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terça-feira, 28 de abril de 2026

As Amas – Alma da Transliteração & Servidão Social no Trabalho.

                                                                   Sem um fim social o saber será a maior das futilidades”. Gilberto Freyre                           

     

        No âmbito da historiografia Carlos Guilherme Mota (1941-2026) observou que depois de 1967, “tornou-se possível o balanço da produção, a avaliação dos trabalhos de Gilberto Freyre – o que não devia ser nada fácil antes dessa época, pelo que se pode verificar no livro comemorativo dos vinte e cinco anos da Casa-Grande & Senzala” (cf. Mota, 2008), tendo em vista o ecletismo entre ensaístas tais como: Astrojildo Pereira, Fernando de Azevedo, Jorge Amado, Antônio Cândido, Miguel Reale, Anísio Teixeira, Luís Viana Filho, Cavalcanti Proença, o que demonstra, sociologicamente, por um lado, o estudo da trajetória e dos vários impactos sociais e políticos na apreensão da obra de Gilberto Freyre (1900-1987) sobre os meios intelectuais representando a cristalização da ideologia com base no editorialismo, caracterizado do ponto de vista merceológico com “grande poder de difusão”, e por outro, contém ambiguidades daquilo que se poderia denominar uma “geração de explicadores” da cultura brasileira, representando por assim dizer, “uma espécie de caso-limite”. Na concepção de Max Weber (1864-1920) é um instrumento de análise para o entendimento da sociedade por parte do cientista social com o objetivo de criar tipologias puras, destituídas de nexo avaliativo, de forma a oferecer um recurso analítico baseado em conceitos, como religião, burocracia, economia, capitalismo, dentre outros. Metodologicamente Gilberto Freyre pode ser interpretado como historicista no sentido do approach de Wilhelm Dilthey (1833-1911) quando propõe uma abordagem empática da realidade social, que lhe permitiu desenvolver uma interpretação pari passu histórica e sociológica. 

Seu objetivo é alcançar a subjetividade, é apreender a vida em seu interior. Trata-se em verdade de uma interpretação de uma história política, psicológica, vitalista, dionisíaca e não intelectualista o que não é pouco. A interpretação de seus “tipos inconciliáveis” se faz como é sabido, pelo “accountability” contido nos símbolos &: das obras: “Casa Grande & Senzala”, “Sobrados & Mocambos”, “Ordem & progresso”. Ao formular tipos ideais ele se aproxima de Max Weber; ao interpretá-los, aproxima-se de Georg Simmel (1858-1918). Para compreender a interconexão dos tipos, ele estudou o cotidiano, um campo de pesquisa social efetivamente original e inovador para tempos sombrios. A experiência imediata e “vivida na qualidade de realidade unitária” (“Erlebnis”) seria o meio a permitir a apreensão singular da realidade histórica e humana sob suas formas concreta e viva. Em seus ensaios gerais intitulados “Estudos sobre os Fundamentos das Ciências do Espírito” e “Teoria das Concepções do Mundo”, Dilthey submete a uma análise rigorosa o conceito de “Erlebnis”. Em “A Essência da Filosofia”, obra de (1907), o hermeneuta chega a afirmar a falência da filosofia como metafísica. Em verdade ele propõe uma filosofia histórica e relativa que analise os comportamentos humanos e esclareça as estruturas do mundo no qual vive o homem contrapondo-se a uma metafísica que se pretende colocar como imagem da realidade e a reduzir todos os aspectos da realidade a um único princípio absoluto.

O contato conceitual de Wilhelm Dilthey com a hermenêutica está relacionada à sua preparação teológica, embora a tenha utilizado para responder a seguinte pergunta: - “Como se  diferenciam as ciências humanas ou sociais das ciências naturais? A reflexão de Dilthey para estabelecer as relações entre significados e sistemas está presente ao longo de todos os seus escritos principalmente àqueles relacionados sobre as “ciências do espírito”, com oscilações que ensejam a leitura da sua obra tanto no âmbito psicológico quanto de uma perspectiva mais propriamente sociológica. Sem dúvida ele sempre recusou algum caráter de ciência à sociologia, referindo-se às suas variantes positivistas, mas em sintonia com uma preocupação com os fenômenos históricos em grande escala, nos quais as dimensões decisivas dizem respeito às formas de organização da vida coletiva. Foi o primeiro pensador preocupado em aproximar a hermenêutica do terreno das incertezas no conhecimento da história social europeia. A inovação causada por sua teoria foi única e, por isso, ele está na base de muitas correntes de pensamento que articulam história e hermenêutica. A hermenêutica tradicional se refere ao estudo da interpretação de textos escritos, especialmente nas áreas de literatura, religião e direito. A hermenêutica moderna ou contemporânea engloba não somente textos escritos, mas também tudo que há no processo interpretativo. Isso inclui formas verbais e não verbais de comunicação, assim como aspectos que afetam a comunicação, como proposições, pressupostos, o significado e a filosofia da linguagem e a semiótica. Não tem a pretensão de eternizar o homem, mas possibilitar ao homem se aproximar da vida, por meio de conexões que integram, aproxima e relaciona os homens. A teoria compreensiva tem uma importância ética ímpar para o mundo contemporâneo.                                      

A base para esse nexo em que se dá a relação da vivência é a categoria do significado. Tal categoria corresponde a um apoio sólido que aparece como uma unidade de conjunto onde age o pensamento, os sentimentos e a vontade. Considerando que há uma relação conceitual estabelecida sobre o balanço referencial entre a parte e todo no nexo da vivência, o que garante o equilíbrio para esse balanço é a categoria interpretativa do significado que para Wilhelm Dilthey, nada mais é do que a integração num todo que nós encontramos junto e nos remete ao significado e sentido contido na relação parte-todo que encontra na vivência e é seu fundamento. É neste sentido que Dilthey considera que vida e a mudança dos seus principais momentos estruturais fazem que a concepção do mundo sempre e em toda a parte se expresse em oposições, embora sobre um fundo comum. Portanto é  na arte, na religião e no pensamento que encarnam os ideais que atuam na existência de um povo. Por conseguinte, toda a mundividência é produto da história. A historicidade revela-se como uma propriedade fundamental da consciência humana. Os sistemas filosóficos não constituem uma exceção. Como as religiões e as obras de arte, contêm uma visão da vida e do mundo, inserida na vitalidade das pessoas que os produziram e em consonância com as épocas em que vieram à luz do dia; traduzem uma determinada atitude afetiva, caracterizam-se pela imprescindível energia lógica, porque o filósofo procura trazer a imagem do mundo à clara consciência e ao mais estrito urdimento cognitivo. Neste esforço de reflexão e de trabalho dos conceitos, que gera uma circunspecção potenciada, é que reside o valor prático da atitude filosófica.  

Como o centro da compreensão está na vida como um todo estruturado, mas sempre resultando da relação entre individualidades, é possível perceber a conexão entre a ética e a teoria compreensiva. Em verdade uma concepção da teoria, ao longo de quase meio século, permeada lado a lado por um motivo básico: uma unidade cuja garantia de existência é a presença do sentido. Há uma démarche que atravessa o homem, e nesta noção de sentido está a marca de uma concessão fatal a uma metafísica.  Ele desejava evitar tanto quanto o empirismo dos positivistas, desde que fique clara a dimensão de ser criador de significados, que não é simplesmente a noção ampla de vida, mas sua unidade constitutiva, a vivência, representada em toda experiência humana. Ipso facto, a história é suscetível de conhecimento porque é obra humana; nela o sujeito e objeto do conhecimento formam uma unidade. Nessa direção chega-se à formulação final da concepção de Dilthey. Seus elementos são: vivência, expressão e compreensão. A vivência surge nesse ponto, como algo especificamente social – pela sua dimensão intersubjetiva, e cultural – pela sua dimensão significativa -, para além do seu nível psicológico ou mesmo biológico porque guarda na memória. Trata-se de um ato reflexivo de consciência, que propõe e persegue fins num contexto intersubjetivo. As interações humanas ganham corpo nas diversas formas de “manifestação de vida” através da arte, filosofia, religião, ciência, como expressão desse caráter objetivo que a experiência, intersubjetivamente constituída assume.

 Sua concepção metodológica articula-se, portanto, em torno do movimento de ir e vir que ocorre entre a vida, como conjunto de vivências e as formas objetivas que seus resultados assumem na sua expressão. A referência às “vivências”, segundo Gabriel Cohn, visa a preservar esse caráter imediato, no qual só é possível compreender aquilo de que o próprio intérprete (pois é de interpretação que se trata, e não de observação) é também o produtor; ou seja, os propósitos, os fins e os valores, ainda que ao intérprete caiba mais propriamente reproduzi-los, na sua tarefa de reconstituir o processo da sua produção primeira. A diferenciação das ciências da sociedade não se realizou por artifício da “inteligência teórica”, em resolver o problema posto pela existência do mundo mediante a análise metódica do objeto de investigação: a própria vida a realizou. Vale lembrar que a nação é um produto cultural, político e social que surge na Europa a partir do fim do século XVIII e que se constitui efetivamente em uma “comunidade política imaginada”. Nesse processo de construção histórica, a relação entre o velho e o novo, o passado e o presente, a tradição e a modernidade representam uma constante e se reveste de importância fundamental, pois, a nação é uma comunidade de sentimento que normalmente tende a produzir um Estado próprio, é preciso invocar antigas tradições (reais ou inventadas) como fundamento “natural” da identidade nacional que está sendo criada. Isso tende a obscurecer o caráter histórico e relativamente recente dos estados nacionais. Assim como o Estado-nação procura delimitar e zelar por suas fronteiras geopolíticas, ele também se empenha em demarcar suas fronteiras culturais, estabelecendo o que faz e o que não faz parte da nação. 

Através desse processo se constrói uma identidade nacional que procura dar uma imagem à comunidade abrangida por ela. A consolidação dos Estados-nações é recente. Mesmo em sociedades que parecem bem integradas. Mas há casos comumente em que é representada como se fosse dividido em duas regiões antagônicas e em oposição assimétrica o que é recorrente para o Brasil. A etnografia tem origem na Antropologia Social, um dos quatro campos ou níveis de conhecimento da Antropologia, que surgiu da necessidade de compreender as relações socioculturais, os comportamentos, ritos, técnicas, saberes e práticas das sociedades até então desconhecidas, e que tem vindo a ser adaptada a problemas comuns da atualidade. Os antropólogos, normalmente, têm a tarefa de estudar culturas que são completamente diferentes das sociedades nas quais eles vivem, estudar as diferenças entre as suas experiências e costumes, assim como entender como esta funciona. Ou seja, têm o objetivo de a compreender do ponto de vista das pessoas que nela vivem. Este estudo por observação é necessário porque parte do comportamento das pessoas é baseado em conhecimento não-falado, o conhecimento tácito. Assim, não é suficiente fazer perguntas, é necessário observar o que as pessoas fazem, as “ferramentas” que utilizam e como se relacionam entre si. É importante não repetir os erros cometidos ao longo da história provenientes de incompreensões de culturas estudadas. Por exemplo, as primeiras pessoas a contatar com culturas desconhecidas, tais como comerciantes, exploradores ou missionários, por diversas vezes realizaram interpretações incorretas sobre os povos nativos que resultaram em graves problemas, nomeadamente conflitos armados.  

A etnografia tem origem na Antropologia Social, um dos quatro campos ou níveis de conhecimento da Antropologia, que surgiu da necessidade de compreender as relações socioculturais, os comportamentos, ritos, técnicas, saberes e práticas das sociedades até então desconhecidas, e que tem vindo a ser adaptada a problemas comuns da atualidade. Os antropólogos, normalmente, têm a tarefa de estudar culturas que são completamente diferentes das sociedades nas quais eles vivem, estudar as diferenças entre as suas experiências e costumes, assim como entender como esta funciona. Ou seja, têm o objetivo de a compreender do ponto de vista das pessoas que nela vivem. Este estudo por observação é necessário porque parte do comportamento das pessoas é baseado em conhecimento não-falado, o conhecimento tácito. Assim, não é suficiente fazer perguntas, é necessário observar o que as pessoas fazem, as “ferramentas” que utilizam e como se relacionam entre si. É importante não repetir os erros cometidos ao longo da história provenientes de incompreensões de culturas estudadas. Por exemplo, as primeiras pessoas a contatar com culturas desconhecidas, tais como comerciantes, exploradores ou missionários, por diversas vezes realizaram interpretações incorretas sobre os povos nativos que resultaram em graves problemas, nomeadamente conflitos armados.  

Vale lembrar que a nação é um produto cultural, político e social que surge na Europa a partir do fim do século XVIII e que se constitui efetivamente em uma “comunidade política imaginada”. Nesse processo de construção histórica, a relação entre o velho e o novo, o passado e o presente, a tradição e a modernidade representam uma constante e se reveste de importância fundamental, pois, a nação é uma comunidade de sentimento que normalmente tende a produzir um Estado próprio, é preciso invocar antigas tradições (reais ou inventadas) como fundamento “natural” da identidade nacional que está sendo criada. Isso tende a obscurecer o caráter histórico e relativamente recente dos estados nacionais. Assim como o Estado-nação procura delimitar e zelar por suas fronteiras geopolíticas, ele também se empenha em demarcar suas fronteiras culturais, estabelecendo o que faz e o que não faz parte da nação. Através desse processo se constrói uma identidade nacional que procura dar uma imagem à comunidade abrangida por ela. A consolidação dos Estados-nações é recente. Mesmo em sociedades que parecem bem integradas. Mas há casos comumente em que é representada como se fosse dividido em duas regiões antagônicas e em oposição assimétrica o que é recorrente para o Brasil.    

Ipso facto, os etnógrafos tentam evitar este tipo social de problemas assumindo todas as conclusões iniciais como susceptíveis de incorreções, explicitando claramente todas as suposições sobre os fatores de análise, examinando-as e questionando-as durante toda a investigação. Todo o conhecimento relevante que é necessário extrair é então totalmente resultado do contato prolongado com as pessoas no seu ambiente natural, partindo para este estudo com um planejamento mínimo. A linguagem da cultura em questão deve também ser corretamente estudada, é necessário entender todos os termos utilizados e a forma como estes se relacionam, procurando assim evitar distorcer o seu significado. Também a abordagem a todos os objetos e documentos utilizados pelas pessoas deve ser extremamente cuidada. É importante observar como a utilização destas ferramentas é feita para atingir os objetivos pretendidos e não apenas classificá-las com base nas suas propriedades físicas ou outras. A abordagem etnográfica e a identificação de requisitos têm muito em comum. Ambas têm o objetivo de entender uma cultura não familiar, todo o conhecimento, técnicas e práticas que a constituem, de forma a traduzi-las de maneira a que possa ser entendida e usada por outros. Tal como o etnógrafo, o engenheiro de requisitos tem a necessidade de documentar o domínio do sistema e a sua relação com a atividade de cada pessoa envolvida no seu funcionamento.

Para que se consiga extrair o máximo de conhecimento possível das pessoas, deve-se comunicar com estas utilizando metodologicamente a sua própria linguagem e não uma linguagem técnica de engenharia de software que é incompreensível e intimidadora para a maioria delas. Posteriormente, a equipe de desenvolvimento deve ser capaz de usar todos os dados estatísticos obtidos para que possa desenvolver o produto realmente apropriado, correspondente com a informação recolhida, que se adapte completamente às necessidades e valões dos utilizadores e seja perfeitamente integrado no seu ambiente. As pesquisas que se efetuam com o objetivo de realizar estes estudos resultam numa grande quantidade de informação, através de apontamentos, gravações de áudio e vídeo e um conjunto de objetos que fazem parte essencialmente das culturas, que deverá ser gerida com toda a atenção para que a sua análise e processamento não se prolongue excessivamente. Um estudo etnográfico requer muito mais habilidade técnica do uso social do tempo do que as técnicas de identificação de requisitos mais comuns, como as entrevistas, logo todos os recursos financeiros e temporais, muitas vezes difíceis de obter, que o suportam devem ser utilizados da forma mais optimizada possível.

O Diário de uma Babá (The Nanny Diaries) tem como representação social um filme norte-americano de comédia dramática de 2007, escrito e dirigido por Shari Springer Berman e Robert Pulcini, baseado no romance de 2002 de Emma McLaughlin e Nicola Kraus. Estrelado por Scarlett Johansson, Chris Evans, Laura Linney e Paul Giamatti, o filme narra a história de uma recém-formada que começa a trabalhar como babá para uma família rica em Nova York. Instalada na casa deles, ela precisa lidar com a disfuncionalidade da família, um novo romance e a criança sob seus cuidados. O filme “The Nanny Diaries” foi lançado nos Estados Unidos em 24 de agosto de 2007 pela Metro-Goldwyn-Mayer e The Weinstein Company. Recebeu críticas mistas e arrecadou US$ 47,8 milhões, contra um orçamento de US$ 20 milhões. Annie Braddock, de 21 anos, acaba de se formar na Universidade Estadual de Montclair, a segunda maior Universidade do Estado de Nova Jersey, em termos de população estudantil, tem aproximadamente 500 acres (2,0 km²) no tamanho, incluindo a New Jersey School of Conservation. A Universidade atrai estudantes do estado de Nova Jersey, de vários outros estados do país e de muitos países estrangeiros. Mais de 250 cursos são oferecidos.

    

Ela não tem ideia do que ou quem quer ser. Um dia, sentada no parque, Annie vê um menino prestes a ser atropelado por um Segway. Annie a salva e conhece a mãe do menino, que reconhecemos como Sra. X. Quando se apresenta como “Annie”, a Sra. X a confunde com “Babá” e a contrata para cuidar de Grayer, o menino que ela salvou (a Sra. X continua a chamá-la de “Babá” em vez de “Annie” ao longo do filme. Annie mente para sua mãe, Judy, dizendo que conseguiu um emprego em um banco e, na verdade, se muda para o apartamento da família X para ser a babá de Grayer. A vida com os incrivelmente privilegiados X não é como ela imaginava, e se complica ainda mais quando se apaixona pelo “Gato de Harvard”, que também mora no prédio. Intercaladas com sua vida como babá dos X, estão suas interações com o “Gato de Harvard”, bem como com sua amiga de longa data, Lynette. O “Gato de Harvard” revela a Annie que se identifica com Grayer, seu protegido, pois, quando perdeu a mãe aos quatro anos, seu pai ausente o deixou aos cuidados de várias babás até que ele atingisse a idade para ser enviado a um internato. Annie continua escondendo da mãe seu verdadeiro emprego, enviando relatórios de progresso regulares, porém falsos. Complicações adicionais surgem quando Judy decide visitá-la, forçando Annie a fingir que Lynette e seu colega de quarto, Calvin, são um casal e que o apartamento deles é o dela. Judy descobre a verdade quando Grayer fica gravemente doente e Annie a liga desesperadamente pedindo ajuda.

Após um começo difícil, Annie finalmente cria um laço com Grayer, a quem chama pelo seu codinome preferido, “Grover”, e descobre que ele é, na verdade, uma criança doce e amorosa, negligenciada pelos pais, o que explica seu comportamento incontrolável. Paralelamente, Annie começa a perceber que Grayer não é o único negligenciado: a Sra. X também sofre, com o Sr. X sendo constantemente cruel com ela e cometendo adultério de forma sutil e óbvia. A Sra. X faz inúmeras tentativas para que o marido a ame, inclusive mentindo sobre estar grávida do segundo filho. Annie logo percebe que o tratamento cruel que recebe da Sra. X se deve às crescentes frustrações desta com seu casamento disfuncional. As coisas pioram durante uma viagem em família com os X para Nantucket. Ela ouve a Sra. X dizendo a uma amiga, durante uma festa, que instalou uma "babá eletrônica" em sua casa na cidade e planeja demitir Annie depois de assistir às imagens que mostram Annie cuidando carinhosamente de Grayer com a Sra. X exagerando suas descobertas da “babá eletrônica”.

Na manhã seguinte, o Sr. X agride sexualmente Annie justamente quando a Sra. X entra na cozinha. Ela demite Annie sem motivo aparente e a manda de volta para a cidade com seu pagamento final de apenas 40 dólares. Enfurecida, Annie encontra a “babá eletrônica” na casa dos X e grava seus sentimentos em relação a eles. A Sra. X leva a fita para a reunião de mães do Upper East Side na escola. Pensando que a fita mostrará Annie dando manteiga de amendoim e geleia para Grayer direto do pote, ela pede à coordenadora que a reproduza para todos verem. Todos os outros pais na sala ouvem Annie revelar o verdadeiro relacionamento entre os X, fazendo com que a Sra. X confronte sua própria realidade e sua falsa felicidade. Annie se reconcilia com a mãe e continua saindo com “o gato de Harvard”, cujo nome verdadeiro é revelado como Hayden. Ela está morando temporariamente com Lynette e Calvin, e se dedicando ao seu crescente interesse por Antropologia, grande parte do qual aprendeu durante o tempo em que trabalhou como babá dos X. Alguns meses depois, Hayden entrega a Annie uma carta da Sra. X. Na carta, ela pede desculpas e conta como se separou do Sr. X, está criando Grayer sozinha e se esforçando mais para criar um vínculo com ele (e conseguindo), além de relatar a melhora geral de Grayer. Ela expressa sua gratidão a Annie por tê-la feito despertar para a realidade e mudar extraordinariamente a sua vida. Também na carta, a Sra. X se dirige a Annie pela primeira vez pelo seu nome (em vez de Babá) e assina com seu próprio nome, Alexandra (em vez de Sra. X).

            Escólio: O termo ama deriva originalmente da língua basca e significa mãe. A ama era responsável por cuidar de todos os detalhes envolvendo o bem-estar da criança, como alimentação, higiene e vestimenta. Frequentemente também cuidava de aspectos lúdicos ou educacionais, entretendo a criança com brincadeiras ou contando-lhe histórias. Quando tinham aos cuidados uma criança recém-nascida, as amas podiam ou não ficar responsáveis também por sua amamentação. No primeiro caso, elas eram denominadas amas-de-leite, e no segundo caso, de amas-secas. As amas-de-leite eram selecionadas entre as que também tinham filhos pequenos, de modo que passavam a dividir seu leite entre o filho natural e a criança a seu cuidado. Por sua convivência com a criança ser por vezes mais constante até do que a da própria mãe biológica, criavam-se duradouros laços afetivos ente as crianças e suas amas, a quem consideravam como uma segunda mãe.

      

    Babá, ama-seca ou babysitter tem como representação social um profissional, quase sempre uma mulher, que cuida de uma criança ou bebê, em períodos de ausência dos pais ou responsáveis, sem especialização em enfermagem, cada vez mais presentes na sociedade moderna, as babás são as responsáveis por cuidar das crianças a partir de 3 ou 4 meses de idade na ausência dos pais. Esta função, no entanto, tem evoluído para uma ajuda constante às mães, incluindo os cuidados com roupas e alimentação das crianças. Pode ser um trabalho assalariado para todas as idades. Embora a profissão de babá seja relativamente recente, a função sempre existiu na maioria das sociedades complexas, sendo exercida, dependendo de aspectos culturais e religiosos, por parentes mais jovens, servas ou ainda por escravas. O termo ama-seca era então empregado nesses casos, para diferenciar da ama-de-leite. O termo “babysitter” surgiu socialmente em 1937, enquanto o verbo em inglês “baby-sit” desenvolveu-se pela primeira vez em 1947.

            Em ambientes de cuidados infantis, o auxiliar de cuidados infantis trabalha sob a supervisão de profissionais de enfermagem especializados em cuidados infantis ou educação infantil. Dependendo do contexto, o auxiliar de cuidados infantis pode trabalhar sete dias por semana e vinte e quatro horas por dia, até um limite de trinta e cinco horas por semana na França, em turnos, noturnos, ambiente hospitalar, creche, centro materno-infantil) ou diurnos, creche, centro de acolhimento diurno, centro de cuidados infantis multisserviços. Em creches, centros de educação infantil com múltiplos serviços ou berçários, os auxiliares de educação infantil cuidam de um grupo de crianças com idades entre dois meses e meio e três ou quatro anos. Suas responsabilidades incluem garantir sono adequado, higiene pessoal e ambiental, e alimentação balanceada; ensinar autonomia às crianças (comer, andar, usar o banheiro); implementar os protocolos para alimentação com mamadeira; orientar os pais na transição do leite para alimentos sólidos; apoiar os bebês em suas explorações físicas; estimular os sentidos; organizar atividades de desenvolvimento; monitorar medidas biométricas; e aplicar protocolos em caso de acidentes ou crianças doentes, com o auxílio da enfermagem. Na maternidade, o auxiliar de enfermagem ajuda a parteira durante o parto, caso ela trabalhe na sala de parto.

Na unidade pós-parto, o auxiliar de enfermagem apoia os novos pais em seu novo papel e participa do banho e da alimentação dos recém-nascidos (mamadeira, amamentação). Em pediatria, o auxiliar de enfermagem garante a higiene e o conforto da criança (lavagem/banho, aferição de temperatura, distribuição de refeições, colaboração com o enfermeiro ou cuidador infantil durante os cuidados de enfermagem (exames de sangue, infusão …), tranquiliza a criança e as pessoas ao seu redor, participa de atividades de desenvolvimento. No âmbito da Proteção Materno-Infantil, o auxiliar de cuidados infantis acompanha as consultas com o médico/pediatra, pesa e mede a criança e atualiza os arquivos administrativos. No Instituto Médico-Educacional) e no Instituto de Educação Motora, o AP intervém junto de crianças com deficiências físicas ou mentais, zelando pelo seu bem-estar, higiene e conforto, participando nas refeições e em atividades de desenvolvimento. Em um centro materno-infantil, o auxiliar de cuidados infantis trabalha com famílias monoparentais em situação de vulnerabilidade, ou mesmo sob ordem judicial. Numa creche, o auxiliar de educação infantil trabalha, por um lado, com crianças acolhidas por ordem judicial para protegê-las do seu ambiente, ou a pedido dos pais que se encontram em grande dificuldade temporária; por outro lado, com crianças nascidas com menos de X anos enquanto aguardam o processo de adoção; e, por fim, por vezes, com um número limitado de crianças portadoras de deficiência.

O papel do auxiliar de creche é garantir a segurança, o bem-estar e o conforto da criança. Ele participa de todos os aspectos da vida diária da criança, desde o momento em que acorda até a hora de dormir, desenvolvendo um relacionamento próximo com ela (histórias, rimas, atividades de desenvolvimento da coordenação motora e cuidados pessoais); um profissional de cuidados infantis pode assumir essas atividades. No século XIX e no início do século XX, uma babá era geralmente reconhecida como “enfermeira” e era exclusivamente mulher encontradas em lares de renda mais alta e poderiam ser contratadas ou mormente escravas. Esperava-se que a mulher contratada amamentasse o bebê, um papel reconhecido como ama de leite. Em alguns lares, a enfermeira administrava outros profissionais em um ambiente da casa chamado berçário. Algumas eram mantidas por pelo menos uma assistente, reconhecida como babá. Por causa de seu profundo envolvimento na criação dos filhos da família, as babás muitas vezes eram lembradas com grande afeto e tratadas com mais gentileza que os outros empregados. 

As babás costumavam estar presentes nas famílias mais abastadas dos países coloniais, onde passavam suas vidas nas casas dos seus senhores, muitas vezes desde a infância até a velhice, cuidando de mais de uma geração de filhos. Elas também eram obrigadas a se mudar juntamente com a família. Na Índia Colonial, uma babá era reconhecida como ayahEste termo em sua transliteração, pode significar também “serva” ou “empregada doméstica”. Na China se chamava “amah” enquanto nas Índias Orientais Holandesas, a babá doméstica era reconhecida como “baboe”. Trata-se de uma babá que mora juntamente com a família e com a criança, sendo este tipo muito raro nos dias de hoje. Ser babá pode ser ideal para uma pessoa que deseja se mudar para o exterior por um curto período de tempo ou para se estabelecer financeiramente. Normalmente, uma babá que mora no emprego é responsável por todo o cuidado dos filhos de seus empregadores. Isso inclui qualquer coisa, desde lavar as roupas das crianças, arrumar os quartos das crianças, supervisionar os deveres de casa, preparar as refeições e levar as crianças para a escola ou outras atividades. Os benefícios podem incluir um apartamento ou quarto separado, às vezes chamado de flat e, possivelmente, um carro. Embora uma babá que morasse com a família estivesse normalmente disponível 24 horas por dia no passado, isso é muito menos comum agora e muitas vezes essas babás trabalham de 10 a 12 horas, e o restante do dia de folga. Basicamente, essas babás estão trabalhando enquanto as crianças estão acordadas e os pais trabalhando. Atualmente, uma babá doméstica é mais comum entre as famílias mais ricas, porque muitas vezes têm todas as despesas pagas pelo empregador. Algumas famílias usam o que é reconhecido como “babá compartilhada”, em que duas ou mais famílias pagam pela mesma babá para cuidar dos filhos em cada família em regime de meio período. 

A babá noturna trabalha durante o período noturno e geralmente cuida de recém-nascidos até os cinco anos de idade. Uma babá noturna pode desempenhar um papel de ensino, ajudando os pais a estabelecer bons padrões de sono ou colocar a criança para dormir. As funções e qualificações variam entre os países, mas podem atender às necessidades da família. As qualificações de uma babá noturna geralmente são em enfermagem materna. As taxas de remuneração variam de país, mas geralmente são bem pagas em comparação com a babá geral, já que a babá noturna é vista como uma especialista em sua área. Na história social, as mulheres europeias ficavam confinadas em suas camas ou em suas casas por longos períodos de tempo após o parto. Os cuidados eram prestados por familiares do sexo feminino (sogra) ou por uma auxiliar temporária denominada “enfermeira mensal”. Essas semanas eram chamadas de confinamento ou repouso e terminavam com a reintrodução da mãe à comunidade na cerimônia cristã da igreja das mulheres. Uma versão moderna desse período de descanso evoluiu, do ponto de vista das relações sociológicas de trabalho, com a intenção de dar o máximo de apoio à nova mãe, especialmente se ela estiver se recuperando de um trabalho de parto difícil.

Nos Estados Unidos da América, essas babás de maternidade especializadas são reconhecidas como especialistas em cuidados com o recém-nascido, desassociando esta especialidade da enfermagem com qualificação médica. Eles são altamente experientes em todos os aspectos dos recém-nascidos, exceto em questões médicas. Eles podem trabalhar 24 horas por dia, sete dias por semana, mas geralmente trabalham cinco noites/dias por semana durante os primeiros três meses de vida de um recém-nascido. A função social pode consistir em auxiliar os pais com orientações sobre alimentação, configuração do berçário, cuidados em relação a cólicas, refluxo e sono. Existem várias organizações de treinamento que oferecem certificações não credenciadas, no entanto, em um campo não regulamentado, os pais devem garantir que as qualificações de sua babá de maternidade sejam legítimas e credenciadas. Nos EUA, a Newborn Care Specialist Association é uma das muitas entidades de certificação autodesignadas. Algumas delas são especializadas em cuidados pós-parto para mães e bebês. Outro trabalho relacionado é auxiliar perinatal. A formação para esta profissão proporciona as competências para detectar perturbações psicológicas ou doenças infantis. 

Capacita os participantes para intervirem em casos de doença ou outros acidentes com consequências para a vida. Inclui um certificado de formação em procedimentos e cuidados de emergência. A profissão é per se feminina com 98% dos auxiliares de cuidados infantis são mulheres em França. As tradições chinesas e do Leste Asiático praticam uma forma de confinamento pós-parto conhecida nas regiões de língua chinesa como zuo yue zi “sentando o mês”, que são tradições e costumes relacionados à recuperação do parto. As “mulheres do confinamento” são chamadas de “yue são” e têm conhecimento especializado sobre como cuidar do bebê e da mãe. Em Singapura e na Malásia, os especialistas em cuidados com recém-nascidos são mais conhecidos por realizarem esse tipo de trabalho. Normalmente, o período de emprego será de cerca de 28 dias ou no máximo 16 semanas. Na Coréia, essas trabalhadoras de cuidados pós-parto são chamadas de Sanhujorisa. Na Holanda, o atendimento pós-natal padrão é apoiado pelo seguro médico estadual, que inclui mais de uma semana de consultas que cobrem um dia inteiro, chamadas de kraamzorgEsses profissionais são chamados de kraamverzorgster, auxiliar de cuidados domiciliares de maternidade, responsável por ensinar a nova mãe a cuidar de seu bebê, com por exemplo: cuidar de sua saúde, preparar refeições, entretenimento, tarefas domésticas e limpeza da casa e banheiro. A maioria das babás são mulheres entre 20 e 60 anos. 

Apesar de raros, existem cargos que são preenchidos por homens, o termo “Manny” é usado para designar babá do sexo masculino, especialmente nos Estados Unidos da América e no Reino Unido, formado por Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, é uma nação insular situada no noroeste da Europa. A Inglaterra, local de nascimento de Shakespeare e dos Beatles, abriga a capital, Londres, um centro financeiro e cultural globalmente influente. Também na Inglaterra, comparativamente, ficam o neolítico Stonehenge, as termas romanas de Bath e as centenárias e disciplinares universidades de Oxford e Cambridge. Neste caso, curiosamente, nenhuma qualificação formal ou treinamento são exigidos para se tornar uma babá. No entanto, o National Nursery Examination Board fundado em 1945, confere as qualificações para babás e profissionais de creche. Em 1994, este e o Council for Early Years Awards fundiram-se para formar o The Council for Awards in Children`s Care and Education, que fornece qualificações necessárias para o trabalho de babá. Norland College é uma faculdade particular perto de Bath, que oferece treinamento conceituado como babá. Ela também opera sua própria agência de empregos para graduados, bem como uma creche local em Bath. Nos Estados Unidos, nenhuma qualificação formal é exigida para ser babá.

Bibliografia Geral Consultada.

DILTHEY, Wilhelm, El Mundo Histórico. México: Fondo de Cultura Económica, 1947; Idem, Psicología y Teoría del Conocimiento. México: Fondo de Cultura Económica, 1951;  Idem, “Introducción a las Ciencias del Espíritu; ensayo de una fundamentación del estudio de la sociedad y de la historia”. In: Revista de Occidente, 1966; ARIÈS, Philippe, “Prefácio”. In: História Social da Criança e da Família. 2ª edição. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1981; TOURAINE, Alain, Le Retour de l`acteur. Essai de Sociologie. Paris: Éditions Fayard, 1984; GRANGER, Gilles-Gaston, Essai d`une Philosophie du Style. 2. ed. Paris: Editeur Odile Jacob, 1988; MARTINDALE, John R.; JONES, Arnold Hugh Martin; MORRIS, John, “Baba’s”. In: The Prosopography of the Later Roman Empire. Volume III, AD 527–641. Cambridge e Nova Yorque: Imprensa da Universidade de Cambridge, 1992; BARROS, Regina Duarte Benevides, Grupos: A Afirmação de um Simulacro. Tese de Doutorado. Programa de Estudos de Pós-Graduação em Psicologia Clínica. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 1994; LE BRETON, David, Compreender a Dor. Lisboa: Editor Estrela Polar; 1995; KAPLAN, E. Ann, A Mulher e o Cinema: Os Dois Lados da Câmera. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1995; MERLEAU-PONTY, Maurice, Le Cinema et la Nouvelle Psychologie. Paris: Éditions Gallimard, 1996; BECHERIE, Paul, Genesis de los Conceptos Freudianos. Buenos Aires: Ediciones Paidós, 1998; GOMES, Ana Ângela Farias, A Midiatização do Social: Globo e Criança Esperança Tematizando a Realidade Brasileira. Tese de Doutorado em Ciências da Comunicação. São Leopoldo: Universidade do Vale do Rio dos Sinos, 2007; MOTA, Carlos Guilherme, História de Brasil. Una Interpretación. Salamanca: Editora da Universidad de Salamanca, 2008; TAVARES, Ana Maria, Armadilhas para os Sentidos: Uma Experiência no Espaço-Tempo da Arte. Tese de Doutorado em Artes. Departamento de Artes Plásticas. Escola de Comunicações e Artes. Universidade de São Paulo, 2000; FORMAN-BRUNELL, Miriam, Babysitter: An American History. Estados Unidos: New York University Press, 2011; MITRAUD, Francisco Silva, Comunicação, Consumo e Mobilizações Contemporâneas. Representações Midiáticas da Multidão em Contextos de Resistência. Tese de Doutorado. Escola de Propaganda e Marketing em Comunicação e Práticas de Consumo. São Paulo: Escola Superior de Propaganda e Marketing, 2017; NOËL, Julie, História de Uma Profissão Extinta: Profissionais de Cuidados Infantis em Quebec, 1925-1985. Montreal: Universidade de Montreal, 2015; RAMEY-COLLIER, Khaila, et al, “Doula Care: A Review of Outcomes and Impact on Birth Experience”. In: Obstetrical & Gynecological Survey (2): 124–127, 2023; KITAGAWA, Adriana Aparecida do Vale, “Terceirização de Serviços e Reconfiguração da Universidade Pública sob a Lógica do Capital”. In: Revista Direitos, Trabalho e Política Social, vol. 12, n° 22, pp. 1–22, 2026; entre outros.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

Como Vender a Lua – Corrida Espacial & Dar Tratos Na Imagem da Bola.

    Não jure pela Lua, que é inconstante e muda todos os meses”. William Shakespeare         

         A Lua é o único satélite natural da Terra e o quinto maior do Sistema Solar. É o maior satélite natural de um planeta no sistema solar em relação ao tamanho do seu corpo primário, tendo 27% do diâmetro e 60% da densidade da Terra, o que representa 1⁄81 da sua massa. Entre os satélites cuja densidade é reconhecida, a Lua é o segundo mais denso, atrás de Io. Estima-se que a formação da Lua tenha ocorrido há cerca de 4,51 mil milhões de anos, relativamente pouco tempo após a formação da Terra. Embora no passado tenham sido propostas várias hipóteses para a sua origem, a explicação mais consensual atualmente é a de que a Lua tenha sido formada a partir dos detritos de um impacto de proporções gigantescas entre a Terra e um outro corpo do tamanho de Marte. A Lua encontra-se em rotação sincronizada com a Terra, mostrando sempre a mesma face visível, marcada por mares vulcânicos escuros entre montanhas cristalinas e proeminentes crateras de impacto. É o mais brilhante objeto no céu a seguir ao Sol, embora a sua superfície seja na realidade escura, com uma refletância acima do asfalto. A sua proeminência no céu e o seu ciclo regular de fases tornaram a Lua, desde a antiguidade, uma importante referência cultural na língua, em calendários, na arte e na mitologia. A influência da gravidade da Lua está na origem das marés oceânicas e ao aumento do dia sideral da Terra. A sua distância orbital, cerca de trinta vezes o diâmetro da Terra, faz com que no céu o satélite pareça ter o mesmo tamanho do Sol, permitindo-lhe cobri-lo por completo durante um eclipse solar total. 

A Lua é o único corpo celeste para além da Terra no qual os humanos já pisaram. O Programa Luna, da União Soviética, foi o primeiro a atingir a Lua com sondas não tripuladas em 1959. Baseando-se fortemente no Tratado da Antártica de 1961, o Tratado do Espaço Exterior também se concentra na regulamentação de certas atividades e na prevenção da concorrência e exploração irrestritas que podem levar a conflitos. Consequentemente, é amplamente silencioso ou ambíguo em atividades espaciais recentemente desenvolvidas, como mineração lunar e de asteroides. No entanto, o Tratado do Espaço Exterior é o primeiro e mais fundamental instrumento jurídico da legislação espacial, e seus princípios mais amplos que promovem o uso civil e pacífico do espaço continuam a sustentar as iniciativas multilaterais no espaço, como a Estação Espacial Internacional e o Programa Artemis. O Programa Apollo, do governo dos Estados Unidos da América, permitiu a realização das únicas missões tripuladas ao satélite, desde a primeira viagem tripulada em 1968 pela Apollo 8, até seis alunagens tripuladas entre 1969 e 1972, a primeira a Apollo 11. Estas missões recolheram mais de 380 kg de rochas lunares que têm sido usadas sobre a origem, história geológica e estrutura interna da Lua.  

  Após a missão Apollo 17, em 1972, a Lua foi visitada apenas por naves espaciais não tripuladas, como pela última sonda do programa soviético Lunokhod. Desde 2004, Japão, China, Índia, Estados Unidos e a Agência Espacial Europeia enviaram sondas espaciais ao satélite natural. Estas naves espaciais têm contribuído para confirmar a descoberta de água gelada em crateras lunares permanentemente escuras nos polos e vinculada ao regolito lunar. Missões tripuladas futuras para a Lua foram planejadas, através de esforços de governos e do financiamento privado. A Lua permanece, conforme acordado no Tratado do Espaço Exterior, livre para todas as nações que queiram explorar o satélite para fins pacíficos. Tratado do Espaço Sideral, ou Tratado do Espaço Exterior, formalmente o Tratado sobre os Princípios que Regem as Atividades dos Estados na Exploração e Uso do Espaço Exterior, incluindo a Lua e Outros Corpos Celestiais, é um tratado multilateral que forma a base da lei espacial internacional. Negociado e redigido sob os auspícios das Nações Unidas, foi aberto para assinatura nos Estados Unidos, Reino Unido e União Soviética em 27 de janeiro de 1967, entrando em vigor em 10 de outubro de 1967. Em fevereiro de 2021, 111 países são partes do tratado, incluindo principais nações com viagens espaciais, enquanto outros 23 são signatários.           

O Tratado do Espaço Exterior foi estimulado pelo desenvolvimento de mísseis balísticos intercontinentais (ICBM) na década de 1950, que podiam atingir alvos através do espaço sideral. O lançamento do Sputnik, o primeiro satélite artificial pela União Soviética, em outubro de 1957, e uma subsequente corrida armamentista com os Estados Unidos, apressou as propostas para proibir o uso do espaço exterior para fins militares. Em 17 de outubro de 1963, a Assembleia Geral da ONU aprovou por unanimidade uma resolução proibindo a introdução de armas de destruição em massa no espaço. Várias propostas para um tratado de controle de armas governando o espaço sideral foram debatidas durante uma sessão da Assembleia Geral em dezembro de 1966, culminando na redação e adoção do Tratado do Espaço Exterior em janeiro seguinte. As principais disposições do Tratado do Espaço Exterior incluem a proibição de armas nucleares no espaço; limitar o uso da Lua e de todos os outros corpos celestes apenas para fins pacíficos; estabelecendo que o espaço deve ser explorado e usado livremente por todas as nações; e impedindo qualquer país de reivindicar soberania sobre o espaço sideral ou qualquer corpo celeste. Embora proíba o estabelecimento de bases militares, o teste de armas e a realização de manobras militares em corpos celestes, o tratado não proíbe expressamente todas as atividades militares no espaço, o estabelecimento de forças espaciais militares ou a colocação de armas convencionais no espaço.

Como Vender a Lua representa um filme de comédia dramática e romance do diretor Greg Berlanti, um produtor de televisão e roteirista estadunidense, e escrito por Rose Gilroy, reconhecida pelo seu trabalho em Como Vender a Lua (2024), The Pack e State of the State (2019). O filme é estrelado por Scarlett Johansson, Channing Tatum, Nick Dillenburg, Anna Garcia, Jim Rash, Noah Robbins, Colin Woodell, Christian Zuber, Donald Elise Watkins, Ray Romano e Woody Harrelson. Sua história segue o relacionamento entre uma especialista em marketing e um funcionário da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço é uma agência do governo federal dos Estados Unidos responsável pela pesquisa e desenvolvimento de tecnologias e programas de exploração espacial. Sua missão oficial é “fomentar o futuro na pesquisa, descoberta e exploração espacial (NASA) durante a chamada Corrida espacial da década de 1960.  Fly Me to the Moon foi lançado nos cinemas nos Estados Unidos da América e Canadá pela Columbia Pictures através da Sony Pictures Releasing em 12 de julho de 2024, antes de ser transmitido na Apple TV+ em uma data posterior. É um serviço de streaming de vídeo sob demanda anunciado pela Apple Inc. em 2019 durante o seu evento especial de 25 de março realizado no Steve Jobs Theater. Várias celebridades envolvidas com projetos do Apple TV+ apareceram: Oprah Winfrey, Steven Spielberg e Jennifer Aniston.

Durante a corrida espacial dos anos 1960 entre os Estados Unidos e a União Soviética um relacionamento se inicia entre o diretor da NASA encarregado do lançamento da Apollo 11 e a especialista de marketing contratada para limpar a imagem da NASA e encenar um falso pouso na lua como Plano B. Em março de 2022, a Apple Studios anunciou que eles haviam adquirido os direitos de produção para um filme ambientado na Corrida Espacial, até então intitulado Projeto Artemis, por US$ 100 milhões. Scarlett Johansson e Chris Evans foram anunciados como os protagonistas do filme, e Jason Bateman como diretor. Em maio, Bateman disse que o título provisório “Projeto Artemis” provavelmente seria alterado. Ele deixou o projeto no mês seguinte, alegando diferenças criativas, e mais tarde foi substituído por Greg Berlanti, é seu primeiro trabalho como diretor desde Com Amor, Simon, em 2018. A busca por um novo diretor junto a disponibilidade de Berlanti, causaram mudanças no cronograma da produção, obrigando Evans a desistir do filme também. Em julho, se iniciaram negociações para Channing Tatum substituí-lo. Em setembro, Jim Rash se juntou ao elenco. Ray Romano, Anna Garcia e Woody Harrelson seriam incluídos nos meses a seguir. As filmagens começaram em 27 de outubro de 2022, em Atlanta, com uma chamada de elenco emitida em busca de figurantes para interpretar funcionários da NASA e agentes do Federal Bureau of Investigation (FBI), a principal agência de aplicação da lei e serviço de inteligência dos Estados Unidos. Em abril de 2024, Daniel Pemberton foi anunciado compositor para trilha sonora do filme.    

A corrida espacial ocorreu na segunda metade do século XX entre a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e os Estados Unidos da América pela supremacia na exploração e tecnologia espacial. Entre 1957 e 1975, a rivalidade entre as duas superpotências durante a Guerra Fria atingiria ambos os pioneirismos na exploração do espaço, que eram vistos como necessários para a segurança nacional e símbolos da superioridade tecnológica e ideológica de cada país. A corrida espacial envolveu esforços pioneiros no lançamento de satélites artificiais, voo espacial tripulado suborbital e orbital em torno da Terra e viagens tripuladas à Lua. A competição efetivamente começou com o lançamento do satélite artificial soviético Sputnik 1 em 4 de outubro de 1957 e concluiu-se com o projeto cooperativo Apollo-Soyuz em julho de 1975. O Projeto de Teste Apollo-Soyuz passou então a simbolizar uma flexibilização parcial das relações tensas entre a URSS e os Estados Unidos da América. A corrida espacial teve suas origens na corrida armamentista que ocorreu logo após o fim da 2ª guerra mundial, quando tanto a União Soviética quanto os Estados Unidos capturaram a tecnologia e especialistas de foguetes avançados alemães. As consequências realizaram aumento sem precedentes nos gastos com educação e pesquisa pura, acelerando avanços científicos sobre tecnologias para a civilização. Algumas sondas e missões incluem os Sputnik 1, Explorer 1, Vostok 1, Mariner 2, Ranger 7, Luna 9, Apollo 8 e Apollo 11. Wernher von Braun foi um dos próceres em P&D de tecnologias de foguetes para a Alemanha.

       A corrida espacial envolveu esforços pioneiros no lançamento de satélites artificiais, voo espacial tripulado suborbital e orbital em torno da Terra e viagens tripuladas à Lua. A competição efetivamente começou com o lançamento do satélite artificial soviético Sputnik 1 em 4 de outubro de 1957 e concluiu-se com o projeto cooperativo Apollo-Soyuz em julho de 1975. O Projeto de Teste Apollo-Soyuz passou então a simbolizar uma flexibilização parcial das relações tensas entre a URSS e os Estados Unidos da América. A corrida espacial teve suas origens na corrida armamentista que ocorreu logo após o fim da 2ª guerra mundial, quando tanto a União Soviética quanto os Estados Unidos capturaram a tecnologia e especialistas de foguetes avançados alemães. As consequências realizaram aumento sem precedentes nos gastos com educação e pesquisa, acelerando avanços científicos sobre tecnologias benéficas para a civilização. Algumas sondas e missões incluem os Sputnik 1, Explorer 1, Vostok 1, Mariner 2, Ranger 7, Luna 9, Apollo 8 e Apollo 11. Wernher von Braun foi um dos próceres no desempenho de tecnologias de foguetes para a Alemanha.

Embora alegasse neutralidade de seu envolvimento com o Partido fosse apenas visando não interromper a questão axiológica das pesquisas espaciais e proteger-se de caçadas anticomunistas. Pioneiro e visionário das viagens espaciais, é reconhecido por ter liderado o projeto aeroespacial norte-americano durante a chamada Corrida Espacial, tendo trabalhado como projetista chefe do primeiro foguete de grande porte movido a combustível líquido, e além disso, produzido em série, o Aggregat 4, e por liderar o desenvolvimento do foguete Saturno V, que levou os astronautas dos Estados Unidos da América à Lua, em julho de 1969. Sua contraparte e rival, político do lado soviético, foi o engenheiro Sergei Korolev (1906-1966), um notável ucraniano e o principal projetista de foguetes e de aeronaves soviético durante a corrida espacial entre a União Soviética versus Estados Unidos durante os anos 1950 e 1960. Korolev é  considerado do ponto de vista do valor-trabalho “o pai da astronáutica soviética”. Antes de sua súbita morte em 1966, a União Soviética liderava a corrida espacial, e os planos para colocar o primeiro homem na lua haviam começado a serem implementados.

Sergei Korolev foi, ao contrário do que é propagado, o verdadeiro criador do desafio científico de levar homens à lua, embora a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas não tenha admitido o que pretendia. Os Estados Unidos da América, em contrapartida, o fizeram através de um desafio ideológico do presidente John F. Kennedy. Segundo o professor James Onnig, em 1961, no afã da conquista, a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou a internacionalização do espaço, e em 1967, foi assinado o Tratado de Uso do Espaço Cósmico. O documento foi importante tendo em vista que todos os países aceitaram a ideia de que nenhum país ou empresa poderia se declarar de determinada parte dessa nova fronteira. O problema é que o espaço cósmico está em certo sentido congestionado. Estima-se que sejam mais de 30 mil objetos lançados, 6. 800 toneladas de lixo espacial, 19 mil fragmentos que já caíram na Terra e uma infinidade de eventos preocupantes. Mas do ponto de vista da Física é quase nada. O princípio que norteou essa tragédia foi o da extraordinária Big Sky Theory. O espaço cósmico é tão grande que caberiam todos os experimentos, satélites, objetos e qualquer parafernália tecnológica. Em 2009 e de forma pouco noticiada ocorreu um acidente espacial.

O satélite ativo dos Estados Unidos da América, Iridium 33 se chocou com o satélite desativado russo, Kosmos 2251. O Iridium 33, foi um satélite de comunicação norte-americano, que no dia 10 de fevereiro de 2009, às 19h56 de Moscou (14h56 de Brasília) chocou-se com outro satélite, o Kosmos 2251 a cerca de 800 km de altitude, no zênite da Sibéria, provocando um lançamento de milhares de destroços na órbita baixa da Terra. A trombada gerou mais de 2.000 pedacinhos que estão sobre nossas cabeças na atmosfera. Já se pensou em tudo para solucionar o problema. Todas as propostas esbarram na questão dos custos financeiros. Os chineses destruíram seu satélite meteorológico Fengyun 1C com o lançamento de um míssil, fato que ainda gera controvérsia, e mais uma demonstração de força do que de habilidade técnica dos chineses. Cientistas norte-americanos tinham alertado para essa possibilidade nos anos de 1970. Colisões e riscos de acidentes seriam cada vez mais comuns. A situação é real  se pensarmos que as evoluções das telecomunicações estão ocorrendo rapidamente.

Em 14 de fevereiro de 2009 começa a Era de Aquário – que rege, além do amor e da paz, a liberdade e as mudanças. Acerca dos efeitos visíveis na humanidade, é relatado que estamos sentindo as influências de Aquarius, designado como Orbe de influência no desenvolvimento acelerado a nível individual, social, cultural, científico e tecnológico e, sobretudo, na globalização ocorrida por todo o século XX. A Era Aquariana tende a ser uma era de fraternidade universal. Baseada na razão onde será possível solucionar os problemas sociais para todos. Com grandiosas oportunidades para o desenvolvimento intelectual e espiritual, dado que Aquarius é um signo aéreo, científico, intelectual e o seu planeta regente, Urano, é associado com a representação da intuição e percepções diretas do coração e, a nível mundano, este planeta rege a eletricidade e tecnologia. Na visão de algumas correntes articuladas em torno do cristianismo, surgiria para substituir a chamada Era de Peixes, sendo que neste caso teria o sentido de representar o símbolo religioso do cristianismo, como teria sido usado pelos primeiros cristãos.

A realidade social nos ensina que o real é processual. O que existe deixa de existir; o que não existe passa a existir.  Se falta a consciência dessa processualidade, o sujeito isola o que está percebendo, desliga a parte do todo, perde de vista a conexão que integra o “micro” ao “macro”, a interdependência entre o imediato e a mediação complexa, ente o singular e o universal. Enquanto não enxergarmos a dimensão histórica de um ser, de um objeto, de um fenômeno, de um acontecimento, não podemos aprofundar de fato, a compreensão social que que dele temos. É o movimento histórico que passa por todas as coisas e permanentemente as modifica que as torna concretas. Nesse sentido, tinha razão o Friedrich Hegel em sua última jornada, quando escreveu na Ciência da lógica que o conceito fundamental da ontologia dialética, aquele que nos permite apreender a dinâmica do ser e do não-ser, é o conceito do devir, do vir-a-ser, do tornar-se. O real é dinâmico e nesta esteira da vida, se o sujeito se abstrai do fluxo em que existe o objeto, e neste sentido a arte, em que se verifica o fenômeno, em que se dá o acontecimento, ele afinal se incapacita para conhecer aquilo com que se defronta. Falta-lhe a possibilidade de pensar a ligação entre o ser particular que está percebendo e o seu não-ser, isto é, aquilo que ele já foi (e não é mais) ou aquilo que ele ainda não é (mas vai se tornar). Sua percepção não se aprofunda, sua representação se cristaliza, fica engessada, coagulada. O homem é essencialmente razão. 

O homem, a criança, o culto e o inculto, é razão. Ou melhor, a possibilidade para isto, para ser razão, existe em cada um, é dada a cada um. A razão não ajuda em nada a criança, o inculto. É somente uma possibilidade, embora não seja uma possibilidade vazia, mas possibilidade real e que se move em si. Assim, por exemplo, dizemos que o homem é racional, e distinguimos muito bem o homem que nasceu somente e aquele cuja razão educada está diante de nós. Isto pode ser expresso também assim: o que é em si, tem que se converter em objeto para o homem, chegar à consciência; assim chega para ele e, claro, para si mesmo. A história para Hegel, é o desenvolvimento do Espírito no tempo, assim como a Natureza é o desenvolvimento da ideia no espaço. Deste modo o homem se duplica. Uma vez, ele é razão, é pensar, mas em si: outra, ele pensa, converte este ser, seu em si, em objeto do pensar. Assim o próprio pensar é objeto, logo objeto de si mesmo, então o homem é por si. A racionalidade produz o racional, o pensar produz os pensamentos. O que o ser em si é se manifesta no ser por si. Todo conhecer, todo aprender, toda visão, toda ciência, inclusive toda atividade humana, não possui nenhum outro interesse além do aquilo que filosoficamente é em si, no interior, podendo manifestar-se desde si mesmo, produzir-se, transformar-se objetivamente. Nesta diferença se descobre toda a diferença na história do mundo. Os homens são todos racionais. O formal desta racionalidade é que o homem seja livre. Esta é a sua natureza. Isto pertence à essência do homem: a liberdade.

O europeu sabe de si, afirma Hegel, é objeto de si mesmo. A determinação que ele conhece é a liberdade. Ele se conhece a si mesmo como livre. O homem considera a liberdade como sua substância. Se os homens falam mal de conhecer é porque não sabem o que fazem. Conhecer-se, converter-se a si mesmo no objeto (do conhecer próprio) e o fazem relativamente poucos. Mas o homem é livre somente se sabe que o é. Pode-se também em geral falar mal do saber, como se quiser. Mas somente este saber libera o homem. O conhecer-se é no espírito a existência. Portanto isto é o segundo, esta é a única diferença da existência (Existenz) a diferença do separável. O Eu é livre em si, mas também por si mesmo é livre e eu sou livre somente enquanto existo como livre. A terceira determinação é que o que existe em si, e o que existe por si são somente uma e mesma coisa. Isto quer dizer precisamente evolução. O em si que já não fosse em si seria outra coisa. Por conseguinte, haveria ali uma variação, mudança. Na mudança existe algo que chega a ser outra coisa. Na evolução, em essência, podemos também sem dúvida falar da mudança, mas esta mudança deve ser tal que o outro, o que resulta, é ainda idêntico ao primeiro, de maneira que o simples, o ser em si não seja negado.

Para Friedrich Hegel a evolução não somente faz aparecer o interior originário, exterioriza o concreto contido já no em si, e este concreto chega a ser por si através dela, impulsiona-se a si mesmo a este ser por si. O espírito abstrato assim adquire o poder concreto da realização. O concreto é em si diferente, mas logo só em si, pela aptidão, pela potência, pela possibilidade. O diferente está posto ainda em unidade, ainda não como diferente. É em si distinto e, contudo, simples. É em si mesmo contraditório. Posto que é através desta contradição impulsionado da aptidão, deste este interior à qualidade, à diversidade; logo cancela a unidade e com isto faz justiça às diferenças. Também a unidade das diferenças ainda não postas como diferentes é impulsionada para a dissolução de si mesma. O distinto (ou diferente) vem assim a ser atualmente, na existência. Porém do mesmo modo que se faz justiça à unidade, pois o diferente que é posto como tal é anulado novamente. Tem que regressar à unidade; porque a unidade do diferente consiste em que o diferente seja um. E somente por este movimento é a unidade verdadeiramente concreta. É algo concreto, algo distinto. Entretanto contido na unidade, no em si primitivo. O gérmen se desenvolve assim, não muda. Se o gérmen fosse mudado desgastado, triturado, não poderia evoluir. Na alma, enquanto determinada como indivíduo, as diferenças estão enquanto mudanças que se dão no indivíduo, que é o sujeito uno que nelas persiste e, segundo Hegel, enquanto momentos do seu desenvolvimento.                        

Por serem elas diferenças, à uma, físicas e espirituais, seria preciso, para determinação ou descrição mais concreta, antecipar a noção do espírito cultivado. As diferenças são: 1) curso natural das idades da vida, desde a criança, desde a criança, o espírito envolvido em si mesmo – passando pela oposição desenvolvida, a tensão de uma universalidade ela mesma ainda subjetiva em contraste com a singularidade imediata, isto é, como o mundo presente, não conforme a tais ideais, e a situação que se encontra, em seu ser-aí para esse mundo, o indivíduo que, de outro lado, está ainda não-autônomo e em si mesmo não está pronto (o jovem) – para chegar à relação verdadeira, ao reconhecimento da necessidade e racionalidade objetivas do mundo já presente, acabado; em sua obra, que leva a cabo por si e para si, o indivíduo retira, por sua atividade, uma confirmação e uma parte, mediante a qual ele é algo, tem uma presença efetiva e um valor objetivo (homem); até a plena realização da unidade com essa objetividade do conhecer: unidade que, enquanto real, vem dar na inatividade da rotina que tira o interesse, enquanto ideal se liberta dos interesses mesquinhos é das complicações do presente exterior (o ancião).  O espírito manifesta aqui sua independência da própria corporalidade, em poder desenvolver-se antes que nela torne. Com frequência, crianças têm demonstrado um desenvolvimento espiritual que vai muito mais rápido que sua formação corporal, sobretudo em talentos artísticos, em particular nos gênios da música.

Também em relação ao fácil apreender de variados conhecimentos, especialmente na disciplina matemática; e tal precocidade tem-se mostrado não raramente também em relação a um raciocínio de entendimento, e mesmo sobre objetos éticos e religiosos. O processo de desenvolvimento do indivíduo humano natural decompõe-se então em uma série de processos, cuja diversidade se baseia sobre a relação do indivíduo para com o gênero, e funda a diferença da criança, do homem e do ancião. Essas diferenças são as apresentações das diferenças do conceito. A idade da infância é o tempo da harmonia natural, da paz do sujeito consigo mesmo e com o mundo. Um começo tão sem-oposição quanto a velhice é um fim sem-oposição. As oposições que surgem ficam sem interesse mais profundo. A criança vive na inocência, sem sofrimento durável; no amor aos seus pais, e no sentimento de ser amado por eles. Na Roma antiga, o gênio representava o espírito ou guia de uma pessoa, ou mesmo de uma gens inteira. Um termo relacionado é genius loci, o espírito de um local específico. Por contraste a força interior que move todas as criaturas viventes é o animus.

Um espírito específico ou daimon pode habitar uma imagem ou ícone, dando-lhe poderes sobrenaturais. Gênios são dotados provavelmente de excepcional brilhantismo, mas frequentemente também são insensíveis às limitações da mediocridade bem como são emocionalmente muito sensíveis, algumas vezes ambas as coisas. O termo prodígio indica simplesmente a presença de talento ou “gênio excepcional” na primeira infância. Os termos prodígio e criança prodígio são sinônimos, sendo o último um pleonasmo. Deve-se ter em consideração que é perigoso tomar como referência as pontuações em testes aplicados de QI quando se deseja fazer um diagnóstico razoavelmente correto de genialidade. Há que se levar em consideração que em todos as pontuações, e em todas as medidas, existe uma incerteza inerente, bem como os resultados obtidos nos testes representam a performance alcançada por uma pessoa em determinadas condições, não refletindo necessariamente toda a capacidade da pessoa em condições ideais. A contribuição histórica e cultural dos filósofos pré-socráticos à matemática, enquanto ciência, não são discutíveis especificamente  como tal e em grande parte fruto de tradição bem documentada.

As mais antigas evidências concretas sobre as atividades de um matemático propriamente dito referem-se a Hipócrates de Quios. Nossos conhecimentos sobre Hipócrates de Quios e outros matemáticos baseiam-se em fragmentos de suas obras e em tradições conservadas nos séculos posteriores. O mais antigo tratado matemático que chegou até nós é o Da Esfera Móvel, um estudo a respeito do valor piramidal da esfera. Dos matemáticos posteriores restam-nos diversas obras de valor desigual, dentre as quais se destaca Os Elementos, de Euclides, cuja influência persiste analiticamente. O interesse pela história da Matemática iniciou, também, na Grécia Antiga. Eudemo de Rodes um dos discípulos de Aristóteles escreveu consecutivas histórias da aritmética, da geometria e da astronomia, mas que infelizmente não foram conservadas. Durante o período greco-romano o matemático Papo de Alexandria representa um relato etnográfico sistemático da obra de seus predecessores, desde Euclides até Esporo de Niceia. Há também extensas notas explicativas sobre vários temas matemáticos e valiosas introduções aos diversos livros, nas quais Papo de Alexandria resume o tema geral e os assuntos técnico-metodológicos a serem tratados. Notabilizou-se por ser pai da filosofa Hipátia e por produzir em 390 uma versão mais elaborada da obra Os Elementos de Euclides que sobreviveu aos dias atuais. Dentre suas obras está uma que faz considerações sobre um eclipse solar em Alexandria. A mobilidade social trouxe a Atenas Hipócrates de Quios, no século V a. C., o primeiro autor de uma compilação de Elementos, em que parecem já figurar investigações ligadas à resolução do problema de Delos sobre a duplicação do cubo e à quadratura do círculo. Com a morte de Platão, seu discípulo, Têudio de Magnésia, escreveu nova compilação dos manuscritos Elementos.

          

Para que o gênio se manifeste num indivíduo, este indivíduo deve ter recebido como herança a soma de poder cognitivo que excede em muito o que é necessário para o serviço de uma vontade individual, segundo Schopenhauer (2001), é este excedente que, tornado livre, serve para constituir um objeto liberto de vontade, um claro espelho do ser do mundo. A través disto se explica a vivacidade que os homens de gênio desenvolvem por vezes até a turbulência: o presente raramente lhes chega, visto que ele não enche, de modo nenhum, a sua consciência; daí a sua inquietude sem tréguas; daí a sua tendência para perseguir sem cessar objetos novos e dignos de estudo, para desejar enfim, quase sempre sem sucesso, seres que se lhes assemelham, que estejam à sua medida e que os possam compreender. O homem comum, plenamente farto e satisfeito com a rotina atual, aí se absorve; em todo lado encontra seus iguais; daí essa satisfação particular que experimenta no curso da vida e que o gênio não conhece. - Quis-se ver na imaginação filosófica um elemento essencial do gênio, o que é bastante legítimo; quis-se mesmo identificar os dois, mas isso é um erro. O fato social e dinâmico é que, seja em que medida for, o certo é o incerto e o incerto a estrada reta. O objeto ser/compreender do gênio, considerado como tal, são as ideias eternas, as formas persistentes relativamente e essenciais sobre a compreensão do mundo e de boa parte dos seus fenômenos.

Onde reina só a imaginação, ela empenha-se em construir castelos no ar a lisonjear o egoísmo e o capricho pessoal, a enganá-los momentaneamente e a diverti-los; mas neste caso, reconhecemos sempre, para falar com propriedade, apenas as relações das quimeras assim combinadas. Talvez ponha por escrito os sonhos da sua imaginação: é daí que nos vêm esses romances ordinários, de quase todos os gêneros, que fazem a alegria do grande público e das pessoas semelhantes aos seus atores sociais, visto que o leitor sonha que está no lugar do herói, e acha tal representação bastante agradável. A história da matemática é uma área de estudo dedicada à investigação sobre a origem das descobertas da matemática e, em uma menor extensão, à investigação dos métodos matemáticos e aos registros etnográficos ou notações matemáticas do tempo social passado. A matemática islâmica, por sua vez, desenvolveu e expandiu a matemática reconhecida destas civilizações. Muitos textos gregos e árabes sobre matemática foram então traduzidos ao Latim, o que contribuiu com o desenvolvimento da matemática na Europa medieval. Dos tempos antigos à Idade Média, a eclosão da criatividade foi frequentemente por séculos de estagnação. Começando no Renascimento e a partir daí a revelação de novos talentos e progressos técnicos da matemática, interagindo com as descobertas científicas, realizados de forma crescente, continuando decerto sem paixão.

Bibliografia Geral Consultada.

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