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segunda-feira, 2 de setembro de 2024

Upgrade: As Cores do Amor – Economia & Sociologia da Celebridade.

                  Não se pode amar ou odiar quem não se conhece ainda”. Leonardo da Vinci

            

       Upgrade: As Cores do Amor (2024) representa um filme norte-americano de comédia romântica dirigido por Carlson Young e estrelado por Camila Mendes, Archie Renaux, Thomas Kretschmann, Grégory Montel, Lena Olin e Marisa Tomei. Em agosto de 2022, foi anunciado que Camila Mendes e Archie Renaux iriam estrelar o filme, que começou a ser produzido no Reino Unido. No mês seguinte, foi anunciado que Marisa Tomei e Lena Olin também foram escaladas para compor o elenco. É uma releitura moderna do clássico conto de fadas Cinderela e foi lançado no Amazon Prime Vídeo em 9 de fevereiro de 2024. Não queremos perder de vista que Cinderela é um dos contos de fadas mais populares da Humanidade. Sua origem tem diferentes versões teatrais. A versão mais reconhecida é a do escritor francês Charles Perrault, de 1697, baseada num conto italiano popular chamado La Gatta Cenerentola (“A gata borralheira”). A mais antiga é originária da China, por volta de 860. Semelhante à versão de Charles Perrault e a versão dos Irmãos Grimm. Nesta, porém, não há a figura da “fada-madrinha” e quem favorece a realização do desejo de ir ao baile são os pombos e a árvore que crescem no túmulo de sua mãe. Neste caso, Cinderela sabe palavras mágicas, usadas no imperativo, que auxiliam na transformação maravilhosa de seu pedido em realidade. 

          No final, as irmãs malvadas ficam cegas quando são atacadas por pombos que lhes furam os olhos. Segundo outras versões a figura da fada-madrinha na verdade é o espírito da falecida mãe da própria protagonista que trazia um vestido do céu para Cinderela usar no baile. Historicamente entre o liberalismo de David Hume e o dos Fisiocratas, encontra-se a distância socialmente que separa paradoxalmente a invenção da conformidade. Hume de um lado, os Fisiocratas de outro. Fisiocratas que viam a produção de bens e serviços como consumo do excedente agrícola, uma vez que a principal fonte de energia era o músculo humano ou animal e toda a energia derivada do excedente de produção agrícola. A unidade própria do nascente liberalismo econômico se tornaria essencialmente problemática. Apesar da relativa uniformidade das reivindicações, parece que o fosso se escava entre uma metafísica da ordem que impõe respeito a uma norma natural, limitadora por essência e instruída pela providência regida, em última instância, pela cumplicidade secreta entre finalismo e mecanicismo, e, de outro, a marcha hesitante de uma espontaneidade quase cega em seu princípio, e anônima em seus efeitos sociais, que exige que a norma, em sua variedade e contingência, seja construída, isto é, inventada, em função das circunstâncias historicamente condicionadas. Assim, a política econômica nacional é constituída sobre o modelo da gestão privada, historicamente, sendo que a representação da economia do universo é, do mesmo modo, construída na realidade a partir do modelo tecnológico da ação sobre a apropriação da natureza.

          Fisiocracia tem como representação uma teoria econômica desenvolvida por um grupo de economistas franceses do século XVIII, que acreditavam que a riqueza das nações era derivada unicamente do valor de “terras agrícolas” ou do “desenvolvimento da terra” e que produtos agrícolas deveriam ter preços elevados na economia. Suas teorias surgiram na França e foram mais populares durante a segunda metade do século XVIII. A fisiocracia talvez seja a primeira teoria bem desenvolvida da economia. A fisiocracia foi formada por filósofos, negociantes, médicos, editores e intelectuais franceses que, sobretudo durante a década de 1760, buscavam realizar um sistema de filosofia fundado na noção de ordem naturalizada e no chamado jusnaturalismo, isto é a existência de leis naturais. No sistema filosófico moderno elaborado pelos fisiocratas, a compreensão dos fenômenos econômicos e sua explicação passa a assumir um papel invariavelmente preponderante. O movimento foi liderado por François Quesnay (1694-1774), mas contava com figuras importantes como Victor Riquetti de Mirabeau (1715-1789), Anne Robert Jacques Turgot (1727-1781), Nicolas Baudeau, Pierre Samuel Du Pont de Nemours e Le Mercier de la Rivière. Esse movimento imediatamente precedeu a primeira escola moderna, a economia clássica, que se iniciou com a publicação da “mão invisível” de Adam Smith (1793-1790), em seu livro clássico, intitulado: A Riqueza das Nações, em 1776, um filósofo e economista escocês, que teve como cenário da modernidade para a sua vida o atribulado no chamado Século das Luzes, o século XVIII. A contribuição mais significativa dos fisiocratas tinha per se como primícias a sua ênfase humanamente possibilitada no trabalho produtivo como fonte de riqueza nacional.

                                                

Esse pensamento econômico é contrastante comparativamente em relação ao das escolas anteriores, em particular o mercantilismo, que muitas vezes focava na riqueza do governante, no acúmulo de ouro, ou no saldo da balança comercial. Enquanto a escola Mercantilista de economia dizia que o valor dos produtos da sociedade era criado seu ponto de venda, com o vendedor vendendo seus produtos por mais dinheiro do que estes tinham originalmente valido, a escola Fisiocrática de economia foi a primeira a ver o trabalho como a única fonte de valor. No entanto, para os fisiocratas, apenas o trabalho agrícola criava este valor nos produtos da sociedade. Todo o trabalho incipiente industrial e não agrícola eram, por assim dizer, “apêndices improdutivos” para o trabalho agrícola. Na época historicamente em que fisiocratas estavam formulando suas ideias sociais e econômicas, a economia era quase totalmente agrária. Esse talvez seja o motivo pelo qual realmente a teoria tenha considerado apenas o trabalho agrícola como sendo valioso. Fisiocratas viam a produção de bens e serviços como consumo do excedente agrícola, uma vez que a principal fonte de energia era o músculo humano ou animal, e toda a energia era derivada a partir do excedente de produção agrícola. O lucro na produção pré-capitalista representava apenas o contrato socialmente referente ao aluguel obtido pelo proprietário em que a produção agrícola estava ocorrendo como trabalho.

A percepção do reconhecimento dos Fisiocratas da importância fundamental do terreno foi reforçada no meio século seguinte, quando os combustíveis fósseis foram aproveitados pelo meio de trabalho e utilidade de uso da máquina a vapor. A produtividade aumentou consideravelmente. Ferrovias, e sistemas de abastecimento de água e saneamento a vapor, possíveis cidades de vários milhões de pessoas com valores da terra muitas vezes maior do que as terras produtivas agrícolas. Assim, enquanto os economistas modernos também reconhecem manufatura e serviços como produtivos e geradores de riqueza, os princípios econômicos estabelecidos pelos fisiocratas permanecem válidos. A Fisiocracia tem uma relevância importante em que toda a vida permanece dependente da produtividade do solo bruto e a capacidade do meio ambiente natural se renovar. O historiador David B. Danbom, autor e professor de história agrícola, na Universidade Estadual de Dakota do Norte por mais de quarenta anos explica: “Os fisiocratas condenavam as cidades pela sua artificialidade e elogiavam estilos mais naturais de vida. Eles celebravam os agricultores”. Eles se chamavam économistes, mas são geralmente referidos como fisiocratas para distingui-los das muitas escolas do pensamento econômico que os seguia. O Confucionismo, sistema desenvolvido a partir das ideais de Confúcio, foi adotado por fisiocratas como Quesnay. A Fisiocracia é uma filosofia de caráter agrário. No final da República Romana, a classe senatorial dominante não era autorizada a participar do setor bancário ou do comércio, mas dependia de seus latifúndios, grandes plantações, para a renda. 

Eles contornaram esta regra socialmente estabelecida por meio de procurações dos chamados “homens livres” que vendiam bens agrícolas excedentes. Após o declínio do Império Romano, a desurbanização levou à cessação do comércio e ao declínio da comercialização de produtos agrícolas na maior parte da Europa Ocidental. As economias centraram-se nas casas senhoriais agrícolas onde guerreiros-proprietários, a nobreza medieval, coletavam alugueis de seus servos na forma exploratória de parte da produção. Este foi o sistema econômico dominante até que o comércio começou a ser revivido no final da Idade Média, promovendo a ascensão da classe mercantil. Outra inspiração veio do sistema econômico da China, considerado o maior do mundo. A sociedade chinesa amplamente distinguiu quatro ocupações, com bolsas de estudo burocratas, que também eram proprietários agrários, na parte superior e na parte inferior comerciantes, porque eles não produziam bens, apenas distribuíam os produtos fabricados por terceiros. Líderes como François Quesnay (1664-1774) eram confucionistas ávidos que defendiam as políticas agrárias da China, uma nação muito populosa da Ásia Oriental cuja ampla paisagem abrange pradarias, desertos, montanhas, lagos, rios e mais de 14.000 km de litoral. A capital Pequim combina a arquitetura moderna com locais históricos, como o complexo de palácios da Cidade Proibida e a Praça da Paz Celestial. Xangai é um centro financeiro global repleto de arranha-céus. A emblemática Muralha da China corta a região norte do país de leste a Oeste. Alguns estudiosos têm defendido ligações concretamente com a escola agriculturalista, que promoveu o “comunismo utópico”. Quesnay defendia que a terra era a única fonte de riqueza, considerando a agricultura como fonte principal da riqueza do Estado.

Uma questão muito importante foi levantada a respeito das ideias abstratas, ou gerais, a saber, se são concebidas pela mente como gerais ou particulares. É evidente que, ao formar a maior parte de nossas ideias gerais, se não todas elas, fazemos abstração de todo e qualquer grau particular de quantidade e qualidade; e que um objeto não deixa de pertencer a uma espécie particular cada vez que ocorre uma pequena alteração em sua extensão, duração ou outras propriedades. Pode-se pensar, portanto, em tese que existe um claro dilema, decisivo para a determinação da natureza das ideias abstratas, a qual tem sido motivo de tanta especulação por parte dos filósofos. Como a ideia abstrata de Hume (2009) de homem de todos os tamanhos e todas as qualidades, conclui-se que ela só será capaz de fazer isso, se de fato poder representar ao mesmo tempo, abstratamente, todos os tamanhos e todas as qualidades possíveis, ou então se não representar nenhum tamanho ou qualidade particular. A primeira proposição tendo sido considerada absurda, porque implicaria uma capacidade infinita da mente, costumou-se inferir que a segunda seria a correta – e por isso se supôs que nossas ideias abstratas não representam nenhum grau particular de quantidade ou qualidade. A confusão que por vezes envolve as impressões procede somente de sua fraqueza e instabilidade, e não de uma capacidade que teria a mente de receber uma impressão que, em sua existência real, não possua um grau ou proporção particulares. Isso seria uma contradição em termos, e implicaria mesmo a mais absoluta das contradições, a saber, que é possível que uma mesma coisa seja e não seja.

           Pois uma das circunstâncias mais extraordinárias da presente questão é o fato de que, se por acaso formamos um raciocínio que não concorda com uma ideia individual produzida pela mente, e acerca da qual raciocinamos, o costume que a acompanha, reanimado pelo termo geral ou abstrato, sugere imediatamente qualquer outro indivíduo. Assim, se mencionamos a palavra triângulo e formamos a ideia de um triângulo equilátero particular que lhe corresponda, e se depois afirmamos que os três ângulos de um triângulo são iguais entre si, os outros casos individuais de triângulos escalenos e isósceles, que a princípio negligenciamos, imediatamente se amontoam à nossa frente, fazendo-nos perceber a falsidade dessa proposição, que, entretanto, é verdadeira em relação à ideia que havíamos formado. Se a mente nem sempre sugere tais ideias na ocasião apropriada, isso se deve a alguma imperfeição de suas faculdades, imperfeição esta que frequentemente gera raciocínios falsos e sofismas. Mas tal fato socialmente interpretado ocorre, sobretudo, no caso das ideias abstrusas (cf. Braga, 2020) e compostas. O costume é mais perfeito, e é raro cometermos esse tipo de erro. O costume, aliás, é tão perfeito nesses casos que se pode vincular a mesma ideia a diversas palavras diferentes, e emprega-la em diferentes raciocínios, sem qualquer perigo de erro. A ideia de um triângulo equilátero pode servir para uma figura regular, de um triângulo e de um triângulo equilátero. Uma ideia particular se torna geral quando a vinculamos a um termo que, por conjunção habitual, relaciona-se a outras ideias particulares, evocando-as na imaginação. Ao rejeitar a capacidade infinita da mente, supomos que ela pode atingir na divisão de suas ideias. Não há como fugir à evidência dessa conclusão.   

            A divisibilidade infinita do espaço implica a do tempo, como fica evidente pela natureza do movimento. Mas podemos aqui observar, seguindo a trilha aberta por David Hume (2009), que nada pode ser mais absurdo que “esse costume arraigado de atribuir uma dificuldade aquilo que pretende ser uma demonstração”. As demonstrações não são como as probabilidades, quer dizer, em que podem ocorrer dificuldades, e um argumento pode contrabalançar outro, diminuindo sua autoridade. Uma demonstração ou é irresistível, ou não tem força alguma no pensamento. Portanto, falar em objeções e respostas, em contraposição de argumentos numa questão como essa, é o mesmo que confessar que a razão humana é um simples jogo de palavras, ou que a pessoa que assim se exprime não está à altura desses assuntos. Há demonstrações difíceis de compreender, por causa do caráter abstrato de seu tema; nenhuma demonstração, porém, uma vez compreendida, pode conter dificuldades que enfraqueçam sua autoridade. É uma máxima estabelecida da metafísica que tudo que a mente concebe claramente inclui a ideia da existência possível, ou, em outras palavras, que anda que imaginamos é absolutamente impossível. Não poderia haver descoberta mais feliz na vida para a solução de todas as controvérsias em torno das ideias que as impressões sempre precedem as ideias, e que toda ideia contida na imaginação apareceu primeiro em uma impressão correspondente. As percepções deste tipo são todas tão claras e evidentes que não admitem discussão, ao passo que muitas ideias são tão obscuras que é quase impossível, mesmo para a mente que as forma, dizer qual é exatamente sua natureza e composição. Uma aplicação desse princípio, revela per ser algo mais sobre a natureza de nossas ideias de espaço e tempo. 

             O arquiteto divino aparece também como uma derivação conceitual do artesão. Em todo lugar em que surge uma vontade capaz de dar forma ao projeto que ela mesma concebeu, o arranjo mecânico dos elementos, sustentado pelo decreto inicial, compõe uma totalidade externa cuja finalidade escapa por natureza aos componentes para se transportar inteira para a mente do organizador. O lucro do negociante sugere o lucro da nação. A balança é sua imagem obrigatória. O produto artesanal sugere o produto divino: o relógio, divisor do tempo, a máquina se torna sua representação privilegiada. Equilíbrio, ajuste e adaptação dos meios aos fins se unem no trabalho de montagem que supõe ao mesmo tempo um projeto humano, um plano, um construtor, condicionando uma escolha entre as diferentes séries de objetos manufaturados. Sem dúvida, é por ter apreendido nessas falências a lógica da argumentação, que Hume sugere nos Diálogos, a “fábula de uma repartição de tarefas”. Seus personagens debatem uma série de ideias e argumentos cujos proponentes acreditam que através do qual poderemos vir a conhecer a natureza de Deus. Os artesãos divinos contra os que persistem em considerar a questão da divisão do trabalho como conveniência comandada pela providência divina, mais do que a solução do problema que tem sido colocado como sobrevivência para a espécie.

        Reconhecido pelo padrão demonstrado de que não há ideias inatas na vida e que todo o conhecimento vem da experiência rigorosamente ao nexo de causalidade e necessidade, David Hume em vez de tomar a noção de causalidade, como concedido, desafia-nos a considerar o que a experiência nos permite saber sobre a relação estabelecida entre causa e efeito, pois nada é mais usual e natural, para aqueles que pretendem oferecer ao mundo novas descobertas filosóficas e científicas que insinuar elogios ao seu próprio sistema de pensamento. O homem de discernimento e de saber percebe facilmente a fragilidade do fundamento, até mesmo daqueles sistemas bem aceitos e com maiores pretensões de conter raciocínios precisos e profundos. Isto é, alguns princípios acolhidos da confiança; consequências deles deduzidas de maneira defeituosa; falta de coerência entre as partes, e de evidência no todo – tudo isso se pode encontrar nos sistemas dos mais eminentes filósofos, e parece cobrir de opróbrio a própria filosofia, pois mesmo “a plebe lá fora é capaz de julgar, pelo barulho e vozerio que ouve, que nem tudo vai bem aqui dentro”.      Neste âmbito tampouco é necessário um conhecimento muito profundo para se descobrir a distância e imperfeição na sociedade moderna e contemporânea e que de fato, não há nada que não seja objeto de discussão e sobre o qual os estudiosos não manifestam opiniões contrárias. Se por um lado multiplicam-se as disputas, como se tudo fora incerto; e essas disputas são conduzidas da maneira mais acalorada, como se tudo fora certo na vida cotidiana.

        É daí que surge na opinião de David Hume, o preconceito comum contra todo tipo de raciocínio metafísico. Mesmo por parte daqueles que são doutos e que costumam avaliar de maneira justa todos os outros gêneros da literatura. E realmente nada, a não ser o mais determinado ceticismo, juntamente como um elevado grau de indolência, pode justificar tal aversão à metafísica. Pois se a verdade está ao alcance da capacidade humana, é certo que ela deva esconder em algum lugar muito profundo e abstruso. Não por acaso, devemos reunir nossos experimentos mediante a observação cuidadosa concernente da vida. Tomando-os tais aspectos como aparecem no curso habitual do mundo vivido, no comportamento dos homens em suas ocupações e prazeres. E criteriosamente reunidos e comparados, podemos estabelecer, com base neles, uma ciência, que não será inferior em certeza, mas superior em utilidade, a qualquer outra que esteja ao alcance da compreensão humana. Assim Hume sustenta que nossas ideias são imagens de nossas impressões, assim também podemos formar ideias secundárias, que são imagens das ideias primárias.  

Não se trata de uma exceção à regra, mas de uma explicação. As ideias produzem as imagens de si mesmas em novas ideias; mas como supomos que as primeiras são derivadas de impressões, continua sendo verdade que todas as nossas ideias simples procedem, mediata ou imediatamente, de suas impressões correspondentes. Esse é o primeiro princípio que Hume estabelece na ciência da natureza humana. Pois cabe notar que a presente questão, a respeito da anterioridade de nossas impressões ou ideias, é a mesma que produziu tanto barulho sob outra formulação, quando se discutiu se haveria ideias inatas, ou se todas as ideias derivam da sensação e da reflexão. A fim de provar que as ideias de extensão e de cor não são inatas, os filósofos nada mais fazem que mostrar que elas são transmitidas por nossos sentidos. Para provar que as ideias de paixão e desejo são inatas, eles observam que experimentamos previamente em nós mesmos essas emoções. A faculdade pela qual repetimos nossas impressões da primeira maneira se chama memória, e a outra, imaginação. Mas se examinarmos cuidadosamente esses argumentos, veremos que eles nada provam, senão que as ideias são precedidas por outras percepções mais vívidas, das quais derivam e as quais elas representam a existência.

Psicanalistas veem na história de Cinderela muito mais do que uma simples trama romântica. Por ter origem atemporal e ter surgido em várias civilizações diferentes, historicamente, a trajetória da protagonista traduziria uma espécie de “arquétipo fundamental”, traduzindo o anseio natural da psiquê humana em ser reconhecida de forma especial e elevada a uma existência superior. A literatura e o cinema, cientes disso, utilizaram-se de seu arco dramático para o desenvolvimento de inúmeras outras obras de apelo popular. Além das animações de Walt Disney, não é novidade que seu primeiro longa-metragem de animação foi Branca de Neve e os Sete Anões, de 1937. A produção, que lançou o legado da animação Disney é, sem dúvidas, um marco estilístico que sempre buscaram inspiração nos contos de fadas e que merece destaque o filme Uma linda mulher, protagonizado por Julia Roberts, e que foi sucesso de bilheteria nos anos 1990. Como vimos, a trama socialmente gira em torno de Ana Santos, uma estagiária ignorada no trabalho. Mas muito predestinada ao redor do mundo da arte de Nova York, Estados Unidos da América, cuja vida social e carreira mudam quando, por acaso, ela é transferida para a primeira classe em um longo voo para Londres. Sociologicamente falando, esta é uma experiência, repentina e de mudança de hábito, mais luxuosa e robusta na oferta de serviços a bordo entre as classes do avião. - Um verdadeiro hotel 5 estrelas no ar. O ponto principal deste tipo de acomodação é a atenção customizada e de alto nível.

Cinderela era filha de um comerciante rico. Depois que seu pai morreu, sua madrasta tomou conta da casa que era de Cinderela. Cinderela então, passou a viver com sua madrasta malvada, junto de suas duas filhas que tinham inveja da beleza de Cinderela e transformaram-na em um serviçal. Ela tinha de fazer todos os serviços domésticos e ainda era alvo de deboches e malvadezas. Seu refúgio era o quarto no sótão da sua própria casa e seus únicos amigos: os animais da floresta. Um belo dia, é anunciado que o Rei realizará um baile para que o príncipe escolha sua esposa dentre todas as moças do reino. No convite, distribuído a todos os cidadãos, havia o aviso de que todas as moças deveriam comparecer ao Baile promovido pelo Rei. A madrasta de Cinderela sabia que ela era realmente a mais bonita da região, então disse que ela não poderia ir porque não tinha um vestido apropriado para a ocasião. Cinderela, então, costurou um vestido com a ajuda de seus amigos da floresta. Passarinhos, ratinhos e esquilos a ajudaram a fazer um vestido de retalhos, mas muito bonito. Porém, a madrasta não queria que Cinderela comparecesse ao baile de forma alguma, pois sua beleza impediria que o príncipe se interessasse por suas duas filhas. Sendo assim, ela e as filhas rasgaram o vestido, dizendo que não tinham autorizado Cinderela a usar os retalhos que estavam sendo jogados no lixo. Entretanto, na narrativa, fizeram isso de última hora, para impedir que a moça tivesse tempo para costurar outro e seguir em frente.

Muito triste, Cinderela foi para seu quarto no sótão e ficou à janela, olhando para o Castelo na colina. Chorou, chorou e rezou muito. De suas orações e lágrimas, surgiu sua Fada-madrinha que confortou a moça e usou de sua mágica para criar um lindo vestido para Cinderela. Também surgiu uma linda carruagem e os amiguinhos da floresta foram transformados em humanos, cocheiro e ajudantes de Cinderela. Antes de sua afilhada sair, a Fada-madrinha lhe deu um aviso: a moça deveria chegar antes da meia-noite, ou toda a mágica iria se desfazer aos olhos de todos. Cinderela chegou à festa como uma princesa. Estava tão bonita, que não foi reconhecida a não ser pela madrasta, que passou a noite inteira dizendo para as filhas que achava conhecer a moça de algum lugar, mas não conseguia dizer de onde. O príncipe, prontamente a viu, aproximando-se a convidou para dançar. Cinderela e o príncipe dançaram e dançaram a noite inteira. Conversaram e riram como duas almas gêmeas e logo se perceberam feitos um para o outro. Acontece que a fada-madrinha tinha avisado que toda a magia só duraria até à meia-noite e um minuto. Quando o relógio badalou as doze batidas e um minuto, Cinderela teve de sair correndo. 

 Foi quando deixou um dos seus sapatinhos brilhantes de cristal na escadaria. O príncipe, muito preocupado por não saber o nome da moça, ou como reencontrá-la, pegou o pequeno sapatinho e saiu percorrendo os caminhos em sua busca no reino e em outras cidades. Muitas moças disseram ser a dona do sapatinho, mas o pé de nenhuma delas se encaixava no objeto. Quando o príncipe bateu à porta da casa de Cinderela, a madrasta trancou a moça no sótão da casa e deixou apenas que suas duas filhas experimentassem o sapatinho. Apesar das feiosas se esforçarem, nada do sapatinho de cristal servir. Foi quando um ajudante do príncipe viu que havia uma moça na janela do sótão da casa. Conquanto sob as ordens do príncipe, a madrasta teve de deixar Cinderela descer. A moça experimentou o sapatinho, mas antes mesmo que ele servisse em seus pés, o príncipe estupefato, já tinha dentro do seu coração a certeza impressionante de que por suposto havia reencontrado para o amor de sua vida. Cinderela e o príncipe se casaram em uma linda cerimônia, e anos depois se tornariam Rei e Rainha, famosos pelo coração e pelo senso de justiça. Cinderela e o príncipe foram felizes para todo o sempre.

Ana é uma estagiária jovem que sonha com uma carreira no mundo das artes enquanto tenta impressionar sua chefe exigente, Claire. Por causa do alto custo de vida em Nova York, Ana acaba morando com sua irmã Vivian e o namorado, Ronnie, egoísta que mormente implora para ela se mudar, ao invés de acolhê-la nessa fase de transição na vida cotidiana e profissional. Durante um leilão de arte no trabalho, Ana percebe um erro grave de digitação no catálogo e avisa Claire antes dele ser vendido. Devido esse feito, Claire convida Ana para uma viagem de trabalho a Londres “para servir como assistente de suas assistentes”. Suzette e Renee, as duas assistentes de Claire, sabotam a viagem de Ana ao esperar que todos embarquem no voo para informá-la de que reservaram para Ana uma passagem de voo econômica, em um voo que sairá quatro horas depois. Entretanto, bilheteira presencia os maus-tratos e faz o upgrade da passagem de Ana para a primeira classe. Enquanto estava na sala da primeira classe, um telefonema faz com que Ana derrame sua bebida em um rapaz rico chamado William. Os dois acabam sentados um ao lado do outro no voo e se dão bem, mas Ana tergiversa para William fazendo-o acreditar que ela é a diretora de arte do escritório de sua empresa em Nova York. Impressionado, ele apresenta Ana à sua mãe, Catherine, uma famosa celebridade britânica.

            O oportunismo crasso é evidente entre Suzette e Renee que continuam a sabotar e perturbar Ana, atribuindo-lhe um escritório em um porão em construção e um quarto em um hotel espelunca e mais barato. Ana recebe uma mensagem de voz informando que ela deixou seu laptop no carro de William. É uma deriva da aglutinação dos termos em inglês “lap” (colo) e “top” (em cima), que tem como significação “em cima do colo”, em contrapartida ao desktop que significa, literalmente, “em cima da mesa”. Naquela noite, ela vai até a casa de Catherine pegar seu laptop e se vê no meio de uma festa in partibus infidelium. Lá ela vê a extensa coleção de arte de Catherine, reconhece um pintor famoso e continua a enganar sobre ser diretora de uma casa de leilões de Nova York. Suzette e Renee têm a tarefa de conseguir ingressos de última hora para uma apresentação do “Sonho de uma Noite de Verão”, de Shakespeare, uma comédia escrita em meados de 1590, enquanto transferem tarefas para Ana. Desesperada para conseguir ingressos para impressionar Claire, Ana visita William, que treina uma liga de futebol em “situação de risco”. Sua carga horária de trabalho faz com que ela recuse um convite para almoçar, mas William lembra a ela que haverá uma festa naquela noite e que sua mãe, Catherine, quer que Ana compareça e que ele gostaria de marcar um Encontro.

Suzette é obrigada a admitir que não conseguiu os ingressos e fica ainda mais constrangida quando Ana aparece e entrega os ingressos para Claire. As tensões no ambiente aumentam à medida que Gerard, o diretor de arte do escritório de Paris, e Claire disputam o cargo de diretor-chefe da empresa. Ana comparece à festa com um vestido de grife que ela pegou “emprestado” de Claire. Quando de repente ela vê Claire chegar com Suzette e Renee, ela fica com medo de que sua mentira seja revelada e tenta fugir. Will vai atrás dela antes que ela vá embora e a leva para dançar em um bar local. No final da noite, Ana, envergonhada com o local onde está hospedada, faz com que William a deixe no hotel chique de Claire. Antes de ir embora, William confessa que está se apaixonando por ela. Na semana seguinte, Ana e William continuam a passar tempo juntos, ficando cada vez mais próximos. Ele diz a ela que sabe que o trabalho dela é importante e que combinou a transferência de seu trabalho para Nova York para que eles possam continuar o relacionamento. No escritório, Claire elogia o trabalho duro de Ana e garante que haverá uma promoção para ela no futuro. Renee interrompe a reunião para revelar que uma grande cliente acaba de desistir do próximo leilão. Quando é revelado que a cliente é Catherine, William, nesse mesmo momento, chega para surpreender Ana no trabalho e levá-la para almoçar. Ela o arrasta para fora do prédio e William desconfia com razão do comportamento dela, dizendo que não teve nada a ver com a decisão de sua mãe.

Ele questiona se Ana o estava usando apenas para garantir a venda da mãe e termina com ela. Quando Ana volta para o prédio, acaba sendo confrontada por Claire, que descobriu suas mentiras e seu relacionamento com a família de William. Ela é demitida e escoltada para fora do prédio. Ana visita Catherine e confessa a verdade. Em vez de ficar chateada, Catherine se orgulha de Ana por sua honestidade e boa atuação, e concorda em voltar ao leilão com a questão incondicional de que Ana seja quem cuidará da venda. Ana é recontratada e consegue vender a arte de Catherine por muito mais valor do que o esperado. Ela volta ao campo de futebol e pede desculpas a William, que diz que não gostava dela porque ela era rica, mas porque a achava uma pessoa honesta. Ana volta para Nova York e passados seis meses depois desta série de coincidências não tem mais notícias de William, mas, o melhor de tudo é que está prosperando. Ana dá uma festa para comemorar a inauguração de sua própria galeria de arte. No final da noite, depois que todos saíram, William chega com a mala e a surpreende dizendo que sentiu saudades e que irá ficar em Nova York. Os dois se beijam e acabam dormindo juntos.

Assim Hume sustenta que nossas ideias são imagens de nossas impressões, assim também podemos formar ideias secundárias, que são imagens das primárias. Não se trata de uma exceção à regra, mas de uma explicação. As ideias produzem as imagens de si mesmas que se reproduzem em novas ideias; mas como supomos que as primeiras são derivadas de impressões, continua sendo verdade que todas as nossas ideias simples procedem, mediata ou imediatamente, de suas impressões correspondentes. Esse é o primeiro princípio que Hume estabelece na ciência da natureza humana. Pois cabe notar que a presente questão, a respeito da anterioridade de nossas impressões ou ideias, é a mesma que produziu tanto barulho sob outra formulação, quando se discutiu se haveria ideias inatas, ou se todas as ideias derivam da sensação e da reflexão. A fim de provar que as ideias de extensão e de cor não são inatas, os filósofos nada mais fazem que mostrar que elas são transmitidas por nossos sentidos. Para provar que as ideias de paixão e desejo são inatas, eles observam que experimentamos previamente em nós mesmos essas emoções. A faculdade pela qual repetimos nossas impressões da primeira maneira se chama memória, e a outra, mormente imaginação. Mas se examinarmos cuidadosamente esses argumentos, veremos que eles nada provam, senão que as ideias são precedidas por outras percepções mais vívidas, das quais derivam e as quais elas representam.

Melhor dizendo, que as ideias da memória são muito mais vivas e fortes que as da imaginação, e que a primeira faculdade pinta seus objetos em cores mais distintas que todas as que possam ser usadas pela última. Ao nos lembrarmos de um acontecimento passado, sua ideia invade nossa mente com força de uma expressão, ao passo que, na imaginação, a percepção humana é fraca e lânguida, e apenas com muita dificuldade pode ser conservada firme e uniforme pela mente durante todo o período considerável de tempo. Temos aqui uma diferença sensível entre as duas espécies de ideias. Mas há uma outra diferença, não menos evidente, entre esses dois tipos de ideias. Embora nem as ideias da memória nem as da imaginação, nem as ideias vívidas nem as fracas possam surgir na mente antes que impressões correspondentes tenham vindo abrir-lhes o caminho, a imaginação não se restringe à mesma ordem na forma das impressões originais, ao passo que a memória está de certa maneira amarrada quanto a esse aspecto, sem nenhum poder de variação. É evidente que a memória preserva a forma original sob a qual seus objetos se apresentaram. A principal função da memória não é preservar as ideias simples, mas precisamente sua ordem e posição. Esse princípio se apoia em aspectos comuns e vulgares do dia a dia que podemos nos poupar o trabalho de continuar insistindo nele. 

Como a imaginação pode separar todas as ideias simples, e uni-las novamente da forma que bem lhe aprouver, nada seria mais inexplicável que as operações dessa faculdade, se ela não fosse guiada por alguns princípios universais, que a tornam, em certa medida, uniforme em todos os momentos e lugares. Fossem as ideias inteiramente soltas e desconexas, apenas o acaso as ajuntaria; e seria impossível que as mesmas ideias simples se reunissem de maneira regular em ideias complexas se não houvesse algum laço de união entre elas, alguma qualidade associativa, pela qual uma ideia naturalmente introduz outra. Esse princípio de união entre as ideias não deve ser considerado uma conexão inseparável, tampouco devemos concluir que, sem ele a mente não poderia juntar duas ideias – pois nada é mais livre que essa faculdade. Devemos vê-lo apenas como uma força suave, que comumente prevalece, e que é a causa pela qual, entre outras coisas, as línguas se correspondem de modo tão estreito umas às outras: pois a natureza de alguma forma aponta a cada um de nós as ideias simples mais apropriadas para serem unidas em uma ideia complexa. As qualidades não dão origem a tal associação, e que levam a mente, dessa maneira, de uma ideia a outra, são três, a saber: semelhança, contiguidade no tempo e espaço, e causa e efeito. Dois objetos podem ser considerados como estando inseridos nessa relação, seja quando um deles é a causa de qualquer ação ou movimento do outro, seja quando o primeiro é a causa da existência do segundo.

Pois como essa ação ou movimento não é senão o próprio objeto, considerado sob um certo ângulo, e como o objeto continua o mesmo em todas as suas diferentes situações, é fácil imaginar de que forma tal influência dos objetos uns sobre os outros pode conectá-los na imaginação. Podemos prosseguir com esse raciocínio, observando que dois objetos estão conectados pela relação causa e efeito não apenas quando produz um movimento ou uma ação qualquer no outro, no outro, mas também quando tem o poder de os produzir. Notemos que essa é a fonte de todas as relações de interesse e dever através dos quais os homens se influenciam mutuamente na sociedade que se ligam pelos laços de governo e subordinação. Um senhor é aquele que, por sua situação, decorrente quer da força quer de um acordo, tem o poder de dirigir, sob alguns aspectos particulares, as ações de outro homem. Um juiz é aquele que, em todos os casos litigiosos entre membros da sociedade, é capaz de decidir, com sua opinião a quem cabe a posse ou a propriedade de determinado objeto. Quando uma pessoa possui certo poder, nada mais é necessário para convertê-lo em ação que o exercício da vontade; e isso, em todos os casos, é considerável possível, e em muitos, provável – especialmente no caso da autoridade, em qua a obediência do súdito é um prazer e uma vantagem para seu superior. Está claro que, no curso de nosso pensamento socialmente e na constante circulação de nossas ideias, a imaginação individual e coletiva passa facilmente de uma ideia a qualquer outra que seja, por conseguinte semelhante a ela.

Assim como existe o nascimento de uma semiologia e sociologia da celebridade e até mesmo mais recentemente, uma economia da celebridade e tal qualidade, por si só, constitui um vínculo afetivo e uma associação suficiente para a fantasia. É também evidente que, com os sentidos, ao passarem de um objeto a outro, precisam fazê-lo de modo regular, tomando-os sua contiguidade uns em relação aos outros, a imaginação adquire, por um longo costume, o mesmo método de pensamento, e percorre as partes do espaço e do tempo ao conceber seus objetos. Quanto à conexão realizada pela relação de causa e efeito, basta observar que nenhuma relação produz uma conexão mais forte na fantasia e faz com que uma ideia evoque mais prontamente outra ideia que a relação de causa e efeito entre seus objetos. Para compreender toda a extensão dessas relações sociais, devemos considerar que dois objetos coincidentemente estão conectados na imaginação humana. Não somente quando um deles é imediatamente semelhante ou contíguo ao outro, ou quando é a representação da causa. Mas quando entre eles encontra-se inserido um terceiro objeto, que mantém com ambos alguma dessas notáveis relações. Dentre as três relações mencionadas, a de causalidade é a de maior extensão.

Considerados em si mesmos, todos os objetos que Hume chama de causas e efeitos são tão distintos e separados uns dos outros quanto de qualquer outra coisa na natureza. Assim, somente pela experiência e observação de sua união constante somos capazes de fazer essa inferência. E, assim mesmo, a inferência não passa de um efeito do costume sobre a imaginação. Portanto, sempre que observamos a mesma união, e sempre que a união age da mesma maneira sobre a crença e a opinião, temos a ideia de causas e de necessidade, ainda que às vezes possamos evitar essas expressões. Dessa união constante, ela forma a ideia de causa e também de efeito e, por sua influência, sente a necessidade. De fato, quando consideramos quão adequadamente as evidências naturais e morais se aglutinam, formando uma cadeia única de argumentação, não hesitaremos em admitir que têm a mesma natureza e derivam dos mesmos princípios. A experiência da mesma união tem o mesmo efeito produzido sobre a mente, quer os objetos unidos sejam motivos, volições e ações praticamente, quer sejam figuras e movimentos. Podemos mudar os nomes das coisas, mas sua natureza e sua operação sobre o entendimento nunca mudam.

O entendimento se exerce de dois modos diferentes, conforme julgue por demonstração ou por probabilidade; isto é, conforme considere as relações abstratas entre nossas ideias ou as relações entre os objetos, que só conhecemos pela experiência. Como o seu domínio próprio é o mundo das ideias, e como a vontade sempre nos põe no mundo das realidades, a demonstração e a volição parecem estar, por esse motivo, inteiramente separadas uma da outra. O raciocínio abstrato ou demonstrativo, portanto, só influencia nossas ações enquanto dirige nosso juízo sobre causas e efeitos. É evidente que, quando temos a perspectiva de vir a sentir dou ou prazer por causa de um objeto, sentimos, em consequência disso, uma emoção de aversão ou de propensão, e somos levados a evitar ou abraçar aquilo que nos proporcionará esses desprazeres ou essa satisfação. Também é evidente que tal emoção não se limita a isso; ao contrário, faz que olhemos para todos os lados, abrangendo qualquer objeto que esteja conectado como o originalmente pela relação de causa e efeito. É que o raciocínio tem lugar para descobrir essa relação, e conforme nossos raciocínios variam, nossas ações sofrem uma variação subsequente. É a propensão de dor ou prazer que gera a aversão ou propensão ao objeto.

Uma vez que a razão sozinha não pode produzir nenhuma ação nem gerar volição, inferimos que essa mesma faculdade é igualmente incapaz de impedir uma volição ou de disputar nossa preferência com qualquer paixão ou emoção. Essa é uma consequência exatamente necessária. A única possibilidade de a razão ter esse efeito de impedir a volição seria conferido um impulso em direção contrária à de nossa paixão; e esse impulso, se operasse isoladamente, teria sido capaz de produzir a volição. Nada pode se opor ao impulso da paixão, ou retardá-lo, senão um impulso contrário; e para que esse impulso contrário pudesse alguma vez resultar da razão, esta última faculdade teria de exercer uma influência original sobre a vontade e ser capaz de causar, bem como de impedir, qualquer ato volitivo. Mas se a razão não possui influência original, é impossível que possa fazer frente a um princípio dessa eficácia (simbólica) ou que possa manter a mente em suspenso (abstrata) por um instante sequer. Quando nos referimos ao combate entre paixão e razão, lembra Hume, “a razão é e deve ser, apenas a escrava das paixões, e não pode aspirar a outra função além de servir e obedecer a elas”. A razão, querendo extinguir as paixões, torna-se per se, singularmente a paixão de si própria.

Uma paixão é uma existência original ou, uma modificação de existência; não contém nenhuma qualidade representativa que a torne cópia de outra existência ou modificação. A princípio o que pode se pensar sobre esse ponto é que, uma vez que nada pode ser contrário à verdade ou à razão exceto o que se refira a ela de alguma maneira, e uma vez que somente os juízos de nosso entendimento o fazem, deve-se seguir que as paixões só podem ser contrárias à razão enquanto estiverem acompanhadas de algum juízo ou opinião. De acordo com esse princípio, que é tão evidente e natural, um afeto só pode ser dito contrário á razão em dois sentidos. Primeiro, quando uma paixão, como a esperança ou o medo, a tristeza ou a alegria, o desespero ou a confiança, está fundada na suposição da existência de objetos que existem realmente. Segundo, quando, ao agirmos movidos por uma paixão, escolhemos meios insuficientes para o fim pretendido, e nos enganamos em juízos de causas e efeitos. Quando uma paixão não está fundada em falsas suposições, nem escolhe meios insuficientes para sua finalidade objetivamente, o entendimento não pode justifica-la, e muito menos nem condená-la. Não é contrário à razão, diz Hume, eu preferir a destruição do mundo inteiro a um arranhão em meu dedo.

Não é contrário à razão que eu escolha minha total destruição só para evitar o menor desconforto de um índio ou de uma pessoa que me inteiramente desconhecida. Tampouco é contrário à razão eu preferir aquilo que reconheço ser para mim um bem menor a um bem maior, ou sentir uma afeição mais forte pelo primeiro que pelo segundo. Um bem trivial imaterial pode, graças a certas circunstâncias, produzir um desejo superior ao que resulta do prazer mais intenso e valioso. Uma paixão tem de ser acompanhada de algum juízo falso para ser contrária à razão; e de fato, não é propriamente a paixão que é contrária à razão, mas o juízo. As consequências disso são evidentes, pois é impossível que razão e paixão possam se opor mutuamente ou disputar o controle da vontade e das ações. Assim que percebemos a falsidade de uma suposição ou a insuficiência de certos meios, nossas paixões cedem à nossa razão e sem nenhuma oposição. Enfim, é por isso que toda ação da mente que opera com a mesma calma e tranquilidade é confundida com a razão por todos aqueles que julgam as coisas por seu primeiro aspecto e aparência. Quando alguma dessas paixões é calma e não causa nenhuma desordem na alma, é facilmente confundida com as determinações da razão, e supomos que procede da mesma faculdade que a que julga sobre a verdade a falsidade. Supomos que sua natureza e princípios são os mesmos porque suas sensações não são evidentemente diferentes.

Bibliografia Geral Consultada.

BAECHLER, Jean, Qu`est-ce que L’Idéologie? Paris: Collection de Poche de Idées Gallimard, 1976; BAUDRILLARD, Jean, Da Sedução. Rio de Janeiro: Editora papirus, 1992; ROMANO, Vicente, Desarrollo y Progreso: Por una Ecología de la Comunicación. Barcelona: Editorial Teide, 1993; WEBER, Max, Ensaios de Sociologia. Org. e Introdução de Hans Gerth e Charles Wright Mills. Revisão Técnica de Fernando Henrique Cardoso. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1974; Idem, A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. 2ª edição revista. São Paulo: Editora Pioneira, 2003; ARON, Raymond, L`Opium des Intellectuelles. Paris: Editeur Hachette, 1991; Idem, O Marxismo de Marx. São Paulo: Editor Arx, 2005; HUME, David, Tratado da Natureza Humana. Uma Tentativa de Introduzir o Método Experimental de Raciocínio nos Assuntos Morais. 2ª edição revista e ampliada. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 2009; BALIEIRO, Marcos Ribeiro, Essa Mistura Terrena Grosseira: Filosofia e Vida Comum em David Hume. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Filosofia. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Departamento de Filosofia. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2009; KIRALY, Cesar, Os Limites da Representação: Um Ensaio desde a Filosofia de David Hume. São Paulo: Giz Editorial, 2010; COMETTI, Jean-Pierre, Qu`est-ce que le Pragmatisme? Paris: Éditions Gallimard, 2010; LÖWY, Michael, A Jaula de Aço: Max Weber e o Marxismo Weberiano. 1ª edição. São Paulo: Boitempo Editorial, 2014; LILTI, Antoine, A Invenção da Celebridade (1750-1850). 1ª edição. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 2018; OLIVEIRA, Juliana Michelli da Silva, A Vida das Máquinas: O Imaginário dos Autômatos em O Método de Edgar Morin. Tese de Doutorado. Faculdade de Educação. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2019; BRAGA, Ubiracy de Souza, “O Raciocínio Abstruso”. In: Jornal O Povo. Fortaleza, 11 de agosto de 2020; AZEVEDO, Thiago Vargas Escobar, As Sociedades e as Trocas. Rousseau, a Economia Política e os Fundamentos Filosóficos do Liberalismo. Tese de Doutorado. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Departamento de Filosofia. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2020; VARGAS, Thiago, A Filosofia da Fisiocracia. Metafísica, Política, Economia. São Paulo: Discurso Editorial, 2021; ELLWOOD-HUGHES, Pip, “Upgraded Review: Camila Mendes Leads a New Take on Cinderella”. Disponível em:  https://entertainment-focus.com/2024/02/08/; entre outros.

terça-feira, 26 de dezembro de 2023

Lago Braies – Domínio das Guerras & Destino Cultural do Turismo.

                                              O mundo é um livro, e quem não viaja lê apenas uma página”. Santo Agostinho                   

       O Lago Braies tem como representação social um lago natural localizado nas Dolomitas de Prags, no Tirol do Sul, Itália. Pertence ao município de Prags, situado no Vale de Prags. Durante a 2ª Guerra Mundial (1939-1945), foi o destino do transporte de prisioneiros per se de “campos de concentração” para o Tirol. Embora o lago tenha ganhado o apelido de “Pérola dos Alpes” devido à sua crescente popularidade entre os consumidores turistas, isto é, o turismo tornou-se excessivo em 2020, com 17.000 pessoas visitando a área em um único dia de verão. A partir do verão de 2023, o acesso de veículos foi restringido devido ao excesso de turistas. O Tirol é uma região histórica e geograficamente da parte ocidental da Europa Central que inclui o estado do Tirol, na Áustria, e a Região Autônoma Trentino-Alto Ádige (Trentino-Südtirol), na Itália. A porção meridional do Tirol subdivide-se desde 1920, em província autônoma de Bolzano (Südtirol-Alto Ádige) e província autônoma de Trento (Trentino). A região situa-se na área da Áustria habitada pelos récios a partir do século I a.C. Mas a história do Tirol tem início nos séculos centrais da Idade Média, com o Principado Episcopal de Trento, cuja extensão original compreendia, além do atual Trentino, também grande parte do atual Tirol Meridional, foi durante a Idade Média e Moderna um Estado autônomo dentro do Sacro Império Romano-Germânico.

            Turista é um visitante que se desloca voluntariamente por período de tempo igual ou superior a 24 horas para local diferente da sua residência e do seu trabalho pernoitando nesse mesmo lugar. Um excursionista é um visitante que, embora visite esse mesmo lugar, não pernoita. Existem duas linhas de pensamentos, no qual a história do turismo se divide. A primeira seria que é o ócio, descanso, cultura, saúde, negócios ou relações familiares. Estes deslocamentos se distinguem por sua finalidade dos outros tipos sociais de viagens motivados por guerras, movimentos migratórios, conquista, comércio, etc. Não obstante o turismo tem antecedentes históricos claros. Depois, se concretizaria com o então movimento da Revolução Industrial. A segunda linha de pensamento se baseia em que o Turismo realmente se iniciou com a Revolução Industrial, visto que os deslocamentos tinham como intuito o lazer. Na história da Grécia Antiga, dava-se grande importância ao tempo livre, os quais eram dedicados à cultura, diversão, religião e desporto. Os deslocamentos mais destacados eram os que se realizavam com a finalidade de assistir as olimpíadas que ocorriam a cada 4 anos na cidade de Olímpia. Para lá se deslocavam milhares de pessoas, misturando religião e desporto. Também existiam peregrinações religiosas, como as que se dirigiam aos Oráculos de Delfos e ao de Dódona.

Durante o Império Romano os romanos frequentavam águas termais como as das termas de Caracalla. Eram assíduos de grandes espetáculos, em teatros, e realizavam deslocamentos habituais para a costa, como o caso muito reconhecido, para uma vila de férias: a “orillas del mar”. Estas viagens de prazer ocorreram possivelmente devido a três fatores fundamentais: a “Pax Romana”, o desenvolvimento de importantes vias de tráfego e comunicação e a prosperidade econômica que possibilitou a alguns cidadãos meios financeiros e tempo social livre. Na Idade Média ocorreu num primeiro momento um retrocesso devido ao maior número de conflitos e a recessão econômica. Muitos preferiam não viajar ou se deslocar em feudos, pois teriam que pagar impostos para cada um, e cada feudo tinha seu direito de criar suas regras, entretanto surge nesta época um novo tipo de viagem, as peregrinações religiosas. Embora já tenha existido na época antiga e clássica, entretanto, tanto o Cristianismo como o Islã estenderam a um maior número de peregrinos e deslocamentos ainda maiores. São famosas as expedições desde Veneza a Terra Santa e as peregrinações pelo Caminho de Santiago, desde 814 em que se descobriu à tumba do santo, foram contínuas as peregrinações em boa parte da Europa, criando assim mapas e todo o tipo comunicativo de serviço para os viajantes. Quanto ao turismo islâmico de Haje, a peregrinação para Meca é um dos cinco Pilares do Islamismo obrigando a todos os “crentes” a fazerem esta peregrinação ao menos uma vez em sua vida.

                                            


As peregrinações, por outro lado, continuam durante a Idade Moderna. Em Roma morrem 1 500 peregrinos por causa da peste. E neste momento quando aparecem os primeiros alojamentos com o nome de hotel, palavra francesa que designava “os palácios urbanos”. Como as viagens das grandes personalidades acompanhadas de seu séquito, comitivas cada vez mais numerosas, sendo impossível alojar a todos em palácio, ocorre à criação de novas edificações hoteleiras. Esta é também a época das grandes expedições marítimas de espanhóis, britânicos e portugueses que despertam a curiosidade e o interesse por grandes viagens. Durante o século XVI surge o costume de mandar os jovens aristocratas ingleses para fazerem um “Grand Tour” ao final de seus estudos, com a finalidade de complementar sua formação e adquirir certas experiências. Sendo uma viagem de larga duração compreendida entre 3 e 5 anos que se fazia por distintos países europeus, e desta atividade nascem as palavras: turismo, turista, e assim por diante. Existindo um ressurgir das antigas termas, que haviam decaído durante a Idade Média. Não tendo somente como motivação a indicação medicinal, sendo também por diversão e o entretenimento em estâncias termais como, por exemplo, em Bath, na Inglaterra.

Também nesta mesma época data o descobrimento do valor medicinal da argila com os banhos de barro como remédio terapêutico, praias frias (Niza …) onde as pessoas iam tomar os banhos por prescrição médica. Com a Revolução Industrial se consolida a burguesia que volta a dispor de recursos econômicos e tempo livre para viajar. O invento do maquinário a vapor promove uma revolução nos transportes, que possibilita substituir a tração animal pelo trem a vapor tendo as linhas férreas que percorrem com rapidez as grandes distâncias cobrindo grande parte do território europeu e norte-americano. Também o uso do vapor nas navegações reduz o tempo dos deslocamentos. Freedom of the Seas, considerado o maior navio cruzeiro do planeta, símbolo da Era das viagens marítimas. A Inglaterra torna-se a primeira sociedade a oferecer passagens de travessias transoceânicas e dominam o mercado marítimo na segunda metade do século XIX, o que favorecerá as correntes migratórias europeias para a América. Sendo este o grande momento dos transportes marítimos e das companhias navais. Ipso facto, começa a surgir na Europa o “turismo de montanha” ou “turismo de saúde” quando se constroem famosos sanatórios e clínicas privadas europeias, muitos deles ainda existem como pequenos hotéis guardando ainda um certo charme. O turismo apesar de sua decadência é a terceira atividade legal mais importante da divisão do trabalho e da economia mundial.                       

           O nome do lago é atestado em 1296 como Hünz an den Se, em 1330 como Praxersee, em 1400 como See in Prags, em 1620 como Pragsersee e em 1885 como Pragser Wildsee; a designação de “selvagem” é, portanto, do século XIX e talvez esteja relacionada com o montanhismo, que nesse período começou a tornar-se um fenômeno de massas. O nome italiano “Lago di Braies” remonta a 1940, enquanto no primeiro Guia de 1923 ainda aparece apenas como “Pragser Wildsee”. O lago fica aos pés da imponente face rochosa do Seekofel (em italiano Croda del Becco), (em ladino Sass dla Porta), com 2.810 metros e está localizado no parque natural Fanes - Sennes – Prags. Possui uma extensão de cerca de 31 hectares, com 1,2 km de comprimento e cerca de 300-400 metros de largura. É um dos lagos mais profundos da província autônoma de Bolzano, também chamada Alto Ádige ou Tirol do Sul, tem como representação uma província italiana, uma das duas partes constituintes da região autônoma do Trentino-Alto Ádige, com uma profundidade máxima de 36 metros e profundidade média de 17 metros. A temperatura máxima da água é 14 °C. Trata-se de um lago de barragem, que se deve ao represamento do rio Prags por um deslizamento de terra desprendido do filão de Herrstein.                      

         A primeira observação familiar da crítica sociológica de Émile Durkheim (1858-1917), é que a corporação tem contra si seu próprio passado histórico. De fato, ela é tida como intimamente solidária do antigo regime político e, por conseguinte, como incapaz de sobreviver a ele. Na história da filosofia, o que permite considerar as corporações uma organização temporária, boa apenas para uma época e uma civilização determinada, é, ao mesmo tempo, sua grande antiguidade e a maneira como se desenvolveram na história. Se elas datassem unicamente da Idade Média, poder-se-ia crer, de fato que, nascidas com um sistema político, deviam necessariamente desaparecer com ele. Mas, na realidade, têm uma origem bem mais antiga. Em geral, elas aparecem desde que as profissões existem, isto é, desde que a atividade deixa de ser puramente agrícola. Se não parecem ter sido conhecidas na Grécia, até o tempo da conquista romana, é porque os ofícios, sendo desprezados, eram exercidos exclusivamente por estrangeiros e, por isso mesmo, achavam-se excluídos da organização legal da cidade. Mas em Roma, comparativamente, elas datam pelo menos dos primeiros tempos da República; uma tradição chegava até a atribuir sua criação ao rei Numa, um sabino escolhido como segundo rei de Roma.

Sábio, pacífico e religioso, dedicou-se a elaboração das primeiras leis de Roma, assim como dos primeiros ofícios religiosos da cidade e do primeiro calendário. É verdade que, por tempo socialmente, elas tiveram de levar uma existência bastante humilde, pois os historiadores e os monumentos só raramente as mencionam; não sabemos muito bem como eram organizadas. Desde de Cícero, sua quantidade tornara-se considerável e elas começavam a desempenhar um papel. Nesse momento, diz J.-P Waltzing (1857-1929), “todas as classes de trabalhadores parecem possuídas pelo desejo de multiplicar as associações profissionais” (cf. Durkheim, 2010).   Mas o caráter desses agrupamentos se modificou; eles acabaram tornando-se “verdadeiras engrenagens da administração”. Desempenhavam funções oficiais; cada profissão era vista como um serviço público, cujo encargo e cuja responsabilidade ante o Estado cabiam à corporação correspondente. Foi a ruína da instituição. Porque, segundo Durkheim, essa dependência em relação ao Estado não tardou a degenerar numa servidão intolerável que os imperadores só puderam manter pela coerção. Todas as sortes de procedimentos foram empregadas para impedir que os trabalhadores escapassem das pesadas obrigações que resultavam, para eles, de sua própria profissão. Evidentemente, tal sistema de trabalho só podia durar enquanto o poder político fosse o bastante para impô-lo.

Uma forma de atividade generalizada que tomou lugar na vida social não pode, evidentemente, permanecer tão desregulamentada, em seu desempenho e atividade, sem que disso resulte os impactos sociais sobre a divisão do trabalho e as mais profundas perturbações. Mas sofrer no trabalho não é uma fatalidade. É, em particular, como decorre e testemunhamos, uma fonte de desmoralização geral real. Pois, precisamente porque as do ponto de vista das funções econômicas absorvem o maior número de cidadãos, para o pleno desenvolvimento da vida social, há uma multidão de indivíduos, como dizia Freud, cuja vida transcorre quase toda no meio industrial e comercial; a decorrência disso é que, como tal meio é pouco marcado pela moralidade, a maior parte da existência transcorre fora de toda e qualquer ação moral. A tese funcionalista expressa na pena de Émile Durkheim, como uma espécie de antídoto da civilização, e que o sentimento do dever cumprido se fixe fortemente em nós, é preciso que as próprias circunstâncias em que vivemos permanentemente desperto. A atividade de uma profissão só pode ser regulamentada eficazmente por “um grupo próximo o bastante dessa mesma profissão para conhecer bem seu funcionamento, para sentir todas as suas necessidades e poder seguir todas as variações destas”. O único grupo que corresponde a essas condições é o que seria formado por todos os agentes de uma mesma condição reunidos num mesmo corpo. E que a sociologia durkheimiana conceitua de corporação ou grupo profissional. É na ordem econômica que o grupo profissional existe tanto quanto a moral profissional. Desde que com a supressão das antigas corporações, não se fizeram mais do que tentativas fragmentárias e incompletas para reconstituí-las em novas bases sociais. 

Os únicos agrupamentos dotados de permanência são os que se chamam sindicatos, seja de patrões, seja de operários. Historicamente, temos aí in statu nascendi o começo e o princípio ético de uma organização profissional, mas ainda de forma rudimentar. Isto porque, em primeiro lugar, um sindicato é uma associação privada, sem autoridade legal, desprovida, por conseguinte, de qualquer poder regulamentador. O número deles é teoricamente ilimitado, mesmo no interior de uma categoria industrial; e, como cada um é independente dos outros, se não se constituem em federação e se unificam, não há neles nada que exprima a unidade da profissão em seu conjunto de práticas e saberes sociais. Não só os sindicatos de patrões e de empregados são distintos uns dos outros, o que é legítimo e necessário, como não há entre eles contatos regulares. Não existe organização comum que os aproxime sem fazê-los perder sua individualidade e na qual possam elaborar em comum uma regulamentação que, estabelecendo suas relações mútuas, imponha-se a ambas as partes com a mesma autoridade; por conseguinte, é sempre a “lei dos mais forte” que resolve os conflitos, e o estado de guerra subiste inteiro. Salvo no caso de seus atos pertencentes à esfera moral comum estão na mesma situação. A tese sociológica é a seguinte: para que uma moral e um direito profissionais possam se estabelecer nas diferentes profissões, é necessário, pois, que a corporação, em vez de permanecer um agregado confuso e sem unidade, se torne, ou antes, volte a ser, um grupo definido, organizado, uma instituição pública.  A primeira observação familiar da crítica histórica e sociológica de Émile Durkheim, é que a corporação tem contra si seu próprio passado histórico. De fato, ela é tida como intimamente solidária do antigo regime político e, por conseguinte, como incapaz de sobreviver a ele.

   Na história da filosofia, o que permite considerar as corporações uma organização temporária, boa apenas para uma época e uma civilização determinada, é, ao mesmo tempo, sua grande antiguidade e a maneira como se desenvolveram na história. Se elas datassem unicamente da Idade Média, poder-se-ia crer, de fato que, nascidas com um sistema político, deviam necessariamente desaparecer com ele. Mas, na realidade, têm uma origem bem mais antiga. Em geral, elas aparecem desde que as profissões existem, isto é, desde que a atividade deixa de ser puramente agrícola. Se não parecem ter sido conhecidas na Grécia, até o tempo da conquista romana, é porque os ofícios, sendo desprezados, eram exercidos exclusivamente por estrangeiros e, por isso mesmo, achavam-se excluídos da organização legal da cidade. Mas em Roma, comparativamente, elas datam pelo menos dos primeiros tempos da República; uma tradição chegava até a atribuir sua criação ao rei Numa, Numa, de origem sabina, foi o segundo rei de Roma (datas convencionais: 717/715 - 673 a. C.), logo a seguir a Rómulo, um sabino escolhido como segundo rei de Roma. Sábio, pacífico e religioso, dedicou-se a elaboração das primeiras leis de Roma, assim como dos primeiros ofícios religiosos da cidade e do primeiro calendário. É verdade que, por tempo, elas tiveram de levar uma existência bastante humilde, pois os historiadores e os monumentos só raramente as mencionam; não sabemos muito bem como eram organizadas. Desde de Cícero, sua quantidade tornara-se considerável e elas começavam a desempenhar um papel. Nesse momento, diz J.-P Waltzing (1857-1929), “todas as classes de trabalhadores parecem possuídas pelo desejo de multiplicar as associações profissionais” (cf. Durkheim, 2010). 

Mas o caráter socialmente desses agrupamentos se modificou; eles acabaram tornando-se “verdadeiras engrenagens da administração”. Desempenhavam funções oficiais; cada profissão era vista como um serviço público, cujo encargo e cuja responsabilidade ante o Estado cabiam à corporação correspondente. Foi a ruína da instituição. Porque, segundo Durkheim, essa dependência em relação ao Estado não tardou a degenerar numa servidão intolerável que os imperadores só puderam manter pela coerção. Todas as sortes de procedimentos foram empregadas para impedir que os trabalhadores escapassem das pesadas obrigações que resultavam, para eles, de sua própria profissão. Evidentemente, tal sistema de trabalho só podia durar enquanto o poder político fosse o bastante para impô-lo. É por isso que ele não sobreviveu à dissolução do Império. Aliás, as guerras civis e as invasões haviam destruído o comércio e a indústria; os artesãos aproveitaram essas circunstâncias para fugir das cidades e se dispersar nos campos. Assim, os primeiros séculos de nossa era viram produzir-se um fenômeno que devia se repetir tal qual no fim do século XVII: a vida corporativa se extinguiu quase por completo. Mal subsistiram alguns vestígios seus, na Gália e na Germânia, nas cidades de origem romana. Portanto, naquele momento, um teórico tivesse tomado consciência da situação, teria provavelmente concluído, como o fizeram mais tarde os economistas, que as corporações não tinham, ou, em todo caso, não tinham mais razão de ser, que haviam desaparecido irreversivelmente, e sem dúvida teria tratado de retrógrada e irrealizável toda tentativa de reconstituí-las. Os acontecimentos desmentiriam uma tal profecia. De fato, após um “eclipse da razão” de algum tempo caminhando para os nossos dias, as corporações recomeçaram nova existência em todas as sociedades europeias.

Elas renasceram por volta dos séculos XI e XII. Desde esse momento, diz Emile Levasseur, “os artesãos começam a sentir a necessidade de se unir e formam suas primeiras associações”. Em todo caso, no século XII, elas estão outra vez florescentes e se desenvolvem até o dia em que começa para elas uma nova decadência. Uma instituição tão persistente assim não poderia depender de uma particularidade contingente e acidental; muito menos ainda é possível admitir que tenha sido o produto de não sei que “aberração coletiva”. Se, desde a origem da cidade até o apogeu do Império, desde o alvorecer das sociedades cristãs aos tempos modernos, elas foram necessárias, é porque correspondem a necessidades duradouras e profundas. Sobretudo, vale lembrar que o próprio fato de que, depois de terem desaparecido uma primeira vez, reconstituíram-se por si mesmas e sob uma nova forma, retira todo e qualquer valor ao argumento que apresenta sua desaparição violenta no fim do século passado como uma prova de que não estão mais em harmonia com as novas condições de existência coletiva. A necessidade que todas as grandes sociedades civilizadas sentem de chamá-las de volta à vida é o mais seguro sintoma evidente dessa supressão radical não era um remédio e de que a reforma de Jacques Turgot requeria outra que não poderia ser indefinidamente adiada. Mas nem toda organização corporativa é anacronismo histórico. Acreditamos que ela seria chamada a desempenhar, nas sociedades contemporâneas, menos pelo papel considerável que julgamos indispensável, por causa não dos serviços econômicos que ela poderia prestar, mas da influência moral que poderia ter.  O que vemos antes de mais nada no grupo profissional é um poder moral capaz de conter os egoísmos individuais, de manter no coração dos trabalhadores um sentimento vivo de solidariedade comum, de impedir que a “lei do mais forte” se aplique de maneira brutal nas relações industriais e comerciais.

Mas é preciso evitar estender a todo regime corporativo o que pode ter sido válido para certas corporações e durante um curto lapso de tempo de seu desenvolvimento. Longe de ser atingido por uma sorte de enfermidade moral devida à sua própria constituição, foi sobretudo um papel moral que ele representou e continua representando ainda, na maior parte de sua história. Isso é particularmente evidente no caso das corporações romanas. Sem dúvida, a associação lhes dava mais forças para salvaguardar, se necessário, seus interesses comuns. Mas era isso apenas um dos contragolpes úteis que a instituição produzia, lembra Durkheim: “não era sua razão de ser, sua função principal. Antes de mais nada, a corporação era um colégio religioso”. Cada uma tinha seu deus particular, cujo culto quando ela tinha meios, era celebrado num templo especial. Do mesmo modo que cada família tinha seu Lar familiaris, cada cidade seu Genius publicus, cada colégio tinha seu deus tutelar, Genius collegi. Naturalmente, o “culto profissional” não se realizava sem festas, que eram celebradas em comum sem sacrifícios e banquetes. Todas as espécies de circunstâncias serviam, aliás, de ocasião para alegres reuniões, além disso, distribuições de víveres ou de dinheiro ocorriam com frequência às expensas da comunidade. Indagou-se se a corporação tinha uma caixa de auxílio, se ela assistia regularmente seus membros necessitados, e as opiniões a esse respeito são divididas.

Mas o que retira da discussão parte de seu interesse e de seu alcance é que esses banquetes comuns, mais ou menos periódicos, e as distribuições que os acompanharam serviam de auxílios e faziam não raro as vezes de uma assistência direta. Os infortunados sabiam que podiam contar com essa subvenção dissimulada. Como corolário do caráter religioso, o colégio de artesãos era, ao mesmo tempo, um colégio funerário. Unidos, como gentiles, num mesmo culto durante sua vida, os membros da corporação queriam, como eles, dormir juntos seu derradeiro sono.  A importância tão considerável que a religião tinha em sua vida, tanto em Roma quanto na Idade Média, põe particularmente em evidência a verdadeira natureza de suas funções; porque toda comunidade religiosa constituía, então, um ambiente moral, do mesmo modo que toda disciplina moral tendia necessariamente a adquirir uma forma religiosa. A partir do instante em que, no seio de uma sociedade política, certo número de indivíduos tem em comum ideias, interesses, sentimentos, ocupações que o resto da população não partilha com eles, é inevitável que, sob a influência dessas similitudes eles sejam atraídos uns para os outros, que se procurem, teçam relações, se associem e que se forme assim, pouco a pouco, um grupo restrito, com sua fisionomia especial da sociedade em geral.

Porque é impossível que homens vivam juntos, estejam regularmente em contato, sem adquirirem o sentimento do todo que formam por sua união, sem que se apeguem a esse todo, se preocupem com seus interesses e o levem em conta em sua conduta. Enfim, basta que esse sentimento se precise e se determine, que, aplicando-se às circunstâncias mais ordinárias e mais importantes da vida, se traduza em fórmulas definidas, para que se tenha um corpo de regras morais em via de se constituir. Ao mesmo tempo que se produz por si mesmo e pela força das coisas, esse resultado é útil e o sentimento de sua utilidade contribui para confirma-lo. A vida em comum é atraente, ao mesmo tempo que coercitiva. Para o ponto de vista conservantista do método analítico durkheimiano, a coerção é necessária para levar o homem a se superar, a acrescentar à sua natureza física outra natureza; mas, à medida que aprende a apreciar os encantos dessa nova existência, contrai a sua necessidade e não há ordem de atividade que não os busque com paixão. A moral doméstica não se formou de outro modo. Por causa do prestígio que a família conserva ante nossos olhos, parece-nos que, se ela foi e é sempre uma escola de dedicação e de abnegação, o escopo por excelência da moralidade, é em virtude de características bastante particulares que teria o privilégio e que não se encontrariam em ouro lugar em nenhum grau. Costuma-se crer que exista laços sociais na consanguinidade e a formação social de uma causa excepcionalmente poderosa de aproximação moral.                       

A prova está em que, num sem-número de sociedades, os não-consanguíneos são muitos no seio da família; o parentesco dito artificialmente se contrai então com grande facilidade e exerce todos os efeitos do parentesco natural. Inversamente, acontece com grande frequência consanguíneos bem próximos serem, moral ou juridicamente, estranhos uns aos outros; é, por exemplo, historicamente o caso dos cognatos na família romana. Portanto, a família não deve suas virtudes à unidade de descendência: ela é, simplesmente, um grupo de indivíduos que foram aproximados uns dos outros, no seio da sociedade política, por uma comunidade mais particularmente estreita de ideias, sentimentos e interesses. A consanguinidade pode ter facilitado essa concentração, pois ela tem por efeito natural inclinar as consciências umas em relação às outras. Outros fatores intervieram: a proximidade material, a solidariedade de interesses, a necessidade de união contra um perigo comum, ou simplesmente de se unir, foram causas muito mais poderosas de comunicação social no processo produtivo. Mas, para dissipar todas as prevenções, para mostrar bem que o sistema corporativo não é apenas uma instituição do passado, seria necessário mostrar que transformações ele deve e pode sofrer para se adaptar às sociedades modernas, é evidente que ele não pode ser o que era na Idade Média.

Para tanto, seriam necessários estudos comparativos que não estão feitos e que não podemos fazer de passagem. Talvez, porém, não seja impossível perceber desde já, mas apenas em suas linhas mais gerais, o que foi esse desenvolvimento. O historiador que empreende resolver em seus elementos a organização política dos romanos não encontra, no decurso de sua análise, nenhum fato social que possa adverti-lo da existência das corporações. Elas não entravam na constituição romana, na qualidade de unidades definidas e reconhecidas. Em nenhuma das assembleias eleitorais, em nenhuma das reuniões do exército, os artesãos se reuniam por colégios, em parte alguma o grupo profissional tomava parte, como tal, na vida pública, seja em corpo, seja por intermédio de representantes regulares. No máximo, a questão pode se colocar a propósito de três ou quatro colégios que se imaginou poder identificar com algumas das centúrias constituídas por Sérvio Túlio, a saber: tignari (construtores de casas), aerari (corporação clerical), tibicines (serviço de monumento funerário), corporações cornicínes (espécie de pizza enrolada), mas ainda assim o fato social não está bem estabelecido.

Quanto às outras corporações, estavam certamente fora da organização oficial do povo romano. Ora, por muito tempo os ofícios não foram mais do que uma forma acessória e secundária da atividade social dos romanos. Roma era essencialmente uma sociedade agrícola e guerreira. No primeiro era dividida em gentes e em cúrias; a assembleia por centúrias refletia antes a organização militar. Quanto às funções industriais, eram demasiado rudimentares para afetar a estrutura política da cidade. Aliás, até um momento bem avançado da história romana, os ofícios permaneceram marcados por um descrédito moral que não lhes permitia ocupar uma posição regular no Estado. Sem dúvida, veio um tempo em que sua condição social melhorou. Mas a própria maneira como foi obtida essa melhora é significativa. Para conseguir fazer respeitar seus interesses e desempenhar um papel na vida pública, os artesãos tiveram de recorrer a procedimentos irregulares e extralegais. Só triunfaram sobre o desprezo de que eram objeto por meios de intrigas, complôs, agitação clandestina. E, se, mais tarde, acabaram sendo integrados ao Estado para se tornar engrenagens da máquina administrativa, essa situação como foi, para eles, uma conquista gloriosa, mas uma penosa dependência; se entraram então no Estado, não foi para nele ocupar a posição a que seus serviços sociais podiam lhes dar direito, mas simplesmente para poder ser mais bem vigiados pelo poder governamental.

É por isso que ele não sobreviveu à dissolução do Império. Aliás, as guerras civis e as invasões haviam destruído o comércio e a indústria; os artesãos aproveitaram essas circunstâncias para fugir das cidades e se dispersar nos campos. Assim, os primeiros séculos de nossa era viram produzir-se um fenômeno que devia se repetir tal qual no fim do século XVII: a vida corporativa se extinguiu quase por completo. Mal subsistiram alguns vestígios seus, na Gália e na Germânia, nas cidades de origem romana. Portanto, naquele momento, um teórico que tivesse tomado consciência da situação, teria provavelmente concluído, como o fizeram mais tarde os economistas, que as corporações não tinham, ou, em todo caso, não tinham mais razão de ser, que haviam desaparecido irreversivelmente, e sem dúvida teria tratado de retrógrada e irrealizável toda tentativa de reconstituí-las. Os acontecimentos desmentiriam uma tal profecia. De fato, após um “eclipse da razão” de algum tempo caminhando para os nossos dias, as corporações recomeçaram nova existência em quase todas as sociedades europeias. Elas renasceram por volta dos séculos XI e XII. Desde esse momento, diz Emile Levasseur, “os artesãos começam a sentir a necessidade de se unir e formam suas primeiras associações”. 

Em todo caso, no século XII, elas estão outra vez florescentes e se desenvolvem até o dia em que começa para elas uma nova decadência. Uma instituição tão persistente assim não poderia depender de uma particularidade contingente e acidental; muito menos ainda é possível admitir que tenha sido o produto de não sei que “aberração coletiva”. Mas é preciso evitar estender a todo regime corporativo o que pode ter sido válido para certas corporações e durante um curto lapso de tempo de seu desenvolvimento. Longe de ser atingido apenas por uma sorte de enfermidade moral devida à sua própria constituição, foi sobretudo um papel moral que ele representou e continua representando ainda, na maior parte de sua história. Isso é particularmente evidente no caso das corporações romanas. Sem dúvida, a associação lhes dava mais forças para salvaguardar, se necessário, seus interesses comuns. Mas era isso apenas um dos contragolpes úteis que a instituição produzia, lembra Durkheim: “não era sua razão de ser, sua função principal. Antes de mais nada, a corporação era um colégio religioso”. Cada uma tinha seu deus particular, cujo culto quando ela tinha meios, era celebrado num templo especial. Do mesmo modo, comparativamente, que cada família tinha seu Lar familiaris, cada cidade seu Genius publicus, cada colégio tinha seu deus tutelar, Genius collegi. Naturalmente, o culto profissional não se realizava sem festas, que eram celebradas em comum sem sacrifícios e banquetes.

 Todas as espécies de circunstâncias serviam, aliás, de ocasião para alegres reuniões, além disso, distribuições de víveres ou de dinheiro ocorriam com frequência às expensas da comunidade. Indagou-se se a corporação tinha uma caixa de auxílio, se ela assistia regularmente seus membros necessitados, e as opiniões a esse respeito são divididas. Mas o que retira da discussão parte de seu interesse e de seu alcance é que esses banquetes comuns, mais ou menos periódicos, e as distribuições que os acompanharam serviam de auxílios e faziam não raro as vezes de uma assistência direta. Os infortunados sabiam que podiam contar com essa subvenção dissimulada. Como corolário do caráter religioso, o colégio de artesãos era, ao mesmo tempo, um colégio funerário. Unidos, como gentiles, num mesmo culto durante sua vida, os membros da corporação queriam, como eles, dormir juntos seu derradeiro sono. A importância tão considerável que a religião tinha em sua vida, tanto em Roma, comparativamente quanto na Idade Média, põe particularmente em evidência a verdadeira natureza de suas funções sociais; porque toda comunidade religiosa constituía, então, um ambiente moral, do mesmo modo que toda disciplina moral tendia necessariamente a adquirir uma forma religiosa.

A partir do instante em que, no seio de uma sociedade política, certo número de indivíduos tem em comum ideias, interesses, sentimentos, ocupações que o resto da população não partilha com eles, é inevitável que, sob a influência dessas similitudes eles sejam atraídos uns para os outros, que se procurem, teçam relações, se associem e que se forme assim, pouco a pouco, um grupo restrito, com sua fisionomia especial da sociedade em geral. Porque é impossível que homens vivam juntos, estejam regularmente em contato, sem adquirirem o sentimento do todo que formam por sua união, sem que se apeguem a esse todo, se preocupem com seus interesses e o levem em conta em sua conduta. Enfim, basta que esse sentimento se precise e se determine, que, aplicando-se às circunstâncias mais ordinárias e mais importantes da vida, se traduza em fórmulas definidas, para que se tenha um corpo de regras morais em via de se constituir. Ao mesmo tempo que se produz por si mesmo e pela força das coisas, esse resultado é útil e o sentimento de sua utilidade contribui para confirma-lo. A vida em comum é atraente, ao mesmo tempo que coercitiva. Para o ponto de vista conservantista do método analítico durkheimiano, a coerção é necessária para levar o homem a se superar, a acrescentar à sua natureza física outra natureza; mas, à medida que aprende a apreciar os encantos dessa nova existência, ele contrai a sua necessidade e não há ordem de atividade que não os busque com paixão. A moral doméstica não se formou de outro modo.

Por causa do prestígio que a família conserva ante nossos olhos, parece-nos que, se e ela foi e é sempre uma escola de dedicação e de abnegação, o foco por excelência da moralidade, é em virtude de características bastante particulares que teria o privilégio e que não se encontrariam em ouro lugar em nenhum grau. Costuma-se crer que exista na consanguinidade uma causa excepcionalmente poderosa de aproximação moral. A prova está em que, num sem-número de sociedades, os não-consanguíneos são muitos no seio da família; o parentesco dito artificial se contrai então com grande facilidade e exerce todos os efeitos do parentesco natural. Inversamente, acontece com grande frequência consanguíneos bem próximos serem, moral ou juridicamente, estranhos uns aos outros; é, por exemplo, o caso dos cognatos na família romana. Portanto, a família não deve suas virtudes à unidade de descendência: ela é, simplesmente, um grupo de indivíduos que foram aproximados uns dos outros, no seio da sociedade política, por uma comunidade mais particularmente estreita de ideias, sentimentos e interesses. A consanguinidade pode ter facilitado essa concentração, pois ela tem por efeito natural inclinar as consciências em relação às outras. Outros fatores intervieram: a proximidade material, a solidariedade de interesses, a necessidade de união contra um perigo comum, ou simplesmente de se unir, foram causas muito mais poderosas de comunicação social no processo produtivo.

Mas, para dissipar todas as prevenções, adverte Durkheim, para mostrar bem que o sistema corporativo não é apenas uma instituição do passado, seria necessário mostrar que transformações ele deve e pode sofrer para se adaptar às sociedades modernas, pois é evidente que ele não pode ser o que era na Idade Média. Para tanto, seriam necessários estudos comparativos que não estão feitos e que não podemos fazer de passagem. Talvez, porém, não seja impossível perceber desde já, mas apenas em suas linhas mais gerais, o que foi esse desenvolvimento. O historiador que empreende resolver em seus elementos a organização política dos romanos não encontra, no decurso de sua análise, nenhum fato que possa adverti-lo da existência das corporações. Elas não entravam na constituição romana, na qualidade de unidades definidas e reconhecidas. Em nenhuma das assembleias eleitorais, em nenhuma das reuniões do exército, os artesãos se reuniam por colégios, em parte alguma o grupo profissional tomava parte, como tal, na vida pública, seja em corpo, seja por intermédio de representantes regulares. No máximo, a questão pode se colocar a propósito de três ou quatro colégios que se imaginou poder identificar com algumas das centúrias constituídas por Sérvio Túlio, foi o sexto rei de Roma. Segundo a tradição, reinou por 44 anos, entre 578 a.C. e 539 a.C. a saber: tignari (são construtores de casas), aerari (corporação clerical), tibicines (monumento funerário), corporações cornicínes (espécie de pizza enrolada), mas o fato socialmente não está bem estabelecido. 

Quanto às outras corporações, estavam certamente fora da organização oficial do povo romano. Ora, por muito tempo os ofícios não foram mais do que uma forma acessória e secundária da atividade social dos romanos. Roma era essencialmente uma sociedade agrícola e guerreira. No primeiro era dividida em gentes e em cúrias; a assembleia por centúrias refletia antes de tudo a organização militar. Quanto às funções industriais, eram demasiado rudimentares para afetar a estrutura política da cidade. Aliás, até um momento bem avançado da história romana, os ofícios permaneceram marcados por um descrédito moral que não lhes permitia ocupar uma posição regular no Estado. Sem dúvida, veio um tempo em que sua condição social melhorou. Mas a própria maneira como foi obtida essa melhora é significativa. Para conseguir fazer respeitar seus interesses e desempenhar um papel na vida pública, os artesãos tiveram de recorrer a procedimentos irregulares e extralegais. Só triunfaram sobre o desprezo de que eram objeto por meios de intrigas, complôs, agitação clandestina. E, se, mais tarde, acabaram sendo integrados ao Estado para se tornar engrenagens da máquina administrativa, essa situação como foi, para eles, uma conquista gloriosa, mas uma penosa dependência; se entraram então no Estado, não foi para nele ocupar a posição a que seus serviços sociais podiam lhes dar direito, mas simplesmente para poder ser mais bem vigiados pelo poder governamental.

Quando as cidades se emanciparam da tutela senhorial, quando a comuna se formou, o corpo de ofícios, que antecipara e preparara esse movimento, tornou-se a base da constituição comunal. De fato, segundo J.-P Waltzing, “em quase todas as comunas, o sistema político e a eleição dos magistrados baseiam-se na divisão dos cidadãos em corpos de ofícios”. Era costumeiro votar-se por corpos de ofícios e elegiam-se ao mesmo tempo os chefes da corporação e os da comuna. – Em Amiens, por exemplo, os artesãos se reuniam todos os anos para eleger os prefeitos de cada corporação ou bandeira (bannière); os prefeitos eleitos nomeavam em seguida doze escabinos, que nomeavam outros doze, e o escabinato apresentava, por sua vez, aos prefeitos das bandeiras três pessoas, dentre as quais eles escolhiam o prefeito da comuna... Em algumas cidades, o modo de eleição era ainda mais complicado, mas, em todas, a organização política e municipal era intimamente ligada à organização do trabalho. Inversamente, assim como a comuna era um agregado de corpos de ofícios, o “corpo de ofício” era uma comuna em miniatura, pelo próprio fato de que fora o modelo do qual a instituição comunal era a forma ampliada e desenvolvida. Queremos dizer com isso, que sabemos o que a comuna foi na história de nossas sociedades, de que se tornou, com o tempo, a pedra angular. Ipso facto, já que era uma reunião de corporações e que se formou com base no tipo da corporação, foi em última análise, esta que serviu de base a todo o sistema político oriundo do movimento comunal. Vê-se que, em sua trajetória, ela cresceu singularmente em importância e dignidade. 

Em Roma, começou estando quase fora dos contextos normais, ela serviu de marco elementar para sociedades contemporâneas. É um motivo para que recusemos a considera-la uma instituição arcaica, destinada a desaparecer. A obra do sociólogo não é a do homem público, assevera Émile Durkheim. O que a experiência do passado demonstra, antes de mais nada, é que os marcos do grupo profissional devem guardar sempre uma relação com os marcos da vida econômica; foi por ter faltado com essa condição que o regime corporativo desapareceu. Portanto, já que o mercado, de municipal que era, tornou-se nacional e internacional, a corporação deve adquirir a mesma extensão. Em vez de ser limitada apenas aos artesãos de uma cidade, ela deve ampliar-se, de maneira a compreender todo os membros da profissão, dispersos em toda a extensão do território, porque, qualquer que seja a região em que se encontram, quer no campo, todos são solidários uns com os outros e participam da vida comum. Entretanto, nessa vida comum é, sob certos aspectos, independentemente de qualquer determinação territorial, tem que ser criado um órgão apropriado, que a exprima e regularize seu próprio funcionamento. Por causa de suas dimensões, tal órgão estaria necessariamente em contato relacional com o órgão central da vida coletiva, pois os acontecimentos importantes o bastante para envolverem toda uma categoria de empresas industriais num país tem necessariamente repercussões bastante gerais, que o Estado não pode sentir, o que o leva a intervir. 

Não foi sem fundamento que o poder real tendeu indistintamente a não deixar fora de sua ação a grande indústria. Era impossível que ele se desinteressasse por uma forma de atividade que por sua natureza, é capaz de afetar o conjunto da sociedade. Essa organização unitária para o conjunto de um mesmo país não exclui, alguma formação extraordinária de órgãos secundários, que compreendam os trabalhadores similares de uma mesma região ou excepcional localidade, e cujo papel seria especializar ainda mais a regulamentação profissional segundo as necessidades locais ou regionais. A vida econômica poderia ser regulada e determinada, sem nada perder de sua diversidade. Por isso mesmo, o regime corporativo seria protegido contra essa propensão ao imobilismo, que lhe foi frequente e justamente criticada no passado, porque é um defeito que resultava do caráter estreitamente comunal da corporação. Uma consciência esclarecida sabe preparar de antemão a maneira de se adaptar a essa mudança risível. Eis porque é necessário que a inteligência guiada disciplinarmente pela ciência adquira uma importância maior no curso da vida coletiva. Tais sentimentos são capazes de inspirar não apenas esses sacrifícios cotidianos, mas também atos de renúncia completa e de abnegação exclusiva. A sociedade aprende a ver os membros que a compõem como cooperadores que ela não pode dispensar e para com os quais tem deveres. Na realidade, a cooperação também tem sua moralidade intrínseca. Há apenas motivos para crer, que, essa moralidade em sociedade ainda não tem todo o desenvolvimento que lhes seria necessário. Daí resulta duas grandes correntes da vida social, que correspondem dois tipos de estrutura não menos diferentes. Dessas correntes, a que tem sua origem nas similitudes sociais ocorre quando um grupo é capaz de criar e reproduzir para si e para os outros a princípio só e sem rival.

O lago é um “destino turístico” que atrai visitantes pela cor azul-esmeralda de suas águas cristalinas e pela paisagem natural que o cerca. O lago é rodeado em três lados por picos das Dolomitas, incluindo o Seekofel. O lago é o ponto de partida da Alta Via nº 1 das Dolomitas, chamada de “A Clássica”, que chega a Belluno, aos pés do Grupo Schiara. Graças à popularidade da série de televisão italiana de 2011, Un passo dal cielo, o Pragser Wildsee tornou-se um dos locais turísticos mais visitados da região Trentino-Altorão do Sul, atraindo inúmeros blogueiros de viagens, influenciadores e fotógrafos profissionais. O grande fluxo turístico levou os administradores locais a pensar em maneiras de reduzir o número de visitas para preservar o ecossistema de montanha-lago. De julho a setembro de 2018, 1,2 milhão de visitantes vieram ao Pragser Wildsee, segundo a Região Autônoma de Bolzano-Tirol do Sul em 2020. Um pico de 17.874 visitantes foi registrado em um único dia de agosto. Como esses números excessivos “não são bons para o meio ambiente natural a longo prazo”, a região decidiu restringir o acesso público de turistas, conforme a Heimatverband Südtirol, o que tornou necessário estabelecer regras para roteirizá-los. No verão de 2023, por exemplo, a estrada para o Vale de Pragser esteve fechada durante o dia, de 10/07/2023 a 10/09/2023, e a reserva de um bilhete de estacionamento custou 38 €.  O lago deve ser acessado pelo lado Norte, através do Vale de Prags.

O Partido Popular do Tirol do Sul, em alemão: Südtiroler Volkspartei (SVP) é um partido político regionalista e predominantemente democrata-cristão do Tirol do Sul, uma província autônoma com maioria de língua alemã no norte da Itália. Fundado em 8 de maio de 1945, o SVP tem raízes no Deutscher Verband, uma confederação de partidos de língua alemã formada em 1919 após a anexação do Tirol do Sul pela Itália, que compartilhava muitas das mesmas figuras de proa do SVP original. Um partido étnico abrangente, o SVP visa representar a população de língua alemã do Tirol do Sul, bem como os falantes de ladino. É principalmente democrata-cristão, mas, no entanto, bastante pluralista, incluindo conservadores, liberais e social-democratas. O partido também dá atenção especial aos interesses dos agricultores, que constituem uma boa parte de seu eleitorado, especialmente nos vales alpinos. De 1948 a 2013, o partido manteve a maioria absoluta no Landtag do Tirol do Sul (Conselho Provincial). Seu melhor resultado foi de 67,8% nas eleições provinciais de 1948, e o pior, de 34,5% nas eleições provinciais de 2023. O SVP manteve uma aliança duradoura com a Democracia Cristã, além do Partido Socialista Democrático Italiano ou Partido Socialista Italiano e, desde 1994, com alguns de seus partidos sucessores, incluindo o Partido Popular Italiano e a União Democrática do Alto Adige, bem como o Partido Democrático da Esquerda e, posteriormente, os Democratas da Esquerda e o Partido Democrático. Essa coalizão durou 25 anos, até que o partido optou por se unir à Liga Alto Adige Tirol do Sul, seção da Liga Norte/ Liga, em 2019. 

A coalizão foi ampliada para incluir os Irmãos da Itália, Die Freiheitlichen e Lista Cívica após as eleições provinciais de 2023. O SVP tem um partido irmão no Trentino, o Partido Autonomista Tirolês do Trentino (PATT). No Parlamento italiano, o SVP alia-se a outros partidos regionalistas, nomeadamente a União Valdostana do Vale de Aosta, enquanto a nível europeu é membro do Partido Popular Europeu (PPE) e formou recentemente pactos eleitorais com o Forza Italia, o principal membro italiano do PPE. Do ponto de vista ecológico é possível fazer um passeio ao redor das margens do lago. Este percurso é plano e amplo na margem oeste, enquanto na margem Leste é íngreme e estreito, com alguns trechos em escadaria. Durante o inverno, esses caminhos costumam ficar fechados devido ao risco de avalanches, especialmente o da margem Leste. Desde 2012, competições de  curling são realizadas na superfície “congelada do lago durante o inverno”. O curling não tem origem exata, mas admite-se que é um dos esportes mais antigos do mundo. Pinturas do artista flamengo Pieter Bruegel retratam uma atividade semelhante ao curling atual sendo praticada sobre lagos congelados. Uma referência escrita em latim no ano de 1540 fala de um desafio entre John Sclater, um monge da Abadia de Paisley, na Escócia, e Hamilton Gavin, um representante do Abade. Também na Escócia foram encontradas, em Dunblane, pedras datadas de 1511 e 1551, outra incontestável evidência da origem do curling. O primeiro clube de curling constituído foi o Kilsyth Curling Club, Escócia, em 1716. As primeiras regras do método também foram elaboradas na Escócia e adotadas formalmente como as “Regras do Curling” pelo Grand Caledonian Curling Club, formado em Edimburgo em 1838 e que se tornou na esfera político-administrativa o órgão gestor do esporte. 

Em 1843, após assistir a uma apresentação no Palácio de Scone, a Rainha Vitória ficou fascinada pelo jogo e permitiu a mudança no nome do clube para Royal Caledonian Curling ClubA disseminação do esporte pelo mundo globalizado se deu através de emigrantes escoceses durante o Século XIX. Nos dias atuais, o curling é praticado principalmente no Canadá, sendo o Royal Montreal Curling Club o mais antigo clube ainda ativo na América do Norte, fundado em 1807. Nos Estados Unidos, o Orchard Lake Curling Club, primeiro clube do país, foi fundado em 1832 em Detroit. Outros países, como Suécia, Suíça, Noruega e Nova Zelândia, também sofreram influência escocesa no desenvolvimento do curling. Um grupo de homens, vestidos com roupas de inverno e usando chapéus, participam de uma partida de curling. Um deles varre o gelo, enquanto os outros, também com vassouras na mão, observam. Homens jogam curling em Ontário, Canadá, em 1909. Há registros da realização de torneios ainda no século XIX, mas nenhum é considerado oficial até os Jogos Olímpicos de Inverno de 1924, em Chamonix, na França. Mesmo esta competição não era considerada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) parte dos Jogos, até que em 2006 uma investigação metodológica realizada pelo jornal escocês The Herald possibilitou oficializar os resultados e declarar os vencedores como campeões olímpicos. A equipe da Grã-Bretanha qual o Reino Unido é tratado no COI venceu a Suécia e França e ficou com o ouro. O primeiro Campeonato Mundial ocorreu em 1959. Ainda sob o nome de Scotch Cup, o torneio foi disputado pelas equipes da Escócia e do Canadá, mais países aderiram ao campeonato, fazendo com que em 1966 o Royal Caledonian Curling Club fundasse a Federação Internacional de Curling. Em 1991, o nome foi mudado para Federação Mundial de Curling.  

 O COI decidiu em 1992 incluir o esporte no programa olímpico, sendo disputado de forma oficial a partir dos Jogos de 1998, em Nagano, Japão, após aparecer como esporte de demonstração basicamente em três edições, a saber: Lake Placid 1932, Calgary 1988 e Albertville 1992. Participaram oito equipes masculinas e oito femininas. Em 1994, a WCF passou a ter um escritório próprio, se desligando do Royal Caledonian Curling Club. Outras categorias de competição foram criadas nos últimos anos e atualmente o curling faz parte do programa da Universíada, dos Jogos Asiáticos de Inverno e dos Jogos Paralímpicos de Inverno. Além desses eventos ainda há campeonatos mundiais júnior masculino e feminino, de duplas mistas e de seniores. As regras do curling atualmente em vigor foram definidas pela WCF em junho de 2011. A World Curling, antes reconhecida como Federação Mundial de Curling (WCF), é o órgão mundial que rege a acreditação do curling, com escritórios em Perth, Escócia. Foi formada a partir da Federação Internacional de Curling (ICF), quando houve a pressão para que o curling se tornasse um esporte olímpico de inverno. O Principado Episcopal de Trento foi um Estado eclesiástico governado pelo bispo de Trento que existiu por cerca de oito séculos de 1027 a 1802, vinculado ao Sacro Império Romano-Germânico no Círculo Imperial Austríaco e depois ao Império Austríaco. Localizava-se no território da região italiana do Trentino-Alto Ádige (Trentino-Südtirol), no antigo Condado Principesco do Tirol.

No início do século XIX, a administração foi secularizada e reunida ao restante governo do condado do Tirol, do qual o território de Trento já fazia parte como entidade semiautônoma desde 1363. O Principado Episcopal foi criado em 1027 pelo imperador romano-germânico Conrado II, juntamente com o vizinho Principado Episcopal de Bressanone. Conrado II decidiu investir bispos com o poder temporal para estabilizar a região que com frequência era palco de batalhas entre os diversos príncipes laicos do império, assim como para facilitar a passagem do exército imperial entre o norte da península Itálica e a Alemanha, ao longo de duas antigas estradas romanas da região, a Via Cláudia Augusta e a Cláudia Augusta Altinate. A maior parte da área compreendida nos dois novos estados fazia parte anteriormente da Marca de Verona. Os dois príncipes-bispos eram autênticos príncipes do Sacro Império Romano-Germânico, sujeitos somente à autoridade do imperador e do papa, e membros da dieta imperial. O bispo de Trento estabeleceu uma sólida ligação com o imperador, enquanto era crescente a influência do condado do Tirol sobre toda aquela região alpina. A maior parte dos bispos de Trento e Bressanone (Brixen) era de origem alemã, pertencente a nobres famílias do Tirol, Suíça, Baviera (Bayern), Boêmia (Böhmen), Suábia (Schwaben). O condado do Tirol, surgido na Val Venosta (Vinschgau), no Castelo Tirol, mantinha influência na cidade de Bolzano, Arco e Innsbruck e ampliou durante a Idade Média seu domínio sobre as terras da Bassa Atesina (Tiroler Unterland), territórios então pertencentes à Arquidiocese de Trento. O bispo Adelpreto/Adelbrecht (1156-1172), da família dos Hohenstaufen do imperador Frederico I, havia tentado impor o próprio poder temporal sobre todo o território da diocese; foi assassinado em Arco, em 30 de setembro de 1172 supostamente a mando dos condes de Appiano (Eppan). 

A autoridade do príncipe-bispo foi, porém, reafirmada pelo imperador Frederico Barbarossa e por seu filho Henrique VII: os bispos foram de fato autorizados a emitir moedas e instituir novos impostos. O principado foi reorganizado por Frederico Vanga/Friederich Wanger (1205-1218), uma das figuras históricas mais importantes da Igreja tridentina, parente do imperador Oto IV. Aliado do bispo de Bressanone (Brixen) e apoiado pela ordem religiosa dos Cavaleiros Teutônicos, a quem doou grande patrimônio, conseguiu limitar a influência e a força dos nobres leigos e reconquistou grande parte dos territórios perdidos no passado. A fim de definir definitivamente a autoridade do bispo sobre o território da região, ele reuniu numa coletânea chamada Codex Wangianus todos os documentos históricos que certificavam o poder episcopal, anotada na origem com o título: Libro di San Vigilio, uma das principais fontes para a historiografia do principado na Idade Média. Frederico foi um grande mecenas de artistas e arquitetos, manteve o comércio ao longo da via dos Alpes e investiu notáveis capitais na mineração de prata. O estatuto de mineração que outorgou em 19 de junho de 1209 é considerado o mais antigo documento sobre extração mineral nos Alpes.

Nesse período, a cidade de Trento foi fortificada com a construção de novas muralhas e teve início a construção da Catedral de Trento. Ademais, com a instalação de tiroleses de língua alemã em Primiero (Primör), Valsugana (Suganertal), nesse período surgiu aquela que é atualmente a maior comunidade germanófona trentina, a de Valle dei Mocheni (Fersental), embora documentos atestam que o uso do idioma alemão era muito mais difuso em boa parte do território trentino. A morte de Vanga na Terra Santa durante uma cruzada parou as reformas. Em 1236, o imperador Frederico II depôs os bispos da região e suas insígnias de autoridade sobre uma vasta região em torno de Trento, anexada pela marca de Treviso: a administração do novo feudo foi confiada ao fiel companheiro Ezzelino da Romano de Verona. No século XIII, os condes do Tirol ampliaram seus domínios por meio de acordos de união com os bispos. Uma vez que a igreja de Trento não poderia manter uma defesa militar própria e não poderia aplicar penas capitais, coube aos condes tiroleses a defesa militar do território do condado e das dioceses de Trento e Bressanone. Com Mainardo II de Tirol-Gorizia, o criador do Tirol, cresceu a influência política do condado nas dioceses de Coira, Salzburgo, Bressanone (Brixen) e Trento.

O poder temporal do bispo foi reafirmado em 1310, quando o papa Clemente V nomeou como chefe da igreja tridentina o abade Henrique de Metz (Heinrich von Metz), chanceler do rei da Germânia, Henrique VII de Luxemburgo: em 1338, assumiu a cátedra episcopal um outro chanceler, o boêmio Nicolau de Bruna, estreitamente ligado à dinastia real. Nicolau tentou limitar o poder dos nobres nas terras do episcopado, organizando um pequeno exército episcopal e oferecendo à diocese um novo brasão unitário, a “águia de São Venceslau” - padroeiro da Boêmia. No curso da segunda metade do século XIV, durante a luta entre os imperadores rivais Carlos IV e Luís IV, o principado foi objeto de diversas devastações e foi temporariamente anexado ao território da Baviera, que procurava ampliar seu domínio na região tirolesa. Neste período, o bispo Alberto de Ortenburg (Albert von Ortenburg) formou uma aliança exclusiva e perpétua com os poderosos condes de Tirol, já da família dos Habsburgo, mediante os tratados feitos pela condessa Margareth Maultasch em 1363 (que unia definitivamente o Tirol à Casa real da Áustria) e na reconfirmação do acordo de união do Tirol com a Áustria em 1365. Esses estabeleceram definitivamente uma espécie de confederação entre o Condado do Tirol e a Diocese Tridentina e o fim de uma política externa e militar para esta última.

No início do século XV o bispo tridentino Jorge I de Liechtenstein (Jörg I von Liechtenstein,1390-1419) procurou diminuir a influência política do condado tirolês sobre sua diocese, mas reconhecendo a aliança e colocando-se diretamente sob a autoridade do imperador. Porém, neste período a morte do duque de Milão Gian Galeazzo Visconti em 1402 desencadeou instabilidade no Norte da Itália, e tropas de Galeazzo de Mântua percorreram o principado em 1405. Uma preocupação mais séria veio da expansão da República de Veneza, obrigando ao reforço militar das fronteiras do sul. Neste contexto, em abril de 1407 ocorreu uma revolta de cidadãos de Trento contra o bispo, liderados por Negro de Nigris, reivindicado direitos e invocando a proteção do conde do Tirol. Entre as causas da rebelião estavam uma pesada carga fiscal imposta pela diocese aos camponeses, a ingerência oficial de estrangeiros e negação de direitos. Os revoltosos exigiam a criação de um conselho cívico com poderes administrativos e de fiscalização do vigário episcopal, e a instalação de um referendário dotado de funções militares. Rodolfo Belenzani foi eleito capitão do povo. Essas medidas visavam criar uma administração cívica independente da jurisdição dos bispos e vinculada aos condes do Tirol. Em 16 de abril, chamado pelos trentinos, Frederico IV (1382-1439, conde do Tirol, tomou posse da cidade de Trento. O bispo foi preso e seus membros assassinados. Frederico IV concedeu aos revoltosos o que pediam: a jurisdição do conselho para todo o principado. O bispo teve de renunciar ao poder temporal. Contudo, Belenzani acabou rompendo com Frederico IV, teve de fugir e os direitos cívicos há pouco concedidos foram cancelados. 

O estado de guerra continuou ao longo de 1408. Em 1409 reconquistou Trento, mas em julho Henrique de Rottenburg, capitão de Frederico IV, entrou na cidade com suas tropas, e Belenzani foi morto. Os revoltosos esperavam obter o apoio militar da República de Veneza, mas o apoio não veio, e foram derrotados em 5 de julho de 1409. Em dezembro o bispo foi reinstalado, mas no ano seguinte foi despojado de seus direitos novamente e acabou se refugiando no castelo de sua família. Com a morte de Jorge I de Liechtenstein, a cátedra episcopal foi confiada ao sobrinho do rei da Polônia, Alexandre da Mazóvia (1423-1444]). Patrocinador de uma política de reforço do poder episcopal, o bispo buscou aproximar-se da República de Veneza e do Ducado de Milão. O despotismo do bispo polonês provocou uma outra revolta sanguinária com a intervenção das tropas tirolesas (1435). Com sua morte, alçado à cardeal, a administração do principado caiu numa cisma interno: o capítulo da catedral e o Império nomearam um bispo que operava ao norte da diocese, enquanto o Papa Eugênio IV e Veneza apoiaram um ex-abade que governava o sul do episcopado. Em junho de 1511, Trento e Bressanone afirmaram um acordo com o qual os dois principados tornavam-se perpetuamente confederados com o Condado de Tirol. O Tirol era, portanto, um condado unido a duas dioceses, formando a Confoederatio Tyrolensis.

Durante a vitoriosa guerra contra Veneza, em 1519, o território Trentino foi invadido por lanceiros de retorno de uma expedição fracassada contra Vicenza. Na cidade e no campo houve diversos episódios de peste (1510 e 1512), carestia (1512, 1519-1520) e um terremoto em 1521: estes episódios trágicos marcaram o início de uma forma de resistência ao poder dos bispos e dos nobres. Uma revolta armada foi organizada em 1525, a revolução camponesa ou guerra rústica. Os rebeldes eram guiados por Michael Gaysmair (1490-1532), que inspirado nas ideias protestantes advindas dos reinos alemães, procurou estabelecer a instituição de uma “república” camponesa no Tirol, com nacionalização das terras e dos minérios (tirando seu controle dos bispos e nobres) e abolição do poderio excessivo da nobreza dos bispos. Gaysmair aliou-se a Veneza, o que foi considerado um ato de traição pelos tiroleses. Os revoltosos careciam de organização e foram facilmente derrotados na batalha do Valle Isarco e de Vipiteno (1797) pelas tropas tirolesas e austríacas, com o apoio do bispo trentino Bernardo Clesio. O próprio Gaysmair foi morto por um sicário do arquiduque Fernando, em Pádua, em 1532. Um milhar de rebeldes tiroleses se refugiara na Morávia, próximo a Auspitz, onde organizaram “as fábricas fraternas” (Bruderhöfe). Na Catedral de Trento, Maximiliano I de Habsburgo foi coroado Imperador Romano-Germânico. Amante da terra tirolesa, fez prosperar naquela região as artes e deu maior importância às organizações paramilitares dos tiroleses.

Com ajuda do bispo de Trento (e a pedido deste), Mazimiliano criou o Landlibell, um conjunto de normas que permitia a organização militar voluntária e organizada composta por camponeses, artesãos e nobres em companhias de atiradores (Schützen, Sìzzeri, Bersaglieri) que se formaram em toda a região tirolesa e que não tinham a obrigação de lutar fora das terras do Tirol. O cardeal Bernardo Clesio é considerado o autêntico refundador da autoridade episcopal dos príncipes-bispos de Trento. Conselheiro do imperador Maximiliano I e amigo de Erasmo de Rotterdam, teve um papel importante na eleição de Carlos V ocorrida em Frankfurt, em 1519, e na de Fernando I, na qualidade de rei da Boêmia. Desenvolveu um mecenato artístico e cultural, ordenou reformas e embelezamentos na Catedral de Trento, abriu estradas, construiu habitações populares, pontes e aquedutos, regularizou o curso de rios, fomentou a agricultura, a indústria, a mineração e também o comércio, saneou as finanças do principado, protegeu os pobres, promulgou os Estatutos de Trento e leis contra a usura, organizou arquivos históricos e implementou amplas melhorias urbanas e paisagísticas na capital. Procurou moralizar os costumes do clero e foi um grande defensor da ortodoxia católica, opondo-se firmemente à Reforma Protestante, iniciando os preparativos para a realização do Concílio de Trento.

As grandes reformas feitas pelo bispo Clesio foram completadas por seu sucessor, o cardeal Cristoforo Madruzzo. Graças ao Concílio de Trento e à política deste período, o Trentino gozou de um forte crescimento econômico no âmbito da mineração, da manufatura e do comércio. A região do Tirol havia sido escolhida para o concílio por ser um local de “encontro” dos mundos germânico e latino. O intuito era iniciar uma contra-reforma, que reconquistasse a fé católica nas terras protestantes do Sacro Império. A presença, devido ao concílio, de homens de cultura e de estudiosos principalmente de língua italiana, contribuiu para a difusão dos ideais renascentistas e da cultura italiana na região de Trento. Em seguida, a introdução da Contrarreforma determinou uma decisiva inversão da tendência do passado, com a definitiva difusão da língua italiana em prejuízo da alemã muito difundida anteriormente entre os religiosos, mas também em todo o território. O medo da difusão do protestantismo no Tirol também contribuiu para que o alemão perdesse cada vez mais espaço na região trentina. Os sermões das missas já não eram mais em alemão, mas consequentemente quase que exclusivamente em italiano; vários sobrenomes de origem germânica foram latinizados ou italianizados. No século XVII, o principado sofreu as consequências econômicas da Guerra dos Trinta Anos e a decadência do comércio com o Vêneto. Na primeira metade do século, o episcopado foi dirigido por membros da família Madruzzo que passaram o cargo de príncipe-bispo de tio a sobrinho: Ludovico, Carlo Gaudenzio alçados a cardeal pelo papa e Carlos Manuel governaram a diocese tridentina por um século, controlando indiretamente também o principado de Bressanone (Brixen) até a morte de Carlos Manuel em 1658.

Neste ano, o imperador da Áustria, Leopoldo I deu o governo do principado ao arquiduque Sigismundo Francisco da Áustria, irmão do conde de Tirol. A diocese reforçava, assim, sua ligação com o território tirolês, comparativamente o mesmo se em 1662 os Habsburgo permitiram ao capítulo de Trento a jurisdição episcopal das terras eclesiásticas. Três anos depois, Sigismundo morreu e, extinta a dinastia dos condes de Tirol, o principado tridentino e as terras do condado tornaram-se definitivamente dependentes da dinastia austríaca dos Habsburgo. Isto não significou, porém, a perda do status na esfera político-administrativa de semi-independência do principado, que obteve vantagens como o equilíbrio do balanço em 1683, a conclusão do Castelo do Buonconsiglio em Trento e a melhora de zonas insalubres no vale do rio Ádige (Etschtal), onde foi introduzido cultivo de arroz. Os bispos tridentinos (em particular Leopoldo Spaur) mantiveram perante as autoridades imperiais sua política de independência episcopal no controle sobre as terras da Igreja, como as demais dioceses do Sacro Império. No início do século XVIII, quando o Tirol foi invadido pelas tropas francesas e bávaras, e a própria cidade de Trento foi assediada por uma semana, em setembro de 1703.

Tropas tirolesas correram em defesa dos vales da região, pois a invasão francesa trazia consigo ideias divergentes de Iluminismo e mudanças que geraram desagrado entre toda a população tirolesa, sobretudo ao clero. O bispo de Trento, Pietro Vigilio Thun (1724-1800), fugiu para o exílio antes da chegada das tropas franco-bávaras e a capital tirolesa Innsbruck foi dominada rapidamente pelo exército bávaro. A população tirolesa, fortemente apegada ao clero e à coroa austríaca, reagiu à invasão napoleônica com uma rebelião que se tornou um marco na história política de conquistas como a primeira baixa do poderio napoleônico na Europa. Os grupos armados formados por voluntários de diferentes origens sendo nobres, artesãos, comerciantes e camponeses que se organizaram contra a expansão francesa. Entre os atiradores da cidade de Merano (Meran) estava Andreas Hofer (1767–1810), um taberneiro nascido em San Leonardo nella Val Passiria (Sankt Leonhardt in Passeiertal), comerciante de cavalos fabuloso e de poder carismático líder popular. Andreas Hofer (1767-1810) conhecia muito bem o Tirol e sua população. Falava o alemão e o italiano, pois morou na região trentina na  juventude e, conseguiu reunir para a resistência popular os camponeses de todos os vales tiroleses.

Andreas Hofer foi um estalajadeiro e condutor de gado tiroles que se tornou líder da Rebelião do Tirol de 1809 durante a Guerra da Quinta Coalizão. Hofer, além disso, comandou tropas nas batalhas de Bergisel durante a revolta. Posteriormente, ele foi capturado e executado. Hofer ainda é venerado como um herói popular, um combatente da liberdade e um patriota austríaco. Seu bisneto, Andreas Hofer, foi membro do grupo de resistência antinazista centrado em torno de Heinrich Maier. Filho de Josek Hofer e Maria Aigentler, Andreas era o único filho homem e o mais novo de uma família de seis filhos. Quando tinha apenas três anos, faleceu sua mãe e, com seis anos, faleceu também seu pai. O jovem foi criado por sua irmã mais velha, Anna Hofer, e pelo cunhado Josef Grüner. Após concluir os estudos primários obrigatórios na Áustria desde o reinado de Maria Teresa, Andreas Hofer foi enviado pela irmã ao Tirol italiano atual província de Trento, onde aprendeu a língua italiana e o ofício de taberneiro. Após esse período, retornou para a propriedade familiar, onde seguiu a profissão do pai e do avô. Seu alistamento no corpo voluntário de atiradores (Schützen) seria posteriormente um “divisor de águas” em sua vida, do ponto de vista sociológico da divisão do trabalho. Em poucos anos, tornou-se comandante e chegou a defender o Tirol das primeiras tropas francesas.                 

Católico fervoroso e dotado de liderança, Andreas Hofer tornou-se um herói da resistência tirolesa e austríaca contra Napoleão. Em 1802, as tropas francesas de Napoleão Bonaparte invadem o Império Austríaco, obrigando o imperador Francisco I a abdicar da coroa do Sacro Império Romano-Germânico. O Tirol é invadido através da região trentina e, posteriormente, pelo Norte, através da Baviera aliada de Napoleão. A fortificada Trento não resis A sociologia francesa do trabalho como disciplina científica teve como objeto central o operário do sexo masculino da empresa industrial, como figura arquetípica considerada universal. Com o crescimento do mercado feminino e o desenvolvimento do terciário, setor majoritariamente feminino. As pesquisas sobre divisão sexual do trabalho e relações sociais de sexo/ gênero demonstraram que uma análise de gênero muda quase que radicalmente as condições de produção dos conhecimentos sobre o trabalho. Os trabalhos masculino e feminino são comparáveis se partimos do conceito marxista de trabalho, enquanto trabalho formal e informal, profissional e doméstico, remunerado e não-remunerado. A introdução do conceito de gênero nas análises da sociologia clássica do trabalho, como o emprego, o desemprego, a qualificação, os movimentos sociais, os modelos “especialização flexível”, desloca a ordem tradicional masculina e produz novos conhecimentos. Não tem a mesma significação conjugada no masculino ou no feminino. O desemprego tem implicações contrastadas para homens e mulheres. Os processos de “requalificação” atingem os homens e muito pouco as mulheres na produção.

 O trabalho não representa apenas a produção de objetos-mercadoria, a força de trabalho não é mais apenas sujeita à inércia das coisas, o trabalho não é mais apenas o instrumento da sociedade procurando organizar a sobrevivência. Trabalho, força de trabalho, capacidade de trabalho e trabalhador tendem a unificar-se em pessoas que se produzem reproduzindo o mundo. E essa produção ocorre igualmente nos locais de trabalho, escolas, bares, estádios, viagens, teatros, concertos, jornais, livros, exposições, comunas, bairros, grupos de discussão e de luta, em suma em todos os lugares onde os indivíduos relacionam-se uns com os outros e produzem o universo das relações humanas. Cada vez mais, essa produção tende a fazer parte integrante não somente da produção do homem, mas da reprodução – necessariamente ampliada – da própria força de trabalho. O desenvolvimento internacional e intercontinental das trocas; a divisão do trabalho em escala de espaços econômicos mais vastos; a tendência às especializações regionais e nacionais; a rapidez das comunicações massivas, põem cada atividade produtiva, através do jogo das mediações, mais numerosas com o universo inteiro e tendem à sua unificação prática. te e é invadida e seu príncipe bispo, Pietro Virgilio Thun, foge para o exílio. As ideias do Iluminismo francês descontentaram a população tirolesa, que pegou em armas para combater as tropas napoleônicas formadas por franceses, alemães (bávaros e saxões) e italianos. 

Após a invasão de sua propriedade por soldados bávaros, Andreas Hofer organizou seu próprio grupo de atiradores voluntários, que posteriormente se juntou aos vários já formados em todo o Tirol. Essas pequenas guerrilhas locais se solidarizaram a partir de 1807, tendo Hofer como um de seus líderes, juntamente com Josef Speckbacher, Peter Mayr, Bernardino Dal Ponte, entre outros. Ipso facto, com a experiência da guerrilha Andreas Hofer liderou, a partir de 1809, o grande levante popular que, mesmo sem a prometida ajuda do imperador austríaco, por várias vezes defendeu o Tirol do exército napoleônico. Durante a libertação da cidade de Trento, Andreas Hofer foi recebido com júbilo pela população regional. Contudo, após a derradeira batalha de Bergisel, nos arredores de Innsbruck que marcou a queda do quase invencível general francês, os tiroleses perderam batalhas sucessivamente e Hofer foi capturado, sofrendo o fuzilamento em Mântua a pedido pessoal de Napoleão. O Tirol foi dividido e o território de Trento passou para o controle do Reino napoleônico da Itália, sendo chamado Dipartamento dell`Alto Adige, enquanto a parte norte passou para o controle do Reino da Baviera com o nome de Südbayern (Baviera do Sul). Durante esse período, houve consideráveis modificações no sistema administrativo da cidade de Trento e uma primeira tentativa de italianização dos sobrenomes de origem alemã do Tirol italiano. Com a queda de Napoleão e o Congresso de Viena, em 1816, o Condado Principesco do Tirol (Gefürstete Grafschaft Tirol) retornou para o domínio austríaco, ao qual permaneceu unido até o final da Guerra Mundial (1914-1918).

Depois de um ato religioso em abril de 1809 com a bênção da bandeira tirolesa, Hofer teve apoio do frade capuchinho Joachim Haspinger (1776-1858), que com ele participou ativamente da resistência. Na região trentina, um dos nomes de maior destaque foi o da jovem Giuseppina Negrelli (1790-1842) de Primiero (Primör), irmã do engenheiro Luigi Negrelli (1799-1858), idealizador e projetista do Canal de Suez. Além dela, os capitães Bernardino Dal Ponte das Giudicarie (Judikarien) e Michael Giacomelli de Val di Fiemme (Fleimstal). Com apoio do clero e auxílio do irmão do imperador, o arquiduque da Áustria Johann von Habsburg (1782–1859), os tiroleses venceram várias batalhas nos meses de abril e maio de 1809. Com a vitória sobre Bergisel em 29 de maio de 1809, passou a ser a data comemorada em todo o Tirol como anno 9, os tiroleses retomaram a capital Innsbruck do domínio bávaro e expulsaram as tropas napoleônicas; foi instaurado um governo provisório que durou quase dois anos eesse período reforçou o sentimento de unificação política tirolesa. Andreas Hofer era reconhecido como Vater Hofer (“pai Hofer”) entre os tiroleses de língua alemã e Capitàn Barbón (“capitão barbudo”) entre os tiroleses trentinos. Por seus atos patrióticos foi condecorado pela Igreja e pelo imperador austríaco com o colar de honra (Ehrenkette) de três mil ducados.

Mas Napoleão ainda mantinha sua influência no governo de Viena (por ele controlado) e obrigou a intervenção vienense na situação política tirolesa com medo das represálias francesas contra a nobreza vienense. Após batalhas contra os bávaros e as baixas, o governo provisório tirolês enfraqueceu-se politicamente. Hofer se refugiou em sua cidade natal e a as baixas permitiram o avanço das tropas francesas, bávaras e italianas (sob o domínio napoleônico). Após o caos que se instaurava, um dos ex-combatentes, Josef Raffl, traiu e entregou Hofer ao exército italiano. O líder tirolês foi preso e levado para Mântua (Mantova), e ali fuzilado em 22 de fevereiro de 1810. A porção norte do Tirol retornou ao domínio bávaro e a parte sul foi entregue ao Reino da Itália de Napoleão Bonaparte, que tratou de substituir rapidamente os cargos públicos e adequá-los ao modo administrativo das cidades italianas - esse período marcou o início da disputa italiana pela região tirolesa (sobretudo pela área trentina). O Tratado de Paris, (28 de fevereiro de 1802), estabeleceu a secularização do estado eclesiástico tridentino. A restauração austríaca de 1815 sinalizou o fim definitivo do Principado Episcopal de Trento, e sua administração foi englobada pelo Império Austríaco como parte do governo do Tirol.

O atual Trentino então chamado Tirolo Italiano ou Tirolo Meridionale continuou parte do Império Austríaco até depois da unificação italiana ocorrida em 1860. A população mantinha-se fiel ao imperador e havia grande resistência anti-italiana por parte dos camponeses, enquanto nos meios socialistas e intelectuais (formado por muitos filhos e netos de italianos que haviam se transferido para as terras do Império Austríaco) havia maior simpatia pela Itália. Somente após a Primeira Guerra Mundial, em 1919, com o Tratado de Saint-Germain-en-Laye, o Trentino passou a fazer parte integrante do Reino de Itália, juntamente com o atual Südtirol/Tirol Meridional (Província Autônoma de Bolzano). O nome “Tirol Meridional”, que outrora designava o Trentino, é atualmente oficial para a província de Bolzano. O termo histórico “Tirol Italiano” (Welschtirol) é ainda bastante utilizado, identificando o idioma predominante na região trentina. As relações sociais desenvolvidas do principado de Trento com os condes do Tirol oscilaram entre a dependência político-militar e tentativas de usurpação do poder administrativo, até a queda do principado sob o domínio napoleônico e sua total administração pela dinastia Habsburgo. 

Em 1252, Alberto III do Tirol obteve do bispo de Trento os feudos da extinta casa dos condes de Apiano, depois de ter obtido os feudos de Bressanone. Os principados de Trento e Bressanone uniam-se administrativamente ao Condado do Tirol, mas não foram submetidos a este, pois os bispos eram príncipes do Sacro Império e, como tais, eleitores do imperador e a este submetidos. No século XIII, pela política matrimonial da época, a primeira dinastia dos condes de Tirol foi substituída pela dinastia Tirol-Gorizia, da qual o maior expoente foi Mainhard (ou Mainardo) II, verdadeiro fundador da “potência tirolesa”. Neste período, o Tirol estendeu sua influência sobre uma vasta área alpina, nos confins de territórios das atuais Áustria, Suíça e Itália. Em 1363, Margarida Maultasch, sobrinha de Mainardo II, então viúva e sem herdeiros, cedeu o título e o controle do território a Rodolfo IV de Habsburgo. Durante a segunda metade de 1500, com Leopoldo V da Áustria, nasceu a dinastia dos Habsburgo-Tirol, que durou até 1665. O Imperador austríaco Maximiliano de Habsburgo foi coroado na Catedral de Trento (Duomo di Trento) e, em 1511, promulgou o famoso Landlibell, que organizava a proteção territorial tirolesa através de atiradores selecionados entre a nobreza, burguesia e camponeses - eram os Schützen e também Sìzzeri ou Scìzer, organização que se mantém viva e ativa até os dias atuais em todas as regiões do Tirol histórico

Do fim do século XIV até 1918, com exceção do período napoleônico, a região tornou-se um dos principais domínios da Casa de Habsburgo (imperadores do Sacro-Império quase ininterruptamente da metade do século XV até 1806, depois imperadores da Áustria), que passou a administrar em 1815 os territórios do Principado Episcopal de Trento (secularizado em 1801 por Napoleão Bonaparte), entre os confins administrativos do Condado do Tirol, tornado parte do Império Austríaco. No fim da Primeira Guerra Mundial, as tropas do Império Austro-Húngaro foram derrotadas na batalha de Vittorio Veneto, em 29 de outubro de 1918. Apesar do subsequente armistício firmado em 3 de novembro (que passaria a valer a partir do dia seguinte), o comando austríaco recuou imediatamente, o que permitiu que as tropas militares italianas capturassem 356 mil soldados austríacos (Kaiserjäger) e ocupassem o Tirol, incluída a parte setentrional (Tirol Meridional) formada pelas regiões Südtirol e Trentino (Welschtirol). Os territórios do Condado de Tirol ao Sul da vertente alpina foram anexados ao Reino da Itália e assim o Condado de Tirol termina sua existência com a ocupação italiana, em 1918.

O Tratado de Saint-Germain-en-Laye estabeleceu que a parte meridional do Tirol seria cedida ao Reino da Itália, o que incluía não apenas a região italianófona do Tirol, chamada então Trentino, mas também a parte germanófona hoje administrativamente conhecida como Província autônoma de Bolzano (Südtirol) - à época apenas 3% da população era de língua italiana. A região do Trentino, o Tirolo italiano, também adquiriu autonomia, para que as tradições tirolesas da área fossem protegidas, inclusive das minorias de língua alemã e ladina em seu território: Val de Mòcheni (Fersental), Luserna (Lusern), Val di Fassa (Val de Fascia). Em 1919, com o Tratado de Saint-Germain-en-Laye, da conferência de Paris, que marcou o fim do Império Austro-Húngaro, o Condado de Tirol foi dividido na esfera da vida política entre Áustria e Itália, nas seguintes áreas geográficas: Tirol Setentrional (Nordtirol) com capital Innsbruck. Tirol Oriental (Osttirol) com capital Lienz; Tirol Setentrional e Oriental são unidas no estado federal austríaco (Bundesland) do Tirol. Istom é, do Tirol Meridional, região denominada entre as duas guerras mundiais Veneza Tridentina segundo o nome proposto em 1863 pelo linguista goriziano Graziadio Isaia Ascoli, depois denominada Trentino-Alto Ádige, compreendendo os atuais Alto Ádige/Südtirol e Trentino, com capitais Trento (em alemão Trient); a atual capital provincial da região, com Trento (Trient) e Bolzano (Bozen) respectivamente capitais do Trentino e do Alto Ádige-Südtirol, formalizada com o estatuto de autonomia de 1972.

Depois da 2ª Guerra Mundial o Acordo de Paris chancelou que o Tirol do Sul tinha que permanecer italiano, com a condição de que se respeitassem os direitos da minoria de língua alemã e lhe fosse garantida uma ampla autonomia. O presidente do conselho italiano, Alcide De Gasperi (1881-1954), originário da província de Trento, decidiu estender a autonomia aos seus concidadãos, criando a região autônoma do Trentino-Alto Ádige. Dessa maneira, a autoadministração da minoria alemã tornou-se impossível. Este fato e a imigração de mais italianos provocaram uma resposta violenta, que culminou no terrorismo do BAS – Befreiungsausschuss Südtirol (Comitê pela liberação do Tirol do Sul), que queria geopoliticamente falando a reunificação à Áustria. Numa primeira fase os atentados dirigiram-se contra edifícios públicos e monumentos fascistas. A segunda fase foi mais sangrenta: 21 pessoas foram mortas, entre elas 15 agentes da polícia italiana, quatro terroristas e dois cidadãos. Em 1972, foi aprovado um novo estatuto de autonomia, que transferiu os poderes legislativos e administrativos da região italiana para as províncias de Trento e Bolzano. A província de Bolzano mantém 90% de todos os impostos e é hoje a região mais rica da Itália. A região possui a maior autonomia administrativa da Europa para garantir sua identidade étnica, linguística e cultural.

Recentemente as quatro regiões concordaram em colaborar institucionalmente na assim chamada Euregião Tirol-Alto Ádige-Trentino, com a abertura de uma representação comum em Bruxelas. Todas as comunidades anexadas ao Tirol na época fascista requereram seu ingresso na região do Tretino-Alto Ádige em muitas ocasiões a partir de 1943. Recentemente estes pedidos foram expressos oficialmente com referendos: Colle Santa Lucia, Livinallongo del Col di Lana e Cortina d`Ampezzo, em 28 de outubro de 2007; Pedemonte (compreendendo também a ex-comuna de Casotto), em 9 e 10 de março de 2008; Magasa e Valvestino, em setembro de 2008. O parlamento italiano não deu seguimento a estes pedidos. No Sul (Tirol Meridional) (Província autônoma de Bolzano), são idiomas oficiais, o alemão e o italiano. A eles se soma o ladino em alguns vales orientais (Val Badia, Val di Fassa e Val Gardena). No Trentino, existem duas minorias alemãs, em Val dei Mòcheni/Fersental e Luserna/Lusern. Todas as repartições públicas são bilíngues, cada cidadão tem o direito de utilizar a própria língua materna com a administração pública, também nos tribunais. As escolas são separadas em escolas alemãs, italianas e ladinas. Na repartição dos empregos públicos aplica-se o sistema da proporcionalidade étnica. Por ocasião do censo decenal cada habitante tem que declarar a sua pertinência a um dos três grupos linguísticos. Conforme os resultados, é possível proceder à repartição étnica. Os italianos que se estabeleceram na província durante o período da “italianização fascista” vivem principalmente nos centros urbanos. A capital Bozen/Bolzano e quatro municípios são majoritariamente italianófonos. Em 103 de 116 municípios a etnia dominante é a alemã – até 99,81% em San Pancrazio (Sankt Pankraz).

Na síntese sobre o lugar de análise das corporações deve-se até supor que esteja destinada a se tornar a base, ou uma das bases essenciais de nossa organização política. Ela começa por ser exterior ao sistema social, tenderá a se empenhar de forma cada vez mais profunda nele, à medida que a vida econômica se desenvolve. Ela foi outrora a divisão elementar da organização comunal. Agora que a comuna, de organismo autônomo que era outrora, veio se perder no Estado, como o mercado municipal no mercado nacional, acaso não é legítimo pensar que a corporação também deveria sofrer uma transformação correspondente e tornar-se a divisão elementar do Estado, a unidade política fundamental? A sociedade, em vez de continuar sendo o que ainda é, um agregado de distritos territoriais justapostos, tornar-se-ia um vasto sistema político de corporações nacionais. Mas essas divisões geográficas são, em sua maioria, artificiais e não despertam em nós sentimentos profundos. O espírito provinciano desapareceu irremediavelmente: o patriotismo de paróquia tornou-se um arcaísmo que não se pode restaurar à vontade. Uma nação só se pode manter se, entre o Estado e os particulares, se intercalar toda uma série de grupos secundários bastante próximos dos indivíduos para atraí-los fortemente em sua esfera de ação e arrastá-los, assim, na torrente geral da vida social.

Isso não quer dizer, porém, que a corporação seja uma espécie de panaceia capaz de servir a tudo. Será necessário que, em cada profissão, um corpo de regras se constitua, fixando a quantidade de trabalho, a justa remuneração dos diferentes funcionários, seu dever para com os demais e para com a comunidade, etc.  Estaremos, pois, não menos que atualmente, em presença de uma tábula rasa.  A vida social deriva inexoravelmente de uma dupla fonte: a similitude das consciências e a divisão do trabalho social. O indivíduo é socializado no primeiro caso, porque, não tendo individualidade própria, confunde-se como seus semelhantes, no seio de um mesmo tipo coletivo; no segundo, porque, tendo uma fisionomia e uma atividade pessoais que o distinguem dos outros, depende deles na mesma medida em que se distingue e, por conseguinte, da sociedade que resulta de sua união. Esta divisão dá origem às regras jurídicas que determinam as relações das funções divididas, mas cuja violação acarreta apenas medidas reparadoras sem caráter expiatório. De todos os elementos técnicos e sociais da civilização, a ciência nada mais é que a consciência levada a seu mais alto ponto de clareza. Nunca é demais repetir que para que as sociedades possam viver nas condições de existência que lhes são dadas, é necessário que o campo da consciência se estenda e se esclareça. Quanto mais obscura uma consciência, mais é refratária à mudança social, porque não vê depressa o que é necessário mudar. Nem em que sentido é preciso mudar.

Bibliografia Geral Consultada.

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