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segunda-feira, 30 de junho de 2025

O Tempero da Vida – Chef Cheng, Arte Culinária & Amor na Finlândia.

Perde-se facilmente um carneiro quando o pastor se afasta do rebanho”. William Shakespeare

                                     

          O conceito de figuração distingue-se de outros conceitos abstratos da sociologia por incluir expressamente os seres humanos em sua formação social. Contrasta, portanto, decididamente com um tipo amplamente dominante de formação de conceitos que se desenvolve sobretudo na investigação de objetos sem vida, portanto no campo da física e da filosofia para ela orientada. Há figurações de estrelas, assim como de plantas e de animais. Mas apenas os seres humanos formam figurações uns com os outros. O modo de sua vida conjunta em grupos grandes e pequenos é, de certa maneira, singular e sempre co-determinado pela transmissão de conhecimento de uma geração a outra, por tanto por meio do ingresso singular do mundo simbólico específico de uma figuração já existente de seres humanos. Às quatro dimensões espaço-temporais indissoluvelmente ligadas se soma, no caso dos seres humanos, uma quinta, a dos símbolos apreendidos. Sem sua apropriação, sem, por exemplo, o aprendizado de determinada língua especificamente social, os seres humanos não seriam capazes de se orientar no seu mundo concretamente nem de se comunicar uns com os outros. Um ser humano adulto, que não teve acesso aos símbolos da língua e do conhecimento de determinado grupo social permanece fora de todas as figurações humanas, pois não é um ser humano. As definições são amplas e vagas, e seria legítimo indagar, escolhendo-as mais ou menos ao acaso, para inferir que resultam em termos de um controle, qualquer estímulo ou complexo de estímulos que provoca uma reação.

Assim, pois, todos os estímulos são controles, pois representam a direção do comportamento por influências grupais, estimulando ou inibindo a ação individual (os sonhos) ou coletivamente (mitos, ritos, símbolos). O controle social pode ser definido como a soma total ou, antes, o conjunto de padrões culturais, símbolos sociais, signos coletivos, valores culturais, ideias e idealidades, tanto como atos quanto como processos diretamente ligados a eles, pelo qual a sociedade de forma inclusiva, opera em cada grupo particular, e cada membro individual participante superam as tensões e os conflitos entre si, através do equilíbrio temporário, e se dispõem a novos esforços criativos. Ipso facto, em toda a dimensão da vida associativa deverá haver algum ajustamento de relações sociais tendentes a prevenir a interferência de direitos e privilégios entre os indivíduos. De maneira mais específica, são três as funções do estabelecidas pelo controle social: a obtenção e a manutenção da ordem social, da proteção social e da eficiência social. O seu emprego hic et nunc na investigação sociológica contribuiu consideravelmente para produzir uma simplificação ou redução na análise dos problemas sociais, conseguida proporcionalmente, graças à compreensão positiva da integração das contradições correspondentes no sistema de organização das sociedades e da importância relativa de cada um deles, como e enquanto expressão do jogo social.  Embora obscuro e equívoco, em seu significado, o conceito de controle social é necessário à investigação sociológica na modernidade, encontraram um sistema de referências propício à sua crítica científica, seleção lógica e coordenação metódica.    

O crescimento de um jovem convivendo e habitando comum em figurações humanas, como processo social e experiência, assim como o aprendizado de um determinado esquema de autorregulação na relação com os seres humanos, é condição indispensável ao desenvolvimento rumo à humanidade. Socialização e individualização de um ser humano, são nomes diferentes para o processo. Cada ser humano assemelha-se aos outros, e é, ao mesmo tempo, diferente de todos os outros. O mais das vezes, as teorias sociológicas deixam sem resolver o problema da relação entre indivíduo e sociedade. Quando se fala que uma criança se torna um indivíduo humano por meio da integração em determinadas figurações, como, por exemplo, em famílias, em classes escolares, em comunidades aldeãs ou em Estados, assim como mediante a apropriação e reelaboração de um patrimônio simbólico social, conduz-se o pensamento por entre dois grandes perigos da teoria e das ciências humanas: o perigo de partir de um indivíduo a-social, portanto como que de um agente que existe por si mesmo; e o perigo de postular um “sistema”, um “todo”, em suma, uma sociedade humana que existiria para além do ser humano singular, para além dos indivíduos. Embora não possuam um começo absoluto, não tendo nenhuma outra substância a não ser seres humanos gerados familiarmente por pais e mães, as sociedades humanas não são simplesmente um aglomerado cumulativo dessas pessoas. O convívio dos seres humanos em sociedades tem sempre, mesmo no caos, na desintegração social, na maior desordem social, uma forma absolutamente determinada. É isso que o conceito de figuração exprime na vida humanamente.             

O processo de concentração física de força pública se acompanha de uma desmobilização da violência ordinária. A violência física só pode ser aplicada por um agrupamento especializado, especialmente mandatado para esse fim, claramente identificado no seio da sociedade pelo uniforme, portanto um agrupamento simbólico, centralizado e disciplinado. A noção de disciplina, sobre a qual Max Weber escreveu páginas magníficas, é uma evidência capital: não se pode concentrar a força física sem, ao mesmo tempo, controla-la, do contrário é o desvio da violência física, e o desvio da violência física está para a violência física assim como o desvio de capitais está para a dimensão econômica: é o equivalente da concussão. A violência física pode ser concentrada num corpo formado para esse fim, claramente identificado em nome da sociedade pelo uniforme simbólico criado, especializado e disciplinado, isto é, capaz de obedecer como um só homem a uma ordem central que, em si mesma, não é geradora de nenhuma ordem. O conjunto das instituições mandatadas para garantir a ordem, a saber, as forças públicas e de justiça, são, portanto, separadas pouco a pouco do mundo social corrente. Essa concentração do capital físico se realiza em um duplo contexto. Para uns, o desenvolvimento do exército profissional está ligado à guerra, assim como o imposto; mas há a guerra civil, a arrecadação do imposto como uma espécie de guerra civil. 

A estratégia do passado que visava organizar novos espaços urbanos transformou-se meramente em artifícios políticos e muito pouco em torno de reabilitação de patrimônios. Depois de haver inconscientemente projetado a cidade futura, torna-se uma cidade frequentada por sua estranheza, muito mais elevada aos excessos que reduzem o presente, a nada mais que simples escombros como caixas d`água que deixam escapar seu domínio do tempo. Mas os técnicos sociais se denunciam já no quadriculamento que atrapalhavam os planejadores funcionalistas que deviam fazer tábula rasa das opacidades contidas nos projetos de cidades transparentes. Afinal qual o urbanismo que não descontroem mais do que uma guerra a questão da memória e da história aldeã, operária, com casas desfiguradas, fábricas desativadas, universidades sem vida, cacos de histórias naufragadas que hoje formam as ruínas de uma cidade fantasma ou fantasmas da cidade, antes modernista, cidade de massa, homogênea, como os lapsos de uma linguagem que se desconhece, quem sabe inconsciente. Mas elas surpreendem. O imaginário individual (sonho) e coletivo (os mitos, os ritos, os símbolos), em primeiro lugar, são as coisas que o soletram. Eles têm uma função que consiste em abrir uma profundidade no presente, mas não têm o conteúdo que provê de sentido a estranheza do passado. Suas histórias políticas deixam de ser pedagógicas para inferir um final trágico. 

O Estado de Maquiavel à Marx, se constitui do ponto de vista político-afetivo, portanto, em relação à forma de governo um duplo contexto soberano: de um lado, efeitos de poder político em relação a outros Estados, atuais ou potenciais, isto é, os princípios concorrentes – portanto, precisa concentrar “capital de força física” para travar a guerra pela terra, pelos territórios; de outro lado, em relação a um contexto interno, a contrapoderes perniciosos, isto é, príncipes concorrentes ou classes dominadas que resistem à arrecadação do imposto ou ao recrutamento de soldados. Esses dois fatores favorecem a criação de exércitos poderosos dentro dos quais se distinguem progressivamente forças propriamente militares e forças propriamente policiais destinadas à manutenção da ordem interna. Essa distinção exército/polícia, evidente hoje, tem uma genealogia extremamente lenta, as duas forças têm sido por muito tempo confundido. O desenvolvimento do imposto está ligado às despesas de guerra. O nascimento do imposto é simultâneo a uma acumulação extraordinária de capital detido pelos profissionais da gestão burocrática e à cumulação de um imenso capital informacional. É o vínculo institucional pragmático que ocorre entre Estado e estatística: o Estado está associado a um conhecimento racional do mundo social e governamental. A estatística em como representação o campo da matemática que relaciona fatos sociais e números em que há um conjunto de métodos que nos possibilita coletar dados e analisá-los, assim sendo possível realizar alguma interpretação técnica.

Após a morte de sua esposa, o chef Cheng viaja com seu filho para uma aldeia marítima remota na Finlândia a convite de “um velho amigo que conheceu em Xangai”. Faz fronteira com a Suécia a Oeste, com a Rússia a Leste e com a Noruega ao Norte, enquanto a Estônia está ao Sul através do Golfo da Finlândia. A capital do país e sua maior cidade é Helsinque, em finlandês Helsinki, e a segunda maior cidade é Tampere, localizada a cerca de 180 km ao Norte da capital. Cerca de 5,3 milhões de pessoas vivem na Finlândia, estando a maior parte concentrada no Sul do país. É o oitavo maior país da Europa em extensão e o país menos densamente povoado da União Europeia. A língua materna de quase toda a população é o finlandês, que é uma das línguas fino-úgricas e é mais estreitamente relacionado com o estoniano. O finlandês é apenas uma das quatro línguas oficiais da UE que não são de origem Indo-Europeia. A segunda língua oficial da Finlândia, o sueco, é a língua nativa falada por 5,5% da população. Ele cruza fronteiras para surpreender os moradores com verdadeiras maravilhas da culinária. A culinária de Xangai tem como escopo enfatizar os sabores originais dos ingredientes crus, utilizando condimentos para realçar o sabor. Comparada a outras culinárias chinesas, ela tem um sabor mais suave e levemente adocicado. Desnecessário dizer: o agridoce é sabor típico.

       A expressão Finlândia tem muita semelhança com o nome de outros lugares escandinavos, como Finamarca, condado da Noruega, e Finuídia, pequeno território sueco. Alguns desses nomes são, obviamente, derivados de Finnr, palavra alemã que descreve “um viajante e supostamente refere-se a um nômade, alguém sem residência fixa”. O termo Finn também costuma se referir a um grupo de 70 mil lapões com origens na Lapônia. Finn originalmente era usado para designar pessoas da “Finlândia Própria” no século XV, quando a igreja nomeou um bispo com autoridade que abrangia todo o país. Com o tempo, historicamente o termo passou a designar também toda a população. Os primeiros colonizadores suecos desembarcaram na costa finlandesa na época medieval, ainda no século XII, encontrando um país sem uma organização estatal, dividido em clãs familiares locais. Na esteira dos colonos suecos, chegaram os cruzados suecos e o Estado sueco. Os reis suecos estabeleceram seu domínio durante as Cruzadas do Norte de 1155 até 1249. Pouco tempo depois, o país foi agregado e completamente colonizado pela Suécia.  Em 1293, foi construída a fortaleza de Viburgo, no interior do golfo da Finlândia, para consolidar as conquistas suecas na Finlândia e na Carélia. Pelo Tratado de Noteburgo, em 1323, foi estabelecida entre a Finlândia sueca e a República da Novogárdia. O sueco tornou-se língua da nobreza, administração e educação.

            Finlândia, oficialmente a República da Finlândia, é um país nórdico no Norte da Europa. Faz fronteira com a Suécia a Noroeste, a Noruega ao Norte e a Rússia a Leste, com o Golfo de Bótnia a Oeste e o Golfo da Finlândia ao Sul, em frente à Estônia. A Finlândia tem uma população de 5,6 milhões. Sua capital e maior cidade é Helsinque. A maioria da população é composta por finlandeses étnicos. As línguas oficiais são o finlandês e o sueco; 84,1% da população fala o primeiro como língua materna e 5,1% o último. O clima da Finlândia varia de continental úmido no Sul a boreal no Norte. A cobertura terrestre é predominantemente bioma de floresta boreal, com mais de 180.000 lagos registrados. A Finlândia foi colonizada pela primeira vez por volta de 9000 a.C., após a última Era Glacial. Durante a Idade da Pedra, surgiram várias culturas, distinguidas por diferentes estilos de cerâmica. A Idade do Bronze e a Idade do Ferro foram marcadas por contatos com outras culturas na Fennoscandia e na região do Báltico. Fino-Escandinávia ou Fenoscândia é um termo geográfico e geológico usado para descrever a península Escandinava, a península de Cola, a região da Carélia e Finlândia. O canal Mar Branco-Báltico separa a Fino-Escandinávia do continente da Rússia. Inicialmente o termo Fino-Escandinávia foi introduzido em 1898 pelo geólogo finlandês Wilhelm Ramsay (1865-1928) para delimitar uma região geológica denominada nesta nomenclatura “escudo báltico”, que abrange Noruega, Suécia, Finlândia e o Norte da Dinamarca. Na atualidade, o termo Fino-Escandinávia também é usado para descrever o contato histórico e cultural entre os lapões, os povos fínicos, os suecos e noruegueses. Fino-Escandinávia não inclui, ao contrário dos países nórdicos, a Dinamarca, Islândia, Groenlândia. Historicamente partir do final do século XIII, a Finlândia tornou-se parte da Suécia tendo como representação do resultado das Cruzadas do Norte. Em 1809, como resultado da Guerra Finlandesa, a Finlândia foi capturada da Suécia e se tornou um grão-ducado autônomo dentro do Império Russo.

Durante este período, a arte finlandesa floresceu e o movimento de Independência começou a se firmar. A Finlândia se tornou o primeiro território na Europa a conceder sufrágio universal em 1906, e o primeiro no mundo a dar a “todos os cidadãos adultos o direito de concorrer a cargos públicos. Após a Revolução de 1917, a Finlândia declarou sua Independência”. Uma guerra civil foi travada na Finlândia no ano seguinte, com os Brancos emergindo vitoriosos. O status da Finlândia como República foi confirmado em 1919. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a Finlândia lutou contra a União Soviética na Guerra de Inverno e na Guerra da Continuação, e posteriormente contra a Alemanha na Guerra da Lapônia. Como resultado, perdeu partes de seu território para a União Soviética, mas manteve sua Independência e democracia. A Finlândia permaneceu um país predominantemente agrícola até a década de 1950. Após a Segunda Guerra Mundial, industrializou-se rapidamente e estabeleceu uma economia avançada, com um Estado de bem-estar social construído no modelo nórdico. Isso permitiu que experimentasse prosperidade geral e alta renda per capita. Durante a Guerra Fria, a Finlândia adotou uma política de neutralidade. Isto é, tornou-se membro da União Europeia em 1995, da Zona do Euro em 1999 e, após a invasão russa da Ucrânia, juntou-se à Organização do Tratado Atlântico Norte em 2023.

A Finlândia é membro de organizações internacionais, como o Conselho Nórdico, o Espaço Schengen e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. A nação tem um desempenho bom em “métricas de desempenho nacional, em educação, competitividade econômica, liberdades civis, qualidade de vida e desenvolvimento humano”. Sociologicamente a chamada Guerra Fria representa a designação atribuída ao período histórico de disputas estratégicas e conflitos indiretos entre os Estados Unidos da América (EUA) e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSSS), compreendendo o período entre o final da 2ª guerra Mundial (1940-1945) e a dissolução da União Soviética correu em 26 de dezembro de 1991, como resultado da declaração nº 142-Н do Soviete Supremo da União Soviética. A declaração reconheceu a Independência das antigas repúblicas soviéticas e criou a Comunidade de Estados Independentes (CEI). A conjuntura anterior representou um conflito extraordinário de ordem política, militar, tecnológica, econômica, social e ideológica entre as duas nações, no plano das relações políticas e econômicas e suas zonas conflitantes de influência político-militar. É chamada guerra “fria” porque não houve guerra direta entre as duas superpotências, dada a inviabilidade da vitória em uma batalha nuclear. A corrida armamentista pela construção de um grande arsenal de armas nucleares foi o objetivo central durante a primeira metade da chamada “Guerra Fria”, estabilizando-se na década de 1960-1970 e sendo reativada nos anos 1980 com o projeto do presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Ronald Reagan (1911-2004) chamado de “Guerra nas Estrelas”. A corrida espacial foi um dos episódios que marcaram a segunda metade do século XX e foi resultado direto da chamada Guerra Fria. Ocorrida entre os anos de 1957 e 1975, a corrida espacial ficou caracterizada pela intensa exploração no espaço realizada por norte-americanos & soviéticos.

Um dos episódios geopolíticos de maior relevância da corrida espacial foi a estratégia global ocorrida com a chegada concreta do homem à Lua. É neste âmbito de transformações globais polarizadas que Socialisme ou Barbarie representou um grupo socialista libertário radical francês do período pós-guerra. Seu nome vem de uma frase de da economista marxista Rosa Luxemburgo (1871-1919) usada em um ensaio de 1916, The Junius Pamphlet. O grupo existiu durante os anos 1948 até 1965. A personalidade que o animava era Castoriadis, também reconhecido como Pierre Chaulieu ou Paul Cardan. O grupo se originou na trotskista Quarta Internacional, onde Castoriadis e Claude Lefort constituíram a chamada “Tendência Chaulieu-Montal” no Partido Comunista Internacionalista francês, em 1946. Em 1948, eles experimentaram o seu “desencanto final com o trotskismo”, levando-os a romperem com os trotskistas para formar o Socialisme ou Barbarie, cujo jornal começou a aparecer em março de 1949. Castoriadis mais tarde disse a respeito desse período que sua principal audiência e do jornal era formada pela esquerda radical: bordigistas, comunistas de conselho, alguns anarquistas e órfãos da esquerda alemã dos anos 1920. Eles foram vinculados à tendência Johnson-Forest, que desenvolveu ideias dentro das organizações trotskistas norte-americanas. Uma facção desse grupo formou mais tarde o grupo Facing Reality.

Os primeiros tempos também trouxeram debates com Anton Pannekoek e um influxo de ex-bordigistas para o grupo. Era composto tanto de intelectuais quanto de trabalhadores e concordavam com a ideia de que os principais inimigos da sociedade eram as burocracias que governavam o capitalismo moderno. eles documentaram e analisaram a luta contra a burocracia no jornal do grupo. A edição de número 13 ocorrida em janeiro-março de 1954, por exemplo, era dedicada à Revolta de 1953 na Alemanha Oriental e às greves que pipocaram em vários setores de trabalhadores franceses naquele verão. Seguindo a crença de que o que a luta diária que a classe trabalhadora encarava era o conteúdo real do socialismo, os intelectuais encorajavam os trabalhadores no grupo a relatarem cada aspecto de suas vidas no trabalho. O caráter-gueto de Socialismo ou Barbárie não deriva, contudo, apenas da guerra fria Leste-Oeste. Ao chegar a Paris, a bordo do navio Mataroa, Cornelius Castoriadis, assim como outros intelectuais - qual Kostas Axelos, por exemplo -, vem fugido da perseguição movida contra a esquerda grega. Não somente, porém, da repressão desencadeada pela aliança atlantista, como igualmente dos próprios comunistas, conforme relata, em tons quase dramáticos, Morin: - “Raríssimos foram os intelectuais europeus que, sob a ocupação nazista, se tornaram militantes da heresia trotskista. Os comunistas trotskistas, presos pela Gestapo, sofriam a mesma sorte dos comunistas stalinistas e, no interior das prisões, os stalinistas, no melhor dos casos, punham os trotskistas em quarentena e, na pior, liquidavam. Na Grécia da Liberação, o Partido Comunista decidiu, em tomada de posição do Comitê Central, pelo extermínio dos trotskistas. Condenado à morte pelos comunistas e prevendo ser abatido pelos anticomunistas, Castoriadis emigrou para a França”.

Assim sendo, o possível círculo de acolhida ao fugitivo em Paris está nos setores igualmente minoritários da IV Internacional. Mas Castoriadis bem cedo diagnostica um tronco leninista-burocrático comum a stalinismo e trotskismo. O grupo Socialismo ou Barbárie fará ruptura com a IV Internacional - ruptura esta marcada por uma dupla originalidade. De modo diferente das inumeráveis cisões anteriores do movimento trotskista, ela não se dá à moda de uma pequena capela que muda de chefe sem transformar em nada a doutrina. Ao contrário de outras dissensões que igualmente rejeitam a organização de tipo engajado politicamente leninista, ela não joga fora o bebê (Marx) junto com a água do banho (Lênin-centralismo-stalinismo). Ao romper com os heterodoxos ortodoxos - IV Internacional e dissidências da IV Internacional - em nome do marxismo, Socialismo ou Barbárie emerge como a “heresia de uma heresia” (cf. Morin, 1989). O Socialisme ou Barbarie era crítico do leninismo, rejeitando a ideia de um partido revolucionário e colocando ênfase nos conselhos de trabalhadores. Enquanto alguns membros partiram para formarem outros grupos, aqueles que permaneceram se tornaram mais e mais críticos do marxismo ao longo do tempo. Jean Laplanche, um dos membros-fundadores do grupo, recorda os primeiros dias da organização. 

O grupo socialmente era composto tanto de intelectuais quanto de trabalhadores e concordavam com a ideia de que os principais inimigos da sociedade eram as burocracias que governavam o capitalismo. Eles documentaram e analisaram a luta contra a burocracia no jornal do grupo. A edição de número 13 referente a janeiro-março de 1954, por exemplo, era dedicada à interpretação da Revolta de 1953 na Alemanha do Leste e às greves em vários setores de trabalhadores franceses naquele verão. Seguindo a ideologia de que o que a luta diária que a classe trabalhadora encarava era o conteúdo real do socialismo, os intelectuais encorajavam os trabalhadores no grupo a relatarem cada aspecto social da vida cotidiana no trabalho.  A Hungria começou o período pós-guerra como uma livre democracia pluripartidária, e as eleições em 1945 produziram um governo de coalizão sob a batuta do primeiro-ministro Zoltán Tildy. Entretanto, o Partido Comunista, apoiado pela União Soviética, que tinha recebido somente 17% dos votos, constantemente obtinha pequenas concessões em um processo nomeado “tática do salame”, que fatiava a influência do governo eleito. Depois das eleições de 1945, os poderes do Ministro do Interior - que supervisionava a Autoridade de Proteção de Estado (ÁVH) - foram transferidos do “Partido dos Pequenos Proprietários Independentes” para gente de confiança do Partido Comunista. A ÁVH empregava métodos de intimidação, falsas acusações, prisões e tortura para suprimir a oposição política. O período conjunturalmente de democracia pluripartidária acabou cedendo espaço quando o Partido Comunista se fundiu com o Partido Socialdemocrata para se tornar o “Partido Popular dos Trabalhadores Húngaro”, cuja lista de candidatos foi a votos sem oposição em 1949. A República Popular Húngara foi declarada.

Depois da 2ª guerra mundial, a Hungria sucumbiu na esfera político-ideológica de influência soviética e foi ocupada militarmente pela guerra de movimento do Exército Vermelho. Em 1949, os soviéticos tinham concluído um tratado de assistência mútua com a Hungria que garantia direitos políticos à União Soviética para uma contínua presença militar, assegurando o último controle político. Dentre 1950-1952, a Polícia de Segurança forçadamente realocou milhares de pessoas para obter propriedades e moradias para os membros do Partido Popular dos Trabalhadores, e remover a ameaça da classe intelectual e burguesa. Milhares foram presos, torturados, julgados e aprisionados em campos, deportados para o leste, ou eram executados, incluindo o fundador da ÁVH László Rajk. Em um único ano, mais de 26.000 pessoas foram forçadamente realocadas de Budapeste. Como uma consequência, empregos e moradias eram muito difíceis de obter. Os deportados geralmente experimentavam parcas condições de habitação e eram recrutados para trabalho escravo em fazendas coletivas. Muitos morreram como resultado das pobres condições de vida e desnutrição. O estudo do idioma russo e instrução política comunista foram tornados parte do currículo escolar e universitário pelo país. László Rajk (1909-1949) nasceu em Székelyudvarhely, sendo o nono filho de  saxões da Transilvânia, seus laços afetivos com o comunismo começaram como membro do Partido Comunista da Hungria (KMP). Posteriormente, foi expulso da universidade por suas ideias políticas e se tornaria operário da construção civil, até 1936, quando ingressou na Frente Popular na Guerra Civil Espanhola até 1939.

       A análise sociológica pragmática de Max Weber precisa as consequências inevitáveis dentro do movimento protestante, das tendências ascéticas da conduta dos primeiros adeptos que formam, em princípio a mais forte antítese da relativa fraqueza moral do luteranismo. A gratia amissibilis luterana, que podia ser sempre reconquistada através da contrição penitente, não continha em si nenhuma sanção para o que é, para nós, o resultado mais importante do protestantismo ascético: uma ordenação racional sistemática da vida moral como um todo. A fé luterana deixou, deste modo, inalterada a espontânea vitalidade da ação impulsiva e da emoção ingênua. Faltava o estímulo para o constante autocontrole e, assim, para uma regulamentação deliberada da vida de cada um, introduzido pela melancólica doutrina de Calvino. Um “gênio religioso” como Martin Lutero (1483-1543), na falta de melhor expressão, podia viver sem dificuldades nesta atmosfera de liberdade e, enquanto seu entusiasmo fosse bastante poderoso, sem perigo de recair no status Naturalis. Esta forma de piedade simples, sensível e peculiarmente emocional, que é o ornamento de muitos dos mais destacados tipos do luteranismo, como a sua moralidade livre e espontânea, encontra poucos paralelos no genuíno puritanismo, mais no suave anglicanismo de Hookes, Chillingsworth etc. Para o luterano comum, mesmo para o mais convicto apoiado nas ideias protestantes da Reforma, nada era mais certo que ele estar temporariamente enquanto a confissão ou o sermão durassem – acima do status Naturalis. Para o giant Max Weber relacionar a ética protestante com o espírito do capitalismo, partindo das obras de Calvino, do Calvinismo e de outras seitas “puritanas”, não serve para afiançar que a ambição dos bens materiais, como fim em si mesmo, possa elevar-se a um valor ético. Não queremos perder de vista  que a “vocação” está ligada do tipo ideal de dominação carismática.

A este tipo de dominação é que Weber se dedica no decorrer do texto. Os homens não obedecem ao líder carismático em virtude da tradição ou da lei, mas porque acreditam nele. Embora seus ideais de ética e os resultados práticos de seus ensinamentos tenham sido fundamentais nela, consequências de motivos puramente religiosos, os resultados culturais da Reforma foram em boa parte consequências imprevistas. E até mesmo indesejadas, do trabalho dos reformadores, muitas vezes bastante divergentes entre si, e até mesmo opostas ao que eles realmente desejavam. O que há de novo do ponto de vista saociologicamente da Wertfreiheit de Max Weber, refere-se à compreensão da maneira pela qual “as ideias adquirem força na História”, a fim de indicar mal-entendidos sobre o significado desses motivos. Neste sentido, o caráter providencial da “interação” dos interesses econômicos particulares, assume, todavia, uma forma diversa na perspectiva puritana. De acordo com a tendência do puritanismo a interpretações pragmáticas, o caráter providencial da divisão do trabalho dá-se a conhecer pelos seus resultados. Uma vez que Richard Baxter destaca-se entre muitos outros intérpretes teóricos da ética puritana, seu Christian Directory é o mais completo compêndio da teologia moral puritana, inteiramente orientado pela experiência prática de seu ministério. Vale lembrar que Baxter tece considerações que, em mais de um ponto, lembram a apoteose da divisão do trabalho de Adam Smith.

A especialização das ocupações leva, à medida que possibilita o desenvolvimento das habilidades do trabalhador, a progressos quantitativos e qualitativos na produção, servindo assim também ao bem comum, que é idêntico ao bem do maior número, de motivação utilitária como ocorre na literatura. O elemento caracteristicamente puritano aparece quando Baxter coloca à frente de sua discussão a seguinte proposição: “fora de uma vocação bem-sucedida as realizações do homem são apenas casuais e irregulares, e ele gasta mais tempo na vadiagem do que no trabalho”. E também quando conclui que ele o trabalhador especializado, efetuará seu trabalho ordenadamente, enquanto outro permanecerá numa contínua confusão, não conhecendo sua atividade, nem tempo nem lugar”. Razão pela qual “ter uma vocação certa é o melhor para todos”. O trabalho irregular, que muitas vezes o operário é obrigado a aceitar, é com frequência inevitável, mas sempre um indesejável estado sob a forma de qualquer transição. Falta à vida do homem “sem ofício” aquele caráter sistemático e metódico requerido pelo chamado “ascetismo secular”. Também de acordo com a ética Quaker é a vida vocacional do homem que lhe dá certo treino moral, que se expressa no zelo e no método, fazendo com que ele cumpra sua vocação. Na concepção puritana da vocação, a ênfase sempre é posta neste caráter. Fora de dúvida, abandonar a noção do sociólogo, comparativamente para o filósofo, reconhecendo algo sobre o que quese ninguém reconhece de modo pleno, seria abandonar a noção de que sua voz, do ponto de vista da fonoaudiologia sempre tem pretensão dominante à atenção dos outros participantes no âmbito da conversação.

Seria também abandonar a noção de que existe algo chamado “método filosófico” ou “técnica filosófica”, ou “ponto de vista filosófico” que capacita o filósofo profissional, ex officio, a ter visões interessantes sobre, digamos, a respeitabilidade da psicanálise, a legitimidade de certas leis dúbias, a resolução de dilemas morais, a “sanidade” das escolas de historiografia ou da crítica literária e cinematográfica, e assim por diante. Os filósofos com frequência têm visões interessantes sobre tais questões. Seu treinamento profissional é frequentemente uma condição necessária para que tenham as visões que têm. Mas isso não representa dizer que os filósofos têm uma qualidade especial de conhecimento sobre o conhecimento de onde extraem corolários relevantes. Os palpites úteis que eles podem proporcionar sobre os vários tópicos são possíveis por sua familiaridade com o plano de fundo histórico das argumentações sobre tais tópicos. E, last but not least, pelo fato sociologicamente evidente de que as argumentações sobre tais tópicos são pontuadas por clichês filosóficos triviais. Com os quais os outros participantes tropeçaram em sua leitura, mas cujos prós e contras os filósofos profissionais conhecem muito bem. Magistralmente, o sociólogo Max Weber dividiu as teorias éticas em dois agrupamentos. O primeiro compreende a ética da convicção, ou deontologia. O segundo, a ética da responsabilidade, ou teleologia. Isso não quer dizer de modo algum que a convicção exclui totalmente a responsabilidade e vice-versa. 

Na ética da responsabilidade, a decisão decorre das implicações que cada conduta enseja, obrigando o agente do conhecimento das circunstâncias. Diferentemente da ética da convicção, a ética da responsabilidade não tem como parâmetro de conduta princípios ou ideais, muito menos crenças existentes anteriormente. Segundo a ética da responsabilidade, analisam-se situações concretas e seus possíveis impactos sociais que transcendem a regressão jurídica. E se escolhe a decisão que causa maiores benefícios para a coletividade adotada em bem maior e evita um mal maior. É por extensão, alguém que, havendo incorporado a etnometodologia de um grupo social considerado, exibe naturalmente a competência social que o agrega a esse grupo e lhe permite fazer-se reconhecer e aceitar. Daí, neste caso a advertência: qualquer universidade que se disponha, através de seus próceres, com honradez a seguir os princípios éticos para concordarmos com a “autonomia relativa das instâncias”, segundo Max Weber, no plano científico e, político, como no plano administrativo, se bem entendido que, do ponto de vista axiológico, política é regulação da existência (“Existenz”) como Hegel frisou na “Introdução”, à História da Filosofia. Sendo assim em sociologia, poder decisório, luta entre interesses contraditórios, disputa por posições de mundo, confrontos mil entre forças sociais, violência em última análise. A produção política usa suportes materiais: armas, livros, processos, papéis onde se inscrevem as ordens, os atos de gestão, as sentenças ou as leis, mas não é uma produção material.

Havia uma grande diferença, que era muito chocante entre os padrões morais das cortes e dos príncipes reformados e dos luteranos, os últimos sendo frequentemente degradados pela embriaguez e pela vulgaridade. O fato é que ao luteranismo, em razão de sua doutrina de graça, faltava uma sanção psicológica da conduta sistemática que o compelisse à racionalização metódica da vida. Na Noruega, Suécia e Finlândia, vale lembrar que predominam a atividade pesqueira e a extração de madeira. É nessa região que ocorrem as mais baixas temperaturas climáticas de todo o continente europeu. Os Alpes Escandinavos representam a principal formação montanhosa da região. Estendem-se próximos ao litoral, no sentido Norte-Sul. Suas elevações são acompanhadas de planaltos, com alguns lagos e vales glaciais. Esses vales formaram-se pela erosão do gelo; posteriormente, foram invadidos pela água do mar. São os fiordes. Comuns sobretudo no litoral norueguês. O verdadeiro “muro montanhoso” é acompanhado por fiordes a oeste e ladeado por planícies que se voltam em direção à Suécia, no litoral do mar Báltico. Além de planícies alguns países da região possuem várias depressões criadas pela erosão glacial. Nessas depressões originaram-se diversos lagos, como se observa na Finlândia. Antes do século XIX, o termo Nórdico ou setentrional, era usado habitualmente no sentido de incluir a parte territorial da Rússia Europeia, os Países Bálticos naquela época, por exemplo, Livônia e Curlândia e Groenlândia. Mais recentemente, quando a Europa foi submetida à região do Mediterrâneo, as regiões próximas ao mar, incluindo particularmente países reconhecidos como Alemanha, os Países Baixos e a Áustria, passaram a ser culturalmente associadas ao termo.  

O finlandês tornou-se uma língua secundária, falada principalmente pelos camponeses e pelo clero. O Bispo de Turcu era a pessoa preeminente na Finlândia antes da Reforma Protestante. Durante a reforma, grande parte do país aderiu ao luteranismo. No século XVI, Mikael Agricola (1510-1557) publicou os primeiros trabalhos escritos na Finlândia, a primeira universidade do país, The Royal Academy of Turku, foi inaugurada em 1640. O país passou por uma grave fome entre 1676 e 1697, e cerca de um terço da população morreu. No século XVIII, uma intensa guerra entre Suécia e Rússia acarretou em duas ocupações da Rússia no país, foi a Grande Guerra do Norte, conflito que ocorreu entre 1700 e 1721, envolvendo a Rússia, Dinamarca-Noruega e Saxônia-Polônia (mais tarde Prússia e Hanôver) contra o Império Sueco. A guerra resultou na ascensão da Rússia como uma grande potência europeia e no declínio da Suécia como potência regional, na qual a Suécia enfrentou Rússia, Dinamarca, Noruega e a República das Duas Nações. Ao fim, a guerra tornou-se um conflito concentrado entre Suécia e Rússia, a chamada Guerra Finlandesa. A Apresentação também é um aspecto fundamental da culinária, com os ingredientes meticulosamente cortados e dispostos para criar visualmente um esquema de cores harmonioso. Os pratos precisam dominar três elementos: “cor, aroma e sabor”. Assim como outras culinárias chinesas, a de Xangai enfatiza o uso de temperos, a qualidade das matérias-primas e a preservação dos sabores originais dos ingredientes. Em sentido mais amplo, refere-se a estilos complexos de culinária desenvolvidos em um quadro de pensamento sob a influência das províncias vizinhas de Jiangsu e Zhejiang. A adoção da influência ocidental claramente na culinária resultou em um estilo único reconhecido como culinária Haipai.

A divisibilidade infinita do espaço implica a do tempo, como fica evidente pela natureza do movimento. Mas podemos aqui observar, afirma David Hume (2009), que nada pode ser mais absurdo que esse costume de atribuir uma dificuldade aquilo que pretende ser uma demonstração. As demonstrações não são como as probabilidades, em que podem ocorrer dificuldades, e um argumento pode contrabalançar outro, diminuindo sua autoridade. Uma demonstração ou é irresistível, ou não tem força alguma. Portanto, falar em objeções e respostas, em contraposição de argumentos numa questão como essa, é o mesmo que confessar que a razão humana é um simples jogo de palavras, ou que a pessoa que assim se exprime não está à altura desses assuntos. Há demonstrações difíceis de compreender, por causa do caráter abstrato de seu tema; nenhuma demonstração, uma vez compreendida, pode conter dificuldades que enfraqueçam sua autoridade. É uma máxima da metafísica que tudo que a mente concebe claramente inclui a ideia da existência possível, ou, em outras que ainda que imaginamos é absolutamente impossível. Não poderia haver descoberta mais feliz para a solução de todas as controvérsias que as impressões sempre precedem as ideias, e que toda ideia contida na imaginação apareceu primeiro em uma impressão correspondente.

As percepções deste último tipo são todas tão claras e evidentes que não admitem discussão, ao passo que muitas de nossas ideias são tão obscuras que é quase impossível, mesmo para a mente que as forma, dizer qual é exatamente sua natureza e composição. Façamos uma aplicação desse princípio, a fim de descobrir algo mais sobre a natureza de nossas ideias de espaço e tempo.  Entre o liberalismo de Hume e dos Fisiocratas, encontra-se a distância que separa a invenção da conformidade. Hume de um lado, os Fisiocratas de outro. Fisiocratas que viam a produção de bens e serviços como consumo do excedente agrícola, uma vez que a principal fonte de energia era o músculo humano ou animal e toda a energia era derivada a partir do excedente de produção agrícola. A unidade própria do nascente liberalismo econômico se tornaria problemática. Apesar da relativa uniformidade das reivindicações, parece que o fosso se escava entre, de um lado, uma metafísica da ordem que impõe respeito a uma norma natural, limitadora por essência e instruída pela providência regida, em última instância, pela cumplicidade secreta entre finalismo e mecanicismo, e, de outro, a marcha hesitante de uma espontaneidade cega em seu princípio, e anônima em seus efeitos sociais, que exige que a norma, em sua variedade e contingência, seja construída, inventada, em função das circunstâncias. Assim comparativamente a política econômica nacional é constituída sobre o modelo da gestão privada, sendo que a representação da economia do universo é, do mesmo modo, construída do modelo tecnológico sobre a apropriação da natureza.     

Arte culinária representa a arte de preparar e confeccionar alimentos. A palavra “culinária” refere-se a algo relacionado com o ato de cozinhar. Um profissional de culinária é uma pessoa que trabalha nas artes culinárias. Nos restaurantes pode ser também reconhecido por chefe de cozinha (chef). Os artistas culinários são responsáveis pela preparação meticulosa de refeições que são agradáveis tanto ao paladar como à vista. É-lhes cada vez mais pedido um conhecimento da ciência dos alimentos e noções de dieta e nutrição. Trabalham principalmente em restaurantes, cadeias de fast food, lojas gourmet, hospitais e outras instituições. As condições da cozinha variam consoante o tipo de negócio, restaurantes, instituições de acolhimento e lares de terceira idade, etc. O mercado de trabalho para os chefs de cozinha, gestores de restaurantes, dietéticos e nutricionistas é bastante alargado, com uma taxa de crescimento média. Uma educação superior com qualificações é cada vez mais um requisito para o sucesso nesta área de conhecimento. Segundo as estatísticas, 54% dos profissionais de culinária são do sexo feminino. A culinária reflete os costumes de um povo e em outros aspectos culturais como as religiões e a política. Não somente os alimentos, mas também os utensílios e as técnicas utilizados na culinária fazem parte de um acervo cultural claro e particular.

A população da Finlândia é de aproximadamente 5,6 milhões. A taxa de natalidade é de 7,8 por 1.000 habitantes, dando uma taxa de fertilidade de 1,26 filhos nascidos por mulher, uma das mais baixas do mundo e bem abaixo da taxa de reposição de 2,1. Em 1887, a Finlândia registrou sua maior taxa, com 5,17 filhos nascidos por mulher. A Finlândia tem uma das populações mais velhas do mundo, com uma idade média de 44,0 anos e 23,6% da população com 65 anos ou mais. A Finlândia tem uma densidade populacional média de 19 habitantes por quilômetro quadrado. Esta é a terceira menor densidade populacional da Europa, depois da Noruega e da Islândia, e a mais baixa da União Europeia. A população da Finlândia sempre se concentrou nas partes do sul do país, um fenômeno que se tornou mais pronunciado durante a urbanização do século XX. Três das quatro maiores cidades da Finlândia estão localizadas na Área Metropolitana de Helsinque: Helsinque, Espoo e Vantaa. A cidade de Tampere é a terceira maior cidade depois de Helsinque e Espoo, e Vantaa é a quarta. Outras cidades com mais de 100.000 habitantes são Turku, Oulu, Jyväskylä, Kuopio e Lahti. A população imigrante da Finlândia está crescendo. Em 2024, havia 623.949 pessoas de origem estrangeira vivendo na Finlândia (11,1% da população), a maioria delas da antiga tradição da União Soviética, Estônia, Iraque, Somália, Ucrânia, China e Índia. Os filhos de estrangeiros não recebem automaticamente a cidadania finlandesa, pois a lei de cidadania finlandesa mantém uma política consagrada de jus sanguinis, segundo a qual apenas crianças nascidas de pelo menos um dos pais finlandeses recebem a cidadania. Se nascerem na Finlândia e não puderem obter a cidadania de outro país, tornam-se cidadãos finlandeses.

Além disso, certas pessoas de ascendência finlandesa que vivem em países que já fizeram parte da União Soviética mantêm o direito de retorno, ou seja, o direito de estabelecer residência permanente no país, o que eventualmente lhes daria direito à cidadania. Em 2024, 10,3% da população finlandesa nasceu no exterior. Como resultado da imigração recente, o país tem populações significativas de estonianos étnicos, russos, ucranianos, iraquianos, chineses, somalis, filipinos, indianos e iranianos. As minorias nacionais da Finlândia incluem os Sami, os Roma, os Judeus e os Tártaros. Os Roma do grupo finlandês Kale estabeleceram-se no país no final do século XVI. Finlandês e sueco são as línguas oficiais da Finlândia. O finlandês predomina em todo o país, enquanto o sueco é falado em algumas áreas costeiras no Oeste e Sul com cidades como Ekenäs, Pargas, Närpes, Kristinestad, Jakobstad e Nykarleby e na região autônoma de Åland, que é a única região monolíngue de língua sueca na Finlândia. Em 2024, a língua nativa de 84,1% da população era o finlandês, que faz parte do subgrupo fínico da língua urálica. A língua é uma das quatro únicas línguas oficiais da União Europeia não de origem indo-europeia e não tem relação por descendência com as outras línguas nacionais dos países nórdicos. Por outro lado, o finlandês é intimamente relacionado ao estoniano e ao careliano, e mais distantemente ao húngaro e às línguas sami. O sueco é a língua nativa de 5,1% da população (finlandeses que falam sueco). O sueco é uma disciplina escolar obrigatória e o conhecimento geral da língua é bom entre muitos falantes não nativos. 

Da mesma forma, a maioria dos não-Ålanders que falam sueco podem falar finlandês. O lado finlandês da fronteira terrestre com a Suécia é unilíngue de língua finlandesa. O sueco do outro lado da fronteira é diferente do sueco falado na Finlândia. Há uma diferença considerável na pronúncia entre as variedades do sueco faladas nos dois países, embora sua inteligibilidade mútua seja quase universal. O Romani finlandês é falado por cerca de 5.000 a 6.000 pessoas; há 13.000 a 14.000 Romani na Finlândia. O Romani e a Língua Gestual Finlandesa também são reconhecidos na constituição. Existem duas línguas gestuais: a Língua Gestual Finlandesa, falada nativamente por 4.000 a 5.000 pessoas, e a Língua Gestual Finlandesa-Sueca, falada nativamente por cerca de 150 pessoas. O tártaro é falado por uma minoria tártara finlandesa de cerca de 800 pessoas cujos antepassados ​​se mudaram para a Finlândia principalmente entre as décadas de 1870 e 1920.  As línguas Sami têm um estatuto oficial em partes da Lapónia, onde os Sami, que somam mais de 10.000, são reconhecidos como um povo indígena. Cerca quarto deles fala língua Sami como língua materna. As línguas que são faladas na Finlândia são o Sami do Norte, o Sami Inari e o Sami Skolt. Os direitos dos grupos minoritários em particular os Sami, os falantes de sueco e os Romani são protegidos pela Constituição. As línguas nórdicas e o careliano são reconhecidos em partes da Finlândia.

          Um chefe de cozinha, também chamado do francês chef de cuisine, mestre-cuca e chefe executivo, é um cozinheiro com um nível diferenciado de habilidades em sua profissão e que, além de elaborar pratos, também planeja cardápios, gerencia as compras de ingredientes, organiza a cozinha e supervisiona os serviços dos cozinheiros desde o pré-preparo até a finalização de alimentos, observando métodos de cocção e padrões de qualidade. Mais do que um cozinheiro, o chefe de cozinha atua como um “gerente das cozinhas de restaurantes, hotéis, hospitais, residências e outros locais de refeições”. A palavra “chef” é uma abreviação do termo francês “chef de cuisine” que, por sua vez, origina etimologicamente do latim “caput”, que significa “cabeça”. O chefe de cozinha, ou chef executivo, é o responsável por todas as coisas relacionadas à cozinha, que normalmente inclui a criação de menus, gestão, programação e folha de pagamento dos funcionários da cozinha inteira; ordenação e chapeamento de design. supervisiona a saída de iguarias preparadas, assegurando que elas correspondam aos pedidos e sejam perfeitas sob todos os pontos de vista. O chef de cuisine, Souschef (subchefe da cozinha) é o assistente direto do chef executivo, o segundo no comando. Essa pessoa pode ser responsável por agendar a sua substituição quando o chef executivo está de folga.        

O souschef pode substituir ou auxiliar o Chef de Partie quando necessário. No entanto, não pode substituir posições menores na cozinha. Mantêm o setor de mercadorias, conforme as necessidades do estabelecimento. Prepara todas as carnes (limpa, corta, etc.). Prepara todos os peixes. Confecciona os pratos frios, molhos frios e acepipes. Distribui os gêneros às restantes partidas durante o serviço, à medida que vão sendo encomendadas pelo chef. Confecciona e decora o buffet frio, tendo para efeito, nas grandes casas o “chef de Froid”. O saucier confecciona as bases e molhos de carne. Confecciona todas as carnes e aves estufadas, salteadas e fritas. Confecciona a caça exceto a assada ou grelhada. Este cargo é ocupado pelo segundo chef nos estabelecimentos menores. O chef de partie, ou “chef de partida”, é o indivíduo encarregado a uma determinada área da produção. Nas grandes cozinhas, cada chef de partida pode ter vários cozinheiros e/ou assistentes. O aboyeur é o responsável por levar “o pedido da sala de jantar à cozinha, ou outro empregado da cozinha responsável por anunciar o pedido em voz alta para a brigada”. Pode também dar uns retoques nos pratos antes de serem levados, embora em geral seja feito por um sous-chef ou um chef de partie. O boucher é o açougueiro da cozinha. O entremétier tem a função social para preparar petiscos, entradas quentes e muitas vezes prepara, lalém disso as sopas, ovos, legumes, caldos brancos, massas e féculas. Em um sistema completo de uma brigada, um potagier prepara sopas e um légumier prepara legumes.

O garde-manger é o responsável pela preparação de alimentos frios, que incluem saladas, aperitivos frios, patês e outros itens de charcutaria. E sucessivamente o légumier. O entremétier que prepara legumes. Pâtissier prepara massas, doces, gelados e sobremesas. Especializados na confecção de bolos, sobremesas e pães e outros assados e atuam em grandes hotéis e bistrôs e restaurantes e padarias. Poissonier prepara os peixes, mas em geral não é o indivíduo que os abate. Prepara os molhos e o fumet. Confecciona o molho holandês e bearnês. Potagier é o entremétier que prepara sopas. Rôtisseur prepara carnes assadas e ao vapor e cozida também, com seu molho apropriado. Confecciona os grelhados e os fritos. Prepara e confecciona todas as batatas a serem fritas. O trancheur de acordo com Silva Filho (1996) é o que trabalha na sala de recepção dos clientes, em colaboração ao maître, e é quem prepara algumas especialidades que são finalizadas à mesa, como “destrinchar uma ave, ou preparar diante dos fregueses a Crepe Suzette ou camarão à Marie Stuart” e assim por diante.

O arquiteto divino aparece também como uma derivação conceitual do artesão. Em todo lugar em que surge uma vontade capaz de dar forma ao projeto que ela mesma concebeu, o arranjo mecânico dos elementos, sustentado pelo decreto inicial, compõe uma totalidade externa cuja finalidade escapa por natureza aos componentes para se transportar inteira para a mente do organizador. O lucro do negociante sugere o lucro da nação. A balança é sua imagem obrigatória. O produto artesanal sugere o produto divino: o relógio, divisor do tempo, a máquina se torna sua representação privilegiada. Equilíbrio, ajuste e adaptação dos meios aos fins se unem no trabalho de montagem que supõe ao mesmo tempo um projeto humano, um plano, um construtor, condicionando uma escolha entre as diferentes séries de objetos manufaturados. Sem dúvida, é por ter apreendido nessas falências a lógica da argumentação, que Hume sugere nos Diálogos, a fábula de uma repartição visível de tarefas. Seus personagens debatem uma série de ideias e argumentos cujos proponentes acreditam que através do qual poderemos vir a conhecer a natureza de Deus. Os artesãos divinos contra os que persistem em considerar a questão da divisão do trabalho como conveniência comandada pela providência, mais do que a solução do problema vital colocado como sobrevivência para a espécie.

Reconhecido pelo padrão de que não há ideias inatas na vida e que todo o conhecimento vem da experiência rigorosamente ao nexo de causalidade e necessidade,  em vez de tomar a noção de causalidade, como concedido, desafia-nos a considerar o que a experiência nos permite saber sobre a relação estabelecida entre causa e efeito, pois nada é mais usual e natural, para aqueles que pretendem oferecer ao mundo novas descobertas filosóficas e científicas que insinuar elogios ao seu próprio sistema. O homem de discernimento e de saber percebe facilmente a fragilidade do fundamento, até mesmo daqueles sistemas bem aceitos e com maiores pretensões de conter raciocínios precisos e profundos. Isto é, alguns princípios acolhidos da confiança; consequências deles deduzidas de maneira defeituosa; falta de coerência entre as partes, e de evidência no todo – tudo isso se pode encontrar nos sistemas dos mais eminentes filósofos, e parece cobrir de opróbrio a própria filosofia, pois mesmo “a plebe lá fora é capaz de julgar, pelo barulho e vozerio que ouve, que nem tudo vai bem aqui dentro”. Neste âmbito tampouco é necessário um conhecimento profundo para se descobrir a distância e imperfeição e que de fato, não há nada que não seja objeto de discussão e sobre o qual os estudiosos não manifestam opiniões contrárias. Multiplicam-se as disputas, como se tudo fora incerto; e essas são conduzidas da maneira mais acalorada, como se tudo fora certo. 

A culinária de Xangai, por outro lado, é caracterizada pelo uso extraordinário de “molho de soja, que confere aos pratos uma aparência avermelhada e brilhante”. Tanto o molho de soja escuro quanto o molho de soja comum são usados ​​na culinária de Xangai. O molho de soja escuro cria uma cor âmbar escura nos pratos, enquanto o molho de soja comum realça o sabor. As quatro palavras clássicas usadas para descrever a comida de Xangai são o que significa que a comida de Xangai usa uma quantidade considerável de óleo e molho de soja. Os pratos são preparados usando vários métodos, como assar, ensopar, brasear, cozinhar no vapor e fritar. Frutos do mar também são uma característica proeminente da culinária de Xangai, com peixe, caranguejo e frango sendo feitos "embriagados" usando bebidas destiladas e técnicas de cozimento rápidas. Carnes salgadas e vegetais em conserva são comumente usados ​​para realçar uma diversidade de pratos. Além disso, o açúcar desempenha um papel importante na culinária de Xangai quando usado per se em combinação com molho de soja. O arroz é mais bem servido do que macarrão ou outros produtos originários de trigo. A culinária de Xangai enfatiza os sabores dos ingredientes crus, utilizando condimentos para realçar o sabor. Comparada a outras culinárias chinesas, ela tem um sabor mais suave e levemente adocicado.

O agridoce é um sabor tipicamente de Xangai. A Apresentação representação um aspecto fundamental da culinária, com os ingredientes “meticulosamente cortados e dispostos para criar um esquema de cores harmonioso”. Curiosamente, no início do século XX, as famílias de Xangai não incluíam peixe regularmente em suas refeições diárias, apesar de a cidade ser uma cidade portuária. A carne era considerada um luxo, e as refeições normalmente consistiam em vegetais, feijão e arroz. As famílias consumiam carne ou peixe apenas quatro vezes por mês, no segundo, oitavo, décimo sexto e vigésimo terceiro dias, período reconhecido como Drang hun. Com a maior conscientização sobre nutrição, há uma demanda maior por alimentos com baixo teor de açúcar e gordura, e vegetais estão sendo incorporados às dietas para promover hábitos alimentares mais saudáveis. A culinária de Xangai é a mais jovem das dez principais cozinhas da China, embora ainda tenha mais de 400 anos de história. Tradicionalmente chamada de Benbang, teve origem nas dinastias Ming e Qing (1368-1840). No reinado do Imperador Jiaqing e do Imperador Guangxu da Dinastia Qing, uma barraca de comida foi montada na cidade velha de Xangai chamada “Shovel Bang”. Após a década de 1930, com o rápido desenvolvimento da indústria e do comércio de Xangai, os principais clientes da culinária Benbang representavam uma classe emergente de trabalhadores.

Como resultado, a proporção de pratos baratos na culinária Benbang começou a diminuir. Na última parte do século XIX, depois de Xangai se tornar um importante porto comercial nacional e internacional, os pratos Benbang passaram por mudanças substanciais. Após a abertura do porto de Xangai em 1843, dezesseis escolas de catering diferentes foram abertas em Xangai. A culinária de Anhui foi a primeira a ganhar popularidade em Xangai, seguida pela culinária Suxi, culinária cantonesa, culinária Huaiyang e culinária de Pequim. Na década de 1930, a culinária Suxi era predominante em quase metade dos restaurantes populares de Xangai. A culinária de Guangdong era muito popular entre os residentes de Xangai e estrangeiros. Como resultado da adoção de influências de outras culinárias, os sabores da culinária de Xangai se tornaram mais complexos. A influência ocidental na culinária de Xangai resultou no desenvolvimento de um estilo de cozinha único conhecido como culinária Haipai. Na época, comer comida ocidental era considerado moda, mas os chineses inicialmente lutaram para se adaptar a certos aspectos da culinária ocidental, como o bife malpassado. A comida ocidental em Xangai foi influenciada por muitos países, mas formou suas próprias características distintas. A comida ocidental russa de Xangai, que normalmente incluía um prato principal e uma sopa (borscht, pão com manteiga), tornou-se particularmente popular em Xangai devido aos seus benefícios econômicos. Antes de 1937, havia mais de 200 restaurantes ocidentais em Xangai, e também na Xiafei Road e na Fuzhou Road.

A faculdade pela qual repetimos nossas impressões da primeira maneira se chama memória, e a outra, imaginação. Mas se examinarmos cuidadosamente esses argumentos, veremos que eles nada provam, senão que as ideias são precedidas por outras percepções mais vívidas, das quais derivam e as quais elas representam. Melhor dizendo, que as ideias da memória são muito mais vivas e fortes que as da imaginação, e que a primeira faculdade pinta seus objetos em cores mais distintas que todas as que possam ser usadas pela última. Ao nos lembrarmos de um acontecimento passado, sua ideia invade nossa mente com força, ao passo que, na imaginação, a percepção é fraca e lânguida, e apenas com muita dificuldade pode ser conservada firme e uniforme pela mente durante todo o período considerável de tempo. Temos aqui uma diferença sensível entre as duas espécies de ideias. Mas há uma outra diferença, não menos evidente, entre esses dois tipos de ideias. Embora nem as ideias da memória nem as da imaginação, nem as ideias vívidas nem as fracas possam surgir na mente antes que impressões correspondentes tenham vindo abrir-lhes o caminho, a imaginação não se restringe à mesma ordem na forma das impressões originais, ao passo que a memória está de certa maneira amarrada quanto a esse aspecto, sem nenhum poder de variação. É evidente que a memória preserva a forma original sob a qual seus objetos se apresentaram. A principal função não é preservar as ideias simples, mas sua ordem e posição. Esse princípio se apoia em aspectos do dia a dia que podemos nos poupar o trabalho de continuar insistindo nele. 

Como a imaginação pode separar todas as ideias simples, e uni-las novamente da forma que bem lhe aprouver, nada seria mais inexplicável que as operações dessa faculdade, se ela não fosse guiada por alguns princípios universais, que a tornam, em certa medida, uniforme em todos os momentos e lugares. Fossem as ideias inteiramente soltas e desconexas, apenas o acaso as ajuntaria; e seria impossível que as mesmas ideias simples se reunissem de maneira regular em ideias complexas se não houvesse algum laço de união entre elas, alguma qualidade associativa, pela qual uma ideia naturalmente introduz outra. Esse princípio de união entre as ideias não deve ser considerado uma conexão inseparável, tampouco devemos concluir que, sem ele a mente não poderia juntar duas ideias – pois nada é mais livre que essa faculdade. Devemos vê-lo apenas como uma força suave, que comumente prevalece, e que é a causa pela qual, entre outras coisas, as línguas se correspondem de modo tão estreito umas às outras: pois a natureza de alguma forma aponta a cada um de nós as ideias simples apropriadas para serem unidas em uma ideia complexa. As qualidades originam tal associação, e a mente de uma ideia são três: semelhança, contiguidade no tempo e no espaço, e causa e efeitoDois objetos podem ser considerados como estando inseridos praticamente nessa relação.

 Seja quando um deles é a causa de qualquer ação ou movimento do outro, seja quando o primeiro é a causa da existência do segundo. Pois como essa ação ou movimento não é senão o próprio objeto, considerado sob um certo ângulo, e como o objeto continua o mesmo em todas as suas diferentes situações, é fácil imaginar de que forma tal influência dos objetos uns sobre os outros pode conectá-los na imaginação. Podemos prosseguir com esse raciocínio, observando que dois objetos estão conectados pela relação causa e efeito não apenas quando produz um movimento ou uma ação qualquer no outro, no outro mas também quando tem o poder de os produzir. Notemos que essa é a fonte de todas as relações de interesse e dever através dos quais os homens se influenciam mutuamente na sociedade que se ligam pelos laços de governo e subordinação. Um senhor é aquele que, por sua situação, decorrente quer da força quer de um acordo, tem o poder de dirigir, sob alguns aspectos particulares, as ações de outro homem. Um juiz é aquele que, em todos os casos litigiosos entre membros da sociedade, é capaz de decidir, com sua opinião a quem cabe à posse ou a propriedade de determinado objeto. Quando uma pessoa possui poder, nada é necessário para convertê-lo em ação que o exercício da vontade; em todos os casos, é considerável possível, e em muitos, provável – no caso da autoridade, a obediência do súdito é um prazer e uma vantagem para seu superior.

Está claro que, no curso de nosso pensamento social e na constante circulação de nossas ideias, a imaginação passa facilmente de uma ideia a qualquer outra que seja semelhante a ela. Assim como existe o nascimento de uma semiologia e sociologia da celebridade e até mesmo mais recentemente, uma economia da celebridade e tal qualidade, por si só, constitui um vínculo afetivo e uma associação suficiente para a fantasia. É também evidente que, com os sentidos, ao passarem de um objeto a outro, precisam fazê-lo de modo regular, tomando-os sua contiguidade uns em relação aos outros, a imaginação adquire, por um longo costume, o mesmo método de pensamento, e percorre as partes do espaço e do tempo ao conceber seus objetos. Quanto à conexão realizada pela relação de causa e efeito, basta observar que nenhuma relação produz uma conexão mais forte na fantasia e faz com que uma ideia evoque mais prontamente outra ideia que a relação de causa e efeito entre seus objetos. Para compreender toda a extensão dessas relações sociais, devemos considerar que dois objetos estão conectados na imaginação. Não somente quando um deles é imediatamente semelhante ou contíguo ao outro, ou quando é a representação propriamente dita da causa. Mas quando entre eles encontra-se inserido um terceiro objeto, que mantém com ambos alguma dessas notáveis relações. Dentre as três relações mencionadas, a de causalidade é a de maior extensão na sociedade.

Bibliografia Geral Consultada.

NAPOLEONI, Claudio, Smith, Ricardo, Marx. Considerazioni sulla Storia del Pensiero Econômico. Torino: Boringhieri Editore, 1970; WILSON, William Herder, “Folklore and Romantic Nationalism”. In: The Journal of Popular Culture. Volume 6, Issue 4; Spring, 1973, pp. 819-835; GADAMER, Hans-Georg, A Atualidade do Belo: A Arte como Jogo, Símbolo e Festa. Rio de Janeiro: Editor Tempo Brasileiro, 1985; DEJOURS, Christophe, O Corpo entre a Biologia e a Psicanálise. São Paulo: Editora Artes Médicas, 1988 ELIAS, Norbert, El Proceso de la Civilización: Investigaciones Sociogenéticas y Psicogenéticas. 2ª edicion. México: Fondo de Cultura Económica, 1989; FERRO, Marc, Cinema e História. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1992; KUNDERA, Milan, La Identidad. Barcelona: Tusquets Editores, 1998; SINGLETON, Fred, A Short History of Finland. Cambridge: Cambridge University Press, 1998; OAKLEY, Stewart, War and Peace in the Baltic, 1560-1790. London & New York: Editor Routledge, 2005; ANDRÉ, Jacques, Aux Origines Féminines de la Sexualité. Paris: Presses Universitaires de France, 2007; HUME, David, Tratado da Natureza Humana. Uma Tentativa de Introduzir o Método Experimental de Raciocínio nos Assuntos Morais. 2ª edição revista e ampliada. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 2009; LOPES, Gilberto, El Fin de la Democracia: Un Diálogo entre Tocqueville y Marx. Costa Rica: Editorial Juricentro, 2009; DIDI-HUBERMAN, Georges, Ante el Tiempo. Buenos Aires: Editora Adriana Hidalgo, 2014; HOUGH, Carole (Org.), The Oxford Handbook of Names and Naming. Oxford: Oxford University Press, 2016; TUPASELA, Aaro, “Genetic Romanticism – Constructing the Corpus in Finnish Folklore and Rare Diseases”. In: Configurations, Volume 24, Number 2, Spring 2016; pp. 121-143; MAGER, Juliana Muylaert, É Tudo Verdade? Cinema, Memória e Usos Públicos da História. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em História. Faculdade de Educação. Niterói: Universidade Federal Fluminense, 2019; PEREIRA, Caroline Liamare Magnaquagno, Cinema de Ficção e História: Um Exercício de Análise Fílmica a Partir dos Três Primeiros Filmes de Martin Scorsese. Dissertação de Mestrado. Instituto de Artes. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2020; JONES, Emma, “O Primeiro Chef Celebridade: Como o Cozinheiro do Século XIX, Antonin Carême, Criou Comida Extraordinária Digna de Reis”. In: https://www.bbc.com/culture//30/04/2025; entre outros.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Momento de Afeto – Cinema, Religião & Depressão do Enlutamento.

                                       É a culpa, e não a fé, que remove montanhas”. Sigmund Freud

     

A questão da trivialização do conhecimento não faz produto do conhecimento apenas um produto determinado, faz também dele um produto qualquer. Mas as ideias podem tornar-se ideológicas, na medida em que sua estrutura socialmente obedece às estruturas socioprofissionais. Sua produção integra-se entre os outros processos de produção e a cultura torna-se cognoscível a partir das categorias econômicas do capital e do mercado. Mas nem a informação, nem a concepção de teoria, nem o pensamento abstrato, nem a cultura são produtos triviais, ainda que mais não seja pelo fato de serem, ao mesmo tempo, produtos/produtores e, mesmo comportando a questão urbana hologramaticamente a dimensão socioeconômica, não poderiam ser reduzidas a isso. A redução trivializante não teme exercer-se como sujeito sobre o conhecimento científico. Este nível abstrato de relações como qualquer outro é apropriado pelo pensamento, como a religião e através da ciência, prevalentemente, com suas relações de força e monopólios, suas lutas e suas estratégias, seus interesses e seus prováveis ganhos. Mas, por seu lado, os estudos de etnografias dos laboratórios, estes que parecem ter dinamismo, demonstram-nos como se estabelecem essas mediações complexas dos pesquisadores, em função de posições, ou status, as lutas e a utilização de truques diabólicos pelo reconhecimento per se, pelo prestígio ou pela glória, com as negociações ao estabelecimento de uma prova, os ritos de passagem na pesquisa e na universidade. A motivação do cientista é a notoriedade.

Além da própria historiografia, o conhecimento a história tem sido uma tarefa ímpar de todas as ciências sociais. A sociologia, a economia política, a ciência política, a antropologia, a psicologia, trabalham com questões políticas, econômicas, sociais, culturais, religiosas, militares, demográficas e outras, que correspondem a ações, relações, processo e estruturas tomados em algum nível da historicidade. Mesmo as correntes de pensamento orientadas no sentido de formalizar as interpretações, em temos de indução quantitativa ou construção de modelos, mesmo nesses casos onde a pesquisa produz alguma explicação nova, reavalia ou reafirma explicações vigentes, sobre os modos e os tempos da história. Também há aqueles que formalizam e fetichizam as categorias dialéticas de pensamento, perdendo de vista o fluxo real das ações, relações, processos e estruturas que expressam movimentos e as modificações das gentes, grupos, classes e nações. Uns e outros constroem mitos. Em todos os casos, no entanto, a história aparece de alguma forma, como história real ou invenção, drama ou epopeia, elegia ou profecia. A multiplicidade de ciências e teorias relativas ao nível social, tem dado origem a distintas interpretações como se escreve ou produz a história. São distintas e heterogêneas a histórias do capitalismo que aparecem nas análises de Ricardo, Marx, Tocqueville, Durkheim, Weber, Keynes, Parsons, Hobsbawm e outros.

Não só na sociologia, mas no conjunto das ciências socais, encontram-se as mais diversas explicações sobre como e por que se dá a mudança, a evolução, o progresso, o desenvolvimento, a modernização, a crise, a recessão, o golpe de classe, a reforma, a revolução. Para explicar as transformações sociais, em sentido amplo, o sociólogo, antropólogo, economista, politólogo, psicólogo, historiador e outros têm buscado causas, condições, tendências, fatores, indicadores, variáveis, e assim por diante. Ao analisar as condições de formação, funcionamento, reprodução, generalização, mudança e crise do capitalismo globalizado, os cientistas sociais têm proposto explicações que nem sempre se excluem. Em certos casos, umas implicam outras, ou as englobam. Em primeiro lugar, uma interpretação que se generalizou bastante, desde os arquétipos comparados da Revolução Industrial, estabelece que o progresso econômico é o resultado da “criatividade empresarial”. Isto é, toda mudança, inovação ou modernização econômica substantiva tende a consumar a capacidade de criação e liderança de empresários imaginosos, inventivos ou mesmo lúdicos, capazes de articular e dinamizar os fatores da produção preexistentes e novos. Essa interpretação tem os seus principais enunciados nos escritos de economistas clássicos, seus discípulos e continuadores no século XIX e XX. Os valores relacionados aos self-made man ao tycoon, ao capitão de indústria, ao pioneiro, à identidade entre propriedade privada, livre empresa e sociedade aberta, ligam-se à tese de que a criatividade é a base do progresso capitalista.


         

 A segunda interpretação, reconhecida como “teoria das elites”, está relacionada com a anterior. Recebeu contribuições de Vilfredo Pareto e Gaetano Mosca. E tem sido retomada, em diferentes linguagens, por outros cientistas sociais e escritores, como James Burnham, Samuel P. Huntington, Clark Keer, David E. Apter, John Kenneth Galbraith e outros. É uma corrente de pensamento que propõe o funcionamento da sociedade e a mudança social em termos de elites empresariais, gerenciais, militares, intelectuais e outras. Desde o término da 2ª guerra mundial, essa teoria tem sido a base de programas organizados pelo imperialismo norte-americano, no treinamento de quadros de intelectuais, tecnocratas, militares, gerenciais, empresariais e outros, para soluções golpistas ou não em países dependentes e coloniais. Em terceiro lugar, há a intepretação que atribui importância especial à divisão social do trabalho. Toma-se o meio de trabalho como o processo social, de âmbito estrutural, que comanda o funcionamento, as combinações e as transformações das elações sociais e instituições, em níveis econômico, político e outros. Adam Smith e Émile Durkheim são autores importantes nessa corrente de pensamento. Boa parte do pensamento liberal apoia-se nessa ideia. A divisão internacional do trabalho foi apresentada durante o século XIX e até a década de 1930, como a base da prosperidade econômica e social das pessoas, de grupos sociais e das nações. As teorias sobre a democracia liberal, o pluralismo democrático e a cidadania apoiam-se implicitamente na ideia de que a divisão social do trabalho, em sentido amplo, é o processo estrutural, mas que historicamente é o que fundamenta e dinamiza a melhor expressão e articulação de pessoas e grupamentos sociais, atividades e instituições políticas e econômicas de setores produtivos e países.   

O irreversível desmoronamento, século após século, do que ainda restava da civilização greco-romana, depois sucedeu-se do fim do Império Romano do Ocidente, no século V, transformara o território europeu em campo de batalha onde gerações sucessivas se guerreavam interminavelmente - visigodos e vikings, bretões e saxões, vândalos e ostrogodos, magiares e eslavos, um sem-fim de povos que não por acaso entraram para a História sob a denominação coletiva de “bárbaros”. Além da violência simbólica e física das religiões, a miséria, a ignorância e a superstição recobriam a Europa na marca do ano 1000. Os proprietários de terras transformavam seus domínios em unidades autônomas, com fortificações feitas de árvores e espinheiros e habitações cercadas de paliçadas. Registrou um observador do ano 888: - “Cada qual quer se fazer rei a partir das próprias entranhas”. A cidade, como sede da política e da administração, centro do comércio e do conhecimento, à maneira de Roma, e comparativamente, Atenas ou Alexandria na Antiguidade clássica, inexistia na paisagem ocidental desse período de singularidades sociais. Havia historicamente burgos descendentes dos centros logo fundada pelos conquistadores romanos, como também ajuntamentos de um punhado de milhares de almas, nascidos da presença, nas proximidades, de um mosteiro ou de um vale fértil, ou do fato de se situarem no centro de uma região dominada por um príncipe.

    

Nada, porém, que se comparasse a Constantinopla (Istambul), capital do Império Romano do Oriente, com suas centenas de milhares de habitantes, abastado comércio e porto movimentado. Há cerca de mil anos, amplas extensões do continente europeu eram constituídas de florestas um mundo sombrio, estranho e ameaçador aos homens que construíam povoados, cultivavam cereais e criavam gado em grandes clareiras nas suas cercanias, numa economia de pura subsistência, da mão para a boca. A construção de castelos, abadias e mosteiros ocupava igualmente muitos braços. Mas o principal motor da atividade econômica era a guerra: a necessidade de produzir armas, acumular provisões para a tropa e pagar os mercenários em metal sonante estimulava o comércio. Perigos reais, como os animais selvagens, e terrores imaginários historicamente constituídos na Europa, como monstros e demônios, analisados na obra de Thomas Hobbes (1588-1679) espreitavam os aldeões que adentravam a mata em busca de carne de caça e de mel, a única fonte de açúcar dos europeus de então. Comparativamente, vista pelos olhos de hoje, a vida cotidiana tinha tons de pesadelo.

Culpa, por outro lado, se refere à responsabilidade dada à pessoa por um ato que provocou prejuízo material, moral ou espiritual a si mesma ou a outrem. O processo de identificação e atribuição de culpa refere-se à descoberta de quem determinou o primeiro ato ilícito ou prejudicial, e pode se dar em três planos da atividade analítica: subjetivo, intersubjetivo e objetivo. No sentido subjetivo, a culpa é um sentimento que se apresenta à consciência quando o sujeito avalia seus atos de forma negativa, sentindo-se responsável por falhas, erros e imperfeições. O processo pelo qual se dá essa avaliação é estudado pela Ética, a disciplina filosófica que estuda os fundamentos da ação moral, procurando justificar a moralidade de uma ação e distinguir as ações morais das ações imorais e amorais e pela formação em Psicologia, que trata, estuda e analisa os processos mentais e comportamentos de indivíduos e grupos humanos em diferentes situações. A psicologia, do ponto de vista técnico-metodológico, tem como objetivo a compreensão de grupos e indivíduos tanto pelo estabelecimento de princípios universais, como pelo case study específico, e tem, segundo alguns analistas, objetivo final o benefício geral da sociedade. Um pesquisador ou profissional desse campo de atividade é reconhecido como psicólogo, podendo ser classificado como cientista social, comportamental ou cognitivo. A função dos psicólogos é tentar compreender o papel das funções mentais no comportamento individual e socialmente, estudando também, simultaneamente, os processos fisiológicos e biológicos que acompanham os comportamentos e funções cognitivas.

Entretanto, o sentido religioso de culpa, pelo qual um ato da pessoa recebe uma avaliação negativa da divindade, por consistir na transgressão de um tabu ou de uma norma religiosa. A sanção religiosa é um ato social, e pode corresponder a repreensão e pena objetivas. De outra parte, a culpa religiosa pode compreender também um estado psicológico, existencial e subjetivo, que propõe a busca de expiação de faltas ante o sagrado como parte da própria experiência religiosa. O termo pecado, por exemplo, está geralmente ligado à culpa, no sentido religioso, sendo a culpa consequência do pecado cometido e arrependido por quem o cometeu. Por outro lado, a religião, principalmente neste caso o cristianismo, trata solenemente a culpa como um sentimento necessário ao arrependimento e a melhoria pessoal do infrator pois o mesmo alcança a mudança apenas se reconhecer como inadequado o ato cometido. Conforme II Coríntios, capítulo 7, verso 10, a culpa ou tristeza leva ao arrependimento para a salvação daquele que está amparado por Deus ao contrário do indivíduo, que sem este amparo, tem a culpa ou tristeza proveniente do mundo que o leva para a morte. A consequência da culpa poderá ser a mudança pessoal amparada por Deus que nos livra do pecado e das dores ou a autopunição consciente ou inconsciente daquele que carrega consigo toda a sua culpa.

O sentimento de culpa tem como representação o sofrimento humano obtido após reavaliação de um comportamento passado tido como reprovável por si mesmo. A base deste sentimento, do ponto de vista psicanalítico, é a frustração causada pela distância entre o que não fomos e a imagem criada pelo superego daquilo que achamos que deveríamos ter sido. Há também outra definição para “sentimento de culpa”, quando se viola a consciência moral pessoal, ou seja, quando pecamos e erramos, surge o sentimento de culpa. Para a psicologia humanista-existencial, especialmente a da linha de pesquisa rogeriana, a culpa é um sentimento como outro qualquer e que pode ser “trabalhado” terapeuticamente ao se abordar este sentimento com aquele que sofre. Para esta linha de raciocínio de Psicologia, temcomo representação um sentimento como esse, quando chega a ser considerado um obstáculo por aquele que o sente, é resultado de um inadequado crescimento pessoal, mas não é considerado uma psicopatologia. Para os teóricos rogerianos, todas as pessoas têm uma tendência a atualização que se dirige para a plena auto realização; o sentimento de culpa pode ser apenas limitação momentânea no processo de auto realização. É bastante concebível que tampouco o sentimento de culpa produzido pela civilização seja percebido como tal, mas que em grande parte permaneça inconsciente, ou apareça como uma espécie de mal-estar, uma insatisfação, para a qual as pessoas buscam outras motivações. As religiões nunca desprezaram o papel desempenhado na civilização pelo sentimento de culpa. O sentimento de culpa, a severidade do superego, é, portanto, o mesmo que a severidade da consciência. É a percepção que o ego tem de estar sendo assim vigiado, a avaliação da tensão entre os seus próprios esforços e as exigências do superego.

    

É o ponto-chave do ensaio “Mal-estar na Civilização” de Sigmund Freud, um médico neurologista criador da psicanálise. Freud, como se tornara reconhecido, nasceu em uma família judaica, em Freiberg in Mähren, pertencente ao Império Austríaco, atualmente, a localidade é denominada Příbor, e pertence à República Tcheca. Freud iniciou seus estudos pela utilização da técnica da hipnose no tratamento de pacientes com histeria, como forma de acesso aos seus conteúdos mentais. Frigidez ou anafrodisia é progressiva a falta de desejo sexual tanto em homens quanto em mulheres. Mas a frigidez deve ser diferenciada da anorgasmia, condição em que ocorre a falta do orgasmo, mas na qual há o desejo sexual. Na absoluta maioria dos casos, o desinteresse pelo sexo está ligado a fatores psicológicos ou sociais, sendo um dos mais frequentes determinantes a monotonia conjugal com o social irradiado através dos condicionamentos cotidianos da velhice. Também a educação que se recebeu, a falta de diálogo entre os parceiros, as práticas sexuais pouco gratificantes e até a resistência disciplinar em inovar, sobretudo em torno do corpo, acabam por minar o relacionamento e facilitam o desinteresse. O próprio fato de envelhecer e as dificuldades do cotidiano também podem interferir na satisfação sexual. A grande maioria é causada por vivências sexuais destrutivas, culturas empíricas ou religiosas. Frigidez pode ser causada, segundo seus especialistas, por traumas de infância, como por exemplo abuso e violência sexual, medo de engravidar, ansiedade, experiências obstétricas traumáticas e na maioria das vezes relações didáticas inadequadas através das medições complexificadas pela falta de diálogo no convívio. Junto com a frigidez, vem uma série de problemas que podem se tornar agravantes. A ansiedade é o primeiro dos sintomas, seguido de desinteresse e falta de apetite sexual.

            Vale lembrar que o interesse especial da paixão é, portanto, inseparavelmente da realização do universal, pois o universal resulta do particular e definido e de sua negação. É o particular que se esgota na luta, onde parte dele é destruída. Não é a ideia geral que se envolve em oposição e luta expondo-se ao perigo, ela permanece no segundo plano, intocada e incólume. Isto pode ser chamado astúcia da razão, porque deixa as paixões trabalharem por si, enquanto aquilo através do qual ela se desenvolve paga o preço e sofre a perda. O fenomenal é que em parte é negativo e em parte, positivo. Em geral o particular é muito insignificante em relação ao universal, os indivíduos são sacrificados e abandonados. Ela contraria o tributo da existência e da transitoriedade, não de si mesmo, mas das paixões dos indivíduos. Podemos achar tolerável a ideia de que os indivíduos, seus objetivos e suas satisfações sejam assim sacrificados e sua felicidade entregue ao domínio do acaso, a que ela pertence – e que em geral os indivíduos sejam vistos sob a categoria social de seus recursos. Este é um aspecto dinâmico de representação da individualidade humana que devemos recusar a tomar exclusivamente a esta luz, mesmo em relação ao mais elevado, um elemento que absolutamente não está subordinado, mas que existe nos indivíduos como essencialmente eterno e divino. Estamos falando da moral, da ética e da religião.  Por prosperidade pode-se entender analogicamente muitas coisas – a riqueza, a honra aparente e afins, mas ao falar-se de objetivo em si e por si, o que chamamos de prosperidade ou infelicidade, deste ou daquele indivíduo isolado, não pode ser visto como elemento essencial na ordem racional do universo que vivemos.

          A substância viva é o ser, que na verdade é sujeito, ou que é na verdade efetivo, mas só na medida em que é o movimento do pôr-se-a-si-mesmo, ou a mediação consigo mesmo do tornar-se outro. Como sujeito, é a negatividade pura e simples, e justamente por isso é o fracionamento do simples ou a duplicação oponente, que é de novo a negação dessa diversidade indiferente e de seu oposto. Só essa igualdade se reinstaurando, ou só a reflexão em si mesmo no seu ser-Outro, é que são o verdadeiro; e não uma unidade originária enquanto tal, ou uma unidade imediata enquanto tal. O verdadeiro é o vir-a-ser de si mesmo, o círculo que pressupõe seu fim como sua meta, ipso facto sua antítese, que o tem como princípio, e que só é efetivo mediante sua atualização e seu fim. Friedrich Hegel era crítico das filosofias claras e distintas, uma vez que, para ele, o negativo era constitutivo da ontologia. Neste sentido, a clareza não seria adequada para conceituar o próprio objeto. Introduziu um sistema de pensamento para compreender a história da filosofia e do mundo chamado geralmente dialética: uma progressão no âmbito da história e sociedade na qual cada movimento sucessivo surge como solução das contradições inerentes ao movimento anterior. Com mais razão do que a felicidade, comparativamente falando, ou as vezes afortunadas, requer-se do objetivo do mundo que os objetivos bons, morais e corretos encontrem sua satisfação e segurança realizadas de forma plena.

O que faz os homens insatisfeitos moralmente – uma insatisfação de que eles se orgulham – é que não acham o tempo presente adequado à realização de objetivos que em sua opinião são corretos e bons, especialmente os ideais das instituições políticas de nosso tempo. Comparam as coisas como elas são, com seu ideal de como deveriam ser. Neste caso, não é o interesse privado ou a paixão que deseja a satisfação, mas a razão, a justiça, a liberdade. Em seu nome as pessoas pedem o que lhes é devido e geralmente não estão apenas insatisfeitas, mas abertamente revoltadas contra a condição de mundo. Para julgar esses pontos de vista e esses sentimentos, ter-se-ia de examinar as exigências persistentes e as opiniões dogmáticas em questão. Em nenhuma época tanto como na nossa vida privada esse tipo de princípios e ideias gerais se apresentou com tamanha pretensão. Embora as paixões não faltem, a história demonstra uma luta de ideias justificáveis e, em parte, uma luta de paixões e interesses subjetivos sob as pretensões mais elevadas como possíveis que são encaradas como legítimas em nome do suposto destino ou conteúdo de sentido da Razão, têm assim validade como fins absolutos, da mesma maneira que a religião, a moral, a ética. No amor um indivíduo tem a consciência de si na consciência do outro, se considerarmos que ele vive de maneira altruísta.

Nesta renúncia cada um ganha a vida do outro e também a sua, que é uma só com o outro. Contra tal unilateralidade tem a efetividade uma força própria: alia-se à verdade contra à consciência, e lhe mostra enfim o que é a verdade. Mas a consciência ética bebeu, da taça da substância absoluta, o olvido de toda a unilateralidade do ser-para-si, de seus fins e conceitos peculiares; e por isso afogou, ao mesmo tempo, nessa água do Estige toda essencialidade própria e significação independente da efetividade objetiva. É, portanto, seu direito absoluto que, agindo conforme à lei ética, não encontre outra coisa nessa efetivação que o cumprimento dessa lei mesma, e o ato não mostre outra coisa senão o agir ético. O ético, enquanto essência absoluta e ao mesmo tempo potência absoluta, não pode sofrer perversão de seu conteúdo. Fosse apenas a essência absoluta sem a potência, poderia experimentar uma perversão por parte da individualidade, mas essa, como consciência ética, com o abandonar de seu ser-para-si unilateral, renunciou ao perverter. Inversamente, a simples potência seria pervertida pela essência, caso fosse ainda um tal ser-para-si. A individualidade é pura forma da substância, que é o conteúdo; e o agir comunicativo humanamente do pensamento à efetividade, somente como o movimento de uma oposição socialmente carente-de-essência, cujos momentos não possuem conteúdo e essencialidade distintos entre si. O direito absoluto da consciência ética consiste em que a figura de sua efetividade – não seja outro, senão o que ela sabe. 

As histórias de quatro pares se desenvolvem em uma pequena cidade escocesa à beira-mar: Frances (Emma Thompson), uma fotógrafa recém-viúva decide voltar para a Austrália com o filho adolescente Alex (Gary Hollywood). Mas tudo muda quando ela reencontra sua mãe, Elspeth (Phyllida Law), “tão carente e insegura quanto Frances”. Alex, por outro lado, questionando a vida e assombrado pelas memórias do pai, vive um encontro amoroso com uma garota da cidade. Enquanto isso, duas senhoras de idade fazem suas atividades favoritam: visitam enterros. Por fim, dois jovens decidem “matar aula e se divertir”. Uma reflexão sobre o amadurecimento e a busca de redenção. Frances é uma fotógrafa recém enviuvada que tem na cabeça a ideia de emigrar para a Austrália com seu filho adolescente. Um encontro com usa mãe desperta sentimentos de compaixão e saudades, pelos vivos, pelos mortos, por ela mesma. Enquanto isso, seu filho, assombrado pelas memórias do pai, está prestes a ter sua primeira experiência sexual com uma provocante vizinha. A tensão é quebrada pela história de “duas velhinhas que passam o tempo indo a funeral de estranhos”. Um dado interessante é que mãe e filha no filme, são mãe e filha na vida real: as talentosas atrizes Emma Thompson e Phyllida Law.

Fotografia do grego φως [fós] (“luz”), e γραφις [grafis] (“estilo”, “pincel”) ou γραφη grafê, significa sociologicamente: “desenhar com luz e contraste”, por definição, “é essencialmente a técnica de criação de imagens por meio de exposição luminosa, fixando-as em uma superfície sensível”. A primeira fotografia reconhecida socialmente remonta ao ano de 1826 e é atribuída ao francês Joseph Nicéphore Niépce (1765-1833). Contudo, compreende-se que a invenção da fotografia não é obra de um só autor. Mas um processo de acúmulo de avanços por parte da interpelação de muitas pessoas, trabalhando, juntas ou em paralelo, ao longo de duração de muitos anos. Se por um lado os princípios fundamentais da fotografia se estabeleceram há décadas e, desde a introdução do filme fotográfico colorido, quase não sofreram mudanças técnicas, por outro, os avanços tecnológicos têm sistematicamente possibilitado melhorias na qualidade técnica e visual das imagens produzidas no processo social de produção com a redução de custos, popularizando o uso no mercado da fotografia. A primeira fotografia colorida permanente foi tirada em 1861 pelo físico James Clerk Maxwell (1831-1879). O primeiro filme colorido, o Autocromo, não chegou ao mercado global antes de 1907 e era baseado “em pontos tingidos de extrato de batata”.  O primeiro filme colorido moderno, o Kodachrome, foi introduzido em 1935 baseado em três emulsões coloridas. A maioria dos filmes coloridos contemporâneos, exceto o Kodachrome, são baseados na tecnologia pela Agfacolor produzida na Alemanha pela Cia. Agfa em 1936. Do ponto de vista técnico-metodológico o filme “colorido instantâneo” foi introduzido pela Polaroid em 1963.

 A Polaroid foi fundada em 1937, desenvolvendo materiais polarizadores patenteados em 1929 por Edwin H. Land (1909-1991). Land dirigiu a empresa até 1981. Seu pico de empregos foi de 21 000 em 1978, e sua receita de pico foi de US$ 3 bilhões em 1991. Quando a Polaroid Corporation original foi declarada falida em 2001, sua marca e ativos foram vendidos. A “nova” Polaroid foi formada como resultado, declarando-se falida em 2008, resultando em uma nova venda. Em maio de 2017, a marca e a propriedade intelectual da Polaroid Corporation foram adquiridas pelo maior acionista do Impossible Project, que originalmente começou em 2008 com a produção de novos filmes instantâneos para câmeras Polaroid. O Impossible Project foi renomeado para Polaroid Originals em setembro de 2017, e em março de 2020 foi renomeado simplesmente para Polaroid. Estes materiais anisotrópicos, capazes de polarizar a luz, foram utilizados em produtos como óculos de sol, microscópios ópticos e mostradores de cristal líquido. Em 1948, a Polaroid lançou a sua primeira câmera instantânea comercial, a Land Câmera Model 95. Este produto revolucionou a fotografia ao permitir a revelação imediata das imagens capturadas. Com o advento da fotografia digital, a Polaroid perdeu espaço no mercado e declarou falência em 2001. Em 2008, a empresa enfrentou novamente dificuldades financeiras e encerrou a produção de filmes instantâneos. Em 2017, a Polaroid foi adquirida pelo maior acionista do The Impossible Project, que havia iniciado a produção de filmes instantâneos para câmeras Polaroid clássicas. A marca foi relançada como Polaroid Originals e, em 2020, voltou a ser conhecida simplesmente como Polaroid.  As câmeras Polaroid influenciaram gerações de fotógrafos e artistas, tornando-se ícones culturais da fotografia analógica. Sua capacidade de proporcionar imagens instantâneas foi amplamente celebrada na cultura pop e na arte contemporânea.

Metodologicamente, a primeira fotografia reconhecida é uma imagem produzida em 1826, pelo francês Joseph Nicéphore Niépce, numa placa de estanho coberta com um derivado de petróleo fotossensível chamado “Betume da Judeia”. A imagem foi produzida com uma câmera, sendo exigidas cerca de oito horas de exposição à luz solar. Nièpce chamou o processo de “heliografia”, gravura com a luz do Sol. Paralelamente, outro francês, Daguerre, produzia com uma câmera escura efeitos visuais em um espetáculo denominado “Diorama”. Daguerre e Niépce trocaram correspondência durante alguns anos, vindo finalmente a firmarem sociedade. Após a morte de Nièpce, Daguerre desenvolveu um processo com vapor de mercúrio que reduzia o tempo de revelação de horas para minutos. O processo foi denominado “daguerreotipia”. Daguerre descreveu seu processo à Academia de Ciências e Belas Artes, na França e logo depois requereu a patente do seu invento na Inglaterra. A popularização dos daguerreótipos deu origem às especulações teóricas e práticas sobre a possibilidade do “fim da pintura”, inspirando o Impressionismo. Contudo, lembramos que, em 1840, aos 14 anos, dom Pedro II foi coroado imperador do Brasil. No mesmo ano, conheceu o daguerreotipo, aparelho criado pelo francês Daguerre para registrar imagens. Pedro II pode ter sido o primeiro fotógrafo brasileiro: o abade Louis Compte trouxe a novidade de Paris e mostrou-a ao jovem, que, impressionado, logo encomendou o seu. A paixão pela fotografia foi fulminante. Pedro II estava sempre retratando pessoas, paisagens e a realidade da família real. Para exaltar os amantes dessa arte, criou o título de Photographo da Casa ImperialEntre 1851 e 1889, dezenas de fotógrafos receberam a homenagem. Anos mais tarde, em 1876, resolveu passear mundo afora. Foram 18 meses de viagem, quatro continentes e mais de 100 cidades visitadas. Além dos registros fotográficos próprios, contratou um fotógrafo particular. A coleção do monarca, a essa altura, já tinha 25 mil peças. Em 1889, com a Proclamação da República, dom Pedro II foi expulso do país. Sem mágoas, doou à Biblioteca Nacional seu arquivo, com quase 30 mil fotos. O acervo ficou esquecido por mais de 100 anos, pois em 1990 os arquivos foram abertos ao público e estão acervados na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

A grande maioria das imagens do Império eram compostas de litogravuras, pinturas, esculturas e aquarelas, a partir, sobretudo do início dos anos 1860, torna-se cada vez mais nítido o predomínio do material fotográfico. A explicação da inovação tecnológica está vinculada de maneira direta a d. Pedro II, que não foi só um incentivador dessa técnica, como se tornou ele próprio um fotógrafo: o primeiro fotógrafo brasileiro, o primeiro soberano-fotógrafo do mundo. O pioneirismo do soberano se evidencia já quando da concessão de seu imperial patrocínio a um fotógrafo, em 8 de março de 1851. Nessa época conferiu o título de Fotógrafos da Casa Imperial a Buvelot & Prat, antecipando-se dois anos à rainha Vitória. Na verdade, o colonizador d. Pedro fará da fotografia “o grande instrumento de divulgação de sua imagem: moderna como queria que fosse o reino” - “Finalmente passou do daguerreotipo para cá os mares e a fotografia que até agora só era conhecida no Rio de Janeiro por teoria (...). Hoje de manhã teve lugar na hospedaria Pharoux um ensaio fotográfico tanto mais interessante, quanto é a primeira vez que a nova maravilha se apresenta aos olhos dos brasileiros (...) preciso ver a coisa com seus próprios olhos para se fazer ideia da rapidez e do resultado da operação. Em menos de nove minutos o chafariz do Largo do Paço, a praça do Peixe, o mosteiro São Bento (...) se acharam reproduzidos com tal fidelidade, precisão e minuciosidade, que bem se via que a coisa tinha sido feita pela própria natureza, e quase sem a intervenção do artista” (cf. Schwarcz, 2007: 345- 346). O mito da fidedignidade, o fascínio de apreensão do real, que parece se revelar por meio da fotografia, encorar a carga conotativa, presente nessa técnica precisa, que recortava a realidade pelo que observa olho do fotógrafo. A rotina, isto é, tudo aquilo que é feito habitualmente, constitui um elemento básico da atividade social genuinamente humana.

Anthony Giddens (2009) observa, que a rotinização é vital para os mecanismos psicológicos por meio dos quais um senso de confiança ou de segurança ontológica é sustentado nas atividades cotidianas da vida social. Contida primordialmente na consciência prática, a rotina introduz uma cunha entre o conteúdo potencialmente explosivo do inconsciente e a monitoração reflexiva da ação que os agentes exigem. O caráter situado da ação no tempo-espaço, a rotinização da atividade a natureza repetitiva da vida cotidiana – são esses fenômenos que articulam a discussão do inconsciente com as análises de co-presença de Erving Goffman.  Apesar de seu manifesto brilhantismo, os escritores de Goffman são usualmente considerados, talvez, um tanto limitados, no que se refere a seu conteúdo teórico ou por ser ele visto, sobretudo, como uma espécie de raconteur sociológico – o equivalente de um mexeriqueiro sociológico, cujas observações entretêm, divertem e excitam, mas são, no entanto, superficiais e essencialmente triviais – ou então por retratar coisas específicas da vida social, na moderna sociedade de classe média, uma sociedade cínica de protagonistas amorais. Isso pode ser deveras instrutivo, mas não é o modo mais útil de relacionar sua obra com problemas da teoria social, porque não preenche as lacunas certas no que ele tem a dizer, uma das quais é a ausência de uma discussão da motivação, a principal razão de seus escritos serem passíveis da segunda interpretação. A confiança de Goffman na confiança e no tato ecoa, de maneira flagrante, temas encontrados na psicologia do ego e gera uma compreensão analiticamente poderosa da monitoração reflexiva do fluxo de encontros envolvidos na vida cotidiana.

Fundamental para a vida social é o posicionamento do corpo em encontros sociais. “Posicionamento” é aqui um termo muito rico. O corpo está posicionado nas circunstâncias imediatas de co-presença em relação aos outros: Goffman fornece um conjunto extraordinariamente sutil, mas revelador de observações sobre face work, sobre gestos e controle reflexo do movimento corporal como inerentes na continuidade da vida social. Entretanto, o posicionamento deve também ser estendido em relação com a serialidade de encontros no tempo-espaço. Todo e qualquer indivíduo está imediatamente posicionado no fluxo da vida cotidiana; no tempo de vida que é a duração de sua existência; e na duração do “tempo institucional”, a estruturação “supra-individual” de instituições sociais. Finalmente, cada pessoa está posicionada, de um modo “múltiplo”, dentro de relações sociais conferidas por identidades sociais específicas; essa é a principal esfera de aplicação do conceito de papel social. As modalidades da co-presença, mediadas diretamente pelas propriedades sensoriais do corpo, são claramente distintas dos vínculos sociais e das formas de interação social estabelecidas com outros ausentes no tempo ou no espaço. Não são apenas os indivíduos que estão “posicionados” em relação uns aos outros; os contextos de interação social também estão. No exame dessas conexões, relacionadas com a contextualidade da interação social, as técnicas e a abordagem de tempo-geografia, conforme desenvolvidas por Hägerstrand, são esclarecedoras. O tempo-geografia também tem como seu principal interesse a localização de indivíduos no tempo-espaço, mas confere especial atenção às restrições à atividade decorrentes de propriedades físicas do corpo e dos ambientes em que os agentes se movimentam.

Mas de toda maneira, numa era de certezas e de positividades, a fotografia era incorporada à memória individual e coletiva como um exemplo de perfeição da representação do social. Em meio a uma sociedade em boa parte iletrada, sob a égide do trabalho escravo, as suas potencialidades são rapidamente percebidas. Entre nós no Brasil entre 1840-55, diversas capitais foram visitadas por daguerrreotipistas itinerantes, que também fizeram incursões pelo interior, à procura de clientes na aristocracia rural.  O resultado é revelador da feição peculiar da nobreza brasileira, muitas vezes escondida em seus casarões de fazenda. A foto tornava-se, então, não só símbolo da modernidade como marca de status e de civilização; uma distinção nas mãos de poucos. Assim, se os usos e funções políticas da fotografia do século XIX tenderam a se expandir, de outro modo dialogaram com o imaginário individual e coletivo, que por meio dela reproduziam imagens e paisagens - como o fez Marc Ferrez (1843-1923) a partir da década de 1870. Grandes fotógrafos se consagraram no Brasil, como H. Florence e Victor Frond, ou mais tarde Marc Ferrez, além de uma série de firmas que aqui se instalaram, prometendo maravilhas para essa corte encantada com os avanços tecnológicos europeus. Muitos se fizeram fotografar, contudo nenhuma outra família gastou tanto economicamente falando quanto ocorreu com a Casa Imperial. Era inclusive comum encontrar nos jornais anúncios em que os profissionais expunham sua condição de “fotógrafos da família imperial”, como chamariz para outros clientes.

O britânico William Fox Talbot (1800-1877), que já efetuava pesquisas com papéis fotossensíveis, ao tomar conhecimento dos avanços de Daguerre, em 1839, decidiu apressar a apresentação de seus trabalhos à Royal Institution e à Royal Society, “procurando garantir os direitos sobre suas invenções”. Talbot desenvolveu um diferente processo denominado “calótipo”, usando folhas de papel cobertas com cloreto de prata, que posteriormente eram colocadas em contato com outro papel, produzindo a imagem positiva. Este processo é muito parecido com o processo fotográfico em uso hoje, pois também produz um negativo que pode ser reutilizado para produzir várias imagens positivas. À época, Hippolyte Bayard também desenvolveu um método de fotografia. Porém, por demorar a anunciá-lo, não pôde mais ser reconhecido como seu inventor. A fotografia então se popularizou como produto de consumo a partir de 1888. A empresa Kodak abriu as portas com um eficaz discurso mercadológico de marketing tornando-a mercadoria que, na definição de Marx, “é a célula econômica da sociedade capitalista”, onde todos podiam tirar suas fotos, sem necessitar de fotógrafos profissionais com a introdução da câmera tipo “caixão” e pelo filme em rolos substituíveis criados por George Eastman. O mercado fotográfico tem experimentado uma crescente evolução tecnológica, com o estabelecimento do filme colorido como padrão e o foco automático, ou exposição automática. Essas inovações indubitavelmente facilitam a captação da imagem, melhoram a qualidade de reprodução ou a rapidez do processamento técnico, mas muito pouco foi alterado nos princípios básicos ou essenciais da fotografia.

Alan Rickman nasceu em Londres e possui dois irmãos e uma irmã. Antes de iniciar sua carreira como ator, ele estudou designer gráfico na Faculdade de Chelsea, onde conheceu Rima Horton, que mais tarde se tornaria sua parceira. Após três anos, Rickman se graduou na Royal College of Art e abriu um negócio bem sucedido de designer gráfico que comandou por anos junto com amigos. Apesar de ter se envolvido no teatro quando jovem, apenas aos 26 anos ele decidiu no momento certo fazer uma audição na Royal Academy of Dramatic Art (RADA), onde conseguiu uma bolsa de estudos. Após apresentações no teatro britânico experimental e um papel na televisão, Rickman ganhou visibilidade ao interpretar Vicomte de Valmont na peça Les Liaisons Dangereuses da Royal Shakespeare Company, papel que lhe rendeu uma indicação ao Tony Awards. Após alguns telefilmes, seu primeiro papel no cinema foi de vilão em Duro de Matar (1988). Memorável em Hollywood pelas interpretações de vilões, sua carreira possui um amplo leque de personagens e gêneros cinematográficos. Dentre os vilões, seu papel em Robin Hood - O Príncipe dos Ladrões (1991) lhe rendeu artisticamente um dos seus primeiros prêmios, o BAFTA de Melhor Ator Coadjuvante. Outro personagem estiloso que gerou premiações em sua carreira foi em Rasputin (1996), onde saiu ganhador de um Globo de Ouro e um Emmy. Em 2001, a carreira de Rickman deu um salto ao aparecer como Professor Snape em Harry Potter e a Pedra Filosofal. A saga, da qual participou até 2011 na conclusão Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2, introduziu o ator a uma nova e mais jovem geração de fãs. Entre outros dos seus filmes estão Perfume - A História de um Assassino (2006), Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (2007), Alice no País das Maravilhas (2010) e Alice Através do Espelho (2016), que marcou provavelmente sua última participação em uma produção cinematográfica.

Scotland vem de Scoti, o nome latino para os gaels. A palavra latina Scotia (“terra dos gaels”) era inicialmente utilizada para se referir à Irlanda. Até o século XI, o termo Scotia foi usado para se referir a Escócia ao Norte do rio Forth, juntamente com os termos Albania ou Albany, ambas derivadas do gaélico Alba. O uso das palavras Escócia para se referir a tudo o que é agora o território escocês tornou-se comum durante a Idade Média. A história escrita da Escócia começa, em linhas gerais, com a ocupação do sul e do centro da Grã-Bretanha pelo Império Romano, território transformado na província romana da Britânia e que equivale atualmente à Inglaterra e ao País de Gales. O Norte da ilha, reconhecido como Caledônia e habitado pela tribo celta dos pictos, não foi conquistado pelos romanos. Segundo a tradição, o Reino da Escócia foi fundado em 843, quando Kenneth I se tornou rei das tribos dos pictos e das tribos dos escotos. A conquista normanda da Inglaterra em 1066 e a ascensão ao trono de Davi I permitiram a introdução do feudalismo na Escócia e um maior relacionamento comercial com a Europa. No final do século XIII, diversas famílias normandas e anglo-saxãs haviam recebido terras escocesas. A primeira sessão do Parlamento escocês foi realizada naquele período.

Uma disputa pelo trono permitiu que Eduardo I da Inglaterra tentasse coroar um fantoche seu como rei da Escócia. A resistência escocesa, liderada por William Wallace (1270-1305) e Andrew Moray, foi um proeminente líder militar durante a Primeira Guerra de Independência da Escócia. Ele liderou uma revolta no Norte da Escócia no verão de 1297 contra o rei Eduardo I da Inglaterra, conquistando vitórias e terras para o rei escocês João Balliol (1249-1314). Ele, subsequentemente, uniu forças com William Wallace e juntos levaram os escoceses a vitória na Batalha de Stirling Bridge. Moray foi mortalmente ferido, falecendo após o combate em uma data desconhecida, nos tardios meses de 1297, e, mais tarde, por Robert Bruce (1274-1329), fez com que este fosse coroado rei da Escócia em março de 1306 e saísse vitorioso na batalha de Bannockburn, contra os ingleses, em 1314. Uma Segunda Guerra de Independência Escocesa eclodiu no período 1332-1357, quando Eduardo Balliol (1282-1364) tentou tomar o poder com o apoio do monarca inglês. O quadro político escocês voltou a estabilizar-se com a emergência da Casa de Stuart nos anos 1370. Em 1603, o Rei Jaime VI da Escócia (1566-1625) herdou o trono inglês e tornou-se Jaime I da Inglaterra. A Escócia continuou a ser um Estado separado, exceto durante o Protetorado dos Cromwell (1653-1659). Na história política da Inglaterra, da Escócia e da Irlanda, dá-se o nome de Protectorado ou Ditadura Cromwell ou, ainda, República Puritana ao período de 1653 a 1659, quando o governo da Comunidade da Inglaterra (que incluía também a Escócia e a Irlanda) foi exercido por um Lorde Protetor. Em 1707, após ameaças inglesas de interromper o comércio e a livre circulação na fronteira, os Parlamentos da Escócia e da Inglaterra promulgaram os Atos de União criando o Reino Unido da Grã-Bretanha.

   

Em 1776 fora lançado um dos livros mais influentes: “Uma investigação sobre a natureza e a causa da riqueza das nações”, escrito pelo escocês Adam Smith, um dos maiores defensores do capitalismo. Em seguida ao Iluminismo escocês e à Revolução Industrial, a Escócia tornou-se uma das potências comerciais, intelectuais e industriais da Europa. A sua decadência industrial após a 2ª Guerra Mundial (1939-1945) foi grave, mas mais recentemente o país tem vivido um renascimento cultural e econômico, em especial nas áreas de serviços financeiros, de eletrônica e de petróleo. Por meio do Scotland Act britânico de 1998, o Parlamento escocês foi reaberto. A Escócia ocupa o terço setentrional da ilha da Grã-Bretanha. Com uma área de aproximadamente 78 772 km², sua única fronteira terrestre é com a Inglaterra, ao Sul. A Escócia encontra-se entre o Oceano Atlântico, a Oeste, e o Mar do Norte, a Leste. O país inclui o território na Grã-Bretanha e diversos arquipélagos, como as Shetland, as Órcades e as Hébridas. O território britânico da Escócia pode ser dividido em três áreas, a saber, as Highlands ao Norte, o Cinturão Central (Central Belt) e as Terras Altas Meridionais (Southern Uplands) ao Sul. As Highlands são montanhosas e apresentam as maiores elevações das Ilhas Britânicas, com Ben Nevis, com 1 344 metros, o ponto culminante. O Cinturão Central é plano, concentra a maior parte da população e inclui grandes cidades Glasgow e Edimburgo. É uma união política de quatro países constituintes: Escócia, Inglaterra, Irlanda do Norte e País de Gales. O governo é regido por um sistema parlamentar, cuja sede está localizada na cidade de Londres, e por uma monarquia constitucional que tem o rei Carlos III como chefe de Estado.

As dependências da Coroa das Ilhas do Canal (ou Ilhas Anglo-Normandas) e a Ilha de Man (formalmente possessões da Coroa), não fazem parte do Reino Unido, mas formam uma confederação com ele.  O país que colonizou cerca de ¾ do globo terrestre tem quatorze territórios ultramarinos, todos remanescentes do Império Britânico, que no seu auge possuía quase um quarto da superfície da Terra, fazendo desse o maior império da história contemporânea. Como resultado da Chamada Era Imperial, a influência britânica no mundo pode ser vista no idioma, na cultura e nos sistemas judiciários de muitas de suas antigas colônias, como principalmente o Canadá, a Austrália, a Índia e os Estados Unidos da América. O rei Carlos III permanece como o chefe da Comunidade das Nações (Commonwealth) e chefe de Estado de cada uma das monarquias na Commonwealth. O Reino Unido é um país desenvolvido, com a quinta (PIB nominal) ou sétima (PPC) maior economia do mundo. Foi o primeiro país industrializado do mundo e a principal potência mundial durante o século XIX e o começo do século XX, mas o custo econômico de duas guerras mundiais e o declínio de seu império na segunda metade do século XX reduziu o seu papel de líder nos temas mundiais. O Reino Unido, no entanto, permaneceu sendo uma potência importante com forte influência econômica, cultural, militar e política, sendo uma potência nuclear, com o terceiro ou quarto, dependendo do método de cálculo, o maior gasto militar do mundo. Tem um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas e é membro do G7, da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), da Organização Mundial do Comércio (OMC) e da Comunidade das Nações. Foi um membro da União Europeia até 31 de janeiro de 2020.    

Bibliografia Geral Consultada.

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