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segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Encantadora de Tubarões, Disciplina, Trabalho & Espetacularização.

                               “O mundo é mágico. As pessoas não morrem, ficam encantadas”. Guimarães Rosa (1908-1967)


           A sociologia não pode desinteressar-se do que diz respeito ao substrato da vida social coletiva. Mas o número e a natureza das partes elementares de que se compõe a sociedade, a maneira como elas estão dispostas, o grau de coalescência a que chegaram, a distribuição estatística da população pela superfície do território, o número e a natureza das vias de comunicação, a forma das habitações, etc.  não parecem capazes, num primeiro exame, de se reduzir sociologicamente aos modos de agir, de sentir ou de pensar, no plano abstrato da teoria, pois, a sociologia não confunde a prática dos rituais com seu sentido. Ipso facto a palavra função social é empregada de duas maneiras bastante diferentes. Ora designa um sistema de movimentos vitais, fazendo-se abstração das suas consequências dinâmicas, ora exprime a relação de correspondência que existe entre esses movimentos e algumas necessidades específcas sociais. Perguntar-se qual é a função da divisão do trabalho social é, portanto, a que necessidade ela corresponde; isto é, quando tivermos “resolvido” essa questão, poderemos ver se essa necessidade é da mesma natureza comparativamente que aquelas a que correspondem outras regras de conduta cujo caráter moral não é discutido, mas está implícito. De todos os elementos da civilização, a ciência é o único que, em certas condições, apresenta um caráter moral. As sociedades tendem mais a considerar um dever desenvolver sua inteligência, assimilando as verdades científicas que são estabelecidas. Não é impossível antever de onde vem esse privilégio especialmente da ciência ou seu modo de pensar. 

       Ela nada mais é do que a consciência, desde Friedrich Hegel (1770-1831), Karl Marx (1818-1883), Georg Lukács (1885-1971), elevada a seu mais alto ponto de clareza. Quanto mais obscura uma consciência, lembrava Émile Durkheim, mais refratária à mudança, porque não vê o que é necessário mudar, nem em que sentido é preciso mudar. Ao contrário, uma consciência esclarecida sente, compreende e sabe de antemão a maneira de se adaptar a essa mudança. Eis por que é necessário que a inteligência guiada pela ciência, com consciência, adquira importância maior no curso da vida social e coletiva.  Mas a ciência, do ponto de vista da divisão do trabalho social, de acordo com Durkheim (2015), que todo mundo é assim chamado a possuir não merece ser designada por esse nome. Não é a ciência, é no máximo sua parte comum e mais geral no mundo contemporâneo. Ela se reduz a um número de conhecimentos indispensáveis, que só são exigidos de todos, por estarem ao alcance de todos. A ciência supera infinitamente esse nível vulgar. Ela não compreende apenas o que é vergonhoso ignorar, mas tudo o que é possível saber. Ela não supõe apenas, nos círculos que a cultivam, essas faculdades médias que quase todos os homens possuem, mas disposições especiais. Por conseguinte, não sendo acessível senão a uma elite social, não é obrigatória; é uma coisa útil e bela, mas não é necessária a ponto de a sociedade reclamá-la imperativamente. 

          É vantajoso estar munido dela; nada há de imoral em adquiri-la. É um campo de ação à iniciativa das massas, mas em que ninguém é obrigado a entrar.  Costuma-se qualificar de moral tudo o que tem alguma nobreza e algum preço, tudo o que é objeto de aspirações um tanto elevadas, e é graças a essa excessiva abrangência da palavra que se fez a civilização entrar na moralidade. O domínio do ético está longe de ser tão indeterminado. Ele compreende todas as regras de ação que se impõem imperativamente à conduta e a que está vinculada uma sanção, mas não vai além disso em qualquer instância. Contudo, o conceito de “civilização” refere-se a uma grande variedade de ocorrência de fatos sociais: ao nível de tecnologia, ao tipo de maneiras, ao desenvolvimento dos conhecimentos científicos, às ideias religiosas e aos costumes. Pode se referir ao tipo especificamente de habitações ou à maneira como homens e mulheres vivem omundo social juntos, à forma de punição determinada pelo sistema judiciário, ou educacional de vigilância e punição, explicado por Michel Foucault (1926-1984), e satisfatoriamente ao modo como são preparados os diversos tipos de alimentação como compreendemos com Claude Lévi-Strauss (1908-2009). Daí ser sempre difícil sumariar em algumas palavras tudo o que se pode descrever conceitualmente como civilização. Ela se resume culturalmente em tudo que a sociedade ocidental dos últimos dois ou três séculos julga “superior”, para descrever o que lhe constitui o caráter especial e aquilo que se orgulha: o nível de sua tecnologia, a natureza de suas maneiras, o desenvolvimento de sua cultura científica ou cosmovisão.                            

Sociologicamente representa um conjunto de práticas e saberes ordenado de valores, crenças, impressões, sentimentos e concepções de natureza intuitiva, anteriores à reflexão, a respeito da época ou do mundo em que se vive. Em outros termos, é a orientação cognitiva fundamental de um indivíduo, de uma coletividade ou de toda uma sociedade, num dado espaço-tempo e cultura, a respeito de tudo o que existe: sua gênese, sua natureza, suas propriedades. Uma visão de mundo pode incluir a filosofia natural, no sentido hegeliano, postulados fundamentais, existenciais e normativos, ou temas, valores, emoções e ética. A cosmovisão ou visão do mundo continua a ser um conceito complexo e confuso em qualquer cultura, sendo usado de forma muito diferente por cientistas sociais.  No entanto, as crenças centrais da visão mundial são muitas vezes profundamente enraizadas e raramente são refletidas pelos indivíduos e coletividades, e são trazidas à superfície apenas em momentos e formas de crise de fé, de algum modo ocorrentes. Por exemplo, visão de mundo da causalidade como unidirecional, cíclica ou espiral gera um quadro abstrato do mundo que reflete esses sistemas de causalidade. Uma visão unilateral da causalidade na ordem do pensamento em mudança e transformação, está presente em algumas visões de mundo monoteísticas com um começo e um fim e uma única grande força socialmente descrita com um único fim, no cristianismo e no islamismo, enquanto que uma visão de mundo cíclica da causalidade está presente na tradição religiosa que é cíclica e sazonal e na qual os eventos e experiências repetem-se em padrões sistemáticos como ocorre no zoroastrismo, mitraísmo e hinduísmo.

Essas visões não apenas subjazem as tradições religiosas, mas outros aspectos do pensamento como a história econômica e social, teorias políticas e econômicas, e sistemas de representação político na sociedade como a democracia, autoritarismo, anarquismo, capitalismo, socialismo e comunismo. Nada há na civilização que apresente esse critério de moralidade, ela é moralmente indiferente. Se a divisão do trabalho não tivesse outro papel além de tornar a civilização possível, ela participaria da mesma neutralidade moral. Foi por não se ter geralmente atribuído à divisão do trabalho outra função, segundo Émile Durkheim (2015), que as teorias propostas são a tal ponto inconsistentes. Isto é, supondo-se que exista uma “zona neutra” na moral, é impossível que a divisão social do trabalho dela faça parte. Se ela não é boa, é ruim; se não é moral, é uma decadência moral. Se ela não serve para outra coisa, cai-se em insolúveis antinomias, porque as vantagens econômicas que ela apresenta são compensadas por inconvenientes morais, e como é impossível subtrair uma dentre duas quantidades heterogêneas e incomparáveis, não se poderia dizer qual das duas leva a melhor sobre a outra, nem, por conseguinte, tomar partido. Invocar-se-á o primado da moral para condenar radicalmente a divisão do trabalho. Mas não apenas essa última ratio é sempre um “golpe de Estado científico”, como a evidente necessidade de especialização torna tal posição impossível de ser sustentada. Se a divisão do trabalho não cumpre outro papel, ela não só não tem caráter moral, como não se percebe que razão possa ter.    

A civilização não tem valor intrínseco e absoluto; o que lhe dá seu preço é o fato intrínseco de corresponder a certas formas tecnológicas de divisão do trabalho.  Ipso facto, o mais relevante, do ponto de vista sociológico, é que a experimentação tecnológica normalmente anda lado a lado, desde muito cedo, com experiências relacionadas à organização social. O mais notável efeito da divisão do trabalho não é aumentar o rendimento das funções divididas, como insistem os “burocratas da cultura” a que se referia a filosofia de José Arthur Giannotti (1930-2021), per se em seus aparelhos de Estado, mas torna-las solidárias. Seu papel social, em todos esses casos, analogamente, não é simplesmente embelezar ou melhorar sociedades existentes, mas tonar possíveis sociedades que, sem elas, não existiriam. Façam a divisão do trabalho sexual regredir além de certo ponto, e a questão conjugal desaparece, deixando subsistir relações sexuais eminentemente efêmeras; mesmo se os sexos não fossem separados, toda uma forma da vida social sequer teria nascido. É possível que a utilidade de uso econômica da divisão do trabalho tenha algo a ver com esse resultado, mas, em todo caso, ele supera infinitamente a esfera dos interesses puramente econômicos, pois consiste no estabelecimento de uma ordem social e moral sui generis. Se, com frequência, fez-se as relações sociais a que dá nascimento a divisão do trabalho consistirem apenas na troca, foi por se ter desconhecido o que a troca implica e o que dela resulta na realidade. Ela supõe que dois seres dependem mutuamente um do outro, por serem ambos incompletos, e apenas traduz exteriormente essa dependência mútua. Nada mais é que a expressão superficial de um estado interno e mais profundo.

 Precisamente por ser constante, cronologicamente, esse estado normalizador suscita todo um mecanismo comunicativo de imagens que funciona como uma continuidade que a troca não possui. É por isso que apreciamos a companhia daquele que ela representa, porque a presença do objeto que ela exprime, fazendo-a passar ao estado de percepção atualmente, lhe dá maior relevo. Ao contrário, sofremos com todas as circunstâncias que, como a distância ou a morte, podem ter por efeito impedir seu retorno ou diminuir sua vivacidade. Mas sofrer no trabalho não é uma fatalidade. Por mais curta que seja a análise sociológica, basta para demonstrar que esse mecanismo não é idêntico comparativamente, ao que serve dos sentimentos de simpatia, cuja fonte é a semelhança. Sem dúvida, só pode haver solidariedade humana entre outrem e nós se a imagem desse outrem se une à nossa. Mas quando a união resulta da semelhança das duas imagens, ela consiste numa aglutinação. As duas representações tornam-se solidárias porque, sendo indistintas, no todo ou em parte, se confundem e se tornam uma só coisa, e só são solidárias na medida em que se confundem. Ao contrário, no caso da divisão do trabalho, estão fora uma da outra e só são ligadas por serem distintas. Os sentimentos não poderiam ser os mesmos nos dois casos, nem as relações sociais que deles derivam.

Não temos apenas que procurar se, nessas espécies de sociedades, existe uma solidariedade proveniente da divisão do trabalho. É uma verdade evidente, pois a divisão do trabalho é desenvolvida nelas e produz a solidariedade. Mas é preciso determinar, sobretudo, em que medida a solidariedade que ela produz contribui para a integração geral da sociedade, pois então saberemos até que ponto essa solidariedade é necessária, se é um fator essencial da coesão social, ou então, ao contrário, se nada é mais é do que uma condição acessória e secundária. Para responder a essa questão é preciso comparar esse vínculo social aos outros, seja com o grupo tomado coletivamente, a fim de medir a parte que lhe cabe no efeito total, na divisão do trabalho, sendo para isso indispensável começar por classificar as diferentes espécies de solidariedade social. As aptidões individuais organizadoras do nosso cérebro humano necessitam de condições socioculturais para se atualizarem, as quais necessitam das aptidões do espírito humano para se organizarem individualmente. A cultura está nos espíritos, vive nos espíritos, os quais estão na cultura, vivem na cultura. Meu espírito conhece através da minha cultura, vivem na cultura. Meu espírito conhece através da minha cultura, mas, em certo sentido, a minha cultura conhece através do meu espírito. Assim, portanto, as instâncias produtoras do conhecimento se coproduzem umas às outras; há uma unidade recursiva complexa estabelecida entre produtores e produtos do conhecimento, ao mesmo tempo/espaço em que há relação hologramática entre cada uma das instâncias, cada uma contendo as outras e, nesse sentido, cada uma contendo “o todo enquanto todo”.

Falar em complexidade (cf. Morin, 1998; 2008) é sociologicamente falar em relação social de interação simultaneamente complementar, concorrente, antagônica, recursiva e hologramática entre essas instâncias cogeradoras do reconhecimento humano. Mas não é apenas esse nível de complexidade sob condições determinada que permitem compreender a possível autonomia relativa do espírito – as faculdades intelectuais - e no sentido técnico do cérebro individual. Mas é somente assim mesmo que o espírito individual pode autonomizar-se em relação à sua determinação biológica. Recorrendo às suas fontes e recursos socioculturais. E exatamente em relação à sua determinação cultural utilizando a sua aptidão bioantropológicas para organizar o conhecimento. O espírito individual pode alcançar a sua autonomia jogando com a dupla dependência que, ao mesmo tempo, o constrange, limita e alimenta. Pode jogar, pois há margem, entre hiatos, aberturas, defasagens. Entre o bioantropológico e o sociocultural, o ser individual e a sociedade. Assim, a possibilidade de autonomia do espírito individual está inscrita no princípio de seu conhecimento. E isso em nível de seu conhecimento cotidiano, quanto em nível de pensamento filosófico ou científico. A cultura fornece ao pensamento as suas condições sociais e materiais de formação, de concepção, de conceptualização. Portanto, ela impregna, modela e eventualmente governa os conhecimentos individuais.

A cultura e, somente pela via da cultura, diz Morin, a sociedade está no interior do conhecimento. Tese: O conhecimento está na cultura e a cultura está na representação do conhecimento. Um ato cognitivo per se é um elemento do complexo cultural coletivo que se atualiza em um ato cognitivo individual. As nossas percepções sociológicas do real (análise) ou mesmo concepções estão sob um determinado controle, não apenas de constantes fisiológicas e também psicológicas, mas níveis de variáveis culturais e históricas. A percepção da esfera social é submetida a novas categorizações, sociais tanto quanto as formas de conceptualizações, taxinomias, que influenciarão o reconhecimento e a identificação das cores, das formas, dos objetos. O conhecimento intelectual organiza-se em função técnica de paradigmas que selecionam, hierarquizam, rejeitam as ideias sociais e as informações técnicas, bem como em função de significações mitológicas e de projeções imaginárias. Assim se opera a “construção social da realidade”, ou antes, a “co-construção social da realidade”, visto que a realidade se constrói também a partir de dispositivos cerebrais, em que o real (imagem) se consubstancializa e se dissocia do irreal (fantasia), a weltanschauung, que se concretiza em verdade, em erro, na predestinação da mentira.

 Para conceber a sociologia do conhecimento, é necessário, conceber não só o enraizamento do conhecimento na sociedade e a interação social do conhecimento na sociedade. Mas no anel recursivo no qual o conhecimento é produto/produtor sociocultural que comporta uma dimensão própria cognitiva. Os homens de uma cultura, pelo seu modo de conhecimento, produzem a cultura que produz seu reconhecimento. A cultura gera os conhecimentos que regeneram a cultura. Ao considerar-se a que ponto o conhecimento é produzido por uma cultura, dependente de uma cultura, integrado a uma cultura, pode-se ter a impressão de que nada seria capaz de poder libertá-lo. Mas isso seria, sobretudo, ignorar as potencialidades de autonomia relativa, no interior de todas aquelas culturas, dos espíritos individuais. Os indivíduos não são todos, e nem sempre, mesmo nas condições culturais mais fechadas, “máquinas triviais” obedecendo impecavelmente à ordem social e às injunções culturais. É ignorar que toda cultura está vitalmente aberta ao mundo exterior, de onde retira conhecimentos objetivos e que conhecimentos e ideias migram entre as culturas. É ignorar que aquisição de uma informação, a descoberta de um saber, a invenção de uma ideia, podem modificar e transformar uma sociedade inteiramente, e do ponto de vista do desenvolvimento mudar o curso da história. Assim, o conhecimento está ligado, por todos os lados, à estrutura da cultura, à organização social, à práxis histórica.

  

A mergulhadora e ativista Ocean Ramsey se tornou conhecida mundialmente por nadar “sem proteção com tubarões”. No documentário, acompanhamos sua jornada em defesa desses animais, sua relação com o oceano e as polêmicas que envolvem sua atuação, marcada por belas imagens, ativismo ambiental e questionamentos éticos. Sempre ou quase sempre por toda parte, o conhecimento científico transita pelos espíritos individuais, que dispõem de autonomia potencial, a qual pode em certas condições sociais e políticas atualizarem-se e tornar-se um pensamento pessoal crítico. James Reed é um cineasta britânico reconhecido por documentários como Shark Whisperer (2025), Chimp Empire (2023), tem como representação uma série de televisão da Netflix sobre chimpanzés, narrada por Mahershala Ali. Chimp Empire acompanha a vida dos chimpanzés Ngogo, o maior grupo de chimpanzés reconhecido. A série explora a complexa dinâmica social da “comunidade de chimpanzés”, incluindo as relações entre machos e fêmeas, pais e filhos, e rivais. Também examina os desafios que os chimpanzés enfrentam, como a “competição por comida e território e a ameaça da caça ilegal”. Ambientado no Parque Nacional Kibale, em Uganda, ele acompanha a vida de grupos rivais de chimpanzés. O documentário foi lançado em 2023 e My Octopus Teacher, este último rendeu um Oscar em 2020. My Octopus Teacher é um documentário original da Netflix de 2020, dirigido por Pippa Ehrlich e James Reed. 

Ele documenta “um ano passado pelo cineasta Craig Foster construindo um relacionamento com um polvo comum selvagem em uma floresta de algas marinhas da África do Sul”. O filme ganhou o prêmio de Melhor Documentário no 93º Oscar. Em 2018, Craig Foster começou a praticar mergulho livre em uma floresta fria de algas subaquáticas em um local remoto em False Bay, perto da Cidade do Cabo, África do Sul. O local era perto de Simon`s Town, na Península do Cabo, que está exposta à fria corrente de Benguela do Oceano Atlântico. Ocean Ramsey, nascida em 1987, é uma conservacionista e modelo norte-americana de tubarões. Ela ganhou atenção da mídia internacional por mergulhar livre com tubarões, incluindo grandes tubarões brancos, para aumentar a conscientização sobre a conservação dos tubarões e promover seu negócio. Ramsey mora no Havaí e mergulhou com 47 espécies de tubarões ao redor do mundo em 2019. Ramsey opera a One Ocean Diving, LLC, uma empresa sediada no Havaí que facilita mergulhos com vida marinha. Ela é o tema de um documentário da Netflix de 2025, o Shark Whisperer, que aborda tanto seu trabalho de conservação quanto a controvérsia em torno de sua abordagem. Enquanto filmavam tubarões-tigre em Oahu, Ramsey e uma equipe de filmagem encontraram uma fêmea de tubarão-branco de 6,1 metros de comprimento, mais tarde identificada como Deep Blue, ou Haole Girl. O encontro foi capturado pelo noivo de Ramsey, Juan Oliphant, e a filmagem recebeu atenção da mídia mundial. Embora ela tenha sido elogiada por aumentar a conscientização sobre as espécies, ela foi” criticada por suas ações na filmagem”. O biólogo marinho Michael Domeier, diretor fundador do Marine Conservation Science Institute, criticou Ramsey por aparecer no vídeo viral de interação com tubarões. David Shiffman, um biólogo de conservação marinha que estuda tubarões, disse ao The Washington Post: - “Não acredito que por favor, não agarre o predador selvagem de 5,5 metros de comprimento seja algo que precisa ser dito explicitamente em voz alta, mas aqui estamos”. 

Ramsey e dezenas de indivíduos e organizações buscavam há muitos anos uma lei que proibisse a matança de tubarões. Após anos de debates o Projeto de Lei 553 da Câmara do Havaí foi aprovado em 2021, tornando o Havaí o primeiro estado a proibir a matança de tubarões. A divisão do trabalho social não é específica do nível de análise econômico: podemos observar sua influência crescente nas regiões mais distintas da sociedade. As funções políticas, administrativas, judiciárias especializam-se cada vez mais. O mesmo ocorre com as funções artísticas e científicas no âmbito das universidades. As especulações filosóficas da biologia nos demonstraram, na divisão do trabalho, um fato social de uma tal generalidade que os economistas, que foram os primeiros a mencioná-lo, não haviam podido suspeitar. Não é mais uma instituição social que tem sua fonte na inteligência e na vontade dos homens. Mas um fenômeno de biologia geral, cujas condições, ao que parece, precisam ser buscadas nas propriedades essenciais da disciplina organizada. A divisão do trabalho social passa a aparecer apenas como uma forma particular desse processo geral, e as sociedades, conformando-se a essa lei, parecem ceder a uma corrente de pensamento que nasceu bem antes delas e que arrasta no mesmo sentido todo o mundo vivo. Semelhante fato não pode, evidentemente, produzir-se sem afetar profundamente nossa constituição moral, pois o desenvolvimento do homem se fará em dois sentidos de todo diferentes. Não é necessário demonstrar a gravidade desse problema prático; qualquer que seja o juízo sobre a divisão do trabalho, o mundo sabe que ela é e se torna cada vez mais uma das bases fundamentais da ordem social tanto quanto política.

         O tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier) é uma espécie de tubarão terrestre e o único membro existente do gênero Galeocerdo e da família Galeocerdonidae. É um grande predador, com fêmeas capazes de atingir um comprimento de mais de 5 metros (16 pés e 5 pol). As populações são encontradas em muitas águas tropicais e temperadas, especialmente ao redor das ilhas do Pacífico central. Seu nome deriva das listras escuras em seu corpo, que lembram o padrão de um tigre, mas desaparecem à medida que o tubarão amadurece. O tubarão-tigre é um caçador solitário, principalmente noturno. É notável por ter o espectro alimentar mais amplo de todos os tubarões, com uma variedade de presas que inclui crustáceos, peixes, focas, pássaros, lulas, tartarugas, cobras marinhas, golfinhos e outros, até mesmo tubarões menores. Ele também tem a reputação de “comedor de lixo”, consumindo uma variedade de objetos não comestíveis fabricados pelo homem que permanecem em seu estômago. Os tubarões-tigre têm apenas um predador natural registrado, a orca. É considerada uma espécie quase ameaçada por causa da remoção de barbatanas e da pesca por humanos”. O tubarão-tigre fica atrás apenas do tubarão branco em ataques fatais registrados contra humanos, mas esses eventos ainda são raros. O tubarão foi descrito pela primeira vez por Peron e Lesueur em 1822, e recebeu o nome de Squalus cuvier. Müller e Henle em 1837 o renomearam Galeocerdo tigrinus. Metodologicamente, o gênero, Galeocerdo, é derivado do grego galeos, que significa tubarão, e kerdo, a palavra para raposa. O nome da espécie homenageia o naturalista Georges Cuvier (1769-1832).  É frequentemente chamado coloquialmente de “tubarão devorador de homens”. O tubarão-tigre tem como representação biológica um membro da ordem Carcharhiniformes, a ordem de tubarões mais rica em espécies, com mais de 270 espécies, incluindo também os pequenos tubarões-gatos e os tubarões-martelo. Os membros desta ordem são caracterizados pela presença de uma membrana nictitante sobre os olhos, duas barbatanas dorsais, uma barbatana anal e cinco fendas branquiais. É o maior membro da ordem, comumente referido como tubarão-terrestre. 

É o único membro existente de Galeocerdo, o único membro da família Galeocerdonidae. Os restos mais antigos de Galeocerdo remontam à época do Eoceno, enquanto os fósseis mais antigos do tubarão-tigre moderno Galeocerdo cuvier datam do Mioceno Médio, cerca de 13,8 milhões de anos atrás. O tubarão-tigre geralmente atinge um comprimento adulto de 3,5 a 4,7 metros (11 pés 6 pol - 15 pés 5 pol) e pesa entre 300 e 900 kg (700 e 2.000 lb). O recorde de todos os equipamentos da International Game Fish Association é de 810 kg (1.790 lb). É sexualmente dimórfico, com as fêmeas sendo o sexo maior.As fêmeas maduras geralmente têm mais de 3,7 metros (12 pés 2 pol), enquanto os machos maduros raramente chegam a esse tamanho. Fêmeas excepcionalmente grandes podem medir mais de 5 metros (16 pés 5 pol) e os maiores machos 4 metros (13 pés 1 pol). Pesos de tubarões-tigre fêmeas particularmente grandes podem exceder 1.300 kg (2.900 lb). Uma fêmea grávida capturada na Austrália teria medido 5,5 metros (18 pés e 1 pol.) de comprimento e pesava 1.524 kg (3.360 lb). Capturas ainda maiores não confirmadas foram reivindicadas. Alguns artigos aceitaram um registro de um tubarão-tigre excepcional de 7,4 metros (24 pés e 3 pol.) e 3.110 kg (6.860 lb), mas como isso é muito maior do que qualquer espécime observado cientificamente, a verificação seria necessária. Um estudo de 2019 sugeriu que os tubarões-tigre do Plioceno poderiam ter atingido 8 metros (26 pés) de comprimento máximo. Existe variação cronológica de tempo/espaço na velocidade de crescimento dos tubarões-tigre juvenis dependendo da região onde habitam, sendo observado como alguns a crescerem quase duas vezes mais rápido que outros. Entre os maiores tubarões existentes, o tubarão-tigre ocupa o posto de tamanho médio apenas atrás do tubarão-baleia (Rhincodon typus), do tubarão-frade (Cetorhinus maximus) e do tubarão-branco (Carcharodon carcharias). Isso o torna psicologicamente o segundo maior tubarão predador, depois do tubarão-branco.

Outras espécies, comparativamente, como os tubarões-boca-grande (Megachasma pelagios), os tubarões-dorminhoco-do-pacífico (Somniosus pacificus), os tubarões-da-groenlândia (Somniosus microcephalus) e os tubarões-de-seis-guelras-de-nariz-aberto (Hexanchus griseus), se sobrepõem amplamente em tamanho ao tubarão-tigre, como essas espécies são comparativamente pouco estudadas, não está claro se seu tamanho típico adulto corresponde ao do tubarão-tigre. O tubarão-martelo (Sphyrna mokarran), um membro da mesma ordem taxonômica do tubarão-tigre, tem um comprimento corporal médio semelhante ou até maior, mas é mais leve e menos volumoso, com um peso máximo reconhecido vindo de um indivíduo de 4,4 metros (14 pés) de comprimento e 580 kg (1.280 lb) grávida. Os dentes do tubarão-tigre são únicos, com serrilhas muito afiadas e pronunciadas e uma ponta inconfundível voltada para o lado. Essa dentição se desenvolveu para cortar carne, osso e outras substâncias duras, como cascos de tartaruga. Como a maioria dos tubarões, seus dentes são continuamente substituídos por fileiras de novos dentes ao longo da vida do tubarão. Em relação ao tamanho do tubarão, os dentes do tubarão-tigre são consideravelmente mais curtos do que os de um tubarão-branco, mas são quase tão largos na raiz quanto os dentes do tubarão-branco e são indiscutivelmente mais adequados para cortar presas de superfície dura. Um tubarão-tigre geralmente possui nadadeiras longas para fornecer sustentação enquanto manobra na água, enquanto a longa cauda superior proporciona explosões de velocidade. O tubarão-tigre normalmente nada usando pequenos movimentos corporais.

            No estudo da relação entre genealogia e poder, mutatis mutandis, observava Michel Foucault que a primeira característica do que ocorria de forma nebulosa dizia respeito ao caráter local da crítica, uma espécie de produção teórica autônoma, não centralizada, isto é, que não tem necessidade, para estabelecer sua validade, da concordância de um sistema comum. Esta crítica local se efetuou através do que se poderia chamar de “retorno do saber”. Em um caso como no outro, no saber da erudição como naquele desqualificado, nestas duas formas de saber sepultado ou dominado, se tratava na realidade de saber histórico da luta. Nos domínios especializados da erudição como nos saberes desqualificados das pessoas jazia a memória dos combates, que até então havia sido subordinada. Delineou-se o que se poderia chamar uma genealogia, ou, pesquisas genealógicas múltiplas: a redescoberta exata das lutas e memória bruta dos combates. E esta genealogia, como acoplamento do saber científico e do saber das pessoas, só será possível se for eliminada a tirania dos colegiados, com suas hierarquias e os privilégios que permeia o discurso religioso/científico em saberes regionais.   

            Trata-se de ativar saberes locais, descontínuos, desqualificados, não legitimados, contra a instância teórica unitária que pretenderia depurá-los, hierarquiza-los, ordená-los em nome de um conhecimento verdadeiro, em nome dos direitos de uma concepção de ciência detida por alguns. Trata-se da insurreição dos saberes não tanto contra os conteúdos, os métodos e os conceitos de uma ciência, mas de uma insurreição dos saberes antes de tudo contra os efeitos de poder centralizadores que estão ligados à instituição e ao funcionamento de um discurso científico organizado no interior da sociedade. Pouco importa que esta institucionalização do discurso científico se realize em uma universidade ou, de modo mais geral, em um aparelho político com todas as suas aferências, pois são os efeitos de poder próprios a um discurso considerado como científico que a genealogia deve combater, seja diante do processo de gentrificação do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, objeto de pesquisa de pós-doutoramento em curso em análise comparada da degradação do Centro Poliesportivo da Universidade Estadual do Ceará. Não se trata de estudos de caso, mas com a pesquisa efetiva, torna-los capazes de oposição e de luta contra a coerção de um discurso teórico, unitário, formal e científico. Poderíamos lançar o desafio, lembrava o filósofo Michel Foulcault: - “Tentem colonizar-nos”. A burocracia moderna engendrou o intelectual específico nas universidades, através das atividades regulares necessárias aos objetivos da estrutura governada burocraticamente, que por sua vez são distribuídas de forma fixa como deveres oficiais que contém uma orientação, mas podem mudar de forma e sentido.

A autoridade de dar ordens necessárias à execução desses deveres oficiais se distribui de forma estável, sendo rigorosamente delimitada pelas normas relacionadas com os meios de trabalho e de coerção, físicos, sacerdotais ou outros, que possam ser colocados à disposição dos funcionários ou autoridades. O princípio da autoridade hierárquica de cargo encontra-se em todas as organizações burocráticas. Não importa, para o caráter da burocracia, que sua autoridade seja compreendida como privada ou pública. É o que tenta demonstrar, de forma hilária, o escritor gaúcho Luís Fernando Veríssimo em uma série de ensaios temáticos. Quando o cargo está plenamente desenvolvido, a atividade oficial exige a plena capacidade de trabalho do funcionário, a despeito do fato de ser rigorosamente delimitado o tempo de permanência na repartição, que lhe é exigido. O desempenho do cargo segue regras gerais, mais ou menos estáveis, mais ou menos exaustivas, e que podem ser apreendidas. O conhecimento dessas regras representa um aprendizado técnico especial, a que se submetem esses funcionários. Envolve jurisprudência, ou administração pública e privada. A redução do cargo a regras está profundamente arraigada à sua própria natureza. A teoria da administração pública, sustenta que a autoridade para ordenar certos assuntos através decretos não dá à repartição o direito de regular o assunto através de normas expelidas em cada caso, mas na prática, converte-se em relações através dos privilégios individuais e concessão de favores, que domina de forma absoluta as relações entre indivíduos no âmbito do patrimonialismo.

A ocupação de um cargo é considerada uma profissionalização ou estágio, com a exigência de um treinamento rígido, que demanda toda a capacidade de trabalho durante um longo período de tempo e nos exames especiais que, em geral, são pré-requisitos para o emprego. A posição de um funcionário tem a natureza de um dever, sendo a lealdade dedicada a finalidades impessoais e funcionais. Sua posição social é assegurada pelas normas que se referem à hierarquia ocupada. A posse de diplomas educacionais está habitualmente ligada à qualificação técnica para o cargo. O tipo puro sociológico de funcionário burocrático é nomeado por uma autoridade superior. Mas uma autoridade eleita pelos governados não é como tal, uma figura exclusivamente burocrática. A nomeação independe dos estatutos legais, mas da forma pela qual funciona o sistema. Em todas as circunstâncias, a designação de funcionários por meio de uma eleição entre os governados modifica o rigor da subordinação hierárquica. O funcionário se prepara para uma carreira por concurso público, o que não impede que ocorra por determinado tempo a vigilância hierárquica para o cargo no serviço público. Foi esse tipo específico de poder que Michel Foucault chamou de “disciplina” ou “poder disciplinar”. E é justamente esse aspecto que explica o fato de que tem como alvo o corpo humano, não para supliciá-lo, mutilá-lo, mas para aprimorá-lo, adestra-lo. O que lhe interessa não é expulsar os homens da vida social, impedir o exercício de suas atividades, e sim gerir a vida dos homens, controla-los em suas ações para que seja possível e viável utilizá-los ao máximo, aproveitando suas potencialidades e utilizando um sistema de aperfeiçoamento gradual e contínuo de suas capacidades. É um objetivo ao mesmo tempo econômico e político: aumento do efeito de seu trabalho, isto é, tornar os homens força de trabalho dando-lhes uma utilidade econômica máxima; diminuição de sua capacidade de revolta, de resistência, de luta, de insurreição contra as ordens do poder, neutralização dos efeitos de contrapoder, isto é, tornar os homens dóceis. Aumentar a utilidade econômica e diminuir os inconvenientes, os perigos políticos; aumentar a força econômica e diminuir expressivamente a sua força política.

Situemos as suas características básicas. Em primeiro lugar, a disciplina é um tipo de organização do espaço. É uma técnica de distribuição dos indivíduos através da inserção dos corpos em um espaço individualizado, classificatório, combinatório. Isola em um espaço fechado, esquadrinhado, hierarquizado, capaz de desempenhar funções diferentes segundo o objetivo específico que deles se exige. Mas, como relações de poder disciplinar não necessitam de espaço fechado para se realizar, é essa sua característica menos importante. Em segundo lugar, e mais fundamentalmente, a disciplina é um controle do tempo. Isto é, ela estabelece uma sujeição do corpo ao tempo, com o objetivo de produzir o máximo de rapidez e o máximo de eficácia. Em terceiro lugar, a vigilância é um dos seus principais instrumentos de controle. Não uma vigilância que reconhecidamente se exerce de modo fragmentar e descontínuo; mas que é ou precisa ser vista pelos indivíduos que a ela estão expostos como forma contínua, perpétua, permanente; que não tenha limites, penetre nos lugares mais recônditos, esteja presente em toda extensão do espaço. Olhar invisível que permite impregnar quem é vigiado de tal modo que este adquira de si mesmo a visão panóptica de quem o olha. A disciplina implica um registro contínuo de conhecimento. O olhar que observa para controlar não é o mesmo que transfere as informações para os pontos mais altos da hierarquia do poder? Seu objetivo econômico e político é tornar o homem útil e dócil. A grande importância estratégica que as relações de poder disciplinar desempenham nas sociedades depois do século XIX, vem do fato delas não serem negativas. Mas positivas, quando tiramos desses termos qualquer juízo de valor moral ou político e pensarmos unicamente nas condições e possibilidaeds da tecnologia empregada. É então, que, segundo Foucault, surge uma das teses fundamentais da genealogia: “o poder é produtor de individualidade”. O indivíduo é uma produção do poder e do saber. Atuando sobre uma massa confusa, desordenada e desordeira, o esquadrinhamento disciplinar faz nascer uma multiplicidade ordenada na qual o indivíduo emerge historicamente como alvo do poder. 

O nascimento da prisão em fins do século XVIII, não representou uma massificação com relação ao modo como anteriormente se era encarcerado. O nascimento do hospício não destruiu a especificidade da loucura. É o hospício, ao contrário, que produz o louco como doente mental.Um personagem individualizado a partir da instauração de relações disciplinares. E antes da constituição das ciências humanas, no século XIX, a organização das paróquias, a institucionalização do exame de consciência e da direção espiritual e a reorganização do sacramento da confissão, que aparecem como importantes dispositivos de individualização. Em suma, o poder disciplinar não destrói o indivíduo; ao contrário, ele o fabrica. O indivíduo não é o outro do poder, realidade exterior, que é por ele anulado; é um de seus mais importes efeitos. O objetivo é neutralizar a ideia que faz da ciência um conhecimento em que o sujeito vence as limitações reais ou imaginárias de suas condições particulares de existência instalando-se na neutralidade objetiva do universal e da ideologia um conhecimento em que o sujeito tem sua relação com a verdade perturbada, obscurecida, velada pelas condições reais de existência. Todo conhecimento, seja ele científico ou ideológico, só pode existir a partir de condições políticas que são as condições para que se formem tanto o sujeito quanto os domínios do saber. A investigação do saber não deve remeter a um sujeito de conhecimento que seria a sua origem, mas a relações de poder que lhe constituem. Não há saber neutro. Todo saber é político. E isso não porque cai nas malhas do Estado, é apropriado por ele, que dele se serve como instrumento de dominação, descaracterizando seu núcleo essencial. Mas porque todo saber tem sua gênese em relações de poder. 

O fundamental da análise teórica é que saber e poder se implicam mutuamente; não há relação de poder sem constituição de um campo de saber, como também, reciprocamente, todo saber constitui novas relações de poder. Todo ponto de exercício do poder é, ao mesmo tempo, um lugar de formação de saber. É assim que o hospital não é apenas local de cura, mas também instrumento de produção, acúmulo e transmissão de saber. Do mesmo modo que a escola está na origem da pedagogia, a prisão da criminologia, o hospício da psiquiatria. Mas a relação ainda é mais intrínseca: é o saber enquanto tal que se encontra dotado estatutariamente, institucionalmente, de determinado poder. O saber funciona dotado de poder. E enquanto é saber tem poder. A configuração do que Foucault denomina de “intelectual específico” se desenvolveu na 2ª grande guerra (1939-1945), e talvez o físico atômico tenha sido quem fez a articulação entre intelectual universal e intelectual específico. É porque tinha uma relação direta e localizada com a instituição e o saber científico que o físico atômico intervinha; mas já que a ameaça atômica concernia todo o gênero humano e o destino do mundo, seu discurso podia ser ao mesmo tempo o discurso do universal. Sob a proteção deste protesto que dizia respeito a todos, o cientista atômico desenvolveu uma posição específica na ordem do saber. E admite Foucault, pela primeira vez o intelectual foi perseguido pelo poder político, não mais em função do seu discurso geral, mas por causa do saber que detinha: é neste nível que ele se constituía como um perigo político. Mas o intelectual específico deriva de uma figura muito pobre e diversa do “jurista-notável”. O “cientista-perito”. O importante é que a verdade não existe fora do poder ou sem poder. A verdade é deste mundo, produzida nele graças a múltiplas coerções que produz efeitos regulamentados de poder.

Cada sociedade tem seu regime de verdade, seus tipos de discursos que faz funcionar como verdadeiros; os mecanismos e as instâncias que permitem distinguir os enunciados verdadeiros dos falsos, a maneira como se sanciona uns e outros; as técnicas e os procedimentos que são valorizados, sob nosso olhar, para a obtenção da verdade. Quem está de fora do poder, mas tem a capacidade analítica de interpretar o estatuto que delimita o seu campo de saber, percebe os efeitos de poder do que funciona como verdadeiro.  É preciso repensar os problemas políticos dos intelectuais não mais em termos exclusivos da relação entre ciência e ideologia, mas sem abandoná-la, tendo em vista que a universidade pública é um domínio de casta, a forma natural pela qual costumam socializarem-se as comunidades étnicas que creem no parentesco de sangue com os membros de comunidades exteriores e o relacionamento social. Essa situação de casta é parte do fenômeno de povos párias e se encontra em todo o mundo, a análise pode ser religada na medida em que a questão da profissionalização do intelectual, da divisão entre trabalho manual e intelectual, na esfera pública pode ser retomada. A verdade está circularmente ligada a sistemas de poder que a produzem e apoiam, e a efeitos de poder que ela induz e a reproduzem. Ipso facto, o problema político essencial para o intelectual não é apenas criticar os conteúdos ideológicos que privilegiam grupos no sistema educacional que estariam ligados à ciência ou fazer com que sua prática científica seja acompanhada por métodos de inclusão democráticos. O que está em jogo num sistema de castas, é se podemos constituir uma nova arena política sobre a questão da verdade. Mas não se trata de libertar a verdade do sistema de poder, mas de desvincular o poder da verdade das formas com as quais ele legitima suas formas de saber. A genealogia exige a minúcia do saber, evidenciando grande número de materiais acumulados.

Jovens cientistas unem biologia e matemática na Amazônia (2024).Vale lembrar, neste aspecto que a biomatemática é um ramo da biologia que emprega análises teóricas, modelos matemáticos e abstrações dos organismos vivos para investigar os princípios que governam a estrutura, desenvolvimento e comportamento dos sistemas, em oposição à biologia experimental que lida com a realização de experimentos para comprovar e validar as teorias científicas. O campo multidisciplinar é algumas vezes chamado, precisamente, de biologia matemática ou biomatemática para enfatizar o lado técnico-científico matemático, ou biologia teórica para enfatizar abstratamente o lado biológico. Ipso facto, deste ponto de vista a biologia teórica se concentra mais do que nunca no desenvolvimento programático de princípios teóricos per se para a biologia. Enquanto a biologia matemática se concentra no uso de técnicas matemáticas para estudar sistemas biológicos embora ambos sejam muitas vezes trocados. A biologia matemática visa a representação matemática e modelagem de processos biológicos, utilizando técnicas e procedimentos metodológicos da matemática aplicada. Pode ser útil tanto em pesquisas teóricas e práticas. Descrever sistemas de maneira quantitativa significa que seu comportamento pode ser melhor simulado e, podem ser previstas propriedades que podem não ser evidentes para o experimentador. Uma matéria sempre apresenta a tendência de manter o seu estado, seja de repouso, seja de movimento, a não ser que uma força externa influencie. 

A massa é uma grandeza que indica a medida da inércia ou da resistência de um corpo de ter seu movimento acelerado. De uma forma geral, podemos associar a massa à quantidade de partículas existentes em uma matéria. Isso requer modelos matemáticos precisos. Devido à complexidade dos sistemas vivos, a biologia teórica emprega vários campos de domínio de métodos da matemática, e tem contribuído para o desenvolvimento de novas técnicas. A matemática foi usada na biologia já no século XIII, quando Leonardo Fibonacci (1170-1250) usou a famosa série de Fibonacci para descrever uma população crescente de coelhos. No século XVIII, Daniel Bernoulli (1700-1782) aplicou a matemática para descrever o efeito da varíola na população humana. O ensaio de Malthus de 1789 sobre o crescimento da população humana foi baseado no conceito de crescimento exponencial. Há aqui um debate memorável: Pierre François Verhulst (1804-1849) formulou o modelo de crescimento logístico em 1836. Fritz Müller (1822-1897) descreveu os benefícios evolucionários do que é chamado mimetismo Müllerian em 1879, em uma conta notável sendo o primeiro uso de argumento matemático em ecologia evolutiva para mostrar o quão poderoso o efeito da seleção natural seria, a menos que se inclui Malthus s` discussão dos efeitos do crescimento populacional que influenciaram Charles Robert Darwin (1809-1882) e Thomas Malthus (1766-1834) argumentam que tal crescimento seria exponencial, enquanto os recursos só poderiam crescer aritmeticamente. O termo biologia teórica ​​foi usado pela primeira vez em 1901 por Johannes Reinke (1849-1931). Um texto fundador é On Growth and Form (1917) por D`Arcy Thompson, e outros incluem exatamente Ronald Fisher, Hans Leo Przibram, Nicolas Rashevsky e Vito Volterra.

A Terra é o terceiro planeta mais próximo do Sol, o mais denso e o quinto maior dos oito planetas do Sistema Solar. É também o maior dos quatro planetas telúricos. É por vezes designada como Mundo ou Planeta Azul. Lar de milhões de espécies de seres vivos, incluindo os seres humanos, a Terra é o único corpo celeste onde é reconhecida a existência de vida. O planeta formou-se há 4,56 bilhões de anos, e a vida surgiu na sua superfície depois de um bilhão de anos. Desde então, a biosfera terrestre alterou de forma significativa a atmosfera e fatores abióticos do planeta, permitindo a proliferação de organismos aeróbicos, como a formação da camada de ozônio, que em conjunto com seu campo magnético, bloqueia radiação solar prejudicial, permitindo a vida no planeta. A sua superfície exterior é dividida em segmentos rígidos, chamados placas tectônicas, que migram sobre a superfície terrestre ao longo de milhões de anos. Aproximadamente 71% da superfície é coberta por oceanos de água salgada, com o restante consistindo de continentes e ilhas, contendo lagos e corpos de água que contribuem para a hidrosfera. Os polos geográficos encontram-se cobertos por mantos de gelo ou banquisas. O interior abstrato da Terra permanece ativo e relativamente sólido: um núcleo externo líquido que gera um campo magnético, e um núcleo interno sólido, composto, sobretudo por ferro. A Terra interage com objetos em movimento no espaço, em particular com o Sol e a Lua. Orbita o Sol uma vez por cada 366,26 rotações sobre o próprio eixo, o que equivale a 365,26 dias solares ou representa um (01) ano sideral.

Vale lembrar que o eixo de rotação da Terra possui uma inclinação de 23,4° em relação à perpendicular ao seu plano orbital, reproduzindo variações sazonais na superfície do planeta, com período igual a um ano tropical, ou, 365,24 dias solares. Um fato social é questão sociológica ainda mais necessária porque se utiliza essa qualificação sem muita precisão. Ela e empregada correntemente para designar socialmente as relações que se dão originariamente no interior de uma sociedade, por menos que apresentem, com uma certa generalidade, algum interesse social. Todo indivíduo come, bebe, dorme, raciocina, e a sociedade tem todo o interesse em que essas funções se exerçam regularmente. O sistema de signos de que me sirvo para exprimir meu pensamento, o sistema de moedas que emprego para pagar minhas dívidas, os instrumentos de crédito que utilizo em minhas relações comerciais, as práticas observadas em minha profissão, etc., funcionam independentemente do uso que faço deles. Que se tomem um a um todos os membros de que é composta a sociedade; o que procede poderá ser repetido a propósito de cada um deles, ou seja, maneiras de agir, de pensar e de sentir que apresentam essa notável propriedade de existirem fora das consciências individuais. Mas não são apenas exteriores ao indivíduo, como também são dotados de uma “força imperativa” e coercitiva em virtude da qual se impõe a ele, quer ele queira, quer não. Em se tratando de máximas morais, a consciência pública reprime todo ato que as ofenda através da vigilância que exerce sobre a conduta dos cidadãos. A coerção, mesmo sendo de forma indireta, continua sendo uma técnica ou estratégia de submissão eficaz.

Trata-se de uma ordem de fatos que apresentam características muito especiais: consistem em maneiras de agir, de pensar e de sentir, exteriores ao indivíduo, e que são dotadas de um poder de coerção em virtude do qual esses fatos se impõem a ele. Por conseguinte, eles não poderiam se confundir com os fenômenos orgânicos, já que consistem em representações e em ações, nem com os fenômenos psíquicos, os quais só tem existência na consciência individual e através dela. Estes fatos constituem, portanto, uma espécie nova, e é a eles que deve ser dada e reservada a qualificação de sociais. Essa qualificação lhes convém; pois é claro que, não tendo o indivíduo por substrato, eles não podem ter outro senão a sociedade, seja a sociedade política em seu conjunto, seja um dos grupos parciais que ela encerra: confissões religiosas, escolas políticas, literárias, corporações profissionais, etc. Por outro lado, é a eles só que ela convém; pois a palavra social só tem sentido definido com a condição de designar unicamente fenômenos que não se incluem em nenhuma das categorias de fatos já constituídos e denominados. Eles representam o domínio próprio da sociologia. Mas só há fato social onde há organização delineada, normalizada e estritamente definida. O hábito coletivo não existe apenas em estado de imanência nos atos sucessivos que ele determina, mas se exprime de uma vez por todas, por um privilégio cujo exemplo não encontramos no reino biológico, numa fórmula que se repete de boca em boca pela educação, que se fixa através da escrita.

Tais são as origens e a natureza das regras jurídicas, morais, dos aforismos e dos ditos populares, dos artigos de fé em que as seitas religiosas ou políticas condensam em crenças, dos códigos de gosto que as escolas literárias estabelecem, etc. Nenhuma dessas maneiras de agir ou de pensar se acha por inteiro nas aplicações que os particulares fazem delas, já que eles podem inclusive existir sem serem atualmente aplicadas. Há certas correntes de opinião que nos impelem, com desigual intensidade, conforme os tempos e os lugares, uma ao casamento, por exemplo, outra, ao suicídio, ou a uma natalidade mais ou menos acentuada. As circunstâncias individuais (o sonho) e coletivas (os mitos, os ritos, os símbolos) que podem ter alguma participação social na produção do fenômeno, neutralizam-se mutuamente e não contribuem para em princípio poder determina-lo. O que esse fato exprime é um certo estado de alma coletiva. Um fato social se reconhece, segundo Durkheim (1999), pelo poder de coerção que exerce ou é capaz de exercer sobre os indivíduos; e a presença desse poder se reconhece, por sua vez, seja pela resistência que o fato opõe a toda tentativa individual de faze-lhe violência. De fato, a coerção é fácil de constatar quando se traduz exteriormente por alguma reação direta da sociedade, como é o caso em relação ao direito, à moral, às crenças, aos costumes, inclusive às modas. Mas, quando, é apenas indireta, como a que exerce uma organização econômica, ela nem sempre se deixa perceber tão bem. A generalidade combinada com a objetividade pode ser mais fácil de esclarecer. Essa segunda definição não é senão outra forma da primeira; pois, se uma maneira de se conduzir, que existe exteriormente às consciências individuais, se generaliza, ela só pode fazê-lo impondo-se.

Bibliografia Geral Consultada.

ENZENSBERGER, Hans Magnus, Para Uma Crítica de la Ecologia Política. Barcelona: Editorial Anagrama, 1974; GUATTARI, Félix, As Três Ecologias. Campinas (SP): Editora Papirus, 1990; MARCUSE, Herbert, “La Ecología y la Crítica de la Sociedad Moderna”. In: Ecología Política Barcelona, n° 5, pp. 73-79, 1993; SATO, Michèle, Educação para o Ambiente Amazônico. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Recursos Naturais. Centro de Ciências Biológicas e da Saúde. São Carlos: Universidade Federal de São Carlos, 1997; DEBORD, Guy, A Sociedade do Espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto Editora, 1997; CARLA, Ricardo Clapis, Ecologia e Conservação de Tubarões do Arquipélago de Fernando de Noronha, com ênfase no Tubarão-Cabeça-de-Cesto Carcharhinus perezi (Poey, 1876) (Carcharhiniformes, Carcharhinidade). Tese de Doutorado. Instituto de Biociências. Rio Claro: Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho, 2003; LÖWY, Michael, Ecologia e Socialismo. São Paulo: Cortez Editores, 2005; MORIN, Edgar, Introducción al Pensamiento Complejo. Barcelona: Editorial Gedisa, 1998; Idem, O Método 4 – As Ideias. Habitat, Vida, Costumes, Organização. 4ª edição. Porto Alegre: Editora Sulina, 2008; GOFFMAN, Erving, Estigma: La Identidad Deteriorada. 2ª edición. Madrid: Amorrotu Editores, 2009; GIDDENS, Anthony, A Constituição da Sociedade. 3ª edição. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2009; BERMAN, Marshall, Tutto ciò che è Solido Svanisce nell`aria. L`Esperienza della Modernità. Bologna: Editore Il Mulino, 2012; FOUCAULT, Michel, Arqueologia do Saber. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 1971; Idem, Vigiar e Punir. Nascimento da Prisão. 42ª edição. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 2014; DURKHEIM, Émile, Da Divisão do Trabalho Social. São Paulo: WMF/Martins Fontes, 2015; PEREIRA, Renato Crespo; SOARES-GOMES, Abílio, Ecologia Marinha. 1ª edição. Rio de Janeiro: Editora Interciência, 2021; OLIVEIRA, Cícero Diogo Lins de, Temas Prioritários para Conservação de Elasmobrânquios Marinhos e Métodos Alternativos para Determinação de Risco de Extinção. Tese de Doutorado. Programa de Pós-graduação em Diversidade Biológica e Conservação nos Trópicos. Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde. Maceió: Universidade Federal de Alagoas, 2023; GAMEIRO, Gabriel, “Encantadora de Tubarões divide opiniões ao tentar promover a preservação ambiental”. Disponível em: https://geekpopnews.com.br/01/07/2025; entre outros. 

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Acidentes com Tubarões: Barbatanas, Desvendando Máscaras Sociais.


                                                                                                      Ubiracy de Souza Braga

- Si los tiburones fueran hombres -¿se portarían mejor con los pececitos? Bertolt Brecht

             
          Até o século XVI os tubarões eram reconhecidos por marinheiros com o apelido “cães marinhos”. A palavra portuguesa tubarão e o termo espanhol tiburón aparecem neste século, em decorrência das navegações no âmbito do processo civilizatório das conquistas e invasões de territórios indigenas por águas tropicais, quando muitos relatos etnográficos revelam a diversidade e quantidade desses peixes popularizando os dois termos na Península Ibérica. Posteriormente, o termo tiburón também foi usado, sem  tradução, em pesquisas em francês, alemão e inglês. A origem etimológica do nome inglês shark também é incerta. Uma teoria abstrata é que ela deriva da palavra “xoc” da língua Iucateque, de indígenas da América, ao norte e do tronco Maia, falada na Península do Iucatão no México, no norte do Belize e em partes da Guatemala, cuja pronuncia “shok” chega bem próximo da palavra shark. Evidência para esta etimologia vem do Oxford English Dictionary, utilizado pela primeira vez após o marinheiro Sir John Hawkins exibir um espécime em Londres, em 1569, tendo usado a palavra sharke para se referir aos grandes tubarões do Mar do Caribe. Outro sentido original da palavra é “predador”, no sentido maquiavélico, oriundo da palavra alemã Schorck, uma variante de Schurke  que mais tarde “foi aplicado aos peixes devido ao seu comportamento predatório”.
           Em todo o mundo são reconhecidas cerca de 380 espécies (80 no Brasil), cujos tamanhos podem variar de 15 cm a 18 m de comprimento, sendo que em torno de 30 espécies já provocaram, comprovadamente, acidentes com o homem. Destas, os registros etnográficos de pesquisadores demonstram que somente doze, no imenso litoral brasileiro, são perigosas e realmente podem atacar banhistas, surfistas, pescadores e mergulhadores. Basicamente marinhos e pelágicos, habitam as águas costeiras e também oceânicas da superfície ao fundo, em praticamente todos os oceanos e mares. Possuem hábitos alimentares carnívoros, tendo uma dieta regular de peixes, crustáceos, lulas, polvos, tartarugas, raias e outros cações. Como seus parentes, as raias e as quimeras, a mandíbula do tubarão não é anexada ao crânio. A superfície da mandíbula, assim como as vértebras do tubarão e as guelras, necessita de suporte extra, devido à sua forte exposição ao stress físico e à necessidade compulsória do uso de força. Eles têm uma camada de minúsculas placas hexagonais chamadas de tésseras, que são blocos cristalinos de sais de cálcio dispostos como um mosaico. Há analogamente referência sobre a pequena placa de metal, de marfim ou de outro material que, na antiga Roma, servia de senha, bilhete de voto ou de entrada nos teatros; ou ainda, de tábua quadrangular que, na antiga Roma, era usada pelos chefes militares para transmitir ordens aos soldados em seu comando.
Etnograficamente os tubarões têm apenas uma camada de tésseras, mas as mandíbulas de espécies de grande porte, como o tubarão-cabeça-chata, o tubarão-tigre e o tubarão-branco, têm de duas a três camadas ou mais, dependendo do tamanho do corpo. As mandíbulas de um tubarão branco podem ter até cinco camadas. No focinho, a cartilagem é esponjosa e flexível para absorver a energia dos impactos físicos. A maioria dos tubarões tem oito barbatanas. Mas só podem desviar-se de objetos à sua frente ficando à deriva, porque suas barbatanas não permitem que nadem para trás. Ao contrário dos peixes ósseos, os tubarões têm um espartilho dérmico complexo feito de fibras flexíveis de colágeno e disposto como uma rede helicoidal em torno de seu corpo. Isso funciona como um esqueleto externo, proporcionando fixação para os músculos de nado, e assim economizando energia. Suas escamas placoides dão-lhes vantagens hidrodinâmicas como reduzir a turbulência enquanto nadam.  A pele dos tubarões pode ser tão áspera como uma lixa pela ação dessas escamas, a ponto de se ter observado que a utilização de suas escamas pode ferir suas presas. Algumas empresas industriais têm usado até mesmo a pele de tubarão para a produção de ferramentas: o oroshiganes japonês ou “lixas”. No Japão, os tradicionais fabricantes de katana usam a pele do tubarão para cobrir o punho da espada e torná-la menos escorregadia. A força da mordida do tubarão não é influenciada pelo quanto sua mandíbula é aberta. Mas a mandíbula superior ser móvel  se torna mais ágil e letal.
                                    

            As caudas dos tubarões variam consideravelmente de acordo com a espécie e são adaptadas ao seu estilo de vida marinha. Ela provém impulsão e também velocidade e aceleração, dependendo da sua forma. Os tubarões possuem uma nadadeira heterocercal na qual a porção dorsal é em geral visivelmente maior do que a porção ventral. Isto se deve à coluna vertebral do tubarão se estender até à parte dorsal, proporcionando uma maior área de superfície para a fixação dos músculos. Isto permite a locomoção mais eficiente entre estes peixes cartilaginosos negativamente impulsionados. Em contraste, a maioria dos peixes ósseos possui uma barbatana caudal homocercal. A cauda do tubarão-tigre tem um grande lobo superior que oferece potência máxima para curvas lentas ou explosões súbitas de velocidade. O tubarão-tigre deve ser capaz de girar e virar na água facilmente enquanto caça. Isto serve para manter a sua dieta variada, do ponto de vista da análise comparada, enquanto o tubarão-sardo, analogamente que caça peixes em cardume, como o carapau e o arenque, tem um grande lóbulo inferior para ajudá-lo a manter o ritmo de nado de sua rápida presa.
            Ao contrário dos peixes ósseos, os tubarões não têm bexigas cheias de gás para a flutuabilidade (bexigas natatórias). Em vez disso, os tubarões dependem de um fígado grande, cheio de óleo, que contém esqualeno, e de a sua cartilagem possuir cerca de metade da densidade do osso. O fígado constitui até 30% da sua massa corporal. A eficácia do fígado é limitada, por isso os tubarões utilizam a sustentação dinâmica para manter a profundidade, e afundam quando param de nadar. Tubarões-tigre da areia armazenam ar em seus estômagos, utilizando-o como uma forma de bexiga natatória. A maioria dos tubarões precisa nadar constantemente para respirar e não pode dormir por muito tempo sem afundar. No entanto, algumas espécies de tubarão, como o tubarão-enfermeiro, são capazes de bombear água através de suas guelras, o que lhes permite descansar no fundo do oceano. Alguns tubarões, se colocados de barriga para cima ou se por algum motivo seus narizes forem acariciados, entram em um estado natural analisado por pesquisadores de “imobilidade tônica” (IT). A imobilidade só pode ser definida como uma possível resposta defensiva involuntária e reflexiva encontrada nas espécies, frente a uma ameaça real como animal diante do predador. Pesquisadores usam essa condição técnica para lidar com tubarões em aparente segurança.

Tubarão-baleia: espécie ameaçada pela pesca predatória. Foto: Kurt Amsler.
               
           Como outros peixes, os tubarões extraem oxigênio da água do mar ao passá-la sobre suas guelras. Alguns tubarões têm uma fenda modificada chamado de espiráculo, localizada logo atrás dos olhos, que é usada na respiração. Devido ao seu tamanho e à natureza do seu metabolismo, os tubarões têm uma maior demanda de oxigênio do que a maioria dos peixes e eles não podem contar com as correntes de água do ambiente para fornecerem um suprimento adequado de água oxigenada. Se um tubarão parar de nadar, a circulação da água cai abaixo do nível necessário para a respiração e o animal pode morrer sufocado. O processo de garantir um fluxo adequado das guelras para mover-se para frente é reconhecido na linguagem científica como “ventilação ram”. O processo de respiração e da circulação começa quando o sangue desoxigenado viaja ao coração de duas câmaras do tubarão. A reoxigenação ocorre nas brânquias e o sangue reoxigenado flui para as artérias eferentes braquiais, que se unem para formar a aorta dorsal. O sangue flui da aorta dorsal para todo o corpo. O sangue desoxigenado do corpo flui através das veias cardinais posteriores e entra na cavidade posterior cardeal do ventrículo do coração e o ciclo se repete doravante num processo de comunicação.
         O Aquário Marinho do Rio de Janeiro - “AquaRio”, é um equipamento de visitação pública, 100% privado, moderno e multifuncional, de educação, pesquisa, conservação, lazer, entretenimento e cultura. Assim, criou a oportunidade da Cidade do Rio de Janeiro – que tem vocação natural para o turismo ligado ao mar, o turismo e a gastronomia mantêm uma ligação direta e tem como objetivo oferecer a visitação de um espaço único com atrações e tecnologias inovadoras pouco vistas no Brasil. Com 26 mil m² de área construída e 4,5 milhões de litros de água, o AquaRio é o maior aquário marinho da América do Sul e tem mais de 5 mil animais, de 350 espécies diferentes em exposição. Diversas atrações inéditas, recintos e tanques grandiosos e toda a infraestrutura necessária para proporcionar entretenimento educativo e prazeroso ao público. Uma das maiores atrações do AquaRio é o tanque principal – chamado “Tancão” para os íntimos adeptos estudiosos da pesquisa em oceanografia – que é o “Recinto Oceânico e de Mergulho”. Com 3,5 milhões de litros de água, 7 metros de pé-direito e um túnel passando pelo interior, a combinação da impressionante massa d’água com e a quantidade de animais, proporciona experiência fabulosa, incrível e ímpar.
         A digestão pode levar um longo tempo. A comida se move desde a boca até o estômago em forma de “J”, onde é armazenada e a digestão inicial ocorre. Itens indesejados podem nunca passar pelo estômago e, ao invés do tubarão vomitar, ele vira seu estômago do avesso e ejeta itens indesejados nos caminhos oceânicos de sua boca. Uma das maiores diferenças entre a digestão dos tubarões e a dos mamíferos é que o intestino dos tubarões é extremamente curto. Este comprimento curto é conseguido através da válvula espiral com várias voltas dentro de uma única seção curta em vez de um intestino longo como um tubo. A válvula fornece uma superfície longa, exigindo que a comida circule no interior do intestino curto até que seja totalmente digerida, e os resíduos restantes passem para a cloaca. O olfato do tubarão é extremamente apurado, permitindo-lhe identificar substâncias bastante diluídas na água, como concentrações de sangue abaixo de uma parte por milhão: o que equivale a perceberem uma gota de sangue a 300 metros de distância em pleno oceano. Por esta razão são por vezes designados através do conhecimento do senso comum como “narizes nadadores”.
Margarida, tubarão Mangona no AquaRio.
            Alguns cientistas creem que, conforme outros peixes, os tubarões são míopes, estando a sua visão adaptada apenas para distâncias entre 2 e 3 metros, embora possa ser utilizada para distâncias de até 30 m com um menor grau de definição. Outros pesquisadores acreditam que a lente dos tubarões está fortemente suspensa por um ligamento dorsal, e fica normalmente fixada para a visão à distância. Para a visão próxima ela é movida para frente pela tração de um pequeno músculo protrator, fixo à lente. Seus olhos, por ficarem nas laterais da cabeça, podem ampliar seu campo de visão para quase 360°. Pesquisadores da Universidade de Queensland e da Universidade da Austrália Ocidental realizaram um estudo de micro-espectrofotometria com 17 espécies de tubarão e descobriram que 10 tinham apenas os bastonetes e não tinham cones em suas retinas dando-lhes uma boa visão noturna, enquanto os tornam daltônicos. As sete espécies restantes tinham, além dos bastonetes, um único tipo de fotorreceptor de cone sensível ao verde, o que faz com que eles vejam apenas tons de cinza e verde; acredita-se que sejam efetivamente daltônicos. O estudo indica que o contraste de um objeto contra o fundo, ao invés da cor, pode ser mais importante para a detecção de objetos.           
            A expectativa de vida de um tubarão varia de acordo com a espécie. A maioria vive entre 20 e 30 anos. O cação espinhoso (Squalus acanthias) tem o maior tempo útil de vida, podendo chegar até a mais de 100 anos. Os Tubarões-baleia (Rhincodon typus), também podem viver mais de 100 anos. A fecundidade em tubarões varia de 2 a mais de 100 jovens por ciclo reprodutivo. Tubarões se tornam maduros lentamente em relação a muitos outros peixes. Por exemplo, os tubarões-limão atingem a maturidade sexual por volta dos anos 13 ou 15 anos. Os tubarões praticam a fertilização interna. A parte posterior da nadadeira pélvica de um tubarão macho é modificada em um par de órgãos chamados clásperes, análogo a um pênis dos mamíferos; um deles é usado para levar o esperma até a fêmea. Acasalamento entre tubarões raramente tem sido observado. O menor Scyliorhinidae frequentemente acasala-se com o macho curvado em torno da fêmea. Em espécies menos flexíveis, os dois tubarões nadam paralelamente, enquanto o macho insere um clásper dentro do oviduto da fêmea. As fêmeas em muitas das espécies de maior porte têm marcas de mordidas que parecem ser o resultado dos machos para manter a posição correta durante o acasalamento. As marcas de mordidas também podem demonstrar um comportamento de namoro: o macho pode morder a fêmea para demonstrar o seu interesse para o acasalamento. Em algumas espécies, a pele das fêmeas evoluiu, se tornando mais espessa para suportar o impacto destas mordidas.
            A visão clássica descreve um caçador solitário, que percorre os oceanos em busca de comida. No entanto, isso se aplica a apenas algumas espécies. A maioria vive de modo muito mais sedentário, na zona bentônica. Mesmo os tubarões solitários se encontram para reprodução ou em áreas ricas para caça, o que pode levá-los a percorrer milhares de km em um ano. Os tubarões podem ser altamente sociais, mantendo-se em grandes grupos. Às vezes, mais de cem tubarões-martelo-recortados se reúnem em torno de montes submarinos e ilhas, por exemplo, no Golfo da Califórnia. Pode também haver hierarquia entre as diferentes espécies. Por exemplo, durante a refeição os tubarões sedosos demostram certo medo de tubarões-brancos-oceânicos da mesma proporção de tamanho. Alguns tubarões quando são pressionados, em particular, este comportamento é observado nos Carcharhinidae, emitem um sinal de ameaça para avisar ao grupo da chegada do predador. Normalmente, estes sinais consistem em movimentos de nado exagerados que variam de intensidade dependendo da proximidade e do nível de perigo.
 
Barbatanas no mercado: mutilam animais.
            Em geral, os tubarões nadam a uma velocidade média de 8 km/h. Mas quando se alimenta ou ataca, o tubarão pode atingir velocidades de mais de 19 km/h. O tubarão-mako é o tubarão mais rápido e comparativamente um dos peixes mais rápidos, podendo ultrapassar velocidades de até 50 km/h. O tubarão-branco também é capaz de explosões de velocidade. Essas exceções podem ser causadas devido à natureza de “sangue quente” (“homeotérmica”) da fisiologia destes tubarões. Ao contrário do senso comum que diz que eles são “máquinas de comer”, movidas pelo instinto, estudos têm indicado que inúmeras espécies possuem poderosas habilidades de resolução de problemas, competência social e curiosidade. Além disso, a relação entre as massas corporais e cerebrais dos tubarões é semelhante à dos mamíferos e outras espécies de vertebrados mais avançados, embora, naturalmente, seja muito pequena comparada com a do homem. Em 1987, perto à Baia de Smitswinkle, na África do Sul, um grupo de sete tubarões brancos trabalharam juntos para mover a carcaça de uma baleia (“Caperea marginata”) morta e encalhada para águas mais profundas, para se alimentarem.
            Todos os tubarões são carnívoros. Algumas espécies, incluindo os tubarões-tigre, comem quase tudo. A grande maioria procura presas em particular, e raramente variam a sua dieta. Os tubarões-baleia, tubarões-elefante e o tubarão-boca-grande se alimentam por filtragem que é um dos quatro grandes tipos de alimentação. Estas três espécies evoluíram independentemente, alimentando-se de plâncton e usando estratégias diferentes. Os tubarões-baleia usam de sucção para recolher plânctons e pequenos peixes. Os tubarões-frade filtram o plâncton enquanto se deslocam na água. Os tubarões-boca-grande fazem a sucção de alimentos mais eficiente, usando tecidos luminescentes no interior da boca para atraírem presas no fundo do oceano. Este tipo de alimentação exige rastros branquiais, longos filamentos delgados que formam uma peneira muito eficiente, análogo às barbas das grandes baleias. O tubarão captura o plâncton nesses filamentos e o engole de vez em quando em bocados grandes. Dentes nesta espécie são pequenos, porque não são necessários para a alimentação.
            Antes de tudo é preciso analiticamente distinguir “ataque provocado” de “ataque não provocado”. Isto é importante e tem implicações sociológicas. É definido como ataque de tubarão não provocado um incidente em que o animal em seu habitat natural ataca um homem ainda vivo, sem ter sido previamente provocado. Todos os incidentes ocorridos em aquários públicos ou em centros de pesquisa, incidentes onde o tubarão ataca um homem morto, neste caso especialmente vítimas de afogamento, ataques a barcos, e também todos os ataques que ocorrem dentro ou fora da água e que de alguma forma são uma resposta à atitude humana, são classificados como ataques provocados. Em 2006, o International Shark Attack File (ISAF) realizou uma pesquisa em 96 alegações de ataques de tubarão, confirmando 62 delas como ataques não provocados e 16 como ataques provocados. A média anual de mortes em todo o mundo entre 2001 e 2006 a partir de ataques de tubarões não provocados foi de 4,3 %. Ao contrário da crença popular, por trás das relações sociais poucos tubarões são perigosos para os seres humanos. Entre mais de 375 espécies, apenas 4 (quatro) estiveram envolvidas em um número significativo de mortes, em ataques “não provocados” a seres humanos: o tubarão-branco, o galha-branca-oceânico, o tubarão-tigre e o tubarão-cabeça-chata.
 
Estes tubarões são grandes e reconhecidos cientificamente como poderosos predadores, e às vezes podem atacar e matar pessoas. Apesar de serem responsáveis por ataques a humanos. No ano de 2000, foi estimado que o risco de uma pessoa ser atacada por um tubarão é de uma em 11.500 milhões e o risco de morte é de uma em 264.1 milhões. O ataque de um tubarão não é algo comum: por exemplo, a cada pessoa que morre por um ataque de tubarão, 3.306 pessoas morrem afogadas e 4.757 morrem em acidentes no trânsito. A percepção de tubarões como animais perigosos foi popularizada pela publicidade dada a alguns casos isolados de ataques de tubarão, como em Nova Jersey no ano de 1916, e através de populares obras de ficção, como a série contínua de filmes Tubarão. Peter Benchley, o autor do filme: “Tubarão”, e o diretor Steven Spielberg, tentaram dissipar a imagem de tubarões “como monstros comedores de homens”, eles sempre foram filmados sem o uso de uma gaiola de proteção humana. O que diferencia a propaganda como arma psicológica  de argumentação é o desejo do publicitário em mudar o entendimento social das pessoas através do logro e da confusão, mais do que pela persuasão e entendimento compreensivo da coisa.
            Os tubarões são popularmente vistos como ameaças ou monstros, mas também são usados como mascotes, tratados como seres pacíficos e até como deuses. A passagem bíblica “Jonas e a Baleia”, que conta a história de Jonas que fica dentro do ventre de uma baleia durante três dias e três noites no mar mediterrâneo podem, ao invés de uma baleia, ter se referido a um tubarão. A revista National Geographic sugere  o tubarão-baleia, uma vez que a versão hebraica usa a palavra “tannium”, a qual pode se referir a qualquer animal marinho de grande porte. Isto leva outros a acreditar que pode ter sido um cachalote a ter transportado Jonas em sua boca. É reconhecido o caso sociologicamente de um homem salvo por um cachalote, que se assemelha à história mítica de narrativa bíblica. A Marinha Alemã possui uma unidade de operações especiais, a Kampfschwimmer, que tem como emblema a figura de um belo tubarão. Na década de 1930, posters que diziam “a pneumonia ataca como um tubarão comedor de homens” foi usado como metáfora clínica de desordem e distribuídos pela Works Projects Administration para a prevenção da doença.
            Na mitologia da Polinésia, especialmente no Havaí, há um relacionamento especial com os tubarões. Na mitologia polinésia há muitos deuses tubarões, que eram considerados guardiões do mar e defensores do povo havaiano. Além disso, havia também histórias de “homens-tubarão”. Em outras partes da Polinésia, como Tonga, acredita-se que o tubarão seja alimento enviado pelos espíritos ancestrais para manter a população. Em contraste com a cultura ocidental moderna, em que a ideia sobre os tubarões é, sobretudo, baseada em filmes que espetacularizam um mito de terror, como “Tubarão”, os habitantes da Polinésia, durante muito tempo, viveram à beira-mar em contato com esses seres, tendendo a respeitar a espécie dos tubarões e culturalmente divinizá-los. É o que ocorre na mitologia com o Kamohoali'i que é o mais reconhecido e reverenciado dos deuses tubarão. Ele era o mais velho e favorecido irmão de Pele, que ajudou e viajou com ela para o Havaí. Ele era capaz de assumir a forma de humano e de tubarão. Ela é considerada uma variante mais geral da mitologia polinésia, desenvolvendo suas características únicas por vários séculos antes de cerca de 1800. Ela está associada com a religião havaiana. A religião foi oficialmente suprimida no século XIX, mas é mantida viva com os recursos da oralidade por alguns praticantes até hoje.
O cume de um penhasco sobre a cratera de Kilauea era um dos pontos que mais considerava sagrado. Em um momento ele criou um heiau - templo ou santuário -  dedicado a si mesmo na ilha de Molokai. Kamohoali'i era um deus ancestral, e não um ser humano que se tornara um tubarão, e proibiu o consumo de seres humanos após ele mesmo ter comido um. Na mitologia fijiana, Dakuwaqa era um deus tubarão e um dos mais reconhecidos deuses: ele era o guardião muito temido da entrada do recife das ilhas. Mesmo hoje, quando os pescadores saem para pescas noturnas, o reverenciam derramando uma taça de kava, planta conhecida como “yaqona” em Fiji, no mar. Na cultura japonesa, os tubarões são monstros do mar, que tomam as almas dos pecadores. Várias menções de tubarões são encontradas na mitologia grega. Na Austrália ou em Tonga, os nativos acreditam que os tubarões são partes naturais para os seres humanos sobreviverem. Acreditam serem descendentes do tubarão-cinzento Mäna. Nos filmes e desenhos animados o tubarão, em geral costuma ser tratado como uma “máquina assassina”, como nos filmes Tubarão (“Jaws”) dirigido por Steven Spielberg que popularizou esta ideia, Do Fundo do Mar e Tubarões Assassinos. Mas, às vezes, o tubarão é tratado como um “ser pacífico”, como se vê no desenho animado Tutubarão, para o público infantil, chegando a ser retratado como vegetariano em filmes como Procurando Nemo e O Espanta Tubarões. Nos filmes e desenhos animados o tubarão, em geral costuma ser tratado como uma máquina assassina, como nos filmes Tubarão (“Jaws”) dirigido  pelo biólogo marinho e diretor canadense Rob Stewart reconhecido pelo documentário “Sharkwater” (2006), quando ganhou 40 prêmios internacionais ao fazer uma denuncia sobre a matança ilegal de tubarões. O documentário Sharkwater (2006), do biólogo e mergulhador Rob Stewart, tem como objeto desmistificar a qualificação de “assassino”, erroneamente atribuído aos tubarões, essenciais à manutenção da vida no mar e na terra, tal como fez Steven Spielberg pelo filme Tubarão. O filme também tem caráter investigativo. O próprio Rob Stewart entra com uma câmara escondida num dos maiores entrepostos de pesca de tubarões na América Latina, desbaratando um esquema ilegal que é mais lucrativo que o tráfico de drogas.
 O biólogo e documentarista Robert Stewart cultiva desde criança admiração por estes seres vivos mais antigos do que os dinossauros, e começou a mergulhar com eles desde muito cedo. Percebendo que ao tentar conscientizar o público através de fotos e panfletos não trazia resultados efetivos, resolveu produzir o tocante filme que acabou obtendo mais de 21 prêmios internacionais de melhor documentário temático. Na literatura, muitos livros sobre tubarões foram escritos: O Velho e o Mar (The Old Man and the Sea, 1952) de Ernest Hemingway, que narra a história fabulosa de um pescador que tenta sobreviver no mar e sofre ataques de tubarões. Nessa direção do realismo mágico, Following the Equator, de Mark Twain, narra a história social do homem que enriquece após achar um jornal The Times no estômago de um tubarão. Estima-se que 100 milhões de tubarões são mortos a cada ano devido a dois tipos de eventos: a pesca comercial e recreativa. Além disso, não queremos perder de vista a série de game shows norte-americana, que demonstra empreendedores que vão ao programa apresentar as suas ideias de negócio a potenciais investidores a fim de obter destes financiamento. Esta série é a versão americana da adaptação britânica, Dragon`s Den, da franquia japonesa Manê no Tora. Um grupo de empreendedores apresenta sua ideia a um painel de cinco investidores, chamados deste ponto de vista  como predadores de tubarões.  
A carne de tubarão é considerada um alimento de consumo comum em inúmeros países, incluindo Japão e Austrália. No estado australiano de Vitória, tubarão é o peixe mais comumente usado no preparo de “fish and chips”, no qual a carne de tubarão é chamada de flake. Na Índia, pequenos tubarões ou tubarões bebê (sora na língua tâmil) são vendidos em mercados locais. Dado que a carne ainda não está totalmente desenvolvida, uma vez fervida ela se parte em pedaços pequenos que depois são fritos em azeite e especiarias para criar o prato reconhecido como “sora puttu”. Mesmo os ossos são moles e podem ser facilmente mastigados. O “sora puttu” é considerados uma iguaria no litoral de Tamil Nadu. Na Islândia, o tubarão-da-Groenlândia é usado para a produção do hákarl, um prato nacional.  O processo de produção e método de trabalho ocorre quando se enterra a carne do tubarão por várias semanas, e depois, se coloca a mesma pendurada para secar ao ar livre. Depois deste processo técnico a carne fica com um cheiro de amoníaco, quando é cortada em cubos e em seguida torna-se produto para ser embalada para futuro hábito de consumo.
Os tubarões são frequentemente mortos para obter e cozinhar a “sopa de barbatana de tubarão”. Pescadores capturam tubarões vivos, pegam sua barbatana, “e despejam o animal de volta na água”. O Shark finning envolve a remoção da barbatana com uma lâmina de metal quente. O tubarão, consequentemente imobilizado, morre por asfixia ou pelo ataque de predadores. A barbatana de tubarão tornou-se uma grande mercadoria no “mercado negro” em todo o mundo. Barbatanas eram vendidas a cerca de 300 libras em 2009. A sopa de barbatana de tubarão é um prato muito apreciado no mercado de consumo asiático. O preço do kg de barbatana chega a 600 euros no chamado “mercado negro” e isso encoraja grande parte dos navios pesqueiros a perseguirem os tubarões. Estudos feitos pela Organização das Nações Unidas sobre a Agricultura e a Alimentação (FAO) e organizações de conservação formado por grupos independentes, apontam dados estatísticos em que todos os anos são capturados e mortos entre 100 milhões e 150 milhões de tubarões. 
         Além do inusitado fetiche comercial sobre as barbatanas, as partes comercializadas do corpo desses peixes são usadas na medicina chinesa a qual não possui base científica, mas tradição, para suportar o uso dos tubarões e sua cartilagem em produtos farmacêuticos. O principal alvo são as barbatanas, devido ao seu alto preço no mercado. Um prato de sopa de barbatana é uma fina iguaria asiática e chega a valer 100 dólares. Para piorar a condição tradicional e violenta sobre o costume, muitos países, em sua maioria asiáticos, permitem a prática de cortar essas partes dos tubarões, contanto que os mantenham vivos. Outros mais sensatos proibiram totalmente os atos de crueldade, e podemos citar toda a União Europeia, como exemplo e mesmo o bloco europeu só lançou essa proibição recentemente. O problema maior é que tirar as barbatanas dos tubarões, mesmo se apenas algumas praticamente os entregam para a morte certa. Segundo estatísticas, Hong Kong é o centro mundial do comércio de barbatanas de tubarão, ocupando aproximadamente 50% deste segmento de mercado, e desse total 27% abastece a União Europeia. A causa anti-finning ganhou repercussão mundial quando o empresário do grupo Vigin, Richard Branson, e o ex-jogador de basquete da NBA, Yao Ming, declararam a sua oposição a essa prática desnecessária e predatória.
   A sopa de barbatana de tubarão é um símbolo de status em países asiáticos, e é considerada saudável e cheia de nutrientes. Tubarões também são mortos pela degustação de sua carne. Na Europa, por exemplo, há uma grande demanda por carne de pata-roxa, Mustelus mustelus, tubarão-mako, Lamna nasus e também de raias. Ao contrário, nos Estados Unidos da América (EUA) está se tentando mudar a lei para acabar com o abate ilegal de tubarões para comércio. A Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA) listou o tubarão como um dos quatro juntamente com o peixe-espada (Scomberomorus cavalla e Malacanthidae), cujo alto teor de mercúrio é perigoso para crianças e mulheres grávidas. Do ponto de vista técnico a maior parte da pesca de tubarão tem pouca gestão e monitoramento. O crescimento da demanda de produtos de tubarão aumenta a pressão sobre a pesca. Grandes declínios nos estoques de tubarão foram registrados, algumas espécies declinaram em mais de 90% nos últimos 20-30 anos, com declínio incomum de 70% da população. Muitos governos e a Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceram a necessidade da gestão da pesca de tubarões, mas pouco progresso foi feito devido ao seu baixo valor econômico, os pequenos volumes de produtos produzidos e à má imagem pública dos tubarões. Em 1991 a África do Sul, com todos os problemas internos sobre segregação étnica, e internacionais, ainda assim, foi o primeiro país no mundo a declarar o tubarão-branco uma espécie legalmente protegida.
Em 2009, a Lei de Conservação do Tubarão foi aprovada pela Câmara dos Representantes dos Estados Unidos e sancionada pelo Senado em 2010. Neste ano, a Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Cites), assinada pelo Brasil em 1975, para regular de forma eficaz o comércio de espécies da fauna e flora, prevenindo-as do perigo de extinção, quando a ameaça for o comércio internacional rejeitou as propostas dos Estados Unidos e do Palau, que obrigavam os países a regular o comércio de várias espécies como o tubarão-martelo-recortado, o Galha-branca-oceânico e o Squalus acanthias. A maioria, dois terços dos delegados que votaram, aprovou a proposta. A China, de longe o maior mercado mundial de tubarões, e o Japão, que batalha para estender a convenção para as espécies marinhas, liderou a oposição. O Greenpeace acrescentou em 2010 o tubarão-vitamínico, o tubarão-mako, o Tubarão-azul e o Squalus acanthias à sua lista de frutos do mar vermelhos, uma lista de peixes comuns em supermercados que muitas vezes são provenientes da pesca predatória de insustentabilidade. O grupo de advocacia Shark Trust faz campanhas para limitar a pesca do tubarão e o grupo de advocacia Seafood Watch orienta os consumidores norte-americanos a não comerem tubarões.


Artista Alice Newstead presa em anzolcontra a matança de tubarões.

O turismo relacionado a tubarões contribuiu com mais de 800 milhões de dólares para a economia das Bahamas nos últimos 20 anos, e esta decisão reforça os dados estatísticos de uma pesquisa que concluiu que os tubarões são mais valiosos vivos do que mortos. Ainda em julho membros da Interamericana Tropical Tuna concordaram em proteger a espécie galha-branca-oceânico no leste do Pacífico, uma vez que esta espécie vinha sofrendo declínios dramáticos, em parte devido à pesca do atum que acontece no habitat do tubarão. Em agosto de 2011, o Chile proíbe a remoção das barbatanas e exige que todos os navios que capturam tubarões tragam-nos ao país com suas barbatanas. Em setembro, o Toquelau, um território auto-administrado da Nova Zelândia formado por três atóis no Pacífico Sul, declara-se um santuário de tubarões, baleias, e tartarugas. Em outubro, a República das Ilhas Marshall estabelece o maior santuário mundial de tubarões, o qual cobre uma área do oceano com cerca de três vezes o tamanho da França. Em novembro, 48 membros da Comissão Internacional para a Conservação do Atum Atlântico comprometem-se a proibir a retenção de Carcharhinus falciformis capturados acidentalmente durante a pesca. Entre ½ milhão e 1, 5 milhões de Carcharhinus falciformis são capturados anualmente por causa das suas barbatanas.
 No dia 4 de janeiro de 2011, o presidente norte-americano, Barack Obama, tornou o Ato de Conservação do Tubarão, uma lei oficial nos Estados Unidos. Também, em janeiro, as Ilhas Marianas do Norte aprovaram uma lei que proíbe a posse, a venda e a distribuição de barbatanas de tubarão. A lei também proíbe o desembarque de tubarões em todos os portos do arquipélago.  Em 24 de fevereiro de 2011, o Senado de Guam, um território dos EUA no oceano Pacífico, aprovou um projeto que proíbe a venda, posse e distribuição de barbatanas de tubarão. A ilha foi a primeira a ser povoada há 4 mil ano pelos ancestrais dos Chamorros, ainda o maior grupo étnico de Guam. Agora, cerca de 160 mil pessoas habitam o território. Sua capital é Hagatna e sua maior cidade é Dededo. As principais línguas faladas são inglês e chamorro. Com esta legislação, apoiada pelo vice-presidente da câmara dos deputados, Benjamin Joseph Cruz, as ilhas do Pacífico continuaram a liderar o mundo globalizado na luta pela conservação dos tubarões. Depois disso o projeto foi encaminhado ao governador Eddie Baza Calvo para obtenção da sua assinatura. Em março a lei entrou em vigor, e ela também proíbe a retenção de todos os tubarões capturados nas águas pertencentes ao território de Guam, um pequeno território norte-americano aparentemente perdido no meio do Oceano Pacífico ocidental considerado “meio de trabalho” essencial para os Estados Unidos do ponto de vista militar.
Em junho de 2011, em um sinal de que o movimento global pela proteção dos tubarões está avançando, o presidente de Honduras, Porfirio Lobo Sosa declarou suas águas como um santuário permanente dos tubarões. O movimento social torna permanente uma moratória à pesca comercial e industrializada de tubarões, que havia sido anunciada por Honduras um ano antes, em uma declaração conjunta com a ilha de Palau, na Micronésia. Em setembro do mesmo ano, Bahamas, Colômbia, Honduras, Ilhas Maldivas, Ilhas Marshall, México, Micronésia e Palau, assinaram um acordo que proíbe a pesca comercial de tubarões em mais de 2,7 milhões de quilômetros quadrados do oceano. Em julho de 2011, autorização do desenvolvimento de uma proibição regional sobre a posse, vendas, oferta e comércio de barbatanas de tubarão nos oceanos dos Estados Federados da Micronésia e seus quatro Estados-Membros, a República das Ilhas Marshall, a República do Palau, o território de Guam e das Ilhas Marianas do Norte e para o desenvolvimento de um quadro estratégico, a fim de programar uma forma de conservação marinha que para desenvolver e estabelecer o maior e o primeiro santuário regional de tubarões do mundo ocidental na Micronésia em dezembro de 2012. Neste mês Bahamas proíbe toda a pesca comercial de tubarões em águas do país.
         Há milhões e milhões de anos nós vivíamos no oceano. Quando emergimos, lembra Ledgard (2017: 115), tivemos de viver em duas dimensões, em vez de três. Isso foi penoso no início. Sem alto nem baixo. Aprendemos a nos arrastar sem pernas, depois com elas, cada vez mais rápido, e ainda mais rápido, de qualquer jeito. A falta de uma terceira dimensão é uma explicação para nossa necessidade de seguir para além do horizonte. Outra explicação é que fomos elevados de uma vida fotossintética acima dele. Tendo ascendido da noite eterna, não podemos evitar seguir em direção á luz. Somos mariposas no transe do sol e das estrelas, distribuindo escuridão. Esse é o nosso instinto, mas nossa natureza consciente é também sermos atraídos para o desconhecido. Esquecemos que existe tanta escuridão no nosso mundo e que estar numa praia é uma sorte. Conhecemos as marés, porque elas cobrem as orlas dos nossos países e enchem as bocas dos nossos rios e enchem nossas redes de pesca, mas a conexão com o oceano foi perdida. Se ele chega a ser descrito, é como um túmulo ou um esconderijo. Mesmo Tennyson precisou do Kraken para abater imensos vermes marinhos em seu sono até que os últimos fogos aqueceram as profundezas. Moby Dick é o maior romance de língua inglesa sobre o mar. Não tem a ver com o oceano. Só no fim do livro existe uma sensação de se estar afundando e do que está abaixo, quando o Pequod gira num redemoinho e uma mortalha fatal de água o encobre e acalma, agitada como já fazia havia cinco mil anos. No romance de Herman Melville, o nome Pequod faz referência à lendária embarcação que sai em busca da baleia branca Moby Dick. Ao colocar todos os tripulantes como sócios da embarcação, o autor cria a primeira Partnership da literatura.       

Bibliografia geral consultada.

COUSTEAU, Jacques-Yves; DUMAS, Frédéric, Le Monde du Silence. Documentaire. Paris: 1953; RUA, Armando Alfredo Lacerda, Aprovechamiento de Suproductos del Tubarón (Orden Pleurotremata). Thesis de Maestria. Guatemala: Facultad de Ciencias Químicas y Farmácia. Instituto de Nutrición America y Panamá, 1982; CARLA, Ricardo Clapis, Ecologia e Conservação de Tubarões do Arquipélago de Fernando de Noronha, com ênfase no Tubarão-Cabeça-de-Cesto Carcharhinus perezi (Poey, 1876) (Carcharhiniformes, Carcharhinidade). Tese de Doutorado. Instituto de Biociências. Rio Claro: Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho, 2003; GOFFMAN, Erving, Estigma: La Identidad Deteriorada. 2ª edicíon. Madrid: Amorrotu Editores, 2009; SALES, Amanda Patrícia, Transtornos Mentais em Vítimas de Ataque de Tubarão. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Neuropsiquiatria e Ciência do Comportamento. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 2012; USSAMI, Luís Henrique Fregadolli, Identificação e Estimativa Pesqueira de Tubarões da Costa de São Paulo (Província Argentina) Utilizando Marcadores Genéticos. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas. Instituto de Biociências de Botucatu. Departamento de Morfologia. Universidade Estadual Paulista, 2015; BARRETO, Rodrigo Risi Pereira, História de Vida e Vulnerabilidade de Tubarões Oceânicos (Elasmobranchi) do Atlântico Sul. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Recursos Pesqueiros e Aquicultura. Recife: Universidade Federal Rural de Pernambuco, 2015; SILVA, Maria Carolina Ferraz da,  Resposta Fisiológica ao Estresse de Captura e Permanência no Espinhel em Tubarões-Lixa Ginglymostoma cirratum. (Bonnaterre 1778) Capturados no Estado de Pernambuco. Programa de Pós-Graduação em Oceanografia. Dissertação de Mestrado. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 2016; Artigo: “Ativistas Protestam contra o Consumo de Barbatanas de Tubarão em Hong Kong”. In: https://istoe.com.br/10/06/2017; LEDGARD, Jonathan, Submersão. Rio de Janeiro: Editora Record, 2017; AMARANTE, Dirce Waltrick do, “Em conto provocador, Brecht imagina o oceano em Se os tubarões fossem homens”. In: https://oglobo.globo.com/cultura/16/02/2019;  entre outros.