segunda-feira, 4 de março de 2024

Amyr Klink – Expedições Marítmas & Domínio Técnico de Navegação.

                                                                                    Pior que não terminar uma viagem é nunca partir”. Amyr Klink

          O navegador brasileiro Amyr Klink há 30 anos completava a travessia de 100 dias que deu origem ao best-seller: Cem Dias entre Céu e Mar. Foi a primeira e única travessia de Amyr Klink a remo no Oceano Atlântico. Mas, seguindo-se critérios tanto culturais, sociais e políticos, costuma-se considerar conceitualmente como continentes a Europa, a Ásia, a África, a América, a Antártida e a Oceania. O chamado Velho Mundo é constituído pelos mesmos três continentes que constituem a Eufrásia: Europa, Ásia e África. Essa classificação técnico-metodológica é baseada numa afirmação concreta de especialistas renomados de que as três massas terrestres se unem histórica e geograficamente: Ásia e Europa (Eurásia), cujos acidentes geográficos que ligam os continentes são o Cáucaso, o mar Cáspio e a cordilheira dos Urais, no momento em que a África e a Ásia são comunicadas geograficamente per se pelo istmo do Suez que separa o mar Mediterrâneo do mar Vermelho, ligando os continentes africano e Asiático, no qual foi construído o canal do Suez. Uma via navegável artificial a nível do mar localizada no Egito, entre o mar Mediterrâneo e o mar Vermelho (golfo de Suez). Inaugurado em 17 de novembro de 1869, após 10 anos de construção, permite que navios viajem entre a Europa e a Ásia Meridional sem navegar em torno de África, como na ruptura epistemológica da chamada Era dos Descobrimentos que propugna como démarche os anos 1497-1500, reduzindo a distância da viagem marítima entre o continente europeu e a Índia em cerca de 7 mil km. 

      A história registra que todas as motivações tanto sociológicas como psicológicas, propostas para fazer compreender as estruturas e gênese do simbolismo erram muitas vezes por uma secreta e estreita metafísica: umas porque querem reduzir o processo humano motivador a um sistema de elementos exteriores à representação da consciência e exclusiva das pulsões, as outras porque se atêm exclusivamente a pulsões, ou, ao mecanismo redutor da censura e ao seu produto, que em geral na psicologia é o reconhecido pela mediação do recalcamentoA chamada Era dos Descobrimentos ou das Grandes Navegações é a designação dada ao período da história econômica que decorreu entre o século XV e o início do século XVII, durante o qual, inicialmente, portugueses, depois espanhóis e, posteriormente, alguns países europeus exploraram intensivamente o globo terrestre em busca de novas rotas de comércio. Os historiadores geralmente referem-se à “Era dos descobrimentos como as explorações marítimas pioneiras realizadas por portugueses e espanhóis entre os séculos XV e XVI, que estabeleceram relações com a África, América e Ásia, em busca de uma rota alternativa para as Índias, movidos pelo comércio de ouro, prata e especiarias. Estas explorações no Atlântico e Índico foram seguidas por outros países da Europa, como França, Inglaterra e Países Baixos, que exploraram as rotas comerciais portuguesas e espanholas até ao oceano Pacífico, chegando à Austrália em 1606 e à Nova Zelândia em 1642. A exploração europeia perdurou até realizar o mapeamento global do mundo, resultando numa nova divisão mundial, e no contato entre civilizações distantes, alcançando as fronteiras mais remotas no decorrer da história já no século XX.

Historicamente marcou a passagem do feudalismo da Idade Média para a Idade Moderna, com a ascensão das nacionalidades dos estados-nação europeus. Durante este processo, os europeus encontraram e documentaram povos e terras nunca antes vistas. Juntamente com o Renascimento e a ascensão do humanismo, foi um importante motor para o início da modernidade, estimulando a pesquisa científica e intelectual. A expansão europeia no exterior levou ao surgimento dos impérios coloniais, com o contato entre o Velho e o Novo Mundo a produzir o chamado “intercâmbio colombiano” (Columbian Exchange), que envolveu a transferência de plantas, animais, alimentos e populações humanas (incluindo sobretudo os escravos), doenças transmissíveis e culturas entre os hemisférios ocidental e oriental, num dos mais significativos eventos globais da ecologia, agricultura e cultura da história. Entre eles destacam-se Cristóvão Colombo (1451-1506), pela descoberta da América, Vasco da Gama, pela descoberta do marítima para a Índia, Vicente Yáñez Pinzón (1462-1514), um navegador e explorador espanhol. O globo terrestre é composto de terra e mar. Apesar de haver em torno de 210 países espalhados pelos cinco continentes, nem todos eles ficam atrelado ao continente. Trata-se de grandes massas de terras que são separadas fisicamente pelos oceanos. A origem etimológica do nome (cf. Ginzburg, 1979) continente é derivada das palavras latinas continens e entis, que estando no particípio presente de continere, significa “conter, abranger”, verbo oriundo de “cum, con e tenere”, tendo como representação sociológica o significado de ter. 

 

Esta é a fonte do eruditismo em cinco línguas reais europeias: em língua portuguesa, espanhola e italiana, continente (século XV); em língua inglesa continent (século XIV); o vocábulo inglês continent é uma palavra que foi tomada de empréstimo do vocábulo francês continent (século XII). Na acepção geograficamente que se considera na ciência, quer dizer nos substantivos das quatro línguas europeias têm o mesmo significado: em português, espanhol e italiano, continente (século XVI); em francês, continent (1532); em inglês, continent (1590); e em língua alemã Kontinent (entre os séculos XVI e XVII). O vocábulo português e espanhol continente foi documentado na história social entre os séculos XII e XIV, significado “gesto, atitude, parte”, cujo sentido é conjunto da produção daquilo que é a vivência. De acordo com a divisão do trabalho social, existem seis principais continentes no globo terrestre: América, Europa, África, Ásia, Oceania e a Antártida. Alguns territórios de nações se encontram em unidade, ou separadamente por água com formato de ilhas. Há regiões na extensão de país: a de país arquipélago e a de país continental.  Os países continentais em área de terra espaçosa têm uma área de água na fronteira ao mar largo e fronteiras terrestres com inúmeros países. 

O país arquipélago tem inúmeras ilhas, águas territoriais mais amplas, e muitas vezes sem fronteiras terrestres com países vizinhos. Uma identidade compartilhada se desenvolveu definida por uma cultura nacional, diversidade étnica, pluralismo religioso dentro de uma população de maioria muçulmana, e uma história de colonialismo, rebelião e golpes de Estado. O conceito que os geógrafos usam para definir massa continental pode variar segundo os critérios que adotam, podendo ser físicos, culturais, políticos ou histórico-sociais. A definição física de maior disseminação considera a divisão abstrata em sete continentes: África, América do Norte, América do Sul, Antártida, Ásia, Europa e Oceania. Esse modelo é cultural como padrão em países como China, Índia, Paquistão e em boa parte dos países de língua inglesa com larga população, o que o faz ser reconhecido o padrão utilizado por mais de 45% da população mundial. Ou seja, menos da metade (45,7%) da população mundial agora vive, se já não é um truísmo, em algum tipo de democracia, representando um declínio significativo em relação a 2020, quando o número era de 49,4%. Ainda menos (6,4%) residem em uma “democracia plena” – categoria social que inclui apenas 21 dentre 167 países e territórios analisados, depois que Chile e Espanha foram rebaixados para “democracias imperfeitas”.

Os países continentais em área de terra espaçosa têm uma área de água na fronteira ao mar largo e fronteiras terrestres com inúmeros países. O país arquipélago tem inúmeras ilhas, águas territoriais mais amplas, e muitas vezes sem fronteiras terrestres com países   vizinhos. Uma identidade compartilhada se desenvolveu definida por uma cultura nacional, diversidade étnica, pluralismo religioso dentro de uma população de maioria muçulmana, e uma história de colonialismo, rebelião e golpes de Estado. O conceito que os geógrafos usam para definir massa continental pode variar segundo os critérios que adotam, podendo ser físicosculturaispolíticos ou histórico-sociais. A definição física de maior disseminação considera a divisão abstrata em sete continentes: África, América do Norte, América do Sul, Antártida, Ásia, Europa e Oceania. Esse modelo é cultural como padrão em países como China, Índia, Paquistão e em boa parte dos países de língua inglesa com larga população, o que o faz ser reconhecido o padrão utilizado por mais de 45% da população mundial. Ou seja, menos da metade (45,7%) da população mundial agora vive em algum tipo de democracia, um declínio significativo em relação a 2020, quando o número era de 49,4%. Ainda menos (6,4%) residem em “democracia plena” – categoria social que inclui apenas 21 paíse membros dentre 167 países e territórios geralmente analisados, depois que curiosamente o Chile e Espanha foram rebaixados para “democracias imperfeitas”.

Há 30 anos, o navegador brasileiro Amyr Klink completava a travessia de cem dias que deu origem ao best-seller Cem Dias entre Céu e Mar. Foi a primeira e única travessia de Amyr Klink a remo no Oceano Atlântico. Mas, seguindo-se critérios tanto culturais como sociais e políticos, costuma-se considerar conceitualmente como continentes a Europa, a Ásia, a África, a América, a Antártida e a Oceania. O chamado Velho Mundo é constituído pelos mesmos três continentes que constituem a Eufrásia: Europa, Ásia e África. Essa classificação técnico-metodológica é baseada numa afirmação concreta de especialistas renomados de que as três massas terrestres se unem histórica e geograficamente: Ásia e Europa (Eurásia), cujos acidentes geográficos que ligam os continentes são o Cáucaso, o mar Cáspio e a cordilheira dos Urais, no momento em que a África e a Ásia são comunicadas per se pelo istmo do Suez que separa o mar Mediterrâneo do mar Vermelho, ligando os continentes africano e Asiático, no qual foi construído o canal do Suez. Uma via navegável artificial a nível do mar localizada no Egito, entre o mar Mediterrâneo e o mar Vermelho (golfo de Suez). Inaugurado em 17 de novembro de 1869, após 10 anos de construção, permite que navios viajem entre a Europa e a Ásia Meridional sem navegar em torno de África, como na ruptura epistemológica da Era dos Descobrimentos nos anos 1497-1500, reduzindo a distância da viagem marítima entre o continente europeu e a Índia em cerca de 7 mil km. 

A história registra que todas as motivações tanto sociológicas como psicológicas, propostas para fazer compreender as estruturas e gênese do simbolismo erram muitas vezes por uma secreta e estreita metafísica: umas porque querem reduzir o processo motivador a um sistema de elementos exteriores à consciência e exclusiva das pulsões, as outras porque se atêm exclusivamente a pulsões, ou, ao mecanismo redutor da censura e ao seu produto, que em geral na psicologia é o reconhecido recalcamentoO que quer dizer que implicitamente se volta a um esquema explicativo e linear no qual se descreve, se conta a epopeia dos indo-europeus ou as metamorfoses da libido, voltando a cair nesse vício fundamental da psicologia geral que é acreditar que a explicação dá inteiramente conta de um fenômeno que por natureza escapa às normas da semiologia teórica.  Para Durand (1997), parece que estudar in concreto o simbolismo imaginário será preciso enveredar resolutamente pela via da antropologia, dando a esta palavra o seu sentido pleno atual: o conjunto das ciências que estudam a espécie homo sapiens – sem se por limitações a priori e sem optar por uma ontologia psicológica que não passa de “espiritualismo camuflado”, ou “ontologia culturalista” que, geralmente, não é mais que “máscara da atitude sociologista”, ou dentre atitudes resolvendo-se em última análise num intelectualismo semiológico.  Esse trajeto é reversível; porque o meio elementar é revelador da atitude adotada diante da dureza, da fluidez da queimadura. Qualquer gesto chama a sua matéria e procura o seu utensílio, e que toda matéria excluída, abstraída do cósmico, e utensílio ou instrumento é um gesto passado.

Assim o trajeto antropológico pode indistintamente partir da cultura ou do natural psicológico, uma vez que o essencial da representação e do símbolo está contido entre dois marcos reversíveis. Uma tal posição antropológica, que não quer ignorar nada das motivações relacionais contidas nas tramas sociópetas ou sociófogas do simbolismo, leva em conta as instituições rituais, a tensão do simbolismo religioso, a poesia, a mitologia, a iconografia ou psicologia implicando uma metodologia essencial para delimitar os conteúdos de sentido desses trajetos que os símbolos constituem. É no ambiente tecnológico humano, para lembrarmos de Michel Foucault, que vamos encontrar um acordo entre os impactos sociais dominantes e o seu prolongamento ou confirmação cultural.  Em termos pavlovianos, poder-se-ia dizer que ambiente humano é o primeiro condicionamento das dominantes sensório-motoras, ou, em termos piagetianos, que o meio humano é o lugar da projeção dos esquemas de imitação. Se, como pretende o Claude Lévi-Strauss, o que é da ordem da natureza e tem por critérios a universalidade e a espontaneidade está separado do que pertence à cultura, domínio da particularidade, da relatividade e do constrangimento, não deixa de ser um acordo se realize entre a natureza e a cultura, sob pena de ver o conteúdo cultural nunca ser vivido.

  Autores notaram a extrema confusão que reina na demasiado rica terminologia do imaginário: signos, imagens, símbolos, alegorias, emblemas, arquétipos, esquemas (schémas), esquemas (schèmes), ilustrações, representações, diagramas e sinepsias são termos empregados pelos analistas do imaginário social. O esquema é uma generalização dinâmica e afetiva da imagem, constitui a factividade e a não-substantividade geral do parcours imaginário. O esquema aparenta-se ao que Piaget, na esteira de Herbert Silberer, chama “símbolo funcional” e ao que Bachelard chama de “símbolo motor”. Faz a junção ente dos gestos inconscientes da sensório-motricidade, entre as dominantes reflexas e as representações. São esses esquemas que na antropologia do imaginário formam o “esqueleto dinâmico”, o esboço funcional da imaginação. A diferença entre os gestos reflexológicos que Gilbert Durand descreve e os esquemas é que estes últimos já não são apenas engramas teóricos, mas trajetos encarnados em representações concretas mais precisas. Os gestos diferenciados em esquemas vão determinar, em contato com o ambiente natural e social, os grandes arquétipos que Jung os definiu e constituem as substantificações dos esquemas. Esta noção aparece em Jakob Burckhardt que faz dela sinônimo de “origem primordial”, de “enagrama”, de “margem original”, de “protótipo”.

Carl Jung (2000) evidencia claramente o caráter de trajeto antropológico dos arquétipos quando escreve que a imagem primordial deve incontestavelmente estar em relação com certos processos perceptíveis da natureza que se reproduzem sem cessar e são sempre ativos, mas por outro lado é igualmente indubitável que ela diz respeito também a certas condições inferiores da vida do espírito e da dinâmica da vida em geral. Bem longe de ter a razoabilidade e primazia sobre o domínio da imagem, a ideia seria tão-somente o comprometimento pragmático do arquétipo imaginário num contexto histórico e epistemológico determinado historicamente. Neste sentido, o mito representa um sistema dinâmico de símbolos, arquétipos e esquemas, sistema dinâmico que, sob o impulso de um esquema tende a compor uma narrativa. O mito é já um esboço de racionalização, dado que utiliza o fio do discurso, no qual os símbolos se resolvem em palavras e os arquétipos em ideias culturais. O mito explicita um esquema ou um grupo de esquemas. Do modo que o arquétipo promovia a ideia e que o símbolo engendrava o nome, concordamos com Gilbert Durand que o mito promove a doutrina religiosa, o sistema filosófico ou, como bem viu Émile Bréhier, a narrativa histórica e lendária. 

Foi este princípio, que Jung sentiu abrangido por seus conceitos de “Arquétipo” e “Inconsciente coletivo”, justamente o que uniu o médico psiquiatra Jung ao físico Wolfgang Pauli, dando início às pesquisas interdisciplinares em física e psicologia. Ocorre que a sincronicidade se manifesta às vezes atemporalmente e/ou em eventos energéticos acausais, e em ambos os casos são violados princípios associados ao paradigma científico vigente. As leis naturais são verdades estatísticas, absolutamente válidas ante magnitudes macrofísicas, mas não microfísicas. Isto implica um princípio de explicação diferente do causal. Cabe a indagação se em termos muito gerais existem não somente uma possibilidade senão uma realidade de acontecimentos acausais. A acausalidade é esperável quando parece impensável a causalidade. Ante a casualidade só resulta viável a avaliação numérica ou o método estatístico. As agrupações ou séries de casualidades hão de ser consideradas casuais enquanto não se ultrapasse os limites de “observação da probabilidade”. A probabilidade é sempre representada em um número decimal entre 0 e 1, ou uma porcentagem entre 0% e 100%. Se ultrapassado, implica-se um princípio acausal ou “conexão transversal de sentido” na compreensão do evento. 

  Segundo Jung (2000), a hipótese de um inconsciente coletivo pertence àquele tipo de conceito. Uma existência psíquica só pode ser reconhecida pela presença de conteúdos capazes de serem conscientizados. Só podemos falar, portanto, de um inconsciente na medida em que comprovarmos os seus conteúdos. Os conteúdos do inconsciente pessoal são principalmente os complexos de tonalidade emocional, que constituem a intimidade pessoal da vida anímica. Os conteúdos do inconsciente coletivo, por outro lado, são chamados arquétipos. O conceito abstrato de archetypus só se aplica indiretamente às représentations collectives, na medida em que a análise possibilite designar apenas aqueles conteúdos psíquicos que ainda não foram submetidos a qualquer elaboração consciente. Representam, hic et nunc, um dado anímico de observação imediato. O arquétipo difere sensivelmente da fórmula historicamente elaborada. Especialmente em níveis altos dos ensinamentos secretos, aparecem sob uma forma que revela seguramente a influência da elaboração consciente, a qual julga e avalia. Sua manifestação imediata, como a encontramos em sonhos e visões, é mais individual, incompreensível e ingênua do que nos mitos. O arquétipo representa, em essência, um conteúdo inconsciente, que se modifica através de sua conscientização e percepção, assumindo matizes que variam de acordo com a consciência individual na qual ocorre determinada manifestação.

Nosso intelecto realizou tremendas proezas enquanto desmoronava nossa morada espiritual. Estamos profundamente convencidos de que apesar dos mais modernos e potentes telescópios refletores construídos nos Estados Unidos da América, não descobriremos nenhum empíreo nas mais longínquas nebulosas; sabemos também que o nosso olhar errará desesperadamente através do determinismo vazio mortal dos espaços incomensuráveis. As coisas não melhoram quando a física matemática nos revela o mundo do infinitamente pequeno. Finalmente, desenterramos a sabedoria de todos os tempos e povos, descobrindo que tudo o que há de mais caro e precioso já foi dito na mais bela 1inguagem. Estendemos as mãos como crianças ávidas e, ao apanhá-lo, pensamos possuí-lo. No entanto, o que possuímos não tem mais validade e as mãos se cansam de reter, pois a riqueza está em toda a parte, até onde o olhar alcança. Temos, seguramente, de percorrer o caminho da água, como metáfora de poder que sempre tende a descer, se quisermos resgatar o tesouro, a preciosa herança do Pai. No hino gnóstico à alma, o Filho é enviado pelos pais à procura da pérola perdida que caíra da coroa real do Pai. Ela jaz no fundo de um poço, muito bem guardada por um dragão, na terra dos egípcios - mundo de concupiscência e embriaguez com todas as suas riquezas físicas e espirituais. O filho e herdeiro parte à procura da joia, e se esquece de si mesmo e de sua tarefa na orgia dos prazeres mundanos historicamente dos egípcios, até que uma carta do pai o lembra do seu dever. Ele põe-se então a caminho em direção à água e mergulha na profundeza sombria do poço, em cujo fundo encontra a pérola, para oferecê-la então à suprema divindade.     

O testemunho do sonho encontra uma violenta resistência por parte da mente consciente, que só reconhece o “espirito” como algo que se encontra no alto. O “espírito” parece “sempre vir de cima”, enquanto tudo o que é turvo e reprovável vem de baixo. Segundo esse modo de ver o espírito significa a máxima liberdade, um flutuar sobre os abismos, uma evasão do cárcere do mundo ctônico, por isso um refúgio para todos os pusilânimes que não querem “tornar-se” algo diverso. Mas a água é tangível e terrestre, também é o fluido do corpo dominado pelo instinto, sangue e fluxo de sangue, o odor do animal e a “corporalidade cheia de paixão”. O inconsciente é a psique que alcança, a partir da luz diurna de uma consciência espiritual, e moralmente lúcida, o sistema nervoso designado há muito tempo por “simpático”. Este não controla como o sistema cérebro espinal a percepção e a atividade muscular e através delas o ambiente; mantém, no entanto, o equilíbrio da vida sem os órgãos dos sentidos, através das vias misteriosas de excitação, que não só anunciam a natureza mais profunda de outra vida, mas também irradia sobre eia um efeito interno. Trata-se de um sistema extremamente coletivo: a base operativa de toda participation mystique, ao passo que a função cérebro-espinhal, do ponto de vista comparativamente, culmina na distinção diferenciada do Eu, e só apreende o superficial e exterior sempre por meio de sua relação com o espaço. O social capta tudo como “fora”, e o sistema simpático tudo vivência como “dentro”.

Isto é, segundo sua concepção que só deve ser justificada pela apresentação do próprio sistema, tudo decorre de entender e exprimir o verdadeiro não como substância, mas precisamente como sujeito. A substância viva é o ser, que na verdade é sujeito, ou que é na verdade efetivo, mas só na medida em que é o movimento do pôr-se-a-Si-Mesmo, ou a mediação consigo mesmo do tornar-se outro. Como sujeito, é a negatividade pura e simples, e justamente por isso é o fracionamento do simples ou a duplicação oponente, que é de novo a negação dessa diversidade indiferente e de seu oposto. Só essa igualdade se reinstaurando, ou só a reflexão em si mesmo no seu ser-Outro, é que são o verdadeiro; e não uma unidade originária enquanto tal, ou uma unidade imediata enquanto tal. O verdadeiro é o vir-a-ser de si mesmo, o círculo que pressupõe seu fim como sua meta, ipso facto sua antítese, que o tem como princípio, e que só é efetivo mediante sua atualização e seu fim. Friedrich Hegel era crítico das filosofias claras e distintas, uma vez que, para ele, o negativo era constitutivo da ontologia. 

Neste sentido, a clareza não seria adequada para conceituar o próprio objeto. Introduziu um sistema de pensamento para compreender a história da filosofia e do mundo chamado geralmente dialética: uma progressão na qual cada movimento sucessivo surge, pois, como solução das contradições inerentes ao movimento anterior. Desta forma, simplificadamente, a Fenomenologia (1807) foi concebida ao mesmo tempo em que a obra é redatada em primeiro termo; parece, pois, que encerra o substancial pensamento do que é efetivo em toda a obra. Verdadeiramente constitui uma Introdução em sentido literal aos três primeiros momentos de toda a obra, isto é: a consciência, a autoconsciência e a razão -, enquanto a última parte da Fenomenologia, que contêm os particularmente importantes desenvolvimentos sobre o Espírito e a Religião, ultrapassa por seu conteúdo a Fenomenologia tal como é definida stricto sensu na muito citada Introdução. Ao que parece é como se Hegel entrasse no marco de desenvolvimento fenomenológico com algo que na teoria, em princípio não deveria haver ocupado um posto nele. Não obstante, seu estudo, em maior medida que o do prólogo, nos permitirá elucidar o sentido da obra que Hegel quis escrever, assim como a técnica que para ele representa o desenvolvimento fenomenológico. Precisamente porque a Introdução não é como um Prólogo anexo posterior que contêm consideráveis informações gerais sobre o objetivo que se propunha o autor e as relações que sua obra tem com outros tratados filosóficos do mesmo tema. Ao contrário, a introdução é integrada a obra, constitui o delineamento mesmo do problema e determina os meios postos em prática para resolvê-lo.

Em primeiro lugar, Hegel define na Introdução como se coloca para ele o problema do conhecimento. Vemos como em certo aspecto retorna ao ponto de vista de Kant e de Fichte. A Fenomenologia não é uma noumenologia nem uma ontologia, mas segue sendo, todavia, um conhecimento do Absoluto, pois, que outra coisa poderia conhecer se só o Absoluto é verdadeiro, ou só o verdadeiro é Absoluto? Não obstante, em vez de apresentar o saber do Absoluto “em si para si”, Hegel considera o saber tal como é na consciência e precisamente desde esse saber fenomênico, mediante sua autocrítica, é como ele se eleva ao saber absoluto. Em segundo lugar, Hegel define a Fenomenologia como desenvolvimento e cultura, no sentido de seu progressivo afinamento da consciência natural acerca da ciência, isto é o saber filosófico, o saber do Absoluto; por sua vez indica a necessidade de uma evolução. Em último lugar, Hegel precisa a técnica teórica do desenvolvimento fenomenológico e em que sentido este método é precisamente obra própria da consciência que faz sua aparição na experiência, em que sentido é suscetível de ser repensado em sua necessidade pela filosofia. A lei cujo desenvolvimento necessário engendra todo o universo é a da dialética, segundo a qual toda ideia abstrata, a começar pela de ser considerada no seu estado de abstração, afirma necessariamente a sua negação, a sua antítese, de modo que esta contradição exige para se resolver a afirmação de uma síntese mais compreensiva que constitui uma nova ideia, rica em desenvolvimento, ao mesmo tempo, do conteúdo das duas outras.

Na Introdução à Fenomenologia Hegel repete suas críticas a uma filosofia que não fosse mais que teoria do conhecimento. Em que novo sentido devemos entendê-lo? Ora, se o saber é um instrumento, modifica o objeto a conhecer e não nos apresenta em sua pureza; se for um meio tampouco, nos transmite a verdade sem alterá-la de acordo com a própria natureza do meio interposto. Se o saber é um instrumento, isto supõe que o sujeito do saber e seu objeto se encontram separados; por conseguinte, o Absoluto seria distinto do conhecimento: nem o Absoluto poderia ser saber de si mesmo, nem o saber, fora da relação dialética, poderia ser saber do Absoluto. Contra tais pressupostos a existência mesma da ciência filosófica, que conhece efetivamente, é já uma afirmação. Não obstante, esta afirmação não poderia bastar porque deixa a margem a afirmação de outro saber; é precisamente esta dualidade o que reconhecia Schelling quando opunha o saber fenomênico e o saber absoluto, mas não demonstrava os laços entre um e outro. Uma vez colocado o saber absoluto não se vê como é possível no saber fenomênico, e o saber fenomênico por sua parte fica igualmente separado do saber Absoluto. Hegel retorna ao saber fenomênico, ao saber típico da consciência comum, e pretende demonstrar como aquele conduz necessariamente ao saber Absoluto, ou também que ele mesmo é um saber absoluto que, todavia, não se sabe como tal.

Em segundo lugar, somente desse modo se pode compreender porque ambas as partes são momentos de uma unidade. Não basta afirmar sua relação mútua, é preciso explicitar estruturas ontológicas gerais que subjazem de igual modo à natureza e à inteligência. Em segundo lugar, somente desse modo se pode tornar plausível a dependência da natureza em relação a uma esfera ideal. E, em terceiro lugar, uma filosofia natural e uma filosofia transcendental apriorísticas são inconcebíveis sem essa esfera abrangente, pois a partir de que deveriam ser fundamentadas as primeiras suposições de ambas as filosofias da realidade? Depois de se desfazer do “resto de fichteanismo”, ainda reconhecível sobretudo na execução do Sistema do idealismo transcendental, Schelling introduziu na Apresentação, como base destas duas ciências, o Absoluto, e o definiu como identidade de subjetividade e objetividade. No entanto, não se pode deixar de ver um limite na doutrina schellinguiana do absoluto que representa um retrocesso, ficando, no mínimo, aquém de Fichte e, em certo sentido, até mesmo aquém de Kant: as categorias analíticas que Schelling utiliza para a caracterização do Absoluto são catadas e, de modo algum deduzidas do próprio Absoluto. Unidade, identidade, infinitude são determinações que Schelling toma da tradição e que, em primeiro lugar, ele não legitima em si e por si – ele apenas mostra que em sua utilização de mera identidade, antes elas que seu contrário conviria ao absoluto, o qual é entendido como unidade de subjetividade e objetividade, e que em segundo lugar, ele nem sequer põe em um nexo causal ordenado.

Friedrich Hegel que parte da análise da consciência comum, não podia situar como princípio primeiro uma dúvida universal que só é própria da reflexão filosófica. Por isso mesmo ele segue o caminho aberto pela consciência e a história detalhada de sua formação. Ou seja, a Fenomenologia vem a ser uma história concreta da consciência, sua saída da caverna e sua ascensão à Ciência. Daí a analogia que em Hegel existe de forma coincidente entre a história da filosofia e a história do desenvolvimento do pensamento, mas este desenvolvimento é necessário, como força irresistível que se manifesta lentamente através dos filósofos, que são instrumentos de sua manifestação. Assim, preocupa-se apenas em definir os sistemas, sem discutir as peculiaridades e opiniões dos diferentes filósofos. Na determinação do sistema, o que o preocupa é a categoria fundamental que determina o todo complexo do sistema, e o assinalamento das diferentes etapas, bem como as vinculasses destas etapas que conduzem à síntese do espírito absoluto. Para compreender o sistema é necessário começar pela representação, que ainda não sendo totalmente exata permite, no entender de sua obra a seleção de afirmações e preenchimento do sistema abstrato de interpretação do método dialético, para poder alcançar a transformação da representação numa noção clara e exata.

Assim, temos a passagem da representação abstrata, para o conceito claro e concreto através do acúmulo de determinações. Aquilo que por movimento dialético separa e distingue perenemente a identidade e a diferença, sujeito e objeto, finito e infinito, é a alma vivente de todas as coisas, a Ideia Absoluta que é a força geradora, a vida e o espírito eterno. Mas a Ideia Absoluta seria uma existência abstrata se a noção de que procede não fosse mais que uma unidade abstrata, e não o que é em realidade, isto é, a noção que, por um giro negativo sobre si mesma, revestiu-se novamente de forma subjetiva. Metodologicamente a determinação mais simples e primeira que o espírito pode estabelecer é o Eu, a faculdade de poder abstrair todas as coisas, até sua própria vida. Chama-se idealidade precisamente esta supressão da exterioridade. Entretanto, o espírito não se detém na apropriação, transformação e dissolução da matéria em sua universalidade, mas, enquanto consciência religiosa, por sua faculdade representativa, penetra e se eleva através da aparência dos seres até esse poder divino, uno, infinito, que conjunta e anima interiormente todas as coisas, enquanto pensamento filosófico, como princípio universal, a ideia eterna que as engendra e nelas se manifesta. Isto quer dizer que o espírito finito se encontra inicialmente numa união imediata com a natureza, a seguir em oposição com esta e finalmente em identidade com esta, porque suprimiu a oposição e voltou a si mesmo e, consequentemente, o espírito finito é a ideia, que girou sobre si mesma e que existe por si em sua própria realidade.

Vincent Pinzón - mutatis mutandis - é considerado o descobridor do Brasil por diversos estudiosos de navegação e pelas Enciclopédias Britânica e Barsa, por ter atingido o Cabo de Santo Agostinho no litoral de Pernambuco em 26 de janeiro de 1500, cerca de três meses antes da chegada de Pedro Álvares Cabral a Porto Seguro.  Trata-se da mais antiga viagem comprovada ao território brasileiro. Por ter descoberto o Brasil, Pinzón foi condecorado pelo rei Fernando II de Aragão em 5 de setembro de 1501. Entretanto, a navegação de navios castelhanos ao longo da costa brasileira não produziu consequências políticas plausíveis em função do Tratado de Tordesilhas. A chegada de Pinzón pode ser vista como um incidente da expansão marítima espanhola. Por isso, considera-se que Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil.  O navegador foi também codescobridor da América em 1492 como capitão da caravela La Niña, uma das três embarcações da primeira expedição de Cristóvão Colombo, sendo que os dois outros navios foram comandados pelo seu irmão mais velho Martín Alonso Pinzón, caravela La Pinta e por Juan de la Cosa, nau Santa Maria, capitânia do almirante Colombo. Pedro Álvares Cabral, Bartolomeu Dias, Américo Vespúcio, John Cabot, Fernão de Magalhães, Willem Barents, Zheng He, Abel Tasman e James Cook e outros navegadores. Historicamente a navegação na Antiguidade foi impulsionada por povos antigos que se lançaram aos mares, entre eles os víquingues, Gregos e Fenícios. A maioria dos povos antigos usavam navios em grandes batalhas, nos 500 anos de guerra contra os Persas.

Os primeiros usaram Trirremes como meios de transporte e em batalhas navais. Os víquingues são populares por seus navios de guerra conhecidos como Dracar. Os víquingues usavam os seus navios para explorações e saques a outros povos. Além de seus navios permitirem que os víquingues navegassem longas distâncias, seus navios dragão traziam vantagens tácticas em batalhas. Eles podiam realizar eficientes manobras de ataque e fuga, nas quais atacavam rápida e inesperadamente, desaparecendo antes que uma contraofensiva pudesse ser lançada. Os navios dragão podiam também navegar em águas rasas como profundas devido ao sistema inventado por eles que prolongava a quilha ou a encurtava, permitindo que os víquingues entrassem em terra através de rios e navegassem em alto mar, tendo a quilha submersa, quando necessário, do tamanho do mastro. Os víquingues exploraram e estabeleceram bases nas costas da América do Norte a partir do século X e terão aí deixado marcas, como a runa de Kensington (embora muitos estudiosos disputem a sua autenticidade), estes exploradores aparentemente não colonizaram a América, limitando-se a tentar controlar o comércio de peles de animais e outras mercadorias da região. Os gregos usavam os trirremes, barcos que tinham cerca de 36 metros de comprimento e tripulação de mais de 150 remadores. Os navios cobriam cerca de 180 milhas náuticas a uma velocidade constante de 7,5 nós.

Dispunham de velas quadradas, nem sempre podiam ser utilizadas no impetuoso Mar Mediterrâneo, podiam ser impelidos por uma vela redonda. Esse navio de escravos a remo impulsionou as cidades-Estado gregas clássicas e, em particular, Atenas como forças navais. Durante as guerras com a Pérsia, a extraordinária Atenas comandava sozinha mais de 200 desses navios. Os fenícios foram um povo de comerciantes de origem semítica que saíram do Norte da região hoje reconhecida como Líbano para o Norte da África em busca de novas rotas, e que por um grande período de tempo dominaram o comércio no Mediterrâneo. Assim, os fenícios fundaram portos e cidades em lugares tão longínquos quanto a costa norte de África e a Espanha. Discute-se a validade de vestígios de presença fenícia na costa da Grã-Bretanha. Após períodos consecutivos de dominação assíria, persa e macedônica, a região de origem dos fenícios perdeu seu poder, ao passo que uma das colônias fenícias do Mediterrâneo, Cartago, ascendeu como um dos portos mais importantes do Mediterrâneo. Em um intervalo de 120 anos, entre os séculos III e II a.C., os fenícios de Cartago disputaram o controle do mediterrâneo com o Império Romano nas Guerras Púnicas. A derrocada em 146 a.C., pouco restou da cultura fenícia no Mar Mediterrâneo.

Amyr Khan Klink nascido em São Paulo, em 25 de setembro de 1955, é um navegador e escritor brasileiro. É primeira pessoa a realizar a travessia do Atlântico Sul a remo, em 1984, a bordo do barco I.A.T. A embarcação tem 30 metros de comprimento (96 pés), 8,5 metros de largura (boca) e peso que varia de 75 toneladas a 110 toneladas (cheio). Nenhum peso na embarcação é “morto”, ou seja, não há chumbo para o seu equilíbrio e nenhum tipo de cabo. A estabilidade fica por conta dos dois mastros de fibra de carbono e da hidrodinâmica do casco, que é como o resto do barco que é de alumínio. A estrutura do Paratii2 foi feita com alumínio aeronáutico, enquanto a área externa do barco leva um alumínio naval especialmente desenvolvido para a embarcação, bem como a solda. Essa liga leva magnésio na composição. Isso o protege da corrosão e dispensa pintura, evitando, portanto, a poluição do mar. Amyr destaca desde o início do projeto as principais qualidades do Paratii 2: a flexibilidade e o design arrojado. Por isso, ele conta com elementos inusitados em embarcações, para permitir economia no número de tripulantes. Por exemplo, o Paratii2 pode encalhar e desencalhar sem problemas. - “Os lugares mais interessantes do mundo são os mais rasos”, afirma Amyr.

 Nascido na cidade de São Paulo, é filho de pai libanês e mãe sueca. Amyr é formado em Economia pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduado em Administração de Empresas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Amyr ficou reconhecido por suas expedições marítimas. O primeiro feito a ser amplamente divulgado correu entre 12 de junho a 19 de setembro de 1984, quando, em cem dias, realizou a travessia solitária em um barco a remo no oceano Atlântico. Foi um percurso de sete mil quilômetros entre Lüderitz, na Namíbia (África) e Salvador, na Bahia, percorrido em solitário por Amyr. Em dezembro de 1989 viajou rumo à Antártica em um veleiro especialmente construído para a expedição, o Paratii. Permaneceu sozinho por um ano na região, sendo que, por sete meses, seu barco ficou preso no gelo da Baía de Dorian. Da Antártica, rumou em direção ao Polo Norte e retornou ao ponto de partida, a cidade de Paraty, em outubro de 1991. A partir de então, passou a planejar uma viagem de circum-navegação da Terra, a bordo do veleiro Paratii. A viagem, que aconteceu entre 1998/1999 teve por objetivo a volta ao mundo pela sua rota mais curta, rápida e difícil.

Para cumprir o desafio, o Paratii partiu de um ponto no mapa, a ilha Geórgia do Sul, e navegou continuamente em linha reta até bater nesse ponto outra vez. Com isso, Amyr atravessou os oceanos Atlântico, Índico e Pacífico sozinho no leme do Paratii. Após 88 dias e 14 mil milhas náuticas, Amyr concluiu a viagem.  Cinco anos após a primeira circum-navegação, já com o Paratii 2, em 2003, Amyr partiu em direção às altas latitudes Sul novamente. Desta vez com cinco homens na tripulação, o explorador conseguiu repetir a façanha conduzindo seu veleiro por latitudes mais altas do que na viagem de circum-navegação anterior – o Paratii 2 alcançaria os 68º Sul. De dezembro de 2003 a fevereiro de 2004, após 13 300 milhas náuticas (24 600 km), Amyr e sua equipe completaram outra volta ao mundo em apenas 76 dias. Além de escrever livros, Amyr Klink faz palestras sobre planejamento, motivação, trabalho em equipe, liderança, empreendedorismo, entre outros temas, no Brasil e no exterior. Palestra, na Grécia e Roma Antigas, designava uma construção que abrigava uma escola de luta corporal. Funcionava como escola de treinamento e também como local de convívio social masculino, onde conversas sobre literatura, filosofia e música eram tão bem recebidas.

Geralmente, mas não obrigatoriamente, eram anexos aos ginásios, local fechado para treinamento. Embora com pequenas variações, a arquitetura de “palestra seguia uma concepção padrão”. Consistia de um pátio retangular descoberto onde ocorriam os treinos, cercado por colunatas com aposentos adjacentes, que tinham várias funções: banhos, vestiário, depósitos de roupas e óleos, locais de repouso. Vitrúvio, em seu livro Sobre Arquitetura, fora de dúvida, é uma importante fonte histórica sobre essas construções, descrevendo-a como um pátio retangular com colunatas em seus quatro lados. O do lado norte era duplo, para maior proteção contra o clima, criando um pórtico, com aposentos para atividades diversas (efebeu, coriceu, conistério e eleotésio). Terraços espaçosos (êxedras) eram construídos ao longo das outras laterais, servindo para acomodação dos espectadores e convívio social. Bons exemplos de ruínas de palestras ainda existentes estão respectivamente em Olímpia, uma cidade da Grécia famosa por ter sido o local onde se realizavam os Jogos Olímpicos da Antiguidade até sua supressão em 394 pelo imperador romano Teodósio I, jogos estes que só foram igualados em importância aos seus equivalentes realizados em Delfos, os Jogos Píticos, foram uns dos jogos pan-helénicos da Antiga Grécia e realizavam-se de quatro em quatro anos em Delfos, assim como em Olímpia foram antecessores dos modernos Jogos Olímpicos.

Os Jogos Píticos realizavam-se em honra a Apolo dois anos depois (e dois anos antes) dos Jogos Olímpicos e entre cada Jogos Nemeus e Ístmicos. Foram iniciados cerca do século VI a.C. e, ao contrário dos Jogos Olímpicos, comparativamente, também incorporavam competições de música e poesia. As competições de música e poesia são anteriores à parte atlética dos jogos, tendo começado, segundo a lenda, após Apolo ter matado e dividido o corpo da serpente Píton e instalado o oráculo de Delfos. Fora essa diferença, os eventos eram semelhantes aos dos jogos Olímpicos, exceto por não haver corridas de carros com quatro cavalos. Os vencedores das provas recebiam uma coroa de louros da cidade de Tempe na Tessália. Em frente ao Monte Parnaso, existia um teatro de um estádio, onde se realizavam os famosos Jogos Píticos; para atingi-lo subia-se 500 degraus. Aí a juventude grega se entregava ao culto da saúde, da coragem e da beleza, de 4 em 4 anos, coincidindo, sempre, com o 3° ano, depois de cada olimpíada. O anfiteatro de Pompeia foi uma construção com capacidade para 20 000 espectadores, quantidade suficiente para acomodar toda a população da cidade romana de Pompeia e mais seus visitantes, que por sua vez, eram em número quase igual ao de seus habitantes (CIL, X, 852). O anfiteatro abrigava jogos financiados por moradores evergetas da cidade que quisessem ter influência política, ou por governantes que desejassem se manter no poder. Os jogos mais comuns no anfiteatro eram as batalhas de gladiadores.

O edifício foi um dos primeiros a ser escavados no sítio arqueológico de Pompeia, em 1748. Na época, o procedimento adotado era retirar as obras de arte encontradas e recortar das paredes as pinturas consideradas mais preciosas, levando-as à coleção do rei Carlos III de Espanha - atualmente essas peças estão no Museu Arqueológico de Nápoles. Depois disso, o edifício for coberto novamente. Uma segunda missão reescavou o anfiteatro entre 1813 e 1816. Nesse período, a escavação já tem um outro objetivo: o da preservação e busca de fontes para o registro histórico. O anfiteatro foi construído em 70 a.C. (150 anos antes do Coliseu), dentro das muralhas de Pompeia, no distrito sudeste da cidade. A sua construção foi possível devido às doações de Caio Quíncio Valgo e Marco Pórcio. A grande quantidade de terra escavada para a construção da arena interna no anfiteatro foi reutilizada para a elevação dos assentos nos quais os espectadores assistiam aos jogos, chamados de cavea. Esses assentos eram feitos, inicialmente, de madeira, mas os assentos superiores podem ter sido apenas diretamente nos degraus. Numa série de inscrições nas paredes que separavam os espectadores da arena, é possível identificar o nome dos benfeitores que financiaram a construção de novos assentos, de pedra, para o anfiteatro durante o período augustano. Cada uma dessas inscrições correspondia a um setor do anfiteatro reformado ou ao assento em específico (cuneus). As inscrições feitas nas paredes do anfiteatro nos levam a crer que essas reformas foram feitas por determinação legal, que obrigava esses “benfeitores”, normalmente eleitos para algum cargo público, a gastar dinheiro na reforma de um monumento ou nos jogos da cidade.

Depois do sismo de 62, o anfiteatro passa por uma reforma, que pode ser percebida pela presença de contrafortes feitos de tijolos, para sustentar as estruturas já existentes. Porém, não se tem certeza se o motivo dessa reforma foi mesmo a reconstrução de partes do anfiteatro após o sismo, ou o reforço posterior da estrutura. Especula-se que essa reconstrução possa ter sido feita sob a supervisão dos Cúspio Pansa pai e filho, conforme indicam inscrições epigráficas no local (CIL, X, 858 e 859). A divisão de assentos dentro do anfiteatro era baseada no status social do espectador, o que impedia que a elite local se misturasse com o cidadão comum. Um sistema de entradas separadas e túneis davam acesso aos setores da parte de baixo do anfiteatro, a ima cavea, que eram reservados às elites locais devido a maior proximidade com a arena. Ao mesmo tempo, escadas externas levavam aos setores superiores, que acomodavam os cidadãos comuns. Aparentemente, mulheres tinham assentos específicos, no fundo da arena, junto aos escravos que ficavam nos setores superiores, dentro de “caixas” que tinham a capacidade para 14 pessoas. Magistrados e outros financiadores também possuíam lugares especiais, mais destacados. Eram lugares duplos (bisellia), mais próximos a arena.  Esses assentos também possuíam toldos apoiados por pedaços de madeira (vela), para proteger os espectadores da chuva ou da luz do sol.  Uma curiosidade é que não foram encontrados banheiros no anfiteatro, e aparentemente eram usados para essa função apenas os corredores e escadas. 

Haviam pinturas nos parapeitos entre a arena e os assentos que representavam cenas de combate, relacionadas ao cotidiano de uma arena de gladiadores. As pinturas foram destruídas por uma geada, logo após serem descobertas em escavações. Antes disso, essas pinturas foram reproduzidas pelo pintor F. Morelli antes de 1816 e foram registradas em descrições feitas em cadernos de escavações. As pinturas retratavam batalhas entre gladiadores e animais sendo caçados, embora aparentemente elas não refletiam totalmente a realidade, uma vez que a altura dos muros não seria suficiente para proteger a plateia dos felinos retratados nas pinturas. Com o nome derivado de Palas, a palestra e o ginásio, como se acreditavam os povos da antiguidade, funcionavam sob a proteção divina de Hermes e Héracles. Como os atletas competiam desnudos (gimno) e entre os gregos antigos a homossexualidade não era reprimida, Eros também reunia adeptos entre seus frequentadores. Para além das lutas, a palestra era também um centro de convivência social, onde conversas sobre literatura e filosofia eram tão bem recebidas. Os pisos e construções eram decorados com o melhor da arte, estátuas, mosaicos e pinturas, representando deuses, heróis, e atletas famosos. É pioneiro na área de palestrantes esportistas: em 33 anos de experiência, conta com mais de 2 500 palestras realizadas em 13 países. Ministra palestras em quatro idiomas: inglês, francês, espanhol e português. É diretor da Amyr Klink Planejamento e Pesquisa Ltda e da Amyr Klink Projetos Especiais Ltda. É sócio fundador do Museu Nacional do Mar, localizado em São Francisco do Sul (SC) e da Revista Horizonte.

Bibliografia Geral Consultada.

ALENCASTRO, Luiz Felipe de, Le Commerce du Vivants – Traites d` Esclaves et Pax Lusitana dans L`Atlantique Sud. Tese de Doutorado. Paris: Université de Paris X, 1986; GINZBURG, Carlo e PONI, Carlo, “Il Nome e il Come: Scambi Ineguale e Mercato Storiografico”. In: Quaderni Storici, n˚ 40, 1979; RANDLES, William Graham Lister, Da Terra Plana ao Globo Terrestre. Uma Mutação Epistemológica Rápida (1480-1520). Campinas: Editora Papirus, 1994; DURAND, Gilbert, As Estruturas Antropológicas do Imaginário. Introdução à Arquetipologia Geral. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1997; CANEVACCI, Massimo, Antropologia della Comunicazione Visuale. Roma: Edizionne Meltemi, 2001; CRISTÓVÃO, Fernando, Condicionantes Culturais da Literatura de Viagens - Estudos e Bibliografias. Lisboa: Editora Almedina, 2002; STEPHAN, Gustavo, Dias na Antártica: Imagens de uma Expedição de Amyr Klink. 1ª edição. Rio de Janeiro: Editora Desiderata, 2005; MAIGRET, Eric; MACÉ, Eric (Org.), Penser les Médiacultures. Nouvelles Pratiques et Nouvelles Approches de la Represéntation du Monde. Paris: Editeur Armand Colin, 2005; BORGES, Jóina Freitas, Os Senhores das Dunas e os Adventícios d`Além-Mar: Primeiros Contatos, Tentativas de Colonização e Autonomia Tremembé na Costa Leste (Séculos XVI e XVII). Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em História. Niterói: Universidade Federal Fluminense, 2010;  KLINK, Amyr, Paratii: Entre Dois Polos. 3ª edição. Rio de Janeiro: Editora Círculo do Livro, 1994; Idem, Mar sem fim: 360 ̊ ao redor da Antártica. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2000; Idem, Gestão de Sonhos, Riscos e Oportunidades. São Paulo: Editora Casa de Qualidade, 2000; Idem, Cem Dias entre Céu e Mar. 1ª edição. Editora ‏ ‎ Companhia de Bolso, 2005; Idem, Linha-d`Água: Entre Estaleiros e Homens do Mar. Rio de Janeiro: Editora Companhia das Letras, 2006; Idem, “Risco e Inovação Tecnológica é Tema de Palestra de Amyr Klink na Coppe”. Disponível em: https://antigo.coppe.ufrj.br/pt-br/02/09/2016; OLIVEIRA, Milene Nicole Araujo, Análise do Plano de Texto e da Sequência Textual Narrativa nos Relatos de Viagem do Velejador e Escritor Brasileiro Amyr Klink. Dissertação de Mestrado em Ciências da Linguagem – Linguística. Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa, 2022; entre outros.  

sexta-feira, 1 de março de 2024

Um Sonho de Liberdade – Astúcia, Tempo Social & Misticismo Cristão.

 Os mais fortes de todos os guerreiros são estes dois: tempo e paciência”. Leon Tolstoi  

         Um Sonho de Liberdade, tem como representação social um filme norte-americano de drama lançado em 1994, escrito e dirigido por Frank Darabont baseado na novela Rita Hayworth and Shawshank Redemption, de Stephen King. O longa-metragem é estrelado por Tim Robbins e Morgan Freeman, com Bob Gunton, William Sadler, Clancy Brown, Gil Bellows e James Whitmore em papéis coadjuvantes. Ele acompanha a história do banqueiro Andy Dufresne, quando é sentenciado à prisão perpétua na Penitenciária Estadual de Shawshank pelo “suposto assassinato de sua esposa e do amante dela”. Pelas duas décadas seguintes, Andy faz amizade com o detento e contrabandista Ellis Boyd “Red” Redding e torna-se uma peça importante no esquema de “lavagem de dinheiro” realizado por Samuel Norton, o diretor de Shawshank. Darabont comprou em 1987 os direitos cinematográficos da história de Stephen King, porém o desenvolvimento só foi começar cinco anos depois quando ele escreveu o roteiro durante um período de oito semanas. Ele conseguiu um orçamento de 25 milhões de dólares duas semanas depois de ter submetido o roteiro para a Castle Rock Entertainment, com a produção começando em janeiro de 1993. Zihuatanejo é uma cidade do estado de Guerrero, no México. No filme Um Sonho de Liberdade, tendo como protagonistas Morgan Freeman e Tim Robbins, é a cidade citada pelo segundo como esperança para viver após uma possível saída da prisão (cf. Foucault, 2014). 

O nome presta homenagem a Vicente Guerrero (1782-1831), um líder insurgente de destaque na fase de resistência durante a Guerra da Independência e o segundo presidente do México. O estado recebeu este nome em sua criação, em 27 de outubro de 1849. Guerrero é o único estado com nome de um presidente mexicano, pois os outros levam os nomes de outras figuras de destaque na história do México. Em novembro de 1810 Morelos reconhecido por seus soldados destinados a erguer uma província no Sul, chamada de Nossa Senhora de Guadalupe de Tecpan com áreas dos municípios de Puebla, México e Valladolid, mas com o declínio da campanha de Morelos o projeto foi esquecido. Não foi até 1823, no Segundo Congresso Constitucional que Nicolás Bravo e Vicente Guerrero Morelos recuperou a criação do Estado do Sul, do território da Capitania Geral do Sul, mas o Congresso rejeitou a proposta, que estabelece o comando militar do Sul, com sede em Chilpancingo. Para ser filmado em Cuilapan Vicente Guerrero, Oaxaca, em 14 de fevereiro de 1831, vários membros pediram em 1833 a criação do estado de Guerrero, e a mudança de nome pelo Guerrerotitlán Cuilapan, com apoio do Chefe Juan Alvarez Bravo e Nicolas, mas a proposta não foi aprovada. Em 15 maio de 1849 o presidente José Joaquín de Herrera enviou ao Congresso a iniciativa de criar o estado de Guerrero, ao território dos estados de Michoacán, Puebla e México. 

         O projeto de lei aprovado pela Câmara dos Deputados em 20 de outubro e pelo Senado em 26 de outubro. Em 27 de outubro de 1849 em sessão solene do Congresso, foi declarado legalmente constituídas do Estado Livre e Soberano de Guerrero, e foi nomeado general Juan Álvarez como agir comandante geral. Filmes que envolviam prisões não eram considerados sucessos de bilheteria, porém o roteiro da Darabont foi lido por Liz Glotzer, então produtora da Castle Rock Entertainment, cujo interesse em histórias prisões e reação ao ler o roteiro fizeram-na ameaçar se demitir caso não produzisse The Shawshank Redemption. Rob Reiner, cofundador e diretor executivo da Castle Rock, também gostou do roteiro. Ele ofereceu entre 2,4 e 3 milhões de dólares a Darabont para que lhe permitisse dirigir. Reiner tinha antes adaptado a novela The Body em 1986 como o filme Stand by Me e planejava escalar Tom Cruise como Andy e Harrison Ford como “Red”.   Ele considerou seriamente a oferta, acreditando que isto melhoraria sua posição na indústria cultural e que o estúdio poderia tê-lo demitido contratualmente e dado a direção para Reiner de qualquer maneira. Entretanto, Darabont acabou escolhendo permanecer como diretor, afirmando anos depois que “você pode continuar a adiar seus sonhos em troca de dinheiro e, sabe, morrer sem ter feito a coisa que você queria fazer”. Reiner é o mentor de Darabont no projeto.         

 Duas semanas depois de ter ido para a Castle Rock, ele conseguiu um orçamento de 25 milhões de dólares para fazer The Shawshank Redemption, pegando 750 mil dólares de salário como roteirista e diretor, mais uma porcentagem dos lucros, com a pré-produção começando em janeiro de 1993. Apesar do filme se passar no Maine, estado situado no extremo Nordeste dos Estados Unidos da América, é reconhecido por seu litoral rochoso, sua história marítima e suas áreas naturais, como as ilhas de granito e píceas do Parque Nacional. As filmagens ocorreram quase que totalmente em Mansfield, Ohio, com o Reformatório Estadual de Ohio servindo de locação. A trilha sonora composta por Thomas Newman, procurou criar músicas que não distraíssem o espectador das ações demonstradas em cena. The Shawshank Redemption foi bem recebido pela crítica, com elogios para a história e às interpretações de Robbins e Freeman. Entretanto, a “falta de popularidade” de longas-metragens sobre prisões, ausência de personagens femininas e mesmo seu título, que foi considerado confuso e pouco memorável, arrecadando dezesseis milhões de dólares em sua exibição original. 

Vários motivos já foram citados para explicar seu fracasso, incluindo competição de outros longas-metragens como Pulp Fiction (1994) e Forrest Gump (1994). Mesmo assim, The Shawshank Redemption foi indicado a diversos prêmios, incluindo sete Oscars, e recebeu um relançamento nos cinemas que, junto com arrecadações internacionais, elevaram a bilheteria total para 58,3 milhões de dólares. Mais de 320 mil cópias em VHS foram enviadas para as locadoras, com o filme tornando-se um dos mais alugados de 1995. Os direitos de transmissão na TV foram adquiridos pela Turner Broadcasting System e ele foi exibido normalmente pela TNT em 1997, aumentando ainda mais sua popularidade. O Reformatório Estadual de Ohio em Mansfield foi utilizado como locação para representar as cenas na Penitenciária de Shawshank. Robbins acredita que o conceito de Zihuatanejo ressoa tão bem com o público porque representa uma forma de fuga que pode ser alcançada depois de sobreviver por muitos anos dentro de qualquer espécie de “prisão” que alguém pode se encontrar, desde um relacionamento ruim, um emprego ou até mesmo um ambiente. 

O ator também afirmou que é importante que um lugar como esse exista. O filósofo Jean-Paul Sartre descreveu a liberdade como um projeto contínuo e em andamento que necessita de atenção e persistência constantes, sem os quais uma pessoa começa a ser definida por outros ou por instituições ao seu redor, espelhando a crença de “Red” que detentos ficam dependentes da prisão para definirem suas vidas. Andy demonstra resiliência através da rebelião, tocando música no alto-falante da prisão e recusando-se a continuar o esquema de lavagem de dinheiro. Muitos elementos podem ser considerados homenagens ao poder do cinema. Os detentos assistem ao filme Gilda no cinema da prisão, porém esta cena originalmente teria The Lost Weekend sendo exibido. A permutabilidade dos longas-metragens usados no cinema da prisão sugere que a chave estratégica da cena é a experiência cinematográfica e não o sujeito, permitindo que os homens escapem da realidade de sua situação. Andy é atacado pelas Irmãs na sala do projetor imediatamente depois desta cena e utiliza um rolo de filme para se defender. No final da narrativa, Andy passa por um buraco em sua sala que é escondido por um pôster de cinema a fim de escapar tanto de sua cela quanto de Shawshank. A relação de Andy e “Red” já foi descrita como uma história de amor não-sexual entre dois homens (cf. Costa, 1992), que poucos filmes oferecem, onde a amizade dos dois não é construída ao se realizar um assalto, perseguição de carro ou desenvolver uma relação com mulheres. O filósofo Alexander Hooke argumentou que a verdadeira liberdade dos dois personagens é sua amizade, sendo capazes de compartilhar alegria e humor com o outro.

É preciso não se enganar: num espaço em que cada elemento parece obedecer ao único princípio de representação plástica e da semelhança, os sinais linguísticos, que pareciam excluídos, que rondavam de longe à volta da imagem, e que o arbitrário do título parecia ter afastado para sempre, se aproximaram sub-repticiamente: introduziram na solidez da imagem, uma desordem – uma ordem que só lhes pertence. Fizeram fugir o objeto, que revela a finura de sua película. Parece, grosso modo, que René Magritte dissociou a semelhança da similitude e joga esta contra aquela. A semelhança tem um padrão impreciso, mas que funciona como elemento original que ordena e hierarquiza a partir de si todas as cópias, cada vez mais fracas, que podem ser tiradas. Assemelhar significa uma referência primeira que prescreve e classifica. O similar se desenvolve em séries que não tem começo nem fim, que é possível percorrer num sentido ou em outro, que não obedecem a hierarquia, como num colegiado, mas se propagam sob a forma de pequenas diferenças em inúteis pequenas diferenças.

Mansfield é uma cidade localizada no estado norte-americano do Ohio, no condado de Richland, do qual é sede. Foi fundada em 11 de junho de 1808 e incorporada em 1828 como aldeia, e depois, em 1857 como cidade. O Ohio é um dos 50 estados dos Estados Unidos da América, localizado na Região Centro-Leste do país. O Ohio é um dos principais polos industriais do país. Localizado no centro da Região Centro-Leste dos Estados Unidos, a região mais industrializada do país, o Ohio possui com principal fonte de renda a manufatura. Outras fontes de renda importantes são finanças, a mineração de carvão que ajudou a fazer do Ohio uma das principais potências industriais do país — a agricultura e o turismo. A palavra Ohio, que significa na língua iroquesa “Algo Grande”, “Grandes Águas”, “Belo Rio”, “Grande Rio” ou “Bom Rio”, era utilizado por este grupo de nativos americanos para descrever o Rio Ohio. O cognome do Ohio é Buckeye State. O Buckeye é uma árvore do gênero Aesculus. Florestas compostas por árvores do gênero Aesculus cobriam anteriormente todo o estado, embora muito destas florestas tenham sido derrubadas para serem utilizadas como matérias-primas em diversas indústrias, bem como para dar espaço à agricultura. O Estado também reivindica o cognome de Mother of Modern Presidents (Mãe de Presidentes Modernos), uma vez que sete dos Presidentes dos Estados Unidos nasceram e cresceram no estado. Este título pertence, porém, à Virgínia, com um total de oito Presidentes. Os Presidentes norte-americanos que nasceram em Ohio, apresentam um número edificante são: Ulysses S. Grant, Rutherford B. Hayes, James A. Garfield, Benjamin Harrison, William McKinley, William Howard Taft e Warren G. Harding. Um oitavo Presidente, William Henry Harrison, morava no Ohio quando se tornou Presidente.

Os primeiros exploradores europeus a explorarem a região foram os franceses. Até 1763, a região do Ohio fazia parte da colônia francesa de Nova França, passando então para controle britânico. Com o reconhecimento da Independência das Treze Colônias em 1783, os Estados Unidos passaram a controlar a região. O Ohio tornou-se o primeiro território do Território do Noroeste a ser elevado à categoria de Estado, e o 17º a entrar na União, em 1° de março de 1803. A expansão em direção ao oeste e a construção de numerosas ferrovias no Estado, a descoberta de numerosos depósitos de carvão e uma sólida indústria agropecuária fizeram com que o Ohio tornasse em meados do século XIX uma grande potência industrial. Ulysses S. Grant, nativo de Ohio, foi um dos principais líderes da União durante a Guerra Civil Americana. A rápida industrialização bem como a do Estado fez com que diversas pessoas nativas do Estado destacassem por suas invenções e pelo seu pioneirismo. Thomas A. Edison nasceu em Ohio e os Irmãos Wright cresceram no Estado. Outro nativo do Ohio famoso mundialmente é Neil A. Armstrong, a primeira pessoa a pisar na Lua. Embora os seres humanos não sejam civilizados por natureza, na esteira do pensamento de Norbert Elias (1989), possuem por natureza uma disposição que torna possível, sob determinadas condições de tempo e espaço, uma civilização, que é, uma autorregulação individual de impulsos do comportamento momentâneo, condicionado por afetos e pulsões, ou o desvio desses impulsos de seus fins primários para alguns fins secundários, eventualmente também sua reconfiguração social sublimada. É decerto desnecessário, mas talvez útil, dizer que Sigmund e Anna Freud são os pais do conceito de “impulsos pulsionais humanos moldáveis”, capazes de sublimação.

                    

Inicialmente, na verdade, a classe médica em geral acaba por marginalizar as ideias do psicólogo Sigmund Freud; seu único confidente durante esta época é o médico Wilhelm Fliess (1858-1928). Depois que o pai de Freud falece, em outubro de 1896, segundo as cartas recebidas por Fliess, naquele período, Freud dedica-se a anotar e analisar seus próprios sonhos, remetendo-os à sua própria infância e, no processo, determinando as raízes de suas próprias neuroses. Tais anotações tornam-se a fonte etnográfica para a obra: A Interpretação dos Sonhos. Durante o curso desta autoanálise, Freud chega à conclusão de que seus próprios problemas eram devidos a uma atração por sua mãe e a uma hostilidade em relação a seu pai. É o que constitui o famoso “complexo de Édipo”, que se torna o coração, por assim dizer, da teoria de Freud sobre a origem da neurose em todos os seus pacientes investigados. Nos primeiros anos do século XX, são publicadas suas obras em que contém suas teses principais: “A Interpretação dos Sonhos” e “A Psicopatologia da Vida Cotidiana”. Época em que Freud já não mantinha mais contato nem com Josef Breuer, nem com Wilhelm Fliess. No início, as tiragens das obras não animavam Freud, mas logo médicos de vários lugares: Eugen Bleuler, Carl Jung, Karl Abrahams, Ernest Jones, Sandor Ferenczi, demostram respaldo às suas ideias e passam a compor o “Movimento Psicanalítico”.

Por sua vida inteira, Freud teve uma posição financeira modesta, como Marx ou Nietzsche. Josef Breuer foi, no início, um aliado de Freud em suas ideias e também um aliado com patrocínio financeiro. Freud criou o termo “psicanálise” para designar um método, uma teoria e uma técnica para investigar cientificamente os processos inconscientes e de outro modo inacessíveis do psiquismo. Foi com o decorrer das discussões de casos clínicos com Breuer que surgiram as ideias que culminaram com a publicação dos primeiros artigos sobre a psicanálise. O primeiro caso clínico relatado deve-se a Breuer e descreve o tratamento dado sua paciente Bertha Pappenheim, chamada de “Anna O”, no livro e posteriormente no cinema, que demonstrava vários sintomas clássicos de histeria. O método de tratamento consistia na chamada “cura pela fala”, ou “cura catártica”, na qual o ou a paciente discute sobre as suas associações com cada sintoma e, com isso, os faz desaparecer. Esta técnica tornou-se o centro de manejo das técnicas de Freud, que também acreditava, cientificamente, que as memórias ocultas ou “reprimidas” nas quais se baseavam os sintomas de histeria eram sempre de natureza sexual. Entertanto, Breuer não concordava com Freud, o que levou à separação de ideias entre eles logo após a publicação dos casos clínicos em sociedades científicas. 

Pelo menos desde 1899, com a publicação do conspícuo ensaio A Interpretação dos Sonhos, o austríaco Sigmund Freud se transformou num dos pensadores mais polêmicos da história social e, portanto, clínica. Desacreditada inicialmente, a psicanálise, o método e a técnica por ele concebido para o tratamento dos problemas psíquicos e a compreensão da mente humana, chegou a ser considerada a última palavra da ciência sobre a questão. Há quem despreze (e não são poucos) essas novas posições psicológicas e clínicas e defenda apaixonadamente as teorias de Freud cuja essência considera-se correta e aparentemente inquestionável. Mais importante do que essa discussão é descrever os fundamentos da doutrina psicanalítica e apresentar as principais contribuições que ela refez à ciência, à filosofia, à antropologia e à sociologia em seu surgimento. A psicanálise interpreta as manifestações da psique, as tendências sexuais (ou libido), e as fórmulas morais e limitações condicionantes do indivíduo. São dois os fundamentos da teoria psicanalítica: 1) Os processos psíquicos são em sua maioria inconscientes, a consciência não é mais do que uma fração de nossa vida psíquica total; 2) os processos psíquicos inconscientes são dominados por nossas tendências sexuais reprodutivas. Freud pretendeu descrever a vida humana tanto pessoal e individual, mas também pública e social, recorrendo a essas tendências sexuais a que chamou de libido.

    

O fato social de que processos de civilização não seriam possíveis sem um potencial de civilização biológico que os antecedesse é facilmente esquecido. Dado que os seres humanos, diferentemente de muitos outros seres vivos sociais, não possuem uma regulação nativa dos afetos e pulsões, eles não podem prescindir da mobilização de sua disposição natural rumo à autorregularão mediante o aprendizado pessoal dos controles dosa fetos e pulsões, no sentido de um modelo de civilização específico da sociedade, a fim de que possam conviver consigo mesmos e com os outros seres humanos. O processo universal de civilização individual pertence tanto às condições da individualização do ser humano singular como às condições da vida social em comum dos seres humanos. No uso cotidiano da linguagem, o conceito de civilização é, muitas vezes, despido de seu caráter originalmente processual como derivação do francês “civilizer”. O conceito alemão Kultur alude basicamente a fatos intelectuais, artísticos e religiosos e apresenta a tendência de traçar uma nítida linha divisória entre fatos deste tipo, por um lado, e fatos políticos, econômicos e sociais, por outro. O conceito francês e inglês de civilização analogamente pode ser referir a realizações, mas também a atitudes ou “comportamentos” de pessoas, pouco importando se realizaram ou não alguma coisa. No conceito alemão de Kultur, em contraste, a referência a “comportamento”, o valor que a pessoa tem em virtude de sua mera existência e conduta, sem absolutamente qualquer realização, é provavelmente muito secundário. O sentido especificamente alemão do conceito Kultur encontra sua expressão mais clara em seu derivado, o adjetivo Kuluturell, que descreve o caráter e o valor de determinados produtos humanos, e não o valor intrínseco da pessoa. Esta palavra, o conceito inerente a kulturell, porém, não pode ser traduzido exatamente para o francês e o inglês. A palavra Kultiviert (cultivado) aproxima-se muito do conceito ocidental de civilização. Até certo ponto, representa a forma mais alta de ser civilizado: até mesmo pessoas e famílias que nada realizaram de kulturell podem ser kultiviert.

Tal como a palavra “civilizado”, kultiviert refere-se à forma da conduta ou comportamento da pessoa. Descreve a questão da qualidade de vida social das pessoas, suas habitações, suas maneiras, sua fala, suas roupas, ao contrário de kulturell, que não alude às pessoas, mas exclusivamente a realizações humanas peculiares. Embora os seres humanos não sejam civilizados por natureza, na esteira do pensamento de Norbert Elias, possuem por natureza uma disposição que torna possível, sob determinadas condições, uma civilização, que é, portanto, uma autorregularão individual de impulsos do comportamento momentâneo, condicionado por afetos e pulsões, ou o desvio desses impulsos de seus fins primários para alguns fins secundários, eventualmente também sua reconfiguração sublimada. É decerto desnecessário, mas talvez útil, dizer que Sigmund e Anna Freud são de fato os pais do conceito de “impulsos pulsionais humanos moldáveis”, capazes de sublimação. O fato social de que processos de civilização não seriam possíveis sem um potencial de civilização biológico que os antecedesse é facilmente esquecido. Dado que os seres humanos, diferentemente de muitos outros seres vivos sociais, não possuem uma regulação nativa dos afetos e pulsões, eles não podem prescindir da mobilização da disposição natural rumo à autorregulação mediante o aprendizado pessoal dos controles dos afetos e pulsões, de um modelo de civilização específico, a fim de que possam conviver consigo mesmos e com os outros. O processo universal de civilização pertence tanto às condições da individualização do ser humano singular como às condições da vida social em comum dos seres humanos. No uso cotidiano da linguagem, o conceito de civilização é, muitas vezes, despido de seu caráter originalmente processual como derivação do francês “civilizer”.

O conceito alemão Kultur alude basicamente a fatos intelectuais, artísticos e religiosos e apresenta a tendência de traçar uma nítida linha divisória entre fatos deste tipo, por um lado, e fatos políticos, econômicos e sociais, por outro. O conceito francês e inglês de civilização pode ser referir sempre a realizações, mas também a atitudes ou “comportamentos” de pessoas, pouco importando se realizaram ou não alguma coisa. No conceito alemão de Kultur, em contraste, a referência a “comportamento”, o valor que a pessoa tem em virtude de sua mera existência e conduta, sem absolutamente qualquer realização, é provavelmente muito secundário. O sentido especificamente alemão do conceito Kultur encontra sua expressão mais clara em seu derivado, o adjetivo Kuluturell, que descreve o caráter e o valor de determinados produtos humanos, e não o valor intrínseco da pessoa. Esta palavra, o conceito inerente a kulturell, porém, não pode ser traduzido exatamente para o francês e o inglês. A palavra Kultiviert (cultivado) aproxima-se muito do conceito ocidental de civilização. Até certo ponto, representa a forma mais alta de ser civilizado: até mesmo pessoas e famílias que nada realizaram de kulturell podem ser kultiviert. Tal como a palavra “civilizado”, entende-se que kultiviert refere-se primariamente à forma da conduta humana ou comportamento da pessoa. Descreve etnograficamente a questão da qualidade de vida social das pessoas, suas habitações, suas maneiras, sua fala, suas roupas, ao contrário de kulturell, que não alude diretamente às próprias pessoas, mas exclusivamente a realizações humanas peculiares.

Como um apanhado algo sumário do que se apurou até aqui na investigação empírico-teórica das transformações civilizatória acerca de seu próprio direcionamento, pode-se dizer que dentre os principais critérios para um processo de civilização estão as transformações do habitus social dos seres humanos na direção de um modelo de autocontrole mais bem proporcionado, universal, estável. Mas o que é decisivo é que estes conceitos portam o selo não de seitas ou famílias, mas de povos inteiros, ou talvez apenas de certas classes. Mas, em muitos aspectos, o que se aplica a palavras específicas de grupos menores estende-se também a eles: são usados basicamente por e para povos que compartilham uma tradição e situação particulares, polindo-os na fala e na escrita. É neste sentido comparativo que o conceito de civilização minimiza as diferenças nacionais entre os povos. Manifesta a autoconfiança de povos cujas fronteiras nacionais e identidade nacional forma plenamente estabelecidas, desde séculos, que deixaram de ser tema de qualquer discussão, povos que há mito se expandiram fora de suas fronteiras e colonizaram terras além delas. Em contraste, o conceito alemão Kultur dá ênfase especial a diferenças nacionais e à identidade particular de grupos. Em virtude disto, o conceito adquiriu em campos como a pesquisa etnológica e antropológica uma significação mito além da área linguística alemã e da situação em que se originou o conceito.

Enquanto o conceito de civilização inclui a função social de dar expressão a uma tendência continuamente expansionista de grupos colonizadores, o conceito de Kultur reflete a consciência de si mesma de uma nação que teve de buscar e constituir incessante e novamente suas fronteiras, tanto no sentido político como no espiritual. A orientação do conceito alemão de cultura, para Norbert Elias, com sua tendência à demarcação e ênfase em diferenças, e no seu detalhamento, entre grupos, corresponde a este processo histórico.  A história coletiva neles se cristalizou e ressoa. O indivíduo encontra essa cristalização já em suas possibilidades de uso. Não sabe bem por que este significado e esta delimitação estão implicadas nas palavras, por que, exatamente, esta nuance e aquela possibilidade delas podem ser derivadas. Usa-as porque lhe parece uma coisa natural, porque desde a infância aprende a ver o mundo através da lente dos conceitos. A sobrevivência do sistema de crenças no chamado Novo Mundo é notável, embora as tradições tenham se modificado com o tempo. Uma das maiores diferenças entre o vodu da África Ocidental e o haitiano é que os africanos “transplantados” ao Haiti, conforme a tipologia clássica de Darcy Ribeiro, correspondentes às nações modernas criadas pela migração europeia para novos espaços mundiais, procuram reconstituir formas de vida idênticas às de origem.

O conceito de figuração distingue-se de muitos outros conceitos teóricos da sociologia de Norbert Elias (1989) por incluir expressamente os seres humanos em sua formação. Contrasta, portanto, decididamente com um tipo amplamente dominante de formação de conceitos que se desenvolve sobretudo na investigação de objetos sem vida, portanto no campo da física e da filosofia para ela orientada. Há figurações de estrelas, assim como de plantas e de animais. Mas apenas os seres humanos formam figurações uns com os outros. O modo de sua vida conjunta em grupos grandes e pequenos é, de certa maneira, singular e sempre co-determinado pela transmissão de conhecimento de uma geração a outra, portanto por meio do ingresso do singular no mundo simbólico específico de uma figuração já existente dos seres humanos. Às quatro dimensões espaço-temporais indissoluvelmente ligadas se soma, no caso dos seres humanos, uma quinta, a dos símbolos socialmente aprendidos. Sem sua apropriação, sem, por exemplo, o aprendizado de uma determinada língua especificamente social, os seres humanos não seriam capazes de se orientar no seu mundo nem de se comunicar uns com os outros.

 

Um ser humano adulto, que não teve acesso aos símbolos da língua e do conhecimento de determinado grupo permanece fora de todas as figurações humanas e, portanto, não é propriamente um ser humano. O crescimento de um jovem em figurações humanas, como processo e experiência, assim como o aprendizado de um determinado esquema de autorregularão na relação com os seres humanos, é condição indispensável do desenvolvimento rumo à humanidade. Socialização e individualização de um ser humano são, portanto, nomes diferentes para o mesmo processo. Cada ser humano assemelha-se aos outros e é, ao mesmo tempo, diferente de toso os outros. O mais das vezes, as teorias sociológicas deixam sem resolver o problema da relação entre indivíduo e sociedade. Em seu ersatz o convívio dos seres humanos em sociedades tem sempre, mesmo no caos, na desintegração, na maior desordem social, uma forma absolutamente determinada. É isso o que o conceito de figuração exprime. Uma geração os transmite a outra sem estar consciente do processo como um todo, e os conceitos sobrevivem enquanto esta cristalização de experiências passadas e situações retiver um valor existencial, uma função na existência concreta da sociedade – isto é, enquanto gerações sucessivas puderem identificar suas próprias experiências no significado das palavras. Em outras ocasiões, eles apenas adormecem, ou o fazem em certos aspectos, e adquirem um novo valor existencial com uma nova situação. São relembrados porque alguma coisa encontra expressão na cristalização do passado corporificada nas palavras.

As novas relações econômicas e a necessidade de desenvolvimento motivaram entes subnacionais a se relacionar e cooperar com o mundo civilizado exterior. As novas tecnologias da informação, os avanços nas telecomunicações, a diminuição nos custos de transporte de cargas e pessoas também contribuíram para essa mudança, afinal tornaram o plano internacional mais acessível. Ipso facto, a dimensão metodológica do conceito de processo social refere-se às transformações amplas, contínuas, de longa duração – ou seja, em geral não aquém de três gerações - de figurações formadas por seres humanos, ou de seus aspectos, em uma de duas direções opostas. Uma delas tem, geralmente, o caráter de uma ascensão, a outra o caráter decorrente de um declínio. Em ambos os casos, os critérios são puramente objetivos. Eles independem do fato de o respectivo observador os considerar bons ou ruins. Exemplos disso são a diferenciação crescente e decrescente de funções sociais, o aumento ou a diminuição do “capital social”, ou melhor, do patrimônio social do saber, do nível de controle humano sobre a natureza não-humana ou da compaixão por outros homens, pertençam eles ao grupo estabelecido que for. Um deles pode tornar-se dominante, ou caber ao outro manter o equilíbrio.         

Assim um processo dominante, direcionado a uma maior integração, pode, sucessivamente, andar de par com uma desintegração parcial. Mas, inversamente, um processo dominante de desintegração social, como por exemplo, o processo de feudalização pode conduzir sob certas condições a uma reintegração sob novas bases, a princípio parcial e a seguir dominante; portanto, a um novo processo de formação do Estado. Como um apanhado algo sumário do que se apurou até aqui na investigação empírico-teórica das transformações civilizatória acerca de seu próprio direcionamento, pode-se dizer que dentre os principais critérios para um processo de civilização estão as transformações do habitus social dos seres humanos na direção de um modelo de autocontrole mais bem proporcionado, universal, estável. Mas o que é decisivo é que estes conceitos portam o selo não de seitas ou famílias, mas de povos inteiros, ou talvez apenas de certas classes. Mas, em muitos aspectos, o que se aplica a palavras específicas de grupos menores estende-se também a eles: são usados basicamente por e para povos que compartilham uma tradição e situação particulares, polindo-os na fala e na escrita. É neste sentido que o conceito de civilização minimiza as diferenças nacionais entre os povos.

Manifesta a autoconfiança de povos cujas fronteiras nacionais e identidade nacional forma plenamente estabelecidas, desde séculos, que deixaram de ser tema de qualquer discussão, povos que há mito se expandiram fora de suas fronteiras e colonizaram terras além delas. Em contraste, o conceito alemão Kultur dá ênfase especial a diferenças nacionais e à identidade particular de grupos. Em virtude disto, o conceito adquiriu em campos como a pesquisa etnológica e antropológica uma significação mito além da área linguística alemã e da situação em que se originou o conceito. Enquanto o conceito de civilização inclui a função de dar expressão a uma tendência continuamente expansionista de grupos colonizadores, o conceito de Kultur reflete a consciência de si mesma de uma nação que teve de buscar e constituir incessante e novamente suas fronteiras, tanto no sentido político como no espiritual. A orientação do conceito alemão de cultura, para Norbert Elias, com sua tendência à demarcação e ênfase em diferenças, e no seu detalhamento, entre grupos, corresponde a este processo histórico.  A história coletiva neles se cristalizou e ressoa. O indivíduo encontra essa cristalização em suas possibilidades de uso. Não sabe bem por que este significado e esta delimitação estão implicadas nas palavras, por que esta nuance e aquela possibilidade delas podem ser derivadas. Usa-as porque lhe parece uma coisa natural, porque desde a infância aprende a ver o mundo através da lente dos conceitos. A sobrevivência do sistema de crenças no Novo Mundo é notável, embora as tradições tenham se modificado com o tempo.

Uma das maiores diferenças entre o vodu da África Ocidental e o haitiano é que os africanos “transplantados” ao Haiti, conforme a tipologia clássica de Darcy Ribeiro, correspondentes às nações modernas criadas pela migração europeia para novos espaços mundiais, procuram reconstituir formas de vida idênticas às de origem. O conceito de figuração distingue-se de muitos outros conceitos teóricos da sociologia de Norbert Elias por incluir expressamente os seres humanos em sua formação. Contrasta, portanto, decididamente com um tipo amplamente dominante de formação de conceitos que se desenvolve sobretudo na investigação de objetos sem vida, portanto no campo da física e da filosofia para ela orientada. Há figurações de estrelas, assim como de plantas e de animais. Mas apenas os seres humanos formam figurações uns com os outros. O modo de sua vida conjunta em grupos grandes e pequenos é, de certa maneira, singular e sempre co-determinado pela transmissão de conhecimento de uma geração a outra, portanto por meio do ingresso do singular no mundo simbólico específico de uma figuração já existente historicamente falando dos seres humanos. Às quatro dimensões espaço-temporais indissoluvelmente ligadas se soma, no caso dos seres humanos, uma quinta, que está situada abstratamente  no nível de análise dos símbolos aprendidos.

 

Sem sua apropriação, isto é, sem o aprendizado de uma determinada língua especificamente social, por exemplo, os seres humanos não seriam capazes de se orientar no seu mundo nem de se comunicar uns com os outros. Um ser humano adulto, que não teve acesso aos símbolos da língua e do conhecimento de determinado grupo humano permanece fora de todas as figurações humanas e, portanto, não é propriamente um ser humano. O crescimento de um jovem em figurações humanas, como processo e experiência, assim como o aprendizado de um determinado esquema de autorregularão na relação com os seres humanos, é condição indispensável do desenvolvimento rumo à humanidade. Socialização e individualização de um ser humano são, portanto, nomes diferentes para o mesmo processo. Cada ser humano assemelha-se aos outros e é, ao mesmo tempo, diferente de toso os outros. O mais das vezes, as teorias sociológicas deixam sem resolver o problema da relação entre indivíduo e sociedade. Em seu ersatz o convívio dos seres humanos em sociedades tem sempre, mesmo no caos, na desintegração, na maior desordem social, uma forma absolutamente determinada. É isso o que o conceito de figuração exprime. Uma geração os transmite a outra sem estar consciente do processo como um todo, e os conceitos sobrevivem enquanto esta cristalização de experiências passadas e situações retiver um valor existencial, uma função na existência concreta da sociedade – isto é, enquanto gerações sucessivas puderem identificar suas próprias experiências no significado das palavras. Em outras ocasiões, eles apenas adormecem, ou o fazem em certos aspectos, e adquirem um novo valor existencial com uma nova situação. São relembrados porque alguma coisa presente encontra expressão na cristalização do passado corporificada nas palavras.

As novas relações econômicas e a necessidade de desenvolvimento motivaram entes subnacionais a se relacionar e cooperar com o mundo civilizado exterior. As novas tecnologias da informação, os avanços nas telecomunicações, a diminuição nos custos de transporte de cargas e pessoas também contribuíram para essa mudança, afinal tornaram o plano internacional mais acessível. Ipso facto, a dimensão metodológica do conceito de processo social refere-se às transformações amplas, contínuas, de longa duração – ou seja, em geral não aquém de três gerações - de figurações formadas por seres humanos, ou de seus aspectos, em uma de duas direções opostas. Uma delas tem, geralmente, o caráter de uma ascensão, a outra o caráter decorrente de um declínio. Em ambos os casos, os critérios são puramente objetivos. Eles independem do fato de o respectivo observador os considerar bons ou ruins. Exemplos disso são, comparativamente, a diferenciação crescente e decrescente de funções sociais, o aumento ou a diminuição do chamado “capital social”, ou melhor, do patrimônio social do saber, do nível de controle humano sobre a natureza não-humana ou da compaixão por outros homens, pertençam eles ao grupo estabelecido que for. Um deles pode tornar-se dominante, ou caber ao outro manter o equilíbrio. Assim um processo dominante, direcionado a uma maior integração, pode, sucessivamente, andar de par com uma desintegração parcial. Mas, inversamente, um processo dominante de desintegração social, como o processo de feudalização pode conduzir em termos a uma reintegração sob novas bases, a princípio parcial e a seguir dominante; portanto, a um novo processo de formação do Estado.

É considerado como um dos melhores filmes da década de 1990. Ele ainda é transmitido na televisão regularmente e é popularizado em vários países, com o público e celebridades citando-o e nomeando-o como favorito em diversas pesquisas sociais. Além disso, foi selecionado em 2015 pela Biblioteca do Congresso para preservação no Registro Nacional de Filmes. Além disso, o filme já foi interpretado como sendo baseado per se no “cristianismo místico”. Andy é apresentado como uma figura messiânica, semelhante a Cristo, com “Red” descrevendo-o logo no começo da história como possuindo uma aura que o engloba e o protege de Shawshank. A cena em que Andy e vários de seus colegas detentos trabalham no teto da prisão foi vista como uma recriação da Última Ceia, com Andy obtendo cerveja/vinho para os doze detentos/discípulos enquanto “Red” os descreve como sendo “senhores de toda criação”, invocando a benção mística de Jesus. O diretor e roteirista Frank Darabont respondeu que isso não foi uma intenção deliberada, porém desejava que as pessoas encontrassem seus próprios significados no filme. A descoberta da gravação da ópera Le Nozze di Figaro (1786) em determinado momento da narrativa é descrita no roteiro “como semelhante à descoberta do Santo Graal, fazendo os prisioneiros congelarem em seus lugares e levando os doentes a se levantarem de suas camas. Norton cita Jesus no filme para se descrever, dizendo que “Eu sou a luz do mundo”, assim se declarando como o salvador de Andy.

Porém essa descrição também pode se referir a Lúcifer, o portador da luz. O diretor da prisão não impõe completamente o uso da lei, mas sim escolhe impor suas próprias leis e punições como bem acha, tornando-se ele mesmo a personificação da lei, assim como o comportamento do Diabo. O diretor também já foi comparado com Richard Nixon (1913-1994), ex-presidente norte-americano. Sua aparência e discursos públicos podem ser vistos ideologicamente como uma possível singularidade de Nixon. Similarmente, Norton projeta uma imagem social de um homem piedoso e justo, falando humildemente para as massas servis ao mesmo tempo que realiza esquemas de corrupção, assim como aqueles que trouxeram infâmia para Nixon. O reencontro de Andy e “Red” foi filmado no Refúgio Nacional de Vida Selvagem de Sandy Point, em Saint Croix, Ilhas Virgens Americanas. Foi interpretada como uma forma de escape ou paraíso. Zihuatanejo foi interpretada como uma analogia para o céu ou paraíso. Andy a descreve como um local sem memória, oferecendo absolvição de seus pecados ao se esquecer deles e permitir que eles sejam varridos completamente pelo Oceano Pacífico, cujo nome significa “paz”. A possibilidade de se escapar para Zihuatanejo só é levantada depois de Andy finalmente admitir culpa pelo assassinato da esposa. 

De forma semelhante, a liberdade de “Red” só é conquistada depois dele aceitar que não pode se salvar ou reconciliar seus pecados. Freeman descreveu a história de “Red” como uma de salvação, já que o personagem não é inocente de seus crimes, diferentemente de Andy que encontra redenção. Alguns espectadores cristãos interpretam Zihuatanejo como o paraíso, enquanto o local também pode ser visto como a forma nietzschiana de falta de culpa alcançada fora das noções tradicionais de bem e mal, onde a amnésia oferecida é a destruição em vez do perdão do pecado, significando que o objetivo de Andy é tanto secular quanto ateísta. Assim como Andy pode ser interpretado como uma figuração semelhante a Cristo, ele também pode ser considerado um profeta como Zaratustra oferecendo fuga por meio da educação e experiência de liberdade. O crítico Roger Ebert argumentou que The Shawshank Redemption é uma alegoria sobre manter um sentimento de autoestima quando colocado em uma posição desesperançosa. A integridade de Andy é um tema importante na narrativa, especialmente na prisão, local onde falta integridade.        

Vale lembrar que a semelhança serve à representação, que reina sobre ela; a similitude serve à repetição, que corre através dela. A semelhança se ordena segundo o modelo que está encarregada de acompanhar e de fazer reconhecer; a similitude faz circular o simulacro como relação indefinida e reversível do simular ao simular. Na Décalcomanie (1966), uma cortina vermelha de largas dobras que ocupa dois terços do quadro subtrai ao olhar uma paisagem do céu, do mar e de areia. Ao lado da cortina, dando como de costume, as costas ao espectador, o homem com chapéu-coco olha para o perigo. A cortina se encontra recortada com uma forma que é exatamente a do homem: como se fosse ele próprio um pedaço de cortina cortado com a tesoura. Nessa larga abertura, vê-se a praia. A pergunta que se deve fazer é a seguinte: o que se deve compreender? É o homem destacado da cortina e, ao se deslocar permite ver o que ele provavelmente estava olhando quando se misturava com a dobra da cortina? Decalcomania? Deslocamento e mudança de elementos similares, mas de modo algum uma reprodução semelhante: “corpo=cortina”, diz representação semelhante.

   

A semelhança comporta uma única asserção, sempre a mesma. A similitude as afirmações diferentes, que dançam juntas, apoiando-se e caindo umas em cima das outras. Expulsa do espaço do quadro, excluída da relação entre as coisas que reenviam uma à outa, a semelhança desaparece. Mas não era para reinar em outro lugar, onde estaria liberta do jogo indefinido da similitude. Não cabe à semelhança ser a soberania que faz surgir. A semelhança, que não é uma propriedade das coisas, não é própria ao pensamento? “Só ao pensamento”, diz Magritte, “é dado ser semelhante; ele assemelha sendo o que vê, ouve ou conhece; torna-se o que o mundo oferece”. O pensamento assemelha sem similitude, tornando-se ele próprio essas coisas cuja similitude entre si exclui a semelhança. A pintura é esse ponto onde está na vertical um pensamento que está sob o modo da semelhança e das coisas que estão nas relações de similitude. Isto não é um cachimbo é suficiente para a questão: quem fala a enunciação? Ou antes, de fazer falar, os elementos dispostos, seja deles mesmo: “Isto não é um cachimbo”. Ela inaugura um jogo de transferências que correm, proliferam, se propagam, se respondem, no plano do quadro sem nada afirmar, nem representar nesses jogos da similitude.

O diretor e roteirista Frank Darabont colaborou com o autor Stephen King pela primeira vez em 1983 no curta-metragem adaptação do conto “The Woman in the Room”, comprando os direitos do autor pelo valor de apenas um dólar – um acordo em que King ajudava aspirantes a diretores a construírem seus portfólios ao adaptarem algum de seus contos. A Nightmare on Elm Street 3: Dream Warriors de 1987 foi o primeiro crédito de Darabont como roteirista, com ele voltando para King com cinco mil dólares a fim de comprar os direitos de adaptação de Rita Hayworth and Shawshank Redemption, uma novela de 96 páginas publicada na coleção Different Seasons de 1982, originalmente escrita para explorar outros gêneros além do terror que o autor era comumente conhecido. Apesar de King não compreender como a história, focada principalmente em “Red” contemplando Andy, poderia se tornar um longa-metragem, Darabont por sua vez acreditava que a abordagem era óbvia. O autor nunca descontou o cheque de cinco mil dólares que recebeu pelos direitos da novela; King em vez disso enquadrou o cheque e o devolveu para Darabont junto com um bilhete que dizia: “Caso você algum dia precise de dinheiro de fiança. Com amor, Steve”. Darabont escreveu o roteiro cinco anos depois no decorrer de oito semanas. Ele expandiu vários elementos da história de King.

Brooks, que na novela é um personagem apenas mencionado como tendo morrido em um asilo, tornou-se um personagem trágico que acaba se suicidando. Tommy, que no livro troca a evidência que exonera Andy pela transferência para uma prisão melhor, é assassinado no roteiro por ordens de Norton, que é um composto de vários diretores na história de King. O roteirista optou por criar um único personagem diretor com o objetivo de fazê-lo o principal antagonista. Dentre suas inspirações, Darabont citou os trabalhos do diretor Frank Capra, incluindo Mr. Smith Goes to Washington e It`s a Wonderful Life, descrevendo-os como contos inacreditáveis e comentando que The Shawshank Redemption era mais inacreditável que filme de prisão. Ele também citou Goodfellas como inspiração para o uso de diálogo na ilustração das passagens de tempo do roteiro. Filmes que envolviam prisões não eram considerados prováveis sucessos de bilheteria na época, porém o roteiro da Darabont foi lido por Liz Glotzer, então produtora da Castle Rock Entertainment, cujo interesse em histórias prisões e reação ao ler o roteiro a fizeram ameaçar se demitir caso o estúdio não produzisse The Shawshank Redemption. Rob Reiner, cofundador e diretor executivo da Castle Rock, também gostou do roteiro.

Ele ofereceu entre 2,4 e 3 milhões de dólares a Darabont para que lhe permitisse dirigir a história. Reiner tinha antes adaptado a novela The Body em 1986 como o filme Stand by Me e planejava escalar Tom Cruise como Andy e Harrison Ford como “Red”. A Castle Rock se ofereceu para financiar qualquer outro filme que Darabont quisesse desenvolver. Ele considerou seriamente a oferta, acreditando que isto melhoraria sua posição na indústria e que o estúdio poderia tê-lo demitido contratualmente e dado a direção para Reiner de qualquer maneira. Entretanto, Darabont acabou escolhendo permanecer como diretor, afirmando anos depois que "você pode continuar a adiar seus sonhos em troca de dinheiro e, sabe, morrer sem ter feito a coisa que você queria fazer". Reiner serviu como o mentor de Darabont no projeto. Duas semanas depois de ter ido para a Castle Rock, ele conseguiu um orçamento de 25 milhões de dólares para fazer The Shawshank Redemption, pegando 750 mil dólares de salário como roteirista e diretor, mais uma porcentagem dos lucros, com a pré-produção começando em janeiro de 1993.

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