Apenas em 1891 com a inauguração da
luz elétrica, foram movidos com eletricidade. Entre 1910 e 1912 ela foi
estendida até a Rua Álvaro de Carvalho, ficando oficial em 1927. Até 1942, a
Rua Martins Fontes fazia parte da Rua Augusta. Ela aos poucos virou um grande
ponto de prostituição, ocasião em que foi desmembrada (Decreto Lei N.º 153). Do
lado oposto, em direção aos "Jardins", o seu prolongamento até a Rua
Estados Unidos foi oficializado em 1914. O nome Augusta: tudo leva a crer que o
responsável pela sua abertura, o português Mariano Antônio Vieira, não quis
homenagear uma pessoa e sim aplicar algo como um título de nobreza (ou
adjetivo) ao chamá-la de Rua Augusta. Colabora para esta versão o fato de que o
mesmo Mariano, ao abrir uma “picada” no alto do Morro do Caaguaçu, chamou este
logradouro de “Rua da Real Grandeza”. Historicamente vieram os loteamentos,
quando surgiram confortáveis residências e comércio para servi-las.
Gradativamente começaram a surgir edifícios de moradia. Grande parte de comércio
fino de decoração se instalou na região central-ascendente, a partir da Rua
Marquês de Paranaguá. As casas residenciais deram lugar ao comércio de rua.
Shoppings Centers e Cinemas de categoria social se instalaram frequentados
pelas famílias e mais tarde pelos jovens que buscavam distração. Caminho certo
rumo aos bairros dos Jardins e seus clubes, como o Club Athletico Paulistano, a
Sociedade Harmonia de Tênis e o Esporte Clube Pinheiros.
A Rua Augusta representou para os jovens paulistanos na década de 1960, glamour e diversão. A canção Rua Augusta, de Ronnie Cord, lançada em 1964 foi uma espécie de hino da juventude paulistana que frequentava o logradouro nesta época. A partir da década de 1970, começou a adaptar-se às mudanças, dado o pesado tráfego de automóveis e ônibus e a criação de inúmeras galerias e centros comerciais, aliado à falta de estacionamento. Mesmo assim, os jovens continuaram a estar por lá com suas motos, carros envenenados e muito congestionamento, principalmente, entre as décadas de1970 e 1980. Haviam muitas discotecas e casas de danças para acompanhar os “embalos de sábado à noite”, pistas de esqui no gelo, doceiras, academias de musculação e aeróbicas. Está sempre sendo atualizada desde aquela época de grande urbanismo e de seu radiante desenvolvimento, com a reforma do calçamento, decoração com vasos, retirada de uma parte dos postes de iluminação pública obsoletos, colocação de carpete, estacionamento para automóveis na Zona Azul, subterrâneo, construção de boulevard e o desligamento do trafego dos ônibus elétricos com as novas calçadas. Na década de 1970 a rua Augusta perdeu seu prestígio e comércio, provavelmente, por conta da abertura de grandes Shoppings Centers na cidade de São Paulo. Nessa época também foram abertos diversos prostíbulos em seu entorno.
A rua modernizou-se em 1993 com a abertura e desenvolvimento do projeto social do cinema Espaço Unibanco. A partir da década de 2000, a Rua Augusta voltou a ser parte e principalmente a rememorar da vida noturna dentre os jovens. A Augusta abriu o Vegas Club, The Pub, Club Noir, o Comedy Club Comedians, considerado o primeiro de comédias do Brasil, YO restaurante, e outros. Seu entorno é ambientado por bares, restaurantes, casas noturnas, lojas e antigos prostíbulos. Na perspectiva de democratização, condição para uma nova estética urbana, duas redes retêm particularmente a atenção sociológica: os gestos e os relatos. Ambos se caracterizam como cadeias de operações feitas sobre e com o léxico das coisas. De dois modos distintos, um tático e outro linguístico, os gestos e os relatos manipulam e deslocam objetos, modificando-lhe as repartições e os empregos. São “bricolagens”, de acordo com o modelo reconhecido ao mito por Claude Lévi-Strauss. Inventam colagens casando citações de passados com extratos de presentes para fazer deles séries (processos gestuais, itinerários narrativos) onde os contrários simbolizam. Os gestos são verdadeiros arquivos da cidade, se entendermos “arquivos” o passado selecionado e reempregado em função de usos presentes.
Refazem diariamente a paisagem urbana. Esculpem nele mil passados que talvez já sejam inomináveis e que menos ainda estruturam a experiência da cidade. As histórias sem palavras do andar, do vestir-se, de morar ou do cozinhar trabalham os bairros com ausências; traçam aí memórias que não têm mais lugar – infâncias, tradições genealógicas, eventos sem data. Este é também o “trabalho” dos relatos urbanos. Nos cafés, nos escritórios, nos imóveis eles insinuam espaços diferentes. Acrescentam à cidade visível as “cidades invisíveis” de Calvino. Eles criam outra dimensão, sempre mais fantástica e delinquente, terrível ou legitimadora. Por isso, tornam a cidade “confiável”, atribuindo-lhe uma profundidade ignorada a inventariar e abrindo-a a viagens do olhar. São as chaves da cidade: elas dão acesso ao que ela é, mítica. Habitar é narrativizar. Fomentar ou restaurar esta narratividade é, portanto também uma tarefa de restauração. É preciso despertar as histórias que dormem nas ruas que jazem de vez em quando num simples nome, dobradas neste dedal como as sedas da feiticeira. Jamais talvez uma sociedade se tenha beneficiado de uma mitologia tão rica. Mas a cidade é o teatro de uma guerra dos relatos, como a cidade grega era o campo fechado de guerras contra os deuses. Entre nós, os grandes relatos da televisão ou da publicidade esmagam ou atomizam os pequenos relatos de rua ou de bairro. É urgente que a restauração venha em socorro desses últimos, registrando e difundindo as que se contam no padeiro, no café ou em casa. Mas isto é feito arrancando-as de seus lugares, relatos de palavras nos bairros ou imóveis restituiriam aos relatos os solos onde podem desabrochar.

O bairro constitui o termo médio de uma dialética existencial entre o dentro e o fora. E é na tensão entre esses dois termos, um dentro e um fora, que vai aos poucos se tornando o prolongamento de um dentro que efetua a apropriação do espaço. Um bairro poder-se-ia dizer, é assim uma ampliação do habitáculo; pelo usuário, ele se resume á soma das trajetórias individuais inauguradas a partir do seu local conscrito na origem de sua habitação. Não é propriamente uma superfície urbana transparente para todos ou estatisticamente mensurável, mas antes as condições e possibilidades oferecidas a cada um de inscrever na cidade um sem-número de trajetórias cujo núcleo irredutível continua sendo sempre a esfera do privado. Existe, além disso, a elucidação de uma analogia formal entre o bairro e a moradia: cada um deles tem, com os limites que lhe são próprios, a mais alta taxa de controle pessoal possível, pois tanto aqueles como esta são os únicos lugares vazios onde, de maneira diferente, se pode fazer aquilo que se quiser. A relação entrada ou saída, dentro ou fora se imiscui dentre outras relações sociais como casa ou trabalho, representando uma relação entre pessoa e mundo, condicionado por uma dialética da autoconsciência que vai haurir, de forma humana, socialmente íntima.
A “Rua Augusta representou para jovens paulistanos na década de 1960 glamour e diversão. Rua Augusta" é uma canção, composta pelo maestro brasileiro Hervé Cordovil e gravada pelo cantor brasileiro Ronnie Cord, sendo seu maior sucesso, e lançada pela gravadora RCA Victor em 1964. Rua Augusta foi a primeira música de rock brasileiro a ter problemas com a censura. Sua terceira estrofe, - “Comigo não tem mais esse negócio de farda/ não paro o meu carro nem se for na esquina/ tirei a 130 a maior fina do guarda...” - foi cortada pela censura, tendo que ser substituída. Sua letra captura o espírito da juventude roqueira do começo dos anos 1960, que tinham suas motos e carros embalados na velocidade das mudanças de costumes trazidos com o rock e o movimento da jovem guarda, na mesma época em que a Rua Augusta, da cidade de São Paulo, era um local progressista do Brasil. A canção também seria regravada pelos Mutantes, no disco “Mutantes e Seus Cometas no País do Baurets” e por Raul Seixas, que deixou uma das versões mais conhecidas do público. A partir da década de 1970, começou a se adaptar às mudanças, dado o tráfego de automóveis e ônibus e a criação de inúmeras galerias e centros comerciais, aliado à falta de estacionamento. Na badalada década a Rua Augusta perdeu seu prestígio e comércio por conta da febril concorrência imobiliária com a abertura de shoppings centers em inúmeros pontos comerciais de São Paulo.
Os centros comerciais de médio e grande porte funcionam como pequenas cidades, possuindo uma estrutura governamental (a administração) e seus serviços de polícia e bombeiros (segurança), de limpeza (sanitário), de abastecimento de água, de manutenção de infraestruturas etc. Trata-se de um espaço de poder, planejado para estimular a economia urbana e facilitar o consumo. A administração é centralizada, e as lojas são alugadas, para a exploração comercial calculada e a prestação de serviços, sendo sujeitas a normas contratuais padronizadas. Muitas vezes, um supermercado ou grande estabelecimento de varejo funciona como “âncora” do empreendimento. A administração tende a procurar manter o equilíbrio da oferta e uma certa diversificação ou complementaridade entre os diferentes tipos de estabelecimentos e de produtos oferecidos. Os locatários pagam um valor em conformidade com um percentual do faturamento (de 5 a 9%) ou um valor mínimo básico estabelecido em contrato - o que for maior. Os centros comerciais, na maior parte das vezes, cobram por muitos serviços. Nos centros comerciais de maiores dimensões, com vários andares, a circulação se dá, habitualmente, através de escadas rolantes, para facilitar o movimento de pessoas de um andar para outro. O maior shopping center do mundo é o Dubai Mall, em Dubai, nos Emirados Árabes, que conta com 1 200 lojas, 22 salas de cinema, um estacionamento com 14 000 vagas, além de abrigar o maior aquário do mundo, com 33 000 animais marinhos expostos. O título de melhor centro do é atribuído em Cannes, na França, e pertence ao Europa Passage, na Alemanha.
A atriz Fiorella Mattheis é a protagonista da série “Rua Augusta”, que a O2 realiza para a TNT, abreviação para Turner Network Television, canal de televisão por assinatura especializado em filmes e séries. O canal original foi criado pelo magnata da mídia Ted Turner em 1988 nos Estados Unidos da américa. A programação do canal é em áudio dublado, já em outros momentos, a atração pode ser exibido legendado em horário nobre. O canal chegou ao Brasil na década de 1990. Exibe sucessos do cinema com falas em português e está presente em praticamente todos os pacotes de TV por assinatura do Brasil. Ela representa sua personagem Mika. A série tem direção-geral de Pedro Morelli que divide a direção dos episódios com Fábio Mendonça. A direção de fotografia é de Rodrigo Carvalho e Dante Belluti e a direção de arte de Fabio Goldfarb. “Rua Augusta” é adaptação da série israelense “Allenby Street”. Durante o dia, a Rua Allenby, localizada em Tel Aviv, Israel, é o espaço de atividades comerciais. Quando a noite chega, a via é agitada pelos bares e casas de show da região. E é lá que Mika (Moran Atias) realiza a vida. Trabalhando como prostituta, a jovem divide seu tempo entre o trabalho e os prazeres da vida noturna, até que ela se envolve em caso amoroso.
A série televisiva “Rua Augusta” foi filmada em diversas locações em São Paulo, especialmente na região da Rua Augusta. Mika (Fiorella Mattheis) é uma stripper que reconstrói sua vida após um passado conturbado e misterioso. Ela passa a trabalhar na agitada Rua Augusta, em São Paulo, onde é dançarina na Boate Love e se diverte na boate Hell. Numa noitada, o destino da jovem se cruza com o do filho de um empresário e muda sua vida para sempre. Isto não impediu como alternativa aos usuários que também houvesse abertos diversos prostíbulos em seu entorno. Mas a rua se modernizou em 1993, com a abertura do cinema Espaço Unibanco. A partir da década de 2000, voltou a ser parte da vida noturna dos jovens. Abriu os espaços: Vegas Club, The Pub, Club Noir, o Comedy Club Comedians, primeiro clube de comédias do Brasil, YO restaurante, entre outros. Seu entorno está movimentado por bares, restaurantes, casas noturnas, lojas e o gosto por antigos prostíbulos. Os jovens consumidores prestigiam a rua com carros e suas motos, e muito congestionamento. Havia muitas discotecas para acompanhar os “embalos de sábado à noite”, pistas de esqui no gelo, doceiras, academias de musculação e aeróbicas. Sempre sendo atualizado desde a década de 1970, com reforma do calçamento, decoração com vasos, retirada de uma parte inútil dos postes de iluminação pública que estavam obsoletos, colocação de carpete, estacionamento pago Zona Azul e subterrâneo e a construção de um bulevar e por fim, a eliminação dos úteis e vistosos ônibus elétricos com as novas calçadas.
BRUNO, Ernani Silva, História e Tradições da Cidade de São Paulo. 2ª edição. Rio de Janeiro: José Olympio Editor, 1954; CORREA, Mariza et alii, Colcha de Retalhos. Estudos sobre a Família no Brasil. São Paulo: Editora Brasiliense, 1982; FREITAS, Maria Luiza de, O Lar Conveniente: Os Engenheiros e Arquitetos e as Inovações Espaciais e Tecnológicas nas Habitações Populares de São Paulo (1916-1931). Dissertação de Mestrado. São Carlos: Instituto de Arquitetura e Urbanismo. Universidade de São Paulo, 2005; PIMENTEL, Lídia Valesca Bonfim, Vidas nas Ruas, Corpos em Percurso no Cotidiano da Cidade. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Sociologia. Departamento de Ciências Sociais. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2005; JANUZZI, Denise de Cássia Rossetto, Calçadões: A Revitalização Urbana e a Valorização das Estruturas Comerciais em Áreas Centrais. Tese de Doutorado. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2006; VEGA, Alexandre Paulino, Estilos e Marcadores Sociais da Diferença em Contexto Urbano: Uma Análise da Descontração de Diferenças entre Jovens em São Paulo. Dissertação de Mestrado em Antropologia. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2009; PISSARDO, Felipe Melo, A Rua Apropriada: Estudo sobre as Transformações e Usos Urbanos na Rua Augusta (São Paulo, 1891-2012). Dissertação de Mestrado. São Paulo: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, 2013; BASTOS, Bruna Freire, Construindo Identidades, Espaços e Sentido: O Consumo Cotidiano na Cidade de São Paulo. Um Olhar sobre a Rua Augusta. Dissertação de Mestrado em Comunicação. Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Práticas de Consumo. São Paulo: Associação Escola Superior de Propaganda e Marketing, 2016; ARRUDA, Marina Almeida Ferraz, A Memória no Resgate do Passado - A Rua Augusta em São Paulo. Dissertação de Mestrado em Cultura e Comunicação. Lisboa: Faculdade de Letras. Lisboa: Universidade de Lisboa, 2016; FIGUEIREDO, Carolina Moura Klautau de Araújo, Jornalismo, Incerteza e Complementaridade de Opostos: Um Diálogo Compreensivo. Dissertação de Mestrado. Programa de Mestrado em Comunicação. São Paulo: Faculdade Cásper Libero, 2018; entre outros.




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