“A economia solidária se aproxima
das origens do socialismo”. Paul Singer
Paul
Singer nasceu numa família de pequenos comerciantes judeus estabelecidos em Erlaa,
subúrbio operário de Viena. Em 1938 a Áustria foi anexada à Alemanha, e começou
a perseguição aos judeus. A família decidiu emigrar e, em 1940, radicou-se no
Brasil, onde já tinha alguns parentes residentes, estabelecidos em São Paulo.
Em 1948 se encontrava no movimento de cunho kibutziano
Dror, atual HabonimDror. Em 1951 Singer formou-se em
eletrotécnica na Escola Técnica Getúlio Vargas de São Paulo, exercendo a
profissão nos anos entre 1952 e 1956. Nesse período, filiou-se ao Sindicato dos
Metalúrgicos de São Paulo, militando no movimento sindical. Como trabalhador
metalúrgico, liderou a histórica greve dos 300 mil, que paralisou a indústria
paulistana por mais de um mês em 1953. Obteve a nacionalidade brasileira em
1954. Estudou economia na Universidade de São Paulo ao mesmo tempo em que
desenvolvia atividade político-partidária, no PSB. Graduado em 1959, no mesmo
ano participou da fundação da Organização
Revolucionária MarxistaPolíticaOperária (Polop), organização da
esquerda extraparlamentar brasileira, contrária à linha do Partido Comunista
Brasileiro, e que deu origem a outras. Foi constituída por membros da esquerda do PSB.
Quando da fundação da Polop, em
1961, o Partido Comunista Brasileiro era praticamente sinônimo de esquerda no Brasil. Desde as décadas
precedentes e até 1943, seguindo as orientações da Internacional Comunista, e,
depois de 1947 quando a IC foi extinta, do Cominform
(Escritório de Informação dos Partidos Comunistas e Operários), o PCB
sustentava que o caráter da revolução no Brasil era democrático, isto é,
tratava-se de uma revolução burguesa. A ênfase na formulação das orientações em
cada país recorrendo à aplicação da teoria, a partir da análise da realidade
concreta, já havia sido soterrada pelo pragmatismo, orientado pela necessidade
dos Estados socialistas, vitoriosos em países periféricos e que enfrentavam o
cerco das potências imperialistas. As formulações da POLOP relativamente à
independência das bandeiras e da organização da classe operária, à participação
nas eleições, às palavras de ordem de transição e ao governo de transição, bem
como às relações entre países imperialistas a partir da Segunda Guerra Mundial
– a cooperação antagônica - retomam as orientações clássicas de Marx e Engels,
dos quatro primeiros congressos da 3ª Internacional, na época em que Vladimir Lenin era vivo, e as marcas da
convivência de Eric Sachs com Thalheimer.
A história demonstra que nenhuma
classe abandonou o seu domínio sem luta. Todas as revoluções vitoriosas tiveram
que se impor através de uma luta tenaz e armada contra o inimigo interno e externo.
A diplomacia dos países socialistas usava a defesa da “coexistência pacífica”
como argumento para denunciar os preparativos bélicos dos países imperialistas,
para os quais a guerra é uma saída para as suas crises; a guerra servindo, além
disso, como a única possibilidade de conter as lutas de libertação dos povos. A
“coexistência pacifica” não pode ser aplicada, entretanto, nas relações entre
países dominados e dominadores, nem nas relações entre as classes exploradas e
exploradoras. O golpe militar de 1964 desmentiu a ilusão do caminho pacífico,
um dos fatores da desagregação ulterior do partidão. A Polop afirmava que o
processo em curso acabaria desembocando em uma luta acirrada e que o golpe de
Estado viria, e de fato veio com todas as consequências conhecidas: a
intervenção nos sindicatos, perseguição aos partidos de esquerda, às ligas
camponesas, à União Nacional de Estudantes, etc.
O surgimento da Polop ocorre em uma
conjuntura político-ideológica marcada, por um lado, pelo aguçamento das
disputas entre setores das classes dominantes e, de outro, pela influência da
revolução vitoriosa cubana. Em 1959 os guerrilheiros cubanos vencem a ditadura
militar de Batista, desgastada pelos movimentos de guerrilhas deflagrados em
1956. O golpe final na ditadura foi a greve geral seguida de insurreição dos
trabalhadores, chamada pela rádio rebelde dos guerrilheiros, e preparada pelos
grupos revolucionários urbanos que agiam articulados em sintonia com os
guerrilheiros. A revolução ocorreu a menos de 200 km do território dos Estados
Unidos, mostrou a sua viabilidade no continente, foi capaz de destruir as forças
militares do Estado, e mais – a principal organização que dirigiu o processo
não foi o partido comunista, mas sim o Movimento Revolucionário 26 de julho apoiado
pelo Diretório revolucionário 13 de março e pelo Partido Socialista Popular
(partido comunista); inovou no processo de luta, combinando a guerrilha rural
constituída de colunas móveis com a insurreição urbana sendo que nesta, pesou a
tradição de luta do proletariado cubano, que em 1933 teve papel decisivo na
derrubada do ditador Gerardo Machado, através da greve geral.
Para desenvolver esse trabalho, a Polop
contava com quadros na maioria não operários. Impunha-se como tarefa
preliminar, mas nada fácil, formar quadros operários em setores decisivos da
classe. Nada fácil porque nos anos anteriores ao golpe os sindicatos eram
dirigidos, na sua grande maioria, ou pelo Partido Comunista Brasileiro ou pelo Partido Trabalhista Brasileiro. Com o golpe e a
ditadura militar veio a destituição dos dirigentes sindicais e a imposição de
interventores: aumentou o risco da repressão, além da demissão que já estava
presente no dia a dia. Com o AI-5 e a ação dos grupos militares de
enfrentamento da ditadura, a repressão se intensificou ainda mais. Nessas
condições o trabalho de enraizamento na classe avançou muito lentamente. A
Polop era uma organização revolucionária, mas não um partido, precisamente
porque era baixa o seu enraizamento no operariado. Se outros grupos semelhantes
surgissem havia a disposição de trabalhar conjuntamente e conjugarem esforços
para um partido de classe. Mas de modo algum concebia um partido sem a
participação de um contingente expressivo de lideranças operárias de setores
decisivos da classe. Entendiam que a formação de um partido tinha que se dar
paralelamente ao amadurecimento da classe nas suas lutas econômicas e
políticas; partido da classe e seu amadurecimento são duas faces da
mesma moeda.
Michael Löwy em sua Wahlverwandtschaft no artigo: “Paul
Singer, socialista solidário” (02.05.2018), situou o sociólogo e economista
quando apresenta-nos um depoimento emocionante sobre seu amigo: - Marxista
convicto e confesso, se matricula no
curso de Economia Política na Universidade de São Paulo em 1956 e participa, a
partir de 1959, do seminário informal de leitura do Capital de Marx iniciado
por Fernando Henrique Cardoso. Membro do Partido Socialista Brasileiro, é perseguido
pela Ditadura Militar em 1964; excluído da Universidade, será um dos criadores
do CEBRAP em 1969. Em 1980, Singer é um dos fundadores do PT, partido ao qual
permanecerá fiel até o fim de sua vida. Foi secretário de Planejamento na
gestão de Luiza Erundina na Prefeitura de São Paulo (1989 e 1993). A partir de
1992, passa a se entusiasmar pela economia solidária, que será sua grande
paixão intelectual e política nas próximas décadas. Com a eleição de Luiz
Inácio Lula da Silva (2002), assume a representativa Secretaria de Economia
Solidária, do Ministério do Trabalho, onde desenvolverá durante 14 anos um
trabalho considerável de promoção de cooperativas autogeridas pelos
trabalhadores. Pensador, educador, militante, Paul Singer nunca separou teoria
e prática, pensamento e ação. Generoso, se entregou de corpo e alma à causa de
um socialismo democrático e autogestionário.
Sua integridade, coerência moral e política, sua ausência de qualquer sectarismo, sua estatura de intelectual comprometido com a causa dos trabalhadores, lhe valeram a simpatia e o respeito de todas as sensibilidades da esquerda brasileira. Uma das primeiras medidas do golpe de Estado de 2016 foi destruir as cooperativas. Singer estava saindo do Partido
Socialista, afirma Löwy, decepcionado com sua adesão à ideologia do janismo.
Partidário de um socialismo revolucionário, era alérgico ao stalinismo e
crítico em relação ao leninismo. Sua principal referência internacional era um
partido marxista norte-americano dissidente do trotskismo, a “Independent
Socialist League”, fundada nos anos 1940 por Max Schachtman e Hal Draper. A ISL
era muito crítica à União Soviética stalinista, que ela não considerava ser um
Estado operário burocratizado (tese de Leon Trótski), mas sim uma nova sociedade
de classes que designava “coletivismo burocrático”. Hoje em dia concretamente essas
discussões parecem exóticas, mas eram questões políticas candentes. Em 1955
Paulo encontrou-se com Hermínio Sacchetta e Maurício Tragtenberg, ex-dirigente
do PCB, e depois do trotskismo brasileiro, do qual haviam recentemente se
afastado – Tragtenberg, já nessa época um marxista libertário –, e junto com
mais algumas outras figuras, resolveram fundar uma pequena organização de
inspiração estritamente luxemburguista: a Liga Socialista Independente. Eu o
acompanhei nessa aventura e permaneci na LSI quando Paulo, um ou dois mais
tarde, acabou se afastando e retornou ao Partido Socialista.
-
Durante meus anos na França, mantivemos algum contato epistolar, mas é a partir
de 1979, quando recomeço a visitar o Brasil, que nossos laços de amizade voltam
a se estreitar, tanto mais que partilhávamos o entusiasmo com a criação do PT.
Cada vez que vinha ao Brasil com minha companheira Eleni – que tinha muito
carinho e admiração por ele – não deixávamos de visitar Paulo e Melanie. Lembro-me
de longas conversas e discussões sobre questões do socialismo: eu defendia o
princípio da planificação democrática e o Paulo uma economia solidária dentro
do mercado. Sempre abordava essas controvérsias com generosidade e modéstia,
sem nenhuma pretensão de impor suas ideias. Recordo-me de sua reação quando
meus amigos excluídos ou dissidentes do PT fundaram um novo partido, o PSOL: “é
bom para o PT que haja uma oposição de esquerda”. Ele frequentemente criticava
as decisões econômicas do governo – por exemplo, o ajuste fiscal de Dilma – mas
estava convencido de que havia a possibilidade, na Secretaria, de semear
economia solidária pelo Brasil afora: seria esse o caminho que poderia conduzir
ao socialismo. Paulo ficou profundamente abalado, física e moralmente, com o
golpe pseudo-institucional contra Dilma [Rousseff]. Era um golpe fatal a todo o
trabalho que ele havia desenvolvido durante quatorze anos. Mas sua herança
intelectual, ética e política nunca será apagada, e portanto, nem esquecida.
Na Secretaria Nacional de Economia
Solidária desde 2003, o economista Paul Singer deixou o cargo com a mudança
forçada de governo. Seu substituto, conforme nomeação publicada no Diário Oficial da União (DOU) é Natalino
Oldakoski, servidor da Polícia Civil do Paraná. Não é a única mudança no
Ministério do Trabalho, que tem novos nomes na secretaria Executiva e de
Políticas de Proteção ao Emprego, neste último caso reforçando a influência do
deputado Jovair Arantes (PTB-GO), que já havia indicado Ronaldo Nogueira, que
acabou sendo nomeado ministro do governo interino. Intelectual respeitado e
fundador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), Paul Singer, manteve-se
na Economia Solidária durante todas as gestões no ministério, que já teve nomes
do PT e do PDT, quando o PTB ganhou a indicação. O novo titular é escrivão de
Polícia, que se aposentou em 2014 como funcionário da Secretaria de Estado da
Segurança Pública do Paraná. Renato Janine Ribeiro disse que Paul Singer, não
estaria à vontade no atual governo. –“Ele é uma das pessoas que engrandecem o
cargo, o que é exceção – geralmente, o cargo é maior que seu ocupante”. Na
opinião do filósofo ele “ficou treze anos dirigindo a economia solidária, uma
alternativa à busca prioritária do lucro. Em 2015, na reforma do ministério,
falou-se em tirá-lo, mas ninguém do PMDB queria sua secretaria – afinal, não
renderia nada do que eles gostariam. Agora, a secretaria deve ser deformada,
imagino”.
Um princípio marxista com o qual
Paul Singer concorda é que a solidariedade na economia só pode se realizar se
ela for organizada igualitariamente pelos que se associam para produzir,
comerciar, consumir ou poupar. A chave dessa proposta e a associação entre
iguais em vez do contrato entre desiguais como um constructo capitalista. Na
cooperativa de produção, protótipo de empresa solidária, todos os sócios têm a
mesma parcela do capital e, por decorrência, o mesmo direito de voto em todas
as decisões. Este e o seu princípio básico. Se a cooperativa precisa de
diretores, estes são eleitos por todos os sócios e são responsáveis perante eles.
Ninguém manda em ninguém. E não há competição entre os sócios: se a cooperativa
progredir, acumular capital, todos ganham por igual. Se ela for mal, acumular
dívidas, todos participam por igual nos prejuízos e nos esforços para saldar os
débitos assumidos.
Se
toda economia fosse solidária, a sociedade seria muito menos desigual. Mas,
mesmo que nas cooperativas cooperassem entre si, inevitavelmente algumas iriam
melhor e outras pior, em função do acaso e das diferenças de habilidade e
inclinação das pessoas que as compõem. Haveria, portanto empresas ganhadoras e
perdedoras. Suas vantagens e desvantagens teria de serem periodicamente
igualadas para não se tornarem cumulativas, o que exige um poder estatal que
redistribua dinheiro dos ganhadores aos perdedores, usando para isso impostos e
subsidies e/ou credito. O que importa entender e que a desigualdade não e natural
e a competição generalizada tampouco o e. Elas resultam da forma como se organizam as atividades econômicas e que
se denomina modo de produção. O
capitalismo e um modo de produção cujos princípios são o direito de propriedade
individual aplicado ao capital e o direito a liberdade individual.
Na
empresa solidária, os sócios não recebem salário, no sentido econômico, mas
retirada, que varia conforme a receita obtida. Os sócios decidem coletivamente,
em assembleia, se as retiradas devem ser iguais ou diferenciadas. Há empresas
em que a maioria opta pela igualdade das retiradas por uma questão de principio
ou então porque os trabalhos que executam são idênticos, ou quase. Mas a maioria
das empresas solidárias adota certa desigualdade das retiradas, que acompanha o
escalonamento vigente nas empresas capitalistas, mas com diferenças muito
menores, particularmente entre trabalho mental e manual. Muitas empresas
solidárias fixam limites máximos entre a menor e a maior retirada. As razoes
que levam a maioria dos cooperadores a aceitar certa desigualdade de retiradas variam
de empresa para empresa. Em algumas, a maioria acha natural que certos
trabalhos valham mais do que outros, pois os trabalhadores aceitam e defendem a
hierarquia profissional a que foram acostumados. Em outras, a maioria opta pela
desigualdade de retiradas para não perder a colaboração de cooperadores mais
qualificados, que poderiam obter melhor remuneração em empresas capitalistas.
Nestes casos, há um calculo racional de execução: pagar melhor a técnicos e
administradores permite a cooperativa alcançar ganhos maiores que beneficiam o conjunto
dos sócios, inclusive os que têm retiradas menores.
A
aplicação destes princípios divide a sociedade em duas classes básicas: a
classe proprietária ou possuidora do capital e a classe que por não dispor de
capital ganha a vida mediante a venda de sua força de trabalho a outra classe.
O resultado naturalizado e a competição e a desigualdade. A economia solidária
e outro modo de produção, cujos princípios básicos são a propriedade coletiva
ou associada do capital e o direito a liberdade individual. A aplicação desses
princípios une todos os que produzem numa única classe de trabalhadores que são
possuidores de capital por igual em cada cooperativa ou compreendida como sociedade
econômica. O resultado e a solidariedade e a igualdade, cuja reprodução, no
entanto, exige mecanismos estatais de redistribuição solidária da renda. Em
outras palavras, mesmo que toda atividade econômica fosse organizada em empreendimentos
solidários, sempre haveria necessidade de um poder publico com a missão de captar
parte dos ganhos acima do considerado necessário para redistribuir essa receita
entre trabalhadores que ganham abaixo do mínimo considerado indispensável. Uma
alternativa frequente aventada para cumprir essa função e a “renda cidadã”, uma
renda básica igual, entregue a todo e qualquer cidadão pelo Estado, que
levantaria o fundo para esta renda mediante um imposto de renda progressivo.
O
projeto de lei (PL 254/03) que institui a renda básica de cidadania, bandeira
que Eduardo Suplicy (PT) carrega desde que foi eleito senador pela primeira
vez, em 1990, foi aprovado pelo Congresso Nacional. O projeto aprovado garante
a todos os brasileiros e estrangeiros que residam a mais de 5 anos no país, sem
distinção de origem, raça, sexo, idade, condição civil ou socioeconômica, “uma
renda básica mensal suficiente para suprir as necessidades com alimentação,
educação e saúde”. Em ofício enviado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 24 de novembro -
no qual atualiza o presidente sobre a tramitação de seu projeto de lei -
Suplicy explica que a renda básica é um amadurecimento do Programa de Garantia da Renda Mínima, que desde 1992 aguardava
votação na Comissão de Finanças da Câmara dos Deputados. Na avaliação de
Suplicy, a atual unanimidade em torno do projeto deve-se à força dos
argumentos.
O
ideário de programas de transferência de renda passa a integrar a agenda
pública brasileira a partir de 1991, tendo em vista que ocorre a partir da
aprovação no Senado Federal do Projeto de Lei do Programa de Garantia de Renda
Mínima. Desde então vemos uma trajetória marcada por uma série de especificidades
de programas municipais, estaduais e federais, até a implementação do programa
Bolsa Família em 2003 e a aprovação da lei 10.8353, de 08 de janeiro de 2004,
que instituiu a renda básica de cidadania. A perspectiva da focalização da
política social abandona a dimensão da universalidade e faz opção pela “gestão
estratégica da pobreza”, deslocando-se do centro da política social de uma possível
dimensão da redistribuição da riqueza para o tratamento compensatório dos seus
efeitos econômicos. Nessa lógica desvincula-se a pobreza dos seus determinantes
estruturais, como a divisão da sociedade em classes antagônicas, onde uma
minoria é detentora dos meios sociais de produção e explora o trabalho
assalariado, em contraposição a uma imensa maioria que não possui os meios próprios
de produção e depende da venda da sua força de trabalho para sobreviver.
Sabemos
que os programas de transferência de renda são vistos por parte do senso comum,
das elites e da mídia brasileira como responsável por acomodação, dependência,
ou falta de iniciativa. As condicionalidades, de certa forma, operam para
fortalecer estas ideias, pois reforçam a necessidade dos beneficiários serem
producentes para justificarem o acesso ao suposto direito. O princípio da
condicionalidade confronta diretamente a universalidade, para esta a condição
de pessoa é o requisito único para o acesso aos direitos civis conquistados em
democracias. Sob a ótica dos direitos civis, e sustentados na
ideia referida a um direito humano não se deve impor contrapartidas, exigências
ou condicionalidades, como podemos notar expressamente no Art. 25 da Declaração
Universal dos Direitos Humanos: - “Toda pessoa tem direito a um padrão de vida
capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação,
vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e
direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice
ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle”.
O
novo secretário de Políticas Públicas de Emprego é Leonardo José Arantes, que
já foi superintendente regional do Trabalho em Goiás, quando Henrique Arantes
era secretário estadual de Cidadania e Trabalho. Henrique é filho de Jovair
Arantes e primo de Leonardo. Jovair foi relator do impeachment na Câmara e
pretende disputar a presidência da Casa no ano que vem. A Secretaria Executiva
do Ministério do Trabalho tem agora como titular Jânio Carlos Endo Macedo,
ex-diretor do Banco do Brasil. Falta um cargo estratégico: a Secretaria de
Relações do Trabalho, que era ocupada pelo Manoel Messias Nascimento Melo,
ex-dirigente da Central Única de Trabalhadores (CUT), que foi exonerado em maio, assim que o governo golpista de Michel Temer (2016) assumiu
como presidente da República.Loteado entre o PTB e o movimento “Solidariedade”, isso foi possível porque, com a criação do
partido, nas ceu da conciliação política daqueles que tinham mandato eletivo de
mudarem de legenda sem que cometessem infidelidade partidária e perdessem seus
mandatos.
Dessa maneira, muitas lideranças reacionárias migraram para “Solidariedade”,
legendas que integram o antigo Centrão e, até bem pouco tempo atrás, eram
responsáveis por dar sustentação política ao deputado corrupto cassado Eduardo
Cunha (PMDB-RJ), o Ministério do Trabalho teria um papel ideológico em uma das
reformas planejadas pelo golpe de Michel Temer: a trabalhista. A
secretaria-executiva do ministério, o segundo cargo ideológico na hierarquia,
tem padecido de instabilidade. O posto era ocupado por Jânio Macedo,
substituído por Antônio Barreto, que passou a exercer a função de maneira secundária
interina. Ambos são petebistas. Abaixo da executiva, a principal secretaria, a
de Políticas Públicas de Emprego (SPPE), é ocupada por Leonardo José Arantes,
sobrinho do líder do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) na Câmara, Jovair Arantes (GO). Jovair não compareceu
à Câmara na última segunda-feira durante a sessão de cassação de Cunha - de
acordo com o peemedebista, o petebista ligou-lhe algumas vezes e disse que não
concordava com “a repugnância da ação”. A Força Sindical, presidida pelo
deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (SD-SP) - que votou contra a
cassação de Cunha comanda a secretaria de Relações do Trabalho. O secretário,
Carlos Cavalcanti de Lacerda, foi indicado por Paulinho para conduzir a área
responsável por organizar os registros sindicais. A Força já ocupou setor
semelhante durante o governo do Partido dos Trabalhadores (PT), quando dividia
o Ministério com a Central Única de Trabalhadores (CUT). O movimento político Solidariedade não existia na politica e
Paulinho era filiado ao Partido Democrático Tabalhista (PDT).
Bibliografia
geral consultada.
MARX, Carlos, “La
Cooperación”. In: El Capital. Crítica de
la Economía Política. Libro primero. Buenos Aires: Editorial Cartago, 1973;
pp. 321-360; SINGER, Paul, “Economia Solidária contra o Desemprego”. In: Folha de São Paulo. São Paulo, 11 de
julho de 1996; Idem, “Economia Solidária: Um modo de Produção e Distribuição”.
In: SINGER, Paul; SOUZA, André Ricardo de (Organizadores), A Economia Solidária no Brasil: A Autogestão como resposta ao desemprego.
São Paulo: Editor Contexto, 2000: Idem, Introdução
à Economia Solidária. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2002; MOTTA, Eugênia de Souza Mello Guimarães, A Outra Economia: Um Olhar Etnográfico sobre a Economia Solidária. Dissertação
de Mestrado em Antropologia. Rio de Janeiro: UFRJ: Museu Nacional. Programa de
Pós-graduação em Antropologia Social, 2004; BIOLGHINI, Davide, Il Popolo dell`Economia Solidale.
Bologna: Editrice Missionaria Italiana, 2007; MOTA, José Rubens Dutra, Políticas
Públicas e Economia Solidária: Avaliação do Projeto Sementes da Solidariedade.
Dissertação de Mestrado. Pró-Reitoria de
Pesquisa e Pós-Graduação. Curso de Mestrado Profissional em Avaliação de
Políticas Públicas. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2009; SILVA, Andréia Vieira da, Economia Solidária: Uma Estratégia Política de Desenvolvimento. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Sociologia. João Pessoa: Universidade Federal da Paraíba, 2010; GUERRA, Ana Carolina, Os Valores da Economia Solidária e os Valores do Trabalho: Um Estudo em Empreendimentos Econômicos Solidários. Tese de Doutorado em Administração. Faculdade de Ciências Econômicas. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 2014; NASCIMENTO, Celso Augusto Torres do, Economia Solidária e Cooperativismo no Contexto Rural: O Trabalho Autogestionário da Associação Comunitária dos Produtores Rurais da Comunidade N. Sra. Aparecida. Tese de Doutorado em Sociedade e Cultura da Amazônia. Manaus: Universidade Federal da Amazônia, 2016; ARAÚJO, Alcione Lino de, Economia Solidária e a Autonomia Feminina na Associação de Agricultores Familiares das Colônias Iapó, Santa Clara e Vizinhaça. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção. Ponta Grossa: Universidade Tecnológica Federal do Paraná, 2017; Artigo: “Economia solidária se aproxima das origens do socialismo”. Disponível em: http://brasildebate.com.br/07/04/2018; Artigo: “Löwy
vê Paul Singer, socialista solidário”. Disponível em: https://outraspalavras.net/02/05/2018; entre outros.
“Copacabana
princesinha do mar. Pelas manhãs tu és a vida a cantar”. Tom Jobim
Copacabana
é um bairro nobre situado na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, no Brasil. É
considerado um dos bairros mais famosos e prestigiados do Brasil e um dos mais
conhecidos do mundo. Tem o apelido de “Princesinha do Mar” e “Coração da Zona
Sul”. Faz divisa com os bairros nobres da Lagoa, Ipanema, Botafogo, Leme e
Humaitá. A população de Copacabana é, em sua maior parte, das classes
“média-alta” e média. Atualmente, o bairro tem a maior concentração
populacional da Zona Sul carioca, tendo em torno de 150 mil habitantes em 2013.
Também abriga a maior quantidade de idosos do município e um dos maiores do
país, proporcionalmente falando, com 16,7% da população acima de sessenta anos.
De fato, Copacabana é por vezes apontada como “o bairro com população mais
idosa do país”. Copacabana atrai um grande contingente de turistas para seus
mais de oitenta hotéis, que ficam especialmente cheios durante as épocas do
ano-novo e do carnaval. No fim de ano, a tradicional queima de fogos na Praia
de Copacabana internacionaliza uma
multidão de pessoas. A orla é lugar de variados eventos nacionais e
internacionais durante o ano.
A
célebre exposição dos United Buddy Bears
realizou-se de maio a fim de julho de 2014 nessa praia carioca, apesar de
protestos da FIFA durante toda a Copa do Mundo de futebol. Os ursos puderam ser
vistos no famoso calçadão de Copacabana, no bairro do Leme. Contou-se com a
presença de mais de um milhão de visitantes. Fizeram parte da exposição mais de
140 esculturas de ursos, cada uma com mais de 2 metros de altura, realizadas
por artistas de mais de 140 países, representando 140 nações do mundo. A arte
de dar um golpe seja ele qual for econômico ou político, representa o senso de
ocasião. Mediante procedimentos que psicanaliticamente Sigmund Freud precisa a
respeito do chiste, combina elementos audaciosamente reunidos para insinuar o
“insight” de uma coisa na linguagem de um lugar para atingir o destinatário.
Contudo, sem lugar próprio, sem visão globalizante, cega e perspicaz, como se
fica no corpo a corpo sem distância, comandada pelos acasos do tempo, a tática
é determinada pela ausência de poder, assim como a estratégia é organizada pelo
postulado de um poder. A sua dialética
poderá ser iluminada pela antiga arte da sofística, de fortificar ao máximo a
posição do mais fraco. Mas destaca a relação de forças que está no princípio de
uma criatividade intelectual tão tenaz como sutil, incansável, mobilizada à
espera da ocasião.
Não
devemos desprezar, portanto, estilo dialético
de Freud quando menciona a expressão “psicologia das massas” em vez de
“psicologia de grupo”. A distinção entre a psicologia de grupo e das massas ou
coletiva, que inclusive faz parte da introdução do livro de 1921, é um tema
ainda polêmico no âmbito da psicologia social. O psicanalista considera
inadequadas as teorias fisiológicas para compreensão dos fenômenos hipnóticos,
em todas as circunstâncias que este se manifesta. No sentido estrito ele se
refere às condições patológicas, relações de poder nos tabus e rituais de
grupos primitivos, tanto quanto ao comportamento da imitação nas multidões,
relação entre amantes, relação entre pais e filhos, etc. A partir dos trabalhos
propostos por Freud os psicanalistas estudam a influência e origem dos símbolos
culturais, incluindo mitos, sonhos e rituais, comparando-os com os resultados
da aplicação da técnica psicanalítica.
O
contraste de Copacabana está no morro do Cantagalo-Pavão/Pavãozinho representando
uma das 900 favelas do Rio de Janeiro. Fica na zona sul, a mais rica e
turística da cidade, estende-se de Ipanema a Copacabana, mas é considerado um
“bairro de lata”, com esgotos a céu aberto, casas precárias e fios de
eletricidade emaranhados, descarnados e perigosos. Tem, no entanto, uma vista
deslumbrante sobre a praia da “coisa mais linda” que o maestro António Carlos
Jobim já viu passar. O inferno de Dante está bem à vista de todos os moradores
e turistas. O Cantagalo pode estar aparentemente pacificado, representando uma
“zona de compromisso”. São quilômetros de labirintos estreitos, lembrando as
vielas da guerra de guerrilha da Algérie (cf. Vaïsse, 2012), aonde por vezes,
nem chega a luz do sol. São centenas de barracas construídas em inclinação,
numa base de terra e cimento. Têm portas de tamanho de crianças, mas vivem
famílias lá dentro, em processo de pauperização, em espaços reduzidos e
esconsos. As portas estão abertas e permitem ver o que lá se passa. Muitas
casas têm jovens adolescentes cuidando de filhos bebés e a ver qualquer coisa
do dia na televisão. Outras casinhas têm idosos demasiado fracos para
saírem de casa.
As
estratégias são ações que, graças ao postulado de um “lugar de poder”, elaboram
lugares teóricos enquanto sistemas e discursos totalizantes, muitas vezes capazes
de articular um conjunto de lugares físicos onde as forças se distribuem. Elas
combinam esses tipos de lugar e visam dominá-los uns pelos outros. A tática é significativamente,
como se diz, “a arte do fraco”. Mas especificamente, foi Carl von Clausewitz quem considerava
fundamental que a guerra estivesse sempre submetida à política. Isso porque
nenhuma guerra pode ser vencida sem a compreensão precisa, no âmbito da teoria,
dos objetivos e da disponibilidade de meios¸ em primeiro lugar, ou sem o
cálculo racional das capacidades e das oportunidades, assim como o
estabelecimento dos limites éticos ao uso da força - sempre submetida aos
objetivos políticos estabelecidos. Suas lições de tática e estratégia situam-se
muito além dos exercícios militares propriamente ditos. Sua atualidade diz
respeito comparativamente ao fato político para se constituírem, inclusive,
numa profunda reflexão sobre a filosofia da guerra e da paz. Isto porque o modo
pelo qual a tática, tem como expressão prática a verdadeira prestidigitação, que,
portanto se introduz por surpresa numa ordem social determinada.
Privilegiam,
portanto, as relações espaciais. Ao menos procuram elas reduzir a esse tipo as
relações temporais pela atribuição analítica de um “lugar próprio” a cada
elemento particular e pela organização combinatória dos movimentos específicos
a unidades ou a conjuntos de unidades. O modelo para isso foi antes o militar na
acepção de Carl von Clausewitz que o científico. As táticas são procedimentos
que valem pela pertinência que dão ao tempo - às circunstâncias que o instante
preciso de uma intervenção transforma em situação favorável, à rapidez de
movimentos que mudam a organização do espaço, ás relações entre momentos
sucessivos de um golpe, como na política, aos cruzamentos possíveis de durações
e ritmos heterogêneos. As estratégias apontam para a resistência que o
estabelecimento de um lugar oferece ao gasto do tempo; as táticas apontam para
uma hábil utilização do tempo, das ocasiões de um poder. Os métodos praticados
pela chamada “arte da guerra” cotidianamente, pode-se inferir que jamais se
apresentam sob uma forma nítida, nem por isso – last but not least – que apostas feitas no lugar ou no
tempo distinguem as maneiras estruturantes socialmente de entendimento no
sentido de sentir, pensar e agir.
O presente se entende cada vez mais como uma passagem para o novo. Ele
vive na consciência da aceleração dos acontecimentos históricos e na
expectativa da alteridade do futuro. O presente pereniza a ruptura com o
passado como renovação contínua. O horizonte aberto ao futuro de expectativas
referidas ao presente dirige também acesso ao passado. A história é concebida
desde o fim do século XVIII como um processo mundialmente abrangente e gerador
de problemas. Nele o tempo é considerado um recurso escasso para dominar os
problemas que o passado nos lega, orientando-se ao futuro. Os passados
exemplares, pelos quais o presente poderia se orientar irrefletidamente, se
empalideceram. A modernidade não pode mais tomar de empréstimo seus critérios
orientadores dos modelos oriundos de outras épocas. A modernidade se vê
exclusivamente posta sobre si mesma – ela tem de extrair de si mesma sua
normatividade. O presente autêntico é de agora em diante o lugar onde se
entrelaçam a continuidade da tradição e a inovação com a desvalorização do
passado. O exercício da autoridade está subordinado aos pontos de vista da
utilidade. A sociedade que é organizada no interesse de todos os
trabalhadores produtivos, reintegrou nela o Estado – em vez de apenas trocar de
senhor, ela alterou a própria natureza da dominação preço que também determinou
as lutas por sua orientação na segunda metade do século XIX chegando até quase
os nossos dias.
É
neste sentido infundada a tese do despontar da
pós-modernidade. Não é a estrutura do espírito do tempo, não é o modo do
conflito acerca das possibilidades futuras de vida que se alteraram, não são as
energias utópicas em geral que se retiraram da consciência histórica. Pelo
contrário, chegou ao fim uma determinada utopia, que no passado se cristalizou
em tono do potencial da sociedade do trabalho. Esta utopia perdeu hoje sua
força de convencimento. As condições de vida humanamente dignas e emancipadas
já não procedem mais, imediatamente, de um revolucionamento das condições de
trabalho, portanto, da transformação do trabalho heterônomo em atividade
autônoma. A reforma das relações de emprego mantém um valor posicional central
também nesse projeto. Elas permanecem o ponto de referência não apenas para
medidas de humanização de um trabalho ainda heterônomo, mas, sobretudo, para as
operações compensatórias que devem amortecer os riscos básicos do trabalho
assalariado. A compensação só funciona se o papel do assalariado em
tempo integral torna-se a norma. Pelo ônus que continuam sempre associados a um
status estofado do trabalho
remunerado dependente, o cidadão, em seu papel de cliente das burocracias do
Estado de bem-estar social, é compensado com pretensões jurídicas e, em seu
papel de consumidor de bens em massa, com o poder de compra.
Carlos Drummond de Andrade (RJ).
A
alavanca para a satisfação do antagonismo de classe continua a ser, portanto, a
neutralização do potencial do conflito inscrito no status do trabalhador assalariado. Há trinta anos, se alguém ouvisse a expressão
“arrastão” no Brasil, certamente a associaria à pesca com rede nas cidades
litorâneas, em que o termo corresponde ao ato de puxá-la do mar para a areia,
arrastando os peixes ali capturados. Portanto, não se refere mais ao
Decreto-Lei n° 794, de 19 de outubro de 1938 do presidente da República Getúlio
Vargas, no período estadonovista de golpe de Estado, como ocorre presentemente: impedindo à utilização de
redes de “arrastão de praia”, na pesca litorânea ou na interior e nas
proximidades das embocaduras dos rios; ou com a utilização de redes
“traineiras” a menos de 200 metros das margens, nas baías ou enseadas. Há
quinze anos, talvez já a associasse às ações de grupos - quase sempre de
adolescentes - que corriam pela praia praticando furtos contra banhistas no Rio
de Janeiro. O significado do vocábulo é muito mais assustador “em si”,
além do medo, associado à violência grave.
No
contexto contemporâneo da segurança pública, “arrastão” passou a designar sociologicamente
a ação coletiva de criminosos, que agem em bando ou mesmo apenas em dupla, que
atacam vítimas em locais com concentração de pessoas, como praias, sem
restrição, cujas consequências não raro descambam para agressões físicas e mesmo
assassinatos. Não há dúvida de que o alastramento dos arrastões está associado à crescente onda geral de criminalidade
que vem se registrando no país. Arrastão é uma tática de roubo coletivo urbano
ocorrido primeiramente na década de 1980 na praia de Copacabana, no Rio de
Janeiro. Mas analogamente se a tática sem lugar próprio, sem visão
globalizante, cega e perspicaz como se fica no corpo a corpo sem distância,
comandada pelos acasos do tempo, a tática é determinada pela ausência de poder,
assim como a estratégia é organizada pelo postulado de um poder. Arrastão pode
significar um ato coletivo em que todos estão motivados por um ideal. Portanto,
o uso do termo “estratégia” é igualmente limitado. Nas justifica-se pelo fato
de que as práticas dão uma resposta adequada às conjunturas. O ponto de partida da análise refere-se ao caso mais famoso
de arrastão ocorrido exatamente em 18deoutubrode1992 na praia de Ipanema de repercussão
internacional. Posteriormente, a tática foi presenciada noutras regiões do
Brasil. Consiste no roubo coletivo de dinheiro, telefone, relógios, anéis,
bolsas e mesmo de roupas dos transeuntes por um grupo de pessoas. O grupo pode
ou não estar organizado, dependendo da espontaneidade do roubo. Arrastão,
apesar de não ser um termo técnico de segurança, é aplicado aos
casos de roubo em série.
Bibliografia
geral consultada.
DELIGNY, Fernand, Les
Vagabonds efficacies. Paris: Éditions Maspéro, 1970; HOBSBAWM, Eric, I Banditi. Il Banditismo Sociale nell`Età Moderna. Roma: Einaudi Editore, 1971; PERLMAN, Janice, TheMyth of Marginality:
Urban Poverty and Politics in Rio de Janeiro. University of Califórnia
Press, 1976; NASCIMENTO, Abdias do, O Negro Revoltado. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 1982; LUZ, Marco Aurélio,
Cultura Negra e Ideologia do Recalque.
Rio de Janeiro: Editor Achiamé, 1983; PARKER, Richard
Guy, Bodies, Pleasures and Passions:Sexual Culture in Contemporary Brazil. Boston: Beacon
Press, 1991; SCHIPPER, Ivy, Metrópole do
Rio de Janeiro: Os Arrastões e a Cena Pública. Dissertação de Mestrado em
Planejamento Urbano e Regional. Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1997; FERNANDES, Flávia
Ferreira, A Praia de Copacabana: Uma reflexão sobre Algumas das Estratégias
de Construção e Manutenção da Imagem de um Espaço de Consumo e Lazer na Cidade
do Rio de Janeiro. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em
Antropologia. Niterói: Universidade Federal Fluminense, 2007; MISSE,
Michel, Malandros, Marginais e Vagabundos
& A Acumulação Social da Violência no Rio de Janeiro. Tese de
Doutorado. Rio de Janeiro: Instituto Universitário de Pesquisas do
Estado do Rio de Janeiro, 1999; Idem, “Le Movimento. Les Rapports Complexes
entre Trafic, Police et Favelas à Rio de Janeiro”. In: Déviance et Société, Volume 32, 2008; HUGUININ, Fernanda Pacheco da Silva, As Praias de Ipanema: Liminaridade e Proxemia à Beira Mar. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social. Departamento de Antropologia. Brasília: Universidade de Brasília, 2011; O`DONNELI, Julia Galli, Um Rio Atlântico. Culturas Urbanas e Estilos de Vida na Invenção de Copacabana. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2011; VAÏSSE, Maurice, Militaireset Guérilladansla Guerred`Algérie. Bruxelles:
André Versaille Éditeur, 2012; VALLE, Cid Prado, Rocambole de Carne a Copacabana. 1ª edição. Rio de Janeiro: Editora
Litteris, 2013; HABERMAS, Jürgen, A Nova
Obscuridade. Pequenos escritos políticos V. 1ª
edição. São Paulo: Editora Unesp, 2015; entre outros.
“A história do marxismo na América Latina não
pode ser considerada um universo à parte”. Michael Löwy
América, Rufino Tamayo.
A América Latina está localizada na totalidade no
hemisfério ocidental, cujas linhas imaginárias que atravessam são: o Trópico de
Câncer, pelo qual é cortado o centro do México; o Equador, linha imaginária
passada no Brasil, Colômbia, Equador e pelo qual perpassa o norte do Peru e o
Trópico de Capricórnio, pelo qual são atravessados o Brasil, o Paraguai, a
Argentina e o Chile. A América Latina é um complexo cultural das Américas a
qual é distribuída irregularmente pelos hemisférios norte e sul, porque a
maioria de suas terras é estendida ao sul da Linha do Equador. Na América
Latina são comportadas diversas culturas, porque estão misturadas línguas,
etnias e costumes. Há predomínio do espanhol como língua dos países da América Latina, com a invasão e conquista das ilhas do Caribe
em 1492, se estendeu rapidamente através da América com os colonos procedentes
principalmente de Andaluzia e Extremadura, mas também de outras partes da
Espanha, que se estabeleceram ali nos séculos XVI e XVII constituindo-se ao
redor de 200.000 pessoas nesses primeiros séculos. Hoje é falado por mais de 370
milhões de latino-americanos, mas também o português, francês e, em certas
regiões ao norte do continente, inglês e neerlandês.
Há também muitas e várias de línguas nativas,
merecendo destaque o quíchua, legado
dos Incas e idioma que se fala no Peru, Equador, Bolívia e Argentina. Línguas
românicas oficiais na América Latina: português em laranja; espanhol em verde e
francês em azul. A etnia dos habitantes da América Latina tem grande variação
de país a país. Apesar da intensidade de mestiços, existem algumas nações em
que a maior parte dos habitantes é branca
como a Argentina e Uruguai, outras, ungidas no âmbito do processo
civilizatório, onde quase todos os habitantes são de origem negra, como ocorre
no Haiti, República Dominicana, Granada, Bahamas e Barbados e outras, onde está
fortemente presente na origem continental o índio: Peru, Bolívia, México, Equador e
Paraguai. Existem países mestiços de verdade: Colômbia e Venezuela e demais
como o Brasil, no qual são existentes regiões de população com pequeno predomínio
de brancos e demais onde é apresentada maior parte de negros, mestiços, mulatos
ou índios.
Tawantinsuyu foi um Estado criado pela
civilização Inca, resultado de uma sucessão de civilizações andinas e que se
tornou o maior império da América pré-colombiana. A administração política e o
centro de forças armadas do império ficavam localizados em Cusco, em quíchua,
“Umbigo do Mundo”, no atual Peru. O império surgiu nas terras altas peruanas em
algum momento do século XIII. De 1438 até 1533, os incas utilizaram vários
métodos, da conquista militar à assimilação pacífica, para incorporar uma
grande porção do oeste da América do Sul, centrado na Cordilheira dos Andes,
incluindo grande parte do atual Equador e Peru, sul e oeste da Bolívia,
noroeste da Argentina, norte do Chile e sul da Colômbia. O nome quíchua do
império Tawantinsuyu, pode ser traduzido
como as quatro regiões ou as quatro regiões unidas.
Antes da reforma ortográfica era escrita em espanhol
como Tahuantinsuyo. “Tawantin” é um
grupo de quatro partes – “tawa” significa “quatro”, com o sufixo -ntin que nomeia um grupo; “Suyu”
significa região ou província. O império foi dividido em quatro “Suyus”, cujos
cantos faziam fronteira com a capital, Cusco (“Qosqo”). Darcy Ribeiro considera
esse padrão de organização social, que denomina de “império teocrático do
regadio”, semelhante aos formados há mais ou menos dois mil anos na região
Mesopotâmia ou às civilizações que se desenvolveram na Índia e China mil anos
depois e às civilizações Maias e Astecas na Mesoamérica. Esse tipo de formação
imperial caracteriza-se pela tecnologia de irrigação (regadio), desenvolvendo
sistemas de engenharia hidráulica, agricultura irrigada com exceção talvez dos
Maias que apenas possuíam o domínio do transporte das águas, metalurgia do
cobre e bronze, técnicas de construção, notação numérica (“quipos”), escrita
ideográfica, no caso dos Astecas e técnicas de comunicação. De
governo centralizado, a organização social do império Inca é frequentemente
comparada àquela idealizada por governos socialistas.
Imigrantes da comunidade boliviana celebram os 190 anos de independência
de seu país em uma festa na praça do Memorial da América Latina
Vale lembrar-se do ponto de vista
técnico-metodológico, que a recepção das ideias de Marx à América do Sul, tal
como a chegada delas à América do Norte, dependeu amplamente, do deslocamento
dos imigrantes, que vinham da Europa, atravessavam o Atlântico, para “fazer a América”.
Para atender à demanda de mão- de-obra na agricultura em substituição ao modo
escravista de produção, e também para promover a diversificação das atividades
artesanais e manufatureiras, os governos de diversos países sul-americanos,
entre os quais os da Argentina e do Brasil, tomaram medidas destinadas a atrair
os imigrantes; e na segunda metade do século passado tais imigrantes acorreram
em muitas centenas de milhares. Em sua maioria, não eram socialistas, uns
poucos, porém, simpatizavam com seus ideais, aprovavam suas doutrinas. Outros
já tinham adquirido experiência em lutas políticas e sociais travadas em seus
países de origem e vinham justamente porque suportavam mal a repressão
institucionalizada nas sociedades em que tinham vivido. Poucos, entretanto,
terão sido aqueles que teriam ouvido falar do Manifesto Comunista de Marx e
Engels. A
teoria do modo de produção asiático (“asiatisches Produktionsweise”) como modo
de produção característico das milenares formas de constituição e manutenção da
sociedade, bem como primeira forma originária e mais geral de sociedade
pós-comunidade primitiva, foi fundamental para a concepção histórica e
analítica de Marx, como aparecia também em contraposição mais evidente em
relação ao desenvolvimento da história greco-romana ocidental. Suas mais
importantes formações econômico-sociais, como a China e a Índia, não se teriam
alterado substancialmente mesmo com as grandes invasões de povos bárbaros em
passado mais remoto, como os mongóis, os árabes e os hunos. Estes povos, apesar
de superiores belicamente a chineses e hindus, eram culturalmente inferiores a essas grandes
civilizações orientais de culturas milenares. O que transforma estas analogias
em relação dinâmica de afinidade eletiva é uma conjuntura histórica
determinada, uma constelação peculiar de eventos que se dá a partir do final
dos anos 1950. Por um lado trata-se de uma conjuntura mundial: a crise e renovação teológica do catolicismo europeu no pós-guerra, a eleição de João XXIII em 1958 e sua convocação de um novo Concílio, visando o aggiornamento da doutrina e das práticas da Igreja. Paralelamente, se desenvolve uma crise do
marxismo institucional, com o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética (PCUS) teve lugar entre 14 e 26 de fevereiro de 1956. Na ocasião, o secretário do Partido, Nikita Khrushchov, com seu célebre discurso secreto, denunciou as violências, as deportações, os expurgos e as limitações à liberdade impostas pelo regime de Stalin, seu predecessor. Durante a sessão a portas fechadas, no último dia do congresso, Kruschev criticou asperamente a política stalinista, denunciando o culto de personalidade e uma série de crimes cometidos por ele e seus colaboradores. Stalin não procurava persuadir com explicações mas impunha suas ideias e exigia uma submissão absoluta, qualquer um que discordasse era demitido de qualquer função diretiva, e em seguida liquidado moralmente e fisicamente, a denúncia do stalinismo. Estes eventos vão criar condições para um relacionamento mais aberto entre cristianismo e marxismo na Europa não irão, com algumas exceções, sobretudo na França, mais além de um diálogo entre dois blocos políticos e culturalmente opostos. É na América Latina que se produzirão as mediações complexas e, ipso facto permitindo um processo muito mais radical de convergência para a ação, e portanto, no poder político ou na organização estrutural de uma sociedade que ocorre em um período relativamente curto no espaço de tempo. A conjuntura latino-americana que
tem seu ponto de partida neste momento histórico se caracteriza por dois
aspectos fundamentais: a) um desenvolvimento acelerado do capitalismo, uma
urbanização intensa e uma industrialização rápida (sob a égide do capital
norte-americano), que aprofundam as contradições sociais, tanto na cidade como
no campo; b) a revolução cubana (1959-60), primeira vitória popular contra o imperialismo
na América Latina e primeira revolução socialista no continente-dirigida por
forças sociais marxistas de um novo tipo, independentes do comunismo tradicional claramente de
inspiração autoritária stalinista. A combinação destes dois processos - um estrutural,
econômico-social, e o outro, político e ideológico - terá por resultado o
início de uma nova etapa de interpretação teórica na história da América Latina, uma etapa de lutas
sociais, movimentos populares, e insurreições, que conhece um novo salto
qualitativo com a revolução sandinista e que continua até hoje. Uma etapa que
se caracteriza também por uma maior influência e uma renovação do pensamento
marxista latino-americano - em particular e não exclusivamente nos meios
universitários. É nesta conjuntura que vai se desenvolver, na América Latina,
uma relação de afinidade eletiva, em setores da Igreja e de sua base social,
entre cristianismo e marxismo. Portanto, como categoria definidora dos traços fundamentais tanto destas sociedades orientais antigas, como também na pré-história da própria sociedade greco-romana clássica, o chamado modo de produção asiático, que tem início em 2500 a. C., caracteriza os primeiros Estados surgidos na Ásia Oriental, Índia, China e Egito. Por se tratar da forma mais geral de evolução da sociedade sem classes para a sociedade de classes, esse modo de produção estabeleceu-se em regiões muito diversas, asiáticas e não asiáticas: na China, na Índia e no Egito, mas também na África Negra e nas áreas indígenas da América, entre os Maias, os Astecas e os Incas. A agricultura, base da economia desses Estados, era praticada por comunidades de camponeses vinculados à terra, que não podiam abandonar seu local de trabalho e viviam submetidos a um regime de trabalho compulsório ainda existente. Historicamente, esses camponeses ou aldeões tinham acesso à coletividade das terras de sua comunidade, ou seja, pelo fato de pertencerem a tal comunidade, eles tinham o direito e o dever de cultivar as terras desta. A Teologia da Libertação - isto é, o conjunto representativo de escritos publicados a partir de 1971, por Gustavo Gutierrez, Hugo Assmann, Pablo Richard, Leonardo e Clodovis Boff, Enrique Dussel, Frei Betto e outros - recolhe esta intuição e a coloca no centro de sua reinterpretação do Evangelho, de sua nova hermenêutica do Antigo Testamento e da mensagem de Cristo, de sua reformulação do magistério da Igreja. Uma reformulação na qual entram aspectos essenciais do marxismo, integrados de forma orgânica e coerente no discurso religioso - em comparação com os documentos da esquerda cristã dos anos 1960. O marxismo apareceu aos olhos dos teólogos da libertação como a única teoria capaz de oferecer uma análise precisa e sistemática das causas da pobreza, e uma proposição precisa e radical do método para sua abolição.
Obra Mão, de Oscar Niemeyer, faz parte do acervo do Memorial
da América Latina, em São Paulo.
A velha tradição anticapitalista da Igreja, lembra-nos
Michael Löwy, entra assim em relação de afinidade eletiva com a análise
marxista da exploração capitalista e com a crítica dos marxistas
latino-americanos (teoria da dependência) ao capitalismo dependente como
fundamento estrutural do “subdesenvolvimento”, da miséria e do autoritarismo
militar. A solidariedade com o pobre é o ponto de partida deste processo social
de elaboração teológica. A grande diferença, a novidade decisiva, o salto
qualitativo em relação à concepção católica tradicional do pobre, é que este já
não é considerado como “vítima passiva, objeto de caridade e assistência, mas
sim como sujeito de sua própria libertação”. Graças a esta ruptura - fruto da
experiência prática dos cristãos comprometidos no curso das conjunturas históricas dos anos 1960 e 1970, que tem como primícias
a problemática de a interpelação da Teologia da Libertação vai convergir com o princípio político
fundamental do marxismo: a emancipação dos trabalhadores será a obra dos
próprios trabalhadores.
Enfim, a opção prioritária pelos pobres, aprovada pela
Conferência dos Bispos Latino-Americanos
de Puebla (1979) é, na realidade, uma fórmula de compromisso, interpretada
num sentido tradicional e assistencialista pelas correntes mais moderadas ou
conservadoras da Igreja católica, e num sentido radical pelos teólogos da
libertação e as correntes mais avançadas do clero: como um engajamento na
organização e na luta dos pobres e despossuídos por sua própria libertação. A
luta de classes - não só como método de análise da realidade, mas também como
guia para a ação - se torna assim um elemento central (implícito ou explícito)
na nova teologia. Como escreveu Gustavo Gutierrez: “negar o fato da luta de
classes é, na realidade, tomar partido em favor dos setores dominantes. A
neutralidade neste assunto é impossível” (cf. Galeano, 1971; Mariátegui, 1974; Löwy, 1980; 1989). De qualquer
forma, para o método marxista, o essencial é o que se passa na realidade. Enquanto
processo de convergência por afinidade eletiva, esta relação se refere também a
certos valores (comunitários), a certas opções ético-políticas (a solidariedade
com os pobres), a utopias do futuro (uma sociedade sem exploração nem
opressão). E na medida em que a teologia da libertação é a expressão de uma
práxis social, de um movimento social e de uma experiência ativa, seu encontro
com o marxismo se dá no terreno do compromisso prático com as lutas
populares de libertação.
Bibliografia geral consultada.
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y los Orígenes del Marxismo Latino-americano”. In: Cuadernos de Pasado y Presente 60. México: Siglo XXI Editores, 1978;
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Paris: Éditions Maspero, 1980; Idem, “Marxismo e Cristianismo na América Latina”. In: Lua Nova, n° 19. São Paulo, novembro de 1989; KONDER,
Leandro, A Derrota da Dialética: A Recepção das
Ideias de Marx no Brasil até o começo dos anos 30. Tese de Doutorado. Rio de Janeiro: Editor
Campus, 1988; BOSI, Alfredo, “A Vanguarda Enraizada: O Marxismo Vivo de Mariátegui”.
In: Estudos Avançados. São Paulo,
n° 8, vol. 4, 1990; PEREIRA, Diana Araújo, A Palavra Poética: Magia e Revolução na Cartografia Latino-americana. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Letras. Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2007; ÁVILA-SANTAMARÍA,
Ramiro, El Neoconstitucionalismo Transformador: El Estado y el Derecho en la
Constitución de 2008. Quito: Editor Abya-Yala, 2011; WOLKMER, Antônio
Carlos; FAGUNDES, Lucas Machado, “Tendências Contemporâneas do Constitucionalismo
Latino-americano: Estado Plurinacional e Pluralismo jurídico”. In: Pensar.
Fortaleza, vol. 16, nº 2, pp. 371-408, jul./dez. 2011; LEONEL JÚNIOR, Gladstone, “Do Sujeito Revolucionário
Europeu ao Ator Coletivo da Hiperpotentia Latino-americana: Para a Construção
de uma Nova Hegemonia Político-jurídica na América Latina”. In: Congresso ALAS,
29. Santiago, 2013. Anais... Crisis y Emergencias Sociales en America Latina.
Santiago: ALAS, 2013; CUNHA FILHO, Clayton Mendonça, A Construção do
Horizonte Plurinacional: Liberalismo, Indianismo e Nacional-popular na Formação
do Estado Boliviano. Tese de Doutorado em Ciência Política. Instituto de
Estudos Sociais e Políticos. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de
Janeiro, 2015; entre outros.
______________
* Sociólogo (UFF), Cientista Político (UFRJ), Doutor em Ciências junto à Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). ProfessorAssociadoda Coordenação do curso de Ciências Sociais do Centro de Humanidades da Universidade Estadual do Ceará (UECE).
“O que se faz agora com as crianças é o que elas farão depois com a sociedade”. Karl Mannheim
As unidades de geração desenvolvem perspectivas,
reações e posições políticas e afetivas diferentes em relação a um mesmo dado problema.
O nascimento em um contexto social idêntico, mas em um período específico, faz
surgirem diversidades nas ações dos sujeitos. Outra característica é a adoção
ou criação de estilos de vida distintos pelos indivíduos, mesmo vivendo em um
mesmo âmbito social. Em outras palavras: a unidade geracional constitui uma
adesão mais concreta em relação àquela estabelecida pela conexão geracional.
Mas a forma como grupos de uma mesma conexão geracional lidam com os fatos
históricos vividos, por sua geração, fará surgir distintas unidades geracionais
no âmbito da mesma conexão geracional no conjunto da sociedade. Na
verdade, inicialmente, a classe médica em geral acaba por marginalizar as
ideias de Freud; seu único confidente durante esta época é o médico Wilhelm
Fliess. Depois que o pai de Freud falece, em outubro de 1896, segundo as cartas
recebidas por Fliess, Freud, naquele período, dedica-se a anotar e analisar
seus próprios sonhos, remetendo-os à sua própria infância e, no processo,
determinando as raízes de suas próprias neuroses. Tais anotações tornam-se a
fonte etnográfica para a obra “A Interpretação dos Sonhos”.
Durante o curso
desta autoanálise, Freud chega à conclusão de que seus próprios problemas eram
devidos a uma atração por sua mãe e a uma hostilidade em relação a seu pai. É o
que constitui o famoso “complexo de Édipo”, que se torna o “coração”, por assim
dizer, na concepção da teoria de Freud sobre a origem da neurose em todos os
seus pacientes investigados. Nos primeiros anos do século XX, são publicadas
suas obras em que contém suas teses principais: “A Interpretação dos Sonhos” e
“A psicopatologia da vida cotidiana”. Freud já não mantinha mais contato nem
com Josef Breuer, nem com Wilhelm Fliess. No início, as tiragens das obras não
animavam Freud, mas logo médicos de vários lugares: Eugen Bleuler, Carl Jung,
Karl Abrahams, Ernest Jones, Sandor Ferenczi, demonstram respaldo às suas ideias
e passam a compor o “Movimento Psicanalítico”. O filme Kids
é odrama norte-americano de 1994, escrito
por Harmony Korine, dirigido por Larry Clark e produzido pelo cineasta Gus Van
Sant. Apresenta Chloë Sevigny,
Leo Fitzpatrick, Justin Pierce e Rosario Dawson. O filme tem como escopo um dia na vida de um grupo de jovens ditos sexualmente
ativos de Nova Iorque. Demonstra seu comportamento diante do consumo de sexo e
drogas em meados dos anos 1990.
O filme tem como protagonista um skatista em
busca de sexo e drogas. Nova York serve como representação de cenário irradiado
do conturbado mundo dos adolescentes. Que indiscriminadamente consomem drogas e
quase nunca praticam sexo de forma segura. Um garoto, que idealiza seu deseja só
transar com virgens. E uma jovem, que só teve um parceiro, mas é soropositivo.
Este arquétipo serve de base para as tramas paralelas e bem articuladas que
ilustram, como em qualquer ser humano, que poderá prejudicar seriamente sua
vida se não estiver bem orientado sexualmente. Mas isto é, pela má utilização
da informação global (quase) impossível! O
conceito de archetypus só se aplica indiretamente às noções concietuais de représentations
collectives, na medida em que designar apenas aqueles conteúdos psíquicos que
ainda não foram submetidos a qualquer elaboração consciente. Representam,hic et nunc, um dado anímico imediato. Como
tal, o arquétipo difere sensivelmente da fórmula historicamente elaborada.
Especialmente em níveis mais altos dos ensinamentos secretos, aparecem sob uma
forma que revela seguramente a influência da elaboração consciente, a qual
julga e avalia. Sua manifestação imediata, como a encontramos em sonhos e
visões, é mais individual, incompreensível e ingênua do que nos mitos. O
arquétipo representa, em essência,um
conteúdo inconsciente, que se modifica através de sua conscientização e
percepção, assumindo matizes que variam de acordo com a consciência individual
na qual se manifesta.
Do
ponto de vista dos impactos sociais muitas sessões de “Kids” sofreram tentativas
de boicote, como ocorrera há décadas com o filme: “Last Tango à Paris”. Na Grã-Bretanha, onde o Parlamento condenou o
filme, era comum ver manifestantes do lado de fora dos cinemas. Nos Estados
Unidos, a produção recebeu uma classificação etária de não recomendado para
menores de 17 anos - algo particularmente irônico, considerando que “Kids”
tinha como uma de suas produtoras a Miramax, na época propriedade da gigante
Walt Disney. A controvérsia gerada entre os executivos foi tão grande que o
estúdio foi, sob certas condições sociais, forçado a criar uma empresa à parte,
a “Shining Excalibur Pictures”, com a finalidade mercadológica de distribuir a
obra mundialmente. Em Kids, o próximo filme que vai indignar os guardiões da
moralidade americana, as crianças são uma praga. Os adolescentes, muitos ainda
no ensino fundamental, não conseguem sobreviver por uma hora sem violar várias
dezenas de leis e convenções: eles furtam, bebem, usam drogas, roubam dinheiro,
chutam gatos, espancam e talvez assassinem um estranho e se envolvem em uma
interminável, caça irracional por sexo, sem camisinha. A solução
dificilmente seria aceita hoje. - “Seria impossível fazer esse filme agora”,
afirmou Korine ao tablóide Guardian. – “Não teria como ninguém sair impune disso
tudo”.
Larry Clark é um cineasta genial.
Não é de hoje que o autor de Kids, Another Day in Paradise, ou ainda “Ken
Park” fascina e gera polêmica em torno de seus filmes onde aborda a vida dos
teens de maneira crua e sem tabus. Do alto de seus 69 anos, Clark esbanja
vitalidade e têm os dois pés bem fincados na era digital. Seu último filme,
Marfa Girl, que recebeu o grande prêmio da sétima edição do Festival de Roma.
Cansado do sistema de distribuição hollywoodiano o diretor decidiu ir direto ao
encontro de seu público lá onde ele está, ou seja, na rede internet. – “Os
adolescentes passam seu tempo na frente do computador, seja para organizar uma
saída ou para paquerar então é lá que o filme estará também”. Filmado na cidade
de Marfa, Texas – aquele vilarejo do deserto que tem a “loja-escultura” da
Prada – o filme narra a história de amor de Adam, 16 e de sua vizinha Donna,
23. Os conflitos étnicos e sociais entre as comunidades artísticas brancas e
hispânicas e a presença constante da polícia de imigração servem de pano de
fundo à trama cinematográfica. O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos
Estados Unidos da América (U. S. Immigration and Customs Enforcement - ICE) é
uma agência policial subordinada hierarquicamente ao Departamento de Segurança
Interna (United States Department of Homeland Security - DHS), responsável por
detectar, investigar e corrigir vulnerabilidades relacionadas à fronteiras,
infraestrutura, transportes, e economia.
Em Kids,
o cineasta Larry Clark realiza um recorte
de geração (cf. Mannheim, 1993; cf. Weller, 2010) em que prevalece a perspectiva
do “enclausuramento”. Ao supostamente buscar uma interferência constante do ambiente
dentro do filme. Ou, ao querer simplesmente atualizar o mundo dos jovens. Ou
ainda, diante da tensão de um mundo que já existia independentemente dele. Acabou
retendo a adolescência nova-iorquina numa tragédia de aniquilamento simultaneamente
de dentro e de fora. Os adolescentes de “Kids” não podem ser imaginados como
experimentos de laboratório aos quais se dão todos os tipos de substância, resultando
no imobilismo absoluto e, em última análise, na morte precoce. Enquanto a
maioria dos adultos está indiferente a essa questão, tema nevrálgico da
modernidade – o sexo, o cineasta se põe dentro dela. Deixa-se envolver com
fascínio e preocupação. Os personagens de “Kids” consomem drogas. Participam de
orgias para preencher um tempo que, na modernidade vagueia livre.
O filme tem o
mérito de um “engagement”, sem fatalismo, sem estratégia de choque. Mas
utilizando uma linguagem realista, o filme abre o cenário cinematográfico com
Telly, um Don Juan pálido e esquelético, deflorando uma adolescente, e termina
com um estupro embalado por drogas em uma festa. Não existe julgamento
moral, apenas um olhar que observa à distância. Para Sigmund
Freud (1972) e Claude Lévi-Strauss (1962), o tabu expressara um sentimento
coletivo sobre um determinado comportamento dicotômico, num ambiente entre
amigos, de um lado, e inimigos, do outro, funcionando de uma forma articulada
entre dois condicionamentos comportamentais - biológico e cultural ou vice-versa.
Assim o tabu seria expresso de forma diferente das regras sociais, que são uma
construção cultural típica de sociedades mais complexas. Os tabus da linguagem
dividem-se em três grupos, de acordo com o uso ou a motivação psicológica: uns
são devido ao medo, outros a um sentimento de delicadeza e outros, ainda, a um
sentido de decência e decoro. Os tabus de medo têm a ver com
o pavor aos seres sobrenaturais, que impuseram tabus sobre seus nomes, como o demônio. As criaturas e as coisas vulgares dotadas de qualidades
sobrenaturais podem tornar-se alvo de terror e tabus.
Analogamente quando o filme: Le Dernier Tango à Paris estreou nos Estados Unidos da América em 1975 foi diante de uma enorme
controvérsia. O frenesi da imprensa populista em torno dele gerou enorme
interesse do público (cf. Aslan, 2010), assim como grande condenação moral,
típica de norte-americanos, levando a reportagens de capa nas duas maiores
revistas semanais do país. A revista “Time” – que colocou o ator Marlon Brando
na capa: “Last Tango in Paris Cover Story” – e “Newsweek” – “Tango: The Hottest
Movie” em 12 de fevereiro, 1973. O Village Voice descreveu “passeatas de
comitês de moralidade na porta de cinemas” e “mulheres bem vestidas vomitando”
(cf. “Last Tango in Paris: Can it arouse the
same passions now?”. In: “The
Independent”). Vincent Canby, crítico do jornal “The New York Times”, descreveu
o contexto sexual do filme como “a expressão artística da era de Norman
Mailer”. O principal centro do escândalo foram às cenas de sexo anal, onde “Paul”
sodomiza “Jeannie”, com manteiga “como lubrificante”. E quando pede a ela “que
enfie os dedos em seu cu”, ou, “prometa fazer sexo com um porco”, provando sua
devoção.
A prestigiada crítica de arte Pauline Kael, da revista The New Yorker, deu ao filme um dos mais entusiásticos endossos de sua
carreira profissional, considerando que ele tinha “mudado a face de uma forma
de arte, um filme que as pessoas esperam por ele há muito, muito tempo, desde
que filmes existem”. Seu elogio, vindo de alguém tão comedida neles e com tanto
prestígio na chamada indústria cultural, foi republicado pela United Artists
num anúncio do filme em página dupla na edição dominical do New York Times. Na versão que foi
mostrada na pré-estreia mundial, no Festival de Cinema de Nova York, havia uma
cena em que Paul afugentava de seu apartamento um vendedor de bíblias,
colocando-se de quatro e latindo como um cachorro. A cena foi elogiada pela
crítica de cinema Pauline Kael na revista New Yorker, mas Bertolucci decidiu
cortá-la da edição final.
Uma semana depois “a polícia confiscou todas as
cópias por ordem da Justiça e Bernardo Bertolucci foi processado por
obscenidade”. Robert Altman assistiu declarou que saiu da sala de projeção e
disse a si próprio: - “Quem vai se preocupar se eu fizer um novo filme? Minha
vida pessoal e artística nunca mais será a mesma”. A
década de 1990 começou com o colapso da União Soviética e o fim da Guerra Fria,
sendo esses seguidos pela consolidação da democracia, globalização e
capitalismo global. Fatos marcantes para a década foram a Guerra do Golfo e a
popularização do computador pessoal e da Internet.
Otimismo e esperança seguiram o colapso do Comunismo, mas os efeitos colaterais
do fim da Guerra Fria estavam só começando, como o advento terrorista em regiões
do 3° Mundo, especialmente na Ásia. O 1° Mundo experimentou crescimento
econômico estável durante toda a década. O Reino Unido, depois de uma recessão
em 1991-92 e a desvalorização da libra, conseguiu 51 bimestres seguidos de
crescimento que se seguiram no novo século.
Até nações com menor
representatividade no mercado econômico mundial, como a Malásia, tiveram
aperfeiçoamentos gigantescos. Mas deve-se notar que a economia dos Estados
Unidos da América permaneceu relativamente, sem crescimento econômico superavitário durante a primeira metade da
década. Contudo, dependendo do ponto de vista, muitos países,
instituições, companhias e organizações consideraram os anos 1990 como tempos
prósperos. Politicamente, foram anos de democracia expansiva. Os antigos países
do Pacto de Varsóvia logo saíram de regimes autoritários para governos recentemente
eleitos. Ocorreu com países economicamente em desenvolvimento como Taiwan, Chile,
África do Sul e Indonésia. Apesar da prosperidade e democracia, houve um lado
maléfico significativo. Na África, o aumento nos casos de doenças sexualmente
transmissíveis e inúmeras guerras levaram á diminuição da expectativa de vida
interrompendo o crescimento econômico. Em ex-nações soviéticas com a queda do socialismo Leste europeu, houve fuga de
capital e o Produto Interno Bruto (PIB) decrescente. Crises financeiras denominadas para países “em desenvolvimento”, permanecem e foram comuns depois de 1994, disseminados pela
globalização.
E eventos trágicos como as guerras dos Bálcãs, genocídio de
Ruanda, a Batalha de Mogadíscio e a 1ª guerra norte-americana do Golfo Pérsico, assim
como a demanda e propaganda contra o terrorismo, levou ao “choque de Estado”, para se referirem aos militares norte-americanos contra civilizações
Iraque, Irã etc. Mas esses fatos sociais e políticos foram apenas rememorados com
relevância na década de 2000. A cultura jovem aceitou o “Grunge” como mídia.
Passou a ser diversificada se ramificando em “tribos” num universo social muito
diverso do que decorreram desde o superficialismo e consumismo até a militância
ambientalista e antiglobalizante dos dias atuais. A expressão nas roupas e
através de tatuagens e “piercings” também fora marcante, bem como o consumo de
drogas com o surgimento do “ecstasy” ligado a cultura de música eletrônica o
aumento no consumo de maconha na classe média em geral. O jovem se
viu envolvido cada vez mais com sexo precoce. Foi vitima do aumento da
violência e descaso de políticas públicas nas esferas sobre
juventude nos centros urbanos.
O grunge tornou-se comercialmente bem-sucedido na
primeira metade da década de 1990, devido principalmente aos lançamentos das
célebres “Nevermind”, do Nirvana e “Tem”, do Pearl Jam. O termo grunge – que em seu sentido original significa “sujeira” ou “imundície” em inglês – descreve tanto o estilo visual do cabelo desgrenhado, roupas velhas e folgadas de bandas e fãs, quanto o som saturado e distorcido das guitarras que dão o tom agressivo as músicas. O sucesso dessas bandas
impulsionou a popularidade do chamado rock alternativo e fez do “grunge” seu estilo
musical e a forma mais popular de “hard rock” neste período de viragem estética e musical. No entanto, muitas
bandas “grunges” estavam desconfortáveis com tal popularidade. Apesar de a
maioria das bandas “grunges” ter se separado ou desaparecido no final da década
de 1990, sua influência continua a afetar o rock contemporâneo. A popularidade
do “grunge” começaria a diminuir em meados de 1990. Das grandes bandas que
deram vida ao movimento musical, só estão ativas em 2013: “Alice in Chains”, “Mudhoney”,
“Soundgarden”, “The Melvins” e “Pearl Jam”.
No cinema da década de 1990, o “pop” casa-se com o
clássico. A palavra de ordem é diversidade: “O Silêncio dos Inocentes” entra
para a história da cultura ao ganhar os cinco principais Óscares; “A Lista de
Schindler” emociona de forma chocante multidões de pessoas pelo mundo
cosncientizado pelo holocausto; “Forrest Gump”, com o homem diante da guerra e
da morte, apresenta um astro definitivo, Tom Hanks; Quentin Tarantino é
revelado como um dos grandes gênios da modernidade e muda o rumo dos
acontecimentos ao revolucionar com o extraordinário “Pulp Fiction”; “Um Sonho
de Liberdade” emociona com uma das mais belas histórias do cinema; e Sharon
Stone cruza fatalmente suas pernas na sedução erótica de “Instinto Selvagem”. A
plateia se toca e se eletriza com histórias sensíveis, como a representação “The
Piano” e “Magnolia”. Tom Hanks ganha duas estatuetas Óscares consecutivos e Julia Roberts se torna “a
musa da década” ao estrelar a saborosa “Pretty Woman”. No Brasil, o cinema é
novamente reinventado e “Central do Brasil” conquista a crítica ocidental,
vencendo o Festival de Berlim e o Globo de Ouro. A cultura brasileira tornou-se
mais valorizada, com a “ressurreição” do cinema e a boa recepção de músicos
brasileiros no exterior. O esporte também passou relativamente por bons
momentos, com 25 medalhas olímpicas e títulos mundiais no futebol masculino e
basquete feminino.
Bibliografia geral consultada.
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García, La Increíble y Triste Historia de
la Cândida Eréndira y de su Abuela Desalmada. Colombia: DeBols!llo, 1972; DE MARCHI, Luigi, Wilhelm Reich: Biografía de una idea. Barcelona: Península, 1974;
REICH, Wilhelm, La Función del Orgasmo.
Buenos Aires: Paidós, 1974; Idem, O Combate Sexual da Juventude. 2ª edição. Lisboa: Editor Antídoto, 1978; DELEUZE,
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Paris: Éditions Minuit, 1983; ALBERONI, Francesco, O Erotismo, Fantasias e Realidades do Amor e da Sedução. São Paulo: Editor Circulo do Livro, 1986; FAUSTO NETO, Antonio,
Mortes em Derrapagens – Os Casos Corona e Cazuza. Rio de Janeiro: Editor
Rio Fundo, 1991; MANNHEIM, Karl, “El Problema de las Generaciones”. In: Revista Española de Investigaciones
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ou Terceira Idade? Estudos Antropológicos sobre Identidade, Memória e Política.
Rio de Janeiro: Editora Fundação Getúlio Vargas, 1998; HERNÁNDEZ, Fernando, “¿ De qué Hablamos quando Hablamos de Cultura Visual?”. In: Educação & Realidade, 30 (2):
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2010; WELLER, Wivian, “A Atualidade do Conceito de Gerações de Karl Mannheim”.
In: Soc. estado. Vol. 25 n° 2. Brasília May/Aug. 2010; BENTES, Arone do
Nascimento, O Patrimonialismo como Cultura Institucional no Instituto
Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas. Tese de Doutorado em Educação. Programa de Pós-Graduação em Educação. Manaus:
Universidade Federal do Amazonas, 2015; KLOTZ-SILVA, Juliana, Hábitos Alimentares e Comportamento: Do que Estamos Falando? Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Alimentação, Nutrição e Saúde. Centro Biomédico. Instituto de Nutrição. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2015; entre outros.
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* Sociólogo (UFF), Cientista Político (UFRJ), Doutor em Ciências junto à Escola de Comunicações e Artes. São Paulo: Universidade de São Paulo (ECA/USP). Professor Associado da Coordenação do curso de Ciências Sociais. Centro de Humanidades. Fortaleza: Universidade Estadual do Ceará (UECE).