a praia da “coisa mais linda” que o maestro António Carlos Jobim já viu passar. O inferno de Dante está bem à vista de todos os moradores e turistas. O Cantagalo pode estar aparentemente pacificado, representando uma “zona de compromisso”. São quilômetros de labirintos estreitos, lembrando as vielas da guerra de guerrilha da Algérie (cf. Vaïsse, 2012), aonde por vezes, nem chega a luz do sol. São centenas de barracas construídas em inclinação, numa base de terra e cimento. Têm portas de tamanho de crianças, mas vivem famílias lá dentro, em processo de pauperização, em espaços reduzidos e esconsos. As portas estão abertas e permitem ver o que lá se passa. Muitas casas têm jovens adolescentes cuidando de filhos bebés e a ver qualquer coisa do dia na televisão. Outras casinhas têm idosos demasiado fracos para saírem de casa.

As estratégias são ações que, graças ao postulado de um “lugar de poder”, elaboram lugares teóricos enquanto sistemas e discursos totalizantes, muitas vezes capazes de articular um conjunto de lugares físicos onde as forças se distribuem. Elas combinam esses tipos de lugar e visam dominá-los uns pelos outros. A tática é significativamente, como se diz, “a arte do fraco”. Mas especificamente, foi Carl von Clausewitz quem considerava fundamental que a guerra estivesse sempre submetida à política. Isso porque nenhuma guerra pode ser vencida sem a compreensão precisa, no âmbito da teoria, dos objetivos e da disponibilidade de meios¸ em primeiro lugar, ou sem o cálculo racional das capacidades e das oportunidades, assim como o estabelecimento dos limites éticos ao uso da força - sempre submetida aos objetivos políticos estabelecidos. Suas lições de tática e estratégia situam-se muito além dos exercícios militares propriamente ditos. Sua atualidade diz respeito comparativamente ao fato político para se constituírem, inclusive, numa profunda reflexão sobre a filosofia da guerra e da paz. Isto porque o modo pelo qual a tática, tem como expressão prática a verdadeira prestidigitação, que, portanto se introduz por surpresa numa ordem social determinada.  
Privilegiam, portanto, as relações espaciais. Ao menos procuram elas reduzir a esse tipo as relações temporais pela atribuição analítica de um “lugar próprio” a cada elemento particular e pela organização combinatória dos movimentos específicos a unidades ou a conjuntos de unidades. O modelo para isso foi antes o militar na acepção de Carl von Clausewitz que o científico. As táticas são procedimentos que valem pela pertinência que dão ao tempo - às circunstâncias que o instante preciso de uma intervenção transforma em situação favorável, à rapidez de movimentos que mudam a organização do espaço, ás relações entre momentos sucessivos de um golpe, como na política, aos cruzamentos possíveis de durações e ritmos heterogêneos. As estratégias apontam para a resistência que o estabelecimento de um lugar oferece ao gasto do tempo; as táticas apontam para uma hábil utilização do tempo, das ocasiões de um poder. Os métodos praticados pela chamada “arte da guerra” cotidianamente, pode-se inferir que jamais se apresentam sob uma forma nítida, nem por isso – last but not least – que apostas feitas no lugar ou no tempo distinguem as maneiras estruturantes socialmente de entendimento no sentido de sentir, pensar e agir.   
O presente se entende cada vez mais como uma passagem para o novo. Ele vive na consciência da aceleração dos acontecimentos históricos e na expectativa da alteridade do futuro. O presente pereniza a ruptura com o passado como renovação contínua. O horizonte aberto ao futuro de expectativas referidas ao presente dirige também acesso ao passado. A história é concebida desde o fim do século XVIII como um processo mundialmente abrangente e gerador de problemas. Nele o tempo é considerado um recurso escasso para dominar os problemas que o passado nos lega, orientando-se ao futuro. Os passados exemplares, pelos quais o presente poderia se orientar irrefletidamente, se empalideceram. A modernidade não pode mais tomar de empréstimo seus critérios orientadores dos modelos oriundos de outras épocas. A modernidade se vê exclusivamente posta sobre si mesma – ela tem de extrair de si mesma sua normatividade. O presente autêntico é de agora em diante o lugar onde se entrelaçam a continuidade da tradição e a inovação com a desvalorização do passado. O exercício da autoridade está subordinado aos pontos de vista da utilidade. A sociedade que é organizada no interesse de todos os trabalhadores produtivos, reintegrou nela o Estado – em vez de apenas trocar de senhor, ela alterou a própria natureza da dominação preço que também determinou as lutas por sua orientação na segunda metade do século XIX chegando até quase os nossos dias.  
É neste sentido infundada a tese do despontar da pós-modernidade. Não é a estrutura do espírito do tempo, não é o modo do conflito acerca das possibilidades futuras de vida que se alteraram, não são as energias utópicas em geral que se retiraram da consciência histórica. Pelo contrário, chegou ao fim uma determinada utopia, que no passado se cristalizou em tono do potencial da sociedade do trabalho. Esta utopia perdeu hoje sua força de convencimento. As condições de vida humanamente dignas e emancipadas já não procedem mais, imediatamente, de um revolucionamento das condições de trabalho, portanto, da transformação do trabalho heterônomo em atividade autônoma. A reforma das relações de emprego mantém um valor posicional central também nesse projeto. Elas permanecem o ponto de referência não apenas para medidas de humanização de um trabalho ainda heterônomo, mas, sobretudo, para as operações compensatórias que devem amortecer os riscos básicos do trabalho assalariado. A compensação só funciona se o papel do assalariado em tempo integral torna-se a norma. Pelo ônus que continuam sempre associados a um status estofado do trabalho remunerado dependente, o cidadão, em seu papel de cliente das burocracias do Estado de bem-estar social, é compensado com pretensões jurídicas e, em seu papel de consumidor de bens em massa, com o poder de compra.

       Carlos Drummond de Andrade (RJ). 
A alavanca para a satisfação do antagonismo de classe continua a ser, portanto, a neutralização do potencial do conflito inscrito no status do trabalhador assalariado.  Há trinta anos, se alguém ouvisse a expressão “arrastão” no Brasil, certamente a associaria à pesca com rede nas cidades litorâneas, em que o termo corresponde ao ato de puxá-la do mar para a areia, arrastando os peixes ali capturados. Portanto, não se refere mais ao Decreto-Lei n° 794, de 19 de outubro de 1938 do presidente da República Getúlio Vargas, no período estadonovista de golpe de Estado, como ocorre presentemente: impedindo à utilização de redes de “arrastão de praia”, na pesca litorânea ou na interior e nas proximidades das embocaduras dos rios; ou com a utilização de redes “traineiras” a menos de 200 metros das margens, nas baías ou enseadas. Há quinze anos, talvez já a associasse às ações de grupos - quase sempre de adolescentes - que corriam pela praia praticando furtos contra banhistas no Rio de Janeiro. O significado do vocábulo é muito mais assustador “em si”, além do medo, associado à violência grave.
No contexto contemporâneo da segurança pública, “arrastão” passou a designar sociologicamente a ação coletiva de criminosos, que agem em bando ou mesmo apenas em dupla, que atacam vítimas em locais com concentração de pessoas, como praias, sem restrição, cujas consequências não raro descambam para agressões físicas e mesmo assassinatos. Não há dúvida de que o alastramento dos arrastões está associado à crescente onda geral de criminalidade que vem se registrando no país. Arrastão é uma tática de roubo coletivo urbano ocorrido primeiramente na década de 1980 na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Mas analogamente se a tática sem lugar próprio, sem visão globalizante, cega e perspicaz como se fica no corpo a corpo sem distância, comandada pelos acasos do tempo, a tática é determinada pela ausência de poder, assim como a estratégia é organizada pelo postulado de um poder. Arrastão pode significar um ato coletivo em que todos estão motivados por um ideal. Portanto, o uso do termo “estratégia” é igualmente limitado. Nas justifica-se pelo fato de que as práticas dão uma resposta adequada às conjunturas. O ponto de partida da análise refere-se ao caso mais famoso de arrastão ocorrido exatamente em 18 de outubro de 1992 na praia de Ipanema de repercussão internacional. Posteriormente, a tática foi presenciada noutras regiões do Brasil. Consiste no roubo coletivo de dinheiro, telefone, relógios, anéis, bolsas e mesmo de roupas dos transeuntes por um grupo de pessoas. O grupo pode ou não estar organizado, dependendo da espontaneidade do roubo. Arrastão, apesar de não ser um termo técnico de segurança, é aplicado aos casos de roubo em série.

Bibliografia geral consultada.

DELIGNY, Fernand, Les Vagabonds efficacies. Paris: Éditions Maspéro, 1970; HOBSBAWM, Eric, I Banditi. Il Banditismo Sociale nell`Età Moderna. Roma: Einaudi Editore, 1971; PERLMAN, Janice, The Myth of Marginality: Urban Poverty and Politics in Rio de Janeiro. University of Califórnia Press, 1976; NASCIMENTO, Abdias do, O Negro Revoltado. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 1982; LUZ, Marco Aurélio, Cultura Negra e Ideologia do Recalque. Rio de Janeiro: Editor Achiamé, 1983; PARKER, Richard Guy, Bodies, Pleasures and Passions: Sexual Culture in Contemporary Brazil. Boston: Beacon Press, 1991; SCHIPPER, Ivy, Metrópole do Rio de Janeiro: Os Arrastões e a Cena Pública. Dissertação de Mestrado em Planejamento Urbano e Regional. Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1997; FERNANDES, Flávia Ferreira, A Praia de Copacabana: Uma reflexão sobre Algumas das Estratégias de Construção e Manutenção da Imagem de um Espaço de Consumo e Lazer na Cidade do Rio de Janeiro. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Antropologia. Niterói: Universidade Federal Fluminense, 2007; MISSE, Michel, Malandros, Marginais e Vagabundos & A Acumulação Social da Violência no Rio de Janeiro. Tese de Doutorado. Rio de Janeiro: Instituto Universitário de Pesquisas do Estado do Rio de Janeiro, 1999; Idem, “Le Movimento. Les Rapports Complexes entre Trafic, Police et Favelas à Rio de Janeiro”. In: Déviance et Société, Volume 32, 2008; HUGUININ, Fernanda Pacheco da Silva, As Praias de Ipanema: Liminaridade e Proxemia à Beira Mar. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social. Departamento de Antropologia. Brasília: Universidade de Brasília, 2011; O`DONNELI, Julia Galli, Um Rio Atlântico. Culturas Urbanas e Estilos de Vida na Invenção de Copacabana. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2011; VAÏSSE, Maurice, Militaires et Guérilla dans la Guerre d`Algérie. Bruxelles: André Versaille Éditeur, 2012; VALLE, Cid Prado, Rocambole de Carne a Copacabana. 1ª edição. Rio de Janeiro: Editora Litteris, 2013; HABERMAS, Jürgen, A Nova Obscuridade. Pequenos escritos políticos V. 1ª edição. São Paulo: Editora Unesp, 2015; entre outros.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

A Recepção das Ideias Políticas de Marx na América Latina.

                                Ubiracy de Souza Braga*

A história do marxismo na América Latina não pode ser considerada um universo à parte”. Michael Löwy

América, Rufino Tamayo.

A América Latina está localizada na totalidade no hemisfério ocidental, cujas linhas imaginárias que atravessam são: o Trópico de Câncer, pelo qual é cortado o centro do México; o Equador, linha imaginária passada no Brasil, Colômbia, Equador e pelo qual perpassa o norte do Peru e o Trópico de Capricórnio, pelo qual são atravessados o Brasil, o Paraguai, a Argentina e o Chile. A América Latina é um complexo cultural das Américas a qual é distribuída irregularmente pelos hemisférios norte e sul, porque a maioria de suas terras é estendida ao sul da Linha do Equador. Na América Latina são comportadas diversas culturas, porque estão misturadas línguas, etnias e costumes. Há predomínio do espanhol como língua dos países da América Latina, com a invasão e conquista das ilhas do Caribe em 1492, se estendeu rapidamente através da América com os colonos procedentes principalmente de Andaluzia e Extremadura, mas também de outras partes da Espanha, que se estabeleceram ali nos séculos XVI e XVII constituindo-se ao redor de 200.000 pessoas nesses primeiros séculos. Hoje é falado por mais de 370 milhões de latino-americanos, mas também o português, francês e, em certas regiões ao norte do continente, inglês e neerlandês.
Há também muitas e várias de línguas nativas, merecendo destaque o quíchua, legado dos Incas e idioma que se fala no Peru, Equador, Bolívia e Argentina. Línguas românicas oficiais na América Latina: português em laranja; espanhol em verde e francês em azul. A etnia dos habitantes da América Latina tem grande variação de país a país. Apesar da intensidade de mestiços, existem algumas nações em que a maior parte dos  habitantes é branca como a Argentina e Uruguai, outras, ungidas no âmbito do processo civilizatório, onde quase todos os habitantes são de origem negra, como ocorre no Haiti, República Dominicana, Granada, Bahamas e Barbados e outras, onde está fortemente presente na origem continental o  índio: Peru, Bolívia, México, Equador e Paraguai. Existem países mestiços de verdade: Colômbia e Venezuela e demais como o Brasil, no qual são existentes regiões de população com pequeno predomínio de brancos e demais onde é apresentada maior parte de negros, mestiços, mulatos ou índios.


            Tawantinsuyu foi um Estado criado pela civilização Inca, resultado de uma sucessão de civilizações andinas e que se tornou o maior império da América pré-colombiana. A administração política e o centro de forças armadas do império ficavam localizados em Cusco, em quíchua, “Umbigo do Mundo”, no atual Peru. O império surgiu nas terras altas peruanas em algum momento do século XIII. De 1438 até 1533, os incas utilizaram vários métodos, da conquista militar à assimilação pacífica, para incorporar uma grande porção do oeste da América do Sul, centrado na Cordilheira dos Andes, incluindo grande parte do atual Equador e Peru, sul e oeste da Bolívia, noroeste da Argentina, norte do Chile e sul da Colômbia. O nome quíchua do império  Tawantinsuyu, pode ser traduzido como as quatro regiões ou as quatro regiões unidas.                                                   
Antes da reforma ortográfica era escrita em espanhol como Tahuantinsuyo. “Tawantin” é um grupo de quatro partes – “tawa” significa “quatro”, com o sufixo -ntin que nomeia um grupo; “Suyu” significa região ou província. O império foi dividido em quatro “Suyus”, cujos cantos faziam fronteira com a capital, Cusco (“Qosqo”). Darcy Ribeiro considera esse padrão de organização social, que denomina de “império teocrático do regadio”, semelhante aos formados há mais ou menos dois mil anos na região Mesopotâmia ou às civilizações que se desenvolveram na Índia e China mil anos depois e às civilizações Maias e Astecas na Mesoamérica. Esse tipo de formação imperial caracteriza-se pela tecnologia de irrigação (regadio), desenvolvendo sistemas de engenharia hidráulica, agricultura irrigada com exceção talvez dos Maias que apenas possuíam o domínio do transporte das águas, metalurgia do cobre e bronze, técnicas de construção, notação numérica (“quipos”), escrita ideográfica, no caso dos Astecas e técnicas de comunicação. De governo centralizado, a organização social do império Inca é frequentemente comparada àquela idealizada por governos socialistas.


Imigrantes da comunidade boliviana celebram os 190 anos de independência de seu país em uma festa na praça do Memorial da América Latina
                       
Vale lembrar-se do ponto de vista técnico-metodológico, que a recepção das ideias de Marx à América do Sul, tal como a chegada delas à América do Norte, dependeu amplamente, do deslocamento dos imigrantes, que vinham da Europa, atravessavam o Atlântico, para “fazer a América”. Para atender à demanda de mão- de-obra na agricultura em substituição ao modo escravista de produção, e também para promover a diversificação das atividades artesanais e manufatureiras, os governos de diversos países sul-americanos, entre os quais os da Argentina e do Brasil, tomaram medidas destinadas a atrair os imigrantes; e na segunda metade do século passado tais imigrantes acorreram em muitas centenas de milhares. Em sua maioria, não eram socialistas, uns poucos, porém, simpatizavam com seus ideais, aprovavam suas doutrinas. Outros já tinham adquirido experiência em lutas políticas e sociais travadas em seus países de origem e vinham justamente porque suportavam mal a repressão institucionalizada nas sociedades em que tinham vivido. Poucos, entretanto, terão sido aqueles que teriam ouvido falar do Manifesto Comunista de Marx e Engels.
         A teoria do modo de produção asiático (“asiatisches Produktionsweise”) como modo de produção característico das milenares formas de constituição e manutenção da sociedade, bem como primeira forma originária e mais geral de sociedade pós-comunidade primitiva, foi fundamental para a concepção histórica e analítica de Marx, como aparecia também em contraposição mais evidente em relação ao desenvolvimento da história greco-romana ocidental. Suas mais importantes formações econômico-sociais, como a China e a Índia, não se teriam alterado substancialmente mesmo com as grandes invasões de povos bárbaros em passado mais remoto, como os mongóis, os árabes e os hunos. Estes povos, apesar de superiores belicamente a chineses e hindus,  eram culturalmente inferiores a essas grandes civilizações orientais de culturas milenares. O que transforma estas analogias em relação dinâmica de afinidade eletiva é uma conjuntura histórica determinada, uma constelação peculiar de eventos que se dá a partir do final dos anos 1950. Por um lado trata-se de uma conjuntura mundial: a crise e renovação teológica do catolicismo europeu no pós-guerra, a eleição de João XXIII em 1958 e sua convocação de um novo Concílio, visando o aggiornamento da doutrina e das práticas da Igreja.
            Paralelamente, se desenvolve uma crise do marxismo institucional, com o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética (PCUS) teve lugar entre 14 e 26 de fevereiro de 1956. Na ocasião, o secretário do Partido, Nikita Khrushchov, com seu célebre discurso secreto, denunciou as violências, as deportações, os expurgos e as limitações à liberdade impostas pelo regime de Stalin, seu predecessor. Durante a sessão a portas fechadas, no último dia do congresso, Kruschev criticou asperamente a política stalinista, denunciando o culto de personalidade e uma série de crimes cometidos por ele e seus colaboradores. Stalin não procurava persuadir com explicações mas impunha suas ideias e exigia uma submissão absoluta, qualquer um que discordasse era demitido de qualquer função diretiva, e em seguida liquidado moralmente e fisicamente, a denúncia do stalinismo. Estes eventos vão criar condições para um relacionamento mais aberto entre cristianismo e marxismo na Europa não irão, com algumas exceções, sobretudo na França, mais além de um diálogo entre dois blocos políticos e culturalmente opostos. É na América Latina que se produzirão as mediações complexas e, ipso facto permitindo um processo muito mais radical de convergência para a ação, e portanto, no poder político ou na organização estrutural de uma sociedade que ocorre em um período relativamente curto no espaço de tempo.

         A conjuntura latino-americana que tem seu ponto de partida neste momento histórico se caracteriza por dois aspectos fundamentais: a) um desenvolvimento acelerado do capitalismo, uma urbanização intensa e uma industrialização rápida (sob a égide do capital norte-americano), que aprofundam as contradições sociais, tanto na cidade como no campo; b) a revolução cubana (1959-60), primeira vitória popular contra o imperialismo na América Latina e primeira revolução socialista no continente-dirigida por forças sociais marxistas de um novo tipo, independentes do comunismo tradicional claramente de inspiração autoritária stalinista. A combinação destes dois processos - um estrutural, econômico-social, e o outro, político e ideológico - terá por resultado o início de uma nova etapa de interpretação teórica na história da América Latina, uma etapa de lutas sociais, movimentos populares, e insurreições, que conhece um novo salto qualitativo com a revolução sandinista e que continua até hoje. Uma etapa que se caracteriza também por uma maior influência e uma renovação do pensamento marxista latino-americano - em particular e não exclusivamente nos meios universitários. É nesta conjuntura que vai se desenvolver, na América Latina, uma relação de afinidade eletiva, em setores da Igreja e de sua base social, entre cristianismo e marxismo.
       Portanto, como categoria definidora dos traços fundamentais tanto destas sociedades orientais antigas, como também na pré-história da própria sociedade greco-romana clássica, o chamado modo de produção asiático, que tem início em 2500 a. C., caracteriza os primeiros Estados surgidos na Ásia Oriental, Índia, China e Egito. Por se tratar da forma mais geral de evolução da sociedade sem classes para a sociedade de classes, esse modo de produção estabeleceu-se em regiões muito diversas, asiáticas e não asiáticas: na China, na Índia e no Egito, mas também na África Negra e nas áreas indígenas da América, entre os Maias, os Astecas e os Incas. A agricultura, base da economia desses Estados, era praticada por comunidades de camponeses vinculados à terra, que não podiam abandonar seu local de trabalho e viviam submetidos a um regime de trabalho compulsório ainda existente. Historicamente, esses camponeses ou aldeões tinham acesso à coletividade das terras de sua comunidade, ou seja, pelo fato de pertencerem a tal comunidade, eles tinham o direito e o dever de cultivar as terras desta.   A Teologia da Libertação - isto é, o conjunto representativo de escritos publicados a partir de 1971, por Gustavo Gutierrez, Hugo Assmann, Pablo Richard, Leonardo e Clodovis Boff, Enrique Dussel, Frei Betto e outros - recolhe esta intuição e a coloca no centro de sua reinterpretação do Evangelho, de sua nova hermenêutica do Antigo Testamento e da mensagem de Cristo, de sua reformulação do magistério da Igreja. Uma reformulação na qual entram aspectos essenciais do marxismo, integrados de forma orgânica e coerente no discurso religioso - em comparação com os documentos da esquerda cristã dos anos 1960. O marxismo apareceu aos olhos dos teólogos da libertação como a única teoria capaz de oferecer uma análise precisa e sistemática das causas da pobreza, e uma proposição precisa e radical do método para sua abolição.  
      
Obra Mão, de Oscar Niemeyer, faz parte do acervo do Memorial da América Latina, em São Paulo.

A velha tradição anticapitalista da Igreja, lembra-nos Michael Löwy, entra assim em relação de afinidade eletiva com a análise marxista da exploração capitalista e com a crítica dos marxistas latino-americanos (teoria da dependência) ao capitalismo dependente como fundamento estrutural do “subdesenvolvimento”, da miséria e do autoritarismo militar. A solidariedade com o pobre é o ponto de partida deste processo social de elaboração teológica. A grande diferença, a novidade decisiva, o salto qualitativo em relação à concepção católica tradicional do pobre, é que este já não é considerado como “vítima passiva, objeto de caridade e assistência, mas sim como sujeito de sua própria libertação”. Graças a esta ruptura - fruto da experiência prática dos cristãos comprometidos no curso das conjunturas históricas dos anos 1960 e 1970, que tem como primícias a problemática de a interpelação da Teologia da Libertação vai convergir com o princípio político fundamental do marxismo: a emancipação dos trabalhadores será a obra dos próprios trabalhadores.
Enfim, a opção prioritária pelos pobres, aprovada pela Conferência dos Bispos Latino-Americanos de Puebla (1979) é, na realidade, uma fórmula de compromisso, interpretada num sentido tradicional e assistencialista pelas correntes mais moderadas ou conservadoras da Igreja católica, e num sentido radical pelos teólogos da libertação e as correntes mais avançadas do clero: como um engajamento na organização e na luta dos pobres e despossuídos por sua própria libertação. A luta de classes - não só como método de análise da realidade, mas também como guia para a ação - se torna assim um elemento central (implícito ou explícito) na nova teologia. Como escreveu Gustavo Gutierrez: “negar o fato da luta de classes é, na realidade, tomar partido em favor dos setores dominantes. A neutralidade neste assunto é impossível” (cf. Galeano, 1971; Mariátegui, 1974; Löwy, 1980; 1989). De qualquer forma, para o método marxista, o essencial é o que se passa na realidade. Enquanto processo de convergência por afinidade eletiva, esta relação se refere também a certos valores (comunitários), a certas opções ético-políticas (a solidariedade com os pobres), a utopias do futuro (uma sociedade sem exploração nem opressão). E na medida em que a teologia da libertação é a expressão de uma práxis social, de um movimento social e de uma experiência ativa, seu encontro com o marxismo se dá no terreno do compromisso prático com as lutas populares de libertação.
Bibliografia geral consultada.

ARICÓ, José, “Mariátegui y los Orígenes del Marxismo Latino-americano”. In: Cuadernos de Pasado y Presente 60. México: Siglo XXI Editores, 1978; ZEA, Leopoldo, “Visión de Marx sobre América Latina”. In: Nueva Sociedad, n° 55, pp. 59-66, 1983; LÖWY, Michael, Le Marxisme en Amérique Latine de 1909 à nos Jours: Antolologié. Paris: Éditions Maspero, 1980; Idem, “Marxismo e Cristianismo na América Latina”. In: Lua Nova, n° 19. São Paulo, novembro de 1989; KONDER, Leandro, A Derrota da Dialética: A Recepção das Ideias de Marx no Brasil até o começo dos anos 30. Tese de Doutorado. Rio de Janeiro: Editor Campus, 1988; BOSI, Alfredo, “A Vanguarda Enraizada: O Marxismo Vivo de Mariátegui”. In: Estudos Avançados. São Paulo, n° 8, vol. 4, 1990;  PEREIRA, Diana Araújo, A Palavra Poética: Magia e Revolução na Cartografia  Latino-americana. Tese de Doutorado. Programa  de Pós-Graduação da Faculdade de Letras. Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2007; ÁVILA-SANTAMARÍA, Ramiro, El Neoconstitucionalismo Transformador: El Estado y el Derecho en la Constitución de 2008. Quito: Editor Abya-Yala, 2011; WOLKMER, Antônio Carlos; FAGUNDES, Lucas Machado, “Tendências Contemporâneas do Constitucionalismo Latino-americano: Estado Plurinacional e Pluralismo jurídico”. In: Pensar. Fortaleza, vol. 16, nº 2, pp. 371-408, jul./dez. 2011;  LEONEL JÚNIOR, Gladstone, “Do Sujeito Revolucionário Europeu ao Ator Coletivo da Hiperpotentia Latino-americana: Para a Construção de uma Nova Hegemonia Político-jurídica na América Latina”. In: Congresso ALAS, 29. Santiago, 2013. Anais... Crisis y Emergencias Sociales en America Latina. Santiago: ALAS, 2013; CUNHA FILHO, Clayton Mendonça, A Construção do Horizonte Plurinacional: Liberalismo, Indianismo e Nacional-popular na Formação do Estado Boliviano. Tese de Doutorado em Ciência Política. Instituto de Estudos Sociais e Políticos. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2015; entre outros.
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* Sociólogo (UFF), Cientista Político (UFRJ), Doutor em Ciências junto à Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Professor Associado da Coordenação do curso de Ciências Sociais do Centro de Humanidades da Universidade Estadual do Ceará (UECE).   

terça-feira, 28 de julho de 2015

Depois de Kids - Consumo Coletivo & Sexo Desenfreado.

Ubiracy de Souza Braga*

O que se faz agora com as crianças é o que elas farão depois com a sociedade”. Karl Mannheim

 

As unidades de geração desenvolvem perspectivas, reações e posições políticas e afetivas diferentes em relação a um mesmo dado problema. O nascimento em um contexto social idêntico, mas em um período específico, faz surgirem diversidades nas ações dos sujeitos. Outra característica é a adoção ou criação de estilos de vida distintos pelos indivíduos, mesmo vivendo em um mesmo âmbito social. Em outras palavras: a unidade geracional constitui uma adesão mais concreta em relação àquela estabelecida pela conexão geracional. Mas a forma como grupos de uma mesma conexão geracional lidam com os fatos históricos vividos, por sua geração, fará surgir distintas unidades geracionais no âmbito da mesma conexão geracional no conjunto da sociedade. Na verdade, inicialmente, a classe médica em geral acaba por marginalizar as ideias de Freud; seu único confidente durante esta época é o médico Wilhelm Fliess. Depois que o pai de Freud falece, em outubro de 1896, segundo as cartas recebidas por Fliess, Freud, naquele período, dedica-se a anotar e analisar seus próprios sonhos, remetendo-os à sua própria infância e, no processo, determinando as raízes de suas próprias neuroses. Tais anotações tornam-se a fonte etnográfica para a obra “A Interpretação dos Sonhos”. 
Durante o curso desta autoanálise, Freud chega à conclusão de que seus próprios problemas eram devidos a uma atração por sua mãe e a uma hostilidade em relação a seu pai. É o que constitui o famoso “complexo de Édipo”, que se torna o “coração”, por assim dizer, na concepção da teoria de Freud sobre a origem da neurose em todos os seus pacientes investigados. Nos primeiros anos do século XX, são publicadas suas obras em que contém suas teses principais: “A Interpretação dos Sonhos” e “A psicopatologia da vida cotidiana”. Freud já não mantinha mais contato nem com Josef Breuer, nem com Wilhelm Fliess. No início, as tiragens das obras não animavam Freud, mas logo médicos de vários lugares: Eugen Bleuler, Carl Jung, Karl Abrahams, Ernest Jones, Sandor Ferenczi, demonstram respaldo às suas ideias e passam a compor o “Movimento Psicanalítico”. O filme Kids é o drama norte-americano de 1994, escrito por Harmony Korine, dirigido por Larry Clark e produzido pelo cineasta Gus Van Sant. Apresenta Chloë Sevigny, Leo Fitzpatrick, Justin Pierce e Rosario Dawson. O filme tem como escopo um dia na vida de um grupo de jovens ditos sexualmente ativos de Nova Iorque. Demonstra seu comportamento diante do consumo de sexo e drogas em meados dos anos 1990. 
O filme tem como protagonista um skatista em busca de sexo e drogas. Nova York serve como representação de cenário irradiado do conturbado mundo dos adolescentes. Que indiscriminadamente consomem drogas e quase nunca praticam sexo de forma segura. Um garoto, que idealiza seu deseja só transar com virgens. E uma jovem, que só teve um parceiro, mas é soropositivo. Este arquétipo serve de base para as tramas paralelas e bem articuladas que ilustram, como em qualquer ser humano, que poderá prejudicar seriamente sua vida se não estiver bem orientado sexualmente. Mas isto é, pela má utilização da informação global (quase) impossível! O conceito de archetypus só se aplica indiretamente às noções concietuais de représentations collectives, na medida em que designar apenas aqueles conteúdos psíquicos que ainda não foram submetidos a qualquer elaboração consciente. Representam,  hic et nunc, um dado anímico imediato. Como tal, o arquétipo difere sensivelmente da fórmula historicamente elaborada. Especialmente em níveis mais altos dos ensinamentos secretos, aparecem sob uma forma que revela seguramente a influência da elaboração consciente, a qual julga e avalia. Sua manifestação imediata, como a encontramos em sonhos e visões, é mais individual, incompreensível e ingênua do que nos mitos. O arquétipo representa, em essência,  um conteúdo inconsciente, que se modifica através de sua conscientização e percepção, assumindo matizes que variam de acordo com a consciência individual na qual se manifesta.


Do ponto de vista dos impactos sociais muitas sessões de “Kids” sofreram tentativas de boicote, como ocorrera há décadas com o filme: “Last Tango à Paris”.  Na Grã-Bretanha, onde o Parlamento condenou o filme, era comum ver manifestantes do lado de fora dos cinemas. Nos Estados Unidos, a produção recebeu uma classificação etária de não recomendado para menores de 17 anos - algo particularmente irônico, considerando que “Kids” tinha como uma de suas produtoras a Miramax, na época propriedade da gigante Walt Disney. A controvérsia gerada entre os executivos foi tão grande que o estúdio foi, sob certas condições sociais, forçado a criar uma empresa à parte, a “Shining Excalibur Pictures”, com a finalidade mercadológica de distribuir a obra mundialmente. Em Kids, o próximo filme que vai indignar os guardiões da moralidade americana, as crianças são uma praga. Os adolescentes, muitos ainda no ensino fundamental, não conseguem sobreviver por uma hora sem violar várias dezenas de leis e convenções: eles furtam, bebem, usam drogas, roubam dinheiro, chutam gatos, espancam e talvez assassinem um estranho e se envolvem em uma interminável, caça irracional por sexo, sem camisinha. A solução dificilmente seria aceita hoje. - “Seria impossível fazer esse filme agora”, afirmou Korine ao tablóide Guardian. – “Não teria como ninguém sair impune disso tudo”.

Larry Clark é um cineasta genial. Não é de hoje que o autor de Kids, Another Day in Paradise, ou ainda “Ken Park” fascina e gera polêmica em torno de seus filmes onde aborda a vida dos teens de maneira crua e sem tabus. Do alto de seus 69 anos, Clark esbanja vitalidade e têm os dois pés bem fincados na era digital. Seu último filme, Marfa Girl, que recebeu o grande prêmio da sétima edição do Festival de Roma. Cansado do sistema de distribuição hollywoodiano o diretor decidiu ir direto ao encontro de seu público lá onde ele está, ou seja, na rede internet. – “Os adolescentes passam seu tempo na frente do computador, seja para organizar uma saída ou para paquerar então é lá que o filme estará também”. Filmado na cidade de Marfa, Texas – aquele vilarejo do deserto que tem a “loja-escultura” da Prada – o filme narra a história de amor de Adam, 16 e de sua vizinha Donna, 23. Os conflitos étnicos e sociais entre as comunidades artísticas brancas e hispânicas e a presença constante da polícia de imigração servem de pano de fundo à trama cinematográfica. O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos da América (U. S. Immigration and Customs Enforcement - ICE) é uma agência policial subordinada hierarquicamente ao Departamento de Segurança Interna (United States Department of Homeland Security - DHS), responsável por detectar, investigar e corrigir vulnerabilidades relacionadas à fronteiras, infraestrutura, transportes, e economia.

           Em Kids, o cineasta Larry Clark realiza um recorte de geração (cf. Mannheim, 1993; cf. Weller, 2010) em que prevalece a perspectiva do “enclausuramento”. Ao supostamente buscar uma interferência constante do ambiente dentro do filme. Ou, ao querer simplesmente atualizar o mundo dos jovens. Ou ainda, diante da tensão de um mundo que já existia independentemente dele. Acabou retendo a adolescência nova-iorquina numa tragédia de aniquilamento simultaneamente de dentro e de fora. Os adolescentes de “Kids” não podem ser imaginados como experimentos de laboratório aos quais se dão todos os tipos de substância, resultando no imobilismo absoluto e, em última análise, na morte precoce. Enquanto a maioria dos adultos está indiferente a essa questão, tema nevrálgico da modernidade – o sexo, o cineasta se põe dentro dela. Deixa-se envolver com fascínio e preocupação. Os personagens de “Kids” consomem drogas. Participam de orgias para preencher um tempo que, na modernidade vagueia livre. 
         O filme tem o mérito de um “engagement”, sem fatalismo, sem estratégia de choque. Mas utilizando uma linguagem realista, o filme abre o cenário cinematográfico com Telly, um Don Juan pálido e esquelético, deflorando uma adolescente, e termina com um estupro embalado por drogas em uma festa. Não existe julgamento moral, apenas um olhar que observa à distância. Para Sigmund Freud (1972) e Claude Lévi-Strauss (1962), o tabu expressara um sentimento coletivo sobre um determinado comportamento dicotômico, num ambiente entre amigos, de um lado, e inimigos, do outro, funcionando de uma forma articulada entre dois condicionamentos comportamentais - biológico e cultural ou vice-versa. Assim o tabu seria expresso de forma diferente das regras sociais, que são uma construção cultural típica de sociedades mais complexas. Os tabus da linguagem dividem-se em três grupos, de acordo com o uso ou a motivação psicológica: uns são devido ao medo, outros a um sentimento de delicadeza e outros, ainda, a um sentido de decência e decoro. Os tabus de medo têm a ver com o pavor aos seres sobrenaturais, que impuseram tabus sobre seus nomes, como o demônio. As criaturas e as coisas vulgares dotadas de qualidades sobrenaturais podem tornar-se alvo de terror e tabus.
Analogamente quando o filme: Le Dernier Tango à Paris estreou nos Estados Unidos da América em 1975 foi diante de uma enorme controvérsia. O frenesi da imprensa populista em torno dele gerou enorme interesse do público (cf. Aslan, 2010), assim como grande condenação moral, típica de norte-americanos, levando a reportagens de capa nas duas maiores revistas semanais do país. A revista “Time” – que colocou o ator Marlon Brando na capa: “Last Tango in Paris Cover Story” – e “Newsweek” – “Tango: The Hottest Movie” em 12 de fevereiro, 1973. O Village Voice descreveu “passeatas de comitês de moralidade na porta de cinemas” e “mulheres bem vestidas vomitando” (cf. “Last Tango in Paris: Can it arouse the same passions now?”. In: “The Independent”). Vincent Canby, crítico do jornal “The New York Times”, descreveu o contexto sexual do filme como “a expressão artística da era de Norman Mailer”. O principal centro do escândalo foram às cenas de sexo anal, onde “Paul” sodomiza “Jeannie”, com manteiga “como lubrificante”. E quando pede a ela “que enfie os dedos em seu cu”, ou, “prometa fazer sexo com um porco”, provando sua devoção. 

A prestigiada crítica de arte Pauline Kael, da revista The New Yorker, deu ao filme um dos mais entusiásticos endossos de sua carreira profissional, considerando que ele tinha “mudado a face de uma forma de arte, um filme que as pessoas esperam por ele há muito, muito tempo, desde que filmes existem”. Seu elogio, vindo de alguém tão comedida neles e com tanto prestígio na chamada indústria cultural, foi republicado pela United Artists num anúncio do filme em página dupla na edição dominical do New York Times. Na versão que foi mostrada na pré-estreia mundial, no Festival de Cinema de Nova York, havia uma cena em que Paul afugentava de seu apartamento um vendedor de bíblias, colocando-se de quatro e latindo como um cachorro. A cena foi elogiada pela crítica de cinema Pauline Kael na revista New Yorker, mas Bertolucci decidiu cortá-la da edição final. 
Uma semana depois “a polícia confiscou todas as cópias por ordem da Justiça e Bernardo Bertolucci foi processado por obscenidade”. Robert Altman assistiu declarou que saiu da sala de projeção e disse a si próprio: - “Quem vai se preocupar se eu fizer um novo filme? Minha vida pessoal e artística nunca mais será a mesma”. A década de 1990 começou com o colapso da União Soviética e o fim da Guerra Fria, sendo esses seguidos pela consolidação da democracia, globalização e capitalismo global. Fatos marcantes para a década foram a Guerra do Golfo e a popularização do computador pessoal e da Internet. Otimismo e esperança seguiram o colapso do Comunismo, mas os efeitos colaterais do fim da Guerra Fria estavam só começando, como o advento terrorista em regiões do 3° Mundo, especialmente na Ásia. O 1° Mundo experimentou crescimento econômico estável durante toda a década. O Reino Unido, depois de uma recessão em 1991-92 e a desvalorização da libra, conseguiu 51 bimestres seguidos de crescimento que se seguiram no novo século. 
Até nações com menor representatividade no mercado econômico mundial, como a Malásia, tiveram aperfeiçoamentos gigantescos. Mas deve-se notar que a economia dos Estados Unidos da América permaneceu relativamente, sem crescimento econômico superavitário durante a primeira metade da década. Contudo, dependendo do ponto de vista, muitos países, instituições, companhias e organizações consideraram os anos 1990 como tempos prósperos. Politicamente, foram anos de democracia expansiva. Os antigos países do Pacto de Varsóvia logo saíram de regimes autoritários para governos recentemente eleitos. Ocorreu com países economicamente em desenvolvimento como Taiwan, Chile, África do Sul e Indonésia. Apesar da prosperidade e democracia, houve um lado maléfico significativo. Na África, o aumento nos casos de doenças sexualmente transmissíveis e inúmeras guerras levaram á diminuição da expectativa de vida interrompendo o crescimento econômico. Em ex-nações soviéticas com a queda do socialismo Leste europeu, houve fuga de capital e o Produto Interno Bruto (PIB) decrescente. Crises financeiras denominadas para países “em desenvolvimento”, permanecem e foram comuns depois de 1994, disseminados pela globalização.
E eventos trágicos como as guerras dos Bálcãs, genocídio de Ruanda, a Batalha de Mogadíscio e a 1ª guerra norte-americana do Golfo Pérsico, assim como a demanda e propaganda contra o terrorismo, levou ao choque de Estado”, para se referirem aos militares norte-americanos contra civilizações Iraque, Irã etc. Mas esses fatos sociais e políticos foram apenas rememorados com relevância na década de 2000. A cultura jovem aceitou o “Grunge” como mídia. Passou a ser diversificada se ramificando em “tribos” num universo social muito diverso do que decorreram desde o superficialismo e consumismo até a militância ambientalista e antiglobalizante dos dias atuais. A expressão nas roupas e através de tatuagens e “piercings” também fora marcante, bem como o consumo de drogas com o surgimento do “ecstasy” ligado a cultura de música eletrônica o aumento no consumo de maconha na classe média em geral. O jovem se viu envolvido cada vez mais com sexo precoce. Foi vitima do aumento da violência e descaso de políticas públicas nas esferas  sobre juventude nos centros urbanos.

O grunge tornou-se comercialmente bem-sucedido na primeira metade da década de 1990, devido principalmente aos lançamentos das célebres “Nevermind”, do Nirvana e “Tem”, do Pearl Jam. O termo grunge – que em seu sentido original significa “sujeira” ou “imundície” em inglês – descreve tanto o estilo visual do cabelo desgrenhado, roupas velhas e folgadas de bandas e fãs, quanto o som saturado e distorcido das guitarras que dão o tom agressivo as músicas. O sucesso dessas bandas impulsionou a popularidade do chamado rock alternativo e fez do “grunge” seu estilo musical e a forma mais popular de “hard rock” neste período de viragem estética e musical. No entanto, muitas bandas “grunges” estavam desconfortáveis com tal popularidade. Apesar de a maioria das bandas “grunges” ter se separado ou desaparecido no final da década de 1990, sua influência continua a afetar o rock contemporâneo. A popularidade do “grunge” começaria a diminuir em meados de 1990. Das grandes bandas que deram vida ao movimento musical, só estão ativas em 2013: “Alice in Chains”, “Mudhoney”, “Soundgarden”, “The Melvins” e “Pearl Jam”.
No cinema da década de 1990, o “pop” casa-se com o clássico. A palavra de ordem é diversidade: “O Silêncio dos Inocentes” entra para a história da cultura ao ganhar os cinco principais Óscares; “A Lista de Schindler” emociona de forma chocante multidões de pessoas pelo mundo cosncientizado pelo holocausto; “Forrest Gump”, com o homem diante da guerra e da morte, apresenta um astro definitivo, Tom Hanks; Quentin Tarantino é revelado como um dos grandes gênios da modernidade e muda o rumo dos acontecimentos ao revolucionar com o extraordinário “Pulp Fiction”; “Um Sonho de Liberdade” emociona com uma das mais belas histórias do cinema; e Sharon Stone cruza fatalmente suas pernas na sedução erótica de “Instinto Selvagem”. A plateia se toca e se eletriza com histórias sensíveis, como a representação “The Piano” e “Magnolia”. Tom Hanks ganha duas estatuetas  Óscares consecutivos e Julia Roberts se torna “a musa da década” ao estrelar a saborosa “Pretty Woman”. No Brasil, o cinema é novamente reinventado e “Central do Brasil” conquista a crítica ocidental, vencendo o Festival de Berlim e o Globo de Ouro. A cultura brasileira tornou-se mais valorizada, com a “ressurreição” do cinema e a boa recepção de músicos brasileiros no exterior. O esporte também passou relativamente por bons momentos, com 25 medalhas olímpicas e títulos mundiais no futebol masculino e basquete feminino.
Bibliografia geral consultada.

MÁRQUEZ, Gabriel García, La Increíble y Triste Historia de la Cândida Eréndira y de su Abuela Desalmada. Colombia: DeBols!llo, 1972; DE MARCHI, Luigi, Wilhelm Reich: Biografía de una idea. Barcelona: Península, 1974; REICH, Wilhelm, La Función del Orgasmo. Buenos Aires: Paidós, 1974; Idem, O Combate Sexual da Juventude. 2ª edição. Lisboa: Editor Antídoto, 1978; DELEUZE, Gilles, Cinéma I – l`Image-Mouvement. Paris: Éditions Minuit, 1983; ALBERONI, Francesco, O Erotismo, Fantasias e Realidades do Amor e da Sedução. São Paulo: Editor Circulo do Livro, 1986; FAUSTO NETO, Antonio, Mortes em Derrapagens – Os Casos Corona e Cazuza. Rio de Janeiro: Editor Rio Fundo, 1991; MANNHEIM, Karl, “El Problema de las Generaciones”. In: Revista Española de Investigaciones Sociológicas, n° 62, pp. 193-242; 1993; BARROS, Myriam Moraes Lins de (Organizadora), Velhice ou Terceira Idade? Estudos Antropológicos sobre Identidade, Memória e Política. Rio de Janeiro: Editora Fundação Getúlio Vargas, 1998; HERNÁNDEZ, Fernando, “¿ De qué Hablamos quando Hablamos de Cultura Visual?”. In: Educação & Realidade, 30 (2): 9-34, jul./dez. 2005; ASLAN, Odette, O Ator no Século XX. São Paulo: Editora Perspectiva, 2010; WELLER, Wivian, “A Atualidade do Conceito de Gerações de Karl Mannheim”. In: Soc. estado. Vol. 25 n° 2. Brasília May/Aug. 2010; BENTES, Arone do Nascimento, O Patrimonialismo como Cultura Institucional no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas.  Tese de Doutorado em Educação. Programa de Pós-Graduação em Educação. Manaus: Universidade Federal do Amazonas, 2015; KLOTZ-SILVA, Juliana, Hábitos Alimentares e Comportamento: Do que Estamos Falando? Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Alimentação, Nutrição e Saúde. Centro Biomédico. Instituto de Nutrição. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2015; entre outros.
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* Sociólogo (UFF), Cientista Político (UFRJ), Doutor em Ciências junto à Escola de Comunicações e Artes. São Paulo: Universidade de São Paulo (ECA/USP). Professor Associado da Coordenação do curso de Ciências Sociais. Centro de Humanidades. Fortaleza: Universidade Estadual do Ceará (UECE).