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domingo, 4 de março de 2018

Família Bélier - Talento Artístico & Narrativas Sociais de Surdos.

                                                                                                     Ubiracy de Souza Braga

 “O talento revela-se exatamente porque esconde a sua perfeição”. William Shakespeare

               
            
         Quando alguma pessoa apresenta uma desenvoltura perfeita ao desempenhar determinada atividade, dizem que ela tem um “dom” ou “talento” para aquilo. Apesar de ser empregado de formas semelhantes, o significado da palavra “dom” é diferente da definição de “talento” e, portanto, representam características distintas. Dom vem do latim “donus”, que significa dádiva, presente. Nessa perspectiva, trata-se de uma capacidade inata para desempenhar com destreza e maestria determinada tarefa, até mesmo em aspectos que elas parecem mais complexas para a maioria de um conjunto determinado de pessoas. Podemos citar, como exemplo, uma criança que demonstra desde cedo uma “afinidade eletiva” muito grande para tocar determinado instrumento. Quando falamos em facilidade em executar ou aprender determinada atividade, vale lembrarmos que o significado da palavra “dom” não tem como sinônimo apenas a representação do critério da genialidade. Já que essa condição social ocorre somente com alguns indivíduos determinados e devido a questões psíquico-físicas. E que estão sendo desvendadas através das investigações pluridisciplinares pela ciência. entendida como uma associação livre de disciplinas que concorrem para uma realização. Mas  que cada disciplina não tenha que modificar a visão das coisas e os seus próprios métodos.  
          É através da língua dos sinais que a família Bélier se comunica, saudável e positivamente como se demonstra no filme, La Famille Bélier, comédia dramática francesa realizada pelo cineasta Éric Lartigau. O filme foi lançado nos cinemas franceses a 17 de dezembro de 2014. Na família Bélier, Paula, a filha de 16 anos, é a intérprete indispensável para muitas das tarefas diárias de seus pais e irmãos, todos eles agricultores surdos, menos ela, que fala por telefone, lida com o banco ou facilita-lhes a compreensão no consultório médico, e, sobretudo relacionado à manutenção da granja. Paula representa a tradutora da sua família. Um dia, um professor de música descobre seu talento pelo canto e anima Paula para que participe de um prestigioso concurso musical em Paris, o que lhe daria acesso a uma boa carreira e aos estudos universitários. No entanto, esta decisão significa aparentemente deixar para trás sua família, desnorteada e inquieta pela iniciativa escolar e para quem o conceito da música resulta alheio, Paula começa a dar primeiros passos como adulta, ainda que enfrente a incompreensão dos pais, as dúvidas sobre a sua vocação musical, o abandono das responsabilidades com a família e a incerteza sobre a crescente atração por um rapaz de sua idade. Enquanto isso, seu pai, Rodolphe Bélier, insatisfeito com as ações políticas programadas do prefeito da cidade, decide concorrer às eleições municipais, apesar de ser portador de deficiência no processo social de comunicação visual.
           Uma língua de sinais é uma língua que procede no âmbito da comunicação visual, que surge nas comunidades de pessoas surdas ou se deriva de outras línguas de sinais. Assim como as línguas orais-auditivas, uma língua de sinais é considerada pela linguística como língua natural, pois atende a todos os critérios linguísticos como qualquer língua. Por seu canal comunicativo ser diferente das línguas orais-auditivas, as línguas de sinais são denominadas como línguas de modalidade visuoespacial. Os sinais, ou seja, as palavras, são articulados essencialmente pelas mãos e percebidos através da visão. Na língua de sinais, os sinais não são gestos. Os sinais são símbolos arbitrários, legitimados e convencionados pelos falantes de uma língua de sinais, assim como as palavras são em uma língua oral. Por meio de uma língua de sinais, o surdo ou pessoa com deficiência auditiva têm acesso à informação e à comunicação. Existem línguas de sinais e países com línguas de sinais têm recebido o status de língua oficial. Durante muitos anos, o oralismo, técnica defendida por Alexandre Graham Bell, foi a única forma aceitável de/para comunicação com as pessoas surdas. O famoso Congresso de Milão, de 1880, teve um impacto negativo sobre as línguas de sinais no mundo.

Nesse congresso, os presentes, influenciados pelas ideias de Graham Bell, decidiram pela proibição da língua de sinais como método de educação de surdos. Assim, a língua falada oralmente foi imposta às pessoas surdas, e decretou-se, sem fundamentação científica alguma, que o oralismo deveria constituir a única forma de ensino. Diante disso, as línguas de sinais por mais de 100 anos foram violentamente proibidas e banidas dos típicos espaços escolares. Mesmo com a imposição do Congresso de Milão, as línguas de sinais resistiram.  Muitos linguistas se dedicaram a estudar diferentes línguas de sinais. O pioneiro foi o linguista norte-americano William Stokoe (1919-2000), intitulado como o “pai da linguística das línguas sinalizadas”, concluiu que as línguas de sinais apresentam aspectos linguísticos de uma língua genuína, no léxico, na sintaxe e na sua capacidade de gerar infinitas sentenças e que deveriam ser pesquisadas e estudadas pela linguística. Ao contrário do que acreditam, a língua de sinais não é universal.

Assim como as línguas orais, a variação linguística está presente também nas línguas de sinais. É grande a variedade de línguas de sinais ao redor do mundo, onde há mais de 140 línguas de sinais. São línguas completas, outras complexas, mas com a sua própria gramática e léxico. Cada país tem a sua, ou até mais de uma, língua de sinais. Tomando como exemplo alguns países lusófonos, vemos que utilizam diferentes línguas de sinais: no Brasil existe a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e a Língua de Sinais Kaapor Brasileira, em Portugal existe a Língua Gestual Portuguesa (LGP), em Angola existe a Língua Angolana de Sinais (LAS), em Moçambique existe a Língua de Sinais Moçambicana (LMS). Assim como acontece nas línguas faladas oralmente, existem variações linguísticas dentro da própria língua de sinais, isto é, regionalismos e/ou sotaques. Essas variações se devem a ligeiras diferenças culturais e influências diversas no sistema de ensino do país, por exemplo. Há também outros fatores sociais e culturais que favorecem à diversidade e à mudança linguística, como, por exemplo, a extensão e a descontinuidade territorial e os contatos com outras línguas. 

Além disso, deve-se levar em conta que diferenças culturais são fatores naturais, históricos e sociais de condicionamento nos modos de representação e sobretudo, de interpretação do mundo. Assim, os surdos sentem as mesmas dificuldades que os ouvintes quando necessitam comunicar com outros que utilizam uma língua diferente. Há também uma língua de sinais, análoga ao Esperanto, reconhecida como Gestuno, também reconhecido como língua de sinais internacional, é uma língua artificial e é utilizada em convenções e competições internacionais, visando estabelecer uma comunicação internacional. Não se sabe historicamente quando as línguas de sinais se iniciaram. Mas, sua origem remonta possivelmente à mesma época ou a épocas anteriores àquelas em que foram sendo desenvolvidas as línguas orais. Uma pista interessante para esta possibilidade das línguas de sinais terem se desenvolvido primeiro que as línguas orais é o fato social concreto que o bebê humano desenvolve a coordenação motora dos membros antes de se tornar capaz de coordenar o aparelho fonoarticulatório. As línguas de sinais são criações espontâneas do ser humano e se aprimoram exatamente da mesma forma que as línguas orais. Nenhuma língua é superior ou inferior a outra, cada língua se desenvolve e expande na medida da necessidade ou utilidade de uso de seus usuários. 

             

O Esperanto é a representação social da língua planejada mais falada no mundo. Ao contrário da maioria das outras línguas planejadas, o esperanto já saiu dos níveis de projeto de publicação de instruções e semilíngua de uso em algumas poucas esferas da vida social. Seu iniciador, o médico judeu Ludwik Lejzer Zamenhof (1859-1917), publicou a versão inicial do idioma em 1887. Seu objetivo teve como intenção criar uma língua de mais fácil acesso e aprendizagem. E que servisse como língua franca internacional para toda a população mundial e não, apenas como erroneamente se supõem, para substituir todas as línguas existentes historicamente. O Esperanto é empregado com utilidade de uso comunicativo em viagens, correspondência, intercâmbio cultural, convenções, literatura, ensino de línguas, televisão e transmissões de rádio. Alguns sistemas estatais de educação oferecem cursos opcionais de esperanto, e há evidências de que auxilia na aprendizagem dos demais idiomas.  Apesar da facilidade gramatical, o Esperanto enfrenta dificuldade de ser adotado como língua auxiliar universal. É formado pela junção do radical esper (com origem no latim sperare, “esperar”), da desinência ant (própria do particípio presente) e da desinência o (dos substantivos). Significa, portanto, “aquele que espera”, “aquele que tem esperança”. Ludwik Lejzer Zamenhof vivia em Białystok (Polônia), na época Império Russo. Em Białystok, moravam muitos povos e falavam-se muitas línguas, o que dificultava a compreensão e comunicação, mesmo nas mais cotidianas situações, o que o motivou a criar uma língua auxiliar neutra, a fim de solucionar o problema. Durante a adolescência, criou a primeira versão de Esperanto, chamada lingwe universala, uma espécie de “esperanto arcaico”. 

O seu pai, conseguiu fazê-lo prometer trabalhar no seu idioma para se dedicar aos estudos. Zamenhof então foi para Moscou estudar Medicina. Em uma de suas visitas à terra natal, descobriu que seu pai queimara todos os manuscritos do seu idioma. Zamenhof pôs-se então a reescrever tudo, adicionando melhorias e fazendo a língua evoluir. O primeiro livro sobre o esperanto foi lançado em 26 de julho de 1887, em russo, contendo as 16 regras gramaticais, a pronúncia, alguns exercícios e um pequeno vocabulário. Logo depois, mais edições do Unua Libro foram lançadas em alemão, polaco e francês. O número de falantes cresceu rapidamente nas primeiras décadas, primordialmente no Império Russo e na Europa Oriental, depois na Europa Ocidental, nas Américas, na China e no Japão. Muitos desses primeiros falantes vinham de outro idioma planificado: volapük. As primeiras revistas e obras originais em esperanto começaram a ser publicadas. Em 1905, aconteceu o pioneiro Congresso Universal de Esperanto, em Bolonha-sobre-o-Mar, na França, juntando quase mil pessoas, de diversas nacionalidade e povos. Em 1906, foi fundado, no Brasil, o primeiro grupo esperantista: o Suda Stelaro, em Campinas. Colabora em desfazer as crenças  presentes em nossa sociedade, de que “os surdos possuem prejuízos intelectuais, ou são pessoas infantis”. 

Obviamente os surdos ainda sofrem discriminação e consequente isolamento social, este último amenizado, no filme, pelo fato social de serem três surdos na composição familiar e também por Paula ser a interprete em suas interações com os não surdos. Vale esclarecer que a expressão surda-muda é equivocada porque advém de uma crença comum que os surdos são também mudos e da negação dialética da alteridade pelo fato de não ouvirem. A audição é importante no aprendizado da fala, mas os mudos não o fazem porque possuem prejuízo crônico no aparelho fonador, o que não acontece com os surdos, que podem aprender a falar, embora seja difícil e necessite bastante investimento. Além disso, os surdos não detém a linguagem oral, mas possuem a possibilidade da língua dos sinais que não deixa de ser uma forma de linguagem. Família nuclear é termo usado para definir um grupo familiar composto por um par de adultos que devido a relações sexuais ocorridas e correntes entre o par que se uniu por relações, as mais diversas possíveis, tais como: físico, psíquico, emocional, espiritual, social, político, dentre outras, se houver, é que permitiu o surgimento dos parentes de primeiro grau e seus filhos. As estruturas familiares de um casal e seus filhos estiveram presentes na Europa Ocidental e na Nova Inglaterra, no século XVII, influenciada pela igreja e por governos teocráticos.
 
O surgimento e desenvolvimento da industrialização e o capitalismo, a família nuclear tornou-se uma unidade social financeiramente viável. O termo família nuclear apareceu pela primeira vez no início do curto século XX. Definições de sentido histórico sociológico, tornarma-se alternativas que evoluíram para incluir unidades familiares chefiadas por pais do mesmo sexo, com o distanciamento da influência da igreja e familiares adultos talvez adicionais que assumem um papel de coabitação parental; neste último caso, também recebe o nome de família conjugal. A rigor, uma família nuclear ou conjugal consiste meramente de pais e filhos, ainda que muitas vezes inclui, em função de certas condições sociais um ou dois outros parentes, bem como, um pai ou mãe viúva ou irmão solteiro de um ou outro cônjuge. 
A tese deste libelo francês é original: uma garota tímida descobre talento para o canto, o que gera problemas sociais e familiares caso queira seguir esta carreira. Escolher o caminho da música representaria cortar o cordão umbilical, algo doloroso para todos os envolvidos. A maior diferença etnográfica, neste caso, está na família de Paula: seu pai, sua mãe e o irmão são surdos-mudos. Por ser a única capaz de escutar, Paula trabalha como intérprete nas negociações comerciais da fazenda familiar, e se encarrega de traduzir a linguagem de sinais para os amigos e vizinhos. O talento vocal da filha ganha outro significado a partir do momento em que antiteticamente não pode ser apreciado pelos pais. A música também funciona como válvula de escape à vida de dependência nas relações familiares - não é à toa que a canção principal deste drama musical, Je Vole, sugere um rito de passagem, da fuga da adolescência para a passagem à fase adulta. Por este fator social, “A Família Bélier” (2014) representa um aparecer social mais dinâmico do que os filmes que retratam a música como passagem da categoria simples ao concreto que revela um talento providencial. O talento tende a associar-se à habilidade inata e à criação, embora se possa desenvolver com a prática e treino. A habilidade inata é a aptidão, competência, destreza ou faculdade adquirida e desenvolvida pela consciência em retrovidas, ou melhor, em períodos de intermissão, manifestando-se espontânea e naturalmente na ressoma intrafísica atual. 
O filme é beneficiado pelo ponto de vista naturalista do diretor Eric Lartigau: a deficiência auditiva da família é vista sem piedade ou vitimização.  O cineasta deve ter aprendido com o sucesso de “Intocáveis” - onde a imobilidade física pode ser abordada com humor - contanto que se mantenha o respeito e evite o paternalismo. O ambiente bucólico também é tratado com puro realismo, sem insinuações de monotonia ou atraso. Mesmo o ambiente escolar e as conversas entre os adolescentes, repletas de gírias e falas rápidas, funcionam como bom retrato das gerações. As unidades de geração desenvolvem perspectivas, reações e posições políticas e afetivas diferentes em relação a um mesmo dado problema. O nascimento em um contexto social idêntico, mas em um período específico, faz surgirem diversidades nas ações dos sujeitos. Outra característica é a adoção ou criação de estilos de vida distintos pelos indivíduos, em um mesmo âmbito social. Em outras palavras: a unidade geracional constitui uma adesão concreta em relação àquela estabelecida pela conexão geracional. 
Mas a forma como grupos de uma mesma conexão geracional lidam com os fatos históricos vividos, por sua geração, fará surgir distintas unidades geracionais no âmbito da mesma conexão geracional no conjunto macrossociológico da sociedade. As atuações exemplares chamam atenção. Para o papel dos pais, foram escolhidos dois ícones do cinema francês e belga, respectivamente: Karin Viard e François Damiens. Ambos transitam com facilidade entre a comédia e o drama, individual (o sonho) e coletivo (os mitos, os ritos, os símbolos) essencialmente nesta história, e se equilibram de modo eficaz, já que o estilo contido de Damiens completa a gesticulação exagerada de Viard. Hilários em cena, eles também demonstram respeito no retrato de surdos-mudos. O elo talvez mais fraco do elenco é a protagonista Louane Emera, candidata do programa The Voice na França, e que faz os seus primeiros passos no cinema. Seu início como atriz é promissor, e ainda pode se desenvolver muito, mas a falta de experiência dramática fica visível em cenas importantes como o clímax na Radio France, uma sociedade de serviço público, criada pelo Estado em 1° de janeiro de 1975 que gere as estações da rádio pública metropolitana assim como várias formações musicais. 
Na excêntrica família Bélier, todos os membros são surdos-mudos com exceção da jovem Paula, filha mais velha do casal Rodolphe e Gigi. Por conta ela acaba sendo a intérprete da família em quase todas as situações, sendo de extrema importância para a relação da família com o mundo exterior. Vivendo em uma fazenda, a principal rotina de todos é cuidar dos animais e das plantações da propriedade, mas Paula ainda precisa reservar um tempo para os estudos. Apesar de ser tímida e viver uma vida quase reclusa, ela não deixa de ser como todas as outras adolescentes de sua idade: tem uma melhor amiga inseparável, um namoro mal resolvido e o mais importante de tudo, sonhos. Incentivada pelo seu professor Thomasson, Paula descobre um dom seu até então desconhecido: o de cantar, e a começar a sonhar na carreira musical. E todas de extrema qualidade, graças à classe de voz de Leouane Emera, reconhecida por ter participado da edição francesa do programa de televisão The Voice. Sua singularidade é a valorização apenas da voz de um competidor, não julgando a sua aparência ou desempenho de palco, como diferença similares um artista pronto e não moldá-lo. Apesar de ser muito parecido com a questão referente aoo dom em definição, o talento se distingue por conter justamente uma habilidade técnica que pode ser desenvolvida ou aperfeiçoada.    

Trata-se de um gosto especial, uma aptidão, uma predisposição espontânea a algo, que atinge sua plenitude por meio de muito treino, disciplina e perseverança. Nesse sentido, ser muito bom em determinada atividade somente depende de você. Mas além da paixão pelo que faz, é necessário que seja comprometido, disciplinado com suas atividades e, principalmente, que esteja em constante treinamento. Apesar do significado da palavra dom estar diretamente relacionado a alguma característica social com a qual nascemos ele somente poderá tornar-se visível mediante a prática. Nesse caso, seus sentimentos (inconsciente), pensamentos (razão) e comportamentos devem bem conduzidos para serem utilizados, talvez, de forma produtiva. Freud salientou a importante relação entre o comportamento de um ser humano adulto e certos episódios de sua infância, mas resolveu preencher o considerável hiato entre causa e efeito com atividades ou estados do aparelho mental. Em relação aos costumes e comportamentos sociais, ele contribuiu para antropologia tendo como referência o método clínico que praticou e desenvolveu.    
A psicanálise interpreta as manifestações da psique, as tendências sexuais (ou libido), e as fórmulas morais e limitações condicionantes do indivíduo. São dois os fundamentos da teoria psicanalítica: 1) Os processos psíquicos são em sua imensa maioria inconscientes, a consciência não é mais do que uma fração de nossa vida psíquica total; 2) Os processos psíquicos inconscientes são dominados por nossas tendências sexuais reprodutivas. Nesse sentido, o psicanalista Freud pretendeu descrever e explicar a vida humana tanto do ponto de vista pessoal e individual, mas também pública e social, de forma mítica recorrendo a essas tendências sexuais a que chamou de libido. Com esse termo, o pai da psicanálise designou a “energia sexual” de maneira mais geral e indeterminada. Assim, por exemplo, em suas primeiras manifestações sociológicas, a libido liga-se as funções vitais, se entendermos que no bebê que mama, o ato de sugar o seio materno provoca outro prazer além daquele natural de obter alimento e esse prazer passa a ser buscado por si mesmo.
Na abordagem psicanalítica fundada por Sigmund Freud, o indivíduo se constitui como um ente à parte do social e que compõe o nível de análise social. Freud refere-se aos aspectos que compõem um estado instintivo humano e que acaba por se tornar inibido em prol da convivência em comunidade. A inibição destes aspectos, que são instintivos, consiste numa privação de características que são inatas aos homens, e, esta própria privação, acaba por consistir em determinados descontentamentos. Neste sentido, os homens em civilização ou civilizados demonstram-se descontentes na busca de sua felicidade, pois seus instintos não são prontamente atendidos em sociedade. No seu ensaio: “O mal-estar da civilização”, Freud elabora uma discussão filosófico-social a partir de sua teoria psicanalítica. O autor desenvolve a ideia pragmática segundo a qual, em sociedade, “não há avanço sem perdas”. A ideia central que desenvolve nesta obra é a de que a civilização é inimiga da satisfação dos instintos humanos. A sociedade modifica a natureza humana individual, constitui o homem como membro da comunidade, adaptando-o a um processo vital que torna o indivíduo um ente social.

Segundo Freud, o conteúdo do inconsciente é, muitas vezes, reprimido pelo Ego. Para “driblar” a repressão, as ideias inconscientes “apelam” aos mecanismos definidos por Freud n`A Interpretação dos Sonhos, como deslocamento e condensação. Estes dois seriam relacionados, na linguística por Romain Jacobson à metonímia e metáfora, respectivamente. Portanto, as representações de ideias inconscientes manifestam-se nos sonhos como símbolos, tanto metafóricos quanto metonímicos. Aplicando o conceito à fala, o inconsciente consegue expelir ideias recalcadas através dos chistes ou atos falhos. Antes, são mecanismos da fala que articulam ideias aparentes com ideias reprimidas, são meios sociais pelos quais é possível exprimir os “instintos primitivos”. Semelhante à análise dos sonhos, a análise da fala seria um caminho psicanalítico para investigar os desejos ocultos do homem e as causas das psicopatologias. – “É na palavra e pela palavra que o inconsciente encontra sua articulação essencial”. Deste modo, Freud cria uma inter-relação entre os campos da linguística e da psicanálise, que será retomada por estudiosos posteriores, como ocorre precisamente nos Séminaire de seu maior intérprete, Jacques-Marie Émile Lacan (1901-1981), mas que não trataremos agora. 
Sua primeira intervenção na psicanálise é para situar o Eu como instância de desconhecimento, de ilusão, de alienação, sede do narcisismo. É o momento do “Estádio do Espelho”. O Eu é situado no registro do Imaginário, juntamente com fenômenos como amor e ódio. É o lugar das identificações e das relações duais. Distingue-se do Sujeito do Inconsciente, instância simbólica. Lacan reafirma, então, a divisão do sujeito, pois o Inconsciente seria autônomo com relação ao Eu. E é no registro do Inconsciente que deveríamos situar a ação da psicanálise. Esse registro é o do simbólico, é o campo da linguagem, do significante. Claude Lévi-Strauss afirmava que “os símbolos são mais reais que aquilo que simbolizam, o significante precede e determina o significado”, no que é seguido por Lacan. Marca-se aqui a autonomia da função simbólica. Este é o “Grande Outro” que antecede o sujeito, que só se constitui através deste – “o inconsciente é o discurso do Outro”, “o desejo é o desejo do Outro”. O campo de ação da psicanálise situa-se então na fala, onde o inconsciente se manifesta, através de atos falhos, esquecimentos, chistes e de relatos de sonhos, enfim, naqueles fenômenos que Lacan nomeia como “formações do inconsciente”. A isto se refere decisivamente o lacanianismo “o inconsciente é estruturado como uma linguagem”.
 Ipso facto, não há estatuto lacaniano de psicanálise. E até fica evidente que o próprio Lacan está às voltas com um problema. E que ele evolui, tenta soluções, o que leva seus alunos a periodizar seu ensino, e a admitir, conduzidos por uma leitura atenta, que ele talvez tenha dito, senão tudo e o contrário de tudo, pelo menos, que tenha tomado às avessas suas teses aparentemente mais garantidas. Desse estudo rigoroso do ensino de Lacan, nasce a pergunta: “que é ser lacaniano?” e essa pergunta de identificação, e de papéis, passa a ser: “qual é o problema lacaniano na psicanálise?”. Ser lacaniano torna-se uma questão de exercício pleno, uma questão nova quando a resposta “ser lacaniano é ser freudiano” já não satisfaz. No entanto, essa resposta é um convite de Lacan. Mas isso só podia ser dito, em relação a essa variedade de freudismo, o anafreudismo, que se impôs nos últimos anos da existência de Freud, dominando a psicanálise durante vários decênios, sendo considerada uma interpretação sociológica do freudismo, canônica, dogmática, de certos elementos da doutrina de Freud. Considerando este anafreudismo, era então possível responder “ser lacaniano nada mais é do que ser freudiano”. 

Nas trocas de presentes se misturam os sentimentos e as pessoas. Misturam-se as almas nas coisas, misturam-se as coisas nas almas. As regras de generosidade descritas por Mauss são bem definidas pelo valor e a interdição freudiana que se liga ao fato de que o tabu ainda subsiste entre nós, como Freud considerou no prefácio da primeira edição de “Totem e Tabu”, em 1913. As considerações sobre o kula, enquanto grande potlatch leva os estudos etnológicos de Malinowski ao tema da dádiva na medida em que significa um comércio cujas particularidades são típicas dos povos das ilhas Trobriand. A interdição como dever recíproco estabelecido entre devedores e credores, orienta o movimento cíclico e regular das transações. O penhor dado condiciona-se ao zelo e a transferência, essa transmissão para um terceiro em outro kula configura a circulação dos signos de riqueza e traduzem o orgulho do possuidor que, por sua vez, não pode guarda-los por muito tempo. - “O kula, sua forma essencial, não é senão um momento, o mais solene, de um vasto sistema de prestações e de contraprestações que, em verdade, parece englobar a totalidade da vida econômica e civil das Trobriand”. Os exemplos analisados por Mauss no Ensaio sobre a Dádiva (2003) não representam casos isolados dessa instituição nas tribos da África, Melanésia, Polinésia, América do Sul e do Norte.
Em nossas práticas cotidianas e costumes não é raro o aparecimento de rivalidades e distintas formas de conflitos que caracterizam a troca de presentes. As manifestações são múltiplas, no entanto, carregam o mesmo cerne encontrado naquelas sociedades. Mauss destaca no caso polinésio o aspecto religioso e moral por trás do dever de retribuir o presente recebido, nele o que pode ser compensado ou trocado equivalem aos tesouros, talismãs, objetos sagrados, inclusive tradições e rituais mágicos. Os elementos essenciais do potlatch giram em torno dos seguintes critérios: “(...) honra, do prestígio, do mana que a riqueza confere, e o da obrigação absoluta de retribuir as dádivas sob pena de perder esse mana, essa autoridade, esse talismã e essa fonte de riqueza que é a própria autoridade”. Os aspectos históricos do que hoje entendemos como direito das obrigações são também abordados nesse livro, inclusive quanto ao aspecto diacrônico da origem da distinção, nas sociedades semíticas, grega e romana, entre a obrigação e a prestação não gratuita, de um lado, e a dádiva, do outro. Aquisições recentes da civilização, de acordo com ele, com possível origem em fase anterior, sem a mentalidade fria e calculista de dádivas trocadas, em que se fundem pessoas e coisas tal como pode ser deduzido em vestígios do direito romano, ou nas leis da Germânia, ou Código de Manu da cultural da Índia antiga.
O peso marcante da propriedade em nossos dias aproxima-se daquilo que para o direito maori anima espiritualmente a coisa colocada em circulação, que tende naturalmente ao retorno para o seu local de origem. A questão da recusa da obrigação de dar e receber, por sua vez, equivale a declaração de guerra, pois o vínculo estabelecido é eminentemente espiritual na concepção nativa. Outro aspecto interessante relatado etnograficamente por Mauss diz respeito a noção de economia e moral por trás do presente trocado com os deuses. Não é totalmente desconhecido, tendo em vista que as práticas religiosas ligadas ao cristianismo, de modo ilustrativo, são guiadas pela troca de favores e presentes em agradecimento às benesses vindas do céu, seja por intermédio da Trindade divina, dos santos ou demais entidades celestes. Sobre o “sacrifício-contrato” Marcel Mauss explica da seguinte forma: A destruição sacrificial tem por objetivo ser, precisamente, uma doação a ser necessariamente retribuída. Não é só para manifestar poder, riqueza e desprendimento que escravos são mortos, que óleos são queimados, que o cobre é lançado ao mar e até mesmo casas suntuosas são incendiadas.
         Assim, é também para sacrificar aos espíritos e aos deuses, em verdade confundidos com suas encarnações vivas, os portadores de seus títulos, seus aliados iniciados. Em poucas palavras, sobre as sociedades melanésias Mauss entendeu o complexo sistema de economia estabelecido entre aqueles povos. Por meio das dádivas feitas e retribuídas eles substituem o sistema de compra e venda e operam de modo semelhante aos nossos. No caso do noroeste americano, a diferença existente diz respeito a violência e ao exagero que chega a suscitar o que Mauss chamou de prestações totais simples, ou seja, uma certa desproporção em relação aos conceitos jurídicos observados na Melanésia. A certeza da retribuição das dádivas que circulam nesta e na Polinésia é garantia própria da coisa posta em circulação. A particularidade desta dádiva é o termo, o tempo para que a contraprestação seja executada. Nas palavras do autor: “a dádiva implica necessariamente a noção de crédito”. Não menos importante, como já foi mencionado aqui, é a noção de honra. Enfim, a ascensão de Paula na música não é súbita, mas fruto de trabalho, e seu tutor neste caminho, interpretado pelo  ótimo Eric Elmosnino, que também não é um homem generoso, apenas um professor arrogante que por acaso descobre o dom da aluna.
Bibliografia geral consultada.
THOMA, Adriana; LOPES, Maura Corcini (Orgs.), A Invenção da Surdez II: Espaços e Tempo de Aprendizagem na Educação de Surdos. Santa Cruz do Sul: Editora da Universidade de Santa Cruz do Sul, 2006; KELLER, Helen, A História de Minha Vida. Rio de Janeiro: Editora José Olympio, 2008; WITKOSKI, Silvia Andreis, Educação de Surdos e Preconceito: Bilinguismo na Vitrine e Bimodalismo Precário no Estoque. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Educação. Setor de Educação. Curitiba: Universidade Federal do Paraná, 2011; HÜBNER, Marcus, A Educação Ambiental no Contexto da Interculturalidade e da Cultura Surda. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Educação Ambiental. Instituto de Educação. Rio Grande: Universidade Federal do Rio Grande, 2012; BRAUN, Patrícia, Práticas Pedagógicas e o Aluno com Deficiência Intelectual: Uma Intervenção Colaborativa sobre os Processos de Ensino e Aprendizagem na Perspectiva Histórico-Cultural. Tese Doutorado em Educação. Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2012; SAAVEDRA, Claudia Carla Echenique,  Shakespeare Além do Espaço Tempo: Uma Conversa sobre Direitos Humanos nas Tragédias Titus Andronicus, Ricardo III e Macbeth. Tese de Doutorado. Instituto de Artes. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2014; REIS, Flaviane, A Docência na Educação Superior: Narrativas das Diferenças Políticas de Sujeitos Surdos. Tese de Doutorado. Programa de Pòs-Graduação em Educação. Faculdade de Educação. Uberlândia: Universidade Federal de Ubelândia, 2015; GARCIA, Renata Rodrigues de Oliveira, Qualidade de Vida da Pessoa Surda no Ambiente Familiar. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde. Faculdade de Medicina. Goiânia: Universidade Federal de Goiás, 2016; RUZZA, Mara Lopes Figueira de, A Inclusão Educacional do Sujeito Surdo: Direito Garantido ou Reprimido? Dissertação de Mestrado. Programa de Educação: Currículo. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2016; BASTO, Renata Muniz Prado, Identificação e Promoção do Talento Feminino: Conhecendo Trajetórias e Despertando Potenciais. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Processos de Desenvolvimento Humano e Saúde. Brasília: Universidade de Brasília, 2018; SOUZA, Gelida Fonseca de, Relações Familiares entre Surdos e Ouvintes: Análise de Narrativas Biográficas. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Educação. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2018; entre outros.

sábado, 5 de agosto de 2017

Um Brinde à Vida - Cinema & Amizade em Berck-Sur-Mer.

                                                                                     Ubiracy de Souza Braga

“Como fica forte uma pessoa quando está segura de ser amada!”. Sigmund Freud

       

A palavra comuna, na Idade Média, é a designação para a cidade que se tornava emancipada pela obtenção de carta de autonomia fornecida pelo rei. Atualmente, na França, o termo se refere à menor subdivisão administrativa do território. Em Portugal o termo remete às comunas universitárias, residências que formam habitação e clube de estudantes universitários, ou à administração de conselho. É desconhecida da Idade Média em Portugal: os termos que indicam comunidade urbana com personalidade jurídica são ou eram chamados de urbes, burgos, conselhos ou municípios. Berck é uma comuna francesa na região administrativa de Nord-Pas-de-Calais, no departamento de Pas-de-Calais. A comuna francesa representa a unidade básica de organização territorial da França, que perfaz um número considerável em comparação com outros países europeus: 36 681, contra aproximadamente 13 000 na Alemanha, 8 000 na Espanha e na Itália e 4 500 em Portugal. As outras subdivisões territoriais, condicionando os espaço,  um lugar praticado são: o cantão, o arrondissement, o departamento e a região.
As raízes do movimento comunal encontram-se nas aspirações dos burgueses das cidades que queriam liberdade, segurança, isenção de impostos feudais e justiça própria; estas exigências resultavam do desenvolvimento comercial, que era afetado pela rigidez das estruturas feudais. Embora apresentem características semelhantes aos municípios portugueses, nem as cartas comunais francesas são comparáveis a forais, que na maioria dos casos não passam de listas de encargos a satisfazer à coroa pelos conselhos. Nos próprios burgos onde a burguesia mercantil predominava como o Porto, e o grau de sujeição ao rei diminuía dificilmente se poderá falar de “autonomia política” no sentido comunal. As comunas eram grandes unidades de produção rural, abrangendo a agricultura e pequenas indústrias. Cada comuna estruturava-se de forma coletiva e centralizada. Os lotes agrícolas familiares, distribuídos na reforma agrária de 1950, foram eliminados. A terra, colocada sob o controle social das comunas. As comunas organizavam a vida social e a educação das crianças. A implantação desse sistema teve impacto sobre a vida familiar, diminuindo a força tradicional da autoridade paterna.


Inspirado na vida da mãe de seu diretor e roteirista, Jean-Jacques Zilbermann, “Um brinde à vida” (2016) é uma saudação, com uma extraordinária sensação de revelar as complexidades e minudências da vida. - Jean-Jacques Zilbermann s`est inspiré de l`histoire de sa mère, Irène, qui rejoignait ses amies de déportation à la mer, enfin “à Auschwitz-les-Bains”. O longa-metragem parte da experiência concreta dela e outras duas amigas sobreviventes do campo de concentração Auschwitz e acompanha seu reencontro mais de uma década depois da terrível experiência full-time no campo de concentração. Em 1960, três mulheres deportadas de Auschwitz, que não se viam desde o pós-guerra, se reencontram numa praia do norte da França. Durante esses poucos dias, tudo ocorre como uma primeira vez para Helen, Rose, e Lili: as primeiras refeições de verdade juntas, o saborear do sorvete, o primeiro mergulho no mar, uma traição. Uma semana de risos, canções, mas também de conflitos e historias de amor e amizade.

Os primeiros campos nazistas foram erguidos na Alemanha em março de 1933, imediatamente depois que Adolf Hitler se tornou Chanceler e seu Partido nazista recebeu o controle da polícia pelo Ministro do Interior do Reich, Wilhelm Frick, e pelo Ministro do Interior prussiano, Hermann Göring. Usado para aprisionar e torturar adversários políticos e sindicalistas, os campos inicialmente reuniram cerca de 45 mil prisioneiros. As SS de Heinrich Himmler assumiram o controle total da polícia e dos campos de concentração em toda a Alemanha em 1934-35. Himmler expandiu o papel dos campos para manter os chamados “elementos racialmente indesejáveis”, como judeus, deficientes, homossexuais, criminosos e ciganos. O número de pessoas nos campos, que caiu para 7 500, cresceu novamente para 21 000 no início da 2ª guerra mundial e atingiu o pico em 715 000 em janeiro de 1945.

Os campos de concentração foram administrados desde 1934 pela Inspetoria dos Campos de Concentração em 1942 fundida na SS-Wirtschafts-Verwaltungshauptamt e eram guardadas pela SS-Totenkopfverbände. Os estudiosos do Holocausto estabelecem uma distinção entre os campos de concentração e os campos de extermínio, que foram estabelecidos pela Alemanha nazista para o assassinato em massa em escala industrial de judeus nos guetos por meio de câmaras de gás. O campo de concentração de Dachau foi criado com a finalidade de deter opositores políticos. O uso da palavra “concentração” emerge da ideia de confinar as pessoas em um só lugar porque pertencem a um grupo que é considerado indesejável de alguma forma. O próprio termo se originou em 1897, quando os “campos de reconcentração” foram criados em Cuba pelo general Valeriano Weyler.

No passado, o governo dos Estados Unidos da América usou campos de concentração contra nativos americanos e os britânicos também os usaram durante a Segunda Guerra dos Bôeres. Entre 1904 e 1908, o Schutztruppe do Exército Imperial Alemão operou campos de concentração no Sudoeste Africano Alemão como parte do genocídio dos hererós e namaquas. Quando os nazistas chegaram ao poder na Alemanha, eles rapidamente se mudaram para suprimir toda a oposição real e potencial. O público em geral foi intimidado pelo terror psicológico arbitrário que era usado pelos Tribunais Especiais (Sondergerichte). Especialmente durante os primeiros anos de existência, quando esses tribunais "tiveram um forte efeito dissuasivo" contra qualquer forma de protesto político.  

O primeiro campo na Alemanha, Dachau, foi fundado em março de 1933. O anúncio da imprensa disse que “o primeiro campo de concentração deve ser aberto em Dachau com acomodação para 5 000 pessoas. Todos os comunistas e - quando necessário - Reichsbanner e social-democratas que põem em perigo a segurança do Estado devem se concentrar ali, visto que a longo prazo não é possível manter os presos nas prisões do governo sem sobrecarregá-las”. Dachau foi o primeiro campo de concentração regular estabelecido pelo governo de coalizão alemão do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (Partido Nazista) e do Partido Popular Nacionalista (dissolvido em 6 de julho de 1933). Heinrich Himmler, então Chefe de Polícia de Munique, descreveu oficialmente o lugar como “o primeiro campo de concentração para prisioneiros políticos”.

Do ponto de vista topológico em meio às sequências que nos ajudam a entender melhor essa personagem alçada ao protagonismo, sobretudo suas dificuldades oriundas das cicatrizes de guerra, o diretor Jean-Jacques Zilbermann prepara o terreno para a reunião das mulheres, ponto de virada que traz consigo uma mudança no compasso do longa-metragem. O reencontro de Hèlene, Lily (Johanna ter Steege) e Rose (Suzanne Clément), mediado pela quase onipresença do sol, não mais da sombra claustrofóbica dos campos de concentração, acontece numa cidade do litoral francês que contrasta evidentemente com os cenários lúgubres do cárcere. No que tange ao comportamento das amigas, há uma estratégia bem definida de acordo com a personalidade delas. Hélene é tímida, sente-se impelida a cuidar dos que igualmente sofreram. Lilly lida de forma vaga com o passado, ora falando, ora calando. Rose, por sua vez, ostenta a fina camada de felicidade que esconde uma tristeza profunda. Contudo, Hèlene precisa falar de Auschwitz, recordar as circunstâncias que Rose quer deixar completamente para trás, se possível trancadas a sete chaves no recôndito da memória. Lily prefere questionar os preceitos do judaísmo, fazendo às vezes de mediadora, quando não de figura materna.
As primeiras cenas de Um Brinde à Vida ocorrem em Auschwitz, naqueles dias em que os alemães esvaziam o famigerado campo de concentração. Entre execuções e o terrorismo das experiências que ainda ditavam as regras no ocaso do lugar de ódio e crueldade, duas amigas tentam fazer com que uma terceira se junte a elas na chamada “Marcha da Morte”, episódio histórico que marcou a transferência dos judeus para outros campos nazistas, onde aparentemente tinham chances de sobreviver. Esse prólogo marcado pela opressão totalitária e por uma imagem cuja concepção revela a atrocidade revivida pela memória não é exatamente um filme marcadamente sisudo. Mas é no âmbito da memória fustigada que acompanhar a démarche de Hèlene (Julie Depardieu), que tenta a todo custo retomar contato com as amizades construídas durante a barbárie nos faz entender o processo e as mazelas de reconstituição da memória. Ela se casa com um homem marcado pela violência física da intolerância dos partidários de Hitler e anuncia recorrentemente num jornal a busca por suas companheiras de degredo.
Metodologicamente a memória representa o armazenamento de informações e fatos obtidos através de experiências ouvidas ou vividas. A memória focaliza coisas específicas, requer grande quantidade de energia mental e deteriora-se com a passagem do tempo. É um processo que conecta pedaços de memória e reconhecimentos a fim de gerar novas ideias, ajudando através dos detalhes a tomar decisões diárias. A corrupção da consciência, fenomenologicamente falando, no sentido que emprega Merleau-Ponty funciona como a “essência da consciência para o mal”, ou, “essência da percepção para o mal”, posto que: a consciência só começa a ser determinando um objeto, e mesmo os fantasmas de uma “experiência interna” só é possível por empréstimo à experiência externa. Memória, segundo diversos estudiosos, desde Hegel e Marx à maturação da hermenêutica filosófica, desde à compreensão da sociologia e à aproximação com a psicanálise freudiana é factualmente a base do conhecimento humano. E como tal, deve ser trabalhada e estimulada. É através dela que damos significado ao cotidiano da vida privada e acumulamos nossas experiências para utilizarmos com eficácia durante a vida.
A realização de Jean-Jacques Zilbermann consegue aproveitar plenamente o potencial da temática, principalmente nessa interessante proposta de apresentar faces distintas de um mesmo anseio, o de mitigar as dores da guerra, ora através da religião e seus símbolos, ora através da transgressão sexual, como ocorre nas cenas de sexo dentro do banheiro químico na comuna francesa de Nord-Pas-de-Calais. Freud tinha uma concepção psicológica do ser humano. Sua teoria é de grande influência na psicologia atual e, além do contínuo debate sobre sua aplicação no tratamento médico, também é, frequentemente, discutida e analisada como obra de literatura e cultura geral. Depois que o pai de Freud falece, em 1896, segundo as cartas recebidas por Fliess, Freud, dedica-se a analisar seus próprios sonhos, remetendo-os à sua infância e, assim, determinando as raízes de suas próprias neuroses.

Sigismund Schlomo Freud reconhecido profissionalmente como Sigmund Freud, foi um médico neurologista criador da psicanálise. Freud, como se tornara reconhecido, nasceu em uma família judaica, em Freiberg in Mähren, na época pertencente ao Império Austríaco, atualmente, a localidade é denominada Příbor, e pertence à República Tcheca. Freud iniciou seus estudos pela utilização da técnica da hipnose no tratamento de pacientes com histeria, como forma de acesso aos seus conteúdos mentais. Ao observar a melhora dos pacientes tratados pelo médico francês Charcot, elaborou a hipótese de que a causa da histeria era psicológica, e não orgânica, distanciando-se das correntes positivistas que associavam a determinação biológica da espécie. Essa hipótese serviu de base para outros conceitos desenvolvidos posteriormente por Freud, como o do inconsciente. Fatos como a descrição de pacientes curados através do diálogo por Josef Breuer e a morte do colega Ernst von Fleischl-Marxow por dose excessiva do antidepressivo da época, a cocaína, levaram-no ao abandono das técnicas de hipnose e de drogas para criar um novo método: a cura pela fala, ou seja, a psicanálise, que utilizava a interpretação de sonhos e a livre associação como acesso ao inconsciente.

Suas teorias sociais e seus tratamentos terapêuticos foram controversos na aparentemente conservadora Viena do fim do século XIX, e continuam a ser debatidos presentemente. Sua concepção de teoria é de grande influência na psicologia e, além do contínuo debate sobre sua aplicação terapêutica no tratamento médico, também é, frequentemente, discutida e analisada como obra de literatura e cultura geral nas humanidades. A psicossociologia tem como representação abstrata do indivíduo o estudo de problemas comuns à psicologia e à sociologia, particularmente a maneira como o comportamento individual é influenciado pelos grupos aos quais a pessoa pertence. Por exemplo, no estudo dos criminosos a psicologia estuda a personalidade latente do criminoso moldada pela educação do criminoso. A sociologia estuda o comportamento teórico e prático do próprio grupo num processo de interação em geral: os métodos que o grupo criminoso usa para recrutar membros e a maneira como o grupo muda ao longo do tempo. Psicossociologia estuda o comportamento do criminoso, que é criado pelo grupo ao qual pertence, como os jovens que moram no mesmo quarteirão do bairro.

Existem muitos fatores sociais que podem afetar a psicologia dos outros. Um exemplo disso são as chamadas panelinhas sociais. Se alguém é aceito em seu grupo desejado ou não, isso muda a maneira como eles pensam sobre si mesmos e as pessoas ao seu redor. Amizades em idades jovens enquanto crescem também têm muito a ver não apenas com o desenvolvimento psicológico, mas também com habilidades sociais e comportamento social. O mesmo vale para as leis comuns na sociedade. Se o grupo de um indivíduo decide obedecer por eles ou não, isso afeta a visão desse indivíduo sobre a lei e seu grupo como um todo. A maneira como as pessoas podem agir ou falar dita a maneira como os outros as veem em uma sociedade. Por exemplo, os indivíduos podem ver a autoridade de muitas maneiras diferentes, dependendo de suas experiências e do que os outros lhes disseram. Por isso, com base no conhecimento social de autoridade das pessoas, suas opiniões e ideias são muito diferentes.  Cada indivíduo tem seu próprio processo de pensamento psicológico único e pessoal no qual eles usam para analisar o mundo ao seu redor. As pessoas internalizam e processam fatores sociológicos de maneira relativa ao seu processo de pensamento psicológico. Essa relação é recíproca, pois a sociedade pode alterar e transformar as maneiras que as pessoas pensam e, ao mesmo tempo, a sociedade pode ser influenciada pelo pensamento psicológico exteriorizado dos indivíduos dentro da própria sociedade. Devido a isso, pode-se ver como a psicologia é fundamental para ajudar o sociólogo a interpretar os efeitos dos fatos sociais no comportamento de um indivíduo numa sociedade determinada.

Tais anotações tornam-se a fonte etnográfica para a obra “A Interpretação dos Sonhos”. Durante o curso desta autoanálise, Freud chega à conclusão de que seus próprios problemas eram devidos a uma atração por sua mãe e a uma hostilidade em relação a seu pai. É o que constitui o famoso “complexo de Édipo”, que se torna o “coração”, por assim dizer, da teoria de Freud sobre a origem da neurose em todos os seus pacientes investigados. Nos primeiros anos do século XX, são publicadas suas obras em que contém suas teses principais no ensaio: “A Interpretação dos Sonhos” e “A psicopatologia da vida cotidiana”. Freud criou o termo “psicanálise” para designar a complexa relação entre um método, uma teoria e uma técnica para investigar cientificamente os processos inconscientes e de outro modo inacessíveis do psiquismo.
Portanto, se não há vida privada da consciência é porque a consciência só tem como obstáculo o caos, que não é nada. Mas em uma consciência que constitui tudo, ou, antes, que possui eternamente a estrutura inteligível de todos os seus objetos, assim como na consciência empirista que não constitui nada, a atenção permanece um poder abstrato, ineficaz, porque ali ela não tem nada para fazer (cf. Eatwell, 1996; Fritzsche, 1998). A consciência não está menos intimamente ligada aos objetos em relação aos quais ela se distrai do que aqueles aos quais ela se volta. A memória do campo de concentração Auschwitz é sempre referida pela memória pela presença de quatro crematórios. Auschwitz I, o principal campo do complexo de Auschwitz, foi a primeira das unidades a serem estabelecidas, nas proximidades da cidade polonesa de Oswiecim. Sua construção teve início em maio de 1940, em um quartel de artilharia usado anteriormente pelo exército polonês na região de Zasole, subúrbio de Oswiecim. O campo foi se expandindo continuamente por meio da utilização do processo de trabalho escravo contemporâneo. A câmara improvisada estava localizada no porão da prisão (Bloco 11). Mais tarde, uma câmara de gás fixa foi construída dentro do crematório. A ideologia nazista do campo é baseada realmente em um vídeo originalmente rodado em 1941, ipso facto, historicamente produzido e irradiado pela intelligentsia nazista.
Nesta análise psicanalítica fundada por Sigmund Freud, o indivíduo se constitui como um ente à parte do social e que compõe o nível de análise social. Freud refere-se aos aspectos que compõem um estado instintivo humano e que acaba por se tornar inibido em prol da convivência em comunidade. A inibição destes aspectos, que são instintivos, consiste numa privação de características que são inatas aos homens, e, esta própria privação, acaba por consistir em determinados descontentamentos. Neste sentido, os homens em civilização ou civilizados demonstram-se descontentes na busca de sua felicidade, pois seus instintos não são prontamente atendidos em sociedade. No seu ensaio: “O mal-estar da civilização”, Freud elabora uma discussão filosófico-social a partir de sua teoria psicanalítica. O autor desenvolve a ideia pragmática segundo a qual, em sociedade, “não há avanço sem perdas”. A ideia central que desenvolve nesta obra é a de que a civilização é inimiga da satisfação dos instintos humanos. A sociedade modifica a natureza humana individual, constitui o homem como membro da comunidade, adaptando-o a um processo vital que torna o indivíduo um ente social.
Um Brinde à Vida representa um drama cotidiano para celebrar a amizade, que afinal pode ser para alguns o grande remédio das enfermidades da alma. Cultura judaica é o nome dado ao conjunto de tradições passadas de geração à geração pelo Judaísmo oriundas dos tratos religiosos, do local em que a comunidade judaica foi radicada e da era em que a comunidade judaica viveu. Entre os rituais, podemos citar a circuncisão dos meninos (aos 8 dias de vida ) e o Bar Mitzvah que representa a iniciação na vida adulta para os meninos e a Bat Mitzvah para as meninas (aos 12 anos de idade). Os homens judeus usam o “kippa”, pequena touca, que representa o respeito a Deus no momento das orações. Nas sinagogas, existe uma arca, que representa a ligação entre Deus e o Povo Judeu. Nesta arca são guardados os pergaminhos sagrados da Torá. Entre os rituais, podemos citar a circuncisão dos meninos (aos 8 dias de vida) e o Bar Mitzvah que representa a iniciação na vida adulta para os meninos e a Bat Mitzvah para as meninas aos 12 anos de idade. Os homens judeus usam o “kippa”, pequena touca, que representa o respeito a Deus no momento das orações. Nas sinagogas, existe uma arca, que representa a ligação entre Deus e o Povo Judeu. Nesta arca são guardados os pergaminhos sagrados da Torá. As festividades judaicas vão desde a comemoração de um aniversário, um Bar-Mitzvá a feriados como o Purim e o Pessach. Os judeus são  festivos e a música é usada como forma de culto como a vários relatos etnográficos da torá ou mesmo em celebrações como pessach, purim e bar mitzvá.
Enfim, como é representado no filme: “Um brinde à vida”, as refeições para os judeus têm grande importância e requerem preparação e cuidado especial. Uma palavra resume o essencial dos preparativos da refeição judaica: “pureza” (“casherut”). Quer se trate do alimento ou dos utensílios de cozinha, da louça de mesa ou da qualidade dos convivas, a máxima atenção deve ser prestada à sua pureza. Esta pureza diz respeito à santidade de Israel e de seus filhos. Por meio dela, comer e beber se tornam atos de culto. Cada refeição se revela como “memória” da Aliança, que não cessa de separar seu povo das nações pagãs, idólatras. Nesse espírito de preparação para a refeição judaica encontram-se tipos de purificação: a) lavar as mãos. Essa prescrição é particularmente importante. O Talmude narra cerca de seiscentas prescrições a respeito e um tratado é inteiramente consagrado às maneiras de proceder.  Não se deve hesitar em “percorrer um caminho de quatro milhas a fim de obter água pura para lavar as mãos”.
Esse hábito social que alguns pensam provir de Salomão e outros de Hillel e de Shammai Chab é prática de sacerdotes, que lavavam as mãos antes de comerem sua parte das oferendas. Em seguida, leigos piedosos, como os fariseus, o adotaram antes que se tornasse um costume universal. Mesmo seus opositores acabaram por se submeter a ele. É que o rabi Aquiba, após tê-lo contestado, utilizava a reduzida ração de água que lhe era concedida na prisão para lavar as mãos na hora da refeição; b) Ter feito abluções – esta prescrição era complementar da precedente: - Para (comer alimentos) não consagrados, do dízimo ou da oblação, basta lavar as mãos; mas para o que é santo (ofertas do Templo e que não podiam ser consumidas a não ser em seu recinto) deve-se tomar um banho; no que diz respeito às águas de purificação do pecado, se as mãos estiverem impuras, é o corpo inteiro que é tido por impuro (e torna-se necessário tomar banho). O ensinamento de Jesus liga esse costume do banho à volta do mercado; c) lavagem ritual das taças, vasos e pratos – o judaísmo contemporâneo continua muito atento às prescrições que dizem respeito aos utensílios de cozinha e à louça. Tais preceitos, visando pôr em prática as injunções do livro dos Números 31,22-24, eram atuantes na época mitológica de Jesus. É a semelhantes debates que Jesus se refere em sua polêmica com os escribas e os fariseus (cf. Mt. 23,25). Poderíamos até descobrir um efeito social específico, nestes termos, através das decisões da escola Jâmnia sobre a obrigação natural de purificar primeiramente o interior das taças ou dos pratos. As regras de culto religioso que regem a escolha dos alimentos, a distinção entre os que são puros ou impuros, são uma das mais consideráveis prescrições do judaísmo.
Bibliografia geral consultada.
BARTHES, Roland, Mitologias. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1972; HELLER, Agnes, Sociologia della Vita Quotidiana. Roma: Editore Riuniti, 1975; BOURDIEU, Pierre, “L’ Identité et la Représentation. Eléments pour une Réflexion Critique sur l’Idée de Région”. In: Actes de la Recherche en Sciences Sociales, n˚ 35, 1980; XENAKIS, Françoise, Zut! On a Encore Oublie Madame Freud. Paris: Éditions Hachette, 1984; DURAS, Marguerite, Les Lieux de Marguerite Duras. Entretiens avec Michelle Porte. Paris: Éditions Minuit, 1987; ELIAS, Norbert, El Proceso de la Civilización: Investigaciones Sociogenéticas y Psicogenéticas. 2ª edición. México: Fondo de Cultura Económica, 1989; FLEM, Lydia, L`homme Freud. Paris: Éditions Seuil, 1991; EATWELL, Roger, Fascism. A History. London: Viking/Penguin Editor, 1996; FRITZSCHE, Peter, Germans into Nazis. Cambridge, Mass.: Harvard University Press, 1998; WACQUANT, Loïc, Parias Urbanos: Marginalidad en la Ciudad a Comienzos del Milênio. Buenos Aires: Ediciones Manantial, 2001; LE GOFF, Jacques, História e Memória. 5ª edição. Campinas (SP): Editora da Universidade de Campinas, 2003; BOBBIO, Norberto, Il Futuro della Democrazia. 1ª edição. Itália: Einaudi Editore, 2005; ELIAS, Norbert & SCOTSON, John, Au-delà de Freud: Sociologie, Psychologie, Psychanalyse. Paris: Éditions La Découverte, 2010; FREUD, Sigmund, Malaise dans la Civilisation. Paris: Éditions Payot. Coll. Petite Bibliothèque Payot, 2010; Idem, Au-delà du Principe de Plaisir. Paris: Éditions Payot. Coll.  Petite Bibliothèque Payot, 2010; SANTOS, Lucileide Vieira, Felicidade ao Longo da Vida. Dissertação de Mestrado em Psicologia Clínica e da Saúde. Lisboa: Escola de Psicologia e Ciências da Vida. Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologia, 2016; NÓBREGA, Karynna M. Barros de, Da Voz em Off à Palavra Escrita: O Testemunho do Corpo Falante em O Escafandro e a Borboleta. Tese de Doutorado. Coordenação Geral de Pós-Graduação. Programa de Doutorado em Psicologia Clínica. Recife: Universidade Católica de Pernambuco, 2017; entre outros.  

terça-feira, 17 de maio de 2016

John Lennon - Cultura, Cartas Existenciais & Dados Etnobiográficos.


Giuliane de Alencar & Ubiracy de Souza Braga

                           “O trabalho não justifica a existência. A gente trabalha para existir e vice-versa”. John Lennon                            
 

O ponto de partida para a constituição do sujeito – diz Alexandre Kojève, nascido Aleksandr Vladimirovič Koževnikov, leitor de Hegel – é o desejo, “mas não um desejo dirigido a uma coisa qualquer no mundo”. O homem se torna humano “quando deseja outro desejo”. Abre-se assim um novo viés de liberdade, que se manifesta antes de tudo como um desejo de reconhecimento e produz uma luta de morte por puro prestígio – o ato fundante da história, o ato antropogênico por excelência. Mas para que haja história, é preciso que haja relação social entre homens vivos, lembrava Marx, no ensaio que o encaminhava para a maturidade. A luta não pode terminar com a aniquilação de um dos lados, colocando sua liberdade acima da vida. Todavia, estabelece-se uma relação que se desenvolve concentrada neste segundo polo, outra atividade essencial ao projeto do homem: o trabalho humano.
A dialética que assim se estabelece é um dos pontos culminantes do pensamento desde a Antiguidade, em todas as épocas e sua conclusão é surpreendente: “o homem integral, livre, satisfeito com o que é, o homem que se aperfeiçoa”. Não é o senhor nem o escravo, mas sim o escravo que consegue suprimir sua sujeição. Isto é Hegel, um homem admirável. A célebre metáfora do senhor e do escravo, tão popularizada na tradição ocidental, foi criada por Hegel e utilizada por muitos pensadores no século XX. Ela aparece, em seu primeiro momento, na Fenomenologia do Espírito (1807). Desse modo, qualquer aproximação da metáfora em si ou mesmo do ponto de vista compreensivo do seu sentido, necessita de uma análise da obra e do contexto social onde a mesma se insere. Diferentemente das muitas lições e cursos que Friedrich Hegel ministrou e que, posteriormente, foram transformados em aulas, sua escrita é bastante diferente. Neste âmbito podemos notar a clara oposição de Hegel ao posicionamento kantiano. A segunda significação é cultural, isto é, a “consciência vive num determinado contexto e época”. Já a terceira significação é histórica, ou seja, “a consciência do indivíduo e da cultura caminha para uma ciência na história”. Somente a partir de tais cruzamentos é que podemos compreender a dialética do senhor e do escravo em Hegel.

Friedrich Hegel que parte da análise da consciência comum, não podia situar como princípio primeiro uma dúvida universal que só é própria per se da reflexão filosófica. Por isso mesmo ele segue o caminho aberto pela consciência e a história detalhada de seu longo processo de formação. Ou seja, a Fenomenologia do Espírito vem a ser a representação de uma história concreta da consciência, sua saída da caverna e sua ascensão à Ciência. Daí a analogia que em Hegel existe de forma coincidente entre a história da filosofia e a história do desenvolvimento do pensamento, mas este desenvolvimento é necessário, como força irresistível que se manifesta lentamente através dos filósofos, que são instrumentos de sua manifestação. Assim, preocupa-se apenas em definir os sistemas, sem discutir as peculiaridades e opiniões dos diferentes filósofos. Na determinação do sistema, o que o preocupa é a categoria fundamental que determina o todo complexo do sistema, e o assinalamento das diferentes etapas, bem como as vinculasses destas etapas que conduzem à síntese do espírito absoluto. Para compreender o sistema é necessário começar pela representação, que não sendo totalmente exata permite, no entender da dimensão de sua obra a seleção de afirmações e preenchimento do sistema abstrato de interpretação per se do método dialético,  para poder alcançar a transformação social da representação numa noção clara e exata.

A passagem da representação abstrata, para o conceito claro e concreto é mediada através do acúmulo de determinações. Aquilo que por movimento dialético separa e distingue perenemente a identidade e a diferença, sujeito e objeto, finito e infinito, é a alma vivente de todas as coisas, a Ideia Absoluta que é a força geradora, a vida e o espírito eterno. Mas a Ideia Absoluta seria uma existência puramente abstrata se a noção de que procede não fosse mais que uma unidade abstrata, e não o que é em realidade, isto é, a noção que, por “um giro negativo sobre si mesma”, revestiu-se novamente de forma subjetiva. Metodologicamente a determinação mais simples e primeira como ponto de partida que o espírito pode estabelecer é o Eu, a faculdade de poder abstrair todas as coisas, até sua própria vida. Chama-se idealidade precisamente esta supressão da exterioridade. Entretanto, o espírito não se detém na apropriação, transformação e dissolução da matéria em sua universalidade, mas, enquanto consciência religiosa, por sua faculdade representativa, penetra e se eleva através da aparência dos seres até esse poder divino, uno, infinito, que conjunta e anima interiormente todas as coisas, enquanto pensamento filosófico, como princípio universal, a ideia eterna que as engendra e nelas se manifesta. O espírito finito se encontra-se numa união imediata com a natureza, a seguir em oposição e finalmente em identidade com esta. Porque suprimiu a oposição e voltou a si mesmo e, consequentemente, o espírito finito é a ideia. Mas ideia que girou sobre si mesma e que existe por si em sua realidade.

A Ideia absoluta que para realizar-se colocou como oposta a si, à natureza, produz-se através dela como espírito, que através da supressão de sua exterioridade entre inicialmente em relação simples com a natureza, e, depois, ao encontrar a si mesma nela, torna-se consciência de si, espírito que conhece a si mesmo, suprimindo assim a distinção entre sujeito e objeto, chegando assim a Ideia a ser por si e em si, tornando-se unidade perfeita de suas diferenças, sua absoluta verdade. Com o surgimento do espírito através da natureza abre-se a história da humanidade e a história humana é o processo que medeia entre isto e a realização do espírito consciente de si. A filosofia hegeliana centra sua atenção sobre esse processo e as contribuições mais expressivas de Hegel ocorrem precisamente nesta esfera, do espírito. Melhor dizendo, para Hegel, à existência na consciência, no espírito chama-se saber, conceito pensante. O espírito é também isto: trazer à existência, isto é, à consciência. Como consciência em geral eu tenho um objeto; uma vez que eu existo e ele está na minha frente. Mas enquanto o Eu é o objeto de pensar, é o espírito precisamente produzir-se para fora de si, saber o que ele é. Nisto consiste a grande diferença: o homem sabe o que ele é. Em primeiro lugar, ele é real. Sem isto, a razão, a liberdade não são nada. O homem é essencialmente razão. O homem, a criança, o culto e o inculto, é razão.

Ou melhor, a possibilidade para isto, para ser razão, existe em cada um, é dada a cada um. A razão não ajuda em nada a criança, sobremodo o inculto. É somente uma possibilidade, embora não seja uma possibilidade vazia, mas possibilidade real e que se move em si. Assim, por exemplo, dizemos que o homem é racional, e distinguimos muito bem o homem que nasceu somente e aquele cuja razão educada está diante de nós. Isto pode ser expresso também assim: o que é em si, tem que se converter em objeto para o homem, chegar à consciência; assim chega para ele e para si mesmo. A história para Hegel é o desenvolvimento do Espírito no tempo, assim como a Natureza é o desenvolvimento da ideia no espaço. Deste modo o homem se duplica. Uma vez, ele é razão, é pensar, mas em si: outra, ele pensa, converte este ser, em si, em objeto do pensar. Assim o próprio pensar é objeto, logo objeto de si mesmo, então o homem é por si. A racionalidade produz o racional, o pensar produz os pensamentos. O que o ser em si é se manifesta no ser por si. Todo conhecer, todo aprender, toda visão, toda ciência, inclusive toda atividade humana, não possui nenhum outro interesse além do aquilo que filosoficamente é em si, no interior, podendo manifestar-se desde si mesmo, produzir-se, transformar-se objetivamente. Nesta diferença se descobre toda a diferença na história do mundo. Os homens são todos racionais. O formal desta racionalidade é que o homem seja livre. Esta é a sua natureza. Isto pertence à essência do homem: a liberdade.

O europeu sabe de si, afirma Hegel, é objeto de si mesmo. A determinação que ele conhece é a liberdade. Ele se conhece a si mesmo como livre. O homem considera a liberdade como sua substância. Se os homens falam mal de conhecer é porque não sabem o que fazem. Conhecer-se, converter-se a si mesmo no objeto (do conhecer próprio) e o fazem relativamente poucos. Mas o homem é livre somente se sabe que o é. Pode-se também em geral falar mal do saber, como se quiser. Mas somente este saber libera o homem. O conhecer-se é no espírito a existência. Portanto isto é o segundo, esta é a única diferença da existência (Existenz) a diferença do separável. O Eu é livre em si, mas também por si mesmo é livre e eu sou livre somente enquanto existo como livre. A terceira determinação é que o que existe em si, e o que existe por si são somente uma e mesma coisa. Isto quer dizer precisamente evolução. O em si que já não fosse em si seria outra coisa. Por conseguinte haveria ali uma variação, mudança. Na mudança existe algo que chega a ser outra coisa. Na evolução, em essência, podemos também sem dúvida falar da mudança, mas esta mudança deve ser tal que o outro, o que resulta, é ainda idêntico ao primeiro, de maneira que o simples, o ser em si não seja negado.

       A questão diz respeito a saber: por que a dialética do “Senhor e do Escravo” é necessária para a compreensão da ideia de liberdade? São representações sociais instrumentais de um dialogo racional entre duas consciências que por sua vez foram imaginadas por Hegel que brilhantemente utilizou o dialogo entre as duas consciências para chegar ao reconhecimento de si e para si, permitindo chegar a ideia de liberdade, uma liberdade pautada pelo respeito mutuo. E a exata importância e posição que ocupam as duas consciências, que inicialmente em guerra e posteriormente pelo amadurecimento que as leva a ideia de liberdade pautada em limitadores essenciais para a convivência harmoniosa. Reconhecer a si mesmo e ao outro é uma forma de ver nossos limites e dos demais, respeitando e sendo respeitado são elementos necessários para a paz e a liberdade. Hegel se utiliza habilmente desta metáfora. A dialética do “senhor e do escravo” é um processo de liberdade estabelecido nas relações de reconhecimento. Neste sentido a figura humana de John Lennon é representativa da ideia filosófica de Immanuel Kant a  Friedrich Hegel de liberdade, mas o autor não existe fora da linguagem e cultura.

Daí o fato cultural que reitera o etnocentrismo quando interpretamos que toda cultura opera assim uma divisão entre ela mesma, que se afirma como representação por excelência do humano, e os outros, que participam da humanidade apenas em grau menor. O discurso que as sociedades primitivas fazem sobre si mesmas, discurso condensado nos nomes que elas se dão, é, portanto etnocêntrico de uma ponta á outra: afirmação da superioridade de sua existência cultural, recusa de reconhecer os outros como iguais. O etnocentrismo aparece então como a “coisa” do mundo mais bem distribuída e, desse ponto de vista pelo menos, a cultura do Ocidente não se distingue das outras. Convém mesmo, aprofundando um pouco mais a análise, pensar o etnocentrismo como uma propriedade formal de toda formação cultural, como imanente à própria cultura. Pertence à essência da cultura ser etnocêntrica, na medida exata em que toda cultura se considera como a cultura por excelência. Noutras palavras, a alteridade cultural nunca é apreendida como “diferença positiva”, mas sempre como inferioridade segundo uma interpretação cultural subjetiva de dominância tipicamente hierárquica.
Um exemplo conspícuo refere-se ao tratamento do tema “orientalismo”, comumente utilizado para definir o estudo constituído por todas as sociedades fora do contexto histórico, teórico e ideológico ocidental, da cultura global europeia, – quando utilizamos a noção “pós-orientalismo”. Por duas razões: a) É correlata à filosofia dita “pós-moderna”; b) Trata-se de um eclético e elusivo movimento social caracterizado por sua crítica à filosofia ocidental. Começando como um movimento de crítica da filosofia Continental, foi influenciada pela fenomenologia, pelo estruturalismo e pelo existencialismo, incluindo Soren Kierkegaard e Martin Heidegger. Sofreu influências, também, em certo grau associado ao desenvolvimento do positivismo no âmbito da filosofia analítica de Ludwig Wittgenstein. Para a maior parte dos pensadores, a filosofia pós-moderna reproduz a volumosa literatura da teoria crítica. Outras áreas, na falta de melhor expressão, de produção estética e filosófica  incluíram a “desconstrução” e as áreas que começam com o prefixo “pós”, como no sentido da diversidade “pós-estruturalismo”, o “pós-marxismo” e o “pós-feminismo”.                       
O Oriente, sociologicamente falando, é uma entidade autônoma dotada de múltiplas identidades com suas respectivas localizações territoriais. O que seria então esse Orientalismo cuja definição permite afirmar que o Oriente é uma invenção do Ocidente? Segundo Said (1990) esse conceito tem diversos significados, mas que de modo geral reflete a forma específica pela qual o Ocidente europeu reproporiam ao nível ideológico e cultural a designação do que é o Oriente. Assim, o Orientalismo não necessariamente estabelece uma relação dialética e real de identificação real com o Oriente e sim, inversamente é a ideia que o Ocidente faz dele. Nesse sentido o Oriente ajudou a definir a Europa ou o Ocidente de forma transcendente com sua imagem, ideia, personalidade e experiência contrastantes. O Oriente na visão do Orientalismo então é o “lugar do exótico”. Analiticamente precisamos tornar do ponto de vista teórico, prático e afetivo o exótico em familiar.

A noite de 8 de dezembro de 1980 trouxe uma notícia ruim para o mundo inteiro. O ex-Beatle John Lennon havia sido baleado. Ainda não se sabia por quem nem por quê, e a perplexidade se tornou ainda maior quando ficou claro que os tiros disparados vieram da arma de um fã esquizofrênico que horas antes havia pedido um autógrafo do artista na capa de seu novo Long Play. Como se fosse o desfecho de uma tragédia teatral, a morte de John Lennon interrompia sua volta ao mundo da música. Distante durante cinco anos da indústria fonográfica, quando resolveu “assar pães e cuidar de seu filho”, Lennon havia acabado de gravar um disco em parceria com sua mulher, Yoko Ono. Era uma espécie de diálogo entre eles, com músicas apaixonadas, mas trazendo uma visão amadurecida da relação. Em entrevistas, John demonstrava otimismo com seu retorno à arte e com o mundo. Após o deslumbramento nos anos 1960, e a “bad trip” dos anos 1970, os anos 1980 pareciam promissores. Mas a promessa não se cumpriria.

John Lennon já havia se envolvido com política e movimentos sociais desde o final dos anos 1960, quando apoiou os Panteras Negras e a luta contra o envolvimento norte-americano na guerra do Vietnã. Não por acaso, muitos veem seu assassinato como um complô político, uma vez que o artista estava voltando a chamar a atenção da mídia. Morador de Nova Iorque, Lennon se sentia no centro do mundo, e desde os Beatles estava acostumado a ser porta-voz de vários segmentos sociais. A trama que aponta o Federal Bureau of Investigation (FBI) uma unidade de polícia do Departamento de Justiça dos Estados Unidos da América (USA), servindo tanto como uma polícia política de investigação quanto simultaneamente um serviço de inteligência interno agindo cirurgicamente como contra inteligência. O FBI tem jurisdição investigativa sobre as violações de mais de duzentas categorias de crimes federais. Seu lema é Fidelity, Bravery, Integrity, correspondente às iniciais FBI propriamente ditas.

Seu quartel-general no J. Edgar Hoover Building está localizado em Washington, D. C. Cinquenta e seis escritórios locais estão localizados nas principais cidades de todo os Estados Unidos da América, bem como comparativamente em espaços de mais de 400 agências residentes em cidades menores por todo o gigante país, e mais de 50 escritórios internacionais estão localizadas em embaixadas norte-americanas ao redor do mundo. FBI como mandante de sua morte parece bastante improvável, mas a recente descoberta dos papéis guardados pelo escritório de investigações americano a respeito de Lennon acaba por alimentar divagações conspiratórias. Delírios à parte, após sua morte, é um exercício interessante imaginar como o músico estaria atuando frente a questões mundiais como a busca por uma cultura de “desenvolvimento sustentável” e as intervenções norte-americanas nas questões políticas e sociais do Oriente Médio.

Como John Lennon agiria hoje é, obviamente, uma incógnita. Nascido durante a 2ª guerra mundial e influente na cultura dos anos 1960, o cantor passeou por movimentos sociais importantes, como a luta por igualdade racial, o feminismo e o pacifismo hippie. Seu engajamento como artista foi tímido durante os anos 1960, uma vez que os Beatles preservavam sua imagem apolítica, mas, ainda com o grupo, o músico lançou a música Revolution, em que afirmava que “todos nós queremos mudar o mundo”, mas que não contassem com ele somente para matar seres humanos ou mesmo para carregar fotos de Mao Tsé-Tung. - “Seria melhor você libertar sua cabeça”, ele diz na composição da letra. Talvez a maior preocupação de John Lennon tenha sido renovar o conceito abstrato de utopia como meta a ser atingida pela humanidade. Se o ex-Beatle foi influente, também sofreu influências da cultura a qual estava submetido. As experiências com alucinógenos e meditação abstrata levaram-no a perceber que toda revolução começava na cabeça, e não deveria haver nela os limites impostos pelas relações sociais. A utopia seria o ponto de partida, a pedra de toque para que as relações se desenvolvessem.

Neste aspecto vale uma digressão teórica, histórica e ideológica. O Massacre de Nanquim, também reconhecido como o Estupro de Nanquim, foi um episódio de assassinato em massa e estupros em massa cometidos por tropas do Império do Japão contra a cidade de Nanquim, na China, durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa, na 2ª guerra mundial. O massacre ocorreu durante um período de seis semanas a partir de 13 de dezembro de 1937, o dia em que os japoneses tomaram Nanquim, que na época era a capital chinesa. Durante este período, dezenas de milhares, se não centenas de milhares de civis chineses e combatentes desarmados foram mortos por soldados do Exército Imperial Japonês. Estupros e saques também ocorreram. Vários dos principais perpetradores das atrocidades, na altura rotulados como crime de guerra, mais tarde foram julgados e considerados culpados pelo Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente e pelo Tribunal de Crimes de Guerra de Nanquim, e executados. Outro autor chave, o príncipe Asaka, um membro da Família Imperial, escapou da acusação por ter imunidade concedida pelos Aliados. O número de mortos no massacre não pode ser preciso. A maioria dos registros militares japoneses sobre os assassinatos foram deliberadamente destruídos ou mantidos em segredo após a rendição do Japão, em 1945.

 O Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente estimou, em 1948, que mais de 200 mil chineses foram mortos no incidente. A estimativa oficial da China é de mais de 300 mil mortos, com base na avaliação do Tribunal de Crimes de Guerra de Nanquim em 1947. O número de mortos tem sido ativamente contestado entre os estudiosos desde a década de 1980, com estimativas que variam de 40 mil a mais de 300 mil seres humanos mortos.  Edgar Morin é um dos principais representantes contemporâneos da análise de estudos da complexidade, que inclui perspectivas anglo-saxônicas e de origem latinas. Sua abordagem é reconhecida dubiamente como pensamento complexo ou paradigma da complexidade. Mas o filósofo não se identifica como analista “teórico da complexidade”. Nem pretende limitar suas pesquisas às chamadas concepções de “ciências da complexidade”. Pois, menos se distingue entre perspectivas restritas, limitadas, e amplas ou mesmo generalizadas da reflexão sobre a complexidade. Em 1941, adere ao Partido Comunista, “num momento em que se sentia, pela primeira vez, que uma força poderia resistir à Alemanha nazista”. Entre 1942 e 1944, como tenente das forças combatentes francesas, adotou o codinome Morin, que conservaria em diante. Durante a Libération, é transferido para a Alemanha ocupada, como adido ao Estado Maior do Primeiro Exército Francês na Alemanha (1945), e como chefe do Departamento de Propaganda do governo militar francês (1946).

Escreve seu primeiro livro, L`An Zéro de l`Allemagne, publicado em 1946, no qual descreve a condição do povo alemão no pós-guerra, sendo apreciado por Maurice Thorez, que o convida a escrever para a revista Lettres françaises. A partir de 1949, distancia-se do Partido Comunista Francês, do qual será excluído em 1951, por suas posições críticas. Aconselhado por Georges Friedmann, que conheceu durante a ocupação e com o apoio de Maurice Merleau-Ponty, de Vladimir Jankélévitch e Pierre George, entra para o Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS) em 1950. Começa a escrever L`Homme et la Mort que será editado a seguir, em 1951. Em 1955 coordena um comitê político contra a guerra da Argélia e defende particularmente Messali Hadj, pioneiro da luta anticolonial e um dos próceres da Independência da Argélia. Em 1960, funda, na École des Hautes Études en Sciences Sociales - Sociologie, Anthropologie, Histoire (EHESS), o Centro de Estudos de Comunicação de Massa (CECMAS), com o sociólogo Georges Friedmann e o estudioso da linguística Roland Barthes, com a intenção de adotar uma abordagem transdisciplinar do tema, e fundaram a inovadora revista Communications.  Edgar Morin é também fundador da revista Arguments (1957-1963). Em 1963, casa-se com a artista plástica de origem quebecoise-caribenha Joahnne, com quem viaja ao Brasil diversas vezes. De 1978 a 1975, integrou o “Grupo dos Dez”, onde absorveu contato com as três teorias que fundamentariam a teoria da complexidade: cibernética, teoria da informação e teoria dos sistemas.

Em 1973, publica o livro L`Paradigme Perdu: La Nature Humaine. Este livro foi o ponto de partida para a construção do Método, série de livros, onde Edgar Morin explica minuciosamente a sua teoria da complexidade. Nomeado diretor de pesquisa do CNRS em 1970, será entre 1973 e 1989, um dos dirigentes do Centro de Estudos Transdisciplinares da EHESS, sucessor do CECMAS. A principal obra de Edgar Morin é a constituída por seis volumes, mas é em particular em La Méthode que o pensador propõe o conceito de complexidade, a ideia-chave do método, que em seus volumes foi escrita durante três décadas e meia. Trata-se de uma das maiores obras de epistemologia. Inicia seus primeiros manuscritos de La Méthode, em 1973, com a publicação do livro: O Paradigma Perdido: a Natureza Humana, uma transformação epistemológica por questionar o fechamento ideológico e paradigmático das ciências, além de apresentar uma alternativa à concepção de paradigma encontrada no pensamento de Thomas Kuhn. A razão cartesiana impôs um paradigma. Ela nos ensinou a separar a razão da des-razão. Temos que religar o que a ciência cartesiana e as universidades contemporâneas através da divisão técnica do trabalho separaram. Ainda que as condições socioculturais e evidentemente políticas sejam distintas das condições biocerebrais, estão ligadas por um nó górdio: as sociedades existem e as culturas só se formam, conservam, transmitem e desenvolvem através das interações cerebrais ou espirituais entre os indivíduos.

A cultura, que caracteriza as sociedades humanas, é organizada/organizadora via o veículo cognitivo da linguagem, a partir, segundo Morin, do “capital cognitivo coletivo” dos conhecimentos adquiridos, das competências aprendidas, das experiências vividas, da memória histórica, das crenças míticas de uma sociedade. E, dispondo de seu capital cognitivo, a cultura institui as regras/normas que organizam a sociedade e governam os comportamentos individuais. Estas regras geram processos sociais e regenera globalmente a complexidade social adquirida por essa mesma cultura. Assim, a cultura não deve ser compreendida pelas metáforas estruturais, que são termos impróprios em uma organização recursiva onde o que é produzido e gerado torna-se produtor e gerador daquilo que o produz ou gera. Isso facto, cultura e sociedade estão em relação geradora mútua; nessa relação, não podemos esquecer as interações entre indivíduos, eles próprios portadores ou transmissores de cultura, que regeneram a sociedade, a qual regenera a cultura. Daí a tese sociológica segundo a qual, “se a cultura contém um saber coletivo acumulado em uma memória social, se é portadora de princípios, modelos, esquemas de conhecimento, se gera uma visão de mundo, se a linguagem e o mito são partes constitutivas da cultura, então a cultura não comporta somente uma dimensão cognitiva: é uma máquina cognitiva cuja práxis é cognitiva”.  

É neste sentido próprio de saber cognitivo que uma cultura abre e fecha as potencialidades bioantropológicas do conhecimento. Ela as abre e atualiza fornecendo aos indivíduos o seu saber acumulado, a sua linguagem, os seus paradigmas, a sua lógica, os seus esquemas, os seus métodos de aprendizagem, métodos de investigação, de verificação, etc., mas, ao mesmo tempo, ela as fecha e inibe com as suas normas, regras, proibições, tabus, o seu etnocentrismo, a sua autossacralização, a sua ignorância de ignorância. Ainda aqui, o que abre o conhecimento é o que fecha o conhecimento. Desde o seu nascimento, o ser humano conhece não só por si, para si, em função de si, mas, também pela sua família, pela sua tribo, pela sua cultura, pela sua sociedade, para elas, em função delas. Assim, o conhecimento de um indivíduo alimenta-se de memória biológica e de memória cultural, associadas na própria memória, que obedece a várias entidades de referência, diversamente presentes nela. Tudo o que é linguagem, lógica, consciência, tudo o que é espírito e pensamento, constitui-se na encruzilhada dialógica entre dois princípios de tradução, um contínuo, o outro descontínuo (binário).

De fato as aptidões individuais que são organizadoras do cérebro humano necessitam de condições socioculturais para se atualizarem, as quais necessitam das aptidões do espírito humano para se organizarem individual e socialmente. A cultura está nos espíritos, vive nos espíritos, os quais estão na cultura, vivem na cultura. Meu espírito conhece através da minha cultura, vivem na cultura. Meu espírito conhece através da minha cultura, mas, em certo sentido, a minha cultura conhece através do meu espírito. Assim, portanto, as instâncias produtoras do conhecimento se coproduzem umas às outras; há uma unidade recursiva complexa estabelecida entre produtores e produtos do conhecimento, ao mesmo tempo em que há relação hologramática entre cada uma das instâncias, cada uma contendo as outras e, nesse sentido, cada uma contendo o todo enquanto todo. Falar em complexidade é falar de interação simultaneamente complementar, concorrente, antagônica, recursiva e hologramática entre essas instâncias cogeradoras do reconhecimento. Mas não é apenas essa complexidade que permite compreender a possível autonomia relativa do espírito e no sentido técnico do cérebro individual. 

Como artista, John Lennon demonstrava sua vontade de expressão com músicas cada vez mais experimentais e letras que deveriam ser entendidas mais pela associação de ideias do que pela sua coerência. Em 1971, foi lançada sua canção reconhecida, Imagine, cuja letra é simples e direta. Apesar de usar imagens simplórias, como o convite a imaginar um mundo sem fronteiras, sem religiões e onde se viva em fraternidade constante, a música não deixa de ser um coroamento de sua ideologia utópica. Lennon não se importava com a impossibilidade prática de sua proposta, porque sabia que a arte não pode se limitar a isso, mas também não se sentia impedido de tentar levar seu pensamento utópico para a práxis. Suas manifestações políticas com Yoko Ono, seja no Bed-in, em que passaram dias sobre uma cama dando entrevistas pregando a paz, seja apoiando explicitamente os Panteras Negras, grupo norte-americano que consagrava a luta armada contra o racismo, podem ser contraditórias, mas eram também um aspecto fulminante de sua tentativa de refletir e almejar na prática uma sociedade igualitária.

Autorizada por Yoko Ono, “As Cartas de John Lennon”, de autoria do jornalista Hunter Davies, é uma biografia inédita de John Lennon realizada por meio de cartas: para a família, namoradas, amigos, jornais, advogados, incluindo a lavanderia. As quase 300 cartas, cartões, notas, bilhetes, telegramas, listas diversas, foram arranjadas em ordem cronológica, sempre precedidas de informações complementares do escritor Hunter Davies. Todas com um tom cômico, sábio, poético e muitas vezes comovente. Poucos sabem da reação de John Lennon à maioria das emoções, fosse tristeza, alegria, raiva ou entusiasmo: “A Ars Dictaminis”. Nascido em 1936 na Escócia, Davies tornou-se mundialmente conhecido ao escrever a única “biografia autorizada” dos Beatles. Autor de dezenas de biografias, romances e contos infantis, ele colabora profissionalmente nas redações do “The New Statesman”, “The Sunday Times” e “Daily Mail”. Em setembro de 2002, Davies relançou “The Beatles”, sua mais famosa obra. Depois de trinta anos do livro original, foram acrescentados à nova versão novos fatos sobre o que aconteceu depois de 1968, na vida dos Beatles, como a morte de John Lennon, o casamento de Paul McCartney, a morte de George Harrison suas carreiras e seus sucessos, e como os quatro Beatles influenciam milhões de pessoas pelo mundo. 
Nascida numa família rica, Yoko Ono teve oportunidade de estudar em Gakushin, uma das mais exclusivas escolas do Japão. Durante este período estudou também piano clássico e canto. Na 2ª guerra mundial deslocou-se frequentemente entre cidades do Japão e Estados Unidos até 1952, quando se mudou definitivamente para Nova Iorque. A partir de então frequentou a faculdade de música Sarah Lawrence, onde conheceu importantes músicos de vanguarda, que posteriormente seriam inspiração para o surgimento do grupo “Fluxus”, entre eles John Cage. Em 1956 casa-se, contra a vontade de seus pais, com Toshi Ichiyanagi e com ele divide um loft em Manhattan, o qual, pouco tempo depois, tornar-se-ia laboratório para as “performances” de Yoko e as experiências sonoras de John Cage. Rejeitando o auxílio financeiro da família, começa a lecionar arte japonesa e música em escolas públicas.
Com a repercussão de suas obras, Yoko é convidada em 1966 a realizar uma exposição individual. Nesta exposição, foi exposta a obra: “Ceiling Painting”, uma instalação na qual uma escada conduz o observador até um vidro no teto, onde há uma lupa presa para que se leia a pequena inscrição: “Yes!”. O músico John Lennon, então membro da banda The Beatles, estava presente à exposição, e seu encantamento com a obra despertou interesse pela produção artística de Ono. A inspiração para a instalação ocorreu quando acordou certo dia ela notou que Anthony Cox, seu ex-marido, não estava lá, não havia voltado na noite passada, deixando uma sensação de “estar pela metade”. A partir do fim da década de 1960, Yoko Ono e John Lennon começam a produzir composições de vanguarda. Lennon se separa de sua primeira esposa, casa-se com Yoko em março de 1969. Em 9 de outubro de 1975, nasce o filho do casal, Sean.                       
Desnecessário dizer Yoko Ono é mais do que a viúva de John Lennon. Cantora e artista plástica vanguardista japonesa, Yoko foi uma das integrantes do grupo Fluxus – movimento que combinava “happenings”, “performances”, fotografias, colagens, objetos, concertos musicais e festivais “multimidiáticos” e que obteve projeção nos anos 1960. Voltada para a arte conceitual, ela é considerada uma das pioneiras na inclusão do espectador no processo criativo, isto é, um convite ao abandono do comportamento contemplativo do público e a interação com a obra – uma postura ativa. Yoko Ono, além de ser uma exploradora da arte conceitual e da “performance”, também tem uma posição feminista. Viva com seus 82 anos de idade, canta com o filho, Sean Lennon. - “Na minha idade Featured image eu deveria ser de certo jeito. Por favor, não me impeçam de ser do jeito que eu sou. Eu não quero ser velha e doente como muitos da minha idade. Por favor, não criem mais uma pessoa velha. (…). Deixe-me ser livre. Deixe-me ser eu! Não me façam ficar velha com o seu pensamento e suas palavras sobre como eu deveria ser. Vocês não precisam ir aos meus shows. Eu estou entregando uma tremenda energia com minha voz, porque isso sou eu. Receba a minha energia e se cale…”. 
           Enfim, a biografia é um gênero literário em que o autor narra a “história da vida” de uma pessoa ou de várias pessoas. De um modo geral as biografias contam a vida de alguém. Em certos casos a biografia inclui aspectos da obra dos biografados, como por exemplo, Plutarco, em suas Bíoi parálleloii, numa abordagem muitas vezes de um ponto de vista crítico e não apenas historiográfico. Em francês, o termo “biographie” é documentado em 1721; no inglês, a palavra “biography” foi documentada em 1791 e na forma “biografia” já em 1683; em espanhol, “biografia”, e, em português, biografia, aparecem somente na segunda metade do século XIX. Com o tempo é comum se solicitar a “biodata” de pessoas que produzem trabalhos artísticos, científicos etc. Este termo remete à vida e às experiências de trabalho, bem como a itens que revelem suas opiniões, valores, crenças e atitudes. Os dados  estatísticos transcritos nesta categoria contêm, por  muitas vezes, o tipo da informação ou conteúdo de sentido que um resumo de trabalho acadêmico, podendo também incluir a descrição dos atributos físicos e imagens.
Ainda na Inglaterra, em 1971, John Lennon datilografou uma carta a Paul e Linda que se tornou conhecida dos estudiosos dos Beatles como “a arenga de John”. Não se sabe se houve uma versão final, que tenha sido enviada, nem se não passou de rascunho. Existe uma insinuação de que a carta foi roubada em certo momento. Ela veio a público em 2001, quando apareceu à venda na Christie’s. Em 2011 ela reapareceu em um leilão na Califórnia. Em algum momento, alguém recobriu os palavrões – mas dá para vê-los e entendê-los –, e o próprio John acrescentou palavras e frases à mão. Ele responde a uma carta aparentemente escrita por Linda, em nome de Paul e dela mesma, transtornada com as afirmações que John fazia deles, os motivos da separação, a origem dos Beatles. John Lennon demonstra-se constrangido por ter aceito a Master in Business Administration, e “por ter deixado ser convencido a não revelar seu desejo de se separar dos Beatles”. Sente-se magoado com o modo que ele e Yoko Ono foram tratados –, não apenas pelos músicos Linda e Paul McCartney. Ele estava furioso com tanta coisa que a carta, concreta ou abstrata, em sua forma histórica-documental “transpira raiva”.  
Bibliografia geral consultada.

HELLER, Agnes, Sociologia della Vita Quotidiana. Roma: Editore Riuniti, 1975; DUMONT, Louis, “Casta, Racismo e Estratificação”. In: Hierarquias em Classes. Org. por Neuma Aguiar. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1974; DURAND, Gilbert, Science de l’ Homme et Tradition. Paris: Berg International, 1979; SAID, Edward, Orientalismo: O Oriente como invenção do Ocidente. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 1990; BENJAMIN, Walter, Magia e Técnica, Arte e Política. Obras Escolhidas. São Paulo: Editora Brasiliense, 1994; HISGAIL, Fani (Org.), Biografia Sintoma da Cultura. São Paulo: Hacker Editor, 1997; BAKHTIN, Mikhail, Estética da Criação Verbal. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2003; BOSI, Ecléa, O Tempo Vivo da Memória: Ensaios de Psicologia Social. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003; PENA, Felipe, Teoria da Biografia sem Fim. São Paulo: Editor Mauad, 2004; SARMENTO, Luciana Villela de Moraes, Ticket to Ride. As Tensões entre Consumo e Contracultura nas Letras de Música dos Beatles. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social. Rio de Janeiro: Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, 2006; HEGEL, Friedrich, Fenomenologia do Espírito. 4ª edição. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes; Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco, 2007; MORIN, Edgar, Introducción al Pensamiento Complejo. Barcelona: Editorial Gedisa, 1998; Idem, O Método 4 – As Ideias. Habitat, Vida, Costumes, Organização. 4ª edição. Porto Alegre: Editora Sulina, 2008; DELORY-MOMBERGER, Christine, La Condition Biographique: Essais sue le Récit de Soi dans la Modernité Avancée. Paris: Editeur Téraèdre, 2009; BAUMAN, Zygmunt; MAY, Tim, Aprendendo a Pensar com a Sociologia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2010; DAVIES, Hunter, As Cartas de John Lennon. São Paulo: Editor Planeta, 2012; ANHEZINI, Karina, Arautos da História da Historiografia: As Disputas por um Conceito de Historiografia nas Cartas de Amaral Lapa enviadas a Nilo Odália. Patrimônio e Memória. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, vol. 11, pp. 4-21, 2015; Artigo: “John Lennon é homenageado em Nova York nos 35 anos de sua morte”. In: https://g1.globo.com/2015/12/08; MITCHELL, James, John Lennon em Nova York: Os Anos de Revolução. Rio de Janeiro: Editora Valentina, 2015; LOFRANO, Anita Cecilia, O Fator Espontaneidade-criatividade na Obra dos The Beatles. Dissertação de Mestrado.  Faculdade de Educação. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2016; entre outros.

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* Sociólogo (UFF), Cientista Político (UFRJ), Doutor em Ciências junto à Escola de Comunicações e Artes. São Paulo: Universidade de São Paulo (ECA/USP). Professor Associado da Coordenação do curso de Ciências Sociais. Centro de Humanidades. Fortaleza: Universidade Estadual do Ceará.