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domingo, 16 de fevereiro de 2025

Blue Jay – Interesse, Encontro Casual & Práticas de Arrependimento.

             Até na pessoa mais cansada o amor é como um despertar”. Francesco Alberoni

        Lawrence Jay Duplass Jr. nascido em 7 de março de 1973 é um cineasta, ator e autor norte-americano amplamente reconhecido por seus filmes The Puffy Chair (2005), Cyrus (2010) e Jeff, Who Lives at Home (2011), feitos em colaboração com seu irmão Mark Duplass mais novo. Duplass estrelou a série de comédia dramática da Amazon Video Transparent (2014–2019) e foi cocriador da série de comédia dramática da HBO Togetherness (2015–16) e da série antológica da HBO Room 104 (2017–2020). Home Box Office é uma rede de televisão por assinatura de propriedade da Warner Bros. Discovery. Duplass nasceu em Nova Orleans, Louisiana, filho de Cynthia (nascida Ernst) e Lawrence Duplass. Ele foi criado em uma família católica, e frequentou a Jesuit High School. Duplass se formou na Universidade do Texas em Austin; ele começou um mestrado em Belas Artes em cinema na UT, mas desistiu nos primeiros meses para buscar projetos de filmes independentes. Sua ascendência inclui cajun francês, italiano, judeu asquenaze e alemão. Duplass atribui muito do seu amor e do de seu irmão pelo cinema à sua apreciação por Raising Arizona. Em entrevista com Robert K. Elder para The Film That Changed My Life, Duplass especula sobre o que poderia ter acontecido se ele não tivesse visto o filme em sua juventude. - Eu provavelmente não estaria fazendo filmes — sério. Blue Jay tem como representação social um drama romântico de 2016, dirigido por Alex Lehmann na estreia em longa-metragem de ficção, com roteiro de Mark David Duplass. 

       É estrelado por Duplass e Sarah Paulson. O filme teve sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Toronto em 12 de setembro de 2016. O filme foi lançado em 7 de outubro de 2016, em uma programação limitada antes de ser lançado em vídeo sob demanda em 11 de outubro de 2016. O filme foi rodado ao longo de 7 dias em Crestline, Califórnia. Uma região censo designada é área determinada pelo Departamento do Censo dos Estados Unidos da América, órgão estatístico do governo para a coleta de informações estatístico-demográficas. São comunidades que não possuem governo próprio governadas diretamente pelos condados onde estão localizadas. Fora isto, estas regiões assemelham-se a regiões organizadas, sociologicamente, tais como vilas ou cidades. Tais regiões são criadas na esfera política para fornecer informações estatísticas e geográficas para concentrações de população que são identificáveis por nome, mas não legalmente incorporadas, distritalmente, não possuem governo municipal próprio sob as leis do Estado onde tais regiões localizam-se. As fronteiras de tais regiões podem ser definidas em “cooperação com oficiais locais ou tribais”, mas não são fixas, e não afetam o status de um dado governo local ou de uma dada região incorporada. As fronteiras de uma região censo designada podem mudar na história social e política de um censo para o outro, refletindo mudanças em padrões de assentamento humano.  Julian Wass compôs a trilha sonora do filme. O filme marcou o a parceria de um primeiro filme dos irmãos Duplass sob seu acordo com a Netflix.

Ele durou tanto tempo. Foi realmente a raiz de tudo que Mark e eu sempre nos mantivemos ao fazer filmes. Isso quer dizer que Arizona Raising é o filme mais inspirado que já vi. Em 2012, Duplass participou das pesquisas de cinema Sight & Sound daquele ano. Realizadas a cada dez anos para selecionar os maiores filmes de todos os tempos, diretores contemporâneos eram convidados a selecionar dez filmes de sua escolha. Em 2014, ele estrelou como Josh Pfefferman na série de comédia dramática original da Amazon Prime Transparent, ao lado de Jeffrey Tambor, Gaby Hoffmann, Amy Landecker e Judith Light. A série foi recebida com grande aclamação da crítica, ganhando 11 indicações ao Primetime Emmy, incluindo indicações para Melhor Série de Comédia e na sequência Melhor Ator em Série de Comédia para Jeffrey Tambor. Em 2015, Mark e Jay Duplass, por meio de sua gravadora Duplass Brothers Television, assinaram um acordo geral com a HBO. Na segunda temporada do programa, o papel de Duplass se tornou mais proeminente, e ele foi indicado ao Critics` Choice Television Award de Melhor Ator Coadjuvante em Série de Comédia. Antes de Transparent, Duplass nunca havia atuado em um papel de destaque. Ele estava conversando com o diretor Joey Soloway em um jantar sobre a dificuldade que eles estavam tendo em encontrar um ator para interpretar o que acabaria sendo o papel de Duplass. Depois de sugerir muitos atores socialmenete para o papel para Soloway, Soloway se voltou para Duplass e disse a ele que ele deveria interpretar o papel.              

O filme Blue Jay teve sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Toronto em 12 de setembro de 2016. A Orchard adquiriu os direitos de distribuição do filme e definiu o filme para um lançamento limitado em 7 de outubro de 2016, antes de estrear comercialmente em “vídeo sob demanda” em 11 de outubro de 2016. Foi lançado na Netflix, um serviço online de streaming norte-americano lançado em 2010 e é disponível em mais de 190 países, em 6 de dezembro de 2016. Jim Henderson retorna para sua cidade natal na Califórnia, nos Estados Unidos da América, com a intenção de reformar a casa de sua falecida mãe. Enquanto fazia compras em um supermercado, ele esbarra em sua ex-namorada do ensino médio, Amanda. Os dois se cumprimentam, mas Jim diz que não quer impedi-la de fazer o que quer que ela estivesse fazendo. Ele “esbarra” com ela novamente no estacionamento e eles decidem tomar um café no bar e restaurante de estrada Blue Jay. Eles conversam sobre o que aconteceu em suas vidas desde a última vez que se viram. Amanda se casou e se tornou madrasta de duas crianças. Como vimos, Jim trabalha na reforma de casas antigas, com seu tio, e está pensando em reformar a casa de sua falecida mãe. Enquanto acompanham Amanda até o carro, eles passam pela loja de bebidas que frequentavam quando eram mais jovens. 

Amanda aposta que o dono da loja os reconhecerá, embora Jim discorde. O amor é uma das grandes categorias sociais que dá forma ao existente, mas isso é dissimulado tanto por certas realidades psíquicas como in fieri por certos modos de representações teóricas. Não há dúvida que o efeito amoroso desloca e falsifica inúmeras vezes a imagem objetivamente reconhecível de seu objeto e, nessa medida, é decerto geralmente reconhecido, segundo Simmel, como “formativo”, mas de uma maneira que não pode visivelmente parecer coordenada com as outras forças espirituais que dão forma. Trata-se, portanto, aqui, de uma imagem já existente que se encontra modificada em sua determinação qualitativa, sem que se tenha abandonado seu nível de existência teórica, nem criado um produto de uma nova categoria socialmente. Essas modificações que o amor já presente traz à exatidão objetiva da representação nada têm a ver com a criação inicial que produz analogamente o ser amado como tal. Na verdade, todas essas categorias são coordenadas, por sua significação, quaisquer que sejam o momento ou as circunstâncias em que atuam. E o amor é uma delas, na medida em que cria seu objeto como produto totalmente original. Conforme a ordem cronológica, é preciso, antes de mais nada, que o ser exista e seja conhecido, antes de ser amado. Mas, então, esse algo que acontece não tem lugar com esse ser existente que permaneceria não modificado, foi, ao contrário, no sujeito que uma nova categoria fundamental se tornou criadora. Do mesmo modo que Eu, enquanto amante, sou diferente do quer era antes – pois não é determinado “aspecto” meu, determinada energia que ama em mim, mas meu ser inteiro, o que não precisa significar uma transformação visivelmente de todas as minhas outras manifestações -, também o amado enquanto tal, é um outro, nascendo de outro a priori que não o ser conhecido ou temido, indiferente ou venerado. 

Por que o amor está, antes de mais anda, absolutamente intricado em seu objeto, e não simplesmente associado a ele: o objeto do amor em toda a sua significação categorial não existe antes do amor, mas apenas por intermédio dele. O que faz aparecer de maneira bem clara que o amor – e, no sentido lato, todo o comportamento do amante enquanto tal – é algo absolutamente unitário, que não pode se compor a partir de elementos preexistentes. Totalmente inúteis parecem, pois, as tentativas de considerar o amor como um produto secundário, no sentido de que seria motivado como resultante de outros fatores psíquicos primários. Ele pertence a um estágio demasiado elevado da natureza humana para que possamos situá-lo no mesmo plano cronológico e genético da respiração ou da alimentação, ou mesmo do instinto sexual. Tampouco podemos safar-nos do embaraço por esta escapatória fácil: em virtude de seu sentido metafísico, de seu significado atemporal, o amor permanece sem dúvida à primeira – ou última - ordem dos valores e das ideias, mas sua realização humana ou psicológica colocá-lo-ia num estágio ulterior de uma série longa e complexa na evolução contínua da vida. Não podemos nos satisfazer com essa estranheza recíproca de seus significados ou de suas reações. Na prática o problema de seu dualismo é aí, reconhecido e nitidamente expresso, mas não resolvido; determo-nos nessa conclusão seria duvidar de sua solubilidade.

Friedrich Hegel que parte da análise da consciência comum, não podia situar como princípio primeiro uma dúvida universal que só é própria da reflexão filosófica. Por isso mesmo ele segue o caminho aberto pela consciência e a história detalhada de sua formação. Ou seja, a Fenomenologia (2007) vem a ser uma história concreta da consciência, sua saída da caverna e sua ascensão à Ciência . Daí a analogia que em Hegel existe de forma coincidente entre a história da filosofia e a história do desenvolvimento do pensamento, mas este desenvolvimento é necessário, como força irresistível que se manifesta lentamente através dos filósofos, que são instrumentos de sua manifestação. Assim, preocupa-se apenas em definir os sistemas, sem discutir as peculiaridades e opiniões dos diferentes filósofos. Na determinação do sistema, o que o preocupa é a categoria fundamental que determina o todo complexo do sistema, e o assinalamento das diferentes etapas, bem como as vinculasses destas etapas que conduzem à síntese do espírito absoluto. Para compreender o sistema é necessário começar pela representação, que ainda não sendo totalmente exata permite, no entender de sua obra a seleção de afirmações e preenchimento do sistema abstrato de interpretação do método dialético, para poder alcançar a transformação da representação numa noção clara e exata. Assim, temos a passagem da representação abstrata, para o conceito claro e concreto através do acúmulo de determinações. 

   

Aquilo que por movimento dialético separa e distingue perenemente a identidade e a diferença, sujeito e objeto, finito e infinito, é a alma vivente de todas as coisas, a Ideia Absoluta que é a força geradora, a vida e o espírito eterno. Mas a Ideia Absoluta seria uma existência abstrata se a noção de que procede não fosse mais que uma unidade abstrata, e não o que é em realidade, isto é, a noção que, por um giro negativo sobre si mesma, revestiu-se novamente de forma subjetiva. Metodologicamente a determinação mais simples e primeira que o espírito pode estabelecer é o Eu, a faculdade de poder abstrair todas as coisas, até sua própria vida. Chama-se idealidade precisamente esta supressão da exterioridade. Entretanto, o espírito não se detém na apropriação, transformação e dissolução da matéria em sua universalidade, mas, enquanto consciência religiosa, por sua faculdade representativa, penetra e se eleva através da aparência dos seres até esse poder divino, uno, infinito, que conjunta e anima interiormente todas as coisas, enquanto pensamento filosófico, como princípio universal, a ideia eterna que as engendra e nelas se manifesta. Isto quer dizer que o espírito finito se encontra inicialmente numa união imediata com a natureza, a seguir em oposição com esta em identidade, porque suprimiu a oposição e voltou a si mesmo e, consequentemente, o espírito finito é a ideia, mas ideia que girou sobre si mesma e que existe por si em sua própria realidade.

A Ideia absoluta que para realizar-se colocou como oposta a si, à natureza, produz-se através dela como espírito, que através da supressão de sua exterioridade entre inicialmente em relação simples com a natureza, e, depois, ao encontrar a si mesma nela, torna-se consciência de si, espírito que conhece a si mesmo, suprimindo assim a distinção entre sujeito e objeto, chegando assim a Ideia a ser por si e em si, tornando-se unidade perfeita de suas diferenças, sua absoluta verdade. Com o surgimento do espírito através da natureza abre-se a história da humanidade e a história humana é o processo que medeia entre isto e a realização do espírito consciente de si. A filosofia hegeliana centra sua atenção sobre esse processo e as contribuições mais expressivas de Hegel ocorrem precisamente nesta esfera, do espírito. Melhor dizendo, para Hegel, à existência na consciência, no espírito chama-se saber, isto é, conceito pensante. O espírito é também isto: trazer à existência, isto é, à consciência na história das sociedades. Como consciência em geral tenho eu um objeto; uma vez que eu existo e ele está na minha frente. Mas enquanto o Eu é o objeto de pensar, é o espírito precisamente isto: produzir-se, sair fora de si, saber o que ele é. Nisto consiste a grande diferença: o homem sabe o que ele é. Em primeiro lugar, ele é real. Sem isto, a razão, a liberdade não são nada.

O homem é essencialmente razão. O homem, a criança, o culto e o inculto, é razão. Ou melhor, a possibilidade para isto, para ser razão, existe em cada um, é dada a cada um. A razão não ajuda em nada a criança, o inculto. É somente uma possibilidade, embora não seja uma possibilidade vazia, mas possibilidade real e que se move em si. Assim, por exemplo, dizemos que o homem é racional, e distinguimos muito bem o homem que nasceu somente e aquele cuja razão educada está diante de nós. Isto pode ser expresso também assim: o que é em si, tem que se converter em objeto para o homem, chegar à consciência; assim chega para ele e para si mesmo. A história para Hegel, é o desenvolvimento do Espírito no tempo, assim como a Natureza é o desenvolvimento da ideia no espaço. Deste modo o homem se duplica. Uma vez, ele é razão, é pensar, mas em si: outra, ele pensa, converte este ser, seu em si, em objeto do pensar. Assim o próprio pensar é objeto, logo objeto de si mesmo, então o homem é por si. A racionalidade produz o racional, o pensar produz os pensamentos. O que o ser em si é se manifesta no ser por si. Todo conhecer, todo aprender, toda visão, toda ciência, inclusive toda atividade humana, não possui nenhum outro interesse além do aquilo que filosoficamente é em si, no interior, podendo manifestar-se desde si mesmo, produzir-se, transformar-se objetivamente. Nesta diferença se descobre toda a diferença na história do mundo. Os homens são todos racionais. O formal desta racionalidade é que o homem seja livre. Esta é a sua natureza. Isto pertence à essência do homem: a liberdade.

   

O europeu sabe de si, afirma Hegel, é objeto de si mesmo. A determinação que ele conhece é a liberdade. Ele se conhece a si mesmo como livre. O homem considera a liberdade como sua substância. Se os homens falam mal de conhecer é porque não sabem o que fazem. Conhecer-se, converter-se a si mesmo no objeto (do conhecer próprio) e o fazem relativamente poucos. Mas o homem é livre somente se sabe que o é. Pode-se também em geral falar mal do saber, como se quiser. Mas somente este saber libera o homem. O conhecer-se é no espírito a existência. Portanto isto é o segundo, esta é a única diferença da existência (Existenz) a diferença do separável. O Eu é livre em si, mas também por si mesmo é livre e eu sou livre somente enquanto existo como livre. A terceira determinação é que o que existe em si, e o que existe por si são somente uma e mesma coisa. Isto quer dizer precisamente evolução. O em si que já não fosse em si seria outra coisa. Por conseguinte, haveria ali uma variação, mudança socialmente. Na mudança existe algo que chega a ser outra coisa. Na evolução, em essência, podemos também sem dúvida falar da mudança, mas esta mudança deve ser tal que o outro, o que resulta, é ainda idêntico ao primeiro, de maneira que o simples, o ser em si não seja negado.

Para Friedrich Hegel a evolução não somente faz aparecer o interior originário, exterioriza o concreto contido já no em si, e este concreto chega a ser por si através dela, impulsiona-se a si mesmo a este ser por si. O espírito abstrato assim adquire o poder concreto da realização. O concreto é em si diferente, mas logo só em si, pela aptidão, pela potência, pela possibilidade. O diferente está posto ainda em unidade, ainda não como diferente. É em si distinto e, contudo, simples. É em si mesmo contraditório. Posto que é através desta contradição impulsionado da aptidão, deste este interior à qualidade, à diversidade; logo cancela a unidade e com isto faz justiça às diferenças. Também a unidade das diferenças ainda não postas como diferentes é impulsionada para a dissolução de si mesma. O distinto (ou diferente) vem assim a ser atualmente, na existência. Porém do mesmo modo que se faz justiça à unidade, pois o diferente que é posto como tal é anulado novamente. Tem que regressar à unidade; porque a unidade do diferente consiste em que o diferente seja um. E somente por este movimento é a unidade verdadeiramente concreta. É algo concreto, algo distinto. Entretanto contido na unidade, no em si primitivo. O gérmen se desenvolve assim, não muda. Se o gérmen fosse mudado desgastado, triturado, não poderia evoluir. Na alma, determinada como indivíduo, as diferenças estão nas mudanças que se dão no indivíduo, que é o sujeito uno que nelas persiste e, segundo Hegel, enquanto momentos do seu desenvolvimento.

Por serem elas diferenças, à uma, físicas e espirituais, seria preciso, para determinação ou descrição mais concreta, antecipar a noção do espírito cultivado. As diferenças são: 1) curso natural das idades da vida, desde a criança, desde a criança, o espírito envolvido em si mesmo – passando pela oposição desenvolvida, a tensão de uma universalidade ela mesma ainda subjetiva em contraste com a singularidade imediata, isto é, como o mundo presente, não conforme a tais ideais, e a situação que se encontra, em seu ser-aí para esse mundo, o indivíduo que, de outro lado, está ainda não-autônomo e em si mesmo não está pronto, o jovem, para chegar à relação verdadeira, ao reconhecimento da necessidade e racionalidade objetivas do mundo já presente, acabado; em sua obra, que leva a cabo por si e para si, o indivíduo retira, por sua atividade, uma confirmação e uma parte, mediante a qual ele é algo, tem uma presença efetiva e um valor objetivo (homem); até a plena realização da unidade com essa objetividade do conhecer: unidade que, enquanto real, vem dar na inatividade da rotina que tira o interesse, enquanto ideal se liberta dos interesses mesquinhos é das complicações do presente exterior (o ancião).  

O espírito manifesta aqui sua independência da própria corporalidade, em poder desenvolver-se antes que nela torne. Com frequência, crianças têm demonstrado um desenvolvimento espiritual que vai muito mais rápido que sua formação corporal. Esse foi o caso histórico, sobretudo em talentos artísticos indiscutíveis, em particular no gênio da música. Também em relação ao fácil apreender de variados conhecimentos, especialmente na disciplina matemática; e tal precocidade tem-se mostrado não raramente também em relação a um raciocínio de entendimento, e mesmo sobre objetos éticos e religiosos. O processo de desenvolvimento do indivíduo humano natural decompõe-se então em uma série de processos, cuja diversidade se baseia sobre a relação do indivíduo para com o gênero, e funda a diferença da criança, do homem e do ancião. Essas diferenças são as apresentações das diferenças do conceito. A idade da infância é o tempo da harmonia natural, da paz do sujeito consigo mesmo e com o mundo. Nunca é demais repetir, que um começo tão sem-oposição quanto a velhice é um fim sem-oposição. As oposições que surgem ficam sem interesse mais profundo. A criança vive na inocência, sem sofrimento durável; no amor aos seus pais, e no sentimento de ser amado por eles.

O amor é sempre uma dinâmica que se gera, Para Simmel (1993) por assim dizer, a partir de uma autossuficiência interna, sem dúvida trazida, por seu objeto exterior, do estado latente ao estado atual, mas que não pode ser, propriamente falando, provocada por ele; a alma o possui enquanto realidade última, ou não o possui, e nós não podemos remontar, para além dele, a um dos movens exterior ou interior que, de certa forma, seria mais que sua causa ocasional. É esta a razão mais profunda que torna o procedimento de exigi-lo, a qualquer título legítimo que seja totalmente desprovido de sentido. Sequer sua atualização dependa sempre de um objeto, e se aquilo que chamamos de desejo ou necessidade de amor – esse impulso surdo e sem objeto, em particular na juventude, em direção a qualquer coisa a ser amada – já não é amor, que por enquanto só se move em si mesmo, digamos um amor em roda livre. Seguramente, a pulsão em direção a um comportamento poderá ser considerada como o aspecto afetivo do próprio comportamento, ele próprio já iniciado; o fato de nos sentirmos “levados” a uma ação significa que a ação já começou anteriormente e que seu acabamento não é outra coisa que o desenvolvimento ulterior dessas primeiras inervações. Onde, apesar do impulso sentido, não passamos à ação, isso se dá seja porque a energia não basta, de pronto, para ir além desses primeiros elos da ação, seja porque ela é contrariada por forças opostas, antes mesmo que esses primeiros elos já anunciados à consciência tenham podido se prolongar num ato visível. A possibilidade real, a ocasião apriorística desse modo de comportamento originados pela presença humana na vida que chamamos amor, fará surgir se for o caso, à consciência, na oposição dialética, como um sentimento obscuro e geral, um estágio inicial de sua própria realidade, antes mesmo que a ele se some a incitação por um objeto determinado para levá-lo a seu efeito acabado.

A existência desse impulso sem objeto, por assim dizer incessantemente fechado em si, acento premonitório do amor, puro produto do interior e, no entanto, já acento de amor, é a prova mais decisiva em favor da essência central puramente interior do fenômeno amor, muitas vezes dissimulado sob um modo de representação pouco claro, segundo o qual o amor seria uma espécie de surpresa ou de violência vindas do exterior, tendo su símbolo mais pertinente no “filtro do amor”, em vez de uma maneira de ser, de uma modalidade e de uma orientação que a vida como tal toma por si mesma – como se o amor viesse de seu objeto, quando, na realidade, vai em direção a ele. De fato, o amor é o sentimento que, fora dos sentimentos invariáveis religiosos, se liga mais estreita e mais incondicionalmente a seu objeto. À acuidade com a qual ele brota do sujeito corresponde a acuidade igual com que ele se dirige para o objeto. O que é decisivo aqui é que nenhuma instância de caráter geral vem de fato se interpor. Se venero alguém. É pela mediação da qualidade de certo modo geral de venerabilidade que, em sua realidade particular, permanece ligada à imagem desse por tanto tempo quanto eu o venerar. Do mesmo modo, no homem que temo, o caráter terrível e o motivo que o provocou estão intimamente ligados; mesmo o homem que odeio não é, na maioria dos casos separado em minha representação da causa desse ódio – é esta uma das diferenças entre amor e ódio que desmente a assimilação que comumente se faz deles. Mas o específico do amor é excluir do amor existente a qualidade mediadora de seu objeto, sempre relativamente geral, que provocou o amor por ele. Ele permanece como intenção direta e centralmente dirigida para esse objeto, e revela a sua natureza verdadeira e incomparável nos casos em que sobrevive ao desaparecimento indubitavelmente do que foi sua razão de nascer.

Essa constelação, que engloba inúmeros graus, desde a frivolidade até a mais alta intensidade, é vivida segundo o mesmo modelo, seja em relação a uma mulher ou a um objeto, a uma ideia ou a um amigo, à pátria ou a uma divindade. Isso deve ser solidamente estabelecido em primeiro lugar, se quisermos elucidar em sua estrutura seu significado mais restrito, o que se eleva no terreno da sexualidade. A ligeireza com que a opinião corrente alia instinto sexual a amor lança talvez uma das pontes mais enganadoras na paisagem psicológica exageradamente rica em construções desse gênero. Quando, ademais, ela penetra no domínio da psicologia que se dá por científica, temos com demasiada frequência a impressão de que esta última caiu nas mãos de açougueiros. Por outro lado, o que é óbvio, não podemos afastar pura e simplesmente essa relação. Nossa emoção sexual, afirma Simmel, desenrola-se em dois níveis de significação filosófica. Por trás do arrebatamento e do desejo, da realização e do prazer sentidos, diretamente subjetivos, delineia-se, consequência disso tudo, por fim a reprodução da espécie. Pela propagação contínua do plasma germinal, a vida corre infinitamente, atravessando todos estágios ou levada por eles de ponta a ponta. Por mais insuficiente, por mais preso a um estreito simbolismo humano que esteja o conceito de objetivo e de meios em presença da misteriosa realização da vida, devemos qualificar essa emoção sexual de meio de que a vida se serve para a manutenção da espécie, confiando aqui a consecução desse objetivo não mais a um mecanismo (no sentido lato do termo) mas a mediações psíquicas.

Enfim, a pulsão, dirigida a princípio, tanto no sentido genérico quanto no sentido hedonista, ao outro sexo enquanto tal, parece ter diferenciado cada vez mais seu objeto, à medida que seus suportes se diferenciavam, até singularizá-lo. Claro, a pulsão não se torna amor pelo simples fato de sua individualização; esta última pode ser refinadamente hedonista, ou instinto vital-teleológico para o parceiro apto a procriar os melhores filhos.  Mas, indubitavelmente, ela cria uma disposição formativa e, por assim dizer, um marco para essa exclusividade que constitui a essência do amor, mesmo quando seu sujeito se volta para uma pluralidade de objetos. Não duvidamos em absoluto que no seio do que se chama “atração dos sexos” constitui-se o primeiro factum, ou, se quiserem, a prefiguração do amor. A vida se metamorfoseia também nessa produção, traz sua corrente à altura dessa onda, cuja crista, porém, sobressai livremente acima dela. Se considerarmos o processo social de conhecmento e cosntrução social da vida absolutamente como um dispositivo de meios a serviço desse objetivo - a vida – e se levarmos em conta o significado simplesmente efetivo do amor para a propagação da espécie, então este também é um dos meios que a vida se dá para si e a partir de si.

A noção de causa é, na origem, o caso do litígio, depois a ocorrência em que surge um acontecimento. A coisa, de mesma origem, é a questão a tratar. A palavra “ordem” exprime primeiro a fórmula do comando e o resultado ordenado. O termo “cosmos” designa, primeiro, a organização de um exército, depois da constituição de um Estado, antes de tornar-se a constituição do mundo. A geometria nasceu das necessidades de agrimensura e de irrigação das civilizações agrárias; a aritmética, das necessidades de cálculo das civilizações urbanas. As Leis físicas são uma projeção das Leis jurídicas sobre o Universo. A ideia de um Deus legislador do Universo, em Descartes, desenvolve-se quarenta anos depois da teoria do Soberano Jean Bodin. A Ordem e as Leis da Natureza foram sugeridas à física por Deus, pelo Rei e pelo Estado. Mais recentemente, a energia, conceito-chave da física moderna e de trabalho no momento da primeira revolução industrial. É certo que todos os conceitos científicos extraídos da experiência social se emanciparam e transformaram. Nem por isso se separam totalmente: força, trabalho, energia, ordem, desordem conservam o seu cordão umbilical com a vida comum.  As sociedades científicas multiplicaram-se, depois, no século XIX, a ciência instalou-se na universidade, criando aí os seus departamentos e laboratórios. Em torno de 1840, o termo scientist aparece na Inglaterra, e a ciência profissionaliza-se. No século XX, ela se implantará no coração das empresas industriais e depois no aparelho de Estado.

O profissional é alguém que se interroga sobre certos problemas ligados a uma “história cumulativa” e que se esforçam em resolvê-los com certos métodos, eles mesmos produzidos pela história cumulativa. Os profanos que julgam os trabalhos de profissionais se apressam em julgar os profissionais com critérios profanos para se legitimarem como pseudoprofissionais realmente profanos. O que é que os profanos consideram num trabalho científico, sobretudo nas ciências sociais? Quanto ao sociólogo, ele é submetido constantemente a um veredicto imediato, pois aquilo de que fala é importante espontaneamente para a maioria das pessoas. A maioria dos profanos, entre os quais os jornalistas, não têm sequer consciência de ser profanos na matéria; os melhores são os que sabem seus limites. Os profanos consideram os resultados. Reduzem um trabalho científico a teses. A tomadas de posição, que podem ser discutidas, que são objeto de opinião assim como os gostos e as cores, como representação social na vida, as quais quase todo mundo pode julgar com as armas ordinárias do discurso ordinário: toma-se posição sobre um trabalho científico como se toma posição sobre a Guerra do Golfo [Pérsico], em função da escala de opinião veiculada entre a esquerda/direita etc., ao passo que o que conta do ponto de vista comunicativo são as problemáticas e os métodos; no máximo, o resultado é secundário.

O erro de quase todo erudito é viver numa torre de marfim – a lógica autônoma de um campo que desenvolve, ele mesmo, de maneira autotética, seus próprios problemas – e, assim sendo, quando encontra problemas de seu tempo encontra por acaso. Isso faz com que haja aí uma injustiça essencial que sem levarem em consideração a problemática específica obtém proveitos simbólicos no campo científico. Isso permite desacreditar um adversário. Sem proceder ao corte, sem instituir uma série de rupturas. Os profanos também estão em perigo por ter confiança. Os semi-hábeis têm também um sentimento de naturalidade, como os primeiros. Restam os hábeis: que não têm apenas o prazer de ver conceitos serem elaborados de maneira um pouco mais satisfatória, mas também e, sobretudo de encontrar esquemas de pensamento, hipóteses de pesquisa. Portanto, o Estado não é simplesmente uma instância que diz: a ordem social é assim. Não é simplesmente a universalização do interesse particular dos dominantes, que consegue se impor aos dominados. É uma instância (instare) que constitui o mundo social segundo certas estruturas. O Estado não é simplesmente um produtor de discurso de legitimação.

O Estado estrutura a própria ordem social e junto nosso pensamento. Essa espécie de pensamento de Estado não é um metadiscurso a respeito do mundo. É por isso que a imagem da superestrutura, das ideologias como coisas que pairam acima, é absolutamente funesta, ao mesmo tempo em que o constitui como ele o é, o faz como ele o é. Isso vale para tudo que o Estado produz. O Estado é constitutivo da ordem social nesse duplo sentido. O mundo social é um artefato histórico, um produto da história que é esquecido em sua gênese em favor da amnésia da gênese que toca todas as criações tidas como sociais. O Estado é desconhecido como histórico e reconhecido por um reconhecimento absoluto que é precisamente no plano de globalização das ideias o reconhecimento do desconhecimento. Os dominantes em geral são silenciosos, não têm filosofia, não têm discurso; começam a tê-los quando nós os importunamos, quando lhes dizemos: - “Por que vocês são como são?”. Então, são obrigados a constituir como ortodoxia, como discurso explicitamente conservador, o que até então se afirmava, aquém do discurso, no modo do isso-é-óbvio. Para a satisfação de Amanda, ele se lembra. Ele comenta literalmente sobre como os dois “pombinhos famosos” ainda estão juntos depois de duas décadas e dá a eles cerveja e jujubas de graça, enquanto Amanda e Jim brincam sobre “como eles ainda são um casal depois de todo esse tempo”. Eles discutem mais suas vidas em profundidade perto de um lago, deixando Jim chorando e se sentindo descontente na vida quando ouve o quão impressionante a vida dela parece. Indo para a casa de sua calorosa mãe, eles ficam nostálgicos sobre suas memórias individualmente compartilhadas. Enquanto vasculha velhas recordações, Amanda encontra uma carta endereçada a ela escrita anos atrás e a guarda. Ela então encontra gravações de Jim e ela interpretando suas vidas de meia-idade. 

Eles tocam as gravações e riem sobre o quão chatos eles eram. Jim propõe que eles se “divirtam” e recriem a fita, fingindo ser um casal comemorando seu 20º aniversário. No final da noite, Amanda confessa a Jim que está tomando antidepressivos e que não chora há anos. Eles eventualmente começam a se beijar apaixonadamente no quarto. Ela para de repente quando ele diz que a ama. É então revelado que Amanda fez um aborto no ensino médio e essa foi a causa do rompimento. Eles atacam um ao outro, terminando com Jim desabando e chorando no chão. Jim acompanha Amanda até o carro na manhã seguinte, e Amanda explica sua decisão. Jim pede que ela leia a carta que ele não enviou, dizendo que queria ficar com o bebê. Amanda começa a chorar, pela primeira vez em cinco anos, e então riem juntos. Jim e Amanda suspiram um para o outro e a tela escurece. Blue Jay recebeu críticas positivas dos críticos de cinema. Ele detém uma classificação de aprovação de 91% no site agregador de críticas Rotten Tomatoes, com base em 34 avaliações, com uma classificação média de 7,5/10. O consenso do site diz: - “A música de Blue Jay aquecerá a alma de qualquer romântico incurável que ama viagens pela estrada da memória, cenas de dança improvisadas e apresentações de duas mãos naturalmente executadas”.  No Metacritic, o filme detém uma classificação de 69 de 100, com base em 16 críticos, indicando “críticas geralmente favoráveis”. O repórter do Canadian Press, David Friend, disse que o filme “consegue capturar o espírito do cinema independente dos anos 1990 no seu melhor, e oferece algumas surpresas de partir o coração ao longo do caminho”. Brian Tallerico, do site especializado RogerEbert.com, elogiou a atuação de Paulson, dizendo que o filme “apresenta uma das nossas melhores atrizes no tipo de papel que ela não consegue interpretar com tanta frequência”.

Bibliografia Geral Consultada.

MARÍAS, Julián, A Felicidade Humana. São Paulo: Livraria Duas Cidades, 1989; BOLTANSKI, Luc, L’Amour et la Justice Comme Compétences. Paris: Éditions Métailié, 1990; SIMMEL, Georg, Filosofia do Amor. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1993; MIRZOEFF, Nicholas, An Introduction To Visual Culture. Londres: Editora Routledge, 1999; GADAMER, Hans-Georg, La Dialéctica de Hegel. Cinco Ensayos Hermenéuticos. 5ª edición. Madrid: Ediciones Cátedra, 2000; RICOEUR, Paul, La Mémoire, l`Histoire, l`Oubli. Paris: Éditions Du Seuil, 2000; NUNES, Glória Elena Pereira, Leituras de Shakespeare: Da Palavra à Imagem. Tese de Doutorado. Coordenação de Pós-Graduação em Letras. Centro de Estudos Gerais. Instituto de Letras. Niterói: Universidade Federal Fluminense, 2006; HEGEL, Friedrich, Fenomenologia do Espírito. 4ª edição. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 2007;  MÁDOZ, Inmaculada Cuquerella, La Superación del Nihilismo en la Obra de Albert Camus: La Vida como Obra Trágica. Tese de Doutorado. Valência: Editor Universität de Valência, 2007; SILVA, Cláudia Sampaio Corrêa da, De Estudante a Profissional: A Transição de Papéis na Passagem da Universidade ao Mercado de Trabalho. Dissertação de Mestrado. Instituto de Psicologia.  Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2010; PINKARD, Terry, “Saber Absoluto: Por que a Filosofia é seu Próprio Tempo Apreendido no Pensamento”. In: Revista Eletrônica Estudos Hegelianos. Ano 7, nº13, dezembro, 2010: 07-23; GONÇALVES, Telma Amaral, Falando de Amor: Discursos Sobre o Amor e Práticas Amorosas na Contemporaneidade. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Belém: Universidade Federal do Pará, 2011; ELDER, Robert K., “Entrevista com Jay Duplass”. O filme que mudou minha vida. Chicago: Chicago Review Press, 2011; WILLIAMS, Raymond, Cultura e Materialismo. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 2011; GREVE, Sabrina Tozatti, O Ator do Teatro ao Cinema: Um Estudo sobre Apropriação. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais. Escola de Comunicações e Artes. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2017; AZEVEDO, Jessica Santos, A Experiência da Perda e Luto Vivenciado por Colaboradores: Estudo Exploratório. Dissertação de Mestrado em Gestão de Recursos Humanos. Escola de Economia e Gesta. Minho: Universidade do Minho, 2025; entre outros.

terça-feira, 26 de março de 2024

Folhas de Outono – Cinema, Encontro & Almas em Helsinque.

                                                                          O amor não se vê com os olhos, mas com o coração”. William Shakespeare

           Com o aumento do número de automóveis e das opções de locais de encontro, como cinemas e salões de jazz, o envolvimento dos pais no processo social de cortejo começou a diminuir. Encontros casuais se tornaram mais comuns na experiência de namoro de adolescentes e jovens adultos. Visões religiosas e moralistas das décadas anteriores também levaram a protestos públicos nas comunidades e na imprensa consumista, além de questionamentos sobre o que era percebido como mudanças nos padrões morais entre a geração mais jovem. Alguns historiadores da cultura sugerem que a libertação sexual na década de 1920 representou em grande parte resultado de mudanças culturais e evolução dos papéis de gênero. Mulheres buscavam ingressar na faculdade e no mercado de trabalho; muitas deixaram seus lares e casamentos ruins para trás e buscaram independência. O automóvel era mais um meio novo e conveniente para permitir relacionamentos do que um fenômeno causal. Além disso, os jovens da década de 1920 consideravam que os códigos sexuais e morais da era vitoriana eram opressivos; o boêmio continuou a influenciar e ser adotado por essa geração após a Primeira Guerra Mundial, e as melindrosas surgiram como exemplos de estilo de vida na cultura popular. Nos Estados Unidos da América, por exemplo, as “festas do toque”, em que o toque sejam carícias ou as chamadas “preliminares” era a atração principal, se tornaram parte do estilo de vida melindrosa. A indústria cinematográfica, por meio da era do Pré-Código de Hollywood, promoveu ainda mais a rebelião contra os valores morais da Era vitoriana, à medida que os filmes começaram a retratar mulheres donas de sua sexualidade. O cinema a partir da década de 1960 tem continuado essa tendência.

            A análise sociológica de Max Weber precisa as consequências inevitáveis dentro do movimento protestante, das tendências ascéticas da conduta dos primeiros adeptos que formam, em princípio a mais forte antítese da relativa fraqueza moral do luteranismo. A gratia amissibilis luterana, que podia ser sempre reconquistada através da contrição penitente, não continha em si nenhuma sanção para o que é, para nós, o resultado mais importante do protestantismo ascético: uma ordenação racional sistemática da vida moral como um todo. A fé luterana deixou, deste modo, inalterada a espontânea vitalidade da ação impulsiva e da emoção ingênua. Faltava o estímulo para o constante autocontrole e, assim, para uma regulamentação deliberada da vida de cada um, introduzido pela melancólica doutrina de Calvino. Um gênio religioso como Martin Lutero (1483-1543) podia viver sem dificuldades nesta atmosfera de liberdade e, enquanto seu entusiasmo fosse bastante poderoso, sem perigo de recair no status Naturalis. Esta forma de piedade simples, sensível e peculiarmente emocional, que é o ornamento de muitos dos mais destacados tipos do luteranismo, como a sua moralidade livre e espontânea, encontra poucos paralelos no genuíno puritanismo, mas muito mais no suave anglicanismo de homens como Hookes, Chillingsworth etc. Para o luterano comum, mesmo para o mais convicto apoiado nas ideias protestantes da Reforma, nada era mais certo que ele estar temporariamente enquanto a confissão ou o sermão durassem – acima do status Naturalis.

Havia uma grande diferença, que era muito chocante entre os padrões morais das cortes e dos príncipes reformados e dos luteranos, os últimos sendo frequentemente degradados pela embriaguez e pela vulgaridade. O fato é que ao luteranismo, em razão de sua doutrina de graça, faltava uma sanção psicológica da conduta sistemática que o compelisse à racionalização metódica da vida. Na Noruega, Suécia e Finlândia, vale lembrar que predominam a atividade pesqueira e a extração de madeira. É nessa região que ocorrem as mais baixas temperaturas climáticas de todo o continente europeu. Os Alpes Escandinavos representam a principal formação montanhosa da região. Estendem-se próximos ao litoral, no sentido Norte-Sul. Suas elevações são acompanhadas de planaltos, com alguns lagos e vales glaciais. Esses vales formaram-se pela erosão do gelo; posteriormente, foram invadidos pela água do mar. São os fiordes. Comuns sobretudo no litoral norueguês. O verdadeiro “muro montanhoso” é acompanhado por fiordes a oeste e ladeado por planícies que se voltam em direção à Suécia, no litoral do mar Báltico. Além de planícies alguns países da região possuem várias depressões criadas pela erosão glacial. Nessas depressões originaram-se diversos lagos, como se observa na Finlândia. Antes do século XIX, o termo Nórdico ou setentrional, era usado habitualmente no sentido de incluir a Rússia Europeia, os Países Bálticos naquela época Livônia e Curlândia e Groenlândia. Mais recentemente, quando a Europa foi submetida à região do Mediterrâneo, todas as regiões próximas ao mar, incluindo Alemanha, os Países Baixos e a Áustria, passaram a ser associadas ao termo.

                                

Folhas de Outono (Kuolleet lehdet) representa um filme de comédia dramática romântica germano-finlandês de 2023, dirigido e escrito por Aki Kaurismäki. Folhas de Outono é um filme finlandês de comédia dramática dirigido e roteirizado por Aki Kaurismäki. O longa-metragem acompanha a história social de Ansa (Alma Pöysti) uma estoquista de supermercado e Holappa (Jussi Vatanen), um ex-alcoolatra. Completamente desconhecidos, os caminhos dos dois acabam se cruzando acidentalmente, na cidade, em um bar de karaokê numa noite qualquer em Helsinki. Automaticamente atraídos um pelo outro, eles decidem sair em um Encontro e, talvez, começar um relacionamento improvável que pode ser a solução para afastar a solidão existencial de ambos - mas uma série de adversidades e mal-entendidos faz com que os dois acabem se afastando. Este é o vigésimo longa-metragem do experiente diretor, e uma continuação da série iniciada com Proletariat, que foi originalmente planejada trilogia e já inclui Varjoja paratiisissa (1986), Ariel (1988) e Tulitikkutehtaan tyttö (1990). Os atores Alma Pöysti e Jussi Vatanen interpretam os papéis principais de trabalhadores no processo produtivo da fábrica. O filme foi produzido pela Sputnik e Bufo.  O filme estreou em 22 de maio de 2023 no 76º Festival de Cinema de Cannes e foi selecionado para concorrer à Palme d`Or na seção principal da competição, onde ganhou o Prêmio do Júri. Lançado na Finlândia em 15 de setembro de 2023, foi aclamado pela crítica e foi eleito um dos cinco melhores filmes internacionais de 2023 pelo National Board of Review. O filme foi escolhido como candidatura para melhor filme internacional no Oscar 2024.              

A liberdade intelectual não pode ser vista apenas como uma forma determinada como condição social e possibilidade de expressão. É uma noção que se torna necessário sociologizar, culturalizar, complexificar, termodinamizar. Está ligada a um contexto cultural pluralista, dialógico, conflitual agitado. Necessita não apenas das condições que se tornam, de fato, permissivas, mas, também das condições dinâmicas societárias irradiadas pelas crises, turbulências, conflitos nas ideias e visões de mundo. Comparativamente, como ocorre no mundo físico, a termodinâmica do mundo das ideias só é fecunda, produtiva ou criadora entre certos patamares, dentre os quais não podem ser determinados a priori. Aquém desses limiares, não há “efervescência cultural” e, além, a turbulência torna-se dispersiva ou explosiva. Não se pode determinar uma temperatura intelectual ideal, ainda mais que não há nenhum termômetro ad hoc. Mas, para Morin (2008), assim a verdadeira vida realiza-se na temperatura de sua própria destruição, a verdadeira vida de uma efervescência cultural desenrola-se quase na temperatura de sua própria ebulição. Se podemos conceber o complexo das liberdades, então podemos compreender a cultura enquanto representação seja tanto libertação, quanto prisão para o conhecimento ou para o pensamento social irradiado.

 A cultura aprisiona-nos no seu etno-sócio-centrismo, seu hic et nunc, nos seus imperativos categóricos e proibições, nas suas normas e normalizações, nas suas limitações e encobrimentos, nos seus artigos de fé e também de desconfiança, nas suas verdades e nos seus erros. Mas, ao mesmo tempo, a cultura oferece-nos uma linguagem, um saber, uma memória, um processo comunicativo, uma possibilidade de trocas linguísticas, verificações e refutações. Quando comporta em si a pluralidade dialógica e a abertura para as outras culturas e os outros saberes exteriores, oferece-nos as condições e possibilidades de emanciparmos relativamente das suas limitações e dissimulações. Com o desenvolvimento da cultura crescem, naturalmente, o artificial e o frívolo na esfera do pensamento; além de pequenos imprinting locais e sofísticos multiplicam-se em outros tantos diaforismos e trissotinadas; um “alto cretinismo” instala-se nas esferas superiores; a proliferação da abstração e da matematização mascara o real concreto ou mesmo de análise, que deviam traduzir, mas, ao mesmo tempo crescem e multiplicam-se as brechas que permitem as autonomias e as liberdades, as possibilidades de acesso aos problemas essenciais e universais, mesmo sob a pressão das frivolidades e dos “altos cretinismos”, usado para descrever uma pessoa de pouca inteligência e lunática, os problemas decisivos permanecem confinados a uma minoria tola, medíocre, desviante.

Helsinque, com mais de 620 mil habitantes, é a capital da República da Finlândia e a maior cidade do país. Está localizada na parte meridional do país, na costa do Golfo da Finlândia, e é uma das mais habitáveis e socialmente desenvolvidas capitais do mundo. Helsínquia forma uma conurbação com outras três cidades, Espoo, Vantaa e Kauniainen que, no seu conjunto, constituem a chamada Área Metropolitana de Helsinque. Em 1952 a cidade acolheu os Jogos Olímpicos de Verão, o que reforçou a importância de Helsinque no panorama desportivo mundial. No ano 2000 foi eleita Capital Europeia da Cultura, na celebração do seu 450º aniversário. Em 2005 recebeu Campeonato Mundial de Atletismo. A economia da cidade é baseada principalmente nos serviços. A maior parte das grandes empresas finlandesas têm a sua sede na região metropolitana de Helsinque, devido às ligações internacionais, redes de logística e disponibilidade de mão-de-obra na cidade. A Região metropolitana de Helsinque contribui em torno de um terço do Produto Nacional Bruto (PNB) da Finlândia que, por sua vez, representa quase o dobro da média per capita global da Finlândia. As principais ações do país estão na Bolsa de Valores de Helsinque. O turismo em Helsinque é amplamente dominado e ligado à cultura.

A cidade tem muitos museus como o Museu Nacional (Kansallismuseo), o Museu de Arte Contemporânea (Kiasma), o Museu de Arte Clássica (Ateneum) e o Museu de História Natural. Além disso, como no resto dos países nórdicos, comparativamente a arquitetura e o design são de grande importância civil e social. O Classicismo inspirou a arquitetura de diversos prédios da cidade, entre os mais conhecidos estão a Catedral e a Universidade de Helsínquia. A cidade possui uma rica história, marcada por conflitos contra outros povos, principalmente os russos. Na pequena ilha de Suomenlinna, também chamada de Sveaborg, encontra-se a antiga fortificação no localizada no porto da cidade. A fortificação foi construída pelos suecos para defender a Finlândia, especialmente contra os russos. A configuração subterrânea invulgar tem tornado a igreja Temppeliaukio kirkko um dos pontos turísticos mais visitados da cidade. Como atração turística destaca-se a Catedral de Helsinque, luterana (1830-1852) de estilo neoclássico e a catedral ortodoxa russa de Uspenski (1868), desenhada por Alexander Gornostayev (1808-1862), de grande valor artístico. Também é digno de menção o conjunto neoclássico da Praça do Senado, na parte antiga da cidade. O maior museu histórico em Helsinque é o Museu Nacional da Finlândia, que exibe uma vasta coleção histórica tendo ponto de partida da pré-história ao século XXI.

O museu possui um edifício estilo a um castelo medieval neorromântico e é uma atração turística. Outro importante museu histórico na cidade é o Museu da Cidade de Helsínquia, que divulga aos visitantes a história social de Helsínquia 500 anos antes da atualidade. A Universidade de Helsinque também tem muitos museus importantes, incluindo o Museu Universitário e o Museu de História Natural. A Galeria Nacional finlandês é constituída por três museus: Museu de Arte Clássica Ateneum, Museu de Arte Clássica finlandesa e o Museu de Arte Clássica Europeu Sinebrychoff. Possui também museus pouco menos atrativos, como o Museu Kiasma e o Museu de Arte Moderna. O velho Ateneum, um palacete de estilo neorrenascentista construído e inaugurado no Século XIX, é um dos principais edifícios históricos da cidade, enquanto o Museu Kiasma é moderno e provavelmente o edifício mais meticuloso em Helsínquia. Helsínquia tem três grandes teatros: O Teatro Nacional Finlandês, o Teatro da Cidade de Helsinque e o Teatro Sueco. Os eventos de grande importância social e cultural, como a Ópera Nacional, geralmente são realizados em Helsinque ou outra grande cidade do país. A cidade é considerada é um polo de música popular no Norte da Europa amplamente reconhecida e de fato aclamada. Helsinque também possui o maior centro de feiras livres do país.

Não estamos interessados na questão do que era abstrato e oficialmente ensinado nos compêndios éticos de seu tempo e espaço singular, por maior significado prático que isto possa ter tido através da influência ideológica da disciplina da Igreja, do trabalho pastoral e da pregação. Estamos mais interessados em algo inteiramente diferente: na influência daquelas sanções psicológicas que, originadas da crença religiosa e da prática da religião, orientavam a conduta e a ela prendiam o indivíduo. Essas sanções eram, em larga medida, derivadas das peculiaridades das ideias religiosas. Não queremos perder de vista o homem singular deste tempo preocupava-se com dogmas abstratos, cuja extensão, por si só pode ser entendida quando percebemos a conexão de sentido desses dogmas com os “interesses religiosos práticos”. São indispensáveis algumas reflexões sobre o dogma, que, ao leitor não versado em teologia, parecerão obscuras, quanto serão precipitadas e superficiais para o teólogo. Em Calvino, o decretum horribile derivou não da experiência religiosa, como ocorre para Lutero, mas da necessidade lógica do pensamento; que aumenta em cada progresso da consciência deste pensamento religioso.

Max Weber (2003) lembra que, seu interesse religioso não está no homem, mas em Deus. Melhor dizendo, é algo omnipresente em que Deus não existe para os homens, mas estes por causa de Deus. E tudo o que acontece, até mesmo que parte dos homens seja acolhida para a bem-aventurança, só pode ter algum sentido como meio para a glória e a majestade de Deus. Aplicar padrões de Justiça terrena aos Seus desígnios soberanos é desprovido de sentido e é um insulto à Sua Majestade, uma vez que Ele, e apenas Ele, é livre, não está submetido a lei nenhuma. Seus desígnios só podem ser entendidos, ou mesmo conhecidos, por nós, na medida em que seja de Seu agrado nos revelar. Tudo mais, inclusive o significado de nosso destino, está envolto em mistério, cuja penetração seria impossível e cujo questionamento seria presunçoso. O condenado reclamar do seu destino seria o mesmo, comparativamente, que os animais deplorassem o fato de não terem nascido homens, porque tudo que é de carne está separado de Deus por um abismo, e Dele merece apenas a morte eterna, na medida em que Ele não tiver deliberado diferentemente para a glorificação de Sua Majestade. Sabemos apenas que uma parte da humanidade está salva, e outra, condenada. Pressupor que o mérito humano ou a culpa no sentido religioso participem da determinação deste destino, no sentido weberiano, seria algo como considerar os desígnios absolutamente livres de Deus, estabelecidos para a eternidade, passíveis de mudança por influência humana, e isto constitui uma contradição impossível.

Desapareceu o Pai Celestial do Novo Testamento tão humano e compreensível, que se alegra com o arrependimento de um pecador como a mulher que encontrou com a moeda de prata perdida. Seu lugar foi ocupado por um ser transcendental, que, em seus desígnios incompreensíveis, decidiu por assim dizer seu destino e regulou os detalhes do cosmos na eternidade. A graça de Deus, uma vez que seus desígnios não podem mudar, é tão impossível de ser perdida por aqueles a quem Ele a concedeu, como é inatingível para aqueles aos quais Ele a negou. Aquele grande processo histórico-religioso da eliminação da magia do mundo, que começara com os velhos profetas hebreus em conjunto com o ideário helenístico. A igreja Luterana é a religião nacional da Finlândia, cerca de 71% dos Finlandeses são luteranos de acordo com dados de 2017, o Luteranismo tem feito parte da Finlândia desde a conversão da Dinamarca. A Reforma sueca começou durante o reinado do rei Gustav Vasa (1527) e chegou à sua conclusão em 1560. A Suécia, como outros países nórdicos, adotou a forma luterana de protestantismo. O primeiro bispo luterano de Turku foi Martinus Johannis Skytte (1477-1550), ex-vigário geral da província dominicana de Dacia. Ele manteve a maioria das antigas formas católicas dentro da Diocese, que fazia parte da Igreja da Suécia, agora afirmativamente independente.

A reforma doutrinária da Igreja finlandesa ocorreu durante o episcopado de Mikael Agricola (1510-1557), que estudou na Universidade de Wittenberg sob Martin Luther. Agricola traduziu todo o manuscrito do Novo Testamento e grandes porções do Antigo Testamento para o finlandês. Além disso, ele escreveu uma grande quantidade de textos litúrgicos finlandeses no espírito da Reforma, enquanto preservava uma série de costumes decididamente católicos, como a retenção de muitos dias santos, incluindo o Dia da Visitação de Maria e da Santa Cruz, e o uso da Bíblia. mitra do bispo. Enquanto imagens e esculturas de santos foram retidas nas igrejas, elas não eram mais veneradas. Agrícola curiosamente foi “o primeiro bispo de Turku que foi casado”. No final do século XVI, a Reforma Sueca estava finalmente completa, e o século seguinte era reconhecido como o período da ortodoxia luterana. A afiliação à igreja era obrigatória, assim como a frequência semanal ao Serviço Divino. Tanto na Rússia quanto na Suécia, o luteranismo foi afetado pela teologia do iluminismo, com o efeito de poder secularizar a Igreja. O estilo de vida pródigo dos vigários das paróquias, causaram ressentimento público que se tornou visível nos movimentos populares de avivamento local.

A estrutura da Igreja Evangélica Luterana da Finlândia é baseada principalmente na divisão geográfica. Cada membro pertence à paróquia do seu domicílio, com fronteiras paroquiais seguindo os limites municipais. As grandes cidades, por outro lado, são geralmente divididas em várias paróquias, com a localização geográfica das casas dos membros determinando sua filiação paroquial. O número de membros de uma paróquia varia de algumas centenas em pequenos municípios a cerca de 60.000 membros na paróquia de Malmi, em Helsinque. De acordo com a Lei da Igreja, a paróquia é responsável por “todo o trabalho prático realizado pela igreja”. A paróquia é chefiada pelo vigário e pelo conselho paroquial. Ambos são eleitos pelos membros, usando votos iguais e fechados. O mandato do conselho paroquial é de quatro anos, enquanto o vigário é eleito vitalício ou até os sessenta e oito anos de idade. Uma paróquia é uma pessoa coletiva de natureza pública, capaz de tributar os seus membros. O montante do imposto cobrado é decidido pelo conselho paroquial e cai entre 1 e 2,25 por cento do rendimento pessoal. Na prática, o imposto é cobrado pelo estado, consignado por uma taxa.  Do ponto de vista da autonomia, financeiramente, as paróquias são responsáveis ​​por si mesmas. Contudo, as paróquias pobres podem ser assistidas pela administração central. Por outro lado, todas as paróquias são responsáveis ​​por contribuir com 10% de sua renda para a administração central da igreja e das dioceses. Os assuntos do dia-a-dia da administração paroquial são atendidos pelo vigário e a junta paroquial, eleitos pelo conselho paroquial. Nas cidades, as paróquias têm um conselho paroquial comum, mas juntas paroquiais separadas.

Do ponto de vista histórico todos os meios mágicos de salvação como superstição e pecado, chega aqui à sua conclusão lógica. O puritanismo genuíno rejeitava até todos os sinais de cerimônia religiosa na sepultura e enterrava seus entes mais próximos e mais queridos sem cânticos ou ritual, a fim de que nenhuma superstição, nenhuma crença nos efeitos de forças de salvação mágicas ou sacramentai, pudessem imiscuir-se. Combinada com as rígidas doutrinas da absoluta transcendência de Deus e da corrupção de tudo que se refere à matéria, esta solidão interna do indivíduo contém, por sua vez e imediatez, a razão da atitude inteiramente negativa do Puritanismo para com todos os elementos sensuais e emocionais presentes na cultura e religiosidade, pois são inúteis para a salvação analogamente e fomentam ilusões sentimentais e superstições idólatras. Isto prepara a base para um antagonismo fundamental para com todos os tipos de culturas sensualistas, no entanto forma uma das razões deste individualismo malgrado de tendência pessimista e despido de ilusões, que, compreendemos contemporaneamente, pode ser identificado no caráter nacional e nas instituições dos povos de passado puritano, em contraste com os ângulos bem diferentes dos quais, a posteriori o Iluminismo encarou categoricamente os homens.

Vale lembrar que as 95 Teses ou Disputação do Doutor Martinho Lutero (1483-1546) sobre o poder e eficácia das Indulgências são uma lista de proposições para uma disputa acadêmica escrita em 1517 por Martin Lutero, professor de teologia moral da Universidade de Vitemberga, Alemanha, as quais iniciaram a Reforma Protestante, uma cisma da Igreja Católica que transformou profundamente a Europa. Lutero enviou as Teses anexadas a uma carta a Alberto de Mainz, o Arcebispo de Mainz, em 31 de outubro de 1517, data que é considerada historicamente o início da Reforma Protestante e que é comemorada anualmente como o Dia da Reforma Protestante. Lutero também pode ter afixado as Teses na porta da Igreja do Castelo de Vitemberga e de outras igrejas em Vitemberga, de acordo com o costume da Universidade, em 31 de outubro, ou em meados de novembro. As Teses foram reimpressas pelo processo gráfico in statu nascendi traduzidas e distribuídas por grande parte da Alemanha e também da Europa. Iniciou-se uma “guerra panfletária” como meios de comunicação com o pregador de indulgências Johann Tetzel, contribuindo para a difusão positivas das ideias e da fama reformista de Lutero. Os superiores eclesiásticos de Lutero de forma autoritária o julgaram de heresia, o que culminou na sua excomunhão em 1521. Embora a publicação das Teses seja o início da Reforma Protestante, Lutero não considerava as indulgências tão importantes como questões teológicas que dividiriam a igreja, como a justificação pela fé e o livre arbítrio.

Sua descoberta viria mais tarde tornar-se um busílis, sendo que ele não via a escrita das Teses como divergente de suas crenças e contrárias daquelas da Igreja Católica. A Martin-Luther-Universität Halle-Wittenberg, também designada como MLU, é uma universidade orientada para a pesquisa social localizada nas cidades de Halle an der Saale e Vitemberga na Saxónia-Anhalt, Alemanha. Foi fundada em 1502 por Frederico III da Saxônia e a Universidade de Halle foi fundada em 1694 por Frederico I da Prússia, antes denominado Frederico III de Brandemburgo. A atual Universidade Martinho Lutero formou-se através da fusão de duas instituições universitárias. Uma delas fundada em Vitemberga em 1502 e outra em Halle, no ano de 1694. A história dessas duas instituições universitárias teve momentos marcantes. Por um lado, em Vitemberga lecionaram Martinho Lutero e Filipe Melâncton e, através desses dois personagens históricos, tornaram-se esta cidade e sua universidade centros da Reforma Protestante na Alemanha. Por outro lado, a Universidade de Halle tornou-se, em torno de 1700, o ponto de partida do Renascimento alemão, principalmente devido à atuação pragmática jurista Christian Thomasius e do filósofo Christian Wolff. Em 1813, Napoleão fechou a Universidade de Vitemberga por um curto período. Devido à reordenação territorial após as guerras napoleônicas, as universidades se unificaram em Halle em 1817. Essa especificidade das instituições encontra-se marcada no brasão duplo da Universidade Martinho Lutero.

 Nas Teses, Lutero afirmou que o arrependimento requerido por Cristo para que os pecados sejam perdoados envolve o arrependimento espiritual interior e não meramente uma confissão sacramental externa. Ele argumentou que as indulgências paradoxalmente levam os cristãos a evitar o verdadeiro arrependimento e a tristeza pelo pecado, acreditando que podem renunciá-lo comprando por um valor monetário uma indulgência. Estas também, de acordo com ele, desencorajam os cristãos de dar aos pobres e realizarem outros atos de misericórdia, acreditando que os certificados de indulgência eram mais valiosos espiritualmente. Apesar de Lutero ter afirmado que suas posições sobre as indulgências estavam de acordo com as do papa, as teses desafiaram uma bula pontifícia do século XIV, as quais afirmavam que “o papa poderia usar o tesouro do mérito e as boas obras dos santos do passado para perdoar a punição temporal pelos pecados”. As Teses são formuladas como proposições a serem discutidas em debate não representariam necessariamente as opiniões de Lutero, porém ele as esclareceu na obra: Explicações da Disputa sobre o Valor das Indulgências. Em fevereiro de 1518, o papa Leão solicitou ao chefe dos eremitas agostinianos, a ordem religiosa de Lutero, para convencê-lo a parar de difundir suas ideias sobre indulgências.

Lutero recebeu uma convocação para Roma em agosto de 1518. Ao apresentar suas opiniões mais abertamente, Lutero parece ter reconhecido que as implicações de suas crenças o afastavam do ensino oficial do que inicialmente sabia. Ele disse mais tarde que talvez não tivesse iniciado a controvérsia se soubesse até onde esta assim o conduziria. As Explicações foram reconhecidas como a primeira obra da Reforma Protestante de Lutero. Johann Tetzel (1465-1519) respondeu às Teses solicitando que Lutero fosse queimado por praticar heresia e que o teólogo Konrad Wimpina (1460-1531) escrevesse 106 teses contra a obra de Lutero. Tetzel defendeu-as perante a Universidade Europeia Viadrina em janeiro de 1518. Em torno de 800 exemplares da disputa impressa foram enviados para serem vendidos em Vitemberga, mas muitos estudantes da Universidade as pegaram do livreiro e as queimaram. Lutero ficou cada vez mais temeroso de que a situação estivesse fora de controle e que ele estaria pondo sua vida em perigo. Para aplacar seus oponentes, ele publicou a questão religiosa inferida sob o tema Um Sermão Sobre a Indulgência e a Graça, que não desafiou a autoridade do papa. Este panfleto, escrito em alemão, era muito curto e de fácil compreensão para os leigos.

A força de persuasão de Tetzel era tão grande que a campanha pelas indulgências ou perdões comprados por dinheiro alvoroçou toda Alemanha e acabou criando um opositor, menos oral mais cerebrino, Martinho Lutero, também padre, mas professor de teologia, que decidiu responder com 95 teses contra as indulgências. A Basílica de São Pedro foi construída, os cofres se encheram de moedas, tantas e tantas a ponto de Tetzel ser repreendido por seus superiores, porém, o que foi pior para a Igreja, a estrutura monolítica do cristianismo se arrebentou com a Reforma. Roma ganhou uma basílica, mas perdeu sua primazia. De divisões em divisões o cristianismo chegou ao evangelismo dos nossos dias no Brasil, no qual a maioria dos chamados pastores do gado sequer fizeram estudos de teologia. Extraordinários vendedores de barbatanas para colarinho na praça da Sé, em São Paulo, converteram-se em anunciadores do céu para todos, desde que pagos os dízimos e feitas as ofertas generosas para Deus. Como se Deus fosse um coletor de impostos. Sendo este o primeiro trabalho religioso bem-sucedido de Lutero, acabou por ser reimpresso vinte vezes. Johann Tetzel respondeu “com uma refutação ponto-a-ponto, citando a Bíblia e teólogos importantes”, porém, seu panfleto não era tão popular comparativamente quanto o de Lutero. A resposta ao panfleto de Tetzel, por outro lado, foi outro grande sucesso comunicativo de publicação. Outro crítico proeminente das Teses foi João Maier, amigo de Lutero e teólogo da Universidade de Ingolstadt. Maier escreveu uma refutação, destinada ao bispo de Eichstätt, intitulada Os Obeliscos.

O nome foi utilizado em referência aos obeliscos usados para marcar passagens heréticas em textos na Idade Média, sendo este um ataque pessoal áspero e inesperado, e na esfera política, acusando Lutero de heresia e estupidez. Lutero respondeu em privado com Os Asteriscos, intitulado após as marcas de asteriscos usadas para destacar textos importantes. A resposta de Lutero foi violenta e expressou a opinião que João Maier não compreendeu a matéria que ele escreveu. A disputa entre Lutero e Maier tornar-se-ia pública no debate de Leipzig em 1519. Lutero foi convocado pela autoridade do papa para defender-se contra acusações de heresia de Tomás Caetano (1469-1534) em Augsburgo, em outubro de 1518. Tommaso De Vio, reconhecido como Caetano foi um frade dominicano, exegeta, filósofo, teólogo e que se torna cardeal italiano. Mais tarde, mutatis mutandis - Lutero escreveria sobre seu discurso em que formulou as Teses ele permaneceu um papista, e não parecia pensar que as Teses representariam uma ruptura com a doutrina católica estabelecida. No entanto, foi fora da controvérsia das indulgências que o movimento intitulado Reforma começou, todavia, a controvérsia propeliu Lutero para a posição de liderança que ele iria desempenhar nesse movimento. 

As Teses também tornaram evidente que Lutero acreditava que a igreja não estava pregando corretamente e que isto colocava os leigos em grave perigo. As teses contradiziam o decreto do Papa Clemente VI, que afirmava que as indulgências são “o tesouro da igreja”.  Este desprezo pela autoridade papal pressagiou conflitos posteriores. Em 31 de outubro de 1517, o dia em que Lutero enviou suas teses à Alberto, foi comemorado como o início da Reforma já em 1527, momento em que Lutero e seus amigos brindaram com um copo de cerveja para comemorar o “pisoteio das indulgências”. A publicação das Teses foi estabelecida na historiografia da Reforma como o início do movimento por Filipe Melâncton na obra História de Vita et Actis Lutheri, de 1548. Durante o Jubileu da Reforma de 1617, o centenário de 31 de outubro foi comemorado com uma procissão à Igreja de Vitemberga, onde Martin Lutero teria afixado as teses. Como questão ligada ao processo de comunicação uma gravura demonstra Lutero escrevendo as Teses na porta da igreja com uma gigantesca pena, a qual penetra na cabeça de um leão que simboliza o Papa Leão X. Em 1668, o dia 31 de outubro foi oficializado como propaganda da igreja o Dia da Reforma Protestante, um festival anual da Saxônia e que se espalhou por terras.

A interpretação dessa compreensão mediana do ser só pode conquistar um fio condutor com a elaboração do conceito do ser. É a partir da claridade do conceito e dos modos de compreensão explícita nela inerentes que se deverá decidir o que significa essa compreensão. Quer do ser obscura e ainda não sendo esclarecida. E quais espécies de obscurecimento ou impedimento, são possíveis e necessários para um esclarecimento explícito do sentido do ser. A imediata compreensão do ser vaga e mediana pode também estar impregnada de teorias tradicionais e opiniões sobre o ser, de modo que tais teorias constituam, secretamente, e portanto, fontes primárias de compreensão geral dominante. O questionado da questão a ser elaborada presente é o ser, o que determina o ente como ente, como o ente já é sempre compreendido, em qualquer discussão que se pretenda. O ser dos entes não é em si apenas um Outro. O ser exige um modo próprio de demonstração na linguagem que se distingue da descoberta. Acentua compreender que o perguntado, o sentido do ser, requer também uma conceituação própria que, por sua vez,  se diferencia dos conceitos em que o ente alcança a determinação de seu significado.

As ideias movem-se, mudam de lugar, ganham força na história, apesar das formidáveis determinações internas e externas globais. O conhecimento transforma-se, progride, regride. Crenças e teorias renascem; outras, antigas, morrem. A primeira condição de uma dialógica cultural é a pluralidade e diversidade de pontos de vista. Essa diversidade cultural é potencial e está em toda parte. Toda sociedade comporta indivíduos genética, intelectual, psicológica e afetivamente muito diverso, apto, portanto, a outros pontos de vista cognitivamente muito variados. São, justamente, essas diversidades de pontos de vista culturais e políticos que inibem e a normalização reprime. Do mesmo modo, as condições sociais ou acontecimentos aptos a enfraquecerem o imprinting, segundo o pensamento de Edgar Morin, e a normalização permitirão às diferenças individuais exprimirem-se no domínio cognitivo. Essas condições de fato aparecem nas sociedades que permitem o encontro, a comunicação e o debate de ideias. A dialógica cultural supõe o comércio, constituído de trocas múltiplas de informações, ideias, opiniões, teorias; o comércio das ideias é tanto mais estimulado quanto mais se realizar com ideias de outras culturas do passado. O intercâmbio das ideias sociais produz o enfraquecimento dos dogmatismos e intolerâncias sociais e religiosas, o que resulta no próprio crescimento humano.

Comporta a competição, a concorrência, o antagonismo, o conflito social, moral e político, entre ideias, concepções e visões de mundo. A trivialização do conhecimento não faz produto do conhecimento apenas um produto determinado, faz também dele um produto qualquer. Mas as ideias podem tornar-se ideológicas na medida em que sua estrutura obedece às estruturas socioprofissionais, sua produção integra-se entre os outros processos de produção e a cultura torna-se cognoscível a partir das categorias econômicas do capital e do mercado. Mas nem a informação, nem a teoria, nem o pensamento abstrato, nem a cultura são produtos triviais, ainda que mais não seja pelo fato de serem, ao mesmo tempo, produtos/produtores e, mesmo comportando hologramaticamente a dimensão socioeconômica, não poderiam ser reduzidas a isso. A redução trivializante não teme exercer-se como sujeito sobre o conhecimento científico. Este nível abstrato como qualquer outro é apropriado pelo pensamento, como a religião e através da ciência, com suas relações de força e monopólios, lutas e estratégias, seus interesses e seus ganhos.

Mas, por seu lado, os estudos de etnografias dos laboratórios, estes que parecem ter dinamismo, demonstram-nos como se estabelecem mediações, em função de posições, ou status, as lutas e a utilização de alguns truques diabólicos pelo reconhecimento per se, pelo prestígio ou pela glória, com as negociações necessárias ao estabelecimento de uma prova, os ritos de passagem na pesquisa e na universidade. A motivação primeira do cientista é a notoriedade.  Mas não se pode reduzir o interesse científico ao interesse econômico, a vontade de pesquisar ao desejo de prestígio, a sede de conhecimento à sede de poder, em alguns casos terrenos sim. A sociologia não pode ser considerada uma concepção que exclui o indivíduo ou que, no máximo, o tolera. É uma concepção humanista, mas que deve implicá-lo e explicitá-lo. Sobre a aquisição do conhecimento pesa um formidável determinismo. Ele nos impõe o que se precisa conhecer, como se deve conhecer, se pode conhecer. Comanda, proíbe, traça os rumos, estabelece os limites, ergue cercas de arame e conduz-nos ao ponto onde devemos ir.

E também que conjunto prodigioso de determinações sociais, culturais e históricas é necessário para o nascimento da menor ideia, da menor teoria. Não bastaria limitarmo-nos a essas determinações que pesam do exterior sobre o conhecimento. É necessário considerar, também, os determinismos intrínsecos ao conhecimento, que são, segundo Edgar Morin, muito mais implacáveis. Em primeiro lugar, princípios iniciais, comandam esquemas e modelos explicativos, os quais impõem uma visão de mundo e das coisas que se governam/e controlam de modo imperativo e proibitivo a lógica dos discursos, pensamentos, teorias. Ao organizar os paradigmas e modelos explicativos associa-se o determinismo organizado dos sistemas de convicção e de crença que, quando reinam em uma sociedade, impõem a todos a força imperativa do sagrado, a força normalizadora do dogma, a força proibitiva do tabu. As doutrinas e ideologias dominantes nas sociedades dispõem também da força imperativa e coercitiva que evidencia aos convictos e o temor inibitório aos desalmados. A partir deste fundamento, compreendemos que ordem, desordem e organização são essenciais para o entendimento da questão da complexidade, pois se desintegram e se desorganizam ao mesmo tempo.

Nesse entendimento, constata-se que o sentido da realidade se dá por meio da relação do todo com as partes e vice e versa em uma análise integradora em que não é pertinente examinar o fenômeno a partir de uma única matriz de racionalidade. A desordem torna-se indispensável para a organização social da vida humana, pois a sociedade é dependente de acontecimentos/fatos que possam modificar a ordem já estabelecida para gerar novos meios de organização entre os sujeitos. Há um imprinting cultural, matriz que estrutura o conformismo, e há uma normalização que o impõe. O imprinting é um termo que Konrad Lorentz propôs para dar conta da marca incontornável pelas primeiras experiências do jovem animal, como o passarinho que, ao sair do ovo, segue como se fosse sua mãe, o primeiro ser vivo ao seu alcance. Há um imprinting cultural que marca os humanos, desde o nascimento, com o selo da cultura, primeiro familiar e depois a escola, prosseguindo na universidade ou na profissão. Contrariamente à orgulhosa pretensão dos intelectuais e cientistas, o conformismo cognitivo não é de modo algum uma marca de subcultura que afeta principalmente as camadas subalternas da sociedade. Os subcultivados sofrem um imprinting normalização atenuados e opiniões pessoais diante do balcão de café do que num coquetel literário.

Embora contrariados em contradição com seu desenvolvimento liberal intelectual que permite a expressão de desvios e de ideias e formas escandalosas, o imprinting e a normalização crescem paralelamente com a aquisição real da cultura. O imprinting cultural determina à desatenção seletiva, que nos faz desconsiderar tudo aquilo que não concorde com as nossas crenças, e o recalque eliminatório, que nos faz recusar toda informação inadequada às nossas convicções, ou toda objeção vinda de fonte técnica considerada ruim. A normalização manifesta-se de maneira repressiva ou intimidatória. Cala os que teriam a tentação de duvidar ou de contestar. A normalização, portanto, com seus subaspectos de conformismo, exerce uma prevenção contra o desvio e elimina-o, se ele se manifesta. Mantém, impõe a norma do que é importante, válido, inadmissível, verdadeiro, errôneo, imbecil, perverso. Indica os limites a não ultrapassar. As palavras que não devem proferir. Os conceitos a desdenhar, as teorias a desprezar. O imprinting assimila a perpetuação dos modos de conhecimento e verdades estabelecidas. Obedece a processos de tribunais: uma cultura produz modos de conhecimento entre os homens dessa própria cultura. Através do seu modo de conhecimento, reproduzem a legitimidade que a produz. As crenças que se impõem são fortalecidas pela fé que as suscitaram. Se reproduzem não somente os conhecimentos, mas as estruturas e os modos reguladores que determinam a invariância desses conhecimentos.  

É isto exatamente o que ocorre. A prova disso, no entanto, ocorre com as anulações de concursos quando não surge o candidato certo. Mas o inegavelmente ridículo é quando operam um parecer contrário. Sustentando que a carreira do pesquisador não apresenta o desempenho (fálico) estimulado, ultrapassado pela quase “meia verdade”, caraterizada pelo conceito de estigma especificamente propalado por um cientista político estudioso das relações concretas de poder nas instituições. Mas isso não deve mascarar ou anular a originalidade complexa da comunidade/sociedade constituída pela trupe de cientistas, nem as ideias fixas, as obsessões intelectuais, themata, autônomas e dissociadas da estrutura social, que animam ou dispensam a busca específica da verdade objetiva da qual Michel Foucault, com razão, apoiando-se na exterioridade visível que Magritte nomeia seus quadros dizendo: “Ceci n`est pas um pipe”, para impor respeito à denominação. Nesse espaço quebrado e à deriva, que exige respeito, estranhas relações se tecem, intrusões se produzem, bruscas invasões destrutoras, quedas de imagens em meios às palavras, fulgores verbais que atravessam os desenhos e fazem-no voar em pedaços.

 Pacientemente, Paul Klee constrói um espaço sem nome nem geometria, entrecruzando a cadeia dos signos e a trama das figuras. Magritte, quanto a ele, mina em segredo um espaço que parece mante na disposição tradicional. Mas ele o cava com palavras: e a velha pirâmide da perspectiva está carcomida em seu secreto mórbido está aponto de ruir, a sair de si própria e isolar-se. A arte da conversa, segundo Foucault (2016: 49) cotidianamente, “é a gravitação autônoma das coisas que fizeram suas próprias palavras na indiferença dos homens, impondo-a a eles, sem mesmo que eles o saibam, em sua tagarelice cotidiana”.  De fato, há nas formas sociais de motivação científica, um complexo variável e instável de interesse e desinteresse, do qual as buscas do graal de verdade, objetividade científico-social, elucidação são partes integrantes. A cegueira sobre tudo o que não é ambição, conhecimento e interesse e vaidade nos esclarece apenas sobre as motivações e os comportamentos dos que semeiam a cegueira. O que ocorre é que à sombra do paradigma dominante, o jovem Marx insistia em referir-se a ideologia dominante e intenso cretinismo, coquetel de racionalização delirante, de sofística refinada e  de grosseria determinista, trivializou pela força o não-trivial.

Ele se manifestou na biologia no determinismo pangenético, na linguística, na antropologia, na psicanálise e, evidentemente, na sociologia, na qual a complexidade das interações sociedade, a cultura e a sociedade e os indivíduos, foi ocultada pela concepção ao mesmo tempo determinista e trivial da sociedade e a organização do conhecimento; pisoteia todo o que deriva da criação intelectual; reduz a teoria e as ideias a puros objetos, produtos, instrumentos. Todas as interpretações deterministas, redutoras, trivializante têm algo em comum, por um lado, a ignorância do complexo das condições negativas ou permissivas favoráveis ao conhecimento e à ideia autônomos e, e por outro lado, uma rejeição extraordinária da ideia de indivíduo, inventor, criador; de resto, é aterrador ver o ódio suscitado entre os autores, os inventores e os criadores dessa desindividualização pela própria ideia de autor, inventor e criador. Percy Adlon é diretor, produtor e roteirista alemão. É considerado como um dos mais respeitados profissionais do cinema alemão, e de fato Adlon trabalhou como ator, antes de se tornar reconhecido como produtor de documentários. Em 1981, escreveu e dirigiu sua primeira peça teatral, Celeste, o relato etnográfico dos últimos dias de Proust, narrado por sua empregada.

A Monarquia da Finlândia representou uma monarquia constitucional que existiu na Finlândia até o ano de 1919, e inclui a Carélia, Åland, Lapônia, Kaleva e as Terras do Norte. A Finlândia declarou Independência da Rússia em 6 de dezembro de 1917, levando a um debate sobre se o novo Estado deveria declarar-se uma República ou permanecer uma monarquia. Na Declaração de Independência, os monarquistas eram uma minoria no Parlamento finlandês, e a Finlândia foi declarada uma república. No entanto, após a Guerra Civil Finlandesa, e embora o Partido Social Democrata pró-república tenha sido em grande parte excluído do Parlamento, o príncipe Frederico Carlos de Hesse foi eleito para o trono do Reino da Finlândia em 9 de outubro de 1918. O principal motivo para sua eleição foi a crença que, sendo cunhado do imperador Guilherme II da Alemanha, o seu reinado solidificaria a aliança da Finlândia com a Alemanha e, assim, proporcionaria proteção contra os russos. A adopção de uma nova constituição foi adiada pela Guerra Civil, e a legitimidade da eleição real baseou-se na Constituição da Suécia de 1772, adoptada pelo rei Gustavo III, quando a Finlândia fazia parte da Suécia.

O mesmo documento constitucional também serviu de base para o governo dos czares russos, como grão-duques da Finlândia, durante o século XIX, quando a enfraquecida Suécia perdeu a Finlândia para o Império Russo. A reação do regime bolchevique na Rússia foi, portanto, crucial. A Grã-Bretanha, os Estados Unidos, a Alemanha, a França e os outros países escandinavos mostraram-se inicialmente relutantes em reconhecer a recém-independente Finlândia, à espera da reação russa. Quando o governo de V. I. Lenin reconheceu a Independência da Finlândia, a Alemanha, além da França e de outros países escandinavos, rapidamente seguiu o exemplo. Em 11 de novembro de 1918, foi assinado o armistício entre as facções beligerantes da Primeira Guerra Mundial, e apenas dois dias antes Guilherme II abdicou e a Alemanha foi declarada uma república. A derrota da Alemanha na guerra e o facto declarado de que nenhum dos Aliados da Primeira Guerra Mundial alguma vez aceitaria um príncipe nascido na Alemanha como rei da Finlândia, levaram Frederico Carlos a renunciar ao trono em 14 de dezembro de 1918, sem nunca ter posto os pés no seu reino. Ele tinha hesitado antes devido às circunstâncias da eleição, onde 40% dos membros do Parlamento boicotaram a eleição.

Essa significação ainda é usada nos dias de hoje em certos contextos, como em discussões sobre Renascença Setentrional. Em tempos medievais, o termo “(Ultima) Thule” era usado para inferior a um local semimístico ao extremo norte do continente. No contexto da União Europeia, Dinamarca, Suécia, Finlândia, Alemanha, Bélgica e Países Baixos são frequentemente vistos como pertencentes ao “Grupo do Norte”. Atualmente o significado do termo é de natureza subjetiva, geralmente determinado pela visão geopolítica de quem nomeia. Isso significa também que a definição é largamente sociopolítica, visto que não há justificativa para incluir a Inglaterra como parte da Europa. Como em todos os municípios finlandeses, o conselho da cidade de Helsínquia, é o principal órgão de tomada de participação na política local, tratando de questões como o planejamento da cidade, escolas, saúde e transporte público. Os 85 membros que compõem o conselho são eleitos a cada 4 anos nas eleições municipais. Tradicionalmente, os conservadores, o Partido de Coligação Nacional (Kokoomus) tem sido o maior partido na política de Helsínquia. Na eleição de 2000, a Liga Verde, ganhou a posição de segundo partido mais popular. Em 2004 o mais popular foi o Partido Social Democrata (SDP). Na eleição de 2008, a Liga Verde voltou a ser o segundo partido mais forte. O Partido Central da Finlândia, apesar de ser um dos três maiores partidos na política nacional, só tem pouco apoio em Helsínquia, como acontece na maioria das outras grandes cidades.

A Finlândia possui uma economia de mercado altamente industrializada, com produção per capita maior que a do Reino Unido, França, Alemanha e Itália. O padrão de vida finlandês é elevado. O setor chave de sua economia é a indústria - principalmente madeireira, metalurgia, engenharia, telecomunicações destaque para a Nokia e produtos eletrônicos. O comércio externo é importante, representando cerca de 1/3 do PIB. Com exceção de madeira e de vários minérios, a Finlândia depende de importações de matérias primas, energia, e alguns componentes de bens manufaturados. Por causa do clima rigoroso, o desenvolvimento da agricultura é limitado a produtos básicos de subsistência. A exploração madeireira, uma importante fonte de renda, fornece um segundo trabalho para a população rural. O processo de rápida integração à Europa Ocidental - a Finlândia foi um dos 11 países que aderiram ao Euro - dominará o cenário dos próximos anos. O crescimento foi fraco em 2002 e se reduziu novamente em 2003 devido à depressão global. O país é o quarto no ranking de competitividade do Fórum Econômico Mundial.

Em 2020, o país foi o 41º maior exportador do mundo (US $ 73,3 bilhões, 0,4% do total mundial). Na soma de bens e serviços exportados, chega a US $ 107,4 bilhões, ficando em 36º lugar mundial. Nas importações, em 2019, foi o 43º maior importador do mundo: US $ 73,5 bilhões. Na pecuária, a Finlândia produziu, em 2019, 2,3 bilhões de litros de leite de vaca, 168 mil toneladas de carne suína, 130 mil toneladas de carne de frango, 87 mil toneladas de carne bovina, entre outros. O Banco Mundial lista os principais países produtores a cada ano, com base no valor total da produção. Pela lista de 2019, a Finlândia tinha a 44ª indústria mais valiosa do mundo (US $ 39,6 bilhões).  Em 2019, a Finlândia era o 38ª maior produtor de veículos do mundo (114 mil) e o 37ª maior produtor de aço (3,5 milhões de toneladas). O país também era o 7º maior produtor mundial de papel em 2019. Nas energias não-renováveis, em 2020, o país não produzia petróleo. Em 2019, o país consumia 193 mil barris/dia (57º maior consumidor do mundo). O país foi o 31º maior importador de petróleo do mundo em 2013 (236 mil barris/dia). Em 2020, o país quase não produzia gás natural. Em 2010 a Finlândia era a 33ª maior importadora de gás do mundo (4,7 bilhões de m³ ao ano). O país também não produz carvão. Em 2019, a Finlândia tinha 4 usinas atômicas em seu território, com uma potência instalada de 2,7 GW. Nas energias renováveis, em 2020, a Finlândia era o 28º maior produtor de energia eólica do mundo, com 2,4 GW de potência instalada, e o 51º maior produtor de energia solar do mundo, com 0,3 GW de potência instalada.

Bibliografia Geral Consultada.

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