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sábado, 4 de julho de 2026

Dirija Meu Carro – Cinema, Lazer & Olhar Sensível Sobre o Luto.

                        Irritação é um alarme de carro que dispara bem no meio do seu peito”. Adriana Falcão       

           

          Adriana Franco de Abreu Falcão nasceu no Rio de Janeiro, em 12 de fevereiro de 1960. É uma roteirista e escritora brasileira. Atualmente, roteirista da TV Globo, escreveu para séries como A Comédia da Vida Privada e A Grande Família, além de roteiros para cinema e a série Mulher. Nasceu no Rio, e mudou-se para Recife aos 11 anos de idade. Teve uma história de vida trágica: o pai, Caio Franco de Abreu, cometeu suicídio e a mãe, Maria Augusta Teresa Izabel de Souza, um tempo depois, tomou uma dose fatal de comprimidos para dormir. É neta do escritor Augusto Gonçalves de Sousa Júnior. Em Pernambuco, foi casada com o professor Tácio de Almeida Maciel e formou-se em Arquitetura. Sua primeira filha, Tatiana Maciel, é fruto do primeiro casamento. Também foi casada com João Falcão, com quem teve mais duas filhas (Clarice e Maria Isabel). Em 1995 voltou a morar no Rio de Janeiro, começou a escrever para TV e cinema, e os atores começaram a gostar de seus diálogos e a usá-los nas peças. Nunca exerceu a profissão de arquiteta, pois logo descobriu sua vocação para a literatura. Seu primeiro romance foi A Máquina, e a novidade expressa a maneira nova do procedimento da narratividade criada pela autora. Atualmente publica crônicas no fabuloso jornal O Estado de S. Paulo. Acredita-se que a palavra carro se origine em latim carrus ou carrum (“veículo com rodas”). Por sua vez, estes se originaram da palavra gaulesa karros, que representa sociologicamente uma carruagem gaulesa. 

          Referia-se originalmente a qualquer veículo puxado por cavalos com rodas, como uma carruagem ou carroça. A palavra “automóvel” é um composto clássico derivado da palavra grega antiga autós (αὐτός), que significa “eu”, e a palavra latina mobilis, que significa “móvel”. Automóvel, ou carro, é um veículo motorizado com rodas. A maioria das definições diz que eles correm basicamente em estradas, acomodam de uma a oito pessoas, têm quatro rodas e, principalmente, transportam pessoas em vez de mercadorias. Os carros entraram em uso global durante a démarche do século XX e as economias desenvolvidas dependem deles. O ano de 1886 é considerado como o ano de nascimento do carro quando o inventor Karl Friedrich Michael Benz (1844-1929) patenteou seu Benz Patent-Motorwagen. Os carros tornaram-se amplamente disponíveis no início do século XX. Um dos primeiros carros acessíveis às massas foi o 1908 Model T, um carro norte-americano fabricado pela Ford Motor Company. Os carros foram per se adotados nos EUA, onde substituíram carruagens e carros puxados por animais, mas demoraram para serem aceitos na Europa Ocidental e em outras partes do mundo globalizado. Os carros têm controles de direção, estacionamento, conforto para os passageiros e uma variedade de luzes. Ao longo das décadas, recursos e controles adicionais foram adicionados aos veículos, tornando-os mais complexos e competitivos. 

       Estes incluem câmeras de marcha à ré, ar condicionado, sistema de navegação por satélite e entretenimento no carro. Em 1991, Roger Billings desenvolveu o primeiro carro elétrico movido pela energia de uma célula de combustível a hidrogênio. A maioria dos carros em uso na década de 2010 é impulsionada por um motor de combustão interna, alimentado pela combustão de combustíveis fósseis. Os carros elétricos, que foram inventados no início da história do carro, começaram a se tornar comercialmente disponíveis em 2008. Existem custos e benefícios para o uso do carro. Os custos para o indivíduo incluem a aquisição do veículo, pagamentos de juros (se o carro for financiado), reparos e manutenção, combustível, depreciação, tempo de direção, taxas de estacionamento, impostos e seguro. Os custos para a sociedade incluem a manutenção de estradas, o uso da terra, congestionamentos, a poluição do ar, a saúde pública e a eliminação do veículo no final da sua vida útil. Os acidentes de trânsito são a maior causa de mortes relacionadas a ferimentos em todo o mundo. Os benefícios pessoais incluem transporte sob demanda, mobilidade, independência e conveniência. Os benefícios sociais incluem benefícios econômicos, como criação de emprego e riqueza da indústria automotiva, fornecimento de transporte, bem-estar social por oportunidades de lazer e viagens e geração de receita dos impostos. A capacidade das pessoas de se mover de forma flexível de um lugar para outro tem implicações de longo alcance para a natureza das sociedades. Existem cerca de 1 bilhão de carros em uso em todo o mundo. Os números estão aumentando na China, na Índia e em outros países industrializados.                                    


Escólio: O registro etnográfico mais antigo do tendão sendo chamado de “tendão de Aquiles” é de 1693, pelo cirurgião e anatomista holandês Philip Verheyen (1648-1710). Em seu texto amplamente utilizado, Corporis Humani Anatomia, descreveu a localização do tendão e afirmou que ele era comumente chamado “o cordão de Aquiles”. De Humani Corporis Fabrica Libri Septem ou simplesmente De Humani Corporis Fabrica é um livro de anatomia humana, escrito em 1543 por Andreas Vesalius (1514-1564). É resultado dos trabalhos de Vesalius como professor da Universidade de Pádua, onde realizou inúmeras dissecações de cadáveres. Nesses estudos, ele refutou grande parte das teorias do médico greco-romano Galeno acerca do corpo humano, expostas por ele nesse trabalho. Para a impressão da obra, ele não poupou gastos: contratou os melhores artistas, sendo que entre eles o desenhista Jan Stephan van Calcar (1499-1546), discípulo de Tiziano, que realizou as gravuras nas duas primeiras partes e xilógrafos que tem como primícias para preparar as gravuras a serem impressas. Para a realização desse último serviço, foi escolhido o impressor Johannes Oporinus (1507-1568), de Basileia, a ir até esta cidade para supervisionar pessoalmente os trabalhos. Graças a isso, esta obra é um magnífico exemplo do que havia de melhor na produção de livros na Renascença, com 17 desenhos de página inteira, além de diversas ilustrações acompanhadas de texto. Com significado de “área de fraqueza, ponto vulnerável”, o uso geral de “calcanhar de Aquiles” é recente datando de 1840, observada a utilidade de uso especificamente clínica implícita na citação de Samuel Taylor Coleridge (1772-1834): “Ireland, that vulnerable heel of the British Achilles!”, de 1810 no Oxford English Dictionary.

Aquiles, filho de Peleu rei dos mirmidões e de Tétis (ninfa), é um dos heróis mais reconhecidos da mitologia grega. Ele é extraordinário por sua força, bravura e beleza. Um calcanhar de Aquiles representa um substantivo composto que significa “fraqueza a despeito de uma força geral, que pode levar a derrota ou queda”. Enquanto a origem mitológica se refere a “vulnerabilidade física”, referências idiomáticas a outros atributos ou qualidades que podem levar a queda são comuns. Na mitologia grega, quando Aquiles era um recém-nascido, foi predito que ele morreria jovem. Para preveni-lo de sua morte, sua mãe Tétis o levou ao rio Estige, que deveria dar o “poder da invulnerabilidade”, e mergulhou seu corpo na água. Porém, já que Tétis segurava Aquiles pelos calcanhares, eles não foram lavados pela água. Aquiles cresceu e tornou-se “homem de guerra” que sobreviveu a muitas batalhas. Embora a morte de Aquiles seja prevista pela Ilíada de Homero, ela não ocorre de fato na Ilíada, mas é descrita em poemas e dramas gregos e romanos posteriores que tratam dos eventos após a Ilíada, na guerra de troia. Nos mitos em torno da guerra, é dito que Aquiles morreu devido a “uma ferida em seu calcanhar”, tornozelo ou torso, que foi causada por uma flecha, talvez envenenada, atirada por Paris. Aquiles era simplesmente invencível em batalha, e só a intervenção divina de Apolo finalmente pôs fim ao seu longo reinado como “o maior guerreiro grego de todos eles”.

            Aquiles tem ainda a característica de ser “loiro e o mais belo dos heróis reunidos contra Troia, assim como o melhor entre eles”. A figura de Aquiles foi sendo moldada por diversos autores num espaço de mil anos, o que explica suas diversas contradições. A mais reconhecida é a que fala que Aquiles era invulnerável em todo o seu corpo por se banhar no rio Estige, exceto em seu calcanhar, conforme um poema de Estácio, no século I. Nestas versões de seu mito, sua morte teria sido causada por uma flecha envenenada que o teria atingido nesta parte de seu corpo, desprotegida da armadura. As obras literárias e artísticas em geral em que Aquiles aparece como herói são abundantes. Para além da Ilíada e da Odisseia - onde é demonstrada o destino de Aquiles após a sua morte - pode-se destacar, a tragédia Ifigénia em Áulide, de Eurípides (cf. Santos, 2016), “imitada” pelo dramaturgo Jean Racine (1674) e transformada em ópera pelo compositor Christoph Willibald Gluck (1774), além das artes plásticas, onde podem ser encontradas, além das diversas pinturas de vasos e esculturas do próprio período da Antiguidade Clássica, telas de Peter Paul Rubens (1577-1640), David Teniers, o Jovem (1610-1690), Jean-Auguste Dominique Ingres (1780-1867), Eugène Delacroix (1798-1863) entre outros, que retratam as suas múltiplas façanhas sociais.      

            O papel de Aquiles como “herói do luto” forma, assim, um contraste irônico com a visão convencional, que o apresenta como um herói de kleos, “glória”, especialmente na guerra. Laos foi interpretado como “um corpo de soldados”; neste sentido, o nome teria um sentido duplo, no poema; quando o herói atua da maneira correta, seus homens trazem luto ao inimigo; da maneira errada, são “os seus homens que sentem o luto e a dor da guerra”. O poema fala, em parte, sobre a má direção da ira por parte dos líderes. O nome Achilleus passou a ser um nome comum e presente entre os gregos desde o início do século VII a.C. Foi transformado para a forma feminina Ἀχιλλεία (Achilleía), atestada pela primeira vez na Ática, no século IV a.C., e Achillia, encontrada num relevo de Halicarnasso como nome de uma gladiadora lutando contra Amazonia (“amazonas”). Os jogos gladiatórios romanos frequentemente reverenciavam a mitologia clássica, e esta parece ser uma referência à luta de Aquiles contra a rainha amazona Pentesileia, com um toque “curioso de demonstrar o herói na forma de uma mulher”. Aquiles era o filho da nereida Tétis e de Peleu, rei dos mirmidões. Tétis era uma das várias filhas de Nereu e Doris e Peleu era filho de Éaco e Endeis. Zeus e Posídon haviam sido rivais pela mão de Tétis até que Prometeu, o responsável por trazer “o fogo aos humanos”, alertou Zeus a respeito da profecia que dizia Tétis daria luz a um filho ainda maior que seu pai.

Drive My Car tem como representação social um filme de drama japonês de 2021 dirigido por Ryusuke Hamaguchi, que coescreveu o roteiro com Takamasa Oe. Ex-aluno da Universidade de Tóquio e da Universidade Nacional de Belas Artes e Música de Tóquio, ele ganhou reconhecimento internacional com Happy Hour (2015), Asako I & II (2018) e Wheel of Fortune and Fantasy (2021), que estrearam nas principais competições de Locarno, Cannes e Berlim, respectivamente. Baseado no conto homônimo de Haruki Murakami, de 2014, é estrelado por Hidetoshi Nishijima como um diretor de teatro que dirige uma produção multilíngue de Tio Vânia enquanto lida com a morte de sua esposa.  Reika Kirishima, Tōko Miura, Park Yu-rim, Jin Dae-yeon, Sonia Yuan, Ahn Hwitae, Perry Dizon, Satoko Abe e Masaki Okada também estrelam o filme. Drive My Car teve sua estreia mundial no Festival de Cannes de 2021, onde concorreu à Palma de Ouro e ganhou três prêmios, incluindo o de Melhor Roteiro. Foi indicado a quatro prêmios no 94º Oscar, apresentada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, em 27 de março de 2022, no Dolby Theatre, em Hollywood, vencendo o de Melhor Filme Internacional, e recebeu inúmeros outros prêmios. Drive My Car foi o primeiro filme japonês a receber uma indicação a Melhor Filme. Tem sido considerado um dos melhores filmes da década de 2020 e do século XXI. Drive My Car é um filme japonês que chegou ao Brasil em março de 2022. Acompanha a vida de Yusuke Kafuku, um ator e diretor que enfrenta o luto pela morte de sua esposa. Depois de dois anos da perda, ele parte para Hiroshima para dirigir uma peça de teatro. É lá que conhece a jovem motorista Misaki Watari.

            Após se formar na Universidade de Tóquio, Hamaguchi trabalhou na indústria de filmes comerciais por alguns anos antes de ingressar no programa de pós-graduação em cinema na Universidade de Artes de Tóquio, onde estudou e foi influenciado por Kiyoshi Kurosawa. Seu filme de formatura, Passion, foi selecionado para a competição do Tokyo Filmex de 2008. Com Kō Sakai, ele realizou um documentário em três partes sobre sobreviventes do terremoto e tsunami de Tōhoku de 2011, com Voices from the Waves sendo selecionado para a competição no Festival Internacional de Cinema Documentário de Yamagata de 2013, e Storytellers ganhando o Prêmio Sky Perfect IDEHA. Seu próximo filme, Happy Hour, foi desenvolvido in statu nascendi enquanto Hamaguchi era artista residente no KIITO Design and Creative Center Kobe em 2013. Vale lembrar que surgiu de uma oficina com trabalho de improvisação de atuação que ele ministrou para não profissionais, com muitos dos atores do filme tendo participado da oficina. As quatro atrizes principais dividiram o prêmio de melhor atriz e o filme recebeu uma menção especial por seu roteiro no Festival de Cinema de Locarno de 2015. Hamaguchi também recebeu um prêmio especial do júri no Japan Movie Critic Awards de 2016, bem como um prêmio de melhor estreante na categoria de cinema do Geijutsu Sensho Awards da Agência de Assuntos Culturais. Seu filme Asako I & II foi selecionado para competir pela Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes de 2018. Em 2021, Hamaguchi ganhou o Urso de Prata no Festival de Berlim com seu filme Wheel of Fortune and Fantasy.

No mesmo ano, Drive My Car conquistou os prêmios de Melhor Filme do Círculo de Críticos de Cinema de Nova York, da Sociedade de Críticos de Cinema de Boston e da Associação de Críticos de Cinema de Los Angeles, Estados Unidos da América, além do Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Não Inglesa. Hamaguchi foi indicado ao Oscar de Melhor Diretor por Drive My Car, tornando-se o terceiro diretor japonês a alcançar tal feito cinematográfico. Em 2023, seu filme Evil Does Not Exist recebeu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cinema de Veneza. No mesmo ano, ele lançou o filme Gift, que usa as mesmas filmagens de Evil Does Not Exist (com uma história diferente) e é acompanhado por uma trilha sonora ao vivo. Em dezembro de 2023, juntamente com outros 50 cineastas, Hamaguchi assinou uma carta aberta publicada no Libération exigindo um cessar-fogo e o fim da matança de civis em meio à invasão israelense da Faixa de Gaza, e que um corredor humanitário em Gaza seja estabelecido para ajuda humanitária e a libertação dos reféns. Em maio de 2025, foi anunciado que Hamaguchi dirigiria All of a Sudden, a ser filmado em Paris e estrelado por Virginie Efira e Tao Okamoto. Hamaguchi se referiu a si mesmo como “puramente um cinéfilo” e “convencionalmente apaixonado por filmes de Hollywood”. Ele foi influenciado pelas obras de John Cassavetes. Em abril de 2024, ele listou seus 50 filmes favoritos para LaCinetek.

Sua seleção explora vários gêneros e períodos do cinema, incluindo obras de diretores como Robert Bresson, Clint Eastwood, Howard Hawks, Edward Yang, Kenji Mizoguchi e Robert Zemeckis. Foi anunciado que o filme teria sua estreia mundial na competição principal do Festival de Cannes de 2026, onde foi indicado à Palma de Ouro. Escólio: O ator e diretor de teatro Yūsuke Kafuku vive em Tóquio com sua esposa Oto, uma roteirista que concebe suas histórias após o sexo e as narra para ele. Ele aprende suas falas ouvindo fitas gravadas por Oto enquanto dirige seu Saab 900 Turbo vermelho. Depois de Yūsuke atuar em Esperando Godot, Oto o apresenta ao jovem astro da televisão Kōji Takatsuki. Quando um festival de teatro no qual Yūsuke seria jurado é adiado, ele volta para casa, onde encontra sua esposa fazendo sexo com Kōji, mas não os interrompe. Após um acidente de carro, Yūsuke descobre que tem glaucoma em um dos olhos e precisa usar colírio para evitar a cegueira. Um dia, Oto pede para ter uma conversa séria com Yūsuke. Depois de passar o dia dirigindo sozinho, Yūsuke volta para casa e encontra Oto morta devido a uma hemorragia cerebral. Após o funeral, Yūsuke entra em colapso enquanto interpreta o papel principal em Tio Vânia. Dois anos depois, Yūsuke aceita uma residência em Hiroshima para dirigir uma produção multilíngue de Tio Vânia. O festival de teatro exige que ele seja levado em seu próprio carro por questões de seguro e, apesar da relutância inicial, ele acaba criando um laço com sua jovem e reservada motorista, Misaki Watari. Com a ajuda do dramaturgo Gong Yoon-su, Yūsuke escala diversificados de atores para atuarem em seus idiomas nativos.

Ele fica impressionado com Lee Yoo-na, uma atriz muda que se comunica em Língua de Sinais Coreana, e também escala Kōji inesperadamente para o papel de Tio Vânia. Após um ensaio, Kōji convida Yūsuke para tomar um drinque, onde o jovem ator se opõe às duras críticas ao seu personagem, mas admite seu amor não correspondido por Oto. Ele repreende alguém por tirar uma foto dele. Yoon-su convida Yūsuke e Misaki para jantar com sua esposa, que se revela ser Yoo-na. Dirigindo para casa, Misaki conta a Yūsuke sobre as longas horas que passava dirigindo para sua mãe abusiva quando era jovem. Mais tarde, eles visitam uma central de coleta de lixo, onde Misaki explica que dirigia caminhões de lixo depois de deixar sua cidade natal quando um deslizamento de terra destruiu sua casa e matou sua mãe. Bebendo com Kōji novamente, Yūsuke revela que acha que não consegue mais interpretar Vanya e sugere que a falta de autocontrole de Kōji é uma fraqueza pessoal, mas uma força como ator. Depois que Kōji se afasta para confrontar um homem que estava tirando fotos dele, Misaki os leva para casa. Yūsuke revela que ele e Oto perderam a filha pequena, que agora teria a idade de Misaki; o dom de Oto para contar histórias depois do sexo era um laço que os ajudava a lidar com a situação. 

Embora soubesse dos casos extraconjugais da esposa.  Yūsuke acredita que ela ainda o amava, e Kōji compartilha uma das histórias de Oto que Yūsuke nunca tinha ouvido por completo. A polícia interrompe um ensaio e prende Kōji, pois o homem que ele atacou morreu devido aos ferimentos. Com dois dias para decidir se assume o papel de Vanya ou cancela a produção, Yūsuke pede a Misaki que o leve à sua casa de infância em Hokkaido. Yūsuke compartilha sua culpa por não ter voltado para casa para ter a conversa que Oto queria ter, o que poderia ter permitido que ele salvasse a vida dela. Misaki revela que escapou do deslizamento de terra, mas optou por não resgatar sua mãe dos escombros, ficando com uma cicatriz na bochecha que preferiu não tratar. Eles visitam as ruínas nevadas da casa de infância de Misaki e se abraçam enquanto ambos confrontam sua dor compartilhada. Yūsuke assume o papel de Vanya e oferece uma atuação apaixonada diante de uma plateia ao vivo, incluindo Misaki. Yoo-na interpreta com emoção as falas finais de Sonya: “Ouviremos os anjos, veremos o céu inteiro em diamantes, veremos como todo o mal terreno, todo o nosso sofrimento, se afogará na misericórdia que preencherá o mundo inteiro. E nossa vida se tornará pacífica, terna, doce como uma carícia... Você não teve alegria em sua vida; mas espere, Tio Vanya, espere... Nós descansaremos”. Atores e público se emocionam com a apresentação. Algum tempo depois, Misaki está morando na Coreia do Sul. Fazendo compras, ela volta para o Saab vermelho de Yūsuke, onde um cachorro descansa. Ela tira a máscara cirúrgica, revelando que sua cicatriz agora está quase invisível, e vai embora dirigindo. O filme foi originalmente ambientado em Busan, a segunda cidade mais populosa da Coreia do Sul, depois de Seul.

Possui uma população de mais de 3,3 milhões de habitantes em 2024. Também romanizada como Pusan, é o centro econômico, cultural e educacional do Sudeste da Coreia do Sul, com seu porto sendo o mais movimentado da Coreia do Sul e o sexto mais movimentado do mundo. A Região Industrial Marítima do Sudeste circundante, incluindo Ulsan, Gyeongsang do Sul, Daegu e parte de Gyeongsang do Norte e Jeolla do Sul é a maior área industrial da Coreia do Sul. O grande volume de tráfego portuário é extraordinário e a população nacional urbana superior a 1 milhão, fazem de Busan uma metrópole portuária de grande porte, de acordo com o Sistema de Classificação de Cidades Portuárias de Southampton. Em 2025, o Porto de Busan era o principal porto da Coreia e o sexto maior porto de contêineres do mundo.

O cinegrafista Hidetoshi Shinomiya foi designado para fazer as filmagens do projeto. A história original apresenta um Saab 900 conversível amarelo, um automóvel produzido pela montadora sueca Saab Automobile de 1978 a 1998, divido em duas gerações, mas no filme foi alterado para um Saab 900 Turbo vermelho é o clássico casrro da Suécia e um ícone presente entre os fãs, para complementar visualmente a paisagem de Hiroshima. A trilha sonora original de Drive My Car foi composta pela musicista Eiko Ishibashi. Em uma entrevista à Variety, o diretor Hamaguchi disse: “Normalmente, não uso muita música em meus filmes, mas ouvir a música que Ishibashi fez foi a primeira vez que pensei que isso poderia funcionar para o filme”. A trilha sonora tem 12 faixas. Hamaguchi desejava incorporar a música dos Beatles “Drive My Car”, que dá nome ao filme e à história. Foi difícil a permissão para seu uso. Em vez disso, ele incluiu uma peça para quarteto de cordas de Beethoven, que é referenciada diretamente na história original de Murakami. Escrevendo para a Pitchfork, Quinn Moreland disse que a trilha sonora “possui um distanciamento frio, espelhando a profundidade glacial do filme com nuances orgânicas e improvisação contemplativa”. Vanessa Ague, do The Quietus, escreveu: “Ishibashi cria uma narrativa dentro do tema e variações, traçando um caminho musical que se sustenta por si só”.

          The Beatles representou socialmente uma banda de rock britânica formada na cidade de Liverpool em 1960. A formação mais reconhecida da banda contava com John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. Amplamente reconhecida como a maior e mais influente banda da história da música popular de todos os tempos, foi essencial para o desenvolvimento da contracultura da década de 1960 e para o reconhecimento da música popular como forma de arte. Enraizados no skiffle, beat e o rock and roll dos anos 1950, os Beatles mais tarde experimentaram com diversos gêneros, desde baladas pop e a música indiana até a música psicodélica e o hard rock, e incorporaram elementos clássicos de maneiras inovadoras. Em meados da década de 1960, a imensa popularidade da banda tornou-se reconhecida como Beatlemania, mas conforme a música do grupo crescia em sofisticação, liderada pelos principais compositores John Lennon e Paul McCartney, seus membros começaram a ser percebidos nos ideais compartilhados pelas revoluções socioculturais da Era. Os Beatles construíram sua reputação apresentando-se em boates de Liverpool e Hamburgo durante três anos na década de 1960. O empresário da banda Brian Epstein (1934-1967) que se tornou famoso ao empresariar os Beatles transformou seus integrantes em artistas profissionais, e o produtor George Martin melhorou seus potenciais musicais. Eles ganharam popularidade no Reino Unido com seu primeiro sucesso “Love Me Do” no final de 1962. Eles adquiriram o apelido “The Fab Four”, conforme a Beatlemania crescia em território britânico no ano seguinte, e ao final de 1964 tornaram-se astros internacionais, liderando a “Invasão Britânica” no mercado musical estadunidense. 

A partir de 1965, os Beatles produziam o que muitos consideram como seus melhores materiais, incluindo os inovadores e influentes álbuns Rubber Soul (1965), Revolver (1966), Sgt. Pepper`s Lonely Hearts Club Band (1967), The Beatles (comumente referido como White Album, 1968) e Abbey Road (1969). Após a separação de seus membros em 1970, todos conquistaram carreiras musicais bem-sucedidas. McCartney e Starr, os membros ainda vivos, estão musicalmente ativos. Lennon foi assassinado em dezembro de 1980, enquanto Harrison morreu de câncer de pulmão em novembro de 2001. De acordo com a Recording Industry Association of America (RIAA), os Beatles são os artistas com o maior número de vendas nos Estados Unidos, com 178 milhões de unidades certificadas. Eles possuem o maior número de álbuns que chegaram ao cume da UK Albums Chart e venderam mais singles no Reino Unido do que qualquer outro artista. Em 2008, o grupo foi listado pela Billboard como o ato mais bem sucedido de todos os tempos nas tabelas publicadas pela revista; até 2015, o conjunto ainda detém o recorde de mais números um na Billboard Hot 100, com 20 canções. Eles receberam dez Grammy Awards, um Oscar para Melhor Banda Sonora e 15 Ivor Novello Awards. Com seus membros incluídos na compilação da Time que listou as 100 pessoas mais influentes do século XX, é banda mais bem sucedida na história da música, vendendo mais de 600 milhões de cópias. 

O grupo musical foi incluído no Rock and Roll Hall of Fame em 1988, com todos os participantes individualmente entre 1994 e 2015, e possui cinco álbuns na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame, juntamente ao Led Zeppelin. Escrevendo para a PopMatters, Jay Honeycomb descreveu: “A música de Ishibashi te envolve quando chega, permitindo que as sementes plantadas por Hamaguchi germinem e cresçam sem te afogar em sentimentalismo”. O extraordinário filme Drive My Car teve sua estreia mundial no Festival de Cinema de Cannes de 2021 na competição pela Palma de Ouro. Foi lançado no Reino Unido em 19 de novembro de 2021 e em 24 de novembro de 2021 nos Estados Unidos. Em 2025, o filme foi apresentado na seção Momentos Decisivos do Cinema Asiático no 30º Festival Internacional de Cinema de Busan, como parte do especial Asian Cinema 100, sendo a obra de assinatura do diretor Ryusuke Hamaguchi. As versões em DVD e Blu-ray do filme foram lançadas nos Estados Unidos em 19 de julho de 2022, como parte da Criterion Collection que representa uma empresa estadunidense de distribuição de home vídeos que tem como escopo o licenciamento, restauração e distribuição de “importantes filmes clássicos e contemporâneos”. A Criterion atende estudantes de cinema e mídia, cinéfilos e bibliotecas públicas e acadêmicas. Em 8 de abril de 2022, Drive My Car arrecadou US$ 2,3 milhões nos Estados Unidos e Canadá e US$ 12,3 milhões em outros territórios, totalizando US$ 14,7 milhões em todo o mundo. Nos Estados Unidos, o filme arrecadou US$ 944.000 na época de suas indicações ao Oscar em 8 de fevereiro de 2022. Entre então e 20 de março, arrecadou US$ 1,15 milhão (um aumento de 122%), totalizando US$ 2,1 milhões.

Bibliografia Geral Consultada.

BROHM, Jean-Marie, Sociologie Politique du Sport. Paris: Jean-Pierre Delarge Éditeur, 1976; BRANDÃO, Junito de Souza, Mitologia Grega. Volume 1. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 1980; BERGSON, Henri, O Pensamento e o Movente. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Editor Abril Cultural, 1984; PROUST, Marcel, Os Prazeres e os Dias. Rio de Janeiro: Editora Rio Gráfica, 1986; BRAGA, Ubiracy de Souza, A Racionalização Fordista no Brasil: Efeitos Econômicos e Políticos na Reprodução do Trabalho. Dissertação de Mestrado em Sociologia. Instituto de Filosofia e Ciências Sociais. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1988; 320 páginas; BARTHES, Roland, Fragmentos de Um Discurso Amoroso. Rio de Janeiro: Francisco Alves Editor, 1991; BRUMAT, Cristina, “Quali Interconnessioni Tra Sociologia e Geografia?”. In: Studi di Sociologia, 1994, 32 (2), pp. 177-189; BIANCHI, Henri, O Eu e o Tempo: Psicanálise do Tempo e do Envelhecimento. São Paulo: Editor Casa do Psicólogo, 1993; DURAND, Gilbert, As Estruturas Antropológicas do Imaginário. Introdução à Arquetipologia Geral. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1997; SIMMEL, Georg, El Individuo y la Libertad: Ensayos de Crítica de la Cultura. Barcelona: Ediciones Península, 2001; CUADRA, César, Modernidad en el Realismo Mágico de García Márquez. Madrid: Editor Centro Virtual Cervantes, 2002; FREUD, Sigmund, “Luto e Melancolia”. In S. Freud, Escritos Sobre a Psicologia do Inconsciente. Rio de Janeiro: Editora Imago, 2006; SANTOS, Alexandra Coelho, “Em Nome da Hélade: O Sacrifício Voluntário em Ifigénia em Áulide de Eurípides”. In: Phaine: Revista de Estudos Sobre a Antiguidade, n° 1, volume 1, janeiro – julho de 2016; THORPE, Christopher et al., (eds.), O Livro da Sociologia. 2ª edição. São Paulo: Globo Livros, 2016; MORIN, Edgar, Cultura de Massas no Século XX - O Espírito do Tempo - Neurose e Necrose. 11ª edição. Rio de Janeiro: Editora Forense Universitária, 2018; DARGIS, Manohla, “Crítica de Drive My Car: Um Diretor Leva Seu Coração Para Dar Uma Volta”. In: The New York Times, 24 de novembro de 2021; LIMA, Felipe Benicio de, O Neodistópico: Metamorfoses da Distopia no Século XXI. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Linguística e Literatura. Faculdade de Letras. Maceió: Universidade Federal de Alagoas, 2022; SILVA, Ariane Stefanie da, Gênero, Cinema e Super-heroi(na): Um Olhar sobre o Feminino no MCU a partir da Representação de Viúva Negra. Dissertação de Mestrado em Comunicação. Instituto de Ciências Sociais Aplicadas.  Mariana: Universidade Federal de Ouro Preto, 2026; entre outros.

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

O Mal Existe – Cinema, Infortúnio & Dramas Independentes.

                                                 Só a experiência própria é capaz de tornar sábio o ser humano”. Sigmund Freud                  

                    

         Aculturação refere-se à transformação social, cultural e psicológica que ocorre por meio do contato social direto entre duas culturas, em que uma ou ambas se adaptam às influências culturais dominantes sem comprometer suas características distintivas essenciais. Ocorre quando um indivíduo adquire, adota ou se ajusta a um novo ambiente cultural como resultado de ser inserido em outra cultura ou quando entra em contato com outra cultura. Esse processo de equilíbrio pode resultar em uma sociedade mista com características predominantes e combinadas ou com mudanças culturais fragmentadas, dependendo do contexto sociopolítico. Indivíduos de outras culturas buscam se integrar a cultura mais prevalente, incorporando seletivamente aspectos da cultura dominante, como seus traços culturais e normas sociais, enquanto ainda mantêm seus valores e tradições culturais originais. Os impactos sociais da aculturação são vivenciados de forma diferente em vários níveis, tanto pelos adotados da cultura dominante quanto pelos anfitriões da cultura de origem. Os resultados podem incluir marginalização, coexistência respeitosa, tensões destrutivas, integração e evolução cultural. Em nível de grupo, a aculturação resulta em mudanças na cultura, nas práticas religiosas, nos cuidados de saúde e per se em outras instituições sociais. Há também implicações significativas na alimentação, no vestuário e na língua daqueles que são introduzidos à cultura dominante.

Em nível de análise individual, o processo de aculturação refere-se ao processo de socialização pelo qual indivíduos nascidos no exterior incorporam os valores, costumes, normas, atitudes culturais e comportamentos da cultura anfitriã predominante. Esse processo tem sido associado a mudanças no comportamento diário, bem como a inúmeras alterações no bem-estar psicológico e físico. Assim como o termo enculturação é usado para descrever o processo de aprendizagem da primeira cultura, a aculturação pode ser entendida como a aprendizagem da segunda cultura. Em circunstâncias naturais comuns no cotidiano atual, a aculturação ocorre naturalmente ao longo de várias gerações. A força física pode acelerar o processo em alguns casos, mas não é um componente principal. Mais comumente, a aculturação se dá por meio de pressão constante e exposição consistente à cultura dominante. Estudiosos de diferentes disciplinas desenvolveram mais de sessenta teorias sobre aculturação, embora muitas careçam de rigor acadêmico em suas propostas. O escopo acadêmico ativo no conceito de aculturação começou em 1918. Como foi abordado pelos campos da psicologia, antropologia e sociologia em diferentes épocas, inúmeras teorias e definições surgiram para descrever elementos do processo aculturativo. Apesar das definições (teorias sociais) e evidências (empiria) de que a aculturação é um processo de mudança bidirecional, a teoria e a pesquisa têm se concentrado principalmente nas adaptações e mudanças das minorias, como imigrantes, refugiados e povos indígenas, em resposta ao seu contato com a maioria dominante. 

A pesquisa contemporânea, entretanto, tem se concentrado principalmente nas várias estratégias de aculturação dentro das sociedades, nos fatores que influenciam o processo de aculturação e nos indivíduos envolvidos, e no desenvolvimento de intervenções destinadas a facilitar transições mais suaves. A história da civilização ocidental, e em particular as histórias da Europa e dos Estados Unidos, são amplamente definidas por padrões de aculturação. Uma das formas mais notáveis ​​de aculturação é o imperialismo, o progenitor mais comum da mudança cultural direta. Embora essas mudanças culturais possam parecer simples, os resultados combinados são robustos e complexos, impactando tanto grupos e indivíduos da cultura de origem quanto da cultura anfitriã. A aculturação com dominância tem sido pesquisada por sociólogos, antropólogos e historiadores praticamente apenas, e principalmente, em um contexto colonial, devido à dispersão dos povos da Europa Ocidental por todo o mundo nos últimos cinco séculos. A primeira teoria psicológica da aculturação foi proposta no estudo de W.I. Thomas e Florian Znaniecki, de 1918, intitulado: “O Camponês Polonês na Europa e na América”. A partir do estudo de imigrantes poloneses na cidade de Chicago, Estados Unidos, eles ilustraram três formas de aculturação correspondentes a três tipos de personalidade: boêmio, adotando a cultura anfitriã e abandonando sua cultura de origem, filisteu, não conseguindo adotar a cultura anfitriã, mas preservando sua cultura de origem e criativo, capaz de se adaptar à cultura anfitriã, preservando a cultura de origem.                                        


Escólio: Na filosofia da religião, o problema do mal é a questão de como conciliar a existência do mal com o de uma divindade que é, tanto em termos absolutos ou relativos, onipotente, onisciente e benevolente. Um "argumento do mal" tenta mostrar que a coexistência do mal e tal divindade é improvável ou impossível se colocado em termos absolutos. As tentativas de demonstrar o contrário tradicionalmente têm sido discutidas sob o título de teodiceia. Uma ampla gama de respostas foi dada para o problema do mal na teologia. Há também muitas discussões de problemas mal e associados em outros campos filosóficos, tais como ética secular, e disciplinas científicas, tais como ética evolucionista. Mas, como normalmente entendido, o "problema do mal" é colocado em um contexto teológico. A existência do mal parece ser contraditória a com a existência de um Deus bondoso e poderoso, mas alguns religiosos argumentam que, para o homem ser feliz, ele necessita executar ações, atos de caridade e de heroísmo, que não seriam possíveis se não existisse o mal. Entretanto, a maioria dos teístas responde que um deus perfeito pode ainda permitir um certo mal, insistindo que a concessão de um bem maior, como o livre arbítrio, não pode ser alcançada sem alguns males. Uma defesa contra o problema do mal é estabelecer que os atributos divinos são logicamente consistentes com a existência do mal, mas que isso não significa que o mal derive deles, ou que deles se possa retirar uma explicação quanto as razões pelas quais o mal existe ou ocorre. 

Uma teodiceia, por outro lado é uma tentativa de fornecer tais justificativas para a existência do mal. Richard Swinburne sustenta que não faz sentido assumir que existe esse bem maior, a não ser que se saiba o que ele é, ou seja, até que tenhamos uma boa teodiceia. Muitos filósofos contemporâneos discordam. O ceticismo teísta, que se baseia na posição de que seres humanos nunca podem esperar entender o divino, é talvez a mais popular resposta ao problema do mal entre os filósofos da religião contemporâneos. Em 1936, Robert Redfield, Ralph Linton e Melville J. Herskovits forneceram a primeira definição amplamente utilizada de aculturação como esses fenômenos que resultam quando grupos de indivíduos com culturas diferentes entram em contato direto contínuo, com mudanças subsequentes nos padrões culturais originais de um ou ambos os grupos... sob esta definição, a aculturação deve ser distinguida da... assimilação, que às vezes é uma fase da aculturação. Muito antes de surgirem os esforços em prol da integração racial e cultural nos Estados Unidos, o processo comum era a assimilação. Em 1964, o livro de Milton Gordon, Assimilação na Vida Americana, delineou sete estágios do processo assimilativo, preparando o terreno para a literatura sobre o tema. Posteriormente, Young Yun Kim reiterou o trabalho de Gordon, mas argumentou que a adaptação intercultural é um processo de múltiplos estágios. A teoria de Kim focava na natureza unitária dos processos psicológicos e sociais e na interdependência recíproca funcional do ambiente pessoal. Embora tenha sido a primeira a fundir fatores micropsicológicos e macrossociais em uma teoria integrada, ela estava claramente centrada na assimilação, e não na integração racial ou étnica

Na abordagem de Kim, a assimilação é unilinear e o imigrante deve se conformar à cultura do grupo para ser “comunicativamente competente”. De acordo com Gudykunst e Kim (2003), o “processo de adaptação intercultural envolve uma interação contínua de desculturação e aculturação que provoca mudanças em estrangeiros na direção da assimilação, o mais alto grau de adaptação teoricamente concebível”. Esta visão tem sido fortemente criticada, uma vez que a definição de adaptação na ciência biológica se refere à mutação aleatória de novas formas de vida, não à convergência de uma monocultura (Kramer, 2003). Em oposição ao desenvolvimento adaptativo de Gudykunst e Kim, Eric M. Kramer desenvolveu sua teoria da fusão cultural, mantendo distinções conceituais claras entre assimilação, adaptação e integração. De acordo com Kramer, a assimilação envolve a conformidade a uma forma preexistente. A teoria da Fusão Cultural de Kramer, baseada na teoria dos sistemas e na hermenêutica, argumenta que é impossível para uma pessoa desaprender a si mesma e que, por definição, o “crescimento” não é um processo de soma zero que exige a desilusão de uma forma para que outra surja, mas sim um processo de aprendizagem de novas línguas e repertórios culturais: formas de pensar, cozinhar, brincar, trabalhar, cultuar, etc. Ou seja, na interpretação psicodinâmica de Kramer, não é necessário desaprender uma língua para aprender outra, nem desaprender quem se é para aprender novos padrões de dança, culinária, fala, etc. Kramer discorda de Gudykunst e Kim (2003), respectivamente, ao afirmarem que essa mistura de língua e cultura gera complexidade cognitiva, a capacidade de alternar entre repertórios culturais. Kramer afirma que aprender é expandir, não desaprender.             

Evil Does Not Exist (“Hepburn: Aku wa Sonzai Shinai”) tem como representação social um filme dramático japonês de 2023 escrito e dirigido por Ryusuke Hamaguchi. Com um elenco de atores não profissionais, o filme acompanha a relação social de “um pai solteiro que vive em uma vila afetada por um projeto imobiliário e as consequências que seu desenvolvimento trará para o meio ambiente local”. Nascido em 16 de dezembro de 1978, é cineasta e roteirista ex-aluno da Universidade de Tóquio e da Universidade Nacional de Belas Artes e Música de Tóquio, o qual ganhou reconhecimento internacional com o filme Happy Hour (2015), Asako I & II (2018) e Wheel of Fortune and Fantasy (2021), que estrearam nas competições de Locarno, Cannes e Berlim, respectivamente. Por Drive My Car (2021), Hamaguchi foi indicado ao 94º Oscar de Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado, o filme representou a primeira produção japonesa a ser indicada a Melhor Filme e ganhou o prêmio de Melhor Filme Internacional. Ele seguiu com Evil Does Not Exist (2023), que também recebeu ampla aclamação da crítica, e do mercado cinematográfico ganhando o Grande Prêmio do Júri em Veneza. Após se formar na Universidade de Tóquio, Hamaguchi trabalhou na indústria cultural de filmes comerciais por alguns anos antes de ingressar no programa de pós-graduação em cinema na Universidade de Artes de Tóquio, foi influenciado por Kiyoshi Kurosawa, diretor, roteirista, crítico e professor de cinema na Universidade de Artes de Tóquio. Por mais que ele tenha trabalhado em vários gêneros, é mais reconhecido pelas suas contribuições ao gênero terror japonês.

O filme começa com uma extensa paisagem de floresta invernal. O viúvo Takumi vive com sua filha de oito anos, Hana, na pacata vila montanhosa japonesa de Mizubiki. Ele corta lenha, fuma um cigarro, recolhe jarras de água do riacho da floresta e, ocasionalmente, ouve tiros, presumivelmente de caçadores de veados. Em uma reunião comunitária, os moradores são confrontados com uma proposta para a construção de um “acampamento de luxo” (glamping). Takahashi e Mayuzumi, dois representantes da construtora, apresentam o projeto. No entanto, os moradores expressam unanimemente sérias preocupações sobre as consequências que o empreendimento terá em seus frágeis sistemas de água e criticam as táticas de relações públicas dos representantes. Takumi e outros informam que a capacidade de tratamento do esgoto da fossa séptica não é suficiente para o empreendimento planejado e que o esgoto “irá contaminar o lençol freático proveniente de poços”. A empresa é acusada de se preocupar apenas com o lucro como um fim em si e de querer agir de “forma imprudente e rápida para se aproveitar dos subsídios temporários concedidos durante a pandemia.          

Takahashi e Mayuzumi mudam de atitude enquanto ouvem, mas depois de relatarem o resultado da reunião ao chefe, são rejeitados e instruídos a não mexerem no sistema séptico, mas sim a seduzir Takumi com presentes e contratá-lo como zelador do acampamento. A dupla volta para a vila enquanto conversa sobre suas experiências com encontros online e a desilusão com seus empregos. Eles cortam lenha e almoçam com Takumi. Takahashi decide ficar na vila para morar lá e aprender o que puder com Takumi. Durante a viagem, Takumi menciona que, embora cervos selvagens normalmente não sejam agressivos, um cervo atingido no abdômen ou seus pais podem atacar se não conseguirem fugir. Outro tiro é ouvido à distância. A filha de Takumi, Hana, desaparece e a comunidade da vila a procura noite adentro. Takumi e Takahashi se aventuram na floresta em busca dela e eventualmente chegam a um campo aberto. Hana é mostrada no campo se aproximando de uma corça e seu filhote, este último atingido por um tiro no abdômen. Antes que Takahashi possa correr até ela, Takumi o derruba no chão e o estrangula até que ele desmaie. Hana é vista deitada imóvel no campo com o nariz sangrando antes de Takumi pegá-la no colo e correr para a floresta. Takahashi acorda, tenta se levantar, mas cai novamente. O som de passos e respiração ofegante é ouvido fracamente sobre a imagem da floresta enquanto ela desaparece na escuridão.

Hamaguchi começou a trabalhar no filme em janeiro de 2023, com a intenção de que fosse um curta-metragem de 30 minutos acompanhado por uma trilha sonora ao vivo composta por Eiko Ishibashi, a produção acabou ficando mais longa à medida que as filmagens avançavam e Hamaguchi decidiu transformá-la em um longa-metragem com diálogos. Hamaguchi foi influenciado pela obra de Jean-Luc Godard, que havia falecido recentemente. Ele e Ishibashi se aproximaram por meio da “linguagem comum” que encontraram em Godard, cuja obra admiravam por suas qualidades musicais. Hamaguchi disse: “De certa forma, era uma dimensão que realmente nos propusemos a buscar. Eu estava pensando em como ele usava som e imagens juntos. Há também algumas referências visuais a alguns de seus trabalhos. Dito isso, felizmente ou infelizmente, acho que, no fim das contas, O Mal Não Existe é um filme muito diferente dos que Godard fez”. A tipografia nos créditos iniciais lembra a obra de Godard, uma decisão que Hamaguchi tomou no processo de edição. Metodologicamente a cidade fictícia do filme é uma composição de várias aldeias que Hamaguchi visitou durante um extenso período de pesquisa para reunir ideias para o roteiro. Ele atribui essa pesquisa à sua capacidade de escrever o roteiro rapidamente em cerca de uma semana. A produção durou de novembro de 2022 até “por volta do início de 2023”. O filme Evil Does Not Exist foi filmado nas regiões fronteiriças entre as prefeituras de Yamanashi e Nagano. O filme foi dirigido por Yoshio Kitagawa e teve a correção de cor realizada por Ryota Kobayashi. Kitagawa utilizou uma Blackmagic Pocket Cinema Camera 6K G2 com lentes Nikon mais antigas que introduziram alguma granulação que Kobayashi considerou agradável. As cenas foram iluminadas principalmente por luz natural, o que ajudou a simular a aparência desejada do filme Kodak Portra 400. 

A trilha sonora foi lançada em 28 de junho de 2024 pela Drag City. Foi mixada e masterizada pelo parceiro de Ishibashi, Jim O`Rourke, com formação musical que também toca guitarra na trilha sonora. Yamanashi é uma prefeitura do Japão localizada região na Chūbu na principal ilha de Honshu. A sua capital é Kōfu. A prefeitura de Yamanashi localiza-se próximo ao centro da ilha de Honshu, a principal do Japão, e faz divisa com Tóquio, Kanagawa, Saitama, Shizuoka e Nagano e tem uma extensão territorial de 4.463 km². Sua capital Kōfu localiza-se a cerca de 1h30 de Tóquio, utilizando a linha Chuo da JR (Japan Railway Company), partindo da Estação de “Kōfu” até à Estação de “Shinjū” em Tóquio. De carro, a viagem demora cerca de 2 horas pela Chuo Expressway. De ônibus, 2 horas e 10 minutos, utilizando a Chuo Highway Bus partindo da saída Oeste da Estação de Shinjuku. É cercada por montanhas com 2000 a 3000 metros de altitude. Aproximadamente 78% do seu território é coberto por florestas e áreas verdes, incluindo quatro parques nacionais, dentre eles, o Parque Nacional de Fuji Hakone Izu. Yamanashi tem uma base industrial sustentada em torno da cidade de Kōfu, a região tem muitas fazendas, caracterizando-se como uma prefeitura rural. Yamanashi tem uma razoável quantidade de indústrias nos arredores da cidade de Kōfu, destacando-se o manuseio de joias e a indústria robótica. Nas áreas vizinhas há várias propriedades rurais, destacando-se as plantações de uva. É um dos maiores produtores de frutas do país, sendo o principal produtor interno de uvas, cerejas, pêssegos, ameixas e vinho. É responsável também por cerca de 40% da produção nacional de água mineral engarrafada, sendo a maior parte proveniente das regiões próximas dos Alpes do Sul, Monte Fuji e Mitsutōge.

Em 1877, Masanari Takano e Tatsunori Tsuchiya que aprenderam o ofício e a arte da vinicultura na França, deram início à produção de vinhos na região de Katsunuma na cidade de Koshu. A Katsunuma, acomoda aproximadamente 80 vinícolas cuja produção corresponde a cerca de 30% da produção nacional. No Centro “Budo no oka”, em Katsunuma, há uma exposição permanente da história e documentos que registram a história da produção de vinhos na Prefeitura de Yamanashi. Os vinhos produzidos no Japão têm um sabor peculiar, que os diferencia de outros tipos de vinho. Estes vinhos combinam com pratos japoneses, o que não acontece com a maioria dos vinhos de outros países. Em 1834, um sacerdote xintoísta aprendeu as técnicas de fabricação de bolas de cristais em Kyoto, e trouxe a Yamanashi. Hoje, Kofu, a capital de Yamanashi, é reconhecida internacionalmente por suas técnicas de lapidação e polimento de pedras preciosas, assim como a manufatura de joias. Os artefatos produzidos com pedras semipreciosas e preciosas como cristais, ágata, jade, opala, dentre outros estão sendo amplamente exportados. O Museu de Pedras Preciosas (Houseki Hakubutsukan) que se localiza próximo à Estação JR de Kofu, é o orgulho da cidade. São artefatos feito em couro de veado, estampados com laca (resina de sumagre) que são produzidos exclusivamente em Yamanashi. No início da Era Edo, muitos acessórios feitos em couro eram importados da Índia. No final da Era Edo, porta-níqueis e porta-cigarros já eram produzidos com a técnica “inden”. Atualmente bolsas, carteiras, porta cartão-de-visitas são produzidas em Yamanashi de maneira tradicional, utilizando as técnicas centenárias tanto na produção como na laqueação dos produtos.

Um modo de produção pré-capitalista só pode ser definido por via das suas superestruturas políticas, jurídicas e ideológicas, uma vez que são estas que condicionam o tipo social de coerção extraeconômica que lhes é específico. As formas jurídicas exatas de dependência, de propriedade e de soberania que caracterizam uma formação social pré-capitalista, longe de serem apenas epifenômenos acessórios ou contingentes, constituem pelo contrário os índices principais do modo de produção determinado que nelas domina. Uma taxonomia escrupulosa e exata é um pressuposto para a elaboração de uma exaustiva tipologia dos modos de produção pré-capitalista. É evidente que a complexa imbricação de exploração econômica com instituições e ideologias extraeconômicas cria modos de produção possíveis antes do capitalismo do que pode deduzir-se da generalidade relativamente simples e massiva do próprio modo de produção capitalista, que acabou por ser, com a época do imperialismo industrial, o seu terminus ad quem comum e involuntário. Neste sentido, as condições e possibilidades de uma pluralidade de modos de produção pré-capitalistas posteriores ao tribalismo e ao escravagismo é inerente ao seu mecanismo de extração de excedentes. Não é por acaso, afirma Anderson (1984: 474), a uma profunda análise das formas de propriedade agrária em modos de produção na Europa, na Ásia e na América refere-se a mudança social no caráter e na posição de propriedade e as suas relações interligadas com os sistemas políticos, do tribalismo primitivo ao capitalismo. 

Como categoria analítica social e histórica, o feudalismo foi cunhado pelas Luzes. Mas não restam dúvidas que Montesquieu, dotado de um sentido histórico muito mais profundo, andava mais perto da verdade. A investigação moderna descobriu apenas uma grande região do mundo onde vingou inegavelmente um modo de produção comparável ao da Europa. No outro extremo da massa continental eurasiana, para além dos impérios orientais familiares ao Iluminismo, as ilhas do Japão haviam de revelar um panorama social vivamente evocador do passado medieval para os viajantes e observadores europeus do final do século XIX, depois que a chegada do comodoro Perry à baía de Yokoama, em 853, por fim ao seu longo isolamento do mundo exterior. Pouco mais de uma década passada, é o próprio Marx que comenta em O Capital, publicado ante da restauração Meiji: - “O Japão, com sua organização puramente feudal de propriedade fundiária, e a sua petite culture desenvolvida, dá-nos um retrato mais fiel da Idade Média europeia do que todos os nossos livros de história”. A opinião sociológica dos teóricos concorda quase que unanimemente em considerar que o Japão foi lugar histórico de um autêntico feudalismo. O interesse feudal do Extremo Oriente reside na análise comparativa desde a sua distinta combinação de similaridades estruturais e divergências relativamente à evolução em conjunto da sociedade europeia.

O feudalismo japonês, que surgiu como um modo de produção desenvolvido a partir do século XIX-XV e após um longo período de incubação, caracterizava-se essencialmente pela mesma conexão fundamental do feudalismo europeu: a fusão de vassalagem, benfeitoria e imunidade num sistema de feudo que constituía a estrutura político-jurídica de base que permitia a extração ao produtor direto de um sobre-trabalho. As relações sociais entre serviço militar, propriedade fundiária condicional e jurisdicional senhorial reproduziram-se fielmente no Japão. Igualmente perante a hierarquia escalonada entre senhor, vassalo e sub-vassalo, constituindo uma cadeia de suserania e dependência. A classe dirigente hereditária, era formada por uma aristocracia de cavaleiros; o campesinato encontrava-se juridicamente vinculado ao solo, numa réplica próxima da servidão da gleba. Naturalmente, o feudalismo japonês possuía também características próprias locais, que contrastavam com o feudalismo europeu. As condições técnicas da cultura do arroz ditavam uma estrutura diferente das aldeias, de que era ausente o sistema se assolamento trienal. Por sua vez, o domínio senhorial japonês raramente continha uma reserva ou residência. O pacto feudal era menos contratual e específico do que na Europa: os deveres do vassalo eram mais imperativos.

Dentro do peculiar equilíbrio entre honra e subordinação, reciprocidade e desigualdade, que marcava a ligação feudal, a variante japonesa pendia acentuadamente para o segundo termo. Embora a organização clânica estivesse ultrapassada, como em todas as verdadeiras formações sociais feudais, o expressivo “código” da relação senhor-vassalo era ditado pela linguagem de parentesco, mais do que por elementos da lei: a autoridade do senhor sobre o seu subalterno era mais patriarcal e indiscutível do que na Europa. Era-lhe estranho o conceito de felonia senhorial; não havia tribunais de vassalos; e o sistema jurídico manteve-se de uma maneira geral, muito limitado. A mais importante das consequências gerais do maior autoritarismo e do conteúdo assimétrico das relações hierárquicas entre os senhores no Japão foi a ausência de um sistema de cortes, quer a nível regional, que a nível nacional. É esta, sem dúvida, a mais importante linha divisória ente os feudalismos japonês e europeus, considerados enquanto estruturas fechadas. Na realidade, essa parcelarização da soberania atingiu no Japão Tokugawa uma forma mais organizada, estável e sistemática do que jamais conheceu qualquer país da Europa; e a propriedade privada escalonada da terra foi universal no Japão do que na Europa medieval, já que o Japão rural desconhecia os alódios. O paralelismo de base entre as duas grandes experiências, nos extremos opostos do continente eurasiano, havia de receber a confirmação mais convincente do destino de cada uma delas. Os caracteres históricos e sociais que compõem o nome Japão significam “Origem do Sol”, razão pela qual o Japão é muitas vezes identificado como a “Terra do Sol Nascente”. O nome japonês Nippon é usado de forma oficial tradicional, inclusive no dinheiro japonês, selos postais e para muitos eventos esportivos internacionais. Nihon é um termo percebido mais casual e mais frequentemente utilizados no discurso contemporâneo.

Tanto Nippon quanto Nihon, significam “origem do Sol” e muitas vezes são traduzidos como a “Terra do Sol Nascente”. Esta nomenclatura vem das missões do Império com a dinastia chinesa Sui e refere-se à posição a Leste do Japão em relação à China. Foi durante o século XVI que comerciantes e missionários portugueses chegaram ao Japão pela primeira vez, dando início a um intenso período de trocas linguísticas, culturais e comerciais. No Japão, os portugueses praticaram pari passu o comércio e a evangelização. Os missionários, principalmente os sacerdotes da Companhia de Jesus, levaram a cabo um intenso trabalho disciplinar de missão em cerca de 100 anos de presença portuguesa no Japão. Em 1582 a comunidade cristã no país chegou a ascender a 150 mil cristãos no Japão e 200 igrejas. Toyotomi Hideyoshi deu continuidade ao governo de Oda Nobunaga e unificou o país em 1590. Depois da morte de Hideyoshi, o regente Tokugawa Ieyasu aproveitou-se de sua posição para ganhar apoio político e militar. Quando a oposição deu início a uma guerra, ele a venceu em 1603 na Batalha de Sekigahara. Tokugawa fundou um novo xogunato, um sistema de governo predominante no Japão de 1192 a 1867, com capital em Edo e expulsou os portugueses e restantes estrangeiros, dando início à perseguição dos católicos no país, tidos como subversivos, com uma política reconhecida como sakoku, a política externa isolacionista japonesa. A perseguição aos cristãos japoneses fez parte desta política, levando esta comunidade à conversão forçada ou mesmo à morte, como é o caso dos 26 Mártires do Japão.

Neste período o Japão era uma sociedade feudal bem desenvolvida com tecnologia pré-industrial. Era mais povoado do que qualquer país ocidental e tinha no século XVI  26 milhões de habitantes. Um fato social ainda mais revelador, é que o Japão do fim do feudalismo reconheceu um nível de urbanização sem equivalente, exceto na Europa contemporânea: no princípio do século XVIII, a sua capital, Edo, era maior do que Londres ou Paris, e talvez um em cada dez japoneses vivia em cidades de mais de 10 mil habitantes. E há que notar também que o esforço educacional do país suportava bem a comparação com as mais desenvolvidas nações da Europa ocidental: no limiar da “abertura” japonesa ao Ocidente, cerca de 40% a 50% da população masculina adulta estava alfabetizada. O êxito e a rapidez impressionantes com que o capitalismo industrial foi implantado no Japão pela restauração Meiji tiveram os seus pressupostos históricos determinados no avanço ímpar da sociedade que foi herdeira do feudalismo de Tokugawa. Quando a esquadra da Perry aportou a Yokohama, em, 1853, o fosso histórico entre o Japão e as potências euro-americanas que o ameaçavam era, apesar de tudo, enorme. A agricultura japonesa encontrava-se notavelmente comercializada ao nível da distribuição, mas muito menos ao nível da própria produção. Os tributos feudais, coletados em espécie, contavam ainda para o total do sobre-produto, embora acabassem por ser convertidos em moeda: a produção agrícola direta para o mercado era subsidiária dentro da economia. sistema de governo predominante no Japão de 1192 a 1867, baseado na crescente autoridade do xógum, supremo líder militar, que terminaria por submeter até a autoridade do imperador. A retomada do poder imperial determinou o encerramento do feudalismo baseado no xogunato, a abertura do país ao exterior e o início de sua ocidentalização.

Em outras palavras, nada de comparável ao Renascimento tocar em terra japonesa. É lógico que a estrutura do Estado tivesse uma forma rígida e fragmentária. O Japão teve uma longa e rica experiência de feudalismo, mas nunca produziu um absolutismo no sentido conceitual. O shogunato Tokugawa, que governou as ilhas durante os últimos duzentos e cinquenta anos da sua existência, até a intrusão do ocidente industrializado, assegurou uma paz prolongada e manteve uma ordem disciplinar rigorosa: o seu regime era, porém, a negação do Estado absolutista. O shogunato não mantinha monopólios coercivos no Japão: os senhores regionais mantinham os seus próprios exércitos, cujo total era superior aos das tropas da casa Tokugawa. Não impunha uma legislação uniforme, os seus decretos cobriam apenas um quinto ou um quarto do território. Não possuía uma administração competente para o total da sua área de suserania: todos os feudos importantes tinham as suas próprias administrações separadas e autônomas. Não coletava impostos nacionais, estando três quartos do território fora do seu alcance fiscal. Não tinha diplomacia, pois o isolamento oficial e social impedia o estabelecimento de relações com o mundo exterior. Exército, fisco, administração, direito, diplomacia, comparados, faltavam no Japão todos esses complexos institucionais que são chave explicativa e processual do contexto do absolutismo europeu. A distância política neste aspecto histórico e social entre o Japão e o continente europeu as duas pátrias do feudalismo, manifestava e simbolizava a profunda divergência nas suas evoluções históricas. Torna-se necessária e instrutiva uma comparação teórica e histórica não da “natureza”, mas da “posição” do feudalismo nestas trajetórias sociais e políticas. 

O filme de formatura, de Ryusuke Hamaguchi, Passion, foi selecionado para a competição do Tokyo Filmex de 2008. Com Kō Sakai, ele fez um documentário em três partes sobre sobreviventes do terremoto e tsunami de Tōhoku de 2011, com Voices from the Waves sendo selecionado para a competição no Festival Internacional de Cinema Documentário de Yamagata de 2013, e Storytellers ganhando o Prêmio Sky Perfect IDEHA, também reconhecido como Prêmio IDEHA, é concedido no âmbito de festivais de cinema, notavelmente o Festival Internacional de Documentários de Yamagata (Yamagata International Documentary Film Festival), no Japão. O prêmio é patrocinado pela SKY Perfect JSAT Corporation, uma grande empresa japonesa de comunicações via satélite e televisão por assinatura, que está envolvida em várias iniciativas culturais e de negócios de mídia. Seu próximo filme, Happy Hour, foi desenvolvido inicialmente enquanto Hamaguchi era artista residente no KIITO Design and Creative Center Kobe em 2013. Surgiu de uma oficina de improvisação de atuação que ele ministrou para não profissionais, com muitos dos atores do filme tendo participado da oficina. As quatro atrizes principais dividiram o prêmio de melhor atriz e o filme recebeu uma menção especial por seu roteiro no Festival de Cinema de Locarno de 2015.

Hamaguchi também recebeu um prêmio especial do júri no Japan Movie Critic Awards de 2016, bem como um prêmio de melhor estreante na categoria de cinema do Geijutsu Sensho Awards da Agência de Assuntos Culturais naquele ano. Seu filme Asako I & II foi selecionado para competir pela Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes de 2018. Em 2021, Hamaguchi ganhou o Urso de Prata no Festival de Berlim com seu filme “Wheel of Fortune and Fantasy”. No mesmo ano, “Drive My Car” conquistou os prêmios de Melhor Filme do Círculo de Críticos de Cinema de Nova York, da Sociedade de Críticos de Cinema de Boston e da Associação de Críticos de Cinema de Los Angeles, além do prêmio de “Melhor Filme em Língua Não Inglesa” no Globo de Ouro. Hamaguchi foi indicado ao Oscar de Melhor Diretor por “Drive My Car”, tornando-se o terceiro diretor japonês a alcançar tal feito. Em 2023, seu filme Evil Does Not Exist recebeu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cinema de Veneza. No mesmo ano, ele lançou o filme Gift, que usa as mesmas filmagens de Evil Does Not Exist, embora com uma história social diferente e é acompanhado por uma trilha sonora ao vivo. O filme foi selecionado para competir pelo Leão de Ouro no 80º Festival Internacional de Cinema de Veneza, onde pari passu ganhou o Grande Prêmio do Júri e o Prêmio FIPRESCI da Federação Internacional de Críticos de Cinema. Foi premiado ipso facto como Melhor Filme no Festival de Cinema de Londres do BFI de 2023. O cinema de Londres refere-se principalmente ao BFI Southbank, o principal cinema de repertório do Reino Unido na margem Sul de Londres, e ao grande BFI London Film Festival (LFF), um evento anual em outubro que celebra o cinema mundial, organizados pelo British Film Institute (BFI).

Vale lembrar que o epicentro do terremoto e tsunami de Tōhoku de 2011, ocorreu a 130 km da costa Leste da península de Oshika, na região de Tohoku, com o hipocentro situado a uma profundidade de 24,4 km. O sismo atingiu o grau 7, a magnitude máxima da escala de intensidade sísmica da Agência Meteorológica do Japão, ao Norte da Prefeitura de Miyagi, grau 6 em outras prefeituras e 5 em Tóquio. O sismo provocou alertas de tsunâmi e evacuações na linha costeira japonesa do Pacífico e ao menos 20 países, incluindo a costa do Pacífico da América do Norte e América do Sul. Provocou também ondas de tsunâmi de mais de 10 m de altura, que atingiram o Japão e outros países. No Japão, as ondas percorreram mais de 10 km de terra. Para as autoridades, houve 19 759 mortes confirmadas e mais de 2 500 pessoas ainda desaparecidos. O sismo causou danos substanciais ao Japão, incluindo a destruição de rodovias e linhas ferroviárias, assim como incêndios em várias regiões, e o rompimento de uma barragem. Aproximadamente 4,4 milhões de habitantes no Nordeste do Japão ficaram sem energia elétrica, e 1,4 milhão sem água. Muitos geradores deixaram de funcionar e dois reatores nucleares foram danificados, o que levou à evacuação imediata das regiões atingidas enquanto um estado de emergência era estabelecido. A Central Nuclear de Fukushima I sofreu uma explosão 24 horas depois do primeiro sismo, e apesar do colapso da contenção de concreto da construção, a integridade do núcleo interno não teria sido comprometida. Terremotos ocorrem quase que diariamente no Japão, que se localiza na junção de várias placas tectônicas em constante movimentoː do Pacífico, norte-americana, eurasiática e das Filipinas. Estima-se que a magnitude do sismo de Sendai faça deste o maior sismo já registrado no Japão e um dos sete maiores do mundo desde que os registros modernos começaram a ser compilados. Hamaguchi se referiu a si mesmo como “puramente um cinéfilo” e “convencionalmente apaixonado por filmes de Hollywood” e influenciado pelas obras de John Cassavetes.           

John Nicholas Cassavetes (1929-1989) foi um cineasta e ator norte-americano. Ele começou como ator no cinema e na televisão antes de ajudar o pioneirismo do cinema independente americano moderno como roteirista e diretor, muitas vezes autofinanciando, produzindo e distribuindo seus próprios filmes. Ele recebeu indicações para três Oscars, dois BAFTA Awards, quatro Globos de Ouro e um Emmy Award. Após estudar na American Academy of Dramatic Arts, Cassavetes iniciou sua carreira na televisão atuando em diversos dramas de emissoras locais. De 1959 a 1960, interpretou o papel principal na série policial da NBC, Johnny Staccato. Atuou em filmes notáveis, como o filme noir de Martin Ritt, Edge of the City (1957), o filme de guerra de Robert Aldrich, The Dirty Dozen (1967), o filme clássico de terror de Roman Polanski, Rosemary`s Baby (1968), e o drama policial de Elaine May, Mikey and Nicky (1976). Por The Dirty Dozen, recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Como diretor, Cassavetes ficou reconhecido por uma série extraordinária de dramas independentes aclamados pela crítica, incluindo Sombras (1959), Faces (1968), Maridos (1970), Uma Mulher Sob Influência (1974), Noite de Estreia (1977) e Correntes de Amor (1984). Seus filmes empregavam uma abordagem centrada no ator, que priorizava as relações cruas entre os personagens e os “sentimentos sutis”, rejeitando a narrativa tradicional de Hollywood, o método de atuação e a estilização. Seus filmes ficaram associados a uma estética de improvisação e a um estilo de “cinema verdade”. Ele recebeu indicações ao Oscar de Melhor Roteiro Original (Faces) e Melhor Diretor (Uma Mulher Sob Influência). Foi dito que o cerne de seus filmes contém “angústia confusa [que] santifica”.

Bibliografia Geral Consultada.

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