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segunda-feira, 6 de maio de 2024

Bela e Rebelde – Personalidade, Música & Geração de Gianna Nannini.

                                            A música oferece às paixões o meio de obter prazer delas”. Friedrich Nietzsche

         A história da filosofia determina três momentos principais na elaboração da univocidade do ser. O primeiro é representado pelo Beato João Duns Scot ou Scotus (1266-1308), teólogo e filósofo escocês, no Opus Oxoniense, o maior livro de ontologia pura, onde o ser é pensado como unívoco, mas o ser unívoco é pensado como neutro, neuter, indiferente ao infinito e ao finito, ao singular e ao universal, ao criado e ao incriado. Não por acaso merece, pois, o nome de “doutor sutil”, porque seu olhar discerne o ser aquém do entrecruzamento do universal e do singular. Para neutralizar as forças da analogia do juízo, ele toma a dianteira e neutraliza antes de tudo o ser num conceito abstrato. Eis por que ele somente pensou o ser unívoco. Vê-se o inimigo que se esforça por evitar, em conformidade com as exigências do cristianismo: o panteísmo, em que ele cairia se o ser comum não fosse neutro. Todavia, ele soube definir dois tipos de distinção que reportavam à diferença este ser neutro indiferente. A distinção formal, é real, pois é fundada no ser, ou na coisa, mas não é necessariamente uma distinção numérica, porque se estabelece entre essências ou sentidos, entre “razões formais”, que podem deixar subsistir a unidade do sujeito a que são atribuídas.

Não só a univocidade do ser em relação à Deus e às criaturas se prolonga na univocidade dos “atributos”, mas, sob a condição de sua infinitude, Deus pode possuir esses atributos unívocos distintos sem nada perder de sua unidade. O outro tipo de “distinção”, a distinção modal, se estabelece entre o ser ou os atributos, por um lado, e, por outro, as variações intensivas de que são capazes. Essas variações, comparativamente como os graus do branco, são modalidades individuantes das quais o infinito e o finito constituem precisamente as intensidades singulares. Do ponto de vista de sua própria neutralidade, o ser unívoco não implica, pois, somente formas qualitativas ou atributos distintos, eles mesmos unívocos, mas se reporta e os reporta a fatos intensivos ou graus individuantes que variam seu modo sem modificar-lhe a essência enquanto ser. Se é verdade que a distinção em geral reporta o ser à diferença, a distinção formal e a distinção modal sãos os dois tipos sob os quais o ser unívoco, em si mesmo, por si mesmo, se reporta à diferença. É com Espinosa de origem judaico-portuguesa, que o ser unívoco deixa de ser neutralizado, tornando-se expressivo, tornando-se uma verdadeira proposição expressiva de condição afirmativa.

Todavia, subsiste ainda uma indiferença entre a substância e os modos: a substância espinosista aparece independente dos modos, e os modos dependem da substância, mas de outra coisa. Seria preciso que a substância fosse dita dos modos e somente dos modos. Tal condição só pode ser preenchida à custa de uma subversão categórica mais geral, segundo a qual o ser se diz do devir, a identidade se diz do diferente, o uno se diz do múltiplo e assim por diante. Que a identidade não é a primeira, que ela existe como princípio, que ela gira em torno do Diferente, tal é a natureza de uma revolução copernicana que abre à diferença a possibilidade de seu conceito próprio, em vez de mantê-la sob a dominação de um conceito geral já posto como idêntico. Com o eterno retorno, Nietzsche não queria dizer outra coisa. O eterno retorno não pode significar o retorno do Idêntico, pois ele supõe, ao contrário, um mundo (o da vontade de potência) em que toda as identidades prévias são abolidas e dissolvidas. Revir é o ser, mas somente o ser do devir. O eterno retorno não faz o mesmo retornar, mas o revir constitui o Mesmo que se torna. Revir é o devir-idêntico do devir. Revir é o ser disto que devém, revir é o ser do devir ele mesmo, o ser que se afirma do devir. 

Revir é, pois, a única identidade, mas a identidade como potência segunda, a identidade da diferença, o idêntico que se diz do diferente, que gira em torno do diferente. Tal identidade, produzida pela diferença, é determinada como repetição. Do mesmo modo a repetição do eterno retorno consiste em pensar o messo a partir do diferente. Mas esse pensamento já não é de modo algum uma representação teórica: ele opera praticamente uma seleção das diferenças segundo sua capacidade de produzir, isto é, de retornar ou de suportar a prova do eterno retorno. A roda do eterno retorno é, ao mesmo tempo, produção da repetição a partir da diferença e seleção da diferença a partir da repetição. Qual a importância da questão do sentido para Deleuze? O que pode ser construído, em filosofia, a partir dessa abordagem? É espantoso como Deleuze tende mais para Meinong do que para Frege, o que de imediato nos leva a consideração do sentido como entidade não existente, à tese capital do livro. No desenvolvimento teórico dos conceitos de sua filosofia, contida no livro: Lógica do Sentido, iremos compreender a afirmação natural de que a filosofia é uma disciplina que trata da criação/e invenção de conceitos. A tese filosófica de Gilles Deleuze, esquematicamente, isto é, explica a representação que o conceito remete ao acontecimento. Devemos distinguir e compreender como se dá esta passagem do livro Lógica do Sentido para o livro O que é a Filosofia? No primeiro, a questão do sentido está diretamente relacionada a proposição; mas no segundo, o sentido dá um passo mais adiante no entendimento remetendo ao conceito.

O rosto seduz de forma mais segura e ainda mais sutil do que as palavras e as coisas. O rosto é objeto de um trabalho pessoal, indispensável à conversação e ao comércio entre os homens. Jean-Jacques Courtine & Claudine Haroche, no livro História do Rosto (2016) lembram que manuais de retórica, obras de fisiognomonia, livros de civilidade e “artes da conversação” incansavelmente que povoam as obras do século XVI ao XVIII que o rosto está fundamentalmente situado no centro das chamadas “percepções de si, da sensibilidade ao outro, dos rituais da sociedade civil, das formas do político”. Trata-se de um privilégio antigo que reveste, porém, uma nova tonalidade a partir do início do século XVI desde Maquiavel. Todos esses textos dizem e repetem que “o rosto fala”. Ou, mais precisamente pelo rosto é o indivíduo que se exprime. Um laço se esboça e depois é traçado mais nitidamente entre sujeito, linguagem e rosto, um laço crucial para a elucidação da personalidade moderna. Isto é, historicamente, as percepções do rosto são lentamente deslocadas, as sensibilidades à expressão se desenvolvem progressivamente. É um dos traços essenciais do avanço do individualismo depreendido nas mentalidades. Um “individualismo dos costumes” que Philippe Ariès atribui a um processo geral de privatização. E que logo que vai transformar profundamente a identidade individual entre aqueles séculos, e transformar de maneira paradoxal as relações entre comportamento públicos e privados afirmar a preeminência do indivíduo e incitar à expressão pessoal.

O indivíduo é a expressão socialmente singular de representação do seu rosto. Mas que, dialeticamente, esse mesmo movimento que o incita a se exprimir leva-o ao mesmo tempo a se apagar, ao mascaramento de seu próprio rosto, a encobrir a repressão. Os ensaios de sociologia Norbert Elias (1897-1990) e de Max Weber (1864-1920) singularizam-se sob a denominação geral de “civilização dos costumes” e de “racionalização dos comportamentos práticos” que um e outro, respectivamente, pensaram esse processo metodologicamente, de afirmação individual e, mais ainda, de autocontrole, de repressão dos impulsos, de contenção. Elementos desses paradoxos de consequências não intencionais, estão no quadro de pensamento da sociedade cortesã e do desenvolvimento da civilização, para Elias, e daquilo que para Max Weber “equivale aos fatores religiosos na gênese de uma psicologia burguesa e capitalista”. Por outro lado, Michel Foucault (1926-1984), tendo como escopo a analítica do poder resgata a noção disciplinar destes séculos situando também que o desenvolvimento deste conjunto de práticas e saberes disciplinares, implica novas formas de “individualização”: transposição ao espaço político de uma forma de poder nascidas, não por acaso, nas instituições primus inter pares das condições sociais escolares cristãs. Poder penetrante sobre o corpo, os gestos, que penetram as almas com o objetivo de vigilância sobre a questão da intimidade

Enfim, o processo de concentração física de força pública se acompanhada de uma desmobilização da violência ordinária. A violência física só pode ser aplicada por um agrupamento especializado, especialmente mandatado para esse fim, claramente identificado no seio da sociedade pelo uniforme, portanto um agrupamento simbólico, centralizado e disciplinado. A noção de disciplina, sobre a qual Max Weber escreveu páginas magníficas, é capital: não se pode concentrar a força física sem, ao mesmo tempo, controla-la, do contrário é o desvio da violência física, e o desvio da violência física está para a violência física assim como o desvio de capitais está para a dimensão econômica: é o equivalente da concussão. A violência física pode ser concentrada num corpo formado para esse fim, claramente identificado em nome da sociedade pelo uniforme simbólico, especializado e disciplinado, isto é, capaz de obedecer como um só homem a uma ordem central que, em si mesma, não é geradora de nenhuma ordem. O conjunto das instituições mandatadas para garantir a ordem, a saber, as forças públicas e de justiça, são, portanto, separadas pouco a pouco do mundo social corrente. Essa concentração do capital físico se realiza em um duplo contexto. Para uns, o desenvolvimento do exército profissional está ligado à guerra, assim como o imposto; mas há também a guerra interior, a guerra civil, a arrecadação do imposto como uma espécie de guerra civil.

O esclarecimento exprime o movimento real da sociedade burguesa como um todo sob o aspecto da encarnação de sua Ideia em pessoas e instituições, assim também a verdade não significa meramente a consciência relacional, mas, do mesmo modo, a figura que esta assume na realidade efetiva. O medo que o bom filho da civilização moderna tem de afastar-se dos fatos – fatos esses que, no entanto, já estão pré-moldados como clichês na própria percepção pelas usanças dominantes na ciência, nos negócios e na política – é exatamente o mesmo medo do “desvio social”. Essas usanças também definem o conceito de clareza na linguagem e no pensamento a que a arte, a literatura e a filosofia devem se conformar. Ao tachar de compilação obscura e, de preferência, de alienígena o pensamento que se aplica negativamente aos fatos, bem como às formas de pensar dominantes, e ao colocar assim um tabu sobre ele, esse conceito mantém o espírito sob o domínio da mais profunda cegueira. É característico de uma situação sem saída que até mesmo o mais honesto dos reformadores, ao usar uma linguagem desgastada para recomendar a inovação, adota também o aparelho categorial inculcado e a má filosofia que se esconde por trás dele, e assim reforça o poder da ordem existente que ele gostaria de romper. A “falsa clareza”, a ilusão em relação à realidade em si é apenas uma outra expressão do mito. Este na história social e política da humanidade sempre foi obscuro e iluminante ao mesmo tempo. Suas credenciais tem sido desde sempre a familiaridade e o fato de dispensar o trabalho característico do conceito.

A aporia com que defrontamos em nosso trabalho cotidiano revela-se assim como o primeiro objeto a investigar: a autodestruição do esclarecimento. Não alimentamos dúvida nenhuma, afirmavam Adorno e Horkheimer (1985) – e nisso reside nossa petitio principi - de que a liberdade na sociedade é inseparável do pensamento esclarecido. Se o esclarecimento não acolhe dentro de si a reflexão sobre esse elemento regressivo, ele está selando seu próprio destino. Abandonado a seus inimigos e reflexão sobre o elemento destrutivo do progresso, o pensamento cegamente pragmatizado perde seu caráter superador e, por isso, também a sua relação social com a verdade. A disposição enigmática das massas educadas tecnologicamente a deixar dominar-se pelo fascínio de um despotismo, sua afinidade autodestrutiva com a paranoia racista, todo esse absurdo incompreendido manifesta socialmente fraqueza e a dúvida sobre o poder de compreensão do pensamento teórico, e portanto, abstrato no âmbito científico. A causa da recaída do esclarecimento não deve ser buscada tanto nas mitologias nacionalistas, pagãs e em outras mitologias modernas especificamente idealizadas em vista dessa recaída, mas no próprio esclarecimento paralisado pelo temor da verdade.

A naturalização dos homens não é dissociável do progresso social. O aumento da produtividade econômica, que por um lado produz as condições para um mundo mais justo, confere por outro lado ao aparelho técnico e aos grupos sociais que o controlam uma superioridade imensa sobre o resto da população. O indivíduo se vê completamente anulado em face dos poderes econômicos. Ao mesmo tempo, estes elevam o poder a sociedade sobre a natureza a um nível jamais imaginado. Desaparecendo diante do aparelho a que serve, o indivíduo se vê, ao mesmo tempo, melhor do que nunca provido por ele. Numa situação injusta, a impotência e a dirigibilidade da massa aumentam com a quantidade de bens a ela per se destinados. A elevação do padrão de vida das classes subalternas, materialmente considerável e socialmente lastimável, reflete-se da difusão hipócrita do espírito. Sua verdadeira aspiração é a negação da reificação. Mas ele necessariamente se esvai quando se vê concretizando em um bem cultural e distribuído paras fins de consumo. A enxurrada de informações precisas e diversões assépticas desperta e idiotiza as pessoas ao mesmo tempo. O que está em questão não é a cultura como valor. A questão é que o esclarecimento deve tomar consciência de si mesmo, se os homens não forem traídos. Não se trata da conservação/superação hegeliana do passado, mas de resgate-esperança. O passado se prolonga como sua própria destruição.

No trajeto social para a concepção de ciência moderna, os homens renunciaram ao sentido e substituíram o conceito pela fórmula, a causa pela regra e pela probabilidade. A causa representou apenas o último conceito filosófico que serviu de padrão para a crítica científica, porque ela era, por assim dizer, dentre todas as ideias antigas, o único conceito que a ela ainda se apresentava, derradeira secularização do princípio criador. Com as Ideias de Platão, finalmente, também os deuses patriarcais do Olimpo foram capturados pelo logos filosófico. O esclarecimento, porém, reconheceu as antigas potências no legado platônico e aristotélico da metafísica e instaurou um processo contra a pretensão de verdade dos universais, acusando-a de superstição. Na autoridade dos conceitos universais ele crê enxergar ainda o medo pelos demônios, cujas imagens eram o meio, de que serviam os homens, no ritual mágico, para tentar influenciar a natureza. Doravante, a matéria era dominada sem o recurso ilusório a forças soberanas ou imanentes, sem a ilusão de qualidades ocultas. O que não submete ao critério da calculabilidade e da utilidade de uso torna-se suspeito para o esclarecimento. Mas cada resistência cultural que ele encontra serve apenas para aumentar a sua força social. Isso se deve ao fato de que o esclarecimento ainda se reconhece a si mesmo nos próprios mitos. Quaisquer que sejam os mitos de que possam se valer a resistência, o simples fato social de que eles se tornam argumentos por uma tal oposição significa que eles adotam o princípio da racionalidade decerto corrosiva da qual acusam o esclarecimento. O esclarecimento é totalitário. Para ele, o elemento social e humano básico do mito foi o antropomorfismo, a projeção do subjetivo na natureza.

A cultura respeitável constituiu até o século dezenove um privilégio, cujo preço era o aumento do sofrimento dos incultos, no século vinte o espaço higiênico da fábrica teve por preço a fusão de todos os elementos da cultura num cadinho gigantesco. Talvez não fosse um preço tão alto, como acreditam alguns defensores da cultura, se a venda em liquidação da cultura não contribuísse para a conversão das conquistas econômicas em seu contrário. Nas condições atuais, os próprios bens da fortuna convertem-se em elementos de infortúnio. Enquanto no período passado a massa desse bens, na falta de um sujeito social, resultava na chamada superprodução, em meio às crises da economia interna, ela produz com a entronização dos grupos que  detém o poder no lugar desse sujeito social, a ameaça internacional do monopólio ligado aos grupos econômicos, com a entronização do grupos que detêm o poder no lugar desse sujeito social que procura tornar inteligível o entrelaçamento da racionalidade e da realidade social, bem como o entrelaçamento, inseparável do primeiro, da natureza e da dominação da natureza. No centro estão os conceitos de sacrifício e renúncia, nos quais revelam tanto a diferença quanto a unidade da natureza mítica e do domínio esclarecido da natureza. Ele mostra como a submissão que é natural ao sujeito autocrático culmina exato no domínio da natureza e objetividade cegas. Essa tendência, segundo Adorno e Horkheimer, aplaina as antinomias do pensamento liberal, em especial a do rigor moral e absoluta amoralidade.

O Estado se constitui em relação a um duplo contexto: de um lado, em relação a outros Estados atuais ou potenciais, isto é, os princípios concorrentes – precisam concentrar “capital de força física” para travar a guerra pela terra, pelos territórios; de outro lado, em relação a um contexto interno, a contrapoderes, isto é, príncipes concorrentes ou classes dominadas que resistem à arrecadação do imposto ou ao recrutamento de soldados. Esses dois fatores favorecem a criação de exércitos poderosos dentro dos quais se distinguem progressivamente forças propriamente militares e forças propriamente policiais destinadas à manutenção da ordem interna. Essa distinção exército/polícia, evidente hoje, tem uma genealogia extremamente lenta, as duas forças têm sido por muito tempo confundido. O desenvolvimento do imposto está ligado às despesas de guerra. O nascimento do imposto é simultâneo a uma acumulação de capital detido pelos profissionais da gestão burocrática e à cumulação de um imenso capital informacional. É o vínculo entre Estado e a sua relação poderosa e incontestável Estatística, posto que a necessidade férrea do Estado se associa ao nascimento e conhecimento racional da sociologia. A institucionalização do imposto é realmente o desfecho de uma “guerra interior travada pelos agentes do Estado contra as resistências dos sujeitos”. Os historiadores se perguntam, com razão, em que momento aparece o sentimento de pertencer a um determinado Estado, que não é necessariamente o que se chama na vida de patriotismo, o sentimento de ser um dos sujeitos do Estado.

A experiência de pertencimento a uma unidade [territorial] definida está muito fortemente ligada à experiência da tributação. Nós nos descobrimos como sujeitos descobrindo-nos como tributáveis, contribuintes. Há uma invenção extraordinária de medidas jurídico-policiais destinadas a fazer pagarem os maus pagadores, que são a ordem de prisão e a responsabilidade in solidum. Enfim, a metáfora de Norbert Elias dizendo que o Estado não passa de uma extorsão legítima é mais que uma metáfora. Tendo em vista que se trata de criar um corpo de agentes encarregados da coleta e capazes de operá-la sem desviá-la em proveito próprio. Era preciso que os agentes e os métodos de cobrança fossem facilmente identificados com a pessoa, a dignidade do poder, fosse legado da cidade, do senhor ou do soberano. Os meirinhos precisavam usar sua libré, ter autorização de portar seus emblemas, notificar suas ordens em nome dele. Precisavam ser percebidos como mandatários tendo a plena potentia agendi, e que essa delegação se manifestasse não só por uma ordem assinada como também por uma libré que expressasse a dignidade e, ao mesmo tempo, a legitimidade de sua função. Essa delegação, que é problemática – todo mandatário pode desviar os proveitos que pode tirar do poder que lhe foi delegado -, implica controle dos mandatários; de controladores dos cobradores de impostos. Para que os mandatários exerçam seu ofício sem ter de recorrer cada vez mais à violência física, mais a autoridade simbólica deles precisa ser reconhecida; faz referência tácita à ideia de que a cobrança econômica do imposto é legítima; a autoridade de quem mandata as pessoas exercendo essas extorsões políticas deve ser legítima, mesmo quando essas extorsões de fundos parecem ser de fato injusta.

Historicamente a ideia de acontecimento dá ao conceito um aspecto diferente daquele pensado por Aristóteles. Desta maneira, o pensamento filosófico contemporâneo de Gilles Deleuze procura indicar novas saídas para a filosofia. É neste sentido que nossa apreensão do mundo, dando-se através da superfície das coisas, nos faria apreender além das coisas e suas imagens, os acontecimentos que as envolvem. Deleuze quer tornar relevante a ideia praticada de que a linguagem e a superfície estão relacionadas. O que pensamos e falamos sobre as coisas passa pela superfície. O estatuto da ideia é superficial. A linguagem, somente atinge a significação quando se dá na superfície. A significação somente é possível pelo sentido que a envolve. O acontecimento sinaliza para o sentido como a proposição para a linguagem. O que deve ser esclarecido é que Deleuze particularmente aposta no conceito filosófico como incorporal. Há também um fascínio de consciência do autor da Lógica do Sentido pela obra de Lewis Carroll (1832-1898); diante desta, procura demonstrar que a obra lógica de Carroll difere de sua obra fantástica exatamente pelo tratamento dado ao sentido.  A obra de Lewis Carroll representa um jogo do sentido, do não senso, um caos-cosmos. O sentido é uma entidade não existente, ele com o “não-senso” tem relações particulares. Lewis Carroll promoveu encenações do paradoxo, o que se aproxima dos estoicos na constituição paradoxal com o sentido. “Alice e do outro lado do espelho” tratam dos acontecimentos, dos acontecimentos puros.

Simultaneidade do devir – maiores do que éramos e menores do que nos tornamos, na medida em que se furta o presente: o devir não suporta a cisão nem a diferença do antes (passado) e do depois (futuro). A essência do devir é “puxar” nos dois sentidos ao mesmo tempo. O bom senso é uma afirmação de um sentido determinável em todas as coisas – o paradoxo, que afirma os dois sentidos ao mesmo tempo. O puro devir é o ilimitado, matéria do simulacro, quando se furta a ação da ideia, quando contesta ao mesmo tempo o modelo e a cópia: as coisas medidas se acham nas ideias. O paradoxo desse puro devir quando é capaz de furtar-se ao presente é a identidade do infinito de dois sentidos simultâneos: a) Alice - contestação da identidade de pessoal, na aventura da perda do nome próprio, que é garantido por um saber; b) o “eu” pessoal tem necessidade de Deus e do mundo. Os substantivos e os adjetivos estão fundidos, paradas e repousos arrastados pelos verbos de puro devir, que desliza na linguagem dos acontecimentos, em que a identidade se perde para o eu, o mundo e Deus; c) o paradoxo destrói o bom senso como único sentido, destrói o senso comum como designação das identidades fixas.

Enfim, o estatuto do sentido, a partir da filosofia estoica, tem no exprimível, no “lekton”, seu ponto de partida. Os estoicos acreditavam que a prática da virtude era suficiente para alcançar a eudaimonia: uma vida bem vivida. Os estoicos identificaram o caminho para alcançá-lo com uma vida praticando as quatro virtudes na vida quotidiana: sabedoria, coragem, temperança ou moderação, e justiça, e vivendo de acordo com a natureza. Deleuze, na Lógica do Sentido, procura demonstrar os filósofos que tratam o sentido de modo direto, fazendo-o aparecer na fronteira entre as proposições e as coisas. Pela via dos “incorporais”, ele acredita que temos um novo modo de pensar a lógica, sobretudo pelo fato do princípio de “não contradição” não atingir os incorporais. Desde Aristóteles, compreendemos que este princípio fundamenta e garante a verdade das premissas. Consequentemente permite observar se, de premissas verdadeiras, seguem-se necessariamente conclusões verdadeiras: a prova da validade dos argumentos. Deleuze seguindo esta tradição também estabelece uma relação entre o sentido e o tempo, destacando o presente – que pertence aos corpos, o reino de Cronos -, e o tempo dos incorporais, denominado Aion, quer dizer, através da compreensão da linguagem, o substantivo e os verbos apareceriam relacionados as dimensões de apreensão do tempo.

O fundamento da ética estoica é que o bem reside no próprio estado da alma, na sabedoria e no autocontrole. É preciso, portanto, esforçar-se para estar livre das paixões. Para os estoicos, a razão significava usar a lógica e compreender os processos da natureza – o logos ou razão universal, inerente a todas as coisas. A palavra grega páthos era um termo abrangente que indicava uma imposição que alguém sofria. Os estoicos usaram a palavra para discutir muitas emoções comuns, como raiva, medo e alegria excessiva. Uma paixão é uma força perturbadora e enganadora na mente que ocorre devido a uma falha em raciocinar corretamente. Para o estoico Crisipo, as paixões são julgamentos avaliativos. Uma pessoa que experiencia tal emoção valorizou incorretamente uma coisa indiferente. Uma falha de julgamento, alguma falsa noção do bem ou do mal, está na raiz de cada paixão. O julgamento incorreto quanto a um bem presente dá origem ao deleite, enquanto que a luxúria é uma estimativa errada sobre o futuro. Imaginações irreais do mal causam angústia no presente ou medo no futuro. O estoico ideal, em vez disso, mediria as coisas pelo seu valor real, e veria que as paixões não são naturais. Estar livre das paixões é ter uma felicidade autossuficiente. Não haveria nada a temer: a irracionalidade é o único mal; não há motivo para raiva: outros não podem prejudicá-lo.

Gianna Nannini, nascida em Siena, em 14 de junho de 1954 é uma cantora e compositora italiana de rock. É irmã mais velha do ex-piloto de Fórmula 1 Alessandro Nannini. Estudou piano em Lucca e composição em Milão. O seu primeiro sucesso ocorreu em 1979, com o single America e o álbum California que representou um sucesso em vários países europeus. O auge da carreira foi alcançado em 1984, com a publicação do sexto álbum Puzzle. Este álbum atingiu o top 10 na Itália, Alemanha, Áustria e Suíça. Ela cantou para o videoclipe Fotoromanza, realizado por Michelangelo Antonioni, venceu vários prêmios e iniciou uma tournée pela Europa, incluindo uma participação no Festival de Jazz de Montreux. Em 1986, o seu sucesso Bello e Impossible representou a consagração de um sucesso e venceu vários prêmios em Itália, Alemanha, Áustria e Suíça. A sua compilação Maschi e Altri do ponto de vista merceológico vendeu mais de um milhão de cópias. Foi o nono álbum gravado de Gianna Nannini. Foi seu primeiro álbum de compilação e foi lançado em 1987 na América do Sul, Coreia do Sul, Israel, África do Sul e Austrália. Neste trabalho empreendedor Gianna destaca alguns de seus singles de maior sucesso, incluindo “Profumo”, que liderou as paradas gregas, “I Maschi” que estreou no World Popular Song Festival em Tóquio e “Avventura”, que se tornou popular quando a Philips o utilizou para um comercial publicitário de baterias metalalcalinas.  

Giana Nannini não fez turnê para promover o álbum, mas participou de um show no Schauspielhaus em Hamburgo em 1º de maio de 1987, onde cantou uma seleção de músicas de Bertoldt Brecht (1898-1956) e Kurt Weill (1900-1950) ao lado de Sting e Jack Bruce. O álbum foi um sucesso comercial, tornando-se seu primeiro álbum a vender mais de um milhão de cópias somente no velho mundo europeu. A cinebiografia Bela e Rebelde (2024) pretende retratar a vida intimista de Gianna Nannini, nome (cf. Ginzburg, 1979; 1986; 1989) responsável por “uma das vozes mais incisivas e renomadas da música contemporânea”. O longa-metragem infere obras e passagens por um período de 30 anos da vida da cantora, começando pela infância e seguindo até o início da carreira, passando por um momento decisivo que dividiu a carreira da Gianna em duas partes. O filme quer demonstrar a questão tópica de “formação da personalidade” e como Gianna foi capaz de formar emoções através da música e da sua poesia. Em 1990 ela cantou Um`estate italiana, a canção oficial da Copa do Mundo FIFA de 1990, com Edoardo Bennato. Do ponto de vista da formação humanista Gianna Nannini licenciou-se no curso de graduação em Filosofia junto a Università degli Studi Di Siena em 1994, em Siena, Toscana que tem como representação socialmente uma das mais antigas universidades públicas da Itália. Quer dizer, originalmente chamada de Studium Senese, a Universidade de Siena foi fundada em 1240. Além disso, a universidade tem cerca de 20 mil estudantes, em torno de metade da população de Siena.

A Universidade de Siena é também reconhecida por suas Escolas de Direito e Medicina. O evento foi sediado na Itália, tendo partidas de futebol realizadas nas cidades de Milão, Roma, Nápoles, Turim, Bari, Verona, Florença, Cagliari, Bolonha, Údine, Palermo e Gênova. A Itália foi o segundo país a sediar a competição por duas vezes, sendo o primeiro o México, quatro anos antes. Além da anfitriã Itália e da então campeã mundial de 1986, a seleção Argentina, se classificaram para o torneio a Alemanha Ocidental, que viria a se sagrar campeã dessa edição, Bélgica, Inglaterra, Escócia, Áustria, Suécia, Iugoslávia, Espanha, Países Baixos, União Soviética, Tchecoslováquia, Irlanda, Romênia, Camarões, Egito, Emirados Árabes, Coreia do Sul, Uruguai, Colômbia, Brasil, Costa Rica e Estados Unidos da América (EUA). Grandes estrelas do futebol mundial desfilaram pelos gramados italianos, como Gary Lineker, Paul Gascoigne, David Platt e Ian Wright da Inglaterra, Ronald Koeman, Frank Rijkaard, Marco Van Basten e Ruud Gullit da Holanda e Bodo Illgner, Andreas Brehme, Lothar Matthäus, Rudi Völler e Jürgen Klinsmann da Alemanha, Diego Maradona e Claudio Caniggia da Argentina, e outros.

A Copa do Mundo de 1990 entrou para a história social como uma Copa de “equipes defensivas”, que jogavam para alcançar o resultado - a média de gols, de apenas 2,21, registrou “um recorde negativo que perdura até hoje”. Essa situação levou à mudança de regras, mais notadamente a regra do recuo de bola, e à adoção de três pontos por vitória. Apesar disso, também foi uma Copa de grandes goleadas, como EUA 1-5 Tchecoslováquia e Alemanha 5-1 Emirados Árabes Unidos, e de grandes surpresas, como a vitória de Camarões sobre a Argentina logo na 1ª rodada do Mundial. A final da Copa do Mundo FIFA de 1990 foi disputada pela Argentina, que havia eliminado a Itália, a Iugoslávia e o Brasil; e a Alemanha Ocidental, que havia eliminado a Inglaterra, a Tchecoslováquia e os Países Baixos. A partida foi realizada em 8 de julho às 20h, no Estádio Olímpico de Roma, com um público de 73 603 pessoas. Sob o apito do árbitro mexicano Edgardo Codesal, Andreas Brehme converteu uma penalidade aos 40 minutos do segundo tempo, trazendo o terceiro título da Alemanha Ocidental em Copas do Mundo.

Curiosamente foi a última copa disputada pelas talentosas seleções da União Soviética e Tchecoslováquia. No ano seguinte – mutatis mutandis - Gianna Nannini participou num protesto do Greenpeace junto à embaixada francesa contra a decisão do governo de prosseguir com as experiências nucleares no Atol de Moruroa. Em 2004, publicou uma compilação com os seus sucessos, mas as suas canções foram regravadas na ocasião. O compact disc Perle contém um número de antigos êxitos com novos arranjos. Em fevereiro de 2006, foi publicado o álbum Grazie que alcançou o número 1 no top italiano com o single Sei nell`anima. Durante o verão de 2006, Nannini fez uma digressão por toda a Itália. O single IO uma das faixas daquele compact disk foi enorme sucesso. Em setembro de 2006, gravou em dueto com Andrea Bocelli “Ama Credi e Vai” foi gravado como cd-single. Nannini participou também num álbum de Alexander Hacke (um membro da banda Einstürzende Neubauten), Sanctuary na faixa Per Sempre Butterfly. Em 2007, gravou “Pia come la canto Io”, uma colecção de canções cantadas em estilo ópera pop que seria interpretado em 2008. Este trabalho levou 11 anos a ser concebido e baseou-se na personagem medieval toscana Pia de` Tolomei, mencionada em Dante. Este álbum foi produzido por Wil Malone que também produzira Grazie.

Historicamente Pia de' Tolomei era uma nobre italiana de Siena identificada como “la Pia”, uma personagem secundária da Divina Comédia, de Dante, que foi assassinada pelo marido. Sua breve presença no poema inspirou muitas obras de arte, música, literatura e cinema. Sua personagem na Divina Comédia é reconhecida por sua compaixão e atende a um programa maior entre as personagens de seu canto, bem como as personagens femininas de todo o poema. De acordo com uma tradição registrada pelos primeiros comentaristas da Divina Comédia, a Pia de` Tolomei é identificada como “la Pia” no Canto V do Purgatório. Neste canto, Dante e Virgílio encontram almas que se arrependeram no momento de suas mortes violentas e agora residem na segunda divisão do Ante-Purgatório, que fica na base da montanha do Purgatório.  O conto de La Pia segue as histórias violentas de Buonconte da Montefeltro (1250-1289) e Jacopo del Cassero (1260-1298), onde ela diz: - “Por favor, lembre-se de mim, que sou La Pia. Siena me fez, em Maremma eu fui destruído. Ele sabe como, aquele que, para casar comigo, deu primeiro o anel que segurava a sua pedra”. Pia conta a Dante que veio de Siena e dá a entender que seu marido a matou em Maremma. Ela pede a Dante que se lembre dela nas orações quando ele retornar à Terra, porque as orações podem encurtar seu tempo no Purgatório, já que ela sabe que ninguém mais na Terra orará por ela. La Pia enfatiza a importância da oração de Dante como forma imperativa de lembrar.

A oração é uma atividade conjunta de retorno a Deus que fortalece os vínculos humanos, que foi comparado a uma cidade; argumenta-se que a cidade de Siena é vista como uma cidade purgatorial onde sua população está em jornada para a salvação.  Siena é ainda vista como um lugar onde os laços humanos são formados, enquanto Maremma é onde os laços são quebrados. A simetria calma de Pia no versículo 134 (que se traduz como “Siena me fez, me desfez Maremma”), a coloca em um plano de compreensão mais elevado do que seus dois antecessores. Esta linha também ecoa o epitáfio de Virgílio (“Mântua me deu à luz, a Calábria me tirou”) que destaca a natureza cíclica da vida de Pia, ao mesmo tempo em que enfatiza a brevidade de sua vida na Terra. Além disso, a notável capacidade de perdão de Pia é demonstrada na substituição do marido por Maremma como sujeito gramatical do seu assassinato. Esta compaixão justapõe a alusão à sua morte violenta, concluindo o canto com um sentimento de absolvição. Além disso, em sua última linha, Pia relembra seu casamento pela gema de sua aliança de casamento, que é gemma em italiano, possivelmente referindo-se à esposa de Dante, Gemma Di Manetto Donati.

Isto postula a noção esperançosa de que Gemma pode perdoar Dante por deixá-la devido ao seu exílio político de Florença. Esta absolvição abrangente contribui para a compaixão abrangente que caracteriza este canto. Apesar da aparente fragilidade de Pia, tem sido argumentado que ela é vitoriosa sobre o marido através do amor, perdoando-o. A história de Pia ecoa a do ladrão penitente que, na crença cristã, foi crucificado com Cristo. Ele se arrepende e faz um pedido igualmente modesto a Cristo para ser lembrado por ele no Céu, adquirindo assim a salvação eterna após sua morte violenta. No contexto do Canto V, as narrativas das três almas encontradas são estruturadas de forma semelhante: começam com captatio benevolentiae, todavia seguida da lembrança da Terra e pedido de orações, depois explicam as circunstâncias de sua morte e, por fim, contam Dante sobre sua morte violenta. Foi notado que as mortes das almas neste canto são todas transmitidas pela desunião visual da alma e do corpo; no caso de Pia, isso é demonstrado pelo corpo “desfeito”. Argumentou-se que tem um tema transitório de várias maneiras: os relatos das almas destacam a transição fluida entre a morte corporal e a vida espiritual e exploram a identidade temporal no corpo corpóreo no momento da morte.

Pode ainda ser construída uma transição entre a natureza delicada do corpo e o ego corporal, mais especificamente a partir de uma perspectiva de género, à medida que a narrativa avança do egoísmo masculino para a humildade feminina. Ao contrário de seus antecessores, Pia troca o pronome de primeira pessoa por um de terceira pessoa, inserindo o artigo definido feminino antes de seu nome; Pia se desprende de seu ser terreno porque entende seu corpo corpóreo como objeto temporal. Além disso, todos os personagens deste canto são sujeitos do gerúndio, exceto la Pia, que opera como objeto no último verso, onde, em vez disso, seu marido é o sujeito, demonstrando Pia como objeto de “construções masculinas”. Além disso, todas as três almas neste canto morrem nas fronteiras da terra e da água; Pia morre no pântano, retornando assim à Mãe Terra. Pia nos desloca de Siena para Maremma, contrastando a respectiva cidade e pântano. A imagem final do pântano atua como o mar materno que, em última análise, absorve todos os egos, pois a volatilidade da água pode ser interpretada como a volatilidade inerente aos humanos. Além disso, Maremma evoca o mar (mare), os mares (maria), bem como a Virgem mãe (Maria, madre, mamma), cimentando assim a sua natureza materna.

Portanto, argumenta-se que la Pia tem a maior compreensão das três almas neste canto sobre o retorno final de todos os seres físicos, linguísticos e racionais através da água para a Mãe Terra e, portanto, para a vida espiritual após a morte. O relato de Pia também se destaca de seus dois antecessores: ao tom intenso de Jacopo é seguido pelo turbulento de Buonconte, terminando no tom de lamento de Pia, formando uma espécie de sonata. Sua narrativa também é singularmente inespecífica, mas ainda faz uma acusação, embora menos hostil. Seu modesto pedido de oração também é único, pois ela primeiro deseja que Dante descanse depois que ele retornar à Terra antes de pedir sua oração, e ela também não pede a Dante para contar sua história na Terra, ao contrário da maioria das almas em Purgatório. Jacopo e Buonconte confessam seus pecados, mas Pia não o faz, deixando desconhecida a causa de seu estado no Purgatório. Foi sugerido que Pia ainda insiste na traição de seu marido, e é por isso que ela ainda está no Purgatório. Além disso, a morte de Pia é o resultado de um relacionamento pessoal diferente de seus antecessores, cujas narrativas giram em torno de circunstâncias políticas. Em última análise, argumenta-se que o discurso piedoso de Pia conclui humilde um canto gráfico. Pia junta-se a Francesca da Rimini e Piccarda Donati como “vítima de violência doméstica” cujo encontro com Dante é caracterizado pela representação da compaixão.

Comparações foram feitas entre la Pia e Francesca, já que contam cortesmente a Dante sobre suas mortes violentas cometidas por seus maridos. Tem sido argumentado que Francesca, no entanto, sofre porque a sua morte pôs fim ao seu caso, não por causa do seu estado condenado, o que é demonstrado pela sua longa narração do seu primeiro encontro com o seu amante. Por outro lado, o relato etnográfico de la Pia demonstra a questão da punição, quer dizer, o erro de Francesca ao não se voltar para Deus; O arrependimento de Pia a libertou do casamento que lhe rendeu a salvação, privilégio que Francesca não tem. Todas as três narrações são, portanto, argumentadas para demonstrar graus de compreensão do amor no curso para Deus.  As visões ortodoxas consideram Pia uma vítima virtuosa morta pelas mãos de seu marido malicioso, uma mulher sedutora que levou seu marido ao limite ou uma mulher assassinada por seu marido por um delito específico. Essas opiniões concluem que a narrativa gentil de la Pia recupera um senso de propriedade após os relatos gráficos de seus dois antecessores. No entanto, as opiniões revisionistas afirmam que contribuem para uma compreensão sentimentalizada de Pia e argumentam que o relato de Pia é poderoso na compreensão espiritual a que ela chegou, através da qual ela contrasta a sua curta vida na Terra com a ligação imortal entre a sua alma e Deus. Esta visão  afirma que seu relato enfatiza a importância das orações para que as almas do Purgatório ascendam e que seu nome está relacionado à piedade, o que reforça sua compreensão espiritual da graça divina.

Bibliografia Geral Consultada.

CHAUÍ, Marilena, Repressão Sexual - Essa Nossa (Des) conhecida. 10ª edição. São Paulo: Editora Brasiliense, 1987; MANNHEIM, Karl, “El Problema de las Generaciones”. In: Revista Española de Investigaciones Sociológicas, n° 62, pp. 193-242; 1993; ELIAS, Norbert, A Sociedade dos Indivíduos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1994; GIDDENS, Anthony, A Transformação da Intimidade: Sexualidade, Amor e Erotismo nas Sociedades Modernas. 2ª edição. São Paulo: Editora Unesp, 2003; CROMBERG, Renata Udle, O Amor que Ousa Dizer seu Nome: Sabina Spielrein - Pioneira da Psicanálise. Tese de Doutorado. Instituto de Psicologia. Departamento de Psicologia Social e do Trabalho. São Paulo: Universidade do Trabalho, 2008; GOFFMAN, Erving, Estigma. Notas sobre a Manipulação da Identidade Deteriorada. 4ª edição. Rio de Janeiro: Editor Livros Técnicos e Científico, 2008; CANEVACCI, Massimo, Antropologia da Comunicação Visual. 1ª edição. São Paulo: Editora Brasiliense, 2009; DELEUZE, Gilles, O anti-Édipo: Capitalismo e Esquizofrenia. 2ª edição. São Paulo: Editora 34, 2010; STHEPAN, Cassiana Lopes, Michel Foucault e Pierre Hadot: Um Diálogo Contemporâneo sobre a Concepção Estóica de Si Mesmo. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Filosofia. Setor de Ciências Humanas. Curitiba: Universidade Federal do Paraná, 2015; COURTINE, Jean-Jacques; HAROCHE, Claudine, História do Rosto. Exprimir e Calar as Emoções (Do século 16 ao começo do século 19). Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 2016; MIRANDA, Rafael Tadeu, Diálogos com a Cultura Pop: Possibilidades de Relação entre a Cena e o Universo Jovem. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas. Escola de Comunicações e Artes. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2018; BUSSOTTI, Luca, “A Representação da Diversidade na Mídia e na Indústria Cultural Italiana”. In: Estudos Contemporâneos em Jornalismo. Org. Juarez Ferraz de Maia, Rosana Maria Ribeiro Borges, Salvio Juliano Peixoto Farias. – Goiânia: Centro Editorial Gráfico; Universidade Federal de Goiás, 2021; ADORNO, Theodor, Indústria Cultural e Sociedade. Rio de Janeiro: Editora Paz & Terra, 2021; Artigo: “Prefeitura do Rio Homenageia Personalidades Femininas no Prêmio Nise da Silveira 2024”. In: https://prefeitura.rio/politicas-promocao-mulher/07/03/2024; entre outros. 

sábado, 7 de novembro de 2020

Gambito da Rainha - Rosto, Jogo de Xadrez & Ritos de Passagem.

                                                                                                                                                       Ubiracy de Souza Braga

Os ritos são no tempo o mesmo que o domicílio é no espaço”. Antoine de Saint-Exupéry

            Anya também interpretou a personagem Sandie Collins no filme de suspense psicológico Última Noite em Soho (2021). Foi aclamada por “atriz do momento”, e fez a minissérie mais vista da Netflix, The Queen`s Gambit (2020), que lhe rendeu na dramaturgia cinematográfica sua primeira vitória no Globo de Ouro. É uma minissérie de drama e amadurecimento norte-americana de 2020 baseada no romance homônimo de Walter Tevis, de 1983. A minissérie foi criada por Scott Frank e Allan Scott. Começando em meados da década de 1950 e prosseguindo até a década de 1960, a história segue a vida de uma órfã prodígio do xadrez em sua ascensão ao topo do mundo do xadrez enquanto lutava com problemas emocionais, problemas com drogas e dependência de álcool. Escólio: Depois de quatro semanas, ela se tornou a minissérie com script mais assistida. Segundo um levantamento estatístico realizado pelo JustWatch, foi a série mais assistida em 2020, ao comparar com as outras plataformas de streaming. Foi aclamado pela crítica pela atuação de Anya Taylor-Joy como Beth Harmon, bem como pelos valores de cinema e produção. Também recebeu uma resposta positiva da comunidade de xadrez e afirma-se que aumentou o interesse do público pelo jogo. The Queen`s Gambit recebeu 18 indicações no 73º Primetime Emmy Awards, incluindo Melhor Série Limitada.

A série ganhou dois Prêmios Globo de Ouro: Melhor Minissérie ou Telefilme e Melhor Atriz em Minissérie ou Telefilme por Taylor-Joy. Ela também ganhou o Critics ´Choice Television Award de Melhor Atriz em Filme/Minissérie e o Screen Actors Guild Award de Melhor Atriz em Minissérie ou Telefilme. A história social começa em Lexington, Kentucky, onde Beth, de nove anos, depois de perder a mãe em um acidente de carro, é levada para um orfanato onde aprende xadrez com o zelador do prédio, Sr. Shaibel. Como era comum durante a década de 1950, o orfanato distribuía pílulas tranquilizantes diárias para as meninas para “equilibrar sua disposição”, o que se transformava em um vício para Beth. Ela rapidamente se torna uma forte jogadora de xadrez devido às suas habilidades de visualização, que são aprimoradas pelos tranquilizantes. Alguns anos depois, Beth é adotada por Alma Wheatley e seu marido de Lexington.  Ao se ajustar à sua nova casa, Beth entra em um torneio de xadrez e vence-o, apesar de “não ter experiência anterior em xadrez competitivo”. Ela faz amizade com várias pessoas, incluindo o ex-campeão estadual de Kentucky, Harry Beltik, o campeão nacional dos Estados Unidos da América, Benny Watts, e o jornalista e colega jogador, D.L. Townes. À medida que Beth chega ao topo do mundo do xadrez e colhe os benefícios financeiros de seu sucesso, sua dependência de drogas e álcool vai se aprofundando.

O título da série refere-se a uma abertura de xadrez de mesmo nome. A história começa em meados da década de 1950 e prossegue até a década de 1960. Do ponto de vista técnico-metodológico em 19 de março de 2019, a Netflix deu à produção um pedido de série que consistia em seis episódios. A série foi dirigida por Scott Frank, que também escreveu com Allan Scott. Os dois também são produtores executivos ao lado de William Horberg. Scott estava envolvido nas tentativas de colocar o livro na tela desde 1992, quando comprou os direitos do roteiro da viúva de Walter Tevis. A série foi lançada em 23 de outubro de 2020, com sete episódios em vez da ordem original de seis episódios. O ex-Campeão Mundial de Xadrez, Garry Kasparov, e o treinador de xadrez, Bruce Pandolfini, atuaram como consultores. Pandolfini havia consultado Tevis antes da publicação do livro cerca de 38 anos antes, chegando ao título “The Queen's Gambit”. Pandolfini, junto com os consultores, John Paul Atkinson e Iepe Rubingh, planejou várias centenas de posições de xadrez para serem usadas em várias situações nas cenas. Kasparov desenvolveu momentos críticos na história, como quando um jogo real de 1998 entre os grandes mestres Arshak Petrosian e Vladimir Akopian foi aprimorado para demonstrar a habilidade de Beth, ou um jogo de 1993 entre Vasyl Ivanchuk e Patrick Wolff tornou-se o protótipo do jogo decisivo no último episódio.

                                

    Xadrez é simultaneamente considerado um esporte, uma técnica, uma arte e uma  ciência. É classificado como um jogo de tabuleiro de natureza competitiva para dois jogadores. A forma atual do jogo surgiu no sudoeste da Europa na segunda metade do século XV, durante a efervescência do Renascimento, após ser desenvolvido através de antigas origens persas e indianas. O Xadrez pertence à mesma família do Xiangqi e do Shogi. Segundo historiadores do enxadrismo todos eles se originaram do Chaturanga, que se praticava na Índia no século VI. No jogo de xadrez existe uma cultura de classificação ideal-típica weberiana, de forma a oferecer um recurso analítico do tipo puro (abstrato) com o objetivo de criar tipologias puras, destituídas de caráter avaliativo, a saber: o xadrez ocidental, o xadrez turco, xadrez chinês (Xiangqi) xadrez árabe (Xatranje), xadrez coreano (Janggi), xadrez japonês (Shogi), xadrez indiano (Chaturaji), xadrez tailandês (Makruk), xadrez indonésio e xadrez etíope (Senterej). Há muitas semelhanças entre tais jogos, com os membros compartilhando uma raiz comum. No xadrez gambito representa um sacrifício de peão para obter vantagens estratégicas. Ela advem originalmente do italiano gambetto, rasteira, passa-pé, historicamente incorporada à cultura do xadrez depois de ser usada em atividades menos intelectuais.

         São encontradas características da arte e ciência nas composições enxadrísticas e em sua concepção de teoria. Na terminologia enxadrística, os jogadores de xadrez são reconhecidos como enxadristas. O xadrez, por ser um jogo que se articula em seu modus operandi a estratégia e tática, não envolve sorte como elemento. A única exceção é o sorteio das cores inicialmente no jogo, já que as pedras brancas sempre fazem o primeiro movimento e teriam em tese uma singular vantagem estratégica de visibilidade do movimento e raciocínio nos passos iniciais do jogo. Esse fenômeno é demonstrado por um grande número de dados estatísticos e comentado por inúmeros enxadristas profissionais. A Península Ibérica é uma região situada geograficamente no sudoeste da Europa. É dividida na sua maior parte por Portugal e Espanha; também pelo principado de Andorra, Gibraltar, e pequenas frações do território de soberania imperialista francesa ocidentais e norte dos Pirenéus, até ao local onde o istmo está situado. Na passagem do primeiro milênio da nossa era, o jogo já estava difundido por toda a Europa, chegando a Península Ibérica no século X, sendo citado no manuscrito do século XIII, o Libro de los juegos, que discorria sobre o Xatranje, entre outros jogos.

Em todas as sociedades determinados momentos na vida de seus membros são  marcados positivamente por cerimônias especiais, reconhecidas como ritos de iniciação ou ritos de passagem (cf. Gennep, 2011). Mais do que representarem uma transição particular para o indivíduo, essas cerimônias representava igualmente a sua progressiva aceitação e participação na sociedade dentro da qual estava inserido, tendo, tanto o cunho individual quanto o coletivo. As estruturas intelectuais entre o nascimento e o período de 12 anos a 15 anos surgem lentamente, mas de acordo com os estágios do desenvolvimento, é extremamente regular e comparável aos estágios de uma embriogênese. Seu tempo e espaço, no entanto, pode variar de um a outro indivíduo e também de um a outro meio social em que algumas crianças avançam rapidamente e outras lentamente. Todas essas cerimônias, no entanto, marcavam pontos de desprendimento. A convivência com algumas pessoas devia ser deixada e novas pessoas passavam a constituir o grupo de relacionamento direto. Muitas vezes, a cada uma dessas cerimônias, a pessoa trocava de nome, representando que aquela identidade não mais existia - ela era uma nova pessoa. Nas sociedades contemporâneas, muitos ritos de passagem subsistiram outros, tornaram-se esvaziados do conteúdo simbólico. A troca linguística do símbolo representada pura e simplesmente pela ostentação, acaba criando em sociologia chama-se desestruturação do padrão social.

O carisma, como força criadora, lembrava Max Weber (cf. Bolda, 2020), passa a segundo plano ante o domínio, que se consolida em instituições duradouras, e só se torna eficiente nas emoções de massa de curta vida, de feitos incalculáveis, como nas eleições e ocasiões semelhantes. Não obstante, continua sendo um elemento muito importante da estrutura social, embora decerto num sentido muito modificado. Desejam ver essas posições transformadas de relações de poder apenas de fato em um cosmo de direitos adquiridos, e saber que, assim estão santificadas. Esses interesses constituem o motivo mais forte para a observação dos elementos de uma natureza objetificada dentro de uma estrutura do domínio. O carisma autêntico opõe-se de forma absoluta a essa forma objetivada. Não apela para uma ordem imposta ou tradicional, nem baseia suas pretensões nos direitos adquiridos. O carisma autêntico baseia-se na legitimação do heroísmo pessoal ou da revelação pessoal. Não obstante, precisamente essa qualidade do carisma como poder extraordinário, supranatural, divino, o transforma, depois de sua rotinização, numa fonte adequada para a aquisição legítima de poder soberano pelos sucessores do herói carismático. O carisma rotinizado continua a funcionar em favor de todos aqueles cujo poder e posse são garantidos pela força soberana, e que dependem, portanto, da existência sempre continuada de tal poder. 

O avanço sempre crescente da disciplina processa-se irresistivelmente com a racionalização do atendimento das necessidades econômicas e políticas. Esse fenômeno universal restringe cada vez mais a importância do carisma e da conduta perfectível e diferenciada individualmente.  William Camp é um ator norte-americano inicialmente ativo no teatro, mas assumiu papéis simultaneamente de personagem no cinema e na televisão. Em 2002, ele deixou a atuação e mudou temporariamente de profissão (como cozinheiro e mecânico), apenas para retornar dois anos depois em Tony Kushner`s Homebody / Kabul, pelo qual ganhou um Off-Broadway Theatre Awards. Camp foi criado em Massachusetts e é filho de Patricia L., uma bibliotecária, e de Peter B. Camp, que era um diretor assistente na Groton School. Ele frequentou a Universidade de Vermont , onde jogou hóquei interno. Ele se casou com a atriz Elizabeth Marvel em 4 de setembro de 2004. Eles têm um filho. Ele se tornou reconhecido por interpretar papéis coadjuvantes em filmes como Lincoln (2012), 12 Years a Slave (2013), Love and Mercy (2015), Loving (2016), Molly`s Game (2017), Vice (2018), Wildlife ( 2018) e Joker (2019), bem como a minissérie da HBO The Night Of  (2016). Ele foi indicado ao prêmio Tony por seu papel no revival da peça The Crucible em 2016 na Broadway e The Outsider em 2020, e a minissérie da Netflix The Queen`s Gambit em 2020.  A Netflix é uma provedora global de filmes e séries de televisão via streaming sediada em Los Gatos, Califórnia, Estados Unidos e que atualmente possui mais de 160 milhões de assinantes.

Fundada em 1997 a empresa surgiu originalmente como prestação de serviços de entrega de DVD pelo correio. Reconhecida simplesmente como Disney, é uma companhia multinacional estadunidense de mídia de massa sediada no Walt Disney Studios, em Burbank, Califórnia. A expansão do streaming, disponível nos Estados Unidos a partir de 2007, começou pelo Canadá em 2010. Hoje, mais de 190 países têm acesso à plataforma. Sua primeira websérie original de sucesso foi House of Cards, lançada em 2013. A empresa produz centenas de horas de programação original em diferentes países do mundo, querendo aprimorar-se nas aplicações e em novas programações. Os planos foram apresentados no Mobile World Congress em Barcelona, Espanha. Em setembro de 2016 a empresa anunciou que planeja ter 50% do catálogo composto de produções originais. A Netflix confirmou sua preferência por filmes e websérie exclusivas, contrapondo grandes sucessos do cinema, que podem ser vistos em outras plataformas. Para se diferenciar, a empresa planeja investir 5 bilhões de dólares na produção ou aquisição de conteúdo original, segundo informa a Reuters. Dentre as séries originais, destacam-se Stranger Things, Narcos, dentre outras. Em maio de 2018, a Netflix - um serviço de trransmissão online - ultrapassou a The Walt Disney Company e se tornou a empresa de entretenimento com maior valor de mercado do mundo dos negócios em torno de 153 bilhões de dólares. A minissérie começou a tomar forma em 2018, mas já faz quase 30 anos que o produtor executivo e co-criador Allan Scott adquiriu os direitos da produção.

Sua ideia original era fazer um filme. Ele chegou a trabalhar com cerca de cinco diretores, Heath Ledger foi o último. Além de dirigir, a estrela australiana também iria atuar no longa-metragem ao lado de Ellen Page, escalada como protagonista, mas faleceu em 2008 durante a produção. Isso fez com que Allan Scott e o outro produtor executivo, William Horberg, deixassem o filme de lado provisoriamente por um tempo. Foi Horberg que retomou os trabalhos após se apaixonar pela direção de Scott Frank em Godless. – “Escrevi uma carta de fã mesmo porque realmente amei a série e o formato dela”. Os três então passaram a conversar sobre o projeto e perceberam que o formato ideal para contar a história de Beth com todos os recursos que ela merecia seria uma minissérie. Depois não foi muito difícil convencer a Netflix a embarcar junto na comercialização.

Além disso, mutatis mutandis - em termos simplificados lembramos que a sincronicidade representa  uma experiência em que ocorrerem dois ou mais eventos que coincidem de uma maneira que seja significativa para a pessoa (ou pessoas) que vivenciaram essa “coincidência significativa”, e além disso, onde esse significado sugere um padrão subjacente, uma sincronia. O termo foi utilizado pela primeira vez em publicações científicas em 1929, porém Carl Jung demorou ainda mais 21 anos para concluir a obra: Sincronicidade: Um Princípio de Conexões Acausais (1991), onde expõe e propõe o início da discussão temática sobre o assunto. Uma de suas últimas obras resultou da elaboração mais demorada devido à complexidade do tema e da impossibilidade de reprodução dos eventos em ambiente controlado. Do ponto de vista conceitual difere da coincidência, pois não implica somente na aleatoriedade das circunstâncias de tempo e espaço, mas num padrão subjacente ou dinâmico que é expresso através de eventos ou relações significativos. Na sincronicidade, os eventos não têm relação causal e sim, uma relação de significado. A sincronicidade não tem nada a ver com a serendipidade; são dois fenômenos diferentes igualmente importantes.

Foi este princípio, que segundo Carl Jung sentiu abrangido por seus conceitos de arquétipo e inconsciente coletivo, justamente o que uniu de forma interdisciplinar o  médico psiquiatra Jung ao físico Wolfgang Pauli, dando início às pesquisas em Física e Psicologia. Ocorre que a sincronicidade se manifesta às vezes atemporalmente e/ou em eventos energéticos acausais, e em ambos os casos são violados princípios associados em conformidade ao paradigma científico vigente. As leis naturais são verdades estatísticas, absolutamente válidas ante magnitudes macrofísicas, mas não microfísicas. Isto implica um princípio de explicação diferente do causal. Cabe a indagação se em termos muito gerais existem não somente uma possibilidade senão uma realidade de acontecimentos acausais. A acausalidade é suportável somente quando parece impensável a relação de causalidade. Ante a casualidade só resulta viável a avaliação numérica ou a utilização do método estatístico. As agrupações ou séries de casualidades hão de ser consideradas casuais enquanto de seu ponto de vista não se ultrapasse os limites dentro da. “observação da probabilidade”. Isto é, se ultrapassado, implica-se um princípio acausal ou “conexão transversal de sentido” na compreensão do evento.            

            A prática do xadrez na União Soviética foi apoiada pelo governo comunista e a manutenção da supremacia soviética de campeões mundiais um assunto político de Estado. O jogo foi tratado como metáfora para os confrontos do comunismo e o capitalismo no contexto da guerra fria. Durante sua existência, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) patrocinou vários eventos de gênero neste âmbito de nível nacional e internacional, tais como campeonatos mundiais masculinos, femininos, Torneio de Candidatos e torneios internacionais de alto nível como o Torneio de xadrez de Moscou de 1925, o Torneio de xadrez de Moscou de 1935 e o Torneio de xadrez de Moscou de 1936. No século XX, após a segunda guerra mundial, todos os campeões mundiais, tanto no campeonato masculino quanto no feminino (até 1991), foram de origem soviética ou russa, com a exceção Bobby Fischer em 1972 e Anand em 2000. O regime soviético incentivava o esporte, fundado o que ficou conhecida como escola soviética no xadrez, que preparou grandes mestres do mais alto nível como Mikhail Botvinnik, Vassily Smyslov, Tigran Petrosian, Mikhail Tal, Boris Spassky, Anatoly Karpov, Garry Kasparov, Paul Keres, David Bronstein, Efim Geller e Victor Korchnoi.

            Alexander Ilyin-Genevsky foi o primeiro bolchevique a incentivar o xadrez como uma atividade útil aos revolucionários, tendo conseguido organizar o primeiro campeonato soviético de xadrez na década de 1920 com um suporte financeiro do Estado de cem mil rublos, o primeiro patrocínio estatal para o jogo. Genevsky iniciou também uma coluna de xadrez em um jornal e abriu um clube de xadrez financiado pelo Estado. Entretanto foi Nikolai Krylenko quem efetivamente transformou o xadrez em um instrumento estatal. Fiel aliado de Vladimir Illich Lenin, Krylenko foi comissário de guerra e presidente da primeira federação soviética de xadrez. Sob seu comando foi organizado o Torneio de xadrez de Moscou de 1925 e foi fundada a revista 64 do qual era Editor. Krylenko também recusou a participação da União Soviética na fundação da FIDE, que acontecera em 1924 na França. O Estado então patrocinou outras competições internacionais na capital Moscou (1935) e Moscou (1936) que qualificaram Mikhail Botvinnik como principal jogador e um possível desafiante ao título mundial. 

            Beth começa como uma menina de orfanato sem estilo definido e aos poucos vai ficando mais e mais glamorosa ao mesmo tempo em que transita por personas diversas tentando se encontrar. – “Talvez por ela ser uma mulher no mundo dos homens sem modelos femininos para se inspirar, ela acaba pegando os exemplos que estão ao seu redor. Beth está sempre mudando, mas a sua consciência como mulher participa desse movimento. - Ela tenta parecer legal, mas sempre parece perder o ponto, comenta a figurinista Gabriele Binder, responsável pelo visual da personagem. Ela própria fez uma parte das roupas, enquanto outras vieram das melhores lojas de fantasias da Europa. Daniel Parker cuidou da maquiagem e do cabelo de época, elementos fundamentais nessa evolução constante da personagem. O tom do cabelo de Beth no livro é castanho e foi Daniel quem sugeriu de colocá-la ruiva na minissérie – o diretor, que já estava com isso em mente, aprovou na hora. – “Eu amei a ideia de que, não importa onde Beth esteja, mesmo que ela tente desesperadamente se encaixar, ela irá se destacar como um polegar dolorido. Eu queria que o público pudesse vê-la imediatamente”. Após o término do confronto enxadrista, decerto polarizado pela guerra fria, os jogadores soviéticos começaram a se destacar em competições e venceram uma série de match pela via do rádio contra a equipe dos Estados Unidos da América e Reino Unido. 

Botvinnik venceu o Campeonato Mundial de Xadrez de 1948, competição organizada pela FIDE com os principais jogadores Samuel Reshevsky, Max Euwe, Paul Keres e Vasily Smyslov, dando início a uma era de domínio soviético de campeões mundiais que continuou com Smyslov, Mikhail Tal, Tigran Petrosian e Boris Spassky. O título mundial feminino, que havia ficado vago com a morte de Vera Menchik durante a guerra, também foi dominado pelos soviéticos, conquistado por Lyudmila Rudenko, Elisaveta Bykova, Olga Rubtsova, Nona Gaprindashvili e Maia Chiburdanidze. No Mundial de xadrez de 1972, Spassky perdeu o título mundial para o norte-americano Bobby Fischer e os soviéticos rapidamente se articularam para tentar recuperar a coroa. Dois dos mais fortes jogadores, Anatoly Karpov e Viktor Korchnoi, eram candidatos a receber o apoio do governo além do próprio Spassky. O governo decidiu apoiar Karpov por ser mais novo e estar em ascensão. Devido às pressões políticas que já vinha sofrendo, Korchnoi então desertou do país após participar de um torneio em Amsterdã, deixando mulher e filho para trás. Ele acabou se tornando o principal adversário soviético nos anos seguintes e o desafiante ao título nos mundiais de 1978 e 1981, além de crítico do regime comunista. Após Fischer não defender o título no Mundial de 1975, Karpov foi declarado campeão por ter vencido Korchnoi na final do Torneio de Candidatos de 1974. No ciclo seguinte, Korchnoi venceu o chamado torneio de candidatos, tendo a complexa coincidência factual de ter enfrentado três soviéticos, disputou o Mundial de Xadrez de 1978 como apátrida. Os jogadores fizeram uma série de acusações mútuas e por fim Karpov manteve o título. Campeonato Mundial de Xadrez é uma competição que determina o campeão mundial do esporte. Homens e mulheres são elegíveis a disputar este título.

 Existe também um evento apenas para mulheres, com o título Campeonato Mundial Feminino de Xadrez, e competições para juniores, juvenis, seniores para mais de 50 anos e computadores. Algumas mulheres jogaram as competições do campeonato mundial absoluto, como Maia Chiburdanidze, Susan Polgar e Judit Polgar. A que obteve mais sucesso foi a húngara Judit Polgar, que chegou nas quartas de finais do campeonato mundial de 1999 e na final do campeonato de 2005. O primeiro campeonato mundial ocorreu em 1886, quando os dois principais enxadristas de seu tempo, Wilhelm Steinitz e Johannes Zukertort, enfrentaram-se. No período de 1886 a 1946, o campeonato não era organizado por uma entidade ainda, o campeão escolhia o adversário e organizava o desafio. De 1948 a 1993, a organização do campeonato foi feita pela FIDE, a Federação Internacional de xadrez. Em 1993, o campeão Garry Kasparov rompeu com a FIDE e criou a PCA, dando início a um campeonato paralelo. Esta situação durou até 2006, quando o título foi novamente reunificado. Ainda em 2006, as duas entidades de xadrez foram unificadas. Para saber quem seria o novo campeão, a FIDE promoveu um match entre o campeão da FIDE (Veselin Topalov) e o da PCA (Vladimir Kramnik), com Kramnik consagrando-se campeão. No ano de 2007, Viswanathan Anand venceu Kramnik. Em novembro de 2013, Anand perdeu o título para o jovem Norueguês Sven Magnus Øen Carlsen, o primeiro do ranking, com um rating Elo em torno de 2870. É um mestre de xadrez norueguês, campeão mundial de xadrez clássico desde 2013, foi campeão mundial de xadrez rápido em 2014, 2015, 2019 e campeão mundial de xadrez blitz nos anos de 2009, 2014, 2017, 2018 e 2019.

O Dia Internacional do Enxadrismo é comemorado anualmente dia 19 de novembro, data de nascimento de José Raúl Capablanca y Graupera (1888-1942), que possuía um excepcional conhecimento em grandes finais de jogo e rápido raciocínio, considerado um dos maiores enxadristas de todos os tempos. O único cubano a consagrar-se campeão mundial. A partida de xadrez é disputada em um tabuleiro de casas claras e escuras. Cada enxadrista controla dezesseis peças com diferentes formatos e características culturais de sua origem. O objetivo político da partida é dar xeque-mate no rei adversário. Teóricos do enxadrismo desenvolveram estratégias para se atingir este objetivo. As competições enxadrísticas oficiais tiveram início ainda no século XIX, sendo Wilhelm Steinitz considerado o primeiro campeão mundial de xadrez. Existe também o campeonato internacional por equipes realizado a cada dois anos, a Olimpíada de Xadrez. Desde o início do século XX, duas organizações competitivas de caráter mundial de globalização do esporte, a Federação Internacional de Xadrez e a Federação Internacional de Xadrez Postal vêm organizando eventos que congregam a seleção dos melhores enxadristas do mundo. O atual campeão do mundo é o norueguês Magnus Carlsen e a mulher campeã mundial (2018) é a chinesa Ju Wenjun. O enxadrismo foi reconhecido como esporte pelo Comitê Olímpico Internacional, recentemente, em 2001, tendo sua olimpíada e campeonatos mundiais em todas as suas categorias.        

Cada jogador inicia a partida com 16 peças. O rei é a peça principal do jogo e se move para todos os lados de uma em uma casa. A dama movimenta-se em todas as direções (coluna, fila ou diagonal) sendo uma peça muito poderosa pelo seu raio de ação. O seu raio de ação diminui à medida que existam peças nas casas em que ela ataque. Na posição inicial, por exemplo, a dama possui o seu caminho bloqueado por suas próprias peças. Quando o rei está ameaçado por qualquer peça adversária, diz-se que ele está em xeque. Nesta situação, deve-se dizer ao adversário a palavra xeque. Para o jogador escapar do xeque basta movimentar o rei para uma casa que não esteja sendo atacada pela dama branca. O xeque-mate tem como representação o término da uma partida. A palavra xeque-mate tem sua origem na palavra árabe xāyh māka, derivada do persa xāh māt, que tem como significado: “o rei está morto”. Se o rei estiver em xeque e não existirem casas para o rei ocupar que não estejam ameaçadas, então “o rei está em xeque-mate”. Quando o rei não está em xeque e as casas que o cercam estão ameaçadas, “a partida está empatada”, pois o rei está afogado. A torre movimenta-se em colunas e filas. Uma torre é poderosa quando situada no centro do tabuleiro pode atacar 14 casas. 

            O bispo move-se pelas diagonais. Cada jogador começa a partida com um par de bispos, um que percorre as casas pretas e outro pelas casas brancas. O bispo no centro do tabuleiro ataca um total de 13 casas. O cavalo possui um movimento particular bastante diferente das demais peças. Para simplificar, digamos que o cavalo pula em L: duas casas na horizontal ou vertical, como uma torre, e depois uma casa acima ou abaixo (se foi movido na horizontal), ou à direita ou à esquerda (se foi movido na vertical). O cavalo é a única peça que “salta sobre as outras”. Se o cavalo sair de uma casa branca irá parar em uma casa preta e vice-versa. O peão só anda para frente de casa em casa. Quando está na posição inicial, ele pode avançar duas casas. Os peões não capturam as peças em seu movimento no tabuleiro como as demais. A captura é feita em diagonal. Quando o peão atravessar o tabuleiro e chegar à última casa do outro lado do tabuleiro deve obrigatoriamente ser trocado por “outra peça que pode ser uma dama, torre, bispo ou cavalo, independente do jogador ter perdido ou não estas peças”. No xadrez, a palavra peça tem três significados, dependendo do contexto. Pode significar qualquer peça física do conjunto, incluindo peões. Quando usada neste sentido, peça é sinônimo para peça de xadrez. 

Durante a partida, o termo normalmente é utilizado excluindo os peões, isto é, referindo-se apenas a dama, torre, bispo, cavalo ou rei. Neste contexto, as peças podem ser divididas em três grupos: peça maior (dama e torre), peça menor (bispo e cavalo) e o rei. Em frases como: “ganha uma peça”, “perde uma peça” ou “sacrifica uma peça”, refere-se somente ao bispo e cavalo. A dama, torre e o peão são especificados pelo nome nestes casos, como: “perde a torre” ou “sacrifica um peão”. O contexto deve fazer a intenção do significado clara. No âmbito da história comparada o desenvolvimento e forma das peças de xadrez estimulou a imaginação de artistas, artesãos e desenhistas em todos os países e culturas, do qual a sociedade criou peças que refletiam o espírito e cultura do ambiente. A grande maioria dos conjuntos de peças abstratas, porém mesmo estas singularidades têm qualidade artística. Alguns trabalhos de artes representam conjuntos modernos desenhos de conjuntos de peças de xadrez, tais como o conjunto modernista criado pelo entusiasta do xadrez e dadaísta Man Ray (1890-1976), nascido Emanuel Radnitzky, foi um dos nomes mais importantes do movimento da década de 1920, responsável por inovações artísticas na fotografia. Muda-se na infância para Nova Iorque. Estudante de arquitetura, engenharia e artes plásticas, inicia-se na pintura ainda jovem. Em 1915 conhece o pintor francês Marcel Duchamp, com quem funda “o grupo dadá nova-iorquino”. Em 1921 contata com o movimento surrealista em particular na pintura. Trabalha como fotógrafo para financiar a pintura e, com a nova atividade, desenvolve a sua arte, a raiografia, ou fotograma, criando imagens abstratas (obtidas sem o auxílio da câmara) mas com a exposição à luz de objetos previamente dispersos sobre o papel fotográfico. Como cineasta, produz filmes surrealistas, como L`Étoile de Mer (1928), com o auxílio de uma técnica chamada “solarização”, pela qual inverte parcialmente os tons da fotografia.

Peças de xadrez para o jogo são usualmente as figuras mais altas do que largas.  Por exemplo, o modelo do Rei no padrão Staunton, conjunto de oficial de peças a ser utilizada em competições da Federação Internacional de Xadrez (FIDE), fundada em 20 de julho de 1924, Paris. Tendo Alexander Rueb como um de seus fundadores sendo eleito o seu primeiro presidente (1924-1949), presidida por Kirsan Ilyumzhinov, desde 1995 até 2018 quando passou a ser o seu presidente Arkady Dvorkovich. No xadrez utiliza-se um sistema etnográfico para anotar as jogadas na partida chamada do ponto de vista técnico-metodológico Notação Algébrica. Os princípios da notação algébrica respectivamente são: a) Cada casa é identificada por uma letra e um número (e4); b) Um movimento é o desenho da peça que será movimentada e a casa para onde se moverá em seu destino (¥h7 significa bispo para h7); c) Se o movimento é uma captura, insere-se um x depois da peça; d) Se duas peças do mesmo tipo podem ir para uma casa, insere-se uma coordenada de partida (¤fe2, ¦8d7); e) Para movimento de peão, escreve-se a casa para onde o peão vai (c4); f) Se o movimento for uma captura, procede-se como na regra anterior, mas acrescenta-se a coluna de partida (cxd4); g) Se o movimento envolver uma promoção, a figura da peça promovida vai no final (gxf8£); h) Os movimentos são numerados em pares com as peças brancas movendo por primeiro; i) Outros símbolos: - é xeque; - é xeque-mate; 0-0 é roque pequeno; 0-0-0 é roque longo; j) Pontuação pode ser adicionada depois do lance da seguinte forma: ! lance bom; !? lance interessante; !! lance muito bom; ? erro; ?? erro grave; k) Uma partida pode terminar em 1-0 (vitória das brancas), ½-½ (empate), ou 0-1 (vitória das pretas).   

Ju Wenjun nascida em Xangai, 31 de janeiro de 1991 é uma jogadora de xadrez chinesa. Ao defender seu título em 2018, ela se consagrou bicampeã do mundo da modalidade. Ela obteve varias participações nas Olimpíadas de Xadrez defendendo seu país. Wenjun participou da edição de Dresden 2008, Khanty-Mansiaky 2010, Istambul 2012 e Tromsø 2014 tendo ajudado a equipe chinesa a conquistar três medalhas de prata em 2010, 2012 e 2014. Individualmente, seus melhores resultados foram medalha de prata em 2010 e uma de bronze em 2014. Participou também do Campeonato Mundial Feminino de Xadrez de 2004 na qual foi eliminada na segunda rodada por Elisabeth Pähtz, do Campeonato Mundial Feminino de Xadrez de 2006 na qual foi eliminada nas oitavas de final por Maia Chiburdanidze, do Campeonato Mundial Feminino de Xadrez de 2008 na qual foi eliminada na segunda rodada por Antoaneta Stefanova, do Campeonato Mundial Feminino de Xadrez de 2010 na qual foi eliminada nas quartas de final por Humpy Koneru, do Campeonato Mundial Feminino de Xadrez de 2012 na qual foi eliminada na semifinal por Anna Ushenina e do Campeonato Mundial Feminino de Xadrez de 2015 na qual foi eliminada na segunda rodada por Natalia Pogonina.

A série da Netflix O Gambito da Rainha (2020),  para descrever a vida genial da enxadrista Beth Harmon, uma garota fictícia criado pelo escritor norte-americano Walter Tevis em seu romance. A empresa teve imaginação sociológica para atrair o público, com um recorte especial pela escolha do elenco da minissérie homônima, já que o enredo não cumpriria o trabalho num primeiro momento. Ao colocar Anya Taylor-Joy no papel principal, a empresa garantiu que os fãs da atriz ao menos ficassem curiosos pela produção, mesmo que não tivessem que compreender nada de xadrez. O Gambito da Rainha demonstra, sem dúvida alguma, uma das melhores atuações na carreira da jovem atriz Anya Taylor-Joy. O Gambito da Rainha acompanha a vida de Beth Harmon desde a conturbada infância até o estrelato e carreira internacional de enxadrista. De uma atuação impecável, Johnston incorpora a teimosa de poucas palavras Beth Harmon. Sua aparição é essencial para introduzir o espectador na história social, além de contextualizar problemas individuais que a protagonista terá que lidar com as consequências mais tarde. O vício adquirido de ingerir calmantes disponibilizados pelo orfanato, questões com a sexualidade e o início de uma paixão que se tornará um enorme talento: o xadrez. Ipso facto, queremos dizer com isso que há sinais indiciaristas no sentido da cinebiografia de  Stone Tevis, um escritor e contista hispano-americano. 

            O grande responsável por apresentar o jogo para a órfã é justamente o zelador do local Shaibel, um senhor disciplinado e inteligente, pouco sociável e rabugento no primeiro momento. Mas que acaba tornando-se uma das pessoas mais especiais da vida de Beth Harmon, que faz questão de mencioná-lo e agradecê-lo em todos os seus momentos de sucesso como enxadrista profissional nos episódios subsequentes. Shaibel, como um mestre ensina as principais regras do método e jogadas para Beth aprender literalmente esforçando-se o que constrói sua principal característica como competidora: o V de vitória, o raciocínio esmerado, humildade de reconhecer a derrota e acima de tudo a jogada-chave que  tornará praticamente a marca registrada de Beth Harmon como enxadrista profissional, O Gambito da Rainha, não por acaso que dá nome à série. Anya Taylor-Joy nasceu em Miami, Flórida, sendo a mais nova de seis crianças. Sua mãe é espanhola-inglesa e seu pai escocês-argentino. Anya se mudou para Buenos Aires  criança e falava apenas espanhol antes da vinda para Londres aos seis anos de idade.

Ela estudou na escola preparatória Hill House, em Kensington, bem como na Northlands School, uma escola bilíngue na Argentina e na Queen`s Gate School, em Londres. Anya também estudou balé. Anya Taylor-Joy ganhou destaque ao interpretar Thomasin no filme de terror chamado The Witch. O filme estreou no Festival Sundance de Cinema em 2015, e foi lançado oficialmente em 2016. Paralelamente, Taylor-Joy recusou uma oferta de um papel em uma série do Disney Channel. Em 2016, Taylor-Joy estrelou o filme de ficção científica Morgan, dirigido por Luke Scott. O filme foi lançado no dia 2 de setembro de 2016. Ela também interpretou uma mulher próxima de Barack Obama no filme Barry, de Vikram Gandhi, que narra a história social do jovem negro na Universidade Columbia em 1981. Em 2017 protagonizou o filme de terror psicológico: Fragmentado, no qual interpretou a personagem Casey Cooke, “uma garota sequestrada por um homem com múltiplas personalidades”. Voltou a interpretar Casey no filme: Glass, lançado em 18 de janeiro de 2019, tornando Unbreakable a primeira parte da série de filmes Unbreakable e a última parte da trilogia fílmica.

Na vida real aos 10 anos de idade, seus pais o internaram num “lar de cuidados paliativos” quando Walter ficou gravemente doente e a família se mudou para o Kentucky, onde tinha comprado terras. Vale lembrar que aos 11 anos, Walter viajou o país de trem, sozinho, para reencontrá-los. Muito tímido, foi convocado pela Marinha dos Estados Unidos da América e aos 17 anos “serviu” ao quartel de marinheiros desenvolvendo aprendizado de carpinteiro à bordo do USS Hamilton, no Oceano Pacífico. Depois de sua dispensa do serviço militar, Walter terminou o colégio em 1945 e ingressou na Universidade de Kentucky, onde recebeu um bacharelado (1949) e um mestrado (1954) em literatura inglesa. Foi por volta dessa época acadêmica no processo de formação ainda como estudante regular, quando trabalhava em uma casa de jogos de  bilhar, que Walter Tevis publicou um conto que se passava num lugar semelhante, para uma de suas aulas teóricas de ensaio e de escrita no College.  Em seguida, Walter cursou o workshop de escrita criativa de Iowa, onde recebeu um certificado em 1960.

É importante também destacar a atuação de Moses Ingram interpretando Jolene, a colega de dormitório de Beth. A personagem não precisa fazer tantas aparições quanto os espectadores gostariam de ver, todavia a sua presença na vida da enxadrista é de extrema importância, principalmente nos momentos finais. Jolene acaba ficando para trás no enredo quando a protagonista é adotada aos treze anos por um tradicional casal de Lexington, no Kentucky cujos cidadãos assistem a tensão política da chamada Guerra Fria crescer a todo vapor na década de 1960. Esse momento de transição na vida de Beth funciona também como uma metáfora da desordem, para que a garota possa, finalmente, escolher a pessoa que deseja se tornar no mundo real, e seguindo a paixão de criança, um de seus primeiros passos fora do orfanato é justamente se inscrever num torneio de xadrez local. Como uma novela, Beth passa pelos primeiros momentos no colégio público e se familiariza com a boa ideia de ter pais adotivos, um quarto de menina só pra si e uma rotina bem-vinda na constituição de sua identidade. 

A jovem, que agora está entrando na adolescência, também passa a reconhecer aos poucos seu próprio corpo e viver sua primeira menstruação, mas é nesse momento que O Gambito da Rainha comete talvez sua primeira “interdição”, que pode passar despercebido para alguns telespectadores, por justamente repetir algo que repetidamente vemos na vida. Tudo é repetição na série do tempo em relação a essa imagem simbólica. A representação do próprio passado é repetição por insuficiência e prepara essa outa repetição constituída pela metamorfose no presente. Já observara Gilles Deleuze, no plano da análise filosófico, que não há fatos sociais de repetição na história, mas a repetição é a condição histórica sob a qual algo novo é efetivamente produzido. Não é à reflexão do historiador que se manifesta uma semelhança na religião entre Lutero e Paulo, na política entre a Revolução de 1789 e a República Romana etc., mas é antes de tudo por eles mesmos que os revolucionários no sentido marxista do termo são determinados a viver como “romanos ressuscitados” antes de se tornarem capazes da ação que começaram por repetir ao modo de um passado próprio: logo, em condições tais que eles se identificaram necessariamente com uma figura  do passado histórico.

A repetição, segundo o filósofo, “é uma condição da ação antes de ser um conceito da reflexão” (cf. Deleuze, 2018: 130). Para ele, só produzimos algo novo à condição de repetir uma vez ao modo que constitui o passado e outra vez no presente da metamorfose. E o que é produzido, o absolutamente novo, é, por sua vez, apenas repetição, a terceira repetição, desta vez por excesso, a repetição do futuro como eterno retorno. Com efeito, ainda que possamos expor o eterno retorno como se ele afetasse toda a série ou o conjunto do tempo, o passado e o presente como também o futuro, tal exposição permanece apenas introdutória, tem apenas um atípico valor problemático e indeterminado (sobre a morte), apenas a função de colocar o problema do “eterno retorno”. Em sua verdade esotérica, o terno retorno só concerne e só pode concernir ao terceiro tempo da série. É somente aí que ele se determina. Eis que ele é literalmente  chamado de crença do futuro, crença no futuro. O eterno retorno só afeta o novo, isto é, o que é produzido sob a condição da insuficiência e por intermédio da metamorfose.  

 Depois de se formar, escreveu para o Departamento de Rodovias do Kentucky e deu aulas de Ciências, Inglês e também Educação Física no Ensino Médio de várias cidades no interior do estado, como Hawesville e Carlisle. Walter também deu aulas na Universidade do Norte do Kentucky, na Universidade de Kentucky e na Universidade Estadual do Sul de Connecticut. Em 1957, Walter se casou com Jamie Tevis, com quem ficou viveu até 1977. Curiosamente Walter deu aulas de literatura e escrita criativa na Universidade de Ohio de 1965 a 1978, onde tornou-se professor Titular. Lutando contra o alcoolismo e se recuperando de um divórcio difícil, Walter se demitiu da Universidade de Ohio e se mudou para Nova Iorque, onde retomou o hábito da escrita e se tornou escritor em período integral. No começo de 1984, Walter descobriu que tinha contraído um câncer de pulmão. Ele morreu em Nova Iorque, em 9 de agosto de 1984 e foi sepultado no jazigo da família em Richmond, uma cidade independente e capital do estado da Virgínia, fundada em 1607 e incorporada como condado em 1782.   

Enfim, no filme O Gambito da Rainha (2020), o trágico e o cômico, a história, a fé, do ponto de vista do “eterno retorno”, eis que o presente e o passado, são apenas dimensões do futuro: o passado, como condição, e o presente, como agente da mudança social. A segunda síntese, da memória, constituía o tempo como um passado puro, do ponto de vista de um fundamento que faz com que o presente  passe e dele advenha outro. A síntese do tempo constitui desta forma um futuro que afirma de uma só vez o caráter incondicionado do produto em relação a sua condição e a sua independência da obra em relação a seu autor ou ator. O presente, o passado e o futuro se revelam como Repetição através das três sínteses, mas de modos muito diferentes. O presente é o repetidor, o passado é a própria repetição, mas o futuro é o repetido. O segredo da repetição, em seu conjunto, está no repetido, como duas vezes significado. A repetição régia é a do futuro, que subordina as duas outras e as destitui de sua autonomia. Com efeito, não queremos perder de vista que a primeira síntese diz respeito ao conteúdo e à fundação do tempo; a segunda diz respeito a seu fundamento, mas, para além das duas primeiras, a terceira assegura a ordem, o conjunto, a série e o objetivo final do tempo.

Uma filosofia da repetição passa por todos os “estágios”, condenada a repetir a própria repetição. Mas, através desses estágios, ela assegura seu programa: fazer da repetição a categoria do futuro; servir-se como estágios e deixa-las pelo caminho, com uma das mãos, lutar contra o Hábito; com a outra, lutar contra a Mnemósina; recusar o conteúdo de uma repetição que bem ou mal permite “extrair” a diferença (Habitus); recusar a forma de uma repetição que compreende a diferença, mas para subordiná-la ainda ao conteúdo comparativo de Mesmo e Semelhante (Mnemósina); e que assim nos faz recusar comparativamente os ciclos simples demais, tanto aquele submetido a um presente habitual (ciclo costumeiro) quanto aquele que organiza um passado puro (ciclo memorial ou imemorial); transformar o fundamento da memória em simples condição por insuficiência, mas também a fundação do hábito em falência do (habitus), em metamorfose do agente; expulsar o agente e a condição em nome da obra ou do produto; fazer da repetição não aquilo que se “extrai”  diferença, nem aquilo que compreende a diferença como variante, mas o pensamento e a produção social do “absolutamente diferente”; fazer com que, para si mesma, a repetição seja a diferença em si mesma.    

Beth Harmon acaba entregando tudo de si em cada partida, jogando como se fosse a última de sua vida, e é por isso que as derrotas são tão sentidas pela enxadrista, que acaba descontando toda a frustração em calmantes e garrafas de whisky. Não demora muito para o espectador ver a protagonista em sua mais vulnerável e miserável forma, disposta até a desistir da brilhante carreira que construiu no xadrez. A garota vence todas as partidas que são colocadas à sua frente e não demora muito para seu nome ser reconhecido por todo o país, amedrontando seus futuros adversários e atiçando a curiosidade dos mais famosos profissionais de xadrez norte-americanos. Nesse meio-tempo, o espectador acompanha o crescimento da protagonista no esporte título após título nos mais diversos torneios acompanhados de sua mãe adotiva, uma dona de casa que é abandonada pelo marido logo após adotar Beth. Alma Wheatley (Marielle Heller) dá seu total apoio à filha adotiva e é a primeira pessoa do mundo real que reconhece o talento de Beth no xadrez, mas acaba revivendo o vício da protagonista por pílulas, além de dar margem para que ela desenvolva alcoolismo talvez por sofrer o drama.

         Anya Josephine Marie Taylor-Joy é a mais nova de seis irmãos. A mãe de Anya nasceu na Zâmbia, África, de pai inglês e mãe espanhola, ao passo que o pai de Anya nasceu na Argentina, de ancestralidade inglesa e escocesa. Apesar de ter nascido em Miami, duas semanas após o seu nascimento, a família de Anya se mudou para a cidade do seu pai, Buenos Aires, onde ela viveu até os seis anos de idade. Porém, devido aos problemas políticos da Argentina, os pais de Anya resolveram se mudar para Londres, no Reino Unido, em 2002. Quando chegou a Londres, Anya só sabia falar espanhol e teve algumas dificuldades de adaptação ao novo país. Ela estudou na escola preparatória Hill House, em Kensington, bem como na Northlands School, uma escola bilíngue na Argentina, e na Queen`s Gate School, em Londres. Anya também estudou balé.  Anya Josephine nascida em Miami, em 16 de abril de 1996 é uma atriz e modelo norte-americana e britânica. Após ser aclamada pela crítica especializada em sua estreia no filme de terror de conjuntura The Witch (2015), Taylor-Joy recebeu reconhecimento adicional por seu papel no filme de terror psicológico intitulado: Fragmentado (2016) e na sua continuação Glass (2019). Estrelou o drama Thoroughbreds (2017) e interpretou Emma Woodhouse na comédia Emma (2020), baseada no romance de Jane Austen.

Junto com o anúncio da série, foi anunciado que Anya Taylor-Joy seria a protagonista. Em janeiro de 2020, foi anunciado que Moses Ingram havia se juntado ao elenco da série. Após o anúncio da data de estreia da minissérie, foi anunciado que Bill Camp, Thomas Brodie-Sangster, Harry Melling e Marielle Heller haviam sido escalados para os papéis principais. Como a maior parte das filmagens foram realizadas em Berlim, Alemanha, os papéis menores foram preenchidos principalmente por atores britânicos e alemães. Garry Kímovich Kasparov, nascido com o nome Garry Kimovich Weinstein, Bacu, em 13 de abril de 1963 é um Grande Mestre e ex-campeão mundial de xadrez, escritor e ativista político nascido na República Socialista Soviética do Azerbaijão, União Soviética. É considerado por muitos o maior enxadrista de todos os tempos. Kasparov foi o jogador mais novo a se tornar campeão mundial de xadrez em 1985, quando tinha 22 anos na final do mundial. Em 2002 Ruslan Ponomariov com apenas 18 anos se tornou o mais jovem Campeão Mundial de toda história do xadrez. Manteve o título mundial de melhor jogador oficial da Federação Internacional de Xadrez até 1993, quando uma disputa com a FIDE o levou a criar uma organização rival, a Professional Chess Association. Ele continuou a vencer o Campeonato Mundial de Xadrez Clássico pela PCA, até ser derrotado por Vladimir Kramnik em 2000 sem ganhar uma única partida. Garry é largamente conhecido por ser o primeiro campeão mundial de xadrez que jogou uma partida contra um computador, quando perdeu para o Deep Blue em 1997.

As conquistas de Kasparov incluem ser classificado como o número um do mundo de acordo com o rating ELO quase continuamente de 1986 até sua aposentadoria em 2005. Ele mantém, também, o recorde de Chess Oscars, tendo recebido o prêmio onze vezes. O Oscar do Xadrez é um prêmio honorário concedido anualmente de 1967 a 1988 e de 1995 a 2013 por jornalistas ao melhor jogador do ano anterior. O Oscar foi inicialmente concedido pela Associação Internacional de Imprensa de Xadrez fundada em 1967. Esta associação foi renomeada na Olimpíada de Xadrez de 1968 em Lugano. Em 1967, ao término do torneio de xadrez de Palma de Maiorca, a AIPE concedeu seu primeiro Oscar a Bent Larsen, declarado o melhor grande mestre do ano de 1967. Nos anos subsequentes, após votação entre jornalistas, a associação anunciava a lista dos dez melhores jogadores do ano. O fundador da associação, o espanhol Jordi Puig Laborda, que coordenou as votações, morreu em 1988 e sua associação foi dissolvida em 1989, após conceder o Oscar de 1988 a Garry Kasparov. Interrompido em 1989, o Oscar foi retomado de 1995-1996 (Garry Kasparov) a 2013-2014 (Magnus Carlsen), com a coordenação da revista russa de xadrez 64. O Oscar foi novamente interrompido em 2014 com o fim da publicação da revista. Entre 1984 e 1990, Kasparov foi membro do Comitê Central de Komsomol e membro do Partido Comunista da União Soviética.

Ele anunciou sua aposentadoria do xadrez profissional em 10 de março de 2005, para dedicar seu tempo à política e à escrita. Formou o movimento United Civil Front, e tornou-se membro do The Other Russia, uma coalizão de oposição à administração de Vladimir Putin. Ele foi candidato para presidente nas eleições de 2008, mas depois desistiu. Ele foi barrado por falta de encontrar um espaço suficientemente grande de aluguel para montar o número de adeptos que está legalmente exigido para endossar tal candidatura o levou a se retirar. Kasparov culpou “obstrução oficial” para a falta de espaço disponível. Embora ele é amplamente considerado no Ocidente como um símbolo da oposição a Putin, ele foi impedido de o escrutínio presidencial. O clima político na Rússia supostamente faz com que seja difícil para os candidatos da oposição para organizar. Embora altamente considerado, no Oriente, como um símbolo de oposição a Putin, o apoio de Kasparov na Rússia era fraco. Em 14 de abril de 2007 Kasparov foi preso com quase outras 200 pessoas ao participar de um protesto contra o Kremlin, e ficou detido por cerca de dez horas, além de ter sido multado em mil rublos. Em novembro do mesmo ano, foi novamente preso, em um protesto contra Vladimir Putin e ficou detido desta vez por cinco dias. Em 2013, partiu para o exílio, dada a intensificada hostilidade do regime de Wladimir Putin para com a crescente oposição. Desde 2012, foi presidente da Fundação de Direitos Humanos, sendo sucedido em 2024 por Yulia Navalnaya, outra opositora russa, e viúva de Alexei Navalny.

Bibliografia geral consultada.

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