segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Flamingo – Ilhas Galápagos & Consciência Teórica da Natureza.

                                                                                                       Que é a natureza, ela permanece um problema”. Aristóteles              

         O uso do termo conservação, no contexto social de proteção da natureza, deve-se ao engenheiro florestal norte-americano Gifford Pinchot (1865-1946), enquanto a preservação era defendida por John Muir (1838-1914). Pinchot e Muir, assim como Aldo Leopold (1887-1948) algumas décadas depois, tiveram papel importante na definição dos métodos da conservação. Existem diversos tratados internacionais que cuidam da conservação da natureza, mas a Convenção sobre Diversidade Biológica e os seus protocolos anexos têm papel destacado, pois consagram a nível global os objetivos e técnicas fundamentais da conservação. A conservação da natureza consiste essencialmente em proteger as populações de espécies animais e vegetais, bem como preservar a integridade ecológica do seu habitat natural ou de substituição como sebes, pedreiras, escombreiras, albufeiras ou outros habitats tecnológicos artificiais. O objetivo fundamental é, em todos os casos, manter os ecossistemas em bom estado de conservação e prevenir ou corrigir os danos que possam sofrer, maximizando assim os serviços ambientais por eles fornecidos. Como movimento social e como disciplina técnico-científica, o conservacionismo tem raízes antigas na história da humanidade, em especial no mundo anglo-saxónico e escandinavo, que evoluíram no último quartel do século XX de um estatuto de ciência da proteção do património natural, que se centrava na inventariação e na tentativa de desenvolver técnicas que permitissem lidar com desastres ambientais e antecipar a degradação do ambiente.

O termo “conservação da natureza”, vale lembrar, foi desenvolvido por Gifford Pinchot no contexto social desenvolvimentista da polêmica gerada sobre o uso do Vale de Hetch Hetchy, que, em 1895, opôs a abordagem típica preservacionista, proposta pelo naturalista John Muir, pesquisador pioneiro da defesa da preservação dos grandes espaços naturais pristinos como vedados à atividade humana, à abordagem conservacionista (ou recursista) de Gifford Pinchot, que propunha aparentemente uma ação centrada na gestão equilibrada dos recursos naturais, não interditando o seu aproveitamento racional. Apesar da sua utilização comum em múltiplos campos semânticos, ou talvez por isso mesmo, o termo propedêutico conservação não foi objeto de definição jurídica no contexto da Convenção do Rio de Janeiro, instrumento internacional que utiliza o conceito. Apesar de não estar fixada uma definição oficial e universalmente aceite de “conservação da natureza”, os usos e abusos são muitas vezes os mesmos utilizados para definir o teor de desenvolvimento. Nesse contexto, a estratégia global para o ambiente biofísico e conservação da biodiversidade refere o conceito como a gestão do uso humano da biosfera que permite que as gerações presentes desfrutem dos benefícios duráveis, mantendo o seu potencial para satisfazer as necessidades e aspirações das gerações. Assim, naturaliza-se a concepção segundo a qual “a conservação certamente abarca preservação, manutenção, utilização sustentável, restauração e melhoria do ambiente natural”.

Para o investigador e teórico da ecologia Carl Jordan, a conservação da natureza é uma “filosofia da gestão do ambiente que visa garantir que não ocorre o desperdício ou a exaustão dos recursos e valores nele contidos”. A conservação da natureza, também chamada ciência da conservação da natureza ou simplesmente conservação, é a designação dada aos princípios e técnicas que buscam a utilização racional dos recursos naturais, ou seja, a proteção desses recursos em uma perspectiva de “sustentabilidade”, que permite sua utilidade de uso, mas garante sua renovação. A conservação da natureza centra-se na manutenção do bom estado do ambiente natural, incluindo a fauna, a flora, os recursos minerais, a paisagem, os habitats e a biodiversidade, sem, contudo, excluir o uso humano de todos os ecossistemas. Distingue-se do conservacionismo, que é o movimento político, social e científico formado pelos indivíduos e entidades que buscam educar, sensibilizar, estabelecer, promover e implementar os princípios e políticas públicas para a conservação da natureza. Esses, são chamados conservacionistas. O preservacionismo e o conservacionismo são duas abordagens da questão ambiental surgidas no fim do século XIX, nos Estados Unidos. Ambas se contrapõem ao crescimento econômico a qualquer custo e a exploração predatória da natureza, desconsiderando os impactos dessa exploração sobre o ambiente natural, inclusive a possibilidade de esgotamento dos chamados recursos naturais. Embora partam de uma posição comum, essas duas abordagens se diferenciam.

                            


O preservacionismo aborda a proteção da natureza independentemente de seu valor econômico ou utilitário e considera o homem como um mero causador de desequilíbrios. Assim, propõe a criação de santuários, intocáveis, como forma de proteger os ecossistemas da degradação que fatalmente decorreria das atividades humanas. O movimento preservacionista radical foi responsável pela criação de parques nacionais, como o Yellowstone, em 1872, nos Estados Unidos. O conservacionismo pretende conciliar a proteção à natureza com o seu uso racional pelo homem, mediante o manejo criterioso. Esses critérios de manejo devem seguir os graus de restrição ao uso e exploração dos recursos naturais, variando conforme o caso, e inclui estabelecimento de áreas de preservação, por exemplo, no caso de ecossistemas frágeis, onde haja espécies ameaçadas. A abordagem conservacionista predomina na maioria dos movimentos ambientalistas, mas do que nunca de atualização ético-política da natureza, sendo a base dos modelos in statu nascendi de desenvolvimento, cujo objetivo é garantir que a exploração dos recursos naturais no momento presente não comprometa a disponibilidade desses recursos para as gerações futuras. A redução do uso de matérias-primas, a introdução do uso de energias renováveis, a redução do crescimento populacional, o combate à fome e à pobreza, a promoção de mudanças de consumo, o respeito à biodiversidade e a consideração socioambiental na tomada de decisões econômicas são algumas das estratégias de promoção do desenvolvimento dito sustentável.      

A população de flamingos particularmente entre indivíduos nas Ilhas Galápagos é estimada em cerca de 500 indivíduos, distribuídos em lagoas salobras das ilhas Isabela, Floreana, Rábida, Santa Cruz e Santiago que fazem parte do Arquipélago de Galápagos, no Equador, e oferecem experiências únicas relacionais de vida selvagem e paisagens vulcânicas. Santa Cruz e Isabela estão entre as ilhas habitadas e mais acessíveis, enquanto as outras são visitadas principalmente em passeios de um dia ou cruzeiros. Embora não sejam considerados ameaçados pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), a espécie enfrenta um status de admiração, como dizia Aristóteles, e de preocupação no Equador devido aos progressos de mudanças climáticas e espécies invasoras que ameaçam seus habitats e locais de nidificação. Os flamingos-americanos são reconhecidos por suas penas rosa vibrante, que se deve à ingestão de carotenoides em sua dieta que inclui crustáceos, algas e vegetais. Eles possuem um método de alimentação único e extraordinário, onde “agitam a água com os pés para trazer à tona o material que pode ser consumido, utilizando seus bicos curvados para filtrar a comida”. As principais ameaças aos flamingos incluem: 1. invasão de espécies, como porcos e gatos, que atacam ovos e filhotes, 2. as mudanças climáticas, que podem inundar os locais de nidificação. No entanto, esforços de conservação, como a erradicação de roedores na ilha Rábida, têm demonstrado resultados positivos, permitindo a recuperação da população.

Para Friedrich Hegel (1995) praticamente o homem ante a natureza como ante algo imediato e exterior a ele próprio, como um indivíduo imediatamente exterior e, assim, sensível, o qual, porém, também com direito, se torna como fim para os objetos da natureza. A consideração deste segundo tal relação fornece o ponto de vista finito-teleológico. Neste se encontra a correta pressuposição de que a natureza não contém em si mesma o fim último absoluto; mas, se esta consideração se inicia de fins particulares finitos, ela os transforma, parte, em pressuposições cujo conteúdo eventual pode até ser em si insignificativo e insípido, parte, requer em si a relação teleológica um modo de compreender mais profundo do que o orientado por relações externas e finitas, isto é, o modo de consideração do conceito, que seja imanente à sua natureza em geral e, por aí à natureza enquanto tal. Aqui imediatamente emergem próximas duas determinações. α) A atitude prática atinge somente alguns produtos da natureza ou alguns lados desse produto. A premência da necessidade e a sutileza do homem descobriram inumeráveis e diversificadas maneiras de aplicação e de domesticação. Como diz Sófocles em Antígona, versos 334, 360: “Nada é mais terrível que o homem...Sem saída. Não chega a nada”.  Sejam quais forem as forças que a Natureza desenvolva e desencadeie contra o homem, frio, animais ferozes, água, fogo, ele conhece os meios contra elas, e mais, retira os meios da natureza, utiliza-os contra eles mesmos; a astúcia de sua razão faculta ao homem jogar contra potências naturais outras coisas da natureza, entrega estas àquelas para serem aniquiladas e assim se protege e conserva. Da própria natureza, do seu universo não pode ele apoderar-se por este meio, nem a amestrar para seus fins. β) A segunda relação das coisas conosco é que elas são recebe a determinação da universalidade para nós ou que nós a transformamos em algo universal.

A consideração teleológica, outrora tão apreciada, colocou nos fundamentos a relação ao espírito, mas somente se restringiu à conveniência extrínseca e tomou o espírito no sentido do finito e preocupado com fins naturais; por causa da insipidez de tais finitos para os quais ela apontava como úteis as coisas naturais, perdeu seu crédito para mostrar a sabedoria de Deus. O conceito teleológico não é aperna estranho à natureza como quando digo: “A lã dos cordeiros existe somente para que eu me possa vestir”; brotam daí muitas vezes parvoíces, por exemplo ao admirar-se a sabedoria de Deus porque ele, como se diz nos Xênios, faz brotar sobreiros da cortiça para as rolhas das garrafas, couves e ervas para estômagos enfermos, cinabre para cosméticos. O conceito de um fim como interno às coisas naturais é a simples determinação das mesmas, por exemplo o germe de uma planta que segundo a possibilidade contém tudo que deve vir na árvore e que, portanto, como atividade finalística, está dirigido somente para a própria manutenção. Já Aristóteles reconheceu esse conceito de fim da natureza e a esta eficácia chamou natureza duma coisa; a verdadeira consideração teleológica – e esta é a mais sublime – consiste, pois, em considerar a natureza como livre em sua vitalidade própria.

Escólio: O que se denomina física chamou-se antes filosofia da natureza, e é consideração da natureza igualmente teórica e pensante, e que de um lado parte não de determinações estranhas à natureza, quais aquelas das finalidades, de outro lado é orientada ao conhecimento do universal imediatamente – ao lado das forças, leis, gêneros, o qual conteúdo ulteriormente não deve mais ser mero agregado, mas disposto em ordens e classes, tomar forma de uma organização. Enquanto a filosofia da natureza é consideração que compreende, tem ela o mesmo universal, mas como objeto para si e o considera em sua necessidade, isto é, como vimos na expressão [Nortwendigkeit] de identidade própria, imanente segundo a autodeterminação do conceito. Hegel, lembra neste aspecto sobre a relação da filosofia com o empírico falou-se na introdução geral. Não somente deve a filosofia ficar em concordância com a experiência da natureza, mas o surgir e a formação da ciência filosófica têm a física empírica como pressuposto e condição. 

Mas uma coisa é a marcha do surge e as preelaborações de uma ciência, outra a própria ciência em questão; nesta não podem mais aquelas figurar como fundamento, pois fundamento aqui deve ser muito mais a necessidade [Nortwendigkeit] do conceito. Ainda menos aceitável seria um chamado ou apelo àquilo que se tem costumado nomear intuição e nada outro costuma ser que um descaminho da representação e da fantasia (também fantasticaria) em busca de analogias que podem ser mais contingentes ou mais significativas e só exteriormente imprimir determinação e esquemas aos objetos. Isto é, queremos conhecer a natureza que efetivamente não é algo que não é; em vez, pois, de deixá-la e de torná-la onde ela em verdade está, em vez de percebê-la, fazemos algo totalmente outro disto. Para pensarmos as coisas, fazemos delas algo universal; mas as coisas são singulares e o leão-em-geral não existe. Fazemos delas um subjetivo, produto nosso, a nós pertencente, e decerto a nós apropriado; pois as coisas da natureza não pensam, nem as representações ou pensamentos. Conforme a segunda determinação, que se nos apresentou a pouco, acontece justamente essa inversão; pareceria que aquilo que começamos imediatamente se nos torna impossível. A atitude teórica principia com a inibição do desejo e do apetite, é desinteressada, deixa as coisas agirem e existirem; com esta posição temos duma vez fixados os dois, objeto e sujeito, e a separação de ambos, um aquém e outro além. Nossa intenção é, porém, mais, apreender a natureza, compreendê-la, fazê-la o nosso, fazer que ela para nós não seja um estranho, um além. A dificuldade: como atravessamos nós, sujeitos, até os objetos? 

Se nos atrevermos a saltar este abismo, e nos deixamos para isso, na certa, desencaminhar, assim pensamos essa natureza; isto é, fazemos que ela, que é outra coisa do que nós, seja outra coisa do que o que ela próprias é. Ambas as relações teóricas são também imediatamente entre si opostas: fazemos as coisas gerais ou peculiares a nós, e, contudo, elas, como coisas naturais, devem ser para si livres. Eis aqui o ponto, de que se trata em relação à natureza do conhecimento – este, o interesse da filosofia. Entretanto, a dificuldade, isto é, a hipótese unilateral da consciência teórica, de que as coisas naturais são, diante de nós, resistentes e impenetráveis, é diretamente refutada pelo comportamento prático em que jaz está fé idealística absoluta de que as coisas singulares são nada em si. A falta do apetite está do lado pelo qual eles e volta ou refere às coisas, não do lado em que é para as coisas realista, mas demasiado idealista. O verdadeiro idealismo filosófico não consiste em nada mais que justamente na determinação de que a verdade das coisas é que elas como tais são imediatamente singulares, isto é, sensíveis – são apenas aparência, fenômeno. A respeito duma metafísica em nossos tempos grassante, segundo o qual não conhecemos as coisas, porque elas estão absolutamente fixas diante de nós, poderíamos expressar-nos dizendo que nenhuma vez os animais são tão estúpidos como o são tais metafísicos; pois eles vão às coisas, tocam, apanham, consomem-nas. A mesma determinação está no mencionado segundo lado da atitude teórica, isto é, que nós pensamos as coisas naturais. 

A inteligência não se familiariza, sem dúvida, com as coisas, na existência sensível delas; mas, por isso que as pensa, coloca o conteúdo das mesmas em si; e enquanto ela, por assim dizer, aproxima a forma, a universalidade, à idêntica prática, que é para ela a inteligência em vez da negatividade, dá ao negativo da singularidade uma determinação afirmativa. A filosofia da natureza encontra-se, entretanto, em condições tão desfavoráveis, que ela deve demonstrar seu ser-aí; para justificá-la necessitamos de reconduzi-la ao notório. Da resolução da oposição de subjetivo e objetivo merece mencionasse uma figura apropriada que também é conhecida, em parte, pela ciência, em parte, pela religião; nesta última, porém é assunto do passado e em brevíssimo tempo resolvida a dificuldade toda. A união das duas determinações, a saber, o que se chama o estado original da inocência, onde o espírito é idêntico com a natureza e o olho do espírito está imediatamente no centro da natureza, ao passo que o ponto de vista da separação da consciência é a queda-no-pecado, desde a eterna divina unidade. Esta unidade é representada como uma intuição originária, uma razão que se situa ao mesmo tempo numa imaginação [Phantasie], isto é, somando as figuras sensíveis e aí mesmo racionalizando as figuras sensíveis. Essa razão intuinte é a razão divina; pois, Deus, podemos dizê-lo é aquele no qual razão e natureza estão em unidade, e a inteligência ao mesmo tempo tem ser e figura. As excentricidades da filosofia da natureza tem parcialmente seu fundamento numa representação tal que, se os indivíduos não mais encontram nesse estado paradisíaco, contudo, ainda existem nascidos-no-domingo quais Deus comunica no sono o verdadeiro conhecimento e ciência; ou que o homem, mesmo sem filho-do-domingo, ao menos mediante a fé nisto [que segue] pode transportar-se para momentos tais, que neles o íntimo da natureza lhe seja por si imediatamente revelado, somente sob a condição de que se deve invadir, ter invasões [mentais],isto é, solte sua fantasia para anunciar profeticamente o verdadeiro.      

            Nidificação tem como representação social a ação de alguma espécie de animal construir seu ninho. É muito comum aos pássaros no período de incubação de seus ovos. Em algumas espécies tanto o macho como a fêmea constroem o ninho; em outras, somente a fêmea ou o macho. O ninho pode ser construído em diversos locais como árvores, no chão, em paredões, coletivos e às vezes, em ninhos de outras aves. Também é possível o uso de ninhos artificiais. Na maioria das espécies de construção de ninhos, a fêmea faz a maior parte ou toda a construção do ninho, em outras ambos os parceiros contribuem; às vezes, o macho constrói o ninho e a galinha o alinha. Em algumas espécies poligínicas, no entanto, o macho faz a maior parte ou toda a construção do ninho. O ninho também pode fazer parte do ritual da exibição do cortejo, como ocorre em aves tecelãs. A capacidade de escolher e manter bons locais de nidificação e construir ninhos de alta qualidade pode ser selecionada pelas fêmeas dessas espécies. Em algumas espécies, os filhotes de ninhadas anteriores também podem atuar como auxiliares para os adultos. Esse comportamento apresenta diversos aspectos sociais para o entendimento da formação do comportamento dos animais, dos insetos ao homem. E essa compreensão está ligada à teoria darwinista das espécies (cf. Darwin, 1984). Por isso é importante entender como certas espécies adquiriram esse comportamento com as gerações. Uma espécie pode, dependendo da região, ter mais chances de sobreviver quando se desenvolve dentro de um ninho aos cuidados dos seus genitores, em relação à outra que se desenvolve de modo mais independente. A nidificação pode relacionar-se com os ninhos criados pelas aves migratórias, comparativamente, como são os casos das andorinhas e cegonhas que todos os anos regressam aos mesmos locais (habitats) para o fazer, assegurando a continuação da espécie, já que não tem capacidade para se adaptar aos meios com temperaturas extremas. 

             Nem todas as espécies de aves constroem ninhos. Algumas espécies depositam seus ovos diretamente no chão ou em bordas rochosas, enquanto os parasitas de cria depositam seus ovos nos ninhos de outras aves, deixando que “pais adotivos” involuntários façam o trabalho de criar os filhotes. Embora os ninhos sejam usados principalmente para reprodução, eles também podem ser reutilizados na estação de não-reprodução para galos e algumas espécies constroem ninhos especiais de dormitório ou ninhos de abrigo (ou ninhos de inverno) que são usados apenas para galos. A maioria das aves constrói um novo ninho a cada ano, algumas reformem seus antigos ninhos. Os grandes eyries (ou aeries) de algumas águias são ninhos de plataforma usados e remodelados por vários anos. O flamingo-das-galápagos tem como representação uma espécie de flamingo de grande porte, intimamente relacionada ao flamingo-comum e ao flamingo-chileno. Anteriormente, antes considerado igualmente da mesma espécie que o flamingo-comum, essa classificação é analisada como incorreta, por exemplo, pela União Ornitológica Americana e Britânica devido à falta de evidências empíricas. Também reconhecido como flamingo-caribenho, habita lagos salgados onde consegue encontrar alimento entre a lama com seus bicos curvos especiais. Sua plumagem é rosada devido à sua dieta rica em camarões e carotenoides. Quanto mais camarões comem, mais rosada fica sua plumagem, embora alguns exemplares apresentem uma tonalidade mais pálida em análise comparada. Eles se reproduzem durante todo o ano, pois não possuem uma época reprodutiva de acasalamento específica. Seu ninho intuitivamente é construído no alto de paredes ou colunas de barro para proteger o ovo de inundações ambientais que possam ocorrer no solo. Ambos os pais cuidam do ovo, que eclode em cerca de 35 dias e progressivamente nasce com plumagem cinza a branca. Os filhotes são alimentados com um leite semelhante ao de pombo, rico em prolactina, nutrientes e glóbulos vermelhos e brancos, até que consigam ingerir alimentos sólidos. A expectativa de vida de um flamingo pode chegar a 50 anos de existência.

           A Sociedade Ornitológica Americana (AOS) tem como representação social uma organização ornitológica sediada nos Estados Unidos da América. A sociedade foi formada em outubro de 2016 pela fusão da União Americana de Ornitólogos (AOU) e da Sociedade Ornitológica Cooper. Seus membros são principalmente ornitólogos profissionais, embora a filiação seja aberta a qualquer pessoa com interesse em aves. A sociedade publica dois periódicos acadêmicos, Ornithology (anteriormente The Auk) e Ornithological Applications (anteriormente The Condor), bem como a Lista de Verificação de Aves da América do Norte da AOS. A Sociedade Ornitológica Americana reivindica a autoridade para estabelecer nomes padronizados em inglês para aves em toda a América do Norte e do Sul. Em 2013, a União Americana de Ornitólogos anunciou uma colaboração com a Sociedade Ornitológica Cooper, otimizando as operações por meio de reuniões conjuntas, um escritório de publicação compartilhado e uma reorientação de seus periódicos. Em outubro de 2016, a AOU deixou de ser uma entidade exclusiva independente, fundindo-se com a Sociedade Ornitológica Cooper para estabelecer a Sociedade Ornitológica Americana unificada. A filiação regular à AOS está aberta a qualquer pessoa que pague as taxas e interesse em aves. Tarifas para estudantes estão disponíveis para estudantes em tempo integral. Bolsas de Filiação Estudantil, que concedem filiação gratuita, estão disponíveis para estudantes de graduação e pós-graduação qualificados que desejam seguir carreira em ornitologia.

            Do ponto de vista histórico e pontual o conceito de “carreira” deriva da palavra latina “carraria” e passou por diversas transformações no decorrer de sua aplicabilidade teórica e historicamente determinada. Historicamente no período renascentista (1530), simplificadamente, “carreira” identificava um caminho, ou o “curso do Sol através dos céus”. Nas disputas de Justa, em 1590, a palavra “carreira” estava inserida no seguinte contexto: o cavalo que, durante o combate, passava uma “carreira” em seu oponente. A partir de 1803, o significado contemporâneo da palavra “carreira” passou a se relacionar ao mundo perigoso dos negócios, quando o termo foi associado à ideia de “caminho na vida profissional”. Entende-se “carreira” como a soma de “todos os cargos” ou “posições” ocupadas por uma pessoa durante sua vida profissional. Este entendimento contraria a raiz etimológica do termo e impede que o conceito real da palavra seja plenamente assimilado no mercado, inclusive por profissionais de renome em nível globalizado. Não está associado a restrições temporais, mas espaciais. Não revela um histórico profissional, propriamente dito, mas um caminho particular rumo a um objetivo institucional.

No sentido histórico e pontual é um termo disciplinar que designa um determinado campo do conhecimento científico.  E per se como campos específicos de saber, as disciplinas se referem aos mais diversos âmbitos de produção de conhecimento técnico e científico. Tem como representação a produção social através de instâncias ou níveis de análises sobre a realidade social, a constituição de uma linguagem aparentemente comum entre os seus praticantes, a definição e constante redefinição de seus objetos de estudo, uma singularidade que as diferencia de outros saberes, uma complexidade interna que termina por gerar novas modalidades no interior da disciplina. Enfim, a rede de conexão humana de conhecimentos que constitui determinado campo de saber, com a formação progressiva da chamada “comunidade científica” compartilhada pelos diversos praticantes do campo disciplinar. Há de fato um processo de trabalho, com a fundação e manutenção de revistas científicas especializadas, a ocorrência constante de congressos frequentados pelos praticantes do campo disciplinar, a criação de instituições científicas que representam os profissionais do campo de saber vinculando seu nome, seu cargo no âmbito do processo de trabalho e de pesquisa nas instituições e assim por diante.

Neste aspecto, vale lembrar Kuhn (1962) que se ocupou principalmente do estudo da história da ciência, no qual demonstra um contraste entre duas concepções da ciência: por um lado entendida como uma atividade completamente racional e controlada, e por outro, a ciência enquanto uma atividade concreta que se dá ao longo do tempo e que em cada época histórica apresenta peculiaridades e características próprias. Decorre daí que e noção de “paradigma” resulta fundamental na perspectiva historicista e não é mais que uma macroteoria, um marco ou perspectiva que se aceita de forma geral por toda a chamada “comunidade científica” que compartilham um mesmo paradigma e realizam a mesma atividade científica e a partir do qual se realiza a atividade científica, cujo objetivo é esclarecer as possíveis falhas do paradigma ou extrair todas as suas consequências. No ensaio: Estrutura das Revoluções Científicas (1970), o termo paradigma causou interpretações errôneas a uma série de estudiosos. Kuhn esclareceria posteriormente que o termo pode ser utilizado num sentido geral e num sentido restrito. O primeiro diz respeito à noção de matriz disciplinar, significando “o conjunto de compromissos de pesquisa de uma comunidade científica”. O segundo sentido denota os paradigmas exemplares que são a base da “formação científica”, uma vez que passa a dominar o conteúdo cognitivo da ciência através da experimentação dos exemplos compartilhados.

Thomas Kuhn é um dos principais pensadores que entende e procura demonstrar que a ciência enquanto um conjunto de práticas e saberes sociais representa uma atividade intrinsecamente comunitária. O indivíduo continua fazendo ciência, mas ele necessita estar vinculado a uma comunidade científica de pesquisa. Seu trabalho individual feito de forma independente, fora da comunidade científica não adquire reconhecimento, pois o “campo fértil” para o desenvolvimento científico está na estrutura comunitária. A comunidade científica passa a ser a fonte de solidariedade necessária para a resolução de um determinado problema de ordem científica. Uma “comunidade científica”, ipso facto, passa a ser entendida como uma instituição, ou seja, é mais do que uma simples união ou junção de cientistas. Para definir o que seja uma comunidade científica, não basta enumerar os indivíduos que dela fazem parte. Uma comunidade científica representa um grupo de praticantes de uma especialidade científica que se encontram unidos por elementos comuns que foram incorporados através da iniciação da prática científica. 

É nos ambientes oferecidos pela chamada “comunidade científica” que os cientistas se veem a si mesmos e são vistos pelos outros como os responsáveis pela resolução compartilhada de um conjunto de problemas de ordem social. A base do conceito de carreira é expressa burocraticamente no curriculum Lattes, elaborado nos padrões da “plataforma” gerida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), tendo como resultado a experiência individual cumulativa na integração de bases técnicas de dados de currículos, de grupos de pesquisa e de instituições em um único sistema de informação, “tornando-se um padrão nacional no registro do percurso acadêmico de estudantes e pesquisadores do Brasil”. Atualmente é adotado pela maioria das instituições de fomento, universidades e institutos de pesquisa do país. A “riqueza” do controle de informações, a abrangência e confiabilidade são elementos indispensáveis aos pleitos de financiamentos na área de ciência e tecnologia. O curriculum Lattes é mais abrangente que o curriculum vitae, sendo nesta a principal diferença comparativamente entre os dois. Além disso, é mais longo, pois deve mencionar detalhadamente tudo o que está relacionado com a carreira do profissional.

Pode-se entender carreira como uma série de estágios que variam conforme forças de trabalho exercido sobre o indivíduo. Tem-se a relação entre a organização e o profissional, como fator de conciliação das expectativas entre ambas a partes. A carreira é um dos termos das ciências sociais que não é ambígua e está relacionada a uma gama ampla de definições. Pode significar, ao mesmo tempo, emprego assalariado ou atividade não remunerada, profissão, vocação, ocupação, estágio, posição em uma organização, trajetória de um indivíduo que trabalha, uma fonte de informação para as empresas alocarem recursos humanos, ou até “um roteiro pessoal para a realização dos próprios desejos”. Carreira inclui os estudos ou a preparação acadêmica e integram as capacidades laborais, as novas aprendizagens, as mudanças pessoais sobre a própria imagem, as metas e os valores, assim como a resposta para as novas oportunidades e mudanças tanto sociais como políticas. A carreira representa um caminho dedicado de maturação, de crescimento em conhecimentos, habilidades e responsabilidades sobre a própria vida. É neste sentido que a carreira profissional está indissociavelmente ligada ao positivismo, corrente filosófica que Auguste Comte fundou com o objetivo de reorganizar o conhecimento humano, seu caráter e que tem grande influência no Brasil e de resto no mundo ocidental.

O positivismo é, enquanto sistema, simultaneamente, uma doutrina filosófica, sociológica e política. Surgiu como desenvolvimento do iluminismo. Das crises sociais e moral do fim da Idade Média e do nascimento da sociedade industrial - processos que tiveram como marco a revolução clássica francesa. Em linhas gerais, ele propõe à existência humana valores completamente humanos, afastando radicalmente a teologia e a metafísica. O positivismo comtiano associa uma interpretação positiva das ciências; uma classificação do conhecimento a uma ética humana radical. Defende a ideia de que o conhecimento científico é a única forma de conhecimento verdadeiro. Com os positivistas somente pode-se afirmar que uma teoria é correta se ela foi comprovada empiricamente através de métodos científicos válidos. O progresso da humanidade depende exclusivamente dos avanços científicos. Entretanto, uma organização observa Marilena Chauí (2003), difere de uma instituição por definir-se por uma prática social determinada de acordo com sua instrumentalidade: está referida ao conjunto de meios (administrativos) particulares para obtenção de um objetivo particular. Não está referida a ações articuladas às ideias de reconhecimento externo e interno, de legitimidade interna e externa, mas a operações e estratégias balizadas pelas ideias de eficácia e de sucesso no emprego de determinados meios para alcançar o objetivo particular que a define.

Por ser técnica de administração é regida pelas ideias de gestão, planejamento, previsão, controle e êxito. Não lhe compete discutir ou questionar sua própria existência, sua função, seu lugar no interior da luta de classes, pois isso, que para a instituição social universitária é crucial, é, para a organização, um dado de fato. Ela sabe (ou julga saber) por que, para que e onde existe.  Do ponto de vista do trabalho a gestão de carreira envolve duas partes principais: a da organização e a concepção do indivíduo. Diferentemente de décadas passadas, quando as organizações definiam as carreiras de seus empregados, na modernidade o papel do indivíduo na gestão da carreira se torna relevante e assume um papel progressivamente mais atípico. Os empregados assumem, na atualidade, o papel de planejar sua própria carreira, sendo estimulados a acumular conhecimentos científicos e administrar suas carreiras para garantir mobilidade no mercado de trabalho. No início os indivíduos buscam desafios, salários atrativos e responsabilidades, após amadurecerem, passam a se interessar por trabalhos que demandem: autonomia e independência, segurança e estabilidade, competência técnica e funcional, competência gerencial, criatividade intelectual, serviço e dedicação a uma causa, desafio político, estilo de vida.

A instituição social aspira à universalidade. A organização sabe que sua eficácia e seu sucesso dependem de sua particularidade. Isso significa que a instituição tem a sociedade como seu princípio e sua referência normativa e valorativa, enquanto a organização tem apenas a si mesma como referência, num processo de competição com outras que fixaram os mesmos objetivos particulares. Em outras palavras, a instituição se percebe inserida na divisão social e política e pretende definir uma universalidade (imaginária ou desejável) que lhe permita responder às contradições, impostas pela divisão. Ao contrário, a organização busca gerir seu espaço e tempo particulares aceitando como dado bruto sua inserção num dos polos da divisão social, e seu alvo não é responder às contradições, e sim vencer a competição com seus supostos iguais. A questão nevrálgica refere-se à pergunta: Como foi possível passar da ideia da universidade como instituição à definição como organização prestadora de serviços? Em primeiro lugar através da passagem da produção de massa e da economia de mercado para as sociedades de conhecimento baseadas na informação e comunicação. Na esfera de ação política é regulação da existência coletiva, poder decisório, luta entre interesses contraditórios, disputa por posições de mundo, hierarquicamente falando do ponto de vista do poder nas instituições, confrontos mil entre forças sociais, violência em última análise.

Só que a produção dos processos políticos, baseados em instituições sociais como esfera de poder, em segundo lugar, se diferencia radicalmente da produção econômica porque usam eventualmente suportes materiais, como armas, livros, processos, papéis onde se inscrevem as ordens, os atos de gestão, as sentenças ou as leis, mas não é uma produção material no sentido marxista de utilidade de uso do termo.  Porque consiste em decisões imperativas, decisões que podem mudar o plano de vida individual (os sonhos) e per se da coletividade (os mitos, os ritos, os símbolos) envolvida na trajetória da ciência. É também diferente da produção simbólica porque se exercita sobre o interesse dos agentes sociais, quando não sobre os próprios tabus do corpo. Corresponde a atos de vontade que regulam atividades coletivas; disciplina práticas sociais. Não produzem mensagens, discursos; produzem isto sim: obediências, obrigações, submissões, direitos, deveres, controles. Poder, para sermos breves, é uma relação social de mando e obediência. As decisões tomadas politicamente se impõem a todos num dado território ou numa dada unidade social. Convertem-se em atividades coercitivas (esfera da segurança), administrativas (esfera da administração), jurídico-judiciárias (esfera da justiça) e legislativas (esfera da deliberação). Simplificadamente, processo político diz respeito à pergunta: Quem pode o quê sobre quem? Eis a grande questão do savoir-faire mediante o processo político, do confronto entre forças sociais, da sujeição de vontades a outras vontades.   

No caso específico da Sociedade Ornitológica Americana (AOS) existem três categorias superiores de filiação: Membro Eleito, Membro Honorário e Membro Titular. Os membros eleitos são selecionados “por contribuições significativas para a ornitologia e/ou serviços prestados à União”. Quando eleitos, devem residir no Hemisfério Ocidental. Um candidato a membro eleito deve ser indicado por três membros titulares ou membros eleitos, e mais da metade dos membros titulares e membros eleitos deve votar a favor da eleição do candidato. Os Membros Honorários são limitados a 100 e são escolhidos por sua excepcional eminência ornitológica e devem, no momento de sua eleição, ser residentes de um país que não seja os Estados Unidos da América ou o Canadá. As indicações para Membro Honorário são feitas por um comitê especial nomeado pelo presidente ou por quaisquer três Membros. É necessário o voto da maioria dos Membros presentes em uma reunião anual para a eleição. Cada Membro pode votar afirmativamente para quantas vagas existirem cumulativamente. Os membros são escolhidos “por contribuições excepcionais e contínuas à ornitologia e/ou serviços prestados à União” e devem ser residentes ou cidadãos do hemisfério ocidental na eleição. Os candidatos devem ser membros honorários ou membros eleitos em situação regular. É necessário o voto de dois terços dos membros em uma reunião anual para a eleição como membro. A diminuição do número de estudantes membros da AOU e de outras sociedades ornitológicas motivou a criação de um Comitê de Assuntos Estudantis em 2003. Diversos prêmios para estudantes foram criados a partir de 2005, assim como atividades para estudantes em encontros anuais.

 O Prêmio de Membro Estudante oferece um ano de benefícios completos de membro da AOS para estudantes de graduação ou pós-graduação qualificados, interessados ​​em seguir carreira em ornitologia. Os estudantes devem se inscrever anualmente durante o semestre de outono, de setembro a dezembro, com um currículo ou resumo profissional descrevendo seu programa de estudos, a data prevista de conclusão, sua experiência acadêmica ou profissional e seus interesses em ornitologia. Uma carta de recomendação do orientador acadêmico do estudante também é necessária. A filiação à AOS é obrigatória para concorrer a prêmios de viagem, pesquisa e apresentação. Os Prêmios de Viagem para Estudantes e Pós-Doutorandos da AOS são prêmios competitivos que ajudam a custear as despesas de viagem para as reuniões anuais da sociedade para membros estudantes. Os procedimentos de candidatura são distribuídos aos membros elegíveis. Um estudante pode concorrer a um dos vários Prêmios de Apresentação Estudantil da AOS ao apresentar um pôster ou um trabalho oral em uma reunião científica anual. O Prêmio Estudantil Robert B. Berry é concedido à melhor apresentação oral sobre um tópico relacionado à conservação de aves. O Prêmio Mark E. Hauber é concedido à melhor apresentação oral sobre comportamento de aves. Quatro prêmios adicionais são concedidos à melhor apresentação sobre qualquer tópico em ornitologia. 

Os formulários de inscrição são distribuídos aos membros elegíveis da AOS. Phoenicopterus ruber L., vulgarmente reconhecido como flamingo, ganso-do-norte, gansão, ganso-cor-de-rosa e maranhão, é uma ave pernalta que pertence à família Phoenicopteridae e à ordem Phoenicopteriformes. Habita a costa atlântica tropical e subtropical, desde os Estados Unidos da América até o estuário do rio Amazonas. Sua foz é classificada como mista, por apresentar uma foz em estuário e em delta. O rio Amazonas é o único com uma foz mista no mundo. Flamingo vem de “flama”, numa alusão à tonalidade rosa de suas penas. Tida como uma das mais graciosas e estranhas aves da avifauna mundial, o flamingo é o resultado inesperado da adaptação aos meios aquáticos que frequenta. Ave pernalta, pode ultrapassar um metro e meio de altura. Em média, os machos são um pouco maiores e têm o pescoço mais comprido do que as fêmeas. A envergadura das asas dos flamingos varia entre os 140cm e os 165cm. Sua plumagem apresenta uma variação considerável entre o rosa pálido e um rosa mais intenso. As penas de cobertura das asas são rosa vivo, chegando a vermelho-carmim, e as penas de voo são pretas. As patas, tal como o bico, são igualmente rosas, com exceção da ponta do bico, que é preta. Os juvenis têm o pescoço e as patas mais curtos e a plumagem, que inicialmente é castanho-acinzentado vai, à medida que o indivíduo se aproxima da maturidade, sendo substituída por uma plumagem branca e finalmente rosada. No Brasil, o único lugar onde nidifica é no cabo Orange, fronteira com a Guiana Francesa. Entretanto, mesmo nessa região pouco habitada, a espécie encontra-se ameaçada de extinção em virtude do trabalho humano de plantações de arroz, do empreendimento das salinas ao longo da costa, extemporâneo da caça predatória e da captura de seus ovos. Em Portugal não há registros de nidificação desta espécie.

Bibliografia Geral Consultada.

KUHN, Thomas, A Estrutura das Revoluções Científicas. São Paulo: Editora Perspectiva, 1970; GUATTARI, Félix, Les Trois Ecologies. Paris: Éditions Galilée, 1989; DARWIN, Charles, La Expresión de las Emociones en los Animales y en el Hombre. Madrid: Editorial Alianza, 1984; FRACALANZA, Dorotea Cuevas, Crise Ambiental e Ensino de Ecologia: O Conflito na Relação Homem-Mundo Natural. Tese de Doutorado em Educação. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 1992; HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich, Enciclopédia das Ciências Filosóficas em Compêndio (1830). Volume II – A Filosofia da Natureza. São Paulo: Editora Loyola, 1997; CHAUI, Marilena, “A Universidade Pública sob Nova Perspectiva”. In: Revista Brasileira de Educação, n° 24, 2003; CUNHA, Luciano Carlos, O Consequencialismo e a Deontologia na Ética Animal: Uma Análise Crítica Comparativa das Perspectivas de Peter Singer, Steve Sapontzis, Tom Regan e Gary Francioni. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-graduação em Filosofia. Centro de Filosofia e Ciências Humanas. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2010; VELOSO, Maria Cristina Brugnara, A Condição Animal: Uma Aporia Moderna. Dissertação de Mestrado. Programa de Estudos Pós-Graduados em Direito. Belo Horizonte: Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, 2011; MAGALHÃES, Fernanda Cândido, A Teoria da Evolução de Charles Darwin e sua Representação Social Contemporânea. Tese de Doutorado em Psicologia. Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social. Centro de Educação e Humanidades. Instituto de Psicologia. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2013; VILELA, Diego Breno Leal, Transformações das Sensibilidades na Relação Humanos-animais: Proteção Animal, Mediação e Institucionalização na Cidade do Recife-PE. Tese de Doutorado em Antropologia Social. Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes. Natal: Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2019; DELFINO, Henrique Cardoso, Comportamento do Flamingo-Chileno Phoenicopterus chilensis (Aves: Phoenicopteriformes) numa Laguna do Sul do Brasil. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal. Instituto de Biociências. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2021; SILVEIRA, André Barcellos, Neoicnologia dos Flamingos (aves, Phoenicopteridae): Estruturas Biogênicas, Comportamento Produtor, Tafonomia e Implicações Paleoambientais. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Geociências. Instituto de Geociências. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2023; Artigo: “Essa é a razão inesperada dos flamingos serem cor-de-rosa”. In: https://revistaoeste.com/2025/06/23/; entre outros.

sábado, 8 de novembro de 2025

Amor em Verona – Humanismo, Cinema & Comédia Romântica.

 O amor não vê com os olhos, vê com a mente; por isso é alado, e cego e tão potente”. William Shakespeare

        Amor em Verona (Love in the Villa) tem como representação social um filme de comédia romântica norte-americano de 2022, escrito, dirigido e produzido por Mark Steven Johnson, nascido em 30 de outubro de 1964 é cineasta norte-americano. Johnson começou sua carreira escrevendo os filmes da Warner Bros Entertainment, Grumpy Old Men (1993), e sua sequência Grumpier Old Men (1995). É uma empresa de mídia norte-americana com sede na Warner Bros. Studios em Burbank, município na Califórnia, Estados Unidos da América, subsidiária da Warner Bros. Discovery. O escritor e cineasta também escreveu e dirigiu dois filmes baseados em extraordinárias histórias sociais em quadrinhos, Demolidor (2003) e Motoqueiro Fantasma (2007), assim como o filme Simon Birch (1998). É uma forma de arte que conjuga texto e imagens com o objetivo de narrar histórias dos mais variados gêneros e estilos, geralmente publicadas no formato de revistas, livros ou em tiras veiculadas dentro de revistas e jornais. Steven Johnson também escreveu a história do filme Christopher Robin (2018) e dirigiu o filme da Netflix Love, Guaranteed (2020). Mais recentemente Johnson escreveu e dirigiu Love in the Villa também para a Netflix. É estrelado por Kat Graham, Tom Hopper e Raymond Ablack. Julie Hutton segue seu sonho de visitar a romântica Verona, na Itália, logo após um término, apenas para descobrir que sua vila está com reservas duplicadas, então ela tem que dividi-la com um britânico aparentemente cínico. O filme foi lançado na Netflix em 1º de setembro de 2022.

            Love in the Villa é um filme de comédia romântica norte-americano de 2022, escrito, dirigido e produzido por Mark Steven Johnson. É estrelado por Kat Graham, Tom Hopper e Raymond Ablack. Julie Hutton segue seu sonho de visitar a romântica Verona, na Itália, logo após um término, apenas para descobrir que sua vila está com reservas duplicadas, então ela tem que dividi-la com um britânico cínico. Historicamente entre os séculos XIII e XIV, a cidade foi governada pela família della Scala. Sob o governo da família, em particular de Cangrande I della Scala, a cidade experimentou grande prosperidade, tornando-se rica e poderosa e sendo cercada por novas muralhas. A Era della Scala é preservada em vários monumentos ao redor de Verona. Duas das peças de William Shakespeare (1564-1616) se passam em Verona: Romeu e Julieta que também apresenta a visita de Romeu a Mântua e Os Dois Cavalheiros de Verona. Não se sabe se Shakespeare já visitou Verona ou a Itália, mas suas peças atraíram muitos visitantes para Verona e cidades vizinhas. Verona também foi o local de nascimento de Isotta Nogarola (1418-1466), que é considerada a primeira grande humanista feminina da história social e uma das mais importantes humanistas do Renascimento. Em novembro de 2000, a cidade foi declarada Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), uma agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU) fundada em 1946 para promover a paz através da colaboração internacional em educação, ciência, cultura e comunicação, estabelecendo normas e protegendo o patrimônio cultural e natural para um futuro mais equitativo e pacífico por causa de sua estrutura urbana e arquitetura.

       William Shakespeare nasceu e foi criado em Stratford-upon-Avon, chamada na Era elizabetana, época especialmente estimulante para os artistas. Aos 18 anos casou-se com Anne Hathaway, com quem teve três filhos: Susanna e os gêmeos Hamnet e Judith. Entre 1585 e 1592 William começou uma carreira bem-sucedida em Londres como ator, escritor e um dos proprietários da companhia de teatro chamada Lord Chamberlain`s Men, mais tarde reconhecida como King`s Men. Acredita-se que ele tenha retornado a Stratford em torno de 1613 morrendo três anos depois. Restaram poucos registros da vida privada de Shakespeare, e existem muitas especulações sobre assuntos como a sua aparência física, sexualidade, crenças religiosas, e se algumas das obras que lhe são atribuídas teriam sido escritas por outros autores. Shakespeare produziu a maior parte de sua obra entre 1590 e 1613. Suas primeiras peças eram principalmente comédias e obras baseadas em eventos e personagens históricos, gêneros que ele levou ao ápice da sofisticação e do talento artístico ao fim do século XVI. A partir de então escreveu apenas tragédias até por volta década de 1606, Rei Lear, incluindo Hamlet (1623), e Macbeth (1623), consideradas algumas das obras literárias mais importantes na língua inglesa.  Na sua última fase literária produtiva, escreveu um conjunto de peças classificadas como tragicomédias ou romances, e colaborou com outros dramaturgos. Diversas peças foram publicadas, em edições com variados graus de qualidade e precisão durante sua vida. Em 1623, John Heminges e Henry Condell, dois atores amigos de Shakespeare, publicaram o First Folio, uma coletânea das obras dramáticas que incluía quase todas as peças reconhecidas como de sua autoria. Shakespeare foi um poeta e dramaturgo respeitado em sua própria época, mas sua reputação só viria a atingir o nível em que se encontra no século XIX.                                      


Os românticos, especialmente, aclamaram a genialidade de Shakespeare, e os vitorianos idolatraram-no como um herói, com uma reverência que George Bernard Shaw (1856-1950) chamava de bardolatria tendo como significado o culto excessivo, adoração ou veneração a poetas ou autores. No século XX sua obra foi adotada e redescoberta repetidamente por novos movimentos, tanto na academia quanto na performance. Suas peças permanecem muito populares, são estudadas, encenadas e reinterpretadas constantemente, em diversos contextos culturais e políticos no mundo globalizado. A professora da terceira série Julie Hutton é fascinada por Verona, cenário de Romeu e Julieta, de William Shakespeare. Na tentativa de explicar por que está tão animada com a viagem, ela tenta, sem sucesso, expor seus alunos à história de amor centenária. Julie repassa detalhadamente o itinerário que planejou para a tão esperada viagem a Verona com seu namorado Brandon, com quem está casada há quatro anos. Arrasado, ele termina abruptamente o relacionamento. Julie, então, se vê viajando sozinha para o que esperava ser uma semana de romance. Após um voo desconfortável na classe econômica, suas malas são perdidas e ela tem uma corrida estressante de táxi com a Uberto. Ao chegar à vila, Julie descobre que ela foi reservada duas vezes, pois havia sido anunciada em dois sites diferentes de compartilhamento de apartamentos. O proprietário, Silvio, sugere que ela divida o lugar com Charlie, o outro inquilino e especialista em vinhos, já que a feira europeia que anualmente de vinhos Vinitaly está monopolizando a disponibilidade de acomodações. Ele descarta isso como se fosse o destino deles. Julie se apressa para seguir seu roteiro lotado, mas logo é forçada a abandoná-lo. 

Desanimada, ela retorna à vila e descobre que Charlie leu seu diário pessoal. Ele compara voltar para uma “ex” a vestir uma calcinha suja depois do banho. Julie desliga na cara de Brandon. Charlie explica seu trabalho com uma importadora de vinhos do Reino Unido, na qual precisa obter direitos de exclusividade sobre vinhos a preços baixos para maximizar seus lucros. Logo depois, Julie descobre suas alergias extremas quando gatos de rua entram em grande número ao quebrar uma janela. Quando ela reclama dele ao telefone com seu amigo Rob, ele sugere que ela o expulse. Julie compra muitas azeitonas verdes, um conhecido atrativo para gatos, envolve Charlie com elas e abre a janela. Ele acorda coberto de vergões e dor, e imediatamente “declara guerra” contra ela. Ao sair do apartamento, Charlie encontra as malas dela sendo entregues pela companhia aérea. Ele as devolve, dizendo que ela estava internada em uma instituição e quer que sejam doadas. Julia se vinga trocando as fechaduras e, em seguida, entra em contato com a polícia para denunciar Charlie como ladrão. Após ser libertado da prisão, ele volta ainda mais furioso. Ele cria um santuário público com trechos do diário de Julie sobre seu término com Brandon. Charlie faz uma trégua e se oferece para compartilhar uma refeição com ela. Ele prepara pastissada de caval, um prato típico de Verona. Quando Julie descobre que é de cavalo, eles acabam em uma “guerra de comida”. A polícia é acionada quando a comoção chega à praça abaixo. Avisado de que poderá passar a noite na prisão se perturbar a paz novamente, Charlie pede desculpas a Julia. 

Ele admite que substituiu o cavalo por cogumelos portobello, e eles passam a noite se embebedando com vinho. Caminhando pela cidade, Julie faz um pedido na Fontana Madonna Verona e, em seguida, leva-os à estátua de bronze de Julieta, onde ambos fazem seus pedidos. No dia seguinte, ela leva Charlie para o passeio de Julieta, para que ele possa vê-la com os olhos de um romântico. Julie revela que seus pais excessivamente românticos a levaram a estabelecer padrões elevados; ele explica que cresceu com quatro irmãos e sem mãe. Naquela noite, no evento da Vinitalia, Julie conta a Carlo Caruso como seu vinho é maravilhoso, bloqueando inadvertidamente a oferta da empresa de Charlie. Charlie a convida para dançar e eles quase se beijam. Ao retornar à vila, sua noiva Cassie está lá para surpreendê-lo, o que o deixa surpreso, pois estavam de folga. Brandon aparece de manhã. À noite, ele e Julie acabam sendo convidados para dividir uma mesa com Cassie e Charlie. Julie fica muito bêbada e eles vão embora. Charlie termina com Cassie, segue os outros e, inadvertidamente, vê Brandon pedi-la em casamento. Charlie não percebe a rejeição de Julie. Silvio convence Charlie a procurar Julie. Quando ele o faz, ambos percebem que se apaixonaram.

            A obra de Isotta Nogarola atesta a sua extraordinária erudição, as suas capacidades literárias e a profundidade do seu pensamento, tendo imposto um modelo que seria seguido pelas mulheres letradas que nos séculos seguintes se debateram para poder expressar as suas ideias. Na sua obra mais reconhecida, “De pari aut impari Evae atque Adae peccato” (1451), ou “Diálogo sobre Adão e Eva”, ela discute o “mito de Eva”, ou o “mito do pecado original”, inaugurando um debate filosófico que se arrastou durante vários séculos na Europa a respeito do gênero e da natureza da mulher. Os rapazes estudavam as disciplinas do movimento que viria a ser conhecido como o humanismo, que começou em Florença no século XIV, e se espalhou pela Itália, e que constituía o estilo de aprendizagem clássica seguido pelas famílias nobres. Ao focar os seus interesses nas culturas romana e grega clássicas, os eruditos acreditavam que a educação humanística produziria pessoas mais capacitadas e uma melhor compreensão do conhecimento. As escolas estavam preparadas para ensinar poesia, gramática, retórica, história e filosofia moral, o que ajudaria qualquer jovem no seu futuro político. Um verdadeiro humanista costumava escrever cartas para um grupo já respeitado e reconhecido, e esperar por uma resposta. Se a resposta trouxesse apoio e louvor ao aprendiz em potencial, essa notícia iria se espalhar, ganhando terreno para a construção da sua carreira. 

Muitas das famílias mais poderosas providenciavam para que as suas filhas recebessem igualmente a mesma educação literária e filosófica que era dada aos rapazes que estudavam as disciplinas do movimento que viria a ser reconhecido como o humanismo, que começou em Florença no século XIV, e se espalhou extraordinariamente pela Itália, e que constituía o estilo de aprendizagem clássica seguido pelas famílias nobres. Ao centralizar os seus interesses nas culturas romana e grega clássicas, os eruditos acreditavam que a educação humanística produziria pessoas decerto mais capacitadas e uma melhor compreensão do conhecimento em torno da existência humana. As escolas estavam preparadas para ensinar poesia, gramática, retórica, história e filosofia moral, o que ajudaria qualquer jovem ao investimento no seu futuro político. Um verdadeiro humanista costumava escrever cartas para um grupo já respeitado e reconhecido, e esperar por uma resposta. Se a resposta trouxesse apoio e louvor ao aprendiz em potencial, essa notícia iria se espalhar, ganhando terreno para a construção da sua carreira. Muitas das famílias mais poderosas providenciavam para que as suas filhas recebessem igualmente a mesma educação literária e filosófica que era dada aos rapazes. Isotta Nogarola nasceu no seio de uma família nobre de Verona, que partilhava um interesse comum pela cultura e que mantinha uma forte tradição de educação das suas filhas, tendo produzido mulheres letradas ao longo de várias gerações. Ângela Nogarola (1360-1420), irmã do pai de Isotta, Leonardo, foi uma poetisa com alguma notoriedade. Isotta Nogarola teve dez irmãos, sete dos quais sobreviveram à idade adulta. Durante a sua vida, a Itália passava pelo Renascimento do século XV. Uma nova forma de apreciar a arte, a educação e o enriquecimento da cultura sombreavam, ipso facto, a cultura italiana. Politicamente, a Itália estava dividida entre cidades-estados governadas por famílias extremamente ricas e Gênova, Florença e Veneza são alguns exemplos.

É próprio da concepção de teoria per se admitir a crítica externa, conforme as regras aceita pela continuidade que cuida, suscita e critica as teorias. O campo de existência das teorias é recente e frágil. Constituiu-se pela primeira vez há vinte séculos em Atenas, onde a instauração da filosofia abriu uma esfera livre de debate de ideias sem sanção, exclusão, nem liquidação dos participantes. Depois, a ciência europeia criou o seu próprio campo, onde toda teoria deve obedecer às regras empíricas, regras lógicas limitadoras e aceitar a verificabilidade que poderiam desmenti-las. Um sistema de ideias permanece teoria enquanto aceita a regra do jogo competitivo e crítico, enquanto manifesta maleabilidade interna: capacidade de adaptação e modificação na articulação entre seus subsistemas, assim como a possibilidade de abandonar um subsistema e de substituí-los por outro. Uma teoria é capaz de modificar as suas variáveis que se definem nos termos do seu sistema de pensamento. Em consequência, as características fechadas dela são contrabalanceadas pela busca de concordância entre a coerência e dos dados que evidencia: é isso que constitui a racionalidade. Depende da interpretação daqueles que habitam o mundo onde se aplica. A teoria sobrevive das trocas simbólicas, linguísticas e científicas com o mundo real da imaginação humana. Enquanto teoria metaboliza o real para sobreviver. O tipo aberto é ligado às regras pluralísticas estruturais que alimenta.

As esferas filosófica e científica são de existência democrática em geral para as teorias da sociedade. Dizer concepção de abertura teórica necessita de condições externas favoráveis significa dizer que todas as formas de sistema de ideias tendem a fechar-se por si mesmo. O dogmatismo e a ortodoxia não são tendências naturais, contrabalançadas somente por condições sociais exteriores. Racionalidade e racionalização têm um mesmo tronco comum, a busca de coerência. Mas, enquanto a racionalidade está aberta ao que resiste à lógica e mantém o diálogo com o real, a racionalização integra à força o real na lógica do sistema e crê, então, possuí-lo. Essa tendência racionalizadora equivale aqui à profunda tendência idealista de todo sistema de ideias a absorver a realidade que nomeia, designa, descreve, explica. Sob certo ponto de vista noológico, os sistemas de ideias não se alimentam somente de energias e paixões humanas, evidenciadas pela tradição do empirismo lógico. Ipso facto no âmbito da formação da complexidade centrifugam e esvaziam o real que evidenciam. Desvelando as “leis” que governam o mundo, as teorias da ciência aspiram à soberania dessas leis. 

A inveterada tendência a tomar o mapa pelo território, a palavra pela coisa, a ideia pela realidade, depende do espírito humano, de sua aptidão crítica e autocrítica, favorecida pelas situações culturais pluralistas e abertas. O “remédio” só pode estar na abertura do sistema, o qual depende da abertura do espírito humano. A partir do ideário do Renascimento, o mundo é requestionado (cf. Hale, 2003); depois que Cristóvão Colombo (1451-1506) do chão aumentou a Terra e Copérnico e Galileu diminuíram-na no céu. Deus é requestionado, assim como o homem; a interdependência dessas reflexões determina uma problematização generalizada, de fato alongada. A perda dos antigos fundamentos de inteligibilidade e de crença suscita a procura incessante de novos fundamentos e a formação ininterrupta de novos sistemas filosóficos, os quais levantam mais questões do que fornecem respostas, o que relança em constante permanência a busca. E, assim, a noosfera filosófica europeia desenvolve-se com uma intensidade prodigiosa apresentando duas faces opostas e atreladas: de um lado, uma atividade critica, que já não se exerce apenas, nem principalmente, sobre a religião, mas sobre os próprios sistemas racionais (racionalizadores), sobre as ideias dominantes, os princípios, os fundamentos; por outro lado, a elaboração ininterrupta de sistemas, até o maior de todos, Friedrich  Hegel; a partir dele a história da filosofia será um corpo a corpo sem tréguas entre o pensamento antissistemático. A cultura serve como laboratório noológico, onde se pode poder observar a formação, o florescimento dos sistemas, seus conflitos, suas simbioses, suas trocas, suas corrupções, suas escleroses, as suas mutações, os seus rejuvenescimentos, mas também as suas agonias.

Na história social e da técnica do Renascimento não existia o que se poderia chamar de “economia italiana”. Havia muitas economias, algumas diversas de âmbito regional e outras de âmbito internacional, localizadas todas elas na unidade geográfica e espacial da península. Duas cidades à beira de rios e duas às margens dos mares, Milão e Florença, Genova e Veneza, formavam o quadrilátero da prosperidade da Itália durante a Renascença. Nenhuma delas possuía população superior a 100 mil habitantes. Mas, em contrapartida, tinham energia e disposição suficiente para capitanear a liderança econômica da península, como tino para estenderem seus interesses tanto para o coração da Europa em direção às cidades alemãs, francesas a flamengas como para Constantinopla e o restante do Levante. Dedicavam-se como atividade econômica ao comércio de luxo: seda, brocados, âmbar, especiarias, ouro e prata, como às atividades que atendiam o consumo cotidiano, como têxteis, tendo em vista que em Florença, além da Casa dos Médici (cf. Abreu e Lima, 2012), foi um poderoso centro lanífero. Veneza também acolheu uma formidável indústria naval para dar sustento ao seu império de comunicação marítimo que se estendia pelas ilhas gregas e alcançava vários portos do mar Negro. A comunicação marítima gerou uma burguesia pródiga, sequiosa de ostentar posição de mando e desejosa de preservar-se através da cultura e do patrocínio das artes.

A competição entre as diversas cidades fez a glória dos artistas de seu tempo histórico e social, muitos deles foram cobiçados por várias cortes que os prodigalizavam com recursos monetários, promoção e prestígio. Não por acaso, em geografia urbana, hinterlândia corresponde a uma área geográfica que pode se tratar de um município ou um conjunto de municípios servida por um porto e a este conectada por uma rede de transportes, através da qual recebe e envia mercadorias ou passageiros do porto ou para o porto. Trata-se, portanto, da área de influência pragmático de uma cidade portuária que, por concentrar significativa atividade econômica, pode engendrar uma rede urbana, constituída por centros urbanos menores. Posteriormente, o conceito passou a ser utilizado também no caso de cidades não portuárias que são “cabeças-de-rede”. O termo pode ser aplicado à área que circunda um centro de comércio, ou de setor de serviços e da qual provêm os seus clientes. O conceito foi aplicado à área de ex-colônias na África, apesar de não serem parte da colônia, eram por ela influenciadas. A mãe de Isotta, Bianca Borromeo, viúva e iletrada, pois seu marido havia morrido entre os anos 1425 e 1433, providenciou para que ela e as suas irmãs Ginevra e Laura tivessem uma boa educação, tendo aprendido latim e grego numa idade precoce, primeiro sob a orientação de Matteo Bosso e mais tarde de Martino Rizzoni (1404-1488), um dos mais brilhantes alunos de Guarino da Verona (1370-1460), sendo um dos mais respeitados poetas, humanistas e pensadores italianos.

 Nogarola e suas irmãs tiveram praticamente a mesma educação que um rapaz de uma família abastada teria recebido, com exceção da retórica, que era considerada irrelevante para a aprendizagem de uma mulher, pois supostamente ela nunca teria oportunidade de falar em público. Isotta e a sua irmã mais velha Ginevra Nogarola (1417-1464) tornaram-se suficientemente competentes nos Studia Humanitatis para que a sua reputação social se difundisse pela região e elas começassem a se corresponder em latim clássico com outros intelectuais. Isotta demonstrou ser uma estudante extremamente hábil, tendo criado obras literárias que começaram a conquistar reconhecimento por toda a região. Aos dezoito anos já era famosa. A sua eloquência em Latim era muito respeitada, e a sua fama não provinha apenas do grande volume de conhecimentos que ela parecia possuir, mas também da inovação do seu gênero. Em 1437, ela escreveu uma carta para Guarino de Verona o qual deixou a carta sem resposta, humilhando-a publicamente. Meses mais tarde Isotta decide enviar uma segunda carta queixando-se da sua falta de resposta que a tinha coberto de ridículo: “Toda a cidade se ri de mim, o meu gênero troça de mim, em nenhum lugar tenho um refúgio seguro, os burros [mulheres] mordem-me, os touros [homens] investem sobre mim com os seus cornos”, suplicando a sua ajuda para recuperar a reputação perdida, pondo cobro às “Scelestae linguae que me chamam torre de audácia e dizem que deveria ser enviada para os confins da terra pela minha ousadia”. E “já existem tantas mulheres no mundo”, lamentava-se, “por que então nascer mulher para ser desprezada pelos homens, tanto em palavras como por atos”. A resposta a segunda carta foi prontamente recebida. Na sua missiva, escrita em tom paternalista, Guarino aconselhava-a a ser forte em face dos ataques, mas também a abandonar uma atividade que não era adequada para o seu sexo e a casar-se. Segundo Veronese, Isotta deveria dissociar-se do seu sexo e cultivar a sua alma masculina – “tornar-se um homem” – para atingir os seus objetivos e ser estimada pelos homens, podendo assim participar no mundo acadêmico masculino.

Os detalhes precisos da história inicial de Verona permanecem um mistério, assim como a origem do seu nome. Uma teoria é que era uma cidade dos Euganei, que foram obrigados a cedê-la aos Cenomanos (550 a.C.). Com a conquista do Vale do Pó, o território veronês tornou-se romano por volta de 300 a.C. Verona tornou-se uma colônia romana em 89 a.C. Foi classificada como município em 49 a.C., quando seus cidadãos foram atribuídos à tribo romana Poblilia ou Publicia. A cidade tornou-se importante porque estava na intersecção de várias estradas. Estilicão, um comandante militar do exército romano, derrotou Alarico e seus visigodos aqui em 402. Mais tarde, Verona foi conquistada pelos ostrogodos em 489, e a dominação gótica da Itália começou. Diz-se que Teodorico, o Grande, construiu um palácio lá. Permaneceu sob o poder dos godos durante toda a Guerra Gótica (535–552), exceto por um único dia em 541, quando o oficial bizantino Artabazes fez uma entrada. As deserções dos generais bizantinos sobre o saque tornaram possível para os godos recuperarem a posse da cidade. Em 552, os romanos sob o general Valeriano tentaram em vão entrar na cidade, mas foi somente quando os godos foram totalmente derrubados que eles politicamente a renderam.

Em 569, foi tomada por Alboíno, rei dos lombardos, em cujo reino era, em certo sentido, a segunda cidade mais importante. Lá, Alboíno foi “morto por seu próprio povo com a conivência de sua esposa” em 572. Os duques de Treviso frequentemente residiam lá. Adalgiso, filho de Desidério, em 774 fez sua última resistência em Verona a Carlos Magno, que havia destruído o reino lombardo. Verona se tornou a residência ordinária dos reis da Itália, o governo da cidade se tornando hereditário na família do conde Milo, progenitor dos condes de São Bonifácio. De 880 a 951, os dois Berengários residiram lá. Sob o domínio do Sacro Império Romano e da Áustria, Verona era alternativamente conhecida em alemão como Berna, Welsch-Bern ou Dietrichsbern. Otto I cedeu a Verona o marquesado dependente do Ducado da Baviera, no entanto, a crescente riqueza das famílias burguesas eclipsou o poder dos condes e, em 1135, Verona foi organizada como uma comuna livre. Em 1164, Verona se juntou a Vicenza, Pádua e Treviso para criar a Liga Veronesa, que foi integrada à Liga Lombarda em 1167 para lutar contra Frederico I Barbarossa. A vitória foi alcançada na Batalha de Legnano em 1176, e o Tratado de Veneza foi assinado em 1177, seguido pela Paz de Constança em 1183.

Quando Ezzelino III da Romano foi eleito podestà em 1226, converteu o cargo público em um senhorio permanente. Em 1257, causou o massacre de 11 mil paduanos na planície de Verona (Campi di Verona).  Após sua morte, o Grande Conselho elegeu Mastino I della Scala como podestà, e ele converteu a “signoria” extraordinariamene em posse familiar, embora deixando aos burgueses uma participação no governo. Não conseguindo ser reeleito podestà em 1262, efetuou um golpe de estado e foi aclamado Capitano del Popolo, com o comando das tropas comunais. Longas discórdias internas ocorreram antes que ele conseguisse estabelecer este novo cargo, ao qual estava anexada a função de confirmar o podestà. Em 1277, Mastino della Scala foi morto pela facção dos nobres. O reinado de seu filho Alberto della Scala como capitano (1277–1302) foi um período de guerra incessante contra os condes de San Bonifacio, que foram auxiliados pela Casa de Este. De seus filhos, Bartolomeo, Alboino e Cangrande I della Scala (1291–1329), apenas o último compartilhou o governo (1308); ele foi grande como guerreiro, príncipe e patrono das artes; ele protegeu Dante, Petrarca e Giotto. Por guerra ou tratado, ele trouxe sob seu controle as cidades de Treviso (1308), Vicenza (1311) e Pádua (1328). Naquela época, antes da Peste Negra, a cidade abrigava mais de 40 mil pessoas. Cangrande foi sucedido por Mastino II (1329–1351) e Alberto, filhos de Alboino. Mastino continuou a política de seu tio, conquistando Bréscia em 1332 e levando seu poder além do Míncio. 

Ele comprou Parma (1335) e Lucca (1339). Depois do Rei da França, ele foi o príncipe mais rico de seu tempo. Uma poderosa liga foi formada contra ele em 1337 – Florença, Veneza, os Visconti, os Este e os Gonzaga. Após uma guerra de três anos, os domínios dos Scaliger foram reduzidos a Verona e Vicenza (a filha de Mastino, Regina-Beatrice della Scala, casou-se com Barnabé Visconti). O filho de Mastino, Cangrande II (1351–1359), era um tirano cruel, dissoluto e desconfiado; não confiando em seus próprios súditos, ele se cercou de mercenários brandenburgianos. Ele foi morto por seu irmão Cansignorio (1359-1375), que embelezou a cidade com palácios, dotou-a de aquedutos e pontes e fundou o tesouro do estado. Ele também matou seu outro irmão, Paolo Alboino. O fratricídio parece ter se tornado um costume familiar, pois Antônio (1375-1387), irmão biológico de Cansignorio, assassinou seu irmão Bartolomeu, despertando assim a indignação do povo, que o abandonou quando Gian Galeazzo Visconti, de Milão, o guerreou. Tendo esgotado todos os seus recursos, ele fugiu de Verona à meia-noite de 19 de outubro de 1387, pondo fim à dominação scaligeriana, que, no entanto, sobreviveu em seus monumentos. O ano de 1387 é o ano da Batalha de Castagnaro, travada entre Giovanni Ordelaffi, de Verona, e John Hawkwood, de Pádua. Este último saiu vitorioso. O filho de Antônio, Canfrancesco, tentou em vão recuperar Verona (1390). Guglielmo (1404), filho natural de Cangrande II, teve mais sorte; com o apoio do povo e dos Carraresi, expulsou os milaneses, mas morreu dez dias depois. Após um período de domínio Carrese, Verona submeteu-se a Veneza (1405).

Os últimos representantes dos Scaligeri viveram na corte imperial e tentaram repetidamente recuperar Verona com a ajuda de revoltas populares. De 1508 a 1517, a cidade esteve sob o poder do Imperador Maximiliano I. Houve numerosos surtos de peste e, em 1629-1633, a Itália foi atingida pelo seu pior surto dos tempos modernos. Cerca de 33 mil pessoas morreram em Verona mais de 60% da população em 1630-1631. Em 1776, um método de toque de sinos foi desenvolvido, chamado de arte de toque de sinos veronesa. Verona foi ocupada por Napoleão em 1797, mas na segunda-feira de Páscoa a população se revoltou e expulsou os franceses. Foi então que Napoleão pôs fim à República de Veneza. Verona tornou-se território austríaco quando Napoleão assinou o Tratado de Campo Formio em outubro de 1797. Os austríacos assumiram o controle da cidade em 18 de janeiro de 1798. Ela foi tomada da Áustria pelo Tratado de Pressburg em 1805 e tornou-se parte do Reino da Itália de Napoleão, mas foi devolvida à Áustria após a derrota de Napoleão em 1814, quando se tornou parte do Reino da Lombardia-Veneza, controlado pela Áustria. 

O Congresso de Verona, que se reuniu em 20 de outubro de 1822, fez parte de uma série de conferências ou congressos internacionais, iniciados com o Congresso de Viena em 1814-1815, que marcaram a continuação da aplicação do “Concerto da Europa”. Após a Terceira Guerra da Independência Italiana (1866), Verona, juntamente com o resto de Vêneto, tornou-se parte de uma Itália unida. Após a 2ª Guerra Mundial (1939-1945), com a adesão da Itália à Organização do Tratado Atlântico Norte (OTAN), Verona recuperou sua importância estratégica, devido à sua proximidade geográfica com a Cortina de Ferro. A cidade tornou-se sede das Forças Terrestres Aliadas do Sul da Europa e teve, durante toda a chamada Guerra Fria, uma forte presença militar, especialmente americana, que diminuiu desde então. (1947-1991) foi um período de tensão político-ideológica entre os blocos capitalista e comunista, liderados pelos Estados Unidos da América e pela União Soviética, respetivamente. Não houve confronto bélico direto entre as duas superpotências, mas ideológico, devido à ameaça nuclear, mas sim conflitos indiretos, corridas armamentista e espacial, espionagem e a criação de alianças militares como a Organização do Tratado Atlântico Norte e o Pacto de Varsóvia (1955). O conflito terminou, levando à predominância do capitalismo. As características da Guerra Fria foram: conflito ideológico e geopolítico entre o capitalismo, defendido pelos EUA, e o comunismo, apoiado pela URSS. 

O mundo foi dividido em dois grandes blocos político-ideológicos, cada um liderado por uma das superpotências, e cada bloco defendia a sua visão política e económica. Ausência de Confronto Direto: A ameaça de uma guerra nuclear impediu um conflito direto entre os EUA e a URSS, o que deu origem ao nome Fria. Alianças Militares: Foram formadas a OTAN, liderada pelos EUA, e o Pacto de Varsóvia, liderado pela URSS, para garantir a proteção mútua dos países membros. Corrida Armamentista e Espacial: As superpotências competiram para desenvolver novas armas e tecnologias, culminando numa corrida pelo domínio do espaço, incluindo a chegada do homem à Lua. Conflitos Indiretos: Os Estados Unidos da América e a União das Repúblicas Socialista Soviética apoiaram lados opostos em guerras como a da Coreia e a do Vietname, além de influenciarem a política e a economia de diversos países. Espionagem e Propaganda: A espionagem era uma ferramenta importante, e a propaganda era utilizada politicamente para desqualificar um sistema e promover o outro. Queda do Muro de Berlim: O Muro, símbolo da divisão entre o leste e o oeste da Europa, caiu em 1989, abrindo caminho para a reunificação da Alemanha e o fim da divisão de blocos. Colapso da União Soviética: Em 1991, a União Soviética desintegrou-se, marcando o fim definitivo da Guerra Fria e o fim da ordem geopolítica bipolar. Predomínio do Capitalismo: Com o fim da URSS, o sistema capitalista tornou-se o sistema hegemónico em grande parte do mundo contemporâneo.

Bibliografia Geral Consultada,

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