sexta-feira, 26 de junho de 2026

Águas Que Corroem – Sobrevivência & Astúcia em Suspense Policial.

          Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem”. Bertolt Brecht  (1898-1956)                           

         Astúcia da razão (do alemão: List der Vernunft) é uma expressão desenvolvida por Friedrich Hegel para designar o processo pelo qual, ao longo da história humana, realiza-se um propósito racional que não é consciente para os indivíduos que nele atuam. Hegel aplica a noção ao fim último do mundo: a tomada de consciência do espírito sobre sua própria liberdade. Esse fim representa o elemento racional da história e se concretiza através das ações humanas, ainda que estas sejam motivadas por paixões ou interesses particulares. A razão seria “astuciosa” porque permite que tais paixões atuem livremente, mas faz delas instrumentos para alcançar seus próprios objetivos. O custo dessa realização não recai sobre a ideia, e sim sobre os indivíduos que, movidos por seus impulsos, sofrem perdas no processo. Para Hegel, a razão não age diretamente; ela interpõe entre si e a realidade um elemento mediador: as ações humanas. A razão governa o mundo e se realiza gradualmente através do desenvolvimento histórico. A história é o processo racional e necessário pelo qual o espírito se desdobra e se torna consciente. É o “progresso na consciência da liberdade”, chegando a ser chamada pelo filósofo de “obra de Deus”. Os indivíduos, nesse processo, tornam-se servidores de uma necessidade superior que eles não compreendem. Suas ações, mesmo movidas por paixões privadas, contribuem para a construção da vida ética e para a realização dos fins do espírito do mundo.  Os conceitos se desenvolvem dialeticamente: um contém o outro e se define em oposição a ele. Assim, o Absoluto se realiza historicamente nas etapas do pensamento do “em si”, “para si” e “em si e para si”. 

        Ao longo do decorrer dos séculos, o espírito absoluto se revela progressivamente, sendo desvelado pelo conhecimento como a essência divina manifestada no mundo.  A natureza é o espírito em sua forma alienada. Deus se manifesta na história humana.  O indivíduo, por meio do Estado a que pertence, está submetido a um destino histórico. Grandes figuras na história social como Napoleão Bonaparte (1769-1821), chamado por Friedrich Hegel (1770-1831) de “espírito do mundo a cavalo” — apenas pressentem o que é necessário em determinado momento. Assim, o homem frequentemente se torna instrumento dessas forças objetivas. Fala-se da astúcia da razão quando alguém age sem perceber que está servindo a um fim maior da história. A pessoa pode acreditar estar perseguindo sua honra, ambição ou carreira profissional, mas, na verdade, age como veículo da racionalidade histórica. De acordo com sua compreensão dos processos históricos, o indivíduo pode tornar-se instrumento consciente ou inconsciente de fins superiores. Assim, a concepção kantiana do ser humano como fim em si mesmo perde centralidade. Hegel foi criticado por atribuir peso excessivo ao Estado e menor ao indivíduo, em contraste com autores iluministas como Kant e Rousseau. Para Hegel, a liberdade não é apenas individual, mas objetiva e social, realizando-se plenamente no Estado que ele define como a “realidade da ideia ética”. Depois da Revolução Francesa, a liberdade torna-se algo realizável para todos apenas nos Estados modernos. Nesse processo de realização da liberdade universal, povos e indivíduos podem ser sacrificados e é nesse sacrifício que se expressa a astúcia da razão. 

            A racionalidade prevalece sobre os interesses individuais. A visão de Hegel provocou críticas tanto de hegelianos de esquerda quanto de Karl Marx, que adotou a dialética, mas rejeitou a noção de um espírito que conduz a história. Para Marx, o motor da história não é a astúcia da razão, mas o trabalho humano e as condições materiais.  A crítica de Theodor Adorno à filosofia hegeliana retomaria esse ponto. Apesar disso, para Hegel o indivíduo não é marionete: sua consciência é fundamental nela residem o trabalho e valor pessoal. Águas Que Corroem (Rust Creek) tem como representação social um filme norte-americano de suspense policial de 2018 dirigido por Jen McGowan e escrito por Julie Lipson. Jen McGowan começou sua carreira como cineasta quando recebeu seu Bachelor of Fine Arts Degree da Tisch School of the Arts da Universidade de Nova York, uma instituição privada de pesquisa de Nova York, Estados Unidos da América. Jen McGowan é uma cineasta norte-americana. No Festival de Cinema South by Southwest de 2014, McGowan ganhou o prêmio Gamechanger por Kelly & Cal, seu primeiro longa-metragem. McGowan é a criadora do filmpowered.com, um recurso internacional de compartilhamento de habilidades, networking e empregos para mulheres profissionais no cinema e na televisão. Jen McGowan começou sua carreira como cineasta quando recebeu seu BFA da Tisch School of the Arts da NYU, estudou cinema e treinou como atriz na Atlantic Theater Company com David Mamet, William H. Macy e Sam Shepard. Nesse período, McGowan trabalhou com companhias RSA/Black Dog, A Band Apart, Killer Films e Propaganda. E em longas-metragens independentes, incluindo o vencedor do Oscar Boys Don`t Cry.                                

McGowan recebeu uma bolsa da The Cáucus Foundation para seu filme de tese, Confessions of a Late Bloomer (2005), que começou sua trajetória em festivais no Tribeca Film Festival. McGowan dirigiu então o curta-metragem Touch, que ganhou o Grande Prêmio do Júri de Melhor Curta-Metragem Narrativo no Festival de Cinema da Flórida de 2010, qualificando o filme para a indicação ao Oscar. McGowan começou o desenvolvimento de Kelly & Cal, sua estreia na direção de longas-metragens, através do projeto First Team na Universidade do Sul da Califórnia, que fomentou projetos para seus ex-alunos. Seu segundo longa-metragem, Rust Creek (Águas Que Corroem), foi distribuído pela IFC Midnight. Ela dirigiu episódios de programas de televisão como The Twilight Zone, Star Trek: Discovery e Titans. Ela é membro Icon da Alliance of Women Directors, membro da filial de Los Angeles da Film Fatales, bolsista da Film Independent e membro da Academia de Televisão. McGowan é copresidente do Programa Squad do Comitê Diretivo Feminino da DGA, a apoiar diretoras da DGA em meio de carreira. Rust Creek (Águas Que Corroem) tem como representação social um filme independente de suspense policial estadunidense de 2018 dirigido por Jen McGowan e escrito por Julie Lipson. 

É baseado em uma história original de Julie Lipson e Stu Pollard. Hermione Corfield estrela como uma estudante universitária que se perde durante uma viagem e é caçada por criminosos que acreditam que ela é uma testemunha de seus crimes na vida cotidiana. Ele estreou no Festival de Cinema de Bentonville de 2018 e foi lançado nos cinemas em 4 de janeiro de 2019. O elenco é formado por Hermione Corfield como Sawyer Scott, Jay Paulson como Lowell Pritchert, Sean O`Bryan como Xerife O`Doyle, Micah Hauptman como Hollister, Daniel R. Hill como Buck, Jeremy Glazer como policial Nick Katz, John Marshall Jones como Comandante Douglas Slattery, Laura Guzman como Charlotte, Virginia Schneider como Donna, Denise Dal Vera como Sra. Gander. Escólio: Sawyer Scott, uma veterana do Center College, recebe uma oferta para uma entrevista de emprego em Washington, D. C. Envergonhado por não conseguir o emprego, Sawyer pula o Dia de Ação de Graças com sua família para viajar para a entrevista sem contar a ninguém sobre seus planos. Depois de encontrar tráfego de feriados na Interestadual 64, ela pega uma rota alternativa, mas a encontra parcialmente fechada. Viajando ainda mais fundo na floresta Apalaches, Sawyer eventualmente se vira, mas é avistada pelos irmãos Hollister e Buck, que estão enterrando um corpo. Preocupados em que ela possa tê-los visto, os irmãos seguem Sawyer e a encontram estudando um mapa de papel durante uma parada repentina na estrada. Oferecendo ajuda, os irmãos per se logo se tornam hostis quando Sawyer rejeita o convite para jantar. Buck e Sawyer são feridos por sua faca durante a luta. Os irmãos a perseguem na floresta por uma curta distância, mas voltam quando a noite cai. Desorientada e ferido, Sawyer passa a noite em uma ravina.

Apalaches são uma cordilheira da América do Norte, contraparte oriental das Montanhas Rochosas, que se estende por quase 3 200 km da Terra Nova e Labrador, no Canadá, ao estado de Alabama, no sudeste dos Estados Unidos. Compõem a barreira natural entre a planície costeira oriental e as planícies interiores da América do Norte. Estão divididas em três grandes regiões fisiográficas (Setentrional, Central e Meridional) e incluem as montanhas Shickshocks e as cadeias de Notre Dame em Quebeque; Long Range, na ilha de Terra Nova; o monte Katahdin no Maine; as Montanhas Brancas de Nova Hampshire; as Montanhas Verdes, que se tornam as Colinas Berkshire em Massachussets, Connecticut e o leste de Nova Iorque. As montanhas Catskill, em Nova Iorque, estão no centro dos Apalaches, assim como o início da cordilheira Cume Azul no sul da Pensilvânia e montanhas Allegheny, no sudoeste de Nova Iorque, Oeste da Pensilvânia e Marilândia e Leste de Ohio. Esta área inclui os Alleghenies da Virgínia Ocidental e Virgínia; a cordilheira Cume Azul, que se estende pela Virgínia e pelo oeste da Carolina do Norte, a ponta Noroeste da Carolina do Sul e a parte Nordeste da Geórgia; as Montanhas Unaca, no Sudoeste da Virgínia, Leste do Tenessi e Oeste da Carolina do Norte das quais as montanhas Great Smoky fazem parte; e os montes da Cumberlândia no Leste do Quentuqui, Sudoeste da Virgínia Ocidental e da Virgínia, Leste do Tenessi e norte do Alabama. Suas maiores elevações estão na divisão Norte, com o Monte Katahdin do Maine (1 606 metros), o monte Washington de Nova Hampshire (1 916 metros) e outros pináculos nas Montanhas Brancas que se elevam acima de 1 525 metros, e na região Sul, onde os picos das Montanhas Negras da Carolina do Norte e das Montanhas Great Smoky do Tenessi-Carolina do Norte se elevam acima dos 1 825 metros) e todo o sistema alcança seu pico mais alto no Monte Mitchell (2 037 metros).

Depois de receber um Relatório de veículo abandonado, o xerife O`Doyle do condado questiona Hollister e Buck, conhecidos criadores de problemas locais, mas eles negam envolvimento com o desaparecimento de Sawyer. Os irmãos mais tarde retornam ao veículo de Sawyer e jogam-no em um aterro na floresta, retomando sua busca por ela. Sawyer encontra os destroços de seu carro e descobre seu telefone celular, mas a bateria do telefone está acabando e não há sinal de celular. Sofrendo de fome, desidratação e perda de sangue, Sawyer perde a consciência perto de um depósito de lixo na floresta e é descoberta por Lowell, um fabricante de metanfetamina que é primo de Hollister e Buck. Lowell trata a perna ferida de Sawyer e oferece a ela comida e água, mas ele a amarra com cordas depois que ela joga soda cáustica em seu rosto em uma tentativa de fuga. Os irmãos chegam para discutir o próximo lote de metanfetamina de Lowell, mas ficam desconfiados quando Lowell os impede de entrar. Depois que os irmãos se vão, Lowell explica que não está mantendo Sawyer como refém, mas esperando que os irmãos entreguem o lote de metanfetamina para que ele possa pegar a caminhonete e levá-la para um local seguro. Sawyer relaxa e se liga a Lowell em  discussão sobre a química envolvida na preparação de metanfetamina, ajudando-o a preparar o lote.   

No escritório do xerife, O`Doyle ordena que o policial Katz ignore o Relatório do veículo desaparecido, mas permite que Katz entre em contato com o proprietário registrado para se acalmar. Quando o comandante Slattery chega, Katz retransmite as informações que reuniu sobre o desaparecimento de Sawyer. Slattery expressa descontentamento com a forma como ele está lidando com o caso e exige ação, irritando O`Doyle que retorna para Hollister e Buck e exige que eles encontrem Sawyer, revelando seu envolvimento com a operação de metanfetamina. Depois que Katz ouve um telefonema entre O`Doyle e os irmãos, ele tenta prender o xerife, mas O`Doyle o mata e faz com que os irmãos se livrem de seu corpo. Quando Slattery retorna, O`Doyle descobre evidências plantadas que implicam Katz no desaparecimento de Sawyer e encobre o assassinato de Katz. Enquanto Slattery mobiliza a polícia estadual, assumindo a investigação de O`Doyle, o xerife sai para ajudar na entrega de metanfetamina dos irmãos, planejando ofuscar o cartel de drogas que está se movendo para a região. Os irmãos chegam a Lowell para pegar o lote de metanfetamina e descobrir Sawyer com ele. Lowell afirma que Sawyer “treinou”, instruindo-a a micro-ondas com uma xícara de café para ele em uma garrafa térmica vista anteriormente como contendo amônia anidra.

O forno micro-ondas explode, matando Buck e ferindo gravemente Lowell e Hollister, mas Lowell protege Sawyer da explosão. Sawyer escapa enquanto o trailer queima, e Lowell luta para dominar Hollister. O`Doyle chega e mata os dois primos, então pega Sawyer. Sawyer reconhece a voz de O`Doyle e percebe que suas intenções são hostis, alertando-o. O” Doyle a leva até o Rust Creek titular e tenta afogá-la, mas ela o esfaqueia com um garfo que escorregou do trailer de Lowell antes. Finalmente livre de seus perseguidores, Sawyer manca com determinação pela estrada enquanto vários carros da polícia estadual convergem atrás dela. O filme estreou no Festival de Cinema de Bentonville em 3 de maio de 2018. O filme ganhou o prêmio de Melhor Filme de Thriller no Festival Internacional de Cinema de San Diego de 2018. Foi lançado para vídeo sob demanda pelos serviços da IFC Midnight Films em 4 de janeiro de 2019. Em 30 de novembro de 2020, Rust Creek estreou na Netflix. O filme ficou mais de uma semana na lista dos dez melhores filmes da Netflix. Rust Creek tem um índice de aprovação de 84% no Rotten Tomatoes com base em 44 avaliações. O consenso crítico do site afirma: “Rust Creek subverte as expectativas com um drama de sobrevivência surpreendentemente em camadas ancorado em um cenário rico e uma atuação principal emocionante de Hermione Corfield”. Metacritic, que usa uma média ponderada, atribuiu uma pontuação de 59 de 100 com base em 12 críticos, indicando “revisões mistas ou médias”. Fundada em 1832 por Albert Gallatin (1761-1849), mutatis mutandis, como uma instituição não denominacional exclusivamente masculina perto da Prefeitura, com base em um currículo centrado em educação secular. A universidade mudou-se em 1833 e mantém seu campus principal em Greenwich Village, ao redor do Washington Square Park. 

Desde então, a universidade adicionou uma escola de engenharia no MetroTech Center do Brooklyn e escolas de pós-graduação em Manhattan. A NYU é uma das maiores universidades privadas dos Estados Unidos em número de matrículas, com um total de 51.848 alunos matriculados em 2021. É uma das escolas mais concorridas do país e o processo de admissão é considerado seletivo. Lá, ela estudou cinema e treinou como atriz na Atlantic Theater Company com David Mamet, William H. Macy e Sam Shepard. O filme é baseado em uma história social original de Lipson e Stu Pollard. A atriz Hermione Corfield estrela interpretando o papel de uma estudante universitária que se perde durante uma viagem de carro e passa “a ser caçada por criminosos que acreditam que ela seja testemunha de seus crimes”. O filme estreou no Festival de Cinema de Bentonville de 2018 e foi lançado nos cinemas em 4 de janeiro de 2019 pela IFC Films.  A NYU é um sistema universitário global com campi que conferem diplomas na NYU Abu Dhabi nos Emirados Árabes Unidos e na NYU Shanghai na China, e centros de aprendizagem acadêmica em Accra, Berlim, Buenos Aires, Florença, Londres, Los Angeles, Madri, Paris, Praga, Sydney, Tel Aviv, Tulsa e Washington, DC. O corpo docente e os ex-alunos, atuais e antigos, incluem 39 laureados com o Prêmio Nobel, 8 vencedores do Prêmio Turing, 5 medalhistas Fields, 31 bolsistas MacArthur, 26 vencedores do Pulitzer, 3 chefes de Estado, 5 governadores, 12 senadores e 58 membros da Câmara dos Representantes dos Unidos da América. Albert Gallatin (1761–1849) secretário do tesouro sob Thomas Jefferson (1743-1826) e James Madison, declarou sua intenção de estabelecer “nesta imensa e crescente cidade (...) um sistema de educação racional e prática, adequado e graciosamente aberto a todos”. 

Uma “convenção literária e científica” de três dias, realizada na Prefeitura em 1830 e com a presença de mais de 100 delegados, debateu os termos de um plano para uma nova universidade. Esses nova-iorquinos acreditavam que a cidade precisava da universidade voltada para jovens admitidos com base no mérito, e não em direito de nascimento ou classe social. Em 18 de abril de 1831, a instituição que se tornaria a NYU foi fundada com o apoio de “um grupo de proeminentes moradores da cidade de Nova York, incluindo comerciantes, banqueiros e negociantes”. Gallatin foi eleito seu primeiro presidente. Em 21 de abril de 1831, a nova instituição recebeu sua carta constitutiva e foi incorporada como Universidade da Cidade de Nova York pela Assembleia Legislativa do Estado de Nova York; documentos mais antigos frequentemente se referem a ela por esse nome. A universidade é popularmente reconhecida como Universidade de Nova York desde sua fundação e foi oficialmente renomeada como Universidade de Nova York em 1896. Em 1832, a NYU realizou suas primeiras aulas em salas alugadas do Clinton Hall, um prédio de quatro andares situado perto da Prefeitura. Em 1835, foi fundada a Faculdade de Direito, a primeira escola profissional da NYU. Embora o ímpeto para fundar uma nova escola tenha sido em parte uma reação dos presbiterianos evangélicos (cf. Weber, 2003) ao que eles percebiam como o episcopalismo do Columbia College, a NYU, entretanto, foi criada não-denominacional, ao contrário de muitas faculdades norte-americanas.

Debates e propostas sobre a fundação de uma universidade na Província de Nova Iorque começaram a ascender em 1704, quando o então governador Lewis Morris escreveu à Sociedade para Propagação do Evangelho no Exterior - o corpo missionário da Igreja da Inglaterra, tentando persuadi-los de que Nova Iorque era o local ideal para a construção de uma instituição educacional superior. Contudo, somente após a fundação da Faculdade de Nova Jérsei (atual Universidade Princeton), na margem oposta do Hudson, as autoridades da cidade de Nova Iorque consideraram seriamente a fundação de uma universidade própria. Em 1746, a assembleia geral de Nova Iorque aprovou um ato de levantamento de fundos para financiar a nova instituição. Em 1751, a assembleia elegeu uma comissão de dez moradores da região, sete dos quais eram membros da Igreja da Inglaterra, para dirigir os fundos angariados na fundação da faculdade. As primeiras aulas ocorreram em julho de 1754, ministradas pelo primeiro presidente da universidade, Dr. Samuel Johnson. Johnson era o único instrutor da primeira classe da faculdade, que consistia somente em oito docentes. A primeira sede da instituição funcionou num prédio anexo à Igreja da Trindade, hoje na porção sul da Broadway, em Manhattan. Tendo como data oficial de fundação o dia 31 de outubro de 1754, a instituição foi “batizada como King`s College por carta régia de Jorge II da Grã-Bretanha”, tornando-se a primeira instituição de nível superior do estado de Nova Iorque e a quinta a ser fundada no país. Em 1763, Johnson foi sucedido por Myles Cooper, um graduado do The Queen`s College de Oxford e um defensor ferrenho do partido Tory.

 No tenso cenário política da Revolução Americana, seu principal oponente ideológico foi um docente da classe de 1777, Alexander Hamilton (1755/1757-1804). Quando da eclosão da Guerra da Independência em 1776, a faculdade suspendeu suas atividades por oito anos. A suspensão permaneceu durante a ocupação de Nova Iorque pelas tropas britânicas até a sua rendição e partida em 1783. Durante a campanha militar, a biblioteca da universidade foi loteada e seu prédio utilizado como hospital militar por tropas americanas e britânicas. Após o conflito, a liderança expulsou os Lealistas da universidade, que teve seu nome modificado para Columbia College, visando reforçar os ideais nacionalistas americanos. Os Lealistas, por sua vez, liderados pelo Bispo Charles Inglis (1734-1816), fundaram o King`s Collegiate School, em Windsor. Na década de 1780, o nome da instituição foi modificado para homenagear Colúmbia, personificação do ideal revolucionário americano. Após o período revolucionário, a universidade voltou-se ao estado de Nova Iorque na tentativa de restaurar seus anos de atividade, prometendo modificar o que fosse necessário para suprir as demandas estaduais. A legislatura concordou em assistir financeiramente à faculdade e, em 1° de maio de 1784, aprovou “um ato concedendo certos privilégios à instituição anteriormente conhecida como King`s College”.

O ato estabeleceu uma Comissão de Regentes com finalidade de supervisionar a reestruturação da faculdade e, numa tentativa de demonstrar seu apoio ao governo federal emergente, a legislatura estipulou que “a faculdade na Cidade de Nova Iorque a partir de então seria chamada e conhecida pelo nome Columbia College”, uma referência à personificação da América. A Comissão de Regentes concluiu a constituição da faculdade em fevereiro de 1787 e, logo em seguida, elegeu um comitê revisor, liderado por John Jay e Alexander Hamilton. Em abril do mesmo ano, uma nova carta foi adotada pela instituição, sendo a que se mantém até a atualidade. Em 21 de maio de 1787, William Samuel Johnson, filho de Samuel Johnson, foi eleito por unanimidade para a presidência do Columbia College. Antes de presidir a universidade, Johnson havia sido membro do Primeiro Congresso Continental e delegado na Convenção de Filadélfia. Durante certo período na década de 1790, em que Nova Iorque foi capital federal e estadual, a universidade voltou ao seu auge. George Washington (1732-1799) e John Adams (1735-1826), os primeiros presidente e vice-presidente, ipso facto, presentes na cerimônia de inauguração da universidade em 6 de maio de 1789. Columbia sempre figurou entre as 20 melhores instituições de Ensino Superior do mundo globalizado e recentemente, 2014, foi considerada a 4º melhor universidade dos Estados Unidos, segundo o US News & World Report, e como a 12º melhor universidade do mundo pelo Times Higher Education.

A universidade tem mais de 132 000 m² só no seu campus principal. Columbia é dividida em várias escolas de graduação/profissionais como por exemplo: Columbia College (CC), The Fu Foundation School of Engineering and Applied Sciences (SEAS), The School of General Studies (GS), The Business School (BS), entre outras. Além do campus principal há o campus de Ciências Médicas, localizado no bairro de Washington Heights. Várias residências estudantis estão localizadas dentro do próprio campus e o alojamento nestas é garantido a todos os alunos de graduação. A universidade atualmente opera postos de pesquisa em 8 localidades ao redor do mundo, com o objetivo de fomentar e facilitar a troca de conhecimento e propor soluções para problemas globais. Os primeiros centros foram inaugurados em março de 2009 em Pequim e Amã, sendo em seguida inaugurados centros em Paris e Bombaim, em março de 2010, e Nairóbi, em janeiro de 2012. Outros centros foram abertos em Istambul, Santiago e Rio de Janeiro, Brasil em 2012 e 2013, respectivamente. Não queremos perder de vista que a Sociedade Americana de Química foi fundada em 1876 na NYU. Logo após sua fundação, tornou-se uma das maiores universidades do país, com 9.300 alunos matriculados em 1917.        

A universidade adquiriu um campus em University Heights, no Bronx, devido à superlotação no antigo campus. A NYU também desejava acompanhar o desenvolvimento da cidade de Nova York em direção ao norte. A mudança da NYU para o Bronx ocorreu em 1894, liderada pelos esforços do Chanceler Henry Mitchell MacCracken (1840-1918). O campus de University Heights era muito mais espaçoso do que seu antecessor. Como resultado, a maior parte das operações da universidade, juntamente com a Faculdade de Artes e Ciências e a Escola de Engenharia, foram instaladas lá. As operações administrativas da NYU foram transferidas para o novo campus, mas as escolas de pós-graduação da universidade permaneceram em Washington Square. Em 1914, o Washington Square College foi fundado como a faculdade de graduação da NYU no centro da cidade. Em 1935, a NYU inaugurou o “Nassau College-Hofstra Memorial da Universidade de Nova York em Hempstead, Long Island”. Esta extensão universitária mais tarde se tornaria uma Universidade Hofstra totalmente independente. Em 1950, a NYU foi eleita para a Associação de Universidades Americanas, uma organização sem fins lucrativos de universidades de pesquisa públicas e privadas líderes. A crise financeira atingiu o governo da cidade de Nova York no final da década de 1960 e início da década de 1970, e os problemas se espalharam para as instituições da cidade, incluindo a NYU.

Sentindo a pressão econômica da falência iminente, o presidente da NYU, James McNaughton Hester (1924-2014), negociou a venda do campus de University Heights para a City University of New York, o que ocorreu em 1973. Neste ano, a Escola de Engenharia e Ciências da Universidade de Nova York fundiu-se com o Instituto Politécnico do Brooklyn, que eventualmente se fundiu novamente com a NYU em 2014, formando a atual Escola de Engenharia Tandon. Após a venda do campus do Bronx, o University College fundiu-se com o Washington Square College. Na década de 1980, sob a liderança do presidente John Brademas, a NYU lançou uma campanha de um bilhão de dólares liderada por Naomi B. Levine (1923-2021) e gasta quase inteiramente na modernização das instalações. A campanha estava prevista para ser concluída em 15 anos, mas acabou sendo concluída em 10. Em 1991, Lawrence Jay Oliva (1933-2014) foi empossado como o 14º presidente da universidade. Após sua posse, ele iniciou a formação da Liga das Universidades Mundiais, uma organização internacional composta por reitores e presidentes de universidades urbanas em seis continentes. A liga e seus 47 representantes se reúnem a cada dois anos para discutir questões globais na educação. Em 2003, John Sexton lançou uma “campanha de 2,5 mil milhões de dólares para serem gastos especialmente em recursos para o corpo docente e para o auxílio financeiro”.

Sob a liderança de Sexton, a NYU também começou a sua transformação numa universidade global, incluindo a abertura de um campus em Abu Dhabi em 2010. Empréstimos hipotecários concedidos pela universidade a alguns administradores e professores foram criticados após a publicação de reportagens em agosto de 2013, que detalhavam os termos dos empréstimos, incluindo o fato de a instituição ter concedido alguns com taxas de juros próximas de zero por cento e outros que foram parcialmente perdoados. De forma singular entre as universidades, a instituição também concedeu empréstimos multimilionários para casas de férias de luxo. O presidente Sexton renunciaria ao cargo no final de seu mandato em 2016, após um voto de desconfiança em março de 2013, seguido de perto por controvérsia sobre ter recebido um empréstimo para uma casa de férias da NYU. Em agosto de 2018, a Escola de Medicina Grossman da Universidade de Nova Iorque anunciou que iria oferecer bolsas de estudo integrais a todos os alunos atualmente e futuros do seu programa de Medicina, independentemente da necessidade ou do mérito, tornando-se a única escola de medicina entre as 10 melhores dos Estados Unidos a fazê-lo.  Na primavera de 2022, o presidente Andrew D. Hamilton anunciou que o ano letivo de 2023 seria o seu último e que ele retornaria à pesquisa. Ele foi sucedido por Linda G. Mills, a primeira presidente mulher da universidade.

Bibliografia Geral Consultada.

BENJAMIN, Walter, L`Opera d`Arte nell`Epoca della Riproducilità Técnica. Turim: Einaudi Editore, 1966; HESTER, James, Universidade de Nova York; A Universidade Urbana Atingindo a Maioridade. Nova York: Sociedade Newcomen na América do Norte, 1971; STOECKEL, Althea Lucille, Presidents, Professors, and Politics: The Colonial Colleges and the American Revolution. Publisher Ball State University. Department of History, 1976; IANNI, Octavio, Dialética e Capitalismo – Ensaio Sobre o Pensamento de Marx. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 1982; ADORNO, Theodor, Dialética do Esclarecimento: Fragmentos Filosóficos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1985; LÖWITH, Karl, From Hegel to Nietzsche. New York: Columbia University Press, 1991; GITLOW, Abrahm, NYU`s Stern School of Business: A Centennial Retrospective. New York: NYU Press, 1995; MIRANDA, Paulo Henrique Façanha de, Das Palavras à Vida: O Prazer em Max Weber. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais. Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes. Natal: Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2009; ASLAN, Odete, O Ator no Século XX. São Paulo: Editora Perspectiva, 1994; ELIAS, Norbert, A Sociedade dos Indivíduos. 1ª edição. Rio de Janeiro: Zahar, 1994; Idem, O Processo Civilizador: Uma História dos Costumes. Volume 1. 2ª edição. Apresentação de Janine Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 2011; ŽIŽEK, Slavoj, Menos Que Nada: Hegel e a Sombra do Materialismo Dialético. São Paulo: Boitempo Editorial, 2013; FANTA, Daniel, A Neutralidade Valorativa: A Posição de Max Weber no Debate sobre os Juízos de Valor. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Sociologia. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Departamento de Sociologia. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2014; LIMA, Bruna Della Torre de Carvalho, Adorno, Crítico Dialético da Cultura. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Sociologia. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2017; BECKER, Howard Saul, Outsiders: Estudo de Sociologia do Desvio. 2ª edição. Rio de Janeiro: Zahar, 2019; OLIVEIRA, Helena, “Não Recomendado para Cardíacos: No Prime Vídeo, “Águas Que Corroem” Aposta em Tensão Constante e Escolhas Sem Retorno”. Disponível em: https://www.revistabula.com/17/12/2025BOTELHO, Letícia Olano Morgantti Salustiano, Patriarcado e Capitalismo na Obra de Bertolt Brecht. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Filosofia. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2026; entre outros.

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