Mostrando postagens com marcador Processo de Trabalho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Processo de Trabalho. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 13 de março de 2020

Cratera Batagaika - Erosão da Natureza & Fim da Floresta Boreal?


                                                                                                     Ubiracy de Souza Braga

  No futuro, poderemos ver mais estruturas como a cratera Batagaika”. Frank Gunther 


Erosão do solo nada mais é do que o deslocamento de terra que acontece de um lugar para o outro. Na natureza, o processo erosivo ocorre pela ação natural do sol, de ventos e, principalmente, da água da chuva. A erosão do solo pode resultar na degradação das áreas agrícolas ou de pastagens e restringir ou impossibilitar a lucratividade da atividade agropecuária. Proporcionalmente em extensão metade dos solos agricultáveis do mundo está degradada, segundo informações da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A entidade estima que o gasto global com fertilizantes para repor os nutrientes perdidos com processos erosivos dos solos é de US$ 110 a US$ 200 bilhões, anualmente. A erosão, além de danificar o meio ambiente, retira uma camada superficial do solo que é rica em nutrientes, o que reduz o potencial produtivo das terras e pode gerar prejuízo na lavoura. Uma outra estimativa da FAO aponta que o fenômeno atinge cerca de 80% da terra agricultável do planeta e se tornou a principal ameaça ao solo saudável para a agricultura. A FAO é uma das agências das Nações Unidas, a que lidera esforços para a erradicação da fome e combate à pobreza. O seu lema, fiat panis, se traduz do latim, significando “haja pão”. Composta por 194 Estados-membros, mais a União Europeia e, com presença solidária em mais de 130 países, a organização funciona como uma espécie de “fórum neutro”, onde quase todas as nações que a compõe possuem em tese um peso igualitário no que tange às estratégias e decisões, pois proporciona à quase todos os seus integrantes oportunidades para elaborarem e discutirem políticas ligadas à agricultura e alimentação. 

Comparativamente a maior cratera de impacto reconhecida na superfície de Oberon, um dos cinco satélites do planeta Urano é Hamlet. Tem um diâmetro de 206 km e está localizada no hemisfério sul de Oberon, com centro na posição de latitude -46.1° e longitude 44.4°. Recebeu o nome do personagem título de Hamlet, uma obra de William Shakespeare. A cratera tem um fundo escuro e é cercada por um brilhante sistema de raios, que são depósitos de gelo ejetado durante o impacto principal. A natureza do material escuro não é reconhecida. Ele pode ser um depósito de erupções vulcânicas, análogo aos mares lunares, ou pode representar uma camada mais escura da crosta de Oberon que foi exposta pelo impacto de origem da cratera. Esta cratera foi descoberta e fotografada pela sonda Voyager 2, que sobrevoou o sistema uraniano em janeiro de 1986. Jessica é uma cratera de impacto em Titânia, o maior satélite natural de Urano. As demais crateras de Titânia, que receberam nomes de personagens femininas de peças de Wiliam Shakespeare, Jessica é a filha de Shylock, personagem da obra O Mercador de Veneza, escrita há mais de 4 séculos. Na peça teatral, ele representa um agiota judeu que empresta dinheiro a seu rival cristão, Antônio, colocando como fiança uma libra da carne de Antônio. Quando este, após se ver falido, não consegue pagar o referido empréstimo, Shylock exige a libra de carne, como vingança pelo fato de Antônio tê-lo insultado e cuspido anteriormente. Neste meio tempo, a filha de Shylock, Jéssica, foge com um amigo de Antônio, Lourenço, e se tornou uma religiosa cristã, levando dinheiro e joias de sua herança, aumentando ainda mais a fúria de Shylock.

A heliofísica, mutatis mutandis, combina outras disciplinas, incluindo ramos da astrofísica, física do plasma e física solar, isto é, através do meio de trabalho composto pelo Heliophysics Research Program, na exploração do sistema solar com missões robóticas, através do New Horizons, uma missão não-tripulada da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA), uma agência do governo federal dos Estados Unidos responsável pela pesquisa e desenvolvimento de tecnologias e programas de exploração espacial, para estudar o planeta-anão Plutão e o Cinturão de Kuiper. Ela foi a primeira espaçonave a sobrevoar Plutão, e a fotografar suas pequenas luas Caronte, Nix, Hidra, Cérbero e Estige em 14 de julho de 2015, após cerca de nove anos e meio de viagem interplanetária e ainda sobrevoou o objeto 486958 Arrokoth. O principal objetivo é caracterizar globalmente a geologia e a morfologia de Plutão e suas Luas, além de mapear superfícies, estudar a atmosfera neutra de Plutão e velocidade de escape. Outros objetivos incluem o estudo das variações da superfície e da atmosfera de Plutão e de Caronte ao longo do tempo e na pesquisa astrofísica, aprofundando-se em tópicos como o chamado Big Bang com o auxílio de grandes observatórios. Claramente para a exploração do espaço precisava-se de um meio de transporte para tal finalidade. Daí veio a ideia de se usar o foguete como meio de trabalho para a exploração espacial. Um foguete espacial representa uma máquina que se desloca expelindo atrás de si um fluxo de gás a alta velocidade. Um foguete é constituído por uma estrutura, um motor de propulsão por reação e uma carga útil. A origem do foguete é, provavelmente, oriental.

A primeira notícia da utilidade de uso é datada do ano 1232, na China, onde foi inventada a pólvora, usada a princípio em fogos de artifício e, mais tarde, para uso bélico ofensivo. Existem relatos etnográficos do uso de foguetes chamados popularmente “flechas de fogo voadoras” no século XIII, na defesa da capital da província chinesa de Henan devido a constantes invasões mongólicas na fronteira ocidental do Império Chinês. Os foguetes foram introduzidos na Europa pelos árabes, tornando a ser usados em conflitos europeus logo após a Guerra dos Cem Anos (1337-1453). Durante os séculos XV e XVI, foi utilizado como “arma incendiária de guerra”. Com o aprimoramento da artilharia, o foguete “desapareceu até ao século XIX vindo a ser utilizado durante as Guerras Napoleônicas (1803-1815)”. Os foguetes do coronel inglês William Congreve foram usados na Espanha durante o sítio de Cádiz (1810), na primeira guerra Carlista (1833-1840) e durante a Guerra do Marrocos (1860).   Em fins do século XIX e início do século XX, apareceram os primeiros cientistas que viram o foguete como a representação de sistema para propulsionar veículos aeroespaciais tripulados. Entre eles, o russo Konstantin Tsiolkovsky (1857-1935), o alemão Hermann Oberth (1894-1989), o norte-americano Robert Hutchings Goddard (1882-1945) e os russos Sergei Korolev (1907-1966) e Valentin Glushko (1908-1989) e o alemão Wernher von Braun (1912-1977).

Na história política da conquista e das guerras os alemães, liderados por Wernher von Braun (1912-1977), um dos principais cientistas no desenvolvimento do foguete V-2 na Alemanha nazista e foguete Saturno V nos Estados Unidos da América, desenvolvidos durante a 2ª guerra mundial, os foguetes V-1 e V-2 (A-4 na terminologia alemã), que formaram a base para as pesquisas sobre foguetes dos Estados Unidos da América e da União Soviética no pós-guerra. Ambas as bombas nazistas, usadas em Paris e Londres no final da guerra, podem ser melhor definidas como mísseis. A rigor, do ponto de vista tecnológico a V-1 não chega a ser um foguete, mas um míssil veloz “que voa com propulsão de avião a jato”. Inicialmente, foram desenvolvidos foguetes especificamente destinados para uso militar, normalmente reconhecidos como mísseis balísticos intercontinentais. Os programas espaciais que os norte-americanos e os russos colocaram em marcha basearam-se em foguetes projetados com finalidades próprias para a utilização astronáutica de guerra, derivados destes foguetes propulsores de uso militar. Particularmente os foguetes usados no programa espacial soviético eram derivados do R.7, um míssil balístico, que acabou sendo usado para as missões Sputnik. Originalmente a missão Sputnik 1, junto com o voo de Yuri Gagarin (1934-1968) no Vostok 1, teve um impacto profundo na história social da exploração espacial. Foram os eventos que desafiaram os estadunidenses e foram a gota d`água para o lançamento do Programa Espacial   objetivando alcançar a Lua. Em órbita sua frase “A Terra é azul!” entrou para a história. Curiosamente a sua baixa estatura havia garantido ao major da Força Aérea russa, com 27 anos, um lugar na apertada cápsula que o levaria através de um “salto dialético” à órbita terrestre. E mais uma vitória soviética na corrida contra os norte-americanos pela conquista do espaço.

A corrida espacial ocorreu na segunda metade do século XX entre a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e os Estados Unidos da América pela supremacia na exploração e tecnologia espacial. Entre 1957 e 1975, a rivalidade entre as duas superpotências durante a Guerra Fria atingiria ambos os pioneirismos na exploração do espaço, que eram vistos como necessários para a segurança nacional e símbolos da superioridade tecnológica e ideológica de cada país. A corrida espacial envolveu esforços pioneiros no lançamento de satélites artificiais, voo espacial tripulado suborbital e orbital em torno da Terra e viagens tripuladas à Lua. A competição efetivamente começou com o lançamento do satélite artificial soviético Sputnik 1 em 4 de outubro de 1957 e concluiu-se com o projeto cooperativo Apollo-Soyuz em julho de 1975. O Projeto de Teste Apollo-Soyuz passou então a simbolizar uma flexibilização parcial das relações tensas entre a URSS e os Estados Unidos da América. A corrida espacial teve suas origens na corrida armamentista que ocorreu logo após o fim da 2ª guerra mundial, quando tanto a União Soviética quanto os Estados Unidos capturaram a tecnologia e especialistas de foguetes avançados alemães. As consequências realizaram aumento sem precedentes nos gastos com educação e pesquisa pura, acelerando avanços científicos sobre tecnologias benéficas para a civilização. Algumas sondas e missões incluem os Sputnik 1, Explorer 1, Vostok 1, Mariner 2, Ranger 7, Luna 9, Apollo 8 e Apollo 11. Wernher von Braun foi um dos próceres no desenvolvimento de tecnologias de foguetes para a Alemanha.

A Sibéria é uma vasta região da Rússia e do norte do Cazaquistão, o maior país sem costa marítima do mundo e o nono maior do planeta; o seu território de 2 727 300  km² é maior do que a área da Europa Ocidental integralmente contida no norte da Ásia, estendendo-se dos Urais ao oceano Pacífico, e para sul desde o oceano Ártico até aos montes do centro-norte do Cazaquistão e até à fronteira com a Mongólia e República Popular da China. A planície Ocidental consiste principalmente de depósitos aluviais do cenozoico e é extraordinariamente baixa, tanto que um aumento do nível do mar de 50 metros causaria a inundação de todas as terras entre o oceano Ártico e Novosibirsk. Os rios principais são o Ob e o Ienissei. Na zona sul da planície, onde já não há permafrost, terras de pastagem (estepes) formavam a vegetação original rara. O clima varia entre o clima polar e o clima continental. Na Sibéria situa-se o local habitat humano mais frio do mundo, a aldeia de Oymyakon. A ocupação humana é principalmente urbana. Entre os traços culturais e a assimilação dos povos siberianos contam-se em lugar de destaque os ritos funerários. Devido à dificuldade em abrir campos com os instrumentos de que dispunham em solo gelado ou encharcado, as culturas siberianas não enterravam seus familiares mortos. Os koryaques e os chukchis dissecavam-nos. Os yukaghires desmembravam-nos e depois distribuíam as várias partes, já secas, pelos familiares mais próximos. Estes pedaços do ente querido eram apelidados de “avós”, funcionando como amuletos. Os kamchadales, pelo seu lado, tinham em mente as necessidades de transporte no Além: davam os cadáveres a comer como alimento aos cães, para que os falecidos com a crença tivessem uma boa equipe de cães a puxar-lhes o trenó.
Comparativamente o maior bioma do Brasil, a Amazônia perdeu 265.113 km² de vegetação entre os anos de 2000 e 2018, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O volume, que representa a maior redução de coberturas naturais dentre os biomas brasileiros no período, equivale à perda de uma área superior a 32,1 milhões de campos de futebol “Padrão Fifa”, com dimensões de 110m x 75m, equivalente a 8.250 m². Segundo o estudo, parte da vegetação florestal amazônica deu espaço para áreas de pastagem com manejo, que aumentaram 71,4%, de 248.794 km² para 426.424 km² no período de 18 anos. A mudança corresponde a mais da metade (50,2%) de todas mudanças observadas no bioma. As áreas agrícolas na Amazônia, por sua vez, saltaram de 17.073 km² para 66.350 km² (+288,6%) nos 18 anos analisados, com aumento mais significativo entre 2012 e 2014. - “Em particular, após 2012, cerca de 43% das novas áreas agrícolas decorreram da conversão de áreas de pastagem com manejo”, diz o IBGE. De acordo com o levantamento, as mudanças evidenciadas na região “indicam o padrão de uso do chamado ‘arco do desmatamento’”, inicialmente observada nas bordas da Amazônia, em áreas de contato com o Cerrado. Agora eles houve uma interiorização com a construções de estradas, margens de rios e adjacências de obras de infraestrutura na região.

O estudo demonstra ainda que, os demais biomas brasileiros também perderam parte de suas áreas naturais entre 2000 e 2018, totalizando uma redução de cerca de 500.000 km² de áreas naturais nos diversos ecossistemas nacionais. - “Ao analisar a série histórica, percebe-se, contudo, que, apesar do saldo negativo total, as reduções de áreas naturais foram diminuindo de magnitude ao longo dos anos”, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.  Depois da Amazônia, a maior redução foi concentrada no Cerrado (-86,2%). O Pantanal foi o bioma nacional que apresentou as menores perdas de áreas naturais, tanto em termos absolutos (2.109 km²) quanto percentuais (1,6%). De acordo com o IBGE, o dado “retrata um menor dinamismo de conversões de usos na região”. A Mata Atlântica e Caatinga foram os que registraram as maiores quedas no volume de áreas naturais, passando de 8.793 km² para 577 km² e de 17.165 km² para 1.604 km², respectivamente, no período pesquisado. Com as perdas, a Mata Atlântica, com o território de ocupação histórica mais longa e intensa do Brasil, hoje tem somente 16,6% de áreas naturais. A Caatinga desponta como o terceiro bioma mais preservado do País, com apenas 36,2% de seu território sob influência humana nos dias atuais.

Uma cratera gigantesca, que se abriu na década de 1960 e não para de crescer em uma remota região da Sibéria, na Rússia, tem dado aos cientistas indícios de como era o ecossistema do território há 200 mil anos. Conhecida como “Porta do Inferno”, a região tem um tipo de solo chamado permafrost, que fica permanentemente congelado, mas está se derretendo com o aquecimento global. À medida que o gelo some, surgem pistas do tipo de paisagem que a área abrigou no passado. - “Entender como era o ecossistema pode ajudar a entender como a região se adaptará ao atual aquecimento do clima”, disse Julian Murton, professor da Universidade de Sussex, na Inglaterra, à BBC. As camadas de sedimento expostas revelam como era o clima no local há 200 mil anos. Resquícios de árvores, pólen e animais indicam que a área representava densa floresta. Esse registro geológico pode ajudar a compreender como será a adaptação da região ao aquecimento global. Ao mesmo tempo, o crescimento acelerado da cratera é um indicador imediato do impacto cada vez maior das mudanças climáticas no degelo do permafrost. O buraco foi nomeado Batagaika. Tem 1 km de extensão e 85 metros de profundidade, equivalente a um prédio de 28 andares. Ele tem crescido cerca de 10 metros por ano, mas em anos muito quentes a ampliação chega a 30 metros, segundo o Instituto Alfred Wegener em Potsdam, na Alemanha.

Frank Gunther, pesquisador do instituto, diz que não há nenhuma obra de engenharia capaz de conter a expansão da cratera, que está localizada em uma área de floresta boreal. A cratera começou a se formar quando o rápido desmatamento na região deixou o terreno sem a proteção das sombras das árvores nos meses de verão. Sem a cobertura vegetal, o processo de degelo se acelerou. O professor Murton diz que, à medida que o degelo aumente, é provável que a cratera revele paisagens novas. Por enquanto, cientistas analisam as características que já estão expostas na cratera Batagaika para estabelecer a cronologia da história climática da Sibéria. - “Queremos saber se as mudanças climáticas durante a última Era do Gelo estiveram caracterizadas por uma grande variabilidade, com períodos intercalados de aquecimento e esfriamento”. Ele lembra que há 125 mil anos houve um período interglacial, com temperaturas vários graus acima das registradas. À medida que o gelo derrete, é provável que o degelo aumente. Gunther afirma que, quanto maior o degelo, maior é a exposição de carbono a micróbios. Esses micro-organismos consomem carbono e produzem dióxido de carbono e metano, que são os gases causadores do efeito estufa. O metano é capaz de acumular 72 vezes mais calor que o dióxido de carbono num período de 20 anos. Os gases liberados pelos micróbios na atmosfera aceleram ainda mais o aquecimento, gerando um ciclo. Batagaika não é a única cratera na Sibéria. A região tem outras sete crateras na península de Taimyr, que também estão se expandindo. 

A península de Taimyr situa-se na Sibéria e forma o extremo setentrional da Ásia continental. Encontra-se entre o golfo de Ienissei, do mar de Kara que parte do oceano Ártico, a norte da Sibéria. Está separado do mar de Barents, a oeste, pelo estreito de Kara. A este situa-se o mar de Laptev. Tem cerca de 1450 km de comprimento e 970 km de largura, com uma área total de 883. 000 km². A sua profundidade média é de 110 metros. Recebe pequenas quantidades de água doce dos rios Ob, Ienissei, Taz, Pyasina e Taimir, variando assim a sua salinidade, ao longo do tempo, de maneira elevada. Supõe-se que Rússia despejou grande quantidade de resíduos tóxico nucleares. De assinalar que a exploração de petróleo e gás natural nesta zona está a ser estudada.  Nele ficam as desabitadas ilhas do Instituto Ártico. Antes de ser associado ao nível específico e climatológico de mudanças climáticas, o surgimento das crateras foi atribuído à queda de meteoros, ou à ação de extraterrestres na região. Em 2014 artigo publicado na Nature explicou que a região tem alta concentração de metano. Em 2020 a concentração de metano, o segundo maior contribuinte para o aquecimento global, aumentou em 15 partes por bilhão.

Estudar os impactos das mudanças geológicas no clima na Sibéria pode ajudar os pesquisadores e cientistas da natureza a prever o que pode acontecer na atual fase de mudança climática pela qual ocorre no planeta. De acordo com os pesquisadores, raras combinações químicas, como as encontradas em minas, aterros ou fundições, provocaram a formação de novos minerais, como bluelizardite, fluckite ou kokinosite. A mineração é a principal causa da formação dos novos minerais, principalmente pela ação do fogo e da água em túneis subterrâneos. As composições foram formadas nos últimos 250 anos. “Vivemos em uma era de diversificação de compostos inorgânicos sem paralelo”, relata o pesquisador Robert Hazen, que liderou o estudo publicado no periódico especializado “American Mineralogist”. A revista foi criada em 1916, com a primeira edição publicada em julho daquele ano, sob os auspícios da Philadelphia Mineralogical Society, do New York Mineralogical Club e da Mineral Collectors' Association. Em 30 de dezembro de 1919, a Sociedade Mineralógica da América foi formada e o Mineralogista Americano tornou-se o jornal como meio de divulgação das atividades científicas da sociedade. Os cientistas destacaram que as alterações geológicas causadas pela humanidade na diversidade e na distribuição dos minerais foi a mais profunda desde o aumento dos níveis de oxigênio na atmosfera, há 2,2 bilhões de anos. O estudo é o primeiro catálogo global de minerais criados  por atividades humanas. Uma corrente da comunidade científica defende que as alterações provocadas pela humanidade na natureza já são suficientes para marcar uma nova era geológica, o Antropoceno.



 

Antropoceno é um termo usado por alguns cientistas para descrever o período recente na história do Planeta Terra. Ainda não há data de início precisa e oficialmente apontada, mas muitos consideram que começa no final do século XVIII, quando as atividades humanas começaram a ter um impacto global significativo no clima da Terra e no funcionamento dos seus ecossistemas. Esta data coincide com a aprimoração do vapor por James Watt em 1784. Outros cientistas consideram que o Antropoceno começa mais cedo, como por exemplo no advento da agricultura. As tentativas de datação precisas revelam, porém, o problema do necessário distanciamento histórico na ponderação de eventos e grandezas relevantes de tempo geológico. Um observador distanciado milhões de anos no futuro poderá, munido de suficiente informação, melhor determinar uma data e uma tipologia para o Antropoceno. Perante o alcance das consequências da ação do Homem na evolução do Planeta Terra, o Antropoceno poderá ser reconhecido e classificado, por exemplo, como um novo período ou era geológica. Nesta perspectiva, é plausível apontar o seu início a partir do surgimento do Homo sapiensO biólogo Eugene F. Stoermer originalmente cunhou o termo, mas foi o químico vencedor do Prêmio Nobel Paul Crutzen que independentemente o reinventou e popularizou. Stoermer escreveu, “eu comecei a usar o termo antropoceno na década de 1980, mas nunca formalizei até ser contatado pelo Paul”. Crutzen explicou, eu estava numa conferência onde alguém disse alguma coisa sobre o Holoceno. De repente, eu pensei que isso estava errado. O mundo mudou demais. Então eu disse: - Não, nós estamos no Antropoceno. Eu criei a palavra no calor do momento. Todos se chocaram. Mas ela parece ter ficado. O termo foi usado pela primeira vez em uma publicação em 2000 por Paul Crutzen & Eugene Stoermer em um informativo técnico-científico do Programa Internacional da Geosfera-Biosfera. Ainda em 1873, o geólogo italiano Antônio Stoppani reconheceu o aumento do poder e do efeito da humanidade nos sistemas da Terra e se referiu a uma “era antropozoica”. 

Um termo similar, Homogenoceno, foi usado pela primeira vez por Michael Samways em seu primeiro artigo editorial no Journal of Insect Conservation (1999) intitulado: Translocating fauna to foreign lands: here comes the Homogenocene.  Samways utilizou o termo para definir a geológica atual, na qual a biodiversidade está diminuindo e os ecossistemas ao redor do globo se tornaram mais similares uns aos outros. O termo foi usado por John L. Curnutt em 2000 em Ecology, em uma pequena lista intitulada, “A Guide to the Homogenocene”. Andrew Revkin cunhou o termo Antroceno em seu livro Global Warming: Understanding the Forecast (1992), no qual escreve, “nós estamos entrando em uma era que pode um dia ser referida como, poderia dizer, o Antroceno. No final das contas, é uma era geológica de nossa própria autoria”. O nome evoluiu para “Antropoceno”, que geralmente é considerado como um termo técnico mais apropriado inclusivo ao homem. Muitas espécies foram extintas devido ao impacto humano. A maioria dos especialistas concorda que as atividades humanas têm acelerado progressivamente a taxa de extinção de espécies. Porém, a taxa exata é controversa, sendo muitas vezes situada entre 100 a 1000 vezes a taxa considerada normal. Em 2010 um estudo publicado na Nature refere que o fitoplâncton declinou substancialmente nos oceanos do mundo ao longo do século passado. Desde 1950, biomassa de algas diminuiu cerca de 40%, em resposta ao aquecimento do oceano, sendo que o declínio ganhou ritmo nos últimos anos. Alguns autores postulam que sem impactos atribuído no plano das atividades humanas a biodiversidade do planeta continuaria a crescer a um ritmo exponencial.

Inseparável do declínio da biomassa, o problema da paz é uma questão central no pensamento de gurus como Jiddu Krishnamurti e o Dalai Lama. É também preocupação maior do reputado filósofo e sociólogo francês Edgar Morin, preocupação essa pela primeira vez expressa no seu livro Terre-Patrie (1993), “a nossa casa e o nosso jardim”, pondo em destaque uma questão com implicações globais. Na edição aberta de 13 de julho de 2012 do jornal New York Times, o ecologista Roger Bradbury previu o fim da biodiversidade marinha, dizendo que os recifes de coral estão condenados, “os recifes de coral serão os primeiros, mas certamente não o último grande ecossistema, a sucumbir ao Antropoceno”. Este artigo rapidamente gerou muita discussão entre os ambientalistas e foi refutada no site da The Nature Conservancy, defendendo sua posição de proteger os recifes de coral, apesar de impactos humanos continuaram causando quedas de recife. Destaca-se também uma mudança na variedade de animais, já que áreas onde várias espécies de animais superiores viviam anteriormente foram modificadas para a criação de animais que servissem para a alimentação humana, diminuindo a diversidade da área; isto é especialmente verdade para pastos e fazendas marinhas. Alteração similar houve nas regiões urbanas, onde alguns animais foram expulsos de seus habitats, enquanto outros se adaptaram, tornando-se por vezes pragas. A diversidade de plantas comestíveis e não-comestíveis foi sensivelmente afetada pela seleção humana, que priorizou alguns poucos cultivares em detrimento de uma grande diversidade natural; enormes áreas povoadas com centenas de espécies vegetais diferentes são degradadas para originar plantações de um só ou de poucos espécimes de plantas, o que também afeta a fauna, em um outro plano biológico. Biomas inteiros são ameaçados, e processos como desertificação e savanização modificam paisagens de forma agressiva e rapidamente. Oimiakon é uma localidade do Leste da Sibéria (Rússia), junto ao Rio Indigirka, na República de Sakha, e tem cerca de 500 habitantes. 

Há uma única estrada que dá acesso ao vilarejo. É reconhecida por ter o recorde de temperatura mais baixa numa localidade permanentemente habitada. Localizado no nordeste da Rússia, esse município remoto onde o centro urbano mais próximo, Yakutsk, está a 800 km de distância, foi fundado para amparar pastores de renas que utilizavam as águas termais da região para aquecer os rebanhos. Oimiakon situa-se a 63° 15` Norte de latitude e 143° 9` Este de longitude, a cerca de 800 km a leste de Yakutsk, uma das mais importantes cidades da Sibéria. Oimiakon fez história de uma maneira bastante peculiar em 1926, quando atingiu a temperatura recorde de 71,2 graus abaixo de zero. Mas essa medida nunca foi oficialmente reconhecida. Nenhum outro lugar permanentemente habitado pelo ser humano jamais registou frio tão espantoso. No dialeto local Oimiakon significa “água não congelada por causa da proximidade de fontes naturais de água”. O solo é permanentemente congelado, do tipo permafrost. A vida é extremamente difícil, e os habitantes alimentam-se de cavalo e rena. O curto período estival permite obter alguns vegetais, ausentes dos hábitos alimentares durante todo resto do ano. Os transportes são igualmente dificultados pelo fato de combustíveis como o gasóleo congelarem e as escolas suspendem as aulas quando as temperaturas estão abaixo dos -50 ºC. As tintas das canetas esferográficas congelam, habitualmente, e todo o equipamento eletrônico tem comportamento bizarro em função das diferentes reações de dilatação e contração dos metais a temperaturas extremamente baixas mais fria do planeta. O clima da cidade é subártico extremo (Dwd), apesar de paradoxalmente estar em altitude mediana.  A classificação pressupõe com origem na fitossociologia e na ecologia, de que a vegetação natural de cada grande região da Terra é uma expressão do clima nela prevalecente.
Localizada na tundra permanentemente congelada do extremo leste da Rússia, Yakutsk, capital da Iacútia (Sibéria Oriental) bate todos os recordes em matéria extrema de baixas temperaturas. Nos últimos dias, por causa do rigor do inverno, o frio desce todos os dias até 45 graus centígrados negativos. Yakutsk possui aproximadamente 236 mil habitantes e é uma região remota com mais de 1 milhão de quilômetros quadrados de área. Yakutsk é umas das cidades mais frias do mundo. Foi fundada como um forte cossaco em 1632 e permaneceu apenas uma aldeia até que fossem descobertas as reservas de ouro siberianas no fim do século XIX. Essas reservas foram exploradas de forma intensiva durante a industrialização da União Soviética sob o mandato de Stalin, o que contribuiu para o desenvolvimento urbano de Yakutsk. Todavia, a Estrada dos Ossos é o apelido da rodovia Kolyma, construída na hegemonia política stalinista por prisioneiros dos campos de trabalho forçado que existiam na região (os Gulags). Para fazê-la, muitos prisioneiros morreram de fome e frio. Essa rodovia é a mais importante artéria no processo de comunicação ligando Yakutsk ao restante do território russo. Os habitantes de Yakutsk se orgulham culturalmente pela herança do frio intenso que reina na cidade, sobretudo nos longos invernos. A região é tão rica em recursos naturais que, provavelmente, sem temor a erro, contém todos os elementos da Tabela Periódica. Uma lenda  narra que Deus “estava criando o mundo e distribuindo suas riquezas, ao chegar na Iacútia teve as mãos entorpecidas pelo frio deixando cair lá todas as riquezas”. A região é rica em ouro e por 20% da produção mundial de diamantes brutos.

Antes da Revolução socialista de 1917, o Gulag chamava-se Katorga, e aplicava a mesma forma de privação dos sentidos: pena privativa de liberdade, pena de trabalhos forçados e pena de morte. Os bolcheviques continuaram a tradição autocrática-imperial russa em uma escala dezenas de vezes maiores e em condições muito piores, nas quais até o canibalismo existiu. A criminalização da dissidência política era regra comparativamente tanto na antiga União Soviética quanto no Império Russo Czarista que também criminalizava heresias religiosas. Além de presos políticos, havia presos condenados por vadiagem, furto, roubo, agressão, homicídio e estupro. Finalmente, a antiga União Soviética passou por guerras internas e externas, assim como o Império Russo, então uma parte desses presidiários tornaram-se prisioneiros de guerra. O sistema funcionou de 25 de abril de 1930 até 1960.  O Gulag tornou-se um símbolo da repressão da ditadura de Stalin. Na verdade, as condições de trabalho nos campos de concentração eram bastante penosas e incluía fome, frio, trabalho intensivo de características do trabalho servil: o horário de trabalho excessivo e guardiões desumanos. Floresceram durante o regime chamado pelos historiadores de stalinista da URSS, estendendo-se a regiões como a Sibéria e a Ucrânia, e destinavam-se a silenciar e torturar opositores ao regime, incluindo anarquistas, trotskistas e outros marxistas.

Vale lembrar que Leon Trotsky nasceu numa pequena localidade do óblast de Kherson na atual Ucrânia, sendo o quinto filho de Anna e David Leontyevish Bronstein, um humilde lavrador de origem judaica que, pragmaticamente, havia aproveitado os esquemas de colonização tzaristas na Crimeia para abandonar a área tradicional de residência autorizada aos judeus (o “pálio”) e converter-se num próspero fazendeiro. A família de origem judaica não era religiosa. Em casa, falava-se russo ou ucraniano e não iídiche. Aos nove anos, foi para Odessa, a fim de prosseguir seus estudos numa escola tradicional alemã. Ao longo dos anos em que ali permaneceu, passou pelo processo de “russificação”, conforme a política czarista. Trotsky revelava já um temperamento de líder, organizando um protesto contra um professor impopular no 2º ano. Não demonstrou interesse pela política nem pelo socialismo até 1896, quando se mudou para Nikolaev, onde concluiu o ano de estudos secundários. Cursou Matemática brevemente na Universidade Nacional de Odessa. Sua irmã Olga casou-se com Lev Kamenev, um dos principais líderes bolcheviques e membro do triunvirato liderado por Stálin, que afastaria o próprio Trotsky do poder, sendo também afastado posteriormente. Após um período de exílio europeu, Trotsky voltou para a Rússia durante a Revolução Russa de 1905, onde sua oratória elétrica fez dele uma figura de liderança na St. Petersburgo Soviética até sua prisão, em dezembro do mesmo ano, conseguindo, porém, escapar e refugiar-se na Europa Ocidental. Durante a próxima década Trotsky passou do apoio da ala menchevique do POSDR a defesa da unidade das diversas facções dentro do partido, criando uma organização formal chamada Partido Operário Socialdemocrata Russo, vulgarmente reconhecido como o “Mejraiontsi”, um grupo com base em Petrogrado. 

O virtual colapso do antigo regime durante a última parte da 1ª grande guerra (1914-18) motivou  Mejraiontsi a fazer as pazes com os rivais bolcheviques liderados por Lênin, e no início de 1917 Trotsky voltou do exílio em Nova York para se unir como membro do Comitê Central do Partido Bolchevique. O trabalho de Trotsky, assumindo o cargo de chefe do Soviete de Petrogrado no início de outubro e constituindo o Comité Militar-Revolucionário, foi fundamental em criar as bases para a deposição do governo provisório russo liderado por Alexander Kerensky em 7 de novembro de 1917. A dissidência no interior do partido vem a público quando Trotsky publica, em 1924, um prefácio à edição dos seus escritos de 1917, As Lições de Outubro, criticando a falta de estratégia revolucionária de Joseph Stalin e da direção do Comintern na direção do levante alemão de 1923. O problema principal que motivava a oposição contra a política de Stalin e de Bukharin, afirma Medvedev, era atitude diante dos elementos capitalistas na cidade e no campo. Ela reclamava uma intensificação da luta contra os kulaks e os Nepman, além do aumento de impostos a que estavam sujeitos. Simultaneamente, exigia um incremento do ritmo da industrialização, a ampliação e o aprofundamento da democracia no Partido, a luta contra a burocratização do aparelho do Partido e do Estado, etc. Portanto, a orientação da oposição não estava absolutamente em contraste com a do Partido quanto á construção do socialismo.

A oposição simplesmente queria o uso de métodos que não se conciliavam com os princípios fundamentais da NEP. Insistia na aceleração da construção do socialismo para a qual o país ainda não estava pronto. Trotsky, Zinoviev ou Kamenev, tentavam em geral evitar as discussões sobre a possibilidade da “construção” total e completa do socialismo. Compara suas atitudes com a indecisão demonstrada por Kamenev e Zinoviev às vésperas da Revolução de Outubro de 1917. Após sua deportação, Leon Trotsky passou pela Turquia, França de julho de 1933 a junho de 1935, e Noruega de junho de 1935 a setembro de 1936, fixando-se finalmente no México, a convite do pintor Diego Rivera, vivendo temporariamente em casa deste e mais tarde em casa da esposa de Rivera, a pintora Frida Kahlo. À medida que aumenta a repressão stalinista, multiplicam-se os lutos familiares. Além da morte dos seus quatro filhos, os genros, noras, netos, e outros parentes próximos de Trotsky são igualmente vítimas da repressão por sua ligação com um suposto “inimigo do povo” e desaparecem nos sucessivos expurgos da década de 1930, com exceção do único filho que Zina pôde levar consigo ao exterior, e que acabou por reunir-se ao avô no México, depois de negociações com a mulher francesa de Leon Sedov - que havia se responsabilizado pelo sobrinho num hospital parisiense. 

Localizada no coração da floresta boreal da Sibéria, a cratera de Batagayka não  é uma ilustração imperfeita, mas consequência social do tipo de processo evolutivo que o aquecimento global pode desencadear. Além disso, Batagaika não é a única cratera na Sibéria. A região tem pelo menos outras sete crateras na península de Taimyr, que também estão se expandindo. Antes de ser associado apenas a mudanças climáticas, o surgimento das crateras foi atribuído também à queda de meteoros ou ao nível da fantasia à ação de extraterrestres na região. Em 2014, um artigo publicado na revista Nature explicou que a região tem alta concentração de metano. O que antes era somente um trecho desmatado de floresta, em 50 anos se transformou em enorme buraco com mais de 1 km de extensão e 100 metros de profundidade - quase tudo por conta do descuido humano.  O processo começou na década dos anos 1960, de acordo com Julian Murton, professor da Universidade de Sussex, na Inglaterra, depois que um pedaço da floresta foi desmatado para uso industrial. Este gesto criminoso desencadeou uma série de eventos geológicos catastróficos, que seguem paulatinamente acontecendo. Era a densa vegetação que mantinha o solo resfriado, impedindo que os raios solares aquecessem a superfície da floresta. A taiga, também reconhecida por floresta de coníferas, ou ainda floresta boreal, é um bioma predominante das regiões localizadas em elevadas latitudes cujo clima típico é o continental frio e polar, comumente encontrado no norte do Alasca, Canadá, sul da Groenlândia, parte da Noruega, Suécia, Finlândia, Sibéria e finalmente o Japão. Segundo o pesquisador pragmaticamente não há obra de engenharia que possa conter o desenvolvimento dessas gigantescas crateras.
Filme dirigido por Isabel Coixet vive drama de Juliette Binoche
que procura pelo marido explorador.
No Canadá, usa-se o termo floresta boreal para designar a parte meridional desse bioma, e o termo taiga é usado para designar as áreas menos arborizadas ao sul da linha de vegetação arbórea do Ártico. Na taiga, diferente da tundra, comparativamente, o solo descongela por completo no ciclo climático do verão permitindo a formação de floresta aciculifoliada em condições climáticas normais migração de animais de grande e médio porte. É uma região biogeográfica subártica setentrional e seca, na qual as formas de vida vegetal principais são larícios, abetos, pinheiros e espruces, que estão adaptadas ao clima frio. Também ocorrem árvores de folha larga, nomeadamente vidoeiros, faias, salgueiros e sorveiras. Os pauis e as plantas a eles associadas são comuns nesta zona, que ocupa a maior parte do interior do Canadá e do norte da Rússia.
           Josephine Cecilia Diebitsch Peary (1863-1955) foi uma escritora norte-americana e exploradora do Ártico. Sua mãe, Magdalena Augusta Schmid Diebitsch, era da Saxônia. Seu pai, Hermann Henry Diebitsch, era um oficial militar da Prússia. Durante a Guerra Civil, travada nos Estados Unidos de 1861 a 1865, entre o Norte (a União) e o Sul (os Confederados), a fazenda da família Diebitsch foi destruída, o que levou a uma mudança para Washington, DC. Hermann Diebitsch mais tarde tornou-se funcionário do  Departamento de Câmbio da Smithsonian Institution. Ela tinha também o irmão, Emil Diebitsch, que mais tarde se tornou prefeito de Nutley, Nova Jérsei,  e uma irmã, Miss Marie Diebitsch, de Washington. Josephine cursou o Spencerian Business College e formou-se oradora da turma em 1880. Ela encontrou-se qualificada e na pista para um copista, funcionário e posição de tallyist no Smithsonian e no Departamento do Interior dos Estados Unidos da América. Josephine escreveu: Meu Diário Ártico: Um ano entre Campos de Gelo e Esquimós (My Arctic Journal, 1893) durante a expedição de 1891-1892, que deu ao mundo ocidental uma imagem real da cultura Inuit e da Geografia Ártica. Inuit ou Esquimó são os membros da nação indígena esquimó que habitam as regiões árticas do Canadá, do Alasca e da Groenlândia. No século XV, os Inuits estabeleceram contatos com os baleeiros franceses e pescadores de bacalhau. Josephine Peary foi participante ativa  nas viagens à Groenlândia, demonstrando seu talento e sabedoria como caçadora de renas, ptarmigan, uma reconhecida ave galiforme pertencente à família Phasianidae e outros animais para comida e roupas.

Robert Edwin Peary (1856-1920) foi um explorador polar norte-americano conhecido pela alegação de ter sido o primeiro homem a atingir o Polo Norte geográfico em 1909. Em 1886, Peary definiu como meta atingir o ponto de maior latitude da Terra, o Pólo Norte. Pioneiro nesse objetivo, utilizou técnicas esquimós com roupa de pele, trenós de cães para o conseguir. Em 1891 e 1892, viajou pela Gronelândia e demonstrou tratar-se de uma ilha, facto até então desconhecido. Nessa viagem descobriu a costa norte gronelandesa, até então nunca navegada. A alegação de Peary foi aceita durante boa parte do século XX; entretanto, nos dias de hoje, ela é amplamente contestada, em favor da alegação de Frederick Cook, que afirma ter chegado ao polo um ano antes de Peary. A expedição liderada pelo norte-americano Robert Peary alegou ter chegado ao Polo Norte em 1908, mas hoje muitos historiadores e cientistas duvidam do feito. A 6 de abril de 1909, terá alegadamente atingido o Polo Norte e aí içado a bandeira norte-americana. Tal feito suscitou polêmica, uma vez que seu compatriota F. A. Cook afirmava ter lá chegado em 1908, fato que, no entanto, não conseguiu provar. Antes de Peary, houve várias expedições ao Ártico. Peary estudou técnicas de sobrevivência usadas pelos inuit, aprendeu a manejar trenós de cães, a construir iglus e a vestir-se com peles tal como faziam os nativos esquimós.

Também confiou neles como caçadores, pescadores e guias durante as expedições e foi pioneiro no uso de grupos de apoio e manutenção de provisões para a travessia. A isto chamou “o sistema Peary”. Para a sua expedição final ao Polo Norte, partiu da cidade de Nova Iorque junto com 23 homens, a 6 de julho de 1908, e passou o Inverno perto do cabo Sheridan, na ilha Ellesmere. Dali partiram para o Polo Norte em vários grupos desfasados de alguns dias de intervalo, iniciados a 28 de fevereiro de 1909. No percurso final da expedição, apenas cinco dos seus homens participaram além de Peary: Matthew Henson e 4 Inuit chamados Oatah, Egingwah, Seegloo e Ookeah. No Diário de campo em que mantinha registados os eventos dia-a-dia, a 7 de abril escreveu (as notas foram depois reescritas para publicação): - “Por fim o Polo! Prémio de três séculos, o meu sonho e ambição durante 23 anos. Vejo o fim...”. A afirmação de Peary de chegada ao Polo Norte foi quase sempre posta em causa, devido a certas ideias.

Mal regressara do Ártico inteirou-se que Frederick Cook também afirmava ter chegado lá no ano anterior (1908); enquanto que a expedição de Cook quase seguramente foi uma fraude e nunca foi a nenhum lado próximo do polo, as mesmas incógnitas e dúvidas devido à falta de prova são aplicadas a Peary. O grupo que acompanhou a Peary na etapa final da travessia não incluía ninguém treinado na navegação que pudesse confirmar independentemente o seu trabalho de navegação, o qual parece bastante negligente. As distâncias e velocidades que Peary afirmou ter alcançado com o último grupo de apoio para regressar são três vezes mais rápidas que outros. O cálculo de um itinerário de ida e volta ao polo por uma rota direta - a única forma na que poderia ter viajado a tal velocidade — é contraditório com as contas de Matthew Henson de um desvio tortuoso para evitar inconvenientes. Em 1996 foi feita uma análise de registos de Peary descobertos nesse momento, e indicam que esteve a quase 20 milhas náuticas (37 km) do polo. Alguns historiadores creem que Peary pensou que tinha chegado ao polo. Outros sugeriram que é culpado de exagerar deliberadamente os seus feitos. Também outros sugerem que qualquer indício de que Peary não tinha chegado lá deve ser o trabalho de conspiradores que estavam a favor de Cook, que queria desacreditá-lo. Provavelmente a controvérsia nunca será resolvida.

              Localizada exclusivamente no hemisfério Norte, encontra-se também em regiões de clima frio e com pouca umidade. Distribui-se em uma faixa situada entre os 50° e 60° de latitude Norte e próxima às áreas de América do Norte, Europa e Ásia. O solo é fino e pobre em nutrientes e cobre-se de folhas e agulhas caídas das árvores, o que o torna ácido e impede o desenvolvimento de outras plantas. As florestas boreais demoram muito tempo a crescer e há pouca vegetação rasteira. Aparecem, no entanto, musgos, líquens e alguns arbustos. As árvores demonstram a existência de adaptações ao meio. Sendo de folha persistente, conservam, quando a temperatura baixa, a energia necessária à produção de novas folhas e assim que a luz solar aumenta, podem começar de imediato a realizar a fotossíntese. Embora haja precipitação, o solo gela durante os meses de inverno e as raízes das plantas não conseguem comunicação com a água. A adaptação das folhas à forma de agulhas limita, então, a perda de água, por transpiração. Também a forma cônica das árvores da taiga contribui para evitar a acumulação da neve e a subsequente destruição de ramos e folhas. A vegetação é pouco diversificada devido às baixas temperaturas registradas, tendo em vista que a água do solo encontra-se congelada, sendo constituída, sobretudo por coníferas - abetos, como o abeto do Norte, e pinheiros, como o pinheiro silvestre, cujas folhas aciculares e cobertas por uma película cerosa as ajudam a conservar a umidade e o calor durante a estação fria. Outra conífera que também pode aparecer é o larício europeu de folha caduca - lárice. Em certas condições também podem aparecer bétulas e faias pretas. As florestas boreais demoram a crescer e há pouca vegetação rasteira. Aparecem nos musgos, líquens e arbustos, mas demonstram a existência de adaptações ao meio.
Sendo de folha persistente, conservam, quando a temperatura baixa, a energia necessária à produção de novas folhas e assim que a luz solar aumenta, podem começar de imediato a realizar a fotossíntese. Embora haja precipitação, o solo gela durante os meses de Inverno e as raízes das plantas não conseguem água. A adaptação das folhas à forma de agulhas limita, então, a perda de água, por transpiração. Também a forma cónica das árvores da taiga contribui para evitar a acumulação da neve e a subsequente destruição de ramos e folhas. Os animais da taiga são guaxinins, alces, renas, veados, ursos, lobos, raposas, linces, martas, esquilos, lebres, castores e aves diversas. A atividade econômica nas taigas é muito intensa e os países que as detêm em particular, o Japão, Rússia, Canadá não parecem dispostos a abrandar os efeitos perversos do ritmo de exploração. Além das atividades de exploração da madeira, há aqueles decorrentes de testes e depósitos nucleares, naufrágios de submarinos nucleares no oceano Ártico.
A floresta Boreal, que se estende através do percurso de todo o hemisfério Norte do planeta, desde a América do Norte até o Japão, passando por parte da Rússia e pela Escandinávia, vem sendo ameaçada no Canadá por uma empresa da qual você provavelmente nunca ouviu falar: a Resolute Forest Products. Embora seu nome seja pouco conhecido no Brasil, é possível que ao menos um dos produtos da Resolute já tenha passado por suas mãos, em forma de jornais e revistas. A empresa é uma das maiores produtoras de papel, celulose e outros produtos comerciais florestais do Canadá. A Resolute tem extraído árvores em territórios de povos indígenas, sem seu consentimento, e destruído habitats críticos para as renas ameaçadas. A empresa tem agido judicialmente contra o Greenpeace, para impedir que a organização revele o que a companhia vem fazendo na Floresta Boreal do Canadá. A floresta Boreal ocupa uma grande faixa de terra ao norte do planeta. Sua vegetação é composta por coníferas, plantas extremamente resistente ao clima rigoroso entre -54º e 21 °C. Um espécime de pinheiro da espécie Picea abies que é mais usada como árvore de Natal, encontrado no Parque Natural Fulufjället, Dalarna (Suécia), passou a ser considerado a planta mais antiga de todo o planeta, com mais 9 500 anos de idade. Nesta classe botânica estão os pinheiros, as sequoias e as araucárias, comuns que tem ocorrência natural nos estados frios do sul do Brasil.
Devido a sua resistência ao tempo, algumas das árvores mais antigas do mundo são desta categoria. A floresta boreal é um bioma constituído pela taiga, também chamada de conífera. Estas árvores são altas, com troncos retos, copas em formato de cone, folhas finas em forma de agulha e revestidas por uma substância parecida com resina. Esta última característica é fundamental para que não acumulem neve e evita a perda de umidade e o congelamento. Assim como a vegetação, a fauna também não é rica em variedade de espécies. Tanto a flora como a fauna é adaptada ao vertiginoso clima frio e úmido das florestas boreais. Nos períodos mais quentes, entretanto, dificilmente chega a 20°C. Outra característica é que as noites são mais longas no inverno, enquanto o verão possui dias mais longos ou duradouros. Apesar de não serem áreas muito habitadas, as florestas boreais estão ameaçadas pela indústria de celulose e papel, uma vez que a madeira de algumas de suas espécies é explorada, inclusive para a construção civil. A indústria de celulose apresenta características diferentes dos demais mercados, devido ao fato de possuir um elevado nível de desenvolvimento tecnológico que utiliza instalações industriais com grande capacidade de produção, uma ampla base de recursos florestais plantados e intenso capital aplicado em tecnologia. Esse aparente avanço faz com que o bioma tenha sido reduzido drasticamente nas últimas décadas.
Cientistas ainda trabalham na análise técnica de sedimentos e tentam decifrar a cronologia exata da cratera. Isso é importante porque a história climática de grande parte da Sibéria ainda pode ser considerada um mistério. Ao reconstruir alterações ambientais do passado, cientistas esperam conseguir prever mudanças similares no âmbito de seu desenvolvimento. Há 125 mil anos, por exemplo, houve um período interglacial, com temperaturas vários graus acima das registradas atualmente. A cratera Batagaika pode oferecer lições cruciais, em especial sobre os mecanismos que aceleram o aquecimento em áreas de permafrost. À medida que o degelo avança mais e mais carbono é exposto a micróbios. Estes micro-organismos consomem carbono e produzem dióxido de carbono e metano - gases causadores do efeito estufa. No hemisfério norte, o permafrost é encontrado na ilha da Groenlândia, ou melhor, sobre o que resta do seu gelo eterno, cada vez mais escuro e encolhido, numa palavra, agonizante. As imagens aéreas que acabaram de chegar da maior ilha do planeta causam impressão. Milhões - bilhões - de toneladas de água que ficam estagnadas ou escorrem para o vale, em uma Terra que permanece coberta por 82% pelo manto branco perene, no extremo norte da península escandinava e nas altitudes elevadas dos Alpes no continente europeu. Nas três Américas irradiantes, multiétnicas está parte do território do Canadá, em quase todo o Alasca. 
O permafrost é definido como um solo permanentemente congelado que permanece a zero ou abaixo de zero grau Celsius por dois anos ou mais. O permafrost ou “pergelissolo” é o tipo ideal de solo encontrado na região do Ártico. É constituído por terra, gelo e rochas permanentemente congelados, significando do inglês perma = permanente, e frost = congelado, quer dizer, “solo permanentemente congelado”. Esta camada é recoberta por uma camada de gelo e neve que, se no inverno chega a atingir 300 metros de profundidade em alguns locais, ao derreter-se no verão, reduz-se para de 0,5 a 2 metros, tornando a superfície do solo pantanosa, uma vez que as águas não são absorvidas totalmente pelo solo congelado. Recomenda-se cuidado ao erigir edificações ou pavimentação neste tipo de solo, uma vez que, se a camada de permafrost for rompida, a edificação ou a pista pode afundar no terreno, árvores são inexistentes ou extremamente raras nesses locais. Na Islândia, no extremo Norte da Noruega e na Península de Kola é possível encontrar árvores, porém as chances são escassas. Situa-se no extremo norte da Rússia Europeia, junto à fronteira com a Finlândia, fazendo parte do Óblast de Murmansk, uma divisão federal (oblast) da Federação da Rússia que fica localizado na região noroeste do país. É limitada a norte pelo mar de Barents e a sul e este pelo mar Branco, cobrindo uma superfície aproximada de 100 000 km².
Ele contém material orgânico que normalmente se decompõe lentamente. Mas quando o permafrost derrete, bactérias e fungos decompõem o carbono contido na matéria orgânica muito mais rapidamente, liberando-o na atmosfera como dióxido de carbono ou metano - gases de efeito estufa. Mas, de acordo com um novo estudo publicado recentemente na revista Bioscience, o permafrost no Hemisfério Norte contém mais de duas vezes a quantidade de carbono na atmosfera, e o rápido degelo pode torná-lo um contribuinte significativo para a mudança climática global. A quantidade de dióxido de carbono que o permafrost irá adicionar à atmosfera depende da rapidez com que descongela, mas sua pesquisa indica que pode chegar a 1,1 bilhão de toneladas por ano se as atuais tendências de descongelamento continuar. Na península de Kola encontram-se as sondas tecnologicamente “mais profundas” para estudos da crosta terrestre voltado a prospecção técnica de petróleo, quando na década de 1970 eram iniciadas perfurações de poços chamados superprofundos que pretendiam atingir profundidades de 15 km, dentre os quais o Poço Superprofundo de Kola. Além dos Pomors russos, a península é habitada pelos povos sami (lapões), que foram forçados ao sedentarismo em Lovozero durante os anos da revolução comunista. Especialistas garantem que não só a cratera de Batagaika seguirá aumentando como, por conta da temperatura que segue subindo anualmente na Sibéria, outras mega crateras deve surgir. Imagens de satélite demonstram dezenas de lagos formadas no norte da Sibéria a partir do derretimento dessa camada de gelo permanente.   
Bibliografia geral consultada.
SERGE, Victor; SEDOVA, Natalia, Trotsky: The Life and Death of Leon Trotsky. London: Editor Wildwood House, 1975; BASTOS, Cezar Augusto Burkert, Estudo Geotécnico sobre a Erodibilidade de Solos Residuais não Saturados. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil. Escola de Engenharia. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1999; BRUNA, Giulia Bogliolo, “Primeiros Cumprimentos des Occidentaux sur les Inuit”. In: Destins Croises. Cinq siècles de rencontres avec les Amérindiens. Paris: Unesco; Bibliothèque Albin Michel, 1992, pp. 393-410; Idem, Apparences Trompeuses: Sananguaq; Au Coeur de la Pensée. Paris: Librairie Gallimard, 2007; LARUELLE, Marlene, Russian Eurasianism. An Ideology of Empire. Baltimore: The Johns Hopkins University Press, 2008; NIETZSCHE, Friedrich, Aurora. 2ª edição. São Paulo: Editora Escala, 2008; PEIXOTO, Luciana de Jesus dos Santos, O Património Geomorfológico – Glaciário do Parque Nacional da Penêda – Gerês: Proposta de Estratégia de Geoconservação. Dissertação de Mestrado. Escola de Ciências. Departamento de Ciências da Terra. Braga: Universidade do Minho, 2008; HAMMES, Daiane Flora, Análise e Interpretação Ambiental da Química Iônica de um Testemunho  do Manto de Gelo da Antártica Ocidental. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Geociências. Instituto de Geociências. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2011; BAIMA, Cesar, A Aurora do Antropoceno, a Era dos Humanos. In: https://oglobo.globo.com/16/01/2015VOGEL, Hamilton Luiz Munari, Quantificação da Biomassa e Nutrientes em uma Floresta Estacional Decidual em Itaara – RS, Brasil. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Engenharia Florestal. Santa Maria: Universidade Federal de Santa Maria, 2015; ISAACSON, Walter, La Vie d`un Génie. Paris: Editeur Modus Vivendi, 2016; Artigo: A Impressionante Cratera de Batagaika, na Sibéria, é um Alerta contra Desmatamento. Disponível em: https://www.hypeness.com.br/2017/0203D´ÁVILA, Rafael, “Fotógrafo Registra Imagens da Aldeia mais Fria do Mundo onde Temperatura pode Chegar a -71.2 C”. Disponível em: https://www.criatives.com.br/2018/01/; DOMINGUEZ, Nuño, “Revelada a Origem dos Cães (Inuítes) que Conquistaram o Ártico”. In: https://brasil.elpais.com/2019/12/15/; NUNES DE OLIVEIRA, Wellington, A Ocupação de Áreas Savânicas no Brasil e em Moçambique. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais. Goiãnia: UNiversidade Federal de Goiás, 2020; FARIA NICOLAU, Ricardo de, Dendrogeomorfologia, Erosão Hídrica e Uso do Solo em uma Área Urbana do Município de Goiânia, Goiás, Brasil. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais.  Goiânia: Pró-Reitoria de Pós-graduação Universidade Federal de Goiás, 2020; NUNES, Nykollas Gabryel Oroczko, George Kennan e a Escrita do Distante em Tent Life in Siberia (1879). Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em História. Escola de Humanidades. Porto Alegre: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 2020; entre outros.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Fordilândia - Ideologia, Trabalho & Soldados da Borracha na Amazônia.


                                                                                                     Ubiracy de Souza Braga

               Há mais pessoas que desistem, do que pessoas que fracassam!”. Henry Ford


        Foram os índios centro-americanos os primeiros a descobrir e fazer uso das propriedades singulares da borracha natural. Entretanto, foi na floresta amazônica que de fato se desenvolveu a atividade da extração da borracha, a partir da seringueira (“Hevea brasiliensis”), uma árvore que pertence à família das Euphorbiaceae, também reconhecida como “árvore da fortuna”. Do caule da seringueira é extraído um líquido branco, denso, chamado látex, uma substância praticamente neutra. Mas, quando exposta ao ar por um período de 12 a 24 horas, sofre coagulação espontânea, formando o polímero que é a típica representação da borracha. Através de um tratamento industrial, eliminam-se do coágulo as impurezas e submete-se a borracha resultante a um processo denominado vulcanização, resultando a eliminação das propriedades indesejáveis. Torna-se assim imperecível, resistente a solventes e a variações de temperatura, adquirindo excelentes propriedades mecânicas e perdendo o carácter pegajoso. A semente da seringueira é rica em óleo e, por ser rica em nutrientes é usada na fabricação de suplementos alimentares. Os grupamentos indígenas ainda utilizam as sementes da seringueira como alimento.
           O desenvolvimento tecnológico e a Revolução Industrial, na Europa, foi o estopim que fizeram da borracha natural, até então um produto exclusivo da Amazônia, um produto muito procurado e valorizado, gerando lucros e dividendos a quem quer que se aventurasse neste comércio. Desde o início da segunda metade do século XIX, a borracha passou a exercer forte atração sobre empreendedores visionários. A atividade extrativista do látex na Amazônia revelou-se de imediato lucrativa. A borracha natural logo conquistou um lugar de destaque nas indústrias da Europa e da América do Norte, alcançando elevado preço no mercado. Daí a diversidade de pessoas vindas ao Brasil na intenção de conhecer a seringueira e os métodos de trabalho e processos de extração, a fim de também lucrar de alguma forma com esta riqueza. A partir da extração da borracha surgiram várias vilas e povoados, que depois foram transformados em radiantes cidades. As cidades de Belém e Manaus, passaram então por importante processo desenvolvimento e transformação social e arquitetônica de urbanização.       
        O ciclo da borracha representou um momento da história econômica e social do Brasil, relacionado à exploração do trabalho na Amazônia, com a extração de látex da seringueira e comercialização da borracha. Teve o seu centro na região amazônica, e proporcionou expansão da colonização, atração de riqueza, transformações culturais, sociais, arquitetônicas, e impulso ao crescimento de Manaus, Porto Velho e Belém, até hoje capitais e maiores centros de desenvolvimento de seus respectivos Estados, Amazonas, Rondônia e Pará. Manaus do ponto de vista econômico foi a segunda cidade do Brasil, depois de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, a introduzir a eletricidade na iluminação pública, criando viabilidade para a comunicação, o bonde elétrico. No mesmo período, foi criado o território federal do Acre, atual Estado do Acre, cuja área foi adquirida da Bolívia, por meio da compra no valor de 2 milhões de libras esterlinas, em 1903. O ciclo da borracha ocorreu entre 1879-1912, com sobrevida entre 1942 e 1945, durante a formação do mercado bélico globalizado da 2ª guerra mundial. 
                                       
            A ideia de construir uma ferrovia nas margens dos rios Madeira e Mamoré surgiu na Bolívia, em 1846. Inicialmente optava pela via da navegação fluvial, subindo o rio Mamoré em território boliviano e depois pelo rio Madeira, no Brasil. Mas o percurso fluvial tinha grandes obstáculos naturais, como vinte belas cachoeiras que impediam a navegação. assim se cogitou a construção de estrada de ferro que cobrisse por terra o trecho topográfico. Em 1867, no Brasil, também visando encontrar algum meio de comunicação que favorecesse o transporte da borracha, os engenheiros José e Francisco Keller organizaram expedição, explorando a região das cachoeiras do rio Madeira para delimitar o melhor traçado, visando também à instalação de uma ferrovia. Em 1869, o engenheiro estadunidense George Earl Church obteve do governo da Bolívia a concessão para criar e explorar uma empresa de navegação que ligasse os rios Mamoré e Madeira. Mas, vendo as dificuldades reais desta empreitada, os planos foram definitivamente mudados para a construção de uma ferrovia. As negociações avançaram e, ainda em 1870, o mesmo George Church recebe do governo brasileiro a permissão para construir uma ferrovia ao longo do percurso das cachoeiras do Rio Madeira.            
           Em 1927, quando Henry Ford anuncia que sua empresa tinha adquirido, na Amazônia brasileira, uma concessão do tamanho de Connecticut para cultivar borracha e construir uma cidade em plena selva, a imprensa norte-americana celebrou o evento como o encontro de duas forças paralelas irresistíveis: a invenção do trabalho em cadeia e o triunfo de novas normas de produção, e o processo civilizatório da maior bacia fluvial do planeta, irrigando nove países com um terço do continente sul-americano, uma zona selvagem e plena de vida que as águas que margeiam o território comprado por Ford continham mais espécies de peixes que todos os rios da Europa reunidos. Para a revista Time (1927), não havia dúvida que o sistema de produção de Ford aperfeiçoaria a produção de borracha a cada ano “até a completa industrialização de toda a floresta”. Segundo o Washington Post, Ford levaria à floresta “a magia do homem branco”, isto é a ideologia do trabalho (cf. Braga, 1988; Braga Neto, 2002), e não somente “a borracha, mas os seringueiros em si mesmos” (1931).
            De 1927 a 1945, quando cedeu sua parcela ao governo brasileiro, o industrialista Henry Ford gastou dezenas de milhões de dólares para construir duas cidades norte-americanas em plena selva amazônica; a primeira foi abandonada depois da destruição de uma plantação por um parasita vegetal. Seus habitantes gozavam de todas as vantagens da civilização: praças, calçadas, saneamento, hospitais, gramados, cinemas, piscinas, terrenos de golfe e, claro, carros da Ford para passear nas ruas pavimentadas. Em dezembro de 1930, dois meses depois da radicalização política que tinha levado Getúlio Vargas ao poder, uma revolta explode em Fordlândia, sob o slogan “O Brasil para os brasileiros. Morte aos norte-americanos”, os trabalhadores saquearam parte das instalações e fizeram valer suas reivindicações. Os executivos estadunidenses não ignoram que, para seu empregador, a organização dos trabalhadores constituía “o maior flagelo que o planeta sofreu”. Eles obtiveram o apoio das forças armadas brasileiras, e como resultado da ação os manifestantes foram demitidos, os pequenos comércios vizinhos foram fechados. Depois, a vez da natureza se revoltar. A Fordlândia parecia amaldiçoada, não somente em razão do desastre dos primeiros anos, mas também, uma vez que a ordem foi mais ou menos assegurada, em razão da recusa obstinada imposta pela natureza da vegetação à economia com a transplantação da brigada corporativa e militarizada fordista.
      Henry Ford (1863-1947) foi empresário e engenheiro mecânico norte-americano, fundador da Ford Motor Company, autor dos livros Minha Filosofia de Indústria e Minha Vida e Minha Obra, e o primeiro empresário a aplicar a montagem em série de forma a produzir em massa automóveis em menos tempo e a um menor custo. A introdução do modelo Ford T revolucionou os transportes e a indústria dos Estados Unidos da América. Ford foi um inventor prolífico e registrou 161 patentes nos Estados Unidos. Como único dono da Ford Company, ele se tornou um dos homens mais ricos e reconhecidos do mundo ocidental. No dia 16 de junho de 1903, dia da fundação da Ford Motor Company, foi investido um capital de US$ 150 000, de 12 sócios, sendo que US$ 28 000 foram investidos pelo próprio Ford, com então 40 anos de idade. A ele é atribuído o “fordismo”, isto é, a produção em grande quantidade de automóveis a baixo custo por meio da utilização do artifício reconhecido como “linha de montagem”, o qual tinha condições de fabricar um carro a cada 98 minutos, além dos “altos salários” oferecidos a seus operários — notavelmente o valor de 5 dólares por dia, adotado em 1914.

O intenso empenho de Henry Ford para baixar os custos resultou em muitas inovações técnicas e de negócios, incluindo um sistema de franquias que instalou uma concessionária em cada cidade da América do Norte, e nas maiores cidades em seis continentes. Ford deixou a maior parte de sua grande riqueza para a Fundação Ford, mas providenciou para que sua família pudesse controlar a companhia permanentemente. Ford foi resguardado como um pacifista durante boa parte da Primeira Guerra Mundial (1914-18) e na década seguinte ficou conhecido como notório antissemita, publicando uma série de quatro livros chamados The International Jew. Ford criou um sólido sistema de publicidade em Detroit para garantir que cada jornal transmitisse notícias e anúncios sobre o novo produto. A rede de concessionários locais de Ford tornou o carro onipresente em praticamente todas as cidades da América do Norte. Como revendedores independentes, as franquias enriqueceram e fizeram a propaganda não apenas de Ford, mas também do próprio conceito de automobilismo; clubes locais de automóveis surgiram para ajudar novos motoristas e para explorar o campo.

Ford foi sempre ávido para vender aos fazendeiros, que viram no veículo um dispositivo comercial para ajudar em seus negócios. As vendas subiram rapidamente - vários anos tiveram 100% de lucros em relação ao ano anterior. Sempre na busca de maior eficiência e menores custos, em 1913 Ford introduziu a montagem em esteiras em movimento nas suas instalações, o que permitiu um enorme aumento da produção. As vendas ultrapassaram 250 000 unidades em 1914. Por volta de 1916, tendo o preço baixado para US$ 360,00 para os carros de passeio básicos, as vendas atingiram 472 000 unidades. Em 1918, metade dos carros na América do Norte eram Modelos T. A alta produção conseguida pelo sistema de montagem da Ford tem como característica marcante a escolha de uma única cor de veículo, que era preta. Desta forma, ele conseguia montar os veículos sem ter que diferenciar o processo de pintura. Existe uma frase famosa que Ford escreveu em sua autobiografia sobre a escolha da cor do veículo: “O cliente pode ter o carro da cor que quiser, contanto que seja preto”.

Antes do desenvolvimento da linha de montagem, que exigia a cor preta por sua secagem mais rápida, o Modelo T era disponível em outras cores, incluindo o vermelho. Esse esquema era veementemente defendido por Henry Ford, e a produção continuou até 1927; a produção final total foi de 15 007 034 unidades. Esse foi um recorde que permaneceu por 45 anos. Em 1918, o presidente Woodrow Wilson (1856-1924) pediu pessoalmente a Ford para que se candidatasse ao Senado dos Estados Unidos, de Michigan, como um democrata. Embora a nação estivesse na guerra, Ford concorreu como um candidato pacífico e um forte apoiador da proposta Liga das Nações. Em dezembro de 1918, Henry Ford transferiu a presidência da Ford Motor Company para seu filho Edsel Ford. Henry, entretanto, retinha a autoridade de decisão final e algumas vezes revogou as decisões de seu filho. Henry e Edsel compraram todas as ações restantes de outros investidores, dando deste modo à família exclusivo domínio sobre a companhia. Em meados da década de 1920, as vendas do Modelo T começaram a declinar devido à concorrência crescente. Outros fabricantes de automóveis ofereciam planos de pagamentos pelos quais os clientes podiam comprar seus carros, que comumente incluíam características mecânicas mais modernas e estilos não disponíveis no Modelo T. Apesar dos estímulos de Edsel, Henry recusava-se firmemente a incorporar novas características ou a criar um plano de crédito para os compradores.

         A história social do Exército da Borracha começou oficialmente em 1942. O ataque japonês à base militar de Pearl Harbor, no final de 1941, fez com que os Estados Unidos (EUA) entrassem definitivamente na 2ª guerra mundial . Mas um insumo importante para a indústria bélica e comercial dos norte-americanos, o látex, estava sob poder nipônico e a produção inglesa na Malásia estava comprometida. Foi neste ponto que o Brasil ganhou importância, já que o país possuía um estoque de 300 mil árvores seringueiras prontas para produzir. Em março, o presidente Getúlio Vargas finalmente escolheu sua posição no campo de batalha e firmou um acordo com o presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, para fornecimento de borracha aos Países Aliados. Só faltava a mão de obra. Para reunir e redirecionar estes trabalhadores aos seus postos no “front” amazônico, o governo criou o Serviço de Encaminhamento de Trabalhadores para a Amazônia e a Comissão Administrativa de Encaminhamento de Trabalhadores para a Amazônia. O cartunista suíço Jean-Pierre Chabloz foi contratado para desenvolver imagens através de cartazes e folhetos que seriam usados com o objetivo de persuasão ideológica econômica no recrutamento dos trabalhadores. 
            O extrativismo descontrolado da borracha alimentada pelo “aquecimento”, na falta de melhor expressão, da indústria automobilística dos Estados Unidos da América estava em vias de provocar um conflito internacional, onde os trabalhadores brasileiros cada vez mais adentravam nas florestas do território da Bolívia em busca de novas seringueiras, gerando conflitos e lutas por questões da fronteira no final do século XIX. Sendo chamados de Questão do Acre, exigiram a presença do exército liderado pelo militar José Plácido de Castro. Então houve a intervenção do diplomata Barão do Rio Branco e do embaixador Assis Brasil, em parte financiados pelos barões da borracha, que culminou na assinatura do Tratado de Petrópolis em novembro de 1903. Com o fim da contenda com a Bolívia, efetivado com a compra do território, garantiu-se o efetivo controle e a posse das terras e florestas do Acre do Brasil, em troca das terras de Mato Grosso e do compromisso de construir uma ferrovia que superasse o trecho encachoeirado do rio Madeira possibilitando o acesso das mercadorias e da borracha bolivianas, aos portos brasileiros do Atlântico, inicialmente Belém do Pará, na foz do rio Amazonas.  As cidades deste novo Estado se transformaram de forma simbiótica nos personagens centrais da Questão Acre: a capital, Rio Branco, e dos municípios Assis Brasil e Plácido de Castro.
         O que viria a ser constituído como Estado do Acre era parte integrante do território boliviano desde 1750. A partir do início ciclo da borracha, em 1879, deu-se nessa região a mobilização e a busca intensa por látex e isto fez com que os seringueiros do Brasil subissem o rio Purus, iniciando, então, o processo de povoamento do Acre. No ano de 1898 o Brasil reconheceu que o atual estado do Acre pertencia à Bolívia, porém os bolivianos eram considerados incapazes de povoá-lo dado o seu difícil acesso. Foi naquele mesmo ano que a Bolívia enviou uma missão de ocupação ao Acre, causando, um ano depois, uma revolta armada dos colonos brasileiros que ali estavam em um grande número. Essa rebelião contou com o apoio do Estado do Amazonas. Após esse episódio, a Bolívia organizou uma missão militar de ocupação da região, mas foram impedidos pelos brasileiros que ainda se encontravam no local. A Revolução Acreana teve como representação uma revolta popular contra a Bolívia, quando o território é proclamado República do Acre, com Luís Gálvez Rodríguez de Arias, finalizando em 1903, com a assinatura do Tratado de Petrópolis, com anexação da região ao Brasil.
              Os bolivianos que ocupavam a região foram expulsos e o governador do Amazonas, Ramalho Júnior, organizou uma invasão do território liderada pelo espanhol Luiz Gálvez Rodríguez de Arias. A expedição de Gálvez declarou o Acre como uma República independente em 1899. Mas o Brasil reconhecia o Acre como território boliviano, enviou então uma tropa para dissolver a Revolução Acreana. A Bolívia decidiu reagir, organizou também uma expedição militar para conquistar o território. Foram, no entanto, os seringueiros que trabalhavam no local que impediram o avanço dos bolivianos. Para completar, o governador Silvério Néri, do Amazonas, enviou outra expedição de defesa que declarou pela segunda vez o Acre como uma República independente, em 1900. Rodrigo Carvalho assumiu o cargo de presidente. Antes das batalhas, representantes dos governos do Brasil e da Bolívia se reuniram para assinar no dia 21 de março de 1903 um tratado de paz inicial. Ao final do mesmo ano, em 17 de novembro, o tratado definitivo foi assinado. O Tratado de Petrópolis estabeleceu o fim do confronto por terras entre brasileiros e bolivianos pelo território do Acre.
           A negociação de paz foi muito bem conduzida pelo ministro Barão do Rio Branco e resultou na concessão, por parte da Bolívia, da região acreana. Em troca, o Brasil cedeu com o acordo firmado, uma parcela do território do Mato Grosso e ainda pagou dois milhões de libras esterlinas. A Bolívia ainda requisitou a construção da ferrovia Madeira-Mamoré para permitir o escoamento da produção, especialmente marcada pelo extraordinário boom da borracha. No ano de 1904 o Tratado de Petrópolis foi regulamentado por lei federal e o Acre passou a fazer parte oficialmente do território brasileiro, mas somente em 1962 é que o Acre foi considerado Estado brasileiro. Somente em 1962, durante o governo do Presidente João Goulart, é que o Acre foi elevado à condição de Estado, em razão da região ter atingido o nível de arrecadação fiscal exigido pela constituição de 1946. As cores da bandeira do Acre são, o verde, que representa as matas, o amarelo, das riquezas minerais, e o vermelho, como homenagem aos mortos nos confrontos com os bolivianos pela disputa da área.
          Luís Galvez que, trabalhando então para o cônsul boliviano em Manaus, descobriu que os bolivianos estavam em tratativas de passar o controle do território do Acre para o Anglo-Bolivian Syndicate de Nova York, que tinha o milionário Withridge como seu acionista principal. Era um contrato do tipo conhecido como chartered companies, em voga na África naquela época, pelo qual uma empresa concessionária qualquer, européia ou americana, praticamente assumia as funções soberanas sobre certa área que ela desejava explorar economicamente. Detinha não só o monopólio sobre a produção e exportação como também auferia os direitos fiscais, mantendo ainda as tarefas de polícia local. Concretizado o contrato, o Bolivian Syndicate associado a U.S. Rubber Co., que compraria toda a produção da borracha atrairia para a região amazônica o poder dos Estados Unidos que, em última instância, assumiriam, ainda que indiretamente, a proteção dos interesses de uma empresa norte-americana no Acre que gozaria de privilégios. Portanto, qualquer desavença que ocorresse entre os seringueiros e os interesses do Bolivian Syndicate, oporia o Brasil aos Estados Unidos da América. Dois acontecimentos vieram então atrapalhar aqueles planos dos bolivianos: a rebelião acreana de Plácido de Castro e a ação diplomática do barão de Rio Branco, que considerou a concessão boliviana ao Syndicate como uma “monstruosidade legal”.
          Neste período, uma série de conflitos fez com que esta região fosse proclamada autônoma por três vezes como Estado Independente, embora apenas reconhecida pelo governo brasileiro. Como na primeira vez, os revoltosos ainda contaram com o apoio do governador do Amazonas, Silvério Neri, que enviou uma nova expedição para a ocupação, que foi denominada como a Expedição dos Poetas, onde proclamaram a Segunda República do Acre em novembro de 1900. Porém, desta vez, quem reagiu foi a própria tropa militar boliviana, que colocou fim à República um mês depois. Em 6 de agosto de 1902, no entanto, o militar brasileiro Plácido de Castro foi enviado para o Acre pelo governador do Estado do Amazonas e iniciou a Revolução Acreana. Os rebeldes tomaram toda a região e implantaram a Terceira República do Acre, agora com o apoio do presidente do Brasil, Francisco de Paula Rodrigues Alves (1848-1919) que governou São Paulo por três mandatos entre 1887 e 1888, como presidente da província, como quinto presidente do estado de 1900 a 1902 e como nono presidente do estado de 1912 a 1916. Elegeu-se duas vezes presidente da República, cumprindo integralmente o primeiro mandato (1902 a 1906), mas faleceu antes de assumir o segundo mandato que deveria se estender de 1918 a 1922, e do ministro do exterior, Barão do Rio Branco (1845-1912). A Bolívia tentou reagir novamente, mas antes que ocorresse alguma batalha, o Barão do Rio Branco intermediou diplomaticamente propondo um acordo entre o Brasil e a Bolívia, que ficou reconhecido como o Tratado de Petrópolis.
            A rápida revolução dos transportes nos países Europeus e nos Estados Unidos da América, paralela à expansão da eletricidade, tinha necessidade de borracha, que naquela época saía hegemônica da Amazônia, sendo que 60% eram extraídas do território acreano. Obviamente que o governo andino não via com bons olhos aquela competitividade dos brasileiros. Para os bolivianos, a situação praticamente repetia o que ocorrera, analogamente na década de 1870 com a penetração de trabalhadores chilenos na área do Atacama atrás do salitre. O que provocara a Guerra do Pacífico (1879-1883), que fez com que a Bolívia, derrotada, perdesse a sua saída para o oceano Pacífico, tendo que o isolamento de comunicação dos oceanos do mundo. José Paravicini, o embaixador boliviano no Rio de Janeiro, determinou que fosse fundado, em 3 de novembro de 1899, um posto alfandegário em Puerto Alonso, para se fazer presente na área. Ato de soberania nacional que, se bem que legítimo, irritou profundamente os seringueiros brasileiros que cercaram o posto e expulsaram os funcionários dali. Neste entremeio, chega ao Acre o aventureiro Luís Galvez, dito “o Imperador do Acre”, apoiado por Ramalho Júnior, o governador do Estado do Amazonas, que decidiu proclamar um Estado independente do Acre no dia 14 de julho de 1901. Cada vez ficava mais evidente de que a Questão do Acre repetia politicamente o ocorrido com Atacama. A capital La Paz precisava agir para manter o território em mãos nacionais. Enviando uma força para lá, engendraram outro caminho.
             Quando a extensão ou comunicação da guerra ao Pacífico e Indico, interrompeu o fornecimento da borracha asiática as autoridades norte-americanas entraram em pânico. O presidente Franklin Roosevelt nomeou uma comissão para estudar a situação dos estoques de matérias-primas essenciais para a guerra. As atenções do governo norte-americano se voltaram então para a Amazônia, grande reservatório natural de borracha, com seringueiras prontas para a produção de milhares de toneladas de borracha anuais, mais que as necessidades bélicas norte-americanas. Entretanto, só havia na região cerca de 35.000 seringueiros em atividade com uma produção fordista de 16.000-17.000 toneladas na safra de 1940-1941. Para alcançar esse objetivo ocorreram intensas negociações entre brasileiros e norte-americanos que culminaram com a assinatura dos Acordos de Washington. O governo norte-americano passaria a investir no financiamento da produção de borracha amazônica, em contrapartida o governo brasileiro caberia o encaminhamento de milhares de trabalhadores para os seringais, no que passou a ser tratado como “um heroico esforço de guerra”.  Somente no Estado do Ceará cerca de 30.000 flagelados da seca de 1941-42 estavam disponíveis para serem enviados imediatamente para os seringais. Mesmo que de forma pouco organizada o  Departamento Nacional de Imigração ainda conseguiu enviar para a Amazônia, durante o ano de 1942, quase 15.000 pessoas, sendo a metade de homens aptos ao trabalho. Um exército de retirantes convocado pelo Estado reviveu os tempos de escravidão em plena década de 1940. Enquanto a 2ª guerra mundial espalhava-se pela Europa e Ásia, perto de 55 mil brasileiros enfrentaram doenças fatais, passaram fome e estavam presos aos domínios dos coronéis donos dos seringais na região amazônica. Muitos desses “soldados da borracha” deram a vida, em busca de sonhos e de trabalho para alimentar a indústria bélica durante o conflito de terras e fornecer insumos para armas e pneus.
Bibliografia geral consultada:
BRAGA, Ubiracy de Souza, A Racionalização Fordista no Brasil: Efeitos Econômicos e Políticos na Reprodução do Trabalho. Dissertação de Mestrado em Sociologia. Instituto de Filosofia e Ciências Sociais. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1988; BRUMAT, Cristina, “Quali Interconnessioni Tra Sociologia e Geografia?”. In: Studi di Sociologia, 1994, 32 (2), pp. 177-189;  BRAGA NETO, Ruy Gomes, A Nostalgia do Fordismo: Elementos para uma Crítica da Teoria Francesa da Regulação. Tese de Doutorado. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Campinas: Universidade de Campinas, 2002; VERA, Loreto Correa & VERA, Cristián Garay, “Bolivia en dos Frentes: Las Negociaciones de los Tratados de Acre y de límites con Chile”. In: Revista Universum, volume 1, 2007; SOUZA, Márcio, História da Amazônia. Manaus: Editora Valer, 2009; MELO, Elderson Melo de, Teatro de Gripo no Estado do Acre: Trajetória Prática e Inserção do Estilo Regional (1970-2010). Dissertação de Mestrado. Instituto de Artes. Campinas: Universidade Estadualde Campinas, 2010; SILVA, Mauro César Rocha da, Razões da Sustentabilidade do Governo da Floresta: Uma Releitura do Processo de Desenvolvimento do Estado do Acre. Tese de Doutorado. Instituto de Ciência Humanas e Sociais. Rio de Janeiro: Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, 2011; LIMA, Frederico Alexandre Oliveira, Soldados da Borracha: Das Vivências do Passado às Lutas Contemporâneas. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em História. Instituto de Ciências Humnas e Letras. Manaus: Universidade Federal do Amazonas, 2013; COSTA, Francisco Pereira, Para a Chuva não Beber o Leite. Soldados da Borracha: Imigração, Trabalho e Justiças na Amazônia, 1940-1945. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em História Social. Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas. Departamento de História. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2014; CARVALHO, Terciane Sabadini, Uso do Solo e Desmatamento nas Regiões da Amazônia Legal Brasileira: Condicionantes Econômicos e Impactos de Políticas Públicas. Tese de Doutorado. Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional. Belo Horizonte:  Universidade Federal de Minas Gerais, 2014; CARVALHO, Terciane Sabadini; MENDES, Lidiane Álvares, Na Esteira da Loucura: Colônia de Alienados Eduardo Ribeiro - Práticas e Representações na Ala Feminina. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em História.  Manaus: Universidade Federal do Amazonas, 2016; SILVA, Maria Liziane Souza, A Batalha da Borracha: Os Migrantes Nordestinos - Memória e Imaginário. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Geografia. Porto Velho: Fundação Universidade Federal de Rondônia, 2018; PARENTE, Izabel Cavalcante Ibiapina, O Amazonismo e as Representações sobre os Seringueiros e a Natureza Amazônica. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social. Instituto de Ciências Sociais. Departamento de Antropologia. Brasília: Universidade de Brasília, 2018; entre outros.