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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Habitar - Lugar Praticado, Movimento & Ócio Criativo.

                                                                                                     Ubiracy de Souza Braga

O operário assalariado está para o capitalista como o inquilino para o proprietário da casa”. Friedrich Engels

                      
               O verdadeiro processo de individuação, isto é, a harmonização do consciente com o nosso próprio centro interior - o núcleo psíquico - ou self, em geral começa infligindo uma lesão à personalidade, acompanhada do consequente sofrimento. Este choque inicial é uma espécie de apelo, apesar de nem sempre ser reconhecido como tal. Ao contrário, o ego sente-se tolhido nas suas vontades ou desejos e geralmente projeta esta frustração sobre qualquer objeto exterior. Em algum lugar, lá no mais profundo de nós mesmos, em geral sabemos aonde ir e o que fazer. Mas há ocasiões em que o palhaço age com o que analiticamente se chama “eu”, de modo tão irrefletido que a voz interior não se consegue deixar ouvir. Assim, o sonho mostra ao sonhador que ele na verdade, tem o amparo de uma organização; está dentro de uma igreja - não uma igreja edificada no mundo exterior, mas uma que existe dentro da sua própria alma. Os fiéis (todas as suas qualidades psíquicas) querem que ele exerça as funções de padre e que celebre a missa. O sonho não faz alusão à missa real, pois o seu missal é diferente do verdadeiro. Parece que a ideia da missa foi usada como símbolo e, portanto, representa um ato sacrificial em que está presente uma divindade com quem o homem se pode comunicar. Todo processo de trabalho é um processo de comunicação, mas nem todo processo de comunicação pode ser considerado um processo de trabalho a não ser potencialmente.

            No trabalho o jovem significa o self e o seu poder de renovação, um élan vital criador de orientação através da qual tudo se torna vida e de iniciativa. Um circo é uma companhia em coletivo onde se reúnem artistas de diferentes culturas e especialidades. O circo contemporâneo é realizado com artistas que, em sua grande maioria, não têm nenhum vínculo familiar com a empresa-circo. Seus pais e parentes, provavelmente, não compõem um circo-família e pouco conhecem a arte circense. Essa falta de vínculo direto com o circo pode fazer com que sua história se perca e deixe de ser conhecida e valorizada por tais artistas. Na maioria das vezes, as escolas de circo não se dedicam a estudar e difundir a história do circo entre seus alunos, dificultando o acesso a ela. No Canadá, em 1981, surge a primeira escola de circo, para atender a demanda dos artistas performáticos, que vinham tendo aulas com ginastas. Em 1982, surge em Québec o Club des Talons Hauts, grupo de artistas que se apresentavam em pernas de pau, com malabares e pirofagia. É esse grupo que em 1984 realiza o primeiro espetáculo do Cirque du Soleil. Deste então, o Cirque du Soleil cresceu de forma surpreendente, estando em cartaz programado em países no mundo globalizado, com espetáculos distintos e grande número artistas em seu elenco. Símbolo da musica: “Alegría” do Cirque du Soleil.

Cirque du Soleil é uma Companhia de entretenimento canadense. É a maior companhia circense do mundo, cuja sede fica em Montreal (Quebec, Canadá). Foi fundada em 1984, na cidade de Baie-Saint-Paul por dois artistas de rua, Guy Laliberté e Gilles Ste-Croisa. Em 1963, Laliberté foi convidado a apresentar no Festival de Artes de Los Angeles. Se o show não fosse bem recebido pelo público, eles não teriam dinheiro para retornar à Montreal. O festival foi um sucesso, e atraiu a atenção de empresas de entretenimento, como a Columbia Pictures, que teve interesse de gravar um vídeo sobre o Cirque du Soleil. Laliberté, insatisfeito com a proposta, recusou-a. Tal produção daria à Columbia Pictures direitos autorais. Esse é um dos motivos que fazem com que o Cirque du Soleil seja independente e privado até hoje. Foi fundado em Baie-Saint-Paul em junho de 1984 pelos artistas de rua Guy Laliberté e Daniel Gauthier, em resposta a um apelo feito pelo Commissariat Général aux Célébrations do governo de Quebec sobre a comemoração do 460 aniversário da descoberta do Canadá. Pode-se dizer que eles representam nas suas origens, a arte humana dentro da evolução artística, com ênfase na interação social entre o corpo e a cultura.          

Objetivando a carreira de artista performático, o fundador do Cirque du Soleil, Guy Laliberté iniciou uma turnê pela Europa como músico e “artista de rua”. Quando retornou ao Canadá, em 1967, aprendeu a arte de cuspir fogo. Trabalhou três dias na construção de uma hidroelétrica, e manteve-se com seu seguro desemprego. Ajudou a organizar, um bazar de verão com seus amigos Daniel Gauthier e Gilles Ste-Croix que coordenavam um albergue de artistas performáticos, denominado “Le Balcon Vert”. Em 1979, Ste-Croix decidiu realizar uma turnê com seu grupo. Apesar do talento dos artistas, a trupe não tinha fundos para concretizar o projeto de trabalho. O grupo decidiu “convencer” o governo de Quebec a financiar o projeto, criando o “Les Échassiers de Baie-Saint-Paul” que empregando diversos artistas performático na atividade circense, o “Les Échassiers” acabou fazendo uma excursão por Quebec durante o verão de 1980. De 1990 a 2000, o Cirque expandiu rapidamente, passando de show com 73 artistas em 1984, para mais de 3.500 empregados, em mais de 40 países, com 15 espetáculos apresentados simultaneamente e lucro anual obtido em US$ 800 milhões.        

Guy Laliberté iniciou sua carreira de artista circense como engolidor de fogo, homem da perna de pau e acordeonista. No começo dos anos 1980, fundou seu primeiro circo junto com um grupo de amigos e em 1984 criou o Cirque du Soleil, baseado na sua admiração por talentos de acrobatas e palhaços de rua do Canadá, sendo o primeiro a fazer a mistura de diversas culturas, disciplinas artísticas e acrobáticas num mesmo espetáculo. Desde a fundação, ele vem sendo o principal mentor da equipe criativa de cada nova apresentação da trupe internacional. Em 30 de setembro de 2009, após período de treinamento na Cidade das Estrelas, ele se tornou o sétimo turista espacial da história, o primeiro canadense, ao ir ao espaço como parte da tripulação da missão Soyuz TMA-16, para um período de dez dias a bordo da ISS. Durante sua estadia em órbita, Guy dirigiu do espaço o espetáculo chamado: “Da Terra às Estrelas pela Água”, do qual participaram estrelas da música, do cinema e outras celebridades desde quatorze cidades nos cinco continentes. É doutorado honoris-causa pela Universidade Laval de Quebec e obteve a Ordre National du Québec, a maior distinção do governo do Quebec. 

A nave russa Soyuz TMA-16, que leva a bordo o sétimo turista espacial da história, o canadense Guy Laliberté, fundador do “Cirque du Soleil”, se acoplou com sucesso à Estação Espacial Internacional (ISS), segundo informou o Centro de Controle de Voos Espaciais (CCVE) da Rússia. Além de Laliberté, na Soyuz viajaram também o cosmonauta russo Maxim Suráyev e o astronauta norte-americano Jeff Williams. Laliberté voltará à Terra em meados de outubro junto a Padalka e Barratt a bordo da nave Soyuz TMA-14, agora acoplada à plataforma espacial. O fundador do circo mais famoso do mundo pagou US$ 35 milhões para poder viajar à plataforma espacial, não realizará experimentos científicos durante sua estada. O produtor e artista circense aproveitou a aventura para promover comercialmente sua faceta humanitária por meio da fundação “One Drop”, que tenta conscientizar o mundo sobre o problema da escassez de água e sua relação direta com a pobreza em nosso planeta. Laliberté dirigiu da ISS, no dia 9 de outubro, a 350 km da Terra, o espetáculo poético-social intitulado “Da Terra às Estrelas pela Água”, no qual participaram celebridades do meio artístico: música, cinema e outras formas de atividade criadora em quatorze cidades continentais.     

             Ler, cozinhar, caminhar, habitar, reduz o stress e a fadiga e aumenta os níveis de produtividade e criatividade no trabalho. A casa é um conceito central para os seres humanos, porque se relaciona com aspetos fundamentais da saúde como segurança, conforto, genuinidade. Como grande parte do nosso tempo é passada com o trabalho, o tempo em casa representa um precioso equilíbrio psicofísico na redução de tensão emocional. Existem os cuidados com o corpo, os regimes de saúde, os exercícios físicos sem excesso, a satisfação, o prazer, a amizade e o enamoramento, tão medida quanto possível, as necessidades. Existem as meditações, as leituras, as anotações que se toma sobre livros ou conversações ouvidas, e que mais tarde será relida, a rememoração das verdades que já se sabe, mas de que convém apropriar-se ainda melhor. Tem-se aí um dos pontos mais importantes dessa atividade criadora consagrada a si mesmo. Ela não constitui um exercício da solidão como se pensa na modernidade; mas sim uma verdadeira prática social de relações habituais de parentesco e mesmo de amizade.
            O “ócio criativo” é o título de um ensaio do sociólogo italiano Domenico De Masi e é também um revolucionário conceito de trabalho que o sociólogo define através da interseção entre três elementos: vendas, faculdade e raciocínio lógico representando o comércio em si, aos ganhos necessários ao cumprimento das leis. Faculdade é a possibilidade de obter dinheiro através do estudo constante, utilizando os recursos que o governo dá. Raciocínio lógico é o raciocínio pragmático de estudo, muito trabalho e convivência com a natureza que deve estar presente em qualquer indivíduo que se faça. É a forma de mecanização do raciocínio, dando-lhe alma. Quando o indivíduo não consegue unir estes três pontos, sabendo que ele está praticando o “ócio criativo”, que é uma experiência harmônica e única, que proporciona sempre melhor readaptação para todas as necessidades da sociedade pré-industrial, respeitando a individualidade do sujeito e proporcionando mais alegria e ousadia ao próprio trabalho. Conquanto, na universidade a palavra “ousadia” é um lixo de memória e nada serve.

           
            Quando se fala em habitar, representa-se costumeiramente um comportamento que o homem cumpre e realiza em meio a vários outros modos de comportamento. Não habitamos simplesmente, mas construir significa originariamente habitar. E a antiga palavra construir (“bauen”) diz que o homem é à medida que habita. Mais que isso, significa ao mesmo tempo: proteger e cultivar, a saber, cultivar o campo, cultivar a vinha. Construir significa cuidar do crescimento que, por si mesmo, dá tempo aos seus frutos. No sentido de proteger e cultivar, construir não é o mesmo que produzir. NB: em oposição ao cultivo, construir diz edificar. Ambos os modos de construir – construir como cultivar, em latim, “colere”, cultura, e construir como edificar construções, “aedificare” – estão contidos no sentido próprio de “bauen”. No sentido de habitar, ou construir, permanece, para a experiência cotidiana do homem. Aquilo que desde sempre é, como a linguagem diz de forma tão exclusiva e bela, “habitual”. Isto esclarece porque acontece um construir por detrás dos múltiplos modos de habitar, por detrás das atividades de cultivo e edificação. O sentido próprio de “construir”, a saber, habitar, cai no esquecimento. Em que medida construir pertence ao habitar? Quando construir e pensar como relação são indispensáveis. Ambos são, no entanto, insuficientes para habitá-lo se cada um se mantiver isolado, distantes, cuidando do que é seu ao invés de escutar um ao outro.
              Ipso facto construir e pensar pertence ao habitar. Permanecem em seus limites. Sabem, quando aprendemos a pensar, que tanto um como outro provém da obra de uma longa experiência e de um exercício incessante de pensar. Parece que esse acontecimento refere-se a uma transformação semântica ocorrida no mero âmbito das palavras. Na verdade, porém, aí se abriga algo muito decisivo: o fato de não mais se fazer a experiência de que habitar constitui o ser do homem, e de que não mais se pensa, sem sentido pleno, que habitar é o traço fundamental do ser-homem. Que a linguagem logo retome o significado próprio da palavra “bauen” (construir), testemunha, no entanto, o caráter originário desses significados. É que, nas palavras essenciais da linguagem, o que nelas se diz propriamente cai, com muita facilidade, no esquecimento, em favor do que se diz num primeiro plano. O homem não chegou a pensar o mistério desse processo. A linguagem retrai para o homem o seu dizer simples e elevado. Mas isso não chega a emudecer o seu apelo inicial. Apenas silencia. O homem indiscutivelmente não presta atenção a esse silêncio ou aos mínimos detalhes do habitar.
            Os mortais são os homens. Chamam-se mortais porque podem morrer. Morrer diz: ser capaz da morte como morte. Somente o homem morre e, na verdade, somente ele morre continuamente, ao menos enquanto permanecer sobre a terra, sob o céu, diante dos deuses. Nomeando os mortais, já pensamos os outros três. Mas isso ainda não significa que se tenha pensado a simplicidade dos quatro. Chamamos de quadratura, afirma Heidegger, essa simplicidade. Em habitando, os mortais são na quadratura. O traço fundamental do habitar é, porém, resguardar. Os mortais habitam resguardando a quadratura em sua essência. De maneira correspondente, o resguardo inerente ao habitar tem quatro faces. Os mortais habitam à medida que conduzem seu próprio vigor, sendo capazes da morte como morte, fazendo uso dessa capacidade como a uma boa morte.  A quadratura representa a vitória sobre a inércia, segundo Heidegger, a pessoa é compelida a materializar uma atitude, é a concreta realidade. No ser humano o corpo pede desapego as ações físicas se reduzem ao mínimo ou de forma abrupta e descontínua. Conscientizada pode desenvolver o poder de vencer desafios grandes deasfios ontológicos.   


SoCO: mudar habitação. Foto Benny Lam.
            Conduzir os mortais ao vigor essencial da morte não significa, de modo algum, ter por meta a morte, entendida como o nada vazio; também não significa ofuscar o habitar através de um olhar rígido e cegamente obcecado pelo fim. Habitar é bem mais um demorar-se junto às coisas. Enquanto resguardo, o habitar preserva a quadratura naquilo junto a que os mortais se demoram: nas coisas. A demora junto às coisas é o único modo em que a demora própria da simplicidade dos quatro alcança na quadratura uma plenitude consistente. No habitar, a quadratura se resguarda à medida que leva para as coisas seu vigor de essência. As coisas elas mesmas, porém, abrigam a quadratura apenas quando deixadas como coisas em seu vigor. Como isso acontece? Quando os mortais protegem e cuidam das coisas em seu crescimento. Quando edificam de maneira própria coisas que não crescem. Cultivar e edificar significa, em sentido estrito, construir. Habitar é construir desde que se preserve nas coisas a quadratura. Desse modo, encaminhamo-nos para a segunda pergunta: Em que medida construir pertence ao habitar? Tomaremos como exemplo para nossa reflexão uma ponte.
         A ponte é, fora de dúvida, uma coisa com características próprias. Ela reúne integrando a quadratura de tal modo que lhe propicia estância e circunstância. Mas somente isso que em si mesmo é um lugar, pode dar espaço a uma estância e circunstância. O lugar não está simplesmente dado antes da ponte. Sem dúvida, antes da ponte existir, existem ao longo do rio muitas posições  que podem ser ocupadas por alguma coisa. Dentre essas muitas posições, uma pode se tornar um lugar e, isso, através da ponte. A ponte não se situa num lugar. É da própria ponte que saeurge um lugar. A ponte é uma coisa. A ponte reúne integrando a quadratura, mas reúne integrando o modo de propiciar à quadratura estância e circunstância. A partir dessa circunstância determinam-se os lugares e os caminhos pelos quais se arruma, se dá espaço a um espaço. Essencialmente, espaço é, o fruto de ua arrumação, de um espaçamento, o que foi deixado em seu limite. O espaçado é o que, a cada vez, se propicia e, com isso, se articula, ou seja, o que se reúne de forma integradora através de um lugar, ou seja, através de uma coisa do tipo ponte. Por isso os espaços recebem sua essência dos lugares e não “do” espaço.  O espaço arrumado pelas posições é um espeço bem específico. Enfim, os espaços abrem-se pelo fato de serem admitidos no habitar do homem. A referência do homem aos lugares e através dos lugares aos espaços repousa sempre no habitar. A relação entre homem e espaço nada mais é do que pensar de maneira essencial e que chamamos de coisas construídas. 
Essa diferença entre a essência e o exemplo, entre a imediatez e a mediação, quem faz não somos nós apenas, mas a encontramos na própria certeza sensível; e deve ser tomada na forma em que nela se encontra, e não como nós acabamos de determina-la. Na certeza sensível, um momento é oposto como o essente simples e imediato, ou como a essência: o objeto. O outro momento, porém, é posto como o inessencial e o mediatizado, momento que nisso não é “em-si”, mas por meio do Outro: o Eu, um saber, que sabe o objeto só porque ele é; saber que pode ser ou não. Mas o objeto é o verdadeiro e a essência: ele é, tanto faz que seja conhecido ou não. Permanece mesmo não sendo conhecido – enquanto o saber não é, se o objeto não souber que pode ser. Trata-se assim da singularidade imediata de apreensão do objeto. O outro momento, porém, é posto como o inessencial e o mediatizado, momento que nisso não é “em-si”, mas por meio de Outro: o Eu, um saber, que sabe o objeto só porque ele é; saber que pode ser ou não. O objeto deve ser examinado, para vermos se é de fato, na certeza sensível mesma, aquela essência que ela lhe atribui; e se esse seu conceito – de ser uma essência – corresponde ao modo imediato como se encontra na certeza sensível.
O tempo, como a unidade negativa do ser-fora-de-si, é igualmente um, sem mais nem menos, abstrato, ideal. Ele é o ser, que, enquanto é, não é, e enquanto não é; ele é o vir-a-ser intuído, isto é, tal que são determinadas as diferenças simplesmente momentâneas, isto é, as que imediatamente se suprassumem como exteriores, isto é, que são apesar disso exteriores a si mesmas. O tempo é como o espaço uma pura forma de sensibilidade ou do intuir, é o sensível, mas, assim como a este espaço, também ao tempo não diz respeito a diferença de objetividade e de uma consciência subjetiva contra ela. Quando se aplicam estas determinações de espaço e tempo, então seria aquele a objetividade abstrata, este [o tempo], porém a subjetividade abstrata. O tempo é o princípio representativo que o Eu=Eu da autoconsciência pura; mas é o mesmo princípio ou o simples conceito ainda em sua total exterioridade e abstração – como o mero vir-a-ser intuído, o puro ser-em-si como um vir-fora-de-si. 

            O tempo é igualmente contínuo como o espaço, pois ele é a negatividade abstratamente referindo-se a si e nesta abstração ainda não há nenhuma diferença real. No tempo, diz-se, tudo surge e perece, se se abstrai de tudo, a saber, do recheio do tempo e igualmente do recheio do espaço, fica de resto o tempo vazio como o espaço vazio – isto é, são então postas e representadas estas abstrações de exterioridade, como se elas fossem por si. O real é limitado, e o outro para esta negação está fora dele, a determinidade é assim nele exterior a si, e daí a contradição de seu ser; a abstração opera nessa exterioridade de sua contradição e a inquietação da mesma é o próprio tempo. Por isso o finito é transitório e temporário, porque ele não é, como o conceito nele mesmo, a negatividade total, mas tem esta em si, como sua essência universal, entretanto – diferentemente da mesma essência – é unilateral, e se relaciona à mesma  como à sua potência. Só o natural, na vida, na realidade concreta é, portanto, enquanto é finito, sujeito ao tempo; o verdadeiro, porém, a ideia, o espírito, é eterna.
A intemporalidade absoluta é diferente da duração; é a eternidade que é sem o tempo natural. Mas o próprio tempo é, em seu conceito, eterno; pois ele, não quer qualquer tempo, nem o agora, mas o tempo-enquanto-tempo, é seu conceito; este tempo, porém, como cada conceito em geral, é o eterno, e também é presente absoluto. O que não está no tempo é o sem-processo; o péssimo e o mais perfeito não estão no tempo, dura. O péssimo, da pior qualidade, porque ele é uma universalidade abstrata, assim espaço, assim tempo mesmo; sua duração não é vantagem. O duradouro é mais altamente cotado do que o transitório; mas toda florescência, toda bela vitalidade tem morte cedo. Mas também o mais perfeito dura, não só o universal sem-vida, inorgânico, mas também o outro universal, o concreto em si, o gênero, a lei, a ideia, o espírito. Representa o processo total ou apenas um momento do processo que entra no tempo enquanto os momentos do conceito têm a aparência da independência; mas as diferenças excluídas portam-se como reconciliadas e retomadas à paz.
A noção de desenvolvimento passa a ser central depois dessa concepção e, para o bem ou para o mal até os dias de hoje. Mesmo a ideia de progresso, que implicava o depois poder ser explicado em função do antes, encalhou, de certo modo nos recifes do século XX, ao sair das esperanças ou das ilusões que acompanharam a travessia do mar aberto pelo século XIX. Esse questionamento refere-se a várias ocorrências distintas entre si que não atestam um progresso moral da humanidade, e sim, uma dúvida sobre a história como portadora de sentido, dúvida renovada, essencialmente no que se refere ao seu método, objeto e fundamentalmente nas grandes dificuldades não só em fazer do tempo um princípio de inteligibilidade, como ainda em inserir aí um princípio de identidade. A história: isto é, uma série de acontecimentos reconhecidos como acontecimentos por muitos, acontecimentos que podemos pensar que importarão aos olhos dos historiadores de amanhã e, ao qual cada um de nós, por mais consciente que seja de nada representar nesse caso pode vincular algumas circunstâncias ou imagens particulares, como se fosse a cada dia menos verdadeiro que os homens, que fazem a história, pois, senão, quem mais senão homens, não sabem que a fazem.
Hegel dizia que a verdade é o todo. Que se não enxergamos o todo, podemos atribuir valores exagerados a verdades limitadas, prejudicando a compreensão de uma verdade geral. Essa visão é sempre provisória, nunca alcança uma etapa definitiva e acabada, caso contrário a dialética estaria negando a si própria. O método dialético nos incita a revermos o passado, à luz do que está acontecendo no presente, ele questiona o presente em nome do futuro, o que está sendo em nome do que “ainda não é”. Para Hegel, o trabalho é o conceito chave para compreensão da superação da dialética, atribuindo o verbo suspender com três significados: negação de uma determinada realidade, conservação de algo essencial dessa realidade e elevação a um nível superior. A filosofia descreve a realidade e a reflete, portanto, a dialética busca, não interpretar, mas refletir acerca da realidade. A dialética é a história das contradições. O reprimido permanece dentro da totalidade. Esta contradição não é apenas do pensamento, mas da realidade. Então, tudo está em processo de constante devir.
Esse padrão é nosso velho conhecido, visto que é algo do qual a filosofia durante séculos de elaboração utilizou para conhecer. E isto fica claro da seguinte maneira; se o saber é igual ao conceito e a essência corresponde o objeto, logo o conceito precisa corresponder ao objeto e vice-versa, basta para nós, portanto, verificar em nosso exame – diz Hegel – se o objeto corresponde ao conceito. Por isso, é necessário manter os dois momentos do exame; o conceito, quer dizer, ser para outro e o objeto consequentemente ser em si mesmo. Com isso verificamos que não é necessário um “padrão de medida”, um instrumento que capte o raio, mas de outro modo, é necessário investigar a partir do que é dado, embora, aquilo que é dado fique no limite da própria consciência. Dessa forma, a consciência é consciência do objeto e por identificar este objeto como um elemento extrínseco torna-se “consciência de si mesmo”. A consciência do que é verdadeiro é consciência do “seu saber da verdade”, que estabelece a comparação na relação entre tempo e espaço é a própria consciência.
Hegel admite Marx, não enxerga o trabalho em toda a sua contraditória materialidade e por isso o idealiza e o vê de maneira unilateralmente positiva, minimizando a força da sua negatividade: a essência humana, o ser humano, equivale para Hegel à consciência de si, em vez de reconhecer na consciência de si a consciência de si do homem, quer dizer, “de um homem real, que vive num mundo real, objetivo, e é condicionado por ele”. Por isso, Hegel, na interpretação de Marx da Introdução de 1857, caiu na ilusão de conceber o real como resultado do pensamento, que se encontra em si mesmo, se aprofunda em si mesmo e se movimenta por si mesmo, enquanto o método que consiste em elevar-se do abstrato ao concreto é para o pensamento precisamente a maneira de se apropriar do concreto, de reproduzi-lo como concreto espiritual. Portanto, ao assumir o conceito hegeliano de dialética, Marx foi levado a modificá-lo, mas a perspectiva de Marx implicava não só uma reavaliação do papel do trabalho material na autocriação da sociedade e na autotransformação do ser humano, como também exigia uma reavaliação dos trabalhadores e de sua concepção orgânica como força material de trabalho capaz de dar prosseguimento à autotransformação histórica da humanidade na modernidade.   

A definição histórica do sábado e do domingo como dias de descanso semanal remunerado é uma conquista relativamente recente dos trabalhadores. Foi resultado da luta operária surgida na Inglaterra depois da Revolução Industrial, no início do século XIX. Na Antiguidade, os romanos e os adeptos de religiões pagãs dedicavam o sábado ao deus Saturno, que regia a agricultura. Esse dia era reservado para o descanso, numa forma de agradecimento ao deus por uma boa colheita. Em outras religiões, como no judaísmo, o sábado também já era consagrado como um dia de repouso semanal. Já o domingo ganhou esse “status” um pouco mais tarde. Só na era cristã é que passou a ser considerado sagrado, “porque Jesus ressuscitou dos mortos neste dia”. Por conta disso, os cristãos consagraram o domingo ao Senhor e, para que os fiéis pudessem ir tranquilamente aos cultos, era natural que fosse reservado um dia sem trabalho. 
Porque pode fazer história e revolucionar a estrutura dessa sociedade, em sua transitoriedade assimilando assim as conquistas mais profundas da filosofia. Utilizando o conhecimento para superar/conservar a situação particular de classe que lhes é imposta. Em sua concepção dialética, a filosofia, “não pode se realizar sem a superação do proletariado; e o proletariado não pode se superar sem a realização da filosofia”.  O modo de pensar dialético atento à infinitude do real e a irredutibilidade do real ao saber distingue os planos de análise e de realidade de quem opera sociologicamente. Implica uma interpretação da consciência no sentido dela se abrir para o reconhecimento do novo, inédito, no âmbito das “mediações complexas” e das contradições sociais que irrompem no campo visual do sujeito e lhe revelam a existência de problemas que não estava enxergando. Hegel é o primeiro a ter visibilidade na Filosofia colocando a questão tópica da consciência e da autoconsciência vis-à-vis à consciência comum. É neste sentido conspícuo que a jornada de trabalho põe em evidência a interrupção do trabalho, fora das crenças religiosas, para que o homem possa gozar e reconstituir-se.
Bibliografia geral consultada.
ENGELS, Friedrich, Paul et Laura Lafargue. Correspondance. Textes recueillis, annotés et présentés par Émile Bottigelli. Tome II. Paris: Éditions Sociales, 1956; KAPP, Ivone, Eleanor Marx: La Vida Familiar de Carlos Marx (1855-1883): Tomo I. México: Ediciones Nuestro Tiempo, 1979; HARDMAN, Francisco Foot, “Introdução: Trabalho e Lazer no Movimento Operário”. In: LAFARGUE, Paul, O Direito à Preguiça: A Religião do Capital. 3ª edição. São Paulo: Editora Kairós, 1983, pp. 13-20; CHAUÍ, Marilena, Introdução de O direito à preguiça de Paul Lafargue. São Paulo: Editora Hucitec/Editora da UNESP, 1999; DE MASI, Domenico; MAERK, Johannes, “El Derecho a la Pereza”, de Paul Lafargue. In: Revista Mexicana del Caribe. México. Ano 5, n° 9, pp. 229-237, 2000; VATTIMO, Gianni, El Sujeto y la Mascara. Barcelona: Editorial Península; 2003; ARALDI, Clademir Luís, Niilismo, Criação, Aniquilamento. São Paulo: Editora UNIJUI, 2004; DAMIÃO, Carla Milani, Sobre o Declínio da Sinceridade. São Paulo: Editora Loyola, 2004; ALBORNOZ, Suzana Guerra, “Sobre O Direito à Preguiça de Paul Lafargue”. In: Cad. Psicol. Soc. Trab. v.11 n° 1. São Paulo jun. 2008; LOUREIRO, Roberto de Oliveira, O Ócio Criativo e as Inteligências Múltiplas: Dimensões de Domenico De Masi e Howard Gardner sobre o Trabalho Contemporâneo. Tese de Doutorado. Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciência Sociais. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2009;  LAFARGUE, Paul, La Religion du Capital (suivi de Le droit à la paresse, et de Pie IX au paradis). Paris: Éditions Théolib, 2014; LEDOUX, Sébastien, Le Devoir de Mémoire. Une Formule et son Histoire. Paris: CNRS Éditions, 2016; ARIZA, Marília Bueno de Araújo, Mães Infames, Rebentos Venturosos: Mulheres e Crianças, Trabalho e Emancipação em São Paulo (século XIX). Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em História Social. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2017; SOARES, Cecília Elisabeth Barbosa, Sedas Tropiciais: Comércio de Luxo e Desenvolvimento Urbano no Rio de Janeiro. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação Multinstitucional e Multidisplinar em Difusão de Conhecimento. Salvador: Universidade Federal da Bahia, 2017;  entre outros.  

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Paul Lafargue & Laura Marx – Amor, Preguiça & Suicídio Altruísta.

                                                                                                       Giuliane de Alencar & Ubiracy de Souza Braga
 
Sejamos preguiçosos em tudo, exceto em amar e em beber, exceto em sermos preguiçosos”. Paul Lafargue

                                          
Paul Lafargue representava o filho único de uma família de agricultores, com origem francesa da colonização dominicana e cubana. Tinha seis anos, quando saiu de Havana e foi para a França com seus pais. Estudou em Bordéus, e, mais tarde, em Toulouse. Finalmente, foi para Paris, onde cursou medicina, carreira que concluiu, mas que optou por não exercê-la. Enquanto estudante de medicina declara-se hic et nunc republicano, socialista, materialista e ateu, colaborando com o quem viria a ser o seu cunhado, Charles Longuet, na revista “Rive Gauche”.  Politicamente era positivista e proudhoniano. Em 1865, visita Marx, em Londres, e adere a Primeira Internacional. Continua os estudos, em Londres. No ano seguinte, é nomeado membro do Conselho Federal e, depois, é enviado para Espanha, como secretário. Conhece e casa-se, com a segunda filha de Marx, Laura, contrariando Marx, do ponto de vista anarquista, mas que será sua companheira e colaboradora ativista até à morte. Embora Lafargue tenha estudado medicina sofre a fatalidade da perda de três filhos  morrerem recém-nascidos.  
        Foi político, militante aparentemente comunista e escritor francês de origem cubana. “Paul Lafargue was born in Santiago, Cuba, on 16 June 1842, the son of a planter. His paternal grandmother was a mulatto from Santo Domingo, who fled from there during the French Revolution. His paternal grandfather was French, killed in the risings in Haiti. His maternal grandfather, Abraham Armagnac, was a French Jew and his maternal grandmother a Carib Indian. He was truly a born internationalist”. In 1851 his family took the young Paul to France, where he studied in the lycées of Bordeaux and Toulouse before taking up medicine in Paris. Genro e discípulo de Karl Marx. Nasceu a 5 de janeiro de 1842, em Santiago, Cuba. Morreu a 26 de novembro de 1911, em Draveil, Essonne, França.  Membro da Comuna de Paris, foi obrigado pelas autoridades governamentais a deixar a França, exilando-se na Inglaterra, onde se casou em 1868 com Laura Marx, filha de Marx. De volta à França, elegeu-se deputado por Lille.
Em 1880 fundou com Jules Guedes o Partido Operário Francês, tornando-se difusor das ideias de Marx. Sua obra consiste, sobretudo de “Le droit à la paresse”, escrita na prisão, onde exibe a dialética sobre as falhas do sistema capitalista; “La légende de Victor Hugo”; “Souvenirs”; “La religion du capital”; “Le communisme et l'évolution”; “Les trusts américains”; “La charité chrétienne”. Publicou o trabalho “Correspondence”, das cartas mantidas entre ele, Laura Marx e Friedrich Engels, e o livro póstumo “Critiques Littéraires”.  Vale lembrar que o ensaio “Le Droit à la Paresse” é um manifesto político escrito por Paul Lafargue que polemiza com as visões sociais de mundo liberais, algumas conservadoras e mesmo algumas marxistas do trabalho. Sir Charles Spencer Chaplin, reconhecido como Charlie Chaplin (1889-1977), foi um ator, diretor, produtor, comediante, dançarino, roteirista e músico britânico. E um dos atores mais famosos da chamada “Era do Cinema Mudo”, notabilizado pelo uso de mímica e da “comédia pastelão”. Atuou, dirigiu, escreveu, produziu e financiou seus próprios filmes, sendo fortemente influenciado por um antecessor, o comediante francês Max Linder (1883-1925), a quem ele dedicou um de seus filmes. 
Sua carreira no ramo do entretenimento durou mais de 75 anos, desde suas primeiras atuações quando ainda era criança nos teatros do Reino Unido durante a Era Vitoriana quase até sua morte aos 88 anos de idade. Sua vida pública e privada abrangia adulação e controvérsia. Juntamente com Mary Pickford, Douglas Fairbanks e D. W. Griffith, Chaplin fora co-fundador da United Artists, uma Companhia fundada em 5 de fevereiro de 1919. D. W. Griffith nasceu em La Grange, Oldham County, Kentucky, filho de Jacob “Roaring Jake” Griffith, um colono do Confederate Army e herói da Guerra Civil Americana. Começou sua carreira como um próspero dramaturgo, mas não conseguiu sucesso global. Depois se tornou ator. Encontrando seu caminho no cinema, em pouco tempo dirigia um grande corpo de trabalho, levando Charles Chaplin a chama-lo de “o professor de todos nós”. Chaplin foi um ator, diretor, produtor, comediante, dançarino, roteirista e músico britânico. Um dos atores mais famosos da era do chamado “cinema mudo”, notabilizado pelo uso de mímica e da “comédia pastelão”, sendo influenciado por seu antecessor, o comediante francês Max Linder (1883-1925), um extraordinário ator de cinema francês da chamada “era do cinema mudo”, o pai da primeira geração de comediantes do cinema norte-americano, a quem ele dedicou um de seus filmes.

                                    


Seu principal e mais famoso personagem historicamente foi The Tramp, reconhecido internacionalmente como Charlot, na Europa, e igualmente reconhecido como Carlitos, ou “O Vagabundo”, entre nós, em análise comparada no caso do brasileiro. Consiste em um andarilho pobretão que possui todas as maneiras refinadas e a dignidade de um gentleman, usando “um fraque preto esgarçado, calças e sapatos desgastados e mais largos que o seu número, um chapéu-coco ou cartola, uma bengala de bambu e – sua marca pessoal – um pequeno bigode-de-broxa”. Foi também um talentoso jogador de xadrez e chegou a enfrentar o campeão estadunidense Samuel Reshevsky. Em 2008, em uma resenha do livro Chaplin: A Life, Martin Sieff escreve: - “Chaplin não foi apenas ´grande`, ele foi gigantesco”. Em 1915, ele “estourou” um mundo dilacerado pela guerra trazendo da comédia, risos e alívio enquanto ele estava se dividindo ao meio pela Primeira grande Guerra. Durante os próximos 25 anos, através da Grande Depressão e da infeliz ascensão do nazismo, ele permaneceu no emprego. Ele foi maior do que qualquer um. É duvidoso que algum outro indivíduo tenha dado mais entretenimento, prazer e alívio para tantos seres humanos quando eles mais precisavam. O termo Sétima Arte, é usado para designar o cinema; foi estabelecido por Ricciotto Canudo no “Manifesto das Sete Artes”, em 1911, embora tenha sido publicado apenas em 1923. 

Por sua inigualável contribuição ao desenvolvimento da Sétima Arte, Chaplin é o mais homenageado cineasta de todos os tempos, sendo ainda em vida condecorado pelo governo britânico: “Cavaleiro do Império Britânico”, pelo governo francês: “Légion d`Honneur”, pela Universidade de Oxford: Doutor Honoris Causa e pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos da América com o Óscar especial “pelo conjunto da obra”, em 1972. Além de atuar, Chaplin dirigiu, escreveu, produziu e eventualmente compôs a trilha sonora de seus próprios filmes, tornando-se uma das personalidades mais criativas e influentes em sua progênie da era do “cinema mudo”. Chaplin foi fortemente influenciado por um antecessor, como vimos o comediante francês Max Linder, a quem ele dedicou um de seus filmes. Era canhoto, nasceu no dia 16 de abril de 1889, na East Street, Walworth, Londres, Inglaterra. Seus pais eram artistas de music-hall. Seu pai, Charles Spencer Chaplin, era vocalista e ator, e sua mãe, Hannah Chaplin, era cantora e atriz. Chaplin aprendeu a cantar com seus pais, os quais se separaram antes dele completar três anos de idade. Após a separação, Chaplin foi deixado aos cuidados de sua mãe, que estava cada vez mais instável emocionalmente. O censo de 1891 demonstra que sua mãe morava com Charlie e seu “meio-irmão” mais velho Sydney na Barlow Street, Walworth. Um problema de laringe finda a carreira da mãe de Chaplin.

A primeira crise de Hannah ocorreu em 1894 quando ela estava cantando no “The Canteen”, um teatro em Aldershot, geralmente frequentado por manifestantes e soldados. Além de “ser vaiada, Hannah foi gravemente ferida pelos objetos atirados pela plateia”. Nos bastidores, ela chorava e argumentava com o seu gerente. Enquanto isso, com apenas cinco anos de idade, o pequeno Chaplin subiu sozinho ao palco e cantou uma música popular da época, “Jack Jones” (cf. Chaplin, 1981). Seu pai, Charles, era alcoólatra e tinha pouco contato com seu filho, apesar de Chaplin e seu meio-irmão morarem durante um curto período de tempo com seu pai e sua amante, Louise, na 287 Kennington Road, onde há uma placa em homenagem ao fato histórico e social. Os “meios-irmãos” viviam ali, enquanto sua mãe, mentalmente doente, residia no Asilo Cane Hill em Coulsdon. A amante do pai de Chaplin enviou o menino para a Archbishop Temples Boys School. Seu pai morreu de cirrose no fígado quando Chaplin tinha doze anos, em 1901. De acordo com o censo de 1901, Chaplin residia na Streets 94 Ferndale Road, Lambeth. Após a mãe de Chaplin ter sido novamente admitida no Asilo Cane Hill, seu filho foi deixado, lamentavelmene, como de costume na porta de entrada em uma “casa de trabalho” em Lambeth, no Sul de Londres, mudando-se após várias semanas para a Central London District School, “uma escola para pobres em Hanwell”.

Os jovens irmãos Chaplin começaram um íntimo relacionamento, a fim de sobreviverem. Ainda jovens, foram atraídos para o music hall, e ambos provaram ter grande talento. A mãe de Chaplin morreu em 1928, em Hollywood, sete anos após ter sido levada de Londres para os Estados Unidos por seus filhos. Chaplin começou a trabalhar junto com Normand, que “dirigiu e escreveu vários de seus primeiros filmes”. Contudo, Chaplin não gostou de ser dirigido por uma mulher, e os dois discutiam frequentemente. Ele acreditava que Sennett pretendia demiti-lo caso houvesse um desentendimento com Normand. No entanto, seus filmes fizeram tanto sucesso que ele se tornou uma das maiores estrelas da Keystone. Kid Auto Races at Venice (1914), foi o segundo filme de Chaplin e historicamente a primeira “aparição” d`O Vagabundo. Foi no estúdio Keystone desenvolveu seu principal personagem: O Vagabundo, reconhecido como Charlot na França e no mundo francófono, na Itália, Espanha, Portugal, Grécia, Romênia e Turquia, Carlitos no Brasil e na Argentina, e Der Vagabund na Alemanha.

Etnograficamente falando temos n`O Vagabundo a representação social, no sentido que empregam Berger & Luckmann (1985) e artística de um andarilho pobretão que possui todas as maneiras refinadas e a dignidade de um cavalheiro; aparece sempre vestindo um paletó apertado, calças e sapatos desgastados e mais largos que o seu número, e um chapéu-coco; carrega uma bengala de bambu; e possui um pequeno bigode-de-broxa, como vimos. O público viu o personagem pela primeira vez no segundo filme de Chaplin, Kid Auto Races at Venice, lançado em 7 de fevereiro de 1914. No entanto, ele já havia criado o visual do personagem para o filme: Mabel`s Strange Predicament, produzido alguns dias antes, porém lançado mais tarde, em 9 de fevereiro de 1914. Os primeiros filmes de Chaplin no estúdio Keystone usavam a fórmula padrão de Mack Sennett, “que consistia em extrema comédia pastelão e gestos exagerados”. Do ponto de vista técnico-metodológico a pantomima de Chaplin foi mais sutil, sendo mais adequada para comédias românticas e “farsas domésticas”. As piadas visuais, no entanto, seguiam exatamente o padrão de comédia da Keystone. Em seus filmes, O Vagabundo atacava seus inimigos com chutes e tijolos. O público da época amou este novo comediante, apesar dos críticos alertarem que as travessuras beiravam a vulgaridade.

Paul Lafargue & Laura Marx em comício na Espanha. Logo depois, Chaplin se ofereceu para Dirigir e Editar seus próprios filmes. Durante seu primeiro ano no ramo do cinema, ele fez mal, comprando aos Laboratórios das universidades contemporâneas, “34 curtas-metragens para Sennett, assim como o longa-metragem Tillie! s Punctured Romance”. Assim, diz o irreprochável Chaplin quando da criação de seu “Vagabundo”: - “não tinha a menor ideia de como poderia me vestir. Não me gostava o disfarce de jornalista. Não obstante, enquanto me dirigia ao vestuário, me ocorreu por calças (pantalonas), um par de sapatos grandes, uma bengala e um chapéu (sombrero) longo. Queria que tudo parecesse uma contradição: as calças (pantalonas), abolsados (em forma de bolsa); a jaqueta, ajustada: os sapatos, grandes, e o chapéu, pequeno…” (cf. Chaplin, 1981: 233). Para Octavio Ianni (1989), é uma das mais extremas e cruéis sátiras sobre o Mundo Moderno. A Sociologia e a Modernidade surgem na mesma época, na mesma idade. Talvez se possa dizer que a revolução popular de 1848 despertou o Mundo para algo novo, que não havia sido ainda plenamente percebido. A multidão aparecia no primeiro plano, no horizonte da história. E aparecia como multidão, massa, povo e classe. A revolução de 1848 em Paris repercutiu em toda a França, na Europa e em partes do mundo. Via-se que a multidão se tornava classe revolucionária em conjunturas críticas. A metamorfose pode ser brusca, inesperada, assustadora, fascinante. Em Paris de 1848 viviam, trabalhavam, produziam e lutavam Tocqueville, Proudhon, Comte, Marx, Blanqui e Baudelaire. Na capital do século XIX, são os sinais de que a sociedade burguesa também é histórica, transitória, nascem a Sociologia e a Modernidade. É o herói solitário e triste de Charles Chaplin. 

Foi publicado no jornal socialista “L`Égalité” em 1880. Neste período, em Paris, a jornada de trabalho superavam as 12 horas diárias e por vezes estendendo-se até 17 horas. Lafargue denuncia a “santificação” do trabalho debochando dele como um “dogma desastroso”. Ele e Laura, numa atitude corajosa, temendo a decrepitude oriunda da velhice, fixaram em 70 anos a duração de suas existências. Assim, após 43 anos de vida em comum, ele com 69 anos, ela com 66 anos, anteciparam aquele projeto e, na noite de 26 de novembro de 1911, trancaram-se em sua imensa propriedade de Draveil e lá se suicidaram, injetando ácido cianídrico nas veias. Jenny Laura Marx, nascida em 26 de setembro de 1845 foi a segunda filha de Marx e Jenny von Westphalen. Em 1868 ela se casou com Paul Lafargue, nascido em Santiago de Cuba de família Franco-Caribenha, sob o nome de Pablo em 16 de junho de 1842, com quem passou a maior parte de sua vida na França, e um período extraordinário na movimentada Inglaterra e a anárquica Espanha de importantes movimentos sociais do ponto de vista da organização laboral.  
“Partisan du courant fondé par Jules Guesde, Lafargue portera durant les années 1890-1905 un socialisme intransigeant inspiré des sociaux-démocrates allemands et qui hésitera pas à égratigner ses camarades, et surtout Jean Jaurès, lorsque ceux-ci s'éloigneront de la ligne idéologique qu'il défend. Acteur de la vie politique française, il cherchera à rapprocher les thèses complexes de Marx des ouvriers, en vulgarisant le marxisme et en créant un corpus d`éléments de langage qui formeront la base du lexique de la “lutte des classes”. Il martela alors ces écrits, inlassablement, dans L`Humanité et les autres journaux de même obédience
            Nas notas sobre a figuração intelectual e paterna de Marx, apresenta-se da seguinte descrição na leitura de Paul Lafargue. Vi Marx, pela primeira vez, em fevereiro de 1865. Num comício do Saint Martin`s Hall acabava de fundar-se a Internacional. Eu chegava de Paris para tomar conhecimento dos progressos da novel organização. M. Toloin, hoje representante do Senado burguês e um de seus delegados na Conferencia de Berlim, dera-me uma carta de recomendação para ele. Eu tinha, então, 24 anos. Jamais esquecerei a impressão que me causou, desde os primeiros momentos em que o vi. Nessa época, achava-se Marx debilitado fisicamente. Trabalhava no primeiro volume de “O Capital”, ainda que o mesmo só aparecesse dois anos depois, isto é, em 1867.  Vale lembrar que Thorstein Veblen propôs um sistema de ciência econômica que teria por mote uma análise não teleológica, o que ele considerava o principal problema da ciência econômica como praticada no seu tempo.
Para tal ele buscou conceitos tanto na biologia evolutiva de Charles Darwin, como na psicologia dos instintos de William James, esta última uma teoria muito em voga no final do século XIX. Sua perspectiva é chamada de “institucionalista” em razão da grande ênfase que o autor de “A Teoria da Classe Ociosa” coloca sobre o que ele chamou de instituições. Na economia vebleniana, instituições são “hábitos, rotinas de conduta” bastante arraigadas num determinado momento histórico. Assim, por exemplo, a existência de uma classe de indivíduos que se abstêm do trabalho produtivo, a “classe ociosa”, é uma instituição. Outros exemplos de instituições são a propriedade absenteísta, ou seja, o hábito, bastante presente na economia capitalista, de o dono do negócio não ser exatamente quem cuida pessoalmente dele; a “financeirização” da riqueza, isto é, a representação do equipamento produtivo da sociedade através de “papéis”; e a emulação, que talvez seja o mais importante no livro: “A Teoria da Classe Ociosa”, que diz respeito ao hábito dos indivíduos de se compararem uns com os outros “invejosamente”, numa sociedade competitiva, ou, melhor dizendo, quando se coloca o desejo das pessoas de serem reconhecidas como “melhores” que os outros.
Temia não poder terminar a obra e procurava receber cordialmente os moços, a quem dizia: - “É preciso haver homens que continuem, depois de mim, a propaganda comunista”. Marx é desses seres insólitos, que ocupam o primeiro lugar na ciência e na vida publica. De tal maneira confinava com essas duas  atividades,  que  era difícil saber o que se projetava em primeiro lugar: se o homem de ciência ou o lutador socialista. Toda a ciência deve ser cultivada por si mesma e que nas investigações cientificas não há resultados passageiros ou eventuais, era de opinião que se o homem de ciência não queria ocupar um plano secundário deveria participar da vida publica, sem fazer do seu gabinete um esconderijo, nas lutas sociais e políticas.  - “Longtemps Lafargue fut un oublié du combat socialiste. Il faudra attendre les années 1930 avant que le Parti communiste ne le redécouvre et c`est par les Etats-Unis, et notamment un ouvrage de Leslie Derfler de 1991, que Lafargue redeviendra un objet d`histoire pour les historiens du socialisme. Marié à la fille de Marx, proche d`Engels, tantôt révolutionnaire, tantôt parlementaire, l`histoire de Lafargue est en peu celle du socialisme. En nous réappropriant ses correspondances et ses écrits, c`est une certaine tradition de la gauche française que l`on redécouvre et qui, dans le contexte des échéances à venir, fait écho à des réalités qui traversent la famille socialiste aujourd`hui”. 
Aos 69 anos de idade ele e Laura morreram juntos em um pacto de suicídio. Antes de morrer, Lafargue deixou uma carta, explicando o suicídio:  - “Estando são de corpo e espírito, deixo a vida antes que a velhice imperdoável me arrebate, um após outro, os prazeres e as alegrias da existência e que me despoje também das forças físicas e intelectuais; antes que paralise a minha energia, que quebre a minha vontade e que me converta numa carga para mim e para os demais. Há anos que prometi a mim mesmo não ultrapassar os setenta; por isso, escolho este momento para me despedir da vida, preparando para a execução da minha decisão uma injeção hipodérmica com ácido cianídrico. Morro com a alegria suprema de ter a certeza que, num futuro próximo, triunfará a causa pela qual lutei, durante 45 anos. Viva o comunismo! Viva o socialismo internacional!.!”. 
Ele também escreveu O Capital - Extratos, para facilitar o acesso popular à obra “O Capital”, de Karl Marx. Esses extratos também teriam sido elogiados pelo sogro. Muitos outros tentaram resumir a obra, especialmente o Livro Primeiro, devido ao fato que  Marx comentava que ou ficavam acadêmicos demais com a desvantagem de manter difícil a compreensão pela classe trabalhadora ou eram de uma linguagem acessível para a classe trabalhadora porém ainda mais pobres e mal interpretadas. – “Efectivamente, en 1911 tuvo lugar el trágico suceso que llenó de estupor y tristeza a los socialistas de todo el mundo. Pablo y Laura Lafargue se habían suicidado en su casita de Draveil, en la noche del 26 de noviembre, un gesto que sorprendió a toda la militancia socialista internacional. La entrañable pareja, después de haber pasado todo el sábado en París se habían dirigido a su casa en Draveil. Conversaron con humor, dirían el jar­dinero Ernest Doucet y su familia, de la jornada realizada. Laura y Pablo habían estado en un cine. Sabían cuan cerca se hallaba la muerte y eso no desfiguraba la serenidad y alegría familiar. Doucet a la ma­ñana siguiente, inquieto por lo tarde que era dada la espartanas costumbres de la pareja, golpea la puerta, como no responde nadie, la abre él mismo, y se encuentra a Paul y Laura ya sin vida. Él permanecía extendido y vestido en su habitación. En la habitación con­tigua, Laura sentada en una butaca, también estaba muerta”.
Historicamente há dois tipos de causas extrasociais às quais se pode atribuir a priori uma influência sobre a taxa de suicídios: as disposições orgânico-psíquicas e a natureza do meio físico. Poderia ocorrer que, na constituição individual ou pelo menos, na constituição de uma classe importante de indivíduos, houvesse uma propensão, de intensidade variável conforme os países, que arrastasse diretamente o homem ao suicídio; por outro lado, o clima, a temperatura, etc., poderiam pela maneira como agem sobre o organismo, ter diretamente os mesmos efeitos. As hipóteses, em todo caso, sustentadas por Émile Durkheim e validadas para os dias atuais é que grande número de mortes voluntárias não entram em nenhuma dessas categorias; a maioria delas tem motivos que não deixam de ter fundamento na realidade.
Vale lembrar que não se pode, sem fazer mau uso das palavras, considerar todo suicida um louco. Mas de todos os suicídios o que parece mais difícil de discernir que se observam nos homens são os de “espírito melancólico”; pois, com muita frequência, o homem normal que se mata também se encontra num estado de abatimento e de depressão, exatamente como o alienado. Mas sempre há entre eles a diferença essencial de que o estado do primeiro e o ato resultante dele não deixam de ter causa objetiva, ao passo que, no segundo, não têm nenhuma relação com as circunstâncias exteriores. Para Durkheim, nas situações de degredo, como ocorre nas prisões e nos regimentos, há um estado coletivo de formação da consciência coletiva que inclina os soldados e os detentos ao suicídio, diretamente quanto o pode fazer a mais violenta das neuroses. O exemplo é a causa ocasional que faz manifestar-se; mas não é aquele que o cria, e, se o impulso não existisse, o exemplo seria inofensivo. Uma observação sociológica pode servir de corolário. Mas não se enganem o suicídio é uma manifestação de amor.
Em filosofia, metodologicamente “Absurdo” se refere ao conflito entre a tendência humana de buscar significado inerente à vida. Ou, a inabilidade humana para encontrar algum significado. Nesse contexto “absurdo” não significa, “logicamente impossível”, mas sim “humanamente impossível”. O universo e a mente humana não causam separadamente o Absurdo. Mas é o Absurdo que surge pela natureza humana contraditória de ambos existindo simultaneamente. Esta filosofia está relacionada ao existencialismo de Sartre e ao niilismo de Nietzsche, ainda que não deva ser confundido com estes. “Absurdismo”, portanto, como conceito tem suas raízes no século XIX com o filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard. Já como sistema de crença nasceu do movimento existencialista quando o filósofo e escritor francês Albert Camus rompe essa linha filosófica e publica seu manuscrito “O mito de Sísifo”. As consequências da 2ª grande guerra proporcionaram um ambiente  propício para visões “absurdistas”, em especial na devastada França, como as de Emil Cioran.           
O absurdo no ensaio: “Le Mythe de Sisyphe” é considerado um ponto de partida. Trata-se de uma sensibilidade, não de uma filosofia do absurdo. O autor diz isso em parte do prólogo: - “aqui se encontrará unicamente a descrição, o estado puro de uma doença do espírito. Nenhuma metafísica, nenhuma crença foi misturada a isso por enquanto”. Sem lugar a dúvidas, “O mito de Sísifo” é a obra capital do absurdo. Assim como fez Jean-Paul Sartre, ao publicar em 1943 o ensaio “O ser e o nada”, onde tenta exibir a tese da novela “A náusea” (1938), Camus publica o ensaio em que tenta resolver os problemas propostos em sua narração “O estranho”, ambos de 1942. Um dos aspectos relacionados por estudiosos a este ensaio de Camus é o tema do suicídio. Foi analisado magistralmente por Émile Durkheim, mas para Camus, especialmente em sua primeira parte: “Um raciocínio absurdo”. A resposta que Camus tenta diante deste problema, refere-se a um trabalho sobre o sentimento do absurdo, sua gênese, seu conteúdo. Desenvolve o conceito do tempo, como inimigo, para entender a ilogicidade do mundo. O espectro da morte como uma certeza do absurdismo. Bibliografia geral consultada.

ENGELS, Friedrich, Paul et Laura Lafargue. Correspondance. Textes recueillis, annotés et présentés par Émile Bottigelli. Traductions de l'anglais par Paul Meier. Tome II. Paris: Éditions Sociales, 1956; KAPP, Ivone, Eleanor Marx: La Vida Familiar de Carlos Marx (1855-1883): Tomo I. México: Ediciones Nuestro Tiempo, 1979; HARDMAN, Francisco Foot, “Introdução: Trabalho e Lazer no Movimento Operário”. In: LAFARGUE, Paul, O Direito à Preguiça: A Religião do Capital. 3ª edição. São Paulo: Editora Kairós, 1983, pp. 13-20; ELIAS, Norbert, A Busca da Excitação. Lisboa: Difusão Europeia do Livro, 1992; CHAUÍ, Marilena, Introdução de O Direito à Preguiça de Paul Lafargue. São Paulo: Editora Hucitec/Editora da Universidade Estadual Paulista, 1999;  DE MASI, Domenico; MAERK, Johannes, “El Derecho a la Pereza”, de Paul Lafargue. In: Revista Mexicana del Caribe. México. Ano 5, n° 9, pp. 229-237, 2000; DE MASI, Domenico, A Economia do Ócio. Rio de Janeiro: Editor Sextante, 2001;  ALBORNOZ, Suzana Guerra, “Sobre O Direito à Preguiça de Paul Lafargue”. Disponível em: Cad. psicol. soc. trab. Vol. 11 n° 1. São Paulo jun. 2008; DURKHEIM, Émile, O Suicídio. Estudo de Sociologia. 2ª edição. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2011; GUTIÉRREZ-ALVAREZ, Pepe, “La Muerte Escogida de Paul Lafargue y Laura Marx”. Disponível em: http:kaosenlared.net./22/10/2012; LAFARGUE, Paul, La Religion du Capital, suivi de Le Droit à la Paresse, et de Pie IX au Paradis. Paris: Éditions Théolib, 2014; MARX, Karl, Sobre o Suicídio. São Paulo: Editorial Boitempo, 2015; ARAUJO, Ana; AMARANTE, Roger, Que terrível: Karl Marx é o economista mais indicado nas escolas de Economia dos Estados Unidos. In: Crítica Semanal da Economia Política, fev. 2016; entre outros.