“Eu poderia e deveria ter feito mais para
soar o alarme e reunir apoio”. Kofi
Annan (1994)
Kofi
Atta Annan nasceu em Cumasi, em 8 de abril de 1938 e faleceu em Berna, em 18 de
agosto de 2018. Foi um diplomata ganês e entre 1º de janeiro de 1997 e 31 de
dezembro de 2006, o sétimo secretário-geral da Organização das Nações Unidas,
tendo sido laureado com o Nobel da Paz em 2001. Annan e as Nações Unidas foram correceptores
do Prêmio Nobel da Paz de 2001 pela criação do Fundo Global de Luta contra
Aids, Tuberculose e Malária para ajudar países em “desenvolvimento” em seus
esforços para cuidar de seu povo. Annan nasceu no distrito de Kofandros de
Cumasi, Gana, a qual era colônia britânica da Costa do Ouro. Ele foi irmão
gêmeo, o que dá uma posição de respeito na cultura de Gana. Sua irmã gêmea,
Efua Atta, que morreu em 1991, compartilhava seu nome do meio Atta, que em fanti
e acã significa justamente gêmeo. Annan e sua irmã nasceram em uma das
famílias aristocráticas de seu país; tanto seus avós e seu tio eram chefes
tribais. Na tradição antroponímica de acã, algumas crianças são nomeadas de
acordo com o dia da semana em que nasceram, e/ou em relação a quantas crianças
as precederam. Kofi em acã é o nome que corresponde a sexta-feira. De 1954 a
1957, Annan frequentou o colégio elitista Mfantsipim, um internato metodista em
Cape Coast fundado na década de 1870. Annan disse que o colégio o ensinou “que
o sofrimento em qualquer lugar preocupa pessoas em todo lugar”. Em 1957, o ano
em que Annan graduou-se em Mfantsipim, Gana tornou-se independente do Reino
Unido.
Em
1958, Annan começou a estudar economia na Faculdade de Ciência e Tecnologia de
Cumasi, atual Universidade Kwame Nkrumah de Ciência & Tecnologia de Gana.
Ele recebeu uma doação da Fundação Ford, possibilitando-o completar seus
estudos de graduação no Macalester College em St. Paul, Minnesota, Estados
Unidos da América, em 1961. Em seguida, fez uma licenciatura em Relações
Internacionais no Graduate Institute of International and Development Studies
em Genebra, Suíça, de 1961 a 1962. Após alguns anos de experiência de trabalho,
ele estudou no MIT Sloan School of Management (1971–72) no programa Sloan
Fellows e obteve o diploma de Master of Science. Annan era fluente em
inglês, francês, kru, outros dialetos de acã, e outras línguas africanas. Em
1962, Kofi Annan começou a trabalhar como Diretor de Orçamento para a
Organização Mundial da Saúde, uma agência das Nações Unidas (NU). De 1974 a
1976, ele trabalhou como Diretor de Turismo em Gana. No final dos anos 1980,
Annan voltou a trabalhar para as Nações Unidas, onde foi nomeado
secretário-geral Adjunto em três posições consecutivas: Gestão dos Recursos
Humanos e Coordenador para as Medidas de Segurança do Sistema das Nações Unidas
(1987–1990); Subsecretário-Geral para Planeamento de Programas, Orçamento e
Finanças e de Controlador (1990–1992); e Operações de Manutenção da Paz de março
de 1993 a dezembro de 1996. A partir das pesquisas
antropológicas de Levis Henry Morgan, lidas e anotadas por Marx, formulou Friedrich
Engels a teoria antropológica do Estado, na obra: Der Ursprung der Familie,
des Privateigentums und des Staats, cujos pressupostos não estavam em sua
reflexão anterior, nem de forma sistêmica e embasada na história e na
antropologia.
A sua importância na literatura científica de diversos países ocorre
porque antropólogos se valeram da análise marxista para entender sociedades não
capitalistas e sociedades camponesas. Não só a escola estruturalista francesa,
da segunda metade do século XX, com Godelier e Meillaseux são exemplos. Mas
também, no período de origem da Antropologia como admite Leslie White (1959).
Este influenciou a geração de antropólogos coerentes com o marxismo, como
Marshal Sahlins, antes de seu “acerto de contas” no ensaio: Cultura e Razão
Prática, Erick Wolf e Elman Service. No
prefácio à primeira edição (1884), Friedrich Engels enfatiza três aspectos: a)
As páginas seguintes vêm a ser, de certo, a execução de um testamento; b) A ordem social em que vivem os homens de determinada
época ou determinado país está condicionada por essas duas espécies de
produção: pelo grau de desenvolvimento do trabalho,
de um lado, e da família, de outro;
c) O grande mérito de Morgan é o de ter descoberto e restabelecido em seus
traços esse fundamento pré-histórico da nossa história escrita e o de ter
encontrado, nas uniões gentílicas dos índios norte-americanos, a chave para
decifrar importantíssimos enigmas, ainda não resolvidos, da história antiga da
Grécia, Roma e Alemanha. Sua obra não foi trabalho de um dia. Levou cerca de 40
anos elaborando seus dados, até conseguir dominar inteiramente o assunto. O volumoso tomo de
Bachofen estava escrito em alemão, isto é, na língua da nação que menos se
interessava, então, pela pré-história da família contemporânea. Por isso
permaneceu ignorado. O sucessor imediato de Bachofen nesse terreno entrou em
cena em 1865, sem jamais ter ouvido falar dele. Esse sucessor foi J. F. Mac
Lennan, o polo oposto de seu predecessor.
A
República de Ruanda é um país sem costa marítima localizado na região dos
Grandes Lagos da África centro-oriental, fazendo fronteira com Uganda, Burundi,
República Democrática do Congo e Tanzânia. Ruanda recebeu uma atenção
internacional considerável devido ao genocídio ocorrido em 1994, no qual cerca
de 800 mil pessoas foram mortas. Desde então, o país viveu uma grande
recuperação social e, hoje em dia, apresenta um modelo de desenvolvimento que é
considerado exemplar para países em desenvolvimento. Em 2009, uma reportagem da
rede de notícias CNN classificou Ruanda como tendo a história de maior sucesso
do continente, tendo alcançado estabilidade, crescimento da economia (a renda
média triplicou nos últimos dez anos) e integração internacional. Em 2007, a
revista Fortune publicou um artigo intitulado: Why CEOs Love Rwanda.
A capital, Quigali, é a primeira cidade africana a ser galardoada com o Habitat
Scroll of Honor Award, em reconhecimento de sua “limpeza, segurança e
conservação do modelo urbano”. Em 2008, Ruanda tornou-se o primeiro país a
eleger uma legislatura nacional na qual a maioria dos membros eram mulheres.
Ruanda aderiu à Commonwealth of Nations em 29 de novembro de 2009, seu 54º
membro, fazendo do país historicamente “um dos apenas três membros sem um
passado colonial britânico”. A população é predominantemente jovem e rural, com
densidade entre as mais altas nações na África. Os
ruandeses são provenientes de apenas um grupo cultural e linguístico, o Banyarwanda,
embora dentro deste grupo há três subgrupos: os hútus, tútsis e
os tuás. Antropologicamente os tuás são pigmeus que habitam a
floresta, descendentes dos habitantes de Ruanda.
Todavia, estudiosos discordam
sobre as origens e as diferenças entre os hútus e tútsis; alguns
acreditam que as diferenças são derivadas de antigas castas sociais dentro de
um único povo, enquanto outros acreditam que os hútus e tútsis chegaram ao país
separadamente e de diferentes locais. O cristianismo é a maior religião do país
e a língua principal é o quiniaruanda, falado pela maioria dos
ruandeses, com o inglês, francês e o suaíli como línguas oficiais. Ruanda tem
um sistema presidencialista de governo. O presidente atual é Paul Kagame, da Frente
Patriótica Ruandesa (RPF), que assumiu o cargo em 2000. Ruanda hoje tem
baixo nível de corrupção em comparação com os países vizinhos, embora as
organizações de direitos humanos relatam supressão de grupos de oposição, a
intimidação e as restrições à liberdade de expressão. O país tem sido governado
por uma hierarquia administrativa desde os tempos pré-coloniais. Há cinco
províncias delineadas por fronteiras estabelecidas em 2006. O Ruanda é um dos dois
únicos países com maioria feminina no parlamento nacional. Embora próximo da
Linha do Equador, o país possui um clima temperado fresco, devido a sua alta
elevação. O terreno consiste principalmente de planaltos gramíneos e colinas
suaves. A vida selvagem, incluindo raros gorilas-das-montanhas,
resultou no turismo tornando-se um dos maiores setores da economia do país.
Ao
invés do místico genial, temos aqui um árido jurisconsulto; em lugar de uma
exuberante e poética fantasia, as plausíveis combinações de um arrazoado de
advogado. Mac Lennan encontra em muitos povos selvagens, bárbaros e até
civilizados, dos tempos antigos e modernos, uma forma de matrimônio em que o
noivo, só ou assistido por seus amigos, deve arrebatar sua futura esposa da
casa dos pais, simulando um rapto com violência. Este costume deve ser vestígio
de um costume anterior, pelo qual os homens de uma tribo obtinham mulheres
tomando-as realmente de outras tribos, pela força. Mas como teria nascido esse
“matrimônio por rapto”? Enquanto os homens puderam encontrar mulheres
suficientes em sua própria tribo, não tiveram motivo para semelhante
procedimento. Por outro lado, e com frequência não menor, encontramos em povos
não civilizados certos grupos (que em 1865 ainda eram muitas vezes
identificados com as próprias tribos) no seio dos quais era proibido o
matrimônio, vendo-se os homens obrigados a buscar esposas – e as mulheres,
esposos – fora do grupo; enquanto isso, outro costume existe, em outros povos,
pelo qual os homens de determinado grupo só devem procurar suas esposas no seio
de seu próprio grupo.
Mac Lennan chama as primeiras de
tribos “exógamas”; e as segundas, de “endógamas” e, de imediato, sem maior
investigação, estabelece uma antítese bem definida entre as “tribos” exógamas e
endógamas. E, ainda quando as suas próprias investigações sobre a exogamia lhe
evidenciam que, em muitos casos, senão na maioria, ou mesmo em todos, essa
antítese só existe na sua imaginação, nem por isso deixa de toma-la como base
para toda a sua teoria. De acordo com ela, as tribos exógamas não podiam tomar
mulheres senão de outras tribos, o que apenas podia ser feito mediante rapto, dada
a guerra permanente entre as tribos, característica do estado selvagem. De onde
provém a exogamia? Em sua opinião, as ideias de consanguinidade e incesto
nascidas mais tarde nada têm a ver com ele. Sua causa poderia ser o costume
entre eles de matar as crianças do sexo feminino logo após seu nascimento.
Disso
resultaria um excedente de homens em cada tribo, tomada separadamente, tendo
como consequência imediata a posse de uma mesma mulher, em comum, por vários
homens, isto é, a poliandria. Daí decorria, por sua vez, que a mãe de uma
criança era conhecida, mas não o pai; por isso, a ascendência era contada pela
linha materna, e não paterna pelo direito paterno. E da escassez de mulheres no
seio da tribo, atenuada, mas não suprimida pela poliandria, advinha, ainda,
outra consequência, que era precisamente o rapto sistemático de mulheres de
outras tribos. Para Mac Lennan, como a exogamia e a poliandria procedem de uma
só causa, do desequilíbrio numérico entre os sexos, comparativamente devemos
considerar que, “entre todas as raças exógamas, existiu primitivamente a
poliandria”. O mérito de Mac Lennan consiste na difusão geral e
a importância do que ele chama de exogamia. Sobre a existência
de grupos exógamos, não o descobriu e muito menos o compreendeu.
Memorial do genocídio em Rwanda.
Além
disso, também Levis Henry Morgan observara e descrevera perfeitamente o mesmo
fenômeno, em 1847, em suas cartas sobre os iroqueses, e em 1851 na Liga dos
Iroqueses, ao passo que a mentalidade do advogado de Mac Lennan causou confusão
ainda maior sobre o assunto do que a causada pela fantasia mística de Bachofen
no terreno do direito materno. Outro mérito de Mac Lennan consiste em ter
reconhecido como primária a ordem de descendência baseada no direito materno,
conquanto, também aqui, conforme reconheceu mais tarde, Bachofen se lhe tenha
antecipado. Mas, também neste ponto, ele não vê claro, pois fala, sem cessar,
“em parentesco apenas por linha feminina” (“kinship through females only”),
empregando continuamente essa expressão, exata apara um período anterior, na
análise de fases posteriores de desenvolvimento, em que, se é verdade que a
filiação e o direito de herança continuam a contar-se exclusivamente segundo a
linha materna, o parentesco por linha paterna também está reconhecido e
expresso na estreiteza de critério do “jurisconsulto”, que forja um termo
jurídico socialmente fixo e continua aplicando-o, sem modifica-lo.
Não
obstante, sua teoria foi acolhida na
Inglaterra com grande aprovação e simpatia. Mac Lennan foi considerado por
todos como o fundador da história da família e a primeira autoridade na
matéria. Sua antítese entre as “tribos” exógamas e endógamas continuou sendo a
base reconhecida das opiniões dominantes, apesar de certas exceções e
modificações admitidas, e se transformou nos antolhos que impediam ver
livremente o terreno explorado e, por conseguinte, todo progresso decisivo. Em
face do exagero dos méritos de Mac Lennan , que ficou em voga na Inglaterra e,
seguida a moda inglesa, em toda a parte, devemos assinalar que, ratifica Friedrich
Engels, com sua antítese de “tribos” exógenas e endógamas, baseada na mais pura
confusão, ele causou um prejuízo maior do que os serviços prestados em suas
pesquisas etnográficas.
Imediatamente
depois, em 1871, apareceu em cena Lewis Henry Morgan com documentos novos e,
sob muitos pontos de vista, decisivos. Convencera-se que o sistema de
parentesco próprio dos iroqueses, e ainda em vigor entre eles, era comum a
todos os aborígenes norte-americanos, que estava difundido em todo o
continente, ainda quando em condição formal com os graus de parentesco que
resultam do sistema conjugal ali imperante. Incitou, então, o governo federal
americano a que recolhesse informes sobre os sistemas de parentesco dos demais
povos, de acordo com um formulário e quadros elaborados por ele mesmo. Morgan
publicou os dados coligidos e as conclusões que deles tirou em seu “Sistema de
Consanguinidade e Afinidade da Família Humana” em 1871, levando, assim, a
discussão para um campo infinitamente mais amplo. Tomou como ponto de partida
os sistemas de parentesco e, reconstituindo as formas de família a eles
correspondentes, abriu novos caminhos à investigação e criou a possibilidade de
se ver muito mais longe na pré-história da humanidade. A aceitação desse método
reduzia a pó as frágeis definições de Mac Lennan.
Kofi
Annan nasceu no distrito de Kofandros de Kumasi, Gana, uma colônia britânica da
Costa do Ouro. Ele foi irmão de Efua Atta, que morreu em 1991, mas compartilhava
seu nome do meio Atta, que em “fanti” e “akan” significa justamente gêmeo.
Annan e sua irmã nasceram em uma das famílias aristocráticas de seu país; tanto
seus avós e seu tio eram chefes tribais. De 1954 a 1957, Annan frequentou o
colégio elitista Mfantsipim, um internato metodista em Cape Coast fundado na
década de 1870, onde aprendeu o que o colégio lhe ensinou “que o sofrimento em
qualquer lugar preocupa pessoas em todo lugar”. Em 1957, ano em que se graduou
em Mfantsipim, Gana tornou-se independente do Reino Unido. Em 1958, estudou
economia na Faculdade de Ciência e Tecnologia de Kumasi, atual Universidade
Kwame Nkrumah de Ciência e Tecnologia de Gana, através de bolsa da Fundação
Ford, possibilitando-o completar seus estudos de graduação no Macalester
College em St. Paul, Minnesota (EUA), em 1961. Estudou Relações Internacionais
no Graduate Institute of International and Development Studies em Genebra
(1961-62). Após alguns anos de experiência de trabalho, ele estudou no MIT
Sloan School of Management (1971–72) no programa “Sloan Fellows” obtendo o
diploma de Master of Science (M Sc.).
Annan era fluente em inglês, francês, kru, outros dialetos de akan, e algumas
línguas africanas. Kofi Annan foi o primeiro negro a ocupar o cargo de
secretário geral da Organização das Nações Unidas.
Na década de 1960, durante o
processo de descolonização do pós-Segunda Guerra, o território ruandês foi
deixado pelos belgas. Em quase meio século de dominação, ódio entre as duas
etnias transformara aquela região em “uma bomba prestes a explodir”. Cercados
por uma série de problemas, a maioria hutu passou a atribuir todas as mazelas
da nação à população tutsi. Pressionados pelo revanchismo, os tutsis
abandonaram o país e formaram imensos campos de refugiados em Uganda. Mesmo
acuados, os tutsis e alguns hutus moderados se organizaram politicamente com o
intuito de derrubar o governo do presidente Juvenal Habyarimana e retornar ao
país. Esta mobilização deu origem à Frente
Patriótica Ruandense (FPR), liderada por Paul Kagame. Na década de 1990,
vários incidentes demarcavam a clara insustentabilidade da relação entre tutsis
e hutus. O ponto alto dessa tensão ocorreu no dia 6 de abril de 1994, quando um
atentado derrubou o avião que transportava o presidente Habyarimana. A ação foi
atribuída aos tutsis ligados ao FPR. Na capital da Ruanda (Kigali), membros da
guarda presidencial organizaram as primeiras perseguições contra os tutsis e
hutus moderados que formavam o grupo de oposição política no país.
Em abril de 1994, o presidente hutu ruandês Juvénal Habyarimana (1937-1994) foi morto num atentado contra o avião em que viajava. No dia seguinte, o genocídio começou. Sem apresentar provas, as lideranças hutus acusaram os tutsis pelo assassinato do presidente e conclamaram a população a iniciar a matança. As milícias hutus avançaram contra vilarejos e cidades por todo o país, matando os que viam pela frente. Postos de controle foram estabelecidos nas ruas. Pessoas identificadas como membros da minoria tutsi eram sumariamente executados. O massacre sistemático no país contra os tutsis causou um deslocamento maciço da população para os campos de refugiados situados nas áreas de fronteira, em especial com o Zaire, hoje República Democrática do Congo e Uganda. Em agosto de 1995, tropas do Zaire tentaram forçar o retorno desses refugiados para Ruanda. Catorze mil pessoas foram então devolvidas a Ruanda, enquanto outras 150.000 refugiaram-se nas montanhas.Mais de 500 000 pessoas foram massacradas entre 7 de abril e 15 de julho de 1994 outras fontes estatísticas de até 1 milhão de pessoas teriam sido mortas. Um grande número de mulheres foram estupradas. Muitos dos 5 000 meninos nascidos dessas violações foram assassinados.
Juvénal
Habyarimana representou o terceiro presidente da República de Ruanda, cargo que
ocupou mais tempo do que qualquer outro presidente do país, até o momento, de
1973 até 1994. Durante seu mandato de 20 anos, favoreceu o seu próprio grupo
étnico, os hutus, e apoiou a maioria hutu no vizinho Burundi contra o governo
tutsi. Ele foi apelidado de Kinani, uma palavra Kinyarwanda que
significa “invencível”. Habyarimana foi descrito pelos críticos como um
ditador, que citam o fato de ser reeleito por unanimidade, com 98,99% dos votos
em 24 de dezembro de 1978, 99,97% dos votos em 19 de dezembro de 1983, e 99,98%
dos votos em 19 de dezembro de 1988. Durante o seu governo, Ruanda tornou-se um
Estado totalitário em que os dirigentes do partido tendido à extrema-direita
chamado Movimento Republicano Nacional por Democracia e Desenvolvimento
exigiam que as pessoas cantassem e dançassem em bajulação ao presidente em
concursos de massas de animação política. Embora no país, em geral, a pobreza
cresceu um pouco menos durante o mandato de Habyarimana, a grande maioria dos
ruandeses permaneceu em situação de extrema pobreza. Em 6 de abril de 1994, ele
foi morto quando seu avião, transportando também o presidente do Burundi,
Cyprien Ntaryamira, foi derrubado perto do Aeroporto Internacional de Kigali.
Seu assassinato inflamou as tensões étnicas na região e ajudou a desencadear o
genocídio de Ruanda.
Kofi Annan: Nobel da Paz em
2001.
Em 1962, Kofi Annan começou a
trabalhar como Diretor de Orçamento para a Organização
Mundial da Saúde, uma agência das Nações Unidas (ONU). De 1974 a 1976, ele
trabalhou como Diretor de Turismo em Gana. No final dos anos 1980, Annan voltou
a trabalhar para as Nações Unidas, onde foi nomeado secretário-geral Adjunto em
três posições consecutivas: Gestão dos Recursos Humanos e Coordenador para as
Medidas de Segurança do Sistema das Nações Unidas (1987-1990);
Subsecretário-Geral para Planeamento de Programas, Orçamento e Finanças e de
Controlador (1990-1992); e Operações de Manutenção da Paz (março de 1993 a dezembro
de 1996). O Genocídio em Ruanda ocorreu em 1994 enquanto Annan dirigia a
Operações de Manutenção da Paz. Em 2003 o ex-general canadense Roméo Dallaire,
que foi comandante da força da Missão de Assistência das Nações Unidas para
Ruanda, afirmou que Annan foi excessivamente passivo em sua resposta ao
genocídio iminente. Em seu livro: “Shake Hands with the Devil: The Failure of
Humanity in Rwanda” (2003), o general Dallaire declarou que Annan reteve as
tropas das Nações Unidas de intervir para resolver o conflito, e de fornecer
mais apoio material e logístico. Dallaire afirmou que Annan falhou em fornecer
respostas “aos seus repetidos faxes pedindo acesso a um depósito de armas; tais
armas poderiam ter ajudado Dallaire a defender os quase extintos Tutsis”. Em
2004, dez anos depois do genocídio Annan disse: - “Eu poderia e deveria ter
feito mais para soar o alarme e reunir apoio”. Annan serviu como
subsecretário-geral desde março de 1994 a outubro de 1995. Foi nomeado
Representante Especial do Secretário-Geral para a ex-Iugoslávia antes de
retornar às suas funções em abril de 1996.
O
genocídio só terminou quando a Frente
Patriótica Ruandesa derrotou o governo e se instalou definitivamente no
poder. Até os dias atuais, o massacre deixa um profundo legado de violência em
Ruanda. O país segue enfrentando problemas étnicos e religiosos, ao mesmo tempo
em que sofre com dificuldades econômicas seguida de corrupção, gerando extrema
pobreza entre a população. Muitos hutus
ajudaram os tutsis a escapar das perseguições. Um caso notório foi o do gerente
do Hotel Mille Collines, em Kigali, que foi responsável pela salvação de 1 268
tutsis e hutus, abrigando-os no hotel. Paul Rusesabagina ficou mundialmente
conhecido ao ser retratado no filme “Hotel Ruanda” sobre o massacre.
Rusesabagina, residente na Bélgica, afirma que, se não forem tomadas decisões
contra o tribalismo em Ruanda, o genocídio poderá voltar a ocorrer, agora pelas
mãos dos tutsis, governantes do país desde o fim da matança.
Hotel
Rwanda é um filme de 2004 dirigido por Terry George e estrelado por Don
Cheadle, Nick Nolte, Joaquin Phoenix, Desmond Dube e Sophie Okonedo. O filme é
uma coprodução da Itália, Reino Unido e África do Sul, e relata a história real
de Paul Rusesabagina, que foi capaz de salvar a vida de 1268 pessoas durante o
genocídio de Ruanda em 1994. Logo depois das primeiras exibições, sua história
foi imediatamente comparada com a de Oskar Schindler. A história se passa em
Kigali, capital da Ruanda em 1994, no que ficou conhecido por Genocídio de
Ruanda. Paul Rusesabagina (Don Cheadle) é gerente do Hotel des Mille Collines,
propriedade da empresa belga "Sabena". Relata um período de aumento
da tensão entre a maioria hutu e a minoria tutsi, duas etnias de um mesmo povo
que ninguém sabe diferenciar uma da outra a não ser pelos documentos. Tudo
começa quando o presidente de Ruanda morre em um atentado, como retaliação, após
assinar um acordo de paz. Imediatamente os hutus entram em guerra aos tutsis,
dando início a matança genocida destes últimos.
Neste
instante, Paul tenta proteger sua família, mas com o iminente massacre
generalizado, compra favores para proteger seus vizinhos que haviam pedido
abrigo em sua casa na primeira noite de atrocidades. Com a continuidade da
tensão e mortes de governantes, os turistas partem enquanto que no hotel,
aumentam a quantidade de vítimas que procuram abrigo e proteção. As forças da
ONU fazem a segurança do mais novo “hotel de refugiados”. Pela compra de
favores dos militares e da milícia Interahamwe, Paul consegue manter o hotel a
salvo. O Coronel Oliver (Nick Nolte) é um personagem fictício que representa os
militares canadenses no comando das forças de paz da Missão de Assistência das Nações Unidas para Ruanda (UNAMIR), que
tentam proteger vidas mesmo sem poder contar com de tropas treinadas para a
guerra. Em 8 de novembro de 1994, através da resolução
955 do Conselho de Segurança da ONU, foi criado o Tribunal Pénal International pour le Rwanda (TPIR) pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas
para julgamento dos responsáveis pelo genocídio e outras violações (como
estupro) das leis internacionais acontecidas no território nacional de Ruanda
em 1994, causado por oficiais e cidadãos ruandenses entre 1 de janeiro e 31 de
dezembro de 1994.
Em 1995, o tribunal foi sediado em Arusha, na Tanzânia e a
partir de 1998 suas atividades foram expandidas. A ONU determinou ao tribunal
que completasse suas investigações até 2004, todas as atividades de julgamento
em 2008 e encerrasse os trabalhos em 2010. O Tribunal tem jurisdição sobre genocídio,
crimes contra a humanidade e crimes de guerra, que são definidos como violações
de artigos relativos a genocídios cometidos em conflitos internos pela
Convenção de Genebra. Em dezembro de 2008, o Tribunal condenou à prisão
perpétua os três principais dirigentes do governo de etnia hutu que massacrou
800 mil tutsis em 1994, Theoneste Bagosora, Aloys Ntabakuze e Anatole
Nsengiyumva. Contudo, a Corte Penal Internacional é competente para julgar
somente os crimes cometidos após a sua criação, em 1º de julho de 2002. Vários
ministros foram considerados culpados de participação no
genocídio Em 2011, antigos chefes militares foram considerados culpados de
genocídio quando se calcula em torno de 800 mil mortes nos combates.
Em
julho de 2002, o mundo passou a contar com um tribunal capaz de julgar os
responsáveis pelos mais graves crimes de guerra e crimes contra a humanidade do
mundo. Passados 16 anos a lista de países que se encontram sob uma investigação
no Tribunal Penal Internacional (TPI), com sede em Haia, mão por acaso, tem
apenas representantes do continente africano. De forma geral, as investigações
se referem a graves violações aos direitos humanos e ao direito internacional
humanitário em situações de conflito armado, tais como genocídios, ataques à população
civil, crimes sexuais em contexto de guerra, recrutamento de crianças,
execuções sumárias e desaparições forçadas. O fato de todos os nove casos de
oito países, pois a República Centro-Africana tem dois casos na corte se
referirem a Estados do continente desperta acusações de “seletividade” e
“neocolonialismo” em alguns setores. A crítica política mais comum, segundo Charleaux
(2016) é a de que a corte reproduz uma lógica de dominação segundo a qual os
países ricos do norte condenam os países pobres do sul.
Em
junho de 2015, Gwende Mantashe, secretário-geral do Congresso Nacional Africano
(CNA), partido que governa a África do Sul desde 1994, disse que o Tribunal
Penal Internacional “é perigoso” e que as nações africanas deveriam
“retirar-se” do Estatuto de Roma - o tratado aos quais os países aderem, aceitando
a jurisdição do tribunal. A declaração foi feita logo após a visita a
Johanesburgo do presidente sudanês, Omar al-Bashir. Ele estava de passagem pela
África do Sul para participar de uma reunião de cúpula da União Africana.
Bashir foi o primeiro presidente em exercício acusado pelo Tribunal Penal
Internacional, em 2009, por “genocídio”, e pesa ainda contra ele “uma ordem
internacional de captura”. As autoridades sul-africanas, entretanto, se negaram
a entregar Bashir, garantindo ao presidente sudanês as prerrogativas de
proteção conferidas pela “Convenção de Viena Sobre Relações Diplomáticas de
1961” - que protege pessoal diplomático, assim como suas instalações e veículos
em território estrangeiro. Naquela conjuntura, o governo sul-africano anunciou
que pediria a revisão das cláusulas do Estatuto de Roma que tratam do
“consentimento de entrega” de uma pessoa com mandato de captura. Em nota
oficial, o CNA denunciou a “seletividade” da corte: “São os países africanos e
da Europa do leste que continuam injustificadamente a suportar o peso das
decisões do tribunal”, dizia o texto, fazendo referência também à Geórgia e à
Ucrânia, países do leste europeu cujos casos estão sob “análise preliminar” da
corte, mas não foram integralmente acolhidos.
A adesão ao tribunal é
espontânea, mas a jurisdição da corte deve obedecer ao princípio da
“complementariedade”. Segundo esse princípio, cabe ao próprio Estado a primazia
de julgar seus criminosos. O TPI tem, então, papel complementar, caso o Estado
em questão não possa ou não queira realizar esse tipo de julgamento. A
presidenta eleita Dilma Rousseff lamentou a morte do diplomata ganês,
ex-secretário-geral da ONU e Nobel da Paz, Kofi Annan, morto neste sábado (18-08),
aos 80 anos. - “É com pesar que recebo a notícia da morte de Kofi Annan. O
mundo perde um líder comprometido com a paz mundial e a busca de soluções para
o futuro da humanidade. O Brasil também perde um interlocutor e amigo. Meus
sentimentos à família, admiradores e ao povo de Gana e da África”. O perfil do
ex-presidente Lula, no Twitter, também divulgou nota de pesar. – “O mundo
perdeu @KofiAnnan. Tive a felicidade de ser presidente durante seu mandato e
testemunhei sua dedicação para a harmonia entre os povos. Minha solidariedade
especialmente ao povo africano pela triste perda de um líder inspirador, que
será lembrado por sua jornada pela paz”. Em 2001, recebeu o Prêmio Nobel da Paz
pela criação do Fundo Global de Luta contra syndrome d`immunodéficience acquise, Tuberculose e Malária,
destinados a colaborar com os países em desenvolvimento. Marcou o comando da ONU
por investigações de assédio sexual e desvios de recursos envolvendo
funcionários da entidade.
Bibliografia
geral consultada.
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Roland, “La Cause des Armes au Mozambique: Anthropologie d`une Guerre Civile”.
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Familia, la Propriedad Privada y el Estado. Moscú: Editorial Progreso,
2000; HOBSBAWM, Eric, Nazioni e
Nazionalismi dal 1780. Programma, Mito, Realtà. Torino: Einaudi Editore,
2002; MARQUES, Ivan Contente, Intervenções Humanitárias: Aspectos Políticos, Morais e Jurídicos de um Conceito em (Trans)formação. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais, UNESP, UNICAMP e PUC-SP San Tiago Dantas. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2007; CAMERA, Sinara, Da Intervenção à Solidariedade: Caminhos para uma Nova ordem Mundial. Dissertação de Mestrado em Integração Latino-Americana. Santa Maria: Universidade Federal de Santa Maria, 2008; MACHADO, Danilo Vergani, Transformações nas Nações Unidas: Da Reforma na ONU a Criação do Conselho de Direitos Humanos. Dissertação de Mestrado. Instituto de Relações Internacionais. Brasília: Universidade de Brasília, 2009; BIGATÃO, Juliana de Paula, Manutenção da Paz e Resolução de Conflitos: Respostas das Nações Unidas aos Conflitos Armados Intra-estatais na Década de 1990. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais ´San Tiago Dantas` (UNESP/UNICAMP/ PUC-SP). São Paulo, 2009; SOARES, José de Lima, “Friedrich Engels e a Situação da Classe
Trabalhadora na Inglaterra Ontem e Hoje”. In: Dossiê Engels, n° 9, pp. 20-42, novembro de 2010; ONG, Ana Cristina Prates, ONUSAL: Um Caso de Sucesso. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais. Instituto de Relações Internacionais. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2015; Artigo: “Dilma
e Lula lamentam a morte de Kofi Annan”. Disponível em: https://www.brasil247.com/pt/19/08/2018; entre outros.
“Quando uma grande árvore cai, a terra treme”.
Rajiv Gandhi (1944-1991)
A ocorrência de símbolos
valorizados negativamente e às faces imaginárias do tempo poder-se-ia opor,
ponto por ponto, o simbolismo simétrico da fuga do tempo ou da vitória sobre o
destino e a morte. Porque as figurações do tempo e da morte não passavam de
excitações para o exorcismo, convite imaginário a empreender uma terapêutica
pela imagem. É um local que transparece um princípio constitutivo da imaginação
para figurar um mal, representar um perigo, simbolizar uma angústia e, mais
ainda quando se trata de uma epifania simbólica. Quer dizer, imaginar o tempo
sob uma face tenebrosa é já submetê-lo a uma possibilidade de exorcismo pelas
imagens da luz. A imaginação atrai o tempo ao terreno onde poderá vencê-lo com
toda facilidade. E, enquanto projeta a hipérbole assustadora dos monstros da morte,
afia em segredo as armas que abaterão o Dragão. Segundo Durand (1997: 124 e
ss.), a hipérbole negativa não passa de pretexto para a antítese. É o que a
imaginação de um Victor Hugo ou um René Descarte denotam. Três grandes temas,
com as interferências a que o estudo dos esforços imaginários nos habituou,
parece-nos não só constituir os homólogos antitéticos das faces do tempo, como
também estabelecer uma estrutura profunda consciência, esboço de uma atitude
metafísica e moral.
A hipótese antropológica situa o esquema ascensional, o
arquétipo da luz uraniana e o esquema diairético parecem, de fato, ser o fiel
contraponto da queda, das trevas e do compromisso animal ou carnal. Esses temas
correspondem aos gestos per se dos reflexos posturais:
verticalização e esforço de levantar o busto, visão e, por fim, tato
manipulatório permitido pela libertação postural da mão humana. Esquemas e arquétipos
de transcendência exigem um método de procedimento dialético: a intenção
profunda que os guiam é intenção polêmica que os põe em confronto com os seus
contrários. A ascensão é imaginada contra a queda e a luz contra as trevas.
Gaston Bachelard (1884-1962) analisou bem este “complexo Atlas”, complexo polêmico, esquema
do esforço verticalizante do sursum, que é acompanhado por um sentimento
de contemplação monárquico e que admitiu o mundo para melhor exaltar o
gigantesco e a ambição das fantasias ascensionais. O dinamismo de tais imagens
prova facilmente um belicoso dogmatismo da representação. A luz tem tendência
para se tornar raio ou gládio e a ascensão para espezinhar um adversário
vencido.
Neste aspecto culturalmente se começa a desenhar a filigrana, sob os símbolos ascensionais ou
espetaculares, a figura heroica do lutador erguido contra as trevas ou contra a possibilidade do
abismo na imaginação. O herói solar é sempre arquetipicamente um guerreiro violento e opõe-se, por isso, ao
herói lunar que é um resignado. Para o herói solar são sobretudo os efeitos que
contam, mais que a submissão à ordem de um destino. A revolta de Prometeu é
arquétipo mítico da liberdade do espírito. De boa vontade o herói solar
desobedece, rompe os juramentos, não pode limitar a sua audácia, tal como
Hércules ou o Sansão semita. A transcendência exige este descontentamento
primitivo, este movimento humor que a audácia do gesto ou a temeridade da empresa
traduzem. A transcendência está
sempre, portanto, armada e a encontramos nesta arma arquetípica transcendente por
excelência que é o poder da flecha, e já tínhamos reconhecido que o cetro de justiça
traz a fulgurância dos raios e o executivo do gládio ou do machado. São as
armas cortantes que vamos encontrar em primeiro lugar ligadas aos arquétipos do
Regime Diurno da fantasia. No notável análise de Desoille
(1890-1966), na sequência de imagens indutoras ascensionais e das imagens
luminosas induzidas, aparece na consciência do sonhador experimental o
arquétipo do “gládio de ouro” ornado de uma auréola luminosa e sobre o qual
está gravada a palavra “justiça”. O paciente mergulha então na contemplação
dessa lâmina.
O psicólogo sublinha justamente que a acepção fálica da arma, cara à psicanálise, é apenas secundária, enquanto a noção de justiça, o esquema da reparação cortante entre o bem e o mal, possui o primado e o colore sentimentalmente a consciência do sonhador. Parece-nos que o simbolismo diairético, longe de excluir a alusão sexual, a reforça. Porque a sexualidade masculina não é “doze vezes impura”. É símbolo de sentimento de potência e não é pelas crianças uma doença ou vergonhosa ausência. É nesse sentido que se encontram, numa espécie de tecnologia sexual, as armas cortantes ou pontiagudas e os instrumentos aratórios. São a antítese
diairética do sulco ou da ferida feminizada. Nas línguas austro-asiáticas uma
mesma palavra significa falo e enxada, e Jean Przyluski sugeriu que seria mesmo
esse vocábulo que estaria na origem do sânscrito lângûla, que significa cabo,
enxada ou cauda, e de linga, que simboliza o falo. Mircea Eliade chega mesmo a
citar, ao lado de textos assírios, a expressão rabelaisiana “membro a que
chamam agricultor de natureza”, e calão e o falar dos nossos campos vêm
confirmar essa assimilação recíproca de instrumentos aratórios e da sexualidade
masculina. Mais interessante ainda é esse ritual australiano que marca bem o
isomorfismo do falo, da flecha e da relha do arado.
Armados com flechas que
agitam à maneira do falo, os australianos dançam à volta de uma fossa, símbolo
de órgão feminino, e no fim plantam paus na terra. Não será esse isomorfismo da
arma e do instrumento aratório e fecundante que são devidas as interferências
culturais, frequentemente, entre a “força combatente e a fecundante” que na
interpretação de Georges Dumézil sublinha a propósito de Marte-Quirino? A este
propósito, Dumézil dá o sábio conselho de se distinguir bem o modo de ação
marcial, incontestavelmente guerreira, e os numerosíssimos pontos de aplicação
desta provável forma de ação. Por outras palavras,
trata-se metodologicamente, de explicar pelo esquema, mais do que pelo
comprometimento concreto do esquema, neste ou naquele contexto
histórico-simbólico. O chamado Marte agrário não passaria primitivamente de um
guarda campestre, uma vez que as colheitas representam um ponto de aplicação da
modalidade combatente. Não deixa, no entanto, de ser verdade que, no caso de
Marte como de Indra, o armamento em si, pelo seu simbolismo sexual, pode
prestar-se a equívoco e fazer assimilar a espada ao arado ou à charrua. As paixões humanas só se detêm diante de uma
força moral que elas respeitam. Se qualquer autoridade desse gênero inexiste, é
a lei do mais que reina e, latente ou agudo, o estado de guerra é necessariamente
crônico.
Que tal anarquia seja um fenômeno mórbido, lembrava o sociólogo Émile
Durkheim, é mais evidente, pois ela vai contra o próprio objetivo de toda a
sociedade, que é suprimir ou, pelo menos, moderar a guerra entre os homens,
subordinando a lei física do mais forte a uma mais alta. Em vão, para
justificar esse estado de não-regulamentação, salienta-se que favorece o
desenvolvimento da liberdade individual. Entretanto, para ele nada é mais falso
do que esse antagonismo que se quis estabelecer, com excessiva frequência,
entre a autoridade da regra e a liberdade do indivíduo. A liberdade é, ela
própria, produto de uma regulamentação. Só posso ser livre na medida em que
outrem é impedido de tirar proveito da superioridade física, econômica ou outra
de que dispõe para subjugar minha liberdade, e apenas a regra social pode
erguer um obstáculo a esses abusos de poder. Uma forma de atividade
que tomou lugar na vida não pode permanecer tão desregulamentada, sem que disso
culturalmente resultem as mais profundas perturbações. É, em particular, uma
fonte de desmoralização geral. Pois precisamente porque as funções econômicas
absorvem o maior número de cidadãos, há uma multidão de indivíduos cuja vida
transcorre quase toda nomeio industrial e comercial; a decorrência disso é que,
como tal meio é pouco marcado pela moralidade, a maior pare de sua existência
transcorre fora de toda e qualquer ação moral.
Para que esse sentimento do
dever se fixe fortemente em nós, é preciso que as próprias circunstâncias em
que vivemos o mantenham desperto. A
construção foi realizada pelos próprios soldados das legiões romanas: cada
centúria era obrigada a levantar a sua parte da muralha. A muralha foi erguida
sobre a terra, em aparelho maciço de pedra e turfa, com 4,5 metros de altura
por 2,5 metros de largura. O seu topo era percorrido por uma estrada de 1 metro
de largura, com o fim de facilitar as comunicações e os transportes. A cada
distância determinada havia uma torre de observação, e a cada distância maior
existiam quartéis para as tropas de guarnição, tal como no modelo sistemático
que os romanos historicamente consolidaram para as suas fronteiras. Muitas
estradas e fortificações, que em diversos casos se tornaram cidades, foram
construídas baseadas sobretudo na rota desta muralha, acentuando a importância social
da muralha e beneficiando o contato entre diversos pontos do território.
Segundo o grego Apiano (c. 95-c.165), foi um historiador da Roma Antiga de etnia grega, a Britânia teve pouca relevância historicamente para o Império. Hinduísmo tem como representação social uma tradição religiosa que se originou no subcontinente indiano. É frequentemente chamado de “Sanātana Dharma” pelos seus praticantes, frase em sânscrito que significa “a eterna (perpétua) dharma (lei)”.
Num sentido mais abrangente, o hinduísmo engloba o
bramanismo, isto é, a crença na “Alma Universal”, Brâman; num sentido mais
específico, o termo se refere ao mundo cultural e religioso, ordenado por
castas, da Índia pós-budista. De acordo com o livro: “História das Grandes
Religiões”, o hinduísmo é um estado de espírito, uma atitude mental dentro de
seu quadro peculiar, socialmente dividido, teologicamente sem crença,
desprovido de veneração em conjunto e de formalidades eclesiásticas ou de
congregação: e ainda substitui o nacionalismo. Entre as suas raízes está a
religião védica da Idade do Ferro na Índia e, como tal, o hinduísmo é citado
frequentemente como a “religião mais antiga”, a “mais antiga tradição viva” ou
a “mais antiga das principais tradições existentes”. É formado por diferentes
tradições e composto por diversos tipos, e não possui um fundador. Estes tipos sociais e denominações, quando somadas, fazem do hinduísmo a terceira
maior religião, depois do cristianismo e do islamismo, com aproximadamente um
(01) bilhão de fiéis, dos quais cerca de 905 milhões vivem na Índia e no Nepal.
Outros países em análise comparada continental com populações significativas de etnias hinduístas são, respectivamente: Bangladesh, Sri
Lanka, Paquistão, Malásia, Singapura, ilhas Maurício, Fiji, Suriname, Guiana,
Trinidad e Tobago, Reino Unido, Canadá e Estados Unidos da América. O
nome Sikh significa discípulo. O
fundador da seita, Nanak, agora chamado de Sri Guru Nanak Deva, um Hindu pertencente à
casta Kshastrya, nasceu perto de Lahore, em 1469 e morreu em 1539. Sendo desde
a infância de um turno de espírito religioso, ele começou a vagar por várias
partes e regiões da Índia, e gradualmente venceu um sistema religioso que a
partir da revolta ao politeísmo vigente, ceremonialism,
casta e exclusividade, levou para seu chefe as doutrinas a unicidade de Deus, a
salvação pela fé e boas obras, como as relacionadas a igualdade e a
fraternidade do homem. A nova religião espalhou-se rapidamente e, sob a
liderança de nove sucessivos gurus ou
professores, logo se tornou um rival ativo não só para o hinduísmo mais velho,
mas também o mais recente Islamismo das dinastias reinantes. Os discípulos sikhs foram, portanto, um pouco maltratados
pelos poderes que regem. Esta perseguição
só deu nova determinação para a seita, que gradualmente assumiu um caráter
militar e tomou o nome de Singhs ou “guerreiros
campeões”, sob Govind Sing, seu décimo e último guru, que tinha sido provocado
por alguns graves maus-tratos de sua família pelos governantes muçulmanos, que
começaram a guerra com o ativo Imperador de Nova Délhi.
Os
Sikhs foram derrotados e gradualmente conduzidos de volta para as montanhas. A
profissão de sua fé tornou-se um “crime capital”, e foi só o declínio do poder mongol,
após a morte de Aurungzeb em 1707, o que lhes permitiu sobreviver. Depois,
aproveitando as oportunidades que surgiram a partir de seus esconderijos,
organizaram as suas forças, e criou uma supremacia bélica sobre uma parte da
rodada de Punjab sobre Lahore. A inversão ocorreu em 1762, quando Ahmed Shah
mal os derrotou e profanou o templo sagrado em Amritsar. Apesar de se inverter
este manged ainda para estender seu domínio ao longo das margens do Sutlej e os
rios Jumna, a norte, tanto quanto Peshawar e Rawalpindi, e para o sul ao longo
das fronteiras do Rajputana. Em 1788 o Mahrattas excedeu o Punjab e trouxe aos
sikhs sob seu tributo. Após o Mahrattas sobrevida dos britânicos, que recebeu a
adesão de uma parcela dos sikhs, em 1803, e mais tarde, em 1809, realizou um
tratado de defesa contra o inimigo Runjeet Singh, que embora ele próprio um
proeminente líder Sikh, tinha revelado intolerável para outras
partes da seita. Vários outros tratados entre os britânicos e os sikhs, com
vista à abertura do Indus e Sutlej ao comércio e navegação, foram assumidos,
mas como esses acordos não foram mantidos, o britânico declarou guerra a sikhs
em 1845. Em 1848, em parte por meio da derrota real, em parte pela
desorganização interna e falta de líderes, o poder dos sikhs foi quebrado, mas
gradualmente se estabeleceram entre o resto da população, preservando apenas os
seus religiosos distintivos intactos. De acordo com o censo de 1881, o número
de sikhs foi descrito sob o número de 1.853.426, que no censo de 1901 subiu
para 2.195.339.Os
seus livros sagrados, o chamado “Granth”, cujo original é preservado e venerado
na grande templo de Amritsar, é constituído de duas partes: “Adi Granth”, o
primeiro livro ou livro de Nanak, com acréscimos posteriores compilados pelo quinto
guru, Arjoon, e com sucessivos aditamentos de gurus mais tarde que desceu para
o nono, e contribuições de diversos discípulos e devotos, em segundo lugar, “O
Livro do Décimo Rei”, escritos por Guru Govind Sing, o décimo e último guru,
principalmente com o fim de “incutir o espírito bélico na seita”. A teologia
contida nesses livros é monoteísta. Grandes homens e santos,
mesmo se divinamente inspirada, não estão a ser adorado, nem mesmo os gurus
sikhs próprios. O uso de imagens é tabu, culto cerimonial, ascetismo e castas,
restrições são explicitamente rejeitadas. Seus líderes estão mortos
simplesmente para ser saudado pelo lema “guru Ave” e o objeto único material a
ser exteriormente reverenciado é o “Granth”, por extensão um livro sagrado na prática. É um ativo “reavivamento religioso” que ocorre atualmente e se manifesta entre os sikhs, tendo por objeto expiar suas superstições e certas restrições sociais que gradualmente foi filtrada em torno do Hinduísmo. Reavivamento
religioso é um termo teológico que se refere a um período de renovação
espiritual e fervor religioso. É um conceito muito presente na tradição cristã.
O Golden Temple, em Amrtsar, Punjab (Índia), o santuário principal dos sikhs. Se
alguns acham que comparativamente a admiração dos cristãos pela Bíblia é
exagerada, reconhecerá que esta não é tanta após conhecer a fanática adoração
dos sikhs pelo seu livro sagrado, o Guru Granth Sahib. O Sikhismo é uma
religião relativamente pouco conhecida no Brasil, mas já é considerada como uma
das maiores religiões tradicionais do mundo contemporâneo. Os seus livros
sagrados, o chamado “Granth”, cujo original é preservado e venerado na grande
templo de Amritsar, é constituído de duas partes: “Adi Granth”, o primeiro
livro, ou livro de Nanak, com acréscimos posteriores compilados pelo quinto
guru, Arjoon, e com sucessivos aditamentos de gurus mais tarde que desceu para
o nono, e contribuições de diversos discípulos e devotos. Em segundo lugar, “O
Livro do Décimo Rei”, escrito pelo Guru Govind Sing, o décimo e último guru,
principalmente com a fim de incutir o espírito bélico na seita. A teologia
contidas nesses livros é distintamente monoteístas. Grandes homens e santos,
mesmo se divinamente inspirada, não estão a ser adorado, nem mesmo os gurus sikhs
próprios. O uso de imagens é tabu, culto cerimonial, ascetismo e castas,
restrições são rejeitadas. Seus líderes estão mortos
simplesmente para ser saudados pelo lema “guru Ave” e o objeto único material a
ser exteriormente experimentado e reverenciado é o “Granth”, o livro
sagrado na prática simbólica de representação social da leitura.
Sikhismo tem como rerpesentação social e política o desenvolvimento de uma religião monoteísta fundada no século XVI. O fundador foi Guru Nanak Dev,
nascido em uma família da alta casta hindu do Punjab, Índia, em 1469. Ele foi
instruído na tradição hindu por um mestre da sua aldeia, bem como também
frequentou uma escola mulçumana, onde adquiriu uma quantidade de conhecimento
dos ensinamentos islâmicos e alguma informação sobre as línguas árabe e persa. Por
volta da idade de dezesseis anos, Nanak tornou-se “um contador na residência de
um importante oficial mulçumano” na aldeia de Sultanapur. Ele reuniu em torno de
si um grupo de seguidores que costumavam banharem-se juntos em um rio antes do
amanhecer todos os dias, e se encontravam em sua casa à noite para cantar
canções religiosas que ele tinha composto. Um dia ele não retornou para casa
após o banho matinal. Seus amigos encontraram suas roupas nas margens do rio e
dragaram a água na tentativa de encontrar seu corpo. Três dias depois, Nanak
reapareceu. Ele disse: - “não há nem hindu nem muçulmano, assim qual caminho
devo escolher? Eu devo seguir o caminho de deus. Deus não é hindu nem
muçulmano, e o caminho que eu sigo é deus”.
Mais
tarde ele explicou que, durante o tempo em que estava desaparecido, ele tinha
sido levado até a presença de deus, onde ele tinha recebido uma taça de néctar
e uma mensagem de deus para sair pelo mundo para ensinar a repetição do nome de deus e conjuntamente as práticas em torno da
caridade, da meditação e da adoração. No entanto, esta reverência parece ter
degenerado em um culto supersticioso do “Granth”, e até mesmo de certa
divindade vaga é atribuída aos dez gurus, cada um dos quais é suposto ser a
reencarnação do primeiro da linha, seu fundador original - pela doutrina hindu
da transmigração das almas foi mantido mesmo pelo próprio Nanak, e certa quantidade
de panteísta linguagem ocorre em partes dos hinos sagrados de Salvação é para
ser obtida apenas pelo conhecimento do único Deus verdadeiro, através do Guru
Sat (ou verdadeiro guia espiritual), temor reverencial, fé e pureza de espírito
e da moral - os princípios principais são estritamente incutida como marcas da
verdadeira Sikh, enquanto tais crimes predominantes como infanticídio e sati são proibidos colocando algumas
restrições sobre abate de animais “sem necessidade”, mas menos do que uma
proibição absoluta peculiar à seita é a abstenção de tabaco, e em parte de
outras drogas como o ópio - uma restrição introduzida pelo Guru Govind Sing sob
a persuasão de que fumar era propícias a ociosidade e prejudicial ao espírito
militante.
Riot victims have been waiting for justice for 25 years.
O Massacre dos Sikhs em 1984 representou uma série de pogroms contra os sikhs na Índia, por multidões anti-sikh, em
resposta ao assassinato de Indira Gandhi por seus guarda-costas sikhs. Houve mais
de 8000 mortes, incluindo 3.000 em Délhi. O Departamento Central de Investigação,
a agência de investigação indiana, é da opinião de que os atos de violência foram
organizados com o apoio das autoridades policiais e do governo central de Délhi,
então liderado pelo filho de Indira Gandhi, Rajiv Gandhi que foi empossado como
primeiro-ministro após a morte de sua mãe e, quando perguntado sobre os
tumultos, disse que “quando uma grande árvore cai, a terra treme”. A relação
entre pensar e sentir está em discussão. O que, no entanto, parece que só
ilumina e clareia está perpassado de obscuridade através do que é a vingança.
Provisoriamente podemos dizer: vingança é a perseguição que resiste, opõe-se e
subestima. E terá esta perseguição suportada e conduzida à reflexão até hoje
vigente. Quando procede a mencionada dimensão atribuída ao espírito de
vingança? Então é preciso que tal dimensão seja vista desde a sua constituição
íntima e particular.
Para
que tal olhar venha a ter em certa medida algum sucesso, consideremos em que
configuração essencial se manifesta modernamente. Esta estruturação essencial
do ser vem à fala numa forma clássica, segundo a palavra de Nietzsche, no
pensamento até hoje vigente determinado pelo “espírito de vingança”. Como pensa
Nietzsche a essência da vingança, posto que ele a pensa metafisicamente?
Podemos pensar á medida que temos a possibilidade para tal. Permitir que algo,
segundo o seu próprio modo de ser, venha para junto de nós; resguardar
insistentemente tal permissão. Sempre podemos somente isso para o qual temos
gosto – isso a que se é afeiçoado, à medida que o acolhemos. Verdadeiramente só
gostamos do que, previamente e a partir de si mesmo, dá gosto. Através desta
tendência, reivindica-se nosso próprio modo de ser. A tendência é conselheira.
A fala do aconselhamento dirige-se ao nosso modo próprio de ser, para ele nos
conclama e, assim, nos atem. Na verdade, ater significa: cuidar, guardar. Nós o
guardamos se nós não o deixamos fugir da representação da memória,
representante que é da concentração do pensamento. Portanto, é o que cabe
pensar cuidadosamente, sendo a palavra conselheira de nosso modo próprio de
pensar, e, portanto, de sentir e agir. Durante
a emergência indiana imposta politicamente por Indira Gandhi em 1970, milhares de sikhs em
campanha por um governo autônomo foram presos.
A violência esporádica continuou
como resultado de um grupo separatista armado sikh ser designado como uma entidade terrorista pelo governo
indiano. Em junho de 1984, durante a “Operação Estrela Azul”, Indira Gandhi
ordenou que o exército indiano atacasse o Templo Dourado e eliminasse “todos os
insurgentes, uma vez que tinha sido ocupado pelos separatistas sikhs que estavam
estocando armas”. Operações pelas forças paramilitares indianas tiveram início
para expulsar os separatistas do interior do estado de Punjab. A violência em Délhi
foi desencadeada pelo assassinato de Indira Gandhi, primeira-ministra da Índia,
em 31 de outubro de 1984, por dois de seus guarda-costas sikhs, em resposta a
suas ações que autorizaram a operação militar. O governo indiano informou 2.700
mortes no caos que se seguiu. Na sequência dos tumultos, o governo indiano
informou que 20.000 haviam fugido da cidade, no entanto a União Popular pelas
Liberdades Civis informou “pelo menos” 1.000 pessoas deslocadas. Seus dois
filhos, Sanjay e Rajiv, envolveram-se na política. Sanjay Gandhi morreu num
acidente aéreo, em junho de 1980. Rajiv Gandhi entrou para a política em
fevereiro de 1981 e se tornou primeiro-ministro por ocasião da morte da mãe,
porém em maio de 1991 ele também foi morto. Sua viúva, a italiana Sonia Gandhi
chefiou uma coalizão política de seu partido (Congresso), conseguindo uma surpreendente
vitória nas eleições de 2004. Ela não aceitou a oportunidade de assumir a liderança do cargo
de primeiro-ministro, que Manmohan Singh, um sikh, aceita o cargo, passando a comandar o país.
As regiões mais atingidas foram os
bairros sikhs em Nova Délhi. Organizações de direitos humanos e jornais na
Índia acreditam que o massacre foi organizado. O conluio de autoridades
políticas nos massacres e o fracasso do Judiciário para punir os assassinos
indispuseram os sikhs e reforçaram os apoios ao movimento Khalistan. O Akal
Takht, o corpo religioso dirigente do Sikhismo, considera os assassinatos como
sendo um genocídio. Em 2011, a Human
Rights Watch informou que o governo da Índia tinha “ainda que julgar os
responsáveis pelos assassinatos em massa”. Os vazamentos de telegramas
diplomáticos em 2011 revelaram que os Estados Unidos da América estavam
convencidos da cumplicidade do governo dirigido pelo Partido do Congresso
Nacional Indiano nos motins, e denominou-o como “oportunismo” e crimes de
“ódio” do governo do Congresso contra os sikhs. Os Estados Unidos da América (EUA) recusaram-se a
reconhecer os distúrbios como um genocídio, mas reconhecem que “graves
violações dos direitos humanos” de fato ocorreram. Em 2011, um novo conjunto de
“valas comuns” foram descobertas em Haryana, e a Human RightsWatch
afirmou: - “os ataques generalizados anti-sikh em Haryana foram parte dos mais
vastos ataques de vingança” ocorridos na esfera da religião e da política na Índia.
Atualmente
é um ativo reavivamento religioso se manifesta entre os sikhs, tendo por objeto
a expiar suas superstições e fora certas restrições sociais que gradualmente
foi filtrada em torno do Hinduísmo. Sikhs são seguidores do Sikhismo, uma
religião indiana que se originou no Punjab, no noroeste da Índia. Representa a
religião de uma seita guerreira da Índia, tendo a sua origem no Punjab e seu
centro na cidade sagrada de Amritsar, onde seus livros sagrados são preservados
e adorados. Em 1971, a Índia tinha aproximadamente 10,3 milhões de sikhs, 1,9%
da população. Pequenas comunidades de sikhs também existem no Reino Unido,
Canadá, Estados Unidos da América (EUA), Malásia, África e Oriente. Sikhs são
facilmente identificáveis por seus turbantes.
Adotam uma ética de não cortar o cabelo, não fumar ou ingerir bebidas
alcoólicas. Quando
Gobind Singh fundou em 1699 os marciais da fraternidade “Khalsa”, seus
seguidores prometeram manter os cinco K: usar cabelo comprido (kesh), um pente no cabelo (kangha), uma pulseira de aço no pulso
direito (Kara), shorts soldado (kachha), e uma espada (kirpan).
A tradição persiste, mas alguns
sikhs da Índia favorecem o estabelecimento de uma nação sikh separatista. No
início de 1980 Akali Dal, um partido nacionalista Sikh, provocou um confronto
com o governo indiano, exigindo maior autonomia para Punjab. Desembaraçada pela
eleição do sikh Zail Singh, para o
cargo em grande parte cerimonial do presidente da Índia, em 1982, os militantes
realizaram manifestações violentas. Os combates entre sikhs e hindus se
espalharam em Punjab, o governo central tomou o controle do Estado em 1983. Em
abril de 1984, cerca de 50 mil sikhs ocuparam Punjab e em Haryana. Sant Jarnail
Bhindranwale, líder da facção mais intransigente Akali Dal, procurou refúgio de
prisão no Templo de Ouro. A
atuação de Indira Gandhi teve grande influência na consolidação das
instituições. Uma personagem pequena, de aspecto
delicado, cabelos grisalhos e olhos negros profundos, que foi considerada a
mulher mais importante do mundo. Indira Gandhi nasceu como Indira Priyadarshini Nehru Gandhi, em 19 de novembro de 1917, em Allahabad no Estado de Pradesh, nordeste da Índia. É filha de Jawaharlal Nehru, primeiro chefe de governo da Índia pós-Independência, de 1947 a 1964. Indira
trabalhou então por uma posição forte da Índia entre os países “não alinhados”,
que lutavam para diminuir a influência das grandes potências.
Enfrentou ameaças
à integridade política da Índia ao reprimir a revolta dos sikhs, grupo
religioso extremista - uma combinação de elementos das religiões muçulmana e
hinduísta - estabelecido no rico Punjab, região muito produtiva na área
agrícola. Essa repressão aos sikhs “decretou” sua pena de morte. Depois de
várias lutas corporais entre hindus e sikhs, Indira Gandhi tenta apaziguar os
ânimos, através de acordos, mas não consegue. Em 31 de outubro de 1984, Indira
Gandhi foi assassinada por sikhs, aos seus olhos, membros de sua guarda
pessoal, em Nova Délhi. Seu filho, Rajiv Gandhi, que ocupou seu posto mais
tarde na condução do país, também foi assassinado, em 1991. Após a 2ª guerra mundial, a Independência encerrou um longo período em
que a Índia foi colônia da Inglaterra, oficialmente desde o ano de 1858, depois
de mais de três séculos em que ingleses, holandeses e franceses lutaram entre
si pelo controle dos lucrativos entrepostos comerciais. Indira passou toda sua
infância em intensa atividade política, com seu pai e outros membros
da família entrando e saindo das prisões. Apesar das incertezas e turbulências
políticas, teve uma educação formal, estudando na Suécia e na Inglaterra, na
Universidade de Oxford. Voltou em 1941, aos 24 anos e fez uma opção
arriscada para uma nação com tantas etnias e religiões rivais.
Ela casou-se com
um membro da etnia parse, amigo de infância, Fcroze Gandhi, que, apesar do
sobrenome, não era parente do pacifista Gandhi. Acusados de subversão pelos
ingleses, que ainda dominavam a Índia, o casal é preso durante mais de um ano. Começou
na política em 1939, quando se filiou ao partido do Congresso Nacional Indiano,
tendo como líderes seu pai e Mahatma Gandhi. Em 1942 casou-se com o jornalista
Feroze Gandhi, com quem teve dois filhos. Tornou-se ativista do movimento pela
Independência do país, chegou a ser presa e passou 13 meses na prisão. Em 1947,
as diversas sublevações populares, seguidas de violentas repressões dos
ingleses, levaram o governo trabalhista de Clement Attlee conceder a Independência
mediante a divisão da Índia em dois Estados: A República do Paquistão, de
população muçulmana e a República da União Indiana, que passou a ser chefiada
pelo Primeiro Ministro Nehru. Indira Gandhi acompanhou o pai em todas as
visitas oficiais e foi sua conselheira para os assuntos nacionais. Em 1955, foi
eleita para o conselho executivo do Partido do Congresso Nacional e depois
assumiu a presidência do partido. Em 1959 foi nomeada Ministra da Informação e
Radiodifusão. Após a morte de Nehru, em 1964, um de seus principais assessores,
Lal Bahadur Shastri, se tornou Primeiro-Ministro.
Em
1966 com a morte repentina de Shastri, Indira Gandhi foi eleita Primeira-Ministra,
tornando-se a primeira mulher chefe de governo na Índia. Apesar de adotar
medidas importantes para o desenvolvimento do país, que resultaram no aumento
da produção de alimentos, no crescimento dos setores industriais,
principalmente na produção de máquinas, computadores, satélites, foguete e na
fabricação da bomba atômica, que foi concretizada em 1974, persistiram,
entretanto os graves problemas na política interna. Os violentos conflitos
étnicos e religiosos aumentaram, a rivalidade entre hindus e muçulmanos se
agravaram, resultando na Independência da província paquistanesa de Bengala,
que se tornou República de Bangladesh. Em 1975, acusada pela Alta Corte de
Allahabad de beneficiar-se de reformas nas leis eleitorais, Indira Gandhi
foi condenada e perdeu as eleições de 1977, mas retornou em 1980.
Em
1984, um dos mais graves conflitos políticos envolveu os muçulmanos sikhs, O templo Dourado,
importante reduto do grupo, foi invadido por ordem de Indira e seu principal
líder foi morto. Como vingança a facção sikhs
que pretendia a criação de um Estado independente na região de Punjad,
assassinaram Indira. Na
juventude Indira teve muitos problemas de saúde, tendo contraído tuberculose.
Por este motivo os médicos aconselharam-na a não ter filhos. Indira, que
aparentemente foi uma mulher solitária, não aceitou o conselho médico, pois
almejava constituir uma família . Assim,
decidiu se casar com Firoz Gandhi, com quem teve dois filhos. Sua família foi contrária ao
casamento, pois Firoz além de não ter fortuna, pertencia à outra religião e
vinha de uma cultura diferente da hindu. Na verdade, Indira e Firoz jamais
foram religiosos, de modo que a religião não teve muita importância na união dos dois. O que impactou a união foi a
infidelidade do marido. Firoz e Indira, ao se casarem, transgrediram três
tradições na cultura do país: 1) não se subjugaram à união arranjada pelas
famílias, 2) nem se casaram segundo a exigência religiosa da fé de cada um e, 3) principalmente não deram continuidade às tradições
da casta, como arranjo individual (o sonho) e coletivo (os mitos, os ritos, os símbolos). Esses fatos sociais contrariavam a forma de orientação dos hindus ortodoxos.
O Hinduísmo é uma das religiões mais antigas do mundo. Essa tradição religiosa teve início com a antiga cultura védica por volta de 3.000 a. C. Atualmente a religião é a terceira maior do mundo, ficando atrás apenas do Cristianismo e do Islamismo. Chamada pelos adeptos de Sanatana de Dharma, que significa Eterna Lei em sânscrito, o Hinduísmo agrupa crenças, filosofias de vida, tradições culturais e valores. A religião reúne um grande número de adeptos em países como Nepal, Bangladesh, Sri Lanka, Paquistão, Malásia, Singapura, Ilhas Maurício, Fiji, Suriname, Guiana, Trindade e Tobago, Reino Unido, Canadá e Estados Unidos, mas é na Índia que está a maioria de seus seguidores. Na Índia, o Hinduísmo é a principal religião, chegando a 80% da população. A crença hindu abrange o universo indiano, interferindo em sua forma de organização política. Dos preceitos do religião, a estratificação social da Índia está dividia em castas composta por Brâmanes, os sacerdotes e letrados que nasceram da cabeça de Brahma; Xátrias, os guerreiros que nasceram dos braços de Brahma; Vaixás, os comerciantes que nasceram das pernas de Brahma; Sudras, os servos, camponeses, artesãos e operários que nasceram dos pés de Brahma.
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