“Os mais fortes de todos os guerreiros são estes dois: tempo e paciência”. Leon Tolstoi
Um Sonho de Liberdade, tem como representação social um filme norte-americano de drama lançado em 1994, escrito e dirigido por Frank Darabont baseado na novela Rita Hayworth and Shawshank Redemption, de Stephen King. O longa-metragem é estrelado por Tim Robbins e Morgan Freeman, com Bob Gunton, William Sadler, Clancy Brown, Gil Bellows e James Whitmore em papéis coadjuvantes. Ele acompanha a história do banqueiro Andy Dufresne, quando é sentenciado à prisão perpétua na Penitenciária Estadual de Shawshank pelo “suposto assassinato de sua esposa e do amante dela”. Pelas duas décadas seguintes, Andy faz amizade com o detento e contrabandista Ellis Boyd “Red” Redding e torna-se uma peça importante no esquema de “lavagem de dinheiro” realizado por Samuel Norton, o diretor de Shawshank. Darabont comprou em 1987 os direitos cinematográficos da história de Stephen King, porém o desenvolvimento só foi começar cinco anos depois quando ele escreveu o roteiro durante um período de oito semanas. Ele conseguiu um orçamento de 25 milhões de dólares duas semanas depois de ter submetido o roteiro para a Castle Rock Entertainment, com a produção começando em janeiro de 1993. Zihuatanejo é uma cidade do estado de Guerrero, no México.
No filme Um
Sonho de Liberdade, com Morgan Freeman e Tim Robbins, é a cidade citada
pelo segundo como esperança para viver após uma possível saída da prisão (cf.
Foucault, 2014). O nome presta homenagem a Vicente Guerrero
(1782-1831), um líder insurgente de destaque na fase de resistência durante a
Guerra da Independência e o segundo presidente do México. O estado recebeu este
nome em sua criação, em 27 de outubro de 1849. Guerrero é o único estado com
nome de um presidente mexicano, pois os outros levam os nomes de outras figuras
de destaque na história do México. Em novembro de 1810 Morelos reconhecido por
seus soldados destinados a erguer uma província no Sul, chamada de Nossa
Senhora de Guadalupe de Tecpan com áreas dos municípios de Puebla, México e
Valladolid, mas com o declínio da campanha de Morelos o projeto foi esquecido.
Não foi até 1823, no Segundo Congresso Constitucional que Nicolás Bravo e
Vicente Guerrero Morelos recuperou a criação do Estado do Sul, do território da
Capitania Geral do Sul, mas o Congresso rejeitou a proposta, que estabelece o
comando militar do Sul, com sede em Chilpancingo.
Para ser filmado em Cuilapan Vicente Guerrero, Oaxaca, em 14 de fevereiro de 1831, vários membros pediram em 1833 a criação do estado de Guerrero, e a mudança de nome pelo Guerrerotitlán Cuilapan, com apoio do Chefe Juan Alvarez Bravo e Nicolas, mas a proposta não foi aprovada. Em 15 maio de 1849 o presidente José Joaquín de Herrera enviou ao Congresso a iniciativa de criar o estado de Guerrero, ao território dos estados de Michoacán, Puebla e México. O projeto de lei aprovado pela Câmara dos Deputados em 20 de outubro e pelo Senado em 26 de outubro. Em 27 de outubro de 1849 em sessão solene do Congresso, foi declarado legalmente constituídas do Estado Livre e Soberano de Guerrero, e foi nomeado general Juan Álvarez como agir comandante geral. Filmes que envolviam prisões não eram considerados sucessos de bilheteria, porém o roteiro da Darabont foi lido por Liz Glotzer, então produtora da Castle Rock Entertainment, cujo interesse em histórias prisões e reação ao ler o roteiro fizeram-na ameaçar se demitir caso não produzisse The Shawshank Redemption. Rob Reiner, cofundador e diretor executivo da Castle Rock, também gostou do roteiro. Ele ofereceu entre 2,4 e 3 milhões de dólares a Darabont para que lhe permitisse dirigir. Reiner tinha antes adaptado a novela The Body em 1986 como o filme Stand by Me e planejava escalar Tom Cruise como Andy e Harrison Ford como “Red”.
Ele considerou seriamente a oferta, acreditando que isto melhoraria sua posição na indústria cultural e que o estúdio poderia tê-lo demitido contratualmente e dado a direção para Reiner de qualquer maneira. Entretanto, Darabont acabou escolhendo permanecer como diretor, afirmando anos depois que “você pode continuar a adiar seus sonhos em troca de dinheiro e, sabe, morrer sem ter feito a coisa que você queria fazer”. Reiner serviu como o mentor de Darabont no projeto. Duas semanas depois de ter ido para a Castle Rock, ele conseguiu um orçamento de 25 milhões de dólares para fazer The Shawshank Redemption, pegando 750 mil dólares de salário como roteirista e diretor, mais uma porcentagem dos lucros, com a pré-produção começando em janeiro de 1993. Apesar do filme se passar no Maine, estado situado no extremo Nordeste dos Estados Unidos da América, é reconhecido por seu litoral rochoso, sua história marítima e suas áreas naturais, como as ilhas de granito e píceas do Parque Nacional. As filmagens ocorreram quase que totalmente em Mansfield, Ohio, com o Reformatório Estadual de Ohio servindo de locação. A trilha sonora composta por Thomas Newman, procurou criar músicas que não distraíssem o espectador das ações demonstradas em cena.
The Shawshank Redemption foi bem recebido pela crítica, com elogios para a história e às interpretações de Robbins e Freeman. Entretanto, a “falta de popularidade” de longas-metragens sobre prisões, ausência de personagens femininas e mesmo seu título, que foi considerado confuso e pouco memorável, arrecadando dezesseis milhões de dólares em sua exibição original. Vários motivos já foram citados para explicar seu fracasso, incluindo competição de outros longas-metragens como Pulp Fiction (1994) e Forrest Gump (1994). Mesmo assim, The Shawshank Redemption foi indicado a diversos prêmios, incluindo sete Oscars, e recebeu um relançamento nos cinemas que, junto com arrecadações internacionais, elevaram a bilheteria total para 58,3 milhões de dólares. Mais de 320 mil cópias em VHS foram enviadas para as locadoras, com o filme tornando-se um dos mais alugados de 1995. Os direitos de transmissão na TV foram adquiridos pela Turner Broadcasting System e ele foi exibido normalmente pela TNT em 1997, aumentando ainda mais sua popularidade. O Reformatório Estadual de Ohio em Mansfield foi utilizado como locação para representar as cenas na Penitenciária de Shawshank. Robbins acredita que o conceito de Zihuatanejo ressoa tão bem com o público porque representa uma forma de fuga que pode ser alcançada depois de sobreviver por muitos anos dentro de qualquer espécie de “prisão” que alguém pode se encontrar, desde um relacionamento ruim, um emprego ou até mesmo um ambiente.
O ator também afirmou que é importante que
um lugar como esse exista. O filósofo Jean-Paul Sartre descreveu a liberdade
como um projeto contínuo e em andamento que necessita de atenção e persistência
constantes, sem os quais uma pessoa começa a ser definida por outros ou por
instituições ao seu redor, espelhando a crença de “Red” que detentos ficam
dependentes da prisão para definirem suas vidas. Andy demonstra resiliência
através da rebelião, tocando música no alto-falante da prisão e recusando-se a
continuar o esquema de lavagem de dinheiro. Muitos elementos podem ser considerados
homenagens ao poder do cinema. Os detentos assistem ao filme Gilda no cinema da
prisão, porém esta cena originalmente teria The Lost Weekend sendo exibido. A
permutabilidade dos longas-metragens usados no cinema da prisão sugere que a
chave estratégica da cena é a experiência cinematográfica e não o sujeito,
permitindo que os homens escapem da realidade de sua situação. Andy é atacado
pelas Irmãs na sala do projetor imediatamente depois desta cena e utiliza um
rolo de filme para se defender. No final da narrativa, Andy passa por um buraco
em sua sala que é escondido por um pôster de cinema a fim de escapar tanto de
sua cela quanto de Shawshank. A relação de Andy e “Red” já foi descrita como
uma história de amor não-sexual entre dois homens (cf. Costa, 1992), que poucos
filmes oferecem, onde a amizade dos dois não é construída ao se realizar um
assalto, perseguição de carro ou desenvolver uma relação com mulheres. O
filósofo Alexander Hooke argumentou que a verdadeira liberdade dos dois
personagens é sua amizade, sendo capazes de compartilhar alegria e humor com
o outro.
É preciso não se
enganar: num espaço em que cada elemento parece obedecer ao único princípio de
representação plástica e da semelhança, os sinais linguísticos, que pareciam
excluídos, que rondavam de longe à volta da imagem, e que o arbitrário do
título parecia ter afastado para sempre, se aproximaram sub-repticiamente:
introduziram na solidez da imagem, uma desordem – uma ordem que só lhes
pertence. Fizeram fugir o objeto, que revela a finura de sua película. Parece,
grosso modo, que René Magritte dissociou a semelhança da similitude e joga esta
contra aquela. A semelhança tem um padrão impreciso, mas que funciona como
elemento original que ordena e hierarquiza a partir de si todas as cópias, cada
vez mais fracas, que podem ser tiradas. Assemelhar significa uma referência
primeira que prescreve e classifica. O similar se desenvolve em séries que não
tem começo nem fim, que é possível percorrer num sentido ou em outro, que não
obedecem a hierarquia, como num colegiado, mas se
propagam sob a forma de pequenas diferenças em inúteis pequenas diferenças.
Mansfield é uma cidade localizada no estado norte-americano do Ohio, no condado de Richland, do qual é sede. Foi fundada em 11 de junho de 1808 e incorporada em 1828 como aldeia, e depois, em 1857 como cidade. O Ohio é um dos 50 estados dos Estados Unidos da América, localizado na Região Centro-Leste do país. O Ohio é um dos principais polos industriais do país. Localizado no centro da Região Centro-Leste dos Estados Unidos, a região mais industrializada do país, o Ohio possui com principal fonte de renda a manufatura. Outras fontes de renda importantes são finanças, a mineração de carvão que ajudou a fazer do Ohio uma das principais potências industriais do país — a agricultura e o turismo. A palavra Ohio, que significa na língua iroquesa “Algo Grande”, “Grandes Águas”, “Belo Rio”, “Grande Rio” ou “Bom Rio”, era utilizado por este grupo de nativos americanos para descrever o Rio Ohio. O cognome do Ohio é Buckeye State. O Buckeye é uma árvore do gênero Aesculus. Florestas compostas por árvores do gênero Aesculus cobriam anteriormente todo o estado, embora muito destas florestas tenham sido derrubadas para serem utilizadas como matérias-primas em diversas indústrias, bem como para dar espaço à agricultura. O Estado também reivindica o cognome de Mother of Modern Presidents (Mãe de Presidentes Modernos), uma vez que sete dos Presidentes dos Estados Unidos nasceram e cresceram no estado. Este título pertence, porém, à Virgínia, com um total de oito Presidentes. Os Presidentes norte-americanos que nasceram em Ohio, apresentam um número edificante são: Ulysses S. Grant, Rutherford B. Hayes, James A. Garfield, Benjamin Harrison, William McKinley, William Howard Taft e Warren G. Harding. Um oitavo Presidente, William Henry Harrison, morava no Ohio quando se tornou Presidente.
Os primeiros
exploradores europeus a explorarem a região foram os franceses. Até 1763, a
região do Ohio fazia parte da colônia francesa de Nova França, passando então
para controle britânico. Com o reconhecimento da Independência das Treze
Colônias em 1783, os Estados Unidos passaram a controlar a região. O Ohio
tornou-se o primeiro território do Território do Noroeste a ser elevado à
categoria de Estado, e o 17º a entrar na União, em 1° de março de 1803. A
expansão em direção ao oeste e a construção de numerosas ferrovias no Estado, a
descoberta de numerosos depósitos de carvão e uma sólida indústria agropecuária
fizeram com que o Ohio tornasse em meados do século XIX uma grande potência
industrial. Ulysses S. Grant, nativo de Ohio, foi um dos principais líderes da
União durante a Guerra Civil Americana. A rápida industrialização bem como a do
Estado fez com que diversas pessoas nativas do Estado destacassem por suas
invenções e pelo seu pioneirismo. Thomas A. Edison nasceu em Ohio e os Irmãos
Wright cresceram no Estado. Outro nativo do Ohio famoso mundialmente é Neil A.
Armstrong, a primeira pessoa a pisar na Lua. Embora os seres humanos não sejam
civilizados por natureza, na esteira do pensamento de Norbert Elias (1989),
possuem por natureza uma disposição que torna possível, sob determinadas
condições de tempo e espaço, uma civilização, que é, uma autorregulação
individual de impulsos do comportamento momentâneo, condicionado por afetos e
pulsões, ou o desvio desses impulsos de seus fins primários para alguns fins
secundários, eventualmente também sua reconfiguração social sublimada. É
decerto desnecessário, mas talvez útil, dizer que Sigmund e Anna Freud são os
pais do conceito de “impulsos pulsionais humanos moldáveis”, capazes de
sublimação.
Inicialmente, na verdade, a classe médica em geral acaba por marginalizar as ideias do psicólogo Sigmund Freud; seu único confidente durante esta época é o médico Wilhelm Fliess (1858-1928). Depois que o pai de Freud falece, em outubro de 1896, segundo as cartas recebidas por Fliess, naquele período, Freud dedica-se a anotar e analisar seus próprios sonhos, remetendo-os à sua própria infância e, no processo, determinando as raízes de suas próprias neuroses. Tais anotações tornam-se a fonte etnográfica para a obra: A Interpretação dos Sonhos. Durante o curso desta autoanálise, Freud chega à conclusão de que seus próprios problemas eram devidos a uma atração por sua mãe e a uma hostilidade em relação a seu pai. É o que constitui o famoso “complexo de Édipo”, que se torna o “coração”, por assim dizer, da teoria de Freud sobre a origem da neurose em todos os seus pacientes investigados. Nos primeiros anos do século XX, são publicadas suas obras em que contém suas teses principais: “A Interpretação dos Sonhos” e “A Psicopatologia da Vida Cotidiana”. Época em que Freud já não mantinha mais contato nem com Josef Breuer, nem com Wilhelm Fliess. No início, as tiragens das obras não animavam Freud, mas logo médicos de vários lugares: Eugen Bleuler, Carl Jung, Karl Abrahams, Ernest Jones, Sandor Ferenczi, demostram respaldo às suas ideias e passam a compor o “Movimento Psicanalítico”.
Por sua vida
inteira, Freud teve uma posição financeira modesta, como Marx ou Nietzsche.
Josef Breuer foi, no início, um aliado de Freud em suas ideias e também um
aliado com patrocínio financeiro. Freud criou o termo “psicanálise” para
designar um método, uma teoria e uma técnica para investigar cientificamente os
processos inconscientes e de outro modo inacessíveis do psiquismo. Foi com o
decorrer das discussões de casos clínicos com Breuer que surgiram as ideias que
culminaram com a publicação dos primeiros artigos sobre a psicanálise. O
primeiro caso clínico relatado deve-se a Breuer e descreve o tratamento dado
sua paciente Bertha Pappenheim, chamada de “Anna O”, no livro e posteriormente
no cinema, que demonstrava vários sintomas clássicos de histeria. O método de
tratamento consistia na chamada “cura pela fala”, ou “cura catártica”, na qual
o ou a paciente discute sobre as suas associações com cada sintoma e, com isso,
os faz desaparecer. Esta técnica tornou-se o centro de manejo das técnicas de
Freud, que também acreditava, cientificamente, que as memórias ocultas ou
“reprimidas” nas quais se baseavam os sintomas de histeria eram sempre de
natureza sexual. Entertanto, Breuer não concordava com Freud, o que levou à
separação de ideias entre eles logo após a publicação dos casos clínicos em
sociedades científicas.
Pelo menos desde
1899, com a publicação do conspícuo ensaio A Interpretação dos Sonhos, o
austríaco Sigmund Freud se transformou num dos pensadores mais polêmicos da
história social e, portanto, clínica. Desacreditada inicialmente, a
psicanálise, o método e a técnica por ele concebido para o tratamento dos
problemas psíquicos e a compreensão da mente humana, chegou a ser considerada a
última palavra da ciência sobre a questão. Há quem despreze (e não são poucos)
essas novas posições psicológicas e clínicas e defenda apaixonadamente as
teorias de Freud cuja essência considera-se correta e aparentemente
inquestionável. Mais importante do que essa discussão é descrever os
fundamentos da doutrina psicanalítica e apresentar as principais contribuições
que ela refez à ciência, à filosofia, à antropologia e à sociologia em seu
surgimento. A psicanálise interpreta as manifestações da psique, as tendências
sexuais (ou libido), e as fórmulas morais e limitações condicionantes do
indivíduo. São dois os fundamentos da teoria psicanalítica: 1) Os processos
psíquicos são em sua maioria inconscientes, a consciência não é mais do
que uma fração de nossa vida psíquica total; 2) os processos psíquicos
inconscientes são dominados por nossas tendências sexuais reprodutivas. Freud
pretendeu descrever a vida humana tanto pessoal e individual, mas também
pública e social, recorrendo a essas tendências sexuais a que chamou de libido.
O fato social de que
processos de civilização não seriam possíveis sem um potencial de civilização
biológico que os antecedesse é facilmente esquecido. Dado que os seres humanos,
diferentemente de muitos outros seres vivos sociais, não possuem uma regulação
nativa dos afetos e pulsões, eles não podem prescindir da mobilização de sua
disposição natural rumo à autorregularão mediante o aprendizado pessoal dos
controles dosa fetos e pulsões, no sentido de um modelo de civilização
específico da sociedade, a fim de que possam conviver consigo mesmos e com os
outros seres humanos. O processo universal de civilização individual pertence
tanto às condições da individualização do ser humano singular como às condições
da vida social em comum dos seres humanos. No uso cotidiano da linguagem, o
conceito de civilização é, muitas vezes, despido de seu caráter originalmente
processual como derivação do francês “civilizer”. O conceito alemão Kultur
alude basicamente a fatos intelectuais, artísticos e religiosos e apresenta a
tendência de traçar uma nítida linha divisória entre fatos deste tipo, por um
lado, e fatos políticos, econômicos e sociais, por outro. O conceito francês e
inglês de civilização analogamente pode ser referir a realizações, mas também a
atitudes ou “comportamentos” de pessoas, pouco importando se realizaram ou não
alguma coisa. No conceito alemão de Kultur, em contraste, a referência a
“comportamento”, o valor que a pessoa tem em virtude de sua mera existência e
conduta, sem absolutamente qualquer realização, é provavelmente muito
secundário. O sentido especificamente alemão do conceito Kultur encontra
sua expressão mais clara em seu derivado, o adjetivo Kuluturell, que
descreve o caráter e o valor de determinados produtos humanos, e não o valor
intrínseco da pessoa. Esta palavra, o conceito inerente a kulturell,
porém, não pode ser traduzido exatamente para o francês e o inglês. A palavra Kultiviert
(cultivado) aproxima-se muito do conceito ocidental de civilização. Até certo
ponto, representa a forma mais alta de ser civilizado: até mesmo pessoas e
famílias que nada realizaram de kulturell podem ser kultiviert.
Tal como a palavra
“civilizado”, kultiviert refere-se à forma da conduta ou comportamento
da pessoa. Descreve a questão da qualidade de vida social das pessoas, suas
habitações, suas maneiras, sua fala, suas roupas, ao contrário de kulturell,
que não alude às pessoas, mas exclusivamente a realizações humanas peculiares. Embora
os seres humanos não sejam civilizados por natureza, na esteira do pensamento
de Norbert Elias, possuem por natureza uma disposição que torna possível, sob
determinadas condições, uma civilização, que é, portanto, uma autorregularão
individual de impulsos do comportamento momentâneo, condicionado por afetos e
pulsões, ou o desvio desses impulsos de seus fins primários para alguns fins
secundários, eventualmente também sua reconfiguração sublimada. É decerto
desnecessário, mas talvez útil, dizer que Sigmund e Anna Freud são de fato os
pais do conceito de “impulsos pulsionais humanos moldáveis”, capazes de
sublimação. O fato social de que processos de civilização não seriam possíveis
sem um potencial de civilização biológico que os antecedesse é facilmente
esquecido. Dado que os seres humanos, diferentemente de muitos outros seres
vivos sociais, não possuem uma regulação nativa dos afetos e pulsões, eles não
podem prescindir da mobilização da disposição natural rumo à autorregulação
mediante o aprendizado pessoal dos controles dos afetos e pulsões, de um modelo
de civilização específico, a fim de que possam conviver consigo mesmos e com os
outros. O processo universal de civilização pertence tanto às condições da
individualização do ser humano singular como às condições da vida social em
comum dos seres humanos. No uso cotidiano da linguagem, o conceito de
civilização é, muitas vezes, despido de seu caráter originalmente processual
como derivação do francês “civilizer”.
O conceito alemão Kultur
alude basicamente a fatos intelectuais, artísticos e religiosos e apresenta a
tendência de traçar uma nítida linha divisória entre fatos deste tipo, por um
lado, e fatos políticos, econômicos e sociais, por outro. O conceito francês e
inglês de civilização pode ser referir sempre a realizações, mas também a
atitudes ou “comportamentos” de pessoas, pouco importando se realizaram ou não
alguma coisa. No conceito alemão de Kultur, em contraste, a referência a
“comportamento”, o valor que a pessoa tem em virtude de sua mera existência e
conduta, sem absolutamente qualquer realização, é provavelmente muito
secundário. O sentido especificamente alemão do conceito Kultur encontra sua
expressão mais clara em seu derivado, o adjetivo Kuluturell, que descreve o
caráter e o valor de determinados produtos humanos, e não o valor intrínseco da
pessoa. Esta palavra, o conceito inerente a kulturell, porém, não pode
ser traduzido exatamente para o francês e o inglês. A palavra Kultiviert
(cultivado) aproxima-se muito do conceito ocidental de civilização. Até certo
ponto, representa a forma mais alta de ser civilizado: até mesmo pessoas e
famílias que nada realizaram de kulturell podem ser kultiviert.
Tal como a palavra “civilizado”, entende-se que kultiviert refere-se
primariamente à forma da conduta humana ou comportamento da pessoa. Descreve
etnograficamente a questão da qualidade de vida social das pessoas, suas
habitações, suas maneiras, sua fala, suas roupas, ao contrário de kulturell,
que não alude diretamente às próprias pessoas, mas exclusivamente a realizações
humanas peculiares.
Como um apanhado
algo sumário do que se apurou até aqui na investigação empírico-teórica das
transformações civilizatória acerca de seu próprio direcionamento, pode-se
dizer que dentre os principais critérios para um processo de civilização estão
as transformações do habitus social dos seres humanos na direção de um modelo
de autocontrole mais bem proporcionado, universal, estável. Mas o que é
decisivo é que estes conceitos portam o selo não de seitas ou famílias, mas de
povos inteiros, ou talvez apenas de certas classes. Mas, em muitos aspectos, o
que se aplica a palavras específicas de grupos menores estende-se também a
eles: são usados basicamente por e para povos que compartilham uma tradição e
situação particulares, polindo-os na fala e na escrita. É neste sentido
comparativo que o conceito de civilização minimiza as diferenças nacionais
entre os povos. Manifesta a autoconfiança de povos cujas fronteiras nacionais e
identidade nacional forma plenamente estabelecidas, desde séculos, que deixaram
de ser tema de qualquer discussão, povos que há mito se expandiram fora de suas
fronteiras e colonizaram terras além delas. Em contraste, o conceito alemão
Kultur dá ênfase especial a diferenças nacionais e à identidade particular de
grupos. Em virtude disto, o conceito adquiriu em campos como a pesquisa
etnológica e antropológica uma significação mito além da área linguística alemã
e da situação em que se originou o conceito.
Enquanto o
conceito de civilização inclui a função social de dar expressão a uma
tendência continuamente expansionista de grupos colonizadores, o conceito de Kultur
reflete a consciência de si mesma de uma nação que teve de buscar e constituir
incessante e novamente suas fronteiras, tanto no sentido político como no
espiritual. A orientação do conceito alemão de cultura, para Norbert Elias, com
sua tendência à demarcação e ênfase em diferenças, e no seu detalhamento, entre
grupos, corresponde a este processo histórico.
A história coletiva neles se cristalizou e ressoa. O indivíduo encontra
essa cristalização já em suas possibilidades de uso. Não sabe bem por que este
significado e esta delimitação estão implicadas nas palavras, por que,
exatamente, esta nuance e aquela possibilidade delas podem ser derivadas.
Usa-as porque lhe parece uma coisa natural, porque desde a infância aprende a
ver o mundo através da lente dos conceitos. A sobrevivência do sistema de
crenças no chamado Novo Mundo é notável, embora as tradições tenham se
modificado com o tempo. Uma das maiores diferenças entre o vodu da África
Ocidental e o haitiano é que os africanos “transplantados” ao Haiti, conforme a
tipologia clássica de Darcy Ribeiro, correspondentes às nações modernas criadas
pela migração europeia para novos espaços mundiais, procuram reconstituir
formas de vida idênticas às de origem.
O conceito de figuração
distingue-se de muitos outros conceitos teóricos da sociologia de Norbert Elias
(1989) por incluir expressamente os seres humanos em sua formação. Contrasta,
portanto, decididamente com um tipo amplamente dominante de formação de
conceitos que se desenvolve sobretudo na investigação de objetos sem vida,
portanto no campo da física e da filosofia para ela orientada. Há figurações de
estrelas, assim como de plantas e de animais. Mas apenas os seres humanos
formam figurações uns com os outros. O modo de sua vida conjunta em grupos
grandes e pequenos é, de certa maneira, singular e sempre co-determinado pela
transmissão de conhecimento de uma geração a outra, portanto por meio do
ingresso do singular no mundo simbólico específico de uma figuração já
existente dos seres humanos. Às quatro dimensões espaço-temporais
indissoluvelmente ligadas se soma, no caso dos seres humanos, uma quinta, a dos
símbolos socialmente aprendidos. Sem sua apropriação, sem, por exemplo, o
aprendizado de uma determinada língua especificamente social, os seres humanos
não seriam capazes de se orientar no seu mundo nem de se comunicar uns com os
outros.
Um ser humano
adulto, que não teve acesso aos símbolos da língua e do conhecimento de
determinado grupo permanece fora de todas as figurações humanas e, portanto,
não é propriamente um ser humano. O crescimento de um jovem em figurações
humanas, como processo e experiência, assim como o aprendizado de um
determinado esquema de autorregularão na relação com os seres humanos, é
condição indispensável do desenvolvimento rumo à humanidade. Socialização
e individualização de um ser humano são, portanto, nomes diferentes para
o mesmo processo. Cada ser humano assemelha-se aos outros e é, ao mesmo tempo,
diferente de toso os outros. O mais das vezes, as teorias sociológicas
deixam sem resolver o problema da relação entre indivíduo e sociedade. Em seu ersatz
o convívio dos seres humanos em sociedades tem sempre, mesmo no caos, na
desintegração, na maior desordem social, uma forma absolutamente determinada. É
isso o que o conceito de figuração exprime. Uma geração os transmite a outra
sem estar consciente do processo como um todo, e os conceitos sobrevivem
enquanto esta cristalização de experiências passadas e situações retiver um
valor existencial, uma função na existência concreta da sociedade – isto é,
enquanto gerações sucessivas puderem identificar suas próprias experiências no
significado das palavras. Em outras ocasiões, eles apenas adormecem, ou o fazem
em certos aspectos, e adquirem um novo valor existencial com uma nova situação.
São relembrados porque alguma coisa encontra expressão na cristalização do
passado corporificada nas palavras.
As novas relações econômicas e a necessidade de desenvolvimento motivaram entes subnacionais a se relacionar e cooperar com o mundo civilizado exterior. As novas tecnologias da informação, os avanços nas telecomunicações, a diminuição nos custos de transporte de cargas e pessoas também contribuíram para essa mudança, afinal tornaram o plano internacional mais acessível. Ipso facto, a dimensão metodológica do conceito de processo social refere-se às transformações amplas, contínuas, de longa duração – ou seja, em geral não aquém de três gerações - de figurações formadas por seres humanos, ou de seus aspectos, em uma de duas direções opostas. Uma delas tem, geralmente, o caráter de uma ascensão, a outra o caráter decorrente de um declínio. Em ambos os casos, os critérios são puramente objetivos. Eles independem do fato de o respectivo observador os considerar bons ou ruins. Exemplos disso são a diferenciação crescente e decrescente de funções sociais, o aumento ou a diminuição do “capital social”, ou melhor, do patrimônio social do saber, do nível de controle humano sobre a natureza não-humana ou da compaixão por outros homens, pertençam eles ao grupo estabelecido que for. Um deles pode tornar-se dominante, ou caber ao outro manter o equilíbrio.
Assim um processo
dominante, direcionado a uma maior integração, pode, sucessivamente, andar de
par com uma desintegração parcial. Mas, inversamente, um processo dominante de
desintegração social, como por exemplo, o processo de feudalização pode conduzir
sob certas condições a uma reintegração sob novas bases, a princípio parcial e
a seguir dominante; portanto, a um novo processo de formação do Estado. Como um
apanhado algo sumário do que se apurou até aqui na investigação
empírico-teórica das transformações civilizatória acerca de seu próprio
direcionamento, pode-se dizer que dentre os principais critérios para um
processo de civilização estão as transformações do habitus social dos seres
humanos na direção de um modelo de autocontrole mais bem proporcionado,
universal, estável. Mas o que é decisivo é que estes conceitos portam o selo
não de seitas ou famílias, mas de povos inteiros, ou talvez apenas de certas
classes. Mas, em muitos aspectos, o que se aplica a palavras específicas de
grupos menores estende-se também a eles: são usados basicamente por e para
povos que compartilham uma tradição e situação particulares, polindo-os na fala
e na escrita. É neste sentido que o conceito de civilização minimiza as
diferenças nacionais entre os povos.
Manifesta a
autoconfiança de povos cujas fronteiras nacionais e identidade nacional forma
plenamente estabelecidas, desde séculos, que deixaram de ser tema de qualquer
discussão, povos que há mito se expandiram fora de suas fronteiras e
colonizaram terras além delas. Em contraste, o conceito alemão Kultur dá
ênfase especial a diferenças nacionais e à identidade particular de grupos. Em
virtude disto, o conceito adquiriu em campos como a pesquisa etnológica e
antropológica uma significação mito além da área linguística alemã e da
situação em que se originou o conceito. Enquanto o conceito de civilização
inclui a função de dar expressão a uma tendência continuamente expansionista de
grupos colonizadores, o conceito de Kultur reflete a consciência de si
mesma de uma nação que teve de buscar e constituir incessante e novamente suas
fronteiras, tanto no sentido político como no espiritual. A orientação do
conceito alemão de cultura, para Norbert Elias, com sua tendência à demarcação
e ênfase em diferenças, e no seu detalhamento, entre grupos, corresponde a este
processo histórico. A história coletiva
neles se cristalizou e ressoa. O indivíduo encontra essa cristalização em suas
possibilidades de uso. Não sabe bem por que este significado e esta delimitação
estão implicadas nas palavras, por que esta nuance e aquela possibilidade delas
podem ser derivadas. Usa-as porque lhe parece uma coisa natural, porque desde a
infância aprende a ver o mundo através da lente dos conceitos. A
sobrevivência do sistema de crenças no Novo Mundo é notável, embora as
tradições tenham se modificado com o tempo.
Uma das maiores
diferenças entre o vodu da África Ocidental e o haitiano é que os africanos
“transplantados” ao Haiti, conforme a tipologia clássica de Darcy Ribeiro,
correspondentes às nações modernas criadas pela migração europeia para novos
espaços mundiais, procuram reconstituir formas de vida idênticas às de origem. O
conceito de figuração distingue-se de muitos outros conceitos teóricos da
sociologia de Norbert Elias por incluir expressamente os seres humanos em sua
formação. Contrasta, portanto, decididamente com um tipo amplamente dominante
de formação de conceitos que se desenvolve sobretudo na investigação de objetos
sem vida, portanto no campo da física e da filosofia para ela orientada. Há
figurações de estrelas, assim como de plantas e de animais. Mas apenas os seres
humanos formam figurações uns com os outros. O modo de sua vida conjunta em
grupos grandes e pequenos é, de certa maneira, singular e sempre co-determinado
pela transmissão de conhecimento de uma geração a outra, portanto por meio do
ingresso do singular no mundo simbólico específico de uma figuração já
existente historicamente falando dos seres humanos. Às quatro dimensões espaço-temporais
indissoluvelmente ligadas se soma, no caso dos seres humanos, uma quinta, que está situada abstratamente no nível de análise dos
símbolos aprendidos.
Sem sua
apropriação, isto é, sem o aprendizado de uma determinada língua
especificamente social, por exemplo, os seres humanos não seriam capazes de se
orientar no seu mundo nem de se comunicar uns com os outros. Um ser humano
adulto, que não teve acesso aos símbolos da língua e do conhecimento de
determinado grupo humano permanece fora de todas as figurações humanas e,
portanto, não é propriamente um ser humano. O crescimento de um jovem em
figurações humanas, como processo e experiência, assim como o aprendizado de um
determinado esquema de autorregularão na relação com os seres humanos, é
condição indispensável do desenvolvimento rumo à humanidade. Socialização
e individualização de um ser humano são, portanto, nomes diferentes para
o mesmo processo. Cada ser humano assemelha-se aos outros e é, ao mesmo tempo,
diferente de toso os outros. O mais das vezes, as teorias sociológicas deixam
sem resolver o problema da relação entre indivíduo e sociedade. Em seu ersatz o
convívio dos seres humanos em sociedades tem sempre, mesmo no caos, na
desintegração, na maior desordem social, uma forma absolutamente determinada. É
isso o que o conceito de figuração exprime. Uma geração os transmite a outra
sem estar consciente do processo como um todo, e os conceitos sobrevivem
enquanto esta cristalização de experiências passadas e situações retiver um
valor existencial, uma função na existência concreta da sociedade – isto é,
enquanto gerações sucessivas puderem identificar suas próprias experiências no
significado das palavras. Em outras ocasiões, eles apenas adormecem, ou o fazem
em certos aspectos, e adquirem um novo valor existencial com uma nova situação.
São relembrados porque alguma coisa presente encontra expressão na
cristalização do passado corporificada nas palavras.
As novas relações
econômicas e a necessidade de desenvolvimento motivaram entes subnacionais a se
relacionar e cooperar com o mundo civilizado exterior. As novas tecnologias da
informação, os avanços nas telecomunicações, a diminuição nos custos de transporte
de cargas e pessoas também contribuíram para essa mudança, afinal tornaram o
plano internacional mais acessível. Ipso facto, a dimensão metodológica
do conceito de processo social refere-se às transformações amplas, contínuas,
de longa duração – ou seja, em geral não aquém de três gerações - de figurações
formadas por seres humanos, ou de seus aspectos, em uma de duas direções
opostas. Uma delas tem, geralmente, o caráter de uma ascensão, a outra o
caráter decorrente de um declínio. Em ambos os casos, os critérios são
puramente objetivos. Eles independem do fato de o respectivo observador os
considerar bons ou ruins. Exemplos disso são, comparativamente, a diferenciação
crescente e decrescente de funções sociais, o aumento ou a diminuição do
chamado “capital social”, ou melhor, do patrimônio social do saber, do nível de
controle humano sobre a natureza não-humana ou da compaixão por outros homens,
pertençam eles ao grupo estabelecido que for. Um deles pode tornar-se
dominante, ou caber ao outro manter o equilíbrio. Assim um processo dominante,
direcionado a uma maior integração, pode, sucessivamente, andar de par com uma
desintegração parcial. Mas, inversamente, um processo dominante de
desintegração social, como o processo de feudalização pode conduzir em termos a uma reintegração sob novas bases, a princípio parcial e a
seguir dominante; portanto, a um novo processo de formação do Estado.
É considerado como um dos melhores filmes da década de 1990. Ele ainda é transmitido na televisão regularmente e é popularizado em vários países, com o público e celebridades citando-o e nomeando-o como favorito em diversas pesquisas sociais. Além disso, foi selecionado em 2015 pela Biblioteca do Congresso para preservação no Registro Nacional de Filmes. Além disso, o filme já foi interpretado como sendo baseado per se no “cristianismo místico”. Andy é apresentado como uma figura messiânica, semelhante a Cristo, com “Red” descrevendo-o logo no começo da história como possuindo uma aura que o engloba e o protege de Shawshank. A cena em que Andy e vários de seus colegas detentos trabalham no teto da prisão foi vista como uma recriação da Última Ceia, com Andy obtendo cerveja/vinho para os doze detentos/discípulos enquanto “Red” os descreve como sendo “senhores de toda criação”, invocando a benção mística de Jesus. O diretor e roteirista Frank Darabont respondeu que isso não foi uma intenção deliberada, porém desejava que as pessoas encontrassem seus próprios significados no filme. A descoberta da gravação da ópera Le Nozze di Figaro (1786) em determinado momento da narrativa é descrita no roteiro “como semelhante à descoberta do Santo Graal, fazendo os prisioneiros congelarem em seus lugares e levando os doentes a se levantarem de suas camas”. Norton cita Jesus no filme para se descrever, dizendo que “Eu sou a luz do mundo”, assim se declarando como o salvador de Andy.
Porém essa descrição também pode se referir a Lúcifer, o portador da luz. O diretor da prisão não impõe completamente o uso da lei, mas sim escolhe impor suas próprias leis e punições como bem acha, tornando-se ele mesmo a personificação da lei, assim como o comportamento do Diabo. O diretor também já foi comparado com Richard Nixon (1913-1994), ex-presidente norte-americano. Sua aparência e discursos públicos podem ser vistos ideologicamente como uma possível singularidade de Nixon. Similarmente, Norton projeta uma imagem social de um homem piedoso e justo, falando humildemente para as massas servis ao mesmo tempo que realiza esquemas de corrupção, assim como aqueles que trouxeram infâmia para Nixon. O reencontro de Andy e “Red” foi filmado no Refúgio Nacional de Vida Selvagem de Sandy Point, em Saint Croix, Ilhas Virgens Americanas. Foi interpretada como uma forma de escape ou paraíso. Zihuatanejo foi interpretada como uma analogia para o céu ou paraíso. Andy a descreve como um local sem memória, oferecendo absolvição de seus pecados ao se esquecer deles e permitir que eles sejam varridos completamente pelo Oceano Pacífico, cujo nome significa “paz”. A possibilidade de se escapar para Zihuatanejo só é levantada depois de Andy finalmente admitir culpa pelo assassinato da esposa.
De forma semelhante, a liberdade de “Red” só
é conquistada depois dele aceitar que não pode se salvar ou reconciliar seus
pecados. Freeman descreveu a história de “Red” como uma de salvação, já que o
personagem não é inocente de seus crimes, diferentemente de Andy que encontra
redenção. Alguns espectadores cristãos interpretam Zihuatanejo como o paraíso,
enquanto o local também pode ser visto como a forma nietzschiana de falta de
culpa alcançada fora das noções tradicionais de bem e mal, onde a amnésia
oferecida é a destruição em vez do perdão do pecado, significando que o
objetivo de Andy é tanto secular quanto ateísta. Assim como Andy pode ser
interpretado como uma figuração semelhante a Cristo,
ele também pode ser considerado um profeta como Zaratustra oferecendo fuga por
meio da educação e experiência de liberdade. O crítico Roger Ebert argumentou
que The Shawshank Redemption é uma alegoria sobre manter um sentimento
de autoestima quando colocado em uma posição desesperançosa. A integridade de
Andy é um tema importante na narrativa, especialmente na prisão, local onde
falta integridade.
Vale lembrar que a
semelhança serve à representação, que reina sobre ela; a similitude
serve à repetição, que corre através dela. A semelhança se ordena segundo o
modelo que está encarregada de acompanhar e de fazer reconhecer; a similitude
faz circular o simulacro como relação indefinida e reversível do simular ao
simular. Na Décalcomanie (1966), uma cortina vermelha de largas dobras
que ocupa dois terços do quadro subtrai ao olhar uma paisagem do céu, do mar e
de areia. Ao lado da cortina, dando como de costume, as costas ao espectador, o
homem com chapéu-coco olha para o perigo. A cortina se encontra recortada com
uma forma que é exatamente a do homem: como se fosse ele próprio um pedaço de
cortina cortado com a tesoura. Nessa larga abertura, vê-se a praia. A pergunta que se deve fazer é a seguinte: o que se
deve compreender? É o homem destacado da cortina e, ao se deslocar permite ver
o que ele provavelmente estava olhando quando se misturava com a dobra da
cortina? Decalcomania? Deslocamento e mudança de elementos similares, mas de
modo algum uma reprodução semelhante: “corpo=cortina”, diz representação
semelhante.
A semelhança
comporta uma única asserção, sempre a mesma. A similitude as afirmações
diferentes, que dançam juntas, apoiando-se e caindo umas em cima das outras.
Expulsa do espaço do quadro, excluída da relação entre as coisas que reenviam
uma à outa, a semelhança desaparece. Mas não era para reinar em outro lugar,
onde estaria liberta do jogo indefinido da similitude. Não cabe à semelhança
ser a soberania que faz surgir. A semelhança, que não é uma propriedade das
coisas, não é própria ao pensamento? “Só ao pensamento”, diz Magritte, “é dado
ser semelhante; ele assemelha sendo o que vê, ouve ou conhece; torna-se o que o
mundo oferece”. O pensamento assemelha sem similitude, tornando-se ele próprio
essas coisas cuja similitude entre si exclui a semelhança. A pintura é esse
ponto onde está na vertical um pensamento que está sob o modo da semelhança e
das coisas que estão nas relações de similitude. Isto não é um cachimbo é
suficiente para a questão: quem fala a enunciação? Ou antes, de fazer falar, os
elementos dispostos, seja deles mesmo: “Isto não é um cachimbo”. Ela inaugura
um jogo de transferências que correm, proliferam, se propagam, se respondem, no
plano do quadro sem nada afirmar, nem representar nesses jogos da similitude.
O diretor e
roteirista Frank Darabont colaborou com o autor Stephen King pela primeira vez
em 1983 no curta-metragem adaptação do conto “The Woman in the Room”, comprando
os direitos do autor pelo valor de apenas um dólar – um acordo em que King
ajudava aspirantes a diretores a construírem seus portfólios ao adaptarem algum
de seus contos. A Nightmare on Elm Street 3: Dream Warriors de 1987 foi
o primeiro crédito de Darabont como roteirista, com ele voltando para King com
cinco mil dólares a fim de comprar os direitos de adaptação de Rita Hayworth
and Shawshank Redemption, uma novela de 96 páginas publicada na coleção
Different Seasons de 1982, originalmente escrita para explorar outros gêneros
além do terror que o autor era comumente conhecido. Apesar de King não
compreender como a história, focada principalmente em “Red” contemplando Andy,
poderia se tornar um longa-metragem, Darabont por sua vez acreditava que a
abordagem era óbvia. O autor nunca descontou o cheque de cinco mil dólares que
recebeu pelos direitos da novela; King em vez disso enquadrou o cheque e o
devolveu para Darabont junto com um bilhete que dizia: “Caso você algum dia
precise de dinheiro de fiança. Com amor, Steve”. Darabont escreveu o roteiro
cinco anos depois no decorrer de oito semanas. Ele expandiu vários elementos da
história de King.
Brooks, que na
novela é um personagem apenas mencionado como tendo morrido em um asilo,
tornou-se um personagem trágico que acaba se suicidando. Tommy, que no livro
troca a evidência que exonera Andy pela transferência para uma prisão melhor, é
assassinado no roteiro por ordens de Norton, que é um composto de vários
diretores na história de King. O roteirista optou por criar um único personagem
diretor com o objetivo de fazê-lo o principal antagonista. Dentre suas
inspirações, Darabont citou os trabalhos do diretor Frank Capra, incluindo Mr.
Smith Goes to Washington e It`s a Wonderful Life, descrevendo-os
como contos inacreditáveis e comentando que The Shawshank Redemption era
mais inacreditável que filme de prisão. Ele também citou Goodfellas como
inspiração para o uso de diálogo na ilustração das passagens de tempo do
roteiro. Filmes que envolviam prisões não eram considerados prováveis sucessos
de bilheteria na época, porém o roteiro da Darabont foi lido por Liz Glotzer,
então produtora da Castle Rock Entertainment, cujo interesse em histórias
prisões e reação ao ler o roteiro a fizeram ameaçar se demitir caso o estúdio
não produzisse The Shawshank Redemption. Rob Reiner, cofundador e
diretor executivo da Castle Rock, também gostou do roteiro.
Ele ofereceu entre
2,4 e 3 milhões de dólares a Darabont para que lhe permitisse dirigir a
história. Reiner tinha antes adaptado a novela The Body em 1986 como o filme
Stand by Me e planejava escalar Tom Cruise como Andy e Harrison Ford como “Red”.
A Castle Rock se ofereceu para financiar qualquer outro filme que Darabont
quisesse desenvolver. Ele considerou seriamente a oferta, acreditando que isto
melhoraria sua posição na indústria e que o estúdio poderia tê-lo demitido
contratualmente e dado a direção para Reiner de qualquer maneira. Entretanto,
Darabont acabou escolhendo permanecer como diretor, afirmando anos depois que
"você pode continuar a adiar seus sonhos em troca de dinheiro e, sabe,
morrer sem ter feito a coisa que você queria fazer". Reiner serviu como o
mentor de Darabont no projeto. Duas semanas depois de ter ido para a Castle
Rock, ele conseguiu um orçamento de 25 milhões de dólares para fazer The
Shawshank Redemption, pegando 750 mil dólares de salário como roteirista e
diretor, mais uma porcentagem dos lucros, com a pré-produção começando em
janeiro de 1993.
Bibliografia Geral Consultada.
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