“O operário assalariado está para o
capitalista como o inquilino para o proprietário da casa”. Friedrich Engels
O
verdadeiro processo de individuação, isto é, a harmonização do consciente com o
nosso próprio centro interior - o núcleo psíquico - ou self, em geral começa
infligindo uma lesão à personalidade, acompanhada do consequente sofrimento.
Este choque inicial é uma espécie de apelo, apesar de nem sempre ser
reconhecido como tal. Ao contrário, o ego sente-se tolhido nas suas vontades ou
desejos e geralmente projeta esta frustração sobre qualquer objeto exterior. Em
algum lugar, lá no mais profundo de nós mesmos, em geral sabemos aonde ir e o
que fazer. Mas há ocasiões em que o palhaço age com o que analiticamente se
chama “eu”, de modo tão irrefletido que a voz interior não se consegue deixar
ouvir. Assim, o sonho mostra ao sonhador que ele na verdade, tem o amparo de
uma organização; está dentro de uma igreja - não uma igreja edificada no mundo
exterior, mas uma que existe dentro da sua própria alma. Os fiéis (todas as
suas qualidades psíquicas) querem que ele exerça as funções de padre e que
celebre a missa. O sonho não faz alusão à missa real, pois o seu missal é
diferente do verdadeiro. Parece que a ideia da missa foi usada como símbolo e,
portanto, representa um ato sacrificial em que está presente uma divindade com
quem o homem se pode comunicar. Todo processo de trabalho é um processo de
comunicação, mas nem todo processo de comunicação pode ser considerado um
processo de trabalho a não ser potencialmente.
No trabalho o jovem significa o
self e o seu poder de renovação, um élan vital criador de orientação através da
qual tudo se torna vida e de iniciativa. Um circo é uma companhia em coletivo
onde se reúnem artistas de diferentes culturas e especialidades. O circo
contemporâneo é realizado com artistas que, em sua grande maioria, não têm
nenhum vínculo familiar com a empresa-circo. Seus pais e parentes,
provavelmente, não compõem um circo-família e pouco conhecem a arte circense.
Essa falta de vínculo direto com o circo pode fazer com que sua história se
perca e deixe de ser conhecida e valorizada por tais artistas. Na maioria das
vezes, as escolas de circo não se dedicam a estudar e difundir a história do
circo entre seus alunos, dificultando o acesso a ela. No Canadá, em 1981, surge
a primeira escola de circo, para atender a demanda dos artistas performáticos,
que vinham tendo aulas com ginastas. Em 1982, surge em Québec o Club des Talons
Hauts, grupo de artistas que se apresentavam em pernas de pau, com malabares e
pirofagia. É esse grupo que em 1984 realiza o primeiro espetáculo do Cirque du
Soleil. Deste então, o Cirque du Soleil cresceu de forma surpreendente, estando
em cartaz programado em países no mundo globalizado, com espetáculos distintos
e grande número artistas em seu elenco. Símbolo da musica: “Alegría” do Cirque du
Soleil.
Cirque
du Soleil é uma Companhia de entretenimento canadense. É a
maior companhia circense do mundo, cuja sede fica em Montreal (Quebec, Canadá).
Foi fundada em 1984, na cidade de Baie-Saint-Paul por dois artistas de rua, Guy
Laliberté e Gilles Ste-Croisa. Em 1963, Laliberté foi convidado a apresentar no
Festival de Artes de Los Angeles. Se o show não fosse bem recebido pelo
público, eles não teriam dinheiro para retornar à Montreal. O festival foi um
sucesso, e atraiu a atenção de empresas de entretenimento, como a Columbia
Pictures, que teve interesse de gravar um vídeo sobre o Cirque du Soleil.
Laliberté, insatisfeito com a proposta, recusou-a. Tal produção daria à
Columbia Pictures direitos autorais. Esse é um dos motivos que fazem com que o
Cirque du Soleil seja independente e privado até hoje. Foi fundado em
Baie-Saint-Paul em junho de 1984 pelos artistas de rua Guy Laliberté e Daniel
Gauthier, em resposta a um apelo feito pelo Commissariat Général aux
Célébrations do governo de Quebec sobre a comemoração do 460 aniversário da
descoberta do Canadá. Pode-se dizer que eles representam nas suas origens, a
arte humana dentro da evolução artística, com ênfase na interação social entre
o corpo e a cultura.
Objetivando
a carreira de artista performático, o fundador do Cirque du Soleil, Guy
Laliberté iniciou uma turnê pela Europa como músico e “artista de rua”. Quando
retornou ao Canadá, em 1967, aprendeu a arte de cuspir fogo. Trabalhou três
dias na construção de uma hidroelétrica, e manteve-se com seu seguro
desemprego. Ajudou a organizar, um bazar de verão com seus amigos Daniel
Gauthier e Gilles Ste-Croix que coordenavam um albergue de artistas performáticos,
denominado “Le Balcon Vert”. Em 1979, Ste-Croix decidiu realizar uma turnê com
seu grupo. Apesar do talento dos artistas, a trupe não tinha fundos para
concretizar o projeto de trabalho. O grupo decidiu “convencer” o governo de
Quebec a financiar o projeto, criando o “Les Échassiers de Baie-Saint-Paul” que
empregando diversos artistas performático na atividade circense, o “Les
Échassiers” acabou fazendo uma excursão por Quebec durante o verão de 1980. De
1990 a 2000, o Cirque expandiu rapidamente, passando de show com 73 artistas em
1984, para mais de 3.500 empregados, em mais de 40 países, com 15 espetáculos
apresentados simultaneamente e lucro anual obtido em US$ 800 milhões.
Guy
Laliberté iniciou sua carreira de artista circense como engolidor de fogo,
homem da perna de pau e acordeonista. No começo dos anos 1980, fundou seu
primeiro circo junto com um grupo de amigos e em 1984 criou o Cirque du Soleil,
baseado na sua admiração por talentos de acrobatas e palhaços de rua do Canadá,
sendo o primeiro a fazer a mistura de diversas culturas, disciplinas artísticas
e acrobáticas num mesmo espetáculo. Desde a fundação, ele vem sendo o principal
mentor da equipe criativa de cada nova apresentação da trupe internacional. Em
30 de setembro de 2009, após período de treinamento na Cidade das Estrelas, ele
se tornou o sétimo turista espacial da história, o primeiro canadense, ao ir ao
espaço como parte da tripulação da missão Soyuz TMA-16, para um período de dez
dias a bordo da ISS. Durante sua estadia em órbita, Guy dirigiu do espaço o
espetáculo chamado: “Da Terra às Estrelas pela Água”, do qual participaram
estrelas da música, do cinema e outras celebridades desde quatorze cidades nos
cinco continentes. É doutorado honoris-causa pela Universidade Laval de Quebec
e obteve a Ordre National du Québec, a maior distinção do governo do
Quebec.
A
nave russa Soyuz TMA-16, que leva a bordo o sétimo turista espacial da
história, o canadense Guy Laliberté, fundador do “Cirque du Soleil”, se acoplou
com sucesso à Estação Espacial Internacional (ISS), segundo informou o Centro
de Controle de Voos Espaciais (CCVE) da Rússia. Além de Laliberté, na Soyuz
viajaram também o cosmonauta russo Maxim Suráyev e o astronauta norte-americano
Jeff Williams. Laliberté voltará à Terra em meados de outubro junto a Padalka e
Barratt a bordo da nave Soyuz TMA-14, agora acoplada à plataforma espacial. O
fundador do circo mais famoso do mundo pagou US$ 35 milhões para poder viajar à
plataforma espacial, não realizará experimentos científicos durante sua estada.
O produtor e artista circense aproveitou a aventura para promover
comercialmente sua faceta humanitária por meio da fundação “One Drop”, que
tenta conscientizar o mundo sobre o problema da escassez de água e sua relação
direta com a pobreza em nosso planeta. Laliberté dirigiu da ISS, no dia 9 de
outubro, a 350 km da Terra, o espetáculo poético-social intitulado “Da Terra às
Estrelas pela Água”, no qual participaram celebridades do meio artístico:
música, cinema e outras formas de atividade criadora em quatorze cidades
continentais.
Ler, cozinhar, caminhar, habitar, reduz
o stress e a fadiga e aumenta os
níveis de produtividade e criatividade no trabalho. A casa é um conceito central para os seres humanos, porque se
relaciona com aspetos fundamentais da saúde como segurança, conforto,
genuinidade. Como grande parte do nosso tempo é passada com o trabalho, o tempo
em casa representa um precioso equilíbrio psicofísico na redução de tensão
emocional. Existem os cuidados com o corpo, os regimes de saúde, os exercícios
físicos sem excesso, a satisfação, o prazer, a amizade e o enamoramento, tão
medida quanto possível, as necessidades. Existem as meditações, as leituras, as
anotações que se toma sobre livros ou conversações ouvidas, e que mais tarde
será relida, a rememoração das verdades que já se sabe, mas de que convém
apropriar-se ainda melhor. Tem-se aí um dos pontos mais importantes dessa
atividade criadora consagrada a si mesmo. Ela não constitui um exercício da
solidão como se pensa na modernidade; mas sim uma verdadeira prática social de
relações habituais de parentesco e mesmo de amizade.
O “ócio criativo” é o título de um
ensaio do sociólogo italiano Domenico De Masi e é também um revolucionário
conceito de trabalho que o sociólogo define através da interseção entre três elementos:
vendas, faculdade e raciocínio lógico representando o comércio em si, aos ganhos
necessários ao cumprimento das leis. Faculdade é a possibilidade de obter
dinheiro através do estudo constante, utilizando os recursos que o governo dá. Raciocínio
lógico é o raciocínio pragmático de estudo, muito trabalho e convivência com a
natureza que deve estar presente em qualquer indivíduo que se faça. É a forma
de mecanização do raciocínio, dando-lhe alma. Quando o indivíduo não
consegue unir estes três pontos, sabendo que ele está praticando o “ócio
criativo”, que é uma experiência harmônica e única, que proporciona sempre melhor readaptação para todas as necessidades da sociedade pré-industrial,
respeitando a individualidade do sujeito e proporcionando mais alegria e ousadia ao próprio trabalho. Conquanto,
na universidade a palavra “ousadia” é um “lixo” de memória e nada serve.
Quando se fala em habitar,
representa-se costumeiramente um comportamento que o homem cumpre e realiza em
meio a vários outros modos de comportamento. Não habitamos simplesmente, mas
construir significa originariamente habitar. E a antiga palavra construir
(“bauen”) diz que o homem é à medida que habita. Mais que isso, significa ao
mesmo tempo: proteger e cultivar, a saber, cultivar o campo, cultivar a vinha.
Construir significa cuidar do crescimento que, por si mesmo, dá tempo aos seus
frutos. No sentido de proteger e cultivar, construir não é o mesmo que
produzir. NB: em oposição ao cultivo, construir diz edificar. Ambos os modos de
construir – construir como cultivar, em latim, “colere”, cultura, e construir
como edificar construções, “aedificare” – estão contidos no sentido próprio de
“bauen”. No sentido de habitar, ou construir, permanece, para a experiência
cotidiana do homem. Aquilo que desde sempre é, como a linguagem diz de forma
tão exclusiva e bela, “habitual”. Isto esclarece porque acontece um construir
por detrás dos múltiplos modos de habitar, por detrás das atividades de cultivo
e edificação. O sentido próprio de “construir”, a saber, habitar, cai no esquecimento. Em que medida construir pertence ao
habitar? Quando construir e pensar como relação são indispensáveis. Ambos são, no entanto, insuficientes para habitá-lo se cada um se
mantiver isolado, distantes, cuidando do que é seu ao invés de escutar um ao
outro. Ipso facto construir e pensar
pertence ao habitar. Permanecem em seus limites. Sabem, quando aprendemos a
pensar, que tanto um como outro provém da obra de uma longa experiência e de um
exercício incessante de pensar. Parece que esse acontecimento
refere-se a uma transformação semântica ocorrida no mero âmbito das palavras.
Na verdade, porém, aí se abriga algo muito decisivo: o fato de não mais se
fazer a experiência de que habitar constitui o ser do homem, e de que não mais
se pensa, sem sentido pleno, que habitar é o traço fundamental do ser-homem. Que
a linguagem logo retome o significado próprio da palavra “bauen” (construir),
testemunha, no entanto, o caráter originário desses significados. É que, nas
palavras essenciais da linguagem, o que nelas se diz propriamente cai, com
muita facilidade, no esquecimento, em favor do que se diz num primeiro plano. O
homem não chegou a pensar o mistério desse processo. A linguagem retrai para o
homem o seu dizer simples e elevado. Mas isso não chega a emudecer o seu apelo
inicial. Apenas silencia. O homem indiscutivelmente não presta atenção a esse silêncio ou aos mínimos detalhes do habitar.
Os mortais são os homens. Chamam-se
mortais porque podem morrer. Morrer diz: ser capaz da morte como morte. Somente o homem morre e, na
verdade, somente ele morre continuamente, ao menos enquanto permanecer sobre a
terra, sob o céu, diante dos deuses. Nomeando os mortais, já pensamos os outros
três. Mas isso ainda não significa que se tenha pensado a simplicidade dos
quatro. Chamamos de quadratura, afirma Heidegger, essa simplicidade. Em habitando, os mortais são na quadratura.
O traço fundamental do habitar é, porém, resguardar. Os mortais habitam
resguardando a quadratura em sua essência. De maneira correspondente, o
resguardo inerente ao habitar tem quatro faces. Os mortais habitam à medida que
conduzem seu próprio vigor, sendo capazes da morte como morte, fazendo uso
dessa capacidade como a uma boa morte. A
quadratura representa a vitória sobre a inércia, segundo Heidegger, a pessoa é compelida a
materializar uma atitude, é a concreta realidade. No ser humano o corpo pede desapego as ações físicas se reduzem ao mínimo ou de forma
abrupta e descontínua. Conscientizada pode desenvolver o poder de vencer
desafios grandes deasfios ontológicos.
SoCO: mudar habitação. Foto Benny Lam.
Conduzir
os mortais ao vigor essencial da morte não significa, de modo algum, ter por
meta a morte, entendida como o nada vazio; também não significa ofuscar o
habitar através de um olhar rígido e cegamente obcecado pelo fim. Habitar é bem
mais um demorar-se junto às coisas. Enquanto resguardo, o habitar preserva a quadratura naquilo junto a que os
mortais se demoram: nas coisas. A demora junto às coisas é o único modo em que
a demora própria da simplicidade dos quatro alcança na quadratura uma plenitude
consistente. No habitar, a quadratura se resguarda à medida que leva para as
coisas seu vigor de essência. As coisas elas mesmas, porém, abrigam a
quadratura apenas quando deixadas como coisas em seu vigor. Como isso
acontece? Quando os mortais protegem e cuidam das coisas em seu crescimento.
Quando edificam de maneira própria coisas que não crescem. Cultivar e edificar significa,
em sentido estrito, construir. Habitar é construir desde que se preserve nas
coisas a quadratura. Desse modo, encaminhamo-nos para a segunda pergunta: Em
que medida construir pertence ao habitar? Tomaremos como exemplo para nossa
reflexão uma ponte.
A ponte é, fora de dúvida, uma coisa com
características próprias. Ela reúne
integrando a quadratura de tal modo
que lhe propicia estância e circunstância. Mas somente isso que em si mesmo é um lugar, pode dar espaço a
uma estância e circunstância. O lugar não está simplesmente dado antes da
ponte. Sem dúvida, antes da ponte existir, existem ao longo do rio muitas
posições que podem ser ocupadas por
alguma coisa. Dentre essas muitas posições, uma pode se tornar um lugar e,
isso, através da ponte. A ponte não
se situa num lugar. É da própria ponte que saeurge um lugar. A ponte é uma
coisa. A ponte reúne integrando a quadratura, mas reúne integrando o modo de
propiciar à quadratura estância e circunstância. A partir dessa circunstância
determinam-se os lugares e os caminhos pelos quais se arruma, se dá espaço a um
espaço. Essencialmente, espaço é, o fruto de ua arrumação, de um espaçamento, o
que foi deixado em seu limite. O espaçado é o que, a cada vez, se propicia e,
com isso, se articula, ou seja, o que se reúne de forma integradora através de
um lugar, ou seja, através de uma coisa do tipo ponte. Por isso os espaços
recebem sua essência dos lugares e não “do” espaço. O espaço arrumado pelas posições é um espeço
bem específico. Enfim, os espaços abrem-se pelo fato de serem admitidos no
habitar do homem.
A referência do homem aos lugares e através dos lugares aos espaços repousa
sempre no habitar. A relação entre homem e espaço nada mais é do que pensar de
maneira essencial e que chamamos de coisas construídas.
Essa
diferença entre a essência e o exemplo, entre a imediatez e a mediação, quem
faz não somos nós apenas, mas a encontramos na própria certeza sensível; e deve
ser tomada na forma em que nela se encontra, e não como nós acabamos de
determina-la. Na certeza sensível, um momento é oposto como o essente simples e
imediato, ou como a essência: o objeto. O outro momento, porém, é posto como o
inessencial e o mediatizado, momento que nisso não é “em-si”, mas por meio do
Outro: o Eu, um saber, que sabe o objeto só porque ele é; saber que pode ser ou
não. Mas o objeto é o verdadeiro e a essência: ele é, tanto faz que seja
conhecido ou não. Permanece mesmo não sendo conhecido – enquanto o saber não é,
se o objeto não souber que pode ser. Trata-se assim da singularidade imediata
de apreensão do objeto. O outro momento, porém, é posto como o inessencial e o
mediatizado, momento que nisso não é “em-si”, mas por meio de Outro: o Eu, um
saber, que sabe o objeto só porque ele é; saber que pode ser ou não. O objeto deve ser examinado, para vermos se é de fato, na certeza sensível
mesma, aquela essência que ela lhe atribui; e se esse seu conceito – de ser uma
essência – corresponde ao modo imediato como se encontra na certeza sensível.
O
tempo, como a unidade negativa do ser-fora-de-si, é igualmente um, sem mais nem
menos, abstrato, ideal. Ele é o ser, que, enquanto é, não é, e enquanto não é; ele é o vir-a-ser intuído, isto é, tal que são determinadas as diferenças
simplesmente momentâneas, isto é, as que imediatamente se suprassumem como
exteriores, isto é, que são apesar disso exteriores a si mesmas. O tempo é como
o espaço uma pura forma de sensibilidade ou do intuir, é o sensível, mas, assim
como a este espaço, também ao tempo não diz respeito a diferença de
objetividade e de uma consciência subjetiva contra ela. Quando se aplicam estas
determinações de espaço e tempo, então seria aquele a objetividade abstrata,
este [o tempo], porém a subjetividade abstrata. O tempo é o princípio representativo
que o Eu=Eu da autoconsciência pura; mas é o mesmo princípio ou o simples
conceito ainda em sua total exterioridade e abstração – como o mero vir-a-ser
intuído, o puro ser-em-si como um vir-fora-de-si.
O tempo é igualmente contínuo como o
espaço, pois ele é a negatividade abstratamente referindo-se a si e nesta
abstração ainda não há nenhuma diferença real. No tempo, diz-se, tudo surge e
perece, se se abstrai de tudo, a saber, do recheio do tempo e igualmente do
recheio do espaço, fica de resto o tempo vazio como o espaço vazio – isto é,
são então postas e representadas estas abstrações de exterioridade, como se
elas fossem por si. O real é limitado, e o outro para esta negação está fora
dele, a determinidade é assim nele exterior a si, e daí a contradição de seu
ser; a abstração opera nessa exterioridade de sua contradição e a inquietação
da mesma é o próprio tempo. Por isso o finito é transitório e temporário,
porque ele não é, como o conceito nele mesmo, a negatividade total, mas tem
esta em si, como sua essência universal, entretanto – diferentemente da mesma
essência – é unilateral, e se relaciona à mesma como à sua potência. Só o natural, na vida, na
realidade concreta é, portanto, enquanto é finito, sujeito ao tempo; o verdadeiro, porém, a ideia, o espírito,
é eterna.
A
intemporalidade absoluta é diferente da duração; é a eternidade que é sem o
tempo natural. Mas o próprio tempo é, em seu conceito, eterno; pois ele, não
quer qualquer tempo, nem o agora, mas o tempo-enquanto-tempo, é seu conceito;
este tempo, porém, como cada conceito em geral, é o eterno, e também é presente
absoluto. O que não está no tempo é o sem-processo; o péssimo e o mais perfeito
não estão no tempo, dura. O péssimo, da pior qualidade, porque ele é uma
universalidade abstrata, assim espaço, assim tempo mesmo; sua duração não é
vantagem. O duradouro é mais altamente cotado do que o transitório; mas toda
florescência, toda bela vitalidade tem morte cedo. Mas também o mais perfeito
dura, não só o universal sem-vida, inorgânico, mas também o outro universal, o
concreto em si, o gênero, a lei, a ideia, o espírito. Representa o processo total ou apenas um momento do processo que entra no tempo
enquanto os momentos do conceito têm a aparência da independência; mas as
diferenças excluídas portam-se como reconciliadas e retomadas à paz.
A
noção de desenvolvimento passa a ser central depois dessa concepção e, para o
bem ou para o mal até os dias de hoje. Mesmo a ideia de progresso, que implicava o depois poder ser explicado em função do
antes, encalhou, de certo modo nos recifes do século XX, ao sair das esperanças
ou das ilusões que acompanharam a travessia do mar aberto pelo século XIX. Esse
questionamento refere-se a várias ocorrências distintas entre si que não
atestam um progresso moral da humanidade, e sim, uma dúvida sobre a história
como portadora de sentido, dúvida renovada, essencialmente no que se refere ao
seu método, objeto e fundamentalmente nas grandes dificuldades não só em fazer
do tempo um princípio de inteligibilidade, como ainda em inserir aí um
princípio de identidade. A história: isto é, uma série de acontecimentos
reconhecidos como acontecimentos por muitos, acontecimentos que podemos pensar
que importarão aos olhos dos historiadores de amanhã e, ao qual cada um de nós,
por mais consciente que seja de nada representar nesse caso pode vincular
algumas circunstâncias ou imagens particulares, como se fosse a cada dia menos
verdadeiro que os homens, que fazem a história, pois, senão, quem mais senão
homens, não sabem que a fazem.
Hegel
dizia que a verdade é o todo. Que se não enxergamos o todo, podemos atribuir
valores exagerados a verdades limitadas, prejudicando a compreensão de uma
verdade geral. Essa visão é sempre provisória, nunca alcança uma etapa
definitiva e acabada, caso contrário a dialética estaria negando a si própria.
O método dialético nos incita a revermos o passado, à luz do que está
acontecendo no presente, ele questiona o presente em nome do futuro, o que está
sendo em nome do que “ainda não é”. Para Hegel, o trabalho é o conceito chave para compreensão da superação da
dialética, atribuindo o verbo suspender com três significados: negação de uma
determinada realidade, conservação de algo essencial dessa realidade e elevação
a um nível superior. A filosofia descreve a realidade e a reflete, portanto, a
dialética busca, não interpretar, mas refletir acerca da realidade. A dialética
é a história das contradições. O reprimido permanece dentro da
totalidade. Esta contradição não é apenas do pensamento, mas da realidade.
Então, tudo está em processo de constante devir.
Esse
padrão é nosso velho conhecido, visto que é algo do qual a filosofia durante
séculos de elaboração utilizou para conhecer. E isto fica claro da seguinte
maneira; se o saber é igual ao conceito e a essência corresponde o objeto, logo
o conceito precisa corresponder ao objeto e vice-versa, basta para nós, portanto,
verificar em nosso exame – diz Hegel – se o objeto corresponde ao conceito. Por
isso, é necessário manter os dois momentos do exame; o conceito, quer dizer,
ser para outro e o objeto consequentemente ser em si mesmo. Com isso
verificamos que não é necessário um “padrão de medida”, um instrumento que
capte o raio, mas de outro modo, é necessário investigar a partir do que é
dado, embora, aquilo que é dado fique no limite da própria consciência. Dessa
forma, a consciência é consciência do objeto e por identificar este objeto como
um elemento extrínseco torna-se “consciência de si mesmo”. A
consciência do que é verdadeiro é consciência do “seu saber da verdade”,
que estabelece a comparação na relação entre tempo e espaço é a própria
consciência.
Hegel
admite Marx, não enxerga o trabalho em toda a sua contraditória materialidade e
por isso o idealiza e o vê de maneira unilateralmente positiva, minimizando a
força da sua negatividade: a essência humana, o ser humano, equivale para Hegel
à consciência de si, em vez de reconhecer na consciência de si a consciência de
si do homem, quer dizer, “de um homem real, que vive num mundo real, objetivo,
e é condicionado por ele”. Por isso, Hegel, na interpretação de Marx da Introdução de 1857, caiu na ilusão de
conceber o real como resultado do pensamento, que se encontra em si mesmo, se
aprofunda em si mesmo e se movimenta por si mesmo, enquanto o método que
consiste em elevar-se do abstrato ao concreto é para o pensamento precisamente
a maneira de se apropriar do concreto, de reproduzi-lo como concreto
espiritual. Portanto, ao assumir o conceito hegeliano de dialética, Marx foi
levado a modificá-lo, mas a perspectiva de Marx implicava não só uma
reavaliação do papel do trabalho material na autocriação da sociedade e na
autotransformação do ser humano, como também exigia uma reavaliação dos
trabalhadores e de sua concepção orgânica como força material de trabalho capaz
de dar prosseguimento à autotransformação histórica da humanidade na
modernidade.
A
definição histórica do sábado e do domingo como dias de descanso semanal
remunerado é uma conquista relativamente recente dos trabalhadores. Foi
resultado da luta operária surgida na Inglaterra depois da Revolução
Industrial, no início do século XIX. Na Antiguidade, os romanos e os adeptos de
religiões pagãs dedicavam o sábado ao deus Saturno, que regia a agricultura.
Esse dia era reservado para o descanso, numa forma de agradecimento ao deus por
uma boa colheita. Em outras religiões, como no judaísmo, o sábado também já era
consagrado como um dia de repouso semanal. Já o domingo ganhou esse “status” um
pouco mais tarde. Só na era cristã é que passou a ser considerado sagrado,
“porque Jesus ressuscitou dos mortos neste dia”. Por conta disso, os cristãos
consagraram o domingo ao Senhor e, para que os fiéis pudessem ir tranquilamente
aos cultos, era natural que fosse reservado um dia sem trabalho.
Porque
pode fazer história e revolucionar a estrutura dessa sociedade, em sua
transitoriedade assimilando assim as conquistas mais profundas da filosofia.
Utilizando o conhecimento para superar/conservar a situação particular de
classe que lhes é imposta. Em sua concepção dialética, a filosofia, “não pode
se realizar sem a superação do proletariado; e o proletariado não pode se superar
sem a realização da filosofia”. O modo
de pensar dialético atento à infinitude do real e a irredutibilidade do real ao
saber distingue os planos de análise e de realidade de quem opera
sociologicamente. Implica uma interpretação da consciência no sentido dela se
abrir para o reconhecimento do novo, inédito, no âmbito das “mediações
complexas” e das contradições sociais que irrompem no campo visual do sujeito e
lhe revelam a existência de problemas que não estava enxergando. Hegel é o
primeiro a ter visibilidade na Filosofia colocando a questão tópica da
consciência e da autoconsciência vis-à-vis
à consciência comum. É neste sentido conspícuo que a jornada de trabalho põe em
evidência a interrupção do trabalho, fora das crenças religiosas, para que o
homem possa gozar e reconstituir-se.
Bibliografia
geral consultada.
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et Laura Lafargue. Correspondance. Textes
recueillis, annotés et présentés par Émile Bottigelli. Tome II. Paris: Éditions Sociales, 1956; KAPP, Ivone, Eleanor Marx: La Vida Familiar de Carlos
Marx (1855-1883): Tomo I. México: Ediciones Nuestro Tiempo, 1979; HARDMAN,
Francisco Foot, “Introdução: Trabalho e Lazer no Movimento Operário”. In:
LAFARGUE, Paul, O Direito à Preguiça: A
Religião do Capital. 3ª edição. São Paulo: Editora Kairós, 1983, pp. 13-20;
CHAUÍ, Marilena, Introdução de O direito à preguiça de Paul Lafargue.
São Paulo: Editora Hucitec/Editora da UNESP, 1999; DE MASI, Domenico; MAERK,
Johannes, “El Derecho a la Pereza”, de Paul Lafargue. In: Revista Mexicana del Caribe. México. Ano 5, n° 9, pp. 229-237,
2000; VATTIMO, Gianni, El Sujeto y la
Mascara. Barcelona: Editorial Península; 2003; ARALDI, Clademir Luís, Niilismo, Criação, Aniquilamento. São
Paulo: Editora UNIJUI, 2004; DAMIÃO, Carla Milani, Sobre o Declínio da Sinceridade. São Paulo: Editora Loyola, 2004; ALBORNOZ, Suzana Guerra, “Sobre
O Direito à Preguiça de Paul Lafargue”. In:
Cad. Psicol. Soc. Trab. v.11 n° 1. São Paulo jun. 2008; LOUREIRO, Roberto de Oliveira, O Ócio Criativo e as Inteligências Múltiplas: Dimensões de Domenico De Masi e Howard Gardner sobre o Trabalho Contemporâneo. Tese de Doutorado. Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciência Sociais. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2009; LAFARGUE, Paul, La Religion du Capital (suivi de
Le droit à la paresse, et de Pie IX au paradis). Paris: Éditions Théolib, 2014; LEDOUX, Sébastien, Le Devoir de Mémoire. Une Formule et son Histoire. Paris: CNRS Éditions, 2016; ARIZA, Marília Bueno de Araújo, Mães Infames, Rebentos Venturosos: Mulheres e Crianças, Trabalho e Emancipação em São Paulo (século XIX). Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em História Social. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2017; SOARES, Cecília Elisabeth Barbosa, Sedas Tropiciais: Comércio de Luxo e Desenvolvimento Urbano no Rio de Janeiro. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação Multinstitucional e Multidisplinar em Difusão de Conhecimento. Salvador: Universidade Federal da Bahia, 2017; entre outros.
“Sejamos preguiçosos em tudo, exceto em amar
e em beber, exceto em sermos preguiçosos”. Paul Lafargue
Paul
Lafargue representava o filho único de uma família de agricultores, com origem francesa da
colonização dominicana e cubana. Tinha seis anos, quando saiu de Havana e foi
para a França com seus pais. Estudou em Bordéus, e, mais tarde, em Toulouse.
Finalmente, foi para Paris, onde cursou medicina, carreira que concluiu, mas
que optou por não exercê-la. Enquanto estudante de medicina declara-se hic et nunc republicano, socialista,
materialista e ateu, colaborando com o quem viria a ser o seu cunhado, Charles
Longuet, na revista “Rive Gauche”. Politicamente era positivista e proudhoniano. Em
1865, visita Marx, em Londres, e adere
a Primeira Internacional. Continua os
estudos, em Londres. No ano seguinte, é nomeado membro do Conselho Federal e,
depois, é enviado para Espanha, como secretário. Conhece e
casa-se, com a segunda filha de Marx, Laura, contrariando Marx, do ponto de vista anarquista, mas que será sua
companheira e colaboradora ativista até à morte. Embora Lafargue tenha estudado
medicina sofre a fatalidade da perda de três filhos morrerem
recém-nascidos. Foi
político, militante aparentemente comunista e escritor francês de origem
cubana. “Paul Lafargue
was born in Santiago, Cuba, on 16 June 1842, the son of a planter. His paternal
grandmother was a mulatto from Santo Domingo, who fled from there during the
French Revolution. His paternal grandfather was French, killed in the risings
in Haiti. His maternal grandfather, Abraham Armagnac, was a French Jew and his
maternal grandmother a Carib Indian. He was truly a born internationalist”. In
1851 his family took the young Paul to France, where he studied in the lycées
of Bordeaux and Toulouse before taking up medicine in Paris. Genro
e discípulo de Karl Marx. Nasceu a 5 de janeiro de 1842, em Santiago, Cuba.
Morreu a 26 de novembro de 1911, em Draveil, Essonne, França. Membro da Comuna de Paris, foi obrigado pelas autoridades governamentais a
deixar a França, exilando-se na Inglaterra, onde se casou em 1868 com Laura Marx,
filha de Marx. De volta à França, elegeu-se deputado por Lille.
Em
1880 fundou com Jules Guedes o Partido Operário Francês, tornando-se difusor
das ideias de Marx. Sua obra consiste, sobretudo de “Le droit à la paresse”,
escrita na prisão, onde exibe a dialética sobre as falhas do sistema
capitalista; “La légende de Victor Hugo”; “Souvenirs”; “La religion du
capital”; “Le communisme et l'évolution”; “Les trusts américains”; “La charité
chrétienne”. Publicou o trabalho “Correspondence”, das cartas mantidas entre
ele, Laura Marx e Friedrich Engels, e o livro póstumo “Critiques Littéraires”. Vale lembrar que o ensaio “Le
Droit à la Paresse” é um manifesto
político escrito por Paul Lafargue que polemiza com as visões sociais de mundo liberais,
algumas conservadoras e mesmo algumas marxistas do trabalho. Sir
Charles Spencer Chaplin, reconhecido como Charlie Chaplin (1889-1977), foi um
ator, diretor, produtor, comediante, dançarino, roteirista e músico britânico. E um dos atores mais famosos da chamada “Era do Cinema Mudo”,
notabilizado pelo uso de mímica e da “comédia pastelão”. Atuou, dirigiu,
escreveu, produziu e financiou seus próprios filmes, sendo fortemente
influenciado por um antecessor, o comediante francês Max Linder (1883-1925), a
quem ele dedicou um de seus filmes.
Sua carreira no ramo do entretenimento
durou mais de 75 anos, desde suas primeiras atuações quando ainda era criança
nos teatros do Reino Unido durante a Era Vitoriana quase até sua morte aos 88
anos de idade. Sua vida pública e privada abrangia adulação e controvérsia.
Juntamente com Mary Pickford, Douglas Fairbanks e D. W. Griffith, Chaplin fora
co-fundador da United Artists, uma Companhia fundada em 5 de fevereiro
de 1919. D.
W. Griffith nasceu em La Grange, Oldham County, Kentucky, filho de Jacob
“Roaring Jake” Griffith, um colono do Confederate Army e herói da Guerra
Civil Americana. Começou sua carreira como um próspero dramaturgo, mas não
conseguiu sucesso global. Depois se tornou ator. Encontrando seu caminho no
cinema, em pouco tempo dirigia um grande corpo de trabalho, levando Charles Chaplin
a chama-lo de “o professor de todos nós”. Chaplin foi um ator, diretor,
produtor, comediante, dançarino, roteirista e músico britânico. Um dos atores
mais famosos da era do chamado “cinema mudo”, notabilizado pelo uso de mímica e
da “comédia pastelão”, sendo influenciado por seu antecessor, o comediante
francês Max Linder (1883-1925), um extraordinário ator de cinema francês da chamada “era do cinema mudo”,
o pai da primeira geração de comediantes do cinema norte-americano, a quem ele
dedicou um de seus filmes.
Seu
principal e mais famoso personagem historicamente foi The Tramp,
reconhecido internacionalmente como Charlot, na Europa, e igualmente
reconhecido como Carlitos, ou “O Vagabundo”, entre nós, em análise
comparada no caso do brasileiro. Consiste em um andarilho pobretão que possui
todas as maneiras refinadas e a dignidade de um gentleman, usando “um fraque
preto esgarçado, calças e sapatos desgastados e mais largos que o seu número,
um chapéu-coco ou cartola, uma bengala de bambu e – sua marca pessoal – um
pequeno bigode-de-broxa”. Foi também um talentoso jogador de xadrez e chegou a
enfrentar o campeão estadunidense Samuel Reshevsky. Em 2008, em uma resenha do
livro Chaplin: A Life, Martin Sieff escreve: - “Chaplin não foi apenas
´grande`, ele foi gigantesco”. Em 1915, ele “estourou” um mundo dilacerado pela
guerra trazendo da comédia, risos e alívio enquanto ele estava se
dividindo ao meio pela Primeira grande Guerra. Durante os próximos 25 anos,
através da Grande Depressão e da infeliz ascensão do nazismo,
ele permaneceu no emprego. Ele
foi maior do que qualquer um. É duvidoso que algum outro indivíduo tenha dado
mais entretenimento, prazer e alívio para tantos seres
humanos quando eles mais precisavam. O termo Sétima Arte, é usado para designar
o cinema; foi estabelecido por Ricciotto Canudo no “Manifesto das Sete Artes”,
em 1911, embora tenha sido publicado apenas em 1923.
Por sua inigualável
contribuição ao desenvolvimento da Sétima Arte, Chaplin é o mais homenageado
cineasta de todos os tempos, sendo ainda em vida condecorado pelo governo
britânico: “Cavaleiro do Império Britânico”, pelo governo francês: “Légion
d`Honneur”, pela Universidade de Oxford: Doutor Honoris Causa e pela Academia
de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos da América com o Óscar
especial “pelo conjunto da obra”, em 1972. Além
de atuar, Chaplin dirigiu, escreveu, produziu e eventualmente compôs a trilha
sonora de seus próprios filmes, tornando-se uma das personalidades mais
criativas e influentes em sua progênie da era do “cinema mudo”. Chaplin foi
fortemente influenciado por um antecessor, como vimos o comediante francês Max
Linder, a quem ele dedicou um de seus filmes. Era canhoto, nasceu no dia 16 de
abril de 1889, na East Street, Walworth, Londres, Inglaterra. Seus pais eram
artistas de music-hall. Seu pai, Charles Spencer Chaplin, era vocalista e ator,
e sua mãe, Hannah Chaplin, era cantora e atriz. Chaplin aprendeu a cantar com
seus pais, os quais se separaram antes dele completar três anos de idade. Após a
separação, Chaplin foi deixado aos cuidados de sua mãe, que estava cada vez
mais instável emocionalmente. O censo de 1891 demonstra que sua mãe morava com
Charlie e seu “meio-irmão” mais velho Sydney na Barlow Street, Walworth. Um
problema de laringe finda a carreira da mãe de Chaplin.
A
primeira crise de Hannah ocorreu em 1894 quando ela estava cantando no “The
Canteen”, um teatro em Aldershot, geralmente frequentado por manifestantes e
soldados. Além de “ser vaiada, Hannah foi gravemente ferida pelos objetos
atirados pela plateia”. Nos bastidores, ela chorava e argumentava com o seu
gerente. Enquanto isso, com apenas cinco anos de idade, o pequeno Chaplin subiu
sozinho ao palco e cantou uma música popular da época, “Jack Jones” (cf. Chaplin,
1981). Seu pai, Charles, era alcoólatra e tinha pouco contato com seu filho,
apesar de Chaplin e seu meio-irmão morarem durante um curto período de tempo
com seu pai e sua amante, Louise, na 287 Kennington Road, onde há uma placa em
homenagem ao fato histórico e social. Os “meios-irmãos” viviam ali, enquanto
sua mãe, mentalmente doente, residia no Asilo Cane Hill em Coulsdon. A amante
do pai de Chaplin enviou o menino para a Archbishop Temples Boys School. Seu
pai morreu de cirrose no fígado quando Chaplin tinha doze anos, em 1901. De
acordo com o censo de 1901, Chaplin residia na Streets 94 Ferndale Road,
Lambeth. Após a mãe de Chaplin ter sido novamente admitida no Asilo Cane Hill,
seu filho foi deixado, lamentavelmene, como de costume na porta de entrada em uma “casa de trabalho” em Lambeth, no Sul de Londres,
mudando-se após várias semanas para a Central London District School, “uma
escola para pobres em Hanwell”.
Os
jovens irmãos Chaplin começaram um íntimo relacionamento, a fim de
sobreviverem. Ainda jovens, foram atraídos para o music hall, e ambos provaram
ter grande talento. A mãe de Chaplin morreu em 1928, em Hollywood, sete anos
após ter sido levada de Londres para os Estados Unidos por seus filhos. Chaplin
começou a trabalhar junto com Normand, que “dirigiu e escreveu vários de seus primeiros
filmes”. Contudo, Chaplin não gostou de ser dirigido por uma mulher, e os dois
discutiam frequentemente. Ele acreditava que Sennett pretendia demiti-lo caso
houvesse um desentendimento com Normand. No entanto, seus filmes fizeram tanto
sucesso que ele se tornou uma das maiores estrelas da Keystone. Kid Auto Races
at Venice (1914), foi o segundo filme de Chaplin e historicamente a primeira “aparição”
d`O Vagabundo. Foi no estúdio Keystone desenvolveu seu principal
personagem: O Vagabundo, reconhecido como Charlot na França e no
mundo francófono, na Itália, Espanha, Portugal, Grécia, Romênia e Turquia, Carlitos
no Brasil e na Argentina, e Der Vagabund na Alemanha.
Etnograficamente
falando temos n`O Vagabundo a representação social, no sentido que empregam
Berger & Luckmann (1985) e artística de um andarilho pobretão que possui
todas as maneiras refinadas e a dignidade de um cavalheiro; aparece
sempre vestindo um paletó apertado, calças e sapatos desgastados e mais largos
que o seu número, e um chapéu-coco; carrega uma bengala de bambu; e possui um
pequeno bigode-de-broxa, como vimos. O público viu o personagem pela primeira
vez no segundo filme de Chaplin, Kid Auto Races at Venice, lançado em 7
de fevereiro de 1914. No entanto, ele já havia criado o visual do personagem
para o filme: Mabel`s Strange Predicament, produzido alguns dias antes,
porém lançado mais tarde, em 9 de fevereiro de 1914. Os primeiros filmes de
Chaplin no estúdio Keystone usavam a fórmula padrão de Mack Sennett, “que
consistia em extrema comédia pastelão e gestos exagerados”. Do ponto de vista
técnico-metodológico a pantomima de Chaplin foi mais sutil, sendo mais adequada
para comédias românticas e “farsas domésticas”. As piadas visuais, no entanto,
seguiam exatamente o padrão de comédia da Keystone. Em seus filmes, O
Vagabundo atacava seus inimigos com chutes e tijolos. O
público da época amou este novo comediante, apesar dos críticos alertarem que
as travessuras beiravam a vulgaridade.
Paul Lafargue & Laura Marx em comício na Espanha. Logo
depois, Chaplin se ofereceu para Dirigir e Editar seus próprios filmes. Durante
seu primeiro ano no ramo do cinema, ele fez mal, comprando aos Laboratórios das
universidades contemporâneas, “34 curtas-metragens para Sennett, assim como o
longa-metragem Tillie! s Punctured Romance”. Assim, diz o irreprochável Chaplin
quando da criação de seu “Vagabundo”: - “não tinha a menor ideia de como
poderia me vestir. Não me gostava o disfarce de jornalista. Não obstante,
enquanto me dirigia ao vestuário, me ocorreu por calças (pantalonas), um par de
sapatos grandes, uma bengala e um chapéu (sombrero) longo. Queria que tudo
parecesse uma contradição: as calças (pantalonas), abolsados (em forma de
bolsa); a jaqueta, ajustada: os sapatos, grandes, e o chapéu, pequeno…” (cf.
Chaplin, 1981: 233). Para Octavio Ianni (1989), é uma das mais extremas e
cruéis sátiras sobre o Mundo Moderno. A Sociologia e a Modernidade surgem na
mesma época, na mesma idade. Talvez se possa dizer que a revolução popular de
1848 despertou o Mundo para algo novo, que não havia sido ainda plenamente
percebido. A multidão aparecia no primeiro plano, no horizonte da história. E
aparecia como multidão, massa, povo e classe. A revolução de 1848 em
Paris repercutiu em toda a França, na Europa e em partes do mundo. Via-se que a
multidão se tornava classe revolucionária em conjunturas críticas. A
metamorfose pode ser brusca, inesperada, assustadora, fascinante. Em Paris de 1848 viviam, trabalhavam, produziam e lutavam Tocqueville, Proudhon, Comte, Marx,
Blanqui e Baudelaire. Na capital do século XIX, são os sinais de
que a sociedade burguesa também é histórica, transitória, nascem
a Sociologia e a Modernidade. É o herói solitário e triste de Charles Chaplin.
Foi publicado no
jornal socialista “L`Égalité” em 1880. Neste período, em Paris, a jornada de
trabalho superavam as 12 horas diárias e por vezes estendendo-se até 17 horas.
Lafargue denuncia a “santificação” do trabalho debochando dele como um “dogma
desastroso”. Ele e Laura, numa atitude corajosa, temendo a decrepitude oriunda
da velhice, fixaram em 70 anos a duração de suas existências. Assim, após 43
anos de vida em comum, ele com 69 anos, ela com 66 anos, anteciparam aquele projeto
e, na noite de 26 de novembro de 1911, trancaram-se em sua imensa propriedade
de Draveil e lá se suicidaram, injetando ácido cianídrico nas veias. Jenny
Laura Marx, nascida em 26 de setembro de 1845 foi a segunda filha de Marx e
Jenny von Westphalen. Em 1868 ela se casou com Paul Lafargue, nascido em
Santiago de Cuba de família Franco-Caribenha, sob o nome de Pablo em 16 de
junho de 1842, com quem passou a maior parte de sua vida na França, e um
período extraordinário na movimentada Inglaterra e a anárquica Espanha de importantes movimentos sociais do ponto de vista da organização laboral.
“Partisan du courant fondé par Jules Guesde, Lafargue portera durant les
années 1890-1905 un socialisme intransigeant inspiré des sociaux-démocrates
allemands et qui hésitera pas à égratigner ses camarades, et surtout Jean
Jaurès, lorsque ceux-ci s'éloigneront de la ligne idéologique qu'il défend.
Acteur de la vie politique française, il cherchera à rapprocher les thèses
complexes de Marx des ouvriers, en vulgarisant le marxisme et en créant un
corpus d`éléments de langage qui formeront la base du lexique de la “lutte des
classes”. Il martela alors ces écrits, inlassablement, dans L`Humanité
et les autres journaux de même obédience
Nas notas sobre a figuração intelectual
e paterna de Marx, apresenta-se da seguinte descrição na leitura de Paul
Lafargue. Vi Marx, pela primeira vez, em fevereiro de 1865. Num comício do
Saint Martin`s Hall acabava de fundar-se a Internacional.
Eu chegava de Paris para tomar conhecimento dos progressos da novel
organização. M. Toloin, hoje representante do Senado burguês e um de seus
delegados na Conferencia de Berlim, dera-me uma carta de recomendação para ele.
Eu tinha, então, 24 anos. Jamais esquecerei a impressão que me causou, desde os
primeiros momentos em que o vi. Nessa época, achava-se Marx debilitado
fisicamente. Trabalhava no primeiro volume de “O Capital”, ainda que o mesmo só
aparecesse dois anos depois, isto é, em 1867. Vale lembrar que Thorstein Veblen propôs um
sistema de ciência econômica que teria por mote uma análise não teleológica, o
que ele considerava o principal problema da ciência econômica como praticada no
seu tempo.
Para
tal ele buscou conceitos tanto na biologia evolutiva de Charles Darwin, como na
psicologia dos instintos de William James, esta última uma teoria muito em voga
no final do século XIX. Sua perspectiva é chamada de “institucionalista” em
razão da grande ênfase que o autor de “A Teoria da Classe Ociosa” coloca sobre
o que ele chamou de instituições. Na economia vebleniana, instituições são “hábitos,
rotinas de conduta” bastante arraigadas num determinado momento histórico.
Assim, por exemplo, a existência de uma classe de indivíduos que se abstêm do
trabalho produtivo, a “classe ociosa”, é uma instituição. Outros exemplos de
instituições são a propriedade absenteísta, ou seja, o hábito, bastante
presente na economia capitalista, de o dono do negócio não ser exatamente quem
cuida pessoalmente dele; a “financeirização” da riqueza, isto é, a
representação do equipamento produtivo da sociedade através de “papéis”; e a
emulação, que talvez seja o mais importante no livro: “A Teoria da Classe
Ociosa”, que diz respeito ao hábito dos indivíduos de se compararem uns com os
outros “invejosamente”, numa sociedade competitiva, ou, melhor dizendo, quando
se coloca o desejo das pessoas de serem reconhecidas como “melhores” que os
outros.
Temia
não poder terminar a obra e procurava receber cordialmente os moços, a quem dizia:
- “É preciso haver homens que continuem, depois de mim, a propaganda comunista”.
Marx é desses seres insólitos, que ocupam o primeiro lugar na ciência e na vida
publica. De tal maneira confinava com essas duas atividades,
que era difícil saber o que se
projetava em primeiro lugar: se o homem de ciência ou o lutador socialista. Toda
a ciência deve ser cultivada por si mesma e que nas investigações cientificas
não há resultados passageiros ou eventuais, era de opinião que se o homem de
ciência não queria ocupar um plano secundário deveria participar da vida publica, sem fazer do seu gabinete um esconderijo, nas lutas
sociais e políticas. - “Longtemps
Lafargue fut un oublié du combat socialiste. Il faudra attendre les années 1930
avant que le Parti communiste ne le redécouvre et c`est par les Etats-Unis, et
notamment un ouvrage de Leslie Derfler de 1991, que Lafargue redeviendra un
objet d`histoire pour les historiens du socialisme. Marié à la fille de Marx,
proche d`Engels, tantôt révolutionnaire, tantôt parlementaire, l`histoire de
Lafargue est en peu celle du socialisme. En nous réappropriant ses
correspondances et ses écrits, c`est une certaine tradition de la gauche
française que l`on redécouvre et qui, dans le contexte des échéances à venir,
fait écho à des réalités qui traversent la famille socialiste aujourd`hui”.
Aos
69 anos de idade ele e Laura morreram juntos em um pacto de suicídio. Antes de
morrer, Lafargue deixou uma carta, explicando o suicídio: - “Estando são de corpo e espírito, deixo a
vida antes que a velhice imperdoável me arrebate, um após outro, os prazeres e
as alegrias da existência e que me despoje também das forças físicas e
intelectuais; antes que paralise a minha energia, que quebre a minha vontade e
que me converta numa carga para mim e para os demais. Há anos que prometi a mim
mesmo não ultrapassar os setenta; por isso, escolho este momento para me
despedir da vida, preparando para a execução da minha decisão uma injeção
hipodérmica com ácido cianídrico. Morro com a alegria suprema de ter a certeza
que, num futuro próximo, triunfará a causa pela qual lutei, durante 45 anos.
Viva o comunismo! Viva o socialismo internacional!.!”.
Ele também escreveu O
Capital - Extratos, para facilitar o acesso popular à obra “O Capital”, de Karl
Marx. Esses extratos também teriam sido elogiados pelo sogro. Muitos outros
tentaram resumir a obra, especialmente o Livro Primeiro, devido ao fato que Marx comentava que ou ficavam acadêmicos
demais com a desvantagem de manter difícil a compreensão pela classe
trabalhadora ou eram de uma linguagem acessível para a classe trabalhadora
porém ainda mais pobres e mal interpretadas. – “Efectivamente, en 1911 tuvo
lugar el trágico suceso que llenó de estupor y tristeza a los socialistas de
todo el mundo. Pablo y Laura Lafargue se habían suicidado en su casita de
Draveil, en la noche del 26 de noviembre, un gesto que sorprendió a toda la
militancia socialista internacional. La entrañable pareja, después de haber
pasado todo el sábado en París se habían dirigido a su casa en Draveil.
Conversaron con humor, dirían el jardinero Ernest Doucet y su familia, de la
jornada realizada. Laura y Pablo habían estado en un cine. Sabían cuan cerca se
hallaba la muerte y eso no desfiguraba la serenidad y alegría familiar. Doucet
a la mañana siguiente, inquieto por lo tarde que era dada la espartanas
costumbres de la pareja, golpea la puerta, como no responde nadie, la abre él
mismo, y se encuentra a Paul y Laura ya sin vida. Él permanecía extendido y
vestido en su habitación. En la habitación contigua, Laura sentada en una
butaca, también estaba muerta”.
Historicamente
há dois tipos de causas extrasociais às quais se pode atribuir a priori uma
influência sobre a taxa de suicídios: as disposições orgânico-psíquicas e a
natureza do meio físico. Poderia ocorrer que, na constituição individual ou
pelo menos, na constituição de uma classe importante de indivíduos, houvesse
uma propensão, de intensidade variável conforme os países, que arrastasse diretamente
o homem ao suicídio; por outro lado, o clima, a temperatura, etc., poderiam
pela maneira como agem sobre o organismo, ter diretamente os mesmos efeitos. As
hipóteses, em todo caso, sustentadas por Émile Durkheim e validadas para os
dias atuais é que grande número de mortes voluntárias não entram em nenhuma
dessas categorias; a maioria delas tem motivos que não deixam de ter fundamento
na realidade.
Vale
lembrar que não se pode, sem fazer mau uso das palavras, considerar
todo suicida um louco. Mas de todos os suicídios o que parece mais
difícil de discernir que se observam nos homens são os de “espírito
melancólico”; pois, com muita frequência, o homem normal que se mata também se
encontra num estado de abatimento e de depressão, exatamente como o alienado.
Mas sempre há entre eles a diferença essencial de que o estado do primeiro e o
ato resultante dele não deixam de ter causa objetiva, ao passo que, no segundo,
não têm nenhuma relação com as circunstâncias exteriores. Para Durkheim, nas
situações de degredo, como ocorre nas prisões e nos regimentos, há um estado
coletivo de formação da consciência coletiva que inclina os soldados e os detentos ao suicídio, diretamente quanto o
pode fazer a mais violenta das neuroses. O exemplo é a causa ocasional que faz
manifestar-se; mas não é aquele que o cria, e, se o impulso não existisse, o
exemplo seria inofensivo. Uma observação sociológica pode servir de corolário.
Mas não se enganem o suicídio é uma manifestação de amor.
Em
filosofia, metodologicamente “Absurdo” se refere ao conflito entre a tendência
humana de buscar significado inerente à vida. Ou, a inabilidade humana para
encontrar algum significado. Nesse contexto “absurdo” não significa,
“logicamente impossível”, mas sim “humanamente impossível”. O universo e a
mente humana não causam separadamente o Absurdo. Mas é o Absurdo que surge pela
natureza humana contraditória de ambos existindo simultaneamente. Esta
filosofia está relacionada ao existencialismo de Sartre e ao niilismo de
Nietzsche, ainda que não deva ser confundido com estes. “Absurdismo”, portanto,
como conceito tem suas raízes no século XIX com o filósofo dinamarquês Søren
Kierkegaard. Já como sistema de crença nasceu do movimento existencialista
quando o filósofo e escritor francês Albert Camus rompe essa linha filosófica e
publica seu manuscrito “O mito de Sísifo”. As consequências da 2ª grande guerra
proporcionaram um ambiente propício para visões “absurdistas”,
em especial na devastada França, como as de Emil Cioran.
O
absurdo no ensaio: “Le Mythe de Sisyphe” é considerado um ponto de partida.
Trata-se de uma sensibilidade, não de uma filosofia do absurdo. O autor diz
isso em parte do prólogo: - “aqui se encontrará unicamente a descrição, o
estado puro de uma doença do espírito. Nenhuma metafísica, nenhuma crença foi
misturada a isso por enquanto”. Sem lugar a dúvidas, “O mito de Sísifo” é a
obra capital do absurdo. Assim como fez Jean-Paul Sartre, ao publicar em 1943 o
ensaio “O ser e o nada”, onde tenta exibir a tese da novela “A náusea” (1938),
Camus publica o ensaio em que tenta resolver os problemas propostos em sua
narração “O estranho”, ambos de 1942. Um dos aspectos relacionados por
estudiosos a este ensaio de Camus é o tema do suicídio. Foi analisado
magistralmente por Émile Durkheim, mas para Camus, especialmente em sua
primeira parte: “Um raciocínio absurdo”. A resposta que Camus tenta diante
deste problema, refere-se a um trabalho sobre o sentimento do absurdo, sua
gênese, seu conteúdo. Desenvolve o conceito do tempo, como inimigo, para
entender a ilogicidade do mundo. O espectro da morte como uma certeza do
absurdismo. Bibliografia geral consultada.
ENGELS, Friedrich, Paul et Laura Lafargue. Correspondance. Textes recueillis,
annotés et présentés par Émile Bottigelli. Traductions de l'anglais par Paul
Meier. Tome II. Paris: Éditions Sociales, 1956; KAPP, Ivone, Eleanor Marx: La Vida Familiar de Carlos Marx (1855-1883): Tomo
I. México: Ediciones Nuestro Tiempo, 1979; HARDMAN, Francisco Foot, “Introdução:
Trabalho e Lazer no Movimento Operário”. In: LAFARGUE, Paul, O Direito à Preguiça: A Religião do Capital. 3ª edição. São Paulo: Editora
Kairós, 1983, pp. 13-20; ELIAS, Norbert, A Busca da Excitação. Lisboa: Difusão Europeia do Livro, 1992; CHAUÍ, Marilena, Introdução
de O Direito à Preguiça de Paul
Lafargue. São Paulo: Editora Hucitec/Editora da Universidade Estadual Paulista, 1999; DE MASI, Domenico; MAERK, Johannes, “El Derecho a la Pereza”, de Paul Lafargue. In: RevistaMexicana del Caribe. México. Ano 5, n° 9, pp. 229-237, 2000; DE MASI, Domenico, A Economia do Ócio. Rio de Janeiro: Editor Sextante, 2001; ALBORNOZ, Suzana Guerra, “Sobre O
Direito à Preguiça de Paul Lafargue”. Disponível em: Cad.
psicol. soc. trab. Vol. 11 n° 1.
São Paulo jun. 2008; DURKHEIM, Émile, O
Suicídio. Estudo de Sociologia. 2ª edição. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes,
2011; GUTIÉRREZ-ALVAREZ, Pepe, “La Muerte Escogida de Paul Lafargue y Laura
Marx”. Disponível em: http:kaosenlared.net./22/10/2012; LAFARGUE, Paul, La Religion du Capital, suivi de Le Droit à la Paresse, et de Pie IX au Paradis. Paris: Éditions Théolib, 2014; MARX, Karl, Sobre oSuicídio. São Paulo: Editorial Boitempo, 2015; ARAUJO, Ana; AMARANTE, Roger, “Que terrível: Karl Marx é o economista mais
indicado nas escolas de Economia dos Estados Unidos”. In: Crítica Semanal da Economia
Política, fev. 2016; entre outros.