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domingo, 7 de janeiro de 2024

Os Colonos – Política, Revisionismo & Cinema de Mestiços Chilenos.

                                A poesia tem comunicação secreta com os sofrimentos do homem”. Pablo Neruda           

        The Settlers (Los Colonos, 2023) tem como representação um filme de drama ocidental revisionista, dirigido por Felipe Gálvez Haberle em sua estreia na direção, que co-escreveu o roteiro com Antonia Girardi em colaboração com Mariano Llinás. O filme é estrelado por Mark Stanley, Camilo Arancibia, Benjamin Westfall, Alfredo Castro, Mishell Guaña, Sam Spruell, Marcelo Alonso e Adriana Stuven. É uma coprodução entre Chile, Argentina, Reino Unido, Taiwan, França, Dinamarca, Suécia e Alemanha. No cinema & televisão, o drama é uma categoria ou gênero de ficção narrativa (ou semificção) que pretende ser mais sério dramaticamente do que humorístico em tom. O drama desse tipo social geralmente qualificado com termos adicionais que especificam seu supergênero, macrogênero ou microgênero específico, como novela, drama policial, drama político, drama jurídico, drama histórico, drama doméstico drama adolescente e drama de comédia (dramédia). Esses termos tendem a indicar um cenário histórico e pontual ou assunto específico, ou combinam a questão da interpretação da realidade de um drama com elementos que encorajam uma gama mais ampla de estados de espírito.  Para esses fins, um elemento primário em um drama é a ocorrência de conflito emocional, social ou politicamente e sua resolução no decorrer do enredo.  

Todas as formas de cinema ou televisão que envolvem histórias de ficção são formas de drama no sentido mais amplo se sua narrativa for alcançada por meio de atores que representam (mimese) personagens. Nesse sentido mais amplo, o drama é um modo distinto de romances, contos e poesia narrativa ou canções. Na Era Moderna, antes do nascimento do cinema ou da televisão, o drama dentro do teatro representava um tipo de peça que não era nem uma comédia nem uma tragédia. É esse sentido mais restrito que as indústrias de cinema e televisão, também chamadas culturais, juntamente com os estudos de cinema, adotaram. Radiodrama tem sua utilidade de uso em ambos os sentidos, mas objetivando e transmitido em uma apresentação ao vivo, também tem sido usado para descrever o lado mais intelectual e cognitivo da produção dramática do rádio. O fato social provoca uma série de mudanças nos hábitos dos moradores e também uma divisão heteróclita de ânimos: enquanto alguns ficam felizes com a TV, outros, mais pessimistas, temem uma invasão inoportuna que vai desestabilizar a vida de seus moradores. Em meio a uma série de conflitos e superstições, manter a calma e se adaptar às mudanças parece ser a solução adequada, mas sem antes causar um certo alvoroço.

A história da televisão começou no início do século XX por meio de experimentos realizados por diferentes inventores sociais. Seu desenvolvimento se deu graças a uma série de outros avanços tecnológicos que se estendiam desde o século XIX. Na véspera da 1ª grande guerra (1914-1918) foi prometido ao patriarca Shimun XIX Benyamin (1887-1918) um “tratamento preferencial em antecipação à guerra”. Pouco depois do início da guerra, no entanto, assentamentos assírios e armênios ao Norte de Hakkari foram atacados e saqueados por irregulares guerrilheiros curdos aliados ao exército otomano no genocídio assírio. Outros foram forçados a trabalhar em batalhões e posteriormente executados. O ponto de virada foi quando o irmão do patriarca foi feito prisioneiro enquanto estudava em Constantinopla, famosa por suas defesas maciças e complexas. O primeiro muro da cidade foi erguido por Constantino e cercava a cidade por todos os lados. Os otomanos exigiram a neutralidade assíria e o executaram como advertência. Em troca, o patriarca declarou guerra aos otomanos em 10 de abril de 1915. Os assírios foram atacados por curdos apoiados pelos otomanos, levando a maioria dos Hakkarianos aos cumes das montanhas, pois os que ficaram nas aldeias foram mortos. Shimun Benjamin conseguiu mover-se para Urmia, e tentou persuadi-los a enviar uma força aos assírios sitiados. Mar Benyamin Shimun, nasceu em Qudchanis em 1887.         

O transistor revolucionou o campo da eletrônica e abriu caminho para rádios, calculadoras e computadores menores e mais baratos, entre outras coisas. Transistor é um dispositivo semicondutor usado para amplificar ou trocar sinais eletrônicos e potência elétrica. É composto de material semicondutor com pelo menos três terminais para conexão a um circuito externo. Uma tensão ou corrente aplicada a um par de terminais do transistor controla a corrente através de outro par de terminais. Alguns transistores são embalados individualmente, outros são embutidos em circuitos integrados. Provém de transfer varistor como é chamado pelos seus inventores. O transistor é o bloco de construção fundamental dos dispositivos eletrônicos modernos e é onipresente nos sistemas. Julius Edgar Lilienfeld (1882-1963) patenteou um transistor de efeito de campo em 1926, mas não foi possível construir um dispositivo de trabalho naquele momento. O primeiro dispositivo praticamente implementado foi um transistor de contato pontual inventado em 1947 pelos físicos norte-americanos John Bardeen (1908-1991), Walter Brattain (1902-1987) e William Shockley (1910-1989). O transistor está na lista de marcos do IEEE, sigla para Instituto de Engenheiros Eletrônicos e Eletricistas, a maior organização técnica e profissional do mundo em eletrônica, e Bardeen, Brattain e Shockley dividiram o Prêmio Nobel de Física (1956) pela criação inovadoramente tanto científica quanto de utilidade de uso ordinário. A maioria dos transistores é de silício puro, ou germânio, elementos que têm propriedades semelhantes que semicondutores e podem ser usados do ponto de vista técnico e socialmente.   

Do ponto de vista técnico-metodológico um transistor pode ter apenas um tipo de portador de carga, em um transistor de efeito de campo, ou pode ter dois tipos de portadores de carga em dispositivos de transistor de junção bipolar. Comparado com válvula termiônica, eles são menores e requerem menos energia para operar. Certos tubos de vácuo têm vantagens sobre os transistores em frequências de operação muito altas ou altas tensões operacionais. alguns transistores são feitos para especificações padronizadas por vários fabricantes. O tríodo termiônico é um tubo a vácuo inventado em 1906, que possibilitou a amplificação da tecnologia de rádio e a telefonia típica de longa distância. O tríodo, no entanto, era um dispositivo frágil que consumia uma quantidade substancial de energia. Em 1909, o físico William Eccles (1875-1966) descobriu o oscilador de diodo de cristal. O físico Julius Edgar Lilienfeld depositou uma patente para um field effect transistor (FET) no Canadá em 1925, que foi planejado para ser um substituto de estado sólido para o tríodo. O físico também apresentou patentes idênticas nos Estados Unidos da América em 1926 e 1928. No entanto, não publicou nenhum artigo sobre seus dispositivos, nem suas patentes citam exemplos específicos de algum protótipo funcional. Como a produção de materiais semicondutores de qualidade estava caminhando a décadas de distância, as ideias de amplificadores de estado sólido não teriam encontrado utilidade de uso nas economias nascentes nas décadas de 1920 e 1930, mesmo se tal dispositivo tivesse sido construído para o capital globalizado.

Em 1934, o inventor alemão Oskar Heil patenteou um dispositivo similar na Europa. Oskar Heil (1908-1994) foi um engenheiro elétrico e inventor alemão. Ele estudou multidisciplinarmente física, química, matemática e música na Universidade Georg-August de Göttingen e obteve seu doutorado em 1933, por seu trabalho em espectroscopia molecular. Na universidade Oskar Heil conheceu Agnesa Arsenjewa (1901-1991), uma promissora jovem física russa que também obteve seu doutorado na mesma universidade. Eles se casaram na cidade de Leningrado, na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) em 1934. Juntos eles se mudaram para o Reino Unido para trabalhar no Laboratório Cavendish, da Universidade de Cambridge. Durante uma viagem à Itália, eles co-escreveram um artigo pioneiro sobre a geração de micro-ondas que foi publicado na Alemanha no Zeitschrift für Physik em 1935. Agnesa retornou à Rússia para prosseguir trabalhando no Instituto Físico-Químico de Leningrado com o marido. Ele retornou ao Reino Unido; Agnesa, enquanto mulher em condições e possibilidades trabalho se tornou assunto sensível, mas seu ersatz não teve permissão para sair. De volta à Grã-Bretanha trabalhou para a Standard Telephones and Cables. De 17 de novembro de 1947 a 23 de dezembro de 1947, John Bardeen e Walter Brattain da Bell Labs da AT&T em Murray Hill, Nova Jersey, nos Estados Unidos, realizaram experimentos e observaram quando dois pontos de ouro eram aplicados a um cristal de germânio, um sinal foi produzido com a potência de saída maior que a entrada.

O líder do Grupo de Física do Estado Sólido, William Shockley, viu o potencial nos meses subsequentes trabalhando para ampliar o reconhecimento sobre semicondutores. O termo transistor foi cunhado por John Robinson Pierce (1910-2002) como uma contração do termo transresistência. De acordo com Lillian Hoddeson e Vicki Daitch, autores de uma biografia de John Bardeen, Shockley propôs que a primeira patente do Bell Labs para um transistor deveria ser baseada no efeito de campo e que ele fosse nomeado como o inventor. Tendo desenterrado as patentes de Lilienfeld que entraram na obscuridade alguns anos antes, os advogados da Bell Labs desaconselharam a proposta de Shockley porque a ideia de um “transistor de efeito de campo” que usasse um campo elétrico como “grade” não era nova. Em vez disso, o que o trio da transresistência Bardeen, Brattain e Shockley inventaram em 1947 foi o primeiro transistor de contato pontualmente. Em 1948, o transistor de “ponto de contato” foi inventado independentemente pelos físicos alemães Herbert Mataré (1912-2011) e Heinrich Welker (1912-1981) enquanto trabalhavam na Compagnie des Freins et Signaux, uma subsidiária da Westinghouse localizada em Paris. Em reconhecimento a essa conquista reveladora científica, William Shockley, John Bardeen e Brattain receberam o Prêmio Nobel de Física de 1956 com a invenção “por suas pesquisas sobre semicondutores e sua descoberta do efeito do transistor”. O último Prêmio Nobel de Literatura foi concedido a Jon Fosse em 2023.

Herbert Mataré tinha experiência anterior no desenvolvimento de retificadores de cristal de silício e germânio no esforço de radar alemão durante a 2ª guerra mundial (1939-1945). Usando esse conhecimento, ele começou a pesquisar o fenômeno da “interferência” em 1947. Em junho de 1948, testemunhando correntes fluindo através de pontos de contato, Mataré produziu resultados consistentes usando amostras de germânio produzidas por Welker, semelhante ao que Bardeen e Walter Brattain haviam realizado antes, em dezembro de 1947. Percebendo que os cientistas da Bell Labs já haviam inventado o transistor antes deles, a empresa colocou seu “transístor” em produção para utilidade de uso comercialmente na rede de telefonia da França. Os primeiros transistores de junção bipolar foram inventados por William Shockley (1910-1989), da empresa industrial e de pesquisa Bell Labs, que solicitou registro da patente em 26 de junho de 1948. Em 12 de abril de 1950, os químicos Gordon Teal (1907-2003) e Morgan Sparks (1916-2008), da Bell Labs, produziram com sucesso uma junção NPN bipolar que amplificava o transistor de germânio. A Bell Labs anunciou a descoberta deste novo transistor “sanduíche” em um comunicado de imprensa em 4 de julho de 1951.

A televisão na Turquia foi introduzida em 1964 pelo provedor de mídia do governo TRT. O primeiro canal de televisão turco, ITU TV, foi lançado em 1952. A primeira televisão nacional é o TRT 1. A televisão colorida foi introduzida em 1981. Naquela época o único canal com o nome de TRT 1, e transmitia em vários momentos da linha de dados. O primeiro canal privado de televisão da Turquia, Star, começou a ser transmitido em 26 de maio de 1989. Até a década de 1990, havia apenas um canal de televisão controlado pelo Estado, mas com a onda de liberalização, a transmissão de propriedade privada começou. O mercado de televisão da Turquia é definido por uma quantidade de grandes canais, liderados pelo Kanal D, ATV e Show TV, respectivamente com 14%, 10% e 9,6% de participação econômica concentrada de mercado. As plataformas de recepção são simultaneamente terrestres e de satélite, com quase 50% das casas usando satélite, 15% eram serviços pagos em 2009. Três serviços dominam o mercado multicanal: as plataformas de satélite Digitürk e D-Smart e o serviço de TV a cabo Türksat. Não queremos perder de vista que o extraordinário filme Vizontele representa uma produção cinematográfica baseada nas memórias fantásticas do próprio diretor.

            Os homens, lembram-nos Nietzsche (2008) que têm falado em suma do amor com tanta ênfase e idolatria porque nunca o tiveram em demasia e porque nunca podiam ficar saciados com esse alimento: é assim que acaba por se tornar para eles “alimento divino”. Se um poeta quisesse mostrar a imagem realizada da utopia do amor universal dos homens, certamente deveria descrever um estado atroz e ridículo de que nunca se viu igual na terra – cada um seria assediado, importunado, e desejado, não por um só amante, mas por milhares e mesmo por todos, graças a uma tendência irresistível que será insultado, que será amaldiçoado como o fez a humanidade antiga com o egoísmo; e os poetas dessa nova época, se lhe deixarem o tempo compor obras, sonharão apenas com o feliz passado sem amor, com o divino egoísmo, com a solidão de outrora ainda era possível na terra, com a tranquilidade, com o estado de antipatia, de ódio, de desprezo e quaisquer que sejam os nomes da cara animalidade que vivemos. Em questões intelectuais sobre costumes, agir uma única vez que seja ao encontro daquilo que reputamos preferível; ceder aqui, na prática do dia, conservando, contudo, a liberdade intelectual.

            Em 1893, Segundo, um mestiço chileno, Alexander MacLennan, um veterano escocês, e Bill, um mercenário americano, embarcam em uma expedição a cavalo para delimitar e recuperar as terras que o Estado concedeu a José Menéndez. O que parece ser uma expedição administrativa se transforma em uma caçada violenta aos Onas, os nativos do arquipélago da Terra do Fogo. O genocídio Selknam está no centro do filme. Graças às suas excelentes habilidades de tiro, Segundo é inicialmente escolhido como o único homem a acompanhar MacLennan em sua missão. No entanto, no dia da partida, José Menéndez informa MacLennan que um homem de sua escolha, um mercenário chamado Bill, se juntará a eles. MacLennan ostenta uma jaqueta vermelha característica e acredita-se que tenha servido como tenente no exército britânico. Quando estão sozinhos, Bill compartilha suas dúvidas sobre a confiabilidade de Segundo com MacLennan e questiona por que, como tenente, ele não tem mais homens o seguindo, ao que MacLennan responde que Segundo é disciplinado e que um homem disciplinado é melhor do que dez indisciplinados. Após vários dias de viagem sem ver ninguém, o trio encontra um grupo de soldados na fronteira argentina acompanhando um cientista encarregado de mapear a fronteira argentina. O trio participa de várias competições com os soldados, incluindo tiro, queda de braço e boxe. À noite, o cientista reflete sobre os perigos de deixar um militar entediado e demonstra um interesse perverso pelos nativos americanos. MacLennan questiona se o cientista sabe a localização de mais nativos.

Depois de deixar os soldados e o cientista em seu acampamento, o trio continua até encontrar um grupo de nativos americanos. MacLennan e Bill trabalham juntos para massacrar a maioria das pessoas ali, enquanto Segundo não consegue matar nenhum deles, embora considere atirar em Bill, mas acaba desistindo. Após o massacre, MacLennan e Bill se revezam estuprando uma jovem sobrevivente. Quando Segundo se recusa a se juntar a eles, MacLennan ameaça matá-lo se ele não o fizer. Como a vítima está caída fora da vista dos outros, Segundo finge concordar com o pedido de MacLennan, mas em vez disso mata a jovem ao alcançá-la, presumivelmente para poupá-la de mais sofrimento. Em seguida, o trio se depara com um grupo de soldados ingleses, cujo líder revela, durante um jantar compartilhado, que MacLennan não é tenente, mas apenas um soldado disfarçado de tenente. Bill demonstra surpresa por um oficial estar disposto a compartilhar uma refeição com um soldado raso, momento em que o oficial inglês atira e mata Bill, enojado. O oficial oferece a MacLennan uma mulher indígena americana como substituta de Bill, que MacLennan aceita. O oficial estupra MacLennan. Segundo, MacLennan e a mulher partem juntos na manhã seguinte.

Sete anos depois, José Menéndez está morando em uma bela mansão chilena em Punta Arenas e é acompanhado por sua filha e um clérigo quando recebem a visita de um homem chamado Marcial Vicuña, enviado da capital para avaliar o que pode ser feito pelo povo do Chile em comemoração ao seu centenário. Menéndez afirma que muitos homens já visitaram esta área antes e se concentraram apenas nos aspectos negativos, sem realmente ajudar. Vicuña pergunta se os aspectos negativos aos quais ele se refere incluem os feitos de homens como Alexander MacLennan, apelidado de O Porco Vermelho. Menéndez revela que MacLennan já morreu, mas trabalhou para ele por muitos anos e Vicuña conta uma história que leu, na qual afirmava que MacLennan e seus homens envenenaram uma baleia encalhada, resultando na morte de cem nativos americanos. Menéndez defende seu ex-funcionário, referindo-se a ele como Tenente MacLennan, e sua filha e o clérigo também defendem as ações tomadas contra os nativos. Quando não se consegue chegar a um acordo entre os quatro, Menéndez leva Vicuña para um escritório no andar de cima para que os dois possam "conversar seriamente". Vicuña explica que o governo de Santiago acredita que todos os grupos sociais devem viver e trabalhar juntos para alcançar a paz, ao que Menéndez diz que eles já vivem em paz nesta parte do Chile.

Vicuña afirma que um acordo foi alcançado com os Mapuche e agora deseja falar com os Onas para firmar um com eles. No entanto, ele afirma que seu principal objetivo é enterrar alguns dos aspectos mais violentos de como Menéndez chegou a possuir tantas terras. Marcial Vicuña viaja então para a Ilha de Chiloé para tentar encontrar Segundo, onde é recebido por uma indígena americana chamada Rosa, esposa de Segundo. Ela diz a Vicuña, cuja autoridade ela desrespeita, que Segundo está no mar e não tem certeza de quando ele voltará. No entanto, essa declaração é interrompida por Segundo saindo de casa, momento em que Vicuña pressiona Rosa para deixá-lo falar com Segundo. Uma vez dentro de casa, Vicuña explica a Segundo que deseja relatar detalhes dos crimes violentos que Menéndez o fez cometer. Ele pergunta como Segundo e Rosa se conheceram, e Segundo explica que Menéndez nomeou MacLennan como Juiz de Paz e que Rosa deveria ajudar a traduzir as discussões entre MacLennan e os nativos. No entanto, Segundo conta que MacLennan ofereceu um grande banquete à beira-mar para mais de trezentos nativos americanos. Assim que todos os presentes estavam bêbados, MacLennan, Segundo e outros pegaram rifles e começaram a matar todos os nativos, jogando-os no mar e estrangulando-os quando necessário. Vicuña então acomoda o casal em uma mesa do lado de fora da casa, com um jogo de chá à frente. Ele pede para sua assistente, Laura, encher as xícaras e, em seguida, instrui cada um a beber o chá enquanto ele os filma. Segundo o faz quase imediatamente, mas Rosa não, apesar das exigências e da insistência de Vicuña precisa fazer se quiser “fazer parte desta nação”.

O filme Os Colonos teve sua estreia mundial em 22 de maio de 2023, no 76º Festival de Cinema de Cannes, um festival de cinema criado em 1946, conforme concepção de Jean Zay, e até 2002 chamado Festival International du Film, é um dos mais prestigiados e famosos festivais de cinema do mundo. Acontece todos os anos, no mês de maio, na cidade francesa de Cannes. O “mercado do filme” (marché du film) acontece paralelamente ao festival. Depois foi exibido em 12 de agosto de 2023, na seção Competição de Ficção do 27º Festival de Cinema de Lima e logo em 7 de setembro de 2023, na seção Peça Central do 48º Festival Internacional de Cinema de Toronto. A MUBI anunciou que adquiriu os direitos de distribuição para vários territórios, incluindo América do Norte, América Latina, Reino Unido, Itália, Suíça, Áustria, Alemanha, Turquia, Índia e Benelux. Eles planejam lançar o filme nos cinemas do Reino Unido, formado por Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, é uma nação insular situada no Noroeste da Europa. A Inglaterra, local de nascimento de William Shakespeare e dos trabalhadores revolucionários The Beatles, abrigam a capital, Londres, um centro financeiro e cultural globalmente influente. Também na Inglaterra, ficam o neolítico Stonehenge, as termas romanas de Bath e as centenárias universidades de Oxford e Cambridge e dos Estados Unidos da América. No site de críticas Rotten Tomatoes, 93% das 55 avaliações dos críticos são positivas, com uma classificação média de 7,5/10. O Metacritic, que usa uma média ponderada, atribuiu ao filme uma pontuação de 82 em 100, com base em 7 críticos, indicando “aclamação universal”.

Isto é, comportar-se como todos e manifestar assim, a todos, uma amabilidade e uma bondade para compensá-los de alguma forma das divergências de nossas opiniões: - tudo isso é considerado, entre os homens um pouco independentes, não somente como admissível, mas também como honesto, humano, tolerante, nada pedante e quaisquer que sejam os termos que se usa para adormecer a consciência intelectual: e é assim que tal faz batizar cristãmente seu filho apesar de ser ateu, outro cumpre seu serviço militar como todos, embora condene severamente o ódio, e um terceiro se apresenta à igreja com uma mulher porque ela “é de piedosa família e faz promessas diante de um padre sem sentir vergonha de sua inconsequência”.  A intolerância, por outro lado, é um filme mudo norte-americano considerado uma das obras-primas do cinema mudo.  Nos filmes mudos, o diálogo é transmitido através de gestos suaves, mímica e letreiros explicativos. A ideia de combinar filmes com sons gravados é quase tão antiga quanto o próprio cinema, mas antes do fim dos anos 1920, os filmes eram mudos em sua maior parte, devido à inexistência de tecnologia para tornar isso possível. Os anos anteriores à chegada do som ao cinema são reconhecidos como a chamada “era muda”, ou, a chamada “era silenciosa” entre os estudiosos do tema e historiadores. Considera-se que a arte cinematográfica atingiu a maturidade plena antes da substituição dos filmes mudos para a passagem de “filmes sonoros” e alguns cinéfilos defendem que a qualidade dos filmes baixou durante alguns anos, até que o novo meio sonoro estivesse totalmente adaptado ao cinema.

A América Latina está localizada na totalidade no hemisfério ocidental, cujas linhas imaginárias que atravessam são: o Trópico de Câncer, pelo qual é cortado o centro do México; o Equador, linha imaginária passada no Brasil, Colômbia, Equador e pelo qual perpassa o norte do Peru e o Trópico de Capricórnio, pelo qual são atravessados o Brasil, o Paraguai, a Argentina e o Chile. A América Latina é um complexo cultural das Américas a qual é distribuída irregularmente pelos hemisférios norte e sul, porque a maioria de suas terras é estendida ao sul da Linha do Equador. Na América Latina são comportadas diversas culturas, porque estão misturados línguas, etnias e costumes. Há predomínio do espanhol como língua dos países da América Latina, com a invasão e conquista das ilhas do Caribe em 1492, se estendeu rapidamente através da América com os colonos procedentes principalmente de Andaluzia e Extremadura, mas também de outras partes da Espanha, que se estabeleceram ali nos séculos XVI e XVII constituindo-se ao redor de 200 mil pessoas nesses séculos. É falado por mais de 370 milhões de latino-americanos, mas também o português, francês e, em certas regiões ao norte do continente, inglês e neerlandês. Há muitas e várias línguas nativas, merecendo destaque o quíchua, legado dos Incas e idioma que se fala no Peru, Equador, Bolívia e Argentina.

Línguas românicas oficiais na América Latina: português em laranja; espanhol em verde e francês em azul. A etnia dos habitantes da América Latina tem grande variação de país a país. Apesar da intensidade de mestiços, existem algumas nações em que a maior parte dos habitantes é branca como a Argentina e Uruguai, outras, ungidas no âmbito do processo civilizatório, onde quase todos os habitantes são de origem negra, como ocorre no Haiti, República Dominicana, Granada, Bahamas e Barbados e outras, onde está fortemente presente na origem continental o índio: Peru, Bolívia, México, Equador e Paraguai. Existem países mestiços de verdade: Colômbia e Venezuela e demais como o Brasil, no qual são existentes regiões de população com pequeno predomínio de brancos e demais onde é apresentada maior parte de negros, mestiços, mulatos ou índios. O Partido Democrata Cristão do Chile, também de Democracia Cristã, é um partido político chileno fundado em 28 de julho de 1957, através de diversos grupos sociais-cristãos. Participaram de sua criação a Falange Nacional e o Partido Conservador Social Cristão, grupos sectários do Partido Conservador, e que formavam a Federação Social Cristã. É integrante da Internacional Democrata Cristã. Atualmente, ele é o maior partido em termos de número de militantes com pouco mais de 113 mil membros. O PDC adere ao humanismo cristão surgido nos ensinamentos da encíclica social Rerum Novarum, ditada pelo papa Leão XII em 1891, e as posteriores, que buscam entregar diretrizes nas vidas socalmente das pessoas para poder criar uma sociedade mais justa contemporaneamente e que resolva os graves problemas sociais, provocados pela Revolução Industrial e as duras práticas egoístas do liberalismo.

Na história social do século XX no Chile, o PDC teve uma posição de centro democrática. Suas principais medidas na história do Chile são a Reforma Agrária, a Nacionalização do Cobre, oposição ao governo de Unidade Popular, sua participação na recuperação democrática, a defesa dos direitos humanos, violentados durante o Governo Militar que regeu o país sob comando de Augusto Pinochet (1973-1990) e a modernização do país nos últimos 15 anos, com sua participação nos governos da Concertación. O período da República Presidencialista, da Constituição de 1925 até o golpe de Estado de 1973, marcou uma mudança nas instituições do país. Três partidos passaram a dominar a política: o Partido Radical, o Partido Democrata Cristão do Chile e os Partido Socialista do Chile. Muitas empresas públicas foram criadas neste período. Seu final foi marcado pelo triunfo das ideias políticas de esquerda e socialistas. Entretanto, após o Golpe de Estado de 11 de setembro de 1973 que derrubou o presidente democraticamente eleito Salvador Allende (1908-1973), um regime militar ditatorial tomou o poder violentados durante o Governo que regeu o país sob comando de Augusto Pinochet (1973-1990) a modernização nos últimos 15 anos, com sua participação nos governos da Concertación. Dezenas de milhares de apoiantes da oposição foram presos, torturados ou mortos, inclusive no exterior, outros deportados ou condenados ao exílio.

O cinema latino-americano sofreu com o problema do isolamento econômico entre os diferentes países, o que impediu a criação de um mercado latino-americano de cinema. Desse modo, a maior parte de sua produção depende da capacidade econômica de cada país e do tamanho de seus mercados internos. Desde a origem do cinema sonoro em 1930, até 1996, 89% da produção total cinematográfica se concentrou somente em três países: Argentina, Brasil e México. Até meados do século XX, o cinema mexicano e, em menor medida, igualmente o argentino, tiveram considerável presença latino-americana, com expoentes como Cantinflas ou Libertad Lamarque. No entanto, com o decorrer da década de 1960, praticamente a presença internacional do cinema mexicano e argentino desapareceu. O início veio como o Festival do Cinema Latino-americano de Pesaro na década de 1960, porém o momento-chave foi o Encontro de Cinema Latino-americano de 1967, seu ersatz no motor no chileno Aldo Francia do Cine Club de Viña del Mar, no cubano Alfredo Guevara do Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica e no argentino Edgardo Pallero. Foi a primeira vez que se reuniram homens e mulheres do cinema de quase todos os países latino-americanos. Até o final da década surge uma geração de cineastas de grande importância, como os brasileiros Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos, os argentinos Fernando Solanas e Leonardo Favio, os cubanos Tomás Gutiérrez-Alea e Santiago Alvarez, e os chilenos Raúl Ruíz, Miguel Littin e Lautaro Murúa, um movimento de “Novo Cinema Latino-americano”.

A década de 1960 foi demarcada pelo expressivo posicionamento social da população, o engajamento político e o reflexo da política nas artes, não foi diferente com o cinema. No círculo das artes é possível salientar as vozes de protesto que se dá através da música, do teatro, cinema e artes plásticas. Na música, o tropicalismo brasileiro se direcionava a problemática social em contexto latino-americano nos palcos, como: Arena conta Zumbi, Opinião, Barrela e Roda Vida, as adversidades da realidade do país. O cinema, se tornava algo diferente, sendo chamado em geral de Novo Cinema Latino-Americano, onde se era redefinindo sua poética, os diretores retrataram a seu modo, os sinais de um país em crise. Começa a ser transido a presença do pop e do novo realismo francês, com o disparo criativo dos artistas jovens da exposição que ficou conhecida como Opinião 65. Seguindo o espírito político contestador que percorreu por toda década, os movimentos cinematográficos dos anos 1960 são marcados pelo seu aspecto original, valorizando a criação de estilos próprio, no caso da América Latina. O Novo Cinema Latino-americano diferenciou-se notavelmente do cinema nacional do período 1930-1960, por orientar-se muito mais o cinema independente e relativamente afastado dos mecanismos comerciais relacionados com os sistemas globais de entretenimento.

A retomada do cinema latino-americano foi o período em que os países do cone-sul voltaram aos poucos ao antigo ritmo de produções cinematográficas de antes dos períodos de repressão. A partir da segunda metade da década de 1990, o número de produções aumentou e surgiu um novo gênero, os filmes que retratavam as ditaduras, como por exemplo: O que é isso, Companheiro? é um filme de 1997, dirigido por Bruno Barreto, com roteiro parcialmente baseado no livro homônimo de Fernando Gabeira, escrito em 1979. Em 1970, Gabeira foi preso na cidade de São Paulo. Resistiu à prisão e tentou fugir em direção a um matagal que existia por perto. Vários tiros foram disparados e um deles atingiu suas costas, perfurando rim, estômago e fígado. Encarcerado, recebeu a liberdade em junho do mesmo ano, tendo sido trocado com outros 39 presos pelo embaixador alemão Ehrenfried von Holleben, que também havia sido sequestrado. O episódio foi justificado pelos sequestradores como uma tentativa de pressionar o regime militar a libertar quinze presos políticos ligados às organizações da esquerda política consideradas clandestinas naquele momento histórico. A ação teve sucesso em seus objetivos, uma vez que tais presos foram de fato libertados e exilados do país, porém pelo menos dois dos sequestradores não resistiram à tortura após serem capturados, enquanto outros foram obrigados a deixar o país. Ao longo de quase uma década, esteve em vários países dentre os quais o Chile, a Suécia e a Itália. Na Suécia, onde passou a maior parte do exílio, formou-se em Antropologia na Universidade de Estocolmo e a profissão de repórter até a função de condutor de metrô em Estocolmo.

Alguns nomes dos personagens ligados à guerra de guerrilha foram trocados em relação aos verdadeiros, tanto no livro como na vida real. O Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR8) foi uma organização política marxista que participou da luta armada contra a ditadura militar brasileira. Surgiu em 1964, no meio universitário da cidade de Niterói, no estado do Rio de Janeiro, com o nome de Dissidência do Rio de Janeiro (DI-RJ). Depois foi rebatizada em memória do dia em que Ernesto Che Guevara foi capturado, na Bolívia, em 8 de outubro de 1967. Atualmente o grupo de orientação política marxista dedica-se a participar do movimento social e político popular e a editar o jornal Hora do Povo. Também é responsável pelo Partido Pátria Livre, fundado em 2009, e fundido ao Partido Comunista do Brasil em 2019. Na década de 2000 o cinema nacional nos países latino-americanos comparativamente cresceu, retomando o fôlego inicial. Os principais países produtores de cinema são o Brasil e a Argentina, sendo que a Argentina possui uma maior percentagem de público consumidor do cinema nacional, porém isso vem mudando no Brasil. Segundo dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine), órgão oficial do governo federal, constituída como agência reguladora, com sede na cidade de Brasília, cujo objetivo é fomentar, regular e fiscalizar a indústria cultural cinematográfica e videofonográfica nacional, o público que assistiu a filmes nacionais em 2017, dobrou com relação a 2012, indo de dados estatísticos concretos em torno de 15 milhões para 30 milhões de telespectadores. Argentina, Brasil e México lideram a produção, com o ingresso de uma considerável cinematografia singular de Cuba, e nahuatl nas sociedades latino-americanas da Colômbia, Chile, Bolívia, Peru e Venezuela.

Bibliografia Geral Consultada.

STAVENHAGEN, Rodolfo, “Siete Tesis Equivocadas sobre a América Latina”. In: Desarrollo Indoamericano, 1 (1966); RIBEIRO, Darcy, Os Índios e a Civilização. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1970; STEIN, Stanley, The Colonial Heritage of Latin America. Essays on Economic Dependence in Perspective. Oxford University Press, 1970; MARIÁTEGUI, José Carlos, Defensa del Marxismo. 6ª edición. Lima: Biblioteca Amauta, 1974; ARGUEDAS, José María, Señores e Indios: Acerca de la Cultura Quéchua. São Paulo: Editora Arca, 1976; MONTALBÁN, Manoel Vásquez, História y Comunicación Social. Madrid: Editorial Alianza, 1985; SILVA, Carlos Eduardo Lins da, O Adiantado da Hora. A Influência Americana sobre o Jornalismo Brasileiro. Tese de Doutorado. São Paulo: Editora Summus, 1991; SODRÉ, Muniz, A Comunicação do Grotesco. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 1991; SQUIRRA, Sebastião Carlos de Morais, Boris Casoy: O Âncora no Telejornalismo Brasileiro. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 1993; CAMLONG, André, “La Technê Rhetorikê”. In: Diacrítica, nº 15, pp. 3-53; 2000; MENEZES, José Eugênio de Oliveira (Organizador), Os Meios da Incomunicação. São Paulo: Editora Annablume; Centro Interdisciplinar de Semiótica da Cultura e da Mídia, 2005; BAPTISTA, Mauro; MASCARELLO, Fernando (Organizadores), Cinema Mundial Contemporâneo. Campinas: Papirus Editora, 2008; PEÑA, Gonzalo Barroso, La Dictadura de Pinochet a Través del Cine Documental: 1973-2014. Tese de Doutorado em História. Madri: Universidad Nacional de Educación a Distancia, 2017; LE BRETON, David, Antropologia das Emoções. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 2019; BUENO, Samuel Torres, “O Exílio Chileno pelas Lentes do Cinema (1973-1983)”. In: Temporalidades – Revista de História. Edição 37, Volume 14, n° 1 (jan./ago. 2022); SILVA, Licene Maria Batista Garcia da, Da Solidão ao Exílio: O Amor como Laço. Dissertação de Mestrado. Instituto de Psicologia. Centro de Educação e Humanidades. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2024; LEONE, Daniela de Almeida, A Tradução Parcial Comentada de Sexe et Mensonges, de Leïla Slimani: Vozes Atravessadas pela Violência e pelo Patriarcado. Dissertação de Mestrado em Estudos Linguísticos. Instituto de Biociências Letras e Ciências Exatas. São José do Rio Preto: Universidade Estadual Paulista, 2025; entre outros.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Nicolás Maduro - Cultura Política, Populismo & Legado Bolivariano.

                                                                                                     Ubiracy de Souza Braga

                                   “Es difícil hacer justicia a quien nos ha ofendido”. Simon Bolívar

      
        Simón José Antonio de la Santísima Trinidad Bolívar y Palacios Ponte-Andrade y Blanco nasceu em Caracas, em 24 de julho de 1783, vindo a falecer em Santa Marta, em 17 de dezembro de 1830. Comumente conhecido como Simón Bolívar, foi um militar liberal e líder político venezuelano, sendo o primeiro ilustrado a apoiar na prática a descolonização hispânica. Junto a José de San Martín (1778-1850), foi uma das peças chave nas guerras de Independência da América Espanhola do Império Espanhol. Após o triunfo da monarquia espanhola, Bolívar participou da fundação da primeira união de nações independentes na América Latina, nomeada Grã-Colômbia, da qual foi presidente de 1819 a 1830. Simón Bolívar é considerado por alguns países da América Latina como um herói, visionário, revolucionário, e libertador. Durante seu curto tempo de vida, liderou a Bolívia, a Colômbia, Equador, Panamá, Peru e Venezuela à independência, e ajudou a lançar bases ideológicas democráticas na maioria da América Hispânica. De origem aristocrata, Simón Bolívar nasceu em Caracas, Venezuela, filho de Juan Vicente Bolívar y Ponte-Andrade e de María de la Concepción Palacios de Aguirre y Ariztía-Sojo y Blanco. Tinha quatro irmãs: Angela, Juliana, Rita e María Bolívar, esta última falecida a poucas horas após o parto. O pai de Simón faleceu quando este tinha apenas três anos, em 1786. Sua mãe morreu em 6 de julho de 1792. O menino foi então levado para a casa do avô materno, e, depois da morte deste, para a casa do tio, Carlos Palacios. Aos doze anos Simón fugiu da casa do tio para a casa da irmã deste, María Antonia, por quem sentia uma maior ligação afetiva. 
     Em consequência do seu ato passou alguns meses na casa do pedagogo Simón Rodríguez, por quem foi muito influenciado e com quem manteve uma relação de amizade até o fim dos seus dias. Teve ainda outros tutores, entre os quais o humanista Andrés Bello. Em janeiro de 1797 ingressou como cadete no Batalhão de Milícias de Blancos de los Valles de Aragua, do qual o seu pai tinha sido Coronel, onde se destacou pelo seu desempenho. Em 1799 viajou para a Espanha com o propósito de aprofundar os seus estudos. Em Madrid ampliou os seus conhecimentos de História, Literatura, Matemática e aprendeu a língua francesa. Na capital espanhola casou-se com María Teresa Rodríguez del Toro y Alaysa em 26 de maio de 1802.  No dia 14 de agosto de 1805, na Santa Catarina, em Roma, Simón Bolívar proclamou diante de Simón Rodríguez e do seu amigo Francisco Rodríguez del Toro que não descansaria enquanto não libertasse toda a América do domínio espanhol (Juramento do Monte Sacro). Em meados de 1806, Bolívar tomou conhecimento dos primeiros movimentos em favor da independência da Venezuela, protagonizados pelo general Francisco Miranda, decidindo que chegara a ocasião de retornar ao seu país natal. Em janeiro de 1807 foi para Charleston nos Estados Unidos, visitando cidades como Washington, DC, Filadélfia, Boston e Nova Iorque. Bolívar retornou para a Venezuela em 1807 e, quando Napoleão Bonaparte tornou seu irmão José Bonaparte rei de Espanha e das suas colônias em 1808, passou a participar nas Juntas de resistência na América Espanhola.  
A Junta de Caracas declarou a Independência em 1810, e Bolívar foi enviado para a Inglaterra numa missão diplomática. De volta à Venezuela em 1811, em Julho de 1812, o líder da Junta, Francisco de Miranda, rendeu-se às forças espanholas e Bolívar foi obrigado a fugir para Cartagena das Índias, onde redigiu o Manifesto de Cartagena. Em 1813 liderou a invasão da Venezuela, entrando em Mérida em 23 de maio, sendo proclamado El Libertador. Caracas foi reconquistada a 6 de agosto, sendo proclamada a Segunda República Venezuelana. Bolívar passou então a comandar as forças nacionalistas da Colômbia, capturando Bogotá em 1814. Entretanto, após alguns revezes militares, Bolívar foi obrigado a fugir, em 1815, para a Jamaica onde pediu ajuda ao líder haitiano Alexander Sabes Petión. Em 1816, concedida essa ajuda, Bolívar regressou ao combate, desembarcando na Venezuela e capturando Angostura, atual Ciudad Bolívar. Durante a libertação de Quito apaixonou-se pela revolucionária Manuela Sáenz, de quem se tornou amante, valendo a ela o epíteto de “Libertadora do Libertador”. Em 1828 ela o salvou de ser assassinado. Em 1826, Simón Bolívar tentou promover uma integração continental ao convocar o Congresso do Panamá. Compareceram apenas os representantes dos governos do México, da Federação Centro-Americana, da Grã-Colômbia (Colômbia, Equador e Venezuela) e do Peru. 


Era o princípio das Conferências Pan-americanas. A ideia de nações livres era, provavelmente, na época, o objetivo mais importante, pois sem a liberdade, não seria possível a conquista dos outros objetivos. E para isso, Bolívar não foi só um idealizador, e sim, um verdadeiro guerreiro, enfrentando as mais diversas batalhas. Mas ele não estava sozinho nessa luta. Os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade haviam se enraizado nos povos latino-americanos, pois o que se viu não foi uma luta isolada de Simón e seus fiéis seguidores. Foram lutas por toda a América Latina, onde cada região teve o seu “libertador”, como era chamado pela projeção política, Simón Bolívar. Venezuela, oficialmente chamada República Bolivariana da Venezuela, é um país da América Latina localizado no Norte da América do Sul, constituído por um lado continental e inúmeras pequenas ilhas no Mar do Caribe, cuja capital e maior aglomeração urbana é centralizado na cidade de Caracas. Segundo a versão mais popular e aceita, em 1499, uma expedição liderada por Alonso de Ojeda (1468-1516) visitou a costa venezuelana. As casas sobre palafitas na área do Lago Maracaibo lembraram ao navegador italiano, Américo Vespúcio, a cidade de Veneza, na Itália, por isso ele deu à região o nome de Veneziola, ou “Pequena Veneza”. A versão espanhola de Veneziola é Venezuela. Martín Fernández de Enciso, membro da tripulação de Vespucci e Ojeda fez um relato diferente. Em sua obra Suma de Geographia, ele afirma etnograficamente que a tripulação avistou indígenas que se autodenominavam veneciuela
Assim, o nome “Venezuela” pode ter evoluído da palavra nativa. Não se sabe quantas pessoas viviam na Venezuela antes da “conquista” espanhola; mas estima-se que fosse em torno de um milhão de habitantes. Além dos povos indígenas reconhecidos, a população incluía grupos como os galibis, auaké, caquetio, mariche e timoto–cuicas, esta última, a mais complexa da Venezuela pré-colombiana, com aldeias permanentes pré-planejadas, cercadas por campos irrigados e em socalcos. Suas casas eram feitas de pedra e madeira com telhados de palha. As culturas regionais incluíam batatas e ullucos. Na segunda metade do século XVI, os espanhóis começaram a colonizar a Venezuela, por meio do estabelecimento de fazendas com o uso da mão-de-obra indígena, por meio do sistema de encomienda. Caracas foi fundada em 1567 e décadas depois, mais de 20 assentamentos espanhóis existiam no litoral e na região andina. A economia venezuelana colonial era baseada na agricultura, sobretudo de cana-de-açúcar, tabaco e cacau, e na pecuária. Usava-se a mão-de-obra indígena e escrava africana. No século XVIII, para eliminar a forte presença britânica, francesa e neerlandesa no comércio venezuelano, os espanhóis estabeleceram um monopólio comercial dentro do pacto colonial. No entanto, os interesses régios foram contra o dos latifundiários venezuelanos, forçando à dissolução da empresa monopolista nos anos 1780. O território que representa a Venezuela esteve dividido entre o Vice-Reino do Peru e audiência de Santo Domingo até ao estabelecimento do Vice-Reino de Nova Granada em 1717. Em 1776, a Venezuela tornou-se uma capitania-Geral do Império Espanhol. A primeira rebelião contra o domínio espanhol ocorreu em 1749. No entanto, os primeiros movimentos separatistas na Venezuela surgiram apenas nas últimas décadas daquele século.

Em 1797, um grupo de membros da elite venezuelana proclamou a Independência, mas falhou. Em 1806, o militar caraquenho Francisco de Miranda, profundamente influenciado pelas ideias iluministas e veterano nas lutas das Revoluções Americana e Francesa, respectivamente, tentou desembarcar no litoral venezuelano com mercenários contratados em Nova York. Para pôr em prática sua ideia de criar um país pan-hispânico na América, mas tal ação não deu certo, devido à falta de apoio da elite, temerosa de que a metrópole fosse alterada da Espanha para o Reino Unido. Em 1808, Napoleão Bonaparte invadiu a Espanha, prendeu e depôs o rei Fernando VII e colocou em seu lugar o irmão José Bonaparte. Esse foi o estopim para a independência das colônias espanholas na América, pois muitas elites não aceitaram ter um rei estrangeiro no trono espanhol. Nessa época, entrou, no processo de Independência da Venezuela, o militar Simón Bolívar, que havia estudado na Europa e recebeu influências da Revolução Americana. 
Em 19 de abril de 1810, a elite caraquenha decretou a formação de uma junta governativa, expulsando os espanhóis dos cargos administrativos. Em um primeiro momento, a junta declarou lealdade a Fernando VII, mas as tropas espanholas mandaram bloquear os portos venezuelanos, levando os integrantes a declararem a Independência. Em julho de 1811, a junta governativa, liderada por Cristóbal Mendoza (1772-1829), assinou a Ata da Declaração de Independência da Venezuela. Francisco de Miranda se tornou o primeiro chefe do exército reverenciado do novo país. Cristóbal de Mendoza nasceu em Trujillo em e morreu em Caracas em , é um estadistaEle foi o primeiro presidente da Venezuela. Após obter um mestrado em filosofia em Caracas e um doutorado em direito canônico e civil na República Dominicana, iniciou sua carreira trabalhando em diversos escritórios de advocacia em Trujillo, Mérida e Caracas. Mudou-se para Barinas em 1796 para exercer a advocacia e, em 1807, foi eleito prefeito da cidade. Em 1810, Mendoza juntou-se à insurreição liderada por cidadãos ricos de Caracas contra o domínio da coroa espanhola e, em 1811, foi eleito para representar a província de Barinas no recém-formado Congresso Constituinte da Venezuela. Poucos dias depois, foi nomeado o primeiro presidente da Primeira República da Venezuela, cargo que dividiu com a formação de um triunvirato. Até o final de seu mandato, em março de 1812, Mendoza liderou a guerra de Independência contra as regiões da Venezuela que ainda apoiavam a o processo civilizatório monarquia espanhola, redigiu a Declaração de Independência da Venezuela e participou da elaboração da primeira Constituição da República da Venezuela. 
Nas lutas contra o poder das forças realistas, em julho de 1812, Miranda assinou a rendição ante estas, para evitar que mais sangue fosse derramado, o que foi visto como uma traição, levando-o a ser entregue aos espanhóis e exilado. Em 1813, a junta governativa indicou Bolívar para o cargo de comandante das forças revolucionárias. Depois de derrotas nas lutas contra os espanhóis, ele contou com o apoio de elites que abandonaram a defesa do colonialismo e llaneros e negros que desertaram da causa monarquista e muitos mercenários britânicos e irlandeses e com a ajuda do Haiti. Em 17 de dezembro de 1819, foi proclamada a República da Grã-Colômbia, com capital em Bogotá e tendo Bolívar como presidente. Em junho de 1821, suas tropas, reforçadas pela cavalaria liderada por José Antonio Páez, derrotaram o principal exército espanhol na Batalha de Carabobo em 24 de junho de 1821. A última força da Coroa Espanhola se rendeu em outubro de 1823 na cidade de Puerto Cabello. Em seguida, Bolívar, acompanhado de tropas venezuelanas, ajudou a libertar o Peru e a Bolívia, esta última tendo recebido o seu nome. Enquanto isso, as rivalidades políticas regionais eclodiram na Grã-Colômbia e ele não foi capaz de contê-las.   

Então, entre 1829 e 1830, a Grã-Colômbia se fragmentou, com a Independência do Equador e Venezuela. Com a Independência da Venezuela, o novo país passou a ser governado pelos caudilhos, que permanecem no cargo por um século. Em 1830, foi promulgada a primeira Constituição, de caráter centralista, escravagista e conservador. Entre 1830 e 1848, a política venezuelana esteve nas mãos dos conservadores, cuja principal figura foi José Antonio Páez, presidente duas vezes (1831-1835 e 1839-1843) e importante figura política. Nesse período, houve uma estabilidade política e progresso econômico, a Igreja perdeu a isenção tributária e o monopólio educacional e o Exército, sua autoridade e a economia, devastada por anos de guerra, foi reconstruída. Em 1840 Antonio Leocadio Guzmán (1801-1884) fundou o Partido Liberal, antiescravagista e pena de morte, favorável à extensão do direito ao voto, a primeira grande oposição aos conservadores. Nesta década houve queda no preço das commodities venezuelanas e isso fortaleceu a oposição liberal. Em 1848, os conservadores são tirados do cargo pelo General José Tadeo Monagas. Nos dez anos seguintes, o poder alternou-se entre Monagas e seu irmão José Gregorio Monagas, quando foram aprovadas, mas não implementadas, a abolição da escravidão e da pena de morte e a ampliação do sufrágio. A situação econômica estava piorando e a tentativa de criar, em 1857, uma Constituição que permitia aos presidentes mais tempo no cargo, levou a uma revolta de dissidentes liberais e conservadores, que depuseram os Monagas em 1858.
Isso desencadeou uma guerra civil in statu nascendi entre liberais, de tendência federal e democrática, e os conservadores, centralistas, como a chamada Guerra Federal (1858–63). Páez retornou do exílio em 1861 e restaurou a hegemonia do seu grupo até 1863, com a vitória liberal, cujos líderes eram Juan Crisóstomo Falcón e Antonio Guzmán Blanco. Uma nova Constituição, de caráter liberal e federalista, foi promulgada no ano seguinte. Devido à má gestão governamental, os conservadores, agora liderados por José Tadeo Monagas, retornaram ao poder em 1868. Outra guerra civil seguiu, resultando em uma nova vitória liberal em 1870. Guzmán Blanco assumiu o poder em 1870 e adotou um programa de reformas econômicas, retirando o país da situação econômica que vivia há anos. Uma nova constituição foi promulgada em 1872, estabelecendo eleições diretas para a presidência, sufrágio para todos os homens e um sistema nacional de educação. Em 1878, Guzmán deixou a presidência, para a qual retornaria em 1886, após deixar a Venezuela ser governada por aliados. Em 1888, após a saída de Guzmán, inicia-se um período de instabilidade política, que continuou durante o governo de Joaquín Crespo (1892–98). Durante essa gestão, as relações com o Reino Unido se conflituaram, por causa da intensificação da disputa pela Guiana Essequiba, região rica em ouro reivindicada por ambos os países.
Em 1899, o general Cipriano Castro (1858-1924), natural do estado de Táchira, chega a Caracas e dá um golpe de Estado, assumindo a presidência como um ditador. O governo Castro (1899–1909) foi o primeiro de cinco governos de presidentes militares tachirenses, reconhecidos como Andinos, os quais ficaram no poder até meados de 1958, exceto por um breve intervalo entre 1945 e 1948 pós-segunda guerra mundial. Os povos indígenas deixaram arte, particularmente cerâmica antropomórfica, mas nenhum monumento importante. Eles fiavam fibras vegetais para tecer tecidos e esteiras para moradias. Eles são creditados na culinária por inventarem a arepa, um alimento básico na gastronomia. Após a conquista, a população diminuiu acentuadamente, principalmente devido à propagação de doenças infecciosas vindas da Europa. Estavam presentes dois eixos principais norte-sul de população pré-colombiana, que cultivava milho no Oeste e mandioca no Leste. Grandes partes dos llanos eram cultivadas por meio de corte e queima e agricultura permanente. Possui uma área geográfica de 916 445 km², sendo o 32º maior país no mundo. Suas fronteiras são a Norte com o Mar do Caribe, a Oeste com a Colômbia, ao Sul com o Brasil e ao Leste com a Guiana, com quem mantém disputas territoriais. O país é reconhecido por suas vastas reservas naturais de petróleo, diversidade ambiental e por seus recursos naturais.
O Complexo Cultural Teresa Carreño, em Caracas, é um dos mais importantes da América Latina e o segundo maior da América do Sul. É considerado um país megadiverso, com uma fauna diversificada e variedade de habitats protegidos. O território venezuelano foi colonizado pelo Império Espanhol em 1522. Em 1811, tornou-se uma das primeiras colônias hispano-americana a declarar a Independência, consolidada em 1830 quando a Venezuela deixou de ser um Departamento da Grã-Colômbia, um extinto país sul-americano estabelecido em 1819 pelo congresso reunido na cidade de Angostura através da Lei Fundamental da República, pela união da Venezuela e Nova Granada em uma só nação sob o nome de República da Colômbia, ao que logo se aderiram o Panamá e o Equador. Durante o século XIX, o país sofreu com instabilidade política e autocracia, dominado por regimes caudilhistas até meados do século XX. Desde 1958, houve uma série de governos democráticos. Através das suas zonas marítimas, tem soberania sobre 71 295 km² de mar territorial, 22 224 km² na zona contígua, 471 507 km² do Mar do Caribe e o Oceano Atlântico sob o conceito de Zona Econômica Exclusiva, situada até às 200 milhas marítimas (370,4 km) das linhas de base se mede a largura do mar territorial e 99 889 km² de plataforma continental. 
De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os países costeiros têm direito a declarar uma Zona Econômica Exclusiva (ZEE) de utilidade de uso do espaço marítimo para além das suas águas territoriais, na qual têm prerrogativas na utilização dos recursos, tanto vivos como não-vivos, e responsabilidade na sua gestão ambiental. É neste sentido de pragmatismo que renasce a Revolução Bolivariana, portanto, tendo sido o termo criado pelo ex-presidente da Venezuela Hugo Chávez para designar as mudanças políticas, econômicas e sociais iniciadas com seu governo. A revolução está baseada, segundo Chávez, no ideário do libertador Simón Bolívar “e tem como objetivo chegar a um novo socialismo”. Uma de suas primeiras medidas foi aprovar, mediante referendo, a Constituição de 1999. A Venezuela possuía em 1999 50,5% de sua população na pobreza, o que equivalia a mais de 11 milhões de pessoas, número que caiu para 31,5%, de 24,6 milhões de pessoas no total, 18,8% saíram da linha pobreza. Os principais componentes são as missões bolivarianas, os círculos bolivarianos e a integração política latino-americana. Daniel Hellinger, cientista político na Universidade de San Luís, reitera que os programas de bem-estar social reduziram a taxa de pobreza de 80% na década de 1990 para 20%, quando subsumiu o analfabetismo. A pobreza durante seu governo venceu essas condições drasticamente, com melhorias, segundo indicadores sociais, no período de 1999, em que Chávez assumiu a presidência até 2009, ano da divulgação dos dados, 20,1% dos venezuelanos viviam sob uma extrema pobreza, número que caiu para 9,5% em 2007.
Atualmente a ideologia bolivariana – relação imaginária dos homens com as suas condições reais de existência - tem entre seus seguidores o falecido presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que, desde que começou na presidência da República, se autodenominou bolivariano e seguidor das ideias de Bolívar. Entre suas ações inspiradas na ideologia política estão as mudanças da Constituição de 1961 na chamada Constituição Bolivariana de 1999, que mudou o nome do Estado para República Bolivariana da Venezuela, e outros atos políticos unificadores pela ideologia como a criação e promoção de escolas e universidades com o adjetivo positivo bolivariana, como o são as referências às Escolas Bolivarianas e a Universidade Bolivariana da Venezuela. É neste sentido que o Chavismo segue como representação imaginária na Venezuela. É o nome dado à ideologia de esquerda política baseadas nas ideias, programas e estilo social, econômico e político de governo associados com o ex-presidente da Venezuela. Chavista é o termo utilizado para descrever fortes apoiantes de Chávez, que estão intimamente associados com o chavismo.
           O Chavismo, comumente considerado uma vertente populista do secular caudilhismo latino-americano, é composto por três fontes básicas: as ideias de Simón Bolívar, Ezequiel Zamora e Simón Rodríguez, e também um socialismo revisado que é definido como o “socialismo do século XXI”. Da mesma forma, o chavismo toma ideias de Ernesto Guevara, Fidel Castro, Augusto César Sandino, Camilo Cienfuegos, entre outros. Vários partidos políticos da Venezuela apoiam o chavismo. Mas o partido principal, diretamente relacionado com Chávez, é o Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV), é um partido político com base no socialismo, o qual surgiu da fusão de algumas forças sociais e políticas que apoiaram a Revolução Bolivariana, liderada pelo então presidente Hugo Chávez. Atualmente é o partido majoritário na Venezuela, e também o maior partido de esquerda da América Latina e do Hemisfério Oeste. Tinha aproximadamente 5,7 milhões de membros em 2007. Nas eleições de 2 de maio de 2010, para Assembleia Nacional, 2.568.090 membros votaram. Surgiu por iniciativa de Hugo Chávez após a vitória nas eleições da Venezuela de 2006, com a finalidade de unir todos os partidos que apoiavam a Revolução Bolivariana.
    De fato, o projeto da Revolução Bolivariana tem sua sustentação filosófica na chamada árvore de três raízes, que recorre ao pensamento e ação de três grandes revolucionários venezuelanos: Simón Rodríguez, Simón Bolívar y Ezequiel Zamora. Esta teoria foi desenvolvida por um grupo de militares venezuelanos que criaram nos anos oitenta un movimento clandestino revolucionário e bolivariano, com o objetivo de liberar ao povo venezuelano da desigualdade, a pobreza a dominação oligárquica. Hugo Chávez, seu principal líder, tem assinalado que o caráter bolivariano do processo revolucionário é “uma necessidade imperiosa para todos os venezuelanos, para todos os latino-americanos e os caribenhos fundamentalmente. Rebuscar atrás, nas chaves ou nas raízes de nossa própria existência, a fórmula para sair deste terrível labirinto em que estamos todos”. Assim estão os venezuelanos hoje, com o olhar no passado para tratar de desentranhar os mistérios do futuro, de resolver as fórmulas para solucionar o grande drama venezuelano de hoje. O projeto revolucionário que estes três homens gestaram, com o concurso do resto de libertadores e o povo em armas, não tem logrado consolidar-se até agora. Por isto, seus ideais, junto com os do resto dos Libertadores, tem um encontro pendente com a vitória. Os poderes criadores do povo e o compromisso do governo revolucionário avançam acerca de sua definitiva concreção. É mister analisarmos os aspectos centrais do pensamento destes três venezuelanos, que hoje toma vida da mão da Revolução Bolivariana do Século XXI.
            Dos 24 partidos que apoiaram Hugo Chávez nas eleições presidenciais de 2006, 11 estavam em processo de adesão PSUV. No dia 7 de março de 2007, apresentou um projeto gradual para fundar o novo partido até novembro 2007. O Partido Comunista da Venezuela, Pátria para Todos e o Pela Democracia Social inicialmente declararam que iriam aguardar a fundação do PSUV, e só então a partir do programa do novo partido decidir pela adesão. Em 18 de março de 2007, Chávez em seu programa “Alô Presidente” declarou que havia “aberto às portas para o Pela Democracia Social, o Pátria para Todos e o Partido Comunista da Venezuela, se eles querem deixar a aliança com Chávez, eles podem e deixar-nos em paz”. Em sua opinião estes partidos estavam perto da oposição e deveriam escolher o caminho para sair, “no silêncio, nos abraçar ou atirar pedras”. O Pátria para Todos, no congresso de 10 e 11 de abril, optou pela não  dissolvição, reafirmando seu apoio a Hugo Chávez e a Revolução Bolivariana. Deve-se ressaltar que movimentos da esquerda revolucionária entraram no PSUV e têm uma participação entusiástica em suas lutas. Os mais notáveis são os grupos trotskistas: Corriente Marxista Revolucionaria, Lucha de Classes e Socialismo Revolucionário. Em março de 2010, Chávez comentou a renúncia do PSUV de Henri Falcon, governador do Estado de Lara. Chávez afirmou: - “Quem segue Henry Falcon é contra mim” e no caso do “O Pátria Para Todos e o Partido Comunista da Venezuela irão desaparecer do cenário político, porque eles são mentirosos e manipuladores”.  
Disse ainda que “é um partido muito jovem”, com idade média de 35 anos entre os membros. Isto é pensado para existir uma identificação com a baixa idade para se votar, 16 anos, e os mais jovens são incentivados para participar. Os analistas políticos concordam, dizendo: - “O pressuposto é que os jovens serão bolivarianos [em apoio ao Chávez], eles são aqueles cujas famílias foram beneficiadas com programas sociais de Chávez”. Outros partidos e movimentos de apoio ao chavismo incluem o “Tupamaros”. Ex-militante da Liga Socialista da Venezuela, trabalhou desde jovem como maquinista no Metrô de Caracas. Enquanto trabalhava como um condutor, começou sua carreira política tornando-se um sindicalista não-oficial que representa os motoristas de ônibus do metrô. Em 1998 Maduro passou a compor as fileiras do partido MVR, e se envolveu na vitoriosa campanha presidencial de 1998 em que Hugo Chávez foi pela primeira vez eleito Presidente da Venezuela. Foi eleito deputado para a Assembleia Constituinte de 1999, que fez a redação de uma nova Constituição neste mesmo ano. Em 2000 foi eleito deputado da Assembleia Nacional, cargo para qual foi reeleito nas eleições legislativas de 2005, logrando pouco depois a indicação para a presidência do parlamento. No ano de 2006 deixa este cargo a pedido do presidente Hugo Chávez para ingressar no gabinete ministerial como chefe do Ministerio del Poder Popular para los Asuntos Exteriores (Ministério das Relações Exteriores), substituído o então ministro Alí Rodríguez Araque, atualmente secretario geral da Unión de Naciones Suramericanas (UNASUR), anteriormente designada por Comunidade Sul-Americana de Nações

É uma organização intergovernamental composta de 12 Estados da América do Sul, cuja população foi estimada em 396 391 032 habitantes, em 1 de julho de 2010. Foi fundada dentro dos ideais de integração sul-americana multissetorial, conjugando as duas uniões aduaneiras regionais: o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) e a Comunidade Andina (CAN). No entanto, alguns autores destacam que representando o Brasil um 50% do território, população e PIB da região, o projeto pode ser também interpretado como a culminação de uma iniciativa diplomática brasileira de longa data. Do ponto de vista da ideologia econômica o Tratado Constitutivo da UNASUL foi assinado em 23 de maio de 2008, na Terceira Cúpula de Chefes de Estado, realizada em Brasília. O Tratado Constitutivo definiu a instalação da sede da União em Quito, Equador, o Parlamento sul-americano em Cochabamba, na Bolívia, e a sede do seu banco, o Banco do Sul, em Caracas, Venezuela. Em 4 de maio de 2010, em uma cúpula extraordinária de chefes de Estado, realizada em Campana, 75 quilômetros ao norte de Buenos Aires, o ex-presidente argentino Néstor Kirchner (1950-2010) foi eleito, por unanimidade, o primeiro Secretário-geral da UNASUL, para um mandato de dois anos, fornecendo à UNASUL uma liderança política definida no cenário internacional. 
O novo cargo foi concebido como primeiro passo para a criação de um órgão burocrático permanente para uma união supranacional, que eventualmente substituirá os órgãos políticos do MERCOSUL e da CAN. A sede do secretariado localiza-se em Quito. Depois de Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela, o Uruguai tornou-se a nona nação a ratificar o tratado constitutivo da organização, em 1 de dezembro de 2010, completando-se assim o número mínimo de ratificações necessárias para a entrada em vigor do Tratado, em 11 de março de 2011. Com a entrada em vigor do Tratado, a UNASUL tornou-se uma entidade jurídica, durante a cúpula Ministros dos Negócios Estrangeiros, em Mitad del Mundo, uma das atrações mais visitadas para quem vai visitar Quito, no Equador, onde foi colocada a pedra fundamental para a sede do Secretariado-Geral da União. Vale lembrar que o lugar praticado , contemporaneamente reconhecido como Equador ainda fazia parte do império espanhol quando, em 1736, recebeu um grupo comandado por estudiosos franceses, incumbidos de comprovar teorias epicentrais sobre o formato da Terra. Foram realizados 8 anos de pesquisas que, entre outras grandes contribuições como o nosso sistema métrico, levaram os pesquisadores a descobrir por onde passaria a linha imaginária que acabou emprestando o fabuloso nome ao país. Combatentes bolivarianos, socialistas, revolucionários e anti-imperialistas engrenados. 
Em 10 de outubro de 2012, passados três dias das eleições presidenciais, foi nomeado novo vice-presidente executivo ocupando o posto deixado por Elías Jaua que estava a concorrer como governador do estado de Miranda. Com a licença do presidente Chávez em dezembro de 2012 para tratamento médico, assumiu a presidência interina da Venezuela. Assumiu o poder após Hugo Chávez morrer na tarde de 5 de março de 2013. Antes de viajar a Cuba para a última fase do tratamento contra o câncer, Chávez chegou a pedir unidade da população “em favor da Revolução Bolivariana” defendida por ele e pediu apoio ao vice-presidente Nicolás Maduro que se tornou o atual presidente da República Bolivariana da Venezuela. Com a morte do presidente Hugo Chávez, foi eleito em 14 de abril de 2013 para mandato integral como 57º presidente da Venezuela. Contudo, sua presidência está sendo marcada pela crise econômica venezuelana com acentuado crescimento da pobreza, inflação, criminalidade e fome. Maduro governa a Venezuela por decreto, com poderes especiais, desde novembro de 2013. Maduro culpa a especulação através de uma guerra econômica imposta pelos seus oponentes internos e externos. Essa impopularidade explorada pela mídia levou a oposição a vencer as eleições parlamentares de 2015 e dominar a Assembleia Nacional, porém Maduro conseguiu contornar a autoridade do legislativo e manter seu poder através da Suprema Corte e os Tribunais Eleitorais, junto com outros corpos políticos, todos dominados por seus apoiadores, contando também com apoio de setores militares.
Enfim, a grave crise econômica e política que atravessa a Venezuela nos últimos anos derrubou a aprovação do governo Maduro, aferida pelo instituto Datanálises em agosto de 2015, para um patamar de 71,1% de reprovação. O instituto perguntou sobre como avaliam o trabalho de Maduro pelo bem-estar do país. 39,4% dos consultados o consideraram muito ruim, 21,6% indicaram que é “ruim” e 9,4% respondeu “regular a ruim”. Desde abril de 2016, a oposição tenta destituir Maduro, pedindo um plebiscito revogatório do mandato do presidente. Trata-se de um mecanismo previsto na Constituição venezuelana que permite remover o presidente do cargo por votação popular. Mas pelo menos 20% do eleitorado precisaria apoiar a realização do plebiscito. As coletas regionais de assinaturas em prol do plebiscito seriam realizadas no final de 2016, mas foram adiadas pelo Conselho Nacional Eleitoral para o final do primeiro semestre de 2017, o que inviabilizou o principal objetivo da oposição: conseguir a convocação de eleições após uma eventual destituição de Maduro. Para isso o plebiscito teria de ser realizada até 10 de janeiro de 2017, o que não ocorreu. Segundo a legislação venezuelana, se o presidente é destituído após cumprir mais da metade do mandato, quem assume é o vice-presidente, que em seu país, é indicado pelo presidente. Mesmo que houvesse o plebiscito revogatório, o partido de Nicolás Maduro continuaria no poder até 2019, para quando estão previstas as próximas eleições presidenciais.
Bibliografia geral consultada.
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