quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Diana Krall – Voz, Piano & Trabalho, Jazz Live in Rio de Janeiro.

                                                                                       Ubiracy de Souza Braga*

         Eu trabalho muito duro para ser o melhor músico que eu posso porque eu amo isso”. Diana Krall

    
            Gravação do DVD “Diana Live in Rio”, de 2008.           

            A música seja clássica, rock, jazz ou ópera, sempre teve um lugar de destaque no Canadá e os canadenses fizeram sua marca, imiscuindo-se nas barreiras étnicas e culturais. Bryan Adams, Céline Dion e Leonard Cohen são cantores pop com fãs no mundo inteiro, enquanto Roch Voisine e Daniel Lavoie conquistaram o coração das audiências francófonas de todo mundo ocidental. O festival anual de jazz de Montreal, por exemplo, é conhecido internacionalmente e é parada obrigatória no itinerário de todos os fãs de jazz. Grupos como o UZEB,  banda de jazz de Montreal, que esteve ativa de 1976 a 1992 e se reuniu em novembro de 2016. Os membros são Alain Caron, Michel Cusson e Paul Brochu. A banda ganhou vários prêmios canadenses durante os anos 1980. quando conquistaram o seu lugar dentre as melhores bandas de jazz do mundo. Oscar Peterson é um dos grandes jazzistas de todos os tempos e outros, como Lorraine Desmarais, Oliver Jones, Karen Young, Michel Donato e Ed Bickert que têm constituído grande parte desta sólida reputação artística e musical.         
          Diana Jean Krall nasceu em Nanaimo, cidade do Canadá, província de Colúmbia Britânica, em 16 de novembro de 1964. É uma popular cantora e pianista canadense de jazz. Nasceu na Colúmbia Britânica numa família musical. Ela começou a tocar piano aos quatro anos, e durante a sua juventude a família mudou-se para Vancouver. No colegial, ela começou a tocar num pequeno grupo de jazz. Segundo Jeff Hamilton, em uma entrevista gravada no DVD intitulado: Diana Krall Live in Rio, ele ouviu Krall tocar em uma oficina e, impressionado com suas habilidades de piano, embora ela ainda não estivesse cantando, apresentou-a ao baixista John Clayton. Em 1990, ele se juntou ao pianista Bobby Enriquez e ao baterista Al Foster, para o álbum de Enriquez, The Wildman Returns. A sua técnica chamou a atenção do baixista Ray Brown, que a apresentou a diversos professores e produtores. Ray tocou no Quarteto com Monty Alexander, Milt Jackson e Mickey Roker. Com esse trio, ele continuou se apresentando até sua morte em 2002, depois de jogar golfe, antes de um show em Indianapolis, cidade mais populosa do estado norte-americano de Indiana.
           Histórica e estatisticamente um terço da população canadense vive dentro de um raio de 160 km da cidade. Toronto é considerada uma das cidades mais multiculturais do mundo e, como metrópole que atrai dezenas de milhares de imigrantes anualmente. Seus habitantes são chamados de “torontonianos” ou “Torontonians”. É a capital financeira do Canadá, considerada uma cidade “global alfa”, exercendo significativa influência em níveis regional, nacional e internacional. É considerada um dos principais centros financeiros do mundo, bem como um dos principais centros culturais e científicos. Toronto é o maior polo industrial, financeiro e de telecomunicações do Canadá. A cidade possui uma das economias mais diversificadas da América do Norte, com a maior concentração de sedes de empresas, instituições culturais e a maior comunidade artística do país. Em janeiro de 2005, Toronto foi escolhida pelo governo canadense como uma das capitais culturais do Canadá. É uma das cidades mais seguras do continente norte-americano - sua taxa de criminalidade é menor comparativamente do que qualquer grande cidade estadunidense, e uma das menores do gigante território do Canadá.
 
 

As terras ocupadas pelo Canadá são habitadas há milênios por diferentes grupos humanos de povos aborígines. Começando no fim do século XV, expedições britânicas, portuguesas e francesas exploraram e, mais tarde, se estabeleceram ao longo da costa Atlântica do país. A França cedeu quase todas as suas colônias na América do Norte em 1763 depois da Guerra dos Sete Anos. Em 1867, com a união de três colônias britânicas da América do Norte em uma confederação, o Canadá foi formado como um domínio federal de quatro províncias. Isto começou com um acréscimo de províncias e territórios e com um processo de aumento de autonomia do Reino Unido. Esta ampliação de autonomia foi salientada pelo Estatuto de Westminster de 1931 e culminou no Canada Act de 1982, que eliminou os vestígios de dependência jurídica do Parlamento Britânico. O Canadá representa uma federação composta por dez províncias e três territórios, uma democracia parlamentar e uma monarquia constitucional, com o rei Carlos III como chefe de Estado que é um símbolo dos laços históricos do Canadá com o Reino Unido, sendo o governo dirigido por um primeiro-ministro, cargo ocupado atualmente.
É um país bilíngue e multicultural, com o inglês e o francês como línguas oficiais. Um dos países mais desenvolvidos do mundo, o Canadá tem uma economia diversificada, dependente dos seus abundantes recursos naturais e do comércio, particularmente com os Estados Unidos, país com que o Canadá tem um relacionamento longo e complexo. É um membro do G7, do G20, da OTAN, da OCDE, da OMC, da Comunidade das Nações, da Francofonia, da OEA, da APEC e das Nações Unidas. Existem várias teorias sociais quanto à origem etimológica da palavra Canadá. O Dictionary of Canadianisms on Historical Principles Online considera que a etimologia da palavra Canadá não se encontra claramente estabelecida e apresenta uma extensa lista com várias teorias que foram apresentadas no decorrer do processo civilizatório. A teoria com mais aceitação talvez seja a de que a origem do nome Canadá venha da palavra iroquesa kanata, que significa “aldeia” ou “povoado”. Em 1535, nativos americanos vivendo na região utilizaram a palavra para explicar ao explorador francês Jacques Cartier o caminho para a aldeia de Stadacona, local onde se encontra a cidade Quebec.
Cartier utilizou a palavra não somente em referência a Stadacona, mas também a toda a região sujeita ao domínio de Donnacona, então cacique de Stadacona. Por volta de 1547, mapas europeus passaram a nomear esta região, acrescida das áreas que a cercavam, pelo nome Canada. Outra teoria atribui a origem do nome Canadá a navegadores espanhóis que, tendo chegado às costas do Canadá e não encontrado nem ouro nem nada de proveito, teriam dito “Acá nada”, palavras que, mais tarde, repetir-se-iam pelos nativos e pelos franceses. Outra teoria bastante divulgada há séculos é que um navegador português, depois de visitar as terras geladas do continente norte-americano, teria deixado escrito num mapa “Cá Nada”, pois nas terras nada haveria de interessante, e um copista francês teria interpretado essas duas palavras como sendo o nome da terra.
O historiador luso-alemão Rainer Daehnhardt, defensor desta última teoria, refuta a hipótese da origem nativa iroquesa, argumentando que os iroqueses habitavam o interior e que existe cartografia anterior aos primeiros contatos com iroqueses a qual já fazia uso da palavra Canada. A partir do século XVII, aquela parte da Nova França, situada ao longo do rio São Lourenço e das margens Norte dos Grandes Lagos, era conhecida como Canadá. Posteriormente, foi dividida em duas colônias britânicas, Canadá Superior e Canadá Inferior, até a união das duas como uma única Província Britânica do Canadá, em 1841. Até a década de 1950, era oficialmente e comumente chamado de Dominion of Canada. À medida que o Canadá adquiriu maior autoridade e autonomia política do Reino Unido, o governo federal passou a utilizar cada vez mais somente Canada em documentos oficiais, em documentos governamentais e em tratados. Com o Canada Act de 1982, o nome oficial do país passou a ser simplesmente Canadá, assim escrito nos dois idiomas oficiais do país, o inglês e o francês. Com o Canada Act, o dia da Independência, em 1º de julho, mudou de Dominion Day para Canada Day.
Esta divisão do trabalho segundo os sexos, indicada no nível da linguagem, é praticada desde o nascimento, pontuada por ritos e marcada por inumeráveis símbolos. Com efeito, a aceitação e a interiorização da divisão sexual do trabalho tanto entre trabalho doméstico e trabalho assalariado quanto no interior mesmo do trabalho assalariado são o objetivo da socialização inicial das crianças. Essa educação é condição prévia da aceitação e interiorização mesmas da autoridade mediante aprendizado, na escola, das formas de linguagem diferenciadas de acordo com o estatuto social do emissor e do receptor. Assim, desde o nascimento, a menina será educada dentro do respeito pelos homens, que serão os primeiros (contrariamente ao Ladies First da etiqueta ocidental) a ser servidos à mesa e a ter os melhores pedaços; os primeiros a entrar no banho; o que consagra e reproduza o preceito feudal das mulheres dentro e dos homens fora (“oto wa sotomawari, tsuma wa utimawari”) e a regra de obediência em ordem: quando jovem, ao pai; casada, ao marido, e idosa, ao primogênito.  Esse duplo movimento impulsionou em vários países a abordagem da divisão sexual do trabalho para repensar a questão tópica do trabalho e suas categorias. Essas reflexões levaram a mudança de simbólica da sociologia da família e do paradigma que lhe servia de base.

No que se referem à sociologia do trabalho, elas permitiram retomar noções e conceitos como de qualificação, produtividade, mobilidade social e abriram novos campos de pesquisa: relação de serviço, trabalhos de cuidado pessoal, mixidade no trabalho, ingresso das mulheres às profissões de nível superior, temporalidades sexuadas, vínculos entre políticas de emprego e políticas para família etc. Tal literatura tinha como escopo aspectos sociais comparativos como o crescimento das taxas de desempenho de atividade no trabalho, o perfil etário da mulher na composição da força de trabalho e as transformações sociais no padrão de mixidade em setores e ocupações enquanto tendências que também se verificavam em outros países.  A divisão sexual do trabalho é a forma de divisão do trabalho social decorrente das relações sociais entre os sexos; mais do que isso, é um fator prioritário para a sobrevivência da relação social entre os sexos. Essa forma é modulada histórica e socialmente. Tem como características a designação prioritária dos homens à esfera produtiva e das mulheres à esfera reprodutiva e, simultaneamente, a apropriação pelos homens das funções com maior valor social adicionado (políticos, religiosos, militares etc.). Sobre essa definição, todo mundo, ou quase, está de acordo. Contudo, do nosso ponto de vista, era necessário ir mais longe ao plano conceitual. Por isso, propusemos distinguir claramente os princípios da divisão sexual do trabalho e suas modalidades. Essa forma particular da divisão social do trabalho tem dois princípios organizadores: o de separação existente entre trabalhos de homens e trabalhos de mulheres e o princípio hierárquico, segundo o qual, um trabalho de homem “vale” mais que um trabalho de mulher. Esses princípios são válidos tanto no plano teórico como empírico para todas as sociedades no tempo e no espaço. Portanto, pode ser aplicada mediante um processo específico de legitimação, a chamada ideologia naturalista. 

Esta rebaixa o gênero ao sexo biológico, reduz as práticas sociais a “papéis sociais” sexuados que remetem ao destino natural da espécie. Com essa perspectiva naturalista e manipuladora da realidade, a ideologia naturalista dificulta a consciência de que a desigualdade entre os sexos é determinada por interesses socialmente construídos. Se os dois princípios (de separação e hierárquico) encontram-se em todas as sociedades conhecidas e são legitimados pela ideologia naturalista, isto não significa, no entanto, que a divisão sexual do trabalho seja um dado imutável. Ao contrário, ela tem inclusive uma incrível plasticidade: suas modalidades concretas variam grandemente no tempo e no espaço, como demonstraram fartamente antropólogos e historiadores (as). O que é estável não são as situações (que evoluem sempre), e sim a distância entre os grupos de sexo. Portanto, esta análise deve tratar dessa distância, assim como das “condições”, pois, se é inegável que a condição feminina melhorou, pelo menos na sociedade francesa, a distância continua insuperável. Trata-se antes de tudo da aparição e do desenvolvimento, com a precarização e a flexibilização do emprego, de “nomadismos sexuados”, segundo Kergoat (1998): nomadismo no tempo, para as mulheres (é a explosão do trabalho em tempo parcial, geralmente associado a períodos de trabalho dispersos no dia e na semana); nomadismo no espaço, para homens com provisórios canteiros do Banque du Bâtiment et Travaux Publics (BTP) e do setor nuclear para os operários, banalização e aumento dos deslocamentos profissionais na Europa e em todo o mundo para executivos).

Constata-se que a divisão sexual do trabalho molda as formas do trabalho e de emprego e, que a bendita “flexibilização” reforça as formas mais estereotipadas das relações sociais de sexo. O segundo exemplo é o da priorização do emprego feminino, que ilustra bem o cruzamento das relações sociais. Desde a década de 1980, o número de mulheres contabilizadas pelo Institut National de la Statistique et des Études Économiques – (INSEE) como “funcionários e profissões executivas de nível superior” mais do que dobrou; eles destacam que cerca de 10% das mulheres ativas são classificadas nessa categoria. Simultaneamente à precarização e à pobreza de um número crescente de mulheres, observa-se, portanto, o aumento dos capitais econômicos, culturais e sociais de uma proporção não desprezível de mulheres ativas no trabalho. Assiste-se ao aparecimento, pela primeira vez na história social do capitalismo, de uma camada de mulheres cujos interesses diretos, isto é, não mediados como antes pelos homens: pai, esposo, amante, opõem-se frontalmente aos interesses daquelas que foram atingidas pela generalização do tempo parcial, pelos empregos em serviços muito mal remunerados e não reconhecidos e, de maneira mais geral, pela precariedade.

Enfim, as mulheres das sociedades do Norte trabalham cada vez mais e, com uma frequência cada vez maior, são funcionárias e investem em suas carreiras. Como o trabalho doméstico nem sempre é levado em conta nas sociedades mercantis, e o envolvimento pessoal é cada vez mais solicitado, quando não exigido pelas novas formas de gestão de empresas, essas mulheres para realizar seu trabalho profissional precisam externalizar o trabalho doméstico. Para isso, podem recorrer à enorme reserva de mulheres em situação precária, sejam francesas ou imigrantes. Essa demanda, maciça no âmbito europeu, criou um imenso alento para as mulheres migrantes que chegam aos países do Norte com a esperança de conseguir um emprego de serviço, neste caso, particularmente no cuidado de crianças e idosos, no em prego doméstico e assim por diante. Essas mulheres, muitas vezes diplomadas, entram em concorrência direta com as dos países de origem, que têm situação precária e pouco estudo. Duas relações sociais entre mulheres, inéditas historicamente, estabelecem-se dessa maneira: uma relação de classe entre as mulheres do Norte, empregadoras, e essa nova classe servil; uma relação de concorrência entre mulheres, todas precárias, mas precárias de maneira diferente, dos países do Norte e dos países do Sul e, logo também, de etnias diferentes com a chegada e a esse mercado globalizado em movimento de mulheres dos países do Leste.

As relações étnicas começam assim a ser remodeladas através das migrações femininas e da explosão dos serviços a particulares. As relações de gênero também se apresentam de uma forma inédita: a externalização do trabalho doméstico tem uma função de apaziguamento das tensões nos casais burgueses dos países do Norte (e em inúmeros países urbanos do Sul, mas, nesse caso, trata-se de movimentos migratórios internos no país em questão) e permite igualmente maior flexibilidade das mulheres em relação à demanda de envolvimento das empresas. A reorganização simultânea do método e processo de trabalho no campo assalariado da oficina, da fábrica, e no campo doméstico da casa. O que remete, no que diz respeito a este último, à externalização do trabalho doméstico, mas também à nova divisão do trabalho doméstico, o maior envolvimento de certos pais é acompanhado de um envolvimento quase exclusivo no trabalho parental; duplo movimento de mascaramento, de atenuação das tensões nos casais, de um lado, e a acentuação das clivagens objetivas entre mulheres, de outro: ao mesmo tempo em que aumenta o número de mulheres em profissões de nível superior, cresce o de mulheres em situação precária de desemprego, flexibilidade, feminização das correntes migratórias.

 Esses movimentos desenvolvem-se em um nível material, a externalização, mas, evidentemente, estendem-se às representações ad hoc (os “novos pais”, o casal visto como lugar de negociação entre dois indivíduos iguais de direito e de fato). Contudo, é preciso rever agora a outra modalidade de teorização, a da divisão sexual do trabalho como vínculo social, pois é ela que fundamenta a tese, que hoje adquiriu o estatuto de política – e de política europeia a partir da cúpula de Luxemburgo em 1997 -, da conciliação vida familiar/vida profissional – política fortemente sexuada, visto que define implicitamente um único ator dessa conciliação: as mulheres, e consagra o statu quo segundo o qual homens e mulheres não são iguais perante o trabalho profissional. A ideia de uma complementaridade entre os sexos está inserida na tradição funcionalista da complementaridade de papéis. Remete a uma conceptualização em termos de vínculo social afetivo pelos conteúdos de sentido de suas noções como solidariedade orgânica, conciliação, coordenação, parceria, especialização e divisão de tarefas etc. A abordagem em termos de complementaridade é coerente com a ideia de uma divisão entre mulheres e homens do trabalho profissional e doméstico e, dentro do trabalho profissional, a divisão entre tipos e modalidades de empregos que possibilitam a reprodução dos papéis sexuados. É essa expansão em serviços nos países capitalistas ocidentais, tanto desenvolvidos como em vias de desenvolvimento, que oferecem novas “soluções” para o antagonismo entre responsabilidades familiares e profissionais.

Aos 17 anos, Krall ganhou uma bolsa para estudar no Berklee College of Music em Boston, Massachusetts. Passado algum tempo ela mudou-se para Los Angeles, Califórnia, passando a estudar com Jimmy Rowles, com quem ela começaria a cantar. Em 1990, Krall foi para Nova York, gravando alguns álbuns e finalmente alcançando sucesso internacional. Em 1993, Krall lançou seu primeiro álbum “Stepping Out” juntamente com John Clayton e Jeff Hamilton. A Clayton–Hamilton Jazz Orchestra é uma big band liderada por Jeff Hamilton e os irmãos John Clayton e Jeff Clayton. A banda foi fundada em Los Angeles em 1985. Este álbum acabou chamando a atenção de Tommy Li Puma, que produziu seu “Only Trust Your Heart” (1995). Seu terceiro álbum “All For You – Dedication to Nat King Cole Trio” (1996) foi indicado para o Grammy e permaneceu na lista da Bilboard durante 70 semanas. Em seguida foi lançado “Love Scenes” (1997) que se tornou rapidamente um sucesso de vendas com seu trio: Krall, Russel Malone (violão) e Christian McBride (baixo). Em agosto de 2000, Diana se juntou a Tony Bennett em uma turnê. Com arranjos orquestrais por Johny Mandel, Diana lançou outro álbum intitulado “When I Look In Your Eyes” (1999) que recebeu mais indicações para o Grammy e foi quando ela venceu na categoria de “Melhor Músico de Jazz Do Ano”. É globalmente tida com uma das mais respeitadas cantoras e pianistas do jazz moderno. Vendeu mais que qualquer artista na sua área nos últimos 30 anos. 
Sua banda continuou com essa mistura de arranjos no álbum “The Look Of Love” (2001) desta vez criados por Claus Ogerman. Esta gravação alcançou o CD de Platina e entrou para o Top 10 da Billboard 200. “The Look Of Love” foi considerado o “Número 1” na lista canadense além de ser quatro vezes Platina. Em setembro de 2001, Diana fez uma turnê pelo mundo e seu concerto em Paris no Olympia foi gravado e lançado como sua primeira gravação ao vivo “Diana Krall – Live in Paris”, que chegou ao topo da lista de Jazz da Billboard, além de permanecer no Top 20 e Top 200 da Billboard. Nessa mesma época ela esteve no Top 5 do Canadá, ganhou o prêmio canadense “Juno Award” e ganhou seu segundo Grammy, desta vez como “Melhor Gravação de Jazz”. Este álbum incluiu dois famosos covers intitulados: “Just The Way You Are” de Billy Joel e “A Case Of You” de Joni Mitchell. Em seguida veio “Love Scenes” (1997) que se tornou rapidamente um extraordinário sucesso de vendas com seu trio Krall, Russel Malone (violão) e Christian McBride (baixo). Em agosto de 2000, Diana juntou-se com Tony Bennett para uma tournée. Com arranjos orquestrais por Johnny Mandel, Diana lançou o álbum “When I Look In Your Eyes” (1999). Este recebeu nomeações ao Grammy vencendo na categoria de Melhor Músico de Jazz do Ano. Sua banda continuou com a  mistura de arranjos no álbum “The Look Of Love” (2001), criado por Claus Ogerman.
          A gravação alcançou o CD de Platina e entrou para o “Top 10 da Billboard 200”. Foi o considerado o Número 1 na lista canadiana, além de ser quatro vezes Platina. Em setembro de 2001, Diana realizou uma tournée pelo mundo e o seu concerto no Paris Olympia foi gravado e lançado como a sua primeira gravação ao vivo: “Diana Krall – Live in Paris” que chegou ao topo da lista de Jazz da revista Billboard além de permanecer no Top 20 e Top 200 também da Billboard. Neste ela teve como convidado o percussionista brasileiro Paulinho da Costa, percussionista brasileiro que se tornou um dos músicos mais requisitados nos estúdios de gravações em Los Angeles, no estado da Califórnia. Sendo um dos músicos que mais gravou e participou de discos nos tempos modernos, foi considerado pela revista Down Beat “um dos percussionistas mais talentosos do nosso tempo”. Participou de vários álbuns premiados pelo Grammy Award, entre eles “Thriller”, de Michael Jackson, “True Blue”, de Madonna e “Let`s Talk About Love”, de Celine Dion. Participou também de músicas e trilhas sonoras de filmes de grande sucesso, entre eles: “Os embalos de sábado à noite”, “Darty Dancy”, “Purple Rain” e “Jurassic Park”. O músico, que toca mais de 200 instrumentos, também tocou com Diana Krall, como recebeu da National Academy of Recording Arts and Sciences o seu “Most Valuable Player Award” por três anos consecutivos.
Nessa época Diana Krall esteve na lista do “Top 5”, do Canadá, e na sequência  ganhou o “Juno Award” (prêmio canadense), assim como o seu segundo Grammy, desta vez como Melhor Gravação de Jazz “Best Vocal Jazz Record and a Juno Award”. Os prêmios Juno são concedidos anualmente pela Academia Canadense de Artes e Ciências Fonográficas para honrar a excelência de cantores e músicos canadenses. O prêmio é transmitido ao vivo na televisão desde 1970 e é usado como medidor de popularidade dos artistas assim como os Grammys nos Estados Unidos da América. Este álbum incluiu dois famosos covers: “Just The Way You Are – Billy Joe’l” e “A Case Of You – Joni Mitchell”. Ela e o músico britânico Elvis Costello casaram-se em dezembro de 2003. Mais tarde, após seu casamento, ela lançou-se como compositora que resultou no álbum “The Girl In The Other Room” (2004). Diana engravidou de Elvis Costello em 2006 e os gêmeos Dexter Henry Lorcan e Frank Harlan James nasceram em 6 de dezembro de 2006, em Nova Iorque.
Seu álbum rapidamente alcançou o “Top 5”, do Reino Unido e esteve na lista dos 40 melhores na Austrália. Em 1987, foi introduzido o conceito de álbum multi-platina para representar múltiplas 300 mil unidades entregues. Ela também fez uma participação no álbum “Genius Loves Company” (2004) do aclamado músico Ray Charles com a música “You Don`t Know Me”.  Em 2006, Krall lançou seu álbum “From This Moment On” onde interpreta nomes famosos do jazz, como Irving Berlin, Cole Porter, Richard Rodgers, Lorenz Hart, entre outros. O trabalho contou com a produção de Tommy LiPuma e destaque para “How Insensitive”, ou “Insensatez”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, com letra em inglês de Norman Gimbel. Em maio de 2007, Krall se apresentou em uma campanha da Lexus, indústria automobilística japonesa. E também cantou a música “Dream a Little Dream of Me” com acompanhamento no piano do lendário pianista Hank Jones (1918-2010). Críticos e músicos descrevem Jones como eloquente, lírico e impecável. Em 1989, a Fundação Nacional para as Artes (NEA) norte-americana o homenageou com o prêmio Mestres do Jazz NEA. Ele também foi homenageado com o prêmio de Lenda Viva do Jazz pela Sociedade Americana de Compositores, Autores e Editores (ASCAP). Em 2008, ele recebeu a Medalha Nacional de Artes. Em 13 de abril de 2009, a Universidade de Hartford o presentou com um doutorado em reconhecimento à suas realizações musicais. Jones gravou mais de 60 álbuns sob seu próprio nome e vários outros como acompanhante, incluindo o celebrado álbum de Cannonball Adderley Somethin` Else. Em 19 de maio de 1962, ele tocou piano quando a atriz Marilyn Monroe cantou seu famoso “Happy Birthday, Mr. President” para o então presidente John F. Kennedy. Ainda em 2007, Diana Krall lançou “The Very Best Of Diana Krall”, uma edição de luxo, que se completa com CD e DVD numa mesma embalagem, e reúne os maiores sucessos de sua ampla e diversificada carreira.

Esta divisão do trabalho social segundo os sexos, indicada no nível da linguagem, é praticada desde o nascimento, pontuada por ritos e marcada por inumeráveis símbolos. Com efeito, a aceitação e a interiorização da divisão sexual do trabalho tanto entre trabalho doméstico e trabalho assalariado quanto no interior mesmo do trabalho assalariado são o objetivo da socialização inicial das crianças. Essa educação é condição prévia da aceitação e interiorização mesmas da autoridade mediante aprendizado, na escola, das formas de linguagem diferenciadas de acordo com o estatuto social do emissor e do receptor. Assim, desde o nascimento, a menina será educada dentro do respeito pelos homens, que serão os primeiros (contrariamente ao Ladies First da etiqueta ocidental) a ser servidos à mesa e a ter os melhores pedaços; os primeiros a entrar no banho; o que consagra e reproduza o preceito feudal das mulheres dentro e dos homens fora (“oto wa sotomawari, tsuma wa utimawari”) e a regra de obediência em ordem: quando jovem, ao pai; casada, ao marido, e idosa, ao primogênito.  Esse duplo movimento impulsionou em vários países a abordagem da divisão sexual do trabalho para repensar a questão tópica do trabalho e suas categorias. Essas reflexões levaram a mudança de simbólica da sociologia da família e do paradigma funcionalista que lhe servia de base.

No que se referem à sociologia do trabalho, elas permitiram retomar noções e conceitos como de qualificação, produtividade, mobilidade social e abriram novos campos de pesquisa: relação de serviço, trabalhos de cuidado pessoal, mixidade no trabalho, ingresso das mulheres às profissões de nível superior, temporalidades sexuadas, vínculos entre políticas de emprego e políticas para família etc. Tal literatura tinha como escopo aspectos sociais comparativos como o crescimento das taxas de desempenho de atividade no trabalho, o perfil etário da mulher na composição da força de trabalho e as transformações sociais no padrão de mixidade em setores e ocupações enquanto tendências que também se verificavam em outros países.  A divisão sexual do trabalho é a forma de divisão do trabalho social decorrente das relações sociais entre os sexos; mais do que isso, é um fator prioritário para a sobrevivência da relação social entre os sexos. Essa forma é modulada histórica e socialmente. Tem como características a designação prioritária dos homens à esfera produtiva e das mulheres à esfera reprodutiva e, simultaneamente, a apropriação pelos homens das funções com maior valor social adicionado (políticos, religiosos, militares etc.). Sobre essa definição, todo mundo, ou quase, está de acordo. Contudo, do nosso ponto de vista, era necessário ir mais longe ao plano conceitual. Por isso, propusemos distinguir claramente os princípios da divisão sexual do trabalho e suas modalidades. Essa forma particular da divisão social do trabalho tem dois princípios organizadores: o de separação existente entre trabalhos de homens e trabalhos de mulheres e o princípio hierárquico, segundo o qual, um trabalho de homem “vale” mais que um trabalho de mulher. Esses princípios são válidos no plano teórico e empírico para as sociedades no tempo e no espaço.                        

 Portanto, pode ser aplicada mediante um processo específico de legitimação, a chamada ideologia naturalista. Esta rebaixa o gênero ao sexo biológico, reduz as práticas sociais a “papéis sociais” sexuados que remetem ao destino natural da espécie. Com essa perspectiva naturalista e manipuladora da realidade, a ideologia naturalista dificulta a consciência de que a desigualdade entre os sexos é determinada por interesses socialmente construídos. Se os dois princípios (de separação e hierárquico) encontram-se em todas as sociedades conhecidas e são legitimados pela ideologia naturalista, isto não significa, no entanto, que a divisão sexual do trabalho seja um dado imutável. Ao contrário, ela tem inclusive uma incrível plasticidade: suas modalidades concretas variam grandemente no tempo e no espaço, como demonstraram fartamente antropólogos e historiadores (as). O que é estável não são as situações (que evoluem sempre), e sim a distância entre os grupos de sexo. Portanto, esta análise deve tratar dessa distância, assim como das “condições”, pois, se é inegável que a condição feminina melhorou, pelo menos na sociedade francesa, a distância continua insuperável. Trata-se antes de tudo da aparição e do desenvolvimento, com a precarização e a flexibilização do emprego, de “nomadismos sexuados”, segundo Kergoat (1998): nomadismo no tempo, para as mulheres (é a explosão do trabalho em tempo parcial, geralmente associado a períodos de trabalho dispersos no dia e na semana); nomadismo no espaço, para homens com provisórios canteiros do Banque du Bâtiment et Travaux Publics (BTP) e do setor nuclear para os operários, banalização e aumento dos deslocamentos profissionais na Europa e em todo o mundo para executivos).

Constata-se que a divisão sexual do trabalho molda as formas do trabalho e de emprego e, que a bendita “flexibilização” reforça as formas mais estereotipadas das relações sociais de sexo. O segundo exemplo é o da priorização do emprego feminino, que ilustra bem o cruzamento das relações sociais. Desde a década de 1980, o número de mulheres contabilizadas pelo Institut National de la Statistique et des Études Économiques – (INSEE) como “funcionários e profissões executivas de nível superior” mais do que dobrou; eles destacam que cerca de 10% das mulheres ativas são classificadas nessa categoria. Simultaneamente à precarização e à pobreza de um número crescente de mulheres, observa-se, portanto, o aumento dos capitais econômicos, culturais e sociais de uma proporção não desprezível de mulheres ativas no trabalho. Assiste-se também ao aparecimento, pela primeira vez na história social do capitalismo, de uma camada de mulheres cujos interesses diretos, isto é, não mediados como antes pelos homens: pai, esposo, amante, opõem-se frontalmente aos interesses daquelas que foram atingidas pela generalização do tempo parcial, pelos empregos em serviços muito mal remunerados e não reconhecidos socialmente e, de maneira mais geral, pela precariedade.

 Enfim, as mulheres das sociedades do Norte trabalham cada vez mais e, com uma frequência cada vez maior, são funcionárias e investem em suas carreiras. Como o trabalho doméstico nem sempre é levado em conta nas sociedades mercantis, e o envolvimento pessoal é cada vez mais solicitado, quando não exigido pelas novas formas de gestão de empresas, essas mulheres para realizar seu trabalho profissional precisam externalizar o trabalho doméstico. Para isso, podem recorrer à enorme reserva de mulheres em situação precária, sejam francesas ou imigrantes. Essa demanda, maciça no âmbito europeu, criou um imenso alento para as mulheres migrantes que chegam aos países do Norte com a esperança de conseguir um emprego de serviço, neste caso, particularmente no cuidado de crianças e idosos, no em prego doméstico e assim por diante. Essas mulheres, muitas vezes diplomadas, entram em concorrência direta com as dos países de origem, que têm situação precária e pouco estudo. Duas relações sociais entre mulheres, inéditas historicamente, estabelecem-se dessa maneira: uma relação de classe entre as mulheres do Norte, empregadoras, e essa nova classe servil; uma relação de concorrência entre mulheres, todas precárias, mas precárias de maneira diferente, dos países do Norte e dos países do Sul e, logo também, de etnias diferentes com a chegada e a esse mercado globalizado em movimento de mulheres dos países do Leste.

As relações étnicas começam assim a ser remodeladas através das migrações femininas e da explosão dos serviços a particulares. As relações de gênero também se apresentam de uma forma inédita: a externalização do trabalho doméstico tem uma função de apaziguamento das tensões nos casais burgueses dos países do Norte (e em inúmeros países urbanos do Sul, mas, nesse caso, trata-se de movimentos migratórios internos no país em questão) e permite igualmente maior flexibilidade das mulheres em relação à demanda de envolvimento das empresas. A reorganização simultânea do método e processo de trabalho no campo assalariado da oficina, da fábrica, e no campo doméstico da casa. O que remete, no que diz respeito a este último, à externalização do trabalho doméstico, mas também à nova divisão do trabalho doméstico, o maior envolvimento de certos pais é acompanhado de um envolvimento quase exclusivo no trabalho parental; duplo movimento de mascaramento, de atenuação das tensões nos casais, de um lado, e a acentuação das clivagens objetivas entre mulheres, de outro: ao mesmo tempo em que aumenta o número de mulheres em profissões de nível superior, cresce o de mulheres em situação precária de desemprego, flexibilidade, feminização das correntes migratórias.

 Esses movimentos desenvolvem-se em um nível material, a externalização, mas, evidentemente, estendem-se às representações ad hoc (os “novos pais”, o casal visto como lugar de negociação entre dois indivíduos iguais de direito e de fato). Contudo, é preciso rever agora a outra modalidade de teorização, a da divisão sexual do trabalho como vínculo social, pois é ela que fundamenta a tese, que hoje adquiriu o estatuto de política – e de política europeia a partir da cúpula de Luxemburgo em 1997 -, da conciliação vida familiar/vida profissional – política fortemente sexuada, visto que define implicitamente um único ator dessa conciliação: as mulheres, e consagra o statu quo segundo o qual homens e mulheres não são iguais perante o trabalho profissional. A ideia de uma complementaridade entre os sexos está inserida na tradição funcionalista da complementaridade de papéis. Remete a uma conceptualização em termos de vínculo social afetivo pelos conteúdos de sentido de suas noções como solidariedade orgânica, conciliação, coordenação, parceria, especialização e divisão de tarefas etc. A abordagem em termos de complementaridade é coerente com a ideia de uma divisão entre mulheres e homens do trabalho profissional e doméstico e, dentro do trabalho profissional, a divisão entre tipos e modalidades de empregos que possibilitam a reprodução dos papéis sexuados. É essa expansão em serviços nos países capitalistas ocidentais, tanto desenvolvidos como em vias de desenvolvimento, que oferecem novas “soluções” para o antagonismo entre responsabilidades familiares e profissionais.

Enfim, notadamente com o jazz de outros tempos, ela fez a sua fama. Mas, como qualquer garota nascida em 1964, a cantora e pianista canadense Diana Krall cresceu ouvindo o pop de rádio naquele emblema que se poderia chamar de sua Era de Ouro, tendo como representação musical canções simples para falar de amor, com arranjos que uniram os recursos eletrônicos de cada época aos tradicionais instrumentos acústicos para produzir conforto e puro prazer auditivo no espaço de três minutos da canção. Um pop que delimitou territórios emocionais, que tatuou neurônios, e que ela ousa recriar, com sua sobra de refinamento, em “Wallflower”. E um detalhe importante: “Wallflower” tem produção, arranjos e piano de outro canadense: David Foster, um mago dos estúdios californianos dos anos 1970 e 1980, que ajudou a compor temas pop como “After the love was gone” (Earth, Wind & Fire) e “Hard to say I’m sorry” (Chicago) e que hoje está à frente do selo de jazz Verve, casa de Diana. Seu reconhecido pendor para o kitsch em discos de Céline Dion, não oferece riscos, mas está bem longe de ser o aparente desastre que se anuncia.
Céline Marie Claudette Dion nascida em Charlemagne, 30 de março de 1968, é uma cantora e compositora canadense. Celine Dion surgiu como uma “estrela adolescente” no mundo francófono na década de 1980, depois que seu empresário e futuro marido, René Angélil, hipotecou sua casa para financiar o seu primeiro disco. Em 1990, ela lançou seu primeiro álbum em inglês, Unison, que a estabeleceu como uma artista comercialmente viável na América do Norte e outras áreas do mundo que tem o inglês como idioma principal. Nascida em uma grande família de Charlemagne, Quebec, ela emergiu como uma estrela adolescente em seu país natal com uma série de álbuns em francês durante os anos 1980. Ela ganhou reconhecimento internacional pela primeira vez ao vencer o Yamaha World Popular Song Festival de 1982 e o Eurovision Song Contest de 1988, onde representou a Suíça. Depois de aprender a falar inglês, ela assinou contrato com a Epic Records nos Estados Unidos da América. Em 1990, Dion lançou seu primeiro álbum em inglês, Unison, estabelecendo-se como uma artista pop viável na América do Norte e em outras áreas de língua inglesa do mundo.
Suas gravações desde então têm sido principalmente em inglês e francês, embora ela também tenha cantado em espanhol, italiano, alemão, latim, japonês e chinês. Durante a década de 1990, ela alcançou fama mundial depois de lançar vários álbuns em inglês mais vendidos na história social da música, como Falling into You (1996) e Let`s Talk About Love (1997), que foram certificados diamante nos Estados Unidos da América e mais de 30 milhões de vendas em todo o mundo por cada certificado. Ela também marcou uma série de sucessos internacionais Número um, incluindo The Power of Love, Think Twice, Because You Loved Me, It's All Coming Back to Me Now, My Heart Will Go On, e I`m Your Angel. A canadense Celine Dion continuou lançando álbuns franceses entre cada disco inglês; D`eux (1995) tornou-se o álbum em língua francesa mais vendido de todos os tempos, enquanto S`il suffisait d`aimer (1998), Sans Attendre (2012) e Encore un soir (2016), foram todos certificados diamante em França. Durante os anos 2000, ela construiu sua reputação como uma artista “ao vivo” de grande sucesso com A New Day... em Las Vegas (2003–2007), que continua sendo a residência de concertos de maior bilheteria de todos os tempos, bem como a Taking Chances World Tour (2008–2009), uma das turnês de concertos de maior bilheteria de todos os tempos.
Bibliografia geral consultada.

LÉVI-STRAUSS, Claude, O Cru e o Cozido (Mitológicas I). São Paulo: Editora Brasiliense, 1964; Idem, “O Descobrimento da Representação nas Artes da Ásia e da América”. In: Antropologia Estrutural. Rio de Janeiro: Editor Tempo Brasileiro, 1985; Idem, Mito e Significado. Lisboa: Edições 70, 1989; FULFORD, Robert, Accidental City: The Transformation of Toronto. Toronto: Macfarlane, Walter & Ross, 1995; ELIAS, Norbert, Mozart, Sociologia de um Gênio. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1995; HOBSBAWM, Eric, História Social do Jazz. 5ª edição. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 2007; BECKER, Howard, Falando da Sociedade. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 2009; APPADURAI, Arjun, Modernity at Large – Cultural Dimensions of Globalization. Minneapolis: University of Minnesota Press, 2010; GOMES, Marcelo Silva, Samba-Jazz Aquém e Além da Bossa Nova: Três Arranjos para Céu e Mar de Johnny Alf. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Música do Instituto de Artes. Campinas: Universidade de Campinas, 2010; WEISS, Raquel Andrade, Émile Durkheim e a Fundamentação Social da Moralidade. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Filosofia. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2010; RODRIGUES, Fernando Costa, Técnicas de Rearmonização para Piano Jazz. Dissertação para Mestre em Música. Interpretação Artística. Especialização Jazz. Escola Superior de Música, Artes e Espetáculo. Politécnico Porto, 2012; FOUCAULT, Michel, O Corpo Utópico, as Heterotopias. São Paulo: N-1 edições, 2013; TAYLOR, Diana, O Arquivo e o Repertório: Performance e Memória Cultural nas Américas. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 2013; SANTOS, Leandro dos, “Um Mapeamento das Aproximações entre Weber e Nietzsche”. In: Plural. Revista do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade de São Paulo. São Paulo, vol. 21. 1. 2014, pp. 139-156; ESSINGER, Silvio, “Diana Krall relê Pop com Personalidade”. In: http://oglobo.globo.com/03/03/2015; ; Artigo: “Diana Krall Troca o Jazz pelo Pop em Novo Disco”. In: http://www1.folha.uol.com.br/2015/02/16; VASCONCELOS, Mônica Cajazeira Santana, Memória Autobiográfica, Conhecimento Prévio e Atividade de Criação em Turma de Teclado em Grupo. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Música. Salvador: Universidade Federal da Bahia, 2015; entre outros

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* Sociólogo (UFF), Cientista Político (UFRJ), Doutor em Ciências junto à Escola de Comunicações e Artes. São Paulo: Universidade de São Paulo (ECA/USP). Professor Associado da Coordenação do curso de Ciências Sociais. Centro de Humanidades. Fortaleza: Universidade Estadual do Ceará (UECE).  

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Hermeto Pascoal – Mago & Multinstrumentista Maravilhoso.

                                Ubiracy de Souza Braga*

Sou músico, e o músico é meio mágico também, só que sem truques, sem esconder nada”. Hermeto Pascoal


Nascido em Olho d´Água e criado na Lagoa da Canoa, município de Arapiraca, estado de Alagoas, em 22 de junho de 1936, Hermeto Pascoal é filho de Vergelina Eulália de Oliveira conhecida como dona Divina e Pascoal José da Costa. Foi no seu alistamento militar que colocaram o pré-nome de seu pai como seu sobrenome. Mudou-se para Recife em 1950, e foi para a Rádio Tamandaré. Em seguida convidado, com a ajuda do sanfoneiro Sivuca, para integrar a Rádio Jornal do Commercio, na cidade de Recife, onde com José Neto formaram o trio “O Mundo Pegando Fogo”. Segundo Hermeto, ele e seu irmão estavam apenas começando a tocar sanfona, pois eles “só tocavam mesmo 8 baixos até então”. Porém, por não querer tocar pandeiro exclusivamente e sim a preferência por sanfona, foi para a Rádio Difusora de Caruaru, como refugo, pelo diretor da Rádio Jornal do Commercio, o qual lhe disse que “não dava para música”. Em épocas remotas existia apenas a pequena lagoa na área onde foi edificada a cidade. Em 1842, dois casais - cujos nomes não constam nos anais - chegaram à região, construíram casas e implementaram a agricultura e a pecuária. Parte daí a colonização do território. Algum tempo depois, outras famílias também começaram a se instalar na localidade. Os pioneiros desse processo colonizatório foram José Barbosa, Francisco José Santana e a família Maurício. Com a criação do município de Arapiraca, Lagoa da Canoa passou a integrá-lo na condição de povoado, mas com  importância no contexto econômico, social e político. As fazendas de café trouxeram emprego e renda. 
Além disso, servia como ponto de apoio na estrada que ligava Arapiraca a Traipu e Girau do Ponciano. A sua evolução culminou na elevação à categoria de município autônomo, em 28 de agosto de 1962, através da Lei nº 2.472. Desmembrado de Arapiraca, o novo município foi instalado em 25 de janeiro de 1963. A respeito da história religiosa, a paróquia de São Maximiliano Maria Kolbe foi instituída canonicamente por Dom Constantino Lüers, então bispo de Penedo, em 2 de dezembro de 1993. Integra o vicariato de Traipu e tem como administrador paroquial o Padre Edvaldo Brás Cordeiro. Eclesiasticamente pertence à jurisdição da Sé penedense, cujo ordinário diocesano é Dom Valério Breda (SDB). A comunidade católica de Lagoa da Canoa celebra com muito entusiasmo as festas de Santo Antônio (13 de junho), São João (24 de junho), São Pedro (29 de junho), Nossa Senhora da Conceição (8 de dezembro), além do padroeiro (14 de agosto). Lagoa da Canoa é a cidade de nascimento do poeta Agnelo Rodrigues de Melo (pseudônimo Judas Isgorogota), do artista Virgílio Maurício, Hermeto Pascoal, do bispo Dom José Maurício da Rocha e do matemático Miguel Mauricio da Rocha.
Etnograficamente a trajetória musical de Hermeto Pascoal pode ser dividida tecnicamente em oito fases: I (1936-1942): do nascimento à idade escolar, período de atenção e familiarização com sons de animais, melodias da fala, objetos, instrumentos  musicais e festas em Lagoa da Canoa (Alagoas); II (1943-1949): da infância à adolescência, período de prática instrumental e trabalho informal como músico (fole de oito baixos/pandeiro) em Lagoa da Canoa e adjacências; III (1950-1957): migração para cidades do Nordeste (Recife, Caruaru, João Pessoa), consolidação profissional (sanfona/pandeiro) e experimentação com o piano; IV (1958-1968): migração para centros do Sudeste (Rio de Janeiro e São Paulo), mudança de sanfoneiro de regional para pianista de grupos instrumentais, desenvolvimento como compositor e multi-instrumentista e experiência em festivais da canção; V (1969-1977): viagens aos Estados Unidos, gravações como solista, consolidação internacional como compositor, arranjador e multi-instrumentista; VI (1978-1993): consolidação da Escola Jabour, desenvolvimento da notação musical, experiência com gravadoras de pequeno porte;  VII (1994-2002): Escola Jabour, projetos musicais isolados, como a escrita do Calendário do som, shows nacionais e internacionais com solistas e grupos; VIII (2003): parceria com Aline Morena e formação do duo multi-instrumentista “Chimarrão com Rapadura”, rompimento com as gravadoras multinacionais e socialização da obra de Hermeto Pascoal na rede internet, shows com seu duo, grupo e “big bands”.     


Reconhecido como “o bruxo” ou “o mago”, referência cultural do maravilloso não apenas na América Latina e Caribe, Hermeto Pascoal é considerado por boa parte dos músicos em termos globais/intercontinentais como um dos maiores gênios em atividade na música mundial. Poliinstrumentista é famoso por sua capacidade de extrair música boa de qualquer objeto, desde chaleiras e brinquedos de plástico incluindo a fala das pessoas. Albino e de olho virado e de constituição física de homem pequenino recebeu da família o apelido de Sinhô. Logo se familiarizou com os sons que o rodeavam e vinham de fontes diversas: o fole do pai, os músicos Vicente Cego e Juvenal Tatu os quais tocavam no bar do pai; as sobras de ferro do avô ferreiro Sena da Bolacha, os animais, o sino da igreja; as festas e cantos populares de Lagoa da Canoa, os gritos dos vendedores na feira da vizinha Arapiraca. Mas aos sete anos, iniciou sua formação musical no fole de oito baixos, sem teclado, apenas com botões. Também conhecido como harmônico ou “pé-de-bode”, pela simplicidade aparente. Está em questão a ideia de manutenção da proximidade instaurada pelo próprio afastamento; também a conquista mútua de um próprio, em meio ao surgimento da tensa relação. Porquanto os dois se apartam um do outro, cada um aparece para o outro como si mesmo. Em meio a confrontação ocorre a determinação afetiva.  O impessoal precisa ser apreendido em articulação com a compreensão da técnica que se apresenta como instâncias determinantes do modo de abertura do ente na totalidade que vigora em nosso tempo. Com isso, compreensão projeta o campo existencial do poder-ser que cada ser-aí é, mas sempre levando em conta a relação filosófica com o mundo fático que se apresenta de forma tenra constitutiva das possibilidades efetivas de ser.
É muito provável que essas peculiaridades da história e do pensamento, em suas realizações e frustrações, sejam o que há de mais característico da modernidade latino-americana e caribenha. Uma modernidade entre barroca e mágica, indo-americana e afro-americana, ibérica e ocidental, original e esquizofrênica. É assim que essas nações, cada uma a seu modo, e todas como se fosse um concerto de grande envergadura, se constituem como processos históricos e mentais, realidades sociais em devir, possibilidades de realização e criação. Em todos os casos, e em todas as épocas, compreendendo tanto o colonialismo e o imperialismo como o globalismo, o que está em causa é o enigma envolvido no contraponto pensamento e pensado, conceito e metáfora, categoria e alegoria. Subsiste sempre a impressão de que o pensamento, em suas várias e diferentes modalidades, não apreende o que realmente está ocorrendo, quais são os problemas e os dilemas cruciais, porque não correspondem a idéias, modelos ou ilusões imaginários, emprestados de outras realidades. Outros, no entanto, podem fascinar-se precisamente porque assim se desvendam diferentes e fascinantes realidades, possibilidades e modos de ser, sentir, agir, compreender, explicar e fabular.
           
            A grande atração do evento foi o show do multi-instrumentista alagoano Hermeto Pascoal, que se apresentou com sua banda e encantou a plateia com uma música criativa – resultado da mistura instrumentos exóticos e tradicionais como canos, latas, copos com água, entre outros. - “Eu fui criado no mato e aprendi a gostar de todos os barulhos. Todo barulho transformo em percussão, que é o diferencial em minhas apresentações”. A programação também incluiu apresentações de teatro e circo. A Cia. São Jorge de Variedades prendeu a atenção do público com a peça Fausto, uma adaptação do clássico do escritor alemão Goethe. Em seguida, a Cia. Teatral Turma do Biribinha divertiu crianças e adultos com o espetáculo “Apalhassadamuzikada…Uma Sinphonia Engrassada”, marcado pela criatividade e interatividade. A intervenção  “Todos podem ser Frida”, projeto da fotógrafa Camila Fontenele de Miranda, chamou a atenção do público, ao transformar as pessoas na artista mexicana Frida Kahlo.                  
 O mágico está presente na literatura e na realidade latino-americana. A fantasia do escritor, trabalhada por sua linguagem, produz a magia da escritura. O que há de novo, talvez, é que sempre ressoa a realidade na ficção, da mesma forma que esta naquela. Assim como pode ser um traço fundamental de uma época da história da literatura latino-americana. Um estilo literário que revela o espírito da cultura dessa época que por sua vez, ressoa os trabalhos e os dias, os impasses e as lutas, as derrotas e as façanhas da vida das pessoas, famílias, grupos, classes, movimentos sociais e outros setores nas sociedades nacionais, do continente e das ilhas. É como se um novo horizonte iluminasse de repente todo o vasto mural da história, revelando fatos e feitos que adquire outro movimento, som, cor. O romancista pode ser um cronista “fora do tempo”, narrando o imaginado e o acontecido segundo a luz que o ilumina. Pode representar um estilo de olhar na medida em que o realismo mágico parece uma superação do realismo social, crítico. É visto como um estilo diferente, novo.
Emerge de uma época em que ele aparentemente estaria esgotado, ou revelando limitações. A fabulação do artista, então, cria outros meios de expressão, abre horizontes novos à imaginação. Entre as soluções formais mais frequentes, podem-se antever: a desintegração da lógica linear cartesiana de consecução e consequência do relato, através de cortes na cronologia fabular, da multiplicação e simultaneidade dos espaços da ação; caracterização polissêmica dos personagens e atenuação da qualificação diferencial do herói; maior dinamismo nas relações entre o narrador e o narratário, o relato e o discurso, através da diversidade das localizações, da auto-referencialidade e do questionamento da instância produtora da ficção. Muitos reconhecem que a transição do realismo social ao mágico ocorre simultaneamente à redescoberta das culturas de índios e negros. Como crenças, tradições, estórias, lendas e mitos que expressam formas de serem, sentidos da vida e trabalho no tempo e espaço.
Trabalhou na rádio Jornal do Commercio em torno de três anos. Quando Sivuca passou por lá, fez muitos elogios sobre o Hermeto ao diretor Luís Torres, e Hermeto, dialeticamente por conta disso, logo voltou para a Rádio Jornal do Commercio, em Pernambuco, ganhando o que havia pedido, a convite da mesma pessoa que o tinha mandado embora. Em 1954, casou-se com Ilza da Silva, com quem viveu 46 anos e teve seis filhos, respectivamente Jorge, Fabio, Flávia, Fátima, Fabiula e Flávio. Descobriu o piano, quando o guitarrista Heraldo do Monte o convidou para tocar na Boate Delfim Verde. Dali em diante foi para a capital João Pessoa, Paraíba, onde permaneceu quase um ano tocando na Orquestra Tabajara, do maestro Gomes. Em 1958, mudou-se para o Rio de Janeiro para tocar sanfona no Regional de Pernambuco do Pandeiro na Rádio Mauá e, piano no conjunto e na boate do violinista Fafá Lemos. Em seguida, participa do conjunto do Maestro Copinha, flautista e saxofonista, no Hotel Excelsior.
Atraído pelo mercado das gravadoras concentrados no eixo Rio-São Paulo, transferiu-se para São Paulo tocando em casas noturnas. Em seguida formou com Papudinho (trompete), Edilson (bateria) e Azeitona (baixo), o grupo Som Quatro onde começou a tocar flauta e com esse grupo gravou um long play. Em seguida, integrou o Sambrasa Trio, com Cleiber (baixo) e Airto Moreira (bateria)  quando registrou sua música “Coalhada”. Na atividade artística desde os anos 1960, o “bruxo”, gravou uma série de álbuns em seu nome, grande parte deles editados nos EUA e na Europa. No começo da década de 1970, passou uma temporada nos EUA, onde conheceu Miles Davis e participou da gravação do álbum de estúdio que compõem o duplo “Live-Evil”. Além disso, três de suas composições estão nesse disco: “Little Church” (“Capelinha”), “Nem Um Talvez” e “Selim”. Curiosamente na edição de “Live-Evil”, essas faixas foram creditadas a Miles Davis. Devido à aparência peculiar e ao estilo inusitado, Hermeto acaba sendo, nos meios artísticos e midiáticos no Brasil, mais comentado do que ouvido. Mas na perspectiva técnica de Marshall McLuhan que compreende que o “meio é a mensagem” (cf. Ferguson, 1991) onde há massificação em ação. 
Enfim, a modernidade é inerentemente globalizante. Ela tanto germina a integração como a fragmentação. Nela desenvolvem-se as diversidades como também as disparidades. A dinâmica das forças produtivas e das relações de produção, em escala local, nacional, regional e mundial, produz interdependências e descontinuidades, evoluções e retrocessos, integrações e distorções, afluências e carências, tensões e contradições. É altíssimo o custo social, econômico, político e cultural da globalização do capitalismo, para muitos indivíduos e coletividades ou grupos e classes sociais subalternos. Em todo o mundo, ainda que em diferentes gradações, a grande maioria é atingida pelas mais diversas formas de fragmentação. A realidade é que a globalização do capitalismo implica na globalização de tensões e contradições sociais, nas quais se envolvem grupos e classes sociais, partidos políticos e sindicatos, movimentos sociais e correntes de opinião pública, em todo o mundo globalizado ocidental.
Autodidata, Hermeto Pascoal procura sempre pesquisar, estudar e experimentar novos sons constituídos de elementos praticamente inusitados. Este poliinstrumentista, reconhecido internacionalmente, escreve partituras para a Sinfônica da Alemanha, é um brasileiro nordestino, de origem humilde. No início da década de 1970, Hermeto foi para os Estados Unidos da América a convite de Airto Moreira que incluiu em um de seus discos a “Gaia de Roseira”, música com arranjo de Hermeto. Airto Guimorvan Moreira, nascido em Itaiópolis, 5 de agosto de 1941, é um baterista, percussionista e compositor. Natural de Santa Catarina, Airto mudou-se para Guarapuava com um ano de idade e, posteriormente, para Ponta Grossa, onde aprendeu canto, piano, violino, bandolim e teoria musical; em 1956, mudou-se para Curitiba. Em 1962 integrou o Sambalanço Trio, juntamente com César Camargo Mariano e Humberto Cláiber. Com a saída do César do grupo, Airto e Humberto convidaram Hermeto Pascoal para substituir o César, e assim nasceu o Sambrasa Trio, que possui um único álbum, lançado em 1965. Entre 1966 a 1969 integrou o Quarteto Novo com Theo de Barros, Heraldo do Monte e Hermeto Pascoal e, no fim dos anos 1960, mudou-se para os Estados Unidos. Lá participou da gravação do álbum Bitches Brew de Miles Davis na faixa Feio, que definitivamente o colocou no cenário da música internacional. Junto de sua esposa, a cantora Flora Purim, gravou vários álbuns e coproduziu diversos de seus trabalhos.
Segundo a crítica inglesa, a melhor música do ano, fato que impulsionou o seu reconhecimento artístico no exterior. Em Nova Iorque, ele se apresentou para uma plateia seleta que incluía, entre outros, Wayne Shorter e Miles Davis que gostou tanto do que viu e ouviu que convidou Hermeto para participar de um concerto em Washington D.C. obtendo como resultado deste concerto o disco “Live Evil”, que traz duas composições suas. Retornou para o Brasil em 1973 e lançou seu primeiro disco brasileiro “A Música Livre de Hermeto Pascoal”. Nele estão incluídas as músicas: “Carinhoso”, de Pixinguinha e Asa Branca, de Luiz Gonzaga. Retorna para os Estados Unidos (1977) e grava o disco “Slave Mass”, elogiado pela crítica e considerado um marco da música instrumental. Neste disco, Hermeto conta com a participação de dois porcos - que, segundo ele, tiveram cada um o seu microfone, e os cachês devidamente pagos. Entre os anos de 1977 a 1988, Hermeto Pascoal participou de festivais nacionais e internacionais de São Paulo, Berlin e Montreux, produziu e gravou discos. Sua carreira artística se consolidou no exterior, sendo aplaudido de pé nos festivais internacionais. Na década de 1990, rompe com as gravadoras e passa quase oito anos sem lançar discos. Nesse período, dedicou-se à composição de músicas e desenvolvimento de projetos. Em 1999, sua volta ao mercado fonográfico ficou registrada com o lançamento do disco: “Eu e Eles”, pelo selo Rádio MEC, onde ele toca todos os instrumentos convencionais e os que ele mesmo fabrica.
Bibliografia geral consultada.
 
COSTA-LIMA NETO, Luiz, A Música Experimental de Hermeto Pascoal e Grupo (1981-1993): Concepção e Linguagem. Dissertação de Mestrado em Música Brasileira. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, 1999; CABRAL, Muniz Sodré de Araújo, Antropologia do Espelho. Petrópolis (RJ): Editoras Vozes, 2002; ARRAIS, Marcos Augusto Galvão, A Música de Hermeto pascoal. Uma Abordagem Semiótica. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Semiótica e Linguística. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Universidade de São Paulo, 2007;  VILLAÇA, Edmiriam, O Menino Sinhô: Vida e Música de Hermeto Pascoal para Crianças. São Paulo: Editora Ática, 2007; FERREIRA, Camila Perez, A Sonoridade Híbrida de Hermeto Pascoal e a Indústria Cultural. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Sociologia. São Carlos: Universidade Federal de São Carlos, 2009; SILVA, Camila Perez da, A Sonoridade Híbrida de Hermeto Pascoal e a Indústria Cultural. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Sociologia. Universidade Federal de São Carlos, 2009; BECKER, Howard Saul, Falando da Sociedade. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 2009; BORÉM, Fausto; ARAUJO, Fabiano, “Hermeto Pascoal: Experiência de Vida e a Formação de sua Linguagem Harmônica”. In: Per Musi n° 22. Belo Horizonte July/Dec. 2010; WILCKEN, Patrick, The Poet in the Laboratory. Londres: Penguin Books, 2010; FERREIRA, Marcos Rossetti, O Processo Inventivo dos 25 Solfejos de Muzico e Moderno Sistema para Solfejar de Luís alvares Pinto e 34 Peças Selecionadas do Calendário do Som de Hermeto Pascoal - Aproximações Estético-poéticas e Questões Editoriais. Tese de Doutorado. Escola de Comunicações e Artes. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2015; entre outros.
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* Sociólogo (UFF), Cientista Político (UFRJ), Doutor em Ciências junto à Escola de Comunicações e Artes. São Paulo: Universidade de São Paulo (ECA/USP). Professor Associado da Coordenação do curso de Ciências Sociais. Centro de Humanidades. Fortaleza: Universidade Estadual do Ceará (UECE).

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Steven Spielberg – História Política & Memória da Ponte dos Espiões.

                                Ubiracy de Souza Braga*


        “Apenas uma geração de leitores vai dar origem a uma geração de escritores”. Steven Spielberg
 
Angela Merkel visitou a ponte Glienicker, onde Steven Spielberg grava o filme: “St. James Place”.

            A Ponte Glienicke (“Glienicker Brücke”) em Berlim cruza o Rio Havel conectando as cidades de Potsdam e Berlim. Sua construção foi concluída em 1907. A União Soviética e os Estados Unidos utilizaram essa ponte em três oportunidades para realizar “trocas de espiões” capturados durante a chamada Guerra Fria, e a ponte foi denominada ideologicamente como “Ponte dos Espiões” pela imprensa. A primeira troca entre as nações ocorreu no dia 10 de fevereiro de 1962. Os Estados Unidos da América liberaram o espião russo Coronel Rudolf Ivanovich Abel nas negociações de troca do piloto Francis Gary Powers capturado pela URSS em 1960. Annette Von Broecker reivindica que uma determinada intuição lhe proporcionou o posto de única testemunha ocular dessa troca. Ela era filha do advogado Heinrich von Broecker e sua esposa Hedwig Maria. Ela se formou no colegial no verão de 1912. Ela então estudou em Freiburg e, no semestre de verão de 1917, em economia de Heidelberg. Sua dissertação de 50 páginas, tratou do tópico “indivíduo e comunidade do individualismo religioso, sociológica e economicamente, de três tipos básicos”.  Em seguida, foi treinada como enfermeira e subsequente trabalho de saúde pública, que ainda era um “campo do policiamento médico”, como ela escreveu em uma de suas publicações.
A segunda troca ocorreu no dia 12 de junho de 1985, mas de uma forma apressada de 23 agentes norte-americanos presos na Europa Oriental pelo agente polonês Marian Zacharski e outros três agentes soviéticos presos no Ocidente. A última troca - last but not least - também é a mais conhecida do grande público. Em 11 de fevereiro de 1986 o defensor dos direitos civis e prisioneiro político Anatoly Sharansky e mais três agentes orientais foram negociados e trocados por Karl Koecher e quatro outros agentes ocidentais. A ponte Glienicke como local de encontro para troca de prisioneiros também aparece na ficcionalização real, originalmente no filme de Harry Palmer de 1966, “Funeral em Berlim”, estrelado por Michael Caine, baseado em obra de mesmo nome.  A missão do espião Harry Palmer é contrabandear um agente russo dentro de um caixão de volta à Inglaterra. Entretanto, Harry descobre que o russo pode não ser tudo o que ele parece ser.

A Ponte dos Espiões (“Bridge of Spies”) é um thriller norte-americano dirigido por Steven Spielberg e escrito por Matt Charman, Ethan Coen e Joel Coen. Alguns dos atores principais que formam o elenco são Tom Hanks, Mark Rylance, Amy Ryan e Alan Alda. Este filme tem como escopo o incidente U-2 de 1960 e é baseado no romance homônimo do livro de Giles Whittell. O advogado James B. Donovan (Tom Hanks) é empurrado para o centro da chamada Guerra Frio, quando é dada a missão de negociar a libertação de Francis Gary Powers, um piloto cujo avião foi abatido na União Soviética. O filme foi rodado sob o título provisório de “St. James Place”. O cineasta Steven Spielberg narra em seu filme a história política de um advogado norte-americano, interpretado magistralmente por Tom Hanks, que consegue negociar o resgate de dois prisioneiros do bloco do leste europeu no fim dos anos 1950. Fã dos destinos excepcionais, o diretor de filmes como: “A lista de Schindler” (1993), “Prenda-me se for capaz” (2002) e “Munique” (2005), entre outros, leva aos cinemas desta vez uma história espetacular sobre o período da Guerra Fria: (“Bridge of Spies”). 

          Em um momento de tensão entre Estados Unidos e Rússia sobre o enfoque da guerra na Síria, em 1957, o advogado James Donovan foi escolhido por seu escritório para defender o indefensável no Ocidente: um espião soviético detido em território norte-americano, Rudolf Abel. Guerra Fria, sociologicamente é a designação atribuída ao período histórico de disputas estratégicas e conflitos indiretos entre os Estados Unidos e a União Soviética, compreendendo o período entre o final da 2ª guerra mundial (1945) e a extinção da União Soviética (1991), um conflito de ordem política, militar, tecnológica, econômica, social e ideológica entre as duas nações e suas zonas de influência. É chamada “fria” porque não houve guerra direta entre as duas superpotências, dada à inviabilidade da vitória em uma batalha nuclear. A corrida armamentista de um grande arsenal de armas nucleares foi o objetivo central durante a primeira metade da Guerra Fria. Estabilizou-se na década de 1960 até à década de 1970, sendo reativado nos anos 1980 com o projeto do presidente dos Estados Unidos de Ronald Reagan chamado de “Guerra nas Estrelas”. O primeiro filme foi lançado apenas com o título Star Wars em 25 de maio de 1977, e tornou-se um fenômeno mundial inesperado de cultura popular, sendo responsável pelo início da era dos blockbusters, que  representa superproduções cinematográficas que fazem sucesso nas bilheterias e viram franquias com brinquedos, jogos, livros, etc. 
         Foi seguido por duas sequências, The Empire Strikes Back e Return of the Jedi, lançadas com intervalos de três anos, formando a trilogia original. Uma parte da historiografia argumenta que foi uma disputa dos países que apoiavam as liberdades civis, como a liberdade de opinião e de expressão e de voto, representada pelos Estados Unidos e outros países ocidentais e do outro lado a doutrina comunista. Outra parte defende que esta foi uma disputa entre o capitalismo, que patrocinou regimes ditatoriais na América Latina, representado pelos Estados Unidos da América (USA), e a transição para o socialismo expansionista ou socialismo de Estado, onde fora suprimida a propriedade privada, defendido pela União Soviética (URSS) e China. Entretanto, esta caracterização só pode ser considerada válida com uma série de restrições e apenas para o período do imediato pós-Segunda Guerra Mundial, até a década de 1950. Nos anos 1960, o “bloco político-militar socialista” se dividiu e durante as décadas de 1970 e 1980, a China comunista se aliou aos norte-americanos na disputa contra os russos. Disputas regionais envolveram Estados imperialistas, contra diversas potências locais, regionais e, sobretudo, de dimensão nacionalistas.        
No longa-metragem em 1957, depois de uma intrincada caçada, o FBI aprisiona o estoico Rudolf Abel (Mark Rylance), um espião russo que se disfarça de artista em Nova York. Ele estaria transmitindo segredos de Estado relativos à energia nuclear. Para defendê-lo, a promotoria pública indica o íntegro James B. Donovan (Hanks), que naquele momento era sócio de uma firma de advocacia especializada em seguros. A família e os amigos de Donovan não querem que ele aceite um caso tão impopular. Mas ele não só aceita o desafio, como defende Abel com probidade intelectual e consegue livrar o espião da pena de morte certa, que era a vontade ideologizada no âmbito da esfera da opinião pública. Donovan a principio é hostilizado. Mas como advogado pragmático sabe que o risco que ele assumiu era calculado. Tem um bom argumento: é melhor manter Abel vivo e seguro, já que ele poderia ser útil em alguma ocasião, como uma futura troca de prisioneiros. E isso exatamente o que acontece poucos anos depois.
Em meio à edificação do Muro de Berlim, Donovan, em condições nada favoráveis, encontra vários membros do governo da União Soviética e da Alemanha. O jogo de negociação é longo e tortuoso. Os russos e alemães estão sempre desconfiados e os agente da CIA mais atrapalham do que ajudam Donovan. Ponte dos Espiões na verdade aparece com uma mercadoria de supermercado: dois filmes em um. No começo, é um filme de tribunal, típico dos julgamentos norte-americanos demonstrando como foi a captura e o julgamento de Abel nos Estados Unidos. Depois, com ação na Europa, onde o longa-metragem se transforma em uma produção teórica de espionagem clássica. Apesar de cenas de violência bruta da política demonstrarem cidadãos alemães da Alemanha Oriental sendo fuzilados tentando passar para o lado ocidental do Muro de Berlim, como se a questão se resolvesse como oposição, Ponte dos Espiões não é abertamente violento, mas não deixa de ser perturbador.         
Os escritos de Georg Simmel sobre vitalismo ou filosofia de vida, quase no final de sua vida, dimensionam não tanto a tragédia da cultura (cf. Simmel, 1988), mas a ambivalência do sujeito frente à cultura: o conflito da cultura. Entende Simmel que, ainda que as formas culturais na sociedade mercantil tornem difícil ao homem exprimir criatividade, o mesmo não consegue viver sem elas. A comodidade, as formas de simbolização e informação, as novas normas legais, a liberação da sexualidade, dentre outras, são manifestações de vidas de uma espécie de outro lado da modernidade. Não obstante, essa percepção sensível de um maior avanço da cultura subjetiva não foi suficiente para alterar o “nó duro” de sua análise. A imaginação se desenvolve em torno da crítica da dimensão de massa dos bens culturais, os quais deixam os homens deprimidos por não poder assimilá-los todos no mesmo momento em que não podem excluí-los, pela fragmentação da existência em razão da separação crescente das esferas da vida e a erosão da cultura pessoal em correspondência com o avanço dos multivariados objetos os quais ganham e exigem conotação cultural.
O longa-metragem representa uma etnografia de como funcionavam os bastidores do jogo político na constituição da guerra fria entre os Estados Unidos e os países comunistas. Quando seus dirigentes não conseguiam compreender a reprodução ideológica do ódio disseminado pela guerra  através do olhar vis-à-vis. Tom Hanks está bem como quase sempre, neste caso vivendo o inoxidável Donovan. Mas quem rouba a cena é o ator britânico Rylance como o enigmático Abel, que pode ou não saber demais, o que nos remete as principais formas de “sociação” (“Vergesellschaftung”) estudadas pelo filósofo Georg Simmel. Influenciado pela filosofia kantiana que distinguia a forma do conteúdo dos objetos de estudo do conhecimento humano, tal distinção pretendia tornar possível o entendimento da vida social com o processo de “sociação”, termo que cunhou como objeto de pensamento analítico e interpretativo para o estudo da sociologia, representando o invariante através da análise das formas em que os indivíduos em suas ações se agregavam e não os indivíduos em si.  

Os processos qualitativos, no entanto, que assumiam tais formas também deveriam ser estudados pela sociologia geral, subproduto da sociologia formal, como a concebia o filósofo Georg Simmel. Estudando o conflito, o autor não conferia aos grupos unidades hipostasiadas, supervalorizadas com relação ao indivíduo, como ocorre comumente no jornalismo de guerra. Antes via neste o fundamento dos grupos, daí que as “formas”, para Simmel, constituem-se em um processo de interação entre tais indivíduos, seja por aproximação, seja pelo distanciamento, competição, subordinação, e assim por diante no âmbito do conflito. Melhor dizendo, a investigação entre o número de indivíduos no seio das formas de vida coletiva. O modo como o aspecto quantitativo afeta o tipo de relação social existente. Simmel analisa uma relação exclusiva entre duas pessoas e, por fim, entre três, produz diferentes tipos de interação entre as pessoas. Se as relações de poder não são unilaterais é preciso explicar como as formas de comando e obediência estão relacionadas, como a obediência do grupo a um indivíduo, a dominação do grupo ou a dominação de regras impessoais.
Tal como na arte, a ideologia pode se expressar na ética de maneiras muito distintas. Pode, por exemplo, representar as  manifestar de vida individual e coletiva na disposição subjetiva, como indicamos pistas na concepção de Georg Simmel, implícita ou explícita, no sentido de abandonar o envolvimento com a comunidade. E mesmo decorrente no sentido de cancelar qualquer compromisso com ela. Como a comunidade representa socialmente a matriz dos valores, basta lembrarmos que “ethos”, comparativamente, em grego, e “mores” em latim, significam costumes; normas de conduta estabelecidas pela comunidade, onde os indivíduos que negam o vínculo que os liga à comunidade são, de fato, pessoas que renegam por assim dizer a ética. É neste sentido que este tipo de distorção se liga a formas extremas de egoísmo, que ultrapassam amplamente o chamado “egoísmo saudável”, ligado à autopreservação e à afirmação pessoal de si mesmo. Os indivíduos cuja vida interior se enriquece em diálogo constante dialeticamente com os outros, não se resignam a ser apenas aquilo que já se tornaram, e querem ser mais do que estão sendo pelo fato de poder pensar juntos. Cultivam, um lado deles que os impele na direção de uma busca de universalização e sentido da vida. 
Bibliografia geral consultada.
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* Sociólogo (UFF), Cientista Político (UFRJ), Doutor em Ciências junto à Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Professor Associado da Coordenação do curso de Ciências Sociais do Centro de Humanidades da Universidade Estadual do Ceará (UECE).