quinta-feira, 20 de abril de 2017

Marshall Berman - Modernismo & Cidade, Distância da Realidade.

                                                                                          Ubiracy de Souza Braga
        “Uma fusão de Marx com o modernismo poderia derreter o corpo demasiado sólido do marxismo”. Marshall Berman
                               
 Plotino foi um filósofo neoplatônico, negro, autor de Enéadas, coleção de escritos do filósofo neoplatônico, discípulo de Amônio Sacas por onze anos e mestre de Porfírio, seu biógrafo. Os nomes dos tratados podem diferir de acordo com a tradução. Os números entre colchetes antes dos trabalhos individuais referem-se a ordem cronológica em que foram escritas de acordo com Vida de Plotino, de Porfírio. Grego nascido no Egito em Licopólis, a mesma raiz que deu origem ao Liceu de Aristóteles, “o local do lobo”, no Egito, levou a especulações de que ele pode ter sido um egípcio de Roma, descendente de gregos, ou egípcios. Licaão era filho de Pelasgo, primeiro rei da Arcádia. Segundo os árcades de cerca do século II d. C., Pelasgo foi o primeiro morador da Arcádia, mas Pausânias critica esta descrição, porque ele não poderia ser rei sem ter súditos. Pseudo-Apolodoro dá duas versões sobre sua origem: segundo Acusilau, ele era filho de Zeus e Níobe (filha de Foroneu); segundo Hesíodo, ele era autóctone. Pelasgo foi notável por seus inventos e pela introdução de vários hábitos alimentares. Durante seu tempo, a Arcádia foi chamada de Pelasguia. Foi sucedido pelo filho Licaão. Segundo Pseudo-Apolodoro, a mãe de Licaão era Melibeia, filha de Oceano ou Cilene (ninfa). Após abandonar a vida selvagem se tornou um homem culto e extremamente religioso. 
 Ao fundar sua cidade, chamada Licosura, Licaão construiu um altar para Zeus. Mas seu “fanatismo religioso” o levou a realizar sacrifícios humanos. Assim, todo o respeito que havia conquistado durante sua vida se perdeu. Mesmo assim, Licaão continuava com suas práticas, chegando a sacrificar alguns estrangeiros que chegavam até sua casa. Após 11 anos em Alexandria, na idade de 38 anos, Plotino decidiu investigar os ensinamentos da Filosofia iraniana e Filosofia indiana. Segundo “As Metamorfoses de Ovídio”, Licaão, o rei da Arcádia, serviu a carne de Árcade, e Zeus a este como castigo, transformando-o em lobo (Met. I. 237). Um dos personagens mais famosos foi o pugilista Arcádio Damarco Parrásio, herói olímpico que assumiu a forma de lobo nove anos após um sacrifício a Zeus Liceu, lenda atestada pelo geógrafo Pausânias. Segundo lendas contemporâneas, “para matar um lobisomem é preciso acertá-lo com artefatos feitos de prata”. É um ser lendário, que reaparece com origem em tradições europeias, segundo as quais, um homem se transforma em lobo ou em algo semelhante a um lobo em noites de lua cheia, só voltando à forma humana após o amanhecer. Tais lendas são muito antigas e encontram a sua raiz na mitologia grega.
 Licaão era filho de Pelasgo, primeiro rei da Arcádia. Segundo os árcades de cerca do século II, Pelasgo foi o primeiro morador da Arcádia, mas Pausânias critica esta descrição, porque ele não poderia ser rei sem ter súditos. Pseudo-Apolodoro dá duas versões sobre sua origem: segundo Acusilau, ele era filho de Zeus e Níobe (filha de Foroneu); segundo Hesíodo, ele era autóctone. Pelasgo foi notável por seus inventos e pela introdução de vários hábitos alimentares. Durante seu tempo, a Arcádia foi chamada de Pelasguia. Ele foi sucedido por seu filho Licaão. Segundo Pseudo-Apolodoro, a mãe de Licaão era Melibeia, filha de Oceano ou Cilene (ninfa). Após abandonar a vida selvagem se tornou um homem culto e extremamente religioso. Ao fundar sua cidade, chamada Licosura, Licaão construiu um altar para Zeus. Mas seu fanatismo religioso o levou a realizar sacrifícios humanos. Assim, todo o respeito que havia conquistado durante sua vida se perdeu. Mesmo assim, Licaão continuava com suas práticas, chegando a sacrificar alguns estrangeiros que chegavam até sua casa. Plotino afirma, em Enéada V, 1, que a Alma e, portanto, todas as almas são imagens do Intelecto como a palavra proferida é imagem da palavra interior.


 Dessa maneira, por um lado, ela é uma realidade semelhante ao Intelecto e, por outro, inferior e derivada. É dotada de intelecção, mas a intelecção que lhe é própria é inferior, discursiva. Enquanto que, no Intelecto, todo o pensamento está presente ao mesmo tempo, a alma pensa uma coisa após a outra: num momento é Sócrates, em outro é um cavalo etc. Sendo uma entidade distinta e inferior, que pensa discursivamente, como a alma pode se unir tão estreitamente ao Intelecto, de modo a ser possível que chegue até mesmo a se tornar um intelecto? Para O`Daly, devemos nos lembrar, aqui, do axioma plotiniano, presente em V, 2, 2: cada ser está em identidade com seu antecessor enquanto mantém contato. Ou efeito não está separado da causa. Assim, a alma do vegetal morto volta para o lugar de onde veio, ou melhor, está sempre em seu princípio. Do mesmo modo, as fases superiores da alma estão umas nas outras até que o nível do Intelecto seja alcançado. Assim, a alma está presente no Intelecto de um modo virtual. Quando essa presença é atualizada e a alma age como um intelecto.
            Na busca dessa reflexão para compreensão ele deixou Alexandria e se juntou ao exército de Gordiano III, uma vez que este marchava sobre a Pérsia. A campanha fracassa e na eventual morte de Gordiano, Plotino se encontrou abandonado em uma terra hostil e com dificuldade encontrou seu caminho de volta para a sua segurança em Antioquia. Com a idade de quarenta anos, durante o reinado de Filipe, o Árabe, retornou a Roma, onde permaneceu durante a maior parte do resto de sua vida. Lá, atraiu um número de alunos. Seu círculo de discípulos mais íntimo incluiu Porfírio, Amélio da Toscana, o senador Castro Firmo e Eustáquio de Alexandria, um médico que se dedicou ao aprendizado de Plotino e o assistiu até sua morte. Outros alunos foram: Zeto, um árabe por ascendência, que morreu antes de Plotino deixando-lhe um legado e um pouco de terra, Zótico, crítico e poeta, Paulino, um médico de Sitopólis (Bete-Seã) e Serapião de Alexandria. Além de Castro, Plotino tinha alunos no senado romano como Marcelo Oronto, Sabinilo e Rogaciano. Algumas mulheres também foram contadas entre os seus alunos, incluindo Gemina, “em cuja casa ele viveu durante a sua residência em Roma, sua filha, também Gemina, e Anficlea, a esposa de Aristão filho de Jâmblico”.

Plotino é considerado por especialistas como o idealizador do neoplatonismo (Porfírio, 1946; Parente, 1984; Soares, 2000; Brandão, 2007; 2009), mas, alguns entendem que foi Numênio de Apameia quem tem a paternidade desta corrente do pensamento político grego de inspiração platônica. De qualquer forma, Plotino é considerado como o mais importante filósofo neoplatônico, e fora de dúvida o pensador mais significativo do século III d. C. A doutrina de Plotino, assim como outras correntes neoplatônicas viriam a se tornar em Roma uma séria alternativa de crítica ao cristianismo. Com a expansão vitoriosa da doutrina cristã, deu a impressão que o neoplatonismo desapareceria. No entanto, esta escola exerceu uma forte influência na teologia cristã, ocorrendo assim diversas sínteses elaboradas principalmente por Agostinho de Hipona, Gregório de Nissa, e outros pensadores cristãos, as quais influenciaram grande parte dos filósofos medievais até o século XIII.
O neoplatonismo também esteve presente no Renascimento e na Modernidade, inspirando a fundação da Academia Platônica Florentina, a filosofia natural de Bruno, e o inatismo advindo das tendências platônico-agostinianas, que deu origem à Escola de Cambridge (cf. Feres Junior, 2005). A corrente neoplatônica se inseriu de maneira mais profunda no idealismo romântico e, em particular, na filosofia de Schelling, um autor variado e fecundo. As faces do seu pensamento são fundamentalmente duas: o período da filosofia da identidade, e o da filosofia da liberdade. A filosofia de Schelling é, fundamentalmente, idealista: o espírito, o sujeito, o eu, é princípio de tudo. Como Fichte, admite que a natureza é uma produção necessária do espírito; recusa, porém, o conceito de Fichte de que a natureza tenha uma existência puramente relativa ao espírito. Para ele, a natureza - concebida idealisticamente - tem uma realidade autônoma com respeito ao sujeito, à consciência. A natureza tem como representação o espírito na fase de consciência obscura, como o espírito é a natureza na fase de consciência clara.
 Ele é um dos mais influentes filósofos da Antiguidade, depois de Platão e Aristóteles. Mas por qual motivo os ensinamentos de Plotino teriam sido entendidos como um discurso religioso que rivalizou com a doutrina cristã nos primeiros séculos de nossa era? Atribuem-se a Plotino estranhos poderes ocultos, e seu corpo teria sido incorporado por alguma “entidade espiritual”, que seria um demônio ou um deus. Também na vida cotidiana, Plotino teria sido clarividente, sendo capaz de reconhecer ladrões à primeira vista e, em um instante, adivinhar o caráter e até mesmo o destino futuro daqueles o cercavam. Assim como Sócrates, Amônio nada deixou escrito, mas sua doutrina foi divulgada e aperfeiçoada por Plotino, tal como, antes, a mensagem de Sócrates havia sido eternizada pelos testemunhos de Platão e Xenofonte. Amônio conciliou as idéias formuladas em torno de Platão e Aristóteles e transmitiu a seus discípulos, em especial a Plotino, proporcionando assim uma filosofia livre do espírito de polêmica, muitas vezes da vaidade pela disputa intelectual.
Conta Eunápio que Porfírio, após haver estudado com Plotino, tomou horror ao próprio corpo e velejou para a Sicília, seguindo a rota de Odisseu, e ficou em um promontório da ilha, sem se alimentar e evitando o caminho do homem; Plotino, que ou o estava seguindo ou recebeu informações sobre o jovem discípulo, foi até ele e o convenceu com suas palavras, de modo que Porfírio voltou a reforçar seu corpo para sustentar sua alma. Os critérios editoriais de Porfírio, possivelmente, tinham por objetivo formar uma série que ‎demonstrasse o caminho para a sabedoria. Nas palavras de O`Meara: - Com isso Porfírio quis ‎oferecer ao leitor uma passagem pelos escritos de Plotino que lhe traria “uma formação filosófica, uma condução até o bem absoluto”. O alvo geral da leitura e interpretação dos textos nas escolas do Império era, em primeira linha, a transformação da vida, a cura da alma, a ‎condução para uma vida boa.
Em sua filosofia Plotino dividia o universo em quatro hipóstases: O Uno, o Nous (ou mente) e a Alma. Segundo Plotino, o Uno refere-se a Deus, dado que sua principal característica é a indivisibilidade. – “É em virtude do Uno [unidade] que todas as coisas são coisas”. Nous, termo filosófico grego que não possui uma transcrição direta para a língua portuguesa, e que significa atividade do intelecto ou da razão em oposição aos sentidos materiais. Muitos autores atribuem como sinônimo a Nous os termos “Inteligência” ou “Pensamento”. O significado aparentemente ambíguo do termo é resultado de sua constante apropriação por diversos filósofos, para denominar diferentes conceitos e idéias. Nous refere-se ao processo de apreensão de conhecimento filosófico e ao contexto histórico das ideias, algumas vezes a uma faculdade mental ou característica, outras vezes corresponde a qualidade do universo ou de Deus.
Porfírio informa que Plotino tinha 66 anos quando morreu em 270, o segundo ano do reinado do imperador Cláudio II, dando-nos assim o ano de nascimento do seu professor como ao redor 205, em Minturno, já foi sugerido também que possa ter nascido na Alexandria. A influência filosófica de Plotino e dos neoplatônicos sobre o pensamento cristão, islâmico e judaico foi representativa para escritores como Gregório de Nazianzo, Gregório de Nissa, Agostinho de Hipona, Pseudo-Dionísio, o Areopagita, Boécio, João Escoto Erígena, Alberto Magno, Tomás de Aquino, Dante Alighieri, Mestre Eckhart, Johann Tauler, Nicolau de Cusa, João da Cruz, Marsílio Ficino, Giovanni Pico della Mirandola, Giordano Bruno, Avicena, Salomão ibne Gabirol, Espinoza, Leibniz, Coleridge, Henri Bergson e Máximo, o Confessor, entre outros.
A filosofia essencialmente africana é geralmente negligenciada no estudo de Filosofia, e sabemos claramente as razões para isso. Alguns argumentam que o fato de ela estar estreitamente vinculada às suas tradições orais tornaria difícil compartilhar a sua extensa história com uma audiência mais ampla. Outros argumentam que a sua natureza “afrocêntrica”, distinta da helênica a faria menos atraente para o resto do mundo ocidental. O filósofo nigeriano K. C. Anyanwu define a filosofia africana como “aquela que se interessa na maneira que o povo africano, do passado e do presente, entende o seu destino e o mundo no qual vive”. Apesar de aparentemente permanecer um mistério para outros países, a filosofia africana é uma disciplina sólida, enriquecida por séculos de pesquisa, que datam culturalmente desde a filosofia do Egito antigo, até o pensamento pós-colonial moderno. Historicamente a filosofia africana contribuiu à filosofia grega, através do filósofo egípcio Plotino - figura fundamental na continuação da tradição da Academia de Platão, e à filosofia cristã, através do pensador argelino Agostinho de Hipona, que estabeleceu a noção de representação do pecado original.
A expressão filosofia africana é usada de múltiplas formas por diferentes filósofos. Embora diversos filósofos africanos tenham contribuído para diversas áreas de conhecimento, com a metafísica, epistemologia, filosofia moral e filosofia política, uma grande parte dos filósofos discute se a filosofia africana de fato existe. Um dos mais básicos motivos de discussão sobre a filosofia africana gira em torno da aplicação do termo “africano”, paradoxalmente, se o termo se refere ao conteúdo da filosofia ou à identidade dos filósofos. Na primeira visão, a filosofia africana seria aquela que envolve temas africanos ou que utiliza métodos que são distintamente africanos. Na segunda visão, a filosofia africana seria qualquer filosofia praticada por africanos ou pessoas de origem africana. A filosofia na África tem uma história rica e variada, que data do Egito pré-dinástico, continuando até o nascimento do cristianismo e do islamismo. Sem dúvida, foi fundamental a questão em torno da concepção do “Ma`at”, que, traduzido, significa, aproximadamente, “justiça”, “verdade” ou, simplesmente, “o que é certo”. Uma das maiores obras de filosofia política foi o Ensinamento de Ptah-hotep, que foi empregado nas escolas egípcias durante séculos. Filósofos egípcios antigos deram contribuições extremamente importantes para a filosofia helenística, filosofia cristã e filosofia islâmica. Na tradição helênica, a influente escola filosófica do neoplatonismo foi fundada pelo filósofo egípcio Plotino, no terceiro século da era cristã. Na tradição cristã, Agostinho de Hipona foi uma pedra angular da filosofia e da teologia cristã. Ele viveu entre os anos 354 a 430, e escreveu a sua obra mais conhecida “De Civitate Dei” (“A Cidade de Deus”) em Hipona, atual cidade argelina de Annaba. Ele desafiou uma série de ideias de sua idade incluindo o arianismo, e estabeleceu as noções básicas do pecado original e da graça divina na filosofia e na teologia cristãs. Marshall Berman em análise comparada foi um filósofo negro e escritor talentoso estadunidense de tendência marxista deste século. 
Nascido em 1940, em Nova York, o pensador lecionava ciência política no The City College of New York e filosofia política e urbanismo na City University of New York. Sua obra reconhecida internacionalmente é All That Is Solid Melts Into Air: The Experience of Modernity (1982; 2012), o mais famoso ensaio marxista dos anos 1980, cujo título alude a frase do Manifesto Comunista, de Marx e Engels de 1848 que se tornou famosa associada à linguagem estética em que o marxista humanista apresenta-se radicalmente contrário ao conceito de “pós-modernismo” (cf. Lyotard, 1979) e acreditava na retomada do humanismo marxista. O livro desenvolve a crítica da modernidade, constituindo-se de análises argutas de vários autores e suas épocas - desde o Fausto, de Goethe, passando pelo “Manifesto” e pelos poemas em prosa de Charles Baudelaire e pela ficcionalização das ideias de Fiódor Dostoiévski, até as vanguardas artísticas do século XX. Jean-Jacques Rousseau é o primeiro a usar a palavra moderniste no sentido em que os séculos XIX e XX a usarão fartamente. Contudo, pode-se ter analogamente uma ideia da complexidade da relação entre modernidade e o modernismo do século XIX, se prestarmos atenção a duas de suas vozes mais distintas: Friedrich Nietzsche, em geral aceito como fonte de muitos dos modernismos do nosso tempo, e Marx, que não era comumente associado a qualquer modernismo antes de Marshall Berman.
         Com isso, o tema da ideologia sofria uma desdramatização. Se o ideológico, afinal não passava de uma consequência pura e simples de um processo prático, material, que importância maior poderiam ter, na sua esfera social de ação, as controvérsias que lançavam, uns contra os outros, os sujeitos históricos? Os dramas subjetivos - reconhecidos como secundários - remetiam os pesquisadores à realidade tida como objetiva, que era o nível onde podiam ser encontrada as causas concretas, isto é, a verdade do fenômenos. A questão filosófica cedia lugar a um campo de estudos bem mais restrito, que ficava entregue à competência exclusiva dos sociólogos, incumbidos de verificar a que grupos, classes ou atores sociais se ligavam as representações ideológicas. Os marxistas do final do século XIX e sobretudo do início do século XX, em sua maioria adotaram uma concepção redutivamente sociológica da ideologia, limitando-se ao recurso mental - e neste sentido poder denunciar politicamente - as formas diretas mais simples da expressão dos interesses materiais das classes sociais nos discursos, nos programas de ação ou na produção artística em geral.
Outros livros de Berman bem difundidos – “Aventuras no Marxismo” – uma coletânea de ensaios sobre a influência de Marx na sua vida –, e “Um Século em Nova York” – que também foram traduzidos para o português. Escreveu ipso facto inúmeros artigos sobre cultura e política, e como membro do conselho editorial da revista Dissent, ou para a revista semanal The Nation e para o tradicional jornal The New York Times. Sob a influência do movimento New Left, Nova Esquerda, Marshall Berman refletiu sobre uma série de questões sociais e políticas que ampliam o horizonte das esquerdas tradicionais em relação aos elementos constitutivos da modernidade. Nos Estados Unidos da América, a Nova Esquerda está associada aos movimentos populares, como o Hippie, os de protesto à Guerra do Vietnã e pelos direitos civis, que visavam a acabar com a opressão de classe, gênero sexual, raça e sexualidade. Apresentou o modo como o indivíduo pode experimentar, criticamente, de modo rico, em verdadeira profusão, tudo o que a cultura moderna nos oferece, como consumidores na literatura, nas artes em geral, no cotidiano da vida urbana, sem cair nos vícios empobrecedores ou “reificantes” da existência, ensejados pelo capitalismo, ou na crítica mais convencional marxista que não atenta para essas possibilidades. Segundo Berman, o marxismo, em larga medida, perdeu o sentido libertário original presente na obra de Marx, autor que ele classifica como um dos fundadores da concepção crítica de modernidade. 
Metodologicamente Marshall Berman disserta sobre um recorte epistemológico das três fases da história da modernidade. De início do século XVI até o fim do século XVIII onde as pessoas estão apenas começando a experimentar a vida moderna, quando ainda mal fazem ideia do que as atingiu. Quando a grande onda revolucionária de 1789-1790, “batalhões de limousinants integravam já os grupos da construção; os auvergnats enxameavam por toda parte; os tanoeiros de Saintonge os empregavam todos os anos” etc., (cf. Lefevre, 1979: 32) demarca o início da segunda fase, onde ganha vida um público moderno e que compartilha o sentimento de viver em uma era revolucionária se expande a ponto de abarcar virtualmente o mundo nacional. Estados nacionais cada vez mais poderosos, burocraticamente estruturados e geridos. Que lutam com obstinação para expandir seu poder; movimentos sociais de massa e de nações, ameaçando seus governantes políticos, lutando por obter  controle sobre suas vidas;  dirigindo e manipulando muitas pessoas e instituições, um mercado capitalista globalizado, drasticamente flutuante, em permanente expansão. Esta questão em certa medida remonta ao tema da Liberdade absoluta do Primeiro princípio por ter sido inaugurado na filosofia ocidental por Plotino num dos tratados mais célebres das Enéidas, sobre a liberdade e a vontade do Uno.

 Plotino começa com uma minuciosa descrição do livre arbítrio, inspirada na Ética de Nicômaco aristotélica. O livre arbítrio se exerce com respeito às coisas que estão em nosso poder (tà eph`hemîn) e deve ser conduzido pela “reta razão” (orthòs logos). O sujeito do livre-arbítrio é dotado de uma natureza imaterial; ele está presente por uma identidade na Inteligência (segunda hipóstase da tríade plotiniana) e por aquisição da Alma (terceira hipóstase). Em seguida, Plotino, dedica-se a uma reflexão especulativa sobre a absoluta transcendência do Uno-Bem e sobre os predicados a que convém atribuir-lhe. Finalmente, designa o Uno-Bem como vontade e Liberdade absolutas, pois somente Ele é Ele mesmo (autòs autó), ao passo que tudo mais é o mesmo e outro. Toda alteridade é, portanto, excluída da Liberdade absoluta enquanto idêntica com o bem. Nessa concepção da identidade entre Liberdade e Bem tem origem o problema metafísico da Liberdade tal como será recebido na tradição filosófica posterior das interpretações diversas que receberá na teologia cristã e na filosofia da modernidade.
Historicamente há cerca de duzentos anos, a ideia de que a verdade era produzida, e não descoberta começou a tomar conta do imaginário individual (o sonho) e coletivo (os mitos, os ritos, os símbolos) europeu. O precedente estabelecido pelos românticos conferiu a seu pleito uma plausibilidade inicial. O papel efetivo de romances, poemas, peças teatrais, quadros, estátuas e prédios no movimento social dos últimos 150 anos deu-lhe uma plausibilidade ainda maior, obtendo legitimidade, já que “as ideias adquirem força na história”. Alguns filósofos inclinaram-se ao iluminismo e continuaram a se identificar com a ciência. Eles veem a antiga luta entre a ciência e a religião, a razão e a irracionalidade, como um processo em andamento que assumiu a forma de luta entre a razão e todas as mediações intraculturais que pensam na verdade constituída e não encontrada. Esses filósofos consideram que a ciência é a atividade paradigmática e insistem que a ciência natural descobre a verdade, ao invés de cria-la. Encaram a expressão “criar a verdade” como meramente metafórica e totalmente enganosa. Pensam na política e na arte como esferas em que a ideia de “verdade” fica deslocada. Outros filósofos, percebendo que o mundo descrito pelas ciências físicas não ensina nenhuma lição moral e não oferece conforto espiritual, concluíram que a ciência não passa de uma serva da tecnologia. Esses filósofos alinham-se com o utopista político e o artista inovador. Os primeiros contrastam a “realidade científica concreta” com o “subjetivo” ou o “metafórico”, os segundos veem a ciência como um conjunto de práticas e saberes sociais, sendo que na transformação das atividades humanas, e não como o lugar em que se deparam com uma realidade não humana “concreta”. 
De acordo com essa visão, os grandes cientistas inventam descrições do mundo que são úteis para o objetivo de prever e controlar o que acontece, assim como os poetas e os pensadores políticos inventam outras descrições do mundo para outros fins. Não há sentido algum, porém, em que qualquer dessas descrições seja uma representação exata de como é o mundo em si. Esses filósofos consideram inútil a própria ideia dessa representação, consignando uma verdade de categoria fenomênica, como uma descrição do espírito ainda não plenamente cônscio de sua natureza espiritual (dialética) e, elevar ao tipo de verdade oferecida pelo poeta e pelo revolucionário político. O idealismo alemão, porém, representou uma solução de compromisso pouco duradoura e insatisfatória. É que Immanuel Kant e Friedrich Hegel fizeram apenas concessões parciais em seu repúdio à ideia de que a verdade está “dada”. Dispusera-se a ver o mundo da ciência empírica como um mundo “fabricado” – a ver a matéria como algo construído pela mente, ou como feita de uma mente insuficientemente cônscia de seu próprio caráter mental -, mas persistiram em ver a mente, o espírito, as profundezas do eu como dotados de uma natureza intrínseca – uma natureza que se poderia conhecer por uma espécie de superciência não empírica, chamada de filosofia. Isso significava que apenas metade da verdade, a metade científica inferior – era produzida.
 
A verdade superior, a verdade sobre a mente, seara da filosofia, ainda era uma questão de descoberta, não de criação. Richard Rorty precisa sua tese de distinção entre a afirmação de que o mundo está dado e a de que a verdade dada, equivale a dizer, com bom senso, que a maioria das coisas no espaço e no tempo, é efeito de causas que não incluem os estados mentais humanos. Dizer que a verdade não está dada é dizer que, onde não há frases, não há verdade. E que as frases são componentes das línguas humanas, e que as línguas humanas são criações humanas. Só as descrições podem ser “verdadeiras” ou “falsas” - sem o auxílio das atividades descritivas dos seres humanos - não pode sê-lo. Em filosofia e lógica, a contingência enquanto representação da realidade é o modo de ser daquilo que não é necessário nem impossível.  É bem verdade que a liberdade no pensamento tem somente o puro pensamento por sua verdade; e verdade sem a implementação da vida. Por isso, para lembrarmos de Hegel, é ainda só o conceito da liberdade, não a própria liberdade viva. Com efeito, para ela a essência é só o pensar em geral, a forma coo tal, que afastando-se da independência das coisas retornou a si mesma. Mas porque a individualidade, como individualidade atuante, deveria representar-se como viva; ou, como individualidade pensante, captar o mundo vivo como um “sistema de pensamento”; teria de encontrar-se no pensamento mesmo, para aquela expansão do agir, um conteúdo do que é bom, e para essa expansão do agir, um conteúdo do que é bom, e para essa expansão do pensamento, um conteúdo do que é verdadeiro. Com isso não haveria, absolutamente nenhum outro ingrediente, naquilo que é para a consciência, a não ser o conceito que é a essência. 
O conceito enquanto abstração, separando-se da multiplicidade variada das coisas, não tem conteúdo nenhum em si mesmo, exceto um conteúdo que lhe é dado. A consciência, quando pensa o conteúdo, o destrói como um ser alheio; mas o conceito é conceito determinado e justamente essa determinidade é o alheio que o conceito possui nele.  Esta unidade do existente, o que existe, e do que é em si é o essencial da evolução. É um conceito especulativo, esta unidade do diferente, do gérmen e do desenvolvido. Ambas estas coisas são duas e, no entanto, uma.É um conceito da razão. Por isso só todas as outras determinações são inteligíveis, mas o entendimento abstrato não pode conceber isto. O entendimento fica nas diferenças, só pode compreender abstrações, não o concreto, nem o conceito. Resumindo, teremos uma única vida a qual está oculta. Mas depois entra na existência e separadamente, na multiplicidade das determinações, e que com graus distintos, são necessárias. E juntas de novo, constituem um sistema. Essa representação é uma imagem da história da filosofia. O primeiro momento era o em si da realização, e em si do gérmen etc. O segundo é a existência, aquilo que resulta. Assim, o terceiro é a identidade de ambos, mais precisamente agora o fruto da evolução, o resultado de todo este movimento. E a isto Hegel chama “o ser por si”. É o “por si” do homem, do espírito mesmo. 
Somente o espírito chega a ser verdadeiro por si, idêntico consigo. O que o espírito produz, seu objeto de pensamento, é ele mesmo. Ele é um desembocar em seu outro. É um desprendimento, um desdobrar-se, e por isso, ao mesmo tempo, um desafogo. No que toca mais precisamente a um dos lados da educação, melhor dizendo, à disciplina, não se há de permitir ao adolescente abandonar-se a seu próprio bel-prazer; ele deve obedecer para aprender a mandar. A obediência é o começo de toda a sabedoria; pois, por ela, a vontade que ainda não conhece o verdadeiro, o objetivo, e não faz deles o seu fim, pelo que ainda não é verdadeiramente autônoma e livre, mas, antes, uma vontade despreparada, faz que em si vigore a vontade racional que lhe vem de fora, e que pouco a pouco se torne a sua vontade. O capricho deve ser quebrado pela disciplina; por ela deve ser aniquilado esse gérmen do mal. No começo, a passagem de sua vida ideal à sociedade civil pode parecer ao jovem como uma dolorosa passagem à vida de filisteu. Até então preocupado apenas com objetos universais, e trabalhando só para si mesmo, o jovem que se torna homem deve, ao entrar na vida prática, ser ativo para os outros e ocupar-se com singularidades, pois concretamente se se deve agir, tem-se de avançar em direção ao singular. 

Nessa conservadora produção do mundo consiste no trabalho do homem. Podemos, pois, fora de dúvida, de um lado dizer que o homem só produz o que já existe. Por outro, é necessário que um progresso individual seja efetuado. Mas o progredir no mundo só ocorrer nas massas, e só se faz notar em uma grande soma de coisas produzidas. É a característica preservada e atribuída ao ente cuja existência é não necessária, mas, ao mesmo tempo, não impossível - isto é, a sua realidade não pode ser demonstrada nem negada em termos abstratos definitivos. Dizer que são contingentes as proposições, e neste sentido que não contém um entendimento necessariamente verdadeiras nem necessariamente falsas é uma boutade. Há quatro classes de proposições, algumas das quais se sobrepõem: proposições necessariamente verdadeiras ou tautologias, que devem ser verdadeiras, não importam quais são ou poderiam ser as circunstâncias. Geralmente o que se entende por proposição necessária é a proposição “necessariamente verdadeira”. Proposições necessariamente falsas ou contradições, que devem ser falsas, não importam quais são ou poderiam ser as circunstâncias. Proposições contingentes, que não são necessariamente verdadeiras nem necessariamente falsas. Proposições possíveis, que são verdadeiras ou poderiam ter sido verdadeiras em certas circunstâncias. Enfim, todas as proposições necessariamente verdadeiras e todas as proposições contingentes também são proposições possíveis.  
A filosofia profissional, segundo a maioria dos filósofos ocidentais, e particularmente norte-americanos seria uma forma originalmente europeia de pensar, refletir e raciocinar, sendo, tal forma, relativamente nova na maior parte da África. No entanto, tal abordagem da filosofia tende a crescer no continente africano, e não só. A filosofia ideológica nacionalista, por exemplo, pode ser vista como um caso especial de “sagacidade filosófica”. Os críticos dessa abordagem argumentam que nem todos os questionamentos e reflexões são filosóficos. O que quer dizer o seguinte: se a filosofia africana for definida em termos de sagacidade filosófica, então os pensamentos dos sábios não poderiam se enquadrar na tradição da filosofia, pois não foram obtidos de outros sábios. Por esse ponto de vista, a única diferença entre os antropólogos não africanos e os filósofos africanos seria apenas a nacionalidade do pesquisador, em geral colonialista. Portanto, ela também pode ser vista como uma forma de proximiade no âmbito da dialética marxista com a filosofia política. Em ambos os casos, o mesmo tipo de problema surge: é preciso manter uma distinção entre ideologia e filosofia, entre conjuntos de ideias, práticas sociais e uma maneira especial de raciocínio. Valores que, não sendo religiosos, pudessem atrair todas as igrejas de todas as comunidades negras e, mais tarde, no mundo inteiro. Muitos filósofos africanos se destacaram nesta área, como Kwame Anthony Appiah, Kwame Gyekye, Kwasi Wiredu, Oshita O. Oshita, Lansana Keita, Peter Bodunrin e Chukwudum B. Okolo. 
Bibliografia geral consultada.
PORFIRIO, Vita di Plotino ed ordine dei suoi libri. Napoli: Editore Macchiaroli, 1946; FARRINGTON, Benjamin, Scienza e Política nel Mondo Antico. Milano: Feltrinelli Editore, 1960; ABRAHAM, Willie Emmanuel, The Mind of Africa. Chicago: University of Chicago Press, 1962; HALBWACHS, Maurice, La Mémoire Collective.  Editions. Paris: Presses Universitaires de France, 1968; COX, Harvey, La Fête des Fous. Essai Théologique sus les Notions de Fête et de Fantasie. Paris: Éditions Seuil, 1971; LYOTARD, Jean-François, La Condition Postmoderne. Paris: Les Éditions Minuit, 1979; LEFEBRVE, Georges, O Grande Medo de 1789. Os Camponeses e a Revolução Francesa. Rio de Janeiro: Editor Campus, 1979; WIRTH, Jean, La Naissance du Concept de Croyance, XII-XVeme Siècle. In: Bibliothèque d`Humanisme et Renaissance: Travaux et Documents, 1983, Tomo XLV; WIREDU, Kwasi, Philosophy and an African Culture. Cambridge: Cambridge University Press, 1980; Idem, “Toward Decolonizing African Philosophy and Religion”. Disponível em: African Studies Quarterly, 1 (4): 17; 1998; Idem, “An Oral Philosophy of Personhood: Comments on Philosophy and Orality”. Disponível em: Research in African Literatures, 40 (1): 8–18; 2009; PARENTE, Margherita Isnardi, Introduzione a Plotino. Roma-Bari: Edizione Laterza, 1984; SOARES, Luciana Gabriela, “Exegese do Tratado Sobre o Belo Inteligível (V, 8),  de Plotino”. In: Revista Ciências Humanas, Volume 23 n°s 1 e 2, pp. 63-88; 2000; GINZBURG, Carlo, Olhos de Madeira. Nove Reflexões sobre a Distância. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2001; BRANDÃO, Bernardo, “A união da alma e do intelecto na filosofia de Plotino”. Disponível em: Kriterion. Volume 48, n°116. Belo Horizonte, julho/dezembro 2007; Idem, “A união da alma com o Um na filosofia de Plotino”. In: Síntese, n° 114, 2009; pp. 87-105; SANTOS, João Henrique dos, Da Conciliação Possível à Ruptura: UmaAnálise dos Documentosde 1520 de Martim Lutero. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduaçãoem Ciência da Religião. Instituto de Ci~encias Humanas. Juiz de Fora: Universidede de Juiz de Fora, 2009; BERMAN, Marshall, Tutto ciò che è solido svanisce nell'aria. L`esperienza della modernità. Traduttore V. Lalli. Bologna: Editore Il Mulino, 2012; ALENCAR, Rodrigo, A Fome da Alma. Psicanálise, Drogas e Pulsão na Modernidade. Tese de Doutorado. Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, 2016; entre outros.  

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